DICCIONARIO iIBLMRÁPHIGO BRÀZILEIRO PEI.O DOUTOR luguslo flidorino liões &eciwii!o £ía£e NATURAL DA BAHIA Membro honoraric do Athenâo de Lima, socio do Instituto Histórica a Geogrsphico Brazileiro, da Academia do Ceará, do Institui» Archeologico e Geographico Pernambucano e d» antigo Instituto Historico da Bahia. QUINTO VOLUME RIO DE JANEIRO IIVIT?l^EJXr8 A NACIOÀSTAL j899 3201-93 DICCIONARIO BIBLIOMICOBRAZILEIRO José Leandro de Godoy e Vasconcellos - . ascido a 27 do fevereiro de 1834 em Pernambuco e bacharel em iencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, falleceu no Rio ( » Janeiro a 11 de novembro de 1888. Foi deputado por sua provincia t duodécima legislatura geral; presidiu as províncias do Maranhão, Áo de Janeiro e Rio Grande do Sul e exerceu a advocacia na corte. Escreveu, além de Relatórios na vida administrativa: - Conferencia radical. Primeira sessão. Discurso proferido sobre o ensino livre. Rio de Janeiro, 1869, in- 4o - Redigiu com outro: - Opinião Liberal. Rio de Janeiro. 1866-1870, in-fol.-Entre seus trabalhos de administração se acha a - Falia que o Exm. Sr. presidente da provincia do Mara- nhão dirigiu á Assembléa legislativa provincial por occasião da installação da segunda sessão da 25a legislatura. Maranhão, 1885, in-4°. José Leandro Martins Soares - Filho do coronel Francisco Martins da Silva Soares e dona Maria Accioli Martins Soares, nasceu em Pacatuba, termo da comarca de Villa Nova, em Sergipe, a 5 de março de 1836. Depois de cursar tres annos o seminário de Bahia para seguir o estado ecclesiastico, passou para a faculdade da direito do Recife, onde recebeu o gràu de bacharel em 1869. Exerceu a advocacia cm Villa Nova e em Propriá, do estado de seu nascimento e na cidade do Penedo, do de Alagoas. Foi procurador dos feitos da fazenda geral e deputado a assembléa provincial de Sergipe, er' cuja 2 JO administração esteve como vice-presidente em 1881 e 1882. Poeta jornalista, fundou e redigiu, quando estudante de direito : - A Idèa: periodico académico. Pernambuco. - O Liberal Académico. Pernambuco - Também redigiu. - Arcadia Pernambucana. Pernambuco. - Echo Liberal: orgão do partido liberal de Sergipe. Aracajú, 1879-1881, in-fol.-Muitas de suas producções poéticas se acham nesses jornaes, salientando-se entre ellas as que tem por titulo : - Adeus á vida académica; Sete de Setembro; A louca; Theophilo Ottoni; Minha terra; Aracajú - Tem inéditas varias poesias e - As duas victimas: drama de costumes. José Leão Ferreira Souto - Natural da antiga província do Rio Grande do Norte, foi em 1881 nomeado escriptu- rario da thesouraria de S. Paulo e actualmente serve no funcciona- lismo publico do estado do Rio de Janeiro. Foi um dos fundadores e vice-presidente da extincta sociedade Alpha litteraria. Escreveu : - Gritos da carne : poesias. Rio do Janeiro, 1874. - Aves de arribação. Rio de Janeiro, 1877 -Foi exposto á venda eate trabalho para ser o producto delle appliçado em soccorro ás victi- mas da sêcca que então flagellava o Rio Grande do Norte. - Cultos aos mortos. Commemoração. Rio de Janeiro, 1887 - E' a reunião de algumas pequenas poesias fúnebres. - Culto á patria: poema dedicado ao Exm. Sr. Dr. José Thomaz da Porciuncula. Petropolis, 1894. - Victor Meirelles : monographia artística. Rio de Janeiro, 1879, com retrato. - Apontamentos para a biographia do propagandista Silva Jardim, baseados em informações paternas e dados particulares e officiaes. Rio de Janeiro, 1895. - Questões sociaes. Imprensa, litteratura, artes, política, religião, família e ensino. S. Paulo, 1880, VI, 66pags. iu-12°-Publicou mais um trabalho com o titulo: - Microscopios - que nunca pude ver. E redigiu : - O Financeiro: periodico consagrado aos interesses dos empre- gados de fazenda. Redactores: José Leão e Alexandre Costa. S. Paulo, 1881-1882, in-4®. José Leopoldo de EBulIiões Jardim - Nascido a 28 do setembro de 1856 e natural da província, hoje estado de Goyaz, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em JO 3 1880, foi logo eleito deputado á legislatura geral de 1881 a 1884, reve- lando-se distincto orador; foi ainda deputado na legislatura seguinte e ao congresso constituinte republicano, e depois senador pelo seu estado. Escreveu : - Camara dos Deputados. Discursos proferidos na sessão de 1882. Rio de Janeiro, 1882, 136 pags. in-8° peq.- Contém o livro seis dis- cursos, versando sobre: Io Orçamento da Fazenda e conversão do papel moeda; 2o Estrada de ferro do Pará á Goyaz ; 3o Limites entre Goyaz e Minas ; 4o Privilegio sobre as minas da província de Goyaz; 5° Eleição de Goyaz ; 6o Negocios de Goyaz. - Discursos pronunciados na Camara dos Deputados nas sessões de 1882 acerca da conversão do papel-moeda. Rio de Janeiro, 128 pags. in-8° peq. - Meio circulante e abolição dos escravos : discurso proferido na sessão de 5 de setembro de 1883. Rio de Janeiro, 1883, 50 pags. in-12°. - Discursos proferidos nas sessões de 1, 10 e 24 de julho na Camara dos Srs. Deputados. Rio de Janeiro, 1884, in-8° peq.- Versam elles sobre o elemento servil ; conversão das rendas ; consoli- dação do meio circulante ; retoques á reforma eleitoral; o voto das mulheres; negocios de Goyaz; navegação do Tocantins e Ara- guaya. - Discurso proferido na Camara dos Deputados na sessão de 8 de agosto de 1885. Rio de Janeiro, 1885. José Leopolclo Ramos - Filho de José Antonio Ra- mos e dona Thereza de Jezus Ramos, nascido em Alagoas pelo anno de 1850, e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, viajou pela Europa, frequentando em Paris por espaço de tres anno a clinica homoepathica do dr. Jousset e se acha actualmente estabelecido em S. Paulo. Escreveu: - Lithotricia ; Da flor ; Do abôrto provocado; Da vaccinação e revaccinação: these apresentada á Faculdade de- Medicina etc. Rio de Janeiro, 1873, 72 pags. in-4° gr. - Clinica medica homoepathica. Guia pratica e concisa de todas as moléstias agudas e chronicas ao alcançe de todos. S. Paulo, 1896 - E' um grosso volume de perto de 700 paginas, terminando com uma relação de todos os medicamentos homoepathicos. José lãberoto' Barroso - Nascido em Aracaty, na província do Ceará, a 21 de setembro de 1830, falleceu no Rio de JO 4 Janeiro a 1 de outubro de 1885, doutor em direito pela faculdade do Recife, do conselho do Imperador, advogado nos auditórios da côrte, membro do Instituto da ordem dos advogados brasileiros, membro e presidente da Associação brazileira de acclimação, lente cathedratico da faculdade livre de sciencias sociaes e jurídicas, gran-cruz da ordem Ernestina da casa ducal da Saxonia, etc. Foi lente substituto da fa- culdade, que lhe confiou o gráo, deputado á 20a legislatura e eleito e escolhido senador pelo Ceará, não entrando, porém, no senado por haver sido annullada a eleição, e foi ministro do império no gabi- nete de 31 de agosto de 1864, em cujo cargo celebrou os contractos matrimoniaes das princezas dona Isabel e dona Leopoldina. Escreveu : - Direito de necessidade: dissertação. Recife-Nunca a vi. - Observações sobre o art. 61 da Constituição política do Im- pério. Ceará, 1861, 20 pags. in-8°. - índice alphabetico do Codigo commercial. Rio de Janeiro, 1862, 168 pags. in-8°. - Compilação das leis provinciaes do Ceará, comprehendendo os annos de 1835 a 1861, seguidi de um indice alphabetico. Rio de Janeiro, 1863, 3 vols. in-8°. - Questões políticas de direito criminal. Rio de Janeiro, 1866, 182 pags. in-8°. - A instrucção publica no Brazil. Rio de Janeiro, 1867, 310 pags. iu-8°-Aqui se trata da instrucção primaria e seu desenvolvimento ; da instrucção secundaria e seu desenvolvimento ; da instrucção su- perior e das faculdades de direito e medicina ; da instrucção reli- giosa e das faculdades theologicas ; da instrucção profissional, nor- mal, militar e excepcional ; das sociedades scientificas, litterarias, industriaes, etc. - A lettra de cambio segundo o direito pátrio. Doutrina do ti- tulo 16° do Codigo commercial. Rio de Janeiro, 1868, 120 pags. in-8°. - Contractos e obrigações mercantis. Parte Ia. Títulos 5° a 14° do Codigo commercial. Rio de Janeiro, 1871, 140 pags. in-8°. - O espirito do christianismo : conferencia publica no Grande Oriente Unido do Brazil. Rio de Janeiro, 1873, 12 pags. in-8°- Consta-me que ha ainda outras conferencias suas, sendo uma sobre o espiritismo e outra com o titulo : - Conferencia radical sobre a liberdade de cultos, a 4 de abril de 1869, Rio de Janeiro, 1869, 13 pags. in-8°. - Creação da villa de Aracaty, na província do Ceará e outras noticias ministradas á presidência da província - Na Revista Tri- mensal do Instituto historico, tomo 20, pags. 170 a 174. JO 5 - Discurso proferido na occasião da posse das ddig.*. e off. •. da Aug.'. e Resp.*. L.*. Gap.-. Pedro II no valle do Lavradio, etc. Rio de Janeiro, 1870, 13 pags. in-8°. - Discurso proferido na sessão da camara dos deputados, de 31 de janeiro de 1873. Rio de Joneiro, 1873, 17 pags. in-4° - Refere-se á verificação de seu titulo. - Discurso pronunciado na sessão solemne da Sociedade aboli- cionista cearense a 25 de março do corrente anno. Rio de Janeiro, 1884-0 Dr. Liberato Barroso redigiu: - Aracaty : jornal político, commercial e noticioso. Aracaty, 1859 a 1861, in-fol.- Publicava-se aos sabbados. Fez também parte de sua redacção o dr. Hypolito Cassiano Pamplona. Consta que dei- xara alguns trabalhos inéditos, entre os quaes: - O livro triste - uma bella e interessante historia de dores, magoas e desenganos de um predestinado infortúnio, que (ouvi dizer) foi publicada depois de sua morte, mas nunca pude ver. José de Lima Parente - Natural do Pará, com vocação para o theatro, fez-se artista dramatico e escreveu: - Um concerto de rabeca e realejo ; scena cómica, representada com geral applauso nos theatros desta capital. Recife, 1874, 12 pags. in-8°. José Lino de A-lmeida-Filho de Bernardino José de Almeida e dona Josepha Francisca de Almeida, nasceu no Rio de Janeiro a 1 de fevereiro de 1836 e falleceu a 14 de janeiro de 1888. Fazendo proflsssão do commercio, teve uma loja de louça, porcellana, electro-plate, crystaes, etc., e ao mesmo tempo dedicou-se ao cultivo das lettras, principalmente no jornalismo, tanto em redacção como em collaboração. Foi socio e segundo secretario da sociedade Propagadora das bellas-artes e escreveu: - 0 relampago, traduzido de A. Roger (Voyage sous les flots). Rio de Janeiro, 1876, in-8° - Constitue o primeiro volume da « Biblio- theca popular ». - Serões instructivos, traduzidos de A. Roger (Votre histoire et la mienne). Rio de Janeiro, 1881, in-8° - Constitue o primeiro volume da collecção « Sciencia para o povo ». Fez parte da redacção da folha : - O Cruzeiro. Rio de Janeiro, 1881-1882, in-fol.- Esta folha co- moçou a ser publicada em 1878. (Veja-se Eudoro Brazileiro Berlinck e também Constantino do Amaral Tavares.) Antes disto redigiu : - O Monitor Macahense. Macahé, 1863... 6 JO - A Imprensa Industrial: revista bi-mensal de litteratura, scien- cias, artes e industria. Rio de Janeiro, 1876-1877, 2 vols. 763 e 786 pags. in-4° gr.- Collaborou no Archivo Popular, no Guarany e no Dezeseis de Julho. Eis alguns de seus escriptos constantes do jorna- lismo : - Le bleut: romance de Gustavo Haller, traduzido - Na Im- prensa Industrial. - Um botão de rosa: romance - Na Revista Popular, tomos 7° e 8o. - Guardado está o bocado para quem o ha de lograr : provérbio. - Quem deve a Deus, paga ao diabo: provérbio. - 0 casamento e a mortalha no céo se talha: provérbio. - Cada terra tem seu uso: provérbio. - Pela boca morre o peixe : provérbio. - Deus escreve por linhas tortas: provérbio. - 0 primeiro baile. - A fonte do suspiro. - Guilhermina. - Seis mezes na côrte - Estes escriptos foram publicados no Mo- nitor Macahense, Dezeseis de Julho e Guarany. José Lino de Almeida Fleming--Natural de Ouro Preto, capital de Minas Geraes, falleceu a 7 de abril de 1888 a bordo do paquete francez Bourgogne na altura da ilha das Canarias, voltando da Italia á patria e á familia. Vocação decidida, irresistível pela musica, influenciado por seus conterrâneos que o admiravam, applaudindo suas composições, e auxiliado pelo Imperador e por um irmão, nego- ciante no Rio de Janeiro, com o fim de aperfeiçoar-se em sua arte, partira em 1881 para a Europa, onde estudou e fez progressos taes, que foi admirado e applaudido pelas próprias summidades profissio- naes, como o havia sido em Minas por seus patrícios. Estudou sob a direcção do grande maestro 0. Domenicetti que foi o decano dos pro- fessores do conservatorio de Milão, occupando a cadeira do inspirado autor da Gioconda, o fallecido Ponchielli e na casa daquelle professor, que o amava como a um filho e nelle presagiava a gloria de Carlos Gomes, dizendo que em aspirações melódicas era elle superior a este, morou durante o espaço de cinco annos. Dentre suas numerosas pro- ducções, referirei algumas, apenas, de que tenho noticia ; são estas : - Hgmno mineiro, executado na inauguração da exposição re- gional de Juiz de Fóra: - Te-Deum, composto para a inauguração da matriz nova de Campinas. JO 7 - Ladainhas compostas para a festa solemne do centenário da egreja de S. Carlos, de Milão - Nesta grande festa, em que toma- ram parte os aitistas mais afamados, a peça de Fleming foi o melhor spartito musical na opinião de criticos milanezes, como De Filippe, da Perseveranza; Gallido, do Século; Ugo Capetti, da Lombar- dia, etc. - Album de quinze peças diversas - Impresso em Milão e man- dado para o Brazil afim de, com o producto da venda, poder o autor solver suas dividas e voltar á patria. - Opera sobre um libretto do poeta Ghislanzoni - incompleta. O autor projectava concluil-a no Brazil. «José Lino CJontinho - Nascido na Bahia a 31 de março de 1784, ahi falleceu a 21 de julho de 1836, formado em medi- cina pela universidade de Coimbra, lente de pathologia externa da faculdade de medicina, do conselho de sua magestade o Imperador, medico honorário da imperial camara, cavalleiro da ordem de Christo, socio da Academia real das sciencias de Lisbôa, etc. Foi um dos mem- bros da junta provincial da Bahia, quando ahi travou-se a luta para nossa independencia e, eleito deputado ás cortes de Lisbôa em 1821, foi um dos brazileiros que abandonaram o congresso, depois de pugnar pelos direitos do Brazil, dirigindo-se á Falmouth, onde com seus collegas escreveu o famoso Manifesto de 22 de outubro de 1822. Deputado ás duas primeiras legislaturas brazileiras, fez opposição constante ao reinado do primeiro imperador e fez parte do primeiro gabinete depois da abdicação deste soberano, occupando a pasta do império. Foi grande patriota, distincto orador, notável philosopho e também poeta. De phi- sionomia e porte sympathico, delicado e cavalleiro, de probidade exem- plar, modesto e avesso às ostentações ruidosas da côrte, palavra facil, fluente, pelo que o chamavam o deputado das galerias, tornou-se no Rio de Janeiro popular e estimado, como era em sua província. A moléstia, de que succumbiu, havia-o levado a procurar allivio na França, mas sem resultado algum. Escreveu : - Observações sobre as affecções catarrhaes por Cabanis. Tra- ducção do francez. Bahia, 1816, in-8°. - Topographia medica da Bahia. Bahia, 1832 in-8°-Foi pelo autor oíferecida á Academia real de sciencias de Lisbôa, que lhe conferia o titulo de seu socio. - Collecção dos factos principaes na historia do cholera-morbus epidemico, abrangendo o Relatorio do collegio dos médicos em Phila- delphia e uma historia completa das causas, das apparencias mórbidas 8 JO depois da morte, e do tratamento da moléstia. Bahia, 1833, VIII- 200 pags. in-4°. - Memória sobre as aguas naturaes da Bahia. Bahia... - Memória sobre a doutrina de Broussais-Este escripto, assim como o precedente, nunca pude ver. - Sustentação das accusações que na sua respectiva camara fez o deputado José Lino Coutinho ao Marquez de Baependy. Rio de Janeiro, 1827, 6 pags. in-folio - Veja-se Manoel Jacintho Nogueira da Gama. - Parecer da commissão da Camara dos deputados, encarregada dos artigos addicionaes da Constituição do Brasil, etc. Rio de Jineiro, 1822, in-fol. ccm Pedro de Araújo Lima e outros. - Projecto reformando as Escolas de Medicina - Foi apresentado â Camara dos deputados no reinado de D. Pedro I. - Cartas sobre a educação de Cora, seguidas de um cathecismo moral, politico e religioso, compostas pelo fallecido conselheiro José Lino Coutinho e publicadas por João Gualberto Passos. Bahia, 1849, in-8° - E' uma publicação posthuma com algumas notas explicativas do editor, da qual se occuparam neste anno os periódicos Atheneu e Horizonte, ambos da Bahia. São cartas escriptas para a educação da filha do autor, depois Baroneza de Alagoinhas e mãe do conselheiro Jeronymo Sodré Pereira, de quem jà occupei-me - As poesias do conselheiro Lino Coutinho ficaram inéditas, e muito poucas são conhe- cidas. Delias só vi impressa : - A sensitiva - mimosa poesia lyrica, na Opinião Nacional. Per- nambuco, de 21 de abril de 1868. José Lino da Justa - Filho de José Antonio da Justa e natural do Ceará, é doutor em medicina pela faculdade da Bahia, e membro do Centro litterario cearense. Escreveu: - Etiologia do cholera-morbus e medidas sanitarias, applicaveis contra sua invasão e propagação nesta cidade: these apresentada, etc. Bahia, 1890, in-4°. - Discurso pronunciado pelo orador offlcial do Centro litterario na sessão fúnebre, consagrada á Carlos Gomes na cidade da Fortaleza. Fortaleza, 1896, in-8°. José Lopes da Silva Trovão - Filho do cônsul portupuez na cidade de Angra dos Reis (do Rio de Janeiro) José Maria dos Reis Trovão e dona Maria Jacintha Lopes Trovão, nasceu na mesma cidade a 23 de maio do 1848. Doutor em medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, formado em 1875, declarou-se abertamente adepto ás JO 9 idéas republicanas e a ellas dedicou-se com perseverante ardor e affinco, já fazendo conferencias populares, já collaborando ou redigindo folhas de propaganda. Fez uma viagem a Europa durante o regimen monar- chico e, depois de acclamada a republica, foi eleito, como tinha direito a ser, deputado ao Congresso federal constituinte e ao que seguiu-se, donde passou para o Senado federal por eleição a 20 de julho de 1895. Escreveu: - Dysenteria ; Mudanças de estado ; Apparelho de visão ; Da cir culação: these apresentada á Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1875, 31 pag. in-4° gr. - O novo ministério por Spartacus. Rio de Janeiro, 1880, 8 pags. in-8°. - Cartas dirigidas a D. Pedro II. Rio de Janeiro. - Combate dos republicanos brazileiros. Rio de Janeiro. - Compatibilidade e incompatibilidade dos republicanos com os cargos públicos : conferencia republicana. Rio de Janeiro (sem data), 72 pags. in-12°. - Apontamentos para a historia dos Estados Unidos do Brazil pelo Dr. Lopes Trovão, publicados por Plácido de Abreu. Rio de Janeiro, 1890 - Divide-se este livro em tres partes. - Lopes Trovão no Congresso Nacional. I. Assembléa Constituinte de novembro de 1820 á fevereiro de 1891. Rio de Janeiro, 1891, 92 pags. in-8° - Contém o livro uma allocução á Benjamin Constant na sessão de 24 de janeiro e um discurso sobre o projecto constitucional na sessão de 17 de fevereiro. - Josê de Alencar, o romancista. Rio de Janeiro, 1897 - O dr. Lopes Trovão redigiu : - Gazeta da Tarde. Rio de Janeiro, 1879-1880, in-fol. - O Combate. Rio de Janeiro, 1880-1881, in-fol. - Esta folha foi depois publicada em 1892, sahindo o primeiro numero a 19 de janeiro. José Loxirenço de Castro e Silva, Io - Filho de Manoel Lourenço da Silva e dona Maria do Carmo Sabina de Castro, nasceu no Ceará à 3 de agosto de 1808 e falleceu a 13 de agosto de 1874. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, cirurgião-mór da guarda nacional, director da instrucção publica, lente de francez do lyceu provincial e commendador da ordem de Christo, exercera ainda outros cargos, como o de inspector da saude publica. Foi deputado áassembléa de sua provincia em varias legislaturas de 1838 a 1847 e apresentado numa lista tripliceá escolha imperial para senador do império em 1866. Sua dedicação ás idéas democráticas levou-o a vários JO 10 movimentos políticos em prol dessas idéas, que sustentou pela im- prensa. Escreveu : - Ligeiras considerações sobre algumas enfermidades dos orgãos annexos ao globo ocular e a ophtalmia aguda em geral: these apresen- tada e sustentada em 27 de maio de 1850. Rio de Janeiro, 1850, in-4°. - O giquirity nas ophtalmias granulosas - São dous artigos pu- blicados na Gazeta dos Hospitaes, do Rio de Janeiro, tomo 2o pags. 55 e 140 e segs. -Breves considerações sobre a climatologia do Ceará, precedidas de uma ligeira descripção da cidade e seus suburbios - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1849-1850, pags. 223 a 23?. - O rompimento do Cearense contra os equilibristas; a desvan- tagem e sem razão de semelhante proceder; opposição do senador Alencar á esse rompimento; consequências perigosas da divisão dos partidos ; a conciliação geral como unico meio de salvar a província. Ceará, 1847, 1G pags. in-4°. - A chegada nesta capital (do Ceará) no dia 26 de junho dos pre- sidentes: do Maranhão o Sr. commendador Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior; do Pará o Sr. Barão da Villa da Barra ; e do Ama- zonas o Sr. Dr. Domingos Monteiro Peixoto, etc. (sem folha de rosto, mas de Fortaleza, 1872), 8 pags. de 2 columnas in-4°. - Discurso pronunciado por occasião da trasladação dos restos mortaes do general Antonio de Sampaio para o cemiterio de S. João Baptista a 28 de outubro de 1873- O dr. Castro e Silva redigiu : - O Sentinella Cearense na ponta do Mucuripe. Ceará, 1838-1840, in-fol.- Sahiu o primeiro numero a 11 de outubro daquelle anno e foi creado para fazer opposição á administração de presidente da pro- víncia Manuel Felizardo de Souza e Mello. - O Vinte e tres de Julho. Ceará, 1841, in-fol.- Foi orgam do partido chimango, depois partido liberal, em opposição ao periódico Pedro II, orgam do partido caranguejo, depois partido conservador, Esta folha passou depois a chamar-se Fidelidade e mais tarde, em 1846, O Cearense sob a redacção de Frederico Pamplona e Thomaz Pompêo. José Lourenço de Castro e Silva, 2o - Filho do precedente e de dona Maria Amalia de Brito e Castro, nasceu na villa de Pesqueira, em Pernambuco, a 11 de setembro de 1844 e fal- leceu no Ceará a 14 de dezembro de 1881, sendo doutor, em medicina pela universidade de Bruxellas, segundo cirurgião da armada e medico da companhia de aprendizes marinheiros desta província. Foi ah1 JO 11 deputado provincial e escreveu, além de sua these inaugural susten- tada em Bruxellas, e que nunca vi: - Da ophtalmia dita traumatica: these de sufficiencia apresen- tada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1874, in-4°. - Un bresilien à Bruxelles au correspondant de la Gazette â Rio de Janeiro. Bruxelles 1881, in-8°. I). José Lourenço <Ia Costa Aguiar, Bispo do Amazonas -Nascido na cidade de Sobral, da então provincia do Ceará, a 9 de agosto de 1847, é presbytero secular, doutor in utroque jure pela universidade de Santa Apollonia e membro da Academia pontiflcia dos nobres. Foi vigário no Amazonas e no Parà, que o elegeu deputado em sua assembléa e também á assembléa geral na vigésima e ultima legislatura da monarchia, e foi conego da sé da Fortaleza. Nomeado bispo, foi sagrado em Petropolis a 14 de março de 1894. Foi um dos collaboradores da Boa Nova, revista publicada no Pará por muitos annnos, sendo seu principal redactor o conego João Tolentino Guedelha Mourão, e antes colaborou na Tribuna Catholica, do Ceará. Es- creveu : - Discursos pronunciados nas sessões de 11 de agosto e 9 de se- tembro de 1887. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. - Pastoral, saudando seus diocesanos. Rio de Janeiro (?), 1894 -Consta-me que este bispo tem a publicar um livro sobre direito. José Lourenço de Magalhães - Nascido a 11 de setembro de 1831 na cidade da Estancia, de Sergipe e doutor em medi- cina pela faculdade da Bahia, formado em 1856, foi á Europa, onde frequentou as lições dos homens mais notáveis das sciencias na França e na Allemanha. Dedicando-se especialmente á ophtalmologia, não tem, entretanto, pôsto á margem outros ramos da profissão que abraçou. E' assim que fez estudos sobre as febres que miis flagellam nosso paiz, e sobre a morphéa, para cujo curativo descobriu um processo e estabe- leceu um instituto modelo, a que deu seu nome, em Cascadura, uma das cercanias da cidade do Rio de Janeiro. E' membro titular da Aca- demia nacional de medicina e de outras associações medicas, e es- creveu : - Como reconheceremos que o cadaver, que se nos apresenta, pertence a um individuo que morreu afogado ? A syphilisação preserva das moléstias syphiliticas ? Póde a mulher conceber sem ter sido ainda menstruada? Nas queimaduras quaes são os accidentes mais graves a 12 aro que está exposto o doente ? These apresentada á faculdade de medicina da Bahia e sustentada, etc. Bahia, 1856, in-4° gr. - Do glaucoma. Bahia, 1873, IV-95 pags. in-4° - Foi antes publicado na Gazeta Medica da Bahia, tomo 6o, 1872-1873, pags. 72, 85, 108, 129, 177, 209, 289, e 337. - Da kistitomia e dos resultados obtidos com o meu kistitomo. Bahia, 1874, 24 pags. in-4°. - Da ophtalmia dos recem-nascidos. Rio de Janeiro, 1877, 43 pags. in-4°. - Das febres palustres em Sergipe. Rio de Janeiro, 1873, in-8°. - Das febres palustres e particularmente da febre pseudo-conti- nua de Sergipe. Bahia, 1878, 88 pags. in-4°. - A febre amarella e o regulamento de 3 de fevereiro de 1886. Rio de Janeiro, 1886, 66 pags. in-4°. - Pareceres sobre os cemitérios de S. João Baptista e de S. Fran- cisco de Paula, apresentados ao Exm. Sr. Proveder da Santa Casa desta corte. Rio de Janeiro, 1878, 27 pags. in-4°. - A morphèa no Brazil e especialmente na província de S. Paulo. Riode Janeiro, 1882, 362 pags. in-8°. - Occupa-se o livro do seguinte: Morphéa; Distribuição da morphéa pelas províncias do Brazil; Os indígenas do Brazil e a morphéa; Hospitaes para os morpheticos ; Causas da morphéa; Conselhos hygienicos. - A morphèa e sua curabilidade. Rio de Janeiro, 1885, in-8° - O autoi* afflrma que a morphéa é uma moléstia curável; mas que a therapeutica por si sómente não consegue combatel-a sem o auxilio da hygiene e, por isso propõe, como essencial para o curativo desta moléstia, a localisação campestre dos doentes. - A morphèa é contagiosa? Riode Janeiro, 1893, 173 pags. in-8n - E' um trabalho publicado ao mesmo tempo no Brazil Medico. - Questões de hygiene. Rio de Janeiro, 1890, in-8° - E' uma serie de artigos publicados no Jornal do Commercio. - Saneamento da capital federal : memória apresentada á Aca- demia nacional de medicina. Rio de Janeiro, 1893, 154 pags. in-4°- Foi também impressa nos Annaes da mesma academia. O dr. José Lourenço tem muitos escriptos em revistas, quer nacionaes, quer estrangeiras. Dentre elles se notam: - Da operação da catarata - Na Gazeta Medica da Bahia, tomo 4o, 1869-1870, pag. 175. - Do novo processo do Sr. De Greefe contra a keratocone - Idem, pag. 205. - Do despegamento da retina - Idem, tomo 6o, pag. 257. JO 13 - Memória sobre a ophtalmia sympathica -. Nos Annaes Brasi- lienses de Medicina, 1870-1871, pag. 178à 248.-Foi apresentada ã Academia imperial, hoje Academia nacional de medicina, como titulo à sua admissão e sobre essa memória deu o dr. F. Pires Ferreira um parecer que vem em seguida ã pag. 249. - Du keratoconus et de son traitement pour le procedê de De-Greefe - No Journal dDph&talmologie, 1872, pag. 15. - Sur un nouveau procedê de traitement des affections occulaires au moyen d'un vaporisateur - Idem, pag. 119. Trata-se de um instrumento de invenção do autor. E' uma memória que foi apresen- tada ã Academia de medicina de Paris. - De la kystitomie et d'une nouvelle pince-hystitome - Idem, pag. 418. - D'une pince-nouvelle pour 1'agrandissement pour la commis- sure palpebrale externe - Idem, pag. 447, com estampa. Trata-se de novo instrumento de sua invenção. Foi também apresentado ã Aca- demia de medicina de Paris. - Quelgues considerations sur 1'operation de la cataracte - no Recueil d'Ophtalmologie 1874, pags. 249, 310 e 445. - De Vamaurose determinée par le vemn d'un serpent - Idem, 1875, pag. 19. - Des affections oculaires qui resultent du beriberi - Idem. - De Vintoxication produite par 1'instillation daus 1'oeil du collyro d'atropine - Na Gazette des Hopitaux de Paris. - De Vepilation des cils dans le traitement de la blefarite ciliaire - Idem. Sobre outros assumptos escreveu: - Os cemitérios públicos do Rio de Janeiro - No Progresso Me- dico, tomo 2o, pags. 505 e 533. Por ultimo publicou : - Considerations sur la lepre au Bresil. Rio de Janeiro, 1897, 41 pags. in-fol.- E' uma recapitulação de quanto havia escripto sobre a lepra para ser presente ao Congresso de Berlin. •Tose Luiz de Almeida Couto - Filho de Joaquim Caetano de Almeida Couto e dona Luiza Benvinda Dorea Couto, nasceu na freguezia de Pirajá, Bahia, a 28 de outubro de 1833, e falleceu na capital deste estado a 9 de outubro de 1895, doutor em medicina e lente da faculdade de sua patria, agraciado com o titulo de conselho do Imperador d. Pedro 2°, intendente municipal, cavalleiro da ordem de S. Gregorio Magno, de Roma, membro do Instituto historico e geo- graphico da Bahia, etc. No seu segundo anno do curso medico foi um dos fundadores da sociedade abolicionista Dous de Julho e depois membro 14 JO e presidente da sociedade patriótica Sete de Setembro. Foi deputado á assembléa provincial em varias legislaturas durante a monarchia, e á assembléa geral na legislatura de 1879 a 1881. Administrou a provincia de S. Paulo em 1883, depois a da Bahia por duas vezes, achando-se neste cargo quando foi proclamada a republica ; foi íinalmente senador estadoal e chefe do partido nacional. Escreveu: - Qual a origem dos vermes que se encontram nos intestinos dos recem-nascido; Apreciação dos meios empregados na cura dos ferimentos intestinaes; Influencia dos eífluvios pantanosos : these apresentada etc. para obter o gráo de doutor em medicina. Bahia, 1857, in-4° gr. - Hematúria endemica dos paizes quentes: these apresentada etc. no concurso para a secção de sciencias medicas em junho de 1872. Bahia, 1872, 60 pags. in-4° gr. com estampas representando o distomum hematobium, macho e femeo, seus ovos e embriões e os vermes encon- trados nas urinas dos hematuricos na Bahia, em ponto augmentado. - Considerações pathogenicas e etiologicas sobre disynteria ende- mica dos paizes intertropicaes e sobre o seu melhor tratamento : these para o concurso etc. Bahia, 1873, in-4° gr. - Lições de clinica medica e therapeutica. Bahia. 1888, 385 pags. in-4° - São suas lições do anno de 1887. Este livro foi approvado pela congregação e premiado pelo governo. - Memória dos successos mais notáveis da faculdade de medi- cina da Bahia etc., apresentada a 1 de março de 1890. Bahia, 1890, in-4° gr. - Fixação de forças de mar: discurso pronunciado na Gamara dos Deputados na sessão de 26 de abril de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 32 pags. in-8°. - Relatorio da gestão dos negocios municipaes, do Io de janeiro e 31 de dezembro de 1894, apresentado ao Conselho Municipal pelo... Intendente do Município do Estado da Bahia em 7 de janeiro de 1895. Bahia, 1895, in-4° gr.-O autor trata dos assumptos administrativos, dá conta das medidas adoptadas e propõe varias providencias com o fim de melhorar o serviço - Tem ainda relatórios e além disto escriptos em revistas, como: - Discurso proferido na abertura do curso de matéria medica e therapeutica - No Instituto Académico, n. de 16 de junho de 1874. - Considerações sobre o emprego do sulfato de quinino na variola - No Norte-Académico, ns. 1 e 2, 1875. - Alguns casos de cura de pustula maligna, obtidos pelo emprego de folhas de nogueira - Na Gazeta Medica da Bahia, 1876, pags. 23 e 64. JO 15 - Endarterite deformante. Lição feita no hospital de caridade (clinica medica da Faculdade) - No Boletim geral de Medicina e Cirurgia, Bahia, 1887, vol. Io, pags. 52 e 75. - Si è contra-indicada a administração de saes de quinino durante a gravidez: memória lida no terceiro congresso de medicina e cirurgia. José Luiz <le Almeida Nogueira- Filho do Barão de Joatinga Pedro Ramos Nogueira e nascido na provincia, hoje estado de S. Paulo, é doutor em direito e lente da faculdade deste estado. Foi deputado ã decima oitava e á vigésima legislatura geral, assim como ao congresso constituinte republicano e ao primeiro congresso federal. Escreveu: - Ensaios juridicos e sociaes. S. Paulo, 1873, in-8°. - Theses e dissertação, que para obter o gráo de doutor apresentou e deffendeu etc., S. Paulo, 1874, 50 pags. in-4° - O ponto da disser- tação é este : « A licitação é meio rasoayel de corrigir as avaliações nos inventários ? » Segue-se ahi: - Discurso proferido pelo doutorando por occasião da ceremonia da collação do gráo - e depois o discurso do padrinho, o conselheiro Martim Francisco. - Theses e dissertação etc. S. Paulo, 1872, in-4° - A dissertação é sobre o ponto: Na herança ou legado condicional transmitte-se a esperança debitum-iri ? - Assembléa provincial de S. Paulo. Discurso proferido na discussão da fixação de força policial na sessão de 6 de abril de 1875, in-8.° - Assembléa provincial de S. Paulo : discurso pronunciado na sessão de 16de março de 1876. S. Paulo, 1876, in-8.° - Discursos proferidos nacamara dos Srs. Deputados nas sessões de 13 e 19 de setembro de 1882. Rio de Janeiro, 1882, in-8° - Versam sobre a grande naturalisação e sobre locação de serviços. - Camara dos Srs. Deputados. Discursos pronunciados nas sessões de 6, 10 e 31 de agosto de 1886, tres opusculos in-8.° - Reforma da administração local: discurso proferido na sessão (da Camara dos Deputados) de I de julho de 1887. Rio de Janeiro, 1887. - Redigiu o - Monitor Paulista. Político e litterario. S. Paulo, 1878-1881, in-fol. José Luiz Alves - Filho de Thomaz Alves e dona Maria Luiza Alves, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 12 de julho de 1832. E' negociante matriculado da praça do Rio de Janeiro, eommendador da ordem da Rosa, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, da 16 JO sociedade Auxiliadora da industria nacional, do Atheneu de Lima, da Associação promotora da infancia desamparada, da sociedade Amante da instrucção, da Associação promotora da instrucção publica e foi um dos fundadores do Instituto fluminense de agricultura. Arraigado desde a infancia ás crenças e ao culto do catholicismo, tal revela-se em todos os seus actos e em seus escriptos, que são : - Elogio historico do Visconde de Guaratiba, Joaquim Antonio Ferreira etc., no acto solemne da inauguração d3 seu retrato. Rio de Janeiro, 1870, 15 pags. in-8.° - Biographia do Illm0 e Exm0 Sr. tenente-coronel Conde de Ita- guahy, Antonio Dias Pavão. Rio de Janeiro, 1872, 70 pags. in-8° com o retracto do biographado. - Elogio dos socios do Instituto historico e geographico brazileiro, fallecidos desde 15 de dezembro de 1888 até igual data de 1890, pro- nunciado na sessão do Instituto historico de 15 de dezembro de 1890 pelo orador interino etc. Rio de Janeiro, 1891. 41 pags. in-8.° - Elogio historico de S. M. o Sr. D. Pedro 2o- No livro « Home- nagem do Instituto historico e geographico brazileiro. Sessão extraor- dinária em commemoração do fallecimento de S. M. o Sr. D. Pedro II, celebrada a 4 de março de 1892». Rio de Janeiro, 1892, in-4°, de pags. 46 a 132. - Elogio historico de Christovão Colombo - No livro « Sessão solemne do Instituto historico e geographico, celebrada a 12 de ou- tubro de 1892, e homenagem a memória de Christovão Colombo ». Rio de Janeiro, 1892, de pags. 65 a 173. - Os claustros e o clero no Brazil. Rio de Janeiro, 1894, 257 pags. in-4° - E' uma longa serie de trabalhos, ricos de noticia para nossa historia e fructo de aturado estudo, que começaram a ser publicados no Correio Mercantil de Io de janeiro de 1868, ficando suspensa a pu- blicação. Na Revista Trimensal do Instituto historico, tomo 57°, part. 2a, e tirados em volume especial. - Relatorio da Venerável Ordem 3a de Nossa Senhora do Monte do Carmo, etc. Rio de Janeiro, 1895, in-4° - O escreveu o autor na qualidade de secretario da Ordem, tendo nesse cargo escripto mais dous relatórios em 1893 q 1894, que não pude ver. «Tose Luiz Baptista - Natural do Piauhy, é um joven estudante de preparatórios na cidade de Therezina, capital deste es- tado e cultor das musas. Escreveu : - Phalenas e Sylphides. Theresina, 1896 - E' um pequeno vo- lume de seus primeiros versos e também de seu collega João Pinheiro. JO 17 José Luiz Caetano cia Silva - Natural do Rio de Janemo, falleceu a 26 de fevereiro de 1881, víctima de um accesso de loucura que o levara ao suicídio, disparando um revolver na cabeça. Estudara na escola central e exercia o cargo de escrivão da sub-deie- gacia e dojuizo de paz da freguezia de Santo Antonio da Côrte. Es- creveu : - Folhagens : poesias. Rio de Janeiro, 1878, 318 pags. in-8* - Contém o livro cento e vinte trechos lyricos. José Luiz CJoellxo e Campos - Filho de José Luiz Coelho e Campos e nascido em Sergipe a 4 de fevereiro de 1841, é ba- charel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela fhculdade do Re- cife. Foi em varias legislaturas deputado á assembléa de sua provín- cia e á geral a 17a, dissolvida com a subida do partido liberal e da 18a á ultima do regímen monarchico. Depois de proclamada a Republica continuou a representar seu estado por onde foi eleito senador. Es- creveu os seguintes trabalhos parlamentares : - Discurso proferido na Gamara temperaria em 28 de março de 1877 na discussão do Orçamento do Ministério do Império. Rio de Ja- neiro, 1877, 37 pags. in-8.® - Discurso pronunciado na Camara dos Deputados na sessão de 14 de agosto de 1882. Rio de Janeiro, 1882, in-8.° - Discurso proferido na sessão de 31 de julho de 1886. Rio de Ja- neiro, 1886, 61 pags. in-8.° - Discursos proferido na sessão de 8 de agosto de 1887 na Ca- mara dos Deputados. Rio de Janeiro, 1887, 64 pags. in-8.° - Discursos proferidos nas sessões de 2 de julho e 21 de outubro de 1888. Rio de Janeiro, 1888, 71 pags. in-8.° - Discursos proferidos no Congresso Nacional nas sessões de 17 de dezembro de 1890 e 15 de janeiro de 1891. Rio de Janeiro, 1891, 63 pags. in-8.° - Casamento civil e divorcio : discurso proferido no Senado Fe- deral por occasião da discussão do projecto, etc. Rio de Janeiro, 1896, in-8.° José JLuiz; da Costa - Nascido na cidade do Porto, em Portugal, a 9 de novembro de 1816, brazileiro pela Independencia e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, falleceu nesta cidade a 24 de abril de 1887, affectado de alienação mental e num es- tado de pobreza tal, que havia sido recolhido por ordem da autoridade policial ao asylo de mendigos, sendo dahi removido dous dias antes de 18 JO sua morte. Lutou sempre com a adversidade e com a doença desde que, ainda moço, foi assalta lo em seu proprio leito por cobarde as- sassino, a quem dera hospedagem, suppondo-o seu amigo, o que o deixara quasi morto. Era membro titular da Academia imperial de medicina e escreveu : - Considerações sobre o amor : these apresentada e sustentada em 20 de dezembro de 1848. Rio de Janeiro, 1818, 35 pags. in-4° gr. - Medicina legal da alienação mental. Haverá dilucidos inter- vallos ? Haverá discernimentos nesses intervallos, como parece pre- sumir nossa legislação ? Em que casos se póde presumir que elles existam ? Dar-se-hão esses intervallos no facto que fez objecto desta memória, segundo o depoimento dos médicos e testemunhas ? Me- mória apresentada á Academia imperial de medicina para ser recebido membro titular da mesma Academia. Rio de Janeiro, 1861, 67 pags. in-8°- Foi também publicada nos Annaes Brazilienses de Medicina. - Estudo theorico e pratico sobre a satisfação do damno causado pelo deiicto. Rio de Janeiro, 1867, in-8.° - Quaes as forças que desenvolvem a vida na matéria: memória. - Nos citados Annaes, tom. 12, 1861-1862, pags. 161 e 188 e segs. - O que è saude ? O que é doença ? memória - Idem, tomo 16°, 1865-1866, pags. 550, e tomo 17°, 1866-1867, pags. 20, 60, 107, 142, 166, 216 e segs. - A loucura considerada como uma alteração das forças da ma- téria ; interpretação das experiencias de Florens sobre o systema ner- voso : memória - Idem, tomo 16°, 1864-1865, pags. 9 e segs. - Quaes as vantagens das manifestações mentaes na sciencia ? Considerações anatomico-pathologicas sobre a medicina pratica: me- mória - Idem, tomo 18% 1867-1868, pags. 274, 319, 358, 423, 474 e segs. Redigiu : - O Monitor Popular : jornal de sciencias medicas e de inter- esses populares, publicado aos domingos. Rio de Janeiro, 1870, in-4° gr.- Foi de ephemera duração. - O Brazil Medico : jornal de doutrina nevrostenica (Anno Io, ns. 1 e 2). Rio de Janeiro, 1877, 32 pags. in-4° - Não continuou a publicação que era destinada á sustentação das opiniões do autor, de que nas funcções do systema nervoso, como centro da vida, se basêa tcda medicina. José Luiz Franca - Natural do Rio do Janeiro e ba- charel em leis pela universidade de Coimbra, falleceu em Lisboa no anno de 1791, membro do Tribunal do Conselho de Fazenda. Na carreira «TO 19 da magistratura, que abraçou, já havia servido na casada supplicação desta cidade e como chanceller da relação do sua patria com o vice- rei d. Luiz de Vasconcellos, que lhe votava inteira confiança e con- sideração. Como jurisconsulto illustrado e juiz integerrimo gozava de reputação tal, que foi escolhido pelo governo de d. Maria I para fazer o interrogatório do Marquez de Pombal no processo contra este ministro instaurado. Escreveu : - Relação de toda a legislação financeira, observada na capital do vice-reinado do Rio de Janeiro - O dr. Macedo, de quem colhi esta noticia (veja-se anno biographico, tomo 2o, pag. 291) não diz onde, nem quando foi impressa esta obra; apenas diz que foi escripta, sendo o autor chanceller da relação, com esclarecimentos e observa- ções importantes e luminosas. José luiiz da Gama e Silva- Filho do coronel José Joaquim da Gama e Silva, e nascido na cidade de Belém, capital do Pará, no anno de 1836, ahi falleceu a 9 de agosto de 1895. Era mem- bro do Instituto historico e geographico brazileiro e inspector aposen- tado da thesouraria de fazenda dessa cidade, depois de ter servido ahi o cargo de guarda-mór da alfandega e o de inspector da alfandega da Bahia. Serviu na campanha do Paraguay ; foi commissionado para es- tudar o território contestado do Amapá ; coronel da guarda nacional, etc. Escreveu: - Do Amazonas ao Oyapok : relatorio da commissão ao norte da costa da província do Pará. Pará, 1877, 39 pags. in-8° com a tabella das milhas andadas, José Luiz Gonçalves - Empregado da repartição geral de fazenda, depois de haver, como escripturario, servido na alfandega de Santos, passando para a thesouraria geral da capital de S. Paulo, com seu collega Aurélio Augusto Vaz, escreveu: - Guia dos exactores da Fazenda publica. S. Paulo, 1887, in-8° - E' uma compilação de toda a legislação, decretos, avisos e regula- mentos relativos á arrecadação da renda. José Luix Monteii*o <le Souza - Nasceu em S. Vi- cente de Paula, município de Araruama, província do Rio de Janeiro, no anno de 1840 e falleceu a 5 de maio de 1868, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo. Foi deputado provincial e habil jornalista -Escreveu: - Uma phase da vida : romance - No Correio Paulistano, 1861, JO 20 - Discurso proferido na Assembléa provincial do Rio de Janeiro na sessão de 17 de novembro de 1867. Rio de Janeiro, 1867 - A opinião Liberal, do Recife, transcreveu a peroração desse excellente discurso. - Discurso do doutor etc., deputado provincial, na sessão de 19 de novembro de 1867, publicado pela redacção da Opinião Federal. Rio de Janeiro, 1867, 20 pags. in-4° - Estreou no jornalismo, ainda estu- dante, publicando : - O Timbira: jornal político, litterario e noticioso, redigido por alguns académicos. S. Paulo, 1860, in-4° - Foram seus companheiros Rodrigo Octavio, H. Limpo de Abreu, J. Roquette Carneiro, A. V. Pinto Coelho e J. C. de Paiva Tavares, continuando a folha em 1861 sob a redacção de F. R. Pestana e Florencio C. d'Abreu. Depois redigiu : - Correio Nacional. Sob a dir^cção de H. Limpo d'Abreu e F. Rangel Pestana. Rio de Janeiro, 1864, in-fol.- A publicação continuou até 1870; mas Monteiro de Souza, deixou a redacção em 1866 e, passando a collaborar na Opinião Liberal, ahi publicou o - Jornal de Confucio - serie de artigos que começaram a sair no 2o numero e a respeito dos quaes escreveu um seu collega: « O Jornal de Confucio, que illustrou a Opinião Liberal, é uma brilhante amostra dos recursos intellectuaes do nosso distincto collega. Coração de Cursio, penna de Tácito, ainda no alvorecer da vida, não duvidou cauterisar com a penna em braza a ferida mais asquerosa de nossa sociedade, a corrupção que vém de cima. » José Luiz de Moura Azevedo -Natural de Porto- Alegre, capital do Rio Grande do Sul, onde seguiu a carreira do funccionalismo publico, é hoje aposentado na diiectoria estadual. Escreveu: - Taboas de descontos de vencimentos Porto-Alegre, 1895 - Con- tém este livro mais de dozeseis mil cálculos de vencimentos corre- spondentes a quaesquer divisões do anno e a quaesquer quantias. - Charadas moderníssimas, oíferecidas ao Club Calazans. Porto- Alegre... José Luiz; Sayão Lolbato de Bulliões Car- valho - Filho do coronel Francisco Pereira de Bulhões Carvalho, natural do Rio de Janeiro o doutor em medicina pela faculdade desta cidade, escreveu: - Definição e classificação medico-legal dos ferimentos e outras offensas pbysicas. Condições do gravidade e letalidale:-' These apre- JO 21 sentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 31 de agosto de 1887. Rio de Janeiro, 1887, in-4.° - Estado sanitario da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1894, in-8.° José Mamede Alves Ferreira - Filho do doutor Antonio José Alves Ferreira e dona Izabel Rita Pires Ferreira, nasceu em Pernambuco a 17 de agosto de 1820 e ahi falleceu bacharel em mathematicas pela universidade de Coimbra, onde havia começado o curso medico, voltando ã patria depois de uma excursão pela França e outros paizes da Europa. Serviu o cargo de engenheiro das obras publicas, desempenhando vários e importantes trabalhos, como a casa de detenção, o cemiterio publico e o grande hospital de caridade. Foi encarregado das estradas de rodagem em direcção ao norte e da de Nazareth, e era official da ordem da Roza. Escreveu: - Projecto e orçamento para a fundação de um hospital de caridade na cidade do Recife. Recife, 1846-Em commissão com dous offlciaes da armada, elaborou: - Memória sobre o porto de Pernambuco, apresentada ao Minis- tério da Marinha pela Commissão, etc. Rio de Janeiro, 1849, 30 pags. in-4° - Tem mais: - Mappa demonstrativo das distancias entre as freguezias de Per- nambuco pelos caminhos mais curtos. Lyth do Archivo Militar, s. d., in-fol. - Plano-topo-hydrographico do porto e cidade de Pernambuco, etc., Lith. de A. Garnier em Pernambuco, 0m, 450X0™,590. - Planta da cidade do Recife e seus arrabaldes. 1855. Lyth. Waterlow de Sons London, 0m,750Xl™,l 10. José Manuel Cardozo de Oliveira - Filho de Rodolpho Cardozo de Oliveira e nascido na Bahia a 27 de janeiro de 1865, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife. Exerce na carreira da diplomacia o cargo de secretario da legação brazileira em Berlim. Escreveu : - 0 orgulho: poemeto. Recife, 1885 - Frequentava o autor o quinto anno de direito, quando escreveu este trabalho. José Manuel da Conceição - Natural da cidade de S. Paulo e nascido a 11 de março de 1822, falleceu em Irajá, freguezia suburbana do Rio de Janeiro, a 25 de dezembro de 1872, em tal abandono, em estado de miséria tal, que na vespera desse dia foi en- 22 .TO contrado inanido, descalço, de vestes esfarrapadas, cahido na varanda de uma casa á estrada da Pavuna, da mencionada freguezia. Era presbytero secular do habito de S. Pedro e tinha parochiado varias egrejas de sua província, sendo a ultima a de Nossa Senhora das Bro- tas, quando abjurou da religião catholica e fez-se ministro da egreja evangélica, sendo-lhe por isso fulminada a pena de excommunhão. Era um homem de vasta erudição : possuia conhecimentos de botanica, de physica, de mathematicas e mesmo de medicina ; fallava e escrevia nas linguas ingleza, latina, allemã e franceza. Escreveu: - Oração gratulatoria que teve logar na solemnidade, com que se celebrou na cidade de Campinas a confirmação do Exm. e Revm. Sr. Antonio Joaquim de Mello para bispo de S. Paulo. S. Paulo, 1852, in-8.° - Nova historia sagrada do antigo e novo testamento, dividida em 104 capítulos, narrando em resumo e por ordem chronologica os successos mais notáveis de toda escriptura sagrada desde a creação do mundo até a propagação do evangelho pelos apostolos ; traduzida da língua allemã da 100a edição jubilada, e dedicada á mocidade brasileira pelo seu patrício o padre, etc. Rio de Janeiro, 1859, 242 pags. in-8.° - Ha segunda edição de 1861, 248 pags. in-8°, ornada de 118 vinhetas, e terceira edição de 1875, todas do Rio de Janeiro. - As exequias de Abrahão Lincoln, presidente dos Estados Unidos da America, com um esboço biographico do mesmo. Rio de Janeiro, 1864, 40 pags. in-12. - A sentença de excomunhão ou desautoração fulminada contra o padre José Manuel da Conceição, actualmente ministro da egreja evangélica, e a resposta do mesmo. Rio de Janeiro, 1867, 32 pags in-8°. - Por que ignoramos a eternidade - Sahiu sob o titulo : « Púl- pito evangélico : periodico mensal de sermões dos ministros evangé- licos do Brasil». Rio de Janeiro, Fevereiro de 1874, in-8.°- Na Imprensa Evangélica, supplemento aos mezes de janeiro e fevereiro de 1884, se acha a biographia deste autor, assim como a noticia de sermões, hymnos, notas e traducções por elle escriptas em logares que percorreu em predicas, escriptos esses em grande parte perdidos. Ahi se publicaram trabalhos delle, como: - A devoção domestica. A illustração. O Evangelho. O endu- recimento do coração. O luxo. A instrucção da mulher - 1880. - O Brasil carece de prégação do Evangelho ? discurso lido no presbyterio do Rio de Janeiro a 14 de julho de 1881. - A oração domestica - 1881. - O nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo: sermão, - A prisão de Christo : sermão. JO 23 José Manuel da Fonseca - Filho de Antonío Pacheco da Fonseca e dona Gertrudes Angélica Rodrigues de Almeida, nasceu em S. Paulo a 5 de abril de 1803 e falleceu a 10 de março de 1871, bacharel em leis pela Universidade de Coimbra, senador do imporio pela provincia de seu nascimento, e commendador da ordem da Roza. Foi deputado á assembléa provincial em varias legislaturas e á geral na quinta, e exerceu outros cargos de confiança do governo. Fundou: - O Novo Pharol Paulistano. S. Paulo, 1831, in-fol.- escreveu: - Discurso proferido no dia 3 de agosto de 1864 (no Senado). Rio de Janeiro, 1864, 46 pags. ÍQ-8n - Versa sobre... José Manuel <le Freitas - Filho de Gonçalo Manuel de Freitas e dona Anna Maria de Souza, nasceu na villa de Jeromenha, Piauhy, a 14 de março de 1832 e falleceu em Caxangá, arrabale da cidade do Recife a 10 de novembro de 1887. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, iniciou na carreira da magistratura como promo- tor publico de Caxias, no Maranhão, donde passou a juiz municipal de Paranaguá e depois de Theresina em sua provincia. Nomeado em 1864 juiz de direito de Piracuruca, foi chefe de policia do Piauhy ; serviu nas comarcas do Rozario e de Caxias, na vara da provedoria de São Luiz, todas do Maranhão, na vara civel do Recife e de 1883, já des- embargador honorário, na dos feitos da fazenda desta cidade até 1887' quando foi nomeado desembargador da relação de Goyaz em cujo exer- cício não entrou. Presidiu o Maranhão em 1872, Pernambuco em 1873 ; foi deputado por sua provincia na decima sétima legislatura e offl- cial da ordem da Roza. Ainda estudante cultivou a poesia, publicando muitas de suas producções no Diário de Pernambuco, no Ensaio Phi- losophlco q no Atheneo Pernambucano, e deixando outras inéditas. Depois de formado collaborou na Imprensa Caxiense e fez parte da redacção do periodico - O Propagador. Theresina, 1860, in-fol.- Creou e redigiu: - A Ordem. Theresina, 1861, in-fol. - Liga e Progresso: Theresina, 1862-1865, in-fol. - Esta folha foi substituída por outra, também de creação sua, isto é : - A Imprensa. Theresina, in-fol. - Escreveu, além de Rela- tórios na administração de provincia: - Annotações á novíssima reforma judiciaria de 20 de setembro de 1871. Maranhão, 1874 - Deixou á publicar uma segunda edição desta obra, assim como : - índice da legislação brazileira. Quatro vols. ~ Decisões proferidas no cargo de juiz de direito, Tres vols, JO 24 .losé Manuel Garcia - Natural do Maranhão e falle- cido no Rio de Janeiro a 14 de julho de 1884, era mestre em artes pela Universidade de Pensilvania, doutor em philosophia não sei por que faculdade, lente da cadeira de portuguez do segundo ao quinto anno do externato de Pedro II, cavalleiro da ordem da Roza e da de Christo. Vindo para a corte depois de estudar humanidades em sua província, deu-se ao magistério, lecciouando em vários collegios ; foi nomeado 1857 repetidor intirino de philosophia e rhetorica do collegio de Pedro II; em 1858 secretario do externato desse collegio quando foi dividido em externato e internato, e n'uma das ultimas reformas para o logar acima dito. Foi director dos cursos da sociedade Auxiliadora da industria nacional, de que era socio, tendo cooperado para a insti- tuição de taes cursos, e foi um dos iniciadores da instituição das aulas de instrucção secundaria para o sexo feminino. Escreveu : - Breves reflexões sobre as necessidades da egreja brazileira. Rio de Janeiro, 1861, 16 pags. in-4.° - Discurso proferido pelo director da escola nocturna de adultos da Sociedade Auxiliadora da Industria Nacional por occasião da abertura solemne annual e distribuição dos prémios da mesma escola, etc. no dia 18 de janeiro de 1872.- No Auxiliador da Industria Nacional, 1872, pags. 64 a 76. - Instrucções especiaes para o regulamento e disciplina da escola nocturna dos adultos da Sociedade Auxiliadora da Industria Nacional. Rio de Janeiro, 1871, 22 pags. in-8°, com vários modelos. - As escolas publicas da côrte do Império do Brasil no anno de 1873. Relatorio apresentado ao Conselho superior de instrucção prima- ria e secundaria do município da côrte pela commissão visitadora das escolas publicas e estabelecimentos particulares de instrucção primaria e secundaria do mesmo município. Rio de Janeiro, 1874, 69 pags. in-fol., com 3 mappas demonstrativos. Foram também da commissão Felippe da Motta Azevedo Corrêa (relator) e João Rodrigues da Fonseca Jordão. - Ornamentos da memória e exercícios selectos para formar o bom gosto e verdadeiro estylo pela lingua portugueza, extrahidos dos melhores clássicos em proza e verso, etc., por J. I. Roquette ; novís- sima edição, revista, correcta e augmentada com 125 trechos e com uma chrestomathia do portuguez antigo pelo dr. José Manuel Garcia. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° - Classificação das escolas primarias e disciplinas que devem ser ensinadas. Material escolar. 11 pags. in-fol. - Vem no livro « Actas e pareceres do congresso de instrucção do Rio de Janeiro, 1884 ». E' a quinta questão do congresso, ao 25 - Methodos e programmas de ensino nas escolas primarias e nos estabelecimentos de instrucção secundaria ; sua reforma. Adopção de livros. 10 pags. in-fol. - Idem. E' a sexta questão. - Discurso proferido na socie lade de beneflcencia brasileira pelo presidente, etc.-No relatorioda mesma sociedade. Rio de Janeiro, 1866, in-4° - Escreveu algumas poesias, como: - Hymno para a distribuição de prémios a meninas - No Flori- légio de J. R. dt Fonseca Jordão. José Manuel cie Paclua e Castro - Filho de An- tonio de Padua e Castro e nascido no Rio do Janeiro, serviu muitos annos, com honra, dedicação e grande pericia no laboratorio da Casa da Moeda, de que foi sem motivo algum exonerado em 1893. E' caval- leiro da ordem da Rosa pelos bons serviços prestados nessa repartição. Intel ligencia cultivada pelo estudo, tem-se applicado a assumptos do do- minioda medicina, como demonstrou com trabalhos que deu á estampa. Conheço de sua penna : - O vomito negro e seus fermentos figurados: subsidios para o estudo da febre amarella no Brazil. Rio de Janeiro, 1888, in-8.° - Aguas potáveis para abastecimento da capital do Império. Rio de Janeiro... - Analyse das informações prestadas ao Ministro da Fazenda pelo director da Casa da Moeda sobre o actual fabrico da moeda de nikel).- No Jornal do Commercio de 24 de julho a 4 de agosto de 1896. José Manuel Pereira Caibrai - Filho de Manuel José Pereira Júnior, nasceu em Itajubá, Minas Geraes, pelo anno de 1840. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, seguiu a carreira da magistratura até o cargo de juiz de direito e foi deputado á assem- bléa geral na legislatura de 1881 a 1884. Escreveu: - Exposição que sobre o processo eleitoral do 11° districto de Minas Geraes á terceira commissão de inquérito dirige o candidato, etc. Rio de Janeiro, 1885, in-4°. Redigiu: - Gazeta Commercial : orgão imparcial, agricola, commercial e noticioso, etc. Itajubá, 1880-1881, in-fol. José Manuel <lo Rego Vianna - Filho de Fran- cisco José Mesquita Rego e dona Domingas Margarida da Cunha Vianna, nasceu em Vianna do Castello, Portugal, a 23 de agosto de 1809, Esteve empregado no commercio de Lisboa desde muito creança 26 JO e seguindo para a Bahia em 1826, ainda nesta província continuou na mesma cirreira, associando-se pouco depois com outro para abrir uma casa commercial sob a firma de Lima & Vianna. Naturalisou-se cida- dão brasileiro e foi offlcial da guarda nacional ; esteve algum tempo no Rio de Janeiro e depois no Rio Grande do Sul, dando sempre ás lettras o tempo que de seus trabalhos lhe restava. Escreveu: - Josè 2° ou os salteadores de Mulberg : drama. Nitheroy, 1838, in-8° -Foi representado nessa cidade em 1837. - Os jesuítas ou os bastardos d'el-rei : drama original em cinco actos, offerecido ao tenente-coronel José Borges Ribeiro da Costa. Rio Grande, 1848, 132 pags. in-40.-Foi representado pela primeira vez em novembro de 1846 no theatro Sete de Setembro da cidade do Rio Grande do Sul e teve outras representações, a despeito de viva opposi- ção que fizeram os apologistas da confraria da roupeta, que chegaram a dirigir-se á autoridade policial com o fim de prohibir-se a represen- tação delle. - Gomes Freire ou o reverendo patriota: tragédia em cinco actos - Inédita. - Maria II restituída ao throno de seus maiores ou a restauração de Portugal : drama allegorico, representado na Bahia e no Rio de Janeiro - Idem. - Quarenta annos ou o negociante colono: drama representado na Bahia em 1836 - Idem. - Malagrida ou a conjuração dos Tavoras: drama historico.-Idem. - Moysès no Egypto ou a passagem do Mar-Vermelho : drama sacro - Idem. - D. Josè II em Brandury : drama - Foi sua primeira compo- sição, escripta na Bahia e não sei si foi impressa. José Manoel dos Santos I?ereira - Natural dx Bahia, presbytero secular, doutor em theologia pela faculdade grego- riana de Roma, foi professor no primeiro estabelecimento de edu- cação, particular, que o Brazil tem tido, o gymnasio bahiano, fundado pelo doutor Abilio na cidade de S. Salvador; foi vigário de Manàos e vigário geral da província, hoje estado do Amazonas, etc. Em 1878 veiu ao Rio de Janeiro para sustentar sua eleição para deputado por essa província ã decima sétima legislatura, para a qual foram reconhe- cidos o bacharel Joaquim de Saldanha Marinho e o almirante José da Costa Azevedo. Escreveu : - Discurso proferido por occasião da distribuição de prémios do Gym- nasio bahiano a 26 de novembro de 1865, etc. Bahia, 1865,32 pags. in-8.° JO 27 - Discurso proferido por occasião da bênção dos sinos da nova egreja matriz em 29 de junho de 1875. Manàos, 1875, 16 pags. in-4.° - Discurso proferido por occasião da bênção da nova egreja ma- triz em 15 de agosto de 1877. Manáos, 1877, 16 pags. in-4.° - Exposição sobre a eleição de dous deputados ã Assembléa geral pela provincia do Amazonas. Rio de Janeiro, 1878, 118 pags. in-8.° - Refutação que faz o padre doutor, etc., á defesa escripta pelos candidatos da eleição illegal, conselheiro Joaquim de Saldanha Marinho e chefe de divisão José da Costa Azevedo ; offerecida á primeira Com- missão de inquérito aos 16 dias do mez de dezembro de 1878. Rio de Janeiro, 1878, 20 pags. in-8° - Ha ainda outros trabalhos deste autor, dos quaes não posso agora dar noticia. José Manuel cia Silva - Nasceu na cidade do Rio.de Janeiro a 31 de março de 1840. Engenheiro civil, membro do Instituto polytechnico, membro e vice-presidente da scciedade de Geographia do Rio de Janeiro, tem exercido varias commissões, como a de engenheiro de districto da Inspectoria geral das obras publicas e commissão da carta geral do império do Brazil, onde foi chefe da secção de trian- gulisação do município da còrte. Escreveu : - Noticia sobre os apparelhos destinados a marcar o ponto no fim do dia com o baziometro de Braunner-na Revista do Instituto Poli- technico, 1876. - Commissão da carta geral do Império. Resumo dos cálculos relativos á medição da base geométrica de Santa Cruz e ao estudo dos respectivos instrumentos. Rio de Janeiro, 1878, in-4.° - Foi escripto com o engenheiro C. Lemaire Teste e outros. - Commissão da carta geral do Império. Relatorio final da secção de triangulisação do município da Côrte, apresentado ao Exm. Sr. marechal da campo conselheiro Henrique de Beaurepaire Rohan, presidente da Commissão, em 1 de junho de 1878. Rio de janeiro, 1878, 175 pags. in-4° - Contém o livro todas as operações realisadas pela secção, que tiveram começo pelo anno de 1866 na inspectoria geral das obras publicas e continuaram pela commissão especial. José Manuel cie Siqueira - Natural da antiga pro- víncia de Matto Grosso, onde viveu do século passado ao actual, sendo presbytero do habito de S. Pedro, professor régio de philosophia na 28 JO villa, hoje cidade de Cuyabà, foi membro da Academia real das sciencias de Lisboa. Escreveu : - Memória que enviou á Academia real das sciencias de Lisboa sobre a decadência actual das tres capitanias de Minas e meios de as reparar. Anno de 1802 -Esteve na exposição de historia de 1880 uma copia de 20 pags. in-4° com uma estampa e outra de 14 pags. com estampa a aquarella. - Memória sobre o descobrimento das minas dos Martyrios - Estiveram na dita exposição duas copias : uma de 30 pags. in-fol., da bibliotheca nacional; outra de 44 pags. in-8n oblongo do dr. João Severiano da Fonseca. José Mivniiel Valdoz y T*alfbcios - Natural do Perú, e brazileiro por naturalisação, nasceu em 1812, e falleceu no Rio de Janeiro a 24 de outubro de 1854. Bacharel em direito, perseguido em consequência de movimentos politicos de sua patria de nascimento, atravessou os Andes peruanos, passando enormes privações, com um filho, chegou ao Pará e do Pará veiu para esta cidade. Foi professor de inglez do collegio Pedro II e do lyceu de Nitheroy^ e socio do Instituto historico e geographico brazileiro. Cultor das lettras e trabalhador incançavel, foi um dos redactores da Minerva Brasiliense e escreveu: - Viagem da cidade de Cusco ao Grão Pará pelos rios Vilcamayo e Ucayale, primeira viagem deste genero, no anno de 1842. Rio de Janeiro, 1844, in-8.° - Bosquejo sobre o estado politico, moral e litterario do Perú em suas trcs grandes épocas. Quadro comparativo entre o estado actual do Perú e do Brazil. Rio de Janeiro, 1844, 244-193 pags. in-8.° - Os dous matrimónios mallogrados ou as duas victimas do crime : romance historico. Rio de Janeiro, 1845, 147 pags. in-8° com uma estampa. -E' um episodio da obra precedente. - Maria de Castagli ou o rancor de vinte annos : drama em tres actos, original. Rio de Janeiro, 1850, in-8.° - Ensaios sobre a litteratura geral e sobre a litteratura, ameri- cana em particular - Publicados no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, 1851 e offerecidos ao conego José Autonio Marinho e aos alumnos de litteratura do collegio do mesmo conego aos quaes o autor leccionava. - A Nova Minerva : periodico dedicado ás sciencias, artes, litte- ratura e costumes. Rio de Janeiro, 1845-1846, in-4.° JO 29 José Marcellino Moreira Sampaio- Filho de Francisco Moreira Sampaio e irmão do dr. Mathias Moreira Sampaio, de quem occupar-me-hei, nasceu na cidade da Cachoeira, da Bahia, pelo anno de 1820 e íalleceu na capital da província a 29 de janeiro de 1882, formado em mathematicas e lente do lyceu provincial. Fez seus estudos na Europa e escreveu: - Syntaxe comparada da lingua franceza e portugueza. Bahia, 1865, 92 pags. in-8°. José Marcellino Pereira <le Vasconeellos- Filho de José Marcellino de Andrade Vasconcellos e dona Joaquina Maria do Rozario, nasceu na capital do Espirito Santo a 1 de outubro de 1821, e falleceu no Rio de Janeiro a 26 de novembro de 1874, sendo inspector aposentado do thesouro provincial, civalleiro da ordem de Christo, membro do Conservatorio dramatico e do Instituto historico da Bahia, do Atheneo paulistano e do Instituto scientifico de S. Paulo, da sociedade Auxiliadora da industria nacional e de outras. Encetou sua vida publica como procurador da camara municipal da cidade da Victoria e ahi exerceu outros cargos até o anno de 1854. Desgostos provindos da morte de sua esposa o trouxeram ao Rio de Janeiro, on le exerceu a profissão de guarda-livros. Voltando, porém, ao Espirito Santo em outubro de 1855, foi logo nomeado offlcial da secretaria do governo, de onde passou ao cargo em que foi aposentado. Foi por vezes deputado á assembléa provincial e á geral na decima segunda legislatura. Compilou e publicou muitos escriptosda legislação forense e outros. Eis seus trabalhos : - Manual do leigo em matéria civil e criminal ou apontamentos sobre a legislação e assumptos forenses, etc. Rio de Janeiro, 1855 in-8° - Depois da pag. 200 se acha o Regulamento das custas judi- ciarias que abrange 68 pags. - Arte nova de requerer em juizo ou novo advogado do povo, contendo uma grande e preciosa cópia de fôrmas de petições para mais de 150 casos diversos, eiveis e crimes, seguida do Formulário de despachos e sentenças que os juizes municipaes e de orphãos, dele- gados e sub-delegados são obrigados a dar, e da fôrma de inventários e partilhas, contas, processos de tutelas, etc. seguido da Pratica do processo civil ou formula de todos os termos, libellos, contestações, embargos, etc., que seguem as aeções ordinárias e summarias. Rio de Janeiro, 1855, VI-288 pags. in-8° e m ais 211 com o Formulário dos processos de formação da culpa. Ha deste livro varias edições, sendo a sétima de 1883, de conformidade com a nova reforma judiciaria. 30 JO - Livro das terras ou collecção da lei, regulamento e ordens ex- pedidas a respeito desta matéria até o presente ; seguido da fórma de um processo de medição, organisado pelos juizes commissarios e das Reflexões do Dr. José Augusto Gomes de Menezes que esclarecem e ex- plicam as mesmas leis e regulamentos : obra indispensável aos paro- chos, juizes, commissarios, etc. Rio de Janeiro, 1856, 184 pags. in-8° - Ha mais uma edição de 1860, consideravelmente augmentada de tudo quanto respeita á colonisação civil e militar e com exemplos novos, curiosos e interessantes e outra de 1874, e ainda uma edição posthuma por um magistrado. - O advogado commercial ou arte de requerer em juizo commer- cialotc.; seguido de um formulário dos despachos, sentenças, etc. Rio de Janeiro, 1856, 208 pags. in-12° - Ha outras edições, sendo a segunda de 1862, e a terceira de 1871, in-8.° - Guia pratica do povo no foro civil e criminal brazileiro, con- tendo um formulário de libellos e petições summarias á imitação do Formulário de Caminha e bem assim um pecúlio de autos, termos civis e crimes, formalidades para se extrahirem do processo sen- tenças, por José Homem Corrêa Telles, alterado de conformidade com a legislação vigente do Brazil. Rio de Janeiro, 1856, 2 vols. in-8° - Teve segunda edição em 1857 com mais de 200 artigos novos e impor- tantes alterações, 2 vols., 222 e 225 pags. in-8°; terceira em 1871 e quarta por Antonio José Rodrigues de Oliveira (veja-se este nome) em 1880. - Codigo criminal do Império do Brazil, annotado com as leis, decretos e portarias que desde sua publicação se tem expedido, expli- cando, revogando ou alterando algumas de suas disposições por Josino do Nascimento e Silva. Nova edição consideravelmente augmentada. Rio de Janeiro, 1857, 148 pags. in-8° - Ha segunda edição de 1860 ; terceira revista, augmentada e annotada com a legislação respectiva até o presente pelo bacharel Miguel Thomaz Pessoa, 202 pags. in-8.° - Roteiro dos delegados e subdelegados de policia, ou collecção dos actos, attribuições e deveres dessas autoridades, fundamentadas na legislação competente e na estabelecida. Rio de Janeiro, 1857,281 pags. in-8a - Ha segunda edição de 1861; terceira de 1869 ; quarta e quinta revista pelo bacharel Miguel Thomaz Pessoa, e sexta melhorada e ac- crescentada por outro com mais de 450 pags. e nona pelo bacharel Ma- nuel Godofredo de Albuquerque Autran, de 1887. - Nova guia theorica e pratica dos juizes municipaes e de orphãos ou compendio o mais perfeito, claro e importante de todas as attribui- JO 31 ções, que estão a cargo destas autoridades. Rio de Janeiro, 1859, 2 vols. de 430 e 333 pags. iu-8° - Ha segunda edição do 1869, de 2 tomos em 1 vol.; terceira melhorada e consideravelmente augmentada conforme a novíssima legislação por M. T. Pessoa, 2 tomos em 1 vol. do 986 pags. in-8.° - Livro dos jurados ou compendio em que se expõem com facilidade e clareza todas as obrigações que são relativas a esta classe dejuizes. Rio de Janeiro, 1859, 92 pags. iu-8°- E' seguido de um extracto do Formulário baixado com o aviso de 23 de março de 1855, e contém uma noticia histórica da instituição do jury nos vários paizes. Ha mais edições de 1874, 1884 e 1888, posthumas. - Repertório das leis e regulamentos provinciaes do Espirito Santo - Sei da existência deste trabalho pela menção que delle faz o presi- dente da província em seu Relatorio de 23 de maio de 1861, dizendo que delle fora Vasconcellos incumbido por seu antecessor de conformidade com a lei de 2 de julho de 1859; que se achava prompto e convinha que fosse impresso. O bacharel M. T. Pessoa faz ainda menção de um trabalho seu, que é : - Codigo commercial, annotado, etc. Rio de Janeiro, typ. de Gui- marães & C.a - Novo manual da guarda nacional, ou collecção da lei, regula- mentos e ordens que se tem publicado a respeito desta matéria. Rio do Janeiro, 1860, 250 pags. in-12° com um mappa - Ha outra edição de 1865. - Manual dos juizes de direito ou collecção dos actos, attribuições e deveres destas autoridades. Rio de Janeiro, 1861, 292 pags. in-8°, com 15 mappas e modelos. - Canhenho dos depositários públicos ou collecção dos alvarãs, leis, avisos e regulamentos publicados acerca das obrigações desses funccionarios. Victoria, 1862, 43 pags. in-8.° - Manual dos promotores públicos ou collecção dos actos, deveres e attribuições desses funccionarios. Victoria, 1861, in-4° - Ha segunda edição, de 1869, e terceira edição, augmentada com os actos mais essen- cíaes e os costumes judiciários da Inglaterra por um magistrado, do Rio de Janeiro. - Formulário dos trabalhos das juntas de qualificação dos vo- tantes, conselhos de recurso e assembléas parochiaes, com o summario de todas as decisões que se tem dado relativamente a este assumpto. Rio de Janeiro, 1862, 23 pags. in-4.° 32 JO - Consultor jurídico ou manual de apontamentos em fôrma de diccionario sobre variados pontos de direito pratico. Rio de Janeiro, 1862, 286 pags. in-8° e mais 78 de appensos, isto é: - Formulário das actas das mesas parochiaes, juntas de qua- lificação e conselhos de recursos; contractos e o regimento de custas com todos os avisos e ordens que o tem explicado até o presente. - Regimento dos inspectores de quarteirão, ou collecção dos actos e attribuições que competem a esses funccionarios. Rio de Janeiro...- Deste livro ha quarta edição, posthuma, creio que de 1889. - Regimento de custas judiciaes, edição correcta com todos os avisos, leis e ordens que têm explicado a matéria até o presente. Rio de Janeiro, 1862. - Novíssimo manual dos tabelliães, ou collecção dos actos e attri- buições e deveres destes funccionarios, contendo a collecção de minutas de contractos e instrumentos mais usuaes e das cautelas mais precisas nos contractos e testamentos : obra ordenada sobre o Manual de José Homem Corrêa Telles. Rio de Janeiro, 1864, in-8°. - As assemblèas provinciaes ou collecção completa das leis, de- cretos, avisos, ordens e consultas que se tem expedido acerca das attribuições e actos de taes corporações, seguida de um tr balho em ordem alphabetica, feito por ordem do governo pelo senador F. Octa- viano de Almeida Rosa, annotado, etc. Rio de Janeiro, 1869, 118 pags. in-8.° - Ensaio sobre a historia e a estatística da província do Espirito Santo, contendo, além de muitos documentos curiosos e interessantes, a historia da fundação, povoação, governo, monumentos, guerras desde o descobrimento de cada município até o presente, bem como a exten- são, limites, minas, rios, etc. Victoria, 1858, 251 pags. in-8°, com o re- trato do autor. - Considerações sobre a situação financeira do Brazil, acompa- nhadas da indicação dos meios de occorrer ao déficit do Thesouro. Rio de Janeiro, in-8.° - Discurso proferido na sessão da camara dos deputados de 19 de julho de 1866, estando em 2a discussão o orçamento e des- peza do ministério da agricultura. Rio de Janeiro, 1866, 24 pags. in-8.° - Correcçôes e accrescimos ao Diccionario Geographico do Império do Brazil, publicado em França, na parte que respeita á província do Espirito Santo - Refere-Se o autor ao Diccionario de Milliet JO 33 de Saint Adolphe e seu trabalho foi offerecido ao Instituto historico em 1851. - Jardim poético ou collecção de poesias compostas por na- turaes do Espirito Santo, posta em ordem e escolhida. Ia série. Victoria, 1856. 2a série. Victoria, 1860, 2 vols. in-8° de 177 e 239 pags. in-8.° - Cathecismo historico e político, seguido de maximas e pensa- mentos de diversos autores para uso das escolas da província do Espirito Santo, etc. Victoria, 1859, 24 pags. in-8.° - Selecta Braziliense: archivo de noticias, descobertas, observa- ções, factos e curiosidades em relação aos homens, á historia e cousas do Brazil. Rio de Janeiro. 1868- 1870, 2 vols. de 280 e 328 pags. in-8.° - Na imprensa periódica publicou: - O Semanario: jornal de instrucção e recreio. Victoria, 1857- 1858. in-fol.- Sahiu o primeiro numero a 2 de janeiro daquelle anno, e o ultimo a 3 de abril deste. - O Tempo: periodico político. Victoria, 1861, 1862 - Começou a publicar-se a 1 de novembro de 1861. - O Espirito Santense. Victoria, 1870, 1871, in-fol.- Fundada e redigida esta folha por José Marcelino, passou de 1872 em deante a ser propriedade de Basilio de Carvalho Daemon. José Marcelino de Souza - Filho de Joaquim An- selmo de Souza e nascido na Bahia, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, representou sua província na ultima eleição geral do regímen monarchico e escreveu : -Crise da lavoura : discurso pronunciado na sessão de 9 de agosto de 1887 na Camara dos Deputados. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° José Marcelino cie Souza Bittencourt - Na- tural, me parece, do Rio Grande do Sul ; é ahi conego prebendado e cura da cathedral de Porto Alegre. Escreveu : -0 mez de outubro ou do Santíssimo Rozario: livro de piedade, coordenado, etc. Porto-Alegre, 1890 - Segunda edição, Porto-Alegre, 1894 - Este livro foi approvado por quasi todo episcopado do Brazil, concedendo alguns bispos indulgência aos seus deocesanos que delle fizessem uso. O papa Leão XIII, por uma carta de seu secretario par- ticular, o applaudiu e abençoou. José Marciano Gomes Uaptista, - Natural da província de Minas Geraes, presbytero secular e bacharel em sciencias 34 JO sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de S. Paulo no anno de 1834, escreveu : -Discurso, que á sentida morte da Exma. Sra. Baroneza de Cur- vello recitou em o officio funeral na matriz de Sabará. Rio de Janeiro, 1861, 12 pags. in-4.° José Marciano da Silva I*oiites - Filho de Anto- nio Marciano da Silva Pontes e dona Sebastiana Constança da Silva, nasceu na cidade de Marianna, Minas Geraes, a 22 março de 1832, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e membro titular da Academia nacional de medicina. Escreveu : - Albuminaria; quaes são as condições pathologicas que a de- terminam ; Hygiene da primeira infancia; Histologia dos rins ; Cir- culação da matéria dos reinos vegetal e animal: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1863, 65 pags. in-4° gr. - Da dyspepsia: memória apresentada á Academia imperial de me- dicina em 1865 -Acha-se nos Annaes da Academia, tomo 28°, pags. 183 a 191, 222 a 232 e 249 a 262, e creio que em opusculo especial. José Maria de Albuquerque Mello - Filho do dr. José Maria de Albuquerque Mello, nasceu na cidade do Cabo, Pernambuco a 29 de dezembro de 1849 e falleceu a 4 de março de 1895 no recinto da decima secção eleitoral do Io districto do Recife, cahindo a tiros de rewolver, disparados pela policia de ordem do go- vernador Barbosa Lima, segundo se disse, quando elle ahi orava para que fosse acceito um fiscal seu. Depois de matriculado na escola militar do Rio de Janeiro, passou ao curso de direito do Recife, onde recebeu o gráo de bacharel, sendo eleito deputado provincial quando estudava, e geral em 1889. Depois da Republica governou o estado de seu nas- cimento e foi presidente do Congresso estadual. Distincto jornalista, redigia : - A Provinda. Recife, in-fol.- Esta folha foi creada e redigida em 1871 pelo bacharel José Mariano Carneiro da Cunha, como orgão do partido liberal. Consta-me que José Maria publicou no Rio de Janeiro um ou mais opusculos quando estudante da escola militar e depois : - Discurso proferido na Assembléa provincial de Pernambuco a 23 de julho de 1880, por occasião de discutir-se o projecto da força po- licial. Recife, 1880,48 pags. in-8.° José Maria dle Almeida Teixeira de Quei- roz - Nascido, si me não engano, na Bahia, no anno de 1820 e JO 35 bacharel em direito pela Universidade de Coimbra, estabeleceu-se em Portugal, e ahi seguindo a carreira da magistratura, serviu vários cargos como o de juiz de direito na cidade do Porto. Cultivou as lettras amenas e collaborou no Ramalhete, onde publicou muitas poesias e na Chronica litteraria da Nova Arcadia de Coimbra, onde publicou, não sò poesias, como artigos em prosa. Nunca colleccicnou suas composições e não me consta que publicasse, senão : - O castello do Lago : poema em sete cantos. Coimbra, 1841, 141 pags. in-8.° - Este poema, *que tem muita semelhança com a Noite do Castello de Antonio Feliciano de Castilho, tem por objecto o amor, o ciume, a vingança e a saudade, em luta no coração humano, como as paixões mais vehementes e imperiosas. - Sustentação da pronuncia que deu no processo instaurado no Porto contra o Conde de Bolhão, accusado do crime de moedeiro falso, em aggravo á Relação respectiva. Porto, 1860, in-8.° - Sahiu antes no Jornal do Porto e na Política Liberal de 5 de setembro deste anno, occupando mais de seis columnas. José Maria cio Amaral, Io- Natural do Rio de Ja- neiro, aqui falleceu pelo anno de 1845 pouco mais ou menos. Era for- mado em medicina, um habilissimo operador e o primeiro que no Brazil praticou aictomia. Chamavam-no o Capa-vaccas. Escreveu : - Matéria medica de Cullen, traduzida etc. Rio de Janeiro, 1829, in-8.° José Maria do Amaral, 2a - Filho de Antonio José do Amaral, Io, e irmão de Angelo Thomaz do Amaral e Joaquim Thomaz do Amaral, todos mencionados neste livro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 14 de março de 1813 e falleceu em Nitheroy a 23 de setembro de 1885. Cursou a faculdade de medicina do Rio de Janeiro até o quinto anno e, desgostoso por uma injustiça que soffreu, aban- donou a faculdade e foi á Europa como addido de 2a classe á legação brazileira em Paris. Ahi estudou e recebeu o gráo de doutor em di- reito, e concluiu o curso medico, não recebendo esse gráo por ser obri- gado a partir para os Estados Unidos como secretario da legação do Brazil. Deste cargo passou a outros successivamente mais elevados em outros paizes, sendo os últimos o de ministro plenipotenciário na Con- federação Argentina e o de encarregado de missão especial no Para- guay, finda a qual foi posto em disponibilidade. Era do conselho do Imperador, cavalleiro da ordem de Christo ; commendador da ordem da Roza e da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa ; membro 36 .jro do Instituto historico geographico brazileiro; presidente da associação central, Emancipadora, etc. Cultivou a poesia desde estudante, improvi- sando uma vez o seguinte soneto ao saber que fallecera uma doente do dr. Geraldo Leal, o qual elle escreveu n'uma das paredes da facul- dade do Rio de Janeiro : A morte eu vi um dia em vasto cemiterio, Sepulturas abrindo, o chão cavando, Cadaveres humanos enterrando Sem ter no seu trabalho refrigério. - Onde está, digo-lhe eu, teu grande império ? Quem neste estado pôs-te, miserando ? Tu, que reinos cahir viste á teu mando, Tens de coveiro agora o ministério? Chorando ella me diz : «De tal extremo Geraldo a causa foi, oh ! desventura 1 - Meu poder usurpou ; escrava eu gemo. Collocou-me, qual vês, nesta postura, E tantos mortos manda, que já temo Que venham a ficar sem sepultura.» Deu-se também ao jornalismo com brilho tal, que na França pode- ria hombrear com Lamartine, como disse o orador do Instituto. Colla- borou na Astrea, no Patriota Brazileiro, na Republica, na Opinião Liberal e redigiu : - O Nacional. Rio de Janeiro, 1831 - Esta folha foi depois pu- blicada de 1872 a 1873 em Nitheroy com esta declaração na frente : «Este periodico é o mesmo que em 1831 foi orgam do partido que sustentava as consequências da revolução de 7 de abril'; também o redactor é o mesmo d'aquelle tempo.» - O Sete de Setembro. Rio de Janeiro, 1833, in-fol. - O Mercantil. Rio de Janeiro, 1844-1847 in-fol.- Esta folha con- tinuou com o titulo de Correio Mercantil até 1868. Nella escreveu elle artigos de polemica politicos que, na phrase de R. C. Montoro, juntavam alguma semelhança de E. Girardin e o mysticismo poético de Lamartine. - A Estrella d'Alva. Imperial cidade de Nitheroy, 1851, in-fol. - O Espectador da America do Sul. Rio de Janeiro, 1863-1864, in-fol. - Foi fundada esta folha quando o conselheiro Amaral deixou a diplomacia. - Correio Mercantil. Rio de Janeiro - Esta folha teve primeira- mente por titulo O Mercantil, como ficou dito. Teve também muitos redactores que se succederam, e Amaral o foi da época em que per- JO 37 tencia ao partido liberal e teve por companheiros de redacção o conselheiro Octaviano, o dr. José d'Assis A. B. M. Barreto, o dr. M. Antonio de Almeida, etc. Escreveu ainda : - Faculte de droit de Paris. These pour la licence. Paris, 1837, 23 pags. in-4.° - Versa sobre direito : De fundo dotali, e direito francez: Du contract de mariage. O primeiro ponto é escripto em latim, o segundo em francez. - O tratado de 27 de março de 1867 por Kakistos. Rio de Janeiro, 1871, 17 pags. in-fol.- São artigos que publicou no Jornal do Com- mercio sobre o tratado negociado com o governo da Bolivia pelo dr. F. Lopes Netto, resolvendo a questão de limites entre este estado e o Brazil. - Apontamentos communicados ao ill.mo sr. José Francisco da Conceição em relação á sua traducção da Historia geral da marinha.- No Artista do Rio Grande do Sul ns. 35 e 36 de 1880. Sabe-se que o conselheiro Amaral deixou muitas poesias inéditas e queimou outras, como fez a uma - Memória sobre a nossa constituinte brasileira e sobre seus oradores - deixando, entretanto, inédita uma obra sobre a historia patria, segundo communicou-me pessoa competente. José Maria de Tlkvellar Brotero - Filho do bri- gadeiro Manuel Ignacio de Avellar e de dona Maria Efigenia de Avellar, nasceu em Lisboa a 17 de fevereiro de 1798 e falleceu de avançada edade a 2 de março de 1873 em S. Paulo, sendo professor jubilado da faculdade de direito, do conselho do Imperador, e com- mendador da ordem de Christo. Veio para o Brasil a convite do ministro do império Antonio Luiz Pereira da Cunha, depois Marquez de Inhambupe, quando este ministro em 1825 pretendia a creação de um curso de sciencias sociaes e jurídicas na cidade do Rio de Janeiro, creação que não foi então realizada. Na abertura, porém, da academia de S. Paulo, foi nomeado lente cathedratico a 13 de outubro de 1827, e serviu até 22 de novembro de 1871, sendo-lhe conferido o grau de doutor a 16 de setembro de 1831, pois só tinha o de bacharel pela universidade de Coimbra. Em 1830, pretendeu com seu collega o dr. Carlos Carneiro de Campos, depois Visconde de Caravellas, fundar uma sociedade litteraria em S. Paulo, mas apenas conseguiu que duas sessões se celebrassem. Escreveu : - Princípios de direito natural; compilados, etc. Rio de Janeiro, 1829, 445 pags. in-8.° - Princípios de direito publico universal: analyse de alguns paragraphos de Watel. S. Paulo, 1837, 80 pags. in-8.° 38 JO - Questões sobre prêzas marítimas ; offerecidas ao cidadão Raphael Tobias de Aguiar. Ia parte: S. Paulo, 1836, 219 pags. in-8.° - Segunda edição augmentada. S. Paulo, 1868, 166 pags. in-4°. - Philosophia do direito constitucional, S. Paulo, 1842, in-8.° - Os tres primeiros paragraphos de Wattel. Direito das gentes L. I, Cap. I. Principios de direito publico universal ou philosophia do direito constitucional (Sem frontespicio) - E' uma publicação dividida em vinte lições. - Tumulto do povo em Evora (1635), drama em tres actos por um ex-tenente de milícias. S. Paulo, 1845, 102 pags. in-8.° José Maria de Azevedo - Nascido na villa de São Francisco da Bahia a 25 de março de 1823, falleceu na cidade de Jaguarão, do Rio Grande do Sul. Doutor em medicina pela faculdade daquelle estado, entrou para o corpo de saude do exercito, de que pouco depois pediu demissão. Era condecorado com a medalha da cam- panha do Uruguay de 1852 e cavalleiro da ordem da Rosa. Cultivou a poesia ; mas nunca fez collecção de seus versos. Escreveu : - These apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina da Bahia afim de obter o gráo de doutor em medicina. Bahia, 1848, in-4.° - Tive esta these e perdi-a, não me lembrando sobre que ponto dissertou o autor. A faculdade do Rio de Janeiro também a não possue. - Matinas políticas, patrióticas ou lições de meu pae, seguidas de um hymno. Jaguarão, 1861, 29 pags. in-8°. - E' um opusculo em prosa e em verso : - Canto commemor ativo do juramento da constituição do império; offerecido a S. M. o Imperador. 1852, 1 fl.-Foi distribuido no exercito em operações em Montevideo, começando o autor por apresentar-se como poeta bahiano, medico e militar nos seguintes versos : Cantor humilde das gentis palmeiras Da terra de ouro, que a Bahia enfeitam; Fraco ministro do sagrado templo Do velho em Cós nascido; Soldado do aguerrido Caxias valoroso, Eu venho ante o monarcha, respeitoso, Tanger minh'harpa, desferir meu canto. Além dessa poesia, só vi publicada : - A lua cheia: conçoneta - No Crepúsculo, Bahia, tomo 3o, 1846, pags. 36 e 37. JO 39 José Maria Bom tempo - Natural de Lisboa e brazi- leiro por ter adoptado a constituição do império e ter aqui continuado a permanecer, nasceu a 15 de agosto de 1774 e falleceu no Rio de Janeiro a 2 de janeiro de 1843. Fidalgo da real casa e medico da real camara de Portugal, sendo formado em medicina pela universidade de Coimbra, exerceu os cargos de phisico-mór de Angola e de juiz com- missario do proto-medicato até 1808. Vindo para o Brazil como delegado do physico-mór do reino, foi nomeado em 1809 lente de chimica, elementos de matéria medica e pharmacia da primeira escola medico- cirurgica do Rio de Janeiro, e se jubilou, tendo também servido como director da dita escola. Era medico da real camara, membro titular da Imperial academia de medicina, correspondente da Academia medica da Bahia, da sociedade de Sciencias medicas de Lisboa e de outras, e cavalleiro da ordem portugueza de Christo. Escreveu : - Compendio de matéria medica, feito por ordem de sua alteza real, organisado etc. Rio de Janeiro, 1814, 258. pags in-4.° - Compendio de medicina pratica, feito por ordem de sua alteza real, organisado, etc. Rio de Janeiro, 1815, 313 pags. in4.° - Regulamento interino para a fisicatura-mór do império do Brasil etc. Rio de Janeiro, 1824, in-4.® - Plano ou regulamento interino para os exercícios da aca- demia medico-cirurgica do Rio de Janeiro, feito e dirigido á secretaria de estado dos negocios do reino por oflicio de 14 de agosto de 1820, etc. Rio de Janeiro, 1825, in-4°. - Esboço de um systema do medicina pratica, pelo qual em qualquer parte do globo se podem curar todas as moléstias irrita- tivas com um só e simples remedio, applicação e formação deste e razão de sua simplicidade, bem como o modo pelo qual se podem conhecer taes enfermidades, etc. Rio de Janeiro, 1825, in-4.° - Memória sobre algumas enfermidades do Rio de Janeiro e muito particularmente sobre o abuso geral e pernicioso effeito da applicação da preciosa casca peruviana ou quina. Escripta no anno de 1814. Rio de Janeiro, 1825, in-4°. - Trabalhos médicos, offerecidos á Magestade do senhor D. Pe- dro I, Imperador do Brasil. Rio de Janeiro, 1825, 204 pags. in-40.- E' uma reproducção das tres obras precedentes. - Exposição ao respeitável publico, que faz José Maria Bom- tempo, das falsidades e contradicções contra elle publicadas no ar- tigo correspondência do n. 3 do Expectador Brazileiro deste anno (1827) assignado pelo Sr. Dr. Sigaud. Rio de Janeiro, 1827, 2 fls. in-fol. 40 JO José Maria Borges - Nascido no Brazil e distincto artista, torneiro, escreveu e deu á publicidade o seguinte : - Guia pratico e theorico para os torneiros mecânicos. Rio de Janeiro, 1891, 36 pags. in-8° - Consiste o trabalho em tabellas de calculo de maioi' á menor, na exposição dos diversos systomas de tornos inglezes, etc. José Maria Chaves - Filho de Antonio José Gonçalves Chaves e de dona Maria do Carmo Secco Chaves, nasceu na cidade de Pelotas, província do Rio Grande do Sul, a 11 de novembro de 1831 e falleceu a 26 de outubro de 1864 na cidade Rio de Janeiro. Doutor em medicina pela faculdade da côrte, e bacharel em sciencias physicas e naturaes pela academia de Paris, foi nomeado depois do respectivo concurso, em 1856, oppositor da secção de sciencias accessorias, em 1857 substituto da secção de sciencias cirúrgicas, e mais tarde lente cathedratico de anatomia topographica, medicina operatória e apparelhos. Era cavalleiro da ordem da Rosa - e es- creveu : - Da audição; Serão sempre mortaes as lesões profundas, quer da caixa craneana, quer dos diversos orgãos nella contidos? Será pos- sível conhecer-se as differentes enfermidades do coração e distinguil-as umas das outras? these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1850, 79 pags. in-4.° - Dissertação sobre o envenenamento pelo gaz de illuminação e theoria geral dos antídotos : these apresentada, etc. em concurso para um Iogar de oppositor de sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1856, in-4°. - Breve dissertação sobre as vantagens e inconvenientes do esma- gamento linear de Chassaignac: these apresentada á faculdade, etc. para o concurso a um logar de substituto da secção de sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1857, in-4.° - Sobre os melhores meios de tratar as differentes especies de pé-bot : e proposições diversas : these apresentada á faculdade de me- dicina do Rio de Janeiro e sustentada em 17 de setembro de 1857,par o concurso a um logar de substituto da secção cirúrgica. Rio de Janeiroa 1857, 43 pags. in-4.° José Maria Corrêa de Frias.- Notáveltypographo da província do Maranhão, que com Bellarmino de Mattos, já mencio- nado neste livro, foi o reformador da arte typographica nesta província; foi quem alli introduziu o biseautier a cadran, canteador ou plaina JO 41 typographica e outros melhoramentos. Veio ao Rio de Janeiro em 1864 para estudar e adquirir um prélo mecânico. Escreveu : - Memória sobre a typographia maranhense, apresentada à com- missão directora da Exposição provincial do Maranhão de 1866 e exposta como prova typographica, etc. S. Luiz do Maranhão, 1866, 39 pags. in-fol.- E' uma edição nitida, elegante, com paginas tarjadas, pela qual foi premiada sua offlcina nessa exposição. José Maria Corrêa cie Sá e Benevides - Filho do gentilhomem da imperial camara José Maria Corrêa de Sã e dona Leonor Maria Saldanha da Gama, primo do grande almirante Luiz Felippe Saldanha da Gama, de quem adiante occupar-me-hei, e nascido no Rio de Janeiro, é bacharel em lettras pelo collegio Pedro 2o, doutor em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, e lente da mesma faculdade. Depois de sua formatura serviu na magistratura como juiz municipal. Collaborou em vários periódicos e redigiu outros, como : - O Vinte-dous de Maio: Proprietários e redactores os drs. Anto- nio da Silva Prado e José Maria Corrêa de Sã e Benevides. S. Paulo, 1872, 1873, in-fol. - A Ordem : jornal político. S. Paulo, 1874-1876, in-fol. - Revista de Jurisprudência e Legislação do Instituto dos advo- gados de S. Paulo. Redactor-chefe, dr. J. M. C. de Sá e Benevides. S. Paulo, 1892,-189. Escreveu : - Dissertação que apresenta por occasião da defesa das theses para obter o grau de doutor em sciencias jurídicas e sociaes. S. Paulo 1858,-in8.° - Theses que para obter o grão de doutor se propõe defender, etc. S. Paulo, 1892 in-8.° - Dissertação que para o concurso a uma cadeira vaga aa Facul- dade de Direito de S. Paulo apresentou etc. S. Paulo, 1865 - O ponto é este : O artigo 6o da Constituição é constitucional ? - Discurso proferido no officiosolemne que á memória de Laurenço Xavier da Veiga mandaram seus amgios celebrar na cidade da Cam- panha a 3 de dezembro de 1863, 30° dia de seu enterro - No livro A' memória de Lourenço Xavier da Veiga. Tributo de saudade. Rio de Janeiro, 1869, pags. 43 a 50. - Discurso pronunciado no jury da capital de S. Paulo no dia 22 de junho de 1875 em defesa de dona Maria Fernandes Senra, accusada de mãos tratos na pessoa de Sabinaetc. S. Paulo, 1875, 78 pags. in-8.° - Philosophia elementar do direito publico-interno, temporal e universal. S. Paulo, 1887, in-8.° 42 jro - Analyse da Constituição política do Império do Brazil. S. Paulo, 1870, in-8.° José Maria da Fonseca Neves- Filho do dr. Augusto José Pereira das Neves e dona Joanna Hayden das Neves, é natural do Rio de Janeiro e nascido a 8 de junho de 1867, é primeiro tenente da armada com o curso da escola naval, e lente substituto da mesma escola. Por occasião da revolta de 6 dc setembro de 1893, para não servir ao governo contra a classe a que pertence, retirou-se para Londres, e ahi, applicando-se a estudos e experiencias de uma especia- lidade, a que já se dedicava e já havia professado, escreveu : - Estudos de balística, segundo os progressos da artilharia. Lisboa, 1895, 145 pags. in-4°- O autor foi mandado elogiar pelo ministro da marinha por este trabalho, que pela congregação da escola naval foi julgado de utilidade para os que se dedicam a esta especialidade. - Analyse do tiro moderno : these de concurso á cadeira de balística e artilharia naval, 2a cadeira do 4° anno da escala naval. Rio de Janeiro, 1898, in-4.° José Maria Frederico de Souza Finto - Filho de José Manoel de Souza Pinto, nasceu na cidade do Porto a 29 de março de 1806 e falleceu brazileiro por naturalisação na cidade de Vassouras, do actual estado do Rio de Janeiro, em outubro de 1854. Fez o curso de sciencias sociaes e jurídicas em S. Paulo, onde recebeu o grau de bacharel em 1833; estabeleceu-se na côrte como advogado, foi membro do Instituto da ordem dos advogados brazileiros, socio da sociedade Auxiliadora da industria nacional, socio benemerito da socidade Amante da instrucção, de cujas aulas foi director, etc. Antes de estudar direito foi empregado do commercio. Escreveu: - Ensaio sobre os prazeres da imaginação : obra do grande Ad- disson, vertida para a língua portugueza. Rio de Janeiro, 1827, 72 pags. in-4.° - Ernesto e Clara ou a heroina luzitana : drama em tres actos. Rio de Janeiro, 1828, 60 pags. in-4.° - Historia da Inglaterra desde a invasão de Julio Cezar até a morte de Jorge III. Rio de Janeiro, 1828, le tomo, 181 pags. in-4° - Não continuou a publicação, que supponho ser uma traducção de Hume. - Cathecismo de economia política ou instrucção familiar que mostra a maneira, pela qual as riquezas são produzidas, distribuídas e consumidas na sociedade, por João Baptista Say; traduzido da 3a edição. Rio de Janeiro, 1834, in-8.° JO 43 - Doutrina das acções, accommodada ao foro de Portugal com addições da Nova legislação do codigo commercial portuguez, do de- creto n. 24 de 16 de maio de 1832 e outros que deram nova face á administração de justiça, por José Homem Corrêa Telles : quarta edição correcta, consideravelmente augmentada e expressamente accommodada ao fôro do Brazil. Rio de Janeiro, 1841, in-4.° - Houve mais edições ; a sexta, feita com J. J. Pereira da Silva Ramos é de 1865, e a sétima de 1879, Rio de Janeiro. - Primeiras linhas sobre o processo orphanologico, por José Pe- reira de Carvalho : quarta edição corrigida, melhorada e augmentada com a legislação orphanologica do Brazil. Rio de Janeiro, 1840, in-8° - Nas edições anteriores, a primeira das quaes é feita no Rio de Janeiro em 1815 e as outras em Lisboa, não teve parte Souza Pinto. A sexta edição com a legislação brazileira é de 1851 ; a oitava adaptada ao fôro do Brazil por Souza Pinto, augmentada pelo Dr. J. J. Pereira da Silva Ramos, é de 1864-1865, 3 partes em 1 vol. in-8.° Ha uma edição, revista de accordo com a nova legislação bra- zileira, por Tristão de Alencar Araripe, 1879, in-8°, e nova edição, contendo as notas e addições do dr. José Maria Frederico de Souza Pinto, revistas e accrescentadas até o presente por Antonio Joaquim de Macedo Soares, 1880, in-8.° São todas estas do Rio de Janeiro. - Primeiras linhas sobre o processo civil brazileiro, seguidas de um completo indice systematico. Rio de Janeiro, 1850-1856, 5 tomos de 204, 152, 204, 130 e 354 pags. in-8° - O ultimo contém um indice de toda obra, e ha segunda edição, também de 5 tomos em tres volumes in-8°, feita no Rio de Janeiro em 1875. - Curso de direito cambial brazileiro ou primeiras linhas sobre as letras de cambio e da terra, notas promissórias e créditos mer- cantis, segundo o novíssimo codigo commercial. Rio de Janeiro, 1851, in-8.° José Maria Gomes de Souza-Filho de José Maria Gomes de Souza e irmão'do dr. Constantino José Gomes de Souza, de quem se tratou no 2o tomo deste livro, nasceu na cidade da Estancia, Sergipe, onde foi pharmaceutico pratico e depois inspector da thesou- raria provincial. Deixando o funccionalismo publico, esteve na Bahia e reside actualmente em Minas Geraes. E', como seu irmão, poeta e escreveu : - Estancianas: poesias. Bahia, 1868, in-8.° - Mocidade e velhice : poesias. Rio de Janeiro, 1892, 227 pags. in-8°- São 62 poesias offerecidas a seu irmão, e aos poetas sergipanos, 44 jro já fallecidos, Pedro de Calazães, Tobias Barretto e Joaquim Esteves da Silveira, todos commemorados neste livro. Abre-se o livro com uma poesia do dr. Embassahy ao autor. José Miaria Lislboa - Nascido em Lisboa a 18 de março de 1838, veio para o Brazil com 18 annos de edade e fez-se cidadão brazileiro. Tendo aprendido em sua patria a arte typogra- phica, aqui continuou a exercel-a, em S. Paulo, trabalhando na em- preza do Correio Mercantil de Joaquim Roberto de Azevedo Marques. Em 1859 passou a revisor, traductor e collaborador desta tolha, sub- stituindo por vezes o proprietário delia na gerencia. Em 1869 passou- se á cidade de Campinas para fundar a typographia da Gazeta de Campinas e ahi esteve até 1874 e, voltanda á capital, incumbiu-se da gerencia do jornal A Provinda de S. Paulo. Escreveu muitas corre- spondências politico-litterarias para a Gazeta de Portugal e para outros jornaes portuguezes e alguns trabalhos sob o pseudonymo Julio de Albergaria, como : - Cousas e lousas : livro humorístico. S. Paulo - Ainda no jornalismo fundou e redigiu com outros o periodico - Esperança. S. Paulo, in-fol. - Escreveu mais : - Almanak de Campinas para 1871. Anno Io. Campinas, 1870, in-8.° - Almanak de Campinas para 1872 (anno 2o), seguido do Alma- nak. do Amparo. Campinas, 1871, 192-64 pags. in-8.° - Almanak de Campinas para 1873 (anno 3o), seguido do Almanak do Rio Claro. Campinas, 1872, 150, 48, 72 pags. in-8° - Contém mais os artigos : Campinas em 1872, por Carlos Salles ; Estudos sobre o fallecido botânico nacional Joaquim Corrêa de Mello, por Quiri no dos Santos ; Estudos deste botânico sobre as plantas de Campinas; Elogio aos paulistas, por Américo Braziliense. - Almanak litterario da província de S. Paulo para 1876. (Anno 1° ) S. Paulo, 1875, 125 pags. in-8.° - Almanak litterario da província de S. Paulo para 1877. (Anno 2o ) S. Paulo, 1876, in-8.° - Almanak litterario da província de S. Paulo para 1878. (Anno 3° ) S. Paulo, 1877, in-8.° - Almanak litterario da província de S. Paulo para 1879. (Anno 4o ) S. Paulo, 1878, 269 pags. in-8° - Contém com frontis- pício especial a Guia medica ou resumo de medicações praticas para servir aos senhores fazendeiros na falta de profissionaes, pelo dr. Luiz Pereira Barreto ; oíferecido aos leitores do Almanak. JO 45 José Maria Lopes da Costa, 2o Barão de Pira- quara - Filho do commendador José Maria Lopes da Costa, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 30 de novembro de 1820 e aqui falleceu em 25 de abril de 1889, doutor em medicina pela faculdade deste cidade, grande do império, do conselho do Imperador e commendador da ordem da Rosa. Foi secretario daquella faculdade e por ultimo di- rector da secretaria de estado dos negocios da guerra. Escreveu : - Dos caracteres physicos e chimicos dos hydracidos e dos oxacidos de enxofre; Da commoção e compressão cerebraes, seu diagnostico differencial e tratamento; Das aguas potáveis que abastecem a cidade do Rio de Janeiro e seus arrabaldes; quaes suas qualidades á nascençx ; como se apresentam no consumo e a que causas são devidas as differenças : these apresentada ã faculdade de medicina do Rio de Janeiro e sustentada em 1 de dezembro de 1852. Rio de Janeiro, 1852, 32 pags. in-4° gr. - Noticia histórica da imperial irmandade do Divino Espirito Santo da Lapa do Desterro, pelo provedor, etc. Rio de Janeiro, 1873, in-8.° José Maria Mafra -Filho de José Maria Mafra e dona Minervina Pereira de Nazareth Mafra, nasceu a 25 de janeiro de 1845 na cidade do Rio de Janeiro, onde foi professor adjunto das escolas publicas de 1863 a 1865. E' actualmente offlcial da secretaria da camara dos deputados e escreveu : - Promptuario da legislação eleitoral. Rio de Janeiro, 1891,in-8° - Refere-se ao processo eleitoral promulgado pelo decreto de 26 de junho. - Apontamentos sobre a discussão e promulgação da constituição e da eleição e posse do primeiro presidente da Republica. Rio de Janeiro, 1891, 41 pags. in-8.° José Maria Marinho da Silva - Natural do Rio Grande do Sul, onde nasceu a 24 de maio de 1848, é coronel da arma de cavallaria, tendo feito o respectivo curso pelo regulamento de 1874, cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha de mérito, etc. Sendo instructor de cavallaria da escola militar desta capital, escreveu : - Instrucçoes para cavallaria. Rio de Janeiro, 1890, in-4° - O livro é dividido em tres partes : a primeira de XXIII-153 pags. ; a segunda de 59 pags. ; a terceira de 64 pags. com mais 8 de indice. A organisação das manobras com os aperfeiçoamentos de precisão e alcance, modernamente applicados á arma, é escripta de um modo facil, bem delineado, como é necessário para o ensino. ao 46 José Maria Moreira Guimarães - Filho de Ru- fino Alves da Cruz Guimarães e dona Ignacia Maria da Assumpção Guimarães, nasceu na cidade de Laranjeiras, Sergipe, a 4 de novem- bro de 1864, e é capitão de artilharia do exercito, tendo feito o curso desta arma na escola militar do Rio de Janeiro. Proclamada a repu- blica, exerceu o cargo de ajudante de ordens do governador de Ser- gipe ; depois, em 1891, foi nomeado constructor da secção de artilharia da escola pratica do exercito, para isso sujeitando-se ao respectivo concurso; em 1892 foi secretario da commissão technica militar con- sultiva, e em 1894 fez parte da commissão que foi á Europa para fazer acquisição de materiaes bellicos. E' um offlcial distincto, tanto pelo seu caracter, como por sua intelligencia e applicação. Escreveu : - Noções de artilharia. Berlim, 1894, in-8°- E' um trabalho destinado ás escolas praticas do exercito, escripto quando esteve na commissão, a que me referi, na Europa. Tem a publicar : - Estudos militares - E' um livro de critica militar e de orga- nisação de serviços para a regularisação do do tiro de artilharia. Redigiu : - O Laranjeirense. Laranjeiras- E' uma folha de propaganda republicana, que passou a chamar-se Republicano, depois da quéda da monarchia, sob a redacção do dr. Felisbello Freire, no qual publicou Guimarães : - Atravez dos vidros: series de escriptos litterarios - Final- mente fez parte da redacção do - Archivo da Commissão technica militar consultiva. Rio de Ja- neiro, 1892-1893. José Maria d.o Nas cimento - Filho de José Maria do Nascimento e dona Maria Soares do Nascimento, nasceu no Rio de Janeiro a 29 de agosto de 1831 e falleceu na cidade de Belém, capital do Pará, a 16 de janeiro de 1892, sendo capitão de mar e guerra refor- mado, commendador da ordem da Rosa, cavalleiro da de Aviz, e con- decorado com a medalha da esquadra em operações no Rio da Prata em 1852 e a da campanha do Paraguay. Serviu por muito tempo na repartição hydrographica e escreveu : - Annuncio hydrographico sobre o banco que existe a O. das ilhas de Hornos, traduzido do francez (ministério da marinha). Rio de Janeiro, 1873, 20pags. in-8.° - Lista alfabética dos navios de guerra e mercantes do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1886. JO 47 José Maria de Noronha Feital - Filho do capi- tão José de Noronha Feital e dona Thereza Ignacia de Noronha Feital, nasceu em Cantagallo, Rio de Janeiro, a 2 de fevereiro de 1818 e fal- leceu a 15 de julho de 1873. Era doutor em medicina pela faculdade desta cidade, oppositor da secção medica da mesma faculdade, cirur- gião de esquadra capitão de mar e guerra graduado, medico da escola de marinha, membro honorário da imperial Academia de medicina, official da ordem da Rosa, cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz e da de Christo. Entrando para o corpo de saude da armada a 3 de abril de 1840, exerceu muitas commissões importantes, como a de delegado do cirurgião-mór da armada na província da Bahia, a de chefe de saude da esquadra brazileira nas aguas platinas, etc. Escreveu : - Algumas proposições em medicina : these apresentada e susten- tada, etc. no dia 18 de dezembro de 1839. Rio de Janeiro, 1839, in 4.° - Pneumonias secundarias: these de concurso da cadeira de cli- nica interna, etc. Rio de Janeiro, 1866, 33 pags. in-4.° - Duas palavras sobre as febres intermittentes paludosas e seu antagonismo com a phtisica pulmonar: these de concurso a um logar de substituto da secção de sciencias medicas. Rio de Janeiro, 1852, 39 pags.in-4.0 - Algumas palavras sobre a febre amarella e seu contagio : these apresentada para o concurso de oppositor da secção de sciencias me- dicas. Rio de Janeiro, 1859, 74 pags. in-4°- Sobre a febre amarella e sobre as febres palustres fez o autor muito estudo e escreveu um pa- recer em commissão nomeada para examinar os primeiros casos que se diziam de febre amarella em 1849, com os drs. José Pereira Rego, Francisco Julio Xavier, Bompani e Lallemann, o qual foi publicado nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 5o, pags. 89 a 92, e ainda oS dous trabalhos seguintes : - Memória sobre as medidas conducentes a prevenir e atalhar o progresso da febre amarella. Rio de Janeiro, 1850, 22 pags. in-8.°- Sahiu antes publicado nos mesmos Annaes, pags. 116 a 118 e 133 a 138. - Antagonismo das febres paludosas com a phtisica pulmonar. As febres intermittentes, sua causa, natureza o tratamento. Febres inter- mittentes e paludosas - Nos mesmos Annaes, tomo 9o, pags. 44, 85, 120 e 131 e segs. - Analyse do estado dos alimentos no mercado ou exposição dos meios propriospara se conhecer as substancias, com que se melhoram, augmentam, falsificam, etc. Rio de Janeiro, 1841, 23 pags. in-8.°-Este opusculo foi reimpresso em 1885 por um irmão do autor, no Rio de Janeiro. 48 JO - Duas palavras sobre a homoeopathia. Rio de Janeiro, 1846, 12 pags. in-4° - Duas palavras sobre a homoeopathia: segunda publicação, offe- recidaao Illm. Sr. Dr. J. V. Torres Homem. Rio de Janeiro, 1846, 12 pags. in-4.°- Sobre o assumpto escreveu ainda este trabalho : - Golpe de vista sobre a homoeopathia : Hahneman, seus erros e contradicções; contradicções de Hahnemann com seus discípulos ; his- toria da homoepathia entre nós ; seu augmento e polemica - Nos An- naes Brasilienses de Medicina, tomo 7o da primeira numeração ou tomo 19° da actual, 1851-1852, pags. 220 e 227. - Memória sobre as feridas penetrantes do peito. Rio de Janeiro, 1847 ( ?). - Discurso pronunciado na Academia imperial de medicina, na discussão da memória do dr. Paula Cândido sobre a penetração do ar nas artérias. Rio de Janeiro, 1847, in-8.° - Noticia sobre o hospital de marinha, moléstias que ahi são mais frequentes, sua mortalidade e estatística desde o seu estabelecimento em 3 de maio de 1834 até fins de 1847. Rio de Janeiro, 1848, 15 pags. in-8.° - O soffrer do medico, ensaio poético, dedicado a S. M. o Impe- rador e em sua augusta presença lido na imperial Academia de medi- cina. Rio de Janeiro, 1848, 19 pags. in-8.° - Elogio historico - do dr. José Maria Bomtempo, composto e offerecido á sua illustre familia. Rio de Janeiro, 1849, 15 pags. in-8° - Sahio antes no Archivo Medico Brazileiro, tomo 4o, pags. 116 a 119. - A pneumonia trawnatica. Rio de Janeiro, 1865, 8 pags. in-4.° - Escriptos médicos, Io volume. Rio de Janeiro, 1849, 186 pags. in-8°- Consta de trabalhos já publicados até essa data. Collaborou na Revista Medica Fluminense, na Gazeta dos Hospitaes e principalmente nos Annaes de Medicina, já citados, de que foi redactor dous annos, dos vols. 9o e 10°. Dentre os escriptos ahi publicados depois, citarei: - Considerações medico-praticas sobre o estupôr, as convulsões, o tétano e o delirio traumáticos: memória - no tomo 14°, 1862-1863, pags. 217 e 231 e segs. - A belladona è narcotico 'l leitura académica - No tomo 15°, 1863-1864, pags. 92 e 137 e segs. José Maria Pereira de Campos- Tenente-coro- nel do corpo de engenheiros, falleceu pelo anno de 1870 no Rio Grande JO 49 do Sul. Tinha o curso da arma pelo antigo regulamento de 1810 e era cavalleiro da ordem de Christo. Escreveu : - Exploração dos rios, lagos e bahias da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul - Foi publicada em annexo ao relatorio do presi- dente Dr. Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello, depois Barão Homem de Mello. De varias cartas geographicas que levantou, citarei: - Croquis da carta da província ( do Rio Grande do Sul) para servir ao artigo « Meios defensivos dos Ensaios », traçado em outubro de 1847 pelo 1° tenente do imperial corpo de engenheiros, etc., empre- gado na Estatística desta província. 0m,453 X 0m, 623- O original á traço de penna, escala de 20 léguas portuguezas, pertence ao Ar- chivo militar e esteve na exposição de historia patria de 1880. José Maria Pinto Peixoto - Natural de Minas Ge- raes, segundo afflrma o dr. J. Felicio dos Santos, ou de Portugal como querem outros, e offlcial do exercito, subiu ao elevado posto de te- nente general, em que falleceu no Rio de Janeiro a 5 de maio de 1861, condecorado com a venera da ordem de S. Bento de Aviz. Era mare- chal de Campo e geral dos guardas municipaes da côrte por occasião dos movimentos políticos de 1831, quando escreveu : - Relatorio dirigido ao ministro da guerra sobre os rebeldes da ilha das Cobras no dia 7 de setembro de 1831. Rio de Janeiro ( sem data) in-fol. José Maria Pinto Peixoto, 3o - Filho do prece- dente, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 4 de novembro de 1825 e falleceu a 13 de janeiro de 1879. Tendo feito um curso de humanidades e do commercio, dedicou-se á diplomacia, servindo como addido e secretario de legação na Europa e na America, e pediu depois exone- ração, em 1855. Era moço fidalgo da casa imperial, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, commendador da ordem de Christo e escreveu na imprensa diaria vários trabalhos sobre : - A livre navegação do Paraná ; Abertura do Amazonas ; Questão com o Paraguay por occasião da missão Pedro Ferreira; Questão de propriedades brazileiras no Estado Oriental, etc.- Não posso por agora precisar onde publicou-os. - Duas palavras sobre D. Pedro Io na época da independência - Na Revista do Instituto historico, tomo 56°, parte 2a, pags. 7 a 33 - E' uma serie de artigos publicados no Mercantil de Petropolis, por occasião de inaugurar-se a estatua equestre do fundador do império, oíferecidos ao Instituto historico. .TO 50 José Maria <la Silvia Paranhos, 1° Visconde do Rio Branco-Filho de Agostinho da Silva Paranhos e de dona Jo- sepha Emerenciana Barreiro Paranhos, nasceu na cidade da Bahia a 16 de março de 1819 e falleceu no Rio de Janeiro a 1 de novembro de 1880, sendo grande do império, conselheiro de estado effectivo, do conselho de sua magestade o Imperador, senador pela provincia de Matto-Grosso, professor jubilado da escola politechnica, professor ho- norário da academia de bellas artes, major honorário de exercito ; grão-mestre do Grande Oriente do Brazil, presidente do Montepio de economia dos servidores do estado, presidente do Montepio agrícola, commendador da ordem da Roza, dignitário da do Cruzeiro, grã-cruz da ordem franceza da Legião de honra, das ordens portu- guezas da Villa-Viçosa e de Christo, das ordens russianas da Aguia- branca e de Sant'Anna (de Ia classe), da ordem austríaca de Leo- poldo (de Ia classe), da ordem hespanhola de Carlos III e da ordem italiana de S. Maurício e S. Lazaro ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro e da Academia real dás sciencias de Lisboa ; membro honorário da « British and Foreign antí-sclavery society », membro e vice-presidente do Instituto politechnico ; membro e pre- sidente da sociedade Auxiliadora da industria nacional, etc. Sendo guarda-marinha e tendo feito o curso da respectiva escola, ahi leccio- nou como substituto. Continuou o curso de mathematicas na escola militar, de que foi lente substituto e depois cathedratico, e serviu o cargo de director em sua reorganisação sob a denominação de escola central. Foi secretario da missão especial encarregada ao Marquez do Paraná em 1851 ao Rio da Prata, passsando a ministro residente no anno seguinte, e foi por vezes nomeado plenipontenciario e enviado extraordinário nas republicas Argentina, do Uruguay e do Paraguay, sendo quem concluiu em 1865 o accordo da questão pendente, havia longos annos; foi quem firmou depois o accordo para organisar-se um governo provisorio no Paraguay, por cuja occasião escreveu dous memoranda, considerados como modelos no genero, e íinalmente, o accordo preliminar da paz. Foi presidente do Rio de Janeiro ; deputado por essa provincia, pelo município neutro e por Sergipe; foi ministro da marinha de 15 de dezembro de 1853 a 14 de junho de 1855, ministro dos estrangeiros desta data a 4 de maio de 1857, cabendo-lhe a gloria de protestar contra actos violentos do cruzeiro inglez, protesto a que com elogio se referiram vários membros da camara dos lords, entre os quaes k rd Malmesbury, e occupou essa pasta depois por varias vezes, assim como a da guerra de 12 de dezembro de 1858 a 12 de feve- eiro de 1859 e de 7 de março a junho de 1871. Organisando o gabi- JO 51 nete de 7 de março de 1871, no qual occupou a pasta da fazenda, nelle conquistou seu maior titulo de gloria, a reforma do elemento servil que com ingente esforço realisou com a promulgação da lei de 28 de setembro deste anno, facto que levou o Instituto historico a resolver que fosse seu busto collocado na sala das sessões por pro- posta do dr. Sacramento Blake. Na Bahia estã assignalada a casa, em que nasceu, com as datas de seu nascimento e obito; acha-se seu retrato na sala principal da thesouraria geral com uma inscripção honrosa, e na igreja do Bomflm, na sacristia, vê-se um quadro em que elle é representado em frente a imagem de Christo, tendo na mão direita a lei de 28 de setembro que aperta ao coração ao passo que com a esquerda aífaga uma escrava que, como outras, lhe apresenta os filhinhos livres do captiveiro. Escreveu : - 0 Novo Tempo: folha politica e litteraria. Rio de Janeiro, 1844- 1845, in-fol. - Sahiu esta folha de 16 de fevereiro daquelle anno a 22 de fevereiro deste, e foi sua estréa no jornalismo, da qual sahiu-se co- berto de gloria. - O Marimbomdo : jornal político, joco-serio. Rio de Janeiro, 1849, in-4°. - Teve ahi por companheiro Luiz F. de Murinelli. Já então havia Paranhos assumido â principal redacção do Mercantil, em sua segunda phase, 1848, quando esta folha passou a denominar-se Correio Mercantil, tendo por companheiro Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto. No mesmo anno de 1849, começou a escrever no Jornal do Commercio as - Cartas de um amigo auzente - nas quaes, em estylo gracioso, propõe melhoramentos que depois vieram a realisar-se. Em 1851, entrou para a redacção do grande orgão da imprensa brasileira e dessa época em diante o que escreveu no jornalismo poderia bem encher grossos volumes. - Projecto de codigo criminal militar, confeccionado pela com- missão de legislação do exercito, composta do dr. Thomaz Alves Júnior, conselheiro José Maria da Silva Paranhos e coronel Antonio Pedro de Alencastro. Rio de Janeiro, 1864, in-8.° - A convenção de 20 de fevereiro demonstrada á luz dos debates do senado e dos successos de Uruguayana. Rio de Janeiro 1865, 304 pags. in-8°.- E' um trabalho completo, plenamente baseado em documentos. E' notável a circular que foi dirigida ao corpo diplomá- tico residente em Buenos-Ayres e Montevidéo a 26 de janeiro deste anno, expondo o estado da questão e os justos motivos da attitude do Brazil, nota a que o conselheiro Zacarias, seu adversário político fez no senado muitos elogios. 52 JO - Discurso do ministro e secretario de estado dos negocios estran- geiros. Rio de Janeiro, 1855, 51 pags. in-8.° - Discurso do ministro da fazenda, proferido na camara dos depu- tados em sessão de 27 de junho de 1861. Rio de janeiro, 1861, 19 pags in-8®. - Discurso pronunciado na sessão (da Camara dos Deputados) de 14 de julho da 1862 sobre a politica externa. Rio de Janeiro, 1862, 17 pags. in-fol. - Proposta do governo sobre a reformado estado servil. Rio de Ja- neiro, 1871, 44 pags. in-8°.- E' o seu discurso de 14 de julho, também publicado em francez e reproduzido no livro « Discussão da reforma do estado servil », tomo Io, pags. 164 a 195, e na collecção com o titulo : - Sessões legislativas de 1870 e 1871. Discursos proferidos no senado em 1870, sendo ministro dos negocios estrangeiros, e nas duas casas do parlamento, sendo presidente do conselho de ministros. Rio de Janeiro, 1872, 623 pags. in-8°.-Creio que é trabalho do Visconde do Rio Branco, ao menos é de iniciativa sua e por elle revista a - Discussão da reforma do estado servil na camara dos deputados e no senado, 1871. Rio de Janeiro, 1871, duas partes, 315 e 586 pags. in-4° e mais 160 de um Appendice á 2a parte. - Questão religiosa : discurso proferido no senado em sessão de 17 maio de 1873. Rio de Janeiro, 1873, in-4° - Refere-se á questão reli- giosa em Pernambuco. - Voto de graças : discurso etc., em sessão de 9 de junho de 1873 sobre o voto de graças. Rio de Janeiro, 1873, in-4.° - Companhia de navegação do Amasonas: discurso proferido na sessão (do senado) de 10 de outubro de 1877. (Rio de Janeiro, 1877) in-4.° - A medalha Eawkshaw : discurso proferido na presença de SS. MM. II. na sessão de 13 de novembro de 1877 do Instituto poli- técnico. Rio de Janeiro, 1877, 13 pags. in-4.° - Discurso proferido no Instituto politechnico brazileiro na sessão de 13 de novembro de 1877. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° - Discurso pronunciado na abertura da sessão da assembléa geral da sociedade Auxiliadora da industria nacional etc., a30 de outubro de 1867 - No Auxiliador da Industria, novembro de 1867. Ha vários relatórios seus como ministro de estado, presidente de província, pre- sidente do Montepio dos servidores do estado e presidente de asso- ciações litterarias, dos quaes citarei o - Discurso - publicado no livro que tenho à vista « Sessão anni- versaria da sociedade Auxiliadora da industria nacional etc., em 30 de JO 53 outubro de 1863 », in-4°, pags. 6 a 21. O Visconde do Rio Branco deixou inéditas : - Notas de viagem e memórias intimas - Trabalho que pro- jectava dar á luz. Consta mais que escreveu em Paris, em resposta a um Relatorio do cônsul inglez no Rio de Janeiro, um trabalho que, traduzido para o inglez, fez distribuir em Londres. José Maria da Silva Paranhos, 2o Barão do Rio Branco - Filho do precedente e de dona Thereza de Figueiredo Para- nhos, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 30 de abril de 1845. Depois de cursar seis annos o collegio de Pedro II com todas as approvações, não quiz receber o gráo de bacharel, porque não quiz que prevalecessem estas para entrar no curso juridico a que se destinava ; assim, sujeitando-se a novos exames de todos os pre- paratórios, começou o curso de direito na faculdade de S. Paulo e foi concluil-o na do Recife, onde recebeu o respectívo gráo. Foi deputado por Matto Grosso em duas legislaturas, de 1869 a 1875, e exerceu vários cargos no estrangeiro, como o de delegado do governo imperial na exposição internacional de horticultura de São Petersburgo, em 1884; de cônsul geral do Brazil em Liverpool, e super-intendente geral da immigração na Europa, de que pediu exoneração a 19 de março de 1892, sendo elogiado pelo Minis- tério da agricultura, viação e obras publicas. Depois, nomeado mi- nistro plenipotenciário e enviado extraordinário perante o governo dos Estados Unidos da America do Norte no processo de arbitragem da secular questão de limites, a questão das Missões, entre o Brazil e a Republica Argentina, desempenhou essa commissão cobrindo-se de gloria e com inolvidável gratidão dos brazileiros, tendo para isto apre- sentado documentos novos, posto que antiquíssimos, que descobriu nos archivos da Hespanha e até da França. Foi um delles a fiel reproducção de um dos dous exemplares primitivos do mappa manu- scripto de 1749, que foram preciosamente guardados no deposito geo- graphico do ministério dos negocios estrangeiros da França, do qual apresentou elle um fac-simile do mesmo tamanho e colorido do origi- nal, sendo esses exemplares que, assignados pelos representantes de Portugal e da Hespanha, serviram de governo para o ajuste do tra- tado de demarcação de limites de 1750, da demarcação de 1759-1760 e do tratado de 1777. Moço fidalgo da extincta casa imperial, é socio do Instituto historico e geographico brazileiro e de varias associações de lettras ; dignitário da ordem da Rosa ; ofhcial da ordem franceza de Legião de honra, da ordem da Corôa da Italia e da de Leopoldo, 54 JO da Bélgica; cavalleiro da ordem portugueza de Christo, e condecorado com a segunda classe e placada ordem de Santo Estanisláo, da Rússia. Desde estudante deu-se com esmero ao estudo da historia patria, e escreveu: - Episodios da guerra do Prata (1825-1828) - Foi publicado este trabalho na « Revista Mensal do Instituto Scientiflco de S. Paulo», que viveu de 1862 a 1866. Nunca pude vel-a. - Luiz Barroso Pereira- Na Revista Popular, tomo 13°, anno 4o, pags. 206 a 212 -E' uma biographia do bravo capitão de fragata, commandante da fragata Imperatriz, morto na abordagem desse navio pelo almirante Brown no porto de* Montevidéo a 28 de abril de 1826. Estudava o autor preparatórios quando a escreveu. - Esboço biographico do general José de Abreu, Barão do Serro Largo - Na Revista do Instituto historico, tomo 31°, 1868, parte 2a, pags. 62 a 135. E' também escripto do tempo de estudante. Ahi, disse o dr. A. M. Perdigão Malheiros, « não se lê apenas uma biographia, e menos um esboço, e sim, a largos traços, episodios inte- ressantíssimos de nossas guerras no Rio da Prata; nem é uma sim- ples narração, nem a reproducção irreílectida do que a tal respeito já se acha publicado. A investigação histórica e a critica presidiram a esse trabalho, onde se tiram a limpo alguns pontos duvidosos e outros mal apreciados ou não investigados». Ahi se trata de pontos de historia até então ignorados. - A guerra da tríplice alliança (Império do Brazil, Republica Argentina e Republica Oriental) contra o governo da Republica do Paraguay, por L. Schineider, traduzida do allemão por Manoel Thomaz Alves Nogueira e annotada por J. M. da Silva Paranhos. Rio de Janeiro, 1875-1876; dous volumes, 569 e 714 pags. in-4° - Disse o Visconde de Taunay, referindo-se ás annotações de Paranhos» que este « enxertou uma obra preciosa, exacta e nova naquelle livro, escripto com as melhores informações, mas infelizmente eivado de in- exactidões e de erros». Destas annotações foi o dr. Paranhos incum- bido pelo Ministério da guerra. Leio em apontamentos que possuo de 1881 que elle já tinha promptas as annotações do 3° volume do livro, que abrange épocas desde o ataque de Curupaity até a quéda de Humaytá, e tinha em mãos as do 4° volume, até a terminação da guerra. - Le Brèsil à 1'exposition Internationale de S. Petersburg. São Petersburgo, 1884, in-4° - Começa o livro com uma breve noticia do Brazil e considerações acerca deste paiz sob diversos aspectos; segue-se uma exposição escripta pelo dr. F. J. de Sant'Anna Nery e annotada JO 55 pelo dr. Paranhos acerca do café brazileiro ; depois o relatorio da exposição brazileira, terminando com uma noticia sobre o café, es- cripta em francez e em russo. E' um trabalho apresentado pelo autor na qualidade de delegado do governo imperial na exposição. O dr. Paranhos teve parte na obra. - Le Brêsil, par E. Levasseur, avec la collaboration de MM. de Rio Branco, Eduardo Prado, d'Ourén, Henry Gorceix, Paul Maury, E. Trovessart et Zaborowski, etc. Paris, 1889. - Le Brèsil en 1889 avec une carte de 1'empire en chromoli- thographie des tableaux statistiques, etc.: ouvrage publiée par les soins du syndicat du comité franc-brésilien pour 1'exposition univer- selle de Paris, avec la collaboration de nombreux écrivains du Brésil sous la direction de Mr. F. J. de Sant'Anna Nery. Paris, 1889, 718 pags. in-4.° - Ephemerides brazileiras. Rio de Janeiro, 1893 - Sahiu antes no Jornal do Commercio - O dr. Paranhos tem vários trabalhos escripto no consulado de Liverpool, como: - Navegação e commercio entre o Brazil e os portos da depen- dencia do consulado geral do império em Liverpool, no anno de 1876-1877 - no livro « Informações dos agentes diplomáticos e con- sulares do império, publicadas etc. ». Tomo 4o, America e Europa. Annos de 1876-1877. Rio de Janeiro, 1880, pags. 328 a 397. José Maria Teixeira - Filho de Antonio Maria Tei- xeira e nascido no Rio de Janeiro a 30 de setembro de 1854, falloeeu a 28 de maio de 1895, doutor em medicina e lente de pharmacologia da faculdade desta cidade, presidente da commissão sanitaria e mem- bro do conselho superior de hygiene; membro titular da Academia nacional de medicina, e por esta academia laureado com uma medalha de honra, só a elle conferida; membro da sociedade franceza de hygiene e cavalleiro da ordem da Rosa. Exerceu varias commissões por occasiões de epidemias, sendo a primeira na provincia, hoje estado, do Ceará, quando acabava de receber o grào de doutor, e duas fóra da capital, na cidade de Vassouras e em Campinas. Escreveu: - Da mortalidade na cidade do Rio de Janeiro ; Infanticídio ; Do thrombo vulvo vaginal; Hypoemia inter-tropical: these apresen- tada á Faculdade de Medicina para receber o gráo de doutor. Rio de Janeiro, 1876, 126 pags. in-4° gr. - Theoria das radicaes : these de concurso para a cadeira de physica e chimica do Internato do coliegio Pedro II. Rio de Janeiro, 1880, 62 pags. in-4.° 56 JO - Dupla refracção: these de concurso para a cadeira de physica do imperial collegio Pedro II. Rio de Janeiro, 1884, 104 pags. in-4°. - Das incompatibilidades em pharmacologia : these de concurso â cadeira de pharmacologia e arte de formular. Rio de Janeiro, 1885» 162 pags. in-4.° - Classificação e nomenclatura pharmaceutica ; Radicaes ; Velo- cidade e intensidade da luz ; Areometros : provas escriptas de con- cursos. Rio de Janeiro, 1886; 91 pags. in-4.° - Estudos sobre a febre amarella, em 1877, observada no Hospital marítimo de Santa Isabel : Memória apresentada á Academia impe- rial de Medicina. Rio de Janeiro, 1880, 122 pags. in-4° - Sahiu antes nos «Annaes» da academia, tomo 30°, 1879-1880, pags. 31, 185, 326 e 518, e tomo 31° pag. 41. - Epidemia de Vassouras em 1881 (febre amarella) : Relatorio apresentado ao Ulmo, e Exmo. Sr. Dr. Antonio Correia de Souza Costa, presidente da Junta de Hygiene, pelo.... medico commissionado pelo goverdo imperial. Rio de Janeiro, 1882, 26 pags. in-fol.- Sahiu nos mesmos Annaes, neste anno, e como o dr. Affonso Pinheiro fizesse na academia algumas «Reflexões sobre o trabalho do Dr. Teixeira», escreveu ainda este : - Febre amarella em Vassouras. Rio de Janeiro, 1881. Resposta ás « Reflexões » do dr. Affonso Pinheiro, etc.-No tomo 34°, 1882-1883; pags. 209 a 240. - O salicylato de sodio na febre amarella : memória apresen- tada á Academia imperial de medicina do Rio de Janeiro e lida nas sessões de 17 e 24 de maio de 1880 - Foi publicada na mesma revista e mesmo tomo, pags. 1 a 81. - Caracteres da febre amarella em 1883 - Nos ditos Annaes, 1884-1885, pags. 29 a 57. - Discurso lido ao receber o prémio conferido á sua memória «Mortalidade das crianças no Rio de Janeiro» - Idem, 1886-1887, pag. 69 e seguintes. - A epidemia (de febre amarella) de Campinas em 1889. Rela- torio apresentado ao governo, etc. Rio de Janeiro, 1890, in-8°- Também publicado nos ditos Annaes, 1889-1890, pag. 159 e seguintes - Acerca da febre amarella e de outros assumptos médicos ainda ha nesta revista vários trabalhos do dr. Teixeira. - Causas do augmento das lesões cardíacas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1886. - Causas da mortalidade das crianças no Rio de Janeiro: me- mória apresentada á Academia imperial de medicina, em resposta a JO 57 esta questão, posta a prémio em sessão de 6 de julho de 1886, e lau- reada com o primeiro prémio em sessão magna de 30 de julho de 1887. - Nos «Annaes Brazilienses de Medicina », 1887-1888, pags. 249 a 526 (277 paginas). Este trabalho foi publicado em volume especial no Rio de Janeiro, 1888. O autor, ao receber o prémio, pronunciou um discurso, que também foi publicado nos Annaes no mesmo volume, pag. 69 e seguintes. - A febre amarella nas crianças. Rio de Janeiro, 1895.-E' se- gunda edição, feita depois da morte do autor, de um trabalho publicado no Jornal do Commercio. José Maria <Ia Trindade-Filho de Manoel dos San- tos Firmo de Jesus e dona Maria Antonia da Silva, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, a 30 de maio de 1828 e falleceu a 3 de dezem- bro de 1893, bacharel em direito pela faculdade de Olinda, contador aposentado do thesouro nacional, commendador da ordem da Roza e da ordem portugueza da Conceição de Villa "Viçosa, socio do Conser- vatório dramatico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, etc. Entrou para thesouraria de fazenda de Pernambuco em 1850, durante seu tirocínio académico, porque precisava de meios para manter-se e para estudar, e do logar, que exercia, de amanuense dessa repartição subiu successivamente á diversos outros, desempe- nhando commissões importantes como a de inspector da thesouraria do Rio Grande do Sul, inspector da alfandega da Bahia e da do Rio de de Janeiro, sendo aposentado no logar de contador do thesouro em 1878. O governo elogiou-o pelos relevantes serviços prestados ao estado durante sua carreira de funccionario publico. Escreveu : - Instrucções de direito publico ecclesiastico circa sacra por Xa- vier Goneiner, traduzidas e acompanhadas de algumas notas para illustração do escripto do autor. Recife, 1849, 56 pags. in-8°-Neste trabalho, feito quando estudava em Olinda, teve a collaboração de outros collegas de academia. - índice dos terrenos de marinha, Recife, 1852, in-8°- Não vi este escripto que foi depois ampliado com o titulo : - Compilação de todas as disposições sobre o aforamento dos ter- renos da marinha no Brazil desde 1820 até 1853, illustrada com um indice alphabetico das mesmas disposições. Rio de Janeiro, 1854» 82 pags. in-8.° - Collecção de disposições regulamentares acerca da arrecadação, fiscalisação e escipturação do imposto do sello desde 1850 até 1855 por empregado da thesouraria de fazepda de Pernambuco, Per- 58 JO nambuco 1856, 92 pags. in 8° com o o modelo do livro de receita do imposto do sello - No fim do livro se lê « Fim da Ia parte». - Collecção de apontamentos jurídicos sobre as procurações extra-judiciaes, seguida da recapitulação das disposições doutrinaes acerca das mesmas procurações, etc. Pernambuco, 1855, 115 pags. in-8°-Esta obra foi recebida com applausos e teve segunda edição, muito augmentada com o titulo : - Collecçdo de apontamentos jurídicos sobre as procurações extra-judiciaes com a recapitulação das disposições doutrinaes acerca das mesmas procurações e addições á parte segunda dos Apontamentos jurídicos acerca das procurações extra-judiciarias por* • empregado do Thesouro nacional. Rio de Janeiro, 1862, 671 pags. in-8.° José Maria Vaz I^into Coelho cia Cunha- Filho de José Maria Pinto Coelho e dona Maria Claudia Vaz e irmão de Antonio Vaz P. Coelho da Cunha, mencionado no Io volume deste livro, nasceu na cidade de Sabará, Minas Geraes, a 19 de maio de 1836, e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 20 de agosto de 1894, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo e substituto do juizo seccional. Depois de formado serviu cargos de magistratura e foi juiz de direito na Parahyba, onde depois dedi- cou-se á advocacia. Foi deputado á assembléa provincial no antigo império e gozou da reputação de muito distincto jurisconsulto e litte- rato. Escreveu : - O Progresso do Brazil no século XVIII até a chegada da famí- lia real: these. Rio de Janeiro, 1858. - Echos pátrios ou trabalhos da sociedade « Amor e Patria », esta- belecida em Pitanguy, escríptos pelos membros da commissão da mesma sociedade Dr. José Maria Vaz Pinto Coelho e José Carlos Bar- bosa. Rio de Janeiro, 1865, 28 pags. in-4.° - Advogado e rabula. Matérias colligidas para estudos. S. Paulo, 1873, 285 pags. in-8.° - Ao correr da penna. Rio de Janeiro, 1874, in-8°-Neste livro mencionam-se diversos escriptos do conselheiro José Martiniano de Alencar, precedendo-os uma serie de noticias criticas, extrahidas de varias fontes. - A pluralidade dos mundos habitados : estudos em que se ex- põem as condições de habitabilidade das terras celestes, discutidas sob o ponto da astronomia, da physiologia e da philosophia natural por Camillo Flamarion. Traducção da 23a edição. Rio de Janeiro, 1878, dous tomos, 260 e 233 pags. in-8.° ao 59 - Cancioneiro popular brasileiro. Io volume. O império e as re- gências, de 1822 a 1840. Rio de Janeiro, 1879, 207 pags. in-8°- São poesias até 1840. Não vi o 2o volume. - Poesias e romances do Dr. Bernardo Guimarães: estudo biblio- graphico. Rio de Janeiro, 1885, 225 pags. in-8.° - Questões do jury. Rio de Janeiro, 1884, 314 pags. in-8°- Pre- cedem o livro noticias da origem deste tribunal, de sua bibliographia, de sua primeira sessão no Rio de Janeiro, etc. - Os ingénuos da lei Rio Branco: compilação de todas as disposi- ções, que regulam este assumpto, acompanhada de um completo Ín- dice explicativo para facilidade de qualquer consulta á semelhante respeito e com o formulário de todos os actos, relativos a ingénuos. Rio de Janeiro, 1885, 119 pags. in-8.° - Legislação servil. Lei n. 3.720 de 20 de setembro de 1875; decreto n. 9.517 de 14 de novembro de 1885 approvando o regulamento para a nova matricula dos escravos de 60 annos de idade, arrolamento especial dos de 60 annos em diante, e apuração da matricula em execução do art. Io da lei; indice alfabético. Rio de Janeiro, 1886, 109 pags. in-8° com vários modelos. - Liquidação fiscal. Ordens e decisões do Thesouro nacional brazi- leiro. 1840-1885. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Execuções eiveis, commerciaes e hypothecarias : reperiorio da lei n. 3.272 de 5 de outubro de 1885 e regulamento de 23 de janeiro de 1886. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Credito movei. Decreto n. 165 de 17 de janeiro de 1890 sobre bancos de emissão. Rio de Janeiro, 1891, in-12.° - Os contribuintes e o fisco ou o consultor pratico dos collectores e collectados. Rio de Janeiro, (sem data) in-8.n - A lei sobre os crimes de destruição, damno, incêndio e outros : projectos, discussão, lei. 1873-1886. Rio de Janeiro, 1887, in-8°- Refe- re-se á lei n. 3.311 de 15 de outubro de 1886, com um indice alfa- bético. - Credito movei. Decreto n. 169 de 19 de janeiro de 1890; decreto n. 165 do mesmo mez e anno sobre operações de credito movei; regu- lamento para execução dos referidos decretos por ordem alfabética, com annotações. Rio de Janeiro, 1891, in-8.° - A revolução fluminense do Estado do Rio de Janeiro. Governo do Dr. Francisco Portella. Paginas unidas para a historia. Rio de Janeiro, 1892, in-8.° - Lasacassange : conto americano. Rio de Janeiro, 1862, 68 pags. in-12.° 60 JO - Da poesia popular brazileira. Rio de Janeiro, 1880, in-8.° - Os navegantes do XVIII século por J. Verne. Parte Ia e 2a Tra- ducção. Rio de Janeiro, 1880, dous tomos, 283 e 301 pags. in-8.° - Os viajantes do XIX século por Julio Verne. Traducção. Rio de Janeiro..., dous tomos in-8.° - A jangada (oitocentas léguas sobre o Amazonas): romance de J. Verne. Partes Ia e 2a. Traducção. Rio de Janeiro, 1881, dous tomos, 272 e 232 pags. in-8.° - A casa à vapor, Viagem atravez da índia septentrional por J. Verne. Traducção. Rio de Janeiro, 1881, dous tomos, 286 e 270 pags. in-8.° - O raio verde, seguido de Dez horas de caçada : romance de J. Verne. Traducção. Rio de Janeiro, 1883, in-8.° - Historia de uma parisiense: romance de Octavio Feuillet. Tra- dução. Rio de Janeiro, 1881, 176 pags. in-12.° - Narrações do infinito: Lumen; Historia de uma alma; Historia de um comêta. A vida immortal e eterna por Camillo Flammarion. Tra- ducção da 6a edição franceza. Rio de Janeiro, 1881, 461 pags. in-8.° - Subsídios para um Diccionario biographico de Mineiros notáveis - na Revista Sul Americana, vol. 1°, pag. 99, 1889. - Diccionario Brazileiro dos pseudonymos - que começou a ser publicado na Imprensa, jornal de Nitheroy 1891. O dr. Vaz Pinto Coelho publicou uma collecção de poesias do poeta mineiro Silverio Rodrigues de Carvalho, collaborou em periódicos de Minas Geraes, assim como na Revista Popular, no Correio Mercantil e no Diário Ofi- cial do Rio de Janeiro e tinha inéditos: - Trabalhos e documentos relativos á historia do Brazil, e prin- cipalmente de Minas Geraes-que devem existir em poder de algum parente ou amigo e publicou em revistas vários artigos, como: - O padre Domingos Simão da Cunha (Trovas mineiras) - na Bibliotheca Brazileira, tomo 1°, 1863, n. 1. - Aureliano de Souza Oliveira Coutinho-na Revista Popular, tomo 10°, 1861, pag. 65. - Manuel Alves Branco, Visconde de Caravellas - na mesma re- vista e no mesmo tomo pag. 321. - O Rio das Velhas (Sabará, Curvêllo, Santa Luzia e Caeté) na mesma revista, tomo 12° pags. 42 e 229, tomo 14° pag. 14, e tomo 15° pag. 171. José Maria Vellio Silva-Natural da cidade do Rio de Janeiro e nascido a 3 de março de 1811, é formado em medicina JO 61 pela antiga escola medico-cirurgica desta cidade, professor de rhe- torica, poética e litteratura no internato do Gymnasio nacional, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, membro corre spondente da sociedade de Sciencias medicas de Lisboa, membro da sociedade de Geographia e da Sociedade Auxiliadora da Industria nacional, caval- leiro da ordem da Roza e da de Christo. Depois de sua formatura exerceu a clinica na villa do Rio Bonito, e em Macahé. Escreveu : - Gabriella : romance brasileiro. (Chronica dos tempos coloniaes). Rio de Janeiio, 1875, 310 pags. in-8n-Teve segunda edição no Rio de Janeiro, 1886. - Sillabario ou compendio de leitura elementar para servir de introducção ao primeiro hvro da infancia ou exercício de leitura e lições de moral por Nuno Alvares. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° - Litteratura. Quarta epocha. Século XVII : these para o con- curso á cadeira de rhetorica, poética e litteratura nacional do Inter- nato do Collegio Pedro 2o. Rio de Janeiro, 1878, 51 pags. in-4.° - Lições de rhetorica para uzo da mocidade brazileira, precedidas de um prologo e de diversos pareceres. Rio de Janeiro, 1881,in-8°- Este livro foi approvado por aviso do ministério do império de 28 de janeiro de 1882. - Postillas de poética e litteratura nacional - Não foram im- pressas por se haverem supprimido as respectivas cadeiras. - Questões da actualidade. O novo Regulamento das academias por Asclepiades. Rio de Janeiro (sem data), in-4.° - Relatorio dos acontecimentos notáveis no anno lectivo do Col- legio Pedro 2o de 1883. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Discurso pronunciado na augusta presença de Suas Magestades Imperiaes, no imperial Collegio Pedro II, na collação de grãos de ba- charéis em lettras. Rio de Janeiro, 1880, 10 pags. in-8.° - Discurso pronunciado, etc., na collação de grãos de bacharéis em lettras. Rio de Janeiro, 1889, in-8° -Ha outros trabalhos iguaes. - Considerações geraes acerca da litteratura : proemio de um livro inédito - No Jornal do Commercio de 15 de maio de 1894. - Homens e factos da historia patria. Estudos biographicos, etc. Rio de Janeiro, 1895, 204 pags. in-8.° - Canto à Independencia do Brazil. Rio de Janeiro, 1868, 12 pags. in-8.° - Dircêo : poema - que tem por protogonista o mavioso e in- feliz poeta Thomaz Antonio Gonzaga. Este poema nem foi concluído. O autor, depois de ter escripto o quarto canto, foi ferido de prefundo golpe com a morte de sua esposa e deixou por isso de terminal-o. 62 JO O terceiro canto, entretanto, foi publicado na Revista Brazileira, tomo 3o, 1880, pags. 410 a 420, e muito antes, em 1867, nas « Me- mórias da viagem de Suas Magestades Imperiaes á província da Bahia, collegidas e publicadas por P. de S. », á pag. 66, foi publicado um excerpto, de que são estes versos, descrevendo o rio S. Francisco : « O caudal São Francisco que se arroja La d'entre as nuvens, em que o cimo esconde A rocha altiva, que o gerou no seio, Vae talando penhascos e campinas O rei conquistador na immensa terra. Recebe o Bambuhy, á esquerda margem, Andaiá, Abaeté e rio Pardo, Paracatú, Salgado e Carinhanha, Japoró, Urucaia e Borrachudo; E á direita tem por tributários O Parà, Lambary, Paraúpeba, Rio Verde, o das Velhas e outros muitos, Que avassalados ao monarcha ingente, Lhe vão depor aos pés quanta riqueza Para Cresos fazer bastara ao mundo. » 0 dr. Velho da Silva tem poesias e trabalhos em prosa em alguns periódicos e revistas, como a Revista Industrial em que se acham : - Ovidio e Castilhos - no tomo Io, 1876. - Poesia dos Hebreus - nos tomos Io e 2o, 1876 e 1877. - Incentivos de eloquência - neste tomo, 1877, pag. 195. Escreveu, flnalmente, a - Carta, que procede a « Homenagem á Jovita : poemeto de Sisno de Faschera », pseudonymo de autor brazileiro que não conheço e que, por isso, não é, como não são muitos outros, contemplado neste livro. O dr. Velho da Silva foi um dos tres organisadores da - Polyanthea commemorativa da inauguração das aulas do sexo femenino do imperial Lyceu de Artes e Offlcios. Rio de Janeiro, 1881, in-4°, com o retrato da princeza d. Isabel e outros -Eis sua ultima composição poética: - Cântico á Assumpção de Nossa Senhora - No Jornal do Com- mercio de 15 de agosto de 1898, dia de N. S. da Gloria. José Mariani - Primo materno do conselheiro Barão de Cotegipe, nasceu na villa da Barra, província da Bahia, a 28 de maio de 1800 e falleceu no Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1875, sendo bacharel em direito pela universidade de Coimbra, ministro do Su- premo tribunal de justiça; do conselho de sua magestade o Impe- rador ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. JO 63 Com o logar de juiz de fóra no Maranhão entrou para a carreira da magistratura de que foi um dos ornamentos, quer por sua illustração, quer pela severa rectidão com que julgava, nunca cedendo ao em- penho por mais forte que fosse. Administrou no governo da regencia a provincia do Pará e a do Rio Grande do Sul ; exerceu o cargo de director da instrucção publica da corte, sem deixar o de desembar- gador da relação; por quatro vezes foi seu nome offerecido á coroa em lista tríplices para senador pela provincia do Maranhão e, além de juiz e administrador integerrimo, foi distincto litterato, grande lati- nista, de trato ameno, aprasivel sempre e espirituoso na conversação. Escreveu, além de vários relatórios, como presidente de provincia : - Exposição dos acontecimentos do Pará, comprovada com a cor- respondência official entre o tenente-coronel José Joaquim Machado de Oliveira e José Mariani. Rio de Janeiro, 1834, 148 pags. in-4° - Machado de Oliveira, havia administrado o Pará entes de José Ma- riani. (Veja-se esse nome.) José Mariano Carneiro da Cunha - Filho do tenente-coronel Mariano Xavier Carneiro da Cunha e nascido em Per- nambuco, a 8 de agosto de 1850, é bacharel em direito pela facul- dade do Recife. Notável influencia política nesse estado, foi muitas vezes deputado as cortes no regimen monarchico, e ao congresso fe- deral no republicano ; foi também jornalista e fundador da - Provincia, orgão do partido liberal. Recife, 1871, in-fol. - Esta folha em seu 16° anno, em 1896, era redigida pelo dr. José Maria de Albuquerque e Mello, de quem me occupo. - Discursos pronunciados na Gamara dos Srs. Deputados, etc. Rio de Janeiro, 1880, 155 pags. in-8.° - Contestação do Sr. conselheiro Theodoro Machado Freire Pe- reira da Silva á legitimidade do diploma á assemblêa geral pelo 2o dis- tricto de Pernambuco ao Sr. Dr. José Mariano, e refutação por este apresentada. Rio de Janeiro, 1881, in-8.° - Carta política ao eleitorado, explicando sua posição perante o governador do Estado e razões de seus actos perante o mesmo go- verno. Recife, 1892 - Foi antes publicada na Provincia, cuja ti- ragem foi logo esgotada, com grande sensação. - A tragédia de Pernambuco : (serie de artigos) - No Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, começando a 12 de março de 1895. Versam sobre o assassinato do redactor da Provincia, dr. José Maria de Albuquerque e Mello, por ordem do governador Barbosa Lima, como diz o autor. 64 JO Fr. JoséMariano da Conceição Velloso - Chamado no século José Velloso Xavier, filho de José Velloso da Ca- mara e dona Rita de Jesus Xavier, nasceu na villa de S. José da comarca do Rio das Mortes, Minas Geraes, em 1742, e falleceu a 13 de julho de 1811 no Rio de Janeiro, com 71 annos de idade, sendo sua vida « uma serie de assignalados serviços às sciencias e de virtudes christãs que garantem a perpetuidade de seu nome nas paginas de nossa historia », como escreveu o dr. José de Saldanha da Gama. Religioso franciscano, professo no convento de S. Boaventura de Ma- cacú a 12 de abril de 1762, fez seus estudos no convento da côrte ; exerceu em sua ordem vários cargos; leccionou sciencias e foi pre- gador de alta nomeada. Das sciencias que leccionou com notável sa- bedoria, nenhuma lhe agradou tanto, como a historia natural, para que fora nomeado lente em janeiro em 1783. Naturalista por vo- cação, por genio, elle achou sempre um inexplicável encanto, estu- dando a natureza desde seus mais verdes annos. As plantas com particularidade o enlevavam ; creança ainda, as contemplava cheio de curiosidade, e muitas vezes deixou de ir ã aula para embrenhar-se nas mattas, esquecido de tudo e só preoccupado na analyse das flores que encontrava, já querendo devassar todos os segredos da natureza vegetal. De sua cella fizera elle um gabinete de estudo e, sabendo da paixão que o dominava, o vice-rei Luiz de Vasconcellos, ordenou ao provincial da ordem que lhe deixasse franca a sahida do convento, e sem limites sua ausência. Então, frei Velloso emprehendeu excursões e viagens para melhor estudar esse reino, seu predilecto; excursões e viagens muitas vezes, longas, penosas e arriscadas, nas quaes o acom- panhavam os franciscanos frei Francisco Solano como desenhista, (veja-se este nome) e frei Anastacio de Santa Ignez como seu se- cretario. Ao cabo de oito annos, de volta ao seu convento, offerecia frei Velloso ao vice-rei o mais bello mimo, a Flora fluminense, com seus respectivos desenhos e, quando este, substituido por D. José Luiz de Castro, regressou á Lisboa, acompanhou-o á essa côrte, le- vando a obra que foi elogiada pelos mais afamados naturalistas e bo- tânicos, relacionando-se com os sábios da época, merecendo a estima do principe regente, com o qual mais tarde veiu definitivamente para o Brazil, e foi ali nomeado director da typographia chalcographica typoplastica e litteraria do Arco do Cego, e depois, por ser esse esta- belecimento annexado á régia oíBcina typographia, foi nomeado di- rector litterario da dita officina. Deixou uma grande livraria, que passou depois á bibliotheca nacional, com muitos manuscriptos de sua penna, originaes e traduzidos. Nas viagens scientiflcas que fez pela JO 65 Parahyba do Sul, onde classificou pelo systema de Linnêo mais de duas mil plantas, em grande parte, de generos e especies novas, con- trahindo uma ophtalmia de que soffreu oito mezes ; deu-se também a trabalhos apostolicos da catechese dos indios do Arary, ou os antigos tamoios. Escreveu : - Florce fluminensis icones fundamentales ad virum expressas jussu illustrissimi ac prestantissimi domini Aloysii Vasconcellos et Souza a sacratioribus conciliis S. Magestatis, totius ditionis Bra- siliae mari, terraque pretoris generalis ac pro-regis IV fluminen- sis, etc. Paris, 1790, 11 vols. in-fol. - Publicou-se depois em Paris, 1827. Nesta obra, que é citada por todos os botânicos do mundo que se occupam da flora da America do Sul, quasi não ha fa- milia que não tenha generos ou especies, creados por frei Velloso. O original se conserva na bibliotheca nacional, com o texto, em parte ainda inédito, sendo impresso : - Florce fluminensis, seu descriptionum plantarum Prsefectura fluminensi sponte nascentium liber primus ad systema sexuale con- cinnatus augustissimae dominae nostrae per manus illustrissimi ac ex- cellentissimi Aloysii de Vasconcellos et Souza, Brasiliae pro-regis quarti etc. Sistit fr. Josephus Marianus a Conceptione Velloso. Flu- mine Januario, ex-typ. Nacionali, 1825-1827, 12 tomos em 7 vols., sendo o Io de texto - O 5o volume dos Archivos do Museu nacional, de461 pags., in-fol., publicado em 1881, é uma nova edição de parte deste livro. A publicação da Flora, quando o autor dirigia a régia officina typographiba de Lisboa, fora interrompida, não só por causa da morte do abbade Santini que era o encarregado pelo governo portuguez de mandar abrir em Veneza as chapas, como também por causa das guerras supervenientes. As chapas que serviram para a edição brazileira, são as mesmas que se achavam na im- prensa régia e foram pela administração geral, de ordem do Duque de Abrantes, entregues a Geoffroy St. Hilaire, a 29 de agosto de 1808. Publicou-se ainda : -- Index methodicus iconorum florse fluminensis. (Paris.) in-fol. - Diccionario portuguez e brasiliano : obra necessária aos mi- nistros do altar que emprehendem a conversão de tantos milhares de almas que ainda se acham despersas pelos vastos sertões, do Brazil sem o lume da fé e baptismo ; aos que parochiam missões antigas pelo embaraço com que nellas se falia a lingua portugueza para melhor conhecer o estado de suas consciências ; a todos que se empregarem no estudo da historia natural e geographia daquelle paiz, etc., por *** Primeira parte. Lisboa, 1795, in-4°- A segunda parte desta obra, de 66 JO 242 fls., in-fol., se conserva inédita na Bibliotheca nacional, por lettra de frei Velloso. - O fazendeiro do Brazil, melhorado na economia rural dos ge- neros já cultivados e outros que se podem introduzir, e nas fabricas que lhe são próprias, segundo o melhor que se tem escripto neste assumpto; collegido de memórias estrangeiras, etc. Lisboa, 1798-1806, 11 vols. em 5 tomos, a saber : Tomo Io, parte Ia - Da cultura das cannas e factura do assucar. 1798, com 4 estampas. Tomo Io, parte 2a - Da cultura da canuado assucar e sua factura, extrahida da Encyclopedia methodica. 1799, com 8 estampas. Tomo Io, parte 3a - Do leite, queijo e manteiga. 1801, com 2 estampas. Tomo 2o, parte Ia - Tinturarias, contendo varias memórias sobre oanil, cultura e fabrico do urucú, etc. 1800, com 14 estampas. Tomo 2°, parte 2a - Tinturaria, contendo cultura da indigoeira e extracção de sua fécula. 1800, com 13 estampas. Tomo 2°, parte 3a - Tinturaria: Cultura do cacteiro e creação da cochonilha. 1800, com 3 estampas coloridas. Tomo 3°, parte Ia - Bebidas alimentosas: cultura do café. 1800, com 3 estampas. Tomo 3°, parte 2a - Bebidas alimentosas : cultura do café. 1799, com 23 estampas. Tomo 3°, parte 3a - Bebidas alimentosas: cacau, preparação do chocolate, etc. 1805. Tomo 4°, parte Ia - Especiarias. 1805, com 3 estampas. Tomo 5°, parte Ia - Filatura. 1806, com 15 estampas.- A publi- cação não foi concluída, como se vê; e, pelo original com o mesmo ti- tulo, O fazendeiro do Brasil, que existe na bibliotheca nacional, vê-se que muito restava ainda a ser publicado. Esse original, de lettra do autor, que vem mencionado no catalogo da exposição de historia do Brazil, tomo 2°, pag. 1117, começa assim: I Memória que contêm observações theoricas e praticas sobre as seves, destinadas á tapagem dos pradcs, dos campos, das vinhas e dos novos bosques, trabalho curioso e util que não se vê na publicação feita em Lisboa. - Extracto sobre o modo de se fazer o salitre nas fabricas de ta- baco da Virgínia, traduzido de uma obra ingleza. Lisboa, 1797 - O dr. Saldanha da Gama, dá noticia dessa obra e de um opusculo com o titulo: - Memória sobre a pratica de se fazer o salitre. Lisboa.... - A respeito desta memória, e de quasi todos os escriptos que aqui men- JO 67 ciono, leia-se a «Biographia e apreciação dos trabalhos do botânico brazileiro frei José Mariano da Conceição Velloso », publicada na Re- vista do Instituto, 1868, parte 2a, pags. 137 a 305, e em volume espe- cial, Rio de Janeiro 1869. - Alographia dos alkalis fixos, vegetal ou potassa, mineral ou soda e dos seus nitratos, segundo as melhores memórias estrangeiras que se tem escripto a este assumpto etc. Lisboa, 1798 in-4.° - Memória sobre a cultura e preparação do girofeiro aromatico, vulgo cravo da índia; trasladada, etc. Lisboa, 1798, in-8°, com 1 es- tampa. - Memória sobre a cultura do loureiro cinomomo, vulgo cane- leira do Ceilão, etc. Lisboa, 1798, 31 pags. in-8°, com uma estampa. - Memória e extractos sobre a pipereira negra (Piper nigrnm, L) que produz o fructo conhecido vulgarmente pelo nome de pimenta da índia. Lisboa, 1798, in-8°, com uma estampa. - Memória sobre os queijos de Roquefort, por mr. Chaptal, tra- duzida, etc. Lisboa, 1799, VII - 31 pags. in-8°, - Foi reimpressa no Auxiliador da Industria em 1841. - Memória sobre a cultura da urumbeba e sobre a creação da cochonilha, extrahida de mr. Bertholet das observações feitas em Gua- xaca por mr. Thiery de Menonville e copiada do 5° tomo dos Annaes de Chimica, etc. Lisboa, 1799, 45 pags. in-8°, com uma estampa - Idem. - Collecção de memórias inglezas sobre a cultura e commercio do linho canhamo, tirada de differentes autores, e que devem entrar no tomo 5o do Fazendeiro do Brazil, traduzidas, etc. Lisboa, 1799, VI - 143 pags. in-8°. - Quinographia portugueza ou collecção de varias memórias sobre vinte e duas especies de quinas, tendentes ao seu descobrimento nos vastos domínios do Brazil, copiadas de vários autores modernos, etc. Lisboa, 1799, 221 pags. in-8°, com 16 estampas coloridas. - Discurso pratico acerca da cultura, maceração e preparação do canhamo, lido e aprovado pela real Academia agraria de Turim, na sessão de 8 de maio de 1795; traduzido do italiano. Lisboa, 1799, 70 pags. in-8°,com duas estampas. - Helminthologia portugueza, em que se descrevem alguns ge- neros das duas primeiras ordens, intestinaes e molluscos da sexta classe do reino animal, vermes, e se exemplificam com varias amos- tras de suas especies, segundo o systhema do cavalleiro Carlos Linnée, por Jacques Barbut; traduzida em portuguez, etc. Lisboa, 1799, in-4°, com 12 estampas. 68 • IO - Compendio da doutrina christã na lingua portugueza e bra- zilica pelo padre João Filippe Betendorf e Fr. José Marianno da Conceição Velloso. Lisboa, 1800- - S ciência das sombras relativas ao desenho: obra necessária a todos que querem desenhar architectura civil e militar, ou que se des- tinam á pintura, etc., na qual acharão regras demonstradas para co- nhecer a especie, a fôrma, a longitude e a largura das sombras que os differentes corpos fazem, assim sobre superfícies horisontaes, verticaes ou inclinadas, como sobre as superfícies planas, convexas ou côncavas por mr. Dupain ; traduzidas. Lisboa, 1799 in-4°, com 14 estampas. - Jacobi Dikson fasciculus plantarum cryptogamiarum Britanise lusitanorum botanicorum, in usum celsissimi ac potentissimi Lusitaniae Principis regentis, etc. Olysipone, 1800 in-4°, com 13 estampas. - Tentamen dispositionis methodicse fungorum in classe, ordines, genera et familias ; cum supplemento adjecto, auctore C. U. Person, etc. Olysipone, 1800, 84 pags. in-8°, com 4 estampas. - Carta sobre a nitreira artificial, estabelecida na villa de Santos. Lisboa, 1800, 19 pags. in-8°. - Relação das moedas dos paizes estrangeiros com o valor de cada uma, reduzido ao dinheiro portuguez para uso dos commerciantes. Lisboa, 1800, 123 pags. in-8°. - Aviário brasílico ou galleria ornithologica das aves indígenas do Brazil, disposto e descripto segundo o systema de C. Linnêe, co- piado do natural e dos melhores autores, precedido de diversas disser- tações analogas ao seu melhor conhecimento, acompanhadas de outras estranhas ao mesmo continente. Lisboa, 1800, in-fol., com 1 estampa. - O naturalista instruído nos diversos methodos, antigos e mo- dernos, de ajuntar, preparar e conservar as producções dos tres reinos da natureza, collegido de diversos autores, dividido em vários livros. Lisboa, 1800, in-8° - Reino animal. - Ecctracto sobre os engenhos de assucar do Brazil, e sobre o me- thodo já então praticado na factura deste sal essencial, tirado da obra « Riqueza e opulência do Brazil» para se combinar com os novos me- thodos que agora se propoem debaixo dos auspícios de Sua Alteza Real, etc. Lisboa, 1800, in-4°, com quatro estampas. - Tratado da agua relativamente a economia rústica ou da rega ou irrigação dos prados por mr. Bertrand, pastor em Orbe; traduzido etc. Lisboa, 1800, 1V-XV-104 pags. in-8° com 7 estampas. - Tratado sobre a cultura, usos e utilidade das batatas ou papas (solanum tuberosum) e instrucção para sua melhor propagação, por d. Henrique Doyle; traduzido do hespanhol. Lisboa, 1800, in-8°. JO 69 - Memória sobre a moagem dos grãos e sobre outros objectos re- lativos, por J. L. Muret, traduzida do francez. Lisboa, 1800, in-4°. - Memória sobre a cultura do arroz de Portugal e suas con- quistas, offerecida a Sua Alteza Real o Príncipe regente, etc. Lisboa, 1800, in-4.° - Memória sobre a qualidade e sobre o emprego dos adubos ou estrumes por mr. Massac, traduzida etc. Lisboa, 1801, in-8°. - Collecção de memórias sobre a quassia amarga e simaruba; tra- duzidas etc. Lisboa, 1801, 39 pags. in-4°, com 6 estampas coloridas. - Ensaio sobre o modo de melhorar as terras por mr. Patullo ; traduzido em portuguez, etc. Lisboa, 1801, 136 pags. in-8°, com 3 es- tampas. - Compendio sobre a canna de assucar e sobre os meios de se lhe extrahir o sal essencial, ao qual se ajuntam muitas memórias ao mesmo assumpto, dedicado á Colonia de S. Domingos por J. F. Dutrone, ad- dicionado de uma memória copiada de um manuscripto francez sobre a construcção do saccharometro; traduzido por ordem de sua alteza o Príncipe regente, etc. Lisboa, 1801, 429 pags. in-8°, com seis estampas. - Descriptio et adumbralio plantarum e classe cryptogamica Linei, qum lichenes dicuntur. A. D. Georg. Franc. Hoffmann P. P. E. Soc. Physiog. Lund. Memb. Lusitanorum botanicorum in usum, cel- sissimi ac potentissimi Lusitanise Príncipes regentes D. N. etjussuet auspicús denuo typis mandata, Ulisipone, 1800-1801, 2 tomos in-4°' com 18 estampas. - Mineiro do Brazil melhorado pelo conhecimento da minera- logia e metalurgia e das sciencias auxiliares por Mr. Gensanne ; traduzido etc. Lisboa. 1801, in-4.° - Mineiro do Brazil melhorado pelo conhecimento da minera- logia e metalurgia e das sciencias auxiliares. Segunda parte : Mineiro geometra ou geometria pratica subterrânea, applicada ao uso dos trabalhos das minas, por Mr. Gensanne; traduzido, etc. Lisboa, 1801, in-4.° - Mineiro nivelador ou hydrometra copiado do novo tratado de nivelamento de M. de Le Febure etc. Lisboa, 1803, 2 vols. in-4° com sete estampas. - Instrucções para se transportarem por mar as arvores, plantas vivas, sementes e outras curiosidades notáveis. Lisboa, 1805. - Tratado da navegação por canaes. Lisboa, 1807 (?) - Fr. José Mariano deixou ainda trabalhos inéditos como: - Descripção de vários peixes do Brazil- O original de 24 folhas, em latim, pertence á Bibliotheca nacional. 70 aro - Nomenclatura linneana para as plantas mencionadas no poema Agricultura de Rosset - que foi traduzido por Bocage em verso por- tuguez e se acha no 5o volume de suas poesias, pags. 187 a 192. - Descripção e classificação de varias plantas do Brazil: (collecção de 31 estampas, contendo cada uma sua planta primorosamente dese- nhada e colorida, precedendo a descripção respectiva) - Vejo men- cionada essa obra no catalogo da exposição de historia patria, como pertencendo provavelmente a frei Velloso. O texto consta ao todo de 22 fls. in-fol. Como frontespicio contém uma bella estampa allegoria, e é propriedade da bibliotheca nacional. José Mariano da Costa Nunes - Natural de Ca- xias, Maranhão, falleceu na cidade do Rio de Janeiro no anno de 1894. Fazendo parte do funccionalismo publico de fazenda, foi inspector da thesouraria do Ceará e, em 1891, sendo sub-director de uma das sub-directorias do thesouro nacional, fez parte da commissão que escreveu: - Heorganisação das repartições do ministério da fazenda, indi- cação das rendas e despezas que passam para o districto federal : Re- latório feito, etc. Rio de Janeiro, 1891,in-8° (veja-se Joaquim Alonso Moreira de Almeida). José Mariano ILeal da Cainnra Rangel de Gusmão - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 31 de março de 1767, falleceu em julho de 1835 na cidade de Lisboa, onde se havia estabelecido, sendo doutor em medicina, bacharel em philosophia e mestre em artes pelas faculdades de Montpellier, Strasburg e Toloza. Era medico da real camara e commendador da ordem de Christo, de Portugal, membro da Academia real das sciencias de Lisboa, e escre- veu - alem de vários trabalhos scientificos, que deixou inéditos, se- gundo o jornal da citada academia, tomo 8o, pags. 88, o seguinte : - Aviso ao publico ou resumo das verdades mais interessantes que elle deve conhecer acerca da epidemia que actualmente grassa em Portugal. Lisboa, 1833, 11 pags. in-4°. - Additamento ao aviso ao publico sobre o uso dos balsamos ou elixires e também do azeite commum. Lisboa, 1833, 8 pags. in-4°. José Mariano de Mattos - Filho de outro de igual nome, nasceu no Rio de-Janeiro em 1801 e ahi falleceu a 5 de janeiro de 1865, sendo brigadeiro do exercito, bacharel em mathematicas, do conselho de sua magestade o imperador, commendador da ordem de JO 71 S. Bento de Aviz, offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro e condecorado com a medalha da campanha do Uruguay de 1851. Com praça no exercito em 1822, foi promovido a alferes no anno seguinte e subiu ao posto em que morreu, servindo no corpo do estado maior de primeira classe. Sendo offlcial superior, comprometteu-se na guerra civil do Rio Grande do Sul de 1835; foi prisioneiro das forças le- gaes e mais tarde, pelo perdão da corôa, empossado de todas as honras militares. Fez parte do gabinete de 15 de janeiro de 1864, com a pasta da guerra - e escreveu : - Escola de lanceiros ou instrucção para os corpos de lanceiros sobre o exercício, manejos e manobras da lança. (Rio de Janeiro, 1850) 33 pags. in-4°. - Curso sobre as armas de fogo portáteis, por L. Panot, traduzido da terceira edição franceza de 1851, por ordem do ministério da guerra. Rio de Janeiro, 1859, 156 pags. in-4°, com estampas - Além dos estudos de armas de fogo portáteis, suas cargas, tiros e outros assum. ptos de interesse militar, contém noções de arithmetica, geometria e do novo systema de pesos e medidas. José Mariano de Oliveira - Filho de José Mariano de Oliveira e natural do Rio de Janeiro, nasceu pelo anno de 1855 e matriculou-se no primeiro anno da escola polytechnica em 1874. Nada mais sei a seu respeito, senão que escreveu : - A religião da umanidade,por occasião da inauguração da capella positivista. (Sem frontespicio e sem data, mas do Rio de Janeiro) in-4°. - Ino da mulher. (Sem frontispício e sem data, mas do Rio de Janeiro) in-4°. - A' Miguel Lemos: poesia. (Distribuição gratuita) Rio de Ja- neiro, 1887, in-8°- A edição limitou-se a 110 exemplares. - Pelos indígenas brazileiros. Rio de Janeiro, 1894, 10 pags. in-8° - E* uma carta ao ministro do interior, publicada antes no Jornal do Commercio. - Da igreja e apostolado positivista do Brazil. Rio de Janeiro, 1898. José Mariano Port o -Natural da cidade da Cachoeira, do actual estado do Rio Grande do Sul, onde é capitalista. Escreveu : - Apontamentos biographicos de Gaspar da Silveira Martins. Rio de Janeiro, 1891, 151 pags. in-8°. José Marinho Falcao I*a<Iillia - Filho de Anto- nio Fernandes Padilha e dona Josepha Teixeira de Lyra, nasceu em JO 72 Pernambuco no anno de 1787 e falleceu a 3 de julho de 1849, sendo presbytero do habito de S. Pedro, professor jubilado do lyceu pernam- bucano e cavalleiro da ordem do Cruzeiro. Nomeado pelo general Luiz do Rego a 17 de maio de 1820 lente de rhetorica e 'poética do Recife, passou a leccionar essas matérias no lyceu em 1826 ; foi deste estabele- cimento nomeado secretario em 1839 e exerceu interinamente o cargo de director. Exerceu também o cargo de secretario do governo provi- sorio de 1823. Foi um sacerdote respeitável, tanto por sua illustração, como por suas qualidades e dotes pessoaes. Escreveu, além de muitas poesias que andam esparsas : - Compendio de eloquência nacional. Pernambuco (?) - Nunca vi este livro; sei que foi adoptado para a respectiva cadeira do lyceu provincial e que foi impresso, porque vejo a noticia que o padre Monte Carmello e F. A. Pereira da Costa nos dão delle e do mais que se segue : - lielatorio acerca das escolas da instrucção elementar da pro- víncia de Pernambuco - Foi escripto depois de uma visita feita a essas escolas em 1834. - Officio de Santa Rita. Pernambuco. - Hymnos ao anniversario natalício de S. M. o Imperador - São dous e vem no Diário de Pernambuco de 2 de dezembro de 1840. Ha nesta folha, no numero de 30 de março de 1857,um soneto traduzido para o portuguez, de Debarreaux e que Monte Carmello reproduz na Memória histórica e biographica do clero pernambucano, pag. 180. - Migueleida : poema - Foi escripto em resposta ao poema Co- lumneida, do padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, que ahi ataca o padre Padilha e o padre F. Ferreira Barreto, como membros notáveis do partido da Columna. Reconciliando-se depois com Lopes Gama, inutilisou essa obra. Ha ainda vários cânticos, dramas pastoris para as festas do natal, e outros escriptos seus, inéditos. José Marques Guimarães - Nascido a 25 de abril de 1838, com praça em março de 1854, fez o curso da academia de marinha e serviu na armada, reformando-se em 1892 com a graduação de almirante. E'commendador da ordem da Rosa, cavalleiro da de S. Bento de Aviz e condecorado com a medalha da campanha do LJruguay de 1865, a da campanha do Paraguay, e com medalha de pri' meira classe por serviços prestados á humanidade com risco maritimo. Escreveu : - Governo dos navios. Rio de Janeiro, 1895, in-8°- Este traba- lho foi presente ao ministério da marinha e sujeito a um parecer pela JO 73 escola naval, parecer que foi escripto pelo professor Eneas Oscar de Faria Ramos. - A catastrophe do Victoria, suas causas e os meios de obvial-a. Apreciação do contra-almirante, etc. Rio de Janeiro, 1894, 14 pags. in-8.° José Marques de Sá - Natural do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, formado em 1850, cavalleiro da ordem da Rosa e da ordem portugueza de Nossa Se- nhora da Conceição de Villa Viçosa, commendador da ordem, também portugueza, de Christo e medico operador da sociedade portugueza de beneficencia, e clinicou nesta cidade, onde exerceu cargos de eleição popular, como o de subdelegado da Gloria. Em 1883 retirou-se para a Europa. Escreveu : - Structura das carpellas em relação a fecundação; theoria desta funcção desde a chegada do pollen ao stygma até o acto da impre- gnação dos ovulos; desenvolvimento do ovulo fecundado até chegar ao estado de semente perfeita, quanto fôr possível demonstrado com exemplos de plantas nossas ; Das lesões que reclamam a formação da pupilla artificial, methodos e processos por que esta operação pôde ser praticada ; Hygiene da pelle no Rio de Janeiro, vistuarios e banhos; estudo especial dos banhos em relação a esta cidade e quaes os hábitos e costumes da população; qual sua influencia sobre a saude publica ; que direcção se lhe deve dar : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1850, 76 pags. in-4° gr. com um quadro synoptico. - Da medicação marinha, suas indicações, contra-indicações e vantagens no tratamento da glycosuria pelo dr. Hedouin. Traducção. Paris, 1877. José 3I:irtinian<) <le Alencar, Io - Natural do Ceará, nasceu a 27 de outubro de 1798 e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de março de 1860. Presbytero do habito de S. Pedro, deputado á constituinte brazileira e um dos deportados com os Andradas, de volta do exílio foi eleito deputado á segunda legislatura, que não concluiu por ser eleito senador em 1832. Foi o primeiro senador, escolhido pela regencia permanente que dirigiu o império de 1831 a 1835. Tomara parte muito activa na revolução de Pernambuco, de 1817; sendo ainda seminarista, foi á sua província com o fim de propagar as ideias da mesma revolução e, com effeito, de batina e roquête chegou a prègar a 3 de maio deste anno na villa, hoje cidade do Crato, depois da missa conventual em favor da independencia, lendo proclamações que trazia, JO 74 etc. Em 1840, sendo presidente da província escapou de ser victima da sedição militar, que arrenbentou a 14 de dezembro, atacando sua residência. Escreveu : - Oração fúnebre que, pelo motivo da morte da muita alta e muito poderosa Imperatriz do Brazil, a senhora dona Maria Leopoldina Josepha Carolina, recitou no funeral que fez a camara da capital da província do Ceará no dia 13 de fevereiro de 1827. (Ceará, 1827) 12 pags. in-8° - Foi reimpresso na «Exposição das exequias de sua ma- gestade, a Imperatriz do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1840», 30 pags. in-8.° - Preciso dos successos que occasionaram o grande aconteci- mento do faustoso dia 7 de abril, dirigido aos cearenses pelos seus de- deputados, etc. Rio de Janeiro, 1831, 3 pags. in-fol. - Carta que aos eleitores da província do Ceará dirige, etc. Rio de Janeiro, 1830, 20 pags. in-fol. - Resposta dada ao senado pelo senador, etc. sobre a pronuncia contra elle feita pelo juiz municipal da 2a vara no processo organisado na côrte pelos movimentos de S. Paulo e Minas. Rio de Janeiro, 1843, 13 pags. in-4.o - Discursos pronunciados na sessão do Senado de... agosto de 1859. Rio de Janeiro, 1859, in-8.° José Martiniano d.e Alencar, 2o -Filho do pre- cedente, nasceu na província do Ceará a 1 de maio de 1829 e falleceu no Rio de Janeiro a 12 de dezembro de 1877, sendo bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, do conselho de sua magestade, o Impe- rador ; e pela quarta vez deputado por sua província natal. Apenas formado, deu-se á advocacia, profissão em que tornou-se notável, como foi notável jornalista e jurisconsulto, insigne dramaturgo e romancista, arena em que, diz o dr. Teixeira de Mello em suas Ephemerides nacio- naes - « volvendo os olhos em torno de nós, ainda não lobrigamos o seu substituto». Exerceu o cargo de lente de direito mercantil do Instituto mercantil da côrte e, nomeado quasi ao mesmo tempo director de secção da secretaria da justiça, passou logo á consultor, logar que foi extincto depois. Como fosse então considerado addido á secretaria, renunciando tal collocação, pediu que, em renumeração de seus ser- viços, fossem publicados no Diário Official os pareceres que elaborara por espaço de nove annos. Seus serviços eram tão notorios que na organisação do gabinete de 16 de julho de 1868, lhe foi confiada a pasta dos negocios da justiça,que occupou até 1870. Entrou em uma lista tríplice para senador. Alguns annos antes de morrer, soffrendo de uma JO 75 affecção pulmunar, fez uma viagem á Europa, d'ondo voltou apparen- temente restabelecido ; mas sua saude nunca mais foi perfeita ; viveria talvez muitos annos ainda, si não se désse com tanto fervor ao cultivo das lettras e ao engrandecimento da patria que tanto amava. Além de noticias biographicas, escriptas por distinctos estrangeiros, que se occuparam de tão privilegiado talento, podem os curiosos consultar o « Perfil litterario de José de Alencar > por Araripe Júnior, as « Ephe- merides nacionaes »a noticia do Jornal do Commercio ns. 334 e 335, de 1877, etc.; e, quanto a seus escriptos, começando pelos do dominio da litteratura, são os seguintes : - O Guarany: episodios da historia do Brazil nos primeiros tempos coloniaes. Romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1857, 4 tomos in-8° - Ha segunda edição, de Paris, 1868, 2 tomos, terceira e quarta também de Paris, sem data, 2 tomos, 366-332 pags. in-8°. As quatro partes em que se divide o livro têm por titulo : Os aventureiros, Pery, Os aymorés, A catastrophe. Pery é o mais perfeito typo da dedicação a mais respeitosa, assim como Cecy, o da candura a mais angélica, e em toda obra veem-se esboços os mais consummados da natureza ameri- cana. Este romance foi traduzido em italiano em 1866, sendo o poeta Scalvani encarregado de pôl-o em librêto pelo laureado maestro e com- positor Carlos Gomes afim de ser composta a sua sublime opera-baile em quatro actos ; foi traduzido em francez por Adolphe Umbert que incumbiu de revêl-o ao commendador Luiz Bivar, antes de dal-o ao prelo, em 1871. Foi ainda traduzido para o inglez e para o Allemão. Ultimamente em 1887 fez-se uma edição de luxo, em portuguez, no Rio de Janeiro, em fascículos in-4°, de que sahiu publicado o Io a 11 de junho, com o retrato do autor. - As minas de prata: romance historico. Rio de Janeiro, 1862 - Esta edição não foi concluída ; foi feita sob titulo de « Bibliotheca Bra- zileira» e só dous opusculos se publicaram. A obra completa foi depois impressa no Rio de Janeiro, 1865, 6 tomos in-8°. Historiando a descoberta das celebres minas, que nunca foram encontradas, de Ro- berio Dias, o autor esboça com a maior perfeição o caracter do jesuita. Ha uma edição de Paris, 1877, 3 tomos, 338, 464, 558 pags. in-8°. - Cinco minutos. A viuvinha. Rio de Janeiro, 1860,85 pags. in-8o - Houve depois mais quatro edições ; a quinta é de Paris. - Luciola : um perfil de mulher. Paris, 1862, 194 pags. in-8° - Segunda edição, Paris, 1865, 269 pags. ; 3a edição revista pelo autor. Paris, 1872, 269 pags. e ainda ha outra, todas de Paris in-8.° - Diva: perfil de mulher. Paris, 1864, 164 pags. in-8° - Segunda edição, 1868 ; terceira, 1875, 211 pags., todas feitas em Paris, in-8°- 76 JO A' uma accusação que uma revista semanal fez ao autor, quando an- nunciada a publicação de Lucciola, dizendo-se que o livro está eivado de gallicismos, sem entretanto apontar uma palavra ou phrase das que incorreram na censura, responde elle com um Postcripto que se acha na segunda edição e na terceira da Diva, da pag. 189 em diante. «A lingua, diz elle, é a nacionalidade do pensamento, como a patria é a nacionali- dade do povo. Da mesma fórma que instituições justas e racionaes revelam um povo grande e livre, uma linga pura, nobre e rica an- nuncia a raça intelligente e illustrada.» - Senhora : perfil de mulher. Rio de Janeiro, 1875, 2 tomos, 228, 248 pags. in-8° - Esta obra e as duas precedentes são publicadas por G. M.; asssim se declara no frontespicio. - Iracema : lenda do Ceará. Rio de Janeiro, 1865, in-8°- Segunda edição2 1870; terceiro de Pariz, 1875, 270 pags. in-8° e uma flnalmente em 1896. Este livro tem como dedicatória : « A' terra natal um filho ausente » e termina (a 2a edição e a 3a) com um Poscripto em resposta a censuras do escriptor portuguez Pinheiro Chagas nos «Novos ensaios de critica » e ao dr. A. Henrique Leal em seus artigos « Litteratura brazileira ». Diz entretanto o autor do « Perfil litterario de Alencar » que é a obra capital de Alencar, a mais original, mais brazileira, unica em seu genero. Como expressão do tropicalismo é superior a tudo quanto escreveu Chateaubriand e o proprio Cooper. Ha de Iracema uma traducção para o inglez, feita por Burton. - O gaúcho: romance brazileiro, por Senio. Rio de Janeiro, 1870, 2 tomos in-8° - As scenas deste romance passam-se no Rio Grande do Sul, logar desconhecido do autor, e talvez por isso seu livro mereça menos do que os outros. - A pata da gazella: romance brazileiro, por Senio. Rio de Ja- neiro, 1870, 232 pags. in-8° - Ha outra edição em dous volumes. - O tronco do ipè: romance brazileiro, por Senio. Rio de Janeiro, 1871, 2 tomos, 238, 258 pags. in-8°. - Sonhos de ouro: romance brazileiro, por Senio. Rio de Janeiro, 1872, 2 tomos, 212, 284 pags. in-8°. - Guerra dos mascates : chronica dos tempos coloniaes, por Senio. Rio de Janeiro, 187*, 2 tomos, 188, 242 pags. in-8° - Bem que o autor declare que não talhou carapuças á alguém e que seu livro é o mais innocente de quantos se têm dado á luz «desde que inventou-se esse genio do bem e do mal, chamado imprensa», contudo não ha essa proclamada innocencia ; as carapuças assentam perfeitamente em certos personagens, alto collocados, do tempo â que se refere a chronica. JO 77 - Alfarrábios. chronicas dos tempos coloniaes. Rio de Janeiro,1873, 2 tomos in-8° - Contendo: o Io tomo O garatuja ; o 2° tomo O ermitão da Gloria e A alma do lazaro, romances que escrevera no tempo de estudante. - Ubirojaba'. lenda tupy. Rio de Janeiro, 1875,208 pags. in-8°-E' de assumpto indigena e num estylo semelhante ao Atalá de Chateau- briand. - Tilt romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1875, 2 tomos in-8° - Foi publicado antes no periodico Republica e delle diz o citado dr. Araripe Júnior que «é uma cousa assim como o resultado do sonho de um poeta adormecido sob laranjaes em flor; é pesadêlo de poeta». Este romance foi traduzido em allemão, por G. Th. Hoffmann, e publicado em Leipzig, sem data. - O sertanejo-, romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1876, 2 tomos de 261, 245 pags. in-8°. - Encarnação-, romance. Rio de Janeiro, 1893, 179 pags. in-8° - E' uma publicação feita por seu filho, sendo antes publicado no Diário Popular. - Os filhos de Tupan: poema epico. - O vate bragantino. - Lembra-te de mim fromancete) - servindo de introducção aos Nocturnos de Luiz Guimarães Júnior, pags. III a XXIII, e também pu- blicado na Folha do Domingo de 10 de abril de 1887, Rio de Janeiro. - O demonio familiar comedia em quatro actos. Rio de Janeiro, 1857, 159 pags. in-8° - Foi representado pela primeira vez a 5 de setembro de 1857 e teve segunda edição em Paris, 1864. E' um livro de propaganda abolicionista da escravidão, no qual acha-se perfeita- mente esboçado o typo do moleque, como uma entidade perigosa no lar. - Verso e reverso .-comedia em dous actos, Rio de Janeiro, 1857, 78 pags. in-8°-Teve segunda edição em Pariz, 1864, 91 pags. in-8° e foi pela primeira vez representado no Gymnasio a 28 de outubro de 1857. - A noite de S. João : comedia lyrica em dous actos. Musica de Elias Alvares Lobo. Rio de Janeiro, 1860, 49 pags. in-8°- Foi es- cripta com o proposito de apresentar uma opera de assumpto, musica, tudo nacional. - O credito : comedia em cinco actos - Escripta em 1857, foi representada no mencionado theatro em janeiro de 1858, e publicada na Revista Brazileira, 1895 a 1896, concluindo no numero de fevereiro deste anno. JO 78 - As azas de m anjo: comedia em um prologo, quatro actos e um epílogo. Rio de Janeiro, 1860, 215 pags. in-8° - Teve segunda edição a que foi junta uma apologia que o autor publicara no Diário do Rio de 23 de junho de 1858, quando apoz as primeiras representações do drama realisadas neste anno, interveiu a policia querendo prohibir que estas continuassem. E' uma historia de todos os dias e tle toda a parte: a historia de uma mulher perdida. Como segunda parte ou continuação desta comedia, escreveu elle: - A expiação : comedia em quatro actos. Rio de Janeiro, 1868, 148 pags. in-8a- Constitue o primeiro numero do tomo 5o do « Theatro contemporâneo » do editor e livreiro A. A. da Cruz Coutinho. - Mãe: drama em quatro actos, Rio de Janeiro, 1862, in-8°- Ha segunda edição feita em Pariz. Foi representada em 1860. - O jesuíta: drama em quatro actos. Rio de Janeiro, 1875, 229 pags. in-8° - O conservatorio dramatico entendeu que não convinha sua exibição em scena. Foi entretanto, representado neste anno. - Cartas sobre a confederação dos Tamoyos (publicadas no Diário do Rio de Janeiro) por Ig. Rio de Janeiro, 1856, 112 pags. in-8°- Foi seu primeiro livro publicado ; contém estas cartas uma critica ao poema de igual titulo, de Domingos José Gonçalves de Magalhães (veja-se este nome) tomando o autor por pseudonymo as duas pri- meiras lettras da heroina do poema Iguassú. - O novo cancioneiro: serie de cartas á um amigo. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - E' um livro de critica, occupando-se o autor princi- pahnente da poesia sertaneja. - Ao correr da penna: revista hebdomadaria das paginas menores do Correio Mercantil. S. Paulo, 1874, 310 pags. in-8° - E' uma serie de folhetins que publicara em 1853 e 1854, collegidos por um seu collega e amigo, o dr. J. M. Vaz Pinto Coelho. Ha segunda edição correcta deste trabalho, Havre, 1888. - Josè Martiniano de Alencar (biographia do pae do autor) - na Galeria dos brazileiros illustres. - O Marquez do Paraná: traços biographicos. Rio Janeiro, 1856, 35 pags. in-16°,com retrato-Sahira antes no Diário do Rio de Janeiro. - O Marquez de Caxias: biographia. Rio de Janeiro, 1867, in-4°, com retrato. - Carta que aos eleitores da província do Ceará dirige, etc. Rio de Janeiro, 1860, 20 pags. in-fol.- Foi escripta ao entrar o autor na arena política por occasião de sua primeira eleição. - Relatorio do ministério da justiça, apresentado â assembléa geral legislativa na Ia sessão da 14a legislatura. Rio de Janeiro, JO 79 1869, 141 pags. in-4°- E' acompanhado de outro volume «Annexos ao Relatorio etc.» de 124 pags. in-fol. - Discussão do voto de graças, discurso proferido na sessão de 9 de agosto, etc. Rio de Janeiro, 1869, 46 pags. in-4°- Era o autor deputado e ministro da justiça. - Discursos proferidos na camara dos deputados e no senado na sessão de 1869. S. Luiz, 1869, 164 pags. in-4°, com retrato. - Discursos proferidos na sessão de 1871, na camara dos deputa- dos. Rio de Janeiro, 1871, 175 pags. in-8°. - A viagem, imperial .• discurso proferido na camara dos deputados a 9 de maio de 1871. Rio de Janeiro, 1871, 35 pags. in-8° - E' um dos da collecção acima. - Reforma eleitoral: discursos proferidos na camara dos deputados durante a sessão de 1874. Rio de Janeiro, 1874, 122 pags. in-8.° - Reforma hypothecaria: serie de artigos publicados no Correio Mercantil, 1854. - A constituinte perante a historia: serie de artigos publicados no Diário do Rio de Janeiro, 1856 - São escriptos em resposta ao opús- culo de igual titulo, pelo conselheiro Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello (veja-se este autor). Estes escriptos vem reprodu- zidos, si me não engano, na Bibliotheca Brazileira, tomo 2o, 1863, pags. 317 a 335. - Ao Imperador : cartas politicas de Erasmo. Rio de Janeiro, 1865, 92 pags. in-8° - Fez-se no mesmo anno segunda edição em Pariz, e terceira no Rio de Janeiro, 1866. São dez cartas anonymas cuja primeira edição se fez dividida, sob o anonymo, com o fim de arrancar o paiz, segundo declara o autor, da crise em que se de- batia. O dr. Eduardo de Sâ Pereira de Castro (veja-se este autor) começou a respondel-as e publicou mais de um opusculo, assignando-se Scaliger. - Ao Imperador : novas cartas politicas de Erasmo. Rio de Janeiro, 1866, 82 pags. in-8° - Sahiram antes como as precedentes. - Ao Povo: cartas politicas de Erasmo. Ao Marquez de Olinda, Ao Visconde de Itaborahy; carta sobre a crise financeira. Rio de Janeiro, 1866, 3 partes em 1 vol., 76, 8, 15 pags. in-8° -As primeiras ao Povo, são nove ; as que são dirigidas ao Marquez e ao Visconde têm frontespicio especial; todas sob o anonymo, etc. - Pagina da actualidade. Os partidos. Rio de Janeiro, 1866, 32 pags. in-4.° - O juizo de Deus. Visão de Job. Rio de Janeiro, 1867, in-16°- E' um pamphleto político. JO 80 - A corte do leão : obra escripta por um asno. Rio de Janeiro, 1867, 16 pags. in-4°. - Uma these constitucional. A princeza imperial e o príncipe consorte no conselho de estado. Rio de Janeiro, 1867, 64 pags. in-8.° - A festa macarronica. Rio de Janeiro, 1877, 16 pags. in-8.° - Questão de habeas-corpus. Rio de Janeiro, 1868, 2 partes, 62, 32 pags. in-8.° - O protesto: escriptos políticos. Rio de Janeiro.- Nunca vi esta obra ; creio que é uma reproducção de publicação na imprensa política. - O Systema representativo. Rio de Janeiro, 1868, 205 pags. in-8° - Divide-se em tres partes : Da representação ; Do voto ; Da eleição. - A propriedade : (estudo jurídico sobre o direito de proprie- dade) com uma prefação do Exm. Sr. Conselheiro Antonio Joaquim Ribas. Rio de Janeiro, 1883, 286 pags. in-8° - E' uma publicação posthuma. - Esboços jurídicos. Rio de Janeiro, 1883, 246 pags. in-8° - Idem. Contém o livro estudos sobre o jury, sobre o processo criminal, sobre o estado civil e sobre a codificação civil, de grande valor como documento historico-litterario. O Conselheiro Alencar fundou com João de Almeida Pereira e outro collega quando estu- dava : - Ensaios litterarios. S. Paulo, 1847-1850 - Nesta revista publicou entre vários escriptos a - Biographia de Felippe Camarão - Depois collaborou para vários periódicos, como o Correio Mercantil e o Jornal do Com- merbio ; redigiu de 1856 em diante o Diário do Rio de Janeiro na parte política e litteraria e os dous seguintes: - Dezeseis de Julho : folha política e litteraria. Rio de Janeiro, 1869-1S70, 2 vols. in-fol. - com o dr. João Leonel de Alencar. - O Protesto : jornal de tres. Rio de Janeiro, 1877, in-4° - Além dos dous escriptos publicados depois da sua morte e de uma - Auto-biographia - de que foi apresentada na exposição de historia patria de 1880 uma parte com o titulo « Como e porque sou romancista». O Conselheiro Alencar deixou e estão inéditos os seguintes escriptos, de que dã noticia o dr. Araripe Júnior : - Os filhos de Tupan : poema epico. - Nictheroy : poemeto. - Rio de Janeiro : poemeto. JO 81 - Temora : poema epico. - Flor agreste : comedia. - O abbade: drama. - Gabriella : drama. - Borboleta : romance. - A neta de Anhanguera : romance. - A roceira: romance - que começou a ser publicado com o titulo «O fazendeiro». - A divina satyra: projecto de romance. - Memórias de um botão: projecto de romance. - Um aprendiz de ministro: projecto de romance. - Um desejo de Senio: projecto de romance. - Flor de amor: projecto de romance. - Escabiosa: (Sensitiva) perfil do mulher. - A filhado Belchior: chronica. - O pagem negro : chronica colonial. - O quináo do padre Feijò : fragmentos. - 0 Ilotano Brazil : fragmentos. - Trovas de um palerma : fragmento. - A lingua portugueza no Brazil. - Rascunhos de grammatica portugueza. - Metrificação do verso portuguez. - Introducção de um codigo civil. - Esboço de um codigo civil. - Processo perante o jury. - Questões forenses. - Paginas da historia inconstitucional. - Discursos diversos. - Poesias diversas. - Como e porque sou romancista - publicado depois no Rio de Janeiro, 189. (Por Domingos Magalhães). José Martinioiio de Souza - Natural da província, hoje estado de Pernambuco, e ahi professor da instrucção primaria aposentado, escreveu : - Tratado de aualyse phonetica grammatical, syntaxica e ló- gica com seus desenvolvimentos e applicações, seguido de um catalogo de palavras diversificáveis em significação, para comple- mento do mesmo assumpto. Recife, 1879, in-80. - Primeiras linhas de leitura. Novo e facil systema para uso das escolas. Recife, 1881, in-8°. 82 JO - Elementos de orthographia da lingua portugueza. Recife, 1892, in-8°. José Martiniano da Veiga JVolbrega -Natural, segundo penso, do Rio de Janeiro e professor primário de uma das escolas para o sexo masculino em Nitheroy, escreveu : - Observações a respeito de alguns artigos do regimento in- terno das escolas publicas da instrucção primaria da provincia do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1876, 17 pags. in-8.° José Martins da Cruz Jolbinx - Filho de José Martins da Cruz e dona Eugenia Fortes Jobim, nasceu na cidade do Rio Pardo, província do Rio Grande do Sul, a 26 de fevereiro de 1802 e falleceu no Rio de Janeiro a 23 de agosto de 1878. Depois de cursar as aulas do seminário de S. José, foi à Paris, onde fez o curso de sciencias naturaes e o de medi- cina, recebendo apoz o primeiro curso o titulo de bacharel, e apoz o segundo o de doutor em 1828. De volta á patria foi nomeado medico da imperial camara em 1831, lente de medicina legal da faculdade de medicina da côrte em 1833, e de 1841 em diante até seu fallecimento exerceu as funcções de director da mesma faculdade. Foi eleito deputado por sua província nas sé- tima e oitava legislatura e senador pela do Espirito Santo em 1851. Era do conselho de sua magestade o Imperador, membro titular da Academia imperial de medicina, antes sociedade de me- dicina de que foi fundador e presidente, membro correspondente da real Academia das sciencias de Nápoles, da de Lisboa, e de ou- tras associações scientiflcas e litterarias, commendador da ordem da Rosa e da de Christo - e escreveu : - Dissertation sur la vaccine: these presentée et soutenue à la Faculté de medecine de Paris pour obtenir le grade de docteur en medecine. Paris, 1828, in-4 0 gr. - These sobre a hydrophobia : assumpto que lhe coube em sorte no concurso para o logar de supplente das cadeiras de medicina da Academia medico-cirurgica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1831, in-4.° - Plano de organisação das escolas de medicina do Rio de Janeiro e Bahia, offerecido ás camaras legislativas. Rio de Janeiro, 1830, 15 pags. in-4.° - Discurso inaugural que na sessão publica da installação da Sociedade de medicina do Rio de Janeiro recitou, etc. Rio JO 83 de Janeiro, 1830, 24 pags. in-4° - Creio que são também de sua penna os - Estatutos da Sociedade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1830, 17 pags. in-4.° - Relatorio da commissão de visita das prisões, cárceres de conventos e estabelecimentos de caridade, nomeada pela camara municipal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1830, 49 pags. in-8° - Assignam também esse relatorio Cypriano José de Almeida, João Pedro da Silva Ferreira, Antonio Ribeiro Fernandes Forbes, José Augusto Cezar de Menezes e João da Silveira Pilar. - Elogio historico de Francisco de Mello Franco, lido na sessão publica da Sociedade de medicina do Rio de Janeiro em 24 de abril de 1831. Rio de Janeiro, 1831, 18 pags. in-8a- Sahiu também no Semanario da saude publica, tomo 1°; na Revista do Instituto his- torico, tomo 5° ; no Archivo Medico Brazileiro tomo 1°. - Sobre as hydropesias em geral. Rio de Janeiro, 1833, 8 pags. in-8.° - Sobre as moléstias que mais affligem a classe pobre : discurso lido na sessão publica da Sociedade de medicina a 30 de junho de 1835. Rio de Janeiro, 1835, 36 pags. in-4° - Sahiu antes na Revista Medica Fluminense, 1841, pags. 292 a 313 e 345 a 366. - Passa-tempo escolástico, no qual procura-se dar em dous discursos uma idéa exacta do que deve ser o verdadeiro medico. Trata-se de um caso julgado de ferimentos mortaes e refere-se á legislação do Brazil, relativa ao exercício da medicina e da Pharmacia. Rio de Janeiro, 1847, 103 pags. in-4.° - Exame das aguas mineraes de Santa Catharina. Cidade do Desterro, 1845, 2 pags. in-fol.- Sahiu depois no Archivo Medico Brazileiro, tomo 3°, pag. 29, e antes na Gazeta Official. - Sobre a asphixia : conferencia feita na escola da Gloria em o 1° de agosto de 1875. Rio de Janeirc, 1875, 32 pags. in-8.° - Relatorio da commissão de salubridade geral da sociedade de medicina do Rio de Janeiro sobre as causas da infecção da atmospher da côrte, approvado, etc. Rio de Janeiro, 1832, 37 pags. in-4°-Assignam também Cláudio Luiz da Costa e Agostinho Thomaz de Aquino. - Relatorio da moléstia de sua alteza a sereníssima Princeza senhora dona Paula Marianna. Rio de Janeiro, 1833, 15 pags. in-4° - Assignam também os drs. Francisco José de Sá, Fidelis Martins Bastos e J. Vicente Torres Homem. - Discurso pronunciado no acto de conferir o grau de doutor aos 27 de novembro de 1862. Rio de Janeiro, 1863, 23 pags. in-8.° 84 JO - Discurso, etc. a 16 de dezembro de 1864. Rio de Janeiro, 1864, 25 pags. in-8.° - Discurso etc. a 24 de novembro de 1865. Rio de Janeiro, 1865, 18 pags. in-8.° - Discurso, etc. em 1868. Rio de Janeiro, 1868, 31 pags. in-8°. - Discurso etc. em 1871. Rio de Janeiro, 1871, 18 pags. in-8° - Ha ainda muitos discursos por occasiâo dos actos de doutoramento e outros actos académicos, alguns dos quaes foram publicados em re- vistas, como o de 1843 que se acha na Minerva Brasileira, tomo Io, pags. 182 a 187; outros nunca foram publicados. - Discursos pronunciados na sessão de 1848 da camara dos depu- tados. Rio de Janeiro, 1848, 99 pags. in-4.° - Discurso do doutor etc. na sessão (do senado) de 1851. Rio de Janeiro, 1851, 21 pags. in-8.° - Discurso pronunciado no senado a favor da resolução da ca- mara dos deputados, restabelecendo o recurso á corôa, abolido incom- petentemente pelo decreto de 26 de março de 1857. Rio de Janeiro, 1869, in-4° - Acha-se unido a um outro discurso do senador F. J. Furtado. - Conferenca feita na escola da Gloria no dia Io de agosto de 1875 sobre a aspLixia. Rio de Janeiro, 1875, in-8.° - Conferenc a pronunciada a 11 de outubro de 1876 sobre a his- toria de Portugal. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° - Conferenc a sobre factos históricos da edade média, relativos á invasão dos barbí ros, ao feudalismo e à cavallaria errante; proferida em 16 de julho de 1876. Rio de Janeiro, 1876, in-8° - Sei que escreveu ainda um - Plano de organisação da escola medica, creando doze cadeiras - o qual nunca vi, assim como discursos, e vários escriptos sobre assumptos medicas, publicados em revistas, e particularmente na - Revista Medica Fluminense depois Annaes de Medicina, etc. da qual foi, com o dr. J. C. Soares de Meirelles, o primeiro redactor em 1835. Ahi se acha, por exemplo, sua - Noticia das tentativas para restituir á vida os dous últimos enforcados, etc. no vol. 3o, pags. 94 e segs. José Martins Pereira de -Adencastre - Na- tural da Bahia, nasceu na freguezia do Rio-Fundo, districto da cidade de Santo Amaro, a 19 de março de 1831, e falleceu no Rio de Janeiro a 12 de março de 1871. Pobre dos bens da fortuna, mas rico de intel- ligencia, poude apenas aprender em sua província algumas matérias JO 85 de humanidades. Lutando sempre com a adversidade, foi em 1851 para Piauhy e ahi serviu successivamente os cargos de promotor publico interino em Oeiras, procurador fiscal da thcsouraria geral, e por ultimo de professor da lingua portugueza no lyeeu da capital. Passando-se em 1857 para o Rio de Janeiro, foi logo nomeado official da secretaria da marinha ; mas poucos dias depois de empossado desse logar, foi despachado secretario do governo da província do Paraná, onde se achava ainda no anno seguinte quando recebeu a nomeação de official do conselho naval. Serviu também o cargo de secretario do governo do Rio Grande do Sul de 1859 a 1861 ; presidiu a província de Goyaz e depois a de Alagoas, sendo então transferido do conselho naval para a secretaria da agricultura com a nomeação de chefe de uma de suas secções, e ahi se conservou até sua morte. Era com- mendador da ordem de Christo, socio do Instituto historico e geo- graphico brazileiro, e escreveu: - Lagrimas e saudades : poesias. Bahia, 1852, in-8°. - O cavalleiro da cruzada : romance em verso - Sahiu no Athe- neo da Bahia, pags. 152 a 155 e 170 a 172. - Oe jesuítas - Idem, pags. 18, 27, 47 e 65 e segs. - Memória chronologica, histórica e corographica da província do Piauhy -Na Revista do Instituto historico, tomo 20°, pags. 5 a 164. - Annaes da província de Goyaz - Idem, tono 27°, parte 2a, pags. 5 a 186, e 229 a 349 e tomo 28°, parte 2a, pags. 5 a 167, occupando, portanto, cerca de 470 pags. - Notas diarias sobre a revolta que teve logar nas províncias do Maranhão, Piauhy e Ceará pelos annos de 1838, 1839, 1840 e 1841, escriptas em 1854 à vista de documentos officiaes - Idem, tomo 35°, parte 2a, pags. 423 a 483. - Conego Luiz Antonio da Silva e Souza: biographia - Idem, tomo 30'», parte 2a, pags. 241 a 256. - Martyrío: curiosidade histórica - E' um trabalho que deixou inédito (e como este talvez outros) para cuja apresentação se inscre- vera elle na sessão do Instituto de 12 de maio de 1864. José Matlieus de Ag uiar Cardozo - Filho do tenente-coronel Felix Zeferino Cardozo e irmão do dr. Fausto de Aguiar Cardozo, já mencionado neste livro, nasceu no município da Divina Pastora, Sergipe, a 26 de abril de 1864 e falleceu no Amazo- nas a 2 de maio de 1895. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, foi lente de sociologia e moral do instituto nacional superior 86 JO do Amazonas, e exerceu cargos de magistratura, quer neste estado quer no de seu nascimento e no do Rio de Janeiro. Escreveu: -- O problema do século : introducção a um livro inédito. Rio de Janeiro, 1893, 48 pags. in-8.° José Maurício Fernandes Pereira de Ba,r- ros - Filho de José Manuel Fernandes Pereira de Barros, Barão da Gamboa, e dona Del fina Margarida de Birros, Baroneza do mesmo titulo, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 22 de setembro de 1824 e é bacharel em bellas-lettras pela universidade de Sorbona, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, sub-director da directoria geral das rendas publicas aposentado, agraciado com o titulo de conselho do Imperador d. Pedro II, commendadorda ordem da Rosae cavalleiro da de Christo, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da de Estatística e de outras. Via- jou pela Europa e, voltanto á patria, foi delegado de policia na còrte, secretario do governo do Rio Grande do Sul durante a campanha contra o dictador Rozas, official de gabinete do ministério da fazenda em 1854, ajudante do juizo dos feitos da fazenda em 1855, d'onde passou ao logar em que foi aposentado, exercendo por vezes, interinamente o de dire- ctor geral do contencioso e o de director geral das rendas do thesouro. Administrou a província do Espirito Santo, onde, no anno de 1856, organisou a guarda nacional que fez sua primeira parada a 2 de de- zembro ; mandou abrir a estrada |de ferro de S. Matheus para Santa Clara ; fundou a colonia Leopoldina e fez outros melhoramentos. Collaborou em vários regulamentos fiscaes, como o do sello, o da taxa de escravos, o de profissões e industrias e o de 20 de abril de 1870 sobre alfandegas. Escreveu: - Apontamentos de direito financeiro brazileiro. Rio de Janeiro, 1855, 445 pags. in-4°. - Constituição política do Império do Brazil, seguida do acto addi- cional, lei de sua interpretação e lei do conselho de estado ; augmen- tada com as leis regulamentares, decretos, avisos, ordens e portarias que lhes são relativos e que desde o acto de sua promulgação até o presente se tem expedido por F. I. de Carvalho Moreira, e conside- ravelmente accrescentada de annotações feitas por etc. Rio de Janeiro, 1855, 166 pags. in-8.° - Considerações sobre heranças jacentes e analyse do art. 6, §§ Io e 2o da Constituição, acompanhadas do regulamento de 9 de maio de 1842, annotado com todas as ordens, decretos e instru- cções, que desde sua publicação têm sido expedidos, explicando ou JO 87 modificando muitas de suas disposições. Rio de Janeiro, 1858, 181 pags. in-4.° - Relatorio da commissão de inquérito nomeada por aviso do ministério da fazenda de 10 de outubro de 1859. Rio de Janeiro, 1860 - E' escripto de collaboração com o dr. José Carlos de Almeida Arêas e Antonio José de Bem. - Considerações sobre a situação financeira do Brazil, acompa- nhadas da indicação dos meios de occorrer ao déficit do Thesouro. Rio de Janeiro, 1867, 134, pags. in-8°, com uma tabella. - Relatorio sobre a reforma das leis de navegação em relação á cabotagem. Rio de Janeiro, 1863. - Projecto da tarifa especial das alfandegas para as fronteiras do Rio Grande do Sul - Acha-se annexo ao relatorio da fazenda de 1863. - Pareceres sobre a situação financeira do Brazil - Nos relato- rios da fazenda de 1869 e 1879. José Maurício IViines Garcia, Io-Filho de Apol- linario Nunes Garcia e dona Victoria da Cruz, nasceu no Rio de Ja- neiro a 22 de setembro de 1767 e falleceu a 18 de abril de 1830. Presbytero secular, dotado de talento e de illustração, com vastos co- nhecimentos da historia sagrada e da profana, versado nas linguas latina, ingleza, italiana, franceza, e também na grega, poderia al- cançar uma posição brilhante na carreira das lettras ; mas uma paixão fervorosa pela musica o dominava. Muito joven, foi proposto por seu mestre de philosophia, o dr. Goulão, para substituto de sua cadeira ; mas elle recusou o cargo, leccionando, comtudo, por algum tempo, essa sciencia para satisfazer o mestre, ao passo que leccionava a arte de sua predilecção ás primeiras familias do Rio de Janeiro. Só a musica lhe enchia a alma : tocava piano, orgão, cravo e viola, e reproduzia com a maior facilidade o que ouvia executar ; cantava perfeitamente com uma voz bellissima e improvisava melodias sua- vissimas ; ra em summa um compositor maravilhoso, um musico no genero sacro, como nunca Portugal e o Brazil tiveram igual, como nunca o mundo inteiro teve superior, attendendo-se a que nunca sahiu da colonia, nem frequentou escola alguma regular. D. João VI admittia-o no paço desde que, ou vindo-o uma vez, tão tocado de en- thusiasmo ficou, que, tirando do peito do Visconde de Villa Nova da Rainha a venera da ordem de Christo, collocou-a no do padre musico, em plena côrte, em 1810. Marcos Portugal, ao chegar ã côrte no primeiro encontro que teve com elle no paço, perante a familia real, deu-lhe para executar ao piano uma das mais diíBceis serenatas do 88 40 grande compositor allemao, desconhecido no Rio de Janeiro, Haydn, eJosé Maurício executou-a, como si a tivesse estudado, arrancando applausos do proprio Marcos, que lhe chamou irmão, abraçando-o. Neukomm, o celebre discipulo do celebre Haydn, c compositor do es- tupendo concerto de tres mil artistas, executado na inauguração da estatua de Gutenberg e que veio ao Brazil como mestre de contra- ponto, disse que José Maurício era o primeiro dos improvisadores do mundo. « Ninguém me lembra tanto o mestre, disse elle ainda,como esse mulato genial. » O Visconde de Taunay chamou-o «o genio da musica no Brazil. » Sendo mestre de capella da cathedral, foi nomeado inspector da musica da real capella por d. João VI, que de Portugal lhe escreveu um i carta, lamentando não tel-o levado com sua côrte. Foi também prégador estimado. Podem-se consultar a seu respeito os trabalhos de Porto Alegre e do dr. Moreira de Azevedo, na « Re- vista do Instituto », tomos 19° e 34°, os do citado Visconde na « Re- vista Musical e de Bellas Artes » e na imprensa diaria, além de outros publicados no estrangeiro. E' impossível dar uma noticia com- pleta de suas obras ; delias, porém, mencionarei : - Composições musicaes, escriptas para a capella real até 6 de se- tembro de 1811 - Sobem a mais de duzentas e constam de uma re- lação que vem na « Revista do Instituto», tomo 22°, pags. 504 a 506, conforme as notas do proprio punho do autor. O total, porém, de su is composições musicaes, como disse o Visconde de Taunay na Gazeta de Noticias de 17 de novembro de 1880, sobe talvez a quatro- centas e consta de missas, Te-Deums, credos, psalmos, ladainhas, antíphonas, mottetos, responsorios, matinas, novenas, solos, offlcios fúnebres, peças theatraes, ouverturas, sonatas, hymnos, arias e mo- dinhas. Muitas dessas composições existiam no archivo da antiga capella imperial, baralhadas e em confusão quasí irremediável ; outras andam por mãos particulares, que não lhes dão o devido apreço ; algumas totalmente perdidas 1 O distincto escripturario do thesouro e também distincto musico, Joaquim José Maciel, encar- re?ando-se do exame e classificação das musicas existentes na ca- pella mencionada, apresentou em 1888 um catalogo, onde se acham 241 peç^s do padre José Maurício, isto é : - Missas - Vinte, sendo uma com libera-me, para defunto. - Credos - Nove. - Psalmos - Noventa e tres. - Cânticos - Vinte e tres. - Hymnos - Vinte e nove. - Mottetos - Trinta e oito. JO 89 - Sequências - Sete, sendo tres seguidas de oflfertorios. - Te-Deums- Cinco. - Ladainhas - Quatro. - Matinas - Sete. - Novenas - Quatro. - Antiphonas - Duas. Todas estas operas estão archivadas na cathedral do bispado, e creio que é dessa collecção a - Missa pastoril, escripta expressamente para as festas do Natal e dos Reis pelo padre José Maurício, e que foi cantada na cathedral da capital federal na festa da Epiphania a 6 de janeiro de 1891. A mais antiga data de taes operas é de 1788 e a menos antiga destas é a - Novena de Nossa Senhora do Carmo, composta com todo in- strumental por ordem de S. M. o Imperador no anno de 1824 e redu- zida a quatro vozes e orgão em 1832, depois da morte do autor. Ha, entretanto, peças religiosas do grande compositor brazileiro que não estão incluidas no catalogo de J. J. Maciel, como as que passo a mencionar : - Missa e credo da degolação de S. João Baptista, á grande instrumental - Esta missa foi escripta em vinte dias em um passeio que o autor fazia pela fazenda de Santa Cruz, ao passo que Marcos Portugal, a gloria da musica portugueza, que fôra com razão admi- rado na Italia e em grande parte da culta Europa, gastou um mez, compondo as matinas a orgão e duas vozes. - Missa e credo de Santa Cecilia - O original foi offerecido ao Instituto historico pelo dr. José Maurício, filho do autor e alli se conserva no archivo dessa sociedade ; foi a sua ultima partitura, composta em 1826. - Missa de requiem - que foi muito applaudida no Rio de Ja- neiro e em muitos pontos, iguala-se com a obra prima de Mozart, esforço ultimo da mais esplendida organisação musical que se tem conhecido. A partitura existe. - Symphonia fúnebre - que foi executada nas exequias do autor. - Le dzie Gemelle, drama em musica com instrumental e partes cantantes - Foi escripto, de ordem de d. João VI, para o theatro de S. João. Uma cõpia desta opera perdeu-se no incêndio do theatro ; o original ficou em poder de Marcos Portugal, como se declara no inventario, feito em 1821, da musica do real thesouro. - Ouvertura da tempestade - Foi escripta para o elogio drama- tico representado no anuiversario natalício do Vice-Rei d. Fernando José de Portugal, depois Marquez de Aguiar. 90 JO - Doze divertimentos de sopro - Foram compostos para a banda de musica que viera da Allemanha acompanhando a primeira Impe- ratriz do Brazil. As partituras foram subtrahidas da casa do autor no dia do seu enterramento, mas o Conde de Farrôbo guardava com muita estimação uma cópia em seu archivo. Diz-se que o povo ag- glomerava-se em frente á casa do autor quando se faziam os ensaios. Na mesma occasião do enterro foi subtrahido de sua casa um - Compendio de contra-ponto e de harmonia - concluído poucos dias antes de sua morte. M. de Araújo Porto Alegre o viu em cima de uma mesa, e sobre uma folha de papel um circulo movediço em que se viam marcados todos os tons, e que, movido em qualquer sen- tido, apresentava em roda um systema completo de harmonia. Esse engenhoso invento de José Mauricio desappareceu com o seu tratado de contra-ponto. Quanto aos seus sermões, penso que nunca os escreveu. Só sei do -• Sermão dos Santos Innocentes na festa celebrada na Capella Imperial - Delle faz menção o dr. Moreira de Azevedo, dizendo que e vai eu o titulo de prégador regio. Depois de escripto este artigo e publicado no Jornal do Brazil por occasião de tratar-se das obras do immortal maestro brazileiro, vi na Gazeta de Noticias de 25 de fe- vereiro deste anno a relação das obras completas (112 composições) do padre José Mauricio, « esse mulato genial que encheu o principio deste século com o brilho de seu talento.» Estas obras acham-se em poder do illustrado doutor Rodrigues e já não correm o risco de se perderem. Eis a relação completa dos originaes, constante desta folha: Offlcio e missa de defuntos (encadernado), 1816. Missa da Conceição (partitura), 1808, Missa pequena, n. 9. Missa de grande orchestra, n. 3. Matinas da Conceição, n. 56. Magniflcat, n. 23. Credo, n. 48. Te-Deum, n. 78. Novenas, n. 18. Te-Deum (alternado), n. 80. Ollicio de defuntos (pequeno), n. 7, reduzido a quatr) vozes. Orchestra, n. 85. Ejaculatoria, n. 16. Magniflcat (orgão), n. 50. Motteto para quinta-feira santa, n. 61. JO 91 Gradual de S. Sebastião, n. 66. Missa pequena, n. 14. Idem por S. Pedro de Alcantara, n. 11. Te-Deum (pequeno), orgão, n. 76. Te-Deum (orchestra), n. 75. Sete versos a Nossa Senhora, n. 58. Christus factus, n. 57. Gradual (sabbado d'Alleluia), n. 81. Idem, idem, n. 72. Tota pulchra (1783), n. 73. Offertorio a S. Miguel (1798), n. 74. Antiphonade Nossa Senhora, n. 71. Partitura a orgão (matinas, missa, libera-me e memento). Partitura pequena, n. 35. Tantum ergo, n. 46. Motteto para quinta-feira santa (1809), n. 15. Partitura, n. 28. Credo, n. 47. Motteto dos Passos, n. 29. Missa pequena (1811), n. 32. Novena da Conceição, n. 3. Symphonia fúnebre (1790), n. 4. Gradual da alleluia (1799), n. 59. Idem para domingo da Paixão, n. 70. Idem para o dia de Corpus Christi, n. 58. Motteto de 1812, n. 30. Gradual de Sant'Anna, n. 91. Idem de S. Lourenço, n. 92. Idem para quinta-feira santa, n. 93. Idem para o Santissimo Sacramento, n. 94. Idem de Sant'Anna (1798), n. 95. Idem de Nossa Senhora, n. 96. Idem para domingo da Paschoa, n. 97. Idem para a festa dos Reis, n. 98. Duetto de tenores (1819), n. 99. Te-Deum, n. 79. Benedictus (1815), n. 27. Motteto S. João Baptista (1810), n. 71. Solo do Qui scistis, n. 24. Laudamus, n. 89, Gradual de S. Lourenço, n. 88. 92 JO Solo de soprano, n. 87. Gradual, da Ascenção (1799), n. 86. Idem para o dia de Natal, n. 84. Idem para o Coração de Jesus, n. 83. Idem para a Santíssima Trindade, n. 82. Idem para a quinta-feira santa, n. 43. Novena para o Santíssimo Sacramento (Í822), n. 25. Gradual para o terceiro dia de Natal, n. 37. Idem, idem, n. 46. Trezenas de S. Francisco de Paula, n. 26. Novenas da Conceição (1798), n. 20. Benedictus, n. 21. Lava-pés, n. 22. Matinas de Santa Cecília, n. 50. Laudamus, original (1821), n. 110. Missa de Nossa Senhora do Carmo (1818), n. 36. Ladainha de Nossa Senhora do Carmo (1811), n. 111. Regina Cceli, n. 55. Populus meus, n. 54. Solo do Qui scistis, n. 58. Missa, n. 40. Laudate pueri (1820), n. 109. Missa pequena, n. 12. Credo pequeno, n. 49. Missa grande, n. 6. Requiem (partitura encadernada), n. 116. Missa de defuntos, partitura (1809), n. 75. Motteto para a festa do Santíssimo Sacramento, n. 62. Antiphona do Carmo, n. 63. Gradual da missa do Gallo, n. 64. Missa (partitura), n. 117. Libera-me (1799), n. 114. Missa de defuntos (1799), n. 113. Idem a quatro vozes, n. 39. Novenas de S. Pedro, partitura (1814), n. 103. Motteto, n. 39. Hymno (Ave Maria Coeli), n. 40. Ladainha, n. 104. Credo, n. 105. Missa de 1811, n. 33. Gradual dos Apostolos, n. 75. JO 93 Jubilemus, n. 36. Motteto (1800), n. 42. Gradual de S. Miguel, n. 38. Missa, n. 60. Sacrum convivium (exposição do Santissimo Sacramento), n. 65. Credo de 1803 (partitura), n. 106. Motteto- Filius Jerusalemi, n. 69. Laudate Domine, n. 112. Vesperas de Nossa Senhora (1794), n. 100. Laudate, 1813, n. 101. Gradual, noite de Natal, 1793, n. 107. Idem, idem, 1793, n. 108. Officio de defuntos, n. 115. Responsorio (partitura), n. 102. Motteto para os domingos, n. 52. Depois de ter dito o illustrado Visconde de Taunay que em si se alvoroçou um mundo de impressões difficeis de reproduzir e explicar, assim se exprime : « Corri os olhos pelo Officio e Missa de Defuntos de 1816, feito, sem duvida, para as exequias de D. Maria I. Quantas bel- lezas de relance pude descobrir! Que suavissimo Kgnus Dei cheio de simplicidade e uncção, deliciosa inspiração de pureza e gracilidade, cousa comparável, senão superior, ao Agnus Dei de Verdi, no seu Re- quiem! e os Responsorios quanta gravidade e sinistra grandeza! Que lancinantes brados da creatura miserável e anniquilada pela morte á clemencia do Creador! Santo Deus de justiça ! Como é que um homem destes a pouco e pouco se tornou desconheci lo! Como se foi afundando nas trevas da ingratidão e do esquecimento astro de tamanha gran- deza ! Tenhamos fé, ha de resurgir e ahi para nunca mais se obum- brar.» O Instituto historico possue : - As duas ultimas partituras do padre José Mauricio (autogra- pho), 1826, 138 pags. José Maurício Nunes Garcia, 2° - Filho do prece- dente, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 10 de dezembro de 1808 e falleceu a 18 de outubro de 1884. Era formado em cirurgia pela an- tiga academia medico-cirurgica, doutor em medicina, professor jubi- lado da cadeira de anatomia descriptiva da faculdade de medicina da côrte, professor honorário da secção de sciencias accessorias da impe- rial Academia de bellas-artes, membro honorário da Academia impe- rial de medicina, membro correspondente da real Academia das sciencias de Lisboa, membro eífectivo do Instituto historico e geogra- 94 JO phico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional e de outras associações de sciencias e lettras; offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro da ordem de Christo e commendador da ordem portugueza de igual titulo. Grande medico e distincto parteiro, especialidade a que se dedicou desde 1827, foi também musico, e sel-o-hia tão afamado, quanto foi seu pai, si não tivesse abraçado profissão tão diversa. Tal era sua vocação pelas bellas-artes, que, sem ter aprendido desenho, fez o retrato de seu pai, o qual mandou lithographar para ornar uma col- lecção de peças de musica, a este offerecidas, e o seu proprio, a oleo, que pertence hoje á faculdade de medicina. Escreveu : - Ensaio sobre o ministério das manobras em geral, demonstrado por classes : these apresentada no concurso à cadeira de partos a 26 de março de 1833. Rio de Janeiro, 1833, in-4°- Completam este es- cripto dous mappas : o mappa demonstrativo dos conhecimentos que o parteiro pôde tirar das apresentações do feto em geral, segundo mr. Maygrier e o mappa demonstrativo do ministério das manobras em geral, seguido dos conhecimentos dos differentes estados da mulher e do feto, da necessidade delias, dos meios de usal-as, de suas conse- quências para a mãi e para o feto, e de suas terminações em geral. - Dissertação inaugural sobre o valor therapeutico dos hemosta- ticos de Parée e de Amussat, ou a ligadura e a torção das artérias em parallelo : these apresentada por occasião do concurso ao logar de lente proprietário da cadeira de operações, anatomia topographica e apparelhos. Rio de Janeiro, 1838, 105 pags. in-4.° - Methodo de demonstrar o apparelho da audição : these apresen- tada por occasião de concurso ao logar de lente proprietário da ca- deira de anatomia descriptiva. Rio de Janeiro, 1839, 26 pags. in-4.° - Nova fôrma de apreciar os ferimentos do peito com offensa du- vidosa das entranhas: memória extrahida da Gazeta dos tribunaes e offerecida ao Illm. Sr. Dr. José Maurício Nunes Garcia por um advo- gado da justiça. Rio de Janeiro, 1847, 117 pags.-- Como se vê, foi antes publicada em uma revista e o autor quiz não só occultar seu nome, como até arredar de si qualquer supposição, para ver de que modo era recebido seu trabalho. - Curso elementar de anatomia humana ou lições de anthropoto- mia. Rio de Janeiro, 1854 - 1855, 2 tomos de 354 e 431 pags. in-4.° - Estudos sobre a photographia physiologica: memória dirigida ao dr. Luiz Vicente de Simoni. Rio de Janeiro, 1857 9 pags. in-4° de 2 cols.- Vem também nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 11°, pags. 205 e segs. Trata-se de uma questão physiologica: si na retina, principalmente dos indivíduos que se suicidam e dos que succumbem a JO 95 qualquer violência, repentinamente, fica gravada a imagem dos obje. ctos a ella sujeitos nos últimos momentos da vida ; facto que o autor nega. - A memória do Sr. dr. V. Saboia sobre os phenomenos meca-. nicos do parto, estudados debaixo de um ponto de vista inteiramente novo, como nella se diz, e impugnações immediatas do Sr. dr. A., medico parteiro brazileiro, aos diversos artigos de critica, refutação, estudos e protesto, extrahidos do Correio Mercantil. Rio de Janeiro, 1861, 131 pags. in-8° - Foi publicado este trabalho sob o anonymo, e sob o titulo de Revista obstétrica com a promessa de continuar. - Memória sobre a torção e ligadura das artérias. Rio de Janeiro. - Discurso pronunciado na abertura do curso de anatomia da Es- cola de medicina do Rio de Janeiro e publicado pelos alumnos, etc. Rio de Janeiro, 1839,39 pags. in-4.° - Discurso pronunciado por occasião da abertura da aula de ana- tomia, etc. Rio de Janeiro, 1840, 40 pags. in-4.° - Discurso lido na abertura do curso de anatomia descriptiva, etc., em 17 de março de 1857. Rio de Janeiro, 1857, 20 pags. in-4°-■ Ha outros escriptos em revistas, como: - A febre meningo-gastrica dos AA., de caracter pernicioso com o typo subentrante, curada com muito alta dóse de sulfato de quinino, etc. - Nos Annaes Brazilienses de medicina, tomo 2o, pags. 273 esegs. - Considerações clinico-pathologicas sobre a elephantiases dos arabes e sua therapeutica- Idem, pags. 201, 379 e segs. - Memória sobre os ferimentos do estomago e sua therapeutica, apresentada á Academia imperial de medicina pelo dr. José Pereira Rego em dezembro de 1884 - O dr. Nunes Garcia foi fundador e re- dactor da - Revista obstétrica, jornal mensal, scientiflco, humanitário, cri- tico, especialmente destinado áscontrovérsias medicas e pharmaceuticas. Rio de Janeiro, 1861, 265 pags. in-4° - Collaborou antes disto para o Anti-charlatão, folha publicada em 1846, para dar combate á homoepa- thia, escrevendo uma serie de artigos com o pseudonymo de Calvinista, e finalmente publicou: - Mauricianas. Rio de Janeiro, 1851 - São 65 peças de musica com poesia, offerecidas a seu pai, com o retrato deste, desenhado pelo autor. José Máximo IVogueira Penido- Filho do doutor Jeronymo Máximo Nogueira Penido e dona Emilia Luiza de Athayde Gomide Penido e irmão de dona Emilia Augusta Gomide Penido e do 96 aro doutor Jeronymo Máximo Nogueira Peuido, ambos mencionados neste livro, nasceu em Minas Geraes no anno de 1844 e fez o curso de sci- encias sociaes e juridicas pelas faculdade de S. Paulo, onde recebeu o grão de bacharel em 1866. Foi um dos decididos propagadores da abolição do elemento escravo, já publicando artigos nesse sentido em vários orgãos da imprensa periódica, já escrevendo: - O elemento servil. Rio de Janeiro, 1882, 30 pags. in-12.° - A abolição e o credito. Rio de Janeiro (sem data da publicação, mas de 1885), 51 pags. in-8°- E' um interessante trabalho, offerecido ao Barão de Cotegipe, conselheiro Paulino José Soares de Souza e con- selheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, terminando com as bases para a formação de um banco de credito territorial e mercantil. Na folha de titulo, após a palavra abolição acham-se como epigraphe as seguintes palavras: « De todos os bens do homem é o mais estimável a-liberdade. E em o paiz onde ha escravos ninguém é livre, são uns escravos do abuso, outros o são do erro ! » Depois da palavra Credito, acham-se: « O credito que se estabelece em base immoral - é tão frágil como o edifício que se levanta sobre movediça areia, pois que àquella falta a confiança, como a esta a solidez. » E antes destes dous trabalhos escre- veu elle : - A providencia ou Carlos e Olympia : romance. Rio de Janeiro, 1873, 270 pags. in-8°- O autor offerece este livro a seus pais. José d.e Mello Carvalho Moniz Freire - Filho do doutor Manoel Feliciano Moniz Freire, nasceu na capital do Espirito Santo a 13 de julho de 1861 e é bacharel pela faculdade de direito de S. Paulo. Dedicando-se á imprensa e á política, foi depu- tado provincial em varias legislaturas até 1889, neste anno deputado geral, depois ao congresso republicano constituinte, e ao primeiro congresso que se seguiu, no qual não tomou assento por ter sido eleito presidente do estado de seu nascimento. Depois de exercer este cargo de 1892 a 1896, foi como representante deste estado â Paris em commissão importante. Escreveu : - Cartas ao Imperador. Victoria, 1886, 33 pags. in-8° - São sete cartas em que se pede com razões justificativas uma via-ferrea da cidade da Victoria á Natividade. No jornalismo fundou e redigiu : - A Aurora: periodioco litterario. Victoria, 1875 - Era o fun- dador estudante de preparatórios e teve por companheiros nesta publicação dous collegas seus. Redigiu depois: - A Liberdade. Periodico hebdomadario, litterario e scientiflco. Victoria, 1876. JO 97 - Gazeta Académica: de sciencias e lettras. Publicação mensal. Recife, 1879 in-fol. - O Liberal Académico. S. Paulo. - A Provinda do Espirito Santo. Victoria, 1882 - Esta folha foi a que mais durou e foi a primeira folha diaria que teve o Espirito Santo, sendo orgão do partido liberal. José de Mello Pacheco <le Rezende - Filho do dr. Josó de Mello e dona Eufrazia Luiza Pacheco de Rezende, nasceu em Coimbra a 1 de julho de 1793 e falleceu em 1863 ou 1864 ; sendo brazileiro pela constituição do império, major reformado do exercito, cavalheiro da ordem de S. Bento de Aviz, condecorado eom a medalha da campanha cisplatina em Montevidéo de 1817 a 1822, a medalha da grande guerra peninsular, e a da victoria. Militou na arma de cavallaria. Escreveu: - Instrucções do jogo de espada a pé e a cavallo para serem postas em pratica na escola militar e nos corpos de cavallaria e de artilharia montada do exercito do Brazil. Rio de Janeiro, 1839, in-8.° - Instrucções de infanteria para uzo dos corpos da dita arma, com especialidade dos corpos de fuzileiros navaes e imperiaes mari- nheiros e para a guarda nacional, compilada entre as melhores e mais modernas. Rio de Janeiro, 1846, in-8° - Segunda edição, 1854, 164 pags. in-8°, com figuras. - Instrucções de cavallaria para uso dos corpos desta arma e da guarda nacional, contendo além da escola a pé, o jogo da espada e as evoluções convenientes. Rio de Janeiro, 1859, 198 pags. in-8.° - Arte americana de amançar cavavallos, sua historia e diffe- rentes methodos, formando um completo compendio de todos os sistemas até agora conhecidos por John A. Barey, com estampas explicativas; traduzida etc. Rio de Saneiro, 1858, 64 pags. in-8.° - Novo Manual do bom tom, contendo moderníssimos preceitos de civilidade, politica, conducta e maneiras em todas as circumstancias da vida; traduzido do francez de Luiz Viradi e offerecido ao publico brazileiro por um amigo da mocidade. Rio de Janeiro, 1859, in-8° - Esta e as duas ultimas obras sahiram sob o anonymo. - José Mendes da Costa Coellio - Natural da Bahia, nasceu nos últimos annos do século passado e falleceu pelo meiado do actual, exercendo a profissão de advogado provisionado pela relação dessa província. Era condecorado com a medalha da JO 98 campanha da independencia em sua província, na qual serviu o cargo de offlcial da secretaria do governo provisorio. Escreveu: - Entretenimentos de Phocion sobre a relação do moral com a política, traduzidos do grego em francez pelo abbade de Mably e em linguagem vulgar, etc. Bahia, 1826, 112 pags. in-8° - Vi deste autor não me occorre em que livro: - Discurso recitado no 3o dia do sétimo mez do anno 1837 da V. •. L. •. Gap. •. Humanidade em o acto da posse do presidente, etc. - Pags. 48 a 55. José Mendes d.e Paiva-Nascido em Portugal e brazi- leiro por naturalisação, falleceu em Petropolis a 12 de dezembro de 1886, presbytero secular ordenado pelo bispo Conde de Irajá, e conego honorário da capella imperial e monsenhor. Todo dedicado ã edu- cação da mocidade, fundou e dirigiu nesta cidade um importante e conceituado collegio de instrucção do sexo masculino, o collegio epis- copal de S. Pedro de Alcantara, do qual sahiram muitos jovens que tem cccupado no Brazil posição distincta o altamente collocada. Para com mais segurança attingir a seu notável empenho viajou pela Europa por espaço de quatro annos, estudando os melhoramentos introduzidos na educação moral, litteraria e physica da mocidade. No seu estabelecimento leccionou o conego Paiva, latim, rhetorica, philosophia e theologia. Escreveu: - Sermão pregado a 15 de agosto de 1853 na igreja de Nossa Se- nhora da Gloria por occasião de uma missa nova, cantada por seu irmão Joaquim Mendes de Paiva, ordenado a 7 deste mesmo mez. Rio de Janeiro, 1853, 43 pags. in-8.° - Ao Escm. e Revm. Sr. D. Manoel Joaquim da Silveira por occasião de ser sagrado bispo do Maranhão na imperial capella e ca* thedral desta côrte a 25 de janeiro de 1852. Rio de Janeiro, 1852, 11 pag., in-4°~-E' uma saudação. - Methodo de analyse e traducção da lingua latina, dedicado a S. Excelllencia Reverendíssima, o Sr. Bispo Conde Capellão-mór, etc. Rio de Janeiro, 1849, 45 p?gs. in-4° - Na introducção deste livro declara o autor haver composto uma - Grammatica da lingua latina - e que tendo-a entregado ao padre mestre Motta para corrigil-a, foi perdida por occasião da morte deste. - Relatorio apresentado ao Illm. e Exm. Sr. Euzebio de Queiroz Coutinho Mattoso da Gamara, conselheiro de estado, etc., etc., em 3 de outubro de 1862. Rio de Janeiro, 1862, 40 pags. in-4° - Foi es- jro 99 cripto em satisfação a um pedido do conselheiro Euzebio, director da instrucção publica para communicar-lhe o resultado de seus estudos na Europa. - Estatutos do collegio episcopal S. Pedro de Alcantara no palacio do Rio Comprido. Rio de Janeiro, 1868, 71 pags. in-8°-Começa por considerações geraes até a pagina 32 e termina com a descripção do edifício. U. Frei José do Menino Jesus, Bispo de Vizeu- Natural da Cachoeira, província da Bahia, falleceu em Castellões, bispado de Vizeu, em Portugal, a 13 de janeiro de 1791. Sendo car- melita descalço, mestre de theologia sagrada, prégador regio e examinador synodal, foi eleito bispo do Maranhão e tomou posse por procuração a 5 de junho de 1781 ; mas, sem ter ido nunca á diocese, foi transferido para o bispado de Vizeu, onde fez sua entrada solemne a 8 de dezembro de 1783. Foi um bispo illustrado, generoso e amante de obras d'arte. Só conheço, porém de sua penna : - D. Frei Josè do Menino Jesus, bispo do Maranhão. Pastoral. Lisboa, 1782, in-fol. José Miguel de Siqueira - Natural de Minas Geraes e official superior da guarda nacional, foi deputado á assembléa pro- vincial e escreveu: - Questão religiosa : discurso proferido na sessão de 27 de no- vembro de 1873 na Assembléa de Minas Geraes. Ouro Petro, 1874, 47 pags. in-4.° - Educação religiosa-Pedagogia, S. Paulo, anno 2o, 1881 - 1882, ns. 45 e seguintes. O segundo capitulo tem por titulo - A oração sob as luzes da philosophia e da poesia também. José Miralles - Natural da Bahia e nascido no século 17°, foi tenente-coronel do regimento de caçadores da cidade de S. Salvador e socio da academia brazileira dos renascidos, fundada na mesma cidade a 6 de junho de 1759, celebrando sua ultima sessão a 76 de abril de 1860. Escreveu : - Historia militar do Brazil de 1547 a 1652 - Este livro nunca oi publicado, nem sei onde pára. Foi este trabalho e o Culto métrico do dr. José Pires de Carvalho e Albuquerque, osdous únicos trabalhos lidos na citada academia que appareceram depois que o governo da me- trópole mandou debandal-a « para não propagar idéas que pudessem ser contrarias ao interesse do Estado », sendo agarrado seu venerando 100 ao presidente, o venerando conselheiro José Mascarenhas Pacheco Pe- reira Coelho de Mello e mettido incommunicavel em profundo cárcere por fórma tal, que sua própria familia o considerava morto. José de Miranda <l:t Silva Reis, Barão de Miranda Reis -Filho de Domingos da Silva Reis, nascido no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1824, é bacharel em mathematicas pela antiga escola militar, marechal reformado do exercito; ministro do supremo tribunal militar, commendador da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz, cavalleiro da do Cruzeiro e da ordem romana de S. Gregorio Magno, condecorado com a medalha da campanha do Paraguay e a de Mérito, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Exerceu varias commissões importantes no regimen monarchico, como a de presidente e commandante das armas de Matto-Grosso e, quando foi proclamada a republica, era gentil-homem do Imperador, d. Pedro II, ao serviço daprincezad. Izabel, e do conselho do mesmo soberano. Escreveu : - Itinerário da viagem da cidade de Santos, na província de S. Paulo, á Cuyabá, capital da província do Matto-Grosso, etc. - Foi publicado na Revista trimensal do Instituto historico, tomo 26°, 1863, pags. 317 e 360. - Projecto de reorganisação das forças arregimentadas. Rio de Janeiro, 1888, in-8.° - Refutação succinta do relatorio posthumo da dissolvida commis- são de exame da repartição das obras publicas da província do Rio de Janeiro, de que erão membros os srs. Jeronymo Pereira de Lima Campos e João Antonio de Magalhães Calvet, pelos directores José de Miranda da Silva Reis e ajudante do mesmo, Francisco José Cardoso Júnior . ( Rio de Janeiro.) 1863, in-4.° - Relatorio do chefe da commissão de engenheiros da província de Matto-Grosso sobre o exame das estradas que vão da cidade de Santos á de Corumbá, passando pelo Rio-Claro, em Goyaz, 1858 - O Instituto historico possue uma cópia de 26 pags. in-fol. José Monteiro <Ie Noronha - Filho de Domingos Monteiro de Noronha, nasceu na cidade de Belém, do Pará, a 24 de novembro de 1723 e ahi falleceu a 15 de abril de 1794. Tendo cursado nessa cidade as aulas superiores do collegio de Santo Alexandre, da companhia de Jesus, tanta applicação e tão notável talento desenvol- veu, que os jesuítas tudo fizeram por attrahil-o á sua ordem. Cons- trahindo, porém, matrimonio com uma joven patrícia sua e enviuvando JO 101 poucos annos depois, tão profundo golpe o feriu que abraçou o estado clerical e ordenou-se sacerdote, sendo nomeado para a vigararia geral do Rio-Negro, creada pelo bispo d. Miguel de Bulhões, na qual prestou os mais relevantes serviços á religião e ao Estado. Por chamado do bispo d. fr. João Evangelista foi transferido para igual cargo na capital; foi eleito pelo cabido, sede vacante, vigário capitular por falle- cimento deste bispo, e pelo seu successor, o bispo d. fr. Caetano Brandão, foi nomeado vigário geral e mais tarde, em sua retirada para Lisbôa, como arcebispo de Braga, governador do bispado paraense a 19 de julho de 1790. Foi um sacerdote de raras virtudes e illustração, escreveu vários sermões que se perderam, só existindo o - Sermão pregado no dia 24 de julho de 1787 no Triduo, com que o bispo d. fr. Caetano Brandão festejou a. abertura do hospital de caridade - Escreveu mais : - Marginação dos Estatutos do cabido do Pará, dados por seu primeiro bispo d. Fr. Bartholomeu do Pilar, encarregado de os fazer pelo papa Clemente XI - Não me consta que fosse impressa. - Roteiro dos diversos povos, que visitou, com suas respectivas distancias e numeros dos moradores - Este trabalho foi depois ampliado com a navegação da cidade de Belém para o interior da provincia, com a noticia dos diversos pontos do paiz, já pela sua própria visita nas viagens que fez, já pelas informações de pessoas que viram as locali- dades a que não poude o autor chegar e com a noticia de varias tribus selvagens, de algumas producções naturaes, de pontos históricos e physicos que, sendo connexos com o assumpto principal, pudessem ao mesmo tempo despertar a curiosidade dos leitores sensatos com o titulo: - Roteiro da cidade do Pará ás ultimas colonias portuguezas em os rios Amazonas e Negro, illustrado com algumas noticias que podem utilisar á curiosidade dos navegantes e dar mais claro conhecimento das duas capitanias do Pará e de S. José do Rio Negro - Foi publi- cado por diligencia do dr. Felippe Alberto Palroni Maciel Parente no « Jornal de Coimbra » n. 87, parte Ia e depois na « Collecção » para a historia e geographia das Nações ultramarinas, tomo 6o, e flnalmente ainda com o titulo: - Roteiro da viagem da cidade do Pará até as ultimas colonias do sertão da provincia, escripto, na villa de Barcellos no anno de 1768. Pará, 1862, in-4.° Frei José de Moraes - Natural do Maranhão e no- tável jesuita, foi um dos 115 padres da Companhia de Jesus presos e expulsos doPará, antes do banimento de taes padres do Brazil. 102 JO Depois professou não sei em que ordem monastica, foi commissario geral da bulia da Santa cruzada, no Brazil, do conselho de sua magestade fldelissima e seu esmoler-mór. Escreveu : - Historia da Companhia de Jesus da província do Maranhão e Pará, que às reaes cinzas da fidelíssima rainha, senhora nossa, d. Ma- rianna d'Áustria offerece. 1759 - Foi impressa na Corographia his- tórica do Brazil do dr. Mello Moraes, e depois, em 1860, constituindo o Io volume das Memórias para a historia do Maranhão, pelo senador Cândido Mendes d'Almeida. Ha algumas cópias, sendo uma do Insti- tuto historico, de 453 fls. in-fol. - Carta pastoral de fr. Josè de Moraes, commissario geral da bulia da Santa cruzada, nos Estados do Brazil, annunciando graças e indulgências para os que concorrerem com esmolas para a pro- pagação do Evangelho, etc. - Rio de Janeiro, 1809, in-fol. (sem titulo ). José <Ie Moraes e Silva - Natural da cidade do Rio de Janeiro e nascido a 27 de outubro de 1832, falleceu em Nicteroy a 30 de setembro de 1896. Cultivou a litteratura amena, principal mente a poética, estreando brilhantemente na « Semana » e collaborando para vários periódicos com producções de sua penna. Escreveu : - Allegoria: Camões, D. Maria II, D. Pedro V. Rio de Janeiro, 1856, 21 pags. in-8°. - A lyra do orphão: poesias. Rio de Janeiro, 18..., in-8.° - Scintillas: versos. Rio de Janeiro, 1873, in-8.° - Maripozas: poesias com uma introdueção de Alberto de Oliveira. Rio de Janeiro, 1885, 198 pags. in-8.° - Sanctuarios: poesias, O.D.C. á Mulher. Rio de Janeiro, 1889, in-8.° - Os dous piratas: romance. Rio de Janeiro... - O dia 7 de setembro: poema, Rio de Janeiro... - Historia de uma moça pobre: drama representado pela primeira vez no theatro de S. Januario a 8 de abril de 1862 - Não sei si foi im- presso. Consta-me que ainda deixou outros escriptos, como a - Lyrica brasileira, que nunca vi. José Moreira Brandão Castello Branco - Filho de Antonio Pitta Brandão, nasceu no Rio Grande do Norte a 4 de setembro de 1828 e falleceu na capital do mesmo estado a 16 de junho de 1895, quando ahi se tratava de sua eleição para gover- nador. Bacharel em direito, foi por varias vezes deputado á assembléa JO 103 provincial durante a monarchia e deputado geral em mais de uma legislatura. Escreveu: - Collecção de accordãos que contem matéria legislativa, profe- ridos pelo Supremo Tribunal de Justiça desde a época de sua instal- lação. Rio de Janeiro, 18**5 in-4.° - E' escripto de collaboração com seu collega A. A. de Barros, José Moreira Fraga- Si não nasceu em Campos, actual estado do Rio de Janeiro, ahi firmou residência. Cultivou a poesia e escreveu: - A salva de prata ou uma noite de luar : poemêto dedicado aos praianos. Rio de Janeiro, 1878, in-8.° - Risos e flores : poesias, Rio de Janeiro, 1881, in-8.° José da Alotta de Azevedo Corrêa-Pai do dr. João Baptista da Motta de Azevedo Corrêa e do bacharel Ray- mundo da Motta de Azevedo Corrêa (vejam-se estes nomes), nasceu no Maranhão a 8 de junho de 1833 e falleceu no Rio de Janeiro a 14 de janeiro de 1895. Bacharel em direito pela universidade de Coimbra, fez na faculdade do Recife exame vago de todas as matérias do curso e ahi recebeu também em 1861 o gráo de bacharel. Serviu diversos cargos de magistratura e, sendo juiz de direito do Bananal, em S. Paulo, foi nomeado desembargador da relação de Cuyabá em 1882. Escreveu: - Repertório geral e synthetico dos avisos do Ministério da Justiça, explicando disposições de direito civil, commercial, criminal e orpha- nologico, desde a gloriosa época da independencia até o presente ; acompanhados das ordens, avisos e portarias do Ministério da Fazenda acerca dos impostos forenses e dos de outros Ministérios que dizem respeito a matérias jurídicas, e bem assim de toda a legislação antiga e moderna, a que os mesmos avisos se referem, Rio de Janeiro, (sem data, mas de 1869) dous vols. de 356 e 386 pags. in-8.° José Muniz Cordeiro Gitaliy - Filho do capitão José Muniz Cordeiro Gitahy e dona Romana da Silva Muniz, nasceu na cidade de Caravellas, Bahia, a 14 de novembro de 1828 e falleceu no Rio de Janeiro, victima de uma affecção mental, a 14 de agosto de 1880. Doutor em medicina pela faculdade dessa província, entrou para o corpo de saúde do exercito, onde prestou importantes serviços subindo ao pôsto de cirurgião-mór de divisão, tendo sido o chefe do serviço medico-militar na campanha do Uruguay em 1864, e tendo 104 JO substituído no commando desse corpo o respectivo chefe durante o tempo em que este acompanhou o Imperador em^uma viagem á Europa. Era primeiro cirurgião do hospital da guarnição da còrte, commen- dador da ordem da Rosa, cavalleiro da de S. Bento de Aviz e da de Christo, condecorado com a medalha da campanha Oriental de 1864, e com a da subsequente campanha do Paraguay, socio honorário da sociedade Atheneu pernambucano, etc. Escreveu: - Dissertação inaugural acerca da medicina e do christianismo e suas relações entre si: these, etc. Bahia, 1851, 32 pags. in-4.° - Da hygiene militar do Brazil, contendo considerações sobre o recrutamento, condições hygienicas debaixo das quaes elle deve ser feito, edade que devem ter os recrutados ; enumeração das moléstias e deffeitos que podem justificar a isenção dos recrutas e a reforma dos militares ; vaccinação dos recrutas, etc. Rio de Janeiro (sem data), 128 pags. in-8.° - O calorico não é um corpo e sim o resultado de uma combinação - artigos publicados no Athenêo, da Bahia, 1849, pags. 81, 141, 161 e segs. (Veja-se Firmino Coelho do Amaral.) Frei José da Natividade - Nasceu na cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro a 19 de março de 1649 e falleceu na Bahia a 9 de abril de 1714. Sendo monge benedictino, professo em sua patria, tão grande engenho demonstrou nos estudos philosophicos e theologicos e argumentava com recursos taes, que o denominaram de subtil. Fez o curso de theologia na universidade de Coimbra, onde alcançou a borla doutoral e ás consultas, que lhe eram feitas sobre matérias do fôro interno, respondia fundando seus juizos sobre as solidas bases das opiniões mais esclarecidas. Memória prodigiosa, mais de uma vez escrevia um sermão que ouvira e enviava-o ao autor. Foi abbade na Bahia, presidente e por fim eleito provincial, não en- trando no exercício desse cargo por fallecer apoz a eleição. Escreveu: - Sermão do gloriosíssimo patriarcha, doutor Santo Agostinho, na cidade da Bahia, na igreja de N. S. da Palma. Lisboa, 1685, in-4.° - Sermão do patriarcha S. Francisco. Lisboa, 1705 in-4.° - Oração fúnebre na trasladação dos ossos do lllm. e Exm. Senhor D. José de Barros o Alarcão, Io bispo do Rio de Janeiro, na igreja de S. Bento da mesma cidale, aos 31 de agosto de 1702. Lisboa, 1703, in-4.° - Deixou muitos trabalhos inéditos, como: - Tratatus de prseceptis Decalogi, in-4.° - Consultas canónicas, regulares e moraes. - Sermões vários. Dous vols. in-4.° JO 105 - Arte de memória, illustrada. - Conclusões amorosas. - A constância com triumpho : comedia. José da Natividade de Lima - Natural do Pará, ahi falleceu a 9 de junho de 1897 com 23 annos de idade. Encetando a carreira commercial, deixou-a pouco depois para dedicar-se ás lettras e ã imprensa. Cultivando a poesia, começou em 1893 a publicar com- posições suas no Diário de Noticias e na Gazeta Postal de Belém, depois na Republica e na Província do Pard. Escreveu: - Musa bohemia - E' um livro inédito em que estão reunidas as melhores poesias do autor, com um prefacio muito original sob o titulo « Carta ao Burguez », que é uma vehemente imprecação á Burguezia. José da Natividade Saldanha - Filho do vigário João José de Saldanha Marinho, nasceu em Pernambuco a 8 de se- tembro de 1796 e falleceu na Bolívia afogado n'uma valia da rua, onde cahira em uma noite de chuva torrencial em 1830. Bacharel em direito pela universidade de Coimbra, voltou á patria em 1823, no mesmo anno de sua formatura, deixando nessa universidade grata memória de sua bella intelligencia e de seu sublime estro poético, sendo logo nomeado auditor de guerra, cargo que recusou, e sendo eleito secretario da junta governativa em 13 de dezembro deste anno. Neste logar con- tinuou elle depois de proclamada a confederação do Equador; mas em novembro de 1824, restaurado o governo imperial, refugiou-se nos Estados-Unidos, d'onde passou à Inglaterra e á França, e d'aqui foi firmar sua residência em Caracas, onde obteve licença para advogar depois de fazer os necessários exames, e mais tarde foi professor de humanidades em Bogotá. Sendo em sua ausência condemnado â morte por causa da revolução de 1824, enviou a seu collega, o dr. Thomaz Xavier Garcia de Almeida, um dos juizes que o condemnaram, a seguinte procuração, que aqui transcrevo pela sua originalidade : « Pela presente procuração, por mim feita e assignada, constituo por meu bastante procurador na província de Pernambuco ao meu collega dr. Thomaz Xavier Garcia de Almeida para em tudo cumprir a pena que me foi imposta pela commissão militar, podendo este morrer enforcado, para o que lhe outorgo todos os poderes que me são con- feridos por lei. Caracas 3 de agosto de 1825. José da Natividade Saldanha. » Escreveu: - Poesias offerecidas aos amigos, amantes do Brazil. Coimbra, 1822, 136 pags. in-8'* - Era o autor estudante em Coimbra. Foi depois 106 •TO publicado o livro com varias poesias que não vem na Ia edição e como titulo: - Poesias de José da Natividade Saldanha, colleccionadas, an- notadas e precedidas de um estudo historico por José Augusto Ferreira da Costa. Lisboa, 1875, 319 pags. in-8° com retrato -Além destas poesias e de algumas bem raras em avulso, nada mais se publicou de sua penna. Entretanto sabe-se que outras obras deixara elle. N'uma carta escripta de Liverpool á sua irmã a 28 de março de 1825, pedia- lhe que lhe enviasse, entre outros, os seguintes manuscriptos: - Poesias diversas, 2 vols. - Guerras de Pernambuco, 2 vols. - Noticias dos limites do Brazil, 1 vol. - Cantata a d. Ignez de Castro - Tudo isso, porém, que, a jul- gar-se pelo que se conhece desse autor, devia constituir um verdadeiro thesouro das lettras patrias, considera-se perdido. Do volume publi- cado ha alguns versos em revistas e collecções, como o Brazil litte- rario de F. Holf, e o Parnaso brasileiro de J. M. P, da Silva, onde se acham suas sublimes - Odes a André Vidal de Negreiros, a Antonio Fillippe Camarão, a Henrique Dias e a Francisco Rebello, no tomo 2°, pags. 117 a 141. A primeira e a terceira destas odes se acham também no Musaico poético de E. Adet e Joaquim Norberto, livro em que se acham também dous sonetos de Saldanha a Ignez de Castro. José IVetto de Campos Carneiro - Filho de João Netto de Campos Carneiro, nasceu na cidade de Goyaz a 6 de dezembro de 1863. Doutor em medicina pela faculdade da Bahia fez uma excursão pela Europa e escreveu : - Mal de Bright (albuminúria) : these apresentada á faculdade de medicina da Bahia, etc. para receber o grão de doutor em medicina. Bahia, 1885, in-4.° - Das febres de Goyaz. Lisboa, 1897, XI-131 pags. in-4.° José Nicolau Regueira Costa-Filho de Antonio José de Oliveira Costa, nasceu em Pernambuco no anno de 1814 e fal- leceu a 28 de outubro de 1877. Bacharel em sciencías sociaes e juri- dicas pela faculdade de Olinda, formado em 1838, seguiu a carreira da magistratura, sendo os últimos cargos que exerceu o de desembar- gador da relação do Ceará, e egual cargo em Pernambuco. Escreveu : - Instituições de direito civil lusitano, tanto publico como parti- cular por Pascoal José de Mello Freire, traduzidas do latim. Livro JO 107 4o : Das obrigações e acções. Pernambuco, 1839, in-4° - Redigiu com outros : - A Carranca : periodico político, moral, satyrico, comico. Recife, 1845 a 1847, in-8° e in-4.° José Nicolau Tinoco de yVlm.eid.it - Filho de Nicolau Luiz Tinoco e dona Balbina Emilia de Magalhães Tinoco, nasceu no município de Itaborahy, província do Rio de Janeiro, a 19 de dezembro de 1852, e falleceu a 17 de junho de 1887. Exercia o cargo de repórter do Jornal do Commercio da capital do império, e nesse exercício acompanhou mais de uma vez o Imperador d. Pedro II em viagens pelo interior. Escreveu : - Guia de viagem às aguas mineraes de Caxambú : breve noticia, contendo um ligeiro esboço historico da descoberta dessas aguas, o roteiro da Côrte á Caxambú, a descripção da povoação e o resumo da analyse oflicial das aguas. Rio de Janeiro, 1881, 45 pags. in. 8o - A analyse, a que se refere, foi feita em 1873 por ordem do Ministério do império. Este livro teve segunda edição. - Petropolis. Guia de viagem. Rio de Janeiro, 1885. in-8° - Foi escripto acompanhando o Imperador na excursão pelas províncias do Sul e regressando de S. Paulo. E' um livro de muitas noticias interessantes e de informações uteis, e não um simples itinerário. Ha de sua penna uma colleccção de - Cartas - publicadas no Jornal do Commercio, como seu corres- pondente, dando noticias sobre logares do império e, notavelmente, uma sobre Minas Geraes. José Nicolau Vergueiro-Natural de S. Paulo, bacharal em direito pela faculdade deste estado e fazendeiro no muni- cipio de Campinas, escreveu : - Memorial acerca da colonisação e do cultivo do café, apresen- tado a S. Ex. o Sr. Ministro da Agricultura. Campinas, 1874, in4-.° José IVog^ueira Borges da Fonseca - Filho de Camillo Nogueira Borges da Fonseca e dona Irene Pontes Nogueira e sobrinho de Paulino Nogueira Borges da Fonseca, de quem occupar- me-hei, nasceu a 15 de agosto de 1850 em Maranguape, província do Ceará, onde falleceu em 1881, sendo doutor em medicina pela, faculdade do Rio de Janeiro. Era notável latinista e também poeta 108 JO repentista. Uma vez ao terminar o dr. D. J. Freire uma lição, disse elle : Si o Freire um dia quizesse Dar á luz esta lição, Poderia intitulal-a Tratado de amolação. Nunca, porém, publicou versos e só escreveu : - Diagnostico e tratamento da siphilis visceral; Therapeutica geral dos envenenamentos ; Anatomia e physiologia da placenta ; Nervos vaso-motores : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1877, 84 pags. in-4.° gr. - O celibato dos padres - Na Constituição, folha política, com- mercial e noticiosa do Ceará, 1876. José Nolasco da Fontoura Pereira cia Cunha - Natural de Nitheroy, capital do Rio de Janeiro e nascido a 30 de junho de 1825, tem o curso da escola de marinha com praça a 12 de fevereiro de 1840 e serviu na armada, reformando-se em 1892 no posto de vice-almirante-graduado. E' cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz e escreveu : - Relatorio sobre diversos trabalhos preparatórios da canalisação do rio Mambituba, reconhecimento de seus territórios e outros tra- balhos executados no districto da Conceição do Arroio. Rio de Janeiro, 1861 - Sahiu nos annexos do relatorio da presidência da província do Rio Grande do Sul. - Planta de parte do rio Uruguay, comprehendida entre a barra do rio Fundo e a do rio Fundo, na qual se mostra a verdadeira posição do Salto Grande e as barras de seus prineipaes afflueni.es, etc.,bem como os prineipaes obstáculos que impedem sua navegação. 2m,556X0m,573- Com o Io tenente de engenheiro A. E. de Camargo e o agrimensor M. J. de Azevedo. No Archivo militar. - Planta de parte do rio Uruguay que comprehende a barra do Pepiry Guassú e Salto Grande com o íim de determinar a verdadeira posição do referido Pepiry Guassú que serve de limite entre o Império e a Republica Argentina em 1863. lm,81Xlm,505. Pelos mesmos, no dito archivo. José Norberto de Oliveira - Natural da província do S. Paulo e ahi fallecido, era presbytero secular, vigário collado na cidade de Santos e cavalleiro da ordem de Christo. Entre outros JO 109 sermões que escreveu, e de que talvez mais algum publicasse, nota-se : - Oração de Santa Thereza, recitada na capella da V. O. T. de Nossa Senhora do Carmo em 17 de outubro de 1852, dia do patrocínio de S. José, em que celebrou missa nova o rev. Francisco Martins do Monte. Santos, 1853, in-8.° José de Noronha Nápoles Massa - Natural da Bahia e nascido a 27 de agosto de 1824, falleceu em Itaqui, estado do Rio Grande do Sul, a 13 de novembro de 1890, cobardemente apunhalado por um homem que elle adoptara como filho. Presbytero secular, geralmente estimado por sua illustração e por suas virtudes, leccionou em Porto-Alegre, dirigindo um collegio de educação. Depois parochiou a freguezia da Cruz Alta e parochiava a de Itaqui, tendo sido por mais de uma vez deputado á assembléa provincial. Apostolo fervoroso da religião catholica, deu sempre exemplo de piedade evangélica, e sua palavra correcta foi sempre ouvida com agrado e veneração. De coração todo bondade, seus olhos enchiam-se de lagrimas quando presenciava uma desgraça, ou quando deparava um facto, uma situação triste. Grande latinista, discípulo do conego F. Pereira de Souza, o mestre de muitos vultos notáveis do paiz, escreveu : - Grammatica analytica da lingua portugueza, composta e offe- recida aos brazileiros, etc. Rio de Janeiro, 1888, 560 pags. in-8.° José Nunes Ttibcifo Belford-Filho de Manoel José Nunes de Souza Belford e dona Maria Amalia Ribeiro Belford, nasceu na capital do Maranhão a 29 de julho de 1861. Destinando-se á carreira da marinha, fez o principio do curso da escola naval, e deixou-o para dedicar-se ao funccionalismo publico, servindo um logar na Imprensa nacional, do qual passou ao de ajudante do director da hospedaria de Pinheiros. Escreveu : - Tentativas poéticas : versos. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° José do O' e A.lin.ei<la - Natural do Pará, onde applicou-se a estudos de medicina homoeopathica, foi offlcial do corpo militar de policia, serviu como ajudante de ordens da presidência da província, etc.; escreveu : - Guia pratica ou formula seguida homoeopatliicamente no tra- tamento do cholera de qualquer natureza epidemica. Pará (sem data), 15 pags. in-8.° 110 JO - Guia pratica ou formula seguinda homoeopathicamente no trata- mento das febres miasmaticas e epidemicas. Pará, 1851, 32 pags. in-8.° José Olímpio de Azevedo-Filho do doutor José Olímpio de Azevedo e dona Anna Rita de Azevedo, natural da Bahia e nascido a 28 de dezembro de 1843, é doutor em medicina pela faculdade deste estado e lente cathedratico da mesma faculdade. Foi deputado á assernbléa provincial por varias vezes durante o regimen monarchico, etc. Escreveu: - Febres; Aborto provocado e suas indicações; Relações da medicina com as sciencias philosophicas ; Apreciação das theorias conhecidas sobre a fecundação do ovulo vegetal : These apresen- tada, etc. para obter o grão de doutor em medicina. Bahia, 1865, in-4.° gr. - Faculdade de Medicina da Bahia. Memória histórica dos acon- tecimentos mais notáveis da faculdade de medicina da Bahia durante o annode 1883. (Sem logar, nem data, mas do Rio de Janeiro, 1884) 39 pags. in-fol. - Discurso proferido na Assernbléa provincial da Bahia, na ses- são de Io de agosto de 1878. Bahia, 1878, 35, pags. in-4°. José de Oliveira Campos - Filho de Francisco José de Oliveira Campos, nascido na cidade da Bahia a 24 de agosto de 1851 e bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1872, foi deputado á assernbléa provincial durante a monarchia, e depois ao congresso federal. No cargo de director da bibliotheca publica daquella cidade, escreveu com o director do Archivo publico (veja-se Francisco Vicente Vianna): - Estudo sobre a origem histórica dos limites de Sergipe e Bahia, feito por ordem do Exm. Sr. Dr. José Gonçalves da Silva, gover- nador do estado da Bahia, pelo director do Archivo publico etc., com o director da Bibliotheca publica. Bahia, 1891, 131 pags. in-4°. - Es- creveu antes : - Discurso pronunciado na sessão de 6 de maio de 1882, na As- sembléa provincial da Bahia. Bahia, 1882, 20 pags. in 8o - O autor justifica uma moção que apresenta, para que essa assernbléa «felicite, na pessoa do Sr. conselheiro João José de Oliveira Junqueira, a maio- ria do senado que tem com invejaVel patriotismo defendido as nossas instituições e os direitos dos opprimidos refreiando com efflcaz oppo- sição os arbitrios e violências da situação dominante ». JO 111 José de Oliveira, Coelho - Filho de Antonio de Oli- veira Coelho e dona Antonia Candida de Oliveira Coelho, nasceu em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, a 16 de janeiro de 1853. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em 1877, foi logo no- meado secretario do governo do Paraná, depois promotor publico em Magé, juiz municipal em Lorena e Cabo Frio e delegado de policia na capital federal no começo da Republica. E' nesta capital advogado, membro da commissão inspectora da casa de correcção e do Instituto dos advogados brazileiros. Escreveu : - O Direito a todos: collecção de notas uteis sobre o direito civil, commercial e criminal. Rio de Janeiro, 1886, in-4-E' um grosso volume em que collaborou o dr. Luiz Edmundo Cazes (Veja-se este nome). - Homens e couzas do nosso fôro - serie de artigos publicados em 1896 na Gazeta de Noticias sob o pseudónimo de Olico. José de Oliveira, Fagundes -Filho de João Ferreira Lisboa e nascido no Rio de Janeiro, segundo posso calcular, pouco de- pois de 1750, formou-se em direito na universidade de Coimbra e, tor- nando ã patria, dedicou-se á advocacia, sendo uma das causas, com que estreou, a lamentável causa da conspiração mineira, de Tiradentes por cuja occasião escreveu : - AUegação do direito em defesa dos réos accusados como autores e cúmplices da sublevação mineira em 1788. Foi publicada pelo dr. Mello Moraes, Io, em seu Brasil historico. Innocencio da Silva possuia essa obra manuscripta, de 102 pags. in-fol., com a sentença dos referidos réos, e mais vários documentos relativos ao processo. José de Oliveira Serpa - Filho de Francisco Al- vares Carneiro e dona Archangela Guedes de Britto, nasceu na ci- dade da Bahia a 13 de janeiro de 1696, e falleceu depois do meiado do século 18°. No collegio dos jesuítas desta cidade estudou lettras e philosophia, recebendo o grào de mestre em artes; depois abra- çou o instituto da ordem, tomou a roupeta e foi notável prégador e também poeta. Foi socio da Academia dos esquecidos e grande amigo do distincto historiographo Sebastião da Rocha Pitta, da mesma aca- demia. Escreveu: - Sermão da Soledade da Santíssima Virgem, Nossa Senhora, prégado na igreja matriz de S. Pedro da cidade da Bahia em 27 de março de 1739. Lisboa, 1740, in-4.° 112 ao - Sermão de Nossa Senhora da Porta do Céo e todo o bem ; prégado na igreja de S. Pedro dos clérigos da Bahia em o anno de 1743. Lisboa, 1744, in-4.° - Sermão da Conceição da Virgem Maria, prégado na ultima manhã do Triduo que se fez na igreja da Lapa, quando em seu con- vento entravam as novas religiosas da Conceição no anno de 1744. Lisboa, 1746, in-4°. - Poesias á morte de D. João V - Na «Relação panegyrica das honras fúnebres que consagrou à cidade da Bahia, côrte da America portugueza, á memória do muito alto e poderoso rei D. João V, pelo dr. João Borges de Barros. » Lisboa, 1753, e depois reproduzidas no Florilégio da poesia brazileira, tomo 3o, appendice, pags. 38 a 40. São quatro decimas glozadas, uma decima livre e um soneto. O mote ãs primeiras decimas é este : Para o Brazil mostras dar Da extensão de seu tormento Pede suspiros ao vento, Supplica prantos ao mar. - Novo obséquio ao grande patriarcha S. José. - Não me consta que fosse publicado. Compõe-se de novenas e varias poesias. - Trindade da terra exaltada e effeito do temor de Deus por causa de uma horrível trovoada, succedida em a noite do dia de S. Josè do anno de 1721 -Este escripto vejo mencionado porBarboza Machado em sua Bibliotheca. De suas composições poéticas ainda conheço: - Soneto ao coronel Sebastião da Rocha Pitta - que foi publicado na revista litteraria A Renascença, Bahia, anno Io, n. 18, de 24 de ja- neiro de 1895. - Este soneto é um verdadeiro hieroglipho para quem não souber bem a mythologia, ou não tiver á mão um diccionario da fabula. Toma o autor a palavra Rocha e delia faz um jogo tão for- çado que a compara com a rocha do monte Helicon, de que o cavallo Pegaso, batendo com as patas, fez jorrar a fonte da poesia. - Romance joco-serio em louvor da Academia dos esquecidos -na mesma revista. José Ortiz - Natural da província do Rio Grande do Sul, falleceu no Rio de janeiro a 4 de março de 1880. Doutor em medicina pela universidade de Paris e membrç do Instituto historico de França, tendo decidida vocação para o magistério, á elle dedicou-se, a prin- cipio fundando e dirigindo um collegio em Itapemirim, província do Espirito Santo, depois, no lyceu da cidade da Victoria, capital desta JO 113 província. "Foi mais tarde lente do lyceu de Nitheroy e professor livre de línguas e também de philosophia em que erti assaz versado. Escreveu: - Novo systema de estudar a grammatica portugueza por meio de memória, intelligencia e analyse, ajudando-se mutuamente. Vi- ctoria, 1862. - Grammatica analítica e explicativa da língua portugueza. Rio do Janeiro, 1871, in-8° - E' escripta de collaboração com o professor Cândido Mathens de Farias Pardal (veja-se este nome) o teve depois varias edições. Ha ainda sua these inaugural que nunca vi. José Pamplona <le Meneaces - Natural do Rio de Janeiro e bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em 1869, é desembargador da relação daquelle estado e escreveu, ainda estudante: - Parecer apresentado na aula de direito commercial sobre a discussão relativa ao art. 27 do Codigo commercial. S. Paulo, 1869, in-8.° José Paulo de Fig^ueirôa, Nabucode A.rtiiijo - Filho do desembargador José Joaquim Nabuco de Araújo e dona Maria Esmeria de Barbuda e Figueirôa, depois Barão e Baroneza de Itapoan, nasceu em Belém, capital do Pará, a 28 de janeiro de 1796 e falleceu no Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1863, sendo fidalgo da casa imperial, bacharel em direito pela universidade de Coimbra; do conselho de sua magestade o Imperador ; ministro do supremo tribunal de justiça desde o anno de 1832, commendador da ordem de Christo, cavalleiro da ordem da Rosa e da do Cruzeiro, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Exerceu vários cargos da magistratura, começando pelo de juiz de fóra e, sendo desembarga- dor da relação da côrte, foi ajudante do conselheiro intendente geral da policia. Foi em 1828 encarregado pelos dous ministérios, da justiça e do império, de organisar a collecção das respectivas leis, sendo-lhe suspensa essa incumbência depois de dar ao prelo o primeiro volume dessa collecção e de haver organisado e entregue ao governo muitos trabalhos que só lhe foram restituídos em 1836, ou 1837, por ordem do então ministro da justiça Bernardo Pereira de Vasconcellos. Escreveu : - Providencias lembradas ao conselheiro intendente geral da po- licia pelo seu ajudante, etc., em dous differentes papeis, escriptos de seu punho, etc. Rio de Janeiro, 1825, in-fol. 3012 Vol. V - 8 114 JO - Tratado sobre a pena de morte em matéria política, por F. Guisot; traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1826, 218 pags. in-8°-Ha outra edição de 1838. - Regimento das mercês e assento do conselho ultramarino de 28 de março de 1792. Rio de Janeiro, 1826 in-8° - A esta publica- ção fez o conselheiro Figueirôa muitas annotações e uma introdu- cção para o desempenho do logar de procurador da corôa. - Cathecismo ou livro dos meninos, contendo as idéas e defini- ções das cousas, de que devem ser instruídos: obra muito util aos professores e pais de família, etc. Rio de Janeiro, 1826, XIV-175 pags. in-4.° - Memória jurídica, escripta, annotada e com remissões para me- lhor intelligeneia e uso, á mesma convenientes; offerecida a s. m. o Imperador. Rio de Janeiro, 1826, 34 pags. in-4° - Teve 2a edição em 1827. - Compendio scientiflco para a mocidade brazilelra, destinado ao uso das escolas dos dous sexos, ornado de nove estampas accommo- dadas á arte e ás seiencias de que nelle se trata; tiradas por lítho- graphia. Oíferecido à heroica e briosa nação brazileira, etc. Rio de Janeiro, 1827, LXXV-254 pags. in-4° - E' um livro de extractos de 40 obras de mérito sobre o assumpto, e que devia ser seguido de outros volumes, que não foram, entretanto, publicados por falta de animação, e que nem sei onde param. - Dialogo constitucional braziliense. Rio de Janeiro, 1827, 168 pags. in-16° - Houve segunda edição com muitos accrescimos e notas em 1829, 302 pags. in-8° com uma taboa das garantias que a Constituição brazileira outorga aos súbditos do império. - Appendice ao Dialogo constitucional, contendo demais legis- lação pratica da Constituição e a tabell* geral chronologica de toda a obra. Rio de Janeiro, 1829, 105 pags. in-8.° - O tombo ou cópia fiel da medição e demarcação da imperial fa- zenda de Santa Cruz, que foi havida e possuída pelos padres da com- panhia de Jesus, por cuja extincção passou ã nação. Rio de Janeiro, 1829, in-8.° - Memória refutativa das allegações e correspondências do Zela- dor do direito de propriedade e mais queixosos da demarcação da impe- rial fazenda de Santa Cruz, concluída em 1827, offerecida ao juizo imparcial da nação pelo Zelador da verdade e da justiça. Rio de Ja- neiro, 1830, in-8", com 2 mappas - Foi o autor levado a escrever esta obra em vista de contestações e embargos policiaes por parte de in- divíduos que com titulos illegaes desfructavam propriedades da fazenda ao 115 imperial de Santa Cruz, de que se achava elle encarregado. Sobre este assumpto publicou elle ainda o seguinte opusculo : - Aincla mais outro lembrête fraternal aos oppoentes á demar- cação da imperial fazenda de Santa Cruz. Rio de Janeiro, 1830, in-8o - Nestas publicações o autor occulta seu nome. - Collecção chronologico-systematica da legislação de fazenda do império brazileiro, offerecida aos verdadeiros amigos da prosperi- dade e independencia do mesmo império. Rio de Janeiro, 1830-1832, dous vols. de VII-322 e 445 pags. in-4.° - Appendice ao Io volume da Collecção chronologico-systematica da legislação, etc. Rio de Janeiro. 1831,320 pags. in-4.° - Segundo appendice etc. Rio de Janeiro, 1832, in-4.° - Terceiro appendice etc. Rio de Janeiro, 1832, in-4° - Esta col- lecção é acompanhada de indice e das peças que a compoem ficaram muitas inéditas. - Guia dos juizes de orphãos, tutores e curadores e de todos os escrivães. Rio de Janeiro, 1833, 351 pags. in-8l> -Contém 114 artigos de legislação desde 1603 até 1833, com annotações. - Guia ou novo manual dos collectores e colloctados. Rio de Ja- neiro, 1835, 250 pags. in-4.° - Appendice ao Guia ou novo manual dos collectores e collecta- dos. Rio de Janeiro, 1836, 174 pags. in-4.° - Legislação brazileira ou collecção chronologica das leis, decre- tos, resoluções de consulta, provisões, etc., do império do Brazil, desde o anno de 1808 até 1831, inclusive, contendo, alem do que se acha publicado nas melhores collecções, para mais de duas mil peças in- éditas. Rio de Janeiro, 1836 a 1844, 7 tomos de 427, 361, 386, 389, 360, 341, 619 pags. in-4° gr - O Io tomo contém artigos relativos aos annos de 1808 a 1811 ; o 2o, artigos relativos aosannos de 1812 a 1818; o 3°, artigos relativos aos annos de 1819 a 1822; o 49, relativos aos annos de 1823 e 1824 ; o 5o, relativos aos annos de 1825 e 1826 ; o 6% relativos aos annos de 1827 e 1828 ; o 7', relativos aos annos de 1829 a 1831. Encerram elles 3.755 peças inéditas, 1.331 já im- pressas, 1.954 avulsas e 6 originaes. Em todas estas peças se declara d'onde foram ellas tiradas com a indicação do tomo, folha, numero de jornal, dia etc., e na maior parte delias se indicam duas e mais fontes. JTosé Pedro de A_raujo Mareoisdes - Natural de Taubaté, estado de S. Paulo, e presbytero do habito de S. Pedro, foi sub-chantre da Sé desse estado e professor de musica do Seminário 116 JO episcopal. Hoje reside em Guaratinguetã, de cuja matriz é coadjutor. Escreveu : - O café : esboço monographico sobre a origem, cultura e usos domésticos da preciosa rubiacea. S. Paulo, 1896, in-8° com um pre- facio do padre João Manuel de Carvalho - E' um livro que demons- tra muito estudo do autor. José Pedro Cezar - Falleceu a 27 de abril de 1831, na cidade de Porto-Alegre, capital do Rio Grande do Sul, donde o con- sidero natural, sendo coronel de engenheiros ou de milícias. Escreveu: - Statistico. da provincia do Rio Grande de S. Pedro. Porto. Alegre, 25 de junho de 1827 - O autographo de 174 fls. in-fol., assi- gnado pelo autor se acha no Archivo militar. Nesta repartição ha vários mappas seus, sendo impresso o - Mappa da provincia de S. Pedro, reduzido segundo uma carta manuscripta, levantada debaixo dadirecçãodo Visconde de S. Leopoldo, etc. Paris, 1839 - Acha-se annexo aos Annaes da provincia de S. Pedro do Sul pelo mesmo Visconde. (Veja-se José Feliciano Fernandes Pi- nheiro.) Este mappa foi ainda lithographado em 1865 por J. C. de Niemeyer, com a marcha do exercito em 1843 sob as ordens do general Barão de Caxias. A bibliotheca municipal possue do coronel Cezar - Mappa statistico, geographico e natural da provincia de S. Pe- dro do Sul. 1828. Manuscripto. - Mappa statistico, politico e civil da provincia de S. Pedro do Sul. 1828. Idem. J osé Pedro Dias de Carvalho - Nasceu em Ma- rianna, Minas Geraes, a 16 de julho de 1805 e falleceu no Rio de Ja- neiro a 26 de julho de 1881, sendo senador do império, do conselho do Imperador, conselheiro de estado, veador da casa imperial, com- mendador da ordem da Rosa, cavalleiro da de Christo e socio do Ins- tituto historico e geographico brazileiro. Aos 15 annos de edade estudando latim, substituiu seu mestre por espaço de um anno. Com- promettendo-se na revolução mineira de 1842, na qual foi secretario do governo, foi por isso preso e processado. Foi deputado em varias legislaturas ; ministro do império no gabinete de 31 de maio de 1848, e da fazenda nos gabinetes de 24 de maio de 1862, de 15 de janeiro de 1864 e de 12 de maio de 1865; presidente da provincia de seu nascimento e do Banco do Brazil. Escreveu : - Manifesto aos mineiros ( em nome do presidente do governo da rebellião de 1842) - Foi publicado em avulso, e na Historia da revo* JO 117 lução de Minas Geraes em 1842 por Bernardo Xavier Pinto de Souza. ( Veja-se este nome.) - Relatorio da commissão encarregada pelo governo imperial d e proceder a um inquérito sobre as causas prmcipaes e accidentaes da crise do mez de setembro de 1864. Rio de Janeiro, 1865, in-fol. (Veja-se Angelo Moniz da Silva Ferraz.) - Manifesto do centro liberal. Rio de Janeiro, 1869, 67 pags. in-4° -( Veja-se José Thomaz Nabuco de Araújo.) No jornalismo re- digiu : - O Patriota Mineiro, Ouro-Preto, 1831 - Nunca vi esta folha, nem sei que tempo durou. Dias da Silva fundou-a e redigiu alguns annos, na mesma typographia em que se imprimia a folha : - O Universal, Ouro Preto, in-fol. - Esta folha foi redigida por Bernardo Pereira de Vasconcellos desde 1825 até 1840, sendo, porém, encarregado Dias da Silva da redacção uma ou mais vezes, durante a ausência d'aquelle na Camara dos Deputados por instancias do dono da typographia. - O Parlamentar. Rio de Janeiro, 1837-1838, in-fol. José Pedro Fernandes - Ignoro onde nasceu e penso que falleeeu em 1815, oflicial-maior da secretaria do Senado, do conselho do Imperador e commendador da ordem de Christo, tendo ser- vido antes na secretaria do império, para onde fôra nomeado offlcial a 23 de agosto de 1823. Cultivou a poesia e em sua lyra cantou tres sobe- ranos. Dentre muitos cantos que escreveu, farei menção dos seguintes: - Elogios em applauso da faustíssima victoria das armas portu- guezas contra os rebeldes de Pernambuco e do precioso nome do muito alto e poderoso senhor d. João VI, etc. Rio de Janeiro, 1817, 14 pags. in-4.° - Elogio para se recitar no theatro de S. João no faustíssimo dia natalício de sua alteza real, o príncipe real regente do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1821, 5 pags. in-4°. - Hymnos constitucionaes. (Rio de Janeiro) 1821, 8 pags. sem nu- meração, in-4.° - São assignados por E. V. C., M. J. S. P. e J. P. Fs isto é, Estanislau Vieira Cardoso, Manuel Joaquim da Silva Porto, dos quaes trato neste livro, e José Pedro Fernandes. - Ode saphica á fausta coroação de sua magestade imperial o senhor D. Pedro, Imperador constitucional e defensor perpetuo do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1822, 6 pags. in-4.° - Elogio recitado no theatro de S. João no dia da installação da assembléa geral constituinte. Rio de Janeiro, 1823, 6 pags. in-4.° jro 118 - Homenagem ao Imperador do Brazil, o Sr. D. Pedro I, no seu feliz regresso da Bahia. Rio de Janeiro, 1826 - E' um canto que foi reproduzido no Florilégio da poesia brazileira por Varnhagem, tomo 3o, Appendice, pags. 87 a 91, onde lè-se: Lá 'vejo a Primogénita briosa, Da audacia de Cabral trophéo primeiro, Mal podendo suster commoções d'alma, Fervido impulso de prazer supremo, Apertar contra os peitos, contra os lábios, Cobrir de ternas lagrimas de gosto A benefica mão que soube dar-lhe Existência de heroes - Elogio ao muito fausto natalício e anniversario da gloriosa acclamação de Sua Magestade Imperial, o Sr. D. Pedro I, Imperador, etc. Recitado no theatro de S. Pedro. Rio de Janeiro, 1823, in-4.° - Cantata ao anniversario natalício de S. M. a Imperatriz do Brazil. Rio de Janeiro, 1824. - Canto ao anniversario natalício deS. M. a Imperatriz do Brazil, composto e offerecido á mesma Senhora. Rio de Janeiro, 1826 in-4.° - Ode consagrados, S. M. Imperial, o Sr. D. Pedro I, no faustís- simo anniversario do dia em que tomou a si o glorioso titulo de defensor perpetuo do Brazil. Rio de Janeiro, 1826, 6 pags. in-4.° - Elogio ao suspirado restabelecimento de S. Magestade o Sr. D. Pedro I, recitado no theatro S. João. Rio de Janeiro, 1827 io-4.° - Canto ao anniversario do nascimento e acclamação do Sr. D. Pedro I, composto e offerecido ao mesmo Senhor. Rio de Janeiro, 1827. - Alliança da virtude e da fortuna : drama para se representar no imperial theatro de S. Pedro de Alcantara, no faustíssimo anni- versario de S. M. a Imperatriz do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1830, 16 pags. in-8.° José Pedro Xolasco Pereira da Cunha- Nascido no Rio de Janeiro em 1790 e fallecido na corte a 26 de janeiro de 1858, era doutor em mathematicas, brigadeiro reformado do exer- cito, lente jubilado da academia militar, commendador da ordem de S. Bento de Aviz e cavalleiro da do Christo. Escreveu : - Tratado elementar da arte militar e de fortificação de Gay de Vermont ; traduzido, etc. Rio de Janeiro, 1839-1840, 3 tomos in-8.° José Pedro cie Oliveira- Nascido em 1784, falleceu em Montevidéo a 1 de agosto de 1859. Era doutor em medicina e jo 119 cirurgia pela universidade de Buenos-Ayres e foi cirurgião militar. Escreveu : - Relatorio dos hospitaes regimentaes da divisão dos voluntários reaes a el-rei e corpos annexos, pertencente ao segundo semestre, findo em 30 de junho de 1821. Rio de Janeiro, 1821, 2 fls. in-fl.- Creio que ha outros trabalhos eguaes. - Considerações praticas sobre a gastro-bronchites epedemica que tem reinado em Montevidéo - Na Revista Medica Fluminense, tomo 6o, 1840-1841, pags. 401 a 418, 465 a 486, 529 a 556, 593 a 612. - Abuso dos purgantes e vomitorios - Na mesma revista e no mesmo tomo 6°, pags. 12 e 49. - Leucophegmazia superveniente á escarlatina - Na Revista Medica Brazileira, tomo 2o, 1842-1843, pags. 391 e 439. José Pedro de Souza Praga - Filho de Francisco de Souza Braga e nascido na cidade da Bahia a 3 de fevereiro de 1845, ahi falleceu a 15 de maio de 1898, doutor em medicina pela faculdade deste estado e professor de pathologia cirúrgica da mesma faculdade. Era distincto parteiro e escreveu : - Fistulas verico-vaginaes; Lexiviação e quaes as preparações pharmaceuticas que podem ser feitas por seu intermédio ; Feridas penetrantes do peito; Cantharidas, sua acção physiologica e therapeu- tica : these apresentada, etc. para obter o gráo de doutor em medi- cina. Bahia, 1866, 44 pags. in-4° gr., com um mappa estatístico. - Dos casos em que a extracção do feto é necessária e dos pro- cessos operatorios que se devem empregar : these de concurso, etc. Bahia, 1873, in-4.° - Ztçõesde pathologia cirúrgica. Bahia, 1892-1894, 2vols. in-8°- Começou a publicação em, 1892 por fasciculos e terminou em 1894, in-8.° E' o compendio do autor. José Pedro Xavier I^inlieivo- Filho de Manoel Xavier Pinheiro e dona Josepha Perpetua Xavier Pinheiro, nasceu na cidade da Bahia a 12 de outubro de 1822 e falleceu no Rio de Janeiro a 20 de outubro de 1882. Apenas com os primeiros estudos começou a viver para sua familia, que era pobre, ensinando primeiras lettras em varias fazendas do reconcavo de sua provincia natal; mas, intelligencia lúcida, avida de cultivo, procurando bons livros, estudava sempre, e fez-se conhecido, redigiu diversos folhetos políticos e deu-se ao jornalismo. Estudou também tachigraphia com applicação tal, que contractou-se para tomar os debates da assembléa provincial. Vindo 120 JO depois para o Rio de Janeiro, abraçou o funccionalismo publico, entrando como segundo official, na secretaria de justiça donde passou como primeiro para a secretaria dti agricultura, commercio e obras publicas, e ahi foi elevado a chefe de secção. Antes, porém, da transferencia de repartição, convidado para fazer parte do quadro do serviço tachigra- phico, serviu na camara dos deputidos e depois no senado. Exerceu as funcções de official de gabinete de alguns ministros, como Souza Dantas e Visconde de Cavalcanti. Era official da real ordem da Corõa da Italia, socio do antigo Instituto historico da Bahia e escreveu : - Epitome da historiado Brazil desde seu descobrimento até 1841 para uso das escolas. Bahia, 1854, in-8°- Teve diversas edições, com accrescimos. Assim a segunda, que abrange factos até 1857, é de 1860 com 426 pags. in-8°; a terceira é de 1864 ; a quarta, augmentada até a guerra do Paraguay, é de 1870 ; a quinta, até a conclusão desta guerra, é de 1873, com 527 pags. a sexta, de 1876, com 531 pags.; a oitava é de 1884, e a nona, de 1887, e ha outra revista, correcta o augmentada pelo litterato Raul Villa-Lobos, de quem hei de occupar-me, até a promulgação da constituição da Republica; é de 1892. As edições que seguiram á primeira são do Rio de Janeiro. - Tratado da eloquência sagrada pelo cardeal J. Sufrier Maury, traduzido em portuguez. Bahia, 1850, dous vols. in-8°-Este livro foi adoptado para uso do seminário archiepiscopal da Bahia. - Importação de trabalhadores chins : memória apresentada ao ministério da agricultura, etc. Rio de Janeiro, 1869, 167 pags. in-4°- Acompanham a essa memória, com o titulo de « Emigração chim », diversos documentos, como : Regulamento do governo hespanhol para a introducção de colonos chins na ilha de Cuba : cópia e traducção do contracto que se celebra entre o colono e o ensaiador, etc. - Tratado da cultura da canna de assucar por Álvaro Reynoso, traduzido do hespanhol e impresso por ordem do ministério da agricul- tura. Rio de Janeiro, 1868, 317 pags. in-8°- Publicou-se sem o nome do traductor. - O fazendeiro de café em Ceylão, por Guilherme Sabonadiòre : publicação official do ministério da agricultura. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° -Dante Allighiere. A Divina comedia: Traducção. Inferno, Rio de Janeiro, 1888, 487 pags. in-8° - E' uma publicação posthuma, feita pelo dr. José Luiz de Freitas, genro do traductor, da primeira parte apenas da grande trilogia, da epopéa christã do bardo florentino. Xa- vier Pinheiro traduziu vernaculamente para nossa lingua os 34 cantos do Inferno, os 33 do Purgatório e os 33 do Paraizo. Artista como era JO 121 na verdadeira accepção da palavra, não admittia impurezas de lingua- gem, e fanatico pelo geniode Dante, não poupou esforços para legar ás nossas lettrasum trabalho digno de admiração. Além da traducção, annotou todos os cantos e na introducção da obra, que verteu com ver- dadeiro amor á fôrma, vasou todos os conhecimentos e mostrou modes- tamente quanto era seu cerebro educado, quanto éraelle erudito. Ahi deixo uns tercetos sobre o encontro de Virgilio, canto Io: Tanto que o vejo nesse grão deserto, -« Tem compaixão de mim ! - bradei transido - Quem quer que sejas, sombra ou homem certo ! » -« Homem não sou» - tornou-me - «mas hei sido ; Paes lombardos eu tive ; sempre amada Man tua lhes foi; haviam lá nascido. « Nasci de Julio em éra retardada, Vivi em Roma sob o bom Augusto, Quando em deuses havia a crença errada. « Poeta, decantei feitos do justo Filho de Anchises que de Troya veio, Depois que Illiou soberbo foi combusto ; « Mas, por que tornas da tristeza ao meio ? Por que não vais ao deleitoso monte. Que o prazer todo encerra no seu seio ? » - -« Oh ! Virgilio, tu és, aquella fonte D' onde em rio caudal brota a eloquência ?» Fallei, curvando vergonhoso a fronte. Xavier Pinheiro publicou na Bahia trabalhos poéticos, como: - A desventurada : romance - no Musaico, periodico da socieda- de Instructiva, Bahia, 1846, ns. 1, 3e4. - Taboca Eleitoral. O Vigário e o recruta-Não me recordo onde li. São duas satyras de costumes políticos. Collaborou e fez parte da re- dacção de algumas folhas da Bahia e do Rio de Janeiro, nas quaes seus artigos sobre immigração formariam um grosso volume, si fossem coordenados. Deixou flnalmente inéditos: - Constância e resignação: drama em cinco actos, representado no theatro S. Pedro de Alcantara. - O novo tartufo: comedia em cinco actos. - Emancipação das mulheres: comedia em um acto, representada no antigo theatro Cassino. - Uma historia verdadeira : romance-escripto na Bahia. .Tosé Pedro Xavier da Veig^a - Filho do tenente- coronel Lourenço Xavier da Veiga e dona Jesuina de Salles Veiga, JO 122 nasceu em Minas Geraes e é sobrinho do grande patriota e jornalista Evaristo Xavier da Veiga, que elevou-se redigindo a Aurora Flumi- nense e soube por seu civismo, sua moderação exemplar e sua coragem admiravel, salvar, por mais de uma vez, com risco da própria vida, o império em crises tumultuosas por que passou depois da independên- cia e da constituição, e redigiu, para pôr termo aos insultos do partido portuguez e para prevenir desgraças imminentes, a representação de 17 de março de 1831, assignada por 24 membros do parlamento, pedindo a D. Pedro I que « desaffrontasse o Brazil, vilipendiado e pungido ». Em sua patria foi escrivão de orphãos, advogado e deputado durante a monarchia em cinco legislaturas, e na republica senador, sendo ac- tualmente director do Archivo publico do grande estado de seu nas- cimento. Intelligencia brilhante e cultivada em seu gabinete, e activi- dade inexcedivel, é actualmente o homem mais instruído na grande historia de Minas. E' socio do Instituto historico e geographico brazi- leiro e escreveu: - Ephemerides mineiras (1664-1897) colligidas, coordenadas e re- digidas, etc. Ouro Preto, 1897, 4 vols. de LXXX1V-417, 479, 426, e 453 pags. in-4°- Este livro constitue, sem duvida, um dos mais bellos esmaltes das lettras patrias. - A revolta de 1720 em Villa Rica: discurso historico político. (Ad- vertência e notas de X. da V.) Ouro Preto, 1898,239 pags. in-8.° - A Imprensa em Minas Geraes. (1807-1894) Ouro Preto, 1894, 64 pags. in-8° -Deste trabalho se verifica que em Minas durante o perío- do de 87 annos, 592 publicações periódicas se deram. Ha segunda edi- ção augmentada até 1898. - Revista do Archivo publico de Minas Geraes. Ouro Preto, in-4° gr. - E' uma revista trimensal de que sahiu a lume o primeiro numero em 1896, correspondente aos mezes de janeiro, fevereiro e março,com 194 pags. José Pereira Guimarães - Filho de Manoel Pereira Guimarães e dona Maria Miguel de Figueiredo, nasceu no Rio de Ja- neiro a 1 de outubro de 1843, e é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, lente cathedratico da mesma faculdade, contra-almirante, inspector geral do serviço sanitario da armada, agraciado com o titulo de conselho do Imperador D. Pedro II, facultativo clinico da secção ci- rúrgica do hospital da Misericórdia, membro titular da Academia na- cional de medicina, membro correspondente da sociedade de Hygiene de Paris, da Academia das sciencias, da sociedade de Medicina de Lisboa e de outras associações scientiflcas da Europa, membro honorário do JO 123 Instituto pharmaceutico do Rio de Janeiro, commendador da ordena de Christo de Portugal e da ordena da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro e condecorado com a medalha do Riachuelo e com a da campanha do Pa- raguay. E' um dos mais distinctos operadores que o Brazil tem produ- zido e escreveu: - Qual a natureza e tratamento das ourinas, vulgarmente chama- das leitosas ou chyluria, e a razão de sua frequência nos paizes inter- tropicaes; Hypoemia intertropical; Do cancro venereo ; Do exercicio da medicina e da pharmacia quanto á responsabilidade dos profissionaes : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de, Janeiro, etc. Rio de Janeiro 1864, 52 pags. in-4° gr. -Das operações reclamadas pelas retenções de ourinas: these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. para o concurso a um logar de lente oppositor da secção de sciencias cirúrgi- cas. Rio de Janeiro, 1871, in-4° gr. - Tratado de anatomia descriptiva, illustrado com mais de 400 gravuras, muitas das quaes coloridas. Rio de Janeiro, (1884-1886) in-48 tres vols.- O primeiro volume tem XXVII-412 pags. - Collecção de observações de cirurgia. Rio de Janeiro, 1876, 206 pags. in-4° - O titulo deste livro o recommenda assaz. - Estatística das operações praticadas por occasião do combate naval do Riachuelo em 11 de julho de 1865. Rio de Janeiro, 1874, in-4.° - Da acção attribuida ao sulfato de quinino de produzir o aborto. Rio de Janeiro, 1874, in-4.° - Observações do emprego do hydrato de chloral no tétano trau- mático.Rio de Janeiro, 1876, in-4.° - Do ainhum. Rio de Janeiro, 1876, 58 pags. in-4°-Este escripto assim como outros, foi publicado antes na Revista Medica, 1876, pags. 7, 57, 113, 169 e 225, e também nos Annaes brazilienses de medicina, 1875-1876, pags. 97, 135 e 221. Sobre este assumpto ainda o dr. P. Guimarães escreveu: - Do ainhum. Um caso importante - na Revista Medica, 1877, pag. 4. - Do tratamento dos estreitamentos da urethra. Rio de Janeiro, 1878, 261 pags. in-4°-Foi também publicado antes na Revista Medi- ca, 1877, pags. 192, 205, 227 e 260, 1878, pags. 53, 156, 178, 243 e 309 e n. de 31 de agosto pag. 22. - Extirpação do intestino recto. 1878 -Deu-se sobre este ponto ou sobre um facto desta natureza uma polemica scientiflca entre o dr. Pereira Guimarães e o dr. P. Affonso Franco, de que se occupou a classe medica, principalmente a sociedade Medica do Rio de Janeiro. 124 JO - Algumas palavras sobre a vantagem e inocuidade da ruptura do couro cabelludo, mesmo quando complicada de descollamento mais ou menos intenso. Rio deJaneiro, 1880, 12 pags. in-4.° - Duas palavras sobre alguns craueos da collecção de anatomia descriptiva da escola de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Ja- neiro. -Historia da anatomia. Lição inaugural do curso de anatomia descriptiva da escola de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1882, 31 pags. in-4°. - Carcinoma encephaloide do maxillar superior : resecção total deste osso e de parte do malar por um processo do autor. Rio de Janeiro, 1887, in-4.° - Novo processo de ressecção total do maxillar superior com o mais completo resultado n'um caso de carcinoma encephaloide do ma- xillar superior. Rio de Janeiro, 1887, in-4" - O dr. P. Guimarães tem em revistas scientiflcas outros trabalhos, como : - Parallelo entre a desarticulação da coxa e a rescisão do femur na articulação coxo-femural - Nos Annaes brasilienses de medicina, 1868-1869, pags. 348 e 569. - Obervação de clinica cirúrgica. Luxação total da clavicula es- querda, completa, retro-sternal e supra-acromial, etc. - Na Gazeta Medica Brazileira, 1882, pags. 72 e 90. - Emprego do processo hemostatico de Esmarch ou da ischemia artificial. Tumor branco accompanhado de carie dos ossos do tarso, etc. -Na Revista Medica, 1874-1875, pags. 71 e 146. - Lição de clinica cirúrgica em 28 de abril de 1882. Papillomas na perna esquerda, accompanhadas de um estado elephantiaco da mesma- Na Gazeta dos Hospitaes, 1883, pags. 2 e 93. José Pereira Leitão - Filho de José Pereira Leitão, nasceu no Rio de Janeiro em 1846 e falleceu em 1875. Bacharel em lettras pelo antigo collegio Pedro II em 1863, era aos vinte annos de edade, neste e n'outros estabelecimentos, professor de historia e geo- graphia. Era membro da sociedade brazileira Ensaios litterarios, em cuja revista collaborou ; foi um dos signatários do manifesto republi- cano de 1870, e para propaganda de suas idéas politicas redigiu o - Brazil Americano : publicação mensal. Rio de Janeiro, 1875- 1876, in-fol. - Sahiram ainda alguns numeros depois de seu falle- cimento. Escreveu : - Bosquejo biographico do tenente de voluntários da patria Fran- cisco Guedes de Aguiar Tolêdo. Rio de Janeiro, 1869, in-8.° JO 125 José Pereira Mascarenhas Peçanha - Mi- litar e, supponho, natural de Minas Geraes, era capitão de cavallaria de linha de Villa-Rica, hoje Ouro Preto e capital daquella província, quando escreveu : - Memória explicativa do anti-constitucional D. Manoel de Por- tugal e Castro, governador e capitão general de Minas Geraes, tanto no acto do juramento das bases de constituição no dia 17 de julho, como no das eleições de comarca nos dias 19 e 20 de agosto deste anno de 1821. Rio de Janeiro, 1821, in-fol. - Resposta ao capitão Felippe Joaquim da Cunha Castro, aju- dante de ordens do governo de Minas Geraes antes do dia 25 de se- tembro do corrente anno ( 1821 ). Rio de Janeiro (sem data, mas de 1821 ), 2 fls. in-fol. - Refere-se á assumptos políticos. José Pereira Pegas - Filho de José Pereira Pêgas e dona Maria Luiza da Conceição Pêgas, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 17 de janeiro de 1857. Com praça no exercito a 17 de janeiro de 1875, fez o curso de infantaria, em cuja arma serve com o posto de tenente, depois de ter servido na de artilharia. Escreveu : - Estudos históricos de fortificação : serie de artigos - publicados no O Paiz, 1895-1896, e tem a publicar : - Nomenclatura da metralhadora Nordenfeld de onze millimetros - Este trabalho foi enviado á Commissão technica militar consultiva para sobre elle emittir seu parecer. José Pereira Rebouças, Io - Filho de Gaspar Pe- reira Rebouças e dona Rita Basilia dos Santos, e irmão de Antonio Pe- reira Rebouças, Io, e do dr. Manuel Maurício Rebouças, nasceu na villa, hoje cidade de Maragogipe, Bahia, a 2 de janeiro de 1789. Tão forte vocação tinha para a musica que, sendo já um violinista de mere. cimento, quando estudava humanidades, deixou esses estudos para consagrar-se todo á arte de sua paixão, sendo director, durante os go- vernos do Conde dos Arcos e do Conde de Palmas, da banda de musica do 2o regimento de milícias, por elle organisada na capital. A luta da independencia levou-o a alistar-se no exercito brazileiro, bem como seus dous irmãos ; finda, porém, tomou de novo o violino. Em 1829 foi á Europa, esteve algum tempo na França, depois na Italia, sempre estudando, e demorande-se em Bolonha tres annos, frequentou a aca- demia de musica, onde foi-lhe conferido um diploma de honra, sendo o primeiro brazileiro que foi á Europa estudar essa arte. Celebrisou-se como surprehendente, magistral e inspirado violinista, e como composi- 126 JO tor pela maestria e profundo conhecimento da arte, sendo mais da escola italiana, do que da allemã. Não se mostrou maior em seu genio mu- sical, porque, como disse o dr. Macedo, foi apenas do tamanho de seu tempo em sua patria. Entre muitas composições de valor que deixou espalhadas, muito applaudidas em sua época, e de muitas - Cançonêtas, romances, modinhas, marchas marciaes, o mesmo dr. Macedo cita de sua penna : - Uma ouvertura, em Bolonha, 1832. - Duas ouverturas, em Bolonha, 1833. - Tres ouverturas, na Bahia, 1834. - Um magnificai, Bahia, 1835. - Variações sobre o motivo da aria da Estragniera para violino, Bahia, 1836. - Hymno constitucional, contrario á revolta republicana da ci- dade de S. Salvador, Bahia, 1837. José Pereira Ttolbonças, 2°-Sobrinho do prece- dente e do doutor Manuel Maurício Rebouças, de quem occupar-me-hei, filho de Antonio Pereira Rebouças, Io e dona Carolina Pinto Rebouças, e irmão de Antonio Pereira Rebouças, 2o e de André Pinto Rebouças, todos mencionados neste livro, é natural da Bahia, bacharel em ma- thematicas e escreveu : - Ensaio de indice geral das madeiras do Brazil. Rio de Janeiro, 1877-1878, 3 vols. in-4° - E' escripto este livro em collaboração com seu irmão André P. Rebouças. •José Pereira Rego, Io, Barão de Lavradio - Filho do capitão Manoel José Pereira do Rego e dona Anna Fausta de Almeida Rego, e irmão do doutor Joaquim Marcos de Almeida Rego, de quem fiz menção, nasceu a 24 de agosto de 1816 e falleceu a 22 de novembro de 1892 na cidade do Rio de Janeiro, sendo cirurgião formado pela an- tiga Academia medico-cirurgica e depois doutor em medicina, membro honorário e presidente perpetuo da Academia imperial, hoje nacional de medicina, membro da real Academia das sciencias e da sociedade de sciencias medicas de Lisboa, da real Academia medico-cirurgica de Turim, e da sociedade franceza de hygiene, do Instituto historico e geographico brazileiro, do Instituto fluminense de agricultura, da so- ciedade Auxiliadora da industria nacional e da sociedade Amante da instrucção, commendador da ordem da Rosa e da de Christo, da ordem austríaca de Francisco José e da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa. Um dos clínicos mais afamados do Brazil, foi o primeiro JO 127 a indicar, em 1844, os effeitos therapeuticos da ergotina e centeio espigado nas hemorrhagias uterinas puerperaes e foi nomeado lente substituto da faculdade de medicina da côrte na reforma de 1855, distincção que não acceitou, sendo entretanto por mais de uma vez consultado e ouvido pelo governo em assumptos de curso medico. Foi grande do império, do conselho do Imperador e medico da imperial camara ; presidente da Junta central de hygiene, inspector de saude do porto e inspector geral do Instituto vaccinico, cargos de que pediu exoneração em fevereiro de 1881, tendo exercido o primeiro desde 1864, o segundo de 1865 e o terceiro de 1873. Exerceu também cargos de eleição popular, como o de vereador da camara municipal em tres quatriennios, e de confiança, como os de subdelegado de policia. Esereveu : - Dissertação sobre os phenomenos obtidos pelos diversos methodos de exploração do coração e applicação dos mesmos phenomenos aos diagnósticos de algumas affecções do mesmo orgam, mais frequentes : these, etc. Rio de Janeiro, 1838, 60 pags. in-4.° gr. - Sessão anniversaria da imperial sociedade Amante da instrucção, em 5 de setembro de 1866, etc. Rio de Janeiro, 1866, 25 pags. in-4° - Consta o opusculo de um discurso seu e outro de seu filho de igual nome. - Historia e descripção da febre amareila epidemica que grassou no Rio de Janeiro em 1850. Rio de Janeiro, 1851, VIII - 162 pags. in-4° - observações feitas por um collega do autor o levaram a escrever : - Resposta ás observações feitas pelo sr. dr. João José de Carvalho sobre algumas opiniões e princípios expendidos na historia e descripção da febre amareila epidemica, que grassou em 1850 - Nos annaes bra- zilienses de medicina, 1851-1852, pags. 9 e 29. - Esboço historico das epidemias que teem grassado na cidade do Rio de Janeiro desde 1830 até 1870, publicado no Diário Official do império do Brazil em dezembro de 1871 e janeiro de 1872. Rio de Janeiro, 1872, 226 pags. in-8° gr. - Sahiu também na Gazeta Medica da Bahia, tomo 4.° - Memória histórica das epidemias de febre amareila e cholera- morbus que tem reinado no Brazil. Rio de Janeiro, 1873, 230 pags. in-8" - Reproduzida na dita revista, tomos 6o e 7. Sobre epidemias ha varias publicações deste autor, como as tres seguintes : - Estudo sobre as epidemias que tem grassado na cidade do Rio de Janeiro desde 1871 até 1878 - No Progresso Medico, tomo 2o, pags. 617 e 645 e tomo 3o, pags. 6, 38, 57, 329, 350, 361, 478 e 614i JO 128 - Estudo das epidemias que tem grassado nesta côrte de 1871 até 1880, seguido de uma apreciação geral do movimento sanitario de 1830 a 1880 - Nos Annaes Brazilienses, tomo 48°, pags. 359 e segs. - Tratamento e prophilaxia do cholera-morbus: relatorio da Junta central de hygiene. Rio de Janeiro, 1878, 6 pags, in-8° - E' também assignado por outros membros da junta, e reproduzido no volume de igual titulo, em 1884. - Formulário de moléstias de crianças para uso do hospital da Santa Casa da Misericórdia. Rio de Janeiro, 1890, in-8.° - Relatorio sobre o estado do systema actual de esgotos e o mo- vimento sanitario desta côrte desde que está elle em execução ; apre- sentado à Academia imperial de medicina pelo seu presidente, etc. para ser discutido e depois levado ao conhecimento do governo imperial. Rio de Janeiro, 1873, 93 pags. in-4° - O engenheiro fiscal junto á compa- nhia «City Improvements» apresentou ao governo um relatorio em resposta a este, que foi sustentado. - Relatorio da commissão nomeada pela imperial academia de me- dicina para analysar o relatorio apresentado ao governo imperial pelo sr. engenheiro fiscal junto á companhia « City Improvements » acerca do estado dos esgotos e sua influencia sobre a saude publica desta côrte, em resposta a outro que sobre o mesmo assumpto enviou a academia ao governo imperial. Rio de Janeiro, 1874, 86 pags. in-4°-E' também as- signado pelos drs. Nicolau Joaquim Moreira e Luiz Corrêa de Azevedo. - Plano dos melhoramentos necessários para preservar a cidade do Rio de Janeiro das epidemias reinantes. Rio de Janeiro, 1878, 9 pags. in-8° - E' também assignado pelo conselheiro Manoel Pereira da Silva Continentino e outros. - Apontamentos sobre a mortalidade da cidade do Rio de Janeiro, particularmente das crianças e sobre o movimento de sua população no primeiro qnatriennio depois do recenseamento feito em 1872. Rio de Janeiro, 1878, 124 pags. in-4° - Sobre a mortalidade já havia elle escripto : - Algumas reflexões sobre o accrescimo progressivo da morta- lidade no Kio de Janeiro-nos Annaes Brazilienses, 1850-1851, pags. 25 e segs. - E sobre as moléstias de crianças : - Considerações sobre algumas enfermidades de crianças, mais frequentes no Rio de Janeiro - na mesma revista, tomo 15°, 1847 a 1848, pags, 34, 89 e 111 ; tomo 16°, pags. 5 32, 56, 83, 112, 141, 159, 251 e 285 ; tomo 18°, pags. 2, 97, 127 e 180. E ainda depois escreveu alguns artigos àcerca das moléstias de crianças, mais fre- quentes nas classes pobres. JO 129 - Estado sanitario da cidade do Rio de Janeiro no decurso do anno de 1880 e no de 1881 - Idem, tomo 33°, pags. 1 e 439 e tomo 34°, Pag. 241 - A União Medica no seu tomo 2o, pags. 160 a 167, 206 a 230 e 293 a 294 transcreve uma parte deste trabalho, isto é : - Exposição do estado sanitario desta corte no decurso do anno de 1881, lida na sessão da Imperial academia de medicina de 21 de março de 1882, seguida de dous mappas da mortalidade no anno de 1881. - Diagnostico entre os envenenamentos e as moléstias naturaes - Idem, tomo 23°, 1871-1872, pags. 191, 211, 222 e 252. - Dysenteria aguda : memória - Idem, tomo 9o da classificação moderna ou tomo 6° da Revista Medica Fluminense, pags. 415, 452 e 507. E no volume seguinte se acha um parecer sobre uma memória do dr, Saulnier acerca da dysenteria, pag. 100. - Considerações sobre os usos dos banhos de mar e seu emprego hygienico e therapeutico- Idem, tomo 10° ou Io da Revista Medica Brasileira, pags. 57 a 72. - Discursos-proferidos perante a Academia imperial de medicina pelo presidente nos annos de 1864 a 1881 - Idem tomo 29° a 31° e 33° a 47° - São 17 discursos, de que alguns foram tirados em folhetos. Depois de 1881 só conheço, sob o titulo « Academia imperial de me- dicina»: - Discurso lido na sessão de 27 de julho do corrente anno (1886). Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Relatórios da junta geral de hygiene publica (1865 a 1880). Rio de Janeiro, 1865-1880, in-fol. - São 16 relatorics, com alguma alteração nos titulos ; publicados também nos Relatórios do Ministério do império. Delles foram reproduzidos em folhas ou revistas alguns trechos, como : ' - Exame comparado da meteorologia com o estado pathologico e a mortalidade do Rio de Janeiro, extrahidos do relatorio das repar- tições de saude publica - No Progresso Medico, tomo Io, 1876, pags. 625 e 657, e tomo 2o, pags. 21, 52 e 81. O Barão de Lavradio, final- mente, redigiu por espaço de tres annos : - Annaes Brasilienses de Medicina - onde escreveu ainda muitos pareceres acerca de varias memórias presentes á Academia nacional de medicina, como as memórias : sobre a febre amarella no Rio Grande do Norte pelo dr. Thomaz Cardoso de Almeida e sobre a mesma aífecção na Bahia pelo dr. Egas Muniz Barreto Carneiro de Campos, os quaes se acham nessa Revista, tomo 19°, pags. 56 e 85 ; e sobre a morta- lidade das crianças no Rio de Janeiro pelo dr. José Martins Teixeira 130 ao no tomo 54°, pag. 117. Escreveu vários trabalhos além dos men- cionados, como : - As moléstias tratadas no hospital da Misericórdia, serviço do dr. De-Simoni, no tomo 8o, 1839-1840, pag. 307. - Utilidade de estabelecer-se a constituição medica no Rio de Janeiro, tomo 9o, pag. 3. - A prostituição no Rio de Janeiro, tomo 10°, pag. 6. - Tétano, tomo 28°, pags. 55 e 73. - Nota sobre os effeitos da ergotina e centeio espigado nas he- morrhagias uterinas puerperaes, tomo 23°, pag. 343-e algumas outras como se vê numa noticia de obras suas, publicadas na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro de 23 de novembro de 1892. José Pereira Reg^o, 2o - Filho do precedente e dona Maria Rosa Pinheiro Pereira Rego, Baroneza de Lavradio, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 2 de julho de 1845. Bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, hoje gymnasio nacional, e doutor em medicina pela faculdade desta cidade, professor honorário da Academia de bellas artes e medico adjunto do hospital da santa casa da Misericórdia, exerceu aqui a clinica e desempenhando o cargo de vice- presidente da commissão brazileira na exposição continental de Buenos- Ayres em 1882,contrahiu casamento com uma joven de familia argentina e mudou sua residência para essa cidade. E' cavalleiro da ordem de Christo, offlcial da ordem da Rosa, commendador da ordem portugueza de Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa, membro da Academia nacional de medicina de que foi secretario perpetuo, da sociedade Au- xiliadora da industria nacional, onde serviu igual cargo, da sociedade Amante da instrucção, do Instituto dos bacharéis em lettras, do Insti- tuto de agricultura, da Academia de medicina de Nova-York, da so- ciedade de medicina e cirurgia de Bordeaux e de outras associações de lettras. Escreveu : - A Bahia nas exposições de 1866. Rio de Janeiro, 1866, 26 pags. in-8.° - Duas palavras sobre o Maranhão e a Parahyba. Rio de Janeiro, 1866,7 pags. in-8.° - Sessão anniversaria da imperial Sociedade Amante da Ins- trucção com as augustas presenças de SS. MM. II. e Altezas em 5 de setembro de 1866. Rio de Janeiro, 1867, 25 pags. in-4° - Contém o opusculo dous discursos, um deste autor e outro de seu pai. - Dos casamentos consanguíneos; Das operações reclamadas pelos tumores hemorrhoidaes ; Encephalite ; Electricidade atmospherica; JO 131 these apresentada á Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1868, 103 pags. in-4° gr. - Do envenenamento pela digital e digitalina: these apresentada, etc. para o concurso a um legar de lente oppositor da secção de sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1871, 44 pags. in-4° gr. - Relatorio dos trabalhos académicos no anno decorrido de 30 de junho de 1873 a 30 de junho de 1874, apresentado á Academia im- perial de medicina pelo secretario adjunto,etc. Rio de Janeiro, 1874, 36 pags. in-8.° - Relatorio dos trabalhos académicos de 1875 a 1876, apresentado, etc., em sessão magna de 30 de junho de 1876 pelo secretario geral. Rio de Janeiro, 1876, 344 pags. in-8.° - Relatórios dos trabalhos académicos de 1876 a 1879, apresen- tados, etc. Rio de Janeiro, 1880, in-4° - São tres relatórios de 31, 36 e 67 pags. in-8° - Estes relatórios, assim como o de 1874 a 1875, acham-se também nos Annaes Brasilienses de Medicina. Ha outros, apresentados até o anno de 1881 nos ditos Annaes. - Hyãrotherapia. Relatorio lido á Academia imperial de medicina sobre a memória do Sr. dr. Beni Gardi em sessão de 28 de abril de 1874. Rio de Janeiro, 1874, 20 pags. in-8° - Também na dita revista. - Beriberi. Relatorio apresentado á Academia imperial de me- dicina em sessão de 6 de maio de 1872 sobre o trabalho do Sr. dr. J. F. da Silva Lima, intitulado Ensaio sobre o beriberi no Brazil. Rio de Janeiro, 1872, 23 pags. in-8° - Idem, 1872-1873, pag. 407. - Albumino-pymeluria. Relatorio apresentado â Academia, etc. em 7 de agosto de 1876 sobre a memória do dr. Domingos de Almeida Martins Costa, etc. Rio de Janeiro, 1877-Idem, 1877-1878, pags. 111, 123, 170 e 243. - Eleição municipal-, cartas de um proletário. Rio de Janeiro, 1878, 24 pags. in-4° - Sahiu antes no Cruzeiro com o pseudonymo Urias. - Bibliographia. Alguns dados, relativos á estatistica medica da cidade de Buenos-Ayres durante o anno de 1876 por Emilio R. Coni. Extrahidos do Progresso Medico. Rio de Janeiro, 1877, 17 pags. in-8.<> - Conferencia feita no edifício da exposição industrial na noite de 26 de janeiro sobre o thema : Problemas suscitados pela actual expo- sição. Rio de Janeiro, 1882, 49 pags. in-12.° - O Brasil em Buenos-Ayres: conferencia effectuada em 30 de abril de 1882 no palacio da Exposição continental de Buenos-Ayres. Rio de Janeiro, 1883, 137 pags. in-8.° 132 • IO - O Brasil e os Estados- Unidos na questão de immigração : confe- rencia na escola publica da Gloria a 16 de dezembro de 1884. Rio de Janeiro, 1884, 52 pags. in-8.° - Discurso proferido na sessão extraordinária da Academia impe- rial de medicina em 12 de março de 1879 à proposito da discussão le- vantada sobre a postura que a Gamara municipal da côrte enviou á assembléa geral legislativa pedindo a remoção para fóra da cidade das fabricas de cigarros e depositos de fumo. Rio de Janeiro, 1884, 107 pags, in-8° - Ainda ha trabalhos do dr. Pereira Rego em revistas, dos quaes destacam-se: - llapido estudo sobre as epidemias de sarampão que tem grassado no Rio de Janeiro de 1836 a 1869; principaes complicações desta enfermidade nas creanças e seu tratamento: memória -Nos Anno.es Brasilienses de Medicina, 1870-1871, pags. 150, 190 e 214. - A febre amarella em 1877: Estudo critico sobre a memória de igual titulo do dr. José Maria Teixeira, apresentada á Academia im- perial de medicina do Rio de Janeiro em junho de 1878 -No Progresso Medico, tomo 2o, pags. 629 e 651 e tomo 3o, pags. 19, 45, 67, 394 e 608. Esta publicação não foi concluída. - Estudo sobre a coca e a cocaína e suas applicações therapeuticas - Na Gazeta Medica da Bahia, 3a serie, vol. 4o, pags. 439, 492 e 536; vol. 5°, pags. 24, 77, 306,' 343, 405, 460, 500 e 544; tomo 6o, pags. 10, 71 e 124 ; vol. 8o, pags. 17 e 73 e segs. X^rei José X^eveim <le Saiit'A.niia- Filho do Simeão Pereira de Sá e dona Anna Bacan, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 4 de fevereiro de 1696, chamou-se no século José Pe- reira de Sá Bacan e falleceu no Paço de Salvaterra, Portugal, a 31 de janeiro de 1759. Carmelita professo no anno de 1716 na cidade de seu nascimento, fez o curso e recebeu o gráo de doutor em theologia na universidade de Coimbra e regressando á patria, leccionou não só theologia especulativa e moral, como também philosophia. Tornando á Portugal, foi encorporado á província, nella segundo definidor, chro- nista, presidentedocapitulo celebrado em Lisboa a 11 de janeiro de 1744 e obteve em seguida os privilégios de provincial da mesma província. Foi lente substituto de philosophia na universidade em que se graduara qualificador do santo offlcio e confessor e mestre da princeza da Beira e das infantas, suas irmãs. Escreveu: - Noticia mística: representacion métrica y verdadera historia de los abuelos de Maria y de los bisabuelos de Christo. Lisboa, 1730, Jn-4.0 ■ ' i ■ JO 133 - Triumpho panegyrico, exposto na festa que ao glorioso transito do Senhor S. José costuma fazer com o Santíssimo Sacramento exposto na igreja do real convento do Carmo de Lisboa, um especialíssimo devoto deste grande Santo. Lisboa, 1732, in-4.° - Novo ornato de virtudes que como de nove pedras preciosas se offerece ao preclarissimo príncipe dos patriarchas, o sol do Occidente» S. Bento. Lisboa, 1734, in-4.° - Os dous athlantes da Etiópia ; Santo Estevão, imperador XLVII, da Absyssinia, advogado dos perigos do mar, e Santa Ephigenia, prin- ceza da Nubia, advogada dos incêndios dos edifícios, ambos carmelitas. Lisboa, 1735-1738,2 tomos, o Io de XXVI-337-155 pags. e o 2o de XX- 218, pags. in-fol. - No fim do Io tomo se acha um sermão pregado pelo autor por occasião da collocação das sagradas imagens dos dous santos. - Vida da insigne mestra de espirito, a virtuosa madre Maria Perpetua da Luz, carmelita calçada do exemplaríssimo convento da Esperança na cidade de Beja, onde acabou a vida temporariamente no dia 6 de agosto de 1736. Lisboa, 1742, in-fol. - Chronica dos carmelitas da antiga e regular observância nestes reinos de Portugal, Algarves e seus domínios, etc. Lisboa, 1745-1751, 2 tomos in-fol. - A obra compunha-se de quatro volumes, mas só se publicaram dous: o 1° de XXX-862, e o 2o de XXI-459 pags. in-fol., a que se segue uma dissertação apologética, histórica, lithurgica, dogmatica e política para intelligencia e observância das principaes leis municipaes da provincia carmelitana portugueza, abrangendo mais de 300 pags. e mais um additamento final. Os dous últimos volumes não puderam ver a luz por serem consumidos pelo incêndio do convento do Carmo por occasião do terremoto de 1755, segundo aífirma frei Miguel de Azevedo, da mesma ordem. - Mestre da morte, Jesus-Christo, nosso redemptor crucificado, que com o seu exemplo ensina efficazes meios de termos no fim da vida um transito seguro para a conta, feliz para o prémio. Parte Ia, Lisboa, 1747, in-8.° - Medianeira da vida eterna, Maria Santíssima, Mãí de Deus. Parte 2a, Lisboa, 1747, in-8° - Estas duas obras se publicaram com assignatura fictícia do padre José Anacleto Marcelati ; mas são de frei José Pereira de SanfAnna, como diz Barbosa Machado. - Novenario sacro de especialíssimos louvores para se recitarem nos nove dias antecedentes á festa da commemoração solemne de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Senhora do Monte do Carmo. Lisboa, 1761, 96 pags. in-8.° aro 134 - Excellencias do glorioso S. João Nepomuceno, primeiro martyr de Christo pela observância do sigilo sacramental, etc. Lisboa, 1761, in-8.° José Pereira da Silva, 1° - Nasceu em Sabará, cidade da antiga província de Minas Geraes, pelo meiado do século XVIII e, me parece, foi lavrador. Escreveu : - Manual pratico do lavrador, com um tratado das abelhas. Tra- duzido de Chatoille. Lisboa, 1801, 212 pags. in-4° com quatro es- tampas. José Pereira dia Silva, 2o - Nascido no Maranhão também no século XVIII, como o precedente, foi bacharel em direito pela universidade de Coimbra, formado em 1785, e cultor das musas. Consta que deixou muitas poesias inéditas e mesmo publicadas. Só co- nheço delle : - Odes (duas) a S. M. I., e á independencia do Brazil -Acham-se no volume « A fidelidade maranhense demonstrada na sumptuosa festividade que no dia 12 de outubro e seguinte fez a camara da cidade, etc. » Maranhão, 1826, pags. 119 a 122. 13. José Pereira da Silva Barres, Conde de Santo Agostinho e arcebispo titular de Darnis - Filho do capitão Ja- cintho Pereira da Silva e dona Anna Joaquina de Alvarenga, nasceu na cidade deTaubaté a 24 de novembro de 1835. Feitos os estudos eccle- siasticos no extincto lyceu desta cidade e no seminário de S. Paulo, ordenou-se presbytero na cidade de Alfenas a 27 de dezembro de 1857. Foi professor de latim naquelle seminário até 1862, anno em que assu- miu o cargo de parocho do logar de seu nascimento, sendo pouco depois, sem o solicitar, nomeado camarista secreto do papa Pio IX. Eleito bispo de Olinda a 7 de janeiro de 1881, confirmado a 13 de maio e sa- grado a 28 de agosto pelo bispo d. Lino Deodato Rodrigues de Carva- lho, fez sua entrada solemne na diocese a 9 de outubro. Soffrimentos, porém, resultantes do clima inteiramente diverso do da província de seu nascimento, o abateram por fôrma tal, que a conselho da medicina foi obrigado a retirar-se com a respectiva licença da Santa Sé. Por este motivo renunciou elle o offerecimento que pelo governo imperial lhe foi feito do arcebispado da Bahia, e conservou-se em S. Paulo até que a 8 de fevereiro de 1891 foi transferido para a diocese do Rio de Janeiro, preconisado a 12 de maio, e fez sua entrada solemne a 5 de agosto. Quando, entretanto, espalhava benefícios na nova diocese, JO 135 quando se sacrificava com a bella reconstrucção da cathedral, quando gosava das mais merecidas sympathias, veneração e amor de suas ove- lhas, sendo creado pelo actual pontífice o arcebispado do Rio de Janeiro, foi dispensado do cargo que exercia, sendo nomeado arcebispo in par- tibus! O conde de Santo Agostinho foi um dos sacerdotes brazileiros de maiores virtudes, de mais illustração e de mais adiantadas idéas. Na cidade de seu nascimento fundou um asylo para meninos pobres, des- pendendo de seu bolso 32:000$, e foi depois o instituidor do excellente collegio do Bom-Conselho, para a educação do sexo feminino. Era agraciado com o titulo de conselho do Imperador D. Pedro II e seu capellão-mór ; assistente do solio pontifício e prelado domestico de sua santidade. Escreveu, além de outros trabalhos de que agora não posso dar noticias : - Carta do vigário collado de Taubaté a seus companheiros. S. Paulo, 1871, 13 pags. in-8.° - Carta pastoral saudando seus diocesanos depois de sua sagração. S. Paulo, 1881, 22 pags. in-8°4- E' dirigida ao povo pernambucano, a quem aconselha sujeição a Roma e respeito aos poderes do Estado. Foi reproduzida no Monitor Catholico, redigido pelo distincto dr. Estevão Leão Borroul, de quem já tratei, anno 2o, 1881-1882, ns. 21 a 27. - Carta pastoral, annunciando a seus diocesanos a nomeação de um bispo coadjuctor. Rio de Janeiro, 1890. - Carta pastoral, saudando seus diocesanos. Taubaté, 1891, in-8° - E' dirigida ao povo fluminense e foi também reproduzida no perió- dico O Brazil, da capital federal, na Estrella da Apparecida de Guara- tinguetá, etc. - Carta de despedida ao clero e ao povo do antigo bispado de S. Sebastião do Rio de Janeiro. S. Paulo, 1894, 41 pags. in-4° gr. - Este trabalho é também um documento historico que merece ser lido. - Mandamento para a quaresma de 1882. Recife, 1881, in-8.° - Tabella provisória dos emolumentos parochiaes desta diocese de Pernambuco. Recife, 1882, in-8.° - Mandamentos ou prescripções diocesanas do Recife e de Olinda. Recife, 1882, in-8.° - Provisão de 14 de maio de 1887 sobre o cerimonial do baptismo e do casamento-sem frontispício e sem data, mas do Recife, 1887, in-8.° José Fereira Tavares - Nascido no Rio Grande do Sul a 19 de janeiro de 1809, falleceu em Itaguahy, provincia do Rio de Janeiro, a 17 de fevereiro de 1870, sendo o fundador e proprietário do primeiro estabelecimento seropedico que teve esta provincia e que 136 .TO rivalisava com os primeiros da Europa. O imperador, visitando-o, deu- lhe o titulo de imperial, concedeu-lhe sua protecção e condecorou seu fundador com o offlcialato da ordem da Rosa. Tavares antes disto exercia em Pelotas um ofHno de tabellião ; mas victima de perseguições poli- ticas, accusado até de ser republicano, veio preso para o Rio de Janeiro, e aqui, obtendo sua liberdade, dedicou-se á advocacia, e exerceu cargo de municipalidade. Escreveu : - Memória sobre a sericultura no império do Brazil. Rio de Ja- neiro, 1860, 160 pags. in-4° com cinco estampas e com o retrato de D. Pedro II - Este livro mereceu os mais justos elogios dos princi- paes orgãos da imprensa do dia, e deu talvez origem á publicação da - Industria serica : serie de artigos - publicados no Jornal do Commercio de 13,14, 17 e 21 de julho de 1860, nos quaes se faz a histo- ria da cultura da seda, desde seu descobrimento na China até a creação do bicho da seda no Brazil, e se faz muitas vezes referencia, com elo- gios, á memória de Pereira Tavares, que escreveu depois : - Nova proposta para fundação de um matadouro na ilha dos Fer- reiros e para a extincção do actual. Rio de Janeiro, 1868, 32 pags. in-4° - E' também assignada por Ernesto Augusto Harper. - Appendice á nova proposta para a fundação de um matadouro, etc. Rio de Janeiro, 1868, in-4.° José 1'etitinga - Natural da Bahia, occupa-se em com- merciar pelo centro deste estado. E' poeta de facil inspiração, tem composições suas em muitos jornaes, só me constando que, colleccio- nadas, tenha publicado algumas com o titulo: - Harpejos vespertinos; poesias. Bihia, 1887, 90 pags. in-8° - São producções escriptas em llheos, Cachoeiras, Olivença e Amargoza, onde me consta que o autor tem residência actualmente. José Pinheiro <la Silva - Filho de José Pinheiro da Silva e dona Carolina Augusta de Moraes, nasceu na cidade do Serro, Minas Geraes, a 22 de outubro de 1856 e falleceu a 22 de feve- reiro de 1889 em Jaqueri, de cuja matriz era parocho collado. Cur- sou o seminário e recebeu ordens de presbytero na diocese de Ma- rianna, ahi foi professor de latim e de portuguez,e considerado distincto orador sagrado. Collaborou para vários jornaes e escreveu: - Grammatica da lingua latina. Ouro Preto, 18** - Nunca pude vel-a, nem algum de seus sermões, que, me parece, nunca foram publicados, assim como uma - Grammatica da lingua portugueza que deixou inédita. JO 137 José Pinto d.© Azeredo - Filho do cirurgião-mor de um regimento do exercito, Francisco Ferreira de Azeredo, nasceu na cidade do Rio de Janeiro no anno de 1763 e falleceu em Lisboa no anno de 1807, victima de uma congestão cerebral, quando se dispunha em- barcar para o Brazil, accompanhando a familia real na qualidade de melico da camara de dona Maria I. Era doutor em medicina pela faculdade de Edimburgo, cavalleiro da ordem de Christo, membro da Academia das sciencias de Lisboa, da sociedade harveiana daquella cidade etc. Serviu por alguns annos o logar de physico-mòr de An- gola com proficiência tal, que em sua volta á Lisboa foi admittido no paço. Escreveu: - Dissertatio medica inauguralis de podraga, etc. Lugduni Bata- vorum, 1789, in-4.° - Dissertação sobre as propriedades chimicas e medicas das sub- stancias chamadas lithontripticas - Foi apresentada á sociedade har- veiana de Edimburgo com muitas memórias, e foi a unica julgada digna de prémio, que effectivamente o autor recebeu das mãos do dr. Dunkan, presidente dessa sociedade na sessão publica annual de 1788. Foi publicada, pelo menos em resumo na revista redigida pelo mesmo dr. Dunkan, « Medicai Commentaries» e é um trabalho de grande folego, concluindo com mais de cem experiencias do autor quanto ás especies de concreções animaes, e particularmente dos cálculos uriná- rios, suas causas, etc. - Ensaio sobre algumas enfermidades de Angola. Lisboa, 1799, 165 pags. in-8° - E' um trabalho baseado nas observações ahi colhidas sobre as febres intermittentes, as {dysenterias e os té- tanos. - Ensaio sobre as febres de Angola. Lisboa, 1802, in-8.° - Ensaio chimico da atmosphera do Rio de Janeiro - Foi publi- cado no Jornal Encyclopedico, março de 1790, pags. 259 e 288. - Lexicon nosologicum, morborum definitiones continens ad medi- cinae tirones accommodatum - O mans. de 49 fls. pertence à Biblio- theca do Instituto historico. - Curtas reflexões sobre algumas enfermidades endemicas do Rio de Janeiro no fim do século passado - Na mesma bibliotheca, offere- cidas com o Lexicon pelo dr. Emilio Joaquim da Silva Maia em sessão de 8 de abril de 1853. Jos© Pinto d.© Azeredo Coutinlio - Filho de José Joaquim de Azeredo Coutinho e dona Adelaide Carolina Pinto de Azeredo Coutinho, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 31 de janeiro 138 JO de 1856 e é empregado na secretaria da viação, industria e obras publicas. E' litterato e habil comediographo. Só conheço de sua penna : - Olho de gato: peça em cinco actos e treze quadros, de Xavier de Montepin e Julio Dornay. Traducção - Foi representada no Re- creio Dramatico de dezembro de 1891 em deante. -■ Os lobos marinhos: zarzuela em quatro actos, de RamonCarrion e Vitalaza, ornada de musica de Chappi. Versão do hespanhol - Foi pela primeira vez representada na Phenix dramatica em janeiro de 1892. - 0 poço encantado: opera cómica phantastica em tres actos e cinco quadros, ornada de 22 numeros de musica. Tradução do dr. Mo- reira Sampaio e Azeredo Coitinho - Foi representada no Elen La- vradio em 1895. José Riu to do Carmo Cintra - Filho de Joa- quim Pinto do Carmo Cintra, Barão de Campinas e da Baroneza do mesmo titulo, nasceu em 1852 em Mogy-mirim, S. Paulo, e é bacharel em direito pela faculdade do Recife, tendo feito parte do curso na daquelle estado. Escreveu: - Discurso proferido no theatro Santa Isabel na noite de 28 de setembro de 1879 pelo académico, etc. Pernambuco, 1879, in-8.° José Pinto Guimarães - Natural da provincia, hoje estado do Rio Grande do Sul, escreveu: - Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1896, in-8°-Não pude ver este livro, mas sei que é um livro didactico. José 1'iiito Rilbeiro de Sampaio - Filho de João Pinto Ribeiro de Sampaio, nasceu em Campos, provincia do Rio de Janeiro, a 18 de outubro de 1817, e ahi falleceu, depois de longos sof- frimentos, a 12 de dezembro de 1877. Era doutor em medicina pela faculdade da côrte, bacharel em lettras pelo collegio Pedro II, cultor das lettras amenas e particularmente da poesia e escreveu: - Breves reflexões sobre a solidão: these apresentada, etc. e sustentada em 5 de dezembro de 1846. Rio de Janeiro, 1846, in-4.° - Delírios poéticos que á seu prezado pae dedica, etc. Rio de Janeiro, 1846, 121 pags. in-4° - São composições do tempo de estu- dante. - Blasfémia do impio: poemêto... - Sei que conservava 1neditas muitas poesias e também trabalhos em prosa, que o JO 139 dr. Teixeira diz que provavelmente serão publicados e escreveu mais : - Riachuêlo: poema - de que me consta que foi publicado uma parte ; entretanto n'um momento de delirio, provindo de seus soffri- mentos physicos, o autor queimou-o. Pessoa habilitada que viu o poema, elogia-o muito. José 1'iiito de Serqueira - Filho do conselheiro Thomaz José Pinto de Serqueira, de quem occupar-me-hei neste livro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 26 de janeiro de 1834 e ahi falleceu a 30 de outubro de 1893, chefe de secção da secretaria da industria, viação e obras publicas, cavalleiro da ordem italiana de São Maurício e S. Lazaro, socio da sociedade Auxiliadora da industria nacional e presidente da sociedade sportiva Turf-Club. Collaborou no Mercantil de Porto Alegre em 1856, no Diário do Rio de Janeiro em 1868 e 1869, no Movimento e na Nação em 1872, na Gazeta da Tarde em 1882, e escreveu : - Demonstração do despeza effectuada pelo Ministério da agricul- tura, commercio e obras publicas durante os exercícios de 1861-1862 a 1880-1881. Rio de Janeiro, 1884, in-fol. oblongo - Depois de um grande mappa demonstrativo de taes despezas sob 46 rubricas, vem a demonstração relativa a cada uma delias. José Pinto da Silva Azeredo -Parente talvez do dr. José Pinto de Azerêdo, fallecido em 1807, de quem acabo deoccupar- me, sei apenas que era brazileiro, presbytero secular e que escreveu : - Oração gratulatoria, recitada em 21 de agosto de 1784... - Canto declamatório ao Exm. e Revm. Sr. D. José Joaquim Jus- tiniano Mascarenhas Castello Branco, bispo do Rio de Janeiro... - Elogio ao Exm. Sr. Luiz de Vasconcellos e Souza, do conse- lho de S. M., vice-rei e capitão general de mar e terra do estado do Brazil. Lisboa, 1829 - O Instituto historico possue o original, tanto deste trabalho, como do precedente. José T*ires de Carvalho Albuquerque - Filho do capitão José Pires de Carvalho e dona Thereza Cavalcante de Albuquerque, nasceu na Bahia em 1701 e foi casado com dona Brites da Rocha Pitta, neta do grande historiographo bahiano, Sebastião da Rocha Pitta, de quem occupar-me-hei. Era fidalgo da casa real, doutor em cânones pela Universidade de Coimbra, alcaide-mór da villa de Maragogipe, socio e censor da Academia brasílica dos esque- ao 140 eidos e cavai leiro da ordem de Christo. Depois de servir o cargo de ouvidor da comarca de Alenquer, passou ao Brazil como secretario do governo do estado. Cultivou a peesia e escreveu: - Culto métrico, tributo obsequioso que ás aras da Sacratíssima Pureza de Maria Santíssima, Senhora nossa e Mãe de Deus, dedica, offerece e consagra pelas sagradas mãos do Exm. e Revm. Sr. D. José Botelho de Mattos, arcebispo da Bahia, primaz dos estados do Brazil, do conselho de Sua Magestade Fidelíssima e presidente do Supremo Tribunal da Mesa de Consciência e ordens, etc. Lisboa, 1757, 54 pags. in-4° - E' um poema de 81 oitavas rimadas, parecendo-me que ha en- gano na data da publicação, que deve ser 1759, visto como esse poema foi apresentado á Academia brasílica dos renascidos que foi inaugurada a 6 de junho deste anno «pela necessidade de erigir um padrão da ale- gria que sentiram os habitantes da Bahia com a noticia do perfeito res- tabelecimento de S. M. fidelíssima depois da perigosa enfermidade, e de sau aífecto a sua real pessoa», e sua ultima sessão teve logar a 26 de abril de 1760. Houve segunda edição em Lisboa, 1760, 124 pags. comprehendendo mais um conto com 119 oitavos. - No tumulo de Sua Migestade Fidelíssima, el-rei D. João V : soneto-- na «Relação panegyrica das honras funeraes, etc.», pelo Dr. João Borges Barros. Lisboa, 1752. José Pires Falcão Brandão - Natural da Bahia, e nascido a 29 de dezembro de 1832, é bacharel em direito pela facul- dade do Recife, formado em 1854, proprietário de um engenho de assu- car, etc. Escreveu, além de vários trabalhos de advocacia: - Negocios públicos de Nazareth ou exposição de alguns factos oc- corridos naquelle município. Bahia, 1866, 224 pags. in-4°. Fundou e redigiu o - Popular. Santo Amaro... Frei José Policarpo de Síinta Gertrud.es - Nascido em Portugal, Mleceu no Rio de Janeiro a 12 de fevereiro de 1841. Monge benedictino, director das escolas primarias da província do Rio de Janeiro, pregador imperial e membro da Academia das scien- cias de Lisboa, foi abbade em sua ordem, lente de philosophia no antigo seminário de S. Joaquim - e escreveu : - Elementos de geographia para uso das escolas da instrucção primaria da provinda do Rio de Janeiro. Nitheroy, 1840, in-8° - Ha relatórios seus, como: - Relatório do director das aulas da instrucção primaria da pro- vinda do Rio do Janeiro em 1840. Rio de Janeiro, 1840, in-4.° ao 141 - Discurso pronunciado em presença de SS. MM. II., por occasião da abertura da aula de philosophia no imperial collegio de S. Joaquim no dia 3 de fevereiro de 1825 ; impresso por ordem do Imperador. Rio de Janeiro, 1825, 20 pags. in-8.° José Pompeo de Albuquerque Cavalcante - Nascido no Ceará a 10 de abril de 1839, falleceu no Rio de Janeiro, a 14 de julho de 1891, bacharel em mathematicas pela escola central. Representou a província, hoje estado do seu nascimento, nas legisla- turas de 1881 a 1885; foi nella director de obras publicas e, nomeado membro da intendência da capital federal, apenas havia tomado posse deste cargo quando falleceu. Escreveu : - Chorographia da província do Ceará. Rio de Janeiro, 1888, XIII- 321 pags. in-8° - Neste livro se corrigem alterações que com o correr do tempo se tem dado na historia do Ceará desde que foi publicado o ensaio estatístico do padre Thomaz Pompeo de Souza Brazil, de quem mo occuparei. - Estrada de ferro de Baturité. Ceará. Synopse histórica, orga- nisada pelo secretario da mesma estrada de ordem do director e enge- nheiro em chefe. Fortaleza, 1880, 12 pags. in-fol. de duas columnas sem folha de rosto. O dr. Albuquerque Cavalcante deixou inéditos: - Diccionario historico, geographico, estatístico, político e choro- graphico do Ceará (até a lettra P), obra considerável, à que se dedi- cava quando falleceu, e que o distincto cearense Dr. Guilherme Studart se propõe a concluir. - As minas de Cariri: romance - Deste romance o filho do autor, Julio P. C. de Albuquerque, em 1896 publicou um capitulo Noticia, e a 18 de agosto de 1898 outro capitulo no Debate-Na imprensa redigiu : - O Cearense .- Fortaleza, in-fol.- Esta folha começou a ser pu- blicada a 4 de outubro de 1846 sob a redacção de outros e viveu cerca de 40 annos. 1 • : - O Mercantil: orgão dos interesses industriaes. Ceará, 1876, in-fol. José 3?orfiirio de Lima-Natural da província de S. Paulo e ahi íallecido, alferes da 4a classe do exercito, engenheiro civil e architecto medidor pela escola respectiva do Rio de Janeiro e nesta qualidade empregado pelo governo de sua província ; era caval- leiroda ordem da Rosaí Escreveu: ' Memorial sobre as vias de communicação por canaes navegáveis, acompanhado de um projecto sobre sua realisação na província de 142 jro S. Paulo. Ia parte. S. Paulo, 1849, in-8° - Não publicou-se a 2a parte, parece-me. José Porphirio de Sá - Filho de José Porfirio de Sá, nasceu na cidade do Rio Grande do Sul a 3 de novembro de 1863 e fal- leceu na Bahia a 23 de junho de 1896. Pharmaceutico e doutor em me- dicina pela faculdade da Bahia, e lente de biologia pelo Instituto nor- mal, apresentou-se em concurso a um logar de lente substituto da mesma faculdade e escreveu: - Considerações acerca da inserção anormal da placenta: these apresentada, etc. para obter o grão de doutor em medicina. Bahia, 1886, in-4.° - Vegetaes e animaes luminosos: these para o concurso a um logar de lente substituto da 2a secção da Faculdade de medicina da Bahia. Bahia, 1893, in-4.° José Praxedes Pereira Pacheco - Nasceu no Rio de Janeiro a 21 de julho de 1813, e falleceu na côrte do império a 23 de agosto de 1865. Fez uma viagem á Europa, d'onde voltou em 1853 com um titulo de doutor em philosophia ou em outra sciencia, e então começou a assignar-se doutor. Foi negociante, professor de por- tuguez, de francez e de outras matérias, e por fim acabou corretor de fundos, annunciando-se como tal e demonstrando desarranjo das facul- dades mentaes, que talvez mesmo nunca regulassem com acerto. Es- creveu: - L'histoire expliquée par la philosophie. Paris, 1852, in-8* - Es- tava o autor nessa época em Pariz. - Minha tentativa, dirigida para remediar a maior necessidade do Brazil (a falta de alimentos). Rio de Janeiro, 1855, 40 pags. in-8.° - O util cultivador, instruido em todo o manejo rural e accom- modado a qualquer clima: tentativa do brazileiro, Dr. José Praxedes Pereira Pacheco, o maior introductor e propagador dos negocios uteis ao solo do Brazil e instituidor dos primeiros catalogos agricolas em portuguez, assim considerado pelos estrangeiros, membro das princi- paes sociedades de botanica e cultura em Londres, Pariz, Bruxellas, Amsterdan, de mais corporações scientiflcas na Europa, etc. Rio de Janeiro, 1855, 196 pags. in-S" e mais 43 com a obra acima. - Elementos de fallar para correctamente se ler com melhor pro- nuncia em conformidade com os preceitos publicados na real universi- dade de Coimbra, approvados pela real Academia das sciencias e ad- optados pelas instrucções publicas de Portugal e do Brazil, seguidos JO 143 pela propaganda das praxes de mestres. Rio de Janeiro (s. d.) em todas as casas de livros. Preço 3$. Grande abatimento ás dúzias - Dentro do livro se diz Ensino Praxedes. - Breves noções para se estudar com methodo a geographia do Brazil. Ensaio para, pela primeira vez, indicar os tanques marítimos no Atlântico, as vertentes delles, os vallados ou bacias que elles encerram accommodando o Brazil ao ultimo plano de estudos para o império francez, seguindo a geographia da França. Rio de Janeiro, 1857, 204 pags. in-8.° - O Brasil: opusculo de geograhia patria, tarefa para ensaio do Dr., etc.- Nunca vi esta obra. - Brasilismo do Dr., etc., occupado diariamente em commerciar, obrigado a educador de sua familia e, por zelosa diversão, á estudos pá- trios. Cidade do Rio de Janeiro, 1858, 48 pags. in-8.° - Devoção aos Passos da via-sacra para as sextas-feiras. Rio de Janeiro, 1858, 8 pags. in-8.° - O ensino Praxedes para bem facilitar ainstrucção. 2o folheto. Amostras didacticas. Rio de Janeiro, 1861, 95 pags. in-8.° - O Ensino Praxedes. Elementos de fallar para correctamente se ler com a melhor pronunciação: tarefa desde a infancia do Dr. etc. Rio de Janeiro, 1862, in-8° - Penso que é a obra já mencionada em terceiro logar. - Pas d'echec ou tout echec. A sensatez. Rio de Janeiro, 1863, 64 pags. in-8° - E' um volume sem folha de rosto em que o autor an- nuncia suas consultas e seu consultorio «primeiro consultorio da capi- tal do império do Brazil para toda humanidade e humanidades sem selecção alguma ». E' um livro curioso de miscellaneas ou de descon- chavos, começando pela immensidade de títulos de seu autor, tendo no alto das paginas Manifesto Praxedes de um lado, e do outro Consultas Praxedes. - Para todos. Outro libello por causa das Consultas Praxedes com a serie dos artigos que publicou em junho e julho de 1863 o periodico Jornal do Commercio desta cidade. Rio de Janeiro, (s. d.) 64 pags. in-8°-Depois dos artigos, ha varias peças, como Hymno para as aulas, Epistola aos que ora existem neste paiz, etc. José Prospero Jeito vali. da Silva Coroatá - Filho de José Joaquim de SanfAnna e Silva, nasceu a 25 de abril de 1825 na antiga cidade do Penêdo, da província de Alagôas e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 28 de abril do 1890, Ba- charel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, ao 144 formado em 1850, segundo official da secretaria da justiça e socio do Instituto archeologico e geographico alagoano, em cuja revista collaborou, exerceu depois de sua formatura a advocacia no logar de seu nascimento e foi deputado provincial em varias legislaturas. Escreveu : - Vademecum forense, contendo uma abreviada. exposição da theoria do processo civil; os formulários de todas as acções eiveis, ordinárias, summarias, executivas e comminatorias; os formulários de todos os seus incidentes ou dos aggravos e das appellações, e os das execuções e de seus incidentes; flnalmente muitos arestos e decisões de juizes e tribunaes do paiz. Rio de Janeiro, 1866, 424 pags. in-8° gr.-Está em quarta edição. - Assessor Forense (Novissimo reformado) -2* parte-Acções Cí- veis, pelo Dr. Carlos Antonio de Carvalho. Formulário de todas as acções eiveis e Vademecum forense, contendo uma abreviada expesi- ção da theoria do processo civil, os formulários de todas as acções eiveis, ordinárias, summarias, executivas, comminatorias; os for- mulários de todos os seus incidentes, os dos aggravos e das appella- ções ; os das execuções e de seus incidentes, flnalmente muitos arestos e decisões dos juizes e tribunaes no paiz, 4a edição revista e augmentada. , > - • - Repertório do crime, contendo o extracto de toda legislação policial e criminal em vigor; avisos até o fim de 1873, e decisões dos tribunaes sobre questões de jurisprudência criminal. Rio de Janeiro, 1875, in-8.° - Imperiaes resoluções, tomadas sobre consultas da secção de justiça do conselho de estado desde 1842, em que começou a funccionar o mesmo conselho, até hoje, colligidas em virtude de auto- risação do Exm. Sr.. conselheiro Manoel Pinto de Souza Dantas, ex- ministro da fazenda. Rio de Janeiro, 1884, 2.252 pags. in-íol. -O li- vro, apezar da data 1884, foi distribuído no Rio de Janeiro a 7 de dezembro de 1883. E' dividido em duas partes ou vols., de nume- ração seguida e , abrange o trabalho . já publicado pelo ex-official da secretaria Bellarmino B. P. de Mello. (Vide este nome.) - Formulário de despachos e sentenças no civil, commercio, juizo de orphãos e ausentes, provedoria e crime e de alguns processos que correm.nos.mesmos juizos e nos de medição de terras pelo juiz commissario. Acompanhado do Novo regimento de custas. Rio de Janeiro. * f j , j -.Memória descriptiva. e estatística do Rio de S.. Francisco - No Correio Mercantil do Rio de Janeiro de 1864, em vários numeros. JO 145 - Chronica do Penêdo-Na Revista do Instituto archeologico e geo- graphico alagoano, n. 1, pags. 2 a 7, n. 2 pags. 1 a 8 e n. 3 pags. 29 a 42. Fr. José da Purificação Franco-Natural da cidade da Bahia e fallecido no Rio de Janeiro, foi benedictino professo no mosteiro da mesma cidade e exerceu vários cargos como o de abbade no Rio de Janeiro, em cujo cargo escreveu: - A ordem benedictina aos altos Poderes do Estado. Rio de Ja- neiro, 1869, 8 pags. in-4.° - O d. abbade de S. Bento ao Corpo legislativo. Rio de Janeiro, 1870, in-4.° - O d. abbade de S. Bento e o aviso de 27 de outubro de 1870. Rio de Janeiro, 1871, 21 pags. in-4°-Versam estes escriptos sobre o decreto que manda converter os bens das ordens religiosas em apóli- ces intransmissiveis da divida publica. José Quirino d.e Goes-Natural do Maranhão, se- gundo penso. Só o conheço pelo seguinte livro que escreveu : - Synopse dos decretos, avisos, e ordens concernentes â arreca- dação, escripturação e flscalisação do imposto de sello do papel. Mara- nhão, 1865, 200 pags. in-8.° José Rabello de Vasconcellos - Natural do Rio do Janeiro, assentou praça no exercito a 11 de janeiro de 1867 e fal- leceu a 17 de julho de 1890 em Matto Grosso, no posto de tenente- coronel do estado-maior de Ia classe. Bacharel em mathematicas e scienciasphysicas e major do corpo de estado-maior de primeira classe, servia nesta época o cargo de fiscal da escola de aprendizes artilheiros. Antes de servir nesse corpo, pertenceu á arma de artilharia, e antes de exercer esse cargo, foi lente cathedratico da escola militar do Rio de Janeiro. Escreveu: - Lições de metrologia, organisadas segundo o ensino da escola militar. Rio de Janeiro, 1875, in-8.° - Noções de trigonometria plana, compilladas, etc. Rio de Janeiro, 1878, 117 pags. in-8.° José Ramos da Silva -Filho de José Ramos da Silva e dona Maria Adelaide Ramos, nasceu na cidade do Desterro, capit d de Santa Catharina, a 4 de julho de 1848. Em janeiro de 1865 deu-se ao magistério da instrucção primaria, abrindo uma aula particular, e depois como professor publico até 11 de abril de 1872. Desta data em 3201 Vol. V - 10 JO 146 diante exerceu successivamente os cargos de offlcial-maior da assem- bléa de sua provincia, inspector da thesouraria provincial, segundo e depois primeiro conferente da alfandega. Com a mudança política que se operou no paiz em janeiro de 1878, foi removido para inspector da alfandega do Rio Grande do Norte e logo depois para segundo escri- pturario da de Santos; mas, não acceitando taes nomeações, fundou um collegio de educação primaria e secundaria. Exerceu também car- gos de eleição popular, como os de vereador da camara municipal e de deputado provincial e é cavalleiro da ordem da Rosa. Escreveu: - Estudos sobre os impostos municipaes e provinciaes que con- correm com os geraes na provincia de Santa Catharina. Desterro, 1875 - Este livro foi escripto em cumprimento á determinação do presi- dente da provincia e em execução da circular do ministério da fa- zenda de 28 de abril de 1874. - O pio do môcho: comedia. Desterro, 1869. - Um supplicio: drama. 1870 -Nunca foi publicado. - Noites de luar. Cidade do Desterro, 1870, 22 pags. in-8°- E' uma collecção de poesias. Ramos da Silva collaborou desde 1867, para vários jornaes de Santa Catharina, como a Esperança, o Mercantil Commercial, a Provincia, o Despertador e Jornal do Commercio. Redigiu : - O Conciliador: jornal político e noticioso da provincia de Santa Catharina (Desterro) 1872, in-fol. - O Conservador: orgão do partido conservador da provincia de Santa Catharina. Desterro (Annos II a VII) 1873-18784in-fol.- Esta folha continuou a ser publicada sob a direcção de Hermelino Jorge de Linhares. - O Correio da Tarde. Desterro, 1884... José Raymundo dia Costa Menezes- Natural de Pernambuco e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de Olinda, falleceu na cidade do Recife a 15 de maio de 1864. Escreveu: - Da influencia do christianismo sobre o direito civil dos romanos por Troplong, vertido para o portuguez. Recife, 1852, IV-161 pags. in-8.° José Raymundo dá Cunha-Nascido no Maranhão em 1840, falleceu na povoação, depois villa de Sapucaia, a 16 de feve- reiro de 1872, doutor em direito canonico, conego e vigário collado da freguezia da Candelaria. Escreveu: - Considerações sobre os interesses catholicos do Brazil: memória - No Ecclesiastico, periodico destinado aos interesses da religião, sob JO 147 os auspicios do Exm. e Revm. Sr. d. Manuel Joaquim da Silveira, bispo do Maranhão, Maranhão, ns. 228 e 229. José Raymundo do Paço de Probem Bar- bosa-Filho de Antonio Joaquim do Paço Barbosa de Probem, nasceu em Guimarães, Portugal, a 7 de janeiro de 1772 e falleceu depois da independencia do Brazil, que jurou na capital do Ceará a 24 de novem- bro de 1822 na camara municipal, onde se achavam reunidos, a no- breza, clero, povo e membros do governo, sendo na mesma occasião acclamado imperador o principe d. Pedro. Era elle ouvidor e presi- dente do governo do Ceará, renunciando este cargo poucos dias depois, e retirando-se para o Rio de Janeiro. Era formado em direito civil e canonico pela universidade de Coimbra e veio para o Brazil com o des- pacho de juiz de fóra da Cachoeira em 1804. Escreveu: - Estabelecendo-se uma grande fabrica de papel de vegetaes (a primeira deste genero que se conhece) na quinta de Sá, junto ao rio Vizella, por Francisco Joaquim Moreira de Sá, fidalgo da casa de S. M., etc., celebra o dito interessante invento José Raymundo do Paço de Probem, juiz de fóra, na seguinte ode, dada á luz por um amigo de ambos e da patria. Lisboa (s. d., mas suppõe-se ser de 1804), 8 pags. in-4.° José de Rezende Coala - Filho do capitão José de Rezende Costa, nasceu em Minas Geraes, no arraial da Lage, districto da villa de S. José do Rio das Mortes, no anno de 1765 e falleceu a 17 de junho de 1841. Foi um dos briosos brazileiros que, sentindo atear- se-lhes no peito a sagrada flamma da liberdade de sua querida patria, se comprometi eram no tão arriscado, quanto glorioso passo para a inde- pendência delia por meio da conspiração denominada Inconfidência, pelo que foi preso e sentenciado a degredo por dez annos na ilha de S. Thomé de Cabo Verde, sendo seu pai também compromettido na conspiração e degradado para Bissáo. Em Cabo Verde serviu successi- vamente os logares de ajudante da secretaria do governo e da escri- pturação do real contrato de urcella, secretario do governo, escrivão da provedoria da real fazenda e encarregado do commando da praça da villa da Praia, como capitão-mór do forte de Santo Antonio, até 1803. Passando para Lisboa, ahi serviu desde 1804 os logares de escri- pturario do real erário e da casa e estado das senhoras rainhas de Portugal até que, em 1809, veio para o Brazil, nomeado administrador da fabrica de lapidação de diamantes, contador geral e escrivão da mesa do thesouro, sendo aposentado em 1827, e ao mesmo tempo agra- JO 148 ciado com o titulo de conselho. Foi deputado às cortes portuguezas, â constituinte brazileira e ainda na primeira legislatura pela provincia de Minas ; socio honorário do instituto historico e geographico brazi- leiro, commendador da ordem de Christo e cavalleiro da do Cruzeiro. Escreveu : - Memória histórica sobre os diamantes, seu descobrimento, con- tratos e administração por conta da real fazenda ; modo de os avaliar, estabelecimento da fabrica de lapidação; sua extincção e estado pre- sente no Brazil. Rio de Janeiro, 1836, 38 pags. in-4.° - Conspiração em Minas Geraes para a independencia do Brazil no anno de 1789 : artigo traduzido da historia do Brazil de Roberto Southey - Na Revista do Instituto, tomo 8°, pags. 297 a 355, com va- rias notas do traductor e detalhes a respeito de cada um dos conspi- rados. - Demonstração do valor total das mercadorias importadas e ex- portadas do reino de Portugal que formam o credito e debito do ba- lanço geral do commercio com os seus dominios na America, Asia, África, etc. 2 tomos inéditos. José Rilbas Cada.vai - Filho de Luiz Anselmo Cadaval, e nascido no Rio Grande do Sul a 22 de abril de 1863, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e official do corpo de saude da armada. Por consentimento do Ministério da marinha fez estudos no laboratorio bacteriológico do exercito. Escreveu : - Da alimentação nas primeiras edades; Estudo critico sobre os differentes methodos de aleitamento : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1886, in-4.° - Manual pratico para o enfermeiro naval - O periodico O Paiz, dando noticia desta obra, diz no seu numero de 19 de abril de 1897 : « De exposição em bom portuguez, lúcida e intelligente, illustrações perfeitas e completas em todos os pontos, o livro está destinado a ser o evangelho do enfermeiro; e a sua utilidade é tanto mais sensivel quanto elle vai instruir uma classe que só encontra meio de habilitar- se na pratica bem longa, faltando-lhe escolas, e faltando-lhe, sobre- tudo, expositores.» O dr. Cadaval tem a publicar : - Tratado de technica de bacteriologia - E' uma obra que, ma- nuscripta, tem 340 pags. com 126 gravuras. - As ultimas descobertas da serumtherapia - Tem o manuscripto 220 pags. com 30 gravuras. -• Descoberta que suppõe ter feito de um serum therapeutico anti- beriberico por immunisação de animaes e em um lacrado que deverá JO 149 ser aberto quando o autor puder apresentar uma estatistica de cura mais completa, o methodo e technia de preparações. Entre mãos tem este autor : - Hygiene naval brasileira - Existem escriptas deste livro 589 pags. tendo 98 gravuras, e ainda deve escrever outras tantas pa- ginas. José Ribeiro d.o Amaral - Natural do Maranhão, ahi exerceu o magistério, fundando para isto um collegio, e hoje é o chefe da bibliotheca publica deste estado. Escreveu : - 0 Estado do Maranhão em 1896. Maranhão, 1897 - E' um livro historico, geographico e descriptivo desse estado e delle foi o autor incumbido pelo governador capitão-tenente Manoel Ignacio Bel- fort Vieira. Por este livro se conhecem os principaes rios e suas con- dições de navegabilidade ; as riquezas que o estado encerra, seu clima, etc. Acham-se a elle annexos a carta geral do estado, a planta da ca- pital na época da occupação hollandeza, a planta da mesma capital em 1844, a carta da ilha do Maranhão e do delta do Parnahyba. - Apontamentos para a historia da revolução da Balaiada no Maranhão. S. Luiz, 1898 - Divide-se o livro em tres partes: a primeira comprehendendo o periodo decorrido de 1837 a 1839, contém ligeira vista retrospectiva sobre os últimos tempos do governo de Francisco Bibiano de Castro, e toda a administração de Vicente Thomaz Pires de Figueiredo Camargo. A 2a parte comprehenderá o periodo da administração de Manoel Felizardo de Souza e Mello (1839). A 3a a do coronel Luiz Alves de Lima, depois Duque de Caxias (1840-1841). José Ribeiro Guimarães - Foi, me parece, official da armada ©u empregado em alguma das repartições da armada. Escreveu: - Confutação á Correspondência impressa no Expectador de 1 de novembro, por Francisco Caldeira Geraldo, a bordo da Presiganga. Rio de Janeiro, 1825, 11 pags. in-fol. José Ribeiro de Souza Fontes, V isconde d.e Souza Fontes - Filho de Joaquim de Souza Fontes e dona Arma Isabel de Souza Fontes, nasceu na cidade do Rio de Ja- neiro a 9 de agosto de 1821, e falleceu a 14 de março de 1893. Doutor em medicina pela faculdade desta cidade, foi, na reforma desta facul- dade em 1855, nomeado substituto da secção cirúrgica, passando pouco depois a cathedratico de anatomia descriptiva, em que jubilou-se. PrL JO 150 meiro cirurgião do hospital militar da côrte, foi, na reforma do corpo de saude do exercito em 1857, nomeado tenente-coronel cirurgião-mór de divisão, passando a coronel chefe do dito corpo em 1867 e sendo re- formado no posto de marechal de campo em 1890. Foi do conselho do Imperador, medico da casa imperial, acompanhando nesta qualidade Sua Magestade o Imperador em uma viagem á Europa ; socio do Insti- tuto historico e geographico brazileiro, da Academia nacional de me- dicina, da sociedade Auxiliadora da industria nacional e da sociedade Estatística do Brazil; cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, dignitário da ordem da Rosa, commendador da de Christo e da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa, grande official da ordem da Corôa de Italia e official da Legião de Honra, da França. Escreveu: - Algumas considerações sobre a infecção purulenta : these apre- sentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sustentada, etc. Rio de Janeiro, 1844, in-4° gr. - Formulário pharmaceutico para uso dos hospitaes e enferma- rias militares do Brazil, redigido por uma commissão composta dos doutores José Ribeiro de Souza Fontes, Luiz Bandeira de Gouvêa, Au- gusto Cândido Fortes de Bustamante e Sã e Antonio Corrêa de Souza Costa. Rio de Janeiro, 1867, VII-277 pags. in-8.° - Vista de olhos sobre a enfermaria de S. Francisco de Assis : memória dos factos ahi colhidos, etc. Rio de Janeiro, 1857, 150 pags. in-4° -Sobre este trabalho escreveu o dr. Luiz Vicente De-Simoni uma analyse que foi publicada nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1857-1859, pag. 15. - Razões e projecto de plano para a organisação do corpo de saude no Brazil. Rio de Janeiro, 16 pags. in-4° -De collaboração com o dr. Joaquim Cândido Soares de Meirelles e José Antonio de Calazans Rodrigues. - Carie do fumar, consecutiva a tumor branco da articulação femuro-tibial: memória - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1852- 1853, pags. 234 e seguintes. - Quaes foram os animaes introduzidos na America pelos con- quistadores ? memória lida perante a augusta presença de sua mages- tade imperial (em sessão do Instituto historico de 14 de setembro de 1855)- Na Revista do Instituto, tomo 19°, 1856, pags. 509 a 527. José Ricardo da Costa Ag uiar de Andrada - Filho do coronel Francisco Xavier da Costa Aguiar e dona Barbara Joaquina de Aguiar e Andrada, irmã do primeiro ministro de d. Pedro I, nasceu em Santos, estado de S. Paulo, a 15 de jro 151 outubro de 1787 e falleceu no Rio de Janeiro a 23 de junho de 1846, sendo formado em direito pela universidade de Coimbra e tendo mi- litado em 1810, com outros collegas da universidade, no corpo de voluntários académicos por occasião da invasão franceza. Viajou quasi toda a Europa, cujas principaes linguas conhecia bastante ; visitou vários paizes da Asia, e os santos logares, aprendendo as linguas orientaes que fallava familiarmente; foi deputado ás côrtes portu- guezas, onde negou-se a assignar a constituição ; foi depois deputado á constituinte brazileira e na primeira legislatura e, seguindo a car- reira da magistratura, nella elevou-se até o cargo de ministro do supremo tribunal de justiça. Era dignitário da ordem do Cruzeiro, cavalleiro professo da ordem do Santo Sepulchro ; possuia vasta erudição e foi um collaborador do - Projecto de constituição para o império do Brazil. Rio de Janeiro, 1823. (Veja-se Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva.) Ha inéditos muitos trabalhos seus, como: - Viagem ao Oriente - Parte dessa obra foi pelo senador F. Octaviano de A. Rosa enviada ao Diário Official para ser ahi publi- cada ; outra parte foi ter, não se sabe como, ás mãos de A. E. Zaluar, ignorando-se o destino que depois lhe foi dado. Possuo sobre este escripto a seguinte nota que me foi dada não me lembra por quem: «As notas sobre a viagem ao Oriente por José Ricardo da Costa Aguiar de Andrada foram entregues a Augusto Emilio Zaluar para redigil-as e com effeito este apresentou um trabalho a este respeito que esteve no Archivo da Secretaria do Império e foi entregue por mim, de ordem do director da mesma Secretaria, ao padre Joaquim Pinto de Campos. As notas nunca mais foram restituidas pelo Zaluar, que as perdeu, segundo me disse, e por isso não lhe pagaram o trabalho. O padre Pinto de Campos me disse que era cousa insignificante. Não sei si delle aproveitou-se ; mas o que é certo é que nunca mais o restituiu á Secretaria do Império, hoje do Interior.» - Annaes da província do Pará ou historia política da descoberta, fundação e povoação; descripção, divisão, população e forças ; go- verno, commercio e agricultura, fabricas e industria; sciencias e artes ; administração, arrecadação e fiscalisação das rendas publicas da mesma província, com algumas observações criticas àcerca dos successos mais notáveis, assim na comarca do Pará, propriamente dita, como nas do Rio Negro, Ilha Grande de Joannes, etc., etc.- Foram escriptos no reinado de d. Pedro I e offerecidos â sua magestade. O originai de 66 fols. in-folio, a que se seguem vários documentos e notas, pertence á Bibliotheca nacional. 152 JO - Grammatica da lingua turca - inédita. - Grammatica da lingua arabe-idem- Ha alguns munuscriptos aindi, c mo os Trabalhos legislativos, que o autor tratava de corrigir quando falleceu. José Ricardo IXnnes - Ignoro ainda quem seja. Sei apenas que residiu no Rio de Janeiro e foi socio da sociedade Auxilia- dora da industria nacional e que escreveu: - Si convirá, ao Brazil a importação de colonos chins. Sociedade Auxiliadora da industria nacional. Discurso pronunciado na sessão de 30 de dezembro de 1870. Rio de Janeiro, 1871, 36 pags. in-8.° (Veja-se Ignacio da Cunha Galvão e Miguel Calmon Menezes de Oliveira.) José Ricardo Pires de Almeida - Filho do doutor Joaquim Pires Garcia de Almeida e dona Maria Luiza Pires, nasceu no Rio de Janeiro a 7 de dezembro de 1843 e é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, tendo, porém, antes do curso medico, estudado tres annos o de direito em S. Paulo. Serviu no antigo instituto vaccinico como commissario vaccinador nas freguezias de Inhaúma e Irajá ; foi archivista da Gamara municipal e adjunto da Inspectoria geral de hygiene, e actualmente é archivista e biblio- thecario desta repartição. Dedicou-se á litteratura desde estudante e collaborou para vários jornaes, como a Provinda de S. Paulo, o Correio Paulistano, o Futuro, o Diário do Rio de Janeiro, Gazeta de Noticias, Gazeta Universal, Agricultor, Mãe de Familia, Jornal do Commercio e outros do Rio de Janeiro. Escreveu: - Parallelo entre as duas escolas hystologicas, franceza e allemã ; Applicação da electricidade à therapeutica ; Medicação anesthesica ; Do apparelho da visão; these apresentada ã Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1871, in-4.° Foi reimpressa em 1881. - Informações prestadas â Junta central de hygiene publica sobre a ultima epidemia de sarampão que grassou nas freguezias de Inhaúma, Irajá e Jacarepaguá - Foram publicadas no Diário Official de ns. 13 de 1880 e segs. e depois, supponho, em volume. - Compendio de percussão e escuta, adaptado do original fran- cez de Bar th e Roger ao ensino da medicina no Brazil e accrescentado de valiosas observações e notas extrahidas das lições do professor Torres Homem. 2a edição correcta e melhorada com 50 gravuras no texto. Rio de Janeiro, 1881, XVI - 368- VII pags. in-4.° JO 153 - Guia da mulher pejada, contendo preceitos hygienicos, molés- tias e accidentes, seu tratamento allopathico pelo autor, homoeopathico pelo Dr. Castro Lopes e dosimetrico pelo Dr. José de Góes. Precedido do calendário da prenhez, com o qual se póde marcar o dia do parto, a época da fecundação e o periodo em que se devem sentir os movi- mentos do feto. Rio de Janeiro, 1884 - Teve segunda edição no Rio de Janeiro, 1895, e antes da primeira foi publicada na Mãe de Familia, sendo a introducção reproduzida na Estação, jornal de modas pa- rizienses, dedicado às senhoras brazileiras, anno 13°, de 31 de março de 1884. - Saude publica. Analyse medico-pratica dos generos alimentícios, modos de reconhecer as falsidades, alterações e sanidade dos generos que entram para consumo e de fiscalisar os fornecimentos das repar- tições publicas e estabelecimentos particulares. Rio de Janeiro, 1887, 2 vols. in-8° com 1.259 pags. e 260 gravuras. - Inspectoria geral de hygiene. Hygiene das habitações: pare- cer sobre as posturas das construcções e reconstrucções do município neutro; apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1887, 40 pags. in-4° gr. de duas columnas, com muitas estampas no texto. - A tísica e os tísicos: hygiene e tratamento. Rio de Janeiro, 1887 (?) - Nunca pude ver este livro. Sei, entretanto, que nelle já se mencionam as modernas descobertas de Koch. - Formulário offtcinal e magistral, internacional comprehen- dendo cerca de seis mil formulas colhidas da pratica dos therapeutas e pharmacologistas mais distinctos, quer nacionaes, quer estrangeiros e extrahidas das pharmacopéas dos differentes paizes da Europa e da America. Acompanhado de indicações therapeuticas, dóses, substan- cias simples ou compostas, modos de ministral-as, e seguido de um memorial therapeutico. Rio de Janeiro, 1889, 2 vols. in-4° - Esta publicação foi terminada em 1892. - Officina na escola. O ensino profissional posto em pratica nas escolas particulares de Sua Magestade o Imperador; homenagem á Sereníssima Princeza Imperial a Senhora D. Isabel, em 29 de julho de 1886. Rio de Janeiro, 1886, 24 pags. in-4° gr. de duas columnas. - A educação dos libertos pelas municipalidades : estudo, etc. Rio de Janeiro, 1886. - O archivo municipal. Considerações apresentadas aos Srs. pre- sidente e vereadores da Gamara municipal. Rio de Janeiro, 1885, 16 pags. in-4° gr. de duas columnas. - Elogio historico de d. Pedro I, egregio fundador do Império do Brazil. Rio de Janeiro, 1885, 31 pags. in-4° gr. de duas columnas. 154 - D. Jocto VI, rei de Portugal e dos Algarves e imperador titu- lar do Brazil : elogio historico. Rio de Janeiro, 1885, 16 pags. in-4° gr. de duas columnas - Precede o opusculo o - Catalogo dos documentos históricos, autographos e cópias fieis, existentes no archivo da Illma. Gamara municipal, etc. colligidos e apresentados á exposição publica por ordem do Exm. Sr. Dr. presi- dente interino e demais vereadores no dia 2 de dezembro de 1885, 60° anniversario de Sua Magestade o Imperador. 8 pags. in-4° gr. de duas columnas. - L'instruction publique au Brésil. Histoire - Legislation. Rio de Janeiro, 1889, XXXVI - 1102 pags. in-8° com o retrato do Impe- rador d. Pedro II. - Vagriculture et les industries au Brésil. Rio de Janeiro, 1889, XVI - 401 pags. in-8° - A folha de capa tem a data de 1890 e, depois da folha do rosto, uma folha solta com algumas palavras de offerecimento. « A 1'honorable citoyen Dr. Ruy Barbosa, Ministre des Finances». - Lambary e Cambuquira. Clima e aguas mineraes. Suas indi- cações. Rio de Janeiro, 1896, 536 pags. in-8° com estampas e figuras. - A agua do Vintém. Rio de Janeiro, 1896 - E' um opusculo, em que o autor assignala para a alimentação o valor da agua da chacara da rua Conde do Bomfim n. 1, conhecida pelo titulo de - Agua do Vintém e os inconvenientes de aguas polluidas ou impuras, de que se faz uso. - Clima de Barbacena. Rio de Janeiro, 1896, in-8° - E' um pa- recer sobre as condições do clima da cidade de Barbacena. - Esgoto das matérias fecaes nos suburbios - No Jornal do Com- mercio de 12 de janeiro de 1897 - Occupa este escripto mais de nove columnas deste jornal, onde ha outros trabalhos do autor. - Martyres da vida intima : photographias. Rio de Janeiro, 1881, in-12° - Sahiu na collecção sob o titulo Bibliotheca de algibeira. - O Rio de Janeiro em 1881 - Na Gazeta Universal, Io semestre, 1884. - Cecilia : historia dos meus amores - Idem. - Estudo sobre o Sete de abril - Na Gazeta de Noticias, 1887 - Neste escripto diz o autor que a magnanimidade de d. Pedro perante a historia deixou a perder de vista a generosidade do povo brazileiro. - Tiradentes ou o amor e o odio: drama em cinco actos. S. Paulo, 1861, 132 pags. in-8°. - A festa dos craneos*. drama de costumes indigenas em tres actos e sete quadros. Rio de Janeiro, 1882 - Ha quem pense que o 155 autor quiz escrever antes uma obra para ser lida do que uma peça para theatro, e ponha em duvida si a linguagem é a própria dos sel- vagens. - João Brandão, o mata crianças, rei dos salteadores de Portugal: drama em tres actos e seis quadros. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° - A Estatua de carne : drama em um prologo e cinco actos por Theobaldo Ciconi. Traducção. Rio de Janeiro, 1876, 77 pags. in-8.° - A liberdade: drama historico em cinco actos. Rio de Janeiro... - Sete de Setembro: allegoria dramatica. Rio de Janeiro - Retrato d bico de penna: comedia em dous actos. Rio de Janeiro, 1869, 132 pags. in-8.° - A educação : comedia em dous actos. Rio de Janeiro - Centenário do Sr. Sempre-viva : comedia em um acto. Rio de Ja- neiro - Um baptisado na cidade nova : comedia em um acto. Rio de Janeiro - Fernando : drama - inédito e representado em S. Paulo a 19 de junho de 1864. - Martyres da liberdade: drama em sete quadros - inédito. - 0 mulato : drama em tres actos - idem. - 0 trafico: drama em cinco actos - idem. - Tempestade do coração : drama em cinco actos - idem. - Phrynea : drama em quatro actos - idem. -■ Pascoa : drama de propaganda em cinco actos - idem. - Primor e penhor : comedia em um acto - idem. O doutor Pires de Almeida, finalmente, redigiu : -' Archivos de medicina, cirurgia e pharmacia no Brazil. Rio de Janeiro, 1880-1881, in-4° gr. com estampas. José Ricardo de Souza Novaes - Nasceu, se- gundo penso, no Maranhão e ahi foi professor da instrucção primaria do pequeno seminário de Nossa Senhora das Mercês. Escreveu : - Memória sobre a catechese dos indígenas do Brasil. Maranhão, 1867, 15 pags. in-8.° José R-ipper Monteiro - Nascido em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em 1858, ahi falleceu, no exercício do cargo de thesoureiro das loterias estadoaes. Matriculou-se na escola militar daquella cidade em 1875, mas depois de cursar o primeiro anno deixou a escola ã conselho da medicina por causa de sua consti- 156 JO tuição excessivamente fraca, Collaborou em vários jornaes e revistas, e deu-se á litteratura dramatica, para que os rio-grandenses do sul tem grande pendor. Escreveu : - A vontade de Deus: drama em cinco actos - Ine-dito, mas re- presentado em vários theatros, como os seguintes. Foi seu primeiro trabalho. - Amor e lagrimas : drama em quatro actos. Porto-Alegre. - Lauro ou a pena de Talião : drama em quatro actos. Porto- Alegre. - O spirita : comedia em um acto. Porto-Alegre. - Arminda : drama em quatro actos. Porto-Alegre. - O conselheiro Braga : drama em quatro actos - Inédito. José Rolbei*to da Cunha Salles - Filho de José Francisco de Salles e natural de Pernambuco, nasceu a 27 de março de 1840. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1862, encetou sua vida publica na carreira da magistratura, e depois consagrando-se á advocacia na cidade da Parahyba do Sul e na do Rio de J moiro, onde firmou residência, graduando-se mais tarde doutor em medicina por uma faculdade do estrangeiro. Intelligencia robusta, applicação e actividade inexcediveis aos trabalhos de gabinete, tem-se dado ao estudo de todos os ramos das sciencias juridicas, escrevendo sobre ellas grande numero de trabalhos de alto folego, tem cultivado as lettras amenas e a musica, tem militado no jornalismo, tem feito pro- paganda de formulas medicinaes suas, e ainda assim se tem collocado á frente de emprezas diversas. Sinto não poder, talvez, dar uma noticia de todas as suas obras. São ellas : - Tratado da praxe conciliatória ou theoria e pratica das con- ciliações e da pequena demanda. Rio de Janeiro, 1879, 233 pags. in-4.° - Formulário de todos os actos conciliatórios e da pequena de- manda. Rio de Janeiro, 1880, in-4.* - Tratado de jurisprudência e pratica do processo civil brasi- leiro. Fôro civil. Rio de Janeiro 1882, in-4.° - Tratado de jurisprudência e praticado processo civil brasileiro Processo ordinário. Rio de Janeiro, 1882, in-4° - Este trabalho, como o precedente, sahiu sob o titulo de Thesouro jurídico. - Tratado de jurisprudência e pratica do processso civil brasi- leiro. Recursos civis. Rio de Janeiro, 1883, in-4.°Idem. - Tratado de jurisprudência e pratica do processo civil brasileiro. Doutrina das acções prejudiciaes. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° JO 157 - Poder judicial, fôro penal : contendo toda organisação judi- ciaria, jurisdicção e autoridade, attribuições, direitos, deveres, prero- gativas e incompatibilidades. Rio de Janeiro, 1882, in-4.° - Processo commum, fôro penal, contendo o processo ordinário e seus actos, instrucção criminal, formação de culpa, buscas, queixas, denuncias, prisão em flagrante delicto, fiança, citação, etc. Rio de Ja- neiro, 1882, in-4.° ■- Processo de crimes especiaes, segundo o Codigo do processo e mais leis em vigor, etc. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Julgamento no plenário e seus recursos, contendo todos os actos do processo do julgamento perante o jury, bem como os daappellação e re- vista, etc. Rio de Janeiro, 1883, in-4°- Esta obra e as tres precedentes foram publicadas sob o titulo «Theoria e pratica do processo criminal brasileiro ». - Execução de sentenças eiveis : theoria e pratica do processo das execuções conforme a praxe do fôro, acompanhadas do regulamento n. 7540, de 15 de novembro de 1878. Rio de Janeiro, 1883, in-4°- Fecha-se o livro com uma guia alphabetica do regulamento do sello, etc. - Livro dos recursos : theoria e pratica dos recursos commerciaes, eiveis, orphanologicos e criminaes, contendo embargos á sentença, appellação, revista, aggravo no acto do processo, etc. Rio de Janeiro, 1883, in-4°- E' um grosso volume comum appendice contendo os regu- lamentos das relações do processo das quebras, e sendo o texto acom- panhado de commentarios que o elucidam e onde se encontram as dispo- sições legislativas e decisões de tribunaes, e se discutem varias opiniões de jurisconsultos. - Testamentos : theoria e pratica, conforme a praxe actual do fôro e doutrina mais correcta de Gouvêa Pinto. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Successões : theoria e pratica das successões testamentarias e ab intestato, accommodadas ao fôro com toda legislação e commen- tarios. Rio de Janeiro, in-4.° - Tabelliães de notas : contractos, testamentos, successões, instru- mentos e todas as formulas de escripturas e actos do tabellionato* Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Tratado das nullidades dos actos do processo civil, accommo- dado ao fôro do Brasil. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Tratado das nullidades dos actos do processo ciminal, com toda legislação e jurisprudência vigente. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Formulário das acções eiveis, contendo as formulas e a mar- cha do processo civil com toda a legislação, jurisprudência e doutrina JO 158 concernente á cada acção, com commentarios. Rio de Janeiro, 1884, in-4° - Neste trabalho completa o autor a sua Theoria e pratica do processo civil brasileiro. - Formulário das acções criminaes segundo a praxe moderna do fôro, contendo as formulas summarias da culpa, julgamento no ple- nário, execuções, commentadas eannotadas. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Formulário das acções commerciaes, contendo a formula de todos os processos commerciaes, e annotadas. Rio de Janeiro, 1884, VII-375 pags. in-4° - Ahi se trata de todos os processos do fôro commercial, quer siga a marcha ordinaria, quer a summaria ou summarissima. - Formulário das acções orphanologicas, contendo as formulas de todas as acções a actos que se praticam no juizo de orphãos, commen- tadas com toda a legislação vigente. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Formulário dos actos dos juizes de ausentes e da provedoria, segundo a praxe actual do fôro, contendo as formulas de todas as acções e actos, etc.,commentados com a legislação e jurisprudência vi- gentes. Rio de Janeiro, 1884, 333 pags. in-4°-Nesta obra inteiramente nova o autor occupa-se em capitulos distinctos do formulário concer- nente á arrecadação dos bens vagos, de defuntos e ausentes, figurando vários casos, do julgamento da vacancia dos bens do defunto, da de- volução ao estado dos bens dos ausentes, do levantamento de dinheiro para pagamento da divida, da habilitação de herdeiros, da curadoria ou successão provisória, etc. etc. Em appendice encontra-se na sua integra o regulamento de 15 de junho de 1859, especial á arrecadação de bens de defuntos e ausentes, tendo antes tratado da matéria con- cernente ao juizo da provedoria. - Acções summarias propriamente ditas, contendo a theoria e pratica de todas as acções, como sejam força nova, manutenção, posse em nome de ventre, nunciação de obra nova, prohibitorias, e demoli- torias com toda legislação e commentarios. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Repertório de jurisprudência brasileira. Rio de Janeiro, 1884 - Só vi o Io volume com 414 pags. in-4° gr., precedidas de XXVI pags. com juízos da imprensa - Neste livro se trata de todas as questões de direito, de praticas e formulas relativas á todas as relações jurídicas do homem com o homem, com a família, com o Estado e com a so- ciedade em qualquer dos ramos de direito civil, commercial, criminal, orphanologico, ecclesiastico, de ausentes, provedoria, contencioso, de fazenda e administração do paiz em todas as suas jurisdicções. O volume vae apenas até à palavra Abolição, em duas columnas. Começa esta pu- blicação que é offerecida ao Imperador d. Pedro II, em abril de 1884 em jro 159 fascículos de 60 pags. Si continuasse essa publicação, seria com effeito « a mais importante e monumental obra, que em jurisprudência viria a possuir o Brasil ». - Curso de instrucção para concursos e offlcios de justiça, di- vidido em duas partes : Theoria e pratica - Theses e formulas - Só o vi annunciado no volume precedente. Da litteratura amena conheço : - Flores silvestres: romancêtes poéticos, I. Camilla. Rio de Janeiro» 1885, 126 pags. in-8.° - Trenas : (poesia e musica do dr. Cunha Salles). Rio de Janeiro, 1882. - Cantos do Brasil. Rio de Janeiro - Nunca os vi. - 0 magico do inferno ; magica em um prologo, tres actos e 26 quadros - Foi escripta em 1890 e, posta em musica pelo filho do autor, foi executada no Rio de Janeiro em 1893. - A filha do Maestro : drama lyrico em tres actos - Em janeiro do corrente anno, 1898, li que ia entrar em ensaios em um de nossos theatros. - A hermesse : polka-lundu. Rio de Janeiro - No jornalismo fundou e redigiu : - 0 Echo de S. Francisco: revista quinzenal - Sciencias. Lettras. Artes - Redactores. Bacharel J. R. da Cunha Salles, Antonio de Al- meida Flomariz. Cidade do Penedo, 1876, in-fol. peq. - Gazeta Popular; publicação diaria, política, noticiosa, scienti- fica e mercantil. Rio de Janeiro, 1880-1881, in-fol. peq.- Foi o dr. Cunha Salles o unico redactore proprietário. José da Rocha Leão - Filho de José da Rocha Leão e dona Maria Clementina da Rocha, nasceu na cidade do Rio Grande, da província hoje estado de S. Pedro do Rio Grande do Sul, a 25 de setembro de 1823. Depois de ter feito parte do curso medico na faculdade da côrte, deixou-o e passou a servir como amanuense da Junta central de hygiene publica e também da Junta vaccinica, esta creada pelo regulamento de 17 de agosto de 1846 que reformou o Instituto vaccinico do império, e aquella por decreto de 14 de setembro de 1850. Exerceu estes cargos por muitos annos e depois nenhuma noticia mais tive a seu respeito. Membro da sociedade Auxiliadora da industria nacional e de outras» collaborou em vários jornaes e revistas, como o Jornal do Com- mercio, Gazeta de Noticias, Sul-Mineiro, Marmota da Còrte, Revista Popular e Revista Brasileira, a segunda deste titulo publicada no 160 JO Rio de Janeiro de 1857 a 1861 trimensalmente por Cândido Baptista de Oliveira (veja-se este nome). Escreveu : - Typos e romances : por Leo Junius. Rio de Janeiro, 1858, 238 pags. in-8° - Contém o livro : A cruz de fogo; O lyrio do sepulchro ; As mulheres perdidas, escripto este que foi antes pu- blicado no Jornal do Commercio e depois, em 1859, na Marmota. Mais tarde em 1862, foi publicada : - A cruz de fogo no Sul-Mineiro, ns. 116, 117, 118, 121, 122 e 125. - Os libertinos e tartufos do Rio de Janeiro : polygraphia por Leo Junius. Rio de Janeiro, 1860, 131 pags. - As mulheres perdidas : typos contemporâneos. Rio de Ja- neiro, 1864-1866, tres vols. de 142, 142 e 109 pags. in-12° - O pri- meiro volume, sendo logo esgotada a edição, foi reimpresso no mesmo anno, sendo por isso tirado maior numero de exemplares dos seguintes : - As preciosas celebres. Rio de Janeiro..,. - Os amores da brazileira (leitura côr de rosa), romance. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° - Os mysterios do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro - Tiveram tres edições, sendo a ultima de 1881, em fascículos. - Os subterrâneos do morro do Castello, seus mysterios e tradicções. Rio de Janeiro, 1878, 126 pags.jin-80 com duas es- tampas. - Pedro Américo : galeria brazileira. Rio de Janeiro, 1871, in-12.° - A' memória de meu extremoso filho, etc. Rio de Janeiro, 1884, 1 fl.- E' um escripto por occasião da morte de um filho do autor. Entre seus trabalhos em periódicos se acham : - Aguas mineraes do Brazil - Na Revista Popular, tomo 5o, pag. 69 ; no Observador Medico-cirurgico, 1860, ns. 4, 5 e 6, e no Guarany, 1871. - Sobre a origem dos bancos - No Jornal do Commercio, 1855, ns. de 8 é 31 de outubro e n. de 9 de novembro, assignado por L. - O theairo lyrico - ídem, n. de 25 de março de 1856, por L. - Folhas soltas. Diário de um sceptico - Na Revista Brazi- leira n. 22, de novembro de 1859, e antes disso no Diário do Rio de Janeiro de 24 de agosto de 1855, assignado por R. - As flores e seus perfumes - naquella revista n. 23, assignado por Leo Junius. Deste pseudonymo usou Rocha Leão em quasi todos os seus escriptos. JO 161 José Rodrigues <le Azevedo Pinheiro - Filho de outro de igual nome e natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1822 e falleceu a 7 de fevereiro de 1883. Sendo empregado aposentado do correio dacôrte, habilitou-se em 1861 para o magistério; fundou e dirigiu por muitos annos um collegio com o titulo de collegio Pinheiro. Escreveu : - Arithmetica para creanças, organisada para uso dos alu- mnos do collegio Pinheiro. Rio de Janeiro (s. d.), 96 pags. in-12°- Teve mais edições, sendo a 2a de 1865, a 3a em 1871, a 5a em 1880, a 6a em 1888, a 7a, correcta e melhorada, 1893, 173 pags. in-8°, todas do Rio de Janeiro. José Rodrigues <le Carvalho - Filho de Manoel Rodrigues de Carvalho e dona Candida Maria da Conceição Carvalho, nasceu na povoação de Alagoinha, na comarca de Guarabira, estado da Parahyba, a 18 de dezembro de 1867. Rico de intelligencia, mas desprotegido da fortuna, tendo apenas feito o curso da instrucção primaria, entrou com dez annos de idade para o commercio, onde se conservou e exerce actualmente o cargo de contador do banco do Ceará. Dedicado ãs lettras, a ellas consagrava todos os momentos de descanço na profissão que abraçara. Foi o fundador do Club litterario Cardoso Vieira, na Parahyba, e das seguintes publicações periódicas : - A comarca. Mamanguape... - Iracema : revista do Centro Litterario da cidade da For- taleza. Fortaleza.... - Escreveu ainda : - O coração : esboço de um poema. Fortaleza, 1894, 44 pags. in-8" pequeno. - Prismas : poesias. Fortaleza, 1896. 131 pags. in-8.° - Sacrarios: versos esparsos... - Poema de Mario.... José Rodrigues Coelho - Natural do Rio de Ja- neiro, e ahi advogado provisionado no município do Rio Bonito, foi deputado provincial em mais de uma legislatura e escreveu : - Estudo medico-legal sobre a virgindade. Rio de Janeiro, 1868, 50 pags. in-8.° - Lei do elemento servil de 28 de setembro de 1871. Guia pratico para os conselhos da junta classificadora. Arbitramentos e indem- nisação dos escravos que teem de ser libertados pelo fundo de emancipação na fórma do Regulamento de 13 de novembro de 1872. Rio de Janeiro, 1873, in-8.° 162 ao José Rodrigues Coellio cie Macedo - Filho de Manoel Rodrigues de Macedo, nasceu na então província do Piauhy, onde falleceu pelo anno de 1861. Cursou a academia do Recife, pas- sando-se no quarto anno para a de S. Paulo, mas não chegou a bacharelar-se. Frequentava esta ultima academia quando escreveu : - Considerações sobre a resistência á ordens illegaes. S. Paulo, 1860, in-8.° José Rodrigues da Costa Doria - Filho de Gustavo Rodrigues da Costa Doria e dona Maria da Soledade da Costa Doria, nasceu na cidade de Propriá, da província, hoje es- tado de Sergipe, a 25 de junho de 1859. Doutor em medicina pela faculdade da Bahia, foi nomeado, mediante o respectivo concurso, adjunto á cadeira de medicina legal e toxicologia da mesma faculdade; apresentou-se depois em concurso á cadeira de pathologia, no qual foi unanimemente approvado ; é actualmente lente de botanica e zoologia da mesma faculdade, e também lente da cadeira de medicina legal da faculdade livre de direito da Bahia, desde sua inauguração. Foi eleito em 1896 membro do Conselho municipal dessa capital e logo deputado ao congresso federal pelo estado de seu nascimento na legislatura de 1897 a 1900. Escreveu : - Das febres intermittentes complicadas do elemento typhico ; these apresentada, etc., para obter o gráo de doutor em medicina. Bahia, 1882,122 pags. in-4.° - Affinidades pathologicas entre o rheumatismo, a gotta e a diabetes; these de concurso á cadeira de pathologia medica, etc. Bahia, 1888, 10-110 pags. in-4.° - Deve-se modificar o Codigo criminal brazileiro de accordo com os progressos da medicina e da sociologia ? memória lida no 3o con- gresso brazileiro de medicina e cirurgia de 1891 -Na Gazeta Medica da Bahia, numeros de agosto, setembro, outubro e novembro de 1893. - Camara dos Deputados : discurso pronunciado na sessão de 7 de agosto de 1897 sobre a 3a discussão do projecto n. 176 que reforma o Codigo penal dos Estados Unidos do Brazil. (Sem folha de rosto) 16 pags. in-4° gr. de duas columnas. - Medicina legal. Os traumatismos moraes e o codigo penal. (Sem folha de rosto e sem data) Bahia, 12 pags. in-4° - Tem ainda trabalhos em revistas, como : - A idade e o sexo em matéria criminal - No Io numero da Faculdade livre de direito da Bahia, setembro de 1892 e na Gazeta Medica da Bahia, 1893-1894, pags. 385 e segs. Jo 163 - Envenenamento e veneno - No 2o numero da mesma revista, novembro d? 1893, e na Gazeta Medica, 1893-1894, pags. 293 e segs. - Os traumatismos moraes e o Codigo penal - Na Gazeta Medica da Bahia, 1894. José Rodrigues freire Cardoso - Filho de Antonio Cardoso e dona Marianna da Encarnação Neves Cardoso, nasceu em Lisboa a 9 de outubro de 1803 e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 19 de outubro de 1876, brazileiro por ter adherido á nossa independencia, capitão de mar e guerra re- formado, offlcial da ordem da Rosa e cavalleiro da de S. Bento de Aviz. Em 1848 era offlcial da nào Académica. Escreveu : - Desenvolvimento sobre os movimentos mais importantes e uteis da tactica naval. Traducção e compilação, etc. Rio de Janeiro, 1844, 42 pags. in-4° com uma estampa- José Rodrigues Malheiro Trancoso Souto- Maior-Falleceu depois de 1830, sendo presbytero secular, e creio que foi capei Ião militar no Rio Grande do Sul. Foi preso e enviado para o Rio de Janeiro a 21 de maio de 1821, como chefe do tumulto de 26 de abril desse anno, por occasião do juramento da constituição portugueza em observância ao decreto de 7 de março. Es- creveu : - Oração em acção de graças a Deus pela suspirada acclamação e exaltação ao throno d'el-rei nosso senhor, D. João VI, prégada na igreja matriz de S. Pedro do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro, 1818, 26 pags. in-4.° - Oração em acção de graças que o corpo de ordenanças da côrte rendeu ao Altissimo pelo restabelecimento da preciosíssima saude do Sr. D. Pedro I, imperador do Brazil, recitada na capella de N. S. da Gloria cm o dia 17 de janeiro. Rio de Janeiro, 1830, 19 pags. in-8.° - Quadro moral do tenente-general Manoel Marques de Souza, o déspota da província do Rio Grande de S. Pedro do Sul. Rio de Janeiro (s. d.), 9 pags. in-fol.- E' de 1821. José Rodrigues de Alello - Natural da cidade do Porto, falleceu na cidade da Bahia, depois da independencia do Brazil, com avançada idade. Jesuita e expulso da companhia em 1759, passou á Roma, onde esteve alguns annos, e depois ao Brazil. Foi grande JO 164 latinista e poeta. Delle se occupou frei Fortunato de S. Boaventura no seu « Defensor dos Jesuitas ». Escreveu: - De rebus rusticis brasilicis : carminum liber quatuor, quibus accedit Prudentii Amarali De sacchari opificio singulare carmen. Romae, 1798, in-4° - Nesse volume, de pags. 19 a 55, se acha uma traducção ou paraphrase em versos portuguezes de um Genethliacon ao Marquez de Louriçal. - De cura bovum in Brasília : latino carmine. Bahia, 1817 - Seguida da traducção em verso portuguez por João Gualberto Ferreira dos Santos Reis. (Veja-se este autor.) José Rodrigues Monção - Filho do doutor Francisco Rodrigues Monção, nascido na ilha de Itaparica, do actual estado da Bahia, ahi falleceu a 19 de junho de 1896, presbytero secular e capei Ião da igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão, na capital do mesmo estado. Cultivava a poesia e era distincto poeta, Escreveu : - Desafogos lyricos: poesias. Bahia, 188...-Nunca pude ver este livro, de que espero noticia que darei no supplemento final, - Lumes : poesias, Bahia, 1890, in-8° - O autor, como elle mesmo o diz, canta o lar, a patria, a Natureza e Deus. Seus versos tem graça e magestade ; tem simplicidade e doçura, como nos dous seguintes tercetos do soneto « A oração e a lagrima »: Irmãs do coração, irmãs do crente, Para os quaes a Natureza as destinou, Balsamo - curam todo amargo ingente. Quem jamais, quem na vida as dispensou No seu fundo martyrio ou mal latente 'i Oração fez Jesus... também chorou 1 José RodLrig-ues JVunes, Io - Nascido na Bahia, no começo do século 19°, foi distincto pintor, discípulo do notável pintor bahiano Antonio Joaquim Franco Velasco, e também dedicou-se ás lettras. São delle vários quadros, primores d'arte, que existem em vários templos da cidade de S. Salvador, e retratos, como o do Vis- conde de Cayrú, que se acha na bibliotheca publica e os de diversos lentes, que se conservam na faculdade de medicina desta cidade, e o do imperador D. Pedro II, no palacio do Governo. Em 1827 con- correu para o logar de substituto do professor de desenho do lyceu, cargo que exerceu atê 1837, em que passou a cathedratico. Serviu na campanha da independencia em sua patria, sendo por isso conde- corado com a respectiva medalha, e escreveu : - Historia das artes e sua marcha progressiva na provincia da Bahia - publicada no Mosaico, tomo Io, 1844-1845, e tomo 2o, pags. 12, JO 165 23, 76 e 223. Preparava-se o autor para dar desse trabalho segunda edição em volume, mas não pôde realisar esse intento. Refere-se neste escripto á pintura sómente. José JRoclrigu.es Nunes, 2o - Filho do precedente e nascido no anno de 1823, na cidade da Bahia, onde graduou-se em medicina, no anno de 1846, falleceu dous annos depois. Depois de doutorado foi a Paris, onde tratou de aperfeiçoar-se em seus estudos médicos e praticou com vultos notáveis da sciencia, como Velpeau. Com sua morte perdeu a medicina brazileira um habil clinico, que devia ser. Ainda estudante distinguiu-se como litterato ; foi cirurgião do primeiro batalhão de infantaria da guarda nacional, socio do Insti- tuto litterario e da sociedade Instructiva. Foi também da sociedade de Medicina da Bahia e escreveu : - Algumas considerações sobre o homem, especialmente suas re- lações entre o physico e o moral: these para obter o grão de doutor em medicina, apresentada e sustentada no dia 21 de novembro de 1846. Bahia, 1846, 58 pags. in-4° gr. - Memória sobre a inspiração etherea como meio de prevenir as dores que se desenvolvem durante as operações, offerecida ao Sr. Dr. J. Affonso P. de Moura - Foi escripta em Paris e acha-se no Archivo Medico Brazileiro, vol. 4o, 1847-1848, pag. 31. - Algumas palavras sobre o exercicio e ensino da medicina - Na mesma revista e no mesmo volume, pag. 209 - 0 dr. Nunes col- laborou no Musaico, da Bahia, onde publicou : - Pharol da Bahia - No vol. 2o, 1845-1846, pag. 43, com es- tampa. - Algumas palavras sobre Eugênio Sue - No mesmo volume pag. 141 - Sendo contestado em suas opiniões, escreveu: - Eugênio Sue: critica litteraria - No mesmo volume, pags. 207, 238 e 251. José Rodrigiuis E*eixoto - Filho de Germano Ro- drigues Peixoto e dona Maria Josepha da Silva Peixoto e natural do Rio de Janeiro, nascido a 22 de outubro de 1849, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, formado em 1873. Sem deixar a clinica, que exerceu sempre e em que é distincto especialista das moléstias das vias urinarias, tem-se envolvido em varias emprezas de commercio e industria, como a de socio de uma casa de commissões de café e outros generos do paiz, socio da fabrica de tecidos da Estrella, director da companhia de fiação e tecidos S. Pedro de Alcantara e membro da 166 JO commissão flscal do Banco do commercio do Rio de Janeiro. Serviu alguns annos na antiga junta central de hygiene como membro da commissão sanitaria da Gloria ; é socio da sociedade Medica do Rio de Janeiro, da sociedade auxiliadora da industria nacional e cavalleiro da ordem de Christo, etc. Escreveu : - Do tratamento da coxalgia; Do aborto criminoso; Urethro- tomia ; Das condições pathogenicas, diagnostico e tratamento da mo- léstia conhecida pelo nome de beriberi : these aprseentada á Faculdade de Medicina, etc. Rio de Janeiro, 1873, 84 pags. in-4° gr. - Nota sobre um caso de urethrotomia externa sem conductor, reclamada por um estreitamento urethral infranqueavel - Na Re- vista Medica, 1876, pags. 67 e 137. Divide-se o trabalho em duas partes : I. Historico da moléstia, exame do doente e exploração do canal da urethra; tentativas inúteis de catheterismo; tratamento até a época da operação. II. Operação, tratamento consecutivo; o com- pleto restabelecimento da saude. - Contribuição para o estudo anthropologico das raças indígenas do Brazil pelos Drs. Lacerda Filho e Rodrigues Peixoto. Rio de Ja- neiro, 1876, in-4° - Foi antes publicado no Archivo do Museu Na- cional, tomo 1.® - Parecer dado sobre duas operações de aneurisma popliteu, com- municadas á Sociedade Medica pelo Dr. Pereira Guimarães. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° - Novos estudos craneologicos sobre os botocudos. Rio de Janeiro, 1882, 55 pags. in-4° com 11 estampas lithographadas. - Catalogo dos craneos e esqueletos que figuraram na exposição an- thropologica realizada no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Ja- neiro, 1884, 47 pags. in-4°, com quarenta figuras intercalladas no texto. - Esboço de uma grammatica da lingua tupy moderna - Este livro conserva-se inédito. E' uma traducção do « Notes on the lingua geral or modern tupi of the Amazonas?, pelo professor C. Frederico Harth. Na introducção diz o traductor: «Compõe-se a obrinha de um rápido estudo critico dos principaes autores que se haviam occupado do assumpto até 1872, seguido de uma grande tentativa para provar que a lingua hoje em dia corrente no Amazonas não é a mesma que a do tempo dos jesuítas. A exposição da grammatica geral é tão clara, tão methodica e exemplificada com phrases e sentenças tomadas dos proprios lábios dos indígenas, que acreditamos muito pouco lhe faltar para constituir uma grammatica completa, e por isso tomamos a li- berdade de preceder a folha do rosto com uma outra, com o titulo «Esboço d.e uma grammatica da lingua tupi moderna ». JO 167 José Ttodrig^iies I^iineutel e Maia - Filho do professor Manuel Rodrigues Maia e nascido em Lisboa entre os annos de 1785 e 1790, falleceu na cidade do Recife, no hospital militar do Carmo, depois de 1827, sendo brazileiro por ter adherido á constitui- ção do império e tenente do exercito, posto em que foi reformado por impossibilidade physica do serviço activo de guerra. Foi em sua patria de nascimento professor de latim, antes de entrar para o exercito, vindo para o Brazil com o posto de alferes em 1816. Teve commercio com as musas desde seus verdes annos e entreteve com Bocage intimas relações de amizade. Lutou com a adversidade que levou-o a asylar-se nesse hospital, mas sempre de genio alegre e folgazão, compondo versos de satyra pungente, nos quaes nem sua própria individualidade elle respeitou, como se vê neste soneto : Si vires um matão, sentado á banca, Em acção de pensar, roendo as unhas, Sem ter mais companhia ou testemunhas, Escancarada a porta e a casa franca; Manca a perna direita e a esquerda manca, (O que tu não pensavas nem suppunhas) Lavrando no seu rol nomes e alcunhas De moças pobres que merecem tranca ; Com cigarros ao lado e uma botelha, Com olho muito azul, com feição gaia, Louro o cabei lo, loura a sobrancelha ; Encontraste o heróe da melhor laia, Não tens que duvidar, não tem parelha, E' o sucio, o soldado, o côxo, o Maia. Este soneto, com outro descrevendo suas honras posthumas, acha-se no Musaico Pernambucano, de Pereira da Costa, pags. 177 e 178, onde se diz que Maia publicou muitas poesias soltas. Es- creveu : - Obras poéticas. Pernambuco, 1827, 278 pags. , in-8° - E' um livro rarissimo. - A inveja succumbida: drama em verso. Pernambuco... - Civismo: drama em verso. Pernambuco... - Independencia ou morte: drama em verso. Pernambuco... - Goyana triumphante: drama em verso. Pernambuco...- Todos estes dramas foram representados em Pernambuco e todos celebram actos de patriotismo brazileiro. - Obras poéticas offerecidas a um seu amigo. Lisboa, tres volu- mes, 1805, 1806 e 1807, de 88, 68 e 78 pags. in-4à° 168 .IO - Elogio á lamentável morte do Illrn. e Exm. Sr. D. Diogo de Noronha, Conde de Villa Verde e ministro assistente do despacho, etc. Lisboa, 1807, 10 pags. in-4.° José Rodrigues Prates - Filho do capitão de ma- rinha mercante José Rodrigues Prates e dona Anna Machado de Souza Prates, nasceu na capital de Sauta Catharina a 4 de maio de 1862. Nessa província, hoje estado, exerceu o cargo de professor de pri- meiras lettras do arraial do Estreito e de 1878 em diante começou a collaborar em vários jornaes, como o Artista, o Conservador, o Pro- gresso, a Regeneração, o Caixeiro, Colombo, o Jornal do Commercio e Correio da Tarde, e nelles tem publicado, com outros trabalhos : - As victimas da Inglaterra : romance - No Conservador, 1879. - Edmundo, o bandido: romance - no Artista, - Ladrão singular : romance - No Caixeiro, 1883. - Alina: romance - No Jornal do Commercio, 1883. - A mendiga : romance.-No mesmo jornal, 1884. - Amores trágicos: romance... - Fdbricio: romance... José Rodrigues Prego - Exercia em 1859 o logar de secretario da capitania do porto no Rio de Janeiro, de onde o supponho natural. Escreveu: - Memórias de uma rapariga do povo, por Arnaldo Fremy, tra- duzidas, etc. Rio de Janeiro, 1846-1847, 2 vols. in-8° José Rodrigues dos Santos - Filho do commen- dador José Rodrigues dos Santos e nascido na cidade do Rio do Janeiro a 10 de abril do 1852, fez o curso da faculdade de medicina desta cidade e nella recebeu o gráo de doutor em 1873. Propensão e gosto pronunciados pelas sciencias obstétricas e gynecologicas desde seu tirocínio académico, é o medico brazileiro que mais se tem dado ao estudo desta especialidade e mais obras tem sobre ella produzido. Para robustecer os conhecimentos que já possuía, percorreu as grandes capitaes da Europa, onde relacionou-se com os mestres das sciencias. Em Pariz, visitando a maternidade do Boulevard Port-Royal, o sabio professor Adolpho Pinard o apresentou aos collegas e alumnos dessa maternidade com as mais disti netas referencias a elle e ao Brazil. Este professor em 1892 o incumbiu de fazer conhecidas no Brazd as vanta- gens da symphisiotomia, e essa incumbência satisfez elle, já escrevendo sobre «sta operação, e pondo-a em pratica pela primeira vez no Brazil JO 169 (e talvez na America do Sul) em uma primipara rachitica com a bacia viciada, deixando em esplendidas condições o feto e a mãi; já modifi- cando o symphisiotomo usado na Europa. O dr. Rodrigues dos Santos serviu na commissão sanitaria da parochia da Gavea, e no hospital de Misericórdia; é membro da sociedade de Hygiene e da sociedade Chimica de Paris, da sociedade Obstétrica de Paris e da de Philadelphia, membro titular da Academia nacional de medicina, da sociedade Medico-cirurgica e do Instituto pharmaceutico do Rio de Janeiro; cavalleiro da ordem de Nossa Senhora da Conceição da Villa Viçosa, de Portugal e escreveu: - Da ovariotomia; Dos vinhos como excipientes dos medicamen- tos ; Dos polypos do recto; Das condições pathogenicas, diagnostico e tratamento da moléstia conhecida pelo nome de beriberi: these apre- sentada, etc. Rio de Janeiro, 1873, 68 pags. in-4° gr. - Clinique obstetricale par le dr. Rodrigues dos Santos avec preface du prof. Pinard. Paris, 1884, 3 vols. in-8.° - Clinique obstetricale par le dr. Rodrigues dos Santos, precedée d'une preface de M. lè dr. Adolphe Picard. Tome premier avec 57 ligs. dans le texte. Paris, 1886, in-8° - Creio que é segunda edição da precedente. Antes disso publicara o autor: - Clinica obstétrica. Algumas lições tomadas no curso livre de obstetrícia do dr. Rodrigues dos Santos. Primeira parte (do Io volume ). Rio de Janeiro, 1877, 166 pags. in-4° - Eis os demais tra- balhos do dr. Rodrigues dos Santos, por sua ordem chronologica : - Do sulfato de quinino como abortivo e oxitocico - Na Revista Medica, 1874-1875, pags. 361 e seguintes. - Do koumys e de suas applicações therapeuticas: trabalho ori- ginal de F. Labadie-Lagrave, colleccionado em Pariz por José Rodri- gues dos Santos, etc. Rio de Janeiro, 1875, 19 pags. in-4.° - Do canhamo indico e de suas applicações therapeuticas. Rio de Janeiro, 1875, in-4.° - Do descolamento e expulsão da placenta. Rio de Janeiro, 1876, 52 pags. in-4.° - Da rigidez do collo do utero durante o parto. Rio de Janeiro, 1876, 59 pags. in-4.° - Do cautério actual nas moléstias uterinas (Indicações e contra- indicações). Rio de Janeiro, 1876, 21 pags. in-4.° - Do valor do calafrio nas allécções puerperaes (peritoni(ps, lym- phangites e phlebites). Rio de Janeiro, 1878, 73 pags. in-4.° - Recherches sur la cause du retard de 1'accouchement dans le cas de presentations pelviennes et moyen d'y remedier. Rio de Janeiro, 1879, 48 pags. in-4.° no 170 - Des lesions utero-ovariens par raport aux nevroses hysterifor- mes. Rio de Janeiro, 1880, 73 pags. in-4° com uma estampa. - Clinique obstetricale, precedée d'un preface du professeur Pinard, de Paris, enrichi de figures dans le texte. Paris, 3 vols. in-8.° - Nouvslles contributions à 1'etude de 1'eclampsie. De la valeur des emissions sanguines comme moyen profilatique des accidents cere- brales et pulmonaires. Rio de Janeiro, 1881, in-4.° - Do emprego dos antisepticos na septicemia puerperal. Rio de Janeiro, 1888, 40 pags. in-8° - Este escripto é o primeiro de uma serie que o autor se propunha a dar ao prelo. - De Vinfluence de 1'impaludisme sur les femmes encientes (avortement, accouchement premature): mémoire presentée et lue au Congrès brasilien de medecine et chirurgie, reuni à Rio de Janeiro en septembre 1888. Rio de Janeiro, 1889, 54 pags. in-4.° - Breves considerações sobre os vicios da bacia ( fórceps, versão, superioridade da symphisiotomia sobre a embryotomia e operação ce- sareana). Rio de Janeiro, 1892, in-8° - O autor mostra-se tão convicto das vantagens da symphisiotomia sobre as operações em uso, que a considera uma das mais brilhantes victorias da obstetrícia mo- derna. - Contribuições para o estudo da pubiotomia (operações de Sigault). Paris, 1892, 23 pags. in-8°, com o desenho de um symphisiotomo modificado pelo autor de modo a tornar mais exacta e precisa a disjun- cção das symphises pubianas - Neste trabalho diz o autor que a pubiotomia parece resolver um dos mais delicados problemas da obste- trícia e que esta operação abandonada renasce na Escola Shahana com grande brilho e que com ella nenhum ente é sacrificado, e em apoio dessa asserção cita grande numero de casos em que essa operação deu o melhor resultado. - Scientificamente é possível a esterilidade da mulher ? Rio de Janeiro, 1893, 40 pags. in-8° - E' escripto a proposito da questão Abel Parente. - Rapports entre les perturbations funccionelles du foie et l'uté- rus. Rio de Janeiro, 1893, 27 pags. in-4.° - A nutrição nos phenomenos modernos vitaes e sua influencia nas moléstias uterinas. Rio de Janeiro, 1894, in-8.° - Do feto, seu desenvolvimento e sua attitude intra-uterina. Rio de Janeiro, 1894, in-8.° - Da resistência durante o parto. S. Paulo, 1894, in-8° - O autor, estudando o mecanismo do parto, delle deduz as vantagens da symphisiotomia. JO 171 - Contribuições para o estudo das condições pathogenicas da al- buminúria gravidica. (Da velocidade da onda sanguínea) Rio de Ja- neiro, 1895, 23 pags. in-4.° - Estudo clinico das moléstias das mulheres. Rio de Janeiro, 1897, in-8°. - Cimicifuge Racemosa par le dr. Rodrigues dos Santos - Na Revue Medico chirurgicale du Brésil; Prémière année, 1893, pags. 292 e segs. - Retro deviation irredutible de 1'utérus, fixée par des adherences. Traitement operatoire par l'electrotomie interligamentaire. Guerison. - Idem, 1894, pags. 241, 321 e segs. José Roinagueira daCunha Corrêa -Filho de Josê Bento Corrêa, natural da provincia, hoje estado do Rio Grande do Sul e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, exerce a clinica na cidade de Uruguayana e ahi foi eleito deputado estadoal. Escreveu: - Da trepanação, suas indicações e contra-indicações nos casos de fractura da abobada craneana: these apresentada, etc. para receber o grão de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1888, 134 pags. in-4.° - Vocabulário sul-rio grandense. Pelotas, 1898, 33 pags. in-4.° ■ - Julio de Castilhos e a organisação do partido republicano brazi- leiro. 1898 - E' a reimpressão de artigos publicados no Commercio, de Uruguayana. José Rubino de Oliveira - Filho de Josê Pinto de Oliveira e dona Rita Maria do Espirito Santo, nasceu em Sorocaba, S. Paulo, a 24 de agosto de 1837 e falleceu na mesma cidade a 4 de agosto de 1891, lente cathedratico de direito administrativo da facul- dade de S. Paulo, onde recebeu o gráo de bacharel em 1868 e o de doutor em 1869, sendo nomeado lente substituto em 1879. Estudou preparatórios no seminário episcopal e, porque era pobre e precisava de meios de subsistência para si e suamãi, estudou direito, leccionando mathematicas elementares e outras matérias. Apresentou-se, sendo estudante, ao concurso a um logar de substituto da cadeira de geo- metria e arithmetica do curso annexo á faculdade ; mas foi inhabilitado pela conveniência de não se incluir estudantes no corpo docente official. Habilíssimo professor, escreveu: - Theses e dissertação para obter o grão de doutor, etc. S. Paulo, 1869, 20 pags. in-4° - Dissertou acerca deste ponto: Sobre quem recahem os impostos lançados sobre os generos produzidos e consumidos ao 172 no paiz ? E' sobre o producto ou sobre o consumidor ? O que succede quanto aos generos importados ou exportados ? - Theses e dissertação no concurso para o preenchimento do logar vago, de uma cadeira de lente substituto. S. Paulo, 1871, 24 pags. in-4° - O ponto é: A legitimação por subsequente matrimonio esten- de-se a todos os filhos ? - Theses e dissertação, apresentadas á Faculdade de direito de S. Paulo para o concurso, etc. em 12 de agosto de 1872. S. Paulo, 1872, 32 pags. in-4° - O ponto é: O que se deve entender por phases de crime ? - Tneses e dissertação apresentadas à Faculdade de direito de S. Paulo para o concurso a uma cadeira de lente substituto em 21 de abril de 1873. S. Paulo, 1872, 54 pags. in-4° - O ponto da disser- tação é: Novação, condições e diíferenças em direito civil e commercial. - Epitome do direito administrativo brazileiro segundo o pro- gramma do curso de 1884, apresentado ã congregação da Faculdade de direito de S. Paulo. S. Paulo, 1884, in-8.° José Itufiiio Rodrigues de Vascoucellos - Filho de Polycarpo Rodrigues Martins e dona Maria José dos Reis Passos, nasceu no Porto a 16 de novembro de 18.. e falleceu no Rio de Janeiro a 8 de junho de 1893, sendo chefe de secção aposentado da quarta di- rectoria da secretaria da guerra; cavalleiro da ordem de Christo, socio e fundador do Conservatório dramatico desta cidade, da sociedade de Emigração, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade de Mineração de S. João d'El-Rei e da real academia na- zionale Scuola italiana, de Roma. Vindo para o Brazil em 1821 e em- pregando-se no commercio, passou em 1829 a servir o logar de terceiro escripturario da camara municipal; em 1838 foi transferido para a repartição geral da fazenda como guarda da mesa do consulado, e em 1842 para a secretaria da guerra como amanuense da contadoria geral, logar, do qual subio gradualmente até o de sua aposentadoria. Escreveu: - Lições moraes e religiosas, Paris, ( s. d. ) 188 pags. in-8° - Houve segunda edição no Rio de Janeiro, em 2 vols. in-8.° - Colonias militares: memória. Rio de Janeiro, 1867, 131 pags. in-4° - O logar e data acham-se no fim. - Projecto de lei creando uma caixa economica de soccorros mutuos. Rio de Janeiro, 1872, 12 pags. in-4.° - 0 assassino; romance. Rio de Janeiro, 1842, in-8.° - O homem mysterioso; romance. Rio de Janeiro, in-8.° JO 173 - A casa mal assombrada: romance. Rio de Janeiro, tres tomos, in-8.° - A noite do castello: tirado do poema de igual titulo de A. F. Castilho - Foi representado no theatro Gymnasio. - O parricida ou os francezes no Rio de Janeiro em 1711 : drama - Creio que nunca foi representado, nem impresso. - Os veteranos: comedia em tres actos-Foi representada no Rio de Janeiro. - Idalucá ou a rainha das fadas: magica, 1842- O autographo foi offerecido ao imperador d. Pedro II que o tinha em sua biblio- theca. Vasconcellos collaborou para algumas folhas e foi o autor dos - Folhetins semanaes por Y - publicados no Jornal dos Ty- pographos. Rio de Janeiro, 1858. José de Sá Bittencourt A^ccioli- Filho de Ber- nardino Luiz Cardoso, nasceu na villa hoje cidade de Caethé, Minas Geraes, em 1755 e falleceu a 28 de fevereiro de 1828, bacharel em sciencias naturaes pela universidade de Coimbra, coronel de milicias e um dos benemeritos de nossa independencia. Depois de formado foi á França e á Inglaterra e voltando á patria, dedicou-se a trabalhos cera- micos, propondo-se também a occupar-se da fundição de ferro, quando, denunciado como fazendo parte da conspiração de 1789, foi obrigado a passar-se pira a Bahia. Ahi foi preso, soffreu perseguições, mas afinal foi absolvido em vista de documentos de peso (duas arrobas de ouro com que uma tia sua provou sua innocencia). Estabeleceu-se então na Bahia com uma fazenda de plantio de algodão, de que dis- tribuiu muitas sementes e ensinou a respectiva industria. Foi em 1799 incumbido pelo governo de explorações mineralógicas e de inspeccionar particularmente as minas de salitre de Monte Alto, onde fundou boi fazenda, abriu estradas que a approximavam do porto de embarque e auxiliou a colonisação que lhe vinha das ilhas. As despezas, porém, do transporte do salitre desanimaram o governo, ao tempo que a guerra da Europa fazia parar os trabalhos dependentes da protecção offlcial e então, pedindo sua demissão de inspector das minas, reco- lheu-se á sua fazenda. Depois, chamado a Minas Geraes pela citada sua tia, que o educara e fôra sempre sua protectora, fallecendo esta e constituindo-o seu herdeiro, ahi ficou residindo. Sabendo em 1821 que as cortes portuguezas exigiam a volta de dom Pedro a Lisboa, fundou com outros em Caethé a sociedade Pedro e Carolina, com o fim de pedir ao principe que não deixasse o Brazil e preparar a indepen- dência. Constando-lhe que o governo provisorio de Ouro Preto se JO 174 oppunha ás manifestações contrarias ás cortes de Lisboa, á frente de seu regimento, a que foi incorporado o regimento de cavallaria com- mandado por um seu parente, proclamou o regente dom Pedro, mar- chou sobre a capital, onde, porém, veio encontrar o mesmo regente. Quando na Bahia rompeu a guerra da independencia, lembrou ao governo a necessidade de enviar auxilio aos brazileiros, e autorisado a levantar forças para isso, tirou de seu regimento 585 praças, à frente das quaes marchou seu filho, o tenente-coronel José de Sá Bittencourt Gamara, entrando naquelle numero mais tres filhos seus. Escreveu : - Memória sobre o ferro de Caethé e a abundancia em que se offerece - Foi escripta á sua chegada de Coimbra no seu enthusiasmo em presença das riquezas da patria, e enviada com amostras de ferro fundido pelo autor a alguns amigos, e lida no meio de brindes á prosperidade do Brazil n'um jantar poucas semanas antes da denun- cia da conspiração mineira, diz o Dr. Macedo. - Memória sobre a plantação do algodão e sua exportação ; sobre a decadência da lavoura de mandioca no termo de Camamú, comarca de llhéos, governo da Bahia. Apresentada e offerecida a sua alteza real o príncipe do Brazil etc. (Lisboa) 1798, 34 pags. in-4° com est.-Sahiu depois no «Auxiliador da Industria Nacional» em 1844. - Memória sobre a viagem ao terreno nitroso de Monte Alto. Lisboa, 1800 - Foi impressa pela Academia Real das Sciencias de Lis- boa e mais tarde no mesmo «Auxiliar da Industria», em 1845. O origi- nal, de 23 fls. in foi., é propriedade do Instituto historico. Ha outras cópias, sendo destas apresentadas duas na exposição de historia patria, uma de 29, outra de 25 fls. in-fol. Na mesma exposição esteve um volume de - Officios de J(sé de Sá Bittencourt Accioli, dirigidos ao gover- nador da Bahia, nos annos de 1797 a 1806, dando conta de suas com- missões, da inspecção das minas de salitre e da estrada para Monte Alto. Originaes, 124 fls. in-fol. .José de Sá Bvitto - Filho do José do Sá Britto, um distincto official de cavallaria do exercito, nasceu em Porto-Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e falleceu muito moço, sendo escrivão de uma collectoria no regímen inonarchico. Escreveu: - Grupiava : drama brasileiro em um prologo e quatro actos. Porto-Alegre - publicado na Revista do Parthenon Litterario, 1875. - A descrida: drama. Porto-Alegre... - Filei-o : comedia em um acto. Porto-Alegre... - Matheus : comedia^drama - Na Revista dos Ensaios Litterarios. JO 175 José de Sá Earp - Nasceu na Bahia a 12 de outubro de 1856, assentou praça no exercito em janeiro de 1874, fez o curso de artilharia pelo regulamento de 1874, é major dessa arma e membro da commissão technica militar consultiva. Escreveu: - Artilharia. Rio de Janeiro, 1897, in-8J - Neste livro se en- contram muitas noções sobre a tactica dos fogos de artilharia em cam- panha e se discorre precisamente sobre o uso e emprego judicioso dos seus projectis e sobre os serviços dos canhões de tiro rápido. E' um trabalho digno de consulta. D. José de Saldanlia da Grama, Io - Filho de d. João de Saldanha da Gama de Mello Torres Guedes de Britto, Conde da Ponte, e o governador da Bahia que recebeu e hospedou a real familia em sua vinda ao Brazil e que á primeira, capital brasileira prestou os mais relevantes serviços e de dona Maria Constância Sal- danha e Daum, Condessa do mesmo titulo, nasceu na Bahia a 2 de outubro de 1808 e falleceu no Rio de Janeiro a 27 de março de 1875. Foi deputado provincial nas primeiras legislaturas até 1847, re- velando-se orador eloquente, mas deixando neste anno a política para cuidar de suas fazendas em Campos. Em 1828 foi á Europa como cama- rista, junto à princeza d. Maria da Gloria, e esteve na Inglaterra, em França e na Bélgica, voltando com a mesma princeza e com a Imperatriz d. Amélia, segunda esposa de d. Pedro Io e em 1831 foi nomeado ministro diplomático em Vienna d'Áustria, quando explodiu a revolução de 7 de abril. Foi distincto litterato, escriptor habil e eximio pianista com seu irmão d. Luiz de Saldanha da Gama, de quem occupar-me-hei. Escreveu: - Coup d'mil philosophique et historique sur les aftaires brésilien- nes avant, pendant et après la régénération. Rio de Janeiro, 1831, 63 pags. in-8.° - Breve historia da revolução dos dias 6 e 7 de abril de 1831 no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 183, in-8,° - Considerações que sujeita á descripção e imparcialidade do Exm. Sr. Ministro dos negocios estrangeiros sobre os seus venci- mentos de enviado extraordinário junto ás cortes de Paris e de S. Pe- tersburgo em seguimento á sua exposição sobre o mesmo assumpto. Rio de Janeiro, 1831, 7 pags. in-fol., seguidas de vários documentos. - Buas palavras imparciaes sobre o terceiro partido e o Sr. Ber- nardo Pereira de Vasconcellos. Cidade de Campos, 1835, 23 pags. in-4° - Sei que d. José de Saldanha deixou ainda trabalhos, assim como, composições musicaes que nunca foram publicadas. ao 176 José de Salclanlia da G-aina, 2°- Filho do precedente e dona Maria Carolina Barroso de Saldanha da Gama e irmão do almirante Luiz Felippe de Saldanha da Gama, de quem hei de occupar- me, nasceu em Campos, Rio de Janeiro, a 7 de agosto de 1839. Agra- ciado com o titulo de moço fidalgo da casa imperial e formado em sciencias physicas e mathematicas pela antiga escola central no anno de 1860, no anno seguinte foi nomeado repetidor da mesma escola, onde encetou o magistério, substituindo o sabio professor Freire Alle- mão na cadeira de botanica e fazendo sobre essa sciencia continuados e profundos estudos. Na escola central, depois polytechnica, exerceu o professorado, aposentando-se depois de completo o tempo da lei. Re- presentou o Brasil na exposição universal de Paris de 1867, na de Vienna d'Austria de 1873, na de Philadelphia de 1876 e na dos estudos de botanica de Paris de 1877; foi membro adjunto da commissão dire- ctora da exposição nacional de 1875 e jurado de primeira classe do terceiro grupo da mesma exposição; foi cônsul geral do Brasil na Bélgica, etc. E' socio fundador do Instituto polytechnico, socio do In- stituto historico e geographico brasileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da Sociedade Vellosiam, da Sociedade real de botanica da Bélgica, da Sociedade de botanica e da de Acclimação da França, da Sociedade de botanica de Ratisbona, da Sociedade Lineana de Paris, da Academia das sciencias de Philadelphia, da Sociedade ex- perimental de therapeutica de França e de outras associações de lettras e sciencias, quer do Brasil, quer do estrangeiro. E' commendador da ordem da Rosa, da ordem portugueza da Conceição de Villa-Viçosa, e da ordem austríaca de Francisco José, official da ordem italiana da Corôa, etc. Escreveu: - Configuração e descripção de todos os orgãcs fundamentaes das principaes madeiras de cerne e brancas da província do Rio de Janeiro, e suas applicações na engenharia, industria, medicina e artes, com uma tabella dos pesos específicos. Io vol. Rio de Janeiro, 1865, 155 pags. in-8° com estampas. - Quelques mots sur les bois du Brésil qui doivent figurer à l'Exposition Universelle de 1857. Paris, 1867, 12 pags. in-8.° - Travaux au sujet des produits du Brésil qui sont à l'Exposition Universelle de Paris en 1867. Paris, 1867, 29 pags. in-8.° - Classement botanique des plantes du Brésil, Paris, 1867... pags. in-8.° - Synonymia dos diversos vegetaes do Brazil, feita segundo os dados colhidos no Império e na Exposição Universal de Paris em 1867. Rio de Janeiro ,1868, 36 pags. in-4.° JO 177 - Botanica industrial - No Relatorio da ^xposição Universal de 1867. Paris, 1868. (Veja-se Julio Constancio de Willeneuve.) - Enumeration des travaux jusqu'à l'année 1867. Paris, 1868, in-4.° - Biographia e apreciação dos trabalhos do botânico brasileiro, fr. José Mariano da Conceição Velloso. Rio de Janeiro, 1869, 175 pags. in-4° - E' uma memória lida no Instituto historico e geogra- phico brasileiro perante o Imperador, a quem é offerecida e foi antes publicada na Revista trimensal, tomo 31°, parte 2a, pags. 137 a 305. Compõe-se a memória de vinte capitulos, seguidos de 67 generos creados por José Mariano para a flora brazileira e de 365 plantas por elle classificadas. - Biographia do botânico brasileiro fr. Leandro do Sacramento : memória lida no Instituto historico perante S. M. o Imperador-e publicada na dita revista, tomo 32°, parte 2a, 1869, pags. 181 a 230. O quarto capitulo desta memória refere-se á classificação de plantas pelo biographado. - Biographia e apreciação dos trabalhos do botânico brasileiro Francisco Freire Allemão - Na mesma revista, tomo 38°, 1875, pags. 51 a 126. - Cartas sobre botanica. Rio de Janeiro, 1870, 43 pags. in-4.° - Cinco lições de geologia, sendo duas sobre paleontologia ve- getal, pronunciadas no anno de 1868 na cadeira do 5° anno da Escola central e mandadas publicar pelos alumnos da aula de mineralogia e de geologia no anno de 1872. Rio de Janeiro, 1872, 77 pags. in-4.° - Apostillas para o estudo dos systemas crystallinos de Naumann. Rio de Janeiro, 1872, 24 pags. in-4° com estampa. - Configuração e estudo botânico dos vegetaes seculares da pro- víncia do Rio de Janeiro e de outros pontos do Brasil (2a e 3a partes). Rio de Janeiro, 1872, in-8° - E' continuação da primeira obra. - Resume du catalogue de la section brésilienne à 1'exposition Internationale à Vienne en 1873. Vienne, 1873, 32 pags. in-8° - E' escripto em collaboração com o dr. B. F. Ramiz Galvão. ■ - Notice sur quelques vegetaux seculaires du Brésil. Extrait des Annales des Sciences naturelles. Paris, 1874, 13 pags. in-8.° - Biscours prononcè au Congrès International des economes fo- restiers à Vienne en 1873. Rio de Janeiro, 1874, 11 pags. in-8°-Re- presentava o autor o Brasil nesse congresso. - Botanica applicada e influencia dos insectos sobre as plantas. Relatorio na exposição de Vienna d'Austria. Rio de Janeiro, 1874, VIII - 173 pags. in-4.° JO 178 - Estudos sobre a "-quarta exposição nacional de 1875. Rio de Ja- neiro, 1876, 184 pags. in-8°- Muitos artigos deste livro foram também publicados no Jornal do Commercio. - Notes in regard to somo textile plants of Brasil at the Interna- tionale Exhibition at Philadelphia in 1876, etc. New-York, 1876, 16 pags. in-8.° - Catalogue of the products of the Brasilian florets at the Inter- national Exhibition in Philadelphia. New-York, 1876, 12 pags. in-8.° - Botanica applicada. Relatorio sobre a exposição universal de Philadelphia em 1876. Rio de Janeiro, 1877, 63 pags. in-4.° - Relatorio especial, annexo ao Relatorio da commissão brasileira na exposição centenária de Philadelphia. Rio de Janeiro, 1878, in-8.° - Estudo sobre a conservação das madeiras. Rio de Janeiro, 1878, in-8.o - Tableau resume des richesses de 1'Empire du Brésil. Bruxelles, 1877, 20 pags. in-4.° - Suite aux richesses de 1'Empire du Brésil. Bruxelles, 1887, 16 pags. in-4.° - Discurso pronunciado na sessão publica e extraordinária do Instituto polytechnico na noite de 30 de agosto de 1882, presidida a sessão pelo Principe Conde d'Eu e honrada com a presença de S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1882, 23 pags. in-8.° - Escola polytechnica. Cursos especiaes que deve comprehender. Plano de estudo. Ensino pratico. 10 pags. in-fol. - No livro «Actas e pareceres do Congresso de instrucção do Rio de Janeiro », 1884. - Programma do curso de botanica, primeira cadeira do primeiro anno do curso de sciencias physicas e naturaes da Escola polytechnica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1885, 22 pags. in-8.° - Bouquet de Melastomacées brésiliennes, dediées a Sa Magesté D. Pedro II, Empereur du Brésil. Extrait du Flora Brasiliensis. Ver- viers, 1887, in-4° - E' escripto em collaboração com Alfred Co- gniaux. - Laprovince du Paraná dans 1'Empire du Brésil. Anvers, 1888 - Tem em revistas vários escriptos, como: - Memória sobre assumptos de botanica -Na Revista do Instituto polytechnico, tomo 2o, pags. 81 a 99. - Angelim rosa - Nos Annaes Brasilienses de medicina, tomo 17°, 1865-1866, pag. 68. - Arapoca amarella ou gurataia-poca. Gallipea dica toma - Nos ditos Annaes e mesmo tomo, pag. 334 com uma estampa. JO 179 - Elementos para o estudo da flora da serra da Estrella e de Petro- polis - Na Revista brazileira, tomo 7o, pags. 421 a 430, e tomo 8°, 1881, pags. 50 a 63, 89 a 104 e 173 a 189. - Historia da imperial fazenda de Santa Cruz, lida em sessão do Instituto historico e geographico brasileiro - Na Revista trimensal, tomo 38°, 1875, parte 2a, pags. 165 a 230. Só foi publicada a primeira parte deste trabalho. - Discurso proferido no dia 13 de abril de 1878 por occasião do doutoramento em sciencias physicas e mathematícas, conferido ao Sr. Ezequiel Corrêa dos Santos, 11 fls. in-fol.- Está inédito na Biblio- theca nacional. O dr. Saldanha da Gama tem também collaborado para folhas diarias e fez parte da redacção da - Gazeta da Tarde - Rio de Janeiro - Desta folha foi redactor- chefe até fevereiro de 1896 o dr. João Juvencio Ferreira de Aguiar. Frei José de Santa Cecilia, - Chamado no século José Pacifico de Salles, filho do Manoel Cyriaco de Salles e dona Maria de S. José Salles, nasceu na cidade de S. Christovam, antiga capital de Sergipe, pelo anno de 1809 e ahi falleceu a 6 de setembro de 1859. Religioso franciscano, professo a 9 de março de 1827, exerceu em sua ordem vários cargos, como o de presidente no convento de S. Chris- tovam, e o de guardião no de Penedo, e leccionou latim na aula pu- blica desse convento, tendo antes ahi leccionado theologia moral. Grande orador sagrado, mas de vida licenciosa como o seu collega bahiano, o chamavam frei Bastos Sergipano. Foi amigo particular de MonfAlverne e também de frei Bastos. Cultivou a poesia e a musica e deixou in- éditas varias composições, assim como sermões. Destes só publicou: - Sermão no solemne Te-Deum em commemoração da emancipação política de Sergipe, pela primeira vez festejada em S. Christovam em 24 de outubro de 1836. Sergipe, 1836, io-8° - Por esta oceasião compoz frei Santa Cecilia o - Hymno sergipano-, lettra e musica - Não sei si foi impresso. Frei José de Santa Cecilia, já ungido e sacramentado, pouco antes de ex- pirar, mandou iliuminar seu quarto e do leito moribundo recitou uma commovente oração á Virgem Santíssima ; foi seu ultimo sermão. Depois, referindo-se aos amigos que o rodeiavam, recitou esta qua- drinha: Já disse adeus ao Parnaso, E pendurei minha lyra; Agora vou respirar Onde o eterno respira. ao 180 Frei José de Santa Eufrazia Peres - Filho de José Peres de Oliveira e dona Joanna Francisca de Jesus, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 15 de setembro de 1784 e falleceu na dita ci- dade a 4 de maio e 1847. Chamando-se no século José Peres de Oliveira, professou na ordem carmelitana a 2 de março de 1801 e nessa ordem foi prior e provincial, e leccionou philosophia, matéria que também leccionou no seminário de S. José. Foi examinador synodal, socio do Instituto historico e geographico brasileiro e consta que, convidado pelo governo para um bispado, agradeceu, sem comtudo acceitar, essa honra. Distincto orador, dellesó conheço o - Sermão de Nossa Senhora do Carmo, pregado no convento dos Carmelitas na cidade de Itú no dia 16 de julho de 1819 - Este sermão acha-se quasi todo no livro «Os claustros e o clero no Brasil por José Luiz Alves» de pags. 228 a 238. Segundo afflrma este autor, es- creveu mais: - O celibato clerical. Rio de Janeiro, 182*- Foi publicado quando no Rio de Janeiro suscitou-se a idéa de casamento dos padres. - A vida de Nosso Senhor Jesus Christo - Não sei si foi publi- cada. Frei José de Santa Gertrudes - Nascido no ul- timo decennio do século passado, segundo me parece, não posso por agora precisar si na Bahia ou em Alagoas, nem em que época fal- leceu ; foi frade da ordem seraphica de S. Francisco, mestre na dita ordem, varão de erudição e virtudes, prégador apreciado - e escreveu vários sermões, de que publicou: - Oração gratulatoria que em 13 de junho de 1827 recitou nos desposorios de Francisco Pinto Lima, negociante na praça da Bahia, com d. Ignacia M. E. M. de Carvalho. Bahia, 1827, XXII-22 pags. in-4.° - Oração pronunciada em 23 de novembro de 1828 na matriz da cidade das Alagôas em occasião de se nomearem os deputados pela mesma província. Rio de Janeiro, 1829, 16 pags. in-fol. Frei José de Santa Maria Amaral - Nascido na Bahia no anno de 1821, falleceu no Rio de Janeiro a 29 de agosto de 1889. Monge benedictino professo no mosteiro da Bahia, feitas as provas de passante, foi logo nomeado mestre e vindo para o Rio de Janeiro, foi encarregado da direcção dos noviços. Grande vocação para o magistério e grande philosopho, entrou para o corpo docente do collegio Pedro II como substituto de philosophia, passou depois a JO 181 cathedratico, e foi reitor do mesmo collegio e também inspector geral da instrucção publica. Dotado de raras virtudes, mas de excessiva modéstia, recusou-se a acceitar a nomeação de bispo de Diamantina, assim como aos mais altos cargos de sua ordem. Foi também professor de philosophia das princezas d. Isabel e d. Leopoldina e abbade titular de S. Martinho de Tinhães. Escreveu : - Tratado de Philosophia - Este livro foi offerecido ao Impe- rador d. Pedro II, que o tinha em grande estimação e se propunha a dal-o ã publicidade depois da morte do autor, quando succedeu a Repu- blica. Só conheço de frei Santa Maria Amaral: - Relatorio da Inspectoria geral da instrucção primaria e secun- daria do municipio da côrte, apresentado em 1870, etc. Rio de Ja- neiro, 1870, 21 pags. in-4' com vários mappas. - Relatorio da Inspectoria geral da instrucção primaria e secun- daria, etc., apresentado em 18 de abril de 1871. Rio de Janeiro, 1871, 25 pags. in-4° com vários mappas. Frei José de Santa Rita Durão - Filho do capitão-mór Paulo Rodrigues Durão e dona Anna Garcez de Moraes, nasceu em Cata-Preta, arraial da freguezia do Infeccionado em Minas Geraes, pelo anno de 1720, segundo calculo, e falleceuem Portugal a 24 de janeiro de 1784, sendo doutor em theologia pela universidade de Coimbra e ahi lente oppositor dessa sciencia por concurso realizado depois da reforma de 1772, e eremita da ordem de Santo Agostinho, professo no convento da Graça a 12 de outubro de 1738. Para subtrahir-se á perseguição do bispo de Leiria, em cujo desagrado cahira, ou por ser amigo dos jesuitas que foram os seus primeiros mestres, ou por outro qualquer motivo ainda não averiguado, - perseguição em que talvez tomasse parte seu provincial, que era irmão do bispo - seguiu em 1762 para Hespanha com o designio de passar á Italia ; mas, declarada a guerra entre os dous reinos da peninsula, foi preso por suspeito de espia e detido no castello de Segovia, de onde só sahiu depois de celebrada a paz em 1763. Seguindo então para a Italia, obteve por protecção do cardeal Ganganelli em Roma ser nomeado bibliothecario da livraria publica Lancisiana, cargo em que foi jubi- lado ao cabo de nove annos de exercício, tendo sido admittido nas mais notáveis associações de caracter ecclesiastico. Foi mestre em sua ordem, muito respeitado pelo seu grande talento e illustração, grande orador e um dos mais notáveis poetas do Brasil. Escreveu : - Cararauru : poema epico do descobrimento da Bahia. Lisboa, 1781, 307 pags. in-8° - E' um poema em dez cantos, onde se celebra JO 182 o naufragio do Diogo Alvares com outros companheiros salvos das ondas, mas devorados pelos índios ; como este livrou-se de ter igual sorte, etc. Além da noticia dos ritos e tradicçõos dos habitadores do Brasil e de sua historia natural, offerece em muitos episodios noticias históricas do paiz como a da viagem de Diogo Alvares á França com Paraguassú. Escripto em tres mezes por mão extranha, a quem o autor dictava, inspirando-se no amor da patria, « é uma epopéa na- cional brazileira, que interessa o enleva», como chamou-o Ferdinand Dénis; só se compara coin os Luziadas, como disse o poeta portuguez V. P. Nolasco da Cunha ; nelle o autor expõe a verdade em oitavas lindíssimas, sublimes, na opinião do Visconde de Almeida Garrett. Era tão apreciado o padre José Agostinho de Macedo, que Bulhão-Pato ac" cusava Macedo de tel-o imitado em alguns logares. Todos os entendidos em summa o applaudem ; mas ha nelle um facto que nenhum destes observou e que lhe dá inapreciável mérito, superioridade mesmo em relação ao que se havia escripto até então : è essa tendência manifesta contra a alluviãode divindades do paganismo. Demais, das 834 estancias, de que o poema se compõe, não ha uma só quo seja aguda ; todo elle é grave ; ba a maior regularidade nas estrophes, onde só se encontram palavras graves, que são as que mais convém ás epopêas. A introducção da regularidade nas estrophes que o Sr. Castilho no seu tratado de metrificação portugueza diz que nós devemos ao desventurado Gon- zaga na sua Marilia de Dircêo a imitação de Metastasio, já era para admirar-se em Durão. Além de uma edição em francez com o titulo : - Caramuru ou la découverte de Bahia : roman-poeme brésilien par Eugene de Monglave, Paris, 1829 - Teve segunda edição na lingua portugueza em Lisboa, 1836 ; terceira na Bahia, 1837 ; quarta e quinta em Lisboa, 1843 e 1845, ambas sob o titulo de Épicos brazi- leiros, feitas pelo Visconde de Porto-Seguro, aquella contendo noticias biographicas do autor, e esta unidi ao poema Uruguay, de José Basilío da Gama, e com idênticas noticias deste. Depois disto houve mais uma edição, pelo menos, no Rio de Janeiro, 1878, feita pelo mesmo Visconde de Porto-Seguro com a declaração de « Primeira edição brazileira », quando houve a da Bahia de 1837. - Sermão que prégou na sé de Leiria em acção de graças pelo restabelecimento do rei d. José do sacrílego attentado commettido contra sua real pessoa em a noite de 3 de setembro de 1758. - Josephi Duram theologi conimbrinensis O. E. S. A. pro annua studiorum instauratione oratio. Coimbra 1778 in-4° - E' sua oração de sapiência, oue mereceu muitos applausos quando foi nomeado lente de Coimbra. JO 183 - Novena de S. Gonçalo de Lagos, advogado dos mareantes. Lisboa, 1781, in-8.° - Descripção da funcção do Imperador de Eiras, que se costuma fazer em todos os annos em o mosteiro de Cellas, junto a Coimbra, dia do Espirito Santo -E' um poemeto manuscripto em estylo burlesco, e verso portuguez alatínado ou macarronico; está no 40° vol. de ma- nuscriptos da bibliotheca de Coimbra. Delle o dr. J. C. Ayres de Cam- pos publicou alguns trechos no seu escripto «O Imperador de Eiras» no Instituto n. 2 do 12° vol. e no «Portugal Pittoresco», ns. 9 e 10, onde se dà também noticia do autor. Poesias neste estylo, e muitas composições serias, como sonetos, oles, etc., tinha Durão inéditas e entregou-as ao fogo, num momento de desgosto, vendo que seu Cara- murú era recebido com indifferença, quando o deu a lume. Con- cluindo, darei aqui um escripto que foi attribuido á penna de Durão, ou pelo que o accusaram de tal o haver declarado, suppondo alguns que por isso se retirara elle de Lisboa em 1762 : refiro-me á. - Pastoral do bispo d. João da Cunha, em que se fulminam os jesuítas, expulsos de Portugal, etc., 1762 - Não acho, entretanto, fun- damento para crer-se em tal; sabe-se que Durão foi sempre amigo dos jesuítas e contrario á guerra movida a estes, como se vê no Cara- muru, canto 10°, estrophes 53 e seguintes. D. JPrei José da Santíssima Trindade, bispo de Marianna - Natural de Portugal e da ordem dos menores refor- mados de S. Francisco da Bahia, falleceu em sua diocese a 28 de setem- bro de 1835. Fôra apresentado a 13 de maio de 1818 no reinado de d. João VI, confirmado a 27 de setembro de 1819 por Pio VII sagrado a 19 de abril de 1820 efez entrada solemne na diocese a 8 de agosto deste anno. Restabeleceu o seminário que achava-se fechado, e assistiu à coroação de d. Pedro I, hospedando-o em 1831 e a Im- peratriz dona Amélia em sua residência episcopal. De sua penna só conheço: - Carta pastoral do...bispo de Marianna. Bahia, 1820, 29 pags. in-4° - Na exposição de historia patria de 1881 figuraram em origi- naes e cópia authentica: - Documentos relativos ao seminário episcopal da cidade de Ma- rianna, remettidos ao presidente da província e ao ministro da justiça pelo bispo d. frei José da Santíssima Trindade. 1831, 32 fls. in-fol. - A bibliotheca fluminense possue delle o - Mappa geral estatístico do Bispado de Marianna, igreja cathe- dral e seus empregados. 1826, in-fol. JO 184 Frei José dos Santos Cosmo e Damião - Natural da cidade da Bahia e nascido no anno de 1694, professou na ordem seraphica de S. Francisco a 8 de setembro de 1710 no convento de Iguassú, província de Pernambuco, e concluídos seus estudos no convento da cidade de seu nascimento, ahi foi passante, lente de rhetorica, e de theologia de vespera ; foi depois lente de artes e de theologia de prima no convento de Olinda, guardião, e definidor da ordem, examinador do arcebispado da Bahia e do bispado de Pernam- buco, examinador das ordens militares pelo supremo tribunal da mesa de consciência e ordens, qualificador do santo ofHcio pelo supremo tri- bunal da inquisição de Lisboa e socio da Academia brasílica dos renascidos. Foi grande theologo, distincto orador sagrado e escreveu: - Temario concionatorio : Tres sermões do seraphico patriarcha, prégados em tres successivos annos no convento da Bahia. Lisboa, 1745, in-4.° - Sermão na profissão de uma sobrinha do autor no convento do Desterro da cidade da Bahia. Lisboa, 1745, in-4.° - Sermão da profissão da madre Helena Clara da Conceição, reli- giosa do convento da Lapa da Bahia. Lisboa, 1748, in-4.° - Sermão do B. Gonçalo Garcia, prégado no terceiro dia do triduo que celebravam os homens pardos da Bahia na cathedral da mesma cidade. Lisboa, 1747, in-4.° - Sermão da Soledade da Mãi de Deus, prégado no convento do Desterro da Bahia. Lisboa, 1748, in-4.° - Sermão do Seraphico Padre S. Francisco, prégado no convento do Desterro da Bahia. Lisboa, 1752, in-4.° - Sermão dos Passos, prégado no convento do Desterro da Bahia. Lisboa, 1754, in-4.° - Sermão do apostolo Sant'Iago-Maior, prégado na sua igreja pa- rochial da freguezia de Iguape, reconcavo da Bahia. Lisboa, 1755, in-4.° - Sermão das exequias do rei fidelíssimo d. João V, prégado no convento da Bahia - Foi publicado, primeiro na « Relação panegyrica das exequias celebradas pelo excellentissimo arcebispo da Bahia, etc.»; Lisboa, 1753, in-fol. e depois nos «Gemidos Seraphicos, etc.» José dos Santos Pereira - Natural, penso eu, do Rio Grande do Sul, ahi servindo no funccionalismo publico, escreveu : - Repertório geral de recapitulação das leis provinciaes, regula- mentos, actos e instrucções dadas pela Presidência da província de S. Pe- dro do Rio Grande do Sul com a minuciosa demonstração da applicação e distribuição de suas rendas até o anno de 1863. Porto-Alegre, 1864. JO 185 Frei José de S. Bento Damasio - Natural da cidade da Bahia, nasceu a 4 de novembro de 1790 e falleceu a 9 de setembro de 1854. Era monge benedictino, professo no mosteiro dessa cidade ; d. abbade titular de S. João Gualberto ; pregador da capella imperial ; lente de theologia em sua ordem, de que foi eleito abbade geral em mais de um capitulo, e membro do Instituto historico e geo- graphico brasileiro. De estatura elevada, fronte alta, physionomia sympathica e attrahente, voz sonora com um ligeiro defeito na pro- lação da lettra r, gesticulação animada, foi um varão de vasto saber e orador distinctissimo. Vi-o prégar quaresmas inteiras. De seus innu- meraveis sermões, entretanto, nunca fez collecção, nem me consta que publicasse, sinão: - Oração gratulatoria que em o dia 25 de abril de 1822, anniver- sario do nascimento de nossa augusta rainha, a senhora d. Carlota Joaquina, recitou em o Te-Deum, que no Collegio de Jesus fez cele- brar o illustrissimo senado da camara pelo feliz nascimento da sere- níssima infanta. a senhora dona Januaria, filha de nossos augustos príncipes reaes, o senhor d. Pedro de Alcantara e a senhora d. Maria Josepha Leopoldina. Bahia, 1822, 22 pags. in-4.° - Discurso proferido a 29 de agosto de 1852 na capella do paço archiepiscopal na festa solemne de S. Francisco de Paula. Bahia, 1852. José Saturnino da Costa, Pereira, Io - Filho de Felix da Costa Furtado e dona Anna Josepha Pereira, e irmão de Hypo- lito José da Costa Pereira, de quem já fiz menção, nasceu na colonia do Sacramento, hoje republica do Uruguay, a 22 de novembro de 1773 e falleceu no Rio de Janeiro a 9 de janeiro de 1852, sendo bacharel em mathematica pela universidade de Coimbra ; offlcial do corpo de engenheiros, professor jubilado da escola militar, sendo para essa escola nomeado em sua creação ; do conselho de sua magestade o Imperador ; senador do império pela provincia de Matto-Grosso desde 1827 ; commendador da ordem de Christo ; offlcial do Cruzeiro ; socio do Instituto historico e geographico brasileiro, etc. Fez parte do gabinete de 16 de maio de 1837, occupando a pasta da guerra, cultivou as bellas-artes, principalmente a musica e escreveu, por incumbência do governo, vários compêndios para uso da escola militar, que vão mencionados na seguinte relação de suas obras : - Tratado elementar de mecanica pormr. Francoeur ; por ordem de sua alteza real,traduzido em portuguez e augmentado de doutrinas ex- trahidas das obras de Poncy, Bossu, A. Marie, etc. para uso dosalumnos 186 .TO da real academia militar desta côrte. Rio de Janeiro, 1812, 4 partes, 224, 214, 102, 175 pags. in-4° com estampas-As partes de que compõe- se a obra são: Statica, Dynamica, Hydrostatica e Hydro-dynamica. - Leitura para os meninos, contendo uma collecção de historias moraes, relativas aos defeitos ordinários ás idades tenras e um dia- logo sobre a geographia, chronologia, historia de Portugal e historia natural. Rio de Janeiro, 1818 - Teve mais tres edições, ein 1821, 1822 e 1824, esahiu sob o anonymo, e creio que outras posteriormente. - Riccionario topographico do império do Brasil, contendo a de- scripção de todas as províncias em geral e particularmente de cada uma de suas cidades, villas, freguezias, arraiaes e aldeias, bem como a dos rios, serras, lagos, portos, bahias, enseadas, etc., com muitas demarcações de longitude e latitude, tiradas das mais acreditadas observações e finalmente a noticia das nações indígenas, assim domesticadas, como selvagens, habitantes no territor o brasileiro. Rio de Janeiro, 1834, 258 pags. in-8° oblongo - Houve segunda edição. - Recreação moral e scientiflca ou bibliotheca da juventude, dedicada a S. M. o Sr. D. Pedro II, Imperador do Brazil ; compilada dos melhores autores e escripta por uma sociedade de litteratos. Rio de Janeiro, 1834-1839, in-8° - « Fortuna adversa, diz o dr. J. M. de Macedo referindo-se a esta obra, mão inimiga e traiçoeira incendiara o collegio de um sabio director ; fugindo este á perseguição e levando comsigo dedicados alumnos, viajara o Braíil, percorrendo seu littoral e interior e abundando em episodios romanescos e adequados, ensinava humorística e amenamente a geographia e a topographia, as producções naturaes e os costumes dos indios e sua catechese, emfim toda immensa grandeza do Brazil a seus jovens discípulos e companheiros de peregri- nação ou de viagem scientiflca.» Nos seis primeiros volumes são explicados princípios geraes de sciencias. O ultimo, porém, publicado tres annos depois do 4°, 5o e 6o, tem uma alteração no titulo, que é « Recreação moral e scientiflca ou revista das obras mais modernas sobre a historia, romances e as sciencias em geral » e compõe-se de tres contos: A indiana em Londres ou o perigo na amisade, conto moral ; Torrente vingadora ; A noiva de Rajptona, historia indiana. - Elementos de lógica, escriptos em vulgar, apropriados às escolas brasileiras. Rio de Janeiro, 1834, 122 pags. in-12.° - Compendio de geographia elementar para uso das escolas bra- sileiras. Rio de Janeiro, 1836, in-8° com estampas. - Historia geral dos animaes classificados segundo o systema de Cuvier, etc. extrahida de observações dos naturalistas e viajantes JO 187 mais acreditados e modernos. Rio de Janeiro, 1837-1839, 4 vols. in-8.° - Elementos de chronologia. Rio de Janeiro, 1840, in-8.° - Elementos de geodesia, precedidos dos princípios de trigono- metria espherica e astronómica, necessários á sua intelligencia e extra- hidos da obra de Puisant e accommodados ao uso da escola militar do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1840, in-8.° - Lições elementares de optica para uso da escola militar do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1841, in-8.° - Applicação da algebra á geometria ou geometria analytica, segundo o systema de Lacroix, redigida para uso da escola militar. Rio de Janeiro, 1842, in-8.° - Elementos de calculo differencial e de calculo integral, segundo o systema de Lacroix, redigidos para uso da escola militar. Rio de Janeiro, 1842, in-8°. - Elementos de mecanica, redigidos para uso da escola militar. Rio de Janeiro, 1812, in-8.° - Elementos de astronomia e geodesia. Rio de Janeiro, 1845, in-8.° - Apontamentos para a formação de um roteiro das costas do Brasil com algumas reflexões sobre o interior das províncias do Brasil e suas producções. Rio de Janeiro, 1848, 236 pags. in-8.° - Plano para a divisão das comarcas, cidades, villas, povoações e parochias da província de Matto-Grosso, na fórma do aviso de 23 de novembro de 1827, expedido, etc., 1828 - O original de 12 pags. in-fol. esteve na exposição de historia patria em 1880, exhibido por dona Joanna T. de Carvalho. - Programma : 1,° Determinar quaes os limites do sul e oeste do Império do Brasil á vista dos tratados e convenções existentes. 2.° Quaes os limites que se podem considerar como naturaes com re- lação ás localidades e topographia do paiz - Inédito, dividido em duas partes, datadas de 10 e 17 de novembro de 1837. A Bibliotheca nacio- nal possue a primeira. - Mappa do Rio Grande do Sul - Existe copia a aquarela no Archivo militar. E' desenho de 1841 - José Saturnino collaborou no Patriota, onde publicou : - Indagações do solido de máximo volume entre todos os de igual superfície - No n. 2 de 1813, pags. 3 e seguintes. José Saturnino da Costa Pereira, 2° - Sobrinho do precedente e filho de Jorge Saturnino 4a Gosta Pereira e dona Mar- JO 188 colina de Almeida Pereira, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e na mesma cidade falleceu no anno de 1887, sendo primeiro offlcial da se- cretaria'da camara municipal, escreveu : - Divisão eleitoral do município neutro e província do Rio de Janeiro, com as alterações e modificações que tem soffrido o decreto n. 8112 de 21 de maio de 1881, e com o numero de assembléas eleito- raes depois da segunda revisão do alistamento eleitoral que tem de servir na próxima eleição para a Assembléa geral legislativa no dia 1 de dezembro de 1884. Rio de Janeiro, 1884, 17 pags. in-4.° José Sebastião Ferrei ra d.a Silva - Filho de José Antonio Ferreira da Silva, nasceu no Rio de Janeiro pelo anno de 1833 e falleceu em maio de 1879 em Ayuruoca, Minas Geraes, onde exercia o cargo de juiz municipal. Era bacharel em lettras pelo col- legio Pedro II, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de S. Paulo em 1857, muito dedicado ã litteratura, e consta que deixara vários trabalhos inéditos. Quando estudante escreveu : - Virgínia (romanceie em seis capítulos) - Na «Revista Littera- ria de Ensaio philosophico paulistano», serie 4a, ns. 3 e 4. - Carmosina (romancete) - Idem, serie 5a, n. 4. - Que importa ? O canto da Piroga, ballata. A flor murcha - Idem, serie 4a, pags. 199 o 209, e serie 5a, pag. 35. São tres composi- ções poéticas. Frei José do Sepulclxro - Religioso na ordem sera- phica de S. Francisco, era guardião do convento de Santo Antonio da cidade de S. Luiz do Maranhão quando escreveu : - Oração gratulatoria, proferida a 12 de outubro de 1826 na solemnidade do anniversario natalício de S. M. o Imperador, sua gloriosa e sempre memorável acclamação, reconhecimento da indepen- dência e nascimento do principe imperial - Foi publicada na « Fideli- dade maranhense», demonstrada na sumptuosa festividade, etc. Mara- nhão, 1826, de pags. 40 a 57. José de Sepulveda - Natural da Bahia e nascido pelo principio do século 18°, fez seus estudos no collegio dos jesuítas, onde vestiu roupeta e recebeu as sagradas ordens. Cultivou a poesia, es- creveu muitos versos, mas sò tenho noticia da publicação seguinte : - Elogio e epigramma a Ignacio Dias Madeira. Lisboa, 1742 - Devo suppôr de mérito este escripto, porque o vejo mencionado por Bento JO 189 Farinha no 4o tomo do Summario da bibliotheca luzitana, tomo em que só se incluem as obras selectas. J osé Serapião dos Santos Silva - Nascido em Pernambuco em 1825, falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 16 de julho de 1898. Fez parte do curso de pharmacia da faculdade desta cidade; depois residiu na cidade de Resende, onde fundou e dirigiu um collegio de educação ; foi official da guarda nacional e collaborou para o Jornal do Commercio e para outros orgãos da imprensa, occupando- se com assumptos de interesse publico, e usando do pseudonymo de Sirapema. Escreveu : - Galeria aerostatica. Rio de Janeiro, 1857, in-8.° - A toga e a espada : serie de artigos publicados no Jornal do Commercio. Rio de Janeiro. José Sérgio Ferreira - Filho do capitão José Vicente Honorio Ferreira e dona Anna Isabel Ferreira, nasceu na cidade de Caxias da província do Maranhão em 1820 e falleceu em Tuyuty na campanha do Paraguay, a 5 de dezembro de 1865. Era doutor em me- dicina pela faculdade do Rio de Janeiro, cirurgião-mór de brigada do exercito, official da ordem da Rosa e cavaíleiro da de S. Bento de Aviz. Escreveu : - Dissertação sobre o aborto, precedida de algumas considerações a respeito da hygiene da mulher pejada : these, etc. sustentada em 24 de dezembro de 1843. Rio de Janeiro, 1843, in-4.° - Resposta que dá ás accusações que lhe fez Jacob Manoel de Alhandra. Maranhão, 1845, in-8° - Teve duas edições no mesmo anno e na mesma cidade, uma na typographia Constitucional e outra na typographia Maranhense. - A eleição do 4o districto eleitoral da província do Maranhão durante a administração do ex-presidente daquella província, Antonio Cândido da Cruz Machado, no anno de 1857. Maranhão, 1857, 38 pags. in-8.° José Sizenando Avelino Pinho - Filho de Pedro José de Pinho e dona Anna Joaquina do Sacramento Pinho, e irmão de Sabino Olegario Ludgero Pinho, de quem occupar-me-hei, nasceu em Villa-Nova do Rio S. Francisco, província de Sergipe, no anno de 1819 e falleceu em Cantagallo, no Rio de Janeiro, a 16 de junho de 1882. Era doutor em medicina e pharmaceutico pela faculdade da Bahia, e cavaíleiro da ordem de Christo ; exerceu algum tempo a cli- 190 JO nica em Alagoas, e mudou-se depois para a província em que falleceu, e a cuja assembléa foi eleito deputado em quatro legislaturas. Escre- veu : - Ensaio sobre a topographia histórica, physica e medica da cidade do Penedo : these apresentada e sustentada, etc. em 28 de novembro de 1849. Bahia, 1849, in-4° grande. - Relatorio que ao Exm. Sr. presidente da província de Alagoas envia a Ia secção da commissão exploradora do local mais vantajoso para a erecção de um cemiterio extra-muros em Maceió. Maceió, 1850. - Apontamentos para a topographia physica e medica da cidade de Maceió. Maceió, 1855. José d.a Silva, Bastos - Nascido em Portugal, mas cidadão brasileiro, é negociante na cidade de Santo Amaro da Bahia, onde é reconhecido como um homem honrado e dotado de bella intelli- gencia. Escreveu, levado por uma questão de familia : - Questão de honra. Aos poderes do Estado e ao publico : serie de artigos publicados no Diário da Bahia. Bahia, 1887, in-8.° José da Silva Costa - Filho legitimo de Bernardíno José da Costa e natural do Rio de Janeiro, nasceu a 2 de abril de 1841, e é doutor em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S- Paulo. Entrou na carreira da magistratura com o logar de juiz municipal e depois dedicou-se á advocacia, que é para elle um sacerdócio e na qual, tanto por sua comprovada illustração, como por sua reconhecida probidade, tem sabido elevar-se no Brasil. Foi representante, junto ao governo, da companhia de D. Pedro I, estrada de ferro de Santa Ca- tharina ao Rio Grande do Sul, e procurador nomeado por D. Pedro II depois de seu banimento para tratar de seus interesses. Professor da faculdade livre de sciencias jurídicas e sociaes, fundada no Rio de Janeiro em 1892, é socio do Instituto dos advogados brasileiros e da associação hortícola e agricola de Petropolis, tendo exercido nessas corporações o logar de secretario ; membro da sociedade de legislação comparada de Paris, cavalleiro da ordem de Christo, etc. Collaborou no Athenêo Paulistano, revista do ensaio philosophico de S. Paulo, no Itororó, jornal scientifico, político, litterario e artístico de Santos, no Monitor Catholico, no Expectador da America do Sul - e re- digiu : - Revista Jurídica. Doutrina, legislação, jurisprudência e biblio- graphia. Publicada sob a direcção de José da Silva Costa por José Carlos Rodrigues. S. Paulo e Rio de Janeiro, 1862-1873 in-8° - Os JO 191 últimos volumes com a retirada do Dr. Rodrigues para a America do Norte foram redigidos só pelo Dr. Silva Costa, que escreveu : - Theses e dissertação para obter o grão de doutor, etc. S. Paulo, 1863, 23 pags. in-4° -O ponto da dissertação é este : Como tem logar o crime de rebellião ? Até que ponto conserva elle este nome ? Como não comprehende o legislador nos fins deste crime os arts. 92 e 97 ? Propriedade da pena applicada ou determinada a este crime. - Direito civil pátrio. Extincção do elemento servil. Rio de Ja- neiro, 1860, in-8.° - Estudo theoríco e pratico sobre a satisfação do damno causado pelo delicto. Rio de Janeiro - Ha segunda edição de 1878, 86 paginas in-8.° - Questões do Banco do Commercio. Rio de Janeiro, 1879, in-8.° - A codificação. Exposição apresentada ao Instituto da ordem dos advogados brasileiros em 8 de novembro de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 20 pags. in-8.° - Sociedades anonymas. Rio de Janeiro, 1882, in-8° - E' uma reproducção de escriptos já publicados no Cruzeiro sobre o projecto reformando a lei àcerca de taes sociedades. - Questões sociaes. Reforma da legislação ; a propriedade de tes- tar ; sociedades anonymas. Rio de Janeiro, 1883, in-8.° - Seguros marítimos. Rio de Janeiro, 1883, XII-287 pags. in-8° - E' dividido em tres partes, com um appendice antes do indice. - Contracto de conta corrente. Rio de Janeiro, 1886, in-8° - Me parece que houve nova edição em 1891. - Das relações jurídicas dos sujeitos á condição de servir, espe- cialmente após a promulgação da lei n. 3270 de 28 de setembro de 1885. Exposição apresentada ao Instituto da ordem dos advogados brasileiros. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Resposta ao Sr. Dr. Baptista Pereira. Das relações juridicas dos sujeitos á condição de servir. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - A phase adventícia no Brazil. Estudos de sociologia. Rio de Janeiro, 1891, 80 pags. in-8°- E* este livro offerecido a S. Alteza a condessa d'Eu. - A phase reveladora no Brazil. Segundo estudo de sociologia. Rio de Janeiro, 1892, 38 pags. in-8° - E' offerecido á « Veneranda memória de S. M. o imperador, D. Pedro II, o Magnanimo». - Programma de ensino da 2a cadeira de direito commercial da faculdade livre de sciencias juridicas e sociaes do Rio de Janeiro para o anno de 1893. Rio de Janeiro, 1893, 15 pags. in-8° - Esta faculdade apresentou na exposição de trabalhos jurídicos, realisada a 7 de se- tembro de 1894: JO 192 - Fallencia de companhia de estrada de ferro ; Questão do Banco do Commercio; Appellações, Rehabilitações, Seguros, Letras hypo- thecarias, Seguros, etc. Rio de Janeiro, 1 vol. in-8° -e mais 60 folhetos de 8, 13, 17, 19, 21, 24, 26, 29, 32, 35, 37, 41, 43, 47, 50, 52, 55, 62, 66, 70, 75, 89 e 91 pags. Rio de Janeiro, 1871 a 1891 -O dr. Silva Costa tem flnalmente em revistas, desde o tempo de estudante de direito, escripto, como : - Liberdade de testar : vários artigos - no Monitor Catholico, redigido pelo dr. Estevam Leão Bourroul, começando no tomo 2o, 1882, n. 50, de 9 de fevereiro. José da Silva, Freire -Nascido na Bahia pelo anno de 1740, fez seus estudos de humanidades no collegio dos jesuitas e, seguindo o estado ecclesiastico como presbytero secular, foi conego da sé de sua província e prégador estimado; mas dos seus sermões só publicou : - Oração em acção de graças pela preservação da vida do Illm. e Exm. Sr. Marquez de Pinhal. Lisboa, 1776, 16 pags. in-4.° José da Silva Guimarães, Io - Natural de Cuyabà, província de Matto-Grosso, falleceu no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1844, sendo conego honorário da capella imperial, socio do Insti- tuto historico e geographico brasileiro, commendador da ordem de Christo. Presidiu a província de Matto-Grosso e escreveu: - Memória sobre os usos, costumes e linguagem dos Appiacás, e descobrimento de novas minas na província de Matto-Grosso - Fo publicada na Revista do Instituto, tomo 6o, pags. 297 a 317 e depois no Ostensor Brasileiro, 1845-1846, pags. 234 a 254. José d.a Silva Guimarães, 2o - Nascido no Rio de Janeiro a 19 de março de 1817, falleceu em Paris a 8 de julho de 1855. Doutor em medicina pela faculdade dessa cidade, foi á Europa aperfeiçoar-se no estudo da secção cirúrgica, a que se dedicara. Mais tarde fez à Europa segunda viagem em consequência de sobrevir-lhe uma amaurose, encontrando ali a morte em logar do restabelecimento, que procurava, de sua saude. Era membro da Academia imperial de medicina e escreveu : - Algumas considerações a respeito de lesões traumaticas das artérias: these apresentada, etc., em 15 de dezembro de 1840. Rio de Janeiro, 1840, in-4.° JO 193 - Luas palavras em resposta aos artigos da Gazeta dos Tribunaes sob a rubrica « Nova fôrma de apreciar os ferimentos do peito com offensa duvidosa das entranhas-No Archivo Medico Brasileiro,tomo 3o, ns. 3, 4, 5 e 6. Versam sobre um caso de jurisprudência medica, em que tomaram parte o dr. A. M. da Costa Lima que publica um trabalho na mesma revista, n. 7, sobre o mesmo facto, o dr. J. M. Nunes Garcia que responde ás accusações, a seu parecer feitas, nos ns. 8 e 9, e o dr. Joaquim C. Soares de Meirelles, que, como presi- dente da Imperial academia de medicina, sujeitou a um jury da mesma academia o procedimento do autor para com este. Depois o dr. Silva Guimarães tratou a mesma questão com o titulo : - Uma lição de jurisprudência medica para iniciar nessa sciencia o professor de anatomia sr. dr. José Mauricio Nunes Garcia. Dous conselhositos ao sr. dr. Joaquim Cândido Soares de Meirelles. Rio de Janeiro, 1847, 135 pags. in-8.° - Memória acerca da amaurosis e de um meio que, renovado por Lisfranc, tem sido coroado de incontestáveis successos, acompanhada de factos clínicos que o comprovam, recolhidos ao hospital de Notre Dame de la Pitié de Paris - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 7o, 1851-1852, pags. 139 a 145. Jose d.a Silva Lisboa, Visconde de Cayrú - Filho de Henrique da Silva Lisboa e dona Helena Nunes de Jesus, nasceu na cidade da Bahia a 16 de julho de 1756 e falleceu na do Rio de Janeiro a 20 de agosto de 1835, bacharel em Idireito canonico e philosophico pela universidade de Coimbra ; senador por sua província natal desde a instituição do senado ; fidalgo cavalleiro da casa imperial, grande do império, director geral dos estudos, desembargador do paço, aposen- tado ; do conselho do Imperador D. Pedro I, tendo antes igual titulo conferido por sua magestade fidelíssima; commendador da ordem de Christo e official da do Cruzeiro; membro da sociedade Auxiliadora da industria nacional do Rio de Janeiro, da sociedade de Agricultura da Bahia e da de Munich, da sociedade Philosophica de Philadelphia, da sociedade de Propagação das Sciencias industriaes de Pariz, do Instituto histórico de França e do Instituto real para a propagação das sciencias naturaes de Nápoles. Aos 8 annos de edade já estudava latim e, tendo estudado philosophia e também musica, foi concluir em Portugal o curso de humanidades, applicando-se ao hebraico e ao grego por fôrma tal, que durante o curso académico obteve por brilhante concurso ser lente substituto destas linguas e ensinal-as no real collegio das artes. Formado, quiz logo seguir a magistratura, mas obrigado a vir á Bahia, Jó 194 acceitou a nomeação de lente de philosophia e logo depois a de grego, cuja cadeira era então creada e leccionou até que, tornando a Por- tugal em 1797, obteve sua jubilação e o logar de deputado e secretario da mesa de inspecção da cidade da Bahia. Deixou este logar na vinda de d. João VI para o Rio de Janeiro, para onde ordenou este príncipe que o acompanhasse para «auxilial-o a levantar o império brasílico ». Aqui chegado em 1808, foi neste anno nomeado desembargador na creação da mesa do desembargo do paço ; deputado da junta do com- mercio, agricultura, fabricas e navegação, logar que exerceu até seus últimos annos de vida, encarregando-se de commissões diíHceis como a do projecto do codigo do commercio ; desembargador da relação. Em 1815 foi nomeado censor do desembargo do paço e encarregado do exame de todas as obras destinadas á imprensa e depois disso vários cargos honrosissimos desempenhou ainda. Talento robustíssimo, activi- dade inexcedivel, tanto na tribuna como no gabinete; orador que, na phrase do Marquez de Abrantes « sabia alliar (o que é bem raro) o saber de Cicero á constância de Socrates e o talento de Seneca á vir- tude de Catão », poucos momentos depois de tomar assento na assem- bléa constituinte como representante da Bahia pronunciou-se com applauso acerca da liberdade religiosa, então em discussão, e poucos momentos antes de ser presente o decreto de dissolução se pronunciava acerca da gravidade da situação. No senado sempre occupou-se dos assumptos de mais alta importância. Versado em línguas da Europa e até da Asia, conhecedor de sua litteratura, profundo em varias sciencias, um sabio emfim, seus proprios desaffectos o reverenciavam. Um delles, o grande MonfAlverne, no dia do seu passamento, che- gada a hora da lição de philosophia do seminário de S. José, exclamou que não dava aula porque havia morrido um grande homem... e depois declarou na sociedade philosophica que só um homem tinha encontrado que o fizera calar : Josê da Silva Lisboa. Por deliberação da assembléa provincial acha-se na bibliotheca publica da Bahia o retrato de Silva Lisboa em tamanho natural. Escreveu: - Princípios de direito mercantil e leis de marinha para uso da mocidade portugueza destinada ao commercio, divididos em oito tratados elementares contendo a respectiva legislação patria e indicando as jantes originaes dos regulamentos marítimos das principaes praças da Europa. Lisboa, 1798-1801-1803, oito tomos.-Os dous primeiros, de XVII-302 e 143 pags. in-4°, comprehendendo o Io tratado que é subdividido em tres partes: da formação, da dissolução, da execução deste tratado, foram reimpressos em 1801 com os outros, in-fol., excepto o ultimo que sahiu em 1803. Além de uma edição feita em JO 195 Londres, esta obra teve varias parciaes desde 1803 e uma completa feita no Rio de Janeiro, 1874, in-4° gr. pelo senador Cândido Mendes de Almeida, com a designação de 6a e precedida de longa introducção do editor. Neste livro occupa-se Silva Lisboa: 1.° Do seguro marítimo ; 2.° Do cambio marítimo ou contracto de dinheiro á risco; 3.® Das avarias ; 4.® Das letras de cambio, notas promissórias, bancos do com- mercio ; 5.® Dos contractos e causas mercantis, obrigações, direitos e privilégios dos negociantes; 6.® Da policia dos portos e das alfandegas; 7.® Dos juizes e tribunaes do commercio, consulados, jurísdicção e deveres dos cônsules. E esta edição é accrescentada com mais dous escriptos que adeante mencionarei: Reflexões sobre o commercio de Seguros e regras de praça, além da legislação portugueza anterior á independencia do império e brazileira relativa a cada um dos tra- tados até 1874. Este livro, o primeiro sobre o assumpto na lingua portugueza, seria bastante para renome e gloria do autor e, como unico no seu genero e na lingua portugueza, serviu na época de codigo commercial de indisputável autoridade nos dominios da monarchia portugueza, e ainda mais serviu, com as considerações que fez o autor ao primeiro regente em sua passagem na Bahia, para a carta régia de 28 de janeiro de 1808, abrindo os portos do Brazil a todas as nações amigas de Portugal, o que foi grande passo para a independencia do Brazil. Não faltaram zoilos a esse livro: Manoel Luiz da Veiga, o autor da Escola Mercantil, publicou em 1803 um opusculo de 30 paginas «Reflexões criticas sobre a obra de José da Silva Lisboa, intitulada Princípios de direito mercantil, por um homem da mesma profissão » ; mas o apreço dado a esse opusculo foi tal, que seu autor não atreveu-se a dar o segundo que havia promettido. Si algum reparo merece este importante livro, consiste elle, a meu ver, em seu autor não occupar-se das quebras e bancarotas. O oitavo tratado, entretanto, sobre economia política, não foi publicado, sem duvida porque foi abrangido nos -- Princípios de economia política para servir de introducção á Tentativa economica do autor dos Princípios de direito mercantil. Lisboa, 1804, X, 202 pags. in-4® gr.- E' um livro inspirado nas idéas do grande economista inglez A. Smith, e foi porque apreciou-o devidamente que o príncipe encarregou o autor em 1808 de fazer expo- sição publica dos princípios de economia no Rio de Janeiro. - Observações sobre o commercio franco do Brazil. Rio de Ja- neiro* 1808-1809, tres partes, 213 pags. in-4® - Escripto este livro em vista da grande opposição suscitada pela abertura dos portos brasileiros âs outras nações, o autor confunde os apologistas do monopolio colo- nial । condemna esse monopolio e justifica o acto do príncipe regente. 196 .JO - Observações sobre a prosperidade do Estado pelos liberaes princípios da nova legislação do Brazil. Rio de Janeiro, 1810, 99 pags. in-4° - Segunda edição. Bahia, 1811, in-4.° - Observações sobre a franqueza da industria e estabelecimento de fabricas no Brazil. Rio de Janeiro, 1810, duas partes, 75 e 143 pags. in-4° - Segunda edição. Bahia, 1811,in-4° (sómente da primeira parte), 77 pags. - Reflexões sobre o commercio dos seguros. Rio de Janeiro, 1810, 40 pags. in-4« - A este escripto o autor ajuntou a Applicação do calculo âs diversas questões de seguros, de Condorcet, traduzida da Encyclopedia methodica e, como já disse, foi o mesmo addicionado â edição que o senador Cândido Mendes fez em 1874 dos Princípios de direito mercantil. - Razões dos lavradores do vice-reinado de Buenos-Aires para a franqueza do commercio com os inglezes contra a representação de alguns commerciantes e resolução do governo. Com appendice de observações e exame dos effeitos do novo regulamento nos in- teresses commerciaes do Brazil. Rio de Janeiro, 1810, 56-58 pags. in-4° - As ultimas 58 pags. encerram: l.° Observações sobre o commercio de Hespanha com as suas colonias no tempo da guerra por um hespanhol europeu, occasionadas pelo decreto de 20 de abril de 1799, que excluiu os navios neutros dos portos da America hespanhola, derogando a ordem de 18 de novembro de 1797, que os tinha admittido durante a presente guerra. 2.° Observações sobre o regulamento do commercio de Buenos-Aires de 6 de novembro de 1809. 3.° Reflexões sobre a influenciado commercio franco das colonias de Hespanha no Estado do Brazil. 4.° Regulamento do commercio de Buenos-Aires. - Refutação das declamações contra o commercio inglez, extra- hida de escriptores eminentes. Rio de Janeiro, 1810, duas partes de 61 e 109 pags. in-4.° - Extractos das obras politicas e económicas de Edmond Burke, Rio de Janeiro, 1812, duas partes de 164 e 136 pags. in-4°, seguidas de mais 58 pags. de appendice - Fez-se segunda em Lisboa, 1822, in-4°, sem o appendice. - Memória economica sobre a franqueza do commercio dos vinhos do Porto. Rio de Janeiro, 1812, 56 pags. in-4.° - Ensaio sobre o [estabelecimento de bancos para o progresso da industria e riqueza nacional. Rio de Janeiro, 1812, in-4° - As obras citadas e outras que irão mencionadas foram escriptas em vista do desejo do príncipe regente, de que o autor se occupasse JO 197 e escrevesse sobre assumptos de sciencia economica como a prin- cipal base de riqueza e prosperidade das nações. - Memória da vida publica de Lord Wellington, príncipe de Waterloo, Duque da Victoria, Duque de Wellington, Duque de Ciudad Rodrigo, marechal general dos exercitos de Portugal contra a invasão franceza, feld-marechal dos exercitos de s. m. b., gran- cruz da ordem da Torre e Espada, etc. Rio de Janeiro, 1815, duas partes de 426 e 95 pags. in-4° com o retrato de Wel- lington. - Appendice à memória da vida de lord Wellington, contendo documentos e observações sobre a guerra peninsular, invasão da França e paz da Europa. Rio de Janeiro, 1815, 233 pags. in-4.° - Memória dos benefícios políticos do governo d'el-rei, nosso senhor, D. João VI. Rio de Janeiro, 1818, 203 pags. in-4° -■ Esta obra foi escripta ao celebrar-se a acclamação e coroação do então príncipe regente. - Synopse da legislação principal do Sr. D. João VI pela ordem dos ramos de economia do Estado. Rio de Janeiro, 1818, 174 pags. in-4.° - Estudos do bem commum e economia política ou sciencias das leis naturaes e civis de animar e dirigir a geral industria e promover a riqueza nacional e prosperidade do Estado. Rio de Janeiro, 1819-1820, tres partes de numeração seguida in-4°, á parte as da dedicatória ao Conde dos Arcos, plano da obra, etc. Como supplemento deste livro o autor escreveu : - O espirito de Vieira ou selecta de pensamentos economicos, políticos, moraes, litterarios com a biographia deste celebrado es- criptor : appendice aos estudos do bem commum. Rio de Janeiro, 1821, 58 pags. in-4° - Não publicou porém a selecta que devia seguir-se á biographia por partes mediante uma subscripção para esse fim e que era o principal e importante motivo da obra. - Memória da vida e virtudes da Archi-duqueza D. Marianna. Rio de Janeiro, 1821, in-4° - Foi suspensa a publicação na Im- prensa nacional, onde se fazia, por falta do aviso regio, e conce- dido este depois, não sei si continuou. E' offerecida ao príncipe regente D. Pedro. - Edital aos mestres e professores das aulas publicas, etc. Rio de Janeiro, 1821, in-fol. - Edital de José da Silva Lisboa, director dos estudos. Rio de Janeiro, 1821, in-fol. - Como este ha outros escriptos, assim como relatórios da instrucção publica. .TO 198 - 0 Conciliador do reino unido. Rio de Janeiro, 1821, 67 pags* in-4° - E' um periodico que cessou no 7o numero, começando a 1 de março. Dedicado sempre a D. João VI, ao principe D. Pedro e a tudo que tendesse ao progresso do Brazil, aqui pugna por taes objectos e procura reconciliar todos os seus concidadãos. - O Bem da ordem. Rio de Janeiro, 1821, 122 pags. in-4° - E' outro periodico igual, de que sahiram 10 numeros, onde se dis- cutem as bases da constituição decretada pelas cortes geraes e consti- tuintes. - Prospecto do novo periodico « Sabbatina Familiar dos amigos do bem commum ». Rio de Janeiro, 1821, 10 pags. in-4.° - Sabbatina Familiar dos amigos do bem commum. Rio de Janeiro, 1821-1822, in-4°- Começou a publicação a 8 de dezembro de 1821 com a epigraphe « Vida sem lettras é morte », que deixa ver a indole da publicação. O autor quiz formar uma associação de homens de lettras para a leitura e discussão de trabalhos apropriados a educar a moci- dade e formar cidadãos uteis á patria e ã religião. - Agradecimento do povo ao salvador da patria, o sr. principe regente do reino do Brazil. Rio de Janeiro (1822), 3 pags. in-fol.- E' assignadopor Um cidadão. Refere-se aos acontecimentos originados pela sublevação das tropas commandadas pelo general J. de Avilez e sua consequente retirada para Portugal por ordem do principe dom Pedro. - Reclamação do Brazil (parte Ia). Rio de Janeiro, 1822, in-fol., de duas columnas - Sahiram 14 partes ou numeros sob a assignatura Fiel à Nação. Nesta publicação combate seu autor actos das côrtes constituintes de Portugal com relação ao Brazil; pugna pelos direitos do principe regente e do Brazil, etc. São continuação deste trabalho os tres que passo a mencionar : - Defesa da reclamação do Brazil. Rio de Janeiro, 1822, 4 pags. in-fol. sob a mesma assignatura. - Memorial apologético das Reclamações do Brazil. Rio de Ja- neiro, 1822, 16 pags. in-fol.- Divide-se em quatro partes com a mesma assignatura. - Falsidades do Correio e Reverbero contra o escriptor das re- clamações do Brazil. Rio de Janeiro, 1822, quatro pags. in-fol. - Causa do Brazil no juizo dos governos e estadistas da Europa. Rio de Janeiro, 1822, 135 pags. in-4° - Contém o livro, depois da invocação «Ao genio da harmonia», traduzido de Horacio com o texto latino, e da offerta «Ao Brazil ultrajado em Portugal», dezeseis capi- tulos com os titulos: Honra bragantina ; Honra britannica ; Honra JO 199 européa ; Honra brasileira ; Honra fluminense ; Honra americana ; Observações de mr. de Pradt sobre a monarchia portugueza ; Res- posta a mr. Balbi ; Instrucção aos vindouros ; Desaffronta litteraria ; Independencia ou morte, etc. - Heroicidade brasileira. Rio de Janeiro, 1822 - Impresso na Imprensa nacional, este escripto foi mandado retirar da circulação pelo ministro dos negocios do reino Francisco José Vieira, por conter proposições não só indiscretas, mas falsas. - Protesto do director dos estudos contra o accordo da junta eleitoral da parochia de S. José. Rio de Janeiro, 1822, 4 pags. in-fol. - Roteiro brasílico ou collecção de princípios e documentos de direito político em serie de numeros. Rio de Janeiro, 1822, in-4° - E' dividido em duas partes e foi publicado em libretos, sendo o ultimo o - Manifesto da Hespanha, circulado confidencialmente em Madrid sobre os negocios do sul da America (extrahido do Evening Mail de 28 de julho de 1822), 15 pags. in-4.° - Gloza á ordem do dia e manifesto de 14 de janeiro de 1822 do ex-general das armas Jorge de Avilez. Rio de Janeiro, 1822. - Império do Equador na terra da Santa Cruz. Voto philanthro- pico de Roberto Southey, escriptor da Historia do Brazil. Rio de Janeiro, 1823 - Consta esta publicação de 15 numeros, a saber: Voto do Rio de Janeiro e voto do Brasil ; Resposta á cabala anti- brasilica ; Observações de um novo político anonymo da França ; Defesa do Estado ; Triumpho imperial ; Justiça política; Ignominia dos carbonários, etc. - Atalaia. Rio de Janeiro, 1823, in-fol.- E' uma publicação periódica que pouco viveu. - Vigia da Gavea. Rio de Janeiro, 1823, in-fol.- Consta-me que era em opposição ao dr. Cypriano Barata. - Quartel das Marrecas. Rio de Janeiro, 1823, 4 pags. in-fol. de duas columnas - Versa também sobre a política da época. - Rebate brasileiro contra o Typhis Pernambucano (veja-se Fr. Joaquim do Amor Divino Caneca). Rio de Janeiro, 1824, 15 pags. in-fol.- E' assignado por Philopatris. - Appello á honra brasileira contra a facção federalista de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1824, 24 pags. in-fol.- Compõe-se de seis numeros de 4 pags. cada um, datados de 29 de julho a 11 de agosto. 200 JO - Guerra da penna contra os demagogos de Portugal e do Brasil. Rio de Janeiro, 1824 (?) - E' publicada na Imprensa nacional, assim como o - Triumpho da legalidade. Rio de Janeiro, 1824 (?) -Versa sobre política, como os que se seguem, sahidos da mesma imprensa. - Historia curiosa do mau fim de Carvalho e Companhia á bor- doada de pau-brasil. Rio de Janeiro, 1824,4 pags. in-fol. - Pesca de tubarões do Recife em tres revoluções dos anarchistas de Pernambuco, com appendice de conta offlcial e memória publica da lealdade da província. Rio de Janeiro, 1824, 12 pags. in-fol.- E' assi- gnada pelo Matuto e traz no fim a representação da camara de Per- nambuco a d. João VI e a memória que ao príncipe regente dirigiram os pernambucanos residentes no Rio de Janeiro. - Independencia do império do Brasil, apresentada aos monarchas europeus por mr. Beauchamp. Rio de Janeiro, 1824, 35 pags. in-fol. - Desforço patriótico contra o libello portuguez do anonymo de Londres, inimigo da independencia do império do Brasil. Rio de Janeiro, 1824, 19 pags. in-fol. - Exhortação aos bahianos sobre as consequências do horrendo attentado da sedição militar commettido na Bahia em 25 de outubro de 1824. Rio de Janeiro, 1824, 4 pags. in-fol.- Ha outra edição da Bahia, 1824, com igual numero de pags. e igual formato. - Desaffronta do Brasil a Buenos-Aires desmascarado. Rio de Janeiro, 1825, 6 pags. in-fol.- sob o anonymo. - Constituição moral e deveres do cidadão, com exposição da moral publica conforme o espirito da Constituição do Império. Rio de Janeiro, 1824-1825, tres partes de 176, 163 e 166 pags. in-4.° - Supplemento á Constituição moral, contendo a exposição das principaes virtudes e paixões; e appendice das maximas de La Roche- foucauld, e doutrinas do christianismo. Rio de Janeiro, 1825, 184 pags. in-4° e mais 101 pags. de appendice. - Contestação da Historia e censura de mr. De Pradt sobre successos do Brasil. Rio de Janeiro, 1825, 37 pags. in-4° - Refere-se ao livro De Pradt « L'Europe et 1'Amerique en 1822 et 1823 ». - Introducção á Historia dos principaes successos políticos do Brasil. Rio de Janeiro, 1825, 31 pags. in-4° - Depois foi publicada na - Historia dos principaes successos políticos do Império do Brasil, dedicada ao senhor d. Pedro I. Rio de Janeiro, 1826-1830, quatro volumes, in-4° - Esta obra foi escripta por incumbência do Imperador, em 1825, sendo o autor dispensado do despacho e trabalho dos tribunaes a que pertencia, dando-se-lhe dous grandes auxiliares, JO 201 fr. Francisco de Santa Thereza de Jesus Sampaio e Domingos Alves Branco Moniz Barreto (vejam-se estes nomes) e os documentos de todos os archivos. Só foram, porém, publicadas a parte Ia, com 168 pags. (1° volume) e a parte 10a e ultima em tres secções: a Ia em 1827, 249 pags ; a 2a em 1829, 286 pags. ; a 3a em 1830, 303 pags. - Recordação dos direitos do Império do Brasil á provincia Cis- platina. Rio de Janeiro, 1826, 23 pags. in-fol.- Sahiu em tres nu- meros sob o pseudonymo de Anti-Anarchista. - Escola brasileira ou instrucção util a todas as classes, extra- hida da sagrada escriptura para uso da mocidade. Rio de Janeiro, 1827, dous vols. de 255 e 274 pags. in-4.° - Leituras de economia política ou direito canonico conforme a constituição social e garantias da constituição do Império do Brazil; de- dicadas á mocidade brazileira. Rio de Janeiro, 1827, dous vols. in-4.° - Honra do Brasil desaffrontada de insultos da Astréa espada- china. Rio de Janeiro (1828), 124 pags. in-fol.- Foi publicada em 21 numeros com o pseudonymo o Escandalisado, de 8 de abril a 20 de agosto. - Cautela patriótica. Rio de Janeiro (1828), 4 pags. in-fol. - Espirito da proclamação do Sr. d. Pedro I á nação portugueza. Rio de Janeiro (1828), 8 pags. in-fol. - Causa da religião e disciplina ecclesiastica do celibato clerical, defendida da inconstitucional tentativa do padre Diogo Antonio Feijó (veja-se este nome). Rio de Janeiro, 1828, 126 pags. in-4° - E' sub- scripta pelo Velho canonista e com addição da - Defesa contra o ataque do padre Feijó ao Velho canonista. 8 pags. - Cartilha da Escola brasileira para instrucção elementar da re- ligião do Brazil. Rio de Janeiro, 1831, duas partes de 86 e 108 pags. in-8° - Segunda edição, Pará, 1840 - E' um supplemento á Escola brazileira, modelado pelas constituições do arcebispado da Bahia, o codigo da egreja nacional, como diz o autor. - Cathecismo da doutrina christã conforme o codigo ecclesiastico da egreja nacional. Rio de Janeiro, 1832, 112 pags. in-8° - Segunda edição, Pará, 1840, in-8° - E' extrahido das citadas constituições. - Substancia da falia do Visconde de Cayrú ao senado sobre a reforma da constituição em 30 de maio de 1832. Rio de Janeiro (1832), 6 pags. in-4.° - Substancia das falias, etc. sobre a 3a proposição do projecto de lei da reforma da constituição a 8 e 14 de junho. Rio de Janeiro (1832), 7 pags. in-4.° «TO 202 - Discurso pronunciado, etc. na sessão de 18 de junho sobre a 5a proposição do projecto de lei da reforma, vindo da camara dos depu- tados. Rio de Janeiro (1832), 8 pags. in-4.° - Manual de política orthodoxa. Rio de Janeiro, 1832, 214 pags, in-8.° - Princípios da arte de reinar do príncipe catholico e imperador constitucional, com documentos pátrios. Parte l.° Rio de Janeiro, 1832, 64 pags. in-8° - Creio que ficou inédita a continuação. Um dos capítulos publicados refere-se á instrucção religiosa dos nossos indios. - Regras da praça ou bases de regulamento commercial, con- forme aos novos codigos de commercio da França e Hespanha e a legis- lação patria. Rio de Janeiro, 1832, 100 pags. in-4° - Segunda edição na que fez o senador Cândido Mendes em 1874 dos Principios de direito mercantil. Não foi continuada a publicação pelas razões que o autor expõe no fim do livro: « Tencionava imprimir a continuação das Regras da praça, que tenho extrahido da legislação patria, e subsidiaria das nações Estrangeiras, preenchendo os casos omissos com decisões de tribunaes, e doutrinas de escriptores acreditados na sciencia do com- mercio. Mas a Ordem Superior, que ora sobreveio autorisando especial commissão para organisar um Projecto de codigo de commercio, dá expectações ao publico do complemento de uma obra, que só pôde ser desempenhada por cooperação offlcial. Por isso considero desnecessário o meu trabalho, e descontinuo a edição das ditas Regras, que só eram doutrinaes, e não legislativas ; nem em tal objecto póde já haver invenção, mas só compilação, com ordem e clareza para ser util.» - Justificação das reclamações apresentadas pelo governo bra- sileiro ao de s. m. britannica, pelo que respeita ás presas feitas pelos cruzadores inglezes na costa Occidental da África. Rio de Janeiro, 1834, 49 pags. in-4° e mais 3 fls. grandes com a relação das embarcações tomadas pelo cruzeiro britannico na costa Occidental da África. - Preceitos da vida humana ou obrigações do homem e da mu- lher, seguidos do dever da justiça. Rio de Janeiro, 184 pags. in-8° - E' uma publicação posthuma como os tres seguintes. - Considerações sobre as doutrinas económicas de J. B. Say - Na Minerva Brasiliense, 1844 e 1845, tomo 2°, pags. 669 a 674, 699 a 703, 731 a 734 e tomo 3°, pags. 85 a 89, 113 a 116 e 169 a 173, não continuando. - Ensaio economico sobre o influxo da intelligencia humana na riqueza e prosperidade das nações - No Guanabara, tomo 1°, 1851, pags. 41 a 51. jro 203 - Da liberdade do trabalho - Na mesma revista e mesmo -tomo, pags. 91 a 98. O Visconde de Cayrú deixou inéditos: - Plano do codigo do commercio em conformidade á ordem de Sua Alteza Real o Principe Regente Nosso Senhor em resolução da consulta da Real Junta do commercio, agricultura, fabricas e nave- gação do Estado do Brazil e domínios ultramarinos de 27 de julho de 1809, submettido á deliberação do mesmo tribunal. 10 folhas in-fol. E' precedido de uma carta autographa do autor, dirigida ao principe regente, e acha-se no archivo publico. Havia silo Silva Lisboa incum- bido de confeccionar esse codigo e, bem que trabalhasse até seus úl- timos dias para apresental-o, não o pôde fazer por faltar-lhe tempo para isto, como disse seu filho Bento da Silva Lisboa. Só apresentou elle em abril de 1826 : - Projecto de codigo commercial, de 16 folhas in-fol.- que se acha no referido archivo. - Parecer acerca de vários quesitos relativos ás moedas de Por- tugal e do Brasil e da quantidade de moeda existente nestes dous paizes - O original assignado pelo autor, de 5 folhas in-fol.,pertence ao Instituto historico.' - Regimento dos cônsules - Foi escripto em commissão da Junta do commercio com mais membros desta junta, sendo Silva Lisboa o relator, em 1826, e remettido pelo governo ás legações brasileiras. Muito serviu para se concluir o regimento ainda em vigor. - O homem' dissertação - Acha-se o autographo em poder de pessoa da família do autor. José da Silva Maia - Natural da antiga província do Maranhão, nasceu na cidade de Alcantara a 26 de fevereiro de 1811. Doutor em medicina pela faculdade de Pariz, representou esta província em varias legislaturas geraes desde 1872, anno em que substituiu e deputado Luiz Antonio Vieira da Silva, nomeado senador do império, e exerceu vários cargos, quer de eleição popular, quer de confiança do governo. Falleceu na capital do Maranhão a 24 de abril de 1893. Escreveu : - Questions sur diverses branches des Sciences medicales : I Des forces parallèles. Centre des forces parallèles ; Exemples anatomiques. II Des dechjrements du vagin, du col et du corps de 1'uterus qui peu- vent avoir lieu pendant 1'accouchement et la delivrance. III Existe- t-íl identité ou analogie de structure entre les angles, les cheveux, les poils ou les dents, etc.? IV Quels sont les revuluis exterieures qui conviennent dans le traitement des phlegmasies thoraciques? 204 JO these pour le doctorat en medecine, etc. Paris, 1838, 37 pags. in-4° gr. - Descripção dos symptomas da febre epidemica que tem grassado nesta cidade e dos meios que cada um deve empregar para curar-se independente de facultativo; feita por ordem do Exm. Sr. Dr. Eduardo Olympio Machado, presidente da província do Maranhão. 1851, 28 pags. in-4.° José d.a Silva Tavares - E' mineiro, nascido em Juiz de Fóra onde tem sua residência. Dedicando-se ao magistério particular, fundou em sua cidade natal o externato « Tavares ». E' jornalista e poeta. Escreveu: - Bandoleiros : versos. Juiz de Fóra, 1893, in-8.° - Contos : Juiz de Fóra.... José Silvestre Relbello - Nascido em Portugal en- tre o terceiro e o ultimo quartel do século passado, segundo calculo, falleceu no Rio de Janeiro em agosto de 1844. Negociante na praça desta cidade, quando se tratou de nossa emancipação politica, não só adheriu â ella, como também cooperou para sua realização e foi depois aos Estados-Unidos da America do Norte como enviado do Brasil com o fim de tratar do reconhecimento de sua independencia. Foi um dos que se associaram ao conego Januario da Cunha Barbosa e brigadeiro Raymundo José da Cunha Mattos para fundação do Ins- tituto historico e geographico brasileiro; era socio da sociedade Auxiliadora da industria nacional, commendador da ordem da Rosa - e escreveu: - O commercio oriental: descripção mercantil de todos os portos que jazem desde o cabo da Boa-Esperança até o Japão ; dos pesos, medidas e moedas que nelles se viram, igualmente das mercadorias que melhor se vendem, e dos generos que delles se exportam, da natureza destes e do modo de os escolher; extrahida em parte, e em 'parte am- pliada da obra que sobre este assumpto escreveu Milburn, offerecida á el-rei, nosso senhor. Rio de Janeiro, 1820, 579 pags. in-4°, com uma carta geographica. - O Brasil visto de cima: carta a uma senhora sobre as questões do tempo, por Trezgeminos Cosmopolitas. Rio de Janeiro, 1822, 46 pags. in-4° - Consta-me que ha uma edição de 1839. - Carta ao redactor da Malagueta. Rio de Janeiro, 1822, 24 pags. in-4° _ Trata de acontecimentos da época com o mesmo pseudo- nymo, JO 205 - Carta ao redactor do Espelho sobre as questões do tempo por Tes. G«s. Caa3. Rio de Janeiro, 1822, 16 pags. in-4° - Faz referencia ao Conde de Palmella. - Memória sobre a cultura da canna e elaboração do assucar - Publicada no Auxiliador da Industria, 1833. - Memória sobre a cultura do cafeeiro - Idem, 1833. - Memória sobre a necessidade de se crearem sociedades entre os homens - Idem, 1833. - Memória sobre os canaese sua utilidade - Idem, 1840. - Si a introducção dos africanos no Brasil serve de embaraçar a civilisação dos indios cujos trabalhos foi-lhes dispensado pelo trabalho dos escravos. Neste caso qual é o prejuizo da lavoura brasileira, entregue aos escravos? -Na Revista do Instituto historico, tomo 1°, pags. 167 e segs. - Discurso sobre a palavra Brasil - Idem, tomo Io pags. 298 a 305, e tomo 2°, supplemento, pags. 622 a 627. - Povoação do Brasil relativamente á origem e influencia dos primeiros povoadores portuguezes nos costumes nacionaes - Idem, tomo 45°, pags. 327 a 340. - Qual era a fôrma, por que os jesuitas administravam as povoa- ções de indios que estavam a seu cargo ? Programma do instituto, 1841 - Inédito. - Quaes sejam as causas da espontânea extincção das familias indígenas que habitavam as províncias littoraes do Brasil; si entre essas causas se deve enumerar a expulsão dos jesuitas que pareciam melhor saber o systema de civilisar os inJigenas - O autographo de 8 pags. in foi. pertence ao Instituto historico. José de Siqueira Barbosa de Madureira Queiroz - Filho do desembargador Nicoiau de Siqueira Queiroz, nasceu em 1810 em Lisboa, e não na Bahia como se pensa, e falleceu cidadão brasileiro a 13 de outubro de 1859 no Rio de Janeiro. Era formado em direito pela universidade de Coimbra e depois pela facul- dade de S. Paulo, em 1836, cavalleiro da ordem de Christo e advo- gado na côrte, depois de haver exercido cargos de magistratura. Es- creveu ; - Breve cathecismo de estatistica. Rio de Janeiro, 1856, in-8.° - Breves lições sobre alguns artigos do codigo commercial de Portugal com as fontes dos mesmos e logares parallelos do codigo commercial brazileiro e respectivo regulamento de 25 de novembro de 1850. Rio de Janeiro, 1857, 57 pags. in-8.° aro 206 José de Siqueira Tinóco - Natural da cidade do Campos, Rio de Janeiro, nascido em 2 de janeiro de 1818, e doutor em medicina pela faculdade de Pariz, formado em 1844, escreveu : - I. Quelles sont les règles à suivre dans les experiencesa tenter sur 1'action des medicaments? II. Que penser de cetto methode opéra- toire dans laquelle on place plusieurs ligatures sur une artère; et de celle qui consiste a couper 1'artère entre deux ligatures ? Determiner si on doit renoncer complètement aux ligatures mèdiates. 111. Pour quel mecanisme lo boi alimentaire et les boissons franchissent-ils le pha- rynx sans pénétrer dans les cavités nasales etdu larynx! IV. Com- ment s'assurer que la résine de jalap que l'on trouve dans le com- merce n'a pas été preparée avec la résine de gaiac, colophane, de la résine d'agaric, et une petite quantité de résine do jalap : these pour le doctorat en medecine, presentée et soutenue le 8 mars 1844. Paris, 1844, in-4° gr. - Algumas reflexões sobre as vantagens de uma constituição fraca : these apresentada para verificação de seu diploma. Rio de Ja- neiro, 1844, in-4° gr. José Soares d.e Azevedo - Filho de Manoel Soares de Souza Martins e dona Maria Corrêa da Conceição Azevedo, nasceu na cidade do Porto, em Portugal, a 17 de março de 1800 e falleceu na cidade do Recife, em Pernambuco, a 8 de maio de 1876, bacharel em lettras, graduado em Pariz em 1821; membro do conselho e director interino da instrucção publica ; socio fundador do Instituto archeolo- gico e geographico e do Conservatorio dramatico pernambucano; socio da Academia de inscripções e de bellas lettras do Instituto de França; official da ordem da Rosa, etc. Com 11 annos de idade acompanhou um tio seu ao Maranhão, onde esteve cinco annos, findos os quaes, tornando a Portugal, matriculou-se na faculdade de sciencias naturaes da universidade de Coimbra. Horrorisado com as tragicas scenas das fogueiras do campo de Sant'Anna, de que o general Gomes Freire de Andrada foi a primeira victima, abandonou esta universidade e foi a Pariz, onde bacharelou-se, acompanhando os cursos de philosophia e de historia. Tornando ao Maranhão, já com a penna, já com a pala- vra se esforçou pela independencia do Brasil e jurou sua constituição em 1824, tornando-se cidadão brasileiro. Ahi se havia associado a uma casa commercial e, sendo nella mal succedido, passou ao Pará, onde sujeitou-se a ser guarda-livros, porque carecia de meios para subsis- tência ; mas sempre envolvido na politica e na imprensa, creou des- affeições e deixou essa província, vindo para o Rio deManeiro em com- Jro 207 missão com outros para reclamar da regencia providencias de modo a livrar a mesma provincia das paixões partidarias, de que era presa. Aqui fez parte da sociedade Defensora da liberdade e independencia nacional, fundou o collegio Emulação que apenas tres annos teve de vida e, passando à Pernambuco, fundou o collegio Pernambucano em 1839, mandando vir bons professores de Portugal, o qual só pôde sus- tentar até 1841. Neste anno foi nomeado professor de francez do lyceu, de que foi director, até que em 1855, na organisação do gymnasio provincial, passou a reger a cadeira da lingua e litteratura nacional, leccionando também particularmente essas e outras matérias. Es- creveu : - Considerações sobre a séde da monarchia portugueza. Pariz, 1818 - Este escripto foi publicado no Investigador Portuguez, Londres, 1818, tomo 21°, pags. 209 a 249. O autor sustenta que o rei devia voltar para a Europa, e deixar um príncipe no Brasil, independente e com sua autonomia política. O publicista portuguez, Silvestre Pi- nheiro Ferreira, o elogiou. O autor tinha 18 annos de idade. - O Pará, em 1832. Londres, 1832, 101 pags. in-8°- E' uma nar- ração de factos luctuosos e da triste situação do Pará que começou a ser escripta n'uma viagem do autor para os Estados Unidos, onde começou ella a ser impressa, sendo concluída no Rio de Janeiro na typographia Americana, bem que no frontespicio se diga Lon- dres. - Da instituição do jury e seu processo na Europa e na America. Vertido do inglez. Rio de Janeiro, 1834, 100 pags. in-8.° - Verdades puras sobre as consequências do dia 7 de abril pelo cidadão J. S. A. M. Rio de Janeiro, 1833, in-8°. - A confederação dos tamoyos pelo Sr. Dr. Domingos José Gon- çalves de Magalhães ( analyse critica)- Na Revista Brasileira, tomo Io, 1857, pags. 59 a 113 - Esta analyse, na expressão do erudito Dr. A. V. do Nascimento Feitosa, é um trabalho consummado e de mérito transcendente; é o mesmo poema, revestido de nova fórma, entre- meiado da mais bella prosa e dos mais esplendidos versos. Depois de ler-se a Confederação dos Tamoyos e de comparal-a com a analyse do Dr. Soares de Azevedo, flca-se indeciso acerca de qual dos dous trabalhos é o mais precioso : si o poema todo como está, ou si a sua reproducção na mais delicada prosa, entremeiada dos versos melhor escolhidos. O Instituto historico possue o autographo de 40 folhas. - Poesias selectas, precedidas de uma noticia biographica pelo Dr. F. M. Rapozo de Almeida. Recife, 1879, 275 pags. in-4° com o -TO 208 retrato do autor - Antes de 1879 já eram conhecidas muitas poesias de Azevedo, como por exemplo a que tem por objecto a chro- nica das - Mangas de jasmim - Eis a chronica: « Antonio Homem de Sal- danha Albuquerque galanteava em 1631 D. Sancha Coutinho, gentil donzella, fllha de um senhor de engenho que não a quiz dar-lhe em casamento e, por isso, no desespero Saldanha foi alistar-se na milicia contra as armas hollandezas, foi ferido, e deixado por morto n'um combate e, afinal, tomou ordens sacras com o nome de Ayres Ivo Cor- rêa. Os pais da moça já haviam fallecido e esta, que vivia com uma irmã na ilha de Itamaracá, encontrando e reconhecendo Saldanha, morreu instantaneamente. Em seu sepulchro plantara o padre Ayres uma mangueira, de que provém as mangas de jasmim.» - O gallo da serra: poesia - Nas harmonias brazileiras, pags. 20 a 23. (Vede Antonio Joaquim de Macedo Soares ). Tem alguns tra- balhos ainda em revistas, como : - O Dr. Antonio Rangel Torres Bandeira - Na Luz, tomo 2o, pags. 180 e segs. Collaborou desde 1818, em vários jornaes e revistas como o Investigador Popular de Londres em 1818, Annaes das scien- cias e das artes de Pariz, Diário de Pernambuco, Estreita do Norte, Progresso, União, Justiça, Jornal do Domingo e Jornal do Recife de 1842 a 1863. Eredigiu: - A Opinião ( folha política). Pará, 183... - 0 Despertador (folha política). Pará, 183... José Soares de Castro - Nascido entre os dous úl- timos quartéis do século passado, sendo formado em medicina, por proposta do dr. José Corrêa Picanço, depois Io Barão de Goyana, foi nomeado lente de anatomia e de operações na creação do primeiro estabelecimento de ensino medico no Brasil, a escola cirúrgica da Bahia, em 1808. Era cirurgião-mór do hospital militar dessa cidade, distincto operador e cavalleiro professo da ordem de Christo. Es- creveu : - Elementos de osteologia, oíferecidos ao illustrissimo senhor doutor José Corrêa Picanço. Bahia, 1812, 112 pags. in-4.° - Da noxologia. Bahia, 1813, 167 pags. in-4.° - Da angiologia. Bahia, 1814, 237 pags, in-4.° - Da neurologia. Bahia, 1815, 113 pags. in-4.° - Da splenchnologia. Bahia, 1829, in-8.° Todos estes livros fazem parte de um - Tratado de anatomia que se divide em cinco tomos. JO 209 - Memórias physiologicas e praticas sobre o aneurisma e a liga- dura das artérias, do dr. Jean Pierre Maunoir, traduzidas. Bahia 1815, in-8.° O dr. Couto e Mello no « Ensaio de bibliographia medica do Rio de Janeiro, anterior á fundação da escola de medicina » menciona deste autor : - Compendio de anatomia. 1831, in-4.° José Soi'iaiio de Souza - Filho do tenente de ar- tilharia, ajudante das baterias da bahia da Traição, na província da Parahyba Francisco José de Souza, e irmão do dr. Braz Florentino Henrique de Souza e do dr. Tarquinio Braulio de Souza Amaranto (vejam-se estes nomes), nasceu nesta província a 15 de setembro de 1833 e falleceu em Pernambuco a 12 de agosto de 1895. Doutorem medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, tendo feito parte do curso na da Bahia, e doutor em philosophia pela universidade de Louvain, foi professor de philosophia do gymnasio pernambucano, entrando para isso em concurso com o erudito Tobias Barreto ; foi professor substituto da secção de sciencias no curso annexo á faculdade de direito do Recife e e ultimamente, por occasião da ultima reforma dos cursos jurídicos, foi nomeado lente de direito publico constitucional desta faculdade, recebendo o grão de doutor em direito por força da lei. Representou sua província na vigésima legislatura, de 1886 a 1889 e, proclamada a Republica, foi um dos membros da commissão que elaborou o projecto de constituição para o estado de Pernambuco, e representou este estado no seu congresso constituinte, sendo senador e presidente do senado. Bem ao contrario do dr. Domingos Guedes Cabral, 2o, de quem occu- pei-me neste livro, e de outros que, com a leitura de Taine, Schiller, Hasckel, Wagner e dos demais instituidores da escola radicalista, esque- ceram as doutrinas, com que foram educados, nelle os estudos médicos e dos philosophos modernos mais contribuíram para rebustecer-lhe aquellas doutrinas. Talento não vulgar, illustração variada, dedicação ao trabalho, o tempo que lhe restava da clinica e do magistério deu a estudos philosophicos e religiosos e fundou revistas doutrinarias, pelas quaes foi não somente louvado pela santa Sé, como também agraciado por Pio IX com a commenda da ordem de S. Gregorio Magno. Escreveu: - Operações que reclamam as lesões dos lábios. Blenorrhagia urethral ; Das exhumações judiciaes : these apresentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1860, in-4° gr. - Carta de um medico a um amigo sobre o materialismo medica e a confissão dos doentes - Foi publicada no Constitucional, 1861 ô em opusculo. 210 JÒ - Da operação cesariana debaixo do ponto de vista religioso e medico : serie de artigos seguidos de um appendice acerca da utilidade do baptismo extra-uterino - Foi publicado no Diário de Pernambuco, 1862 e em opusculo. - Ensaio medico-legal sobre os ferimentos e outras oílensas phy- sicas com applicação â legislação criminal patria, seguido de algumas considerações sobre o infanticídio, etc. Recife, 1862,319 pags. in-8° - Teve segunda edição em 1870 em Paris. - Sobre elle escreveu o dr. João Vicente Torres Homem uma analyse que foi inserta na Gazeta Medica do Rio de Janeiro, 1863, pag. 85. - Do vitalismo julgado pela philosophia christã ou refutação da doutrina medica de Montpellier. Versão da doutrina christã do padre Ventura com annotações e uma larga introducção do traductor. - No Diário de Pernambuco, 1863. - Princípios sociaes e políticos de Santo Agostinho. Recife, 1866, 74 pags. in-12.° - Pluralidade dos cultos. Recife, 1867, 96 pags. in-8° - Neste livro discute o autor o art. 5o da vconstituição política do Im- pério. - Princípios sociaes e políticos de S. Thomaz de Aquino. Recife, 1866, 156 pags. in-12.° - A religião do Estado q liberdade dos cultos. Recife, 1867, 96 pags. in-8.° - Compendio de philosophia, ordenado segundo os principios e methodo do Dr. Angélico S. Thomaz de Aquino. Recife, 1867, XVI, 667 pags. in-8° - Este livro foi adoptado nos seminários do Brasil. - Lições de philosophia elementar, racional e moral, Recife, 1871, 364 pags. in-8.° - O Liberalismo nas Constituições e a reforma eleitoral. Recife, 1873, 150 pags. in-8.° - Carta ao... Conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos sobre a necessidade de organisar-se um partido catholico. Recife, 1874, 37 pags. in-8.° - Ensaio do programma para o partido catholico. Recife, 1874, 100 pags. in 8.° - Considerações sobre a Igreja e o Estado sob o ponto de vista jurídico, philosophico e religioso. Recife, 1874, 150 pags. in-8.° - Elementos de philosophia do direito. Recife, 1880, 474 pags. in-8°. - Apontamentos de direito constitucional por um professor. Recife, 1883, 318 pags. in-8.° JO 211 - Pontos de direito romano: notas para servirem de guia aos estudantes por Vico. Recife, 1881, 200 pags. in-8.° - Projecto de constituição para o Estado de Pernambuco. Recife, 1890, 55 pags. in-8° - Depois do texto constitucional apresenta o autor largos commentarios das principaes theses. - Questões de hygiene. Artigos publicados no Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1890, in-8°. - Princípios geraes de direito publico e constitucional. Recife, 1893, 467 pags. in-8° - Esta obra mereceu a approvação unanime da faculdade do Recife e foi premiada pelo governo federal. O doutor Soriano de Souza fundou e redigiu : - A Esperança : folha religiosa e política. Recife, 1865-1867, in-fol. - A União : periodico religioso, político, polemico e noticioso. Pernambuco, 1872-1873, in-fol. - Além dos trabalhos mencionados, ha deste autor, na Epocha, no Diário de Pernambuco e em outras revistas e periódicos artigos que encheriam volumes. José de Souza Azevedo - Só o conheço pelo se- guinte trabalho seu: - Memorial sobre a descoberta da navegação do rio Parahyba. Rio de Janeiro, 1862, 10 pags. in-4°, com um quadro commemorativo das vantagens dessa navegação. José <Le Souza Azeaedo Pizarro e A-raujo - Filho do coronel Luiz Manuel de Azevedo Carneiro da Cunha e dona Maria Josepha de Souza Pizarro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 12 de outubro de 1753 e falleceu fulminado de uma apoplexia n'um passeio pelo jardim da lagôa Rodrigo de Freitas, a 14 de maio de 18S0, sendo presbytero secular, bacharel em cânones pela universi- dade de Coimbra, commendador da ordem de Christo, cavalleiro da ordem portugueza de igual titulo e da ordem da Torre e Espada, e conselheiro honorário do supremo tribunal de justiça. Nomeado conego da antiga Sé fluminense apoz a recepção das ordens do presbyterado, em 1780, visitou varias comarcas do bispado e, indo á Portugal em 1801, foi no anno seguinte nomeado conego da Sé patriarchal, tornando ao Brazil com a família real. Aqui foi nomeado procurador geral das tres ordens militares em 1808 e mais tarde encarregado de lançar os hábitos das ordens de Christo e de Aviz; monsenhor, thesoureiro e depois arcipreste da real capella do Rio de Janeiro ; do conselho do rei d. João VI; deputado da mesa de consciência e ordens, e foi eleito JO 212 deputado na primeira legislatura do império, cuja assembléa presidiu. Escreveu : - Prospecto das memórias históricas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1819, 2 pags. in-4.° - Memórias históricas do Rio de Janeiro e das províncias annexas á jurisdicção do vice-rei do estado do Brasil. Rio de Janeiro, 1820-1822, 9 tomos em 10 vols. de 163, 273, 303, 231, 233, 277, 327, 316, 416 e... pags. in-8° - O oitavo tomo é que é dividido em duas partes ou vols. Para essa obra começou a trabalhar incançavelmente em 1781, devassando todos os velhos archivos; si ella não se recommenda pela elevação do pensamento, pelo brilho da imaginação, recommenda-se pelo cunho da verdade, pela abundancia e riqueza de documentos em que se baseia, principalmente no que respeita a igreja. Muitos homens notáveis tem-lhe tecido elogios. Deixou inéditas : - Obras varias relativas a negocios ecclesiasticos do Brasil - 2 vols. de 208 e 219 pags. in-fol., que pertencem ao Instituto historico. José de Souza Lima, Io - Natural de Minas Geraes e negociante estabelecido com casa de exportação e importação na cidade do Rio de Janeiro, onde firmara a sua residência. Casado com distincta senhora que era seu idolo, enviuvando, a existência tornou-se para elle um martyrio. A imagem adorada o acompanhava sempre; sempre triste, melancólico, escreveu vários trabalhos em verso e em prosa, a que só ella o inspirava. Seus trabalhos são : - Variedades e escriptos avulsos em prosa e em verso. Rio de Janeiro, 1887, 96 pags. in-4° - E' uma reproducção de publicações feitas desde 1883. - Lições de amor: escriptos sentimentaes, consagrados á memória de sua esposa e á educação de seus filhos. Segunda edição, um pouco augmentada. Rio de Janeiro, 1887, XIII, 212 pags. in-4° - E' a re- producção de trabalhos avulsos. - Conferencias populares na escola publica da Gloria. N. 566, Educação. N. 567, A mulher e o amor. Rio de Janeiro, 1888, 42 pags. in-8.° - A Caridade (prosa e verso) 1 fl. in-4°, de duas columnas, sem data. José <le Souza Lima$ 2o - Filho do precedente o nascido no Rio de Janeiro em 1869, aqui falleceu a 1 de janeiro de 1891. Tendo feito seus estudos preparatórios em Itú, actual estado jro 213 de S. Paulo, foi à Roma com o intuito de dedicar-so ao estado eccle- siastico ; mas, mudando de resolução, matriculou-se no curso livre de direito, que não chegou a concluir. Escreveu : - Aos bons filhos : pequena collecção de poesias. Rio de Janeiro, 1886 - Este livro foi exposto á venda, a 1$ cada exemplar, para ser seu producto applicado a obras de caridade. José do Souza Mariuello-Nascido em Irajá termo da cidade do Rio de Janeiro, pelo anno de 1730, falleceu a 13 de junho de 1790, sondo mestre em artes pelo collegio dos jesuítas e conego da Sé fluminense em sua installação. Serviu antes disto o cargo de secre- tario do bispado, passou depois á dignidade de arcediago, á de the- soureiro-mór e de chantre justamente na epocha de sua morte. Foi também reitor do seminário S. José, e escreveu : - Memória da origem e progresso da cabido. Rio de Janeiro, 1789 - Não me consta que se publicasse. Offerecida ao cabido, foi lançada no livro Io do Tombo, da pag. 70 em diante. Nesse trabalho, de que fôra incumbido, se acham as differentes provisões regias, as escripturas dos bens, e outras noticias circumstanciadas que sem for- ma, sem ordem se achavam avulsas na repartição por falta de zelo, de paciência e também do conhecimento da necessidade de se ter a bom recato taes titulos. - Mappa das freguezias e comarcas do bispado - Foi feito quando servia o cargo de arcediago e está no archivo do cabido. - Origem e progresso do cabido da Sé de S. Sebastião do Rio de Janeiro-O autographo de II folhas pertence ao Instituto his- tórico . José dLe Souza I*ei*eii*a da Cruz - Filho de José de Souza Pereira da Cruz e natural da cidade do Rio de Janeiro, aqui falleceu a 25 de fevereiro de 1888, sendo doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade. Penso que, ainda estudante, prestou ser- viços médicos n'uma fortaleza da repartição da guerra, onde seu pae era empregado. Escreveu : - As raças, os sexos e as idades imprimem caracteres reaes na cabeça ossea? Quaessão elles e em que consistem? Do exercício da medicina e da pharmacia em quanto a responsabilidade dos profis- sionaes; Esboço de uma hygiene de collegios, applicavel aos nossos. Regras principaes, tendentes à conservação da saude e ao desenvol- vimento das forças physicas e intellectuaes, segundo os quaes se devem regular os nossos collegios ; Dos fetos monstruosos : these apresentada .TO 214 e sustentada a 20 de novembro de 1857 perante a augusta pessoa de S. M. I. Rio de Janeiro, 1857, 40 pags. in-4° gr. - O livro da mocidade : obra moral para uso das escolas. Rio de Janeiro, 1856, in-8.° - Contos a meus filhos. Ia serie. Rio de Janeiro, 1878, in-8° - Contém oito historietas ou narrativas, em que o autor expõe em typos os sentimentos de seu coração e são ellas : Moeda e cofre; A oração ; A esmola ; Vaidade ; O anjo da guarda; O estudo; Hypocrisia ; Usura. - Contos a meus filhos. 2a serie. Rio de Janeiro, 1879, in-8° - Contém também oito historiêtas, a saber : A família do Leonardo; O beneficio; Bens mal adquiridos; O cego ; Marcos e seu filho ; A ca- ridade ; Amigos ; Ultimas palavras. Precedem a este livro algumas palavras do editor, o juizo critico do periodico O Apostolo e de outros orgãos da imprensa depois da apparição da primeira serie e tres cartas: do bispo do Maranhão, do abbade de S. Bento e do dr. João Galvão da Costa França. José de Souza Telles Guimarães - Natural de Minas Geraes e presbytero do habito de S. Pedro, conego, arcediago do município de Marianna, escreveu : - Discurso pronunciado na egreja de N. S. das Mercês por occasião de entregar as cartas de liberdade dos beneficiados pela Associação Ma- rianense Redemptora dos captivos a 24 de setembro do corrente anno. Marianna, 1886, in-8.° José Spevidião de Santa Rita - Filho de Vi- cente de Santa Rita e natural da cidade do Rio de Janeiro, falleceu em Santo Antonio de Capivary, município de S. João do Rio Claro, em 1869, sendo ali vigário collado e de vara. Era presbyiero secular, ca- valleiro da ordem de Christo, membro de varias associações de lettras, e habi! prégador. Deixou uma considerável copia de escriptos inéditos, que por sua mãe foram confiados em duas caixas de folha de Flandres» ao conego José Ferreira da Cruz Belmonte, que lh'os pedira para ver os que deviam ser publicados; por morte do conego Belmonte foram esses escriptos parar ás mãos do conego Escnbar, vigário de S. Chris- to vam da côrte. Só me consta que o padre Santa Rita publicasse o seu - Elogio fúnebre do major José Ramos Nogueira, recitado no dia 13 de novemoro de 1853 na igreja matriz da villa do Rio Claro. Rio de Janeiro, 1856, 19 pags. in-8.° JO 215 José Theodomiro dos Santos - Sei apenas que em 1850 era promotor de capellas e resíduos em um dos municípios da província do Rio de Janeiro, e que já ahi residia em 1837 quando es- creveu e dedicou aosjuizes de facto a - Opinião, de Beccaria sobre a pena de morte : traducção do francez. Rio de Janeiro, 1837, 22 pags. in-8°. Escreveu depois : - Lyra camponesa, dedicada a S. M. o senhor D. Pedro II. Rio de Janeiro, 1841, in-4.° José Theodoro Pamponet-Filho de José Theodoro Pamponet e dona Rosa da Rocha Pamponet, nasceu na povoação de S. Felix de Paraguassú, da Bahia, a 18 de julho de 1834. Tendo já feito um curso de preparatórios, dispunha-se a ir á Europa com o fim de matricular-se na academia de bellas-lettras, quando com a morte de seu pae, em 1852, viu perdidas suas esperanças, nunca, porém dei- xando seus estudos de gabinete. Exercia a advocacia com a respectiva provisão na cidade da Cachoeira e na Feira de Sant'Anna, quando' acudindo ao reclamo da patria por occasião da campanha do Paraguay- organisou uma companhia e alistou-se como cadete, sendo logo pro, movido a alferes e depois a tenente e militou nessa campanha, de onde voltou capitão honorário do exercito. Continuando na advocacia, foi nomeado tabellião do publico, judicial e notas no termo de Camizão ; mais tarde, porém, renunciou esse offlcio, e tornou â sua antiga pro- fissão. Denodado athleta da abolição do elemento servil, fundou em Camisão a sociedade Abolucionista Oito de Janeiro, em S. Felix o club Abolicionista Rio Branco, de que foi presidente; foi socio benemerito do club abolicionista da Cachoeira e fundador e também presidente do club Republicano Virgílio Damasio. Collaborou em vários jornaes de seu termo e redigiu : - O Paraguassú: periodico democrático. S. Felix, 1869 -Com este periodico, impresso na primeira officina de S. Felix, por elle fun- dada, encetou a campanha abolicionista que terminou a 13 de maio de 1888. - O S. Felixta. S. Felix, 1878, in-fol., também fundado por Pamponet e impresso em officina sua. Escreveu : - Inspirações poéticas. Cachoeira, 1862, in-8.° - Os proscriptos : romance. Bahia, 1876, ín-8° - E' baseado nos primeiros successos da guerra contra o Paraguay. - O cacequè : romance. Bahia, 1882... Este romance começou a ser publicado em fascículos na typographia da Gazeta da Tarde, mas não foi concluído. O autor pensa em edital-o. 216 -TO - A virtude triumphante: drama em tres actos. Bahia, 1881,in-8.° - Loucasinha ou a Baroneza de Mira-Flor : drama em cinco actos-Inedicto. O manuscripto foi pelo autor offerecido ao conselheiro dr. Virgílio Climaco Damasio. - Flores incultas : poesias- Inéditas. De suas poesias inéditas possuo uma, intitulada - A Bahia - em 100 versos octosyllabos rimados, escripta em fevereiro de 1897. José Tlieocloro de Souza Lolbo - Natural do Rio Grande do Sul, engenheiro geographo, director de um collegio de educação com o titulo Souza Lobo, vice-director e lente de mathe- maticas da escola normal do estado de seu nascimento, onde foi membro do conselho de instrucção publica e escreveu : - Primeira arithmetica. Obra approvada pelo conselho da instrucção e por uma commissão da Escola militar do Rio Grande do Sul e mandada adoptar pelas aulas publicas do Io gráo da província. Porto- Alegre - Em 1883 publicou a oitava edição, correcta e augmentada, 103 pags. in-8° peq. e em 1888 a decima sexta com 112 pags. - Segunda arithmetica. Porto-Alegre - No anno de 1883 estava em sexta edição ; em 1888 em oitava com 219 pags. Com A. J. de Mello Moraes Filho e Jacintho de Oliveira Costa redigiu. - Estrea Utteraria : jornal scientifico, recreativo e litterario. Rio de Janeiro, 1864, in-fol. peq. José Thomaz de Uma - Filho do commendador José Thomaz do Lima e natural de Porto Alegre, da província do Rio Grande do Sul, nasceu a 6 de outubro de 1825 e falleceu a 10 de maio de 1875. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, entrou para o corpo de saúde do exercito, onde serviu, subindo até o posto de cirurgião-mór de brigada, no qual reformou-se por decreto de 31 de dezembro de 1861; tendo entrado antes disto para a faculdade de medicina com a nomeação de oppositor da secção de sciencias accesso- rias, de que passou a lente cathedratico de matéria medica e thera- peutica em 1871. Escreveu : - Breves considerações acerca da origem da syphilis : these apre- sentada e sustentada etc. em 5 de dezembro de 1849. Rio de Janeiro, 1849, 33 pags. in-4.° - Considerações geraes sobre a acústica : these apresentada, etc. em 24 de agosto de 1856 para o concurso a um logar de oppositor da secção de sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1856, 39 pags. in-4.° JO 217 - Hydrotherapia : these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro para o concurso á cadeira de matéria medica. Rio de Janeiro, 1871, 50 pags. in-4.° José Thoniaz Nabuco <le Araaijo- Filho do senador pelo Espirito Santo, de egual nome, e dona Maria Barbara da Costa Ferreira Nabuco, nasceu na cidade da Bahia a 14 de agosto de 1813 e falleceu no Rio de Janeiro a 19 de março de 1878, sendo bacharel em direito pela faculdade de Olinda, formado em 1835; se- nador do império por sua provincia natal desde 1853; do conselho de sua magestade o Imperador; conselheiro de estado effectivo ; grã-cruz da ordem de Christo e offlcial da ordem da Rosa. Exerceu por alguns annos o cargo de promotor publico e depois o de juiz de direito em Pernambuco antes de passar sua residência para a côrte, onde deu-se á advocacia ; representou essa provincia na camara temperaria desde 1850 até entrar para o senado ; presidiu a provincia de S. Paulo em 1852; fez parte do gabinete de 6 de setembro de 1853, occupando a pasta da justiça, que administrou em mais dous gabinetes posteriores. Tornando-se pelo seu saber e conhecimentos especiaes e profundos em jurisprudência e administração publica, um vulto proeminente nessas sciencias e um dos políticos de mais prestigio d'entre os maiores do império, era no senado ouvida sua voz autorisada sempre com o mais profundo acatamento, como a do mais competente para dicidir as mais intrincadas questões de direito. Si não bastassem, diz o dr. Teixeira de Mello, tantos regulamentos que confeccionou e que ahi ficam como ou- tras tantas provas de seu alto mérito profissional, lega ao paiz o seu - Projecto de Codigo civil-cuja elaboração singular lhe fôra confiada e que na opinião de juizes competentes seria um verdadeiro monumento de jurisprudência patria, si elle tivesse podido leval-o ao cabo. Os «Apontamentos do Codigo civil, orgarisado pelo conselheiro Nabuco » foram publicados em additamento ao « Projecto do Codigo civil brasileiro do dr. Joaquim Filicio dos Santos etc. Rio de Janeiro, 1882». Além desses trabalhos ha diversos projectos de que lembrarei : - Reforma hypothecaria. Rio de Janeiro, 1866 - e - Sociedades de responsabilidade limitada, projecto de lei. Rio de Janeiro, 1865, 9 pags. in-fol. - Além de vários - Relatórios apresentados á assembléa geral legislativa como ministro e secretario de estado dos negocios da justiça - escreveu apenas, que eu conheça: - Discurso com que abriu a assembléa legislativa da provincia de S. Paulo, no dia l de maio de 1852. S. Paulo, 1852, in-4.° 218 «TO - Manifesto do centro liberal. Rio de Janeiro, 1869, 67 pags. in-4<> - Assignam também este escripto os conselheiros Souza Franco, Zaca- rias e outros. - Programma do centro liberal. Rio de janeiro, 1870, 17 pags. in-4° - Idem. - Manifesto e programma do centro liberal com os artigos do Diário da Bahia que os recommendou, cartas dos conselheiros Sa- raiva e Nabuco, moção política na assembléa da Bahia e discussão no senado e camara dos srs. deputados por occasião da retirada do gabi- nete de 3 de agosto e subida do de 16 de julhoj (Reformas). Bahia, 1869, 133 pags. in-4°. - Reformas-, discurso político, com uma introducção de Pedro Leão Velloso. Bahia, 1869, 53 pags. in-4.° - Reforma judiciaria: discursos do senador etc., publicados por um amigo seu. Rio de Janeiro, 1871, 38 pags. in-4° gr. de 2 cols.-• são quatro discursos. - Bicursos proferidos nas sessões de 11 e 13 de junho de 1873 na discussão do voto de graças. Rio de Janeiro, 1873, in-4.c - Banco do Brazil-, discurso proferido na sessão de 4 de setembro de 1873. Rio de Janeiro, 1873, in-4.° - Elemento servil. Projecto elaborado pela sociedade democrática constitucional limeirense. Resposta do Sr. conselheiro Nabuco e outras peças. S. Paulo, 1869, 16 pags. in-4° -Figurando na imprensa perió- dica desde seus mais verdes annos, fundou e redigiu: - Echo de Olinda: jornal político e litterario. Pernambuco, 1832, in-fol.- Cursava então Nabuco o segundo anno de direito e tinha por collaboradores o actual conselheiro Sinimbú e o fallecido Angelo Ferraz, depois Barão de Uruguayana, - O Velho. Pernambuco, 1833. - O Aristarco. Pernambuco, 1834 a 1836 - Não pude ver esta folha, nem a precedente.. - O Lidador. Recife, 1845 a 1848, in-fol.- E' uma folha politica, conservadora, em que escreviam também os conselheiros Ferreira de Aguiar, Maciel Monteiro, José Bento, Paula Baptista, Pinto de Campos, etc. - A União. Pernambuco, 1848 a 1855, in-fol.- E' uma conti- nuação da precedente, collaborada pelos mesmos. Entre vários tra- balhos, publicados no exercício da advocacia, está o - Memorial feito na fallencia do negociante João Carlos Palhares. Rio de Janeiro, 1861, 18 pags. in-4.° JO 219 José Thomaz da Porciuncula - Filho do doutor Thomaz José da Porciuncula e dona Francisca de Paula Porciuncula, nasceu em Petropolis, hoje capital do Rio de Janeiro, a 25 de dezembro de 1854. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, foi deputado provincial em duas legislaturas em nome das idéas republi- canas e deputado á Constituinte do estado do Rio de Janeiro, e o se- gundo governador deste estado. Foi depois ministro plenipotenciário na Republica do Uruguay, passando a representar aquelle Estado no Senado Federal. Tem as honras de general de brigada e escreveu : - A influencia dos climas sobre o desenvolvimento da phthysica pulmonar e quaes as condições hygienicas mais favoráveis ao trata- mento desta moléstia ; Entozoarios no homem; Alterações patholo- gicas da placenta ; Quinas brasileiras: these apresentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1878, 2 fls. 100 pags. in-4° gr. - Discurso pronunciado no acto da collação do grão aos douto- randos de 1878, em resposta ao do director da Faculdade de Medicina, etc. Rio de Janeiro, 1878, in-4° gr. - Estudos de matéria medica e therapeutica brasileira. Da vieirina, sua acção, effeitos physiologicos e therapeuticos: memória lida em uma das sessões do Athenêo académico, etc. Rio de Janeiro, 1878, 37 pags. in-4°-Esta memória foi traduzida em francez e publicada no Journal de Therapeutique e dahi reproduzida no Repertoire de pharmacie e Journal de Chimie, tudo de 1878, sendo ainda o autor estudante de medicina. José Thomaz lí odrigues Seixas - Não o conheço ; parece-me que foi militar, pelo titulo que deu á este seu trabalho: - 0 velho marinheiro e moderno soldado. Rio de Janeiro, 1884. E' uma collecção de trovas militares. José Thomaz da Silva Quintanillia - Nascido em Portugal e brasileiro por adherir á constituição do império, era ba- charel em leis pela universidade de Coimbra e exerceu a magistratura na província do Maranhão, onde falleceu e deixou um filho com egual nome, formado em mathematicas que foi mais tarde o barão de Pa- quetá. Cultivou a poesia e foi amigo do celebre poeta Francisco Ma- noel do Nascimento. Escreveu : - Marilia : écloga pastoril. Lisboa, 1774, 7 pags. in-4° - Foi pu- blicada sob o anonymo. Ha delle outras poesias avulsas, como: - Epistola ao abençoado Domingos Caídas Barbosa - Acha-se no Almanak. das Musas, parte 4a, pag. 94. 220 JO - Ode às núpcias do Conde de Pinheiros - Idem, pag. 64 - Consta que deixou vários escriptos em prosa e em verso. José Tiburcio Pereira deMagalhães - Nascido a 4 de agosto de 1831 em Pernambuco, falleceu a 3 de maio de 1896 major graduado do corpo de engenheiros. Fez o curso de enganharia militar e era bacharel em sciencias physicas e mathematicas e cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz quando, ficando aggregado a este corpo, passou-se para a Europa. Foi engenheiro director das obras publicas de Pernambuco e depois serviu no ministério da agricultura. Escreveu : - Memória sobre o projecto de um canal de desvio das aguas do rio Camaragibe, apresentado ao Exm. Sr. Io vice-presidente da pro- víncia de Pernambuco. Pernambuco, 1870, 15 pags. in-4*' gr. com uma planta. Tem vários - Relatórios apresentados ao Presidente da província de Pernam- buco - na qualidade de engenheiro director das obras publicas, e um - Projecto de melhoramento do porto de Pernambuco. Pernam- buco, 1876. José Tito NílImioo <le Araújo - Filho do senador pelo Espirito Santo José Thomaz Nabuco de Araújo, e irmão do se- nador pela Bahia de igual nome, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 4 de janeiro de 1832 e falleceu a 25 de junho de 1879. Moço fidalgo com exercício na casa imperial, bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em 1860, serviu o cargo de juiz municipal e de orphãos dos termos reunidos de Macahé e Barra de S. João, donde passou para a comar- ca de Nitheroy; serviu depois o de promotor publico da Côrte, onde estabeleceu-se como advogado e foi deputado á assembléa provincial. Era socio do Instituto historico e geograpbico brazileiro, do Instituto da ordem dos advogados brazileiros, do Instituto dos bacharéis em lettras, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, do Ensaio phi- losophico paulistano e do Athenêo paulistano, e cavalleiro da ordem portugueza da Conceição da Villa Viçosa. Sem descuidar-se nunca das sciencias jurídicas e sociaes, cultivou com desvelo as lettras amenas, e escreveu: - Maximas e pensamentos. Rio de Janeiro, 1870, 23 pags. in-8° - Este livro teve segunda edição, correcta e augmentada, com mais de 150 maximas. JO 221 - A situação e os dissidentes. A' S. Ex. o Sr. Visconde do Rio Branco. Rio de Janeiro, 1872, 40 pags. in-8.° - O novo assessor forense (Juizo criminal). Rio de Janeiro, 1872, in-8°-Houve segunda edição, correcta e augmentada, Rio de Janeiro, 1880, 416 pags. in-8°. A segunda edição compõe-se de quatro partes a saber : Ia parte, contendo todas as formulas do processo crime no Juizo criminal, segundo a novíssima reforma judiciaria e mais disposições de lei a que se referem, e as formulas para o julgamento no Jury e nos crimes policiaes, etc. 2a parte. Manual pratico do advogado, con- tendo as acções eiveis e aeções summarias. 3a*parte. Manual orphano- logico, acompanhado do novo regulamento de custas, annotado polo Dr. João Gomes Ribeiro. 4a parte. Formulário dos processos commer- ciaes, inclusive o processo das quebras e das rehabilitações dos fallidos pelo Dr. Teixeira de Freitas. - Manual pratico do advogado, Acções eiveis. Rio de Janeiro, 1873, 2 vols. in-8.° - Manual orphanologico. Rio de Janeiro.... - A carteira do advogado ou Vade-mecum forense, contendo apontamentos os mais indispensáveis em matéria civil, criminal, com- mercial,orphanologica e executiva. Rio de Janeiro, 1878, 216 pags. in-8° - Deste trabalho que foi publicado em fôrma de carteira e que foi recebido com applausoda imprensa, ha segunda edição correcta e melhorada pelo Dr. Manoel Godofredo do Alencastro Autran. Rio de Janeiro, 1887. - Rosina : drama em cinco actos. Rio de Janeiro. 1859, 65 pags. in-8.° - Os filhos da fortuna : drama em um prologo e tres actos, ori- ginal brazileiro. Rio de Janeiro, 1871, 63 pags. in-8.° - Zaira : romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1872, in-8.° - Mimi: romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1873, 213 pags. in-8.° - Leões e Leoas : continuação de Mimi. Rio de Janeiro... in-8.° - Biographia do general H. Maximiano Antunes Gurjão. Rio de Janeiro, 1869, 24 pags. in-8n com retrato. - Biographia de Alfonse de Lamartine, recitada na sessão fúne- bre celebrada em honra e memória do mesmo poeta pelo Instituto dos bacharéis em lettras no dia 19 de abril de 1869. Rio de Janeiro, 1869, 38 pags. in-8° com retrato. - Biographia de Antonio Francisco Dutra o Mello - Na Re- vista do Instituto, tomo 36°, parte 2a, pags. 185 a 200. - Biographia de Frei Francisco deS. Carlos-Idem, pags. 517 e 542. 222 JO - Biographia de frei Francisco de Santa Thereza de Jezus Sam- paio- Idem, tomo 37°, parte 2a, pags. 191 a 208. - Biographia de frei Pedro de Santa Marianna, bispo de Chriso- polis, Conde e esmoler-mór da casa imperial - Idem, tomo 38°, parte Ia, pags. 221 a 244. - Biographia de frei Antonio de Santa Ursula Rodovalho, bispo de Angola - Idem, parte Ia, pags. 177 a 190. - A D. Pedro II. Canto heroico. Rio de Janeiro, in-4° - Escreveu artigos politicos em varias folhas e também algumas poesias em re- vistas como - Armia (A Mello Mcraes) - No Echo Americano, tomo 2°, n. 72 de 4 de fevereiro, pag. 355, e redigiu: - O Brazil: orgão constitucional do partido liberal. Rio de Ja- neiro, 1873, in-fol. José de Vasconcellos - Filho de Joaquim Antonio de Vasconcellos e dona Rita Maria da Conceição, nasceu na cidade do Recife a 4 de março de 1829 e falleceu na mesma cidade a 18 de junho de 1895. Orphão de pae na edade de 11 annos e desprotegido da for- tuna, podendo apenas estudar algumas matérias de humanidades, pas- sou-se para a provincia do Pará, onde dedicou-se ao magistério como lente de francez, inglez e geographia do lyceu provincial, e lente de geographia do seminário episcopal. Ao cabo, porém, de pouco tempo moléstias consecutivas a influencias do novo clima o obrigaram a voltar á Pernambuco, onde serviu como amanuense do hospital mi- litar, depois amanuense e interprete do tribunal do commercio e por ultimo offlcial da secretaria da policia, cargo em que foi aposentado. Foi deputado á assembléa de sua provincia natal, commendador da ordem de Christo de Portugal e socio do Instituto archeologico e geographico pernambucano. Litterato e jornalista, fundou e redigiu : - Jornal do Domingo. Litteratura, historia, viagens, poesia. Per- nambuco, 1858-1859, in-4° gr. -Nesta folha collaboraram pennas como as de Torres Rangel, Aprigio Justiniano e padre Pinto de Campos. Este periodico foi substituído pelo - Jornal do Recife : revista semanal. Sciencia, lettras e artes. Proprietário e redactor chefe, José de Vasconcellos. Collaboradores, drs. Soares de Azevedo, Torres Bandeira, Aprigio Guimarães, Pinto de Campos e outros. Pernambuco, 1859-1860 in-fol. peq. - Deste ultimo anno passou a - Jornal do Recife. Recife, 1861-1895, in-fol. gr.-Falleceu Vasconcellos na redacção desta folha, uma das mais importantes JO 223 do Brazil, que á principio era uma publicação litteraria. Escreveu elle : - O commercio e a lavoura de Pernambuco e suas relações com a renda publica. Recife, 1862. - Datas celebres e factos notáveis da historia do Brazil desde sua descoberta até 1870. Recife, 1869-1875, dous vols. in-4°-O primeiro teve segunda edição em 1890, com 193 pags. in-4° de duas columnas. Abrange este livro factos occorridos desde o anno de 1493. - Parasitas : versos. Pernambuco, 1871, 143 pags. in-8° - E' um bonito livro de bellas poesias, mas no estilo sarcástico, humorístico é que o poeta vae melhor. - Catalogo dos arcebispos, bispos, prelados da igreja brazileira desde a sua creação em 1551 até 1894, acompanhado de um resumo historico de suas administrações. Recife, 1895 - A Era Novato Recife, publicou não só a dedicatória ao clero brazileiro, mas também o estudo sobre o padre Joaquim Fernandes Sardinha. - Almanach administrativo, mercantil e industrial da província de Pernambuco, 1° e 2o annos, 1860-1861. Pernambuco, 1860-1861, 2 vols. in-8.° José Be-Veclxy-Natural da Italia, mas brasileiro por naturalização, só sei que foi muito dedicado ao Imperador e que es- creveu : -A união do Império: allegoria ao dia 2 de dezembro de 1860, anniversario natalício de S. M. o Imperador D. Pedro 11. Rio de Janeiro, 1860, in-8.° José Vellozo Barreto - Natural do Pará, segundo penso. Só o conheço pelo seguinte trabalho seu : - Roteiro da navegação do rio Amazonas do Pará até Iquitos. Lisboa, 1878, in-4°- acompanhado do - Mappa do rio Amazonas. Reconhecimento pratico para servir de auxilio á navegação deste rio desde a cidade de Belém do Pará até a de Iquitos no Perú. Feito por José Vellozo Barreto. Gurupá. Reduzido e gravado por J. C. Viçozo, e L. de Andrade. Lisboa, 1877, 3 fls. José Ventura Boscoli, Io - Brasileiro adoptivo e nascido em Portugal a 19 de janeiro de 1813, falleceu no Rio de Janeiro a 31 de julho de 1874 em avançada edade. Tendo servido muitos annos na bibliotheca nacional e publica, dahi passou, sendo primeiro official e ajudante do bibliothecario, para o logar de professor 224 JO de mathematicas do collegio de Pedro II. Era major da guarda nacional, cavalleiro da ordem da Roza, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, e escreveu : - D. Nuno Peres de Faria, ou o casamento de dous finados : ro- mance original, portuguez e historico por V. B. Rio de Janeiro, 1863, 50 pags. in-4.° - Compendio de mathematica elementar (arithmetica, algebra e geometria). Rio de Janeiro, 1866, inédito. José Ventura Boscoli, 2o - Filho do precedente e dona Virgínia de Mello Garcia Boscoli, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 9 de abril de 1855. E' escripturario da directoria da tomada de contas dothesouro nacional desde 1880, professor de portuguez,francez e inglez, director da escola Santa Izabel, mantida pela Associação pro- motora da instrução e cavaileiro da ordem da Roza. Escreveu : - Embrulhada familiar: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1878, 64 pags. in-8° - E' extrahida de um romance francez. - Os dous pretendentes: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1880, 50 pags. in-8.° - O rapto singular : opereta em um acto. Rio de Janeiro, 54 pags. in-8.° - Lingua vernácula. Orthographia : estudo raciocinado segundo os princípios modernos da sciencia. Rio de Janeiro, 1885, 83 pags. in-8° - Teve segunda edição em 1886. - Noções de analyse. Rio de Janeiro, 1888, in-8° - Trata-se de analyse phonetica, etymologica e syntaxica com a collaboração do pro- fessor Manoel Pacheco da Silva (veja-se este nome) e sendo de Boscoli a parte syntaxica de pags. 43 a 71. - Grammatica portugueza : Rio de Janeiro, 1887, in-8° - Nella collaborou João Zeferino Rangel de S. Paio. (Veja-se este nome.) - Grammatica portugueza : estudo raciocinado segundo os prin- cípios hodiernos da sciencia da linguagem. Rio de Janeiro, 1893-1894, in-8° - SahiU em fascículos. - Grammatica franceza. Rio de Janeiro, 1895, in-8° - Idem. - Grammatica da puerícia (lingua vernacula). Rio de Janeiro, 1895, in-8.° José Veríssimo <le Mattos - Filho do dr. José Ve- ríssimo de Mattos e nascido da cidade de Belém, capital do Pará, a 8 de abril de 1857, é director do Gymnasio Nacional, socio do Instituto Historico e Geographico Brazileiro, etc. Serviu antes no funcciona- JO 225 lismo publico da então província do seu nascimento, onde exerceu os primeiros logares da secretaria do governo e dedicou-se sempre ao estudo da historia e particularmente á do Amazonas. Escreveu: - Primeiras paginas. Viagens no sertão. Quadros paraenses. Estudos. Belém, 1878, 238 pags. in-4.° - Scenas da vida amazonica. Com um estudo sobre as populações in- dígenas e mestiças do Amazonas. Io livro. Lisboa, 1887,267 pags. in-8.° - Estudos brasileiros (Litteratura, historia ethnographia, critica). Ia serie, 1877-1885. Belém, 1889, 24-323 pags. in-8° - E' uma reimpressão de escriptos publicados em diversas epochas âcerca do mc- vimento intellectual do Brasil e do indianismo. - Estudos brasileiros 2a serie, 1889-1893. Rio de Janeiro, 1894 XIX - 275 pags. in-8° - Fazem objecto deste livro: O romance natu- ralista no Brasil; Um livro brasileiro sobre Filinto Elysio; O Folk-lore do selvagem amazonico ; O naturalismo na litteratura brasileira; Um episodio da guerra do Paraguay; A nossa vida litteraria; D. Pedro II; José de Alencar; Dous livros de versos; O movimento intellectual brasileiro; O Sr. Machado de Assis; José Bonifácio nas suas cartas; Gregorio de Mattos ; A litteratura nacional e os estudos litterarios; O theatro nacional; Historia do Pará, etc. - As populações indígenas e mestiças do Amazonas, sua lin- guagem, suas crenças e seus costumes - Na Revista do Instituto His- tórico, tomo 50°, parte Ia, pags. 295 a 390. - A educação nacional. Belém, 1890, XXXVI - 181 pags. in-8.° - A Amazónia. Aspectos economicos. Rio de Janeiro, 1892, 103 pags. in-8° - São trabalhos publicados em agosto e setembro deste anno no Jornal do Brasil sob o titulo - Bibliotheca do Jornal do Brasil, - A pesca na Amazónia. Rio de Janeiro, 1895, in-8° -E' a ter- ceira de suas monographias brasileiras; e nelia se trata do seguinte: Icthylologia amazonica; As pescarias na Amazónia; A pesca do pi- rarucu ; A pesca do peixe-boi; A pesca da tartaruga; Pescarias maríti- mas ; A pesca da tainha e da gurijuba; A pequena pesca; Processos e instrumentos geraes da pesca; Relance historico sobre a pesca na Amazónia ; Estatística e legislação da pesca. - Carlos Gomes. Belém, 1882, in-8° - Foi escripto por occasião da festa artística ao grande compositor a 12 de agosto de 1872 e tam- bém publicado no Diário do Grão-Pará. - Domingos Soares Ferreira Penna. Noticia sobre sua vida e obras. Pará-Brasil, 1895, 24 pags. in-4° -Tem em periódicos trabalhos como: -A religião dos Tupy-guaranys - Na Revista Brasileira, tomo 9% 1881, pags. 67 a 88. E' um dos artigos de uma collecção de estudos cri- 226 JO ticos, inéditos que se propunha a dar ao prélo com o titulo «Estudos e ensaios ethnographicos no Brasil». Faz o autor esta declaração para explicar o tom em que escreveu, tom que não implica a menor descon- sideração pelos illustres escriptores criticados. - Gymnasio nacional. Discurso proferido na solemnidade da dis- tribuição dos prémios e collação de grão de bacharel em lettras em 6 de janeiro de 1896. Rio de Janeiro, 1896, in-8°- Ha outros discursos seus em iguaes actos. José Vicente de Azevedo Sobrinho - Natural de S. Paulo e nascido a 9 de janeiro de 1875, e nesse estado chefe de secção da secretaria da justiça e official de gabinete do respectivo ministro. Escreveu: - Contos e phantasias. S. Paulo, 1898, 140 pags. in-8°-Divide-se este livro em duas partes: a primeira contém nove contos; a segunda «Cartas á minha irmã», já publicadas na imprensa do dia. José Vicente Marcondes Romeiro - Filho do dr. José Vicente Marcondes de Moura Romeiro, é natural de S. Paulo, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e membro da Academia nacional de medicina. Escreveu: - Tétano dos recem-nascidos; Atmosphera; Phlegmasia albadolens e sua natureza; Hemorrhagias: These apresentada, etc., para obter o grão de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1880, 43 pags. in-4° gr. - Relações da anatomia normal com a anatomia comparada e a ontologia - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 55°, pags. 49 a 72. José Vicente Meira de Vasconcellos - Filho do doutor José Lourenço Meira de Vasconcellos e nascido em Pernam- buco, é bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1870, e lente da mesma faculdade. Escreveu: - Noções de physica para uso das escolas primarias. Recife, 1881, in-8.o José Vicente de SanfAnna - Natural da cidade da Bahia, vivia no primeiro quartel do século actual e era tenente do exercito ou de milícias quando escreveu : - Discurso de providencias para a defesa do Brasil e muito princi- palmente para esta cidade do Rio de Janeiro, offerecido a Sua Alteza Real, regente do Brasil e perpetuo defensor deste reino, etc. Em JO 227 setembro de 1822 - O Archivo Publico possue o autographo assignado pelo autor, de 24 pags. in-fol. Esteve na exposição de historia patria da Bibliotheca nacional em 1880. José Vicente de Souza Queiroz - Filho do Visconde da Limeira e da Viscondeza do mesmo titulo, e nascido em S. Paulo, ahi falleceu, na capital, a 11 de junho de 1898. Era for- mado em agronomia pela escola de Guignon, e tinha visitado vários paizes da Europa e da America do Norte. Escreveu : - Pequeno manual do plantador de algodão. S. Paulo, 1885, in-8.° José Vicente Tibault - Natural do Rio Grande do Sul e ahi fallecido em Porto Alegre. Dedicou-se ao magistério, foi habilíssimo professor da lingua portugueza, teve um collegio de educação n'aquella cidade e escreveu : - Grammatica elementar, methodica do Brazil para uso das aulas de ensino primário. Rio Grande do Sul, 1862, III- 110 pags. in-8.° José Victorino da Costa - Filho do capitão Victo- rino Affonso da Costa, nasceu em Nitheroy a 17 de setembro de 1827. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, estabeleceu-se na cidade de Nitheroy e ahi dirigiu por alguns annos o hospital de S. João Baptista. Escreveu : - Breve dissertação sobre o calor animal; Do apparelho em que figura ou deve figurar o baço, e que deducções se podem tirar de sua estructura para seus usos e funcções ; Heterogenia : these apresentada, etc. e sustentada em 16 de dezembro de 1852. Rio de Janeiro, 1852, 30 pags. in-4° gr. - Relatorio apresentado ao... vice-presidente da provincia do Rio de Janeiro em 10 de agosto de 1877 pelo director do hospital de S. João Baptista de Nitheroy, etc. Rio de Janeiro, 1877, in-fol. José Victorino dos Santos e Souza - Falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 6 de janeiro de 1852. Formado em ma- thematicas, em 1825, era major do corpo de engenheiros, lente de geo- metria descriptiva e substituto das cadeiras de mathematicas da antiga academia militar. Creio que reformou-se como official general do exercito. Escreveu : - Elementos de geometria descriptiva com applicação ás artes, extrahidos das obras de Monge, de ordem de sua alteza, etc. para 228 .TO uso da real academia militar. Rio de Janeiro, 1812, 265 pags. in-8° com ests. - Tratado elementar de applicação de algebra á geometria por Lacroix; traduzido do francez, accrescentado e offerecido ao Illm. e Exm. Sr. D. João de Almeida Mello e Castro, Conde das Galveas, etc. Rio de Janeiro, 1812, 303 pags. in-4° comest. - Annaes Fluminenses de sciencias, artes e litteratura, publi- cados por uma sociedade philo-technica no Rio de Janeiro (anno MDCCCXXII, tomo Io). Impressos na typographia de Santos e Souza ou offlcina dos Annaes Fluminenses, 1822, 115 pags. in-4° com quadros estat. - Geometria e mechanica das artes, dos officios e das bellas-artes, por C. Dupin ; traduzidas do francez. Rio de Janeiro, 1832, in-8.° - Manuscriptos do sargento-mór, etc. 3 vols. - Existem na bibliotheca do gabinete portuguez de leitura do Rio de Janeiro e versam sobre sciencias astronómicas. - Memória sobre as causas pbysicas dos movimentos de rotação da terra e dos planetas; causas das influencias da lua, etc.- Na Sciencia, 1847, pags. 84 e segs. •losé Vieira do Couto - Filho de Manoel Vieira do Couto e dona Thereza do Prado, e avô materno de José Vieira do Couto Magalhães, nasceu no arraial do Tijuco, hoje cidade de Diaman- tina, em Minas Geraes, a 19 de agosto de 1752 e falleceu a 15 de setem- bro de 1827 em sua fazenda do Gavião, distante dez léguas do Tijuco, sendo nella sepultado debaixo de uma arvore, a seu pedido, e sendo seus restos mortaes, alguns annos depois, exhumados para serem de- positados, como foram, na capella de Nossa Senhora do Carmo de Dia- mantina. Assignalo aqui este facto, porque não só o Visconde de Porto-Seguro, mas também Innocencio da Silva, o dr. Macedo e o dr. Teixeira de Mello o consideram fallecido na Ilha Terceira a 27 de maio de 1811, confundindo-o com seu conterrâneo José Joaquim Vieira do Couto que, - sob o pretexto de ser maçon, mas unicamente porque, levado por idéas por de mais liberaes nessa epocha infeliz, fôra ã Lisboa com procuração de algumas camaras reclamar contra abusos e vexames que soffriam os brasileiros ; - foi entregue aos furores do santo officio, dahi passou a outras prisões do estado ; e ainda mais, sondo solto pelos francezes em 1808 quando occuparam Lisboa, foi, não saciado o odio motivado por haver elle requerido em prol dos direitos do Brasil, deportado para aquella ilha. Formado nas facul- dades de phylosophia e de mathematicas, José Vieira do Couto go- JO 229 sava por sua applicação e intelligencia superior uma reputação tal, que o governo nomeou-o lente da universidade de Coimbra, cujas aulas acabava elle de cursar. Foi distincto naturalista, coronel de milícias e escreveu : - Memória sobre as salitreiras naturaes de Monte Rorigo e ma- neira de as auxiliar por meio das artificiaes ; refinaria do nitrato de potassa ou salitre. Escripta em 1803. Rio de Janeiro, 1809, 61 pags. in-4° - Termina o opusculo com o Itinerário mineralógico observado na occasião da diligencia de Monte Rorigo. Foi também publicada no Auxiliador da Industria Nacional em 1840. - Memória sobre as minas da capitania de Mimos Geraes, suas descripções, ensaios e domicilio proprio á maneira de itinerário ; com um appendice sobre a nova Lorena Diamantina, sua descripção, suas producções mineralógicas e utilidades que deste paiz podem resultar. Escripta em 1801 e publicada sob os auspícios do Instituto historico e geographico brasileiro. Rio de Janeiro, 1842, VIII-160 pags. in-4° - N uma carta á rainha apresentando a memória de que fora incumbido, diz elle : «.. .recolhi-me de minha peregrinação com as amostras de quasi todos os metaes que neste cofre exponho aos pés do throno. Fallei dos interesses régios, os quaes nunca pude separar dos do povo. E como se poderia jamais dividir os interesses entre uma mesma fa- mília, entre o pae e o filho ? » - Memória sobre a capitania de Minas Geraes, seu território, clima e producções metallicas ; sobre a necessidade de se estabelecer o animar a mineração decadente no Brasil ; sobre o commercio e expor- tação dos metaes e sobre os interesses régios, com um appendice sobre os diamantes e nitro natural. 1799^-Foi publicada na Revista do Instituto, tomo 11°, 1848, pags. 289 e 335. - Viagem, ao Indaiá, acompanhada de uma memória sobre as minas de Abaete - Sahiram desta obra extractos no Recreador Mineiro, tomo 2°, 1845. - Memória sobre as minas de cobalto da capitania de Minas Ge- raes, etc., escripta por ordem de S. A. R. 1805 - O Instituto historico possue uma cópia de 29 fls. in-fol. José Vieira. Couto de MagaIIiães - Filho do capitão Antonio Carlos de Magalhães o dona Thereza do Prado Vieira do Couto e neto do eximio naturalista José Vieira do Couto, de quem acabo de fazer menção, nasceu em Diamantina, Minas Geraes, a 1 do novembro de 1837 e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 14 de setembro de 1898. Doutor em direito pela faculdade de S. Paulo, administrava JO 230 essa província quando foi proclamada a Republica, havendo já presi- dido as de Goyaz, Paráe Matto-Grosso desde janeiro de 1863 até setem- bro de 1868. Achava-se elle em sua administração quando deu-se a invasão paraguaya e seus serviços dessa epocha em diante foram taes, que lhe foram conferidas as honras de brigadeiro do exercito, depois de renunciar, agradecido, o titulo de Barão de Corumbá. Matto Grosso lhe foi grato, elegendo-o seu representante na decima sétima legislatura geral, e contemplando-o n'uma lista tríplice para senador em 1881. Na vida administrativa foi de um zelo e actividade inexce- diveis ; no estudo da raça selvagem do paiz ninguém com elle com- petiu ainda ; ninguém, como elle, para conhecer os costumes, a vida dessa raça, fez pelos sertões e selvas do Brasil mais arriscadas e labo- riosas investigações. Com paciência e coragem inauditas foi da capital de Goyaz até encontrar o Araguaya e em frágil bote percorreu cerca de quatrocentas léguas de uma navegação vertiginosa, toda acciden- tada de saltos, cachoeiras, entaipavas, rebojos, correntezas e traves- sões até surdir na capital do Pará, facto este que admirou aos que mais laboriosas e arriscadas excursões têm feito. A elle se deve a navegação nesse rio, sendo por decreto de 9 de setembro de 1870 auto- risado o contracto para a navegação a vapor entre o porto de Itacayú, de Matto Grosso, e o de Santa Maria, de Goyaz. Alma grande, gene- rosa, aberta sempre á caridade, por haver em 1893, sem mysterio algum, praticado o acto meritorio e humanitário de dispôr de uma parte de sua grande fortuna com a fundação de hospitaes de sangue no sul do Brasil, foi preso por ordem do marechal Floriano em S. Paulo, onde residia, trazido para esta capital por uma escolta de soldados e mettido em um dos cubículos da casa de correcção, onde soffreu os rigores do estado de sitio daquella ominosa epocha. Era socio do Insti- tuto historico e geographico brasileiro, da Associação brasileira de acclimação e de outras associações de lettras, official da ordem da Rosa e da do Cruzeiro, commendador da de Christo, condecorado com a me- dalha concedida á guarnição do forte de Coimbra, e da flotílha de Matto Grosso nos dias 26, 27 e 28 de dezembro de 1864 e com a da guerra do Paraguay. Além do interior do Brasil, percorreu grande parte da Europa e da África ; era versado na linguística, na ethno- logia, na botanica e, além da lingua de nossos selvagens que elle fallava perfeitamente, conhecia as linguas ingleza, allemã, italiana, hespanhola e franceza. Escreveu: - Theses e dissertação, apresentadas á faculdade de direito de São Paulo para obter o gráo de doutor, etc. S. Paulo, 1860, in-4° - A dis- sertação versa sobre o ponto: Pôde o bispo em sua diocese suspender JO 231 um sacerdote do exercício de suas funcções administrativamente sem as formalidades do juizo ? - Os Goyanazes; conto historico sobre a fundação de S. Paulo (Recordação das férias de 1858 a 1859). S. Paulo, 1860, 156 pags. in-8.® - Um episodio da historia patria ( 1720 ) - Na Revista do Insti- tuto historico, tomo 25, 1862, pags. 515 a 564 - São factos da historia de Minas. - Viagem ao rio Araguaya, contendo a descripção pittoresca deste rio, precedida de considerações administrativas e económicas acerca do futuro de sua navegação, etc. Goyaz, 1863, 284 pags. in-4.° - Relatorio dos negocios da navegação do Araguaya, de 1 de maio de 1869 a 1 de abril de 1870. Rio de Janeiro (?). - Dezoito mil milhas do interior do Brazil. Exploração das duas maiores bacias fluviaes do mundo, do Amazonas e do Prata, o Levin- gstone brasileiro. Rio de Janeiro, 1872 - Foi antes publicado este escripto no Novo Mundo, vol. 3o. - Ensaio de anthropologia. Região e raças selvagens do Brasil: memória em que se estuda o homem indígena debaixo do ponto de vista physico e moral, e como elemento de riqueza e auxiliar para a acclimação do branco nos climas intertropicaes. Rio de,Janeiro, 1874, 160 pags. in-4° - Foi antes publicado na Revista do Instituto histo- rico, vol. 36, parte 2a, pags. 359 a 516. Divide-se este trabalho em seis partes e um appendice que mostra qual é a posição do indio em presença da raça conquistadora. Ia parte: O grande sertão interior; a região dos selvagens ; diversos roteiros para ir da foz do rio da Prata ã do Amazonas; a região do Prata ; a região do divisor das aguas ; a região do Amazonas. 2a parte: O homem americano: appa- recimento do homem na terra; periodo em que apparece na America o tronco vermelho ; cruzamentos pre-históricos com os brancos; ava- liação de qual era o estado das industrias selvagens pelos usos que faziam do fogo. 3a parte: O homem no Brazil, o periodo em que se deu a primeira emigração para o Brasil, avaliado pela falta de instru- mentos de pedra lascada ; periodo pastoril ; ausência de monumentos; periodo geologico em que se encontram vestigios humanos no Brasil. 4a parte: Linguas: classificação das tribus pelas linguas; classificação morphologica das linguas americanas no grupo das Turanas; classificação segundo a estructura interna das linguas em dous grupos ; grupo dos Aryanas ; grupos das linguas tupis e sua extensão ; indole das linguas deste grupo ; bibliographia do tupi e do quichua. 5a parte : Raças sel- vagens : raça primitiva; raças primitivas antigas; cruzamentos; raças JO 232 mestiças como origem do trabalho ; plano de catechese ; resultados pro- váveis dos cruzamentos actuaes na futura população do Brazil. 6a parte: Familia e religião selvagem: elementos moraes para classificação ; fami- lia, monogamia, polygamia e relações do homem com a mulher entre os selvagens do Brazil; religião selvagem ; instincto religioso ; idéa de Deus ; systema geral da theogonia tupi; sentimento de gratidão para com o creador ; immortalidade d'alma ; transfigurações ; lenda sobre Mani que concebe em estado de virgindade ; nomenclatura dos deuses selvagens ; conclusão. Esta obra teve segunda edição em 1876, accres- centada de um - Curso de grammatica tupi e vinte e tres lendas ou contos indí- genas com o original e traducção interlinear, de que se occupou com applauso o dr. Sylvio Romero no seu livro Poesia popular. - Familia e religião entre os selvagens. Rio de Janeiro, 1874, 74 pags. in-12 - Creio que é uma reproducção da sexta parte da obra precedente e que também foi publicada na Reforma. - O aprendiz de machinista: ensino pratico para uso e custeio de machinas a vapor, accommodado á intelligencia das pessoas de pouca instrucção. Pará, 1873, in-8.° - Memória sobre as colonias militares, nacionaes e indígenas. Rio de Janeiro, 1875, in-8*. - Trabalho preparatório para aproveitamento do selvagem e do solo por elle occupado no Brasil: O selvagem. Curso de lingua geral, segundo Ollendorf, comprehendendo o texto original de lendas tupis; Origens, costumes, região selvagem; methodos a empregar para amansal-os por intermédio das colonias militares e do inter- prete militar. Impresso por ordem do governo. Rio de Janeiro, 1876, XLII - 281 - 200, in-4° - E' o trabalho de maior folego, do autor. - Memória apresentada á commissão superior da quarta exposição nacional, onde são discutidos os diversos problemas economico-sociaes, que dependem do amansamento do selvagem no Brasil e em que se pede á commissão, em nome dos interesses futuros muito preponde- rantes do Império, que tome a si o recommendar o assumpto á attenção das classes sensatas de nossa patria - Uma parte desta obra, Mythologia zoologica, foi assim publicada depois : - Contes indiens, recueillis par Mr. le General Couto de Ma- galhães et traduits par Emile Allain. Rio de Janeiro, 1882, VI - 70 pags. in-8° com annotações do traductor - As sete primeiras paginas contêm noticias sobre o autor. - Sétima conferencia para o tricentenário de Anchieta. Assumpto: Anchieta, as raças e linguas indígenas. Acompanha um mappa de JO 233 Pindorama, nome antigo do Brasil, mostrando as regiões oc- cupadas pelos aborígenes segundo o Barão Von Martins e nomes antigos de rios ô logares, etc. S. Paulo, 1897, 32 pags. in-4° - De vários relatórios do Dr. Couto de Magalhães, na vida administrativa citarei o - Relatorio dos negocios da província do Pará. Pará, 1864, in-4° - E' seguido de um Relatorio do ' secretario da presidência, Do- mingos Soares Ferreira Martins Penna, ácerca de uma viagem do Tocantins até as Cachoeiras dos Guaribas e bahias do rio Anapú, e da exploração e exame do rio Anapú pelo capitão-tenente Francisco Parahybuna dos Reis. Applicado desde estudante ao estudo da historia, assim como ao de sciencia, redigiu nesse tempo: - Revista da Academia de S. Paulo : jornal scientifico, juridico e historico. S. Paulo, 1859, in-8° - Foi também da redacção seu collega J. A. de Camargo. O Dr. Couto de Magalhães tem ainda alguns tra- balhos publicados em periódicos e inéditos. Daquelles citarei : - Traducção em tupi do auto de baptismo de S. A. I. o Príncipe do Grão-Pará - Na Reforma n. 276 de 10 de dezembro de 1875. -Anchieta. Conferencia do tricentenário de Anchieta - No Jornal do Commercio de 24 de março de 1897, occupando sete columnas. José Vieira Fazenda - Filho de Antonio Cândido Daniel Vieira e dona Rosa Maria Candida Fazenda, nasceu em 1847 na cidade do Rio de Janeiro, onde, depois de graduado bacharel em lettras pelo antigo collegio Pedro II, fez o curso da faculdade de medi- cina, no qual foi graduado doutor, e exerceu cargos, como o de inten- dente municipal. Escreveu: - Do mephitismo dos esgotos em relação â cidade do Rio de Ja- neiro e de sua influencia sobre a saude publica ; Da hypoemia ínter- tropical, suas causas e tratamento; Da cephalotripcia e suas indicações; Da escolha dos medicamentos em geral e em particular dos vegetaes em relação á idade, o solo, o clima, a cultura, a estação e a epocha da colheita: these, etc., sustentada a 27 de dezembro de 1871. Rio de Janeiro, 1871, 137 pags. in-4° grande. - Dos esgotos da cidade do Rio de Janeiro - Na Revista Medica, 1873- 1874, ns. 16, 17, 18, 19, 20 e 22. - Qual seria o motivo por que os portuguezes, tendo visitado o Rio de Janeiro no anno seguinte ao do descobrimento do Brazil e até principiado ahi um estabelecimento, alguns annos depois, não podendo deixar de reconhecer a belleza, commodidade e vantajosa posição de seu porto, a fertilidade de seu solo e outras circumstancias que o JO 234 fizeram preferir em tempos posteriores para a capital do Estado, só tantos annos depois (em 1568) começaram ã margem de sua magnifica bahia a fundação de um estabelecimento permanente, sendo provável que ainda o desprezassem por muito tempo, si não fosse a necessidade de expulsar os francezes, e tirar-lhes de uma vez a esperança de vol- tarem ; não se podendo attribuir esse desprezo ã resistência dos Ta- moyos, pois igual e maior soffreram de nações não menos valentes e numerosas em outras partes da costa do Brazil menos interessantes, em que, apezar disto, se estabeleceram muitos annos primeiro: pro- gramma apresentado e proposto ao Instituto historico pelo socio Mariz Sarmento em sessão de 9 de maio de 1840 - Nunca foi publicado este trabalho. O dr. Fazenda tem publicado em jornaes d'essa capital vários e importantes trabalhos relativos á nossa historia. J osé Vieira Itodrig-ues de Carvalho e Silva, Io - Natural da Bahia e nascido no anno de 1802, falleceu em Porto Alegre, victima de sua dedicação e zelo, quando reinava o cholera- morbus, a 24 de dezembro de 1855. Formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de Olinda em 1833, exerceu cargos de ma- gistratura, como o de promotor publico na capital de sua província em 1838, e o de juiz de direito do Penedo, em Alagôas; era socio do Instituto historico e geographico brasileiro ; cultivou a poesia e es- creveu: - Ao commercio brasileiro, O direito de visita reciproca entre o Brasil e a Inglaterra. Bahia, 24 pags. in-8° - Sô no flm se vê decla- rado o logar da impressão, sem data, sem frontespicio. - Duas perguntas aos constituintes. Rio de Janeiro, 1853, 21 pags. in-4°-Versa sobre política. - As tres épocas de uma presidência: drama em tres actos e nove quadros. Sergipe, 1855, in-8.° - Viagem ás cachoeiras de Paulo Affonso-Na Revista do Insti- tuto, tomo XXII, pags. 201 a 301. E' uma publicação posthuma, em fôrma de carta. « Pelo effeito produzido na sala do Instituto quando ahi foi lida em diversas sessões esta carta - disse M. d'A. Porto Alegre, precedendo a publicação - entendi supprimir algumas linhas que a liberdade de estylo epistolar no correr da penna lançara sem maior reflexão, ás vezes por ostentar uma erudição mal cabida nesse genero de escriptos.» Descrevendo o magestoso rio de S. Francisco desde sua fóz até as cabeceiras de Paulo Affonso, o autor revela-se muitas vezes poeta por inspiração facil e natural, intercalando versos na prosa. Assim referindo-se aos rochedos da Serra, dispostos em JO 235 camadas horizontaes, brancos e com suas areias brancas, asseme- lhando-se ás deixadas pelo recuo do mar, diz: Oh ! quem sabe si a gruta, que pisamos Não foi a casa de húmida Serêa, Que, por ordem suprema, Ao recuar das aguas despejou-a Quando o espirito de Deus andou sobre ellas ? Lamentando o ermo a que está reduzido o convento dos francis- canos de Penêdo, onde, posto que o relogio marque as horas da oração, não se ouve reboar siquer um cântico que, trazido pela branda vi- ração toque o coração endurecido de alguma ovelha desgarrada e a faça tornar ao aprisco, diz elle : Ah ! quantas vezes No silencio da noite a voz pungida Do christão, que orações aos ceus envia, Não me titila o peito E ao juizo, que flz de ser matéria, Não deu matéria mais p'ra convencer-me Que existe um Deus eterno !! Ahi [vem emflm comprehendidas duas poesias inspiradas de mo- mento : - A' capella da ilha dos Coqueiros; As conjecturas sobre os montes pedregosos do rio de S. Francisco. José Vieira Rodrigues de Carvalho e Sil- va 2°,- Não sei si tem parentesco com o precedente. Sei apenas que é empregado da repartição da fazenda, que serviu no Rio Grande do Sul e no Ceará, onde talvez tivesse seu berço. Em 1882 já era elle ahi terceiro escripturario da alfandega. Escreveu: - Repertório do novo regulamento do sello. Rio de Janeiro, 1895 - E' um indice descriptivo do decreto n. 1264, de 11 de fevereiro de 1893. Dizem-me que é este autor o poeta que se assigna Rodrigues de Carvalho e que publicou: - Coração-, poemeto. Fortaleza, 1896, in-8.° - Prismas: poesias. Fortaleza, 1896, in-8.° José Virgílio da Silva Lemos - Nascido na cidade do Penedo, Alagoas, a 29 de julho de 1862, fez parte do curso de medicina na faculdade da Bahia, e depois dedicou-se ae jornalismo. Intelligencia robusta, resoluto, infatigável, foi redactor do - Diário da Tarde. Bahia. . . . .- e depois da - Republica Federal. Bahia, 1890 - Escreveu: - Primeiros ensaios de critica. Bahia, 1891. 236 JO José Xavier Carneiro -Solicitador do fôro do Rio do Janeiro e procurador da mordomia da casa imperial de d. Pedro II, escreveu: - Compendio de escripturação mercantil por partidas dobradas, relativo ao commercio de compra e venda. Rio de Janeiro, 1880, in-8.° José Xavier Carneiro de Mendonça - Filho do capitão Trajano Alipio Carneiro de Mendonça e nascido em Per- nambuco a 24 de setembro de 1861, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, e advogado em S. Paulo, onde exerceu o cargo de juiz municipal. Escreveu: - Annotações ás leis e regulamentos da província do Pa- raná sobre a taxa de heranças e legados. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Tratado theorico e pratico das justiças de paz. Rio de Janeiro, 1889, in-8.° - Nova Guia eleitoral contendo as leis eleitoraes vigentes, regu- lamentos, avisos, ordens, etc. Rio de Janeiro, 18b8, in-8.° - As Companhias de estrada de ferro de S. Paulo e as Docas de Santos. Resposta á representação que ao ministro da fazenda dirigiram as companhias de estrada de ferro de S. Paulo contra o facto de estar a companhia Docas de Santos cobrando a taxa de capatazias das mercadorias que despacham sobre agua e não das entradas na alfan- dega. S. Paulo, 1896, 65 pags. in-8.° - A Companhia Docas de Santos e a alfandega de S. Paulo, 2a serie. A justa resistência da companhia ás ordens illegaes do director das rendas publicas, approvadas pelo ministro da fazenda, etc. São Paulo, 1896, 113 pags. in-8°. - A Companhia Docas de Santos e a alfandega de S. Paulo. 3a serie. O decreto n. 2291 de 28 de maio de 1896 e a exposição do ministro da fazenda ao presidente da republica sobre a questão da companhia. Analyse minuciosa destes documentos. S. Paulo, 1896, 127 pags. in-8/ José Xavier Ferreira - Não sei onde nasceu ; se1 apenas que é engenheiro mecânico e que escreveu: - Cathecismo do machinista. Pará, 1888, in-8.° José Xavier da Silva Cftpaneina - Natural de Minas Geraes e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade JO 237 de S. Paulo, dedicou-se á advocacia e, sendo deputado á decima quarta legislatura geral, escreveu: - Reforma do estado servil. Discurso proferido na camara dos deputados, na sessão do 17 de julho de 1871, 42 pags. in-8° - E' contra o projecto de libertação do ventre escravo. José Zeferino <le Menezes Kruni - Nasceu na villa de S. Francisco, da Bahia, a 26 de agosto de 1825, e ahi falleceu a 21 de fevereiro de 1893, doutor em medicina pela faculdade daquelle estado, chefe da secção de estampas da bibliotheca publica do Rio de Janeiro, medico do hospital de Misericórdia, membro da Academia na- cional de medicina e official da ordem da Rosa. Escreveu: - These para o doutorado em medicina. Bahia, 1847,in-4°- Nunca a vi, mas sei que é escripta em proposições. - Da vaccina: memória apresentada á Academia imperial de medicina - Nos annaes desta Academia, tomo 36°, 1870-1871, pags. 272, 303 e 337. - Secção artística : çultima parte do Catalogo da exposição de historia do Brazil, realizada pela Bibliotheca Nacional do Rio de Ja- neiro de 1 de dezembro de 1881) da pag. 1403 em diante. D. «loseplia Agueda FelisBerta de Oliveira, - Filha do advogado Romualdo Alves de Oliveira e dona Eufrosina Alves de Oliveira, nasceu em Pernambuco em fevereiro de 1864. Ma- triculou-se em 1880 na faculdade de medicina de Nova-York, sendo contemporânea da doutora d. Maria Augusta Generoso Estrella, mas não soi si ahi concluiu o curso. Escreveu : - O Dever. Recife, 1880, in-8° - E' um opusculo moral, dou- trinário. - A Mulher. Nova-York, 1881 - E' uma publicação periódica por d. Josepha, fundada e redigida. Creio que poucos numeros foram pu- blicados. U, Josephina Alvares <le Azevedo - Filha do dr. Ignacio Manoel Alvares de Azevedo e irmã pelo lado paterno do laureado poeta Manoel Antonio Alvares de Azevedo de quem occupar- me-hei, nasceu em Itaborahy, Rio de Janeiro, a 5 de março de 18.. e é uma das mais distinctas escriptoras que o Brazil tem produzido. E' a fundadora e redactora do periodico : - A Família. Rio de Janeiro, 1889-1897 - O primeiro e segundo volume são in-fol. peq. de 4 columnas; depois passou a foi. gr. de 5 JO 238 columnas e por ultimo augmentou mais uma columna. E' escripto por senhoras. - O voto feminino : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1890, in-8° - Foi também publicado na Familia em folhetim, começando no n. de 21 de agosto deste anno (segundo anno ) efoi representada a 23 de junho de 1893 em primeira recita de inauguração do theatro Recreio Dramatico em homenagem aos representantes do Congresso nacional. - Retalhos. Rio de Janeiro, 1890, in-8° - Contém este livro : A mulher moderna, serie de artigos publicados na Familia ; O direito do voto; Versalhada; Critica á comedia « A doutora » do dr. Silva Nunes. - A mulher moderna. Trabalhos de propaganda. Rio de Janeiro (sem data), 152 pags. in-8° - Neste livro diz a autora: «A sociedade assentou suas bases sobre dous princípios cardeaes : o principio da força e o principio da ordem. O principio da força é o homem : o principio da ordem é a mulher. » A mulher moderna, teve a Ia edição na Familia e a 2a no livro Retalhos. D. «Joseplxina Neixville - Filha de C. G. Neuville e da Sra. Laweuce, segundo leio no Diccionario Bibliographico Portuguez d'onde transcrevo esta noticia, nasceu no Rio de Janeiro em 1833 e, mudando-se para Lisboa em 1838 ou 1839, ahi ficou deflnitivamente residindo. Com muita minuciosidade refere ella mesma sua vida, bem cheia de incidentes e de contrariedades na seguinte obra que, por conter alguns trechos de ruido e de escandalo, obteve logo grande extracção. - Memórias de minha vida, recordações de minhas viagens ; offere- cidas a.... Lisboa, 1864, dous vols., 313 e 261 pags. in-8°- Sobre este livro escreveu Teixeira de Vasconcellos um juizo critico na Gazeta de Portugal de 17 de agosto deste anno. Nem esta, nem o livro pude ver. D. Josephina Pitanga - Poetisa que apenas conheço por algumas composições suas. Nunca colleccionou seus versos e por isso só posso agora mencionar: - Ao Trovador: modinha - No Album do trovador brasileiro: collecção de modinhas, lundús, recitativos e canções. Nova edição augmentada, de Paris, pags. 4 a 6. - Hymno do descrente: modinha - Idem, pags. 38 e 39. Joseplxino Felicio dos Santos - Filho do doutor Joaquim Felicio dos Santos, de quem já occupei-me e dona Maria Je- JO 239 suina dos Santos, nasceu em Diamantina, Minas Geraes, a 3 de abril de 1853, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo e membro do Instituto da ordem dos advogados brasileiros. Serviu na magistratura como promotor e juiz municipal em Leopoldina e agora é advogado na capital federal. Collaborou ainda estudante na Provincia de S. Paulo, na Gazeta da Tarde e no Liberal de S. Paulo. Escreveu : - Ensaios philosophicos. Rio de Janeiro, 1880, VIII-80 pags. in-16 - Era o autor estudante de direito quando escreveu este trabalho. - Parecer sobre o decreto n. 1030 de 14 de novembro de 1890, apresentado ao Instituto da ordem dos advogados brasileiros em 1892 por uma commissão especial composta dos drs. Manoel Álvaro de Souza e Sã Isaias Guedes de Mello e Josephino Felicio dos Santos. Rio de Janeiro, 1892, 50 pags. in-8.° Josino Chaves - Faltam-me noticias a seu respeito. Só sei que escreveu : - Gutenberg: drama historico em cinco actos, versão. Rio de Janeiro, 1877, 81 pags. in-8.° Josino d.o Nascimento Ferreira da Silva - Serviu como primeiro offlcial da secretaria de estado dos negocios da justiça desde o regimen monarchico até depois de proclamada a republica, e é coronel secretario geral do commando superior da guarda nacional da capital federal. Neste cargo escreveu: - Consolidação das disposições em vigor, relativas á guarda na- cional ou milicia civica. Rio de Janeiro, 1894,217 pags. in-8°, seguidas de um appendice de notas, tabellas explicativas, modelos, etc. Josino d.o Nascimento Silva - Natural da provín- cia do Rio de Janeiro, nasceu na cidade de Campos a 31 de julho de 1811 e falleceu a 6 de junho de 1886. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela academia de S. Paulo, formado em 1834, entrou para a carreira da magistratura com o logar de promotor publieo, pas- sando ao de juiz municipal na côrte ; serviu depois o de procurador dos feitos da fazenda nacional e em 1852 foi nomeado ofHcial maior da secretaria da justiça, subindo mais tarde a director geral, cargo em que foi aposentado. Exerceu depois disto o cargo de advogado do Banco do Brazil, e, por ultimo, o de director da instrucção publica em sua provincia, até seu fallecimento. Foi deputado provincial, deputado ao 240 geral e presidente da província do Rio de Janeiro ; presidiu também a de S. Paulo de 1853 a 1854, e o Conservatorio dramatico. Era do conselho de sua magestade o Imperador, commendador da ordem de Christo, socio do Instituto historico e geographico brasileiro, e do Instituto da ordem dos advogados brasileiros. Redigiu algum tempo o Diário do Rio, collaborou para vários periódicos como o Amigo das Lettras, de S. Paulo ; o Chronista, folha fundada por Justiniano José da Rocha, de 1837 a 1839 ; o Jornal do Commercio - e escreveu : - Codigo do processo criminal, de Ia instancia, do império do Bra- sil, augmentado com a lei de 3 de dezembro de 1841 e seus regula- mentos, e todas as leis, decretos e avisos a respeito, até o fim do anno de 1859. Quarta edição. Rio de'Janeiro, 1860, 2 tomos in-8° - Houve quinta edição em 1864, e sexta em 1870, augmentada com os re- gulamentos, leis, etc., até 1869. - Codigo criminal do império do Brasil, accrescentado com as leis, decretos, avisos e portarias que, desde sua publicação até hoje, se tem expedido, ampliando, revogando ou alterando suas disposições. Rio de Janeiro, 1817, in-8' - Foi reimpresso com alguns accrescimos por José Marcelino Pereira de Vasconcellos ( veja-se este autor ) em 1857, e teve nova edição feita pelo autor augmentada com todas as leis, até o presente (1862) com o calculo das penas em todos os grãos. Rio de Janeiro, 1862, 384 pags. in-8.° - Novíssima guia para eleitores e votantes, contendo a lei regu- lamentar das eleições, de 19 de agosto de 1856 ; para as camaras legislativas, assembléas provinciaes, camaras municipaes e juizes de paz do império de Brasil, accompanhada de resoluções do conselho de estado, avisos, ordens e portarias até o presente ( 1859 ), esclare- cendo ou alterando os seus artigos, e dos decretos de 1855, 1856 e 1860 alterando a lei de 1846. 3a edição. Rio de Janeiro, 1860, 323 pags. in-8° - Esta publicação forma o 7o volume do Manual do cida- dão brazileiro. Houve quarta edição e quinta, que foi em 1869, de 366 pags. in-8.° - Revista nacional e estrangeira. Escolha de artigos originaes e traduzidos por uma sociedade de litteratos brasileiros (Josino do N. Silva, P. de A. Bellegarde e J. M. Pereira da Silva). Rio de Janeiro, 1839 a 1841, 5 vols. in-8.° - Synopse da legislação brasileira. Rio de Janeiro, dous vols. in-4° - Com este titulo, mas da legislação que mais interessa aos em- pregados do ministério da guerra, escreveu Manoel Joaquim do Nasci- mento e Silva ( veja-se este nome ) uma obra que teve duas edições, a primeira em dous volumes e a segunda jã em seis. JU 241 J o vi ta Duarte Silva - Filho do commendador Fran- cisco Duarte Silva e natural da provincia de Santa Catharina, ahi falleceu a 20 de maio de 1875, com 30 annos de edade. Militou em toda a campanha contra o governo do Paraguay, na qual recebeu feri- mentos, de que nunca ficou completamente são. Era tenente de infan- taria do exercito, official da ordem da Rosa, cavalleiro da de Christo, condecorado com a medalha de mérito, e membro correspondente da sociedade Ensaios litterarios do Rio de Janeiro. Escreveu : - Eulalia: romance original catharinense. Santa Catharina, 1862, 95 pags. in-12.° D. Jnlia Coi'tines- Filha do doutor Julio Cezar Cortines Laxe, de quem já occupei-me, é natural do Rio de Janeiro e cultora das musas. Escreveu : - Versos. Rio de Janeiro, 1894, 120 pags. com um prefacio pelo Dr. Lucio de Mendonça - E' dividido este livro em duas partes e já sua apparição havia sido annunciada pelo Jornal do Commercio de 14 de julho de 1891 com a noticia de uma reunião de litteratos para ouvi- rem algumas estroph.es delle, que foram muito applaudidas. Tem no periodico A Familia algumas composições, como : - Fragmentos : poesia - No anno 2o, pag. 48. I). Julia Lopes <le Almeida - Filha do Visconde de S. Valentim, dr. Valentim José da Silveira Lopes e dona Adelina Pe- reira Lopes, e casada com o poeta portuguez Filinto de Almeida, nas- ceu no Rio de Janeiro a. 24 de setembro de 1862, e ê irmã da poetisa dona Adelina Amélia Lopes Vieira, de quem occupei-me no primeiro volume deste livro. Dedicando-se àsjlettras, começou a publicar na Ga- zeta de Campinas vários folhetins e contos, e depois escreveu : - Contos infantis. Lisboa, 1886, 171 pags. in-8° - Contém este livro 60 contos ou narrativas destinadas â instrucção da infancia, sendo 33 em verso e 27 em prosa, de collaboração com sua irmã dona Adelina a quem pertencem os primeiros. Adoptados para uso das escolas prima- rias, tiveram esses contos segunda edição no Rio de Janeiro, em 1892. - Traços e luminárias, Lisboa, 1888, 264 in-8°- São também contos e de mais folego. - A familia Medeiros. Campinas (?) 1892, 362 pags. in-4° - Nunca vi este livro, e creio que teve segunda edição em 1895, porque vi em abril deste anno a offerta delle a uma folha da imprensa diaria do Rio de Janeiro, e neste anno egual oíTerta ao D. Quixote. Foi tam- bém publicado em folhetim na Gazeta de Noticias. 242 JU - A viuva Simões: romance. Lisboa, 1897, in-8° - Este ro- mance foi publicado na Gazela de Noticias do Rio de Janeiro, em 1895. - Livro das noivas. Rio de Janeiro, 1896, in-8° - Depois de oc- cupar-se com as incertezas, as duvidas acerca do casamento, trata a autora da economia domestica e de outros assumptos de que deve ser instruída a esposa e mãe. - O caso de Ruth : ( romancete ) no Almanak da Gazeta de Noti- cias para 1897, pags. 35 a 46. - A cara delia. As rosas (Dous artigos)- Idem de 1898, pags. 227 e 293. D. Julia Maria da Costa - Filha de Alexandre José da Costa e dona Maria Leopoldina da Costa, nasceu na cidade de Paranaguá, na antiga província do Paraná, a 1 de julho de 1844. Na edade de dez annos, orphã de pae, passou a residir com seu tio o tabellião João José Machado da Costa, na cidade de S. Francisco, da província de Santa Catharina. Cultivou, muito joven, a poesia e es- creveu: - Flores dispersas: poesias. Desterro, 1867-1868, in-8° - Foram publicadas estas poesias por animação do padre Joaquim Gomes de Oliveira Paiva, de quem occupei-me neste livro, e essa publicação foi feita em dous volumes ou series. Juliano José de Miranda - Nascido na Bahia, no anno de 1842, ahi falleceu em outubro de 1890, conego da Sé metropo- litana, secretario e archivista da secretaria archiepiscopal e thesoureiro da caixa pia. O arcebispo, Conde de S. Salvador, dedicava-lhe sincera amisade. Foi o fundador e redigiu : - Chronica religiosa: periodico consagrado aos interesses da re- ligião sob os auspícios do Exm. Arcebispo Conde de S. Salvador. Bahia, 1870-1874, in-fol.- Penso que este periodico publicou-se ainda alguns annos. Escreveu entre outros trabalhos : - Breve apreciação da carta do Sr. Luiz Olympio Telles de Me- nezes sobre o spiritismo, ao Exm. e Rvm. Sr. Arcebispo, dedicada ao mesmo Exm. senhor, Bahia, 1867, 65 pags. in-8.° D. Julieta cie Mello Monteiro - Irmã da mimosâ e sympathica litterata dona Revocata Heloisa de Mello,de quem oppor- tunamente occupar-me-hei, é natural do Rio Grande do Sul, poetisa no desferir a apollinea lyra não menos mimosa e sympathica do que sua JU 243 irmã, e socia do club Gonçalves Dias. Collaborou no Corimbo, na Arena litteraria, e redigiu : - A Violeta: poriodico litterario. Rio Grande do Sul - Stusescri- ptos ahi são Urinados com o pseudonymo Pensenrosa. Escreveu : - Prelúdios ; poesias. Rjo Grande do Sul, 1881, 129 pags, in-8° - E' um volume prefaciado por Augusto Emilio Zaluar, de poesias « toutes impregnées de l'air viviíiant et embaumé des grandes forets de l'interieur », como diz o Messager du Brèsil, annunciando-as. - Oscillantes : sonetos. Rio Grande do Sul, 1892, in-8°- Este vo- lume é precedido de uma carta eloquente e lisonjeira para a autora, do grande poeta brazileiro, o autor dos Sonetos e rimas, Luiz Caetano Pereira Guimarães (veja-se este nome). No livro precedente se declara acharem-se no prelo e com o preço marcado de 2$ cada um os tres vo- lumes seguintes: - Auroras boreaes : poesias. - Visionarias : poesias. - Serões : phantasias em prosa - Nunca, entretanto, vi taes publicações. - Hgmno para ser cantado pelo corpo scenico da Sociedade dra- matica particular Thalia, na noite de 31 de maio de 1880. - A morte de Castro Alves : duas poesias - no livro «Homena- gem do Grémio litterario Castro Alves ao laureado poeta Antonio de Castro Alves. Rio de Janeiro, 1881, pags. 26 e 54 ». Uma das pri- meiras composições poéticas de dona Julieta Monteiro tem o titulo de - Saudosa (imitação) e foi publicada na Arena litteraria de junho de 1880. Assim se exprime a autora nesta composição : Dorme a estrella no azul de saphjra, Dorme a concha no seio do mar, Dorme a rosa no caule mimoso, Dorme a esp'rança em teu magico olhar. Dorme a rôla no imo das mattas, Dorme o orvalho no seio da flôr, Dorme a crença no peito da virgem, Dormem anjos aos pés do Senhor. Só não dorme em meu peito a saudade» D'alva estrella que ausente ora está; E que os dias da pobre criança A um futuro feliz guiará. - Tabernáculo : versos - E' um livro inédito. - Coração de mãe : drama em dous actos. Porto Alegre - E' escripto com sua irmã dona Revocata. JU 244 - Mario : drama. Porto Alegre-Idem. Nunca pude ler estes dramas. Sei que tem inédito um livro em prosa, isto é : - Alma e coração - parece-me que são mimosos cantos, em que o coração da mulher sabe expandir esses suavíssimos effluvios da alma que só a mulher experimenta, sente. Na Tribuna do Povo, de Santos, de 1 de março de 1896, acha-se de sua penna : - Poemetos e quadros - eloquente e consciencioso juizo critico do interessante livro de versos do grande poeta rio-grandense Damas- ceno Vieira, já antes publicado no Echo do Sul. Julio Atlolplio Rilbas - Filho do conselheiro doutor Antonio Joaquim Ribas e natural de S. Paulo, é bacharel em direito pela faculdade do Recife e collaborou com seu pae na - Consolidação das leis do processo civil, commentadas pelo con- selheiro Antonio Joaquim Ribas com a collaboração de seu filho, etc., vol. Io. Rio de Janeiro, 1879, 529 pags. in-4.° Julio Augusto <lo Andrade Camisão - Filho do capitão José Caetano de Andrade Camisão e dona Alexandrina Eu- genia Dias Camisão ; nasceu a 8 de fevereiro de 1859 na fabrica de polvora da Estrella, município de S. João da Barra e estado do Rio de Janeiro. Exerce actualmente o cargo de escripturario na secção de locomoção da estrada de ferro Central do Brazil, e cultiva a poesia. Escreveu: - Estrellas cadentes, poesias. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Musa das sogras - E' uma collecção de 500 sonetos, em sua maior parte publicados na imprensa do dia, como O Paiz e a Folha da Tarde, da capital federal, e no Jornal do Commercio, de Juiz de Fóra. Este trabalho foi ultimamente publicado em Juiz de Fóra (Minas Geraes) em volume especial, 1898. - Ingenuidades - E' outra collecção de sonetos de varia metrifi- cação e pela maior parte inéditos. Julio Borges Diniz - Filho do dr. Julio Borges Diniz e dona Maria da Gloria Tavares Diniz, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 7 de março de 1856 e ahi falleceu a 14 de julho de 1891. Tendo feito todo o curso medico na faculdade desta cidade, foi em 1879 fazer os últimos exames e receber o gráo de doutor na faculdade da Bahia. Foi activo propagandista da idéa republicana, já na imprensa periódica, já em clubs, que creou para esse fim, e tanto nesse empenho se distinguiu que, no mesmo dia em que foi proclamada a Republica JU 245 foi nomeado director do Diário Official, cargo que exerceu até 15 de fevereiro de 1891. Escreveu : - Visceralgias (diagnostico e tratamento); Valor da docimasia pulmonar nas investigações medico-legaes; Parallelo entre a talha e a lithotricia; A acção physiologica dos medicamentos, será uma base segura para as indicações therapeuticas ? - these apresentada á Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. e sustentada perante a Faculdade de medicina da Bahia, etc. Rio de Janeiro, 1879, 95 pags. in-4° gr. - O liberalismo e a Republica, conferencia feita a 5 de fevereiro de 1887 no club Tiradentes e publicada no periodico Democracia, de 18 deste mez. Collaborou neste periodico, antes denominado Obreiro do Povo ; collaborou ainda na Gazeta Nacional e no Grito do Povo, neste em 1888 e naquella em 1887. Redigiu finalmente o - Correio do Povo. Rio de Janeiro, 1889 -com Sampaio Ferraz, Madureira, padre João Manoel de Carvalho, Ferreirade Souza e Xavier da Silveira. Esta folha começou a 1 de julho e terminou a 15 de novembro, com a proclamação da republica. -J ú lio Braga - Natural do Ceará e deputado ao congresso deste estado. Escreveu: - Descripção da excursão do presidente do Ceará, ao norte do mesmo estado. Fortaleza, 1894. Julio César Leal - Filho de Ezequiel Leal e dona Ale- xandrina Leal, nasceu na Bahia a 6 de fevereiro de 1837 e fàlle- ceu na cidade do Rio de Janeiro a 22 de novembro de 1897, victima de uma febre palustre de que havia sido affectado na cidade de Macahé, onde exercia o cargo de inspector da alfandega. Empregado distincto e zeloso da repartição de fazenda, tinha servido em diversas provincias, hoje estados do Brazil. Talento robusto, dedicação fervorosa aos trabalhos de gabinete, penna habil e bem aparada, havia-se occupado não só da litteratura em todos os seus ramos, como também da philo- sophia, da religião, da politica, da historia patria, da legislação e do commercio. Dos variados escriptos que produziu, citarei: - O crime punido por si mesmo ; drama em 4 actos. Bahia, 1859, in-8.° - Lu iz a e Marçal ; drama em dous actos. Paranaguá, 1861, in-8.° - Os episodios de um noivado : drama original brazileiro em quatro actos, approvado pelo Conservatorio dramatico da côrte. Rio de Janeiro, 1862, 71 pags. in-8.° JTJ 246 - A mulher entre dous fogos ; drama em 4 actos. Maceió, 1872, in-8.° - A escrava Isaura, drama em 4 actos. Porto Alegre, 1883, in>8.° - Scenas da escravidão: romance. Maceió, 1869, in-8.° - Matheus Garcia, drama... - Casamento e mortalha : romance. Pernambuco, 1884, in-8." -Amor com amor se paga : romance. Pernambuco, 1876, in-8.° -- A casa de Deus : romance. Rio de Janeiro, 1895, in-8°- E' baseado nas theorias espiritas. - Antonio Maciel, o Conselheiro : drama em 4 actos. Bahia, 1858, in-8° - Teve segunda edição em folhetim no Jornal do Brazil por occasião dos movimentos sediciosos de Canudos, do n. 52 de 21 de fe- vereiro de 1897 em diante. Já em 1858 era conhecida a vida desse infeliz, que procurava no ermo, longe dos bulicios, na oração, no martyrio, um lenitivo ás suas dores pungentissimas. - Livro de Rosa: poesias. S. Paulo. 1874, in-8.° - Compendio de moral. Maceió, 1872, in-8.° - Evangelho dos espiritos. Religião universal, fundada na ver- dadeira interpretação e explicação das doutrinas de Jesus Christo e seus apostolos, por Julio Cesar Leal e José Ricardo Coelho Júnior. Recife, 1881, 200 pags. in-8.° - O espiritismo: meditações poéticas, etc.-Nunca vi este livro. - A maçonaria e a egreja : conferencia publica, no ediíicio da socielade Perfeita Amizade. Maceió, 1873, 20 pags. in-4.° - Padre, medico ejuiz. Rio de Janeiro. 1896, in-8°- E' um livro em que o autor combatendo a especulação religiosa com o iim de dar realce ao altruísmo e á fé, exalta e defende as crenças e doutrina do christianismo. - Cartas políticas ao Exm.Sr. senador Jacintho Paes de Mendonça. Maceió, 1873, 16 pags. in-4°- Versão sobre eleições de deputados. - Conferencias publicas no ediíicio da sociedade Perfeita Amizade, alagoana. A maçonaria e a egreja. Maceió, 1873, 20 pags. in-4.° - Biographia do general de divisão José de Almeida Barreto. Rio de Janeiro, 1891. - Noticias de Paranaguá, cidade da província do Paraná - Na Revista Popular, tomo 13°, 1862, pags. 165 a 170. - Breves estudos sobre o regulamento das alfandegas - No Correio Mercantil do Rio de Janeiro, 1866, ns. 273 a 287. - Apontamentos para a boa administração das alfandegas do impé- rio e usos do commercio, compilados, etc. Pernambuco, 1878, in-4°- E' um livro dividido em cinco partes. JU 247 - Decretos e questionários relativos á forma, por que se deve pro- ceder aos concursos para os empregos de Ia e 2a entrancia nas repar- tições do ministério da fazenda. Rio de Janeiro, 1891, in-4°- E' uma publicação em fascículos. Cezar Leal dedicou-se também ao jor- nalismo dos diversos estados em que exerceu empregos. E' assim que redigiu : - Jornal de Penedo. Penedo, 1871 e 1872, in-fol.- Esta folha conti- nuou a ser publicada, sendo Leal o seu fundador. - Jornal das Alagoas : orgão político e noticioso. Maceió, 1872- 1873, in-fol.- Já existia desde 1870 e continuou depois. - Jornal do Commercio de Porto-Alegre. Porto-Alegre, 1882-1884, in-fol.- Já existia muito antes. Julio Cezar de Moraes Carneiro (ou Julio Maria) -Filho cleFirmino Julio do Moraes Carneiro e dona Maria Angélica de Moraes Carneiro, nasceu na cidade de Angra dos Reis, do actual estado do Rio de Janeiro, a 20 de agosto de 1850. Graduado bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e depois, em 1875, doutor pela mesma faculdade, foi promotor publico da comarca de S. João do Rio Claro em S. Paulo, e do Mar de Hespanha em Minas Geraes, onde ílrmou residência o estabeleceu-se como advogado, gosando de geral estima e bem firmada reputação. Duas vezes foi casado e enviuvou duas vezes. Em sua primeira viuvez procurou allivio ádor que o opprimia, contrahiu nova alliança matrimonial; na segunda elle> que havia sido educado nos santos princípios do catholicismo e que fòra sempre um verdadeiro christão, buscou-o no seio da religião. Preparou-se com os estudos necessários, recebeu ordens de presbytero e trocou seu appel- lido de familia pelo simples nome da Virgem mãe do crucificado, assi- gnando-se Julio Maria. Sua primeira missa foi resada por alma de sua primeira esposa. Sacerdote illustrado, sem competidor, talvez, no actual clero brasileiro, e apostolo fervoroso do Evangelho, cercado de respeito e veneração, desde 1892 entregou-se á prégação e tem sido admirado em muitas capitaes e cidades brasileiras nos estados de Minas-Geraes, S. Paulo, Paraná, Santa Catharina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e na capital federal, onde em 1897 inaugurou o curso catholico das conferencias da Assumpção. A Santa Sé com toda justiça o declarou missionário apostolico. Deu-se desde estudante de direito, e antes do sacerdócio, ao jornalismo, collaborando na Imprensa Académica, jornal commercial, agrícola noticioso e litterario dos estudantes de S, Paulo, na Província de Minas, orgão do partido conser-? 248 JU vador, no Correio Fluminense de Angra dos Reis e outras folhas. Escreveu : - Dissertação e theses apresentadas ã Faculdade de direito de S. Paulo para obter o gráo de doutor. S. Paulo, 1875, in-4.° - Pensamentos e reflexões. Io volume. Rio de Janeiro, 1882, 108 pags. in-8°-Não via continuação deste precioso livro impressa. Revela elle a profunda impressão produzida no espirito do autor pelas «Maximas, pensamentos e reflexões» do Marquez de Maricá. Menos moralista, porém, do que o sabio Marquez, o que é natural aos trinta annos de edade, o autor é talvez, mais do que elle, propenso ás cogi- tações philosophicas. Eis alguns de seus pensamentos : « Acredita-se no atomo que é uma pura convenção e não se acre- dita em Deus que é uma generalisação lógica de tudo quanto existe. « Deus é infinitamente grande e inflnitamente pequeno : encon- tramol-o n'um grão de areia e no maior astro. « A sciencia tende á religião, como a analyse á synthese. « Imitando Laplace, Humboldt no seu grande livro, o Cosmos, não nos quiz fallar de Deus; mas fallar-nos de um nò indestructivel que encadeia a natureza inteira. « Os materialistas pretendem que Deus não existe, porque é absurdo um ser sobrenatural, fóra da natureza e do mundo ; mas quem lhes disse que Deus está fóra do mundo? N'uma gotta d'agua, n'uma flor, no insecto, no homem, em cada estrella que brilha, em cada pensamento que se eleva â esphera celeste, nas maravilhas do mundo physico, nas maravilhas do mundo moral, em tudo existe Deus, e - posto que não comprehendamos sua mysteriosa ubiquidade, a razão nos attesta que ella é uma verdade. « O christianismo é mais do que uma religião, uma poesia, uma philosophia ; é a ordem moral do mundo, concebida por Jesus. « Como o sangue é para o physiologista o orgão dos orgãos, Deus é para o philosopho a razão das razões. « O homem è tão infinitamente pequeno, como uma gotta d'agua infinitamente grande.» - Questões políticas. Ouro Preto, 1883, in-8° - E' a reimpressão de differentes trabalhos publicados em Ouro Preto desde 1879 até julho de 1881 sobre os acontecimentos políticos, occorridos durante esse lapso de tempo. - Conferenci is religiosas 1895. - O Deus desprezado : estudo sobre o Santíssimo Sacramento, o culto, o ensino e o estado das parochias. Juiz de Fóra, 1895, 183 pags. in-8° peq.- São trinta artigos, já .publicados no Pharol, desta cidade. JTJ 249 - A Paixão : predicas na egreja matriz de Ouro Preto durante a quaresma de 1895, stenographadas por Salomão Vasconcellos e re- vistas pelo autor. Juiz de Fóra, 1895, 134 pags. in-8° peq.- São sete predicas, offerecidas ao pae do autor. - A Graça : predicas. Ia serie. Juiz de Fóra, 1895, 94 pags. in-8° peq. - São seis predicas offerecidas âs duas virgens Santa Clara da Cruz e Santa Margarida Maria - Sinto não poder dar uma noticia circumstanciada de outros trabalhos seus ; sei, porém, que publicou : - Apostrophes... - Nunca pude ver. - A caridade... Idem - Christo e seus críticos - Idem. E' uma de suas conferencias em Porto Alegre, feita a 2 de julho de 1896 que foi ouvida com applausos desde o começo até o flm. - O positivismo, que se proclama a ultima verdade, é um erro velho - E' sua conferencia de Porto Alegre, egualmente applaudida. - A Egreja e o povo : serie de trabalhos publicados na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, de março a maio de 1898. - Sociedade de S. Vicente de Paula. Conferencias da Assumpção. Ia serie. Rio de Janeiro, 1897, in-8° - São 12 conferencias, publi- cadas em outros tantos opusculos in-8°, sem folha de rosto, a saber : - A crise social e os preconceitos religiosos do Brasil, onde a religião póde e deve conseguir a pacificação e concordia da sociedade - 16 pags. - O pessimismo religioso tão errado como o secularismo incrédulo em relação á religião em nossa época. 16 pags. in-8.° - A Egreja não é menos progressiva do que o século ; e como erram igualmente a rotina e o materialismo. 14 pags. in-8.° - Quaes os direitos do homem physico e os problemas philan- thropicos do bem-estar que tem largo logar na doutrina social. 14 pags. in-8.° - Que se pôde e deve reconhecer a legitimidade christã da demo- cracia. 14 pags. in-8.° - Os dous philosophismos que no mundo moderno fazem perigar a democracia. 14 pags. in-8." - A missão do clero nos tempos novos. 16 pags. in-4.° - Do positivismo considerado como philosophia social e como systema scientiflco. 16 pags. in-8.° - Do positivismo considerado em relação à verdade metaphysica. 12 pags. in-8.® 250 JU - Do positivismo considerado em relação á verdade anthropo- logica. 12 pags. in-8.° - Do positivismo considerado em relação ã vida effectiva. 14 pags. in-8.° - Que no Brazil a Egreja e o Estado independentemente de laços offlciaes podem e devem unir-se no interesse do povo e para salvação da patria, 13 pags. in-8" - Actualmente (28 de setembro Ge 1898) se occupa o illustrado sacerdote brasileiro com a segunda serie de Confe- rencias da Assumpção no vasto templo de S. Francisco de Paula, sempre repleto de grande massa do ouvintes e do que temos de mais conspícuo no sacerdócio, na magistratura, na política e nas lettras, do que temos de mais nobre nesta capital, sendo tanto para admirar-se, como para louvar-se, nessa enorme multidão de todas as classes sociaes, o silencio, a ordem, a attenção, o respeito com que é ouvida a palavra do digno ministro do altar. Nessa segunda serie tem se occupado das seguintes theses : - Objecção scientifica contra a religião - O orador começa, fazendo sentir como a reconstrucção moral e christã da sociedade brasileira deve ser a primeira preoccupação de todos os espíritos nobres e sinceramente patrióticos, a nenhum dos quaes é licito des- conhecer na religião o remedio necessário a tantos revezes, vicissi- tudes e calamidades que têm ferido a patria, nesse momento social em que urge, de um lado que o catholicismo assuma definitivamente o papel que lhe compete na obra difficil, mas, necessária da reorga- nisação moral ; de outro, é mister que a política ouça e medite nas lições e ensinos que a Divina Providencia dá aos governos e aos povos. - Da verdade histórica da divindade de Jesus Christo. - Da certeza experimental da divindade de Jesus Christo. - Transcendência da doutrina christã. - Da união da humanidade e divindade de Jesus Christo. - Dos motivos da inverdade na divindade de Jesus Christo - E' a ultima conferencia atá agora ( 28 de setembro de 1898 ) realizada. Delia se têm occupado vários orgãos da imprensa desta capital. Em assumpto de tanta transcendência, permitta-se-me transcrever aqui parte do que publica o Jornal do Commercio em seu numero de 2 de outubro ácerca dessa conferencia. « Acredita, diz o orador exordiando, ter satisfeito em successivas conferencias e em relação ao magno assumpto religioso de que ainda hoje vai tratar nessa conferencia, que não será senão um complemento e o corollario pratico das verdades demonstradas, as tres grandes exi- gências da intellectualidade na nossa época: a exigencia positiva, que JU 251 exige a verificação do facto ; a exigencia experimental, que exige a connexão do facto com a sua causa ; a exigencia psychologica, que exige a analyse interior, a observação intima do facto. Considerando Jesus Christo na historia, vimos como ella proclama a sua divindade ; como a figura de Jesus Christo enche toda a historia, ao ponto que a historia não se pôde comprehender sem Elle. Apreciada a doutrina de Jesus Christo no terreno da experiencia, vimos como todos os phenomenos por ella produzi los, phenomenos intellectuaes, moraes, políticos, sociaes, manifesta e evidentemente divinos, exigiam uma causa divina; sendo humanamente inexplicáveis a transfiguração dos espíritos, a renovação dos corações, a reforma da natureza humana, a santificação da familia, a realidade do direito, o amor de justiça, a renuncia do egoismo, os devotamentos da caridade, tudo isso que operou, em luta com o judaísmo, o paganismo, a política romana, a radical transformação do mundo pela maior e a mais estupenda de todas as revoluções. Apreciada, em terceiro logar, a humanidade de Jesus Christo, applicada ao complexo de todas as suas perfeições hu- manas, vimos que o simples methodo da observação, quer em relação á sua intelligencia, quer em relação ao seu coração, quer em relação â sua vontade, leva lógica e inevitavelmente da humanidade à divindade. E uma vez que ficou esta assentada em um tríplice granito, a prova histórica, a prova experimental, a prova psychologica, chegada é a occasião de perguntar: porque, não obstante certezas tão irrecusáveis, espíritos ha e dotados de intelligencia e illustração, que recusam a divindade de Jesus Christo ? Este phenomeno tem muitas causas, as quaes o orador analysa successivamente, mostrando que a incredulidade em uma palavra tão clara se explica principalmente pela - ignorância da religião, sendo certo que espíritos, ainda mesmo elevados em varias espheras da vida social, não conhecem o Christianismo, ou têm apenas delle uma noção superficialissima ; pelo orgulho da intelligencia, que, desconhecendo a natureza da prova que convém a cada verdade, exige, na ordem moral, histórica ou religiosa, demonstrações que só podem ser dadas na hes- phera das verdades mathematicas ; pela fraqueza da vontade que não deixa muitos espíritos adherirem a verdades que sua razão reconhece, esquecidos de que o acto de fé é um acto livre, que se opera no dominio da ordem moral, onde não basta que a razão reconheça uma certeza qualquer, é mister que o homem queira confessal-a e praticar o que ella exige; pela corrupção do coração, porque ao passo que da acceitação das verdades scientificas não decorre para o homem nenhuma obrigação moral, da acceitação das verdades religiosas decorrem deveres que 252 JTJ exigem a mortificação das paixões, a reforma dos costumes, as praticas da vida christã ; pela pequenez do espirito, porque as intelligencias, ainda mesmo elevadas, têm um grande e um pequeno lado, e segundo applicam á religião aquelle ou este, segundo a consideram sem certos preconceitos, ou dominada por estes, chegam ou deixam de chegar á acceitação das verdades da fé ; pela vaidade philosophica ou politica, porque o philosopho quer governar as almas, como o político quer go- vernar os povos ; mas Jesus Christo, que confundiu a philosophia orgulhosa e limitou a soberania política, fez que sua religião tenha mais encanto para as almas que todas as philosophias, e os seus discípulos mais poder sobre os povos que todos os estadistas; pela ambição de dinheiro, por essa excessiva preoccupação dos gosos da vida que ob- scurece tantos espíritos e materialisa tantos corações, não sendo possível, como diz o apostolo, que o homem animal perceba as cousas delicadas da fé ; emfim, por uma certa tendencia exclusivista da nossa época, que impelle o maior numero dos homens, com completa indiffe- rença pelos nobilíssimos problemas da alma, sua immortalidade e seus destinos, somente para os assumptos da política ou da industria. A cada um desses pontos deu o Sr. padre Julio Maria interessantes desenvolvimentos, mostrando como os remedios necessários á incredu- lidade na divindade de Jesus Christo são o estudo da religião, a hu- mildade da intelligencia, a pureza do coração, a renuncia das paixões desordenadas, a oração, que regenera os homens e nobilita os povos, porque a oração, disse, é a atmosphera divina onde as almas respiram e fóra da qual se enfraquecem e corrompem; é o equilíbrio da fraqueza do homem com a força de Deus ; é a omnipotência da fraqueza ; é o recurso supremo desta joven geração brazileira, que não deve ter ver- gonha de confessar a divindade de Jesus Christo, porque Elle remiu as almas, libertou os povos, reorganisou o direito e a justiça, fundou a liberdade, introduziu no mundo o amor supremo que se chama - a caridade; e a sua cruz plantada nas margens brazileiras, o seu divino sacrifício celebrado no solo que acabava de ser descoberto, foi o acto inicial da nossa nacionalidade. Que a Virgem Santíssima, exclama o orador, em supplica que commoveu todo o auditorio, illumine e escla- reça esta pobre geração brazileira, guiando-a até aos cumes da fé, cuja luz lhe dissipe as trevas da incredulidade, e cuja força lhe vença esse respeito humano que não deixa tantos confessarem a divindade de Jesus Christo.» Julio Cezar Muzzi - Filho do dr. Julio Cozar Muzzi e natural do Rio de Janeiro, onde falleceu a 21 de julho de 1858, JU 253 serviu muitos annos o cargo de escrivão da mesa do Consulado e era cavalleiro da ordem de Christo. Escreveu : - Resumo da historia natural dos principaes quadrúpedes, peixes, insectos e reptis, por Mary Frumer, traduzido do francez, de Gerson Hesse. Rio de Janeiro, 1837, 2 vols. in-4.° Julio Cezar de IVoronlia - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 26 de janeiro de 1845, é contra-almirante da armada ; membro do conselho naval; agraciado com o titulo de con- selho do ex-lmperador D. Pedro II; cavalleiro das ordens de S. Bento de Aviz, de Christo e da Rosa ; condecorado com as medalhas da campanha Oriental de 1865, da campanha do Paraguay, a do combate naval de Riachuelo e a de mérito. Com praça de aspirante a guarda- marinha fez o curso da respectiva academia, sendo promovido áquelle posto a 26 de dezembro de 1892. Exerceu varias e importantes com- missões no Brasil e no estrangeiro - e escreveu : - Compendio de hydrographia, organisado e offerecido á S. Ex. o Sr. conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz, etc. Rio de Janeiro, 1873, in-8° - Este livro é uma traducção, na parte que lhe é relativa, da importante obra «Cours de navegation et d'hydrographie para Edmond Dubois, ancien offlcier de marine, professeur d'hydrographie de lre classe, chargé d'un cours d'astronomie et de navegation à 1'Ecole navale imperiale. Deuxième edition, revue et corrigée, etc. Paris. E' dividido em duas partes : a primeira com o titulo Noções de Geodesia vai até pagina 150 ; a segunda, tratando da hydrographia propriamente, contém muitas estampas e figuras e traz no fim a - Planta da enseada NO. de Fernando de Noronha, levantada pelo capitão-tenente J ulio Cesar de Noronha com os guardas-marinha em viagem de instrucção a bordo da corveta Bahiana em 1871 - e - Plano de ancoradouro - S - dos Abrolhos, levantado pelo ca- pitão-tenente, etc. - Relatorio da viagem de circumnavegação da corveta Vital de Oliveira, etc. -Na Revista Marítima, tomo 2o, pags. 59 a 77, 142 a 152, 193 a 208, 318 a 338, 405 a 420, 493 a 501 e tomo 3o, pags. 9 a 16. Júlio Cezar Pinto Coellio - Capitão, assigna-se elle no trabalho que passo a mencionar, e supponho, da guarda nacional: - Roteiro de viagem em direcção ás aguas virtuosas de Caxambii, Alambary e Caídas, na província de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1883, com uma vista dos Poços de Caídas. 254 JU .Tulio Cezai« Ribeiro - Filho do cidadão americano (da Virgínia) George Washington Vaughan e dona Maria Francisca Ribeiro Vaughan, nasceu em Sabará, Minas Geraes, a 1G de abril de 1845 e falleceu em Santos, estado de S. Paulo, a 1 de novembro de 1890. Começou o curso da escola militar, mas, deixando-o em meio, dedicou-se ao magistério livre, nos centros mais populosos de S. Paulo, obtendo mais tarde, por concurso, a nomeação de professor de latim do curso annexo á faculdade de direito. Ao mesmo tempo, entre- tanto, dando-se ao jornalismo e cultivando a litteratura, revelou-se grande pela intelligencia, pela illustração, pelo patriotismo e pelo caracter ; foi um polemista sempre respeitado, temido de seus adver- sários. Escrevia para varias folhas, sem aspirar, sem ambicionar, sem pedir cousa alguma. Depois de proclamada a Republica dos Estados Unidos do Brasil foi nomeado lente de rhetorica do instituto de instrucção secundaria, em substituição do Barão de Loreto. Conheço de sua penna : - Grammatica portugueza. S. Paulo, 1881, in-8°. - Teve se- gunda edição em S. Paulo, 1885. Penso que é a grammatica que temos mais scientiflca, mais substancial e dogmatica. O grande linguista André Lefevre disse, que era a melhor de quantas conhecia na lingua portugueza, e da mesma opinião é o distincto litterato portuguez Theophilo Braga. Vultos proeminentes na política e nas lettras resolveram analysar esse trabalho, escrevendo um livro sob o titulo « Cartas e bilhetes postaes á Julio Ribeiro, por Democrito e Diderot». S. Paulo, 1885, 127 pags., sendo cada uni destes escriptos com frontespicio especial, bem que com numeração seguida, isto é, as Cartas até pag. 112 e os Bilhetes postaes d'ahi ã pag. 127. Julio Ribeiro respondeu-lhes publicando : - Cartas sertanejas. S. Paulo, 1885, 132 pags. in-8° - Estas cartas foram publicadas antes no Diário Mercantil de S. Paulo, sendo-o a segunda a 6 de março deste anno. Por uma inadvertência, que reco- nheço indesculpável, dei as Cartas sertanejas no 3o volume deste livro* como escriptas por Hilário Ribeiro de Andrade e Silva. Já flz, porém, a necessária rectificação no Appendice ao 4° volume. Ha ainda tra- balhos seus, em revistas e collecções, como : - Os phenicios no Brasil - No Almanak de S. Paulo, anno 2°, 1877, pags. 135 a 143. Crê o autor que os phenicios estiveram effecti- vamente no Brazil. - Nova grammatica da lingua latina. S. Paulo, 1896, in~8° - O autor a deixara inédita, sendo feita a publicação depois de seu fallecimento, pelos editores Costa & Santos. JtT 255 - Traços geraes de linguística. S. Paulo, 1880, 117 pags. in-12° - E' o terceiro volume da Bibliotheca util. - Holmer brasileiro ou grammatica da puerícia. Traducção da «Introdution to English Grammar» de G. F. Holmer. S. Paulo. 1887, in-8.° - Assassinatos da rua Morgue. Traducção do original inglez de E. Allan Poe. Campinas. - O padre Belchior de Campos: romance historico original. Cam- pinas, 1876-1877, 2 vols, 243-192 pags. in-8° - Este romance é um esmalte da litteratura brazileira. - A carne : romance, 1888, in-8°- Este livro, como muito bem disse o illustrado dr. J. P. Xavier da Veiga, em suas Ephemerides mineiras, « é producto de um espirito illustrado, mas, então, em lamentável desequilíbrio. Melhor fôra não ter apparecido. » Como jornalista, Julio Ribeiro collaborou na Província de S. Paulo e redigiu : - O sorocatano. Sorocaba, 1870-1872 in-fol. - Era elle seu re- dactor e proprietário. - Gazeta do Povo: propriedade de uma associação commandi- taria. S. Paulo, 1880, in-fol. - O Debate: orgão republicano. S. Paulo... - Escreveu emflm vários artigos sobre política, philosophia e religião, do que sinto não poder agora dar noticia. Júlio César I tibe iro d.e Souza]- Filho de José Ribeiro de Souza e dona Anna da Silva Ribeiro de Souza, nasceu na villa de Acará, Pará, a 13 de junho de 1843 e falleceu a 14 de outu- bro de 1887. Com alguns estudos feitos na capital de sua província veio para o Rio de Janeiro e matriculou-se em 1862 na escola militar, que deixou em 1865 para servir como voluntário na campanha contra o Paraguay. Deixando esta, foi em sua patria professor primário, bi- bliothecario publico e offlcialda secretaria do governo. Um dia, vendo um urubú a voar muito alto, descrevendo curvas, e avançar esforça- damente contra o vento, imaginou que a navegação aerea era pra- ticável ; começou a estudal-a com fervor, e afinal, inventou um systema aperfeiçoado de balões. Depois de experiencias feitas com pequenos balões de téla e de papel, seguidas de resultados satisfactorios, pediu e obteve da assembléa provincial uma subvenção com que foi a Paris. Em Paris, em conferencia realizada perante a sociedade fran- ceza de navegação aerea, fez a exposição de suas theorias, construiu um balão de dez metros de altura e dous de diametro> ao qual deu o 256 JU nome de Victoria, de sua esposa e nelle fez sua primeira ascenção a 8 de novembro de 1881, perante os mais notáveis aeronautas francezes e de grande massa de povo, e uma segunda, poucos dias depois, em varias direcções « contra o vento, e sem auxilio de propulsor algum», demorando-se no ar cerca de tres horas. Regressando ao Brasil fez ainda duas ascenções, uma no Parà, a 25 de dezembro de 1881, e outra no Rio de Janeiro, a 29 de março do anno seguinte, em ambas com os mais felizes resultados e applausos. Tornou á Europa, ahi construiu novo e maior balão, com o qual tornou á patria, mas não pôde navegar no novo balão por um la- mentável incidente que o destruiu, como se póde ver no livro Paraen- ses illustres, de Raymundo Cyriaco Alves da Cunha. Foi sem duvida alguma o aperfeiçoador da navegação aerostatica e seu invento obteve privilégios dos Estados Unidos da America do Norte e de vários estados do Europa, offerecendo-lhe a Rússia grandes vantagens pela compra delle. Como diz o importante diccionario Encyclopedia das Encyclo- pedias, « só este invento ó bastante para immortalisar seu autor ». Para chegar ao feliz resultado de sua descoberta, até joias de sua es- posa vendera ! E, cousa rara, a par das mathematicas, cultivou a poesia. Em seu coração se aninhavam todos os sentimentos nobres: amor ã patria, amor ás sciencias, amor á familia e tudo realçado pelas crenças fervorosas que com a educação bebera.;Na imprensa, onde militou por muito tempo, constam varias publicações a seu respeito. Escreveu : - Memória do novo systema, que imaginou, da navegação aerea - Apresentando este escripto, pediu o autor ao Instituto Polytechnico que nomeasse um jury seientiflco para dar sobre elle seu parecer, e esse parecer, escripto pelo Barão de Teífé (veja-se Antonio Luiz von Hoonholtz), foi publicado no Jornal do Commercio de 20 de novembro de 1881 e n'outros numeros. - Navegação aerea : serie de artigos - publicados na Gazeta de Noticias de 6, 7 e outros numeros, de abril de 1882. - Grammatica portugueza para as escolas primarias, adoptada e premiada pelo conselho da instrucção publica da provincia do Pará. Pará,1872. - A Igreja e a Escola : poesias por Santa Helena Magno, Julio Cezar Ribeiro de Souza e Julio Mario. Pará, 1879 - Neste trabalho «tres poetas paraenses se abraçam e cantam juntamente o mesmo as- sumpto. Todos têm estro, um delles tem um grande estro. O terceiro, Sr. Julio Mario, não se mostra sem defeitos de fórma; tem-nos, e não são poucos; mas ha, incontestavelmente em seus versos a revelação de JU 257 um poeta que a cultura e a idade podem tornar distincto. Os dous primeiros, Santa Helena Magno e Julio Cezar Ribeiro de Souza, dão de si a mais lisonjeira cópia. O assumpto é religioso. Por occa- sião da distribuição de prémios ás alumnas do collegio Santo An- tonio, cantam elles á igreja como a comprehende a pura crença catholica ». - Piraustas : poesias...- Nunca vi este livro ; consta-me, en- tretanto, que elle escreveu ainda outro volume de versos, assim como muitas poesias em francez e em castelhano. Antes de concluir vou re- produzir algumas estrophes de sua poesia Ave Mater: Trevas da vida humana, longe agora ! Vinde vós, vinde vós, clarões da aurora, Que inspirastes David ! E que eu possa, por vós illuminado, Eu- pobre, humilde filho do peccado - Erguer-rne aos céos d'aqui! Salve ! Salve, Maria Immaeulada ! Salve, Mystica roza bafejada Aos sorrisos de Deos ! Astro de luz que na escuridão do mundo Scentelha reanimando o moribundo ! Harmonia dos ceos ! Arca do perdão da humanidade. Conheceu-te o Senhor da eternidade, Sonhando a creação ! Saudou-te o nada com seu mudo accento ! Depois saudou-te o Céo e o Firmamento, Depois da Immensidão ! - Diário do Grão-Parà. Belém, in-fol.-Este jornal data de 1852; teve varias redacções e esteve a cargo de Ribeiro de Souza pouco antes do fallecimento deste. Em 1876, ou no seu 25° anno, era seu redactor e principal proprietário Frederico Carlos Rhossard. - A Constituição-, orgão do partido conservador. Pará, 1874-1876, in-fol. - Tiraãentes. Belém... -I ulio Cezar cia, Silva, - Filho de Miguel Luzo da Silva e natural de S. Paulo, é bacharel em direito pela faculdade deste estado e dilecto cultor das muzas. Muito joven, estudando o segundo anno dessa faculdade, escreveu: - Stalactites: versos (1891 - 1892). S. Paulo, 1892, in-8° - Neste livro, em que o autor sé mostra filiado á escola parnasiana, ha 258 JU excellentes poesias, como o soneto que o fecha, intitulado a Deuza campestre. Depois publicou : - Sarcasmos: poesias. - Dona Esther: poesias. Julio Constaneio <ie Villoneuve, Conde de Yillenouve pela côrte de Roma - Filho de Junius Constando Ville- neuve, nasceu no Rio de Janeiro a 3 de janeiro de 1834. Bacharel em lettras, bacharel emsciendas e licenciado em direito pela universidade do Pariz, entrou para a carreira da diplomacia com o logar de addido á legação brasileira nos Estados Unidos da America do Norte, d'onde passou á de Londres e á de Pariz. Depois serviu successivamonte como secretario da legação da Rússia, encarregado de negocios na Suissa, acreditado em diversos estados da Allemanha e ministro residente em Hasse Darmstadt, de 1870 até 1873. Em disponibilidade á seu pedido desta época a 1884, serviu ainda como ministro plenipotenciário em Bruxellas sem receber honorário algum. Foi secretario na exposição de Pariz de 1867; delegado do império na exposição de Antuérpia do 1885 ; commondador da ordem da Rosa e da de Christo do Brazil, da ordem portugueza de N. S. da Conceição de Vil la Viçosa, da ordem bavara do Mérito de S. Miguel o do segunda classe da ordem Ernestina da Casa ducal de Saxonia ; grã-cruz da ordom romana do S. Gregorio Magno e da ordem belga de Leopoldo ; cavalleiro da ordem franceza da Legião de Honra e da ordem turca do Medjidié. Escreveu : - Relatorio sobre a exposição universal de 1867, redigido pelo secretario da commissão brasileira e apresentado a S. M. o Imperador pelo presidente da mesma commissão Marcos Antonio de Araújo. Pariz, 1868, 2 vols. in-8° - Ahi se acham também os relatórios de varias commissões parciaes. - Exposição universal do Antuérpia. Relatorio do secretario, etc. Rio de Janeiro, 1880, in-8.° - Relatorio sobre a Conferencia internacional, reunida em Pariz a 4 de novembro de 1880, apresentado ao ministro e secretario de es- tado dos negocios da agricultura, commercio e obras publicas. Rio de Janeiro, 1881, in-fol. - Paraguassà (chrqnique bresilienne): poème lyrique eu trois parties, mise on musique par J. O'Kelly et J. Villeneuve ; executé pour la premiere fois sur le theatre lyrique á Paris, le 2 aout. Paris, 1855, 35 pags. in-8° -- O assumpto deste poema é tirado do poema Caramurú, de frei José de Santa Rita Durão. 259 JU Julio David I*ernêtta - Filho do Francisco David Pernetta e dona Christina dos Santos Pernetta, nasceu em Curityba, capital do Paraná, a 27 de dezembro do 1869. Tem exercido cargos no funccionalismo publico estadoal e mesmo na capital federal e é alli actualmente (1898) oíUcial da secretaria das obras publicas. E' jorna- lista e poeta, e escreveu no jornalismo : - A Evolução. Curityba - A Capital. Curityba.... - O Futuro: publicação litteraria. Curityba, 1892,in-4.° - Revista azul. Curityba, 1893 -Delia foi proprietário e redactor com Dario Velloso e J. do Mello e Silva. - A Penna, revista litteraria. Curityba, 1897 - com Romario Martins. - O Cenáculo: revista. Curityba, 1895 - 1897, 4 vols. - Foi fundado por Pernetta, Dario Velloso, Silveira Notto e Antonio Braga, sahindo o primeiro numero a 7 de abril daquelle anno. - Club Curitybano: orgão do Club deste nome. Curityba, 1890, 1898 - E' uma revista mensal e tem mais redactores. - Galada: revista. Curityba. 1898 - Pouco viveu. Além disto escreveu: - Razões por que. Curityba, 1896 - E' um opusculo em que dá as razões, per que deixou a redacção do periodico : - A Republica. Curityba, 1895-1896. - O clero e a monarchia. Rio de Janeiro, 1897 - E' um opusculo de opposição ao clero e á monarchia. - Bronzes: contos. Curityba, 1897, 90 pags. in-8° - Me consta que tem a publicar: - Os chacaes - opusculo contra o ensino religioso. Curityba, 1898. - A igreja de Roma - naturalmonto contra a religião catholica. - Exéquias: versos. - Amor bucolico: costumes paranaenses. - Lendas e tradições paranaenses. - O Pala branco: romance historico paranaense. - Malditos: contos. Júlio Frank - Natural da Allemanha o nascido no anno de 1811, falleceu em S. Paulo a 19 do junho do 1841, com 30 annos in- completos, depois de naturalisar-se brasileiro, guardando até o tu- mulo certo mysterio quanto á sua familia, sua posição social e até quanto á sua verdadeira patria, e verdadeiro nome que se suppõe não serem os designados. O que é corto é que chegou ao Rio de Janeiro sem Jl 260 que alguém o conhecesse, paupérrimo, sendo logo preso na fortaleza da Lage, por queixa, ou cousa semelhante, do commandante do navio que o trouxe, e, sendo solto, foi caixeiro de uma estalagem. Entretanto conhecia perfeitamente as línguas vivas da Europa, inclusive a latina e a grega, era habil geometra e metaphysico, tinha profundos conhe- cimentos da historia antiga e moderna, e alguns do direito publico e do direito romano. Deixando a estalagem, foi para S. Paulo e na villa de Sorocaba abriu uma aula de francez, de inglez, italiano e latim. Já vantajosamente conhecido, foi convidado para exercer na capital o logar de professor da cadeira de historia, annexa á faculdade de di- reito, para a qual escreveu o compendio que passo a mencionar. Era socio correspondente do Instituto historico e geographico brasileiro e escreveu: - Resumo da historia universal, impresso por ordem do Governo para uso da aula de geographia e historia da Academia de sciencias sociaes e jurídicas de S. Paulo. S. Paulo, 1839, dous tomos em 1 vol. - E' um excellente livro, organisado de accordo com outro compendio allemão. Julio Frederico Kcelier - Allemão por nascimento e brasileiro por naturalisação, falleceu em Petropolis, ferido por um tiro de espingarda, casualmente disparado por um amigo seu, com quem divertia-se, disparando ao alvo em sua chacara, a 21 de novembro de 1847. Era major do imperial corpo de engenheiros e foi o fundador da pittoresca cidade de Petropolis em terrenos pertencentes à antiga fazenda denominada Corrego Sêcco. Escreveu: - Projecto de estatutos para a companhia de Petropolis. Rio de Janeiro, 1845, 14 pags. in-4.° - Relatórios da segunda secção das obras publicas da província do Rio de Janeiro, apresentados em janeiro de 1840 e 1841. Rio de Ja- neiro, 1840-1841, 2 vols. - Teve parte na - Planta topographica da província do Rio de Janeiro, levantada pelos officiaes engenheiros Vicente da Costa e Almeida, Pedro Belle- garde, Julio Fred. Koeller e o Io tenente da armada J. Raymundo de Lamare. Ia carta, comprehendida a cidade de Nitheroy. 1833. Lith. do Archivo militar, Rio de Janeiro, 1837. Escala de 500 braças. Julio dLe Freitas Júnior- Filho de Julio de Freitas e dona Maria Eugenia Castellões de Freitas, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 14 de maio de 1875. Feita ahi sua educação litteraria, entrou para a vida do commercio, que deixou logo depois para ser funccio- JU 261 nario publico, occupando hoje um logar na directoria das obras da In- tendência municipal. Além de algumas poesias avulsas n'O Paiz escreveu mais : - Embryonarios: versos. Rio de Janeiro, 1897 - E' sua estréa com um prefacio de Araripe Júnior. - O libertino : drama inédito. - Os dominós pretos : comedia inédita. - As margaridas: farça com musica, inédita- Estas tres producções têm sido levadas ã scena em theatros particulares. Ha ainda deste autor monologos, cançonetas e scenas cómicas, alguns delles já publicados. Julio T^adislau de Rozwadouski, Conde de Roz- wadouski em seu paiz natal - Nascido no império austríaco pelo anno de 1820, falleceu cidadão brasileiro no anno de 1879. Fez o curso de engenharia na academia de Vienna, concluindo-o em 1842, e entrou logo no posto de segundo tenente para o corpo de engenheiros da Áus- tria, do qual, sendo já capitão, pediu demissão cm 1849. Serviu de- pois como major no primeiro regimento de engenheiros da Turquia e d'ahi, sendo contractado para o exercito brasileiro em 1851, veio para o Brasil, militou com o posto de major do corpo de estado-maior de primeira classe na campanha do Estado Oriental do Uruguay, e, finda esta, exerceu ainda outras commissões. Foi membro da sociedade Au- xiliadora da industria nacional. Escreveu : - Roteiro e relatorio da viagem do primeiro vapor, que subiu o Solimões até Nauta - Foi publicado com o Relatorio do ministério do império, de 1854, e antes disso em volume especial. - O governo e a colonisação : appendice ás idéas de propaganda. Rio de Janeiro, 1857, 56 pags. in-8°, com o retrato do autor - Queixa-se este da falta de execução nos contratos de engajamento, feitos pelo Brasil. Júlio cie Uma, Franco - Filho de Vicente Ferreira Franco e natural da cidade da Bahia, onde nasceu a 11 de abril de 1848, falleceu no Rio do Janeiro a 17 de novembro de 1891, sendo segundo official da secretaria da guerra, bibliothecario do museu escolar, socio da sociedade de geographia e cavalleiro da ordem da Rosa por serviços prestados por occasião da exposição pedagógica de 1883. Era também da associação Protectora da infancia desvalida e foi um dos redactores dos debates da camara dos deputados no Diário Official. Escreveu : - Viagem no dôrso de uma baleia : aventura maravilhosa do ca- pitão Rob. Browne. Traducção. Rio de Janeiro, 1887, 272 pags. in-8,° 262 JU - Deus na natureza por Camillo Flammarion. Havre, 1878,2 vols., 483 pags. de numeração soguida, in-8.° - Guia para os visitantes da exposição pedagógica. Rio de Ja- neiro, 1883, in-8° - Houve no mosino anno segunda edição augmen- tada do 293 pags. in-8.° - Catalogo da bibiliotheea do museu oscolar nacional. Rio de Janeiro, 1885,394 pags. in-4.° - Catalogo da bibliGthcca do museu escolar nacional (supple- rnento) Rio de Janeiro, 1887, 155 pags. in-4.° - Documentos relativos á fundação do museu escolar nacional. Rio do Janeiro, 1883, 100 pags. in-4° - Foi, em summa, o colleccio- nador dos: - Actos e pareceres do Congresso do instrucção. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Actos e pareceres do jury da Exposição pedagógica. Rio de Ja- neiro, 1885, 500 pags. in-8.° Julio Maria - Voja-so Julio Cezar de Moraes Carneiro. Júlio Mario Salusèb - Filho do outro de egual nome, nasceu em Friburgo, estado do Rio do Janeiro, é formado em uma das faculdades livros do diroito do Rio do Janeiro,poeta o escreveu: - Nevrose azul : versos. Rio de Janeiro, 1894 - Alguns destes versos já foram publicados no Album, edição dá Gazeta de Noticias, impressa na typographia Aldina. •Júlio Mario da Serva í^voire - Filho de Joaquim José da Sorra Freire e dona Amalia Lima da Serra Freire, nasceu ná cidade de S. Luiz do Maranhão a 9 de janeiro de 1848 e falleceu na do Recife, Pernambuco, a 1 de fevereiro de 1895. Doutor era medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, entrou para o corpo de saude do exercito, onde serviu desde 1872 até 1879. Pedindo neste anno sua demissão do serviço militar, dedicou-se á clinica, abraçando a escola homeopathica. Cultivou a poesia nas horas vagas que lhe pormittiam sua profissão, publicando muitas composições de sua penna em vários jornaes e revistas e deixando outras inéditas. Escreveu : - Do [valor das investigações thermometricas no diagnostico e tratamento das moléstias agudas febris; Do diagnostico diflorcncial entre a hemorrhagia cerebral e a moningo-oncephalito da base ; Das exostoses ; Do calor em geral : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1871, in-4° gr.- JU 263 O distincto professor de clínica medica dr. Torres Homem no seu Tratado sobre as febres no Rio de Janeiro, publicado em 1877, assim se exprimo referindo-se a esse trabalho: « Um dos meus discípulos mais distinctos que deixaram os bancos da faculdade em 1872, o Dr. Julio Mario da Serra Freire que exerce hoje a medicina com summa proficiência na capital do Maranhão, em sua these inaugural sustenta com provas tiradas da observação de alguns factos que a febre amarella no Rio de Janeiro póde revestir o typo continuo rápido, o typo continuo lento e o typo quebrado. Esta opinião do talentoso collega tem sido acceita poi' todos aquellos que se occupam entro nós da thermometria clinica.» De suas poesias tenho á vista : - Humilde preito ao Exm. Sr. Dr. Samuel Wallace Mac Dowell, muito digno deputado geral pelo 3o circulo do Pará - E' uma com- posição em decimas endecasyllabas, publicada no Monitor Catholico de S. Paulo, anno 2o, 1882, n. 59, de 2 de abril. -Tulio I?a.rig-ot - Nascido na Bélgica em 1801, falleceu cidadão brasileiro na colonia de Itajahy em Santa Catharina, a 30 de setembro de 1878. Vindo para o Brasil, doutor em medicina, foi en- carregado em 1842 ou 1813 de duas com missões, uma na Bahia e outra na Europa. Tornando ã Bélgica, foi ahi medico inspector da colonia de alienados da communa de Ghiel na província de Antuérpia. Em 1851, pedindo exoneração deste cargo e voltando ao Rio de Janeiro foi nomeado director da colonia de Assunguy, no Paraná, onde pouco demorou-se. Foi então aos Estados Unidos, onde já havia estado quando deixou pela segunda vez sua patria e dos Estados Unidos tornou ao Brasil, sendo nomeado medico da colonia de Itajahy, onde persistiu. Era socio da sociedade Auxiliadora da industria e escreveu : - Memória sobre as minas de carvão de pedra do Brasil. Rio de Janeiro, 1841, 30 pags. in-4° com estampas. - Minas de carvão de pedra de Santa Catharina. Rio de Janeiro, 1841, 12 pags. in-8.° - Memória terceira sobre as minas de carvão de pedra de Santa Catharina. Rio de Janeiro, 1842, 30 pags. in-4.° - Convirá ao Brasil a importação de colonos chins ? discurso pronunciado na sessão da sociedade Auxiliadora da industria nacional de 16 do agosto de 1870. Rio de Janeiro, 1870, 11 pags. in-8.° - O futuro dos hospícios de alienados do Brasil: memória offero- cida a Imperial Academia de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1870, 12 pags. in-4.° JU 264 J ulio <le Paula Dias Bicallio - Conego da Sé de Marianna, Minas Geraes, e natural desse estado, fundou e re- digiu : - O bom ladrão : periodico religioso, litterario e noticioso. Marianna, 1874, in-fol.- Este periodico era impresso em offlcina pró- pria e viveu muitos annos. Juiio Pinkas - Natural da Áustria, mas brasileiro por naturalisação, é eugenheiro civil, e socio da sociedade de Geographia do Rio de Janeiro. Tem exercido algumas commissões, relativas a vias ferreas e escreveu: - Estrada de ferro de Santo Amaro. Relatorio apresentado ao Illm. e Exm. Sr. presidente da província da Bahia, etc. Bahia, 1880, in-4.° - Commissão de estudos da estrada de ferro do Madeira á Mamoré. Relatorio apresentado a S. Ex. o Sr. conselheiro João Ferreira de Moura, ministro, etc. Rio de Janeiro, 1885, XX-243-113 pags. in-4°, com 37 desenhos, a planta geral do traçado projectado, o perfil geral do mesmo traçado, e mais dous mappas - Era o autor chefe da commissão. - Ferro-via do Madeira á Mamoré. Conferencias publicas, feitas pelo ex-chefe da commissão de estudos da estrada de ferro do Madeira e Mamoré, em presença de S. M. o Imperador, S. A. o Sr. Conde d'Eu. S. Ex. o Sr. ministro da Bolívia Dr. D. João Francisco Velarde em sessão extraordinária da sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, etc.- A primeira destas conferencias com o titulo « O Alto Madeira com sua ligação ao Mamoré » sahiu no Diário Official de 23 de outubro de 1885, occupando oito columnas. - Estrada do Madeira e Mamoré : collecção de artigos publicados no Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1887, in-4° - Ha final- mente sobre essa estrada: - Questões suscitadas sobre os estudos da estrada de ferro do Madeira e Mamoré. Rio de Janeiro, 1887 - Acha-se ahi o Relatorio da commissão de estudos, nomeada por aviso de 19 de outubro de 1885, sobre os trabalhos de exploração da dita estrada ; Considerações apre- sentadas pelo engenheiro ex-chefe JulioPinkas e Replica da mesma commissão. Julio Dinto d.e Almeida - Filho de Fernando Pinto de Almeida e dona Amancia Pinto Cabral de Almeida e natural do Rio de Janeiro, serviu no corpo de fazenda da armada desde 30 de JTT 265 janeiro de 1872, e deste serviço foi exonerado a seu pedido em 1888. Escreveu : - Breves considerações sobre o serviço da fazenda da armada nacional por um official de Fazenda. Rio de Janeiro, 1879, 24 pags. in-8° peq. J ulio I* ires Ferreira Solbrinlxo - Filho de Francisco Campello Pires Ferreira e nascido em Pernambuco, é bacharel em sciencias sociaes e j uri dicas pela faculdade do Recife. Escreveu : - Modelhos: versos. Pernambuco, 1889, in-8° - Não os vi; mas, diz O Paiz annunciando a recepção deste livro : « Não ha duvida que são versos; modelhos é que não. Si o poeta afinasse mais um pouco as cordas de sua lyra...». - Notas sobre a lingua portugueza. Recife, 1894. Júlio Proeopio Favillu Nunes- Natural de Bagé, Rio Grande do Sul, e nascido a 9 de abril de 1854, estudou na escola militar e fez o curso da escola geral de tiro do Campo Grande, ser- vindo no exercito até 1878. Sendo amanuense da antiga commissão vaccinico-sanitaria de S. Christovão, na reforma de serviço de hygiene de 1886 passou para a secretaria da Inspectoria geral de hygiene, d'onde pedindo exoneração, estabeleceu uma casa commercial no Rio de Janeiro; deixando o commercio foi nomeado, noregimen republicano, director da commissão central de saneamento do estado do Rió de Janeiro. Applicou-se sempre aos estudos estatísticos e é socio da sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, e fundador da so- ciedade Phenix litteraria, em cuja revista collaborou, assim como no Diário Popular, no Fluminense, no Repórter do Rio de Janeiro, e em outros peiiodicos. Fundou e redigiu : - Diário do Brasil. Rio de Janeiro, 1881, in-fol. - Jornal da Noite. Rio de Janeiro, 1882, in-fol. - Gazetinha. Rio de Janeiro, 1883, in-fol. peq.- Estas folhas pouca duração tiveram. Escreveu: - Dados estatísticos do estado sanitario e serviços concernentes á salubridade publica da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1885» 24 pags. in-4.° - Estatística do Rio de Janeiro, Io semestre. Rio de Janeiro, 1885, in-4° com o mappa da mortalidade. - A população, território e representação nacional do Brasil, comparada com a de diversos paizes do mundo. Rio de Janeiro, 1889, 266 ju in-40-- Este trabalho na parto relativa á representação nacional serviu de base para a confecção da constituição da republica. - Recenseamento do estado do Rio do Janeiro, feito, etc. por ordem do Exm. Sr. presidente do estado, etc. Rio do Janeiro, 1893, in-4.° - Era o autor então director da commissão central de saneamento. - Historia de Canudos : narrativa documentada da campanha dos sertões do estado da Bahia. Rio de Janeiro, 1898 - Esta pu- blicação foi feita cm fascículos. Jnlio Rodrigues <Ic Moura - Filho do tenente- coronel Manoel Rodrigues de Moura, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 24 do abril de 1839, e fallecou em Petropolis a 12 de julho de 1892, bacharel em lettras pelo antigo collegio Pedro li, doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade e membro titular da Aca- demia nacional de medicina. Um dos fundadores da casa de saude, de convalescença e hospício de alienados de S. Sebastião, foi um dos clínicos de maior clientela no Rio de Janeiro e dos que maior actividade desenvolveram no estudo das questões scientificas de sua profissão. Assim collaborou sempre na imprensa medica, quer do Rio de Janeiro, quer de outros estados, na qual deixou trabalhos que foram traduzidos e publicados em revistas estrangeiras. Escreveu : - Fistulas vesico-vaginaes; Das prenhezes extra-uterinas; Da plourizia, da pneumonia e da bronchite (estudo comparativo) ; Cir- culação vegetal : those apresentada à faculdade do medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1861, 50 pags. in-4° gr. - Da chyluria : these apresentada, etc., para o concurso a um logar de substituto da secção de sciencias medicas. Rio do Janeiro» 1877, 89 pags. in-4° gr. - Pathogenia da febre amarella. Plano para sua discussão apre- sentado á Sociedade medica do Rio de Janeiro. (Sem logar, nem data, mas do Rio de Janeiro, 1876), 8 pags. in-4° - Foi publicada também na Gazeta Medica da Bahia, 1876, pags. 403 e segs. - Annotações sobre os accidentes em ectasias da aorta thoraxica, lesões cardíacas e aneurismas do tronco bronchio-ephalico. Rio de Ja- neiro, 1876, 15 pags. in-4° - Foram no mesmo anno publicadas na Revista Medica, pags. 524, 573 e 636 e segs. - Notas acerca de cinco casos de beriberi de fôrmas mixta e paralytica. Rio de Janeiro, 1877, in-4°- Também na dita revista, 1877, pags. 92 e segs. - Nota sobre um caso de hypoemia intertropical, terminada por morte ; autopsia e verificação da existência de ontozoarios da especie JÍT 267 anchylostomum duodenale - Na Revista Medica da Bahia, tomo Io, 1866-1867, pags. 122 e 136. - Estudo para servir do base a uma classificação nosológica da epidemia especial de paralysias que reinou na Bahia- Idem, tomo 2°, pags. 13, 24, 61 o 73 o tomo 3o, pags. 99 c 256. - Da nypoemia intertropical, considerada como moléstia vermi- nosa-Idem, tomo 4°, pags. 157, 171, 181 e tomo 5o pag. 5. Foi publicada ainda, em francez, na Gazette Medicale de Paris, tomo 26°, e por ultimo ampliada e publicada naquella revista, tomo 5o, pags. 87, 119, 149, 208 o tomo 6o, pag. 102. - Estudos clínicos sobre as moléstias do figadò, traduzidos e ampliados - Idem, tomo 4°, pags. 101, 121 e 133. - Nota acerca de um caso de nevrose, seguida ás vezes de hemoptisis e muito idêntica á moléstia que na Inglaterra se denomina asthma de feno ou febre de feno (hay-fevèr)- Idem, tomo 5o, pag. 26S e 6o, pag. 3. - A intoxicação paludosa no exercito brasileiro em operações contra o Paraguay- Idem, tomo 2o, pags. 137, 243 e 269. - Reflexões a respeito da obra do Sr. dr. José Louronço de Ma- galhães sobre a morphea no Brasil, especialmente na província de S. Paulo -Na União Medica, 1883, pags. 281 è 375. - Apontamentos para servirem de base ao estudo das estações climatéricas brasileiras, mais aconselhadas para o tratamento da phli- sica pulmonar - idem, 1881, pag. 603 e 1882, pags. 119 o 202. - Registro clinico. Caso de histeria cm uma menina de nove annos; explosão dos phenomenos depois de uma lymphatite da coxa, termi- nada por suppuração no concavo popliteo; melhoras - No Brasil Me- dico, anno 1°, serie Ia, 1887, pags. 37 e segs. - Hgpoemia intertropical com ankiíostomum duodenale: memória apresentada á Academia Imperial de Medicina, etc.- Foi publicada nos Annaes da Academia imperial de medicina, 1867-1868, pags. 21 e 34, seguidas de um parecer do dr. Peçanha da Silva. - Nota sobre um caso curioso de clinica. Erros o difficuldade de diagnostico. Discussão a respeito. E' possivel cáraclèrisar-so nosolo- gicamente a moléstia chamada por Pèan, peritonite gelatinosa- No Brasil Medico, 1887, pags. 169 e segs. Além de muitos outros trabalhos em revistas redigiu: - Revista Medica. Rio de Janeiro, 1873 a 1879, 6 vols. in-4°- Com o dr. Josê Benicio de Abreu (veja-se este nome) e outros. - União Medica : revista mensal consagrada á defesa dos in- teresses scientificos, moraes e profissionaes da classe medica. Annos 268 Io a 4o. Rio de Janeiro, 1881 a 1884, in-4° - Com os drs. Silva Araújo, Moura Brasil e Moncorvo de Figueiredo. - Rimances e Villancetes ; versos no prelo. Júlio íSerg-io Palma - Filho de João Rodrigues Palma e nascido na Bahia, é doutor em medicina pela faculdade deste Estado, serviu no corpo de saude do exercito e escreveu: - Quaes as vantagens hygienicas da cremação sobre a inhu- mação; Quaes os meios de absorpção dos medicamentos ; Feridas do pulmão e seu tratamento ; Exhumações jurídicas: these para o dou- torado em medicina apresentada, etc. Bahia, 1880, 2 fls.-71 pags. in-4° gr. - Manual de autopsias pelo dr. Richard Hesclt, traduzido do allemão e annotado pelo Dr. Pacheco Mendes com a collaboração do dr. Julio Palma. Bahia, 1887, in-8.° Junius Constancio de Villeneuve - Nascido na França a 27 de fevereiro de 1804, falleceu alli em Soultzmatt Alto Rheno, a 5 de agosto de 1863. Tendo frequentado em sua patria o curso de mathematicas puras, foi na fundação do império, com mais dous jovens patricios, R. A. Mongenot e J. B. Baily, contractado para servir em nossa marinha de guerra pelo encarregado dos negocios do Brasil em Londres, Manoel Rodrigues Gameiro Pessoa, depois Vis- conde de Itabayana, afiançando-lhe este o posto de guarda-marinha logo que terminasse os estudos que lhe faltavam do respectivo curso. Chegado ao Rio de Janeiro, foi effectivamente nomeado segundo tenente de commissão, assim como seus dous patricios, passando a effectivo em 1828. Pedindo, porém, demissão do serviço da armada com Mongenot, dedicou-se ao commercio. Começando a dirigir uma pequena folha de propriedade do emigrante francez Emilio Seignot Plancher, comprou depois essa propriedade, e cooperou poderosa mente na obra do desenvolvimento da civilisação e deve, portanto, sua memória ser perpetuada pela gratidão nacional, como disse o Dr. J. M. de Macedo, porque si não foi fundador, foi ao menos, e isso é muito, o civilisador, a alma que deu alma, a intelligencia que passou sua ílamma ao - Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro - a mais importante folha do Brasil. Fundado a 1 de abril de 1826 por Plancher, o Jornal do Commercio, que já era dirigido por Villeneuve desde 1830, passando a ser propriedade deste a 9 de junho de 1832, assumiu as maiores pro- porções, já com a acquisição de hábeis pennas, já com a publicação dos JU 269 debates das camaras legislativas e com outros melhoramentos, como a creação do Folhetim, onde são publicados os melhores romances tra- duzidos do francez. Villeneuve escreveu: - Paraguassú: (chronique bresilienne): poème lyrique en trois parties, mise em musique par J. O'Reli y et J. Villeneuve, executé pour la premiere fois sur le theatre lyrique ã Paris, le 2 aoút. Paris, 1855, 35 pags. in-8° - O assumpto desta opera é tirado do poema Caramurú, de frei José de Santa Rita Durão. Justiniano .Tose <lf* Rocha - Nascido a 8 de no- vembro de 1812 na cidade do Rio de Janeiro, aqui falleceu a 10 de julho de 1862, tendo recebido sua primeira educação litteraria no collegio de Henrique IV, da França, onde alcançou os primeiros prémios, e tendo feito o curso de sciencias sociaes e jurídicas na academia de S. Paulo, onde obteve o grão de bacharel, em 1833. Nomeado em 1838 professor de historia e geographia do collegio de Pedro II, de que pediu sua exoneração pouco depois, foi nomeado lente de direito militar da escola militar em 1841 e ahi leccionou também francez e latim, exer- cendo ao mesmo tempo a advocacia. Foi director das aulas da insiruc- ção primaria e membro do conselho director da instrucção publica da côrte ; representou a província de Minas Geraes na quinta, oitava e nona legislaturas; mas, foi no jornalismo, a que se consagrara, que colheu immarcessiveis palmas e onde primou sempre. Como Ledo e Ja- nuário da Cunha Barboza na época da independencia - disse Lery dos Santos -como Evaristo Ferreira da Veiga em 1831, foi o athleta da im- prensa brasileira desde 1836 até sua morte. « O sceptro do jornalismo político do Brasil passou das mãos de Evaristo Ferreira da Veiga - disse o Dr. Macedo - para as de Justiniano José da Rocha, que o con- servou por longos annos desde 1836. Evaristo foi o primeiro mestre, teve para si a gloria da prioridade, a flamma do patriotismo e do talento, o dom precioso do bom senso e o grande merecimento da cen- sura sem fel e da polemica energica, mas decente; Rocha o excedeu em illustração e em maxima habilidade de escriptor estrategisia nos combates da imprensa. » Na luta via seus adversários cahirem ou re- tirarem-se exhaustos para voltarem depois com as armas aguçadas, succederem-se outros, e elle sempre de lança em punho até que a morte cortou-lhe o fio da existência. Escrevia com uma facilidade admiravel, sem que a conversação o perturbasse; si alguém o procurasse para fallar-lhe sobre política, deixava a penna e depois proseguia como si nada o houvesse interrompido. Escrevia rodeado de passarinhos que faziam um chilrado para outros insupportavel, e de crianças em ver- 270 JU dadeira algazarra. Morreu pobre, quando poderia ter morrido riquís- simo, na edade de 50 annos. Escreveu : - O Athlante (periolico). Rip de Janeiro, 1836, in-fol. - O chronista. Rio do Janeiro, 1836-1839, 2 vo's. in-4° - Esta folha foz opposição franca ao governo do regente Feijó o nella collabo- raram Josino do Nascimento Silva e Firmino Rodrigues da Silva. - O Brazil. Rio de Janeiro, 1840-1852, 7 vols. in-fol.- Publi- cava-se a principio tres vezes por semana e depois diariamente ; co- meçou a 16 de junho do 1840, combatendo a causa da maioridade do Imperador. - Correio do Brasil. Rio de Janeiro, 1852-1853, in-fol.- Nessa época Salles Torres Homem que ainda ora liberal e não pensava ser Visconde do Inhomerim, escrevia no Correio Mercantil uma serio do artigos com o titulo « A conciliação e os partidos » e Justiniano J. da Rocha escrevia no Correio do Brasil, em contraposição, os « Prós e os contras ». Emquanto, porém, que Salles Torres Homem escrevia um artigo, ello escrevia dous e tres, e- póde-so dizer - os escrevia sobre a perna com habitual facilidade. Emquanto que para comprchender um artigo do Sallos Torres Homem era preciso a maior attenção, e até repetir a leitura, os artigos de Justiniano J. da Rocha tinham a maior clareza, oram fáceis de comprehender, sem circumloquios, sem difi- culdades, em boa linguagem. O Correio do Brasil tinha maior formato do que as outras folhas, por isso, não podendo sustental-a, voltou Rocha á precedente como titulo: - O Velho Brasil. Annos XIII eXIV. Rio de Janeiro, 1853-1854, in-fol. - O Constitucional. Rio de Janeiro, 1854-1855, in-fol.- Foi pu- blicada esta folha quando, com a política de conciliação, inaugurada polo Marquez de Paraná, sentia-se enfraquecido o partido conser- vador. - O Regenerador. Rio de Janeiro, 1860-1861, in-40-- Apresen- tando-se mais moderado em suas idéas políticas, Rocha sustenta as idéas catholicas. O primeiro numero viu a luz a 9 de fevereiro daquelle anno com a epigrapho « Fé em Deus, fé nas instituições, fé no futuro do Brasil» ; o ultimo a 28 de setembro deste. Ao mesmo tempo que na côrte Justiniano J. da Rocha se constituía o orgão e campeão reco- nhecido do partido conservador, entrava em 1839 para a collaboração do Jornal do Commercio, segundo afirma o dr. Macedo, e cm labor diário, infatigável concorria para a redacção dessa folha, servindo-a dedicadamente até o anno de sua morte. Forneceu para ella vários romances, que mencionarei adiante. JU 271 - Considerações sobre a administração da justiça criminal no Brasil e especialmento sobre o jury, onde se mostram os defeitos ra- tlicaes desta tão gabada instituição, com um appendice, contendo a analyso do processo de La-Roncière, accusado de estupro e tentativa de assassinato, julgado nos tribunaes de Assises, de Paris, om 1835. Rio do Janeiro, 1835, 146 pags. in-8.° - Compendio de geographia elementar, offerocido ao governo de S. M. I. e por elle acceito para uso dos alumnos do imperial collegio do Pedro 2°. Rio do Janeiro, 1838, 142 pags. in-8° - Ha segunda edição completamente refundida e augmontada, de 1850, 321 pags. in-8.° - Compendio de historia universal. Rio de Janeiro, 1860, 4 vols. in-8'1 - Contêm esses volumes: o Io a historia antiga; o2o a historia média ; o 3o a historia moderna até o tratado da quadrupla alliança; o 4o a historia da America, especialmente a do Brasil, com uma ligeira noticia dos descobrimentos e progressos industriaes desta épocj. Houve mais duas edições posthumas, feitas por partes, uma de 1864, e outra do 1876. - Relatorio do estado das aulas de instrucção primaria na pro- víncia do Rio de Janeiro, apresentado a 1 de fevereiro de 1842, etc. Rio de Janeiro, 1842, 27 pags. in-4.° - Inglaterra e Brasil. Trafego de escravos. Rio de Janeiro, 1845, 273 pags. in-8o - e mais 19, contendo uma nota diplomática do mi- nistro de estrangeiros ao Sr. Hamilton, enviado extraordinário e mi- nistro plenipotenciário da Grã-Bretanha. E' uma collecção do escriptos publicados no Brasil. - A política brasileira na republica oriental do Uruguay, por um brazileiro. Rio de Janeiro, 1854, 148 pags. in-8.° - Acçdo, reacção, transaeção. Duas palavras acerca da actualidade política do Brasil. Rio de Janeiro, 1855, 56 pags. in-4° - E' uma publicação anonyma. - Monarchia e democracia. Rio de Janeiro, 1860, 55 pags. in-4° - Idem. E' uma reproducção de um trabalho que publicara no Jornal do Commercio de 23, 24 e 25 de maio, refutando victoriosamente o opusculo « Os cortesãos e a viagem do Imperador » do dr. José Joa- quim Landulpho da Rocha Medrado. (Veja-se este autor, assim como Antonio David de Vasconcellos Canavarro e Joaquim Pinto de Campos, que escreveram contestando o mesmo opusculo, este,« Os anarchistas e a civilisação »; aquolle « A monarchia constitucional e os libellos.») Este escripto teve segunda edição no mesmo anuo. - Biographia de Manoel Jacintho Nogueira da Gama, Marquez de Baependy, etc. Rio de Janeiro, 1851, 110 pags. in-8° com o retrato do Jl 272 biographado - Ha outras biographias do autor na Galeria dos bra- sileiros illustres, isto é, do Imperador D. Pedro I, de Bernardo Pereira de Vasconcellos, de José Thomaz Nabuco de Araújo e de Sérgio Tei- xeira de Macedo. - Dissertação contra o regimen penitenciário, applicado ao Brasil e aos povos meridionaes - Não me consta que fosse impressa. - Ensaio critico sobre o modo, por que se deve escrever a historia do Brasil - Idem. - Historia parlamentar e política do império do Brasil - Idem. - Collecção de fabulas imitadas de Esopo e de La Fontaine, dedi- cadas á S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1852, in-8° - Fez-se se- gunda edição, adoptada para leitura das aulas primarias do município neutro. Rio de Janeiro, 1856, e ha uma nova, de Paris, 1875 e nona, me parece, de 1895, feita em Paris, mas sem designação da data, e com a declaração de « nova edição muito melhorada com numerosas vinhetas, adoptada para leitura das escolas, contendo 120 fabulas. «Esta edição faz parte da collecção intitulada « Encyclopedia das escolas primarias »• - Os assassinos misteriosos ou a paixão dos diamantes: novella histórica. Rio de Janeiro, 1839, 29 pags. in-8.° - A rosa amarella : novella de Charles Bernard, traduzida. Rio de Janeiro, 18392 82 pags. in-8.° - As armas e as lettras: novella de Alexandre de Levergni, tra- duzida. Rio de Janeiro, 1839, 93 pags. in-8.° - A pelle de leão: novella de Charles Bernard, traduzida. Rio de Janeiro, 1842, 138 pags. in-8.° - O Conde de Monte Christo por Alexandre Dumas. Rio de Ja- neiro, 1845, 10 tomos de 155, 160, 169, 106, 197, 168, 216, 217, 169 e 229 pags. in-8° - Esta traducção, como as precedentes, publicada no Jornal do Commercio, foi por muitos considerada superior ás outras que se fizeram desse romance. Esgotada em pouco a edição, fez-se segunda em 1847, também em 10 tomos. - Piquillo Alliaga ou os mouros no reinado de Felippe III por Eugênio Scribe, traduzido. Rio de Janeiro, 1847, 42 pags. in-4.° - O pariá e a sociedade brasileira: novella. Rio de Janeiro,... 4 tomos in-8.° - A sorte grande: novella escripta em allemão pela Sra. Fanny Lewald ; traduzida em francez e do francez para portuguez. Rio de Janeiro...-Foi também publicada na Marmota da côrte, 1860, de ns. 1122 a 1196. - Os miseráveis por Victor Hugo - Rocha tinha entre mãos essa obra que traduzia para ser publicada no Jornal do Cmmercio em 1862. au 273 Por sua morte foi encarregado da continuação Antonio José Fernandes dos Reis, de quem jà tratei. Me parece que é de sua penna : - A questão do dinheiro : comedia em cinco actos em prosa por Alexandre Dumas filho, traduzida por J. J. da Rocha. Rio de Janeiro, 1858, 199 pags. in-4.° - Sérgio Teixeira de Macedo: biographia - Na Galeria de bra- zileiros illustres. - José Thomaz Nabuco de Araújo: biographia - Idem. - Imperador D. Pedro I: biographia -Idem. -í ustiniano de Mello Franco - Filho do doutor Francisco de Mello Franco, já mencionado neste livro, nasceu em Lisboa e falleceu em S. Paulo depois de 1843. Doutor em medicina pela universidade de Gottingue, veio para esta cidade com seu pae ; foi ahi director do hospital militar, inspector geral da vacc nação e commandante da companhia de cavallaria da guarda civica com a de- nominação de Sustentáculo da independência brasileira e creada por decreto de d. Pedro I de 9 de setembro de 1822, após a proclamação da independência. Era membro da academia real dassciencias de Lisboa e escreveu : - Regulamento para o hospital militar da cidade de S. Paulo, 1820 - Creio que não foi impresso ; mas esteve na exposição de historia patria de 1880 uma copia de 37 pags. in-fol. - Este regulamento foi mandado observar naquelle hospital. - Memória sobre a vaccinação na província de S. Paulo desde o anno de 1819 ate 1826, dedicada ao Visconde de Congonhas de Campos - Esteve na mesma exposição uma cópia de 8 pags. in-fol., authen- ticada por J. F. de Toledo. - Memória sobre a descripção e vantagens de uma cadeira de obstetrícia da invenção do professor Stein, depois reformada e emen- dada principalmente pelo professor Osiander, escripta por Justiniano de Mello Franco - Nas Memórias dos socios correspondentes da Academia Real das sciencias de Lisboa, pags. 22 a 39. •Justiniano de Mello e Silva - Filho do advogado Felix José de Mello e Silva, o antigo secretario de Frei Caneca na pa- triótica revolução pernambucana de 1817, e de dona Maria Alexan- drina de Mello e Silva, nasceu na cidade de Larangeiras, Sergipe, a 8 de janeiro de 1853. Alli começou sua educação litteraria que foi con- cluir em Pernambuco. Regressando á patria em 1871, obteve por concurso a cadeira de inglez do Athenêo sergipano. Em 1874 fez, por 274 JTT motivo de moléstia,Juma digressão pelo Rio Grande do Sul|e|pelas duas republicas vizinhas, e em sua volta ao rio de Janeiro em 1876 foi no- meado secretario do governo do Paraná. Nesta província leccionou varias matérias no Instituto paranaense, foi nomeado lente de pe- dagogia da escola normal e deputado provincial em quatro legislaturas. Tornando por fim á Sergipe, continuou no magistério, sendo transferido mais tarde para a cadeira de historia universal e de civilisação. Dedicando-se sempre ao jornalismo, tem redigido : - A crença : jornal litterario. Recife, 1870, in-4° -■ Foi redigido com Sylvio Romero. - 25 de Março : orgão do partido conservador. Curitiba, 1876, in-fol. - O Paranaense : orgão do partido conservador: Curitiba, 1877- 1878, in-fol. - Jornal do Commercio. Curitiba - Sete de Setembro Curitiba, 1888-1890, in-fol. - Revista Azul. Curitiba, 1893 - com J. D. Pernetta. Tenho no- ticia de que tem inéditos os seguintes trabalhos : - Direito Constitucional. - Leis de educação. - O amor materno e a educação pelos instinctos - O começo desta obra foi publicado nos n. 3 e 5 da Revista Azul. - Historia da revolução do Paraná em 1894. - Fetichismo e idolatria : - estudo philosophico. Justinia>xio de Serpa - Filho de Manoel José da Costa Marçal e natural do Ceará, nasceu na villa de Aquiraz a 6 de janeiro de 18... ; é bacharelem sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife e advogado em sua patria. Foi deputado provincial du- rante o império e na republica ao congresso constituinte. Cultiva a poesia, é distincto jornalista e escreveu : - Oscillações: poesias. Ceará, 1883, in-8° - São onze composições diversas e constituem a segunda parte do livro « Tres lyras : poesias de. A. Bezerra, J. Serpa e A. Martins». A primeira parte, de A. Bezerra, tem por titulo Lampejos ; a ultima Harpejos. - Julgamento político: discurso proferido na sessão de 16 de agosto de 1884, quando se discutia o parecer que julgou procedente a queixa apresentada contra o juiz de direito de Aracaty. Fortaleza, 1885, in-8.° - Discurso proferido no dia 14 de agosto na kermesse promovida pela imprensa a favor do monumento Tiburcio. Ceará, 1887, 16 pags. in-8-° JTJ 275 - Discurso proferido ao pé da estatua do General Tiburcio na noite de 8 de abril na cidade da Fortaleza. Fortaleza, 1888, in-8.° Redigiu : - A constituição : orgão do partido conservador. Fortaleza, 1863 a 1889, in-fol. - O Norte : diário da tarde, politico. Fortaleza, 1891 a 1893, in- fol. - Com Martinho Rodrigues, Gonçalo de Lagos, Alves Lima e Drumond da Costa. Começou a 14 de abril daquelle anno e terminou a 30 de outubro deste. - Diário do Ceará. Fortaleza, 1894 a 1896, in-fol. - com os drs. José Lino da Justa, Álvaro Mendes e Roberto de Alencar. Sahiu o primeiro numero a 24 de novembro em substituição ao jornal O Commercio. - Iracema : orgam do centro litterario da Fortaleza. Fortaleza, 1895 - Foi elle redactor da parte scientiíica com o dr. Guilherme Studart. Me consta que redigiu mais : - A Patria : jornal politico. Fortaleza - com os drs. Barbosa Lima e Ferreira Santiago. - Si organisado o Estado de accordo com o art. 63, combinado com o art. 15 da constituição federal, pôde o respectivo presidente ou chefe do poder executivo ser investido da attribuição de suspender magistrados ? Voto em separado - Na Revista da Academia Cearense, Anno Io, fasciculo Io, pags. 171 e 188. Jnstino de Figueiredo Novaes - Natural do Rio de Janeiro, nasceu a 11 de junho de 1829 e falleceu a 20 de maio de 1877, sendo contador do thesouro nacional, commendador da ordem da Rosa, e socio do Conservatório dramatico. Dedicado á litteratura amena, escreveu : - Os dous loucos: romance. Rio de Janeiro, 1851, 120 pags. in-8.° - O filho do pescador : romance. Foi publicado no periodico Beija-flor, Rio de Janeiro, 1849. - Pedro de Aguiar: romance - Idem. - As flores de uma coroa: romance - Idem. - Fernando e Margarida; romance - Foi publicado no Curupira, Rio de Janeiro, 1852. - A vingança de um amante : romance - Idem. - Uma zombaria do destino : romance - Idem. - O Prothêo moderno: comedia - Foi representada pela primeira vez no Gymnasio a 27 de maio de 1858, mas nunca foi impressa. 276 JU Justino Francisco Xavier - Capitão da guarda nacional, escreveu : - Formulário do processo perante o conselho de disciplina no julgamento dos offlciaes, offlciaes inferiores, cabos e mais praças da guarda nacional no recurso das decisões do mesmo conselho. Rio de Janeiro, 1869, in-8.° Juvenal Alves fereii'» Martins -- Filho de Francisco Alves Pereira Martins e dona Maria Xavier Martins, nasceu em Campo Largo, actual estado do Paraná, pelo anno de 1870, e falleceu a 9 de julho de 1891. Foi poeta e escreveu : - Átomos: poesias, Rio de Janeiro, 1891 - Foram publicadas estas poesias depois da morte do autor. J uvenai Francisco Famdn - Filho de João Fran- cisco Parada e dona Maria Amélia Parada e nascido em S. Paulo a 3 de maio de 1865, ê bacharel em direito pela faculdade desse estado, onde exerce a advocacia. Foi deputado provincial e por essa occasião escreveu : - Projecto de reforma da instrucção publica, apresentado á assembléa provincial de S. Paulo. S. Paulo, 1888, in-8.° Juvenal Galleno da Costa, e Silva - Filho de José Antonio da Costa e Silva e dona Maria do Carmo Theophilo e Silva, nasceu na cidade da Fortaleza, capital do Ceará, a 27 de setembro de 1836. Depois de alguns estudos de humanidades dedican- do-se á trabalhosa vida da agricultura, ainda assim cultivou sempre as lettras, e jamais esquivou-se de dar á sua patria o que todo cidadão ã patria deve. E' assim que foi official da guarda nacional, deputado à assembléa provincial, inspector da instrucção publica do districto de sua residência. E' membro de algumas associações litte- rarias, como a sociedade Auxiliadora da industria nacional e o Instituto historico do Ceará, e tem collaborado para varias folhas desse estado, e também para revistas, como a Revista Popular do Rio de Janeiro. Escreveu : - Prelúdios poéticos. Rio de Janeiro, 1856, 152 pags. in-4.° - A machadada: poema phantastico por XXX, Ceará, 1860, 26 pags. in-4" - E' um poema satyrico em tres cantos. - Porangaba ; poema heroe-comico. Ceará, 1861, 102 pags. in-4.° - Lendas e canções populares. 1859-1865. Ceará, 1865, 415 pags. ^-4° - Este livro foi muito applaudido o c^tá cm segunda edição. 277 JTT - Scenas cearenses. Os pescadores ; Dia da feira ; Folhas seccas; Noite de núpcias; O senhor das caças; Clara; Aurora do Céo; O serão. Ceará, 1871, 282 pags. in-4° com retrato do autor. - Lyra cearense: poesias populares, americanas, intimas. Ceará, 1872, 150 pags. in-4.° - Canções da escola. Ceará, 1871, 35 pags. in-4° - Me consta que o litterato cearense conserva trabalhos inéditos e até um genero diverso de litteratura, como - Quem com ferro fere, com ferro será ferido : provérbio em um acto - De seus trabalhos em revistas faço menção dos seguintes : - O eleitor - na Revista Popular. Rio de Janeiro, tomo 8o, pags. 311 e 312. - Evaristo Ferreira da Veiga: poesia - na mesma revista, tomo 9o, pags. 373 a 375. - Ao Imperador em sua partida para a guerra. 1865 - No Echo Americano, Nova Nork, tomo 2o, 1872, pags. 259 a 262. - Novas canções populares. A sêcca do Ceará (1878) - na Revista trimensal do Instituto historico do Ceará, tomo Io, pags. 65 a 69. Juvenal Galleno redigiu : - O Peregrino: jornal litterario. Fortaleza, 1862 - O primeiro numero sahiu a 9 de fevereiro. Depois collaborou em outros periódicos, como a Quinzena, de propriedade do Club Litterario da Fortaleza, cujo primeiro numero foi publicado a 15 de janeiro de 1888. Elle tem mais: - Folhetins de Silvanus. - Medicina caseira, serie de artigos sobre as virtudes de algumas plantas indígenas, publicados na Republica, jornal da Fortaleza. 1897. Juvenal de Mello Carramanhos - Filho de Ma- noel Rodrigues da Silva Mello Carramanhos e nascido em Angra dos Reis ou em iMangaratiba, província do Rio de Janeiro, a 16 de agosto de 1834, falleceu a 6 de abril de 1879 em Mogy das Cruzes na pro- víncia de S. Paulo, onde servia o cargo de juiz municipal. Era ba- charel em sciencias sociaes e juridicas, formado pela faculdade do Recife, em 1862. Foi um dos escriptores do - Bazar volante - folha illustrada que se publicou no Rio de Janeiro de 1863 a 1866, usando do pseudonymo de Gallenus. Escreveu antes : - Varias poesias- no Yíororò, jornal scientiflco, político, litterario e artístico, Santos, 1859 e 1860 e, consta-me, que foi de sua penna o - Jornal scientiflco, economico e litterario ou collecção de varias peças, memórias, relações, viagens, etc. Rio de Janeiro, 1872 - Com 278 JTJ egual titulo publicou-se no Rio de Janeiro, em 1826, uma revista in-4°, da qual não sei quem foi o redactor. Juvenal Octaviano Miller - Nascido no estado do Rio Grande do Sul a 13 de outubro de 1866, é tenente do corpo de es- tado-maiór de Ia classe, engenheiro militar pelo regulamento de 1889, secretario e coadjuvante do ensino na Escola militar de Porto Alegre. Escreveu: - Professos. Porto Alegre, 1898, 148 pags. in-8° - N'um pequeno romance descreve o autor scenas e costumes da antiga provincia, hoje estado de Matto Grosso. Juvencio Alves Rilbeiro da Silva, -Filho de José Alves Ribeiro da Silva, nasceu na cidade de Sobral, actual estado do Ceará, a 2 de junho de 1829 e falleceu na cidade do Recife, capital de Pernambuco, a 28 de agosto de 1867. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, cultivou as lettras amenas e escreveu: - Psychè: romance. Fortaleza... - Carlos: romance. Fortaleza... Juvencio Augusto d.e Menezes Paredes - Natural da provincia, hoje estado do Rio Grande do Sul, e ahi fal- lecido no regimen da monarchia, foi um dos mais distinctos litteratos rio-grandenses e escreveu : - Parietarias: poesias. Porto Alegre (?)... - Corôas de martyrios: drama. Porlo Alegre (?)... De suas poesias foi publicada a que tem por titulo : - A' uma rapariga -No Cancioneiro alegre de Camillo Castello Branco, pags. 335 e 336. Juvencio Auto Pereira - Nasceu na provincia do Maranhão em 1852 e falleceu a 2 de outubro de 1882 na do Ceará, para onde tinha ido em busca de remedio, soffrendo do beriberi. Era terceiro escripturario da alfandega de S. Luiz, e escreveu: - Odolan: poema - Sei da existência dessa obra por ver n'uma noticia de sua morte que o autor publicara esse poema « com que coroou a gloria de seus dias». Juvencio Martins da Costa - Filho de Wenceslau Martins da Costa o dona Anna de Medeiros Costa, nasceu na cidade do Desterro, capital de Santa Catharina, em 1857 e falleceuem outubro 279 de 1882. Era segundo escripturario da alfandega da mesma cidade e exerceu vários cargos de eleição popular, como o de deputado á as- sembléa de sua província. Redigiu ahi jornaes de lettras e pdliticos e escreveu muitas poesias, de que foram publicadas depois de sua morte em volume com o titulo: - Flores sem perfume. Desterro, 1883, com o retrato do autor - Precedem o livro dous juizos críticos de V. B. de G. (Wenceslau Bueno de Gouvêa ) e J. A. B. Ladislau II. da Silva Aranha- Natural do Maranhão e ahi agricultor, inventou um systema de arados para diversos serviços do amanho do terreno e também para o córte de matto, escrevendo por esta occasião: - Arados brazileiros. Rio de Janeiro, 1892 - E' a descripção dos arados de sua invenção, acompanhada das respectivas estampas em gravura. TjadislaxiMos Santos Titara - Filho do advogado Manuel Ferreira dos Santos Reis, que foi seu mestre de primeiras lettras, nasceu na povoação de Capuame, depois villa da Matta, pro- víncia da Bahia,a 24 de maio de 1801 e falleceu no Rio de Janeiro a 18 de março de 1861, sendo major do corpo de estado-maior de 2a classe do exercito, official da ordem da Rosa, cavalheiro da do Cruzeiro, condecorado com a medalha da campanha da independencia e socio do Instituto historico egeographico brasileiro. Quando estudava huma- nidades em sua província, o ministro portuguez Thomaz A. de Villa- Nova Portugal que ahi se achava, tendo sciencia de sua brilhante intelligencia concedeu-lhe uma pensão por oito annos para estudar medicina na universidade de Coimbra ; mas rompendo a guerra da independencia, alistou-se elle nas phalanges brasileiras, com praça de cadete em um dos corpos de artilharia, merecendo particular estima do general Labatut, chefe das mesmas forças. Assignava-se então Ladislau do Espirito Santo Mello, nome que, finda a campanha, mudou para o de Ladislau dos Santos Titara, como fizeram muitos jovens dessa época, inspirados pelo patriotismo, com o fim de esquecer o nome herdado dos portuguezes. Depois dos mais relevantes serviços á inde- pendencia, prestou-os também no Piauhy, em Santa Catharina, em S. Paulo e no Rio Grande do SuL Militar valente, escriptor fecundo, LA 280 grande litterato © exímio poeta, seu elogio acha-se completo nas se- guintes palavras do eloquente dr. Joaquim M. de Macedo : «Sempre laborioso e patriota, deu, consagrou ao Brasil tudo quanto podia dar- lhe : deu-lhe seu braço, seu coração, sua intelligencia; deu-lhe sua penna de escriptor, sua espada de guerreiro, sua lyra de poeta.» O celebre medico e philosopho Antonio Ferreira França foi um de seus mestres e a ultima commissão, de que o encarregara o governo imperial, foi a de auxiliar o senador João Antonio de Miranda na codificação das leis militares e a de organisar um indice chronologico das mes- mas leis. Escreveu : - Auditor brazileiro ou manual geral dos conselhos, testamentos e inventários militares com as leis, registros, arestos e ordens rela- tivas aos mesmos, ás reformas, ao fôro e delictos militares. Porto- Alegre, 1845, 169 pags. in-8°, contadas as dos subscriptores - Se- gunda edição, Rio de Janeiro, 1847, 154 pags. in-8°; terceira, muito mais correcta, melhor coordenada e consideravelmente augmentada, Rio Grande do Sul, 1855, 219 pags. in-8.° - Complemento, do auditor brasileiro ou manual, etc. Rio Grande do Sul, 1850, 196 pags. in-8° - Segunda edição consideravelmente augmentada. Rio Grande do Sul. 1856, 320 pags. E'o 2o volume da obra. - Segundo complemento do auditor brasileiro ou manual, etc. 3o volume. Rio de Janeiro, 1859, 395 pags. in-8n com o retrato do autor - Estes livros são indispensáveis em qualquer repartição da guerra; constituem o compendio, por excellencia, do militar brasileiro. - Memórias do grande exercito al liado, libertador do Sul da Ame- rica na guerra de 1851-1852 contra o tyranno do Prata, e bem assim dos factos mais graves que precederam-na desde vinte annos e dos que influíram para a política energica que ultimamente o Brasil adoptou, afim de dar a paz e segurança aos estados vizinhos, incluindo também noções exactas e documentadas da batalha de Itazaingo em 1827 e de seu resultado. Rio Grande do Sul, 1852, 296 pags. in-4° com tres estampas. - Tratado das figuras estropos usados nas linguas latina e portu- gueza, dos vicios que deslustram a oração, com algumas noções de metrificação em ambas as linguas. Bahia, 1839, 100 pags. in-8.° - Obras poéticas. Bahia e Rio Grande do Sul, in-12°, a saber : T vol. Bahia, 1827,200 pags. in-8.® 2- vol. Bahia, 1829, 192 pags. in-8.° 3J vol. Dedicadas ao Illm. e Exm. Sr. Luiz Paulo de Araújo Bastos, do conselho de S. M. o Imperador. Bahia, 1835, 192 pags. LA 281 4* e 5° vols. Paraguassú, poema epico, dedicado ao Illm. e Exm. Sr. Visconde de Pirajá. Bahia, 1835-1837, 214 e 302 pags. 6° vol. Dedicadas á Hlma. Sr.a D. Ignacia Maria de Carvalho Lima. Bahia, 1839, 190 pags. 7° vol. Dedicadas ao Illm. Sr. Raphael Archanjo Galvão, etc. Rio Grande do Sul, 1851, 270 pags. 8° vol. Oflerecidas á sua prezada esposa, D. Engracia Alves Pe- reira Titara. Rio Grande do Sul, 1852, 271 pags. - Ha mais : 9° vol. - que se acha inédito em poder de um filho do autor, distincto clinico do Rio de Janeiro, e bem assim : - Noticiàdor chorographico ou roteiro de viagens por quatro pro- víncias do império - Inédito. Em 1847 em uma carta ao secretario do Instituto historico, enviou-lhe o autor o prospecto desta obra, que elle se propunha a publicar brevemente e que era offerecida ao Imperador. Constava de dous grossos volumes in-4°, comprehendendo quatro partes : o 1° refere-se á província da Bahia; o 2° ãs de Santa Catharina, de S. Paulo e do Rio Grande do Sul. T^aclislau cie Souza Mello e Netto - Filho de Francisco de Souza Netto e dona Maria da Conceição Mello e Netto, nasceu na cidade de Maceió, Alagoas, a 27 de junho de 1838, e falle- ceu no Rio de Janeiro a 18 de março de 1894, doutor em sciencias naturaes, formado em França ; director geral aposentado do museo nacional; agraciado polo imperador d. Pedro II com o titulo de seu conselho ; membro da sociedade Authropologica de Washington, da sociedade Lineana de Paris, da sociedade Botanica do França, das sociedades de Historia natural de Cherburgo e Ratisbona, da Academia real das sciencias de Lisboa, do Instituto do Grão-Ducado de Luxemburgo, do Instituto historico e geographico brasileiro, do Instituto archeologico e geographico alagoano, da sociedade Auxilia- dora da industria nacional, e de outras muitas associações eguaes da America e da Europa ; dignitário da ordem da Rosa ; commen- dador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçoza ; ofíicial da ordem franceza da Legião de Honra, e officíal da Instrucção publica da Academia de França. Depois de estudar mathematicas e historia natural na academia de bellas artes, com 21 annos de idade fez parte da commissão astronómica e hydrographica incumbida dos estudos da costa de Pernambuco. Em 1862 foi a Minas Geraes com o celebre E. Liais encarregado da exploração do valle de S. Fran- cisco e seu ajudante na parte botanica da expedição. Em 1864, indo á Europa estudar por conta do Governo, cursou as aulas de 282 LA Sorbona e do jardim das plantas de Paris; relacionou-se com os mais celebres botânicos, como o professor Duchartre que muitas vezes, chamando-o de sábio, o cita em seu tratado de botanica ; o sabio Decoisne; o celebre Brageviardt, decano da academia e professor de botanica do jardim das plantas, que reservou-lhe no seu labora- torio um local onde elle trabalhasse, e o propoz membro da sociedade de Botanica; o professor H. Baillon, da faculdade de medicina de Paris, que dedicou-lhe um genero novo de plantas da Nova Zelandia, que intitulou Nettea, das Bixaceas. Em França foi Ladislau Netto convidado para entrar n'um concurso de histologia vegetal pela Academia das sciencias, e pelo ministério da instrucção publica, e foi com outros naturalistas encarregado de estudar a flora da Argé- lia. Regressando ao Brazil, foi nomeado director da secção de botanica do museo nacional, de que foi director geral interino e depois effectivo na reforma feita pelo conselheiro Thomaz Coelho, elevando este estabelecimento á altura, a que jamais subira. Representou seu paiz no congresso de Berlim em 1888, e sendo condecorado com uma medalha honorifica em 1890 pelo Imperador da Allemanha, como a não acceitasse por ser contrario ás instituições republicanas, fez-lhe este soberano a offerta de seu retrato em tamanho natural. Repre- sentou também o Brasil na exposição de Chicago, para a qual cooperou com inaudita actividade e em sua volta recebeu sua aposen- tadoria no cargo que exercia, recolhendo-se então á vida privada. Foi a principal cabeça, o incançavel motor da exposição anthropologica de 1892. O estado de seu nascimento o elegeu seu representante no congresso constituinte republicano ; mas elle renunciou o man- dato para não deixar o estabelecimento que com todo gosto dirigia. Escreveu : - Hydrographie du Haut San Francisco et du Rio das Velhas ou resultats au point de vue hydrographique d'un voyage effectué dans la province de Minas Geraes par Emm. Liais : ouvrage acom- pagné de cartes levées par 1'aucteur avec la collaboration de mrs. Eduardo J. de Moraes e Ladislau de Souza Mello Netto. Paris, 1865 in-fol. com 20 cartas. - Organographie vegetale: remarque sur les lactiferes de plusieurs plantes du Brésil. Paris, 1865, 4 pags. in-4.° - Re marques sur les vaisseaux lactiferes de quelques plantes du Brésil. Paris, 1865, 3 pags. in-4.° - Remarques sur la destruction des plantes indigenes du Brésil et sur le moyen de les en preserver, suivies d'une note sur le meme sujet par Mr. Naudin. Paris, 1865, 16 pags. in-4° - A memo- LA 283 ria sobre a destruição das plantas foi lida na sociedade Botanica de França em sessão de 11 de fevereiro e publicada no Correio Mer- cantil a 26 de março de 1865. - Sur la structure anormale des tiges des lianes. Paris, 1865, 20 pags. in-4.° - Sur la structure anormale des tiges des lianes. Paris, 1866, 5 pags ia-4°- E' extrahido dos Comptes-Rendus de rAcademie des Sciences. - Addition á la Flore bresilienne (Trembleya Pradosiana). Paris, 1866, 3 pags. in-4° com estampas-E' extrahido dos Annales des Sciences naturelles. - Addition & la Flore bresiliene (Pisonia noxia, Pisonia caparrosa, Pisonia campestris, Pisonia laxa et Odina Francoana). Paris, 1866, 8 pags. in-4° com estampas - E' extrahido dos mesmos annaes. - Additions á la Flore bresilienne. Itineraire botanique dans la province de Minas Geraes, acompagné d'un aperçu des principales regions percourrues et considerations sur 1'habitation, 1'importance etc. de chaque plante remarquable. Paris, 1866, 42 pags. in-4.° - Breve noticia sobre a collecção de madeiras do Brazil apre- sentada na exposição internacional de 1867 pelos Srs. F. Freire Allemão, Custodio Alves Serrão, Ladislau Netto e J. Saldanha da Gama. Rio de Janeiro, 1867, 32 pags. in-4.° - Apontamentos sobre a collecção de plantas económicas do Brasil para a exposição internacional de 1867. Paris, 1866, 47 pags. in-4.° - Memória histórica do Museo nacional, seguida de uma noticia sobre suas principaes e mais esmeradas collecções. Rio de Janeiro, 1866. - Estudo sobre as florestas e a cultura do Brasil: memória lida em sessão de 15 de março de 1867 da sociedade Auxiliadora da industria nacional perante S. M. Imperador - Foi impressa na revista desta sociedade e no Jornal do Commercio de 26 do dito mez. - Considerações sobre os vasos usados pelos indígenas do Brazil: relatorio enviado ao respectivo Ministério - No Diário Official, no Correio Mercantil e no Diário do Rio de 13 de junho de 1867. - Investigações históricas e scientiflcas sobre o Museo imperial e nacional do Rio de Janeiro, acompanhadas de uma breve noticia de suas collecções, etc. Rio de Janeiro, 1870, 328 pags. in-4°, com a estampa do museo. - Apontamentos relativos á botanica applicada ao Brazil. Rio de Janeiro, 1871, 83 pags. in-4°- Parte dos artigos deste volume sahiram antes no Correio Mercantil. 284 - Relatorio da companhia do minas de ouro e cobre ao sul do Brazil, apresentado á assembléa geral extraordinária de 15 de ou- tubro de 1874. Rio de Janeiro, 1874, in-8.° - Relatorio do Museo nacional apresentado ao Illm. e Exm. Sr. conselheiro José Fernandes da Costa Pereira Júnior, ministro e se- cretario de estado dos negocios da agricultura, commercio e obras publicas. Rio de Janeiro, 1874, in-fol.- Como este ha muitos outros relatórios. - Carta relativamente á inscripção de uma pedra encontrada em terras pertencentes a J. Alves da Costa, no Pouso Alto, termo de Minas Geraes - Na Reforma de 2 de abril de 1873. A este escripto e sobre o mesmo assumpto, seguiu-se outro, inserto no Jornal do Com- mercio do dito mez. O Dr. Ladislau Netto, para traduzir essa inscri- pção, estudou a lingua phenicia e a hebraica, vindo ao conhecimento de que a pedra em questão é de algum monumento erigido por phe- nicios da Sidonia, deportados ou foragidos do solo pátrio entre os annos nono e decimo do reinado de Hirão, etc. (Veja-se o Novo Mundo, tomo 3o, pag. 154.) - Observaciones sobre la teoria de la evolucion, leidas en la so- ciedad cientifica argentina, a invitacion de la misma sociedad en la secion que en honor del dr. Netto celebro el 12 de octobre de 1882. Buenos-Ayres, 1882, 21 pags. in-4° - Precedendo uma carta expli- cativa ao dr. H. Baillon, professor de historia natural da academia de medicina de Paris, foi publicado em francez este escripto, com o titulo : - Aperçu sur la theorie de 1'evolution : conference faite a Bue- nos-Ayres dans la sceance solemnelle, celebrée en son honneur par la societé scientifique argentine, le25 octobre, 1882. Rio de Janeiro, 1863, 23 pags. in-8.° - Archeologie bresilienne: conference faite au Museum national en presence de SS. MM. Imperiales, le 4 novembre, 1884. Rio de Ja- neiro, 1884, 28 pags. in-8.° • - Archeologie nationelle : Conference faite au Museum national en presence de SS. MM. Imperiales le 24 novembre, 1884. Rio de Ja- neiro, 1885, 23 pags. in-4.° - Le veritê sur 1'inscription de la Parahyba avec le fac-simile des caracteres pheniciens, la traduction en hebreu et français : Lettre áM. Erneste Renan a propos de 1'inscription phenicien apocriphe, submise à 1'Institute historique, geographique et ethnographique du Brésil. Rio de Janeiro, 1885, 39 pags. in-4°- O dr. L. Netto tinha conseguido, com o estudo das linguas phenicia e hebraica, decifrar 285 a inscripção, mas depois conhecendo ser ella apocripha, procurou des- cobrir o falsario e disso deu noticia a Rénan. - Ls Museum national de Rio de Janeiro et sa iníluence sur les Sciences naturelles au Brésil. Rio de Janeiro, 1889, 93 pags. in-4.° - Quelgues verites sur un dilfamateur. Paris, 1889, 24 pags. in-8° - E' sua justificação por uma accusação que lhe foi feita. - Instrucções sobre as preparações e remessa de collecções que forem destinadas ao Museo nacional. Rio de Janeiro, 1890, 12 pags. in-4.° - Impressões de viagem - No livro «A festa litteraria da asso- ciação dos homens de lettras». Rio de Janeiro, 1883, in-8° - O dr. Ladislau Netto collaborou em revistas francezas, na revista da socie- dade Philomatica do Rio de Janeiro, no Espelho e em vários jornaes do império desde 1856, onde se acham seus estudos astronomicos e hydrographicos da costa de Pernambuco e redigiu: - Archivos do Museo nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1878-1888, in-4°- Entre seus escriptos nesta revista estão os dous seguintes: - Apontamentos sobre os tembetas (adornos labiaes de pedra) da collecção anthropologica do Museo nacional - No tomo 2o, 1877, pag. 105 e seguintes. - Investigações sobre a archeoiogia brasileira - No tomo 6o. Este escripto foi elogiado pelo dr. Silvio Romero, no 2o supplemento da Gazeta de Noticias de janeiro de 1886. Escreveu mais: - Introducção e vários artigos da Revista da exposição anthropo- logica. Rio de Janeiro, 1882 - e - Planta, do porto de Pernambuco - No ministério dos negocios da guerra, de 1861 - E' escripta com E. Liais - Eis alguns de seus escriptos em revistas e jornaes: -Viagem dacommissão astronómica e hydrographica : serie de ar- tigos - No Correio Mercantil, 1860-1861. - A provinda de Alagoas e a exposição de 1866 - No Progres- sista de Alagoas, de 12 de fevereiro de 1867. - Descripção da caverna do Furado, na província de Alagoas - No Diário de Alagoas, 1865. - Nome scientifico da butua : carta dirigida ao respectivo minis- tério-No Diário Official e no Auxiliador da Industria Nacionai.Ladislau Netto, emfim, collaborou em vários jornaes e revistas de sciencias e lettras, e tem trabalhos nas publicações da Academia de Sciencias e Instituto de França. I.A 286 Lafajrette RodLrig-uieslPereira - Filho do Barão de Pouso-Alegre e da Baroneza do mesmo titulo, nasceu em Queluz, Minas Geraes, a 28 de março de 1834. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, formado em 1857, foi promotor publico em Ouro-Preto e advogado na capital do império. Eleito depu- tado á decima-setima legislatura, de 1878-1881, foi no segundo anno desta legislatura eleito e nomeado senador do império; presidiu o Ceará e o Maranhão; foi ministro da justiça no gabinete de 5 de janeiro de 1878 e organisador e chefe do gabinete de 31 de maio de 1883, encarregando-se da pasta da fazenda. Durante a mo- narchia, teve o titulo de conselho do Imperador d. Pedro II, foi conse- lheiro de estado e presidente da commissão encarregada do projecto do codigo civil. E'gran-cruz da ordem de Christo,offlcial da ordem da Rosa, membro do Instituto da ordem dos advogados brasileiros, etc. Um dos mais distinctos jornalistas brasileiros; talento privilegiado, a quem o conselheiro Junqueira denominou no senado de «bello astro de luz», collaborou desde estudante em alguns periódicos, como a Revista Mensal do Ensaio Philosophico Paulistano, onde escreveu : - Constituição política - Na serie 3a, pags. 106 a 109. - Soberania. As revoluções. O rei reina e não governa. Socia- lismo - na serie 4a, pags. 122, 141, 173 e 211 - Em resposta a este ultimo trabalho publicou seu collega M. Moraes Barros, na mesma revista, um artigo com o titulo O Communismo. - Systema de circumstancias attenuantes e aggravantes do co- digo do Império - na serie 6a, pag. 9 - Redigiu depois : - A Actualidade: jornal político, litterario e noticioso. Rio de Janeiro, 1858-1864, in-fol.- Com Flavio Farnese, Bernardo J. da S. Guimarães e Pedro Luiz P. de Souza. - Le Brèsil. Rio de Janeiro, 1862-1863, in-fol.- Com os mes- mos F. Farnese e Pedro Luiz P. de Souza. - Diário do Povo. Político, litterario, noticioso e commercial. Rio de Janeiro, 1867-1869 - Esta folha começou a 11 de junho daquelle anno. - A Republica. Propriedade do Club republicano. Rio de Janeiro, 1870-1874, 8 vol. in-fol.-Terminou a 28 de fevereiro e foi redigida com outros. Escreveu ainda : - Direitos de familia. Rio de Janeiro, 1869, XXVII-422 pags. in-4° - E' dividido em cinco partes : Ia Dos casamentos e suas diversas fôrmas ; 2a Dos effeitos do casamento, relação entre os cônjuges, os paes e os filhos ; 3a Dos filhos illegitimos ; 4a Alimentos ; 5a Tutela e curatela. Ha uma 2a Ed. de 1898. LA 287 - Direitos das cousas. Rio de Janeiro, 1877, dous tomos, 427 e 363-XVII pags. in-4.° - Proposta e relatorio apresentados â Assembléa legislativa na 4a sessão da decima oitava legislatura pelo ministro e secretario de estado dos negocios da fazenda. Rio de Janeiro, 1884, in-4°-Tem ainda vários relatórios e trabalhos de advocacia, como : - Questão commercial. Revista entre partes: Recorrentes-Visconde de Mauá; Recorrida-Companhia da Estrada de ferro de Santos a Jun- diahy. Por parte do Recorrente. Rio de Janeiro, 1877, 38 pags. in-4.° Lafhyette dLe Toledo - Nascido na cidade de Araxá, Minas Geraes, a 12 de novembro de 1865, dedicou-se á profissão de guarda livros, servindo em uma casa commercial em Uberaba e de- pois á litteratura. E' socio do Instituto historico e geographico brasi- leiro e escreveu : - Santistas illustres. Campinas, 1887, in-8# - E' um opuculo com ligeiras noticias acerca de alguns homens illustres de Santos. Como este escreveu outros trabalhos. - índice synoptico, chronologico, e analytico dos decretos, leis, regulamentos, etc., publicados no « Diário Official do Estado de São Paulo, de 1 de maio de 1891 a 31 de dezembro de 1892. S. Paulo, 1893. Laudelino Rocha - Natural de Pernambuco, foi ahi professor da instrucção primaria e no exercicio desse cargo escreveu : - Primeiro livro de leitura. Recife, 1874, in-8° - Até 1883 havia sete edições deste trabalho. - Segundo livro de leitura para uso da infancia brasileira, adoptado nas escolas primarias de Alagoas, Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará. Recife, 1883, in-8.® LaudLelino de Oliveira Freire-Filho de Felisbello Firmo de Oliveira Freire e dona Roza de Araújo Góes Freire e irmão do doutor Felisbello Firmo de Oliveira Freire, já mencionado neste livro, nasceu na cidade do Lagarto, do actual estado de Sergipe, a 26 de janeiro de 1873. Estudou humanidades, parte em sua patria, e parte na escola militar do Rio de Janeiro, onde chegou até o 2o anno do curso geral, sahindo dessa escola gravemente affectado de beriberi. E' bacharel em sciencias sociaes pela faculdade de direito da capital federal, lente adjunto do collegio militar e deputado á assembléa do estado de seu nascimento. Collaborou na revista Amor ao Trabalho da 288 LA escola militar, na Revista Académica, da faculdade de direito e em vários periódicos e jornaes desta capital, e de Sergipe, e redigiu : - Revista do Instituto Didactico. Rio de Janeiro, 1895 - com o dr. Luiz Carlos Duque-Estrada. Escreveu: - Escriptos diversos. Rio de Janeiro, 1897, 56 pags. in-4°-E' uma serie de trabalhos publicados na imprensa periódica. - Quadro chorographico de Sergipe. Pariz, 1898, in-8° -E' um estudo completo dos systemas hydrographico, orographico e noso- graphico desse estado, seus limites, sua superfície, suas condições de salubridade, producções, aspecto physico da conformação de seu solo, sua organisação política, seu desenvolvimento, descripção completa de cada um dos 33 municípios em que se divide, e a topographia de suas respectivas sédes, rendas, industrias, etc. Sei que este distincto joven brasileiro tem entre mãos outros trabalhos de igual mérito, como a - Historia de Sergipe desde a conquista do território que hoje constitue o estado até nossos dias; obra didactica para uso das escolas publicas. - Antologia, trechos de escriptores sergipanos (com o dr. Manoej Curvello) - Inédita. íLaureiitino Antonio Moi^eira <le Carvalho - Natural de Pernambuco, cursou a faculdade de direito de sua pro- víncia até o quinto anno e falleceu no Ceará pelo anno de 1859. Escreveu : - Uma vespera de casamento : scena*comica : Recife (?). Lauriudo José da Silva Ralbello - Filho do capitão Ricardo José da Silva Rabello e dona Maria, Luiza da Con- ceição e Silva, nasceu no Rio de Janeiro a 8 de julho de 1826 e fal- leceu a 28 de setembro de 1864, doutor em medicina pela faculdade desta cidade, segundo cirurgião do corpo de saude do exercito e pro- fessor de grammatica portugueza, historia e geographia da escola preparatória, annexa á militar. Antes disto, destinando-se ao estado ecclesiastico, cursou as aulas do seminário de S. José, recebeu ordens menores e licença para prégar na festa de S. Pedro; mas, antes da festa, recitando seu sermão perante collegas seus que o ouviram en- thusiasmados, estes, levados pela inveja, forjaram-lhe taes intrigas, que foi-lhe cassada a licença, e então, desgostoso, abandonou o semi- nário e matriculou-se na academia militar. Teve, porém, de aban- donar a nova carreira, porque sua musa travessa foi ferir o filho do LA 289 director dessa academia, e isso bastou para que o perseguisse e lhe fosse trancada a matricula. Poeta repentista de uma imaginação maravi- lhosa e orador não menos admiravel, argumentava sobre philosophia e theologia principalmente, com uma ílueneia e facilidade de expressão raríssimas, com uma eloquência e firmeza de idéas de causar admi- ração. «Não conhecia limites seu talento descommunal - disse o dr. Teixeira de Mello - nem recuou jamais em discussão alguma, fosse qual fosse ; acceitava-a em qualquer terreno, por mais desconhecido e escabroso que lhe parecesse a seus conhecimentos. Parecia que naquella cabeça se haviam agrupado instinctivamente as sciencias, e que elle adivinhava sem ler, sem ouvir, sem estudar. Era assim que creava theorias novas com uma profundeza pasmosa, e que discutia com juris- consultos em direito, com médicos em medicina, com padres em theologia, confundindo-os com a facilidade da expressão que lhe borbu- lhava dos lábios e vencendo-os com argumentos que lhe acudiam em tropel à sua mente inspirada.» Possuía ainda uma bella quali- dade, a gratidão; nunca esqueceu obséquios que recebera dos bahiauos durante os dous últimos annos do curso medico em que estudou na Bahia. Escreveu: - These apresentada e sustentada perante a Faculdade de medi- cina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1856 - Nunca pude vel-a. Sua própria esposa nunca a vira, porque apenas o autor retirou da typographia as que devia apresentar aos lentes que tinham de arguil-o e nunca poude retirar os exemplares impressos por falta de recursos pecuniários. - Trovas de Laurindo José da Silva Rabello. Bihia, 1853, 101 pags., in-8° - Foi um livro enthusiasticamente applaudido pelos litte- ratos bahianos, e offerecido ao dr. Salustiano Ferreira Souto, lente da faculdade da Bahia, amigo, protector e em cuja casa morava o autor. Teve segunda edição no Rio de Janeiro, 1855, in-8°, e depois de sua morte as tres seguintes: - Poesias de Laurindo José da Silva Rabello, colleccionadas pelo bacharel Eduardo de Sã Pereira de Castro e por elle offerecidas a S. M. o Imperador. Rio de Janeiro, 1867, 172 pags. in-4°, além das que contém^a biographia do autor. E' a terceira edição augmentada com 23 composições colhidas pelo editor. - Obras poéticas de Laurindo José da Silva Rabello, colligidas, annotadas, precedidas de um juizo critico de escriptores nacionaes e de uma noticia sobre o autor e suas obras por J. Norberto de Souza e Silva. Rio de Janeiro, 1876 , 270 pags. in-8°, incluídas a Adver- tência sobre a presente edição; Noticias sobro o dr. Laurindo Rabello 290 LA e suas obras; Juizo critico de escriptores nacionaes ; Poesias á memória deLaurindo Rabello ; Notas. E' a quarta edição, contendo as mesmas composições e ainda com os erros da precedente, sô com uma pequena modificação na collocação de algumas, como os improvisos e os so- netos. Faz parte da Brasília, collecção nacional dos melhores autores antigos e modernos, publicada sob a direcção de J. Norberto pela casa Garnier. - Poesias do Dr. Laurindo, precedidas de um perfil biographico por Dias da Silva Júnior. Rio de Janeiro, 1877, 268 pags. in-8° - comprehendendo as do Perfil, etc. E' a quinta edição, accrescentada de treze poesias novas, das quaes, entretanto, algumas não ha certeza de serem de Laurindo, e até mesmo ha quem aíilrme que pertencem a outro autor. Neste caso está o soneto Deus pede estricta conta do meu tempo, como se póde ver no escripto «Duas palavras sobre Laurindo Rabello e a nova edição de suas poesias, dada pelo Sr. Dias da Silva Júnior» pelo Dr. Teixeira de Mello nos Annaes da Bibliotheca Nacional, vol. 3o, fase. 2o, pags. 355 a 384. Ha nesta edição graves incor- recções e erros, que compromettem a reputação do poeta, como nesse escripto se demonstra . Muitas poesias de Laurindo se acham por mãos estranhas ou completamente perdidas, porque elle não as guardava. O chefe de secção da citada bibliotheca V. Cabral, em additamento ás «Trovas» do Dr. Laurindo publicou na Revista Bra- zileira as seguintes: - Flores murchas ; Delirio e ciúme ; Rondó ; A romã ; O jor- naleiro - No tomo 6o, pags. 265 a 284. Outras se acham publicadas em collecções particulares, como as modinhas: - Ao trovador; O canto do cysne; Desalento ; Que mais desejas ? Acabou-se a minha crença - No Álbum do trovador brazi- leiro, 2a edição, Paris, pags. 3 a 4, 6 a 7, 12 a 13, 29 a 30 e 92 a 93. - Compendio de grammatica da lingua portugueza: obra ado- ptada pelo governo imperial para uso das escolas regimentaes do exercito e para o ensino dos aprendizes artilheiros. Segunda edição mais correcta. Rio de Janeiro, 1872, 158 pags. in-8°-E'uma das melhores grammaticas que conheço pela clareza e pelo methodo em- pregado. Houve mais edições. A primeira creio que é de 1867, e a terceira, revista e melhorada por Felix Ferreira, não traz data. - Livro para instrucção do soldado - Tinham entre mãos quando falleceu ; não sei si foiconcluido nem onde paira. Quer esta obra, 291 quer a precedente, foram escriptas na moléstia do autor, com o hm de deixar uma herança á sua esposa, dizia elle. - Alberto: poema romântico - inédito. Diz-me quem o leu que era bastante essa obra para immortalizar o autor. O assumpto é este: um padre libertino ardia em libidinosa paixão por uma infeliz donzella e arrasta-a ao suicidio. - O coveiro : romance - inédito. E' um romance de scena realista, profundamente logico, de muita moralidade em um torneio de phrase elegante. Delle dá noticia o Dr. Antonio Alvares da Silva, também fallecido, e de quem já occupei-me. - Santa Isabel: drama - não publicado, mas levado á scena na Bahia «fundido á moderna e em um estylo de encantar», disse o mesmo Dr. Alvares da Silva. - O pupilo extravagante: drama - inédito. - O mendigo da serra: drama - inédito. - Os anneis de uma cadeia: drama - inédito. O Dr. Eduardo de Sà, de quem egualmente já fiz menção, dando noticia deste e do precedente drama, os suppõe perdidos. - Sermão de S. Pedro : - inédito e provavelmente perdido. Deixou, finalmente, inéditos muitos discursos litterarios, folhetins, escriptos sobre vários assumptos e poesias - com que encher-se-hiam alguns volumes. Lauro Sodré ou Lauro IVina Sodré e Silva - Nascido no Pará a 17 de outubro de 1858, e com praça no exercito a 9 de novembro de 1876, fez o curso de engeniiaria militar, é doutor em mathematicas e sciencias physicas, lente da escola superior de guerra e major do corpo de estado-maior de Ia classe, tendo servido antes na arma de artilharia. Inaugurado o governo da Republica, já conhecido pelas suas idéas democráticas desde estudante e desde que instituiu o Centro Republicano Paraense, foi nomeado secretario do ministério da instrucção publica, foi deputado pelo estado do seu nascimento e governador do mesmo estado. Escreveu: - Centenário do Marquez de Pombal. Homenagem da mocidade académica brazileira. Rio de Janeiro, 1882, VI-71 pags. in-4° gr. Ha ahi de sua penna, além da introducção, de pags. 1 a 8, o soneto « Salve Pombal » â pag. 30. - Palavras aos meus conterrâneos. Rio de Janeiro, 1890, in-4° - E' um opusculo em que agradece a seus conterrâneos a apresen- tação de seu nome ao Congresso constituinte republicano e exalta os que promoveram o movimento de 15 de novembro. 292 LE - Crenças e opiniões. Belém, 1897 - A Provincia do Parà, de 10 de janeiro, publicou um trecho deste livro antes de sahir elle a lume. E* um livro de propaganda política. Leandro Barbosa de Castilho - Natural da Parahyba do Sul, actual estado do Rio de Janeiro, falleceu em sua fazenda da estrella, no município do Mar de Hespanha, Minas Geraes, a 29 de outubro de 1885. Estudou parte do curso de direito na faculdade de direito de S. Paulo, sem concluir esse curso. Escreveu: - Contos do serão. Rio de Janeiro, 1862, 182 pags. in-8° - Con» stitue o sexto volume da Bibliotheca brazileira, publicação feita por Quintino Bocayuva. - Acayaba, revista litteraria. S. Paulo 185'-E' uma revista de estudantes,em que teve por companheiros, o mesmo Quintino Bocayuva, Costa Pereira e outros. Leandro Bezerra Monteiro - Filho de José Ge- raldo Bezerra Monteiro e natural do Ceará é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, viveu muitos annos em Sergipe, por onde foi deputado á assembléa geral na undécima, decima quarta e decima quinta legislaturas e agora exerce a advocacia na Parahyba do Sul. Escreveu: - Memorandum sobre as eleições da província de Sergipe, de 1863. Rio de Janeiro, 1863, 44 pags. in-8° - E' também assignado pelo dr. Thomaz Alves Júnior. - Eleição do Io districto de Sergipe. Discursos proferidos por Francisco de Paula da Silveira Lobo, Leandro Bezerra Monteiro e Thomaz Alves Júnior. Rio de Janeiro, 1864, 32 pags. in-4° gr. - Discurso proferido na sessão de 18 de junho de 1873, etc. Rio de Janeiro, 1873, 8 pags. in-8.° - Discurso pronunciado na Camara dos Deputados em 27 de março do corrente anno. Rio de Janeiro, 1873, 47 pags. in-8° - Discurso proferido na sessão de 4 de setembro de 1874 pelo deputado, etc. na denuncia por elle dada contra os ministros do império, da fazenda e do estrangeiro por machinarem contra a religião do império. Rio de Janeiro, 1874, 31 pags. in-8° - Discurso proferido na sessão de 7 de junho de 1875, etc. Rio de Janeiro, 1875, 44 pags. in-8.° Leandro Chaves de Méllo Ratisbona - Na- tural do Ceará, onde nasceu em janeiro de 1821 e bacharel em direito LE 293 pela faculdade do Recife, representou sua provincia na duodécima legislatura geral e na seguinte e na decima oitava á vigésima. Exerço a advocacia em Juiz de Fôra, Minas Geraes, e escreveu, além de trabalhos forenses, os dous seguintes: - Ceará. Eleição do 3o districto. Rio de Janeiro, 1863, 13 pags. in-4.° - Camara dos Srs. Deputados. Reforma da administração local: discurso proferido na sessão de 31 de maio de 1887. Rio de Janeiro, 1887, in-8.o Leoncio Corrêa - Filho do capitão João Francisco Corrêa e dona Carolina Pereira Corrêa, nasceu na cidade de Para- naguá, do Paraná, a 1 de setembro de 1865. Feitos seus estudos secundários no Rio de Janeiro, voltou á sua então provincia, onde deu-se ás lidas afanosas da política e da imprensa, foi deputado es- tadoal mais de uma vez, e é deputado federal ao congresso de 1897 a 1900. Redigiu: - O Futuro, pequeno orgão da mocidade paranaense, Curityba, 1881-1882 - Fundou: - Quinze de Novembro. Curityba. . . . - Jornal do Commercio. Curityba. . . .- Escreveu mais: - Flores agrestes-, versos. Curityba, 1862. - Volata: versos. Curityba, 1887. - Talento e ouro: drama - representado em Paranaguá em fevereiro de 1883 - Tem ainda inéditos um drama, poesias e contos. Frei Leandro do Sacramento - Filho de Jorge Ferreira da Silva e dona Thereza de Jesus Silva, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, em 1778, e falleceu no Rio de Janeiro a 1 de janeiro de 1829. Religioso carmelita, e licenciado em philosophia pela universidade de Coimbra, foi nomeado lente de botanica e zoologia da academia medico-cirurgiea desta cidade, mais tarde director do passeio publico e por ultimo director do jardim botânico em 1824. Foi um distincto naturalista e, especialmente pela botanica, tinha tão deci- dida paixão, que, além de leccionar na academia, fazia constantemente sabias prelecções nos dous estabelecimentos que dirigia, ás quaes concorriam não sò seus alumnos, mas também homens de elevada posição e que elle attrahia tanto com sua erudição, como com sua amabilidade e delicadeza natural. No Rio de Janeiro exerceu também as funcções de procurador geral de sua ordem. Não fez grandes explorações como naturalista porque disso o impossibilitava sua saude LE 294 precaria, nem escreveu quanto poderia talvez ; mas fez conhecidas muitas plantas, e sua applicação â medicina mereceu elogios de A. de Saint Hilaire, e o celebre botânico italiano Giuseppe Baddi honrou-o, propondo o genero Leandra na ordem das mellastomaceas. Era socio da Academia real das sciencias de Munich, da Academia da Rússia, da sociedade Horticultural de Londres, da sociedade real de Agricultura e botanica de Gand, do Instituto colombiano, etc. Escreveu : - Thesis ex-philosophia naturali. Conimbrice, 1805 - Não pude ver esse trabalho. E' sua these inaugural - Memória sobre as nitreiras naturaes ou artificiaes deste paiz - Não sei onde se publicou. Foi escripta por incumbência da junta do governo de Pernambuco em 1808, e enviada ao ministro d. Rodrigo de Souza Coutinho, a 22 de abril deste anno. - Aguas mineraes do Araxá no Brazil: carta ao Conde da Barca - Sahiu publicada no Correio Brasiliense, tomo 19% 1817, pags. 524 e segs. - Escreveu também sobre as aguas mineraes de Cubatão, em Santa Catharinae estes trabalhos foram publicados juntos na Gazeta do Rio de Janeiro e depois no Progresso Medico, tomo 2o, sob o titulo «zXguas mineraes do Brazil». - Instrucçoes para os viajantes e empregados nas colonias sobre a maneira de colher, conservar e remetter os objectos de historia natural, traduzidas do original francez por ordem de Sua Magestade Fidelíssima, augmentadas e precedidas de algumas reflexões sobre a historia natural do Brazil e estabelecimento do musêo e jardim bo- tânico em a côrte do Rio de Janeiro, 1819, LVI-77 pags. in-4.° - Memória economica sobre as plantações, cultura e preparação do chá. Rio de Janeiro, 1825, 48 pags. in-4° - Foi escripta por ordem do governo imperial e enviada às províncias com as sementes da planta. - Monographia das balancphoraceas, plantas parasitas das raizes das arvores-Este trabalho o autor concluía quando morreu. Não ha delle noticia, como de outros que se presume terem ficado inéditos. - Compendio de botanica - inédito. Não ha noticia desse com- pendio que foi escripto para os alumnos do autor. Ha varias noticias deste autor, sendo mais notáveis as do dr. José de Saldanha da Gama na Revista do Instituto Historico, tomo 38°, e a do autor do Biccionario de Pernambucanos Illustres. E com egual nome houve um franciscano, creio que natural da Bahia, nascido no principio do século passado, mestre de theologia em sua ordem, e socio da academia brasílica dos renascidos, e que nada escreveu, que me conste. LE 295 Leocadio José Corrêa - Filho de Manoel José Corrêa, nasceu na cidade de Paranaguá, do actual estado do Paraná, a 15 de fevereiro de 1848 e falleceu a 18 de março de 1886. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, foi inspector de saude do porto daquella cidade, ahi medico da Santa Casa de Misericórdia, e inspector parochial das escolas. Prestou sempre bons serviços nos municípios proximos á Paranaguá por occasião de epidemias e foi deputado â assembléa provincial em tres legislaturas - Escreveu: - Lithotricia ; Febre amarella; Das mudanças que se operam no ovo humano desde a fecundação até completo desenvolvimento do feto ; Das Strichnaceas e seus productos pharmaceuticos : these apre- sentada, etc. para obter o grau de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1873, 1 fl. e 63 pags. in-4° gr. - Novenas do Santíssimo Rozario, reproduzidas da edição feita em Lisboa no anno de 1757; seguidas do septenario da Virgem das Dores, compilado e ordenado por um devoto. Paranaguá, 1884, in-8.°peq. - Relatorio do estado da instrucção publica do Paraná durante o anno de 1877 ; apresentado ao director geral de instrucção publica pelo inspector parochial de Paranaguá, 1877, 13 pag. in 4o. - Discurso proferido na sessão magna anniversaria do Club litte- rario de Paranaguá na noite de 9 de agosto de 1883. Paranaguá, 1883, 14 pags. in-4° - Redigiu: - O Itibirê, jornal litterario e noticioso. Paranaguá, 1882-1883 - e para este jornal traduziu : - A mulher vampiro: conto phantastico de Hoffmann. 1882. - O enforcado: conto phantastico de Alexandre Dumas. 1883. - Os tumulos de S. Diniz : conto phantastico de Alexandre Dumas. 1883. - Tres phantasmas por Alexandre Dumas. 1883. - O crime de Bernardino por Albert Delpit. 1883. - Deus sabe o que faz; conto incrivel de G. Coelho. 1883. - Uma noite entre os mortos. Aventuras de um vivo por C. De- bous, 1884-Deixou inéditos: - Ligeiro historico da epidemia da febre amarella que assolou o porto de Paranaguá em 1878. - Breve noticia sobre a nosologia geral da província do Paraná e mais particularmente da cidade de Paranaguá - Este trabalho foi, entretanto, publicado em parte na Gazeta Paranaense. Lóon Engrenio Lapagesse - Filho de Victor Fran- çois Lapagesse e dona Marianna Roger Lapagesse, nasceu em 13 de LE 296 novembro de 1854 na villa de Bareus, departamento dos Baixos Pyre- nêos, em França e fez seus estudos no seminário de Larressore, perto de Bayonna. Vindo para a provincia, hoje estado de Santa Catharina, pelo anno de 1874, ahi casou-se e naturalisou-se cidadão brasileiro. Desde 1875 dedicou-se exclusivamente ao magistério, quer particular, quer publico. Particularmente dirigiu o collegio Francez; o collegio Franco-brasileiro com aulas nocturnas gratuitas; o collegio Santa Maria; o Parthenon Catharinense, como vice-director, e o collegio Lapagesse que ainda funcciona. Em estabelecimentos públicos leccionou primeiras lettras de 1878 a 1883; francez no instituto litterario Normal, hoje gymnasio, de 1883 a 1895, e no lyceu de artes e officios também desde 1883; foi director do mesmo lyceu de 1890 a 1894 ; director e lente de francez da escola normal desde 1892 até 1894 -Escreveu: - Manual dos verbos irregulares da lingua franceza. Desterro, 1889, 74 pags. in-8.° - Exercidos de syntaxe franceza. Desterro, 1891, 40 pags. in-8.° - Grammatica portugueza. Compendio mandado adoptar pelo governo para uso das escolas publicas de Santa Catharina por acto de 26 de outubro de 1888, em virtude do parecer do Conselho de Instrucção publica. 2a edição. Desterro, 1892, 198 pags. in«8°, - Rudimentos de arithmetica. 2a edição. Desterro, 1892, 118 pags. in-8° -Esti publicação foi feita em fascículos. - Os meios de acção da Sociedade «Professorado Catharinense» Desterro, 1889, 23 pags. in-8.° - Homenagem ao mérito: collecção de escriptos publicados com relação ao Dr. Paula Guimarães. Desterro, 1890, 20 pags. in-4°. Ijeoii£Lrd.o Augusto Ferreira Lima - Natural de Pernambuco e bacharel em direito pela faculdade do Recife em 1853, falleceu ainda moço no Recife a 9 de junho de 1860, sendo professor de francez e inglez do curso preparatório, annexo áquella faculdade- Escreveu : - Nova grammatica da lingua franceza em duas partes, theorica e pratica. Pernambuco, 186... in-8°. Leonardo Ferreira Peres - Natural do Pará. Nada mais pude apurar a seurespeito, sinãoque vivia em 1812, por ver a seguinte obra sua : - Mappa chronologico-historico dos governadores e capitães-gene- raes, dos governadores e capitãeS'móres que têm governado o estado LE 297 do Grão-Pará; precedida de uma noticia histórica, geographica e natural do Grão-Pará. Belém do Pará, 1812-0 original de 28 fls. in-fol. per' tence â bibliotheca nacional. Leonardo João Grego - Filhof de Rozario Grego e dona Joanna da Conceição Grego, nasceu a 7 de fevereiro de 1820, em Lisboa, d'onde veio para Pernambuco ainda criança. Com manifesta vocação para o estado ecclesiastico, vestiu o habito de S. Pedro, com provisão do governo do bispado, aos treze annos de idade; cursou todos os preparatórios, fazendo exame delles na faculdade de direito de Olinda, e as aulas de theologia de que foi examinado no seminário, ordenou-se presbytero em 1840. Lente de theologia moral no dito semi- nário, foi por muitos annos conferente desta matéria em todos os con- cursos às freguezias vagas do bispado e teve por discipulos sacerdotes illustres, como o bispo d. Manoel do Rego Medeiros. Militando nas linhas do partido liberal, envolveu-se na revolução praieira de 1842, não só escrevendo uma folha, mas também orando em meetings, por cujo motivo esteve preso de fevereiro a maio de 1849 a bordo de um navio. Como capellão tenente do exercito, serviu muito tempo no hos- pital militar do Recife e militou na campanha contra o governo do Paraguay, sendo condecorado com a venera de cavalleiro da ordem de Christo. Em 1891 reformou-se como capellão do exercito com as honras de capitão e falleceu no Recife a 7 de maio de 1895. Escreveu : - A Barcada Vigia: folha politica. Pernambuco, 1847 a 1848, in-8° - Nesta folha se excitava a revolução que neste ultimo anno explodiu. - Explicações dos casos reservados no bispado de Pernambuco. Recife...- Foi escripta esta obra quando o autor leccionava theologia. Nunca a vi, nem seus numerosíssimos sermões pela maior parte ma- nuscriptos. Estão impressos, me parece, os seguintes : - Sermão no Te-Deum por occasião da visita de Suas Magestades imperiaes á cidade de Goyana em 6 de dezembro de 1859. - Sermão no Te-Deum por occasião da visita de Suas Magestades imperiaes á cidade da Victoria a 20 de dezembro de 1859. - Sermão no Te-Deum pelo consorcio da sereníssima princeza im- perial, prégado a 10 de novembro de 1864 na cidade do Recife. - Sermão no Te-Deum pelo consorcio da sereníssima princeza im- perial, em 1864 na matriz de Pau d'Alho. - Sermão no Te-Deum pelo consorcio da sereníssima princeza imperial, em 25 de novembro de 1864 na cidade de Olinda. - Sermão no Te-Deum pelo anniversario da restauração da Bahia, prégado a 2 de julho de 1868. 298 TjE - Sermão no Te-Deum ( pelo mesmo motivo) a 2 de julho de 1869. - Sermão no Te-Deum (pelo mesmo motivo) a 2 de julho de 1870. - Sermão no Te-Deum pelo anniversario natalício de D. Luiz I, rei de Portugal, pregado a 31 de outubro de 1869. - Sermão no Te-Deum em commemoração da batalha de Tuyuty, em 24 de maio de 1875. - Oração fúnebre nas exequias de Sua Santidade Gregorio XVI, em 23 de setembro de 1846. - Oração fúnebre nas exequias de Sua Magestade Fidelissima o Sr. D. Pedro V, em 14 de janeiro de 1862. - Oração fúnebre nos exequias do Exm. conselheiro Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, em 23 de março de 1868. - Oração fúnebre nas exequias do Exm. Bispo D. Francisco Car- doso Ayres, em 17 de junho de 1870. - Oração fúnebre nas exequias do Exm. Marquez de Olinda, em 11 de agosto de 1870. - Oração fúnebre nas exequias do Marquez do Herval, em 4 de novembro de 1879. - Oração fúnebre nas exequias do Duque de Caxias, em 7 de junho de 1880. Leonardo Macedonia Franco e Souza - Filho do dr. James de Oliveira Franco e Souza e nascido no Rio Grande do Sul, é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo formado em 1892 e escreveu: - Leis e regulamentos sobre terras publicas e particulares, minas e sua exploração : trabalho organisado pelo bacharel, etc. Curityba, 1895, in-8°. Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castello Branco - Filho legitimo de Miguel de Carvalho, natural da Bahia, e dona Anna Rosa Castello Branco, nasceu na fazenda - Tabôca - então pertencente ao município da Parnahyba. Com seu pae, que foi educado pelos jesuítas na Bahia, aprendeu portuguez, latim, geographia, physica e mathematíca, não tendo completado os seus estudos, por ter se casado muito moço. Tomou parte activissima na proclamação da independencia, por amor da qual esteve preso alguns mezes na cadeia do Limoeiro em Lisboa. Regressando ao paiz, não gozou por muito tempo do descanço do lar domestico, pois que ma- EE 299 nifestou-se sympathico â revolução de 1824, foi de novo preso pelo presidente Visconde da Parnahyba, que depois de um anno o remetteu para o Maranhão, onde conseguiu livrar-se. Em 1833 dirigiu-se a Lisboa com o fim de se aperfeiçoar no estudo da mechanica no intuito de construir uma machina de motu-continuo da sua invenção, que o preoccupou sempre. Em 1850 voltou ao Piauhy e no anno seguinte para o Maranhão, partindo d'ahi para a Bahia, onde demorou-se quasi dous annos. Depois seguiu para o Rio de Janeiro, onde obteve por pro- tecção do Imperador tudo quanto era preciso para a construcção da sua machina, no arsenal de marinha lhe foi facultado todo o ma- terial necessário, mas como sempre mallograram-se as suas tentativas. Já muito velho em 1859, voltou para a sua província, onde viveu ainda por alguns annos, até que opprimido pelo peso da idade e de grave enfermidade, veiu a fallecer a 12 de julho de 1873. - Escreveu : - Juizo ou parecer dado em Lisboa em 1845, a pedido de um diplo- mata brasileiro, sobre o discurso do tenente-coronel Antonio Ladisláu Monteiro Baena (veja-se este autor), dirigido ao Instituto historico do Brasil. Maranhão, 1847, 32 pags. in-8° - A esta publicação seguiu-se a da « Carta reservai ao Illm. Sr. Leonardo de N. Senhora das Dôres Castello Branco (por Antonio Ladislau Monteiro Baéna) sobre alguns logares de um pequeno folheto, acompanhada de uma carta a An- tonio Ladisláu Monteiro Baena ( pelo mesmo Leonardo da Senhora das Dores Castello Branco ). Oeiras do Piauhy, 1849, 26 pags. in-4.° - O ímpio confundido ou refutação a Pigault Debrun: poema phi- losophico, dividido em tres cantos. Lisboa, 1837, 286 pags. in-8° - O primeiro canto foi antes, em 1835, publicado separadamente com 69 pags. in-4°-Este livro devia constar de 3 volumes; mas sua pu- blicação não continuou, porque não foi bem recebida, segundo diz o autor do Diccionario Bibliographico portuguez, sendo entretanto para admirar-se a applicação do autor a tão elevados estudos. - Memória ácerca das abelhas da província do Piauhy, no im- pério do Brazil, na qual se descreve a historia e succintamente o tamanho, côr, natureza, costumes e productos de cada especie e suas variedades, declarando-se os nomes por que são ahi conhecidas. Lisboa, 1843 - Foi reproduzida no Auxiliador da Industria Na- cional em 1845. O Instituto historico possue o autographo de 21 pags. in-4.° - Carta sobre a Sexta parte do Thesouro descuberto no máximo rio Amazonas e Lisboa, 15 de maio de 184L-O mesmo Instituto possue uma cópia de 17 fls. in-fol. 300 - Investigação da causa efflciente do alvoroço anti-religioso em Lisboa, alcunhado de patriótico por seus autores, fracção dos pseudo- liberaes, e resposta aos seus sophismas, dividida em duas partes, politica e religiosa. Rio de Janeiro, 1858, 40 pags. in-4.° - O santíssimo milagre : Canção que contém abreviadamente a historia completa do santo milagre de Santarém, etc. Lisboa 1839, 64 pags. in-8° - Esta canção, em versos octosyllabos, foi depois am- pliada e impressa com o titulo; - O santíssimo milagre: poema dividido em sete cantos, contendo a historia completa do milagre de Santarém e juntamente a historia abreviada da mesma villa. Lisboa, 1839, 159 pags. in-8°, com estampas. - A creação universal, descripta poética e philosophicamente : poema dividido em seis cantos, conforme a ordem da creação relatada no Genesis. Rio de Janeiro, 1856, 153 pags. in-4.° - Astronomia e mecanica leonardina ou arcanos da natureza manifestados, dividida em duas partes: Ia do que pertence às leis da natureza ; 2a do que pertence á astronomia. Lisboa, 1843, in-4°, com retrato do autor, abaixo do qual leem-se os seguintes versos: Sem aulicos estudos mil arcanos Descobriu, virgens inda, ha sois mil annosl Si a deusa cega lhe occultou seu ouro, Natua abriu-lhe todo seu thesouro. Leonel de Alencar, Barão de Alencar - Filho de José Martiniano de Alencar Io e irmão de José Martiniano de Alencar 2o, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e, formando-se em direito na faculdade de S. Paulo em 1853, entrou no anno seguinte para a carreira diplomática, como addido de Ia classe da legação do Estado Oriental do Uruguay donde passou á outros cargos até o de ministro plenipotenciário do Brazil, quer na America, quer na Europa. E' cavalleiro das ordens da Rosa e de Christo, com- mendador da ordem de Isabel, a Catholica, da Hespanha, e da ordem portugueza de Christo e foi agraciado com o titulo de conselho do Im- perador d. Pedro II. E' membro do Instituto historico e geograptiico brazileiro e escreveu : - A somnambula de Ipojuca: romance. Rio de Janeiro, 1861. - Direito internacional. Rio de Janeiro, 1893, in-8.° - Um livro annotado pelo Sr. D. Pedro II : carta lida perante o o Instituto historico, etc. Ao distincto litterato o Sr. Martins Garcia Merou, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário da LÉ 301 Republica Argentina no Perú - Na Revista do Instituto, tomo 59°, parte Ia, pags. 401 a 405. Refere-se ao livro « Perfiles e miniaturas, do mesmo ministro. O conselheiro Alencar tem muitas - Poesias - tanto na lingua vernacula, como na castelhana que lhe é familiar, as quaes nunca colleccionou. Leonidas Bonicio Mariz e Sá -Nascido no Piauhy a 30 de abril de 1867, de paes desprotegidos da fortuna, obteve pelo seu talento e dedicação âs lettras, elevar-se á mais invejável posição. E' assim que, tendo sido um simples aprendiz de marcenaria e depois ty- pographo, é hoje bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela facul- dade do Recife, lente cathedratico de historia geral e especialmente do Brasil no gymnasio amazonense e advogado em Manáos. Foi de- legado de policia da capital federal e promotor publico e advogado na cidade de S. Simão, em S. Paulo. Demonstrou sua vocação para a im- prensa, antes de matricular-se naquella faculdade, collaborando no Piauhy para vários periódicos e durante o curso de direito em quasi todas as revistas e jornaes do Recife. Depois redigiu em S. Paulo a Cidade deS. Simão. Escreveu: - A Vingança: carta ao Imperador do Brazil. Recife, 1888 - E' escripta em verso alexandrino por occasião da passagem em Pernam- buco do propagandista Silva Jardim. -Philolithera: critica a Arthur Orlando, Olovis Bevilaqua e Guerra Junqueiro. Recife, 1892, in-8.° - O Seringueiro: poemeto de costumes amazonenses... - Bella: romance de costumes brazileiros-Foi publicado em folhe- tim em um jornal do Rio de Janeiro, 1893. Tenho noticia de que tem inéditos: - Palingenesia: critica litteraria com um prefacio pelo Dr. Sylvio Romero, e outros trabalhos quer em prosa, quer em verso. Foi em Pernambuco director da - Gazeta da Tarde, e collaborou em vários jornaes. Actualmente redige o - Amazonas Commercial. Manáos, 1898. ÍLeonidas Marcondes de Toledo Lessa- Filho do doutor José Gomes Varella Lessa e dona Maria Marcondes de Toledo Lessa, nasceu na cidade da Barra Mansa, estado do Rio de Janeiro, a 18 de agosto de 1844 e na mesma cidade falleceu a 7 de junho de 1893, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e juiz de direito avulso. Estreou na magistratura com o logar de juiz municipal de S. Matheus, 302 JLE no Espirito Santo; foi juiz de direito na comarca do Bom Conselho em Pernambuco e na de Belém do Descaivado em S. Paulo, e também chefe de policia do Paraná. Escreveu: - A reforma judiciaria ante a Constituição. Rio de Janeiro, 1875, in-8.° - Direito publico constitucional- Na Revista do Instituto scien- tifico de S. Paulo, anno 4o, 1866, n. 15, pags. 13 a 22. - O trabalho servil: série de artigos n'O Rezendense, 1869. Nestes artigos só mostra a grande vantagem do trabalho livre sobre o escravo. - Biographia do padre Carlos Corrêa de Toledo, irmão de fr. An- tonio de Santa Ursula Rodovalho,- n'0 Barra-Mansense. Leonidas Pereira - Natural da Bahia e engenheiro agrícola pela escola deste estado, escreveu : - Insectos nocivos ás vinhas e meios para sua destruição : these apresentada á Escola agrícola da Bahia para obter o gráo de engenheiro. Bahia, 1898. Leonides Barbosa <le Oliveira - Filho de Anto- nio Américo Barbosa de Oliveira e dona Ursulina da Costa Borges Barbosa de Oliveira, nasceu na Bahia a 22 de janeiro de 1850 e falle- ceu na cidade do Rio de Janeiro a 30 de outubro de 1892. Tendo feito o curso da escola de marinha, e já primeiro tenente da armada, pediu demissão nesse posto e matricuiou-se na escola polytechnica, onde foi graduado bacharel em sciencias physicas e mathematicas em 1878. Foi oppositor e depois lente cathedratico de balistica e artilharia naval daquella escola e capitão de fragata honorário. Talento robusto, privi- legiado, como todos os membros de sua familia (Barbosa de Almeida e Barbosa de Oliveira), escreveu: - Elementos de balistica externa para ensino dos alumnos da es- cola naval. Adoptado, premiado e publicado pelo governo imperial. Primeira parte. Rio de Janeiro, 1888, XV-264 pags. in-4° - Este livro é offerecido «ao sabio monarcha, o Sr. D. Pedro II, Imperador do Brazil». Não chegou a ser publicada a segunda parte desse livro, o primeiro, na especie, de autor brazileiro. -Theoria da refracção. Convergência das séries; Probabilidades das causas ; Superfícies regradas. Linhas isothermicas, isodynamicas e adiabaticas ; Desigualdades lunares devidas á acção das plantas: these de concurso á vaga de lente substituto da primeira secção do curso de sciencias physicas e mathematicas da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1883, 82 pags. in-4.° LE 303 Leopoldo Tionora to Lopes - Fluminense, pare- ce-me, e da freguezia de Inhaúma ; o que é, porém, certo é, ser elle bra- sileiro, porque canta sua patria no seguinte livro: - Lamentos: poesias. Rio de Janeiro, 1869, 89pags. in-8°-E' mais um poeta chorão, que confessa não ser poeta. Ainda bem ! Leopoldo Augusto Deocleciano de Mello e Cunha - Natural de Itaborahy, Rio de Janeiro, onde nasceu a 28 de outubro de 1833, bacharel em mathematicas, foi deputado pela pro- víncia, hoje estado do Espirito Santo, á decima oitava legislatura da monarchia e escreveu: - Estrada de ferro da Victoriaã Natividade.Discurso proferido na sessão da camara dos deputados de 27 de julho de 1882. Rio de Ja- neiro, 1882, 39pags. in-8.° Leopoldo ALug-usto de Souza.- Natural do Pará, ahi falleceu a 27 de junho de 1897 tendo apenas 23 annos de edade, a mesma edade com que falleceu seu amigo e conterrâneo José Natividade deLima.de quem já occupei-me, morto a 9 do mesmo mez e anno. Era empregado no correio deste estado e cultor da poesia. Es- creveu: - Sombras: poesias. Belém, 1890 -Ha também vários trabalhos seus em periódicos. Em referencia a este livro escreveu O Pais de 25 de outubro deste anno: « E' um promettimento que em muito satisfaz a quem o lè. Ha originalidade, inspiração, metro e alguma cousa de arte, que é tudo, nas poesias do poeta paraense, algumas das quaes dignas de citação- taes, por exemplo, as intituladas: A' uma estran- geira, Carmen, Musa nova, e os sonetos Mercêdes e O sol, que é lin- dissimo e manifesta um genero moderno no verso.» Leopoldo Kr ideio. - Ignoro onde nasceu ; só sei que em 1874 se achava no Rio de Janeiro e exercia interinamente as funcções de mestre de equitação na escola militar e escreveu: - Compendio de hyppolia. Porto Alegre, 1875. Leopoldo de Freitas Cruz - Filho de Manoel Pinto Lousada da Cruz e natural do Rio Grande do Sul, é bacharel em di- reito pela faculdade de S. Paulo e dedicado ao jornalismo. Era um dos redactores da - Cidade do Rio, Rio de Janeiro, 1893. Esta folha foi suspensa por ordem do governo por dar á publicidade o manifesto da revolução 304 LE de 6 de setembro, do almirante Custodio de Mello, e 'preso este redactor, assim como o gerente delia. Redigiu depois o - Diário Popular. S. Paulo, 1896-1897, in-fol.- Escreveumais: - Perfil biographico e politico do Dr. Martim Francisco com a sua biographia, as posições que occupou e os serviços que tem prestado. S. Paulo, 1896, in-8.° - Duello. E' a defesa do director do jornal italiano Rtnfull.i no processo que lhe moveu a policia. Neste pequeno volume o autor fez um estudo interessante sobre o duello, encarando o assumpto sob o lado historico. S. Paulo, 1898. Leopoldo Leonel de Alencar - Filho do capitão João Leonel de Alencar e dona Francisca Cirolina da Rocha, nasceu em Maranguape, do actual estado do Ceará, é major honorário do exercito e conferente da alfandega do Rio de Janeiro. Entrou para o funccionalismo publico em 1872 como amanuense da secção de esta- tistica, annexa á secretaria da presidência do Ceará, donde passou á segundo escripturario da alfandega em 1876 depois do respectivo con- curso, e tem dessa época em diante desempenhado muitas e distinctas commissões do ministério da fazenda, tanto no norte como no sul do Brazil. Escreveu: - Guia dos despachantes. Pará, 1891 - Neste livro, de mais de duzentas paginas, se acham as disposições em vigor da Consolidação das leis das alfaudegas, do Codigo commercial, decretos, leis e ordens do governo da Republica. Relatorio sobre as repartições íiscaes do Rio Grande do Sul e contrabando na fronteira. Rio de Janeiro, 1894, in-8.° - Estudos sobre as tarifas das alfaudegas. Rio de Janeiro, 1897, in-8.° - Tarifa supplementar das alfandegas do Brazil. Rio de Janeiro, 1897, in-8°- Aqui se estudam as alterações, pelo ultimo Congresso feitas em taes repartições e, com isto o novo systema tributário, re- lativo á importação e commercio internacionaes. Leopoldo Miguez- Filho de paes hespanhóes e nascido ho Rio de Janeiro a 9 de setembro de 1850, foi em 1852 á Hespanha com seus progenitores e dahi voltando ao Rio de Janeiro em 1857, foi depois á Lisboa, onde tendo por mestre o celebre Nicolãu Ribas, exhi- biu-se em publico, executando no violino uma phantasia sobre motivos da Traviata, para elle composta. Patente sua grande vocação para a musica, seu pai dirigiu sua educação para essa arte, mandou-o a LÈ3 305 Bruxellas para ahi estudar no conservatorio, mas fazendo ahi também humanidades e lettras. Tinha elle 10 annos apenas e aos 12 enchia de admiração seu professor, o celebre Franchi, no estudo da harmonia. Dedicou-se ao commercio por obediência paterna, escrevendo ã noite hymnos, romances, marchas e phantasias para festas da melhor socie- dade. Em 1871, de volta á patria foi guarda-livros e em 1878 estabele- ceu-se, com A. Napoleão, com negocio de pianos e musicas. Inaugurada a Republica, foi incumbido pelo ministro do interior de apresentar o projecto para fundação de um instituto para ensino de musica, e depois nomeado seu director, cargo em que se acha. « E' o musico de tempe- ramento artistico mais são, mais plethorico e mais vigoroso de nosso meio - diz um seu biographo - o ao mesmo tempo um dos proselytos mais ardentes da fé musical. Conhecendo perfeitamente a technica de sua arte, aproveita admiravelmente todos os seus recursos. » E' talvez, o primeiro musico brazileiro que temos actualmente. Escreveu : - Projecto para fundação do Instituto nacional de musica do Rio de Janeiro. - Elementos de theoria musical : obra adoptada pelo Instituto nacional de musica e approvada pelo Conselho Superior da Instrucção publica para ser usada nas escolas primarias do Io e 2o gráo. Rio de Janeiro, VII-47pags. in-4.° - Theoria da formação das escalas chromaticas - Nunca vi este trabalho; creio que foi publicado na Revista Musical. São numerosas suas composições musicaes; delias só posso designar as seguintes, cons- tantes da Revista Musical ,auno Io, n. 4, e algumas de que tenho noticia. - Marcha nupcial, executada em um concerto da Philarmonica fluminense na noite de 6 de setembro de 1876 para piano e orchestra. - Ouverture en sol dedicada ao Marquez do Herval e executada na sala do antigo conservatorio a 21 de maio de 1877 em um concerto offerecido ao mesmo pela Philarmonica fluminense. - Marcha elegíaca á Camões para orchestra e banda, executada nas festas do tricentenário de Camões por mais de 400 músicos. - Symphonia em si bemol para orchestra, banda e coros, escripta expressamente para o festival do Centenário do Marquez de Pombal e executada no actual theatro lyrico em maio de 1882. O director do Conservatorio de Pariz, Ambroise Thomas, ouvindo ao piano, disse apertando a mão ao autor: «Vous avez beaucoup de talent, ce qui n'est pas très rare; mais vous êtes original, quoique jeune, ce qui ne se trouve pas souvent chez les debutantes. Votre oeuvre es très rcmarquable, lè stile en est eleve et le sentiment hors ligne. voous faites plus que de donuer les esperances, vous les realisez. 306 Restez à Paris et bientôt l'un de nos grands concerts vous fera applaudir.» - Scena dramatica para orchestra, executada em 1883 no terceiro grande concerto symphonico annual do Club Beethoven. - Paresina: poema symphonico, composto para orchestra e a dois pianos em 1888 e executado pela Ia vez em 18 de setembro de 1889 no actual theatro lyrico em um concerto organisado pelo autor e por I. Porto Alegre em beneficio do nosso illustre maestro Carlos Gomes-Publicada. - Ave libertas! poema symphonico, dedicado ao generalíssimo Ma- nuel Deodoro da Fonseca, escripto para commemorar o primeiro anni- versario da proclamação da Republica e executado no theatro lyrico a 16 de novembro de 1890 para orchestra e para dois pianos. - Ode a Benjamin Constant: para orchestra - Inédita. - Pressentement: romance sem palavras para piano - Publi- cado. - Ao trabalho: bymno escripto para a abertura da exposição in- dustrial de 1881, para orchestra e banda -Inédito. - A instrucção: bymno da Associação promotora da instrucção para orchestra o vozes - Inédito. - Marcha triumphal ã memória, do Visconde de Rio Branco, para banda-Inédita. - Nocturno para piano. Publicado. - Alegro appassionato para piano - Inédito- Esta peça e a pre- cedente foram executadas no septuagessimo primeiro concerto do Club Beethoven a 12 de julho de 1885. - Trio para tres violinos-Inédito. - Ce que c'est que la mort! ode symphonica a Victor Hugo, para orchestra ecôro com recitativo,e para dois pianos-Inédito. - Sonata em la para piano e violino- Publicada. - Romance: quarteto para quatro flautas - Inédito. - Bymno da proclamação da Republica dos Estados Unidos do Brazil, para orchestra, banda, piano e canto e para piano a quatro mãos - Publicado. - Souvenirs - Contém quatro peças, para piano: Nocturno, Ma- zurka, Scherzetto e Lamento-revêrie - Publicadas. - La palmier du Brèsil para barytono e orchestra - Inédito. - Prometheo: poema symphonico para orchestra, para dois pia- nos e para piano a quatro mãos - Publicado. - Sylvia! elegia para orchestra de arcos, para piano e violino e para piano só - Publicada. LE 307 - Scenas intimas - Contém quatro peças para piano: Berceuse, Chanson d'unejeune-fille, Conte romanes que o Bavaudave-Publicadas. - Suit d V antiqúe -São cinco peças, a saber: Preludio, Sarabãnde, Gavotte, Air et Double e Gigue. - Madrigal para piano e violino - Publicado. - Branca Aurora-, côro de vozes femininas - Idem. - Faceira: impromptu-valse para piano - Idem. - Pelo amor! poema dramatico em dois actos, de Coelho Netto, para orchestra e canto - Idem. Leopoldo da Silva Pereira-Nasceu em Milho Velho do Serro, estado de Minas Geraes, é professor da lingua e litteratura nacional da Escola normal de Arassuahy no mesmo estado. Escreveu: - Sertanejas : poesias... - Syntaxe da lingua portugueza, approvada pelo conselho de instrucção publica de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1898, in-8.° I.eovig-iido Ypiranga de Amoi-im Vilguei- ras- Filho do major Francisco Antonio Filgueiras, nasceu na capi- tal da Bahia em 7 de setembro de 1856 e é bacharel em direito pela faculdade do Recife e professor da faculdade livre de direito de sua patria. Serviu cargos de magistratura, começando pelo de promotor publico de Nazareth, foi por vezes deputado provincial no regimen monarchico, deputado ao congresso constituinte e ao congresso se- guinte. Escreveu: - Discurso proferido na festa da inauguração da estrada de ferro de Nazareth a Santo Antonio de Jesus. Bahia, 1880, 21 pags. in-4.° - Discurso proferido pelo professor de philosophia e historia do direito na Faculdade livre de Direito da Bahia em nbme dos seus col- legas da congregação no dia da installação da mesma Faculdade. Bahia, 1892, 11 pags. in-4.° - Discurso proferido pelo orador da Aug.'. e Resp. •. Loj.'. Cap.*è União e Segredo na sessão Mag. •. da posse das Loj. •. e oíR. •. para o anno maç. •. de 1891 em 30 de maio de 1891 (c. •. v. •:) Bahia, 1891, 14 pags. in-8.° - Immigração europèa : discurso proferido na Assembléa pro- vincial da Bahia em sessão de 12 de outubro de 1887. Bahia, 1888y 16 pags. in-4ft gr. - Projecto de orçamento geral da receita da Republica para o anno de 1897. Discurso proferido na sessão de 6 de outubro de 1896. Rio de Janeiro, 1896, in-8.° 308 EE - O Ceo.-poesia. Bahia, 1882, 18 pags. in-8° - O dr. Leovigildo tem em revistas outros trabalhos, como: - O associacionismo (theoria psychologica ingleza); série de ar- tigos- na Lutta, orgão da Faculdade do Recife, 1876. - Ensaio de critica philosophica- no Século, revista scien titica e litteraria do Recife, 1878, n. 1, pags. 2 a 7, n. 2, pags, 1 a 9, E' um estudo comparativo entre H. Spencer e A. Comte. - A evolução da poesia e a lei dos tres estados - Idem 1878. - A poesia- idem n. 2, pags. 18 a 24. - A muzica: poesia- idem, n. 1, pags. 24 a 27. Len indo <le la Fayette - Natural de Minas Geraes, foi professor de linguas no Rio de Janeiro, especialida- de a cujo estudo dedicou-se sempre, e professor do instituto polyglotta de Paris, onde também exerceu o cargo de chanceller do consulado brazileiro. Collaborou para a imprensa da Europa, occupando-se de assumptos concernentes ao Brazil- e escreveu: - Novo vocabulário universal portuguez. Paris, 1889, 1178 pags. in-8°- Compõe-se este livro: Io de vocábulos portuguezes com muitos termos recentemente introduzidos na lingua ; 2o da historia dos povos modernos e dos seus feitos mais memoráveis; 3o da biographia dos per- sonagens mais notáveis nas sciencias, artes o lettras de todos os paizes e de todos os tempos; 4o da geographia, contendo dados os mais recentes sobre a população, commercío e industria dos paizes mais importantes do globo, principaimente do Brazil e Portugal ; 5° da mythologia re- sumida dos tempos fabulosos da antiguidade e da edade média - E' portanto, além de um vocabulário, um diccionario historico, biogra- phico, geographico e mythologico. Não é um livro isento de defeitos, porque isso não se póde exigir numa primeira edição de trabalhos dessa ordem, nem completo, attentas as proporções delle ; mas tem o que é preciso para orientar o leitor. - Novo diccionario italiano - brazileiro por Levindo Castro de la Fayette e R. Enrico Raqueni. Paris, 1889, in-8° -Não me recorda de ter visto outro diccionario italiano-portuguez, embora se declare Novo. - Projecto de propaganda do Brazil, apresentado no Congresso nacional que será apresentado aos congressos estaduaes. Rio de Janeiro, 1899. Fevindo Ferreira Lopes - Filho de Erminio Cân- dido do Assis Lopes, nascido a 3 de fevereiro de 1843, em Capivary, do actual estado do Rio de Janeiro, e bacharel em sciencias sociaes HE 309 e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, seguiu a carreira da magis- tratura, na qual exerceu o cargo de juiz de direito de Muriahé em S. Paulo, e o de juiz de direito e chefe de policia de Minas Geraes. Foi deputado ao Congresso constituinte do estado e é advogado em Ouro Preto. Escreveu: - Elementos de geometria plana. S. Paulo, 1866, 81 pags. in-8' - Era o autor estudante do curso de direito. - Guio, dos juizes de paz ou exposição completa das attribuições e deveres dos juizes de paz, de seus escrivães e offlciaes, do processo das causas de sua competência, seguida dos formulários cível, crimi- nal, eleitoral, do serviço das juntas de alistamento militar, dos mode- los de assentos de registro civil, dos mappas de estatística e outros, com o regulamento do sello de 19 de maio de 1883. Rio de Janeiro, 1884, in-4.° - Guia policial ou formulário dos processos que correm perante as autoridades policiaes, á prisão dos criminosos, á concessão de fiança, etc., com os respectivos modelos e o Formulário approvado pela circular de 23 de março de 1855, com as alterações conve- nientes. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Gamaras municipaes. Notas e observações á lei de 1 de outubro de 1828, comprehendendo a legislação geral e da pro- víncia do Rio de Janeiro publicada até 31 de dezembro de 1883, e concernente á administração municipal. Rio de Janeiro, 1885, in-4.° - Reforma judiciaria. Notas e observações á lei e regulamentos ns. 3.038, 4.824, 5.467 e 5.618. Rio de Janeiro, 1884, dous tomos, in-4° - Trata-se de actos do poder legislativo, decretos do poder executivo, consultas e resoluções imperiaes, decisões dos tribunaes, repertório ou indice alphabítico das leis, regulamentos e avisos expedidos até junho de 1881. - Roteiro do jury, ou compilação das leis, regulamentos e decisões relativas ao tribunal do jury, as attribuições e deveres dos juizes que o compõem, no processo dos crimes de sua competência e a estatística judiciaria, seguida do formulário judicial, annotado. Rio de Janeiro, 1885, in-4.u - Promptuario policial : compilação em ordem alphabetica das leis do processo criminal sobre as attribuições dos delegados e sub- delegados e seus agentes nos processos policiaes e respectivos for- mulários. Ouro-Preto, 1888, in-4° - Era o autor chefe de policia em Minas Geraes. - Manual dos juizes de paz: Ouro-Preto, 1892, in-4.° ihi 310 - Projecto de Codigo do processo criminal para o estado de Minas Geraes - Na Revista da Faculdade livre de direito deste estadc, anno l.° - Praxe forense ou directorio pratico do processo civil brasi- leiro, conforme a actual legislação do Império, por Alberto Antonio de Moraes Carvalho, antigo advogado, etc., 2a edição, revista e au- gmentada pelo juiz de direito Levindo Ferreira Lopes. Libanio Augusto da Cunha Mattos - Filho do marechal de campo Raymundo José da Cunha Mattos, nasceu em Pernambuco a 2 de outubro de 1818 e falleceu no Rio de Janeiro a 29 de agosto de 1886, sendo director geral da Ia directoria da secretaria da guerra, offlcial da ordem da Rosa, socio do Instituto historico e geographico brasileiro e da sociedade Auxiliadora da industria nacional. Muito joven entrara para esta secretaria e subir a do lugar de amanuense successivamente até este em que falleceu. Representou a provincia de Goyaz na 10a legislatura e escreveu : - Breve indice alphabetico da legislação brazileira, cujo conheci- mento mais interessa aos empregados da repartição da guerra, comprehendendo as disposições impressas desde 1837 até 1860. Rio de Janeiro, 1864, 55 pags. in-8°, com 2 mappas. Libanio Ferreira de Moraes - Filho do advo- gado José Ferreira de Moraes e dona Candida Joaquina de Castro Moraes, nasceu na Feira de Sant'Anna, província da Bahia, a 6 de setembro de 1861 e falleceu a 16 de outubro de 1884 na cidade de Santo Antonio da Barra, onde exercia o cargo de promotor publico, um anno incompleto depois de receber o grau de bacharel em sciencias sociaes e jurídicas na faculdade do Recife. Consta que deixara inéditos dous poemetos em versos alexandrinos, além de um volume, depois impresso com o titulo: - Folhas dispersas : poesias, criticas e estudos ( publicação posthuma). Bahia, 1886, 136 pags. in-12°. Libera to de Castro Carreira -Filho do cirurgião- môr Luiz da Silva Carreira e dona Rita Apollinaria de Castro Car- reira, nasceu em Aracaty, Ceará, a 24 de agosto de 1820. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, serviu por oito annos em sua província o logar de medico dos pobres, depois os de encar- regado do hospital regimental, provedor de saude do porto e membro da junta de hygiene. Eleito senador do Império em 1881 e estabe- 311 lecendo-so em Nitheroy, foi membro do conselho da instrucção publica e depois provedor do asylo de Santa Leopoldina. Achou-se na vanguarda de melhoramentos materiaes do Ceará, como a realização da via ferrea de Baturité e a instituição do banco commercial e hypothecario, cujos estatutos foram approvados por decreto de 1 de março de 1877 e, por occasião da secca de tres annos, levantou com inauditos esforços, por donativos pecuniários, a somma de 210:666$640, como se vê do relatorio da commissão central cearense, por iniciativa sua organisada na côrte. E' cavalleiro das ordens de Christo e da Rosa, membro do Instituto historico e geographico brazileiro, da Academia medico-homcepathica do Rio de Janeiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade Phar- maceutica brazileira e fundador do Instituto medico fluminense. Escreveu : - Dissertação sobre a pleurizia : these apresentada á Facul- dade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1844, in-4® gr. - Descripção da epidemia de febre amarella que grassou na provincia do Ceará em 1851-1852. Ceará, 1853,97 pags. in-8.° - Chronica medica da provincia do Ceará. Ceará, 1848, in-8° - E' uma noticia das moléstias que reinaram no decurso de janeiro deste anno, com uma noticia do hospital de caridade, do cemiterio e de outros estabelecimentos humanitários. - Relatorio apresentado no dia 2 de julho de 1859 aos Srs. accionistas da estrada de ferro D. Pedro II pela Commissão incum- bida da marcha da administração da Ia e 2a secções e propôr as medidas convenientes. Rio de Janeiro, 1859, 51 pags. in-4° - A redacção deste trabalho foi incumbida ao dr. Castro Carreira, como secretario da Commissão. - Reacção do partido conservador na provincia do Ceará. Ana- lyse, etc. Rio de Janeiro, 1869, 65 pags. in-4.° - A secca do Ceará: artigos publicados no Jornal do Commercio - No relatorio e contas da subscripção promovida em favor das victimas da secca do Ceará, etc., pags. 69 a 128. (Veja-se Jeronymo Martiniano Figueira de Mello.) - Relatorio da enfermaria homoeopathica do SS. Sacramento, apresentado ao Exm. Sr. conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos, dignissimo provedor da S. C. da Misericórdia. Rio de Janeiro, 1873, 27 pags. in-4.° - O orçamento do Império desde sua fundação. Rio de Janeiro, 1883, 75 pags. in-4.° 312 T^I - Historia financeira e orçamentaria do Império do Brasil desde a sua fundação, precedida de alguns apontamentos acerca da inde- pendência. Rio de Janeiro, 1889, 798 pags. in-4° gr.- E' uma compilação de tolos os orçamentos do Império. - Asylo de Santa Leopoldina. Breve noticia sobre este util e pio estabelecimento. Rio de Janeiro, 1892, 30 pags. in-8.° - Relatorio apresentado á Mesa administrativa do Asylo de Santa Leopoldina no dia 3 de fevereiro de 1895 pelo provedor da Irmandade de S. Vicente de Paula. Rio de Janeiro, 1895, 27 pags. in-4°, seguidas de Appendices. - Alguns apontamentos sobre a vida de 50 annos de ura casal. Rio de Janeiro, 1894, in-4" - Foi distribuído este opusculo pelas pessoas presentes n'uma reunião de amigos na noite de suas bodas de ouro. O dr. Castro Carreira publicou vários escriptos em folhas politicas e em revistas, destes o seguinte: - Amputação da côxa sem dôr por meio de inhalações ethereas - No Archiro Medico Brasileiro, tomo 2°, 1846-1847, pag. 286. r^ilberato Ti Jbur tino Miranda Maciel - Filho do segundo-tenente Theotonio José de Oliveira Maciel e dona Maria Joaquina de Miranda, nasceu na cidade de Goyana, Pernambuco, a 21 de abril de 1820. Tendo-se preparado para o curso de di- reito, dedicou-se, entretanto, ao magistério publico da instrucção primaria, mediante o respectivo concurso, começando pela regencia da cadeira de Aguas Bellas, d'onde passou a reger a de Ponte de Pedras e por ultimo a deS. José de Riba-Mar, da cidade do Re- cife. Foi um distincto professor e publicou alguns trabalhos seus, como : - Discurso sobre a questão religiosa. Recife. - Conferencia sobre a musica. Recife. Escreveu algumas poesias e delias possuo : - Estudae ! poesia offerecida aos Srs. alumnos da escola-nocturna da freguezia de S. José de Riba-Mar desta capital pelo Sr. Victorino Palhares, e recitada pelo distincto poeta em o acto do encerramento da mesma escola-nocturna, dirigida pelo professor publico da escola- diurna da Ia caleira de instrucção primaria da mesma freguezia Liberato Tiburtino de Miranda Maciel, aos sete de dezembro do anno proximo findo de 1866. E' uma composição em verso hendecasyllabo, impressa em uma folha in-4°, terminando assim : Estudae ! Sempre é tempo de aprender-so. A sciencia é uma luz e a luz é Deus. UI 313 Uibero Tcixeirtt Braga - Nasceu em Santo Antonio da Lapa, da provincia, hoje estado do Paraná, é professor, e irmão de João Evangelista Braga, mencionado no volume 2° e escreveu : - Tristezas a beira-mar : drama cm tres actos, extrahido do ro- mance do mesmo titulo de Pinheiro Chagas. Rio de Janeiro (?), 1882. - Escorço biographico do Dr. Alfredo Ellis. S. Paulo, 1894. Lieinio A.thíina,sio Cardoso - Filho de Vicente Xa- vier Cardoso, nasceu no actual estado do Rio Grande do Sul. Bacharel em mathematica, capitão honorário do exercito, lente da escola mi- litar desta capital e da escola polytechnica, escreveu : - Escola Polytechnica. These de concurso. Dissertação. Theoria da rotação dos corpos, etc. Rio de Janeiro, 1887, in-4.° - Theoria elementar das funcções. Rio de Janeiro, 1891, in-4° - Por esta obra foi polo governo da Republica mandada abonar ao autor a quantia de 3:000$000. ILiciiiio Chaves Barcellos - Nasceu no Rio Grande do Sul a 23 de agosto de 1857 e falleceu na capital do Ceará a 19 de janeiro de 1895. Bacharel em sciencias physicas e mathematicas, lente da escola polytechnica e membro do club de engenharia, foi deputado pelo Rio de Janeiro e presidente da assemblèa no governo do Dr. Por- tei la. Escreveu : - Dos mínimos das integraes simples, duplas e triplas (disser- tação) ; Energia electrica ; Acção das estrellas sobre o systema plane- tário (proposições): these de concurso a uma vaga de lente substituto da primeira cadeira do curso de sciencias physicas e mathematicas da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Curso de arithmetica elementar, redigido por B. Alves Carneiro, 4a edição, revista e augmentada de accordo com o programma da instru- cção publica por Licinio C. Barcellos, etc. Rio de Janeiro. Lindolplio Gomes - Joven litterato natural do actual estado do Rio de Janeiro, é um dos redactores do - Correio de Minas : Juiz de Fóra - onde publicou .• .- Via-Sacra : conto.- Escreveu mais : - Vida galante : narrativa. Juiz de Fóra... - Alma em flòr : poesias. Juiz de Fóra, 1896, 164 pags. in-8°. São seus primeiros versos ; são poesias lyricas e apaixonadas, pró- prias dos 20 annos da idade do autor. - Dior ama-. versos. Juiz de Fóra, 1898. LI 314 Liudolpho «Tosé Corrêa das Neves - Filho de José Corrêa das Neves, nasceu na província da Parahyba pelo anuo de 1820 e ahi falleceu a 19 de maio de 1884. Presbytero secular e bacharel em direito pela faculdade de Olinda, ainda estudante desta faculdade revelou-se distincto litterato e philosopho. Prégador ho- norário da capella imperial, commendador da ordem de Christo, fun- dador do Instituto litterario olindense e socio de outras associações de lettras, exerceu cargos, como os de delegado da instrucção pu- blica e de provedor fiscal dos feitos da fazenda, e representou a Parahyba na assembléa geral. Sinto não poder dar uma noticia com' pleta, ao menos, de sermões, porque só conheço : - Oração fúnebre pronunciada nas exequias de S. M. o Sr. D. Pedro V, rei de Portugal, mandadas fazer pelos súbditos portuguezes residentes na cidade de Mamanguape, província da Parahyba no dia 10 de março de 1862. Parahyba, 1862, 19 pags. in-4.° - Oração proferida na matriz de S. José da Côrte na solemnidade de Corpus Christi no dia 12 de junho de 1864 por occasião de ce- lebrar sua primeira missa o reverendo padre Damaso do Rego Barros. Rio de Janeiro, 1864, 12 pags. in-4°.- Foi um dos reda- ctores do - Polymathico: peridioco do Instituto litterario olindense. Per- nambuco, 1846, in-fol. de duas columnas - Creio que só se publi- caram tres numeros com 52 pags Ahi escreveu elle: - Jesus Christo e os philosophos - No n. 1, pag. 2. E' o pri- meiro escripto depois da introducção. - A vida humana - Idem, pag. 9. - O plagio - No n. 2, pag. 21. - Ensaios philosophicos - No n. 3, pag. 38. Este trabalho não foi continuado. Hdndolplio de Siqtieira I3txstos - Filho de Fran- cisco da Silva Bastos e dona Carolina de Siqueira Bastos, nasceu em Paranaguá, Paraná, a 4 de julho de 1854. Exerceu o magistério pu- blico em Antonina, S. José dos Pinhaes e Moretes, e depois passou para a thesouraria de finanças, onde occupa o logar de offlcial. Escreveu : - Noções elementares de geographia geral e do Brazil, especial- mente da província do Paraná, compiladas para uso das escolas desta província. Rio de Janeiro, 1888, 96 pags. in-8°, duas edições. - Taboada moderna. Rio de Janeiro - E' um tratado de metro- logia que teve 2a edição. T,I 315 Eindorf Ernesto Ferreira França - Filho do conselheiro Ernesto Ferreira França e nascido cm S. Paulo em 1836, falleceu no Rio de Janeiro a 10 de março de 1858 com 22 annos de idade. Bacharel em direito pela faculdade de sua província, veio para esta cidade e entrou para a secretaria da policia com a nomea- ção de oíflcial em 1857. Poeta, de imaginação ardente, admirador de Byron em cujas composições se inspirava, escreveu muitas poesias no Guayanà, na Revista do Atheneu e na Camélia ; além destas, deixou muitas inéditas e escreveu trabalhos em prosa, que não sei si foram publicados, como sejam um drama e - A confissão do moribundo : conto -Entre os seus escriptos do Guayaná, acha-se : - Duas palavras sobre Manoel Antonio Alvares de Azevedo - Nesta revista, 1856, e ainda nas obras do mesmo Alvares de Aze- vedo, tomo 3o, pags. 319 e 325. «Não sei que maldição do inferno- diz elle - pesa sobre a cabeça do poeta... Quão grande não é o nu- mero dessas victimas que passam na terra como o canto matutino da avesinha, extasiam-nos de melodias e desmaiam na aurora da vida, como o lyrio branco crestado pelas geadas do inverno ! » E mal pen- sava que em breve sua cabeça vergaria ao peso dessa maldição, e que seria elle um desses desventurados génios, cuja sorte lamentava. De suas composições poéticas publicaram-se : - Sempre-vivas : poesias posthumas. S. Paulo, 1863, 316 pags. in-8.° D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo de S. Paulo - Nascido a 23 de setembro de 1826 na cidade de S. Bernardo das Russas, do actual estado do Ceará, falleceu a 19 de agosto de 1894 na Apparecida,termo de Guaratinguetá, em sua diocese. Ordenado presbytero secular em 1850 pelo bispo de Olinda d. João da Purificação Marques Perdigão, foi professor no seminário olindense, onde fez seus estudos ; parocho na cidade de seu nascimento, deputado provincial em varias legislaturas, e secretario do bispado. Nomeado bispo a 21 de maio de 1871, preconisado a 29 de julho do anno seguinte e sagrado a 9 de março de 1873 na capital do Ceará pelo respectivo bispo, na diocese de S. Paulo a 29 de junho deste anno. Em 1876 fez sua visita adlimina apostolorum, percorrendo varias cidades da França e assistindo em Londres ás festas da coroação da Virgem e da consa- gração da basilica. Era presidente honorário do circulo dos estudantes catholicos, fundado em S. Paulo em 1876 ; era venerado e querido de seus diocesanos; prestou-lhes relevantes serviços no espaço de 21 LI 316 annos de sua regencia espiritual e fundou um grande estabelecimento de educação no santuario da Apparecida. Fundou e redigiu a - Tribuna catholica. Fortaleza, 18.. a 1883 - e escreveu : - Carta pastoral, saudando aos seus diocesanos e dirigindo-lhes algumas exhortações. Fortaleza, 1873, in-8.° - Carta pastoral, publicando as lettras apostólicas de 29 de maio de 1873 sobre a absolvição dos maçons. Rio de Janeiro, 1873, in-8.° - Carta pastoral ao reverendo clero de sua diocese. S. Paulo, 1874, in-8.° - Pastoral annunciando o grande jubileu universal, denominado Anno santo no corrente 1875, concedido pelo summo pontífice Pio IX pela encyclica de 24 de dezembro de 1874. S. Paulo, 1875, 29 pags. in-4.° - Carta pastoral saudando aos seus diocesanos de volta de sua viagem ao norte do Império e dando algumas instrucções sobre o ju- bileu do Anno santo e a confissão sacramental. S. Paulo, 1875, in-8.° - Carta pastoral annunciando a próxima volta ad limina aposto- lorum e despedindo-se de seus diocesanos. S. Paulo, 1876, in-8.° - Pastoral mandando celebrar exequias pelo soberano pontífice Pio IX. S. Paulo, 1878, in-8.° - Carta pastoral publicando o jubileu universal, concedido pelo papa Leão XIII por occasião do primeiro anniversario de sua exaltação ao solio pontifício. S. Paulo, 1879, in-8.° -Carta pastoral concedendo indulgência plenaria a todos os fieis que fizessem a renovação das promessas do bapfismo no domingo da San- tíssima Trindade na igreja cathedral ou nas parochias desta diocese. S. Paulo, 1879, in-8.° Uno <lo Monte Carinello Lima - Filho de José Joaquim de Mello e dona Maria Francisca de Luna, nasceu na ci- dade do Recife, Pernambuco, a. 23 de setembro de 1821 e ahi falleceu a 23 de junho de 1874, egresso da ordem carmelitana na qual pro- fessara em 1843 e recebera ordens de presbytero ; conego honorário da Sé de Olinda, prégador da capella imperial, cavalleiro da ordem de Christo, membro correspondente do Instituto historico e geographico brasileiro e do Instituto episcopal religioso do Rio de Janeiro, e socio installador do Instituto archeologico pernambucano. Secularisara-se em 1855 pela necessidade de cuidar de sua familia, depois de haver exercido naquella ordem vários cargos, como o de mestre de noviços, sub-prior do convento do Recife, provincial da ordem e secretario da 317 província carmelitana no Brasil, merecendo da Santa Sé o privilegio de uso do solidéo e do annel e depois de haver leccionado dogma no dito convento, e ter recebido a patente de leitor em theologia. Depois de secularisado, exerceu o cargo de bibliothecario da bibliotheea pu- blica de Pernambuco, e o de promotor do bispado, de que foi exone- rado no começo do episcopado de d. frei Vital por motivos que muito honram o demittido, segundo se exprime o autor do Diccionario bio- graphico de pernambucanos illustres. Escreveu : - Memória histórica e biographica do clero pernambucano. Recife, 1857,238 pags. in-8" - E' dividida em duas partes : na Ia se faz um resumo historico do clero e põe-se em relevo seu mérito real, na 2a dão-se os esboços biographicos do clero pernambucano. E' offe- recida ao Imperador, e mereceu justos applausos da imprensa de quasi todo o Império. - Exposição sobre a insigne devoção do santo escapulário de Nossa Senhora do Carmo, sua magestade e utilidade. Recife, 1852, 31 pags. in-8." - Noticia concisa dos factos mais notáveis da vida de Santa The- reza de Jesus, offerecida á ordem 3a do Carmo. Recife, 1852, 31 pags. in-8.° - Breve noticia do culto primoroso, consagrado á Immaculada Conceição de Maria e da definição deste mysterio, dogmaticamente firmado pelo concilio de Roma, etc. Recife, 1855, 42 pags. in-8." - Sermão pregado no Te-Deum laudamus celebrado na egreja matriz de Santo Antonio do Cabo por occasião da visita de S. M. o Im- perador áquella villa. Recife, 1859, 14 pags. in-8.° - Discurso pronunciado na abertura da bibliotheea publica pro- vincial no dia 25 de março de 1860. Recife, 1860, 13 pags. in-8.° - Oração fúnebre que recitou nas solemnes exequias que os re- ligiosos carmelitas da província de Pernambuco celebraram em sua egreja pelo eterno repouso do bispo de Chrisopolis, d. frei Pedro de Santa Marianna. Pernambuco, 1864, 21 pags. in-4.° - Oração fúnebre que recitou nas solemnes exequias do exm. bispo de Pernambuco, d. Manuel do Rego Medeiros. Recife, 1866, in-8.6 - Biographia do exm. Marquez do Recife. Pernambuco, 1865, 37 pags. in-4.° - Descripção das exequias solemnes do exm. general d. Ve- nancio Flores, celebradas na cidade do Recife por ordem do cônsul da republica Oriental do Uruguay. Recife, 1868, in-8." - Oração fúnebre que nas solemnes exequias, mandadas celebrar pelo exm. e revm. sr. vigário capitular da diocese de Pernambuco 318 por alma da sereníssima Princeza dona Leopoldina, Duqueza de Saxe, recitou, etc. Recife, 1871, in-8n - Ha muitos sermões que nunca publicou, sendo vários por occasião da epidemia do cholera-morbus em 1856, e muitos trabalhos em periódicos e revistas, dos quaes citarei : - Biographia de d. Paulo de Moura, depois frei Paulo de Santa Catharina - Na Revista do Instituto historico, tomo 24°, 1861, pags. 685 a 698. - Relatorio da commissão nomeada para syndicar ácerca da casa, onde se diz que fallecera João Fernandes Vieira, lido, etc. - Na Re- vista do instituto archeologico pernambucano, tomo Io, pags. 112 a 126. E' também assignado por Salvador Henrique de Albuquerque. - Memória sobre o monte das Tabocas e a igreja de N. S. da Luz- Na dita Revista e tomo, pags. 211 e seguintes. - Memória sobre a verificação do logar chamado Boqueirão nos montes Guararapes - Idem, tomo 2o, pags. 116 a 138. - Memória sobre os montes Guararapes e a egreja de N. S. dos Prazeres, edificada sobre umdelles - Idem, pags. 253e 289. - Galeria dos bispos brasileiros, na qual apresenta as biogra- phias de todos os prelados que o Brasil tem dado, não só para as dioceses do Império, mas também para as da Europa - Contêm 341 pags. in-fol. e foi pelo autor offerecido ao Instituto historico. - AUocução que recitou na egreja da Estancia por occasião da missa que a companhia de Voluntários da Patria, de homens pretos, assistiu antes de partir para a guerra do Paraguay - No Jornal do Recife, 20 de junho de 1865. - Oração recitada na igreja de N. S. do Carmo no Te-Deum em acção de graças, mandado celebrar pelos novos bacharéis pela fa. culdade de direito do Recife em 20 de novembro de 1863 - No Diário de Pernambuco de 25 e 26 deste mez. - Oração fúnebre que nas solemnes exequias celebradas na igreja do Divino Espirito Santo do Collegio pelo repouso eterno do exm. sr. General D. Venancio Flores, etc. pronunciou no dia 26 de março de 1868. Recife, 1868, in-8° - E' seguida de dous escriptos mais, a saber : « A> memória do general D. Venancio Flores » por Victoriano Palhares, de pags. 29 a 36 ; « Discurso recitado, etc. por occasião do funeral do ge- neral D. Venancio Flores » por Manuel da Silva Jacome Pessoa, de pags. 37 a 43. Tuivio Barreto - Filho de José Soares Barreto e dona Marianna Soares Barreto, nasceu na povoação de Iboassú, termo da cidade da Granja, no Ceará, em 1870 e falleceu em Camocim a 29 de 1.0 319 setembro de 1895. Era empregado na Companhia maranhense de navegação a vapor ; fazia parte da associação Padaria espiritual ; era poeta e escreveu : - Dolente : poesias. Fortaleza, 1897, in-8° - E' uma publicação posthuma, feita em homenagem â sua memória pelo seu collega da Padaria espiritual W. Cavalcante no segundo anniversario de seu fallecimento. l.ivio Lopes Castello Branco e Silva - Filho do coronel Antonio Lopes Castello Branco e Silva e dona An- tonia Maria de S. José, nasceu na antiga villa de Santo Antonio do Campo maior, no Piauhy, a 11 de setembro de 1813 e falleceu na cidade da Parnabyba a 5 de dezembro de 1869. Dedicou-se no principio de sua vida de moço á agricultura e ao commercio, e mais tarde a tomar parte nos negocios públicos de sua província, de modo que em 1839 en- volveu-se na revolução denominada Balaiada, do Maranhão, mas abandonou-a, cheio de desenganos e dissabores. Para fugir, entretanto, das perseguições de que era alvo, internou-se pelos sertões do Ceará, Rio Grande do Norte e Parahyba, chegando em 1840 ao Recife com o flm de embarcar para a Inglaterra, idéa que não levou avante por saber que o Governo publicara um decreto amnistiando os implicados em crimes políticos. Regressava ao Piauhy pelos sertões, quando foi aconselhado por um amigo em Sobral para proseguir pela capital do Ceará, ahi foi preso, apezar da amnistia, remettido num vaso de guerra para Pernambuco, onde foi solto. Regressando á sua pro- víncia, ahi foi ura chefe político prestigioso, foi coronel da guarda nacional, advogado provisionado, por mais de uma vez deputado á assembléa provincial, e escreveu : - Exposição dos motivos que o levaram a tomar parte na revolução do Maranhão. Pernambuco. 1842 - A este trabalho vem appenso um grande numero de documentos. Na imprensa redigiu : - 0 Liberal Piauhyense. Caxias, 1846. - 0 Correio dos Municípios. Caxias, 1848. - 0 Aucapura. Oeiras, 1850. - 0 Argos Piauhyense. Oeiras, 1851 - 1852, in-4.° - Pabulèa. Theresina, 1856. - Conciliador Piauhyense. Theresina, 1857. l.opo de Albuquerque Diniz - Natural do Rio de Janeiro e nascido em Angra dos Reis a 10 de dezembro de 320 1831, é doutor em medicina pela faculdade desta capital, c es- creveu : - Existe perfeita identidade chimica entre a albumina e íibrina animal e a albumina e a íibrina animal e vegetal ? Qual é a origem destes corpos no sangue ? Os morros do Castello e Santo Antonio são uteis ou nocivos á saude publica ? Durante o desmoronamento destes morros correria algum perigo ? Como terminam os nervos em diversos orgãos? Têm elles canaes ? Quaes os meios de prova a respeito ? These apresentada e sustentada, etc. Rio de Janeiro, 1853, in-4° gr. - Origem, diagnostico e tratamento das boubas. Rio de Janeiro, 1893, in-4° - O dr. Lopo confronta as manifestações das boubas com as da syphilis de Fracastor que considera a buas dos hespanhóes im- portada de Hatte para Barcelona em 1494 e diz que é a mesma sy- philis de Fracastor em 1530, passada nesse interim por diversas de- nominações. O. Lourenea Tavares <le Holla^nda - Natural de Pernambuco e nascida entre os dous últimos quartéis do século 17°, segundo penso, foi desvelada cultora das lettras e escreveu alguns trabalhos de mérito, como as: - Cartas dirigidas ao Duque de Gadaval e a d. Lourenço de Almada em prol de seus irmãos opprimidos em 10 de outubro de 1713. Lisboa,.... Lourenço Borges de Lemos - Natural da pro- víncia da Bahia, ahi falleceu, sendo presbytero secular, conego ho- norário da sé metropolitana, parocho collado da freguezia da Penha, da capital dessa província, examinador synodal e cavalleiro da ordem de Christo. Foi dotado de raras virtudes, e escreveu : - Ritual do arcebispado da Bahia em tudo conforme com o que se acha no Ritual Romano do ss. padre Paulo V, e augmentado com muitas bênçãos, absolvições e vários decretos das sagradas congregações e também com um appendice relativo ãs missas solemnes, votivas e de requiem. Bahia, 1863, 449 pags. in-8.° Lourenço Cavalcanti de A.lt>nc£iiei*que - Filho de Nicoláo Florentino de Albuquerque Maranhão, nasceu a 10 de outubro de 1842 em Aguas Bellas, Pernambuco, e é bacharel em direito pela faculdade do Recife. Foi deputado por Alagoas em varias legislaturas geraes, presidiu as províncias de Santa Catharina e de Pernambuco, occupou a pasta dos negocios estrangeiros no gabinete LO 321 de 3 de julho de 1882 e da agricultura no gabinete de 7 de junho de 1889 até a queda da Monarchia. Escreveu, além de - Relatórios - nos cargos de administração, - A crise financeira e sua solução. Rio de Janeiro, 1883, in-4.° - Discurso pronunciado na Camara dos Deputados de 18 de julho de 1885. Rio de Janeiro, 1885, 60 pags. in-8.° -• Discursos proferidos nas sessões de 9 e 10 de julho de 1886. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Discurso proferido na sessão de 30 de julho de 1886. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Sei que escreveu ultimamente : - Conferencias... (?) Rio de Janeiro, 1818 - Nunca as pude ver. Lourenço Ferreira da Si 1 v:i Leal - Filho de José Ferreira Leal Vieira e nascido a 30 de agosto de 1850 no Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade e escreveu: - Da topographia e da climatologia da cidade do Rio de Janeiro e sua influencia sobre a saude publica; Fecundação; Do corpo humano sob o ponto de vista de sua fôrma exterior, estatura, volume e peso ; Da meteorologia em geral : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1872, 74pags. in-4.° gr. - 0 supplicio de um marido : romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1888, in-8.° Lourenço José de Aragão - Natural da Bahia e ahi distincto professor de musica, escreveu : - JVouo compendio de musica para uso da mocidade, offerecido ã Sociedade Euterpe da Bahia. Bahia, 18... HiOurenço José Rilbeiro - Nascido em S. João d'El-rei, província de Minas Geraes, no anno de 179o, falleceu no Rio de Janeiro a 27 de janeiro de 1865, sendo, desembargador da relação da côrte, procurador da corôa, fazenda e soberania nacional, do con- selho de sua magestade o Imperador, e commendador da ordem de Christo. Destinado por seus pais para o estado ecclesiastico, e tendo para isso começado seus estudos, resolveu-se a seguir o curso de direito na universidade de Coimbra, onde recebeu o grão de bacharel em 1823. Advogava no Rio de Janeiro, quando, creada a academia jurídica de Olinda e nomeado lente, teve a 15 de maio de 1828 de installar a mesma academia como seu director interino. Ahi regeu varias cadeiras; exerceu depois o cargo de secretario do supremo tribunal de justiça, donde passou a juiz da Ia vara civel da côrte, LO 322 e daqui a desembargador da relação de Pernambuco, sendo logo en- carregado de codificar a legislação militar. Deixou por transferencia essa relação em 1850, e foi deputado por sua província na legislatura de 1843-1844. Escreveu: - Historia universal resumida para uso das escolas dos Estados-Unidos da America do Norte por Pedro Parley, traduzida e adoptada para o ensino das escolas publicas da côrte e do município do Rio de Janeiro, 3a edição. Rio de Janeiro, 1865, 519 pags. in-8° - Pedro Parley é um pseudonymo do escriptor americano Samuel Goo- drich, e sua historia vai pelo traductor, como este o declara, « emen- dada e corrigida em alguns trechos relativos á política e á religião que, por infiéis ou exagerados em razão de ser o autor republicano e protestante, menos convinham ao nosso estado civil e religioso, e por consequência ao ensino da mocidade». Esta obra teve outras edições posthumas, sendo uma de 1868, como titulo de «3a edição, considera- velmente augmentada pelo dr. Anstett» expurgada dos erros das precedentes e accrescentada até 1867, outra de 1869correcta e aceres - centada até nossos dias com X-676 pags. in-8° e tres mappas e outra com o titulo: - Historia universal resumida desde a creação do mundo até nossos dias, etc., adoptada para o ensino das escolas publicas da côrte e município do Rio de Janeiro e outras instituições do Império. Novíssima edição, revista, consideravelmente melhorada, accrescentada de numerosos factos e continuada até o presente por um litterato. Rio de Janeiro, 1877, 2 tomos em um vol. de 736 pags. in-8.° - Analyse da Constituição política do Império do Brazil, feita, etc. 1827. Pernambuco - O original de 400 pags. in-4° gr., esteve na exposição de historia patria, de 1880 ; continha a introducção e a analyse do pacto fundamental brazileiro, artigo por artigo, mas sómente até o capitulo 5°, artigo 71 - Foi um dos fundadores e presidente da soúedade Patriótica harmonizadora, installada em Pernambuco a 2 de junho de 1831 para sustentar a ordem publica e diffundir a instrucção pelo povo - Escreveu mais : - Conclusões philosophicas de lógica e metaphysica que, debaixo da direcção de frei Marcellino de Santa Mathilde Bueno, offerecem ao exame publico, etc., Lourenço José Ribeiroe Francisco Pereira Mon- teiro. Rio de Janeiro, 1817, 7 pags. in-4.° * Lourenço Maximiano Pecegueiro - Filho de Lourenço Lopes Pecegueiro e dona Laurinda Joaquina de Siqueira Pecegueiro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 21 de fevereiro LO 323 de 1829 e falleceu a 1 de novembro de 1885. Depois de feitos com seu pai, que era professor, os estudos primários, e de aprender com elle francez e geographia, cursou varias aulas de humanidades e dedicou-se ao magistério particular desde 1847 até 1854. Neste ultimo anno entrou para o funccionalismo publico e exercia, quando falleceu, o logar de primeiro escripturario do Thesouro nacional, sem ter deixado de todo o magistério, para que tinha vocação. Escreveu, segundo indica- ções que forneceu-me pouco antes de sua morte, e publicou: - Orphêo nos infernos-, opera buffa em dous actos e quatro qua- dros por mr. Hector Cremier, musica de mr. Jacques Offemback. Tra- duzida, etc. Rio de Janeiro, 1865, 63 pags. in-8.° - Syntaxe latina ou regencia e ordem da Syntaxe do padre Antonio Pereira. Rio de Janeiro, 1855, in-8° - Ha segunda edição mais correcta e augmentada com algumas regras sobre as figuras de dicção e de syntaxe, intelligencia do verso, figuras que neste se en- contra e as principaes e mais usadas especies de versos. Rio de Janeiro, 1862, 81 pags. in-8.° - Regras de orthographia da lingua portugueza, seguidas de um compendio das figuras de dicção e de syntaxe. Rio de Janeiro, 1876, in-8° - Esta obra foi approvada pelo conselho de instrucção publica do Rio de Janeiro e mandada adoptar nas escolas primarias pelo ministério do império. - Discurso pronunciado por occasião da missa do sétimo dia por alma de seu collega e amigo, o segundo escripturario do Thesouro nacional, João Carlos Naylor. Rio de Janeiro, 1861, 3 pags. in-4° gr. sem folha de frente - Pecegueiro deixou inéditas muitas - Poesias sacras e profanas já colleccionadas e divididas em dous grupos para serem publicadas e publicou outras em vários jor- naes e revistas. Collaborou para a Vos da Juventude, revista do Gymnasio brazileiro de que era socio ; para a Rosa Brazileira, para a Revista Brazileira de 1868, para o Bazar Volante e para A Luz, jornal litterario e instructivo que se publicou de 4 de novembro de 1870 a 16 de novembro de 1873 aos domingos e redigiu: - O \Guaraciaba : jornal litterario, 1850-1854, in-4° de duas columnas - Começou a publicação a 15 de setembro daquelle anno e terminou a 29 de janeiro deste. Lourenço de Oliveira - Faltam-me noticias relativas a este escriptor, de quem só conheço - Origem do movimento armado do partido republicano federal rio-grandense. Rio de Janeiro, 1897 , 8 pags. de duas columnas, in-8.« 324 LO Lourenço Pessoa - Natural do Ceará, ahi exerceu o magistério. Escreveu: - O christianismo e a escravidão: conferencia proferida na noite de 17 de fevereiro no meeting popular, que teve logar no Passeio pu- blico, para festejar o anniversario da libertação dos escravos em Cuba. Fortaleza, 1882, 11 pags. in-8.° Frei Lourenço dtt Resurreição - Filho de Manoel Gonçalves Delgado e dona Francisca da Assumpção, e cha- mado no século Lourenço Gonsalves Delgado, nasceu na Bahia no anno de 1669, e falleceu ainda moço a 3 de abril de 1705, sexta-feira santa, sendo franciscano professo no convento de Para- guassú, e tendo, havia muito pouco tempo, concluído seus estudos. Escreveu : - Ceremonial dos religiosos capuchos da província de Santo An- tonio do Brazil, em o qual com toda clareza se trata do modo e cere- monias, com que se hão de celebrar os officios divinos,.assim no côro, como no altar, e os mais actos da communidade, exercícios da religião e costumes da província conforme os ritos da santa igreja romana, decretos apostolicos e ceremonias reformados. Lisboa, 1708, 680 pags. in-4° - Esta obra foi escripta por ordem do provincial frei Cosme do Espirito Santo, que offereceu-a ao rei d. João V, depois da morte do autor. Lourenço Ilibei i-o - Nasceu no anno de 1648 em Cote- gipe, termo da cidade da Bahia e falleceu em 1724. Presbytero secular, depois de estudar as sciencias severas no collegio dos jesuítas, foi a Portugal e ahi por opposição na mesa de consciência, obteve a viga- raria de Nossa Senhora da Encarnação de Passé em sua província, a qual parochiou por muitos annos, venerado por sua illustração e vir- tudes. Foi grande poeta e repentista, um rival de Gregorio de Mattos, na opinião de alguns. Com este sustentou lutas em reuniões, e em- bora vencido sempre, nunca recuou. Seus improvisos sublimes e suas composições poéticas se perderam ! Foi também orador applaudido e de seus sermões publicou: - Sermão do Amparo de Maria Santíssima, no dia de sua apre- sentação, pregado na Sé da Bahia. Lisboa, 1686, in-4.° - Sermão de Santo Antonio, prégado na capella do Cárcere da cidade da Bahia. Lisboa, 1693, in-4.° - Sermão de S. João da Cruz, prégado na matriz de Passé, offe- recido ao Sr. Fernão Telles da Silva, Conde de Villar-Maior, etc. LO 325 Lisboa, 1693, 20 pags. in-4° - Tenho lembrança de ter visto publicado mais o seguinte trabalho seu: - Arvore genealógica de varias famílias brasileiras. Lisboa... Lonrenço cia Silva, A ranjo Amazonas - Nas- cido na província da Bahia a 9 de agosto de 1803, falleceu a 4 de maio de 1864, sendo capitão de mar e guerra da armada imperial, socio do Instituto historico e geographico brasileiro, cavalleiro da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz e commendador da ordem de Christo, de Portugal. Assentara praça de voluntário a 10 de outubro de 1825 e a 17 de fevereiro de 1827 foi promovido a segunde tenente, subindo deste successivamente até o posto em que falleceu, e sendo sua ultima commissão a de inspector do arsenal de marinha de sua provincia. Em commissões que desempenhou na província do Pará, e em que demorou-se por bastante tempo, estudou com interesse o ma- gestoso rio Amazonas e seus principaes tributários, merecendo-lhe especial attenção a comarca do Rio Negro, depois provincia daquelle nome, como demonstrou em varias obras que escreveu, a saber: - Diccionario topographico, historico e descriptivo da comarca do alto Amazonas. Recife, 1852, 363 pags. in-8° - E' um trabalho no- tável, como diz o dr. Macedo, pelo esboço daquella comarca, hoje pro- vincia do Império, pelos esclarecimentos e informações em relação aos indios, e por grande cópia de idéas e noções que, pelo menos, serão raios de luz benefica que illuminarão o caminho que tiverem de seguir outros estudiosos exploradores daquella magestosa estrella da esphera brasileira. - Diccionario íupico-portuguez e portuguez-tupico: duas partes in-fol.- Conserva-se inédito e é propriedade do Instituto. Offerecido ao Instituto pela familia do doutor, foi incumbido o socio Braz da Costa Rubim de sobre elle emittir parecer, que só foi apresentado depois de dous annos. O mesmo Rubim declara: « desconfio que não satisfaço as vistas do Instituto ». Com effeito, depois de considerar a lingua tupy o mesmo guarany, modificado pelo isolamento em que se puzeram as tribus que do centro guarany se apartaram e, si o qui- zerem, enriquecido com addições, expõe os defeitos do livro e termina dizendo que no estado, em que o autor deixou-o, rascunho informe, não via modo de o utilisar. Isso demonstra que o critico não tinha compe- tência para ajuizar do mérito de uma obra desse genero e que é, sem duvida, mais ampla do que o diccionario de Gonçalves Dias, que elle considera muito superior a este. E' possível que Amazonas mor- resse sem ter corrigido seu livro, mas não é isso motivo para negar- 326 LO lhe o mérito. Um dos defeitos apontados pelo critico consiste em haver «muitos vocábulos com o j, que têm raro emprego nesta lingua, si o têm ». Rubim, entretanto, no seu diccionario brasileiro para servir de complemento aos diccionarios da lingua portugueza, dã mais de cem palavras tupis ou guaranis que começam pela lettra j- e palavras com essa lettra se encontram no diccionario de Gon- çalves Dias e nos Glossários de Martins, livros, de que elle serviu-se para elaborar seu parecer. E essa infinidade de termos guaranys, admittidosem nossa lingua, como jaborandijaboti, jabotikaba, jaburu, jaguar, jaká, jakarandá, jakami, jakaré, jakiranaboia, como escre- vel-as, como pronuncial-as ? - Limá: romance historico do alto Amazonas. Pernambuco, 1857, 258 pags. in-8.° - Navegação do Amazonas - Conserva-se também inédita. Foi escripta em resposta a dous artigos publicados no Jornal do Commercio de 10 e 22 de setembro de 1849 e enviada ao ministro da marinha em offlcio de 4 de outubro do mesmo anno. O original tem 12pags. in-fol. - Memória sobre uma marinhagem de guerra para guarnição da armada imperial - Foi publicada no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, ns. 34, 35 e 37 de 1854. Lourenço Trig-o de Loureiro - Natural da cidade de Vizeu, Portugal, e nascido a 25 de dezembro de 1793, falleceu em Pernambuco a 27 de novembro de 1870, sendo doutor em direito pela faculdade de Olinda, lente de direito civil pátrio da mesma facul dade, do conselho de sua magestade o Imperador e offlcial da ordem da Rosa. Cursando as aulas de direito da universidade de Coimbra, e sendo obrigado a interromper seus estudos por fechar-se a universidade em consequência da invasão franceza, veiu para o Rio de Janeiro, onde exerceu um pequeno logar na repartição do correio, e leccionou depois grammatica portugueza e francez no seminário. Passando-se para Pernambuco, leccionou francez na academia das artes, annexa á de direito em que formou-se e obteve um logar de lente substituto, primeiro interinamente em 1833, depois effectivo em 1840 e por ultimo de lente cathedratico em 1852. Foi deputado á assembléa dessa provincia em varias legislaturas - e escreveu: - Grammatica razoarei da lingua portugueza, composta segundo a doutrina dos melhores grammaticos, antigos e modernos, dos diffe- rentes idiomas. Rio de Janeiro, 1828, 401 pags. in-8.° - Instituições de direito civil brasileiro, extrahidas das Insti- tuições de direito civil luzitano do eximio jurisconsulto portuguez LO 327 Pascoal José de Mello Freire, na parte compatível com as instituições de nossa cidade e augmentadas nos logares competentes com a sub- stancia das leis brasileiras. Pernambuco, 1851, 2 tomos, 194, 198 pags. in-8° - Esta obra foi adoptada para compendio da cadeira do autor e teve segunda edição com o titulo: - Instituições de direito civil brasileiro, 2a edição, correcta e au- gmentada, offerecida á S. M. L o Sr. D. Pedro II. Recife, 1857, 2 tomos, 267, 300 pags. in-8°. - Ha 4a edição, do Rio de Janeiro, 1871-1872, depois da morte do autor. - Elementos de economia política, colligidos dos melhores au- tores. Recife, 1854, 251 pags. in-8° - Este livro em alguns pontos diverge das doutrinas dos Elementos de economia política do conse- lheiro Pedro Autran da Matta Albuquerque, lente da mesma faculdade do auctor (veja-se este nome) e parece que foi isso o que levou-o a escrever essa obra. - Elementos da theoria e pratica do processo. Pernambuco, 1850, 243 pags. in-8.° - Transumpto da lei da reforma hypothecaria de 24 de setembro de 1864. Recife, 1866, 24 pags. in-4.° - Instituições de direito publico ecclesiastico pelo cardeal de So- glia: traducção - Na memória histórica académica apresentada em 1864 pelo dr. A. de V. Menezes de Drummond, pag. 84, vejo que esta traducção ia entrar no prélo, mas nunca a vi. - Phedra-. tragédia colligida da excellente tragédia de Racine, conhecida sob o mesmo nome e ordenada em verso brasileiro. Pernambuco, 1851, in-8° - Em seguida á esta, occorrem as seguintes tragédias: - Andromacha: tragédia de Racine. Traducção. - Esther: tragédia de Racine - o traductor, segundo declara, fez na versão das tres tragédias suppressões, que lhe pareceram conve- nientes, porque extensas, como são, e destinadas ao palco, tor- nar-se-hiam, sem isso, operas tediosas aos espectadores. Lourenço Xavier d.a Veiga - Filho de Francisco Luiz Saturnino da Veiga e dona Francisca Xavier de Barros, e irmão de Bernardo Jacintho da Veiga e de Evaristo Ferreira da Veiga, dos quaes jà occupei-me, nasceu no Rio de Janeiro a 21 de julho de 1806 e falleceu na Campanha, Minas Geraes, a 1 de novembro de 1863. Deu-se ao commercio de livros no estabelecimento que seu pai possuía, instruindo-se ao mesmo tempo com a leitura de boas obras, até o anno de 1823, em que mudou-se para a província de Minas Geraes. Ahi sendo LU 328 tenente-'mronel commandante de um corpo de guardas nacionaes e também delegado de policia, prestou bons serviços para o restabele- cimento da ordem publica, mesmo com sacrifício de sua fortuna particular, por occasião de revolução de 1842; foi professor de francez, geographia e historia e, quando em 1854 tomou vulto a idea da creação de uma província com a denominação de sul-mineira, foi com o dr. Antonio Simplicio de Salles e com o dr. Antonio Dias Ferraz da Luz o mais enthusiasta propugnador dessa idèa, fundando para este fim: - A Nova Provinda. Campanha, 1854-1855, in-fol. - Esta folha, de que foi Lourenço da Veiga o principal redactor, foi substituída a 1 de junho de 1855 por outra sob o titulo: - O Sul de Minas. Cidade da Campanha, 1855-1863, in-fol.- que terminou com a morte do redactor. Escreveu, além disso, vários tra- balhos na Opinião Campanhense, folha redigida por seu irmão Bernardo, e - Collecção de maximas moraes - de que publicara algumas no Sul-Mineiro, ficando as outras inéditas, assim como muitas poesias, das quaes se publicaram depois de sua morte : - O beijo ; O ciume; Ode á Sapho; Ao sacrilégio commettido na igreja da Cruz em 1845; Hosannas ! - e mais oito sonetos no volume « A' memória de Lourenço Xavier da Veiga, tributo de saudades ». Rio de Janeiro, 1869, in-8.° Lucano Leal de Carvalho Reis - Filho do doutor Fabio Alexandrino de Carvalho Reis e dona Anna Leal de Carvalho Reis e irmão do doutor Aarão Leal de Carvalho Reis - o escriptor cujo nome abre este livro - nasceu no Maranhão a 14 de fevereiro de 1860. Estudou na escola polytechnica, não concluindo o curso, é professor particular de mathematica ; é official da contadoria geral da guerra e, com o seu irmão, escreveu : - Curso elementar de mathematica, theorico e pratico e applicado, destinado aos que desejam iniciar-se ou desenvolver-se no conheci- mento da arithmetica. Rio de Janeiro, 1893, 713 pags. in-8° - E' o compendio mais desenvolvido dessa matéria. A Gazeta de Noticias de 8 de maio deste anno, reconhecendo isso nota a collocação do estudo das funcções continuas antes dos numeros incommensuraveis e a céga obe- diência ás indicações de Augusto Comte em tudo que diz respeito ã parte philosophica da obra. Este livro teve segunda edição em 1897 - Escreveu mais: - Álgebra de algibeira. - E' um trabalho que contém emsumma todos os conhecimentos práticos dessa sciencia. LU 329 Lucas Antonio de Oliveira Oatta-I*reta - Nascido em Ouro Preto, capital de Minas Geraes, a 18 de outubro de 1831, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, agra- ciado com o titulo de conselho do Imperador D. Pedro II, commendador da ordem de Christo de Portugal, membro da sociedade de medicina e cirurgia desta capital, de que foi o primeiro presidente, etc. Sendo oppositor da secção cirúrgica da mencionada faculdade, renunciou esse cargo. E' um dos mais distinctos operadores do Brazil e escreveu: - Da applicação therapeutica do galvanismo e dos electro-imans • Diagnostico differencial da carie e nevrose ; Caracteres differenciaes e analógicos entre a nephrite albuminosa e as urinas vulgarmente cha- madas chilosas ou leitosas : these apresentada, etc., para obter o grão de doutor. Rio de Janeiro, 1854, 68 pags. in-4° gr. - Fracturas do anti-braço : these apresentada á Faculdade de Medi • cina do Rio de Janeiro e sustentada para o concurso a um logar de substituto. Rio de Janeiro, 1856, in-4° gr. - Sobre a cellula cancerosa: these apresentada, etc., para um logar de lente substituto da secção cirúrgica. Rio de Janeiro, 1857, in-4° gr. - Polypos: these apresentada, etc., para um logar de lente substituto da secção de sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1859, in-4 gr°. - Caso de elephantiases dos escrotos. Operação da ectomia - Na Gazeta Medica do Rio de Janeiro, 1862, pag. 150 e segs. Ha variog trabalhos seus, apresentados á sociedade de Medicina e cirurgia, como: - Sobre a reproducção do cancro do seio - Communicação feita em 1891. - Tolerância e dilatabilidade da bexiga - idem. - Luxação do cotovello para cima. Anchilose. Cura - idem. Ha ainda trabalhos seus em revistas, como : - Um caso invencível do esophago - no Brazil Medico, 1889 pags. 209 e segs. loucas José <le Alvarenga - Nascido na villa de Sabarã, em Minas Geraes, a 19 de fevereiro de 1768, falleceu no Rio de Janeiro a 7 de junho de 1831. Bacharel em direito pela universidade de Coimbra e tenente-coronel de milícias em sua patria, foi governador de Macáu, donde retirou-se logo que soube que o Brazil era indepen- dente, e viajou grande parte da Asia. Foi poeta repentista muito applaudido desde os 17 annos de edade. « A esse tempo já eu fazia versos-diz elle n'um trabalho que publicou em 1830 -e toda minha LU 330 inclinação era principalmente para os improvisos. »-Referindo-2e a seu amigo e também poeta repentista, o padre Domingos Caídas Bar- bosa, disse que elle em Coimbra escrevera um soneto ao mesmo Caídas Barbosa, tendo em resposta outro soneto pelas mesmas consoantes. Eis o seu soneto, que foi improvisado : Improviso cantor, cantor de Bellas, Mimo das Graças, mimo dos Amores, Genio creador, assombro dos cultores, Caro filho das Musas, honra delias ! Porque a fronte te cingem as capellas Que Apollo te formou de louro e flores, Não desprezes nocturnos piadores, Cujas vozes são roucas, mas singelas. Escrevi-te uma vez, a vez primeira, E faltando a resposta, ha quasi um anno, Protestei também fosse a derradeira. Agora sô te digo, cysne ufano, Que si foi por ser eu ave rasteira, Sei que o sou, mas de ninho americano. Caídas Barbosa que se achava doente na quinta de Bellas, em Lisbôa, respondeu immediatamente : No sitio ameno da aprazível Bellas, Habitação das Graças, mimo dos Amores, Te espero, cantor dino entre os cantores, Favorito das Musas, gloria delias. A minha fronte cingem as capellas. Que te cingem também, de louro e flores, O teu canto não é de piadores Tuas vozes são claras, são singelas. Escreveste uma vez, a vez primeira E augmentaste o meu mal por mais de um anno Por querer que essa fosse a derradeira. Eu te ouvi, ouve agora, cysne ufano: E's no Tejo, onde eu sou ave rasteira, Alvo cysne do ninho americano. Alvarenga escreveu: - Estatira e Zoroastes: novella. Rio de Janeiro, 1826, 1 fl., XXVI, 58 pags. in-8.° - Poesias. Rio de Janeiro, 1830, in-8°-São poucas essas poesias, porque, como jã ficou dito, suas composições poéticas eram sempre improvisadas e não escriptas. - Memória sobre a expedição do governo de Macau em 1809 e 1810 em soccorro do império da China contra os insurgentes piratas LU 331 chinezes, principiada e concluída em dous mezes pelo governador e capitão general daquella cidade, Lucas José de Alvarenga, authen- ticada com documentos justificativos. Escripta, etc., em dezembro de 1827. Rio de Janeiro, 1828, XIV, 66 pags. in-4°- Em additamento á esta obra publicou : - Artigo addicional á Memória, etc. Rio de Janeiro, 1828,36 pags. in-4.° - Observações á Memória de Lucas José de Alvarenga com as suas notas e um resumo da sua vida, escripto pelo mesmo. Rio de Janeiro, 1830, 117 pags. in-4° - Neste trabalho refere-se o autor a um outro que publicara em Londres em 1817. Lucas José Ot>es - Nascido noUruguay, foi eleito deputado á primeira legislatura brasileira quando sua patria fazia parte do Brasil com o nome de província cisplatina ; foi dessa pro- víncia procurador por occasião de nossa independência e jurou a constituição. Escreveu : - Falia de D. Lucas José Obes, procurador do Estado cisplatino pela convocação dos representantes dos povos do Brasil. Rio de Janeiro, 1822, in-fol. - Representação dirigida ao príncipe regente pelos procuradores geraes de varias províncias para a convocação de uma assembléa geral dos representantes das províncias do Brazil. Rio de Janeiro, 1822, in-fol. Lucas do Prado- Natural do Ceará, passando-se para S. Paulo, ahí esteve em mais de um município e afinal estabeleceu-se como fazendeiro em Rio Claro. Neste termo, porém, adquiriu a des- affeição e a inimisade de poderosa influencia que o perseguiu tenaz e cruelmente, obrigando-o a vir, como ultimo recurso, a procurar justiça na capital federal. T oda esta historia consta do seguinte livro que aqui publicou : - Estado de 8. Paulo. Os crimes do Visconde. Rio de Janeiro, 1895, 406 pags. in-8-°- Uma folha diaria annuncia este livro com os seguintes titulos : A politica republicana no Estado de S. Paulo. Nar- rativa de alguns crimes do Visconde. Um medico jurando falso. Um medico declarando louco um homem de juizo. Alguns processos inquisitoriaes. Invasão de barbaros na fazenda do autor. A magistra- tura importada em S. Paulo ; o Dr. Sorriso, o Dr. Assombração e o Dr. Gafanhoto. Cartas politicas no tempo da propaganda republicana dos Drs. Saldanha Marinho, Lopes Trovão, Silva Jardim, Campos Salles, 332 LU e Alfredo Ellis. Breve noticia da propaganda republicana e abolicio- nista. Supplicio de Genesio, assassinado pelos capangas do Visconde. O julgamento de um bandido no jury. O assassinato de um suisso em S. Paulo. Os dynamitistas paulistas. Minuciosa noticia sobre a deposição do Dr. Américo Brasiliense, presidente de S. Paulo e suas causas, etc. Outra diz : As 406 paginas do livro são a descripção minuciosa e documentada de uma atroz perseguição que foi movida e sustentada contra o Sr. Prado, que, não se sujeitando a curvaturas indignas de homens independentes, tem sustentado contra seus inimigos uma luta de dous annos, luta que pretende vencer pelo direito e pela justiça que vem pedir ao honrado chefe do Estado. Historiando o modo por que lhe foi declarada guerra de extermínio, começa o autor a narração dos acontecimentos que antecederam á luta, pela compra que legitima- mente fez de uma fazenda em Rio Ciaro, origem de todos os desgostos que tem soffrido, por não querer ceder a ninguém os seus direitos. Segue uma resenha do pequeninas vinganças, a principio de pouca importância, até ao momento em que, obrigado a pedir providencias ás autoridades competentes, se viu desilludido, porquanto nem auxilio, nem garantia alguma lhe foram dados, por se acharem ellas de parceria com os seus inimigos. D'ahi mais renhida começou a perse- guição. Só, em sua fazenda acompanhado de sua esposa e quatro filhinhos menores, em lagrimas sempre, vendo a todo o momento ameaçado o seu chefe pela sanha dos capangas dos seus poderosos inimigos, o Sr. Prado, que não podia contar com os seus colonos desar- mados todos e portanto, incapazes de fazerem frente ás maltas que fre- quentes vezes o iam ameaçar, cansou-se de pedir que lhe fizessem justiça e esperava a todo o momento morte, calmo e resignado. Não puderam entretanto attingil-o os punhaes e as balas homicidas que se voltaram contra um de seus serviçaes, o colono Genesio, que pagou com a vida a dedicação que tinha por seu amo, sendo arrastado pelas estradas, e afinal arcabuzado. As accusações, emflm, são muitas e muito graves e o espaço falta-nos para delias dar conta aos leitores. Os nomes dos culpados são no livro apontados com a franqueza de quem tem a consciência de que está dizendo a verdade, não sendo menor a ac- cusação que é feita á uma parte das autoridades e da magistratura de alguns logares de S. Paulo. i>. Ijiiciana Maria de Abreu- Nasceu em Porto- Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a 11 de julho de 1847 e fal- ^eceu em junho de 1880. Tinha alguns estudos de gabinete e variada LU 333 illustração e distinguiu-se como inspirada oradora ; da tribuna do Parthenon litterario discursou muitas vezes com applausos e deixou - Varias prelecções - que se conservam inéditas. Luciano de Moraes Sarmento- Fil ho do doutor José Joaquim de Moraes Sarmento, nasceu na cidade do Recife Pernambuco, pelo anno de 1835 e falleceu ha poucos annos, na cidade do Rio de Janeiro, por cuja faculdade medica era graduado doutor. Era também doutor em medicina pela faculdade de Paris, cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo e da ordem portugueza da Conceçião da Villa Viçosa. Escreveu: - Operações do trépano; Symptomas fornecidos pela voz e pela palavra; Da menstruação ; Da strichnina e suas preparações: these apresentada á Faculdade de medicina do Rio de Janeiro em 26 de novembro de 1859. Rio de Janeiro, 1859, 4 fls. e 35 pags. in-4° gr.- Escreveu mais uma these que não pude ver, para receber o gráo de deutor em Paris; tomou parte no livro: - Hygiene publica. A Inspectoria geral de hygiene sobre a falsifi- cação e fraude das bebidas alcoólicas e as principaes disposições legaes referentes ao assumpto em paizes civilisados pelos Drs. Domingos José Freire, Luciano de Moraes Sarmento e Arthur Fernandes Campos da Paz, relator. Rio de Janeiro, 1888, 129 pags. in-8.° XjilcíikIo I*ereii'a dos Passos, Io - Nascido em Minas Geraes a 8 de julho de 1820 e fallecido na cidade de Vassouras a 25 de maio de 1891, era doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e professor jubilado da lingua latina do antigo collegio de D. Pedro II tendo-o sido antes no estado de seu nascimento, e sendo um dos primeiros latinistas do Brazil. Disse por occasião de sua morte um ex-discipulo seu : « Todos os que com elle aprenderam, todos os seus discípulos devem guardar saudosas recordações desse bom velho, que dividia igualmente a sciencia de sua vastíssima erudição e os ca- rinhos paternaes por todas as crianças, que o adoravam e que elle estimava tanto, que uma vez, indo começar a aula e sabendo que na vesperii ura seu discipulo dos menores, fôra victima de uma febre má, fechou bruscamente a lista, fixou a mesa e, do repente pôz-se de pé a tremer e sahiu sem dizer palavra, chorando. » Cultivou também a musica, tocando perfeitamente piano e escreveu : - Dissertação sobre a hypertrophia geral e em particular sobre a hypertrophia do baço : these que foi apresentada á Faculdade de medi 334 LU cina do Rio de Janeiro e sustentada em 6 de dezembro de 1843. Rio de Janeiro, 1843, in-4°. - Primeiro livro de latinidade, contendo grammatica, exercícios e vocabulários baseados no methodo de constante imitação e repetição por John M. Clintock, A. M. professor de linguas e George R. Crooks A. M. professor adjunto de linguas no collegio Dickinson. Traducção da 8a edição para uso dos alumnos do imperial collegio D. Pedro II.0 Rio de Janeiro, 1872, 445 pags. in-8°- Houve segunda edição de 1878 e terceira de 1885, todas do Rio de Janeiro, in-4° e quarta de 1890, 443 pags. in-8° - « Mostrei, diz o autor, praticamente perante Sua Magestade que um estudante pôde quasi sem trabalho saber em dous annos o que raríssimos aprendem com grande trabalho em sete no imperial collegio de D. Pedro II. LucindLo Pereira dos Passos IIo-Filho do prece- donte e dona Maria Salomé Perpetua dos Passos, nasceu em Minas Geraes a 16 de agosto de 1847 e falleceu em Vassouras, Rio de Janeiro, a 1 de julho de 1896. Como seu pai, doutor em medicina, formado em 1870, prestou serviços na campanha do Paraguay e depois estabeleceu-se em Vassouras, onde tornou-se geralmente amado por sua probidade scientifica, por sua dedicação, desinteresse e caridade no exercício de sua profissão, principalmente para com os pobres a quem nunca recusou o remedio no soffrimento, nem consolo na desgraça, ou uma esmola na miséria. Foi também distincto litterato e poeta e ainda como o pai distincto musico, mas de uma modéstia excessiva occultava suas primorosas composições. Tocava primorosamente piano e escreveu: - Dos vomitos rebeldes n a prenhez; Medicação anesthesica; Aborto criminoso ; Feridas da urethra : these apresentada á Facul- dade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1870, 58 pags. in-4.° - Dos vomitos rebeldes na prenhez. Rio de Janeiro, 1870, 3 fls. 35 pags. in-8.° - Hygiene popular. Dos banhos. Vassouras, 1876, in-4. 0 - Das formas e da therapeutica da variola : lição clinica do pro- fessor Arnaldo Cantani, traduzida do italiano. Rio de Janeiro, 1873. - Do tratamento das febres intermittentes pelas injecções hypo. dermicas de bromureto de quinina. Rio de Janeiro, 1876, 3 fls. 15 pags. in-4° - Foi também publicado este trabalho na Revista Medica do Rio de Janeiro, tomo 3.° - Hygiene publica: prophilaxia da variola : conselhos ao povo. Vassouras, 1886, in-8.° IÀJ 335 - Cemitérios e hygiene dos cemitérios - serie de artigos publi- cados no Vassourense, e depois reproduzida em vários numeros da Gazeta de Noticias desta cidade. - Os cemitérios são nocivos? Estudos de hygiene. Vassouras, 1898 - Não vi esta publicação, que talvez seja a mesma obraprecedente, nem sei onde se publicou a seguinte que vejo nas Ephemerides Mineiras : - Bibliographia medica. 1877. - Um caso curioso de prenhez dupla - Na União Medica, 1883. - O Visconde de Araxà. Notas biographicas. Vassouras, 1882, 40 pags. in-4.° - Poemetos ( quatro) de Longfellow: traducção em verso portu- guez. Vassouras, 1882, in-4.° - Virgilianas : traducção das Éclogas 2a e 7a de Virgílio. Vassou- ras, 1883, in-4.° - Novas Virgilianas: traducção das Éclogas Ia e 4.a Vassouras, 1888. - Flores exóticas, versos. Rio de Janeiro, 1898, in-8°- E' uma publicação posthuma de poesias colleccíonadas por um filho do autor. - Uma questão de orthographia. Vassouras, 1890 - E* uma col- lecção de artigos que publicara antes na imprensa do dia com outros do dr. Castro Lopes e do dr. Carlos de Laet. Nessa imprensa fundou e redigiu : - O Vassourense. Vassouras, 1882 1896-Sahiu o 1® numero a 6 de janeiro daquelle anno. De suas composições musicaes só co- nheço : - Tentação: polka brazileira. Rio de Janeiro. - Travessuras: capricho caracteristico de concerto para piano. Rio de Janeiro. Lueio Brasil- Natural, si me não engano, da província hoje Estado de Minas Geraes, mas residente em S. Paulo, escreveu: - A opulência esmagada: drama. S. Paulo, 1882- Nunca pude vel-o, nem - 0 Papagaio. Imitação do Periquito. Lixcio Floro- Penso que é pseudonymo de autor* mineiro, que ainda não pude descobrir, como de muitos outros, de que tenho deixado de fazer menção. Escreveu: - Silhuêtas parlamentares. Ouro Preto, 1898, in-4° - São artigos publicados antes no Estado de Minas, com um esboço descri- LU 336 ptivo da carreira política dos representantes deste estado na actual legislatura, procurando assim, diz o autor, tornar conhecidos alguns, cuja notoriedade não havia ainda ultrapassado os limites do município, ou do distrícto eleitoral de sua residência. Lucio Drumond. Furtado de Mendonça - Filho de Salvador Furtado de Mendonça e dona Amalia Drumond de Mondonça e irmão de Salvador Drumond Furtado de Mendonça, de quem occupar-me-hei, nasceu na fazenda do Morro-Grande, termo de Pirahy estado do Rio de Janeiro, a 10 de março de 1854, é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e ministro do Supremo tribunal de justiça federal. Depois de sua formatura, serviu o cargo de promotor publico de Itaborahy ; dedicou-se á advocacia na cidade da Campanha» Minas Geraes, onde exerceu cargos de eleição popular e de confiança do governo, como os de vereador da camara municipal, inspector mu- nicipal da instrucção publica e delegado de policia, e passou depois a advogar na cidade de Valença, do Rio de Janeiro. No regimen repu- blicano foi director geral da directoria de justiça na respectiva secretaria de estado e fiscal do governo junto ás faculdades livre sde direito do Rio de Janeiro. Distincto litterato e poeta, escreveu: - Névoas matutinas: versos com uma carta de Machado de Assis. 1870-1871, Rio de Janeiro, 1872, XVI. 126 pags. in-8.° - Alvoradas: poesias - Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - Este livro é dividido em duas partes: a primeira ou Musa dos vinte annos; a segunda ou Musa civica. - Meridianas : poesias- Não sei si foi impresso este livro; sei, entretanto, que é dividido em duas partes: Canções do outomno ou poesias lyricas, e Musa civica ou poesia social. - Vergastas: poesias. Rio de Janeiro, 1889, in-8.° - O marido da adultera: chronica fluminense. Campanha, 1882. - A composição-' romance de Balsac. Traducção publicada em folhetins no Globo, 1882. - Contos cor de rosa - Sei que os tinha inéditos em 1885. Talvez estejam nos seus - Esboços e perfis, com um prefacio por Salvador de Mendonça. Rio de Janeiro, 1889, 278 pags. in-12° - E' uma collecção de contos, antes public idos na Gazeta de Noticias. - Lições de política positiva, professada pelo eminente publicista chileno J. V. Lastarria, etc. ; traduzidas do hespanhol. Rio de Ja- neiro, 1893 - E' um livro de cerca de 500 pags. in-8.° Do recurso extraordinário. Rio de Janeiro, 1896, 68 pags ih-8.u LU 337 - Estudos de direito constitucional por E. Boutiny : traducção annotada. Rio de Janeiro, 1896, in-8°-O conselheiro Lucio de Men- donça collaborou desde estudante em vários periódicos, como o Globo, o Omnibus e a Província de S. Paulo, a Republica, a Semana, e a Estação, do Rio de Janeiro, e redigiu outros, como : - O Rebate. Por estudantes de S. Paulo. S. Paulo, 1874, in-folio. - A Republica.- orgam do club republicano académico. S. Paulo, 1877, in-fol. -Continuou redigido por outros. - Colombo: semanario republicano. Campanha, 1879-1885, in- fol.- Esta folha começou em 1873 sob a principal redacção do dr. Fran- cisco Brandão - Ha ainda trabalhos seus em revistas, como : - Limitações do habeas-corpus - Na Revista de Jurisprudência, anno 2o n. 10. Lucio LcocadLio Pereira- Filho de Leocadio Pereira da Costa e dona Maria Leocadia de Vasconcellos Costa, nasceu na cidade de Pananaguá, no Paraná, a 5 de maio de 1860 e fez sua pri- meira educação no Rio de Janeiro, onde matriculou-se na faculdade de medicina em 1882; mas deixou-a para regressar ao Paraná, em cuja capital é guarda-livros. Escreveu: - Contos paranaenses Curitiba, 1896, in-8.° Lucio Pereira cie Azevedo - Natural da Bahia e advogado provisionado na capital dessa província, foi por varias ve- zes juiz de paz na freguezia da Sé, e vereador da camara. Occupava este cargo por occasião da revolução de 7 de novembro, e foi um dos que assignaram a acta dessa revolução. No exercício da advocacia es- creveu vários trabalhos, como : - Razões de appellação que para o Tribunal da Relação desta cidade fez por parte do accusado João Carneiro da Silva Rego. Ba- hia; 1839, 36 pags. in-8° - João Carneiro da Silva Rego foi o pre- sidente do governo republicano, installado na Bahia por occasião dos movimentos de 7 de novembro de 1837, a que se deu o titulo de Sabi- nada. Tuudgero Antonio Coellio - Filho de Ludgero An- tonio Coelho e nascido a 18 de julho de 1862 em Minas Geraes, é ba- charel em direito pela faculdade de S. Paulo e escreveu quando cursava essa faculdade : - Arte poética de Q. Horacio Flacco, traduzida litteralmente e annotada, etc. S. Paulo, 1883, in-8.° LTJ 338 Ludgero da Rocha Ferreira Lapa - Filho de Manoel Joaquim Ferreira Lapa e de dona Anna Emilia da Conceição Lapa, e nascido no Rio de Janeiro a 12 de março de 1819, falleceu a 1 de fevereiro de 1882. Doutor em medicina pela faculdade desta ci- dade, prestou serviços médicos ao Império de 1842a 1844, militando nas províncias de S. Paulo e de Minas Geraes ; exerceu o cargo de biblio- thecario da dita faculdade desta data a 1854 ; em seguida o de inspe- ctor geral da instrucção publica da província do Rio de Janeiro, e finalmente o de chefe de secção da secretaria da agricultura de 1861 a 1877, em que foi aposentado. Era socio do Instituto historico e geo- graphico brasileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade Amante da instrucção, do Conservatorio dramatico, da So- ciedade instructiva da Bahia, etc. Escreveu: - Breves considerações acerca do medico : these apresentada á Faculdade de Medicina, etc. Rio de Janeiro, 1841, 32 pags. in-4.° - Archivo Medico Brasileiro : gazeta mensal de medicina, cirur- gia e sciencias accessorias. Rio de Janeiro, 1844-1848, 4 vols. in-fol. de 2 columnas - Esta gazeta foi collaborada por muito distinctos médicos, sahindo o Io numero em agosto daquelle anno e o ultimo em setembro deste em folhetos mensaes de 24 paginas. Ha aiuda do dr. Lapa alguns relatórios da instrucção publica da província do Rio de Janeiro, e inédita uma traducção do - Orlando furioso : poema heroico de Ariosto - Sup ponho que não ficou completa a traducção, que mesmo no império já tem sido feita por outros, como o dr. Salustiano da Silva Alves de Araújo Suzano e o dr. Luiz Vicente de Simoni. ( Vejam-se estes autores.) Luiz A^dolplio Corrêa da Costa - Nascido a 13 de julho de 1856 em Matto Grosso, é engenheiro civil, empregado da repartição de fazenda com exercício na Alfandega do Rio de Janeiro, foi eleito pelo seu estado deputado ao Congresso federal de 1897 a 1900 e escreveu : - Limites do Estado de Matto Grosso. Rio de Janeiro, 1898, in-4° - O autor demonstra que os limites adoptados pelos geographos entre Pará, Amazonas e Matto Grosso não são os indicados por Mendonça Furtado em 1758 ; que a linha primitiva, sendo o parallelo de 7o, passou em seguida a ser constituída pelos raios situados na proxi. midade do mesmo parallelo, cujas curvas podiam ser utilisadas para tal flm ; que não existindo leis lixando taes limites entre os men- cionados estados, estes tacitamente os tem até aqui adoptado por TuTJ 339 serem as divisas mais naturaes. Tem em periodico alguns trabalhos, como: - O direito de propriedade perante o tribunal da relação de Cuyabá - No Jornal do Commercio de 3 de janeiro de 1896. Luiz Agapito da Veiga - Filho do desembargador Didimo Agapito da Veiga, o Io mencionado neste livro, e dona Fran- cisca Osorio da Veiga, nasceu em Cantagallo, da então província do Rio de Janeiro, em 1851 e é doutor em medicina pela faculdade da antiga côrte. Serviu no corpo de saude da armada e em commissão do governo viajou até o Grande Oceano. Escreveu : - Respiração em geral; Atmosphera ; Da placenta ; Signaes ti- rados da voz e da palavra : these apresentada à faculdade de medi- cina do Rio de Janeiro, etc. Rio do Janeiro, 1873, 110 pags. in-4° com gravuras. - Viagem da corveta Vital de Oliveira ao Oceano Pacifico no anno de 1876 pelos segundos cirurgiões drs. L. A. V. e G. de P. M. Calvet.Rio de Janeiro,1877,112 pags. in-4° com uma estampa colorida. - A polaridade ou a lei primordial da creação e suas derivadas por Lavio. Rio de Janeiro, 1884, 66 pags. in-4.° - Noções theoricas sobre a vida do microbio na febre amarella - Na União Medica, 1889, pags. 514 e seguintes. Ijuíz de AllbiLQiicrqiie Martins Pereira - Nascido na cidade do Recife a 21 de março de 1828, e bacharel em direito pela faculdade da mesma cidade, seguiu a carreira da magis- tratura, onde exerceu o cargo de juiz de direito de Alcantara no Mara- nhão, o de chefe de policia e é hoje desembargador aposentado. Es- creveu : - Índice alphabetico e reversivo da reforma hypothecaria e respectivo regulamento. S. Luiz, 1884, in-4.° Luiz AJeixo Boulauger - Francez de nascimento, vindo em 1829 para o Brazil,que adoptou por sua patria, falleceu no Rio de Janeiro a 24 de julho de 1874. Conhecido em pouco tempo como calligrapho admiravel, como habilíssimo desenhista, artista de imaginação viva e perfeito executor de trabalhos heráldicos, foi por José Bonifácio, o velho, chamado em 1832 para ser um dos mestres do Imperador e de suas augustas irmãs, e mais tarde foi no- meado escrivão da nobreza do império. Forjava escudos e armas, disse o dr. Macedo, em symbolicos brazões, e deixou sua pericia, sua 340 LU agudeza, e a mestria e o mimo de sua penna perpetuados em innu- meros e variadíssimos quadros synopticos, calligraphicos de maravi- lhosa delicadeza e muitas vezes de estructura microscópicas e neste labor de surprendentes obras gastaram-se-lhe os olhos, perdeu a vista. Era membro do Instituto historico e geographico brasileiro e deixou os seguintes trabalhos : - Demonstração das mudanças dos ministros e secretários de estado do império do Brasil desde 1822 até 1863. Rio de Janeiro, 1864, 8 pags. in-fol. - Augustes parents de SS. MM. l'Empereur D. Pedro II et FEmperatrice D. Thereza Christina Maria. Liste generale alphabe- tique des parents de leurs magestés, indiquant les degrès de parenté, les dates de naissance, mariage, descés, etc. Rio de Janeiro, 1867, 15 pags. in-4° gr. - Contém noticias de 335 parentes dos soberanos do Brazil. - Le nom de Dieu en ciuquante langues. Rio de Janeiro, 1862. - Sgstème du Dr. Gall, vulgairement appellé cranioscopie compa- rée, etc. Rio de Janeiro, 1830. - Batalha dos Santos Lugares, 3 de fevereiro de 1852. Paris... - Nobreza do Brasil desde a independencia até o dia 1 de maio de 1854. Mappa dos titulares por ordem alphabetica de appellidos. Cornposé et authographié, etc. Rio de Janeiro, 1854. - Assemblèa geral legislativa (9a legislatura.) Retratos dos mem- bros, etc., desenhados, etc. Rio de Janeiro, 1853, in-fol. - Assemblèa geral legislativa. Quadro demonstrativo dos traba- lhos do Senado (a respeito do tempo ) com a Gamara dos Deputados durante os dous primeiros mezes de sessão de 1856. Rio de Janeiro, 1-56, in-fol. - Quadro figurativo da Gamara dos Deputados, mostrando o logar onde se assenta habitualmente cada um de seus membros. Sessão de 1858. Rio de Janeiro, 1858. - Quadro logometro dos trabalhos legislativos. Senado. Sessão de 1854. Rio de Janeiro, 1854. - Espelho da Assemblèa geral. Sessão de 1862. Rio de Janeiro, 1862. - Generos de exportação do Brasil. Rio de Janeiro, 1860- E' um quadro ou mappa. - Table.au de Fexportation des productions du Bresil,de 1850 a 1858 inclusivement ( année commune.) Rio de Janeiro, 1860. - Taboa de multiplicar. Rio de Janeiro, 1862. LU 341 Uuiz <le Alencourt - De origem franceza, como seu nome indica, filho de Luiz de Alicourt e dona Clara Rita Ephigenia de Alicourt, nasceu no anno de 1787 em Oeiras, reino de Portugal, e fal- leceu brazileiro no de 1841 na provincia do Espirito Santo, onde ser- via, havia dez annos, como major do corpo de engenheiros, depois de ter servido por cerca de igual tempo na provincia de Mato-Grosso. Assentando praça de soldado na brigada real a 16 de julho de 1799, passou d'ahi para o regimento de artilharia de Lisboa e, ja então reconhecido cadete, deste regimento para o do Rio de Janeiro em. 1809, sendo promovido a segundo tenente em agosto do dito anno e a pri- meiro tenente dez mezes depois. Não sahindo mais do Brazil, fez o curso da antiga academia militar, faltando apenas o exame de mine- ralogia, e foi em 1818 transferido para o corpo de engenheiros com o posto de capitão, do qual passou a major graduado em 182^ e effectivo em 1823. Escreveu: - Memória sobre a viagem do porto de Santos á cidade de Cuyabá, organisada e offerecida a S. M. I. o senhor d. Pedro I. 1825. Rio de Janeiro, 1830, XII-198, pags. in-4.° - Noticias interessantes sobre a parte meridional da provincia do Matto Grosso. Resumo das explorações feitas desde o registro de camapuã'até a cidade de Cuyabá. Resumo das observações estatísticas feitas desde a cidade de Cuyabá até a villa do Paraguay Diamantino. Reflexão sobre o systema de defesa que se deve adoptar na fronteira do Paraguay em consequência da revolta e dos insultos praticados ultimamente pela nação dos indios guaycurús ou cavalleiros. Offlcios sobre a estatística, defesa e administração da provincia de Matto Grosso -Na Revista do Instituto historico, tomo 20, 1857, pags. 332 a 382. - Memória sobre o reconhecimento da foz e porto do Rio-Doce até duas léguas e meia acima da mesma fóz, respondendo-se aos arti- gos das instrucções dadas sobre este objecio e também acerca da parte da costa que decorre desde a mencionada foz até a do Riacho, etc.- Na mesma Revista, tomo 29, 1866, parte Ia, pags. 115 a 158. Antes publicara esta revista, do mesmo autor : - Documentos sobre o Rio-Doce - No tomo 7o, 1845, pag. 351 a 382. Contém noticias de muito valor, que se achavam quasi ignoradas em nossos archivos. - Estatística da provincia de Mato Grosso. Resultado dos traba- lhos e indagações que fazem objecto da estatística da provincia de Mato Grosso segundo o methodo prescripto no Elenco - Nos Annaes da Bibliotheca nacional, vol. 3o, pags. 78 a 160, 225 a 278, e vol. LU 342 8°,pags. 39 a 142. E' dividida em duas secções: estatística geographica e natural; estatística politica e civil. - Memória sobre o minério de ferro achado junto á villa da Ca- choeira na provincia da Bahia por Guilherme Christiano Feldner; escripta em portuguez, etc.-Inédita. Existe na bibliotheca nacional o original, assignado pelo major Alincourt, de 3 fls. in foi. - Memória sobre o graphito descoberto na freguezia de Santo Amaro, Bahia de Todos os Santos, por Guilherme Christiano Feldner, sargento-mór de artilheria, addido "ao estado-maior do exercito, escripta no anno de 1816 per Luiz de Alencourt, etc. -Existe o autographo no archivo da secretaria dos negocios exteriores. - Reflexões acerca da provincia de Matto Grosso, offerecidas ao Exm. Sr. José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro e secretario de estado dos negocios do Império e extrangeiros, 1823 - Idem. - Planta do forte de Bourbon, hoje Olympo. Cuaybá, 1826. Lith. no archivo militar, 0m,437X 0m,600 - O dito archivo possue o original, eo Imperador uma cópia de 1865. Ha ainda plantas ou mappas deste autor, que não foram lithographados. luiiiz Ab ares dos Santos - Filho do major José Al- vares dos Santos e irmão do dr. Malaquias Alvares dos Santos, de quem occupar-me-hei, nasceu na Bahia no anno de 1825 e falleceu a 20 de janeiro de 1886. Doutor em medicina pela Faculdade desta cidade, teve sempre decidida vocação para o magistério, leccionando no lyceu de sua provincia portuguez e grego, e depois botanica e zoologia. Na Faculdade de medicina, onde apresentou-se a vários concursos, leccionou physiologia e depois matéria medica e therapeutica. Fez voluntariamente toda campanha do Paraguay, tendo no fim dessa campanha as honras de cirurgião de brigada; representou o Brazil na exposição americana de Cordova e na de Vienna d'Áustria em 1873, e sua provincia na respectiva assembléa em varias legislaturas. Era do conselho do Imperador, d. Pedro II, offlcial da ordem da Rosa, commendador da ordem austríaca de Francisco José, candecorado com a medalha commemorativa da guerra do Paraguay, e membro de varias associações litterarias e patrióticas. Distincto litterato e orador fluente, de que deu provas desde os tempos de estudante, escreveu: - Proporções sobre os diversos ramos da medicina: these para obter o grau de doutor em medicina. Bahia, 1849, in-4° - E' escripta esta these em latim. - O que entendem os pathologistas por diatheses? Quaes suas causas o que meios são indicados pela sciencia com vistas de as com- LTT 343 bater ? these apresentada e sustentada no primeiro concurso para os logares de oppositores da secção de sciencias medicas, etc. Bahia, 1856, 46 pags. in-4.° - Que modificação soffre o sangue nos rins na formação da urina? these apresentada e sustentada no concurso para um logar de substituto da secção de sciencias medicas, etc. Bahia, 1859, 30 pags. in-4.° - A glyosuria será devida á diminuição da alcalinidade dos hu- mores animaes ? these apresentada e sustentada no concurso para tres logares de oppositores da secção de sciencias medicas, etc. Bahia, 1860, 33 pags. in-4.° - Secreções : these apresentada e sustentada no concurso para a cadeira de physiologia, etc. Bahia, 1865, 31 pags in-4.° - Qual è a acção da dedaleira nas diversas jmolestias em que é empregada ? these apresentada e sustentado no concurso para a cadeira de matéria medica e therapeutica, etc. Bahia, 1871, in-4°.- Entre os trabalhos sobre sciencias e lettras publicados em revistas se notam : - Relatorio sobre a epidemia que reinou na cidade de Buenos- Ayres em 1871 - Na Gaxeta Medica da Bahia, tomo 5o, pags. 281, 301, 318, 351 e 371 e tomo 6o, pags. 20 69, 97 e 147 e seguintes. - Gabinete de historia natural - Na Revista da Instrucção Publica da Bahia, anno Io, 1870 a 1871, n. 15. - O museo publico de Buenos-Ayres - Idem, ns. 11, 14 e 16. - O museo do Rio de Janeiro -Idem ns. 20 e 22 - Ha algumas poesias de sua penna, como: - O passeio no mai': balia ta offerecida ao sr. Jonathas Abbot Filho - No Mosaico, Bahia, n. 16, de outubro de 1849, pags. 257 a 259. - Saudação poética (a SS. MM. o Imperador e a Imperatriz) - No livro « Memórias da Viagem de Suas Magestades Imperiaes á pro- vincia da Bahia », pags. 169 e 170. - A emancipação. Ligeiras e decisivas considerações sobre o total acabamento da escravidão, sem o menor prejuizo dos proprie- tários e a publicação da lei n. 2040, de 28 de setembro de 1871. Bahia, 1871, 16 pags. in 4o - Este trabalho me afflrmam ser de sua penna. Luiz; Álvaro de Castro - Natural de Nitheroy, ca- pital do Rio de Janeiro, e doutor em medicina pela Faculdade da ca- 344 LU pitai do Império, aqui falleceu em julho de 1875. Exerceu a clinica ultimamente na cidade de Petropolis. Escreveu : - Historia da distillação e das aguas distilladas; Dos casos em que o aborto provocado é indicado; A moléstia vulgarmente cha- mada oppilação, será a clorose ? As profissões como causas predispo- nentes individuaes de moléstias: these apresentada, etc. Rio de Ja- neiro, 1856, 5 fls. 61 pags. in-4° gr. - Boletim do Imperial Instituto medico fluminense. Rio de Ja- neiro, 1867, in-4° - Só vi o 1° numero, correspondente ao mez de agosto com 42 paginas. Creio que poucos se publicaram depois. Luiz Alves de Castilho - Natural do Rio de Janeiro, falleceu na capital federal a 30 de março de 1898. Formado em mathe- maticas e engenheiro civil, foi director da repartição de Agricultura e industria do estado do Rio de Janeiro e no regimen monarchico membro da directoria do Club da lavoura, industria e colonisação. Escreveu : - Estudo da fabricação do assucar pelo processo da diffusão da usina Duquevry em Guadalupe. Rio de Janeiro, 1889, in-8.° - A fabricação do assucar de canna. Notas e formulas para uso dos fabricantes de assucar, refinadores e distilladores, precedidas de ligeiras noticias sobre experiencias culturaes na Luisiannia. Rio de Janeiro, 1893, VIII-261 pags. in-4° - Divide-se este livro em tres partes: Na primeira trata-se da cultura e fabricação; processos de extracção, novos apparelhos, aperfeiçoamento da cultura e capacidade das fabricas Na 2a dá-se noticia do resultado da diffusão em Gua- dalupe, Cuba e Luiziania; das formulas para uso dos fabricantes e distilladores, e das analyses: Na 3a se occupa de refinação do assu- car, distillação e diversas formulas para calcular os apparelhos para uma fabrica; dos geradores, fornalhas e chaminés ; do quadro compa- rativo dos differentes combustíveis, etc. Luiz Ah es Leite de Oliveira Bello - Filho do doutor Luiz Alves Leite de Oliveira Bello, nascido no Rio de Ja- neiro no anno de 1850, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela Faculdade de S. Paulo, foi membro do conselho de instrucção publica em Nitheroy, foi membro da assembléa provincial em varias legis- laturas; administrou a provincia de Sergipe de 1880 a 1881, a do Paraná de 1883 a 1884 e de Santa Catharina em 1889, achando-se nesse cargo quando foi proclamada a Republica. Escreveu : - Os farrapos: esboço de um romance brazileiro. Rio de Ja- neiro, 1877, in-8.° LU 345 - Discurso proferido na sessão magna, que em honra da visita do grão mestre honorário dr. Joaquim de Saldanha Marinho celebrou em 10 de agosto de 1872 a Aug.*. Off. *. America do Valle de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1872, 14 pags. in-8.° - Política geral. Discurso proferido na sessão de 21 de no- vembro de 1874, na Assembléa provincial do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1874, 32 pags. in-8.° - A egreja perante a historia : conferencia publica no Grande Oriente Unido do Brasil, etc. Rio de Janeiro, 1873, 27 pags. in-4.° - A educação nacional: conferencia proferida na cidade de Bae- pendy (Minas) a 23 de novembro de 1873. Rio de Janeiro, 1874, in-4.° - O espirito do século XIX; conferencia pronunciada na escola da Gloria no Io de fevereiro de 1874. Rio de Janeiro, 1874, in-4.° - Ensaio de tribuna popular. Rio de Janeiro, 1875, VII-173pagS. in-4.°- Abrange o livro as tres conferencias acima, as que teem por titulo « A America e a civilisação » e « A instrucção e o século » e um discurso proferido na inauguração da Escola normal do Rio de Janeiro -De seus trabalhos officiaes citarei : - Relatorlo com que abrio a segunda sessão da 24a legislatura da Assembléa provincial de Sergipe em 4 de março de 1881. Aracaju, 1881, in-fol. JLiiiís Alves Pinto - Filho de Bazilio Alves Pinto e dona Euzebia Maria de Oliveira, nasceu na cidade do Recife pelo anno de 1719 e íalleceu em 1789. Seus pais, que eram pardos, mas muito pobres, em vista da brilhante intelligencia revelada por seu filho nos estudos primários, não só mandaram ensinar-lhe latim, rhetorica e philosophia e também musica, como até obtiveram o auxilio de alguns conterrâneos para que elle fosse estudar em Lisboa, principalmente esta arte. Ahi estudou com effeito, com louvores, a arte de composi- ção ou contraponto ; mas, escasseando aquelle auxilio, foi obrigado a exercer a profissão de musico, sendo admittido na capella real, tor- nando-se copista e compondo algumas peças, e a ensinar sua arte até que poude voltar ã patria, onde abriu uma aula de musica e de pri- meiras lettras. Assentando praça depois no batalhão dos homens pardos do Recife, subiu a vários postos até o de sargento-mór, a que foi promovido pelo governador Conde de Pavolide e confirmado por patente régia de 15 de novembro de 1778 e em que foi reformado com o respectivo soldo. Foi mestre de capella da igreja de S. Pedro na cidade de seu nascimento, musico e compositor de muita nomeada, sendo producção sua quasi tudo quanto em sua época se tocava ou can- 346 H.TT tava em Pernambuco. De suas innumeras composições, porém, apenas restam, segando refere Pereira da Costa, além de muitas novenas, missas, Te-Deums, ladainhas e sonatas : - Tres hymnos ã Nossa Senhora da Penha. - Umhymno de Nossa Senhora, Mãi do povo - cuja poesia, bem como a dos precedentes, é do padre Souza Magalhães. - Officio da Paixão de Christo. - Matinas de S. Pedro. - Matinas de Santo Antonio - Segundo o citado autor, escreveu ainda uma - Pequena arte de musica - que foi traduzida na França, e depois foi consideravelmente augmentada e outra muito mais desenvolvida, ambas apreciadas pelos entendedores. Escreveu mais : -Diccionario pueril, para uso dos meninos ou dos que principiarem o A BC, e a solettrar dicções. Lisboa, 1784, 82 pags. in-8°. - Houve quem attribuisse esta obra a d. Joaquim de Azevedo, abbade de Se- davim, mas sem de modo algum justificar essa asserção. - Amor mal correspondido', comedia em tres actos - representada no theatro publico do Recife em 1780. - Diz A. M. de Mello que foi a pri-meira comedia de brasileiro representada em theatro publico do Bra- sil. Já o primeiro drama representado no Brasil, foi em Pernambuco, de autor brasileiro, Bento Teixeira Pinto, um dos homens mais impor- tantes de Pernambuco em sua época, amigo particular, e não criado, de Jorge de Albuquerque,como foi dito por alguém. Terei occasião de mos- trar isto e o que foi Bento Teixeira o autor desse drama escripto a pedido de seu amigo e para o auxiliar no empenho de moralisar, de elevar a capitania de que este era donatario. (Veja-se Bento Teixeira Pinto.) luixiz de Andrade - Filho de Joaquim dos Santos Andrade e dona Josephina Amalia Rodrigues de Andrade, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, a 20 de novembro de 1849. Muito criança, indo com sua familia para Portugal, ahi fez o curso superior de lettras em Lisboa e cursou as aulas de mathematicas e de philosophia da univer- sidade de Coimbra; mas não se graduou em curso algum. Depois tornou ao Brasil, sendo em 1890 deputado ao Congresso constituinte, nomeado em 1898 bibliothecario do senado federal, já tendo antes estado no Rio de Janeiro, onde dedicou-se ao jornalismo, como em Portugal, quer collaborando em vários periódicos, quer redigindo outros, como: - A Lanterna Magica; periodico humoristico e político, Lisboa- Teve por collegas nessa publicação os distinctos litteratos Guerra Jun- queiro, Guilherme de Azevedo e Bordallo Pinheiro. LU 347 - O Diário Popular. Rio de Janeiro, 1877, in-fol. - Com Manoel Carneiro e odr. Dermeval da Fonseca, escreveu: - Caricaturas em prosa. Porto, 1876, 300pags. in-8° - E' um livro prefaciado por Guerra Junqueiro, em estylo humorístico á semelhança dos folhetins de França Júnior (veja-se Joaquim José da França,) con- tendo: Simples viagem; Extra-muros; Cidade ao domingo; Tro-ló-ró; Manhã de primavera ; Um dia solemne; Os mendigos ; O caçador ; Um amigo intimo e um jantar inglez ; A encantadora vizinha ; O café ; Os tartufos ; O insulto d'além campa; Perfil romântico ; O dia das mu- danças ; Uma corrida de cavallos ; O theatro ; Orphêo nos infernos; Incêndio á beira-mar ; O sultão Achesh XXVI; O carnaval; Ermelinda Venus; O club; Procissão de quaresma ; A procissão dos garotos ; O Marquez de Menelau; O bom padre ; As marionnetes; A parada. - Quadros de hontem e de hoje. Folhetins e controvérsias. Rio de Janeiro, 1885, 306 pags. in-8.° - Considerações sobre a batalha de Avahy. Quadro historico do Sr. Pedro Américo: artigos publicados na Gazeta de Noticias. Rio de Janeiro, 1877, 23 pags. in-8.° - Physionomias litterarias de Portugal e do Brazil - Nunca vi este livro. - Contos verdts e amarellos - Penso que estão inéditos. Luiz Anselmo da Fonseca- Filho de Paulo Joaquim da Fonseca e nascido na cidade de Santo Amaro, da Bahia, a 22 de abril de 1853, é doutor em medicina pela Faculdade desse estado, lente cathedratico de physica medica da mesma Faculdade, etc. Dedicação severa ao cumprimento do dever, probidade escrupulosa em todos os seus actos, em consequência de uma acção irreflectida de alguns alumnos seus, fez a renuncia da cadeira que com toda proficiência rege, mas a congregação da Faculdade, intervindo com seu beneflco influxo, poude obter que continuasse no magistério. Distincto orador e philosopho, escreveu: - Quaes as propriedades chimicas, as acções physiologicas e os effeitos therapeuticos do chloral e do chloroformio, e em que relação se acham ; Circulação comparada nos animaes vertebrados; Feridas en- venenadas ; Quaes os elementos que constituem o diagnostico: these apresentada, etc., afim de receber o gráo de doutor em medicina. Bahia, 1875, 2 fls., 108 pags. in-4° gr. - Envenenamento pelas strychneas: these para o logar de lente substituto da secção de sciencias accessorias da Faculdade de medicina da Bahia, apresentada em 31 de agosto de 1877. Bahia, 1877, in-4° gr. ILU 348 - Estudo dos etheres : these de concurso para um logar de lente substituto da secção de sciencias accessorias da Faculdade de medicina da Bahia, apresentada, etc. Bahia, 1880, 7 fls., 253 pags. in-4.° - A escravidão, o clero e o abolicionismo. Bahia, 1888,in-8.° - Memória histórica da Faculdade de medicina da Bahia, relativa ao anno de 1891. Bahia, 1893, 338 pags. in-4° com mais 90 pags. de Annexos. - Memória histórica da Faculdade de medicina da Bahia, relativa aoannode 1893. Bahia 1894, in-4.° - Faculdade de medicina da Bahia. Manifesto ao professorado su- perior, e á imprensa brasileira. Bahia, 1894, 14 pags. de duas co- lumnas in-4° - Teve segunda edição accrescentada no mesmo anno e no mesmo logar. Refere-se o autor ao acto irreflectido de alguns alumnos da Faculdade. Ha em revistas trabalhos seus, como: - Discurso proferido na sessão solemne da congregação da Facul- dade de medicina da Bahia para a collocação na sala das sessões ordinárias do retrato do dr. Antonio Pacifico Pereira. Bahia, 1889 in-8.° - Hygiene publica. A febre amarella no hospital de Montserrate - Na Gazeta Medica da Bahia, serie 3a, vol. 4° pags. 331 e segs. JLiiiiz Antonio de Alvarenga da Silva Pei- xoto - Nascido no Rio de Janeiro no anno de 1836, falleceu a 14 de setembro de 1876 em Lisboa, onde se achava em exercicio do cargo de addido de Ia classe da legação brasileira, cargo que já havia occupado no Rio da Prata na missão especial do Visconde do Rio Branco. Era official da ordem da Rosa e cultivou a poesia, sem ter feito collecção de seus versos; apenas alguns publicou em revistas. Escreveu: - Vida do brigadeiro Astrogildo Pereira da Costa. Rio Grande, 1857, in-4.° - Apontamentos para a historia: O Visconde do Rio Branco. Rio de Janeiro, 1871, VII-159 pags. in-4°, com um fac-simile e o retrato do Visconde. ILuiz Antonio líurgain -Nascido no Havre em França, no anno de 1812 e pai de José Julio Augusto Burgain, de que já occupei-me, falleceu na cidade do Rio de Janeiro pelo anno de 1876. Muito joven veio para esta cidade, onde estabeleceu familia. Aqui chegado sem protecção, estudou varias linguas e deu-se com applicação â litteratura, angariando pelo seu procedimento exemplar e por sua dedicação ás cousas do Brasil geral sympathia. De^icou-se ao profes- I-U 349 sorado da lingua franceza e da portugueza, assim como da geographia, historia e litteratura, e fundou nesta capital um collegio de educação. Foi socio do Conservatorio dramatico e da Sociedade propagadora das bellas artes, e fez parte da redacção do Brasil Artístico, revista desta sociedade. Distincto litterato e também poeta, empregava o tempo que lhe restava de seus trabalhos do magistério escrevendo, além de livros didacticos, os que passo a mencionar: - Novo methodo pratico e theorico da lingua franceza ou arte fa- cilima de aprender com perfeição e em pouco tempo a fallar, traduzir e escrever o francez. Rio de Janeiro, 1849, 2 tomos, XXIII-349, XII-355 pags. in-8° - Teve segunda edição em 1853, 2 tomos, XLVIII-352 e 406 pags.; terceira em 1858, 2 tomos. XXXII-359. VIII-396 pags., quinta edição de 1872 e outras posteriores, sendo feitas por seu filho algumas posthumas, como a de 1879-1880, 2 tomos, XXV-396, IX-398, in-8% - Este livro trouxe ao estudo da lingua um grande melhora- mento, pela excellenciado systema indicado. - Novíssimo guia da conversação em francez e em portuguez com a pronuncia figurada desde o principio até o fim, seguido de uma es- colhida collecção de perto de setecentos provérbios, annexins e idio tismos de ambas aslinguas. Rio de Janeiro, 1855, IX-360 pags. in-80.- Houve outras edições, sendo a segunda de 1877,428 pags., a terceira em 1869 e outras depois da morte do autor desde a qaurta edição cuidado- samente revista e muito aperfeiçoada em 1884, XVI-384 pags. in-8.° - O livro dos estudantes da lingua franceza (traducção do francez em portuguez). Rio de Janeiro, 1857,428 pags. in-8° - E' uma selecta em prosa e em verso com um elucidário de traducção de todas as phrases e locuções que podem embaraçar os alumnos, etc. Teve segunda edição em 1873, VIII-383 pags. - Novas lições de geographia elementar sem decorar, por meio de exercícios. Rio de Janeiro, 1858, XII 136 pags. in-8°- Teve se- gunda edição em 1865; terceira em 1870; quarta em 1876 e outras posthumas, sendo a sétima de 1890. - Ensino pratico da lingua ingleza para uso dos principiantes- Rio de Janeiro, 1863, VII-71 pags. in-8.° - Pequena noticia sobre os homens e as cousas mais notáveis da historia, da biographia, da litteratura, etc. - Rio de Janeiro, 1876, XIII-175 pags. in-8n-Neste livro teve a collaboração de seu filho. - Les trois fabulistes français: La Fontaine, Florian et La Chambeaudiè. Rio de Janeiro, 1861, in-4°- Este livro é util para quem aprender com perfeição a lingua franceza ; contém a traducção das phrases e a resolução de muitas diíficuldades da lingua. 350 LU - La statue de 1'Empéreur D. Pedro I; offert par 1'auteur et les editeurs àlanation bresilienne. Rio de Janeiro, 1862, 31 pags. in-8* com o retrato do Imperador - Fez-se ao mesmo tempo uma edição portugueza pelo filho do autor. - O vaticínio : Drama allegorico em um acto, em verso. Rio de Janeiro, 18...,in-8°- E' allusivo á menoridade do Imperador e foi antes publicado no Despertador. - O remendão de Ssmirna ou um dia de soberania: vaudeville em tres actos, representado pela Ia vez no theatro de S. Januario no anno de 1839. Rio de Janeiro, 1845, 16 pags. in-4° gr. de duas columnas. - Fernandes Vieira ou Pernambuco libertado: drama em quatro actos e em verso, representado pela primeira vez no theatro de São Pedro de Alcantara em maio de 1843 - Rio de Janeiro, 1845, 32 pags. in-4° gr. de duas columnas - Este drama foi escripto em prosa e em tres actos, e depois de approvado pelo Conservatorio dramatico, o autor o ampliou e escreveu em verso, fazendo assim uma obra nova, de que sahiram alguns fragmentos na Minerva Brasiliense - Rio de Janeiro, tomo 1°, pags. 306, 336 e 364, e tomo 2°, pags. 397 e 522. São seus primeiros ensaios poéticos. - A ultima assemblèa dos Condes livres: drama em cinco actos, representado pela primeira vez no theatro de S. Pedro de Alcantara, etc. - Rio de Janeiro, 1845, in-4° gr. - Pedro Sem, que já teve e hoje não tem: drama fundado em factos, approvado pelo Conservatorio dramatico brasileiro e pelo de Lisboa - Rio de Janeiro, 1847, VUI-208 pags. in-8.° - Luiz de Camões: drama em cinco actos, approvado pelo Con- servatorio dramatico brasileiro e representado em vários theatros do Brasil, como em Portugal. Rio de Janeiro, 1849, XIV 147 pags in-4° - Este drama tem outras edições, sendo a quarta de 1862 e foi representado pela primeira vez no theatro de S. Pedro de Alcantara. Encerra-se o livro com um soneto do autor. - O mosteiro de Santo lago: drama em verso (assumpto da opera Favorita, de Donizetti), approvado pelo Conservatorio dra- matico brasileiro e representado pela primeira vez no theatro 8. Januario em março de 1860 - Rio de Janeiro, 1860, 106 pags. in-8.° - Tres amores ou o governador de Braga : drama em 4 actos. Rio de Janeiro, 1860, in-8.°- Foi representado muitas vezes. - O amor de um padre ou a inquisição em Roma: drama em quatro actos, representado pela primeira vez no theatro S. Januario. Rio de Janeiro, in-4.® ILU 351 - A quinta das lagrimas : tragédia - que tem por assumpto a morte de dona Ignez de Castro. Creio que não foi publicada. So vi delia um monologo de dona Ignez na Minerva Brasiliense, tomo Io, pag. 275. - O barbeiro importuno: comedia em um acto. Rio de Janeiro, in-8.° - Dous abraços: romance traduzido do inglez. Rio de Janeiro... - >8. Ghristovam: poemeto por occasião das núpcias de S. M. o Imperador - Publicado no Despertador e na Mulher de Simplicio, periódicos do Rio de Janeiro. - A casa maldita, ou a mocidade de D. Affonso VI: drama em quatro actos - Rio de Janeiro, foi representada. - A Castro romantica: comedia em quatro actos - Creio que nunca foi publicada, mas foi representada. - O noivo distrahido ou uma scena da Torre de Nesle: comedia em dous actos - Idem. - O mentiroso, de Goldini: comedia traduzida do italiano -Idem, Burgain collaborou para revistas como a Revista Popular do Rio de Janeiro, onde publicou: - Novissimos exercidos sobre a arte de escrever - no tomo 2o, pag. 33. - Reflexões sobre o estado das linguas- no tomo 3o, pag. 25. O. Luiz Antonio Carlos Furtado de Men- donça - Filho do general Antonio Carlos Fartado de Mendonça, que foi governador da capitania de Goyaz, depois de Minas Geraes e por ultimo de Santa Catharina de 1776 a 1777, nasceu no Rio de Ja- neiro e falleceu em Portugal a 17 de janeiro de 1832. Era doutor em direito canonico pela universidade de Coimbra, deão da sé de Braga, prior-mór da ordem do Christo e socio da Academia das sciencias de Lisbôa. Esteve no Brasil com d. João VI e achava-se nomeado arce- bispo de Braga, quando foi acommettido de uma congestão cerebral, que o matou. Escreveu: - Oração fúnebre, recitada nas solemnes exequias do exm. e revm. sr. d. frei Caetano Brandão, arcebispo de Braga, celebradas na cathedral da mesma cidade. Lisboa, 1806, 26 pags. in-4.° - Oração fúnebre, recitada na capei la real da côrte do Rio de Ja- neiro nas solemnes exequias da senhora d. Maria I, rainha fidelíssima do reino unido, etc. Rio de Janeiro, 1816, IV-44 pags. in-4.° - Oração gratulatoria pela restauração do reino de Portugal, recitada em Braga, etc. Coimbra, 1808, 18 pags. in-4.° ilu 352 - Oração gratulatoria recitada na solemne acção de graças que el-rei n. s. fez celebrar na capella real do Rio de Janeiro pelos despo- sorios do sereníssimo príncipe d. Pedro de Alcantara. Rio de Janeiro, 1818, 21 pags. in-4.° - Oração gratulatoria recitada na igreja de S. Vicente de Fóra, no Io de abril de 1829 pelo restabelecimento da saude d'el-rei, o sr. d. Miguel 1. Lisboa, 1829, 28 pags. in-4.° - Eleucho dos erros, paradoxos e absurdos que contém a obra inti- tulada 0 cidadão luzitano, offerecido á mocidade portugueza. Lisboa, 1822, 116 pags. in-4° -Até a pag. 46 foi impresso n'uma typographia, d'ahi em diante em outra, já depois da reacção de junho de 1823. - Pastoral do exm. prior-mór da ordem de Christo. Lisboa, 1823, in-4.° - Carta pastoral ao clero e fieis da prelaria de Thomar por occa- sião da quéda do governo constitucional. Lisboa, 1823, 43 pags in-4° - E' seguida de uma epistola em latim ao summo pontífice e datada de 6 de agosto deste anno. - Defesa do Prior-mór da ordem de Christo. Lisboa, 1827, in-fol. - As minhas observações á carta do doutor Abrantes. Lisboa, 1828, 29 pags. in-8°. Esta carta do dr. Bernardo José Abrantes de Castro tem por titulo «Carta a sir W. A' Court sobre a regencia de Portugal e a autoridadedo sr. d. Pedro 4° como rei de Portugal e como paidasra. d. Maria II. - Cartas de Não sei quem a outro que tal. Lisboa, 1830-1831. in-4° - São dezenove cartas sob o anonymo, como as duas precedentes escriptas, todas sobre política. Em 1830 publicaram-se as treze pri- meiras cartas na Imprensa régia; em 1831 as outras na typographia de Bulhões. Consta que ha outros opusculos políticos deste autor. JUiiiz _A.nton.io <le Castro -Natural do Rio de Janeiro e irmão do coronel Carlos Cyrillo de Castro que morreu na campanha do Paraguay, falleceu a 20 de novembro de 1874. Foi socio do Instituto historico e geographico brasileiro, dedicou-se a estudos de homoeopathia e creio que escreveu alguma cousa neste sentido sob o anonymo. Pelo menos redigiu com o dr. Mure e João Vicente Martins: - A Sciencia: revista synthetica dos conhecimentos humanos, redigida pelos professores da Escola de homoeopathia do Rio de Ja- neiro. Rio de Janeiro, 1847-1848, in-fol. Escreveu: - Juizo acerca da obra sobre o Brasil, publicada nos Estados Unidos pelo padre Kedder - trabalho que começou a ler perante o Instituto em sessão de 15 de setembro de 1859. TuU 353 - Recordação recitada na sessão commemorativa do passamento do príncipe D. Affonso - Na revista trimensal, vol. 11°, pags. 59 a 66 e na «Oblação do Instituto historico e geographico brasileiro á memória de seu presidente honorário, o Sr. D. Affonso, augusto primogénito de SS. MM. II. Rio de Janeiro, 1859, pags. 59 a 65. - A' morte do brigadeiro Miguel Frias Vasconcellos- No «Monu- mento á memória do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos », por Francisco de Paula Brito. Rio de Janeiro, 1859, pags. 42 a 50. Tjtiíz Antonio da Costa Ag-uiar - Nenhuma no- ticia obtive relativamente a este brasileiro. Só o conheço pelo seguinte trabalho seu: - Geographia physica para uso da juventude de todas as classes da sociedade, escripta em lingua ingleza pelo tenente Maury e ver- tida em idioma pátrio. Paris, 1873, 200 pags. in-8.° A.nt<mio da Costa Barradas - Filho de Manoel da Costa Barradas e nascido na cidade de Coimbra, Portugal, em cuja universidade foi graduado doutor em philosophia, falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 27 de junho de 1862, major reformado do exercito e commendador da ordem de Christo. Em 1810 foi no- meado lente de physica da antiga academia militar e em 1816 offlcial da secretaria de estado da marinha e domínios ultramarinos. Escreveu : - Geometria pratica do obreiro ou applicação da regua, da es- quadria e do compasso á solução dos problemas de geometria por Mr. E. Martin. Traducção em vulgar. Rio de Janeiro, 1834, 91 pags. in-8° com duas estampas. - Sociedade litteraria do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1843, 27 pags. in-8°- Contém o opusculo um discurso do dr. Barradas, então director, e o relatorio do secretario A. A. Pereira Coruja. ILxiiz; Antonio Navarro de Andrade - Filho do tenente-coronel Sebastião Navarro de Andrade, nasceu a 25 de agosto de 1825 em Montevidéo, então província Cisplatina, pertencente ao Brasil e cursou a antiga academia militar. De 1865 a 1867 foi cônsul geral do Estado Oriental do Uruguay no reino da Prussia ; exerceu no Rio de Janeiro cargos de eleição popular, como o de ve- reador da camara municipal, onde serviu desde 1880, o de director geral da repartição do t ombamento, no qual foi aposentado, e é com- mendador da ordem de Christo de Portugal. Dedicou-se desde muito 354 lu joven ao jornalismo e nessa carreira não sómente collaborou para varias folhas, como também redigiu: - A sentinella do Throno. Rio de Janeiro, 1848-1849, in-fol. - O Brasil. Rio de Janeiro, 1863, in-fol.-Esta folha nada tem com o Brasil redigido pelo dr. Justiniano José da Rocha de 1840 a 1852, nem com o Brasil, orgão constitucional, redigido depois pelo dr. José Tito Nabuco de Araújo. - Diário do Rio de Janeiro. Rio do Janeiro, in-fol.- Esta folha começou a ser publicada a 1 de junho de 1821 e terminou a 31 de outubro de 1878 com 170 vols. e sob a redacção de vários cavalheiros e de varia côr politica. Não tenho certeza da época em que Navarro o redigiu ; o que sei é que foi até 1868. - O Pequeno Jornal. Rio de Janeiro, 1876, in-fol. Collaborou para outras folhas.- Escreveu: - O livro do povo ; resumo da historia politica dos povos e sua organisação social e religiosa, feito com o fim de facilitar a instrucção politica do povo brazileiro. Rio de Janeiro, 1856, in-8.° - Questão do Diário do Rio de Janeiro ou a retirada do seu redactor em chefe Luiz Antonio Navarro de Andrade. Rio de Janeiro, 1868, 62 pags. in-4° - E' uma compilação da imprensa do dia. - Relatorio apresentado á Illma. Camara Municipal em 23 de agosto de 1880 polo commissario do tombamento. Rio de Janeiro, 1880, 16 pags. in-4° com um mappa - Ha outros trabalhos de sua penna neste cargo. Luiz A.iitonio <Ie Oliveira Mendes - Nasceu na cidade da Bahia em 1750, e não a 21 de janeiro de 1769, como diz Inno- cencio da Silva, porque formou-se em leis na universidade de Coimbra no anno de 1777, nem falleceu a 21 de março de 1851, datas qne se referem a Luiz José de Oliveira Mendes, que supponho seu filho e que sendo senador pelo Piauhy, foi agraciado com o titulo de Barão de Monte Santo. Além do curso de leis, em que formou-se, frequentou as aulas de historia e de chimica. Foi alguns annos advogado da casa de supplicação em Lisboa, da nunciatura e camara ecclesiastica e descobriu uma mina de ferro nas margens do Mondego á Portella e outra de óca nos contornos da villa de Góes, sendo, por isso, elogiado pelo rei de Portugal, d. José I. Era um homem de Vasta erudição e socio da Academia real das sciencias de Lisboa. De seu filho Clemente Alvares de Oliveira Mendes e Almeida, já ILU 355 fiz menção em legar competente. Pouco publicou de suas obras, que são : - Memória analytica demonstrativa da machina de dilatação e de contracção para soccorros nos incêndios. Lisboa, 1792, 27 pags. in-8° com uma estampa. - Tentativa ou ensaios em que tem entrado o autor da machina de dilatação e de contracção e da memória analytica e demonstrativa delia. Lisboa, 1792, in-8.° - Determinar com todos os seus symptomas as moléstias agudas e rchronicas que mais frequentemente acommettem os pretos recem- chegados d'África, examinando as causas de sua mortandade depois de sua chegada ao Brasil, etc.- Vem nas Memórias Económicas da academia real das sciencias do Lisboa, tomo 4o, 1812, pags. 1 a 64. E' um trabalho lido na academia, desenvolvendo um programma delia. Uma parte desse trabalho, «da enfermidade chamada maculo», foi reproduzida no Diário de Saude do Rio de Janeiro, 1835, pags. 38 o seguintes. - Discurso sobre a verdade ultrajada e triumphanto com uma estampa - Nas referidas Memórias económicas: - Novena e sermão de N. Senhora do Valle. Lisboa (?)... - Preliminares de estatutos da sociedade Bahiense dos homens de lettras. Bahia (?) ...- Foram publicados também na Revista do Instituto historico, tomo 47°, parte Ia, pags. 88 a 105. Sei que estas duas obras foram publicadas, porque as vejo assim mencionadas n'um «manifesto de suas applicações litterarias até o anno de 1810» im- presso e assignado pelo autor, o qual foi-me offerecido pelo meu amigo J. Norberto de S. e S. Innocencio refere-se também a uma notaauto- grapha de seus trabalhos até esta data, mas essa nota diverge alguma cousa da que possuo, achando-se entre os inéditos os dous últimos acima. Os inéditos constantes desse manifesto são: - índice chronologico das leis, extrahido das collecções Ia, 2a e 3a do Codigo Filippino, com seu appendice chronologico das leis, que, refe- ridas, não teem o dia em que foram publicadas, e que, servindo de Ia parte, lhe serve de 2a o Anno jurídico com a inclusão de todas as leis, alvarás, cartas régias, decretos, avisos e assentos, faltando-lhe a 3a, que, em continuação comprehenderá as leis josephinas até os nossos tempos. - O império da razão, dirigido a formar o homem util a si e á patria. Tomo 1°- No fim se indicam os capítulos do 2° tomo. - Annotações sobre o augmento da agricultura nacional - cujo original existe no archivo (accrescenta o autor) do exm. sr. Luiz Pinto de Souza Coutinho, que o não restituiu. 356 LTT - 0 verdadeiro e perfeito heroísmo do homem, com uma estampa. - A filaucia com a demonstração dos erros e defeitos, que delia são provenientes. - Memória sobre a creação dos carneiros em Portugal para que delles se possa extrahir a lã tão fina e de fio tão comprido como a da Hespanha e Berberia, a qual foi coroada em sessão publica da real Academia das sciencias de Lisboa. - Memória sobre o modo de se aperfeiçoarem as differentes espe- cies de pinheiros em Portugal de maneira que a sua madeira seja própria para todos os nossos usos e naquelles, em que actualmente se emprega o pinho de Flandres. - Memória nautico-maritima sobre o modo com que devem ser construídos e carregados os navios para que se façam mais veleiros em utilidade do commercio e navegação, a qual foi lida em sessão da Academia. - Memória sobre a extracção da tinta do pão Brasil - idem. - Memória sobre os costumes dos povos africanos com restricção ao reino de Dahomey- idem. - Diccionario da lingua africana com restricção ao reino de Da- homey L. A. (lettra A)-Talvez o autor continuasse a escrevel-o. - Memória sobre o modo e systema que se deve praticar na plan- tação das cannas de assucar em Portugal. - Memória sobre a melhoria dos carros, com estampa, dando-so uma nova fórma a elles e de modo a pararem nos planos inclinados sem retrocesso, tudo por effeito de uma simples machina. - Oração latina por occasião de ser nomeado socio correspondente da real Academia das sciencias de Lisboa. - Oração fúnebre latina, recitada em uma das sessões ordinárias por occasião da morte do Exm. Duque de Lafões, presidente e fundador da real Academia das sciencias de Lisboa, a qual foi traduzida em por- tuguez por ser pedida pela Duqueza de Lafões. - Elogio historico do senhor rei D. Diniz. - Discurso preliminar, historico, introductivo á Descripção eco- nómica da comarca e cidade da Bahia em que se entra no parallelo do commercio e navegação antiga e moderna, etc. - Descripção economica da comarca da cidade da Bahia com a taboã de seus habitantes, etc. Tomo Io. - Dezenho fidelissimo da cidade de Coimbra, sua ponte, rio Mon- dego com a descripção dos edifícios mais celebres e de tudo que se deixa ver em prospecto. LU 357 - Descripção da capitania de Moçambique, suas povoações e pro- ducções. - Systema, etc. para se conhecer quando os páos de uma extraor- dinária grossura acham-se perfeitos e sem vicio no seu interior para serem cortados e empregados nas mastreações dos navios, de cuja falta de conhecimento resultam graves • damnos e prejuizos até com arribadas e perdas destes. - Discurso preliminar ás Novellas pindaricas. - Novellas pindaricas em drama épico com suas notas, em que se envolve a mythologia dos deuses profanos. - Prelecções históricas, mythologicas, introductivas á poesia, se- gundo a ordem alphabetica. Dous vols. de lettra A a E - (e continua-se). - Poema sobre o heroísmo de Cellico em oitava rima. Cantos Io e 2o. - A tragi-comedia de Berenice (poema épico). - Doedoneo sacro em canto épico, feito ao templo de Mafra, ás festividades que nelle se fizeram e á sagração do arcebispo de Gôa - Ao manifesto impresso, de que extractei as obras mencionadas, acha-se unida uma folha manuscripta, de lettra do século passado, ou «Relação das obras que, por serem compostas em a cidade da Bahia, não poderam entrar no catalogo das outras e no manifesto». Dessa relação citarei: - Princípios de agricultura pratica, relativos ao continente do Brasil. - Oratória de Santa Isabel, rainha de Portugal. - A graciosa comedia intitulada Oflicio das tres Parcas, na qual se encontram princípios de moralidade, entrando-se em critica. - A tragédia de Atreu e Thiesto, em verso heroico. - Canto epico ou drama heroico sobre as armas da Bahia se tor- narem victoriosas e triumphantes da conquista de Pernambuco. - Elogio historico em estylo didactico ao commercio da Bahia e ao Exm. Conde dos Arcos por occasião de collocar-se seu retrato na sala e praça do commercio em 7 de setembro de 1817. ■ - Canto epico ou drama nupcial por occasião do casamento do Príncipe, nosso senhor. - Drama epico em canto historico, consagrado á real e ditosa acclamação de S. M. o Sr. Rei D. João VI, realizada no Brazil, na corte do Rio de Janeiro em 6 de fevereiro de 1818, etc. - Não sei si é deste autor, publicação posthuma a seguinte obra: - As duas irmãs: drama em seis actos, approvado pelo Conser- vatório dramatico brasileiro. Rio de Janeiro, 1860, 112 pags. in-8° - Inclino-me a crer que não é delle, LU 358 JDuix A.ntonio Rozado da Cunha - Nascido nos primeiros annos do século decimo oitavo, bem que sem haver certeza de que o fosse no Brazil, contemplo-o neste livro. Sendo juiz de fóra e provedor de defuntos e ausentes, capellas e resíduos no Rio de Ja- neiro, escreveu: - Relação da entrada que fez o Exm. e Revm. Sr. D. Fr. Antonio do Desterro Malheiro, bispo do Rio de Janeiro, em o Io dia do anno de 1747, havendo sido seis annos bispo do reino de Angola, donde por no- meação de Sua Magestade e bulia pontifícia foi promovido para esta diocese, composta pelo Dr., etc. Rio de Janeiro, 1747, 20 pags. in-4° - E' o unico trabalho ostensivamente impresso na offlcina typographica de N. Isidoro da Fonseca, por esse tempo aberta, e logo mandado da côrte que fosse desfeita eabolida «sem duvida porque as conveniências polí- ticas ou razões de estado obstavam a que se permittisse nas colonias o uso da imprensa e com elle tal ou qual difíusão de luzes que então se julgava nociva aos interesses da metropole e perigosa para o seu dominio !» D. luiiiz -A_ntonio tios Santos, Marquez de Monte Pascoal, Io bispo do Ceará e 20° arcebispo da Bahia-Filho de Salvador dos Santos Reis e dona Maria Antonia da Conceição, nasceu na villa da Ilha Grande hoje cidade de Angra dos Reis, a 3 de março de 1817 e falleceu na Bahia a 11 de março de 1891. Presbytero secular ordenado no Rio de Janeiro pelo Conde de Irajá, tendo feito seus primeiros estudos no seminário de Jacuecanga, foi superior geral da congregação da missão do Brazil, já então desligada do superior da França, e um dos congrega- dos deS. Vicente de Paula em Caracas, em cujocollegio leu mathema- ticas. Sendo reitor do seminário episcopal de Marianna, onde também leu varias matérias, foi â Roma, ahi fez o curso de direito canonico e rece- beu o grau de doutor em 1851. De volta ao Brazil, continuando a exercer os cargos que occupava em Marianna, foi nomeado bispo do Ceará por decreto de 31 de janeiro de 1859, preconisado por Pio IX a 28 do setembro de. 1860, sagrado a 16 de abril de 1861, e fez sua entrada solemne na diocese cearense a 29 de setembro deste anno. Sendo pre- lado assistente do solio pontifício e do conselho do Imperador, foi ele- vado a arcebispo e primaz do Brazil por decreto de 15 de novembro de 1879, confirmado em 1880, e neste mesmo anno entrou na diocese metropolitana. Permaneceu até 1890 nesse elevado cargo que foi obri- gado a renunciar por causa de soffrimentos physicos. Escreveu: - O Romano: myscellanea dogmatica, moral, ascéticaehistórica. Marianna, 1851, in-fol. - E' uma publicação periódica, de que também foi redactor o bispo D. Antonio Ferreira Viçoso. LU 359 - Direitos do padroado no Brazil ou reflexões sobre os pareceres do procurador da coroa e da sessão do conselho de estado de 18 de janeiro e de 10 de março de 1856, por um padre da província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1858, in-4.° - Carta pastoral, saudando e dirigindo algumas exhortações aos seus diocesanos. Marianna, 1861, in-4°- E' datada do dial de sua sagração, 16 de abril. As outras pastoraes deste bispo não foram publicadas em opusculos; só conheço delias a - Pastoral precedida da carta de sua santidade Leão XIII aos bispos brasileiros. Bahia, 1888. - O episcopado brasileiro ao clero e aos fieis da egreja do Brasil. Rio de Janeiro, 1890, 80 pags. in-4° - E' assignado pelo arcebispo me- tropolitano e por todos os bispos do Brasil, determinando um triduo de preces com a maior solemnidade em todas as egrejas parochiaes, e mais egrejas e capellas pela união de todos os catholicos e pela união da egreja com o estado. Este prelado deixou inéditos «muitos escriptos e notas preciosas, sermões, descripções de visitas pastoraes, etc.», segundo lê-se n'uma noticia, impressa no Monitor Catholico da Bahia, depois de sua morte. Luiz Aiitoiiio <la Silva Beltx^ão - Filho de An- tonio Luiz da Silva e dona Anna Thereza de Jesus, nasceu no Rio de Janeiro em 1791 e falleceu ahi na côrte a 30 de julho de 1858, sendo chefe de divisão da armada, cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, da do Cruzeiro e da de Christo, e servindo na commissão de orga- nisação do pessoal e material da armada. No termo de juramento da constituição do império, deferido aos officiaes de marinha a 5 de abril de 1824 na capella do arsenal do Rio de Janeiro em presença do ministro respectivo, Francisco Víllèla Barbosa, depois Marquez de Paranaguá, acha-se assignado seu nome, sendo então segundo- tenente. Começou a servir na armada como piloto de carta patente. Escreveu : - Instrucção para se navegar em proximidade da costa do Nor. deste da Nova Hollanda com as differentes derrotas em o bergantim Emilia, assim como suas rondas, qualidades e perigos proximos á mesmacosta; tudo observado com a maior exacção possível, sendo suas longitudes deduzidas pelas observações da lua ao sol, estrellas, planetas, etc. Calcuttá, 1818, 23 pags. in-8°, com um mappa. - Tratado sobre o modo geral de deduzir os rumos e as distancias directas em as derrotas compostas, suppondo que as distancias andadas formem pequenos qngulos entre si. Rio de Janeiro, 1822, in-8,° LU 360 - Memória sobre os differentes methodos, até agora imaginados para substituir a perda do leme a bordo dos navios de guerra e mer- cantes, seguida de um methodo novo, inventado pelo autor. Rio de Janeiro, 1838, 40 pags. in-4° com duas estampas desdobráveis. - Recapitulação dos trabalhos e dos resultados obtidos na ultima commissão a que foi mandado, etc. 1825-1828 -Inédito na bibliotheca de marinha da côrte. - Reflexões sobre differentes ramos da marinha de guerra - Hem. - Projecto de uma escola, servindo á instrucção dos obreiros das differentes offlcinas do arsenal de marinha, que se destinam a mes- trança - Idem. - Memória sobre o observatorio dã marinha, do porto de Brest - Idem. - Memória sobra os arsenaes de marinha, suas offlcinas e machi- nas necessárias aos trabalhos que nellas se executam - Idem. - Memória sobre os differentes trabalhos de cordoaria. 1827 - Idem. - Memória sobre polearia. 1827 - Idem. - Memória sobre a construcção de diques, e differentes meios de os fechar e esgotar (falta o desenho) - Idem. - Memória sobre a construcção dos navios de guerra. Rochefort, 1827 - Idem. - Memória sobre a machina de mergulhar - Brest, 1830 - Idem. - Memória astronómica sobre a marcha a seguir em cálculos para a construcção das ephemerides nauticas, etc. Paris, 1832, com atlas - Idem. Me parece que é deste autor o seguinte trabalho: - Ao faustíssimo consorcio do Imperador do Brazil com a Sra. Dona Amélia: poesias deL.A. S. B. Rio de Janeiro, 1829. Luiz A.ntonio (la Silva Santos - Filho de Manuel Vieira da Silva Santos e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 27 de agosto de 1853, é doutor em medicina e substituto da faculdade da mesma cidade e membro da sociedade de Medicina e cirurgia. Foi delegado da inspectoria geral de hygiene e escreveu: - Piathese e moléstias diathesicas ; Matéria, força, movimento ; Do cancro ; Do estado pathologico em geral: these apresentada á Fa- culdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1876 , 2 fls., 103 pags. in-4° gr. - Hermatometria ascendente, hematocolpos: caso clinico que lhe serviu de prova pratica no concurso da cadeira de adjunto de obstetrícia 361 LU e gynecologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro - No Bo- letim da sociedade de Medicina e cirurgia. - Emprego vantajoso do hypnotismo n'um caso de chorea - Idem. - Adenite inguinal chronica e idiopathica, ulcerada - Nos Archi- vos de Medicina, 1874, n. Io, pags. 30 a 37 e n. 2, pags. 142 a 152. - Um caso de dysmenorrhea por atasias accidentaes múltiplas do canal genital, hematemetria tardia, erros de diagnostico - No Brasil Medico, anno Io, serie Ia, 1887, pags. 159, 168 e 183. - Do asseio e da sobriedade, como bases fundamentaes dahygiene - Na Revista de Ihjgiene, 1886, pags. 18 e 55. Luiz jVntonio da Silva e Souza - Filho de Luiz Autonio da Silva e Souza e dona Michaela Archangela da Silva, nasceu no antigo arraial do Tijuco do Serro-Frio, em Minas Geraes, no anno de 1764 e falleceu em Goyaz a 30 de setembro de 1840. Presbytero secular, ordenado em Roma, para onde seguira com bene- plácito regio, dado pelo ministro plenipotenciário de Portugal junto a essa côrte, em razão de uma denuncia de ser elle descendente de linha amaldiçoada, fez depois alguns estudos em Lisboa e ahi, sabendo que se creara para a capitania de Goyaz uma cadeira de latim, apresentou-se ao respectivo concurso, foi provido na dita cadeira poi* decreto de 16 de dezembro de 1788 e voltou então ao Brasil, passando em 1832 a leccionar rhetorica. Exerceu o cargo de governador do bispado, sede vacante, sendo depois nomeado provisor e vigário geral da prelazia pelo bispo d. Francisco de Azeredo. Eleito deputado ás côrtes portuguezas de 1821 e chegado ao Rio de Janeiro, prevendo os acontecimentos que depois se deram, não quiz ir tomar assento na assembléa e, acclamada a independencia, foi nomeado membro do conselho da província, cuja presidência assumiu por occasião da abdicação do primeiro Imperador e da retirada do presidente. Foi conego honorário da capella imperial, cavalleiro da ordom de Christo, socio do Instituto historico e geographico brasileiro, distincto patriota, distincto chronista, orador sagrado e também poeta, deixando bem firmada essa reputação em varias obras que escreveu. Como collabo- rador da Matutina Meiapontense, advogou a causa dos interesses nacionaes e das liberdades publicas no ultimo periodo do primeiro reinado. Escreveu - diz José Martins Pereira de Alencastre (veja-se este autor) - grande numero de: - Memórias e monographias sobre catechese dos indígenas, nave- gação de rios, colonisação, commercio, agricultura, industria, explo- 362 LÚ ração de minas, estatística, historia de Goyaz, e muitas orações sagradas e uma grande cópia de poesias, quer sagradas, quer profanas, sendo notáveis as de genero satyrico, as quaes, na proximidade de sua morte, entregou ás chammas, ao tempo em que desappareciam também seus trabalhos em prosa. De sua penna, entretanto, citarei: - Memória sobre o descobrimento, governo, população e cousas mais notáveis da capitania de Goyaz - E' datada de Villa-Boa, 30 de setembro de 1812 e foi publicada no Patriota, ns. 4, 5 e 6 de 1814; no Jornal de Coimbra, n. 76, pags. 121 a 193; na Revista do Insti- tuto historico, tomo 12°, pags. 429 a 510, e nas Memórias históricas de monsenhor Pizarro. Ahi se dá noticia das nações selvagens de Goyaz, dos rios, lagos, grutas notáveis, serras, producções naturaes, estradas para vários pontos do império, etc. - Memória estatística da província de Goyaz, dividida pelos julgados de suas comarcas e na fórma do elenco enviado pela se- cretaria do império, escripta por determinação do Ex.m0 conselho administrativo da provincia e conformo as determinações que se receberam dos differentes julgados. Rio de Janeiro, 1832, 89 pags. in-4.° - Historia completa da provincia de Goyaz - Nunca foi impressa. Delia, porém, faz menção o dr. Thomaz José Pinto de Serqueira, na Revista do Instituto, tomo 3o, pag. 544, assim como das - Emendas que fez a um mappa da provincia - que, todo inçado de erros, poderia ser causa de graves enganos. Tamhem impressa nunca foi sua traducção da - Jerusalém libertada de Torquato Tasso - de que, entretanto, foi publicado o canto 2o, de 53 oitavas no Parnaso Brazileiro ou collecção das melhores poesias de poeias brazileiros, n. 8. Alencastre suppõe que esse poema fosse queimado com as outras composições poéticas do traductor, assim como também que o fosse uma tra- ducção dos - Tristes, de Virgílio - Das producções poéticas, que poderam escapar ao auto de fé, formou o mesmo Alencastre durante sua admi- nistração na provincia de Goyaz um pequeno volume, que conservava e de que cita alguns excerptos na citada Revista, tomo 30°, pags. 251 a 255. - A discórdia ajustada : elogio dramatico (em verso) para mani- festação do real busto do Sr. d. João VI, nosso legitimo e natural senhor nas festas que, por motivo de sua exaltação, se fazem em Villa-Boa de Goyaz em outubro de 1818, etc. Rio de Janeiro, 1819, 14 pags. in-4.° LU 363 - Oração fúnebre nas solennes exequias do muito alto e muito poderoso senhor dom João, o sexto imperador e rei de Portugal, Algarve e Brazil, feitas na cathedral de Sant'Anna pela gratidão dos... bispo de Cartoria, prelado de Goyaz e presidente do governo da mesma provincia, presentes as primeiras autoridades, camara, clero e nobreza; recitada no dia 26 de julho do presente anno de 1826 - O autographo pertence ao imperador D. Pedro II que o concedeu para a exposição de historia patria em 1880. Das poesias do conego Silva e Souza só conheço: - Duas decimas, um soneto e parte de uma ode - que se acham na sua Biographia, na Revista do Instituto, tomo 30°, 1867, pags. 241 a 256. Luiz Antonio <ta Silva, Viaiina - Nascido no Ceará pelo anno de 1820, ahi falleceu em maio de 1879. Entrou para o funccionalismo publico em 1840 como amanuense da secretaria do governo, sendo no anno seguinte elevado a primeiro offlcial. Em 1842 passou para a alfandega como escrivão de descarga e em 1849 para a thesouraria da fazenda como seu thesoureiro. Foi deputado provincial em varias legislaturas e coronel reformado da guarda nacional. Por occasião de um desfalque encontrado no cofre da fazenda a seu cargo escreveu : - O Coronel Luiz Antonio da Silva Vianna. Defesa no processo instaurado pela subtracção dos dinheiros existentes no cofre da Thesou- raria de Fazenda do Ceará. Fortaleza, 1867, 26-16-6 pags. in-8.° Luiz; Antonio Vieii*a - Sei apenas que falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 24 de setembro de 1862 ; tinha carta de cirurgião e entrara para o serviço de saude da armada em 1822, sendo reformado no posto de primeiro tenente e obtendo mais tarde as honras de capitão-tenente. Era cavalleiro da ordem do Cruzeiro e escreveu : - Sonetos ao venturoso dia 14 de março de 1847, feliz anniversario de S. M. a Senhora D. Thereza Christina Maria, augusta Imperatriz do Brazil. Rio de Janeiro, 1847, in-8.° Luiz Antonio Vieira da Silva, Visconde de Vieira da Silva - Filho do senador Joaquim Vieira da Silva e Souza e dona Columbia de Santo Antonio Gayoso de Souza Vieira, nasceu na capital do Ceará, quando seu pae ahi occupava o logar de juiz de fóra, a 2 de outubro de 1828 e falleceu no Rio de Janeiro a 3 de novembro de 1889, fidalgo cavalleiro da casa imperial, grande do Império, doutor LU 364 em leis e em cânones pela universidade de Heidelberg no grão-ducado de Baden; senador pela província de seu nascimento, conselheiro de estado, do conselho do Imperador, grão-mestre da maçonaria brazileira, socio do Instituto historico e geographico brasileiro e de outras asso, ciações de sciencias e lettras, quer nacionaes, quer estrangeiras e cavalleiro da ordem da Rosa. Começou a servir em 1854 a seu paiz como secretario do governo do Maranhão, que elle representou na assembléa provincial de 1860 a 1861 e na assembléa geral desta data a 1864 e de 1867 a 1871, época em que passou a representar esta pro- vinda no senado. Fez parte do gabinete que extinguiu a escravidão por acto de 13 de maio de 1888 e foi depois convidado pelo Imperador para organisar o gabinete subsequente, não o conseguindo por causa da grande dissidência de seu partido. Litterato de fino gosto, parlamentar distincto, e sempre delicado ao estudo da historia patria, escreveu: - Jornal de instrucção e recreio; publicado pela Associação litte- raria maranhense. Maranhão, 1845-1846, 191 pags. in-4° - Esta revista, de que só sahiram publicados 24 numeros, foi fundada e redi- gida por Vieira da Silva em tempo de estudante de preparatórios. - Historia interna do direito romano privado até Justiniano. Rio de Janeiro, 1854, 397 pags. in-8° - Divide-so este livro em quatro partes : Direito das pessoas ; Direito das cousas ; Direito de successão e Direito das obrigações. - Historia da independencia da. província do Maranhão (1822-1828). Maranhão, 1862, 360 pags. in-8°, seguidas de mais 52 pags. com documentos appensos. - Questão religiosa: discurso pronunciado no senado na sessão de 8 de março de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 22 pags. in-8.° - 'Voto de graças : discurso pronunciado no senado na sessão de ]3 de junho de 1874. Rio de Janero, 1874, 35 pags. in-8.° - Força naval. Discurso proferido na sessão de 8 de junho (na camara dos deputadoe). Rio de Janeiro, 1888, in-8.° - A ciganinha do Norte. Maria. Poesias traduzidas do allemão - Na Grinalda de flores poéticas, colligidas pela redacção do Correio das Modas. Rio de Janeiro, 1854. Ha ainda varias composições poéticas deste autor nesta revista e no Jornal das Senhoras e muitas que eile deixou inelitas. Luiz Augusto May - Falia?,eu em 1850, segundo uniu relação dos socios do Instituto historie? e geographico brasileiro, a que pertencia desde 1840, sendo já oílicial-maior aposentado da secretaria LU 365 da marinha, tendo depois disto exercido algumas commissões, como a de offlcial de gabmete do ministro dessa repartição Hollanda Caval- canti, depois Visconde de Aibuquerque. Tomou assento na primeira legislatura geral do Império, em 1826, como supplente do deputado por Minas Geraes, Marquez de Valença, que íoi eleito senador. Contribuiu com sua penna para a independencia do Império; foi um homem laborioso, « de grande sagacidade no encarar os aconteci- mentos» e escreveu, além de varias memórias que nunca foram publicadas e de que se ignora o destino : - A Malagueta: (periodico político). Rio de Janeiro, 1821-1822, 1828-1829, 2 collecções, 132 e 368 pags. in-fol. - A primeira collecçcão abrange datas de 21 de dezembro de 1821 a 5 de junho de 1822 ; a segunda de 19 de setembro de 1828 a 28 de agosto de 1829. Nesse interim, porém, publicou : - A Malagueta extraordinária. Rio de Janeiro, 1822-1824, in-fol. - Comprehende datas de 31 de julho de 1822 a 10 de junho de 1824, sem regularidade. - Opinião sobre o n. 212 da Astrèa e accusação do Conselheiro promotor. Rio de Janeiro, 1827, in-fol. - Questão sobre a carti que se acha no n. 248 da Astrèa,assignada «Inimigo dcs Ecos e dos Toneis» e vulgarmente conhecida sob o nome de «Carta da soberania». Rio de Janeiro, 1828, 4 pags. in-fol. - Observações sobre a navegação do Amazonas por occasiao de baixarem por elle vários peruanos em 1844 e outros pontos de política externa que têm relação com o Brazil - Inéditas, datadas d« 28 de setembro de 1845. Existi uma cópia de nove folhas na bibliotheca nacional. Foram escriptas, examinando o autor por ordem do ministro Hollanda Cavalcanti alguns papeis que lhe dera este ministro para sobre elles informar. - Biographia de Manoel Innocencio Pires Camargo. 1822 - Inédita na mesma bibliotheca. Luiz A-ug-usto de Oliveii*a - Nasceu a 14 de maio de 1850 na cidade do Rio de Janeiro, onde falleceu a 12 de no- vembro de 1880, suicidando-se em estado de loucura. Enge- nheiro civil, e bacharel em mathematicas e sciencias physicas pela escola central, dirigiu no Rio de Janeiro um curso de mathe- maticas, foi socio e fez parte da directoria do Instituto dos engenheiros brasileiros. Escreveu : - Caminhos de ferro nacionaes. Bitola preferível. Rio de Janeiro 1875, in-4.° 366 LU - Caminhos de ferro do Brazil: estudos práticos e economicos. Rio de Janeiro, 1878, 97 pags. in-4.° - Dos caminhos de ferro sob o ponto de vista estratégico - Na Revista de engenharia, tomo Io, n. 6. - O Phonographo : publicação quinzenal. Rio de Janeiro, 1878, in-4° - Desta revista foi o dr. Oliveira proprietário e redactor. Luiz Augusto dos lieis - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, dedicou-se desde seus mais verdes annos ao magistério da instrucção primaria e é um dos mais distinctos professores dessa cidade. Faz parte e foi secretario da commissão executiva permanente do profes- sorado, e foi dos da primeira commissão mandada á Europa e á America do Norte com o fim de estudar o que de melhor e mais moderno ha sobre a pedagogia. Socio fundador da associação Alpha litteraria e da socie- dade de Beneflcencia e instrucção, de que dirigiu o curso nocturno gra- tuito, é membro correspondente da União Iberico-Americana de Madrid e da associação dos professores de Lisboa. Poeta e também jornalista, tem collaborado em muitos periódicos e revistas, como o Lorenense e o Echo Municipal de S. Paulo, o Estandarte, o Lincoln, a Gazeta da Noite, a Gazeta da Tarde, o Guanabara, a Revista do Brazil, onde foi encarre- gado da secção litteraria e das chronicas, a Revista Litteraria dirigida por Mucio Teixeira e a Revista Pedagógica e foi um dos redactores do : - Ensino Primário. Rio de Janeiro, 1884-1885 - Escreveu : - Ensino publico primário, em Portugal, Hespanha, França e Bélgica : escolas primarias elementares e superiores ; maternaes, proflssionaes, normaes, asylos e jardins infantis, musêos pedagógi- cos, etc. Rio de Janeiro, 1892, 648 pags. in-8°, com 9 gravuras - E' o relatorio de sua commissão á Europa, e cuja primeira parte foi an- tes publicada na Revista Pedagógica e ainda pelo Pedagogium em volume especial, tendo, portanto, tres edições. - Memórias e documentos valiosos. Rio de Janeiro, 1895, in-8° - Neste livro se acha uma conferencia sobre a influencia da escola na educação dos alumnos e os meios ao alcance do professor para formar o caracter dos alumnos. - A Marselheza da paz : traducção do hymno de Martin Paschand. Rio de Janeiro, 1895 - Publicou-se antes na Revista Pedagógica. - Livro de leitura para os principiantes : prosa e verso. Rio de Janeiro - Nunca pude Vel-o. Foi seu primeiro trabalho, quando o autor contava apenas 17 annos. Tem inéditos : - Compendio de geographia - Não o publicou, porque contém grande numero de estampas, que dariam grande despeza. UTT 367 - Grammatica portuguesa - Apresentada ao conselho director da instrucção publica e entregue a um membro do dito conselho para dar sobre ella parecer, não o deu porque exigia que o autor a subor- dinasse ao programma dos estudos das escolas publicas ( em 1892 ) e elle a isso não annuiu, por causa de se mudarem quasi que annual- mente estes programmas. - Chronicas e pãantasias. - Versos - Este volume e o precedente pretendia o autor pu- blicar durante sua viagem â Europa, que devendo durar dous annos, foi suspensa pelo subsequente governo que julgou accumulações de empregos todas as commissões brasileiras na Europa. Uviiz B:m<leii*it de Gou^ êa - Filho de Luiz Bandeira de Gouvêa, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e aqui falleceu a 15 de dezembro de 1882, doutor em medicina pela faculdade desta cidade, offlcial da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo. Foi primeiro medico do hospital militar e neste cargo fez parte da junta medica militar, com as honras de tenente-coronel, durante a campanha do Paraguay. Escreveu : - Neoroma: Quaes as relações etiologicas e anatomico-pathologicas entre as febres intermittentes e angeoleucite ; Dos differentes generos de alavancas que se encontram na organisação humana, qual desses tres generos é mais numeroso e por que motivo : these apresentada, etc., e sustentada no dia 5 de dezembro de 1853, 25 pags. in-4° gr. - Exposição explicativa da organisação da companhia ferro-carril Fluminense. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - Foi o autor concessionário dessa companhia por decreto de 14 de março deste anno. Foi um dos assignatarios do - Relatorio da commissão inspectora da casa de correcção. Rio de Janeiro, 1874, 65 pags. in-4° com duas estampas - Assignam com elle mais quatro membros da commissão. Luiz Barlballio Bezerra - Filho de Antonio Bezerra, Felpa de Barbuda e dona Camilla Barbalho, nasceu na cidade de Olinda no anno de 1600, e falleceu na do Rio de Janeiro a 15 de abril de 1644, no cargo de governador da capitania, sendo mestre de campo, fidalgo da casa real e commendador da ordem de Christo. Já militar distincto quando foi sua patria invadida pelos hollandezes, foi um dos primeiros brazileiros que acudiram ao brado da patria afflicta, não só com os seus serviços pessoaes, mas também com os de seus fâmulos e escravos sem receber para elles ou para si estipendio ou indemnisação alguma. 368 LU No Diccionario biographico de pernambucanos celebres de Pereira da Costa são mencionados os serviços heroicos, estupendos nessa luta, e outros factos da vida desse grande pernambucano. Foi poeta e escreveu: - Poesias lyricas - muito apreciadas em sua época. - Itaè: edilio, de que são personagens Aonio e Frondelio - O padre dr. M. da Costa Honorato conhecia esta composição e delia faz menção no seu Compendio de rhetorica e poética, quarta edição, pag. 281. luiiiz; Iiarbosa da Silva - Filho de Antonio Barbosa da Silva e dona Maria Arrruda Barbosa, nasceu no Bananal, pro- víncia de S. Paulo, a 30 de outubro de 1840 e falleceu a 26 de junho de 1875. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, em 1860, no anno seguinte á sua formatura abriu no Rio de Janeiro escriptorio de advocacia. Presidiu a província do Rio Grande do Norte de 1866 a 1867 e deixou uma collecção de - Poesias - pela maior parte inéditas que, se espera, serão publi- cadas por seu irmão, o Dr. Braz Barbosa da Silva. De uma delias, ao general Osorio, são estes versos: Quem póde, como tu, dizer á tempestade : - Mais corre o meu corsel na nuvem das batalhas ?! Quem bradar ao trovão, aos raios, ao pampeiro : - Mais póde do que vós a lança de um guerreiro ? ! Quem póde, como tu, Osorio destemido, A's balas e estilhaços, ás lanças e ás espadas Bradar: - Meu peito è rocha e vergareis primeiro Para chegar aos pés de um bravo brazileiro ?! Heróe dos impossíveis 1 Indomito, teu peito Impõe respeito á morte ! Em vão de paraguayos Envolveu-te sósinho um batalhão inteiro! Do corsel da victoria és sempre o cavalleiro 1 - Uma cidade fluctuante, por Julio Verne, seguido dos Força dores de bloqueio, obra coroada pela Academia franceza. Traducção - Rio de Janeiro, 1874, 279 pags. in-8° - Redigiu com seu irmão Antonio Barbosa da Silva: - A Actualidade: jornal político, litterario e noticioso. Rio de Janeiro, 1864, in-fol.- Este jornal foi fundado e redigido de 1858 a 1864 pelos drs. Flavio Farnese, Lafayette R. Pereira, Pedro Luiz Pereira de Souza e Bernardo J. da Silva Guimarães. Depois fez parte da redacção da folha: - A Republica: propriedade do Club republicano. Rio de Janeiro, 1870 a 1874, 8 vols. in-fol. - Foi também redigida pelos dous pri- meiros, por Q. Bocayuva, Salvador de Mendonça e outros. LTT 369 Luiz Barreto &iarat - Filho do dr. Thomaz Norton Murat, nasceu na cidade de S. Paulo a 4 de maio de 1861, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade desta cidade, distincto poeta e jornalista. Redigia por occasião da revolta de 6 de setembro de 1893 uma folha na capital federal e, como ahi fosse publicado o manifesto do almirante Custodio J. de Mello, chefe da mesma revolta, foi expedida ordem do governo para ser suspensa essa folha e presos seus redactores e o gerente. Esteve depois na esquadra revoltosa e, d'ella vindo á esta capital, foi preso e enviado para o estado do Paraná. - Poesias. Santiago, 1892, VIII - 172 pags. in-8.° - Ondas. 2o volume de poesias. Rio de Janeiro, 1890, 285 pags. in-8° - Divide-se este livro em tres partes : Poemas, Grandes can- ções e Pequenas canções - Ha publicadas varias composições do dr. Murat, como: - Liberdade, igualdade e fraternidade : poesia - No Almanak da Gazeta de Noticias, para 1885, pags. 284 a 293. - O Fakir: poesia - No mesmo Almanak para 1888, pags. 263 a 265. - Quadros simples - No Almanak de 1898, pags. 307 a 310. - A ultima noite de Tiradentes : poema dramatieo, offerecido ao dr. Ubaldino do Amaral - Publicado em folhetim na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, em janeiro de 1890, terminando no numero de 15 deste mez. Luiz Barroso de Bastos - Natural do Pará, nasceu no anno de 1816 e falleceu a 9 de novembro de 1886. Era conego da cathedral paraense, examinador synodal, lente de theologia moral no seminário episcopal e capellão do collegio dos educandos. Escreveu: - Oração recitada no dia 7 de outubro de 1844, por occasião da abertura solemne das aulas do seminário episcopal do Grão-Pará, offerecida ao Exm. Revm. Sr. D. José Affonsode Moraes Torres, bispo da mesma diocese. Pará, 1844, 15 pags. in-4.*0 - Discurso que ao Exm. Sr. D. José Affonso de Moraes Torres, bispo do Grão-Pará dedica o conego,etc., que o pronunciou no dia 8 de setembro na igreja cathedral por occasião de recolher-se a procissão de N. S. de Belem e antes do Te-Deum que o mesmo Exm. Sr. fez celebrar em acção de graças pela extincção da devastadora epidemia, por que acaba de passar esta província. Pará, 1855, 18 pags. in-4.° - A mulher forte ou as virtudes que a podem formar : bosquejo, etc. Pará, 1855, 22 pags. in-16.° LU 370 Luiz Barroso Pereira - Brioso offlcial da armada, nasceu no ultimo quartel do século 18° no antigo arraial de Tijuco, Diamantina, em Minas Geraes, sendo ahi seu pae intendente dos dia- mantes, e falleceu como um heroe a 27 de abril de 1826 a bordo da fragata Imperatriz no porto de Montevidéo, quando essa fragata foi abordada pelo almirante Brown. Era elle capitão de fragata, e neste posto foi o commandante militar que fez parte do grande conselho dos delegados das camaras municipaes de Pernambuco, convocado a 24 de abril de 1824 para o fim de resolver-se acerca da posse ao presidente Paes Barreto, nomeado pelo governo imperial. Quando o conselho «summamente exaltado, decidiu que se conservasse a todo o transe o presidente Manoel de Carvalho», elle debalde pediu com instancia que se desse execução ás ordens até que fossem resolvidas as reclamações da província. Vejam-se as Ephemerides mineiras de José P. Xavier da Veiga, tomo 2o, pag. 191. Escreveu: - Viagem da fragata Nictheroy em 1823. Manuscripto pelo capitão de fragata Luiz Barroso Pereira, etc. Relação nautico-militar da viagem da fragata do Império do Brazil a Nictheroy a cargo do capitão de mar e guerra João Taylor, commandante, sendo offlcial immediato o capitão de fragata Luiz Barroso Pereira, comprehendo o periodo de sua sahida do morro de S. Paulo em 2 de julho até 9 de novembro, dia em que aílerrou no porto da Bahia em 1823. Rio de Janeiro, 1881, in-8.° Luiz Oartholoinêo - Não sei si é pseudonymo ou se é o nome verdadeiro do autor do trabalho seguinte, que sei ser de autor brazileiro: - Tiberio. Dos annaes de C. Tácito. Rio deJaneiro, 1895, 44 pags. in-8°- E' uma chronica contemporânea da proclamação da Republica Brazileira até o termo do governo do marechal Floriano Peixoto. Luiz Bartholomeu Marques - Natural da pro- víncia de Goyaz e nascido no ultimo quartel do século passado, foi presbytero secular e conego, e gozou em sua província de alta estima, exercendo cargos de confiança do governo, como o de vice-presidcnte. Escreveu: - Narração dos factos praticados pelo governador de Goyaz, Ma- noel Ignacio de Sampaio, por occasião do governo provisorio. Rio de Janeiro, 1821, in-fol. Buiz de Beaurepaire Ttolta.11 - Filho do Conde de Beaurepaire, Jacques Antonio Marcos de Beaurepaire* e irmão do LU 371 Visconde de Beaurepaire, Henrique de Beaurepaire Rohan, dos quaes faço menção neste livro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro no anno de 1816 e falleceu em Nictheroy a 6 de fevereiro de 1889. Seguiu a carreira militar, como seu pai e seu irmão, assentando praça em março de 1830 com 14 annos de idade; mas interrompeu a carreira de abril de 1831 a dezembro de 1835, estudou o primeiro anno da antiga escola militar e subiu até o posto de tenente-coronel do corpo do estado maior de segunda ciasse. Serviu muitos annos, até a época de sua morte, o cargo de chefe de secção da repartição do quartel-mestre general. Era offlcial da Ordem da Rosa, cavalleiro das de Christo e de S. Bento de Aviz e cendecorado com a medalha de campanha do Paraguay. Escreveu: - Diccionario das palavras empregadas nas obras de C. Salustio Crispo com a significação particular de cada termo. Rio de Janeiro, 1882, in-8° - Foi approvado pelo conselho da instrucção publica e mandado adoptar no imperial collegio Pedro II. - Phoedri AuguSti Liberti. Fabula; Esopi ex codicibus Mss, Rosamboniano Neapolitano Perotti, veterique Danielis chartula emen- datae et tabellis XXXII novis ridente grátis ad fldem codicis Vaticani Nicolai Perotti, auctoe notisque variorum illustrat<© opera et studio Luduvice de Beaurepaire Rouan. Flumen Jamarium, seu Sebastiano- poli, 1856, 551 fls. in-fol. -- O autographo esteve na exposição de pedagogia de 1883. Luiz Betim. Paes Leme - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 8 de março de 18... é bacharel em mathematicas, serviu o cargo de director geral dos correios e neste logar escreveu : - Projecto de reorganisação do pessoal e administração dos correios do Império, apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1885, in-8°. - Districtos postaes da cidade do Rio de Janeiro e seus suburbios. Rio de Janeiro.., - Instrucções para o serviço de distribuição por expressos, man- dadas executar por portaria n. 539 de 30 de setembro de 1890. Rio de Ja- neiro, 1890, 7 pags. in-8° -Ha vários relatórios seus, sendo os últimos: - Relatorio do serviço dos correios e navegação subvencionada, relativo ao anno de 1889. Apresentado ao Ministério da Agricultura, Commercio e Obras publicas. Rio de Janeiro, 1890, 252 pags* in-4°, com quadros demonstrativos. - Relatorio do serviço dos correios, etc., relativo ao anno de 1890^ Rio de Janeiro, 1891, in-4.° Nasceu a 8 de março de 18... 372 LU Frei Luiz Botelho de Rozario- Filho do escrivão da fazenda real João Baptista Campelli e dona Brites Bandeira de Mello, nasceu na cidade do Recife a 25 de agosto de 1695. Tendo estudado humanidades no collegio dos jesuitas, e já carmelita professo no convento de Olinda a 27 de dezembro de 1714, foi à Portugal e fez o curso de theologia na universidade de Coimbra, onde recebeu o gráo de doutor em 1722. De volta ao Brazil, leu theologia no convento da Bahia, foi ahi director dos estudos nesse convento, foi qualificador do santo offlcio, membro do capitulo geral de sua ordem, celebrado em Ferrara em 1726, primeiro definidor dos estudos, presidente do ca- pitulo da ordem carmelitana e seu chronista-mór. Gozou da reputação de grande orador sagrado e varão de muito saber e virtudes. Escreveu além de outros : - Sermão panegyrico da Invenção da Santa Cruz, pregado na Bahia em 1738. Lisboa, 1740. - Sermão nas exequias dos sacerdotes, irmãos de S. Pedro, da congregação dos clérigos da Bahia. Lisboa, 1740-1741-1742.-São tres sermões, cada um em volume especial. - Sermão panegyrico da solemnidade da canonisação de S. João Francisco Regis. Lisboa, 1741. - Sermão moral, historico e panegyrico no dia, em que o bispo d. José Botelho de Mattos recebeu a investidura do pallio archiepis- copal. Lisboa, 1743. Luiz de Bulhões - Descendente de nobre familia, nasceu na Bahia, não sei em que anno, nem quando falleceu. Sei apenas que deu-se a estudos de sciencias naturaes e que escreveu : - Tratado de explorações de minas : traducção - Vejo esta noticia na «Biographia brazileira» da Folhinha biographica brazileira para 1863, de Eduardo e Henrique Laemmert. Luiz Caetano Pereira Guimarães, Io-Filho de Luiz Caetano Pereira Guimarães e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 17 de fevereiro de 1847, falleceu em Lisboa a 20 de maio de 1898. Matriculando-se na faculdade de direito de S. Paulo, ahi começou o curso de direito e foi concluil-o na do Recife, onde recebeu o grau de bacharel em 1869. Nomeado addido á legação brazileira no Chile em 1872, foi no mesmo caracter transferido para a de Londres no anno seguinte, e de Londres passou passou para Roma como addido á embaixada á cargo do eminente poeta, chefe da escola ro- LU 373 mantica nacional, o dr. Domingos José Gonçalves de Magalhães, Visconde de Araguaya, facto que fez dizer com muito espirito um dos críticos de suas excellentes producções poéticas que « fomos represen- tados no Capitolio pelo Parnaso ». Da Santa Sé foi promovido a se- cretario da legação de Lisboa, onde serviu como encarregado de ne- gócios e ao mesmo tempo delegado do império no congresso postal internacional, reunido nessa cidade, d'ahi passando ao cargo de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Venezuela. Carreira brilhante e honrosa na diplomacia, é membro da Academia de bellas lettras de Santiago do Chile, da Academia do Quiriti de Roma, da Arcadia Ramana, da Sociedade de geographia Italiana e de outras associações de lettras e sciencias; é official da ordem da Roza, das ordens portuguezas de Christo e de S. Thiago do Mérito scienti- flco e litterario, cavalleiro das ordens romanas do Sepulchro, e de S. Gregorio Magno, etc. Escreveu: - Ave Estella! - Foi sua primeira poesia publicada e foi o Cor- reio Paulistano quem publicou-a em 1865. Era Luiz Guimarães estu- dante do primeiro anno de direito. - Corimbos, poesias -Tenho indicações diversas a respeito de sua publicação, isto é: S. Paulo, 1866, Pernambuco 1868 e Rio de Janeiro, 1870. Um critico contemporâneo chamou este livro «Rime d'amore dolce e leggiadre». - Filigrannas. Rio de Janeiro, 1872,252 pags. in-8° -São poesias humorísticas. - Lyrica. Sonetos e rimas. Roma, 1880, 246 pags. in-8° -E' um livro nitido, elegante, que o autor offereceu á sua espoza, com 150 tre- chos de poesias admiráveis pela belleza irreprehensivel da fórma e delicadeza da ideia, e que hão de permanecer eternamente na lit- teratura, não só patria, mas das duas nações que faliam a mesma lingua, como um modelo no genero, isto é, uma das mais puras e suaves manifestações do lyrismo moderno - como disse o Dr. Teixeira de Souza. E' dividido em tres partes, e na segunda intitulada Poetas mortos, consagrada á memória de poetas brazileiros, teve o autor a gentileza de dar por epigraphes e por fechos das respectivas peças versos dos proprios poetas commemorados, applicando-os a cada um delles com a mais encantadora originalidade. Sobre a Lyrica escre- veu o finado poeta Franklin Tavora uma bella critica na Revista Bra- zileira, tomo 6o, 1880, pags. 74 a 78, que foi reproduzida na Gazeta de Noticas de 15 de ^outubro do mesmo anno. Houve deste livro se- gunda edição com o retrato do autor em Lisboa, 1886. - Monte Alverne : poesia. Rio de Janeiro (?> in-4.° LU 374 - Poema dos mortos-- Este livro, dividido em duas partes, o Livro de Gabriel e o livro de Cecilia, estava em 1882 prompto para entrar no prelo, mas não sei se realizou-se isso. A citada gazeta publicou delle : - Mater dolorosa, Roma, 1880 e A morte (soneto) Pariz, 1882. - Uma scena contemporea : phantasia comedia em dous actos. Rio de Janeiro, 1862,58 pags. in-16.° - Lyrio branco: tentativa de romance, precedido do um juizo cri- tico do dr. Rodrigo Octavio de Souza Menezes. S. Paulo, (?) 1862, 60 pags. in-16.0 - Passeios humorísticos - Sei apenas que é um trabalho publicado quando o autor era estudante. - Historia para gente àlegre: A familia Agulha, D. Cornelia Fortu- nata. Rio de Janeiro, 1870, VI-242, 250-VI pags. in-8.° - Curvas e zig-zags: caprichos humorísticos. Rio de Janeiro ("sem data), in-8.° - Contos sem pretenção: A alma do ontro mundo; O ultimo concerto ; O homem e o cão. Rio de Janeiro, 1872, 256 pags. in-8". - Nocturnos: Poesias, com uma introducção do conselheiro José de Alencar. Rio de Janeiro, 1872, 224 pags. in-8°, e mais 23 de introducção - São miniaturas tristíssimas, ditadas pelas saudades ou paginas es- criptas e enviadas atravez dos mares em procura do ninho materno. - A Carlos Gomes. Perfil biographico. Rio de Janeiro, 1870, 70 pags. in-8°, com retrato. - Pedro Américo: Perfil biographico. Rio de Janeiro, 1871,28 pags.in-12.° - Ernesto Couto: Tributo ao menino pianista. Rio de Janeiro, 1872, 80 pags. in-8° -E' uma collecção de poesias a este offerecidas, com uma introducção de Luiz Guimarães. Ha ainda muitos escriptos de Luiz Guimarães dos quaes espero dar noticia no Appendice final. Dentre estes falia odr. Teixeira de Mello dos tres seguintes: - A patria do ideal - um livro sobre a Italia, de que se occupava em 1885. - Lyra final: poesias - que os jornaes de Lisboa promettiam nessa mesma epoca e eram esperadas com anciedade pelos cultores das letras nos dous paizes. - Monstros da historia: pequenos poemas modernos em que figuram Calligula, Nero, Messalina, Cleópatra, Lucrecia Borgia, Are- lino, etc. Ha ainda : - As quedas fataes : drama em cinco actos - que foi levado á scena com applauso. André Vidal : drama hjstorico. LTT 375 - As joias indiscretas : comedia de salla. - Um pequeno demonio : comedia em dous actos. - O caminho mais curto : comedia em um acto. - Os amores que passam : comedia em um acto. - Valentina : comedia em um acto - Tanto esta comedia, como as precedentes, foram representadas. - O Marquez de Seiglieri: comedia de Jules Sandeau, traduzida do francez - Como esta, traduziu Luiz Guimarães outras, tanto de francez, como de hespanhol. Collaborou desde estudante para vários jornaes e revistas brazileiras, como a Reforma e a Republica, onde publicou muitas poesias ; O Carreio Paulistano e a Imprensa Académica de S. Paulo, onde deu á lume elegantes chronicas sob os pseudony- mos de Victor Murilio e Luciano de Ataide ; a Gazeta de Noticia onde foram publicadas sob o pseudónimo de Oscar d'Alva vários folhetins seus em 1877 e 1878, como o que tem por titulo : - Cartas romanas - e O Monitor Catholico, periodico religioso de S. Paulo onde se lê o seu artigo : - A entrada no Ceo (á proposito da morte da princeza imperial D. Leopoldina ) - no anuo 2o, n. 43 de 8 de janeiro de 1882. Colla- borou também em revistas estrangeiras, como a Revista Sul-America de Santiago do Chile, onde escreveu : - Noticias biographicas (de Joaquim Serra, Machado de Assis e da poetizi das Nebulozas, D. Narciza Amalia)- Fez parte da redacção do - Diário do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1869-1872 - dando ahi á publicidade seus folhetins semanaes, e fundou : - O Mundo da Lua : folha illustrada, lunatica, hyperbolica e satyrica. Rio de Janeiro, 1871, in-fol. Luiz Caetano Pereira Guimarães, £5°- Filho do precedente, nasceu no Rio de Janeiro em 1877 ou 1878. Herdando do seu pae, não só a bella intelligencia, como o estro poético, fez com brilhantismo o curso de philosophia da universidade de Coimbra e escreveu : - Versos íntimos. Lisboa (?)... - são seus primeiros versos, quasi todos do tempo de estudante de preparatórios. - Livro de minha alma. Coimbra, 1896, com o retrato do autor - E' seu segundo livro de poesias. Nessa epoca tinha elle no prelo ou prompto a publicar : - Idylios... - A aranha e a mosca : phantasia. Rio de Janeiro, 1898 - E' mais um livro de versos. 376 ltj Luiz Cândido Teixeira - Natural do Rio Grande do Sul, é advogado provisionado pala relação deste estado e escreveu : - IPtnual pratico do processo de injurias verbaes, adaptado à nova reforma judiciaria e jurisprudência dos tribunaes. Rio Grande do Sul, 1891, in-8.° - Formulário dos casamentos e acções respectivas e do compro- misso e acções relativas ao juizo arbitrai. Porto Alegre, 1894, in-8.° Lu iz Cauello de Xorouha - Natural da Bahia e nas- cido em 1689» delle se occupa não só Ferdinand Denis em sua Historia litteraria,onde de poucos brasileiros se faz menção, como também Bento Farinha no seu Summario da bibliotheca portugueza, e ambos o apre- sentam como distincto poeta. Foi também notável philosopho. Na ca- pital da Bahia foi elle capitão dos estudantes, e vereador do senado da camara. Deixou inéditas uma collecção de poesias, e conhecidas sómente: - Oitenta e seis lôas aos annos das magestades portuguezas, desposorios dos Príncipes do Brasil e Asturias e outros assumptos heroicos e lyricos. - Pompas funerárias que a cidade da Bahia e seu reconcavo dedicaram às saudozas memórias de D. Marianna de Lencastre, mãe do Exmo. Conde de Sabugoza, Vasco Fernandes Cezar de Menezes, vice rei do estado do Brasil. - Varias poesias manuscriptas, segundo afflrma Bento Farinha em seu Summario da Bibliotheca portugueza. Luiz Carlos <le JLi'aujo Pereira - Na- tural de Pernambuco, si me não engano, falleceu, ha annos. Cultivou a poesia e depois de morto foi publicado,não sei por quem,o seguinte livro: - Sons dispersos: poesias posthumas de Luiz Carlos de Araújo Pe- reira Palma. Recife, 1886, in-8° - São poesias escriptas vinte annos antes de sua publicação, com um prefacio pelo vigário Pedroza. Du- rante sua vida só publicou alguns trabalhos na imprensa do dia. Luiz Carlos Duque-Estrada - Filho do tenente- coronel Luiz de Azeredo Coutinho Duque-Estrada e nascido no Rio de Janeiro a 7 de maio de 1864, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, capitão-medico da 4a classe da repartição sanitaria do exercito e professor do collegio militar. Escreveu : - Papaina, sua acção physiologica e therapeutica : these apre- sentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Ja- neiro, 1886, in-4,° LU 377 - Preliminares de hygiene. Rio de Janeiro, 1890, in-8° - Nas tres partes em que se divide este livro, que começa pelo estudo do corpo humano, trata o autor dos exercicios hygienicos, das funcções physiologicas e da escola, começando pela escolha do terreno para elia. - Noções preliminares de historia natural para uso das escolas do primeiro grão. Rio de Janeiro, 1896 - As noções de geologia, minera- logia, botanica e zoologia são ahi expostas com a clareza necessária para as intelligencias infantis. Luiz Carlos Lins Wanderley - Filho de Manoel Lins Wanderley, e natural do Rio Grande do Norte, abi falleceu a 10 de fevereiro de 1890, doutor em medicina, formado pela faculdade da Bahia. Foi por varias vezes deputado ã assembléa provincial e exerceu cargos de confiança do governo. Escreveu : - A mulher póde conceber antes de ter sido menstruada ? Qual o tratamento que mais convém na albuminúria ? Quaes as indicações que exigem a operação cesariana? Como reconhecer, si uma criança nasceu viva ? these apresentada, etc. Bahia, 1857, in-4.° - Discurso que por occasião de ser conferido o grão de doutor na faculdade de medicina da Bahia no anno de 1857 recitou em nome de seus collegas, etc. Bahia, 1857, in-4.° - Visita episcopal do Exm. e Revm. Sr. D. José Pereira da Silva Barros á algumas parochias do Rio Grande do Norte. Rio de Ja- neiro, 1882, 129 pags. in-8.° - Eu e a Assembléa provincial do Rio Grande do Norte. Natal, 1882, in-8°. - Os anjos do amor: drama em cinco actos. Rio de Janeiro, 1885, 132 pags. in-8.° Luiz Carlos Martins Penna - Filho do desembar- gador João Martins Penna e dona Francisca de Paula Julieta Penna, nasceu no Rio de Janeiro a 5 de novembro de 1815 e falleceu em Lisboa, no hotel de França, a 7 de dezembro de 1848, sendo moço fidalgo da casa imperial e addido de Ia classe á legação de Londres. Ainda criança, orphão de paes, sendo destinado por seus tutores, que eram negociantes, à vida commercial, fez o curso da aula do commercio ; mas, sentindo vocação diversa, deu-se aos estudos da academia de bellas-artes com applicação á architectura, á estatuaria, ao desenho, á muzica, que cultivou com a bella voz de tenor que possuia, ao mesmo 378 IjTT tempo que particularmente se dedicava ao estudo de algumas linguas, da geographia, da historia e da litteratura, principalmente dramatica. De 1838 a 1843 exerceu o logar de amanuense da meza do consulado da côrte ; dahi passou a amanuense da secretaria dos negocios estran- geiros, de onde foi nomeado para a mencionada legação. Neste em- prego accumulando as funcções de secretario, não só por excessiva applicação do espirito, como pelo frio húmido de Londres, sentiu que se exacerbavam antigos soffrimentos pulmonares, e foi obrigado a deixar o cargo ; mas já em estado tal, que veio a fallecer poucos dias depois de sua chegada a Lisboa. Foi o creador da comedia verdadeira- mente nacional, escrevendo : - O juiz de paz da roça : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1842, in-8° - Teve segunda edição em 1843 e depois mais outras em 1855 e 1871. Foi escripta em 1833 e representada pela primeira vez no theatro de S. Pedro a 4 de outubro de 1838 no beneficio da actriz Estella Sezefreda. - A familia e a festa da roça : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1842, in-8°- Teve outras edições em 1853 e 1871 e foi repre- sentada pela primeira vez no mesmo theatro em beneficio da mesma actriz a I de setembro de 1840. - O dilletanti: tragi-farça. Rio de Janeiro, 1846, in-8° - Repre- sentada pela primeira vez no dito theatro a 25 de fevereiro de 1845 em beneficio da actriz Gabriella De-Vechi. - O judas em sabbado de alleluia : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1847, in-8° -Teve outras edições em 1852 e 1871, e foi repre- sentada pela primeira vez no dito theatro a 17 de setembro de 1844 em beneficio do actor Manoel Soares. - Os irmãos das almas : comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1847, in-8° - Teve outras edições em 1852 e 1877 e foi representada pela primeira vez no dito theatro a 19 de novembro de 1844 em beneficio de J. Cândido da Silva. - Quem casa, quer casa : provérbio em um acto. Rio de Janeiro, 1847, in-8° - Nova edição em 1852, in-4° gr. - Representado no dito theatro pela primeira vez a 15 de dezembro de 1845 em beneficio do mesmo. - O caixeiro da taverna: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1852, in-4° - Idem a 18 de novembro de 1845 em beneficio de Manoel Soares. Foi reimpresso na Gazeta Universal, 1885. - O Noviço : comedia em dous actos. Rio de Janeiro, 1853, 122 pags. in-8° - Reimpressa em 1863 e em 1871 e representada pela pri- meira vez no dito theatro a 10 de agosto de 1845. LU 379 - Os dous ou o inglez machinista: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1871, in-8° - Creio que houve uma edição anterior. Repre- sentada pela primeira vez no dito theatro a 28 de janeiro de 1845 em beneficio. Estas nove comedias foram publicadas depois pela casa Garnier, em um vol. Rio de Janeiro, 1898. - O namorador ou a noute de S. João: comedia em um acto-Esta e as demais obras que se seguem não me consta que fossem impressas. Foi representada no dito theatro pela primeira vez a 13 de março de 1845 em beneficio. - Os tres médicos : comedia em um acto - Representada pela primeira vez no dito theatro a 3 de junho de 1845 em beneficio. - 0 cigano : comedia em um acto - Idem a 15 de julho de 1845. O beneficiado, o actor Florindo J. da Silva, possuia uma cópia dessa comedia. - Bolyngbroh & Companhia ou as casadas solteiras: comedia em tres actos - Representada pela primeira vez no dito theatro no mesmo dia em que foi o Caixeiro da taverna. - Witiza ou o Nero de Hespanha: drama em verso em cinco actos e um prologo, extrahido da Historia de Portugal por mr. La- Cled-Representada pela primeira vez no dito theatro a 21 de setem- bro de 1845. - Os meirinhos : comedia em um acto - Idem a 27 de janeiro de 1846. - As desgraças de uma criancinha-, comedia em um acto - Idem a 10 de maio de 1846. - Os ciúmes de um pedestre : comedia em um acto - Refere-se a um facto contemporâneo e escandaloso, e por isso, depois de annun- ciada, em ensaios, para ser levada á scena a 29 de janeiro de 1846' foi prohibida a repesentação. Delia, porém, possuia o autographo, assim como de quasi todos os precedentes, um genro do autor. A bi- bliotheca nacional é a possuidora hoje de taes autographos. - 0 terrível capitão de mato ; comedia em um acto - Represen- tada no citado theatro a 5 de julho de 1846. - O segredo de estado: drama em tres actos (imitação)- Idem a 29 de julho de 1846. - A barriga de meu tio: comedia burlesca em tres actos-Idem a 17 de dezembro de 1846, foi a ultima representada. - D. Leonor Telles: drama em cinco atos e seis quadros, 1839 - Inédito e nunca representado, mas cujo autographo pertence hoje á bibliotheca nacional. - D. João de Lyra: drama em cinco actos, 1839- Idem. 380 LU - Fernando ou o cinto accusador: drama em tres actos -Idem. - Itaminda ou o guerreiro de Tupan: drama indígena em tres actos, 1846-Idem. - 0 uzurario: comedia em tres actos. 1846. - Idem. - Um sertanejo na corte: comedia em um acto - Idem. - O jogo de prendas: comedia em um acto - Idem. Destas obras falia também o dr. L. Francisco da Veiga n'uma noticia que do autor publicou na Revista do Instituto, tomo 40°, parte 2.a - Uma comedia em um acto - a que falta o titulo, cuja scena passa-se no Rio de Janeiro em 1847 e de que são personagens Carlos Lima, Julia, Francisco Palmeira, Luiz, Antonio, Manoel e Anna. O autographo acha-se na bibliotheca nacional, assim como vários papeis contendo apontamentos, planos de peças dramaticas e fragmentos de dramas. Martins Penna escreveu ainda: - Duguay-Trouin: romance historico - Publicado na Sentinella da Monarchia ou no Correio de 1840 em diante, segundo afflrma o dr. José Francisco Vianna, parente do autor. - Folhetins do Jornal do Commercio (durante o anno de 1846 a 1847 até setembro) - De 3 de março deste anno em diante tinham estes folhetins o titulo de Semana lyrica. luiiiz Carlos Muuiz Barreto - Natural de Santa Catharina, ahi falleceu a 5 de junho de 1791. Era bacharelem leis pela Universidade de Coimbra, seguindo a carreira da magistratura, e foi ouvidor no logar de seu nascimento. Foi lente de historia do Collegio dos nobres, de Lisboa, e escreveu: - Historia das Orações de Marco Tullio Cicero, ornada com varias notas criticas e históricas, etc., traduzida do francez. Lisboa, 1772, XVI-153-130 pags. in-8° - A exposição histórica da Oração a favor de Marcello, que se acha neste livro, de pags. 135 a 146, foi reprodu- zida no Diccionario dodr. Pereira Caídas, tomo 4.° - Discursos sobre a historia ecclesiastica, por Fleury, traduzidos em portuguez. Lisboa, 1773. 3 vols. in-8.° - Tratado da educação physica e moral dos meninos de ambos os sexos, de Joly de St. Valier, coronel de infantaria do exercito fran- cez; traduzido do francez em linguagem portugueza. Lisboa, 1787, XXI-367pags. in-8.° Luiz: Carlos da, Silva I^isL>oa - Natural da Bahia, ahi fez um curso de humanidades, durante o qual iniciou sua vida litteraria, redigindo dous periódicos. Mudando-se para a província, hoje LTJ 381 estado, de Sergipe em 1870, abi serviu na secretaria da presidência e se dedica, si me não engano, ao magistério superior, mas sem deixar nunca o cultivo das lettras, e o jornalismo, onde não só collaborou para vários periódicos, como também redigiu diversos. Em 1898 foi, a seu pedido, transferido da cadeira de geograpbia e astronomia do Athenêo sergipense para a de inglez, do mesmo estabelecimento. Escreveu : - Madeira : drama liistorico. Aracajú... - Andaluza : drama realista. Aracajú... - Suzana: romance (abolicionista). Aracajú, 1878 - E' este mesmo romance que sob o titulo - Liberta - sahiu no Diarió de Sergipe. - As desgraçadas : romance (abolicionista). Aracajú... - O homem de ouro : romance de costumes. Aracajú... - A indiana : romance. Aracajú, 1892, 252 pags. in-8.° - Paraguassà : romance - Na Gazeta de Sergipe. Tem por assumpto episodios de nossa historia, relativos a Diogo Alvares Cabral, aos amores infelizes da gentil india Moema, etc. - O anjo dos tumulos : conto. - O inspirado : apotheose a Victor Hugo. - Maldição do povo (pamphleto poético). Aracajú. - Misérias da patria (idem). Aracajú. - Ajoven Republica (idem). Aracajú) - Canções do século : versos. Aracajú. - Trovas e sonetos : Aracajú. - O rei dos beocios : romance - Este livro estava em conclusão em 1897, e me consta que nelle se censuram os dous soberanos que o Brasil teve. - Corographia do estado de Sergipe, approvada pelo Conselho superior da instrucção publica, e mandada admittir nas aulas publicas. Aracajú, 1897, 115 pags. in-4°- Redigiu : - Bosquejo Litterario. Bahia, 186... - A Estrella d'Alva. Bahia, 186... - Teve por companheiro de redacção o litterato Paulo Marques. E' uma publicação em fascículos de 24 pags. - Diário de Sergipe. Aracajú, 1876 - Com A. de Carrascoza e João Junqueiro. - Diário Popular. Aracajú, 187... - A Provinda. Aracajú... - O Mercantil. Aracajú... - Echo Liberal: orgão do partido liberal de Sergipe. Aracajú j 1879-1881. 382 - Noticia : jornal de propaganda republicana. Aracaju - Todas estas publicações, com excepção do Echo Liberal, por pouco tempo se sustentaram. Entre as folhas para que collaborou, estão o Jornal de Sergipe e a Gazeta de Sergipe. Luiz Carlos Ziainith. - Filho de Antonio Luiz Zamith, nasceu na antiga província do Rio de Janeiro a 13 de julho de 1852 e ê lente de mathematicas do Instituto commercial e Instituto profis- sional e guarda-livros de um banco desta capital. Escreveu : - Poesias. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° Luiz d.e Carvalho Osorio - Nascido no anno de 1876 ou 1877, ainda muito joven escreveu : - O segredo : romance original. Araras, 1894 - E' uma estrêa e, como estrêa, tem defeitos «que serão corrigidos pelo talentoso joven». Luiz de Carvalho Paes de Andrade - Filho do senador Manoel do Carvalho Paes de Andrade e pae de Manoel de Carvalho Paes de Andrade 2", nasceu em Pernambuco no anno de 1814 e falleceu a 12 de abril de 1887. Formado em medicina pela academia de Pariz, deixou a medicina para dedicar-se a estudos sociaes e financeiros; foi guarda-mór da alfandega de sua província e depois de aposentado foi cônsul geral do Brasil em Barcelona. Foi também deputado provincial e geral na terceira legislatura, de 1843 e 1844. Escreveu : - Questões económicas em relação ã província de Pernambuco, Recife, 1869, in-8.e Luiz Celestino de Castro - Nascido na cidade do Rio do Janeiro a 8 de novembro de 1849, falleceu na capital federal a 4 de agosto de 1898, no cargo de secretario do ministro da guerra, coronel do corpo do engenheiros, doutor em mathematicas e scioncias physicas o lente cathedratico da escola militar do Rio Grande do Sul. Exerceu vários cargos, como o de assistente do ajudante general do exercito, tendo antes servido o cargo do chefe de secção da directoria de obras militares. Era cavalleiro da ordem de S. Bento do Aviz e condecorado com a medalha do campanha do Paraguay e a medalha Argentina. Escreveu : - Lições de arithmetica. Porto Alegre, 1888, 446 pags. in-8° - Ha deste livro outra edição. LU 383 - Lições de trigonometria rectilinea e espherica. Porto Alegre, 18.... - Lições geometria elementar- Vão ser publicadas. Luiz Coellio Cintra, - Natural de Pernambuco e filho de Manoel Coelho Cintra, deputado eleito ao congresso deste estado e presidente do mesmo congresso. Escreveu: - A Política de Pernambuco. O governador e sua administração. Recife, 1895. - Acompanhando o governador Barbosa Lima desde sua chegada, apreciando seu procedimento e analysando seus aetos, expõe o autor os motivos que o afastaram completamente do mesmo gover- nador. D- frei Luiz da Conceição Saraiva, Bispo do Maranhão - Filho de José Antonio Saraiva e dona Maria da Silva Mendes Saraiva, nasceu na freguezia do Bom-jardim, termo de Santo Amaro e província da Bahia, a 23 de setembro de 1824, e falleceu na mesma província a 26 de abril de 1876. Entrando com 17 annos para o mosteiro de S. Bento da Bahia, onde professou, fez o curso de huma- nidades e o de theologia. Apenas recebeu as ultimas ordens, foi eleito prior do mosteiro do Rio de Janeiro, onde leccionou philosophia e, no impedimento dos professores, outras matérias, e fez aetos públicos com grande applauso para obter o grau de mestre. Nessa mesma época foi nomeado lente de religião e reitor do collegio Pedro II, cargo de que pediu exoneração por querer tornar à Bahia. Ahi serviu o cargo de prior, foi depois eleito abbade do Rio de Janeiro, e reeleito ao cabo de tres annos, merecendo em 1860 uma mensagem honrosa do capitulo pelos serviços prestados á ordem. Eleito bispo do Maranhão a 14 de janeiro de 1861, foi preconisado em Roma no consistorio de 23 de julho, sagrado no Rio de Janeiro a 20 de outubro e fez sua entrada na diocese a 21 de março do anno seguinte. Na diocese, como na ordem benedictina, realizou muitos melhoramentos, depois dos quaes fez uma viagem á Europa, onde visitou vários logares em companhia de seu irmão, o conselheiro José Antonio Saraiva, já commemorado neste livro. Era do conselho do Imperador, e escreveu varias pastoraes, de que conheço : - Carta pastoral, saudando e dirigindo algumas exhortações aos seus diocesanos. Rio de Janeiro, 1861, 24 pags. in-4.° - Carta pastoral, mandando fazer preces publicas para que sejamos preservados do terrível ílagello do cholera-morbus e para que o mesmo se desvie da província, jãdelle flagellada. 2a. S.Luiz, 1862,15 pags.in-S^ 384 lv - Carta pastoral, dirigindo algumas exhortações aos seus diocesanos acerca do Sacramento da penitencia. 4a. S. Luiz, 1864, 17 pags. in-4.° - Carta pastoral, annunciando o jubilêo concedido pelo SS. padre Pio IX no corrente anno de 1865 pela encyclica de 8 de dezembro de 1864, acompanhada das lettras apostólicas de 20 de novembro de 1864 e do Syllabus. 5a. S. Luiz, 1865, 59 pags. in-4.° - Carta pastoral, annunciando o grande jubilêo universal, deno- minado Anno Santo no corrente 1875, concedido pelo summo pontífice Pio IX pela encyclica de 24 de dezembro de 1874. S. Luiz, 1875,50 pags. in-4.° IV ui 25 Correia de Azevedo - Filho de Luiz Correia de Azevedo, e portuguez por nascimento, mas brasileiro por natura- lisação, falleceu no Rio de Janeiro a 3 de janeiro de 1879. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, foi medico do hospital ma- rítimo de Jujuruba, membro titular da imperial Academia de medicina e de outras associações de lettras, cavalleiro da ordem da Rosa, e da de Christo, tanto do Brazil, como de Portugal. Collaborou em varias revistas e escreveu : - Medicina legal da gravidez e do parto ; O processo do desen- volvimento orgânico ou das idades póde servir á determinação da vas- culosidade do corpo humano e do genero delia ? Oleo de croton tiglio, seu emprego e effeitos therapeuticos : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1852, 72 pags. in-4° gr. - Relatorio da commissão nomeada pela Imperial Academia de medicina para analysar o Relatorio apresentado ao governo pelo enge- nheiro fiscal junto à companhia City-lmprovements acerca do estado dos esgotos e sua influencia sobre a saude publica desta côrte, etc. Rio de Janeiro, 1874, 86 pags. in-4° - Com o Barão de Lavradio e o dr. Nicolau J. Moreira. - Discurso biologico do conselheiro Manuel Feliciano Pereira de Carvalho ; lido na sessão anniversaria da Imperial Academia de me- dicina de 30 de junho de 1868. Rio de Janeiro, 1868,14 pags. in-4.° - Este discurso foi reproduzido no livro «Vida e morte do Conselheiro Manuel Feliciano Pereira de Carvalho : Signal de lembrança, respeito e gratidão da parte de seus discípulos, amigos e collegiaes. Rio de Ja- neiro, 1868 ». E' seguido do discurso recitado na igreja de S. Francisco de Paula pelo dr. Nicolau Joaquim Moreira e depois foi reproduzido no periodico Luz, 1872, pags. 43 a 51. - Estudo biographico sobre o dr. Cândido Borges Monteiro, Vis- conde de Itaúna: discurso, etc, na Academia Imperial de medicina no dia LU 385 30 de junho de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 16 pags. in-4° - Este e o precedente sahiram antes nos Annaes da Academia. - Discurso biologico àcerca dos membros fallecidos da Imperial Academia de medicina do Rio de Janeiro - Nos Annaes da mesma aca- demia, 1869-1870, pags. 179 e segs. - Elogio biographico dos membros da Imperial Academia de medi- cina, fallecidos noanno de 1877 a 1878-Idem, 1878-1879, pag. 21 esegs. - Biographia do dr. Christovam José dos Santos - Na Luz, tomo Io, 1872, pag. 115 e segs. - A febre amarella no Rio de Janeiro - No Diário do Rio de Janeiro, de 20 e 21 de junho de 1873. - Pathogenia da febre amarella - Na Revista Medica do Rio de Janeiro, 1877. - Quadros poéticos de costumes nacionaes-E' uma serie de artigos publicados no Diário do Rio de Janeiro sob o pseudonymo de Addo Uzel. Fuiz Correia Teixeira de Bragança - Se- nador pelo Rio Grande do Sul, eleito na instituição do senado, a 22 de janeiro de 1826, não chegou a tomar posse de sua cadeira por fallecer a 26 desse mez, apenas quatro dias depois. Bacharel em direito pela universidade de Coimbra, seguiu a carreira da magistratura e, sendo desembargador, empregado na junta da fazenda real desta província no movimento político que teve logar por occasião do juramento á constituição portugueza, a 26 de abril de 1821, foi preso pela soldadesca com o ouvidor da comarca e membro do governo interino, o juiz de fora e o vigário geral. Escreveu : - Informação sobre o estado da cultura do canhamo e sobre os povos das Missões, dada em 1808 ao Exm. Sr. D. Rodrigo de Souza Coutinho - Não sei se foi publicada; o autographo, porém, se acha no archivo da secreteria dos negocios exteriores. T^uiz da Costa Chaves de Faria - Filho do Barão de Faria, Francisco da Costa Faria e dona Jesuina de Jesus Chaves Faria, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 22 de novembro de 1847, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade e faz parte do corpo docente da mesma faculdade. Acompanhou durante tres annos a cli- nica dos drs. Hebra e Kaposi em Vienna d'Áustria e escreveu : - Diagnostico e tratamento das dyspepsias ; Febre amarella ; A cupressura ; Do calor em geral e mudanças de estado : these apre- sentada, etc., e sustentada em 20 de de dezembro de 1872. Rio de Janeiro, 1872, 28 pags. in-4° gr. LU 386 - Compendio de moléstias cutaneas. Rio de Janeiro, 1887, 336 Pags. in-4°-Divide-se o livro em duas partes : Na primeira se oc- cupa de generalidades e da classificação das moléstias segundo o pro- fessor Hebra; na segunda se descrevem as moléstias contidas nessa classificação deixando de parte as dcrmatoses esudativas agudas, con- tagiosas e as ulcerações. Luiz Cmls - Filho do Augusto Cruls, nasceu em Diest, na Bélgica, a 21 de janeiro de 1848. Tendo cursado a escola de en- genharia civil da universidade de Gand, foi admittido como aspirante de engenharia militar e obteve os postos de segundo e primeiro te- nente, pedindo deste demissão em 1874 para vir para o Brazil. Aqui foi empregado na commissão da carta geral do império e em 1876 foi admittido como addido voluntário do observatorio do Rio de Janeiro, onde substituiu o director E. Liais. Foi delle o plano da expedição de tres commissões para observarem a passagem de Venus pelo disco solar a 6 de dezembro de 1882 nas Antilhas, em Pernambuco e na Puenta Arena, que íicou sob sua direcção ; foi o delegado do Brazil no Con- gresso internacional de Washington de 1884 para a adopção de um 1<> meridiano; foi o chefe da commissão exploradora do planalto central do Brazil em 1892 ; foi laureado pela Academia das sciencias de Pariz com o prémio Vaix, astronomia. E' membro do Instituto historico e geographico brasileiro, da Sociedade real de Geographia de Bruxellas, da Sociedade húngara de Geographia, da Sociedade de sciencias na- turaes de Cherburgo, da Sociedade universitária de Montevideo e de outras associações do lettras, e commendador da ordem da Rosa. Escreveu : - Discussion sur la methode de repetition et de reiteration. Gand, 1875. - Notice sur la Carte physique et politique du Brésil. Rio de Janeiro, 1876. - Mesure d'un arc meridien au Brésil. Gand, 1877. - Organisation de Ia Carte geographique et de la histoire physique du Brésil. Rio de Janeiro, 1877, 24 pags. in-4.° - Observatoire imperial de Rio de Janeiro. Memoire sur Mars : tache de la planete et durée de sa rotation d'après les observations faites pendant 1'opposition de 1877. Contenant 26 heliogravures de la planete, executées au moyen des épreuves negatives de Mr. J. O. La. caille. Rio de Janeiro, 1878, in-4.° - Notice sur l'Observatoire imperial de Rio de Janeiro a propos de 1'erection du nouvel Observatoire royale de Belgique. Rio de Ja- ILTJ 387 neiro, 1880, 16 pags. in-4° - A proposito do novo Observatório real da Bélgica, o director do imperial observatorio do Rio de Janeiro, julgou conveniente dar uma ampla noticia sobre este e o fez satisfactoria- mente. Lendo-a, o profissional estrangeiro ficará conhecendo a orga- nização do nosso Observatorio. - Descripção e theoria do barometro differencial, destinado aos nivelamentos barométricos. Rio de Janeiro, 1888, in-4.° - Diccionaire climalogique universel. Reponse a un article pu- blié dans le Meteorologische Zeitschreft. Rio de Janeiro, 1888, in-4.° - Relatorio parcial, apresentado ao Ministro da Industria, Viação e Obras publicas pelo chefe da commissão exploradora do planalto central do Brasil, etc. Rio de Janeiro, 1893, 140 pags. in-4°, com o Mappa do Brasil, indicando a zona demarcada para o futuro districto federal e a uo Salto de Itiqueira. - Commissão exploradora do Planalto central do Brazil. Re- latorio apresentado a S. Ex. o Sr. Ministro de Industria, Viação e Obras publicas. Rio de Janeiro, 1894, VIII-365 pags. in-4° gr. de duas columnas com a traducção franceza ao lado - Acompanha-o : - Atlas do itinerário, perfis longitudinaes e da zona demarcada. Rio de Janeiro, 1894, in-fol. gr. - Processo graphico para a determinação das horas aproximadas dos eclipses do sol e occultações. Rio de Janeiro, 1895 - No mesmo livro publicou Gruis : - Eclipses du soleil et occultations. Rio de Janeiro, 1895. - Commissão de estudos da nova capital da União. Relatorio par- cial, apresentado ao Exm. Sr. Dr. Antonio Olyntho dos Santos Pires, dignissimo ministro, etc. Rio do Janeiro, 1896, 19-11-6-9-61-11 16-8-21-4 pags. in-8° com vários desenhos e plantas. - Mudança da capital da União. Resposta ao Sr. Ur. Domingos Jaguaribe. Rio de Janeiro, 1896, 19 pags. in-8.° - Mudança da capital federal do Brasil. Replica do Dr. L. Cruls. Rio de Janeiro, 1896. - Este autor fundo u : - Bulletin astronomique et meteorologique de 1'Observatoire Imperial de Rio de Janeiro. - Annuario do Imperial Observatorio do Rio de Janeiro-Só tenho à vista o 2o anno, publicado em 1886 - Contém este numero : Io, Dados astronomicos sobre o calendário, systema solar, etc ; 2o, Tabellas de meteorologia, chimica e physica ; 3o, Apontamentos geo- graphicos sobre o Brasil; 4o, Tabellas de cambio, mortalidade etc., e muitas outras informações sobre o commercio e industria para o anno 388 LU de 1886. Vem precedido de uma introducção pelo director do Obser- vatório, pela qual vê-se que collaboraram no Annuario .-o Sr. Conde de la Hure, redigindo a tabella das moedas, uma das mais completas que existem ; o Sr. Creoncides de Castro, escrevendo a noticia sobre as linhas telegraphicas existentes aetualmente no Império; os Srs. J. E. de Lima e J. da Cunha Lousada, executando os cálculos das ephe- merides; e os demais empregados do Observatório, trabalhando activamente para a organisação das tabellas e revisão das provas. Na Exposição sul-americana, realisada pela Sociedade de geographia do Rio de Janeiro em 1891, vejo : - Annaes do Imperial Observatório do Rio de Jeneiro, publicados por L. Cruls, director. 3o, Tomo. Observações da passagem de Venus em 1882. Rio de Janeiro, 1887, XXVIU-670 pags. in-4° gr. sem nu- meração seguida, com muitas gravuras illustrando o texto - Este livro foi no mesmo anno publicado em francez e contém uma intro- ducção por L. Cruls, dividida em duas partes: na primeira trata elle dos meios empregados para levar a effeito sua commissão e dos moti- vos que levaram o governo a patrocinal-a; na segunda apresenta as instrucções por elle dadas ás commissões em 1881 para suas obser- vações, etc. O texto é dividido em quatro partes : Primeira parte : Relatorio do capitão de mar e guerra Barão de TeíTé. Segunda parte : Trabalhos da Commissão do Pernambuco. Terceira parte : Relatorio e mais trabalhos da commissão de Punta Arenas. Quarta parte : Notas de viagem pelo capitão de fragata L. F. de Saldanha da Gama, que acompanhou esta ultima commissão, como commandante da corveta Pamahyba, onde seguia essa commissão. Precede íinalmente o livro uma Carta plana da Terra na escala de 0m,0037:30°, mos- trando as condições desse phenomeno na superfície delia, os pontos da America em que as commissões brazileiras observaram a passagem e diversas posições do sol acima ou. abaixo do horisonte durante as suc- cessivas phases da passagem, e fecha-se com cinco quadros resumi- dos da historia natural da Patagonia, do Estreito de Magalhães e da Terra de Fogo, e quatro photo-gravuras, representando a ilha do Quarter-Master, no Estreito de Magalhães; uma geleira em Parry Harbour, na Terra de Fogo; outra em Ainsworth Harbour; e vista do canal do Almirantado. L. Cruls tem ainda trabalhos em revistas da Europa, como os « Comptes Rendus» da Academia das sciencias de Pariz, e o « Bulletin» da Sociedade belga de geographia, e também em revistas do paiz, das quaes citarei: - Estradas de ferro estratégicas : memória - Na Revista do In- stituto polytechnico brasileiro, 1876. LU 389 Lriiz <la Ctinlia. F*eijó, 2o Barão e Io Visconde de Santa Izabel - Filho do pharmaceutico Tristão da Cunha Feijò e dona Anna Joaquina da Natividade, nasceu na cidade do Rio de Ja- neiro a 1 de junho de 1817 e falleceu em Petropolis a 6 de março de 1882, doutoi' em medicina pela faculdade daquella cidade, director da mesma faculdade e professor jubilado, depois de leccionar por mais de trinta annos ; grande do império; do conselho de sua magestade o Imperador; medico da imperial camara; cirurgião-mór da guarda nacional; membro honorário da Academia imperial de Medicina, socio do Instituto historico o geographico brasileiro e da Associação brasileira de Acclimação; grande dignitário da ordem da Rosa, commendador da de Christo do Brasil, e da de Portugal, da ordem hespanhola de Izabel a Catholica e da ordem austríaca da Coroa de Ferro. Pincipiaraa clinicar na pharmacia de seu pae e á sua grande pericia, principalmente como parteiro, devia a honra de assistir ao nascimento dos dous príncipes, filhos da princeza imperial, dona Izabel, e a de acompanhar a mesma augusta princeza em tres viagens á Europa em 1865, 1870 e 1878. Escreveu : - O aneurisma da aorta e um novo processo para a ligadura desta artéria e das illiacas primitivas, interna e externa: these sustentada em 10 de dezembro de 1839. Rio de Janeiro, 1839, 45 pags. in-4.° - Algumas idèas sobre as feridas penetrantes do ventre: these apresentada â faculdade de medicina do Rio de Janeiro por occasião do concurso ao logar de substituto da secção cirúrgica, etc. Rio de Ja- neiro, 1840, 39 pags.in-4.° - Breves considerações acerca das ruturas no utero durante o trabalho do parto, seguidas da importante observação de um caso em que existia, além das causas communs de tal accidente, um vicio da bacia, não descripto pelos autores: memória - Nos Annaes de Medicina Brasiliense, tomo 4o, 1848-1849, pags. 63 e 109. - Memória histórica dos acontecimentos notáveis da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, succedidos durante o anno de 1860, etc. Rio de Janeiro, 1861, in-fol. - Relatorio de director da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, 1879. Rio de Janeiro, 1880, 24 pags. in-fol. - Exposição dos diversos pontos da legislação relativa á facul- dade de medicina do Rio de Janeiro que carecem de reforma, e das necessidades do ensino pratico: memória apresentada ao... ministro do Império, etc. Rio de Janeiro, 1880, 15 pags. in-fol. LU 390 - Allocução dirigida aos alumnos da faculdade de medicina, contra- tados para o corpo de saude do exercito e da armada por occasião de se doutorarem. Rio de Janeiro, 1866, in-8.° - Estatutos da Associação brazileira de acclimação, fundada na cidade do Rio de Janeiro sob a immediata protecção de S. M. I. o Sr. D. Pedro 2o. Rio de Janeiro. 1873, 15 pags. in-8° - Assigna-o como presidente com os dous secretários. Uiiík da Chinlm Feijó, 2o - Filho do precedente e nascido na cidade do Rio de Janeiro, é doutoi* em medicina e lente de obstetrícia da faculdade da mesma cidade, encarregado do consul- torio de gynecologia e da enfermaria de maternidade e da clinica gynecologica da Santa casa da misericórdia e cavalleiro da ordem da Rosa. Escreveu : - Da embriotomia e seu parallelo com a operação cesariana e symphisiotomia; Cálculos biliares; Do calorico em geral e das mudanças de estado em particular; Da sutura considerada como meio unitivo das feridas: these apresentada, etc., para obter o grau de doutor em medicina : Rio de Janeiro, 1866, 34 pags. in-4° gr. - Do diagnostico differencial entre o cancro do estomago, a ul- cera simples e a inflammação chronica do mesmo orgão: these apre- sentada, etc., para o concurso a um logar de oppositor da secção de sciencias medicas. Rio de Janeiro, 1870, 26 pags. in-4° gr. - Das paralysias puerperaes : these apresentada, etc., para o con- curso á cadeira de partos. Rio de Janeiro, 1872, in-4° gr. - Memória histórica dos acontecimentos notáveis da faculdade de medicina do Rio de Janeiro durante o anno de 1888. Rio de Janeiro, 1889, in-4° gr. - Questão medico-legal. Defloramento. Documentos officiaes e sua analyse pelos drs. Feijô Filho e Furquim Werneck. Rio de Janeiro, 1878, 35 pags. in-4° com uma figura no texto. - Questão medico-legal Braga. Resposta dos drs. Souza Lima e Feijô Filho. Rio de Janeiro, 1879, 72 pags. in-4.° Luiz da Cunha Moreira, Visconde de Cabo Frio - Nascido na cidade da Bahia a 1 de outubro de 1777, falleceu a 28 de maio de 1865. Estudou no collegio dos nobres em Lisboa, para onde foi com sete annos de edade, fez todo curso e seguiu a carreira da marinha, na qual subiu ao posto de almirante. Commandou vários navios e acompanhou ao Brasil a familia real como ajudante de or- dens do major-general que a conduzia ; serviu na conquista da Cayenna LU 391 franceza, assistindo todos os combates, sendo ferido na cabeça e par- tindo dahi para a França como plenipotenciário; foi depois á Buenos- Aires em commissão reservada do ministério dos estrangeiros, e foi um dos bravos que se apossaram de Maldonado. Foi ministro da ma- rinha em 1822, retirando-se do gabinete, por negar-se a subscrever o decreto de dissolução da constituinte, e desempenhou ainda varias commissões, como a de inspector do arsenal de marinha da côrte e a de diroctor da academia. Apenas escreveu algumas memórias e relato- rios nos cargos que occupou, como : - Parecer da commissão nomeada por aviso de 29 de outubro do anno preterito para examinar si o regulamento de 13 de janeiro de 1834 para os arsenaes de marinha do império tem correspondido aos fins, para que foi feito, e indicar as alterações e melhoramentos de que ainda é susceptivel. Rio de Janeiro, 1836, 28 pags. in-4°-Assi- gnam depois delle os generaes Raymundo José da Cunha Mattos e João Paulo dos Santos Barreto. T.uix Cypriano Pinheiro de Andrade- Nas- cido no Rio de Janeiro a 12 de outubro de 1818, e no Rio de Janeiro fallecido a 12 de fevereiro de 1880, foi empregado da repartição de fazenda, em que aposentou-se no cargo de chefe de secção da alfandega da côrte, depois de bons sorviços e de exercer varias commissões do governo imperial. Era cavalleiro da ordem de Christo do Brasil, commendador da de Portugal e offlcial da ordem da Rosa. Fez parte da commissão que escreveu os dous livros se- guintes : - Relatorio da commissão encarregada da revisão da tarifa em vigor que acompanhou o Projecto da tarifa e apresentado pela mesma commissão ao governo imperial. Rio de Janeiro, 1853, 408 pags. in-4° gr.- Assignam outros esse relatorio, sendo o primeiro o conselheiro Angelo Muniz da Silva Ferraz, então inspoctor da alfan- dega. - Esboço de uma tarifa parei as alfandegas do império do Brasil, traçado pela commissão encarregada da revisão da tarifa em vigor. Rio de Janeiro, 1854, XI-179 pags. e mais 30 do Repertório alfabé- tico e indice - Depois escreveu com seu collega Felippe Vieira da Costa : - Relatorio da commissão encarregada da organisação da tarifa das alfandegas. Rio de Janeiro, 1869, 33 pags. in-4° gr. - Tarifas das alfandegas do império do Brasil. Rio de Janeiro, 1869, 15-136 pags. in-4° gr, e mais 43 de indice -sendo ajunctas. a LU 392 este trabalho as Alterações de diversos artigos da tarifa actualmente em vigor nas alfandegas do império. Rio de Janeiro, 15 pags. in-4° gr. - Industria fabril: relatorio - E' um dos cinco relatórios espe- ciaes que veem no livro «Exposição nacional do Rio de Janeiro de 1861, por Antonio Luiz Fernandes da Cunha ». JUuiz Delflno dos Santos - Filho legitimo de Thomaz dos Santos e dona Delflna Viatorina dos Santos, e natural da cidade do Desterro, capital da então provincia de Santa Catharina, nasceu a 25 de agosto de 1834, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e nesta cidade estabeleceu-se como clinico, exclusivamente como clinico só exercendo as funcções de senador ao congresso cons- tituinte republicano, a que foi eleito pelo estado de seu nascimento. Tem publicado muitas poesias, desde estudante, em vários periódicos e revistas, nunca fazendo delias collecção. Escreveu : - Que regimen será mais conveniente á creação dos expostos da Santa casa de misericórdia, o commum dentro dos hospicios ou o pri- vado em casas particulares ? Na primeira hypothese, o que mais con- viria. sustental-os com o leite das amas, ou com o leite de cabra, ove- lha ou vacca ? Póie actualmente um destes systemas ser tão superior aos outros, que os deva excluir absolutamente ? These apresentada, etc., e sustentada a 26 de novembro de 1857. Rio de Janeiro, 1857, 142 pags. in-4° - No fim dessa these se acha : - Discurso pronunciado no acto de collação de gráo dos doutoran- dos em 1857 em resposta ao do director da faculdade de medicina perante SS. MM. II. Rio de Janeiro, 1857, 6 pags. in-4.° - Ao povo catharinense. Rio de Janeiro, 1863, 11 pags. in-4.° - In excelsior : poesia recitada pela menina Candida Barata Ri- beiro no theatro D. Pedro II na noite do beneficio para creação da Escola superior de pharmacia do instituto pharmaceutico. Rio de Ja- neiro, 1884. - A filha d'África : canto. Rio de Janeiro, 1886. - O corropião : (poemeto) - Na Revista Brazileira,tomo 10°, 1881, pags. 241 a 253. - Vingança. A' Francisco Pedro da Cunha (poemeto) - Na Re- vista Popular, tomo 9°, pags. 180 a 184. - Fiat libertas (13 de maio). A Quintino Bocayuva - No O Pais, de 24 de maio de 1888. - Quinze de Novembro. O Brasil novo. A America (poemeto) - No dito periodico, de 24 de novembro de 1889. LU 393 Luiz Demetrio Juvenal Tavares - E' natural do Pará, nascido na cidade de Cametá a 21 de junho de 1850 e cultiva a poesia. Escreveu : - Versos velhos e modernos, com um prefacio de Barrozo Rebello. Pará, 1891 - Nestes versos nota-se, como disse o prefaciador, um lyrismo pessoal, alegre, voluptuoso, indicando o temperamento sensual do mestiço, avido de prazeres e creado a largas no seio dessa natureza equatorial, a um tempo risonha, languida e provocante. - Musa republicana: homenagem á patria brasileira no seu dia mais glorioso. Pará, 1892, 84 pags. in-8° - São varias poesias com annotações. - Paraenses: poesias fugitivas. Pará, 1877, in-8.° - Cousas e mais cousas. Pará, 1896, 148 pags. in-8.° - Serões da mãe preta. Pará, 1897, in-8.° - A filha do cabano : romance-inédito. Luiz Edmundo Cazes - Filho de José Cazes, na- tural de S. Paulo e bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade desta cidade, escreveu com seu collega José de Oliveira Coelho : - O direito a todos ou collecção em ordem alphabetica de notas uteis sobre o direito civil, commercial e criminal, abrangendo a legisla- ção, avisos do governo e decisões de nossos tribunaes, etc. Rio de Ja- neiro, 1886, 761 pags. in-4.° Luiz Edmundo da Costa - Filho de Edmundo Pe- reira da Costa e dona Maria Joanna de Mello Costa, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 26 de junho de 1878, é aqui empregado na com- panhia de seguros Manchester e tem collaborado no Fluminense de Nitheroy, no Jornal do Brazil, Gazeta da Tarde e Debate, do Rio de Janeiro. Escreveu : - Nimbus : versos. Rio de Janeiro, 1897, in-8° - E' sua estréa de poeta, estréa de feliz presagio. Um dos luzeiros das lettras patrias, Damasceno Vieira, elogia este livro, referindo-se a elle no Diário da Bahia de 24 de junho de 1898 e isto basta para gloria do autor. Tem uma 2a edição publicada em 1898 no Rio de Janeiro. - Thuribulos : poesias. Luiz Eg-ydio Soares da IVolbre^a - Filho do Luiz José Soares da Nobrega e nascido na cidade do Rio de Ja- neiro a 8 de agosto de 1863, matriculou-se em 1882 na faculdade 394 LU de direito de S. Paulo, e deixando logo o curso, foi empregado no archivo publico nacional, onde se conservou até 1891. E' poeta e escreveu : - Sonetos. S. Paulo, 1882, 15 pags. in-32° - E' um pequenino opusculo com 13 sonetos. - Versos modernos. Rio de Janeiro, 1891, 146 pags. in-8.° Luiz Eugênio d.e Lemos - Filho de José Antonio Guimarães Lemos e dona Maria Eugenia de Lemos, nasceu em 1850, nesta cidade e aqui falleceu, a 21 de julho de 1892. Tenente da caval- laria policial da corte, hoje capital federal, commandante do 4° dis- tricto da guarda urbana, e ultimamente chefe de uma das estações da estrada de ferro Central do Brazil, escreveu: - Guia dos inspectores de quarteirão ou collecção dos actos, attri- buições e deveres destas autoridades, seguido de modelos dos do- cumentos proprios do exercício deste cargo segundo a legislação com- petente e a pratica estabelecida; compilada e annotada, etc. Rio de Janeiro, 1884, 34 pags. in-4.n Luiz de L. TVicolúo do Ttego - Escriptor que não conheço sinão como poeta e autor dos seguintes trabalhos : - Inspirações da mocidade : poesias... - Magoas e dores: poesias. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° Luiz Ferreira de Araújo e Silva, - Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 18 de junho de 1818, aqui falleceu a 27 de outubro de 1885. Dedicou-se ao funccionalismo publico de fazenda e servia ainda em 1880 o cargo de chefe de secção da primeira conta- doria da directoria geral da tomada de contas do thesouro nacional. Era cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, official reformado da guarda nacional e escreveu : - Roteiro dos collectores. Rio de Janeiro, 1853, XXXVIII - 132 pags. in-8° - Este livro é dividido em duas partes: na primeira trata-se dos collectores de todo o Império; na segunda dos da pro- víncia do Rio de Janeiro. Teve segunda edição, em dous volumes, correcta e augmentada com a legislação posterior e mais o - Roteiro dos collectores, dividido em tres partes, a saber : Ia parte - Relatorio chronologico dos impostos e tributos do interior, adoptados na metropole e das successivas alterações que tem sofTrido; 2a parte - Da tomada de contas aos exactores e inais responsáveis por dinheiros e effeitos do Estado, considerações sobre este ramo do LTJ 395 serviço e regras praticas para sua execução; 3a parte - Deveres espe- ciaes dos collectores e seus escrivães e modificação dos regulamentos concernentes aos diversos impostos geraes, annotados com os avisos, ordens e portarias que os explicaram até o fim de 1861. Ha terceira edição, correcta e augmentada com a legislação que altera o systema tributário. Rio de Janeiro, 1871, in-8.° O 2o volume do Roteiro tem este titulo : - Bosquejo historico das imposições que constituem a renda do interior e das alterações que successivamente se lhe fizeram. Rio de Janeiro, 1859, in-4.° - Codigo das alfandegas. Rio de Janeiro, 1858, XI-750 pags. in-8° - Ahi se encontra a codificação de toda a legislação das alfan- degas e consulados do Império, com as necessárias annotações e com observações que as esclarecem. - Processo administrativo do thesouro nacional, em quatro partes, a saber - Titulo Io, Da alta administração de fazenda. Titulo 2°, Da administração central da fazenda. Titulo 3o, Da administração da fazenda nas províncias. Titulo 4o, Da formula do processo da administração da fazenda, seguida de tres series de appensos, sendo : Ia serie, Arestos do thesouro, do tribunal do thesouro e do de contas, 2a serie, Tradições. 3a serie, Legislação peculiar â administração da. fazenda. Escripto de accordo com o systema seguido no thesouro, etc.. Rio de Janeiro, 1869, XI-10-434 pags. in-4.° Luiz Ferrcira de Lemos - Nascido a 21 de junho de 1839, na cidade de Porto-Imperial, á margem direita do rio Tocan- tins, da província hoje estado de Goyaz, falleceu a 28 de setembro de 1874, na capital do Pará, quando, affectado de uma hepatite aguda, se dirigia para a Bahia. Depois de cursar algumas aulas do Lyceu pa- raense, foi á França, onde esteve nove annos, ahi alcançando o gráo de bacharel pela commissão de instrucção publica e o de doutor em medicina pela faculdade de Pariz. De volta ao Império, estabeleceu-se no Pará, como oculista e operador, fez ainda uma viagem á Europa e aos Estados Unidos, e era membro da Imperial academia de medicina. Foi quem pela primeira vez applicou nessa província o apparelho galvano-caustico de Mideldroph n'uma operação reclamada por epi- thelioma da lingua. Escreveu : - Quelques considerations sur la therapeutique dôs polipes naso- pharyngiens : these pour le doctorat en medecine, présentée et soute- nue à la Faculté de Medecine de Paris le 26 janvier, 1865. Paris, 1865, 58 pags. in-4° gr. LU 396 - Twnores e fistulas lacrimaes e seu tratamento : these de suf- ficiencia, apresentada á Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, para exercer a medicina no Império. Rio de Janeiro, 1865, 28 pags. in-4° gr. - Essai sur 1'hepatite du Pará - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 2", 1868-1869, pags. 608 e segs. - Observation sur une epidemie qui en 1867 a regnè dans l'Haut Amazone - Na Gazette Medicale de Paris, tomo 24°, 1869, pags. 103 e segs. Este trabalho foi publicado em portuguez na Gazeta Medica da Bahia, tomo 2o, 1867-1868, pags. 224 e segs. Refere-se ao beriberi. - Breves considerações sobre uma moléstia endemica nas mar- gens do rio Anajaz, provincia do Pará - Na Gazeta Medica da Bahia, tomo 3°, 1868-1869, pags. 207 e segs. TQnix Ferreira Maciel Pinheiro - Natural da provincia, hoje estado da Parahyba e nascido a 11 de dezembro de 1839, falleceu no Recife a 9 de novembro de 1889, sendo bacharel em direito pela faculdade desta cidade. Serviu na guerra do Paraguay como voluntário, interrompendo o curso académico, e depois de for- mado na magistratura até o cargo de juiz de direito e foi habil jornalista. Em homenagem á sua memória, a 9 de novembro de 1891, commissões da intendência municipal e do club Vinte e dois de julho, com cerca de duas mil pessoas, foram em carros e bonds especiaes ao cemiterio collocar grinaldas sobre seu tumulo, havendo nessa occasião vários discursos. Foi um dos redactores do Jornal do Recife e da Provinda. Fundou : - O Norte: orgão do partido republicano. Recife, 1889, in-fol. - com o dr. José Isidoro Martins Júnior, e escreveu: - Reforma eleitoral - Não vi este livro. Vejo-o, porém, annun- ciado em vários catalogos como o da livraria de Joaquim Alves Leite, de Porto-Alegre, por 12$ e foi publicado antes da proclamação da Republica. Unix Filippe Freire de Aguiar - Filho de Francisco Freire de Aguiar e nascido no Rio de Janeiro a 23 de agosto de 1852, é pharmaceutico pela faculdade de medicina, formado em 1871 e escreveu: - A agua ingleza, sua origem e modificações. Historia e do- cumentos da agua ingleza de Freire de Aguiar. Rio de Janeiro, 1890 - E' uma recapitulação de tudo quanto ha occorrido ácerca do preparado pharmaceutico. JLU 397 Luiz Filippe Jardim - Filho de Daniel Gomes Jar- dim e natural do actual estado de S. Paulo, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e escreveu: - Da physiologia pathologica àos phenomenos hypnoticos: these, etc. Rio de Janeiro, 1888, in-4° - E' sua these inaugural e se divide em tres partes: o historico do hypnotismo, o hypnotismo, e a phy- siologia pathologica dos phenomenos hypnoticos. - Elementos de hygiene militar. S. Paulo, 1891, in-8.° Luiz. Filippe Maria Fernando Gastão de Orleans, Conde d'Eu-Filho do Duque de Nemours e da Duqueza dona Victoria Augusta de Saxe Coburgo Gotha, nasceu em Neuilly, França, a 28 de abril de 1842 e é casado com a princeza dona Izabel, filha do ex-Imperador d. Pedro II, com os quaesfoi deportado para a Europa por occasião de ser acclamada a Republica. Era marechal do exercito, commandante geral de artilharia, presidente da commissão de melhoramentos do material de guerra, conselheiro de estado, presidente honorário do Instituto historico e geographico brasi- leiro e membro de muitas associações brasileiras e estrangeiras, grã-cruz de todas as ordens brasileiras, e condecorado com as meda- lhas da rendição de Uruguayana, de Mérito militar, da campanha do Paraguay e com a medalha hespanhola da campanha da África, e grã-cruz da ordem saxonia de Ernesto Pio ; das ordens portu- guezas da Torre e Espada do valor, lealdade e mérito, de Christo e de S. Bento de Aviz; da ordem húngara de S. Estevam; da ordem belga de S. Leopoldo ; da ordem franceza da Legião de Honra, da ordem mexicana da Aguia Vermelha e cavalleiro de Ia classe da ordem hespanhola de S. Fernando. Foi o general, que substituiu o Duque de Caxias e que terminou a guerra do Paraguay, portando-se com inexcedivel bravura e sangue-frio no campo da batalha. Es- creveu: - L'Empire du Brèsil à 1'Exposition Universelle de Paris. Rio de Janeiro, 1867, in-4"- E' uma traducção do portuguez do Cata- logo dos objectos enviados para esta exposição, precedida de Breve noticia sobre o Brasil, etc. Veja-se Luiz Pedreira do Coutto Ferraz. - Relatorio dos exercícios práticos geraes dos alumnos da Escola militar e de vários contingentes da guarnição da côrte, que se realiza- ram no Realengo de Campo Grande, na imperial fazenda de Santa Cruz. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Discurso de inauguração, pronunciado por S. A. o Sr. Conde d'Eu, presidente do Conselho superior da Associação mantenedora do 398 x^u Museu escolar nacional - No livro « Documentos relativos á fundação do Museu escolar nacional, no Rio de Janeiro», etc. Luiz X^elippe <le Sitld.an.lia, da Guina - Filho de d. José de Saldanha da Gama e dona Maria Carolina Barroso de Sal- danha da Gama, e irmão de José de Saldanha da Gama, como seu pai, commemorado neste livro, nasceu em Campos, Rio de Janeiro, a 7 de abril de 1846 e falleceu em Campo Osorio, campanha do Rio Grande do Sul, a 24 de junho de 1895, sendo bacharel em lettras pelo collegio Pedro II, contra-almirante da armada, director da escola naval, ca- valleiro da ordem de S. Bento de Aviz, commendador das de Christo e da Rosa, condecorado com a ordem do Duplo Dragão da China e com as medalhas da campanha oriental de 1865, da campanha do Paraguay, da rendição de Uruguayana e de mérito, membro do Instituto poly- technico brasileiro e de outras associações de lettras. Foi ã Europa em 1870, e em outras épocas depois, como instructor dos guardas-marinha, e atravessou longínquos mares e visitou varias regiões, honrando o nome do Brasil em todas, em todas recebendo provas de apreço e de admiração. Representou o paiz na exposição de Vienna d'Áustria de 1873, na exposição internacional de Philadelphia de 1876 e na exposição continental de Buenos-Aires de 1882. Em 1879 foi secretario da com- missão especial á China, ahi permanecendo como addido militar até 1881. Em 1882 foi a Punta Arenas com a commissão encarregada de observar a passagem de Venus. E em 1889 foi o delegado do Brasil no congresso internacional de Washington, encarregado de examinar as condições da marinhados Estados Unidos da America do Norte. Re- speitador da disciplina, cumpridor do dever, não querendo concorrer para o derramamento do sangue de sua classe, recusou-se a entrar no movimento de 6 de setembro de 1893, declarou-se neutro; mas, aggre- dido, calumniado, até insultado, decidiu-se por flm pela revolução e deu-lhe a precisa direcção. Faltando-lhe porém os recursos promettidos e querendo salvar os seus companheiros, deixou o Rio de Janeiro, abrigando-se com estes nos vasos da marinha portugueza. Chama- ram-no então de cobarde, e a esse insulto, preparando os ele- mentos, reorganisando a revolução rio-grandense, poz-se á frente delia, dirigindo-a. Não o cegou a cobiça ; nada lhe faltava para ser o primeiro vulto da marinha brazileira ; bateu-se pelas idéas sãs ou erróneas que o animavam e morreu como um heróe, em combate des- igual, tres vezes superior em numero : morreu como um heróe, Atando a liberdade da patria, que amou com extremo, serviu com lealdade e honrou com gloria. « Pôde fugir - disse a Prensa de Buenos-Aires LTJ 399 -mas preferia morrer... Era o orgulho da raça em toda a sua força; era essa funesta determinação que leva os marinheiros a submergirem- se com o seu navio. Saldanha não podia esquecer nem a sua illustre linhagem, nem a profissão a que havia dedicado toda a sua vida.» Bravo até o heroísmo da loucura, escreveu uma habil penna, na acção do com- bate, era muito humano, caridoso apoz a victoria. « Para os inimigos, que succumbiam na luta, tinha sempre o respeito sagrado que a religião dedica aos mortos; para os feridos tinha a humanidade, que esquece o inimigo para pensar um ferimento, curar um enfermo, salvar uma vida ; para os vencidos palavras de animação e conforto, abraçando-os depois como irmãos... A'muitas famílias restituiu o socego e tran- quillidade, ãs mãis entregando filhos, a tilhos pais, a mulheres os maridos. » Era o offlcial mais correctoe disciplinador de nossa marinha e tinha o dom de incutir aos seus subordinados o exacto cumprimento do dever. Disse o eminente e illustrado dr. Ruy Barbosa, referindo-se ao anniquilamento da marinha e á necessidade de sua reorganisação:«A ingrata fortuna das armas roubou-lhe em Saldanha da Gama, o heróe dos heróes, o seu reorganisador possível, o homem mais completo e o caracter mais extraordinário que jamais conheci nesta terra. » Animo esforçado, era tão intrépido na luta com os eiementos em borrasca, como em combate com o inimigo armado ; educação finíssima, era na vida social do mais delicado trato, o mais perfeito gentleman ; intelli- gencia cultivadissima, fallava correctamente o italiano, o francez, o allemão, o inglez e o hespanhol. Escreveu: - Memória sobre as novas fôrmas a dar aos cascos dos navios e suas respectivas vantagens, segundo o systema de Trajano Augusto de Carvalho, constructor da marinha brasileira. Vienna, 1873, in-8°-Este livro foi pelo autor publicado neste mesmo anno em Vienna, tanto em francez, como em inglez. São, portanto, tres edições. - Memória sobre as agulhas de marear e reflexões, etc. Rio de Ja- neiro, 1874, in-8.° - Os torpedos na guerra do Paraguay: memória apresentada ao In- stituto polytechnico brasileiro em outubro de 1869. Rio de Janeiro, 1873, in-4.° -Esta memória foi publicada na Revista do mesmo in- stituto, tomo 3o, parte 2a, 1874. - O canhão, o ariete e o torpedo. Manobras e princípios de tactica, apropriados ás batalhas navaes da actualidade ; influencia dos navios modernos, arietes e torpedos e outras armas em relação á tactica dos combates travados em pleno mar. Ensaio premiado, escripto peloCom- mander Gerard H. U. Noel, R. N. ; traduzido, etc. Rio de Janeiro, 1875, 176 pags. in-8.° 400 LU - Relatorio sobre a exposição universal de Vienna, apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1875, XX1II-143 pags. in-4° com estampas, re- presentando 103 figuras -refere-se a assumptos de marinha eéescripto em desempenho de commissão. -Relatorio sobre a escola naval de Annapolis. Academia militar de West-Point, Escola de torpedos de New-port e instituição dos aprendizes marinheiros dos Estados-Unidos. Rio de Janeiro, 1877, 160 pags. in-4.° - Philadelphia International Eochibition, 1876. Brasilian section. Machinery Hall. Notice on the models of ships exhibited by the Rio de Janeiro Navy Yard. Philadelphia, 1876, in-4.° - Catalogue of the brasilian section. Philadelphia International Exhibition. Philadelphia, 1876, in-4°, com uma planta. - Estudo sobre a conservação de madeiras, feito nos Estados- Unidos. Rio de Janeiro, 1878, in-4°-Foi também publicado na Revista de Engenharia, tomo 2o, em vários numeros. - A geographia physica do Brazil refundida (Edição condensada). Collaboração dosSrs. capitão de fragata Luiz de Saldanha da Gama, Dr. Orville A. Derby, Barão Homem de Mello, Dr. Pimenta Bueno, etc. Rio de Janeiro, 1884, in-8.° - Catalogo methodico dos livros existentes na Bibliotheca da Marinha, organisado segundo o systema de Mr. Brunet. Rio de Ja- neiro, 1879, XX-363 pags. in-8.° - Notas de viagem, tomadas ao correr da penna durante a com- missão da corveta Parnahyba ao estreito de Magalhães e costa da Patagonia por occasião da passagem de Venus pelo disco solar a 6 de dezembro de 1882. Rio de Janeiro, 1887, 387 pags. in-4° - Este trabalho foi também publicado nos Annaes do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, tomo 3o. E' escripto com toda elegancia e torna-se no- tável este livro pela amenidade do estylo com que Saldanha da Gama expõe e descreve suas impressões sob o ponto de vista physico e politico na viagem que o navio por elle commandado levou a effeito à colonia de Magalhães, conquistada pela Republica do Chile aos antigos dominios dos patagões. E sobre esta viagem também escreveu esse offlcial de nossa armada na Revista Marítima Brasileira: - Planos das phases da guerra do Paraguay (Ia, 2a e 3a phases). Rio de Janeiro - São quatro mappas com um resumo histórico, indi- cações e convenções á margem. O da 2a phase, que tenho á vista, ó datado de 14 de março de 1869, 0m,474X0m,877. O da 3a phase, 0m,793X0m,494, não tem data. - Discursos proferidos no Congresso internacional de Washington -Nos tres grossos volumes das Conferencias deste Congresso. São LU 401 muitos estes discursos, uns em inglez, outros em francez. Neste Con- gresso, composto de almirantes e contra-almirantes de todas as marinhas do mundo, Saldanha da Gama, o unico simples capitão de fragata, foi o interposto de seus collegas e fez parte da commissão encarregada de tomar conhecimento e dar parecer sobre todas as in- dicações apresentadas acerca dos numerosos e complicados assumptos trazidos á tela da discussão. Em revistas também ha trabalhos seus, como : - As Marinhas militares do mundo - Na « Revista Marítima Bra- zileira », anno Io, 1881, n. 2. Luiz cie França Almeida e Sá - Filho de José de França Amorim e Sá e dona Lourença de Almeida França, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 11 de novembro de 1847. Fez de 1866 a 1868 o curso de agrimensor na escola central e, como tal, exerceu varias commissões no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em 1867 obteve, mediante concurso, o logar de praticante da recebedoria do municipio neutro, servindo-o até fins do anno seguinte. Obtendo da relação do Rio Grande do Sul provisão para advogar, advogou nesta província e nella e também no Paraná exerceu o cargo de promotor publico. Revertendo em 1890 ao quadro do ministério da fazenda como primeiro escripturario da alfandega de Uruguayana, onde serviu também como inspector, passou em 1893 a Santos como auxiliar das conferencias da alfandega e depois exerceu outros logares da repar- tição de fazenda, achan<lo-se actualmente no de primeiro escripturario do thesouro federal. E' socio do instituto historico e geographico brazileiro, e da sociedade Ensaios litterarios de Porto Alegre, e fundou em 1871 a sociedade Libertadora, em 1876 a sociedade Litteraria, philarmonica e bailante, em 1877 a bibliotheca Independencia, em 1882 a sociedade Instrucção e recreio. Collaborou para alguns jornaes do Paraná e do Rio Grande do Sul, e escreveu : - O que são os amigos : comedia - publicada nas Folhinhas de Guimarães, de 1872 a 1876 e representada no Paraná. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. - Compendio de geographia da província do Paraná, adaptado ao ensino da mocidade brazileira e acompanhado de 130 notas instru- ctivas. Rio de Janeiro, 1871, 94 pags. in-8.° - E' dividido em lições com seu respectivo questionário, seguidas de um capitulo sabre a topographia dos povoados da província e de um quadro das posições geographicas da linha de Mato-Grosso, passando por Guarapuava e o baixo Ivahy e de mais cinco annexos. LU 402 - Promptuario commercial, civil e militar. S. Paulo, 1894, in-8° - E' uma recapitulação de todas as circulares, avisos, decisões, instrucções e indicações relativas ao serviço, onus e vantagens parti- culares ao commercio e ao pessoal de todas as repartições dos diversos ministérios. -- 0 libello maçonico ou a corrupção dos infalliveis - Este livro acha-se ainda inédito. - Promptuario commercial, civil e militar : obra indispensável aos Srs. Commerciantes, Despachantes, Advogados, Funccionarios pú- blicos de todos os Ministérios e Militares do Exercito e Armada. S. Paulo, 1895, 190 pags. in-4.° IjuIz da França Rebouças - Sobrinho do conselheiro Antonio Pereira Rebouças e nascido na capital da Bahia, falleceu muito moço a 16 de abril de 1853. Foi artista e poeta, e escreveu um volume de - Poesias. Bahia, 1849 (?), in-8°-Li este volume e lembra-me de um soneto humoristico ao anniversario natalício do autor, o qual elle termina, dizendo: » nesse dia « N'um esforço do utero, profundo, Minha mãi me entornou nesta Bahia » <l:t França Vianna - Filho de Felicíssimo do Souza Vianna o nascido em Curvello, Minas Geraes, falleceu na cidade de Leopoldina a 25 de março de 1890. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, exerceu com dignidade os cargos de promotor publico, de juiz municipal e outros, teve assento em um triennio da assombléa provincial e era advogado quando em um mo- mento de allucinação poz termo fa seus dias. Cultivou a poesia c escreveu : - Os bandidos : poemeto. Rio de Janeiro, 1881, in-8° - E' escripto em verso solto e nelle se narram factos passados no paiz, com allusão a certos vultos bem conhecidos. O autor promettia publicar outros trabalhos, mas não me consta que o fizesse. luiiiz Francisco <la Cuniara Leal - Filho do coronel Luiz Francisco Leal e dona Maria José da Gamara Leal, nasceu no Rio de Janeiro a 27 de julho de 1822 e falleceu em Ouro Preto no exercício do cargo de desembargador a 6 de dezembro de 1878. Bacharel em sciencias sociaos e jurídicas pela faculdade do S. Paulo, LU 403 entrou para a classe da magistratura com a nomeação de juiz muni- cipal da côrte, d'ahi passou a Iguassú como juiz municipal e de orphãos, e depois a juiz de direito em varias comarcas, tendo servido o cargo de chefe de policia e de vice-presidente no Paraná e o de auditor de guerra. Exerceu também a advocacia e exerceu cargos de eleição popular, como o de deputado provincial. Era commendador da ordem de Christo e fidalgo cavalleiro da extincta casa imperial. Escreveu : - Fáceis noções sobre matéria de direito. Traduzido do inglez. Nitheroy, 1853, in-8.° - Regulamento para o serviço de policia do Paraná, 1858 - Ainda na Collecção das leis provinciaes, com approvação do presidente dr. Francisco Liberato de Mattos. - Relatorio do chefe de policia do Paraná, 1857 - Foi publicado no Relatorio do presidente dr. José Antonio Vaz de Carvalhaes. - Relatorio do vice-presidente da provincia do Paraná, etc. Cori- tiba, 1859, in-4.° - Apontamentos sobre as suspeições e recusações no judiciário e no administrativo e sobre o impedimento por suspeição no serviço simultâneo dos funccionarios parentes ou semelhantes. Coritiba, 1863, XII-203 pags. in-4.° - Considerações sobre o projecto de lei para emancipação dos escravos, sem prejuizo para seus senhores e sem gravame para o estado. Rio de Janeiro, 1866, 34 pags. in-4.° - A emancipação dos escravos: serie de artigos (em sustentação das idéas publicadas no trabalho precedente ) - No Diário do Rio de Janeiro, 1866. - Apontamentos sobre irregularidades do processo criminal no fôro ante os tribunaes de primeira instancia. Rio de Janeiro, 1869, in-4.° - O imposto de transmissão : manual ou repertório em ordem alphabetica. Rio de Janeiro, 1871, in-4.° - Provimento parcial lavrado em correição no livro de termos de bem viver de um dos escrivães de Valença da provincia do Rio de Janeiro. Valença, 1866, 3 pags. in-fol. - Considerações e proposta do lei para o melhoramento da magistra- tura o da administração da justiça-No Diário do Rio de Janeiro, 1866. - Dissertação jurídica sobre matéria do processo civil-Idem, 1866. IuU.iz Francisco <ia Fontoura Lima - Filho de José Antonio de Araújo Lima, nasceu no Rio de Janeiro a 29 de junho 404 LU de 1840, e falleceu na cidade de Valença em 1891. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, s?rviu na secretaria de estado dos negocios da justiça até o cargo de chefe de secção e escreveu : - Pai e filho: drama em cinco actos, traduzido do francez - Não o vi impresso, mas foi representado no theatro particular da rua do Riachuelo. Luiz Francisco Freire - Filho de Felisberto de Oli- veira Freire, Barão de Laranjeiras, e da Baroneza deste titulo, nasceu em Sergipe a 1 de janeiro de 1862 e ahi falleceu em Aracajú, a 14 de outubro de 1894 no exercício do cargo de juiz de direito. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, foi em sua província promotor publico e deputado provincial na ultima legislatura da monarchia, e depois deputado ao congresso constituinte de Sergipe. Escreveu : - Projecto de Constituição do Estado de Sergipe. Aracajú, 1890, in-4.0 Luiz Francisco de Miranda -Nascido em Sobral, actual estado do Ceará, pela sua intelligencia, actividade e applicação ao estudo tornou-se um cidadão distincto. Sendo tabellião em Ipú, deixou o tabellionato para ser advogado nessa cidade; d'ahi passou a advogado em Tamboril, e actualmente exerce esta profissão na For- taleza. Escreveu : - Custas forenses ou compilação das leis, decisões dos tribunaes, regulamentos, avisos, assentos, doutrinas dos praxistas sobre custas, sentenças, recursos, execuções sobre ellas, acções dos empregados e outras disposições relativas ao Regimento de custas, com annotações. Rio de Janeiro, 1879, in-8 .° - Guia theorica e pratica dos escrivães, tabelliães e officiaes de registro, ou compilação das leis, regulamentos, resoluções, avisos, arestos e doutrina dos praxistas relativamente á organisação dos officios, desannexações e incompatibilidades, penas administrativas, correições e principios geraes de jurisprudência eurematica, etc. Rio de Janeiro, in 8.° - Diccionario jurídico de Pereira e Souza, annolado, etc.- Penso que não foi publicado, senão em parte, no periodico Pedro I I do Ceará. Luiz Francisco Monteiro <le Barros - Nasceu no Maranhão a 10 de outubro de 1841. Bacharel em mathematicas LU 405 pela escola central, serviu no corpo de engenheiros, reformando-se no posto de primeiro tenente e não obstante prestou serviços na cam- panha do Paraguay, obtendo para isso as honras de tenente-coronel. Serviu na inspectoria das obras publicas e exerceu varias commissões de engenharia. Era cavalleiro da ordem da Rosa, condecorado com a medalha da campanha de Paysandú e com a da guerra do Paraguay. Escreveu: - Projecto de abastecimento de agua á cidade do Rio de Janeiro, organizado por ordem do Ministério da Agricultura pelos engenheiros Jeronymo Rodrigues de Moraes Jardim, inspector das obras publicas e Luiz Francisco Monteiro de Barros, encarregado da direcção dos estudos. Rio de Janeiro, 1874, 51 pags. in-8° com um mappa e vários quadros demonstrativos - Dentro tem o titulo « Exposição geral do plano de abastecimento de agua á cidade do Rio de Ja- neiro ». - Relatorio da commissão encarregada do exame dos depositos de phosphatos, existentes na Ilha-Raza (Fernando de Noronha). Rio de Janeiro, 1881, 17 pags. in-4° - Precede-o a analyse feita na casa da moeda. Luiz Francisco dLe Paula Cavalcante de Albuquerque- Filho do capitão-mor Francisco de Paula Ca- valcante de Albuquerque e dona Maria Rita de Albuquerque Mello, e irmão do Visconde de Albuquerque, de quem já fiz menção, nasceu em Pernambuco no ultimo quartel do século 18° e falleceu em maio de 1838. Formado em direito na universidade de Coimbra, seguiu a carreira da magistratura, subindo ao cargo de desembargador; com- prometteu-se, como seu pai e seu irmão, na revolução de 1817, as- signando também o « Preciso dos successos que tiveram logar em Per- nambuco, etc. » (Veja-se João Ribeiro de Mello Monte-Negro) e foi deputado da primeira á quarta legislaturas geraes, não chegando a tomar assento na ultima. Escreveu : - Memória sobre algumas das principaes providencias que se devem tomar desde já a bem de facilitar a pratica da administração judiciaria, quer seja com o systema do actual processo, quer seja com a nova organisação constitucional, que o voto publico reclama. Rio de Janeiro, 1830, in-4.° - Emendas motivadas sobre o projecto de Regimento das rela- ções, posto em discussão por parecer das commissões de justiça civil e criminal, sob proposta do Exm. Sr. Ministro da Justiça no anno dç 1830. Rio de Janeiro, 25 pags. in-8,° 406 LU Luiz Francisco da Veiga - Filho do commendador João Pedro da Veiga e dona Joaquina Rosa da Veiga, nasceu no Rio de Janeiro a 29 de agosto de 1834. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, tendo começado o respectivo curso na de S. Paulo, exerceu o cargo de promotor publico de Nitheroy, depois o de official da secretaria da justiça, donde passou como pri- meiro official para a de agricultura, commercio e obras «publicas, aposentando-se no logar de chefe do secção. Socio do antigo Instituto scientifico de S. Paulo e do Instituto histórico e geographico brazileiro, talento robusto e actividade perseverante, cultivou sempre a historia patria e a litteratura em todos os seus ramos. Tem collaborado em vários periódicos e revistas e escreveu - além de vários trabalhos, desde estudante, em revistas e periódicos de S. Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro, o que passo a relatar : - Os Impérios destruídos. Recife, 1856, 39 pags. in-8° - Era o autor estudante de direito quando publicou este trabalho, que, refundido e accrescentado, teve segunda edição com o ti- tulo : - As nacionalidades mortas. Hontom e hoje. Rio de Janeiro, 1865, 52 pags. in-8° - E' um trabalho philosophico-politico. - A revolução de 7 de abril de 1831 e Evaristo Ferreira da Veiga, por um fluminense amante da Constituição. Rio de Janeiro, 1862, 40 pags. in-8°. - Repertório das leis e decisões do governo sobre obras pu- blicas, estradas de ferro e outras, telegraphos, navegação fluvial e marítima, etc.,de 1808 a 1865. Rio de Janeiro, 1866, VI1I.-149 pags. in-8° - A publicação fez-se por ordem do governo. - Repertório addicional sobre estradas de ferro, obras publicas, navegação fluvial e marítima, telegraphos. etc., desde 11 do outubro de 1865 até 30 de junho de 1871, organisado, etc. e publicado por ordem do Governo imperial. Rio de Janeiro, 1871, 109 pags. in-8.° - Segundo repertorlo addicional sobre estradas e carris de ferro, obras publicas, navegação marítima e fluvial, telegraphos electricos, illuminação publica, etc., de 1 de janeiro de 1871a 30 de junho de 1875,organisado, etc., e publicado por ordem de S. Ex. o Sr. Con- selheiro Thomaz José Coelho de Almeida, ministro, etc. Rio de Ja- neiro, 1875, VI. 218 pags. in-8.° - Synopse chronologico das revoluções, motins, sedições militares e grande crise constitucional, havidos no Brazil desde 1544 até 1848. Rio de Janeiro (1867), 8 pags. de duas columnas in-8.° luXT 407 - Circular que ao brioso e independente corpo eleitoral do mu- nicipio da côrte dirige, etc. Rio de Janeiro, 1869, 3 pags. do duas ccdumnas in-4.° - O Brasil tal qual é : projecto de um livro no interesse da emi- gração, apresentado ao Sr. Ministro dos Negocios da Agricultura. Rio de Janeiro, 1872, 20 pags. in-8.° - Foi impresso por ordem do governo. - Repertório dos privilégios industriaes, de 1830 a 20 de outubro de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 31 pags. in-4.° - Idem. - Pequeno diccionario dos nomes proprios com a respectiva signi- ficação etymologica. Rio de Janeiro, 1875, 61 pags. in-12.°-Este livro teve segunda edição augmentada em 1887, 100 pags. in-8.° - Livro do estado servil e respectiva libertação, contendo a le- gislação brazileira de 1831 a 31 de dezembro de 1875, publicado por ordem de S. Ex. o Sr. conselheiro Thomaz José Coelho de Almeida, etc. Rio de Janeiro, 1876, 8-12-349 pags. in-8.° - Estudos moraes. Do amor do proximo ao amor de Deus. Rio de Janeiro, 1877, 138 pags. in-8.° - Este livro foi pelo go- verno approvado, mandado adoptar para uso das escolas publicas do municipio neutro e por sua ordem publicado. - O primeiro reinado, estudado á luz da sciencia, ou a revolução de 7 de abril de 1831 justificada pelo direito e pela historia. Rio de Janeiro, 1877, XXXIV-520 pags. in-8.° - Os empregados fias secretarias de estado e do thesouro nacional e a justiça governativa. Rio de Janeiro, 1880, 20 pags. in-8.° - Subvenção ás Companhias de navegação a vapor. Rio de Ja- neiro, 1884 - E' um mappa com a demonstração do qile se refere a taes emprezas, desde a legislação relativa a- ellas até a tabella dos fretes e movimentos dos vapores. - O Senhor D. Pedro II a 7 de abril de 1887. Rio de Janeibo, 1887, 20 pags. in*8° - Demonstra o autor que o Imperador tem sido fiel aos princípios que motivaram e presidiram sua acclamação. - O sete de abril não contemplado entre os dias de festividade nacional pelo decreto de 14 de janeiro de 1890, promulgado pelo go- verno provisorio do Brazil. Carta dirigida ao eminente brazileiro Mi- nistro da guerra, Dr. Benjamin Constant Botelho de Magalhães. Rio de Janeiro, 1890, 98 pags. in-4.° - A monarchia brasileira. O direito divino. A restauração. Pro- fissão de fé politica com um acurado estudo comparativo entre o Brasil e a Republica dos Estados Unidos da America do Norte. Capital Fe- deral, 1895. 408 LU - Homenagem prestada pela Musica á Litteratura e Ouvertures celebres. Rio de Janeiro, 1887, 124 pags. in-8.° - Os impossíveis : comedia em dous actos, approvada e elogiada pelo Conservatorio dramatico. Rio de Janeiro, 1863, 72 pags. in-8.° - Cartas Chilenas: (poema satyrico em que o poeta Critillo conta a Dorothêo factos de Fanfarrão Minério, governador do Chile, etc.) com uma introducção, notas e epilogo por Luiz Francisco da Veiga. Rio de Janeiro, 1863, 220 pags. in-16.° - Veja-se Cláudio Manoel da Costa. - Cogitações acerbas de um monge exilado, por Luciano. Rio de Janeiro, 1869, 21 pags. in-8° - A capitulação de Paris. Ao genio da França: poesia. Rio de Janeiro, 1871, 6 pags. in-8° - Heroides. Rio de Janeiro, 1872, 96 pags. in-12.° - Em 1880 teve segunda edição correcta com 120 pags. E' uma collecção de deva- neios, de edição nitida, nos sete primeiros dos quaes um homem dirige- se a uma mulher ; no ultimo uma mulher a um homem. A divagação, que se intitula Alice, representa anhelos ; Julia é a fatalidade; Hor- tencia a incredulidade ; Elvira o despeito ; Luiza o desalento ; Marga- rida o impossivel; Corina um hymno nupcial; Sylvia representa illu- sões perdidas. - Poesias. Rio de Janeiro, 1873, XVI 236 pags. in-8.° - Poesias (duas). Rio de Janeiro, 1875, 38 pags. in-8.° - Deus: invocação... Rio de Janeiro, 1883, 1 fl. in-fol. -Foi publicada antes no Jornal do Commercio deste auno. Compõe-se de 132 versos hendecasyllabos com uma introducção de Alexandre Herculano. - Sete de Abril de 1831 : poemeto dedicado á memória de Eva- risto Xavier da Veiga. Rio de Janeiro, 11 pags. in-8° - Foi também publicado antes no mesmo jornal. - Tres distinctos pianistas no Rio de Janeiro... Rio de Janeiro, 24 pags. in-8° -Refere-se o autor a Jeronymo Queiroz, Geraldo Ribeiro e Arthur Napoleão. Sahiu também no citado jornal. - Biographia do cidadão João Pedro da Veiga (pai do autor). Rio de Janeiro, 1866, 40 pags. in-S.0 - Honras e saudades à memória do conselheiro Bernardo Jacintho da Veiga: memória lida no instituto historico e geographico brasi- leiro. Rio de Janeiro, 1879, 33 pags. in-8°- Também na Revista do Instituto, tomo 42, parte 2a, pags. 55 a 74. - Hymnos patrióticos, compostos por Evaristo Ferreira da Veiga por occasião da independencia: pequena memória lida no Instituto historico e geographico brasileiro na sessão de 3 de agosto de 1877 - Na Revista Trimensal, tomo 40° parte 2a, pags. 39 a 71. LU 409 - Luiz Carlos Martins Penna, o creador da comedia nacional: memória bio-bibliographiea, lida, etc, na sessão de 23 de outubro de 1877 - Na dita revista e tomo, parte 2a, pags. 375 a 407. - Antonio Francisco Dutra e Mello : memória lida, etc., em sessões de 7 e 21 de julho de 1878 - Idem, tomo 41°, parte 2a, pags. 143 a 218, e no Jornal do Commercio de 15, 16 e 17 de agosto deste anno. - Processo dos veros patriarchas da independencia do Brasil, por ordem de José Bonifácio de Andrada e Silva,etc., proposta - Idem, no mesmo tomo, parte 2a, pags 413 a 426. - Discurso lido por occasião da missa dita na igreja de S. Fran- cisco de Paula pela alma do benemerito estadista o Sr. Visconde do Uruguay. - No Jornal do Commercio de 24 de julho de 1866. - Discurso lido por occasião da missa dita na igreja de S. Fran- cisco de Paula, no dia 14 do corrente em suffragio da alma do bene- merito Conselheiro... Euzebio de Queiroz Coutinho Mattoso da Camara - No Correio Mercantil de 15 de maio de 1868. Luiz Frederico Codeceira - Filho do major José Domingues Codeceira e nascido em Pernambuco em 1848, é bacharel em direito pela faculdade do Recife. Entrando para o funccionalismo publico da fazenda nacional, foi inspector da thesouraria do Rio Grande do Norte, inspector da alfandega da Parahyba e é agora chefe de secção da do Recife. Escreveu : - Defesa do... inspector da alfandega da Parahyba ou o Sr. depu- tado Anisio Salathiel Carneiro da Cunha e seus discursos parlamentares. Parahyba, 1864, 68 pags. in-4°de duas columnas - E' uma resposta a accusações deste deputado, publicada antes no Liberal Parahybano, Luiz Gama ou Luiz Gonzaga Pinto da Gama - Filho de um homem branco, do uma familia portugueza e nobre, cujo nome elle occultou sempre, e de uma preta africana, liberta, por nome Luiza Mahin, nasceu na cidade da Bahia a 21 de junho de 1830, e falleceu em S. Paulo a 23 de agosto de 1882. Seu pai, que o creara com extremo e como filho, era rico; mas em ostentação, em luxo, e sobretudo no jogo gastara toda a sua fortuna e, vendo-se pobre e affeito ao vicio, vendeu o proprio filho como escravo para o Rio de Janeiro em 1840, sendo este daqui vendido para S. Paulo a um indivíduo que, tendo sido fazendeiro em Lorena, se fizera negociante de escravos, e o enviara para Campinas. Não achando ahi comprador para este, por ser bahiano, voltou elle á casa de seu senhor em S. Paulo, para onde indo depois morar um estudante da faculdade de direito, Antonio Rodrigues 410 LU do Prado Júnior, depois doutor em direito, este affeiçoou-se do escravo e ensinou-lhe as primeiras lettras. Com taes habilitações Luiz, obtendo algumas provas de sua condição de livre, fugiu e assentou praça no exercito em 1848. Obtendo baixa depois dos annos da lei, tendo boa lettra, porque elle escrevia e lia quando o serviço lhe dava folga, fez-se copista e foi escrever no cartorio de um escrivão do fôro, donde passou a amanuense do gabinete particular do conselheiro Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça, que exerceu diversos cargos administrativos e que, além de protecção e estima, deu-lhe proveitosas lições de lettras. Depois serviu como escrevente com outras autoridades e afinal como amanuense da policia, de que foi demittido, por causa de suas idéas contrarias á política dominante. Passou então a revisor do jornal Ypiranga, para o qual escreveu alguns artigos e aprendeu a arte de compositor e por ultimo foi um dos hábeis advogados da illus- trada cidade de S. Paulo, advogado que a mais de quinhentos escravos obteve a liberdade; foi um distincto orador, um dos oradores do club Radical paulistano, e um dos redactores do - Radical Paulistano : orgão do Club paulistano. S. Paulo, 1869, in-fol.- Desta folha eram também os drs. Eloy Ottoni, Ruy Barbosa e outros. Luiz Gama foi também habil poeta e escreveu: - Primeiras trovas burlescas de Getulino. 2a edição. Rio de Ja- neiro, 1861, 252 pags. in-8'- A primeira edição^ havia sido rapida- mente esgotada. Algumas poesias deste livro teem sido reproduzidas em varias folhas. A que mais o tem sido é a que tem por titulo Quem eu sou ; uma das folhas que a transcreve é o Recreio, de Uberaba, nos ns. 3 e 5. O autor escreveu posteriormente outras poesias, como: - O moralista - No Almanak litterario de S. Paulo, tomo 6o, pags. 131 a 135. E' delia o seguinte trecho, que o autor põe nos lábios de um frade capucho: Perdido o mundo vae ; de queda em queda A moral se esboroa e tibia tomba Dos abysmos no seio - atra caverna '.... O peccado seduz, zomba do dogma ; A rebeldia ouzada o collo altivo Com arrojo alevanta em toda parte ; Subtil o maçonismo, como a lava, Tragando vae Pompeias desta edade; Corrompe o ouro vil; as leis corrompem! O gladio da justiça poluido Faz tremer os concilios; Roma treme !... Vacilla a santa fé no Vaticano; Do pescador a barca sobre as ondas Vanzêa ao vendaval das herezias !... O clero só, irmãos, puro soergue-se, Affronta os vicios todos e derrama Em torrentes de luz santos milagres. LU 411 Luiz Garcia Soares de Itivar - Filho do conse- lheiro Diogo Soares da Silva Bivar e dona Violanto Lima de Bivar, e irmão de dona Violante Atabalipa Ximenes de Bivar e Vellasco e de Rodrigo Cid Soares de Bivar, todos mencionados neste livro, nasceu na Bahia a 20 de maio de 1813. Offlcial da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo, versado em varias linguas, viajou pela Europa, demo- rando-se mais em Londres ; serviu vários cargos, como os de offlcial da secretaria da guerra, de ajudante externo e traductor do Diário Offlcial, eescreveu: - A mulher mais feliz do mundo: novella do Carlota de Sor; tra- duzida livremente. Rio de Janeiro, 1847, in-8.° - A Regeneração. Redigida por Luiz de Bivar e collaborada por hábeis pennas. Rio de Janeiro, 1866-1867, in-fol. peq. Luiz Gastão de Escragnolle Doria - Filho do general dr. Luiz Manoel das Chagas Doria, de quem adiante occupar- me-hei e dona Adelaide de Escragnolle Taunay Doria, nasceu na cidade do Rio de Janeiro pelo anno de 1870 e é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, lente da faculdade livre de direito e advo- gado nesta cidade. Versado em varias linguas e intelligencia brilhante, tem collaborado desde muito joven para a Brazileira, a Semana, a Ga- zeia de Noticias, a Noticia, o Jornal do Commercio e O Paiz, e para outros periódicos de S. Paulo, e é um dos redactores da - Rua do Ouvidor. Rio de Janeiro, 1898. Escreveu : - As Semi-virgens: romance de Marçal Prevost. Traducção brasileira com um prefacio, etc. Rio de Janeiro, 1896, XV-432 pags. in-8° - Entre seus trabalhos publicados em periódicos se nota: - Artistas d'outro tempo - Na Revista Brazileira. Sobre este trabalho escreve conceituado critico: « O seu estudo sobre Artistas d'outro tempo, publicado em vários numeros da Revista Brazileira, é muito curioso e digno de ser lido com attenção e interesse. Fornece esse estudo, infelizmente incompleto ainda, muitos dados e informações importantes a quem se preoccupa com a historia da arte theatral, sobretudo no que respeita ao canto e á musica, de que são ahi memo- rados os cultores mais brilhantes e os mais freneticamente applaudidos outr'ora.» Luiz; Gomes Pereira - Natural da Bahia e nas- cido a 25 de agosto do 1833, falleceu em Petropolis a 9 de junho de 1892. Bacharel em lettras pelo collegio Pedro II e bacharel em 412 LTJ direito pela faculdade do Recife, deu-se á vida commercial e escreveu : - Povo soberano (suggestão patriótica): trabalho social, politico, financeiro e administrativo sobre o Brasil. Rio de Janeiro, 1893. Luiz Gonçalves cLe Campos - Natural da cidade de Campos, provincia, hoje estado do Rio de Janeiro, e ahi residente, escreveu : - Esboço biographico de Francisco Sobral Bittencourt, fallecido na cidade de Campos a 8 de outubro de 1881. Publicado em homenagem á sua memória. Rio de Janeiro, 1882, 54 pags. in-4.° Luiz Ooiiçalves dos Santos - Filho do José Gonçalves dos Santos e dona Rosa Maria de Jesus, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 25 de abril de 1767 e falleceu a 1 de dezembro de 1844, sendo presbytero do habito de S. Pedro, conego da capella imperial, cavalleiro da ordem de Christo, socio honorário do Instituto historico e geographico brazileiro e da Academia real das sciencias de Lisboa. Era versado nas sciencias theologicas e nas philosophicas, nas linguas latina, ingleza, grega, franceza, italiana e hespanhola, e tinha algumas noções da hebraica, sendo taes sua applicação e intelligencia nas aulas, quando estudava, que foi mandado muitas vezes pelo pro- fessor de rbetorica, o grande Manoel Ignacio de Alvarenga, expôr da cadeira aos seus condiscípulos as doutrinas de Quintiliano, e foi in- cumbido de vários panegyricos onde a arte rivalisou com a natureza, como disse o conego dr. Fernandes Pinheiro. Traduziu com applauso de seu mestre de grego as Orações de Eschines e de Demosthenes pro e contra Ctziphonte ; foi convidado pelo ex-professor de latim, Jorge Furtado de Mendonça, para ser o substituto de sua aula, e pouco depois foi, pelo diocesano, nomeado lente dessa matéria no seminário da Lapa, logar que deixou mais tarde, porque mediante indicação do dr. Goulão, professor regio de philosophia racional e moral, passou a reger essa cadeira. Sustentou luta na imprensa em favor do Brasil n'uma época em que era perigoso pugnar por seus direitos ; cooperou com sua penna para nossa independencia escrevendo no Reverbero em 1821, mas ainda assim, foi, com outros patriotas notáveis, accusado de ser inimigo da emancipação patria e acérrimo absolutista. São de sua penna : - Justa retribuição dada ao compadre de Lisboa em desaggravo dos brasileiros offendidos por varias asserções que escreveu em sua carta em resposta ao compadre de Belém, pelo filho do compadre do LU 413 Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1821, 30 pags. in-4° - Fez-se segunda edição correcta e augmentada em 1822. E' um escripto em que se rebatem injurias eseriptas em Portugal contra o Brasil e prova-se a ignorância dos publicistas de além-mar acerca das cousas do Brasil. E' admiravel a temeridade do brasileiro, que, embora sob o anonymo, ousava a tanto, rodeado das baionetas luzitanas 1 - A impostura desmascarada ou resposta que o filho do compadre do Rio de Janeiro dá ao compadre do Rio de S. Francisco do Norte. Rio de Janeiro, 1821, 18 pags. in-4° - E' um escholio do escripto pre- cedente, mas em linguagem mais energica. - Resposta analytica a um artigo do Portuguez Constitucional, em defesa dos direitos do reino do Brazil. Rio de Janeiro, 1821, 29 pags. in-4° - Em argumentação robusta e lógica demonstra o autor o erro do Portuguez Constitucional, considerando este que a felicidade do Brazil consistia em permanecer colonia de Portugal, como havia dito. - O Campeão portuguez em Lisboa derrotado por terra á golpes da verdade e da justiça por um brazileiro natural do Rio de Janeiro que a oílérta e dedica aos amantes da causa do novo império brasi- liense. Rio de Janeiro, 1822, 93 pags. in-4.° - O Império do Brasil, considerado em suas relações políticas e commerciaes por La-Beaumelle: edição novamente correcta e addicio- nada pelo autor e traduzida por um brasileiro. Rio de Janeiro, 1824, 281 pags. in-8.° - Memórias para servir á historia do reino do Brasil, divididas em tres épocas, da Felicidade, Honra e Gloria, eseriptas na corte do Rio de Janeiro em 1821 e offerecidas a S. M. El-rei n. s. D. João VI. Lisboa, 1825, 2 tomos in-8° com 447-448 pags. e duas estampas em cada tomo - S. M. o Imperador possuía o autographo dessa obra e o oífereceu ao Instituto historico em 1867. Sobre este trabalho escreveu o Visconde de Porto Seguro uma memória assaz severa. - Antídoto salutifero contra o Despertador Constitucional e exor- cismos contra o mesmo. Rio de Janeiro, 1825, in-8° - E' uma serie de cartas combatendo a maçonaria, não só com argumento e com ana- themas, mas também com motejos. - O celibato clerical e religioso defendido dos golpes da impiedade e da libertinagem dos correspondentes da Astrèa, com um appendice sobre o voto em separado do Sr. padre Feijó. (Veja-se Diogo Antonio Feijó.) Rio de Janeiro, 1827, 57 pags in-8.° - Réplica catholica á resposta que o reverendo Sr. deputado padre Diogo Antonio Feijó deu, etc. Rio de Janeiro, 1827, in-8.° 414 LU - A voz da verdade da santa egreja catholica, confundindo a voz da mentira do Amante da humanidade para sedativo da effervescencia casamenteira dos modernos anti-celibatarios. Rio de Janeiro, 1829, 298 pags. in-8° - E' uma serie de 16 cartas contendo todos os argu- mentos desde as primeiras éras do catholicismo exhibidos em favor do celibato clerical, que o autor sustenta com citações dos doutores da egreja, e cânones dos concilios, constituições, bulias e breves pontiír cios. Na opinião do conego Dr. Fernandes Pinheiro é sua melhor obra theologica, e póde e ser collocada a par dos melhores escriptos do padre A. Pereira de Figueiredo. - Apologia dos bens dos religiosos e religiosas do império do Brazil contra o plano dos usurpadores. Rio de Janeiro, 1828, in-8° - Tra- ta-se da origem dos bens monásticos, de seu uso, da propriedade dos religiosos e de qual ó o direito da nação sobre os bens particulares. - Exame orthodoxo que convence de má fé, de erro e de scisma a analyse da resposta do Exm. e Revm. Sr. arcebispo metropolitano da Bahia, feita pelo dr. Manoel Joaquim do Amaral Gurgel. Rio de Janeiro, 1835, 231 pags. in-8° - O autor combate a proposição de que a assembléa geral e o proprio bispo de S. Paulo podiam abrogar a lei do celibato no caso de recusa do papa. - A impiedade confundida ou refutação da carta de Talleyrand, escripta ao papa Pio VII. Rio de Janeiro, 1830, XVI-326 pags. in-8°- Esta obra teve segunda edição em Pernambuco, 1838, na qual se de- clara que o autor soubera, achando-se já muito adiantada a impressão, que a sagrada congregação do Index cm Roma considerara apocrypha a carta de Talleyrand. Essa carta foi traduzida e publicada em Per- nambuco por Damaso L. de Souza Monteiro. - Septenario das Dores de Maria Santissima. Rio de Janeiro, 1836 - Este volume se encerra com uma poesia de José Eloy Ottoni, de quem me occupei já. - Desaggravo do clero e do povo catholico fluminense ou refutação das meutiras e calumnias de um impostor que se intitula missionário do Rio de Janeiro, e enviado pela sociedade methodista episcopal de New-York para civilisar e converter ao christianismo os fluminenses. Rio de Janeiro, 1837, in-8.° - Analyse do annuncio do vendedor de Biblias. Rio de Janeiro, 1838, in-8° - E' uma prelecção sobro as diversas especies do culto que admittimos e as alterações do Antigo e Novo Testamento, introduzidas pelas seitas heterodoxas, a qual foi unida ao «Antidoto catholico contra o veneno methodista, etc.» pelo padre Guilherme Paulo Tilbury. (Veja- se este autor.) IT 415 - Discurso sobre a confirmação dos bispas, no qual se examina a matéria pelos princípios canonicos, etc., pelo cardeal D. Pedro Inguanzo Rivero ; traduzido do hespanhol. Rio de Janeiro, 1838, XXX-107 pggs. in-4° - E' precedido de considerações do traductor acerca dos negó- cios da egreja brasileira e publicado a proposito da recusa do papa em confirmar bispo o padre Dr. Antonio Maria de Moura. - O Catholico e o methodista ou refutação das doutrinas hereticas e falsas que os intitulados missionários do Rio de Janeiro, methodistas de New-York teem vulgarisado nesta côrte, etc., a que se ajunta uma dissertação sobre os direitos dos catholicos de serem sepultados nas igrejas e seus adros. Rio de Janeiro, 1838, XXV1I-203 pags. in-7.° - Espirito da Biblia ou moral universal cbfistã, tirada do Antigo e Novo Testamento; escripto em italiano pelo abbade A. Mar- tin! ; traduzido em hespanhol por um clérigo da congregação de S. Caetano ; traduzido do hespanhol e accrescentado, etc. Rio de Janeiro, 1840, XX-84 pags. in-8® - Ha nesta obra uma traducção portugueza, publicada na Bahia em 1847, e outra em S. Paulo em 1862. - A fè catholica ou o symbolo dos catholicos, provado e explicado pelas santas escripturas do Novo e Velho Testamento, precedido de con. ferencias ou discursos exprobatorios e de uma introducção demonstra- tiva. Nitheroy, 1847, 3 tomos XXXIV- 156, 177 o 246 pags. in-8° - Destinada esta obra para educação de seus jovens compatriotas, diz o editor delia, o autor desce ao papel de catechista, toma o tom didactico, e em linguagem simples explica os mysterios de nossa fé. Não ha melhor, nem mais apropriado compendio de moral. E' uma publicação posthuma, cujo ultimo tomo encerra-se com uma Dissertação sobre o Santíssimo Sacramento da Eucharistia. - O conego Fernandes Pinheiro, a quem tenho seguido, na presente noticia, refere-nos ainda os tres seguintes escriptos, que nunca vi, do padre Luiz Gonçalves, t odos publicados: - Novenas do Santíssimo Sacramento. Rio de Janeiro-Compõe-se o livro de uma serie de meditações sobre os textos eucharisticos do Evangelho, traduzidas. - Breve exercício em honra do doloroso coração de Maria Santis- sima, traduzido do italiano. Rio de Janeiro-Teve tres edições succes- sivas no Rio de Janeiro e uma em Minas Geraes. - Breves meditações sobre os novíssimos do homem para cada dia do mez, traduzidas do italiano. Rio de Janeiro - Consta-me que o padre Luiz Gonçalves deixou alguns trabalhos inéditos, sendo um destes 416 LU - Ignez-. comedia - escripta em alusão ás relações particulares de um seu collega com certa moça. Pessoa que viu essa comedia afflrma que é de grande mérito. - Fiel narração da chegada de S. A. R. o Príncipe Regente Nosso Senhor à cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, capital da Ame- rica Portugueza, no sempre memorável 7 de março de 1808 e de como foi recebido pelos seus leaes vassallos moradores da mesma cidade - Existia o manuscripto na bibliotheca do Imperador, d. Pedro II. Sei, porém, que se acha impressa, não podendo dizer onde. - Memória do Brazil. Manuscripto original, com encadernação do tempo, em velludo carmezim, com as armas reaes, mostrando ter pertencido á bibliotheca do rei. 191 folhas in-fol. peq. - Este trabalho foi apresentado na exposição de historia, do Rio de Janeiro, de 1881, pelo Imperador d. Pedro II. - A congregação do Oratorio na casa do Espirito Santo : memória para servir á historia do reino do Brazil - Vejo-a mencionada entre as obras offerecidas á Academia das sciencias de Lisboa, de 1825 a 1828. Luiz Gonzaga de Camargo Fleury- Nascido em Meia-Ponte, Goyaz, e ahi fallecido, foi presbytero secular, fez parte do governo provisorio de sua província em 1822 e adminis- trou-a em 1857. Foi membro do Instituto historico e geographico bra- sileiro e escreveu: - Itinerário da cidade de Meia-Ponte até a cidade da Bahia (du- zentos e oitenta e seis léguas) -Foi pelo autor offerecido ao insti- tuto historico e não me consta que fosse publicado. Luiz da Costa - Natural de S. Paulo, onde vive, sei apenas que é engenheiro, e que, catholico fervoroso, per- tence o varias associações catholicas. Escreveu: Cartas acerca do tratamento pelo methodo Kneipp. S. Paulo, 1895- São cartas que o autor, depois de ter estado em Weris- choílen, e enthusiasta do famoso padre, escreveu, referindo-se ás maravilhas desses methodo curativo, pelo qual foi elle um dos curados. Luiz GoiiKabga Duque-Estrada- Natural da cidade do Rio de Janeiro e nascido a 31 de junho de 1863, é offlcial da directoria do património da intendência municipal. Escreveu: - A Arte brazileira. Pintura e esculptura. Rio de Janeiro, 1888, in-8° - 0 autor traçando a historia da pintura e da esculptura no TuU 417 Brasil, divide em tres épocas ou periodos a historia e progressos da pintura: o primeiro de 1695 a 1816 quando foi fundada a acade- mia de bellas-artes; a segunda de Debret, um dos artistas mais mstruidos que tem vindo ao Brasil, o qual fundou a escola, epoca de que data o movimento na pintura, até 1870; a terceira, a do progresso, de 1870 em diante, em que appareceram Victor Meirelles, Pedro Américo e outros. - Revoluções brasileiras. Rio de Janeiro, de 1898 in-8° -Fundou e redigiu: - Rio Revista. Rio de Janeiro, 1896. - Galaxia. Rio de Janeiro, 1897 -de duração ephemera. Luiz Gonzaga Pinto da Grama - Veja-se Luiz Gama. Luiz Henx'iqxie d.e Carvalho - Poeta maranhense. Escreveu: - Fructos selvagens: poesias. S. Luiz, 1894, in-8.° Luiz Henrique Perreira de Aguiar - Nascido no Rio de Janeiro, fallecido nos Estados-Unidos da America do Norte a 15 de agosto de 1875, sendo socio do Instituto historico e geogra- phico brasileiro e cônsul geral do Brasil naquella republica, quando «auspicioso prelibava as glorias de sua patria na próxima exposição universal de Philadelphia» e quando acabava de escrever acerca da posição commercial de productos do império na dita republica, sendo um dos autores, portanto, do livro: - Informações sobre a posição commercial dos productos do Brasil nas praças estrangeiras. Rio de Janeiro, 1875, in-4° - E' um livro escripto em virtude de circular do ministro da fazenda, Vis- conde do Rio Branco, ao nosso corpo consular no estrangeiro com o fim de saber-se em que apreço ahi se tem nossos principaes productos seus valores e quaes os meios de que poderão lançar mão os produc- tores e os exportadores para melhorar-lhes as condições e augmen- tar-lhes a procura. Em dezembro de 1874 havia elle enviado a esse ministro um trabalho sobre o assumpto, relativo á praça dos Estados-Unidos da America de Norte, que foi publicado no livro espe- cial, com o mesmo titulo acima, era 1875, de pags. 6 a 17. Luiz Henrique Pereira de Campos - Filho de Luiz Pereira de Campos, é nascido na cidade do Rio de Janeiro a 16 de LU 418 maio de 1839, e bacharel em direito pela faculdade do Recife, era moço fidalgo da casa imperial, cavalleiro da ordem de Christo de Portugal e offlcial da secretaria dos negocios do império, quando escreveu : - Trabalhos de estatística : Conferencia. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° Luiz <le Holla,n<la Cavalcante d.e JUltMiquer- que - Filho do conselheiro Antonio Francisco de Paula Hollanda Cavalcante de Albuquerque, Visconde de Albuquerque, mencionado no primeiro volume deste livro, e da viscondessa do mesmo titulo, nasceu a 19 de fevereiro de 1831 em Nitheroy e falleceu na cidade do Rio de Janeiro a 18 de julho de 1894. Bacharel em direito pela faculdade de Olinda, foi moço fidalgo com exercício na antiga casa imperial e caval- leiro da ordem de Christo. Exerceu cargos de magistratura, como os de juiz do commercio da côrte, auditor da marinha e desembargador, e fóra da magistratura outros, como o de membro do conselho da in- strucção publica. Escreveu: - Informação sobre o processo das quebras, apresentado ao illm. e exm. sr. conselheiro João Lopes da Silva Couto, presidente do tribunal do commercio da côrte, etc. Rio de Janeiro, 1865, 32 pags. in-8.° Luiz Honorio Vieira, Souto 1 - Irmão de José Joaquim Vieira Souto, Io, nasceu na cidade de Ouro Preto a 19 de março de 1819 e falleceu na do Rio de Janeiro a 29 de maio de 1890, sendo offlcial-maior da secretaria da assembléa da província, hoje estado do Rio de Janeiro, para a qual entrara como amanuense em 1836, e tendo durante esse mesmo periodo occupado sempre um logar em vários orgãos da imprensa do dia. Foi também deputado á assembléa provin- cial desde 1854 até 1880. No Jornal do Commercio fez parte da redacção desde 1843 até o dia de seu fallecimento e, como escriptor, diz O Paiz, noticiando sua morte, «podia repetir a phrase do Visconde do Rio Branco: as minhas obras completas ahi estão nos annaes do parlamento, nos volumes da legislação patria, nos annaes do jornalismo. Si as collec- cionasse em volumes, deixaria elle uma bibliotheca preciosa». São de sua penna : * - Viagem imperial de Petropolis a Juiz de Fóra por occasião da inauguração do tronco principal da companhia União e Industria. Rio de Janeiro, 1861, in-8.° - Legislação provincial do Rio de Janeiro, de 1830 a 1850, seguida de um repertório da mesma legislação, organisada, etc. Parte Ia: Lei LU 419 e decretos. Parte 2a : Regulamentos e deliberações. Nitheroy, 1850 e 1851,2 vols. in-8.° - Legislação provincial do Rio de Janeiro de 1850 a 1854. Nitheroy, 1854, 2 vols. in-8.° I^uiz «Jacome <Ie A.lbreu e Souza - Filho do com- mendador Balthazar Jacome de Abreu e Souza e dona Clara Luiza de Abreu e Souza, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 13 de julho de 1828. Terminada sua educação primaria, foi á Inglaterra, onde habi- litou-se para o commercio e foi negociante em sua patria até 1860. Capitão de cavailaria da guarda nacional, teve sempre predilecção e gosto pela raça cavallar, possuia bons cavallos e fez sobre essa raça estudos taes que sabia em poucos momentos domar o mais bravo ani- mal dessa raça. Indo passar um verão em Petropolis, em 1855, ahi fundou o primeiro club de corridas e depois na raiz da Serra um prado para esse fim. Propoz-se a crear no Rio de Janeiro uma escola de picaria militar e de coudelaria. No proposito de divulgar o progresso hyppico percorreu quasi toda a província do Rio de Janeiro, a de Mi- nas Geraes, do Rio Grande do Sul, onde conseguiu fundar uma escola de equitação, de S. Paulo e do Paraná, em todas ensinando, fundando clubs de corridas e prados. Leccionou gratuitamente a cavalleiros, adestrando cavallos e mostrando o grande melhoramento da hyppolia. Foi professor dessa sciencia na escola militar da Praia-vermelha, e professor dos príncipes d. Pedro e d. Augusto de Saxe-Coburgo. Ainda ha pouco, em 1897, foi construído um picadeiro a que foi dado o titulo de «Escola Jacome». Ultimamente empregou sua actividade em viação ferrea, e vias de communicação ; é assim que projectou dar um porto de mar ao sul de Minas, ligando a estrada de ferro Minas e Rio com a cidade de Angra dos Reis, para o que obteve concessão que transferiu á Companhia Viação Rio e S. Paulo; foi concessionário da estrada de ferro do Sumidouro ou da margem do Parahyba na estação do Porto Novo do Cunha até a freguezia de N. S. da Conceição de Paquequer, e actualmente se oceupa em Campos com o cultivo da alfafa, demons- trando sua eíequibilidade e conveniência, bem como da engorda de gado em estábulos. Escreveu : - A proposito de domar cavallos. Rio de Janeiro, 1862, in-8.° - O livro do ferrador, com estampas; estudo anatomico da pata do cavallo, que fez prescrever a nova ferradura, a que deu o titulo de brazileira. Rio de Janeiro, 1864, in-8.° - Escola militar de picaria: projecto para sua creação. Rio de Janeiro, 1864, in-8.° 420 LU - Estatutos do Club Jacome, fundado em 27 de maio do 1866 sob a immediata protecção do Sua Alteza o Sr. Conde d'Eu. Rio de Janeiro, 1867, in-8.° - As corridas de cavallo por occasião da corrida da inauguração do Club Jacome. Rio de Janeiro, 1868, in-8.° - A Coudelaria em Santa Cruz: estudo do Campo. Rio de Janeiro, 1868, in-8.° - O cavallo na provincia do Rio Grande do Sul. Relação dirigida á Assembléa Provincial. Porto-Alegre, 1873, 77 pags. in-8." - O cavallo do Paraná. Relação dirigida á Assembléa Provincial. Curitiba, 1874, 78 pags. in-8.° - Relatorio e projecto para a coudelaria militar. Rio de Janeiro, 1874, in-8°-Foi também publicado, annexo ao Relatorio do Ministério da Guerra em 1875. - O cavallo: criação, educação e hygiene do cavallo militar no Brazil. Rio de Janeiro, 1875, in-8.° - O cavallo no Brazil: artigo publicado no Jornal do Commercio por ordem do ministro Marquez de Herval, 1878. - Lancaster. Uma corrida celebre no Prado Fluminense : critica severa á immoralidade da casa das apostas, cobrando barato em beneficio dos socios do Jockey-Club. Rio de Janeiro, 1879, in-8.° - Projecto geral da estrada de ferro do Sumidouro, apresentado aos Srs. fazendeiros da freguezia de N. S. da Conceição de Paquequer, com o respectivo mappa. Rio de Janeiro, 1879, in-8.° - Proposta á Assembléa Provincial do Rio de Janeiro para liga- ção da estrada de ferro de Cantagallo com a do Sumidouro, estando esta já ligada à de Leopoldina. Rio de Janeiro, 1886, in-8.° - Noticias sobre varias forragens de algumas províncias do Im- pério- No Jornal do Commercio, 1887. - Rações económicas para bem nutrir por baixo preço: tabella para arraçoar animaes de trabalho e estudo sobre a traeção dos bonds. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Exposição dirigida á Assembléa Provincial do Rio de Janeiro sobre o cultivo de forragem e a engorda de gado de açougue, lem- brando a distribuição de prémios pecuniários como incentivo dessas duas industrias - No O Paiz, 1887. - Sarcophago inexhalante (privilegio de invenção). Rio de Janeiro, 1889, in-8ft - Refere-se á mais importante e hygienica invenção para transporte de cadaveres de todas as classes, que não foi adoptada por não convir á Santa Casa da Misericórdia. lu 421 - Banquei ofíert au Corps diplomatique ã Rio de Janeiro le 22 mars 1895. Brésil, 17 pags. in-8.° - A industria forrageira - Na Revista do Instituto Fluminense de Agricultura, 1891. - A industria pastoril - Idem, 1892. Ha ainda interessantes trabalhos deste distincto brazileiro, sobre hygiene, e sobre assumptos de interesse geral no O Paiz e em outros orgãos da imprensa e sei que tem promptos a publicar: - Assumptos hyppicos militares. - Diccionario hyppico. - Educação do cavalleiro e do cavallo militar, dedicada á cavai- laria brazileira. - Fazenda nacional. O meio circulante e o cambio. Projecto finan- ceiro. Da conversão das notas e portanto o cambio a 20 d. por l$000. Luiz Januario Lamartine Nogueira - Filho de Manoel da Costa Nogueira e dona Florencia da Resurreição Vianna, nasceu a 19 de setembro de 1851 em Santo Antonio de Curuayhú, pri- meira séde da freguezia deste nome, transferida para a povoação de Macabuqueira, hoje pertencente ã freguezia da Palma, estado do Ceará. Reside hoje na cidade de Viçosa, onde tem uma fazenda. Exerceu alguns cargos oíliciaes e foi deputado provincial no biennio de 1881-1882. Escreveu: - A Taba. Fortaleza, 1891 - E' um trabalho politico. - Um ponto importante da historia do Ceará, tratado em despre- tenciosa palestra: trabalho dedicado pelo autor á Academia Cearense. Fortaleza, 1897, 53 pags. in-8.° - Aldeias do Camarão para a historia do Ceará. Fortaleza, 1897, 24 pags. in-8° - Com estes dous escriptos busca o autor provar que Viçosa foi o berço do celebre indio Camarão. Sobre esses estudos de Lamartine Nogueira escreveram na imprensa o coronel João Brigido ( Republica, de Fortaleza ), Clovis Bevilaqua ( Rio Negro, de Manáos ) e Alberto Maranhão (Revista Rio Grandense do Norte, de Natal). Em resposta ao primeiro escreveu elle : - Camarão e o Ceará : resposta á refutação do coronel João Brigido dos Santos, referente â aldeia do nascimento do indio Camarão - E' uma serie de artigos publicados na Republica, do Ceará, em fevereiro e março de 1898. Luiz Joaquim de Almeida Arnisaut - Nascido na cidade da Cachoeira, provincia da Bahia, pelo anno de 1818, e 422 fallecido no Rio de Janeiro a 30 de setembro de 1850, era doutor em medicina pela faculdade desta cidade, tendo começado o curso na de sua província natal, e havia servido o cargo de medico vaccinador na Parahyba do Sul. Era membro da Academia imperial, hoje Academia nacional de medicina. Escreveu: - Dissertação inaugural sobre a funcção da bexiga na eschuria vesical, precedida de considerações sobre esta moléstia: these, etc., para obter o grão de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1840, 63 pags. in-4.° - Preferencia do methodo de Dupuytrin no tratamento das fracturas do collo do femur : memória apresentada á Academia impe- rial de medicina para obter o titulo de membro adjunto - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 6o, pags. 162 a 168. Esta memória foi apresentada em 1846, elogiada pelo dr. Antonio da Costa no seu relatorio de pags. 176 e 180, e deu-lhe o titulo de membro da Academia. Luix: .Joaquim Diiqne-EstradLa Teixeira - Filho do bacharel Joaquim José Teixeira e dona Rita Manoela Duque-Estrada Teixeira, nasceu no Rio de Janeiro a 6 de junho de 1836 e falleceu a 9 de setembro de 1884. Doutor em direito pela faculdade de S. Paulo, voltando para a corte em 1859, foi sempre advogado. Filiando-se em 1863 ao partido conservador, foi sempre um dos mais firmes baluartes deste partido, que também o distinguiu, elegendo-o juiz de paz de sua freguezia, a da Gloria, desde 1864 até 1878, deputado provincial mais de uma vez e deputado geral em quatro legislaturas desde 1868. Collaborou na Revista do Atheneu Paulistano, na Escola, revista de educação e ensino e em varias folhas políticas e escreveu : - Theses e dissertação para obter o grão de doutor em sciencias soaiaes e juridicas. S. Paulo, 1859, 24 pags. in-8° - O ponto sobre que dissertou é: Pena de multa com todas as questões theoricas e praticas, a que podem dar logar os arts. 55, 56 e 57 do Codigo Commercial. - Questão religiosa. Interpellação do deputado Duque-Estrada Teixeira na sessão de 6 de julho de 1874; debate entre o mesmo deputado e o ministro do império. Rio de Janeiro, 1874, 40 pags. in-8° - No meio de dous discursos seus se acha um do conselheiro João Alfredo, ministro do império. - O Guayaná. S. Paulo, 1856, in-8° gr. - E' uma folha que fundou e redigiu quando estava na faculdade. LU 423 - A Escola : revista brazileira de educação e ensino, collaborada por vários professores e litteratos sob a direcção doDr.,etc. Rio de Janeiro, 1877-1878, 4 vols. in-4.° Luiz Joaquim de Oliveira Castro, Io - Nasceu na cidade do Porto, reino de Portugal, a 19 de outubro de 1826 e falleceu no Rio de Janeiro a 7 de maio de 1888. Ainda menino foi para a Allemanha, onde fez seus estudos de humanidades e, assim prepa- rado, voltou a Portugal e, matriculando-se no curso de direito da universidade de Coimbra, ahi recebeu o gráo de bacharel em 1849 e o de doutor no anno seguinte. Dous annos depois emigrou para o Brazil, exerceu a advocacia na côrte e entrou para o funccionalismo publico, naturalisando-se, para isso, cidadão brasileiro. Mais tarde sendo chefe de uma das secções da repartição geral de terras pu- blicas, pediu exoneração deste cargo para occupar o de chefe de redacção do: - Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1867 a 1888, in-fol. gr. - Foi esta folha fundada pelo cidadão francez Seignot Plancher em substituição do Espectador Brasileiro, do mesmo Seignot Plancher, e sahiu á luz seu Io n. a 1 de outubro de 1827, in-fol. peq., e não a 1 de abril de 1826, como pmsa o dr. J. M. de Macedo. De janeiro de 1836 passou a ser propriedade de Junius Villeneuve & C., e teve por directores : o mesmo Villeneuve até 1844 ; F. A. Picot até 1854 ; M. Moreira de Castro até 1860 ; Carlos Emilio Adet até 1867; L. J. de Oliveira Castro até maio de 1888 - Escreveu elle mais : - Dissertação inaugural para o acto de conclusões magnas. Coimbra, 1850, 38 pags. in-4° - Versa sobre o ponto : Si nos termos da Carta constitucional da monarchia portugueza os ministros de estado são responsáveis pelos actos do poder moderador ? - Tratado pratico dos bancos por James William Gilbard ; tradu- zido, etc. Paris, 1859, 3 vols. de XV-243, 352 e 379 pags. in-4.° - Capital, circulação e bancos ou serie de artigos publicados no Economista em 1845 sobre os principios da Lei bancaria de 1844 e em 1847 sobre a crise monetaria e commercial deste ultimo anno, seguida de um plano de circulação segura e economica por James Wilson; traduzido, etc. Paris, 1859, XXXII-369 pags. in-4.° - Historia do Brasil de Roberto Southey, traduzida da lingua ingleza pelo dr. L. J. de Oliveira Castro eannotada pelo dr. J. C. Fer- naudes Pinheiro. Paris, 1862, 6 vols. in-8° - Bem que escripta em vista de informações bebidas de fontes puras, e em vista de numerosos documentos, alguns inéditos, obtidos em Portugal por 424 luU um tio do autor, precisava essa obra de correcções que foram feitas pelo annotador. - Os amores de Roberto : comedia em cinco actos, feita sobre um romance muito conhecido. Rio de Janeiro, 1870, VIII-93 pags. Ín-8Q - Foi publicada sem assignatura. - Obras do Dr. Luiz de Castro. Lisboa, 1890-1892, 4 vols. - São prefaciadas pelo filho do autor e dividem-se em quatro partes: Ia parte, Narrativas', 2a parte, Miscellaneas, collecção de folhetins; 3a parte, Será serio? outra collecção de folhetins; 4° parte, Episodios de viagem e theatro. - A donzella de Orleans : tragédia de Schiller. Traducção em verso - Parte desta tragédia foi publicada no Jornal do Cammercio de abril de 1862. O dr. Francisco José Pinheiro Guimarães ( veja-se este autor ) fez também uma traducção desta tragédia, o que deu logar a uma polemica que terminou com o confronto das duas tra- ducções no Correio Mercantil, onde escrevia este ultimo, no n. de 10 de fevereiro de 1863 - O dr. Oliveira Castro finalmente, tem varias poesias publicadas na Miscellanea poética do Porto e em outras revistas e foi constante collaborador da Revista Popular, jornal illus- trado do Rio de Janeiro. De seus trabalhos ahi citarei : - O desertor : pequeno romance - No tomo 1°, pags. 65 a 72. - O eremita : pequeno romance - No mesmo tomo, pags. 31 a 38. - Azares da vida : narrativa - No tomo 2°, pags. 145 a 163. - A filha de Affbnso III: romance historico - No tomo 3°, pags. 261 e 341, tomo 4°, pags. 13, 80, 156, 224, 277 e 373, e tomo 5°, pags. 33 e segs. Todos estes escriptos veem na collecção feita por seu filho com o titulo : Obras do Dr. Luiz de Castro. - O rei do Brasil: romance - No tomo 7°, pags. 267 e 336 o seguintes. - Tudo no mundo è velho - No tomo 2°, pags. 221 e seguintes. - A mulher. A mulher e suas condições nos differentes paizes - No tomo 2°, pags. 298 e 358 e seguintes. Luiz Joaquim. de Oliveira Cast ro, 2o - Filho do precedente, e nascido na cidade do Rio de Janeiro, fez uma longa excursão pela Europa e, como seu pai, dotado de intelligencia bri- lhante, tem-se dado ao jornalismo e às lettras. Escreveu: - Le Bresil vivant. Paris, 1891, XI-172 pags. in-8" - Divide-se esse livro em 12 capítulos, a saber : I. Du Brésil en général, ses res- sources, sa civilisation. - II. Le Brésilien, son caractere, ses qualités LU 425 et ses défauts. - 111. Aspect général de Rio-Janeiro. - IV. La plus grande curiosité de Rio: la Rue do Ouvidor. - V. Les habitudes de Rio. - VI. La presse. -VII. Moeurs théatrales, - VIII. Les con- certs, les bals et le carnaval. - IX. Les courses. - X. Villégiature d'été : Pétropolis. - XI. La Fazenda. - XII. Conclusion. - Mysterios da correcção durante a revolta de 6 de setembro de 1893: artigos publicados pelo Jornal do Commercio de S, Paulo, S. Paulo, 1895, 79 pags. in-8° - E' escripto de collaboração com Roso Lagôa. De seus trabalhos de litteratura amena conheço: - Edith Valdora, peça em tres actos, original brazileiro - Teve a primeira representação no theatro de S. Pedro de Alcantara a 15 de julho de 1891 pela companhia dramatica de G. Emanuel. - Os pvsteis do rei-, opereta em tres actos de A. Carré, vertida em portuguez por L. de Castro, com musica do maestro F. Bermicat - Foi representada no theatro Sant'Anna em setembro de 1891. - Maurício Lamberg. O Brazil, illustrado com estampas; vertido do allemão. Rio de Janeiro, 1896, VIII-383 pags. in-4° gr. - Este livro è dedicado ao Presidente da Republica, dr. Prudente José de Moraes Barros. Nelle se trata da natureza do Brazil e das diversas raças que contém; de sua lavoura, do solo, da immigração e coloni- sação; de suas florestas; da mudança de seu governo e do movimento revolucionário de 6 de setembro Uiiz; José de Carvalho Mello, Io Visconde da Cachoeira - Filho de Euzebio João de Carvalho e dona Antonia Maria de Mello, nasceu na cidade da Bahia a 6 de maio de 1764 e íalleceu no Rio de Janeiro a 6 de junho de 1826, bacharel em direito pelo univer- sidade de Coimbra, grande do Império, senador pela província de seu nascimento, conselheiro de estado, dignitário da ordem do Cruzeiro, commendador da ordem de Christo e da ordem portugueza de N. S. da Conceição de Villa Viçosa, etc. Exercendo o cargo de juiz de fórada Ponte de Lima em Portugal, passou a desembargador da relação do Rio de Janeiro em cujo cargo desempenhou varias commis- sões da mais elevada importância, sendo o primeiro corregedor do crime da côrte e casa de supplica^ão, censor regio e deputado da mesa de consciência e ordens. Foi deputado ã constituinte brazileira e ministro dos estrangeiros no gabinete de 10 de novembro de 1823. Patriota sincero e todo dedicado a seu torrão natal, construiu á sua custa uma estrada de dezeseis léguas de extensão, provida de varias pontes, com o fim de facilitar o transito e auxiliar o commercio e a agricultura, no termo da villa, hoje cidade de Valença da então 426 LU comarca de Ilhéos desde a marinha daquelle sitio, atravessando o rio Una, até a povoação da Lage Larga. Na administração da pasta dos estrangeiros sustentou com energia e habilidade uma questão com a côrte de Roma, mandou vir allemães para a colonia de Cantagallo e assignou os tratados de independencia do Brazil. Foi um dos collabo- radores do - Projecto de Constituição para o império do Brazil, organisado no Conselho de estado sob as bases apresentadas por S. M. I. o Sr. D. Pedro I, Imperador constitucional e perpetuo defensor do Brazil. Rio de Janeiro, 1823, 46 pags. in-4°- Este projecto teve varias edições, não só no Rio de Janeiro, como em outros logares do Brazil, è nelle collaboraram com o Visconde da Cachoeira os conselheiros João Seve- riano Maciel da Costa, Joaquim Carneiro de Campos, Clemente Ferreira França, Francisco Villela Barbosa, João Gomes da Silveira Mendonça, Mariano José Pereira da Fonseca e José Egidio Alvares de Almeida. Esta é que foi a Constituição acceita e jurada. Houve, anterior a este, outro projecto de Constituição, que foi apresentado ã assembléa con- stituinte e entrou em discussão. (Veja-se Aatonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva.) O Visconde da Cachoeira escreveu : - Parecer sobre o Codigo penal militar - Não sei si foi im- presso ; só sei que foi apresentado ao governo. - Falia em nome do clero, nobreza e povo, recitada no acto da acclamação de D. João VI. - Manifesto dirigido por D. Pedro I ao povo, depois da dissolução da assembléa constituinte. - Memória sobre os enterramentos nas igrejas - E' em opposição a esse uso. - Providencias contra o excesso do preço dos fretes dos generos de exportação. - Estatutos para duas faculdades de direito do Império - São os primeiros estatutos para essa instituição - « E' um dos trabalhos mais severos e mais substanciaes que tenho visto », diz o erudito Barão Homem de Mello nos seus escriptos históricos e litterarios, pag. 156. José de Carvalho Mello e Mattos - Natural do Rio de Janeiro, nasceu a 23 de janeiro de 1839 e falleceu a 15 de julho de 1881. Era moço fidalgo com exercício da casa imperial, bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, e bacharel em direito pela faculdade deS. Paulo. Serviu em 1861 o cargo de secretario do governo da província, e depois o de promotor publico da côrte ; foi XuTJ 427 deputado provincial desde 1866; deputado geral pela província de Goyaz na 14a legislatura e pela do Rio de Janeiro na seguinte. Além de muitos trabalhos em folhas políticas, escreveu : - Paginas da historia constitucional do Brazil, 1840-1848. Rio de Janeiro, 1870, 533 pags. in-4°. (V. Tito Franco de Almeida.) Ha alguns escriptos de sua penna do tempo de estudante, como o - Discurso recitado na sessão fúnebre, celebrada pelas associa- ções académicas Atheneo e Ensaio litterario á memória do Dr. Gabriel Rodrigues dos Santos, 1859. Luiz José da Costa- Nascido na cidade da Bahia peloanno de 1825 e ahi fallecido a 27 de dezembro de 1880, era doutor em medi- cina peia faculdade da mesma cidade, lente de geographia e historia antiga e média do lyceu,e também bibliothecario deste estabelecimento. Apresentou-se em mais de um concurso para lente substituto daquella faculdade e escreveu: - These apresentada á Faculdade de Medicina da Bahia, para obter o gráo de doutor. Bahia, 1847, in-4° gr. - Acção physiologica e therapeutica do opio : these defendida em publico perante a Faculdade de Medicina da Bahia em junho de 1857. Bahia, 1857, in-4° gr. - Febres palustres Segundo concurso para os logares de oppo- sitores da secção medica da Faculdade medica da Bahia. Dissertação e proposição, etc. Bahia, 1860, in-4° gr. Escreveu mais uma - These para o concurso á cadeira de geographia e historia do Lyceu da Bahia, etc. Luiz José Junqueira, Freire - Brilho de José Vicente de Sá Freire e dona Felicidade Augusta Junqueira, nasceu na capital da Bahia a 31 de dezembro de 1832 e falleceu a 24 de junho de 1855, arrastando a curta existência de 23 annos sob o peso da cruz do martyrio que pelo destino lhe coube. Ainda na infancia foi acom- mettido de uma affecção cardíaca, que deixou-lhe na physionomia o stygma do soffrimento; apenas entrado na adolescência, foi preso de uma paixão amorosa tão ardente quanto infeliz, a primeira e unica que teve e que levou-o a abraçar a vida monastica, vestindo o habito dos monges benedictinos a 9 de fevereiro de 1851 e professando com o nome de frei Luiz de Santa Escolástica a 29 de março de 1852, depois de haver affagado a idéa do suicídio. Na solidão, porém, do claustro, na cella do monge que elle procurou como um tumulo, nunca a ima- gem adorada abandonou-o; não valeram para isso o estudo acurado 428 LU dassciencias philosophicas e theologicas, da historia, da rhetoricaque elle leccionava, nem o cultivo da poesia em que se revelara um genio. Conhecendo que era improfícuo o sacrifício, antes de receber ordens sacras pediu e obteve secularisação perpetua a 3 de novembro de 1854* Sua enfermidade da infancia se patenteava então e progredia. Tão malfadado foi, quanto dotado de talento robusto e raro; parece que sua intelligencia privilegiada acrysolava-se no cadinho do soffrimento. Foi um dos mais inspirados poetas do Brazil e delle vários litteratos se occuparam tecendo-lhe encomios. Os curiosos podem consultar, por exemplo, o estudo que precede as Contradicções poéticas de Junqueira Freire pelo conselheiro Franklin Doria, Barão de Loreto; o Ensaio critico pelo dr. A. J. de Macedo Soares no Atheneo Paulistano, 1859; a Vida do poeta bahiano, pelo dr. Cincinato Pinto da Silva, nos Annaes da Academia philosophica, 1858, e outros trabalhos. Escreveu : - Inspirações do claustro. Bahia, 1855, IX-234 pags. in-8.°- Segunda edição correcta e accrescentada com um juizo critico por J. M. Pereira da Silva. Coimbra, 1867, in-8°. Parece-me que o autor não chegou a ver concluída a primeira edição de seu primeiro livro, tão enthusiasticamente applaudido. Tinha, entretanto, preparado uma introducção para o segundo com o titulo : - Contradicções poéticas, precedidas de um estudo sobre o autor, por Franklim Doria. Rio de Janeiro, in-8.°-Vi ha tempos uma edição deste livro, que não sei si é primeira ou segunda. - Obras poéticas. Terceira edição, correcta e augmentada, com um juizo critico, por J. M. Pereira da Silva. Tomo!. Inspirações do claus- tro. Tomo II. Contradicções poéticas. Paris (sem data), 296-252 pags. in-8°- O segundo é precedido do estudo sobre o autor pelo dr. Franklin Doria de pags. 5 a 61. - Elementos de rhetorica nacional. Rio de Janeiro, 1869, X-114 pags. in-8° - São precedidos de uma introducção pelo citado dr. Fran- klin Doria, depois Barão de Loreto. Esta obra servia de texto ás li- ções do autor. - Eymno da cabocla - Foi publicado na Revista Mineira sob o nome de Gregorio de Mattos, o primeiro poeta satyrico do Brazil e depois reproduzido com o verdadeiro nome do autor nas Harmonias bra- zileiras do dr. A. J. Macedo Soares, S. Paulo, 1859. Esta composição por si sómente basta para conferir ao autor immarcessiveis louros- Junqueira Freire deixou inéditos : - Dertinca: poema nacional - de que foram, entretanto, publi- cados o primeiro e segundo cantos nas Contradicções poéticas. X.U 429 - Padre Roma : poema nacional - E' uma obra intentada « com o flm de resuscitar o estudo das cousas patrias». - Frei Ambrosio : drama nacional - E' sobre um episodio da do- minação hollandeza, passado na Bahia e no Espirito Santo. - Calhau : poema - E' um trabalho historico, tendo por assum- pto um escandalo dado na Bahia. Lm amigo meu viu o manu- scripto. - Tratado de eloquência nacional - Creio que ficou incompleto. O dr. Franklin Doria apenas encontrou delle alguns capitulos entre os papeis do autor. Junqueira Freire tem em revistas varias poesias, como: - Soror Angela (Era de 1823): canção dedicada ás virgens da Soledade- No Monitor Catholico de S. Paulo, 7 de julho de 1881. - A orphã na costura - Na mesma revista, 7 de agosto de 1881. Luiz José de Mello e Oliveira, 2o Barão do Rio Claro e Io Barão de Mello e Oliveira - Filho de José Estanislau de Oliveira, Visconde de Oliveira, nasceu na província, hoje estado de S. Paulo, e bacharel em direito, formado pela faculdade deste estado, escreveu: - Resposta á circular dos membros da maioria da Assembléa provincial de S. Paulo S. Paulo, 1862, in-8° - Versa sobre as- sumptos de lavoura. Luiz José de Murinelli- Natural do Rio de Janeiro e nascido a 25 de novembro de 1811, falleceu a 12 de setembro de 1877. Havia exercido o cargo de almoxarife do arsenal de marinha da corte e o de tachigrapho nas duas casas do parlamento ; era. offlcial da ordem da Rosa, condecorado com a medalha de ouro, creada para ser- viços extraordinários prestados á humanidade, por ter salvado das vagas do mar uma criança prestes a afogar-se, resultando-lhe disso fracturar uma costella, e socio fundador da sociedade Amante da instrucção. Escreveu : - Algumas considerações que acerca de um folheto impresso, assignado e distribuido pelo Dr. Luiz de Azeredo Coutinho Duque Estrada (veja-se este autor) com o titulo « Prologo para a verdadeira historia da imperial sociedade Amante da instrucção» oflerece á mesma sociedade, etc. Rio de Janeiro, 1868, 40 pags. in-4.° - O Marimbondo: jornal politico-joco-serio. Rio de Janeiro, 1849, in-4° - Lhe é attribuida esta publicação e a J. M. da Silva Paranhos, depois Visconde do Rio Branco. 430 LU Luiz José Pereira da Silva, - Nascido na fre- guezia de Ipiabas, do município de Valença e província do Rio de Janeiro, a 1 de janeiro de 1837, depois de alguns estudos de humani- dades dedicou-se ao magistério, começando como professor de linguas em um collegio de Vassouras, de onde passou a professor de francez de inglez e também de geographia no collegio de S. José do Turvo. E' um distinctissimo poeta e litterato, de quem sinto não poder dar noticia completa. De suas obras foram publicadas diversas na revista mensal da sociedade Ensaios litterarios, na Marmota de Paula Brito, no Correio Mercantil, no Jornal do Commercio, no Rio de Janeiro, no Conservador e em outros periódicos. Dentre ellas citarei as duas seguintes : - Poesia e arte: paginas de um livro intimo - Na Marmota, 1857. - Arthur Napoleão: impressões de uma viagem - No Correio Mercantil de 30 de setembro de 1862. - Os desterrados: novella. Rio de Janeiro, 1854, 40 pags. in-8.° - Scenas do Interior (quadro de costumes) : romance original bra- zileiro, Rio de Janeiro, 1865,208 pags. in-4.° - Riachuelo: poema epico em cinco cantos. Rio de Janeiro, 1868, 141 pags. in-8° e mais 16 de notas - E' o seu mais importante tra- balho, em que com elegancia e fidelidade commemora a memorável batalha do Riachuelo, na campanha do Paraguay. Este poema teve mais edições, sendo a terceira de 1883, no Rio de Janeiro e antes de sua publicação completa, foi editada uma parte, isto é, os dous primeiros cantos, no Rio de Janeiro, 1865, 51 - VI pags. in-4°. A Gazeta de Noticias também reproduziu delle alguns trechos dos cantos 4o e 5o, como o que se refere á abordagem do Parnahyba. - Olmarcia: poema-romance. Rio de Janeiro, 1871, in-8.° - Panças e finanças, por Wilkes : pamphleto politico, Rio de Janeiro, 1878, 14 pags. in-4° - E' escripto em verso. - Floriano Peixoto: traços biographicos. Rio de Janeiro, 1894, com o retrato do marechal - Ha vários escriptos seus, que supponho se acharem inéditos, como : - Um peccado santo: comedia-drama em tres actos - Foi repre. sentado no theatro Gymnasio dramatico. - O Uvrinho vermelho: versão da comedia franceza de Maríe Simon - idem. - Um ninho na floresta: comedia em verso, em um acto, com musica original de Assis Pacheco - Foi representada pela primeira vez em agosto de 1888, não me recordo em que theatro. LTT 431 Luiz «José Pereira Simões - Filho do commendador Luiz José Pereira Simões e nascido em Pernambuco a 3 de outubro de 1863, é bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1884 e escreveu: - Traços de critica: Recife, 1882, 60 pags. in-8° - Era o autor estudante do terceiro anno de direito. Luiz José da Rosa - Filho de Manoel José da Rosa e nascido no anno de 1869 no Rio de Janeiro, falleceu a 2 de fevereiro de 1895 com 25 annos deidade. Cultivou com applauso a poesia, e dedicou-se ao jornalismo. Foi um dos redactores e secretario do periodico a Semana, de onde passou a 0 Paiz, e escreveu : - Primeiras rimas: poesias. Rio de Janeiro, 1891, 128 pags. in-8o - com o pseudonymo de Sylvio Freire, pseudonymo com que assignou outras composições suas, publicadas em jornaes. - Imagens e visões: poesias. Rio de Janeiro, 1893, in-8° - idem. - Lotus : versos. Rio de Janeiro, 1894, in-8.° Luiz Kraemer ^Valter - Filho de allemão e natural de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, dedicou-se a educação da mocidade e para isso instituiu um collegio que foi obrigado á fechar em consequência de grave moléstia de que veio a soffrer. Escreveu: - Primeiro livro de grammatica, composto segundo o methodo Marcet - Este livro teve varias edições, sendo a quarta de Pelotas, 1881, in-8.° - Segundo livro de grammatica, composto segundo o methodo de Marcet - Também teve varias edições, sendo a segunda de Pelotas 1879, in-8.° - Terceiro livro de grammatica, composto segundo o methodo de Marcet. Pelotas, 1879, in-8.° Luiz: Leopoldo Fernandes Pinlieiro - Filho de Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro, e sobrinho e afilhado do conego doutor Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, já neste livro cornme- morado, nasceu em Campos, no Rio de Janeiro, a 13 de maio de 1855. Exerceu o magistério, leccionando portuguez e francez em Nitheroy e nesta capital, quando já servia na secretaria dos negocios estran- geiros, hoje secretaria do exterior, onde desempenha o cargo de director de secção. Cultiva a poesia e com actividade e dedicação os estudos re- lativos á instrucção escolar, tem corrigido, ampliado e dado á estampa em novas edições vários livros do mencionado seu tio, e de outros 432 escriptores didacticos, como o doutor Joaquim Maria de Lacerda, tam bem mencionado neste livro. Escreveu : - Da morphologia e collocação dos pronomes : these de concurso ã cadeira de portuguez dos 2o e 5o annos do externato do Imperial col- legio Pedro II. Rio de Janeiro, 1886, 64 pags. in-4.° - Primícias : ensaios poéticos (1860-1872). Rio de Janeiro, sem data, 16-294 pags. in-8° - Este livro é prefaciado pelo conego doutor Fernandes Pinheiro. - Typos e quadros : sonetos, Rio de Janeiro, 1886, in-8.a- São precedidos de uma carta de J. M. Machado de Assis animando o autor á publicação de seus sonetos. A Vida Fluminense, entretanto, revista do Rio de Janeiro, em seu numero de 25 de setembro deste anuo, critica os severamente. - Musa das escolas : collecção de poesias de poetas brazileiros e portuguezes do século 19°, acompanhada de notas explicativas do texto e alguns dados biographicos • Rio de Janeiro, 1889, in-8° - Este livro foi adoptado pelo conselho superior da instrucção primaria e secundaria e pela Intendência da capital federal para uso das escolas, e teve segunda edição. Quanto aos livros de que fez edições, de outros autores, veja-se Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro e Joaquim Maria de Lacerda. - Novo atlas universal da infancia, contendo dezenove cartas e numerosas plantas de cidades, acompanhado de um texto explicativo sobre cada uma carta por, etc.- Fernandes Pinheiro foi um dos reda- ctores do - Fluminense. Propriedade de P. L. Ferreira Travassos, depois de F. R. de Miranda. Nitheroy, 1878, in-fol. peq.- Neste periodico que se publicou alguns annos, escreveu elle : - Echos guanabarenses : chronicas semanaes por Luiz Fernandes- Com o mesmo titulo deste periodico publicaram-se antes os seguintes : - O Fluminense : jornal politico e litterario. Rio de Janeiro, 1835, in-4.° - O Fluminense. Rio de Janeiro, 1840, in-4° gr. - O Fluminense. Nitheroy, 1848-1849, in-fol. peq. - Fluminense. Nitheroy, 1867, in-fol. Luiz Lopes Castello Branco e Silva - Filho de Antonio Lopes Castello Branco e natural do Piauhy, falleceu na cidade do Recife a 2 de janeiro de 1891. Bacharel em sciencias sociaes e jurí- dicas pela faculdade de Olinda, escreveu : - Memorando do julgamento do coronel Antonio da Costa Araújo, commandante superior da comarca de Campo-Maior, província do LTT 433 Piauhy, accusado e processado por crime de morte pelo chefe de policia bacharel Gervasio Campello Pires Ferreira; contendo a defesa produ- zida perante o jury e a contestação á appellação da promotoria publica, acompanhadas dos documentos referidos. S. Luiz, 1863, in-4.° Manoel de Albuquerque Galvão - Filho do conselheiro Raphael Archanjo Galvão e dona Luiza Paula de Albu- querque Galvão, nasceu na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, a 28 de fevereiro de 1842 e falleceu na de Santos, S. Paulo, a 20 de de- zembro de 1887. Engenheiro geographo pela escola central, depois de servir o cargo de chefe da commissão de engenheiros, encarregada da medição de terras devolutas de Santa Catharina, construiu o pharol de Mucuripe, inspeccionou a estrada de ferro de Baturité e estudou as condições do porto da Fortaleza, no Ceará; foi chefe da commissão de estudos do prolongamento da estrada de S. Paulo a Matto Grosso e com seu irmão Raphael Archanjo Galvão, 2", construiu a alfandega de Santos. Escreveu : - Eelatorlo sobre as colonias Blumenau, Itajahy, PrincipeD. Pedro e D. Francisca (província de Santa Catharina), apresentado ao Minis- tério da Agricultura, Commercio e Obras Publicas. Rio de Janeiro, 1871, 127pags. in-4° com vários modelos. - Estudos sobre o porto do Ceará- Foi apresentado ao mesmo mi- nistério a 12 de setembro de 1874 com approvação do engenheiro Hawkshaw e publicado no Cearense em dezembro de 1875. - Prolongamento da estrada de ferro de S. Paulo a Matto Grosso - E* uma serie de artigos publicados no Globo em 1875. Ha ainda de Al- buquerque Galvão vários artigos e também poesias na imprensa do Rio de Janeiro de 1866 a 1871 e do Ceará em 1873, e me consta que deixou trabalhos inéditos. Luiz Manoel das Clia^as Doria - Filho do major Francisco Manoel das Chagas e dona Guilhermina Muller das Chagas, nasceu na cidade de S. Paulo a 25 de agosto de 1835 e falleceu em Petropolis, estado do Rio de Janeiro, a 16 de julho de 1896. Era general de divisão reformado, bacharel em sciencias physicas e mathe- maticas, lente do curso de engenharia da escola superior de guerra e offlcial da ordem de S. Bento de Aviz. Escreveu : - Estradas de ferro em tempo de guerra. Rio de Janeiro, 1883, in-8° - E' uma reimpressão de artigos publicados na Revista do exercito brazileiro. Este livro foi traduzido em allemão e em francez por offlciaes de engenheiros da Allemanha e da França e publicado em re- 434 LU vistas militares destes paizes, e provocou o apparecimento de dous tra- balhos, analysando-o, um pelo capitão Hernandez, do exercito hes- panhol, e outro pelo capitão Malarin, do exercito argentino. - Memória sobre a estabilidade das abobadas circulares extrador- sadas de chapa; apresentada ao Instituto polytechnico para obtor a medalha Hawkshaw- Foi publicada, tendo merecido grandes elogios da commissão respectiva. Escreveu ainda vários discursos que pronunciou em actos solemnes da escola superior de guerra e deixou inéditas: - Lições de construcção, hydraulica e estradas de ferro, professadas na Escola militar e Escola superior de guerra. 1874-1891. Luiz Maria Grouzaga de Lacerda - Filho de João Maria Pereira de Lacerda e dona Camilla Leonor de Lacerda, e irmão de Joaquim Maria de Lacerda, mencionado neste livro, nasceu no Rio de Janeiro a 11 de agosto de 1840, e, sendo bacharel em ma- thematicas pela escola central, falleceu no Ceará a 25 de abril de 1887, no exercício de engenheiro da estrada de ferro de Sobral. Escreveu: - Livro de campo, contendos principaes problemas de exploração e locação de estradas, etc. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° Luiz Maria de Mello e Oliveira - Filho de José Maria Mello e Oliveira, irmão do dr. Francisco Maria Mello o Oli- veira, já mencionado neste livro, e nascido na província do Ceará, a 26 de novembro de 1839, falleceu no Rio de Janeiro a 20 de setembro de 1889, achando-se no exercício do cargo de instructor da escola geral de tiro do Campo Grande, para o qual entrara como adjunto no anno de 1873. Com praça no exercito a 14 de agosto de 1857, fez toda a campanha contra o governo do Paraguay ; era capitão de infantaria, habilitado com o exame pratico dessa arma, offlcial da ordem do Cruzeiro, cavalleiro da de Christo, condecorado com a medalha de mérito à bravura militar e com a daquella;campanha. Collaborou na Revista do Exercito bra- zileiro e escreveu: - Instrucção para o fuzileiro, armado â Comblain, mandada adoptar no exercito. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - Este livro é dividido em duas partes: Nomenclatura da arma Comblain e instrucção para o manejo em parada, ou em fogo, com a mesma arma. Teve segunda edição em 1880. - Estudo sobre as armas de fogo portáteis, ou cathecismo do ati- rador. Rio de Janeiro, 1880, in-8.° - Extracto da Revista do exercito brazileiro. Armas de repetição para infantaria. Rio de Janeiro, 1884, in-8.° LU 435 - Conferencia sobre o armamento moderno - Foi feita na escola geral de tiro em presença de muitos oíHciaes scientiíicos do exercito e dos alumnos do segundo e terceiro annos da escola militar no dia 23 de janeiro do 1881, sendo o orador por todos applaudido. Luiz Maria da Silva IPinto - Nascido em Villa- Rica, hoje Ouro-Preto, capital de Minas Geraes, no anno de 1773, fal- leceu quasi centenário a 19 de dezembro de 1869. Foi do conselho do governo do logar de seu nascimento, secretario do governo mais de trinta annos, director da instrucção publica e procurador fiscal da província. Foi socio do Instituto historico e geographico brasileiro. Escreveu : - Diccionario da lingua brazilica. Rio de Janeiro ... Nunca vi esta obra. - Mappa demonstrativo do movimento da população da província de Minas desde 1837 até 1847 - Foi offerecido ao Instituto historico em 1855 pelo senador F. Diogo Pereira de Vasconsellos. - Mappa do movimento da população da província de Minas Geraes em face dos arrolamentos de 1821, 1834 e 1838 e dos mappas paro- chiaes de nascimentos, casamentos e obitos desde 1836 até 1847. - Mappa da província de Minas Geraes, ampliado em 1826 do do coronel Barão de Eschwege em 1821 -O original de 4 fls. á aquarella existia na bibliotheca de d. Pedro II, e o archivo militar jpossue delle copia. Luiz 3Iaria Vidal -Natural de Barbacena, província de Minas Geraes, falleceu em Juiz de Fóra, na dita província, em setem- bro de 1882. Antigo estudante descienciasnaturaes, ecclesiasticas e jurí- dicas, e de linguas orientaes, como clle mesmo o declara, foi advogado e depois educador da mocidade, em cujo caracter dirigiu na côrte o collegio de S. Salvador, e ultimamente um collegio na Barra Mansa, cidade da província do Rio de Janeiro, o qual elle fundara cerca de um anno antes de fallecer. Soffrimentos physicos que aqui o assaltaram, o obrigaram a procurar seu restabelecimento em clima da província natal, donde não voltou mais. Foi um homem de vasta erudição e versado em varias linguas, inclusive o hebraico. Escreveu: - Esboço mathesiologico, seguido de um ensaio sobre uma reforma da instrucção publica e de um methodo mnemoptico. Rio de Janeiro, 1872, in-8°-E' offerecido ao Imperador e seguido de um quadro syno- ptico dos conhecimentos humanos. O offerecimento deste livro ê escripto em hebraico, e dizia o autor que, entregando o livro ao Im- 436 LU parador, este abrindo-o logo, como costumava ao receber qualquer obra, leu sem reflectir, traduzindo para o portuguez a dedicatória em hebraico. «Eu não acreditava - dizia elle - que o Imperador fosse tão versado na lingua hebraica. » - Noções de meteorologia ou physica do globo, leitura para o povo. Rio de Janeiro, 1872, in-16° -Foi publicada esta obra com as Folhi- nhas de Eduardo & Henrique Laemmert, deste aano. - índice alphabetico da legislação-servil no proprio texto de suas disposições. Rio de Janeiro, 1875, 233 pags. in-8® - Penso que é o mesmo que se segue. - Repertório da legislação servil no proprio texto do suas dispo- sições com algumas explicações, decisões e questões praticas sobre escravos. Nova edição, accrescentada com a lei n. 3270, de 28 de setembro de 1885, seu regulamento de 14 de novembro do mesmo anno e o especial dos arts. 3o e 4o, de 12 de junho de 1886, convenientemente annotados e com formulários por M. Godofredo de Alencastro Autran. Rio de Janeiro, 1887, in-8° - A primeira edição é de 1883. - Manual do crime para uso do povo, contendo o Codigo cri- minal resumido e simples elementos do processo criminal: obra util aos advogados novos, jurados, autoridades policiaes e aos cidadãos em geral. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° - índice alphabetico da legislação do crime. Rio de Janeiro. - Manual do direito civil para uso do povo, contendo o que todos devem saber a respeito de seus direitos e obrigações : obra util aos advogados novos, fazendeiros e outras pessoas. Rio de Janeiro, 1875, 153 pags. in-8" - Ha segunda edição correcta e augmentada pelo Dr. M. G. de Alencastro Autran, 1888. - Manual do direito commercial para uso do povo, contendo o Co- digo commercial resumido e as leis do processo commercial : obra util aos advogados novos, aos negociantes e a todos os empregados do com- mercio, aos fazendeiros, á gente do mar e aos cidadãos brazileiros em geral. Rio de Janeiro, 1877, in-8.° - Manual do processo crime para uso do povo, contendo o Codigo criminal resumido e simples elementos do processo criminal. Obra util aos advogados novos, aos jurados, ás autoridades policiaes e aos cidadãos em geral. Rio de Janeiro, in-8.° - Manual pratico do guarda nacional, contendo as leis ns. 692, de 19 de setembro de 1850 e 2395, de 10 de setembro de 1873 com todos os regulamentos e avisos expedidos até o presente, esclarecido com muitas notas e disposições relativas á guarda nacional da côrte e seguido de modelos e tabellas para os actos e serviços da guarda LTT 437 nacional e de um indice alphabetico. Rio de Janeiro, 1880, 436 pags. in-8.° - Manual pratico das camaras municipaes : livro indispensável aos vereadores, contendo a lei de 1 de outubro de 1828, as leis e avisos expedidos ate o presente, bem como a legislação peculiar ás províncias de Minas Geraes, do Rio de Janeiro e de S. Paulo, etc., seguido de um formulário para os actos e processos das camaras, com modelos e um indice alphabetico. Rio de Janeiro, 1878, 506 pags. in-8.° - Pontos de philosophia segundo o ultimo programma, extrahidos do compendio de Pelissier. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - Teve segunda edição em 1882. - Pontos de rhetorica e poética segundo o ultimo programma, seguidos de um additamento para completar o estudo destas matérias. Rio de Janeiro, 1881, in-8.° - As catilinarias: orações de Cicero, traduzidas e annotadas com analyses para as classes de latim, de rhetorica e para os oradores per- ante ojury. Rio de Janeiro, 1882, in-8.° - Flexiologia da lingua franceza : novo methodo para traduzir rapidamente esta lingua. Rio de Janeiro, 1876, in-8.° - Dissertação sobre a immortalidade da alma. Leitura para o povo. Rio de Janeiro, 1878, 31 pags. in-16° - Foi publicada na «Fo- lhinha philosophica » de E. e H. Laemmert, para este anno. - O melhor governo ou os estados do Oriente perante os da Eu- ropa : estudo historico-politico seguido de algumas idéas sobre um systema de prosperidade para o Brazil. Rio de Janeiro, in-8° - E' um livro de cerca de 200 paginas. - Lgsandro ou as duas heroinas : scenas da vida familiar de Minas Geraes. Romance brazileiro. Rio de Janeiro, in-8° - E' um livro de cerca de 250 pags. Ainda ha trabalhos de Vidal de que não posso dar noticia completa como - Monarchia e republica - que me consta ter sido publicado em folhinhas de Laemmert. Luiz de Mello de Souza Brandão e Me- nezes - Natural da província, hoje estado de Minas Geraes, e dou- tor em medicina pela faculdade de Paris, verificou seu titulo na facul- dade do Rio de Jrneiro e escreveu : - Considerations sur les proprietés physiologiques et therapeuti- ques du nitrate d'argent : these pour le doctorat en medecine, pre- sentée le 8 janviert, 1856. Paris, 1856, 3 fls. 60 pags. in-4° gr. 438 LU - Contribuição para a historia da Myasis ou bicheiro das fossas na saes : these de suíhciencia apresentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1875, 2 fls. 29 pags. in-4° gr. - Sobre este assumpto escreveu ainda : - Le Myasis ou bicheiro des fosses nasales - Nos Archives de Medecine Navale, tomo 27°, 1877, pags. 314 e seguintes. - Hydrologia das aguas mineraes do Araxá. Rio de Janeiro, 1886, 22 pags. in-8° - Foi antes publicada no Diário Official do Rio de Ja- neiro, n. 343, de 13 de dezembro deste anno. Luiz Mig-uel Quadros - Filho de Luiz Miguel Quadros, nasceu em Catanhede, comarca de Itapicurú-merim, do Maranhão, a 2 de setembro de 1830 e falleceu a 4 de dezembro de 1875, victima de moléstia de que procurou debalde allivio na Europa. Fazendo o curso medico na faculdade da Bahia, veio receber o gráo de doutor na do Rio de Janeiro. Experimentou a carreira do commercio e a do funccio- nalismo publico antes de estudar medicina e depois serviu no corpo de saude da armada e exerceu vários cargos em sua patria. Ainda estu- dante prestou serviços na epidemia de cholera-morbus em 1856, obtendo por isso a condecoração de cavalleiro da ordem da Rosa. Escreveu : - Da germinação : Nevroses em geral; Raiva; Das modificações que a prenhez póde occasionar na intelligencia e no moral da mulher: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1858, in-4° gr. - Relatorio apresentado ao presidente da província do Maranhão pela commissão directora do estabelecimento de aprendizes agrícolas. Maranhão, 1861, 22 pags. in-8° - E' assignado pelo dr. Quadros como presidente e por J. Ricardo JaulTret, Raymundo de Brito G. de Souza e A. Theophilo de Carvalho Leal. - Vade-mecum do povo para o tratamento do cholera-morbus asiatico, ofterecido aos fazendeiros e aos parochos do interior da pro- víncia. S. Luiz, 1862, 25 pags. in-16° com uma tabella dos medicamentos para essa moléstia. - Os estudantes da Bahia : comedia de costumes escolares em 5 actos. Maranhão, 1861, 200 pags. in-8.° - O logro da rapaziada : comedia brazileira em tres actos. Mara- nhão, 1861, 118 pags. in-8" - O dr. Quadros collaborou ou foi um dos redactores do - Prisma: jornal scientiflco e litterario da Faculdade de Medicina da Bahia. Bahia, 1853-1854, in-fol. de duascolumnas-Publicou-se em fo- lhetos semanalmente. Tenho noticia de mais esse trabalho que nunca vi: - Theatro de S. da Costa e Luiz Quadros. Maranhão... LU 439 Luiz Monteiro Caminhoá - Filho de Manoel José Caminhoá e dona Luiza Monteiro Caminhoâ, e irmão de Joaquim Monteiro Caminhoá, já mencionado neste livro, nasceu na Bahia em 1842 e falleceu na côrte a 10 de fevereiro de 1886. Estudou com praça no exercito tres annos na escola central e, não continuando por pro- hibição dos médicos, entrou para o serviço publico de fazenda depois dos concursos exigidos e serviu na alfandega da côrte por espaço de quatro annos. Depois disto, foi, como alferes voluntário, para a cam- panha do Paraguay, foi tenente honorário do exercito, cavalleiro da ordem de Christo, condecorado com a medalha da mesma campanha, e fez tres viagens á Europa. Na primeira bacharelou-se em sciencias e fez o curso de engenharia agrícola na escola de Grignon, obtondo do ministério da agricultura em Paris, por seus estudos, 120 volumes de obras de sua profissão, e ser sua biographia publicada nos Annaes da dita escola ; fez parte da exposição agrícola de Vienna, em 1874, sendo, em sua volta ao Brazil, nomeado directorda escola agrícola de Juiz de Fóra, onde reorganisou o ensino ; creou o museu agrícola e o gabinete de mineralogia e de anatomia comparada, sendo em seguida nomeado lente interino de biologia industrial da escola Polytechnica, logar que exerceu mais de quatro annos. Na segunda viagem dedi- cou-se ao estudo do ensino profissional agrícola com applicação ao Brazil, sendo em sua volta nomeado fiscal dos engenhos centraes, e passando com a suppressão desse logar a inspector de districto. Na terceira deu-se ao estudo dos estabelecimentos penitenciários e agrí- colas da infancia. Era membro da Academia agrícola nacional e ma- nufactureira e da sociedade de Acclimação de Paris, da sociedade de Acclimação do Rio de Janeiro, e da Sociedade auxiliadora da industria nacional. Escreveu : - Motores animados com applicação á agricultura. Rio de Janeiro, 1873, in-8.° - Exposição de Vienna d'Austria em 1873. Da zootomia com applicação ao Brazil. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - E' um relatorio da parte que coube ao autor nesta exposição a convite do Visconde de Porto-Seguro. Pelo ministro da agricultura em Vienna d'Austria, o conselheiro Clumecky, presidente do congresso internacional dos agro- nomos e cultivadores florestaes, fôra o autor convidado a tomar parte no dito congresso, e apresentou um - Relatorio sobre o Brazil, que foi impresso no tomo 3o do Rela- torio geral austríaco da exposição. O offieio, em que se faz este con- vite, foi publicado no periodico Globo de 28 de outubro de 1875. No numero de 20 de outubro de 1877 se acha publicada uma carta do conse- 440 LU lheiro Barão de Hohembruck, conselheiro do ministério da agricultura, agradecendo em nome de] seu governo. - Memória sobre a canna e o fabrico do assucar. - Memória sobre o café, sua preparação e condições cbimicas e physiologicas - Esta memória e a precedente foram escriptas quando o autor leccionava na escola Polytechnica. Nunca as vi e talvez sejam a obra sobre o titulo : - Canna de assucar e cafè-. Relatorio apresentado ao governo im- perial. Rio de Janeiro, 1880, V-129 pags. in-8.° - A influencia da mulher na agricultura. Rio de Janeiro, 1880, 28 pags. in-8° peq. - Relatorio da excursão feita pela fazenda de SanVAnna em Vas- souras, engenho central de Quissamã, em Macahé e fazenda do Quei- mado em Campos, acompanhado de breves apreciações sobre a agricul- tura nas províncias do Rio de Janeiro e S. Paulo. Rio de Janeiro, 1880 - Trata-se ahi do café e da canna de assucar. - Relatorio sobre o ensino profissional agricola na Europa com applicação ao Brazil. Rio de Janeiro, 1883 -Sahiu também publicado no Relatorio do ministério da agricultura de 1883. - Instrucções para a cultura do trigo no Brazil, publicadas por ordem do Sr. conselheiro Affonso Augusto Moreira Penna. Rio de Janeiro, 1883, in-8.° - Terceiro districto de engenhos centraes. Relatorio apresentado ao ministério do commercio, agricultura e obras publicas, Rio de Janeiro 1886, 56 pags. in-fol. - Acha-se annexo ao Relatorio deste ministério, tomo l.° - Relatorio sobre os jardins botânicos. Rio de Janeiro, 1874, in-8° seguido de mappas e planos. - Engenhos centraes-. Relatorio publicado por ordem do Exm. Sr. conselheiro João Ferreira de Moura e apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1885, 115 pags. in-8° -Ha diversos trabalhos do dr. Luiz Caminhoá em periódicos e revistas, como: - Aspargo (asparogus offlcinalis) - na revista - Cultura da quina - Jornal do Commercio do Rio de Janeiro de 5 de janeiro de 1884. Deixou inéditos vários trabalhos, dos quaes citarei os seguintes: - Tratado de zootechnia. - Tratado de agricultura. Uniz de Moura Aceioli de Miranda Ilenri- qties.- Nascido na província do Rio Grande do Norte ou daParahyba, JLU 441 era tenente-coronel, não soi si de linha ou de milicia, quando escreveu : - Itinerário estatístico da nova comarca do sertão de Pernambuco. Reimpresso em Pernambuco na typographia Fidedigna, 1881, 39 pags, in-4.° Luiz Mout iulio <le Lima Ah'es e Sil va - Nas- cido no Rio de Janeiro em 1794, falleceu em Paris a 12 de outubro de 1863, agente diplomático aposentado depois de vinte annos de serviço, sendo sua ultima commissão a de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Roma. Era official da ordem do Cruzeiro, com- mendador da ordem da Rosa e da de Christo ; da ordem portugueza da Torre e Espada e da ordem franceza da Legião de Honra ; grã-cruz da ordem pontifical de S. Gregorio Magno e cavalleiro da de Malta ; do conselho do Imperador ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro e do Instituto de França; da sociedade de Estatística uni- versal, onde estabeleceu o prémio de mil francos para quem escre- vesse a estatística do Brasil, o qual coube depois a mr. Oscar Mac- Carthy ; da sociedade Polytechnica onde foi presidente; da Academia das sciencias de Turim, da Academia Tiberiana, da Arcadia de Roma e de outras associações sabias. Foi um dos nossos diplomatas que mais relevantes serviços prestaram ao Brazil desde o reconhecimento da independencia. Em França, onde seu nome é citado em varias obras e onde varias obras lhe foram dedicadas, os brazileiros ahi residentes lhe offereceram em 1838 uma medalha de ouro em testemunho de gratidão. Foi no Império official da secretaria dos negocios estran- geiros, encarregado da direcção do Diário Official; secretario da guarda civica, creada depois da independencia para oppôr-se à invasão das forças lusitanas, e ao mesmo tempo secretario particular do ministro José Bonifácio. No Tamoyo escreveu em defesa deste ministro e de seu governo e redigiu : - O Papagaio. Rio de Janeiro, 1822, in-fol. - Começou a publi- cação a 4 de maio e, parece-me, não completou um anno. Esta folha pugnou pela emancipação do Brazil. Depois escreveu : - Instrucções dadas pela côrte de Roma a Mons. Girolano Ca- podiperro e Mons. Lipomano : traducção fiel do italiano. Paris, 1829, 108pags. in-8.° Luiz Nicolau Fagundes Varellti - Filho do dr. Emiliano Fagundes Varella e dona Emilia de Andrade Varella, nasceu em Rio Claro, provinda do Rio de Janeiro, a 17 de agosto de LU 442 1841 e fallecou em Nitheroy a 18 de fevereiro de 1875. Tendo por vezes interrompido o curso de preparatórios por acompanhar seu pai a logares diversos, a que o levava a carreira da magistratura, matri- culou-se na faculdade de direito de S. Paulo, onde estudou dous annos e ahi casou-se com uma donzella que apaixonadamente amava e de quem teve um filhinho. Indo concluir o curso de direito em Per- nambuco, passou pelos transes de um naufragio na altura dos Abrolhos e, voltando ao Rio de Janeiro ao cabo de um anno, ao chegar ao lar paterno quasi enlouqueceu de dor, porque a esposa e o filho estre- mecidos já não viviam. Abandonando os estudos de direito, a socie- dade, tudo, passou algum tempo pelos campos, ora embrenhando-se nas florestas, ora vadeando ribeiros ; umas vezes atravessando com risco de vida rios caudalosos, outras vezes caminhando por estradas léguas e léguas sem destino, como tomado de loucura ou de desespero; « mas ainda e sempre poeta,-disse o Dr. Macedo-quando se recolhia á casa, exhalava em tristíssimos versos os gemidos que lhe arran cava a dor, como por exemplo, nos seguintes : « Minha alma é como um deserto, Por onde o romeiro incerto Procura uma sombra em vão ; E' como a ilha maldita Que sobre as ondas palpita Queimada por um vulcão. » Contrahiu, entretanto, segundas núpcias, amou sua nova esposa ; mas nunca mais foi feliz. Foi accusado de ter um genio excêntrico, extravagante ; é bem possível, porém, que se enganassem quantos assim julgavam-no, e que só as dores da alma o fizessem parecer tal. Foi poeta inspirado, genio primoroso, desordenado talvez pelos soffri- mentos, e que nenhuma escola seguiu, mas só a natureza e Deus. Seus derradeiros momentos foram os de um justo : despediu-se das pessoas presentes, beijou a mão de seus pais que junto a elle cho- ravam, osculou a imagem de Christo, a quem consagravti os últimos accordes de sua desditosa lyra, estendeu-se no leito, como quem se prepara para um grande somno, fechou os olhos e exhalou o ultimo sopro de vida. Foi o poeta brazileiro que mais inspirou-se na na- tureza vigorosa e sublime de seu paiz. Foi, talvez, o nosso poeta mais popular e, amante das artes, cultivou a musica e o desenho. Escreveu : - Nocturnas : poesias. S. Paulo, 1861, in-8° - Para obter-se do 'autor a collecção com este titulo foi preciso que um collega o detivesse em sua casa alguns dias, escrevendo o que elle ditava. LU 443 - Vozes da America : poesias. S. Paulo, 1864, in-8° - Abre-se o livro com alguns fragmentos de seu - Mauro, o escravo : poema - Foi escripto em uma viagem que elle fez pela província de S. Paulo, e em grande parte perdido. Os fragmentos, que occupam as pags. 1 a 16 do livro, são dos cantos : A sentença, O supplicio, A vingança, Visão. Só a primeira parte está completa. Fecha-se o volume com outro poema, isto é : - Gualter, o pescador ( a Antonio Manoel dos Reis ) de pags. 145 a 167 -- As Vozes da America tiveram mais duas edições no mesmo anno, 1876, como titulode segunda : uma em S. Paulo, typ. do Correio Paulistano, feita por J. R. de Azevedo Marques de 240 pags. in-8° ; outra no Porto, typ. de Antonio José da Silva Teixeira, de 275 pags. in-8° e com a declaração de « segunda edição correcta e augmentada». E, com eífeito, da pagina 209 a 245 sob o titulo de Poesias inéditas acham-se mais composições novas que são : Invocação - A escrava - Beatriz Henriques - Surpreza - Elegia - Solau - Harmonicordio - Canção lógica - Canto - Armas -Canção - Velha canção- Elegia. - O estandarte auri-verde : cantos sobre a questão anglo-brazi- leira. S. Paulo, in-4.° - Cantos e fantasias. Paris, 1865, 193 pags. in-8° - Este livro é dividido em tres partes: Juvenilias, Livro das Sombras e Melodias do estio. - Cantos meridionaes. S. Paulo, 1865, in-8° - Houve segunda edição, Rio de Janeiro, 1869, 174 pags. in-8.° - Cantos do ermo e da cidade. Paris, 1869, 192 pags. in-8° -São poesias do seu bello tempo de felicidade. - Canto do Calvario. Rio de Janeiro, 186* - E' uma composição já publicada na segunda parte dos « Cantos e fantasias », uma das mais bellas producções de Varella. E' uma composição inspirada pela perda dos entes extremecidos ao voltar de Pernambuco. Ahi diz elle referindo-se ao fllhinho: Como eras lindo 1 Nas rosadas faces Tinhas ainda o tépido vestigio Dos beijos divinaes ; nos olhos langues Brilhava o brando raio que accendera A bênção do Senhor quando o deixaste. Sobre o teu corpo a chusma dos anjinhos, Filhos do Ether e da luz voavam, Riam-se alegres, das caçoilas niveas, Celeste aroma te vertendo ao corpo ! - Anchieta ou o Evangelho nas selvas : poema. Rio de Janeiro, 1875, in-12° -A impressão deste livro foi çoncluida depois da morte do 444 LU autor. E' um poema em 10 cantos, de 337 pags., a que precedem 35 pags. de frontespicio, declaração do editor e de noticias biogra- phicas de Ferreira de Menezes e do Anglo Brasilian Times. Este livro é um thesouro da nossa litteratura. - Cantos religiosos. Rio de Janeiro, 1878, in-8° - E' outra publi- cação posthuma de poesias religiosas de Fagundes Varella e sua irmã dona Ernestina Fagundes Varella. (Veja-se este nome.) - Diário de Lazaro : poemeto. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - E' uma edição de 500 exemplares, precedida do retrato do autor e de um estudo critico pelo dr. Franklin Tavora e feita pela redacção da Revista Brazileira, onde foi antes publicado no tomo 5o, pags. 175 a 194. Ha ainda em revistas alguns trabalhos de Fagundes Varella, como : - Ruinas da Gloria: conto - No Correio Paulistano, 1861. - Esther: conto-Idem. - Inah: conto- Idem. - A terra da promissão: satyra - Foi escripta em S. Paulo quando o autor ahi estudava e creio que foi impressa nessa occasião » delia, porém, transcreve o dr. Peçanha Povoas nove estrophes do 2o capitulo, em seus Annos Académicos, de pags. 227 a 230. A satyra é contra os conegos da sé paulistana. Entre a grande cópia de inéditos de Fagundes Varella foram encontrados: - Fragmentos da vida dos apostolos. - A fundação de Piratininga: drama em verso. - Ponto negro : drama em verso. - O demonio do jogo: drama em verso, tirado dos Contos fan- tásticos de Hoffmann - Fez-se uma reimpressão das obras de Fagundes Varella depois de sua morte, isto é: - Obras completas de L. N. Fagundes Varella, edição organisada, revista e precedida de uma noticia biographica por Visconti Coaracy ede um estudo critico pelo dr. Franklin Tavora. Havre, 1886, tres to- mos: 285, 331 e 328 pags. in-8°- O primeiro volume, depois do estudo por Franklin Tavora e da biographia por V. Coaracy, contém: Vozes da America, Nocturnas, Pendão a uri-verde, Cantos sobre a questão anglo-brazileira, Contos religiosos e avulsos. O segundo: Cantos e fantasias, cantos meridionaes e Cantos do ermo. O terceiro: Anchieta ou o Evangelho nas selvas (poema em 10 cantos) e Diário de Lazaro. Luiz Olympio Telles <ie Menezes - Natural da cidade da Bahia e nascido a 26 de julho de 1825, falleceu no Rio de Janeiro a 16 de março de 1893, capitão reformado da guarda nacional» LU 445 official aposentado da Bibliotheca publica e socio do Instituto geogra- phico e historico daquella cidade. No intento de seguir a carreira militar fez o curso da arma de artilharia ; depois, porém, foi professor de latim e de instrucção primaria. Mudando sua residência, ha poucos annos, para o Rio de Janeiro, aqui exerceu a arte tachigraphica e tra- balhou no senado federal. Foi na Bahia o fundador da associação espirita brazileira e delia presidente honorário e collaborou para revistas e jornaes, como a Epoca Litteraria e o Diário da Bahia, Escreveu: - Philosophia do espiritualista. O espiritismo. Introducção ao estudo da doutrina espiritica, extrahido do livro dos espíritos, publi- cado por Mr. Allan Kardec, traduzido do francez sobre a 13a edição. Bahia, 1866, XI1-117 pags. in-12.° - O espiritismo-, carta dirigida ao Excellentissimo e Reverendís- simo arcebispo da Bahia D. Manoel Joaquim da Silveira, metropolitano e primaz do Brazil. Bahia, 1867, 76 pags. in-8.°- Este escripto foi refutado pelo padre Juliano José de Miranda ( vejase este nome ), e teve segunda edição precedida de um prefacio e esclarecida com algumas notas. Bahia, 1867, XLVI-2-82 pags. in-8.° - O Echo d'alèm mundo-, monitor do espiritismo no Brazil; mani- festações dos espíritos; ensino philosophico religioso sobre o mundo visivel e o invisível; diffusão do estudos feitos na Europa e na America, concernentes á doutrina espirita. Publicado sob a direcção de Luiz Olympio Telles de Menezes. Primeiro anno. Bahia, 1869-1870, 304 pags. in-4.° - Discurso lido na Associação espiritica brazileira na sessão de 12 de dezembro de 1873. Bahia, 1874, 11 pags. in-3.° - Manual de stenographia braziliense, organisado, etc. Rio de Janeiro, 1885, LI1-108-18 pags. in-811 - Abre-se o livro com uma larga introducção em que se mostram as vantagens da stenographia com os dados históricos do movimento progressivo desta arte na Europa e fecha-se com 16 paginas, contendo os caracteres alphabeticos. suas ligações, etc., com os convenientes exercícios. Luix de Oliveira Bneno - Filho do major Bernardo Joaquim Corrêa e dona Maria Josephina Seabra Corrêa, nascido na cidade de Maceió, capital das Alagoas, a 29 de abril de 1853, falleceu a 2 de janeiro de 1890 na freguezia de Mendes, província do Rio de Janeiro, sendo doutor em medicina pela faculdade da capital federal e professor de historia e geographia pela instrucção publica geral. Leccionou gratuitamente geographia na antiga escola normal e geo- LU 446 graphia e chorographia do Brazil na escola industrial da sociedade Auxiliadora da industria nacional. Escreveu: - Da topographia e climatologia da cidade do Rio de Janeiro e de sua influencia sobre a salubridade publica. Qual a influencia que o arrasamento dos morros do Castello e Santo Antonio exercerá sobre as condições hygienicas da mesma cidade. Atmosphera. Dos corpos extra- nhos nas vias digestivas. Diatheses e moléstias diathesicas : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1875, 88 pags. in-4° gr. - A terra. Objecto da geographia, sua historia: these ao con- curso da cadeira de geographia e cosmographia do internato do impe- rial collegio Pedro II. Rio de Janeiro, 1879, 103 pags. in-4.° - A Gazeta Universal: publicação semanal. Rio de Janeiro, 1884, in-fol. de 2 cols.- Esta folha começou a ser publicada em janeiro, occupando-se de politica, chronica, romances, agricultura, commercio, industria, geographia e historia, viagens, etc. e forma dous volumes de 416 pags. Luiz Pauliuo Cabral - Faltam-me noticias sobre este autor, que só conheço por escrever : - Historia da Grécia antiga, abreviada para uso da mocidade e traduzida do inglez. Rio de Janeiro, 1828, 2 volumes in-8.° Luiz Pauliuo Cavalcanti -Si não foi natural de Per- nambuco, ahi vivia até o anno de 1850 pouco mais ou menos e era lente substituto de geographia, philosophia e rhetorica do collegio das artes, curso de preparatórios annexo á faculdade de direito, e escreveu: - Geographia elementar, Pernambuco, 1846, in-8.° Luiz faalino da Costa Lolbo - Bacharel em di- reito e formado, si me não engano, pela universidade de Coimbra, seguiu a carreira da magistratura até o cargo de juiz de direito, em que foi aposentado por soffrimentos physicos no anno de 1853. Era cavalleiro da ordem de Christo e escreveu : - Fascículo poético ou collecção de versos consagrados pela maior parte a S. M. Imperial o Sr. D. Pedro II, Imperador constitucional, etc. e a sua augusta família. Rio de Janeiro, 1856, 51 pags. in-4.° Lniz Paulino cie Oliveira finto da França - Nascido na cidade da Bahia a 30 de junho de 1771 e fallecido a 24 447 de janeiro de 1824 em viagem do Rio de Janeiro para Lisboa, foi o primeiro senhor do morgado de Fonte-Nova, marechal de campo, com- mendador da ordem da Conceição de Villa Viçosa e da de Christo, cavalleiro da de S. Thiago da Torre e Espada, condecorado com a medalha de ouro da guerra peninsular e deputado á constituinte por- tugueza de 1821. Tinha vindo de Lisboa com o oflicio de d. João V para o general lusitano Ignacio Luiz Madeira de Mello, commandante das forças militares na Bahia ; mas jã não encontrou-o no Brazil por se haver retirado com o resto de taes forças e então seguiu para o Rio de Janeiro, doente, e doente embarcou para Portugal. Cultivou a poesia, mas apenas se conhecem as seguintes composições suas : - Sonetos (quatro) - publicados : o 1° escripto em 1808 sobre o tumulo de d. Affonso Henriques no Jornal de Coimbra n. 22 de outu- bro de 1813; o 2o e o 3J glosados ao mote « De Jano as portas por desgraça abertas » e ao mote « Entre os horrores da malvada guerra », no dito jornal n. 41 ; parte 2a ; o ultimo, escripto duas horas antes de expirar, no Parnaso Brazileiro de Pereira da Silva, tomo 2°, pag. 179. Todos estes sonetes acham-se reproduzidos n'outras col- lecções. - O naufragio-. poesia - no citado livro, pags. 176 e 177. - Commodidades que o marechal de campo graduado, etc. oflerece de uma feira nas terras de seu engenho, denominado Aramaris e a que se refere o decreto de 9 de agosto de 1819. Rio de Janeiro, 1819, 6 pags. in-fol. I^uíz; Pedreira tio Couto Ferraz, - Visconde de Bom Retiro - Filho do desembargador Luiz Pedreira do Couto Ferraz e dona Guilhermina Amalia Corrêa Pedreira, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 7 de maio de 1818 e falleceu a 12 de agosto de 1886, sendo gentil-homem da imperial camara, doutor em direito pela fa- culdade de S. Paulo, professor jubilado da mesma faculdade, desem- bargador honorário, senador pela provincia do Rio de Janeiro, do con- selho do Imperador, conselheiro de estado, commissario do governo imperial junto ao Instituto des meninos cegos, presidente do Instituto historico e geographico brazileiro, e do Instituto fluminense de agri- cultura, vice-presidente da associação Protectora da infancia des- valida, membro de varias associações nacionaes e estrangeiras, ofíicial da ordem da Rosa e da do Cruzeiro, grã-cruz da ordem de Christo do Brazil e da de Portugal, grã-cruz da ordem portugueza de Nossa Senhora da Conceição de Villa-Viçosa, da ordem franceza da Legião de Honra, da ordem austríaca de Leopoldo, da ordem italiana de São LU 448 Maurício e S. Lazaro e da ordem dinamarqueza do Danebrog. Aos treze annos, prompto de todos os preparatórios para o curso jurídico, não podendo matricular-se nesse curso por lhe faltara idade legal, estudou varias matérias que não eram exigidas, e apenas doutorado, foi nomeado, na idade de 21 annos e depois do respectivo concurso, lente substituto da faculdade, apresentando-se a esse concurso por convite de vários mestres. Eleito deputado á assembléa da província do Rio de Janeiro em 1845, foi nesse anno presidir a do Espirito Santo, que o elegeu seu representante na sétima e oitava legislaturas. Pas- sou em 1848 a presidir aqueila província, que o elegeu seu repre- sentante da nona e decima primeira legislaturas e depois senador do Império. Fez parte do gabinete de 6 de setembro de 1853, occupando a pasta do império até 1856. Exerceu ainda outros cargos, como o de inspector geral da caixa de amortisação, em que se aposentou em 1877 ; acompanhou suas magestades imperiaes ao norte do Império em 1858 e á Europa em 1871 como veador da Imperatriz, e aos Estados Unidos em 1876 como camarista do Imperador. Foi elle quem assignou o con- tracto da primeira, via ferrea que se construiu no Brazil e celebrou depois os contractos das estradas de ferro da Bahia, de Pernambuco e de S. Paulo e nos cargos de administração prestou serviços ao paiz que o collocam entre os primeiros benemeritos da patria. O Im- perador, que lhe era sinceramente affeiçoado, foi vísital-o no seu leito de agonia, demorando junto a elle quatro horas, e ao retirar-se disse com lagrimas : « é a consciência mais pura que tenho co- nhecido. » Delle só conheço, além de vários relatórios, os seguintes trabalhos : - Relatorio apresentado á assembléa geral legislativa na segunda sessão da nona legislatura pelo ministro e secretario de estado dos negocios do império, etc. Rio de Janeiro, 1854, in-folio. - Relatorio apresentado ao ministro e secretario de estado dos negocios do Império pelo encarregado pelo governo imperial de inspec- cionar as colonias da província de Santa Catharina. Rio de Janeiro, 1859, in-folio. - O Império do Brazil na Exposição de 1867 em Paris. Rio de Janeiro, 1867, in-8° - Precede ao catalogo dos objectos enviados para essa exposição uma noticia sobre o Brazil, acompanhada da nova carta chorographica do império do Brazil, reduzida pelo bacharel P. T. Xavier de Brito. Esta obra foi traduzida e publicada em inglez, em allemão e em francez, sendo a traducção feita por sua alteza o Conde d'Eu, e consta que o Imperador collaborou também, ao menos na revisão da obra. 1LU 449 - O império do Brazil na Exposição universal de Vienna d'Áus- tria em 1874. Rio de Janeiro, 1874, in-8.° - Relatorio sobre a pretendida enxertia da canna de assucar, apresentado por uma commissão nomeada pelo imperial Instituto fluminense de agricultura. Rio de Janeiro, 1876, 25 pags. in-4° - E' escripto com o dr. Nicolão Joaquim Moreira e dr. Carlos Glals, em commissão do imperial Instituto de agricultura. - Discussão do voto de graças : discurso que pronunciou no se- nado na sessão de 2 de agosto de 1869. Rio de Janeiro, 1869, 65 pags. in-8° - Teve nova em 1881, 75 pags. in-8.° - Reforma eleitoral: Discurso pronunciado no senado na sessão de 22 de outubro de 1880. Rio de Janeiro, 1880, in-8.° Luiz Pedro Drago - Filho do brigadeiro Manoel Pedro Drago, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 31 de agosto de 1844. Bacharel em mathematica e sciencias physicas, é professor de ma- thematica elementar do antigo collegio Pedro II, hoje Gymnasio nacional, professor de geometria, trigonometria e contabilidade do Instituto commercial, e cavalleiro da ordem da Rosa. Escreveu : - Apostillas de algebra. Rio de Janeiro, VI-207 pags. in-4° - Comprehende este livro os princípios e theorias da algebra elementar e a resolução completa das equações do primeiro grào com applicação, na segunda parte, ás theorias de proporções, progressões e logarithmos. Luiz I*eixoto de Lacerda Werneck-Filho do Barão de Paty do Alferes e da Baroneza do mesmo titulo, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck e dona Maria Isabel de Avelar Werneck, nasceu na província do Rio de Janeiro em 1824 e falleceu em Locarno, cidade da Suissa,a 22 de julho de 1885. Fazendo na Europa sua educação litteraria, obteve o gráo de bacharel em direito na faculdade de Paris e o de doutor em direito civil e canonico na universidade de Roma. Foi deputado em tres legislaturas á assembléa de sua província e foi ainda á Europa, fazendo parte do corpo consular brazileiro. Era membro do Instituto da ordem dos advogados, da Sociedade estatística do Brazil e de outras, official da ordem da Rosa e commendador da de Christo: Escreveu: - Breves considerações sobre a posição actual da lavoura do café - Foram publicadas no Jornal do Commercio, 1854, n. 278 e outros, e também em opusculo. Nesta folha publicou outros trabalhos, de que foram feitas edições especiaes, como os dous seguintes: - Idéas de colonisação, precedidas de uma succinta exposição dos princípios que regem a população. Rio de Janeiro, 1855, 202 pags. in-8." 450 IAJ - Estudos sobre o credito rural e hypothecario, seguidos de leis, estatutos e outros documentos. Rio de Janeiro, 1857, 306 pags. in-8° - Este livro conclue-se com varias formulas ou modelos de lettras, bilhetes de credito, etc. Além da segunda edição, que já mencionei, de um trabalho de seu pai, que annotou e ampliou, publicou mais uma edição, isto é: - Memória sobre a fundação e custeio de uma fazenda na pro- víncia do Rio de Janeiro, pelo Barão de Paty do Alferes, annotada pelo dr. Luiz Peixoto de Lacerda Werneck. 3a edição seguida de um impor- tante appendice com tratados especiaes sobre a cultura e plantação dos primeiros generos. Rio de Janeiro, 1878, 388 pags. in-8.° - Le Brèsil. Dangers de sa situation politique et economique; moyens de les conjurer: lettre a son fils. Ouvrage posthume, revue par F. P. de Lacerda Werneck. Rio de Janeiro, 1889, in-8.° luixiz Pereira Barreto - Filho do commendador Fa- biano Pereira Barreto, nasceu em Rezende, Rio de Janeiro, a 11 de ja- neiro de 1840 e é doutor em sciencias naturaes e em medicina pela universidade de Bruxellas. A penas com 15 annos de idade foi elle para essa cidade, onde concluiu os estudos de humanidades, que havia ence- tado no Brazil. Quando estudava medicina, não lhe satisfazendo as expli- cações que se davam para certos phenomenos physiologicos, suspendeu esse curso, já na aula de pathologia interna, para fazer o de sciencias naturaes e depois concluir. Applicou-se muito aos estudos philosophicos e particularmente á philosophia positiva. E' membro da sociedade pas- toril e agricola de S. Paulo e de outras e escreveu, além de theses para o doutorado: - Theoria dás gastralgias e das nevroses em geral: these de suf- ficiencia apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1865, 4 fls. 70 pags. in-4° gr.- Ahi sustenta o autor a classificação positiva das funcções do cerebro. - As tres philosophias. Iaparte. Philosophia theologica. Jacarehy, 1874, in-4.° - As tres philosophias. 2a parte. Philosophia metaphysica. Jaca- rehy, 1876, XV-313 pags. in-4.° - As tres philosophias. 3a parte. Positivismo - Não pude ver este livro. Sei, porém, que é um livro de propaganda. - Guia mediei ou resumo de indicações praticas para servir aos senhores fazendeiros na falta de profissionaes, offerecido aos leitores do Almanak litterario de S. Paulo (de J. M. Lisboa) para 1879,4° anno. São Paulo, 1878, 48 pags. in-8° - Publicado no mesmo Almanak, anno 4°. 451 - Estudo sobre as aguas thermaes de Caídas, na província de Minas Geraes. Ouro Preto, 1878, in-8.° - A horticultura e sua influencia no caracter dos povos - Na Re- vista de Horticultura, numeros de maio e junho de 1878. - Soluções positivas de política brazileira. Ia serie, S. Paulo, 1880, 101 pags. in-8.° - Positivismo e theologia. Uma polemica. S. Paulo, 1880, 125 pags. in-8°- Deu motivo a esta polemica um trabalho do distincto e illustrado sacerdote americano G. N. Morton quando foi publicado o primeiro volume da Bibliotheca util « Do espirito positivo por Augusto Comte >. Estão ahi reunidos todos os trabalhos então publicados, isto é, quatro do padre Morton, tres de Pereira Barreto refutando-os, tres do dr. França Leite, dous de Américo de Campos e um de José Leão. - Os abolicionistas e a situação do paiz : serie de artigos - Na Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1880. - A cirurgia anti-septica na campanha do Egypto - Na Provinda de S. Paulo, 1882-1883. - La, viticulture a Saint Paul (Brésil). Lettre rapport á Mr. V. Pulliat, professeur à 1'lnstitut national agronomique de France. S. Paulo, 1888, in-8° - Ha ainda deste autor escriptos, entre os quaes uma polemica com o senador José Bonifácio sobre philosophia positiva. Finalmente redigiu: - Revista agrícola: orgão da sociedade pastoril e agrícola. São Paulo, 1895 - Com os drs. Domingos N. Jaguaribe e Carlos Botelho. Luiz Pereira Gonçalves de Araújo - Presby. tero secular, monsenhor e doutor em theologia, escreveu: - Discurso proferido por occasião da morte do tenente-coronel Lourenço Xavier da Veiga nas solemnes exequias, celebradas a 14 de dezembro de 1873 - No livro « A' memória de Lourenço Xavier da Veiga : Tributo de saudade ». Rio de Janeiro, 1869, in-8.° - A' memória de José Romão Nogueira: homenagem de admiração e respeito. Rio de Janeiro, 1870, 29 pags. in-4.° Luiz Pereira da, INolbre^a de Souza Cou- tinlio - Nascido em Angra dos Reis, província do Rio de Janeiro falleceu a 21 de dezembro de 1826. Tenente-general do exercito, foi ministro da guerra no primeiro gabinete brazileiro, de 27 de junho a 28 de outubro de 1822 ; pertenceu ao club patriótico de José Joaquim da Rocha, Gonçalves Ledo e padre Januario ; cooperou com ardor e dedicação pessoal para a declaração do príncipe regente D. Pedro de 452 LU ficar no Brazil com opposição âs ordens do governo portuguez, sendo por isso até insultado pela divisão auxiliadora, commandada pelo ge- neral Avilez ; empregou os mais energicos esforços para preparar resistência ãquella divisão, reunindo no Campo de< Sant'Anna os soldados do paiz, os pxtriotas e outros elementos de defesa nas noites de 11 e 12 de janeiro ; foi, em summa, « um benemerito da indepen- dencia, uma notabilidade política e patriótica », e, portanto, não podia esquivar-se ás perseguições de José Bonifácio, quando voltou ao poder a 30 de outubro, sendo comprehendido na devassa pela fantasiada conspiração, e foi com outros benemeritos da independencia deportado para França como conspirador 1 O Rio de Janeiro, porém, lhe fez justiça elegendo-o deputado á primeira legislatura, e a camara elo' gendo-o seu presidente. Escreveu : - Edital (do ministro da guerra, de 5 de outubro de 1822, para que se reúnam ao batalhão de granadeiros, como volun- tários, os offlciaes inferiores e soldados da segunda linha, que foram á expedição de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1822), 1 folha in-folio. - Declaração feita a todos os brazileiros e mais cidadãos para conhecerem o doloso e falso systema do governo do Rio de Janeiro, pelo brazileiro, etc. Bahia, 1823, in-4° - No fim lê-se « N. B. Es- crípta na fortaleza de Santa Cruz e confiada a um amigo para se imprimir, onde houver liberdade de imprensa, a 16 de dezembro de 1822 ». Luiz Pereira Sodré - Natural da antiga província da Bahia, falleceu no Rio de Janeiro a 26 de abril de 1885. Tendo servido no exercito desde a campanha da independencia, e reformando-se no posto de tenente, entrou para a secretaria dos negocios estrangeiros, e foi encarregado dos negocios do Brazil em Vienna d'Austria e nos Estados Unidos da America do Norte. Era condecorado com a medalha daquella campanha, cavalleiro da ordem de Christo e commendador da ordem de Carlos III da Hespanha. Escreveu : - Direito internacional - E' uma obra inédita, relativa aos tra- tados do Brazil com os paizes estrangeiros, que se acha em poder de seu filho Pedro de Castro Pereira Sodré (veja-se este nome) que pretende dal-a ã publicidade. Luiz Perrot-Nascido na Allemanha em 1845, mas cidadão brazileiro, falleceu a 16 de dezembro de 1893. Com praça no exercito em 1867, foi promovido a alferes de infantaria em 1877 e a tenente em LU 453 1890, como consta do Almanak militar de 1894, ultimo em que se acha seu nome. Escreveu : - Roteiro e noticia da expedição allemã em 1887 ás cabeceiras do Xingú. Cuyabá, 1888, 24 pags. in-4° gr.- O autor havia acompanhado essa expedição com quatro praças por ordem do governo de Matto Grosso. - Subsídios para a historia dos regimentos de infantaria e caça- dores do exercito portuguez. Cuyabá, 1888, 24 pags. in-4.° Luiz Pientznauer - Filho de Firmo Antonio Pientz- nauer, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 15 de maio de 1830 e falleceu a 23 de setembro de 1880, victima de fatal desvio da razão, occasionado por desgostos particulares e que levou-o a cortar por suas próprias mãos o fio da existência. Doutor em medicina pela faculdade desta cidade, tendo sido antes interno do hospital da Misericórdia, demonstrou uma grande applicação aos estudos médicos, apresentan- do-se a quatro concursos, no primeiro dos quaes obteve a nomeação de lente substituto da secção cirúrgica, e nos outros propondo-se a lente cathedratico nesta e na secção medica. Fez toda a campanha do Paraguay, servindo como voluntário na esquadra em operações, e era lente de anatomia descriptiva, primeiro cirurgião honorário do corpo de saude da armada, membro honorário da imperial Academia de me- dicina e do Atheneu medico-academico, membro do Instituto phar- maceutico do Rio de Janeiro, venerável da loja maçónica Philanthropia e Ordem, offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro da ordem hespanhola de Carlos 111, condecorado com a medalha commemorativa da citada campanha, e escreveu: - Os alimentos, que se denominam plásticos, serão unicamente os que teem por base em sua composição a proteina ? Servirão também como alimentos respiratórios os plásticos ou proteicos ? Moléstias que reclamam a amputação do maxillar inferior, etc. Qual é a importância dos caracteres fornecidos pelo ovário e pelo fructo da mesma planta ? Por que alteração pôde passar o ovário até chegar a ser fructo per- feito ? These apresentada, etc., e sustentada em 3 de dezembro de 1852. Rio de Janeiro, 1852, 58 pags. in-4.° - Do fórceps : these apresentada, etc., para o concurso a um logar de oppositor da secção de sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1866,in-4.° - Diagnostico differencial das moléstias cardiacas: these apresen- tada para o concurso á cadeira de clinica interna. Rio de Janeiro, 1866, 52 pags. in-4° gr. 454 LU - Fracturas complicadas: these apresentada, etc., para o concurso á cadeira de clinica cirúrgica. Rio de Janeiro, 1871, 67 pags. in-4.° - Convulsões puerperaes: these apresentada, etc., para o concurso á cadeira de partos. Rio de Janeiro, 1872, 31 pags. in-4° gr. - Memória sobre a applicação do oleo de croton tiglio, das pre- parações opiadas e do vinho na dysenteria - Sahiu nos Annaes Brasi- lienses de Medicina, 1858-1859, pags. 3 e seguintes - O Dr. Pientz- nauer coordenou e deu á publicidade em dous volumes os sermões de monsenhor Joaquim da Soledade Pereira (veja-se este autor), e publi- cou no seu ultimo anno do curso medico uma - Historia sagrada, para uso das escolas, traduzida do francez. Rio de Janeiro, 1852-Este livro foi approvado pelo bispo Conde de Irajá e pelo conselho da instrucção publica da província do Rio de Janeiro. Luiz o Pereira- de Ajndrade - Natural de Minas Geraes, sei apenas que é joven e que estreou na carreira das lettras, escrevendo: - Impressões: versos e fantasias. Juiz de Fóra, 1895 - Em um prefacio por Silva Tavares lê-se : « Seus ensaios de escriptor novel são porventura insubsistentes, carecerão de originalidade, terão defeitos inherentes ao primeiro introito no âmbito sagrado, no templo em que officiamos. » Luiz I?istariiii - Filho do cantor italiano e professor de piano, Pistarini, nasceu a 25 de junho de 1877 na cidade de Rezende, Rio de Janeiro, e ahi muito criança viu-se orphão de pai, em luta com a adversidade. Unicamente, pois, devido a seus esforços, e a seu talento occupa uma posição lisonjeira entre os litteratos e poetas da nova geração. Casando-se com uma joven que lhe tornava risonha a vida, ainda a fatalidade o feriu roubando-a. Escreveu : - Bandolim: poesias. Rio de Janeiro...- São suas poesias dos treze aos desoito annos: - De luto: poesias consagradas á memória de sua esposa. Rio de Janeiro, 1898, in-8° - Redige actualmente a - Folha da Apparecida. Apparecida do Norte, S. Paulo, 1898 - Esta publicação está no 8o anno. Luiz de Oliveira. - Filho do senador Cindido Baptista de Oliveira, o nascido na cidade do Rio de Janeiro, fez o curso e formou-se cm mathematica. Foi empregado na secretariados estran- geins, hoje do exterior, director geral dos correios, moço fidalgo LU 455 com exercicio na casa imperial, cavalleiro da ordem franceza da Legião de honra, e commendador das ordens italiana da Corôa, hespanhola de Carlos III, belga de Leopoldo, e prussiana da Corôa. Escreveu : - Relatorio sobre a organisação dos correios da Inglaterra e da França. Rio de Janeiro, 1862, 36 pags. in-8°-Este trabalho valeu-lhe sua nomeação para o correio geral. - Instrucção para execução do regulamento approvado por decreto n. 3443, de 12 de abril de 1865 - No livro « Reforma postal». Regula- mento para o serviço dos correios do Império, approvado pelo decreto n. 3443, etc. Rio de Janeiro, 1866, de pags. 22 a 44, seguida de varias tabellas e modelos. Luiz Prates d.e Almeida Albuquerque - Natural de Pernambuco ou da Parahyba, falleceu, victima de cobarde assassino, em Gôa a 15 de julho de 1822. Foi dotado de instrucção e também cultor das musas. Secretario da real academia militar, esteve algum tempo preso na fortaleza da Lage pelo crime, segundo li, de ser maçon, sendo sua prisão realizada alta noite pelo tenente-coronel Gor- dilho, que para isso cercou-lhe a casa de sua residência á rua de S. Pedro, perto do campo de Sant'Anna, hoje praça da Republica. Su- jeito a interrogatórios feitos pelo juiz da inconfidência, foi ameaçado de degredo para Gôa. Posto em liberdade, passou para Pernambuco, onde comprometteu-se na revolução de 1817 e foi, por isso, deportado em 1819 para aquella provincia portugueza, onde redigiu : - Gazeta de Gôa. Nova Gôa. 1821-1822 - Escreveu : - Sentenças que no juizo da ouvidoria geral do reino de Angola se proferiram pelo Dr. Felix Correia de Araújo, magistrado do mesmo reino, sobre a restauração da galera Minerva, reprezada por nove es- cravos pretos de sua tripulação no anno de 1799 e confirmadas no Su- premo Tribunal do Conselho de Justiça do almirantado de Portugal. Dadas á luz por Luiz Prates. Lisboa, 1807, in-8.° - Discurso fnndamental sobre a população. Economia politica moderna por Herzenschwand. Traduzido em vulgar. Rio de Janeiro, 1814, XXI-279 pags. in-4° - Precede o livro uma dedicatória a Anto- nio de Araújo de Azevedo, depois Conde da Barca. - Poesias ao Illm. e Exm. Sr. José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque. Rio de Janeiro, 1816, 13 pags. in-4°. - Miocordia feita muito às pressas pelo redactor da Gazeta de Gôa e sem ajuda de amigos. Obra unica pela sua extravagancia e da. quellas que barbarisam o engenho e enchem o entendimento de cisco, como diz Barros. Nova Gôa, 1822, 6 pags. in-4.° LU 456 Luiz d.o Queiroz Mattoso Maia - Filho de José da Silva Maia Ferreira e dona Angela Mattoso de Andrade Maia e nascido no Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, é professor de geographia do Brasil e chorographia do antigo collegio Pedro II, hoje gymnasio nacional. Prestou serviços na cam- panha contra o governo do Paraguay e escreveu: - Determinar as condições favoráveis em que se poderá esperar a cura da tysica tuberculosa e os meios mais efflcazes para conseguil-a ; Aneurismas artero-venosos; Electricidade animal; Febre amarella : these, etc. e sustentada a 24 de novembro de 1859. Rio de Janeiro, 1859, 52 pags. in-4° gr. - Progressos do Brazil no século 18°, até a chegada da familia real: these de concurso â cadeira de lente de historia e geographia do Brasil no collegio de Pedro II. - Lições de historia do Brasil, proferidas no Internato do imperial collegio Pedro II. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - Este livro teve segunda edição em 1886 e quarta em 1895 com 390 pags. in-4.° - Lições de historia universal, Ia parte : Historia antiga. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Conferencia sobre o meio circulante, o papel-moeda e sua in- fluencia sobre o cambio, feita na Associação Commercial. Rio de Janeiro, 1897. Luiz Ramos Figueira - Filho de Custodio Ramos Figueira, nasceu em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, pelo anno de 1843 e falleceu em Guarakissava, villa do Paraná, a 27 de setembro de 1894. Bacharel em lettras pelo collegio Pedro II e bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, foi promotor publico na comarca de Paranaguá e deputado provincial no Rio de Janeiro e no Paraná. Foi o fundador e redigiu a - Imprensa Académica: jornal commercial, agricola, noticioso e litterario dos estudantes de S. Paulo. S. Paulo, 1864-1865, in-4° gr.- Deixou a redacção com sua formatura ; mas a publicação continuou até 1870. - Dálmo ou os mysterios da noite: romance. S. Paulo, 1863, in-8°- Era o autor estudante do 3o anno de direito. - Amores de um voluntário: romance da actualidade, dedicado a José de Alencar. Rio de Janeiro, 1868, VI1I-167 pags. in-8.° Luiz Raphael Soyé - Nascido em Madrid a 15 de abril de 1760, falleceu cidadão brasileiro no Rio de Janeiro alguns dias LU 457 antes de 12 de novembro de 1831, data em que foi encontrado morto e já em principio de decomposição, em seu proprio leito, onde soffria de uma paralysia, e talvez finasse sob o duplo martyrio da doença e da fome por havel-o ahi abandonado a unica pessoa, com quem morava, um escravo. Fez sua educação em Portugal, para onde foi muito criança com seus pais, que pouco tempo depois falleceram. Entrou para a ordem serapbica dos franciscanos, professando em 1777, e cursou as aulas de theologia na universidade de Coimbra, onde recebeu o gráo de doutor, obtendo depois, da Santa Sé, breve de secularisação. Foi á França commissionado pelo governo para a acquisição de bons livros para a bibliotheca publica de Lisboa, recentemente organisada e, desempenhada a commissão, residiu alguns annos em Paris. Algumas poesias, que oífereceu a Napoleão e foram publicadas, o afastaram de Portugal e então, procurando o Brasil, encontrou no Rio de Janeiro a amizade de alguns homens importantes e obteve o logar de secretario da Academia de bellas-artes. Conhecia a musica, o desenho e a gravura ; cultivava a poesia, e escreveu: - Sonho : poema erotico que ás beneficas mãos de nosso augusto e amabilíssimo príncipe do Brazil offerece, etc. Lisboa, 1786, LXXXVIII- 125 pags. in-8°, com vinhetas e com o retrato do príncipe d. José - Consta o poema de seis cantos em oitava rythma. Hoje quasi esquecido, disse Innocencio da Silva, é ainda recommendavel no juizo de alguns críticos pela boa linguagem e versificação, pela viveza das pinturas e pela graciosa singeleza de seus quadros pastoris. - Dithyramhos ou poesias bacchicas de Myrtillo. Tomo I. Das rimas. Lisboa 1787, 224 pags. in-8.° - Cartas pastoris de Myrtillo, escriptas à sua Lyra na ausência da pastora Anarda. Tomos I e II. Lisboa, 1787-1791, 225 e 267 pags. in-8°. São cartas em versos octosyllabos. O Io tomo contém 39, o 2o 49 cartas. - Epicedio nas sentidissimas e lamentáveis mortes de SS. AA. RR. os sereníssimos senhores d. José, príncipe do Brasil e d. Marianna Victoria, infanta de Portugal, por um coração dos mais magoados. Lisboa, 1788, 7 pags. in-8° - E' em quartetos hendecasyllabos. - Noites Josephinas de Myrtillo sobre a infausta morte do sere- níssimo sr. D. José, príncipe do Brazil. Lisboa, 1790, 248 pags. in-8°- com os retratos do príncipe e do autor no frontespicio, gravados a buril e mais 14 estampas - E' um poema em doze cantos ou noites, cada um com uma vinheta correspondente ao assumpto e em verso hendecasyllabo. Foi o primeiro poema no seu genero que imprimiu-se em Portugal e por isso excitou os zoilos, e o citado bibliographo diz que, comquanto esteja « mui longe de poder julgar-se perfeito, não 458 LU parece tão máo, como se esforçaram em fazer crer alguns emulos. Um desses, Manoel Rodrigues Maia, levou o desejo de ridicularisal-o ao ponto de com pôr um poema heroi-comico... com o titulo Josephinadas, cujo assumpto é a publicação das Noites Josephinas tratada comica- mente e revestida de episodios satyricos, sem comtudo transcender os limites de uma critica litteraria ». - Versos de Myrtillo, consagrados ao felicíssimo natalício da Sere- níssima sra. D. Carlota Joaquina, princeza do Brasil. Lisboa, 1791, 18 pags. in-8.° - Ode cantad t no feliz natalício da augusta magestade Carolina d'Áustria, rainha das Duas Sicílias. Nápoles, 1792, 20 pags. in-4° com retrato - Depois do original portuguez acha-se a traducção italiana por Gregorio Mattei. - A Atolanta: serenata para cantar-se no feliz natalício da senhora d. Carlota Joaquina, princeza do Brasil. Lisboa, 1794, 37 pags. in-8.° - Hyppolito-serenata para cantar-se no feliz natalício do sere- níssimo D. João, principe do Brasil. Lisboa, 1796, 36 pags. in-8n. - O tempo do Destino; predicção de Myrtillo ao felicíssimo dia natalício do sereníssimo sr. d. João, prmcipe do Brasil. Lisboa, 1791, 21 pags. in-8.° - Beneficencia de Jove: drama píscatorio-bacchico, offerecido á sereníssima sra. d. Carlota Joaquina, princeza do Brasil. Lisboa, 1792, 16 pags. in-8.° - Os lavradores; drama campestre para musica, offerecido ao sereníssimo sr. d. João, principe do Brasil. Lisboa, 1792, in-8.° - Napoleão, o grande, Imperador dos francezes, rei da Italia, etc.: ode pindarica. Paris, 1808, 63 pags. in-8' - Contém também este livro a traducção em versos francezes por Simon de Troyes. - Oitavas offerecidas ao 111 m. e Exm. Sr. D. Pedro de Souza e Holstein, Conde de Palmella, etc. Paris, 1815, 16 pags. in-8°-São 39 oitavas com as quaes pede a protecção do conde para voltar a Portugal. - Manual de deputados ou advertência aos senhores deputados às cortes de Lisboa, dedicado ao sereníssimo sr. d. Pedro de Alcantara, principe regente do Brasil, etc. Rio de Janeiro, 1822, 164 pags. in-4° - E' também em verso e a esta publicação precedeu o - Annuncio do Manual de deputados, etc. Rio de Janeiro, 1821, 7 pags. in-4.° - Discurso para ser lido na augusta presença de sua magestade o sr. D. Pedro I a 5 de novembro de 1826, na abertura da Academia e escola de bellas-artes. Rio de Janeiro, 1826, 15 pags. in-8° -Consta LU 459 que deixara varias obras inéditas, originaes e traduzidas, sendo certo que Soyé escreveu outros trabalhos desde sua mocidade, aos quaes não deu publicidade e que foram, sem duvida, perdidos. Não dou, por isso, noticia delles. Luiz Raphael "Vieira Souto - Filho de Luiz Ho- norio Vieira Souto, nasceu no Rio de Janeiro a 21 de agosto de 1849. Bacharel em mathematicas e engenheiro civil pela escola polytechnica, é ahi lente cathedratico do curso de engenharia civil e do de minas, depois de haver leccionado interinamente sciencias physicas e mathe- maticas e o curso de machinas, sendo ao mesmo tempo substituto da de economia política. E' commendador da ordem de Christo de Portugal, membro da sociedade de Legislação comparada de Pariz, do Instituto polytechnico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria na- cional, da sociedade de Geographia do Rio de Janeiro, fundador do Club militar litterario, fundado nesta cidade a 28 de fevereiro de 1867 e membro de outras associações de lettras. Illustração solida, tem collaborado na secção scientiflca do Jornal do Commercio e do antigo periodico O Globo, e escreveu: - 0 melhoramento da cidade do Rio de Janeiro. Critica dos tra- balhos da respectiva commissão: collecção de artigos publicados no Jornal do Commercio de 23 de fevereiro a 15 de abril de 1875. Rio de Janeiro, 1875, 130 pags. in-4.° - O melhoramento da cidade do Rio de Janeiro. Refutação da re- sposta á critica aos trabalhos da respectiva commissão: segunda serie, contendo os artigos publicados no Jornal do Commercio de 4 de outubro de 1875 a 2 de janeiro de 1876. Rio de Janeiro, 1876, 174 pags. in-4°- Veja-se Francisco Pereira Passos. - Aguas potáveis e encanamentos de chumbo. Refutação de uma parte da obra publicada pelo Dr. João Baptista dos Santos sob o titulo Aguas potáveis. Contribuição á hygiene do Rio de Janeiro. Rio de Ja- neiro, 1877, 115 pags. in-4° - E' uma serie de escriptos, também pu- blicados no Jornal do Commercio. - Dissertação: Estatísticas moraes e applicação do calculo das pro- babilidades a este ramo da estatística. Proposições: Caixas Económicas ; Leis estatísticas; Organisação dos corpos de engenharia civil: these para o concurso a uma cadeira de economia política, estatística e direito administrativo da Escola Polytechnica. Rio de Janeiro, 1880, in-4° gr. - Organisação da hygiene administrativa. Estudos de direito administrativo e legislação comparada. Publicação feita por ordem do governo imperial. Rio de Janeiro, 1881, XIII - 163 pags. in-4.° LTT 460 - Hygiene da habitação. Casas para operários: projecto apresen- tado ao governo imperial - Na Revista dos Consfructores, anno Io, 1886, pags. 69 e seguintes. - Caimas económicas escolares, 46 pags. in-fol.- No livro «Actas e pareceres da Exposição pedagógica do Rio de Janeiro », 1884. - Parecer sobre a consulta que me foi dirigida sobre architectura - Na Revista do Instituto Polytechnico, anno 22°, tomo 16°, pags. 157 a 251. Luiz Raymumlo da Silva Brito - Filho de Ray- mundo da Silva Brito e dona Amalia da Silva Brito, nasceu a 24 de agosto de 1840 na villa de S. Bento, do Maranhão. Ordenado presby- tero, ahi parochiou duas freguezias ; foi reitor e lente de latim do semi- nário de N. S. das Mercês e lente de direito canonico no de Santo An- tonio. Vindo para o Rio de Janeiro, foi vigário em Nitheroy, vigário geral do bispado, professor de religião da escola normal, vice-reitor do collegio Pedro II, hoje gymnasio nacional, e reitor do externato, cargo, em que foi aposentado. E' monsenhor protonotario apostolico e actual- mente o orador sagrado que mais se faz ouvir na capital federal. Nunca vi, porém, publicado trabalho algum seu, sinão as - Lições de religião explicadas na Escola Normal da Côrte. Rio de Janeiro, 1887, 245 pags. in-4.° Luiz Ribeiro dos Guimarães Peixot o - Nas- cido no Rio de Janeiro a 13 de maio de 1819, falleceu a 22 de novembro de 1859. Formado em bellas-lettra? pela universidade de Paris, estudou o primeiro e o segundo annos da antiga escola militar cora praça do exercito desde 20 de dezembro de 1840 e serviu na arma de infantaria até o posto de capitão. Era fidalgo cavalleiro da casa imperial, commen- dador da ordem de Christo e cavalleiro da ordem da Rosa e escreveu : - Ensaio de nomenclatura das peças de que se compoem as armas em uso de infantaria e cavallaria do exercito brazileiro ; offerecido ao Illm. e Exm. Sr. tenente-general Marquez de Caxias. Rio de Ja- neiro, 1855, 16 pags. in-8.° Luiz Ribeiro de Souza Fontes - Filho do doutor José Ribeiro de Souza Fontes, jà mencionado neste volume, e natural do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade allemã de Rhein. Escreveu : - Beitrage zur anatomischen Kenntnis der Hautdecke des Oni thorhynclius paradoxus. Innaugural Dissertation zur Erlangung dex LU 461 Doctorwurde der medicinischen Facultat der Rhein. Friedrich - Wilhelms-ni-Universitat zu Bonn, vorgelegt und mit den beigíiigten Thesenvertheidigt an 26 Juli 1879 Vormittags 10 Uhr. Bonn, 1879, 22 pags. in-4° gr, com uma estampa - Collaborou no livro : - Manual de technica microscópica ou guia do estudante de me- dicina nos trabalhos práticos de histologia pelo Dr. Eug. A. Poncy, com a collaboração do Dr. Luiz Ribeiro de Souza Fontes ; precedido de uma introducção pelo Barão de Maceió, com 28 gravuras intercal- ladas no texto e uma photographia do laboratorio de histologia. Rio de Janeiro, 1885, in-8.° Luiz Tiilbeiro de Souza Rezende - Filho do Marquez de Valença e da Marqueza do mesmo titulo, e irmão de Estevão Ribeiro de Souza Rezende, já mencionado neste livro, nasceu no Rio de Janeiro em 1827 e falleceu a 15 de fevereiro de 1891, fidalgo da antiga casa imperial, cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo e membro da sociedade Auxiliadora da industria nacional. Fazendo na Allemanha o curso de engenharia mecanica, não recebeu o gráo, porque negocios de familia o chamaram ao Brasil. Aqui, porém, trabalhou como engenheiro na construcção da estrada de ferro de Pernambuco á Bahia e foi o contratante de uma das mais dilHceis secções da actual estrada central : Militou na campanha do Paraguay como capitão do primeiro batalhão de voluntários do Rio de Janeiro, e muito concorreu para o brilhante papel, que na exposição de Phila- delphia fez o Brasil, com a exposição de sedas de um estabelecimento seropedico seu, industria, a que se dedicou com o mais enthusiastico ardor. Escreveu : - Industria agrícola fabril de seda no Brazil. Justificação do re- querimento apresentado ao Corpo Legislativo, etc. Rio de Janeiro, 1888 38 pags. in-4° gr. com tres quadros demonstrativos. Luiz da Rocha Dias - E' natural da província, hoje estado da Bahia, filho de Luiz da Rocha Dias e engenheiro civil e topographico pelo instituto de Rensselaer, Nova York. Sendo director chefe do prolongamento da estrada de ferro da Bahia, escreveu : - Informação apresentada ao Ministério da agricultura e obras publicas sobre as accusações feitas pelo Sr. deputado Araújo Góes Júnior em seu discurso de 8 de outubro do anno passado. Bahia, 1876, in-4° - Ha ainda trabalhos seus neste cargo e em outros. 462 LU Luiz Rodolpho Cavulcanti de Albuquerque - Filho do dr. Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, pernam- bucano, de quem já me occupei e dona Carlota Trovão Cavalcanti de Albuquerque, nasceu no Pará a 7 de junho de 1847. Depois de ter cur- sado a antiga escola central do Rio de Janeiro, e dos concursos de pri- meira e segunda entrancias para os empregos de fazenda, foi nomeado em 1874, terceiro escripturario da thesouraria do Pará, de onde passou inspector da do Amazonas e successivamente a outros cargos, sendo os últimos de sub-director do tribunal de contas em 1894 e de director das rendas publicas do thesouro, cargo que ainda exerce. Desempenhou ainda commissões especiaes, como a de estudo e collaboração dos tratados decommercio e navegação, celebrados com o Perúe a Bolivia, os estudos e organisação dasalfandegas de Juiz de Fora e S. Paulo, etc. E' membro do Instituto historico e geographico brasileiro, do Instituto geographico e historico da Bahia e de outras associações scientificas. Collaborou para vários jornaes do Amazonas e do Pará, especialmente para a Provinda do Pará, e escreveu: - Noticia economica e financeira da província do Amazonas desde sua fundação em 1852 até 1887. Manáos, 1888, in-8° - Por este importantíssimo trabalho vê-se que a totalidade da receita orçada desde 1852 a 1887 foi 20.116:278$087 e a arrecadada de 26.602:707$420, o que apresenta um excesso de 6.486:429$333; no mesmo periodo a despeza fixada foi 20.281:851$500 e a realizada de 22.312:118$845. Confrontada ainda a receita arrecadada a com despeza effectuada houve um saldo de 4.290:588$575. - Estudos economico-financeiros. Commercio e navegação do Amazonas e paizes limitrophes. Pará, 1891, in-4° com tabellas e um mappa geographico da região superior do Amazonas. - A Alfandega do Pará em 1892, Pará... in-4° -E' um sub- stancial relatorio, em que o ultimo inspector da respectiva repartição aduaneira não só refere-se à situação material da installação e dos serviços delia, como fornece interessantes dados sobre o commercio e a navegação da região, cuja guarda fiscal ella é. - O guarda da alfandega : Instrucção sobre o serviço externo e codificação das leis aduaneiras do Brasil no regimen republicano Belém, 1890, in-8° - O autor se propõe a instruir o pessoal aduaneiro do exacto cumprimento de seus deveres e attribuições. - A Amazónia em',1893. Pará,]1894, com um mappa geographico - E' um livro por onde se aprecia a grande riqueza dessa região. - Relatorio sobre a organisação e installação da Alfandega de Juiz de Fóra, no estado de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1895, in-4.° LU 463 - A alfandega de S. Paulo e a companhia Docas de Santos. Re- latório apresentado aoExm. Sr. Ministro da Fazenda, Dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves. Rio de Janeiro, 1896, in-4.° - Relatorio sobre as repartições subordinadas â directoria das rendas publicas do thesouro federal, apresentado ao Exm. Sr. Ministro da Fazenda. Rio de Janeiro, 1897, in-4.° Luiz de SanWnna Gomes - Natural, segundo me consta, do Rio de Janeiro e nascido, segundo calculo, pelo anno de 1770, falleceu nesta cidade a 8 de maio de 1840. Era formado em cirurgia, membro da sociedade, depois Imperial Academia de Medicina, operador de grande nomeada e serviu por dilatados annos no hospital da Misericórdia. Em 1799, como se vê no Almanak de Antonio Duarte Nuues, era cirurgião-mór do quarto regimento de milícias do Rio de Janeiro, e dos homens pardos libertos. Escreveu : - Mettiodo novo de curar segura e promptamente o anthraz ou carbúnculo e a pustula maligna, offerecido aos seus compatriotas. Rio de Janeiro, 1811, 32 pags. in-4° - Foi reimpresso no Archivo Medico Brasileiro, tomo 2o n. 12 e tomo 3o n. 1. - Memória sobre o carvão. Rio de Janeiro, 1820. - Memória sobre os cancros. Rio de Janeiro, 1821. - Memória sobre a erysipela. Rio de Janeiro, 1821. - Memória sobre o tratamento de tétanos pelo mercúrio. Rio de Janeiro, 1821. - Determinar com todos os seus symptomas as doenças agudas e chronicas que mais frequentemente acommettem os pretos recem- chegados d'Africa, examinando as causas de sua mortalidade nos primeiros annos dep >is de sua chegada ao Brasil; si talvez a mu- dança de clima, si a vida mais laboriosa, ou si algumas outras causas concorrem para tanto estrago ; e finalmente indicar os methodos mais apropriados para os evitar, prevenindo-o, curando-o, etc. ; dis- sertação ao programma proposto pela Academia real das sciencias de Lisboa, etc., que foi premiada na sessão de 12 de maio de 1793 -Existe o manuscripto na bibliotheca publica da Bahia. Luiz dos Santos Vil ti en a - Natural, penso eu, do Maranhão. Só conheço este autor pelo seguinte trabalho de sua penna : - Recapitulação de noticias brasileiras - E'fum livro manuscripto que foi offerecido ao Instituto historico e geographico brasileiro, pelo dr. Antonio Gonçalves Dias a 6 de agosto de 1852. 464 Luiz Schreinei* - Nascido em Berlim a 27 de janeiro de 1838, falleceu, cidadão brasileiro, no Rio de Janeiro, a lõ de junho de 1892. Architecto e engenheiro, tendo feito seus primeiros estudos na Academia de bellas artes daquella cidade, e os outros em Paris, emigrou para o continente americano e depois de ter estado em Mon- tevidéo e em Buenos-Aires, passou ao Rio de Janeiro, onde firmou a reputação que já tinha adquirido nas republicas platinas. Foi pelo governo imperial encarregado de vários trabalhos, como o de abastecimento de agua á Capital, de cujas obras foi chefe. Socio do Instituto polytechnico brasileiro, fez parte da commissão julgadora dos concurrentes á medalha de Hawkshaw. Escreveu : - Estudos sobre a fabricação do tijolo. Rio de Janeiro. - Estudos sobre a ventilação em geral e sua applicação ás escolas, hospitaes, etc. ; baseado em trabalhos do general Morin, Luiz Dergen, A. Pingzer, e outros. Rio de Janeiro, 1878. - Indicador da cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, levan- tado, etc., com a coadjuvação dos engenheiros Gustavo L. G. Dodt e Frederico von Ockel. Rio de Janeiro, 1879. - Idèas sobre instrucção publica no Brasil por Edwiges Raetz Schreiner e Luiz Schreiner. Rio de Janeiro, 1883, in-4° - Da penna de Luiz Schreiner ó a segunda parte de pags. 13 a 27. - As obras da nova praça do commercio. Discurso pronunciado na sessão ordinaria do Instituto polytechnico, em 5 de dezembro de 1883. Rio de Janeiro, 1884. - Incêndios nos theatros; meios de prevenil-os e attenuar seus effeitos : pareceres apresentados ao Instituto polytechnico brasileiro pelos engenheiros Viriato Belfort Duarte e Luiz Schreiner. Rio de Janeiro, 1888, in-8.° - Projecto para o hospital maritimo da Jurujuba que foi orga- nisado por ordem do ex-ministro do Império, Dr. Ferreira Vianna. Rio de Janeiro, 1892 - Este trabalho foi premiado na exposição interna- cional de Paris de 1889, e contém, além de desenhos de diversas partes do edifício projectado, o plano de alguns hospitaes da Europa, noticia sobre estabelecimentos desta ordem, etc. E' sua ultima pu- blicação. - Planta da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, lith. Leuzinger - Sei que este autor deixou outros trabalhos, como : - Projecto para um novo palacio legislativo. - Projecto de um edifício para a Bibliotheca nacional. - Plantas premiadas pela Academia do bellas-artes do Rio de Janeiro. UTT 465 I^uiz da Silva Alves de A.z;amlbvija Suzano - Nascido a 20 de agosto de 1791 no Rio de Janeiro, onde cursou as aulas do seminário de S. Joaquim com o intuito de ser padre, falleceu a 16 de agosto de 1873 na provincia do Espirito Santo, onde foi membro e secretario da junta provisória, antes de serem as províncias adminis- tradas por presidentes nomeados pelo governo geral. Foi professor de latim, inspector da thesouraria, deputado provincial e occupou ainda cargos, quer de eleição popular, quer de confiança do governo, desde 1811. Prestou importantes serviços á causa da independencia, já corresponden- do-se com os mais decididos patriotas do Rio de Janeiro, já se esforçando para que com toda calma se prestasse o juramento á mesma consti- tuição, quando os ânimos se achavam na provincia exaltados e a tropa insubordinada. Obteve provisão para exercer a advocacia, em que re- presentou brilhante papel, applicando-se ao estudo da jurisprudência patria, assim como á linguística e às letras amenas, e escreveu varias obras, tanto originaes como traduzidas do latim, do francez, do hes- panhol e do italiano, umas já publicadas e outras inéditas, mas con- servadas por sua família. Era offlcial da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo. Suas obras são : - Memória sobre o restabelecimento da provincia do Espirito Santo, offerecida ao dr. João Fortunato Ramos, deputado ás cortes de Portugal. Bahia, 1821. - Regulamento e codigo do processo criminal e policial. Rio de Janeiro, 1843. - Exemplàrio de libellos, extrahido do de Caminha. Rio de Ja- neiro, 1843 - Foi publicado junto á Doutrina das acções de Correia Telles, em appendice. - Digesto brazileiro ou extracto e commentario das ordenações e leis extravagantes, etc. Rio de Janeiro, 1845, 3 tomos 196, 197 e 174 pags. in-4° - Houve segunda edição, correcta e accrescentada, em 1854 ; terceira com as ordenações e leis posteriores até o presente em 1866, todas em tres tomos e no Rio de Janeiro. Na primeira o autor occultou seu nome, declarando ser obra posthuma de um antigo des- embargador do Porto, emigrado no Brazil, e por isso julgou-se o livro da lavra do desembargador Venancio Bernardo de Uchôa, que depois de ter sido deputado ás cortes emigrou para o Brazil e aqui morreu. Nas edições que se seguiram foi que declarou-se o autor. - Codigo das leis e regulamentos orphanologicos ou extracto e commentarios das ordenações, leis, decretos, alvarás, avisos, regula- mentos que dirigem o juizo dos orphãos e ausentes sobre successões, heranças, doações, inventários, tutorias, etc.; tudo em conformidade 466 LU das reformas que sc acabam de legislar. Obra necessária a todas as famílias e a todos aquelles que têm de pedir ajuízo os seus direitos hereditários. Rio de Janeiro, 1847, 168 pags. in-4° - Houve outras edições : a terceira é de 1870, 274 pags. in-8°; a quarta, melhorada, augmentada e de accôrdo com a legislação vigente pelo Dr. Manoel Godofredo de Alencastro Autran, é de 1884. - Repertório das leis, regulamentos e ordens da fazenda para servir de guia a todos os administradores, thesoureiros, collectores, juizes, empregados e offlciaes de fazenda e a todas as pessoas que tôm de rece- ber ou contribuir ou agenciar negocios pelas repartições da fazenda nacional. Rio de Janeiro, 1853, 333 pags. in-4.° - Complemento do Repertório das leis de fazenda, seus regulamen- tos e ordens, relativos aos ministérios da fazenda, guerra e marinha pelos annos de 1852 a 1860. Obra necessária a todos os empregados em repartições publicas, etc. Rio de Janeiro, 1861, 188 pags. in-4.° - Guia do processo policial e criminal, novamente organisado pelo codigo, regulamento e reformas com todos os decretos, instrucções e avisos que se tem publicado até o presente, etc. Rio de Janeiro, 1859 376 pags. ín-8.° - Compendio de orthographia, extrahido de vários autores para facilitar á mocidade o estudo desta parte da grammatica. Rio de Ja- neiro, 1826, 57 pags. in-8°. - Compendio ou arte de agricultura. Rio de Janeiro, 1834, in-8° - Foi em parte publicado no Auxiliador da Industria Nacional. - Selecta latini sermonis exemplaria et scriptoribus probatissimis ad christianm juventutis usum olim collecta. Traducção portugueza. Rio de Janeiro, 1843, 328 pags. in-8.° - Syllabario para ensinar a ler a língua portugueza. Rio de Ja- neiro, 1848, 24 pags. in-8.° - Compendio de grammatica portugueza para uso das escolas pri- marias, escripto em 1848 por ordem do Illm. e Exm. sr. dr. Luiz Pedreira do Coutto Ferraz, presidente da província do Espírito-Santo. Rio de Janeiro, 1851, 54 pags. in-8.° - Princípios de arithmetica mercantil para se ensinarem nas es- colas primarias. Rio de Janeiro, 1869, 93 pags. in-8.° - Regulamento interno das escolas primarias - Foi publicado no Correio da Victoria, 1849. - Orlando furioso: poema heroico de Ariosto, em que se continua o Orlando amoroso e a historia do príncipe Rogério; traduzido do italiano. Rio de Janeiro, 1833, 4 vols. in-8° - A traducção é em prosa. LU 467 - Um roubo na Pavuna : romance historico. Rio de Janeiro, 1843, in-8.° - O capitão Silvestre e frei Velloso ou a plantação do café no Rio de Janeiro : romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1847, 58 pags. in-16° - Sahiu também na folhinha de Laemmert, 1848. - A baixa do Mathias, ordenança do Conde dos Arcos, vice-rei do Rio de Janeiro : romance-historico-juridico. Rio de Janeiro, 1858, 63 pags. in-16° - Sahiu também na mesma folhinha. - Compendio da historia de Portugal; traduzido de Stella e San- tueil - Inédito. Estava prompto a entrar no prelo quando falleceu o traductor. - Odes de Anacreonte, vertidas em portuguez, seguidas da tra- ducção franceza de Lafosse - Inédito. - Apologético de Tertuliano, traduzido - Idem. - Episodios da Illiada, vertidos conforme a traducção italiana de Cesarotti - Idem. Luiz da Silva Brandão - Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1833 e fallecido a 5 de maio de 1883, era doutor em me- dicina pela faculdade da mesma cidade, cavalleiro da ordem da Rosa, cirurgião do primeiro batalhão de infantaria da guarda nacional da côrte, membro da commissão sanitaria da freguezia de S. Christovão e do instituto vaccinico, facultativo da administração dos expostos da Santa Casa de Misericórdia, etc. Escreveu : - Qual será mais conveniente, que um escrivão ou o proprio me- dico escreva seu relatorio sobre corpo de delicto e qualquer outro assumpto medico-legal ? Tratar das regras que devem presidir a re- dacção de um relatorio. Hemostatica cirúrgica. Elephantiasis dos arabes, suas causas e tratamento. Operações empregadas para cura do aneurisma. Rio de Janeiro, 1855, 71 pags. in-4° - E' sua these inaugural. Escreveu trabalhos, como medico da Misericórdia, e entre elles : - Relatorio do gabinete estatistico medico-cirurgico do hospital geral da Santa Casa da Misericórdia e enfermarias publicas, do quin- quennio compromissal de 1 de julho de 1861 a 30 de junho de 1866, apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1867, 168 pags. in-fol. - Escreveu outros trabalhos eguaes. Luiz Rodrigues <lo Oliveira, Visconde de Rodri- gues de Oliveira - Filho de Justino José de Oliveira e dona Luiza Gomes de Oliveira, nasceu na cidade do Rio Grande do Sul a 25 de 468 LU janeiro de 1838. Com 13 annos de edade foi para a Allemanha, onde fez sua educação litteraria e dedicou-se ao commercio, fundando de- pois importante casa commercial no Rio de Janeiro sob a firma Le-Coq, Oliveira & C. e passando em 1867, como negociante correspondente dessa firma, a residir em Paris, ahi em pouco tempo gosava da estima e consideração dos negociantes e industriaes da grande capital euro- péa. Membro da camara syndical dos negociantes commissarios de Paris, serviu nessa corporação vários cargos e prestou serviços taes, que lhe foi conferido o titulo de vice-presidente honorário. Membro do congresso da propriedade industrial, reunido em 1878, iniciou a idéa de se pedii' ao governo francez a convocação de um congresso internacio- nal, que sanccionasse como legislação internacional a votada pelo con- gresso em 1878. Membro da sociedade de beneficencia brazileira de Paris, fundada por sua alteza o Conde d'Eu, e delia thesoureiro, deu com sua actividade o maior impulso á essa associação, obtendo que fossem realizados benefícios a muitos brazileiros. Delegado do club de lavoura de Campinas, prestou a esse club os mais relevantes serviços. E' emfim um dos brazileiros que, longe da patria, não a esquecem, mas ao contrario tudo fazem para tornal-a conhecida no estrangeiro. E' também socio fundador da sociedade de Geographia commercial de Paris, socio do Instituto historico e geographico brazileiro e offlcial da ordem da Rosa. Escreveu : - Algumas idèas sobre colonisação no Brazil. Paris, 1871, 20 pags. in-8.°-Escrevendo quando se iniciava a abolição do elemento servil pela libertação de ventre, o autor pugna pela colonisação européa, fazendo um ligeiro estudo do que já se havia feito no Brazil nesse sentido, etc. - A exposição do club da lavoura em França em 1878. Relatorio apresentado ao club da lavoura. Paris, 1878, 52 pags. in-4.° - Es- cripto como delegado do club da lavoura de Campinas com o fim de obter que fosse apresentado no palacio da exposição universal o café de S. Paulo, neste volume acha-se ainda : - Influence des chemins de fer et de la navigation à vapeur au Brésil sur le développement des richesses du pays; Progrés rapides de la province de S. Paulo - Com este trabalho promoveu o autor, na imprensa franceza, bella propaganda a favor do Brazil. - Le Brèsil. Ses débuts ; son développement; sa situation éco- nomique: conferonce - No Brèsil, courrier de 1'Amérique du Sud, Paris, anno 3o, n. 33, occupando oito columnas. Esta e outra conferen- cia publicada na mesma revista, foram publicadas ainda com o titulo: - Le Brèsil, Ses débuts; son développement; sa situation éco- nomique ; ses échanges commerciaux ; ses plantations de café. Beau- LU 469 vais, 1884, 77 pags. in-8° - Occupando-se na segunda dessas confe- rencias da producção e commercio do café, acompanhou-a de projecções Molteni, exhibindo 51 paizagens, divididas em sete series, e, por fim, offereceu ás pessoas presentes uma amostra do café brazileiro em pe- quenos saccos com as cores nacionaes. Mr. H. Moisand, dando noticia desta obra e applaudindo o autor, nota que o governo francez de tão pesado imposto sobrecarregue o café brazileiro, importado na França, e diz que o Brazil é hoje o primeiro paiz do mundo na producção do café e que poucas plantas dão tanto interesse ao lavrador, demon. strando taes factos com vários cálculos e tabellas do plantio, consumo, producção e exportação dessa planta. Mr. Levasseur, membro do Instituto, depois dessa conferencia, rendendo homenagem ao talento do nosso compatriota, agradeceu-lhe haver elle nas duas conferencias tornado conhecido o Brazil e demonstra a palpitante necessidâde do estudo da geographia commercial. - Club de lavoura e commercio de Campinas, fundado em 1877. Campinas, 1882, 23 pags. in-8° peq.-E' a correspondência de Ro- drigues de Oliveira e de Jean Justin Gestas. - Etude sur le projet d'union douaniére du Sénateur Frye par M. M. E. Lourdelet e L. R. de Oliveira - No Bolletin de la Cham- bre Syndicale des négociants-commissionaires, de abril de 1886, pags. 5 a 36. Depois dos Estados-Unidos anglo-americanos estuda-se a America latina sob o ponto de vista de sua população, de sua super- fície, producções, climas, portos e vias de communicação, offerecendo á população européa um vasto campo de operações, cujos recursos e vantagens ainda não estão de todo conhecidos. Depois de considera- ções principalmente sobre o Brazil e particularmente sobre o Amazo- nas e o Pará, tiram-se conclusões de que a Europa precisa tanto da America latina, como a America latina da Europa ; de que a Europa, esquecendo sua alta missão civilisadora em relação a esses povos por ella formados e disciplinados, assume uma attitude e medidas de natureza a estorvar seu desenvolvimento economico - quando entre- tanto a Europa deve proceder de modo diverso; deve fornecer-lhes capitaes e braços. E, quando a França-onde se escreve - tomar francamente a iniciativa dessa nova politica para com a America latina, fará á sua própria industria e ao seu commercio um assignalado serviço. - Bélgica e Brazil. A industria e o commercio da Bélgica sob o ponto de vista de suas relações com o Brazil. Paris, 1886, 41 pags. in-8.° - Bélgica e Brazil. Paris, sem data, mas de 1888, in-8° - Ainda ha, talvez, outros trabalhos desta epoca em doante, e mesmo 470 LU antes, como a serie que foi publicada no Brèsil em 1883 com o titulo : - A crise economico-financeira no Brazil, na qual o autor, de- monstrando os conhecimentos, que possue, do commercio, industria, fontes de riqueza, assim como do estado economico financeiro do vasto império americano, pede a creação de uma eommissão de inqué- rito, que estude seriamente a origem dessa crise e procura demon- strar aos capitalistas europeos que temos meios bastantes para garantir e satisfazer os empréstimos para a reorganisação de nossas finanças. - Les banques et institution de credit - No livro Le Brèsil en 1889» publicado em Paris. - Quatro meses de administração financeira no Brazil. Lisboa 1890, 68 pags. in-4° gr. - A política e os capitaes-Li o manuscripto que gentilmente, mostrou-me o erudito autor em 1897 ; ainda não o vi publicado. - Projecto apresentado ao venerando Instituto historico e geo- graphico brazileiro em 5 de setembro de 1897. Rio de Janeiro, 1897, 13 pags. in-4°, sem folha de rosto - Tem por fim a reconstituição das finanças brazileiras - Teve segunda edição e foi publicado no Jornal do Commercio. Luiz Silverio Alves da Cruz- Natural de S. Paulo e bacharel em direito pela faculdade dessa provincia, hoje estado, fal. leceu a 17 de fevereiro de 1894 em Campinas, onde era advogado. Foi presidente de Goyaz de 1876 a 1877, e escreveu : - Emigração: serie de artigos publicados no Constitucional de Campinas, ns. 34 e 54 de 1874, e me parece, que em volume especial. ÍLuiz Soares "ViesTis-Filho de Antonio Soares Viegas e nascido na Bahia no anno de 1800, falleceu em avançada edade a 7 de maio de 1881, tenente-coronel reformado do exercito, cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz e condecorado eom a medalha da guerra da independencia, da Bahia. Assentou praça em 1822 por occasião desta guerra e serviu na arma de infantaria. Escreveu : - Itinerário da viagem da côrte á villa de Miranda, provincia de Matto-Grosso, feito em cumprimento de ordem do Exm. Sr. minis- tro e secretario de estado dos negocios da guerra, brigadeiro Jero- nymo Francisco Coelho - E' datado de 1859 e foi publicado na Revista do Instituto historico, tomo 26°, pags. 455 e 535. LU 471 Luiz do Souza, da Silveira-Filho de d. Francisco Balthazar da Silveira, nasceu na cidade de S. Luiz, capital do Mara- nhão, a 18 de novembro de 1843, é bacharel em direito pela faculdade do Recife, tendo feito o principio do curso na faculdade de S. Paulo, e seguiu a carreira da magistratura, começando com o logar de pro- motor publico da comarca de Penedo, então província de Alagoas. Foi juiz municipal de Icatú, na província de seu nascimento, juiz de direito do Riachão na mesma província, e de Itabayanna, na Para- hyba e chefe de policia neste estado, depois de servir egual cargo no Amazonas e no Piauhy. Escreveu: - Dissertação e theses que para obter o grão de doutor, etc., se propõe a sustentar. Recife, 1870, in-4° - A dissertação versa sobre o art. 5o da Constituição do império, que o autor combate, sendo por isso reprovada pela congregação. Foi, porém, annotada pelo dr. Tobias Barreto de Menezes e elogiada pelo dr. Aprigio Gui- marães. - O que deve conter uma Constituição... 1872, in-8.° - Annotações á lei do elemento servil, precedidas de uma carta do conselheiro Visconde de Vieira da Silva. S. Luiz, 1876, in-8.° - Podem os juizes municipaes conceder habeas corpus ? S. Luiz, 1878, in-8.° - Solidariedade na responsabilidade commercial. S. Luiz, 1878â in-8.° - Regulamento das cadêas da província do Amazonas, Manáos, 1880, in-8.° - Provimento geral da correição, feito na comarca de Itabayanna na provincia da Parahyba. Parahyba. 1884, in-8.° - Projecto de Constituição para o estado da Parahyba. Para- hyba, 1890, in-8° - Collaborou por muito tempo no Diário do Ma- ranhão e no Diário da Parahyba; de 1890 a 1891 no Estado da Parahyda, e de 1892 até o presente no Fluminense, de Nitheroy, e redigiu : - Republica Federativa: orgão do Club Republicano do Recife. Recife, 1870-1872, in-fol. - O Despertador : jornal político litterario e noticiador. Para- hyba do Norte, 1886-1889, in foi. peq. JLuiz Tarquinio - Natural da Bahia, é ahi negociante e industrial, foi o fundador da escola Ruy Barbosa na vi 11a operaria da Boa-Viagem, nessa cidade. Collaborou para vários jornaes da província, 472 LU hoje estado de seu nascimento, e do Rio de Janeiro, occupando-se com estudos financeiros e escreveu : - O elemento escravo e as questões económicas no Brazil por Cin- cinatus. Bahia, 1885, 104 pags. in-4.° - Direitos de importação em ouro. Bahia, 1890, in-8.° Luiz Teixeira Bittencourt Sobrinho - Filho de Antonio Teixeira Bittencourt e dona Isabel Maria Borges Bitten- court, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 18 de dezembro de 1854, è engenheiro civil pela escola Polytechnica da mesma cidade, formado em 1875, e esteve em commissão no estado de S. Paulo. Escreveu : - Memória justificativa do projecto de estrada de ferro do Sul de Minas a S. Paulo, da cidade de Alfenas ao littoral paulista, entre S, Sebastião e Ubatuba. Rio de Janeiro, 1882. Luiz Th.omaz Navarro de Campos - Natural da Bahia e da então villa e hoje cidade da Cachoeira, se me não en- gano, era bacharel em direito pela universidade de Coimbra e desem- bargador quando escreveu: - Itinerário da viagem que fez por terra da Bahia ao Rio de Ja- neiro por ordem do príncipe regente em 1808, etc.- Na Revista do Instituto historico, tomo 7°, 1846, pags. 433 a 468, seguido de um plano economico e provisional para o estabelecimento de correio da cidade do Rio de Janeiro para a cidade da Bahia. Luiz Torquato Marques de Oliveira - Natu- ral da província de Minas Geraes e bacharel em sciencias sociaes e ju- rídicas fcrmado em 1834 pela academia de S. Paulo e fallecido em agosto de 1876, foi, segundo me parece, lavrador e escreveu : - Novo methodo de plantação, fecundidade, durabilidade e conser- vação do café. Offerecido aos agricultores. Rio de Janeiro, 1863, 30 pags. in-8.° Luiz Vianna <1© Almeida Valle - Natural do Rio de Janeiro, falleceu com 56 annos de edade a 17 de março de 1877, dou- tor em medicina pela faculdade desta cidade, director da casa de cor- recção, oflicial da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo. Desde que tomou a si a direcção deste estabelecimento deu-se ao estudo do sys- tema penitenciário e procurou não só melhorar as péssimas condições do mesmo estabelecimento, mas também modificar a indole dos senten- ciadas, dirigil-os à regeneração, tratando-os como se tratam enfermos, LIT 473 observando-os sempre, e até indagando de todas as circumstancias que acompanharam o delicto. Elle investigava tudo quanto, influindo no temperamento do preso, podesse explicar os actos deste, quer anterio- res quer posteriores ao crime, levando seu estudo até os exames cra- neologicos. Escreveu: - Mulher e matrimonio, medicamente considerados : these apre- sentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1847, in-4.° - Relatórios apresentados pelo director da casa de correcção da corte ( de 1869 a 1876 ). Rio de Janeiro, 1869 a 1876, 8 vols.- Estes relatórios são de muita importância e revelam não só o estudo do autor no que diz respeito ao systema penitenciário, como [também os melhoramentos que realizou na penitenciaria da côrte. JLniz Vicente de Simoni - Filho de João Baptista de Simoni e dona Maria Cherubina de Gasparés, nasceu em Novi, então ducado de Génova, a 24 de setembro de 1792 e falleceu no Rio de Janeiro a 10 de setembro de 1881. Era doutor em medicina pela uni- versidade de Génova, membro titular e secretario perpetuo desde 1829, da imperial Academia de medicina, da qual - então sociedade medica- foi um dos fundadores ; vice-presidente e presidente honorário da so- ciedade Amante da instrucção; socio da Academia litteraria dos con- cordes, de Génova, da sociedade de Sciencias medicas de Lisboa, da de Lovaina e da de Boston ; oíRcial da ordem da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro e da de Christo. Vindo para o Brazil em 1817 e admittido logo como medico do hospital da Misericórdia, deixou esse logar por seguir em 1819 para Moçambique como physico-mór da capitania ' mas, voltando em 1822, foi readmittido no dito hospital, do qual passou depois a ser director. Naturalisando-se cidadão brazileiro, foi nomeado professor da lingua e litteraturíi italiana no collegio de D. Pedro II onde regeu também a cadeira de latim, e foi professor das serenissimas princezas. Bem que medico e clinico, cultivou sempre as lettras amenas, principalmente a poesia; nas festas da intelligencia, da ami- zade, do patriotismo e da beneficencia sua musa o inspirava sempre. Para o theatro ha de sua penna muitas composições originaes ou tra- duzidas, em prosa ou em verso, como as seguintes: - O grande Califa de Bagdad, drama joco-serio de Dermino Lubeo, académico concorde, para ser representado no real theatro de S. João do Rio de Janeiro, com musica de Paulo Rosquellas. Rio de Janeiro» 1819, 105 pags. in-8° - Diz elle que Rosquellas lhe pedira que para seu beneficio traduzisse em italiano a farça com o titulo acima, em 474 LU um acto 0 em prosa castelhana, mas não visando gloria para o musico, nem para o traductor na apresentação de uma peça já vista, embora muito applaudida na Hespanha e na França, aconselhou-o « para dar uma novidade tanto á poesia, como á musica, a reduzir a farça em drama formal de dous actos, não tirando do livro hespanhol senão o argumento ». - Francisca de Remini: tragédia em cinco actos, de Sylvio Pel- lico, traduzida. Rio de Janeiro, 1842, 20 pags. in-4° - Constitue o 5o numero do Archivo Theatral. - Merope ; tragédia lyrica em tres actos por Salvador Camma- rano, posta em musica por Pacini, e que vae ser representada no theatro provisorio. Rio de Janeiro, 1853, 81 pags. in-8.° - A Rainha de Chypre, drama lyrico em quatro actos de F Guidi, posto em musica por João Pacini ; traduzido em metro seme- lhante ao do original para ser representado no theatro provisorio. Rio de Janeiro, 1852, VI1I-55 pags. in-4.° - A Favorita : drama serio em quatro actos, musica de Donizetti, para ser representado no theatro provisorio, traduzido com a mesma metrificação do original. Rio de Janeiro. 1852, 59 pags. in-4.° -Os Puritanos ou os cavalleiros : drama lyrico 1 serio, em tres actos, pelo Conde Pepoli, posto em musica pelo maestro V. Bellini para ser representado no theatro provisorio. Versão homeometrica. Rio de Janeiro, 1852, 91 pags. in-8.° - O Trovador: drama trágico em quatro actos por Salvador Cama- rano, posto em musica pelo maestro José Verdi, etc. Versão homeo- metrica. Rio de Janeiro, 1852, 83 pags. in-8.° - Poliuto ou os martyres: tragédia lyrica em quatro actos, por Salvador Camarano, para ser representada com musica de Donizetti no theatro provisorio. Rio de Janeiro, 1853, 63 pags. in-8.° - O bravo de Veneza: melodrama em quatro actos, posto em mu- sica por Xavier Mercadanti para representar-se, etc. Rio de Janeiro, 1853, 95 pags. in-8.° - Leonor : melodrama em quatro actos, por Marcos d'Arienzo, posto em musica por Mercadante, que vae ser representado, etc. Rio de Janeiro, 1853, 97 pags. in-8.° - D. Paschoal: drama jocoso em tres actos, posto em musica por Donizetti, para ser representado, etc. Rio de Janeiro, 1853, 83 pags. n-8.° - Attila, drama logico em um prologo e tres actos, poesia de Themistocles Solero, musica de J. Verdi, que vae representar-se, etc. Rio de Janeiro, 1853, 59 pags. in-8.° LU 475 - Roberto, o Diabo: drama em cinco actos por Scribe e Dslavigne, tirado do francez em italiano por Calixto Bassi, e do italiano vertido» etc. Rio de Janeiro, 1854, 98 pags. in-8.° - Marilia de Itamaracá ou a donzella da mangueira : drama lyrico em quatro actos, posto em musica pelo Sr. Adolpho Maersch, para ser representado, etc., com additamento de um acto intermédio por ora só destinado para ser lido. Rio de Janeiro, 1854, XVIII-212 pags. in-8° - Este drama, com a versão italiana na frente pelo dr. De Simoni, tem por assumpto um facto tradicional occorrido na ilha de Itamaracá, em Pernambuco, no século 17°. - A volta de Columella, dos estudos de Padua ou o novo concerto da Razão e dos Amores desconcertados: drama jocoso em tres actos, reduzido por Carlos Cambiazo para uso da scena lyrica moderna, e do italiano livremente em língua nacional. Rio de Janeiro, 1857, 40 pags. in-8°- E' esta a primeira opera lyrica representada em por- tuguez no Brazil, fóra algumas zarzuelas e farças. Foi representado no theatro S. Pedro e no de S. Januario pela companhia lyrica nacional. - D. Chico esfomeado ou o devedor guloso em ancias: drama jocoso, posto em musica pelo maestro Nicoláo de Giosa e livremente reduzido em lingua nacional para ser cantado pela companhia lyrica nacional. Rio de Janeiro, sem data, 9 pags. in-fol. de duas colum- nas, na Gazeta Musical do Brazil. - Moysès no Egypto: novo drama lyrico tragico-sacro em quatro actos de..., posto em musica pelo grande maestro Joaquim Rossini. Versão para uso do theatro lyrico fluminense. Rio de Janeiro, 1858, 75 pags. in-8.° - Os Lombardos na primeira cruzada: drama lyrico em quatro actos por Themistocles Solero, posto em musica por Verdi. Traduzido e representado no theatro lyrico fluminense. Rio de Janeiro, 1859, 75 pags. in-8.° - Marco Visconti: melodrama trágico em tres actos por Domingos Bolognese, posto em musica por Henrique Petrella. Versão homeome- trica com o texto italiano. Rio de Janeiro, 1860, 52 pags. in-8.° - O vagabundo ou a infidelidade, seducção e vaidade punidas : melodrama semi-serio em um prologo e tres actos, pelo sr. Francisco Gumirato ; livremente reduzido em lingua nacional pelo Dr., etc. posto em musica pelo Sr. H. A. Mesquita. Rio de Janeiro, 1867, 40 pags. in-8.° - O Guaranyopera-baile em quatro actos, posta em musica pelo maestro A. Carlos Gomes e homeometricamente vertida, etc. Rio de Janeiro, 1870, 99 pags. in-8.° 476 LU - Norma : tragédia lyrica em dous actos de Felix Romano, posta em musica por Bellini, traduzida litteralmente para facilitar a com- prehensão do canto. Rio de Janeiro, 1844, 61 pags. in-8°- A tra- ducção desta peça e a das seguintes é em prosa. - Belisario: tragédia lyrica em tres actos por Salvador Ca- marano, musica de Caetano Donizetti, etc. Traduzida litteralmente. Rio de Janeiro, 1844, 73 pags. in-8.° - O elixir d'Amor: melodrama jocoso de Felix Romano, musica de Donizetti, etc. Traduzido litteralmente. Rio de Janeiro, 1844, 79 pags. in-8.° - A Vestal: tragédia lyrica em tres actos por Salvador Cama- rano, musica de Mercadante, etc. Rio de Janeiro, 1849, 93 pags. in-4.° - Os salteadores : melodrama em quatro partes, musica de José Verdi, etc. Rio de Janeiro, 1849, 52 pags. in-8.° - La Fidanzata corsa ou a noiva promettida da Córsega : me- lodrama trágico em tres actos por Salvador Camarano, musica de Pacini. Rio de Janeiro, 1850, 69 pags. in-8.° - Maria de Rudenz: drama trágico em tres actos de Camarano, musica de Donizetti, etc. Rio de Janeiro, 1851, 31 pags. in-8.° - Anna la Prie: tragédia lyrica em tres actos por Nicolau Leon" cavallo, musica de Vicente Baptista. Rio de Janeiro, 1851, 63 pags. in-8.° - Macbeth: melodrama em quatro partes, posto em musica por Verdi, etc Rio de Janeiro, 1852, 66 pags. in-8.° - Luiza Miller: melodrama trágico de Camarano em tres actos, musica de Verdi, etc. Rio de Janeiro, 1853, 79 pags. in-8°- Ha ainda outras peças para theatro, impressas, como as que têm por titulo: O Templário e Simiramis. Estes trabalhos, pela maior parte, são emprehendidos sem a sufflciente premeditação, e impressos sem a necessária correcção, sendo o autor levado a isso unicamente pelo desejo de esclarecer o publico a respeito de taes peças. De outras composições poéticas, que são innumeraveis, citarei as seguintes : - O Simplicio poeta. Rio de Janeiro, 1831, in-4° - E' uma publi- cação periódica faceta, de que sahiram nove numeros. - O Simplicio endiabrado. Rio de Janeiro, 183*, in-4°- Publi- cação igual e pouco duradoura. (Veja-se Antonio José do Amaral, Io e Francisco de Paula Brito.) - O Simplicio da roça: jornal jocoso dos domingos. Rio de Ja- neiro, 1831 - Cessando esta folha publicou-se : - A mulher do Diabo. Rio de Janeiro, 1831 -Só publicou-se um numero. LU 477 - Ode saphica em latim e em vulgar na solemne installação da sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1830, 1 folha in-fol.- Reproduzida nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1846, pag. 19. - O cholera-morbus: pequeno poema de M. Barthelemy, tradu- zido e dedica lo á sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1832, 15 pags. in-4° com o texto ao lado. - Canto dos alumnos da sociedade Amante da instrucção, recitado na sessão solemne de 30 de julho de 1841. Rio de Janeiro, 1841, 12 pags. in-4.° - Gemidos poéticos sobre os tumulos ou carmes epistolares de Ugo Fosculo, Hyppolito Pindemonte e João Torti sobre os sepulchros ; traduzido do italiano com outros do traductor sobre a religião dos tumulos e sobre os tumulos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1842, 213 pags. in-8.° - Ramilhete poético do Parnaso italiano, offerecido a SS. MM. Imperiaes o Sr. D. Pedro II, Imperador do Brazil e a Sra. D. Thereza Christina Maria, Imperatriz, sua augusta consorte, por occasião de seu faustíssimo natalicio. Rio de Janeiro, 1843, 36-XI1-815-119 pags. in-8° - Contém um soneto introductorio e quatro poesias do autor, relativas ao consorcio do Imperador até pag. 36 ; uma prefacção em prosa, XII pags. ; episodios, extracto de varias obras e composições de 25 poetas italianos, com o texto ao lado da traducção portugueza, 815 pags.; notas biographicas e instructivas, indice, etc. nas paginas restantes. - Hymno patriótico, brazileiro, em versos, scenarios, posto em musica por Paulo Rosquellas e cantado no theatro de S. João, por occasião da independencia do Brazil. Rio de Janeiro, 1 fl. in-fol. - Ode a uma rosa - E' escripto em portuguez e em italiano, ao lado do original francez de Emilio Adet e acha-se na Minerva Brazi- liense, tomo 3o, 1844, pags. 73 a 75. - Lições de historia do Brazil em oitavas rythmadas, escriptas para uso das escolas - São 18 lições e sahiram nas folhinhas de Seignot Plancher. Rio de Janeiro - Harmonia celeste nel Brasil : cantata posta em musica pelo professor Gianini para festejar o anniversario do Sr. D. Pedro II em 2 de dezembro de 1851 e representada no theatro provisorio da praia de D. Manuel - Foi impressa com o libreto da opera Maria de Rubens, já mencionada. - Canto lyrico à inauguração da estatua equestre em bronze do Im- perador D. Pedro I, fundador do Império do Brazil. Rio de Janeiro.... 478 LU - Nenia em italiano por occasião de substituir na cadeira da referida lingua no collegio de Pedro II o finado professor Galeano Na- varro. Rio de Janeiro, 1855, 4 pags. in-4.° - DescripçSo da circulação do sangue em versos latinos e portuguezes - Nos Annaes Brasilienses de Medicina, 1852-1853, pag. 90. - A' inauguração do retrato do Dr. Antonio da Costa na sala das sessões da Academia Imperial de Medicina - Idem, 1862-1863, pag. 89. - A' morte da rainha de Portugal, a Sra. D. Estephania - São uma nenia em verso portuguez, um poemeto e uma ode em latim e oito sonetos em italiano no livro «Mausoléo levantado á memória da excelsa rainha, etc.», pags. 55 a 69. - Versos epithalamios em italiano, latim e portuguez a S. A. a sereníssima princeza D. Leopoldina Thereza e á S. A. o Sr. D., Au- gusto Luiz Maria Eudes Cobourg Gotha, Duque deSaxonia, por occasião de seu faustíssimo natalicio em 15 de dezembro de 1864. Rio de Janeiro, 1865, 32 pags. innumeradas. - Exaltação da população fluminense pela feliz e muito desejada volta de S. M. o Imperador, D. Pedro II, depois da rendição de Uru- guayana: cantata para ser exhibida no theatro lyrico com musica do maestro A. Fiorito, para festejar-se a dita volta. Rio de Janeiro, 1865, in-8.° - Aos faustos e apreciáveis annos do Illm. Sr. commendador José Maria do Amaral: lyra (Rio de Janeiro 1869), uma folha in-fol. - AU' Exm. Signora D. Zelia : 12 sonetos em italiano no livro « O adolescente educado na bondade, sciencia e industria » por C. Cantú, traduzido por uma menina brazileira. Rio de Janeiro, 1871. (Veja-se D. Eliza de Bulhões Pedreira.) - A necessidade e utilidade da instrucção nas mulheres : versos lidos na sessão anniversaria da fundação da imperial sociedade Amante da instrucção no dia 5 de setembro deste anno (1878) -No Relatorio da sociedade, etc. e asylo das orphãs. Rio de Janeiro, 1878, pags. 49 a 52. Eis finalmente a relação de alguns de seus trabalhos diversos em prosa: - Discurso sobre a matricula dos estudantes das escolas medicas, lido na sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, etc., na occasião de se discutir o artigo relativo às mesmas matriculas no plano de organi- sação das escolas medicas, solicitado por convite da augusta camara dos deputados. Rio de Janeiro, 1831, 31 pags. in-4° -Sahiu também no «Semanario de saude publica». LU 479 - Parecer da sociedade de Medicina do Rio de Janeiro (sobre a febre epidemica que em 1828 e 1829 grassava nas villas de Magé e Macacú e n'outras localidades da provinda do Rio de Janeiro). Rio de Janeiro, 1831, 57 pags. in-4.° - Noticia sobre o caracter da epidemia de cholera-morbus, que grassou na ilha de Bourbon em 1821 e 1822, lida, etc. em 12 de se- tembro de 1831-No «Semanario de saude publica», tomo Io, pags, 252 e 272 e seguintes. - Descripção da febre amarella que tem reinado epidemicamente no Rio de Janeiro nos primeiros mezes do corrente anno. Rio de Ja- neiro, 1850, 24 pags. in-4.° - Parecer sobre as medidas de hygiene publica e privada contra o cholera-morbus epidemico, novamente reformado segundo os últi- mos conhecimentos da arte acerca desta enfermidade em consequência de nova solicitação, feita pelo Governo a este respeito ; pela sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1833, 24 pags. in-4° - E' assignado também pelo presidente da sociedade, Dr. Joaquim Cân- dido Soares de Meirelles. (Veja-se este autor.) Havia sido remettido ao governo outro parecer que se acha no Semanario citado, tomo Io, pags. 389 e seguintes. - Discurso sobre a estatistica da sociedade Medica do Brazil, lido na sociedade de Medicina do Rio de Janeiro na sessão publica de 30 de junho de 1832; traduzido. Rio de Janeiro, 1832, 21 pags. in-4.° - Relatorio dos trabalhos da sociedade de Medicina do Rio de Ja- neiro desde 24 de abril de 1831 até 30 de junho de 1832, lido na sessão publica de 30 de junho de 1832, anniversario da fundação da socie- dade. Rio de Janeiro, 1832, 44 pags. in-4.° - Relatorio dos trabalhos da Academia Imperial de Medicina desde 30 de junho de 1836 até 30 de junho de 1837, lido em sessão pu- blica annual, etc. Rio de Janeiro, 1837, 24 pags. in-4°- Sahiu também na «Revista Medica Fluminense», tomo 3°, pags. 132 a 160. - Relatorio dos trabalhos e estado da Academia Imperial de Medi- cina, lido em sessão publica de 30 de junho de 1838. Rio de Janeiro, 1838, 16 pags. in-4° - Sahiu também na «Revista Medica Flumi- nense ». - Relatorio sobre duas memórias do Sr. Dr. João Mauricio Faivre : uma acerca das aguas thermaes de Caídas Novas na província de Goyaz, e outra acerca da morphéa ; lido, etc. Rio de Janeiro, 1845, 31 pags. in-4.° - Relatorio da commissão encarregada pela Academia Imperial de Medicina do ejame das causas e origem das enfermidades dos apren- 480 LU dizes menores do arsenal de guerra da corte, apresentado em 3 de junho de 1851-Na citada revista, tomo 8°, pags. 152 e 267 e se- guintes, e assignado também pelos Drs. Manoel FelicianoP. de C., J. Alves de Moura e F. de Paula Menezes. - Relatorio da commissão especial, encarregada de examinar a agua anti-febril do Dr. Ezequiel Correia dos Santos, e verificar suas propriedades medicas ; lido e approvado na sessão geral de 17 de se- tembro de 1840-Na «Revista Medica militar», 1841-1842, pag. 29, assi- gnado também pelo Dr. José Martins da Cruz Jobim e José Maria Soulié. - Relatorio sobre uma relação da moléstia escorbutica, observada a bordo da fragata sarda Euridice, pelo Sr. Dr. Nicoláo Franchelli, cirurgião da dita fragata- Na «Revista Medica Fluminense», tomo 4o, pag. 316. - Factos relativos ao contagio da febre amarella e ás medidas sani- tarias contra ella, extrahidos do relatorio de uma commissão medica, ultimamente pubblicado em Génova, communicados com breves obser- vações, etc.-Vem nos « Annaes Brazilienses de Medicina», tomo 6o, 1850-1851, pags. 45 e seguintes e na «Gazeta dos Hospitaes», tomo Io, pags. 195 e 206 e seguintes. - Observações sobre a memória do Dr. Paula Cândido relativa- mente á communicação entre o ar atmospherico e o systema arterial. - Nos ditos Annaes, 1847-1848, pags. 11, 30, 53 e seguintes. - Observações sobre a opinião do Sr. Dr. Firmino Coelho do Ama- ral acerca da origem espontânea e não importada da epidemia da febre amarella que grassou na Bahia em 1849 e 1850.- Na dita «Gazeta», tomo 2°-O Dr. Firmino sustenta sua opinião, e quando o Dr. de Simoni ia responder-lhe, sahia publicada a noticia de sua morte, que «veio fazer-lhe parar na mão a penna da polemica e substituil-a pela da nenia», tudo constante da «Gazeta dosHospitaes». (Veja-se Fir- mino Coelho do Amaral.)Ha nas citadas revistas medicas outros traba- lhos que seria longo enumerar. - Discurso lido na sessão da imperial sociedade Amante da in- strucção em 24 de julho de 1848 para solemnisar o feliz nascimento de Sua Alteza o Príncipe Imperial - Foi impresso no Diário Official e depois, mais correcto na Folhinha de saude de E. & H. Laemmert, pags. 86 a 106. - Elogio de Evaristo Ferreira da Veiga - No livro « Honras e saudades á memória de Evaristo Ferreira da Veiga», tributadas pela sociedade Amante da Instrucçãoe m 12 de agosto de 1837. Rio de Ja- neiro, 1837, de pags. 7 a 46- Neste livro achasse ainda a pags. 51 e LU 481 segs. uma poesia de sua penna. Sobre Evaristo da Veiga escreveu elle outro trabalho que foi publicado no Jornal do Commercio e reproduzido na « Collecção de diversas peças, relativas á morte do illustre brazi- leiro Evaristo Ferreira da Veiga, etc. Rio de Janeiro, 1837. - Discurso recitado no acto da inhumação dos restos mortaes do conselheiro de estado José Clemente Pereira no cemiterio de S. Francisco Xavier no dia 12 de março do 1854. Rio de Janeiro, 1854, 8 pags. in-4°. - Discurso recitado no dia 1° de junho na igreja dos Terceiros de N. S. do Carmo no flm da missa do sétimo dia do passamento do bri- gadeiro Miguel de Frias Vasconcellos- No livro « Monumento á me- mória do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos e seu irmão Fran- cisco de Paula Vasconcellos. Rio de Janeiro, 1859, de pags. 22 a 34 - O Dr. De-Simoni foi collaborador,da «Astréa» . (veja-se Antonio José do Amara 11°) e redigiu : - Annaes Brasilienses de Medicina - Redigiu sómente por dous annos, mas foi sempre collaborador desta revista. Luiz Vieira, Ferreira- Filho do tenente-coronel Fer- nando Luiz Ferreira, nasceu na capital do Maranhão a 15 de abril de 1835 e com praça no exercito fez o curso de sciencias physicas e ma- thematicas na escola central, onde foi graduado bacharel. Serviu na campanha contra o Paraguay, pedindo depois sua demissão no posto de capitão do estado-maior de primeira classe. Escreveu : - Passagem do rio Paraná. A commissão de engenheiros do pri- meiro corpo do exercito em operações na campanha do Paraguay. Apontamentos de campanha, etc. Rio de Janeiro, 1890, in-8°- Redi- giu com seu pai e dous irmãos : - O Artista: jornal dedicado â industria e particularmente ás artes. Maranhão, in-fol. peq.-Este jornal teve duas series e viveu alguns annos, estando em 1868 na 2a serie. D. Uniza A-inelia de Queiroz - Filha de Manoel Eduardo de Queiroz e nascida em Piracuruca, no Piauhy, pelo anno de 1846, ahi casou-se com o negociante Pedro José Nunes com o qual, em vista de certas poesias suas, a elle allusivas, parece que não foi muito feliz. Enviuvando, contrahiu novas núpcias com o major Benedicto Rodrigues Madeira Brandão, tendo fallecido na cidade da Parnahyba a 12 de novembro de 1898. Cultivou as lettras, como poetisa, e escreveu: - Flores incultas. Parnahyba, 1875, 330 pags. in-8° - E' um volume de versos, onde estão colleccionadas 111 composições diversas. 482 LU São de sua poesia «0 homem não ama», cuja pagina ao acaso abro, os seguintes versos: Jamais o seu peito mais duro que o aço, Palpita a não ser a louca ambição. Suppõe-se - orgulhoso - que é soberano, Que todas as bellas vassallas lhe são ! Mais falso que a brisa que as flores bafeja, Si mil forem bellas... a mil finge amar!.. Assim um já disse, e assim fazem todos, Embora não queiram jamais confessar, Cruéis, como Nero, são todos os homens ! Ateiam as chammas de ardente paixão, Depois... observam, sorrindo, os estragos. E dizem, cobardes ! que tem coração ! ! - Georgina ou os effeitos do amor. Maranhão, 1894, 129 pags. in-81' - E' um poema em cinco cantos com uma introducção pelo litte- rato maranhense, dr. Dias Carneiro; D. Luiza Cavalcanti Fillia - Natural do Rio Grande do Sul, cultivou com elegancia e gosto a poesia e escreveu : - Alvoradas: poesias. Pelotas, 1886, 96 pags. in-8' - São 69 composições prefaciadas por Francisco de Faula Pires, de quem já fiz menção. Seus versos são bellos e naturaes, sem palavrões ou termos estudados, como usam os poetas modernos. I). Luiza Carolina de Arau.jo Lopes - Dire- ctora do collegio de educação para o sexo feminino que funccionou na rua Marquez de Abrantes com o titulo de Collegio de Santa Luzia, escreveu: - Lições de geographia particular do Brazil ( Rio de Janeiro ?) 1877, in-8° - Acompanha este trabalho um lindo mappa do Brazil. D. Luiza Emilia cia Silva Aquino - Adjunta da instrucção publica primaria do município neutro, escreveu: - Rudimentos arithmeticos. Rio de Janeiro, 1877, in-8°. I). Luiza Leonardo Marques - Natural do Rio de Janeiro, casou-se com o conhecido pintor Marques. Estudou no conservatório de Pariz, e foi professora de piano no Rio de Janeiro; dedicou-se ã musica e também á litteratura, escrevendo: - Gazel : romance original - Foi publicado na Gazeta da Tarde, do Rio de Janeiro, em 1881, sahindo o ultimo capitulo a 21 LU 483 de abril. Tenho idéa de ter visto um trabalho seu egual com o titulo : - Backeman - Não me lembra, porém, onde. De suas composições musicaes, que são muitas, conheço : - Solidão ( Solitude ): romance. Paroles portugaises de Louis Guimarães Júnior. Paroles françaises de F. Moniz Barreto Fils. Rio de Janeiro. - Minha mãi (ma mère): romance. Paroles portugaises de Louis Guimarães Júnior. Paroles françaises de F. Moniz Barreto Fils. Rio de Janeiro. - Canção do amor : romance. Paroles portugaises de Louis Gui- marães Júnior. Paroles françaises de F. Moniz Barreto Fils. Rio de Janeiro. - Innocence : romance. Paroles portugaises de Louis Guima- rães Júnior. Paroles françaises de J. M. Machado de Assis. Rio de Janeiro. lère barcarolle: Piano et chant. Paroles portugaises de Louis Guimarães Júnior. Paroles françaises de F. Moniz Barreto Fils. Rio de Janeiro. - 2[eme barcarole: Piano et chant. Paroles portugaises de Louis Guimarães Júnior. Paroles françaises de F. Moniz Barreto Fils. Rio de Janeiro. - Apassionato: caprice étude. Rio de Janeiro. - Yo te quero: tango. Rio de Janeiro. - Loin de la patrie : melodia. Rio de Janeiro. - Recordações ( souvenir ). Rio de Janeiro. D. Luiza Leopoldina Tavares Porto-Car- rero - Filha de Thomaz Velloso Tavares e dona Ludovina Porto- Carrero Drago e viuva do major Tito Augusto Porto-Carrero, nasceu no actual estado de Matto Grosso a 2 de abril de 1863. Pertencendo ao magistério, como adjunta e depois como professora cathedratica do ensino primário, neste caracter foi em commissão da Intendência municipal estudar o desenvolvimento do ensino primário em alguns paizes da Europa. Escreveu : - Relatorio sobre o ensino primário publico na França, Hespanha e Portugal. Rio de Janeiro, 1897 - « E' um trabalho, - diz o Jornal do Commercio, - desenvolvido com grande cópia de infor- mações sobre o ensino primário de diversos paizes da Europa, con- siderações filhas da observação dos factos, concluindo por apresentar como reformas, que nos são necessárias, a obrigatoriedade do ensino, 484 LY o imposto escolar, a construcção de prédios apropriados, a nomeação de inspectores escolares por concurso, e a diffusão da instrucção pro- fissional.» Lycio de Carvalho ou João Lycio de Car- valho - Contemplo-o neste logar, porque, apezar de baptisado com o nome de João, nunca usou deste nome. Nascido na capital do Paraná a 13 de novembro de 1869, ahi falleceu a 13 de janeiro de 1893. Foi em Curityba compositor typographo ; mas nutrindo sempre a idéa de estudar, como lhe foliassem recursos para isso, verificou praça no exercito com o fim de fazer o curso da escolar militar do Rio de Janeiro, não chegando a encetar esse curso por arrebatal-o a morte antes disto. Cultivou a poesia e escreveu : - Peregrinas : poesias. Curityba... - Este livro teve segunda edição, feita pelos amigos do autor em Curityba, 1895, in-8.° Lycurgo de Castro Santos - Filho do doutor José Manoel de Castro Santos e nascido em Guaratinguetá, actual estado de S. Paulo, ahi falleceu a 25 de janeiro de 1893, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro. Redigiu ainda estudante : - Arc hivos de Medicina: revista mensal. Redactores Lycurgo Santos e Simões Corrêa. Anno l.° Rio de Janeiro, 1874, in-8° - Sahiu o primeiro numero em maio com 55 pags. in-8.° Nesta revista publicou: - Syphilographia. Theoria da escola dualista - no n. Io, pag. 17. - Syphilographia : Dos accidentes primitivos da syphilis - no n. 2, pag. 83 - Depois escreveu outros trabalhos. - Do diagnostico das moléstias da medulla alongada ; Glicerina; Do emprego dos anesthesicos durante o trabalho do parto ; Do valor da cerebroscopia no diagnostico e tratamento das moléstias intra- cra- neanas ; these apresentada á Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1876, 141 pags. in-4° grande. - Littrè. Commemoração da morte do chefe do positivismo. São Paulo, 1885. - A philosophia positivista e o espiritualismo : serie de artigos publicados no Diário Popular. S. Paulo, 1886, ns. 369, 370, 371, 372, 373 e outros - Teve nova edição nas - Duas palavras sobre a philosophia positivista e o espiritismo. Campinas, 1888, 208 pags. in-8.° Lydio Mariauo de Albuquerque - Filho do capitão José Mariano de Albuquerque e dona Anna Joaquina de Albu- TA 485 querque e nascido na cidade do Recife, Pernambuco, a 3 de agosto de 1842, é bacharel em direito pela faculdade da mesma cidade, já tendo exercido antes a advocacia competentemente provisionado e servido o logar de escrivão da relação. No Recife leccionou particularmente linguas e sciencias; leccionou portuguez e arithmeíica no lyceu de artes e officios e exerceu cargos da fazenda provincial. No Espirito Santo, depois de proclamada a republica, foi secretario do governo provisorio e, promulgada a constituição e eleito o governador deste estado, foi nomeado secretario dos negocios da justiça, instrucção e segurança publica e eleito deputado á constituinte. Na capital federal fez parte da commissão encarregada de elaborar o regimento de custas judiciarias do districto de accordo com a lei n. 225, de 30 de agosto de 1894 e exerceu o cargo de curador de ausentes de que foi depois demittido. Escreveu : - Tratado das excepções. Obra necessária aos advogados e mais pessoas que fazem profissão de trabalhos forenses, precedida de pa- receres de distinctos advogados, e contendo tanto a doutrina, como a marcha regular do respectivo processo com todas as applicações do direito antigo e pátrio moderno, especialmente no que entende com as excepções de suspeição e de incompetência de juizo- onde se acham observadas todas as leis e regulamentos tanto do processo commercial, como do civil, até o regulamento de 2 de maio de 1874, no que é refe- rente ás suspeições dos desembargadores, e com um formulário das excepções mais usadas no fôro. Recife, 1880, in-8.°. - Lista dos bacharéis e doutores que obtiveram o gráo desde 1828, quando se installou a Academia de Olinda. Recife, 1880, in-8.° - Projecto da constituição, da organisação judiciaria do Estado do Espirito Santo, promulgada em 11 de maio de 1891. Victoria, 1891. - Extracto da constituição politica do império do Brazil para uso das escolas. Recife, 1888, in-8° - Por lei provincial foi adoptado este livro no gymnasio pernambucano, no museu e escolas primarias. Acha-se ahi um texto historico e explicativo ao alcance da intelligencia dos meninos. - Commentario á lei do casamento civil (decreto n. 181 de 24 de janeiro de 1890) comparado em suas disposições com os codigos civis francez e portuguez, seguido das instrucções que baixaram para sua execução, de decretos promulgados e avisos expedidos pelo go- verno provisorio, e de um formulário dos preliminares do casamento, das acções de annullação do casamento, do divorcio litigioso e por mutuo consentimento, e do inventario e partilha dos bens do casal. Rio de Janeiro, 1898. APPENDICE José cie Lima Parente, pag. 5 - 0 seu ultimo cognome é Penante, e não Parente. D. José Lourenço <lit Costa Aguiar, Bispo do Amazonas, pag. 11 - Escreveu mais : - Christu Muhençaua. Curiman-uara. Doutrina christã, destinada aos naturaes do Amazonas em nhihin-gatú, com a traducção portu- gueza em face. Petropolis, 1898, 87-1V pags. in-8.° José Luiz Alves, pag. 15- Escreveu ainda trabalhos que leu em sessões do Instituto historico, como : - Os Núncios, internuncios e delegados apostolicos que represen- taram a Santa Sé no Brasil desde 1806 até o presente. - Biographia do Marquez de Paraná - lida na sessão de 14 de outubro de 1898 - E' a primeira completa que possuimos desse grande estadista brazileiro. José Luiz Sayâo de Bulliões Carvalho, pag. 20- Foi demographista do Instituto sanitario da cidade do Rio de Janeiro e commissario da Directoria geral de hygiene e escreveu mais para ser membro titular da Academia nacional de medicina : - Desequilíbrio apparente entre a natalidade e a mortalidade da cidade do Rio de Janeiro: memória apresentada á Academia nacional de medicina em 15 de julho de 1897 - Foi publicada nos Annaes da Academia, tomo Io, da serie 7a, n. 3, de julho a setembro de 1898, pags. 123 a 142. E' redactor-gerente do - Brasil Medico. Rio de Janeiro. José Mamede Alves Ferreira, pag. 21 - Falleceu no Recife a 23 de janeiro de 1865. 488 APPENDICE José Marciano <Ia Silva Pontes, pag. 34 - Foi senador ao congresso fluminense, quando governava o dr. Francisco Portella e falleceuem Nitheroy a 20 de outubro de 1898. José Maria Moreira Guimarães, pag. 46 - E' engenheiro militar, bacharel em mathematica e sciencias physicas e naturaes e cursa actualmente (1899) o quarto anno de medicina na faculdade do Rio de Janeiro. O livro - Noções de artilharia]- teve segunda edição augmentada em doze capítulos. Rio de Janeiro, 1898, 132 pags. in-8.° José Mariano da Costa Nunes, pag. 70- Fal- leceu a 10 de novembro de 1892 no Rio de Janeiro. José Mariano de Oliveira, pag. 71 - Filho de outro de egual nome e dona Anna Mariano de Oliveira, e irmão de Antonio Mariano Alberto de Oliveira, de quem fiz menção no primeiro volume sob o nome de Alberto de Oliveira, pelo qual é mais conhecido, nasceu a 22 de maio de 1855 em Saquarema, Rio de Janeiro. Fez em Nitheroy o curso de preparatórios, matriculando-se em seguida na Escela polytechnica, onde se graduou em agrimensura e encetando o curso de engenharia, o abandonou um ou dous annos depois para entrar no «Centro positivista »; foi um dos directores da construcção da estrada de ferro do Paraná e é chefe de secção da Companhia Melhoramentos do Brasil. Quando estudante, escreveu : - Versos de Mario. Idade académica. 1875-1876. Rio de Janeiro, 1876, 107 pags. in-8°- Este livro foi a sua estréa nas lettras, e nelle revelou-se um poeta de inspiração -Mariano de Oliveira tem publicado diversos opusculos sobre o positivismo e possue cerca de quatro vo- lumes de producções litterarias, que não tem querido dar á publicidade em obediência aos princípios da escola philosophica, a que se filiou. José Marques Guimarães, pag. 72 - E' natural da antiga província de Santa Catharina. José Maurício Fernandes Pereira <le Elar- ros, pag. 36 - Na linha 19, em logar de estrada de ferro, leia-se- estrada de rodagem. * José Maximiuo Serzedello - Filho de Bernardo Maíúmino Serzedello e dona Joanna Maria de Souza Serzedello, nasceu APPENDICE 489 a 31 de agosto de 1859 na cidade do Rio de Janeiro. Começou os seus estudos no convento de S. Bento, em cuja ordem deveria professar, segundo os desejos de seus paes, mas se sentindo sem vocação para a vida monastica, seguiu para S. Paulo, onde se empregou no commer- cio, frequentando ao mesmo tempo a academia de direito daquella cidade. Em 1879, tendo interrompido o curso no 2o anno, regressou para esta capital, se empregando no Jornal do Commercio como revisor e depois no Cruzeiro e Gazeta de Noticias como repórter, vindo a ser posteriormente redactor destes dous últimos jornaes; foi um dos qua- tro fundadores da reportagem política, chamada de rua, na imprensa fluminense ; é chefe de uma das divisões da subdirectoria do correio desta capital, major honorário do exercito, e além de trabalhos litte- rarios e artigos escriptos sobre differentes questões de interesse publico e politico escreveu mais : - Cartas diarias. 1880 a 1889 - Estas cartas foram escriptas a proposito das viagens realizadas pela familia imperial ás antigas pro- víncias do Império, e de cuja comitiva o autor fazia parte como repór- ter itinerante. Embora em estylo humorístico, ha nellas uma parte bem interessante, que é a em que elle dá uma noticia completa das locali- dades percorridas. Publicadas a principio no Cruzeiro, passaram depois, de 1881 em diante, para as columnas da Gazeta de Noticias. - Aguas mineraes do Sul de Minas. Rio, 1884 - Este trabalho figurou na exposição de 1886 a 1887 realizada na Bibliotheca de Me- dicina do Rio de Janeiro. Tem concluídos dous livros que pretende publicar, um sobre o Brasil e outro que se intitulará - Reminiscências de um repórter - Redigiu : - Cruzeiro. Rio de Janeiro - Foi seu redactor principal por mais de cinco mezes na phase em que este jornal se tornou republi- cano, de monarchista e escravocrata que era. - Gazeta de Noticias. Rio de Janeiro - E' actualmente um dos seus redactores. José d.e Mello fíiclxeco cie Rezende, pag. 97 - Falleceu no Rio Grande do Sul a 24 de abril de 1865. José Netto de Campos Carneiro, pag. 106 - Nasceu na cidade de Catalão, em Goyaz, a 27 de fevereiro de 1855, e seu livro « Das febres de Goyaz» foi publicado em Paris, e não em Lisboa. Foi inspector de hygiene em Goyaz e tem vários tra- balhos scientificos publicados nos jornaes Gazeta Goyana e Publicador Goyano. 490 APPEND1CE José Nolasco da Fontoura T»ei'eira da Cunlia, pag. 108 - Ha ainda trabalhos seus, como : - Planta da parte do rio Uruguay que comprehende a barra do Pepiry Guassú e Salto-Grande, levantada pelos los tenentes de enge- nheiros Antonio Eleuterio de Camargo e da armada José Nolasco da Fontoura Pereira da Cunha e agrimensor Manoel José de Azevedo, com o fim de discriminar-se a verdadeira posição do referido Pepiry- Guassú, que serve de limite entre o Império e a Confederação Argen- tina em 1863. Cópia, a aquarela; escala de 1:10.000 palmos - da Bi- bliotheca nacional. - Planta da parte do rio Uruguay, comprehendida entre a barra do rio Passo-Fundo e a do rio Turvo, na qual se mostra a verdadeira posição do Salto Grande e as barras de seus principaes affluen- tes, inclusive a do Pepiry-Guassú com pequena extensão de seu curso ; bem como os principaes obstáculos que difflcultam sua navegação. Levantada pelos los tenentes de engenheiros Antonio Eleuterio de Ca- margo, e da armada imperial José Nolasco da Fontoura Pereira da Cunha e o agrimensor Manoel José d'Azevedo, em 1862 e 1863. 2m,556x0m,573. Cópia datada de Porto Alegre a 15 de julho de 1867, e authenticada por A. E. Camargo, um dos autores. A aquarela. O Archivo militar possue uma cópia e a Bibliotheca nacional outra. José Pedro Dias de Carvalho, pag. 117 - Em logar de Dias da Silva nas linhas 11 e 15, leia-se Dias de Car- valho. José Pereira ítelbouças, 2o, pag. 126- Nasceu no Rio de Janeiro, e não na Bahia, a 17 de julho de 1856. * José Dereira d.a Graça _A.ranlia - Filho do notável jornalista Themistocles da Graça Aranha e dona Maria da Gloria da Graça Aranha, nasceu no Maranhão a 21 de junho de 1868. Bacharel em direito pela faculdade do Recife, exerceu cargos da magistratura no Maranhão, Espirito-Santo e Rio de Janeiro, e foi procurador seccional interino no districto federal, de 1894 a 1896. E' lente substituto da faculdade livre de direito e de sciencias jurídicas e sociaes nesta capital, advogado e membro fundador da Academia brasileira de lettras. Publicou: - Litteratura actual do Brasil: conferencia realizada no Atheneu Argentino em Buenos-Aires na noite de 22 de dezembro de 1897 - Na Revista Brasileira de 15 de fevereiro de 1899, pags. 181 a 213. APPENDICE 491 E' collaborador desde o seu inicio desta Revista e nella se encontram vários artigos litterarios seus. Foi um dos redactores da - A Imprensa: jornal de que é redactor chefe o doutor Ruy Barbosa. Rio de Janeiro, ^1898. O seu primeiro livro vae ser publicado por todo este anno (1899) na Europa. O autor guarda reserva sobre o assumpto e a epigraphe da sua obra. José Vieira Couto de Magalhães, pag. 229 - Foi o redactor do periodico : - A Academia: jornal philosophico, jurídico e litterario por aca- démicos de S. Paulo. S. Paulo, 1856, in-4°- Foi um dos últimos con- selheiros de estado, nomeados na monarchia pelo ministério Ouro-Preto. ♦Tosé Vieira. Rodrigues cie Carvalho O Silva, 2o, pag. 235 - Os dous volumes : - Coração: poemeto. Fortaleza, 1896, in-8.° - Prismas : poesias. Fortaleza, 1896, in-8° - não pertencem a este autor ; são de José Rodrigues de Carvalho, de quem fiz menção a pag. 161. * J nlio Cezar do La.go Reis - Filho do doutor Antonio Manoel dos Reis, de quem me occupei no primeiro volume deste livro e dona Francisca Luiza do Lago Reis, nasceu na capi- tal de São Paulo a 23 de outubro de 1870. Desde tenra edade manifestou decidida vocação para a musica e é excellente improvisa- dor e notável organista, sem ter, entretanto1 professor algum, senão sua mãe. Compositor fecundo, tem produzido mais de duzentas peças de musica, das quaes noventa por cento são originaes, sendo as outras arranjos, transcripções, reducções, etc. E' também litterato e escreveu: - Ensaiando o vôo : contos e phantasias. Rio de Janeiro, 1898, in-8.° E' sua estréa na carreira das lettras. - Cantabile: miniaturas em prosa e musica. Rio de Janeiro, 1898, 55 pags. in-8° - Sobre este trabalho escreveu o Sr. Uiysses de Aguiar : « Na musica o Cantabile é um trecho de movimento demo- rado em que uma melodia simples se desenvolve com graça ou languidez, prestando-se aos e fiei tos do canto. Pianista distincto, fino interprete de grandes mestres, compositor applaudido e educado em boa escola, o Sr. Julio Reis, publicando o seu livro de contos, cada um dos quaes é seguido de commentario musical, alargou as funcções do Cantabile, concedendo ã musica o dom de prestar-se aos effeitos 492 APPENDICE litterarios. A nota do livro é, pois, original e talvez completamente inédita em nosso meio artistico, que é de estylo chamar acanhado. Na litteratura franceza, o Sr. Julio Reis tem o exemplo do grande Mauricio Rollinat, o louco do genio, segundo Gounod, que costuma commentar musicalmente a inspiração alevantada de seus primorosos versos. Dentre os trechos musicaes do Cantabile se destacam a Berceuse e o Nocturno, este composto por quem estuda muito Bizet e os segredos harmónicos do mestre da Carmen e do Arlèsienne, morto em 1875, aos 37 annos1» De suas composições musicaes vou relatar as que lhe deram nome e as que mais têm agradado ; são ellas : - Ave Alaria para piano e coros - Foi executada na festa de Santa Cecilia, na igreja do Santissimo Sacramento do Rio de Janeiro, sob a regencia do maestro Henrique Alves de Mesquita, em 1883. Tinha o autor então 13 annos de edade ! - Marcha triumphal para orgão, offerecida á S. Santidade, o papa Leão XIII - Foi executada em Roma por occasião do jubileu sacerdotal de SS., em 1887. - Odalèa : valsa poética para piano. - Ondina : valsa para piano. - Cytherea : valsa para piano. - Alvorada nupcial : valsa para piano. - Ronde des Nymphes : melodia para violoncello e piano. - Berceuse; melodia para violino e piano. - Serenata em la bemol para piano. - Serenata em sol para piano. - Scenas orientaes: album - composto de cinco peças para piano, a saber: Serenata, Nocturno, Lotus (aria de dansa), Preghiera e Bailada. * Julio Allberto Peixoto - Filho de José Alberto Pei- xoto e dona Maria da Gloria Rangel Peixoto, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 13 de maio de 1854 e é professor diplomado pelo Conselho superior da instrucção publica; exerceu os cargos de di- rector do Lyceu de artes e offlcios da freguezia do Espirito Santo, de offlcial da extincta inspectoria geral de terras e colonisação e de se- cretario do Instituto commercial desta capital, e desempenhou varias commissões do ministério da agricultura em S. Paulo, Santa Catha- rina e Rio Grande do Sul. Além de alguns trabalhos publicados em jornaes, escreveu : - Roteiro do estudante fluminense : obra escolar, approvada unanimemente pelo Conselho superior de instrucção primaria e se- ÁPPENDICE 493 cundaria do districto federal, que autorisou sua adopção nas es- colas normal e primarias desta capital. Rio de Janeiro, 1898 400 pags. in-8.° Julio Engeniano de Oliveira -Natural da Bahia e ahi professor da instrucção primaria, escreveu : - Lições de arithmetica primaria e systema métrico. Bahia, 1899, in-8.° Júlio Maria ou Julio Cesar de Moraes Carneiro, pag. 247 - A serie de conferencias que fazia na igreja de S. Francisco de Paula foi concluida até a duodécima e foram todas publicadas no Rio de Janeiro, 1898, 12 opusculos in-8.° Julio Mário Salusse, pag. 262 - Nasceu a 30 de março de 1872, é advogado no foro desta capital e tem mais : - Rimances e Villancetes : versos, no prelo. Julio Farigíot, pag. 263 - O nome todo deste autor é Julio Luiz Parigot, naturalisado brazileiro por carta imperial de 14 de agosto de 1867. Justiniano José da Rocha, pag. 269 - As obras mencionadas á pag. 273, linhas 6 a 9, já estão mencionadas antes e são deste autor. Luciano de Moraes Sarmento, pag. 333 - Não nasceu em Pernambuco, mas em Paris, quando seu pae ahi se achava, a 1 de novembro de 1836, e falleceu a 5 de setembro de 1891. Lúcio Floro, pag. 335 - E' um pseudonymo do dr. An- tonio Olyntho dos Santos Pires, filho do desembargador A. Pires dé Figueiredo Camargo e nascido na cidade do Serro, Minas Geraes, a 15 de novembro de 1860. Matriculando-se no curso da Escola poly- technica do Rio de Janeiro, e abandonando-o por moléstia, obteve de- pois o diploma de engenheiro de minas pela Escola de Ouro Preto, da qual é hoje professor. Foi governador interino do estado de seu nascimento na inauguração da Republica ; eleito membro da consti- tuinte, da primeira e segunda legislaturas federaes, foi ministro dá Viação e obras publicas no governo do dt. Prudente de Moraes e è 494 APPENDICE membro da sociedade Astronómica de França, do Instituto historico e geographico brazileiro, e do Instituto polytechnico brazileiro. É proprietário e redactor do Estado de Minas, Ouro-Preto. * Luiz Alfredo Monteiro Baena - Natural do Pará e ahi dedicado ao ensino da infancia, falleceu ha muitos annos, e escreveu : - Compendio elementar de leitura da lingua nacional : Primeira carta. Pará, 1864 - Este utilissimo trabalho teve uma segunda edição em 1869, tendo sido adoptado nas escolas publicas da outr'ora provincia do Pará, e da sua leitura se vê que, Baena, no methodo moderno, precedeu a Abilio, Freitas e o afamado João de Deus, de Portugal. Cotejando o methodo do poeta portuguez, que tanta fama ganhou com os seus livros de instrucção infantil, vê-se, sem esforço, que Luiz Baena já havia posto em pratica, no Pará, esse mesmo methodo facillimo. Luiz Anselmo da Fonseca, pag. 347 - A seus escriptos accresce : - Discurso proferido na sessão solemne da congregação da Fa- culdade de Medicina da Bahia para a collocação, na sala das sessões ordinárias, do retrato do Dr. Antonio Pacifico Pereira. Bahia, 1889. Dniz Antonio Domingu.es d.a Silva - Filho do doutor Francisco Domingues da Silva Júnior, nasceu a 11 de junho de 1862 na cidade doTuriassú, no Maranhão,e bacharel em direito pela Faculdade do Recife, foi deputado provincial e geral por sua provincia durante a monarchia, e depois eleito deputado federal em duas legis- laturas. E' advogado nesta capital e escreveu : - Ensino agrícola : discurso proferido na Camara dos Deputados na sessão de... S. Luiz, 189*. - Casamento civil e divorcio : discurso proferido na Camara dos Deputados, na sessão de... Rio de Janeiro, 189 *. Duiz Edmundo da Costa, pag. 393 - Seu segundo volume de versos Thuribulos, foi publicado depois de impresso seu artigo. Rio de Janeiro, 1899. «0 novo livro do autor dos Nimbos - diz um de seuscriticos - marca um evidente progresso no espirito do artista. A poesia dos Thuribulos é correcta e de uma calma suavidade. 0 Sr. Luiz Edmundo maneja bem o verso e neste ponto merece os nossos applausos. » APPEND1CE 495 Luiz Francisco da Veiga, pag. 406 - Falleceu na fitai federal a 24 de fevereiro de 1899, no dia em que se imprimia rtigo a seu respeito. Luiz Las tão de Escragnolle Doria, pag. 411 - eeu a 31 de janeiro de 1869 e tem inédita : - Historia financeira do Brazil com uma noticia dos nossos prin- es estadistas financeiros - A Gazeta Commercial Financeira já publicado alguns excerptos deste livro. Luiz Fistarini, pag. 454 - Fundouultimamente e redige iodico - 0 Domingo. Rezende, 1899 - Sahiu o primeiro numero bril.