DR. AQUINO FONSECA AS 1NJECC0ES HYPODERMICAS NAS CRIANÇAS RIO DE JANEIRO 1886 PUBLICAÇÕES DO MESMO AUTOR Bio-bibliographia do Dr. Joaquim d'Aquino Fonseca- União Medica.-1882. Nota sobre o tratamento da coqueluche pelo emprego da resorcina- Ibíd.-1883. Ainda o bi-carbonato de soda na amygdalite - Ibid.-1883. Discurso proferido por occasiào da manifestação de apreço ao professor Moncorvo - Ibid. -1883. Discurso sobre a morte do professor Aprigio Guimarães, mandado imprimir pelos académicos pernambucanos. Typ. da - Tribuna - Bahia. 1880. Bio-bibliographias medicas - ODr. Pacifico Pereira -Evolução. -1883. A ENTRAR NO PRELO Elaborações jornalísticas - Collecção de cerca de quinhentos artigos sobre vários assumptos, publicados principalmente na imprensa do norte. Ensaios de clinica durante o internato de hospital. EM PREPARAÇÃO Bio-bibliographias Medicas Brasileiras ;- O Dr. Joaquim d'Aquino Fonseca e suas obras, etc., et. SIMPLES ADVERTÊNCIA Foi nosso intuito fazer um trabalho d'ensemble, - que não existe, - sobre hypodermismo nas crianças. E só quizemos despertar a attenção para um assumpto que tem sido até hoje descurado pela pediatria. Para isso tivemos d2 percorrer quasi todo o archivo da pa- thologia e da therapía infantil. Neste trabalho encontram-se lacunas que não procuramos preencher, mas simplesmente apontar, - dando um sentido geral e de algum modo pratico ao valor das injecçoes sub-cutaneas nas crianças. Preferimos ser omisso a ser exagerado, no desenvolvimento de nossas idéas. Quanto á sua orientação sob o ponto de vista de utilitarismo clinico, o leitor inteirar-se-ha por si, visto que a nossa autoridade scientifica quasi nada póde affirmar ou negar. Rio de Janeiro, 1886. DO VALOR THERAPEUTICO DAS INJECÇÕES HYPODERMICAS NAS CRIANÇAS Pour faire oeuvre véritablomont ulilo on Ihérapoutique, il faut bien plutôt chorchor à asscoir les basos d'un ou do plusicurs groupoinents naturels do faits, de façon que lo travail que l'on commonce, si exigu qu'il soit, puisso un jour trouver sa placo dans lo grand travail d'onsomble quo l'avenir seul permettra do moner à bonne fin. Dubooé. Summarxo - O hypodermismo e sua historia - A sua introducção na pediatria : desenvolvimento e progressos desta especialidade medica - Propaganda em favor de seu estudo no Brazil - O Professor Moncorvo e suas idéas - O ensino da pathologia infantil : inauguração de seus estudos no paiz - Estabelecimento do ensino official de pediatria- Valor do hypodermismo - Vantagens de suas applicações na infancia: deducções a respeito - As pretensas desvantagens das injecções sub-cutaneas : consequências que acarreta o hypodermismo ; accidentes sem importância - Medicamentos que podem ser empregados ou tentados na pediatria - Série medicamentosa : o curare, a fava de Calabar, casos de cura e insuccessos, principalmente no tétano- Aconitina - Cicutina - Strychnina e suas applicações - Ammonia - Prata - Morphina: prevenções de seu emprego na infancia-Apomorphina: os preparados opiados nas crianças - Chloroformio: deducção provável - Ether - Chloral - Camphora - Acido cyanhydrico - Bromureto de potássio : experimento pessoal - Atropina : experimento pessoal - Quinino: applicações no serviço de crianças da Policlinica- Acido salicylico - Salicylato de sodio - Pereirina : emprego exclusivo em injecções hypodermicas nas crianças -Antipyrina - Hydrochonos : thalina - Digitalis -Ipecacuanha- Centeio espigado - Veratrina - Cobre - Ferro: experiencias de Rosenthal - Chloruretos - Cocaina- Álcool- Cafeina - Iodo - Mercúrio- Arsenicaes - Oleo de fígado de bacalhau e outras substancias medicamentosas de origem animal: o sangue desíibrinado ; seu emprego pela via sub-cutanea - Purgativos - Pilocarpina - Eucalyptus - Anthelminticos ; santonato de sodio; -expe- riências a respeito;-o sulfato de pelleterina : observação pessoal - Agua - Tannino - Phenol - Resorcina : experimento pessoal - Conclusões - Posologia hypodermica nas crianças - Observações. Ha, certamente, trinta annos que a hypodermia passou a ser um processo auspicioso, apenas, á medicina pratica, e foi Hunter quem deu a expressiva denominação de liypodermico, isto é, debaixo do derma, ao processo sub-cutaneo. 2 Antes, porém, do autor britannico, Rind, seu conterrâneo, já o tinha ensaiado, cabendo-lhe a prioridade nas tentativas utilisadas ou feitas, talvez, por Lynd e Wood. (1) A trajectoria rapida de sua historia, percorrendo os hori- sontes da sciencia na Inglaterra, onde echoou pela voz de Fuller, Gadwel, Cowan e tantos outros, passou pela França, Allemanha, Italia, Estados-Unidos e Brazil. E, archivando factos e observações, os repositorios da sciencia já apresentam provas conducentes á applicação, sem o menor escrúpulo, do methodo hypodermico, perfeitamente de accôrdo com as experiencias de Glande Bernard. (2) Em verdade, a proporção sempre crescente das substancias medicamentosas vai, cada dia, dilatando a esphera de acção, ainda bem limitada, das injecções hypodermicas; e bem poucos pro- fissionaes deixam, mesmo entre nós, de empregal-as, quando registram-se, frequentemente, factos clinicos, coroados pelos mais fructuosos e esplendidos resultados. Subordinado, entretanto, a condições especiaes, lutando com a prevenção de uns e a idiosyncrasia de outros, o methodo hypo- dermico quasi que tem sido unicamente praticado no estádio da pathologia dos adultos. E' tempo, pois, de passal-o ao dominio da pediatr-ia que vai se desenvolvendo agora no terreno da pratica medica, graças á energia e ao impulso que lhe imprimiram, com o caracter de verdadeiro apostolado e proselytismo. (1) Sieveking, de Londres, reclamou a prioridade para Kurzak, de Vienna. (Lanoet, 1861, vol. Io, pag. 309.) Segundo Barthollow, Taylor n'uma communicação á Gazeta Medica, de Nova York, pretendia ter usado, conjunctamente com Was- hington, do meihodo hypodermico desde 1830 ; e este processo lhe tinha sido suggerido pelo methodo de inoculação de Lafargue ; elles se serviram da seringa de Anel.-Langenbek e Rind empregaram lambem o methodo hypodermico que foi depois abandonado pelo da inoculação (Bourneville e Bricon - Manuel des injections sotis-cu tanèes). (2) Leçons stir les effets des stibstances toxiques et mèdicamenUuses. 3 A pathologia infantil não só reclama uma diagnose, como uma therapeutica, verdadeiramente reflectida, prudente e cautelosa. D'ahi o dizer-se, acertadamente, que « póde-se ser muito bom medico para os adultos e muito máu para as crianças ». (3) O estudo das moléstias da infancia, porém, foi no começo do nosso século que attrahiu a attenção dos profissionaes para uma especialisação verdadeiramente fecunda, influenciada pelas inves- tigações anatomo-pathologicas feitas por Sylvain Denis (4); e a pediatria, cuja autonomia não se accentuara até então, alicerciou- se, apezar do contingente esparso das notas e observações legadas pelos trabalhos de alguns e pelos estudos de muitos. A iniciação do alto commettimento, que veio ampliar a delimitação da pathologia das crianças, teve continuadores da estatura de Billard e Berton, a quem coube a transmissão das doutrinas tão bem aproveitadas por Valleix, na systematisação de suas idéas a respeito das moléstias dos recem-nascidos. (5) Tornando-se por essa fórma independente, gyrando numa es- phera de acção própria, que a constituio, - sem umas tantas correlações diffusas, incongruentes, -nessa posição autonômica, de que fallou Giraldes, a pathologia infantil caminha desassom- bradamente numa digressão difficil e cautelosa. E' que pênetrar na communhão biologica da criança, cujas transformações moleculares agem e reagem, reformam-se e modificam-se de uma maneira só apreciável á luz de uma obser- vação perscrutadora, táctil, por assim dizer, eminentemente practica, tornara-se quasi impossível, antes dos progressos rea- lizados pela pediatria nestes últimos tempos. (3) Porque tudo não se limita, como crèm certas pessoas, a reduzir-se dóses; a semeiotica é toda diversa, a pathologia e a therapeutica apresentam modificações particulares, um caracter todo differente. (Hufeland, cit.) (4) Zição na Policlínica-União Medica, Junho de 1885, pag. 295. (5) Lição na Policlínica - idem, idem. 4 Recordal-os, rememoral-os, portanto, - si nos fosse per- mittido assignalar detidamente a sua evolução nos paizes em que mais se avantajaram, - seria o nosso intuito, caso viessemos apontar algumas lacunas que precisavam e urgiam ser preen- chidas, ou despertar estímulos aos que laboram no terreno dessa importante especialidade medica. O nosso proposito, entretanto, já que alludimos ao seu desen- volvimento, é assignalar o pouco com que tem também concorrido o nosso paiz. Antes de 1874 não se cogitava no estudo da pathologia infantil, nem se aquilatava os benefícios que delle proviriam, ao menos, para contemplar-se o quadro negro da mortalidade das crianças (6), apontado á indifferença publica por um notável hygienista e reputado clinico brazileiro. (7) Foi então que o illustre Dr. Moncorvo, em um importante tra- balho (8), poz em relevo a urgência de satisfazer, entre nós, essa palpípante necessidade, desde tanto tempo proclamada pelos mestres da sciencia (9), e, impressionado por semelhante atrazo, propoz-se a incitar a attenção das classes dirigentes do paiz para a situação de abandono e indifferença a que estava entregue a criança brazileira ». (10) Desde aquella epoca, 1874, o Dr. Moncorvo (11), com o ardor de um apostolo, a energia de um convencido, não abandona (6) A magna questão da hygiene da infancia já foi por nós trazida á luz das necessidades publicas ; orgulhando-nos de haver sido o primeiro que tornou sa- liente, ainda mesmo em esboço, o quadro que contemplamos actualmente. Temos fé de poder em breve trazer ao lume da imprensa o proseguimento daquelle nosso escripto. (Moncorvo, Do Exercido e Ensino Medico no Brazil, pag. 68.) (7) Barão de Lavradio - Das causas da mortalidade das crianças no Rio de Janeiro. (8) Do Exercido e Ensino Medico no Brazil. Rio. 1874. (9) Idem, idem, pag. 60. (10) Professor Moncorvo - Lição do curso de pathologia e clinica da infancia,- União Medica-, cit. (11) Publica a Hygiene da primeira infancia, o Regulamento das amas de leite, e outros trabalhos de propaganda scientifica da pediatria, mencionados no Catalogo da Exposição Medica Brazileira. 5 a sua obra de propaganda em favor da infancia, a quem nem ao menos se consagrava um hospital especial, quando tal insti- tuição existe em todas as cidades de primeira ordem na Europa, e em mais de um ponto nos Estados-Unidos. (12) No emtanto os reclamos do Dr. Moncorvo não foram ouvidos, e, muito menos, attendidos ! O rebate dado em nome da despro- tecção á criança brazileira não conseguira despertar a indiffe- rença publica ! Não desanimou, porém, aquelle que patrocinava uma causa, affecta á sciencia e á humanidade. O Dr. Moncorvo dirigio por escripto uma proposta ao Di- rector da Faculdade de Medicina para sustentar a « creação e mantença, á sua custa, de uma policlínica infantil. » Logo depois « suggerio aos Drs Pizarro Gabizo e Lourenço Sampaio, então em Vienna, a idéa da fundação de uma Policlínica Ge- ral » (13), o que communicaram ao Dr. Moncorvo, a cujos esforços, como aos do Dr. Silva Araújo, se deve a realização de tão conhecida e importante instituição de assistência publica nesta capital. Foi então que ao benemerito o sabio medico brazileiro, de- signado para o serviço das moléstias de crianças, coube a glo- riosa satisfação de fundar o primeiro núcleo scientifico dessa especialidade; onde, em conferencias publicas, como em consul- tas diarias, ministra o ensino medico pratico e gratuito a grande numero de estudantes de medicina, os quaes (como já tivemos occasião de dizel-o), acompanham-no, em verdadeira (12) 0 Brazil se acha, por assim dizer, em perfeita unidade relativamente aos soccorros ministrados á infancia desprovida dos meios da fortuna e assaltada pelo flagello das moléstias de toda so.Ue ? ! Quando se resolverá a nossa patria a se erguer ao nivd d >s focos luminosos da civilisação hodierna, em questão de tanta magnitude ? ! (Moncorvo, ob. cit., pag. 60.) (13) Dr. Silva Araújo - Disnirso na inauguração da Policlínica, pags. 19-20. 6 romaria scientifica, escutando o seu ensinamento e meditando nos seus preceitos grandiosos - que constituem valiosissimo repositorio da sciencia medica, tão varia nas diversas feições de nosso clima, de nossa raça - e que formam na pratica consci- enciosa da medicina uma formidável barreira opposta a uma grande calamidade nacional - a mortalidade da infancia. (14) Inaugurado o ensino da pathologia infantil na Policlínica Geral, não tardou a resolução parlamentar que creou uma ca- deira de clinica de crianças, appensa ao curso da nossa Facul- dade de Medicina. Deve-se este grande melhoramento ã alta intuição de sua necessidade e á boa vontade do então ministro do império (15), que mostrou-se, nas reformas do ensino me- dico, traçadas em programma, ao nivel da moderna orientação scientifica. Funccionando, pois, apenas ha tres annos, e sendo ultimamente estabelecida a obrigatoriedade das provas dessa aprendizagem medica, é de suppor que, mais tarde, trabalhos importantes venham honrar os archivos da pediatria. Por nossa parte vimos apenas apresentar certa coordenação de idéas - como exiguo contingente scientifico - ao estudo das injecções hypodermicas na therapeutica infantil. Sem pretendermos adiantar muita cousa, temos em vista submetter á apreciação medica uma questão, que até agora tem passado desapercebida a quasi todos os pediatristas. O assumpto é cheio de complexidade e exige vasto desen- volvimento para se formular um corpo de doutrina sobre o hypodermismo nas crianças. E, sem pretendermos fazel-o, pro- (14) Demonstração de apreço ao Professor Moncoroo ( União Medica, Novembro 83, pag. 485.) (15) Conselheiro Rodolpho Dantas - Relatorio do Ministério dos Xegocios do Império de 1882. 7 curaremos, entretanto, basear a nossa maneira de ver em obser- vações que, de alguma maneira, poderão concorrer ao menos para despertar a attenção dos proflssionaes, quando disso não se tem lembrado, com deducções plausíveis e determinações prováveis, a generalidade dos pathologistas da infancia (16). Comtudo, elles têm registrado observações, e apontam alguns casos em que as injecções hypodermicas têm dado decidido proveito ás crianças, o que, de antemão, não se póde deixar de affirmar, em face dos resultados queellas acarretam nas moléstias dos adultos. Bem poucos ignoram que a hypodermia é, em certos, casos um meio de tratamento posto vantajosamente em pratica, e pre- ferentemente superior a qualquer medicação. E, quanto a nós, toda a vez que o methodo hypodermico fòr indicado e reclamado, devemos soccorrer-nos delle, sem es- crúpulos e prevenções. De notoriedade conhecida, sabe-se, é a rapidez da absorpção pelo tecido cellular sub-cutaneo, não tanto como a da absorpção pelas veias e pela mucosa pulmonar. Isto está hoje plenamente confirmado, e torna-se facílimo á experimentação verificar. Ora, si o methodo hypodermico tem esse valor, e indubita- velmente maior, visto que o medicamento é absorvido com todo vigor, decididamente devemos collocal-o em posição ascendente, culminante mesmo, nas applicações therapeuticas. Tal, porém, não se concebe na pratica medica. Porque os modos mais communs da administração thera- (16) Ainda não ha muito tempo o reputado pediatrista allemão Grehard, fal- lando das injecções hypodermicas nas crianças, apontou os seus inconvenientes e disse nao serem ellas adoptadas, senão excepcionalmente, na pratica medica. (Trattato delle Malattie del bambini, pag. 51 e seg.,edic. italiana, 1880.) 8 peutica, como o processo gastro-intêstinal, o rectal mesmo e o sub-cutaneo, têm applicações especiaes. Nenhum delles é exclusivo, diz-nos a pratica, podendo, entre- tanto, ser preferido qualquer, attendendo-sesempre ás condições do doente, ás circumstancias da moléstia e ao emprego da sub- stancia, que póde não se prestar ás vias de absorpção, mesmo por inaptidão do proprio agente medicamentoso, que póde tornar-se ás vezes inerte ou toxico. Jousset (17) não avançou, effectivamente, um paradoxo, como sesuppõe, em presença dos experimentos de Claude Bernard, quando disse que o methodo hypodermico destina-sc a estender o seu dominio sobre todos os medicamentos energicos. E, realmente, toda a vez que quizermos ter uma acção com- pleta, rapida e prompta, sem vacillação de preferencia ao me- thodo gastro-intestinal, devemos lançar mão delle. Mas, si, em absoluto, podemos proceder dessa maneira, o meio da medicação sub-cutanea tem um valor real e positivo ; tanto mais quando determinam-se as dóses e precisam-se os effei- tos (18); em quanto que, na ingestão medicamentosa por via gastrica, torna-se necessário attender-se ás perturbações organicas ou funccionaes do tubo digestivo, á sensibilidade da mucosa gastrica, que produz dores, e até vomitos, ou á insensibilidade dessa superfície que impossibilita também a medicação interna, e ainda á decomposição exercida nos medicamentos pelas secre- ções gastricas que os invalidam em sua acção absorvente. Ora, é ahi que a pathologia infantil vai encontrar o ponto de partida de suas indagações no terreno de múltiplas e variadas manifestações mórbidas. (17) Do methodo hypod. etc. etc. Paris, 1865. (18) C'est le moyen le plus parfait d'assurer les effets des médicaments et de les mesurer. (Gubier. Ccurs de Thèrap. 1880.) 9 A susceptibilidade que na criança apresenta o estomago que ainda não possue o grande fundo de sacco, de que falia Lesshapt, e que secreta um liquido differente do sueco gástrico cuja proprie- dade é dissolver a caseina do leite materno; a própria impressiona- bilidade desse orgão, são circumstancias de respeitabilidade para não se perturbar a marcha evolutiva do pequeno apparelho. Não são raras as causas de desordens gastricas, provenientes do uso e abuso de alguns medicamentos. Dessa imprevidência póde, perfeitamente, advir até umagastro- ectasia. (19) As condições etiologicas, pois, que aquelles favorecem, bem podem ser de certo modo arredadas pelo methodo hypodermico, que é, ainda assim, de maxima utilidade á pediatria. Além disso, na obstinação das crianças, e na sua repugnância para os medicamentos, se encontram sempre sérios obstáculos para submettel-as ao tratamento pela via estomacal, onde conco- mita a deglutição, de que não póde prescindir, quando aliás são communs os estados morbidos em que ella deixa de se exercer. Desde que Glaude Bernard (20) deixou demonstrada a falta de rapidez e de perfeição do estomago para a absorpção dos medica- mentos, o que é sustentado, aliás, por Gubler (21), o processo hypodermico tende a avantajar-se mesmo ao gastro-intes- tinal. (22) (19) 0 Dr. Moncorvo na sua notável memória, sob o titulo -Da dilatação do esto- mago nas crianças e seu tratamento (em que foi o primeiro a encontrar na anamnese desta moléstia da infancia, não rara, segundo suas observações - a syphiiis e o impa- ludismo- ), diz que o uso prolongado e abusivo de certos medicament s e ordinaria- mente a condição que presidem ao desenvolvimento da gastrite chronica. Esta, de- prehende-se das idéas desenvolvidas pelo erudito professor, coincide sempre com a ectasia gastrica ; e por ventura não a determinará também a acção medicamentosa, quando energica, na ingestão, por exemplo, dos alcaloides, tão communs nas applicações descuidosas? (20) Voie d'absorp. ães medic. (21) O estomago não é um orgão de absorpção, pois ella ahi se effectua de uma maneira lenta e difficil. (Ob. cit.) (22) Relativamente á eliminação das substancias medicamentosas, applicadas em 10 Na therapeutica infantil, comtudo, a via sub-cutanea será sempre preferível ? Só a pratica corrente na pediatria poderá, em tempo, responder a esta interrogação. Por nossa parte, pretendemos simplesmente encadear idéas, no intuito de conhecer certa ordem lógica, muito embora só se possa tirar, em seguida, inducçõesde observações legitimas. Ha, é certo, quem appellc para as complicações locaes, devidas ao methodo hypodermico, para condemnal-o com mais ou menos restricções. Diz-se que delle resultam accidentes, e por conseguinte incon- veniências manifestas. Indaguemos : injecções hypodermicas, o Dr. Hurt, por experiencias feitas no seu instituto pharma- cologico de Getting, chegou aos resultados que passamos a assignalar. Os saes solúveis de morphina, atropina, quinina e strychnina, depois de injectados por via hypodermica, são em parte eliminados pela mucosa gastrica do estomago, o qual, submettido a lavagem, deixa verificar na agua a exisleacia delles, chimica mente, e, em parte, também physiologicamen e. Si as dóses empregadas têm sido grandes e toxicas, a eliminação começa no estomago dez a vinte minutos depois da applicação, e continúa até a morte. Lavando-se o estomago de dez em dez minutos, ou de vinte em vinte mi lutos, desde o começo d > envenenamentoaté á mor e, constata-se a presença do alcaloide em diversas lavagens. Também depiis da morte pode-se demonstrar esse facto. O mesmo se dá com o salicylato de sodio, o clilorureto de mercirio, o de lithium, em quanto que o iodureto de potássio raramen e se apresenta no estomago. Até agora não tem sid > possivel verificar, por meio de experimentos, com injecções sub-cutaneas de pequmas dóses, a presença, no estomago. de ligeiros traços dos alcaloides. Das diversas experiencias, c.itadas por Leeuneder e feitas por outros, que têm observado a p/essão sanguinea e a frequência do pu'so por occasião da applicação das substancias, já por elles experimentadas, parece resultar que a eliminação pela m icosa gastrica apreseata-se, em particular, mais abundante, quando os medicamentos ao menos chegam ao sangue em dóse tal, que occasionem retardamento na circulação e uma menor tensão nos vasos sanguineos. Com ) faz notar Leindmer, a passagem rapida da morphina para o estomago, dep >is das injecções s ib-cutaneas de maiores dóses de sal, explica a anorexia nos mor- phinis as e o facto de, ás vezes, eliminar-se me ios morphina pelaourina do que pelas evacuações, e também o motivo de encontrar-se menos m rphina no figado, quando o envenenamento se dá por injecções sub-cutaneas, do que quando o envenenamento tem logar pe o es omago. A elimi lação da atropina pela mucosa gastrica, quando ha cessação da secreção da saliva e do suor, não tem significação pratica alguma. E da mesma maneira não offerece importância esse modo de eliminação no emprego therapeutico da strychnina; por q lantoé ella administrada hypodermicamente, sempre em dóses muito diminutas, que bastam para produzir os eifeito? desejados. Ao contrario disso, c msidera Leindmer, como possivel, que os saes d1 quinina, que chegam ao estomago por m -io de injecções sub-cutaneas, possam ac uar favoravelmente sobre a di ies ão, como uma esp;cie de medicame ito amargo. ( SchmidVs lahrbucher - Band 204- Heft- 1 lahrgang 1884- Nr. 10.) 11 No emprego das injecções sub-cutaneas realmente observam-se desde a dòr, o emphysema, os abcessos, até a gangrena. Mas a affirmação de que taes phenomenos se patenteam - esó por excepção, notemos bem - quando nos servimos da hypo- dermia, não é razão sujeita a uma pretensa e apregoada inconve- niência. Questionando a respeito desse assumpto, Alfredo Camus pro- cura num conciso e deficiente trabalho (23) arredar «as pre- venções » em que é tido, por muitos, o methodo hypodermico. Resumindo o seu modo de pensar ( que é de muita gente ) ou as suas idéas, contidas no estudo que fez sobre as « complicações das injecções hypodermicas », diremos que a principal causa da dôr é a impulsão do instrumento, não em a camada dermica, mas em algum tronco ou filete nervoso, o que tem dado logar a casos de tétano. (24) Mildon, de Dublin, cita o facto de uma senhora, que, acom- mettida de uma nevralgia dentaria, praticou em si própria injecções de morphina, que provocaram symptomas de tétano ; entretanto, elle affirma não se poder attribuil-o á introducção do medicamento na via sub-cutanea, porque, continuando as suas applicações, a doente restabeleceu-se. Em sua opinião, pois, o tétano foi devido ás impressões com- municadas ás extremidades nervosas. (25) Quanto ao pensar-se com Baulemnie (26) que a penetração numa veia provoca a phlebite, parece impossível, attendendo-se (23) Complications des injections hypoder miques- These, 1880. (24) Ext. (25) Fonsagrives mesmo já relatou dons casos de tétano, consecutivo a picadas hypodermicas, e disse depois não haver razão para proscrever esse methodo, que elle hoje preconisa, como já o aconselhava o sabio Trousseau, dizendo que elle presta ser- viços sm eriores a outros meios de absorpção. (Príncipes de Thérapeutique Générale. pag. 79.) (26) A Gaz. dcs Hosp., 1869, cita casos de phlebites capillares. 12 ao instrumento com que se opera (27) e ao calibre de uma veia sub-cutanea. (28) A puncção bem dirigida até á camada cellular hypodcrmica, de modo a não perceber-se, por movimento de rotação da se- ringa, resistência da rcspectiva agulha, não accusa nenhuma gravidade nem hemorrhagias, salvo em indivíduos predispostos ás diatheses, de que falia Gubler, (29) como a accidentes inflam- matorios graves. Observa-se ainda, como consequências accidentaes dos me- dicamentos no tecido cellular sub-cutaneo, a introducção de um fluido aereo, acarretando a producção de emphysemas, conforme Bahier. (30) Tal accidente é hoje muito raro e sem importância, depois das experiencias de Vibert (31) e do uso commum das seringas de agulha, cujo manejo é conhecido. De resto notam-se accidentes de quasi nenhum valor, que desapparecem ante a pratica rigorosa, instituída no processo ope- ratorio das injecções hypodermicas, de accôrdo com os preceitos estabelecidos por Gubler e outros. Por demais ociosos são os detalhes a respeito do logar em que se deve praticar as injecções hypodermicas. Ha realmente, para alguns autores, pontos de eleição nos adultos (32); mas nas crianças devemos acceitar a recommen- (27) Seringa de Pravaz. (28) Pondera muito bem Camus, these cit. (29) Obr. cit., em que diz haver indivíduos nos quaes as injecções hypodermicas produzem hemorrhagias; e são os de « diatheses hemorrhagicas ». Ila outros que apresentam uma predisposição a accidentes inflammatorios, graves, mesmo phlegmões e gangrenas. (30) Memoire a 1'Aoademie, cit. por Camus. (31) Journal de, Thérapeutique 1875, n. 19, cit. de Camus. (32) Diflerentes circumstancias physiologicas e pathologicas individuaes e mun- danas ainda influem muitas vezes na escolha da região. Assim, convém fugir das regiões muito sensíveis, das regiões em que se tenham dado inflammações e ecchy- moses consecutivas, Onde a camada adiposa fòr muito abundante, das regiões em que 13 dação de Bartholow (33), e preferir os braços, a região externa das coxas, as pernas e abdómen, e as costas. Somos dos que pensam como Gubler, relativamente ás expe- riências de Eulemberg, na gradação estabelecida para determinar o poder absorvente das varias regiões, em que se praticam as injecções hypodermicas. E basta saber-se que existe mais rapidez de absorpção « nas regiões vascularizadas e de mais elevada temperatura, como as correspondentes ao lado da flexão ». (34) Ponderaremos, finalmente, antes de entrarmos em outra ordem de idéas, que o Dr. Sauly (35) admitte a não tolerância do tecido cellular, quando existe uma alteração profunda do organismo, devida á febre typhoide, á suppuração prolongada, ou á tuber- culose pulmonar. E elle cita casos em que o emprego das injecções de bromhy- drato de quinino determinaram escharas, jãmais observadas por nós, mesmo no ultimo periodo da phtisica (36) e na dothi- nenteria de Bretonneau. Esses accidentes, como outros de irritação e inflammações, são muitas vezes devidos a corpos estranhos, contidos nas substancias injectadas. São facilmente evitados taes phenomenos, que, si não inutilizam a pelle não se deixa facilmente levantar emprega e das regiões muito ricas em vasos. Convém fugir também das regiões que sejam ainda a sédede affecções que difficultem a absorpção e onde o traumatismo possa ser funesto. Em geral, deve-se preferir uma região habitualmente coberta, e a que melhor satisfaz a todas as condições e a ge- ralmente preferida é a região externa do braço no ponto da inserção inferior do deltoide. (Ext. da these inaugural do Dr. Eduardo de Menezes.) (33) Manual of hypodermic medication, 1870. (34) Gubler, obr. cit. (35) Journal de Thérapeutiquej 1876. (36) Jaccoud menciona cerca de 46 injecções de salicylato de sodio na febre da tuberculose, sem que as escharas se apresentassem num só caso. (Curabilité de la phtisie pulmonaire, 1881. 14 o exito da injecção, previnem contra ella o espirito do doente e desgostam a practica medica. Attentemos para isso. E a norma de proceder será ter toda cautela no emprego das soluções destinadas á medicação sub-cutanea. Torna-se indispensável que ellas, em geral, não contenham crystaes provenientes das soluções concentradas que deter- minam irritações locaes; mantendo-se, portanto, todo o rigor n i solubilidade das substancias (37), como também attendendo para os «filamentos» que ahi se apresentam com a espontaneidade peculiar á sua procedência. (38) Examinemos agora a serie de medicamentos que têm sido empregados ou podem ser tentados na pathologia infantil. (39) Para enumeral-os seja-nos permittido admittir a classi- ficação que julgamos mais conveniente. (40) Começaremos pelos paralyso-motores, ordem dos modifi- cadores da inervação. PARALYSO-MOTORES I - Curare - Pela rapidez dos seus effeitos e determinação especial sobre os nervos motores, este agente medicamentoso só (37) Gubler estabelece regras, preciosas na pratica, para a determinação do grau de solubilidade das substancias pouco solúveis, mais solúveis, ainda mais solúveis, e dez vezes mais solúveis. No primeiro gr >po está a ergotina, bromhydrato de qui- nina, etc. ; no segundo - o curare, etc. etc. ; no terceiro-morphina, veratrina, strychnina, etc. etc. ; e no quarto-atropina, nicotina, eserina, aconitina etc. etc. (Obr. cit.) (38) São verdadeiras algas, segundo a classificação de Gubler, taes vegetaes in- feriores. (Obr. cit.) (39) Acudimos aos reclamos da natureza do assumpto que nos occupa, para taes considerações prévias sobre o methodo hypodermicoe seus resultados. (40) E'sabido que as classificações vat iam conforme os autores, sendo difficil esiabelecer preferencia, ou escolha de alg ima, a não ser fundada sob o ponto de vista da acção physiologica dos medicamentos; e é o que seguimos por ser mais scientifico, adoptando, portanto, a classificação de Rabuteau, segundo as modificações, mais ou menos, de Berlioz. (Manuel de Thcrapeutique, 1884, pags. 32-34.) 15 tem sido utilisado pelo hypodermismo. O seu emprego, por este meio therapeutico, figura raramente no quadro nosologico da infancia, registrando-se apenas obtenção de cura de espasmo da glotte (41) e de tétano (42). Na choréa, epilepsia, meningite espi- nhal, hydrophobia, tico convulsivo e envenenamento pela stry- chnina, podemos aconselhar o curare. II - Fava de Cainbar - E' a eserina, principio activo desta leguminosa, que temos visto empregar em injecções hypo- dermicas, durante a nossa pratica em hospitaes. Entretanto alguns profissionaes appellam para a facil decom- posição do alcaloide, como para a difficuldade do preparado que é muito instável, como é sabido, e dão preferencia á solução do extracto da fava de Calabar, que no trismus das crianças recem- nascidas já foi empregada (43) e bem pode ser utilisada nos mesmos casos do curare. (44) lli - Aconito- O seu principio activo, a aconitina, póde applicar-se em injecções hypodermicas, com resultado, na infancia, principalmente na broncho-pneumonia e outras affecções mais ou menos agudas do apparelho respiratório, nas nevralgias, nas febres exanthematicas, nas cystites trauma- (41) Dr. Paul Bórnel,s- lahrbiich der practischen medicin- 1885, S. 408. (42) No Annuario de Schmidt, cit. pag. 240 e ssguintes, tomo 204, anno de 1881, vêm mencionadas algumas observações de tétano nas crianças, sendo dous casos de eira, e dous de morte, trat dos pelas injecções hypodermicas de curare. (43) Eschenb irg, de 1 a 5 gottas de uma solução aquosa de extracto de fava de Calabar. (Bonrneviile, obr. cit.) (14) Verret registro i um interessante caso de tétano de um recem-nascido, tragado pelas injecções sub-cutaneas desse agente therapeutico. Hev. Meas. des Mal. de 1'Enf., 1883, pag. 251.) N j tomo do Annuario de Schmidt, citado, pag. 240 e S'g., Paul Wagner narra varias observações de tétano na infancia ; serviu do-se elle da fava d j Calabar em injecções hypodermicas. Henoch diz te'-as empregado (dós' de 0,005, tres a quatro vezes por dia) sem resultado no trismus do recem-nascido, emquanto que outros (Monti) assignalam s iccess >s com este teatamen o. (Leçons Cliniq. sur les Mal. des Enf., pags. 25-26, 1885.) No mesmo Annuario, cit., referem-se tres casos fataes, em que foi empregada a fava de Calabar por via sub-cutanea. (Pag. 240 e seguinto» A 16 ticas, no rheumatismo polyarticular, no tétano, na asthma, na artlirite deformante e na coqueluche. Será sempre preferível o nitrato de aconitina na dóse de 4/a a 1 milligramma. IV - Cicutina - Esta substancia, também chamada co- nicina, carece de vulgarisação (45) no methodo hypodermico da infancia. Comtudo, já ensaiaram o seu emprego na coque- luche com algum exito(46), mas o Dr. Beaumetz não acredita em seus resultados. (47) Elle empregou ainda especialmente o bromhydrato de cícli- tina na laryngite stridulosa ou falso croup. ( 48 ) EXCITADORESREFLEXOS I - Strychnina - Tem sido aproveitado hypodermica- mente este medicamento no catarrho suffocante, como nas para- lysias e prolapsus rectal da infancia (49), atropina muscular progressiva, paralysias diphthericas e nas reflexas, consecutivas á febre typhoide, á varíola, ao sarampão e escarlatina (50). Pela sua acção estimulante aconselha o sabio mestre Torres Homem, sobafórmade sulfato, em casos de cachexias palustres sub- mettidas a conveniente tratamento. (45) 0 Dr. Tuloup, na sua thescde Dromhydrate de conicine, dá preferencia, para sua administração, á via estomacal, porque nella a conicina é mais rapidamente absorvida e é mais activa. ( Ext. ) (46) Annuaire de Bouchardat, pag. 33, ext. de Bourneville, obr. cit. (47) Leçons de clinique thêrapeutique, 1880. (48) A solução a empregar-se deve ser de 20 a 30 centigrs. de bromhydrato, de preferencia, para 10 grs. de agua de lo iro cerejo. (49) Luton, Wood, e outros, citados algures. (50) Na debi'idade das crianças, devida a uma affecção, de que falia e apresenta observações A. Bois. (Deli meth. des inject. etc., etc. 1864.) 17 Em nosso internato de hospitaes tivemos occasião de ver o grande proveito da practica recommendada pelo notabilíssimo professor de nossa Faculdade de Medicina. Bois ( 51) refere casos de incontinência de ourina das crianças curadas pela strychnina ; e assignala mais duas observações da mesma affecção em dois pequenos doentes, um de 4 annos e outro de 9. Em um menino de G mezes diz elle ter praticado no perineo injecções (1 millig. ), auginentando progressivamente a dóse. Este pratico ainda aconselha tal substancia, hypodermica- mente, no prolapsus do rectum da infancia. Henoch, conhecido pediatrista da Policlinica, como da Uni- versidade de Berlim, tem tido occasião de servir-se da viahypo- dermica para applicações da strychnina ; começou, ensaiando-a num caso de choréa infantil, e obteve um resultado sorprendente que elle conheceu, bem depressa, ser apparente e fortuito. ( 52 ). Ainda tentou, sem resultado, esse medicamento na mesma enfermidade,conhecida também por dansa de S. Guido, e «talvez a mais frequente de todas as nevroses que affligem a infancia » (53). Numa interessante observação, Henoch diz ter ministrado num caso de hysteria as injecções strychnicas (0,002 por dia ), que, sem effeito real a principio, foram depois continuadas (0,003 por dia), tobtendo-se o restabelecimento do pequeno doente. (54) Oillustre professor de Berlim, proseguindo em suas verifi- cações a respeito da strychnina, fel-a actuar pelo methodo sub- cutâneo na paralysia cspinhalda infancia, no prolapsus do rectum, (51) Obr. cit. (52) A dóse empregada foi de 0,002 a 0,003 por dia. (53) Henoch, ob. cit. pag. 147. (54) Idem, idem, pags. 167 e seguintes. 18 na enurésia, sem exito, a que elle nem mesmo chegou num caso de diphtheria com perturbações de motilidade (55 ); entretanto depois empregou com successo as injecções strychnicas nas paralysias diphthericas, confessando-se preconisador desse meio de tratamento, que foi elle o primeiro a ensaiar, embora já aconselhado por Trousseau, mas sob a fórma de xarope de stry- chnina. (56) li - Anunoniaeae* - Os compostos da ammonia, empre- gados, como excitantes diffusivos e sudoríficos, têm sido admi- nistrados em injecções na syncope alcoolica e nas mordeduras de cobras, sobretudo ; mas a applicação, hoje conhecida até na índia, do permanganato de potássio, reduz os ammoniacaes a nenhuma importância em taes casos. Zulger empregou a ammonia anizada (5:1) com successo na cholera dos adultos, nos accessos perniciosos, sendo as suas tentativas confirmadas por outro experimentador, Robele. III - r*jrata (57)- Rosenthal julga inconvenientes as in- jecções sub-cutaneas de sulfato de prata e sodio, de albuminato de prata e de pyrophosphato de prata, - empregados recente- mente, e muito em particular recommendados por Eulemberg, - por isso que esses preparados alteram-se facilmente e produzem irritação local. Elle serve-se do acetato de prata (preparado por precipitação do nitrato de prata pelo acetato de sodio); este sal apresenta-se como um pó de côr branca acinzentada, crystal- lino e solúvel em 100 partes d'agua. Sendo dissolvido, recente- mente, na proporção de 5 centigrs. para 10 grs. d'agua, e inje- ctado na proporção de 1/2 seringa, não produz irritação local. (55) Idem, idem, pags. 194,419,494, 580. (56) Idem, idem, pag. 590. (57) Consideramos a prata na ordem dos excitadores reflexos porque, conforme Berlioz, tem acção analoga á dastrychniua. (Obr. cit. pag. 62. ) 19 Em 4 casos de tabes essas ultimas injecções produziram notável minoração nas desordens ataxicas. (58 ) Portanto os effeitos dos preparados de prata merecem ser apreciados nas moléstias das crianças, em que se têm empregado as injecções de strychnina, por certa « analogia de acção », si con- siderarmos a prata, como Berlioz (59), na classe dos « exci- tantes reflexos ». MODERADORES REFL12XOS I - Morpliina - Os opiáceos, considerados sob o ponto de vista dessa ordem physiologica na therapeutica moderna, compre- hendem o opio e seus alcaloides, os quaes têm a practica medica bastante aproveitado no hypodermismo. D'entre todos éa morphina o mais vulgarizado. Sem querermos, porém, particularizal-o, visto que trata-se de um agente geralmente pouco utilisado até agora na thera- peutica infantil, acreditamos todavia ser infundadas as preven- ções de alguns, como os escrúpulos de outros a seu respeito; e cujo exclusivismo chega até ao exagero de West (60) que só acon- selha loco dolente, contra o symptoma - dôr, os saes dessa tão preciosa substancia medicamentosa. Entretanto, Henoch cita o facto de uma criança, que tinha uma ascite e um ligeiro derramamento pleural, sem ter diarrhéa, mas tenesmo quasi continuo, refractario aos meios purga- tivos. Pois bem; as injecções hypodermicas de morphina (0,005 tres vezes por dia) vieram fazer desapparecer inteiramente (58) Pag. 134 do .4nnua)*io Sc7i»ndí's, tomo 204, 2o caderno - anno de 1881 - n. 11. (59) Vid. pag. 62, ob. cit. (60) Man. des Malad. des Enf. 20 esse estado penoso, consecutivo a uma nephrite (61). Somma, de saudosa memória, e muito conhecido na Italia pelos seus trabalhos sobre moléstias da infancia, propoz, além dos meios derivativos e inhalaçõcs do chloroformio, as injecções de morphina para o tratamento da hypertrophia do thymus e da stenoso tracheal acompanhada de dyspnéa, cyanose, dilatação das pupillas c das veias, asphyxia gradual, convulsões. (62) Acreditamos que em quasi todos os casos, realmente, de applicação nos adultos (63), nos quaes aliás tem-se usado e abu- sado desse alcaloide, o methodo sub-cutaneo será um valioso recurso á pathologia da infancia (64) quando houver indicação para a morphina, ou outro opiáceo, como a codeina e apomorphina. Esta substancia, especialmente, pela preciosidade de sua acção vomitiva, prompta e energica, destina-se nas crianças á adminis- tração exclusiva por via hypodermica, nos casos tão communs de rebeldia ás applicações medicamentosas pela bocca. E a vantagem que resulta desse agente, já aproveitado por alguns pediatristas, bem merece o valimento autorizado de Dujardin-Beaumetz (65), que o aconselha na laryngite pseudo- membranosa, como expectorante ; devendo-se, porém, attender aos seus effeitos toxicos, como aos que podem determinar uma asphyxia á falta de hematose. 0 chlorhydrato de apomorphina é recommendado na infancia (61) Obr. cit., pag. 469.. (62) Paul Bõrner, zlnn. Schmidfs, 1885, pag. 317. (63) Wint3rassignalauincasadeteta.no curado hypodermicamente pela mor- pliina; outro caso de successo ainda por esse meio concomitantemente com outras medicações, mencionando mais dtias observações de completo insuccesso. (.dnn. Schi- widt's cit.) (64) O Dr. Gonzaga refere uma observação, de Berguel, muito notável pelo emprego das injecções de morphina na coqueluche. Tratava-se de uma criança de 3 annos com accessos seguidos de vomitos. (2'hese de concurso, 1877.) (65) Obr. cit., pag. 634, v. 2. 21 por Boehm e Riegel (66), e outros muitos. Edward Ellis indica no tratamento do croup, como vomitivo (67), na dóse de 1 a 2 milli- grammas. Henoch, porém, diz (68) que as suas experiencias não permittem um julgamento definitivo a respeito da apomor- phina na broncho-pne imonia ; e D'Espine et Picot declaram não empregal-a em tal moléstia, por temer o enfraquecimento do musculo cardíaco. (69) Eichberg empregou com successo num caso de convulsões, consecutivas a perturbações gastricas, uma solução de 0,05 em 6 grammas de agua distillada. (70) Quanto á codeina, menos narcótica e mais toxica dos alca- loides do opio, só tem sido usada hypodermicamente sob a fórma de chlorhydrato nos adultos. (71) Sendo, portanto, os preparados de opio de grande vantagem nas moléstias das crianças, deve o hypodermismo aproveital-os na pediatria, sem attender-se para a proscripção tentada contra elles pelo sabio Trousseau. Porque a acção suporifica do opio na criança se exerce também no adulto : a idyosincrasia póde ser consentânea com o organismo de ambos. D'ahi «certa impressionabilidade» para esta substancia; e que póde apresentar-se em qualquer idade, como deixa entrever JulioSimon. (72) (66) Bournévillé, obr. cit. pag. 22. (67) Idem, idem, idem. (68) Manuel de Mal. del'Enf. pag. 306. (69) Obr. cit., notada pag. 291. (70) Ob. cit., pag. 641. (71) Erlenmeyer ssrviu-3e de - (chlorliyd. de codeina 1 gramma, agua distillada 12 grammas) nas nevralgias, sem successo apparente. Reinner nas moléstias mentaes (6 a 12 centigrammas). Piedrache fez uso com successo em dons casos de nevralgias. (Bournévillé, obr. cit. pag. 50.) (72) Michalski observou seus effeitos num caso de nevralgia frontal num indi- víduo que soffria d' lesão organica do coração, e em que uma injecção de morphina determinou vomitos rebeldes, conseguindo com o chlorhydrato de codeina uma tole- rância completa, noite calma e a cessação completa e constante da dôr. (Ext.) 22 II - Chloroformio - As injecções chloroformicas, empre- gadas pela primeira vez pelo proprio autor da hypodermia, têm servido nas dores locaes, nas nevralgias, no tico doloroso, nas sciaticas antigas e nas cólicas hepaticas. Dop diz ter feito, sem o menor incidente, cerca de cem injec- ções hypodermicas sub-mucosas de chloroformio em casos de ontalgia. (73) Vários profissionaes em sua practica empregaram-no pelo methodo sub-cutaneo, com resultados tanto mais satisfa- ctorios, quanto a sua acção é analoga á da morphina, como anesthesico local; sendo, como hypnotico, superior a essa sub- stancia na pediatria, porque « o somno pelo chloroformio se acom- panha de anemia cerebral», quando o opio e seus preparados actuam de uma maneira electiva sobre os capillares do cerebro, -sabem todos-, dilatando-os, congestionando, em summa, esse orgão, já predisposto na infancia a congestões. O nosso modo de ver, portanto, e que julgamos não se ter ainda assignalado (em deducção obrigada pela acção antagonista desses dous medicamentos, especialmente sobre o encephalo), (74) é de maxima importância em suas applicações nas crianças. O valor therapeutico do chloroformio, parece-nos, não tem sido, sob esse ponto de vista, bem aquilatado pelos pediatristas. Cumpre dar-lhe a devida importância. (73) Injections chlorof. sous-muq.-1872. (74) 0 opio concentrando principalmente a sua acção sobre o cerêbro, a quantidade ponderável de uma dóse deste medicamento, dissolvido na massa total do sangue, exercerá a sua acção cerebral proporcional á quantidade de sangue que chega ao encephalo; tendo portantoem conta a actividade maior de sua circulação na infancia, resulta que o cerebro é posto, em um tempo dado mais vezes em relação com o sangue carregado de opio, até que a combustão intravascular ou o jogo das valvulas elimi- nadoras obtenham desembaraçar desse agente. (Ext. de Fonsagrives, obr. de therap.) 23 A dosagem a empregar-se na infancia poderá ser de 50 centi- grammas a 1 gramma de chloroformio, mais ou menos, conforme a idade. Ili - Etiiei' -O valor clinico deste rápido e energico ex- citante está hoje no domínio de todos. E confirmado exuberantemente nas moléstias da infancia, (cholera, febre cholerica, febre typhoide adynamica, febre perni- ciosa-algida, nos casos de profunda adynamia, coma profundo, collapsus e hypothermia), avantaja-se cada dia nos dominios do hypodermismo das crianças. Em nosso internato de hospitaes, tivemos muitas vezes ensejo de observar os mais esplendidos resultados das injecções sub- cutâneas de ether, que são frequentemente empregadas pelo Professor Moncorvo na Policlínica Geral, onde vimos a quasi resurreição de um pequeno doente victimado por uma broncho- pneumonia agudíssima, e cuja observação exaramos adiante. Henoch, para citarmos sómente casos de recentes observações clinicas, allude aos sempre aproveitados ensaios das injecções de ether e de camphora na cholera infantil (75); aconselhando-as na scarlatina em periodo mais ou menos de graves complicações, como no collapsus da febre intermittente. (76) Os professores de Génova, D'Espine et Picot, indicam o ether pelo methodo hypodermico na broncho-pneumonia (77); podendo ser ensaiado na ast/una nervosa de que falia Politzer (78), na dyspnéa do emphysema pulmonar, que as vezes vem complicar, como também a própria asthma, a bronchite chronica (79), e (15) Henoch, ob. cit., pag. 394 e 537. (76) Idem, idem, pag. 617. (77) Manuel Practique des Maladies ãe VEnfance,pag. 642. 1884. (78) D'Espine e Picot, ob. cit. pag. 621. (79) A bronchite chronica não se complica senão excepcionalmente nas crianças de asthma e emphysema pulmonar. (D'Espine e Picot, ob. cit. pag. 621.) 24 numa das complicações respiratórias da dyspnéa infantil, « dqscripta por Henoch, sob o nome de asthma dyspeptica». (80) IV - Cliiovai - Como hypnotico mais rápido e prompto, seria preferível á morphina, caso não produzisse em injecções sub-cutaneas dór muito intensa, escharas e ulcerações. A pediatria, pois, deve banil-o do seu dominio therapeutico, desde que tem no hydrato de cliloral succedaneo precioso; e nas crianças é de melhor proveito a sua administração pelo methodo gastro-intestinal e rectal. Henoch aconselha-o, entretanto, nas convulsões violentas da meningite simples. (81) O chloral hydratado não se emprega hypodermicamente, além de tudo, por ser pouco soluvel na agua e na glycerina. Ha, não obstante, quem só o tenha empregado para combater insomnias e com vantagem superior aos outros meios de tratamento (82). ANTISPASMODI<< >S I - Campliora - Por sua acção sobre o systema nervoso, cuja impressionabilidade na infancia é notoria, torna-se este producto das laurinaceas e de outras plantas aproveitável nas moléstias das crianças, e em muitos casos em que o ether é utilisado isoladamente, ou com elle, que é um diminutivo dos anesthesicos, como o chama Rabuteau. Henoch lembra os seus ensaios na cholera infantil, em conco- (80) D'Espine, ob. cit. pag. 494. (81) Obra cit. pag. 495. (82) Winter menciona uma observação de tétano, tratado pelas injecções sub- cutaneas de chloral (2 decigrammas), depois do emprego de vários medicamentos. (Ann. Schmidfs.) 25 mitancia com o etlier, (83) na escarlatina (84) e na nephrite, quando se apresentam os symptomas de collapsus (enfraqueci- mento, pallor do rosto, pequenliez e irregularidade do pulso, res- friamento das extremidades, etc ); (85) sendo, finalmente, esse antispasmodico indicado na pediatria em vari s affecções adynamicas, em que geralmente se tiver de applicar o etlier. (8G) II - sVcido cyanliydrico - Determinando, quando appli- cado na pelle e nas mucosas, verdadeiras escliaras, o acido cyanhydrico, mesmo em uma solução aquosa, como tem sido empregado hypodermicamente, produz dôr muito mais viva que a morphina, da qual é, entretanto, excellente veliiculo o conhe- cido preparado cyanico, agua de louro-cerejo, para as injecções sub-cutaneas. Nas affecções das crianças, pelo methodo que nos preoccupa, nada nos consta do emprego desse antispasmodico. MODIFICADORES DA INNEiH AÇÃO [NERVO-MUSCULARES I - Bromureto de potássio - Pela via hypodermica não temos noticia de ter sido empregado até hoje na medicação infantil. (87) (83) Wertel em 142 tentativas de injecções hypoclermicas só contou 18 insuccessos. (Ext.) (84) Obra cit., pag. 537. (85) Henoch propõe na escarlatina, das crianças, com febre muito intensa, a camphora em injecções sub-c itaneas, sob a seguinte formula: - Campliora em pó - 6 centigrammas,- álcool rectiíicado e agua distillada 5 grammas. (Ann. de .\led. Prat. de Paul Bòrner, 1879, pag. 387.) (86) Obra cit., pag. 480. (87) Voisin, qu? b m estudou a acção curativa do bromureto de potássio na epilepsia, nem ao menos faz referencia ao seu emprego pela via s ib-cutanea (Vou- veau diction. de Med. et de Cirurgie Pratiq.- T. XIII.- Quanto aos pediatristas não nos consta até hoje terem lançado mão desse meio de tratamento nas crianças. 26 Um caso, porém, que se nos deparou de epilepsia, e o es- plendido successo obtido pela administração sub-cutanea do bromureto de potássio nos autoriza a aconselhal-o em tal affecção. (88) E a isto additaremos apenas que o resultado colhido por nós, e se patenteia na observação que figura em logar competente, foi inspirado em outro caso de epilepsia, mas num adulto, sem termos então conhecimento dos factos, de grande valor clinico, narrados por Frigerio. (89) O Dr. Domingos de Sá, profissional brazileiro de grande senso pratico e intuição medica, distinctissimo cirurgião interno do Hospital de S. João Baptista, de Niterói, informa-nos ter empregado também o bromureto de potássio, hypodermica- mente, numa criança de 10 annos, mais ou menos, que soffrera de convulsões consecutivas a uma perturbação digestiva. Impos- sibilitada de exercer a deglutição medicamentosa, foi submettida a injecções hypodermicas. O illustre profissional serviu-se da dose de 2 centigrammas dessa substancia para 2 grammas de vehiculo, administrada de uma só vez na região deltoidiana de ambos os braços. Os effeitos de tal medicação não se fizeram esperar muito tempo e as convulsões cessaram completamente. O bromureto de potássio póde ser tentado em injecções sub- cutâneas, além da epilepsia, nas desordens nervosas da infancia, nas convulsões, na excitação espinhal, tãocommum nas primeiras idades, na insomnia, agitação nervosa, laryngite stridulosa, etc. (88) No hypodernismo dos adultos o seu emprego therapeutico tem sido feito por Mac-Lood nas affecções mentaes, na eclampsia e na loucura puerperal ; e por Bartliolow na angina do peito, gastralgia e vomitos. (Ext. de Bourneville, ob. cit. pag. 5.) (89) No Archivo Italiano per le moléstia nervosa lê-se, segundo o Progresso Medico, de 7&, que o Dr. Luigi Frigerio empregara na epilepsia o bromureto de potássio em injecções hypodermicas. 27 II - Atropina - Quasi que este alcaloide tem sido sómente empregado no adulto, sob a fórma de sulfato, valeriannato e salicylato. A sua vulgarisação, tentada por muitos, nenhum apoio en- contra na observação clinica, desde que a atropina, em suas citadas applicações, limita-se a combater os symptomas clôr e insomnia, a que, por sua vez, neutraliza, com a maior vantagem, a morphina. Com tudo, Gouday (90) já chegou a avançar que « sua acção é sobretudo notável quando se trata de dôres externas : - as dôres das vísceras são melhor tratadas pelo opio ». Na pediatria não se tem generalisado o emprego das injecções hypodermicas de atropina (91), visto que seus succedaneos, como a morphina, preenchem o fim de suas applicações, sem a in- conveniência de effeitos tão energicos quanto insolitos, e da lenta eliminação de uma substancia, cuja susceptibilidade accusam logo as crianças, segundo a opinião dos seus proprios vulga- risadores. Sconpri recommenda as injecções hypodermicas de atro- pina nas convulsões uremicas, na choréa violenta (Trousseau), juntamente com a morphina. (92) Segundo a pratica do professor Courty, de Montpellier, já tivemos occasião de fazer, com resultado, injecções de sulfato de atropina no trajecto do nervo pneumogastrico de uma criança para combater accessos asthmaticos. (90) Das injections médicamenteuses sub-cutanées et plus spécialement des in- jections de sulfate d'atropine dans les nevralgias. (Ext.) (91) No Ann. Smidt, cit., vem assignalado um caso de incontinência de ourina, tratado pelas injecções hypodermicas de atropina (1 milligramma de cada vez, durante 8 dias). A observação é de uma moça de 14 annos que desde o nasci- mento soffria de enuresia nocturna. (92) Ed. Ellis, Manuel Pratique des Maladies de VEnfance, 1881, pag. 483. 28 Participando da mesma natureza da atropina, a daturina, a hyoscyamina e a nicotina, posto que utilisadasem injecções sub- cutâneas nos adultos, não têm sido empregadas na pathologia infantil. Si, porém, foram utilisadas com successos -(no tétano (93), as- tlima, angina pectoris, tico convulsivo (nicotina (94), no espasmo do esophago, consecutivos a accessos hystericos (95), na epi- lepsia (93) e nas nevralgias sciaticas (97), na ataxia locomotora (97), na sclerose (99), na paralysia agitante, (hyoscyamina (100), e no emphysema pulmonar, nas nevralgias, tétano, tremores di- versos, (daturina) (101), - podem essas substancias ser en- saiadas nas moléstias das crianças. III-Quinina- Pensamos que o utilitarismo pátrio deve ser collocado em primeiro logar e ter, pois, primazia sempre ascendente, quando se trata de reivindicar nomes á historia da medicina universal. Porque a sciencia brazileira vai-se affirmando pelos seus úl- timos contingentes de trabalhos, cheios de novos e proveitosos inventos, nos grandes centros dos conhecimentos humanos. Queremos alludirá descoberta do sulfato de quinino, a qual se attribue geralmente a Pelletier e Caventou, quando a priori- dade de tal processo pertence a Bernardino Antonio Gomes (102). (93) Jousset. (5:7) com esplendido resultado. (Ext.) (94) Bartholow empregou-a com successo superior ao de todos os medicamentos, no '-'tajo, e a indica na asthma, na angina pectoris, cólicas e tico convulsivo (Ext.) (95) Torres Homem, observ. public. no Progresso Medico, pag. 29. (93) Reinhard, Laurent, Grary, Lepedi e Rim, cit. por Bourneville. (97) Verneuil, cit. pelo mesmo. (98) Lamson, idem. (99) I lem, idem. (10) Bourneville. (101) Ler iot, Oulmoni e Laurent, cit. por Bournneville. (xO?) B. A. Gomes réussit le premier en 1800 à obtenir les príncipes actives du 29 Em questão de prioridade tem sido a medicina brazileira, muita vez, esbulhada, - é preciso repetir-se sempre. Foi assim que Bouchut, sabidamente, quiz se apoderar das investigações, de uma originalidade rigorosa, do Dr. Moncorvo, sobre a carica papaya -(103)-Paff-dapereirina- do Dr. Ezequiel, como outro - da cayaponina - do distincto pharmacologista Andrade. Voltando, piirém, ao sulfato de quinino : -julgamos caber a Pehan Dufeillay, em primeiro logar, a sua applicação por meio do methodo iiypodermico. Alguns autores, é verdade, attribuem a Schachaud o emprego dessas injecções sub-cutaneas; mas desde principio ellas passa- ram a ser conhecidas, por - solução Pehan-como uma signifi- cativa lembrança de quem as iniciou na pratica medica (104). Em nosso paiz foi o introductor do hypodermismo para o em- prego do sulfato de quinino o Dr. Joaquim d'Aquino Fonseca, que já applicava esse poderoso antithermico em grande escala, quiniquina en traitant un extrait alcoolique da l'écorce par de l'eau, ajoutant à la solution da la potassa caustiq :e et faisant cristalliser Je precipité dans 1'alcool. (Memória da Academia Real da Sciencias de Lisboa, 1812, vol. 3o, paq. 202 a 217. Les propriétés basiqn "s de la substance ainai obtenue et nommée par Gomes - cin- chonine- f reni etudiées. dans le laboratoire de Ténard , po r Ha ita i - Labillar- dière, et communiq tée à Pelletier et Caventou. Pelletier et Caventou d montrèirent que cette s ibstance était formée de de ix alcaloides distincts qu'ils nommèrent quinine et cinchonina. (Ann. de clin. et de Physiol. 188,20 XV, 292.) (Extrahi lo da obra de Thicheger, citada pelo Dr. Melloe Oliveira em s a V.ese doctoral, onde, faz ?n do cri- teriosas referencias a respeito de uma memória de Bernardino Gomes sobre a « cin- chonina », diz que Pelletier não fez mais que realizar as indicações do sabio bra- zileiro. (103) Para que fallar-vos das investigações, tão originais, sobre a «rÍM papaya, que motivaram a celeb re questão de prioridade com o illustre professor Bonclut, questão tão < ebatida nos periódicos médicos francez.es, cabendo a victoria, no tribuna aba- lizado dessa imprensa, ao professor brazileiro ? E sabeis que, sobre, st uma des- coberta scientifica de transcendente valor, p.ide também trazer para o paiz notável fonte de renda, animando a exploração de um producto tão abundante em nossa flóra. (Dr. Silva Araújo, União Medica n. 11, 3o anuo, pa.q. 195.) (104) Camus diz que Dodeuil renovo i no mesmo atino os ensaios de Pehan, e, a conselho de Cl. Bernard, substituiu o acido sulfurico, para a solução quinica, pelo acido tartarico. 30 e larga manu, nas febres perniciosas, como na febre ama- rella (105). Sendo o sulfato de quinino o menos solúvel dos saes de quinino, foi substituído pelo bi-sulfato. A solução, porém, geral- mente empregada, pelos médicos brazileiros, é a de bromby- drato, hoje tão preconisada até na febre symptomatica da t.iber- culose. Depois das primitivas applicações feitas, pelo Dr. Aquino Fonseca, em Pernambuco, Drs. Nuno de Andrade (106), Lucindo Filho e Teixeira Garcia, no Rio, (e para faltarmos só em médicos brazileiros que registraram suas observações), o quinino tem sido empregado em maior escala pelo Dr. Moncorvo no seu serviço de moléstias das crianças (106.) Cerca de duas mil injecções hypodermicas têm sido ahi empre- gadas. Pelas observações, que inserimos em logar competente, vè-se (105) Deixou, além de muitos trabalhos publicados, uma importante memória inédita a respeito dessa moléstia, sob o titulo « Considérations sur 1'emploi du sulfate de quinine dans le traitement de la fièvre jaune » (Vid. Catalogo da Exposição Medica Brazileira.) Sobre essemethodo, instituído pelo facultativo pernambucano, disse Jac- coud o seguinte: «...le sulfate dê quinine, administre au moment des rémissions et au besoin pendant les exacerbations, suivant la methode heuresement instituée par mon savant ami d'Aquino Fonseca, de Pernambuco, poir le traitement de la fièvre jaune...» (Pathologie Interne, v. 2, pag., 628, ei. de 1879.) Podendo ser averbado de suspeito, por citar o nome desse medico braziieiro, li;nitamo-nos a indicar as referencias que se lêm no Diccionnario de Medicina de Jaccoud, pag. 269-71, Les Grands Pr. cessus Morbides, pag. 157 v. de Picot, Clinica Medica do Torres Homem pag. 665, 2o v. Es- tudos sobre o Diabetes de Abel Jordão, em varias pags. A morphèa no Brazil de José Lourenço, pag. 24, 147 etc., e finalmente a União Medica, artigo citado no Catalogo da Exposição Medica Brazileira, pag. 35. (106) O Dr. Nuno de Andrade foi também um dos primeiros a administrár nas crianças o sulfato de quinino em injecções hypodermicas, conforme o que escreveu na Revista Medica, de 1876. No entanto, Pio Blaza (Caswistíça de febre malar ia grave in bambini), o pediatrista italiano que mais se tom occupado do impaludismo na infancia, só menciona observações do emprego do quinino, sob a fórma pilular e pulverulenta. Numa recente these inaugural, porém, Bard já preconisa a via sub-cutanea para ser utilisado o sulfato. (Vid. Accidents pcrnicieux d'origine palustre-Pariz 1833.) - Fez, entre nós, as primeiras applicações desta substancia o Dr. Lucindo Filho Revista Medica, de 1876, pag. 378), sendo ella pracmisadi antes per Squley ( Gaz. Mcd.) da Bahia, Fev. de 1876) e mencionada depois em casos de impaludismo das crianças pelo Dr. T. Garcia (União Medica, pag. 462, anno 2, 1882). 31 o valor do metliodo therapeutico, instituído pelo Professor da Policlínica. IV - A.cid.o salicylico- Datando de dez annos, apenas, o emprego medico desta substancia, que a dermathologia reclamou para o seu dominio therapeutico, como um poderoso antiseptico, está ella, na verdade, destinada a racionaes applicações nas moléstias de natureza parasitaria da infancia, especialmente, quando as crianças não poderem recebel-a por via estomacal. O seu valor, como antithermico, merece sérios experimentos na pediatria; e sentimos só poder testemunhal-o em alguns insuccessos de febre amarella. Jaccoud considera o acido salicylico como um antifebrifugo equivalente ao sulfato de quinino na febre typhoide, para obter «o máximo prudente de effeito com o minimo de dose» (107). O emprego do acido salicylico não deve ser descurado também pelo metliodo sub-cutaneo, no rheumatismo da infancia e na diphteria, onde como antiputrido deve dar bons resultados. v - Salicyiato cio sodio-Foi, entre nós, o Professor Domingos Freire, espirito de investigação, capaz de ascender ás mais altas descobertas scientificas, o primeiro a fazer applica- ções hypodermicas desta substancia. Quasi na mesma época eram ellas praticadas por Jaccoud (108) com resultados mais ou menos animadores. A vulgarização, porém, do salicylato de sodio deve-se ao sabio medico brazileiro em suas conhecidas applica- ções na febre amarella, e ella torna-se extensiva á pa- thologia infantil pelo metliodo hypodermico (109); também (107) Sessão da Academia de Medicina de Pariz, 30 de Janeiro a 6 de Fevereiro de 1883. (Revista de Medicina. n. 66, pag. 801). (108) Obr. cit. (109) O bi-sulfato de sodio já foi também empregado em injecções snb-cutaneas na urticaria (Revista Medica, Março de 1881). 32 póde ser tentado seu emprego por via sub-cutanea na febre typhoide das crianças e no rheumatismo agudo. Pereirina - E'em pregada pela via hypodermica sob a fórma de chlorliydrato. Attribuem-se as suas primeiras applicações ao Dr. Cypriano de Freitas. Esla substancia de origem brazileira tem sido objecto de es- tudos muito interessantes e honrosos á medicina nacional. Sem querermos exagerar a sua acção beneflca, e assás pro- vada, nas infecções paludosas, affirmamos, entretanto, que o seu emprego está destinado ao meio hypodermico, unica e exclusi- vamente, nas crianças. A opinião de clínicos abalizados e as observações quasi diarias, testemunhadas por outros tantos, levam-nos a um tal juizo que julgamos íõra de toda e qualquer constestação, porque a appli- cação da pereirina torna-se tanto mais difficil pela via gastrica, quanto o seu sabor desagradavel repugna á criança que custa a supportal-a qualquer que seja o modo de administração. (110) Não póde também ser empregada pela via rectal, porque esta fica sujeita a irritações mais ou menos desagradaveis (111) Antipyrina- As propriedades antithermicas desta substan- cia, descoberta recentemente por Bnorr, de Erlangen, veio trazer largo contingente á therapeutica infantil, enriquecendo-a com o mais poderoso dos conhecidos antithermicos. Agente, portanto, de (110) Parecs-nos qne só póde haver indicação para o emprego das injecções hyp « térmica* nas crianças, a quem é difficil administrar o medicamento pela via gasfica, q ler em substancia pelo se i sabor desagradavel, quer em pílulas ou capsu- las que ellas custam a deglutir. (Dr. Armir Nina, these doctoral sobre a Pc- reirina.) (111) O professor José Silva já empregou varias vezes o chlorhydrato pela via recial; mas com o emprego de alguns clysteres vio apparecer phenomenos de irri- tação. (Dr. Nina, these citada.) 33 subida importância para combater a hyperthermia, especialmente pneumophymica, foi logo utilisado em injecções bypodermicas na pediatria por Henoch (112), Cadet de Gassicourt,. Germain Sée, e entre nós, pelo Dr. Moncorvo, depois de varias e múltiplas appli- cações feitas nos adultos pelo Dr. Vieira de Mello. (113) Vindo enfrentar á kairina, a antipyrina sobrepujou-a desde que provou-se a sua incontestada e incontestável superioridade sobre aquella, aliás preconisada como antithermica, e até como antiperiodica, e antiparasiticida na febre amarella (114), quando ahi deve ser proscripta, não só pela provada rapidez de sua acção (115), como também porque esse derivado da chinolina de Gerhardt actua sobre os globulos sanguíneos destruindo até a hemoglobina. Ora nas affecções adynamicas será, pois, uma contra-indicação administrar a kairina que produz notáveis modificações hema- ticas, o que não acontece com a antipyrina. (116) Na pathologia infantil a antipyrina deve ser indicada nas affec- ções febris, mesmo de origem palustre, nas hemorrhagias, na (112) Gaz. Hebdomad 1881, 5o, 50, pag. 818. (113) Este nosso distincto amigo e illustre contemporâneo de Academia, capaz de ser, num futuro bem proximo, uma das glorias da medicina brazileira, foi o intro- ductor da antipyrina no Brazil. Em sua importante memória (Da antipyrina e suas applicações, particularmente na tuberculose)), apresentada á Academia do Rio, assignala interessantíssimas observações próprias, tornando-se ainda digna de nota por compendiar estudos e trabalhos importantes, que se acham esparsos por jornaes e periódicos de medicina das diversas nações européas, como disse o Dr. Silva Araújo num luminoso parecer lido em sessão na mesma Academia. (114) O Dr. Naegali já empregou a kairina na febre amarella (União Medica, Rio, 1884, anno IV, ns. 6 e 8.) 115) Duchenne, em sua exposição sobre as novas applicações therapeuticas do anno de 1883, diz que a acção fugaz da kairina faz crer que não possa jamais figurar na therapeutica usual. (União Medica), de 1885, pag. 446.) (116) A sua acção já foi bem estudada por Bro iardel e Paul Loye. EUa diminue a quantidade dos gazes contidos normalmente no sangue, cuja capacidade respira- tória é igualmente modificada e absorve menos oxigeneo ; o globulo vermelho é alte- rado. a hemoglobina modificada ou destruída ( sempre por doses toxicas ),e se trans- forma em methomoglobina (acção reductora). (Extr. da Semaine Medicale. Jan. 75, 5o anno, n. 1, artigo de Grassei-Kairina Antipyrina.) 34 febre typhoide, nas febres exanthematicas, com excepção da va- ríola, nas pneumonias, na erysipela, na diphtheria, no rheuma- tismo articular agudo, na tuberculose, isto é, na sua pyrexia symptomatica, na febre hectica. (117) Hidrochonos- Numa solução de ether sulfurico (1:10) refere o professor Win ter, depois de fallar dos seus effeitos na medicação interna, que o Dr. Minicha empregou, em injecções hypoder- micas, o hydrochonos em dois casos de febre typhoide, nos quaes deu-se a depressão de temperatura, diminuindo também a hy- pertrophia do baço. Parece-nos, pois, muito recommendavel esse meio therapeu- tico, para applicação de uma substancia que somos o primeiro a mencionar em trabalho nacional; e realmente destinada ás crianças entorpecidas que não poderem deglutir, nem conservar medicamentos empregados por via-rectal. (118) Paulo Leifert confirmou no hospital de Dresde os effeitos antithermicos do hydrochonos (119) Buchwald, porém, consi- dera-o inferior á antipyrina. (120) Digitalis - No seu principio activo, a digitalina, tem-se um meio de facil applicação para o methodo hypodermico. Deve-se a Gubler a sua introducção sob a pelle, sem os inconvenientes que lhe eram attribuidos. (121) (117) No Ann. cit. de Schmidt (pag. 120, tomo 203, 1881) lè-se que nas crianças as injecções sub-cutaneas de antipyrina devem ser preferidas ao emprego do medi- camento pela via estomacal ou rectal. Por nossa parte só temos tido occasião de regosijar-nos em tal pratica, como também o nosso mestre Dr. Moncorvo, e outras autoridades que lhe prodigalisam constantes louvores. (118) Ann.de Sthmidt, cit. pag. 239, anno de 1884. (119) Extr. do Ann. de Bõrner de 85, pag. 680. (120) E' a thalina superior á kairina, porque, segundo Neumann, actua mais promptamente e não produz vomitos, nem collapsus. Além disto não tem contra indicação na tuberculose como a kairina, da qual a thalina sé avantaja como anti- thêrmico. Sómente sob a fórma de sulfato (1/2, 1/4, 3/4 de gramma), tem-se em- pregado pela via gastrica. (Ext. do Ann. Sch.midt'sr pag. 238, v. 204, 1884.) (121) Dujardin-Beaumetz, obra cit. pag. 50 e 51. 35 Alcaloide de summa importância nas affecções cardíacas, não seria, de certo, aproveitado em caso de intolerância das vias di- gestivas, si não nos fosse possível administral-o em injecções sub-cutaneas nos adultos, como na infancia. (122) Toda vez, portanto, que quizermos obter diminuição de pul- sações e o abaixamento de temperatura, devemos empregar a digitalina que augmenta a tensão sanguínea e em, seguida, a diurese. E desta sua influencia sobre a secreção urinaria deri- va-se a consideração em que é tida, como diurético : - adminis- tra-se nas nephrites das crianças, embora se prefira, em estados pathologicos dos rins, a pilocarpina, a que teremos de alludir. Ipecacuanha - Nem o seu alcaloide, a emetina, nem o tar- tarostibiado e outros antimoniaes, recommendam-se - como vo- mitivos - pelas injecções hypodermicas. O methodo sub-cutaneo na therapeutica infantil tem na apo- morphina um poderoso recurso e de grande vantagem, visto que produz, sem irritação local, os vomitos repetidos, não precedidos de nauseas, nem seguidos de abatimento e da prostração que acompanha os vomitos pelo emetico e a ipecacuanha. (123) MODIFICADORES DA MYOTILIDADE OU MUSC1DARES I - Centeio espigado- Hypodermicamente, são os extra- ctos alcoolicos ou aquosos do claviceps purpurea, conhecidos por (122) Emprega-se sobretudo nas dilatações cardiacas infantis, como nas fôrmas arrythmicas da hypertrophia ;-o que deduzimos de sua applicação interna, aconse- lhada por G. Sée, quando elle diz, aliás, que não se pôde por via estomacal pro- longar o uso da digitalis, porque, além de vomitos, apparece uma acceleração con- siderável dos batimentos do coração e até uma especie ae paralysia dos nervos vagos. (De Vhypert. card., - Semaine Medicais pag. 3, abril, 1885.) (123) Berlioz, obra cit.,pag. 190 36 ergotinas, que se empregam na pratica da medicina infantil. Applicam-se por via sub-cutanea como meios hemostaticos de maior segurança e efficaz promptidão, desde as hemoptyses, em- bora raras em certas moléstias das crianças, até ás epistaxis e hematemeses. llenoch tem se servido com vantagem das injecções de ergo- tina: - na melana ( 1, seringa ) (Yvon), por dóse), que se caracte- risa, segundo elle, por hemorrhagias do estomago e intestino, apparecendo ordinariamente no primeiro e septimo dia do recem- nascido (124)nos vomitos de sangue de uma menina hysterica, caso interessantíssimo pela infundada suspeiçuo de uma moléstia do apparelho respiratório (125)na enuresia «atonica», (126) sem successo; - na incontinência das matérias fecaes,- injecção na vizinhança do anus, - cura sorprendente (127); - na diatliese hemorrhagica que se manifesta sob a fôrma de purpura, consecutiva á escarlatina, suffusão sanguínea nas palpebras, epistaxis, corrimentos sanguíneos pela bocca, e conductos audi- tivos externos, etc., observação importante (128); mas na purpura, «cuja natureza é desconhecida e tem a propriedade de dar logar ás hemorrhagias na pelle, nas serosas e mucosas (129) deve-se evitar «as injecções sub-cutaneas, que provocam infiltrações de sangue e até mesmo suppurações.» (130) Para não mais circumstanciar, em relação ás injecções hypo- dermicas de ergotina, accrescentaremos apenas que muitos pedia- (124) Maladies des Enfartfs,. ob. cit., pag. 53. (125) Idem, pag. 173. (126) Idem, pag. 493. (127) Idem, pag. 91. (128) Idem, pag. 531. (129) Idem, pag. G24. (130) Idem, pag. 635. 37 tristas têm delias se utilisado, como Michel e Perrotin (131), Vidal e Guyon, no prolapsos rectal (132) da infancia, e nas he- morrhagias de qualquer natureza, como hemostatico de valor muito conhecido na pratica quotidiana. Euremburg empregou a crgotina pelo metliodo sub-cutaneo, num menino de 3 annos, com tosse convulsa rebelde, e os acces- sos se acalmaram, sendo a melhora passageira. (133) Veratrina - O effeito irritante desta substancia mesmo no tubo digestivo, como já fizeram notar Trousseau e Pidoux (134), averbando-a de contra-indicada na febre typhoide, torna o emprego hypodermico da veratrina muito prejudicial ás crianças. Não obstante, a sua acção antipyretica, os seus ensaios em injecções sub-cutaneas, nos adultos, não se recommendam a fructuosas tentativas na pathologia infantil. E a própria therapeutica geral pouco valor dá a esse me- dicamento, que ainda, como anti-nevralgico, não tem a efficacia da morphina, nem como anti-rheumatismal, a do salicylato de sodio. E' verdade que dentre os seus effeitos physiologicos obser- vam-se salivação, vomitos, phenomenos os mais frequentes, e bem comparáveis aos antimoniaes; acção, em resumo, depri- mente sobre a circulação, aproveitada com resultado na pneu- monia . Mas neste caso devemos nos utilisar por via estomacal deste alcaloide. O emprego da veratrina pelo metliodo hypodermico não é justificável portanto. (131) Bourneville, ob. cit., pag. 75. (132) Saínt Germain, Cirurgiedes Enfants,ptig. 630, 1885. (133) As injecções de ergotina no prolapsus rectal têm também sido empregadas com o maior successo no serviço da Policlínica ; o que vai exarado nas observações. (134) (Extr.) 38 Cobre - Não só o sulfato de cobre, como o de zinco, têm escapado á observação na pediatria. Luton no adulto empregou nas nevralgias sciaticas, e para provocar um abcesso; e Wyschinskai contra os vomitos de uma dyspepsia rebelde. Comtudo o sulfato de cobre, já empregado como emetico, e recommendado por Bouchardat no croup, pela sua grande efficacia para expulsão das falsas membranas, póde ser expe- rimentado, em nossa opinião, em injecções hypodermicas ; con- siderando-o todavia muito inferior á apomorphina. (135) MODIFICADORES DA NUTRIÇÃO Ferro - D'entre os agentes, que actuam sobre os pheno- menos da nutrição, excitando-a, estão comprehendidos, em primeira ordem, o ferro e seus compostos, que destinar-se-hão a quasi exclusiva administração pela via sub-cutanea nas crianças, no caso que ensaios fecundos sejão tentados, porque os ferruginosos collocam-se muita vez em completo antagonismo com a ingestão estomacal na infancia. E' o que geralmente se observa na pratica. Rosenthal, porém, depois de cuidadosas experiencias com os preparados de ferro, chegou a concluir que o peptonato de ferro (1:10) e o oléato de ferro, dissolvido em azeite doce muito puro (1:20), são os mais proprios ás applicações hypo- dermicas fl36). (135) Annuario Schmidt, cit. de 83, pag. 407. (136) Com o uso desse ultimo preparado não ha irritação alguma local è os eflèitos tornam-se logo patentes. (Ann. cit. de Schmidt.) 39 Dando credito, portanto, a tão preciosa indicação, devemos preferir este methodo para a administração do ferro na infancia. Até hoje têm sido empregadas hypodermicamente as injecções de ferro dialysado (Luton, da Costa, Torres Homem, e outros),- e o pyrophosphato de ferro (citro-ammoniacal e citro-sodico) (Hu- guerin, Rosenthal, Chiamarelli), tartrato e lactato de ferro (Eulemburg) e peptonato de ferro. (137) Os resultados therapeuticos do methodo sub-cutaheo, rela- tivos aos preparados de ferro, estendem-se na pathologia infantil ás injecções do perchlorureto. Os resultados obtidos não são, entretanto, bastante significa- tivos para chamar a attenção dos pediatristas. Palvedeau, de Croissi, empregou no tratamento do croup injecções de perchlorureto de ferro ( 5 a G gottas), feitas na tra- chéa, soccorrendo-se da seringa de Pravaz, para actuar directa- mente sobre os productos diphthericos, que victimaram uma criança de 4 a 5 annos. (138) Hypophosphitos - Sob o mesmo ponto de vista das indicações e contra-indicações dos ferruginosos, o hypophosphito de cálcio, de sodio, de magnésio e de aluminio, não têm sido utilisados no hypodermismo. A solubilidade, entretanto, que elles apresentam, dão-lhes garantias a experimentos dessa natureza na esphera das mo- léstias de crianças. Recommendamos á consideração do methodo hypodermico os hypophosphitos. (137) Quer na dóse de um centigr. a cinco milligram. para uma solução de pyrophosphato, quer uma injecção diaria de duas a cinco gottas de ferro dialysado, quer finalmente o chloropeptonato (peptona secca, tres grams., perchlorureto de ferro liquido, 3 gottas, glycerina neutra- 30 grams. agua de louro cerejo, 100 gram.- ammomia liquida q. s.,- f. p. para a criança), lembrada por Jaillet e Quillard (Bourneville), indicamos estes preparados de ferro para experimentos na infancia. (138) Tribune Medicale, p&g. 315, Julho de 1878. 40 Chloruretos - Somente corno irritante local o chlorureto de sodio (139) será empregado na infancia. Assim poder-se-ha indicar nas nevralgias, nas pleurodynias, angina do peito e torticolis. Luton considera-o como succedaneo de primeira ordem, de- pois do nitrato de prata, pela irritação localizada que produz. (140). Entretanto nas injecções intravenosas foi utilisado o chloru- reto de sodio para substituir a transfusão do sangue. (141) Coca-O seu alcaloide, ultimamente extraindo, a cocaina, ainda não foi experimentado hypodermicamente nas crianças, mesmo porque o seu emprego por via sub-cutanea ainda está em ensaios. (142) Parece que a cocaina tem uma acção pura mente local, mas de uma energia extraordinária e sem competência. A sua appli- cação tópica produz completa e inconcussa anesthesia. Nella tem a cirurgia moderna um recurso de mais solido (139) Os chloruretos de potássio e ammonium são muito pouco empregados. (140) (Extr.) (141) Buli reune os 19 casos publicados até então ; nestes existem 6 casos de morte e 13 curas. Utilisaram-se da solução de Schrrarz (chlorureto de sodio 6 grams. licor de potassa caustica,-2 gottas, agua distillada-1.000 grams.) Tres vezes as injecções foram feitas na artéria radial e nos demais casos em uma veia do braço (Ann. Bõrner, pag. 316, 1885). (142) N. G. Hepburn (New York Med. Hicords XXIV - 20-1884) fez experiên- cias em si mesmo com a cocaina. Injectou no braço 16 gottas de uma solução de 2°/0. Depois de 1/2 minuto a pelle ficou em parte anesthesiada e, depois de 4 minutos, a anesthesia foi completa. A zona anesthesiada era separada por uma outra hyperesthesiada. A injecção nos pontos visinhos da pelle produzia o mesmo eíleito; entretanto, depois de 48 gottas os efleitos foram tão pronunciados, que o observador deixou-se de mais experiên- cias. Broche e Arkle. (Brit. Med., 1884) fizeram eguaes experimentes em diversas partes do corpo, chegando a concluir que a anesthesia é mais pronunciada na parte em que se fazia a injecção do que abaixo desse mesmo ponto-Stockler (iV. J. Med. Hicord. XXVI-21 -1884) em seus experimentos verificou até a anesthesia numa incisão aberta da pelle por onde introduzio uma agulha até ás camadas musculares. {Ann. Schmidts, pag. 99, v. 205, 1885 n. 1.) 41 valor, e na technia da oculistica, como no tratamento brazi- leiro (143) da elephancia, já foi introduzida. A administração tópica da cocaina é um poderoso recurso nas applicações hypodermicas da infancia, porque a intro- ducção no tecido cellular sub-cutaneo da agulha da seringa não produz a menor dôr; o que é de grande vantagem para o niodus faciendi, que amedronta a criança e penalisa os que a cercam. Alcoolicos -E' o ethylico, da classe mono-atomica, que tem sido empregado em injecções sub-cutaneas; e é certamente o mais vulgarizado agente neste methodo tlierapeutico, porque entra em grande numero de injecções hypodermicas. O álcool, preenchendo, como se sabe, as suas notáveis indi- cações, isto é, a de moderar a nutrição, de estimular o systema nervoso e de facilitar a digestão, parece dominar a pathologia da infancia; e já como estimulante energico das forças organicas, é, pois, applicavel em casos de adynamia mais ou menos pro- funda, ou como um reparador, um meio nutriente e até eu- péptico. Mas tal não acontece porque o álcool que é um medi- camento, é também um veneno, especialmente para as crianças, nas quaes a sua potência toxica, por assim dizer, em grau de estimulo na esphera do systema nervoso se apresenta com a maior facilidade. E não adduziremos razões, nem assignalaremos factos, que nos levariam a questões de outra natureza. Delle muita vez se serve a pediatria em applicações externas e internas : - hemorrhagia dos pequenos vasos, queimaduras e (143). Referimo-nos ao processo conhecido dos Drs. Moncorvo e Silva Araújo (Tratamento da elephancia pela electricidade), exposto em vários artigos no Brazil e no estrangeiro e incluídos na bibliograpbia feita pelo Dr. Vieira de Mello no seu importante trabalho, publicado com tsse titulo. (U. Medica, pag. 7, anno 4o, 1884.) 42 feridas, favorecendo o desenvolvimento dos botões carnosos e portanto a cicatrização ; na pneumonia adynamica sobretudo, e outras phlegmasias pulmonares, nos estados de collapsus, nas pyrexias (144), em todos os casos em que forem proscriptos os estimulantes do systema nervoso e reclamados nas perturbações cerebro-espinhaes. Hypodermicamente, porém, o álcool poucas vezes é empre- gado na therapeutica da criança; e só aconselharemos a sua administração pela via sub-cutanea na algidez e nos estados adynamicos, ou como excitante diffusivo, para combater dóses exageradas de sulfato de quinino. Cafeicos - São assim chamados os vegetaes que têm por principio activo a cafeina. Este alcaloide, que sob a fórma de bromhydrato é recommendado pelo professor Gubler (145), por ser um diurético superior á digitalis, tem passado desapercebido á therapeutica infantil, quando o seu valor em injecções hypo- dermicas deve ser precioso, visto que a cafeina não « produz irritação local no tecido cellular sub-cutaneo ». Gomo citrato e valerianato, póde essa substancia ser utilisada também para regularizar o rythmo cardíaco, a arrythmia do pulso, combater as palpitações e todas as affecções dolorosas e mesmo organicas do coração. (144) Germain Sée considera o álcool como poderoso antithermico na febre ty- phoide. (_/?. da Academia de Medicina de Pariz, sessão de 30 de Janeiro e 6 de Feve- reiro de 1883); J. Simon diz ter se soccorrido in extremis, no estado de profunda adynamia. (Confer. therap. et clinique sur les Malad. des Enfants., III 11, pag. 41-77.) Mas deve-se attender, nesses casos e em todos de crianças febricitantes, á quan- tidade que se administra. Porque as altas dóses de álcool alteram os globulos de sangue, compromettem a arterialisação do sangue e produzem a asphyxia. (J. Simon, ob. cit. pag. 68.) Comtudo, este conhecido pratico do Hosp. des Enfs. Malades in- dica o álcool nas pyrexias em geral, na phtisica, na adenopathia, asthma, angina diphterica, em certas dyspepsias, diarrhéa choleriforme, atonia cardiaca, chlo- rose, anemia, scrofula, rheumatismo, scorbuto, e contra-indica no rheumatismo ar- ticular agudo e chronico, endocardite, pericardite, affecções cerebraes, meningites, nevroses, etc. (Obr. cit. pag. 79 e seg.) (145) Gubler, obr. cit. 43 O professor Germain Sée em notável trabalho, cheio da maior erudição e competência (De l'hyper trophiecardiaquerésult ante de la croissance, 146), nem ao menos faz referencias á cafeina, quando aliás allude na infancia ao emprego da digitalis; preferindo entretanto a convallaria mayalis que para o conhecido pediatrista «constitue um medicamento cardíaco, tanto mais pratico, quanto mais admiravelmente tolerado; porque só perturba, raras vezes, as funcções digestivas e não se accumula como a digitalis, po- dendo-se impunemente prolongar o seu uso ». Comtudo, disso inferiremos que a convallaria mayalis, muito solúvel na agua alcalinisada e empregada na dóse de 0, 0 5 a 0,10 centigramma nas crianças, segundo Germain Sée, - talvez apro- veite mais em injecções sub-cutaneas do que a cafeina nos casos de reclamada indicação. O seu valerianato e citrato têm sido empregados, pelo methodo hypodermico, na pathologia infantil, sómente, pensamos, na co- queluche, e em o narcotismo pelo opio. Existem alguns casos de envenenamento pela morphina, combatidos pelo extracto liquido de café que foi injectado, com successo, em caso de morphinismo agudo, por Pallen (147). A cafeina tem finalmente aproveitado nas hydropisias, conforme as observações de Gubler, nas nevralgias, ataques hystericos, melancolias, delirio tremens, alcoolismo chronico, hemicraneas, cephalalgias, insomnias e outras moléstias dos adultos. Iodicos - As injecções de iodo têm sido praticadas para obter-se effeitos puramente locaes. O seu emprego nas se- rosas, nos kystos, no corpo thyroide, etc., está no dominio geral da pratica medica. (146) La Semaine Medicale, Janeiro, 1885, n. 1 da 5a serie, pag. 3. (147) Ext. de Bourneville, obr. cit. 44 Experimentadores ha que julgam os iodicos indifferentes aos centros nervosos, em quanto que têm certa predilecção para o apparelho respiratório, onde se manifesta desde adyspnéa, até os exsudatos pleuriticos e o oedema pulmonar. Esta maneira de ver, especialmente em relação á immunidade da medulla e do cerebro para o iodo, está em completo desaccordo com os successos obtidos pela pediatria em casos de spina- bifida. (148) E' na esphera da patliologia da infancia que se affirma o valor das injecções iodadas. Addicionando-lhes a glycerina, o eminente professor Mon- corvo serviu-se de uma solução (149), que injectou numa criança, dezoito dias depois de ser « apresentada a seu serviço na Poli- clínica, nascida apenas duas horas antes». O resultado obtido por este processo, jamais utlisado em tal emergencia mórbida pelos práticos brazileiros, infelizmente não teve o êxito que era de esperar, porque o pequeno doente falleceu, após cinco dias da intervenção hypodermica do iodo-glyce- rinado. (150) O iodureto de potássio, que entra também nessas injecções (148) 0 primeiro caso de cura foi obtido pelo distincto professor do collegio medico de Illinois, Brainard, em uma menina de treze annos, a qual, além de idiota, era paraplégica. 0 tratamento durou dez mezés, tendo sido feitas, nesse decurso de tempo, vinte e cinco injecções iodadas. A cura, segundo o operador, foi completa e permanente ; a doente recobrou o uso das pernas para poder andar sem apoio e um certo grau de intelligencia para poder conduzir-se. (Prof. Moncorvo:- Da spina- bifiãa e seu tratamento pelas injecções iodo-glycerinadas, União Mecl.. Junho de 83. pag. 249.) (149) Glycerina 30 grams., tintura de iodo 50 centigram., e ioduretõ de potássio 1,50 grams. (Prof. Moncorvo, inemoria cit. sobre Spina-bifida, e mencionada no Annuario de Schmidt's, pag. 343, da Recue med. des Mal. de Venfant.- 1884.) (150) Como complemento da operação o que se póde é registrar este facto - que a criança viveu cinco dias nas mais lisongeiras condições de bem-estar e de calma taes que me fizeram conceber, bem como aos meus assistentes, a quasi con- vicção, senão de perfeita cura de spina-bifida, ao mmos da innocuidade da inter- venção cirúrgica. (União Medica, cit.) 45 iodo-glycerinadas, já foi ensaiado hypodermicamente na syphilis e engorgitamentos galglionarios da escrófula. E ha bem pouco tempo o methodo sub-cutaneo, para adminis- trar-se esta substancia de alta valia em suas variadas applicações therapeuticas, foi por Gilles ulilisado com successo. (151) Preconisadas, entretanto, asinjecções hypodermicas do iodu- retode potássio por alguns syphilographos (152), acreditamos que as suas indicações não devem ser desprezadas na infancia, espe- cialmente quando fôr reclamado o tratamento iodo-hydragyrico, como na sclerose em placas, que se tem confundido com outras affecções, julgando-se até muito rara nas crianças. (153) MI ÍRC U R IA ES A historia da medicação hypodermica do mercúrio e de seus compostos já póde ser constituída por grande numero de obser- vações existentes, embora esparsas, em jornaes, monographias e obras. O contingente, porém, que lhe tenham de fornecer os archivos da pediatria, não nos autoriza a tirar conclusões cm favor das applicações sub-cutaneas dos mercuriaes, especialmente, na syphílis infantil. (151) Progrès Medicai, 6 Janeiro de 1883. (152) Aimé Martin e Léon Labbé já se serviram dõ iodureto de potássio e mercúrio no hypodermismo. (Extr.) (153) A sclerose multicolar é inais frequente na infancia, do que se tem acre- ditado até aqui (Dr. Moncórvo-Contribuition d Vétude de la sclerose multicol- laire chez les enfants. Paris, 1884.) - Vem esse meio de tratamento para a infancia confirmado na interessante these inaugural do joven e laureado medico Dr. Ferreira da Silva, discipnlo do Prof. Moncorvo. 46 Porque, esse meio de tratamento tem sido preterido pela cha- mada medicação externa das fricções e dos banhos, aos quaes attribue Liégeois effeitos beneficos em cerca de sete crianças. (154) O professor Moncorvo, que tem a autoridade dos seus elevados conhecimentos e da sua extensa pratica, dá preferencia, sempre, a essas fricções, acompanhando-as de um tratamento interno, no seu serviço da Policlínica, onde avulta tanto o numero de crianças que figuram no quadro pathologico da syphilis, fazendo-se julgar- se a cidade do Rio de Janeiro como um dos seus domicílios, mais vastos e tenebrosos, pela tensidade que cobre a tolerância da prostituição nesse grande centro populoso, baldo de regimen sanitario e de intervenção governamental. (154) O methodo hypodermico para a administração dos mercuriaes é preconisado por muitos ; salientando-se em sua vulgarisação Gaillard, Stars, e Liégois, tão citado, e que diz ter obtido a cura de 200 doentes em pouco mais de um mez. Elle empregava as injecções de sublimado, que são também feitas (na dose de 0,004 por dia) pelo professor Henoch na Poli- clínica de Berlim. Staub (155), de Vienna, obteve successos na applicação do albuminato de mercúrio, que é perfeitamente absorvido e tolerado, ao contrario de que outr'ora se suppunha. (155) Alguns práticos brazileiros dão preferencia ao peptonato de mercúrio. (154). Nos Annales de dermatologia et syphilographie, de Outubro de 1880, t. 1, n. 4; pag. 680, o Sr. Dr. Rey estabeleceu a comparação da mortalidade pela syphilis nas cidades do Rio de Janeiro, Buenos-Ayres e Montevideo, e verificou que, em quanto a proporção é em Buenos Ayres de 5, 1 para 100 mortos e em Monte- vidéo de 4 para 1.000, na cidade do Rio de Janeiro é ella de 10 para 10011 (Dr. Silva Arauio. Regulamento sanitario da prostituição, União Medica, Fevereiro de 1883.) (155) Traitement de la syphilis par les injectiins de sublime. - J. Simon chega a dizer que o medicamento torna-se mais efíicaz, o que é fora de duvida. (Obr. cit.) 47 O professor Silva Araújo, da Policlínica Geral, emprega-o naquelles que procuram o ambulatório a seu cargo, e ao qual, com a maior dedicação e utilidade para a sua patria, se dedica, descortinando novos horizontes á dermatologia, propriamente brazileira. Monti recommenda para as injecções sub-cutaneas o calome- lanos (156); e Baginsky o bi-chlorureto de mercúrio na infancia. (157). Em absoluto só na syphilis infantil é que se prescreve o mercúrio. Roch recommenda o sublimado corrosivo em injecções hypodermicas na diphtheria e também Raulich. Henoch (158) acha sem fundamento semelhante indicação. Guerison empregou também o calomelanos no croup e com magnifico resultado. (159). Arsenicaes - Os seus compostos, sob a fôrma de licôr de Fowler e de Pearson, têm sido quasi os únicos empregados na infancia por via hypodermica. O arseniato de sodio, como o de potássio, seriam de grandes vantagens em injecções hypodermicas, porque assuasapplicações pelo methodo estomacal produzem, especialmente, nas crianças, irritações gastricas. Mas os seus effeitos physiologicos, como de todos os arsenicaes, não estão bem determinados em ordem a dar preferencia;ao meio sub-cutaneo, em todos os casos em que elles são indicados internamente. (156) Eis a formula :-Calomelanos 0,5, solução gommosa e glycerina5,0. Para usar 1 seringa ou 1/2 de cada vez (Annuúre de Bòrner, já cit. 1885, pag. 384.) (157) Em geral cumpre notar quê as injecções sib-c itaneas só devem ser ap- plicadas em casos muitos limitados da clinica pediátrica (Annuaire Schmid, pag. 385.) (158) Obr. cit., pag. 585. (159) Ext. da Revue de Maladies de VEnfance, 84, (Archivo de path. in.) 48 Mosler propoz as injecções parenchy matosas de licôr de Fowler (1:10 d'agua) nos tumores do baço ; e Henoch parece duvidar ahi de sua acção. (160). Alguns pediatristas aconselham o arseniato de potássio, em varias affecções, preferindo o arseniato de sodio, que não deve ser utilisado puro, porquanto produz irritação local desagra- dável. (161). « O professor Perroud obteve em 33 casos de choréa, tratados pelas injecções de Fowler, 16 casos de cura ; e 13 em que além do arseniato de sodio e outros arsenicaes, obteve 10 curas; todos estes casos eram de meninas de 4 1/2 annos de idade, e nos 16 primeiros curados - a choréa era simples e recente. « Elle injectava 4 a 5 gottas de licôr de Fowler puro, na região affectada, todos os dias, ou de dous em dons dias, ou de tres em tres dias ; empregando-se nestes casos como média 18 injecções pouco mais ou menos, sendo preciso empregar mais tempo naquelles em que a moléstia era antiga. « Justificando o emprego das injecções hypodermicas, o pe- diatrista deLyon, professor na Faculdade, diz lançar mão delias : Io, para evitar as perturbações gastricas; 2', porque o effeito curativo é em geral mais rápido ; 3°, porque empregam-se doses menores. (162). REPARADORES DA NUTKIÇÂO (>U ANALE- PTICOS I - Oleo de fígado de bacalhau e outras substancias.- As injecções sub-cutaneas de oleo de figadc, de oleo de amêndoas (160) Obra citada, pag. 458. (161) A firmula aconselhada:-licor de Fowler 4 grammas, agua distillada e glycerina 4 grammas. (162) Gaz. Hcbd. 79, cit. ext. 49 doces e de olivas têm sido ensaiadas sem resultados pela im- possibilidade de sua absorpção. Nem substancias medicamentosas, de procedência animal, nem o leite, a diastase, a albumina e o caseum são susceptiveis de assimilação; aptos, pois, que fossem estes agentes nutritivos a entrar na circulação, seriam administrados hypodermicamente em casos de alimentação insufficiente, de decadência das forças organicas, como analepticos e reconstituintes. Isso tinha-se dito, e repetido á saciedade, na supposição de que não haveria um meio reparador do organismo, sem acção assimiladora. E foram tentadas, sem resultados satisfactorios, as injecções de sangue desfibrinado, depois da transfusão de sangue. Agora passam ellas para o dominio da pratica medica, se- gundo as indicações instituídas por Ziemssen. (163) Repetiremos, em ligeiro resumo, o que diz o professor Grasset. « Depois de uma injecção sub-cutanea de 50 centímetros cubos de sangue desfibrinado, observámos (praticando-se duas picadas - 25 centímetros cubos em cada coixa -) a riqueza do sangue em hemoglobina, que augmenta sempre e mesmo nos anémicos não volta jamais ao nivel que tinha antes da injecção, mas permanece sempre acima. « Esta marcha da riqueza em hemoglobina (augmento no pri- meiro dia e diminuição nos dous ou trez dias seguintes) se re- produz a cada nova injecção sobre o mesmo indivíduo. « Depois de cada injecção, era persistente o accrescimo na quantidade da hemoglobulina, que existia em circulação, de modo (163) Injections hypodermiques de sang, Grasset, de Montpellier, La Scmaine Medicale, Abril 1885, n. 14, pag. 112. 50 que, depois de uma série dessas applicações, esse principio de sangue pôde mesmo duplicar. « Em muitos doentes o autor fez quatro e cinco injecções no curso de uma e de duas semanas ; na maioria dos casos, porém, fez uma ou duas. « Quanto ao manual operatorio, o autor serve-se dos metho- dos clássicos para tirar o sangue das veias, mantel-o em sua temperatura, e desfibrinal-o. « Utilisa-se, para a injecção, de uma seringa especial (cons- truída em Munich), cujo cylindro de vidro contém 25 centímetros cúbicos. « A canula pontaguda é assaz espessa e munida de um canal sufficiente para permittir ao sangue circular. «O autor recommenda desinfectar as mãos do operador, a pelle daquelle que dá o sangue, os instrumentos e utensílios, dividir e dirigir para o centro, o sangue injectado, por uma massagem methodica, que deve começar no principio da opera- ção com as pontas dos dedos das duas mãos abertas e untadas de vaselina, e deve continuar até cinco minutos depois da ope- ração, a qual é muito simples e está ao alcance de qualquer medico. « Os casos que a reclamam são: anemia grave e chlorose, ane- mia por hemorrhagias puerperaes, por traumatismo, por epis- taxis, por hemorrhagias intestinaes (164), na leucemia, na pseudo-leucemia, anemia perniciosa progressiva, diversas into- xicações. » A pediatria poderá, portanto, encontrar um recurso serio no emprego detaes injecções hypodermicas de sangue. (164) Ziemssen empregou com successo num caso de hemorrliagia intestinal no curso de uma febre typhoide. (Grasset). 51 A reconstituição dos fracos organismos que ainda podem soccorrer-se da via sub-cutanea para receber a acção analeptica da peptona liquefeita e preparada com toda a cautela, para que ella constitua, embora artificialmente, esse resultado interno da digestão estomacal é um meio também a tentar-se. MODIFICADORES DAS SECREÇÕES E EXCREÇÕES Purgativos - A darmos credito ás experiencias de Hiller (165) os purgativos pouco aproveitam em injecções sub-cutaneas. Entretanto Luton obteve com o sulfato de magnesia effeitos laxativos e também Gubler (20 centigrammas para uma gramma de agua) (166), que com o sulfato de sodio não obteve resultado, em quanto que o autor do Estudo de therapeutica geral e especial (injecções hypodermicas, pag. 193) logrou effeitos pouco notáveis e certos. (167) O oleo de croton pelo methodo sub-cutaneo não tem produzido effeito. Podemos, entretanto, aproveital-o na infancia, friccionan- do-a na região hypogastrica, porque absorvido pela pelle, tornar- se-ha um energico laxativo. O professor de Reims tem-se servido do aloes em injecções hypodermicas na obstrucção intestinal do typho abdominal, e dá preferencia ao alcooleo, glyceroleo ou hydroleo de aloes. (168) (165) Citado por Bourneville, que accrescenta não ser preciso, segundo Hiller, dar preferencia para os purgativos á via hypodermica, que deve ser reservada para os casos em que sua administração interna seja impossivel. (166) Ext. de Bourneville. (167) Idem,idem. (168) No Nacional Medicai Review (Rev de Medicina de 25 de Março de 1881) vários casos em que deu resultado o emprego do aloes em injecções sub-cutaneas. 52 Cabareski diz ter empregado o chlorureto de sodio, não para produzir effeito purgativo, ou irritação local, como Luton e Bar- tolin, mas no intuito de provocar a digestão e despertar o appetite na diarrhéa da tuberculose. O emprego therapeutico da cayaponina, como purgativo, quando esta substancia é um verdadeiro emeto-cathartico, deve-se ao pharmaceutico brazileiro Andrade. Pela via stomacal é conhe- cida a sua acção laxativa, sem cólicas, nem tenesmos. Mas a cayaponina em injecções hypodermicas foi empregada sem resul- tado pelo professor Gubler. Os demais purgativos podem ser experimentados hypodermi- camente. (169) E si assim acontecer virão auxiliar a thcrapeutica infantil, que, muita vez, luta com difficuldade de administral-os em casos urgentes, quer pelo methodo gastro-intestinal quer pelo rectal. Não são poucas as moléstias da infancia em que isso acontece. ICADORES DA SECREÇÃO SUDORAL SUDORÍFICOS Jaborandi - E' um poderoso sialagogo e diaphoretico, já conhecido e descripto pelo illustre botânico pernambucano, Dr. Arruda Gamara (170), e empregado pelo seu comprovinciano Dr. Aquino Fonseca em sua vasta clientela, muito antes de sua introducção official na matéria medica brazileira pelo seu distincto (169) Acredita-se também no effeito purgativo do alcaloide do aloes, a al- loine. (170) ODr. Julio Calvet, do Hospital de S. João Baptista, em seu bem elaborado trabalho inaugural, diz que o Dr. José Joaquim da Silva Pae, uma das nossas maiores notabilidades, foi o primeiro que despertou a attenção dos práticos para as vantagens reae» do emprego dojaborandi. 53 conterrâneo Dr. Simphronio Coutinho, que o vulgarisou na Eu- ropa por intermédio do professor Gubler. No hypodermismo, porém, empregam-se os seus alcaloides, chlorhydrato e azotato, devidos a Labordo e Hardy, sob a deno- minação de pilocarpina; e cujos rápidos effeitos são conveniente- mente aproveitados na pediatria em varias affecções do apparelho respiratório, nas hydropisias, pyrexias e nephrites. Nesta moléstia, que não é rara na infancia, Ilenoch applica com cuidado as injecções sub-cutaneas de pilocarpina. Para ob- ter-se uma secereção abundante aconselha que não devemos elevar a dóse a 0,01 e 0,02, porque elle tem observado vomitos repetidos, já na primeira dóse, e uma ou duas veces symptomas ameaçadores de collapsus. Eu tenho frequentemente, accrescenta o notável pediatrista, sido obrigado a me abster deste methodo que expõe a uma perigosa depressão da energia cardíaca. Mas, em outros casos, nos quaes as injecções têm sido repetidas, sem perigo durante uma semana, produzindo sempre uma diaphoresc abundante, Henoch diz que geralmente a hydropisia diminue e com rapidez; dando, porém, sem reserva, a preferencia aos banhos de vapor. (171) A respeito da applicação dessa substancia na uremia, o pro- fessor de Berlim affirma que, apezar de ter cila sido preconisada por Pretorius (172), não tem razão de defender semelhante pratica, porque em tres casos (pilocarpina 0,005 a 0,01, duas injecções por dia) a cura se produziu com uma diaphorese abundante; mas na maior parte dos casos as crianças succumbiam quando se empregava este methodo, que dava quasi sempre logar a vomitos. (173) (171) Obr. cit., pag. 480. (172) Jahrb. f. Rinderbeilk, XTr, 88, f. 375. (173) Henoch,obr. cit., pag. 480e 481. 54 Julgamos eivada de certa prevenção a maneira de ver do pro- fessor Henoch. E' nossa opinião, como de muitos e a practica hospitalar nos habilita a avançar, - que a pilocarpina, supprindo a insufficiencia da secreção urinaria, pelos suores abundantes, diminue, conju- rando complicações, as hydropisias, (1.72) os derramamentos serosos. Está em pleno accôrdo comnosco Demnu, que empregou em 33 casos injecções desse alcaloide ( 0,005 a 0,02 ) « em casos de hydropisias consecutivas a uma inflammaçãoparenchymatosa dos rins, á diphtheria e á escarlatina, e em hydropisias devidas a outras causas, como lesões cardíacas, rheumaticas, moléstias agudas dos pulmões.» (174 ) E esse professor em Berne ainda « recommenda as in- jecções de pilocarpina na nephrite escarlatinosa dos meninos (175) puma solução de 1 por 100 nos meninos abaixo de 4 annos, de 2 por 100 acima de 4 annos; e nos casos de ameaça de col- lapsus ( 176 ) manda injectar 4 a 5 gottas de ether para cada in- jecção, o que além de tudo evita os vomitos, nauseas, soluços e syncope. Elle preconisa também as injecções de pilocarpina nas bron- chites com bronchorréa abundante enadyspnéa. (177) Archambault - tão cedo roubado ás conquistas da medicina moderna no terreno da pathologia infantil - servia-se também (174) Fizemos nossas, quasi, 'as palavras de D. Beaumetz quando contesta as considerações de Leyden em relação á pilocarpina, que elle contra-indica como cardiopatha. ( D. Beaumetz, obr. cit. pag. 89. v. 1.) (175) Henoch dá preferencia, entretanto, aos banhos de vapor. ( Obr. cit. pag. 479 e seguintes. ) f!76) Henoch recorre ás injecções s ib-cutaneas de camphora nas convulsões uremicas, offerecendo symptomas de collapsus. (Obr. cit. pag. 480.) (177) Ext. 55 do hypodermismo para administrar a pilocarpina nas affecções diphthericas ; como outros já tiveram occasião de lançar mão, com exito, dos seus saes para combater as anasarcas escarlati- nosas. O pranteado medico do Hôpital des Enfants Malades, preco- nisa (178 ) esse precioso agente de hypersecreção glandular, a acreditar-se em sua acção especifica sobre a diphtheria :- como o mais poderoso excitador « trachéo-bronchico » de uma terrivel moléstia, a cuja contagiosidade pagam as crianças de Pariz maior tributo, não poupando mesmo seus médicos, Boyer e Cassy, chefes de clinica do Professor Parrot, o que perdurará sempre na lembrança das gerações medicas, como a sua me- mória immorredoura ficará gravada nos fastos da pediatria. (179) Ainda na angina catarrhal como na febre typhoide das crianças, o conhecido sudorífico sialagogo e diurético não registra desanimadores insuccessos (180); e é de crer que venha ser apro- veitado, como nos adultos, nas hydropisias ligadas ás lesões orgâ- nicas do coração e ás renaes, nos derramamentos pleuriticos e outras affecções .(181 ) (178) Archambault-Etude sur 1'emploi de la pilocarpine, etc., etc., (Un. Medicale, 82, tit. 1, pag. 229á 290) Bulletin de 1'Academie de Paris, 82, tit. XI, pag. 479 á 490. Bouchut a proposito de injecções da pilocarpina no croup e na diph- teria,que elle diz ter sido Gutterman o primeiro a ensaiar, cita observações para contrariar as suas idéas, e nas quaes lêm-se as consequências do emprego hypo- dermico desse alcaloide, produzindo até intoxicação ! ( Cliniq. de Malad. des En~ fants, pag. 230 - 1884.) Alguns autores que têm escripto ultimamente sobre a diphteria ( 7.a diphterite por Guanta, Contribution in to the Patholgie and thera- peutics of diptheria byjicoby) não mencionam a administração hypodermica da pilocarpina como especifico dessa enfermidade. O Professor Moncòrvo foi quem primeiro empregou o jaborandi, em infusão, no croup (Ext. de uma Communicação, em these doctoral). (179) O illustre Dr. Domingues de Sã diz-nos ter-se utilisado da pilocarpina com resultado na febre typhoide, de uma criança, cuja elevação thermica resistio a outras medicações. (180) Em alguns trabalhos (Delia scarlatina e delia nephrite escarlatinosa, de Pietre Bellini,por exemplo) não figuravam ainda em 1881 as injecções sub-cutaneas de pilocarpina. (181) A pilocarpina e a ergotina obram em sentido contrario, segundo os re- centes experimentos de Rabuteau ; e quando ao mesmo tempo se praticam in- jecções destas substancias, não ha da parte da pilocarpina effeito sialogogo. ( Ext. do J. de Medecine de Paris - Julho 1881). 56 MODIFICADOR DAS SECREÇÕES BKON- CIIICAS E GENITO-UHINARIAS Eucalyptus globulus - Como antifebrifugo e antiputrido tem-se aproveitado esta substancia internamente nas mesmas affecções em que o quinino. Eliminando-se facilmente pelas vias respiratórias e pela ourina é um medicamento a tentar-se no hypodermismo nas crianças. Gubler já empregou pelo methodo sub-cutaneo a agua de eucalyptus. (182) JLiitlielmiiiticos Vermífugos -A santonina, que se administra commummente por via estomacal e rectal, contra as ascarides lombricoides, não se tom até hoje administrado pelo metliodo hypodermico. Sob a fórma, porém, de santonato de sodio e com o fim de demonstrar o seu effeito anthelmintico eminjecções sub-cutaneas, Marié e Derbois injectaram em um cão uma solução de uma parte do sal para cinco de agua, e encontraram nas evacuações diarrheicas que appareceram pouco tempo depois, uma duzia desses nematoides intestinaes, emquanto que nas evacuações precedentes, não havia vestígio algum de taes vermes. (183) Não tivemos ainda occasião de verificar nas crianças a exa- ctidão dessas experiencias. Indicamol-as para que sejam convenientemente aproveitadas. (182) Bourneville, obr., cit. pag. 67. (183) Ext. do Ann. de Schmdít, 1884. 57 Como «tenifugo » só a pelleterina tem sido empregada bypo- dermicamente. E Dujardin-Beaumetz diz (184) ter-se utilisado deste alca- loide em muitos casos com geral successo. Por nossa parte delle já nos servimos contra a toenia de um indivíduo maior de 30 annos. (185) O sulfato de pelleterina, portanto, vindo de Dresden, testemu- nhado por nós em seus effeitos verdadeiramente surprendentes, póde ser ministrado á infancia, attendendo-se apenas a que elle gosa de propriedades toxicas analogas ás do curare. Vesicantes Ammonia e cantharidas - Em injecções liypodermicas a cantharida «passa a torrente circulatória, na opinião de Cintossin, (186) no estado de cantharida alcalina e perde sua acção irri- tante. » Na dose de 4 a 5 milligr. não se dá vesicação local. Tem sido empregada no tratamento local da dôr ( Laboulbène) e no tratamento das nephrites (Laboulbène e Quinquaud). (187) A ammonia pelo methodo sub-cutaneo administra-se, como vesicante local, e, interiormente, uma parte para quatro de agua. (188) (181) Bulletin de thêrapeutiquc de 1880, citado no Annuaire de thérapiutique-* 1881, de Bouchardat, pag. 284. (185) Os sulfatos de pelleterina e de esopelleterina gosam de propriedades toe- nicidas bem activas, na dose de 30 centigrs., numa solução de 50 centigrs. de tannino ; ena mai ria dos casos 37 sobre 39 (D. Beaumetz ), 19 sobre 19 ( La- boulbéne ), determinaram a expulsão da toenia com a cabeça. O erudito Professor do « Hospital Saint'Antoine » chamando a attenção para as propriedades curarisantes dos saes de pelleterina, lembra sua indicação no tétano. Aproveitando-nos deste conceito, já tivemos occasião de applicar sem resultado o sulfato de pelleterina nessa afíecção. {Registro de Observações, citado.) (186) Citação tomada a Bourneville. (187) Bourneville, obr. cit., pag. 43. (188) Nothnagel, cit. de Bourneville. 58 « Attribue-se á ammonia e seus saes propriedades excitantes e estimulantes, que se aproveitam para combater o collapsus nas affecções as mais diversas». ( 189) Agua.- As injecções hypodermicas de agua, já estudadas entre nós pelo Dr. Moncorvo (190), segundo as indicações pre- conisadas por vários clinicos, têm, quasi invariavelmente, ap- plicações loco dolente. Constituindo, portanto, um succedaneo ao emprego da morphina, não devemos entretanto dar-lhes preferencia, salvo em casos de intoxicações, idiosyncrasias rebeldes ou refractarias a este precioso alcaloide do opio. (191) Mas o nosso mestre, Professor da Policlinica, julga sempre vantajosas as injecções hydricas nas crianças, por serem inócuas; emquanto que os preparados opiados encontram da parte delias, muita vez, certa intolerância. E elle aconselha a administração hypodermica de agua toda vez que tivermos de combater o elemento - dôr, «o mais cruel inimigo do homem, o mais feroz adversário do medico ». (192 ) A indicação das injecções hydricas póde ser recommendada na pediatria, nos casos de dôres rheumatismaes, de nevralgias diversas, da intercostal, dasciatica, pleurodynias, etc. Adstring-en tes Tannino- Acetato de chumbo - Alúmen - Em crianças, tem Henoch injectado os adstringentes por via rectal em casos * (189) Bo irneville, obr. cit., pag. 18. (190) Do valor- therapeutico das injecções hydricas sub-cutaneas.- Rio, 1876. (191) Pasquet Labrone - Desinjec. hydriq. (192) As injecções hydricas sub-cutaneas offerecem, em grande numero de casos, considerável vantagem sobre as injecçces morphinadas, como meio de de- bellar o elemento dôr. (Dr. Moncorvo, monograpbia cit. ) 59 de diarrhéa e dysenteria (3:100 de acetato de chumbo, alúmen e tannino, -20:100, em solução) com um irrigador ordinário, funil de vidro, ao qual se adapta um longo tubo de caoutechouc, mu- nido de uma canula ordinariamente de marfim. Póde-setental-os por viasub-cutanea na quedado rectum, para contrahir-lhe os musculos, praticando, porém, a injecção no perineo, conforme o processo de Henoch (193) em casos de appli- cação hypodermica da ergotina. An tisejitieos Acido benzoico e phenol - E' o acido phenico rapidamente eliminado pela pelle, como é sabido, e de sua prompta absorpção tira a hypodermia grandes vantagens. Na therapeutica infantil pelo methodo sub-cutaneo é usado esse antiputrido e antifermentescivel e póde ser empregado na febre typhoide, como em todos os typos de manifestações sépticas e pútridas. Henoch diz ter « ensaiado frequentemente » na diphtheria o acido phenico em injecções hypodermicas na altura do osso hyoide (0,03a 0,05 por dose), mas sem resultado; entretanto alguns pediatristas affirmam a sua efficacia para impedir a pro- pagação do processo morbido ao larynge ! E' que o illustre professor de Berlim chega a confessar não existir meio de limitar a extensão da diphtheria nas vias res- piratórias. (194) E ainda elle parece desconfiar da administração do phenol, proposta por Mosler (2.100 de acido phenico e 1:10 do licor de Fowler) nas moléstias do baço. (193) Obr. cit., pag. 398-406. (191) Henoch, obr. cit., pag. 585 e s?g. 60 0 emprego hypodermico do acido benzoico, que tem os mesmos effeitos physiologicos do acido phenico, terá razão de ser nos casos indicados para este antiseptico. Aconselhamo-lo no typho, na diphtheria e na uremia das crianças. Vulgarisado hoje o permanganato de potássio (195) em in- jecções sub-cutaneas contra o veneno ophidico, graças á grande descoberta de nosso compatriota Baptista de Lacerda, ninguém ha que ignore ter a therapeutica infantil aproveitado muito com as suas innumeras applicações. Resorcina - De valor estimável, por se avantajar ao acido phenico, do qual é um succedaneo precioso, a resorcina foi intro- duzida na pediatria pelo Dr. Moncorvo, principalmente como «agente gcrmicida » da coqueluche. Nós fomos mesmo um dos primeiros a maravilhar-nos com a plena verificação da « descoberta » do eminentíssimo Professor da Policlínica, hoje proclamada em grandes centros de medicina pratica. Já administrado, também por nós, em injecçõés sub-cutaneas, esse antiputrido fermenticida aproveita hypodermicamente em varias affecções da infancia, caracterisadas por elevação ther- mica, tendo acção provada, nas pyrexias de origem palustre. (195) Nós já o empregámos, como se vê do seguinte extracto assignalado nas columnas de nossa imprensa. « Cada experiência realizada entre nós com o verdadeiro antidoto,- hoje reconhecidainente provado até na índia - do terrivel veneno ophidico, é mais uma conquista para seu benemerito descobridor Dr. La- cerda. Ha bem pouco tempo apresentou-se no hospital de S. João Baptista um tra- balhador africano, que dizia ter sido victima de uma mordedura de cobra cascavel, havia cerca de seis horas. Recebido pelos internos Aquino Fonseca e Correia do Lago, occorreu-lhes logo a applicação do permanganato, etc., etc. E tal medi- cação foi sufliciente para o restabelecimento do doente.» Gazeta de Noticias da Còrte, Maio, 1884). Este caso foi minuciosamente exposto por um collesa na Gazeta dos Hospitaes (n. 5, de Outubro de pag. 189). Sentimos, porém, dizel-o, que o nosso companheiro, desnaturando de alguma maneira a observação, não mencio- nasse ao menos o nome daquelles que tiveram a paternidade das applicações, a que se refere no seu bem elaborado artigo. 61 Póde a resorcina ser indicada na pneumonia, erysipela (196) e febre amarella. (197) Na therapeutica da febre typhoide recommenda-se á attenção dos práticos esta substancia, sob o ponto de vista de suas proprie- dades anti-pyreticas, por ser um succedaneo do sulfato de quinina, como pela sua acção antiseptica. D'ahi a dupla vantagem de tão precioso agente medicamen- toso numa moléstia, de cuja natureza microbiotica muitos não duvidam. Nós pertencemos ao numero desses observadores que acre- ditam num germen parasiticida, produzindo a febre typhoide. E desde que Dolat e tantos outros, na epidemia de Pariz, em 1882, tiraram resultados das injecções hypodermicas do acido phenico, é de crer que a resorcina aproveite nessa, como em ou- tras affecções. Por nossa parte, temos razão, não para assegurar, o que talvez façamos mais tarde, mas para animar os ensaios da resorcina na febre typhoide das crianças. CONCLUSÕES De tudo que acabamos de assignalar, a largos traços, póde-se concluir : l.° Que o hypodermismo é um methodo therapeutico de grandes vantagens. (196) 0 Dr. Righi que tem empregado a resorcina em mais de 100 casos che- gou a concluir : Io, que os doentes a toleram perfeitamente, produzindo sempre abundante diaphorese ; 2o, que é um meio seguro de combater as affecções mias- maticas; 3o, que tem prempto effeito antifebril na febre typhoide, na pneumonia e erysipela ; 4o, que nos catarrhos gastro-intestinaes é incontestável a sua utilidade ; 5 a, que tem as mesmas vantagens ao sulfato de quinino, sendo muito mais commoda sua aq lisição. (Ext. do Jornal de Thérap. Sec. Acc.) (197) Nesta moléstia é lembrada pelo Dr. Silva Araújo, que diz julgar a resor- cina de vantagens similares, senão superiores ás que forneceu ao Dr. Freire o salicylato de sodio. União Medica, 3o anno, 1883, pag. 37.) 62 2. Que os medicamentos ensaiados, nas injecções sub- cutâneas, animam a pediatria no proseguimento de novas tenta- tivas sobre agentes therapeuticos, até hoje não lembrados. 3. Que taes substancias, quando perfeitamente estudadas á luz da observação clinica, determinarão o justo valor das injecções hypodermicas. POSOLOGIA HYPODERMICA 0 Professor Silberman, de Breslau, em seu formulário de moléstias de crianças, - depois de apresentar um quadro da dosagem das differentes substancias que tèm sido empregadas hypodermicamente-, aconselha, conforme a edade, reduzir as formulas á metade (l/2)para as crianças de 11 a 14 annos, a um quarto (1/4) para as de 8 a 10, a um quinto (1/5) para as de 5 a 7, a um oitavo (1/8) para as de 2 a 4 e finalmente a um decimo (1/10) para as de um mez a um anno. Julgamos, porém, mais conveniente, para simplificar o cal- culo, que se multiplique successivamente por 2, 4, 5, 8 e 10 a'quantidade do vehiculo nas substancias que forem diluídas, conservando o preceito de Silberman sómente para aquellas que são empregadas sem diluição, pois de tal modo po- demos utilisar-nos da mesma quantidade da solução, qual- quer que seja a edade, ficando o medicamento cada vez menos concentrado, e por consequência mais em relação com a sen- sibilidade da pelle das crianças, de modo a evitar os pheno- menos de irritação local. Eis a posologia das differentes substancias que têm sido empregadas hypodermicamente, ficando todas estas formulas sujeitas ás reducções acima propostas. 64 Curare- Curare 1 centigr. Agua distillada 10 grs. Acido chlorhydrico 1 gotta. Misture e empregue o conteúdo de uma seringa de cada vez. (Silberman.) Fava de Calabar-Extr. de fava de calabar.. 1 decigr. Agua distillada 5 gram. Misture e empregue de 2 até 6 gottas de uma vez. (Silberman.) Aconitina-Aconitina allemã 2 centigr. Agua distillada Álcool rectificado aã 5 centigr. Para empregar 5 decimilligrammas a 2 milligrammas de cada vez. (Liebreich.) Aconitina franceza 5 milligr. Agua distillada . Álcool rectificado aã 5 gram. Para empregar 1 decimilligramma de cada vez. (Liebreich.) Conicina- Conicina 1 decigr. Agua distillada Álcool diluido aã 5 gr. Para empregar de 1/4 de seringa até 1, isto é, de 1 miligramma até 4. (Romeo Taverne.) Bromhydrado de conicina 2 centigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1 a 2 milligrammas de cada vez. (Liebreich.) 65 Strychnina-Nitrato de strychnina 1 centigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar de 1 a 5 milligrammas. (Liebreich.) Ammonia-Licor ammoniacal anizado 10a20gottas. (Liebreich.) Prata - Acetato de prata 5 centigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1/2 seringa de cada vez. (Rosenthal.) Morphina- Chlorhydrato ou sulfato de mor- phina 2 decigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 5 milligrammas a 1 centigramma. (Liebreich.) Codeína- Chlorhydrato de codeina 1 decigr. Agua distillada 12 gr. (Reducção da formula de Erlenmeyer.) Chloroformio - Chloroformio chimicamente puro 5 decigr. a 1 gr. Para injectar de uma vez. (Besnier.) Ether-Ether sulfurico, 1 gramma para uma injecção. Chloral -Chloral hydratado 2 gr. Agua distillada 5 gr. Para empregar 1 a 4 seringas. Portanto 4 decigrammas a 1 gr.,6 de chloral hydratado de cada vez. (Roinêo Tacerne.) (Estas injecções estão condemnadas por Silberman.) Camphora-Camphora 5 decigr. Oleo de amêndoas doces 10 gr. Para 1/2 seringa de cada vez. (Romeo Taverne.) 66 Bromureto de potássio- Bromureto de po- tássio 2 centigr. Agua distillada.. 1 gr. Para usar até 60 centigrammas em cada injecção. (L. Frigerío.) Atropina-Sulfato de atropina 1 centigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1/2 a 1 seringa de cada vez. (Silberman.) Hyosciamina-Hyosciamina 1 centigr. Agua distillada.. 10 gr. Para empregar 1 gramma da solução de cada vez. (Eulemburg.) Quinina-Sulfato de quinina 5 decigr. Acido sulfurico diluido-q.-s. para dissolver Agua distillada 10 gr. Para empregar 1/2 a 1 seringa de cada vez. (Silberman.) Bromhydrato de quinina 5 decigr. Glycerina pura 6 gr. Agua distillada 4 gr. Para empregar 1 seringa de cada vez. Acido salicylico- Acido salicylico 6 centigr. Agua distillada 6 gr. (Patterson.) Salicylato de sodio 2 decigr. Agua distillada 1 gr. Para empregar de uma vez. (Dr. D. Freire.) 67 Digitalina-Digitalinad'Homolle e Quevenne.. 1 decigr. Álcool Agua distillada aã 25 gr. Dez gottas da solução contêm 1 milligramma de digitalina. (Reducção da formula de Gluber.) Emetina-Emetina pura 1 decigr. Agua distillada 10 gr. Para injectar duas gottas de cada vez (1 milligramma) até pro- duzir effeito vomitivo. (Formulário das clinicas de Vienna, 1881.) Nota. Esta solução produz facilmente abcessos; é preciso, portanto, aci- dulal-a para dissolver a emetina. (Bourneville e Bricon.) Resorcina-Resorcina 0,5 a 2 gr. Agua distillada. 10 gr. (Reducção da formula de Bourneville e Bricon.) Antipyrina-Antipyrina 1 gr. Agua distillada 10 gr. Para empregar uma seringa de hora em hora quando a tem- peratura oscillar entre 39° e 40°; de 2 em 2 horas quando os- ciliar entre 38° e39°; e de 4 em 4 horas quando oscillar entre 37o,5 e 38°. (Formula empregada no Hospital de S. João Baptista.) Acido benzoico-Acido benzoico 1 decigr. Álcool 10 gr. Para empregar 1 seringa de cada vez. (Silberman,) Apomorphina-Chlorhydratodeapomorphina.. 1 centigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1/2 a 2 seringas de cada vez. (Silberman.) 68 Veratrina- Veratrina 8 centigr. Álcool Agua distillada aã 5 gr. Para empregar 1 a 3/<o de seringa, e portanto 1 a 3 milli- grammas de vera trina de cada vez. (Romeo Taverne.) Ferruginosos- Peptonato de [ferro 1 gr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1 seringa de cada vez. (Rosenthal.) Oleato de ferro 1 gr. Azeite doce muito puro 20 gr. Para empregar 1 seringa de cada vez. (Rosenthal.) Cocaína-Chlorhydrato de cocaina' 2 centigr. Agua distillada 1 gr. Para empregar 16 gottas de cada vez. (Hepburn.) Álcool- As dóses de álcool serão calculadas, segundo os resultados que se pre- tender obter; sob este ponto de vista nada se póde préviamente fixar. (Luton.) Cafeína- Citrato de cafeína 1 decigr. Agua distillada Álcool diluido aã 5 gr. Para empregar 1 a */, seringa de cada vez. (Silberman.) 69 Iodicos- Glycerina 30 gr. Tintura de iodo 5 decigr. lodureto de potássio 1,50 gr. (Professor Moncorvo.) lodureto de potássio 3 decigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar de meia a uma seringa, de cada vez portanto de 0,15 a 0,30 de iodureto de potássio. (Romeo Taverne.) Mercuriaes - Calomelanos 3 decigr. Agua distillada Glycerina aã 5 gr. Para empregar */s seringa de cada vez. (Romeo Taverne.) Bi-chlorureto de mercúrio 1 decigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar de */s a 1 seringa de cada vez. Arsenicaes - Licor de arseniato de potássio. 4 decigr. Agua distillada 10 gr. Para empregar 1 a 2 seringas de cada vez. (Silberman.) Pilocarpina- Nitrato ou chlórhydrato de pi- locorpina 0,50 gr. Agua distillada 1 gr. Cada divisão da seringa contém 1 milligramma de pilocarpina (da solução 19,50). Deve-se geralmente começar por fracas dóses, sejam cinco milligrammas, e depois augmentar progressi- vamente a 1, 2, 3 e 4 centigrammas. Acima de dous centigrammas, é prudente dar o medicamento em duas dóses, metade de manhã e metade á tarde. 70 Nós nunca applicamos mais de seis centigrammas, embora muitos autores tenham chegado a applicar 12 centigrammas, é verdade que pela via estomacal. (Bourneoille e Bricon.) Tannino- Tannino 1 a 2 gr. Agua distillada 5 a 10 gr. Para empregar como derivativo. (Luton e Schwalbe.) Ergotina-Ergotina 1 gr. Para empregar 1 seringa de cada vez. OBSERVAÇÕES SEUVIÇO DO PROFESSOR MONCORVO I -Felbre intermittente, diarrliéa inareniatica.- Olympia, brazileira, de 10 mezes de idade, de côr parda, residente á rua do Hospício n. 241, foi apresentada pela primeira vez á consulta na Policlínica, no dia 11 de Novembro de 1882. Ha cerca de 8 dias que se lhe apresentam accessos de febre, os quaes começando á tarde, prolongam-se até uma certa hora da noite. Em alguns dias um accesso sobrevem também pela manhã. Durante o paroxysmo a temperatura se eleva, a pelle torna-se secca, a criança fica abatida, e á sua terminação não apparecem suores. Com os accessos sobreveio-lhe uma diarrhéa pouco intensa, que ainda perdura. Por occasião da consulta (10 horas da manhã) a temperatura era de38°. Não se notava congestão de baço nem de fígado. Tratamento : Uma injecção hypodermica de 10 centigram. de sulfato de quinina. Infusão de jaborandi ("2 gram.) 13 de Novembro - A criança transpirou pouco sob a influencia do jaborandi. Durante o effeito deste sobrevieram-lhe vomitos. Hontem á tarde appareceu um accesso muito brando e passageiro. 72 Pela manhã esteve apyretica. Durante a consulta acha-se nas mesmas condições. Diarrhéa diminuída. Tratamento: Sulfato de quinina 50 centigram. 15 - Hontem durante todo o dia não sobreveio-lhe accesso algum, mas hoje, durante a consulta, a temperatura acha-se a 38°; todavia, já a pelle começa a cobrir-se de um suor halituoso. A criança apresenta alguma tosse catarrhal, e notam-se alguns estertores mucosos disseminados na base de ambos os pulmões. A diarrhéa não reappareceu. Tratamento: Uma injecção hypodermica de 20 centigram. de sulfato de quinina. Ipeca. Desta data em diante os accessos não reappareceram, e a criança entrou em plena convalescença. II - Felbre intermittente - Evaristo, brazileiro, de 3 1/2 annos de edade, de côr parda, residente á travessa do Bom Jardim n. 62, foi apresentado pela primeira vezá consulta na Policlínica, no dia 6 de Agosto de 1882. Esta criança tem sido acommettida frequentes vezes de febre palustre, mesmo antes de residir na rua do Bom Jardim, onde domina o impaludismo de um modo notorio. No dia 1 de Agosto foi de novo acommettida de febre, ficando muito prostrada e inappetente. O accesso, que se apresentara á tarde, prolongou-se até meia noite. De então para cá os accessos têm sobrevindo á noite, começando ás 7 horas, e durando até meia noite. O menino acha-se bastante pallido, com as mucosas descoradas, a lingua coberta de saburra esbranquiçada; appetite quasi nullo; lobo 73 esquerdo do fígado augmentado de volume, apezar de ter-lhe sua mãe administrado um purgativo de oleo de ricino no dia anterior; tosse rara e secca; murmurio vesicular enfraquecido. Cons- tipação de ventre. T. ax. 37°,G. Tratamento: Calomelanos 50 centigram. Sulfato de quinina 50 » 7 de Agosto - Hontem tomou calomelanos ao meio-dia, e o sulfato de quinina ás 2 horas da tarde. A's 3 apresentou-se o accesso. Tratamento: Injecção hypodermica de 10 centigram. de bromhydrato de quinina. 8 - Accesso mais curto, durando das 6 ás 8 horas da noite; dessa hora até á da consulta nenhum outro appareceu. A criança acha-se mais animada; o appetite começa a renascer; o fígado voltou ás suas condições normaes. Nenhum accidente resultante da injecção hypodermica. Tratamento: Injecção hypodermica de 5 centigram. de bromhydrato de quinina na região deltoidiana esquerda. 9 - Apresenta-se inteiramente apyretico. A febre não reap- pareceu. Nenhuma reacção local resultante da injecção prece- dente. Recebe alta. III - Febre iiiLermitteiite, Tuberculose pulmo- nar- Anaré, de 3 annos, brazileiro, branco, residente á rua do General Camara n. 2G8, foi apresentado pela primeira vez á Poli- clínica, no dia 7 de Agosto de 1882. A criança é pouco desenvolvida e fraca. Sua dentição começou aos 8 mezes. Assegura seu pai não ter tido ella anteriormente 74 moléstia alguma grave, que era viva e comia com appetite. Ha 8 dias foi acommettida de febre que jamais cessou inteiramente, exacerbando-se sempre á noite. Por esta occasião as extre- midades resfriam. O tronco fica muito quente, a criança passa a noite inquieta, agitada, com uma sêde ardente. Acha-se no- tavelmente pallida, muito abatida, com um olhar exprimindo soffrimento. T. ax. 38%8. Pelle secca. Inappetencia absoluta. Língua secca e saburrosa; lábios seCcos. Lobo esquerdo do fígado augmentado de volume e doloroso á pressão. Respiração um pouco aspera e soprosa no apice dos pulmões, sobretudo no do direito. A percussão denota sub-obscuridade na região supra- espinhosa de ambos os lados. T. sub-clavicular esquerda 36°,8 ; T. sub-clavicular direita 37°,6. P. 120 -R. 30. Tratamento: Calomelanos 60 centigram. Injecção hypodermica de 10 centigram. de bromhydrato de quinina, na região deltoidiana direita. 8 cie Agosto - Nenhum accidente da injecção do dia prece- dente. O calomelanos produziu abundantes dejecções. O fígado recobrou suas dimensões normaes. Acha-se em plena apyrexia. Dormiu bem a noite passada. Acordou pela manhã mais ani- mada. Sêde muito menos intensa. A criança ainda apresenta pouca expressão na physionomia. P. 110. R. 25. T. sub- clavicular direita - 35°,2, e sub-clavicular esquerda - 34°,8. Res- piração menos rude no apice dos pulmões. Som mais claro á percussão na região super-espinhosa de ambos os lados. Tratamento: Injecção hypodermica de 5 centigram. de bromhydrato de quinina. Agua vinhosa ás colheres. 75 12 - Até hoje não reappareceu a febre. A criança tem dor- mido tranquilla e prolongadamente á noite. Reappareceu o ap- petite. Mostra-se animada; corre alegremente pela sala de consultas. Lingua húmida e desprovida de saburra. Os pheno- menos stethoscopicos e plessimetricos são os mesmos que os observados na consulta anterior. T. da região sub-clavicular direita - 36°,4. Na região sub-clavicular esquerda-35,°4. A criança passa a ser submettida ao uso de tintura de iodo inter- namente, e faz-se-lhe uma embrocação de tintura de iodo sobre as regiões sub-claviculares. IV - Izidoro, brazileiro, de 1 l/2anno de edade, de côr preta, residente á rua do General Camara n. 204, foi apresentado pela primeira vez á consulta na Policlínica , no dia 29 de Agosto de 1877. Criança fraca e mal constituída. Ha 3 dias appareceram-lhe dejecções aquosas em numero de seis nas 24 horas. Hontem á noite teve um accesso de febre. Inappetencia- Lingua ligeira- mente saburrosa. Ausência de congestão do fígado e do baço. Durante a consulta a temperatura é de 38°,1. Tratamento: Injecção tiypodermica de 10 centigram. de bromhydrato de quinina. 30 de Agosto - Apresenta-se á consulta inteiramente apy- retica. Passou bem a noite anterior, não teve febre. A diarrhéa perdura, porém muito mais diminuída. Tratamento: Poção com bismutho. < 12 de Setembro - A febre não reappareceu. A diarrhéa dis- sipou-se. Teve alta. V - Felbre intermittente, Jbron.cli.ite-Rosalina, de 11 mezes de edade, residente á rua do Cattete n. 172, apresenta-se 76 pela primeira vez á consulta na Policlínica, no dia 11 de Maio do corrente. Ha 2 mezes teve sarampão. Informa-nos também seu pai que desde então é a criança acommettida de uma febre cujos accessos se reproduzem com uma constância diaria, começando ao meio- dia mais ou menos, e prolongando-se até 7 horas da noite, em que terminam-se por um estado halituoso da pelle. Esta febre tem sido acompanhada de tosse e vomitos frequentes, que ap- pareceram ha dias. Durante a consulta a temperatura é de 39°,8. Lingua muito saburrosa. Ausência de congestão hepatica, e sple- nica. A criança mostra-se muito agitada e impertinente. Tratamento : Injecção hyp. de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Dia 12 - A" tarde de hontem tinha cedido a febre, para não reapparecer ainda até á hora da consulta de hoje, em que a criança acha-se completamente apyretica. Não pôde, porém, eonciliar regularmente o somno durante a noite passada, em virtude da tosse que se tornou frequente. Notam-se estertores sonoros e mu- cosos esparsos em ambos os pulmões. Sonoridade thoraxica nor- mal. Tratamento : Injecção hypod. de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Ipeca 60 centigram. D. em 4 papeis. 1 de 10 em 10 minutos. Dia 14-A febre não reapparecera. Ausência de estertores catarrhaes. Ainda alguma tosse, pelo que foi receitada uma poção balsamica. VI-Febre pseudo-continua, accesso pernicioso- Margarida, de 2 annos de idade, de côr branca, residente á rua dos Inválidos n. 48 (estalagem), apresentou-se pela primeira vez á consulta na Policlínica, no dia 27 de Setembro de 1882. 77 Esta criança, magra e pouco desenvolvida, ha 15 dias que res- tabeleceu-se de uma erupção de sarampão. Ha 6 dias que tem febre, cujos paroxysmos se revelam já pela noite, já pela manhã. Durante a consulta sua temperatura é de 40°. Lingua coberta de saburra esbranquiçada. Constipação de ventre. O lobo es- querdo do fígado doloroso e um pouco augmentado de volume. Baço normal. Pelle secca. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhydrato de qui- nina. Calomelanos 50 centigram. Dia 28- Teve duas dejecções com o calomelanos. Reduziu-se a congestão do lobo esquerdo do fígado. Durante a consulta a temperatura é de 40°,4. Lingua muito saburrosa e secca. Sêde intensa. Alguns estertores mucosos de pequenas bolhas na base do pulmão direito. Tosse húmida. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigrm. de bromhydrato de quinina. Folhas de jaborandi 3 gram. Sulfato de quinina 50 centigram. Como interno de serviço, fomos encarregado de ir visitar á noite deste mesmo dia adoentinha em seu domicilio. Encon- tramol-a mais animada e com uma diminuição considerável de temperatura: 38°,3. Fizemos-lhe ainda uma injecção hypo- dermica de 10 centigram. de bromhydrato da quinina. Dia 29 - Dormiu tranquillamente durante a noite passada. Durante a consulta a temperatura é de 38°. A lingua acha-se sem 78 saburra e húmida. 0 figado completamente descongestionado e não doloroso á pressão. Tratamento : Injecção hypod. de 10 centigram. de bromhyd. de quinina. Sulfato de quinina 50 centigram. Dia 30 -Do sulfato de quinina receitado hontem apenas con- seguiram os pais da criança fazel-a tomar 1/2 dóse. Apresenta-se á consulta em grande prostração, e com uma temperatura de 39° ,8. Tratamento : Injecção hypod. de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. A' noite deste mesmo dia fomos visitar a doentinha. Encon- tramol-a com uma temperatura de 39°,6. Fizemos-lhe nova in- jecção de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. 1 de Outubro - Durante a consulta, T. 39°. Tratamento : Injecção hyp. de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Aguo 60 gram. Tint. de digitalis 10 gottas. 1 colher de chá de hora em hora. Dia 2 - Durante a consulta a temperatura era de 39°,8. Cons- tipação de ventre. Lobo esquerdo dofigado um pouco congesto. Tratamento : Injecção hyp. de 40 centigram. de bromhyd. de quinina. Dia 3-A's 7 horas da manhã fomos visitar a doentinha em seu domicilio. Encontramol-a já despertada, com uma physiono- mia animada e expressiva de bem-estar. A temperatura tinha cahido a 37°,6. Aproveitando um resto de solução que tinhamos 79 trazido, fizemos-lhe uma injecção de 10 centigram. de bromhydrato de quinina; ordenando á sua mãe que a trouxesse á consulta para ser ainda medicada. A's 11 horas apresentava-se ella á consulta com uma tempe- ratura de 39°,4. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Calomelanos. GO centigram. A' noite deste mesmo dia fomos pela segunda vez visitar a doentinha. A sua temperatura era de 39°,4. Tinha evacuado bas- tante com o calomelanos. Fizemos-lhe nova injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhydrato de quinina. Dia 4. -Durante a consulta a temperatura era de 39°,4. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Folhas de jaborandi 4 gram. Ao penetrarmos á noite deste dia no domicilio da criança fo- mos vivamente impressionado pelos lamentos de seus pais que choravam, nos disseram, os últimos transes de vida de sua filhi- nha, Indagando sobre a execução da prescripção que fôra-lhes ordenada, disseram-nos também que tinha sido ella fielmente cumprida e que a criança tinha suado abundantemente, mas que a febre, longe de ceder, a tinha levado ao estado que então lamen- tavam. Encontramol-a estendida sobre o leito, com os membros em resolução, as palpebras entreabertas, deixando ver o globo ocular voltado para cima ; e insensivel aos meios com que pro- curámos despertal-a. O thermometro na axilla marcava 4U°. O pulso filiforme, quasi imperceptivel, era comtudo mui frequente. Sem demora procurámos injectar-lhe toda a solução de brom- 80 hydrato de quinina que tinhamos trazido do serviço do Dr. Mon- corvo. Eram 20 centigram. As injecções não causaram-lhe o menor movimento reflexo. Tinhamo-nos retirado para um apo- sento contíguo, onde, diligenciando dar alguma esperança aos pais, lhes aconselhávamos outros meios de urgência, quando ouvimos a criança chamar por sua mãe. Esta acode rapidamente, e instantes depois, trazendo no seu collo, alegremente nos apre- sentava a sua filhinha, que ao avistar-nos, chama a sua attenção, exprimindo-se com a maior clareza de idéas. Havia apenas uns 15 minutos, si tanto, que tinhamos feito as injecções !... Dia 5 - Apresenta-se a criança á consulta com uma tempe- ratura de 37°,6. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. A' noite tinha subido a temperatura a 38°,4. Fizemos-lhe uma iiyecção de 15 centigram. de bromhydrato de quinina. Dia 6 - Achava-se em apyrexia. Tratamento : Injecção hypodermica de 20 centigram. de bromhyd. de quinina. Dia 9 - Indo á tarde visitar a nossa doentinha, encontramol-a brincando com os seus irmãos ; achava-se em apyrexia, dizendo- nos sua mãe não ter-lhe notado maior temperatura desde o dia 5. No dia 10 voltámos ainda a vel-a. Sua temperatura era normal. No dia seguinte devia ter logar a mudança de sua residência. (Ext. Do impaludismo na infanda, do Dr. Augusto Barreto.) Nota. - Cerca de mil injecções têm sido feitas no ambulatório 81 de crianças da Policlínica Geral, para combater o impaludismo, esse grande morbus Jluminensis, como já o chamaram; emquanto que Henoch diz ter observado, em sua pratica de administração do sulfato por via sub-cutanea, ser as injecções dolorosas e irritantes! (Ob. cit. pag. 618.) E' pasmosamente admiravel para nós o que avança o Professor de Berlim. Porque temos teste- munhado, até á evidencia, a superioridade dessa fôrma de appli- cação do quinino, no importantíssimo serviço pediátrico do Dr. Moncorvo; sendo o nosso mestre o primeiro a accumular o maior numero de dados estatísticos, por meio dos quaes se infere e se verifica, atoda luz, a efficacia e preferencia de um methodo therapeutico prompto e energico para debellar ás manifestações palustres de toda a sorte. O Professor da Policlínica Geral tem dirigido com tanto acerto e proficiência as suas vistas perscrutadoras para o impaludismo na infancia, a ponto de archivar numerosíssimas observações no seu serviço de moléstias das crianças. Gonstatando-se a variedade dos symptomas, que apresenta o bacillus mallarice entre os pequenos doentes, domiciliados espe- cialmente nos pontos mais populosos da corte, vè-se a necessi- dade indeclinável de estudar-se, como o Dr. Moncorvo, as suas manifestações « proteiformes ». Foi este o intento da memória do Dr. Augusto Barreto, ex-chefe de clinica desse notabilíssimo pediatrista brazileiro, e que desenvolveu um assumpto, quasi desconhecido na Europa, e incompletamente por alguns autores ( West, Roger, Reliez e Barthez, D'Espine, Picot e Bouchut), até mesmo por Pio Blaza, a quem se devem as excellentes monogra- phias - Delia Endocardite dei bambini (1879) e Casuistica dl febri malaria in bambini (1876). VII - Prolapso do recto, impaludismo, sypliilis licreditaria, racliitismo - (Escorço de observação.) José, 82 n. 1657, filho de Firmino Fernandes Pèra, de côr branca, 4 annos de edade, natural da corte, residente á rua da Ajuda n. 37. Janeiro 21 1884 - 2 clysteres de tannino. » 23 » Os clysteres foram repellidos, logo depois de sua introducção. Prescripção Gottas amargas de Baumé. » 26 » O prolapso rectal continua. Injecção de ergotina de Yvon. Traumaticina. Para uso interno xarope de Gibert. » 27 » Teve febre durante a tarde e noite de hontem. Delirio. Temperatura axillar - 39°,9. » 28 » Temperatura axillar - 38°,7. Passou melhor segundo informações do pai e apenas esteve um pouco aborrecido. Não se fez a injecção como no dia 26 em consequência da eleva- ção de temperatura. Prescreveu-se limo- nada sulfurica e sulfato de quinina. » 29 » Insomnia durante a noite passada.- Tempe- ratura axillar 38°,8. Prescreveu-se infusão de jaborandí e sulfato de quinina. » 31 » Temperatura axilar 39°,5. Prescreveu-se 40 centigrammas de sulfato de quinina em injecções hypodermicas que se fizeram e recommendou-se mais uma poção para a noite. VIII - (Escorço cie observação.) Guiomar, n. 1407, filha de Balbino Pereira do Sacramento, de còr parda, de um anno de edade, etc., etc. Diagnostico: - Broncho-pneumonia - impalu- dismo. Ha quatro dias que tem febre, stertores catarrhaes dis- seminados em todo o pulmão. Tomou 6 decigrammas de calo- melanos, 2 grammas de sulfato de quinina em 8 papeis e 83 uma poção com digitalis, e fez-se badigeonagem com tintura de iodo. 1° de Setembro (primeira consulta) - A criança está sem febre, e a respiração é quasi normal. Prescreveu-se:-ipecacuanha 1 gr., sulfato de quinino 1 gr., em quatro papeis. 2 de Setembro - Está a romper o primeiro dente. Tempera- tura 38°, murmurio vesic. muito fraco, abatimento. Prescripção: Injecção hypodermica de bromhydrato de quinino; e sulfato de quinina 1 gr. em 4 papeis. 4 de Setembro -Grande quantidade de estertores catarrhaes, tosse húmida, temperatura 38°. Prescripção : Ipicacuanha 1 gr. ; sulfato de quinina 1 gr. badig. de iodo. 5 de Setembro - Temperatura rectal 39°, ainda estertores catarrhaes, a tosse é mais frequente e vibrante, vomitou abun- dantemente. Prescripção: Injecção hypodermica de bromurcto de quinina 5 decigrammas ; sul- fato de quinina 1 gr. em quatro papeis. 6 de Setembro - Tosse frequente e vibrante, grande quanti- dade de estertores catarrhaes, temperatura rectal 37°,9. Prescripção : Sulfato de quinina 1 gr. em 6 papeis para tomar 3 em cada dia. Uso externo : Agua lo gr., sulfato de quinina 1 gr. (para dois clysteres),sendo um hoje e outro amanhã, tendo o leite por vehiculo. 84 S de Setembro - Grande copia de estertores catarrhaes, tosse, temperatura rectal 39°,9. Prescrípção: Sulfato de quinina 2 gr. em 8 papeis para tomar 1 de 2 em 2 horas. 9de Setembro - Conservou toda a dóse anterior do sulfato. Pela madrugada de hoje começou a vomitar, tosse frequente, ventre muito proeminente; a mãi administrou-lhe um clyster, que produziu abundante effeito. Expulsão de fezes muito fétidas contendo muco e sangue. Grande prostração. Tosse mais rouca, respiração fraca; sopro bronchico na região infra scapular es- querda. Estertores mucosos finos em ambas as regiões. Movimento respiratório 70 por minuto. Temperatura rectal 40°,2. Prescrípção: Injecção hypodermica de 50 centigrammas do bromhydrato de quinina: sulfato de quinina 2 grammas, para tomar 1 de 2 em 2 horas.- Badig. de tintura de iodo, ipecacuanha 1 gramma em 6 papeis ; poção com acido benzoico. 10 de Setembro - Temperatura rectal 37°,8.- Respiração 55. Vomitou abundantemente grande quantidade de catarrho; cessa- ram os estertores mucosos finos. Ligeiro sôpro na região infra- scapular esquerda. Sonoridade normal, á percussão, nas duas regiões infra-capulares. Badig. Poção com cognac ; sulfato de quinina 1 gr. em 4 papeis. 11 de Setembro - Vomitou abundantemente. Grande quanti- dade de estertores catarrhaes. Temperatura 37°,0. Badig. de tintura de iodo; sulfato de quinina 1 gr. em 4 papeis; poção com cognac e acido benzoico. 85 12 de Setembro-Diminuição dos estertores mucosos. Des- apparecimento do sopro bronchico. Tosse forte. Respiração 50.- Temperatura rectal 38°,7. Constipação. Ventre tenso. Prescrípção : Poção com acido benzoico e cognac. Sulfato de quinina 1 gram. em 4 papeis para uso externo. Agua lo gram. Sulfato de quinina 1 gram. Acido lartarico q. s. Para 2 clysteres. 13 de Setembro.- Tem tossido e vomitado frequentemente ; estertores mucosos de bolhas maiores ; sonoridade quasi normal á percussão. Temperatura rectal 38°,0 Respiração 54. Prescrípção : Clyster com 50 centigram. de sulfato de quinina.- Para uso interno sulfato de quinina 50 centigram. por dia. Poção com cognac. 15 de Setembro - Temperatura rectal 38°,2. Respiração 16. Estertores catarrhaes na base e diminuição do murmurio vesi- cular. Prescrípção : Bad. de tintura de iodo. Ipeca. 1 gram. Clysteres de 50 centigram. de sulfato de quinina. Poção com cognac. 16 de Setembro -Temperatura rectal 38°.Obscuridade notável da respiração na base do pulmão esquerdo. Tosse quasi nulla. Não teve vomitos. Grande abatimento. Prescrípção : Poção com cognac e acido benzoico. Bad. de tintura de iodo. In- jecção hypodermica de 50 centigram. de bromhydrato de quinino. 17 de Setembro - Melhorou. Tosse mais forte e frequente. Vomitou grande quantidade de mucosidades espontaneamente. 86 Sonoridade mais clara na região intra-scapular esquerda. Respi- ração mais perceptivel. Temperatura rectal 37°,6. Prescripção: Bad. Ipeca. Poção com cognac e 2 gram. de acido benzoico. 2 clysteres de 1 gram. de sulfato do quinina. 18 de Setembro - Murmurio vesicular muito enfraquecido. Respiração entrecortada, 70 movimentos por minuto. Tempera- tura 38°,5. Vomitou abundantemente. Prescripção: Bad. Poção com cognac. Sulfato de quinina 2 gram. em 8 papeis. 19 de Setembro - Collapso pulmonar muito mais accentuado. Tosse quasi nulla; profundo abatimento. Temperatura 38°,5. Prescripção: Bad. de tintura de iodo. Injecção hypodermica de 50centigram.de ether sulf urico. Poção com 2 gram. de acido benzoico e 10 gram. de cognac. 20 de Setembro.- Respiração desembaraçada. Temperatura rectal 36°,6. Depois de 2 injecções de ether de 1 gramma cada uma. Temperatura 37°,5. Prescripção : Bad. de tintura de iodo. Continúa a poção de cognac. 21 de Setembro - Temperatura 39°,0. Tosse mais frequente. Prescripção: Sulfato de quinina 1 gram. em 2 papeis. Conserva de peplona e poção com cognac. 87 22 de Setembro - Respiração quasi silenciosa no pulmão di- reito. Sopro bronchico no esquerdo. Sub-obscuridade nas duas fossas sub-scapulares. Tosse mais vibrante. A criança, que conservava-se insensível e em estado de grande abatimento, mostra-se mais animada e chora com alguma força. Temperatura rectal 37°,3. Prescripção : Poção com cognac e acido benzoico. Badig. 23 de Setembro.- Estado muito grave. Grande cópia de ester- tores sub-scapulares em ambos os pulmões. Temperatura 38°,8. Deglutição muito difficil. Não póde ingerir nem mesmo agua. Prescripção : Injecção hypodermica do 1 gram. de ether sulfurico. Badig. Clysteres de álcool. 24 de Setembro - Temperatura 37°. Emmagrecimento pro- gressivo. Respiração muito fraca. Não se consegue fazel-a tomar a poção de cognac e acido benzoico. Tem-se alimentado um pouco melhor. Diarrhéa pouco abundante. Prescripção: Pés de Boudin 3 papeis por dia. Poção com cognac e acido ben- zoico. 25 de Setembro - Respiração um pouco mais forte. Fácies indicando melhoras sensíveis. Chora com força, etc. Prescripção : Bad. de tintura de iodo. Continua com as outras medicações, excepto os pós de Boudin, 88 2G de Setembro - A criança tem vomitado muito. A respira- ção continua no mesmo estado do dia anterior. Está abatida. Prescripção : A mesma do dia 24. Mais injecçòes hypodermicas de elher. 27 de Setembro - Mesmo estado. A mesma prescripção. 30 de Setembro.- Hontem convulsões clonicas que duraram toda a noite até a manhã de hoje. Percebe-se contractura dos musculos de ambas as pernas. Pela exploração do ventre sentem- se pequenos tumores semelhantes a caroços de milho, fluctuantes no ventre. Sôpro ainda na região infra-scapular esquerda. Es- tertores sonoros exparsos em ambos os pulmões. Emmagreci- mento mais accentuado. Temperatura 38°,2. A diarrhéa cessou. A tosse é raríssima. Inappetencia extrema, grande prostração. Prescripção : Pós de Boudin 4 papeis por dia. Poção com'canella, quina, tintura de scilla e cognac. 3 de Outubro- As convulsões têm continuado quasi sem interrupção. Acha-se febril e os tumores do ventre persistem augmentados. Prescripção : Bromureto de potássio 8.100 gram. 2 colheres de chá de 1/2 em 1/2 hora. 7 de Outubro - Profundo abatimento, somnolencia, marasmo. Tosse rara e sem grande desprendimento de catarrho. Sôpro bronchico intenso em toda a extensão do pulmão esquerdo, e res- 89 piração quasi silenciosa no direito. Temperatura 38°,6. Diarrliéa e as convulsões apressadas. Prescripção: Pós de Boudin 4 papeis por dia. Poção com cognac e tintura de scilla e digitalis ( caldo de carne e leite ). 9 cie Outubro -Está menos enfraquecida e somnolenta. A tosse e os pulmões persistem nas condições anteriores. Não teve lion tem febre. Temperatura rectal 36°. Continúa com a mesma medicação, menos a scilla e a digitalis, e mais conserva de peptona. 11 de Outubro - Tosse com mais frequência, sôpro bronchico ( do lado esquerdo) menos pronunciado, tem mais appetite. Cons- tipação de ventre. Prescripção : Continúa com os pós de Boudin e a peptona. O ventre está llaccido e os tumores são muito menos apreciáveis. 13 de Outubro - Chora com mais força e está menos abatida, tosse vibrante e húmida, appetite exaltado. Sôpro bronchico quasi extincto e substituido por estertores sub-crepitantes e no pulmão direito estertores exparsos, sonoridade thoraxica mais dura. Temperatura rectal 37°,5. Prescripção: Poção com cognac, tintura de camomilla e quina. - Continúa com os pós de Boudin e a peptona. 18 de Outubro- Tosse um pouco mais fraca, porém o choro é mais energico. Pallidez muito notável; muito appetite ; alguma constipação. Temperatura rectal 37°, 4. Prescripção: Injecção de 1 gram. de ether sulfurico.Tintura de iodo, 2 gottas antes década refeição. Pósde Boudin. 90 24 de Outubro-Augmcnto de força, menos pallida. Ella que se conservava deitada, já passa algum tempo sentada. Chora com energia e impertinência. A tosse desapparece. Não se percebe mais estertores. A sonoridade é menos pronunciada na região infra-scapular esquerda, do que do lado direito. Já não se percebe sôpro. Os ganglios cervicaes e inguinaes augmentam de volume. Ventre mais persistente, porém flaccidoe indolente. Constipação habitual e excellente appctite. Tem to- mado carne, ovos, e peptona. Prescripção: Tintura de iodo 3 gottas, scilla e cit. de ferro.Pós de Boudin. 6 de Novembro-Sôpro bronchico na região infra-espinhosa esquerda; o murmurio respiratório áspero e rude em toda a ex- tensão do pulmão esquerdo. Sub-obscuridade mais pronunciada que da outra vez; ainda se percebem alguns estertores sonoros. No pulmão direito a respiração é fraca, e notam-se estertores mucosos disseminados. Ainda está bastante pallida, mas engatinha bem e procura pôr-se de pé. A tosse tornou-se frequente e húmida. Temperatura rectal 37°. Prescripção: Ipeca. 1 gram. Continua com a peptona. 7 de Novembro - Vomitou por causa da ipeca. O sôpro des- appareceu e foi substituido por algumas bolhas de catarrho, que também se percebem no pulmão esquerdo. Algum abatimento, apyrctica e pelle húmida. 10 de Novembro - Diminuição dos estertores catarrhaes. Prescripção: Iodo e cit. de ferro. 91 24 de Novembro - Estado geral muito melhor. Tosse catar- rhal por vezes. Alguma rudeza de respiração só no pulmão esquerdo é que se percebe. Appetite. Já procura andar, mas não consegue estar de pé. Nutrida algum tanto mais e menos des- corada . Prescripção: Xarope de Gibert ( 1 coiher de chá antes das refeições). Restabelece-se depois de alguns dias. Escorço de observação Raul, filho de Manoel Gomes Carreiro, de 2 annos.e 9 mezes de edade, natural da Côrte, residente á rua de S. José n. 9. A 29 de Janeiro de 1885 foi á Ia consulta. Aleitamento materno até 5 mezes, dessa época em diante mixto ; desmama mento completo aos 11 mezes. Anteriormente a esta época, frequente diarrhéa com prolapso do recto. D'ahi em diante diarrhéa catar- rhal, lienterica com tenesmos, sobrevindo com frequência e durante muitas vezes por espaço de 15 dias. Indigestões repetidas eacompanhadas de vomitos alimentares. Reducção facil do pro- lapso; mantem-se bem reduzido. Criança muito magra, pallida ; inappetencia accentuada; muita sède. Diagnostico. -Bronchite sub-aguda dupla. Dyspepsia gastro-intestinal. Lienteria e syphilis hereditária. Tratamento : Dia 29 de Janeiro - Poção com acido benzoico e tercbenlhina. D ia 3 de Fevereiro - Continua com a poção de acido benzoico e mais sulfato de quinina 1 gram. em 4 papeis, 1 de 3 em 3 horas. 5 de Fevereiro - Fézes ainda não moldadas; inappetencia invencível; pallidez; apyretica. Pôs de Boudin 2 papeis por dia. Bicarbonato de sodio Phosphato de cálcio aã 4 grams. 12 papeis, 2 por dia com 2 goltas de tintura Baumé. 92 9 de Fevereiro - Ainda 3 a 4 clejecções diarias, porém as fezes são mais solidificadas. Melhor appctite. Não teve mais indigestões, cessou a lienteria. Continua com os papeis supra e mais acido chlorhydrico 1 gotta antes de cada refeição. 18 de Fevereiro - Ainda ha 3 ou 4 dejecçõcs pastosas. Ha prolapso do recto todas as vezes que evacua, sendo facil a reducção. A lienteria não se reproduziu. Fez-se uma injecção de 25 centigrammas de ergotina de Ivon a 1 centímetro da abertura anal. Continua com o bicarbonato de sodio e o phosphato de cálcio. Mais tintuia de noz-vomica 2 gottas. 20 de Fevereiro-Desde o momento da injecção não mais se deu o prolapso rectal; a criança evacua varias vezes. 23 de Fevereiro - Tem evacuações sem que haja o prolapso do recto. Lingua saburrosa. Por toda a superfície cutanea, particularmente na região cervi- cal, erupções bastante confluentes. Ganglios papulo-pustulosos inguinaes, cervicaes e preepitrochleanos engorgitados. Fezes normaes. Corysa. Notável depressão da base do nariz. Licor de Van Switen 3 colheres de chá por dia em leite. 25 cie Fevereiro - Continua a mesma medicação. 2 de Março - Reappareceu o prolapso. Uma injecção de ergotina de Ivon. Continua com a mesma medicação. 11 de Março - No dia 8 de Março ainda prolapso. Injecção de 50 centigram. de ergotina de Ivon. Continha com a medicação; mais chlorureto de potássio em poção. XX - Serviço <Io I?rof*essor Moncorvo. f Fscorço de observação) - Luiz Pertuis, filho de Charles Pertuis,de 2 annos de edade, natural do Rio de Janeiro, residente á rua do Espirito 93 Santo n. 15 B. Não foi vaccinado e a 11 de Agosto de 1885 apre- sentou-se á consulta. Aleitamento materno seguido de aleita- mento por uma ama gravida. A criança foi sempre mal nutrida. A dentição começou aos6mezes; principiou a andar depois de 1 anno. Ila 15 dias começou a ter evacuações frequentes com- postas de mucosidades sanguinolentas e, logo depois, a cada evacuação, prolapso do recto. Erythema peri-anal; lienteria antes Dilatação do ventrículo. Por vezes accessos de febre. Tem- peratura do ventre 37°, estando a criança com plena apyrexia. Ausência de congestão hepatica; ventre meteorisado. Fontanella anterior não ossificada. Tratamento - Sulfato de quinina. 1 gram. em 4 papeis para tomar 2 por dia. Poção com resorcina 1 %. Clysteres com solução de resorcina 1 %. 12 cie Agosto - A dysenteria existe. Apenas uma evacuação normal hoje pela manhã; muito pequena quéda do recto. Dormiu muito bem. Pela Ia vez o recto retrahiu-se espontaneamente, depois de pequeno prolapso. Muito melhor appetite. Tempe- ratura do recto 37°,2 e do ventre 3G°,8. Conservou os clysteres de resorcina. Injecção peri-anal de 25 centigram. de ergotina. 13 de Agosto - Ilontem depois da visita, evacuação pouco abundante, porém normal. Hoje um tanto mais abundante; es- tando as fezes ligeiramente tintas de sangue. Nenhum accesso e nenhum vestígio da injecção hypodermica de ergotina; o prolapso teve hoje logar, por occasião de dejecção indicada, porém de um modo pouco pronunciado, reentrando o recto espontaneamente. Temperatura rectal 37°,8 e do ventre 36°,8. Sulfato de quinina 1 gram. em 4 papeis para tomar 2 por dia. Poção com resorcina. Clysteresde resorcina. Suppositorios de ergotina de Bonjean. 94 19 de Agosto - Interrupção desde 13, Uma evacuação normal pela manhã, seguem-se depois 3 a 4 constituídas por catarrho espumoso. Bom appetite. Raras vezes projecção do recto na occasião das evacuações, excepto quando a criança evacúa de pé. Temperatura do anus 37°, do ventre 36°. Sulfato de quinina 2 gram. em 8 papeis para tomar 4 de 2 em 2 dias. Injecção peri-anal de ergotina 23 centigram. 20 de Agosto - Nenhum accidente local consecutivo á injec- ção hypodcrmica de ergotina. Apenas 2 evacuações molles sem sangue, hontem; hoje uma normal. Bom appetite. Excellente estado geral, alegre, etc. Continúa com o sulfato de quinina. Acido chlorhydrico 2 gottas. 22 de A.çasío - Continua a diarrhéa. A criança evacuou 6 vezes de hontem para hoje, o prolapso teve logar ainda uma vez. 1 poção com acido gallico. 2 clysteres com ergotina. XXI - Extrahida de uma brochura inédita, do Dr. Mon- corvo a respeito do Emprego da antypirina na thera- peutica infantil; Febre perniciosa - Rosina, de 3 annos, é apresentada ao serviço do Professor Moncorvo, no dia 21 de Agosto de 1885. No dia 20 de Agosto esta menina despertou queixando-se de mau - estar geral e de abatimento; estava, febril e assim conservou-se durante todo o dia; passou muito mal toda a noite, tornando-se a febre violenta. Teve então muitos vomitos biliosos, e sua mãi administrou-lhe um purgativo. Na occasião do exame a criança é acommettida de convulsões clonicas dos musculos dos membros da face, ás quaes succede o estado de somnolencia prolongada. A pelle extrema- 95 mente quente. T. R. 40°,2. Lobo esquerdo do fígado muito volumoso e doloroso á palpação. Ventre meteorisado. Baço de volume normal. Nenhum symptoma de bronchite. Lingua muito secca e revestida de um enducto saburral. Amygdalas muito hy- pertrophiadas e muito dolorosas. Pratica-se immediatamente uma injecção hypodermica de 50 centigram. de antipyrina, e 12 minutos depois observa-se uma copiosa transpiração sobre a cabeça e o tronco. O thermometro applicado no recto marcava 39°,3. Nova injec- ção de 50 centigram. de antipyrina, e 15 minutos depois a tempe- ratura rectal tinha baixado a 33°,9 ; emfim 15 minutos depois a temperatura rectal era de 38'. Praticam-se então 5 injecções hypodermicas de sulfato de quinina ( 50 centigram.) e prescre- ve-se ainda 1 gram. do mesmo sal para ser administrado á tarde. 21 de Agosto - Hontem á tarde a temperatura manteve-se normal e assim se conservou até ás 4 horas da madrugada. Por essa occasião a febre reappareceu, de modo que pela manhã a temperatura rectal era de 39 graus. Hontem á noite novos vomi- tos biliosos. O estado saburral ainda muito pronunciado, não houve convulsões. Diarrhéa serosa. Sulfato de quinina 1 gram. 22 de Agosto - A febre prolongou-se durante toda a noite pas- sada, e a criança vomitou quasi todo o sulfato de quinina. T. R. 38°,8. Antipyrina 1 gr. (2 dóses). Sulfato de quinina 1 gr. e 50 centigr. em clyster. 23 de Agosto -Na tarde de hontem a temperatura desceu á normal, e os clysteres foram conservados e por muito tempo. 96 Temperatura rectal 37,5, fígado muito reduzido de volume, es- tado saburra! quasi nullo. 54 a 27 de Agosto -Não teve mais febre. Língua normal; bom appetite. A congestão de fígado desappareceu, bem como a diarrhéa. Ventre flaccido e indolente. Pelle húmida. Tratamento : Pós de Boudin. A 29 foi examinada mais uma vez e teve alta. (Extr. da brochura inédita do Professor Moncorvo) Im- paludismo AGUDO, SYPIIILES HEREDITÁRIA - AllgUStO de 5 ailHOS, é apresentado no serviço do Professor Moncorvo no dia 24 de Agosto de 1885. Sua mãi teve seis filhos, dos quaes tres falle- ceram de baixa edade. Seu pae teve accidentes syphiliticos du- rante a campanha do Paraguay. A criança é rachitica; apresenta uma erupção pustulosa sobre as nadegas e os membros infe- riores. Renitite. Estado saburral pouco accentuado. Segundo sua mãi, tem elle sido por varias vezes acommettido de febre pa- lustre. De 24 a 31 de Agosto esteve este menino submettido ao uso do xarope de Gibert. Neste ultimo dia trouxe-o sua mãi ao serviço por estar elle febril, desde os tres últimos dias. A pelle estava secca, o estado saburral era muito accentuado; ha- via dejecções catarrhaes e sanguinolentas, acompanhadas de tenesmo. O volume do fígado normal, temperatura rectal 39°. Antipyrina 1 gr. sob a fórma de injecção hypodermica. Sulfato de quinina! gr. para ser administrado em 4 dóses era se- guida á antipyrina. Uma hora depois do emprego desta ultima, a temperatura havia baixado á normal, após copiosa transpiração, que de resto não foi seguida nem decollapso, nem de vomitos. Este menino 97 conservou-se apyretico durante 8 dias consecutivos. A partir de 8 de Setembro novos accessos se apresentaram, mas então muito pouco intensos, a maxima da temperatura não excedendo de 38°. Ainda algumas dóses de sulfato de quinina e de arsénico conse- guiram removel-os. (Extr. ainda da brochura do Professor Moncorvo.) febre perniciosa, sypiiilis hereditária :-Cypriano, de 4 annos, nas- cido no Rio de Janeiro, foi trazido ao serviço do Professor Mon- corvo na Policlínica, no dia 22 de Junho de 1885. Os paes deste menino são fracos ; a mãi teve um ataque de rheumatismo na infancia, o pae acha-se impossibilitado de dar um passo em vir- tude de dores articulares que o affligem ha muito tempo. O doen- tinho tem tido por varias vezes accessos de febre, diarrhéa, e catarrho bronchico. Durante os primeiros mezes apresentou erupções no couro cabelludo, otorrhéas e corysa. Si bem que a dentição tivesse começado aos tres mezes, seu desenvolvimento physico e intellectual tem sido muito retardado: começou a fallar na edade de 3 annos, e a andar na de 2. A evolução dentaria foi complicada de accidentes convulsivos. Ha oito dias que tem accessos de febre pela manhã e á noite, sendo alguns delles acom- panhados de epistaxis. O menino acha-se em estado de profundo abatimento. Conserva-se continuamente deitado, sem poder sequer levantar a cabeça ; geme e chora constantemente, muito irritável. Encontram-se nelle cicatrizes nacaradas sobre o dorso, as nadegas e as coixas ; toda a superfície cutanea muito secca e aspera. Os ganglios sub-maxillares engorgitados. O incisivo mediano su- perior esquerdo alterado. (Alteração de Hutchinson, e em fôrma de machado.) Figado um pouco augmentado. Estado saburral. Corysa. Obscuridade na região sub-espinhosa de ambos os lados, particularmente do esquerdo, onde se percebe sôpro bronchico bem pronunciado. T. R. 41°,2. 98 Pratica-se uma injecção hypodermica de 1 gramma de anti- pyrina, seguida alguns minutos depois de 6 outras de sulfato de quinina (60 centigraus). Doze minutos depois a temperatura rectal era de 42 graos e 2 décimos, e a pelle estava banhada em copioso suor. A' tarde repete-se a administração da anti- pyrina (1 gramma) e do sulfato de quinina pela via gastrica. A temperatura baixou então á normal; mas a transpiração não se exagerou, nem a criança ficou mais abatida do que antes da me- dicação. 23 de Junho. - A antipyrina, bem como o sulfato de quinina, foram perfeitamente tolerados ; não sobrevieram vomitos. No- tável diminuição da intensidade do sòpro bronchico. T. R. 38°,2. Desde então as maximas do calor não excederam de 38. O sòpro bronchico dissipou-se, não restando no apparelho respira- tório traços de bronchile. Algumas dóses mais de sulfato de quinina e uma poção com cognac e acido benzoico vieram completar a cura. Nota- São tão edificantes os resultados, como se vê nestas tres observações, obtidos pela administração hypodermica da antipyrina na infancia, a não se poder duvidar da acção rapida e promptade uma substancia de que Desmath, por exemplo, diz ter abandonado o seu emprego em injecções sub-cutaneas, porque ellas produziam até inflammação local, sendo extremamente dolo- rosas. (Annuario Schmidt, pag. 235, band. 2 a 4, heft. 3, n. 12, 1884.) E' dado pois ao Professor Moncorvo chegar, relativamente a um tão precioso agente medicamentoso, a conclusões diversas das que foram estatuidas mesmo por alguns pediatristas alle- mães, a cujos experimentos se deviam unicamente indicações para a antipyrina na infancia, mas pela via gastrica. xxil - Trata-se de uma criança de 14 annos. Foi admittida ao serviço do Professor Moncorvo por apresentar symptomas de 99 cyanose congénita. Accidentalmente tem tido em varias occasiões manifestações passageiras de impaludismo. Nesses últimos tem- pos foi acommettida de accessos febris á tarde e á noite, acompa- nhados de dòres nevrálgicas que do conducto auditivo direito se propagavam pela face e lado correspondente ao pescoço. As dòres eram intensissimas e arrancavam gritos á paciente. A principio coincidindo exclusivamente com a elevação da temperatura, a nevralgia entrou por ultimo a se manifestar durante o dia, mesmo no periodo da pyrexia ; exacerbando-se, porém, á noite por fórma tal a impedir o repouso e o somno á criança, O sulfato, o valerianato de quinina, as embrocações de tintura de iodo, os linimentos opiados com cliloroformio e vários outros meios, conseguiram acalmar a dor, mas não dissipal-a inteiramente. Foi então que o Professor Moncorvo praticou-lhe abaixo do pavilhão direito, junto do ramo ascendente da mandí- bula, uma injecção hypodermica de um centímetro cubico de agua t commum. Após a dor causada pela penetração do liquido no tecido cellular sub-cutaneo, seguiu-se uma calma considerável; e, depois de meia hora de repouso, retirou-se a criança, dizendo nada mais sentir. Até á data em que foi registrada esta observação, o doente não voltou ao ambulatório de crianças da Policlínica. PROFESSOR NUNO D1C ANIXRjAI>IC XXIII-Em uma menina de 7 annos, acommettida de febres intermittentes rebeldes e na qual já se havia manifestado intole- rância gastrica, quer para os saes de quinina, quer para a vieirina, fiz injecçõcs de sulfato nos braços. A febre desappareceu; mas deu-se o sphacélo da pelle, do que resultaram ulceras pro- fundas nos logares das feridas. 100 0 trabalho de cicatrização se effectuou regularmente, apenas com o auxilio dos absorventes topicos. Releva notar% porém, que essa menina se achava em estado de excessiva dyshemia e sob a influencia de uma dystrophia especial que não vem aqui a proposito caracterisar. Circumstancias analogas, porém, jámais me impedirão de empregar as injecções hypodermicas, quando forem ellas indicadas. (Extrahido da Revista Medica, de 7G, pag. 414.) I >K. TICIX1CIIIA GARCIA XXIV-Uma filha do Sr. C. de P., de 5 annos de edade, teve uma febre intermittente no dia 17 de Março. Terminado o primeiro accesso, tomou uma dóse regular de sulfato. No dia 18 reappareceu o accesso com a mesma intensidade. No dia 19 fomos chamado para vel-a em occasião em que a febre se achava na maior força do accesso. Temperatura elevada (39°,5), pulso acce- lerado, olhos injectados, faces coradas, forte cephalalgia, língua saburrosa, vomitos. Receitámos um vomitorio de poaia e depois a limonada purgativa de citrato de magnesia aos cálices. No dia seguinte visitámos a doente ás 7 horas da manhã e, aproveitando o intervallo de apyrcxia, fizemos uma injecção hypodermica de bromhydrato (5 centigrammas) em solução laudanisada. A febre cedeu completamente com essa unica injecção, e nenhuma irritação local se manifestou após ella. A doente curou-se e mudou de residência temporariamente, porque mais de uma vez soffrera de febre intermittente. 101 - Uma filha do Sr. B., de 8 mezes de edade, soffria de febre intermittente havia 8 dias. Os accessos eram francos e de typo regular, acompanhados de constipação de ventre. Prescrevemos a limonada de citrato de magnesia ás colheres e injectámos 5 centigrammas de bromhydrato. No dia seguinte a doentinha teve um accesso fraco. Injecção de 5 centigrammas do mesmo sal. Limonada sulfurica. A doente restabeleceu-se rapidamente sem que sobreviesse phenomeno algum inflammato- rio local. (Ext. da União Medica, 1882, pags.471 472.) 1)R. GONZAGA FILHO xx v - Anna Wilson, de 3 annos de edade, soffria accessos de coqueluche, seguidos de vomitos, que á noite tornavam-se fre- quentes, a ponto de prival-a completamente do repouso. A 21 de Janeiro (1860), Beigel injectou-lhe pelo methodo hypodermico 5 milligrammas de acetato de morphina, e, minutos depois de deixar a sala de consulta, a mãi da criança voltou assustada, pensando que afilha ia morrer; estava, porém, profundamente adormecida. Nos dias subsequentes passou melhor. A 27 do referido mez fez-se-lhe segunda injecção que também produziu somno de muitas horas. Não houve tosse nessa noite, e na im- mediata apenas tres vezes e ligeiramente; desde então perdeu essa tosse todo o caracter convulsivo, os vomitos cessaram, oap- petite voltou e a criança restabeleceu-se. (These de concurso em 1878.) I)It. FEHHEIRA DA SILVA. XXVI - Serviço policlínico do Hospital de S. João Baptista. -Jeronymo, filho de Antonio da Silveira, brazileiro, com 7 annos, 102 collegial, de constituição fraca, residente no Fonseca, matriculado em 10 de Outubro. Refere o pae que á noite do dia anterior, tendo elle adormecido em um sofá na sala de visitas, quando foi buscal-o para a cama havia impossibilidade completa de afastar a cabeçada espadua esquerda, e á menor tentativa o doente accusava grandes dòres. O exame minucioso da posição da cabeça e do estado de elasticidade da pelle levou-me a crer que o musculo, que mais intervinha naquelle estado, era o sterno-cleido-mastoideo es- querdo. Pelas respostas sobre os antecedentes de família o mal não achava-se filiado a diathese alguma. Diagnostico - Torticollis muscular esquerdo, tendo por causa um resfriamento e talvez por elemento de preferencia para a localisação mórbida a má posição do decubitus. Tratamento : Electrisação do musculo congcnere direito sem nenhum resultado. Uma injecção de chlorhydrato de pilocarpina (o cenligrammas de sal para 10 grammas de agua) no ponto mais proximo do musculo retra- hido. Observação - No fim de meia hora suores abundantes e dous vomitos aquosos que abateram um pouco o doente. Reanimado por uma chavena de café,a séde da lesão mostrava melhoras admiráveis. Com um ligeiro auxilio a cabeça ia até á posição natural e o es- pasmo estava vencido. Para concluir o tratamento, receitei uma poção diaphoretica, dizendo que no dia immediato o trouxessem. No dia 11 voltou o menino; nada mais sentia, movendo a cabeça em todas as direc- ções. Julguei-o curado. 103 JOUSSET Escorço de observação - Tratava-se de uma criança victi- mada por uma febre perniciosa. Pela impossibilidade da admi- nistração do sulfato de quinina por via gastrica, soccorre-se da via sub-cutanea e applica-se na trachea, lentamente ou gotta a gotta, 3gram. 50 de solução de 10° de chlorydrato de quinina (ou 0,35 de g.) Uma hora depois da injecção a criança reanima-se, falia e responde. A's 3 horas da tarde está quasi restabelecida, tendo-se chamado o medico às 10 1/2 horas da manhã. (Extr. da importantíssima these do Dr. Pessanha, nosso illustre mestre, sobre Febres perniciosas, na qual diz não ter observações próprias em relação ás applicações do methodo hypodermico tracheal; e lembra o caso da impossibilidade absoluta do doente para ingerir o medicamento urgentíssimo: - conserva-o na cavidade buccal, mas não póde deglutil-o, e apezar dos esforços, ha como que uma inércia do isthmo da garganta, verdadeira aphagia.) I>O AUTOR Escorço de observação - Pedro A. B., de Niterói, de 7 annos, etc. Accessos de impaludismo simples perfeitamente caracte- risados. Tratamento: - resorcina ( cliimicamente pura) em injecções hypodermicas, sendo feitas 2, 3, a 4 por dia na dóse de 2 a 5 centigr, Declinam os accessos no quinto dia. Continuam as applicações sub-cutaneas de resorcina até o nono dia, em que se apresenta apyretico. Escorço de observação - Alcides, de 7 annos, etc. etc. Febre intermittente: fígado augmentado de volume, etc. Tratamento :- depois uma dóse fraccionada de calomelanos, injecções hypo- dermicas de resorcina. Recrudescência de accessos; insiste-se 104 na medicação instituída, e o restabelecimento do pequeno doente se manifesta em doze dias de medicação sub-cutanea. Escorço de observação - Olinthia, de 9 annos, etc. etc. Febre remittente palustre, datando de tres mezes. Tratamento:- pjecção de sulfato de quinina e bromhydrato durante 10 dias. A pyrexia, porém, não cede! Recorre-se á resorcina pelo me- thodo sub-cutaneo durante oito dias consecutivos, e o mais pleno successo foi obtido. Escorço de observação - Ximenes P. S., de 11 annos, constituição fraca, etc. etc. Soffre ha dous annos de accessos asthmaticos que têm cedido ao tratamento antispasmodico. Estando dormindo numa sala, expoz-se a uma corrente de ar, e appareceu bruscamente o accesso. Durante o dia seguinte sente grande anciedade epigastrica, a expiração se faz lentamente e passa toda a noite inclinado sobre travesseiros. Este estado continua durante quatro dias, augmentando-se os symptomas com tal intensidade, que a crise parece provocar até uma apnéa, ou suspensão da respiração. E' afflictissimo o estado do pequeno doente, e não cede á costumada medicação, instituída nesses casos. Occorre-nos fazer uma injecção sub-cutanea de morphina e atropina, segundo a pratica de J. Oliver, citada por D. Beaumetz. (Leçons de Cliniq. Thérap., pag. 468, v. 2.) Alguns minutos depois o resultado dessa pratica se manifesta na criança, cuja respiração torna-se tranquilla e o somno é calmo. Passadas algumas horas, ella desperta e o accesso asthmatico continha, embora com menos intensidade, até o outro dia, em que se exacerba, exprimindo a physionomia do pequeno doente os pri- mitivos soffrimentos. Foi, então, que não trepidámos ante a pratica do Prof. Contry, de Montpellier, e fizemos uma injecção hypodermica sómente de atropina, mais ou menos no trajecto do pneumo-gastrico. As melhoras não se fizeram esperar, e o doente 105 passou a noite bem, e, apezar de não ter tomado algum outro remedio, restabeleceu-se. Escorço de observação.- Julieta A. G., de 11 annos, constituição fraca, etc. etc. Pela anamnese accusa antece- dentes hereditários dignos de nota, e que não vêm a pèllo men- cionar, mesmo porque a familia procura occultal-os e nos confiou muito reservadamente. E' epiléptica desde a edade de 2 annos, teve ataques, com intervallos de mezes e até de anno, até 10 annos ; e desde essa epoca em diante tornaram-se mais ou me- nos frequentes, sendo quasi sempre provocados por embaraços gástricos, comidas indigestas, etc. Nunca observámos essa pequena doente senão quando preza, havia algumas horas, do grande mal epiléptico, com todo o seu conhecido cortejo de symptomas. Os ataques repetiam-se de quinze em quinze minu- tos, de meia em meia hora, no máximo, chegando um dia a attin- gir, nas 24 horas, a 65 acceseos. Nessa occasião nenhuma medi- cação interna, e nem rectal podia ser dada, porque a deglutição era impossível, e havia completa relaxação dos sphinters, o que não se vê ordinariamente, mas não é raro, como ponderam os autores. Assim, as injecções hypodermicas se impunham e delias nos utilisámos, quasi abusivamente, para que o bromureto de potássio produzisse os seus beneficos effeitos por absorpção en- dermica. E só tivemos que louvar esta pratica, a que fomos obri- gado, e delia nos servimos, por termos observado, em nosso internato do hospital de S. João Baptista, os seus edificantes resultados num indivíduo de 23 annos, chamado Henrique Rocha, epiléptico, recolhido ao hospital com ataques constantes e repe- tidos (justamente nas condições do caso dessa criança, e que registrámos), indo occupar um dos leitos, sob o n. 5.786 de ma- tricula, da enfermaria a cargo do nosso illustrado amigo Dr. Augusto Duque-Estrada. ERRATAS PAGINAS LINHAS Onde se lê Leia-se 1 17 hydrochonos hydrochinon 2 6 (nota) Langenbek Langenbeck 3 10 se, apezar do se sobre o contingente 4 17 palpipmte palpitante 5 20 foi então que foi ainda que ao benemerito 7 2 de alguma maneira de algum modo 7 19 pelas veias e pela mu- cosa pilmoaar pelas veias, mucosa pulmonar e via intra-muscular 8 1 o rectal mesmo e o sub- cutâneo o rectal, e mesmo o sub-cutaneo 8 20 ás perturbações orgâni- cas ou funccionaes attender-se ás perturbações func- cionaes e organicas 9 1 que na criança na criança recemnascida 10 2 (nota) Getting Gõttingen 10 16 (nota) Leeundmer Keinwedér 15 1 (nota) Bõrnel Bõrner 15 1 (nota) lahrbiich lahrbuch 19 17 cujo exclusivismo esse exclusivismo 21 8 (nota) Piedrache, Piedovache 22 7 ontalgia odontalgia 22 8 (nota) obtenham desembaraçar desse agente o tenham desembaraçado 24 7 desde que tem no hydro- drato de chloral desde que tem no preparado opiado precioso recurso 24 12 o chloral hydratado não se emprega o chloral hydratado não deve ser utilisado hypodermicamente 25 8 o acido cyanhydrico, mêsmo em solução o acido cyanhydrico medicinal, mesmo em solução 25 17 não temos noticia não tínhamos noticia 25 6 (nota) 5 gram aa-5 gr. 23 10 Dr. Domingos, Dr. Domingues 27 7 a que o que 29 1 (nota) quiniquina quinquina 29 6 (nota) demontreirent demontrèrent 31 12 antifebrifugo febrífugo 2 PAGINAS LINHAS Onde se lê Leia-se 32 21 Bnorr Knorr 33 10 (nota) Naegali Naegele 33 19 (nota) methomoglobina methemaglobulina 34 5 e 8 hydrochonos hydrochinon 34 12 Schimidt, s de Schimidt 36 7 melana nuelena 36 19 mas na purpura mas na purpura, que constitue estado pathologico especial, indedendente da escarlatina. 39 6 (nota) E também especialmente o ci- trato de ferro ammoniacal, aconselhado por Ciaramelli que já empregamos, depois de todos os meios aconselhados, em uma criança que soffria de anemia profunda, sob a se- guinte formula : - citrato de ferro ammoniacal, 1 gr.; agua distillada, 20 gr.: 2 injec. p.'r dia. 40 4 (nota) Schrrar Schivarz 40 21 (nota) Ann. Schimidts Ann. de Schimidt 41 18 Mas tal não acontece Mas tal não acontece em absoluto 42 4 proscriptos prescriptos 43 12 centigramma de gramma 44 11 (nota) Schimidt's de Bõrner, 1885. 45 9 hydragyrico, hydrargyrico 46 8 fazendo-se julgar-se a cidade a julgar-se a cidade 47 1 (nota) glycerinè 5,0 glycerina aá-4,0 49 18 cubos cúbicos 49 20 cubos cúbicos 50 1 e 2 de sangue do sangue 50 1 (nota) empregou empregou-as 51 10 magnesia magnésio 51 7 (nota) vario ha vários 53 2 (nota) Rinderbeilk Kinderk 55 8 (nota) diphteria diphteria 56 1 anti febrífugo antifebril 56 13 Derbois Dubois 64 11 e 12 aã 5 centgr. ãá 5 gram. 64 20 bromhydrado bromhydrato 71 17 infusão d? jaborandy etc., de 2 gr. de jaborandi 83 1 badigeonagem badigeonage 83 14 Ipicacu anlia Ipecacuanha 3 PAGINAS LINHAS Onde se lê Leia-se 86 1 intra-escapular infra-escapular 86 20 depois de 2 injecções, etc. etc. depois de 2 injecções de ether de 1 gramma cada uma ; tem- peratura, etc. 92 17 erupções bastante con- fluentes etc erupções papulo-pustulosas bas- tante confluentes Ganglios inguinaes, cervicaes e pre-epitrochleanos engorgita- dos 94 28 membros da face membros e da face 95 11 33°,9, 38°,9 96 17 Renitite Rhinite 98 3 centigraus centigram. 98 4 de 42 grão de 40 gráos 163 1 Jousset Professor Pessanha 103 27 depois uma dose, depois de uma dóse DR. AQUI NO FONSECA AS INJECCÕES HYPODERMIGAS ( NAS | CRIANÇAS RIO DE JANEIRO IMPRENSA 1<S8G