DICCIONARIO BIBL10BBAPBIC0 BRAZILEIRO PELO DOUTOR Augusto ttctoriuo Afoes (Sacramento ífaík DO INSTITUTO HISTORICO E GEOGRAPHICO BRAZILEIRO, DO ATHENEU DE LIMA, ETC. SEGUNDO VOLUME RIO DE JANEIRO IMPRENSA IST^CIOJN.AJL 1893 Neste paiz quem não for dotado de muita força de vontade reunida á vocação irresistível painas lettras, cahirâ desani- mado quando pretender levar a effeito a publicação de qualquer trabalho de longo folego - tantos são os obstáculos com que tem de luctar antes de se pôr á prova da indifferença publica. E' por isso que nossa litteratura quasi que somente se com- põe de pequenos volumes de versos, poucos romances possue e de quasi nenhum escriptor dramatico consta mais de um trabalho, não obstante terem sido promissoras as estréas dos Pinheiro Guimarães, Achilles Varejão e Teixeira e Souza. Obras volumosas, qualquer que seja o assumpto, poucas, bem poucas existem e destas algumas, como o importantíssimo Direito Mercantil do sabio Visconde de Cayrú, quando chegam a ver luz após longo periodo de perambulação pelas typo- graphias do Governo, ficam-se carcomendo pelas prateleiras dos Belchiores de livros. E desta sorte de quantas riquezas não estamos privados !... E' tal a fatalidade que pesa sobre os escriptores, que mesmo aquelles que conseguem, á força de solicitações e boa vontade de amigos, ter esses escriptos entregues âs officinas do IV Estado, só após longos mezes de espera alcançam a ventura de ver sahir dos prélos um volume, quando jâ muitos dos acquisi- dores dos antecedentes ou tem morrido ou já não contam mais com a continuação da obra. E' dolorosa a gestação typographica desta minha pobre publicação. A 19 de janeiro de 1883 foi pelo Ministério da Fazenda autorizada a Administração da Typographia Nacional a im- primir o Diccionario bibliographico brazileiro, «conforme requereu o seu autor ». Havia eu pedido ao governo a graça de mandar imprimir o primeiro volume de meu livro, pagando as despezas feitas com o numero de exemplares sufficiente para cobril-as e, para obter esta graça, offereci as seguintes vantagens : 1.° Não expôr á venda a obra em livraria alguma, antes de haver a typographia vendido seus exemplares ou de haver eu retirado os que restassem ; 2.° Não promover subscripção antes de sahir á luz o livro, nem dirigil-o com circulares a quem possa compral-o, como é de costume; 3.° Não imprimir em outra typographia a continuação da obra antes da venda total dos exemplares dados em pagamento ou do resgate dos que existissem ; 4.° Promover esse resgate como cousa de meu máximo interesse no mais curto prazo possível. Finalmente, como o livro se refere a todo o Brazil, propuz ao governo que offerecesse à cada uma assembléa provincial V um exemplar desse volume com o fim de ver si subscreveria com qualquer numero de exemplares, e assim ficaria a typo- graphia indemnisada mais facil, segura e promptamente. Este favor, que por si só seria bastante para ser a typo- graphia satisfeita das despezas e para ir avante a publicação de um livro, que o Brazil, no estado de adeantamento em que se acha, era o unico paiz que ainda não possue - não obtive do honrado Sr. Ministro da Fazenda por haver deixado o poder, nem de seu digno successor que, entretanto, approvou muito a idéa e prometteu-me pôl-a em pratica. Em hora aziaga sahiu o volume dos prélos. Era no fim de outubro de 1883. Fechadas achavam-se as camaras e os estudantes andavam às voltas com os exames, pois nesse periodo - todos sabem-• elles não teem outra idéa mais, do que recuperarem o tempo esperdiçado nos primeiros mezes do anno. Dos grupos, portanto, onde poderia encontrar leitores, dous me faltaram. Além disto, para cumulo de males, o Diário Official foi o unico periodico que annunciava á venda, e na ultima pagina, de sorte que, póde-se dizer, meu livro passou despercebido. Muitos ha que ignoram sua existência, pois nem ás biblio- thecas publicas o enviou o governo ou quem suas vezes fazia. Em resultado, quasi toda edição existe em ser. Não podia, pois, emprehender a impressão do segundo volume eu, que tanto confiava quando levei à typographia os primeiros autographos. Só quem já passou por essas circum- stancias poderá aquilatar as amarguras que libei. VI Lembrei-me então de um alvitre : requeri ao parlamento sua imprescindivel protecção para levar a effeito empreza tão grande e de tão grande alcance e na sessão de 1885 foi apre- sentado o parecer da commissão respectiva, marcando para essa publicação a quantia de 10:000$ ; mas poucos dias depois mudaram-se as scenas politicas, subindo ao poder o gabinete de 20 de agosto. Desanimei-e, ainda que não interrompesse minhas pes- quizas, só lhes dava o tempo que me sobrava das arduas funcções de delegado da Inspectoria geral de hygiene. Entretanto, o livro não fora mal recebido dos poucos que o leram, e de uma associação benemerita e conspícua recebi o prémio inestimável de ser escolhido para membro effectivo - o Instituto historico e geographico brazileiro. Quando estavam as cousas neste pè, dã-se o advento da Republica e é nomeado Ministro da Fazenda um cidadão, que sabia bem comprehender o valor de obras da qualidade desta, ainda mesmo quando escriptas por pessoas menos habilitadas, como sem falsa modéstia me reconheço. Um dia fui procurado pelo official de gabinete daquelle alto funccionario, propondo-me a compra de meus autographos. Era a aurora que se ia abrir. Por mais vantajosa que julgasse a proposta, entendi que devia não ficar àquem da generosidade do ministro e, com a lealdade com que sempre procedo, respondi que, si o governo tinha em vista dar à publicidade meu livro, por esse modo faria uma despeza dupla: a da comprados autographos e a da publi- VII cação que, entretanto, não podia ser feita, sinão sob minhas vistas. Dous dias depois esse digno ministro, com o peito cheio de amor ás lettras e à patria, mandou que a Imprensa Nacional fizesse a publicação, sem onus algum para o autor. Infelizmente a affluencia de trabalho na Imprensa Nacional era tal, que só em novembro de 1891 pôde entrar o segundo volume do livro em composição e só agora pôde esta ser •concluída. Está, porém, publicado mais um volume de meu Diccionario. Foi minha primeira idèa, em vez delle, aproveitar a boa vontade do ministro para dar nova edição do primeiro volume, tão deficiente foi elle, mesmo na época em que foi impresso, pelas razões que na introducção desse volume apontei; mas, em vista da delonga que houve, mais acertado julguei dar matéria inteiramente nova, reservando o mais para o supple- mento, que darei, si a publicação proseguir, como espero. Minha consciência me diz que este novo volume é mais completo e methodico. E ainda mais sel^o-hão os que se seguirem. Sem mudar de plano, pareceu-me util dar maior amplitude aos artigos ; em vez de restringir-me ao papel de mero relator bibliographico, ser também um pouco biographo e critico, e neste sentido tenho modificado as paginas escriptas. Encontrando difficuldades enormes em conseguir noticias, sendo poucas as pessoas que teem vindo em meu auxilio, o trabalho torna-se improbo e fatigante* Não obstante, creio que VIII poderei tornar mais copioso e completo, ainda do que este, o volume que vai seguir, assim o publico me anime a boa von- tade, cooperando para um trabalho que é de nós todos, é um trabalho nacional, pois que é um documento do valor in- tellectual dos brazileiros. Ha erros, ha inexactidões, ha apreciações menos judiciosas ? Apontem-os, e no supplemento serão reparados, porque uns e outros não são filhos da vontade, mas sim de minha fraqueza intellectual. Rio de Janeiro, 29 de março de 1893. DICCIOHARID BIBLIDERAPHICO BBAZILEIRO c Caetano Gilberto <le Munhoz - Filho do tenente- wronel Caetano Alberto de Munhoz e natural da província, hoje Estado do Paraná, é um distincto funccionario da repartição geral de Fazenda, e exercendo o cargo de inspector da Alfandega de Paranaguá, depois de ter exercido o de chefe de secção da de Santos, foi transfe- rido em fevereiro ultimo para o de inspector da Thesouraria de S. Paulo. Escreveu: - Apontamentos sobre as attribuições e expediente das inspectorias •commerciaes. Santos, 1886. - Canhenho dos conferentes e despachantes das alfandegas e mesas de rendas. Santos, 1887 - Comprehende a parte da Consolidação das leis das alfandegas e mesas de rendas que trata do assumpto e mais interessa aos conferentes e aos despachantes, com muitas notas e disposições que são necessárias a todos os empregados. O autor declara que, conforme o acolhimento dado a esta obra, de que occupou-se a revista O Direito de janeiro de 1888, occupar-se-ha de outra parte da mesma consolidação com o Canhenho dos empregados das alfandegas e mesasde rendas. - Processo administrativo por contrabando ou apprehensão: dispo- sições compiladas em 1889, contendo grande numero de notas referentes ao assumpto. Santos, 1889 - Sei que o autor tem para dar ao prélo um trabalho sobre - Escripturação commercial, com definições claras e acompanhada de muitos cálculos para o commercio e alfandegas. 2 CA Caetano Albert o Soares - Filho de Antonio Soares Fil- gueiras e Dona Anna de Oliveira, nasceu na ilha da Madeira, Portugal, a 13 de maio do 1790, e falleceu no Rio de Janeiro a 28 de fevereiro de 1867, sendo presbytero secular ; doutor em direito pela universidade de Coimbra'; advogado da casa imperial ; membro do conselho director e da commissão de redacção da Revista do Instituto da Ordem dos advogados brazileiros, do qual foi presidente; soc'o do Instituto historico e geographico brazileiro e da Sociedade Auxiliadora da industria nacional ; membro da directoria da estrada de ferro de Magé a Sapucaiae commendador da ordem da Rosa. Orphão de mãe na mais tenra idade e educado por seu tio, o conego Caetano Alberto de Araújo, e por duas irmãs deste, senhoras excessivamente religiosas e austeras, abraçou o estado ecclesiastico, cursando depois as aulas de direito e foi, no logar de seu nascimento, vigário geral e professor regio de latim, ao mesmo tempo que exercia a advocacia, até 1826. Deputado ãs cortes portuguezas, quando, em 1828, foi revogada a Constituição e com a reacção absolutista de Dom Miguel eram perse- guidos os deputados de idèas liberaes, deixou a patria, fez uma excursão pela Inglaterra edahi passou ao Brazil, onde estabeleceu-se, adoptando-o por patria em 1833. Bem que dotado de excellentes virtudes, abandonou as funeções ecclesiasticas para dedicar-se sômente á profissão de advogado, a qual honrou como um sacerdócio, sendo um de seus luzeiros, e um dos caracteres mais puros, sempre disposto a proteger e tratar da libertação do escravo, que ã ella podia ter qualquer direito. Exerceu interinamente o cargo de juiz de orphãos da còrte e diversas commissões honrosas e difficeis, como a de confeccionar os regulamentos commerciaes em 1859, e em 1853, com o Marquez de Abrantes eo Marquez de Paraná, os regulamentos para execução da lei das terras, de 18 de setembro de 1850. - Relatorio de uma commissão nomeada pelo governo, demons- trando tres theses de direito publico ecclesiastico brazileiro. Rio da Janeiro 1837, in-8° - As theses são : l.° Os bispos do Brazil canoni- camente eleitos, podem ser nomeados vigários capitulares, governa- dores de seus bispados, antes de receberem a confirmação, sempre que a necessidade, a utilidade das igrejas o exigir ? 2.° Os bispos do Brazil, canonicamente eleitos, sendo nomeados vigários capitulares, gover- nadores de seus bispados, têm direito a perceber por inteiro os rendi- mentos da Gamara episcopal? 3.° Os vigários capitulares do Brazil têm jurisdicçao para dispensar nos impedimentos matrimoniaes, si os bispos, antes de sua morte, transferencia ou renuncia, não houverem communicado esta faculdade a sacerdotes idoneos dos respectivos CA 3 bispados com clausula de a poderem exercer na sè vaga ? O relatorio è também assignado por José Clemente Pereira e Dr. Antonio José Coelho Louzada. - Memória para melhorar a sorte dos nossos escravos, lida na ses ão geral do Instituto dos advogados de 7 de setembro de 1845. Rio de Ja- neiro, 1847, 36 pags. in-8°. - Memória, em que se apontam as omissões de nossa legislação patria e algumas providencias a adoptar nella para supprir estas omissões. Sobre o casamento como contracto civil, formação, estabili- dade e direitos de família. Rio de Janeiro, 1848, 26 pags. in-4° - Esta memória foi também lida no Instituto dos advogados, e vem na respe- ctiva Revista, 1863, pags. 77 a 111. - Regulamentos commerciaes. Trabalho que confeccionou, encarre- gado pelo governo imperial, em 1850. - Regulamento para a execução, da lei das terras (de 18 de setembro de 1850) - Deste trabalho foi também encarregado pelo mesmo go- verno em 1853, tendo por companheiros ou collaboradores o Marquez de Abrantes e o Marquez de Paraná. Na Revista do Instituto da Ordem dos advogados ha diversos trabalhos de sua penna, como o - Discurso proferido pelo presidente do Instituto, em sessão de 16 de junho de 1857..- Na respectiva Revista, 1865, pags. 30 a 42. Ca-etíino Alves de Souza Filgueiras - Filho do capitão de fragata Caetano Alves de Souza Filgueiras e de dona Maria Petronilla de Souza Filgueiras, nasceu na capital da Bahia a 22 de junho de 1830 e falleceu na capital da Parahyba a 28 de julho de 1882, Feitos os necessários preparatórios para o curso juridico com diversas interrupções e em logares diversos, â que seu pae era levado em cum- primento de ordens, ainda assim, com 16 annos incompletos, matri- culou-se na faculdade de Olinda, onde recebeu o grão de bacharel em 1850, e no anno seguinte o de doutor. Vantajosamente conhecido desde os bancos escolares por sua applicação e seriedade, foi empregado em exames do curso de humanidades e, vindo â côrte tratar de sua nomea- ção para lente de uma cadeira, que se creara, de direito romano, e não a obtendo, aqui estabeleceu-se como advogado e casou-se. Presidiu a província de Goyaz e, depois de uma commissão de que o encarregara o governo imperial, estabeleceu-se como advogado na província da Pa- rahyba, que deu-lhe uma cadeira em sua assembléa na ultima legisla- tura, antes de sua morte. Era membro do Instituto historico e geogra- phico brazilelro, no qual fez parte da commissão de trabalhos histó- ricos, e serviu os logares de orador e de 2o secretario; socio de varias 4 CA associações litterarias de Pernambuco, da Bahia e do Rio de Janeiro, e escreveu: - Meu primeiro dedilhar da lyra. Pernambuco, 1846-São seus primeiros versos offerecidos ao Dr. Bandeira de Mello. Tinha o autor 16 annos, e cursava o primeiro anno de direito. - Arremedos de poesia. Pernambuco, 1851, in-8°- E'um volume de versos ao gosto das Folhas cahidas de Garret e foi muito applaudido pela imprensa diaria. - Idylios : poesias. Rio de Janeiro, 1872, in-8° -Este volume é escripto em portuguez castiço, mas com uma orlhographia especial, adoptada então pelo autor. - Teteias. Rio de Janeiro, 1873, 88 pags. in-8° - São escriptos em prosa e parece-me que por esse tempo publicou elle mais um opusculo igual com o titulo Pyrilampos. - Dissertaçõo e theses para obter o gráo de doutor em direito. Per- nambuco, 1851 -Nunca pude ver. - Elementos do direito natural. Traducçãodo francez. Pernambuco, 185*- Também não pude ver. - Historia do direito romano (traducção do capitulo consagrado a essa especialidade da grande obra de A. Gibhon « Ruin and fali of Roman Empire»). Pernambuco, 185*. - Do methodo histórico em matéria de jurisprudência e do seu futuro, por Eduardo La Boulaye. Versão em lingua vernacula. Rio de Janeiro, 1855, 28 pags. in-4°-E' offerecido ao Visconde de Sapucahy. - Reflexões sobre as primeiras épocas da historia em geral e sobre a instituição das capitanias em particular-Esta obra foi oíferecida ao Instituto historico e publicada na Revista Trimensal, tomo 19°, 1856, pags. 398 a 424. Ahi, com o estudo da historia, deixa o autor patentes seus sentimentos, como catholico fervoroso e sincero, e na introducção aventa a idéa, que hoje occupa intelligencias superiores, da creação de uma universidade no Rio de Janeiro. Este trabalho deu-lhe entrada no Instituto. - O Tapuia : periodico litterario. Parahyba, 1848-1849, in- 4o - Este periodico foi escripto sem collaboração de alguém, de novembro de 1848 a maio do anno seguinte. Desta época até sua for- matura collaborou no Noticiador desta província ; durante sua residên- cia na côrte collaborou no Futuro, no Guanabara, no Jornal das Fa- .milias, onde publicou diversas poesias, romances, contos e estudos litterarios, e no periodico político Constitucional, em que teve por companheiro o Dr. P. de Calazans, e onde publicou sua CA 5 - Epistola a Machado de Assis - que tanto echo teve no Brazil e em Portugal. Foi em 1867 um dos cinco redactores do Diário do Rio de Janeiro, onde escrevia a - Semana Litteraria - resenha critica de obras que se publicavam ; e flnalmente redigiu - 0 Conservador : orgão constitucional e catholico. Parahyba, 1875 a 1877, in foi. - Hi diversas poesias suas em outras revistas e col- lecções, mesmo européas, como - 0 hynverno-nv Echo Americano de 15 de novembro de 1872, com uma epigraphe de A. Dumas, filho. - Canção do marinheiro - no Cancioneiro alegre, de C. Castello- Branco, pags. 81 a 83. - Deus - na Revista Popular, tomo 3o, pag. 119. - Oblação a Deus. Ao meu doutíssimo amigo o Sr. Castilho José - Idem, tomo 14° pag. 57 e seguintes. Deixou inéditas muitas poesias, sendo a ultima delias um soneto com o titulo Sonhando, composto nas proximidades da morte e escripto por sua espoza ; e além de poesias as seguintes obras : - Constantino : comedia. Foi representada, e delia faz menção o Dr. Frankin Tavora no discurso recitado na sessão magna do Instituto historico a 15 de dezembro de 1882. - Lagrimas de crocodilo: comedia - idem. - A Baroneza de Cayapò : comedia - idem. - O chapéu : scena cómica - idem. - Ora ! bolas : scena cómica - idem. - Por minha mãe que estti cega. Traducção (incompleta) da alta comedia de Giacommetti - Vem no dito discurso mencionada. - Rosas e phantasias : contos - idem. - Esboço de biographia e critica do Barão de Itamaracá, dividido em tres partes com todas as producções poéticas de tão apreciado engenho- idem. - Vocabulário etymologico (onde expõe os princípios em que funda a orthographia que adoptara ) - idem. O Dr. Caetano Filgueiras escreveu mais a introducção do volume Crysalidas de J. M. Machado de Assis, que o autor do «Diccionario Universal Portuguez » classifica de esplendida e admiravelmente bem escripta, reproduzindo grande parte delia no mesmo Diccionario. Caetano Antonio Salazar <los Santos - E' na- tural do Maranhão, onde fez alguns estudos de humanidades, casou-se e dedicou-se á lavoura, estabelecendo-se no Codó à margem esquerda 6 CA do rio Itapicurú, onde reside e amenisa a monotonia da vida cam- pestre, cultivando a poesia - e escreveu : - Prelúdios: collecção de poesias. Maranhão, 1865 -E' um livro de 164 paginas de composições de genero e metrificação diversos. Caetano Dias cio Figueiredo - Filho do Antonio Dias e nascido na cidade da Bahia em 1697, falleceu depois de 1735, sendo presbytero secular. Estudou no Collegio dos jesuítas, onde foi graduado mestre em artes e, partindo para Coimbra, matriculou-se no curso de cânones da universidade, em que foi graduado bacharel. De volta á patria, foi nomeado conego da Cathedral, e mais tarde desem- bargador da Relação ecclesiastica. Foi um distincto orador sagrado ; mas de seus sermões apenas publicou: - Sermão prégado nas exequias dos sacerdotes irmãos de S. Pedro, na sua capella da Bahia em 1732. Lisboa, 1732, in-4°. Caetano Dias cia Silva - Nascido em Portugal, falle- ceu no Rio de Janeiro a 4 de dezembro de 1868. Com carta de piloto de alto bordo sahiu muito joven de sua patria, percorreu vários paizes e veiu estabelecer-se depois no Espirito-Santo, onde casou-se e fez-se cidadão brazileiro. Foi um homem emprehendedor, de idéas adianta- das, e a quem esta província deve gratidão. Ahi fundou a colonia do Rio-Novo em 1856 em terrenos seus, consumindo boa parte de sua fortuna, a qual, por não poder sustental-a, ficou a cargo de uma associação por elle formada, e que por sua vez passou-a ao Estado. Iniciou a idéa da companhia de navegação Espirito-Santo, de que foi presidente, e montou, também em terras de sua propriedade, uma fabrica de distillação de alcaloides, espíritos, oleos e extracção de resi- nas, que não ficou concluída. Sem frequentar academia alguma, possuia conhecimentos de physica, chimica, mecanica e astronomia. Prestou serviços e era major da guarda nacional e, além de outros escriptos sobre emprezas que promoveu ou dirigiu, escreveu: - Associação Colonial do Rio-Novo. Breves considerações a re- speito das vantagens que offerece a colonia do Rio-Novo, etc. Rio de Janeiro, 1855,11 pags. in-4°. - Relatorio da Associação Colonial do Rio-Novo, apresentado e lido no dia 28 de setembro de 1856 por occasião de reunir-se a assembléa geral dos accionistas. Rio de Janeiro, 1856, in-40.' - Relatorio enviado á Repartição Geral das Terras Publicas polo director da imperial colonia do Rio-Novo, etc. Rio de Janeiro, 1857, 45 pags. in-4°, com dous mappas. <DA_ 7 - Relatorio dos factos que têm occorrido a respeito da empreza co- lonial do Rio-Novo, offerecido aos accionistas da mesma empreza pelo seu director, etc., em 31 de outubro de 1861. Rio de Janeiro, 1861, in-4°. Caetano Ferraz Pinto - Portuguez de nascimento, e brazileiro pela Constituição do Império, sendo formado em direito pela universidade de Coimbra, serviu como juiz de fóra de Monção em sua patria, exerceu outros cargos da magistratura, sendo de 1825 até 1827 intendente da policia do Rio de Janeiro, e teve as honras de desem- bargador. Foi um magistrado probo e recto, mas - diz o Dr. J. Felicio dos Santos -«deixou um nome odioso,por ter querido renovar o antigo systema de despotismo, quando dominavam outras idéas. Escreveu : - Questão da reunião das duas camaras: Io, sustentando a opinião da Camara electiva; 2o, refutando os argumentos da imprensa ; 3o, respondendo aos argumentos do Senado ; 4o, mostrando que a con- vocação para adita reunião compete ao. poder executivo. Rio de Ja- neiro, 1845, 41 pags. in-4°. Caetano Furquim de Almeida - Filho dé Manoel Furquim de Almeida e de dona Anna Bernardina de Mello, irmão de Baptista Caetano de Almeida, e tio materno de Baptista Caetano de Almeida Nogueira, já neste livro mencionados, nasceu em Jaguary, Minas Geraes, a 11 de novembro de 1816 e falleceu a 21 de janeiro de 1879, em Cachambú. Formado em direito pela faculdade de S. Paulo em 1838, firmou sua residência na cidade de Vassouras, onde dedicou-se ao commercio; foi mais tarde socio da firma social Furquim, Joppert & C.a, de commissões de café e generos do paiz, no Rio de Janeiro, e achou-se à frente de associações de melhoramentos e emprezas de ■utilidade publica. Tal preponderância e taes créditos adquiriu, que foi designado para cargos de alta representação e de confiança política, como o de inspector da Alfandega da côrte, e o de ministro de estado, que por excessiva modéstia recusou. Escreveu : - Relatorio do estudo comparativo de dous alinhamentos da estrada de ferro entre as cidades da Cachoeira e Alegrete na província do Rio Grande do Sul, apresentado ao Ministério da Agricultura pelos em- presários Caetano F. de Almeida, C. B. Ottoni e Herculano Velloso Ferreira Penna. Rio de Janeiro, 1874, 35 pags. in-4°. - Memória justificativa dos planos apresentados ao Governo Im- perial para construcção da estrada de ferro de Porto Alegre a Uru- guayana pelos concessionários (os mesmos acima). Rio de Janeiro, 1875 , 267 pags. in-4°, com uma carta e diversos mappas. 8 CA - Conflicto entre as estradas de ferro Leopoldina e Rio Doce de um lado, e a União Mineira de outro. Rio de Janeiro, 1878, 10 pags. in-8°. Caetano Francisco Lumaclii do Mello - Filho do capitão de milícias Giacomo Lumachi e de Dona Maria da Conceição Mello Barroso, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, a 27 de novembro de 1773 e falleceu em 1827. Assentando praça como cadete no 2o regimento da armada real de Lisboa, deixou a carreira militar em 1799 para servir o logar de escrivão e depois inspector da mesa grande da alfandega de Pernambuco, sendo-lhe mais tarde conferida por patente régia a nomeação de sargento-mór das ordenanças na commenda de Trossos e Rossos da sagrada religião da Malta com licença de residir no logar de seu emprego, assim como a de cavalleiro de Santiago da Espada, em cuja ordem professou, sendo transferido- depois, a seu pedido, para a de Christo. Gozou sempre da mais elevada estima e consideração como funccionario publico, merecendo elogios de vários membros do corpo consular estrangeiro. Foi um homem de vasta erudição ; escreveu diversos trabalhos e seu nome figura na relação dos escriptores públicos de sua província, annexa á Historia Ecclesiastica de Pernambuco do Dr. F. Soares Mariz, e no Diccionario biographico de pernambucanos celebres de F. A. Pereira da Costa. Este biographo, porém, declara que nenhuma noticia pôde obter de seus escriptos e locubrações litterarias, com excepção de dous opús- culos publicados pelo autor, cujos titulos, entretanto, não assignala. Versam estas publicações sobre : - Rendimentos da alfandega de Pernambuco em 1808, acompa- nhados de um mappa demonstrativo de sua importação e exportação. Londres, 1810 - Por esta occasião foi Lumachi de Mello severamente censurado pelo governader Caetano Pinto, que declara « ser inconve- niente se demonstrar aos estrangeiros, maxime aos inglezes, o estado do nosso commercio e os dados estatísticos relativos ». E foielle muito feliz em não ser logo punido com perda do emprego e alguma prisão ou multa. - Estatistica commercial, com a declaração minuciosa da importação relativa aos annos de 1822 a 1824 ; o renlimento da alfandega, o nu- mero das embarcações entradas e sahidas do porto do Recife, etc. Recife, 1825 -Tinha o autor administrado a alfandega durante o periodo a que se refere e nada soffreu, porque então o paiz era independente. No Diccionario Universal Portuguez, tomo Io, pag. 523, se faz menção deste escriptor, auginentando-se-lhe os appellidos Barroso de Albuquerque, com a declaração de haver sido elevado a fidalgo em 1802. CA 9 Caetano José de A.ud.raudLe I?iuto-Filho do Dr. João José de Andrade Pinto e dona Maria José de Paiva Andrade Pinto, e natural do Rio de Janeiro, nasceu a 11 de agosto de 1834 e falleceu a 26 de novembro de 1890. Moço fidalgo com exercício na casa imperial, ba" charel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II e bacharel formado em direito pela faculdade de S. Paulo em 1855, seguiu a carreira da magistratura, na qual serviu vários cargos e, sendo juiz de direito da primeira vara civel da corte, passou a desembargador da Relação do Ceará, cargo em que foi aposentado. Escreveu : - Classificação das leis, decretos, regulamentos e deliberações da província do Rio de Janeiro desde 1835 ate 1859, inclusive. Rio de Janeiro, 1860, 512 pags. in-8°. - Attribuiçães dos presidentes de provindas: estudo dividido em duas partes: l.a Ocommentario da lei n. 38 de 3 de outubro de 1834 5 2.a A nomenclatura dos serviços administrativos, pertencentes aos pre- silentes de província. Paris, 1865, 319 pags. in-8°. - Impostos e rendas geraes do império do Brazil: estudo do juiz de direito, etc. Parte l.a Guaratinguetã, 1870, 192 pags. in-8°. - Attribuições dos juizes de direito nas comarcas geraes. Rio de Ja- neiro, 18**-Esta obra foi reimpressa em 1880 pelo juiz de direito Carlos Honorio Benedicto Ottoni em seguimento a sua obra com o titulo de Estudos correccionaes. (Veja-se Carlos Honorio Benedicto Ottoni.) - A adulação e o ouro: comelia-drama em- quatro actos e sete qua- dros - Não pude ver esta composição, que, entretanto, se acha im- pressa, ea possue a bibliotheca de marinha. Como esta talvez existam outras obras suas e mesmo sobre sciencias jurídicas esociaes. Creio que é elle o autor da obra : - Misérias do mundo : comedia-drama. Rio de Janeiro, 18**. Caetano Lopes de Moura-Nasceu na cidade da Bahia em 1780, e falleceuem Paris a 3 de dezembro de 1860. Desherdado da fortuna e, portanto, na pobreza, apenas puderam seus paes man- dal-o aprender, além das matérias da instrucção primaria, a lingua latina, que elle estudou em um anno e meio com tanta applicação e proveito, que passou a ser mestre delia, e assim pôde com o producto de suas lições aprender outras matérias ao mesmo tempo, e seguir para a universidade de Coimbra, onde fez o curso de meJicina. En- trando no serviço de saude do exercito, militou na guerra da Península até que, finda a campanha, mudou-se para a França, e ahi se doutorou em medicina. Estabelecendo-se como clinico em Paris, nunca pôde da clinica haver os recursos necessários para viver ; dava-se para isso á 10 CA activissimos trabalhos de gabinete, já compondo, já traduzindo livros, de que deixou muitos e importantíssimos, sem ter ás vezes tempo para os limar convenientemente. Chegando taes factos ao conhecimento de D. Pedro II, Sua Magestade lhe concedeu uma pensão de seu bolso particular e de então em deante o Dr. Lopes de Moura póde viver mais desembaraçado, escrevendo sempre suas obras ; porém, já velho e cançado, pouco tempo sobreviveu á imperial munificência. Exerceu por algum tempo o cargo de cirurgião-mór da legião portugueza ao serviço do imperador Napoleão, e depois serviu na armada franceza, durante-o império. Delle conheço as seguintes obras : - Castriôto Lusitano ou historia da guerra entre o Brazil e a Hol- landa durante os annos de 1624 a 1654, terminada pela gloriosa res- tauração de Pernambuco e das capitanias confinantes : nova edição, dedicada a Sua Magestade o Senhor D. Pedro II, Imperador do Brazil, ornada com o retrato de José Fernandas Vieira, e duas estampas his- tóricas. Paris, 1844-A primeira edição deste livro foi feita em 1679 por Antonio Craesbec de Mello e offerecida a José Fernandes Vieira, muito cheia de erros e defeitos, de que expurgou-a o Dr. Lopes de Moura, incumbido deste trabalho pelo editor J. P. Allaud. No pro- logo desta segunda edição se diz que é ella uma reproducção da pri- meira; mas logo vêm mencionados os defeitos desta, e o Dr. Lopes de Moura corrigiu estes defeitos por tal fórma, e por tal fôrma coordenou os factos, supprimindo reflexões e conceitos desconnexos, que a se- gunda edição parece obra inteiramente outra do Castrioto Lusitano de Raphaelde Jesus. ( Veja-se a noticia a respeito na Nouvelle biogra- phie general, tomo 34°, e na Revista do Instituto historico, tomo 24°, seu elogio pelo Dr. Macedo.) - Livro indispensável ou novissima collecção de receitas concer- nentes ás artes, oflicios e economia domestica e rural, colligidas das obras mais celebres e recentemente publicadas. Paris, 1845, in-160.- Ha uma edição de Lisboa in-8°. - Harmonias da creação ou considerações sobre as maravilhas da natureza, especialmente sobre o instincto dos animaes, contemplado com provas evidentes e demonstrativas da existência, da sabedoria, da bondade e da omnipotência do Creador. Paris, 1846, in-12° com ests.- . Ha uma nova edição também de Paris, 1860,366 pags. in-12° com 2 ests. - Historia de Napoleão Bonaparte desde seu nascimento até sua morte; seguida da descripção das ceremonias que tiveram logar na trasladação de seu corpo'da ilha de Santa Helena para Paris e de seu funeral. Ornada com doze estampas e o retrato de Napoleão. Paris, 1-846, 2 vols. in-8°. CA 11 - Diccionario historico, descriptivo e geographico do Império do Brazil, contendo a historia e origem de cada província, cidade, villa e aldeia ; sua população, commercio, industria, agricultura e productos mineralógicos ; o nome e a descripção de seus rios, lagoas, serras e montes ; estabelecimentos litterarios, navegação e o mais que lhe é re- lativo. Obra por Milliet de Saint Adolphe, trasladada em portuguez do manuscripto inédito francez, com numerosas observações e addições, ornada com um mappa geral do Império do Brazil e cinco plantas dos portes e cidades principaes. Paris, 1845,2 vols., 1.375 pags. in-8°- Ha uma edição de Paris, 1863, in-8°. - Cancioneiro alegre de El-rei D. Diniz, pela primeira vez impresso sobre o manuscripto do Vaticano com algumas notas illustrativas e uma prefacção historico-litteraria. Paris, 1847, in-4°. - Nova guia da conversação moderna, em francez e portuguez, para uso dos viajantes e das pessoas que se dão ao estudo das duas línguas. Paris, 18** - Nova edição, revista, correcta e augmentada de diálogos sobre as viagens, caminhos de ferro, navios a vapor, etc. Paris (1865 ) -Não vem declarada a data. - Tratado de geographia universal, physica, histórica e política; redigido segundo um novo plano, e conforme os últimos tratados de paz ; precedido dos princípios geraes de geographia astronómica, phy- sica e política, colligidos .principalmente do Tratado de geographia de Adrien Balbi. Paris, 1858, 2 vols. in-8° com um atlas - Esta éa se- gunda edição, revista e inteiramente refundida pelo Dr. Caetano Lopes. - Tratado de geographia elementar, physica, histórica, ecclesias- tica e politica do Império do Brazil. Paris, 1861, in-8°-E'escripto de collaboração com Malte Brun. - Os Luziadas de Luiz de Camões : nova edição, segundo a do mor- gado de Matheus, com as notas e vida do autor pelo mesmo, corrigida segundo as edições de Hamburgo e de Lisboa, e enriquecida de novas notás e de uma prefacção pelo Dr. Caetano Lopes de Moura. Paris, 1847, in-12°-Foi depois reproduzida em 1859. - Epitome chronologico da historia do Brazil para uso da mocidade brazileira. Paris, 1860, 349 pags. in-8°, com um mappa. - Mythologia da mocidade, historia dos deuses, semideuses e divin- dades allegoricas da fabula, seguida da descripção dos logares celebres pela antiguidade mytliologica, com 28 estampas. Paris, 1840, in-8°. Muito versado em diversas linguas da Europa, o doutor Lopes de Moura traduziu delias as seguintes obras: - Jesus Christo perante o século, ou o triumpho da religião christã proclamado pelas recentes descobertas das sciencias naturaes, por 12 CA A. F. F. V. de Rossely de Lorgues. Traduzido etc. Paris, 1844, in-8° - Esta obra foi também traduzida no Império pelo Dr. Filippe Nery Corlaço, de quem se trata neste livro. - Mez de Maria ou nova imitação da Santíssima Virgem por mad. Tharbé des Siblons, etc, traduzido do francez. Paris, 1845, in-12°. - Contos a meus filhos, escriptos em allemão por Katzebue. Paris, 1838, 2 vols. in-12°. - Arte de curar a si mesmo nas doenças venereas com o receituário correspondente, por Golde de Liancourt. Paris, 1839, in-8', com uma estampa. - Maximas e sentenças moraes pelo Duque de La Rochefoucauld, traduzidas do francez. Paris, 1840, in-16°. - Historia dos cães celebres, na qual se relata grande numero de historias recreativas e extremamente interessantes acerca do instincto destes animaes, por Freville. Paris, 1845, in-12°. com estampas. - Deus è todo puro amor : preces e orações quotidianas, por Echartshauseni, vertido do allemão. Terceira edição. Paris, 1849, in-16°. - Cartas de Heloísa e Abelard, traduzidas por Caetano Lopes de Moura, seguidas das cartas amorosas de uma religiosa portugueza, re- stituídas á língua materna por dom José Maria de Souza, morgado de Matheus, augmentadas com as imitaçõ ^s Dorat e outras, traduzidas do francez por Filinto Elisio e Caetano Lopes de Moura. Paris, 1838,2 vols. in-8°- Começa o tomo Io pela carta de Abelard a um amigo seu, a qual no original se divide em quinze capitules, que encerram memórias do mesmo Abelard. Segue-se a correspondência dos dous amantes, cinco cartas, conformes, não à lição authentica, que hoje se pôde estudar nas traducções de Oddoul, de Villenave e Paulo Lacroix, sinão a alguma das imitações dos séculos XVII e XVIII, talvez a de dom Gervaise, ou a de Bastien, talvez a do Conde de Bussy- Rabutin, « qui flt parler Heloise comme Mlle de la Vallière aurait parle dans son couvent de carmélites, et qui donna également à Abelard le ton de la cour de Louis XIV ». Vem depois a traducção, em prosa, da carta de Pope, uma resposta, em prosa também, de autor desconhecido, e por ultimo duas epistolas em versos portuguezes. A pri- meira, Epistola de Heloisa a Abelard, tem a assignatura J. da F. com que anteriormente sahira impressa na Collecção de epistolas eróticas e philosophicas, Paris, 1834, é traduzida da imitação franeeza de Colar- deau, e não do original de Pope, e com leves variantes a mesma que tem corrido em nome de José Anastacio da Cunha, e que como tal foi por Innoceucio da Silva inserida nas Composições poéticas do autor. 13 A ultima, Epistola de Abelard a Heloísa, é anonyma e diversa da que attribuem por modo similhante a José Anastacio. O tomo 2o compre- hende dezesete cartas de uma Religiosa portuguesa, as quaes formam duas series, uma havida por authentica, ontra supposta : esta de doze cartas, traduzidas por Filinto Elisio; aquella de cinco, restituídas á lingua materna pelo morgado de Matheus. A ellas, e para remate do volume, ajuntou o Dr. Lopes de Moura a sua traducção das dezeseis cartas que, à imitação das precedentes, e em verso fran- cez, compuzera Dorat. - Os Incas ou a destruição do Império do Perú: romance por Mar- montel. Paris, 1837, 2 vols. in-12°. - Os Natchez: novella americana por Chateaubriand. Paris, 1837, 4 vols. in-12°. - Dona Ignes de Castro : novella pela Condessa de Genlis, com estampas. Paris, 1837, in-12° - Nova edição, Paris, 1882. Ha uma edição de Paris, 1855. - O derradeiro mohicano: historia americana, acontecida em 1757, por Fenimore Cooper. Paris, 1838, 4 vols. in-12°. - O piloto', novella americana por Fenimore Cooper. Paris, 1838, 4 vols. in-12°. - O talismã, ou Ricardo na Palestina, por Walter Scott. Paris, 1837, 3 vols. in-12°. - Os puritanos na Escossia, por Walter Scott. Paris, 1837, 4 vols. in-12°. - Quintino Doward, ou o escossez na côrte de Luiz XI, por Walter Scott. Paris, 1838, 4 vols. in-12° - Neste mesmo anno, e também em Paris foi publicada uma traducção deste romance, por A. J. R. de Souza. - O misanthropo ou o anão das pedras negras, por Walter Scoott* Paris, 1836, in-12°. - Waverley ou ha dezoito annos, romance por Walter Scott. Paris, 1844, 4 vols. in-12°. - A prisão de Edimburgo, por Walter Scott. Paris. 1844, 4 vols. - Obras selectas de sir Walter Scott, traduzidas em portuguez Paris, Guillard, Aillaud & C.,e 24 vols. in-12°. - Compõe-se esta colle- cção dos seis romances precedentes, e mais do - Jvanhoè, ou o regresso do cruzado, por Walter Scott, 4 vols. - Este deixou de ser publicado antes, porque, quando ia ser dado ao prélo, sahia â luz em Paris uma traducção por E. P. da Camera, em 1837, e já no anno anterior havia sido publicada outra traducção em Lisboa, de A. I. Ramalho. 14 CA - Misantropia e arrependimento: drama em cinco actos, escripto em allemão por Kotzbue. Paris, 1841 - Foi traduzido e impresso no mesmo anno em Lisboa, por A. A. de Aguiar. - Arthur ou dezeseis annos depois : drama-vaudeville em dous actos, de Dupeuty, Fontan e Dravigny. Paris, 1841, in-8°- O Dr. Lopes de Moura escreveu mais: - Auto-biographia do Dr. Caetano Lopes de Moura, natural da Bahia, 29 pags. in-fol.- Pertence este autographo ao Instituto historico.E segundo afilrma Pierre Larousse no seu grande Diccionário Universal, este autor collaborou no - Quadro elementar das relações políticas, etc. - Obra em 9 vols. Caetano Lopes Pereira - Filho de José Lopes Pereira e de donaMarianna da Silva Barbosa, nasceu na villa de Santo Antonio de Sá, provincia do Rio de Janeiro, a 29 de julho de 1721, e falleceu em Minas-Geraes, sem que conste o dia e anno de seu obito. Desti- nando-se ao estado ecclesiastico, estudou humanidades no collegio dos jesuitas da cidade do Rio de Janeiro e recebeu o grão de mestre em artes, dedicando-se com mais especialidade ao estudo da theolo- gia e da lingua latina, matérias de que adquiriu os mais profundos co- nhecimentos, e leccionou a segunda no seminário dos orphãos de S. Joaquim e depois no seminário episcopal de S. José. Seguindo para Portugal, em dezembro de 1749, ahi recebeu ordens de presby- tero e voltou á patria, onde distinguiu-se ainda como orador sa- grado, eloquente e fecundo e foi nomeado vigário geral da freguezia de S. Caetano das Minas, depois do respectivo concurso em 1572. Escreveu grande numero de sermões; mas desappareceram depois de sua morte. Delles apenas ficaram : - Sermões da Immaculada Conceição da Virgem Santíssima, pré- gados na manhã e tarde em o seu proprio dia, 8 de dezembro de 1747, no templo da Boa-Morte, da cidade do Rio de Janeiro, na solemnidade que annualmente lhe consagra aquella devotíssima irmandade. Lis- boa, 1749, in-4°. Caetano Maria Lopes Gama, Visconde de Maran- guape - Filho do Dr. João Lopes Cardoso Machado (de quem tra- tarei em tempo) e de dona Anna Bernarda do Sacramento Lopes Gama, e irmão do padre Miguel do Sacramento Lopes Gama, nasceu na cidade do Recife a 5 de agosto de 1795 e falleceu no Rio de Janeiro a 21 de junho de 1864. Destinando-se á vida monastica, entrou para o noviciado do mosteiro de S. Bento de Olinda, onde CA 15 fez o curso de humanidades; mas, em vez de professar, foi para Coim- bra, formou-se em direito e entrou para a carreira da magistratura no logar de juiz de fóra do Penedo, em Alagôas. Dahi passou à ou- vidor da capital, e neste cargo tanto cooperou para a independencia •do Brazil, que foi eleito presidente do governo provisorio e depu- tado â Constituinte, por essa província, que elle ainda foi pacificar em 1844, administrando-a, sem se derramar uma só gotta de sangue. Subiu na magistratura até aposentar-se no cargo de ministro do Su- premo Tribunal de Justiça; foi o primeiro presidente da província de Goyaz, por onde foi eleito deputado na 2a legislatura, já havendo-o sido por sua província natal, na Ia; serviu em diversos gabinetes, occupando as pastas do Império e dos Estrangeiros e a da Justiça, em cujo exercício morreu, sendo senador pelo Rio de Janeiro ; do conse- lho do Imperador; conselheiro de estado ; grande do Império; grande- dignítario da Ordem da Rosa, commendador da de Christo e official da do Cruzeiro ; gran-cruz da Ordem de S. Januario de Nápoles e da ordem turca de Medgidié, de Ia classe; socio do Instituto historico e geographico brazileiro e da Academia de archeologia da Bélgica, e um dos homens mais sympathicos e de mais ameno trato que tenho conhecido. Escreveu vários Relatórios apresentados â assembléa gerap o às assembléas de Goyaz e de Alagoas, sendo um delles o - Reiatorio da Repartição dos Negocios Estrangeiros, apresentada á assembléa geral legislativa na 2a sessão da 10a legislatura. Rio de Janeiro, 1858, in-fol.- todos impressos, e bem assim vários pa- receres apresentados no conselho de estado, sendo um destes o - Parecer em separado sobre a questão: « Quaes as providencias que se devem tomar e que disposições se devem adoptar para regular no Brazil os casamentos mixtos e evangélicos? Casamento de Catha- rina Scheid, protestante, casada com Francisco Fagundes, catholico romano.» - Vem no Livro : « Casamento civil. Ministério dos Ne- gocios da Justiça, sendo ministro da Justiça o conselheiro Nabuco, etc. Rio de Janeiro, 1860. - Memorandum reservado, dirigido ao Illm. e Exm. Sr. Aure- liano de Souza e Oliveira Coutinho, etc., sobre a questão do Oyapok -• Acha-se annexo á « Memória sobre os limites entre o Império e a Guyana Franceza, por Manoel Maria Lisboa.» Na exposição de His- toria patria de 1881 estiveram presentes os originaes seguintes : - Estatística da provinda de Goyaz, remettida á secretaria de es- tado dos negocios do império, 1825, 6 íls. in-fol. - Oficio dirigido a José Feliciano Fernandes Pinheiro, em que dão-se esclarecimentos necessários para se conhecer da possibilidade e 16 CA proveito da abertura de uma estrada que vã de algum ponto desta província até ás cabeceiras do rio Mojú ou Igarapé-mirim e outros objectos; datado da cidade de Goyaz a 24 de maio de 1826, 7 fls. in-fol. - Officios dirigidos pelo ministério dos negocios estrangeiros, etc.- ( Veja-se Aureliano de Souza e Oliveira Coitinho, Io) Ha, finalmente, do Visconde de Maranguape muitas - Poesias inéditas - de que aqui apresento estes mimosos versos : Fagueiro vibrar de amor, De peregrina aíleição, D'alma virente flor, Ternura, encanto, expressão, Bafejo do meu sentir... Pura és tu, sympathica, Qual é dos céos a harmonia, Qual é da virgem sorrir ! Caetano Pinto <le Veras - Natural do Pernambuco, ahi falleceu pelo anuo de 1880, servindo na alfandega do Recife, como empregado da repartição geral da fazenda. Servia também o cargo de inspector das lojas maçónicas dessa província por no- meação do grande oriente do Lavradio, e escreveu ou publicou sob seu nome: - Manifesto que a todos os Maç.q dirige o Ir.*, etc. Pernambuco, 1862, 64 pags. in-8°. Caetano da Rocha Pacova - Nasceu na província do Maranhão, e falleceu, ha muitos annos, depois de dolorosos soffri- mentos, na cidade de Campos, província do Rio de Janeiro. Ourives de profissão, obtendo daassembléa do sua província meios para ir á Europa estudar sciencias naturaes, foi com effeito á França, e ahi fez esses es- tudos, para os quaes mostrara especial aptidão. Escreveu : - Apontamentos sobre a necessidade de uma escola de agricultura theorica e pratica, apresentados ao Exm. Sr. Ministro do Império. Rio de Janeiro, 1859, 23 pags. in-4° - Vem reproduzido no periodico Actualidade n. 47 e outros deste anno. Camillo Henrique Salgado - E' professor de peda- gogia da Escola Normal da província, hoje Estado do Parà, donde me parece que è natural, e escreveu : - Compendio elementar para o ensino dos primeiros rudimentos de Leitura da língua nacional. Pará, 1878, in-8°. 17 Camillo José Cadaval Roquette - Ignoro sua na- luralidacle ; parece-me que nasceu em Minas Geraes : si não foi bra- zileiro por nascimento, o foi pela independencia. Escreveu : -Discurso dedicado ao faustíssimo anniversario de S. M. I. D. P. do Brazil, o Sr. dom Pedro I em o dia 12 de outubro de 1823. Rio de Janeiro, 1823, in-4°. Camillo José <lo Rozario Guedes - Consta-me que nasceu em Lisboa pelo anno de 1780. E', porém, certo quede Portugal veiu para o Rio de Janeiro pela época da independencia, adlheriu á ella eaqui continuou a residir até fallecer, depois do anno de 1840. Na cidade de Lisboa foi empregado da camara municipal, e tinha a seu cargo o serviço da limpeza publica. Dado á litteratura, escreveu diversos opusculos, tanto em prosa, como em verso, dos quaes conheço : - Sentimento de Portugal pela Augustissima rainha dona Maria I : ode. Lisboa, 1816, 7 pags. in-4°. •-Ode heroica ao Illm. e Exm. Sr. W. Carr Beresford, marechal ge- neral dos exercitos de sua magestade fidelíssima. Lisboa, 1816,8 pags. in-8Q, com o retrato do marechal. -A gloria de Portugal; ode pindarica que dedica ao augusto e so- berano Congresso da nação portugueza. Lisboa, 1821, 15 pags. in-8". -A' memória dos doze portuguezes benemeritos da patria, que em 18 de outubro de 1817 soffreram martyrio por causa da liberdade e da independencia nacional. Lisboa, 1820, 26 pags. in-4°-E' uma elegia. - Oração fúnebre, consagrada aos martyres pela sociedade patriótica Constituição. Lisboa, 1822, 21 pags. in-4°. -A pateada nova farça. Lisboa, 1816, 36 pags. in-8°-Vem as- signada com as quatro lettras iniciaes do nome do autor. - O dia de jubilo para os amantes da liberdade ou a quédado tyranno: drama liberal em tres actos. Rio de Janeiro, 1831, in-4°. - O resultado de uma experiencia ou a disciplina militar : drama em ires actos, traduzido, etc. Rio de Janeiro, 1840, 62 pags. in-8°. Deixou inéditos, não só poesias, como diversos dramas, sendo alguns representados, como : - O homem da selva negra : drama em tres actos, representado em Lisboa em 1819 - Não sei si foi impresso. Camillo de Lellis Masson - Nasceu na cidade de Na- zareth, na província da Bahia, em cuja capital estabeleceu-se com uma ©fficina typographica e falleceu ha annos, tendo publicado : - Almanah administrativo, mercantil e industrial da Bahia para 18 CA o anno de 1855, organizado por Camillo de L. Masson ( Io anno).. Bahia, 1854. - Almanak administrativo, mercantil e industrial da Bahia, (para os annos de 1856 a 1863, organizados, etc. 2o ao 9o anno). Bahia, 1855 a 1862, 8 vols. Camillo <le Lellis e Silva, 1° - Natural da cidade da Cachoeira, da província da Bahia, nasceu a 2 do março de 1819 e foi educado no collegio dos nobres em Lisboa. Tendo praça de piloto da armada a 27 de abril de 1845 por nomeação do commandante das forças navaes da província do Rio Gran le do Sul, foi promovido a segundo' tenente a 6 de abril do 1855, a primeiro tenente a 2 de dezembro de 1860 e reformado neste posto por decreto de 1& de outubro de 1866. E' archivista do quartel general da marinha, fidalgo cavalleiro da ex- tinctacasa imperial, cavalleiro da ordem de Christo e da de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha da cmipanha do Paraguay - e escreveu : - Diário da viagem feita pelos sertões de Guarapuava ao rio Pa- ranan - Sahiu na Revista Trimensal do Instituto Historico, tomo 28°, 1865, parte Ia, pags. 5 a 31. A bibliotheca nacional possue o original com uma rezenha da caça, peixes e abelheiras que o autor encontrara durante o curso de sua viagem de ida e volta ao rio Paranan. Além de um mappa da exploração feita pelos sertões que percorreu até o dito rio, e que acompanha o Diário, escreveu elle por esta occasião : - Relatorio de Camillo de Lellis Silva, chefe interino da commissão encarregada da abertura da estrada de Guarapuava ao Paranan. S. Paulo, 1852, 11 pags. in-4°. Ca-millo de Lellis e Silva, 23° - Filho do precedente e de dona Rachel Aurora do Andrade de Lellis e Silva, nasceu na cidade de S. Paulo a 20 de fevereiro de 1849 e íalleceu a 18 de novembro de 1882 em Petropolis. Graduado em sciencias physicas e naturaes e engenheiro civil pela escola central em 1872, e exercendo o cargo de professor de portugnez do curso nocturno, creado pela sociedade au- xiliadora da industria, foi transferido em 1873 para a cadeira de technologia das artes, inaugurando suas lições com uma serie de prelecções sobre essa matéria. Foi nomeado depois examinador da instrucção publica; mais tarde professor adjunto de mathematicas element res do externato do anfgo collcgio de Pedro II, e finalmente, não sendo confirmado nesse logar, depois do uma digressão que fez por sua província, foi encarregado da direcção da fabrica de tecidos CA 19 Petropolitana, na Cascatinha, onde contrahiu a moléstia do que morreu. Era moço fidalgo da casa imperial, cavalleiro da ordem da Rosa e escreveu : - Discurso proferido por oceasião da inauguração do curso nc- cturno para adultos, creado pela sociedade auxiliadora da industria nacional, etc. Rio de Janeiro, 1871, in-8°. - These de concurso ao logar de professor substituto do mathema- ticas elementares do imperial collegio de Pedro 11. Rio de Janeiro, 1879, G1 pags. in-49- Trata-se ahi de tracções continuas c regra de companhia. fx*. Camillo clô 3Íòiisèvrate-Filho do Duque de Berry, o segunlo filho do Conde de Artois (Carlos X), o qual foi assassinado ao sahir da opeia pelo fanatico Louvei, que queria ver extincta a raça dos Bourbons, e de uma senhora da antigaTamilia Malatesta, da Italia, nasceu em Paris a 14 de novembro de 1818, depois do casamento daquelle príncipe com dona Carolina, a filha de Francisco I das duas Sicilias, e falléceu no Rio de Janeiro a 19 de novembro de 1870. Confiado desde que viu a luz a Jorge Gabriel Cleau e ásua esposa, que se diziam seus paes, chamando-se por essa razão Camillo Cleau, teve educação tão esmerada, que aos quinze annos tinha perfeito conhecimento da lingua ingleza e da latina, algumas noções de historia e de philosophia, e começava os estudos de archeologia e de critica (para os quaes tinha deci lida vocação) pelo museo de antiguidades' egypcianas, com permissão do director geral dos museos reaes para frequental-o antes da hora ordinaria. Contrai iedades da vida, quando já conhecia a origem de seu nascimento, levaram-no a uma excursão pela Nova Zelandia, onde demoí ou-se de 1837 a 1839, e de volta á patria, leccionou latim e grego no lyceo de Corbeil, lecionou depois em ura collegio de Fontenay-aux-Roses, o qual fez mais tarde fusão com o Prytanoo de Menars, sendo elle um dos directores. De com- pleição mui fraca, leccionando varias línguas e scienc'as ao mesmo tempo, deixou Menars ao cabo de poucos mezes o veiu para o Rio de Janeiro, onde naturalisou-so cidadão brazileiro. No Rio d; Janeiro soffreu ainda contrariedades e desgostos, a que buscou dar fim, reco- Ihendo-se á ordem benedictina, onde professou a 1 de janeiro de 1849, com o nome de Fr. CamiHo de Monserrate. Já religioso professo, foi nomeado em 1850 professor de geograpliia e historia do collegio Pedro II, cargo de que pediu demissão em 1855 ; director da bibliotheca nacional em 1853 e membro do Conselho director da instrucção. publica do município neutro em 1868, exercendo taes cargos até suab 20 O.Y. morte. Era também paleographo honorário do archivo publi o; membro da sociedade dos antiquários do Norte de Copenhague c do varias associações de lettras ; cavalleiro da ordem portugueza de N. S. da Conceição de Villa Viçosa e da honrosissima ordem dos Serafins, da Suécia, a qual sómente conta de trinta e um membros o apenas oito estrangeiros. Deste sabio hellenista e archeologo, nascido para as investigações eruditas e dotado pela Providencia com o instincto ■do savant, como diz o Barão de Ramiz, acham-se circumstanciadas noticias no « Estudo biographico », que o mesmo Barão escreveu e constitue o vol. 12° dos annaes da bibliotheci nacional do Rio de Janeiro, de 521 pags. in-4°. Das obras ahi mencionadas, escriptas umas em França, e outras no Brazil, citarei as seguintes : - Une estatue d'IIeraclite: memória em solução de um problema archeologico, 1832 - Tinha o autor 14 annos de idade 1 - JEnigmatis, grèce scripti, nova interpretatio - Foi publicada na Minerva Brazileira, vol. 3", 1844, n. 1, com 27 notas. - Clitodeme biographie - Na biographie universelle ancienne et moderne, vol. Gl°. Paris, 1837. - Notice biographique sur Duris, historien et tiran de Samos - Vem, como outros escriptos, nos citados Annaes, pags. 301 a 310. Foi escripta para a biograplra universal e não foi publicada, talvez por ser extensa e ir além do programma geral do livro, sendo por este motivo que o autor não apresentou outros artigos, de que se encon- traram notas interessantes entre seus papeis. - Vocabulaire neo-zelandais - Nos Nouvelles Annales des Voyagos, tomo 1°, 1842, pags. 192 a 204, sob o pseudonymo de Guido Malatesta. - Discurso em acção de graças pela entrada do santo padre Pio IX em Roma. 1850 - O mosteiro de S. Bento não teve um orador que podesse preparar uni discurso para o Te-Deum celebrado logo que teve a noticia do facto occorrido em Roma, e então fr. Camillo es- creveu esse trabalho em francez, que foi traduzido e recitado por fr. J. da P. Franco. Acha-se no citado Estudo biographico, pag. 350 e segs. - Lições de geographii antiga - No dito livro, pags. 354 a 374. E1 parte de uma obra escripta para seus alumnos. Ali também se acha o seu programma do curso da aula para o anno de 1853, á pags. 91 c 95, o qual foi desenvolvido à risca. - Parecer sobre o Manual de historia geral contemporânea dos Srs. Barão de Thautphoeus e bacharel Gonçalves da Silva - idem, pags. 376 a 380. CA 21 - Cartas escriptas de Botafogo por Carlota Frederica - São doze cartas. Idem de pags. 400 a 452. As duas primeiras foram publicadas em portuguez antes na Revista Popular, tomo 1", 1859, pags. 176 a 243 ; as outras em francez no Echo du Brèsil, 1860. - Antiguidades mexicanas (fragmentos) - Idem, pags. 472 a 517. E' um trabalho que revela grande erudição, e em que o autor pugna pela origem asialica da civilisação americana, delineando tradições, lendas e monumentos relativos á historia do México, e estudando a questão por todas as suas faces. O Barão de Ramiz, em summa, dá noticia de muitos trabalhos ainda de fr. Camillo, comprovando sua rara illustração e perseverante applicação ao estudo. Parece que elle collaborou em sua mocidade, quando secretario de J. A. Letronne, um dos mais notáveis archeologos da França, na obra : - Lettres d'un antiquaire à un artiste. 1835-1837, ou na celebre memória «Origine grecque des zodiaques pretendas egyptiens». Por combinações de datas assim o presume seu biographo. Em sua chegada ao Brazil, finalmente, redigiu: - Lc Courrier Europèen. Rio de Janeiro, 1844. Ca mi 11o Passalacqoa - E' presbytero do habito de S. Pedro, professor de portuguez no seminário episcopal e professor da quarta cadeira na escola normal de S. Paulo. Escreveu : - Pedagogia e methodologia theorica e pratica para uso dos alumnos da escola normal de S. Paulo. S. Paulo, 1887. - Discurso proferido na cidade do Rio Claro por occasião da posso do vigário collado, padre E. Paulino Bueno. S. Paulo, 1888. D. Candida Fortes - natural da cidade da Cachoeira, da provincia, hoje estado do Rio Grande do Sul, e nascida no anno de 1863, cultiva com esmero as lettras, tem sido constante collabora- dora do Jornal do Commercio de Porto Alegre e tem prompt.os para dar ao prélo os seguintes volumes: - Reverberos ; poesias. . - Contos á minhas irmãs. D. Can elida Isolina de A.Fn'en-natural dePorto Alegre, capital da província, hoje estado do Rio Grande do Sul, e nascida no anno de 1862, é uma cultora mimosa da poesia, tem col- 22 CA labor ido pira varias revistas do Pelotas, onle reside, e tom inédita umicilhcção de: - Poesias lyricas - que serão publicadas, segundo sou informado, em um volume. Da Arena Litteraria transcrevo aqui sua poesia: Irrisões: Emquanto o potentado em farta o lauta mesa Dá contas ao prazer, á grande saturnal, Além se escuta a voz da intima pobreza Um leito mendigando ás portas do hospital. Sem ter um seio amigo, errante, abandonada, Ao peso da desgraça e de afflicções austeras Expira tristemente em lagrimas banhada A desditosa mãe do autor das Primaveras. Mais longe para um vulto, enfermo, soluçante, De fronte embranquecida em.fundas agonias... Embalde erguendo a mão murmura ao caminhante: « Esmola á pobre mãe do bom Gonçalves Dias.» Tributo pago ao vate !... E ante a vil grandeza O pranto do infortúnio, ó Deus ! o que é que vai, Té mesmo que a virtude á fome sendo preza, No vicio desvairada se entregue ao lodaçal í Que importa a dôr alheia ?... Os ricos - homens d'ouro - As ílôres da pureza arrojam pelo chão ; E vis, querem lançar - co'as faces sem decoro As 11 lhas da desgraça ás mesas de um balcão I Si um dia a triste ílôr, seguindo a negra sina, As festas lhes turbar, pedindo-lhes um pão, O rico só lhe brada: «arreda messalina, Não podes ter siquer do mundo a compaixão». Que importa o crime e a dôr, si em farta e lauta mesa Dão contas ao prazer, alento á saturnal 1 Lá fora, no abandono, a misera pobreza Mendiga pela rua ou morre no hospital ! Cândido JLrig-usto Pereira Ipjranco - Filho de Luiz Pereira Franco e nato materno do desembargador Joaquim Anselmo Alves Branco Moniz Barreto, de quem tratarei opportunamente, nasceu na cidade da Bahia, falleceu em Maceió a 6 de março de 1884. Formado em direito pela Faculdade do Recife em 1854, entrou para o serviço da magistratura no cargo de juiz municipal de Canavieira, província da Bahia ; serviu successivamente igual cargo em Aracajú, o de juiz de direito de Penedo, chefe de policia da província do Ma- ranhão, e juiz de direito de Maceió, sendo também primeiro vice- presidente de Alagôas. Escreveu: - Compilação das leis provinciaes de Sergipe, de 1835 a 1880. Aracajú (sem data), typ. de F. das Chagas Lima, 2 tomos. - Relatório com que... ao Exm. Sr. Dr„ José Barbosa Torres passou CA 23 a administração da província das Alagôas o... Io vice-presidente da mesma província em 16de março de 1882. Maceió, 1882, in-8°. - Relatorio com que... passou a administração da província das Alagôas ao 4o vice-presidente, etc., no di&6 de julho de 1882. Maceió, 1882, in-8°. - Appellação no crime: Está no inteiro vigor o art. 451 do Regula- mento n. 120 de 31 de janeiro de 1842 - No Direito, tomo 8o, pags. 440 a 444. Oa^ndido de Azeredo Continlio - Falleceuna cidade do Rio de Janeiro a 5 de julho de 1878, senJo licenciado em mathe- maticas, lente de chimica jubilado da antiga escola militar, provedor da casa da moeda, do conselho do Imperador, commendador da ordem da Rosa e da de Christo, commendador de segunda classe da ordem Ernes- tina da casa ducal da Saxonia, socio da sociedade auxiliadora da indus- tria nacional e de outras associações de lettras e sciencias, quer nacionaes, quer estrangeiras. Escreveu: - Reflexões sobre o nosso systema monetário e indicações das me- lhores maneiras de retirar o papel-moeda. Paris, 1837, 47 pags. in-12°. - Apreciação do medalheiro da casa da moeda, apresentada na exposição de 1861 e oíferecida aos empregados, praticantes e operários da mesma casa. Rio de Janeiro, 1862, 65 pags. in-4° com o retrato de D. Pedro I. - O Senhor Dom João, principe regente, perante a historia: cartas publicadas no Jornal do Commercio de 8, 13 e 14 de outubro. Rio de Janeiro, 1866 - Refere-se esta obra ao descobrimento, na thesouraria da casa da moeda, de uma caixa, contendo os padrões para um novo systema decimal de pesos e medidas, fabricados em Lisboa, no arsenal do exercito em 1815. Consta-me que se occupara desse assumpto Manoel Vicente do Couto, de quem hei de tratar, assim como João Bernardo da Rocha Loureiro, portuguez, no seu «Portuguez em Londres, ou Mercúrio politico, commercial e litterario», publicado em Londres de 1814 a 1821. - Noticia sobre as moedas do Brazil e seu valor intrínseco em diversos paizes estrangeiros. Rio de Janeiro, 1867, 29 pags. in-8° - Além de um estudo indispensável sobro os valores de nossa moeda, aqui se acha um estudo sobre os valores da moeda de diversos paizes estrangeiros. - Metrologia actual do Brazil. Rio de Janeiro, 1867, 15 pags. in-8°. - Necessi lade do augmento de senhoriagem na moeda auxiliar de prata do Brazil. Rio de Janeiro, 1867, 31 pags. in-8°. 24 CA - A actual moeda de prata ou a nova moeda auxiliar. Rio de Ja- neiro, 1868, 32 pags. in-8°. - Nova moeda auxiliaria e cousas que têm retardado sua emissão. Rio de Janeiro, 1868, 11 pags. ín-8°. - Estudo sobre a moeda de cobre e a subsidiaria do Brazil: artigos publicados no Jornal do Commercio. Rio de Janeiro, 1869, 81 pags. in-8* - Ha além disto vários escriptos deste autor, publicados em revistas, como: - Astronomia. Dos cometas - Na Nitheroy, revista braziliense, Paris, tomo Io, 1836, pags. 7 a 34. - Physica industrial. Das caldeiras - Idem, tomo 2o, pags. 39 a 87. - Comparação entre os princípios constituintes da canna e da beter- raba e exposição de algumas generalidades - Na Minerva Braziliense, Rio de Janeiro, tomo Io, 1843, pags. 191 a 195. - Fermentação alcoolica - Idem, tomo 2a, pags. 379 a 382 e 411 a 414. - Demonstração do parallelogrammo das forças - Idem, tomo 3", 1845, pag. 156eseg. Caiiíliclo líaptista <le Oliveira- Filho de Francisco Baptista dos Anjos e de dona Franeisca Candida de Oliveira, nasceu em Porto-Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a 15 de fevereiro de 1801, e falleceu a 26 de maio de 1865 a bordo do paquete francez Pelouse, em que seguia para a Europa com o flm de tratar de sua saude, nas proxi- midades da Bahia, onde ficou seu cadaver. Seus paes, destinando-o ao estado clerical, o recolheram ao seminário de S. José do Rio de Janeiro, onde fez o curso de humanidades ; mas dahi seguiu para Coimbra, em cuja universidade fez os cursos de mathematicas e de philosophia com applicação tal, que foi premiado em todos os annos, foi classificado de sabio por um de seus lentes e a congregação da faculdade propoz ao governo que, ainda como prémio, se mandasse graduar gratuitamento o estudante brazileiro. Recebendo o grão de bacharel em 1824, passou à França, onde frequentou a escola polytechnica, merecendo muita estima e amizade do sabio astronomo Arago e, regressando á patria, o i nomeado em 1827 lente substituto da academia militar, passando logo a lente cathedratico de mecaniea, em que se jubilou ao cabo de vinte annos. Serviu o logar de inspector do thesouro nacional desde a abdicação do primeiro Imperador até 1834, e de 1837 a 1838, sendo esta interrupção devida a ter elle exercido neste interim o cargo de ministro residente em Turim. Foi deputado por sua província em diversas legislaturas desde a segunda, e senador escolhido em dezem- CA. 25 bro de 1848 ; foi encarregado do uma missão diplomática á S. Peters- burgo e depois á Vienna d'Áustria ; ministro da fazenda e interina- mente dos negocios estrangeiros no gabinete de 1839 ; ministro da marinha em 1848 ; e depois disto serviu ainda os cargos de director do Banco do Brazil e de director do Jardim Botânico. Era conselheiro de. estado, do conselho do Imperador, veador da casa imperial, commenda- dor da ordem da Rosa c da de Christo, gran-cruz da ordem russiana de- Santo Estanislãu, membro do Instituto historico e geographico brazi- leiro. etc. Escreveu: - Compendio de arithmetica, composto para uso das escolas primarias do Brazil. Rio de Janeiro, 1832,in-4°- Sahiu também impresso com o periodico Guanabara, e teve nova edição em 1863, seguindo-se um appendice sobre a Metrologia. - Relatorio sobre o melhoramento do systema de pesos e medidas e o monetário; apresentado pela commissão para esse fim nomeada por decreto de 8 de janeiro de 1833. Rio de Janeiro, 1834, 158 pags- in-4° com duas tabellas - Neste livro, além do relatorio, que é também assignado por Francisco Cordeiro da Silva Torres e Ignacio Rattonr acham-se: Apontamentos, extrahidos do Relatorio de J. Quiney Adams sobre pesos e medidas dos Estados-Unidos por S. Torres ; Dados- extrahidos de Kelly; Systema de pesos e medidas do Brazil ; Relatorio sobre os cunhos de ouro da União, traduzido pelo mesmo S. Torres. - A escravatura no Brazil e a época provável de sua extincção» S. Petersburgo, 1842, in-8° - A escravidão no Brazil oecupou sempre a attenção do autor. Já em 1839, quando assumira {eel a gerencia dos negocios da fazenda e interinamente a de estrangeiros, tentara dar um golpe de extermínio em tão immoral e repugnante trafico. - Systema financial do Brazil. S. Petersburgo, 1842, 181 pags. in-8& e mais 47 de um appendice com as formulas usadas na resolução dos problemas relativos ás operações de credito, e princípios geraes de finanças, extrahidos da obra de Robert Hamilton sobro a divida publica da Gran-Bretanha. - A questão do ouro. S. Petersburgo, 1842, in-8' - Não afflrmo que seja esse o verdadeiro titulo da obra, porque não a vi. - Reconhecimento topographico da fronteira do império do Brazil na província de S. Pedro do Rio Grande do Sul na parte confinante como Estado Oriental do Uruguay, etc. Rio de Janeiro, 1850, in-8°. - Apontamentos sobre alguns factos importantes da conquista do Rio da Prata pelos hespanhóes. Rio de Janeiro, 1851, in-8°-Este tra- balho foi lido nas sessões do Instituto historico de 18 de julho e de 22 de agosto deste anno. 26 < V - Systema métrico decimal. Tabellas para a conversão das me- didas métricas nas que correspondem ao systema usual de pesos e medidas do Brazil e vice-versa. Rio de Janeiro, 1865, in-8°. - Problemas de [cálculos astronomicos (duas memórias)- Acham- se em additamento âs Ephemerides do observatorio astronomico do Rio de Janeiro para 1855. - Memória sobre a theoria da orientação do plano oscillatorio do pendulo simples e sua applicaçãoá determinação approximada do acha- tamento espheroide terrestre - Em additamento ás Ephemerides do mesmo observatorio para 1856, e também no Io tomo, pags. 1 a 25 da - Revista Brazileira .-jornal de sciencias, lettras e artes. Publicação trimensal. Rio de Janeiro, 1857 a 1861, 3 vols. in-4° com estampas - Nesta revista, de que foi redactor, além do escripto precedente e de muitos outros de sua penna, se notam: - Theoria da linha recta e do plano considerado no espaço- No tomo Io, pags. 129 a 209, com estampas. - Memória sobre as condições geológicas do porto do Rio de Janeiro. Formulas applicaveis ao cilculodas distancias lunares na determinação das latitudes terrestres - No tomo 2o, pags. 57 a 72. - Theoria da composição e resolução das operações numéricas e dos seres elementares, etc. - No tomo 2o, n. 7 e tomo 3', n. 9. - Estudos de analyse mathematica. Theoria dos logarithmos tabu- lares, applicaveis ao calculo numérico--No tomo 3o, pags. 181 a 223 e 383 a 410. O conselheiro Cândido Baptista tem alguns escriptos na Revista do Instituto historico, como por exemplo: - Parecer sobre a memória do coronel J. J. Machado de Oliveira sobre a questão de limites entre o Brazil e Montevidéo- No tomo 16°, 1853, pag. 464 e segs. (Veja-se José Joaquim Machado de Oliveira e Duarte de Bute Ribeiro.) - Elogio historico do Marquez de Paranaguá, recitado na sessão or- dinária do Instituto de 4 de março de 1847 -No tomo 10°, pags. 398 a 408. Collaborou também na Revista Popular, jornal illustrado que se publicou nesta côrte de 1859 a 1862; no Correio Mercantil, de que lhe são attribuidos os escriptos sobre assumptos economicos, publicados em 1858 e 1859 sob o pseudonymo de Vadius, e flnalmente no Guana- bara, onde se acha a sua. - Lucia de Miranda , ensaio romântico sobre um acontecimento trá- gico da conquista do Rio da Prata - No n. 9, 1851. Cândido Barata Rilbeiro - Filho de José Maria Cândido Ribeiro e dona Veridiana Barata Ribeiro e neto materno do notável CA 27 patriota Cypriano José Barata de Almeida, de quem vou já occupar-me, nasceu na capital da Bahia a 11 de março de 1843; é doutor em medicina e lento de clinica de moléstias de crianças da faculdade do Rio de Janeiro, na qual, sendo estudante, foi interno da clinica medica e cirúrgica e depois preparador do gabinete anatomico pathologico do hospital da Misericórdia. Residiu algum tempo em Campinas, no Estado de S. Paulo, sendo alli director do serviço medico-cirurgico do hospi- tal de caridade e escreveu : - Das causas e tratamento da retenção de urinas ; Qual a influencia que exercem as sangrias geraes na marcha e terminação da pneumonia; Rupturas do perineo : these inaugural. Rio de Janeiro, 1867, in-4°. - Discurso pronunciido na faculdade de medicini do Rio de Janeiro por occasião do grão de doutoramento. Rio de Janeiro, 1867, in-8'. - Qiaes as medidas sanitari is que devem ser aconselhadas para impedir o desenvolvimento e propagação da febre amarella na cidade do Rio de Janeiro : these apresentada no concurso ao logar de substi- tuto da secção medica. Rio de Janeiro, 1877, in-4°- E' um volume de mais de 150 paginas. - Relatorio medico sobre o hospital publico da cidade de S. Paulo durante a epidemia de variola de 1873 a 1874. S. Paulo, 1875, 55pags. in-4J com vários mappas. - Relatorio sobre a questão medico-legal Castro Malta, apresen- tado ao juiz de direito do G3 districto criminal da corte. Rio de Janeiro, 1885, OGpags. in-8°, c mais as da introducção e de documentos, com est.-E' escripto com os Drs. Oscar Adolpho de Bulhões Ribeiro e José Borges Ribeiro da Costa, como peritos nomeados para o exame do cadaver de João Alvos de Castro Malta em 23 de dezembro de 1884. Sahiu publicada uma refutação escripta pelo Dr. Henrique Augusto Mon it, com o titulo «Questão medico-legal Castro Malta», publicada nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 3Q, ns. 3 e 4, pags. 241 a 432. (Veja-se este autor.) - Discurso pronunciado por occasião da collação do gráo aos dou- torandos de 1887. Rio de Janeiro, 1888 - Sahiu também no Brazil Medico, anno 2o, 1888, ns. 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11. Versa sobre jurispru- dência medica. - O Segredo do lar: drama em quatro actos, original brazileiro - Não sei si foi impresso ; foi porém levado á scena pela primeira vez no theatro Lucinda a 6 de setembro de 1881. O Dr. Barata foi um dos redactores da - Revista do Atheneo Medico. Rio de Janeiro, 1865 e 1866, in-fol.- Foram também seus redactores : A. C. de Souza Costa, J. A. Porto 28 CA Rocha, S. J. Saldanha da Gama, Cláudio V. da Motta Maia, C. A. de Paula Costa e J. Pereira Rego. Publicou-se ainda em 1867, redigida pelos dous primeiros o por Malaquias A. Gonçalves, J. E. dos Santos Andrade e J. G. Kemnitz. Camlido Borges Monteiro, Visconde do Itaúna - Filho do capitão José Borges Monteiro e dona Gertrudes Maria da Conceição, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 12 de outubro de 1812 e falleceu a 25 de agosto de 1872, cirurgião formado pela antiga aca- demia medico-cirurgica em 1833 ; doutor em medicina pela faculdade desta cidade o professor jubilado da mesma faculdade; grande do Império; medico da imperial camara e parteiro da Imperatriz; do conselho do Imperador ; senador pela província do Rio de Janeiro; condecorado com as honras de offlcial-maior da casa imperial; digni- tário da ordem da Rosa e commendador di de Christo; gran-cruz da mesma ordem de Portugal e da do Nossa Senhora da Conceição de Villa Viçosa ; da ordem Ernestina da casa ducal da Saxonia e da ordem austríaca da Corôa de Ferro ; membro titular da imperial academia de medicina, etc. No mesmo anno daquella sua formatura, refor- mando-se o ensino medico, foi nomeado lente substituto da secção cirúr- gica e, recebendo no anno seguinte o grão de doutor, passou em 1838 a lente cathedratico de operações, anatomia topographica e apparelhos. Occupou cargos de eleição popular antes de entrar para o senado, como o de vereador da camara municipal, que presidiu em quasi todo o quatriennio de 1848 a 1851, conseguindo amortizai' consideravelmente a divida existente e augmentar a renda; o de deputado provincial em 1850 e geral em 1853, e também cargos de confiança da corôa, como o de presidente da commissão central do saude publica, presidente da província de S. Paulo e ministro da agricultura, commercio e obras publicas, cargo em que falleceu. Em 1869 fez á Europa uma viagem para estudar mais de perto os progressos da sciencia o, pouco depois, outra viagem, acompanhando o Imperador o sua augusta espo*sa. Seu ultimo acto como ministro foi a autorização dada ao Visconde de Mauá para estabelecer um cabo submarino entre o Brazil e Portugal e a ultima palavra que pronunciou, revelando bem seus sentimentos catholicos, foi « vou despertar... » e expirou. Escreveu : - Considerações geraes sobre as hérnias abdominaes e da hérnia inguinal em particular : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro para o concurso a um logar de substituto da secção cirúrgica. Rio de Janeiro, 1833, in-4°. CA 29 - Da amputação circular pela continuidade da coxa, meios empre- gados para vedar a hemorrhagia e maneira de fazer o curativo: these, etc., para o concurso ao logar de lente de anatomia topographica, me- dicina operatória e apparelhos. Rio de Janeiro, 1838, in-4°. - E' escripta cm 67 proposições com muitas e extensas notas. - Queimaduras: lições oraes de clinica cirúrgica, feitas a 27 de julho e 12 de outubro de 1844 - No Archivo Medico Brazileiro, temo Io, pags. 16 a 21 e 58 a 65. - Resumo estatístico da clinica cirúrgica da escola de medicina, dirigida pelo doutor Cândido Borges Monteiro no anno lectivo que decorreu de maio a outubro de 1843, etc. seguido de algumas reflexões acerca dos meios therapeuticos empregados pelo doutor Roberto Jorge Iladdock Lobo - Na me ima Revista, e no mesmo tomo, pags. 5 a II, 25 a 34, 51 a 65, 84 a 88, 102 a 106 e 148 a 156. - Memória acerca da ligadura da artéria aorta, abdominal, precedida de algumas considerações geraes sobre as operações do aneurisma, e seguida de uma estampa lithographada que representa um novo porta-flos e sua posição durante a operação. Rio de Janeiro, 1845, 42 pags. in-4° - Esta memória foi apreciada pelo dr. Haddock, nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 13°, pags. 116 a 125 ; pelo dr. J. M. de Noronha Feitil, no citado Archivo Medico, tomo Io, pags. 190 a 192, o por escriptor anonymo na Revista Medica Bra- zileira, tomo 2o, pags. 192 a 238. Foi escripta a pedido do celebre professor Velpeau, sendo o autor o primeiro operador que no Brazil praticou no homem vivo a ligadura da aorta acima da bifurcação iliaca. - Discurso pronunciado por occasião da abertura da aula de opera- ções, etc. Rio de Janeiro, 1841, 16 pags. in-8°. - Discurso pronunciado por occasião da abertura da aula de ana- tomia topographica, medicina operatória e apparelho, etc. Rio de Janeiro, 1842, 16 pags. in-8°. - Discurso pronunciado na abertura do curso de clinica cirúrgica, etc. Rio de Janeiro, 1843, 18 pags. in-8°. - Discurso pronunciado por occasião da abertura do curso de cli- nica externa, etc. Rio de Janeiro, 1844, in-4'\ - Discurso pronunciado em 1845 por occasião da abertura da aula de anatomia topographica, etc. Rio de Janeiro, 1845, 16 pags. in-8.® - Regulamento da instrucção publica da província de S. Paulo; confeccionado pelo Exm. Sr. presidente da mesma província, Barão de Itaúna. S. Paulo, 1869, in-4°. - Descripção da febre amarei la que tem reinado epidemicamente no Rio de Janeiro nos primeiros mezes do corrente anno. Rio de 30 CA Janeiro, 1859, 24 pags. in-4° - Dopois do doutor Cândido Borges, assignam também este opusculo os doutores J. Segaud, M. do Valladão Pimentel, R. J. lladdock Lobo, J. M. de Noronha Feital, Joaquim J. da Silva, L. V. de Simoni, A. Felix Martins e J. P. Rego'. Sahiu também nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 5°, pags. 165 a 182 e foi dirigida ao ministro do império, com oíTicio a este pelo autor, como presidente da commissão central de saude publica. Ha outros trabalhos seus em revistas medicas, como : - Relatorio sobre os queimados na explosão da caldeira da barca a vapor Especidadora a 25 de maio de 1844 - Nos mesmos Annaes, tomo 1°, pag. 130 esegs. - Memória acerca do diagnostico dos cálculos vesicaes - Idem, tomo 2o, pag. 86 e segs. Cândido Caldeira de Souza, - Natural do Rio de Janeiro, onde falleceu, ha annos, sendo moço da imperial camara, commendador da ordem de Christo e oíUcial da ordem da Rosa. Fez na Europa estudos de mecanica, á que sempre dedicou-se, e escreveu: - Resposta ã analyse feita ao Relatorio da commissão de exame da directoria dofazenlada província do Rio de Janeiro, no anno de 1863, por Cândido Caldeira de Souza, membro da commissão. Rio de Janeiro, 1864, 94 pags. in-4°. Ctiiiditlo <le Jesus Branco - Creio que nasceu na antiga província de Minas-Geraes ; pelo menos ahi viveu muitos annos e ainda vive talvez. Foi nesta província o primeiro cultivador de abe- lhas, como elle se denuncia na obra abaixo mencionada, e dedicava-sa ã agricultura. Escreveu: - As abelhas, sua cultura, propagação o tratamento adaptado ao clima do Brazil. Seguido da preparação da cêra e do fabrico das velas.. 2a edição. Rio do Janeiro, 1859, 84 pags. in-8°. Ctuitlâclo José de Avaujo Viamia, Marquez do Sapucahy - Filho do Cipitão-mõr Manoel de Araújo Cunha e D. Ma- rianna Clara da Cunha, nasceu em Sabará, província de Minas-Geraes, a 15 do setembro de 1793, c falleceu no Rio de Janeiro a 23 de janeiro de 1875, bacharel em direito pela universidade de Coimbra ; gentil- homem da imperial camara ; senador do império, conselheiro de estado ; do conselho do Imperador ; ministro aposentado do supremo tribunal de justiça ; dignitário da ordem do Cruzeiro; cavalleiio das. CA 31 de Chriato e da Rosa ; gran-cruz da muito nobre e antiga ordem portu- guezada Torre e Espada e da ordem Ernestina da casa ducal da Saxo- nia ; membro do Instituto historico e geograpliico brazileiro, etc. Frequentou também em Coimbra parte do curso medico, e no mesmo anuo de sua formatura foi nomeado juiz de fóra da comarca de seu nascimento. Representou sua província na constituinte de 1823 e nas quatro legislaturas subsequentes até entrar para o senado por escolha da regencia em 1839. Presidiu a província de Alagoas e a do Maranhão ; dirigiu a pasta dos negocios da fazenda e interinamente a da justiça de 14 de dezembro de 1832 a junho de 1834, e a do império de 1841 a 1843, e desempenhou outras commissões honrosas, como as de mestre de litteratura e sciencias positivas do Imperador, D. Pedro II, de mostre das princezas D. Isabel e D. Leopoldina, e de testemunha do casamento desta princeza com o Duque de Saxe. Cultivou as lettras, como as sciencias; mas, excessivamente modesto, pouco escreveu e menos ainda publicou além de seus relatórios como ministro de estado e presidente de província e de numerosos - Discursos ( pronunciados como presidente do Instituto historico durante trinta annos,) e outros - que se acham na Revista Trimensal do Instituto desdo o anno de 1843 até o de 1873. Redigiu oj - Dia) io da Assemblèa geral constituinte e legislativa do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1823, 774 pags. in-4° - Ha 2° volume deste Diário, de 1824, mas redigido por outra penna. Escreveu depois : - Relatorio sobre o melhoramento do meio circulante, apresentado á Assemblèa Geral em a sessão extraordinária de 1833. Rio de Janeiro, 1833, 124 pags. in-4° - Era então o autor ministro da fazenda. A' este relatorio acham-se annexos: Mappa das moedas ; Decretos e quesitos feitos á comm;ssão ; Pareceres de Jorge March, Henrique Riedy, Ignacio Ratton, Francisco José da Rocha, Carlos Baker, conselheiro José Antonio Lisboa e Francisco Cordeiro da Silva Torres. O Marquez deSapucahy cultivou a poesia; só vi, porém, de sua penna: - Sonet) improvisado n'nm sarào por occasião de partir para a índia, na galera Vasco da Gama, a senhora D. Carlota Midosi com seu marido - Vem no Florilégio da infancia de J. R. da F. Jordão, tomo 2o, pag. 25. - Saudades de minha filha - Não me cccorre onde vi esta poesia, que aqui reproduzo ; Da planta que mais prezavas, Que era, filha, teus amores, Venho, de pranto orvalhadas, Trazer-te as primeiras flores. 32 CA. Em vez de affagar-teo seio, De enfeitar-te as longas, tranças, Perfumarão esta louza Do jazigo em que descanças. Já lhes falta aquelle viço Que teu desvelo lhes dava Gelou-se a mão protectora Que tão fagueira as regava 1 Desgraçadas violetas ! A' lim prematuro correm ! Pobres ílores também sentem ! Também de saudades morrem ! Cândido José Cardozo - Filho do commendador Fran- • cisco José Cardozo e dona Propicia Francisca Cardozo, nasceu em Ita- guahy, antiga província o hoje Estado do Rio de Janeiro, a 25 de abril •de 1828, e falleceu a 30 de janeiro, de 1877, doutor em medicina pela faculdade desta capital, onde deu-se ao exercício de sua profissão, e escreveu : - Da hemathose ; Que fenomenos se passam no pericarpo na epoca da disseminação ? Que acções, tanto chimicas, como vitaes, durante á germinação de uma semente ? Diagnostico da prenhez extra-uterina : dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1851, 42 pags. in-4° gr. - Industria serica. Rio de Janeiro, 1860 - E' uma serie de artigos que sahiram no Jornal do Commercio de 13, 14, 17 e 21 de julho de 1860, contendo a historia da cultura da seda, desde seu descobrimento na China até á introducção do bicho da seda no Brazil, os quaes vêm ■assignados comas lettras iniciaes C. C. Cândido José Cazado Uma- Natural de Pernam- buco, onde falleceu pelo anno de 1880 ou pouco depois. Doutor em medicina pela faculdade de Paris, exerceu muitos annos o logar de lente de francez do curso de preparatórios, annexo á faculdade de di- reito do Recife - e escreveu um : - Compendio de grammatica da lingua franceza... - Nunca pude •vêl-o ; mas sei que o autor segue o Curso theorico e pratico de E. Poitevin. Cândido José da Alotta -• E'natural da província de 33. Paulo, segundo me consta; pelo menos ahi residiu, em Santos. Não conheço mais particularidades de sua vida; só sei que escreveu : - O Tiradentes: drama historico. Santos, 1853, in-8°. -A conspiração •oíTectuada em Minas em 1782 deu assumpto á este drama. CA 33 Cândido Ladislau Jnpinssú de Figueiredo e Mello - Filho do coronel João Ladislau de Figueiredo e Mello, nasceu na cidade da Bahia em 1799 e ahi falleceu a 17 de agosto de 1861, sendo bacharelem direito canonico e em direito civil pela universidade de Coimbra, doutor em medicina pela faculdade daquella cidade, desembargador da Relação e cavalleiro da ordem de Christo. Exercia o cargo de ouvidor na cidade de S. Paulo em 1830, quando foi assassinado traiçoeiramente o doutor João Baptista Libero Badaró, redactor do Observador Constitucional, o qual havia aggredido com vehemencia o ouvidor da comarca pelo modo, por que executava a nova lei sobre a liberdade da imprensa e então, sendo indigitado pela opinião publica como mandante do crime, exigindo-se sua prisão immediata, occultou-se Japiassú em casa do commandante das armas, donde só sahiu depois de quatro dias, acompanhado de um offlcial até Santos. Ahi embarcou com sua família numa canôa para o Rio de Janeiro, sendo aqui sujeito ã processo e absolvido daquella accusação. Estudou medicina, sendo desembargador. Collaborou em diversos orgãos da política liberal que esposara desde seus primeiros annos, com particularidade no periodico: - O Século : jornal político, litterario e commercial. Bahia, 1848 a 1851 in-fol. - Foi depois redactor deste jornal em substituição do fundador, o doutor João José Barboza de Oliveira, de quem occupar- me-hei opportunamente. Escreveu mais: - Defesa, que no dia 28 de setembro do corrente anno, improvisou no jury, orando a favor de Jorge Theodoro Cabral e Thimotheo José Fiutu pelos aecnt àmentos 3 de abril do anno passado. Rio de Janeiro, 1833, 16 ptgs. in~4°. - Defesa, que fez nojun da côrte, do Ilim. c Exm. Sr. conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, pae da patria, patriarcha da in- dependencía do Brazíl, etc. Rio de Jaueiro, 1835. 120 pags. in-4° oom o retrato do mesmo conselheiro - Segunda edição, Bahia, 1856, in-4°. - isMfii sobro a febre amarelia e sobre o seu tratamento. Bahia, 1852, 140 paga, m-4 gr. de & cols., aiem uàs de frontispício, offe- recimentos, prefacio, proposições e aphorismos - E' sua these inau- gurarei, dividida em quatro partes, a saber: Na Ia parte trata-se da moléstia e apresenta-se a bibliographia delia, com especificação dos livros escriptos em portuguez, francez, allemão, inglez, italiano e hespanhol. Na 2* trata-se de experiencias, observações e factos notáveis relativos á febre amarelia. Na 3a, da historia da medicina, de Hippocrates, de Alsipiades e de Galeno, dos Árabes, de Paracelsoj 34 CA Boherave, Descartes,Stahl, Rasori, Broussais e outros; da homoepathia; do empirismo ; de processos e meios curativos e hygienicos; do ma- gnetismo animal, etc. Na 4a e ultima trata-se particularmente da hy- drotherapia, como meio curativo mais efflcaz das febres essenciaes, abortando ou anniquilando a febre amarella. Além disto apresenta a nomenclatura de todas as moléstias tratadas pela hydrotherapia, re- feridas nas obras de Baldou, Fleury, Gillebert, Vedart, Pigeaire, Schedel, Lubanski, e muitos outros. Desta these publicou-se: - A febre amarella no Brazil: extractos da these etc.- nos Annaes Brasilienses de Medicina, tomo 9o, pags. 68, 92 e 117 e segs. Cantlido ILuiz Maria do Oliveira - Filho do tenente-coronel Cândido Theodoro de Oliveira, nasceu na cidade de Ouro Preto, capital de Minas Geraes, a 6 de julho de 1845. Formado em direito pela faculdade de S. Paulo, foi nomeado promotor publico da cidade de seu nascimento ; ahi serviu também o cargo de pro- curador fiscal da thesouraria de fazenda e foi depois nomeado juiz municipal de Curvello, deixando a carreira da magistratura depois do quatriennio de exercicio. Foi deputado por sua provincia de 1878 a 1885, e no anno seguinte eleito senador. Occupou a pasta dos negó- cios da guerra no gabinete de 6 de junho de 1884 e a da justiça no ultimo gabinete do império. Sendo um dos deportados pelo governo provisorio da Republica, esteve na Europa até ã suspensão do exilio. Tem o titulo de conselho do Imperador e escreveu : - Discursos proferidos na camara dos senhores deputados nas sessões de 1879 a 1880. Rio de Janeiro, 1880, 390 pags. in-8° -« A' delicadae, quiçá imprudente obsequiosidade de um amigo» diz o autor, teve de ceder para publicar esse livro que é offerecido á provincia de Minas. Publicou, porém, mais: - Discursos proferidos na camara dos senhores deputados nas sessões de 25 de maio e 3 de junho de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 59 pags. in-8°. - Discursos proferidos, etc. nas legislaturas de 1882, 1883, 1884 e 1885. Rio de Janeiro, 1885, 2 vols. in-8°. - O Crime de Botafogo: defesa dos advogados, etc. Rio de Janeiro, 1886 - O outro advogado é o dr. Ignacio Antonio de Assis Martins. Trata-se de um crime de sevicias e morte de uma escrava, ou scenas de escravidão. Cíiiicliclo Mariano Rodrigues - Seu nome se acha no Almanak de Laemmert, de 1880, pag. 193, como inspector do 10° CA 35 quarteirão do primeiro districto da freguezia de SanfAnna. Nada mais sei delle, sinão que escreveu: - O Senhor Gregorio da Silva, amante das eleições: scena cómica original. Rio de Janeiro, 1880, 8 pags. in-8°. Cixndido Mtillicas de Faria Pardal - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 10 de janeiro de 1818, falleceu a 15 de junho de 1888. Serviu cumulativamente os cargos de professor de desenho do antigo collegio de Pedro II, e de professor da instrucção primaria na freguezia de Santa Rita e, depois de obter em ambos sua jubilação, exerceu ainda o cargo de director das escolas da municipalidade. Era offlcial da ordem da Rosa e escreveu: - Grammatica analytica e explicativa da lingua portugueza. Rio de Janeiro, 1871, in-8° - Foi escripta com o distincto professor, dr. José Ortiz, e teve seis edições, sendo a segunda em 1873, e a quinta em 1884. - Instrucção publica. Manifesto dos professores públicos da instrucção primaria. Rio de Janeiro, 1871, 21 pags. in-8° - Versa sobre melhoramentos para a classe e é assignado também por Manoel José Pereira Frazão e João José Moreira. Cândido Mendes de Almeida - Filho do capitão Fernando Mendes de Almeida e de dona Esmeria Alves de Almeida, nasceu na villa do Brejo, do Maranhão, a 16 de outubro de 1818 e falleceu no Rio de Janeiro a 1 de março de 1881, victima de uma congestão cerebral. Bacharel em direito pela faculdade de Olindaj formado em 1839, exerceu na capital de sua província o cargo de promotor publico, de 1841 a 1842, e obtendo por concurso a nomeação de professor de geographia e historia - matérias, em que era muito versado, leccionou no Lyceo de S. Luiz por espaço de 14 annos. Estabelecendo-se depois disto na côrte, exerceu o cargo de chefe de secção da secretaria do império, donde passou para o de director de secção da secretaria da justiça e finalmente dedicou-se à advocacia. Representou por diversas vezes aquella província na camara temporá- ria desde 1843, e no Senado desde 1871, anno em que foi eleito e escolhido senador. Tornou-se notável por suas idéas ultramontanas em relação á maçonaria por occasião da questão religiosa que levou á processo dous bispos do império, dos quaes constituiu-se advogado espontâneo e gratuito com seu collega, o conselheiro Zacarias de Goes e Vasconcellos (veja-se este nome). Foi não menos notável juris- consulto e historiador ; socio do Instituto historico e geographico bra- 36 CA zileiro ; socio e presidente da secção da Sociedade de geographia de Lisboa no Brazil; da Sociedade de geographia de Londres e da de Paris offlcial da ordem da Rosa, e commendador da de S. Gregorio Magno de Roma. Escreveu : - Direito civil, ecclesiastico brazileiro, antigo e moderno em suas relações com o direito canonico ou collecção completa, chronologica- mente disposta desde a primeira dynastia até o presente, com- prehendendo, além do sacro^anto concilio de Trento, concordatas, bulias e breves ; leis, alvarás e decretos ; provisões, accentos e de- cisões, relativos ao direito publico da igreja e sua jurisprudência e disciplina, á administração temporal das cathedraes e parochias, ás corporações religiosas, aos seminários, confrarias, cabidos, missões, etc.; a que se addicionam notas históricas, explicativas, indicando a legis- lação actualmente em vigor e que hoje constitue ajurisdicção civil e ecclesiastica do Brazil. Rio de Janeiro, 1866-1873,2 tomos em quatro vols. in-8° - O Io tomo contém tres partes, de que a primeira foi pu- blicada em Petropolis, a saber: Ia parte. Concordatas, 332 pags., com uma extensa introducção de 424 pags. 2a parte. Legislação sobre o padroado, dizimas e creação de dioceses no império, de pags. 333 a 855. 3a parte. Legislação da capella imperial, eleição e confirmação dos bispos, bulia da cruzada, ordens monásticas, concursos de benefícios, etc., de pags. 856 a 1.338. O 2° tomo, que contém um só vol. e mais de mil pags., contém o concilio de Trento em portuguez e em latim ; a legislação portugueza que o recebeu; diversas bulias, condemnando a maçonaria ; a bulia de Pio IX de 8 de dezembro de 1864 com o Syllabus ; as constituições dogmáticas do concilio do Vaticano de fide e a primeira Ecclesia Christi, definindo o dogma da infallibilidade do papa e muitos documentos com relação ao direito civil ecclesiastico brazileiro. Esta obra foi recebida com applauso por diversos prelados do Brazil e de Portugal. - Codigo Filippino ou ordenações e leis do reino de Portugal, re- copiladas por mandado d'el-rei D. Felippe I. Decima quarta edição segundo a Ia de 1603, e a 9a de Coimbra de 1824. Addicionadas com diversas notas philosophicas, históricas e exegeticas, em que se indicam as differenças entre aquellas edições e a Yicentina de 1747 ; a origem, desenvolvimento e extincção de cada instituição, sobretudo as dispo- sições hoje em desuso e revogadas; acompanhando cada paragrapho sua fonte, etc., e, em additamento à cada livro, a respectiva legis- lação brazileira, concernente ás matérias codificadas em cada um, sendo de quotidiana consulta, além da bibliographia dos jurisconsultos que têm escripto sobre as mesmas ordenações desde 1603 até o presente. ca 37 Rio de Janeiro, 1870, in-4° - E* um grosso volume de 1.487 pags. de duas columnas, além de 78 com a introducção do editor e uma noticia bibliographica de toda legislação e obras citadas no livro, e de mais 24 de supplemento ao appendice. E' a primeira edição brazileira deste codigo. - Auxiliar jurídico, devendo servir de appendice á 14a edição do Codigo Filippino, ou Ordenações do reino de Portugal, recopiladas por mandado d'el-rei D. Felippe I, etc. Obra util aos que se dedicam ao estudo de direito e da jurisprudência pratica. Rio de Janeiro, 1869, 849 pags. in-4° gr. - Princípios de direito mercantil e leis de marinha por José da Silva Lisboa, Visconde de Cairú. 6a edição, accrescentada, annotada, etc. Rio de Janeiro, 1874, 2 vols. in-4° - O primeiro volume, de cerca de 450 pags., contém uma importante, curiosa e bem elaborada historia do commercio em geral em differentes épocas, suas classes e impor- tância social ; o segundo, com 1.000 pags., contém os « Princípios de direito mercantil » de Silva Lisboa, annotado e accrescentado com a antiga legislação portugueza e a legislação nacional até 1874. - Arestos do supremo tribunal de justiça, colligidos em ordem alphabetica até hoje. Rio de Janeiro, 1880, 2 vols. in-4° - Esta obra, que abrange mais de 1.160 pags., comprehende as sentenças proferidas por aquelle tribunal desde sua organização e, além do Ín- dice alphabetico, ha o indice chronologico, escripto pelo filho do autor, o dr. Fernando Mendes de Almeida. E' uma publicação posthuma. - As eleições da província do Maranhão em 1842 sob a presidência do dr. Venancio José Lisboa. Rio de Janeiro, 1843, 61 pags. in-8°. - Cartas ao redactor da Re vista (F. Sotero dos Reis). Mara- nhão, 1847 - São duas cartas, tendo cada uma 6 pags. in-8°. - Cartas aos redactores do Progresso ( dr. Antonio do Rego e dr. Fabio Alexandrino de Moraes Rego). Maranhão, 1847, 4 pags. in-8°. - Cartas ao redactor do Publicador Maranhense (J. F. Lisboa). Maranhão, 1847 - São duas, de 10 e 24 pags. in-8°. - Os serviços relevantes de Manoel Telles da Silva Lobo, na pro- víncia do Maranhão. Maranhão, 1851,in-8°. - O Tury-assú ou a incorporação deste território á província do Maranhão. Rio de Janeiro, 1851, 152 pags. in-8°, com um mappa. - A Carolina ou a definitiva fixação dos limites entre as provín- cias do Maranhão e de Goyaz: questão submettida á decisão da ca- mara dos Srs. deputados desde 15 de junho de 1835. Rio de Janeiro, 1852, 413 pags. in-8° com um mappa. 38 CA - A Carolina ou a definitiva fixação de limites entre as provin- cias do Maranhão e Goyaz. Questão resolvida pela camara dos Srs. deputados em 26 de maio deste anno e submettida á dos Srs. sena- dores em 30 do mesmo mez e anno. Rio de Janeiro, 1854, 8 pags. in-4° com um mappa. - Atlas do império do Brazil, conprehendendo as respectivas divisões administrativas, ecclesiasticas, eleitoraes e judiciaes, dedicado á S. M. o Imperador o Sr. dom Pedro II, e destinado a instrucção publica do império, com especialidade á dos alumnos do imperial collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1868 - Esta obra, impressa em grande for- mato e cinco columnas, contém 24 mappas, organizados conforme os mappas, cartas, plantas, roteiros, etc., do império, sendo daquelle numero o da provincia de Pinsonia (projecto). - Memórias para a historia do extincto estado do Maranhão, cujo território comprehende hoje as provincias do Maranhão, Piauby, Gran-Pará e Amazonas ; colligidas e annotadas. Rio de Janeiro, 1860- 1874, in-8°, 2 tomos - O primeiro tomo comprehende a Historia da companhia de Jesus na extincta provincia do Maranhão e Pará pelo padre José de Moraes, da mesma companhia ; mas somente a pri- meira parte, porque a segunda « naufragou no confisco que os ministros da justiça fizeram em todos os papeis no collegio do Pará » como se declara nesta obra e no autographo existente na bibliotheca eborense, e ainda no catalogo do conselheiro Rivara. (Na Chorographia Histó- rica do Pr. Mello Moraes, tomo 3o, vem impressa essa historia com pequenas alterações). O 2o tomo, publicado depois de quatorze annos, traz diversos escriptos inéditos, ou pouco conhecidos, importantes para a historia do paiz e devidamente annotados. - Pinsonia ou elevação do território septentrional da provincia do Gran-Pará á categoria de provincia, com a mesma denominação. Rio de Janeiro, 1873, 122 pags. in-4°, com a vista da Fortaleza e da ci- dade de Macapá. - Pio IX e a França em 1849 a 1859, pelo Conde de Mon- talembert; traduzido em vulgar. Rio de Janeiro, 1860, 40 pags. in-4°. - O Papa. Questões na ordem do dia, por monsenhor de Segur. Traducção em vulgar. Rio de Janeiro, 1860, 44 pags. in-4°. - N. Luiz e o pontificado: estudo historico. Rio de Janeiro, 1869, 32 pags. in-8°. - Discurso, etc. combatendo a medida da venda dos bens das cor- porações monásticas, e conversão do respectivo producto em apólices da divida publica. Rio de Janeiro, 1869, 23 pags. in-4°- O Jornal do CA 39 Commercio em opposição publicou uma serie de artigos do 24 de se- tembro em diante. Este discurso teve segunda edição em S. Luiz do Maranhão, 1869, 78 pags. in-8°. - Resposta ao protesto da maçonaria da Bahia : discurso pronun- ciado na sessão de 10 de março de 1873 (no senado). Rio de Janeiro, 1873, 29 pags. in-4°. - Política religiosa do ministério: discurso pronunciado na sessão de 30 de junho de 1873 na discussão do voto de graças. Rio de Janeiro, 1873, 68 pags. in-4'. - A política internacional do ministério Te a eleição directa : discurso proferido na sessão de 22 de fevereiro de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 52 pags. in-8°. -• Discurso pronunciado no supremo tribunal de justiça na sessão de 21 de fevereiro de 1874 por occasião do julgamento do exm. e revm. sr. bispo de Olinda. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - Sahiu com o discurso na mesma sessão proferido pelo conselheiro Zacarias de G. e Vas- concellos. - Discursos parlamentares. Primeira parte : matéria religiosa. Rio de Janeiro, 1881-E' uma publicação posthuma, feita pelo dr. Fernando Mendes de Almeida. - Bens da igreja - Na revista O Direito, tomo 34°, pags. 227 a 237. Sustenta o autor que a igreja tem o direito natural de propriedade. Ha do senador Cândido Mendes na Revista do Instituto historico e noutros jornaes, muitos escriptos, dos quaes citarei : - Primeiros tempos da descoberta do Brazil; Vários assumptos; Rectificações ; Quem levou a noticia da descoberta do Brazil ? - Na Revista do Instituto, tomo 39°, parte 2a, pags. 5 a 24. E' uma me- mória, lida na sessão de 10 de.dezembro de 1875. - O nome de America será americano? memória lida, etc.- Idem, no mesmo tomo, pags. 191 a 210. - Os primeiros povoadores; Quem era o bacharel de Cananéa ? memória, etc. Idem, tomo 40°, parte 2a, pags. 163 a 247. - Por que razcto os indígenas do nosso litoral chamavam aos fran- cezes Mair e aos portuguezes Pero? memória, etc. Idem, tomo 41°, pags. 71 a 141. - A catastrophe de João Bolés foi uma realidade ? Idem, tomo 42°, pags. 141 a 205. Todos estes escriptos estão sob o titulo : Notas para a historia patria. - Instrucção synodal de monsenhor Pie, actual bispo Poitiers sobre os principaes erros do tempo presente. Traducção -• No Correio da Tarde, 1856. 40 CA - Sentimentos do Napoleão Bonaparte sobre o christianismo. Tra- ducção - Idem. Redigiu em summa: - O Brado de Caxias. Throno e liberdade. Caxias, 1845, in-fol, - O Observador. Maranhão, 1847 a 1850, in-fol. Cândido Militão d.e Souza Neiva - Sei apenas que é natural do Rio de Janeiro, muito moço se casou e, por causa de sua liberalidade, tem gasto grande parte de sua fortuna ; cultiva as lettras e escreveu : - A herança de meu tio: comedia original em um acto. Rio de Ja- neiro, 1883, 15 pags. in-8°. - Morreu o meu cadaver ; comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1884,in-8®. - Maldito barbeiro: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1884, in-8°. - Uma noite de orgia: versos. Rio de Janeiro, 1884, in-8°, - O nó gordio : comedia em um acto. - Uma sogra amavel: comedia em tres actos - Esta e a precedente tinha o autor a publicar em 1883, como se declara na capa da primeira comedia. Nunca as vi impressas e, naturalmente, terá elle outras com- posições iguaes. Cândido Pereira Monteiro - Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu no anno de 1837, falleceu a 25 de dezembro de 1885, sendo bacharel em direito pela faculdade do Recife, cavalleiro da ordem de Christo, delegado da instrucção publica na freguezia de Santo Antonio e chefe de secção da secretaria da guerra. Neste exercício escreveu : - Consultas, do conselho de estado sobre negocios relativos ao mi- nistério da guerra até 1842, colligidas e annotadas, etc. Rio de Janeiro, 1872, in-8°- Esta obra foi continuada pelo chefe de secção Manoel Joaquim do Nascimento e Silva. (Veja-se este nome.) Canditlo Xavier de Almeida e Souza - Filho do doutor Luciano de Souza Azevedo e de dona Isabel Garcia de Almeida, nasceu em S. Paulo em 1748 e falleceu a 25 de dezembro de 1831. Assentando praça no exercito em 1762, subiu successivamente á todos os postos até o de tenente-general em que reformou-se em março de 1831. Foi o descobridor dos campos de Guarapuava em 1771 e depois explorando as regiões que demoravam entre as possessões brazileiras e hespanholas ás margens do Paraná e do Paraguay, descobriu o rio Iguarey, que veiu pôr termo ás duvidas que então subsistiam para as CA 41 demarcações de limites entre taes possessões e fez a exploração do rio Tietê, da capital até o salto do Itú. Serviu em Matto Grosso, e no Rio Grande do Sul em honrosas commissões ; foi nomeado presidente do Governo provisorio, creado pela lei de 25 de junho de 1822 e escreveu : - Parte, que deu sobre o descobrimento do rio Iguarey. 1783 - Vem na Revistado Instituto historico, tomo 18°, pags. 244 a 251. - Eescripção diaria, dos progressos da expedição destinada da capitania de S. Paulo para a fronteira do Paraguay em 9 de outubro de 1800, dedicada ao Illm. e Exm. Sr. d. Rodrigo de Souza Coutinho» etc.- Existe no archivo militar em manuscripto, e ha outras cópias incompletas. E' dividida em 6 partes de 25, 17, 26, 18, 57 e 20, pags. in-4°. Não só dá noticia de todos os suocessos durante a expedição, como dos habitantes, dos montes, rios, lagos e distancias do vasto continente da capitania de Matto Grosso. - Plano do rio Paraná, desde a barra do rio Igatemy até á ca- choeira que está duas léguas ao sul do rio Iguarey. 0®,305X404-- bibliotheca nacional possue cópia official e authentica de 1783. Achà-se este plano na correspondência entre o vice-rei do Estado do Brazil, d. Luiz de Vasconcellos e Souza e a côrte, tomo 5o. - Planta do forte, de S. Caetano do Monte-Negro, etc., em 24 de dezembro de 1801. 0m,180 -A mesma bibliotheca e o archivo militar possuem esta planta. Carlos Adolplio Lemaire Teste - Nasceu em Paris a 19 de junho de 1824, veiu para o Brazil em 1861 e naturalisou-se cidadão brazileiro em 1867. E' engenheiro constructor pela escola central de artes e manufacturas de sua patria ; serviu como ajudante do engenheiro fiscal da estrada de ferro da Bahia ao rio de S. Fran- cisco, e successivamente como chefe de secção da estrada de ferro D. Pedro II, membro da commissão da carta geral do império, director da estrada de ferro de Baturité, membro da commissão auxiliar do mi- nistério da agricultura, engenheiro fiscal da via ferrea de Santos a Jundiahy, director da de D. Francisca em Santa Catharina e calculador em chefe do imperial observatorio, sendo depois nomeado fiscal da estrada do Natal á Nova-Cruz - Escreveu: - Estudos sobre os cálculos de triangulisação e nivelamento geo- désico. Rio de Janeiro, 1876, 30 pags. in-4°com 5 quadros e 1 est. - Commissão da carta geral do império. Estudos de niveis. Rio de Janeiro, 1878, 66 pags. in-4°. - Commissão da carta geral do império. Resumo dos cálculos rela- tivos á medição da base geodesica de Santa Cruz e ao estudo dos 42 CA respectivos instrumentos. Rio de Janeiro, 1878, in-4°- com a colla- boração de outros. - Projecto de calendário universal, exclusivamente baseado em considerações astronómicas - Sahiu publicado no Fluminense de 2 de outubro de 1883. Carlos Afionso de Figueiredo - Filho de JoãoAntonio Afionso e de dona Maria Magdalena de Figueiredo Affonso e irmão do Visconde de Ouro-Preto, nasceu em Minas Geraes no anno de 1845. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, dedicou-se sempre á advocacia. Serviu o cargo de procurador da fazenda em sua provincia, pela qual foi eleito deputado nas legislaturas de 1878 a 1884 e occupou a pasta dos negocios da guerra no gabinete de 3 de julho de 1882, sendo agraciado com o titulo de conselho do Imperador. Acompanhou o dito seu irmão no exilio determinado pelo governo provisorio da Republica. Escreveu de collaboração em vários jornaes poli ticos e mais : - Relatorio ( da administração dos negocios da guerra ). Rio de Janeiro, 1883, in-fol. - Discursos proferidos nas sessões da camara dos deputados de 20 e 29 de agosto de 1883. Rio de Janeiro, 1883, 177 pags. in-8°. Carlos Alberto <le Menezes - Natural do Rio de Janeiro, é bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II e engenheiro pela escola polytechnica. Ainda estudante desta escola, escreveu: - Biographia do professor americano Carlos Frederico Hartt, chefe da commissão geologica do Brazil, fallecido no Rio de Janeiro a 18 de março de 1878 ; publicada em homenagem à sua memória pelos es- tudantes da escola polytechnica e escripta pelo estudante. Rio de Janeiro, 1878, 84pags. in-8°. Carlos Albei-to <le Moraes-Filho de João Augusto de Abreu e nascido em Portugal a 21 de março de 1851, vindo com seu pae para o Brazil em 1863, é cidadão brazileiro desde a subsequente natura- lização deste. Typographo de profissão, deu-se também ás lettras, colla- borando para algumas folhas do Rio de Janeiro, como o Novo Ramalhete e o Povo em 1873 e 1874, a Gazeta dos Operários em 1875, e o Trabalho em 1882. Compilou e publicou as Viagens do major Serpa Pinto; editou a traducção do « Portugal à vol d'oiseau » da Princeza Ratazzi, e escreveu: - Amor fatalromance. Rio de Janeiro, 1874 - Foi elogiado este trabalho no Echo Litterario de 15 de março deste anno. CA 43 - Adosinda e Antenor: romance. Rio de Janeiro, 1875. - Amalia : romance publicado no Jornal do Commercio em 1875- Ha também publicadas nas mencionadas revistas varias poesias de sua penna como: Hoje e amanhã, e o Canto de cysne, reimpresso no Trovador. Carlos Allberto Morsing - filho do antigo cônsul da Suécia, de igual nome, e nascido no Rio de Janeiro, é engenheiro, membro do conselho do club de engenharia, do instituto dos enge- nheiros civis de Londres e official da ordem da Rosa. Sendo chefe da commissão de estudos da estrada de ferro do Madeira á Mamoré, escreveu: - Commissão de estudos da estrada de ferro do Madeira á Mamoré. Relatorio do anno de 1883, etc. Manáos, 1883, 20 pags. in-fol. Caídos A-mlbrosio do Rego Barroca - Natu- ral de Pernambuco e primeiro tenente da armada, tendo cursado a escola de marinha com praça a 10 de março de 1877, escreveu : - Compendio theorico e pratico de hydrographia - Não o vi im- presso ; mas foi apresentado ao ministério da marinha e foi seu autor elogiado pelo ministro Luiz Antonio Vieira da Silva, depois Visconde de Vieira da Silva. Carlos Américo <lo Sampaio Vianna, Barão do Sampaio Vianna - E' natural da província da Bahia, onde nasceu a 24 de junho de 1835. Dedicando-se ao serviço de fazenda, depois de exercer outros logares, serviu até á proclamação da Republica o de inspector da alfandega do Rio de Janeiro, sendo do conselho do Imperador ; official da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo de Portugal ; condecorado com a medalha de ouro do Imperador dos francezes, e com a medalha de prata do Rei dos Paizes-Baixos. Tendo ido á Europa commissionado pelo governo brazileiro, em sua volta escreveu : - Relatorio da commissão nomeada para estudar na Europa diffe- rentes ramos de fabricação industrial e a administração aduaneira de alguns paizes, 105 pags. in-fol. - Vem annexo ao Relatorio do minis- tério da fazenda de 1878 e é dividido em tres partes. Na Ia parte se dà noticia da tarifa e regulamento das alfandegas inglezas ; tarifa fran- ceza ; tarifa belga. Na segunda se estuda a lã, o linho, o canhamo e fibras semelhantes; o algodão; a seda; a tecelagem; os tecidos, etc. Na terceira trata-se de vitrificações, incluindo-se a louça e porcellana; metaes, cutelaria e outros artefactos. E' um trabalho de alto valor, 44 CA sobretudo no que diz respeito a tecidos, de que nos falta o necessário estudo. Assigna-o também Alexandre A. R. Sattamini. Carlos A.ntonio Cordeiro - Nascido na cidade do Rio de Janeiro a 25 de março de 1812, falleceu a 23 de junho de 1866, bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo ; advogado nos auditórios do municipio neutro e província do Rio de Janeiro ; cavalleiro da ordem da Rosa e commendador da de Christo de Portugal; socio do instituto da ordem dos advogados, do conservatorio dramatico e do outras associações litterarias e beneficentes. Apenas formado, foi promotor publico da comarca de Vassouras, e exerceu de- pois o cargo de conferente da alfandega. Dando-se á advocacia, foi de- fensor gratuito dos presos e dedicou-se ao cultivo, tanto da sciencia, como da litteratura dramatica. Além de vários trabalhos em revistas, como o Universo Pittoresco, escreveu: -Álbum Semanal chronologico, litterario, critico e de modas. Rio de Janeiro, 1851-1852, in-4°. - Collecção das principaes regras e axiomas de direito divino, na- tural, civil, publico, das gentes e criminal, adoptadas pelas ordenações, decretos e mais leis que vigoram no Brazil. Rio de Janeiro, 1850, 121 pags. in-8° - Tendo-se esgotado esta obra, o autor deu-lhe mais des- envolvimento na composição do - Abecedario jurídico ou collecção dos princípios, regras, maximas e axiomas do direito divino, natural, publico, das gentes, civil, cri- minal, commercial, financeiro, administrativo, e orphanologieo, com as fontes da legislação, de onde são colhidos e explicados pela opinião dos autores os mais seguidos no fôro brazileiro. Rio de Janeiro, 1858, in-8° - O assessor forense ou formulário de todas as acções conhecidas no fôro brazileiro. Ia parte : Acções criminaes. Rio de Janeiro, 1857, 312 pags. in-8°-Este livro foi tão bem acolhido, que foi logo esgotada sua edição, sahindo a segunda mais correcta e augmentada com os pro- cessosdasinjuriasverbaes, da moeda falsa, crime de resistência, e da apprehensão de africanos livres. Rio de Janeiro, 1859-Hoje ha quinta edição, mais correcta, melhorada e augmentada, em conformidade com a nova reforma judiciaria. 1880, 584 pags. in-8°. - O assessor forense, etc. 2a parte : Acções eiveis. Rio de Janeiro, 1858, 325 pags. in-8° - Foi também esgotada em pouco tempo a pri- meira edição, sahindo a segunda em 1861, e existe actualmente em quinta edição, augmentada com muitos termos e acções diversas, in- clusive as que foram creadas pela lei n. 2.033 de 20 de setembro de 1871, etc., 502 pags. in-8°. CA 45 - 0 assessor forense, etc. 3a parte: Acções commerciaes. Rio de Janeiro, 1861, in-8°-Ha segunda edição, feita pelo Dr. Joaquim José Pereira da Silva Ramos. Rio de Janeiro, 660 pags. in-8°. - O assessor forense, etc. 4a parte: Acções orphanologicas, contendo o novo roteiro dos orphãos, guia pratica do processo orphanologico, fundamentada na legislação respectiva e illustrada pela lição dos praxistas com muitas disposições novas e arestos dos tribunaes até o presente e com o formulário de todos os processos ; composto para uso dos juizes, escrivães, tutores, curadores e orphãos. Rio de Janeiro. - Consultor civil ácerca de todas as acções seguidas no fôro civil, segundo o systema adoptado por Correia Telles no seu «Manual do processo civil» com as suppressões, alterações e accrescimos exigidos pela legislação, estylos e pratica do fôro civil etc. Rio de Janeiro, 1863, in-8° - Esta obra foi elogiada por jurisconsultos como os con- selheiros J. Thomaz Nabuco de Araújo, Angelo M. da S. Ferraz e Ber- nardo de Souza Franco. Ha segunda edição, contendo em appendice muitas notas, correspondentes a cada um dos seus paragraphos e o formulário das acções summarissimas e summarias, e execuções re- spectivas, segundo a novissima reforma judiciaria, por M. G. de A. Autran. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - (Veja-se Manoel Godofredo de Albuquerque Autran.) - Consultor criminal ou formulário de todas as acções seguidas no fôro criminal, precedido de disposições concernentes á organização ju- ridica eattribuições das autoridades policiaes e criminaes. Rio de Ja- neiro, 1864, in-8° - Idem. - Consultor commercial ou formulário de todas as acções commer- ciaes, segundo o regulamento de 1850, contendo os modelos de todas as petições, despachos, termos, autos, allegações, embargos, sentenças, flnalmente todos os termos do processo ; seguido do processo das quebras, quer no juizo commercial, quer nojuizo criminal. Rio de Janeiro, 1864, in-8°- Ha nova edição, augmentada com as disposições relativas a cada um de seus artigos, segundo a novissima reforma judiciaria e o processo das execuções das sentenças criminaes, pelo mesmo Dr. Autran. Rio de Janeiro, 1880. - Consultor orphanologico ou formulário de todas as acções seguidas no juizo dos orphãos, precedido das attribuições das diffe- rentes pessoas que nelle figuram e enriquecido com diversas regras e preceitos tendentes ao mesmo juizo de orphãos, e bem assim ao da provedoria com a legislação respectiva. Rio de Janeiro, 1864, in-8°- Ha segunda edição pelo mesmo Dr. Autran, contendo em appendice muitas notas, segundo a reforma judiciaria e leis promulgadas, não sé 46 CA para a arrecadação dos bens de defuntos e ausentes, vagos e do evento, como para a arrecadação do imposto de transmissão de propriedade e as convenções particulares. Rio de Janeiro, 1880. - Director do juizo de paz ou formulário de todas as acções emais incidentes que se dão neste juizo, com a legislação respectiva, regras e preceitos que devem seguir, não só os juizes de paz, como os demais empregados e todas as pessoas que no mesmo juizo tiverem dependen- cia. Rio de Janeiro, 1864, 375 pags. in-8° - Segunda edição, Rio de Ja- neiro, 1882, pelo Dr. M. G. A. Autran, contendo em appendice varias notas referentes ao conteúdo da obra, de accordo com a legislação vi- gente, e a nova lei de locação de serviços. - Codigo Criminal do império do Brazil, contendo não só a legislação alterante ou modificante de suas disposições, publicadas até ao flm do anno do 1860, como todas as penas de seus differentes artigos, calcula- das segundo seus grãos e as diversas qualidades dos criminosos. Rio de Janeiro, 1861, 268 pags. in-8°. - São estes os mais felizes : comedia em cinco actos. Rio de Janeiro, 1853, 129 pags. in-8°. - Fatalidades da vida : drama em quatro actos e sete quadros. Rio de Janeiro, 1854, 130 pags. in-8°. - Notável coincidência ou a justiça divina: drama em cinco actos, um prologo e oito quadros. Rio de Janeiro, 1854, 131 pags. in-8°. - A rainha da Hespanha, ou a vingança de um filho: drama em cinco actos, um prologo e dez quadros. Rio de Janeiro, 1854, 166 pags. in-8°. - Os parentes desalmados: drama era tres actos. Rio de Janeiro, 1856, 96 pags. in-8°. - O filho do alfaiate ou as más companhias: drama em cinco actos e um prologo. Rio de Janeiro, 1855, 123 pags. in-8°-Sendo este drama reprovado pelo conservatorio dramatico, como immoral, o autor recorreu deste juizo ao governo imperial que, depois de ouvir o conselho de estado, determinou que fosse elle submettido ao julgamento de um jury dramatico especial, creado ad hoc, pelo qual foi approvado. O parecer deste jury e os de dezesete litteratos, a quem o autor submetteu o drama, todos concordes em que não havia ahi im- moralidade, mas merecimento, sahiram impressos no Correio Mercantil da côrte, 1858. - O escravo fiel: drama original em cinco actos, representado pela primeira vez no theatro de S. Pedro de Alcantara em 21 de dezembro de 1859. Rio de Janeiro, 1865, 104 pags. in-8°. - Theatro do Dr. Carlos Antonio Cordeiro, 6 vols.- Não vi estes volumes, sinão mencionados num catalogo de livros da extincta CA 47 livraria de Bernardo Xavier Pinto de Souza, e creio que são os mesmos dramas já mencionados que, á excepção do ultimo, foram impressos separadamente na officina typographica do mesmo Souza. - O reinado de Salomão: drama sacro, inédito - Foi representado com muitos applausos no Rio de Janeiro. - Os milagres de S. Francisco de Paula: drama sacro, inédito -Idem. Diversos dramas, emíim, traduziu esto autor, que ficaram inéditos. Carlos A.iitouio <la França Carvalho - Filho do doutor Carlos Antonio de Carvalho e de dona Maria Luiza de Azevedo Carvalho e irmão do conselheiro Carlos Leoncio de Carvalho, de quem se trata neste volume ; nascido em Iguassú, Rio de Janeiro, em 1845 ; bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo; um dos fundadores da associação propagadora dos cursos nocturnos e seu vice-presidente, foi deputado provincial em varias legislaturas, e geral nas 17a e 19a, assim como ao actual Congresso federal. No seu primeiro anno juridico fundou com outros a sociedade Fraternisação que conseguiu libertar do captiveiro muitos infelizes, e depois, pos- suindo com seu irmão um importante estabelecimento agrícola em S. Paulo, alforriou todos os escravos antes da lei de 13 de maio. Por nomeação dos mais eminentes chefes liberaes foi o redactor em chefe da - Reforma : orgão democrático-que se publicou em o Rio de Ja- neiro, de 1869 a 1879. Escreveu: -Discursos pronunciados na assembléa provincial do Rio de Janeiro em 1874-1875. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Discursos de Carlos Antonio da França Carvalho, membro da assembléa provincial do Rio de Janeiro, reeleito em 1876. Rio de Ja- neiro, 1876, 178 pags. in-8°. - Discurso proferido na camara dos Srs. deputados na sessão de 6 de maio de 1879. Rio de Janeiro, 1879, 64 pags. in-8°. Carlos Antonio de Paula Costa-Filho do doutor Francisco de Paula Costa e de dona Michaela de Mattos Paula Costa, nas- ceu na cidade do Rio de Janeiro a 2 de setembro de 1844. E' doutorem medicina e bibliothecario da faculdade desta cidade, em cujo caracter em- prehendeu e levou aeffeito uma exposição medica; cavalleiro da ordem da Rosa ; membro da sociedade de sciencias medicas de Lisboa, da sociedade de medicina e cirurgia do Rio de Janeiro, da sociedade auxi- liadora da industria nacional, da sociedade propagadora da instrucção âs classes operarias da freguezia da Lagoa e fundador da associação de saneamento desta capital. Serviu em 1867 no hospital militar de 48 CA Andarahy e em 1876 como medico da escola militar e de uma das enfermarias creadas pelo governo para os affectados de febre amarella. Escreveu: - Iridiotomia ; Diagnostico diíferencial entre o typho e a febre typhoide ; Gangrena; Reconhecimento analytico das manchas esper- maticas: these, etc. Rio de Janeiro, 1866, in-4°. - Curso de hygiene popular para as classes operarias. Rio de Ja- neiro, 1877, 218 pags. in-16°- Esta obra é um complexo de lições professadas na escola nocturna da sociedade propagadora da instrucção às classes operarias da freguezia da Lagôa, da qual fora o autor presidente. - A vida normal e a saude : tratado completo da structura do corpo humano, das funcções e do papel dos orgãos em todas as idades da vida, com estudo raciocinado dos instinctos e das paixões do homem, e explicação dos meios naturaes de prolongar a existência, assegurando a conservação da saude, pelo Dr. J. Rengade ; traduzido, annotado e applicado ao nosso clima, costumes, etc. Rio de Janeiro, 1880 - Co- meçou a publicação em fascículos de 24 pags. in-4° e não continuou. - A mãi de familia: educação da infancia, hygiene da família, e modaspara crianças. Rio de Janeiro, 1880-1881 -E' uma publicação quinzenal de que o Dr. Carlos Costa foi o principal redactor. - Movimento scientiflco medico brazileiro : annuario medico brazi- leiro, fundado e redigido, etc. Primeiro anno, 1886. Rio de Janeiro, 1887, 152 pags. in-8°. - Movimento scientiflco medico brazileiro: annuario, etc. Segundo anno, 1887. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Movimento scientiflco medico brazileiro: annuario, etc. Terceiro anno, 1888. Rio de Janeiro, 1889. in-8.° - Ha o volume de 1889, publi- cado em 1890. - Da syphilis infantil no Brazil, suas relações com a escrophulose e rachitismo. Rio de Janeiro, 1890 in-8°-O autor sustenta em contra- rio á opinião do professor Parrot, de Paris, mas de accordo com o pro- fessor Cantami, de Nápoles, que aquellas moléstias são perfeitament© distinctas na infancia. Foi um dos redactores da Revista do Atheneo Medico (veja-se Cândido Barata Ribeiro) e da Revista Medica (veja-se Francisco Ribeiro de Mendonça). De seus escriptos publicados nestes e noutros periódicos citarei: - Da fecundação. - Na Revista do Atheneo Medico, 1866. - Da acção abortiva do sulfato de quinino - Na Revista Medica do Rio de Janeiro, 1874. - Breves palavras sobre algumas medidas hygienicas a tomar em CA 49 relação aos vinhos e outras bebidas fermentadas á venda no Rio de Janeiro - Na Revista Pharmaceutica, 1876. - Hygiene dos artistas - Na Reforma, 1878. Com esta publicação obteve o autor o titulo de socio honorário da associação typographica fluminense. - Hygiene popular - Na Gazeta de Noticias, 1879. E' uma serie de artigos a pedido da associação de saneamento da cidade do Rio de Janeiro. Carlos Artlxur Buscli Varella - Filho do deputado ás côrtes portuguezas de 1821 e depois lente da faculdade de direito de S. Paulo em sua installação, Luiz Nicolau Fagundes Varella, é natural da cidade do Rio de Janeiro, bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, bacharel em direito pela dita faculdade, advogado na capital federal e socio do instituto dos advogados. Escreveu: - Discurso contra a liberdade do Brazil. Rio de Janeiro, 1865. - Da instrucção ao vagabundo, ao engeitado, ao filho do proletário, e ao joven delinquente; meios de tornal-a eílectiva: discurso proferido na escola publica da Gloria no dia 17 de novembro de 1874. 3a confe- rencia. Rio de Janeiro, 1874, 32 pags. in-4° e mais 7 de juizos da im- prensa . - A emancipação dos escravos, conferencia, etc. Rio de Janeiro...- Tive este escripto e perdi-o; nem me recordo bem do titulo. E' um bello discurso proferido por occasião do projecto do conselheiro M. P. de Souza Dantas. - A lei de 7 de novembro de 1831: conferencia, etc. Rio de Janeiro, 1884-Ha vários trabalhos seus, publicados no exercicio da advocacia, como: - Defesa do capitão de mar e guerra Gervazio Mancebo, chefe da divisão naval do segundo districto. Rio de Janeiro, 1865, 44 pags. in-8°. - Tribunal dojury. Processo de Illicn: resumo da defesa. Rio de Janeiro, 1866, 47 pags. in-4°. Carlos A.rthu.r Moncorvo de Figueiredo - Filho do doutor Carlos Honorio de Figueiredo, de quem occupar-me- hei adeante, e de dona Emilia Dulce Moncorvo de Figueiredo; nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 31 de agosto de 1846. Bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II e doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, é professor de clinica das moléstias da infancia na Polyclinica do Rio de Janeiro; membro do instituto dos bacharéis em lettras, do instituto historico e geographico brazileiro, e da academia nacional de medicina; professor honorário da faculdade de medicina de Santiago do Chile; membro da academia real das sciencias de Lisboa; 50 da sociedade medica de emulação de Paris; da academia real de medicina de Roma e da de Barcelona; da sociedade real das sciencias naturaes de Bruxellas ; da academia de medicina de Lima ; da socie- dade de medicina de Paris e das de Bordeaux, Marseille, Reims, Alger, Lisboa, Génova, Buenos-Aires e Santiago do Chile. E' um dos clínicos brazileiros que mais trabalhos têm publicado sobre as sciencias medicas. Além de sua these inaugural e do livro que segue, escreveu : - Dgspepsias e seu tratamento; Diagnostico differencial entre a hemorrhagia cerebral e a meningo-encephalite; Môrmo; Calorico em geral: these inaugural. Rio de Janeiro, 1871, 254 pags. in-4°. - Os seis primeiros documentos da historia do Brazil. Rio de Ja- neiro, 1874, 59 pags. in-8° - Este livro deu-lhe ingresso no instituto historico e geographico brazileiro. - Da acção abortiva do sulfato de quinino. Rio de Janeiro, 1874, 23 pags. in-8°. - Da acçcío da genciana, associada ao sulfato de quinino, Rio de Ja- neiro, 1874, 29 pags. in 8°. - Physiologia da digestão. Rio de Janeiro, 1874, in-8°. - Do exercido e ensino da medicina no Brazil. Rio de Janeiro, 1874, 203 pags. in-8°. - Du diagnostic differenciel entre la dyspepsie essentielle et l'hy- poemie intertropicale (opilation). Paris, 1874, 16 pags. in-8°. - Do emprego do chlorato de potassa na diarrhéa das crianças. Rio de Janeiro, 1875, 8 pags. in-8° - E' uma reproducção de um artigo publicado na Revista Medica, tomo 2o, pags. 233 e segs. Continuando nas observações, escreveu mais tarde no Progresso Medico, tomo 2o, outro trabalho que publicou em separado, isto é : - Do emprego do chlorato de potassa nas diarrhéas das crianças. Rio de Janeiro, 1877, 40 pags. in-8°. - Projecto de um regulamento das amas de leite. Bahia, 1876, II pags. in-8° - E' extraindo da Gazeta Medica da Bahia, deste anno, pag. 498. - Do ainhum: algumas considerações sobre esta moléstia, a propo- sito de um caso communicado á academia imperial de medicina. Rio de Janeiro, 1876, 51 pags. in-8ú - E' um estudo desta moléstia, tão rara, quão pouco conhecida, e de que foi o Dr. J. F. da Silva Lima, na Bahia, o primeiro medico que no Brazil tratou na Gazeta Medica da mesma cidade. - Da lienteria na infancia e seu tratamento pelo acido chlorhydrico. Rio de Janeiro, 1879, 33 pags. in-8° - Publicado antes no Progresso Me- dico, tomo 3.° CA. 51 - Nota sobre a acção physiologica e therapeutiea da carica-papaia (mamoeiro). Rio do Janeiro, 1879, 25 pags. in-4° - Idem na Gazeta Medica da Bahia, 1879, pag. 465 a 489. Deste trabalho occupou-se a Gazeta Medica Italiana do dito anno, pag. 474, e La Union Medicale de Paris, 1880, pags. 103 e segs. em noticia escripta pelo Dr. M. R. Perrin. - Estudo sobre o rheumatismo chronico na infanciae seu tratamento, á proposito de um caso ohservado em uma menina de dous annos e meio, curada pelo emprego das correntes galvanicas. Rio de Janeiro, 1879, 106 pags. in-8° -Foi também publicado no Progresso Medico, to- mos 2o e 3o. - Estudo sobre o rheumatismochronico nodoso da infanciae seu tra- tamento: memória apresentada à sociedade medico-cirurgica de Bor- deaux para obter o titulo de socio correspondente. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - Designado o Dr. Mauriac para dar parecer sobre este escripto, traduzindo-o em francez e publicando-o em Paris num vol. de 148 pags. in-8°, disse o mesmo doutor: « Esta monographia é a primeira que me consta haver sido escripta sobre o rheumatismo chronico nodoso das crianças. Esta circumstancia sómente, quando o livro não se recom- mendasse por outros titulos, tornal-o-hia recommendavel aos médicos francezes ». O Journal d'Hygiene, tomo 5o, pag. 360, occupa-se desta obra. - Da dilatação do estomago nas crianças e seu tratamento. Rio de Janeiro, 1883, 79 pags. in-8* - Sahiu antes na União Medica e mais tarde publicou o autor: - De la dilatation de l'estomac chez les enfants et d'un nouveau moyen d'exploration pour la reconnaitre. Reproduit de la Revue Men- suelle des maladies de 1'enfance. Paris, 1885, in-8°. - Traitement du spina-biflda, par les injections iodo-glycérinées. Paris, 1884, in-8°-Sahiu antes na dita Revista. - De la nature de la coqueluche et de son traitement par la resor- cine. Paris, 1884, 97 pags. in-8* - Sahiu também na União Medica, tomos 4o e 5o, com uma nota do Dr. J. de Aquino Fonseca, e na Gazeta Medica da Bahia, e ha sobre este trabalho uma analyse no Bullctin General de Therapeutique, 1884, pag. 235. - Contribution à l'étude de la sclerose multiloculaire chez les en- fants. Paris, 1884, 56 pags.- Acha-se também na União Medica deste mesmo anno com o titulo «De la sclesosa en plaques chez les enfants» pags. 16 a 31, 49 a 62,97 a 108 e 145 a 152. - De Temploi du chlorhydrate de cocaine dans le traitement de la coqueluche. Rio de Janeiro, 1885, in-8°- Foi publicado antes na União Medica e depois no Bidletin General de Therapeiãique de 30 de setem- bro deste anno. 52 CA - De la tempèrature de la paroi abdominale dans les cas d'entérite aigue et chronique. Reproduit de la Revue Mensuelle des maladies de 1'enfance. Paris, 1885, in-8°. - De l'èléphantiasis des Árabes chez les enfauts. Paris, 1886, in-8° - E' reproducção da dita revista. Mais tarde, em 1888, publicou o Dr. Moncorvo de Magalhães outro escripto sobre o mesmo objecto, ainda nessa revista. - De Vasthme dans 1'enfance et de son traitement. Paris, 1888, 156 pags. in-8° -São lições professadas na Polyclinica do Rio de Janeiro. - De V ètlologie de la sclérose en plaques, chez les enfants, et no- tamment de 1' influence pathogénique de 1'hérédo-syphilis. Paris, 1887, in-8°- Acha-se na citada revista deste anno. - De V antipyrine dans la therapeutique enfantine. Paris, 1886, 157 pags. in-8°. - De Vantipyrine dans les maladies infantiles et le traitement de la chorée. Paris, 1888. - Valeur des injections hypodermiques de cafeine dans la théra- peutique enfantine. Paris, 1888. - Sur Vemploi clinique du strophantus, avec la collaboration du docteur Clemente Ferreira. Paris, 1888. - Sur les troubles dyspeptiques dans 1'enfance et sur leur diagnostic par la recherche chimique du suc gastrique. Paris, 1888. - De Vantipyrine, de la thaline, de 1'antifébrine et de la phénacé- tineau point de vue hémostatique. Paris, 1889. - Du traitement de la chorée par l'antipyrine. Paris, 1889. - DeVemploi du strophantusdans la therapeutique enfantine. Paris, 1890, 19 pags. in-4°. - Erytheme noueux palustre: leçon professée à Polyclinique gene- rale de Rio de Janeiro. Paris, 1890. - Sur Vemploi du salol dans le traitement de la diarrhée marem- matique chez les enfants. Paris, 1890. - Le traitement de la syphilis enfantine par les injections sous- cutanées des seis mercuriels. Paris, 1891-E' escripto de collaboração com seucollega o Dr. Clemente Ferreira. (Veja-se este nome.) Carlos Augusto de Brito e Silva-Filho do doutor Felisberto Augusto da Silva e de dona Maria Guilhermina de Brito e Silva, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1860. Doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade em 1883, foi logo nomeado ajudante do bibliothecario da mesma faculdade. Escreveu : - Dysenteria (dissertação) ; Hygrometria ; Meningeas ; Medicação 53 revulsiva, these, etc., afim de obter o grau de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1883, pags. 74 in 4.° - Diagnostico differencial dos tumores do seio pelo professor Masse ; traduzido da Gazette de Gynecologie. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Novo formulário infantil, contendo a descripção por extenso do tratamento de algumas affecções mais frequentes da infancia e nume- rosas formulas, etc. Rio de Janeiro, 1888, 188 pags. in-8°. - Contribuição para o estudo do tratamento das cystites blenorrhagicas pelas instillações de glycerina iodoformada. Rio de Janeiro, 1890, in-8°. Carlos Augusto de Carvalho - Filho do tenente- coronel José Carlos de Carvalho, de quem occupar-me-hei mais tarde, e de dona Antonia Francisca Ferraz de Carvalho, nasceu no Rio de Janeiro a 20 de março de 1851. Bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, advogado na capital federal e commendador da ordem de Christo, administrou a província do Pará e a do Paraná, tendo antes servido nesta o cargo de chefe de policia. Escreveu vários - Relatórios ( de sua administração nas províncias do Pará e do Paraná e sobre a policia desta ultima ). - Administração dos trabalhos e serviços de engenharia civil, minas, e manufacturas ( dissertação ) ; Caixas económicas ; Condições necessárias a uma boa organização administrativa : these de concurso da segunda secção do curso de engenharia civil, que apresentou, etc. Rio de Janeiro, 1880, 188 pags. in-4°. - Projecto de Codigo de justiça militar para o exercito brazileiro, apresentado ao ministério da guerra pela commissão nomeada para organizal-o, composta dos srs. Dr. Carlos Augusto de Carvalho, Visconde de Beaurepaire, general de brigada João Manoel de Lima e Silva, Dr. Agostinho de Carvalho Dias Lima. Rio de Janeiro, 1890 - Em tempo de estudante foi um dos redactores, por eleição, da - Imprensa Académica, jornal dos estudantes de S. Paulo, commer- cial, agrícola, noticioso e litterario. S.'Paulo, 1864 a 1871, in-fol. - Foi o primeiro redactor o bacharel Luiz Ramos Figueira, e Carlos de Carvalho na ultima phase. Carlos Augusto Peixoto de Alencar - Natural da província do Ceará, falleceu a 15 de novembro de 1866 com sessenta annos de idade, sendo presbytero do habito de S. Pedro ; vi- gário collado do Icó, vi 11a da província do seu nascimento e onde era geralmente estimado por suas virtudes ; socio do instituto historico e 54 CA geographico brazileiro, etc. Foi deputado á assembléa geral em tres legislaturas, director da instrucção publica e escreveu, além de re- latórios no oxercicio deste cargo: - Roteiro dos bispados do Brazil e seus respectivos bispos, desde os primeiros tempos coloniaes até ao presente. Ceará, 1866, 298 pags. in-8°. - Itinerário da visita do Sr. d. Luiz Antonio dos Santos ao norte do bispado, no anno de 1862. Ceará, 1863, 160 pags. in-8°. - Oração fúnebre que recitou no dia 9 de dezembro de 1846 nas exequias do major João Facundo de Castro Menezes, assassinado a 8 de dezembro de 1841. Fortaleza, 1846. - Oração fúnebre nas exequias de d. Pedro V, Rei de Portugal - Acha-se no livro « Exequias que á saudosa memória de Sua Magestade El-Rei o Senhor d. Pedro V, mandou celebrar a commissão de por- tuguezes residentes no Ceará na cathedral da Fortaleza, no dia 15 de março de 1852». Fortaleza, 1852. - Discurso que pronunciou na camara temperaria defendendo a administração do senador José Martiniano de Alencar, na qualidade de presidente da mesma provincia. Rio de Janeiro, 1841, 51 pags. in-4°. - O Senhor Francisco de Souza Martins, desmentido na represen- tação nacional. Ceará, 1841, 66 pags. in-4°. Carlos A-ug-usto <Ie Sá - Nascido em Lisboa a 13 de no- vembro de 1827, veiu para o Rio de Janeiro, aqui estudou humanidades, naturalisou-se brazileiro e entrou para o funccionalismo publico como amanuense do consulado. Passando depois para a secretaria de estado dos negocios da fazenda, aposentou-se no logar de chefe de secção. E' offlcial da ordem da Rosa e escreveu: - O baile mascarado : comedia em um acto e dous quadros, repre- sentada pela primeira vez no theatro de Santa Thereza de Nitheroy em 1849. Rio de Janeiro, 1851, 21 pags. in-4° -Nesta comedia col- laborou José Virgilio Ramos de Azevedo. - Segredos de minh'alma: poesias. Rio de Janeiro, 1854, 304 pags. in-8°. - Cyprina canções eróticas. Rio de Janeiro, 1854, 151 pags. in-8°. - Amor e lagrimas : collecção de poesias, publicadas no Panamá, periodico semanario, litterario e recreativo. Nitheroy, 1858, in-8°. - A chapelada : poema heroi-comico-satyrico, dividido em oito en- eapellações. Rio de Janeiro, 1857, 80 pags. in-8°. - O assumpto deste poema é tirado de uma determinação, ou cousa semelhante, do ministro da fazenda, para que todos os empregados de sua secretaria lhe ti- rassem o chapéo á sua entrada na repartição. Foi publicado sob o CA 55 anonymo e ainda hoje não está conhecido o verdadeiro autor. Quando foi publicado este poema, a diversos litteratos da corte foi attribuida sua paternidade, como por exemplo ao Dr. Francisco José Pinheiro Guima- rães, ao Dr. Antonio de Castro Lopes, Antonio Sérgio Fernandes da Costa, João José de Souza e Silva Rio e outros. - Noticia sobre a vida publica do cirurgião de divisão do exercito, Dr. Polycarpo Cesario de Barros. Rio de Janeiro, 1869, 29 pags. in-8° - Publicou além disto artigos em prosa e grande numero de poesias nos seguintes periódicos do Rio de Janeiro: Chronica litteraria, 1848; Harpejos poéticos, 1849; Guaraciaba, 1851 ; Curupira, 1852 ; Miscellaneu poética, 1853, e ainda no Jornal das Senhoras, no Beija- Flor, Biario do Rio e Correio Mercantil. Carlos Augusto Soares Brasil - Professor da segunda cadeira da instrucção primaria da freguezia do Espirito Santo, onde se conservou até o começo de 1880, escreveu: - Systema métrico decimal, coordenado, etc. Rio de Janeiro, 1874, 20 pags. in-8°. - Elementos de arithmetica para a infancia. Rio de Janeiro... - Ha varias edições. Carlos Augusto Taunay - Filho cie um dos funda- dores de nossa academia de bellas-artes, Nicolau Antonio Taunay, Barão de Taunay e da Baroneza do mesmo titulo, e irmão cie Felix Emilio Taunay, depois Barão deste titulo, do qual occupar-me-hei neste livro, nasceu na França e falleceu no Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1867. Em 1816 veiu para esta cidade com sua familia e de outros homens de elevada categoria social e artistica daquelle reino, como Grandjean de Montigny, de Gestas, Debret, Le-Breton e Pradier, a convite do Marquez de Marialva em nome de d. João VI. Sendo major do exercito francez, posto a que foi elevado, com 22 annos de edade, por seu valor e heroísmo no assalto de Sagunto, na Hespanha, foi-lhe conservado esse posto por occasião da indepen- dência, reformando-se mais tarde. Além de vários artigos no Re- verbero Constitucional, redigido pelos dous mais notáveis patriotas e batalhadores de nossa emancipação politica, o padre Januario da Cunha Barbosa e Joaquim Gonçalves Ledo (vejam-se estes nomes), escreveu: - Os dous Pedros: ode em francez, dedicada a sua alteza real, o príncipe regente do Brazil, com a traducção em portuguez. Rio de Ja" neiro, 1822, in-8°. 56 CA - Algumas considerações sobre a colonisação. oíferecidas á sociedade Auxiliadora da industria nacional. Rio de Janeiro, 1834,40 pags. in-8°. - Manual do agricultor braziloiro: obra indispensável a todo senhor de engenho, fazendeiro e lavrador por apresentar uma idéa geral e philosophica da agricultura applicada ao Brazil e ao seu especial modo de producção, bem como noções exactas sobre todos os generos de cultura em uso, ou cuja adopção for profícua, etc.; ornado com varias estampas. Rio de Janeiro, 1839, 330 pags. in-4° - Trabalhou de collaboração na parte agronómica e botanica L. Riedel, botanista do Imperador da Rússia, como o declara o autor. - 'Viagem pittoresca à Petropolis para servir de roteiro aos via- jantes e recordação deste ameno torrão brazileiro; adornada com seis vistas. Rio de Janeiro, 1862, 152 pags. in-8.° - Além das seis vistas tem ainda uma planta colorida. - Tratado da cultura do algodoeiro no Brazil, ou artode tirar van- tagens desta plantação, etc. Rio de Janeiro, 1862, 110 pags. in-8°- Esta obra foi escripta de collaboração com o padre Antonio Caetano da Fonseca, de quem já fiz menção no primeiro volume deste livro, pag. 121. Deixou inédita uma - Traducção das comedias de Terencio, em versos francezes. Carlos Bandeira Renault - Filho de Carlos Laroche Renault e de dona Nicolina Bandeira Renault, nasceu em Bagé, provin- da, hoje Estado do Rio Grande do Sul, em agosto de 1856. E' socio e secretario do grémio litterario de Pelotas, poeta distincto e tem pu- blicado grande numero de poesias em vários jornaes desta cidade e da do Rio Grande. Foi com os cidadãos Francisco de Paula Pires (veja-se este nome) e Julio Soeiro, proprietário e redactor do - Radical: orgão republicano. Pelotas, 1890, in-fol. de 4 cols.- Esta folha começou a 5 de janeiro e é hoje de exclusiva propriedade e redacção do primeiro socio. Renault foi um dosescriptores do opusculo: - Charitas, publicação promovida pelo grémio litterario em bene- ficio do inditoso poeta Lobo da Costa, reduzido á extrema miséria. Pelotas, 1887, in-8°- De sua penna acham-se ahi as poesias : Caridade, O supplicio, A mãe. Este autor tem a publicar : - Pomponias: poesias - de que possuo a cópia de um soneto ao mote «Ao longo d'agua o niveo cysne canta », o qual entrou em um concurso poético e sahiu vencedor com os votos de Machado de Assis, de Affonso Celso Júnior e de Valentim Magalhães, assim como a de outro de surprehendente inspiração, que começa: « Não balouces, ó brisa, a llor mimosa ! CA 57 Carlos Bernardino de Moura - Filho de Joaquim Bernardino de Moura e de dona Rosa Luiza de Viterbo Moura, nasceu no Rio de Janeiro a 11 de agosto de 1826 e, matriculando-se na academia de marinha em 1840, passou no anno seguinte para a academia militar, onde, depois de dous annos de approvação plena, tendo praça no Io batalhão de artilharia a pé, foi promovido a alferes alumno. Depois de feito o curso desta arma, já segundo tenente, prestou serviços por occasião da revolução de Alagôas em 1845, e ainda por occasião da revolução praieira de Pernambuco em 1849 ; mas, soffrendo de sua saude, deixou o serviço activo de guerra e estabeleceu-se como professor primário em Nitheroy até 1853, dedi- cando-se desta epoca em deante ao jornalismo e redigindo : - O Restaurador: folha exclusiva da província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1853 a 1854, in-fol. - A Patria (folha democrata) : Nitheroy e Rio de Janeiro, 1854 a 1890, in-fol. - Esta folha tem tido diversas phases : passou a chamar- se Echo da Nação a 25 de março de 1860, A Revolução Pacifica, Jornal político, litterario e agrícola em 1861, e a 15 de outubro de 1862 tornou ao primitivo titulo. Seu redactor fez varias conferencias por occasião da guerra contra o Paraguay, como as duas seguintes : - Conferencia sobre a abolição do poder moderador. Rio de Janeiro, 1868 -Foi feita em nome do club radical no theatro Phenix dramatíca. - Conferencia sobre o senado temporário. Rio de Janeiro, 1868 - Idem. - Considerações feitas na conferencia de 2 de junho do corrente anno, etc., sobre o assumpto da emancipação do estado servil, etc. Rio de Ja- neiro, 1871, 32 pags. in-8° - Sobre este assumpto se tem C. B. de Moura occupado ainda, quer na tribuna, quer na imprensa. - Compilações de algumas reflexões sobre o regimen constitucional do Brazil. Nitheroy, 1860, 72 pags. in-8°. Carlos Braconnot - Filho de João Julião André Braconnot e de dona Martha Braconnot, nasceu no Rio de Janeiro a 9 de dezembro de 1831 e falleceu em Paris a 13 de outubro de 1882, capitão de fragata reformado da armada; official da ordem da Rosa e da ordem franceza da Legião de Honra ; commendador da de Christo e conde- corado com a medalha da campanha do Uruguay de 1852. Fez o curso académico e serviu o cargo de director das officinas de machinas no arsenal desta capital. Escreveu : - O Independencia e a discussão do senado. Rio de Janeiro, 1877, 44 pags. in-4° - Refere-se ás occurrencias relativas ao celebre transporto 58 CA mandado construir pelo governo imperial e depois vendido ao governo inglez. Carlos Carneiro <le Campos, 3o Visconde de Cara- vellas - Nasceu na Bahia a 1 de novembro de 1805 e falleceu no Rio de Janeiro a 28 de abril de 1878. Serviu com praça de cadete no ba- talhão de d. Pedro 1, estudou dous annos na escola militar, e depois, dando baixa e indo à França, fez em Paris o curso de direito, de que re- cebeu o grão de doutor em 1827. Na instituição das academias de direito, foi nomeado lente da de S. Paulo, onde exerceu também o cargo de director. Foi por esta província deputado á sua assembléa, depu- tado geral, e senador em 1857; foi director do banco do Brazil e inspe- ctor geral do thesouro nacional; presidiu por tres vezes a província de Minas Geraes ; serviu em tres gabinetes, occupando as pastas dos negocios estrangeiros e da fazenda. Era conselheiro de estado, veador de Sua Magestade a Imperatriz ; commendador da ordem de Christo, gran-cruz das ordens de Leopoldo da Bélgica, da Legião de Honra da França, da Aguia Vermelha da Allemanha, da Corôa da Italia, da Corôa de Ferro da Áustria, da Ernestina de Saxe Coburgo e Gotha - e escreveu, além de vários - Relatórios-no exercício dos cargos de ministro de estado e de presidente de província, etc. - A crise commercial de setembro de 1864, seguida dos actos do mi- niáterio da fazenda que lhe são relativos, etc. Rio de Janeiro, 1865, 43 pags. in-4° - E' extrahido de seu relatorio apresentado ã assem- bléa legislativa em 1865, sendo o autor ministro da fazenda. - Revista da sociedade philomatica. S. Paulo, 1833, in-4° - Foram seus companheiros nesta publicação F. B. Ribeiro e J. I. Silveira da Motta, assim como na sociedade de que Carneiro de Campos foi o fundador. Carlos Cesar Burlamaque - Nascido em Portugal e brazileiro pela independencia do Brazil, foi militar, e vivia em 1825, tendo o posto de tenente-coronel do estado-maior do exercito. Nomeado governador da capitania do Piauhy, tomou posse do cargo a 21 de ja- neiro de 1806, sendo então capitão de infantaria. Em outubro de 1810 foi suspenso do exercício, preso, sendo seus bens confiscados pelo capitão- general do Maranhão; mas por carta régia do príncipe regente, de 8 de março do anno seguinte, foi restituído á liberdade com a posse de seus bens e dos soldos vencidos, reprovando no mesmo acto o dito príncipe « por excesso de jurisdicção e mero arbitrio » o procedimento daquelle CA 59 capitão-general. Mais tarde, declarada independente a capitania de Sergipe, que era sujeita ã Bahia, foi elle nomeado seu governador em 1821, e neste cargo escreveu: - Memória histórica e documentada dos successos em Sergipe d'El-Rei, sendo governador daquella provincia Carlos Cesar Burla- maque que a foi crear ; ora independente e separada totalmente da da Bahia por decreto de sua magestade fidelíssima de 8 de julho de 1820 e carta patente de 25 do mesmo mez e anno. Rio de Janeiro, 1821, 40pags. in-4°. - Mappas geraes da população da capitania de S. José do Piauhy e das forças militares da mesma capitania, remettidos, etc., em 1809. 21 íls. in-fol. -A esses mappas accompanham quatro offlcios de Bur- lamaque. Acham-se no archivo militar os originaes. Carlos Charlton Copsey - Natural da Inglaterra e brazileiro por naturalisação, é professor de inglez do lyceo mineiro e também de uma das cadeiras da escola normal em Ouro-Preto. Antes disso foi professor publico em S. João d'El-Rei, e leccionou no collegio Apollo, e no collegio Duval da mesma cidade. Escreveu: - Breve tratado sobre o uso dos globos artificiaes e construcção dos mappas, seguido de artigos a respeito da latitude, longitude e alguns instrumentos astronomicos, etc. Rio de Janeiro, 1854, in-8° com figuras. - Breve tratado de geographia geral e do Império do Brazil, espe- cialmente da provincia de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1878, in-8°. - Curso de versões para o inglez. Rio de Janeiro, 1879, in-8°. Carlos Cliidloi - Nascido na cidade do Rio de Janeiro a 5 de setembro de 1813 e doutor em medicina pela universidade de Giessen, abraçou a doutrina de Hahnemann em sua inauguração no Brazil e com dedicação tal, que não só foi secretario e lente da escola homoeopathica, fundada nesta cidade, como foi â Europa adquirir mais solidos conheci- mentos da nova doutrina, frequentando os cursos e hospitaes respectivos na Allemanha, na Bélgica, na Inglaterra e na França e, com o fim de propagal-a, fez excursões por algumas províncias depois que voltou da Europa. E' cavalleiro da ordem da Rosa, socio do instituto homceopathico do Rio de Janeiro, e de outros iguaes da Europa e da America, e socio correspondente da sociedade de sciencias medicas de Lisboa, e escreveu: - Homoeopathia domestica ou instrucções para qualquer pessoa poder curar homoeopathicamente nos logares, onde não ha medico. Rio de Ja- neiro, 1853, in-8° - E' um grosso volume de 708 paginas, ao alcance de todas as intelligencias e dividido em duas partes, e um appendice, tra- 60 tando: Na Ia parte, das viagens pelas províncias do norte do Brazil e poi' diversos Estados da Europa, etc. Na 2a parte, de todas as enfer- midades, especialmente das que são frequentes no Brazil; soccorros que se devem prestar aos envenenados, asphixiados, etc. No appendice da polemica que sustentara em 1851 pelo Jornal do Commercio e Correio Mercantil com o director da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, seguida dos discursos que a favor da homceopathia proferiram nas sessões de 7 de junho e de 24 de julho de 1852 os senadores Marquez de Olinda e d. Manoel de Assis Mascarenhas. - Bemposta, sitio da Bella-Vista. Consultorio medico-homoeopathico e cirúrgico do Dr. Carlos Chidloi. Rio de Janeiro, 1858, 76 pags. in-8° - Contém estatísticas de sua clinica e um resumo de homceopathia domes- tica, concernente a historia e tratamento da febre amarella e do cholera- morbus. - Memória sobre a cataracta e outras moléstias dos olhos, sem ope- ração. Rio de Janeiro, 1883. Carlos Clementino Carvalhaes - Serviu no exer- cito, e sendo segundo tenente de artilharia, foi reformado a 25 de janeiro de 1868, exercendo entretanto depois disto alguns cargos, como o de instructor do deposito de aprendizes artilheiros no Rio de Janeiro. Escreveu : - Amor e infamia: drama brazileiro em um prologo e tres actos por José Cândido dos Reis Montenegro e Carlos Clementino Carvalhaes, officiaes de artilharia. Rio de Janeiro, 1872, 67 pags. in-8° - Este drama foi representado na escola militar a 13 de janeiro de 1872 pela sociedade dramatica particular União escolástica. Carlos Delamare - Natural da França, nasceu no Havre de Grace em 1788 e falleceu no Rio de Janeiro em 1850. Chegando ao Brazil em 1815, aqui firmou sua residência, adoptou a constituição do império, foi professor publico da lingua franceza e leccionou também geographia e historia. Escreveu : - Oureka, ou a historia de uma negra : romance pela Duqueza de Duras, traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1830. - A Condessa com dous maridos ou historia de Chabert : facto historico, traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1837, in-8°. - Compendio de historia e chronologia, dividido em quarenta e uma lições. Rio de Janeiro, 1839, in-8°. - Methodo elementar da lingua franceza - Não vi sinão a terceira edição. Rio de Janeiro, 1847, in-8°. E' dividido em duas partes. A CA 61 segunda parte consta de themas; uma lista alphabetica dos nomes proprios, geographicos e gentílicos, que se encontram nos precedentes exercícios; significados de que se deve evitar a confusão ; algumas outras noções, diálogos e phrases familiares. - Supplemento, ao methodo elementar da lingua franceza, ou curso completo de exercícios e themas. Rio de Janeiro, 18.., in-8°. Carlos JElboli - Nascido na Italia em 1832, e brazileiro natu- ralisado, falleceu em Nova Friburgo, província, hoje Estado do Rio de Janeiro, em fevereiro de 1885, sendo doutor em medicina pela faculdade de Paris, formado em 1856. Depois de clinicar em alguns logares do Brazil, estabeleceu-se em Nova Friburgo, onde fundou e dirigiu um importante estabelecimento hydrotherapico, introduzindo no paiz a hydrotherapia como systema razoavel de therapeutica, e foi vereador da camara municipal. Era membro correspondente da antiga academia imperial de medicina e escreveu : - Diagnostico, prognostico e tratamento das moléstias em geral : those de sufflciencia apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro e sustentada em 13 de maio de 1863. Rio de Janeiro, 1863, in-4°. - Hydrotherapia: memória apresentada á imperial academia de medicina, etc. - Nos Annaes da mesma academia, tomo 36°, 1870-1871, pags. 369 e 409 e tomo 38°, 1872-1873, pags. 68, 269, 281, 321, 364 e 458. Naquelle volume publicou o Dr. Eboli dous casos de sua clinica, curados pela hydrotherapia : Io Tremor choreico parcial de cinco annos e angina do peito, intercurrente, curados em dous mezes, pag. 236; 2o Hysterismo, pag. 239. Carlos Emílio A.det - Nascido em Paris a 1 de janeiro de 1818, ahi falleceu a 30 de outubro de 1867. Vindo muito criança para o Rio de Janiero, aqui principiou o curso de humanidades e foi concluil-o em sua patria; mas, já affeiçoado ao Brazil, tornou ao Rio de Janeiro, naturalisou-se cidadão brazileiro e dedicou-se às lettras, ao jornalismo e ao magistério, leccionando geographia, historia, a lingua franceza e a grega em alguns collegios, e sendo um dos professores do atheneo fluminense, instituído em 1844 por J. B. Calogeras na academia militar. Deu-se ao jornalismo começando como revisor do Jornal do Commercio ; passou a fazer parte da redacção em 1851, e por ultimo foi director gerente até 1867. Neste intervallo, porém, indo á França levado por interesses particulares, foi corre- spondente de alguns orgãos da imprensa do Rio de Janeiro, e alli 62 CA tornando para tratar da educação de seus filhos, foi, ao cabo de dous dias de sua chegada, acommettido de uma febre de caracter pernicioso, de que veiu a morrer. Era socio do instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional e de outras, e escreveu: - Plutarco brazileiro: poesias brazileiras, antigas e modernas, raras e inéditas, acompanhadas de notas, noticias biographicas e criticas e de uma introducção sobre a litteratura nacional; publicado sob os aus- pícios de uma sociedade. Rio de Janeiro, 1844 -Foi seu socio nesta empreza J. Norberto de Souza e Silva, de quem hei de tratar. - Zootechnia applicada. Hippologia: o cavallo, raças, producções, creação, hygiene. Rio de Janeiro, 1859 - Este livro é dividido em cinco partes: Na Ia parte se estuda a historia natural do cavallo, as principaes raças e as coudelarias ; na 2a, os modos de melhorar as raças ; na 3a, a criação do cavallo ; na 4a, a hygiene e alimentação, a construcção de cavallarices, o cavallo considerado como animal de trabalho ; na 5a, a conformação exterior do cavallo, seus defeitos, suas proporções e symetria de fôrmas. - D. Carlos: tragédia - E' escripta em francez e inédita. -Rezenha da historia da America desde sua independencia - Sahiu no «Annuaire desdeux mondes» tomo 1°, escripta em francez. Nesta revista se acham ainda diversos escriptos de Emilio Adet, tanto em proza, como em verso, assim como se acham outros na Encyclopedia do século XIX, na Revista Independente, no Artista, e na Minerva Braziliense. Desta ultima, mencionarei os seguintes : -Um officio de defunto e uma abenção nupcial: novella -No rol. 1°, pags. 238 a 244. -Amélia: romance - No volume 2°, pags. 455, 517 e 615 e segs. - Litteratura contemporânea franceza - No volume 1°, pags. 37, 89 e 108 e segs. - Resposta ao artigo da « Revista » dos dous mundos, intitulado « O Brazil em 1844 ; sua situação moral, política, commercial, e finan- ceira » por Chavagne no tomo 7°, 1844, pag. 66 -No volume 2°, pags. 719 a 725 - Neste escripto refuta Emilio Adet as asserções falsas e insolentes do escriptor seu conterrâneo sobre o Brazil e os brazi- leiros, e conclue promettendo enviar áquella revista notas exactas sobre o Brazil, philosophicamente tratadas. Araújo Porto-Alegre, respondendo na mesma occasião ás injurias do ingrato seguidor de Jacquemont, não mostra mais amor ao Brazil, do que Emilio Adet. - Priere á Dieu pour sa altesse imperiale - Sahiu esta poesia, posta em musica com acompanhamento para piano pelo professor Noronha CA 63 no volume Io, pag. 311, e um artigo de Santiago Nunes Ribeiro, tecendo elogios quer ã poesia, quer à musica. Foi escripta por occa- sião de grave enfermidade da princeza imperial. 1844. - Ode a un lis : - Volume Io, pags. 215 a 217. Ao lado do original francez vem uma traducção em verso portuguez por J. Norberto de S. S. - Ode à une rose: - Volume 3o, pags. 73 a 75. Tem ao lado a traducção em verso portuguez e em verso italiano por L. V. de Simoni. Muito antes de sua morte, em 1848, tinha prompto a publicar. -Diccionario das notabilidades contemporâneas do Brazil - que, entretanto, nunca viu a luz. Vi essa noticia na «Revista Universal Brazileira», Rio de Janeiro, 1847-1848, pag. 48. Carlos Emilio Antunes - Filho do doutor Antonio Sa- lustiano Antunes e natural da Bahia, por cuja faculdade é pharmaceu- tico, formado em 1888, escreveu: - Ensaios de chimica: processo para o reconhecimento dos generos ou elementos electro-negativos e das especies ou elementos electro- positivos dos saes inorgânicos. Bahia, 1890 - Contém diversas formu- las para analyse qualitativa e quantitativa das substancias componen- tes de um preparado determinado. Carlos Escobar - Natural da cidade de Campinas, Estado de S. Paulo, e ainda muito moço, é professor pela escola normal do mesmo Estado e escreveu: - Estudos de sociologia, S. Paulo, 1890 - E' um opusculo dividido em duas partes : a primeira sob o titulo O divorcio é de Arthur Broes, também professor ; a segunda ou Phathologia do adultério é de C. Esco- bar. Sei que este tem a publicar: - O louco : conto - em que se estudam os diversos estados da consciência, como a volubilidade, a desconfiança, a covardia, o idiotis- mo, a loucura, segundo se lê no Correio de Campinas de setembro de 1888. Carlos Esperidião de Mello e Mattos - Nascido na capital da Bahia a 30 de outubro de 1835, falleceu a 6 de março de 1889 em Cuyabà, em cuja Relação occupava uma cadeira. Formado em direito pela faculdade do Recife, entrou na carreira da magistratura como promotor publico da provincia de Sergipe ; exerceu depois diversos cargos, até o de desembargador, sendo, desde o principio de sua vida 64 CA publica, notorias e proverbiaes sua probidade e inteireza de caracter, assim como a severidade de seus costumes. Escreveu: - Tratado da conformidade com a vontade de Deus, por S. Affonso de Liguori ; traduzido e publicado com approvação do excellentissimo arcebispo da Bahia, primaz do império. Bahia, 1861, in-16°. Carlos Eugênio Fontana - Nasceu na cidade de Pelo- tas, província, hoje Estado do Rio Grande do Sul, a 4 de novembro de 1830. Por causada guerra civil que ateou-se em sua província em 1835, ainda criança foi com sua familia para o Rio da Prata, fez parte de seus estudos em Buenos-Aires, e voltou á patria em 1853. Nomeado official da mesa de rendas provinciaes do Rio Grande, serviu por espaço de seis annos o cargo de guarda-môr e exerce ainda um logar na mesma repartição. Cultivando as lettras, dedicou-se ao jornalismo, sendo os primeiros ensaios de sua penna publicados em revistas de Montevidéo sob o pseudonymo de Anna Rosa Flecont, anagramma de seu nome, e fundando na fronteira o - Commercio do Littoral, 1853-E' um periodico escripto em castelhano e portuguez, o primeiro que se publicou na campanha, quer oriental, quer da província ; mas que viveu pouco por falta de recursos. Redigiu depois : - El Fanal: periodico - que se publicou em a fronteira de Jaguarão. Assumiu depois a redacção do: - Imparcial. Jaguarão, 1857 - No anno seguinte tomou parte na redacção do Echo do Sul, com o qual passou para o Rio Grande ; tem collaborado flnalmente em outros periódicos como o Diário do Rio Grande, o Artista no qual estão publicadas suas « Scenas da vida » em 1868, e a Arcadia, e escreveu : - O homem maldito : romance. Rio Grande, 1859. - Apontamentos históricos, topographicos e descriptivos da cidade do Rio Grande desde o descobrimento da província e sua fundação até á presente data. Rio Grande, 1867 - Sobre este assumpto, isto é, sob o titulo « O progresso da cidade do Rio Grande » publicou vários artigos em 1883. Carlos Eustaquio da Costa - Filho de Antonio Luiz da Costa e de dona Anna Julia da Costa, e nascido no Rio de Janeiro a 20 de setembro de 1844, é primeiro escripturario do thesouro e official da ordem da Rosa por serviços prestados no espaço de dezoito annos ao Lyceo de artes e officios. Entrou no funccionalismo publico, como praticante da contadoria de marinha, logar em que passou para o CA 65 thesouro ; foi examinador de grammatica portugueza, de geographia e de historia do Brazil, para as vagas aos logares de primeira e de segunda entrancia das repartições de fazenda ; foi encarregado, em janeiro de 1890, do exame e fiscalização da repartição dos te- legraphos, onde descobriu um alcance de quasi 1.800:000$, tendo organizado muitas contas correntes, dando á cada responsável a parte que lhe cabia, e determinando desde quando e até quando esse desfalque se deu - trabalho, pelo qual o elogiou o governo. Escreveu: - Exemplos moraes: livro de leitura para uso das escolas primarias, approvado pelo conselho superior da instrucção publica. Rio de Ja- neiro, 1879 - Para o theatro ha de sua penna: - Lua de mel, e phases de fel: drama... - A sereia, de Guaratiba: comedia... Oarlos Fernandes Eiras-Filho do doutor Manoel Joaquim Fernandes Eiras e de dona Francisca Fragozo Fernandes Eiras, e natural da cidade do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade - e escreveu : - Das indicações e contra-indicações da hydrotherapia no trata- mento das moléstias do systema nervoso ; Das quinas ; Da loucura puerperal; Nervos vaso-motores : these apresentada, etc. Rio de Ja- neiro, 1877, 117 pags. in-4°. - Uma viagem á Poços de Caídas. Rio de Janeiro, 1884, in-8°. Cfarlos Ferreira ou. Carlos Augusto Fer- reira - Natural de Porto Alegre, capital da provincia, hoje Estado do Rio Grande do Sul e nascido no anno de 1846, é actualmente, por nomeação do governo da Republica dos Estados Unidos do Brazil, pri- meiro tabellião da cidade de Campinas, no Estado de S. Paulo, onde, ha muitos annos, estabeleceu sua residência. Depois de cursar as aulas de humanidades, dedicou-se ás lettras, mais apaixonadamente a litte- ratura poética e a dramatica em que se distinguem seus conterrâneos, e também ao jornalismo, publicando numa oíficina typographica de propriedade sua a - Gazeta de Campinas. Campinas, in-fol.-Foi redactor proprietário desta folha o Dr. Francisco Quirino dos Santos (veja-se este nome), por morte do qual, a 6 de maio de 1886, passou ella â Carlos Ferreira até maio do corrente anno, quando assumiu o tabellionato, para que foi nomeado. Escreveu: - Cantos juvenis: poesias. Porto Alegre, 1864, in-8°. 66 CA - Rosas loucas: poesias. S. Paulo, 1868, in-8° - Teve segunda edição, Paris, 1871, 222 pags. in-8°. - Alcyones : poesias. Rio de Janeiro, 1870, in-8°- Algumas com- posições deste livro têm sido traduzidas em inglez e em caste- lhano, o que attesta o merecimento e acceitação que tiveram no estrangeiro. - Redivivas: poesias. Campinas, 1881, in-8°, com o retrato do autor, e um prefacio de F. Quirino dos Santos. - O baile das -múmias: impressão da meia-noite. Rio de Janeiro, (sem data) 6 pags., in-8°- Não afflrmo que seja deste autor. - Historias cambiantes: collecção de pequenos romances. S. Paulo, 1872, in-8.°, com o retrato do autor. - A primeira culpa: romance. S. Paulo, 1889, 350 pags. in-8° - E' livro de costumes e também historico. Ha delle com igual titulo : - A primeira culpa: drama - que acaba de ser enviado ao empre- zario do theatro Recreio dramatico, do Rio de Janeiro, Dias Braga, para ser aqui levado á scena. Nesse genero de litteratura escreveu ainda Carlos Ferreira : - Magdalena: drama em dous actos, representado nos theatros de S. Paulo. 1868. - Lucia : drama em quatro actos, idem. 1868. - Martyres do coração: drama em cinco actos, idem. 1869 - Neste drama e nos dous precedentes teve o autor a collaboração de José Felizardo Júnior. - Arnaldo : drama representado no Rio Grande do Sul. 1865. - A calumnia : drama representado nos theatros da província de S. Paulo. 1871. - Os pequenos e os grandes : drama, idem. 1872. - O marido da douda : drama em quatro actos, representado no Rio de Janeiro e na província de S. Paulo. 1874 - Foi traduzido em inglez pelo professor John Bryau, residente em Campinas, e pelo mesmo professor foi enviado o manuscripto para os Estados-Unidos, para ser ahi publicado. - A esposa : drama representado no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sule S. Paulo. 1880. - Peccado de Juventina : comedia em tres actos representada em 1885 - Esta peça com as precedentes vai ser impressa brevemente. O autor tem publicado grande collecção de folhetins no Correio do Brazil, no Correio Paulistano, e na Gazeta que redige, e sei que tem entre mãos trabalho litterario, em proza e em verso, muito im- portante. CA 67 Carlos Ferreira França, filho do bacharel de igual nome e de dona Anna Braga Espínola França, e nascido em S. Paulo a 14 de março de 1854, é bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, bacharel em sciencias sociaes ejurídicas pela faculdade daquella cidade, advogado na capital federal e lente substituto de rhetorica e littera- tura nacional no dito collegio, hoje instituto nacional. Durante o anno de 1889 leccionou francez na escola normal, e tem feito parte, em épocas diversas, de differentes commissões de ensino. Collaborou em vários periódicos e revistas, como o Correio Paulistano, a Tribuna Li- beral de S. Paulo, o Globo, orgão da agencia americana telegraphica em 1877, e a Revista Brasileira. Religiu: - A Consciência. S. Paulo, 1876, in-fol.- com Affonso Celso Jú- nior, Ezequiel Freire, Fernandes da Cunha e Alberto Fialho. - O Constitucional: orgão do club constitucional académico. S. Paulo, 1878, in-fol.- Esta folha começou a ser publicada em 1874 ; Carlos França collaborou para ella de 1876 até fins de 1877, assumindo no anno seguinte o logar de redactor-chefe. - Direito e Lettras : revista académica do atheneo jurídico e litte- rario. Parte jurídica, director Tristão da Fonseca. Parte litteraria, di- rector Affonso Celso Júnior. S. Paulo, 1878, in-fol.- Escreveu mais : - A escola romantica no Brazil : these para o concurso de professor substituto de rhetorica, poética e litteratura nacional do imperial collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1879, 50 pags. in-8° - E tem inéditos trabalhos, alguns dos quaes lidos em sessões litterarias e que pretende imprimir. Carlos Ferreira de Souza Fernandes - Filho de Beuto José Fernandes e de dona Maria Luiza de Souza Fernandes, nasceu na província, hoje Estado do Rio de Janeiro a 28 de outubro de 1829 e falleceu a 21 de maio de 1888. Doutor em medicina pela facul- dade da côrte, depois de exercer o cargo de vaccinador na província do Espirito-Santo, exerceu de 1860 até seu fallecimento o de secretario da dita faculdade. Serviu também como medico do asylo dos meninos desvalidos, e era commendador da ordem de Christo, official da ordem da Rosa, e official da academia de França. Escreveu : - Das differentes forças mecanicas que concorrem na circulação do homem, tanto durante a vida intra, como extra-uterina: these inaugu- ral. Rio de Janeiro, 1852 -E' seguida de proposições sobre os seguintes pontos : Em que casos as lesões traumaticas do canal rachidiano devem ser necessariamente mortaes ? Em que casos podem ser curáveis ? Quaes os logares que, na cidade do Rio de Janeiro e seus arrabaldes. 68 CA são mais favoráveis á saude ? Quaes os mais insalubres ? A que causas se deve essa differença de salubridade ? - A febre amarella em Campinas. Rio de Janeiro, 1876 - Sahiu nos Annaes Brazilienses de Medicina, vol. 28°, 1876-1877, pags. 405 e segs. - As aguas mineraes no Brazil. Rio de Janeiro, 1877, 78 pags. in-8° - Sobre esta obra escreveu o Dr. Joaquim dos Remedios Monteiro uma noticia muito circums^anciada, que se acha inserta no Progresso Medico, vol. 2o, pags. 332 a 336. - As aguas mineraes de Caxambu, pelo Dr. P. Viotti ; Notice sur Fhydrographie et la climatologie du Brésil, presentée à la seance d'ouverture du Congrès national de Biarritz par le Dr. A. de Azam- buja, (Paris, 1886; As aguas mineraes do Araxà : juizo critico) - No Annuario Medico Brazileiro, anno Io, 1886, pags. 4 a 29. E' precedido este escripto de um ligeiro estudo das aguas mineraes do Brazil. Carlos Frederico Marques PerdLig-ão - Filho do tabellião João Marques Perdigão e sobrinho do fallecido bispo de Olinda d. João da Purificação Marques Perdigão, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 5 de dezembro de 1830. Formado em direito pela faculdade de Olinda em 1842, substituiu por algum tempo seu pae no respectivo cartorio. E' distincto advogado, membro do instituto da ordem dos advogados brazileiros, fidalgo acavalleiro da extincta casa imperial e redactor proprietário da - Gazeta Juridica orgão de legislação, doutrina e jurisprudência do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1873-1887, 37, vols. e mais 2 do indice geral - O primeiro vol. foi publicado in-fol. ; os outros in-8°, sendo reimpressos os de 1873 neste formato. - Manual do Codigo penal brazileiro, estudos syntheticos e práticos. Rio de Janeiro, 1882-1883, dous vols. in-4° de 662 e 832 pags. in-4° - Diz o autor, que tendo notado em sua Gazeta a utilidade de reunir numa obra tudo quanto diz respeito ás nossas leis criminaes, empre- hendera-o, preparando um diccionario de direito penal brazileiro com um plano mais amplo do que o deste livro, por incluir nesse diccionario todas as disposições do Codigo criminal, as leis penaes, esparsas em nossa legislação, as de policia, as do codigo do processo criminal, assim como as reformas que são de urgente necessidade ; mas, como esse trabalho levaria muito tempo para ser concluido e offereceria o incon- veniente de ficar subordinado ãs palavras capitaes que dão direcção e erdem alphabetica ao repertório, onde não é possivel dar-lhe valor sem o constante jogo das mesmas palavras, umas com as outras, mudou de plano. Assim, bem que mais resumida a obra, ha mais liber- CA 69 dade na classificação das matérias. A imprensa recommendou esta obra,, como gloria para o autor e para o paiz, a que pertence. - Ariosto e Tasso: these de concurso e para o provimento da ca- deira de portuguez e litteratura do sétimo anno do externato do im- perial collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1878, 47 pags. in-4° gr.- Na imprensa diaria e em revistas de lettras acham-se trabalhos deste autor, como : - Delinquentes impúberes - Na Revista Brazileira, tomo 3o, 1888. pags. 98 a 108. - O segredo do jury : serie de artigos - na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro de 1884. - O espirito da família na escola - Na mesma folha, de fevereiro a abril de 1884. O capitulo 31, com que se encerra a obra, no n. de 22 de abril, assim termina: « Tende qualquer religião. Sêde catholicos ou protestantes; sêde judeus e até turcos, mas tende qualquer reli- gião. Enganarmo-nos sobre o verdadeiro Deus é grande desgraça ; mas não reconhecel-o, nem adoral-o é abominável crime. Viver sem Deus, sem altar, sem orações, sem culto é recuar mais longe do que o barbaro, é descer abaixo do selvagem, é renegar a humanidade ! E' ultrajar a Deus! Deus poz em nós o senso da religião, e fóra de nós o facto da religião; um conduz á outro ; este é declarado verdadeiro por aquelle. Basta observar e ouvir; porém observar com a vista hu- milde e ouvir com o coração puro. Sob estas duas condições o homem ergue-se e diz : Não, semelhante vida sem religião não é possível! A razão, a consciência, a voz de todos os séculos, minha dignidade de homem, a própria honra, o meu eterno interesse não consentem que viva eu sem Deus ! » Carlos Frederico dos Santos Xavier de Aze- vedo - Filho do tenente João Francisco Xavier de Azevedo e de dona Margarida Maria Flores Xavier de Azevedo, nasceu a 2 de novem- bro de 1825 na cidade de Montevidéo, então provincia brazileira. Dou- tor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, entrou para o ser- viço de saude da armada, serviu em todas as luctas que o império tem tido, quer internas, quer externas desde a revolução de Pernambuco de 1848 até ã campanha ultima do Uruguay, e a subsequente do Para- guay. Desempenhou importantes commissões do governo, tanto dentro, como fóra do império, e subiu successivamente a todos os postos no corpo de saude da armada, até o de chefe de divisão e cirurgião-mór, chefe do dito corpo, cargo a que foi promovido por merecimento e que exerceu até 1890. Tem o titulo de con- 70 CA selho do Imperador; é dignitário da ordem da Rosa ; oflicial da do Cruzeiro ; cavalleiro da de S. Bento de Aviz; condecorado com a medalha concedida á esquadra em operações no Rio da Prata de 1851 a 1852, com a medalha da campanha do Uruguay de 1864, a da rendição de Uruguayana, e da guerra do Paraguay; membro do instituto nacional de medicina do Rio de Janeiro, da sociedade medica de Pernambuco e da de Lisboa, da sociedade de hygiene da Bélgica, etc. Escreveu: - Considerações geraes sobre certas difficuldades, que o medico par- teiro, pouco experiente, encontra no exercicio de seu ministério : these apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1847, in-4°. - Historia medico-cirurgica da esquadra brazileira nas campanhas do Uruguay e do Paraguay de 1864 a 1869. Rio de Janeiro, 1870, 530 pags. in-4° com algumas figuras explicativas e com o desenho do hospital de marinha emCorrientes - Trata-se dos hospitaesem geral, dos hospitaes de sangue, da respectiva cirurgia, etc., e além dos applausos que teve este livro no império, foi elogiado pelo Dr. Bourel Roncière, medico principal da marinha franceza, em um extenso juizo critico, cm 1872. - Estudo sobre hospitaes: reforma destes estabelecimentos e hos- pitaes de Paris e de Lisboa ; apresentado ao governo imperial. Rio de Janeiro, 1881, 55 pags. in-8° com seis estampas - O autor nesta obra condemna os hospitaes monumentaes e aconselha sua substituição por hospitaes de pavilhões isolados e temporários, e por hospitaes-barracas. - Formulário para uso dos hospitaes e enfermarias de marinha, confeccionado por uma commissão composta dos Drs. Carlos Frederico dos Santos Xavier de Azevedo, Bento de Carvalho e Souza e João Ribeiro de Almeida. Rio de Janeiro, 1878, 38 pags. in-4°. - Discurso proferido por occasião de inaugurar-se no Rio de Janeiro a primeira enfermaria-barraca da America do Sul. Rio de Janeiro, 1884, in-8° - Vem também nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 35, pags. 361 a 381. - Tratamento do cholera-morbus: relatorio da academia imperial de medicina - No livro « Tratamento e prophylaxia do cholera- morbus ». Rio, 1884. E' assignado também por outros. O autor teve parte também no relatorio da junta central de hygiene, de 1878, constante do mesmo livro. Sempre dedicado ao serviço desaude naval, o conselheiro C. Frederico escreveu outros trabalhos sobre o mesmo serviço desde que a elle dedicou-se, e dentre estes: - Breve analyse sobre o hospital de marinha da província da Bahia - Vem na Gazeta dos Hospitaes, tomo Io, 1850-1851, pags. 83 a 90. CA 71 - Analyse sobre o hospital de marinha da província de Pernambuco - Idem, pags. 112 a 119. Carlos Grey - Filho de Roberto Grey e natural da cidade do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, formado em 1884, e escreveu : -Medulla espinhal: Feridas penetrantes do abdómen; Sclerose espi- nhal posterior; Do opio, chimico-pharmacologicamente considerado: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1884, 52 pags. in-4°. -Tratamento dos tumores flbrosos do utero. Rio de Janeiro, 1891. Carlos Guilherme Tlaring - Natural da Allemanha, onde nasceu a 28 de dezembro de 1812, falleceu no Rio de Janeiro depois de naturalisar-se cidadão brazileiro, a 26 de julho de 1871. Vindo para o Brazil com o intuito de exercer sua profissão de en- cadernador, aqui abriu uma pequena typographia, associado a um patricio seu e pouco depois entrou para as officinas de E. e H. Laemmert, das quaes, mais tarde, passou a ser socio e gerente por ausência dos proprietários, applicando-se nas folgas, que tinha de seus encargos, a estudos litterarios, de modo a collaborar na organização do Almanak administrativo, mercantil e industrial, que se publica nas referidas offlcinas desde 1844 até o presente, assim como nas Folhinhas. Era cavalleiro da ordem da Rosa, socio da sociedade auxiliadora da industria nacional, presidente honorário da associação typographica fluminense, e escreveu: -Folhinha maçónica. Rio de Janeiro, 1862 a 1869 - A compilação destas folhinhas éattribuida a Carlos Haring. -Manual maçonico, ou cobridor do rito escossêz antigo e acceito, ou francez e moderno, com estampas. Segunda edição, augmentada com o Ritual para a inauguração de um novo templo, com o hymno para se cantar na occasião de apparecer a Gr. ■. luz..., o Ritual fúnebre para os enterros e exequias dos maçons brazileiros, etc. Rio de Janeiro, 1861. -Instrucções para os sublimes capítulos dos sublimes príncipes de Heredon de Kilwining com o titulo de Rosa-cruz, publicadas por ordem do M.-. P.-. Sup.-. Conselho, junto ao Gr.-. Or.-. do Brazil no valle do Lavradio. Rio de Janeiro, 1864 -Estas duas obras sahiram sem assignatura. -Philosophia maçónica: catechismo para uso do aspirante á inicia- ção maçónica. Rio de Janeiro, 1866. -A agua mineral purgativa de Pullna, na Bohemia, seu emprego, effeito salutifero, etc. Traduzido do allemão. Rio de Janeiro, 1869. 72 CA - Carlsbad, suas fontes, preparações saponaceas e saes. Exposição àcerca da acção medicinal, virtudes curativas, etc. Traduzido do alle- mão. Rio de Janeiro, 1869. Carlos Honorio Benedicto Ottoni-Natural de Minas Geraes, nasceu na cidade do Serro a 20 de abril de 1846, e forma- do em sciencias sociaese juridicas pela faculdade de S. Paulo em 1866, entrou no anno seguinte para a carreira da magistratura, exercendo o cargo de promotor publico da comarca de Jequitinhonha, do qual foi exonerado em 1868. Em 1872, porém, foi nomeado juiz municipal de Diamantina, e em 1877 juiz de direito de Itapirassaba, donde passou á outras comarcas, todas de sua provincia natal, exercendo ahi as funcções de chefe de policia em 1880 e 1881. Administrou a provincia de S. Paulo em 1884. Escreveu : - O Dezeseis de Julho e a imprensa: ensaios politicos. Rio de Janeiro, 1870, 169pags. in-8°. - Ensaios politicos : Diamantina, 1871, in-8°. - A republica: cartas politicas. Diamantina, 1871, 57 pags. in-8°. - Repertório ou indice alphabetico da lei do recrutamento, orde- nado, etc., seguido da lei de 26 de setembro de 1874 e do regulamento de 27 de fevereiro de 1875. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - Nullidades do processo criminal ou compilação dos accordãos dos tribunaes superiores do império; seguida de um formulário perante o jury. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Estudos correccionaes, contendo provimentos geraes de correição e dous promptuarios de avisos do ministério da justiça, referentes á reforma judiciaria e regimento de custas ; seguidos, em appendice, das attribuições dos juizes de direito nas comarcas geraes, pelo Exm. Sr. Dr. Caetano José de Andrade Pinto e da lei n. 5467 de 12 de novembro de 1873 e do decreto n. 5385 de 30 de novembro de 1876. Rio de Ja- neiro, 1880, in-8°. - Mineiros distinctos: perfis biographicos. Ouro-Preto, 1884, 89 pags. in-8° - São noticias, jã publicadas no Liberal Mineiro, de dezoito conterrâneos e correligionários do autor, a que se segue um esboço biographico seu por um dos biographados, de pags. 83 a 89. - A eleição do Ceará, vista â luz de documentos offlciaes: relatorio documentado, dirigido ao governo imperial pelo respectivo presidente da provincia, etc. Fortaleza, 1885, 104 pags. in-4° gr. - Discurso pronunciado nas exequias que se celebraram no 30® dia do fallecimento do senador Martinho Campos. Ouro Preto, 1887. CA 73 - Apontamentos de magistratura, contendo estudos e decisões de Ia e 2a instancias, votos meus na Relação, revistas, avisos, consultas, pareceres de jurisconsultos e, em appendice, todas as leis recentemente publicadas. Rio de Janeiro, 1891 - O Dr. Carlos Ottoni tem collaborado em varias revistas e jornaes, como a Gazeta Jurídica e o Jequitinhonha de Diamantina, e foi um dos redactores do - Sete de Abril: jornal académico. S. Paulo, 1865 - De seus traba- lhos em revistas citarei : - O juiz presidente dojury pôde e deve propôr aos jurados os factos constituintes de flagrante delieto ? - No Direito, tomo 9o, pags. 627 a 632. - Reforma judiciaria. Promptuarios dos avisos do ministério da justiça relativos á reforma judiciaria - Idem, tomo 20°, pags. 17 a 32. Carlos Ilonorio <le Figueiredo - Filho do coronel Joaquim Bernardo de Figueiredo e nascido em Pernambuco a 20 de setembro de 1824, falleceu no Rio de Janeiro a 27 de junho de 1881, bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de Olinda, for- mado em 1843, fidalgo cavalleiro da casa imperial ; socio do instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da indus- tria nacional, da sociedade Amante da instrucção e do Conservatorio dramatico do Rio de Janeiro ; do instituto archeologico e geographico pernambucano e da secção da sociedade de geographia de Lisboa; com- mendador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa e da or- dem romana de S. Gregorio Magno ; cavalleiro da ordem militar de Malta, da de S. João de Jerusalem, e da de Pio IX. Depois de servir na magistratura serviu como addido á secretaria do império de 1857 a 1858 e passando á da agricultura como segundo official em 1859, subiu a chefe de secção. Escreveu, além de vários outros trabalhos, apresentados ao instituto historico, os seguintes: - Fundação do bispado do Rio de Janeiro : memória lida ante a augusta presença de S. M. o Imperador - Na Revista Trimensal, tomo 19°, 1856, pags. 579 a 606. - Memória sobre a fundação das faculdades de direito do Brazil - idem, tomo 22°, 1859, pags. 507 a 526. - Breve noticia acerca do fallecido bispo do Maranhão d. Fr. Carlos de S. José e Souza - Idem, tomo 33°, 1876, parte 2a, pags. 183 a 190. - Biographia do Exm. Sr. senador Marquez de Itanhaém. Rio de Janeiro, 1867. - Novos estatutos do instituto episcopal religioso. Rio de Janeiro, 1857, 14 pags. in-4°. 74 CA Cnvios Hipolyto de Santa Helena Magno - Natural da província do Pará, onde nasceu em 1847, ahi falleceu em outubro de 1882, bacharel formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife em 1871 e professor de geographia no lyceo de Belém. Cultivou as lettras e escreveu : - Harpejos: poesias. Recife, 1866 - Algumas destas poesias e outras, escriptas depois, foram publicadas em revistas como : - A sêcca do Ceará - Na Revista Illustrada do Rio de Janeiro, tomo 3o, n. 106, occupando tres columnas. - O meu anniversario- Na Revista Brazileira, tomo 9o, pags. 172 a 177. - Invocação á Santíssima Virgem - Na Estrella do Norte, revista religiosa do Pará, tomo 2o, 1864, pags. 71 e 72. - Surreocit - Idem, pags. 151 a 153. - Poesia offerecida ao Exm. e Revm. Sr. d. Antonio de Macedo Costa no anniversario de sua sagração - Idem, pags. 135 e 136. Carlos Ilidro da Silva - Natural de Itú, província de S. Paulo, e ahi fallecido a 8 de dezembro de 1884, fez na faculdade de sua província natal o curso de sciencias sociaes e jurídicas, em que recebeu o gráo de bacharel em 1837, e depois o de doutor. Exerceu cargos da magistratura e com muita acceitação a advocacia no logar de seu nascimento; foi deputado provincial e dedicou-se de- pois á agricultura. Escreveu : - Theses apresentadas á faculdade de direito de S. Paulo, afim de obter o gráo de doutor. S. Paulo, 1838. - O agricultor paulista. Itú, 1860.- E' um volume de 462 pags. in-4°, de duas columnas, publicado em fascículos quinzenaes. O pri- meiro destes sahiu a 15 de janeiro e o ultimo a 31 de dezembro, se occupando dos mais importantes assumptos em relação á agricul- tura. - Contrastes do Brazil com os Estados Unidos do Norte - No Al- manak de S. Paulo de 1879, pags. 195 a 207. Carlos Jansen - Filho de Antonio Jansen, e nascido na ci- dade da Colonia, império da Allemanha, falleceu no Rio de Janeiro a 21 de setembro de 1889. Veiu para o Brazil em 1851 em um corpo de allemães, engajado para o serviço do império e, dando depois baixa, casou-se na provincia do Rio Grande do Sul, naturalisou-se brazileiro, deu-se ao jornalismo litterario e ao magistério, e exerceu o cargo de inspector de terras e colonisação. Passando-se depois para o Rio de CA 75 Janeiro e continuando naquelle exercício, dirigiu um collegio de edu- cação para o sexo masculino, foi professor interino da escola normal, e depois professor de allemão no collegio de Pedro II, hoje Instituto nacional do ensino secundário. Além de trabalhos publicados em jornaes do Rio Grande, de Buenos-Aires e outros, como o Cruzeiro, do Rio de Janeiro, de cuja redacção fez parte, escreveu : - Geographia physica de A. Geikie, professor da universidade de Edimburgo, adaptada ao portuguez por C. Jansen. Rio de Janeiro, 1880, in-8° - Segunda edição, 1882. Esta obra e as tres que se se- guem sahiram sob o titulo: « Bibliotheca do ensino intuitivo. Pri- meira serie de sciencias naturaes. Opusculos elementares, adaptados ao portuguez». Ns. 1, 2, 3 e 4. - Geologia de A. Geikie, adaptada ao portuguez, etc. Rio de Ja- neiro, 1880, in-8°. - Astronomia de Loockie, membro da real sociedade de Londres ; adaptada ao portuguez, etc. Rio de Janeiro, 1880, in-8°. - Chimica de H. E. Roscoe, professor da universidade de Man- chester; adaptada ao portuguez, etc. Rio de Janeiro, 1883, in-8°. - Contos selectos das Mil e uma noites, extrahidos e redigidos para a mocidade brazileira, segundo o plano do educacionista allemão Franz Hoffmann. Rio de Janeiro, 1882, in-8°. - O pronome na lingua allemã : these de concurso ao logar de lente do collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1883. - Robinson Crusoè, redigido para a mocidade brazileira, segundo o plano de F, Hoffmann, prefaciado com um erudito artigo sobre pe- dagogia, pelo Dr. Silvio Romero. Rio de Janeiro, 1885, in-8°- E' uma edição nitida com bellos chromos. - Contos selectos, extrahidos e redigidos para a mocidade brazileira segundo o plano de F. Hoffmann. Rio de Janeiro, 1885, in-8°. - A lingua franceza, pelo Br. F. Ahn: methodo elementar pra- tico e intuitivo para aprender a ler, escrever e fallar francez; adap- tado ao portuguez. Rio de Janeiro, 1885, in-8°. - A lingua franceza ensinada pelo systema Ollendorff: novo sys- tema pratico e theorico, confeccionado pelos professores Carlos Jansen e Francisco Polly. - D. Quiocote, vertido do allemão : resumo. Rio de Janeiro, 1886, in-8°. - Compendio de geometria elementar de H. B. Lucben; traduzido. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. - Grammatica allemã. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Selecção litteraria dos principaes autores allemães, organizada 76 CA para servir de exercício de traducção. Rio de Janeiro, 1888, 362 pags. in-8° - São de Lessing, Schiller, Goèthe, Klopstock e outros. - Viagens de Gulliver á terras desconhecidas, por Jonathan Swift, redigidas para a mocidade brazileira, com estampas e um prefacio pelo conselheiro Ruy Barbosa. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Aventuras maravilhosas do celeberrimo Barão de Munchausen ou a flel e verídica narrativa das memórias extraordinárias e aventuras admiráveis daquelle narrador immortal, apresentada á mocidade bra- zileira, etc. Rio de Janeiro, 1891, 182 pags. in-4°com gravuras colo- ridas- E' uma edição nitida. Ha em revistas trabalhos de sua penna» como: - O Patuá (romance) - Na Revista Brazileira, tomo 2°, 1879, pags. 293 a 308, 414 a 421, 453 a 463 e tomo 3o, pags. 37 a 50, 73 a 83 e 141 a 153. - Ha ainda deste autor : - EHza (romance) - publicado em vários numeros de uma revista litteraria, cuja nota perdi entre diversos papeis. Carlos José Pinlieiro - Nasceu na cidade de Villa- Rica, depois cidade de Ouro-Preto, capital da província de Minas Geraes, no ultimo quartel do século XVIII, e falleceu a 21 de março de 1844 na cidade de Coimbra, em cuja universidade fez o curso de medicina, recebeu o grão de doutor, e foi lente catliedratico de anatomia e operações, sendo exonerado, como outros muitos collegas seus, em 1834. Foi medico de vasta erudição, e socio da academia real das sciencias de Lisboa, e de outras associações scientiílcas. Escreveu : - Inventario das peças e preparados conteúdos no theatro anato- mico e museo pathologico da universidade de Coimbra. Coimbra, 1828. - Relatorio da epidemia de Aveiro. Lisboa. 1833- O doutor Lima Leitão, tratando depois do mesmo assumpto, faz sobre este trabalho considerações bem severas. - Topographia medica do logar de Cava, junto á Figueira da Foz - Foi publicada na Gazeta Medica do Porto, tomo 1°, e o doutor Rodri- gues de Gusmão a considera uma obra modelo para quem tiver de emprehender trabalho igual. - Ensaio sobre um novo methodo de ligar a artéria no aneurisma - Idem, tomo 2o. Carlos José do Rozario- Filho de Manoel José do Rozario e de dona Joaquina Zeferina do Rozario, nasceu a 15 de junho de 1824 no Rio de Janeiro, onde falleceu a 28 de abril de 1885. Bacharel em mathematicas pela antiga academia militar, primeiro CA 77 escripturario da directoria da tomada de contas do thesouro nacional e cavalleiro da ordem da Rosa, foi um dos brazileiros mais versados na lingua franceza, cuja litteratura conhecia bastante, e leccionou particularmente e por gosto a mesma lingua. Foi um dos redactores do antigo Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, e também da - Revista Popular, noticiosa, scientifica, industrial, histórica, etc. Rio de Janeiro, 1859 a 1862, 16 vols. in-4° com algumas estampas e retratos - Sahia quinzenalmente. Escreveu depois : - Diccionario dos verbos irregulares. Rio de Janeiro, 1881. - Discurso, etc. - No livro « Discursos e mais peças de archite- ctura, recitados por occasião da posse das luzes e mais dignidades da sempre Aug/. e Resp.'. L.\ Un/. Esc/, etc. Rio de Janeiro, 1847. Carlos José cie Souza INTolbre - Filho de Carlos José de Souza Nobre e de dona Carolina Maria Fragozo Nobre, nasceu na ca- pital da Bahia a 2 de agosto de 1839 e falleceu na cidade de Buenos-Aires a 23 de agosto de 1882, sendo doutor em medicina pela faculdade âaquella capital e primeiro cirurgião do exercito. Representou a província de Matto Grosso na 16a legislatura ; era cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, condecorado com a medalha concedida âs forças em ope- rações na província de Matto Grosso e escreveu : - Acção physiologica q therapeutica do iodo: dissertação inaugural. Bahia, 1863 - E' seguida de proposições sobre tres pontos do ensino medico. - Discurso pronunciado na camara dos Srs. deputados na sessão de 21 de julho de 1877 pelo deputado da província de Matto Grosso, etc. Rio de Janeiro, 1877, in-4° - Versa sobre a estrada de Curytiba á Miranda, que o orador condemna. Carlos Kornis de Totvard - Natural da Hungria e nascido na cidade de Arad a 18 de abril de 1822, alli falleceu, sendo brazileiro por naturalisação. Feitos os curSos de philosophia e de theologia para seguir o estado ecclesiastico, como queriam seus paes, resolveu matricular-se no de direito da universidade de Pesth, onde recebeu o grão de doutor e foi nomeado lente da cadeira de direito criminal, depois da independencia com a revolução de 15 de março de 1848. Dando-se a invasão das forças austriacas ao mando de J. Mas- chich com o fim de destruir a obra da independencia, foi elle um dos que tomaram armas contra os invasores e, vendo-se perdido por ser subjugada a causa que abraçara, foi obrigado a fugir, pois fora con- demnado á pena capital, e executada a sentença em effigie. Então foi 78 CA para a America do Norte, donde passou em 1851 ao Rio de Janeiro, e aqui, para ter meios de subsistência, abriu uma officina de daguer- reotypo, onde em pouco tempo sua saude alterou-se por fôrma tal, que foi obrigado a uma excursão por varias províncias, sem resultado algum. Amnistiado, porém, pelo governo de seu paiz, tornou áelle em 1862. Foi o instituidor e presidente da academia philosophica do Rio de Janeiro e escreveu, além de diversos artigos, publicados em jornaes sobre jurisprudência e philosophia, as seguintes obras: - Compendio, de direito criminal para uso de seus alumnos... - Não sei em que idioma, nem em que logar foi publicado ; só sei que o foi em 1849 e que este compendio é apropriado ás circumstancias e á indole das novas instituições. - Processus Villa-Nova do Minho : pars criminalis. Discussione ju- rídica pertractata per Carolum Kornis Totvard, ete. Rio de Janeiro, 1856, 56 pags. in-4°. - Institutiones grammaticae latinas ex classicorum, celeberrimo- rumque grammaticorum operibus excerptíe et methodo synthetico ana- lyptico, duplicíque textu latino nempe et lusitano conscript. Rio de Janeiro, 1857, in-8° - O autor escreveu este livro em vista da« appa- rição do latim culinar de certo Novo methodo que, promettendo resul- tados pasmosos pela pratica vulgar de uma latinidade de duvidoso quilate, tendia a postergar o estudo serio da latinidade classica». Dividido em seis partes, não foram, entretanto, publicadas mais do que duas: a Ia ou Orthoepia, orthographia e etymologia da lingua latina, e a 3a ou Syntaxe da concordância, regras de traducção, etc. Os outros quatro volumes, bem que promptos para entrarem no prelo, não se pu- blicaram, em consequência de perseguições quesoífria, diz o autor, por discordar completamente do methodo e das opiniões do Dr. Castro Lopes. Tratavam estes volumes: o 2o, da conjugação dos verbos, pre- posições, advérbios, etc.; o 4°, da syntaxe de regencia ; o 5°, da pureza de lingua, adagios, elegancia e variedade de sentenças ; syntaxe fi- gurada, etc. ; o 6°, da prosodia, metrificação, estylo sublime, etc. Esta obra é offerecida ao Imperador d. Pedro II. - O casamento civil, ou os direitos do poder temporal em negocios de casamento: discussão juridico-historico-philosophica em duas partes. Rio de Janeiro, 1858-1859, 2 vols. de 222 e 235 pags. in-8° - O autor intitulou, assim, os dous volumes publicados: Parte Ia, juridico- historica, que contém argumentos de direito natural; os costumes e leis matrimoniaes de quasi todos os povos da antiguidade com a re- futação da primeira these do Illm. e Exm. Sr. conego Joaquim Pinto de Campos. Parte 2a, theologico-histórica em dous capítulos. Capitulo CA 79 Io, contendo argumentos do Evangelho, das epistolas dos apostolos e dos escriptos dos primeiros padres do christianismo, da doutrina dos differentes theologos e da historia ecclesiastica - JNão sahiu a lume o 2o capitulo. A Revista Popular illustrada, dando noticia, no seu artigo Bibliographia, das obras de mérito sahidas á luz, menciona este livro. O autor, porém, teve de sustentar uma longa polemica no Correio Mercantil, em 1861, com o Dr. Augusto Teixeira de Freitas, depois da qual os protestantes residentes no Rio de Janeiro offereceram-lhe um primoroso album. - Os negocios de matrimonio no império do Brazil com a exposição da proposta do governo e dos differentes pareceres e projectos sobre uma lei matrimonial. Rio de Janeiro, 1860, 63 pags. in-8°. - Refutação da doutrina do Dr. Braz Florentino Henriques de Souza, lente da faculdade de direito do Recife, apresentada na sua obra « O casamento civil e o casamento religioso ». Rio de Janeiro, 1860,278 pags. in-8°. - Reflexões sobre a emenda substitutiva, apresentada sob os auspi- cios do Illm. e Exm. Sr. Dr. João Lustoza da, Cunha Paranaguá, ministro da justiça, na sessão da camara dos Srs. deputados de 11 de agosto de 1860 em referencia á proposta do governo imperial de 19 de julho de 1858. Os paradoxos do discurso pronunciado pelo Sr. Dr. Villela Ta- vares na sessão de 11 de agosto de 1860. Em complemento da obra « O casamento civil ». Rio de Janeiro, 1861, 96 pags. in-8°. - Discussão jurídica sobre os principios que regem o procedimento e ojuizoem referencia ás escripturasde assignatura particular, arguidas de falsidade da assignatura com applicação ao processo commercial, que a caixa filial do Banco do Brazil em Pernambuco intentou contra O. N. Bieber & C.a e contra J. Keller & C.a sobre a base de duas letras da terra, arguidas de falsidade. Rio de Janeiro, 1860, 46 pags. in-4°. Carlos vou Kozeritz - Nascido na cidade de Dessau, na Allemanha, em 1830, vindo em 1851 para o Brazil com a força allemã ao serviço do império, aqui naturalisou-se cidadão brazileiro, estabelecendo -se na provincia do Rio Grande do Sul, e falleceu na ci- dade de Porto Alegre a 30 de maio de 1890. Foi inspector geral das colonias desta provincia, hoje Estado ; director das exposições pro- vinciaes de 1866 e 1875; presidente da exposição brazilico-allemã de 1881 e, quando pela reforma eleitoral permittiu-se elegibilidade aos naturalisados e aos acatholicos, foi em tres legislaturas deputado á assembléa provincial. Era presidente da sociedade filial de geographia 80 CA commercial de Porto Alegre ; membro honorário do pantheon litte- rario e da sociedade gymnastica allemã da mesma cidade; membro honorário da sociedade central de geographia commercial de Berlin ; correspondente da sociedade de geographia de Dresden ; mestre do « Frere Deutsche Hochstiff», de Frankfort sobre o Meno ; represen- tante da sociedade ethnographica de Leipzig, etc. Desde o anno de 1856 até morrer foi uma forte e perseverante columna do jornalismo, na qualidade de collaborador dos seguintes jornaes : o Noticiador, 1856, e o Brado do Sul, ambos de Pelotas ; o Echo do Std da cidade do Rio Grande ; a Ordem, o Mercantil, Jornal do Commercio, o Rio Grandense, a Gazeta de Porto Alegre, todos da cidade deste nome e redigiu ainda : - A Sentinella do Sul: jornal litterario, critico e joco-serio. Porto Alegre, 1867, in-fol. - A Lanterna. Porto Alegre - E' uma publicação no estylo da precedente, ambas illustradas e creadas por Kozeritz. - A Acacia : folha maçónica. Porto Alegre, 1876-1877, in-fol. - Deutsche Zeitung. Porto Alegre, 1864 a 1885, in-fol.- Foi o orgão da colonia allemã na província. - O Combate : jornal hebdomadario. Porto Alegre, 1886 - Co- meçou a ser publicado em abril, sendo também redigido pelo Dr. Argemiro Galvão. . - A Reforma: folha politica. Porto Alegre - que ainda redigia quando morreu. Em genero diverso publicou: - Relatorio da administração central das colonias da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1867, in-4°. - Resumo da historia universal para uso dos collegios. Rio Grande, 1857, in-8°. - Descripção da província do Rio Grande do Sul. Rio Grande, 1860, in-8° - E' escripto em allemão, como os quatro seguintes : - Hydrographia da província de Matto Grosso. Porto Alegre, 1861. - A vida na campanha do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1861. - Estudos morphologicos sobre a raça africana. Porto Alegre, 1862. - Conselhos aos emigrantes allemães. Porto Alegre, 1880, com o mappa do Brazil Meridional - Este mesmo trabalho publicou elle, como jã disse, em allemão: « Rathschlage fur Auswãnderer nach Sud Brasilien », tendo por auxiliares o Dr. Dorfell e A. W. Sellin. - Roma perante o século. Porto Alegre, 1871, in-8° - Foi no anno seguinte traduzido e publicado em allemão : Rom von dem Tribunal des Jahrhunderts. Porto Alegre, 1872. - Resumo de economia nacional, especialmente applicada ás cir- cumstancias do paiz. Porto Alegre, 1870, in-8°. CA 81 - A maçoneria e a egreja : Reflexões sobre a pastoral de d. Se- bastião Dias Laranjeira. Porto-Alegre, 1873. - Nova phaseáo partido liberal. Porto-Alegre, 1874. - Medidas, pesos e moedas do Brazil. Porto-Alegre, 1884. - Bosquejos ethnologicos. Porto-Alegre, 1884, 87 pags. in-8.° - E' uma collecção de escriptos que o autor publicara na Gazeta de Porto-Alegre. A primeira serie « Subsidios ethnologicos » foi escripta antes de abrir-se a exposição anthropologica. Trata-se depois da hypothese phenicia, que o autor aventou, acompanhando o Barão de Teffé em suas deducções e, iinalmente, de noticias do Rio Grande do Sul. Delles se occupa o Dr. Theophilo Braga na revista dos estudos livres, com elogios. - A terra e o homem : conferencia, 1878. Porto-Alegre, 1884, in-8°. - A terra e o homem á luz da moderna sciencia : duas confe- rencias feitas em 1878. Porto-Alegre, 1884, in-8°. - E' um livro em que o autor patentea-se fervoroso adepto do positivismo, despido dos atavios de todo dogma e da doutrina da evolução livre de certas applicações particulares que lhe têm sido dadas até agora. Combate o Genesis desde a creação do mundo até o Creador. - Bilder ans Brasilien von C. von Kozeritz. Mit einem Vorwort von A W Sellin etc. Leipzig. 1885, 379 pags. in-8°. - Deutscher Volkskal ender fiir die Prov. Rio Grande do Sul. Porto-Alegre, 1877 a 1886, 10 vols. - São destinados á colonisação do paiz. No de 1885 acha-se e d'ahi foi traduzido e escripto : - Alfredo d'Escragnolle Taunay : Esboço caracteristico etc. tra- duzido do allemão por R. P. B. ( Rodolpho Pau Brasil) 2a edição. Rio de Janeiro, 1886, 46 pags. in-8° com as da introducção do traductor, e dos juizos de Ernest Aimé e de Pinheiro Chagas acerca da < Retirada da Laguna », do Visconde de Taunay. - Impressões de viagem â Italia. Porto-Alegre, 1887, in-8° - E' um volume de mais de 500 pags, contendo a reproducção de escriptos publicados no Jornal do Commercio de Porto-Alegre. - A língua universal valapúk em tres lições, adaptada ao idioma portuguez, segundo o methodo de Siegimund Spielmann. Porto-Alegre, 1887 - Na litteratura amena ha de Kozeritz trabalhos diversos, como: - A donzela de Veneza : novella. Rio Grande, 1858. - A vespera da batalha : novella. Rio Grande, 1858. - Um drama no mar : novella. Porto-Alegre, 1863. - Laura: também um perfll de mulher. Porto-Alegre, 1875 - Ha segunda edição, de Pelotas. 82 CA - Nini : drama - Não sei si foi impresso ; sei que foi representado em Pelotas em 1859 e 1860. - Ignez : drama - Idem. E, como este, ha outros escriptos ori- ginaes e traduzidos e também poesias publicadas, como : - No dia sete de setembro : poesia recitada no thoatro de Pelotas. Carlos Leoncio <le Carvalho - Filho do Dr. Carlos Antonio de Carvalho, nasceu no Rio de Janeiro a 18 de junho de 1847. Doutor em direito pela faculdade de S. Paulo, foi nomeado lente substituto em 1871 e cathedratico da mesma faculdade em junho de 1881. Chamado para occupar a pasta dos negocios do império no ga- binete de 15 de janeiro de 1878, foi eleito deputado pela provincia de S. Paulo na legislatura deste anno a 1881. Foi o iniciador da liberdade do ensino nas faculdades do império, pondo em execução a respectiva reforma, assim como da exposição pedagógica effectuada em 1883, em cujo congresso serviu o cargo de secretario; é presidente da associação propagadora dos cursos nocturnos- e escreveu: - Thcses e dissertação para obter o grão de doutor, etc.. S. Paulo, 1869, 21 pags. in-4° - O ponto da dissertação é: Nas acções ex- ecutivas tem logar a suspeição do juiz '? - Theses e dissertação para o concurso a uma cadeira vaga. S. Paulo, 1870, 22 pags. in-4° - O ponto da dissertação é o seguinte: Póde o cego fazer testamento, cerrando ? - Faculdade de direito de S. Paulo. Memória histórica do anno de 1874. Rio de Janeiro, 1875, in-fol. - Vem no Relatorio do ministério dos negocios do império. - Reforma eleitoral. Naturalisação dos estrangeiros. Rio de Janeiro, 1881 - E' um opusculo, em que o autor dá as razões que tivera para oppor-se âs emendas ã nova lei de eleições, e que não pudera expôr na camara temporária. Alguns trechos desse opusculo, onde se discutem também questões politicas e sociaes, foram reproduzidos na Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro. - Educação da infancia desamparada: conferencia realizada durante a exposição pedagógica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1883, 30 pags. in-12° - Sahiu depois no volume «Conferencias effe- ctuadas na exposição pedagógica, etc » publicado no Rio de Janeiro em 1884. - Primeira exposição pedagógica no Rio de Janeiro (documentos.) Rio de Janeiro, 1884, in-8° - E' um grosso volume em que o Dr. Leoncio, numa introducção de 259 pags., trata dos factos mais notáveis da exposição e mostra com o estudo das legislações e dos pare- CA 83 ceres ahi exhibidos quaes os princípios geralmente adoptados na orga- nização do ensino primário. - Actas e pareceres do congresso de instrucção do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1884, in-4° gr. - Relato-rio apresentado na Ia sessão da 17a legislatura pelo ministro e secretario dos negocios do império, etc. Rio de Janeiro, 1878, in-4°. - Relatorio apresentado na 2a sessão da 17a legislatura, etc. em 1879. Rio de Janeiro, 1879, in-4° - Desde estudante o Dr. Leoncio deu-se ao jornalismo e redigiu : - Palestra Académica: revista scientifica e litteraria. Publicação mensal sob a direcção de Cândido Leitão, Didimo da Veiga e Leoncio de Carvalho. S. Paulo, 1866, in-4°. - O Académico : jornal juridico, litterario e noticioso. Directores da redacção Leoncio de Carvalho e J. F. Vianna. S. Paulo, 1868, in-fol. - Tribuna Liberal: jornal político e litterario. S. Paulo, 1867, in foi. - Esta folha é diversa da que redigiu, annos depois, o Dr. Bento de Paula e Souza, com igual titulo. Carlos Lilberalli Júnior - Natural, si me não engano, do Rio de Janeiro, é professor publico da instrucção primaria em Quissamã, município de Macahé e escreveu : - Breves noções de arithmetica para uso das crianças ; adaptadas ao ensino primário das classes principiantes das aulas publicas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1882. I>. Carlos ILuix d'Ainour, Bispo de Matto Grosso - Nascido na cidade de S. Luiz, capital do Maranhão, a 11 de abril de 1837, de paes desprotegidos da fortuna, recebeu a 30 de novembro de 1860 ordens de presbytero das mãos do bispo d. Manuel J. da Silveira que chamou-o a si, e apresentou-o no anno seguinte no bene- ficio da cathedral maranhense. Grato a taes favores, não separou-se mais deste bispo desde sua remoção à prelazia da Bahia até sua morte, acompanhando-o á córte por occasião do casamento das princezas dona Isabel e dona Leopoldina como seu secretario, e á Roma por occasião do concilio do Vaticano. Chegado á Bahia em 1861, foi nomeado mestre de ceremonias do solio primacial neste anno, lente de francez do semi- nário archiepiscopal em 1862 ; depois conego, monsenhor e vigário capitular por morte do prelado, e finalmente bispo deCuyabà. Agraciado camarista de Pio IX quando esteve em Roma em 1870, foi em 1871 no- meado seu prelado domestico e ultimamente prelado assistente do 84 CA throno pontifício o conde romano. Tem o titulo de conselho do Im- perador e é commendador da ordem de Christo. Escreveu muitos sermões e pastoraes, de que só conheço as seguintes : - Pastoral implorando aos fleis um obulo em favor de sua santidade Pio IX, de 30 de novembro de 1874. Bahia, 1874. - Pastoral dispensando no preceito da abstinência das carnes na quaresma, de 1 de janeiro de 1875. Bahia, 1875. - Pastoral annunciando o grande jubileu universal denominado Anno Santo no corrente 1875, concedido pelo summo pontífice Pio IX, pela encyclita de 24 de dezembro de 1874. Bahia, 1875, 39 pags. in-8°. - Pastoral convidando os fleis para a segunda procissão do j ubileu, de 28 de outubro de 1875. - Pastoral annunciando o encerramento do grande jubileu e im- plorando aos fleis um obulo em favor do Asylo de Mendicidade, em 3 de dezembro de 1875. - Pastoral da quaresma, em 1876. - (Pastoral recommendando aos parochos da diocese de Cuyabá que lessem á estação da missa conventual a integra da gloriosa lei n. 3353 de 13 de maio de 1888 e a todos os diocesanos, fazendo-lhes ver que depois da promulgação dessa lei cumpre proteger os libertos ministrando-lhes o indispensável trabalho, aflm de que estes possam aproveitar-se da liberdade.) Cuyabá, 1888. Carlos Luiz de Saules - Filho de Henrique de Saules, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1824 e falleceu a 4 de novembro de 1880. Doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, aqui exerceu sempre a clinica; foi medico do hospital da Misericórdia e do internato do collegio de Pedro II e prestou serviços por occasião da primeira epidemia de febre amare 11a em 1850, sendo por isso condecorado com o habito da Rosa. Era membro da imperial academia de medicina, da sociedade Auxiliadora da industria nacio- nal, do conservatorio dramatico, e correspondente da sociedade das sciencias medicas de Lisboa. Escreveu : - Considerações sobre a ambahiba e sua applicação á cura do cancro: dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1848,in-4.° - Gazeta dos Hospitaes: repertório medico brazileiro. Rio de Janeiro, 1850-1852, in-4.°-Esta publicação foi fundada e redigida sómente pelo Dr. Saules. Dentre os numerosos escriptos que ahi se acham de sua penna, citarei o seguinte: - Matéria medica do senhor S. Dieu. Cantharidas - Acha-se no tomo 2', ns. 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16 e 17. CA 85 - Estudos sobre a phthisica pulmonar no Rio de Janeiro, acompanha dos de uma estatística da mortalidade por esta aífecção durante os annos de 1855 a 1858, apresentados á academia imperial de medicina do Rio de Janeiro, afim de obter o titulo de membro titular da mesma academia. Rio de Janeiro, 1859, com um mappa-Sahiram também nos Annaes da academia, tomo 13°, 1859-1860. - Manoel Beckman : drama original brazileiro em cinco actos. Rio de Janeiro, 1848, 141 pags. in-8° - Fecha-se o livro com um juizo critico de F. M. Raposo de Almeida. Este drama, escripto quando o autor era estudante, foi levado à scena pelo laureado actor João Caetano dos Santos ; foi a primeira producção de sua penna, e consta que outros trabalhos deixara inéditos do mesmo genero, assim como diversas poesias. Carlos Mariano Galvão Bueno - Filho de Francisco Mariano Galvão Bueno e de dona Maria Euphrosina da Cruz Almada, nasceu em S. Paulo em janeiro de 1834 e falleceu a 24 de maio de 1883, afogando-se casualmente no rio Tamanduahy, n'uma pescaria ã que fora por divertimento. Bacharel em sciencias sociaes e juridicas, formado pela faculdade de sua província em 1860, era professor de philosophia do curso annexo á mesma faculdade e, além de vários trabalhos publicados em revistas litterarias, e de muitas poesias e pe- quenos romances, que, segundo consta, deixara inéditos - escreveu: - Noções de philosophia, accommodadas ao systema de Krause, e ex- trahidas das obras philosophicas de G. Tiberghiene Ahrens. S. Paulo, 1877, 750 pags. in-8° - Depois dos prolegomenos das sciencias se trata: Io da Psychologia, que é dividida em tres partes, ouessencia da alma, vida da alma e combinações da alma; 2o da lógica, que é dividida em duas partes ou theorias dos conhecimentos em geral, e organização dos conhecimentos; 3° Metaphisica; 4o Moral, que é dividida em tres partes, isto é: base analytica ou subjectiva da philosophia moral; base objectiva ou metaphysica da philosophia moral; deontologia. Deu-se também ao jornalismo político e collaborou na Lucta, perió- dico de idéas republicanas, de S. Paulo. Carlos Maximiano Pimenta dle Laet - Filho de Joaquim Ferreira Pimenta de Laet e nascido no Rio de Janeiro a 3 de outubro de 1847, é bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, engenheiro geographo pela escola central, hoje polytechnica, professor aposentado de portuguez, geographia e arithmetica do Io anno daquelle collegio, hoje instituto nacional de instrucção secun- 86 CA daria e cavalleiro da ordem da Rosa. Serviu muitos annos como redactor dos debates do senado, e foi, na ultima legislatura do regimen monarchico, eleito deputado pela província da Parahyba e pela de Goyaz. Deu-se ao jornalismo collaborando para vários periódicos e revistas como a Revista Litteraria, onde escreveu muitos artigos de cri- tica, 1879 a 1880, e o Jornal do Commercio, onde escreveu os folhetins sob o titulo de Microcosmo e redigiu : - O Brazil: diário político, commercial, scientiflco, litterario e noticioso. Rio de Janeiro, 1890 e 1891, in-fol.- Escreveu: - Escolas normaes. Sua organização, plano de estudos, methodos e programma de ensino. 15 pags. in-4° - No livro « Actas e pareceres do congresso de instrucção do Rio de Janeiro », 1884. - Creação de uma faculdade de lettras ; sua organização e plano de estudo. 19 pags. in-4° gr. - Idem. - Relatorio dos successos mais notáveis no anno lectivo de 1880 e das condições do ensino da escola normal domunicipio dacôrte, etc.;apre- sentado â congregação da mesma escola na sessão de 7 de fevereiro de 1881, 13 pags. in-fol. -No relatorio do ministério do império do mesmo anno. - Relatorio dos successos mais notáveis no anno lectivo de 1882 e das condições do ensino no imperial collegio de Pedro II ; apresentado a7 de marçode 1883, 15 pags. in-fol.- Idem de 1883. Foi impresso em avulso in-8°. Carlos Mont exuma de Andrade - Natural da pro- vinda de Minas Geraes, ou de S. Paulo, residiu muitos annos na do Rio Grande do Sul, onde falleceu. Exercia a profissão de dentista, e me parece que não tinha perfeito arranjo nas faculdades mentaes, visto como se assigna de doutor, titulo que nunca teve, na obra, que menciono, eque talvez, devesse omittir. - O Brazil: breves reflexões pelo Dr. Carlos Montezuma de An- drade, capitão da guarda nacional, etc. Porto Alegre, 1865, 25 pags. in-4°. Carlos de Moraes - E' natural do Rio de Janeiro, exerce a profissão de guarda-livros, cultiva as lettras e escreveu : - Canções ridentes (collecção de poesias). Rio de Janeiro, 1883. Carlos Finto de Figueiredo - Natural de Ouro- Preto, capital de Minas Geraes, seguindo o funccionalismo publico e sendo primeiro conferente da alfandega do Rio de Janeiro, representou CA 87 a provincia do Espirito Santo na 13a legislatura. Subiu depois a outros cargos na repartição de fazenda e aposentou-se em 1890, como director de rendas do thesouro nacional. E' commendador da ordem de Christo, membro de varias associações, como a de estatística do Brazil, fundada em 1855 - e escreveu : - Discurso proferido na sessão ( da camara dos deputados) de 11 de julho de 1868. Rio de Janeiro, 1868, 16 pags. in-4° de duas cols. - Refere-se às questões da alfandega desta cidade. - Relatorio apresentado aos socios da sociedade de navegação a vapor de Itabapoana pelo procurador da mesma sociedade na reunião de 15 de dezembro de 1869. Rio de Janeiro, 1870, in-4°. - Informações prestadas sobre o estado financeiro de cada provincia pelo seu respectivo presidente com a receita e despeza de cada uma no decennio de 1876-1877 a 1885-1886, etc. Rio de Janeiro, 1887 - E' um trabalho escripto de ordem do governo imperial. Oarlos Ribeyrolles - Natural de Martel, departamento de Lot, na França, falleceu a 1 de junho de 1860 no Rio de Janeiro, para onde veiu expatriado, como foram Victor Hugo, Louis Blanc, Rollin e outros por Napoleão III. Amou tanto o Brazil, tanto procurou com seus escriptos exaltar-lhe as bellezas naturaes, que sobre seu tumulo a municipalidade de uma capital importante e illustrada do império, a de Nitheroy, mandou collocar uma lapide de mármore branco com a inscripção de seu nome e a data de sua morte, e cons- truir um monumento para guardar seus ossos, com um epitaphio escripto por Victor Hugo. Um ex-ministro da Republica foi, talvez, quem mais contribuiu para tão merecidas homenagens, e o autor deste livro tem a honra de associar-se ao illustre cidadão e áquelles que o acompanharam então, contemplando aqui o nome do illustre patriota francez apezar de nunca haver este se naturalisado brazileiro. Ribeyrolles escreveu: - Brazil pittoresco : historia, descripção, viagens, instituições, co- lonização por Charles Ribeyrolles; acompanhado de um album de vistas, panoramas, paizagens, costumes, etc., por Victor Frond. Rio de Janeiro, 1859, tres tomos em 1 vol. in-4° gr. - Estudo sobre a colonização brazileira, extrahido do 3o volume do Brazil pittoresco. Rio de Janeiro, 1860, 236 pags. in-4° - E' talvez dahi que foi reproduzido : - O solo brazileiro - no Sul Mineiro, 1862, ns. 113, 114 ell5. Trata-se da superfície, configuração, producção natural e indus- trial. 88 CA Carlos Rod-rig-iies de Vasconcellos - Filho de José Ruflno Rodrigues de Vasconcellos, de quem se trata neste livro e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 15 de outubro de 1856, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade e na mesma faculdade adjunto da clinica medica dos adultos. E' membro titular da academia imperial de medicina, e exerceu o cargo de delegado da inspectoria geral de hygiene e escreveu: - Do diagnostico diíferencial das moléstias que apresentam a cólica no numero dos seus symptomas ; Das quinas; Do protoplasma cel- lular e de sua importância anatómica e dynamica na formação e ma- nutenção da cellula ; Chyluria: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1881, 143 pags. in-4°. - Hijgiene escolar e suas applicações â cidade do Rio de Janeiro, these de concurso á cadeira de hygiene, etc. Rio de Janeiro, 1888, 147 pags. in-48. - Do augmento das lesões cardio-vasculares no Rio de Janeiro e suas causas : trabalho apresentado ã inspectoria geral de hygiene por ordem do Exm. Sr. inspector geral, Dr. Barão de Ibituruna. Rio de Janeiro, 1887, 37 pags. in-4° com o mappa das lesões do apparelho circulatório no anno de 1886. - Piptadenia peregrina na asthma e bronchite asthmatica: memória - Foi publicada nos Annaes brazilienses de medicina, tomo 54°, 1888 - 1889, pags. 73 a 96, servindo-lhe para admissão na academia de medicina, e sendo dado a respeito um parecer, que se acha em seguida na mesma revista, pelo Dr. Peçanha. Carlos Sandio de Avellar Brotero - Natural de S. João d'El-Rei, província, hoje Estado de Minas Geraes, e residente no logar de seu nascimento, onde dedica-se ao jornalismo e cultiva as lettras, escreveu: - A Verdade Política. S. João d'El-Rei...-E'uma publicação periódica que foi por Avellar Brotero redigida. - A Renascença. S. João d'El-Rei, 1890 - E'outra egual que se publica actualmente. - Alvores matinaes: poesias, precedidas de uma carta do Dr. Aífonso Celso Júnior. Rio de Janeiro, 1887,in-8°. Carlos da Silva Lopes - Natural da Bahia e fllho do capitão Francisco da Silva Lopes e de dona Candida Amélia Gomes Lopes, falleceu sem ter ainda 30 annos de edade, a 5 de fevereiro de 1881. Depois de formado em pharmacia na faculdade de sua pro- CA 89 vincia, fez o curso de medicina, sendo gratuitamente preparador da cadeira de chimica mineral nos dous últimos annos deste curso e recebeu o grão de doutor em 1877. Muito applicado ás sciencias acces- sorias e sobretudo ã botanica, foi ã concurso para um logar de sub- stituto da secção respectiva, mas já affectado do beriberi, falleceu apenas terminado o mesmo concurso. Escreveu: - Galvano-caustico e suas indicações. Rio de Janeiro, 1877, 101 pags- in-4°- E' sua dissertação inaugural enriquecida de varias observações e de uma estatística de operações praticadas com os instrumentos galvano-causticos, e seguida de proposições sobre : Importância da aus- cultação no diagnostico da prenhez; Estando cultivado e conhecido entre nós o eucaliptus, quaes são as preparações pharmaceuticas que pôde fornecer e qual ou quaes as mais vantajosas ? Regimen sanitario. -Atheoria das ondulações explica todos os phenomenos luminosos: these de concurso á um logar de substituto da secção de sciencias accessorias. Bahia, 1881, in-4°. Carlos Soares Guimarães - Filho de Joaquim Soares da Costa Guimarães e nascido na cidade do Rio de Janeiro, é bacha- rel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo e exerce a advocacia na cidade de seu nascimento. Escreveu: - Primeiros elementos de economia politica pelo professor Luigi Cossa da universidade de Pavia, traduzidos do italiano. Rio de Janeiro, 1888, 203 pags. in-8°. Carlos de Souza Rangel - Natural, segundo sou informado, da provincia, hoje Estado da Parahyba, e professor da instrucção primaria. Escreveu: - Elementos de arithmetica para uso das escolas primarias. Rio de Janeiro, in-12°. - Ensino de arithmetica ou guia do calculador. Rio de Janeiro Carlos Teixeira ou Carlos José Teixeira - Filho de João Nepomuceno Teixeira e de dona Affonsina Teixeira Leite, é natural da provincia, hoje Estado de Minas Geraes, doutor em medi- cina pela faculdade do Rio de Janeiro, cirurgião do hospital da santa casa da Misericórdia desta cidade, professor de clinica de moléstias d e mulheres e secretario da administração da polyclinica geral, socio fun - dador da sociedade de medicina e cirurgia etc. Antes de sua formatura serviu como interno naquelle hospital ; depois foi á Europa, demoran- do-se mais tempo em Vienna d'Austria com o flm de aperfeiçoar-se nos 90 CA estudos da secção cirúrgica e particularmente em gynecologia, em que é distinctissimo clinico. Escreveu: - Indicações e contra-indicações do esvasiamento dos ossos; Atmosphera; Curativo das feridas accidentaes e cirúrgicas; Sclerose espinhal superior: these etc. Rio de Janeiro, 1880, 132 pags. in-4° com figs. e quadros demonstrativos. - Considerações sobre a epidemia (de febre amarella) de Vas- souras. Rio de Janeiro, 1880, 24 pags. in-8° -Era o autor estudante quando publicou este trabalho. - Der Kaffee von Brasilien. Auf Grund zweier von prof. dr. Ernst Ludwig in Vien ausgefuhrter chemischer analysen hesprocher von Dr. C. Teixeira. Vien, 1883,30 pags. in-8.°-Trata-se da acçã0 physiologica, cultura e consumo do café, e mostra-se com a analyse chimica feita pelo professor de Vienna, que o nosso café é superior á maior parte dos que se conhecem. No mesmo anno foi publicada a traducção desta obra, isto é : - O café do Brazil, etc., contendo a analyse chimica, feita expressa- mente em café brazileiro, comparado ao de outras procedências pelo professor Ernesto Ludwig (de Vienna): traducção do original allemão, publicada sob os auspícios da sociedade Centro da lavoura e commercio do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1883, 24 pags. in-4°. - Etyologia parasitaria da tuberculose. Vienna, 29 de setembro de 1883 - Foi publicada no Jornal do Commercio de 22 de novembro deste anno. - Ablação total do utero pela hysterotomia vaginal. Rio de Janeiro, 1888, 85 pags. in-40.- E' escripto em resposta á contestação feita peio Dr. Abel Parente no Brazil Medico quanto ao diagnostico e tratamento communicado á sociedade de medicina e cirurgia, de uma doente do autor, sem estar o mesmo doutor habilitado e nem ter competência para isso. E, como o Dr. Abel replicasse, escreveu elle : - Ablação total do utero pela hysterotomia vaginal : treplica ao Sr. Dr. Abel Parente (Rio de Janeiro, 1888), 9 pags. in-fol. de 3 cols. até pag. 6, e de 2 cols. de pag. 7 em deante. Este escripto não foi publicado no Brazil Medico, por ser muito longo e, diz também o redactor desta revista, « por não poder publical-o tal qual estã re- digido. » Carlos Theodoro cie Bustamante - Filho do Barão de Pouso-Alto e nascido em Minas Geraes, é bacharel em sciencias sociaes e juridicas, formado em 1855 pela faculdade do Recife. Dispondo de avultada fortuna, tem cooperado para emprezasuteis,como a viação CA 91 ferrea de Victoria à Natividade, e para associações beneficas, como a associação promotora da instrucção, tendo feito parte da commissão encarregada de erigir o sumptuoso edifício da escola da Gloria. Escreveu: - Estrada de ferro de Victoria á Natividade: memória justificativa da proposta. Rio de Janeiro, 1882,64 pags. in-fol. com muitos annexos de numeração especial - Com o titulo acima vê-se no Jornal do Com- mercio de junho a julho deste anno uma serie de artigos deste autor. Carlos Victor Uoissoa - Filho do capitão de mar e guerra Balthazar Victor Maria Boisson e de dona Gabriella de Mattos Boisson, nasceu em Nitheroy, capital do Rio de Janeiro, e falleceu a 19 de dezembro de 1883. Tendo feito o curso da academia de marinha com praça de aspirante, passou para o da escola militar, onde recebeu o grão de bacharel em sciencias physicas e mathematicas. Em 1850, por occasião da grande reforma do thesouro nacional, obteve por concurso um logar de escripturario; depois, deixando o serviço de fazenda, dedi- cou-se ao magistério, entrando para a escola de marinha a 15 de no- vembro de 1859 como oppositor de mathematicas, e sendo ultimamente nomeado lente cathedratico de artilharia. Era primeiro tenente hono- rário da armada, presidente da caixa geral das famílias ou sociedade de seguros sobre a vida para instituição de heranças, dotes e pensões, e escreveu: - Differentes methodos de differenciação; Theoria das secções cónicas; Choque dos corpos elásticos de fórma qualquer: these de concurso para a primeira cadeira do segundo anno da escola de marinha. Rio de Ja- neiro, 1872, in-4°. - Metaloides e suas propriedades, combinações que formam entre si; Fuiminatosorgânicos: these de concurso, etc. Rio de Janeiro, 1880, in 4o - Esta these é seguida de um appendice contendo um projecto de programma para a 3a cadeira do 3o anno da escola de marinha. - Organização theorica das estrias dos canhões raiados, these apresen- tada para a vaga de lente da segunda cadeira do terceiro anno da escola de marinha. Rio de Janeiro, 1882, 73 pags. in-4°- E' seguida de pro- posições sobre : Relação entre os meios defensivos e os meios de ataque em geral. A invenção dos canhões raiados é meio favoravel â defesa ou ao ataque ? -Arithmetica, Ia parte. Instrucção primaria: Theoria e pratica das quatro operações. Rio de Janeiro, 1879, 178 pags. in-8°. - Compendio de arithmetica para uso das classes de mathematicas elementares, seguido de numerosas applicações ao commercio, compre- 92 hendendo as principaes questões relativas ao credito publico; e seguido de um appendice concernente às operações de seguro sobre a vida. Rio de Janeiro, 1883, 472 pags. - Compendio de artilharia - Apresentado ao governo em 1883, foi nomeada uma commissão composta dos capitães de fragata João Cândido Guilhobel e Pedro Benjamin de Cerqueira Lima e capitão-tenente José Victor Delamare para dar sobre elle parecer. Não o vi ainda publicado. - Estudo das formulas e tarifas do monte-pio geral. Rio de Janeiro, 1882, in~8° - Ahi se acha um parecer ou juizo sobre a obra, escripto por vários membros do monte-pio, parte do qual vem reproduzida no Jornal do Commercio de 10 de fevereiro deste anno com a noticia da obra. Sobre o monte-pio geral escreveu Carlos Boisson vários artigos na im- prensa do dia, e fez também varias conferencias, em que mostrou grande competência, prevendo o flm, á que esta instituição chegou. Carlos Vidal de Oliveira Freitas - Filho de Ma- noel Gonçalves de Freitas e de dona Leonor Lopes de Oliveira e irmão do conego Gabriel Evaristo de Oliveira Freitas, de quem occupar-me- hei opportunamente, nasceu em Pirahy, província do Rio de Janeiro, a 4 de novembro de 1853. E' capitão-tenente da armada, director da bi- bliotheca da marinha e cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz. Tendo terminado o curso académico em 1870, seguiu em viagem de instrucção pelo Atlântico sul, e depois pela África Occidental; serviu varias commissões com elogio de seus chefes, inclusive a de professor dos guardas-marinha em 1884, para instrucção dos quaes escreveu: -Elementos de direito internacional marítimo para uso dos guardas- marinha do 4o anno da escola de marinha. Rio de Janeiro, 1884, 429 pags. in-4° - E' dividido este livro em tres partes: l.a Prolegomenos e noções geraes do direito internacional marítimo ; 2.a Estado de paz. 3.a Estado de guerra, e contém mais um appendice. O capitão-tenente Freitas é um dos redactores da - Revista Marítima Brazileira. Rio de Janeiro, in-4°--Nesta revista se acham em grande quantidade trabalhos seus, quer originaes, quer traduzidos, como : - Ensaio sobre tactica de combate e o empregojdos actuaes meios de ataque e defesa pelo capitão de fragata francez M. L. Rivet - No 4o anno, 1884-1885, ns. 7, 8, 9 e 10. Ha na imprensa periódica alguns escriptos seus de litteratura, como: « Maridos, Guerra ao balão ! » e « Quem sabe aos seus...» publicados no Rio Grande do Sul, e também desenhos, como - Carta topographica do estabelecimento naval de Itaquy. CA 93 - Carta hydrographica de uma parte do alto Uruguay e de seu affluente, o Cambahy. Carlos Vitruvio J^ccioli Lolbato -Filho do doutor João Climaco Lobato e natural do Maranhão, é primeiro tenente da armada, lente da cadeira de navegação e hydrographia da escola na- val e exerce o cargo de secretario do ministro da marinha. Foi in- structor de taes matérias da turma de guardas-marinha de 1883 ; fez em 1885 o curso de artilharia, electricidade e torpedos e, no anno se- guinte, concurso para professor de electricidade e torpedos da escola pratica de artilharia, onde leccionou até sua nomeação para a escola naval. Escreveu : - Memória sobre um apparelho photo-electrico para a explo- ração de torpedeiras e sua descripção. Rio de Janeiro, 1885, 13 pags. in-4°. -Determinação da longitude; Levantamento de uma costa : these de concurso á vaga de lente da cadeira de navegação e hydrographia da escola naval. Rio de Janeiro, 1889, 95 pags. in-4°. D. Carmen Freire, Baroneza de Mamanguape - Nas- cida na cidade do Rio de Janeiro a 2 de março de 1855 e casada com o ex-senador do império Barão de Mamanguape, falleceu a 13 de se- tembro de 1891. Teve uma educação litteraria pouco commum no seu sexo e dedicou-se a estudos naturalistas. De 1888 para cá, porém, dedicou-se á litteratura ame a e particularmente á poesia com ap- plauso de vultos da altura d' èonselheiro F. Octaviano e do Visconde de Taunay, estreando na Ga, eta de Noticias, e escreveu: - Visões e sombras: poesias - Estavam no prelo quando a autora falleceu. São poesias que, como disse o notável escriptor portuguez, Castro Soromenho, respiram um sentimentalismo adoravel, palpitam talvez muito nervosamente, repletas de lagrimas e adorações vir- ginaes. Ha muitas poesias suas, publicadas por todo o Brazil e até no estrangeiro, como -A lagrima: soneto-publicado na Gazeta de Noticias de 18 de junho; no Norte do Brazil (de Manáos) de 15 de agosto; no Dia (de Lisboa) de 22 de agosto e no Diário do Gram-Parà de 28, ainda deste mez, de 1888. De outros jornaes e revistas, que têm publicado poesias da Baroneza de Mamanguape, citarei: o Jornal de Noticias, da Bahia ; o Jornal da Parahyba; a Provinda, do Espirito Santo; o Diário de S. João, do Rio Claro; o Progressista, de S. João da Barra; o Treze de Maio ; o Archivo Contemporâneo lllustrado, etc. 94 CA D. Carolina Vou Kozeritz- Filha de Carlos Kozeritz, de quem fiz a devida menção neste volume, nasceu em Porto-Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no anno de 186 >. Veiu com seu pae em 1883 ao Rio de Janeiro e, de educação aprimorada, como seu pae versada em varias linguas e dedicada ás lettras, traduziu e publicou varias obras, como: - Requiem por F. S. Drammor: poema publicado em 1868. Ver- são portugueza com um prologo pelo doutor Silvio Romero. Rio de Ja- neiro, 1883, 58 pags. in-8°. - Hermann e Dorothèa : poema de Goèthe, vertido em prosa por- tugueza. Porto-Alegre, 1884, 76 pags. in-8°. - As relíquias vivas: conto de Tourgueneff: traducção. Lisboa, 1884 - Vi annúnciada esta traducção com outra do mesmo autor, feita por Argemiro, precedida de um longo estudo acerca da litteratura slava pelo doutor Tobias Barreto de Menezes. - Manfredo ; Mazeppa; Oscar d'Alva, de Lord Byron: versão. Porto-Alegre, 1886, in-8°. - O grillo da lareira, de Carlos Dickens: versão. Porto-Alegre, 1886, in-8°. - Collaboradora do Jornal do Commercio de Porto-Alegre, ahi publicou, sob os pseudonymos de Walcheria, Cerstonoz e Consuèlo, e vne dar, reunidos, ao prelo os seguintes: - Contos: Soluços da briza; Flor de neve; A Freira ; Ao luar; Carmella; A louca; Eraelle; Flor de Iguapé; O ninho; Flores do co- ração; Os ciganos; Um perfil; Recordações de uma estatua; Historia de uma flor ; A sereia ; A morte do poeta ; Canto do cysne ; Aurora boreal • Cai^olino Francisco de Lima Santos - Nasceu na cidade da Cachoeira, da Bahia; fez em sua província todos os estudos até os da faculdade de medicina, recebendo na do Rio de Janeiro o grào de doutor; viajou pela Europa, aperfeiçoando-se em seus estudos médicos; clinicou em a província de Pernambuco e se acha, ha alguns annos, no Rio de Janeiro. Escreveu: - Proposições sobre os diversos ramos da medicina: these inaugural. Rio de Janeiro, 1844, in-4°. - Discurso proferido na augusta e respeitável 1. •. União do vai. '. da cidade do Recife, ctc. Recife, 1864, 20 pags. in-4°. - Analyse scientifica e pratica sobre a craneotomia com relação ao máo successo da serenissima princeza imperial, a Sra. dona Isabel. Rio de Janeiro, 1875, 133 pags. in-4° - Neste livro, a que precede uma introducção ao paiz, afflrma o autor que houve erro dos assistentes da ca 95 princeza imperial praticando elles a craneotomia e que dessa operação resultou a morte da princeza do Gram-Pará. São artigos já publicados no Jornal do Commercio e reproduzidos na Reforma e no Diário da Bahia. Ha outros trabalhos seus na imprensa diaria, como: - A viagem do Exm. Sr. Santa Isabel, ainda como parteiro !... e sua defesa no Progresso Medico!... - serie de escriptos publicados no Diário do Rio de Janeiro de 26 de abril, 1, 3 e 6 de maio de 1878, refutando a supposta esterilidade da princeza imperial e mostrando os erros praticados por occasião de proceder-se á craneotomia. O artigo do Progresso Medico, a que se refere, sahira no n. 9 de 1 de março de 1878. Em seguida a este trabalho escreveu o Dr. Carolino na mesma folha: - A inviolabilidade da vida humana e a pena de morte - nos ns. de 11 e 12 do dito mez e anno. - O Sr. Dr. Fort (de Paris) já como physiologista, já como ope- rador no Rio de Janeiro - serie de artigos publicados no Jornal do Commercio em 1881. Em referencia ao mesmo Fort ha ainda: - A ovariotomia produzindo assombro no estado actual da sciencia e no anno de 1881 ! !... - no dito jornal de 16 de novembro de 1881, e ha mais: - O electrolyse e a nota do Dr. Fort na academia imperial de me- dicina-serie de artigos, publicados no mesmo jornal em janeiro de 1883. - Da etiologia, natureza e tratamento da febre amarella com re- lação ao juizo e proceder do lente de chimica organica da faculdade de medicina da côrte:- serie de escriptos, publicados no Cruzeiro, 1880, ns. de 19, 20, 22, 23, 27 de abril, 4, 10 e 24 de maio. - O microbio cryptococcus xantogenicus ou alga não é a causa da febre amarella. Essa apregoada vaccinação pela cultura attenuante deste ou de outro contra elle, não passa de um ideal - idem, no Jornal do Commercio, 1884, ns. de 1, 22, etc. Tenho idéa de haver o Dr. Ca- rolino escripto um opusculo sobre a - Diabetes assucarada. Recife.... CasimiroFerreiraCesar -Era professor, segundo me parece, da instrucção primaria, e natural da provincia da Bahia, quando escreveu: - Manual pratico ou methodo resumido do ensino, recopilado dos mais adoptados e mais proprios para as aulas da lingua nacional do Brazil. Bahia, 1832, in-8°-Depois desta obra publicou : - Grammatica portugueza composta por... dada pela terceira vez á luz por C. F. Cesar. Bahia, 1834, in-12. 96 CA C a si mi ro José Marques d.e Abreu - Filho do negociante portuguez José Joaquim Marques de Abreu e de dona Luiza Joaquina das Neves, nasceu em S. João da Barra, da então província do Rio de Janeiro, a 4 de janeiro de 1837 e falleceu a 18 de outubro de 1860. Entregue por seu pae aocollegio Freese em Nova Friburgo com expressa recommendação de preparal-o para a vida do commercio, ahi estudou geographia, historia, mathematicas e algumas linguas e, apenas com quinze annos, revelou-se poeta com a composição de sua « Ave-Maria » e com varias outras que escreveu, dominado de sincero amor por certa menina. Então veiu seu pai buscal-o e collocou-o em seu escriptorio, ao que sujeitou-se só por obediência, mas contrariado, porque sentia aversão por essa vida. Nas horas, entretanto, de desçanço do continuo trabalho de cifras e de calculo, entregava-se Casimiro de Abreu ao cultivo da poesia, já lendo os bons livros que podia obter, já escrevendo essas bellissimas composições que a imaginação em sonhos de ouro lhe dictava; mas ás occultas, porque isso mesmo lhe era vedado e tudo isso concorria para estragar-lhe as molas da existência, como effectivamente aconteceu. Mandado, já doente, á Portugal em no- vembro de 1853, sua saude não melhorou; ao contrario, as saudades da patria vieram mais aggraval-a e symptomas de tuberculose pulmonar * se denunciaram ; voltou â patria e ao escriptorio, a que seu pae teimava de entregal-o, depois de tel-o alguns mezes numa fazenda de sua pro- priedade. A moléstia progredia eo jovem poeta veiu delia a perecer em Nova Friburgo. Escreveu: -Canções do exilio. Lisboa, 1854,in-8° - São poesias escriptas, quasi todas em Lisboa, nas quaes transluz a melancolia que lhe geravam na alma as saudades da patria. - Camões e o Jào: scena dramatica original, representada no thea- tro de D. Fernando em o dia 18 de fevereiro de 1856. Lisboa, 1856, 23 pags. in-8°-O autographo figurou na exposição camoneana dabiblio- theca nacional de 10 de junho de 1880 e é datado de 1 de dezembro de 1855, incompleto, parecendo o primeiro esboço da composição. - As primaveras. 1855-1858. Rio de Janeiro, 1859, 276 pags. in-8° -E'dividido este livro em quatro partes e, após sua publicação, appare- ceram diversas noticias, elogiando-o, sendo uma delias no Correio Mercantil de 19 de março de 1860 pelo Dr. Pedro Luiz Pereira de Souza, de quem se trata opportunamente. Depois foram publicadas as seguintes edições, de que algumas trazem designações inexactas: 2.° As primaveras 2a edição, Lisboa, 1864, in-8°. - pelo livreiro An- tonio Josó Fernandes Lopes, com quem o autor fizera um contracto para a impressão de suas obras. CA 97 3.° As primaveras. 2a- edição. Porto, 1866 in-8". 4.° As primaveras. 2a edição (terceira de Lisboa), accrescentada com novas poesias, e Camões e o Jáo, e dous romances em prosa, o juizo critico de vários escriptores brazileiros e um prologo de Manuel Pi- nheiro Chagas. Lisboa, 1867, 265 pags. in-8°, gr. com o retrato do autor - E' do mesmo editor da 2a, o qual declara no fim do livro ser ella feita para competir no mercado com a edição do Porto, a 3a, em que elle considera violados seus direitos de propriedade, segundo o contrato que tinha. 5.° As primaveras : novissima edição accrescentada de novas poesias e da scena dramatica o Camões e o Jáo, e dous romances em prosa, etc. Lisboa, 1871, 237 pags. in-8°, gr. com o retrato do autor - Ainda é de A. J. Fernandes Lopes. 6.° Obras completas, colligidas, annotadas, precedidas de um juizo critico dos escriptores nacionaes e estrangeiros e de uma noticia de seu autor e de seus escriptos por J. Norberto de Souza e S. 5a edição, ornada com o seu retrato, mais correcta e augmentada. Rio de Janeiro, 1877, 376 pags. in-8°. 7.° Obras completas. Contém : Camões e o Jáo, dous romances, etc. Precedidas de um estudo critico pelo Dr. Joaquim José de Carvalho Filho. Rio de Janeiro, 1884, in-8° - Os dous romances que o autor deixara inéditos são : - A virgem loura : paginas do coração. - Camilla : memórias de uma virgem - O autor dividiu, como disse, seu livro em quatro partes : Canções do exilio; Cantos do amor ; Poesias diversas; Livro negro ou poesias elegiacas. O Sr. J. Nor- berto, porém, mudou a collocação de algumas poesias que não se achavam realmente bera collocadas. Delias têm sido reproduzidas algumas em folhas ou publicações litterarias : assim, nos Contos do Brazil ou collecçãode poesias de autores brazileiros, editada em 1880, se acham as quatro seguintes : - Minha alma è triste; Minha terra ; Amor e medo; Meu livr negro. Oasimix'o José do Moraes Sarmento - Nascido na antiga provincia do Piauhy a 13 de agosto de 1813, falleceu em Paris a 10 de fevereiro de 1860, bacharel em direito pela faculdade de Olinda em 1836, doutor pela mesma faculdade em 1840, lente da escola militar e de applicação do Rio de Janeiro com as honras de major, eofficial da ordem da Rosa. Administrou a provincia do Rio Grande do Norte de abril de 1845 a dezembro de 1847, e havia partido para 98 CA Europa em busca de allivio á seus soffrimentos no anno anterior ao de sua morte : - Elementos de direito político, por M. A. Maçarei, traduzidos em vulgar. Pernambuco, 1842, in-4°. -Da solidão, das cousas que a fazem amar, das vantagens e desvan- tagens, e da sua influencia sobre a imaginação, sobre o espirito e sobre o coração, por George Zimmermann. Traduzido em vulgar. Pernam- buco, 1842, in-4°. - Compendio de historia sagrada por perguntas e respostas, seguido de um resumo da vida de Jesus Christo; traduzido em vulgar da terceira edição franceza. Ceará, 1847, 135 pags. in-8.° - Discurso com que o presidente desta província do Rio Grande do Norte abriu a primeira sessão da 6a legislatura da assembléa provin- cial. Anno de 1846, Pernambuco. 1846, in-4.° - Discurso apresentado pelo presidente da província do Rio Grande do Norte, na abertura da segunda sessão da 6a legislatura, no dia 7 de setembro de 1847. Pernambuco, 1847, 20 pags. in-4°, com vários mappas demonstrativos. - Opusculo sobre a educação pbysica dos meninos. Rio de Janeiro, 1858, 176 pags. in-8.° - Consta-me que o Dr. Moraes Sarmento tra- duziu para a lingua vernacula uma obra sobre Physiologia das paixões. Cassia-no Cândido Tavares JLiastos - Filbo do conselheiro José Tavares Bastos e de dona Rosa Candida Tavares Bas- tos, irmão do Dr. Aureliano Cândido Tavares Bastos, de quem jà tiz menção, e nascido na cidade de Alagoas, antiga capital da província deste nome, a 12 de novembro de 1844, é bacharel em direito pela fa- culdade de S. Paulo. No mesmo anno de sua formatura, 1866, foi no- meado addido â missão especial, enviada á Bolivia por occasião da guerra do Paraguay e dahi passou ao Peru, onde serviu o cargo de secretario da legação. Entrou para a classe da magistratura em 1871 com o cargo de promotor publico da capital do Espirito Santo, onde foi mais tarde chefe de policia, e serviu como juiz de direito no Ceará, donde foi exonerado por pedido seu, e em S. Paulo, e por ultimo como chefe de policia do Estado em que nasceu e que o elegeu senador para o congresso federal de 1890. Escreveu : -Praxe policial ou formulário de todos os processos policiaes. Rio de Janeiro, 1881 - Desta obra, escripta no Paraná e distribuída gratui- tamente pelas autoridades policiaes da provinda, deu segunda edição com o titulo : - Direito e praxe policial, contendo o formulário de todos os processos 99 policiaes conforme a nova reforma judiciaria e jurisprudência dos tri- bunaes. Rio de Janeiro, 1883 - E' dividido em sete partes, começando por tratar das autoridades policiaes, occupando-se de toda matéria esparsa na legislação do paiz, nas gazetas dos tribunaes e em obras sobre o assumpto, terminando com um indice alphabetico, tudo com mais de 600 paginas. - Consolidação das leis sobre organização judiciaria quanto ao pro- cesso civil e criminal, contendo as decisões do governo, jurisprudência dos tribunaes e opiniões dos jurisconsultos. Rio de Janeiro, 1884- E' um grosso volume dividido em duas partes, relativas ao processo civil eao criminal. - Guia dos inspectores de quarteirão, contendo as disposições legaes referentes á nomeação, ao exercicio, á recusa, ao modo de substituição, juramento, attribuições e modelos de todos os seus actos. Rio de Ja- neiro, 1885, in-8°. - Guia dos delegados e subdelegados do policia, contendo tudo quanto diz respeito a estas autoridades e os formulários de todos os processos policiaes. Rio de Janeiro, 1886, in-8°. - Empregos e officios de justiça, contendo o respectivo regulamento n. 9420 de 28 de abril de 1885 e os regimentos dos tabelliães, escrivães, contadores, partidores, distribuidores e oíllciaes de justiça com a in- tegra de toda a legislação referente aos mesmos assumptos. Rio de Ja- neiro, 1886, in-8°. - Processo das execuções civis, commerciaes e hypothecarias, contendo as respectivas disposições legislativas e regulamentos, jurisprudência dos tribunaes e opiniões dos praxistas. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. - Registro civil dos nascimentos, casamentos e obitos. Rio de Ja- neiro, 1887, in-8\ CassianoJEspei^idiáLo de Mello e Mattos - Filho de Eusebio Nunes de Paiva e Mattos e de dona Maria Magdalena de Mattos, nasceu na cidade da Bahia a 11 de setembro de 1797 e falleceu no Rio de Janeiro a 5 de junho de 1857. Bacharel em leis pela universi- dade de Coimbra, seguiu a magistratura, subindo até o supremo tri- bunal de justiça ; foi deputado por sua provincia em 1830, e senador em 1836, cabendolhe a honra de ser o orador da deputação da assembléa geral legislativa que foi ao Imperador lhe annunciar que havia sido proclamada sua maioridade. Foi grande orador, notável pela lógica severa de seus discursos, que constam dos annaes do parlamento; mas delle só conheço, além desses discursos, a seguinte publicação: - Ao senhor redactor da Gazeta do Rio de Janeiro : (carta) Rio de 100 CA Janeiro, 1821, 7 pags. in-40.-Nesta publicação, que só no fim traz o nome do autor, o logar e data da impressão, se trata da installação do governo provisorio em Villa-Rica. Catão Guerreiro de Castro--Filho do tenente-co- ronel Manuel Joaquim Pereira de Castro e de dona Maria Joanna Guerreiro de Castro, nasceu na villa de Minas do Rio de Contas, na Bahia, a 18 de abril de 1837. E' um distincto membro da magis- tratura brazileira, em que occupa uma vara de juiz de direito. Sendo bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1863, recebeu o gráo de doutor em 1864; foi eleito deputado á assembléa de sua província no mesmo anno de sua formatura; serviu os cargos de pro- motor publico e depois o de juiz municipal na mesma província e, antes de ser despachado juiz de direito, foi administrador da peniten- ciaria em 1868 e exerceu a advocacia depois disto até o anno de 1879. Escreveu: - Uma these de direito criminal: O direito de agraciar é ne- cessário para o complemento da justiça social. Bahia, 1868, 33 pags. in-8°. - Theses e dissertação, apresentadas á faculdade de direito do Recife para o concurso que vae ter logar em maio de 1877. Pernambuco, 1877, 21 pags. in-8°-A dissertação é sobre o programma: Os autores dos crimes justificáveis estão sujeitos á reparação do damno da mesma maneira que os considerados não criminosos pelo art. 10 do Codigo criminal? - Theses e dissertação, apresentadas à faculdade de direito do Recife para o concurso que deve ter logar em junho de 1878. Per- nambuco, 1878, 31 pags. in-8°-Versa a dissertação sobre o programma: Para a reforma da Constituição são necessários o voto do senado e a sancção do Imperador ? - Manejos triumviraes e seis mezes de viagem. Bahia, 1872, 169 pags. in-8°- Este livro é dividido em quatro partes, e nelle relata o autor perseguições políticas de que foi victima e, depois, uma viagem terrestre de quatrocentas léguas que foi obrigado a fazer ao Rio de Janeiro, passando por tres províncias. - Geographia poética, por um antigo estudante. Bahia, 1883,59 pags. in-8°-« Quando, ha muitos annos, estudei geographia, percebendo que me era muito mais facil decorar verso do que proza-diz o autor- tive a paciência de metrificar e resumir as partes mais importantes de minhas lições diarias. Assim, tive de escrever este mísero trabalho que a necessidade de aprender me inspirou secretamente e que nunca CE3 101 pensei de publicar.» Depois explica o motivo por que publica a obra. Ha em revistas trabalhos do Dr. Catão, como : - Discurso por occasião de tomar o grào de doutor na academia do Recife-Acha-se na Estrella do Norte, periodico sob os auspícios do bispo do Pará, d. Antonio de Macedo Costa (depois arcebispo da Bahia), tomo 2°, 1864, pags. 363 a 371. - Com o progresso da riqueza qual é a lei do valor dos serviços industriaes e dos serviços dos capitaes ?-No Direito, tomo 20, pags. 209 a 221. Celestino do Nascimento e Silva - Filho de Joaquim Antonio da Silva e de dona Antonia Maria da Conceição, nasceu na província do Rio de Janeiro no anno de 1845. Doutor em medicina pela faculdade desta capital, exerceu a clinica em sua província, dedicando-se logo á homoeopathia - e escreveu : - These apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro e sustentada no dia 29 de novembro de 1858. Rio de Janeiro, 1858, in-4°- Contêm uma dissertação sobre o esporão de centeio e suas preparações mais empregadas na medicina; apreciação philosophica de sua acção em relação ás causas, symptomas, séde e lesões pathologicas das moléstias em que sua applicação é reclamada; precedida de proposições sobre as feridas das artérias, sobre a calorificação animal, e sobre as causas mais frequentes do abôrto. - Manual de medicina veterinária homoepathica por M. W. Tra- duzido do allemão por Sarrasin, e da traducção franceza deste para o portuguez por Celestino do Nascimento e Silva. Rio de Janeiro, 1860, in-12°. - Breves reflexões sobre a homoepathia e minha conversão - Vem na Revista Homceopathica, 1853, p. 52 e segs. Celso da Cunh a Mag^alliães-■ Natural da província, hoje Estado do Maranhão, e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, for- mado pela faculdade do Recife em 1873, applicou-se sempre ás lettras com vantagem. Sinto não poder neste momento dar de tão distincto litterato, sinão : - Versos de Celso da Cunha Magalhães. 1867 a 1870. Rio de Janeiro (?) 1870, 220 pags. in-8°-Contém os poemas: Os Calhambolas e Dom Paes, traducção de A. de Musset e mais vinte e seis poesias diversas4 que, como vê-se pela data, são de bem verdes annos. - Um estudo de temperamento: romance brazileiro - Foi publicado na Revista Brasileira, 3o anno, tomo 9o, pags. 91 a 114, 183 a 193,267 a 102 CE 285, 339 a 364, 445 a 463 e tomo 10°, pags. 81 a 97, 175 a 188, 257 a 273, 345 a 358, 431 a 445, deixando infelizmente de ser concluído por cessar a publicação da Revista. Cezar Augusto Marques - Filho do pharmaceutico Antonio José Marques e de dona Feliciana Maria Marques, nasceu em Caxias, província do Maranhão, a 12 de dezembro de 1826. Matri- culando-se cm 1844 no curso de mathematicas da universidade de Coimbra, foi obrigado a interrompel-o em 1846 por se fechar a univer- sidade com a revolução denominada de Maria da Fonte e, voltando á patria, fez o curso de medicina na faculdade da Bahia, onde recebeu o grão de doutor em 1854. Entrou para o corpo de saude do exercito, da qual, depois de servir algum tempo, pediu e obteve demissão em 1857. Exerceu depois, successivamente, vários cargos no Amazonas, no Piauhy e no Maranhão; mais tarde o de archivista da camara municipal e serve actualmente o de secretario da inspectoria geral de instrucção publica. E' official da ordem da Rosa, commendador da ordem da Conceição de Villa Viçosa e cavalleiro da de Christo, de Portugal; commendador da ordem hespanhola de Isabel a Catholica e da de Carlos III; official da instrucção publica da França; conde- corado com a medalha de Si mão Bolivar o Libertador, da Venezuella ; é socio da academia real das sciencias de Lisboa, do instituto de me- dicina do Rio de Janeiro, do instituto historico-geographico bra- zileiro, instituto litterario maranhense, do atheneu maranhense, do Instituto do historico e geographico Rio-Grandense, do instituto his- tórico e do conservatorio dramatico da Bahia, do instituto archeo- logico pernambucano e do instituto archeologico alagoano. Es- creveu : - Provas da existência do outro mundo, fundadas sobre a natureza, historia, philosophiae religião. Bahia, 1852, 119pags. in-8°. - Conquistas da religião christã por M. V. Robert, traduzidas do francez, Bahia, 1852. - Maria de Kerouase : romance por Julio Sandeau, traducção. Bahia, 1853. - Breve memória sobre o clima o moléstias mais frequentes da pro- víncia do Maranhão. Bahia, 1854, in-4°- E' sua these para o douto- rado . - Breve memória sobre a introducção da vaccina no Maranhão. Ma- ranhão, 1862. -Almának historico de lembranças brazileiras. Io, 2o e 3o anno. Ma- ranhão, 1861, 1862 e 1863, 3 vols. CE 103 - Apontamentos para o Diccionario historico, geographico, topo- graphico e estatístico do Maranhão. Maranhão, 1864-A apresentação desta obra ao instituto historico e geographico brazileiro deu-lhe ingresso nesta associação. - Diccionario historico-geograhico da província do Maranhão. Ma- ranhão, 1870,558 pags. in-fol. de duas col. e mais 50 pags. de fron- tespicio, introducção, memorandum etc. - Este livro deu-lhe diversas condecorações e entrada em diversas associações. - Diccionario historico, geographico e estatístico da provincia do Espirito S into. Rio de Janeiro, 1878, com algurrs mappas. - Biographia de d. Manoel Joaquim da Silveira, arcebispo da Bahia, etc. Maranhão, 1861,36 pags. in-8°. - A meus filhos ou os fructos do bom exemplo: leitura para me- ninos por Prospero Blanchard, traduzida do francez. Maranhão, 1872, 165 pags. in-8° - Ha mais edições, sendo uma de 1878, do Mara- nhão, in-8°. - Aos meus meninos : contos uteis, organizados, compostos, etc. Ma- ranhão, 1872, in-8°. - Discurso que por occasião da collocação da pedra fundamental para o edifício do prédio, onde deve funccionar a escola publica da freguezia de N. S. da Conceição, recitou, etc. Maranhão, 1873, in-8°. - Exposição de Philadelphia. A provincia do Maranhão: breve me- mória, etc. Rio de Janeiro, 1876, 55 pags. in-8.° - Historia das missões dos padres capuchinhos na ilha do Maranhão e suas circumvizinhas em 1611 a 1613 pelo padre Cláudio d'Hab- beville, traduzida e annotada, etc. Maranhão, 1874, 476 pags. in-8°. - Viagem ao norte do Brazil feita nos annos de 1613 a 1614 pelo padre Ivod'Evreux, publicada conforme o exemplar unico, conservado na bibliotheca imperial de Paris, com introducção e notas de Mr. Fer- dinand Denis. Traduzida, etc. Maranhão, 1874, 480 pags. in-8°. - Provincia do Maranhão. Breve noticia. Rio de Janeiro, 1876, 75 pags. in-8° com um mappa dos generos de producção, entrados nos dous exercícios de 1871 a 1873 e outro dos negociantes matriculados da creação do tribunal do commercio, em 1855, até 1874. - Vida e feitos de d. frei Miguel de Bulhões e Souza, 3o bispo do Pará: memória histórica, etc. Rio de Janeiro, 1886, 22 pags. in-8.° - Memória histórica da administração provincial do Maranhão pelo bacharel Flanklin Américo de Menezes Doria, escripta etc. Vem na Re- vista do Instituto historico, tomo 41 ,parte 2a, pags. 5 a 69. Nesta revista notam-se ainda vários trabalhos do Dr. Cezar Marques. 104 CE Cezar ALugnisto Vianna de ILima - Filho do Barão de Jaurú, Cezar Sauvan Vianna de Lima, é doutor em mathematicas, graduado na Allemanha ; offlcial da ordem saxonia de Alberto, o Valo- roso ; cavalleiro da ordem hespanhola de Isabel, a Catholica ; da ordem prussiana da Aguia Vermelha, 4a classe; da ordem da Casa Ernestina de Saxe Coburgo e Gotha ; da ordem portugueza de Christo e da Coroa da Italia. Dedicou-se á carreira diplomática como addido de Ia classe na legação da Gran-Bretanha,e passou em novembro de 1885 a secreta- rio da de Buenos-Aires, sendo pelo governo da republica nomeado ministro e encarregado de negocios no Perú. Escreveu, além de outros trabalhos talvez, de que não posso por agora dar noticia: - Estudo sobre o ensino primário no reino unido da Gran-Bretanha e Irlanda. Rio de Janeiro, 1885, 98 pags. in-8°. Cezar de Rainville - Natural da Allemanha e brazileiro por naturalisação, é formado em mathematicas pela escola polytechnica de Hannover e pela de Carlsruhe. Vindo para o Brazil, exerceu o cargo de inspector geral das obras publicas na provincia do Espirito Santo e foi nomeado depois engenheiro de Ia classe da repartição geral dos telegraphos e chefe do districto de Itabapoana e Caravellas. Foi sob sua direcção que a 19 de fevereiro de 1874 inaugurou-se a estação telegraphica da Victoria, capital do Espirito Santo, para Itapemirim, Campos e Rio de Janeiro. E' membro da associação de engenheiros e architectos de Carlsruhe - e escreveu: - O systema métrico adoptado no império do Brazil, contendo uma ex- posição simplificada e da mais facil comprehensão de tudo que lhe é relativo ; a maneira de calcular com decimaes ; tabellas comparativas de pesos e medidas do Brazil com as dos differentes paizes para uso das repartições publicas, do commercio, das aulas e de todos em geral. Rio de Janeiro, 1866 in-8°. - Vem reproduzido em appendice na 5a edição dos Elementos de arithmetica do conselheiro C. B. Ottoni, assim como na 6a de 1883. - O vinhola brazileiro: novo manual pratico do engenheiro, archi- tecto, do pedreiro, carpinteiro, marceneiro e serralheiro, em que são ensi- nadas as principaes regras de construcção conforme os principies da arte, elucidados por numerosas estampas intercalladas no texto. Rio de Ja- neiro, 1881, in-8°. - Na Collecção de plantas telegraphicas, construidas no império do Brazil pela repartição geral dos telegraphos, ha oito plantas de Ralnville, levantadas de 1876 a 1880, e quatro não redu- zidas, sendo deste numero a. - Carta do sul e centro da provincia doEspirito Santo. CH 105 Cezar do Rego Monteiro - Natural da provincia do Piauhy o bacharel formado em sciencias sociaes e juridicas pela facul- dade do Recife em 1885, escreveu, sendo estudante ainda: - Theoria darwinica. Recife, 1883 - Nunca pude ver este trabalho. Cezario Eugênio Gomes de Araújo - Filho de Francisco Gomes de Araújo e nascido na villa de Cunha, em S. Paulo, no anno de 1806, é formado pela antiga academia medico-cirurgica e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro; cirurgião-môr de divisão reformado do exercito ; commendador da ordem de Christo; cavalleiro da de S. Bento de Aviz, e condecorado com a medalha da campanha do Paraguay. Escreveu: - Hygiene das prisões, precedida de considerações sobre a reforma do systema penitenciário: these inaugural, etc. Rio de Janeiro, 1845, in-4°. - Memória sobre a cidade de Angra dos Reis desde seu primeiro berço até á presente éra de 1849 - Foi publicada em extracto no íris, volume 3o, pags. 30 a 34 e 59 a 64. Cezario Nazianzeno de Azevedo Motta Ma- galhães - Filho do doutor Cezario Nazianzeno de Azevedo Motta Magalhães, nasceu em Porto Feliz, da então provincia de S. Paulo. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, dedicou-se á clinica na dita provincia, a cuja assembléa foi eleito deputado - e es- creveu : - Das condições pathognomonicas da angina do peito, seu diagnostico e tratamento; Entosoarios do homem e dos animaes domésticos em geral, do berne; Nervo pneumogastrico; Hypoemia intertropical : These etc. Rio de Janeiro, 1876, in-4\ - Resposta ao questionário do programma do congresso agricola - Vem no « Congresso agricola: colbcção de documentos. Rio de Ja- neiro, 1878, in-fol. », pags. 36 e segaintes. Representava o autor os lavradores de Porto Feliz e Capivary. - Porto Feliz e as monções para Cuyabá - Vem no Almanak Lit- terario de S. Paulo para 1884, publicado por José Maria Lisboa, pags. 131 a 151. dj.rispin.iano Garcia Roza - Natural dê Sergipe, frequentou a faculdade de medicina da Bahia, mas foi por circumstan- cias particulares obrigado a interromper o respective curso. E' poeta e, entre algumas composições suas, nota-se : - 0 Norte a Eleonora Duse Checci. Bahia, 1885, 16 pags. in-8° - São trespoesias. 106 OIT dxrispiiiiaxio Tavares - E' natural, segundo me in- formam, do Estado do Ceará, engenheiro de minas pela escola de Minas Geraes, onde reside actualmente, e escreveu : - Memória sobre as vantagens da exploração das jazidas de galena argentifera do Abaeté. Rio de Janeiro, 1881, 23 pags. in-4°. - Projecto sobre a exploração do carvão de pedra na bacia do Aras- suahy. Rio de Janeiro, 1881 - Constou-me que o autor tratava de le- vantar capitaes para essa exploração. difistiano Benedieto Ottoni - Filho de Jorge Benedieto Ottoni e de dom Rosalia Benedicta Ottoni, irmão de Eloy e de Thepohilo Benedieto Ottoni, de quem se faz menção neste livro, nasceu na villa do Príncipe, hoje cidade do Serro, da província de Minas Geraes, a 21 de maio de 1811. Com praça de aspirante a guarda-mari- nha, fez o curso académico respectivo, que concluiu em 1830 e, sendo promovido a official, serviu o cargo de professor de geometria em Ouro- Preto até 1833. Vindo então para a côrte, fez na antiga escola militar o curso de engenharia, que concluiu em 1837, sendo antes desta data, em 1834, nomeado lente substituto da de marinha. Nomeado lente ca- thedratico em 1844 e exercendo o magistério até 1855, obteve, não só sua jubilação, mas também reforma no posto, que tinha, de capitão-te- nente da armada. Foi o primeiro director que teve a estrada de ferro D. Pedro II ; delia presidente, a principio por eleição da companhia constructora, depois por designação do governo imperial, e neste cargo continuou, até que a mesma estrada, em 1865, passou a ser propriedade do Estado. Foi deputado á assembléa do Rio de Janeiro em sua pri- meira legislatura, em 1835, deputado por sua província em diversas legislaturas geraes desde 1848, e flnalmente, sendo eleito por duas vezes (por ser annullada a primeira eleição) senador pelo Espirito Santo, foi escolhido pela coròi e temou assento em 1880. Foi sempre notável por suas idéas democraticts, republicanas, desde que no im- pério se organizou o partido republicano. E' professor honorário da academia de bellas-artes, do conselho do ex-imperador, dignitário da ordem do Cruzeiro, official da de S. Leopoldo, da Bélgica e escreveu : - Theoria das machinas a vapoi, acompanhada da descripção de cada parte e da exposição das prindpaes circumstancias e resultados práticos, relativos á sua construcçto, direcção, etc. Rio de Janeiro, 1844, 104 pags. in-8°com duas tabellas e tres estampas. - As machinas a vapor, explicadas familiarmente, com um esboço historico de sua invenção e progressives melhoramentos, suas appli- cações á navegação, etc. pelo reverende Dionysio Lardner ; seguido de CTI 107 addições e notas por James Renwich, traducção feita sobre a terceira edição americana. Rio de Janeiro, 1846, 168 pags. in-8°com4 ests. - Relatórios apresentados á companhia da estrada de ferro D. Pedro II. Rio de Janeiro 1856 a 1865, 20 vols. com diversos mappas e do- cumentos- Relativament e estae á outras vias de communicação accele- rada escreveu o conselheiro Ottoni uma serie de artigos no Jornal do Commercio de 1 a 20 de junho de 1855, analysando o contrato celebrado pela legação imperial para a construeção da dita estrada, assignados por C. O. ; outra serie com sua assignatura, contestando um engenheiro inglez, que aconselhava o emprego de planos inclinados e de machinas fixas para transpor a cordilheira cora a estrada de ferro; e as obras seguintes : - Estrada de ferro D. Pedro II : collecção de aitigos de fundo do Correio Mercantil. Rio de Janeiro, 1857, 48 pags. in-8°. - O estado actual da estrada de ferro D. Pedro II: exame especial, instituído por ordem dos accionistas. Rio de Janeiro, 1859, 51 pags. in-8°. - O senhor major de engenheiros Francisco Primo de Souza Aguiar e a estrada de ferro D. Pedro II: collecção de artigos publicados no Correio Mercantil. Rio de Janeiro, 1860, 61 pags. in-8°. - Discursos proferidos pelo presidente da companhia (da estrada de ferro D. Pedro II ) nodia 16 e resumo das declarações feitas pelo sr. director Fonseca no intervallo dos dous discursos. Rio de Janeiro, 1862, 44 pags. in-8°. - Conta da construeção das treze milhas de bifurcação no ramal de Macacos até o aterro proximo ao maior dos tunneis inclusive. Rio de Janeiro, 1864, 102 pags. in-4°. - Supplemento: Correspondência official depois do relatorio, 45 pags. - Sem declaração do logar e anno da impressão. - Conclusão da correspondência official e mais documentos relativos ã accusação de malversor, movida pelo engenheiro do governo contra a companhia. Rio de Janeiro, 1865, 61 pags. in-4.° - O futuro das estradas de ferro no Brazil. Rio de Janeiro, 1859, 86 pags. in-8° e mais 20 de um Appendice. - Uni brasileiro em Londres, ao sr. capitão João Ernesto Viriato de Medeiros: agradecimento pela delicada offerta, que, ao embarcar no paquete de setembro, dignou-se dirigir a C. B. Ottoni. Rio de Janeiro, 1865, 21 pags. in-8°- E' a contestação de um opusculo que publicara o dito capitão com o titulo : « Estrada de ferro para Minas Geraes. Aos exms. senhores senador Theophilo Ottoni e conselheiro Chris- tiano Benedjcto Ottoni. » 108 CH -• Relatorio do encorporador da companhia mineira. Rio de Janeiro, 1867, 24 pags. in-8°. - Uma visita á estrada de ferro de Cantagallo. Rio de Janeiro, 1873, in-8°. - Relatorio do estudo comparativo dos dous alinhamentos da estrada de ferro da cidade da Cachoeira e Alegrete, na provincia do Rio Grande do Sul, etc., pelos emprezarios Caetano Furquim de Almeida, Christiano Benedicto Ottoni e Herculano Velloso Ferreira Penna. Rio de Janeiro, 1874, 35 pags. in-4°. - Memória justificativa dos planos apresentados ao governo impe- rial para a construcção das estradas de ferro de Porto-Alegre á Uru- guayana pelos concessionários, etc. (os mesmos). Rio de Janeiro, 1875, 267 pags. in-4° com 1 carta e mappas - Sobre outros assumptos es- creveu : - Juizo critico sobre o compendio de geometria adoptado pela aca- demia de marinha do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1845, 32 pags. in-8°. - (Veja-se Francisco Villela Barboza.) - Elementos de arithmetica. Rio de Janeiro, 1852, in-8°. - Segunda edição, Rio de Janeiro, 1855; ha outras, sendo uma de 1866, com um appendice, contendo o « Systema métrico» pelo engenheiro Cezar de Rainville (veja-se este autor), depois da pag. 222 e com numeração especial; a sexta de 1883 ; e ade 1886, que ó a sétima. - Elementos de algebra para os estabelecimentos de instrucção supe- rior e secundaria. Rio de Janeiro, 1852, in-8°.-Segunda edição com additamentos e numerosas correcções, 1856, 208 pags. in-8°. Terceira, 1872. Quinta, 1882, todas no Rio de Janeiro. - Elementos de geometria e trigonometria rectilinea. Rio de Janeiro, 1853, in-8°. - Segunda edição, 1857; Terceira, 1870 ; e sexta, 1883, todas do Rio de Janeiro. Esta obra e as duas precedentes têm sido adoptadas em muitos estabelecimentos de instrucção, quer públicos, quer particulares. - Resposta ás aleivosias do conselheiro Francisco de Paula da Sil- veira Lobo, pelo deputado, etc. Rio de Janeiro, 1868, 32 pags. - Versa sobre questões políticas, trazidas ao parlamento. - Biographia de Theophilo Ottoni. Rio de Janeiro, 1870, 46 pags. in-4° com o retrato do biographado - Sahira antes em vários numeros do Jornal do Commercio de novembro e dezembro de 1869. Por este mesmo jornal deu o autor uma resposta a alguns reparos feitos sobre esta obra. - A emancipação dos escravos : parecer de C. B. Ottoni. Rio de Ja- neiro, 1871, 106 pags. in-80.-Esta publicição foi contestada por outra OH 109 sob o anonymo com o titulo: « Carta aos fazendeiros e commerciantes fluminenses sobre o elemento servil ou refutação ao parecer do Sr. con- selheiro Christiano Benedicto Ottoni sobre o mesmo assumpto, por um conservador. Rio de Janeiro, 1871.» - Questão religiosa. A liberdade de cultos: cartas escriptas do Rio de Janeiro para um jornal de provincia. Rio de Janeiro, 1877, 280 pags. in-4° - São 49 cartas, publicadas antes no Correio Paulistano de maio a dezembro de 1876. - Manifesto á provincia de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1878, 12 pags. in-12. - Emancipação dos escravos: discurso proferido no senado. Rio de Janeiro, 1883, in-12. - Discurso proferido no senado sobre a confederação abolicionista em 9 de junho de 1884. Rio de Janeiro, 1884. - O advento da Republica no Brazil. Rio de Janeiro, 1890 -São quatro as causas do advento da Republica, no parecer do autor: Ia, a abolição do elemento servil; 2a, a evolução da idéa; 3a, as queixas dos offlciaes do exercito ; 4a, o descrédito da monarchia pela politica impe- rial - O Visconde de Ouro-Preto responde a este escripto no seu livro «Advento da Republica brazileira », publicado em Paris, 1891, 233 pags. in-8°. No livro « Congresso Agricola, collecção de documentos», publicado no Rio de Janeiro, 1878, ha um importante discurso do con- selheiro Ottoni sobre melhoramentos da lavoura. diristovão Barreto -■ Reside na Feira de Sant'Anna, Estado da Bahia, d'onde o supponho natural ; applica-se a estudos de anthropologia ; é um polemista de conhecimentos variados e escreveu um livro de - Poesias. Bahia, 18..- Nunca pude ver esse livro, nem sei qual é o verdadeiro titulo delle. Fr. Christovão da Madre de Deus Luz -Filho de Francisco Dias da Cruz e de dona Domingas da Silveira, nasceu na ci- dade do Rio de Janeiro, segundo posso calcular, pelo anno de 1630, e falleceucom bem avançada idade no de 1720. O que não parece, porém, admissível é que seu pae fosse, como diz Barbosa Machado, « um dos alentados capitães que em companhia do general Mendo de Sá expul- saram do Rio de Janeiro aos francezes, colligados com os Tamoyos », porque nem ha noticia de pessoa deste nome entre as pessoas notá- veis que concorreram para a fundação do Rio de Janeiro, nem quando a houvesse, poderia ter sido o progenitor de frei Christovão, por isso 110 Cl que - dando-se a expulsão dos francezes em 1567, e fallecendo o filho de um dos alentados capitães da empreza em 1720, fòra preciso que o filho morresse centenário, o que fosse gerado quando o pae contava cerca de 80 annos. Religioso da ordem seraphica, cujo habito recebeu na província de Santo Antonio do Brazil, foi guardião na dita ordem, definidor e procurador geral, indo neste caracter â Portugal solicitar a orecção da província da Immaculada Conceição, o que effectivamente alcançou a 15 de junho de 1675 por breve de Innocencio X. Foi por duas vezes provincial e visitador da ordem e exerceu por muitos annos o cargo de commissario do santo oflicio no Brazil. Gozou de so- lida reputação, não só poi' sua intelligencia e por sua sabedoria, como por outros dotes de espirito, e escreveu, segundo o testemunho do ci- tado Barbosa Machado, deixando entretanto manuscriptos : - Cuidado contra o tempo. In-4°-Nesta obra dá o autor varias noticias do estado do Brazil desde seu descobrimento, e da província seraphica. Diz Barbosa Machado que este livro se achava sob a guarda do ex-detinidor da referida província frei Salvador da Con- ceição Gaio e que delle extrahiu frei Apollinario da Conceição diversas noticias para sua obra, intitulada « Primazia Seraphica na região da America ». - Cartorio da provinda da Immaculada Conceição do Estado do Brazil - Este livro, escripto por frei Christovão, quando era provincial em 1683, consta de dez capítulos, nos quaes recopilou a origem da mesma província com todos os breves, e mais noticias até á data em que escreveu. Cicero Odon Peregrino da Silva - E' natural de Pernambuco, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, professor de arithmetica no gymnasío pernambucano, pro- fessor particular de linguas e sciencias, socio eflectivo do instituto archeologico e geographico pernambucano e um dos seus fundadores. Foi deputado á assembléa provincial e escreveu: - Compendio do systema métrico e reducção dos pesos e medidas do antigo para o novo systema. Recife, 18..Não vi esta obra. Em fe- vereiro de 1866, oDr. Cícero foi um dos redactores eleitos da - Revista do Instituto archeologico e geographico pernambucano - que começou a ser publicada no Recife em 1863 e ainda continua. (Veja-se Francisco Leopoldino de Gusmão Lobo.) Cicillo Lavra - Natural de Campos ou de S. João da Barra, actual Estado do Rio de Janeiro, falleceu ainda moço uaquella cidade Cl 111 em novembro de 1887. Ahi exercia a profissão de typographo, culti- vando a poesia, e escreveu - Angelina: poesias. Campos, 1883, in-8° - Ha algumas composições suas, anteriormente publicados em avulso, como : -Impressões - São treze oitavas rimadas que vem no Almanak de Campos, de João de Alvarenga, para 1882, pags.343 e segs. Cincinato Américo Lopes - Filho do general José Joaquim Rodrigues Lopes, Barão de Mattoso e da Baroneza de igual titulo, e nascido em Pernambuco a 25 de abril de 1847, é doutorem medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e moço lidalgo da extincta casa imperial. Fez em 1890 uma viagem á Europa e escreveu -Da loucura puerperal; Do infanticídio ; Do cerebro; Lesões orgâni- cas do coração : these, etc. Rio de Janeiro, 1877, 102 pags. in-4°. -A cremação perante a moral, a religião e a sciencia. Rio de Janeiro, 1886 - E' em favor da cremação. -Tratamento do cholera-morbus: relatorio da junta central de hygiene - No livro « Tratamento e prophylaxia do cholera-morbus ». Rio de Janeiro, 1884, in-8°-E' também assignado pelo Dr. Luciano de Mo- raes Sarmento. -Projecto para creação de um serviço permanente para conducção de doentes da cidade do Rio de Janeiro - Está annexo ao relatorio do ministério do império de 1884, e é assignado pelo mesmo Dr. Luciano Cordeiro. 0 Dr. Cincinato assigna também com este seu collega e os DrsJjA. F. Campos da Paz e João Paulo de Carvalho, relator, o - Projecto dos novos alojamentos para as classes pobres do Rio do Janeiro- Idem. Cincinato Viuto <la Silva - Filho do tenente-coronel José Pinto da Silva e de dona Maria Constança Borges da Silva, nasceu em 1835 na cidade da Cachoeira, da Bahia. Doutor em medicina pela faculdade desse Estado, entrou para o corpo de saude da armada, onde pouco tempo serviu, passando a occupar o logar de secretario da dita faculdade. Administrou a província de Sergipe em 1864, e em 1879 a de Alagoas, donde passou á do Maranhão. E' commendador da ordem da Rosa, e escreveu: -Convalescença ; Responsabilidade medica ; Indicações que exigem a operação cezariana : these apresentada, etc. Bahia, 1857, in-4°. - Os homens de cêra: drama em quatro actos. Bahia in-8° - Pa- rece-me que foi reimpresso no Maranhão em 1881. - A vida do poeta bahiano Luiz José Junqueira Freire - Foi publicada 112 CL nos Annaes da Academia philosophica do Rio de Janeiro, 1858, ns. 3, 4 e 5. Ha vários relatórios seus, como: - Falia com que o... presidente da província installou a 2a sessão ordinaria da 22a legislatura provincial das Alagoas em 30 de abril de 1879. Maceió, 1879, in-4°. - Falia com que installou a Ia sessão ordinaria da 23a legislatura provincial das Alagoas em 16 de abril de 1880. Maceió, 1880, in-4°. - Relatorio com que ao... 3° vice-presidente passou a administração da província das Alagoas etc. Maceió, 1880, in-4°. -Falia com que installou a 2a sessão ordinaria da 23a legislatura pro- vincial do Maranhão em 19 de fevereiro de 1881. Maranhão, 1881, in-4°. -Relatorio com que o... presidente da província do Maranhão passou a administração da mesma ao... Io vice-presidente no dia 17 de no- vembro de 1881. Maranhão, 1881, in-80. D. Clarinda <la Costa Siqueira - Nascida a 26 de dezembro de 1818 na cidade do Rio Grande, da então província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, falleceu na cidade de Pelotas a 27 de outubro de 1867, tendo-se casado em 1835 com José da Costa Siqueira. De caridade excessiva, bem que não fosse rica, á viuva, â orphã, á pessoa emfim, que lhe estendesse a mão, nunca negou o auxilio que pudesse prestar. Bastante prendada, ha trabalhada por suas mãos uma vestimenta do Senhor dos Passos da matriz dessa ci- dade, com ricos bordados a ouro, e sanefas, também bordadas a ouro, na igreja de S. Francisco de Paula. De trato ameníssimo, conquistava a estima e sympathias de todos que a communicavam. De intelligencia esclarecida e de genio poético, escreveu grande cópia de poesias lyri- cas, patrióticas e religiosas, de que muitas foram publicadas em revis- tas de sua província, ficando a maior parte inédita. Ultímamente, porém, foi editado um volume com o titulo: -Poesias de D. Clarindada Costa Siqueira. Porto Alegre, 1881, in-8°. - Talvez sejam as mesmas do volume de: -Poesias inéditas que se acham na bibliotheca p elotense, e de que, por obséquio do digno bibliothecario, F. de Paula Pires, possuo a cópia de uma decima glozada pela autora na idade de 16 annos, dando-se- lhe o mote: « As cordas que tocam n'alma Têm horas que desafinam. » Esta decima, que publiquei na Revista Brazileira, tomo 8o, pag. 330, è sua primeira composição poética. CL 113 Claud(vmiro Augusto cie Moraes Caídas - Filho de Firmino Soriano Caídas e de dona Eufrozina Carolina de Moraes Caídas, nasceu na então provincia da Bahia em 1844 e ahi falleceu a 6 de abril de 1883, doutor em medicina pela faculdade da dita pro- vincia, lente cathedratico de hygiene e historia da medicina na mesma faculdade, e professor livre de philosophia, sciencia, por que era apai- xonado. Serviu antes de sua formatura como interno da clinica medica e cirúrgica. Escreveu: - As raças humanas provêm de uma só origem ? Medicação anti- syphilitica ; Feridas por armas de fogo ; Theoria da respiração : these apresentada etc. Bahia, 1868, in-4° gr.-Ao primeiro ponto, sobre o qual o autor disserta, precedem, como introducção, considerações sobre homeme sobre a historia do espirito humano. - Faculdade de medicina da Bahia. Concurso para um logar de oppositor da secção medica. Funcções do figado : these sustentada em fevereiro de 1871. Bahia, 1871, in-4° gr.- E' precedida de considerações anatomico-histológicas sobre o figado. - Memória histórica da faculdade de medicina da Bahia no anno de 1881, apresentada á respectiva congregação em cumprimento do artigo 192 dos estatutos. Rio de Janeiro, 1882. - Ligeiras considerações medicas acerca das principaes theorias syphilographicas- Vem na Gazeta Medica da Bahia, tomo Io, 1866- 1867, ns. 5, 8, 14, 18 e 19. Como este ha diversos trabalhos do mesmo autor em revistas medicas, assim como escriptos, tanto em prosa como em verso, em revistas de lettras. Claudino cie Abreu - E' natural da cidade do Rio de Janeiro e na modesta posição de typographo, empregado, ha muitos annos, nas offlcinas do Jornal do Commercio, se dedica com paixão á litteratura, e escreveu: - A innocencia no crime: conto historico. Rio de Janeiro, 1863, 24 pags. in-4°. - A douda: romance original brazileiro. Rio de Janeiro, 1864 24 pags. in-8°, com um romance para canto e piano. - Irinia .-narrativa nacional. Rio de Janeiro, 1865. - O engeitado feliz: novella brazileira. Rio de Janeiro, 1866, 56 pags. in-8°. - As ruinas do passado : legenda. Rio de Janeiro, 1869, in-8°. - Evangelina ou os companheiros da morte: historieta romantica. Rio de Janeiro, 1870, 37 pags. in-8° - Magdalena : lenda religiosa. Rio de Janeiro, 1870, m-8°. 114 CL - Uma pagina de poeta: reminiscenciaãintimas. Rio de Janeiro, 1873, 38 pags. in-8° com o retrato do autor. - 'Wenceslau ou os tres infantes : phantasia. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - Virgilia ou o amor e a mulher: poema do coração. Rio de Janeiro, 1877, in-16. - Flores sem perfume: leitura ephemera. Rio de Janeiro, 1882, 47 pag. in-16 - Sahiram nas Folhinhas de Laemmert para 1883. - Pétalas dispersas: leitura momentânea. Rio de Janeiro, in-8°. - Zina ou os transviados da ventura: romance intimo. Rio de Janeiro, 1884, 115 pags. in-8°. - Virgílio ou o amor e a vaidade, poema de dores-inédito. - As flores de minha carteira : escriptos litterarios - idem. - Escrínio intellectual: album de maximas e pensamentos - idem. Claudino dos Santos - Natural de Pernambuco, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade do Recife 1886, ainda estudante da mesma faculdade, escreveu. - Estatuetas: poesias. Recife, 1883. - Ebullições: poesias de Fernando de Castro e Claudino dos Santos. Recife, 1884. D. Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, bispo do Rio Grande do Sul - Filho do bacharel Domingos José Gonçalves Ponce de Leão e de dona Gertrudes Gonçalves de Araújo Ponce de Leão, e nascido na cidade da Bahia, seguiu o estado ecclesiastico, professando na congregação das Missões de S. Vicente de Paulo; exerceu seu ministério em diversos pontos do Brazil, principal- mente no Ceará e Rio de Janeiro, e sendo vice-reitor do seminário de S. José, foi apresentado bispo de Goyaz a 7 de janeiro de 1881. Neste mesmo anno, a 30 de setembro, fez sua entrada solemne na diocese, de que acaba de ser transferido para a do Rio Grande do Sul. Foi um dos poucos bispos brazileiros que têm alcançado reunir um synodo em sua diocese. Escreveu: - Carta pastoral, saudando seus diocesanos e dirigindo-lhes algumas exhortações. Rio de Janeiro, 1881 - Ha muitas outras, pastoraes deste bispo, de que só conheço: - Carta pastoral annunciando e convocando o synodo diocesano. Goyaz, 1887, 20 pags. in-8°. - Pastoral publicando e mandando observar as decisões do synodo reunido em sua diocese. Goyaz, 1887 - E' datada de 27 de setembro. CL 115 - Carta paztoral aconselhando respeito e obediência ao governo con- stituído e firmeza na união catholica - E' datada de 5 de julho de 1890 e vem reproduzida no Apostolo de 8 e no Brazil de 10 de agosto deste anno. - Pastoral saudando ao clero e aos fieis da diocese do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro, 1890-Foi reimpressa no Brazil de 14 de setembro, dia immediato ao da partida do prelado para sua nova diocese. Cláudio Luiz da Costa - Filhodo sargento-mór João Luiz Ignacão da Costa o do dona Maria Joaquiaa de Bittencourt, nasceu na cidade do Desterro, capital de Santa Catharina, a 26 de setembro de 1798 e falleceu no Rio de Janeiro a 27 de maio de 1869 com o titulo de conselho do imperador, offlcial da ordem do Cruzeiro, cavalleiro da de Christo, condecorado com a medalha da campanha da independenciá, socio do instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade de medicina, depois academia imperial de medicina, etc. Cirurgião pela antiga escola medico-cirurgica da corte, recebeu depois o grão de doutor em medicina em 1849. Apenas, porém, com o primeiro titulo passou-se para a provincia da Bahia ; estabeleceu-se na villa de S. Francisco ; prestou relevantes serviços na guerra da independenciá e como cirurgião-mór de batalhão, veiu para o Rio de Janeiro, foi aqui transferido no mesmo posto para o de policia em 1826, e reformado em 1839, a seu padido. Residiu depois disto em Santos, provincia de S. Paulo, onde por seus serviços clinicos foi collocado o seu retrato no consistorio da igreja da Misericórdia, e finalmente foi director do instituto dos cegos por decreto de 15 de outubro de 1856, por morte do primeiro director, o Dr. Sigaud. Escreveu: - Causas da infecção da atmosphera da côrte: relatorio da commissão de salubridade da sociedade de medicina do Rio de Janeiro, appro- vado, etc. Rio de Janeiro, 1832, 37 pags. in-4° - Assignam também este relatorio Agostinho Thomaz de Aquino e José Martins da Cruz Jobim. - Memória helmintologica, suscitada pela observação da expulsão de uma tenia cucurbitina, promovida pelo tratamento anti-irritativo, etc. -Acha-se na Revista Medica Fluminense, tomo 3o, 1837, pags. 265 a 276 e 305 a 319. - Proposições sobre therapeutica: these apresentada ã faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1849, in-4°. - Noticia sobre os lazaretos estabelecidos na vill? de Itapetininga, provincia de S. Paulo, por Pedro Etechén, para cura dos morpheticos - Nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 7o, 1851-1852, pags. 244, 264 e seguintes. 116 CL - Memória descriptiva dos attentados da facção demagógica da pro- víncia da Bahia, contendo a narração circumstanciada da rebellião de 25 de outubro de 1824 e mais factos relativos até o dia do embarque para Pernambuco do 3o batalhão de linha, denominado dos Periquitos, e as relações ofilciaes da tropa reunida fóra da cidade por causa da dita rebellião-Na Revista do Instituto, tomo 30°, 1867, parte Ia, pags. 233 a 355. - Historia chronologica do imperial instituto dos meninos cegos - Mans. de 241 fls., inédito, na bibliotheca do Instituto historico. - Memória histórica sobre a conquista da Guyana Franceza, feita pelas forças enviadas do Pará no anno de 1809 - Idem de 37 fls. idem. - Apontamentos concernentes aos erros e omissões que escaparam ao coronel Ignacio Accioli nas suas Memórias históricas da província da Bahia - Na mesma bibliotheca. Estes manuscriptos foram encontrados entre os papeis do Dr. Cláudio e offerecidos ao Instituto pelo conego Dr. J. C. Fernandes Pinheiro. Cláudio Manuel da Costa - Filho de João Gonçalves da Costa e de dona Thereza Ribeiro de Alvarenga e uma das victi- mas da conjuração mineira de Tiradentes, nasceu na villa do Carmo, depois cidade de Marianna, em Minas Geraes, a 6 de junho de 1729 e não como escreveu o abbade Barbosa Machado, de 1703, e falleceu a 3 de julho de 1789 com 60 annos de idade e não octogenário como, sem du- vida guiado pelo mesmo abbade, disse o Dr. J. Gonçalves de Magalhães. Bacharel em direito pela universidade de Coimbra, formado em 1753, regressou á patria em 1765, depois de viajar por diversos paizes da Europa e, estabelecendo-se como advogado em Minas, adquiriu pelo seu saber e probidade uma reputação tal, que os governadores o con- sultavam muitas vezes e foi nomeado segundo secretario de estado em 1780 pelo governador Rodrigo José de Menezes ; mas deixando este cargo quando Rodrigo foi substituído na administração da capitania, tornou á profissão de advogado, donde foi pouco depois arrastado e preso como um dos chefes da conjuração. Encontrado morto na prisão, e exami- nado seu cadaver, foi declarada a morte como resultado de suicídio por estrangulação, havendo entretanto quem suspeitasse que fôra elle assassinado. Mas é natural que, sendo preso quando se achava num leito de dores com uma affecção rheumatica, privado do preciso tra- tamento e de tudo, no meio de assassinos e de salteadores, e aterrado pela rigorosa devassa já iniciada, e pelos interrogatórios a que teve de sujeitar-se, o desanimo ou o desespero o levassem ao suicídio. E nem assim escapou ao famigerado accordão de 18 de abril de 1792 que de' 117 clara «infame a sua memória, infames seus filhos e netos (!!) e seus bens confiscados para o fisco e camara real ». Foi socio da aca- demia brazilica dos renascidos, da arcadia ultramarina e um dos mais distinctos poetas do Brazil, não só na opinião dos seus patrícios, mas na de estrangeiros illustres como Sismondi e F. Denis. Além destes e de outros, trataram de Cláudio Manuel o Dr. Teixeira de Mello no seu juizo critico; Innocencio da Silva que o colloca na escola italiana, < ainda que no seu estylo apparecem ainda ás vezes resaibos de gon- gorismo» ; o Dr. J. M. da Costa e Silva que o classifica na escola hes- panhola ; o conego J. C. Fernandes Pinheiro e o Dr. J. Manuel de Ma- cedo que considera-o no soneto emulo de Bocage, de Petrarca e dos melhores poetas castelhanos, igual aos mais abalisados mestres nas cantatas, sublime nas éclogas e nas odes, e ainda mais nas lyras e can- tatas, porque « além da musica que enfeitiça pelo metro, ha a idéa, as imagens e, emfim, o sentimento que arrebatam e commovem». Escreveu : - Manusculo métrico. Romance heroico, consagrado ao illustrissimo e reverendíssimo Sr. d. Francisco da Annunciação, segunda vez con- firmada na dignidade de reitor da universidade de Coimbra. Coimbra, 1751, in-4°. - Numeros harmónicos, temperados em heroica e lyrica conso- nância : (poesias diversas) Coimbra, 1753, in-8°. -Epicedio consagrado á memória do reverendíssimo Sr. fr. Gas- par da Encarnação, reformador dos conegos regulares de Santo Agos- tinho da congregação de Santa Cruz de Coimbra. Coimbra, 1753, in-8°. - Labyrintho de amor: poema. Coimbra, 1753, in-8°. - Obras, de Cláudio Manuel da Costa, na Arcadia Glauceste Saturnio. Coimbra, 1768, 346 pags. in-8° - Comprehende este livro romances, sonetos, epicedios, éclogas, epistolas e outras composições com exclusão das impressas quando o autor se achava em Coimbra. O litterato portuguez Pinheiro Chagas, notando na historia deste ame- níssimo poeta os mais estreitos pontos de contacto e de semelhança com a do ameno e mavioso Thomaz Gonzaga, no seu livro Portuguezes il- lustres assim se exprime : « Singular destino ligou dous dos mais notá- veis poetas com que o Brazil enriqueceu a litteratura portugueza, Cláudio Manuel da Costa e Thomaz Antonio Gonzaga. Ambos lyricos de pri- meira ordem, ambos tendo no estylo uns leves toques de saudosa me- lancolia, no espirito uma elevação philosophica de pensamento, que transparecem nas composições que lhes são dictadas pelo coração; ambos adorando o esmero da fórma, e cuidando a melodia do verso; ambos sacrificando nos altares da musa frivola, um com as suas ana- 118 CL creonticas, outro com as suas canções ; ambos inscrevendo um nome só na dedicatória dos seus amorosos poemas, Gonzaga o de Marilia, Costa o de Nise ; ambos seguindo a carreira das leis ; ambos emfim implicados na prenjatura tentativa de revolução, que em 1788 quiz fazer da ca- pitania de Minas Geraes uma republica, e chamar o Brazil á indepen- dência. Só na morte se separaram, porque Gonzaga arrastou no exilio uns últimos annos de vida fatigada e desalumiada da luz da intelli- gencia; e Cláudio Manuel da Costa suicidou-se no cárcere, não se achando com animo de supportar os transes do processo, e talvez o martyrio affrontoso.» Quem ler porém a collecção dos escriptos do cantor de Nise, verá que não ha neste ponto a completa semilhança delle com o cantor de Marijia. Algumas vezes se inspira todo de patriotismo, como na fabula do ribeirão do Carmo, a qual no parecer de Fernandes Pinheiro marca o segundo periodo embryonario de nossa litteratura ; mas muitas vezes procura imitar os grandes poetas da Italia, principal- mente Metastario, Petrarca e Guarini, chegando a escrever cantatas em italiano. Cláudio Manuel deixou varias obras, de que algumas se publicaram depois, a saber : - Villa Rica, poema offerecido ao illustrissimo e excellentissimo Sr« José Anastacio Freire de Andrade, Conde de Bobadella, etc. Ouro Preto, 1839, in-4° - dando-se no fim a data de 1841 depois de um soneto de José Maria Francisco de Assis. Este poema tem por assumpto a fun- dação de Villa Rica, depois Ouro Preto, e foi dado à estampa á expensas dq conselheiro José Pedro Dias de Carvalho. A bibliotheca nacional possue delle duas cópias; a fluminense tem uma e o Instituto historico o original de 96 fls. Foi escripto em 1773 e alguns de seus cantos já haviaip sido publicados num jornal do Rio de Janeiro. - Cartas chilenas. Rio de Janeiro, 1845,88 pags. in-8°-Constitue esta publicação o n. 8o da bibliotheca brazilica ou collecção de obras originaes ou traduzidas de autores celebres. Só sahiram 7 cartas. Ha segunda edição com o titulo : - Cartas chilenas em que o poeta Critillo conta a Dorothêo os factos de Fanfarrão Minezio, governador do Chile, etc., com uma introducção por Luiz Francisco da Veiga. Rio de Janeiro, 1863 - Estas cartas são em verso em estylo joco-serio e mordaz. Ainda ha duvidas a respeito de seu verdadeiro autor. Uns com Francisco das Chagas Ribeiro que assevera ter motivos para o certificar, afflrmam serem ellas de Thomaz Antonio Gonzaga; outros com os quaes esteve à principio o Visconde de Porto Seguro, as attribuem a Ignacio J. de Alvarenga Peixoto; outros, á que se reunira mais tarde o mesmo Visconde, têm boas razões para acreditar que são de Cláudio Manuel. Inclino-me a esta opinião CL 119 pela semelhança do estylo, do phraseado, da textura metriea que se observa nos poemas deste autor. Esta edição é completa ; contém treze cartas. - Memória histórica egeographica da descoberta das Minas, extra- hida dos manuscriptos de Carlos Manuel da Costa, secretario do governador daquella capitania, que consultou muitos documentos au- thenticos, existentes na secretaria do governo, e em outros archivos - Vem no Potriota, tomo Io, 1813, n. 4, pags. 40 a 68, e depois no Correio Brasiliense, tomo Io, 1819. Destes manuscriptos muitos ficaram inéditos, como uma traducção do - Compendio da origem das riquezas das nações por Adão Smith, commentado, etc.- Consta que è o primeiro trabalho sobre economia politica, de penna brazileira. Esta obra foi depois traduzida pelo Barão de Cayrú (veja-se Bento da Silva Lisboa). - Epicedio ou lagrimas saudosas que derramaram as capitanias de Minas e Rio de Janeiro na lamentável morte do illustrissimo e ex- cellentissimo senhor Gomes Freire de Andrade, etc.- Não me consta que se publicasse; o manuscripto foi offerecido em 1876 pelo Dr. J. M. de Macedo ao Instituto historico, que também possue de Cláudio Manuel, manuscripta: - Noticia da capitania de Minas Geraes, 79 fls.- Reproduzidas depois de sua morte em revistas e collecções ha ainda: - Saudação ã arcadia ultramarina - No Musaico poético de Emilio Adet e J. Norberto de S. S. Rio de Janeiro, 1844. - Tres odes - Na collecção de poesias inéditas dos melhores autores portuguezes. Lisboa, tomo Io, 1809, pag. 90 e tomo 2o, 1811, pags. 3 e 74. - Doze sonetos ; Tres cantatas ; A lyra ; A vida do campo ; Pali- nodia ; Adeuses ; Resposta ; Desprezo - No Parnaso brazileiro de J. M. Pereira da Silva. Rio de Janeiro, 1843, tomo Io. Adeuses é uma canção de 135 versos de metro variado; Resposta a uma canção de outros tantos versos iguaes, terminando cada um na mesma palavra de cada verso correspondente da precedente. Por occasião, finalmente, da commemoração do centenário de Cláudio Manuel da Costa pelo Instituto historico foram escolhidas por alguns socios, conforme o programma, para serem lidas na respectiva sessão solemne e acham-se na Revista do mesmo instituto, tomo 53, parte Ia, pags. 59 a 114, as seguintes poesias : 44 sonetos, sendo quatro em italiano; o Epicedio ámemória de fr. Gaspar da Encarnação; a Sau- dação á arcadia ultramarina ; a Ode ao sepulchro de Carlos Magno; e mais onze composições diversas, sendo tres em italiano. 120 CL Cláudio Vellxo da Motta Maia, Conde de Motta Maia - Filho de Manuel Domingos da Motta Maia e de dona Maria Isabel Velho da Motta e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 14 de abril de 1845, foi o medico particular do Imperador d. Pedro II, e que acompanhou-o à Europa em seu exilio e banimento, sendo doutor em medicina pela faculdade dessa cidade; lente de anatomia topographica, operaçõese apparelhos da dita faculdade; lente de anatomia e physio- logia da academia de bellas-artes, moço tidalgo da extincta casa imperial; facultativo da santa casa da Misericórdia; membro do Instituto historico e geographico brazileiro ; commendador da ordem de Christo do Brazil e da de Portugal; commendador da ordem belga de Leopoldo. Foi antes á Europa duas vezes: primeiramente em commissão da faculdade de medicina em 1876, e depois com o mesmo Imperador por occasião da grave moléstia, que obrigou este príncipe a ausentar-se do império em 1887. Escreveu: - Ovariotomia; Febre intermittente biliosa dos paizes inter-tropicaes; Morte real e morte apparente ; Anesthesia cirúrgica: these apresen- tada, etc.- Rio de Janeiro, 1866, in-8° gr. com est.- Acha-se ainda em seguida, neste livro, o discurso que o autor pronunciou, como orador ad hoct no acto do doutoramento em resposta ao do conselheiro Dr. J. M. da Cruz Jobim. - Tratamento cirúrgico do estrangulamento intestinal interno : these apresentada, etc. para o concurso á um logar de oppositor da secção cirúrgica. Rio de Janeiro, 1871, in-4° gr. - Breves apontamentos para o estudo do ensino medico em Paris: primeiro relatorio semestral, apresentado á faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Paris, 1876, 164 pags. in-4°. - Contribuição para o estudo dos progressos da histologia na França: segundo relatorio semestral, etc. Vienna, 1877, in-4°. - Estudo sobre o ensino medico na Áustria e Allemanha: terceiro relatorio etc. Rio de Janeiro, 1877, 316 pags. in-4°. - Note sur la estructure et la signification morphologique des glandes estomacales de la cistule d'Europe. Paris, 1876 - Este tra- balho foi escripto no laboratorio da histologia do collegio de França, em collaboração com o Dr. J. Renaut e foi inserto depois nos « Archives de physiologie normale et pathologique » publicados pelos Drs. Brown Sequard, Charcot e Vulpian, serie 2a, 1877, pags. 67 e segs. com 1 est. colorida. - Memória histórica da faculdade de medicinado Rio de Janeiro, relativa ao anuo lectivo de 1878. Rio do Janeiro, 1879. - Revista do Atheneo Medico - (Veja-se Cândido Barata Ribeiro.) CL 121 Clemente Alvares de Oliveira Mendes - Filho do Doutor Luiz Antonio de Oliveira Mendes, de quem occupar-me-hei opportunamente, nasceu na Bahia nos últimos annos do século XVIII e falleceu depois de 1855 em Lisboa, onde foi o primeiro cônsul do Brazil depois de acclamada a independencia. Era bacharel em direito pela universidade de Coimbra, membro do Instituto historico e geographico brazileiro, e exerceu naquella cidade a advocacia com muito boa reputação. Escreveu : - Memória offerecida aos agricultores e negociantes de assucar do império do Brazil, em a qual, expondo-se a damnificação que expe- rimenta o assucar exportado nos portos da Europa e principalmente no de Londres, se lembram algumas medidas e cautelas, cujo emprego parece ser acertado a evitar tão grande mal. Londres, 1831, 1G pags. in-80.- E' escripta com Manuel Corrêa de Araújo Júnior. - Memorando em que se consigna uma noticia fidedigna e na maxima parte documentada : Io, de quanto se passou no congresso reunido em Lisboa acerca da independencia e separação do Brazil, com especialidade depois que em agosto de 1822 se soube que o sr. d. Pedro, então príncipe real e regente do Brazil, tinha convocado côrtes geraes e constituintes para se reunirem no Rio de Janeiro; 2o, do que durante a lucta da independencia teve logar, também em Lisboa, relativamente aos brazileiros, quer residentes em Portugal, quer mandados presos das diversas províncias brazileiras por quererem a independencia ; 3o, de muitos dos factos occorridos em Lisboa re- lativamente á independencia desde a dissolução do congresso em 1823 até o reconhecimento da independencia em 1825 ; 4o, da recepção do primeiro agente do Brazil como nação livre e independente pelo governo portuguez - O original de 154 fls. in-fol. pertencia ao ex- Imperador. E' datado de 10 de março de 1854. Clemente Falcão cie Souza-Filho do Doutor Clemente Falcão de Souza, nasceu na cidade de S. Paulo a 18 de outubro de 1834 e falleceu a 4 de abril de 1887, doutor em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade da mesma cidade, leute cathedratico da Ia cadeira do quarto anno da mesma faculdade, e commendador da ordem da Rosa. De rara intelligencia e actividade, o doutor Falcão achou-se á frente de diversos melhoramentos introduzidos em S. Paulo, como sejam a viação ferrea de Jundiahy á Campinas, e a do norte ao Rio de Janeiro ; e sendo venerável da loja maçónica Amizade, esta brindou-o com uma rica medalha de ouro, em que se leem as seguintes inscripções: « A loja Amizade ao seu venerável. Tributo ao mérito e ao trabalho.» 122 CL Escreveu durante sua vida escolástica em varias revistas académicas e, depois, folhetins, variedades e artigos de interesse á industria e á lavoura no Correio Paulistano - e : - Theses e dissertação para o doutorado em direito. S. Paulo, 1857, in-4° - A dissertação tem por titulo : Exposição da theoria das obri- gações individuaes segundo o direito romano. - Theses e dissertação para o concurso que deve ter logar em 1859. S. Paulo, 1859, in-4° - Ponto da dissertação : Por direito pátrio basta o simples pacto para transferencia do dominio ? - Theses e dissertação, apresentadas à faculdade de direito de S. Paulo para o concurso que deve ter logar em abril de 1860. S. Paulo, 1860, 27 pags. in-4° - Ponto de dissertação : A disposição do artigo 9o, § 2o, do Codigo penal é sustentável nos paizes que admittem uma religião nacional ? - Memória histórica académica, apresentada na primeira sessão do anno de 1861 ã faculdade de direito de S. Paulo na fôrma do art. 164 dos Estatutos. Rio de Janeiro, 1861, in-fol. - Cr cação de universidade. Reforma das faculdades de direito, (pa- recer). S. Paulo, 1874, in-8°. - Companhia da estrada de ferro S. Paulo e Rio de Janeiro. Futuro da empreza. Rio de Janeiro, 1874, in-8°. - Discurso da defesa do estudante do 2° anno da faculdade de direito de S. Paulo, Leocadio Leopoldino da Fonseca e Silva, proferido perante o tribunal do jury a 31 de outubro de 1879 - Vem no volume « O processo de Leocadio Leopoldino da Fonseca e Silva, etc.» pags. 25 a 62. Este discurso, proferido no duplo caracter de patrono e mestre, foi muitas vezes interrompido pelos applausos e palmas. Ha, como este, outros trabalhos de advocacia, bem como producções litterarias inéditas e muito apreciadas por seus amigos que as conhecem, e de que citarei: - O mendigo de S. Paulo: drama -• representado com applausos nos theatros da provincia. - Coração e dinheiro .• drama - idem. - O libertino: drama - idem. Clemente Ferreira ou Clemente Miguel da Cunha Ferreira - Filho de José da Cunha Ferreira e na- tural de Rezende, provincia do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade da actual capital federal, chefe de clinica na polyclinica geral, e membro correspondente da sociedade medico-pratica de Paris. Clinicou alguns annos, depois de formado, na cidade de seu nascimento, onde exerceu o cargo de vaccinador - e escreveu: CL 123 - Phthisica pulmonar; Valor da dyalise de Graham nas investigações toxicologicas; Scleroma dos recem-nascidos; Casamentos sob o ponto de vista hygienico : these apresentada à faculdade, etc. Rio de Janeiro, 1880, 470 pags. in-4° - Como these inaugural é um trabalho do maior folego que se encontra. - Discurso pronunciado no acto da collação do grào dos doutorandos de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 16 pags. in-8°. - Ligeiros ensaios de therapeutica geral: apontamentos para servirem de contribuição ao estudo da classificação dos purgativos. Rezende, 1883, 16 pags. in-4°. - Breves apontamentos sobre climatologia brazileira: contribuições para o estudo do valor prophylactico do clima dos Campos do Jordão. Rezende, 1883, 48 pags. in-4° - Foram antes publicados na Gazeta Medica Brazileira, pags. 75, 83, 126, 207, 258, 298 e segs. - Fragmentos de clinica therapeutica. Rio de Janeiro, 1884, 95 pags. in-8°. - Do emprego da strycnina no alcoolismo - Na Unido Medica, 1884, pags. 159 e segs. - Do valor clinico do bacyllus phimatogenico no diagnostico e tra- tamento da tuberculose pulmonar- Idem, 1884, pags. 288 a 296. - Contribution à l'étude clinique des applications therapeutiques de l'antipyrine. Rio de Janeiro, 1885, in-8n. - Etude surla coqueluche. Paris, 1887, 170 pags. in-8°. - Clinica de temperamentos nas moléstias infantis : prova elaborada dentro de tres horas no concurso de adjunto á cadeira de clinica de crianças, etc. Rio de Janeiro, 1887,in-8°. - Delia nefrite parenchimale nell' infanzia e delia sua cura. Rio de Janeiro (?) 1888 - E' um trabalho extrahido do Archivo de patho- logia infantil, daltalia. Ha ainda vários artigos deste autor, publi- cados no Bulletin General de Therapeutique, na Revue Mensuelle des maladies de 1'enfance e na Union Medi cale, revistas de Paris, etc. Clemente Ferrei ra França, Marque? de Nazaroth - Filho de Joaquim Ferreira França e de dona Anna Ignacia de Jesus França e irmão do doutor Antonio Ferreira França Io, nasceu na Bahia em 1774 e falleceu no Rio de Janeiro a 11 de março de 1827. Doutor em direito pela universidade de Coimbra, foi deputado á con- stituinte brazileira, logo ministro da justiça e senador em 1826, Occupava essa pasta no gabinete de 15 de janeiro de 1827, quando o arrebatou a morte, merecendo na moléstia, que a precedera, ser por varias vezes visitado pelo Imperador, que já o tinha distinguido com 124 CL o titulo de Visconde e depois de Marquez, e com a dignitaria da ordem do Cruzeiro. Fez parte do conselho de estado convocado pelo Imperador quando chamado a occupar o throno de Portugal por occasião da morte de d. João VI, e aconselhou-lhe a abdicação que realizou-se na princezado Gram-Pará. Foi também membro do conselho de estado, que elaborou a constituição politica do império, sendo de sua penna a maxima parte do - Projecto de constituição para o império do Brazil, organizado no conselho de estado sobre as bases apresentadas por S. M. I. O Sr. D. Pedro I, Imperador constitucional e perpetuo defénsor do Brazil. Rio de Janeiro, 1823, 46 pags. in-4° - Com Clemente França fizeram parte do conselho João Severiano Maciel da Costa, José Joaquim Carneiro de Campos, João Gomes da Silveira Mendonça, Francisco Villela Barbosa, Antonio Luiz Pereira da Cunha, Manuel Jacintho Nogueira da Gama, Mariano José Pereira da Fonseca, Barão de Santo Amaro e Luiz José de Carvalho e Mello. A bibliotheca nacional possue o original com as assignaturas autographas, datado de 11 de dezembro de 1823 e são innumeras as edições deste projecto que è o que foi adoptado e muito diverso do que foi elaborado por Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado (veja-se este nome) e por outros em commissão ad hoc da constituinte - Além de seus discursos só conheço de Clemente França: - Conta, que a S. M. o Imperador dá o ministro dos negocios da justiça do tempo de sua administração. Rio de Janeiro, 1826, in-4°. Clemente d.e Lemos de Azeredo Coutinlio e Mello - Irmão de d. Francisco de Lemos de Faria Pereira Cou- tinho, João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho e Ignacio de Andrade Souto-Maior Rondon, dos quaes occupar-me-hei, e filho do capitão- mór Manuel Pereira Ramos de Lemos e Faria e de dona Helena de An- drade Souto-Maior, nasceu em Santo Antonio de Jacutinga, Rio de Ja- neiro, a 31 de outubro de 1731 e falleceu em Lisboa a 13 de fevereiro de 1774. Doutor em leis pela universidade de Coimbra, abraçou a car- reira militar como capitão de dragões com a condição de ir formar uma companhia no Piauhy, e tão relevantes serviços prestou com sacrifício de sua saude e de sua fortuna, que ao voltar á eôrte foi elevado a co- ronel e nomeado governador da capitania do Maranhão a 25 de janeiro de 1774, commissão que não desempenhou por fallecer poucos dias depois. No regresso ácôrte offereceu ao rei d. José : - Noticias sobre a topographia dos paizes percorridos desde o Piauhy até á Bahia quando atravessara estes sertões acompanhando o Conde CL 125 de Azambuja; marcando essa viagem por serras, rios e valles com as principaes circumstancias observadas e que deveriam servir depois aos que fossem encarregados de abrir uma estrada real por onde se com- municassem essas províncias do norte - Este trabalho foi considerado de magno interesse e deve existir no archivo da secretaria dos negó- cios do reino, pois não me consta que fossem dados â luz. Clementino José Pereira Guimarães, Barão de Manáos - E' natural da provincia do Pará ; foi gerente da companhia do Amazonas ; esteve algum tempo em Londres, e escreveu : - 0 Amazonas, seu commercio e navegação. Manáos, 1877,81 pags. in- 8o - Nesta obra usa o autor do pseudonymo de Ajuricaba. - A' Camara dos senhores deputados offerece os artigos de que se compõe este folheto Clementino José Pereira Guimarães. Manáos, 1877, 46pags. in-4° - São artigos sobre política da localidade. Clementino Plácido d.e MiraadLa Machado - Natural da provincia do Maranhão, fez o curso da academia de mari- nha, e falleceu em 1852 ou 1853, sendo primeiro tenente da armada. Escreveu : - Manual do artilheiro de marinha. Rio de Janeiro, 1852, 59 pags. in-8°, com varias figuras - E' offerecido ao chefe de divisão Pedro Ferreira de Oliveira. Climaco Anuanias Barbosa de Oliveira, ou sim- plesmente Climaco Barbosa - E' natural da cidade de S. Salvador, ca- pital da Bahia, e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro. Serviu como pensionista, antes de receber o gráo, no hospital da Mise- ricórdia desta cidade, e como adjunto no hospital de caridade de Petro- polis ; clinicou depois na provincia do Rio de Janeiro e na do Espirito Santo, onde foi eleito deputado provincial, e actualmente reside em S. Paulo. Escreveu : - Do aborto provocado; Angina diaphoretica e o melhor methodo de a curar ; Infanticídio por omissão: these etc., Rio de Janeiro, 1862, in-4° - A' dissertação do primeiro ponto acompanha o desenho de um pel- vimetro inventado pelo Dr. Climaco. - Albuminúria e quaes as condições pathologicas que a determinam ; Da angina diaphoretica e de seu melhor methodo curativo ; Da prenhez composta; Estudo chimico pharmacologico do acido prussico : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1864, in-4°. - Tristes e intimas: poesias. Paris, 1863, in-8°. 126 CL - Companhias agrícolas: considerações para attender. S. Paulo, 1879, 39 pags. in-4». - Exposição medica. De que falleceu o Dr. Francisco Quirino dos Santos ? artigos publicados no Diário Mercantil em homenagem ao seu talento medico, colleccionados por alguns amigos seus. S. Paulo, 1886, in-8° - E' uma demonstração de que os médicos que assistiram o Dr. Querino não acertaram no diagnostico e tratamento da moléstia, como já o autor, numa conferencia, havia afflrmado. Climerio Cardoso de Oliveira - Filho de Rodolpho Cardoso de Oliveira e de dona Maria Virgínia de Mattos Oliveira, nas- ceu em 1854 na Bahia. Doutor em medicina pela faculdade de sua pro- víncia, e professor da cadeira de clinica obstétrica, antes de formar-se serviu como interno de medicina e de cirurgia da mesma faculdade. Deu-se com dedicação ao cultivo das lettras, já escrevendo, já fazendo parte de associações como o Instituto académico. Foi também um dos fundadores da sociedade de beneficencia académica e seu orador, e escreveu : - Eclampsia ; Valor dos extractos pharmaceuticos ; Circulação ca- pillar ; Das feridas em geral e seu curativo : these apresentada, etc. Bahia, 1877, 162 pags. in-4°. - Estudo generico da bossa sero-sanguinea e deformação parietal, manifestadas no feto, e suas relações com a entocia : these de con- curso á cadeira de clinica obstétrica e gynecologia. Bahia, 1885, 133 pags. in-4°. - Instituto académico ; orgão da sociedade instituto académico, dedi- cado â medicina e á litteratura. Bahia, 1873-1874, de 3 cols. in-fol. - Ha nesta revista, em cuja redacção teve por companheiros Ro- mualdo A. de Seixas Filho, F. de Castro Rebello, Guilherme P. Rebello e J. C. Balthazar da Silveira, diversos artigos seus, quer em prosa, quer em verso. - O Incentivo : periodico da faculdade de medicinada Bahia. Scien- cias e lettras. Redactorese proprietários Romualdo A. de Seixas Filho e Climerio C. de Oliveira. Bahia, 1874-1875, de 2 cols. in-fol.- Sahia em folhetos mensaes. (Veja-se Romualdo Antonio de Seixas 3o.) Clodovên Pereira Ttebello - Filho de João Pereira Rebello e de dona Maria Rosa de Menezes Rebello, nascido na Bahia e, ha muitos annos, fallecido, foi professor da instrucção primaria e es- creveu : - Grammatica elementar da lingua portugueza, Bahia.». co 127 Clovis Bevilaqua - Filho de José Bevilaqua, nasceu em Villa Viçosa, província do Ceará, no anno de 1861. Bacharel em scien- cias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife, formado em 1882, foi nomeado no anno seguinte bibliothecario da mesma faculdade e escreveu : - Vigílias litterarias por Clovís Bevilaqua e José Isidoro Martins Júnior. Recife, 1879, in-8° - Dividem-se em duas partes. A pri- meira, da penna de Bevilaqua, comprehende : A republica no Brazil ; Um ligeiro olhar sobre o estado intellectual do Brazil; A mulher entrenós ; Vislumbres (versos de Ribeiro Gonçalves). A segunda per- tence a J. Isidoro Martins, tem o titulo de : Estilhaços (versos) e é dedicada aos paes do autor, que em 1885 a reimprimiu. (Veja-se José Isidoro Martins.) - O stereographo : estudos de critica generica. Recife, 1882,34 pags. in-8° - E' um escripto de collaboração com o mesmo Isidoro Martins. - O escalpello. Recife, 1882, in-8° - Idem. Nunca vi este escripto. - A philosophia positivista no Brazil. Recife, 1883, 130 pags. in-8° - E' um estudo historico-critico. •- O theatro brasileiro e as condições de sua existência. Recife, 1884, in-8°. - Discurso : pronunciado no saráo litterario do gabinete portuguez de leitura emsolemnisação commemorativa do tricentenário de Camões. Recife, 1880, 13 pags. in-8°- Era o autor o orador eleito pelos ter- ceiro-annistas de direito. Consta que tem a publicar : - O romantismo no Brazil - Inédito. - Por diversão : contos - Idem. Colinerio Leite de Faria finto - Natural da então província do Rio Grande do Sul e nascido na cidade de Pelotas em 1852 falleceu em março de 1887, na mesma cidade, onde dedicara-se ao ma- gistério. Muito joven dedicou-se ás lettras e appareceu no jornalismo litterario, dando publicidade à escriptos que eram lidos com avidez, sendo constante collaborador do Progresso Litterario. Escreveu : - Albertina: romance. Pelotas, 1873 - O Dr. Henrique Antão de Vasconcellos se occupa deste escripto num artigo publicado no Diário de Campos, elogiando o autor, chamando-o de poeta mimoso,' dra- maturgo e ousado campeão da imprensa. Este romance é a historia infeliz de uma desventurada que só na campa repousou das luctas do mundo. - Meus serões. Pelotas, 1879 - E' uma serie dé 16 romanceies qtíasi todos jã dados á luz em diversos jornaes, na seguinte ordem : 128 co Lavinia, publicado em 1872; Um suicida, em 1873 ; A virgem do cemité- rio ; Um phantasma; Uma historia seria, todos em 1874 ; Amor macarro- nico, e Um don Juan, em 1875; Ostilia e A calumnia, em 1876; A pena de morte, e 0 mundo se acaba, em 1877 ; A herança do poeta ; Em Ve- neza, em 1878; Um conto de Hoffmann ; Quadros da vida e Uma histo- ria sem titulo, em 1879. - Bibliotheca variada. Pelotas, 1881 - Aqui estão reunidos dez romanceies, mas traduzidos, a saber: A querida do pirata, Angela, Thereza Hermann, publicados em 1876; 0 castello de Bethania, Ondina, A cruz de Pedra, Othla, 0 pobre, em 1877 ; Almeraya, em 1878 e Eduardo, em 1881. Além de vários dos escriptos mencionados, a biblio- theca pelotense possue outros de que me falia o digno bibliothecario, e que supponho estarem inéditos. São estes: - Queda de vm anjo : romance. - Uma lagrima salvadora : bailada traduzida. - 0 mendigo : poesia. - 0 que eu invejo : idem. - Traços biographicos de dona Clarinda da Costa Siqueira. - Os cães do monte de S. Bernardo : traducção. - Caixas económicas escolares - Sobre theatro Colimerio Leite escreveu muito, sem ter podido, entretanto, imprimir todas as suas pro- ducções, que neste generosão: - Mais vale calar, que mal fallar : comedia em um acto, represen- tada no theatro de Pelotas em 1870- Inédita. - Travessuras de um estudante: comedia em um acto, 1871 - Idem, - Carmosina : drama em tres actos por A. de Musset, traduzido. 1871 - Idem. - O agente secreto: comedia em dous actos por A. de Musset, tra- duzida. 1872 - Idem. - Uma para dous: comedia em dous actos. 1872 - Idem. - Caim'. drama em cinco actos. 1874 - Idem. - Os francos juizes ou os invisíveis: drama em quatro actos, tradu- zido. 1873 - Idem. - Por um irmão: comedia em tres actos, traduzida. 1873- Idem. - A' espera da noiva: comedia em um acto, 1874 - Idem. - Que criança ! comedia em um acto, traduzida. 1875 - Idem. - O voluntário: drama em um prologo e tres actos. Pelotas, 1875. - Roma e a família : drama em um prologo e quatro actos. 1878 - O prologo desta peça foi publicado na Arena Litteraria em 1880. - Albertina : drama em cinco actos. 1878 - Inédito. - Catharinada Rússia: drama em tres actos, traduzido. 1878- Idem. co 129 - Paulo e o bandido: drama em tres actos, escripto e representado em Pelotas em 7 de setembro de 1879- Idem. - A ultima conquista: comedia em um acto, escripta e representada em 1879 - Idem. - A mulher-homem : comedia em tres actos, traduzida. 1881 - Idem. - O rei de Roma : drama em cinco actos por Desnoyer e Leon Beau- vallet, traduzido. 1881 - Idem. Finalmente em 1881 Colimerio Leite possuia: - Varias poesias-que pretendia dar a lume enfeixadas com outras jã publicadas em jornaes, e um - Compendio de geographiado Brazil (compilações) escripto em 1879. Collatino Cândido Tupinanibá - Nascido na Bahia a 29 de agosto de 1843, ahi falleceu pelo anno de 1883 pois que, sendo capitão reformado do exercito por decreto de setembro de 1880, seu nome não consta dos almanaks militares de 1884 em diante. Teve praça em janeiro de 1861; foi promovido a alferes em 1868 e ao posto imme- diato no anno seguinte por acto de bravura na campanha do Paraguay, onde serviu até á terminação delia. Era condecorado com a medalha desta campanha e official da ordem da Rosa. Escreveu: - Nomenclatura e manejo da clavina de repetição de Spencer, examinados, correctos e approvados pela commissão de melhoramentos do material do exercito e mandados adoptar por aviso do ministério da guerra de 11 de outubro de 1873. Rio de Janeiro, 1873, in-8-E' este livro precedido de considerações sobre as vantagens do systema de Spencer, e contém o desenho da arma, de que o autor foi instructor. Collatino Marques d.e Souza - Natural da Bahia, nasceu a 20 de junho de 1831. Reformado no posto de tenente da armada, foi nomeado lente da escola de machinistas. E' cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha da campanha do Uruguay de 1852 e com a da campanha contra o Paraguay. Por decreto de 30 de novembro de 1876 obteve do governo imperial um privilegio para conservação, por meio de processo que inventara, de carnes, frutas, ovos e outras substancias alimenticias, exhibindo disso provas e sendo seu estabelecimento visitado pelo Imperador e por pessoas, altamente collocadas. Escreveu: - Roteiro da costa do Brazil, comprehendida entre a Bahia de Todos os Santos e a capitania do Espirito Santo. Rio de Janeiro, 1860, 40 pags. in-4°. 130 <DO - Descobertas e aventuras nos mares e regiões polares por Sir John Leslie, Roberto Jameson e Hug Murray, com uma narrativa das recentes expedições em busca de Sir John Franklin, traduzidas do inglez - Esta obra foi publicada em folhetos, sendo o primeiro em Pernambuco 1862, e os demais na Bahia, 1863 e 1864, in-8° com diversas estampas. Divide-se em treze capitulos, cujo assumpto é: l.° O clima das regiões polares. 2.° Vida animal e vegetal nas regiões polares. 3.° Antigas viagens ao norte. 4.° Viagem em busca de uma passagem nordeste. 5.° Primeiras viagens ao pólo do norte. 6.° Pri- meiras viagens em busca de uma passagem noroeste. 7.° Viagens de Rosse.Parry em busca de uma passagem noroeste. 8.° Segunda viagem de Ross. 9.° Recentes viagens ao polo do norte. 10.° Expedição aos mares circum-adjacentes á Boothia. 11.° A expedição de Franklin. 12.° A pesca de balèas do norte. 13.° Geologia arctica ; Expedições pesquizadoras de 1850 a 1851 ; Expedições pesquizadoras de 1851 a 1852; Descoberta da passagem noroeste e ultimas noticias da comi- tiva de Franklin. - Commercio de carnes verdes. Rio de Janeiro, 1883 - E' uma reim- pressão de escriptos que publicara no Jornal do Commercio sobre seu systema de conservar carnes. - Roteiro da costa do Brazil entre Pernambuco e Maranhão, abran- gendo 825 milhas de costa marítima. Rio de Janeiro, 1884. -• Meio de attenuar os effeitos das sêccas e de fornecer a melhor agua possível ãs habitações urbanas, suburbanas e ruraes pelo em- prego de poços hygienicos. Rio de Janeiro, 1889, 16 pags. in-8° - O autor obteve do governo privilegio para taes póços. - A doca Quinze de novembro e a nova cidade commercial do Rio de Janeiro, delineadas e solicitadas do governo provisorio dos Estados Unidos do Brazil. Rio de Janeiro, 1889, 19 pags. in-8°. - Projecto de melhoramento da praia de Botafogo, apresentado á intendência municipal. Rio de Janeiro, 1890, 8 pags. in-8°. Oonrado Jacob de Niemeyer Io-Filho do coronel Conrado Henrique de Niemeyer e de dona Firmina Angélica de Nie- meyer, nasceu em Lisboa a 28 de outubro de 1788 e falleceu no Rio de Janeiro a 5 de março de 1862. Tendo no collegio militar de sua patria estudado com praça de cadete todos os preparatórios, sahiu de Portu- gal por causa da invasão franceza, indo ter á Portsmouth, donde passou ao Brazil, e aqui, sendo addido ao regimento de artilharia e promovido segundo tenente em 1809, fez o curso desta arma e o de ma- thematicas. Pelos movimentos de 1817 e 1824 serviu em Pernambuco, co 131 donde neste anno passou ao Ceará, como commandante da força expe- dicionária e presidente da commissão militar, instituída para julgar os implicados nos ditos movimentos de 1824, em cuj i, commissão foi. accusado por abusos e arbitrariedades, e foi pelo governo imperial chamado á côrte em 1828, justificando-se então de taes accusações. Em 1832, accusado ainda de ter contrariado ao governo, e concorrido para a perturbação da ordem publica, foi sujeito á processo, defendendo-se igualmente dessas imputações ; mas em seguida, desgostoso, pediu e obteve em 1833 sua reforma no posto, que tinha, de coronel, exercendo dahi em diante diversas commissões como engenheiro. Era dignatario da ordem da Rosa e da do Cruzeiro, commendador da de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha da divisão cooperadora da boa or- dem ; socio do instituto historico e geographico ; socio da sociedade de geographia de Berlin e da sociedade geographica de Ratisbone, e escreveu : - Memória hydrographica sobre a reprêza do rio Beberibe para servir aos projectos de encanamento e navegação do dito rio com apro- veitamento do terreno actualmente alagado, contendo também duas ligeiras indicações: Io sobre o meio de tornar continua a navegação entre Olinda e Recife sem espera de marés ; 2o sobre o methodo de elevar as aguas em Olinda para serem conduzidas ao Recife ; que por ordem da exma. junta do governo provincial fez etc., em o anno de 1822. Pernambuco, 1823, 17 pags. in-4°. - Encanamento das aguas potáveis para a cidade do Recife em Per- nambuco: memória e projecto organizados e offerecidos â companhia do Beberibe pelos engenheiros Conrado] Jacob de Niemeyer e Pedro de Alcantara Bellegarde. Rio de Janeiro, 1841, 27 pags. in-4°. - Relator io dos trabalhos concluídos na estrada do Commercio en- tre os rios Iguassú e Parahyba. Rio de Janeiro, 1844, 28 pags. in-4°. com uma carta geographica. - Projecto de encanamento do rio Beberibe entre a povoação deste nome e a cidade do Recife. Recife, 1855, in-8° - O coronel Conrado escreveu esta obra para se effectuar uma navegação effectiva entre o Beberibe, Olinda e Recife, evitando-se os estragos constantes que re- sultam das enchentes do rio Camaragibe. - Encanamento das aguas potáveis para a cidade de Maceió com a planta, plano e orçamento. Rio de Janeiro, 1860, in-8°. - Carta corographica da província do Rio de Janeiro, mandada or- ganizar por decreto provincial de 30 de outubro de 1857 pelo presi- dente da mesma província ; encarregada aos engenheiros Pedro de Alcantara Bellegarde e Conrado Jacob de Niemeyer. 1858 a 1861 132 <JO (relátorlo). Rio de Janeiro, 1863, 22 pags. in-8° - E' uma publicação posthuma. - Planta do reconhecimento feito nas capitanias de Pernambuco e Alagoas para servir ao projecto da estrada militar, defesa da costa e correspondência telegraphica entre a villa de Santo Antonio do Recife e a cidade da Bahia. 1819-Era então o autor capitão de enge- nheiros. - Carta corographica offerecida a S. M. I. o Sr. D. Pedro II, con- tendo as províncias das Alagôas, Pernambuco, Parahyba, Rio Grande do Norte e Ceará, arranjada sobre os trabalhos existentes e esclareci- mentos mais exactos, feitos desde 1810 pelo coronel Conrado Jacob de Niemeyer, sendo ultimamente auxiliado pelo primeiro tenente de arti- lharia Marcos Pereira de Salles. Rio de Janeiro, 1843. - Carta geral do império do Brazil, organizada sobre os melhores trabalhos existentes, antigos e modernos, contendo igualmente os pla- nos que se puderam obter das cidades capitaes e outros logares notá- veis. Rio de Janeiro, 1846 - Esta carta, bem que com imperfeições e erros, foi de grande importância pela falta, que havia de semelhante trabalho. Foi pelo autor offerecida ao instituto historico, que o elevou, por isso, de socio effectivo â honorário, e conferiu-lhe em prémio a medalha de ouro, em 1847. - Planta corographica de uma parte da cidade do Rio de Janeiro, na qual se inclue a imperial fazenda de Santa Cruz, segundo a primeira indicação dos jesuítas em 1729 e remedição em 1783, medição annul- lada em 1827 e de sua posse actual para ser annexada ás reflexões tendentes a determinar definitivamente os seus limites ; lithographada em 1848. - Quadro estatístico do império do Brazil conforme os relatórios officiaes e outros documentos ; lithographado em 1856. - Nova carta corographica do império do Brazil, confeccionada á vista dos trabalhos existentes, por ordem do illm. e exm. sr. tenente- general Marquez de Caxias, ministro, etc. Rio de Janeiro, 1857- « Esta carta, diz o Barão de Ponte Ribeiro, construída positivamente para mostrar a fronteira do império com a republica do Paraguay, está longe de haver conseguido seu fim; nem emendou os erros que se ti- nham notado em 1846.» - Planta e orçamento para encanamento das aguas potáveis, des- tinadas para o abastecimento da capital das Alagdas. Rio de Janeiro, 1860. - Planta da estrada de Santa Cruz, Rio de Janeiro, 1866. - Foi lithographada no archivo militar depois da morte do autor. co 133 Conrado Jacolb de Xiemeyer 2°- Filho do pre- cedente, e nascido no Rio de Janeiro a 21 de abril de 1831, é bachare1 em mathematicas pela antiga academia militar; general de brigada do exercito; commendador da ordem da Rosa, official da de S. Bento de Aviz' e cavalleiro da de Christo ; condecorado com a medalha da campanha do Paraguay, etc. Assentando praça em 1851, serviu no corpo de engenheiros até ao posto de coronel ; foi commandante do corpo de bombeiros ; tem exercido varias commissões importantes quer do mi- nistério da guerra, quer de outros, como a de presidente da província» hoje Estado do Amazonas. Escreveu: - Impugnação à obrado Exm. Sr. conselheiro João Manuel Pe- reira da Silva « Segundo periodo do reinado do Senhor D. Pedro I, no Brazil: narrativa histórica, 1871» na parte relativa ao commandante das armas e presidente da commissão militar na província do Ceará, de 1824 a 1828. Rio de Janeiro, 1872, 208 pags. in-4°- Além de erros e inexactidões da parte aqui mencionada, esta obra aponta erros e inexactidões, contidos em todo o livro do conselheiro Pereira da Silva. - Protesto apresentado em 6 de agosto de 1873 e neste mesmo dia remettido á commissão de obras publicas. Rio de Janeiro, 1873, in-8°- Versa sobre a concessão da empreza do arrazamento do morro do Castello á J. A. Fernandes Pinheiro. E' dirigido á assembléa geral e assignado pelos bacharéis C. J. de Niemeyer e O. G. de Niemeyer. - Conferencia acerca da concessão da linha da Copacabana. Rio de Janeiro, 1883 - Escreveu-a o autor, sendo chefe da commissão de estudos desta linha por parte dos concessionários Duvivier & C.a - Memória justificativa. Questão technica. Estrada de ferro-carril Copacabana. Rio de Janeiro, 1884, in-4°, com documentos e plantas. - Mappa geographico da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, precedido de uma breve noticia sobre a natureza de seu solo, riqueza mineral e vegetal, productos agrícolas e navegação de seus rios e arroios em referencia ás transacções commerciaes. Rio de Ja- neiro, 1877, in-4° - E' escripto de collaboração com José Ignacio Coimbra. - Uma idèa da posição que occupam os belligerantes no Paraguay. Lithographada pelo instituto artístico. Conrado Maria da Silva Bittencourt - Filho do general Francisco Antonio da Silva Bittencourt e nascido no Rio de Janeiro a 11 de janeiro de 1829, falleceu a 8 de maio de 1885, sendo brigadeiro do exercito ; quartel-mestre general e presidente do con- 134 co selho de fornecimento de viveres e forragens militares ; moço fidalgo com exercido na casa imperial ; commendador da ordem de S. Bento de Aviz, official das do Cruzeiro e da Rosa, cavaileiro da de Christo ; condecorado com as medalhas da campanha oriental de 1852, da cam- panha de Paysandú de 1865 e da subsequente do Paraguay, etc. Fez na antiga academia militar todo o curso de artilharia, arma em que serviu e exerceu commissões importantes, assim como do corpo de estado-maior de primeira classe. Escreveu: - Instrucções para o serviço das peças de campanha de artilharia a cavallo, organizadas, etc. Rio de Janeiro, 1862, in-8° - Ha deste autor diversas plantas, como: - Planta do Passo da Patria - publicàda no instituto artístico. - Esboço da batalha de Tuyuty, etc.- Lithographada e publicada em supplemento á Semana Illustrada. - Mappa do theatro da guerra (do Paraguay) entre a lagôa Pires e a vil la de S. João, além do arroio Inhembucú - Idem. - O antigo acampamento de Tuyu-Cué - Idem. - Esboço do assalto de 16 de julho de 1868 ãs fortificações de Humaytá - Idem. Constancio Antonio Alves - Filho de outro de igual nome e nascido na Bahia, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, formado era 1886 e dedicou-se ao jornalismo, cultivando também as lettras amenas. Actualmente na capital federal redige o - Jornal do Brazil : publicação diaria. Rio de Janeiro, 1891-1892, in-fol. gr. de 8 cols.- E' da penna do seu redactor a secção intitulada Dia a dia. Escreveu: - Da cremação e inhumação perante a hygiene ; Synthese das substancias organicas ; Electro-therapia ; Histologia: these apresen- tada, etc. Bahia, 1885, in-4°. - A patria agradecida á um de seus mais dignos filhos. Bahia, 1888, 56 pags. in-4.°- E' uma collecção de poesias do conselhero Pedro Luiz Pereira de Souza, prefaciada pelo Dr. Constancio. Constante da Silva Jardim - Filho de Anacleto da Silva Jardim e de dona Maria Thereza de Jesus, e nascido em Ara- ruama, provincia do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela facul- dade desta cidade, onde exerce clinica e tem servido cargos de eleição popular como o de juiz de paz e membro da camara municipal, e de nomeação do governo como o de subdelegado e de membro de uma commissão sanitaria parochial. Escreveu: co 135 - Das emanações palustres : Estudo chimico-pharmacologico' sobre as quinas ; Baço ; Funcções do grande sympathico: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1878, 241 pags. in-4° - Annexos a este trabalho, de pags. 210 em diante, achan-se os « Ensaios para o estudo da flora dos pantanos do Brazil » pelo professor Joaquim Monteiro Caminhoã (veja-se este autor), sendo feita por províncias a relação das plantas. - Aguas publicas, systema de circulação continua, influencia das obras da estrada de ferro do Corcovado sobre o rio Carioca (conferencia realizada na escola publica da Gloria). Rio de Janeiro, 1885, 40 pags. in-8° e mais as do frontispício e offerecimento ao Barão de Ibituruna - Vem além disso na União Medica, tomo 4o, pags. 469 a 482, 537 a 551 e segue no tomo 5o. Constantino do Amaral Tavares - Nascido na ci- dade do S. Salvador, capital da Bahia, a 17 de junho de 1828, ahi falleceu a 28 de abril de 1889. Fazendo o curso da escola de marinha, entrou para o serviço da armada, fez a campanha do Uruguay de 1851 a 1852 e, pedindo sua demissão da armada em 1858, obteve por con- curso um logar de estereometra da alfandega da Bahia, onde serviu até 1864. Pedindo também demissão deste logar e vindo para o Rio de Janeiro, foi nomeado director de secção da secretaria da marinha e, aposentando-se neste cargo em 1872, exerceu durante esse tempo al- gumas commissões, como a de official de gabinete de diversos minis- tros. Era do conselho do Imperador, olficial da ordem da Rosa, caval- leiro da de Christo e conde corado com a medalha da campanha do Uruguay de 1852; socio da sociedade Amante da instrucção, da socie- dade Propagadora das bellas-artes e do Conservatorio dramatico do Rio de Janeirb ; do Conservatorio dramatico e do Instituto historico e geographico da Bahia - e escreveu : - Minhas poesias. Bahia, 1856, 172 pags. in-8°. - Elogio dramatico, composto para ser representado no theatro de S. João da Bahia no dia 2 de julho de 1857. Bahia, 1857, in-8° - E' em verso e escripto á pedido do actor De-Vechy, sendo seus personagens : o Brazil, o Despotismo, Commercio, Lettras, Industria e Dous de julho. - Saudação allegorica á SS. MM. II. Bahia, 1859, 8 pags. in-8° - Foi escripta quando o Imperador visitou a Bahia, traduzida em italiano, posta em musica e cantada pela companhia lyrica. - Noticia histórica e uma poesia - que, com a Oração fúnebre do conego J. J. da Fonseca Lima e com a Homenagem poética de F. Muniz Barreto, vem no livro « Discurso e poesias recitadas no dia 24 de setembro de 1859, por occasião dos suffragios pelo fundador do im- 136 co perio e seus companheiros na lucta da independencia do Brazi], pela sociedade Vinte e Quatro de Setembro ». Bahia, 1859, in-4°. - 5. Gregorio, o dramaturgo: drama sacro em tres actos. Bahia, 1859, 92 pags. in-8°. - O conde de Zampieri: drama em cinco actos. Bahia, 1860,151 pags. in-8° - Foi levado á scena pela primeira vez no theatro de S. Pedro de Alcantara, da Bahia, em agosto de 1861. - Os tempos da independencia : drama historico em tres actos, pro- logo e epilogo. Bahia, 1861, 171 pags. in-8° - Foi representado e muito applaudido no mesmo theatro a 4 de julho deste anno. - O pavilhão de sangue. Bahia, 1863, 16 pags. in-8° - E' em verso. - Gonzaga: drama historico em tres actos. Rio de Janeiro, 1869, 72 pags. in-8°. - O Lucas da feira de Sant'Anna: drama em quatro actos - Nunca foi impresso. E' um drama historico: Lucas foi um famoso salteador que por muitos annos constituiu-se o terror da villa, hoje cidade da Feira de Sant'Anna e seus arredores, sendo afinal preso e enforcado. - Um casamento da epoca: drama em cinco actos - inédito. A Revista Popular, porém, dá noticia delle no artigo « A litteratura na Bahia », tomo 8o, pag. 17 e foi representado no Gymnasio em 1862. - Lição para meninos. Bahia, 1861,92 pags. in-8°- Teve segunda edição, também na Bahia, 1864, 121 pags. in-8°, sendo approvada para uso das escolas pelo governo das tres provincias, da Bahia, Alagôas e Maranhão. Neste livro encontram-se traços da historia patria e noticia de prosadores e poetas i Ilustres do Brazil. - Consultas do conselho de estado sobre negocios concernentes ao ministério da marinha, colligidase annotadas de 1851 a 1875. Rio de Janeiro, 1877, 2 vols.- E' continuação de um trabalho do offlcial da secretaria Antonio Carlos Cesar de Mello e Andrada. (Veja-se este nome.) Amaral Tavares collaborou em alguns jornaes e revistas da Bahia e do Rio de Janeiro, entre os quaes o Correio Mercantil, da Bahia em 1855, e o Globo, do Rio de Janeiro, 1873 a 1875, e foi o principal redactor do jornal - O Cruzeiro. Rio de Janeiro, 1880 e 1881, in-fol.-Esta folha come- çou a sahir em 1878 e terminou em 1883, sendo Amaral Tavares, antes de redigil-a, collaborador. Em 1870 encetou este autor a composição de um - Diccionario biographico de todos os personagens nacionaes e estrangeiros, que se tornaram notáveis na historia do Brazil, e de um - Diccionario de datas da historia patria - segundo vê-se do expe- diente constante da acta da sessão do Instituto historico de 3 de julbo co 137 deste anno, onde se acha uma carta sua, pedindo uma collecção da Revista Trimensal para facilitar esse trabalho. De suas publicações em revistas, citarei: - D. Pedro Fernandes Sardinha - artigo que foi impresso no Vulga- rizador, tomo Io, pags. 237 e segs. Constantino da Costa Pereira - E' natural da província do Piauhy, e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1882, tendo-se dedicado ao magistério em alguns collegios ao mesmo tempo que estudava. Depois de sua for- matura foi nomeado promotor publico da capital da Parahyba, e tem escripto: - A Mocidade : periodico litterario. Maranhão, 187* - Recreio Juvenil: periodico litterario. Maranhão, 187*-Esta publi- cação e a precedente, que nunca pude encontrar, são do tempo em que seu redactor estudava preparatórios. - A namoradeira: romance - Vem no Almanak litterario pernam- bucano de 1882. - Tesouradas académicas: comedia em um acto. Recife, 1880. - Os artistas improvisados : comedia em um acto. Recife, 1881 - Foi escripta expressamente para ser representada pelos alumnos do Gym- nasio Pernambucano; é própria para crianças. Constantino Gomes de Mattos - Filho de Manuel Francisco Gomes de Mattos e de dona Maria Candida de Mattos, nasceu na cidade do Icô, no Ceará, em 1844. Presbytero secular, orde- nado em 1868, foi obrigado por incommodos de saude a transferir sua residência para S. Paulo, onde permaneceu de 1873 a 1881, e foi vigário da Limeira, pro-parocho de Campinas e vigário de Atibaia. Regressando ao Ceará em 1882, foi cura da Sé e é actualmente parocho da Pendencia. Foi nomeado por decreto de 13 de abril de 1889 bispo do Rio Grande do Sul, e não acceitou o cargo por causa de suas idéas politicas, sendo entre os parochos quem fundou o partido catho- lico no Brazil com o nome de Club republicano catholico. Cooperou para a abolição do elemento escravo ; collaborou com artigos sobre religião para os periódicos a Ordem e a Sentinella em S. Paulo, e no estado de seu nascimento, para diversos periódicos. Pela tribuna e pela imprensa profligou sempre a propaganda protestante e neste sentido publicou : - O Purgatório. Fortaleza... (dous opusculos) - que nunca pude ver. 138 co - O culto dos santos. Fortaleza, 1884 (dous opusculos) - de que ape- nas vi um em « resposta ao senhor Lacy, ministro do culto evangélico» e publicado em 1884. - A Igreja e o Pontificado. Fortaleza... - Ultimamente tem escripto vários trabalhos no periodico A Verdade pela liberdade da igreja ca- tholica. Constantino José Gomes de Souza - Filho de José Maria Gomes de Souza, nasceu em 1827 na antiga provincia de Sergipe, e falleceu a 2 de setembro de 1875 no Rio de Janeiro. Na capital da Bahia fez os estudos de humanidades, e matriculou-se na faculdade de medicina, cujo curso veiu concluir na do Rio de Janeiro, onde recebeu o grào de doutor em 1853. Estabelecendo-se nesta cidade, luctou constantemente com a adversidade - e tanto, que falleceu em completo abandono, victima de uma congestão cerebral, não se encon- trando em sua casa com que se lhe fazer o enterro. Desde estudante na Bahia foi muito applicado á litteratura, cultivando-a com successo em todos os generos, e escreveu : - Quaes são as causas da morte súbita ? Qual é, e qual deve ser a nossa legislação relativa aos mortos ? (dissertação) ; Signaes e tratamento das feridas envenenadas (idem) ; Da albuminúria (proposições). Rio de Janeiro, 1853, in-4° - E' sua these inaugural. - A filha do salineiro : drama. Rio de Janeiro, 185*. - O espectro da floresta: drama. Rio de Janeiro, 1854 in-8°- Foi pela primeira vez representado em julho deste anno no theatro S. Pedro de Alcantara. - O engeitado : drama original brazileiro em tres actos, representado pela primeira vez a 4 de dezembro de 1860 no theatro S. Pedro de Alcantara. Rio de Janeiro, 1861, 134 pags. in-8° - Os tres companheiros : drama em quatro actos. Rio de Janeiro, 1861, in-8°. - Vingança por vingança : drama original em quatro actos. Rio de Janeiro, 1869, 134 pags. in-8°. - Os libertinos: drama - Creio que não foi impresso. - Os ladrões titulares : drama - Idem. - O desengano : romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1871,in-8.° - A filha sem mãi: romance brazileiro. Rio de Janeiro, 1873, in-8°. - O cego: romance - Foi publicado pela lllustraçõlo Brasileira depois da morte do autor. - Hymnos de minha alma : poesias. Rio de Janeiro, 1851, 282 pags. in-8» gr - Contém o livro 39 poesias diversas e mais : O indio co 139 mysterioso (poemeto) e O mendigo, romance em verso. Fundou e redigiu : - Epoca Litteraria : periodico scientiflco, litterario, historico e de bellas-artes, redigido por uma associação e debaixo da direcção de Constantino José Gomes de Souza. Bahia, 1849-1850, in-4°. -A Grinalda : revista semanal, litteraria e recreativa. Rio de Ja- neiro, 1861, in-8°- Publicou, além disto, em diversas revistas, desde estudante, escriptos em prosa e em verso, como : - Palmira, ou a ceguinha brazileira : - critica litteraria do ro- mance em verso de igual titulo, do doutor Francisco Bonifácio de Abreu, inserta no Atheneu, periodico scientifico e litterario, Bahia, 1849, pags. 55 e seguintes. - Alfeno e Clorinda: romance (em verso) - no Crepúsculo, periodico instructivo e moral. Bahia, tomo Io, 1845, ns. 1 e2. - A consolação, ode ; o Escravo, poesia; a Rosa e as flores murchas, fabula; a Voz da consciência, ode - no mesmo periodico tomo Io, n. 2, e tomo 2o, ns. 15,19 e 24. D. Corinna de VivátldLi Coaracy - Filha do jorna- lista Carlos F. de Vivaldi e nascida no estado de Kansas, America do Norte, a 18 de abril de 1858, é casada com o primeiro offlcial da secre- taria da guerra, José Alves Visconti Coaracy, de quem occupar-me-hei mais tarde. Vindo para o Brazil em tenra idade com seus paes, aqui fez sua educação litteraria, concluindo em 1873 o curso dos estudos do collegio brazileiro, o nosso então mais notável estabelecimento de ensino para o sexo feminino, e em 1875 encetou vida jornalistica no South-American Mail, redigido em inglez e na lUustração do Brazil, periódicos de propriedade de seu pae, assumindo em 1877 a direcção litteraria da - lUustração Popular. Propriedade de Carlos F. de Vivaldi. Rio de Janeiro, 1877 a 1878, in-4°-Foi depois correspondente do Arauto, folha de propriedade de Viard, Silva & Comp., de Petropolis, e também da Folha Nova, publicada no Rio de Janeiro, durante a existência destes dous jornaes ; collaborou de 1888 a 1889 por convite do respectivo administrador no grande jornal New-York Herald onde foi publi- cada uma serie de cartas suas, nas quaes estudou e previu todo o movi- mento politico que veiua realizar-se a 15 de novembro de 1889, e em janeiro seguinte, de 1890, entrou para a redacção da - Cidade do Rio. Director José do Patrocinio. Capital Federal. Anno 4o - Encarregou-se dona Corinna das chronicas semanaes A'esmo 140 co e das criticas litterarias, publicando mais diversos contos, phantasias, etc. São ainda de sua penna : - A Rússia Vermelha/ romance contemporâneo por Victor Tissot e Constant Amero. Traducção do francez. Rio de Janeiro, 1883, 339 pags. in-8° - Este livro foi recebido no Brazil com o mesmo interesse» com que foi na Europa o original, pela descripção amena do actual estado social do império moscovita «agitado no seu amago pelas aspirações de liberdade de um povo ainda rude, infelizmente mancha- das pelo punhal assassino do hediondo nihilismo». - O dever com exemplos de coragem, paciência e abnegação' por Samuel Smiles. Traducção. Rio de Janeiro, 1884, 423 pags' in-8°. - Vida e trabalho, por Samuel Smiles. Traducção. Rio de Janeiro, in-8° - Destas traducções do inglez foi ella incumbida pelo editor B. L. Garnier, assim como da - Selection of choice passage from Longfellow and Macaullay. Rio de Janeiro, 1887, in-8° -São excerptos de poesias do primeiro e dos ensaios criticos e litterarios do segundo para os exames de inglez na instrucção publica, sendo o livro admittido como obrigatorio no pro- gramma dos estudos da escola naval. - Moema: drama em cinco actos e dez quadros, extrahido do romance O Guarany do conselheiro José de Alencar por Visconti Coaracy e Corinna Coaracy - Foi representado pela primeira vez em junho de 1885 no Theatro D. Pedro II. - A alegria causa medo : comedia em um acto de Mme.de Girardin: traducção do francez. - A rehabilitação : drama em quatro actos de E. Montescoboli. Tra- ducção do italiano - Sei que dona Corinna tem ainda : - Contos - Não sei si traduzidos ou originaes. Devem ser publica- dos brevemente. - Matar ou morrer : romance original - Inédito. Cornelio Carneiro dLe Barros Azevedo - Filho de José Manuel da Costa Barros e de dona Henrique ta Carneiro de Cam- pos Barros de Azevedo, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 3 do janeiro de 1838. E' bacharel em sciencias physicas e mathematicas pela escola central, hoje polytechnica ; tenente-coronel do corpo de engenheiros ; membro da primeira secção das obras militares ; chefe da directoria das obras municipaes e offlcial da ordem de S. Bento de Aviz. Com praça no exercito em 1858, foi promovido no anuo seguinte a alferes servindo no corpo de estado-maior de primeira classe até 1872, e co 141 alumno, sendo durante muitos annos empregado no archivo militar. Escreveu: - Auxiliar do constructor, contendo a nomenclatura technologica e alphabetica da construcção e detalhes para a organização dos orçamen- tos e muitas outras noções e indicações de utilidade. Rio de Janeiro, 1882 - Consta-me que o autor tem inédito um trabalho sobre enge- nharia e que será breve publicado. Cornelio Ferreira França - Filho do doutor Antonio Ferreira França Io, de quem fiz menção, e de dona Anna da Costa Barra- das, nasceu na cidade da Bahia a 19 de março de 1802 e falleceu no Rio de Janeiro a 6 de junho de 1878. Doutor em direito pela universidade de Coimbra, entrou na classe da magistratura onde subiu até occupar uma cadeira no tribunal de justiça, em que foi aposentado forçada- mente em 1864, recebendo assim profundo golpe que sangrou durante o resto de sua existência. Era também fidalgo cavalleiro da casa impe- rial, cavalleiro da ordem de Christo e jurisconsulto muito illustrado. Deputado pela Bahia nas legislaturas de 1830 a 1837, tendo por seus collegas seu venerando pae e seu irmão Ernesto F. França, conquistou os foros de grande orador como provam seus bei los discursos constantes dos Annaes do parlamento e, emquanto na camara discutia questões importantíssimas, como o acto addicional, publicava luminosos artigos na imprensa política de então. Foi um dos primeiros brazileiros que alimentaram a idéa de emancipação dos escravos, adoptando elle o systema de alforriar todos os seus depois de um certo periodo de ser- viços. Collaborou para vários orgãos da imprensa política e principal- mente para o Diário do Rio de Janeiro ; redigiu o - Athleta (periodico |politico)... - e escreveu : - Biographia do doutor Antonio Ferreira França. Rio de Janeiro, 1870, in-4° - E' a unica publicação sua em avulso ; deixou, porém, inéditas : - Consultas do supremo tribunal de justiça - obra de alta impor- tância no estylo de Gomes e Velasco, na qual são commentadas quasi todas as decisões deste tribunal durante o tempo em que o autor foi delle membro. Existem em poder de seus herdeiros e pessoa, que viu-as, assevera que a jurisprudência do paiz assaz lucraria com a publicação desta obra. Oornelio Pacheco - Natural, si me não engano, de Per- nambuco, vivia nos meiados do século XVIII. Estudou no collegio dos jesuítas, onde recebeu a roupeta e as ordens sacras, e escreveu: - Oração fúnebre nas exequias de Antonio Borges da Fonseca, co- 142 co ronel do regimento de infantaria paga da guarnição da cidade de Olinda e governador da capitania da Parahyba; recitada na cathedral da mesma cidade. Lisboa, 1755, in-4°. Cornelio Pereira de Magal hães - Filho do doutor Manoel Joaquim Pereira de Magalhães, nasceu em Baependy, Minas Geraes e, sendo doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, falleceu a 30 de novembro de 1882. Foi deputado á assembléa de sua pro- vincia e presidente de Goyaz. Em Goyaz, sentindo-se doente, deixou a administração ; mas na viagem de volta seus soffrimentos aggravaram-se por fôrma tal, que morreu em S. Paulo, sem ter podido terminar essa viagem. Escreveu: - A musica e seus effeitos: conferencia que fez em Baependy. Rio de Janeiro, 1874 - Este trabalho, escripto no tempo em que o autor estudava medicina, é aberto com uma introducção de Amaro Carlos Nogueira. - Do systema penitenciário e sua influencia sobre o homem ; Asphy- xia por submersão; Tracheotomia; Condições pathologicas, causas, diagnostico e tratamento do beriberi: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1875, in-4°. Cosmo de Sá Pereira - Nascido em Pernambuco pelo anno de 1822, é doutor em medicina pela faculdade da Bahia, e cli- nico, gozando de distincta nomeada desde os bancos escolares. Exer- ceu vários cargos, como o de inspector do serviço de hygiene em sua provincia e viajou ultimamente pela Europa. Escreveu : - Proposições sobre os diversos ramos do curso medico : these apresentada, etc.JBahia, 1845, in-4°. - Da necessidade e utilidade da historia de qualquer repartição; da policia sanitaria em Pernambuco até 1845; creação de um conselho geral de salubridade nesta epoca, suas attribuições, sua importância transcendente para o legislador, commerciante, agricultor, etc. e anti- guidade das leis desta ordem - Na collecção de trabalhos do conse- lho de salubridade publica da provincia de Pernambuco, 5o anno, 1849, pags. 135 a 153. - Relatorio do estado sanitario de Pernambuco no anno de 1856, apresentado pela commissão de hygiene publica. Pernambuco, 1857, 146 pags. in-4°, com um mappa. - Biographia do doutor João José Innocencio Poggi. Pernambuco, 1861, in-4°, com o retrato do biographado. - Conferencias medicas á cabeceira do doente. Pernambuco, 1870 - CTT 143 E' um opusculo em que o autor occupa-se de questões de etica medica, descuradas dos facultativos brazileiros. - O beri-beri em Pernambuco. Pernambuco, 1871, 36 pags. in-4°. - Reorganização do serviço medico-cirurgico do hospital Pedro II em Pernambuco-Na Gazeta Medica da Bahia, tomo 5o, 1871-1872, pags. 321 e 333. - Dos anti-microbios ou da anti-sepsia e sua influencia na therapeu- tica: discurso pronunciado...- Não me lembra onde foi pronunciado. Ha outros trabalhos seus publicados na «collecção de trabalhos do conselho geral de salubridade publica da província de Pernambuco, Io a 6o anno, de 1845 a 1852». (Veja-se Joaquim de Aquino Fonseca.) Custodio Alves Serrúo - Filho de José Custodio Alves Serrão e de dona Joanna Francisca da Costa Leite, nasceu na villa, depois cidade de Alcantara, no Maranhão, a 2 de outubro de 1799, e falleceu no Rio de Janeiro a 10 de março de 1873. Carmelita professo aos quinze annos de idade, apezar de sua manifesta aversão á vida claustral, mas por imposição de seus paes, em vista da rara intelli- gencia que demonstrava, foi mandado, á expensas da Ordem, para Coimbra, com o fim de seguir o curso dos estudos superiores ; mas bem depressa teve de entrar em lucta com os frades conimbrenses, por- que queriam estes obrigal-o a estudar theologia e, como elle teimasse em seguir o curso de sciencias naturaes, chegaram ao ponto de ne- gar-lhe um talher em seu refeitório ! Obtendo, entretanto, o grão de bacharel com as melhores approvações e com grandes sacrifícios, veiu para o Rio de Janeiro em 1825; foi nomeado em 1826 lente de bota- nica e zoologia da academia militar, passando logo com a reforma da academia á lente de chimica e mineralogia, e em 1828 director do museo nacional. Do primeiro destes logares obteve aposentadoria em 1847; do segundo a exoneração que pediu, depois de elevar o museo ao grão de aperfeiçoamento que elle ideava. Antes disto, em 1834, exerceu as funcções de membro da commissão de melhoramentos da casa da moeda, onde introduziu uteis reformas e processos de analyse e refinação de met.aes, que então eram novidade; depois disto, em 1859, foi nomeado para o cargo de director do jardim botânico, onde conservou-se alguns annos, tendo alcançado breve de secularisação em 1840. Por occasião de uma viagem ao Norte, em 1835, explorou, em Sergipe, as serras de Itabaiana, onde se dizia existirem minas de ouro e de salitre, e em Alagôas a formação betuminosa das praias de Ca- maragibe, remettendo amostras ao governo. Conhecia a lingua grega e varias linguas orientaes e era notável naturalista, vindo a cegar 144 cu completamente antes de fallecer, em consequência das repetidas ob- servações microscópicas a que se entregava. Foi membro do Instituto fluminense de agricultura, socio fundador da sociedade de melhora- mentos da instrucção elementar, socio do Instituto historico do Brazil, socio e presidente honorário da sociedade Auxiliadora da industria na- cional, e commendador da ordem de Christo. Redigiu o - Diário da Gamara dos Deputados, de 1826 a 1828 - Pediu ex- oneração deste encargo por assumir a direcção do museo nacional. Escreveu depois : - Lições de chimica e mineralogia. Rio de Janeiro, 1833. - Breve noticia sobre a collecção de madeiras do Brazil, apresen- tada na exposição internacional de 1867, pelos Srs. F. Freire Allemão, Custodio Alves Serrão, Ladisláo NettoeJ. Saldanha da Gama. Rio de Janeiro, 1867, in-4*- Consta-me que frei Custodio, em vista de uma inscripção em caracteres phenicios, já muito carcomidas pela acçao destruidora do tempo, encontrada em uma das montanhas do littoral do Rio de Janeiro, ao sul da barra, escrevera uma - Memória em que se prova que o Brazil fôra visitado por alguma nação conhecedora da navegação, antes que aqui viessem os portu- guezes - Esta memória foi examinada por uma commissão do Insti- tuto historico, mas nunca se tratou mais disto. Escreveu ainda alguns artigos no Auxiliador da Industria Nacional, como : - Processo para separar o paladio de outros metaes com que se acha ligado - No n. 5, de outubro de 1845. Custodio Américo dos Santos - Filho de Custodio Américo dos Santos e de dona Maria Thereza da Silva Santos, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 17 de outubro de 1848 e falleceu a 7 de abril de 1889, bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, e ahi professor de inglez; doutor em medicina pela faculdade desta cidade, e socio do Instituto dos bacharéis em lettras. Escreveu : - Dos cálculos da próstata; Da escolha dos medicamentos em geral e em particular da dos vegetaes em relação á idade, solo, clima, cultura, estação e epoca da colheita ; Urethrotomia ; Encephalite e seu trata- mento : these, etc. Rio de Janeiro, 1871, in 4°-gr. - Artigo. Lord Byron: these para o concurso á cadeira de inglez do collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1879, in-4°. Fr. Custodio <le Faria - Nascido na villa, depois cidade de Guimarães, em Portugal, a 16 de dezembro de 1761, falleceu no Rio de Janeiro a 6 de setembro de 1828. Religioso da ordem de cu 145 Santo Agostinho, professo no convento da Graça, de Lisboa, a 19 de março de 1785, foi professor de grego e de hebraico no collegio da Graça, de Coimbra ; foi depois professor de hehraico e de rhetorica no seminário de Santarém, sendo nomeado pelo cardeal patriarcha Men- donça em 1797 censor do ordinário para a qualificação de livros. Depois de cerca de dez annos, vindo para o Brazil, foi examinador synodal do bispado do Rio de Janeiro e professor de exegetica, moral e grego no seminário de S. José. Versado não sómente nas sciencias ecclesiasticas como em varias linguas, escreveu: - Arte nova da língua grega p ira uso do collegio da Graça de Coimbra. Coimbra, 1790, 142 pags. in 4o - Esta grammitica ia ter nova edição por Francisco Chrispioiano Valdetaro (veja-seeste nome), discipulo e particular amigo do autor, com accrescimos e alterações por indicação deste; mas não chegou isso a realizar-se por circumstancias que ignoro. - Instructio moralis ad ordinandos, id est, tractatus de actibus hu- manis et eorum regulis. Rio de Janeiro, 1816, in 8o- Fez-se desta obra nova edição accrescentada com o titulo: - Instructio moralis ad ordinandos, id est, tractatus de actibus hu- manis et eorum regulis; de decálogo et legibus ; de peccatis, de sa- cramentis in genere et ordine ; de irregularitatibus et censuris ex auctoribus classicis collectus et juventuti brasiliensi primum dicatus, quippe primus typis excussus in civitate fluminensi. Rio de Janeiro, 1819, 295-54 pags. in 8o - Precede uma dedicatória em portuguez ao bispo do Rio de Janeiro, e vem fechando o livro nas 54 pags. de nume- ração separada o - Tractatus de sacrifitio missse, ex auctoribus classicis selectus - Houve ainda uma 3a edição-Rio de Janeiro, 1824, in 8o - Rhetoricce breve compendium in usum juventutis brasiliensis ex Quintiliano et notis variorum de promptum offert fr. Custodius de Faria, etc. Rio de Janeiro, 1822, 175 pags in 8° Custodio José de Mello - Filho do tenente-coronel José Francisco de Mello e de dona Maria Reza de Mello, nasceu na ci- dade da Bahia a 9 de janeiro de 1840; é contra-almirante da armada ; ministro dos negocios da marinha; offlcial da ordem da Rosa, da do Cruzeiro e da de S. Bento de Aviz; commendador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa ; cavalleiro da de Christo e da ordem franceza da Legião de Honra; condecorado com a medalha commemo- rativa da passagem de Humaytã e a da campanha do Paraguay. Com praça de aspirante á guarda-marinha a 1 de março de 1856, fez 146 cu o curso académico e foi promovido á este posto em 1858, sendo sucessivamente promovido aos outros. Estudou na Europa artilharia e tropedo Whestehead, sendo um dos quatro officiaes brasileiros iniciados no segredo do mesmo torpêdo. E' um dos officiaes mais distinctos de nossa armada, tanto pelos conhecimentos scientiflcos que possue, como por seus serviços ao Estado, sendo da guarnição do encouraçado Rio de Janeiro quando este navio foi posto a pique por um torpê Io paraguayo. Tem desempenhado varias commissões importantes, como a de addido naval junto a diversas legações no estrangeiro e foi commandante do cruzador Almirante Barroso, que tão galhardamente fez a ultima, viagem de circumvolução. Foi eleito deputado á constituinte da Re- publica pelo Estado de seu nascimento, e escreveu: - O Canhão Rewolver Hotchkiss : replica ao agente do Sr. Nor- denfeldt no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1882, in-8°. - JRclatorio da commissão de estudos de artilharia, nomeada pelo ministério da marinha por aviso de 14 de maio de 1872. Rio de Janeiro, 1874, 225 pags. in-8° com 10 estampas- E'dividido este livro em cinco partes, tendo por assumpto: Ia parte, Construcção. 2a, Formação da alma do canhão raiado, etc.' 3a, Estudo comparativo dos projectis usados nos diversos systemas de artilharia. 4a, Condições primarias e mais essencialmente desejáveis em um systema de artilharia raiada. 5a, Condições secundarias. Esta obra é escripta com o chefe de divisão João Mendes Salgado e o capitão de fragata Joaquim Antonio Cordovil Maurity, membros da commissão. - Documentos relativos á questão do commando da divisão de on- couraçados - inédito. O contra-almirante Mello pediu ao respectivo ministro licença para dar á lume esses documentos, segundo vê-se cm uma folha de nossa imprensa de 29 de novembro de 1890. Collaborador da Revista Marítima, sò no 7° anno dessa revista escreveu clle : - Moléstias e ferimentos a bordo : guia dos primeiros soccorros na falta de assistência medica pelo Dr. M. Uhlict, Io cirurgião da imperiae marinha da Áustria. Traducção - pags. 33 a 61. - A grande guerra de 1881: versão - pags. 104 a 123. - Theoria das minas subaquaticas em seu desenvolvimento desd. 1810 até 1886 por Friederik Jedhczaca. Traducção - pags. 298 a 3101 - O emprego do oleo para acalmar as agitações do mar - pags. 312 a 350 - Foi uma conferencia em presença de S. A. o Conde d'Eu. Custodio Luiz de Miranda - Natural de Gòa, índia portugueza, e nascido no anno de 1807, falleceu na cidade de Rezende cu 147 no de 1878, sendo brazileiro por adherir á constituição do império o doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro. Foi um clinico muito estimado naquella cidade, onde viveu muitos annos - e escreveu: - Dissertação inaugural sobre a cholera-morbus epidemica ou asiatica: these apresentada ã faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1838, in-4°. - Instrucções, para conhecer e tratara cholera-morbus, dirigidas aos senhores fazendeiros. Rio de Janeiro, 1855, 50 pags. in-8°. - Instrucções sobre a hygiene que se deve observar em occasião de epidemias, e sobre a medicação que se deve empregar logo que appa- reçnm os primeiros symtomas da cholera-morbus, apresentadas á camara municipal de Rezende pela commissão medica. Rio de Janeiro 1885 - Assignam também como membros da commissão o Dr. Gustavo Gomes Jardim e José Pimcntel Tavares. - Primeira e ultima resposta do Dr. Miranda ao senhor Dr. Dionysio Badidi. Rio de Janeiro, 1845 - E' um opusculo que nunca pude ler sobre uma questão medica. Custodio de Oliveira Lima l.°-Nascido no Porto, veiu para o Brazil com tenra idade em 1810, adoptou a constituição do império e applicou-se á vários misteres, como elle mesmo o diz n'um dos tra- balhos que publicou. Depois tornando á Portugal, foi um dos funda- dores da sociedade de beneficencia brazileira, de Lisboa, e não só collaborou em vários jornaes, como redigiu outros, occupando-se sempre do Brazil. Creio que ainda vive. Escreveu: - Elogio, ã S. M. I. o Sr. D. Pedro, Duque de Bragança, feito em Montevidéo em 12 de outubro de 1834. Rio de Janeiro, 1835, 24pags. in-8°. - Ode dedicada aS. M. D. Pedro V. Lisboa, 1856, in-8°. - Guia do jardineiro, horticultor e lavrador brazileiro ou tratado resumido e claro acerca da cultura das flores, hortaliças, legumes, fructos e cereaes ; da criação e tratamento das abelhas, bicho da seda, animaes e aves domesticas; virtudes e propriedade das plantas, sua classificação, uso e applicações ; do kalendario do jardineiro e horticultor e outros muitos artigos de utilidade. Composto e accrescentado segundo os melhores autores. Rio de Janeiro, 1853, 470 pags. in-8°-Ha nova edição, do Rio de Janeiro, sem data. - Jogo dos disparates amatorios: lindo divertimento para qualquer sociedade, contendo 104 cartões, 52 perguntas e 52 respostas em verso rimado, offerecidos para o divertimento do bello sexo - São impressos na casa Laemmert em bello tachini. 148 cu - Secretario de bom gosto ou collecção de cartas em verso rimado de declarações e peditórios com referencia a casamento e outros objectos familiares ; felicitações para consorcios, annos, baptisados, nascimentos, parabéns, pezames, sentimentos de vários assumptos, assim como versos para álbuns e quadrinhas para lenços. Rio de Janeiro. Custodio de Oliveira Lima, 2o- Portuguez de nas- cimento, mas brazileiro por naturalisação, falleceu no naufragio do vapor Bahia entre a província da Parahyba e a de Pernambuco, a 24 de março de 1887. Entrou como piloto para o serviço da armada a 24 de abril de 1877 e, deixando pouco tempo depois esse serviço, casou-se e estabeleceu residência no Pará. Era agrimensor, sectário fervo- roso do espiritismo, e fazia versos sob a induencia dos espíritos. Escreveu: - Da Phenicia ao Brazil: considerações sobre a marinha mercante do Brazil. Rio de Janeiro, 38 pags. in-8°. - Jesus e Magdalena ( para as senhoras lerem). Rio de Janeiro, 1883, 24 pags. in-8°- O autor parece que tinha consciência de seus versos, quando dá a paternidade delles ã habitantes de outros mundos ; não a quiz para si. Elle mesmo o diz: E' um poema de idilios e de amores Sublimes, castos, puros, divinaes, Que me transmittem uns inspiradores Habitantes dos mundos celestiaes. - Eurico o presbytero: drama historico em quatro actos, sete quadros e epilogo; extraindo do celebre romance do mesmo nome, de Alexandre Herculano. Rio de Janeiro, 1880 - Diz o autor que publicou: - O cárcere do rei - e que tinha á publicar: - Heròes portugueses: drama. - O orphão e o escravo: drama. - O anjo da caridade: drama- Não sei si Acaram inéditos estes dramas; nunca os vi. Custodio Pereira da Veiga - Natural, segundo me consta, de Goyaz, ao menos ahi residiu, e é só o que sei relativameute a sua pessoa. Escreveu: - Memória sobre o descobrimento, governo, população e cousas mais notáveis da capitania de Goyaz. Villa-Bòa, 30 de setembro de 1818, 143 pags. in-fol.- Existe uma cópia in-fol. no archivo militar. CY 149 Cypriano Barbosa Bettamio - Nascido pelo anno de 1818 na cidade da Bahia, e fallecido a 5 de setembro de 1855, dedicou-se ao commercio como guarda-livros e,]não visando nessa classe um futuro melhor por lhe faltarem os meios de ter um esta- belecimento proprio, resolveu-se a estudar medicina, preparou-se convenientemente, fez o curso da faculdade de sua província, e recebeu o grão de doutor em 1847. Achavi-se inscripto para um concurso na faculdade por occasião da epidemia da cholera-morbus de 1855 a 1856 e, offerecendo-se para prestar serviços médicos na cidade de Santo Amaro, de onde se haviam ausentado todas as autoridades, e todos fugiam, porque foi esse o logar em que a epidemia fez mais horrorosos estragos, ahi foi delia affectado, e morreu no duplo exer- cício de medico e delegado de policia. Tinha grande paixão pelo estudo da physiologia, e além de sua these inaugural, escreveu alguns trabalhos sobre esse ramo de conhecimentos médicos, como: - A circulação nos vegetaes e animaes, explicada pelos mesmos princípios: these para o doutorado em medicina. Bahia, 1847, in-4° gr. - Physiologia geral - Sahiu no periodico Crepúsculo, da Bahia, tomo Io, 1845, pags. 65, 84, 101 e 117. - Secreção physiologica - Sahiu no dito periodico, tomo 2*, 1846, pags. 161 e 177, e depois no Archivo Medico brazileiro, tomo 3o» pags. 54 e seguintes. Cypriano Fenelon Guedes Alcoforado - Natural do Ceará e nascido em 1828, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, tendo estudado na de Olinda os quatro primeiros annos do curso. No anno immeliato ao de sua for- matura, em 1850, serviu na cidade do Rio de Janeiro o cargo de juiz municipal. Dedicando-se á advocacia, ha muitos annos, e residindo em Pernambuco, tem sido encarregado de questões que, por mais de uma vez, o têm levado á Europa. Na exposição internacional de hygiene e educação em Londres, foi elle commissario por parte do Brazil e escreveu: - Exposição internacional de hygiene e educação em Londres: Trabalhos da associação brazileira. Rio de Janeiro, 1885, 67 pags. in-8° - Contém, depois do offlcio da legação do Brazil em Londres ao ministro dos estrangeiros, o relatorio do autor e também o do adjunto à commissão, C. E. Gerard. Na qualidade de advogado da companhia Recife Drainage, escreveu: - A Companhia Recife Drainage, defendida perante os tribunaes do império. Rio de Janeiro, 1879, 61 pags. in-4°. 150 CY Cypriano José Barata <le Almeida-Filho de João Alves Barata de Almeida, nasceu na capital da Bahia a 26 de se- tembro de 1762, e falleceu na do Rio Grande do Norte a 1 de junho de 1838. Formado em medicina pela universidade de Coimbra, adheriu aos diversos tentamens para liberdade e independencia da patria, e tão no- tável se tornou, pela firmeza de suas idé is, por sua audacia e coragem inexcediveis, que, sendo eleito por sua província deputado ãs côrtes de Lisboa, foi alvo das iras da maioria que lhe era contraria e até de in- jurias que lhe atiravam das galerias e que elle impávido desprezava. Foi um dos deputados brazileiros que recusaram assignar a carta da constituição portugueza e um dos sete que, ameaçados pela populaça, sahiram ãs occultas de Lisbôa, para em Falmouth assignarem o pro- testo dirigido ás côrtes. Deputado â constituinte brazileira em 1823, não quiz ir tomar assento por entender que serviria melhor, fõra da camara, sustentando pela imprensa a causa que adoptara; mas foi por isso preso em Pernambuco, como conspirador. Desta prisão sahiu em 1829, com a cabeça coberta de longas cãs; mas se achando na Bahia por occasião da abdicação de d. Pedro I, elle que só nos annos enve- lhecera, e cujas idéas ardentíssimas de liberdade se conservariam vi- ventes, elle a quem o povo idolatrava e seguia cegamente, foi de novo preso e enviado à côrte. Ao cabo de dous annos, livre da segunda prisão, já velho, sem forças para trabalhar, sem fortuna, foi para a província do Rio Grande do Norte, e ahi passou o resto de seus dias com os recursos de sua clinica, e de lições do ensino primário. Foi o presidente da sociedade política Club dos amigos, que bastante influiu na revolução de 7 de abril, tendo sido um dos brazileiros que mais se esforçaram pela independencia da p itria em 1822, e por cujos serviços foi condecorado com a dignataria do Cruzeiro. Escreveu: - Sentinella da Liberdade na guarita de Pernambuco (orgão repu- blicano). Pernambuco, 1823, in-4°. - Foi o primeiro orgão republicano que o Brazil teve, e foi publicado na typographia nacional de Pernam- buco. Sahiram 66 numeros e, depois de varias interrupções, devidas às perseguições que o autor soffreu, publicou-se novamente nessa pro- víncia de 1834 a 1835. Nesse interim sahiram: - Sentinella da Liberdade á beira do mar da Praia Grande. Nitheroy, 1823, in-fol. - Publicaram-se apenas 32 numeros. - Nova Sentinella da Liberdade na guarita do forte de S. Pedro da Bahia de Todos os Santos. Bahia, 1831, in-4° - E'uma collecção de 37 numeros, de que sahiu o Io a 29 de maio, formando uma serie de 302pags. Havia estado o autor preso alguns annos quando deu ã luz essa nova serie e a interrompeu por subsequente prisão. CY 151 - Sentinella da Libardade no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1833, in-fol. - E' possível que ainda alguma serie exista. - Manifesto á Bahia de todos os Santos por um deputado ás cortes geraes constituintes de Portugal, com algumas notas. Desengano para brazileiros e europeus residentes no Brazil. Pernambuco, 1823, 16 pags. in-4° - 2a edição, Rio de Janeiro, 1823, in-8° - Motivos de minha prisão e desgraças em Pernambuco e Rio de Ja- neiro, ou breve e curiosa memória e relação dos acontecimentos inte- ressantes ao bem do Brazil, para, no caso de que eu íalleça, servir ad perpetuam rei memoriam e, em quanto vivo, para minha defesa, 1823. - O manuscripto foi apresentado por occasião da exposição da historia do Brazil, em 1831. - Dissertação abreviada sobre a presiganga existente no Rio de Ja- neiro - Mans. de 46 pags. na bibliotheca do instituto historico. Mesta presiganga esteve o autor. - Defesa do bacharel Cypriano José Barata contra as falsas accusações da devassa tirada em Pernambuco em novembro e dezembro de 1824. Rio de Janeiro, 1825 - Correm impressas: Cópia dos accordãos pro- feridos na casa de supplicação deste império nos autos crimes, em que são réos Cypriano José Barata de Almeida e João Mendes Vianna, Rio de Janeiro, 1825 ; e um opusculo que me parece ser escripto pelo mesmo Barata, com o titulo de - Allegação em defesa do réo Cypriano José Barata de Almeida, apresentada ao supremo tribunal de justiça, em o recurso de revista interposto da sentença, que o condemnou á prisão perpetua em uma fortaleza. Rio de Janeiro, 1830. - Requerimento que ã augusta camara dos Srs. deputados dirigiu em 15 de junho de 1827. Rio de Janeiro (sem data), ia-folio. - Falia que fez o deputado Barata em o congresso de Lisbôa por occa- sião do parecer da commissão sobre os negocios do Brazil, que vem no Diário das Cortes á folha 899, etc. Rio de Janeiro, 1830, in-4° - Manifesto que ao respeitável publico apresenta o cidadão Cypriano José Barata de Almeida sobre a sua súbita e tyranna prisão na Bahia e remessa violenta para a côrte, onde se acha ainda preso ; com varias noticias utois ao Brazil inteiro. Rio de Janeiro, 1831, 24 pags. in-8° - Este opusculo é datado de 20 de julho de 1831. Cypriano Lopes <le Arroxellas Gíilvílo - Filho de M moei Ignacio de Vasconcellos Galvão e de dona Maria Ma- nuela de Arroxellas Galvão, nasceu em Olinda a 28 de fevereiro de 1763 e falleceu a 7 de abril de 1848 em Maceió, capital de Alagoas, para onde 152 CY se mudara, sendo presbytero secular, e no tempo em que esta pro- víncia era capitania de Pernambuco. Foi notável prégador, advogado no lôro da antiga capital de Alagôas, conselheiro do governo na inst dlação da dita província, pr »fessor de latim e poeta distincto, princ;palmente na satyra. Escreveu grande numero de composições poéticas de todos os generos ; mas nunca publicou-as. Constam ellas de - Poemetos, odes, sonetos, lyras, etc.- em tão grande quantidade, que muitas pessoas no Estado de Alagôas ainda possuem quadernos cheios, em original ou copiadas. E' possível que sua família ainda as dê ao prelo, enriquecendo nossa litteratura. Cypriano <Ie Souza Freitas - Filho de Eustaquio Epiphanio de Souza Freitas e natural da província do Maranhão, sendo doutor em medicina pel t faculdade do Rio de Janeiro, foi ã Paris, onde dedicou-se ao estudo das moléstias nervosas e applicações da electri- cida.de, frequentando notáveis especialistas, e ainda mais ao estudo da physiologia experimental com o cdebre professor Vulpian que á elle se refere em seu livro « Maladies du systéme nerveaux » publicado em 1879, por havel-o o Dr. Cypriano de Freitas acompanhado em suas lições, incumbindo-se de fazer para ellas as preparações necessárias. Naquella faculdade, serviu o cargo de chefe de gabinete de phy" siologia experimental e agora é lente cathedratico de anatomia e physiologia pathologicas Escreveu: - Neondgias : Athmosphera ; Nevrotomia; Hypoemia intertropical: these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1875, 169 pags. in-4°. - Enervação vaso-motora : these apresentada, etc. para o concurso à um logar de substituto da secção medica. Rio de Janeiro, 1879, iu-4°. - Reproduction experimentale de la paraplegie brachiale - Está nos Comptes rendus de la societé de bioloãe, Paris, 1876. - Physíologíe et therapeutique experimentale: recherches experi- mentales sur 1'action physiologique du páo-pereira (geissospermum Vellosii, Freire Allemão, geissospermum loeve, Baillon)-Na dita revista e nos Comptes rendus de 1'aca lemie des Sciences, Paris, 1877. Nesse trabalho collaborou M. B ichefont iine, e sobre o geissospermo de Velloso, ou páo-pereira, páo forquilha, páo de pente, canudo amargoso' etc. como é também chimado, escreveu o Dr. Francisco Freire Allemão (veja-se este autor ) um artigo com o desenho da planta, no Archivo Medico Brazileiro, tomo 2', pags. 73 a 79. - Observations sur les buis ( buxus superviens ) visant specialement CY 153 la vraie nature du tétanos - Nos Archives de Physiologie de Brown, Segnard, Charcot et Vulpian. Paris, 1878. - Hereditariedade das moléstias infectuosas. Rio de Janeiro, 1887 - O Dr. Cypriano de Freitas é um dos redactores da - Revista dos cursos práticos e theoricos da faculdade de medicina do Rio de Janeiro - cujo Io numero, de 142 pags. in-80, foi publicado em dezembro de 1884. Cyriaco Antonio Araújo - Era natural de Pernam- buco, segundo me parece, alumno do seminário de N. S. da Graça fundado em Olinda pelo bispo Azeredo Coitinho, e bastante versado na lingua latina, como demonstra na seguinte producção sua: - Excellentissimo, nec non reverendíssimo domino Josepho Joaquino a Cunia Azeredio Coitinio, pernambucanensi episcopo, seminarii olin- densis fundatori, studiorum reformatori, atque doctori Cyriacus An- tonius Araujus, ejusdem seminarii alumnus, orationem academicam peracto anno primo recitatam D. O. C.- Vem na obra « A gratidão pernambucana ao seu bemfeitor, etc. », impressa em Lisboa, 1808, in-4°, pags. 130 a 137. Cyriaco Antonio dos Santos e Silva - E' natural da província de Pernambuco, empregado de fazenda com exercício na thesouraria geral do Recife e escreveu: - A malversação de mãos dadas com os depredadores da thesouraria de fazenda da provincia de Pernambuco. Recife, 1875, 44 pags. in-8°. - Cathecismo brasileiro para uso das escolas primarias de ambos os sexos, adoptado em diversas províncias do império - Não sei quando veiu á luz a Ia edição desta obra; só sei que ha sete edições, sendo a ultima da Bahia, 1882, in-8°. Cyriaco Lourenço de Souza - E' bacharel em ma- thematicas e professor de arithmetica do arsenal de guerra do Pará, de onde me parece que é natural, e escreveu : - Elementos de arithmetica para uso das escolas primarias. Rio de Janeiro, 1877 - Segunda edição, Rio de Janeiro, 1880. Cyridião Durval - Filho de Rogério José de Sant'Anna e de dona Theotonia Maria de Sant'Anna Durval e nascido em Tatua- munha, termo de Porto de Pedras e comarca de Porto Calvo, no Estado de Alagoas, a 3 de março de 1860, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, e juiz substituto na 154 CY capital da Bahia. No anno seguinte ao de sua formatura iniciou, em fevereiro de 1886, a carreira da magistratura, como promotor pu- blico da comarca de Ilhéos, neste Estado, tendo, logo na estréa, de sustentar renhida lucta na tribuna judiciaria, no celebre processo instaurado contra o tenente-coronel Gentil José de Castro e seus irmãos que tinham por defensores os notáveis advogados, conse- lheiro A. Carneiro da Rocha, e Drs. Affonso Celso Júnior e Izaias Guedes de Mello. Por motivo de moléstia em 1887 pediu remoção para a comarca de Villa Nova da Rainha, sertão do dito Estado, da qual passou ao logar que exerce. Cultor das lettras desde muito joven, e poeta inspirado, collaborou no Diário de Pernambuco, no Jornal do Recife, Província, Repórter e outros orgãos de publicidade durante o curso de direito e redigiu : - Revista de Pernambuco. Recife...-Teve por companheiro na redacção o inditoso poeta alagoano Antonio José Figueiredo Júnior. - A Republica : orgão do club republiçano académico. Recife...- Teve outros companheiros de redacção - Depois de bacharelado colla- borou no Jornal de Noticias da Bahia, onde tem publicado varias poesias, e onde em 1886 publicou cm vários artigos uma critica ao primoroso livro Cavatinas, do festejado poeta bahiano, o infortunado académico de direito Francisco de Salles Barbosa. Escreveu mais : - Alagoas : (fragmento) versos. Pernambuco, 1881, 16 pags. in-8". - Ruínas: poesias. Pernambuco, 1884, in-8°. - Versos (de Cyridião Durval e Francisco Peixoto de Lacerda Wernek). Pernambuco, 1885, in-8°. - Accordes: poesias. Bahia, 1890, 313 pags. in-8° - Neste volume acha-se o poemêto « Alagoas» de que o autor publicara em 1881 um fragmento e, encerrando o livro, o poemêto «Catastrophe do Taboão » que é o triste idyllio das scenas lugubres e lutuosas que em 1889 en- cheram de consternação todos os habitantes da Bahia. Não é para uma penna qualquer o esboço de tão negros horrores, e o Dr. Durval o fez como melhor não seria possivel. Sei que elle tem inéditos : - Sem titulo : collecção de poesias. - Currente calamo : escriptos diversos. Cyi^illo Augusto da Silva Santiago - E' na- tural de Pernambuco, professor da instrucção primaria, membro hono- rário do conselho da instrucção publica nesse Estado e escreveu : - Conferencia pedagógica sobre lições de cousas : trabalhos da ses- são anniversaria de 25 de março de 1881. Recife, 1881 - Sahiu sob o titulo de « Publicação do grémio dos professores primários », contendo CY 155 mais o programma do curso de sua aula e alguns discursos proferidos na dita sessão por outros professores. - Ensino religioso; por quem deve ser dado, em que proporções deve entrar no programma das escolas ? Nas condições em que se acha a educação domestica entre nós pôde o professor transmittir conveniente- mente e com proveito para os alumnos o ensino primário com as leis e regulamentos vigentes ? - Vem nas « Conferencias pedagógicas, etc. Recife, 1879 » pags. 65 a 72 e 123 a 133. Cyrillo Dilerniando cia Silveira - Natural do Ceará e nascido no segundo decennio do século actual, falleceu no Rio de Janeiro, ha poucos annos. Foi professor de grammatica portugueza nesta cidade, e dirigiu depois um collegio de meninos; mas antes servira na recebedoria do municipio neutro no logar de amanuense. Escreveu: - Collecção de traslados offerecidos para uso da mocidade brazileira. Rio de Janeiro, in-fol. - Compendio de grammatica da língua portugueza da primeira idade: obra adoptada pelo conselho da instrucção publica. Rio de Ja- neiro, 1855, in-8° - Ha outras edições, sendo uma de 1862, de 102 pags. in-4°. A sexta foi feita na typographia de Quirino & Irmão. Rio de Janeiro, 1872, e a oitava feita por Garnier, sem data. - Exercidos de analyse lexicographica ou grammatical, e de ana- lyse syntaxica ou lógica. Rio de Janeiro, 1870, 124 pags. in-8°. Cyrillo Eloy Pessoa cie Barros - Filho do bri- gadeiro José Eloy Pessoa da Silva, de quem occupar-me-hei, nasceu na cidade da Bahia e falleceu no Rio de Janeiro. Matriculou-se na an- tiga academia militar, onde entretanto não concluiu o curso e, assen- tando praça de 1° cadete no exercito, também pouco tempo ahi serviu. Deixando a carreira militar, residiu alguns annos em sua provincia natal, onde exerceu o cargo de inspector geral das aulas, de abril de 1871 a março de 1872, sendo demittido deste cargo e do de collaborador da Revista da Instruoção Publica por conveniência do serviço publico.. Escreveu : - Adelaide: novella. Rio de Janeiro, 18'*. - O annel preto: romance de uma infeliz. Rio de Janeiro, 18**, 2 vols. - Zenobia: drama em cinco actos, extraindo da novella Adelaide. Rio de Janeiro, 18**. - Maria : drama romântico em cinco actos. Bahia, 1858, in-8°. 156 CY - Alcibiades: drama historico em tres actos. Pahia, 1858, in-8°. - Contos bíblicos por J. Durandeau, traduzidos para uso das aulas primarias - Nunca vi as duas primeiras edições ; mas apenas a ter- ceira, que é do Rio de Janeiro, 1872, 52 pags. in-8°. Este livrinho, onde se encontram em resumo os factos mais notáveis da escriptura sa- grada numa linguagem apropriada ás jovens intelligencias, f >i pela directoria geral dos estudos da Bahia mandado admittir nos cursos de ensino primário. - Reorganização do ensino. Rio de Janeiro, 1874, 128 pags. in-8.° - Curso de sciencia hippica ensinado na escola das coudelarias por Ephrem Houel ; traduzido do francez por ordem do ministro da guerra, o Exm. Sr. conselheiro João José de Oliveira Junqueira, e mandado imprimir pelo Exm. Sr. Duque de Caxias. Rio de Janeiro, 1875, 368 pags. in-8°- foi um dos instituidores de - A Nação : jornal político, commerci d e litteraro. Rio de Janeiro, 1872-1876, 8 vols.- Teve por companheiro na redacção desta folhão bacharel João Juvencio Ferreira de Aguiar, mas deixou a outros depois do primeiro anno. - Jornal da Corte : folha politica, commercial, litteraria e industrial. Rio de Janeiro, 1873-1874, in-fol.- (Veja-se Cyro Cardoso de Mene- zes). Em alguns outros orgãos da imprensa ha trabalhos seus, como: - A' memória do distincto poeta Francisco Muniz Barreto : linhas á seu filho do mesmo nome.- No Jo>nal da Tialúa e depois no Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, de 11 de agosto de 1868. Cyrillo de Lemos IViines Fagundes - Filho de Cyrill" Nunes Fagundes e natural de Itaborahy, província do Rio de Janeiro, ê bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1869 ; ex mce a advocacia; foi deputado ã assembléa provincial em varias legislaturas, e eleito á constituinte do Estado do Rio de Janeiro em 1890. Escreveu: - Suspiros d'alma: poesias. S. Paulo, in-8°. - O cântico dos cânticos, traduzido do hebraico com divisões e expli- cações scenicas por Ernesto Renan, e vertido para verso portuguez por Cyrillo de Lemos. Pernambuco, 1865, 68 pags. in-8°. Cyrillo dos Reis Lima - Nasceu na província do Ma- ranhão, e ahi falleceu na villa do Codô, ha alguns annos, com uma tuberculose. Foi religioso da ordem carmelitana, professor no con- vento do Maranhão e, obtendo breve de secularisação, parochiou di- versas freguezias em sua província natal e foi professor da instrucção CY 157 primaria no pequeno seminário de Nossa Senhora das Mercês. Era considerado como homem de talento e trabalhador. De sua penna, porém, só conheço: - Maximas^ sentenças e provérbios reduzidos a historia patria nos quaes figuram como principaes personagens os meninos de um e outro sexo, para a leitura dos mesmos. Maranhão, 1868, 203 pags. in-12°. - Resumo da doutrina santa do antigo e novo testamento para uso dos meninos. Maranhão... Cyro Cardoso de Menezes - Nascido na antiga pro- vinda da Bahia, falleceu no Rio de Janeiro pelo anno de 1877. Depois de alguns estudos de humanidades, viajou pela Europa, onde aperfei- çoou-se em varias linguas, como a franceza, a allemã, a ingleza, as quaes fallava perfeitamente e leccionou em diversos collegios do Rio de Ja- neiro, no afamado collegio de Kõpke em Petropolis e também parti- cularmente. Escreveu: - Vinte annos depois ou os tres mosqueteiros, de Alexandre Dumas, traduzidos, etc. Rio de Janeiro, 1846. 5 vols. in-8°- Esta obra foi pelo mesmo tempo traduzida e publicada em Lisboa por José Hermenegildo Corrêa, que delia fez duas ediçõ •s- - Novo curso da lingua ingleza, pratico, analytico, theorico e syn- thetico, de F. Robertson; adaptado ao ensino da mocidade brazileira. Rio de Janeiro, 1856 - Creio que este livro, ainda em vida do autor, teve segunda edição. - Illustraçao Brazileira: publicação mensal. Rio de Janeiro, 1854 a 1855, in-fol.- Teve por companheiro na redacção desta revista o dr. Ernesto de Souza Oliveira Coitinho, de quem occupar-me-hei neste volume. Com o mesmo titulo publicou-se muito depois no Rio de Janeiro outra revista, redigida pelos irmãos H. eC. Fleiuss. - Brazil lllustrado : publicação litteraria. Rio de Janeiro, 1855 a 1856, in-fol. com ests.- Foram também da redacção F. J. Bethen- court da Silva, F. de Paula Menezes, F. de Paula Cândido e F. Nunes de Souza. Começou esta publicação a 14 de março de 1855, e terminou em dezembro do anno seguinte. - Jornal da corte: folha politica, commercial, litteraria e industrial. Rio de Janeiro, 1873-1874, in-fol.- Era publicado ãs tardes e também teve Cyro Cardoso outro companheiro de redacção, que foi Cyrillo Eloy Pessoa de Barros. Cyro Deocleciano Ribeiro Pessoa - Filho de outro de igual nome e natural da província, hoje Estado da Parahyba» 158 DA falleceu na capital federal a 21 de fevereiro de 1892, sendo engenheiro formado pela escola polytechnica. Foi official da inspectoria geral das terras e colonisação, annexa á secretaria de estado dos negocios da agricultura, no gabinete de cujo ministro serviu em 1883, e depois passou a servir nesta secretaria. Escreveu: - Estudo descriptivo das estradas de ferro do Brazil; precedido da respectivalegislação. Rio de Janeiro, 1886, 509 pags. in-4° com vários mappas demonstrativos - Em dezembro do anno precedente havia sido o autographo apresentado ao respectivo ministro com apreciações muito lisonjeiras do distincto engenheiro, hoje fallecido, Dr. João Martins da Silva Coutinho, de quem occupar-me-hei, afim de ser examinado e impresso por conta do Estado. Cyro Franklin de Azevedo - Filho de Domingos José da Silva Azevedo e nascido na província, hoje Estado de Sergipe, a 18 de abril de 1858, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela facul- dade de S. Paulo, exerceu na côrte o cargo de delegado de policia e foi, depois, nomeado ministro do Brazil junto á republica do Perú. Collaborou, sendo estudante, para alguns jornaes e redigiu: - O Americano. Proprietários e redactores Cyro de Azevedo e Sá Miranda. S. Paulo, 1881 - Depois escreveu: - Estudos sociaes e litterarios. S. Paulo, 1882, 95 pags. in-8° - São artigos já publicados no Constituinte e na Gazeta do Povo, versando sobre o principio de autoridade ea liberdade humana; os reis e os povos ; a revolução; a prostituição e o adultério, etc. - Discurso pronunciado na defesa de A Ibérico Delascar de Souza Leite. Rio de Janeiro, 1886 - Trata-se de um dos crimes mais celebres no Rio de Janeiro. - Defesa Alberico (segunda). Rio de Janeiro, 1886. - Propaganda Republicana. Rio de Janeiro, 1889. Danxiílo Barbosa de Araújo - Filho de Francisco Barbosa de Araújo, nasceu a 27 de setembro de 1778, na villa, depois cidade de Itaparica, da Bahia, e falleceu pelo meiado do século actual. Seu pae, habil sapateiro, era tão amante da musica que, não só a cul- tivava, como destinava para essa arte tres filhos que tinha; mas, como dous delles fallecessem, só Damião pôde realizar seus desejos e DA 159 por fôrma tal, que mesmo na Bahia, sem escola, sem mestres, tor- nou-se um musico notável, quanto o poderia ser naquella epoca. Na vinda do príncipe regente ao Rio de Janeiro, pôde elle obter um logar de addido á musica da brigada do dito príncipe, da qual foi depois chefe ecompositor. No Rio de Janeiro não encontrou ainda conserva- tório, nem o esperado cultivo da arte. Procurou, porém, relacionar-se com os primeiros mestres, como José Maurício e Marcos Portugal; foi admittido na capella imperial como violino e foi mestre de uma banda de musica de menores. Escreveu em grande cópia : - Marchas e outras composições militares. - Avias, duettos e córos para operas theatraes, que então se repre- sentavam na Bahia. - Árias, romances, concertos, etc., para salão; sendo ainda hoje apreciadas algumas de taes composições. - Quarttêto, offerecido ao ministro Antonio de Araújo. - A intriga amorosa, composição para canto, com lettra italiana. - Missa, offerecida ao Sr. D. Pedro I. - Missas e matinas (duas) offerecidas a João Baptista Lisboa- Para solemnidades da igreja ha varias composições suas, ainda em uso na Bahia. Damião da Hora - E' natural da Bahia, e ahi tem resi- dência. No intuito de dedicar-se ao estado ecclesiastico, fez alguns estudos ; mas não proseguiu nelles por mudar de resolução. Es- creveu: - Traços biographicos do padre-mestre frei Antonio Itaparica. Bahia, 1879, 31 pags. in-8° - Refere-se o autor ao sabio franciscano, frei Antonio da Virgem Maria Itaparica. Daniel Arthur Horta O'Leary - Filho de Daniel Arthur O'Leary e de dona Mathilde da Silva Horta O'Leary, nasceu em Sabará, Minas Geraes, a 25 de agosto de 1836 e falleceu a 13 de março de 1884. Bacharel em direito, pela faculdade de S. Paulo, ser- viu na magistratura como promotor e depois juiz municipal em sua provincia e, vindo para o Rio de Janeiro em 1866, aqui exerceu no ministério da marinha o cargo de bibliothecario interino e o de pri- meiro official do conselho naval, interprete e archivista. Era caval- leiro da ordem da Rosa. Escreveu : - Regras para prevenir os abalroamentos no alto mar. Tra- ducção do original inglez. Rio de Janeiro, 1870, 59 pags. in-8° com 4 ests. 160 DA Daniel Garção <le Mello - Nasceu no ultimo quartel do século XVIII na antiga província do Pará, segundo uns, ou em Lis- boa, segundo outros. O que é certo é que fizera sua educação litte- raria em Portugal, de onde veiu para o Brazil com seu amigo Felippe Alberto Patroni, e que estabeleceu-se no Pará, quando foi acclamada a independencia, cuja causa abraçou, persistindo no império. Era ta- chygrapho p foi quem introduziu no Pará a primeira offlcina typo- graphica que a província teve. Sua grande intimidade com Patroni fez que alguém suppuzesse serem da penna deste obras que escreveu e deu ao prelo, como : - Peças interessantes relativas â revolução effectuada no Pará, afim de se unir á sagrada causa da regeneração portugueza. Lisboa, 1821, 110 pags. in-8° - Redigiu : - O Indagador Constitucional (periodico político). Lisboa, 1821, in-fol. Daniel Garder - Oriundo de familia ingleza, não pude saber onde nasceu, nem quando falleceu. Doutor em medicina, foi professor de chimica da academia militar e ainda vivia no Rio de Janeiro em 1825. Escreveu: - Syllabus ou compendio das lições de chimica com a protecção de sua alteza real, o principe regente de Portugal. Rio de Janeiro, 1810, in-4°. Daniel Pedro Muller - Filho de João Guilherme Chris- tiano Muller, nasceu no mar, em viagem da Allemanha para Lisboa, pelo anno de 1785 e falleceu em S. Paulo a 1 de agosto de 1841 no ele- vado posto de marechal de campo do exercito imperial, em que se re- formara em 1838 com mais de 34 annos de serviço. Fez o curso de mathematicas em Lisboa com praça de cadete de artilharia e o concluiu com o posto de capitão, passando a servir como major na antiga pro- vincia de S. Paulo, onde o capitão-general Antonio José da França e Horta chamou-o para seu ajudante de ordens. Transferido para o corpo de engenheiros com a promoção ao posto immediato, foi um dos membros do governo provisorio dessa província. Em 1825, já brigadeiro, militou na campanha de Buenos-Aires como ajudante general e commandante da praça, e depois de feita a paz, commandou no Rio de Janeiro a for- taleza de Santa Cruz. Não só cultivou as lettras, como também a pin- tura, tornando-se notável na perspectiva. Era membro do Instituto historico, possuia diversas condecorações e escreveu uma collecção de cathecismos sobre diversos ramos dos conhecimentos humanos, dos DA 161 quaes publicou alguns, e outros ficaram inéditos. Tenho noticia das seguintes obras suas: - Princípios de grammatica da lingua portugueza. Rio de Janeiro, 18*. - Cathecismo da religião christã. Rio de Janeiro, 18. - Cathecismo de arithmetica. Rio de Janeiro, 18*. - Cathecismo de geographia. Rio de Janeiro, 18* - Estas quatro obras foram as primeiras que escreveu e que offereceu ao Instituto, donde desappareceram ! - Cathecismo de mythologia. Rio de Janeiro, 1841. - Cathecismo de historia natural. Rio de Janeiro, 1841. - Estatística da província de S. Paulo. S. Paulo, 1837 - Foi escripta por incumbência do governo da província em 1836 e impressa por ordem do mesmo governo. - Mappa chorographico da província de S. Paulo - Este mappa foi gravado em Paris, donde chegou depois de ter o autor fallecido, em 1841, e é o mais exacto de todos os trabalhos deste genero, até então publicados, da província de S. Paulo. Consta que deixara outras obras, promptas a irem ao prelo. ZDario Raphael Chilla.it o - Filho do general João Chry- sostomo Callado, nasceu em Montevideo, ainda província Cisplatina e sendo bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, entrou na carreira da magistratura como promotor da Estrella e foi eleito juiz de direito servindo como chefe de policia em Minas Geraes, depois no Rio Grande do Sul e por ultimo na corte. Neste cargo desappareceu elle em 1867, sem que se soubesse seu destino, suppondo-se ser o seu um cadaver que, quasi reduzido á ossada foi descoberto na caixa d'agua de Santa Thereza, alguns mezes depois, quando se pro- cedia ã lavagem da mesma caixa. Escreveu: - Projecto de regulamento para a venda e còrte de gado no mercado da còrte. Rio de Janeiro, 1867, in-4° - Ao projecto seguem o pro- testo do presidente da camara municipal, que era então o Dr. João Baptista dos Santos, hoje Visconde de Ibituruna ; a informação do chefe de policia e por ultimo o voto do ministro do império, Marquez de O linda. David Benedicto Ottoni - Filho de Augusto Benedicto Ottoni e de dona Maria Carlota Ottoni e nascido na província, hoje Es- tado de Minas Geraes, é doutor em medicina pela faculdade da Bahia, tendo feito todo o curso na do Rio de Janeiro, e exerce a clinica nesse 162 DA Estado, dedicando-se com especialidade ao estudo da ophtalmologia. Escreveu: - Beriberi; Valor da docimacia pulmonar nas investigações medico- legaes; Do melhor tratamento das hydroceles da túnica vaginal ; Phtisica pulmonar aguda: these inaugural. Bahia, 1879,123 pags. in-4°. - Ophtalmia, purulenta das crianças recem-nascidas. Rio de Janeiro, 1888, 31 pags. in-8°- Este opusculo foi distribuído gratuitamente, prestando assim o autor um grande serviço á muitos « entes infelizes que vivem illudidos sobre a procedência de sua desgraça». Diz elle que muitas vezes tem ouvido as pobres victimas do deleixo dizerem: sou cego de nascimento, fazendo ã natureza uma injustiça. - Nota sobre casos de syphilis ocular. Rio de Janeiro, 1888, in-8°- E* uma collecção de factos observados pelo autor numa excursão pelo Estado de Minas Geraes. David Correia Sanches de Frias - Brazileiro se declara elle ; si não de nascimento, ê naturalisado. Nadamaisseia seu respeito. Escreveu: - O sello da roda, drama em tres actos e um prologo, extraindo do romance do mesmo titulo de Pedro Ivo. Pará, 1878 - Vi mais annun- ciada a seguinte producção sua: - Notas a lapis, passeios e digressões peninsulares. 1886. Ou vi d da Fonseca Viiito - Natural de Cacheu, África portugueza, ahi falleceu pelo anno de 1850 ou pouco antes. Residindo no Brazil, aclheriu ã sua independencia e viveu ainda alguns annos no Maranhão e depois no Rio de Janeiro, donde passou á Lisboa. Sendo 'então brazileiro adoptivo, não só figurou na imprensa politicado reino, como entrou no funccionalismo publico, e servia no logar de seu nasci- mento, quando morreu. Escreveu : - Odes á S. M. I. o Sr. D. Pedro I - São duas odes, publicadas no livro «Fidelidade maranhense, demonstrada na sumptuosa festivi- dade, que no dia 12 de outubro e seguintes fez a camara da cidade de S. Luiz, Maranhão, 1826» pags. 63 a 95 e 106 a 110. - A' independencia do Brazil: soneto - Idem, pag. 121. Redigiu : - Minerva. Maranhão, 1825-1826, in-fol.- E' uma folha retrograda na opinião muito competente de Joaquim M. Serra. - Caramurú : Villa da Praia Grande, 1832, in-fol. - Chronica Constitucional. Lisboa, 1834 - Cessou com a convenção de Evora Monte, em maio deste anno. - Diário da Cainara dos Deputados - Lisboa, 1839-1840. DA. 163 David Moreira Caídas - Nasceu na villa das Barras, província do Piauhy, a 26 de junho de 1835 e falleceu na cidade de The- rezina, capital da mesma província, ha poucos annos. Tendo feito alguns estudos de humanidades, serviu o cargo de official archivista da secretaria da presidência ; foi nomeado professor de historia e de geographia do lyceo de Therezina ; deu-se com fervor á estudos de estatística, mórmente aos relativos á sua província e ás que lhe são limitrophes, e foi deputado á assembléa provincial em 1868. Escreveu: - Relatorio da viagem feita de Therezina até á cidade da Parna- hyba pelo rio do mesmo nome, inclusive todo o seu delta, por ordem do presidente do Piauhy. Therezina, 1867, 126 pags. in-4°- Por esta mesma occasião levantou a - Planta da cidade de Therezina, 1867 - Já existia desta cidade uma planta, cujo autor ignoro quem seja, a qual foi accrescentada e recti- ficada por Moreira Caídas, e é este o trabalho de que se trata. Neste mesmo anno fez elle a planta topographíca do rio Parnahyba. - Oitenta e nove : monitor republicano do Piauhy sob a direcção de David Moreira. Therezina, 1873-1874, in-fol. - Onde foi impresso o Ferro em braza e de quem seja este novo pe- riódico. Therezina, 1877, in-fol.- Esta publicação sahiu em diversos numeros, e o Ferro em braza foi uma folha que por essa época ahi se publicou. Desse autor ha um - Diccionario historico e geographicodo Piauhy - que elle, quando falleceu, acabava de escrever, e deve existir em poder de algum parente ou amigo. Fr. David dos Reis - Nasceu no reconcavo da Bahia em 1698 e falleceu pelo anno de 1761, sendo religioso da ordem seraphica de S. Francisco, professo no convento de Paraguassú a 6 de janeiro de 1718. Foi muito applicado aos estudos superiores ; leccionou artes no convento da Bahia por tres annos e dahi passou para o de Olinda, em Pernambuco, onde leccionou theologia nove annos. Sendo distincto orador sagrado, apenas publicou: - Sermão da profissão de soror Justina de Sant'Anna, pregado no convento da Lapa da cidade da Bahia. Lisboa, 1755, in-4°. Davino Nomisio de Aquino - Filho do major Manoel Thomaz de Aquino e de dona Clara Maria de Mello Aquino, nasceu na cidade de Propriá, do actual Estado de Sergipe, é doutor em medicina pela faculdade da Bahia e foi deputado á assembléa do mesmo Eestado, 164 DF então província. Collaborou em vários periódicos, como o Collegial, Lince, Liberal, e outros, todos de Sergipe, e escreveu : - Nenia escripta por occasião da morte de uma joven esposa. Bahia, 1879, 16 pags. Hn-12°. - Feridas envenenadas (dissertaçãoj ; Apreciação dos meios empre- gados na cura dos estreitamentos da urethra; Juizo critico acerca dos extractos pharmaceuticos ; Heranças pathologícas : these apresentada, etc. Bahia. 1880, 72 pags. in-4° gr. D. Delfina <L:i Caiilia- Filhado capitão- môr Joaquim Ferreira da Cunha Sá e Menezes e de dona Maria de Paula e Cunha, nasceu na villa de S. José do Norte, da antiga provín- cia do Rio Grande do Sul, a 17 de junho de 1791, o falleceu a 13 de abril de 1857. Cega desde a idade de 20 mezes, em consequência do soffrimento de variola, possuia uma intelligencia brilhante e conheci- mentos pouco vulgares n'uma moça, sobretudo na época em que flo- resceu ; e foi tão favorecida das musas que aos doze annos compunha excellentes versos, distinguindo-se mais tarde como repentista. Em todas as suas composições, porém, se nota facilmente esse cunho do desgosto que lhe pungia a alma por não ver a luz. N'uma delias, por exemplo, assim se exprime : Hoje, qual uma taboa no oceano Abandonada ao impeto das ondas E perdida para todos - tal me vejo ! Tudo carêço, porque a luz é tudo. Dai-me luz... dai-me luz, em vão vos peço 1 Pois bem - o braço ao menos e, segura, Meus passos levarei á sepultura. São de sua penna : - Poesias offerecidas ás senhoras rio-grandenses. Porto Alegre, 1834, in-8° - Precede o livro um soneto, servindo-lhe de introducção, no qual a autora patenteia os amargumes que traga em seu viver de trevas. - Poesias offerecidas ãs senhoras brazileiras por sua patrícia, etc. Rio de Janeiro, typ. Austral, 1838, 160 pags. in-12 - Houve outra edição no mesmo anno e no Rio de Janeiro, typ. Imperial e Constitu- cional de J. Villeneuve & C.a, 156 pags. in-8°, contendo mais uma quadra glozada. - Collecção de varias poesias (dedicadas á Imperatriz viuva). Rio de Janeiro, 1846, 191 pags. in-8° - Ainda ha algumas composições de dona Delfina, posteriormente escriptas e das mencionadas têm sido DE 165 algumas reproduzidas em diversas publicações, como o Florilégio da infancia, a Selecta Brazileira, o Parnaso Brazileiro, etc. Encontrara-se dona Del fina com A. F. de Castilho, também poeta e cego, e depois de palestrarem e recitarem seus melhores versos, elle mostrando-se arrependido de haver escripto contra as mulheres, pediu-lhe que desculpasse aquellas palavras que tanto as feriam nos seus Ciúmes, proferidas pelo bardo-ao que ella immediatamente respondeu: « Não ha que desculpar ; o senhor o puniu assaz. « Então o que fiz, minha senhora ? Explique-se. « Afogou-o nas ondas do lago... Delminda Silveira de Souza - Filha de José Silveira de Souza e de dona Caetana Silve;ra de Souza, e sobrinha do doutor João Silveira de Souza, de quem hei de occupar-me, nasceu na capital de Santa Catharina ; é uma distincta poetisa que tem publi- cado varias composições suas em folhas deste Estado, dos de S. Paulo, Rio Grande do Sul o Rio de Janeiro, bem como no Almanak de lem- branças luso-brazileiro. Destas composições citarei: - Elegia á inesperada e consternadora morte da excelsa senhora D. Thereza Christina Maria, ex-imperatriz do Brazil -No citado Almanak para 1891, pags. 379 e 380. - Na convalescença - publicada em S. Paulo. D. Delminda vae dar ao prelo um livro de poesias inéditas com o titulo: - Crenças e phantazias - das quaes possuo um folheto de lettra sua, contendo as poesias: Deus; Mãe ; Vesper ; Saudade ; Minha infancia; Não sei ; Duas flores ; Recordações, que termina com os seguintes versos : Mas a flor dura um dia; a briza passa ; geme a rôla ; suspira a briza pura, e morre a onda quando chega á praia.... E assim passa-se a quadrada ventura !... E da avezinha, que o voar ensaia, Rasga-se o peito contra a rocha dura ! Esse quaderno fecha-se com tres escriptos em proza : Edelweis, conto instantâneo ; A volta do Sol depois da tempestade ; A flor do poeta. Demetrio Acacio Fernandos da Cruz - Natu- ral da provincia de Pernambuco, nasceu a 9 de abril de 1831. Prin- cipiou sua vida publica, com praça de cadete no segundo batalhão de artilharia a pé, estudando na antiga escola militar. Depois, porém, obtendo sua demissão do exercito, entrou para o serviço publico de 166 r>E fazenda, foi inspector da alfandega de Paranaguá e serviu como confe- rente na do Rio de Janeiro pelo menos de 1864 a 1871. Reside actual- mente, segundo me consta, em Uruguayana, Estado do Rio Grande do Sul. Escreveu: - Apontamentos históricos, topographicos e descriptivos da cidade de Paranaguá. Rio de Janeiro, 1863, dous tomos - Esta obra comprehende os tomos 11°, 123 pags. in-8° e 12°, 140 pags. in-8°, da Bibliotheca bra- zileira publicada por Quintino Bocaytiva, e sobre ella sahiu um juizo critico no Constitucional em abril de 1863. Foi um dos redactores do - Commercio do Paraná: folha commercial, litteraria e noticiosa. Publicação hebdomadaria. Proprietário e principal redactor Leocadio Pereira da Costa. Paranaguá, 1862 a 1863, in-fol.- Foi sua a redac- ção durante seu exercício na provincia, continuando a folha depois disto. Ha ahi artigos seus sobre agricultura, navegação, política e interesses da provincia. Demetrio Cyriaco 1'ouriulio - Filho do commen- dador José Vicente Gonçalves Tourinho e de dona Francisca Guilhermina Pinto da Cunha Tourinho, nasceu na cidade da Bahia a 16 de março de 1826 e faileceu a 15 de abril de 1888, sendo doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, onde estudou apenas o ultimo anno do respectivo curso; lente da pathologia da faculdade daquella cidade; professor jubilado de grego do lyceo provincial; director do asylo de S. João de Deus, para alienados ; membro eífectivo do conselho supe- rior da instrucção publica; do conselho do Imperador; membro da aca- demia nacional de medicina ; do instituto medico pernambucano ; do instituto historico e geographico brazileiro ; da academia de sciencias medicas, e do instituto litterario da Bahia ; da sociedade Amante da instrucção e da sociedade propagadora das bellas artes do Rio de Janeiro; commendador da ordem de Christo. Foi deputado á assembléa de sua provincia por varias vezes; membro da antiga commissão de hygiene publica e desempenhou varias commissões do governo imperial. Escreveu : - Antagonismo entre as febres paludosas e a thisica pulmonar: dis- sertação inaugural. Rio de Janeiro, 1847, in-4°. - Exposição breve do estado da epidemia reinante na cidade de Santo Amaro nos dias 25, 26 e 27 de agosto. Bahia, 1855, in-8° - Re- fere-se à epidemia de cholera-morbus que em Santo Amaro grassou de modo tal, que quasi toda a população foi acommettida da moléstia, todas as autoridades abandonaram a ci lade, e o numero dos mortos foi tal, que não se pôde proceder á inhumação ; foram incinerados. de 167 - 0 aux!lio fornecido pela escutação e percussão será sufficiente para o diagnostico das lesões do coração ? These de concurso para um logar de oppositor da faculdade de medicina. Bahia, 1857, in-4°. - Innervação: these apresentado no concurso á um logar de oppo- sitor da secção medica. Bahia, 1859, in-4°. - Qual è a natureza da febre puerperal ? Qual é o seu melhor trata- mento? These apresentada no concurso a um logar de oppositor da secção medica. Bahia, 1860, in-40.' - Funcção do grande sympathico : these apresentada no concurso ao logar de lente de physiologia. Bahia, 1865, in-4°. - Quaes as causas que mais concorrem para o desenvolvimento da hypoemia intertropical ? Sob o ponto de vista etiologico poder-se-ha determinar e achar relações entre essa affecção e a presença do anchy- lostomum duodenal ? These apresentada no concurso à cadeira de pa- thologia interna. Bahia, 1871,in-4°. - Memória histórica dos acontecimentos notáveis, occorridos no anno de 1870 na faculdade de medicina da Bahia. Rio de Janeiro, 1871, in-fol.- Acha-se também no relatorio do ministério do império, deste anno, e na Gazeta Medica da Bahia, 1871-1872, pags. 105, 121, 137 e segs.- O Dr. Demetrio redigiu a - Gazeta Medica da Bahia, publicada por uma associação de facul- tativos. Bahia, 1871 a 1874- Esta revista, que se publica mensalmente em livretos, começou em 1886 senlo seu primeiro redactor o Dr. Vir- gilio Climaco Damasio, de quem farei menção e depois pelo Dr. Antonio Pacifico Pereira até sua viagem á Europa ( vejam-se estes nomes ). Notam-se ahi do Dr. Demetrio : - Os cryptogamas agentes das moléstias infectuosas. Investigações sobre as causas das febres palustres - No vol. de 1871-1872, pags. 30 e segs. - Breves considerações sobre a fundação do asylo de alienados na quinta da Boa-Vista, denominado S. João de Deus. Carta dirigida á Mesa da Santa Casa da Misericórdia desta cidade (Bahia), eleita em junho de 1872 - No vol. de 1872-1873, pags. 23 e 40 e segs. Redigiu antes disto o - Diário da Bahia. Bahia, 1855 a 1857, in-fol. gr.- Esta folha, que nada tem com outra de igual titulo, muitos annos antes publicada namisma província, começou a publicar-se a 1 de janeiro de 1855> fundada e redigida pelo Dr. Demetrio e por seu cunhado, o Dr. Manuel Jesuino Ferreira (veja-se este nome). Ainda estudante foi um dos collaboradores do Crepúsculo, periodico instructivo e 168 DE moral da sociedade Emulação litteraria da Bahia, a que pertencia e ahi publicou: - Nelly: romance de Charles Dickens - no tomo 2°, pags. 15, 28, 45, 62, 75 e segs. - Madame de Stael - Idem, pags. 137, 164 a 185 esegs.- E mais estes trabalhos em prosa: - A imprensa ; As lettras no Brazil; Monumentos; Reflexões sobre a mulher - no tomo Io, pags. 94 e 186, e tomo 2o, pags. 18 e 120 e segs. - Ballata imitada de Lewis e Castilho - no tomo 1°, pags. 182 a 185- E mais estas poesias : - O paricrida, ode ; A andorinha mensageira de Eurico Meyer; A innocencia (áLelia) - no dito tomo, pags. 162, e tomo 2o, pags. 122 e 134 e segs. Demetrio ISTunes .Ribeiro - Natural do Estado do Rio Grande do Sul, é bacharel em sciencias physicas e mathematic is pela escola central e professor de sciencias naturaes da escola normal de Porto Alegre. Conhecido por suas idéas democráticas e pela nobreza de seu caracter, foi o primeiro nomeado pelo governo provisorio dos Estados Unidos do Brazil para ministro dos negocios da agricultura, commercio e obras publicas por occasião de ser proclamada a Republica, mas por muito pouco tempo geriu essa pasta, pedindo exoneração do cargo e sendo depois eleito deputado ao congresso nacional. E' um dos redactores da - Federação. Porto Alegre, 1890 e 1891 - e escreveu: - Curso elementar de arithmetica. Ia parte: Arithmetica pari as escolas. Pelotas, 1881 - Segunda edição, Pelotas, 1883, 120 pags. in-8°, sendo cada exemplar numerado e rubricado pelo autor. - Curso elementar de arithmetica. 2a parte: Arithmetica elementar. Pelotas, 1882, 190 pags. in-8V I>eocleciaito Toamos - Filho do capitão Deocleciano Casi- miro Ramos e de dona Maria Emilia da Silva Ramos e natural da Bahia, é doutor em medicina e adjunto de clinica cirúrgica na faculdade deste Estado, e escreveu: - Doutrina da pyemia ; Considerações áeerca da eclampsia e seu tratamento ; Valor do exame da urina nas moléstias de tigado ; Phe- nomenos capillares e suas leis: these inaugural. Bahia, 1881, 51 pags. ãn-4°. - Indicações obstétricas nos casos de estreitamento da bacia : these DE 169 de concurso para lente cathedratico de clinica obstétrica e gynecolo- gica. Bahia, 1885, 53 pags. in-4°. - Discurso proferido no acto da collação do gráo, etc. em 14 de de- zembro de 1881, mandado imprimir por seus collegas. Bahia, 1881, 12 pags. in-4°. - Boletim geral de medicina e cirurgia. Bahia 1887 - E' destinada esta revista á registrar o movimento medico do Brazil e dos paizes mais adiantados, sendo o Dr. D ocleciano Ramos seu principal redactor, com os Drs. F. Braulio Pereira, Alfredo Brito, Almeida Couto, Victo- rino Pereira e Virgílio Damasio. DeocleciEmo Júlio Pegado - Filho do capitão Augusto Julio Pegado e de dona Emilia Augusta Pegado, nasceu em Pirahy, província do Rio de Janeiro, a 3 de julho de 1851. Doutor em medi- cina pela faculdade da capital federal, formado em 1877, antes disto - em 1873, prestou perante a instrucção publica exames de latim e de francez com o fim de habilitar-se para o magistério e leccionou essas matérias em diversos collegios. Depois de doutorado deu-se exclusiva- mente ao exercício do sua profissão, demorando-se no Riacho Novo, município e freguezia de Valença, na dita província e, desde estudante tem sabido amenisar as asperezas da sciencia á que dedicou-se, culti- vando a litteratura amena. Escreveu: - Vespertinas : poesias. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - De insania puerperali; De infanticídio ; De entropioet de ectropio ; De medicatione tónica: thesis, quam facultate medico fluminensi ad medicint», doctoris gradum obtinendum, etc. - Fluvii Januarii, 1877, 65 pags. in-4°. - A Dosimetria perante a therapeutica. Breve discussão sobre o sys- temadoDr. Burggraeve: memória offerecida á imperial academia de medicina. Valença, 1881, 24 pags. in-8°. - A emancipação dos ingénuos : serie de artigos publicados no Tempo, periodico de Valença, 1881 - Fazendo parte da redacção deste periodico, ahi o Dr. Pegado escreveu, além de artigos sobre a educação dos ingénuos, sobre eleição directa e sobre outros assumptos, o seguinte: - Duas palavras sobre a catalepsia - Sei que ainda tem alguns tra- balhos inéditos, como: - Sete annos perdidos : romance. - A educação feminina sob o ponto de vista physico, moral e intel- lectual: dissertação. Deolindo Américo do Brazil Pontes - Natural 170 Dl da Bahia e ahi fallecido pelo anno de 1867, foi professor do gymnasio bahiano, e escreveu : - Poesias. Bahia, 1860, in-8°. - Poesia recitada na occasião do festim no gymnasio bahiano em applauso á nomeação do senho? doutor padre Antonio de Macedo Costa, professor de historia e religião do mesmo estabelecimento, para bispo do Pará. Bahia, 1860, 9 pags. in-8°. - Canto ao dia 9 de setembro de 1860, anniversario natalicio do lllm. Sr. Dr. Abilio Cesar Borges- Vem nas « Poesias oíferecidas ao Dr. Abilio Cesar Borges, etc., Bahia, 1860 » pags. 3 a 6. - Ao immortal Dous de julho : canto recitado a 3 do mesmo mez no Outeiro dos alumnos do gymnasio bahiano ; Ao dia Sete de setembro - Nas « Poesias e allocuções recitadas nos Outeiros do gymnasio bahiano ou festas litterarias patrióticas havidas no mesmo gymnasio a 2 de julho e 7 de setembro do corrente anno. Bahia, 1860 » pags. 12 a 16 e 29 a 33. Dermeval José da Fonseca- Filho de Ladislau José da Fonseca e nascido na cidade de Rezende a 23 de março de 1852, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e cavalleiro da ordem da Rosa. Sendo delegado da inspectoria geral de hygiene foi eleito senador do Estado do Rio de Janeiro em 1891. Serviu depois de sua formatura como ajudante do director da bibliotheca da mencionada faculdade e por duas vezes tem viajado pela Europa. Faz parte da redacção da - Gazeia de Noticias. Rio de Janeiro - Esta folha está no seu 18° anno de existência, começando sua publicação a 2 de agosto de 1875. Escreveu : - Phthisica pulmonar aguda; Das quinas; Apparelho da respi- ração ; Do diagnostico differencial das moléstias chronicas do ence- phalo : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1879, 168 pags. in-4°. - O padeiro de Sorocaba... - Nunca pude ver esse trabalho. - Madame Torpilli, modista para ambos os sexos, rua do Ouvidor 69 A : vaudeville em dous actos - Foi escripto de collaboração com Soares de Souza Júnior, e levado á scena no theatro Sant'Anna, a 17 de agosto de 1888. Oidinio Agapito daVeiga, Io - Filho do conselheiro João José da Veiga e de dona Eugenia da Veiga, nasceu, segundo me afllrma pessoa muito competente, no Rio de Janeiro ou, segundo vejo na lista geral dos bacharéis e doutores que têm obtido o gráo no curso X>I 171 jurídico da faculdade de S. Paulo, em Portugal a 9 de março de 1818. Bacharel por esta faculdade, formado em 1842, e moço fidalgo da ex- tincta casa imperial, seguiu a carreira da magistratura, na qual subiu até o cargo de desembargador - e escreveu: - Manual das custas do processo, contendo o regulamento de 3 de março de 1855 e a legislação relativa, explicando, modificando, e am- pliando ; offerecido aos juizes, escrivães e contadores do fôro. Paris, 1868, 141 pags. in-8°. - Processo da fallencia, coordenado conforme o Codigo do commercio e as ultimas leis, decretos e avisos publicados. Rio de Janeiro, 1869, 160 pags. in-8°-A respeito deste livro se pronunciou, louvando-o, a Re- vista Juridica, tomo 6o, pag. 248. - O amigo e conselheiro dos commerciantes : obra popular, acces- sivela todas as comprehensões, contendo o Codigo completo do com- mercio com a explicação minuciosa e succinta de todas as disposições que lhe são relativos, de todos os pontos duvidosos a negociantes, que por esse meio adquirirão facilmente um perfeito e exacto conhecimento de todas as clausulas do Codigo commercial. Rio de Janeiro, 1873,2 tomos, 400-413 pags. in-8°. Didimo Agapito da Veiga, 2o - Filho do precedente e de dona Francisca Osorio da Veiga, nasceu a 28 de junho de 1817 no Rio de J meiro. Como seu pae, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, onde terminou o curso em 1868, como elle dedicou-se á magistratura, servindo um logar de juiz municipal em S. João da Barra, e depois o de juiz de orphãos de Campos, na província do Rio de Janeiro, do qual passou a juiz de direito de Itapemirim na do Espirito Santo, onde entrou em exercício a 25 de abril de 1876, sendo o primeiro juiz de direito que teve essa comarca. Pelo governo da Republica foi nomeado em 1891 procurador fiscal do thesouro nacional. Foi um dos jovens que durante o curso académico mais se distinguiram, não só por sua applicação ás sciencias jurídicas» como por ser um dos mais mimosos cultores das lettras amenas. Escreveu: - Direito criminal. Da tentativa e da cumplicidade. Rio de Janeiro, 1871, in-8°. - Direito criminal. Da autoria. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - A lei do recrutamento de 26 de setembro de 1874, annotada com os decretos, avisos e circulares, que lhe dizem respeito ; seguida dos re- gulamentos que baixaram com os decretos n. 5831 de 27 de fevereiro de 1875 e n. 5914 de 1 de maio do mesmo anno, e de um índice alphabetico 172 1>I para facilitar a consulta. Rio de Janeiro, 1876, 285 pags. in-8°, com 7 mappas e modelos. - Primeiras linhas sobre o processo orphanologico por José Pereira de Carvalho: nova edição, extensa e cuidadosamente annotada com toda legislação, jurisprudência dos tribunaes superiores e discussão dou- trinal das questões mais controvertidas do direito civil pátrio com applicação ao juizo orphanologico. Rio de Janeiro, 1879-1880, 2 vols. in-8° - E' a 3a edição da obra de J. P. de Carvalho. -Marcas de fabricas. Decreto legislativo n. 2682 de 23 de ou- tubro de 1875, annotado com toda legislação brazileira e estrangeira, jurisprudência dos tribunaes nacionaes e francezes, consultas do conselho de estado e doutrina referente ao assumpto. Rio de Janeiro, 1877, 187 pags. in-8°. - As servidões reaes : estudo de direito civil. Rio de Janeiro, 1887, in-8°- A obra é dividida em tres partes, em que se trata: da doutrina geral sobre as servidões, das servidões urbanas e das ruraes. - Commcntarío da lei das sociedades anonymas. Rio de Janeiro, 1888, in-8°- E' um grosso volume em que se elucidam muitos pontos e questões, a que a interpretação dessa lei pôde dar logar. - Registro civil. Annotações ao decreto de 7 de março de 1888. Rio de Janeiro, 1889, in-8°. - Ondinas : poesias. Rio de Janeiro, 1868, 156 pags. in-8° - Este livro é dividido em duas partes: Miragens e vozes d'alma. São versos que o autor compuzera desde seu primeiro anno académico ; são versos cheios de imaginação, de viva e energica inspiração e de que alguns já haviam sido publicados em 1866 no volume «Retratos biographicos de académicos contemporâneos.» (Veja-se Antero Ferreira de A vila.) - Palmas e louros. O. D. C. á Sua Magestade o Imperador, á Ín- clita armada, ao heroico exercito. Rio de Janeiro, 1869, in-8°. - Mariposas: poesias. Rio de Janeiro, 1870, in-8° - Lery dos Santos, no seu Pantheon fluminense fazendo menção deste poeta, refere-se particularmente a diversas composições suas como o poemêto americano Jacyara, que vem publicado no volume Ondinas, o diz que elle publicara um romance, que não conheço. Ainda estudante, colla- borou para o Archivo Jurídico e Litterario e para a Imprensa Aca- démica, e redigiu : - A Crença. S. Paulo, 1864, in-fol.- Nunca a vi. - Palestra académica : revista seientiflea e litteraria. Publicação mensal sob a direcção de Cândido Leitão, Didimo da Veiga e Leoncio de Carvalho, S. Paulo, 1865, in-4°. Dl 173 Diogenes AL. O. Dourado - Natural da Bahia, se- gundo elle mesmo o declara, é um autor quo só conheço por ver a sua: - Gracinda, ou um amigo pérfido: drama em um acto, original. Rio de Janeiro, 1877, 30 pags. in-8°. Uiog-o Viitoujo Fei.jó - Nascido na cidade de S. Paulo a 17 de agosto de 1784 e ahi fallecido a 9 de novembro de 1843, não conheceu seus paes, porque estes o lançaram ã porta de uma alma caridosa que o acolheu, educou-o como a um filho até receber ordens de presbytero em 1807. E esse homem, assim abandonado ao ver a luz, por seu distincto mérito subiu á altura, ã que nenhum brazileiro havia chegado, qual a de reger o império na menoridade de D. Pedro II ! Dedicou-se ao ensino de latim, rhetorica e philosophia até que foi eleito deputado ás cortes portuguezas, onde em notável discurso pu- gnou pelos direitos do Brazil, feridos pela constituinte. Deputado á primeira legislatura brazileira, sustentou o projecto do Dr. A. F. França, propondo a abolição do celibato clerical, e apresentou um voto em separado. Ministro da justiça em 1831, suffocou energicamente conspirações e revoltas e deixou o poder por cahir no senado a suspen- ção da tutoria dos príncipes à cargo de José Bonifácio. Foi depois eleito senador pelo Rio de Janeiro em duas eleições consecutivas por ser annullada a primeira, e íinalmente o primeiro regente, unico, do im- pério em 1835, cargo que renunciou em outubro de 1837. Eleito bispo de Mariannapor morte de D. frei José da SS. Trindade, não acceitou a mitra, sinão por modéstia, por conjecturar que não seria confirmado pelo papa por causa de sua attitude na camara dos deputados em rela- ção ao celibato dos padres. Gran-cruz da ordem do Cruzeiro, já velho e pobre, obteve uma pensão annual de 4:000$ em junho de 1841, da qual pouco tempo se utilisou por fallecer dous annos depois. Final- mente, compromettendose na revolução de S. Paulo de 1842, foi preso e esteve alguns mezes detido na provincia do Espirito Santo. Ha diversos escriptos acerca do padre Feijô: do conego Geraldo Leite Bastos, do Barão Homem de Mello, de José Marcellino Pereira de Vas- concellos (na sua Selecta Braziliensc), do Dr. J. M. de Macedo (no seu Anuo Biographico) e do senador Cândido Mendes de Almeida que na apreciação das qualidades nobres de Feijó se afasta de todos os outros quando se exprime: « O seu nome por si só é uma revolução. Em ma- téria religiosa seu nome significa scisma, heresia e insubordinação ecclesiastica ». Escreveu : - Discurso pronunciado na assembléa constituinte de Lisboa a 15 de abril de 1821. Lisboa, 1821- E' um notável discurso em que se defen- 174 Dl demos direitos do Brazil, ameaçados pela maioria da constituinte por- tugueza. - Voto como membro da commissão do ecclesiastico sobre a indi- cação do sr. deputado Ferreira França, em que se propõe que o clero do Brazil seja casado. Rio de Janeiro, 1827. - Resposta ás parvoíces, absurdos, impiedades e contradicções do sr. padre Luiz Gonçalves dos Santos na sua obra intitulada « Defesa do celibato clerical contra o voto em separado do padre Diogo Antonio Feijó». Rio de Janeiro, 1827, in-4° - Como se vê deste escripto, foi contestado o voto de Feijó ; seguindo-se ainda uma replica do padre Gonçalves dos Santos, escreveu elle: - Demonstração da necessidade da abolição do celibato clerical, pela assembléa geral do Brazil, e de sua verdadeira e legitima com- petência nesta matéria. Rio de Janeiro, 1828, 76 pags. in-4'>- Esta obra foi impressa em 1879, no periodico O Novo Mundo, com o titulo O celibato clerical, pelo deputado padre Diogo Antonio Feijó, e teve nova edição em S. Paulo, em 1887. Se disse que depois de 1838 o autor se retractara das idéas que emittira; isso não é verdade. Elle morreu com suas idéas, e estas, comquanto nunca podesse ler seus escriptos sobre o assumpto, á meu ver, eram muito sensatas, porque Deus imprimiu na natureza a inclinação de um sexo para outro, mesmo antes do peccado original, e para isso instituiu o matrimonio. Para o homem privar-se das inclinações, das potências naturaes, quer da alma, quer do corpo, é preciso expresso mandato divino ; e do celibato e da virgindade não ha mais do que um conselho, como disse S. Pe- dro : « De virginibus proeceptum Domini non habeo, consilium autem do». Este conselho não póde ligar-se por voto ou lei para ser obser- vado, transformando a sua natureza e elevando-o á preceito. Nem entre as próprias virtudes moraes póde estar incluído o celibato ou a virgindade, porque virtudes moraes ou naturaes são as que encontram disposição na natureza e a disposição natural lhe é inteiramente con- traria. Demais, cada virtude oppõe-se a um vicio ou desordem natural, assim como cada vicio se oppõe a uma virtude, entretanto que ao celibato ou virgindade só se oppõe o matrimonio ou a instituição di- vina para satisfação da inclinação impressa por Deus na natureza. Pensando certamente como eu penso, Feijó queria com o casamento clerical acabar a desordem, o escandalo e o funesto exemplo que re- sultam da lei do celibato. A prova disso, e de que morreu com suas idéas, estã nas seguintes palavras de seu testamento; « Tudo quanto tenho dito e escripto sobre a disciplina da igreja, tem sido por zelo e aflecto á mesma igreja, e desejo que se removam os obstáculos que a r>i 175 experiencia mostra haverem na mesma à salvação dos fieis. » 0 ho- mem que assim se exprime em momento tão solemne, não pôde ser accusado de insubordinação ecclesiastica, e ainda menos por um defen- sor de bispos que calcam aos pés caprichosamente as leis da igreja, como a que ordena o concurso para a collação dos parochos, e matam assim as verdadeiras vocações para o estado ecclesiastico. Outras publicações appareceram ainda contestando as idéas do padre Feijò, como : O celibato clerical, sustentado por um camponez, na cor- respondência que imprimiu em o n. 77 do Pharol Paulistano, etc., Rio de Janeiro, 1828 e « Causa da religião e disciplina ecclesiastica cle- rical, defendida da inconstitucional tentativa do padre Diogo Antonio Feijó», Rio de Janeiro, 1828. Este segundo escripto, da penna de José da Silva Lisboa, Visconde de Cayrú, foi reproduzido, no Guaripocaba, periodico da cidade de Bragança, em S. Paulo, de 1880 a 1881. - Manifesto aos brazileiros. Rio de Janeiro, 1837 - E' uma publi- cação feita quando o autor passou a regencia do império á Pedro de Araújo Lima, depois Marquez de Olinda. E' um documento historico de maior importância e de grande elevação de sentimentos. - Resposta dada no senado sobre a pronuncia de cabeça de rebellião, contra elle proferida pelo chefe de policia da provincia de S. Paulo, J. A. G. de Menezes, no processo de revolta de 17 de maio de 1842. Rio de Janeiro, 1843, 13 pags. in-4°. - O retrato do homem de honra e verdadeiro sabio - Sahiu no Almanak litterario de S. Paulo para 1880, pags. 107 a 117 - Fôra presenteado este escripto pelo autor ao cirurgião-mòr Francisco Ma- riano da Costa que conservava o autographo como lembrança de um amigo. O padre Feijó collaborou também em vários orgãos da im- prensa política e redigiu : - O Justiceiro. S. Paulo, 1834-1835, in-fol. - O Paulista: jornal do governo provisorio, installado em Sorocaba em 1842. Sorocaba, 1842 - O Io numero sahiu a 27 de maio, e o ultimo após a entrada das forças commandadas pelo Barão de Caxias. Foi fundado com a proclamação do brigadeiro Raphael Tobias de Aguiar para presidente interino da provincia na rebellião deste anno. No Almanak de S. Paulo para 1877, pags. 147 a 150, depois de uma noticia desta folha, se acham alguns artigos escriptos pelo padre Feijó, e a ella destinadas, os quaes existiam em poder do mencionado cirurgião-mór Miguel Dutra. I>iog,o Arouche de Moraes Lara - Filho do te- nente-general José Arouche de Toledo Rendon de quem occupar-me- 176 Dl hei adiante, nasceu em S. Paulo no anno de 1789 e falleceu em 1819. Com praça na legião dos voluntários reaes de S. Paulo, marchou para a província do Rio Grande do Sul, então em campanha, entrou em vá- rios combates e, como parlamentario foi por diversas vezes ao campo inimigo, demonstrando tanta intrepidez e circumspecção, quanto valor nas pelejas demonstrava. Dissolvido o exercito, já com o posto de capitão foi nomeado director do arsenal de guerra de Porto Alegre e neste cargo, rompendo em 1816 a nova campanha de Artigas e voltan- do para ella a legião paulista, reuniu-se elle, á seu pedido, aos antigos companheiros de armas, entrou com estes na batalha de Catalã, onde portou-se heroicamente, penetrando á frente de alguns bravos n'um bosque em que se entrincheirara o inimigo, e obrigando-o á render-se com mais de duzentos presioneiros. Em 1819, sendo tenente-coronel, marchou ainda contra as forças de Artigas que, em numero mais que duplo invadira as Missões da margem esquerda do Uruguay, bateu-as e, de animo resoluto á pôr termo á nova campanha, obtida a permis- são do general em chefe, tendo atacado e desalojado o inimigo das posições occupadas, quando procurava descançar das fadigas, este com novos reforços fez-lhe uma forte surpreza com descargas de fusilaria, e ahi foi elle com outros bravos gravemente ferido, e falleceu em poucas horas. Escreveu : - Memória da campanha de 1816 com a exposição dos acontecimen- tos militares das fronteiras de Missões e Rio Pardo da capitania do Rio Grande de S. Pedro do Sul, etc. escripta em 1817-Foi publicada na «Revista do Instituto», tomo 7°, pags. 125 a 177. - Apendice à Memória da campanha de 1816 -Idem, pags. 273 a 328, seguido de um mappa desdobrável da batalha de Catalã, do ataque do potreiro de Arapehy e da batalha de S. Borja. Diogo Duarte e Silva -Filho do Diogo Romualdo da Silva e de dona Anna Victoria da Silva, nasceu em Setúbal, reino de Portugal, a 10 de .julho de 1779 e falleceu no Rio de Janeiro a 24 de maio de 1857, sendo do conselho do Imperador, membro da directoria do banco do Brazil e cavalleiro da ordem de Christo. Muito joven veiu para o Brazil, por cuja independencia trabalhou, achando-se então no exercício do cargo de delegado na j unta de fazenda da capitania de Santa Catharina. Foi depois secretario do governo e inspector da the- souraria provincial; deputado à constituinte brazileira e nas tres primeiras legsilaturas geraes e, finalmente, nomeado secretario do banco do Brazil por occasião da fundação desse banco. Escreveu: - Elogio que ao muito alto e poderoso Sr. D. João VI, rei do reino Dl 177 unido de Portugal, e do Brazil e Algarves, por occasião de sua faustís- sima e tão desejada acclamação O. D. C., etc. Rio de Janeiro, 1818, 5 pags. in-4°. - Soneto ofterecido á S. A. R. o príncipe regente. Rio de Janeiro, 1821-Foi publicado em folha avulsa. - Versos que na occasião de celebrar o corpo do commercio na ilha de Santa Catharina e haver-se alli jurado a Constituição, recitou seu autor, Diogo Duarte e Silva. Dados ao publico por um amigo da Con- stituição e do autor. Rio de Janeiro, 1821, 14 pags. in-4° - Contém o opusculo: um elogio, um hymno, duas odes e dous sonetos. - Poemas que recitou, celebrando a junta do governo de Santa Ca- tharina a independencia do Brazil e a desejada acclamação de S. M. I no faustíssimo dia 12 de outubro. Rio de Janeiro, 1823, 24 pags. in-4° - Antes do titulo lé-se no rosto do volume:« Ao muito alto e constitucional Imperador do Brazil, o Sr. D. Pedro I, O. D. e C. Diogo Duarte e Silva. » Diogo de Goes Lara de Andrade - Nascido no Rio de Janeiro no ultimo quartel do século XVIII, falleceu em Setúbal, Portugal, a 3 de abril de 1844, em serviço deste reino, onde se achava pela independencia, e onde exerceu o cargo de director da bibliotheca publica do Porto, o de juiz da alfandega de Faial, e por ultimo o de director dasalfandegas do Sul. Escreveu: - Lições de direito publico constitucional, para uso das escolas da Hespanha, pelo dr. Ramon Salas, traduzidas do hespanhol em por- tuguez com varias notas. Lisboa, 1822, 222 pags. in-8°- Ha segunda edição do Rio de Janeiro, typ. de R. Ogier, 1831, 222 pags. in-4° ; terceira edição de Olinda, typ. de Pinheiro Faria & C., 1831, in-4°, e quarta com o titulo de segunda, de Lisboa, 1835, in-4°. - Traducção de varias obras do sabio jurisconsulto J. Benthan, ver- tidas do inglez na lingua portugueza por mandado do soberano con- gresso das cortes geraes extraordinárias e constituintes da mesma nação. Lisboa, 1822, 2 vols., 344 e 313 pags. in-4°- Consta o l6 tomo da theoria das penas legaes ; o 2° da theoria dos prémios. Em conse- quência da queda do governo constitucional deixou de ser continuada a traducção das obras de Benthan. - Reflexões políticas. Angra, 1831, 52 pags. in-8°- Segunda edição^ Porto, í834, 48 pags. in-8°. - Da responsabilidade e das garantias dos agentes do Poder. Lisboa, 1842, 192 pags. in-8°- Lara de Andrade redigiu o - Diário do Governo. Lisboa, 1821 a 1823, in-fol -jComeçou elle seu encargo em abril daquelle anno e foi até 12 de junho deste. 178 Dl Diogo Gomes Carneiro - Nascido no Rio de Janeiro a 9 de fevereiro de 1618 e não de 1628, como querem Balthazar da Silva Lisboa e o Dr. Macedo, falleceu em Lisboa a 26 de fevereiro de 1676, sendo doutor em leis pela universidade de Coimbra e chronista-mór dos estados do Brazil, cargo que serviu depois de haver por muitos annos exercido o de secretario do Marquez de Aguiar. Foi um homem de muito merecimento, versado nas principaes linguas da Europa, na historia do novo continente americano, na poesia e em varias sciencias. Escreveu: - Oração apodixica aos scismaticos da patria ; offerecida á Francisco Lucena. Lisboa, 1641, 38 pags. in-4°. - Historia da guerra dos Tartaros, em que se refere "como in- vadiram o império da China e o têm quasi todo occupado. Lisboa 1657, in-12°-E'uma traducção do original latino, do padre Martin Martinez. - Historia do capuchinho escossez, escripta em toscano por mon- senhor João Bautista Ranuccio, principe e arcebispo de Ferno, traduzida na lingua portugueza. Offerece-a ã senhora dona Ignez Antonia de Tavora o Dr. Diogo Gomes Carneiro. Lisboa, 1657, in-12° - A segunda parte desta obra foi publicada em 1667, por D. frei Christovam de Almeida, bispo titular de Martyria e vi- gário geral do arcebispado de Lisboa, isso quando já não existiam exemplares da primeira parte á venda, como diz este n'uma nota ao livro. - Instrucção para bem crer, bem obrar e bem pedir em cinco tra- tados do padre João Euzebio Nieremberg, da companhia de Jesus ; traduzida do castelhano, à que se juntam mais dous tratados, das regras de viver christãmente. Lisboa, 1658, in-12°. - Memorial da pratica do Montante etc.- Inédito. O manuseripto estava no collegio da Companhia de Evora, segundo afflrma Bento Farinha. - Epigramma latino - Vem nas « Memórias fúnebres » de dona Maria de Athaide. Lisboa, 1650, pag. 85. Diogo Grassou Tinoco-Não sei em que logar do Brazil nasceu. Sei que é brazileiro, porque o afflrma para mim a autoridade mais competente, o Visconde de Porto Seguro, incluindo seu nome no Florilégio da poesia brazileira, sem entretanto mencionar alguma das particularidades que lhe são relativas. Só nos diz que Grasson Tinoco escrevera: - Descobrimento das esmeraldas: poema. 1689 - E desta obra E>I 179 transcreve duas estancias, isto é: Partida de Fernão Dias Paes e o índio do lago Vupabussú que Tinoco descreve assim : Era o silvestre moço valoroso Sobre nervudo, de perfídia alheio ; 0 gesto respirava um ar brioso Que nunca conhecera o vão receio ; Pintado de urucú vinha pomposo, E o labio baixo roto pelo meio, Com tres pennas de arára, laureado De flechas, de arco, e de garrote armado. D. Diogo de Jesus Jardim, 11° bispo de Pernam- buco - Nasceu em Sabara, Minas Geraes e falleceu em Eivas, Portugal, a 31 de dezembro de 1796. Sendo religioso da ordem de S. Jeronymo, professo em Portugal, foi nomeado por dona Maria I bispo de Per- nambuco a 11 de maio de 1784, confirmado por Pio VI a 14 de fevereiro de 1785 e sagrado a 17 de abril do mesmo anno. A 16 de maio de 1793 foi obrigado por soffrimentos physicos a ir á Lisboa, donde não tornou ao Brazil por haver sido trasladado para o arcebispado de Eivas a 21 de fevereiro de 1794. Foi de uma caridade excessiva; todo dinheiro de que podia dispôr, distribuía em esmolas á pobreza e em donativos à estabelecimentos pios ou á egrejas. Escreveu varias pastoraes, mas só tenho noticia das seguintes: - Pastoral recommendando o bom regímen das freguezias e o zelo no esplendor do culto divino. 1786 - Foi uma das primeiras ou talvez a primeira que escreveu, apenas chegado á diocese. - Pastoral ordenando que no dia da SS. Trindade de todos os annos tivesse logar na cathedral e nas matrizes a solemnidade e renovação dos votos do baptismo, e concedendo indulgências ás pessoas que assistissem aoacto religioso. 1788- E' datada de 17 de abril. - Pastoral ordenando que os sacerdotes na celebração da missa recitassem a oração « ad petendam pluviam > e que se fizessem preces publicas nas respectivas igrejas. 1792 - Uma sêcca flagellava então a diocese. Diogo Jorge de Britto - Falleceu poucos annos depois da independencia, no elevado posto de chefe de esquadra da armada. Sendo capitão de mar e guerra quando foi proclamada a independencia, foi um dos membros da commissão nomeada por dom Pedro 1, afim de tratar de todos os objectos que lhe fossem propostos pelo respectivo ministi o, e incumbida de conhecer, escrupulosamente investigar e in- formar-lhe da conductae adhesão dos offlciaes ã causa do Brazil, etc. Nomeado commandante dos guardas-marinha e director da academia a 180 ryr 29 de outubro de 1823, foi quem recebeu daquelles o do pessoal da aca- demia, a 7 de abril de 1824, o juramento ã constituição. Entrou na or- ganização ministerial de 20 de novembro de 1827 com a pasta da ma- rinha, que geriu até 30 de maio do anno seguinte, e escreveu diversos trabalhos officiaes, uns publicados e outros inéditos, como: - Relatorio do ministério da marinha no anno de 1828. Rio de Ja- neiro, 1828, in-4°. - Methodo que se seguiu no trabalho hydrographico da Planta do porto do Rio de Janeiro, levantada em 1810 - Existe no Archivo militar o autographo datado de 1811, 7 íls. - Roteiro do porto de Pernambuco ou instrucções nauticas para uso e intelligencia do Plano do mesmo porto. Anno de 1816 - Dona Antonia R. de Carvalho possue uma cópia de 27 pags. in-4°, que esteve na ex- posição de historia patria em 1880. - Planta hydrographica do porto de Pernambuco, levantada por ordem de Sua Magestade, sendo ministro da marinha o Conde da Barça. Anno do 1816-Esteve na mesma exposição. - Planta hydrograpldca do porto do Rio de Janeiro. Anno de 1810- Foi lithographada no Archivo militar em 1827, 4 íls., sendo 2 de 0ra,370X0m,350 e 2 de 0m,370X0m,350. Foi copiada em 1849, em menor escala, com alteração na sondagem, pelo chefe de esquadra Elisiario A. dos Santos e lithographada no dito archivo, 1870, 2 fls. de 0m,830X625 e 0m,830X610. Ha outras plantas deste offlcial, com a do porto de Tamandaré, das ilhas de Paquetá e do Borocoyó, etc. Diogo Lopes de Sant iago - Natural de Pernambuco, segundo informação que tive. Nada mais sei de sua pessoa, senão que escreveu : - Historia da guerra de Pernambuco e feitos memoráveis do mestre de campo João Fernandes Vieira, heroe digno de eterna memória - Foi publicada na Revista do Instituto, tomo 38°, parte Ia, 1875, pags. 249 a 336 ; tomo 39°, parte Ia, pags. 97 a 195, e 323 a 410 ; tomo 40°, parte Ia pags. 410 a 504 ; tomo 41°, parte Ia, pags. 143 a 181 e 387 a 429 ; tomo 42°, parte Ia, pags. 91 a 105, e 157 a 198 ; tomo 43°, parte Ia, pags. 5 a 79 e 191 a 262. E' dividida em quatro livros. Diog-o Luiz de Almeidarereira deVaseon» cellos - Natural de Minas Geraes, onde nasceu a 8 de maio de 1843, e formado em direito pela faculdade de S. Paulo em 1867, goza no Estado de seu nascimento de alta reputação como advogado e jor- nalista. Exerceu alli vários cargos de eleição popular, e foi deputado 181 á assembléa geral da decima quarta á decima sexta legislatura. Redige - Jornal de Minas : Ouro-Preto - E tem publicado : - Sociedade propagadora da instrucção em Ouro-Preto. Sessão magna da installação a 25 de março de 1872. Discurso proferido pelo socio fundador Diogo Luiz de Almeida Vasconcellos. Marianna, 1872, 14 pags. in-4°. - Orçamento do ministério do império : discurso pronunciado á 14 do corrente na camara temporária. Rio de Janeiro, 1871,45 pags. in-8°. - Orçamento do ministério da agricultura: discurso pronunciado na sessão de 27 de julho de 1875. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - A questão religiosa: discurso pronunciado na sessão de 31 de julho de 1875. Rio de Janeiro, 1875, 22 pags. in-8°. Diogo de Mendonça Finto - Filho do tenente-coronel Caetano Pinto Homem e nascido em S. Paulo pelo anno de 1818, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade dessa província; lente jubilado da cadeira de geographia e historia do curso de prepa- ratórios á mesma faculdade annexo; membro de varias associações de lettras e cavalleiro da ordem de Christo. Depois de formado serviu cargos de magistratura como o de juiz municip <1 de Arêas e de S. Se- bastião ; foi inspector geral da instrucção publica por mais de vinte annos; representou a província em sua assembléa em varias legisla- turas, etc. Escreveu : - Relatórios sobre o estado da instrucção publica na província de S. Paulo nos annos de 1851 a 1872, apresentados, etc. S. Paulo, 1852 a 1873, 22 vols. in-4°. - Codigo de instrucção publica da província de S. Paulo ; organi- zado pela commissão composta dos drs. João Dabney de Avellar Bro- tero, Antonio Joaquim Ribas e Diogo de Mendonça Pinto, nomeada pelo governo em virtude da lei provincial n. 30 de 10 de maio de 1854. S. Paulo, 1857, in-8°. - Instrucção para a execução do art. 12, § 11, do regulamento pro- vincial de 8 de novembro de 1854, referente aos relatórios trimensaes que deverão ser enviados â inspectoria geral. S. Paulo, 1860, in-4". - Ensaios dramáticos. S. Paulo, 1872,in-8°- O Dr. Mendonça Pinto collaborou em vários orgãos da imprensa periódica e redigiu outros. Diojgo Pereira Ribeiro de Vasconcellos - Pae dos notáveis estadistas Bernardo Pereira de Vasconcellos, de quem já tratei, e Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, ambos senadores 182 Dl por Minas Geraes, era formado em direito pela universidade de Coimbra e escreveu: - Breve descripção geographica, physica e política da capitania de Minas Geraes, offerecida ao illm. e exm. senhor Pedro Maria Xavier de Athaide e Mello, do conselho de sua alteza real, governador e ca- pitão-general da capitania de Minas Gerais, com o seu elogio-Inédita. Além de uma cópia incompleta que existe na bibliotheca nacional, se conhecem mais duas completas, sendo uma de dona JoannaT. d® Carvalho, de 180 pags. in-4°, e outra da mesma bibliotheca, com 148 pags. e 17 fls. in-4°. E' escripta em 1807. - Ao Rim. e Exm. Snr. Pedro Maria Xavier de Athaide e Mello, governador e capitão-general da capitania de Minas Geraes, no dia de seu natalício: (canto poético) 18 pags. in-4° - E' escripto em oitavas rimadas, no mesmo anno, precedido de uma dedicatória ao mesmo governador, e seguido de notas e de um « Mappa do donativo voluntário que ao augusto príncipe regente offereceram os povos da capitania de Minas Geraes em 1806». Na Ia pag. abaixo do titulo, lê-se: « Primeiras provas de impressão calcographica pelo padre José Joaquim Viegas de Menezes, natural de Ouro Preto, em o anno de 1807. O mesmo padre abriu todas estas chapas e ainda mais outra com os retratos do governador e de sua espoza, para acompanhar este impresso que foi o primeiro publicado em Minas Geraes. J. M. Augusto M.» Esta obra foi apresentada em i880 na exposição de historia do Brazil pela referida dona Joanna T. de Carvalho, mas sem os retratos. Diog-o Soares da Silva de Uivar- Filho do Dr.Ro- drigo Soares da Silva Bivar, e pae de dona Violante Atabalipa Ximenes de Bivar e Vellasco e de Luiz Garcia Soares de Bivar, neste livro men- cionados, nasceu na villa de Abrantes da província da Extremadura, em Portugal, a 6 de fevereiro de 1785, e falleceu no Rio de Janeiro a 14 de outubro de 1865, formado em direito pela universidade de Coimbra ; do conselho do Imperador ; cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo ; socio fundador da sociedade tubuciana em Portugal e também fundador do Conservatorio dramatico fluminense, de que fo1 presidente ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Por conservar-se no cargo, que occupava, de juiz de fóra na villa de seu nascimento durante a invasão franceza, foi preso, sujeito á pro- cesso e deportado, obtendo flcar na Bahia. Amnistiado pelo príncipe regente em sua chegada á Bahia, continuou a residir no Brazil, que adptou por patria ao proclamar-se a independencia ; exerceu a advo- cacia, á principio nesta província e depois no Rio de Janeiro, onde r>i 183 serviu o logar de inspector das aulas do commercio que, reunidas, passaram a formar mais tarde o Instituto commercial da côrte. Escreveu: - Memória em que se prova que a villa de Abrantes fôra a antiga Tubucei dos romanos e não Tancos como outros suppoem. Lisboa, 1802. - Estatutos em que convieram os primeiros socios da sociedade litteraria Tubuciana, estabelecida em a notável villa de Abrantes. Lisboa, 1802, 26 pags.- O nome do conselheiro Bivar vem ahi seguido de outros; este trabalho porém é exclusivamente de sua penna. -'Princípios geraes para aprender o francez. Bahia, 1812 - Teve segunda edição mesmo na Bahia. - Novo atlas geographico, político e historico de todos os estados que compoem a Europa, indicando as diversas mudanças sobrevindas aos mesmos estados desde a epoca da revolução franceza até a publicação do presente atlas. Lisboa, 1810, 35 pags. in-4° com dous mappas do império da Rússia - Este trabalho não foi concluído ; diz Innocencio da Silva ter encontrado a continuação na bibliotheca nacional com fron- tespicio especial, tratando da Áustria. Lisboa, 1810. Será esta uma segunda parte desta obra, que o autor começou a escrever quando se achava preso no presidio da Trafaria pela accusação, que soffreu, de jacobinismo ? - Idaie de Ouro do Brazil. Bahia, 1812 a 1823, in-4° - E' o segundo periodico que teve o Brazil, ou antes o primeiro digno deste titulo, porque até então só havia sido publicada a Gazeta do Rio de Janeiro^ que consistia em meia folha de papel dobrada em dous quartos, sahindo duas vezes por semana, apenas com alguns despachos do governo, e publicações européas. Foi seu companheiro nesta redacção o padre Ignacio José de Macedo, de quem tratarei adiante. Sahiu o Io numero a 7 de janeiro de 1812. - Mappa estatístico commercial da província da Bahia desde 1798 até 1810. Bahia... - Almanak da Bahia. Bahia, 1812 - Contém muitas noticias his- tóricas, estatísticas e commerciaes. - Representação que a praça do commercio da Bahia dirigiu ao príncipe regente contra a tomadia de navios brazileiros na costa d'África, etc.-Vem no Correio Braziliense o no Investigador Portvguez. Foi depois traduzida em francez e apresentada ao congresso de Vianna dando logar â convenção de 21 de janeiro de 1815. - Parecer sobre a segunda parte da Chronica dos frades menores da província de Santo Antonio do Brazil por frei Antonio de Santa Maria 184 Dl Jaboatão. Rio de Janeiro, 1840- Sahiu na Revista do Instituto historico, tomo 2°, pags. 370 a 377. - Appendice á Chronica do anno de 1842-Na mesma revista, tomo 5o, da 3a edição, pags. 413a430. Trata-se da divida publica do Brazil, das rendas internas e das geraes de importação, do commercio de café, assucar e couros, do correio geral e de outros assumptos de interesse publico. - As Variedades: (publicação mensal)-Creio que desta publicação, que nunca vi, só sahiram dous folhetos, relativos a dous mezes, no Rio de Janeiro. - Resposta em fórma de memória que osr. dr. Ramon Azcarate dirigiu ao sr. Miguel Maria Lisboa, encarregado dos negocios do Brazil no Chile, relativa à negociação por barcos a vapor dos rios Acahyaly, Apurinac e Beni, apresentada ao Instituto historico e geographico brazileiro, e por ordem deste vertida do hespanhol, 1841 - Existe o autographo na bibliotheca nacional, e ha também uma traducção feita por Miguel Maria Lisboa. Esta memória trata da navegação do Ama- zonas e seus tributários, e da possibilidade da communicação fluvial do Brazil com o Perú. T>iog;o <Ie Toledo Lara, Ordonlies - Filho do mestre de campo Agostinho Delgado Arouche e de dona Maria Thereza de Lara, e irmão de José Arouche de Toledo Lara, que será memorado neste livro, nasceu em S. Paulo pelo anno de 1758 e falleceu no Rio de Janeiro em 1826. Formado em leis pela universidade de Coimbra, serviu diversos cargos de magistratura em sua patria até o de desem- bargador do paço, conselheiro da fazenda e fiscal das mercês. Era alcaide-mór da villa de Paranaguá, socio da academia real das sciencias de Lisboa e foi eleito deputado á constituinte brazileira, onde porém não tomou assento. Escreveu: - Josephi de Anchieta epistola, quam plurimarum rerum naturalium, quoe S. Vicentii (nunc S. Pauli) provinciam incolunt, sistens descri- ptionem, a Didaco de Toledo Lara Ordonhes, adjectis annotationibus edita. Olisipone, 1799, 52 pags. in-4° - Esta obra sahira antes nas « Noticias para a historia e geographia das nações ultramarinas» tomo Io, n. 3, pags. 127 a 178. Ultimamente foi traduzida pelo Dr. J. A. Teixeira de Mello e publicada nos Annaes da Bibliotheca Nacional, tomo Io, pags. 275 a 305, sendo supprimidas as annotações de Ordonhes. E' datada essa carta de 1560. Dionysio Gonçalves Martins - Filho do Visconde de S. Lourenço e da Viscondessa do mesmo titulo, nasceu na cidade Dl 185 de Santo Amaro, da então província da Bahia, a 4 de fevereiro de 1837. Começando o curso de engenharia na antiga escola militar do Rio de Janeiro, foi concluil-o em Paris, em cuja escola central formou-se. Quer em serviço publico, quer na industria privada exerceu diversos cargos de sua profissão ; foi deputado por sua província na legislatura de 1868 a 1872, sendo um dos que votaram a lei da abolição do ele- mento servil e foi o primeiro que no parlamento fez sentir a necessi- dade do ensino agrícola, iniciando o projecto que concedia uma sub- venção á escola agrícola da Bahia, para cuja realização muito concorreu como secretario que era e membro da directoria do imperial instituto de agricultura. Exerce na Bahia o cargo de delegado de segunda classe da inspectoria das terras publicas e colonisação por nomeação do governo da Republica; é offlcial da ordem da Rosa - e escreveu: - A agricultura em 1867 - Acha-se no Relatorio sobre a exposição universal de 1867, redigido pelo secretario da commissão brazileira Julio C. Villeneuve. Paris, 1868, tomo 2o. Foi o autor um dos membros da commissão. - A mecaníca agrícola em 1868. Rio de Janeiro, 1872, in-8°. - Discurso pronunciado na inauguração da exposição provincial da Bahia em 1875. Bahia, 1875, in-8°. - Catalogo da exposição bahiana no anno de 1875. Bahia, 1875, 203 pags. in-8° - E' precedido, até á pag. 85, de longas considerações sobre o assumpto, e do discurso da inauguração, já mencionado, atéà pag. 113. Era o autor secretario da commissão incumbida pelo governo de promover essa exposição. - Relatorio sobre a escola agrícola de Juiz de Fóra e a exposição mineira - Publicado no Diário Official, 1869. - Relatórios da estrada de ferro da Bahia á S. Francisco ! (1868 a 1881). Bahia, 1869-1882, 13 vols.- Foram escriptos, sendo o autor o fiscal da mesma estrada. - Navegação do Jequitinhonha : relatorio apresentado ao ministério da agricultura, 1878 - Não me consta que fosse publicado ; acha-se na secretaria do ministério. - Colonías do sul da Bahia: relatorio, 1878 - Idem. - Representação dirigida por Dionysio Gonçalves Martins e Luiz Moreau acerca da questão do elemento servil. Rio de Janeiro, 1884 - E' um opusculo, em que se apresenta um projecto com o fim de orga- nizar uma associação anonyma para fundar e desenvolver uma serie de núcleos coloniaes, comportando cada um delles quinhentas famílias. Ha diversos relatórios do Dr. Dionysio Martins apresentados ao Instituto agrícola e publicados no Jornal da Bahia e na Revista Agrícola do Rio 186 DO de Janeiro, assim como diversos trabalhos na imprensa diaria, de que citarei : - O trabalho livre e o trabalho escravo : serie de artigos publicados no Diário da Bahia, 1864. - A canna de assucar: serie de artigos - no mesmo Diário e no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, ns. 202, 204, 214, 216, 271 de 1866 e outros numeros de 1867. - Cartas sobre a exposição universal de 1867 : serie - publicada no dito Diário, 1867. - Imperial instituto bahiano de agricultura. Discurso apresentado na sessão da directoria e conselho fiscal em 5 de julho de 1864 pelo conselheiro fiscal nomeado, etc. - publicado na imprensa diaria da Bahia e reproduzido no Correio Mercantil do Rio de Janeiro, ns. 286 e 288 de 1866. - Estudo sobre a industria de sabão - no Monitor da Bahia, 1877 - Ha finalmente artigos políticos na respectiva imprensa, onde redigiu - A verdade. Alagoinhas...- Esta folha viveu tres annos. Dionyslo Manhães Barreto - Nasceu no município de Campos, provincia do Rio de Janeiro, a 21 de março de 1842. Fez o curso da academia de marinha, assentando praça de aspirante a guarda-marinha em 1860; contra-almirante da armada ; official da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz; cavalleiro das do Cruzeiro e de Christo ; condecorado com a medalha da campanha do Paraguay e e a medalha commemorativa do forçamento do passo de Humaytá-- e escreveu: - Cabo submarino. Provincia do Maranhão. Rio de Janeiro, 1877, 32 pags. in-8° -com uma taboa das sonlas obtidas pela canhoneira Ara- guaya na costa do Maranhão, em commissão do ministério da agricul- tura com outros, etc. Domiciano Leite Rilbeiro,Visconde de Araxá - Nasceu na cidade de S. João d'El-Rei, em Minas Geraes, a 3 de abril de 1812, e falleceu em Vassouras, da antiga provincia do Rio de Janeiro, a 10 de junho de 1881, sendo bacharel formado em direito pela facul- dade de S. Paulo em 1833, grande do império,do conselho do Imperador, e conselheiro de estado ordinário. Foi deputado á assembléa geral em 1840 e em 1863; ministro dos negocios da agricultura, commercio e obras publicas no gabinete orginizado a 16 de dezembro deate anno pelo conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos e administrou depois disto a provincia do Rio de Janeiro, havendo já administrado a de DO 187 S. Paulo em 1848. Exerceu o cargo de juiz de direito da comarca do Rio das Mortes e depois a advocacia no logar em que falleceu. Escreveu, além de diversos artigos, quer em prosa, quer em verso, em jornaes políticos e litterarios, sendo algumas poesias publicadas no Correio Mercantil da côrte com o pseudonymo de Poeta Vassourense e de rela- tórios como presidente de província, o seguinte : - Relatorio apresentado á assembléa geral legislativa na segunda sessão da 13a legislatura pelo ministro, etc. Rio de Janeiro, 1864, in- fol.- com appensos, mappas, etc. - Estrada de ferro do Recife. Questão de garantia de juros. Rio de Janeiro, 1865, 66 pags. in-8°. - Reminiscências e fantasias com uma introducção pelo Barão de S. João Nepomuceno. Vassouras, 1883-1884, 2 vols. in-8°- E' uma pu- blicação posthuma em favor do asylo Furquim, de Vassouras. Domingos de Almeida Martins Costa - Filho do tene tô-coronel Luiz do Almeida Martins Costa e de dona Justina Tei- xeira de Almeida, e nascido em 1848 na villa do Brejo, da província, hoje Estado do Maranhão, falleceu em Petropolis a 2 de abril de 1891, sendo doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, lente da se- gunda cadeira de clinica medica da mesma faculdade, membro titular da academia nacional de medicina, socio correspondente da sociedade de hygiene de Paris, da sociedade medica de Buenos-Aires e da sociedade medica de Santiago. Estabelecendo-se como clinico no Rio de Janeiro, estreou prestando serviços por occasião de uma epidemia de febre ama- rella, em 1876, sendo por isso agraciado com a venera de cavalleiro da ordem da Rosa. Nomeado depois ajudante da inspectoria de saude do porto,fez uma excursão pela Europa, onde aperfeiçoou seus estudos scienti ticos e, de volta ao Brazil, apresentou-se ao concurso aberto em 1879 para um logar de substituto da secção medica da mencionada faculdade. Foi um dos nossos mais distinctosclínicos - e escreveu: - Preparação de peças sêccas para muzeos e gabinetes anatómicos : memória - publicada na Imprensa Medica, anno Io, 1872, ns. 1 e 2. - Phitographia medica brazileira : estudo de matéria medica e the- rapeutica sobre algumas plantas brazileiras- Na Revista Medica, tomo 2o, nos 1, 2, 3 e 4 e depois publicado sob o titulo : - Ensaios de matéria medica e therapeutica brazileira. Rio de Ja- neiro, 1878, 120 pags. in-8°. - Pyogenia ou memória sobre a genese do pus no organismo. Rio de Janeiro, 1874, 123 pag. in-8° - Desse trabalho se occuparam o Dr. Nuno de Andrade nos Archivos de Medicina, tomo Io, 1874, ns. 3 e 4, e 188 DO o Dr. J. D. Peçanha da Silva nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 26° de 1 874 a 1875. - Do ainhum: estudo sobre a moléstia conhecida sob esta deno- minação. Rio de Janoiro, 1875, 42 pags. in-4° com 1 Ag. no texto - Os trabalhos atè aqui apontados são escriptos durante o curso académico do autor. - Do valor das investigações thermometricas no diagnostico, pro- gnostico e tratamento das pyrexias que reinam no Rio de Janeiro (dissertação); Cafeina; Pyogenia; Hypohemia intertropical: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1875, 79 pags. in-4° com 1 flg. - Albumino-pymeluria ou urinas leitosas : estudo sobre esta mo- léstia, precedido de uma carta do Dr. João Vicente Torres Homem. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Lymphadenomas abdominaes e mesentericas : parecer apresentado á sociedade medica do Rio de Janeiro sobre uma observação do Sr. Dr. Julio de Moura. Rio de Janeiro, 1876, 23 pags. in-4° - Sahiu antes na Revista Medica. - Do phosphorêto de zinco, sua acção physiologica e therapeutica. Rio de Janeiro, 1877, 22 pags. in-8° - E' uma reproducção do Pro- gresso Medico. - Do diagnostico das diversas fôrmas clinicas da moléstia de Brigth: these de concurso ao logar de lente substituto da secção de sciencias medicas. Rio de Janeiro, 1879, 96 pags. in-4° com 2 figs. no texto - Occupou-se dessa these o Jornal de Hygiene, tomo 5o, 1880, pag. 374. - Contribuição para o estudo dos aneurismas da artéria hepatica. Rio de Janeiro, 1882. - A malaria e suas diversas modalidades clinicas. Rio de Janeiro 1885, in-4° - E' um livro que por si só Armaria a reputação de um distincto medico, si o autor ja não a tivesse. Não chegou elle infeliz- mente a concluir um livro sobre - As affecções cardíacas - que tinha entre mãos, quando falleceu. Na imprensa medica fundara e redigira com o Dr. Carlos Arthur Mon- corvo de Figueiredo (vêde este nome) : - O Progresso Medico. Rio de Janeiro, 1875 a 1876, 3 vols. in-4° - no qual publicou alguns dos trabalhos jâ mencionados e muitos outros, como A pathogenia da anuria da febre amarella, o Estudo zoo- chimico sobre o berna, etc. Domingos Alves Barcellos Cordeiro, Barão de Barcellos - Natural da província do Rio de Janeiro e bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, è fazendeiro no município de r>o 189 S. João da Barra, onde inaugurou em fins do anno de 1878, na presença do Imperador e sua augusta consorte, a uzina Barcellos, segundo es- tabelecimento deste genero que se fundou no Rio de Janeiro, sendo por isso agraciado com o titulo de Barão. Escreveu : - A crise do assucar : ligeiras considerações. Rio de Janeiro, 1887. Domingos Alves Branco Muniz Barreto - Filho do capitão do egual nomo do regimento de infantaria de Estremóz e pae de Jacintho Alves Branco Muniz Barreto, de quem liei de occupar-me, nasceujna Bahia depois domeiado do século XVIII e fal- leceu no Rio de Janeiro a 19 de junho de 1831 no elevado posto de ma- rechal de campo do exercito, vogal do conselho supremo militar, socio de varias corporações de lettras, commendador da ordem de S. Bento de Aviz, etc. Prestou como militar os mais relevantes serviços á sua patria, de cuja independencia foi um dos mais esforçados obreiros, sendo entretanto um dos cidadãos comprehendidos no processo e devassas, instaurados por ordem do ministro José Bonifácio de Andrada e Silva « para justificar os acontecimentos do famoso 30 de outubro de 1822». Foi, por este motivo, preso, mas julgado sem culpa por não haver provas para tal accusação, como o foram seus companheiros nesse pro- cesso e devassas com excepção de João Soares Lisboa. Sendo grande orador do grande oriente maçonico, foi o primeiro, que ahi em uma sessão, em 1822, propôz que se désse a dom Pedro I, o fundador da mo- narchia brazileira, o titulo de imperador e não de rei. Possuidor de vasta erudição, além de muitas obras que publicou, deixou outras inédi- tas, e na sessão do Instituto historico de 22 de fevereiro de 1840, o se- cretario desta associação, conego Januario da Cunha Barboza, lendo uma relação de seus manuscriptos inéditos, propôz que se nomeasse uma commissão do seio do instituto para examinar e dar um parecer sobre elles e saber de seu preço, pois iam ser vendidos. De suas obras conheço: - índice militar de todas as leis, alvarás, cartas régias, decretos, resoluções, estatutos e editaes promulgados desde o anno de 1752 até 1807, em que sua alteza o príncipe regente embarcou para os Estados do Brazil; egualmente o que se ha promulgado depois da feliz chegada do mesmo augusto senhor ã este continente até 1810, com as curiosas declarações das ordens, cartas régias e provisões expedidas para o Brazil de 1806 em diante. Rio de Janeiro, 1812, 350 pags. in-4° - Neste livro encontram-se ainda muitas citações e noticias da legis- lação anterior com referencia aos assumptos em questão. - Índice pelas matérias, civil, criminal, orphanologica ede finanças, das leis, alvarás, decretos, cartas régias, avisos, regimentos, provi- 190 »o sões régias, foraes, editaes, resoluções, sentenças, tratados de paz e de commiroioe assentos da casa da supplicação edo Porto ; offerecido, etc. com doas appendices : Io Da legislação promulgada na côrte do Brazil ; 2o que contém um roteiro do processo com a norma das petições que se devem fazer, não só quando se propoem as demandas, mas pelo decurso delias o com algumas notas instructivas a respeito do fôro. Obra muito necessária, etc. Rio de Janeiro, 1815, 690 pags. in-fl. com as do rosto, dedicatória, advertências, etc. - Appendice das petições mais necessárias no fôro do contencioso, segundo o costume até agora seguido no civel, crime, orphãos, e finanças, com algumas advertências instructivas para maior intelligencia dos senhores juizes, advogados e solicitadores. Rio de Janeiro, 1815, 150 pags. in-fol. - Voto que, como eleitor da parochia do Sacramento da côrte do Rio de Janeiro, ha de apresentar no dia 25 do corrente na junta eleitora} para a installação do governo desta provincia. Rio de Janeiro, 1821 - Em Lisboa, no anno seguinte, foi refutado esse escripto, como « con- trario ao pacto social da nação portugueza e aos direitos e liberdade das províncias do Brazil ». - Justificação patriótica, demonstrada em duas cartas dirigidas ao Sr. D. Pedro 1, dedicada aos povos da provincia da Bahia, sua patria. Rio de Janeiro, 1823, 31 pags. in-4°. - Sustentação do voto que prestou como vogal do conselho de guerra, que por ordem de S. M. I. se fez ao brigadeiro Pedro Labatut. Rio de Janeiro, 1824, in-fol. - Este escripto também foi contestado, sendo então publicada a - Resposta ao dialogo intitulado Nova edição da sustentação do voto que prestou o brigadeiro D. A. B. M. B. como vogal do conselho de guerra, etc. Rio de Janeiro, 1824, 27 pags. in-4°. - Aos habitantes da provincia da Bahia: proclamação ao povo bahiano afim de repellir com firmeza as pérfidas suggestões dos inimigos do sys- tema constitucional que juramos, etc. Rio de Janeiro, 1824, 4 pags. in-fol. - Proposição que deve ser agradavel a todos os bons cidadãos do império do Brazil. Rio de Janeiro (1824), in-fol. -Versa sobre o levan- tamento de uma estatua a D. Pedro 1. - Participação do redactor do Despertador Constitucional que no dia 14 do presente mez de maio devem todos concorrer na casa da resi- dência do tenente general, governador das armas da côrte e provincia para nomearem a commissão que deve cuidar do andamento e conclusão da inauguração da estatua equestre do senhor D. Pedro I. Rio de Janeiro, 1825, in-4°. DO 191 - Apologia da religião no espiritual e dos impérios no temporal. Rio de Janeiro, 1825, in-4°. - Discurso proferido no grande Oriente do Brazil, na qualidade de grande orador, na occasião em que o senhor D. Pedro 1 tomou posse do malhête de grão-mestre - Vem inserto no Brazil Historico n. 45. - Memória sobre a abolição do commercio de escravatura. Rio de Janeiro, 1837, 46 pags. in-4° - Sahiu posthuma, publicada por Antonio Alves Branco Moniz Barreto, filho do autor. - Observações sobre a prosperidade do novo império do Brazil - Vi esta obra em uma relação de manuscriptos a respeito da historia do Brazil, existentes na secretaria dos negocios estrangeiros, a qual vem na Revista do Instituto historico, tomo 4o, pags. 394 a 398. - Plano sobre a civilisação dos indios do Brazil, principalmente para a capitania da Bahia, com uma breve noticia da missão que entre os mesmos indios foi feita pelos proscriptos jesuítas, dedicado ao serenís- simo senhor D. João VI, príncipe do Brazil, etc. - Sahiu na Revista do Instituto historico, tomo 19°, pags. 33 a 91 e existem diversas cópias desta obra. A bibliotheca nacional do Rio de Janeiro possue uma de 50 fols. com uma estampa e com a declaração de ser de novo correeta e augmentada pelo autor em 1794, a qual foi conferida com a do Insti- tuto por A. Gonçalves Dias, que notou as variantes encontradas. Ha outra cópia da bibliotheca eborense, como se vê no catalogo de ma- nuscriptos de Cunha Rivera. - Requerimento feito ã S. M. em nome dos indios domesticados da capitania da Bahia, etc. - Vem em seguida a obra precedente, de pags. 91 a 98 - Neste requerimento pedem os indios, não sómente missioná- rios de boa vida e novos directores, como também varias medidas ten- dentes ao culto religioso, á instrucção e civilisação. - Observações relativas á agricultura, commercio e navegação no continente do Rio Grande de S. Pedro do Brazil, dedicadas ao exm0. e revm0. sr. bispo titular do Algarve, etc. - O manuscripto de 14 fls. in-fol. pertence ao Instituto historico. - Observações que mostram, não só o crime de rebellião que teme- rária e sacrilegamente intentaram alguns moradores da capitania de Minas Geraes, mas a legitima posse que têm os senhores reis de Por- tugal áquellas conquistas, etc. Lisboa, 16 de novembro de 1793 - Cópia de 17 fls., idem. - Appendix que se promette na quinta demonstração do discurso formado sobre a premeditada conspiração de alguns réos, moradores na capitania de Minas, a qual mostra os abusos que se têm introduzido na 192 DO administração da justiça e governo da capitania da Bahia - Existe o manuscripto na bibliotheca nacional, de 52 fls. - Noticia da viagêm e jornadas que fez entre os indios sublevados nas villas e aldeias das comarcas dos llhéos e Norte, na capitania da Bahia - O original de 17 fls., de 1792, com cinco estampas coloridas, feitas á mão, pertence á bibliotheca nacional. - Representação feita á assembléa acerca das occurrencias politicas, relativas á independenciado Brazil - O autographo de 24 fls. pertence a dona Joanna T. de Carvalho e esteve na exposição de historia patria, como os outros citados. - Discurso que foi repetido na presença do povo indiano da villa de Santarém, na capitania da Bahia, na missa que em louvor do Santís- simo Coração de Jesus foi celebrada pelo reverendo vigário, etc. - O original de 7 fls. pertence á bibliotheca nacional. - Memória dos successos acontecidos na cidade de Lisboa desde 29 de novembro de 1807 até 3 de fevereiro de 1808, escripta e diri- gida ao Sr. D. João VI - Fazia parte dos manuscriptos da coroa de Portugal sob a guarda do Visconde de Villa Nova da Rainha, que passaram do Brazil à Portugal com a côrte. Moniz Barreto, finalmente, redigiu. - O Despertador Constitucional Extraordinário. Rio de Janeiro, 1825 e 1826, in-fol. Domingos <le Andrade Figueira - Natural de Itaguahy, antiga província do Rio de Janeiro, onde nasceu a 24 de junho de 1834; doutor em direito pela faculdade de S. Paulo e advo- gado na capital federal, foi muitas vezes deputado á assembléa de sua província e à geral, de que foi sempre considerado um dos melhores ornamentos, quer por sua illustração, quer por caracter honesto e puro. Seus discursos eram publicados como eram pronunciados; nunca os lia antes. Talento robusto, porém modesto, além de alguns trabalhos em revistas do tempo de estudante, e de suas provas para o doutorado, apenas algum discurso seu foi dado á lume por diligencia de amigos. São de sua penna: - Observações sobre a invasão dos hollandezes no Brazil - Na Revista Litteraria, jornal do Ensaio philosophico paulistano, serie 2a n. 5. - Direito constitucional. As duas camaras - Idem, serie 3a ns. 1 e 2 - A divisão das pessoas em nobres de diversas jerarchias e plebeus, consagrada pelo direito civil portuguez nas ordenações, subsiste entre nòs ? S. Paulo, 1857, 86 pags. in-4° - E' sua dissertação para o grão de doutor. DO 193 - Theses para obter o grão de doutor, etc. S. Paulo, 1857,7 pags. in-8°. - Discussão do voto de graças: discurso proferido na sessão da camara dos deputados de 30 de maio de 1871. Rio de Janeiro, 1871, 32 pags. in-8°. Doming-os Antonio Alves Rilbeiro - Natural de Aracaty, do Ceará, e bacharel em direito pela faculdade do Recife, formado em 1857, seguiu a carreira da magistractura e, sendo desem- bargador da relação desta cidade, foi aposentado em novembro de 1890 por causa de seus soffrimentos physicos. Foi amigo de seu conterrâneo» padre Thomaz Pompeo de Souza Brazil (vêde este nome) sob a chefia e magistério do qual, diz elle, fez a aprendizagem em política. Escreveu: - Um conto político: acontecimentos parlamentares do segundo reinado a partir de 1863. Rio de Janeiro, 1879- E' uma narração dos accontecimentos parlamentares dessa época, narração em que ás vezes o autor parece exagerado. Domingos Antonio Roiol, Barão de Guajará - Filho de Pedro Antonio Roiol e de dona Archangela Maria da Costa Roiol, nasceu a 30 de março de 1830 na cidade da Vigia, antiga pro- víncia do Pará, onde estudou humanidades. Bacharel em direito e formado em 1854 pela faculdade do Recife, com o intuito de dedicar-se á advocacia, veiu ao Rio de Janeiro, procurou o escriptorio de seu conterrâneo, o conselheiro B. de Souza Franco e com este trabalhou dous annos, findos os quaes, voltou â província, ahi estabeleceu-se e foi nomeado procurador dos feitos da fazenda nacional. Foi por diversas vezes eleito deputado á assembléa provincial, e na legislatura de 1864 a 1866 á geral, onde pugnou pela abertura dos portos do Amazonas á livre navegação e commercio com os paizes cultos do velho mundo. Administrou a província de Alagôas, em cujo exercício foi agraciado com o titulo de Barão de Guajará ; é socio do Instituto historico e geographico brazileiro e, além de diversos trabalhos na imprensa diaria, escreveu: - O Brazil político, dedicado ao conselheiro Bernardo de Souza Franco. Pará, 1858, 76 pags., in-4°. - Motins políticos ou historia dos principaes acontecimentos políticos da província do Pará desde o anno de 1821 até 1835, 4 vols. in-8° - O Io foi publicado no Rio de Janeiro, 1865, 370 pags. com o retrato do auctor; o 2o em S. Luiz de Maranhão, 1868, 412 pags.; o 3o no Rio de Janeiro, 1883, 469 pags.; o 4o em 1884. 194 I>O - Abertura do Amazonas: extracto dos debates no parlamento brazileiro acerca do projecto de lei sobre a abertura do rio Amazonas â navegação e ao commercio do mundo. Reflexões sobre a colonisação e liberdade religiosa, e vários outros assumptos. Rio de Janeiro, 1867, 125 pags. in-fol. - Ha ainda deste autor: - Limites do Brazil com a Guyana franceza - obra que não pude ver. Domingos de Araújo e Silva - Filho do brigadeiro Gabriel de Araújo e Silva e de dona Josepha Leopoldina da Silva Guima- rães, nascido na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, a 22 de novembro de 1834, é doutor em sciencias physicas e matbema- ticas pela escola central; lente cathedratico do segundo anno da escola polytechnica, e também lente ultimamente jubilado, de mathematicas applicadas da academia de bellas-artes ; do conselho do Imperador ; cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz e socio do Instituto polytechnico do Rio de Janeiro. Fez todo o curso do estado-maior de primeira classe na antiga academia militar e serviu neste corpo até o posto de capitão, ã que foi promovido a 25 de novembro de 1863, do qual depois pediu demissão. Escreveu: - Diccionario historico e geographico da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, contendo a historia e descripção da provincia em relação aos tres reinos da natureza, sua descripção geographica, jurí- dica, ecclesiastica, etc. Rio de Janeiro, 1869, 198 pags. in-8®. - Theoria das integraes definidas; Funcções eulerianas: These por occasião do concurso para o preenchimento da vaga de lente da primeira cadeira do segundo anno da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1874, 168 pags. in-4°. - Curso completo de topographia. Rio de Janeiro, 1881-1882, 3 vols. in-8° - No primeiro volume trata-se de planimetria; no segundo, de nivelamentos; no terceiro, da agrimensura e da cópia à reducção de plantas, terminando com a legislação patria, relativa ás terras publicas, e com as taboas destinadas a facilitar o calculo das formulas reduzi- das nas differentes partes. - Trabalhos graphicos. Rio de Janeiro.... -Ainda não vi esta obra. Ha algumas cartas levantadas pelo Dr. Araújo e Silva, como a Carta da provincia do Rio Grande do Sul, a do Pará e do Maranhão. Domingos de Azevedo Coutinlxo Duque-Es- trada - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 14 de abril de 1812, doutor em medicina pela universidade de Bruxellas ; approvado T>O 195 em medicina e cirurgia pela faculdade daquella cidade ; cirurgião re- formado da guarda nacional; do conselho do Imperador; cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, e da ordem italiana de S. Mau- rício e S. Lazaro ; socio da sociedade Amante da instrucção e de outras, é um dos mais antigos e conceituados clínicos, homoeo- pathas, que o Brazil tem tido. Foi o fundador da caixa municipal de beneficencia, sendo vereador da camara em 1860 e provedor dos soc- corros públicos. Escreveu: - Relatorio da sociedade Amante da instrucção, lido na assembléa geral da dita sociedade no dia 1 de agosto de 1832. Rio de Janeiro, 1835 - Anda n'um volume com os relatórios do Dr. Luiz Vicente de Simoni, Ignacio José Malta e Joaquim Bernardo Leal. - Relatorio da Caixa municipal de beneficencia, fundada pela actual camara municipal sob proposta do vereador, etc. Rio de Janeiro, 1860, 24 pags. in-8°. - Relatorio da provedoria de soccorros públicos, lido na assembléa geral dos membros da Caixa municipal de beneficencia, reunidos sob a presidência da illustrissima camara no dia 29 de junho de 1861. Rio de Janeiro, 1861, 31 pags. in-8°-Depois deste tem escripto em diversos annos outros relatórios, que têm sido publicados. - Prologo para a verdadeira historia da imperial sociedade Amante da instrucção, em o qual se distingue esta sociedade de outras, com que se tem confundido. Rio de Janeiro, 1868, 39 pags. in-8° - Ha ahi apreciações que levaram um dos socios, Luiz José Murinelli (veja- se este nome), a publicar umopusculo em resposta. - Honras fúnebres em memória do m.'.pod.-. sup.-. e ill.*. irmão, Visconde de Inhaúma, grão m. •. adj. •. 1. •. t. •. comm. •. do gr.'. or. ••esup.*. conselho do Brazil, Vaile dos Benedictinos. Rio de Janeiro, 1869, 139 pags. com o retrato do Visconde - Contém um discurso do Dr. A. Coutinho e escriptos, quer em prosa, quer em verso de outros autores. - Guia para o tratamento homoeopathico da cholera-morbus. Rio de Janeiro, 1874. - Pathogenesia do cactus grandiflorus,medicamento ultimamente des- coberto para moléstias do coração, pneumonias, etc.-- Ha duas edições que não vi, e uma mais que vem no Pequeno guia homoeopathico pelo doutor Bruckner, traduzido, etc., terceira edição, augmentada com os factos da clinica do mesmo Sr. Dr. Duque-Estrada e com uma gravura, representando o cactus grandiflorus e sua descripção botanica. Rio de Janeiro 1877, pags. 91 a 115 (Veja-se Antonio Gonçalves de Araújo Penna). - Ruas palavras sobre a verdade da homoeopathia e sua incontestável 196 130 superioridade sobre o systema medico ordinário. Analyse e refutações do que a respeito delia avançou o Sr. Dr. Meirelles na Tribuna Brazi- leira, etc. Rio de Janeiro, 1845, in-8°. Domingos Barbosa - Nasceu na cidade da Bahia em 1632 e falleceu a 22 de novembro de 1685, jesuita, recebendo a roupeta no collegio desta cidade, depois de ser graduado mestre em artes. Alli foi muitos annos mestre de noviços e depois procurador geral da ordem, em cujo caracter foi duas vezes á Roma, e por flm reitor do collegio, cargo que exercia quando morreu. Tinha um extraordinário dom de persuadir e sabia implantar no animo de seus discípulos o amor ás sciencias e ás virtudes de um modo admiravel. Cultor da poesia, compoz muitos versos, quer na lingua portugueza, quer na latina em que era muito versado, mas só publicou: - Passio Salvatoris Jesu Christi: poema - em que, segundo Barbosa Machado, compete a elegancia do metro com a ternura do affecto. Creio que este poema foi publicado em Roma, onde o autor tornou-se celebre por suas poesias latinas. Domingos Borges de Barros, Visconde da Pedra Branca - Filho do capitão-mór Francisco Borges de Barros e de dona Luiza Borges e descendente de família nobre e opulenta, nasceu na cidade da Bahia a 10 de outubro de 1780 e falleceu a 20 de março de 1855, doutor em direito pela universidade de Coimbra, senador e grande do império, do conselho do Imperador. Muito applicado desde estudante á philosophia, á agricultura e ás lettras, com particularidade á poética, foi eleito deputado á constituinte portugueza, onde apre- sentou um projecto de emancipação do sexo feminino, e de onde reti- rouse por não querer jurar a constituição votada. Passando de Portugal ã França, foi encarregada da nobre missão de obter do soberano o reconhecimento da independencia do Brazil e, mais tarde, desempenhou missão não menos melindrosa, ajustando o casamento da princeza dona Amélia de Leuchtemberg com o imperador dom Pedro I, por cujo serviço obteve a gran-cruz da ordem de Christo, a dignataria da Rosa e ser elevado de barão a visconde. Foi eleito senador quando viajava pela Europa e apezar de ter escripto aos seus amigos empenhando-se para que não o contemplassem na lista triplice, em 1825. Tomando assento no senado, fallou uma só vez para agradecer a seus conterrâ- neos o voto que lhe deram, e ao Imperador a escolha, e retirou-se, sem comparecer mais á camara. Escreveu: - Diccionario francez-portuguez e portuguez-francez. Paris, 1812, no 197 dous vols. in-8° - Sahiu, como as outras suas obras, sem declaração de seu nome. Balbi, porém, e outros afflrmaram desde logo que era sua essa obra. - O merecimento das mulheres: poema de Mr. G. Legouvé, do insti- tuto de França, traduzido do francez em portuguez por B**'. Rio de Janeiro, 1813, 40pags. in-8°. - Poesias offerecidas ãs senhoras brazileiras por umbahiano. Paris, 1825, 2 vols., 224-208 pags. in-16° - Nestes dous volumes se acham muitas poesias já publicadas no Patriota, com as obras de Felinto Elisio e outras já conhecidas, assim como o poema «Merecimento das mu- lheres ». Estas poesias dão a seu autor um logar distincto entre os mais distinctos poetas do Brazil. - Os tumulos: poema philosophico. Paris, 1826 - Este poema foi escripto por occasião do fallecimento de um filho do autor. Ha delle uma edição feita na Bahia, 1850, com algumas notas, pelo Dr. A. J. de Mello Moraes Io. - Ode ao Conde dos Arcos-impressa na «Relação do festim ao Illm. e Exm. Senhor Conde dos Arcos etc.» Borges deBarrosfoi collaborador do Patriota, jornal litterario, politico e mercantil, o primeiro deste ge- nero que se publicou no Brazil e de que fóra instituidor seu conterrâneo M. F. de Araújo Guimarães; ahi se acham muitos escriptos seus, assignados por B***, dos quaes citarei : - Memória sobre a plantação e fabrico do urucú - No tomo Io, n. 1. - Memória sobre o café, sua historia, cultura e amanho- No tomo Io, ns. 5 e 6 e tomo 2o, n. 1. - Memória sobre os muros de apoio ou muros que servem de susten- tar a terra - No tomo 2o, n. 4, pags. 3 a 11. - Memória sobre os meios de desaguar ou esgotar as terras inun- dadas ou enxarcadas por methodo faeil e pouco dispendioso- No dito tomo, n. 5, pags. 3 a 13. - Vantagens da vida campestre em resposta á carta, em que de Lisboa se despediu, devendo partir para a Bahia, Paulo José de Mello, es- criptas em Paris aos 2 de maio de 1806 - No tomo Io, n. 5, pags. 37 a 44. E' uma poesia em verso heroico. Domingos Cadavilla VeHoso - Nascido em Portugal, e residindo no Maranhão na época da independencia do Brazil, adheriu com enthusiasmo a esta. Era clérigo secular e parece que gozava de alguma influencia no logar, a julgar pelo facto, qne denunciara em 1824, de ter sidoconvidado pelo presidente da junta civil Miguel Ignacio 198 DO dos Santos Freire de Bruce e por dous filhos deste, á cooperar para que fosse adoptado na província o systema republicano, resultando de sua denuncia a reunião do conselho do governador das armas, José Felix Pereira de Burgos, depois Barão de Itapicurú-mirim, perante o qual conselho respondeu o dito presidente. Por essa occasião escreveu elle : - A cascavel. Rio de Janeiro, 1824, 11 pags. in-folio - A denuncia do padre Cadavilla foi publicada com a acta do governador das armas, e depois no impresso assignado pelo guarda-môr da relação da capital, Joaquim da Costa Barradas, em resposta â dita denuncia; e além deste impresso se publicaram diversos escriptos, quer a favor, quer contra os accusados, sendo de Cadavilla : - Reflexões offerecidas ao publico imparcial sobre a correspondência publicada no n. 14 do Grito da Razão, assignada por um maranhense que se diz amigo da verdade. Rio de Janeiro, 1825, 11 pags. in-folio. - Ao publico : respeito a Bruce. Rio de Janeiro, 1825, 7 pags. in-folio - Creio que é também da penna do mesmo autor o opusculo sob o titulo de - Petisco offerecido ao meritissimo Bruce por um seu amigo velho. Rio de Janeiro, 1825 - O Dr. Cesar Marques em seu Diccionario do Maranhão, pag. 488, faz menção dos factos á que me refiro. Domingos Caídas Barbosa - Filho de um portuguez e de uma africana, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, segundo infor- mam parentes seus e o conego J. da Cunha Barbosa, ou a bordo de um navio em viagem para o Rio de Janeiro, onde foi solemnemente baptizado em 1738, segundo o Visconde de Porto-Seguro e outros ; ou na Bahia, como diz o autor dos Varões illustres do Brazil e o padre Ignacio Felix de Alvarenga Salles por < lhe affirmarem pessoas de grande credito, » e falleceu em Lisboa a 9 de novembro de 1800. Es- tudava no collegio dos jesuitas daquella cidade, primando entre os primeiros por sua bella intelligencia ; mas, de genio excessivamente satyrico, a ninguém poupando como o celebre Gregorio de Mattos, creou por isso poderosos inimigos que alcançaram do Conde de Bobadella ser elle preso, alistado no exercito e enviado para acoloniado Sacramento, onde militou até ser tomada a praça pelos hespanhóes em 1762. De volta então ao Rio de Janeiro, obtendo sua baixa, foi para Portugal e, merecendo por suas maneiras sempre affaveis e attrahentes a amizade e protecção do doutor José de Vasconcellos e Souza, regedor das jus- tiças e mais tarde Conde de Pombeiro e Marquez de Bellas, obteve deste, não só os meios de continuar seus estudos até ser presbytero se- cular, mas também um beneficio e um logar na casa da supplicação. no 199 Nem se limitaram á isso os favores do Conde ; apresentou-o e relacio- nou-o com toda a nobreza ; deu-lhe cama e mesa, quer nos seus aposentos de Bemposta, onde com sua espoza o tratava como pessoa da familia, quer no palacio de seu irmão, o* Marquez de Castello-Melhor. No pa- lacio de tão leal e desinteressado amigo morava e falleceu Caídas Barbosa, que foi sempre grato a tão generoso bemfeitor. Esta posi- ção lisonjeira, porém, attrahira-lhe a inveja e as iras de Bocage, antes disso seu amigo e cuja vida é por demais conhecida, e do celebre cantor dos burros, mais tarde seu elogiador, José Agostinho de Macedo, o «frade renegado que era completamente incapaz de qualquer senti- mento nobre » como disse Pinheiro Chagas, e que foi declarado «incor- rigivel, mandando-se-lhe cuspir no habito em presença da communi- dade» por sentença do definitorio provincial dos eremitas calçados de Santo Agostinho - de cuja ordem era a vergonha, o opprobrio - datada de 4 de fevereiro de 1792, impressa no Constitucional n. do mesmo anno, e reproduzida no Diccionario de Innocencio da Silva, tomo 7o, pag. 239. E esses dous homens o cobriam de insultos e apodos, prevalecendo-se para isto até da còr parda do conspicuo brazileiro, de quem entretanto com merecidos elogios se occuparam vultos os mais elevados por sua ilustração e probidade. O padre Caídas Barbosa foi da Arcadia de Roma com o nome de Lereno Selinuntino . * fundador e presidente da academia de bellas-artes de Lisboa, mais tarde denominada Nova arcadia ; poeta e notabilíssimo, repentista. Escreveu : - Collecção de poesias feitas por occasião da inauguração da estatua do rei 2. José 1 em 6 de junho de 1775. Lisboa, 1775,27 pags. in-8°-São cinco odes e seis sonetos que também se acham no volume « Narração dos applausos com que o juiz do povo e casa dos vinte e quatro fes- tejam a felicíssima inauguração da estatua equestre, etc. Lisboa, 1775.» - A doença: poema offerecido á gratidão. Lisboa, 1777, 49 pags. in-8° - Segunda edição. Lisboa, 1801. E' um poema em quatro cantos, em versos hendecasyllabos rimados. - Epitalamio nas felicíssimas núpcias do Exm. Sr. Conde de Calheta com a Exma. Sra. dona Marianna de Assis Mascarenhas. Lisboa, 1777, 7 pags. in-8°-Vem reproduzido no Io supplemento do Florilégio da poesia brazileira, pag. 298 e seguintes. - Recapitulação dos successos principaes da escriptura sagrada ( em verso). Porto, 1792 - Segunda edição augmentada e addicionada de um indice mui copioso, Lisboa, 1793, 184 p igs. in-8°- Terceira edição, Lisboa, 1819 - Quarta edição com a biographia do autor e com finas gravuras pelo conego doutor Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, Rio de Janeiro, 1865. 200 1)0 - Almanali das muzas, oflerecido ao genio portuguez. Lisboa, 1793, 4 vols.- Não são suas todas as poesias desta obra; mas a maior parte delias, umas com seu proprio nome, outras com o de Lereno Selinun- tino e algumas anonymas. - Traducçãode algumas odes de Horacio. Lisboa, 17**.-A Ia destas odes vem no 3° vol. do dito Almanak. - Os viajantes ditosos: drama jocoso em musica para se representar no theatro do Salitre no amao de 1790. Lisboa, 1790, 96 pags. in-8°. - A Saloia namorada ou o remedio é casar: pequena força drama- tica que ãs senhoras portuguezas offerecem e dedicam Domingos Caporalini e Miguel Cavani, representada por ellese por outros no real theatro de S. Carlos. Lisboa, 1793, 22 pags. in-8°. - A vingança da cigana : drama joco-serio em um acto para ser re- presentado no real theatro de S. Carlos pela companhia italiana, offere- cido ao publico por Domingos Caporalini. Lisboa, 1794, 47 pags. in-8°. - A escola dos ciosos: drama jocoso em um só acto, traduzido livre- mente do italiano em versos portuguezes para se representar em musica no real theatro de S. Carlos, etc. Lisboa, 1795, 66 pags. in-8°. - A viola de Lereno : collecção de suas cantigas. 1° tomo, Lisboa, 1798 in-12°.- Deu-se segunda edição em Lisboa, 1806; terceira na Bahia, 1813 ; quarta em Lisboa, 1819. 0 segundo tomo só foi publicado em Lisboa, 1826, in-12°. Parece-me que ainda houve uma edição bra- zileira de 1825. São peças improvisadas, como disse Innocencio da Silva, entre as quaes ha algumas de distincto merecimento que de- nunciam o grande talento de seu autor como repentista. Li, porém, a mais severa censura á este livro, escripta por habilíssima penna portugueza que avaliava o mérito do autor desapiedadamente por causa de suas cantigas! Que injustiça avaliar-se o mérito de um poeta por cantigas chulas, improvisadas na mais estreita intimidade, entre commensaes, no lar, sob o império da rima, na linguagem própria do povo ignorante, ao mesmo tempo em que se desferem as cordas de uma viola 1 Sabe-se que Caídas Barbosa, sempre alegre, galhofeiro, sustentava uma conversação, exprimindo-se sómente em verso, e em verso rimado, e não póde haver quem por um momento admitta a hy- pothese de que elle, fallando seriamente, commettesse os erros, empregasse enfim essa linguagem chula que muitas vezes empregava em suas cantigas, arremedando o povo ignorante, fallando errado de proposito, como este. Sabe-se que elle não guardava taes impro- visos. Seus amigos que o apreciavam, foram os colleccionadores e os editores das Cantigas do Lereno ; e essas cantigas tiveram muitas edições posthumas, porque sem duvida revelam a admiravel facilidade DO 201 de expressão, a natural originalidade, o genio poético do autor. Quem sabe, si o autor levou á mal essa publicação ? Quem sabe si prohibiu a publicação do segundo tomo deste livro, só feita depois de sua morte, em 1826 ? Parece-me que o leitor não levará a mal que aqui transcreva os seguintes versos que o padre Caídas improvisou uma vez cantando â sua viola n'um grupo de moças, e assim ver-se-ha como elle compunha taes versos. Cantava elle : Si é um crime o ser amante Bem criminoso sou eu ; Mas é tão gostoso o crime Que eu gosto bem de ser reu. e, como uma das senhoras lhe observasse que não ficava bem a um padre exprimir-se por tal modo, elle respondeu : Não cuides, formosa Elfina, Que impias lições te dicte. Um puro amor é virtude, E' crime o amor de appetite. « Mas não sou eu quem o censura, é o mundo, a gente que o ouvir.» - E elle retorquiu : Gosto de amar, vou amando... Que importa murmure a gente, Si a gente, que assim murmura, Talvez não seja innocente ? « E como se chama a sua amada ? » A esta pergunta que lhe fez uma joven fidalga, cançada talvez de ouvil-o cantar de amores, elle continuou : Não quero dizer seu nome Que dizel-o não convém, Basta só que este segredo Saiba-o eu, saiba-o meu bem. Instado flnalmente pela joven, sem hesitar terminou : Menina, minha menina, Que tanta gracinha tem, Deixe lá fallar quem falia, Que sò você é meu bem. Uma feita, em 1773, achava-se o poeta em Cintra em uma quinta com o seu amigo José Basilio da Gama (veja-se este nome) e escre- vendo Gama no tronco de uma arvore : Neste tronco com meus votos Escrevo os de Mareia bella... 202 1)0 uma senhora suspende-o de continuar, pede a Barbosa que prosiga e este immediatamente disse : Porém, si o tronco murchar, Não é por mim, è por ella. Muitas vezes nas sociedades o padre Caídas Barbosa improvisava não só no motte, como ao consoante que lhe davam com o propo- sito de embaraçal-o. Assim, dando-lhe uma senhora o motte « Tem dó do meu coração » e outra a palavra pião para consoante, elle em continente disse : Tu me fazes dar mil voltas Como si eu fosse um pião. Dá-me a corda que quizeres, Tem dó de meu coração. No Archivo Popular, tomo 14°, acham-se esses improvisos e também um soneto em resposta a outro que lhe dirigiu seu patricio Lucas José de Alvarenga, terminando cada verso na mesma palavra do soneto a que responde. - Descripção da grandiosa quinta dos senhores de Bellas e noticia de seu melhoramento. Lisboa, 1799, 87 pags. in-4° - E' offerecido áesposa de seu amigo e protector. - Tratado de educação das meninas, traduzido em portuguez - Não sei si foi publicado, nem onde pára, sei apenas que o autor o deixara inédito e era escripto em 13 capítulos com 328 pags. in-4°. - Henrique IV : poema epico, traduzido do original francez por ***. Lisboa, 1807, 203 pags. in-4° - Aqui menciono esta obra por dizer Innocencio da Silva que, bem que o Marquez de Bellas a publicasse como sua depois da morte de Caídas Barbosa, não faltou quem a jul- gasse deste. Talvez nem o Marquez tivesse a pretensão de passar como autor, pois que nem assignou-a. Esta traducção é muito su- perior á do Dr. Thomaz Bello e Freitas, publicada em Lisboa em 1789 e reimpressa no Rio de Janeiro em 1812. - Poema Mariano ou narração dos mais espantosos e extraordi- nários milagres de N. Senhora da Penha, venerada na província do Espirito Santo e em todas as partes do Brazil, por Domingos Caídas, natural da Bahia, dada à luz por Ignacio Felix de Alvarenga Salles, padre-mestre jubilado, etc. Victoria, 1854 - Teve segunda edição no livro « As maravilhas da Penha ou lendas e historias da Santa e do virtuoso frei Pedro de Palacios » pelo major J. J. Gomes da Silva Netto, de pags. 184 a 221. Compõe-se de 76 oitavas em verso heroico e foi escripto em 1770. DO 203 - Lebreida: poema em 50 decimas rimadas, escripto por occasião da inauguração da estatua equestre do rei D. José em 1778 - Tomara o poeta por assumpto deste poema uma caçada de lebres, feita pelo monarcha, á qual elle assistira. Vem no Florilégio da poesia brazi- leira, tomo 2o. Nesta collecção se acham mais do padre Caídas : - Boas festas ao arcebispo inquisidor ; Aos annos da Condessa de Pombeiro ; Fragmento dirigido ao primogénito da Condessa de Pom- beiro. Lyra, ao dito primogénito; O que é a saudade ; Melancolia; Zabumba ; Retrato ; Dous sonetos; Epitalamio nas núpcias da Con- dessa de Colheta - No volume publicado por J. Norberto de Souza e Silva sob o titulo « A Cantora brazileira ou nova collecção de hymnos, canções e lundus, tanto amorosos como sentimentaes » Rio de Janeiro, 1878, se acham 33 composições daquelle genero do padre Caídas, de sete dasquaes elle compoz também a musica. Intitulam-se Chupar no dedo ; E então ? Ouvir, ver e calar ; Ais de amor ; Zabumba ; Tenho medo de papão Tape, tepe, tipe, ti; Amor brazileiro, etc. Houve quem attribuisse ao padre Caídas Barbosa as celebres « Cartas chilenas de Oritillo e Dorothêo » á tantas pennas attribuidas, mas hoje se sabe perfeitamente que de taes cartas não foi autor. (Veja-se Cláudio Manoel da Costa.) Domingos Carlos da Silva - Filho de Carlos Manoel da Silva e de dona Anna da Silva Cunha, nascido na cidade de S. Salvador, capital da província, hoje Estado da Bahia, é doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, tendo antes de sua formatura servido como interno da clinica medica, quer do hospital de misericórdia, quer dessa faculdade ; é nella lente cathedratico de pathologia externa, e agra- ciado com o titulo de conselho do Imperador. Também antes de gra- duado, prestou serviços aos affectados da epidemia de cholera-morbus, que grassou no Brazil de 1855 a 1856, tendo estado em vários pontos de sua provincia e na de Pernambuco. UI timamente foi nomeado inspector geral de hygiene, cargo de que pediu logo exoneração. Escreveu : - Dissertação sobre os meios cirúrgicos empregados no tratamento do cancro do seio, seguida de algumas proposições em solução aos seguintes pontos : Como explicar-se a coincidência que existe entre a dureza do pulso e a força e energia das contracções uterinas no trabalho do parto ? Menstruação ; Como reconhecer-se que houve aborto em um caso medico-legal ? Tributo académico, etc., afim de receber o grão de doutor em medicina. Bahia, 1859, in-4° gr. - Theoria das cellulas, consideradas como elemento anatomico : theso 204 DO publicamente sustentada, etc., em concurso para um dos tres logares de oppositor da secção cirúrgica. Bahia, 1860, in-4° gr. - Das glandulas em geral: these em concurso à cadeira de anatomia descriptiva; apresentada, etc. Bahia, 1862, in-4° gr. - Estudo das principaes questões relativas ás feridas por armas de fogo : these em concurso para á cadeira de pathologia externa, apre- sentada, etc. Bahia, 1874, 272 pags. in-4° gr. - Compendio de pathologia cirúrgica elementar ou resumo das lições feitas em 1878 na faculdade de medicina da Bahia : obra ada- ptada aos estudos e destinada ao uso dos alumnos. Bahia, 1878' 194 pags. in-4° - Este compendio continuou a ser publicado em mais dous fasciculos. - Conferencias de clinica cirúrgica, feitas no hospital de caridade, recolhidas e publicadas pelo alumno Constancio Pontual. Bahia, 1871, 428 pags. in-4°. - Hérnias inguinaes engastadas : prova escripta no concurso que teve logar em agosto de 1874 para a cadeira de pathologia externa. Bahia, 1876, 32 pags. in-4°. - Reforma de ensino superior no Brazil. Bahia, 1883, 120 pags. in-8°. - Da cholera-morbus epidemica. Considerações históricas, admi- nistrativas e prophylacticas. Conferencia feita na escola da Gloria no dia 2 de agosto de 1884. Rio de Janeiro, 1884, 39 pags. in-8°. - Ha outra edição de 1888, Rio de Janeiro, com 42 pags. in-4°. Deste autor ha em revistas alguns escriptos, como: - A ilha de Itaparica e o beriberi - Na Revista Medica da Bahia, 1877, pags. 187 e segs. e depois nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 29°, pag. 103 e segs. Domingos Fulg^eiicio da Silva Lessa - Natural de Alagoas, é presbytero secular, conego honorário da antiga capella imperial, capellão capitão honorário do exercito por serviços prestados na campanha do Paraguay, capellão do corpo de policia daquelle Estado' cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, e condecorado coma medalha da dita campanha. Escreveu: - Sermão de Nossa Senhora da Conceição, prégado em sua festa no dia 8 de dezembro de 1869 na ilha do Cerrito, no Paraguay. Rio de Janeiro, 1869. - A egreja catholica, apostólica, romana. A companhia de Jesus e a maçonaria, etc. Maceió, 1874, 131 pags. in-8°- E'escripto por occasião da questão religiosa em defesa dos bispos, etc< 1)0 205 - O poder temporal do papa - Sahiu na Estrella do Norte, do Pará, tomo 2o, 1864, pags. 346, 355 e 371. Domingos de Goes e Vasconcellos - Filho do con- selheiro Zacarias de Goes e Vasconcellos e de dona Carolina de Mattos e Vasconcellos, natural da cidade do Rio de Janeiro, onde nasceu a 15 de dezembro de 1856, é doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, adjunto da segunda cadeira de clinica cirúrgica da dita faculdade, cirurgião adjunto do hospital da misericórdia, e membro titular da academia nacional de medicina. Escreveu : - Paralysias; Valor da docimasia pulmonar; Meningeas cra- neanas ; Hydropisias : these apresentadalá faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1880, 68 pags. in-4°. - Apontamentos de clinica cirúrgica. Rio de Janeiro, 1885, in-8° - Precede este livro uma carta do conselheiro Saboia. São trabalhos relativos a factos notáveis da clinica cirúrgica do hospital da miseri- córdia e da clinica particular do autor. - Estudo critico e clinico dos differentes processos cirúrgicos do tratamento das hepatites suppuradas. Rio de Janeiro, 1887, 31 pags. in-8° com 1 mappa - E' uma memória que o autor apresentou á aca- demia nacional de medicina como titulo para sua admissão, e que foi publicada nos Annaes Brazilienses, tomo 52°. - Contribuição para o estudo clinico das hepatites suppurados ; me- mória lida no segundo congresso brazileiro de medicina e cirurgia em 1889. Domingos Guedes Cabral - Filho de Antonio Guedes Quinhones de Mattos Cabral e de dona Anna Rita do Carmo Cabral, nasceu a 4 de julho de 1811 na cidade de Pelotas, da antiga provincia de S. Pedro do Sul, e falleceu na Bahia a 6 de março de 1871. Seu pae, que era portuguez, dedicado á causa da metropole, sentindo-se arruinado após os movimentos da independencia do Brazil, retirou-se para Portugal, tendo apenas podido dar á seu filho os primeiros rudi- mentos da educação litteraria e envial-o para a Bahia com destino ao commercio; mas este, já guarda-livros de importante casa, deixou o emprego que tinha para dar-se ãs lettras, e fez um curso de humani- dades ainda com alguns recursos que seu pae pôde fornecer-lhe. Com a morte, porém, deste foi-lhe forçoso seguir o magistério como pro- fessor publico de primeiras lettras mediante o respectivo concurso. Todo entregue ás idéas republicanas, depois fez-se jornalista, princi- piando por collaborar na imprensa republicana da Bahia e depois 206 1)0 creando e redigindo novos orgãos de propaganda, e com ardor tal, que renunciou ser deputado provincial, porque « não podia pela palavra oral fazer tanto, como pela palavra escripta ». Por sua dedicação, porém, á causa que abraçara, soffreu desgostos e injustiças até dos proprios amigos e, por isso, de certa epoca em diante começou a declinar seu ardor primitivo até que voltou de todojà vida particular. Escreveu: - O Democrata (orgão de propaganda). Bahia, 1836 a 1842, in-fol. - O Guaycurú (orgão francamente republicano). Bahia, 1842 a 1850, in-fol.- Do Guaycuru disse o Dr. Borges da Fonseca, um dos mais decididos adeptos da propaganda : « Si cada província tivesse um Guaycuru, a republica entre nós seria questão de dez annos. » Esta folha, que fez em 1848 a mais vigorosa opposição â administração do general Andréa, depois Barão de Caçapava, tinha por epigraphe estes dous versos da tragédia Catão, de Garret. : Da liberdade a arvore não,'cresce, Si a não rega dos déspotas o sangue. Nos assumptos políticos deste jornal, de sua penna, sobresahe : - Fôrma republicana : serie de artigos - muito applaudidos pelos sectários da idéa. Nos assumptos particulares notam-se : - Tenebrosos mysterios da Bahia ; serie de oitenta artigos sobre a celebre questão Passos, que então agitava a Bahia - Redigiu ainda : - O Interesse Publico. Bahia, 1860-1861, in-fol.- Foi fundado de- pois de certa ausência de Guedes Cabral do jornalismo. Escreveu enfim : - A política e os políticos - Ficou inédita essa obra, escripta quando o autor, desilludido, pôde bem apreciar os caracteres políticos. Sei que um dia, revendo elle alguns fragmentos, viu que iria deixar á seus filhos um legado de perseguição, e então inutilisou-os. Boa parte, porém, do livro ficou e existia em poder de seu filho de egual nome ; com a morte deste não sei onde pára. Domingos Guedes Citlbral, 2o - Filho do precedente e de dona Faustina Maria do Nascimento Cabral, nasceu na cidade da Bahia a 29 de outubro de 1852 e falleceu a 27 de janeiro de 1883. Pre- parado para o curso jurídico, e não se matriculando nesse curso em vir- tude de moléstia que a isso obstou por quasi dous annos, deu-se par- ticularmente ao estudo da philosophia e depois resolveu-se a estudar medicina na faculdade da dita cidade, onde recebeu o grão de doutor em 1875. De vigoroso talento, já com pendor para os estudos philo- DO 207 sophicos contra as idéas espiritualistas, estudando anatomia e zoologia, leu Huscly, Burgmeister e Darwin e recordou-se do que talvez lera em Nicolas. « Estudos sobre o christianismo», na parte que se refere a Moysés perante a sciencia, e então, todo enlevado nas novas doutrinas, esquecendo as que bebera nas aulas e as crenças religiosas, bebidas em sua infancia, deu novo rumo á suas idéas á proporção que estudava pbysiologia. Andou lendo, sem duvida, Taine, Wagner, Valentin, Huschle, Leves, Schaller, Paschappe, Robin, Uyrtl, C. Vogt, La- marck, Hâckel, Luis, Moleschott, Liell, Colta, Broca, Zimmerman, todos os contribuidores, emtim, que pôde encontrar da escola radicalista, e formou suas convicções de que a alma é uma funcção do cerebro e o homem o ultimo grão apenas da animalidade, e escreveu para these inaugural: - Funcções do cerebro. Bahia, 1876, 265 pags. in-4° - Sob sua paixão dominante pela nova philosophia, emprehendeu, segundo me consta, a publicação de tres obras successivamente complementares entre a phy- siologia e a anthropologia. Esboçou uma obra « A questão do homem », que devia ser complemento de outra, isto é « Cerebro e alma », a qual por sua vez completa o trabalho « Funcções do cerebro », que apresentou á faculdade como sua these inaugural. Apparecendo, porém, dissidências na commissão revisora, esta as submetteu á congregação, que, depois de calorosa discussão, resolveu rejeitar a these como lesiva á religião do Estado, sendo por isso dada ã estampa sem caracter de these pelos collegasdo autor. Elle ahi, com effeito, se declara darwinista e fran- camente materialista ; mas me parece que a faculdade, pelo facto de repellir as idéas emittidas n'uma these, não devia repellir a these. Ha um lente encarregado de escrever os acontecimentos mais notáveis do anno, e então podia a congregação fazer que se mencionasse o facto na historia de taes acontecimentos, que é sempre impressa, até com um resumo dos argumentos apresentados contra as idéas erróneas, e com isso também a sciencia lucraria. Sustentando o autor que a alma é apenas uma funcção physiologica como qualquer outra e que a cosmogonia de Moysés é insustentável perante a sciencia, esse livro causou grande sensação e provocou, sobretudo por parte do clero, uma verdadeira reacção. Foi assim que, além da Chronica Religiosa, periodico do archi- episcopado, que sahiu-lhe ao encontro com mais de trinta artigos editoriaes e outros de collaboração, apresentaram-se em vários jornaes combatendo-o muitos contendores, clérigos e seculares, d'entre os quaes salientaram-se o publicista Bellarmino Barreto e o conego doutor Ro- mualdo Maria de Seixas Barroso, que simultaneamente publicaram no Diário da Bahia duas series de bellos artigos, cheios de erudição e pro- 208 1)0 ficiencia. (Vejam-se estes dous nomes.) A seus contendores respondeu o autor com os dous trabalhos : - A sciencia e os padres: serie de artigos dirigidos particularmente ao clero -Não o affirmo, mas creio que foram publicados no mesmo jornal e na mesma occasião. - A proposito das Funcções do cerebro: serie de artigos em resposta aos contendores da imprensa secular - publicados no Diário da Bahia de fevereiro de 1876. - Qual o melhor tratamento da febre amarella ; Queimaduras; Do infanticídio considerado sob o ponto de vista medico-legal; Si o ferro augmenta o numero dos globulos, e a quantidade da ematosina e dimi- nue a parte serosa do sangue, á que são devidos estes resultados 1 these apresentada ã faculdade de medicina para ser sustentada, etc. Bahia, 1875, in-4° - E' a these que o autor apresentou em substituição da que foi repellida pela faculdade. O Dr. GuedesJCabral escreveu alguns tra- balhos em revistas académicas e deixou inéditos outros que seriam publicados si não morresse tão cedo ; são estes : - Cerebro e alma. - O homem perante a sciencia por Buchner: traducção. - A biblia na índia por L. Jacolliot: traducção. - Manhãs do ermo: poesias. Ooming-os Horacio de Barrai, Conde de Barrai - Filho do Conde de Barrai (da França) e da Condessa do mesmo titulo e também Condessa da Pedra Branca, dona Luiza Margarida Portugal de Barros, nasceu na Bahia em 1850 e, educado na França, entrou no serviço deste paiz, exercendo o logar de membro da embaixada á Roma e depois o de conselheiro municipal do districto de Etreeley. Escreveu : - L'etude sur 1'histoire diplomatique de 1'Europe de 1648 a 1791, contenant: L'Europe occidentalede 1648 à 1713; le Nord et l'Orient depuis 1648 jusqu' à la mort de Pierre, le Grand, Louis XV, Marie Therese et Frederic, le Grand; partage de la Pologne, independence des Etats-Unis. Paris, 1880, in-8°- Depois de ter segunda edição foi publicado o segundo volume ou : - L'etude sur 1'histoire diplomatique de 1'Europe de 1792 a 1815, etc. Paris, 1885, in-8°-Abrange factos do começo da revolução fran- ceza á paz de Campo Formio. E' um livro de alto valor historico que permitte ao leitor penetrar certos arcanos. Domingos Jacy Monteiro l.° - Filho de Francisco José Monteiro Mesquita e de dona Joaquina Pereira Monteiro, nasceu na 130 209 cidade do Rio de Janeiro a 13 de março de 1831. Doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, fez uma viagem á Europa, donde voltou também doutor em direito. Desde estudante tomou parte activa no movimento litterario de sua epoca e dedicou-se ao magistério em alguns collegios. Depois leccionou latim e francez como professor co- adjuvante na escola central; historia moderna como professor interino no antigo collegio de Pedro II; portuguez na escola normal; geogra- phia e historia do Brazil no asylo da infancia desvalida e foi, além disso, examinador em concursos de instrucção secundaria, e em exames de preparatórios para cursos superiores, nos quaes presidiu mesas; foi delegado da instrucção primaria e secundaria do municipio da côrte, e membro do conselho superior da instrucção publica. Serviu muitos annos na secretaria do império, hoje do interior, donde, sendo sub-director, foi demittido contra expressa disposição do regulamento, na situação liberal iniciada a 5 de janeiro de 1878, sendo mais tarde reintegrado nesse cargo, em que logo aposentou-se, e antes disto presidiu a provincia do Amazonas, de 1876 a 1877. Foi socio fundador e vice- presidente da sociedade propagadora das bellas-artes á qual, assim como ao lyceu de artes e offlcios, prestou os mais relevantes serviços. E' offlcialda ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo. Escreveu: - Arsénico e seus compostos, effeitos physiologicos e therapeuticos ; De pondere characterum ab ovário fructuque in eadem planta minis- tratuum; De casibus ototomiam reclamantibus, methodisac rationibus: theses, etc. Rio de Janeiro, 1854, in-4° - Só o primeiro é desenvolvido em dissertação ; os outros, em proposição, sao escriptos em latim. - A justiça. Satyra Ia: O ministério. (Rio de Janeiro, 1866) 24 pags. in-8° -Sahiu sem frontispicio e não continuou a publicação. - Canto e soneto ã memória do poeta brazileiro Antonio Gonçalves Dias. Rio de Janeiro, 1867, 9 pags. in-8° - O Dr. Jacy foi, quem por obséquio à viuva do poeta que vendera á casa Garnier a propriedade da publicação, coordenou a quinta edição das poesias de Gonçalves Dias, augmentada de muitas poesias, inclusive os Timbiras, e que é a edição mais completa. - Canto â inauguração da estatua equestre de D. Pedro I, monumento commemorativo da independencia do Brazil. Rio de Janeiro, 1862, 1 foi. - Foi reproduzido pelo Jornal do Commercio e por outros jornaes. - Discurso biographico do bacharel M. A. Alvares de Azevedo, re- citado na 4a sessão solemne do Gymnasio Brazileiro, etc.-Vem como introducção das obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo, colli- gidas e publicadas por Jacy Monteiro em 1853 e nas duas edições subsequentes. 210 DO - Discurso pronunciado na sessão da assembléa geral do monte- pio geral de economia dos servidores do estado no dia 24 de novembro de 1872. Rio de Janeiro, 1872, in-4°- Esta sessão teve logar pela inauguração do retrato do Visconde do Rio Branco. -■ A conversão dos bens das ordens regulares em apólices da divida publica intransferíveis. Rio de Janeiro, 1870, 24pags. in-8°. - Relatorio apresentado ao Exm. Sr. Dr. Agesiláo Pereira da Silva, presidente da província do Amazonas, depois de ter entregue a administração da província em 26 de maio de 1877. Manáos, 1878, 69 pags. in-fol., seguido de annexos - Este relatorio foi impresso um anno depois, na ausência do autor e, segundo fui informado, com algu- mas omissões ou alterações. Jacy Monteiro desde 1847 escreveu artigos, principalmente sobre lettras e sciencias e muitas poesias no Diário do Rio de Janeiro sob a redacção do conselheiro Josino do Nascimento e Silva, sendo notáveis os escriptos políticos com o titulo Nova época, em 1857; no Correio Mercantil sob a direcção de J. M. da S. Paranhos (depois Visconde do Rio Branco) e Fran- cisco Octaviano ; no Philanthropo que, começando em 1849, passou a ser do n. 76 em diante orgão da sociedade contra o trafico dos afri- canos e promotora da colonisação e civilisação dos indígenas, da qual elle foi socio ; no Correio do Brazil e no Velho Brazil, redigidos por JustinianoJ. da Rocha ; no Atheneo, da Bahia, redigido pelo autor destas linhas; na Epoca Litteraria também, da Bahia; na Revista Uni- versal Maranhense ; no Beija-flor ; na Gazeta dos Hospitaes ; nos Harpejos Poéticos ; na Semana Illustrada ; no Bazar Volante e na Voz da Juven- tude, donde o seu - Epicedio por occasião da morte do bacharel Manoel Antonio Alvares de Azevedo - foi reimpresso no Florilégio da infanda. A Voz da Juventude, publicada no Rio de Janeiro de junho de 1849 a no- vembro de 1850, foi depois declarada revista do gymnasio brazileiro, passando a seu redactor o Dr. Jacy Monteiro, que ainda redigiu : - Guaracinga : revista litteraria. Rio de Janeiro, 1850-1851, 72 pags. in-8° - Só sahiram seis numeros, sendo também da redacção Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Manoel Antonio Duarte de Azevedo, depois lentes da faculdade de S. Paulo. - Tres de Maio : (folha política) Rio de Janeiro, 1858, in-fol. - Brazil Artístico : revista da sociedade propagadora das bellas-artes. Rio de Janeiro, 1857-1858, in-fol. de duas columnas.- Foi também da redacção F. J. Bethencourt da Silva e só sahiram seis numeros, sendo o primeiro a 25 de março de 1857 e o ultimo em março de 1858. Nesta revista acha-se de Jacy Monteiro: DO 211 - Discurso recitado na sessão solemne da inauguração da sociedade propagadora das bellas-artes do Rio de Janeiro - no n. 3, occupando 16 columnas, assim como -Um fauno vivo: anecdota da vida de Coysewox por Molière - no n. 5, occupando 11 columnas. Domingos Jacy Monteiro, 2o - Filho do precedente, e de dona Maria Dulce Monteiro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 20 de julho de 1852. Doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, foi medico do hospício dos alienados, annexo ao hospital de S. João Baptista de Nitheroy, desde julho de 1881 até ser extincto esse hospício em 1890 ; depois entrou em concurso para a cadeira de psychiatrica, foi nomeado adjunto da mesma cadeira e passou a lente substituto na ultima reforma da faculdade. Escreveu: - Dos systemas penitenciários, e de sua influencia sobre o homem ; Respiração vegetal ; Hemorrhagias puerperaes ; Diatheses e moléstias diathesicas: these, etc., afim de obter o gráo de doutor em medicina. Rio de Janeiro, 1875, in-4°. - Relatorio da commissão medica da Estrella - Refere-se â epidemia de febres graves que alli grassou em 1879, e foi publicado na Revista clinica do hospital de S. João Baptista de Nitheroy, n. 1, de pags. 5 a 11, não continuando por cessar a publicação desta revista. - Relatórios (do movimento do hospício dos alienados, annexo ao hospital de S. João Baptista, de Nitheroy)- Acham-se annexos aos relatórios da presidência da provincia, hoje Estado, do Rio de Janeiro de 1882 a 1886. Domingos Joaquim da Fonseca - Nasceu na cidade da Bahia em 1829 e é irmão do chefe de esquadra Ignacio Joaquim da Fonseca, de quem occupar-me-hei. Tendo o curso da academia de ma- rinha, serviu na armada até o posto de primeiro tenente, a que foi pro- movido em 1855 e, pedindo demissão delle em 1863, foi nomeado inspector da alfandega do Rio Grande do Norte. Na armada, fez parte da esquadra que sob o commando do chefe de esquadra P. F. de Oliveira foi ao Paraguay effectuar os tratados de limites com esta republica ; desempenhou commissões importantes como a do levantamento do pharol dos Abrolhos em 1858 e a direcção dos trabalhos para melhora- mento do porto do Rio Grande do Sul em 1861. Em 1864, já no serviço da fazenda nacional, foi nomeado, mediante concurso, segundo con- ferente da alfandega de sua província natal, e no anno seguinte, também por concurso, stereometra da mesma alfandega, logar que 212 1)0 foi mais tarde supprimido, passando elle por este motivo para o de primeiro conferente. Exercendo este cargo na alfandega de Pernam- buco, foi a seu pedido aposentado. E' cavaileiro da ordem da Rosa, socio do conservatorio dramatico da Bahia, e escreveu: - Apontamentos sobre um roteiro da costa do Brazil. Rio de Janeiro, 1854- Sahiu na Revista maritima brazileira, 1854. - Remorsos: drama. Bahia, 1868 - Ignoro si foi impresso. Foi, porém, neste anno apresentado ao conservatorio dramatico, e em 1875 levado á scena nessa provincia. - A ambição .■ drama. Bahia, 1870. - Mathilde : drama. Bahia, 1875. - Amor e morte-, romance. Bahia, 1876. - Manuel Beckman : drama historico em verso, em seis actos. Per- nambuco, 1888 - Foi representado na Bahia vinte annos antes de ser impresso. Talvez ainda outras peças theatraes tenha o autor impressas. Inéditas sei que tem algumas. Domingos José Antonio Kelbello - Natural da cidade da Bahia, e nascido, segundo penso, nos últimos annos do século XV11I, foi negociante matriculado na praça de sua provincia e exerceu o cargo de director da companhia de seguros Commercio ma- ritimo. Foi pae do desembargador Henrique Jorge Rebello e do doutor Tito Adrião Rebello eavô do doutor Eugênio Guimarães Rebello, dos quaes occupar-me-hei neste livro. Escreveu: - Corographia ou abreviada historia geographica do império do Brazil, especialmente da provincia e cidade de S. Salvador, Bahia de todos os Santos, coordenada e dedicada á casa pia e collegio dos orphãos de S. Joaquim desta cidade para uso de seus alumnos. Bahia, 1829, 259 pags. in-8°. Domingos José Freire. Io-Pae do distincto pro- fessor da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, de igual nome, foi um habil educador da mocidade, dirigiu o collegio de S. Christovão que funccionou na rua do Pedregulho desta cidade, n. 56, atè o anno de 1862, e escreveu: - A paixão de Olympia: episodio romântico. Rio de Janeiro - Foi publicado pela casa Garnier. Domingos José Freire, 2o - Filho do precedente e de dona Lauriana Lucinda Rosa Freire, e nascido na cidade do Rio de Janeiro, ó bacharel em lettras polo antigo collogio de Pedro II; DO 213 doutor em medicina pela faculdade desta cidade ; lente de chimica or- gânica e biologica da mesma faculdade ; lente de chimica do Lyceu de artes e offlcios; cirurgião-mòr de brigada honorário por serviços prestados na guerra do Paraguay; membro titular da antiga academia de medicina e honorário do Instituto pharmaceutico do Rio de Janeiro ; membro honorário da sociedade de cremação de Haya ; correspondente do circulo medico argentino de Buenos-Aires e da academia livre de medicina de Lima ; official da ordem da Rosa e condecorado com a medalha da campanha do Paraguay e com a medalha honorifica do conselho geral da Guyana franceza. Viajou pela Europa em commissão scientiíica do governo ; presidiu a secção de pharmacologia no con- gresso internacional de sciencias medicas de Bruxellas e leccionou interinamente, por nomeação do governo, no curso de sciencias na- turaes da escola polytechnica. Incansável nas investigações e no estudo da sciencia de sua predilecção, a chimica, descobriu em 1881 um apparelho destinado a extrahir todos os gazes que se acharem dissolvidos nos differentès liquidos orgânicos, em substituição á bomba pneumática á mercúrio de Alberguiat, cujo preço é elevado e cujo trabalho é moroso, baseando o mecanismo desse apparelho: Io, no deslocamento dos gazes pelo chloroformio, analogo ao do oxygenio do sangue pelo oxydo de carbono ; 2o, na producção do vacuo no final da operação, o que acarreta alguns restos de gazes que ainda fiquem re- tidos no seio do liquido orgânico. Ultimamente deu-se com fervor ao estudo do microbio da febre amarella, e da vaccinação preventiva desta moléstia, estudo em que tem sido infatigável, mas que lhe assignala logar distinctissimo entre os homens da sciencia. Escreveu: - Albuminúria e lesões an atomo-pathologicas dos rins respe- ctivos; Fractura da clavícula ; Signaes tirados da voz e da palavra ; Gravidade, attracção molecular: these apresentada á faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1866, 84 pags. in-4° gr. - Da electricidade cm geral e em particular da electricidade animal: these de concurso á um logar de oppositor de secção de sciencias medicas. Rio de Janeiro, 1871,32 pags. in-4°. - Estudo analytico e comparativo dos principaes ácidos orgânicos : these de concurso ã cadeira de chimica organica da faculdade de me- dicina. Rio de Janeiro, 1874, 131 pags. in-4° comdous quadros. - Chloral e chloroformio: prova escripta do concurso á cadeira de chimicaorganica. Rio de Janeiro, 1874,28 pags. in-8°. - Relatorio apresentado á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, pelo doutor, etc. em commissão na fórma do art. 13 dos estatutos. Io semestre (setembro de 1874 a fevereiro de 1875). Rio de Janeiro, 214 1)0 1876, 52 pags. in-4°- Trata-se dos meios de melhorar o material e pessoal do ensino medico. - Relatorio apresentado etc., 2o semestre de fevereiro á agosto de 1875. Bruxellas. Rio de Janeiro, 1876, 78 pags. in-4° - Trata-se dos trabalhos dos laboratorios de sciencias physicas e naturaes de Paris. - Relatorio apresentado, etc. 3o semestre. Vienna d'Austria. Rio de Janeiro, 1876, in-4° - Trata-se do ensino medico em Londres e em Bruxellas. - Relatorio apresentado, etc. 4o semestre. Viennad'Áustria. Rio de Janeiro, 1876, in-4° - Occupa-se da descripção dos laboratorios de chi- mica de Leipzig, Marburgo, etc., com figuras intercaladas no texto, os desenhos de taes laboratorios e, em duas bellas gravuras, os do exterior do laboratorio chimico da universidade de Leipzig e do interior do auditorium. Annexo á este volume acham-se : - Movimentos gyratorios da camphora, suas causas, suas leis, e rela- ções com a constituição molecular dos corpos : trabalhos experimentaes do relator com figuras intercaladas no texto. - Relatorio apresentado, etc. 5® semestre. Rio de Janeiro, 1877, 320 pags. in-4° - Tem por assumpto a organização das universidades da Allemanha, Áustria, Suissa e províncias allemãs da Rússia. - Relatorio apresentado, etc. 6° e ultimo semestre. Rio de Janeiro, 1878, 128 pags. in-4° - Occupa-se do ensino superior na Italia, espe- cialmente do ensino medico e, da pag. 85 em diante (segunda parte), das faculdades da Prussia e da Italia ; horário da faculdade de Vienna ; ensino medico, ordem dos médicos ; o nosso estado e o que convém para melhoral-o ; conclusões e despedida. - SwTetamage -publicado nos Comptes Rendus do congresso inter- nacional das sciencias medicas de Bruxellas, 1876 E' um trabalho apresentado ao mesmo congresso. - Noticias clinicas da campanha do Paraguay: memória publicada na Revista Medica do Rio de Janeiro, 1876. - Accidentes que complicam os ferimentos por arma de fogo com applicação ã campanha do Paraguay : memória - Idem, 1876-1877. Sahiu em dezesete numeros da revista. - Estudo sobre um cryptogamo, causa da oxidação dos oleos, feito no laboratorio da faculdade de medicina. Rio de Janeiro, 1878, in-4°. - Considerações sobre os usos das sodas e potassas, e sobre as van- tagens da fundação no nosso paiz da industria destes productos. Rio de Janeiro, 1879. - Sur l'atoccicitè des eaux météoriques : note presentée à 1'academie DO 215 des Sciences de Paris. Rio de Janeiro, 1880 - Foi também publicado nos Comptes rendas da mesma academia. - Lições de chimica organica, professadas na faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1880 - E' a parte primeira, publicada em fascículos, sem frontispício, com 272 pags. Depois sabiram à luz: - Lições elementares de chimica organica, professadas na escola de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1882, 330 pags. in-4°. - A synthese da chimica organica : these de concurso para a segunda secção do curso de sciencias physicas e naturaes da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1880, 277 pags. in-4° - Da pag. 262 em diante estão proposições sobre Analyse dos gazes e Vaccas de leite. - Recueil des travaux chimiques, suivie des recherches sur la cause, nature et traitement de la flevre jaune, avec figures dans le texte. Rio de Janeiro, 1880, 348 pags. in-8° - A segunda parte foi traduzida para o inglez pelo Dr. Justin Donvar, medico do almirantado inglez, em 1883. - Etudes experimentales sur la contagion de la flevre jaune. Rio de Janeiro, 1883, in-4° com estampas -E' um opusculo de 48 pags., em que o autor chega á conclusão de que : Io a febre amarella è uma moléstia especifica e infecto-contagiosa ; 2o sua especificidade é devida á presença no sangue de um parasita que elle chamou cryptococcus xanthogenicus ; 3o é provável conseguir-se a profilaxia da moléstia mediante a vaccinação preventiva. - Investigações sobre a febre amarella - Na União Medica, 1883, pags. 167, 358 e 409 esegs. - Ptomainas da febre amarella: memória apresentada á academia imperial de medicina para obter o grão de membro titular. Rio de Ja- neiro, 1885, 45 pags. in-8°- Publicou-se também nos Annaes Brazi- lienses, tomo 51°, pags. 129 a 173 e em seguida, até pag. 179, acha-se o parecer sobre esta memória pelo Dr. F. M. de Mello e Oliveira. - Doctrine microbienne de la flevre jaune et ses innoculations pre- ventivos: rapport des etudes experimentales sur cette maladie, pre- senté au gouvernement imperial du Bresil. Rio de Janeiro, 1885, 461 pags. in-8° e mais 181 de annexos com numerosas gravuras chromo- lithographadas e esboços thermographicos e sphygmographicos. - La vaccine de flevre jaune: resultais estatistiques des innocula- tions preventives avec la culture du microbe, attenué, de janvier à aoút 1885. Rio de Janeiro, 1886, 29 pags. in-8°. - Notice sur la regeneration de la virulence des cultures attenués du microbe de la flevre jaune. Extrait du journal O Paiz; traduction de VEtoile du Sud. Rio de Janeiro, 1886, 8 pags. in-4°. 216 1)0 - Refutation des recherches sur la flevre jaune, faltes par mr. P. Gibier à la Havane. Rio de Janeiro, 1888. - La missionou Bresil du Dr. Itemberg. Refutation du rapport pu- blió par ce medecin sur la flevre jaune dans le Medicai News, de Phila- delpliia. Rio de Janeiro, 1888. - Estatistique des vaccinations au moyen de culture de microbe at- tenuê de la flevre jaune, pendant 1'epidemie de 1888 a 1889. Rio de Janeiro, 1890. - Relatorio apresentado ao governo imperial pelo Dr... presidente da junta de hygiene publica. Rip de Janeiro, 1884, in-fol. - Hygiene publica'. A inspectoria geral de hygiene e seu parecer sobre a falsificação e fraude das bebidas alcoólicas e dasprincipaes disposições referentes ao assumpto em vários paizes civilisados. Rio de Janeiro, 1888, 132 pags. in-8°com uma tabella - E' escripto de collaboração com osDrs. L. de Moraes Sarmento e A. F. Campos da Paz. - Manual de trabalhos práticos de chimica organica para servir de guia no curso pratico do laboratorio da faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1887, in-8° - E' publicação de 1886, em- oora, como se vê na frente do livro, tenha outra data. - Prèmières ètudes expérimentales sur la nature du câncer. Rio de Janeiro, 1887, 55 pags. in-8°. - Differentes aspectos da urina nos casos de chyluria. Rio de Ja- neiro, 1888, in-8.° - Recherches sur la nature parasitaire du scorbut, sur 1'allotropie du brome, sur 1'alcaloide et deux résines de la jurubebe. Rio de Ja- neiro, 1890 - Ha ainda do autor muitos trabalhos em jornaes e re- vistas, dos quaes mencionarei : - Sobre a falsificação dos vinhos; resumo da lição pronunciada no imperial Lyceu de artes e oíflcios, a 6 de novembro de 1878 - No Jornal do Commercio de 10 do dito mez. - Moléstias das vinhas : lição proferida no mesmo lyceu, a 7 de no- vembro de 1878 - No dito jornal. - Das contusões por castigo - Na Revista Medica do Rio de Ja- neiro, n. 6, 1878. - Algumas medidas sanitarias applicaveis á cidade do Rio de Janeiro: memória - publicada na Gazeta de Noticias em fevereiro de 1879. - Assumptos hygienicos : memória - publicada no Cruzeiro, em no- vembro de 1879. - Os medicamentos officinaes de importação: pesquizas feitas no laboratorio da faculdade do medicina da côrte - Na União Medica, tomo 1°, 1881, pags. 639 a 660. JDO 217 - Processo de dosar a gelatina que falsifica as peptonas medicinaes : pesquizas feitas no laboratorio da faculdade de medicina da côrte - Na União Medica, 1882, pags. 61 e seguintes. Foi traduzido em ita- liano, e publicado nos Annali de Chimica, tomo 74°, 1882, pags. 231 e seguintes. Domingos José Gonçalves de Magalhães, Vis- conde de Araguaya - Filho de Pedro Gonçalves de Magalhães Chaves, e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 13 de agosto de 1811, falleceu em Roma a 10 de julho de 1882, sendo enviado extraordinário o ministro plenipotenciário do Brazil junto a esta còrte ; grande do império; do conselho do Imperador ; cavalleiro da ordem do Cruzeiro, commendador da ordem da Rosa e da de Christo ; da ordem napoli- tana de Francisco I e da do Mérito ; socio do Instituto historico e geo- graphico brazileiro e de outras associações de lettras. Graduado em medicina pela antiga faculdade do Rio de Janeiro em 1832, fez em 1834 uma viagem á Europa, como addido â legação brazileira em Paris. De volta á patria, serviu no Maranhão o cargo de secretario do governo e depois o mesmo cargo no Rio Grande do Sul, então em convulsões politicas, sendo, depois de pacificada esta província, eleito seu representante na legislatura de 1845 a 1848 e, antes de ahi servir, nomeado lente de philosophia do collegio de Pedro II. Dedicando-se desde 1847 á carreira diplomática, foi encarregado de negocios nas cortes de Turim e de Nápoles, depois ministro residente em Vienna d'Austria; dahi passou em 1867 como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário aos Estados-Unidos da America do Norte; em 1871 foi em missão especial á Buenos-Aires; em 1873, em igual missão ao Paraguay para celebrar os tratados com o general Mitre ; finalmente serviu como ministro junto á Santa Sé, resolvendo as questões pen- dentes entre o império e a curia romana por occasião da questão religiosa. Foi um dos mais notáveis poetas do Brazil, o chefe de nossa escola poética, como alguns o designaram, e escreveu: - Poesias. Rio de Janeiro, 1832, in-8°- São suas primeiras com- posições dos tempos de estudante. - Episodio da infernal comedia, ou viagem ao inferno. Inferno na rua do Fogo, canto da do Sabão, 1836 - Sabe-se que esta obra viu a luz em Paris. E' uma satyra escripta por Magalhães, quando esteve addido à legação de Paris, depois de desgostos que teve com o chefe da legação brazileira. Ha neste escripto umas notas em prosa que são attribuidas, assim como o prefacio, á Manoel de Araújo Porto-Alegre' amigo intimo do autor. 218 T»O - Suspiros poéticos e saudades. Paris, 1836, in-8° - Segunda edição mais correcta e augmentada com quatro cantos. Paris, 1859. A maxima parte destas poesias foram escriptas na Italia, e o auto- grapho dos Suspiros poéticos, encontrado na Bahia, foi com outros escriptos remettido pelo presidente da província para a exposição de historia patria, effectuada na bibliotheca publica da corte. Neste interessante livro em que o poeta despreza as divindades ridículas, de que se inspiravam os poetas da antiga Grécia, para inspirar-se na sublime magestade do christianismo, reunem-se, segundo a expressão do conego Fernandes Pinheiro, o sentimentalismo de Lamartine, a suave melancolia de Chateaubriand, a vigorosa imaginação de Byron ou Victor Hugo, as graves e profundas meditações de Schiller e de Goethe. - Nitheroy: revista brazileira Sciencias, lettras e artes. Paris, 1836, in-8.°- De collaboração com F. de Salles Torres Homem, M. de A. Porto-Alegre e E. Monglave. Desta revista citarei os dous seguintes trabalhos seus : - Ensaio sobre a historia da litteratura do Brazil - no tomo Io, pags. 132 a 159. - Philosophia da religião e sua relação com a moral - no tomo 2o, pags. 7 a 38. - Antonio José ou o poeta e a inquisição: tragédia. Rio de Janeiro, 1839, 118 pags. in-8°- Esta tragédia, cujo assumpto é o horroroso assassinato catholico-juridico do desditoso poeta, é o primeiro drama, si me não engano, de assumpto brazileiro e de penna brazileira. No original acha-se a seguinte declaração do autor: « Acabei este drama em 31 de dezembro de 1836 ás 11 da noite em Bruxellas. » - Olgiato.- tragédia em cinco actos. Rio de Janeiro, 1841, 128 pags. in-8°- Foi levada á scena pela primeira vez a 7 de setembro de 1839 na restauração do theatro de S. Pedro de Alcantara. - Othello ou o mouro de Veneza: tragédia de Ducis. Traducção. Rio de Janeiro, 1842, in-8°. - Amancia : romance - Vem na Minerva Braziliense, ns. 9 e 10 do Io vol., 1844. - Ode á sua magestade o Sr. D. Pedro II, Imperador do Brazil, na visita que se dignou fazer á província do Rio Grande do Sul, etc. Porto-Alegre, 1845, in-4°. - Os mysterios: cântico fúnebre á memória de meus filhos. Paris, 1858, in-8° - Os mysterios foram escriptos por occasião da morte de tres filhos do autor. Dividem-se em oito cantos : A morte ; Lamen- tações ; Recordações dolorosas ; O lethargo; A visão ; A consciência ; no 219 A duvida; A fé. Seguem-se tres epitaphios, que foram gravados sobre a pedra sepulchral dos tres mancebo. - Confederação dos Tamoyos : poema. Rio de Janeiro, 1857, in-4' - Este poema, verdadeiramente americano, brazileiro, contém dez cantos, e a edição, nitidamente feita á expensas do Imperador, traz na frente o retrato do autor. Após a publicação appareceu no Diário do Rio de Janeiro uma critica severa líuma serie de cartas, depois publicadas em opusculo, assignadas por Ig. (pseudonymo de José Mar- tiniano de Alencar); mas não menos de tres admiradores do autor sahiram á campo em defesa de seu livro, no Jornal do Commercio e no Correio da Tarde, sendo um destes Frei Francisco de Mont'Alverne. A critica, portanto, não abalou a reputação do poeta, nem offuscou o mérito do livro que teve duas versões para o italiano, feitas pelo coronel Ricardo Cerani e pelo Dr. L. V. de Simoni, e uma nova edição em Coimbra, em 1864, feita pelo Dr. Rodrigo Vellozo. Diz Mont'Alverne que « o poema em geral contém uma idéa nobre e um pensamento altamente patriótico ; está orvalhado de immensas bellezas; revela estudos profundos e traços de uma imaginação brilhante e fecunda. Suas comparações em geral são verdadeiras e bem apropriadas ; o íbgo e a energia d'alma aquecem todo o poema ; o coração do autor acha-se em toda r sua obra; a patria está sempre diante dos olhos... » (Vejam-se Frei Francisco de Mont'Alverne e José Martiniano de Alencar, 2o). A Confederação dos tamoyos foi um dos poemas brazi- leiros que o Imperador expôz na festa do Instituto historico a 31 de outubro de 1889 em homenagem â nação chilena, ricamente encader- nados, lendo na folha anterior as bandeiras do Brazil e do Chile com suas cores distinctivas. - Memória histórica e documentada da revolução da provincia do Maranhão desde 1838 até 1840 - Sahiu na Revista do Instituto, tomo 10°, de pags. 263 a 362. Esta memória, dividida em 36 capitules, começa por uma noticia dos usos e costumes do Maranhão e do estado da provincia antes da revolução, e foi premiada pelo mesmo Instituto. - O autor a escreveu quando servia o logar de secretario do governo da provincia. - Os indígenas do Brazil perante a historia : memória offerecida ao Instituto historico e geographico em 1859 - Sahiu na mesma revista, tomo 23°, de pags. 3 a 66, e si me não engano foi também publicada em avulso em 1860. - Urania : poesias. Vienna, 1862 - Este volume consta de poesias lyricas pelo autor dedicadas â sua esposa. - Factos do espirito humano. Paris, 1858, in-8° - Segunda edição, 220 DO Paris, 1865, Apenas publicada pela primeira vez, foi esta obra traduzida em francez, e dada á estampa em Paris por N. P. Shansselle em 1859. Delia occupou-se o Dr. Silvio Romero em sua Philosophia no Brazil - Obras completas. Vienna, 1864-1865, 8 vols. - a saber: -l.° Poesias avulsas. 368 pags Consta das que compoemo volume publicado em 1832 e de outras, póster iormente escriptas. - 2.° Suspiros poéticos e saudades. 361 pags. -precedidos de um artigo publicado em Paris, em 1836, de F. de S. Torres Homem. - 3.° Tragédias: Olgiato; Antonio José ; Othello. 363 pags. - 4.° Urania : 344 pags. - 5.° Confederação dos Tamoyos : 354 pags. - 6.° Cânticos fúnebres: Os mysterios ; O louco do cemiterio ; A morte de Socrates, poema traduzido de Lamartine. 348 pags. - 7.° Factos do espirito humano : philosophia. 401 pags. - 8.° Opusculos históricos e litterarios : Memória histórica da revo- lução da província do Maranhão ; Os indígenas do Brazil perante a his- toria ; Discurso sobre a litteratura no Brazil; Biographia de Frei Fran- cisco de MonfAlverne ; Amancia; romance, etc. 397 pags. - A alma e o cerebro: estudos de psychologia. Roma, 1876, 436 pags. in-8° - Sobre este livro diversas criticas appareceram, sendo mais severa a do Dr. Silvio Romero, em sua Philosophia no Brazil. - Commentarios e pensamentos sobre varias questões philosophicas que dedica á seu filho. Roma, 1880, in-8° - E' seu ultimo escripto. Nelle combate o autor as novas theorias positivistas, de que procura arredar seu filho. Este livro teve nova edição no Rio de Janeiro, 1888. 164 pags. in-8° - Acham-se em varias revistas alguns dos escriptos de Magalhães, quer em prosa, quer em verso, como: - Ode pindarica ao segundo anniversario do glorioso dia sete de abril, recitada na Defensora - Vem no Independente n. 162, de abril de 1833, pags. 151 a 153. - A velhice (considerações philosophicas) - Na Revista Popular, tomo 14°, pags. 24 a 29. - O poeta infeliz : poesia - Na Revista Universal Brazileira, Rio de Janeiro, 1847-1848, pags. 53 a 55-Magalhães collaborou na Minerva Braziliense, e fez parte da redacção do - Jornal dos Debates políticos e litterarios. Rio de Janeiro, 1837- 1838, ín-fol. (Veja-se Francisco de Salles Torres Homem.) Domingos José Martins - Filho de Joaquim Ribeiro e de dona Joanna Martins, nasceu ern Itapemirim, província do Espirito Santo, e falleceuna Bahia, arcabuzado, a 12 de junho de 1817, com 36 DO 221 annos de edade. Muito joven viera para esta provincia, onde se de- dicou ao commercio ; da Bahia passou á Lisboa, e de Lisboa á Londres, onde estabeleceu-se associando-se â casa commercial Dourado, Dias e Carvalho como director ou caixa. Adquirindo a sociedade fundos con- sideráveis, resolveu elle estabelecer feitorias em Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia, empregando quatro navios de sua propriedade no serviço respectivo. Progredindo admiravelmente sua fortuna, e forne- cendo-lhe meios para cuidar da emancipação das colonias, objecto então em discussão nos clubs do general Miranda, o chefe da eman- cipação geral da America hespanhola desde a Venezuela, com este travou relações e veiu ao Brazil, assegurando a seus socios novas especulações mercantis ; visitou todas as feitorias, fazendo-se idolatrar por suas maneiras, affaveis, philantropicas, e seguiu para Europa. Chegando á Londres, congregou seus socios, segurou protecções, esta- beleceu correspondências e voltou â Pernambuco em 1815. Ahi pôz-se á frente dos movimentos políticos de 1817, em consequência dos quaes foi preso e remettido para a Bahia, onde chegou a 9 de junho ; foi senten- ciado á morte pela commissão militar a 11, e no dia seguinte executado. Foi poeta, escreveu varias poesias, que ficaram inéditas e talvez per- didas com o trágico fim do autor, mas delias existe um - Soneto (composto na Bahia, quando foi sentenciado â morte) - Vem no Mosaico pernambucano de F. A. Pereira da Costa, pag. 11. E, como não são conhecidas outras producções de Domingos Martins, e nem seu nome foi ainda contemplado como autor em obra alguma, releve-se-me que aqui reproduza o soneto : Meus ternos pensamentos, que sagrados Me fostes quasi a par da liberdade ! Em vós não tem poder a iniquidade ; A' esposa voae, narrae meus fados 1 Dizei-lhe que nos transes apertados Ao passar desta vida á eternidade, Ella n'alma reinava na ametade ; E com a patria partia-lhe os cuidados. A patria foi o meu Numen primeiro, A esposa depois o mais querido Objecto do desvelo verdadeiro ; E na morte entre ambas repartido, Será de uma o suspiro derradeiro, Será da outra o ultimo gemido. Domingos Martins foi um dos assignatarios do - Preciso dos acontecimentos que tiverem logar em Pernambuco, etc. (Veja-se Antonio Carlos Ribeiro de Andrada Machado.) 222 DO Domingos José Nogueira Jaguarilbe, Visconde de Jaguaribe - Nascido no Ceará em 1820, falleceu no Rio de Janeiro a 5 de junho de 1890. Formado em direito pela faculdade de Olinda foi deputado em varias legislaturas, senador eleito em 1870, e ministro da guerra no gabinete de 7 de março, sob a direcção do Visconde do Rio Branco ; do conselho do Imperador e grande do império. Exerceu cargos de magistratura, sendo nomeado desembargador da relação do Recife em janeiro daquelle anno, da qual fôra removido em abril para a do Rio de Janeiro, onde chegara cinco dias antes de fallecer. Prestou também serviços na guerra do Paraguay, cuja medalha possuia. Fundou e redigiu por muito tempo: - A Constituição : folha política, commercial e noticiosa. Ceará, 1862, in-fol.- Escreveu depois: - Relatorio da commissão inspectora da casa de correcção da corte. Rio de Janeiro, 1874, 65 pags. in-8° - E" assignado também pelos outros membros da commissão. - Orçamento do ministério do império: discurso proferido na sessão (do senado) de 23 de agosto de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 96 pags. in-8°. - Discurso pronunciado na sessão do senado de 15 de junho de 1880. Rio de Janeiro, 1880. Domingos José IVogrieira Jag-uarilbe, 2o - Filho do procedente e de dona Clodis Santiago de Alencar Jaguaribe, e nascido na província do Ceará em 1848, é doutor em medicina pela fa- culdade do Rio de Janeiro, offlcial da ordem da Rosa, socio do Instituto historico e geographico brazileiro e da sociedade Auxiliadora da in- dustria nacional. Foi deputado por sua província na ultima legislatura do império e em varias legislaturas á assembléa da província, hoje Estado de S. Paulo, onde é proprietário. Escreveu: - Acclimatamento das raças sob o ponto de vista decolonisação em relação ao Brazil; Aborto criminoso ; Fracturas complicadas ; Curare considerado pharmacológica e therapeuticamente : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1874, 229 pags. in-4° - Desenvolvendo o primeiro ponto, o autor estuda o clima do Brazil em diversas províncias segundo o mesmo clima varia, e apresenta diversos quadros de observações meteorológicas. - A mutamba : noticia sobre uma planta brazileira - Sahiu na Re- vista Medica, tomo 2°, n. 1. - Clima da província de S. Paulo e salubridade publica, com especia- lidade no município do Rio-Claro : relatorio, com que respondeu a um 130 223 officio da camara municipal do Rio-Claro, incumbindo-o de dar noticias do clima e salubridade do municipio. S. Paulo, 1876. - Algumas palavras sobre a emigração ; meios práticos de colonisar ; colonias do Barão de Porto-Feliz e estatística do Brazil. S. Paulo, 1877, 52 pags. in-8°. -Discurso proferido na segunda sessão do congresso agrícola em 9 de julho de 1878. S. João do Rio Claro, 1878, 11 pags. in-4o. -Reflexõessobre a colonisação do Brazil. Paris, 1879, 300 pags. in-4°- E' um volume nitidamente impresso. -Arte de formar homens de bem, offerecida ás mães de familia. S. Paulo, 1880, 215 pags. in-8o - Segunda edição, consideravel- mente augmentada, Rio de Janeiro, 1886. E' um tratado de educação physica e moral, precedido de uma carta do doutor Antonio Corrêa de Souza Costa e de uma carta-prologo do doutor João Mendes de Almeida. Deste livro offereceu o autor 25 exemplares ao club abo- licionista do Riachuelo, Rio de Janeiro, para uso de sua escola gratuita. - Meios de estabelecer a corrente emigratoria e a substituição de braços - Vem na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1880. São considerações apresentadas n'uma reunião de fazendeiros e negociantes do Rio Claro para serem tomadas pelo governo na con- sideração que merecerem. - Os herdeiros de Caramuru : romance historico, brazileiro. Rio de Janeiro, 1880, 2 tomosj 205 e 232 pags. in-8° - E' um livro de propa- ganda para a abolição da escravatura. - Imposto sobre escravos: discurso pronunciado na assembléa pro- vincial de S. Paulo na sessão de 22 de março de 1882. S. Paulo, 1882, in-8°. - Organização do trabalho. Questões sociaes. S. Paulo, 1884, 86 pags. in-8*. - Cartas a Sua Magestade o Imperador por um grande desconhecido. Rio de Janeiro, 1885, in-8°. - O sul de S. Paulo : contribuição para o estudo da geographia physica desta zona da província. S. Paulo, 1886, 86 pags. in-8° com um mappa desdobrável. - Intelligencia e moral do homem. S. Paulo, 1887, in-8°-E' um complemento da Arte de formar homens de bem. - Homens e idéas no Brazil: collectanea de artigos publicados na imprensa diaria da côrte, 2a edição. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Interesses do quinto districto: discursos pronunciados na assembléa provincial de S. Paulo em 1888. S. Paulo, 1888, 32 pags. in-4°. 224 DO - Discurso pronunciado na sessão de Io de agosto de 1888 (na ca- marados Srs. deputados). Rio de Janeiro, 1888. - Manual de instrucção civica de Numa Dias: traducção. Rio de Janeiro, 1891 - Este livro foi impresso pelo governo da republica. Domingos José Rodrigues - Natural da província do Ceará, ou do Maranhão, e fallecido a 5 de maio de 1883, era bacharel em mathematicas, e entre as commissões, que exerceu, se conta a de engenheiro das obras publicas da provinda da Parahyba, onde escreveu: - Refutação do parecer do procurador fiscal da thesouraria de fazenda da província da Parahyba, padre Lindulpho José Correia das Neves, sobre os celebres concertos da alfandega, inserido no Publicador n. 27 de 24 de abril do corrente anno. Parahyba, 1875, in-4°.- Foi por este engenheiro levantada uma. - Planta da fortaleza do Cabedello. 0m,902+0,568 - Existe o original á aquarella no archivo militar. Domingos Marinlio de Azevedo Americano - Filho de José Marinho de Azevedo e de dona Anna Rosa da Cunha Azevedo, nasceu em Paraopeba, municipio de Queluz e província de Minas Geraes, a 12 de fevereiro de 1813 e falleceu a 9 de junho de 1851. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, tendo sustentado these a 20 de dezembro de 1838, foi nomeado substituto da secção cirúrgica em maio do anno seguinte, e um anno depois foi à Europa em commissão scientifica na fôrma dos estatutos da mesma faculdade. Voltando da Europa em 1844, deu um curso especial de mo- léstias do peito, publicando delle algumas lições no Archivo Medico Brazileiro, e foi nomeado lente cathedratico de partos a 17 de janeiro de 1851, cinco mezes antes de fallecer. Era segundo medico do hospital militar da guarnição da côrte com a graduação de major, membro titular da academia imperial de medicina e socio do instituto historico e geographico brazileiro. Escreveu : - Dissertação sobre a phrenologia: these apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 15 de dezembro de 1838. Rio de Janeiro, 1838, 72 pags. in-4°gr. - E' dividida em tres partes : Analyse philosophica, Bases fundamentaes da phrenologia, e Organologia especial, concluindo com um capitulo, em que se desenvolve a seguinte questão : A phrenologia conduz ao materialismo ? Seguem-se tres figuras para mais facil comprehensão das faculdades instincti- vas, affectivas e intellectuaes, que fazem objecto da terceira parte da these e um quadro synoptico das mesmas faculdades. DO 225 - Dissertação inaugural sobre a lithotricia : these, etc., do concurso ao logar de lente substituto da secção cirúrgica a 26 de abril de 1839. Rio de Janeiro, 1839, 53 pags. in-4° gr. - Memória sobre o estado actual das instituições medicas na França, na Prussia e na Gran-Bretanha. Rio de Janeiro, 1845, 193 pags. in-4°. - Historia da escutação: lição feita a 15 de setembro de 1844 - Sahiu no Archivo Medico Brasileiro, tomo 1°, pags. 77 a 84. - Lições geographico-meteorologicas, feitas em seu curso particular de moléstias do peito - Na mesma revista, tomo 2o, pags. 37, 63 e 105, e tomo 3o, pags. 14 e seguintes. - Relatorio sobre o estado actual do hospital militar, suas preci- sões e população enferma durante o anno de 1845. Rio de Janeiro, 1846, 25 pags. in-4°. - Relatorio annual dos doentes tratados durante o anno de 1848, pe'o Dr. Domingos Marinho de Azevedo Americano. Rio de Janeiro, 1849, 40 pags. in-8°. - Academia imperial de medicina. Discurso recitado na sessão so- lemne de 6 de novembro de 1848. Rio de Janeiro, 1848, 28 pags. in-8" - Versa sobre os diversos systemas da medicina. Domingos Miguel Marques de Souza - Natural da Bahia, tendo o curso da academia de marinha e sendo primeiro tenente da armada, falleceu pelo anno de 1850, depois de ter feito uma viagem â Europa. Em 1846 serviu como secretario da estação central, sob o commando do capitão de fragata J. Marques Lisboa, hoje Marquez de Tamandaré, e então confeccionou o - Mappa hydrographico da Bahia de Todos os Santos, levantado no ministério do ill.m° e ex.m0 sr. Antonio Francisco de Paula Cavalcanti, etc. - Foi lithographado este mappa e delle fazem menção o Dr. Cân- dido Mendes de Almeida por lhe haver auxiliado no seu « Atlas do Brazil » e o Barão da Ponte Ribeiro por lhe haver servido na confecção da «Carta geral do império », exhibida na exposição de 1875. Foi redu- zido a esca'a no archivo militar e lithographado em 1863. Domingos Mondim Pestana - Nasceu na cidade da Bahia pelo anno de 1805, e falleceu na capital de Sergipe em 1875. Tornou parte na luctada independencia, travada na Bahia, alistando-se como praça voluntária com osdous irmãos Manoel e Antonio Rebouças, Francisco Moniz Barreto e muitos outros jovens bahianos e bem que, finda a campanha, não persistisse na carreira das armas, como esses 226 1^0 conterrâneos seus de quem faço menção no logar competente, sempre teve interesse e tendencia para essa carreira, jã servindo a principio, como ofTicial de milícias e depois da guarda nacional, na qual chegou ao posto de tenente-coronel, já escrevendo sobre assumptos de guerra. Advogou algum tempo no fôro de sua provincia, donde passou para a de Sergipe por occasião da revolução de 1837 ; ahi exerceu um logar na secretaria do governo, aposentando-se no de oílicial-maior, e esteve depois algum tempo em Alagoas, onde foi eleito deputado provincial. Escreveu: - Syslema geral de instrucção para os corpos de caçadores. Rio de Janeiro, 1850 - Esta obra de grande utilidade para a classe à que é destinada, sobretudo na época em que foi publicada, tão pobre de trabalhos deste genero, foi muito estimada, e ainda hoje é. Teve nova edição com o titulo; - Systema geral de instrucção para os corpos de caçadores, contendo também as dezenove manobras de infantaria. Bahia, 1855. - Descripção de todos os actos e solemnidades por occasião da exhu- mação, trasladação, exequias e definitivo encerramento dos ossos ve- nerandos do Dr. Ignacio Joaquim Barbosa, presidente da provincia de Sergipe, etc., colligidos por ordem do ill.mo e ex.m0 sr. doutor João Da- bney de Avellar Brotero, presidente desta provincia. Aracajú, 1858, 47 pags in-8°. - Defesa que ante o conselho de guerra apresentou como advo- gado do tenente Cláudio Marques de Souza, accusado de ter-se batido á espada com o alferes Aristides BaIthazar da Silveira. Bahia, 1861, 54 pags. in-8°. Domingos <.lo Nascimento- Filho de Francisco Luiz do Nascimento e nascido na villa de Guarakessava, no Paraná, a 21 de maio de 1862, fez o curso da escola militar e é primeiro tenente de artilharia. Escreveu: - Revoadas: poesias. Rio de Janeiro, 1883, 85 pags. in-16°- Contém este livro 32 composições. - Threnos e arruidos : poesias. Porto Alegre, 1887. Domingos <le Oliveivit Menna Barreto - E' natural, segundo me consta, do Estado do Rio Grande do Sul, empre- gado na contadoria da marinha e escreveu: - Phílosophia do throno e do altar, do império e do sacerdócio, por João Pressor, traduzida, etc. Rio de Janeiro, 1884 - E' uma publi- cação em fascículos, de que sahiu o primeiro a 16 de maio, com 16 pags. DO 227 D. Domingos Qu.erino de Souza, 2o bispo de Goyaz - Filho de João Querino de Souza e de dona Victoria Gonçalves Stella, nasceu na freguezia da Estancia, Sergipe, a 2 de outubro de 1815 e falleceu em Goyaz a 12 de setembro de 1863, deixando na maior indi- gência sua familia, com quatro senhoras loucas, que eram, sua mãe e tres irmãs, perdendo uma destas a razão com a morte do prelado, e as outras, durante a penosa viagem que fizeram com elle para a dio- cese. Presbytero secular, residindo em Sergipe e nomeado bispo, foi preconisado em consistorio secreto de 18 de março de 1861, com o arce- bispo monsenhor Silveira. Acceitando o báculo pastoral de Goyaz, acceitou o martyrio, como se exprime o Dr. Teixeira de Mello, nas suas Ephemerides Nacionaes. Elevado, fpela notoriedade de suas virtudes, às eminências do episcopado, chegou á seu destino pela via-dolorosa, pelo caminho das amarguras. Nunca se lhe ouviu uma queixa ; sup- portava com a mais evangélica resignação os desatinos de suas infeli- zes mãe e irmãs ; mas seu ar de tristeza gelador, as palavras raras que pronunciava, deixavam comprehender quanto soffrimento tinha n'alma. Nutrira a esperança de sanar os males resultantes da au- sência de seu antecessor, motivada pela moléstia que o privara da vista, mas só sete mezes penou na diocese. Era do conselho do Impe- rador, e só me consta que escrevesse a - Carta pastoral, ã seus amados diocesanos, escripta da cidade da Estancia, na provincia de Sergipe, exhortando-os á confiadamente ad- orarem a omnipotência de Deus em sua Providencia ; asegurarem sua salvação por meio de boas e santas obras e, emflm, acautelarem-se contra o mal. Bahia, 1862, 22 pags. in-4°. Domingos líamos- Filho de Manoel Ramos Parentes e de dona Andrêza Cazado Ramos, nasceu na cidade da Bahia a 27 de abril de 1653, e falleceu a 11 de junho de 1728. Entrou para a companhia de Jesus, tomando a roupêta aos treze annos de idade, em 1666, e ahi fez todo o curso de sciencias e lettras, causando admiração ã seus proprios mestres pela grande intelligencia de que era dotado, e passando logo a mestre de philosophia e de theologia no respectivo collegio. Em 1694 foi á Roma na qualidade de procurador geral da ordem ; alli confirmou a reputação, que tinha, de grande theologo, eximio prógador e litte- rato, e mereceu particular confiança e amizade do geral dos jesuitas, o padre Tyrso Gonçalves. Escreveu muito principalmente sobre philo- sophia, mas infelizmente, quasi todas as suas obras ficaram inéditas, e só se conhecem: - Sermão nas exequias da rainha, nossa senhora, D. Maria Sophia 228 1)0 Isabel, celebradas na cathedral metropolitana da cidade da Bahia aos 31 de dezembro de 1700. Lisboa, 1702, in-4°. - Sermão nas exequias d'el-rei D. Pedro II, senhor nosso, celebradas na cathedral metropolitana da cidade da Bahia aos 20 de outubro de 1707. Lisboa, 1709, in-4% - Cursus philosophicus- Mans. in-fol. - Q uestiones selectce - Idem in-fol. - De opinione probabile - Idem in-fol. Esta obra foi escripta por insinuação do geral da ordem. Domingos Ramos de Mello - Filho de Domingos Ramos de Mello, é natural do Rio de Janeiro, bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo, professor de historia universal no collegio de Pedro II, hoje instituto nacional de instrucção secundaria e escreveu: - Lições elementares de historia da idade média. Rio de Janeiro, 1871, in-8°. Domingos liibeiro dos Guimarães Peixoto. Barão de Iguarassú - Nascido em Pernambuco a 14 de agosto de 1790, falleceu no Rio de Janeiro a 28 de abril de 1846, sendo formado em cirurgia pela antiga escola medico-cirurgica do Rio de Janeiro ; doutor em medicina pela faculdade de Paris ; lente de physiologia jubilado, d'aquella escola, de que foi o primeiro director ; do conselho do Imperador ; fidalgo cavalleiro da casa imperial; medico da imperial camara, em cujo caracter assistiu ao nascimento do segundo Imperador, D. Pedro de Alcantara, e de suas augustas irmãs; oílicial da ordem da Rosa e commendador da de Christo ; membro da real academia de medicina de Paris e de outras associações scientiflcas. Na falta de examinadores na escola em que estudou, por não haver lentes substitutos, sendo deliberado que para isso fossem chamados tres estudantes de maior applicação, foi elle escolhido com seus collegas Francisco Gomes da Silva e Manoel Joaquim de Menezes e, antes de sua partida para a Europa, sendo separada a cadeira de physiologia da de anatomia por decreto de 10 de junho de 1822, foi elle nomeado para reger aquella cadeira. Depois, jà lente cathedratico, foi ainda á Europa em observância á nova lei, estudar os melhoramentos do ensino medico, sendo o primeiro que prestou-se a essa viagem scientifica, à que seus collegas se esquivavam em vista da exiguidade do subsidio marcado, que era apenas de 900$000 annuaes. O Dr. Guimarães Peixoto muito contribuiu para ser melhorado este ensino no Brazil 1>O 229 e para a reforma das respectivas escolas da Bahia e do Rio de Janeiro, determinada por decreto de 3 de fevereiro de 1832, sendo elle quem elaborou e mandou imprimir os estatutos á expensas suas. Foi um homem de elevado mérito. Escreveu: -Aos sereníssimos principes reaes do reino unido de Portugal, do Bra- zil e do Algarve, os senhores D. Pedro de Alcantara e D. Carolina Josepha Leopoldina, offerece em signal de gratidão, amor, respeito e reconhecimento estes Prolegomenos, dictados pela obediência, que ser- virão ás observações que for dando das moléstias cirúrgicas do paiz em cada trimestre, etc. Rio de Janeiro, 1820, in-8°. - Dissertation inaugurale sur les medicaments bresiliens, que l'on peut sustituer aux medicaments exotiques dans la pratique de la me- decine au Bresil et sur les sympathies considerées sous les rapports physiologique et medicale: thèse presentée et soutenue à la faculte de medecinede Paris, etc. Paris, 1830,152 pags. in-4° - A primeira parte desta these, sobre os medicamentos brazileiros, que podem substituir os medicamentos de fóra do paiz, foi traduzida e publicada na Revista Pharmaceutica do Rio de Janeiro, tomo 2o, 1852 a 1853. - Projecto de estatutos para a escola de medicina do Rio de Ja- neiro, offerecido á faculdade respectiva. Rio de Janeiro, 1832, 64 pags. in-4°, contendo modelos, documentos e estampas. - Memória sobre a encephalite, acompanhada da observação de uma hydro-encephalocelle, curada no hospital real militar do Rio de Janeiro e recolhida, etc. Rio de Janeiro, 1812, in-4°-Sahiu reproduzida no Archivo Medico Brasileiro, tomo 3o, de pags. 49 a 54 e 102 a 108. Foi escripta quaudo o autor estudava medicina e clinica cirúrgica no 2o anno do curso de então, no Rio de Ja- neiro . - Memória sobre as instituições medicas na França, Prussia e In- glaterra. Rio de Janeiro, 1843, in-4°. Domingos da Rocha Mussurunga - Nasceu na cidade da Bahia em 1805, e falleceu pelo anno de 1850. Foi um grande musico, e grande latinista ; e tanto de musica, como de latim foi mes- tre no logar de seu nascimento. Foi também poeta ; mas sua musa, sempre travêssa, disposta á galhofa ou á satyra, foi muitas vezes mor- daz e audaciosa. Compromettendo-se na revolução de 7 de novembro de 1837, conhecida pela denominação de Sabinada, soffreu por isso prisões e outros desgostos, que lhe alteraram profundamente a saude e lhe abre, viaram a existência. Escreveu muitas composições, quer poeticas- quer da arte de sua predilecção, a musica ; mas quasi tudo desappareceu 230 1)0 depois de sua morte. Sô sei que se publicasse, além de muitas poesias sob oanonymo, o seguinte: - Compendio de musica, para uso da mocidade brazileira. Bahia, 1834 - Teve 2a edição com o titulo: - Novo Compendio de musica para uso da mocidade brazileira, re- formado da edição de 1834. Bahia, 1846. - Memória sobre a creação de um conservatorio de musica na Bahia - Não a vi publicada, mas foi apresentada á assembléa da pro- víncia em 1846 e sobre essa memória escreveu Ambrosio Ronzi um artigo no Crepúsculo, tomo 2°, pags. 74 e seguintes. De seus trabalhos inéditos citarei: - Munguzá: dueto - cuja lettra e musica são de Mussurunga e que foi levado muitas vezes á scena no theatrinho particular da rua do Ma- ciel até 1837 e depois no theatro de S. João, sempre com geral applauso. Das poesias inéditas vi um poemeto escripto depois da revolução de 1837, no qual o autor, com a maior originalidade e graça, expõe ao ridiculo os vultos mais notáveis, contrários ás suas idéas politicas. De composições musicaes, quer sacras, quer profanas, deixou Mussurunga boa cópia. Entre estas ha muitas modinhas e romances brazileiros, muitíssimo superiores na graça, na expressão â muita banalidade in- sulsa que, nesse genero, nos vem da Europa, e é em nossos salões applaudida, mas que delles seria repellida, si fosse musica nacional. Dentre aquellas, nota-se a - Missa n. 9- que ainda é executada nas festividades mais solemnes com geral applauso. Domingos Rodrigues Seixas - Filho do brigadeiro honorário do exercito Domingos Rodrigues Seixas e de dona Anna Mar- ques Seixas, nasceu na cidade da Bahia a 6 de janeiro de 1829 e fal- leceu a 6 de setembro de 1890 a bordo do paquete Finance, quando este paquete, em viagem do Rio de Janeiro, entrava no porto daquella cidade. Era doutor em medicina pela faculdade da Bahia, e lente ju- bilado da mesma faculdade, para a qual entrara como substituto da secção medica, por occasião da reforma de 1855; do conselho do Im- perador ; membro honorário da academia imperial, hoje instituto na- cional de medicina, e cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo. Depois de uma ausência de cerca de dez annos, voltava elle ao Estado de seu nascimento, onde havia também servido como membro do instituto vaccinico, e foi cirurgião da guarda nacional. Escreveu: - Considerações physico-pathologicas sobre os homens de lettras: these apresentada e sustentada, etc., para receber o grão de doutor DO 231 em medicina. Bahia, 1851, in-4° - Trata dos trabalhos de espirito e de sua influencia sobre o physico, e das moléstias peculiares aos homens de lettras. - Memória sobre a salubridade publica na provincia da Bahia. Bahia, 1854, 175 pags. in-8°. - Da cholera-morbus epidemica em 1855 na provincia da Bahia. Bahia, 1860, 296 pags. in-8°. - Memória histórica dos acontecimentos mais notáveis da faculdade de medicina da Bahia no anno de 1862, apresentada ã respectiva congre- gação, etc. Bahia, 1863, in-fol. com dous mappas- Antes desta foi á congregação da faculdade: - Memória histórica dos acontecimentos mais notáveis da faculdade de medicina da Bahia no anno de 1862, offerecida ao publico, etc. Bahia, 1863, 92 pags. in-4° com dous mappas - Apresentada á congre- gação, e resolvendo esta que fosse devolvida ao autor, que então se achava com assento na assembléa provincial, para que a reconsiderasse, tomou o Dr. Seixas a deliberação de apresental-a ao publico. Na intro- ducção « Ao publico » diz elle que esta memória fôra taxada pela congregação de « philippica, catilinaria e libello accusatorio e infa- mante». A proposito deste trabalho escreveu o conselheiro J. M. Cami- nhoá a « Critica á memória histórica do Sr. Dr. Domingos Rodrigues Seixas » na Gazeta Medica do Rio de Janeiro, 1863, pags. 170, 182 e 195. Ainda estudante publicou em revistas algumas poesias, e redigiu: - Cantos ôrast/eírosoucollecção de poesias modernas de autores brazi- leiros.l0 volume.Bahia, 1850, in-4° - Sahiu apenas um volume em fas- ciculos de 16 paginas e são do redactor as poesias: Uns olhos ; A louca ; Ciume e dureza ; Minha esperança ; Os meus gemidos ; Não te creio; O canto do triste ; Quem me dera uma certeza ; A jura quebrada - O conselheiro Seixas foi um dos escriptores do volume: - A' S. M. o Imperador e aos repesentantes da nação, pela viuva e filhos menores do Dr. Malaquias Alvares dos Santos. Bahia, 1858, 56 pags. in-4° - De sua penna ha ahi um discurso no meio de vários discursos e poesias. Fr. Domingos de S. José -Nasceu na villa, depois cidade capital da capitania de S. Paulo, pelo anno de 1670, havendo portanto engano em Barbosa Machado que o dá nascido em S. Paulo, «capital do reino de Angola, onde recebeu o habito de religioso capucho da provincia de Santo Antonio da Bahia e depois se passou para a província da Arrabida ». Foi confessor do arcebispo da Bahia dom João Franco de Oliveira, com o qual foi á Lisboa no anno de 1700, quando 232 r>o este prelado voltou ao reino por ser transferido para o bispado de Miranda. Ahi foi examinador synodal e penso que falleceu. Escreveu: - Sermão em a festiva acção de graças com que os passageiros e navegantes da náo 5. João de Deus gratificaram ao dito santo na sua igreja o favor de os haver livrado das grandes tempestades que no anno de 1700 padeceram na navegação da Bahia para este reino. Lisboa, 1707, in-4°. - Sermão da Soledade de Nossa Senhora. Lisboa, 1722, in-4°. Domingos Simões cia Cunha - Filho do capitão- mór Clemente Simões da Cunha, que foi um homem de abastada for- tuna e possuidor de lavras de mineração de ouro, nasceu em Paracatú, Minas Geraes, no anno de 1755 e falleceu a 29 de setembro de 1824, sendo presbytero do habito de S. Pedro. Grande latinista, tendo por mestre o famoso professor padre Rebordão, era também versado na lingua italiana, na franceza e possuia conhecimentos do dialecto indigena. Cultivou também a poesia, a litteratura dramatica e a musica, organizando um côro musical e introduzindo os espectaculos theatraes em Paracatú. Como poeta pendia muito para a satyra, mas como homem, ninguém de trato mais gentil, mais attrahente. Escreveu não só diversos sermões, alguns dos quaes nem prégou desde que foi censurado de certos assomos liberaes, que lhe notara no púlpito o vigário Antonio Joaquim Corrêa de Mello, mas também diversas peças de musica, sendo algumas acompanhadas de poesia de sua lavra, e que o povo de sua terra natal, ha bem pouco tempo, ainda apreciava. Escreveu também diversas comedias, farças e poesias, de que citarei: - Gil Braz: comedia representada com muito applauso. - Poema dedicado a D. João VI - o qual foi mandado com uma collecção de poesias à seu conterrâneo e amigo, o Dr. F. de Mello Franco, para ser tudo publicado no Rio de Janeiro, mas, como se demo- rasse a publicação e parecesse ao autor ser a demora devida a menos- preço de seus escriptos, chamou-os á si e queimou-os. Diz-se que essa collecção compunha-se do que elle de melhor nesse genero havia escri- pto. Conhecem-se, entretanto, do autor: - Queixas do presbytero indigente: poesia - publicada na Biblio- theca Brazileira, revista mensal. Rio de Janeiro, 1863, tomo Io, pags. 30 a 32. - Ao abuso que se fazia do chapéo de sol: satyra - na mesma revista, pags. 33 a 36. - A' feliz e estimada vinda do nosso amado pastor, o revm, sr. Joaquim de Mello Franco: ode - idem, pags, 38 a 41 - Ha nesta DO 233 revista ainda dous sonetos, oito decimas, duas oitavas por occasião de uma grande trovoada, de que resultou ser fulminado um indivíduo á quem elle consagrou no mesmo instante estes dous versos latinos: Fulminat Omnipotens, summo cadit sethere fulmen, Quos amat, hos própria verberate ipse manu ; e mais este distico nas exequias do padre Belchior: Dormit et in feretro nunc audit tristia fratrum Carmina, qum cecinit, concomit ante choro. Domingos Soares Martins Penna-Natural de Minas Geraes e nascido em Marianna, de cujo seminário cursou algumas aulas, falleceu no Pará a 9 de janeiro de 1888, professor da escola normal dessa província, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, membro correspondente do museo nacional, etc. Depois de ter exercido um logar na secretaria da assembléa de Minas, do qual foi exonerado por motivos políticos em 1850, serviu como offlcial da secre- taria da policia da corte, donde passou ao Pará em 1859 ou 1860 como secretario do governo, e nesse cargo dedicou-se ao mais acurado estudo dos diversos ramos da administração, assim como ao da geographia e historia da província, já desempenhando commissões do governo, já viajando á sua custa, sem temer difliculdades e perigosjmuito frequentes por logares insalubres e contaminados de febres de máo caracter. Assim foi em 1863 incumbido do exame e exploração dos rios Tocantins e Anapú em companhia do então primeiro tenente de engenheiros J. R. de Moraes Jardim ; do estudo dos productos naturaes de maior proveito para o commercio ; do estudo da agricultura e seus principaes productos, e de outros relativamente á industria da província, aos estabelecimentos fabris e agrícolas, á população fixa, e ao estado das povoações e suas necessidades urgentes em relação com os melhora- mentos que reclamam. Escreveu: - O Tocantins e Anapú: relatorio do secretario da província. Pará, 1864,46 pags.in-80 - Este relatorio é escripto em desempenho de uma commissão a que me referi, e dividido em duas partes: Ia parte. De Cametá ãs cachoeiras. 2a parte. Do Tocantins ás bahias do Anapú. Anda annexo ao Relatorio do presidente do Pará, doutor Couto de Magalhães, mas com numeração especial e seguido de um appendice, em que se trata do caeâo, das castanhas, do cravo, da gutta-percha, da gomma elastica e de seus artefactos, com dous quadros de seus preços e da exportação de 1827 a 1864. Tem numeração especial, de 40 pags. in-8°. 234 DO - A região Occidental da provincia do Pará: resenhas estatísticas dap comarcas de Óbidos e Santarém. Pará, 1869, in-8°. - Noticia geral das comarcas de Gurupá e Macapá. Pará, 1874, 33 pags. in-8°. - A ilha de Marajó: relatorio apresentado ao presidente da pro- vincia do Pará. Pará, 1876. - Algumas palavras da lingua dos Aruans. Pará, 1876. - Breve noticia sobre os Sambaquis do Pará - No Archivo do Museo Nacional, tomo Io, 1876, pags. 85 e segs. - Apontamentos sobre os ceramios do Pará - Idem, tomo 2o, 1877, pags. 47 e segs. - Observações sobre as duas urnas descriptas e figuradas pelo Dr. João Barbosa Rodrigues (veja-se este nome) no seu artigo «Antiguidades do Amazonas »- Idem, pags. 73 e segs. Ainda em Minas, quando empregado na secretaria da assembléa, redigiu: - O Itamontano: periodico industrial e litterario. Ouro Preto, 1848-1849, in-fol.- Depois de exonerado do logar queahi exercia'redigiu : - O Apostolo : orgão do partido republicano. Ouro Preto, 1850 a 1852. Domingos Theodoro de Azevedo Jixnior - Filho de outro de egual nome e natural do Rio de Janeiro, é importante fazendeiro em Santa Thereza de Valença, do mesmo Estado, coronel da guarda nacional, commendador da ordem da Rosa e da ordem portu- gueza de Christo. Com o tenente-coronel Augusto Soares de Miranda Jordão escreveu : - Proposta apresentada aos poderes do Estado, a qual tem por fim: Amortização da divida publica, fundada pela lei de 15 de novembro de 1827; conversão da moeda-papel do governo em ouro ao par ; em- préstimo á lavoura ã juro modico e longo prazo. Rio de Janeiro, 1876, in-4°. Doming^os Thomaz Velles T^erdigíio - Filho do Dr. Feliciano Marques Perdigão e natural do Maranhão, falleceu, ha pouco, em Coimbra, onde estudou theologia, mas não ordenou-se sacer- dote, como à principio projectara, e sim casou-se com uma prima. Fun- dou um collegio de educação com o titulo de N. S. dos Remedios, que foi muito conceituado. Muito modesto e também muito curioso, foi relojoeiro, musico e até deu-se ao fabrico de muitas compotas de frutas do Estado do seu nascimento. Escreveu: - Princípios elementares de musica em dez lições, destinados para DU 235 a aula de musica do collegio Perdigão, revistos e augmentados pelo sr. Francisco Xavier Beckman, professor de musica desta capital. Maranhão, 1869, 23 pags. in-4°. Domingos Viciai de Barbosa lLag,e - Natural do Rio de Janeiro, nasceu em 1761, e falleceu exilado em Cabo-Verde em 1793 com 32 annos de idade, sendo doutor em medicina pela facul- dade de Bordeaux. Durante sua estada na França cultivou a amizade do ministro dos Estados-Unidos em Paris, amizade que conservou de volta ã patria e, só por causa destas relações, talvez, foi accusado de cumplicidade na conspiração denominada da inconfidência, como tendo intelligencias com o referido ministro relativamente à conspira- ção ; foi preso, submettido à processo e condemnado á pena de morte, que lhe foi commutada na de dez annos de degredo na ilha de S. Thiago de Cabo-Verde. Chegado ao seu exilio, no principio do anno de 1793, foi no mesmo anno affectado de febres, que ahi reinavam endemica- mente, com caracter pernicioso, de que morreu. Era poeta, e deixou grande cópia de versos, escriptos desde os tempos de estudante e que não teve occasião de colleccionar e dará estampa. Delles só sei que foram publicados no Parnazo brazileiro do conego Januario da Cunha Barbosa: - Ode ao vice-rei Luiz de Vasconcellos e Souza - Acha-se no 3o caderno, pag. 22. - Ode á Affonso de Albuquerque- Acha-se no Io caderno, pag. 31 e também no tomo l9, pags. 244 a 248 do Parnazo brazileiro deJ. M. Pereira da Silva. Duar te Autran de Mello - Filho do bacharel Duarte José de Mello Pitada, de quem faço aqui menção, e natural do Rio de Janeiro, foi professor no externato do mosteiro de S. Bento e reside actualmente em Petropolis. Escreveu: - A filha do Califa: opera phantasticà, extrahida de Oberon, poema de Vieland - Nunca a vi impressa. Foi, porém, apresentada à dire- ctoria da Phenix dramatica em 1881 e sobre ella deu o Atirador Franco de 6 de julho deste anno uma noticia lisonjeira. Duarte Tluet Bacellar Pinto Guedes - Filho do tenente-coronel Vicente Huet Bacellar Pinto Guedes, nasceu na pro- víncia do Rio Grande do Sul a 19 de fevereiro de 1852 ; fez o curso da escola de marinha como praça de aspirante a guarda-marinha, sendo promovido á este posto a 29 de fevereiro de 1868 e subindo á outros até 236 riu ode capitão-tenente, em que pediu demissão da armada. E' fidalgo cavalleiro da extiucta casa imperial; official da ordem da Rosa; cavalleiro da de S. Bento de Aviz e da de Christo de Portugal. Fez parte da commissâo mandada à China em 1879, e ultimamente foi governador do Estado do Para. Escreveu: - Conferencias feitas á bordo da corveta Vital de Oliveira sobre os methodos de observação durante a viagem de circumnavegação que fez na mesma corveta. Rio de Janeiro, 1881. - Relatorio apresentado ao illm. sr. Julio Cesar de Noronha, capitão de fragata, commandante da corveta Vital de Oliveira em viagem de circumnavegação. Rio de Janeiro, 1883, 104 pags. in-fol. com figs. e taboas - Versa sobre a navegação deste vaso, da qual era o autor encarregado. - Os canhões do encouraçado Riachuelo e sua transformação pelo systema Armstrong. Rio de Janeiro, 1885, 124 pags. in-8° com estampas e mappas desdobráveis. - Memorial da sociedade anonyma Estaleiros e forjas de marinha. Rio de Janeiro (?), 1889. Durvrte José cie Mello ZPitadLa - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 23 de julho de 1837, é bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, bacharelem sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife, formado em 1858, e cavalleiro da ordem da Rosa. Tem escripto, ou traduzido, vários dramas e outros trabalhos, de que citarei os seguintes : - A conversão de wn calceta : drama em um prologo e treze quadros, tirado do celebre romance de Victor Hugo « Os miseráveis». Rio de Janeiro, 1868, 118 pags. in-8°, com o retrato do autor. - A Condessa de Monte Christo : drama por Jean Boys, traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1871, in-8». - Os bandidos: opera cómica em tres actos, de Henry Meilhac e Ludovic Halévy, com musica de Jacques Offechban ; traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - As mulheres aventureiras: scenas intimas para passatempo dos homens, pelo Dr. P. M. J. Duarte. Rio de Janeiro, 1881,208 pags. in-8°. - Os homens aventureiros, por P. M. J. Duarte. Rio de Janeiro .... in-8° - Pessoa competente aílirma que é da penna de Mello Pitada a seguinte traducção : - Os amores de Pio IX, por um antigo camarista do papa. Versão livre. Lisboa, 1883, 165 pags. in-8° - Ha ainda delle : - Os miseráveis: drama extrahido do romance « Os miseráveis » de DU 237 Victor Hugo- Foi lido pelo autor no theatro Phenix dramatica a 25 de outubro de 1886 e não me consta que fosse impresso. Duarte Mendes de S. Idílio - Nasceu na freguezia da Lagôa, depois villa de Santa Catharina, segundo parece, depois do meiado do século XVIII, pelo anno de 1760, e falleceu no Rio de Janeiro a 1 de fevereiro de 1846, Abraçando o estado ecclesiastico como presby- tero secular, foi conego magistral na sé do Rio de Janeiro, monsenhor, reitor do seminário de N. S. da Lapa (veja-se Angelo de Siqueira Ri- beiro do Prado); semilher da cortina e inspector da capella imperial ; prégador regio muito estimado e predilecto de D. João VI e fidalgo da casa real. Escreveu vários sermões, de que só conheço : - Oração sagrada, que em acção de graças pelo feliz transito de sua alteza real e sua sereníssima familia da Europa portugueza para os seus Estados do Brazil foi recitada na santa sé cathedral do Rio de Ja- neiro, estando presente o mesmo senhor, em o dia 15 de março de 1808. Rio de Janeiro, 1808, 23 pags. in-4°. Duarte Paranhos Scliiitel - Filho do doutor Henrique Schutel, é natural da cidade do Desterro, capital de Santa Catharina, bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e no logar de seu nascimento exerceu cargos de eleição popalar e de confiança do governo, como os de depu- tado provincial, vereador da camara municipal, de que foi presidente, e inspector de saude publica. Durante o curso académico fez parte dos extinctos Instituto philosophico e Instituto medico. Escreveu : - Os agentes anesthesicos com relação á pratica da cirurgia e os meios de remover os accidentes que elles podem determinar ; O hypnotismo applicado ãs operações cirúrgicas ; Phrenologia da medulla espinhal ; Envenenamento em geral : these, etc. Rio de Janeiro, 1861, 76 pags. in-4° gr. - Relatorio da exposição provincial de Santa Catharina em 1866, seguido do catalogo dos objectos expostos. Cidade do Desterro, 1866, 57 pags. in-8°- E' assignado também por outros. - Breve noticia sobre tres esqueletos de indígenas brazilienses da pro- víncia de Santa Catharina. Rio de Janeiro, typ. de Brandão & C., 1875, 10 pags. in-8°-Foi ao mesmo tempo publicado na typ. de Moreira, Maximino & C., 1875, 12 pags. in-8°-O Dr. Schutel escreveu, com o pseudonymo de Insulano, muitas poesias na Revista Popular e foi um dos redactores da - Regeneração: orgão do partido liberal. Desterro, 1869 a 1876, in-fol. 238 DU Duarte dia Ponte Diljeiro, Barão da Ponto Ribeiro - Filho do cirurgião-mór José da Costa Queiroga da Ponte Ri- beiro e de dona Anna da Ponte Ribeiro, nasceu em Portugal na freguezia de S. Pedro da Pavolide, bispado de Vizeu, a 2 de março de 1794 e falleceu no Rio de Janeiro a 1 de setembro de 1878. Vindo em 1808 para o Brazil com seu pae, que acompanhava a familia real, aqui fez o curso da academia medico-cirurgica com applicação tal que ao cabo do terceiro anno foi nomeado examinador de anatomia e foi à Lisboa como medico de um vaso de guerra. De volta ao Rio de Janeiro foi nomeado thesoureiro da fazenda dos defuntos e ausentes e adoptou a constituição do império, depois da qual entrou na carreira diplomá- tica como cônsul geral na Hespanha, encarregado de promover o reco- nhecimento da independencia. Passou em 1828 â Portugal e no anno seguinte foi removido para o Perú, de onde foi, promovido á encarre- gado dos negocios, ao México com o fim de observar as disposições dos plenipotenciários do congresso americano, que se suppunham hostis ao novo império. Do México passou no mesmo caracter ao Perú, ao Chile e á Bolivia, e em 1841 foi nomeado chefe de secção da secretaria dos es- trangeiros. Serviu ainda como ministro residente em Buenos-Aires até à declaração da guerra ao governo de Rozas em 1851, seguindo dahi para as republicas do Pacifico afim de prevenil-as, como ministro ple- nipotenciário, dos motivos da mesma guerra e, regressando pelo Perú, ahi firmou o tratado de 23 de outubro de 1851. Esteve depois em dis- ponibilidade na secretaria dos estrangeiros, onde se aposentou em 1857, e ainda desempenhou algumas commissões até fallecer em avan- çada idade, sendo do conselho do Imperador, fidalgo cavalleiro da casa imperial; grande dignitário da ordem da Rosa e commendador da de Christo ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro e da so- ciedade Auxiliadora da industria nacional ; do Instituto da África em Paris, do Instituto historico de Buenos-Aires, da real Academia das sciencias e da Sociedade geographica de Lisboa. Escreveu : - Memória, sobre a republica Mexicana. Rio de Janeiro, 1850. - Parecer sobre a memória histórica àcerca da questão de limites entre o Brazil e Montevidéo por J. J. Machado de Oliveira - Impresso na Revista do Instituto historico, tomo 16°, 1853, pags. 421 a 463. Sus- tentando esse parecer ha neste volume outro escripto de Ponte Ribeiro, com o titulo de Defesa do parecer, etc., pags. 506 a 519. - Memória sobre os rios Periry-Guaxú (ou Periri-Guassú) e Santo Antonio. Apontamentos relativos à negociação do tratado de limites entre o império do Brazil e a Confederação Argentina - Acha-se no livro «Tratado de limites entre o império do Brazil e a; Confederação DU 239 Argentina, celebrado em 14 de agosto de 1857. Rio de Janeiro, 1878, in-fol. de pags. 9 a 20. - Memória sobre as questões de limites entre o império do Brazil e a republica da Nova Granada. Rio de Janeiro, 1870, in-4°, com uma carta. - Limites do Brazil com o Paraguay. Rio de Janeiro, 1872, 2 fls. in-fol. - Apontamentos relativos á fronteira do Brazii com a republica do Paraguay. Rio de Janeiro, 1872, 1 fl. in-fol.- Com o precedente es- cripto vem também publicado na Revista do Instituto, tomo 25°, pags. 185 a 199, da 2a parte. - Exposição dos trabalhos histéricos, geographicos e hydrographicos que serviram de base á Carta geral do império do Brazil, exhibida na exposição nacional de 1875. Rio de Janeiro, 1875, 90 pags. in-8°. - Catalogo dos mappas geographicos do império possuídos pela se- cretaria dos negocios estrangeiros, organizado com a respectiva classi- ficação e annotações. Rio de Janeiro, 1876,256 pags. in-8°. - Commissões scientificas, nomeadas pelo governo imperial desde 1843, para exames de limites e demarcações da fronteira do Brazil com as colonias e Estados coníinantes. Rio de Janeiro, 1876, 20 pags. in-8°. - Resenha histórica da navegação e reconhecimento dus rios Guaporé e Mamoré. Rio de Janeiro, 1876, in-fol.- Ha ainda vários trabalhos inéditos deste autor sobre limites do Brazil, como : - Reflexões sobre as vantagens da reunião do preconisado congresso americano. 1841 - Acha-se na bibliotheca nacional. - Memória sobre os limites do Brazil com a Guyanna Ingleza, 1842, 51 fls. in-fol. - Na mesma bibliotheca. - Memória sobre os limites e navegação do império do Brazil com as republicas do Perú, Bolivia e Paraguay. 1842, 70 pags. - Idem. A esta memória acompanha um appendice com 13 fls. Na bibliotheca do Imperador existia toda esta obra: a memória e o appendice, e também: - Apontamentos sobre a fronteira do império em additamento á memória de Duarte da Ponte Ribeiro. 1844, 24 pags.-E' o auto- grapho, que supponho ser trabalho diverso dos - Apontamentos sobre o estado actual da fronteira do Brazil. 1844, 8 fls. -Este trabalho acha-se na bibliotheca nacional. - Exposição circumstanciada do estado das negociações entre o Brazil e a França sobre terrenos contestados pelo lado do rio Oyapock. 1842, 45 pags. -Na mesma bibliotheca. - Observações sobre as vinte e cinco classes de documentos encon- trados por F. A. de Warnhagem em Simancas -Na mesma biblio- theca, precedidas da relação das classes. 240 ou - Memória sobre o actual estado das relações do império do Brazil com as republicas do Rio da Prata, comprehendendo em resumo todas as negociações diplomáticas entre o governo imperial e os daquelles Estados desde 1829 até 1843 - O autographo, de 113 fls., existia na bi- bliotheca do Imperador, constando de 216 paragraphos, e dividido em duas partes : A primeira parte versa sobre a política das actuaes re- publicas do Rio da Prata com o império do Brazil; a segunda sobre o tratado com Rozas. Esta obra é datada de 1844. - Carta do império do Brazil, organizada pela commissão da Carta geral sob a presidência do general Henrique de Beaurepaire Rohan coma coadjuvação do Barão da Ponte Ribeiro. 1875- Com uma exposição já mencionada. - Mappa da fronteira do império com a republica do Paraguay, organizado para ser appenso ao Relatorio do ministério dos estran- geiros com uma exposição de todos os trabalhos scientificos que ser- viram para a organização do referido mappa. 1872. - Esboço geographico, organizado com o fim de mostrar a fron- teira do território entre o Madeira e o Javary. Durval Augusto Fontoura <le Castro-Serviu no funccionalismo publico de fazenda com exercício na alfandega do Rio de Janeiro desde 1859, ou antes disto, e era oíficial do segundo ba- talhão da reserva da guarda nacional em 1875. Escreveu: - O orphão e o mendigo : drama em quatro actos, licenciado pelo Conservatorio dramatico brazileiro. Rio de Janeiro, 1862, 107 pags. in-8°. - Amélia : drama Durval Vieira cie Aguiar-Natural da província, hoje Estado da Bahia, ondo commandou o corpo de policia com o posto de te- nente-coronel. Antes disto, em 1882, sendo capitão do mesmo corpo, foi encarregado de inspeccionar os destacamentos do centro da província, acerca dos quaes havia queixas de falta de fardamento, de disciplina, e de instrucção, assim como de serem victimas de uma agiotagem es- candalosa, sendo também encarregado da pacificação da villa de Chique-Chique, conflagrada por questões políticas. Escreveu: - Instrucções praticas da província da Bahia com declaração de todas as distancias intermediárias das cidades, villas e povoações. Bahia, 1888, 332 pags. in-4° com acarta da província - Foram antes publicadas no Diário da Bahia com o fim de facilitar a immigração para essa parte do império. Kl) 241 Ecigrar Luiz de Gouvèa - Filho do doutor João Joaquim de Gouvêa, e natural da cidade do Rio de Janeiro, é doutor em medi- cina pela faculdade da mesma cidade. Escreveu: - Da influencia dos climas sobre o desenvolvimento da thisica pul- monar e quaes as condições hygienicas mais favoráveis ao tratamento desta moléstia ; Infanticidios ; Diagnostico das prenhezes e causas de erro; Escrophulas : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1877, 42 pags. in-4°. - Manual de medicina homoepathica e summario de homopathia com uma collecção completa de preceitos baseados nos princípios fun- damentaes da medicina homoepathica e em harmonia com o progresso das luzes e recommendados por alguns médicos distinctos desta capital; revistos conforme as principaes obras desta medicina e segundo a expe- riencia necessária. Rio de Janeiro, 1883, 140 pags. in-4°. Edis tio Martins - Natural da Bahia, segundo me consta, ahi residia, exercendo a arte typographica quando escreveu : - Misérias de Roma e misérias do estado (verdades cruas). Bahia, 1889 - E' um livro de versos. Edmundo Castrioto de Oliveira Coutinho - Joven estudante de preparatórios, filho do doutor Ernesto de Souza e Oliveira Coutinho, de quem adeante se trata, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e falleceu com 18 annos de edade, tendo escripto um anno antes: - Apontamentos para o drama « O assassinato do tenente Jorge » a proposito do assassinato do tenente Lucas. Rio de Janeiro, 1885 - Foi o primeiro ensaio de uma penna tão cedo quebrada pela mão da fatalidade. O tenente Lucas, a que se refere o autor, foi um brioso militar que, bem no verdor da existência, succumbiu ao punhal de covarde salteador, à noute, quando se dirigia à Praia Vermelha. Eduardo A.dolplxo de Ei ma Barros - Filho de Francisco José de Lima Barros e de dona Maria Barbara Lisboa Barros, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, onde falleceu a 1 de maio de 1886, sendo bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, bacharel em ma- thematicas e sciencias physicas, engenheiro geographo e civil pela escola central, e engenheiro fiscal da Companhia [City hnprovements. Exerceu o magistério durante o curso académico, leccionando varias 242 ED matérias da instrucção primaria e secundaria e serviu de 1875 a 1876 na commissão de estudos para o prolongamento da estrada de ferro de S. Paulo á Matto Grosso, sendo seu nome declinado com elogios pelo chefe da commissão na memória justificativa dos planos, apresentada ao governo. Cultivou a poesia, collaborou em varias revistas e foi um dos redactores do - Centro Académico (jornal redigido por doze alumnos das escolas central e de medicina). Rio de Janeiro, 1872, in-fol. - Escreveu : - A Piedade suprema, de Victor Hugo. Traducção (em verso). Rio de Janeiro, 1881, 101 pags. in-8°- Foi antes publicada na Revista Brazi- leira, tomo 5o, 1880, pags. 327 a 354 e 414 a 449. Das diversas tra- ducções, que conheço, deste livro, a do Dr. Lima Barros occupa o pri- meiro logar. Não menos de quatro elogios teve esta obra no Jornal do Commercio, desde sua primeira apparição, e se occuparam também delia encomiasticamente o Diário Official, a Revista lllustrada, a Gazeta da Tarde, a Gazeta de Noticias e o Cruzeiro. Sei que este autor tinha promptos para entrar no prélo : - Religiões e religião: poema de Victor Hugo. Traducção em verso. - Flores exóticas: collecção de poesias dos mais notáveis poetas da moderna litteratura. Traducção em verso. - O menino Torres : poemêto epico em homenagem ao cadete Antonio Joaquim Rodrigues Torres, morto no combate da ilha da Redempção (na guerra do Paraguay) - Foi lido na sessão do Instituto dos bacharéis em lettras e consta do relatorio dos trabalhos annuaes do mesmo instituto, publicado com o titulo « Sessão magna do Instituto dos bacharéis em lettras em 2 de julho de 1868». - As preciosas ridículas : comedia em um acto, de Molière. Eduardo Augusto de Menezes - Filho de Camillo Maria de Menezes, é natural do Rio de Janeiro, doutor em medicina pela faculdade desta cidade, membro titular da academia imperial, hoje instituto nacional de medicina e escreveu : - Do valor therapeutico das injecções hypodermicas no tratamento das moléstias internas ; Estudo medico-legal das manchas do sangue ; Anesthesicos ; Differença entre o sangue venoso e o arterial, formação de seus elementos morphologicos : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1881, 168 pags. in-4°. - Dos abcessos latentes do figado : memória apresentada á academia imperial de medicina com o flm de obter o titulo de membro titular. Rio de Janeiro, 1885, in-8°- Sahiu também nos Annaes da academia, tomo 51°, 1885-1886, pags. 14 a 50. ED 243 Eduardo Augusto Montandon - Filho de Augusto Montandon, nasceu em Araxã, provincia de Minas Geraes. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, exerceu antes de sua formatura o magistério, leccionando latinidade e philosophia em esta- belecimentos de educação, como o collegio Marinho ; depois foi depu- tado á assembléa de sua provincia, deputado geral na legislatura de 1881 a 1884 e nas duas seguintes que foram as ultimas do império, e foi presidente de Goyaz. Escreveu : - Symptomas fornecidos pela respiração ; Agua, quaes os corpos que a tornam impura e maneira de reconhecer estes corpos ; Aneurismas arterio-venosos; Natureza ou essenciadas moléstias: these, etc. Rio de Janeiro, 1859, in-4°. - Prolongamento da estrada de ferro mogyana: discurso proferido na sessão (da camara dos deputados) de 20 de outubro de 1882. Rio de Janeiro, 1882, 49 pags. in-12°. - Duas palavras aos eleitores do 16° districto de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1883, 14 pags. in-8° - Ainda estudante colla- borou para a Revista da sociedade Physico-chimica e foi um dos re- dactores dos: - Annaes da Academia philosophica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1858, in-4° - Nesta revista, que se publicava mensalmente, entre vários artigos seus estão os « Estudos philosophicos». Eduardo Augusto Pereira de Abreu - Filho do commendador Plácido Antonio Pereira de Abreu e de dona Anna Se- nhorinha Pereira de Abreu, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1833. Doutorem medicina pela faculdade da mesma cidade, exerceu o cargo de medico da antiga junta central de hygiene publica e de vereador da camara municipal. E' segundo cirurgião do corpo de saude do exercito, primeiro cirurgião honorário do dito côrpo, fidalgo caval- leiro da extincta casa imperial, cavalleiro da ordem da Rosa, socio correspondente da academia real das sciencias de Lisboa, membro do Instituto nacional de medicina, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade Amante da instrucção, e escreveu: - Das causas da menstruação; Diagnostico da prenhez composta ; Calor animal; Elephantiasis dos arabes, suas causas e tratamento: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1855, in-4°. - Utilidade do emprego do laryngoscopio nas moléstias da garganta: memória apresentada á academia imperial de medicina a 1 de janeiro de 1863, afim de obter o grão de membro titular. Rio de Janeiro, 1864 - Sahiu também nos Annaes da academia, tomo 28°, pag. 187 e segs. 244 - Memória sobre as causas geraes e especiaes do escorbuto no exercito e na armada, lida em sessão da academia imperial de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1867, 27 pags. in-4" - Sahiu também nos mesmos Annaes, tomo 34°, pag. 249 e segs. - Estudo hygienico sobre a educação physica, moral e intellectual do soldado, e escolha do pessoal para a boa organização do nosso exercito. Rio de Janeiro, 1867, 44 pags. in-4". - Considerações hygienicas e philosophicas sobre o recrutamento do exercito: discurso pronunciado perante SS. MM. II. em sessão publica e anniversaria da academia imperial de medicina de 30 de junho de 1868. Rio de Janeiro, 1868, 16 pags. in-4°. - Parecer sobre os matadouros públicos ; considerações sobre o commercio de carne verde ; exame de vários projectos - Foi publi- cado nos Boletins da illustrissima camara municipal. - Necrologia do conselheiro Lourenço de Assis Pereira da Cunha, lido na sessão solemne e anniversaria da academia imperial de medi- cina de 30 de junho do 1867. Rio do Janeiro. 1867. - Necroloyio dos membros fallecidos de 1874 a 1875, lido em sessão anniversaria de 30 de junho de 1875 -VemnosAnna.es, tomo 41", pags. 403, 443 e 465, e tomo 42", pags. 18, 82, 121 e 144. - Elogio biologico dos membros titulares e honorários Dr. Luiz da Cunha Feijò (Visconde de Santa Isabel), Dr. Joaquim Marcos de Al- meida Rego, Dr. Carlos Luiz de Saules e Dr. Luiz Pientznauer; lido em sessão anniversaria da academia imperial de medicina de 30 de junho de 1880. Rio de Janeiro, 1880. - Qual o meio de melhorar o serviço de saude do exercito, memória lida, etc.- Nos Annaes de Medicina, tomo 31", 1866, pags. 52 a 60. - Memória sobre a abobora jurumum com observações chimicas relativas á sua acção physiologica e therapeutica- Idem, tomo 46°, pag. 297 e segs. - Do melão, suas qualidades medicinaes e therapeuticas : memória - Idem, tomo 47°, pag. 393 e segs. - A phisicatura-mór do reino e o corpo de saude do exercito - E' um volume inédito, in-fol., que foi offerecido ao Instituto historico, em cuja bibliotheca se acha. Eduardo Augusto Ribeiro Guimarães-Filho do doutor Antenor Augusto Ribeiro Guimarães e de dona Augusta Leopoldina Nascentes Guimarães, nasceu na cidade do Pomba, em Minas Geraes, a 20 de janeiro de 1860. Doutor em medicina, foi prepa- rador de therapeutica da faculdade de medicina do Rio de Janeiro; ED 245 antes disto, porém, sendo alumno do quinto anno, praticou no labora- torio de physiologia experimental do museu nacional. Actualmente exerce a clinica no Estado de S. Paulo. Escreveu : - Investigações ©xperímentaes sobre a acção physiologica da asclepias curassavica. Rio de Janeiro, 1881, in-4° - O autor, antes de dar á publicidade este trabalho, fez as experiencias necessárias no museu, perante muitos homens da sciencia. - Do uso e abuso do café ; Experimentação physiologica applicada á toxicologia ; Do coração ; Vias de absorpção dos medicamentos: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1882, 91 pags. in-4n. - Acção physiologica do cafè -Vem em diversos numeros da Gazeta Medica Brasileira, Rio de Janeiro, 1882, tendo também a assignatura de Juvenal Rapozo. - Da acção physiologica da pereirina e de seu mecanismo - Na União Medica, tomo 4o, pags. 269 a 280. Eduardo AuxgTisto cie Souza Sa itos - Filho do commendador Joaquim José dos Santos e natural do Rio de Janeiro, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, onde serviu interi- namente como adjunto de clinica medica, eó moliço da policlínica geral. Escreveu : - Do diagnostico e tratamento das diversas fôrmas de febre perni- ciosa que reinam no Rio de Janeiro ; Dos signaes da morte ; Ampu- tação em geral; Dos anthelminticos: these inaugural, apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1878, 93 pags. in-4°. - Contribuição para a historia da vaccina animal no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1890, 53 pags. in-8°. Eduardo de Carvalho - Natural da província, hoje Estado de Pernambuco, ahi residia quando escreveu os dons livros que passo a mencionar. E' apenas o que pude apurar a seu respeito: - Sonhos da mocidade : poesias. Recife, 1870 - Vi o offerecimento deste livro ao Instituto historico e archeologico de Pernambuco e sei que o autor escreveu antes : - Voos e quedas : poesias. Pernambuco (?)... Eduardo Chapot Prevost - Filho de Luiz Chapot Prevost e de dona Luiza Land Chapot, nascido em Cantagallo, província e hoje Estado do Rio de Janeiro, a 25 de julho de 1864, é doutor em medicina pela faculdade da Bahia, tendo, porém, feito o curso na da capital federal, onde foi preparador da cadeira de histologia theorica e 246 ED pratica, e hoje é lente cathedratico da referida cadeira. Fez parte da commissão que foi á Berlin estudar o processo do dr. Koch para a cura da tuberculose. Escreveu: - Das formas clinicas do puerperismo infeccioso e seu tratamento : these inaugural. Rio de Janeiro, 1885, 167 pags. in-4°, com duas estampas. - Pesguizashistologicas sobre a innervação das vias biliares extra- hepaticas: these de concurso ao logar de lente cathedratico de histologia. Rio de Janeiro, 1889, 129 pags. in-4°com sete estampas. Eduardo Diniz Villas-TJôas- Natural da cidade do Rio de Janeiro, aqui falleceu a 29 de novembro de 1891 no exercício do cargo de sub-official juramentado do registro geral das hypothecas. Teve, ha muitos annos, nesta cidade um escriptorio de agencias e uma officina typographica, e pertenceu a algumas associações po- liticas ou phílanthropicas, já extinctas. Foi também poeta, jornalista e escreveu: - Segredos do coração: poesias. Rio de Janeiro, 1853, in-8° - Se- gunda edição, Rio de Janeiro, 1855, 200 pags. in-8°. São poesias com- postas, diz o autor, ao desabrochar da vida na doce quadra dos quinze annos. - Poesia à memória do orador sagrado, lente de philosophia e pré- gador imperial, frei Francisco de Monte Alverne. Rio de Janeiro, 1859, in-8° - São de sua redacção: - O Microscopio: jornal critico, variado e semanal. Rio de Ja- neiro, 1857 a 1858 e 1862, in-fol. - A Voz do Povo: jornal critico, variado e semanal. Rio de Janeiro, 1859, in-fol. - Revista Theatral: jornal dilettante, variado e imparcial, publicado todos os domingos. Rio de Janeiro, 1860, in-fol. peq. D. Eduardo Duarte Silva, t>ispo <le Goyaz - Nascido em Santa Catharina a 27 de janeiro de 1851, doutor^em theo- logia, graduado em Roma, e conego da cathedral do Rio de Janeiro, serviu aqui os cargos de defensor dos casamentos do bispado, de secre- tario do cabido, e visitador da ordem carmelitana fluminense. Sau- dades da cidade pontifícia, onde recebera sua educação litteraria no collegio pio latino-americano, o decidiram a ir á mesma cidade, acom- panhando dous de seus antigos condiscípulos que acabavam de ser no- meados bispos do Pará e de Goyaz. Succedeu que o segundo destes, depois de sua sagração, renunciasse tão elevado cargo e então foi ED 247 para elle nomeado o conego Duarte, e sagrado pelo pontífice Leão XIII a 8 de fevereiro de 1891, escrevendo nesta data : - Carta pastoral do bispo, etc., saudando aos seus diocesanos no dia de sua sagração. Roma, 1891 - Só a vi reproduzida no Brazil, diário político, commercial, scientifico, litterario e noticioso, numeros de 18 e 19 de março deste anno, occupando doze columnas do mesmo diário. Eduardo Fernandos de ILima - Filho do coronel Belisario Fernandes de Lima, nasceu na cidade do Rio Grande, e é formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo em 1881. Reside no Estado de seu nascimento e escreveu: - Estudos políticos. O art. 5o da constituição do Brazil em face da razão e do direito. S. Paulo, 1879, 37 pags. in-8° - E' o primeiro opusculo de uma serie que o autor promette publicar. Nelle se pugna pela liberdade de cultos, e contra o art. 5o da Constituição. Eduardo Ferreira França - Filho do celebre medico e philosopho Antonio Ferreira França, Io, de quem tratei, e de dona Anna da Costa Barradas, nasceu na cidade da Bahia a 8 de junho de 1809 e falleceu a 11 de março de 1857 em viagem para a Europa. Era doutor em medicina pela faculdade de Paris, onde foi apontado como o pri- meiro estudante do curso respectivo e, com effeito, desde seus mais verdes annos demonstrara robusta intelligencia, foi depois distincto medico, grande philosopho, um sabio. Apenas de volta á patria, foi nomeado professor de chimica medica e princípios elementares de mineralogia da faculdade da Bahia. Representou a Bahia nas legis- laturas, de 1848 a 1851 dissolvida em 1849, de 1849 a 1852 como depu- tado supplente e, eleito para a seguinte, não tomou assento, por moléstia que obrigou-o a emprehender essa viagem, em que morreu. Pertencia a diversas associações litterarias de jovens académicos e discutia muitas vezes com seus alumnos, sendo um destes quem hoje escreve estas linhas, os quaes, lisonjeados com a honra que lhes fazia o sabio mestre, cada vez mais veneração e affecto lhe consagravam. Escreveu: - Essai sur 1'influence des aliments et des boissons sur le moral de 1'homme : thèse presentée et soutenue à la faculté de médecine de Paris, le ler aoút de 1834 pour obtenir le grade de docteur en médecine. Paris, 1834, in-4° -Esta these foi traduzida e publicada em 1851 pelo Dr. João Ferreira de Bittencourt e Sá. (Veja-se este nome.) - Influencia dos pantanos sobre o homem. Bahia, 1850, in-8.° - Também escreveu sobre o assumpto no Mozaico, 1845-1846, pags. 53 248 FD a, 56, 101 a 104, 163 a 166, um trabalho reproduzido depois no Archivo Medico Brasileiro, tomo 2o, pags. 183, 208, 250 e segs. - Influencia das emanações pútridas animaes sobre o homem. Bahia, 1850,23 pags. in-8°. - Investigações de psychologia. Bahia, 1854, 2 vols., 295 e 426 pags. in-4° - E' uma das obras que deram assumpto ao livro « Philosophia no Brazil » e foi elogiado pelo severo autor deste livro, o Dr. Silvio Romero. - Parecer dacommissão que, em virtude de lei provincial da assem- bléa da Bahia, fôra nomeada para examinar as aguas mineraes de Itapi- curú, comarca da mesma província, e resultado por ella apresentado ao Exm. presidente, depois de investigações feitas nas fontes thermaes. Bahia, 1843 - Foi publicado no periodico Mosaico e também no Archivo Medico Brasileiro, tomo 2°, pags. 124 a 129, e 147 a 151. Fizeram parte da commissão o Dr. Ignacio Ferreira do Paço e o pharmaceutico Manoel Rodrigues da Silva. - Systema penitenciário : relatorio em nome da commissão encarre- gada pelo Exm. Sr. presidente da província de examinar as questões relativas à casa de prisão com trabalho da Bahia. Bahia 1847, 147 pags. in-4° - Acham-se também assignados: Casimiro de Senna Madureira , Luiz Maria Alves Falcão Muniz Barreto, João Baptista dos Anjos, Francisco Primo de Souza e Aguiar, João José Barbosa de Oliveira o J. B. Ferrari. - Ornithólogia brasileira - No Crepúsculo, da Bahia, tomo Io, pag. 133 e tomo 2o, pags. 97, 180 e segs. O Dr. Eduardo França escreveu ainda vários - Discursos introductorios ao estudo de chimica medica - que foram publicados pelos seus alumnos em opusculos. Possui alguns, que perdi, assim como uma these de seu concurso á cadeira que regia. Creio que versava sobre o acido oxalico. Eduardo Fruetuoso da Costa -Natural do Rio de Janeiro, fez no seminário de S. José todos os estudos necessários para receber as ordens de presbytero, não tendo, entretanto, recebido taes ordens, e escreveu: - Philosophia moderna. Methodo geral por J. de Estrada. Tra- ducção. Rio de Janeiro, 1876. Eduardo G-ordilho da Costa - Filho de Emilio Bar- tholomeu da Costa e de dona Anna Constança de Lima fiordilho Costa, natural da Bahia o doutor em medicina pela faculdade (leste Estado, 249 é medico adjunto do hospital da Misericórdia, e cirurgião oculista, gra- tuito, do hospital militar do dito Estado. Escreveu: - Considerações sobre o estado puerperal; Operação cesariana; Das exhumações juridicas; Do regimen lácteo : these apresentada, etc. Bahia, 1879, 69 pags. in-4°. - Dissertação sobre o glaucoma: these de concurso á cadeira de clinica ophtalmologica, apresentada ã faculdade de medicina da Bahia, etc. Bahia, 1886, 108 pags. in-4°. - Representação a S. M. I. contra irregularidades de concurso á cadeira de clinica ophtalmologica, etc. Bihia, 1886, 9 pags. in-8°, sem folha de frontespicio. Eduardo José de Moira - Natural de Campos, cidade do Rio de Janeiro, presbytero do habito de S. Pedro, doutor em theo- logia e conego da capella imperial, foi vigário collado da freguezia de S. Salvador da cidade de seu nascimento desde os primeiros annos do século actual até depois da independencia do Brazil e escreveu: - Oração qne no dia 22 de janeiro de 1809 recitou na solemne acção de graças pela feliz restauração de Portugal, presentes o senado, clero, nobreza e povo, offerecida ao illustrissimo senhor Paulo Fer- nandes Vianna, etc. Rio de Janeiro, 1809, in-4°. - Discurso que no dia da eleição de deputados recitou o conego Eduardo José de Moira, arcipreste e parocho da freguezit de S. Salva- dor dos Campos. Rio de Janeiro (1822), in-4°. Eduardo José de Moraes- Nascido na Bahia a 30 de maio de 1830, bacharel em mathematicas e sciencias physicas, tendo completo o curso de engenharia militar, que começou na respectiva e antiga academia e concluiu na escola central, nesta escola recebeu o gráo de engenheiro geographo e engenheiro civil. Serviu no corpo de engenheiros, tendo praça no exercito a 7 de fevereiro de 1857 e sendo promovido a alferes alumnoa 14 de março do anno seguinte. E' general de brigada, reformado; socio do Instituto historico e geographico brazi- leiro, do Institituto polytechnico e do Atheneo central ; offlcial da ordem da Rosa e da de S. Bento de A viz; condecorado com a medalha de campanha do Paraguay e com a de mérito « A' bravura militar y. Além de commissões do ministério da guerra, tem exercido outras do da agri- cultura, commercio e obras publicas, como a de fiscal do governo junto á companhia ingleza da via ferrea de Santos ã Jundiahy, a de engenheiro chefe da estrada de ferro de Paulo Affonso, etc. Escreveu : - Hydrographie du haut San Francisco et du Rio das Velhas, ou 250 ED resultats, au point de vue hydrographique, d'une voyage effectué e dans la province de Minas-Geraes par Emm.-Liais: ouvrage acompa- gné de cartes levées par 1'auteur avec la collaboration de MM. Eduardo José de Moraes e Ladislau da Silva Netto. Paris, 1865, in-folio com 20 cartas. - Rapport partiel sur le haut San Francisco ou description topogra- phique et statistique des parties de la province de Minas-Geraes, comprises dans le bassin du haut San-Francisco (Brésil), precedée des quelques aperçus generales sur la même province. Paris, 1866, 82 pags. in-4°. - Navegação do interior do Brazil: noticia dos projectos apresen- tados paraajuncção de diversas bacias hydrographicas do Brazil, ou rápido esboço da futura rêde geral de suas vias navegáveis. Rio de Janeiro, 1869, 247 pags. in-8°, com uma carta. - Esboço geographico de uma parte do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1872, in-8°. -■ Relatorio sobre a estrada D. Francisca. Joinville, 1872, in-8°. - A via de communicação á Matto-Grosso: memória apresentada ã consideração do governo imperial. Rio de Janeiro, 1873, 214 pags. in-4° - E' dividida em tres partes: Ia Esboço da questão do traçado. 2.a Rêde de viação, constituindo systema. 3.a Descripção geral das linhas de Cananéa, Antonina e S. Francisco do Sul ao rio Paraná. - Estudos sobre o rio Madeira. Joinville, 1874, in-8°. - Resposta ao opusculo Província do Paraná. Solução ao conflicto dos caminhos de ferro. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. - Caminho de ferro do Rio Grande ao Alegrete, linha de Cangussú: estudos dacommissão fiscal do governo. Rio de Janeiro, 1875. - Estudos definitivos da linha de Cangussú, variante da estrada de ferro do Rio Grande á Alegrete, executados, etc.: memória justifica- tiva. Rio de Janeiro, 1876, 320 pags. in-4°. - Estrada de ferro do Rio Grande ã Alegrete : pareceres. Rio de Janeiro, 1876. - Estrada de ferro de Porto Alegre á Uruguayana: orçamento das despezas a fazer para a execução do projecto (bitola larga). Rio de Ja- neiro, 1876. - Estradas de ferro da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul: pareceres. Rio de Janeiro, 1876, 80 pags. in-4°, com um mappa. - Memorial sobre uma via ferrea inter-oceanica do Rio de Janeiro â Lima por Ch. Palm. Traducção do inglez. Rio de Janeiro, 1876. - Considerações sobre a estrada de ferro D. Isabel. Rio de Janeiro, 1876, 15 pags. in-4°. 3ED 251 - Indicador das estradas de ferro da província de S. Paulo e do ramal de S. Paulo da estrada de ferro D. Pedro II, e das linhas de nave- gação dos paquetes á vapor entre Santos e o Rio de Janeiro. S. Paulo, 1877, 45 pags. in-4°, com uma carta - Houve segunda edição em 1880. - Guia das estradas de ferro da província de S. Paulo, edo ramal de S. Paulo da estrada de ferro D. Pedro II. S. Paulo, 1877, 128pags. in-8°, com uma carta. - A estrada de ferro de Pelotas á Bagé, S. Paulo, 1878. - O canal da Laguna á Porto Alegre: memória justificativa de seu projecto. S. Paulo, 1879, 105 pags. in-4°. - Relatório apresentado pela commissão encarregada de estudar e dar parecer sobre os projectos para construcção do edificio da Santa Casa da Misericórdia de S. Paulo. S. Paulo, 1879, in-8°-E'escripto em collaboração com o Dr. Antonio Caetano de Campos. - Plano de viação ferrea da província do Rio Grande do Sul: memória, etc. Rio de Janeiro, 1882, 37 pags. in-8°. - O Rio de S. Francisco e a estrada de ferro de Paulo Affonso. Rio de Janeiro, 1882, 155 pags. in-8°. - Estrada de ferro de Paulo Affonso. O engenheiro chefe a seus detractores. Rio de Janeiro, 1882, in-8°. - Estrada de ferro de Paulo Affonso. O ex-chefe Kruger e seus contractos. Rio de Janeiro, 1882, 151 pags. in-4° - Precede este livro a seguinte declaração: « O ex-chefe da estrada de ferro de Paulo Affonso, Reinaldo von Kríiger, entendeu conveniente reunir, como re- uniu, em folheto, os artigos que publicou no Jornal do Commercio da côrte a respeito da questão dos contractos por elle celebrados. E S. S. teve a delicadeza de nos offerecer um exemplar de seu trabalho. Se- guindo o mesmo exemplo, reunimos igualmente no presente folheto, não só os offlcios que sobre a questão endereçámos ao governo imperial, os quaes foram por elle mandados publicar no Diário Official, como os artigos que fizemos inserir no Jornal do Commercio, afim de retribuir- mos a corteziadeS. S., offerecendo-lhe também um exemplar. Amor com amor se paga. Pela leitura dos dous folhetos o publico ficará em estado de poder julgar da questão. » Ha ainda uma collecção de do- cumentos publicados em opusculo, por E. Moraes em 1883, como resposta á accusações feitas por actos de sua administração. -• Breves considerações sobre o melhoramento do Alto S. Francisco. Piranhas, 1883, in-8°. - A futura cidade de Jatobá no ponto territorial da estrada de ferro de Paulo Affonso. Rio de Janeiro, 1882, 44 pags. in-4°, com a planta da projectada cidade. 252 EI) - 0 resgate das estradas de ferro inglezas. Rio de Janeiro, 1884, in-8°. - A vistoria judicial da draga Maracajú (XXIII memória). Pará, 1885, 44 pag. in-16.° - E' uma collecção de escriptosjá impressos no Liberal do Pará e Provinda do Pará de 11, 13, 14, 15, 17 e 18 de outu- bro deste anno. - Requerimento e memorial, pedindo privilegio do canal dojuncção da Laguna á Porto Alegre. Rio de Janeiro, 1886, in-8n. - Grande canal de juncção da Laguna á Porto Alegre ou canal Príncipe D. AÍTonso. Rio de Janeiro, 1887, 104 pags. in-8°. - A ferro-via da corte á Cuyabá. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. - Canal Príncipe D. Affonso. Rio de Janeiro, 1888, in-80. - Canalisação de vários rios de Sergipe e melhoramentos da barra do rio Cotinguiba. Rio de Janeiro, 1890. - Navegação franca dos rios Paranapanema, Paraná, Ivinheima e Brilhante, desde o porto da Serra do Diabo até o de Santa Rozalinda : memória submettida á consideração do governo imperial a 10 de junho de 1889 (XXIX memória). Rio de Janeiro, 1890, 36 pags. in-8°. - Melhoramentos da barra de Icapara e abertura do canal marítimo do isthmo do Varadouro. Rio de Janeiro, 1890 - E' uma petição diri- gida ao governo da republica. - A juncção do Amazonas até o Prata. Rio de Janeiro, 1890 - Começa este livro com a petição de favores, de que carece o autor, para essa juncção, cujo fim é serem todas as vias do commercío, na zona das fronteiras, subordinadas ás vistas militares para defesa do paiz. - Carta geographica representativa do traçado do canal Príncipe D. Affonso (da cidade da Laguna á Porto Alegre), projectado pelo tenente-coronel de engenheiros Eduardo José de Moraes ; coordenada e desenhada pelo engenheiro Paulo Hamelin. 1887. Lit. Rio de Janeiro, 1877. - Memória militar apresentada pelo Io tenente do corpo de enge- nheiros Eduardo José de Moraes, encarregado dos fortes de Tabatinga em construcção na província do Amazonas no anno de 1868- Inédita. Ha uma cópia de 36 pags. com uma planta na bibliotheca nacional e outra no archivo militar, de 31 pags. Eduardo Manoel Francisco da Silva - E' ta- bellião na cidade de Campes, província do Rio de Janeiro, de onde me consta que é natural, e escreveu : - Registro das hypothecas. Succinta exposição do direito hypothecario 1:0 253 ão alcance de todos. Campos, 1884, 32 pags. in-8° - Sahira antes no Monitor Campista. Eduardo de Mello Coixtinlio Mercier - Por- tuguez de nascimento, viveu muitos annos na província do Espirito Santo e, naturalizado brazileiro, foi professor publico no município de Nova Almeida, da dita província, onde exerceu cargos de eleição popular, como o de presidente da camara municipal e deputado pro- vincial. Escreveu: - Moticia histórica da villa de Nova Almeida. Victoria, 1883, 86 pags. in-8° - A' pag. 63 se acha um alvará, assignado pelo Marquez de Pombal a 16 de janeiro de 1773, decretando a liberdade do ventre escravo no Brazil. Eduardo A-u^elim - Nascido pelos últimos annos do século passado em Aracaty, actual Estado do Ceará, de onde emigrou por occasião da sècca de 1825, é figura notável de nossa historia no governo da província do Pará por occasião da cabanada ; foi processado e esteve alguns annos em Fernando de Noronha. Valente, generoso, de bella intelligencia, mas de pouca instrucção, escreveu varias - Memórias históricas - de certo interesse, que foram vistas por Antonio Gonçalves Dias e ficaram em poder de sua familia. Gonçalves Dias fazia delle alto conceito e tratava de escrever sua biographia. Eduardo INuues Pires - Filho do professor de inglez Amphiloquio Nunes Pires e de dona Henriqueta Julia Nunes Pires, nas- ceu na cidade do Rio de Janeiro a 15 de fevereiro de 1845. Tendo feito o curso do extincto lyceo de Santa Catharina, fundou em 1867 um collegio de educação, onde com seu irrflão Gustavo N. Pires leccionou varias matérias. Nomeado em 1869 escrivão da mesa de rendas da cidade da Laguna, passou em 1874 a servir o cargo de conferente do consulado provincial, e depois deste exerceu o cargo de escrivão na mesma repartição. Cultiva as lettras, tem publicado varias poesias em periódicos, e tem muitas inéditas, sendo algumas em latim. Conheço deste autor: - Durante o carnaval. Rio de Janeiro, 1874, in-8° - E' um poemeto em que ao lado de esplendidos e ruidosos festejos do carnaval se descrevem scenasde completa miséria. - Ad incliti viri, Visconde do Rio Branco, memoriam. Exiliopoli, pridie idus novembris, 1880 - Sahiu em uma folha avulsa, in-fol. 254 ED - O encontro de Eliezer e Rebecca. Ao Illm. Sr. Isidro Carneiro da França - Vem no Jornal do Commercio do Desterro, n. 37, 1883. - Noções do systema métrico decimal. Desterro, 1873,50 pags.in-40, com diversas tabellas. - Pequeno tratado de versificação. Desterro.... - Foi impresso antes do precedente. Sei que o autor possue inédito : - Compendio de arithmetica - mas que trata de resumil-o, cer- ceando-lhe muitas superabundâncias, porque o destina para o ensino das escolas primarias. Eduardo Olympio Machado - Filho de Antonio do Rosário Silva Machado e de dona Rita Joaquina de S. José Machado, nasceu em Inhambupe, Bahia, a 31 de março de 1817 e falleceu no Maranhão, exercendo o cargo de presidente da provincia, a 14 de agosto de 1855. Doutor em direito pela faculdade de S. Paulo, estabelecendo-se como advogado no Rio de Janeiro, foi nomeado secretario do governo da provincia, dahi sahiu para administrar a provincia de Goyaz, e de Goyaz passou á do Maranhão. Sua caridade era tal, que - disse-o uma folha desta provincia - mais elle parecia um virtuoso prelado, do que um alto funccionario civil. Em 1858, após solemnes exequias, foi collocada sobre sua sepultura uma lapide com esta inscripção: « Ao Dr. Eduardo Olympio Machado a provincia agradecida. Lei n. 442 de 14 de agosto de 1856.» Era commendador da ordem da Rosa, profundo nas sciencias jurídicas, e distincto lit- terato. Escreveu : - Theses para receber o grão de doutor em sciencias sociaes e jurídicas, sustentadas em presença de S. M. o Imperador. S. Paulo, 1846.- Nunca pude vel-as. - Diversos relatórios, como presidente de Goyaz e do Maranhão, de 1848 a 1855 - « Desde julho de 1854 até abril de 1855 - diz seu biographo, Francisco Sotero dos Reis - só regulamentos e instrucções expediu uns doze, alguns dos quaes extensos e dos melhores que for- mulou, sem fallar em muitos trabalhos importantes, remettidos para a côrte, e no seu bem acabado e ultimo relatorio, apresentado á assembléa provincial. O resultado desse excesso de trabalho foi a recahida, de que morreu. » Um desses relatórios tenho á vista; é a - Falia que dirigiu á assembléa legislativa provincial por occasião de sua installação no dia 7 de setembro de 1851. Maranhão, 1851, in-4°. - Poesias - que deixou inéditas. Não me consta que publicasse alguma. Vi duas, cujos titulos me não lembra, em mãos de um seu ED 255 amigo. Lembra-me apenas que respiravam suave melancolia, como as seguintes oitavas, que elle improvisara no album de uma senhora maranhense: Peregrino de romagem Nessa jornada da vida, Sem uma estrella querida Que me illumine a viagem, Em balde busco outra flôr, Sem ser a roxa saudade, Para vir aqui depôr No sacrario da amizade. Meiga flor - que symbolisas A constância da affeição, Que nas lages eternisas As magoas do coração, Sobre este livro repousa Teu singelo diadema ! Seja o livro a tua lousa ; Tu serás o meu emblema I Eduardo Paulo da Silva Prado - Filho do bacharel Martinhoda Silva Prado e de dona Veridiana Valeria da Silva Prado, e nascido a 27 de fevereiro de 1860 na cidade de S. Paulo, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado em 1881 na faculdade da dita cidade, socio do Instiiuto historico e geographico brazileiro, e viaja, ha annos, pela Europa. Ainda estudante collaborou ou fez parte da redacção do - Correio Paulistano: periodico - que começou a ser publicado em S. Paulo no anno de 1854, e ahi publicou em 1881 artigos de critica litteraria, sobre a assembléa provincial, vários folhetins sobre o Chile, os Estados Unidos da America, etc. Na Europa, além de varias memó- rias, e impressões de viagens, publicadas na Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, collaborou com o Barão do Rio Branco (veja-se José Maria da Silva Paranhos, 2o) e outros para o livro: - Le Brèsil en 1889: ouvrage publièe par les soins du sindicat du comité franc-brésilien pour l'exposition universelle de Paris avec la collaboration de nombreux écrivains du Brésil sous la direction de Mr. F. J. de SanfAnna Nery. Paris, 1889, XIX, 699 pags. in-4° - São do Dr. Eduardo Prado os capitulos 26 e 28, com os titulos: «Immi- gration » de pags. 473a 507 e « L'arte plumaria » de pags. 519 a 562. Era elle commissario adjunto da exposição (Veja-se Frederico José de San t'Anna Nery). Escreveu além disto : - Viagens. A Sicilia-Malta. O Egypto. Paris, 1886, 246 pags. in-12° - E' uma edição nitida á duas côres, com vinhetas. 256 j±:l> - Fastos da dictadura militar no Brazil. Ia serie. 4a edição. Artigos publicados na Revista de Portugal de dezembro de 1889 a junho de 1890 (sem designação de logar). 1890, 374 pags. in-8° - E' assignado por Frederico de S. este livro, que é dividido em seis partes: Aconteci- mentos do Brazil; Ainda acontecimentos do Brazil; Fastos da dictadura; A dictadura no Brazil; As finanças da administração; A republica brazileira. Estes artigos foram transcriptos da Revista de Portugal, quasi integralmente, no Brazil, nos Estados Unidos da America do Norte, na Allemanha e na Inglaterra. Eduardo de Sá Pereira de Castro - Filho do coronel José de Sá Carneiro Pereira de Castro e de dona Juliana Maria Luiza de Abreu e Sá, nasceu na Bahia, a 4 de abril de 1828 efalleceu no Rio de Janeiro a 7 de setembro de 1872, sendo tenente reformado do estado-maior de segunda classe, bacharel em mathematicas e sciencias physicas e lente de mathematicas da escola militar, tendo antes do bacharelado, como adjunto ao curso preparatório, annexo ã mesma escola, regido a cadeira de historia e geographia. Erasocio do Instituto histórico e geographico brazileiro, e dirigiu na corte um collegio de educação para o sexo masculino. Assentara praça no exercito em 1842, sendo promovido a alferes em 1847 e, quando foi reformado por decreto de 22 de setembro de 1859, exercia o logar de escripturario na repartição de ajudante general. Escreveu: - Compendio de metrologia. Rio de Janeiro, 1863, 15 pags. in-8°, com figuras. - Explicador de arithmetica: obra apropriada aos alumnos das academias militar e de marinha e ao instituto commercial, aos aspi- rantes a empregos públicos, negociantes, artistas, etc. Rio de Janeiro, 1854, in-8°- Teve segunda edição em 1863 ; terceira em 1869; quarta em 1873; quinta, com augmentos, feita pelo filho do autor, o bacharel João Crokatt de Sá Pereira de Castro, 1876, 249 pags. in-8° ; sexta, feita pelo mesmo, 1883, 244 pags. in-8° ; sétima, augmentada com muitas notas intercalladas, 1885. - Systema de leitura, mandado adoptar pela instrucção publica dacòrte e província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1861,84 pags. in-12° com duas tabellas. - Postillas de geographia astronómica. Rio de Janeiro, 1865, 91 pags. in-8°. - Os heroes brasileiros da campanha do Sul em 1865, pelo bacharel E. de Sá Pereira de Castro e A. E. Zaluar. Rio de Janeiro, 1865, in-4°, com retratos - Esta publicação sahiu om 15 livretos. ED 257 - Resposta ã primeira Carta de Erasmo a S. M. o Imperador, por Scaliger. Rio de Janeiro, 1865, 7 pags. in-4°. - Resposta de Scaliger á segunda Carta de Erasmo á S. M. o Im- perador. Rio de Janeiro, 1866, 8 pags. in-4°. (Veja-se José Marti- niano de Alencar.) - Ao povo. Carta de Erasmo Júnior. Que de tal pae tal filho se esperava. Rio de Janeiro, 1868, 21 pags. in-4° - No catalogo da ex- posição de historia do Brazil se attribue este opusculo a Eduardo de Sá. Este autor colleccionou, deu ao prélo e offereceu ao imperador as « Poesias de Laurindo José da Silva Rabello, etc. Rio de Janeiro, 1867.» Eduardo Salomé - Natural do Rio Grande do Sul. Só conheço este autor por ver seu nome mencionado entre os escriptores rio grandenses na ultima paginado livro de Damasceno Vieira «Esboços litterarios» publicado em Porto Alegre em 1883. Escreveu: - Livro de orações drama *.... Eduardo Wancleiilcolk - Filho do capitão do mar e guerra José Eduardo Wandenkolk e de dona Martina Gomensoro Wandenkolk, nasceu no Rio de Janeiro a 29 de junho de 1838. Um dos officiaes mais briosos e illustradõs da armada brazileira, tendo assentado praça de aspirante á guarda-marinha em 1853 e feito o respectivo curso, foi promovido a este posto em 1855, e subiu suc- cessivamente até o de vice-almirante. Dirigiu a pasta dos negocios da marinha, sendo o primeiro ministro desta repartição, nomeado depois de proclamada a Republica dos Estados Unidos do Brazil e foi eleito senador pela capital federal ao Congresso de 1890. Prestou relevantes serviços na guerra do Paraguay; tem desempenhado importantes commissões e feito algumas viagens de longo curso, como á África, ao Báltico e â outros pontos do globo. E' commendador da ordem de S. Bento de Aviz e da de Nossa Senhora da Conceição da Villa Viçosa de Portugal ; official da ordem da Rosa e da do Cruzeiro ; cavalleiro da ordem de Christo ; condecorado com a medalha da campanha do Uruguay de 1865, a da rendição de Uruguayana, a da passagem do Humaytá eda guerra do Paraguay, e escreveu: - Relatorio da viagem da corveta Bahiana ao mar das índias, apresentado, etc. Rio de Janeiro, 1879,187 pags. in-8°-Fecha-se este livro, de pag. 173 em deante, com uma collecção de artigos ex- trahidos de diversos jornaes estrangeiros sobre a corveta Bahiana, todas muito honrosas para o Brazil. Commandava o autor este navio, sendo capitão de fragata. 258 EG - Tactica naval para uma frota encouraçada. Rio de Janeiro, 1876, 44 pags. in-8°- Esta obra è offerecida ao conselheiro Joaquim Ray- mundo De-Lamare. - Manobreiro para navios de Vela. Rio de Janeiro, 1876, in-8°--com um atlas. - Relatorio da corveta Vital de Oliveira ao tilar Báltico, etc. Rio de Janeiro, 1884, in-8°-Este trabalho foi também publicado na Revista- Mar itima Brasileira, onde ha outros escriptos do autor. - Tactica para escaleres a remos, armados em guerra, pelo capitão- tenente da marinha franceza Gourie de Refuge: traducção desenvolvida, augmentada e adaptada âs bandeiras do regimento de signaes da armada brazileira. Rio de Janeiro, 1887. - Relatorio apresentado ao generalissimo chefe do governo provisorio pelo vice-almirante,etc.,ministro da marinha. Rio de Janeiro, 1891, in-4° - Repertório da legislação naval durante o governo provisorio. Administração do vice-almirante, etc., Io ministro da marinha da Re- publica- Acha-se na Revista Marítima Brasileira, anno Io, pags. 127 a 229, continuando em outro numero. D. Eduviges Raetz de Schreiuer - Filha do en-, genheiro e architecto Luiz Schreiner e natural do Rio de Janeiro escreveu com seu pae a seguinte obra a proposito da exposição peda- gógica de 1883, á que foi apresentada: - Idéas sobre instrucção primaria no Brazil. Rio de Janeiro, 1883, 25 pags. in-8°- Divide-se o opusculo em duas partes. A primeira, que pertence a dona Eduviges, trata da necessidade de d<senvolver o amor ao trabalho e de estabelecer uma escola de moças incumbidas dos primeiros cuidados ã infancia. A segunda, que é escripta por seu pae, propõe o desenho, a musica e a gymnastica como bases da educação primaria, por desenvolverem o physico e ao mesmo tempo o gosto para imprimir aos trabalhos o cunho da superioridade. Eg^as Moniz Sudré de Ararão- Filho do commenda- dor Antonio Ferrão Moniz de Aragão,de quem occupei-me no Io volume deste livro, e de dona Maria Adelaide Sudré Muniz, e nascido na pro- vinda, hoje Estado da Bahia, em 1843, sendo doutor em medicina, foi nomeado lente oppositor da secção medica da faculdade da mesma pro- vinda em 1871 e cathedratico de pathologia geral em 1875. Escreveu: - Visão; Qual o modo de obrar dos ferruginosos no tratamento da chlorose ? Qual a nevrologia da lingua ? Qual a funcção de cada nervo ? •Serão todos solidários ? Poderá o medico, pelo exame de um cadaVer, EG 259 determinar si houve suicídio ou homicídio ? these que deve sustentar, etc. Bahia, 1865, 94 pags. in-4°. - Funcçoes do grande sympathico : these sustentada no concurso á um logar de oppositor da secção medica. Bahia, 1871, 55 pags. in-8°. - Faculdade de medicina da Bahia. Memória histórica dos acconte- cimentos mais notáveis do anno de 1877. Rio de Janeiro, 1878, 34 pags. in-fol. - O salteador : drama em cinco actos. Bahia, 1863, in - 8o. Eg^ydio Barbosa <le Oliveira Itaqui -Natural da antiga província do Rio Grande do Sul, bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo em 1862 e doutor em 1863, foi eleito por sua província deputado à 19a legislatura, dissolvida na primeira sessão, em 1886, e pouco depois falleceu. Escreveu : - Dissertação para obter o grão de doutor, etc. S. Paulo, 1863, 22 pags. in-8° -0 ponto é este : Como se rege o direito que teem os herdeiros do offendido para haverem a indemnisação do damno ? Como se amplia ou restringe ? Que pessoas podem exercel-o e que qualidades devem ter? Este direito se estende só às offensas durante, a vida, ou também ás de além-tumulo ? - Theses para obter o grão de doutor, etc. S. Paulo, 1863, 10 pags. in-8°. - Monarchia federal. Porto Alegre, 1887, in.-8°. - Divida do Paraguay. Permuta das apólices: requerimento dirigido á assembléa geral pelos prejudicados do Alto Uruguay e Matto Grosso Rio de Janeiro, 1882, 16 pags. in-8°. - Os prejuízos causados pela invasão paraguaya no império do Brazil são pagos em apólices sem cotação por ter o Brazil desistido da garantia estipulada no tratado. Rio de Janeiro, 1882, 15 pags. in-8° - Este e o precedente escriptosão publicados, sendo o autor advogado e procurador dos cidadãos prejudicados. Egydio José de Lorena - Nascido no Rio de Janeiro a 1 de setembro de 1802, íalleceu em Lisboa a 30 de agosto de 1863, sendo engenheiro militar e civil ; major reformado do corpo de engenheiros ; cavalleiro das ordens de Malta, de S. Bento de Aviz, da Rosa e de Christo e commendador da ordem portugueza deste titulo ; socio da so- ciedade Auxiliadora da industria nacional do Rio de Janeiro e de outras. Tendo feito o curso de nossa academia militar e jà segundo tenente do referido corpo, foi á Europa aperfeiçoar seus estudos e frequentou as escolas de engenharia civil da França, dedicando-se com particulari. 260 EG dade aos estudos de pontes e calçadas ; percorreu grande parte desse continente e, voltando ao Brazil, foi nomeado chefe dos trabalhos hydraulicos da provincia do Rio de Janeiro. Moléstias, porém, que lhe sobrevieram no serviço laborioso desse cargo, o obrigaram a pedir sua reforma e tornar á Europa em busca de allivio a seus soffrimentos. Baldados foram os esforços da medicina: achando-se em Lisboa, e co- nhecendo que se lhe approximava o termo da existência,mandou chamar o procurador da igreja do Lorèto, o incumbiu de seu enterro, sem osten- tação, mas apenas com a devida decencia ; pagou as despezas a fazer-se e expirou ao cabo de poucas horas. Fundara na Europa uma associação com o tim de dar á publicidade e distribuir gratuitamente diccionarios e livros proprios á propaganda da religião catholica e escreveu: - Compte rendu des études d'application, faits en Europe de^ 1838 a 1841. Fecamp, 1841, 162 pags. in-8°. - Extrait des Annales des ponts et chaussées de France, de novem- bre et décembre 1842. Entretien 'des routes. Paris, 1842, 24 pags. in-8°, com 1 est.- Houve no mesmo anno uma edição no Brazil, feita por J. Villeneuve Comp., de 20 pags. in-8°. - Fiel Companheiro do christão, contendo os principaes e interes- santes deveres que lhe offerece sua santa religião, dedicado á imma- culada V. S. das Dòres : offerecido á paternidade dos muito venerá- veis senhores vigários brazileirose portuguezes como seu afilhado para o fim de o fazerem acceito, profícuo e conservado ; dado sempre grátis aos fieis do paiz de Santa Cruz, Brazil, e do paiz das cinco chagas, Portugal. Paris, 1860, 326 pags. in-12°, com estampas da Virgem, das quartorze estações e dos sete passos de Christo - Segunda edição. Lisboa, 1862,212 pags. in-12°. - Cathecismo historico, contendo em abreviado a historia santa e a doutrina christã, vertido do francez para anteceder ao Fiel compa- nheiro do christão e constituido nas mesmas condições para ser dado sempre grátis aos fieis do paiz de Santa Cruz, Brazil, e do paiz das cinco chagas, Portugal. Paris, 1860, 355 pags. in-12<» - Precedem o livro o Discurso sobre o uso deste cathecismo,pelo abbade Fleury e approvação de J. B. Bossuet, bispo de Maux edo dr. Pirot, professor em Sorbona. Segunda edição augmentada de quinze lições preliminares, pelo reve- rendo J. B. S. e de um summario da doutrina christã. Lisboa, 1862, in-12°. - Resumo do cathecismo da historia santa e doutrina christã do abba- de deFleury, vertido do francez. Lisboa, 1867 -- E'uma terceira edição da primeira parte do livro precedente, publicação posthuma, como a do - Breve compendio de doutrina christã e instrucções para a con- flssão e a communhão. Lisboa, 1867. EIu 261 Egydio Rilbeivo de Andrade - Natural de Minas Geraes, falleceu no Rio de Janeiro em 1871 ou 1872, sendo segundo escripturario da segunda secção da directoria geral das rendas publi- cas. Publicou : - Portarias da directoria geral das rendas publicas desde julho de 1864 até dezembro de 1867, colleccionadas pelo segundo escripturario do Thesouro Nacional, etc. Rio de Janeiro, 1868, in-4°. Eleuterio Augusto de ^ta-hide - Natural de Per- nambuco e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade deste estado, formado em 1844, falleceu a 20 de fevereiro de 1888 na cidade de Porto Alegre, onde exercia a advocacia. Servira como offl- ciai da directoria geral do contencioso no Thesouro Nacional, e escre- veu alguns trabalhos sobre consulados e alfandegas, entre os quaes : - O Regulamento das alfandegas e mesas de rendas (decreto n. 2674 de 19 de outubro de 1860), annotado com todas as leis, decretos e decisões do governo, que o tem alterado e explicado desde a sua publi- cação até dezembro de 1865, e com as disposições anteriores que ainda se acham em vigor, remontando ao regulamento de 22 de junho de 1836. Rio de Janeiro, 1866, in-4°. Eleuterio Marques da Silva Rosa - Natural do Maranhão, ahi falleceu em janeiro de 1865, sendo presbytero secular, conego dacathedral de S. Luiz edistincto prégador. De seus sermões, porém, só conheço : - Oração fúnebre de sua alteza a princeza imperial, D. Maria Amélia, recitada na igreja do Rosário no dia 11 de março de 1853. Maranhão, 1853, 13 pags. in-8°. Elias Alexandre da Silva-Nasceu no Rio de Janeiro ou em Santa Catharina por cerca do anno de 1740. Foi militar, não sei até que posto subiu, nem a que arma do exercito pertencia; sei apenas que prestara serviços em Santa Catharina, e que escreveu: - Relação ou noticia particular da infeliz viagem da náo de sua ma- gestade fidelíssima « Nossa Senhora da Ajuda e S. Pedro de Alcantara», do Rio de Janeiro para Lisboa em 1778. Lisboa, 1778, 78 pags. in-4*. Elias Alvares Eolbo-Filho do José Manoel Lobo e de dona Thereza Xavier Lobo, nasceu em Itú, S. Paulo, a 9 de agosto de 1834. Ainda criança, orphão de pae, estudou num collegio latim, francez, arithmetica, geometria e musica com a protecção do padre Feijó; mas 262 EL aos quinze annos, vendo-se, póde-se dizer, pela segunda vez orplião com a morte de seu protector, cons grou-se tolo à musica começando por fantasiar na rabeca pequenas peças para salão e bandas marciaes e depois, compondo operas sacras e profanas, tornou-se um dos mais notáveis compositores brazileiros. Fundou em 1863 a sociedade musical Philomella, fornecendo elle as peças precisas, que compunha, e em 1866 a sociedade Orphelina, também musical. Abriu em 1865 uma aula gratuita dessa arte, e em 1875 convocou em S. Paulo todos os pro- fessores delia â um congresso, onde se tratasse de elevar a classe e auxiliar as vocações esparsas para o estudo dos bons methodos, pedindo ao governo uma subvenção para uma aula superior de musica e a isenção do sorteio militar para a classe. Foi em 1863 escolhido pelo directorio da opera nacional para ir á Europa estudar os grandes theatros; mas, sendo casado e não obtendo meios com que sua familia pudesse subsistir em sua ausência, não acceitou a distincção, continu- ando em Campinas a leccionar piano e canto. Escreveu: - Me.thodo de musica. S. Paulo, 1876, in-4° - Segunda edição, S. Paulo, 1882. - Missa n. 1 - escripta em 1855 e exhibida pela primeira vez na grande festa celebrada em setembro do mesmo anno na cidade de Tieté. - Missa n. 2 - escripta em 1856 para a festa de Nossa Senhora do Carmo ; executada a 20 de julho. - Missa n. 3 - em 1857 para a festa do Espirito Santo, executada a 31 de maio. - Missa n. 4 - em 1858 a pedido do conselheiro Antonio Francisco de Paula e Souza, que ouvindo-a em ensaios, quiz que fosse dedicada ao Imperador com o titulo de missa de S. Pedro de Alcantara. Foi cantada este anno na cidade de Itú, e na capella imperial a 1 de dezembro. - Missa n. 5- em 1864 por occasião da solemnidade feita pela ordem 3a do Carmo na restauração da referida igreja. - Missa n. 6 - escripta em 1867 com dous çredos. - Missa n.' 7 - em 1873 para a festa de Senhor Bom Jesus a 1 de janeiro de 1874. Esta missa tem grandes sólos, concertatos, etc. - Missa n. 8 - em 1874 para a mesma festa de 1 de janeiro de 1875. - Missas ns. 9 e 10 - em 1876. São duas menores. - Oratória de Nossa Senhora do Carmo com córos de anjos, de irmãos terceiros, e de povo, com as personagens de S. Simão Stokoc, de Santa Thereza ; escripta e executada em 1864 na solemnidade da missa n. 5, EL 263 - Oratória do nascimento e circumcisão de Jesus Christo - escripta em 1874 e executada a 1 de janeiro de 1875, com dous córos de anjos, de pastores e camponezes com os personagens, o archanjo S. Gabriel, a Virgem Santissima e S. José. - As tres horas da agonia - em 1867, executada na sexta-feira santa em Itú. E' de grande execução. - Semana Santa - em 1872, executada no mesmo anno. O autor nesta obra separou-se do estylo seguido pelos outros mestres, pro- curando traduzir os textos em notas, como si escrevesse uma tragédia lyrica. - Matinas do SS. Sacramento. - Matinas do Espirito Santo. - Encommendações de defuntos (duas). - Novena de Nossa Senhora da Assumpção. - Te-Deum laudamus. - Arias de pregador. - Motêtos para o Senhor dos Passos. - Padre Nosso (em portuguez). - Salve Rainha (idem) - No genero lyrico compôz : - A noite de S. João : comedia lyrica em dous actos. Lettra de José de Alencar. Rio de Janeiro, 1860, 49 pags. in-8° - Foi escripta para piano e canto no periodo de 28 dias em 1858 para ser cantada em familia ; mas os applausos que teve em S. Paulo e os conselhos de vários amigos o decidiram á pôl-a em orches- tra e trazel-a ao Rio de Janeiro, onde foi executada pela companhia da opera nacional a 14 de dezembro de 1860, e mais cinco vezes seguidas, com geral applauso, sendo regente da orchestra o celebre Carlos Gomes. Com a exhibição desta opera foi reorganisada a companhia da opera nacional. - A Louca : libretto do Dr. A. Achilles de Miranda Varejão, em 4 actos - Escripta em 1861 para ser representada pela dita companhia a 25 de março do anno seguinte, por occasião da inauguração da estatua equestre de D. Pedro I, depois de ensaiada, foi retirada por motivos pouco acceitaveis e, tendo entrado mais duas vezes em ensaios no mesmo anno, foi ainda retirada. O autor, contrariado por taes occurrencias, deixou a opera nacional e recolheu-se á sua pro- víncia. Deixando, porém, a partitura por lh'a pediram sob promessa de que iria â scena, nunca se realizou isto, porque deram ao 4o acto da peça tal descaminho que nunca se houve delle noticia. Só houve da Louca uma exhibição particular entre muitos socios do club fluminense, por empenho do seu director e das redacções dos principaes orgãos da ím- 264 EL prensa, unanimes em seus applausos. De suas composições de menos folego vi publicadas : - Amor de mãe : romance para piano. - Já não vive Delia : idem. - Bem te-vi : idem. - A despedida de S. Paulo : idem. - Eu vi o anjo dá morte : idem. - Nerina, magna estrella : idem. - Chá preto, Sinhá : modinha. - O carnaval do Itu : valsa. • - Uma lembrança de amizade : idem. - Alegria do pobre : polka. - A noite de S. João : quadrilha - E' tirada da opera deste titulo. Desta opera e da Louca, tem Elias Lobo arranjado algumas peças para se contar em salão, como : - 0 meu amor : rondó final da noite de S. João. - Meu pensamento é todo amor : cavatina da opera A Louca - Ambas estão publicadas. Elias Fausto Pacheco -Jordão - Filho do doutor José Elias Pacheco Jordão e natural do Itú, de S. Paulo, foi o primeiro brazileiro que estudou engenharia na universidade de Cornei 1, onde for- mou-se engenheiro civil, recebendo o grau de doutor a 2 de julho de 1874. Ainda nos Estados-Unidos da America, foi um dos redactores da - Aurora Brazileira: periodico litterario e noticioso. Itaca, 1873 a 1875, 2 vols. in-fol. de duas cols. - Foi fundado este periodico pelos estudantes paulistas Thomaz de Aquino e Castro e Francisco de Assis Vieira Bueno Júnior, seus principaes redactores, sahindo o Io numero a 22 de outubro de 1873 e o ultimo a 20 de junho de 1875. De seus escriptos nesta revista citarei : - Ainda a questão da bitola estreita - no Io vol. pags. 50, 58 e 69esegs. - Fundou e redigiu depois: - Revista do Instituto polytechnico de S. Paulo. S. Paulo, 1878, in- fol. peq. de duas cols., com estampas. Elias de Figueiredo Nazareth - Natural da Bahia, foi professor publico da instrucção primaria da freguezia da Victoria' na capital desse estado, é professor da escola pratica, annexa ao ex- ternato normal, e escreveu: - Compendio de desenho linear, adaptado ãs escolas normaes. Bahia, 1871. - Systema métrico decimal. Bahia.... EL 265 Elias José Pedrosa - Filho de Elias José Pedrosa e nascido na villa, depois cidade de Itaparica, Bahia, falleceu na ca- pital deste estado depois de 1885 em idade avançada, sendo cirurgião formado pela academia medico-cirurgica; doutor em medicina e lente jubilado da faculdade da dita capital; do conselho do Imperador, e cavalleiro da ordem de Christo. Antes de graduado doutor, exercia o cargo de cirurgião-mór da guarda policial, era membro da sociedade philomatico-chimica da Bahia e da sociedade polytechnica de Paris. Escreveu: - Sobre as feridas por mordedura de animaes damnados : these apresentada e sustentada a 29 de abril de 1837 para obter o grau de doutor. Bahia, 1837, 22 pags. in-4° gr. - Faculdade de medicina da Bahia. Memória histórica do anno de 1871, apresentada á respectiva congregação. Bahia, 1872, 36 pags. in- fol. - Está ainda publicada na Gazeta Medica da Bahia, tomo 6o, pags. 49, 63, 81 e segs. Fr. Elias da I*ied.ad.e - Natural da Bahia, vivia na primeira metade do século XVIII, foi religioso carmelita, professo no convento da mesma cidade e escreveu, além de outros talvez, o - Sermão de Nossa Senhora da Graça na igreja de Nossa Senhora da Piedade dos reverendos Capuchinhos em 16 de agosto de 1739. Lisboa, 1740, in-4°. Elisiario Lapa T*iato - Natural de Sergipe e cavalleiro da ordem da Rosa, serviu no funccionalismo publico de fazenda e esteve empregado na alfandega da Bahia. Exonerado desse serviço, fez uma viagem á uma das republicas do Prata, deu-se ao estudo da homoeo- pathia e a pratica actualmente. Escreveu : - Reformas. A emancipação dos escravos. O. C. D. ás sociedades maçónicas e abolicionistas do império. Bahia, 1870, 79 pags. in-4°- No fim deste livro diz o autor que brevemente publicaria « Estudos sobre as reformas » em tres volumes de 250 pags. cada um, sendo o primeiro consagrado ainda à emancipação dos escravos; mas nunca foi cumprida a promessa. D. Elixa de Bulhões Pedreira - Filha do doutor João Pedreira do Couto Ferraz e de dona Eliza de Bulhões Pedreira, nasceu na cidade de Nitheroy, capital da provincia, hoje Estado do Rio de Janeiro, a 5 de abril de 1857. Com quatorze annos de idade apenas tinha completa sua educação litteraria, conhecendo 266 EE a lingua franceza, a italiana, diversas sciencias e artes liberaes. Escreveu: - O adolescente educado na bonlade, sciencia e industria, por C. Cantu; traduzido por uma menina brazileira. Rio de Janeiro, 1871, in-8° peq.- Este livro contém diversas estampas intercalladas no texto, e notas que demonstram uma erudição não vulgar no sexo feminino, e ainda menos na idade da traductora, até de astronomia. Depois da pagina 244, seguem-se o juizo critico da traducção, pelos Drs. Antonio de Castro Lopes, Felippe da Motta Azevedo Correia, e Ernesto de Souza e Oliveira Coutinho; doze sonetos em italiano, pelo Dr. Luiz Vicente de Simoni em resposta a uma carta, também em italiano, com o pseudonymo de Zelia, anagramma de Eliza, na qual se pede seu juizo acerca da traducção, e mais um soneto, offerecido á mesma Zelia. Eloy Benedicto Ottoni - Filho do Jorge Benedicto Ottoni e de dona Rozalia Benedicto Ottoni, e irmão mais moço de Theo- philo e de Christiano Benedicto Ottoni, nasceu na cidade do Serro, em Minas Geraes. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, fez uma excursão pela Europa, onde aperfeiçoou seus estudos, e deu se depois ao exercicio de sua profissão, tanto em Minas, como em S. Paulo. Nunca pertencendo á politica activa, prestou em seu gabinete serviços às idéas que mais directamente conduzem ao unico ponto, para onde devem caminhar resolutamente os brazileiros li- vres, segundo exprime-se elle, á republica. Neste empenho publicou diversos escriptos em jornaes do partido liberal historico e repu- blicanos, e também escriptos sobre litteratura e varias poesias. São de sua penna: - Breves consideràções sobre o calor animal no homem: these inaugural. Rio de Janeiro, 1848, in-4°. - Breve noticia de um trabalho do Dr. Magnan sobre álcool e absinthio. Nova hypothese sobre a allucinação. S. Paulo, 1872, 68 pags. in-12° - Referindo-se á allucinação, o autor considera este phenomeno um movimento reflexo psycho-sensorial, que não pôde ter logar, contra a opinião de Leuret, sem formação ou renovação de idéas. - Mechanismo das faculdades intellectuaes pelo Dr. Poincaré ; tra- duzido e commentado, etc. Rio de Janeiro, 1884, 408 pags. in-8°- O autor, provan to que a matéria é livre e responsável pelas idéas que fabrica, pretende que dessa liberdade provém uma regra de direitos e uma prescripção de deveres, isto é. a Moral, e dahi resultam estas vor- EL 267 dades: < a sciencia harmonisa-se com a moral; a religião é compatível com a sciencia; materialismo e atheismo não são synonymos.» O tra- ductor ajunta importantes accrescimos e commentarios, divergindo, ás vezes, das idéas do autor. - Crenças políticas, dedicadas aos manes de Theophilo Ottoni, aos liberaes históricos e aos republicanos. Rio de Janeiro, 1891, 369pags. in-12° - Contém este livro artigos políticos, publicados nos jornaes Ypiranga, Sapucaiense, Radical de S. Paulo, Correio de Cantagallo e outros. Um de taes artigos com o titulo : - A loucura dos reis - foi traduzido em francez por Adrien Desprez e reproduzido no Progrès, jornal político de Lion, de 20 de setembro de 1872. Entre suas poesias publicadas vias seguintes : - A borboleta e a rosa - de Victor Hugo; Recordação de uma poesia, de Victor Hugo ; Recordação, de Millevoye ; Lúcida idéa ; Democracia, por João de Barros ; A estatua e o pelourinho, pela Sombra de Ratcliff ; Thiers; Aujourd'hui, publicada em francez no Sapucaiense ; O phtisico, poesia escripta e publicada em 1857 por occasião de seu autor ter escarrado sangue - Entre suas poesias inéditas possuo por copia as seguintes : - A rosa e o tumulo, de Victor Hugo; Canção, de Victor Hugo. Da estima que se deve votar aos homens de talento, traducção livre de Voltaire ; Saudade infinda ; Estrellas verdes ; Vem dar-me um beijo ; Meu ultimo canto (em parte imitado de Lamartine) ; Les poetes et la femme, poesia que, por ser breve, aqui transcrevo: Les poetes sont fous, c'est verité, lis shnspirent toujours dans la folie, Dans 1'amour, et la femme plus jolie Quand elle n'est pas folie, elle est tocquée. Ils revent dans ce monde un paradis, Un seul regard suffit pour enflammer ; Mais la femm * ensuite fait tomber Le songe qu'embellait toute sa vie. Quel est doncle plus fou? L'hommeou la femme ? L'un reve á son coté la femme hereuse ! L'autre fuit le bonheur et dedaigneuse, Lui jette la folie au fond de l'àme 1 Dentre seus escriptos sobre litteratura citarei : - Um ovo de passarinho : romancete, publicado na Reforma. Eloy □ osó Ferreira Martins - Filho de Antonio José Ferreira Martins e de dona Anna M. L. Ferreira Martins, nasceu na cidade de Campos, Rio de Janeiro, a 1 de dezembro de 1861 e falleceu a 2 de outubro de 1880, estudante do 2o anno de medicina, socio do 268 EL gymnasio académico e do grémio litterario Castro Alves, ambos do Rio de Janeiro. Foi poeta e, depois de sua morte, foram publicados : - Tropheos: poesias de Eloy Martins. Rio de Janeiro, 1882, XII- 52 pags. in-16°. Elpidlio Pereira de Mesquita - Natural do centro da Bahia, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1882 e advogado no mesmo estado. Foi eleito deputado na ultima legislatura do império, na vaga deixada pelo fallecimento do deputado Barão da Villa da Barra, e escreveu : - Africanos livres : Bahia, 1887 - E' uma collecção de artigos edi- ctoriaes do Diário da Bahia sobre a execução e applicação da lei de 7 de fevereiro de 1881. - Discurso proferido no theatro Isabel em Pernambuco na noite de 2 de julho de 1880. Recife, 1880. Emigdio Dantas Barreto - E' natural da província de Pernambuco, onde nasceu em 1848, major do exercito, cavalleiro da ordem da Rosa e condecorado com a medalha de mérito e a da campa- nha do Paraguay. Na edade de 17 annos, seguiu como voluntário para essa campanha, em 1865, foi promovido a offlcial por actos de bravura na batalha de 11 de dezembro de 1868 e, voltando à patria depois de terminada a guerra, matriculou-se na escola militar, onde fez o curso de artilharia, obtendo duas promoções por estudos ahi feitos : uma em 1878, e outra em 1882. Em 1879, passou a servir no Rio Grande do Sul em commissão junto aocommando das armas. Escreveu: - 0 filho de D. João : poema realista - Annunciada sua publicação pela Revista da sociedade Phenix litteraria e já achando-se no prelo, foi retirado por conveniência litteraria. - Lucinda e Coletta : episodios da vida fluminense. Pelotas, 1883. - A Condessa Herminia: drama em quatro actos e cinco quadros. Pe- lotas, 1883 - Foi levado à scena com applausos no theatro de S. Pedro, de Porto-Alegre, em 1882. - Margarida Nobre: romance realista. Porto Alegre, 1886 - Na côrte collaborou para varias folhas e redigiu: - Revista Americana. Rio de Janeiro, 1878, in-4°-Esta revista cessou por quebra da casa editora de H. Fleiuss & C.a Foi também um dos redactores da - Revista da sociedade Phenix litteraria. Rio de Janeiro, 1878-1879' in-4°-Ahi se acham seus trabalhos: O plebeu e a fidalga, poesia, pags. 11 a 15; Dous pintores da renascença ( Giovani Cimabue e Giotto EM 269 Bondini), pags. 25 a 30 ; A poesia no século XIX,pags.56 a 61; Do ate- lier para o templo, pags. 95 a 101. Collaborou depois para o Artista, da cidade do Rio Grande, onde publicou uma serie de cartas ao Dr. Lopes Trovão sobre assumptos sociaes e por ultimo entrou para a redacção do Jornal do Commercio de Porto-Alegre, occupando-se em questões de critica e de litteratura amena. D. Emilia Leopoldina Geraque Collet - E' pro- fessora da lingua nacional no externato normal da Bahia. Não obtive as noticias que pedi para este artigo e, por isso, sei apenas que escreveu: - Lições de calligraphia theorica. Bahia.. • - Novíssimas taboadas para o ensino de arithmetica. Bahia...- E' dividido este escripto em duas partes: Ia, para 0 ensino intuitivo e verbal; 2*, para o calculo mental. I>. Emilia Augusta Gomide Penido - Filha do doutor Jeronymo Máximo Nogueira Penido e de dona Emilia Luiza Go- mide Penido e natural de Minas Geraes, nasceu a 17 de abril de 1840 e falleceu em Ouro-Preto, capital desse estado, a 29 de agosto de 1886. De uma educação apurada, conhecia varias linguas e era versada na geographia, na historia universal, principalmente na historia religiosa, 0 que fazia o bispo d. Pedro de Lacerda denominal-a doutora de borla e capello. Fazia consistir toda sua felicidade no estudo das lettras, que ella amenisava cultivando, não só a musica instrumental e vocal, como 0 desenho, de que deixou bellissimos quadros, e no achêgo da familia, recusando, por isso, allianças matrimoniaes, aliás vantajosas que se lhe proporcionaram. De caridade e modéstia excessivas, tinha 0 titulo de irmã de caridade honoraria, conferido pelo geral da congregação em Paris e, quando comparecia ás festas nos collegios desta capital, se comprazia em acercar-se das meninas pobres, das cegas, para quem ti- nha sempre palavras de consolação e de amor. O bispo de Camaco, d. Silverio Pimenta, referindo-se á sua morte, disse que esse facto não foi só uma perda para a familia, mas também para a patria e para a religião. D. Emilia escreveu: - Por que somos catholicos, e não protestantes ? Traduzido do inglez por um sacerdote do clero de Paris e vertido da Ia edição franceza para portuguez. Rio de Janeiro, 1869, 423 pags. in-8°- Esta traducção foi emprehendida a pedido do bispo de Marianna, d. Antonio Viçoso, e delia se occuparam com applauso varias folhas do Rio de Janeiro. - O ramalhete de flores: Rio de Janeiro, 1875, 150 pags. in-8° - E' um livro altamente moral, doutrinário, em que resplandecem as vir- 270 EM tudes evangélicas em todas as posiçBes sociaes, escripto em fôrma de romance como mais própria, do que os cathecismos e os tratados phi- losophicos, para o ensinamento das verdades moraes. E' seguido, da pag. 117 em deante, das Maximas do senador Antonio Gonçalves Go- mide, de quem já occupei-me.Foi approvado pelo conselho de instrucção publica do Rio de Janeiro para uso das escolas primarias e teve segunda edição em 1884 nesta cidade, com 136 p>gs. in-8°, precedidas de mais 22 do frontespicio, palavras ao leitor e juizos da imprensa. D. Emilia publicou vários escriptos sobre historia, moral e religião, collaborando em revistas como o Jornal das famílias, e principalmente o Apostolo, onde no volume 5o, por exemplo, ha de sua penna: - Não se deve contrariar vocações; José, o Salvador do Egypto; A exaltação de Maria, pags. 216, 279 e 405 - Deixou, flnalmente, inéditos vários trabalhos sobre educação social, moral e religião. Emiliano Da-vid. Pernetta - Filho de Francisco David Pernetta e natural do Paraná, é bacharel, formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo em 1889, e escreveu : - Musicas : versos. S. Paulo, 1888 - Nunca vi este livro, mas já ouvi que o titulo é mais sonoroso do'que os versos. Talvez não seja assim. Emiliano Eaustino I-ãns - Filho de Ignacio José Lins e de dona Anua Innocencia da Silva, nasceu no Rio de Janeiro a 8 de fe- vereiro de 1791 e falleceu a 18 de dezembro de 1857. Depois de alguns estudos no seminário de S. José, cursou a aula do commercio e entrou para o funccionalismo publico como praticante da junta de fazenda. Dahi subiu até o cargo de contador geral do Thesouro, no qual apo- sentou-se. Era do conselho do Imperador, commendador da ordem de Christo, cavai leiro da de Cruzeiro e socio do Instituto historico e geo- graphico brazileiro. Escreveu : - Estatutos da venerável Ordem 3a de Nossa Senhora do Carmo, no- vamente impressos.com as reformas feitas, etc. ; precedidos de um epi- tome historico da mesma venerável ordem desde sua fundação em 18 de julho de 1648 até 31 de outubro de 1850. Rio de Janeiro, 1850, 72 pags. in-80.- Assigna-o também o prior da ordem, João Baptista Lopes Gonçalves. Emilio Carlos Jourdan - Nascido em Namur, provín- cia da Bélgica, a 19 de julho de 1835 e formado em engenharia, natu- ralizou-se cidadão brazileiro e fez toda a campanha do Paraguay, como EM 271 ofUcial do corpo de pontoneiros e membro da commissão de engenheiros com o posto de tenente de artilharia, do qual foi exonerado à seu pedi- do em 1870, obtendo ultimamente do governo da Republica as honras de tenente-coronel, e a nomeação de engenheiro da Intendência Muni- cipal da capital federal. Administrou os terrenos da província, hoje Estado de Santa Catharina, concedidos ao príncipe Conde d'Eu por occasião de seu consorcio com a princeza dona Isabel. E' cavalleiro da ordem da Rosa, condecorado com a medalha da campanha mencionada e escreveu: - Guerra do Paraguay. Rio de Janeiro, 1871, 154 pags. in-4°- Esta obra é dividida em quatro partes ou épocas e delia faz comple- mento : - Atlas historico da guerra do Paraguay, organisado sobre traba- lhos seus e de outros offlciaes da mesma commissão. Rio de Janeiro, 1871 - Contém dezesete plantas relativas âs operações da guerra com desenhos de alguns estabelecimentos, como o palacio do dictador Ljpez em Assumpção; precedidos de um quadro com retratos de D. Pedro II, dos dous chefes alliados, dos ministros do Brazil, do coronel Frederico Carneiro de Campos e vários generaes nossos, de mar e terra. Fez-se daquelle livro segunda edição em 1890, 250 pags. in-4°, com a no- menclatura de muitos offlciaes mortos na campanha, e sem o quadro dos retratos. - Os lavradores, os escravos e a colonisação. (Sem frontespicio, mas do Rio de Janeiro, 1871) 8 pags. in-4°. Emílio Joaquim da Silva 31aia - Filho do negoci- ante da praça da Bahia Joaquim José da Silva Maia e de dona Joaquina Roza da Costa Maia, nasceu na capital dessa província a 8 de agosto de 1808 e falleceu no Rio de Janeiro a 21 de novembro de 1859, doutor em medicina pela universidade de Paris; professor de zoologia,botanica, mineralogia e geologia do antigo collegio de Pedro II ; secretario e director da secção de anatomia comparada e zoologia do museo nacional; membro honorário da academia imperial de medicina e da academia philosophica ; effectivo do Instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade vellosiana e da Auxiliadora da industria nacional, e correspondente da sociedade de sciencias medicas de Lisboa, da de sciencias naturaes da França, da dos antiquários do Norte e do Instituto litterario da Bahia ; cavalleiro da ordem de Christo e da ordem portu- gueza da Conceição de Villa Viçosa. Já com alguns estudos de humani- dades, feitos na cidade de seu nascimento, em consequência das con- vulsões políticas precursoras de nossa independencia passou com sua 272 EM familia ao Maranhão e dahi para Coimbra, onde os concluiu e formou-se em philosophia. Em seguida dispunha-se a estudar medicina quando, por causa da guerra entre constitucionaes e abolicionistas, foi obrigado a nova interrupção e, então, trocando os livros pela espada, tomou parte na lucta e combateu como um bravo ao lado dos primeiros.Sendo, porém, a victoria contraria aos seus, dirigiu-se foragido ã Hespanha ; da Hespanha á Inglaterra e da Inglaterra á França, onde fez o curso medico, vindo a final para o Rio de Janeiro. Escreveu : - Essai sur les dangers de 1'allaitement par les nourrices. Paris, 1833, 20 pags. in-4° - E' sua these inaugural, que foi traduzida e ampliada com o titulo : - Ensaio sobre os perigos á que estão sujeitos os meninos, quando não são amamentados por suas próprias mães. Rio de Janeiro, 1834» 47 pags. in-4°. - Memória sobre o tabaco, lida nas sessões da sociedade medica do Rio de Janeiro de 6 e 18 de dezembro de 1834 - Foi publicada na Revista Medica Fluminense, tomo Io, ns. 1 e seguintes, e também no Auxiliador da Industria, 1835. Ahi se estuda a historia, os usos e as applicações medicas de tão importante planta. - Utilidade e necessidade da gymnastica - Vem naquella revista, tomo 8o, 1839-1840. - Elephantiases dos gregos. Resposta á uns artigos do Sr. Dr. De-Simoni àcerca da experiencia feita no infeliz Machado com a mordedura da cobra cascavel. - Discurso sobre as sociedades scientificas e de beneficencia, que teem sido estabelecidas na America, recitado na sociedade litteraria do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1836, 45 pags. in-4°. - Elogio historico do conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, lido na sessão publica da imperial academia de medicina de 30 de junho do corrente anno. Rio de Janeiro, 1838, 37 pags. in-8° - Sahiu depois na Revista do Instituto Historico, tomo 8o, 1846, pags. 116 a 140. - Elogio historico do doutor José Pinto de Azeredo - Na dita revista, tomo II, 1840, pags. 615 a 621, e na Revista Medica, ya citada. - Oração recitada na augusta presença de SS. MM. o Imperador e a Imperatriz e das serenissimas princezas imperiaes, por occasião da distribuição dos prémios do collegio de Pedro II, em 12 de dezembro de 1842. Rio de Janeiro, 1842, 22 pags. in-4°. - Discurso pronunciado na sessão do Instituto historico, commemo- rativa do infausto passamento do principe d. Affonso, primogénito de SS. MM. II. - Vem na « Oblação á memória do principe imperial, etc. JíM 273 Rio de Janeiro, 1847 » pags. 29 e segs. e também na Revista do Insti- tuto, tomo 11°, paes. 32 e segs. - Memória sobre os beija-flores, onde se reterem os usos e hábitos do muitas especies brazileiras, observados e escriptos, etc.- Vem no jornal da sociedade Velloãana, pigs. 45 a 52 e 61 a 69. - Duas especies de beija-flores. ( Trochilus Vandelli e Ornismya Luduvicii.) - Idem, pags. 109 a 116. - Duas especies novas de beija-flores (ornismya Theresiae, Ornismya Januarim) - Na Minerva Braziliense, tomo Io, pag. 2, 1843, cornos desenhos coloridos. Na França e nos Estados-Unidos naturalistas como Dekay, de New-York e J. Boursier, de Liou acceitaram as classi- ficações e escreveram, elogiando o autor, entretanto que no Brazil recebeu elle golpes atirados pela inveja e pelo despeito. - Museo nacional - Apenas foi publicada a introducçto nolrú, 1848, tomo 1°, pags. 195 a 199 e 237 a 240. - Estatutos da sociedade Vellpsiana do Rio de Janeiro. Rio de Ja- neiro, 1850, 12 pag. in-8° - São também assignados pelo Dr. F. Fre:re AlRmão e G. S. de Capanema, e sahiram na Gazeta dus Ros- pitaes, 1850-1851. - Quadros synopticos do reino aniiml, onde se adopta o methodo natural de Cuvier com algumas modificações, conforme o estado actuul dasciencia, para facilitar o estudo da zoologia no collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1858, 13 pags. in-fol., precedendo cinco quadros in-fol. gr.- Foram approva los pelo conselho director da instrucção publica e adoptados no ensino do collegio de Pedro II e da escola central. - Exposição dos successos politicos de 1821 na província da Bahia : memória lida nas sessões do Instituto historico de 6 de agosto e 17 de setembro de 1852 - Creio que Foi publicada com o titulo de « Historia da revolução effectuada na Bahia a 10 de fevereiro de 1821. Rio de Janeiro, 1852 ». O instituto possue o original. O Dr. Emílio Maia foi um dos redactores da Minerva Brazilien^e, e também da Revista Medica Fluminense, depois Annaes Brazilienses de Medicina e nesta revista se acha n os seguintes trabalhos, que escreveu mais : - Relatorio sobre a epidemia de febre catarrhal que grassou nos primeiros mezes de 1836 - No tomo 4.° - Parecer sobre a memória do Dr. Francisco José de Araújo e Oliveira, relativamente ã paralysi i - No mesmo tomo. - Parecer sobre a obra do Dr. De Kirckof sobre o cholera-inorbus - Idem. - Males que tem produzido no Brazil o corte das mattas e meios de os remediar - Idem. 274 E>JL - Hygiene publica. Arrasamento do morro do Castello - No tomo 8o. E' es ri|.t em resposta à uma consulta do governo. - Matéria medi.a br zileira- No mesmo torno, pa;s. 93, 202, 289 e 515 e tomo 9o, pags. 104, 336 e 489. Emílio Lopes Freire Lobo-Natural da Bahia, conego da cathedral e doutor em theologia, formado em Roma, é desem- bargador da Relação ecclesiastica, direetor da instrucção publica, vigário geral do arcebispado e, ultimamente, foi membro da Intendência Municipal, de que pediu exonera.ão em consequência de ser declarada a inelegibilidade do clero. Viajou pela Europa ; é muito applicado às sciencias mathematicas, distincto orador e escreveu, além de outros trabalhos: - Discurso por occasião da festa, no Lyceo, da distribuição dos prémios escolares e das cartas aos normalistas. Bahia, 1879, 13 pags. in-8°. - Discurso proferido n i missa solemne, mandada celebrar no hospicio de Nossa Senhora da Piedade, na Bahia, pelos doutorandos de 1882. Bahia, 1882. - Oração sacra, proferida no Te-Deum de Dous de julho, ao cor- rente anno (1888), no convento de S. Francisco da cidade da Bahia. Bahia, 1888, in-8°. Oração fúnebre que nas solemnes exequias do Exm. e Rvm. Sr. arcebispo D. Antonio de Macedo Costa pronunciou na cathedral metropolitana no dia 27 de abril do corrente anno. Bahia, 1891'- Foi reproduzida em algumas- folhas do paiz, como o Brazil, ns. de 21 e 23 de maio. - Oração fúnebre nas solemnes exequias do Sr. D. Pedro de Alcan- tara, na igreja cathedral da Bahia, a 4 de janeiro de 1892, promovidas pela Associação Commercial - Ha muitos sermões do doutor Freire Lobo, dos quaes sinto não poder neste momente dar noticia. XGmilio Xavier Solbreira de Mello - Natural de Pernambuco, falleceu de uma apoplexia fulminaute na cidade do Rio de Janeiro a 10 de abril de 1885, sendo sub-director das rendas publicas, no exercicio interino de direetor geral das rendas do Thesouro Na- cional, commendador da ordem da Rosa e condecorado com a medalha da campanha contra o Paraguay, com passador de ouro. Nessa cam- panha occupou o cargo de delegado do Theoou.o em Montevidéo, tendo sob sua guarda o er trio nacional e fazendo pagamentos de milhares de contos de réis com tão escrupulosa severidade, que para o mesmo JSM 275 Thesouro entrou considerável somma pelas fracções desprezadas do dinh iro que pagava. Escreveu: - Collecção das disposições acerca da arrecadação e escripturação do imposto do sello desde 1850 até 1855. Recife, 1856 - E' um commen- tario ao regulamento e ordens qne então regiam o imposto do sello, onde além do methodo e clareza se acham em notas as explicações ne- cessárias sobre o assumpto. Este livro foi bem recebido e é hoje raro. - Commentario à legislação brazileira sobre os bens de defuntos e ausentes, vagos e do evento. Rio de Janeiro, 1859, in-80- Esta obra foi reimpressa no Rio de Janeiro, 1868, contendo mais um appendice acerca das heranças jacentes estrangeiras ; e ainda teve uma edição, feita era 1875, em tres volumes, contendo no 3° volume as ultimas disposições relativas ao assumpto, e as ultimas convenções consulares, tudo annotado. - Consultas e imperiaes resoluções do Conselho de estado na secção de fazenda, desde o anno em que começou a funccionar o mesmo conselho até 1864. Rio de Janeiro, 1867, in-4°- Esta obra foi escripta em cumprimento de ordem do governo. O autor não continuou por ter de seguir em commissão para o Rio da Prata por occasião da guerra contra o governo do Paraguay. Pelo seu programma, obriga- va-se elle a dar a integr i de cada uma consulta e dos pareceres, informações e documentos mais notáveis em que ella se fundara, quando isso fosse preciso para melhor apreciação de seus fundamentos ; o his- tórico da legislação reguladora do assumpto, ou objecto da consulta, e a indicação da que ficava substituindo, bem como a integra das dis- posições mais importantes referidas na mesma consulta. O continuador da obra, porém, simpliflcou-a muito do segundo volume em deante. - Memória acerca dos impostos lançidos pela assembléa provincial de Pernambuco, comparando-os com os impostos geraes, sua influencia sobre a renda geral, etc.-- Inédita nos archivos do Thesouro. Foi escript i em 1874, em observância â ordens do ministério da fazenda, sendo o autor inspector da thesouraria. - Manual pratico do procurador judicial e extra-judicial, ou col- lecção systematica e completa de todas as disposições contidas nas ordenações, leis, regulamentos, avisos, decisões, etc., concernentes ás procurações judiciaes e extra-judiciaes. Rio de Janeiro, 1878 -E' pre- cedida esta obra de um breve tratado sobre o mandato. - Repertório do novo regulamento das alfandegas. Rio de Janeiro, 1879 - Foi escripto com seu collega Joaquim Gomes Braga, por occa- sião de ser publicado o decreto n. 6272, reformando o regulamento das alfandegas em sua parte organica. 276 i±:in - Guia do fazendeiro, ou formulário do processo necessário parie haver do governo a inde nnisa.ão pecuniária feita pela creaçã», até os oito annos, dos ingénuos, filhos da mulher esciava. Rio de Janeiro, 1882. - Impostos provinciaes. Rio de Janeiro, 1883 - Desta obra fôra o autor encarregado pelo governo imperial, em 1873. Analysando os impostos, apresenta elle um plano de reorganização destes, em relação á matéria tributável, e divide-a em tributável para a renda geral, para a provincial e para a municipal. - Assessor do procurador da fazenda em primeira instancia - E' este o ultimo tiabalho em que se occupou Sobreira de Mello. Não sei si foi publica lo. Enéas de Arroxellas Galvão - Natural da provincia hoje Estado da Parahyba e bacharel em sciencias sociaes e juridicas, formado pela faculdade do Recife em 1873, entrou para a carreira da magistratura, e um dos cargos que exerceu foi o de juiz municipal de Mjgé. Escreveu: ! - Repertório ou indice alphabetico da reforma eleitoral, comprehen- dendo o r gulamento n. 8213 de 13 de agosto de 1880. Rio de Janeiro, 1881, in-8°. - Repertório ou indice alphabetjco do regulamento n. 9549 de 23 de janeiro de 1886, sobre o processo civil, commercnil e hypothecario, que alterou e consolidou diversas disposições referentes às execuções civis e commerciaes. Rio de Janeiro, 1886, 135 pags. iu-8°. Enéas Galvão - Filho do Visconde de M iracajà e da Vis- condessa do mesmo titulo, nasceu em S. José do Norte, na então provincia do Rio Grande do Sul, a 20 de março de 1863; é bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e, entrando na classe da magistratura, serviu o cargo de promotor publico de Barra Mansa, passando dahi para o de juiz municipal na capital federal, onde é a ctualmente pretor do 6o districto. Escreveu : - Miragens: poesias, com uma carta de Machado de Assis. Rio de Janeiro, 1885, in-8° - São composições ainda da vida académica, em que, si faltam estudo e arte, que só se adquirem com o tempo, como pensa Machado de Assis, luzem os dotes essenciaes da poesia, que só a natureza outorga : inspiração e sentimento. Enéas Oscar de Faria Ramos - Filho do major An- tonio Nunes Ramos e de dona Praxodes Nunesia de Faria Ramos, nasceu EI» 277 na cidade de Bagé, Estado do Rio Grande do Sul, a 6 de agosto de 1854, e é capitão-t mente da armada. Depois de concluir o curso da escola de marinha fez sua viagem de instrucção á Europa como guarda-marinha, sendo promovido a 2o tenente em 1877. Nomeado professor da escola naval em 1891, tem até o presente exercido este cargo, e escreveu: - Classificação das mastreações dos navios modernos - Acha-se no boletim do club naval em 1890. Além deste trabalho e de lições pro- fessadas na escola naval, inéditas, tem entre mãos e me consta que serão dadas á luz: - Noções de mecanica applicada ã manobra dos navios. Engracio O. Taborda Etilbas- E' engenheiro e pelo appellido me parece natural do Rio Grande do Sul ou do Paraná. Nada pude colher a seu respeito até agora. Escreveu : - As estradas de ferro da província do Rio Grande do Sul... 1883 - E' uma demonstração das razões, por que se deve dar preferencia ã cidade de Santa Maria sobre Cacequi ou S. Gabriel para ponto de junc- ção das estradas de ferro do sul e norte da província. Epaminondas Cavalcanti - Espero ainda notas pro- mettilas por um amigo, que darei no fim doste volume. Só sei que cultiva a poesia, foi um dos collaboradores da Revista dos Estados Unidos do Brazil e escreveu : - A orgia dos grandes, com um prologo de Mucio Teixeira. Rio de Janeiro, 1890, 39 pags. in-8°. Epaminondas Vieira - Cidadão brazileiro, segundo se assigna, consta-me que nasceu em Portugal e naturalisou-se no império, onde estabeleceu residência e escreveu : - Os portugueses no Brazil. Pamphleto historico, dedicado à colonia portugueza uo Brazil. Rio de Janeiro, 1876, 24 pags. in-8°-Oecupa-se da questão religiosa que se agitara nesta época, justifica os portu- guezes de accusações malignas, contra elles levantadas, de serem per- turbadores da ordem, e prova que ao contrario são e foram sempre os maiores admiradores da religião calholica. Epiphanio Cândido de Souza Pitangra-Filho de João de Souza Gomes Pitanga e de dona Maria Clara de Souza Pitanga, nasceu na cidade da Bahia a 3 de outubro de 1829; é doutor em mathematicas pela antiga academia militar, director e professor cathe- 278 EP dratico da escola polytechnica, com o titulo de conselho do Imperador d. Pedro II; Io vice-presidente do Instituto polytechnico brazileiro; membro da sociedade de physica de Paris, do Instituto historicoe geo- graphico brazileiro, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da sociedade Amante da instrucção, etc. Com praça no exercito em dezembro de 1849, quando estudava, foi promovido a alferes alumno em 1851, a segundo tenente de engenheiros em 1852 e em 1854 a primeiro tenente, pôsto em que deixou o serviço militar. Antes disto, poiém, em 1854 foi nomeado inspector das terras devolutas da província do Maranhão, donde passou em egual commissão á de Alagoas e exerceu uma commissão do governo em Matto Grosso. Exerceu ainda outros cargos, como os de membro da exposição nacional de 1861, e de pre- sidente da commissão de reforma do systema métrico brazileiro, e em 1875 foi á Europa para illustrar-se no objecto da cadeira de que é distincto professor, physica experimental e mineralogia, demorando-se nessa commissão até maio de 1878. Escreveu : - Itinerário do reconhecimento do estado da estrada que de Antonina leva á colonia militar de Jatahy na província do Parana; escripto em 1857 - Sahiu na Revista do Instituto Historico, tomo 26°, 1863, pags. 537 a 588. - Diaiio da viagem do porto de Jatahy, Paranapanema, Paraná Samambaia, Ivinheima e Brilhante, o varadouro de Nioac e os rios Nioac e Miranda - Na mesma Revista, tomo27°, 1864, pags. 147 a 192. - Cartas scientificas (physica experimental)-E' uina sorie de cartas publicadas no Jornal do Commercio em 1878, sahindo a primeira a 16 de junho, escriptas por occasião da viagem do autor á Europa. - Organização do professorado dos estabelecimentos de ensino su- perior. Seus direitos e prerogativas. Incompatibilidades á que devem estar sujeitos. Meios de animação - Sahiu sob a designação de 10a Questão no livro « Actas e pareceres do Congresso de instrucção no Rio de Janeiro, 1884 », occupando 11 paginas in-fol.- Além de escriptos no magistério e na direcção da escola polytechnica, o conselheiro Pitanga tem outros por determinação do governo, como: - Reforma da escola polytechnica ( organização scientifica e esta- tutos) - E' a que baixou com o decreto de 25 de abril de 1874. Rio de Janeiro, 1874, in-8° e foi escripta em commissão com os professores Borja Castro e Lossio. - Estatutos da escola polytechnica, baixados com o decreto n. 1073 de 22 de novembro de 1890. Rio de Janeiro, 1891, 35 paginas in-8°. - Codigo de ensino supeiior- feito por determinação do actual ministro do interior em commissão com o director da faculdade de KT* 279 medicina Visconde de Alvarenga, e com o conselheiro C. Leoncio de Carvalho. Foi apresentado ao c mselho de ministros. Tem finalmente: - Planta do rio Javary desde su t foz até 6o 12' de latitule sul, organizada á vista dos trabalhos anteriormente feitos em 1866 pelo capitão-tenente João Soares Pinto, Dr. Manoel Paz Soldan, etc., e mandados lithographar em quatro folhas pelo ministério dos negocios estrangeiros, em 1868. - Planta de uma parte do rio Içá ou Putomayo, organizada de conformidade com os planos levantados pelo seu antecessor, o almi- rante Sr. Costa Azevedo, em 1868-Foi também mandada lithographar pelo mesmo ministério, e serviu, assim como a precedente, de base á carta geral do império, exhibida na exposição nacional de 1875 pelo conselheiro Barão da Ponte Ribeiro. JEpiplianio José d.e Meirell.es - Natural da cidade da Cachoeira, Estado da Bahia, ahi falleceu pelo anno de 1868 com cerca de 33 annos de edade, affectado de tubérculos pulmonares. Estudou o curso de medicina na faculdade do dito Estado até o terceiro anno e, deixando-o por faltar-lhe a vocação para essa sciencia, dedicou-se ao commercio e escreveu vários trabalhos que deixou inéditos, como : - Esb' ço descriptivo da cidade da Cachoeira ( província da Bahia), 1866-Existe o original de 28 folhas na livraria particular de d. An- tonia Rjsa de Carvalho, que o expoz na bibliotheoa nacional em 1881. - Notas sobre algumas particularidades relativas a Cachoeira. Bahia, 1866-Existe o original de 38 folhas na dita livraria e esteve como o precedente na bibliotheca nacional. - A capella de N. S. da Ajuda na Cachoeira ( Bihia). O convento do Carmo (Idem) - Foram publicados na Luz, jornal litterario, instructivo, etc. Rio de Janeiro, 18'2, pags. 249 e 257. JEpiphanio José Pedroza ou Epiphanio Pedroza - Filho de Elias José Pedroza e irmão do conselheiro Elias José Pedroza e do doutor Salustiano José Pedroza, de quem occupar- me-hei, nasceu na cidade da Bahia pelo anno de 1818 e ahi falleceu a 5 de agosto de 1864. Cursou algumas aulas de humanidades; era cavalleiro da ordem da Rosa e estabelecido com uma offlcina typographica. Escreveu : - Narração dos preparos, festejos e felicitações que tiveram logar na proviucia da Bihia por occasião da visita de SS. MM. II. em outubro e novembro de 1839. Bahia, 1860. - A Verdadeira Marmota (folha humorística). Bahia, 1850 a 1856 - Esta folha fôra instituída em sua offlcina por Prospero Ribeiro Diniz, 280 ER que a redigira de 1846 até 1850 com o titulo de Marmota, somente ; mas, ausentando-se Prospero Diniz, passou Pedroza a proprietário e redactor delia, modiflcando-lhe o titulo. JEpiphanio .José dos lieis - Natural de Inhambupe, villa da Bahia, antigo professor da instrucção publica, tendo feito o curso da escola norro.il, dedicou-se sempre ao magistério. Depois de ter dirigido o collegio S. Salvador de Campos, passou a leccionar no collegio Abílio e ultimamente, em fevereiro de 1891, foi nomeado di- rector do externato do gymnasio. Escreveu : - Breves respostas à directoria da instrucção publica da província do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 18/4, 54 pags. in-8° - Neste opusculo expõe o autor, respondendo a uma consulta do director da instrucção publica, as causas do atrazo do ensino publico e aponta os meios de melhoral-o, no seu entender. - Necessidade da instrucção: epistolas dirigidas aos alumnos da escola publica do Becco (Campos) - No periolico Lm, de Campos, 1874. pags. 32, 47, 66 e 78. JEpiphanio José da Rocha 15itteueourt - E' natural da Bahia e badiarel em sciencias sociaes e jurídicas pela facul- dade do Recife, formado no anno de 1861, seguiu a carreira da magis- tratura, em que tem exercido diversos cargos, como o de chefe de policia da província de Sergipe, e depois o de juiz de direito em sua província. Cultiva a poesia, e escreveu: - Primeiros cantos (poesias). Recife, 1861 - Não sei si publicou outro volume, ou si ainda conserva inédita a. collecção de seus versos, posteriormente escriptos. EJrico Marinho <ia Gama Coelho - Filho do doutor Francisco José Coelho e dedona Engracia da Gama Coelho,é natural do Estado do Rio de Janeiro, doutor em medicina e lente de clinica obsté- trica e gynecologica da faculdade da capital federal, e membro titular do Instituto nacional de medicina. Foi vereador e presidente da camara municipal de S. Fidelis, do Estado do Rio de Janeiro, de que é deputado ao congresso federal. Escreveu : - Diagnostico differencial dos tumores do seio: dissertação inau- gural. Rio de Janeiro, 1870, 88 pags. in-4° gr.- Seguem á dissertação proposições sobre os seguintes pontos: l.° Da influencia dos climas quentes sobre as funcções da geração; 2.° Dos abusos venereos e de sua influencia no organismo; 3.° Dos ferimentos da urethra; 4.° Desde quando ER 281 existe o primeiro vegetal ? Quem precedeu no apparecimento sobre a terra - o animal ou o vegetal ? - Algumas observações do beriberi, examinadas sob o ponto de vista p>ychologico: memória apresentada ã Academia imperial de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1886, in-4°-São doze observações e sahiram também nos Annaes da Academia, tomo 51°, pags. 457 e segs. - Discurso inaugural da cadeira de clinica obstétrica e gynecologica. Rio de Janeiro, 1884, 16 pags. in-8°. - Bibliotheca republicana. Conferencia popular (Distribuição gra- tuita ). Rio de Janeiro, setembro de 1888, 41 pigs. in-8.° - Reforma da faculdade de medicina do Rio de Janeiro (Distribuição official e gratuita). Rio de Janeiro, l«90, XXII - 142 pags. in-4°- Consta o livro do projecto de estatutos da faculdade pelo Dr. Erico, do parecer contrario, occupan lo quatro ptgims e da contra-refutação e desenvolvimento do projecto. Depois de doutorado, quando residiu em S. Fidelis, fundou e redigiu: - O Povo : orgão do partido republicano. S. Fidelis... Ermelino José Exposto - Nasceu na Bahia em 1824 e fallecen no Rio de Janeiro a 15 de janeiro de 1855. Depois de estudar varias linguas e seiencias no lyceo da Bahia, vindo para a corte, fre- quentou a antiga aca lemia militar, serviu como substituto dos profes- sores da instrucção primaria até 1854, leccionando particularmente portuguez, francez, latim e nrithmetica, e só neste anuo obteve ser nomeado professor publico da fregueziade Sant'Anna. Poeta desde seus primeiros estudos e sempre em lucta com a adversidade, de que resul- tou-lhe uma tuberculose, fatalmente terminada, são de sua penna muitas poes:as publicadas ;m nome de ígnacio J. F. Maranhense e de outros, e a - Cindianeida: poema lyrico em quitro cantos, por ** E. Rio de Janeiro, 1845, 4o pags. in-8°. D.Ernestina Fa^andes Viirella-Filha do bacha- rel Emiliano Fagundes Varella e de dona Emiha de Andrade Varella e irmã do laureado poeta Luiz Nicol tu Fagundes Varella, de quem adeante occupir-me-hei, foi tamhem mimosa poetiza e com este seu irmão escreveu: - Poesias religiosas. Rio de Janeiro, 1876, in-12°- E' prece lido este livro de uma dedicatória á mãe dos autores. Creio que houve outra edição, porque vejo no catalogo da bibliotheca do museo escolar uma edição com alteração do titulo, verdade é... 282 ER - Cantos religiosos, 1878, in-8° ( veja-se Luiz Nicolau Fagundes Varella)- Ha das composições de dona Ernestina algumas soltas, como: - Oração - no Almanak Brazileiro illustrado, anno de 1880, pelo bacharel A. M. dos Reis, pag. 258. São desta poesia as seguintes quadras : Oh ! tu, que tens compaixão Dos mais pequenos insectos E ouves as tristes queixas Dos seres mais abjectos... Dá aos entes que idolatro... Da santa paz a ventura ; Não te lembres de seus erros ; Dá-lhes de pae a ternura. E, quando o somno da morte Vier seus olhos fechar. Sobre a terra, onde descmsem Vém, Senhor, os despertar. Ernesto Adolpho de Freitas - Natural da cidade de S. Luiz, capital do Maranhão, falleceu em Lisboa a 22 de junho de 1889, sendo bacharel em direito pela universidade de Coimbra e advogado de grande nomeada na còrte portugueza. Indo para Portugal ainda muito joven, fez o curso de humanidades no collegio das artes de Coimbra, e preparou-se nas matérias precisas para entrar naquella universidade. Foi tão consummado latinista, quão habil jurisconsulto. Em direito ecclesiastico, principalmente, era consultado com frequência por notabilidades do paiz e tratou de importantes litígios nesse ramo das sciencias jurídicas. Em sua juventude tomou parte nas lutas que deram victoria à causa constitucional, alistando-se no memorável batalhão académico, e houve-se com bravura e patriotismo taes, que grangeou a amizade e consideração dos Duques de Saldanha e da Terceira. Foi elle quem accusou nos tribunaes de Portugal o bacharel José Cardoso Vieira de Castro, por occasião do assassinato, pelo mesmo Vieira de Castro perpetrado na pessoa de uma joven, cuja fortuna o determinara a vir casar-se com ella no Rio de Janeiro, segundo a voz publica. Escreveu : - Considerações sobre o opusculo publicado no Rio de Janeiro com o titulo « Considerações relativas ao beneplácito e recurso á corô.i» pelo conselheiro de estado Marquez de S. Vicente. Lisboa, 1874, 28 pags. in-8°- E' uma refutação ao citado opusculo. - Os Orizes conquistados, ou noticia da invasão dos Orizes procazes, povos barbaros e guerreiros do sertão do Brazil - Esta boa obra foi ER 283 offerecida pelo autor ao Instituto historico e geographico brazileiro em 1866. - Da imitação de Christo : quatro livros traduzidos do original latino. Lisboa, 1878, 329 pags. in-8°- E' uma obra que, apresentada ã aca- demia das sciencias de Lisboa, valeu-lhe, não só o titulo de socio desta academia, mas também distincções de varias academias estrangeiras e de contemporâneos eminentes, entre os quaes o actual pontífice. Ernesto Antonio <le Souza Leconte - Cônsul geral do Brazil na Dinamarca, Suécia e Noruega, official da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo, escreveu: - Informações sobre a posição commercial dos productos do Brazil na Dinamarca, Suécia e Noruega - Veem no livro « Informações sobre a posição commercial dos productos do Brazil nas praças estrangeiras. Rio de Janeiro, 1875», pags. 62 a 90. - Navegação e commercio entre o Brazil e a Dinamarca, Suécia e Noruega no anno de 1875- 1877 - No livro « Informações dos agentes diplomáticos e consulares, publicadas em execução do decreto n. 4258, de 30 de setembro de 1868, tomo 4o, 1875-1877. Rio de Janeiro, 1878 », pags. 457 a 468. Ernesto de Aquino Fonseca - Filho de Thomaz de Aquino Fonseca, nascido em Pernambuco no anno de 1831 e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de Olinda, exerceu o cargo de juiz municipal na cidade do Recife, depois retirou-se á vida privada e, nesse retiro onde, entretanto, recebeu em agosto de 1890 a nomeação de director da mencionada faculdade, consagrou-se ás lettras e principalmente à poesia. Tem muitas composições nesse genero, mas só conheço sua traducção do - Idylio do quinto acto de Hernani - publicado na Revista Brazileira, anno 2o, tomo 8°, 1881, pags. 421 a 442. E' a traducção da 3a scena do fim do drama,$na qual, como disse o Dr. Pedro Deiró, o traductor fez prova de um talento flexível, abundante, vigoroso e, ao mesmo tempo, melodioso e comprehensivo de todos os sentimentos que Victor Hugo pôz em jogo nestas scenas. Ernesto Augusto de Souza e Silva Rio - Filho de J<ão José de Souza e Silva Rio e de dona Olympia Candida da Motta Rio, e sobrinho de Joaquim Norberto de Souza e Silva, nasceu na cidade do Rio de Janeiro; fez o curso da escola central, cultivando a litte- ratura e também o desenho, para que tem admiravel inclinação, e EK 284 exerce o cargo de chefe do archivo technico da repartição geral dos telegraphos. Escreveu : - A Tocandyra : conto brazileiro. Rio de Janeiro, 1884-E' assignado por Flumen Junius, como subscrevia muitos e espirituosos escriptos, quer em prosa, quer em verso, na revista de cujt redacção fez parte, o - Bazar Vulante. Rio de Janeiro, 1863 a 1866, tres vols. in-4°, il- lustrado - Nesta, revista não foi só constante e assiduo escriptor, mas desenhista o << sua penna. tão escrupulosa como o lapis, não pro- duzia frioleiras », como disse na Clazeta de Noticias um apreciador da Tocandyra, recordando seus escriptos no Bazar. Ernesto Benedicto Ottoni - Filho de Jorge Benedicto Ottoni e de dona Rozalia Benedicta Ottoni, e irmão de Christiano, de Eloy e de Theophilo Benedicto Ottoni, dos quaes se faz menção neste livro, nasceu na província de Minas Geraes em 1821 e falleceu a 8 de outubro de 1881. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, exerceu a clinica na província de S. Paulo e depois disto serviu muitos annos, até 1878, no hospital de marinha do Rio de Ja- neiro. Escreveu : - Algumas palavras sobre o clima da província de Minas e sobre as moléstias que miis frequentemente acommettem seus habitantes : these apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Januro, 1841, 33 pags. in-4° gr. - Observações sobre o cholera-morbus em 1867 no hospital de ma- rinha da côrte, seguidas de breve noticia do cholera-morbus de 1868, no mesmo hospital, dada ao Instituto Académico, e da resposta ao re- latório do presidente da junta de hygiene, relativa á estatística do cholera de 1867. Rio de Janeiro, 1868. 30 pags. in-4° - Sahiu antes na Revista do Instituto Académico. - Relatório que ao ex-director da companhia do Mucury dirigiu, sendo commissario arbitro e encarregado, de parte dos accionistas, de superinten ler na legislação da mesma companhia. Rio de Janeiro, 1862, 86 pags. in-4', com duas estampas. Ernesto Carneiro Ftibeiro- E' natural da cidade da Bahia, e doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade. Devotado ao magistério desde estudante, foi professor de francez pelo conselho da instrucção publica e professor do gymuasio bahiano. Actualmente é lente cathedratico de grammatica philosophica no lyceo da Bahia e dirige um collegio de educação. Escreveu: - Relações da, medicina com as sciencias philosophicas; Como obra 112« 285 o sulfato de quinino nas febres intermittentes; Do centeio espigado e sua applicação na obstetricia ; Theoria da respiração vegetal: these que sustenta para obter o grau de doutor, etc. Bahia, 1864, in-4°. - Perturbações psychicrs no dominio da hysteria : these de concurso à cadeira de clinica obstétrica e gynecologica. Bahia, 1885, in-4''. - Grammatica portugueza philosophica. Bahia, 1881, in-8° - Çonsta-me que este autor tem uma grammatica ingleza de sua composição, pela qual lecciona em seu collegio, e varias poesias, de que apenas conheço: - Poesia oflêrecida ao Illm. Sr. Dr. Abilio Cesar Borges por occasião de seu fausto natalicio - Vem no volume « Poesias ofle- recidas, etc. Bahia. 1860», pags. 24 a ?6. - Nenia a Ernesto Pereira de Castro ( Veja-se este nome ). Ernesto da Cunha de Araú jo Vianna -Filho do Dr. Ernesto Augusto de Araújo Vianna e de dona Marianna da Cunha Vasconcellos de Araújo Vianna, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 28 de maio de 1852. Bacharel cm sciencias physicas e mathematicas pela escola central, praticou, ainda estudante, na repartição das obras publicas em 1872 e depois na commissão de terras publicas auxiliou os trabalhos da organização das cartas topographicas das colonias de S. Paulo e de Santa Catharina. Já formado, foi nomeado pela presi- dência da provincia do Rio de Janeiro para servir como engenheiro interino das obras da mesma provincia com fiscalização da estrada de ferro de Cantagallo em substituição do respectivo engenheiro A. Pralon em commissão extraordinari i da dita presidência. Entrou no quadro do pessoal da inspectoria d« terras e colonisação quando foi reorgani- zado esse serviço, exercendo inlerinamente por varias vezes o logar de chefe das duas secções. Fez parte dos trabalhos da commissão da expo- sição nacional de 1876, como vê-se do livro « 0 Brazil na exposição de Philadelphia em 1876 » e exerceu outras commissões, quer geraes, quer provinciaes, como a de engenheiro da camara municipal da cidade do Rio de Janeiro. E' membro do Instituto polytechnico, do Club de enge- nharia. e da Sociedade de geogr.phiade Lisboa; foi um dos fundadores do Instituto litterario, composto de alumnos das escolas central e de medicina que floresceu de 1870 a 1873, e escreveu, além de trabalhos no desempenho de seus encargos e já publicados: - Um dia no mar : conto. Rio de Janeiro, 1868 - E' um trabalho do tempo de estudante; foi sua estréa. - Os caminhos de ferro. Breves considerações históricas e technicas. Rio de Janeiro, 1875, 55 pags. in-8°, seguidas do indice e com uma 286 ER carta de mr, A. Debauve, escripta de Pithiviers ao autor com o titulo de Bitola dos caminhos de ferro. - Do sumidouro do Rio Pomba. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Le niveau à miroir horizontal ou nivelement de Gaiffe, per- fectionné. Rio de Janeiro, 1878, 11 pags. in-8° com estampas -Neste trabalho o autor descreve um instrumento de sua invenção. - Processo elementar de traçar a meridiana sobre o terreno. Rio de Janeiro, 1879, in-4° - O autor descreve outro processo por elle des- coberto. - Do Nonius e do Vernier: nota contestando o que expendeu sobre o assumpto o Sr. juiz de direito Macedo Soares no seu Tratado juridico- pratico de medições. Rio de Janeiro, 1879, in-8° - Contestando ao doutor Macedo Soares, o autor mostra a differença que ha entre os dous instrumentos, insistindo em que é um erro confundil-oscomo fazem alguns autores por espirito de mal entendido patriotismo. - Da medida dos ângulos nos trab dhos geodésicos e apreciação completa dos erros, a que está sujeita: dissertação apresentada á escola politechnica no concurso para duas vagas de lente da 2a secção do curso de sciencias physicas e mathematicas. Rio de Janeiro, 1881, in-4° - Contém ainda proposições sobre os motores e sobre a perspectiva oxometrica. Ha alguns escriptos do Dr. Araújo Vianna em periódicos, como : - Memória histórica sobre a escola central - No Monitor do Povo, 1871 ; mas foi apenas encetada a publicação. - The Fel system in Brasil - Revista de engenharia Engeenering, Londres, 2 de novembro, 1876. - Critica sobre o Tratado juridico-pratico de medição de terras, com duas estampas : artigos - publicados no Pharol de Juiz de Fòra, 1879. - Mathematicos brazileiros : perfis biographicos - Na Gazeta da Noite, 1880. Referem-se ao Bispo de Chrisopolis, José Saturnino da Costa Pereira, Marquez de Paranaguá e Francisco Villela Barbosa. Cursando preparatórios, redigiu : - Perseverança : periodico hebdomadario, litterario. Rio de Janeiro, 1868 - Actualmente redige : - Revista dos constructores : publicação mensal. Rio de Janeiro, 1882-1892, in-fol. com estampas - E' uma excellente revista. Ernesto Ferreira França- Filho do conselheiro Er_ nesto Ferreira França que íôra ministro do supremo tribunrl de justiça e ministro dos negocios estrangeiros, e de dona isabei Helena Velloso de Oliveira França, neto paterno do oelebre medico e philosopho Anto- KJ» 287 nio Ferreira França 1° e materno do desembargador Antonio Rodrigues Velloso de Oliveira, ambos mencionados neste livro, nasceu em Per- nambuco a 1 de novembro de 1828, e falleceu no Rio de Janeiro a 24 de dezembro de 1888. Era doutor em direito civil e canonico pela facul- dade de Leipzig; doutor em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo ; professor jubilado da cadeira de direito natural, publico universal, direito das gentes e diplomacia nesta faculdade ; advogado do conselho de estado; moço fidalgo da casa imperial; socio do Instituto historico e geographico brazileiro, do Instituto da ordem dos advoga- dos brazileiros, da Academia real das sciencias de Lisboa e de outras associações de lettras, e cavalleiro-commendador da ordem de S. Gre- gorio Magno de Roma. Depois de sua jubilação, mudou de residência para o Rio de Janeiro, onde abriu escriptorio de advocacia. Notável jurisconsulto, versado em varias linguas e poeta, escreveu : - O livro de Irtilia. Paris, 1854, 332 pags. in-12°- São suas pri- meiras producções poéticas. - De jure belli ex historia enucleato. Lipsise, 1858, 29 pags. in-8°. - De jure et civitate. Lipsise, 1858, 29 pags. in-8°.- E' uma disser- tação em tres capítulos com um appendice. - Listitutimum D. Justiniani libri IV in usum academiarum brasi- liensium edidit. Lipsiee, 1858, 342 pags in-8°. - Brasilien und Deutscland, em oífener Brif und die redactionem der deutschen Tagespresse von dr. & Leipzig, 1858, 39 pags. in-8°. - Chrestomatia da lingua brazi leira. Leipzig, 1859, 248 pags. in-8° - O Dr. Ernesto Fr.mça, para escrever esta obra, como elle diz, soccor- reu-se de um manuseripto que encontrou no museo britânico e da obra « Tesoro de la lingua guarany » de Montoya. Neste mesmo anno começou a imprimir em Leipzig a « Arte de grammatica mais usada na costa do Brazil » do padre J. de Anchieta, mas a impressão não se concluiu. O mesmo succedeu com a reimpressão, por elle feita, do « Compendio da doutrina christã na lingua portugueza e brazileira » do padre J. Filippe Betendorf, que pouco faltou p ira ser concluída, também em Leipzig, e de que existem alguns exemplares no Brazil. (Veja-se frei José Mariano da Conceição Velloso.) - Lindoya : tragédia lyrica em quatro actos. Leipzig, 1859, 120 pags. in-12°. - Moè>na e Paraguassu, episodio de la scoperta del Brasile: opera lirica en tre atti di Francisco Bonifácio de Abreu, redotta in italiano, etc. Rio de Janeiro, 1860, 65 pags. iu-8° com o texto portuguez ao lado. (Veja-se Francisco Bunifacio de Abreu.) - Incompatibilidade das penas e prescripções dos delictos em todas 288 as suas questões: dissertação e theses para obter o grau de doutor em sciencias jurídicas e sociaes pela faculdade de S. Paulo. S. Paulo, 1860, 22 pags. in-8°. - As leis anteriores podem sempre servir de luz para as posteriores l these que, na conformidade do art. 128 do R^g. n. 1568 de 24 de fe- vereiro de 1855. apresentou, etc. S. Paulo, 1861, 75 pags. in-8°-E' a these de concurso para 1 mte substituto. - Memória hi.4< rica da faculdade de direito de S. Paulo, apre- sentada, etc. Rio de Janeiro, 1866, in-fol,- Ha do Sr. Ernesto França outros escriptos, como: - Da instrucção publica na Europa - No Correio Mercantil do Rio de Janeiro, em janeiro de 1854. - Apontamentos diplomáticos sobre os limit s do Brazil, otferecidos ao Instituto historico e geographico brazileiro - Na Revista Trimensal, tomo 33°, parte segunda, pags. 213 a 236. - Codigo do Commercio - Na Revista do Instituto da ordem dos advo- gados brazileiros, l«70, pags. I a 32. - Competência dos poderes geraes do Estado para crear estabele- cimentos de instrucção primaria e secundaria nas províncias. 27 pags. in-fol.- No livro « Actas e pareceres do congresso de inArucção do Rio de Janeiro >, 1884. Ernesto Frederico da Cunlia, - Filho de Domingos José da Cunha e natural de Minas Geraes, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e reside na cidade de Valença, Estado do Rio de Janeiro, onde tem exercido cargos de eleição popular. Escreveu : - Das operações reclamadas pelos polypos nam-pharyngianos; Qual a influencia que exercem as sangrias geraes na marcha e ter- minação das pneum mias; Das operações reelamad is pelos tumores hemorrhoidaes; Do infanticídio por omissão: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1869, in-4° gr. - Hygiene elementar da primeira infancia. Valença, 1881, 14 pags. in-12°. Ernesto Frederico Fires de Figueiredo Camargo - Filho de Manoel Innocencio Pires de Figueiredo Camargo, que tivera a honra de apresentar à imperatriz dona Leopoldina as íelicitaçõis das senhoras brazileins por occasião de proclamar-se a independencia, e ao me mo tempo a offeita, que faziam, de tod is as suas joias, si necessárias fossem, par i sustentar-se a lucta sagrada da fundação do império - e de dona Barbara Generosa Pires de Camargo, EK 289 nasceu na cidade do Rio de Janeiro pelo anno de 1822 e na mesma cida- de falleceu pelo anno de 1865. Doutor em medicina pela faculdade desta cidade, tendo feito parte do curso na da Bahia, serviu volun- tariamente na esquadra em operações nas republicas do Prata em 1851. Depois entrou como segundo cirurgião para o corpo de saude da armada, foi como tal á Europa e em sua volta pediu demissão do posto que tinha. Era um talento robusto, e distincto litterato ; socio da sociedade Amante da instrucção e do conservatorio dramatico do Rio de Janeiro; da sociedade philosophica e da sociedade Blibliotheca classica portugueza da Bahia ; cavalleiro da ordem da Rosa ; conde- corado com a medalha da campanha do Rio da Prata de 1851 a 1852, e escreveu: - Elogio de João Gomes da Silva Chaves ; feito e publicado de ordem do conselho de direcção da sociedade Bibliotheca classica portu- gueza. Bahia, 1841,in-8°. - Honras e saudades tributadas á memória de Arestides Franco Velasco, cirurgião do corpo de artilharia da guarda nacional desta cidade, etc. 1841 30 pags. in-4°. - Honras e saudades em homenagem á cara memória do eximio, sabio bahiano Francisco Agostinho Gomes, tributadas pela sociedade Philosophica da Bahia por occasião de se inhumarem seus despojos mortaes. Bahia, 1842, 17 pags. in-4°. - E' um discurso que o Dr. Camargo proferiu por esta occasião, como orador da sociedade philoso- phica, seguido de um discurso de Manoel Pessoa da Silva e de uma poesia do Dr. J. J. Barboza de Oliveira. - Considerações medico-philosophicas sobre a influencia do estado moral na producção, marcha e tratamento das moléstias e como contra- indicação das operações cirúrgicas: these inaugural. Rio de Janeiro, 1845, in-4° - Esta these é uma bella traducção de outra publicada, poucos annos antes, na França, a cada um de cujos capitulos antepôz o doutor Camargo diversas epigraphes, ainda nisto demonstrando a vasta litteratura que tinha. Entretanto era elle um moço de intelli- gencia robusta, de palavra facil, muito eloquente, apto para escrever muitas theses. - Uma theoria de tétano - No Archivo Medico brazileiro, vol. 2°, pags. 197 a 200. Rio de Janeiro, 1846. - Discurso proferido na occasião de dar-se á sepultura os restos mortaes do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos - No livro « Mo- numento á memória do brigadeiro Miguel de Frias Vasconcellos, etc. » por F. de Paula Brito, pag. 17 e segs. e também no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, de 29 de maio de 1859. 290 Ernesto de IVreitas Criciúma-Filho de Francisco Antonio de Freitas Crissiúma e de dona Carolina Maria de Carvalho Freitas, nasceu no Rio de Janeiro, em cuja faculdade medica foi douto- rado em 1875. E' adjunto de anatomia descriptiva da mesma faculdade e membro titular do instituto de medicina. Escreveu : - Do diagnostico das moléstias do figado e seu tratamento; Aborto criminoso; Hemorrhagias puerperaes ; As grandes epidemias pes- tilenciaes e regras e preceitos hygienicos que se devem observai' no intuito de obstar o seu desenvolvimento ou propagação: these, etc. Rio de Janeiro, 1875, 97 pags. in-4°. - Diagnostico e tratamento da coxalgia : these para o concurso a um logar de substituto da secção cirúrgica. Rio de Janeiro, 1881, 80 pags. in-4°. - Estudo critico sobre a operação de Pírogoíf: these para o con- curso a um logar de lente substituto da secção dê sciencias cirúrgicas. Rio de Janeiro, 1882, 84 pags. in-4°. - Da fractura transversa da rotula: memória apresentada á im- perial academia de medicina para obter o logar de membro titular da mesma academia. Rio de Janeiro, 1886 - Sahiu também nos Annaes Brazilienses de medicina, tomo 5o, pags. 319 a 350. Jdrnosto Germack Possollo - Fiiho de Ruy Gerniack Possollo, natural da cidade do Rio de Janeiro e bacharel em sciencia3 sòciaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, é advogado nos auditó- rios daquella cidade, onde tem exercido o cargo de delegado de policia, e escreveu: <- Arii/imeticã de vovô ou historia de dous meninos vendedores de maçãs, por João Macé. Edictores Nuno Alvares e Ernesto Possollo. Rio dé Janeiro, 1874 - 0 facto de ser a intelligencia das crianças Violen- tada com o ensino das regras abstractas e, depois, da evolução de pro- blemas, o que (diz o autor) é marchar contra 0 desenvolvimento do espirito humano, que para ascreanças se acha no mesmo ponto em que estava na iúfancia da especie, o levou a emprehender esse methodo agradavel de ensinar arithmetica. O livro é offerecido ás familias e a todas as mães, cujos olhos se teem molhado de lagrimas, vendo o filho abrir a formidável arithmetica, que ellas próprias se lembram de nunca terem comprehendido. JEriiesto Gomes Moreira Maia - Natural de Ni- ctheroy, onde tem exercido cargos de eleição popular, é doutor em ma- lehmaticas, professor do curso de sciencias physicas e mathematicas da EK 291 escola polytechnica, professor jubilado de desenho geométrico e director da academia de bellas-artes, do conselho do Imperador, capitão hono- rário do exercito e offlcial da ordem da Rosa - e escreveu além de outros trabalhos talvez : - Postulas de theoria das sombras, segundo o programma da 3a cadeira do Io anno do curso de sciencias physicas e mathematicas da escola polytechnica. Rio de Janeiro, 1877, in-8°. - Postillas de perspectiva, segundo o programma da 3a aedeira do Io anno do curso de sciencias physicas e mathematicas, etc. Rio de Ja- neiro, 1877, in-8°. - Rscola polijtechnica. Relatorio sobre o ensino de desenho, apre- sentado á congregação, de conformidade com a oitava das respectivas instrucções especiaes, actualmente em vigor. Rio de Janeiro, 1885 -' Foi também publicado no Diário Official de 3 de novembro deste anno, occupando 21 columnas. Ernesto Jao - E' natural da província do Rio Grande do Sul, onde reside. Ignoro as particularidades que lhe são relativas; sei apenas que cultiva as lettras e que escreveu : - O caçador de avestruzes, romance. Alegrete, 1880. Ernesto ^JagnoTigna da Cunha- Nascido no Rio de Janeiro, é bacharel em mathematicas e agrimensor pela escola po- lytechnica e tem o curso do instituto commercial; escreveu : - População maxima da terra, etc. Rio de Janeiro, 1883, 105 pags. in-4° - E' um livro de muito estudo, profundo calculo e grande pa- ciência. O autor imagina que dia ha de vir, em que a população attingirâ o seu máximo, além do qual não passara, por faltar á terra força e espaço para sustental-a e abrangel-a. Faz também um calculo dos annos que são para isso precisos. Na Revista Militar ha alguns escriptos do Dr. Tigna. Ernesto Pereira de Castro - Filho do capitão Pedro Pereira de Castro e de dona Francisca de Souza Lima, nasceu em Caeteté, Estado da Bahia, no anno de 1839 e faileceu a 12 de agosto de 1862, quando frequentava naquelle Estado o ultimo anno do curso medico. Escreveu : - Quando a má conformação da bacia tofnar o parto impossivep convirá praticar-se a operação cezaria ou a embryotomia ? Bahia, 1862 - E' sua these inaugural, que não tivera tempo de apresentar à facul- dade, e que sob o titulo Dor e sauclade foi publicada posthuma por seus 292 EEt paes. E' seguida de proposições sobre os tres pontos : Qual o diagnos- tico differencial, o prognostico e o tratamento da commoção e com- pressão do cerebro ? Qual é o tratamento dos tubérculos pulmonares que possa apresentar algum resultado favoravel ? Dos meios desin- fectantes e sua acção chimica. Contém este livro mais tres escriptos : Discurso sobre o tumulo do autor, por seu collega Odorico Octavio Odil- lon ; Nenia por Ernesto Carneiro Ribeiro ; Canto fúnebre por occasião de solemnisar-se uma missa por sua alma, recitado por José Pinto de Souza Velloso Júnior. Ernesto Senna - Natural do Rio de Janeiro, nasceu a 22 de setembro de 1858. E' cavalleiro da ordem da Rosa, jornalista, tendo escripto, quer de collaboração, quer fazendo parte da redacção de alguns jornaes, como a Folha Nova, o Diário de Noticias e o Jornal do Cominercio, e também litterato e poeta. Escreveu : - Emilianas: poesias. Rio de Janeiro, 1883 - O titulo deste livro é derivado do nome Emilia, da esposa do autor, a quem elle o dedica. Ernesto Silva - Natural da província, hoje Estado do Rio Grande do Sul, cultiva a poesia. E' somente o que pude apurar a seu respeito e que publicou um livro de versos com o titulo: - Lampejos ephemeros. Porto-Alegre (?)... ECriiesto da Silva Braga- Filho de José da Silva Braga e natural da província, hoje Estado de Minas-Geraes, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, tem exercido no mesmo Estado vários cargos de eleição popular e escreveu : - Orchite; Rheumatismo articular agudo; Da kyesteina e seu valor como signal da prenhez ; Historia medico-Iegal do aborto : these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro e susten- tada em 21 de novembro de 1865. Rio de Janeiro, 1865, 50 pags. in-4°. - Descripção do município da cidade do Turvo - O autographo de 50 pags. in-folio, em resposta ao questionário da bibliotheca nacional do Rio de Janeiro por occasião de exposição de historia patria, acha-se nesta bibliotheca. Consta-me que foi impresso depois. JErnesto de Souza e Oliveira Coutinlio- Filho do Visconde de Sepetiba e nascido a 23 de novembro de 1830 na cidade de S. João d'El-Rei, Minas Geraes, é doutor em medicina pela facul- dade do Rio de Janeiro; professor jubilado da escola normal de Nicthe- roy ; moço fidalgo da extincta casa imperial ; bibliothecario da escola ES 293 polytechnica ; primeiro cirurgião honorário da armada por serviços prestados na campanha contra o Paraguay e condecor ido com a respe- ctiva medalha commemorativa ; cavalleiro da ordem de Christo e commendador da ordem da Rosa. Estudou humanidades em Fontenay- aux-Roses, em França, sob a direcção do doutor José da Silva Tavares. Escreveu: - Quaes as modificações, que o thoro floral pôde offerecer, já trans- formando mais ou menos as posições normaes dos verticillos, jã con- correndo para formação do fructo ; Diagnostico differencial dos tumores do craneo em geral e, em particular, dos tumores fungosos da dura- mater ; Primeiras linhas da topographia medica da cidade do Rio de Janeiro ; Qual a influencia que sobre a saude publica desta cidade exercem suas condiçõestopographicas ; these, etc. Rio de Janeiro, 1851, 57 pags. in-4° gr. - Illustração Brasileira. Rio de Janeiro, 1854-1855, dous vols. in-fol. com ests.- ( Veja-se Cyro Cardozo de Menezes.) O doutor Oli- veira Coutinho collaborou com escriptos em prosa e em verso para a Minerva Braziliense, o íris, Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, quando propriedade de Nicolau Lobo Vianna e para o Jornal do Com- mercio, onde publicou uma apreciação sobre Talberg - que foi tradu- zida e publicada na Allemanha. Tem inéditos: - A monarchia americana -Este escripto foi confiado ao Imperador, que não consentiu na publicação ; deve existir entre os papeis desse principe. O autor aprecia nossa constituição democrática, comparando-a com as demais constituições americanas. - Memória, sobre a vantagem e importância da lingua grega. 16 pags. in-fol. - Pertence ao Instituto historico. Estanislau Przewodmvski - Filho do engenheiro André Przewodowski, de quem já fiz menção e nascido na cidade da Bahia a 22 de outubro de 1843, é capitão-tenente reformado da armada, tendo feito o curso da escola de marinha com praça de aspirante de 22 de fevereiro de 1858 e depois o de engenharia ; cavalleiro das ordens de S. Bento de Aviz, do Cruzeiro, da Rosa e de Christo ; condecorado com as medalhas da campanha oriental de 1865, da campanha subsequente do Paraguaye do combate naval de Riachuelo. Escreveu: - A barra do Rio Grande do Sul, causas da obstrucção e de sua remoção: projecto organizado pelos engenheiros Estanislau Przewo- dowski e Collatino Marques de Souza Filho. Rio de Janeiro, 1889x in-8°, com uma planta. 294 TDstanisluo Vieira Cardozo - De sua naturalidade nada pude obter ; só me consta que falleceu no Rio de Janeiro depois de 1844. Servira antes da independencia do Brazil o logar de escri- pturario do banco do Brazil e o de secretario do primeiro regimento de cavallaria do milicias. Era cavalleiro da ordem de Christo; cultivou a poesia e escreveu : - Canto épico á acclamação faustíssima do muito alto e muito pode- roso rei do reino unido de Portugal, Brazil e Algarves, o Sr. D. João VI -Vem na « Relação dos festejos queã feliz acclamação, etc., com tanta cordialidade, como respeito, votaram os habitantes do Rio de Janeiro ». Rio de Janeiro, 1818, pags. 35 a 51. (Veja-se Bernardo Avelino Ferreira de Souza.) Innocencio da Silva acha que o autor tinha bastante lição do Francisco Manoel do Nascimento, em vista desse canto, de que são os seguintes versos : Lá vejo em Portugal o pátrio brio, Qual occulto brazeiro entre madeiros, Que impellido do vento a flamma altèa, Desenvolto entre vivas instaurando O governo real e as luzas quinas ! Roja por terra a tricolor bandeira ! Águias, que occultam condição milvina, De bosque em bosque vão gyrando a medo ! - Hymnos Constitucionaes (por E. V. C.,M. J. S. P. e J. P. F.) Rio de Janeiro, 1821, 8 pags. in-4° - As iniciaes que seguem-se âs de Cardozosão de Manoel Joaquim da Silva Porto e José Pedro Fernandes, dos quaes occupar-me-hei opportunamente. - Elegia que, no funeral do honrado coronel de engenheiros Manoel José de Oliveira, recitou, etc. - No livro «O orador maçon », publicado no Rio de Janeiro, 1839, pags. 34 a 37. E' seguida de outra composição poética, ou «Offrenda poética e de respeito que, na inauguração do novo templo no circulo do Gr.-. Or.'. brazileiro, recitou, etc.», de pags. 38 a 41. - Oração fúnebre recitada na sessão celebrada pelo Gr.'. Or.'. do Brazil em memória do 111.'. e Resp.'. 1.'. Gr.'. Conserv.'. da Ord.'. Barão do Rio Bonito, em 21 do 2o M.'. do An.', de 1843 - Foi publicado na «Collecção de peças fúnebres, etc. Rio de Janeiro, 1843, pags. 3 a 12. Mais adeante, de pags. 18 a 21, se acha uma elegia do mesmo autor. E-U evão Benedicto Franco ou Estevão de Albuquer- que Mello Montenegro, como a principio se assignava-Natural de Per- nambuco, falleceu em 1866, sondo barbaramente assassinado, sem que ES 295 se soubesse por que motivo, na comarca de Flores, dessa província, onde servia o cargo de juiz municipal e de orphãos do termo de Villa Bella. Formado em direito pela faculdade de Olinda em 1845, serviu os cargos de promotor publico do Recife e de secretario do governo, antes de 1848, involveu-se na revolução deste anno, e depois iirmou sua resi- dência em Flores, como advogado. Foi deputado provincial em 1863 ; socio do Instituto archeologico e geographico pernambucano, e dotado de notável eloquência. Escreveu : - O Esforço: (publicação periódica,'política.) Pernambuco, 1849. - A Imprensa : jornal político e social. Pernambuco, 1850 a 1861, in-foL-Teve por collaborador nesta folha o publicista O Connell Jersey e outros. Sahiu o n. 1 a 7 de setembro daquelle anno. Fstevào Leão Fourroul - Filho do pharmaceutico Camillo Borroul e de dona Mathilde Bourroul, nasceu em Nice, França, em 1859. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, ainda estudante tornou-se notável por sua adhesão franca e pronunciada ao catholicismo, cujas idéas sustentou pela imprensa, creando e dirigindo publicações neste sentido, abraçando com enthu- siasmo as doutrinas do Sillabus e defendendo fervorosamente a causa dos bispos processados por oceasião da questão religiosa. Apenas con- cluído seu tirocínio académico em 1881, foi eleito deputado provincial pelo nono districto de S. Paulo, declarando-se candidato autonomista e catholico. Exerce a advocacia, tanto no fôro civil, como no eccle- siastico por provisão de 10 de fevereiro de 1882, e escreveu : - Frei Caetano de Messina : estudo historico e religioso. S. Paulo, 1879, 159 pags. in-8°, com o retrato e um fac-simile de frei Caetano, e uma introducção feita por A. M. dos Reis. - Pio IX, o Grande : estudo biographico. S. Paulo, 1879 - Neste livro deixa o autor transparecer a missão elevadíssima do pontífice no seu cargo de chefe da igreja catholica, cercado de immensa responsa- bilidade. - O Exm. e Revm. Sr. Bispo diocesano (d. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho) - Vem no Almanak litterario de S. Paulo para 1879, pags. 101 a 107. - Os estudantes brazileiros na Bélgica: opusculo de propaganda. S. Paulo, 1880, 24 pags. in-4°. - Um golpe em falso. I O sr. João Kopke e o seminário episcopal. 11 O Sr. Kopke e o Monitor Catholico. S. Paulo, 1880 (?). - O partido conservador da Franca. Breves considerações sobre a po- lítica hodierna. S. Paulo, 1883, 42 pags. in-4°. 296 ES - Consolidação do codigo de posturas da camara municipal da cidade da Franca do Imperador ; seguida da demarcação do Rocio da Villa em 1824. Franca, 1884. - Não ; simples resposta a uma pergunta. S. Paulo, 1890, 18 pags. in-4°- Versa sobre politica. - O Conde da Parnahyba : apontamentos biographicos. S. Paulo, 1890, 178 pags. in-4.° com o retrato do biographado. - O município da Franca : apontamentos históricos e dados estatis- ticos acompanhados de grande cópia de documentos importantes e pouco conhecidos - E' uma monographia inédita de que foi publicado o 2o capitulo ou «Origem da Franca do Imperador » no Almanak litterario de S. Paulo para 1884, pags. 59 a 67. - Historia do movimento de 15 de novembro de 1889 em S. Paulo - Vi annunciada a publicação deste livro com documentos e annotações do autor em 1891, mas não o vi impresso. - A crise republicana, por Iscandel. S. Paulo, 1892-Não pude ve- rificar si o trabalho publicado sob o pseudonymo de Iscandel é o an- nunciado em 1891. O Dr. Bourroul collaborou no Correio Paulistano, e redigiu: - O Catholico : periodico académico. Redactores Benedicto Phila- delpho de Castro e Estevam Leão Bourroul. S. Paulo, 1876, in-fol. - A Vanyuarda : periodico académico de propaganda catholica. S. Paulo, 1879, in-fol. - Monitor Catholico: publicação semanal. S. Paulo, 1880-1882, in-fol. - Teve uma interrupção de alguns mezes e começou depois a ser publicado o segundo volume, duas vezes por semana, a 25 de j unho de 1881, terminando a 24 de junho seguinte. - A Justiça : orgão do partido conservador. Franca, 1888. - Correio da Franca: orgão da partido conservador. Franca, 1889. Estevão Raphael de Csirvallio - Natural do Maranhão, falleceu na cidade de S. Luiz a 26 de março de 1846. Tendo feito o curso de sciencias naturaes na universidade de Coimbra, quando foi chamado para receber o gráo de bacharel, recusou-o, di- zendo que « estudava para saber e não para receber grãos e, como este, ha outros factos que patenteiam a excentricidade de seu genio. Sendo deputado ã terceira legislatura geral, propoz elle em sessão de 9 de junho de 1836 que a egreja brazileira íicasse separada da egreja romana e que o supremo sacerdócio ficasse incluido no governo - projecto este què deu assumpto para o bosquejo litterario do general José Ignacio de Abreu Lima. Mais singular ainda é este outro projecto, ES 297 também apresentado á camara legislativa: «Art. l.° Todo o indivíduo que se intitular patriota ou se provar que o seja pelas suas palavras, escriptos, acções e pensamentos: penas de 4 a 12 annos de prisão com trabalho. Nesta classe entram os paes da patria, martyres da liberdade, defensores das liberdades publicas, etc. Art. 2.° Todo aquelle que se intitular philantropo, ou se provar que o seja pelas suas palavras, acções, escriptos e pensamentos: penas de 6 a 12 annos de enfermaria privada no hospital. Nesta classe entram os defensores da humanidade opprimida, os pescadores de almas perdidas, etc.» Era, entretanto, um homem de vastos conhecimentos, de espirito muito atilado e tornou-se notável por seus ditos agudos e por seus epigrammasí Uma vez, por exemplo, propondo o deputado Patroni ( veja-se Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente ) na assembléa geral, a que também foi eleito Raphael de Carvalho na legislatura de 1834 a 1837 - que fosse o império dividido em 72 províncias e declarando o presidente que o projecto iria às commissões de estatística, divisão e administração civil, disse elle em um aparte que « era melhor mandal-o primeira- mente ã commissão de hygiene publica». Foi professor da aula do commercio, depois inspector da thesouraria provincial e socio do Instituto historico e geographico brazileiro. Escreveu: - A primavera : poema de Kleirt, traduzido na lingua portugueza, oflerecido à Illma. Sra. D. Anna Virgínia Pereira da Silva Cajueiro. Maranhão, 1833, 19 pags. in-12. - A metaphysica da contabilidade commercial para uso dos alumnos do autor, offerecida ao Dr. José Miguel Pereira Cardoso. Rio de Janeiro, 1837, 122 pags. in-8°, com dous modelos de balanços de contas. - Bem-te-vi: periodico satyrico em prosa e verso. Maranhão, 1838, in-4°-Começou a apparecer a 30 de junho e o ultimo numero foi pu- blicado a 6 de outubro. Foi uma folha incendiaria, à que se attribue a revolução do Balaio. Em opposição o partido cabano ou conservador publicou: - O Caçador do Bem-te-vi. 1838, in-4°- egualmente virulento, cujo redactor ainda ignoro quem fosse e, por isso, aproveito o ensejo de dar noticia dello, assim como das folhas seguintes, pubicadas mais tarde pelos partidários do primeiro: - Bem-te-vi. Maranhão, 1847 a 1849, in-4°. - O Bem-ti-vi Maranhense. Viva a liga. Maranhão, 1847, in-4°. - O Bem-ti-vi Caxiense. Caxias, 1849, in-4°. Estevão Ribeiro cie Souza Rezende - Filho do Marquez de Valença e da Marqueza do mesmo titulo, nascido no Rio 298 EU de Janeiro no anno de 1842 e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, representou esta província em sua assem- bléa por vezes, e na camara temporária na 16a legislatura, dissolvida em 1878 ; é proprietário de uma fazenda de café em Piracicaba, onde reside ; tem-se applicado ao estudo da historia política do paiz e escreveu: - Fragmentos historico-politicos sobre o Brazil. Parte Ia. S. Paulo, 1862, 160 pags. in-8° - São estudos sobre o partido conservador. - Fragmentos historico-politicos sobre o Brazil. A revolução de 1842 em S. Paulo. S. Paulo, 1868, 110 pags. in-8°. - Estudo^ historico-politicos. S. Paulo, 1879-1880, 6 vols., 83, 28, 85, 153, 59, 120 pags. in-8° -Os tres primeiros volumes ou series teem por titulo: As reformas constitucionaes ; o 4o Preliminares de nossa independencia política ; o 5o Acclamação do Senhor D. Pedro I, imperador do Brazil, o ministério de 1822-1823 e a política dos Andradas ; o 6o Os Andradas. - Questão constitucional. A camara reformadora e o senado. Piracicaba (sem data), 22 pags. in-8°. - Memória relativa á via de communicação entre a província de Matto-Grosso e o littoral. S. Paulo, 1881, 26 pags. in-8.® ■E3iK31id.es Alves de Freitas-Filho do capitão Pompilio AIvesde Freitas, e neto de Francisco Alves de Freitas, mencionado neste livro, nasceu na cidade da Bahia a 5 de abril de 1855 e é empregado na recebedoria do thesouro nacional. Entrou para o funccionalismo publico como praticante da alfandega do Rio de Janeiro e, passando a terceiro escripturario.foi nessa categoria transferido para apagadoria das tropas. Poeta, como seu avô, tem publicado varias poesias em vários jornaes para que tem collaborado, como a Gazeta da Tarde, onde publica actual- mente os - Echos semanaes e folhetins, 1891-1892 - Foi um dos redactores do Diário de Noticias, e escreveu: - Pretenções: poesias. Rio de Janeiro, 1884, 176 pags. in-8° -Este livro tem por epigraphe as palavras de Boilleau: « Que le debut soit simple et n'ait rien d'affecté.» - Sombras da tarde : poesias prefaciadas pelo Dr. Mello Moraes - Estão a sahir do prélc. Kiiclides ALlves Etequiúo - Filho de Domingos de Souza Requião e de dona Umbelina Alves Requião e nascido na cidade da Bahia a 5 de maio de 1854, depois de graduado pharmaceutioo, rece- EU 299 beu o grão de doutor em medicina na faculdade da mesma cidade, onde exerceu cargos de eleição popular, como o de vereador da camara municipal. Entrou depois para o corpo de saude do exercito, onde se conserva como cirurgião capitão de 4a classe. Escreveu: - Intervenção da cirurgia na sacro-coxalgia; Diagnostico e tra- tamento da ataxia locomotriz progressiva; Feridas penetrantes do peito e seu tratamento ; Suicídio em suas relações medico-legaes: these para o doutorado em medicina, etc. Bahia, 1877, 166 pags. ín-4° gr. -Breve resposta à Carta circular da commissão nomeada pelo governo geral para estudar o beriberi na Bahia. Bahia, 1880, 56 pags. in-4°. Euclides Faria - Natural da província, hoje Estado do Maranhão, onde fazia parte do funccionalismo publico, foi demittido de seu emprego por alta influencia do logar, e então escreveu : -Retratos a giz. Maranhão, 1886,67 pags. in-4° -E' em verso e são dez os retratos de pessoas de quem soffreu perseguições ou injustiça. Não vem o nome das pessoas a quem o autor allude, mas conhecem-se, A primeira é o Dr. Gomes de Castro e a ultima o vice-presidenta da provinda Dr. Viveiros. Ha outros trabalhos seus, como: - Arabescos: verso e prosa. S. Luiz, 1876, in-4°. - Miscellanea; nqvso e prosa. S. Luiz, 1882 in-4°. JEucloro Brazileiro Berlinde - Natural da provín- cia, hoje Estado do Rio Grande do Sul, falleceu no Rio de Janeiro a 29 de janeiro de 1880. Foi escriptor e jornalista de aproveitável talento e um dos primeiros redactores do jornal - O Cruzeiro. Rio de Janeiro, 1878 a 1879, in-fol.-Esta folha con- tinuou a publicar-se depois de sua morte. Usava do pseudonymo de Cassius, com o qual escreveu uma serie de artigos políticos contra o ministério de 5 de janeiro, presidido pelo conselheiro J. L. V. Cansan- ção de Sinimbu, depois Visconde de Sinimbii, de quem occupar-me-hei opportunamente, e escreveu mais : - Compendio de geographia da província do Rio Grande do Sul. 3a edição, Porto-Alegre, 1872, 103 pags. in-8" - Não vi as edições precedentes, mas a quarta, também de Porto-Alegre, 1877, com igual numero de paginas e formato. - Mulher e mãe : drama - Não sei si foi impresso. - Vingança de um medico : romance - Idem. - Biographia do Visconde do Rio Branco - Inédita - Biographiã do Barão de S. Borja - Idem. 300 ETT Eudoro de Carvalho Castello-Branco - Filho de Mariano de Carvalho Castello-Brancoe de donaRosaMariaPiresFer- reira, nasceu na villa das Barras, em Piauhy, a 9 de junho de 1839, e falleceu no Rio de Janeiro a 12 de janeiro de 1878. Como praça no exercito em 1860, fez o curso e serviu na arma de infantaria até o posto de major, em que pediu e obteve reforma, sendo commendador da ordem da Rosa, cavalleiro das do Cruzeiro e de Christo, e condecorado com a medalha de Mérito e a da campanha contra o Paraguay. Es- creveu : - O assalto do Estabelecimento, ao Exm. Sr. Marquez de Caxias. Rio de Janeiro, 1868- E' uma composição poética de mais de trezentos versos hendecasyllabos, também publicada no Correio Mercantil do Rio de Janeiro de 25 de julho deste anno. Ha outras poesias suas, pu- blicadas e inéditas. Eugênio A-driano Pereira da Cunha e Mello - Nascido na província do Rio Grande do Sul, falleceu na capital fe- deral a 21 de setembro de 1891, bacharel em sciencias physicas e mathe- maticas e capitão reformado do corpo de engenheiros. Militou na cam- panha do Paraguay, depois da qual retirou-se do serviço activo de guerra em outubro de 1872. Depois de proclamada a republica, foi incumbido da direcção da estrada de ferro Central e jà havia elle diri- gido a de Pernambuco e a de Porto-Alegre á Urugauayana. Escreveu vários trabalhos em taes cargos de que só posso agora mencionar: -As obras d'arte no prolongamento da estrada de ferro de Pernam- buco durante a minha administração. 1878-1881. Rio de Janeiro -Relatorio dos trabalhos executados no prolongamento da estrada de ferro de Pernambuco durante oanno de 1879; apresentado aoExm. Sr. ministro e secretario de estado dos negocios da agricultura, etc. Recife, 1880 - Ha de sua penna plantas e esboços levantados na campanha do Paraguay. Eugênio Augusto <le Carvalho Menezes - Natural do Rio de Janeiro e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife em 1854, escreveu : - Analyse do codigo commercial brazileiro, na parte, em que trata de lettras, notas promissórias e créditos mercantis. Recife, 1854, 107 pags. in-4°. Eugênio Guimarães Relbello - Filho do desembar- gador Henrique Jorge Rebello, e natural de Sergipe, onde nasceu em ETT 301 1847, sendo doutor em medicina pela faculdade da Bahia, serviu al- gum tempo no corpo de saude da armada e depois na inspectoria geral de hygiene. Leccionou. também na escola normal da capital federal e é actualmente professor adjunto do curso preparatório da escola naval. Escreveu : - As raças humanas descendem de uma só origem ? Influencia do celibato sobre a saude do homem ; Do infanticídio sob o ponto de vista medico-legal; Ferimentos por armade fogo: these,etc. Bahia, 1869, in-4°. - Discurso proferido no acto solemne da collação de grão aos dou- torandos em medicina, a 29 de novembro de 1869, pelo orador, etc. Bahia, 1869, 14 pags. in-8°. - Ecole militaire de Rio de Janeiro. These de concours pour la chaire de français. Rio de Janeiro, 1886, 63 pags. in-8° - Os pontos da these são : Theorie logique et grammaticale de l'interjection ; Ori- gine de la langue française, prouvée par le vocabulaire. Ha mais duas ou tres theses de concursos, a que se tem apresentado o autor, e constam ellas de uma noticia que havia eu escripto para este livro e que, conflando-lhe para corrigil-a, nunca me foi devolvida. E' um facto constante: Negam-me qualquer auxilio; confio o trabalho feito, com sacrifício ás vezes, e não o vejo mais. Ha ainda a seguinte revista, que fundou e redigiu : - Revista de Hygiene: publicação mensal. Rio de Janeiro, 1886, 240 pags. in-4° - Sahiram apenas seis numeros, de maio a outubro. Eugênio José de Lima-Consta-me que é natural de Sergipe, e nada mais sei, sinão que escreveu ou publicou: - Memorial apresentado ao governo sobre o projecto da estrada de Aracajú â Simão Dias, para a qual pede garantia de juros. Rio de Janeiro, 1875,32 pags. in-4°. Eugênio Leonel - Natural de Itapetininga, da província hoje Estado de S. Paulo, foi deputado á assembléa provincial, cultiva a poesia, a musica e dã-se ainda ao jornalismo, redigindo - A Reorganização: periodico político e litterario. Faxina, 1890 - Redige actualmente: - A Federação: S. Paulo. Tem varias composições musicaes e poéticas e publicou: - Heras: pimeiros versos. S. Paulo, 1888. Eugpenio <le Mag-iillx&ies CJarvallxo - Filho de um conceituado negociante do Rio de Janeiro e natural desta cidade, muito 302 IDU jovon dedicou-se às lettras e collaborou no periodico O Tempo escre- vendo sob o pseudonymo de Braz Patife uma collecção de versos hu- inoristicos com o titulo Muza alegre, e acaba de publicar nm livro com o mesmo titulo: - Muza alegre. Rio de Janeiro, 1892 - Não pude ainda ver o livro, mas sei que é uma reimpressão daquellas poesias. J^ugcnio Maria de Azevedo - Nasceu em Lisboa no ultimo quartel do século XVIII, e falleceu no actual Estado do Rio de Janeiro entre o anuo de 1835 e o de 1838, escrivão da camara municipal da villa, hoje cidade de S. João da Barra. Viera para o Brazil em 1807 com a familia real, e aqui se achava quando foi proclamada a indepen- dência, cuja causa abraçou. De caracter excessivamento orgulhoso e irascivel, poucos de seus amigos o procuravam; não menos desin- teressado, quanto dinheiro ganhava, gastava logo ou mesmo distribuía com os amigos para pedir-lhes depois, quando se achava desprovido in- teiramente delle. De talento raro, admiravel para a poesia e ainda mais para o improviso, neste ponto não tenho noticia de quem o exce- desse. «Ouvi-o numa noite de illuminações em abril de 1831 na villa da Praia Grande (hoje Nictheroy)-disse o mais insuspeito de seus admira- dores, J. Norberto de S. e Silva-improvisar largo tempo com muito applauso de pessoas entendidas, glosando tres sonetos em quarenta oitavas com a maior facilidade. Tinha notável vocação para o theatro, e vi-o por vezes representar em theatros particulares da mesma villa quasi sempre em composições suas. Não costumava estudar o seu pa- pel, e no dia da representação improvisava, como bem lhe parecia e lã desnorteava o dialogo 1 Vi-o compôr tragédias em uma noite ! Assis- tia um tachigrapho para tomar notas, e elle tendo uma garrafa do agua-ardente e um copo sobre a mesa, com um maço de charutos, co- meçava a passear na sala, e ia declamando e, declamando, improvisava scenas inteiras sem tomar folego.» Escreveu: - Elegia á morte da Sereníssima Sra. D. Maria Leopoldina Josepha Carolina, Imperatriz do Brazil; offerecidcÀ âs senhoras brazileiras. Rio de Janeiro, 1826, 10 paginas in-8° - E' escripta em verso hendecasyl- labo e em terceto. - Zulima : tragédia em tres actos, inédita-O autor, de quem citei o trecho àcima, nas noticias que transmittiu para o Diccionario bibliographíco portuguez, e de que me utilizo neste momento, afflrma que o actor João Caetano dos Santos ainda nos últimos annos de vida possuía o manuscripto desta tragédia, e o de - Emilia, ou os cavalleiros da cruzada : tragédia em cinco actos EU 303 inédita - Seria longo o catalogo das obras de E. de Azevedo, si elle as escrevesse. Ficaram todas inéditas, e em mãos de diversos amigos que as escreviam. São de um soneto seu estes dous lindos versos : « Os Tropicos pulando as palmas batem, Em pé nas ondas o Equador dá vivas 1 » Enrico Pedroso Barreto de Albuquerque- Filho do Dr. Propicio Pedroso Barreto de Albuquerque e nascido na cidade do Rio de Janeiro, fez o curso da escola de marinha, é 2o tenente da armada o escreveu: - Tratado de navegação. 1888 - Li na imprensa do dia 17 de se- tembro deste anno, que esta obra tinha sido approvada pela congre- gação da escola naval. Continua inédita. Kuticliio Pereira da, Ttoclia - Nasceu na Bahia, segundo posso calcular pelo annõ de 1820 e falleceu na capital do Pará a 20 de agosto de 1880. Recebendo ordens de presbytero secular em sua província, dedicou-se á educação da mocidade, fundando um colle- gio e leccionando philosophia. Depois de 1850 mudou sua residência para o Pará, onde foi presidente do convento dos carmelitas e distin- guiu-se no jornalismo político principalmente e sustentou com grande vantagem e com applauso uma polemica com um certo Dr. Olden, protestante que nessa província apparecera com o intuito de fazer propaganda. Sendo conego da cathedral e membro da maçonaria, caracter probo, consciência pura e espirito illustrado, entendeu que eram desarrasoadas as pretenções da curia romana na questão religiosa; nesse sentido se pronunciou e por esse motivo teve dissenções com o diocesano, esteve suspenso de ordens por muitos annos, e soffreu des- gostos, que, si não foram a causa de sua morte, como se disse e se deduz de declarações que deixara e que foram publicadas na imprensa periódica, muito contribuíram para isso. Por afflrmar-m'o um distincto cavalheiro do Pará, sei que o conego Eutichio escreveu dous sermões que nunca publicou: um por occasião da missa nova do padre Eguez, e outro na festividade de Santa Cecilia - e mais : - Curso de philosophia racional e moral: Lógica e metaphysica. Dous volumes - de que tenho noticia por uma carta do Dr. Francisco da Silva Castro, do Pará; não pude encontral-o em bibliotheca alguma do Rio de Janeiro. - Duvidas suscitadas pela resposta do Illm. Sr. Dr. Jeronymo Vilella de Castro Tavares, lente substituto da academia jurídica de Olinda, á carta do Exm. e Revm. Sr. Arcebispo da Bahia, transcripta no EU 304 Communicador ns. 10, 11 e 12 - Depois de publicado no Noticiado r Catholico, foi reproduzido este escripto no Appendice á discussão entre o Exm. e Revm. Sr. D. Romualdo Antonio de Seixas e o Illm. Sr. Dr. Jeronymo Vilella de Castro Tavares acerca do parecer de S. Ex. sobre a seguinte consulta : « si os parochos podem ser processados e punidos pelo poder temporal, quando violam as obrigações mixtas e a lei do Estado, Recife, 1853 » ; de pags. 36 a 54. O autor tem os seguintes escriptos, publicados no Crepúsculo, da Bahia : - Psychologia; Sensibilidade e actividade d'alma - No tomo Io, 1845, ns. 4, 5e 13. - Introducção á um curso de philosophia - Idem, n. 8. - Discurso introductorio ao curso de philosophia-No tomo 2o, n. 17. - Encerramento de um curso de philosophia - No tomo 3o, n. 2. - A consciência moral - Idem, n. 1. Eutichio Soledade - Filho de Manoel Joaquim Soledade e de dona Maria Joaquina Baptista Soledade, e nascido na cidade da Bahia a 25 de abril de 1845, é doutor em medicina pela faculdade desta cidade, para a qual entrou depois como preparador de toxicologia ; medico de terceira classe da repartição sanitaria do exercito e director do hospital do Paraná ; cavalleiro da ordem da Rosa e condecorada com a medalha da campanha do Paraguay. Nesta campanha serviu, sendo estudante, e delia regressou com as honras de primeiro cirurgião. Escreveu : - Commemorações da historia do Brazil. Bahia, 1864. - Conto de cavallaria no estylo de século XV. Bahia, 1871. - Febre amarella; Hemorrhagias puerperaes e seu tratamento ; Especie humana; Elephantiasis dos Gregos: these, etc., Bahia, 1871, in-4° - A dissertação sobre o primeiro ponto se conclue com tres mappas estatisticos. - Discurso proferido a 16 de dezembro de 1871 no acto solemne da collação do grão, aos doutorandos em medicina. Bahia, 1871, 14 pags. in-8°. - Medicina dosimetrica. Cartas ao Dr. Horacio Cezar. Bahia, 1881. - Dos apparelhos algodoados nas ambulancias militares. Bahia, 1882. - Methodo scientifico. Io volume. Bahia, 1883, 127 pags. in-4° - O autor trata, com nitidez de idéas, do methodo scientifico e adopta 'á ordem progressiva das sciencias, segundo Comte, limitadas aos factos seguros e averiguados pela sciencia com o auxilio da analyse e da synthese. - Compendio de chimica legal. Bahia, 1884 - Esta obra foi em- prehendida pelo autor em poucos dias por não achar elle um compendio EU 305 de toxicologia no curso de medicina legal. Não pôde, portanto, ser um trabalho completo. E' dividido em tres partes : 1" Do processo geral de pesquizas chimico-legaes nos casos de envenenamento; 2o Dos pro- cessos especiaes para determinação de cada um dos principaes agentes toxicos ; 3o Dos meios de conhecer e distinguir nodoas ou manchas do sangue, de pús, ferrugem, etc. A publicação é feita em fascículos. - Allocução proferida na abertura do curso pratico de toxicologia da faculdade de medicina da Bahia. Bahia, 1884 - Vem também na Gazeta Medica. ZEuzelbio <le Almeida Martins Costa - Filho do tenente-coronel Luiz de Almeida Martins Costa e de dona Justina Tei- xeira de Almeida, e nascido no Maranhão a 3 de março de 1858, sendo pharmaceutico pela faculdade do Rio de Janeiro e como tal dirigindo a Pharmacia da casa de saude de Nossa Senhora da Ajuda, fez na mesma faculdade o curso medico, recebendo o grão de doutor em 1884. E' membro do instituto pharmaceutico desta cidade, e da sociedade de geographia de Lisboa e medico adjunto da repartição sanitaria do exercito. Escreveu : - Da pharmacia no Brazil e seu exercicio. Rio de Janeiro, 1880, in-8°- O autor depois de tratar da pharmacia e de seu exercicio no império, se occupa do regulamento da junta de hygiene publica, sua execução, sua utilidade, e desvantagens. - As boubas, sua natureza e tratamento; Saes em geral; Os aneurismas em geral; A lepra e sua etiologia : these apresentada etc. Rio de Janeiro, 1884, in-4°. - Revista pharmaceutica destinada aos interesses profissionaes da classe pharmaceutica, etc. Redactores : Augusto Cesar Diogo, F. M. de Mello e Oliveira, Euzebio A. Martins Costa. Rio de Janeiro, 1883-1884, in-8° - E' uma publicação quinzenal que substituiu a Tribuna Pharmaceutica, e onde vem do autor : - Considerações sobre o vinho - nos ns. 3, 8, 9 e outros. ICuzelbio fvancisco <le A-nd.i'a.cle - Filho do enge- nheiro Manoel Cândido da Rocha Andrade e de dona Leopoldina Pimentel Goulart de Andrade, nasceu na colonia militar Leopoldina em Alagoas, a 15 de abril de 1866. Começou a preparar-se para estudar direito; mas, não podendo fazel-o por circumstancias alheias a sua vontade, dedicou-se ao magistério leccionando no lyceo de artes e offlcios da capital de Alagoas, e ao .jornalismo. Foi enthusiasta do abolicionismo, pelo qual trabalhou, sendo um dos fundadores do club abolicionista 306 EU estudantesco alagoano, seu secretario e depois presidente, e hoje é pro- fessor da escola central de lettras e artes para ingénuos, mantida pela sociedade Libertadora alagoana, de que também ê socio. Entrou no jornalismo, fazendo parte da redacção da - Gazeta de Noticias. Maceió, 1885, in-fol. - Esta folha já existia desde 1879. Naquelle mesmo anno passou a chefe da redacção do - José de Alencar: orgão do club José de Alencar. Maceió, 1885 a 1887 - Fez ainda parte da redacção do - Lincoln. Maceió, 1887 - Collaborou pelo mesmo tempo no Gu- tenberg e escreveu: - O crime de Jaraguà : romance - escripto de collaboração com outro, por causa de quem, estando já em parte impresso, não veiu á luz o romance. -A flor de liz: comedia tirada da operêta Flor de Uz de A. de Aze- vedo, e especialmente feita para a sociedade dramatica Thalia, de Maceió-Tem ainda um drama inédito, cujo titulo ignoro. Euzebio José Antunes-Filho de Theotonio José An- tunes e de dona Senhorinha Maria da Conceição Antunes, nasceu na cidade da Bahia a 14 de agosto de 1830 e falleceu no Rio de Janeiro a 21 de setembro de 1886, sendo chefe de secção aposentado da secretaria da marinha; gerente da companhia nacional de navegação a vapor ; deputado á assembléa geral legislativa pela província de Matto Grosso; offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro da de Aviz e condecorado com as medalhas da campanha do Uruguay de 1865 e da campanha subsequente do Paraguay. Fez o curso da escola de marinha e serviu na armada até oposto de capitão-tenente, do qual, em sua volta dessa campanha pediu demissão, passando a exercer as funcções de offlcial de gabinete junto a dous ministros da repartição da marinha, etc. Escreveu : - Brazil Marítimo : periodico dedicado á propagação dos conheci- mentos marítimos e dos melhoramentos feitos na difflcil arte de na- vegar ; collaborado por offlciaes da marinha imperial, e redigido pelo Io tenente Euzebio José Antunes e pelo 2o tenente Francisco Manoel Alvares de Araújo. Pernambuco, 1854-1859, 3 vols. - Regras internacionaes e diplomacia do mar por T. Ortolan: tra- ducção. Recife, 1855-1858,2 vols.-O que póde attestaro mérito da obra de T. Ortolan é que, logo depois de sua publicação, teve 2a edição em 1853, 3a em 1856, e 4a em 1864, todas em Paris. Euzebio dLe Mattos ou Frei Euzebio da So- ledade - Filho de Pedro Gonçalves de Mattos e de dona Maria da j£U 307 Guerra, e irmão do celebre poeta satyrico Gregorio de Mattos Guerra, nasceu na Bahia em 1629 e falleccu a 7 de julho de 1692. Estudou humanidades no collegio dos jesuítas de sua patria, onde tomou a roupeta a 14 de março de 1844, tendo por companheiro de estudos o dito seu irmão, e por mestre de philosophia o padre Antonio Vieira, a quem substituiu no magistério, leccionando também rhetorica por muitos annos. Grande prégador, na Bahia - onde eram enthusiastica- mente applaudidos o padre Antonio Vieira e seu rival no estylo, o padre Antonio de Sá - dizia-se que este era superior aos outros na voz e no accionado ; Vieira na lógica e clareza das provas e Euzebio de Mattos no polimento da phrase e na subtileza. Grande musico e com- positor, tocava perfeitamente harpa e viola, instrumento muito usado em seu tempo e compoz muitos hymnos religiosos e cantos profanos, ameníssimos sobre poesias suas. Poeta notável, seus proprios collegas o appellidavam de inspirado. Desenhista admiravel, fazia quadros com perfeição tal, que pareciam gravuras. Eis como a seu respeito se exprime Barbosa Machado em sua Bibliotheca Luzitana : « Insigne prégador, assim na substancia dos discursos, como na vehemencia dos aífectos ; poeta vulgar e latino, cujos versos eram tão discretos, como elegantes ; musico por arte e natureza, compondo as lettras que accom- modava aos preceitos da splfa ; arithmetico grande, sendo sempre eleito para arbitro das maiores contas ; pintor engenhoso, do qual se conservam com estimação particular muitos debuxos ; discreto, jovial na conversação, e ultimamente tão consummado em todas as partes que constituem um homem perfeito, que allirmava delle o padre Antonio Vieira que Deus se apostara em o fazer em tudo grande e não o fora mais por não querer....» Desgostos e mesmo accusações que se suppoem injustas, partidas de seus irmãos, os jesuítas, o decidiram, depois de ter ordens sacras, a tomar o habito dos carmelitas com o nome de frei Euzebio da Soledade, facto que se deu na ausência de Antonio Vieirae que foi por este amargamente lamentado. Suas obras como succedeu com as de muitos brazileiros illustres, foram em grande parte perdidas. São conhecidas: - Ecce Homo. Praticas prégadas no collegio da Bahia nas sextas- feiras ã noite, mostrando-se em todas o Ecce Homo. Lisboa, 1677, 79 pags. in-4° - São objecto destas praticas: os Espinhos de Jesus Christo, a Purpura, as Chagas, as Cordas, a Canna e o titulo de homem. Este livro é um monumento de erudição ; é um perfeito modelo de estylo sublime, cheio de uncção religiosa e digno de ser estudado como tal, segundo diz Warnhagem. O conselheiro Pereira da Silva, por equivoco, no seu livro « Varões illustres do Brazil »,tomo 2o, pag. 312, 308 ETT dã noticia do Ecce Homo entre as poesias que Euzebio de MattoS escrevera. - Sermão da Soledade e Lagrimas de Maria Santíssima pregado na Sé da Bahia. Lisboa, 1681, in-4°. - Sermões do padre-mestre frei Euzebio de Mattos, etc. Parte Ia que contém quinze sermões. Lisboa, 1694, 434 pags. in-4° - São discursos oratorios, colligidos por um companheiro do autor, frei João de Santa Maria que, entretanto, não continuou a publicação en- cetada, como projectava. A collecção compunha-se de quatro partes ou volumes. - Oração fúnebre nas exequias dolllm. e Revm. Senhor D. Estevam dos Santos, bispo do Brazil, celebradas a 14 de julho de 1672. Lisboa, 1735, 54 pags. in-4° -E' uma publicação posthuma como a pre- cedente. Bento Farinha em seu « Summario da bibliotheca luzitana» falia em - Seis sermões do Rozario - dos quaes também Barbosa Machado faz menção, mas dizendo que desappareceram. Das poesias de Euzebio de Mattos foi maior o extravio. Se disse que ficaram em poder de seu irmão Gregorio de Mattos ; mas entre os papeis deste só se encontrou, que se lhe attribuisse, uma - Collecção de poesias-que, com certeza, não contém todas as que elle escrevera, e que foi addicionada a um dos grossos volumes de manuscriptos do dito seu irmão. Apenas se publicaram de sua penna: - Dez estancias - parodiando outras tantas, escriptas porseu irmão a uma certa dona Brites, Analisando cada verso seu com a mesma palavra deste. Veem no « Florilégio da poesia brazileira». 0 Visconde de Porto Seguro transcreve também esta composição poética na noticia que de Euzebio de Mattos vem publicada na Revista do Instituto, tomo 8°, pags. 540a 546. Euzelbio <le Queiroz Coitinlxo Mattozo <la Gamara - Filho do conselheiro Euzebio de Queiroz Coitinho e Silva, e nascido em S. Paulo de Loanda, quando seu pae ahi exercia cargo de magistratura, a 27 de dezembro de 1812, falleceu no Rio de Janeiro a 7 de maio de 1868, bacharel em direito pela faculdade de Olinda ; do conselho do Imperador; veador da casa imperial; conselheiro de estado; cavalleiro da ordem de Christo, commendador da ordem da Rosa e da ordem turca de Medjidié de primeira classe, etc. Despachado depois de sua formatura para ura logar de juiz de fóra, em 1833, foi no anno seguinte nomeado EU 309 chefe de policia da côrte, onde conservou-se até 1844, sendo, durante a administração da policia, nomeado desembargador da relação do Rio de Janeiro. Foi deputado em varias legislaturas, senador pela província do Rio de Janeiro e ministro da justiça no gabinete de 29 de setembro de 1843. Extraordinariamente sympathico, orador eloquente e substancioso, parlamentar e jurisconsulto erudito, além de muitos artigos políticos na respectiva imprensa, de luminosos pareceres nas sessões do conselho de estado e de eloquentes discursos, constantes dos annaes do parlamento, escreveu muitos relatórios e regulamentos, como: - Relatorio do estado da instrucção primaria e secundaria do mu- nicípio neutro, durante o anno de 1855, apresentado a 18 de fevereiro de 1856, etc. Rio de Janeiro, 1856. - Regulam entos para os tribunaes do commercio e do processo das quebras ; sobre a ordem e origem do juizo no processo commercial e instrucção para os deputados e supplentes dos tribunaes do commercio. Rio de Janeiro, 1851. - Codigo commercial do império do Brazil e os regulamentos para sua execução, acompanhados do regulamento sobre o uso, e preparo e venda do papel sellado. Rio de Janeiro, 1853 - Foi em 1861 reimpres- so sob o titulo de Manual do negociante, com os appendices : Sellos, Corretores, Leilões, Interpretes, etc. - Questão do trafego : discurso proferido na camara dos Srs. depu- tados. Rio de Janeiro, 1852, 44 pags. in-8° -Este discurso é um monu- mento de eloquência e de lógica que honra o orgulho nacional, como disse o Dr. Teixeira de Mello (veja-se José Alexandre Teixeira de Mello)' é ao mesmo tempo o reflexo de um grande coração e de um espirito privilegiado. - Discursos dos deputados F. Ramiro de Assis Coelho, E. de Q. C. Mattoso da Camara, etc. sobre o voto de graça na sessão de 15 de maio de 1844. Rio de Janeiro, 1844, in-8°-■ Dentre seus discursos no parlamento nota-se ainda o - Disctirso contra o projecto de reforma eleitoral, apresentado pelo Marquez de Paraná em 1856, creando districtos eleitoraes para deputados - E' tão vigoroso, eloquente e substancioso, que o Marquez mandou-lhe dizer, finda a sessão, que « lhe bastaria este discurso para perpetuar seu nome na historia parlamentai' do Brazil». - Disczirso dirigido a S. M. o Senhor D. Pedro II, Imperador constitucional e perpetuo defensor do Brazil, pelo conselheiro, etc., presidente da commissão encarregada de erigir a estatua equestre do fundador do império. Rio de Janeiro, 1862, in-8°. 310 KV - Estatutos da sociedade Propagadora das bellas-artes do Rio de Janeiro, installada,etc. pelo architecto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Rio de Janeiro, 1871, 23 pags. in-8' - São assignados pelo conselheiro Euzebio, como presidente e pelos membros da mesa. Euzelbio Vane rio - Nescido, segundo penso, na Bahia entre o terceiro e o ultimo quartel do século passado, falleceu antes de 1850, nesta cidade, onde serviu o cargo de guarda-livros e interprete da alfandega, depois do ter sido professor substituto da real aula do commercio, e por ultimo teve um collegio de me- ninos, si me não engano. Cooperou para a independencia do Brazil e escreveu : - Deveres do homem ou cultura moral, ampliada e traduzida de diversos autores para uso da mocidade. OÍTerecido ao Illm. e Exm. Sr. Conde da Palma. Lisboa, 1819, 296 pags. in-8°. - Província da Balda. Estatística financial. 1831, julho 1 a 30 de junho do 1832 (3o anno financeiro). Extrahida dos registros das re- partições publicas, coordenada e oíferecida ao poder executivo. Bahia, 1833, 34 pags. in-4° gr. com vários mappas - Creio que ha mais duas publicações iguaes, de outros annos. - Guia das boas mães do familia, ou educação physica dos meninos - O manuscripto de 88 paginas existe na bibliotheca do Instituto historico. Com o Dr. José Avelino Barbosa e com Montezuma (vede Francisco Gê Acaiaba de Montezuma) redigiu : - Diário Constitucional. Bahia, 1821 e 1822, in-fol.- Esta folha foi fundada para preparar os elementos para nossa independencia por Francisco José Côrte-Real, depois Côrte Imperial, official da secretaria do governo ; passou depois a intitular-se O Constitucional, sendo con- tinuada na villa da Cachoeira durante a guerra da Independencia com o titulo O Independente Constitucional até á retirada de Montezuma para a assembléa constituinte, donde seguiu este para Europa deportado. Por ultimo, em 1824, publicou-se ainda, parece-me, redigido por Euzebio Vanerio : - O Independente Constitucional. Bahia, 1824, in-fol. Evaristo A-íTonso <le Castro - Filho de Lourenço AÍTonso de Castro, é natural da província, hoje Estado do Rio Grande do Sul e escreveu : - Noticia descriptiva da região missionaria da província de S. Pedro do Rio Grande do Sul, comprehendendo os municípios de ÇruzrAlta, S. Martinho, Palmeira, Passo-Fundo, Soledade, Santo EV 311 Angelo, S. Luiz, S. Borja, Boqueirão, S. Francisco de Assis, S. Vicente e Itaqui. Cruz-Alta 1889, 367 pags. in-4°. Evaristo Ferreira da Veiga- Filho do professor primário Francisco Luiz Saturnino, com quem aprendeu os rudimentos da lingua vernacula, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 8 de ou- tubro de 1799 e falleceu a 12 de maio de 1837 na mesma cidade. Depois de ter estudado as aulas secundarias, que concluiu no seminário de S. José, entrou como caixeiro para uma loja de livros que seu pae abrira, já retirado do magistério; ao cabo de cinco annos estabeleceu- se com negocio igual, de sociedade com seu irmão João Pedro da Veiga e, mais tarde, sob sua firma individual. Já versado em diversas linguas, e fazendo em seu gabinete estudos de economia politica e outros ramos dos conhecimentos humanos, dedicou-se ao jornalismo, onde adquiriu em pouco immarcessiveis louros e uma influencia que, na opinião de muitos, ainda um jornalista no Brazil não teve. Patriota sincero e desinteressado, de coragem civica a toda prova, e ao mesmo tempo de moderação exemplar, mais de uma vez salvou o império nas crises tumultuarias, por que opaiz depois de sua independencia passou, e foi elle quem, querendo pôr termo aos insultos que aos brazileiros fazia o partido portuguez e ás desgraças eminentes, redigiu a repre- sentação de J7 de março, assignada por 23 deputados e por um senador, na qual se pedia ao Imperador que « desaffrontasse o Brazil vilipen- diado e pungido », representação, a que seguiu-se a abdicação, que elle lamentou e desejou impedir. Teve, como era natural, muitos inimigos, depois de 7 de abril sobretudo, e inimigos que até tentaram contra seus dias, como fizeram a 8 de novembro de 1832, desfechando-lhe alguns tiros de pistola, quando se achava em sua loja com vários ami- gos, tres dos quaes foram feridos, assim como elle, levemente, no rosto. Foi um dos fundadores da sociedade Defensora da liberdade e da independencia nacional, e em nossa historia politica ê um dos vultos gigantes, digno de estima, desympathia,de veneração. Foi eleito deputado por Minas em tres legislaturas de 1830 a 1837, sendo nesta ultima eleito também pelo Rio de J aneiro, e era socio benemerito da sociedade Amante da instrucção, socio do instituto historico da França e da Arcadia romana. Escreveu : - A Aurora Fluminense: jornal politico e litterario.Rio de Janeiro, 1827 a 1835, oito vols. in-fol.- Esta folha, fundada por José Apollinario deMoraes, estudante do seminário de S.José e natural de Porto Alegre, onde falleceu pouco antes de romper a revolução de 20 de setembro de 1834, com o concurso do Dr. José Francisco Sigaud, Francisco Chrispi- 312 EV niano Valdetaro (vejam-se estes nomes) e Evaristo Ferreira da Veiga, tinha por epigraphe a seguinte quadra de uma poesia do imperador dom Pedro I : Pelo Brazil dar a vida, Manter a Constituição, Sustentar a independencia E' a nossa obrigação. começando a publicação em dezembro de 1827 e terminando em dezem- bro de 1835. Depois de 1828 foi Evaristo seu unico redactor, e foi nella que elevou-se á altura, a que nenhum jornalista nosso tem subido. Escripta de accordo com as idéas liberaes, em linguagem moderada, dis- cutindo sempre com critério, respeitando as leis e os direitos do cidadão, sem que seu redactor pedisse ou ambicionasse cousa alguma para si, esta folha soube dirigir a opinião publica, e com o mais feliz resultado; ella pôde ser consultada com segurança como um thesouro da historia da época. Penso que, sendo Evaristo o promotor, a alma da sociedade Defensora da liberdade e independencia nacional, e seu secretario, teve também parte na redacção do orgão de propaganda dessa sociedade, isto é: - O Homem e a America : jornal da sociedade Defensora da liberdade e independencia nacional, do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1832, in-fol. peq. - Historia do Brazil desde a chegada da real familia de Bragança em 1808 até 1831, por João de Armitage, traduzido do inglez por um brazileiro. Rio de Janeiro, 1837, 330 pags. in-8° - Não posso desde já afflrmal-o ; mas tenho razões para acreditar que grande parte deste livro, sinão todo elle, é escripto por Evaristo da Veiga; Armitage foi o traductor para o inglez... - Discurso, pronunciado na camara dos deputados na sessão de 12 de maio, discutindo o voto de graças. Rio de Janeiro, 1832, in-8° - Consta-me que Evaristo dera a lume, pela época da independencia, diversos opusculos sobre assumptos patrióticos, sob o anonymo, e que deixou uma grande cópia de poesias inéditas, que se acham em poder de seu sobrinho, o Dr. Luiz Francisco da Veiga. Algumas, entretanto, foram publicadas, como : - Ode à Grécia - Vem na Miscellania poética. - Hrjmnos patrióticos, compostos por occasião da independencia do Brazil - E' uma collecção de sete hymnos, publicados nas épocas re- spectivas e depois reunidos a uma pequena memória, lida pelo Dr. L. F. da Veiga na sessão do Instituto historico de 3 de agosto de 1877, tudo inserto na Revista do mesmo instituto, tomo 40°, 1877, parte 2a, EV 313 de pags. 39 a 71 - O primeiro destes hymnos ê o hymno constitucional brazileiro, cuja musica é composta por dom Pedro I, sendo por muitos também attribuida ao imperante a lettra que foi escripta a 16 de agosto de 1822, vinte e um dias antes do grito do Ypiranga. E' o hymno que começa : Jà podeis, da patria filhos, Ver contente a mãe gentil. Jã raiou a liberdade No horizonte do Brazil. Brava gente brazileira ! Longe vá temor servil. Ou ficar a patria livre, Ou morrer pelo Brazil.,. - Despedidas : poesia ( a ultima que publicou )- Se acha no Museo- Universal, n. 35, 1838-Ha diversas publicações que podem ser consul- tadas por aquelles que quizerem conhecer e apreciar a vida de tão dis- tincto brazileiro, como por exemplo: o Esboço biographico pelo Barão Homem de Mello; o artigo biographico publicado no Ostensor Brazileiro, tomo Io, pag. 291 ; o artigo da Galeria dos brazileiros illustres por Sisson ; o artigo do Pantheon Fluminense por Lery dos Santos e outros. Em honra sua foram publicados por occasião de sua morte diversos escriptos, cujos autores ignoro e mais os que passo a mencionar : - Honras e saudades á memória de Evaristo Ferreira da Veiga, tri- butadas pela sociedade Amante da instrucção em 12 de agosto de 1837, 58pags. in-8°, com o retrato do mesmo. - Collecção de diversas peças, relativas á morte do illustre brazileiro Evaristo Ferreira da Veiga para servir de continuação ao folheto in- titulado « Honras e saudades». Rio de Janeiro, 1837, 102 pags. in-8°. Evaristo José "Vieira - Filho do commandante de an- tigo vapor da companhia de paquetes do Norte, o capitão-tenente Manuel José Vieira, nasceu na cidade da Bahia em 1847 e falleceu na do Rio de Janeiro a 1 de agosto de 1891. Entrando para o commercio de molhados em 1864, deixou-o ao cabo de quatro annos para ir á Europa e, de volta ao Brazil, dedicou-se á profissão de guarda-livros, na qual gosou sempre de estima e consideração. Era socio benemerito da associação dos empregados do commercio desta capital, onde es- creveu : - Compendio facil de escripturação mercantil. Rio de Janeiro, 1883, 17Opags. in-8°- E' um livro escripto com a necessária clareza para que uma pessoa sem estudo especial possa conhecer a escripturação e 314 EV saber como se escreve a historia mercantil de uma casa commercial. Ha segunda edição de 1887, 174 pags. in-4°, e o autor projectava dar a terceira com accrescimos. -Dellezas de S. Paulo: artigos publicados no Diário de Noticias sob o pseudonymo de Sir Toave, quando o autor esteve em Açores, de 1868 a 1870. Evaristo Ladislau e Silva - Nascidona cidade da Bahia, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de S. Paulo em 1835, e advogado naquella cidade, foi alli muitos annos conr mandante do batalhão de artilharia da guarda nacional, o batalhão mais bem disciplinado e luzido da Bahia, e depois, já reformado com o posto de coronel e de avançada idade, oíTereceu-se para servir na campanha contra o Paraguay, para onde foi commandanto de uma brigada de vo- luntários ; fez toda a campanha, conferindo-se-lhe as honras de bri- gadeiro do exercito em 1866. Possue diversas condecorações e escreveu: - Recordações biographicas do coronel João Ladislau de Figueiredo e Mello, ordenadas por seu neto, etc. Bahia, 1866, 160 pags. in-4u com o retrato do biographado. Evaristo Nunes E*ires - Filho do Manoel Nunes Pires e de donaCezarina Nunesia Pires e nascido na província, hoje Estado do Rio Grande do Sul, é bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, doutoi* em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, professor interino da escola normal e actualmente professor do collegio militar, socio do instituto dos bacharéis em lettras, e da sociedade Auxiliadora da industria nacional. Serviu algum tem po no corpo de saude do exercito, reformando-se no posto de 2o cirurgião por decreto de 17 de agosto de 1866. Escreveu: - Das altas localidades e dos valles em relação ã hygiene; Atmos- phera; Histologia dos dentes ; Influencia da atmosphera marítima: these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1861, in-4°. - Esboços históricos e biographicos ( Primeira tentativa ). Rio de Janeiro, 1874, 44 pags. in-8° - Occupa-se neste opusculo de Feliciano Nunes Pires, Dr. Emilio Joaquim da Silva Maia, José Joaquim Cândido de Macedo Júnior, Angelo Moniz da Silva Ferraz e Dr. José Augusto de Souza Pitanga. - Relatorio dos trabalhos do anno soc;al ( do instituto dos bacha- réis em lettras ) de 1873 a 1874, apresentado na sessão magna comme- morativa, etc., om 2de julho de 1874 pelo Io secretario. Rio de Janeiro} 1875, in-8.° 315 - Progressos do Brazil no século XVIII até á chegada da família imperial: these para o concurso à cadeira de historia e geographia do Brazil do imperial collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1878, in-8°. - Descobrimento do Brazil e seu desenvolvimento durante o século XVI: these de concurso â cadeira de historia e corographia do Brazil do externato do imperial collegiode Pedro II. Rio de Janeiro, 1883. Ezeehias Gralvíío da Fontoura - E' natural da pro- vincia, hoje Estado de S. Paulo, presbytero secular, conego da ca- thedral do mesmo Estado, lente de direito canonico do seminário episcopal, escrivão da camara ecclesiastica e secretario do bispado. Escreveu : - Questões religiosas, expendidas, etc. S. Paulo, 1881 - E' uma collecção de artigos, já publicados em periódicos da provincia, formando dezoito capítulos, nos quaes se trata, entre outros assumptos, das con- tradicçõesdo protestantismo, da hierarchia catholica, do casamento civil e do registro civil. - Lições de direito ecclesiastico. S. Paulo, 1887-1888, tres vols. in-8 - Comprehende esta obra um curso de cem lições. Ezequiel Benigno de Vasconcellos - Filho de Ezequiel Benigno de Vasconcellos, é professor de portuguez e de geo- graphia, como se declara na seguinte obra, que escreveu: - Pontos de geographia do Brazil segundo o novo programma para os exames geraes de preparatórios. Prova escripta. Rio de Janeiro, 1884, in-8°. Ezequiel Corrêa dos Santos ; Io - Filho de Ezequiel Antonio dos Santos e de dona Maria Rosa de Oliveira Santos, nasceu na provincia, hoje Estado do Rio de Janeiro a 10 de abril de 1801 e fal- leceu a 28 de dezembro de 1864. Foi um conceituado pharmaceutico e, vulto proeminente na política da época, fez parte da sociedade secreta dos Amigos livres, fundada depois da dissolução da constituinte brazileira, e foi um dos fundadores da sociedade Federalista, envolvendo-se nos movimentos de 1831. Foi membro titular da academia imperial de medicina ; da sociedade Auxiliadora da industria nacional ; socio fun- dador e presidente da sociedade Pharmaceutica ; socio e também presi- dente da sociedade nacional dos artistas brazileiros, Trabalho, união e moralidade. Escreveu: - Nova Luz Brazileira. Rio de Janeiro, 1829 a 1831, dons tomos in-4°- E' uma publicação periódica em que collaboraram outros. 316 EZ - Revista pharmaceutica: jornal da sociedade Pharmaceutica bra- zileira. Rio de Janeiro, 1851 a 1857, cinco tomos in-4° - Teve por companheiros nessa revista seu filho de igual nome e outros médicos e pharmaceuticos. No primeiro tomo acha-se seu discurso de installação da sociedade, sendo o autor presidente delia. - Discurso historico sobre a pharmacia no Brazil, recitado na aca- demia imperial de medicina a 30 de junho de 1837. Rio de Janeiro, 1837, 16 pags. in-8°- Anda também na «Revista Medica Fluminense», tomo 3o - Ha nesta revista outros escriptos seus, como : - Discurso sobre a necessidade de um codigo pharmaceutico bra- zileiro ; lido, etc.- No tomo 2o, 1836. - Observações sobre a cataplasma de linhaça; lidas, etc. - No tomo 3°, 1837. - Breves reflexões sobre os ferruginosos destinados para usos médicos - Nos annaes de medicina, tomo Io, 1845-1846, ou tomo 13° dos annaes brasilienses. EzeQuiel Cori'êa dos Santos, 2o- Filho do prece- dente e de dona Francisca das Chagas Santos, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, fez o curso de Pharmacia, e depois o de medicina, recebendo o gráo de doutor em 1848 na faculdade desta cidade. Nomeado por occasiãode serem reformadas as faculdades de medicina, em 1855, lente substituto da do Rio de Janeiro, passou em 1859 a lente effectivo da cadeira de pharmacia. Teve o titulo de conselho do Imperador ; é commendador da ordem de Christo ; socio da associação brazileira de acclimação, da sociedade pharmaceutica brazileira, etc. Escreveu : - Monographia do geisospermum Vellosii (pào pereira): dissertação inaugural. Rio de Janeiro, 1848,26 pags. in-4°. ' - Memória histórica dos acontecimentos notáveis no anno lectivo de 1875. Rio de Janeiro, 1876, 64 pags. in-fol. - Relatorio da analyse qualitativa e quantitativa das aguas mine- raes de Baependy e Campanha na provincia de Minas Geraes. Rio de Janeiro, 1874, 29 pags. in-4°- Vem também nos annaes brazilienses de medicina, tomo 34°, 1874-1875, sendo também assignado pelos Drs. Agostinho José de Souza Lima e José Borges Ribeiro da Costa. - Relatórios sobre as aguas mineraes de Baependy, da Campanha e de Caídas na provincia de Minas Geraes, apresentados ao ministério dos negocios do império pela commissão nomeada para analysal-as, 1874-1875. Rio de Janeiro, 1875, 35 pags. in-fol. - São dous relato- rios, em collaboração com os Drs. Souza Lima e Borges da Costa. Vem também na Revista Medica, 1874-1875, pags. 89, 97, 123, 129, 153 e FA 317 segs. eno Relatorio do ministério do império de 1875. O Dr. Ezequiel foi, com seu pae, um dos redactores da Revista Pharmaceutica. Ezeqviiel Ramos Júnior - Estudante da faculdade de direito de S. Paulo, com 19 annos de idade, poeta, acaba de dar á publicidade : - Poemas. S. Paulo, (?) 1892 - Tenho noticia apenas de que os versos são bonitos, mas são tristes, revelando sentimento profundo de quem os escreveu. E já isso se deve esperar, quando à frente do livro vê-se estampada, ornando-o, uma caveira 1 IPaJbio A.lexaiid.rino de Carvalho Reis - Filho de Antonio José dos Reis e de dona Anna Rosa de Carvalho Reis, nasceu em Itapicurú-mirim, do actual Estado do maranhão, a 13 de outubro de 1815 e falleceu no Rio de Janeiro a 26 de fevereiro de 1890, bacharel em direito pela faculdade de Olinda, formado em 1838 e offlcialda ordem da Rosa. Em dezembro de 1840 foi nomeado collector geral das rendas do Maranhão e, passando em 1842 a servir o cargo de procurador fiscal, foi ao cabo de dez annos nomeado inspector da alfandega do Pará pelo ministro da fazenda Visconde de Itaborahy, um dos chefes do partido que elle combatia na imprensa e no parlamento, e administrou esta província, como seu 1" vice-presidente, de maio a agosto de 186O.Da alfandega do Pará foi em 1863 removido para a de Pernambuco e desta em 1864 para a do Rio de Janeiro. Em 1867, deixando o serviço de fazenda por ter sido removido para a inspectoria do Rio Grande do Sul, fundou no Rio ,de Janeiro um estabelecimento de instrucção com o titulo de collegio Perseverança; mas em 1872 deixou-o por haver sido reintegrado no cargo de inspector da alfandega de Pernambuco, donde passou em 1882 para a da Bahia, e foi aposentado em janeiro do anno seguinte, sendo poucos dias depois nomeado membro interino do conselho naval. Foi deputado â assembléít de sua província em duas legislaturas : à geral na de 1848, que foi dissolvida, e em tres posteriores, e figurou numa dista tríplice para senador. Além de muitos pareceres que constam de relatórios do ministério da fazenda, escreveu : - Breves considerações sobre a nossa lavoura e outros artigos publi- cados no Diário do Maranhão e no Progresso. S. Luiz, 1852,64 pags. in-8°. 318 IA - Breves considerações sobre a nossa lavoura. S. Luiz, 1856, 66 pags. m-8°. - Carlas a um amigo velho. Ligeiro estudo economico e industrial do Maranhão. Rio de Janeiro, 1877, 48 pags. in-8°. - Creação e augmento de impostos: parecer do inspector da alfan- dega da côrte, etc. Rio de Janeiro - Sahiu depois no Diário do Povo, 1868, ns. 77, 78 , 82, 83 e 84. - Relatorio sobre a provincia do Gram-Parà, apresentado ao passar a administração ao Exm. Sr. Angelo Thomaz do Amaral em 8 de agosto de 1860. -• Relatorio apresentado a S. Ex. o Sr. ministro da fazenda pela commissão de inquérito industrial. Rio de Janeiro, 1882, dous vols. in-4° - Assignado também por Alexandre A. R. Sattamini e Honorio A. deAquino Franco - O Dr. Fabio collaborou para alguns jornaes, como o Archivo Maranhense e redigiu : - O Argos Maranhense : periodico moral, politico e litterario. Per- nambuco, 1838, in-fol. - Com seus collegas F. J. Furtado, Borges Castello Branco, J. P. Dias Vieira e Carvalho Moreira, depois Barão de Penedo. - O Dissidente (folha politica). Maranhão, 1842, in-fol. - Foi crea- do para combater o Correio Maranhense, redigido pelo Dr. Manoel Jansen do Paço. Eram também da redacção d'O Dissidente o citado Dias Vieira, os irmãos Francisco e Fernando Vilhena e J. Francisco Lisboa. Esta folha passou depois a chamar-se o Echo da Opposição. - O Progresso. Maranhão, 1847 a 1857, in-fol. - com A. do Rego e A. T. de Carvalho Leal. Foi a primeira publicação que a provincia do Maranhão teve, em que começaram a publicar-se folhetins em rodapé, sendo ahi impressos os romances traduzidos por A. do Rego: Os mysterios da inquisição, de Fereal ; Quitança à meia-noite, e o Mendigo Negro, de Paulo Feval. Sahiu o Io numero a 2 de janeiro de 1847. Em 1848 passou a redacção ao Dr. Carlos Ribeiro e J. J. Ferreira Valle. Desapparecendo em 1856, reappareceu em 1861, a 27 de março, mas só duas vezes por semana. IPtíbio Hostilio de Moraes Rego - Genro do pre- cedente, filho de João Baptista de Moraes Rego e também natural do Maranhão, é bacharel em sciencias physicas e mathematicas e tem exercido varias commissões importantes por nomeação do governo. Servia o cargo de chefe da commissão de melhoramentos hydraulicos do Estado do Maranhão, quando, em julho de 1890, foi nomeado pri- meiro engenheiro da estrada de ferro Central, o deste logar passou, 319 em fevereiro de 1891, para o de sub-intendente geral de todos os ser- viços da companhia geral de melhoramentos naquelle Estado e chefe da secção hydraulica. Escreveu : - Breve noticia: sobre a província do Maranhão. Exposição nacional. Rio de Janeiro, 1875, 82 pags. in-8°. - Theoria completa dos cometas : these de concurso na escola poly- technica. Rio de Janeiro, 1881, in-4° - E' dividida em tres partes e seguida de proposições sobre dinamíca celeste e equações simultâneas. - Relatorio sobre o melhor porto de mar para a estrada de ferro D. Thereza Christina, meios mais efflcazes para melhorar o trafego desta estrada, e estado das minas de carvão do Tubarão. Rio de Ja- neiro, 1890-E'assignado também por Luiz Felippe Gonzaga de Campos e João Caldeira de Alvarenga Messeder. Falbio Nunes Leal - Natural do Maranhão e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1868, escreveu : -Anti-projecto de constituição do Estado do Maranhão. S. Luiz, 1890. Fausto do Aguiar Cardoso - Filho do tenente- coronel Felix Zeferino Cardoso, é natural de Sergipe e bacharel em sciencias sociaese jurídicas, formado pela faculdade do Recife em 1884, e professor da faculdade livre de direito. Foi delegado de policia na capital federal, collaborou na União Federal e escreveu: - Cosmogonia política e americana. Rio de Janeiro (?), 1892 - E' um livro em que o autor mostra séria applicação ao assumpto e faz referencia ã nossa historia política desde a monarchia até ã republica federal. Dã-nos a razão de ser esta fôrma política na America a unica acceitavel e, pela sua plasticidade e maleabilidade, capaz de corresponder às necessidades de uma evolução summaria abreviada ; procura explicar a existência da fôrma monarchica no Brazil, sua não assimilação pelo paiz e, finalmente, sua eliminação no momento em que começava a surgir uma autonomia, uma caracteristica no grupo humano constituído pelo povo brazileiro; procura ainda explicar a razão de ser do militarismo entre nòs. Este autor tem outros trabalhos de alta sciencia, como : - Aillusão teleologica : serie de escriptos -que começou a publicar no Diário de Noticias de 8 de agosto de 1892, e em seguida: - A hereditariedade psychologica; sua influencia no indivíduo, na família, nas raças e nas nações - na dita folha, agosto e setembro de 1892. 320 FA Fausto .AuUg-asto <Le Aguiar - Filho do João Fran- cisco de Aguiar e de dona Narciza Angélica de Aguiar, nasceu na ci- dade do Rio de Janeiro a 19 de dezembro de 1817, e falleceu a 25 de fe- vereiro de 1890 na mesma cidade. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, exerceu diversos cargos, sendo aposentado no de director geral da secretaria do império, e presidiu as provincias do Ceará e do Pará que o elegeu seu representante nas tres legislaturas geraes de 1856 a 1864 e nas de 1869 a 1875, anno em que foi eleito senador pela mesma provincia. Era do conselho do Imperador, commendador da ordem da Rosa, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Escreveu : - Relatorio da presidência do Gram-Parâ na abertura da 2a sessão ordinaria da sétima legislatura provincial no dia 15 de agosto de 1851. Pará, 1851, in-4°. - Exposição apresentada ao... presidente do Amazonas, João Baptista de Figueiredo Tenreiro Aranha por occasião de seguir para a mesma provincia. Pará, 1851, in-fol. - Era o autor presidente do Pará. - Exposição de algumas questões concernentes aos limites e modo de exercício de varias attribuições, conferidas pelo acto addicional ás assembléas provinciaes e aos presidentes de provincia. Rio de Janeiro, 1864, 65 pags. in-8°. Ftiusto Carlos Barreto - Filho de Antonio Carlos Barreto, e natural da provincia do Ceará, matriculou-se em 1874 no primeiro anno da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, onde es- tudou até o quarto anno e depois deu-se ao magistério, a principio como professor livre de portuguez, francez, latim e inglez, e depois como professor da lingua patria no collegio de Pedro II. Representou o Ceará na ultima legislatura geral da monarchia. Collaborou activamente na Tribuna, orgão do partido liberal e escreveu : - Archaismos e neologismos da lingua : these para o concurso a um logar de substituto da cadeira de portuguez e litteratura geral do collegio de Pedro 11. Rio de Janeiro, 1879, in-8°. - Themas e raizes : these para o concurso à cadeira de portuguez do 2° ao 5o anno do internato do imperial collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1883, 58 pags. in-8°. - Selecção litteraria ( em verso e prosa ) de alguns dos principaes escriptores da lingua portugueza do século XVI ao século XIX. Rio de Janeiro, 1887 - E' precedida de duas introducções, uma sobre gram- matica, outra sobre versificação portugueza, e escripta de collaboração KJE 321 com o Dr. Vicente de Souza. Adoptada no gymnasio nacional e na escola normal, teve segunda edição muito melhorada em 1891. Feliciano Antonio Falcão - Filho do brigadeiro Manoel Antonio Falcão e de dona Maria do Carmo Monteiro Falcão, nasceu em S. Luiz do Maranhão a 31 de maio de 1810, e falleceu de uma congestão cerebral a 19 de junho de 1853 em Pernambuco no exercicio de com mandante das armas, brigadeiro do exercito, digni- tário da ordem do Cruzeiro, official da ordem da Rosa, cavalleiro da de S. Bento de Aviz e condecorado com a medalha da divisão que assistiu à batalha de Monte-Caseros em 1852. Assentou praça com tres annos de idade e havia sido promovido ao ultimo posto poucos dias antes de morrer, servindo sempre na arma de infantaria. Escreveu : - Resposta do coronel Feliciano Antonio Falcão aos artigos da queixa que contra elle articulou o major José Maria da Costa Araújo. Porto Alegre, 1852, 73 pags. in-8°. Feliciano Calliope Monteiro <le Mello - Natural de Pernambuco, por onde foi eleito senador estadoal depois de procla- mada a republica, assentou praça no exercito em 1848, estudou os dous primeiros annos da escola militar do Rio Grande do Sul, e serviu na arma da infantaria, achando-se actualmente reformado no posto de general de divisão. E' offlcial da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha da campanha do Uruguay de 1851 a 1852, com a das forças expedicionárias de Matto Grosso por occasião da guerra do Paraguay, e com a medalha dessa guerra. Escreveu : - O consultor militar. A.ide memoire. Rio de Janeiro, in-83- Contém por ordem alphabetica a synopse das disposições em vigor, con- tidas nas leis, decretos, regulamentos, avisos, instrucções e peculiares publicadas nas ordens do dia do ajudante general do exercito desde a primeira destas até á ultima do anno de 1871. - As eleições de Villa-Maria : poema dedicado aos liberaes. Rio de Janeiro, 1866, 11 pags. in-8°- Assim está no frontispicio deste tra- balho ; dentro se diz : Poema necrologico em um acto e um prologo. Feliciano Joaquim de Souza Nunes-Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, segundo posso calcular, entre o pri- meiro e o segundo quartel do século XVIII, e falleceu em 1809 ou 1810. Exerceu o cargo de almoxarife dos armazéns dessa mesma cidade por nomeação do capitão general Gomes Freire de Andrade, que muito o estimava e a quem foi sempre reconhecido e tanto, que foi o iniciador 322 FE da idéa de fundar-se uma academia composta de homens de lettras com o tim de cantarem-se em prosa e verso as virtudes do mesmo governador, quando este foi promovido ao posto de mestre de campo general e a primeiro commissario da medição e demarcação dos limi- tes meridionaes do Brazil. Realizando-se a fundação da academia dos selectos, foi um dos que mais se esforçaram, não direi para o en- grandecimento desta associação, porque ella finou-se ao nascer ; mas para essa sessão que se chamou acto académico panegyrico. Escreveu: - Discursos políticos moraes, comprovados com vasta erudição das divinas e humanas lettras afim de desterrar do mundo os vicios mais inveterados, introduzidos e dissimulados. Tomo primeiro, dedicado ao Illm. e Exm. Sr. Sebastião José de Carvalho e Mello, do conselho de Sua Magestade, secretario de estado dos negocios do reino, etc. Lisboa, 1758, in-8° -E' um livro de cerca de 300 paginas com as da dedicatória, prologo, etc., essencialmente doutrinal. Houve segunda edição no Rio de Janeiro, 1851, com um prefacio do Dr. Emilio Joaquim da Silva Maia. Os outros volumes não foram publicados. Seu autor tinha ido a Portugal com os autographos, animado das mais lisonjeiras esperanças e imprimiu o primeiro tomo que apresentou ao ministro portuguez sem pedir-lhe antes licença para dedicar-lhe a obra. E tanto bastou para que fosse mal recebido deste, fosse reprehendido acrimoniosamente por dar á publicidade doutrinas anarchicas e fosse mandado voltar immediatamente ao Brazil, sendo relevado de maior pena que não fosse a de queimar desde logo o volume impresso e os que estavam promptos a entrar no preloI Poderá não ser assim, si Souza Nunes era brazileiro illustrado e até queria ver no Brazil uma sociedade de lettras! Sé tres exemplares do livro escaparam das chammas, sendo de um delles extrahidos excerptos que foram pu- blicados na antiga Revista Brasileira, tomo 2o, pag. 8, tomo 3o pag. 5 e tomo 5o pag. 6. Deste livro publicou-se ainda : - Do estado conjugal: discurso politico e moral, etc. Rio de Janeiro, 23 pags. in-4° - Vem sob o titulo de Bibliotheca Brazilica, ou collecção de obras originaes ou traduzidas de autores celebres da Minerva Braziliense, tomo Io, e forma com outra obra o 4o numero. - Venturosos annuncios da chegada do Illm. e Exm. Sr. Marquez de Lavradio á cidade do Rio de Janeiro por vice-rei e capitão general do Estado do Brazil. Lisboa, 1771, 29 pags. in 8o - São escriptos em verso e prosa. - Demonstração do maior jubilo no fausto dia 12 de março de 1769 om que se celebraram os annos do Illm. e Exm. Sr. Conde de Azam- buja. Lisboa, 1771, 19 pags. in-8°. KJE 323 - Relação panegyrica dedicada a Gomes Freire de Andrade sobre a procissão .do Triumpho, feita pelas freiras do novo convento de Nossa Senhora da Ajuda - Desta obra dá noticia o commendador J. Norberto tratando da academia dos selectosna Reoista Popular, anno 4o, n. 90, pags. 263 a 276 - assim como do - Discurso político e historico contra a loquacidade vaidosa a favor do silencio profundo; dedicado ao mestre de campo André Ribeiro Cou- tinho - Ha finalmente de Souza Nunes: - Politica brazileira - E' um tratado de moral, inédito, te que o Visconde de Porto Seguro possuia uma cópia e dizia ser escripto ao gosto dos « Deveres do homem » de Silvio Pellico. feliciano José Neves Gonzaga - Filho de Feli- ciano José Neves Gonzaga e de dona Maria Luiza Jordanis Gonzaga, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a G de junho de 1859. Foi alumno em 1875 do antigo externato da escola de marinha e, entrando no anno seguinte para a directoria geral dos correios como praticante, ainda frequentou a escola polytechnica em 1877 e depois a faculdade de me- dicina. Actualmente é primeiro official daquella directoria, onde já ex- erceu o cargo de chefe de secção em commissão ; é cavalleiro da ordem da Rosa por serviços relevantes á sua repartição - Para o funcciona- lismo dessa repartição escreveu vários trabalhos que foram publicados sem sua assignatura ; mas que vê-se de documentos offlciaes que são de sua penna. São elles : - Regulamento dos Correios do Império, approvado pelo decreto n. 9912 A, de 2G de março de 1888. Rio de Janeiro, 1888- Este tra- balho é escripto em collaboração. - Convenção de 1 de junho de 1878 e seu regulamento, com as alte- rações constantes dos actos addicionaes do Congresso Postal de Lisboa (traducção). Rio de Janeiro, 1889. - Instrucções para execução do Regulamento dos Correios, approvado pelo decreto n. 9912 A, de 26 de março de 1888. Rio de Janeiro, 1889. - Instrucções para a execução do serviço de permutação de corres- pondência com os paizes estrangeiros. Rio de Janeiro, 1889. - Regulamento dos Correios da Republica, approvado pelo decreto n. 368 A, de 1 de maio de 1890. Rio de Janeiro, 1890 - E' escriptoem collaboração. - Instrucções para execução do serviço de encommendas registradas com valor declarado. Rio de Janeiro, 1890. - Instrucções para o estabelecimento da posta rural no município federal - No Boletim Postal de 1890. Rio de Janeiro, 1890. 324 FE - Instrucções para o serviço da distribuição por expressos. Rio de Janeiro, 1890. - Regulamento para as caixas económicas postaes (inédito)- 1890. - Codificação dos regulamentos postaes vigentes, 1884 - Não me consta que fossem impressos. Sei que estavam no archivo do ministério da agricultura. E como esta, sei que Neves Gonzaga tem as seguintes obras : - Historia Postal Universal, com grande desenvolvimento quanto ao Brazil. t - Tratado de geographia postal. - Diccionario geographico postal do Brazil. - Compendio de legislação postal. - Guia postal do Brazil. - Guia do agente do correio - Neves Gonzaga fundou e redigiu : - Gazeta Postal. Rio de Janeiro, 1883 - Sahiu o primeiro numero em julho e o ultimo em dezembro deste anno. Feliciano de Mello (Fr.) - Filho de Pantaleão Ferraz e de dona Maria de Mello e Silva, nascido em Pernambuco, na villa de Igua- rassú em 1679, foi religioso carmelita, professo no convento de Olinda a 27 de dezembro de 1714, leccionou sciencias ecclesiasticas em sua ordem e, depois de jubilado na cadeira de prima, recebeu o grão de doutor em theologia na universidade de Coimbra. Escreveu muitos sermões ; mas só consta que publicasse : - Sermão prégado na solemnidade do Desaggravo, que os capitulares da Sé da Bahia fizeram celebrar pelo desacato que se fez ao Santíssimo Sacramento na mesma cathedral. Lisboa, 1730, in-4°. Feliciitiio Nuues JPires - Natural da província de Santa Catharina e filho de Antonio Nunes Ramos e de dona Maria Joaquina Pires, falleceu a 12 de setembro de 1840 na cidade do Rio de Janeiro. Exerceu o cargo de inspector da alfandega da dita cidade, donde passou a administrara província do Rio Grande do Sul ; representou esta pro- vincia de 1827 a 1829 comõ deputado supplente: deu-se na mesma província ao magistério, leccionando latim e outras matérias, e também ao foro como advogado provisionado. Antes disto presidiu sua provín- cia natal. Além de relatórios que publicou neste e em igual exercício no Rio Grande do Sul, escreveu : - Grammatica da lingua ingleza - Nunca pude ver este livro, assim como vários hymnos, que foram cantados em festividades solem- nes, e diversas poesias. Destas sò conheço: FF 325 - Dous sonetos - sobre a liberdade religiosa, que se acham reprodu- zidos na « Breve noticia e elogio historico de Feliciano Nunes Pires » por seu sobrinho, o Dr. Evaristo N. Pires. Sahiram sob a assignatura «O Brazileiro na razão ». Feliciano Pinheiro <le Bittencourt-Filho de Eugênio Francisco de Bittencourt e de dona Alexandrina Pinheiro de Bittencourt, nasceu na villa de Santa Maria da Bocca do Monte, no Rio Grande do Sul, a 9 de junho de 1854, e é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro; socio benemerito da associação Promotora da instrucção; socio do Instituto historico e geographico brazileiro e da sociedade de geographia, e cavalleiro da ordem da Rosa. Desde seu terceiro anno medico frequentou a tribuna popular, fazendo conferencias na escola da Gloria; leccionou varias disciplinas em collegios desta capital; foi professor gratuito da associação de que é socio benemerito e do lyceo de artes e offlcios e, em 1882, apresentou-se a concurso para a cadeira de historia e corographia do Brazil do antigo collegio de Pedro II hoje gymnasio nacional, sendo habilitado para o magistério por unanimidade de votos. Escreveu : - Hemorrhagia cerebral; Falsificação do sulfato de quinino; Resecções em geral; Funcções do fígado : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1878, 77 pags. in-4°. - Do uso e abuso do tabaco. Rio de Janeiro - Descobrimento do Brazil e seus primeiros exploradores : these de concurso para a cadeira de historia e corographia do Brazil, etc. Rio de Janeiro, 1882, in-4°. - Origem cias especies e America prehistorica: conferencias, etc. Rio de Janeiro, 1889, in-4° - Na primeira parte deste livro o autor declara-se francamente poligenista e sectário da theoria dos centros múltiplos da creação ; na segunda diz que é dogma scientifico ter o homem vivido no periodo quaternário ou glacial, anterior ao actual; que está bem demonstrado ter elle sido contemporâneo do elephante primitivo (mam- mouth), do rhinoceronte, do urso das cavernas, da hyena fóssil, etc.; que não se pôde hoje em dia contestar o facto de haver elle luctado com esses animaes e tel-os vencido com o auxilio de seus rudes instrumentos de pedra lascada. Occupa-se depois do darwinismo em duas conferen- cias e passa a tratar da America prehistorica, dos seus aborígenes, etc. Fel i 11 to Perry - Nascido no actual Estado do Rio Grande do Sul, a 23 de janeiro de 1844, e ahi fallecido a 3 de abril de 1892 no exercício do cargo de capitão do porto, fez o curso da academia de 326 FE marinha e era capitão do mar e guerra da armada ; ofilcial da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz ; cavalleiro da de Christo ; condecorado com a medalha da campanha oriental do UrugUay de 1865, com a da campanha do Paraguay, e a do combate naval de Riachuelo. Escreveu: - O Presidente Garfleld por Emilio de Lavelley, membro do instituto do direito internacional, das academias reacs da Bélgica, de Madrid, de Lisboa, etc. Vertido do francez. Rio Grande do Sul, 1882, in-4°. Felislbello Firmo de Oliveira Freire - Filho do major Felisbello Firmo de Oliveira Freire e de dona Rosa do Amarante Góes Freire, nascido em Itaporangi, Sergipe, no anno de 1858 e dou- tor em medicina pela faculdade da Bahia, foi o primeiro governador do Estado de seu nascimento, do qual é deputado no congresso federal. Começou a exercer a clinica na cidade de Larangeiras, cm cuja im- prensa figurou, e foi quem creou em Sergipe o partido republicano. Na camara dos deputados foi o relator da commissão de reorganização dos Estados depois do movimento de 23 de novembro de 1891, e do julgamento do Congresso sobre a constitucionalidade da decretação de sitio a 10 de abril de 1892 e do projecto de amnistia. E' socio do Insti- tuto historico e geographico brazileiro e escreveu: - Os caracteres clínicos da scirrhose hypertrophica são sufflcientes para classifical-a como uma moléstia da scirrhose atrophica ? Das com- plicações cardiacas nas diversas fôrmas de nevrites e sua pathogenia ; Asphyxia por submersão ; Considerações acerca da eclampsia e seu tratamento: these, etc. Bahia, 1881,71 pags. in-4°. - Evolução da matéria, leis e causas de suas fôrmas: conferencia recitada na noite de 25 de novembro de 1887, em sessão do club demo- crático. Larangeiras, 1888, 37 pags. in-8°. - Historia de Sergipe. Rio de Janeiro, 1891 - E' um livro de valor historico abangendo épocas do descobrimento do Brazil a 1855 ; e delle foi publicada: - Colonisação de Sergipe de 1500 a 1600 ; governo de Thomé da Rocha e Diogo de Castro: memória offerecida ao Instituto historico e geographico brazileiro - no livro « Instituto Historico. Homenagem ao seu quinquagenario em 21 de outubro de 1888 » de pags. 205 a 227. Alguns trechos foram também reproduzidos no periodico: - O Republicano. Larangeiras, 1889-1890, in-fol.- Este periodico foi fundado e redigido pelo Dr. Felisbello até assumir o governo de Sergipe. Tem na imprensa diaria vários escriptos, como: - O protestantismo e a sciencia: serie de artigos - no Repu- blicano, 1885. FE 327 - Paralisia entro Roberto Pires Ferroira e o padre Antonio Vieira: serie de artigos - no mesmo jornal, 1886. - População de Sergipe, leis de seu desenvolvimento: serie de artigos - Idem, 1886. - O Habeas-corpus: serio de artigos -~ no Jornal do Brazil, de que foi um dos redactoros. Felisberto Caldeira Uríint JPontes, Marquez de Barbacena - Filho do coronel Gregorio Caldeira Brant e de dona Maria Francisca de Oliveira Horta, nasceu em Marianna, Minas Geraes, a 19 de setembro de 1772 e falleceu no Rio de Janeiro a 13 de junho de 1841, sendo marechal do exercito ; conselheiro de estado ; senador do im- pério; gentil-homem da imperial camara ; mordomo da Imperatriz; alcaide-mór da villa de Jaguaripe ; cavalleiro da ordem de Pedro I, gran-cruz das do Cruzeiro e da Rosa, commendador da de Christo, etc. Aspirante a guarda-marinha, matriculou-se na academia respectiva, quando se estabelecera para animar o talento um posto de accesso para os alumnos premiados e tantos foram os prémios que alcançara, que lhe competia no flm do curso o posto de capitão de mar e guerra ! Não parecendo, porém, razoavel dar-se a um mancebo tão alto posto, deu-se-lhe o de major do estado-maior do exercito, com a nomeação de ajudante de campo de seu tio, o governador de Angola, onde esteve dous annos. Foi o descobridor da conspiração mineira em 1789, achando-se então no governo déi capitania, e adquirindo por isso muitos inimigos; desempenhou outras commissões militares de paz e de guerra; foi deputado á constituinte brazileira pela província da Bahia, onde se casara; entrou depois em listas para senador por tres pro- víncias ao mesmo tempo, da Bahia, de Minas e de Alagoas, por onde foi escolhido; foi a Londres em 1824 negociar um empréstimo e tratar do reconhecimento definitivo de nossa independencia ; tornou á Europa em 1828 acompanhando'a joven rainha de dona Maria II que ia ser con- fiada a seu avô materno, o Imperador da Áustria, e ao mesmo tempo com instrucções e poderes para celebração dos esponsaes de D. Pedro I com a princeza dona Amélia de Leuchtemberg, com a qual chegou á côrte em outubro de 1829; organizou o ministério de 4 de dezembro deste anno, occupando a pasta da fazenda, sendo demittido a 2 de outubro do anno seguinte pela conveniência de liquidar-se a divida de Portug d contrahida em 1825 e ser para isso necessário tomarem-se previamente as contas da caixa do Londres, e finalmenle foi á Ingla- terra em 1836 tratar da interpretação do tratado de commercio que devia cessar com a Gran-Bretanha. O doutor J. M. de Macedo no seu FE 328 Anno biographico, tomo 3®, assim como Pinheiro Chagas nos Brazi- leiros illustres e Antonio de Vasconcellos Menezes Drumond em suas Memórias, dão noticia do occorrido em diversas commissões, e de actos de cavalheirismo, generosidade, philanthropia e civismo do Marquez de Barbacena, de cuja vida e acções publicou J. J. da Silva Guimarães uma noticia abreviada em 1825. Escreveu: - Officioy dando conta para a corte de haverem abortado os planos de Tiradentes e seus socios - Vem na Revista do Instituto historico, tomo 49°, parte Ia, pags. 157 a 175. E' datado de Villa Rica, 11 de julho de 1789. - Defesa dos negociadores do empréstimo brazileiro em Londres contra as invectivas do parecer da camara dos deputados sobre o relatorio do ministro da fazenda. Rio de Janeiro, 1826, 26 pags. in-4°. - Conta geral da caixa de Londres desde a sua installação no anno de 1804 até ao fim de 1830. Rio de Janeiro, 1831-1832, 2 partes com diversos mappas - Neste volume se acham também relatórios da commissão de exame, pareceres, etc. (Veja-se Antonio José da Silva, 2o e Joaquim Teixeira de Macedo) relativamente às despezas feitas com S. M. Fidelíssima, com os emigrados portuguezes na Inglaterra e principalmente com o casamento do Imperador. Foi o exame destas despezas que não se podiam verificar legalmente sendo o Marquez ministro da fazenda, como se declara no decreto, que deram motivo à sua demissão do gabinete ; e por esta occasião já havia elle dirigido ao ministro, que referendou o decreto, um longo - Officio - em que se defende (combatendo as asserções do decreto, e atira allusões ao governo pessoal do Imperador e á influencia de uma camarilha secreta). Rio de Janeiro, 1829. - Reforma da constituição: discurso proferido na camara dos sena- dores na sessão de 18 de maio. Rio de Janeiro, 1832, in-8°- São de sua penna as - Instràcções que estão em pratica nos corpos de cavallaria do império do Brazil, mandadas ensinar pelo Visconde de Barbacena, quando inspector desta arma. Colligidas por um offlcial, etc. Rio de Janeiro, 1832, in-8°- Ha quem supponha da penna do Marquez de Barbacena: -- Historia da campanha do Sul em 1827. Batalha de Ituzaingo por ***- Foi publicada na Revista do Instituto historico, tomo 49°, pags. 289 a 554, sendo offerecida ao mesmo instituto por um filho do Marquez, o Visconde de Barbacena. E' uma obra de subido valor, onde se verificam com documentos, até então desconhecidos, os factos, taes FE 329 quaes se deram ; destroem-se opiniões dominantes que alteram certos fa- ctos, discutem-se taes opiniões e apontam-se as causas que iníluiram para que ellas dominassem. VelisBevto Ignacio .iamim-io Cordeiro - Nas- cido em Lisboa no anno de 1774, ahi falleceu cidadão brazileiro em fins de 1855 com mais de oitenta annos de idade. Alguns opusculos que publicara contra Napoleão e os invasores francezes o fizeram temer, vendo o exercito de Massena approximar-se de Lisboa em 1810, que fosse chamado a contas, e então tratou de retirar-se para o Brazil com a nomeação que alcançou de escrivão de um navio de guelra, deixando o logar que tinha de official da secretaria da junta de fazenda, diz Inno- cencio da Silva. Eífectivamente veiu para o Brazil, onde foi encar- regado de rever diversas repartições publicas; depois foi nomeado official da junta de fazenda dos arsenaes do exercito, servindo como se" cretario até 1816, data em que passou a thesoureiro da casa real. Foi contador do erário, e socio da Arcadia com o nome de Falmeno. Consta-me mais que fora patriota exaltado da independencia do Brazil, e estava por isso determinado seu exilio para a África, quando foi pro- clamada a independencia. Foi um dos redactores do - Jornal scientifico, economico e litterario. Rio de Janeiro, 1826, 276 pags. in-4° - e escreveu : - Poesias de um lisbonense F. I. J. C. Lisboa, 1805, 128 pags. in-8°. - Bonaparte erguido pela fortuna. Lisboa, 1808, 15 pags. in-4° - E' um opusculo de versos soltos. - Furores, remorsos e transportes do tyranno e falsario Napoleão. Lisboa, 1808, 14 pags. in-4° - E' um opusculo igual ao precedente em verso. - Inventario dos roubos feitos pelos francezes em os paizes invadidos pelos seus exercitos, traduzido de um papel inglez, intitulado « Cartas de Alfredo ». Lisboa, 1808, 16 pags. in-4°. - Manifestação política contra as actuaes circumstancias, traduzida do hespanhol. Lisboa, 1808, 8 pags. in-4". - O tyranno da Europa, Napoleão I: manifesto que a todos os povos do mundo e particularmente aos hespanhoes, apresenta o licenciado D. J. A. C. Traduzido do hespanhol. 25 pags in-4° - Não se declara o logar, nem o anno da publicação. - Bonaparte sem mascara. Traduzido do hespanhol. Lisboa, 1808, 11 pags. in-4a. - Como se pensa em França de Bonaparte, ou noticia particular da vida deste homem. Traduzido do hespanhol. Lisboa, 1808, 27 pags. in-4°. 330 FE - Obras poéticas. Rio de Janeiro, 1827 e 1828, 5 vols. in-8n- No primeiro volume acha-se a tragédia original Nuno Gonçalves Faria, e no quarto a comedia Frederico II em Habelschwert. - Epistola sobre o poder da formosura e cinco soliloquios. Rio de Janeiro, 1835, in-8°- Seguem-se a estas composições outras poesias, e tem o livro a designação de sexto volume. - Obras poéticas de Falmeno. Rio de Janeiro, 1840, 2 vols. in-8° - Com designação de sétimo e oitavo volumes. ITeliislberto Rodrigues Pereira de Oarvítllio - E' natural, do Estado do Rio de Janeiro e nascido a 9 de agosto de 18... Professor publico, habilitado pela escola normal, foi professor interino da cadeira de pedagogia da extincta escola normal para o sexo feminino e actualmente é professor adjunto da escola normal e membro do conselho da instrucção da capital federal. Escreveu : - Elementos de grammatica portugueza para uso dos alumnos da instrucção primaria. Rio de Janeiro, 1880, in-8°- A quinta edição é de 1883. - Selecta dos autores modernos, destinada aos exames de leitura das classes adiantadas nas escolas primarias, etc. Rio de Janeiro, 1881, in-8°. - Exercícios da lingua portugueza, concernentes á grammatica elementar. Rio de Janeiro, 1883, in-8°- O seu fim, diz elle, é dai' o lado pratico da disciplina, de que apenas apresentou o lado theorico. Segunda edição, 1885. - Exercícios de estylo. Redacção. Rio de Janeiro, 1885, in-8°-São exercicios de redicção. - Diccionario grammatical auxiliar dos exercicios de analyse ety- mologica e lógica da lingua portugueza. Rio de Janeiro, 1886, in-8°. - Trechos escolhidos para os exercicios de analyse lógica. Rio de Janeiro, 1887, in-8.° - Tratado de methodologia. Rio de Janeiro, 1888, 218 pags. in-8° com duas gravuras. - Arithmetica das escolas primarias. Rio de Janeiro, 1888. - Lições de historia natural. Rio de Janeiro, 1888, in-8°. - Exercicios de arithmetica e geometria. Rio de Janeiro - Instrucção civica moral, destinada aos alumnos das escolas nor- maes, lyceos e collegios, compilada de Bert, Machilieau, Sicard e outros conhecidos autores, 2a edição. Rio do Janeiro, 1892, com gravuras. - Primeiro livro de leitura. Rio de Janeiro, 1892. - Segundo livro de leitura - no prelo. fe 331 Felix A.ntonio Clemente Malcher -• Natural, se- gundo me consta, do Pará, foi ahi assassinado em um motim político a 26 de fevereiro de 1835. Era tenente-coronel de milícias e achava- se preso por se ter envolvido nas facções que dilaceravam o Pará, quando sendo assassinado a 7 de janeiro do dito anno o presidente da província Bernardo Lobo de Souza, foi pelos revoltosos acclamado para o logar deste, sem audiência do governo geral; mas teve em pouco tempo igual fim por desharmonia com um aventureiro, também illegalmente revestido do cargo de commandante das armas. Es- creveu : - Defesa de Felix Antonio Clemente Malcher, tenente-coronel de milícias do Pará, um dos presos remettidos daquella província á côrte do Império. Rio de Janeiro, 1824, 8 pags. in-fol. Felix Emilio Taunay-Filho do Barão de Taunay, Nicolâo Antonio Taunay e da Baroneza do mesmo titulo, pae do Vis- conde de igual titulo, e nascido em Montmorency, França, falleceu no Rio de Janeiro a 10 de abril de 1881, sendo cidadão brazileiro; com- mendador da ordem da Rosa; cavalleíro da de Christo e da ordem franceza da Legião de Honra; sccio fundador do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Chegou á cidade do Rio de Janeiro ainda muito criança a 26 de íevereirod e 1816 com seu pae que fazia parte da« notável colonia de homens de elevada categoria social e artística que, a chamado de D. João VI e convite do Conde da Barca, se trans- portara para essa cidade naquella época ». Distinctissimo pintor, como seu pae que era bastante estimado na côrte de Luiz XV, o substituiu na direcção da academia de bellas-artes, por eleição da congregação dos lentes da academia e confirmação do governo imperial, sendo jã pro- fessor de pintura e paizagem. Foi também professor de francez do flnado D. Pedro de Alcantara e de suas augustas irmãs, e ainda de pintura e paizagem, espontânea e gratuitamente, em substituição do respectivo professor Simplicio Rodrigues de Sá. Escreveu: - Astronomie de jeune age. Paris...- Ha segunda edição também de Paris, annotada por E. Liay. - Idílios brasileiros por Theodoro Taunay: traducção do latim. Rio de Janeiro... - A batalha de Poitiers: poema em vinte e quatro cantos - Inédita» assim como uma grande collecção de primorosas e bellas poesias que naturalmente ainda serão publicadas por seu distincto filho, o Visconde de Taunay ; delias só foi impressa: - A' 1'ombre d'Adrien: ode a seu filho mais moço, Amado Adriano 332 FE Taunay -Acha-se na Bevista do Instituto, tomo 54n, parte 2a, pags. 26 a 30. Dentre seus quadros notam-se: - A derrubada. - A mãe d'agua. - O caçador e a onça. Relix Ferreira - Natural do Rio de Janeiro, muito joven foi empregado na bibliotheca nacional e dedicou-se ás lettras e ao jornalismo, sendo o Cruzeiro do Brazil, orgão do instituto catholico, uma das revistas para que collaborou. Estabeleceu-se em 1877 ou 1878 com commercio de livros à rua de S. José n. 110 sob a firma Felix Ferreira & C.a; pouco depois, porém, tornou ao jornalismo e ás lettras. Escreveu: - As deusas do Baldo : comedia em um acto (em verso), Rio de Ja- neiro, 1867, in-12°. - Os dramas do adultério por Xavier de Montepin. Rio de Janeiro, 1873, in-12° - E' um romance dividido em tres partes e cada uma destas em dous vols. a saber : Ia parte: O marido de Margarida, 152-142 pags.. 2a parte: O amante de Alice, 132-160 pags.. 3a parte: A condessa de Nancey, 128-129 pags. Faz parte da « Bibliotheca de Algibeira.» - Bethencourt da Silva: perfil artistico. Rio de Janeiro 1876,56 pags. in-4° - E' uma edição particular de 100 exemplares com photographia. - Do ensino profissional. Lyceo de Artes e Officios. Rio de Janeiro, 1876, 245 pags. in-12°-Contém o livro os estatutos da sociedade Pro- pagadora das bellas-artes eo regulamento interno do dito lyceo. - Selecta dos autores clássicos : Camões, Vieira, Bernardes, Garret, Herculano, Lisboa e Rebello da Silva. Rio de Janeiro, 1876. - Trechos selectos dos autores clássicos. Rio de Janeiro, 1879 - Os trechos são de Bernardes, fr. Luiz de Souza, Rodrigues Lobo e Camões ; de autor brazileiro não se faz menção. - Methodo popular, da lingua franceza, baseado nos princípios de Ahn e Graesser. Com a collaboração de um professor. Rio de Janeiro, 1879. - Noções da vida domestica para uso das escolas brazileiras do sexo feminino. Rio de Janeiro, 1879- Ha também outras edições ; a terceira que tenho á vista, tem este titulo: Noções da vida domestica, adaptadas com accrescimos do original francez á instrucção do sexo feminino nas escolas brazileiras. Adoptadas pelo conselho da instrucção publica di província de Pernambuco e por muitos collegios da côrte. Rio de Ja- neiro (sem data), Typ. de Dias da Silva Júnior, 244 pags. in-8®.-E' uma compilação do que o autor considerou mais conveniente de varias obras FE 333 que leu, môrmente do curso de economia domestica da Sra. Eugenia Hippeau, com accrescimos seus. - Noções da vida pratica : livro de leitura para as escolas e de conhecimentos para o povo. Rio de Janeiro, 1879- Ha outras edições ; a quinta é de 1883 e a oitava de 1892, illustrada. Este livro é escripto, como o precedente, para o mesmo fim, com a mesma introducção, mas para instrucção primaria do sexo masculino. - Guia das aguas mineraes de Caxambu, extraindo dos artigos que publicou na Imprensa industrial. Rio de Janeiro, 1877, 46 pags. in-12°. - Guia do estrangeiro no Rio de Janeiro, contendo a lista alphabetica das ruas, travessas, beccos, praças, ladeiras da cidade do Rio de Janeiro e seus suburbios, bem como a nomenclatura e local de todos os monumentos, igrejas, theatros, bibliothecas, repartições do Estado, bancos, etc. e uma noticia histórica sobre os primeiros monumentos. Rio de Janeiro, 1879, in-12°. - A mà estrella, (romance). Rio de Janeiro, 1879 252 pags. in-12° - Sob o titulo de Bibliotheca para todos. - Sciencia para o povo: publicação mensal (traducções e extractos). Rio de Janeiro, 1880-1881, in-16°-Sahiram vinte numeros. - O lyceo de artes e officios e as aulas de desenho para o sexo feminino. Rio de Janeiro, 1881, 48 pags. in-12°. - A imprensa e o lyceo de artes e officios. Aulas para o sexo feminino. Rio de Janeiro, 1881, in 8o. - A educação da mulher notas colligidas de vários autores, etc. Rio de Janeiro, 1881, 62 pags. in-16.° - Notas bibliographicas. A exposição de historia do Brazil na biblio- theca nacional. Rio de Janeiro, 1882, in-16°-E' uma serie de artigos publicados no Cruzeiro. - Selecta dos quatro autores, adoptados pelo conselho director da instrucção publica, e approvados por aviso de 11 de junho de 1883 para os exames de linguas na côrte e nas provincias. Rio de Janeiro, 1883. - O collegio Menezes Vieira na exposição pedagógica do Rio de Ja- neiro. Rio de Janeiro, 1885, 38 pags. in-8° com 1 est. - O Instituto Abilio. Methodo, collegio e compêndios : noticias e apreciações. Rio de Janeiro, 1885, 200 pags. in-8°. - Bellas-artes: estudos e apreciações. Rio de Janeiro, 1885, 341 pags. in-8° e mais 16 de frontispício, relação de amadores e artistas, etc. - A reforma da bibliotheca fluminense : considerações e projecto de uma sociedade bibliographica brazileira. Rio de Janeiro, 1886, 19 pags. in-d0 de duas columnas, - A provinda do Rio de Janeiro : noticias para emigrantes. Rio de 334 IPÍE Janeiro, 1888 - São noticias geographicas, estatísticas, industriaes, económicas, etc. - Parecer sobre os objectos apresentados ã exposição escolar em 1888. Rio de Janeiro, 1889, 45 pags. in-4°- E' escripto com outros. - Cartilha infantil: simples methodo para aprender a ler - Nunca a vi impressa. - O auxiliador da imprensa brazileira para uso dos escriptores, re- visores e compositores - idem. Redigiu com outros : - O Guarany : folha illustrada, litteraria, estatística, noticiosa e critica. Rio de Janeiro, 1871, in-fol. - O Contemporâneo. Rio de Janeiro, 1877 a 1878, in-fol.-Felix Fer- reira, Guilherme Cândido Bellegarde e o doutor José Maria Velho da Silva ( vejam-se estes nomes) foram os organizadores da - Polyanthea comme mor ativa da inauguração das aulas do sexo fe- minino do imperial lyceo de artes e ollicios. Rio de Janeiro, 1881. in-4° - E' uma edição nitida, cujo titulo da primeira folha: «Lyceo de artes e officios. Polyanthea commemorativa. Aulas do sexo feminino» é lithographadc, a duas côres ; é adornada com o retrato da princeza dona Isabel e mais quatro retratos. A tiragem foi limitada a trezentos exemplares. Felix JVtaria de Freitas e Albuquerque - Filho do conselheiro Francisco Maria de Freitas e Albuquerque, nasceu em Coimbra no anno de 1825, quando seu pae ahi cursava a universidade, e falleceu no Rio de Janeiro a 27 de setembro de 1883. Benedictino professo no mosteiro da Bahia com o nome de frei Felix da Piedade, e deposto pelo severo abbade frei Marcelino do Coração de Jesus por sahir de noite para ir á maçonaria, foi muitos annos parocho collado na freguezia de Irajà e depois conego e monsenhor da capella imperial. Regeu o bispado do Rio de Janeiro na qualidade de vigário capitular e geral da curia episcopal desde a morte do bispo Conde de Irajá em 1863 até 8 de março de 1869, dia em que o novo bispo fez sua entrada na diocese. Foi confessor do Imperador e de sua augusta esposa ; professor de instrucção religiosa no collegio de Pedro II ; visitador apostolico da província earmelitana no Rio de Janeiro e commendador da ordem de Christo. O Marquez de Olinda desejou muito nomeal-o bispo do Rio de Janeiro, e não o fez por elle escusar-se sempre a isso. Escreveu : - Lições de doutrina christã em fórma de cathecismo, adaptadas para o ensino da religião catholica no imperial collegio de Pedro II, etc. Rio de Janeiro, 1872, 167 pags. in-8° - Ha outras edições sendo uma de 1884. FE 335 - Circular aos parochos para que previnam os seus freguezes contra os funestos effeitos do opusculo do doutor Antonio Joaquim de Macedo Soares com o titulo A liberdade religiosa no Brasil. Rio de Janeiro, 1866 -Além desta circular appareceram outras publicações, refutando o livro de que se trata. (Veja-se Antonio Joaquim de Macedo Soares.) Ha outras circulares de monsenhor Felix, que foi um dos redactores do - Apostolo: periodico religioso, moral e doutrinário, etc. Rio de Janeiro, 1866-1882, in-fol.- O principal e mais constante redactor desta folha foi o conego José Gonçalves Ferreira. O Io numero do Apostolo sahiu a 7 de janeiro de 1866; a publicação continua. Felix Peixoto <lo Brito e Mello - Filho de Felix José de Abreu e Brito e de dona Antonia Maria de Macedo e Mello, nasceu na cidade do Recife, Pernambuco, a 24 de agosto de 1807 e falleceu a 13 de janeiro de 1878, sendo bacharel em direito pela faculdade de Olinda, formado em 1834; cônsul geral do Brazil na Hespanha ; do conselho do Imperador ; dignitário da ordem da Rosa ; commendador das de Christo, da Conceição de Villa Viçosa do Portugal e de Carlos III da Hespanha. Foi cadete do exercito e como tal tomou parte na campanha da independoncia na Bahia em 1822 e na revolução de Pernambuco em 1824. Foi depois caixeiro, deixando o commercio para com grande difflculdade matricular-se na faculdade de direito. Serviu na magistratura até o cargo de juiz de direito; foi deputado provincial e geral em quatro legislaturas; presidiu a provincia de Alagôas em 1847 e, sendo um dos chefes da revolução praieira de 1849, sahiu do Brazil e estabeleceu-se em Lisboa, donde passou para a Hespanha, como membro do corpo consular. Pouco antes de morrer havia regressado à patria. Escreveu: - Considerações geraes sobre a emancipação dos escravos no império do Brazil e indicação dos meios proprios para realizal-a. Lisboa, 1870, in-4°. - Informações sobre a posição commercial dos productos do Brazil na Hespanha - Sahiu no livro « Informações sobre a posição commer- cial dos productos do Brazil nas praças estrangeiras ». Rio de Janeiro, 1875, pags. 104 a 109. - Navegação e commercio entre o Brazil e a Hespanha no anno de 1875-1876 - No livro « Informações dos agentes diplomáticos e con- sulares, etc.» tomo 4o, 1875-1877. Rio de Janeiro, 1878, pags. 457 a 468. Felix Vog-eli - Francez de nascimento, foi por muitos annos professor de hippiatrica na escola militar da Praia Vermelha. Amigo 336 ÉE muito dedicado do professor Agassiz, acompanhou-o em suas excursões scientificas pelo Amazonas e escreveu: - â/lue et M. Louis Agassiz. Voyage au Brésil, traduit de 1'anglais avec lautorisation des auteurs. Paris, 1869, in-4° com estampas - Esta traducção foi mais tarde resumida por J. Belin de Lannay e publicada em Paris, 1872. - C onsiderações scientificas sobre o Amazonas, feitas na sala do externato do collegio de Pedro II, redigidas e publicadas por Felix Vogeli. Rio de Janeiro, 1866, 71 pags. in-4°. - Do algodão: relatorio - publicado no « Relatorio sobre a exposição universal de 1867 pelo secretario da commissãobrazileira Julio Constancio de Villeneuve. Paris, 1868 ». ^elix Xavier da Cunha - Filho do brigadeiro Felix Xavier da Cunha e nascido no Rio Grande do Sul a 16 de setembro de 1833, falleceu em Porto Alegre a 21 de fevereiro de 1865, bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo, tendo sido deputado por sua provincia na legislatura de 1861 a 1864. Além de habil publicista, foi habilíssimo poeta. Comas flores da poesia ameni- sava os amargumes da política, a cujo jornalismo se dedicou, collabo- rando para mais de uma folha e redigindo outras, como o - Mercantil. Porto Alegre, 1861 - Substituiu nesta empreza em 1861 a João Cândido Gomes. Escreveu mais: - Poesias. Porto Alegre, 1874, 201 pags. in-8° - E" uma publicação posthuma de muitas e bellas composições lyricas e patrióticas, colligidas por seu irmão Francisco Xavier da Cunha. - Victor: drama em cinco actos. Porto Alegre, 1874-E' outra publicação posthuma e, além das que vão mencionadas, consta que o Dr. Felix da Cunha deixara inéditas outras obras que elle tencionava publicar quando a morte o arrebatou. E antes de formar-se em S. Paulo publicara algumas poesias, como : - Sete de setembro : composição em quatro cantos e metrificação variada, na Revista Litteraria, jornal do Ensaio philosophico de S. Paulo, serie 4», pag. 178. São desta composição os seguintes e arrojados versos: Brazil, de teus irmãos prantêa os vôos Sopeados pelas roscas das algemas ; E ao laurel popular permeia um goivo, Que o luto exprima em funeraes emblemas ! Aprende no epitaphio desses tumulos, Ao santuario incensar da liberdade - Fanal de Deus - que aclarando o abysmo, Da patria salva a máo da tempestade. FE 337 Aprende nas lições, que a historia escreve, Nos pergaminhos reaes com sceptros rôtos, Que o povo e Deus sómente alíim serão Dos mares do porvir os dous pilotos. Sim, que o genio de Deus erguendo o globo, Ninguém, em vez de Deus, o globo adora. E si o genio do povo é que ergue os reis, Por que, em vez delle, os reis amaes agora ? Morre - e quando entre as angustias a tu'alma, Erguer-se em leve adêjo á Eternidade, Teus vingadores surgirão das cinzas Bradando - « viva ! viva a liberdade ! »... Tem também trabalhos em prosa, como: - Athenas : artigo - que vem na mesma revista, serie 2a, n. 4 e serie 3a, n. 1. - Uma noite de vigilia : - romancete. Idem, serie 4a, pag. 152 e seguintes. Fernando Aubbott - Filho do Dr. Jonathas Abbott e neto paterno do grande anatomista e distincto professor da faculdade da Bahia, de igual nome, nasceu na província do Rio Grande do Sul, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, deputado federal pelo Estado do Rio Grande do Sul e vice-governador do mesmo Estado. Escreveu: - Ligeiro estudo sobre a affinidade chimica. Rio de Janeiro, 1877, 90 pags. in-8°. - Do jaborandy, sua acção physiologica e therapeutica ; Qual o acido de sueco gástrico ? Da hematocele ; Hysteria: these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1878, 86 pags. in-4°. Fernando Antonio Pereira de Vasconcellos - Natural da província de Minas Geraes, e formado não sei em que faculdade, é sómente o que sei a seu respeito. Escreveu : - Memória sobre a plantação, cultura e fabrico do chã - Foi pu- blicada no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em agosto de 1845, e dahi reproduzida no Crepúsculo, da Bahia, tomo Io, ns. 5, 6 e 7. Traz a data de Ouro-Preto 4 de novembro de 1839. Fernando Augusto da Silva Veiga - Filho de Fernando Joaquim da Silva Veiga, nasceu no Rio de Janeiro a 23 de fevereiro de 1848; é tenente-coronel do estado-maior de segunda classe do exercito; bibliothecario da bibliotheca do exercito ; cavalleiro da 338 EE ordem da Rosa, offlcial da de S. Bento de Aviz, condecorado com a me- dalha da campanha do Paraguay e a de Mérito ã bravura militar. Com praça no exercito a 7 de outubro de 1864, serviu na arma do artilharia, na qual fez a referida campanha, passando no posto de tenente para aquelle corpo. Foi professor e instructor da escola de aprendizes artilheiros por mais de oito annos, e escreveu : - Curso regimental ou livro do soldado, organizado, etc. Primeiro anno. Rio do Janeiro, 1881-Segunda edição, 1883, 112 pags. in-8". Este livro comprehende os primeiros rudimentos da instrucção pri- maria atè leitura corrente e não conheço outro mais adaptado para um curso regimental ; o soldado em todos os exemplos, em todas as situações, em toda a leitura corrente, emíim, vae encontrando e adquirindo conhecimentos do que mais interessa ã classe militar. - Curso regimental ou livro do soldado, organizado, etc. Segundo anno. Rio de Janeiro, 1881- Segunda edição, 1883, 240 pags. in-12°. Comprehende a grammatica, arithmetica, geometria, geographia geral, e noticia abreviada do império do Brazil e de sua constituição. - A Sciencia e a consciência, por Louis Viardot. Traduzido do francez. Rio de Janeiro, 1881, 145 pags. in-4°-precedidas de uma carta de J. de Saldanha Marinho, a quem a traducção é oíTerecida. Sei que tem a publicar : - Elementos cie tactica ; compilação. Fernando de Castro FaesBarreto - Natural de Pernambuco e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1886, escreveu, sendo ainda estudante, os se- guintes trabalhos e talveZ/Outros depois disto, de que não posso agora dar noticia : - Reforma social: versos de propaganda abolicionista. Recife, 1883. - Folhas soltas : versos. Recife, 1881. - Ebulições : versos modernos ( de collaboração com Claudino dos Santos). Recife, 1884, 32 pags. in-4° - Veja-se Claudino Ragoberto Ferreira dos Santos. - Conferencia abolicionista no theatro de Santa Isabel a 25 de março de 1885, mandada publicar pela sociedade Ave, Libertas. Pernam- buco, 1885, 41 pags. in-8°. Fernando Francisco da Costa Ferraz - Filho do capitão-tenente Antonio Francisco Ferraz e de dona Francisca Rosa dc Jesus Ferraz, e nascido na cidade do Rio do Janeiro a 8 de novembro 339 de 1838, é doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade, caval- leiro da ordem da Rosa, cavalleiro da de Christo de Portugal e membro titular da academia nacional de medicina. Foi vereador da camara municipal da côrte e por varias vezes deputado â assembléa da pro- víncia do Rio de Janeiro. Escreveu : - Anatomia pathologica do cancro e do cancroide; Histologia das ar- térias ; Balsamo de copahiba, considerado pharmacologica e therapeu- ticamente ; Leite, sua composição, conservação, falsificação e meios de reconhecel-a. Rio de Janeiro, 1862, in-4°- E' sua these inaugural. - Apreciação medico-legal da analyse das visceras do cadaver do Antonio José dos Passos, feita pelos peritos privativos e juramentados da policia da côrte. Rio de Janeiro, 1865, 16 pags. in-4°. - Alimentação do povo, abastecimento de carnes verdes, e as classes menos favorecidas. Rio de Janeiro, 1891- E' um opusculo precedido de uma carta do conselheiro Saldanha Marinho, declarando ã população desta capital que toma a si tudo quanto o autor expõe. Este começa com a exposição que apresentou ã camara municipal em 1883, combatendo o monopolio e as preferencias no abastecimento de carnes verdes. Relativamente a salubridade publica ha em collaboração outros tra- balhos do Dr. Costa Farraz, como: - Parecer sobre o saneamento das habitações para operários e empregados subalternos que na cidade do Rio de Janeiro pretende edificar o Dr. Arthur Sauer. Rio de Janeiro, 1887, 38 pags. in-4°- Trata-se da synthese do projecto, de considerações sociologicas e consi- derações hygienicas e este trabalho é escripto em commissão da acade- mia nacional de medicina. - Da regulamentação da prostituição. Rio de Janeiro, 1890, in-4° - Sahiu também nos Annaes Braziiienses de Medicina, tomo 55°, pags. 259 a 278. E' uma memória lida na sessão da academia nacional de medi- cina de 6 de fevereiro deste anno. Nesta mesma revista ha muitos tra- balhos do Dr. Costa Ferraz - dos quaes citarei: - Os vomitos incoercíveis durante a prenhez serão causa de provo- cação do aborto ? memória apresentada á academia imperial de medi- cina, etc. - No tomo 18°, 1866-1867, pags. 104 a 113. - Kelatorio medico-legal acerca das faculdades mentaes de Domingos de Faria Lopes, accusado pelo crime de homicídio, etc. - Idem, tomo 20°, 1868-1869, pags. 169 e segs. - Questão de defloramento. Crime previsto no art. 219 do Codigo criminal.- Idem, tomo 23°, pag. 388 o segs. - Qual o melhor meio para a cura dos estreitamentos da uretljra - Idem, tomo 22'} 1870-1871, pags. 139 e segs. 340 KJE - zl salubridade da capital do império e os cortiços - Idem, tomo 35°, 1884, pags. 443 a 469. Fernando Joaquim de Mattos - Nenhuma noticia pude até hoje colher a seu respeito. Sei apenas que escreveu : - Memória para instrucção do plano de sociedade, relativo aos in- ventos. Rio de Janeiro, 1828, 24 pags. in-8° - Trata-se de melhora- mentos da industria e da lavoura. Fernando José Martins - Pae do doutor João Mar- tins da Silva Coitinho, de quem se trata nesta obra, nasceu a 24 de abril de 1809 na villa, hoje cidade de S. João da Barra, do Estado do Rio de Janeiro, onde falleceu, ha mais de vinte annos. Aos quatorze annos de idade, tomado de nobre enthu- siasmo pela independencia da patria, entrou para o exercito e como militar prestou serviços em Pernambuco por occasião dos movi- mentos de 1824. Deixou depois a carreira encetada, dando um sub- stituto ; foi advogado provisionado no logar de seu nascimento, major da guarda nacional, vereador da camara municipal, etc. Escreveu : - Historia do desenvolvimento e povoação da cidade de S. João da Barra e dos campos de Goytacazes, antiga capitania da Parahyba do Sul, e da causa e origem do levante denominado dos fidalgos ; dividida em tres partes. Rio de Janeiro, 1868, 276 pags. in-8° com ests. - O antor tratava de uma nova edição, accrescentada, desse livro, quando morreu. - O tôlo fingido .- comedia burlesca. Campos... - Logro não previsto : comedia- Não sei si foi impressa. - O Parahgbano : jornal - que fundou em 1859. Collaborou com escriptos em prosa e em verso para outras folhas, como o Monitor Campista e o Domingueiro de 1846 em deante; em 1865 para o Popular de Campos, onde ha alguns artigos seus sobre a creação de uma pro- víncia no districto de Campos. Fernando Luiz Ferreira - Filho do tenente-coronel Miguel Ignacio Ferreira e de dona Catharina de Senna Ferreira de Men- donça e pae de Luiz e Miguel Vieira Ferreira, dos quaes occupar- me-hei mais tarde, nasceu na capital do Maranhão a 1 de agosto de 1803 e falleceu no Rio de Janeiro em 1879. Bacharel em ma- thematicas e sciencias physicas pela academia militar, serviu no corpo de engenheiros, reformando-se em 1848 no posto de tenente-coronel, FE 341 depois de muitos e valiosos serviços prestados desde a abdicação de dom Pedro I. Escreveu: - Arithmetica pratica : compendio para a instrucção primaria, adop- tado pela presidenc;a da província do Maranhão, para as aulas de pri- meiras lettras. Maranhão, 1856. - Compendio do systema métrico. Maranhão...- Nunca o vi; sei, porém, que é um dos melhores compêndios sobre o assumpto. - Informação acerca da missão dos Guajajiras no rio Pindaré - O original de 5 fls. in-fol. pertence ao Instituto historico. Este autor foi um dos redactores do - Artista: jornal dedicado à industria e principalmente às artes. Maranhão, 1868, in-4°. Fernando Luiz Osorio - Filho do Marquez do Herval e da Viscondessa do mesmo titulo, fallecida antes de ser seu marido elevado a Marquez, nasceu em Bagé, Estado do Rio Grande do Sul, a 30 de maio de 1848, e é bacharel em direito pela faculdade do Recife. Sendo estudante, offereceu-se com outros para servir na campanha do Paraguay e, já fazendo exercícios de guerra sob as ordens de um offlcial do exercito, não realizou seu intento, por não ser de approvação de seu pae. Concorreu para a fundação de associações de lettras, como o Núcleo juridico, defendendo no jury presos des- protegidos da fortuna, quer por parte desta associação, quer por acto espontâneo, e foi exaltado propagandista da abolição do elemento escravo. Depois de formado, já advogado em Pelotas, foi o fun- dador da primeira aula nocturna que ahi houve de adultos, e das conferencias contra o jesuitismo, realizando elle a primeira, que na imprensa do dia foi publicada em resumo e instituiu em Sant'Anna do Livramento, onde andava em excursão política, uma sociedade para prelecções litterarias, fazendo a primeira sob o thema Amor da patria. Foi deputado á 17a legislatura geral e ã constituinte do Estado de seu nascimento. Cultivou a poesia desde seu tirocínio aca- démico, e a musica, compondo varias peças, e fez parte da redacção dos periódicos seguintes : - A Tribuna Liberal: jornal político e litterario. S. Paulo, 1867, in-fol. - O Académico ; jornal juridico, litterario e noticioso. S. Paulo, 1868, in-fol.-Neste e no precedente publicou vários trabalhos sobre política e sobre direito constitucional. - Diário de Pelotas : jornal politico e litterario. Pelotas, in-fol.- Começou esta folha a ser publicada em 1868 ; mas só de 1874 em deante 342 FE o Dr. Osorio incumbiu-se da parte política, sustentando lucta com varias folhas do partido conservador. - A Discussão: orgão do partido liberal. Pelotas, 1881 - Foi fun- dada pelo Dr. Osorio e viveu por muito tempo. Escreveu : - Discurso proferido na primeira sessão maçónica em uma das lojas maçónicas de Pernambuco, por occasião da questão religiosa- Não foi publicado (mas apenas annunciado com elogio por varias folhas do logar e particularmente pela Tribuna), porque, quando ia ser im- presso na Tribuna, que era o orgão da maçonaria, foi suspensa esta revista. - Protesto da maçonaria de Pelotas, dirigido ao bispo diocesano - Assignado por muitas pessoas importantes, inclusive o Marquez do Herval, foi publicado no Diário de Pelotas e reproduzido no Rio de Ja- neiro. - O quadro da batalha de Avahy, de Pedro Américo : discurso pronunciado na camara dos deputados em sessão de 30 de agosto de 1877, contendo em resumo a opinião europóa e nacional sobre o mesmo quadro. Rio de Janeiro, 1877, 29 pags. in-8°. -O General Osorio, defendido por seu filho na sessão de 11 de junho de 1880. Rio de Janeiro, 1880, 108 pags. in-8° peq. - A defesa referc- se acensuras com relação á política local e, baseada em documentos au- thenticos, e até do punho dos proprios censuradores, não podia ser ella maiscompleta. E'um trabalho de interesse para a historia polí- tica do Rio Grande do Sul e foi reproduzido em alguns jorna.es do império. -Assemblèa provincial : discurso na sessão de 15 de março de 1883 (Porto Alegre, 1883), 30 pags. in-4° de 2 columnas -E' seguido de outro pronunciado a 17 de março, de 14 pags. in-4° e 2 columnas, ambos sobre verificação de poderes. - Historia do marechal Manoel Luiz Osorio, Marquez do Herval, por seu filho, etc.- E' um livro em que com a biographia assaz minu- ciosa do legendário general sob os pontos de vista do homem privado, do poeta, do político e do soldado, segundo estou informado, desenvolve- se a historia política e militar do Sul do Brazil, quer interna, querem relação com as republicas platinas. Deve scr distribuído a 10 de maio vindouro, de 1893, por occasião de inaugurar-se o monumento que ao mesmo general vae ser levantado. Das poesias do Sr. Osorio citarei: - O escravo : poesia de propaganda abolicionista, publicada em quasí toda imprensa rio-grandense e cantada nos clubs abolicionistas. - Hymno do Estado do Rio Grande do Sul - cuja musica é também do autor. FE 343 Fernando Manoel Fernandos - Filho de Antonio Manoel Fernandes e irmão do desembargador deste nome, de quem fiz menção no primeiro volume deste livro, nasceu no Rio de Janeiro no anno de 1818 e aqui falleceu pelo anno de 1870, sendo bacharel em di- reito pela faculdade de Olinda e tendo exercido logares de magistratura, como o de juiz municipal de Valença e Vassouras. Escreveu: - Penas, a que estão sujeitos os corpos de policia nas províncias, e juízes perante os quaes devem responder na primeira e segunda in- stancias. Rio de Janeiro, 1857, 1(5 pags. in-4°- Esta publicação foi feita sob o titulo de Additamento à consulta da secção de justiça do conselho de estado sobre o direito, que teem as assembléas provinciaes, de le- gislar decretando penas para os corpos de policia, etc. Fernando de Mello Continlio <le Villiena - Irmão de Francisco de Mello Coutinho de Vilhena, de quem se trata neste volume, oriundo da nobre familia portugueza dos Marquezes de Vilhena e fidalgo cavalleiro da casa imperial, nasceu em Caxias, Estado do Maranhão, e falleceu na cidade de S. Luiz, depois do anno de 1870. Era formado em sciencias sociaes e jurídicas, habilíssimo jurisconsulto e também jornalista notável pela vernaculidade da phrase, assim como seu irmão, diz o autor dos « Sessenta annos de jornalismo». Si a morte o não tivesse arrebatado tão cedo, diz ainda este autor, talvez tivés- semos um - Codigo civil- de que o Dr. Fernando de Vilhena jà havia escrip^.o uma parte e era essa obra sua preoccupação dominante, quando morreu. Já ouvi, que esse trabalho era de seu irmão, facto de que por ora não tenho certeza. O Dr. Fernando de Vilhena redigiu: - O Maranhão (periodico político). S. Luiz, 1843 -Como dito seu irmão, durante a administração do conselheiro Jeronymo Marti- niano Figueira de Mello. - O Dissidente (idem). S. Luiz..Veja-se Fabio Alexandrino de Carvalho Reis. Fei'na.nclo Mendes de Almeida - Filbo do senador Cândido Mendes de Almeida e de dona Rosalina Ribeiro de Campos e Almeida, e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 26 de junho de 1857, é bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II; doutor em direito pela faculdade de S. Paulo ; advogado nos auditórios do Rio de Janeiro; membro do Instituto dos advogados brazileiros e do Insti- tuto dos bacharéis em lettras : socio beneficente do Circulo dos estu- dantes catholicos de S. Paulo, do qual foi presidente; socio fundador 344 FE da associação de seguro mutuo escolar e da sociedade de geographia de Lisboa no Brazil e coronel da guarda nacional. Escreveu: - Theses e dissertação que para obter o grão de doutor em sciencias sociaes e jurídicas apresentou e defendeu perante a faculdade de direito de S. Paulo. S. Paulo, 1880,74 pags. in-4° •-A dissertação versa sobre este ponto : «9 que é tutela administrativa ? Quaes são os seus limites ?» - A academia de S. Paulo em 1879. Rio de Janeiro, 1880, 124 pags. in-8° - Occupa-se do movimento e das producções litterarias dos académicos. - Revista académica de sciencias e lettras : publicação mensal sob a direcção de Fernando Mendes de Almeida. Recife, 1874, in-4°. - Revista mensal da secção da sociedade de geographia de Lisboa no Brazil, publicada sob a direcção do Dr. Fernando Mendes de Almeida. Rio de Janeiro, 1881 - Teve parte ainda na redacção de outras revistas, como o Constitucional, orgão do club constitucional académico de S. Paulo eactualmente é o redactor chefe do - Diário do Commercio: propriedade de uma sociedade comman- ditaria. Rio de Janeiro, in-fol. gr.- Estã no seu 3o anno. Ha em re- vistas trabalhos seus, como: - O que è tutela administrativa ? Quaes são os seus limites ? - No Direito, tomo 12°, pags. 19 a 34. Fr. Fernando de Oliveira Pinto-Nascido no Rio de Janeiro pelo meiado do século XVIII, foi carmelita, exami- nador synodal em sua patria e distincto theologo. Escreveu : - Sermão em acção de graças pelo beneficio de afastar Deus desta cidade a revolução de Minas Geraes contra o governo portuguez ; pré- gado em 26 de abril de 1792 - 0 orador apresentou a 24 do dito mez as bases de seu sermão por estes termos : « Dar graças pelo beneficio em se descobrir a famosa conspiração ajustada em Minas antes de se pôr em execução e de se seguirem as péssimas consequências que deviam experimentar os vassallos de S. M. ; dar graças por ficar isenta esta cidade do contagio da dita conspiração ; persuadir os povos á fidelidade á soberana tão pura e clemente, e rogar a Deus que lhe conserve a vida ». Balthazar Lisboa diz que elle « o praticou muito engenhosamente, persuadido de não haver-se projectado a supposta revolução ». Fernando Pires Ferreiro - E' natural do Estado do Piauhy e nascido p, 26 de abril de 1843. Doutor em medicina pela fa- FI 345 culdade de Paris, ahi dedicou-se com especialidade á ophtalmologia, sendo chefe do instituto ophtalmologico do grande oculista Wecker, cuja amizade cultivou sempre. Voltando ao Brazil, estabeleceu-se no Rio de Janeiro ; representou no parlamento sua província natal na 16a legislatura, e fez ainda uma viagem á Europa. E' membro titular da academia nacional de medicina, offlcial da ordem da Rosa - e escreveu : - De Vopèration de la cataracte par 1'extraction linéaire sclero- ticale: these par le doctorat en medecine, presentée et soutenue, le mardi 2 juillet 1867. Paris, 1867, 72 pags. in-4°. - De Vopèration de la cataracte par 1'operation linéaire sclero- ticale. Paris, 1867, 60 pags. in-8° com 1 est. - Breves considerações sobre as applicações da iridiotomia no trata- mento da cataracta : these de sufflciencia, apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1868, in-4° - Ha al- guns trabalhcft seus em revistas medicas, como : - Breves considerações sobre o pterygio e seu tratamento - Nos Annaes Brazilienses de Medicina, tomo 23°, 1871-1872. Fernando Teixeira de Souza Magalhães - Filho de Manoel Teixeira de Souza, Barão de Camargos o da Baroneza de igual titulo, é natural de Minas Geraes e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1868, tendo feito parte do respectivo curso em S. Paulo. Escreveu : - Poesias: S, Paulo, 1866, in-8° - Era o autor estudante. Fernando A az de Mello - Natural, segundo me consta, de S. Paulo, onde achava-se em 1859 em desempenho de uma com- missão do governo provincial, sendo engenheiro civil e escreveu: - Memorial sobre o curso dos rios Pardo e Mogy-guassú, e possi- bilidade de sua navegação, apresentado ao Exm. presidente da pro- vinda. S. Paulo, 1859, 32 pags. in-8°. Ficlelis Honorio daSilva dos Santos Pereira - Natural do Rio de Janeiro, seguiu a carreira do funccionalismo pu- blico e ainda vivia em 1848 no exercicio do cargo de trocador na se- cção de assignatura, troco e resgate do papel-moeda da caixa de amor- tização. Era socio da sociedade Amante da instrucção, cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo. Cultivou a poesia e escreveu entre outras composições iguaes: - Votos a Deus na gloriosa sagração e coroação de S. M. o Im- perador o Sr. D. Pedro II, á imitação dos do rei David por seu filho 346 FI Salomão no psalmo XVJI, paraphraseado em verso portuguez. Rio de Janeiro, 1841. - Ao muito alto e muito poderoso senhor dom Pedro II no dia de seus faustos e felizes annos (poesia). Rio de Janeiro, 1812. - Ao muito alto e muito poderoso senhor dom Pedro II no dia 2 de dezembro de 1845 (poesia). Rio de Janeiro, 1845. - A' S. M. Imperial, a augusta e pia Imperatriz do Brazil a Senho- ra D. Thereza Christina Maria no dia de seu precioso e festivo nata- lício a 14 de março de 1846. Rio de Janeiro, 1846. - A SS. MM II. o Imperador e a Imperatriz pelo feliz e suspira- do regresso de sua viagem às províncias do Sul do Brazil (poesia). Rio de Janeiro, 1846. - Canto sacro á Immaculada Senhora do Carmo. Rio de Janeiro, 1846, m-8° gr. -Consta-ine que ha outras composições poéticas deste autor e até colleccionadas num volume com o titulo de « - Fililêtes : poesias. Rio de Janeiro... Ficlelis Martins FJastos -Falleceu no Rio de Janeiro a 17 de março de 1847. Era bacharel em lettras, licenciado em sciencias e doutor em medicina pela universidade de Paris, onde rocebeu o grào em 1824 ; primeiro medico do hospital militar da còrte ; medico da imperial camara ; cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo e mem- bro da antiga academia de medicina. Escreveu : - Dissertation sur l'épilepsie. Paris, 1824, in-4n. - Formulário dos hospitaes militares do império. Rio de Janeiro, 1827 - Li annunciada igual publicação em 1844, e me parece que é a mesma obra, refundida e accrescentada, que foi reimpressa depois da morte do Dr. Fidelis com o titulo: - Formulário para o hospital militar da guarnição da còrte ou escolha das mais usadas formulas na praxe medico-cirurgica, com a indicação das dôses tiradas dedifferentes obras. Rio de Janeiro, 1856, 123 pags. in-8°- E' offerecido ao conselheiro Jeronymo Francisco Coe- lho. No exemplar que possuo não se acha o indice, que o autor pro- mette na Advertência. - Hospital Militar da guarnição da còrte : distincção estatística das enfermidades de medicina, a cargo do Dr. Bastos nos annos de 1845 e de 1846 - No Archivo Medico Brasileiro, tomo 33, n. 6 e tomo 4% n. 7. - Relatorio da moléstia de Sua Alteza, a sereníssima princeza Se- nhora D. Paula Marianna. Rio de Janeiro, 1833, 15 pags. in-4° - As- signam também este relatorio os Drs. Francisco José de Sá, Joaquim LI 347 Vicente Torres Homem e J. Martins da Cruz Jobim. O Dr. Fidelis col- laborou no Propugnador das Sciencias Medicas e foi um dos reda- ctores do - Semanario de saúde publica. Rio de Janeiro. 1831-1833, tres tomos, in-4°, de 2 columnas - Foram seus collegas deredacção o mes- mo Dr. Jobim e o Dr. J. F. Sigaud e ha ahi de sua penna vários pare- ceres como membro da commissão permanente de vaccina e vários ar- tigos, sendo um delles sobre a - Febre intermittente perniciosa, cerebral - no tomo Io, pags. 10 e segs. FMdelis <lc Moraes - Natural de São Paulo, em cuja cidade capital falleceu em 1863, sendo conego da ca- thedral, lente de rhetoiica e poética do curso annexo á faculdade de direito e cavalleiro da ordem de Christo. Escreveu : - Apostillas de rhetorica para uso de seus discipulos - Não foram, entretanto, publicadas, apezar de seu autor leccionar trinta e cinco annos, ou desde a installação da faculdade. Filippe Alberto I^atroni Martins Míiciel fit- rente - Filho do alferes Manoel Joaquim da Silva Martins o afi- lhado do capitão de fragata, mas não chefe de divisão, como Innocencio disse, Filippe Alberto Patroni, de quem tomou o nome, nasceu na cidade de Belém, do Pará, pelo auno de 1798 e falleceu em Lisboa a 15 de julho de 1866. Matriculando-se em 1816 no curso de direito da universidade de Coimbra, por occasião de inangurar-se o governo constitucional adheriu a elle e veiu ao Pará com o fim de envidar os meios a seu alcance para que sua província acquiescesse ao mesmo go- verno, e isto obteve, sendo um dos directores do pronunciamento do povo e da tropa. Voltou depois a Coimbra, onde recebeu o grão de hacharel em direito; declarada porém, a independencia do império, tornou á patria, entrou na classe da magistratura, que deixou logo para dedicar-se ã advocacia, que também deixou ao cabo de pouco tempo. Eleito deputado pelo Pará, na legislatura de 1842 a 1845, dis- solvida na primeira sessão, não sendo reeleito, resolveu-se a ir a Por- tugal com o fim de publicar com mais vantagem suas obras, e para ahi partiu em 1851, não voltando mais ao Brazil. Quando estudava direito, segundo refere o Dr. Macedo, um pouco desordenado em sua ambição de luzes, estudava tudo : mathematicas, philosophia, religião' geographia o historia, linguas mortas, e de modo que, avantajando-se em quasi tudo, prejudicava a regularidade do adeantamento annual. 348 FI na faculdade que seguia. Possuia assim uma vasta illustração em des- ordem ; mas, dotado smpre de uma memória pro ligiosa, repetia de principio a fim livros inteiros do Novo e Velho Testamentos, e escrevia em latim, como na própria lingua. Dotado desde estudante de idéas exaltadissim.is, pouco coherentes às vezes, ou excêntricas, mostrou, depois de 1840, certo desarranjo das faculdades mentaes, que foi pro- gredindo até completa loucura, em cujo estado falleceu. Alguns an- nuncios que elle fez quando resolveu sua viagem, já denunciam o estado de seu cerebro. Começando por declarar nesses annúncios que « se muda para Lisboa, levando comsigo a familia, sua mulher e sua sogra, sò com o fim de promover perante o governo e as cortes a prompta adopção do Codigo remunera^orio do reino de Portugal, como unico meio de conciliar os partidos e fundar a paz interna do paiz, pela sabedoria e justiç i do poder publico, amor ao trabalho e sua re- compensa que é o principio inconcusso e solido da Biblia dojusto meio, base unica da Álgebra política », passa a relacionar os escravos, que vende, pelo modo mais singular, como se pôde ver no Diário do Rio de Janeiro de abril de 1848. Com effeito, chegando a Lisboa, apresentou seu projecto de Codigo remuneratorio e deu ao prélo muitas de suas obras, t irefa que não concluiu por se aggravar sua saude e por não terem seus livros a extracção que esperava. Escreveu : - Dissertação sobre o direito de cassoar que compete aos veteranos das academias. Lisboa, 1818, 78 pags. in-12°. - Carta que de Lisboa escreveu a Salvador Rodrigues do Couto, na' tural da mesma cidade e nella presbytero secular, etc.- Sahiu no Jornal de Coimbra n. 60, parte 2a, pags. 269 a 291. - Roteiro da viagem da cidade do Pará até ás ultimas colonias dos domínios portuguezes em os rios Amazonas e Negro ; illustrado com algumas noticias que podem interessar a curiosidade dos navegantes, etc. - No mesmo jornal, n. 87, parte Ia, pags. 87 a 146 - Diz Patroni desta obra « não ser producção sua, nem saber de quem seja, apezar de o ter indagado; mas assevera que merece grande credito, porque o autor viu com os proprios olhos o que escreveu, e mostra muita erudi- ção e critica ». - Falia do deputado do governo do Pará, Filippe Alberto Patroni Maciel Parente, feita a el-rei na audiência de 22 de novembro. Lisboa, 1821, 4 pags. in-4°. - Discurso pronunciado na sala das côrtes, na sessão de 5 de abril, por um dos illustres deputados do Pará. Lisboa, 1821, 8 pags. in-4°, sem folha de frontespicio - Foi publicado no mesmo anno no Rio de Janeiro, na régia officina typographica, 4 pags. in-fol. Fl 349 - 0 Paraense: jornal político- Fará, 1822 - Nestes seus últimos escriptos o estylo é vehemente e a linguagem é arrebatada, por demais animada, como que revelando o estado a que o autor chegaria mais tarde. - Arte social ou systema de direito publico universal. Lisboa, 1823, in-8°. - Panegyrico dedicado ao Sr. D. João VI, pae da patria e do seu século, modelo dos imperantes, rei melhor que optimo rei. No dia 13 de maio de 1823. Lisboa, 1823, 29 pags. in-4°. - Correio do Imperador ou o direito de propriedade. Rio de Janeiro, 1837-1838, in-fol.- E' uma publicação periódica. - O pesadelo, poema heroi-comico. O. D C. por F. A. P. M. M. P. aos admiradores do portentoso Instincto e aos Exms. e Revms. Chi- chélos. Rio de Janeiro, 1838-Houve outra edição no Pará, 1838, in-16°. - Obras diversas de Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Pa- rente. Nictheroy e Rio de Janeiro, 1840-1841, 2vols. in-8°. - A Biblia do Justo-meio da política moderada ou prolegomenos do direito constitucional da natureza, explicados pelas leis physicas do mundo. Rio de Janeiro, 1835, 149 pags. in-12° - Segunda edição, Lis- boa, 1851, 131 pags. in-8° com um mappa. - Álgebra política. Analyse das integraes e das diflerenciaes das equações das moralidades, no quadro genealógico da organização social, por systemas conforme a Biblia do Justo-meio. Pará, 1840, in-8° - Segunda edição, Lisboa, 1851, 182 pags. in-8°. - Cartilha imperial para uso do Sr. D. Pedro II nas suas lições de litteratura e sciencias positivas. Pará, 1840 -Segunda edição, Lisboa, 1851, 75 pags. in-8°. - A viagem de Patroni pelas províncias brazileiras do Ceará, Rio de S. Francisco, Bahia, Minas Geraes e Rio de Janeiro nos annos de 1829 e 1830, dividida em quatro partes. Lisboa, 1851, 2 vols. de 134 pags. in 8o cada um. - Prolo^o galeato da festa de N. S. de Nazareth no dia de seu cirio em 9 de outubro de 1850 na cidade de Belem, capital do Gram-Parã. Lisboa, 1851, 83 pags. in-4° com um mappa - Sahiu antes em 1850 no jornal Voz Paraense. - Torre de menagem. A união patriótica dos tres partidos portu- guezes legitimista, carlista, setembrista, em honra do crucificado Jesus Christo, o Homem- Deus, pela sciencia exacta do governo com o Evan- gelho da Álgebra e Biblia de ambos os testamentos na heroica, grande e divina revolução (Ximeues, S. Miguel, Thomar, Saldanha) feita na cidade d> Porto, reino de Portugal no dia 24 de abril de 1851. 350 FM Lisboa, 1851, 323 pags. in-8"- Neste livro acham-se seis supplementos, extrahidos de outras obras de Patroni, publicadas do Brazil. - A profecia do novo mundo : primeira collecção dos fragmentos, artigos, ou extractos das obras do Dr. Patroni, publicadas no Brazil, o agora com a chegada do autor a. Lisbo i, a 20 de março de 1851, reim- pressas e publicadas, etc. Lisboa, 1851, 92 pags. in-4°. - Annuncio da próxima edição do capitulo do Golgotha : circular dirigida aos homens esclarecidos de todas as nações, e muito princi- palmente aos naturaes e habitantes da Rússia, da Inglaterra e de Por- tugal, cujos governos formam a trindade celeste do anjo architecto do Apocalypse. Lisboa, 1851, 49 pags. in-4°. - Projedo de codigo remuneratorio do reino de Portugal, composto e dedicado a S. M. Fidelíssima, a senhora D. MariaII, e aos senhores representantes da nação portugueza. Segunda edição, Lisboa, 1851, 89 pags. in-8°. - Exposição das obras do Dr. Patroni para servir de segunda pre- missa ao grande raciocínio celeste da sociedade universal (ecclesia catholica em grego e latim) na exposição physica de Londres, cuja consequência e ultimo termo do mesmo raciocínio é sem replica a con- stituição formal do Congresso da paz em Lisboa! Precisamente pelas regras seientifleas das tres secções cónicas da Biblia, toda inteira, re- duzida a uma só curva, parabola do pastoradouro, que estabelece a unidade do genero humano, constituindo o reino de Deus no capitulo XXI e ultimo do Evangelho de S. João. Lisboa, 1851, in-fol.- Come- çou esta publicação em folhetos semanaes, mas ficou no quarto numero. - Spedmen dos estudos bíblicos do reino santificado, puro na fé com as promessas de Christo no campo de Ourique, em principio commum da matéria e fôrma dos livros que devem preceder a publicação da obra intitulada Antilopâo do catholicismo e unidade social de todas as nações da terra para servir de preliminar seientifleo á revelação dos profundos segredos da natureza e mysterios utilíssimos, celestes e ter- restres, da política e da religião na carta constitucional de D. Affonso Henriques em Coimbra. Lisboa, 1865, 32 pags. in-8° gr. - Antiloquio do catholicismo, etc. - Inédito. Diz Inuocencio da Silva tque o viu) que esta obra se comprehendia numa immensa quantidade de quadernos manuscriptos,que pejavam as gavetas de uma commoda, etc. - Memória de Filippe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, natural do Pará, sobre o que lhe aconteceu, escr-ipta por olle mesmo - Inédita. Existe o original na bibliotheca nacional, escripto em 1835, 14 fls.-O Dr. Macedo em seu Auno biographico, tomo 4", faz menção de uma F*I 351 - Ode etn latim macarronico que Patroni escreveu em 1837 con- tra o regente Feijó e o ministro Bernardo Pereira de Vasccncellos, - a qual tão applaudida foi da gente curiosa da época, quanto irritou o animo dos dous. Começa elle com a allusão ao padre Feijó no verso : Pater patratus, grandis maravita e termina com outra allusão a Vasconcellos : Et vas cum cellis. Kilippe Benicio Barbosa -• Filho de Manoel Barbosa Ferreira e de dona Ignacia Maria Barbosa, e nascido na cidade do Re- cife, em Pernambuco, no anno de 1722, falleceu nos últimos annos do século passado com mais de setenta annos de idade, presbytero secular, distincto prégador e poeta repentista, sempre propenso á satyra que sabia manejar ainda nos actos mais sérios. Assim, quando tomava ordens menores, tendo por companheiro, entre outros, um estudante que viera de Santo Antão muito opilado, amarello o bisonho em conse- quência de soffrer do fígado, elle improvisou a seguinte decima : Da mais horrenda espessura Das brenhas de Santo Antão Sahiu um camalleão Em fôrma de creatura. Quando nem prima tonsura Merecia por inchado Menores tem alcançado ! Seja assim, porque se veja Que esta coruja de igreja Injuria o nosso estado. Vou ainda reproduzir aqui outro improviso : - Soneto ao ouvir um sermão, que recitara um padre que havia sido donato franciscano : Quem na vossa oração quizer pôr tacha Por ser vosso inimigo ou ter-vos rexa, Um inchaço lhe nasça na bochêcha, Mais voltas tenha em si que uma tarracha. E quando não, pegai de lonha uma acha E na cabeça lhe fazei tal brecha, . Que leve mais de um palmo ou dous de mecha E lhe tireis de sangue uma borracha. Quando vós tal fazeis sendo machucho, Que farieis no tempo de muchacho, Tempo em que vós ainda ereis capucho ? Linda a vossa oração em tudo eu acho; Na algibeira a trarei feita cartucho, Ou posta no chapéo por meu ponuacho. 352 FX Vem este soneto no Musaico Pernambucano de Pereira da Costa. Neste gosto escreveu muitas decimas, satyras e glosas e também muitos sonetos e poesias serias, de que não consta que fizesse collecção. De seus sermões conheço o - Sermão da quinta dominga de quaresma, exposto no anno de 1756, havendo chegado noticia da grande ruina de Portugal. Lisboa, 1757, in-4°. Filippe Firmino Rodrigues Chaves - Natural do Rio de Janeiro, e nascido a 11 de outubro de 1838, fez o curso da academia de marinha, sendo promovido a segundo tenente em 1858 e é actualmente contra-almirante da armada ; official da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz ; cavalleiro da do Cruzeiro ; condecorado com as medalhas da campanha oriental de 1865, da campanha do Paraguay e do combate naval de Riachuelo. Neste combate, sendo segundo com- mandante da canhoneira Parndhyba, e vendo esse navio cercado de quatro vapores paraguayos nos estreitos canaes do Paraná, portando- se heroicamente para não ser abordado seu navio e, jã sem esperança de salvação, ia lançar fogo ao paiol da polvora, quando inesperada- mente foi soccorrido pelos tres vasos brazileiros Amazonas, Mearim e Belmonte. Preferia, como disse «a morte gloriosa do soldado que succumbe em sua bandeira á dura contingência de entregar-se á duvi- dosa generosidade de barbaros vencedores; preferia voar com seus amigos e inimigos a render-se ã estes ». Por accusação, que então soffrera, escreveu: - Defesa do immediato da canhoneira Parnahyba no combate do Riachuelo, o Io tenente Filippe Firmino Rodrigues Chaves, apresen- tada no conselho de guerra. Rio de Janeiro, 1867, in-8° - E' escripta a bordo da corveta encouraçada Brazil no rio Paraguay ( Curusú ) a 23 de novembro de 1866. Filippe Fjrancisco Ferreira - Offlcial de nautica habilitado com carta de piloto pela escola de marinha, entrou para o serviço da armada em 1873 como pratico da costa do norte do Brazil e escreveu: - Roteiro da costa do Norte do Brazil desde Maceió até o Pará, publicado sob os auspícios do Exm. Sr. conselheiro Dr. Luiz Antonio Pereira Franco, ministro da marinha, comprehendendo todos os portos, barras e enseadas, e indicando a maneira de demandal-os, a navegação por dentro e por fóra do canal de S. Roque e as derrotas com as mar- cas de bordejar no mesmo. Pernambuco, 1878, 180 pags. in-4° - Neste FI 353 livro, que é offerecido ao Imperador e aos collegas do autor, depois da descripção de todos os logares mencionados, acham-se quatro planos : da barra de Goyanna, tomado da ponta das Pedras á ponta da barra dos Outeiros ; da barra do Acaracú até o logar Fortinho ; da barra do Acaracú até o porto das Cacimbas, comprehendendo a ilha de Fer- nando, e da barra da Granja até o porto de Camocim. Acham-se ainda nove estampas das costas de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará comprehendendo seus cabos, serras, morros, ilhas, enseadas, fortalezas, etc., e flnalmente quatro tabellas diversas. O autor vaodar ao prelo segunda edição deste livro. - Parecer sobre a construcção de uma doca de embarque e desem- barque na província do Ceará, seguido de um esboço do ancoradouro do Ceará, traçado a bico de penna e com diversas côres-Acha-se na Memória sobre o porto do Ceará pelo major Francisco Antonio Pimenta Bueno. ( Veja-se este nome.) Filippe Franco de Sá - Filho do senador Joaquim Franco de Sã e de dona Luciana Rosa da Costa Ferreira, que foi fllha do Barão de Pindaré, nasceu na província do Maranhão a 2 de junho de 1841. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1864, exerceu alguns cargos, começando pelo de promotor publico, e representou sua província na legislatura de 1878 a 1881. Dissolvida esta, foi de novo eleito deputado e-, en- trando numa lista tríplice para senador, foi escolhido pela coròa, tomou assento em 1882 e fez parte do gabinete organizado na mesma occasião pelo conselheiro Martinho Campos, a 21 de janeiro, occupando a pasta dos negocios estrangeiros. E' gran-cruz da ordem russa de Sant'Anna e condecorado com a ordem do Duplo-Dragão, da China* Escreveu : - Justificação do ex-promotor publico da capital do Maranhão. S. Luiz, 1872, 158 pags. in-8°-E' uma justificação de faltas, por que foi accusado, provavelmente por desaffeições políticas. - A reforma da Constituição : estudo de historia patria e direito constitucional. Rio de Janeiro, 1880, 203 pags. in-4°- Consta este li- vro de artigos publicados no Jornal do Commercio quando se discutia o projecto dessa reforma, apresentado ao parlamento pelo gabinete de 5 de janeiro ; de dous discursos do Dr, Franco de Sã, que vão menciona- dos em seguida, e de varias notas em appendice. - Reforma constitucional: discurso pronunciado na camara dos de- putados na sessão de 20 de maio de 1879. Rio de Janeiro, 1879, 55 pags. in-8°-Publicou também o 354 FT - Discurso pronunciado na camara dos deputados na sessão de 30 de junho de 1879. Rio de Janeiro, 1879, in-8° - Redigiu : - A Coalistio: Maranhão, 1862-1865-apenas no ultimo anno. - Publicador Maranhense : jornal do commercio, administração, lavoura e industria. Maranhão-apenas dos annos de 1865 a 1866, sendo, porém, esse jornal fundado em 1841 e continuando até á pro- clamação da Republica sob diversas redacçõss. Filippe Hypolito Aclié - Nascido em Pontivy, na Fran- ça, a 26 de janeiro de 1834, filleceu na cidade do Rio de Janeiro a 30 de dezembro de 1881, bacharel em mathematicas e sciencias physicas pela antiga escola militar, doutor peia escola central, major do corpo de engenheiros, lente de artilharia da escola de marinha, membro do Insti- tuto polytechnico brazileiro e cavalheiro da ordem de S. Bento de Aviz. Assentou praça no exercito a 10 de dezembro de 1855 e havia passado de oppositor a lente cathedratico nesta escola, depois do respectivo concurso, no anno anterior ao de sua morte. Escreveu: - These apresentada á escola central do Rio de Janeiro. Rio de Ja- neiro, 1862, in-4°- E' dividida em du is partes : Ia, Quaes os princípios áanalyse, reduzindo-os ao menor possível ; 2a, Demonstrar que a ele- ctricidade nãoé uma causa, mas simplesmente effeito dos phenomenos naturaes em que entra, ainda que a electricidade não é sinâo apparen- cia desses phenomenos. E' lithogr.ipha la. - These apresentada á escola de marinha para o concurso ao logar de lente da primeira cadeira do 2o anno. Rio de Janeiro, 1872, in-4°- E' dividida em duas partes : na Ia trat i-se das series em geral e secções cónicas; na 2a, de considerações sobre o equilíbrio do polygono funicular. - Metaloidcs, suas propriedades, combinações entre si e com os outros corpos: these de concurso etc. Rio de Janeiro, 1880, in-4°-Contém também proposições sobre salitre. - O movimento do ar nos projectis lançados por armas de fogo, raiadas : these para o concurso á vaga de lente da segunda cadeira do 3° anno da escola de marinha. Rio de Janeiro, 1881, in-4°-Contém também proposições sobre : Resistência dos canhões raiados; Meios de ataque e defesa nos desembarques. Filippe JTosé Alberto - Natural da Bahia e fallecido em Nirtheroy a 2 de maio de 1887, deu-se sempre ao magistério da instrucção primaria e apresentou-se em concurso a um logar de leute do collegio de Pedro II, escrevendo : - Arclvaisinú■>' e neologismos da língua: these pai a o concurso ao F1 355 logar de substituto de portuguez e litteratura geral do Collegio de Pedro II. Rio de Janeiro, 1879, in-4° - Ha tombem uma - Grammntica portugueza. Bahia (?).... - e - Desenho linear - Não pude ver taes livros. Filippe José Pereira Leal - Filho de José Antonio Pereira Leal e de dona Leocadia Joaquina da Natividade, nasceu no Rio de Janeiro a 27 de agosto de 1812 e falleceu na Bahia a 13 de agosto de 1880. Fez o curso da acidemia de marinha, assentando praça de aspirante em 1827, sendo promovido a guarda-marinha em 1829 e dahi gradualmente a outros postos até o de captão-tenente, em que foi reformado. Em 1843, ainda no quadro effectivo da armada, entrou pira a carreira diplomática como addido de Ia classe na legação do Uruguay, donde passou no mesmo caracter para a dos Estados-Unidos em 1845, tendo servido interinamente ms duas republicas como encar- regado dosnegocios. Em 1852 passou com este cargo para o Paraguay, e serviu depois successivamente na Venezuela, Nova Granada e Equa- dor, na Hespanha, no Chile, na Italia e, elevado a ministro residente, de 1863 até 1867 na Republica Argentina. Neste anno, sendo promovido a enviado extraordinário e ministro plenipotenciário, foi segunda vez á Venezuela, servindo em seguida no Perú, depois no Paraguay e atinai no Chile até que obteve, como pedira, ficar em disponibilida le activa, em 1878. Era do conselho do Imperador ; veador da casa imperial; socio do Instituto histori» oe geographico brazileiro e da sociedade Auxi- liadora da industria ; dignitário da ordem da Rosa, cavalleiro das de S. Bento de Aviz, do Cruzeiro e de Christo, e grande offlcial da de S. Mauricio e S. Lazaro. Escreveu : - Correcções e amplixções ao que sobre a revolução que arrebentou na cidade do Pará, em 1835, publicou o conselheiro João Manoel Pereira da Silva em sua Historia do Brazil, de 1831 a 1840. Bahia, 1879, 78 pags. in-4°. (Veja-se este autor.) - Memória sobre os acontecimentos politicos que tiveram logar no Pará em 1822 a 1823 - Foi publicada na Revista do instituto, tomo 22°, 1859, pags. 161 a 200. - Memória offerecida a la consideracion de los honorables senadores y deputados al proximo Congreso y à toda la republica sobre el tratado de limites y navegacion fluvial, ajustado y firmado por plenipotenciários del Brasil y de Venezuela en 5 de mayo de 1859. Caracas, 1860, in-8°. Filippe José Pereira 3LeaI,2° - Filho de José Anto- nio Pereira Leal Júnior e de dona Maria Thomazia Pereira Leal, 356 ir e sobrinho do precedente, nasceu no Rio de Janeiro a 22 de janeiro de 1834 e falleceu a 16 de outubro de 1884. Empregado na contadoria de marinha desde 1857, serviu diversos logares, inclusive o de pa- gador e era chefe de secção na mesma contadoria. Durante quatro annos fez parte da commissão nomeada para liquidar a distribuição das prezas feitas na lucta da independencia e na campanha da Cisplatina ; exerceu ainda algumas commissões fóra de sua repartição, sendo a ultima delias a de secretario da inspecção dos corpos e estabeleci- mentos de marinha ao sul do império. Escreveu : - Promptuario da legislação de marinha, compilado da legislação impressa, do expediente dos diversos ministérios e das ordens do dia do quartel-general, e organizado por ordem alphabetica. Rio de Ja- neiro, 1881-1882, 6 vols. in-8° - tendo o Io 480 pags., o 2o 777, o 3* 472, o 4o 524, o 5° 510 e o ultimo, de lettras Q a Z, 647. Consta- me que Ferreira Leal trabalhava na continuação desta obra, quando morreu. Filippe Lopes HNetto - Nascido na cidade do Recife a 6 de junho de 1814, é doutor em direito pela universidade de Piza ; do conselho do ex-Imperador ; commendador da ordem da Rosa e digni- tário da do Cruzeiro ; gran-cruz da ordem de Isabel a Catholica ; gran- de official da ordem de Nishan da Tunisia, da ordem da Coròa da Italia e da ordem russa da Estrella Polar ; official da ordem de Leopoldo da Bélgica ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro, do Insti- tuto fluminense de agricultura, etc. Cursando o ultimo anno da acade- mia de Olinda, por causa dos acontecimentos politicos, passou á Europa, onde, depois de graduado em Piza, estudou em Paris medicina legal com o celebre professor Barruel em 1837. Foi deputado por sua pro- vinda na legislatura de 1845 a 1848 e por Sergipe na de 1864 a 1867. Compromettendo-se na revolução praieira de 1848, e condemnado ã prisão perpetua, esteve no presidio de Fernando do Noronha e, sendo amnistiado em junho de 1852, exerceu a advocacia até que voltou ã Europa em 1859. Tem exercido vários cargos de diplomacia, começan- do em 1865 pelo de ministro plenipotenciário na Bolivia onde firmou o tratado de limites com o Brazil, e foi vice-presidente da commissão brazileira na exposição de Philadelphia. Escreveu: - Rclatorio acerca do systema penitenciário, etc.-- publicado no Relatorio do ministério da justiça em 1866, em annexo. Incumbido pelo governo imperial de visitar as prisões da Europa e, com especialidade, áS prisões intermediárias da Inglaterra o as colonias dos libertados da BelgiCa, o autor não tratou destas por não existirem, nèm terem sido 11 357 creadas. Mesmo de muitos estabelecimentos que visitou, deixou de occupar-se neste trabalho para fazel-o noutro em continuação, que nunca foi publicado. Em seu relatorio combate elle com factos veri- ficados na Europa a colonisação penal, que no Brazil, segundo seu pensar, só serve para sobrecarregar o estado de despezas e facilitar a fuga de grandes criminosos, como succedeu com os degradados do Alto-Amazonas no primeiro reinado e com presos de Fernando de No- ronha. Ha alguns discursos seus em avulso, como : - Discurso proferido na camara dos Srs. deputados na sessão de 31 de maio de 1865. Rio de Janeiro, 1865, in-4°. - Discurso proferido na camara dos Srs. deputados na sessão de 4 de julho de 1866. Rio de Janeiro, 1886, 20 pags. in-4°. Filippe Men.ua Callado da Fonseca - Natural de Lisboa, foibrazileiro pela constituição do império. Veiu a Pernam- buco como caudatario do bispo D. José Maria, e depois do fallecimento deste serviu o logar de escrivão da correcção do Ceará, onde casou-se. Tornando a Pernambuco em janeiro de 1817, adheriu á revolução de 6 de março, foi por isso preso e enviado para a cadeia da Bahia, sendo um dos presos que mais se applicaram ao estudo no curso litterario alli fundado. Depois de solto, indo para a província da Parahyba, deu-se ao exercicio da medicina « com grandes acertos, applauso e acceitação do publico » na phrase do autor dos « Martyres pernambucanos, victi- mas da liberdade nas duas revoluções de 1710 e 1817 »; mas em 1821 voltou ainda a Pernambuco e foi eleito secretario do governo tempo- rário, creado depois da morte de Luiz do Rego. Era um homem de variada instrucção, adquirida quasi toda em seu gabinete, e escreveu : - Tratado sobre a educação da mocidade - Esta noticia achei no citado livro, cujo autor diz que com esta obra dera Fonseca uma amos- tra de seus grandes progressos nas sciencias económicas, mas que a obra « contudo não viu ainda a luz da imprensa, talvez por falta de subscriptores ». Redigiu : - A Segarréga ( periodico liberal e constitucional). Pernambuco, 1821-1822-Começou este periodico em dezembro de 1821, de modo que seu quarto numero é de 29 de janeiro de 1822. E' o segundo jornal que se publicou em Pernambuco, sendo o primeiro a Aurora Pernambucana redigida pelo conselheiro Rodrigo da Fonseca Magalhães, portuguez, de 27 de março a outubro daquelle anno. Filippe da Motta Azevedo Corrêa- Natural do Maranhão, falleceu em Paris pelo anno de 1879, bacharel em direito 358 RI pela faculdade do Recife e professor jubilado de inglez do collegio de Pedro II. Foi membro do conselho director da instrucção publica, membro do instituto da ordem dos advogados e oíllcial da ordem da Rosa. Escreveu : - Grammatica praticada lingua ingleza. Rio de Janeiro, 1862, in-8°- Approvada para servir de compendio no collegio d , Pedro II e no insti- tuto commercial, teve depois varias edições, sendo uma correcta e augmentada em 1869; outra em 1876, e a sexta consideravelmente augmentada em 1880, todas no Rio de Janeiro. - Chave dos exercícios de grammatica pratica da lingua ingleza. Rio de Janeiro, 1870, in-8°. - Selecia classica ou collecção de trechos extrahidos dos autores clássicos portuguezes. Rio de Janeiro, 1871, in-8°. - Selecta anglo-americana: obra adoptada pelo conselho director da instrucção publica para os exames geraes de preparatórios. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - As escolas normaes nos Estados Unidos. Rio de Janeiro, 1877, in-8°. FHlippo Nery Collaço - E' natural de Pernambuco e doutcr em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de sui província em 1858. Dedicado ás sciencias mathematicas, fez delias em seu gabi- nete um estudo tão profundo, que desempenhou por muito tempo, como profissional, um logar na camara municipal do Recife. Exerce a advo- cacia no fôro desta cidade, assim como o magistério de algumas ma- térias da instrucção secundaria, e escreveu : - Jesus Christo perante o século ou novos testemunhos das sciencias em abono do cathohcismo por Rosselly de Lorgues. Traducção. Per- nambuco, 1845, in-8° gr.- Ha outras traducções portuguezas desta importante e sublime obra, sendo uma do doutor Caetano Lopes de Moura, de quem jã fiz menção, publicada em Paris em 1844, e outra do escriptor portuguez Camillo Castello Branco, publicada no Porto em 1867. - Refutação das heresias prégadas pelo Sr. Antonio Vicente do Nas- cimento Feitoza ou defesa dos dogmas da liberdade de Deus e da San- tíssima Trindade. Recife, 1857, ín-8°. - Defesa dos dogmas da liberdade de Deus e da Santíssima Trin- dade. Pernambuco, 1859. - O Homem. Realidade constitucional ou dissolução social. Pernam- buco, 1876, in-folio - Sahiu em fôrma de periodico em doze numeros. - Arithmetica pratica para uso das escolas de ambos os sexos. Per- nambuco, in-8° - Ha varias edições; a 4a é anterior a 1862. FI 359 - Geometria ensinada aos meninos. Pernambuco, 18,., in-8°. - O Conselheiro da familia br zileira : encycl<>pedia dos conheci- mentos indispensáveis na vida prat:ca etc. Rio do Janeiro, 18*3, in-8° com muitas gravuras- E' uma encyclopedia de educrção para todas as idades, e de conselhos e regras uteis para bem viver. Filippe Pinto Marques - E' secretario da directoria do lyceo paraense. Nada mais sei, nem tive quem me désse noticia a seu respeito - Escreveu : - Compendio de geographia para uso das escolas da instrucção primaria, seguido de brevíssimas noções de cosmographia, physica e historia natural. Pará, 1874, 134 pags. in-8° com um mappa da pro- víncia. - Grammatica elementar da lingua portusrueza, extrahida dos melhores autores e coordenada, etc. Quarta edição. Pará, 1882, 162 pags. in-16° - Sô vi esta edição. Filippe d.e Sampaio Corrêa - E' natural do Rio de Janeiro e bacharel em sciencias sociaes e juridicas pela fa- culdade de S. Paulo, formado em 1870. Exerceu o cargo de juiz municipal em Campos e exerce actualmente a advocacia ahi. Es- creveu : - Elementos de economia política. Exposição flel das doutrinas de Henrique Dunning Macleod. Rio de Janeiro, 1873, in-8° - E' um livro de 164 pags. e mais 44 da introducção, divi lido em duas partes, tendo o traductor por collaboradores seus collegas Aureliano de Campos e J. M. Duque-Estrada Campos. Firmino Cândido de Figueiredo - Natural de Per- nambuco, teve uma officina photographic i na cidade de Aracaty, Estado do Ceara, donde passou á capital do mesmo Estado, estabele- cendo-se como photographo, associado a outro, e depois disto nego- ciante de fazendas, também associado com certo Pinheiro da Palma. Fallindo no commercio de fazendas, tornou a Pernambuco, sua patria, onde apresentou a descoberta de um preparado medicinal, denominado «Cajurubeba» que tem sido muito apregoado. Poeta e dotado de óptima voz, cantava ao violão muitas de suas bellas composições. Escreveu: - Confidencias : poesias. Maranhão, 1868, 200 pags. in-8° com o retrato do autor - Segunda edição, Pernambuco, 1885. E' o poeta brazileifo, que conheço, mais fecundo na rima. Ha neste livro com* 360 posições cujos versos não conteem menos de quatro rimas, como a que tem por titulo Eliza, e começa assim : Eliza, a briza que devassa e passa A relva e selva de florinhas mil, Teu colo, solo de candurti pura, Bafeja, adeja num soprar subtil. Muitas de suas composições teem sido postas em musica, ou são re- citadas ao piano, ao que se prestam perfeitamente. Este livro teve segunda edição em 1885 no Recife. Em Aracaty publicou Figueiredo um drama, de que não sei ainda nem o titulo. Fr. Firmino d.e Centêllias - Natural da Italia e reli- gioso da ordem dos Capuchos, viveu alguns annos em S. Paulo, foi ahi lente do seminário episcopal e actualmente acha-se na Hespanha, para onde foi com o fim de tratar da restauração de sua ordem. Escreveu : - Golpe de vista sobre a historia universal, apresentado com algum desenvolvimento aos alumnos do seminário episcopal de S. Paulo. S. Paulo, 1857, in-8°. - Oração, que por occasião da abertura da aula de philosophia ra- cional e moral recitou aos 13 de outubro do corrente anno (1854). S. Paulo, 1854, in-8°. - Discurso sobre a autoridade da Igreja, prégado na sé de S. Paulo a 4 de dezembro de 1859, segunda domingado advento. Rio de Janeiro, 1860, in-8° peq. - Sermões. Rio de Janeiro, 1867, in-4° - Creio que escreveu um - Compendio de philosophia Firmino Coellio do Amaral - Filho da Simphronio Coelho do Amaral, nasceu na cidade da Bahia em 1827 e ahi falleceu em setembro de 1851, doutor em medicina pela faculdade da mesma cidade. Distinguindo-se desde estudante, quer por sua bella intol- ligencia, quer por sua applicação âs lettras, particularmente á poesia, escreveu muito, e muito mais teria escripto, deixando a mais hon- rosa memória de seu nome, si não fallecesse tão pouco tempo de- pois de deixar os bancos da faculdade, si não vivesse sempre perse- guido de desgostos e contrariedades, provindos do seu proprio pae, porque amara com toda a vehemencia de sua alma desde criança e se casara com uma moça pobre ! Dominado por essa paixão, como Dircêo, e como Cláudio Manuel da Costa, em todas as suas poesias inscrevia FT 361 um unico nome na dedicatória, o de Enaira de Ajonàz, anagramma de Anna Januaria de Souza. Suas numerosas composições poéticas que, colleccionadas, dariam volumes, acham-se, umas inéditas e outras esparsas em revista, como as duas seguintes por elle fundadas : - A Borboleta. Bahia, 1848 a 1849, in-4° - Foi seu companheiro an redacção seu collega que estas linhas escreve. Esta folha era publi- cada aos domingos em papel de côres diversas e continha muitos tra- balhos em prosa, de Amaral. - O Horisonte: periodico de lettras e sciencias. Bahia, 1849, in-4° - Era publicado em folhetos uma vez por mez, contendo também trabalhos de sua penna em prosa, e sendo também da redacção seu collega José Cândido da Costa. Citarei outras poesias de Amaral: - Os meus amores: no íris, do Rio de Janeiro, tomo 2°, pags. 354 a 356. E' dividida em tres partes : Amores que tive ; Amores deixados ; Amores presentes. Ha nesta revista outra poesia - As armas de amor-que faz lembrar as lyras de Dircêo. - Uma lagrima delia : Amor eterno - Na Chronica litteraria, jor- nal de instrucção e recreio. Rio de Janeiro, pags. 168 e 175. - Uma noite de lua ; O suspiro da professa ; Os meus desejos ; A noite de Santo Antonio ; Saudade ; No album de A. V. A. S. (im- proviso)- No Atheneo, periodico dos estudantes da faculdade de me- dicina da Bahia, pags. 8, 19, 38, 58, 65 e 233. A poesia (A noite de Santo Antonio) em que o poeta descreve o modo, por que se festeja esta noite no norte do Brazil, ainda é dedicada á sua Enaira, a quem lem- brando duas noites dessas, passadas a seu lado, quando a ella che- gava a vez de consultar a sorte, diz o poeta : Tremia a minha mão, si eu dava os dados ; Tremia a minha voz, si eu lia a sorte. De seus escriptos em prosa, além dos publicados na Tolerância em 1849 e no Correio Mercantil, da Bahia, em 1850 e 1851, ha: - O Calouro namorado: romance-no Atheneo, ns. 1, 3 e 4, não pro- seguindo por motivo de certas censuras. - O calorico è um corpo - no Horisonte n. 1. E' a contestação de um escripto de José Moniz Cordeiro Gitahy que diz que o calorico não é um corpo, mas o resultado de uma combinação. (Veja-se este nome e Antonio Mariano do Bomfim.) - Considerações sobre o medico na Bahia. Bahia, 1849, in-4° - E( sua these inaugural. - A epidemia em 1849 seria importada? - Na Gazeta dos Hospi- *aes do Rio de Janeiro, tomo 2o, pags. 116 a 122 e216 a 224. Sustenta 362 FI Amaral a importação da moléstia e como na mesma Gazeta fosse sua opinião contestada pelo Dr. D ?-Simoni, escreveu elle segundo artigo que foi pub'icado com a noticia de sua morte no numero 15 de outubro de 1851, noticia que fez seu illustre conte idor susp mder a penna da polemica para escrever uma nenia nas pags. 253 a 256. Firmino José <lo Figueiredo - S i apenas que é bra- zileiro, presbyt ro secular, reside em Pernambuco, eescreveu: - Oração fúnebre nas exequias do conselheiro Francisco Xavier Paes Barreto, celebra las ein Ipojuca a 25 da março de 1855, recitada, etc. Recife, 1807, 12 pags. in-8°. Firmino Rodrigues Silva, - Nasceu na cidade de Nictheroy em 1816, e falleceu a 4 de julho de 18'9 ein Paris, victima de desarranjos das faculdades mentaes. Graduado bacharel em sciencias sociaes e juridic is na faculdade de S- Paulo, em 1836, e vindo pira o Rio de Janeiro, deu-se à advocacia e ao jornalismo político. Nomeado juiz de direito de Ouro Preto em 1841 e depois chefe de policia de Minas Geraes, achou-se nesta província, por occasião da reb Ilião de 1842, e ahi, er mo era de esperar, soffreu aggressões dos partidários dessa re- bellião que teve Je combater ; m<s a província, agradecida a seus ser- viços, o elegeu seu representante na camara temporária em 1843, e o contemplou em tres listas tríplices para senador, sendo escolhido pela corôa em 1861. Depois dos serviços prestados em Minas, foi nomeado desembargador dà relação do Rio de Janeiro e esteve em exercicio no tribunal do commercio, sendo, pouco antes de fallecer, aposentado por causx de seus sorfrimentos. Cultivou com muito gosto a poesia e fo uma das mais hábeis pennas do jornalismo brazileiro. Era cominendador da ordem de Christo, ofTicial da ordem da Rosa, socio do Instituto his- torico e geographico brazileiro e escreveu: - 0 Chronista. Kio do Janeiro, 1836-1837, 2 vols. in-4° - E* uma folha de opposição ao govern» da regencii Fe jõ, e de cuja reiacção se encarregara elle apenas voltara de S. Paulo com o titulo de bacharel. Teve nessa folha por companheiros Justiniano José da Rocha que foi delia fundador e principal redactor, e o conselheiro Josino do Nisci- mento e Silva, dos quaes hei de occupar-me. Depois d'0 Chronista col- laborou n'O Brazil e em outras folhas do Rio de Janeiro e de Minas, e redigiu com outros - O Constitucional. Rio de Janeiro, 1862-1864, in-fol. - Com igual titulo houve aqui outros jornaes, que na a teem com este. - A dissolução do gabinete de 5 de maio, ou a facção aulica. Rio de FI 363 Janeiro, 1847 - E' um opusculo político que sahiu sob o anonymo, sendo também attribuido, a principio, ao Marquez de Paraná. Em resposta a elle publicou o conselheiro F. de S. Torres Homem um pamphleto com o titulo A opposição e a corôa. (Veja-se Francisco de Salles Torres Homem. ) - Discurso prof rido na discussão do voto de graças, a 8 de março de 1873. Rio de Janeiro, 1873, 35 pags. in-8°. - Discurso sobre a questão religiosa, pronunciado na sessão de 5 de julho de 1873. Kio de Janeiro, 1853, in-8°. - Discurso proferido no dia 27 de junho de 1874 na discussão do voto de graças. Rio de Janeiro, 1874, 54 pags. in-8°- Versa sobre a questão religiosa. - Discurso proferido na discussão do voto de graças, na sessão de 8 de março de 1877. Rio de Janeiro, 1877, 54 pags. in-8°. - Nenia á morte de Francisco Bernardino Ribeiro. Rio de Janeiro, 1841, in-8° - Esta nenia foi escripta era 1837, e sahiu também na Mi- nerva Braziliense, tomo 2o, pag. 558, e no Parnaso Brazileiro de J. M. Pereira da Silva, tomo 2o, pag. 193. - q b^m censo. Por "* Rio de Janeiro, 1849, 68 pags. in-8? - Ha esparsas algumas composições poéticas deste autor. No mesmo Par- naso se encontram : - Conselho. As lagrimas, ode; A saudade, ode ao Sr. José Maria do Amaral por occasião de partir para Franç<, afim de alli continuar seus estudos; A coroação, ode - Acham-se todas no tomo 2o. Firmino Rodrigues Vieira - Natural de Sergipe, ó bacharel em sciencias physicas e mathematicas, tendo começado o ourso na antiga escola militar e concluido na escola central. Escreveu : - Estudos sobre as sêccas do Brazil. Bahia (?), 1891 - O autor não só estuda as causas desse fligello que tem soffrido o norte do Brazil, como lambem os meios de eliminal-o de alguns pontos. Firmino Theotonio da Morada - Engenheiro geographo e chefe da estrada de ferro central de Alagoas. Es- creveu : - Memória descriptiva sobre o Estado das Alagoas e justificativa dos planos organizados pelo engenheiro Firmino Morada, e apresen- tados ao governo federal para a construcção da primeira secção da estrada de ferro central alagoana pelo commendador Luiz Plinio de Oliveira. Rio de Janeiro, 1892; 364 FL Flnusino José dLa Oama - Natural do Rio de Janeiro» e surdo-mudo de nascimento, teve ainda a desventura de perder o uso completo da razão e, depois de estar algum tempo no hcspicio dos alienados, acha-se agora em companhia de sua mãe. Educado no instituto dos surdos-mudos, ahi exerceu o cargo de repetidor do pri- meiro e segundo anno de estudos, até que seu estado morbido o arredou do estabelecimento, onde, segundo disse-me o honrado director, sua falta tem sido muito sensível. Escreveu: - Iconographia dos signaes dos surdos-mudos. Rio de Janeiro, 1875, in-8°. Flavio Farnese da faijtilo - Filho de Flavio Farnese da Paixão, nasceu na cidade do Serro, em Minas Geraes, e falleceu no Rio de Janeiro a 6 de setembro de 1871 com cerca de 35 annos. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo, formado em 1856, foi, neste mesmo anno, nomeado procurador fiscal da thesouraria, e em 1858, promotor publico da capital de sua província, que o elegeu seu deputado na legislatura de 1867 a 1870. Exerceu a advo- cacia ao mesmo tempo que, republicano sincero e liberal extreme, pugnou por suas idéas, já collaborando para diversos periódicos? já redigindo. - A Actualidade: jornal político, litterario e noticioso. Redactores Flavio Farnese, Lafayette Rodrigues Pereira, Bernardo Joaquim da Silva Guimarães e Pedro Luiz Pereira de Souza. Rio de Janeiro, 1858 a 1864, in-fol.- Foi elle o fundador e principal redactor desta folha, que neste ultimo anno passou a ser redigida pelos Drs. Antonio e Luiz Barbosa da Silva. - Le Brèsil. Proprietaire, Flavio Farnese. jRedaction M M. Flavio Farnese, LafaietteRodrigues Pereira e Pedro Luiz Pereira de Souza. Rio de Janeiro, 1862-1863, in-folio. - A Republica. Propriedade do club republicano. Rio de Ja- neiro, 1870- 1874, in-fol.- Foi suspensa a publicação a 28 de fe- vereiro deste ultimo anno e foram também da redacção Quintino Bocayuva, Lafayette Rodrigues Pereira, Aristides da Silveira Lobo e outros. Farnese escreveu vários opusculos sobre questão do fòro, e a - Biographia de monsenhor José Antonio Marinho - Na galeria dos brazileiros illustres, vol. 2o. ITlorencio A.ntonio Barreto - Fallecido antes de 1837, por isso que no Almanak do Rio de Janeiro deste anno não vem in- FL 365 cluido seu nome, sei apenas que foi medico da imperial camara de dom Pedro I e que escreveu : - Instrucções sobre o modo de vaccinar, e desenvolvimento compa- rado da vaccina falsa com a verdadeira. Rio de Janeiro, 1827, in-4°. Florencio Carlos de Abreu e Silva - Nascido na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, falleceu no Rio de Janeiro, victima de uma tuberculose, em 1882, sendo bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo e presidente desta provincia. Foi deputado na legislatura de 1878 a 1881 e em 1880 nomeado senadoí' por carta imperial de 27 de setembro. Escreveu : - A quebra do juramento, romance - Nos exercícios litterarios do Culto ã Sciencia, revista de S. Paulo, 1860. Era então o autor estudante e como tal redigiu : - O Tymbira, jornal politico, litterario e noticioso, redigido por alguns académicos. S. Paulo, in-fol. - Este jornal começou em 1859 sob a redacção de Rodrigo Octavio, H. Limpo de Abreu, José Luiz Monteiro de Souza, J. Roquette Carneiro Mendonça, A. V. Pinto Coelho e J. C. de Paiva Tavares. No 4o anno, 1861, foi que passou a Florencio Carlos e F. Rangel Pestana. Em 1881 publicou-se na mesma provincia, em Arêas, outro jornal com igual titulo, sob a redacção de Raphael Braga. Na carreira politica o Dr. Florencio Carlos publicou alguns trabalhos, como : - Forças de mar: discurso pronunciado na camarados deputados na sessão de 18 de julho de 1879. Rio de Janeiro, 1879, in-8°. Florostan do Rozwadowski, Condo de Roz- wadovvski - Natural da Allemanha e brazileiro por naturali- sação, falleceu em 1879 no Rio de Janeiro, onde era professor livre de francez,italiano e allemão, e socio do Instituto polytechnico brazileiro. Era engenheiro,formado em sua patria; serviu no corpo de engenheiros, da Áustria com o posto de capitão e, vindo para o Brazil, foi addido ao corpo de estado-maior de primeira classe com o posto de major. Militou na campanha do Estado Oriental do Uruguay de 1852, pelo que foi condecorado com a respectiva medalha de ouro. Escreveu : - Relatorio da viagem do vapor Marajó da cidade da Barra do Rio Negro á povoação de Nauta, na republica do Perú, apresentado em janeiro de 1854 ao presidente da provincia do Amazonas. Rio de Janeiro, 1854, 83 pags. in-4° com um mappa - Foi isso em desempe- nho de uma commissão por occasião da primitiva navegação e com- mercio dô Amazonas. 366 FL - O governo e a colonisação ou considerações sobre o Brazil e enga- jamento de estrangeiros: publicação offerecida aos brazileiros e aos es- trangeiros amigos do Brazil. Rio de Janeiro, 1857, 56 pags in-4° com o retrato do autor. - Orçamento de uma olaria provincial no Amazonas, para fabricação annual de 1.000.000 de tijolos e 300.000 telhas. 1853-Inédito. O original de 9 fls. in-fol. pertence ao archivo militar e esteve na exposição de historia patria. - Projecto de Tabatinga, comprehendendo duas baterias de cinco peças cada uma, acompanhadas e flanqueadas por fogos de fuzilaria e completadas por um entrincheiramento, etc.-Inédito. O original, de 61 fls. in foi., pertence ao mesmo archivo e esteve na dita exposição. Ha do autor uma planta deste projecto, de 2 fls. Floriano Alves da Costa - Natural do Rio de Janeiro e nascido a 25 de fevereiro de 1825, encetou a vida commercial aos quatorze annos de idade, dedicou-se á profissão de guarda-livros que exerceu até 1851 e, estabelecendo-se na praça do Rio de Janeiro nesta data, corno negociante, matriculou-se em 1868 no autigo tribunal do commercio da capital do império. Desde muito moço, dado á leitura de bons autores, tornou-se enthusiasta dos poetas clássicos, com cujos livros se deleitava nas horas do descanço de seus aíTazeres, e escreveu : - O passeio dos bardos ao Baldeador : poemeto. Rio de Janeiro, 1848, 32 pags. in-8°- E' escripto em verso heroico e lyrico e a edição é nitida, com fllêtes e vinhetas. - Amores e saudades : poesias. Rio de Janeiro 1849, 216 pags. in-8° - O autor começou a imprimir este livro na typographia braziliense de F. M. Ferreira ; mas da pagina 145 em deante a impressão é feita na typographia classica de F. M. de Almeida. - Uma casa perto de tudo: comedia em dous actos. Rio de Janeiro, 1856 - Esta comedia foi approvada pelo conservatorio dramatico em 1857, representada na provincia de Minas Geraes, e na Villa-Real em Portugal., - Guaraciaba'. jornal litterario e instructivo. Rio de Janeiro, 1850- 1851 - Este jornal, fundado e redigido por Floriano da Costa, de col- laboração com L. Maximiano Pecegueiro e Luiz Corrêa de Azevedo se publiciva uma vez por semana, com 8 paginas de duas columnas jn-4°, sahindo o primeiro numero a 15 de setembro de 1850 e o ultimo a 6 de abril do anno seguinte. Depois disto, em 1853, passou a ser pro- priedade do um pareute de seu fundador, o qual co'm Pecegueiro e FO 367 Corrêa de Azevedo publicou mais 17 numeros de 9 de outubro de 1873 a 29 de janeiro de 1854. - A luz jornal litterario e instructivo. Rio de Janeiro, 1872 a 1874, in-fol.- Este jornal, fundado sob as mesmas bases do precedente, circulou por quasi todo o império sahindo aos domingos, completando dous volumes de 416 pags. e ficando incompleto o terceiro volume de que sahiram apenas onze numeros. O primeiro volume contém algumas gravuras de assumptos nacionaes. Floriano A. da Costa colla- borou de 1848 a 1858 nos periódicos Chronica, Saulade, B ja-flôr, Brazil e Cruzeiro, todos do Rio de Janeiro, e também no Atheneo, da Bahia. Nosalmanaks de lembranças de Lisboa dos annos de 1858, 1871, 1872, 1873 e 1879 se acham cinco escriptos de sua penna. Finalmente tem inéditas muitas composições poéticas. Floriano José de Miranda - Filho de João José de Miranda e de dona Thereza de Jesus Miranda, nasceu em Maceió, capital das Alagoas, em 184í, e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de novembro de 1884. Bacharelem direito pela faculdade de S. Paulo, apenas formado serviu como voluntário da patiia com o posto de capitão na guerra contra o Paraguay e, depois de exercer alguns annos a advocacia em sua província, entrou para a secretaria dos negocios da justiça no legar de amanuense. Era cavalleiro da ordem da Ros:!,socio do Instituto archeologico alagoano e escreveu: - Angelo, drama em quatro actos - Vem nos Exercícios litterarios do Culto a sciencia, S. Paulo, 1861. Era o autor neste tempo estudante. Fortunato Antonio de Freitas - Filho de José Antonio de Freitas o de don- Maiia Joaquina de Sant'Anna, nasceu na cidade da Bahia em 1835. Feitos os preparatórios necessários para o curso de medicina e o da escola normal, projectava matricular-se na faculdade de sua província, quando a falta de recursos para isso e a netessidade de prover logo acs mei -s de subsistência o levaram ao concur so para uma cadeira de primeiras leVras, que obteve; mas antes de entrar em exercício foi a outro concurso para um Iogar de praticante na thesouraria provincial e o obteve também. Deste em- prego, porém, desgostoso por não ter accesso depois de alguns annos, pediu exoneração, e passou a servir na companhia bahiana de nave- gação á vapor, como encarregado da escripturação e depois super- intendente interino. Em 1864, comprando uma typographia, dedicou- se ao jornalismo até 1868. Serviu de pois na secretaria da Misericórdia 368 FO e sendo inspector da mesma secretaria, retirou-se para servir como amanuense na secretaria da policia, levado por conselhos e promessas de melhor logar com a reforma projectada desta repartição. Fundou e dirigiu o collegio Onze de julho, onde leccionou varias matérias. Exerceu diversos cargos de eleição popular, inclusive o de presidente da camara municipal, e cargos de confiança do governo como o de major da guarda nacional ; é membro do conservatorio dramatico, de que foi presidente e do Instituto historicoda Bahia, e escreveu: - Os meus amores, poesias. Bahia, 1853, in-S0- E' o primeiro volume de suas poesias. Era então o autor muito joven eo livro revela ser de musa infantil. - Momentos de distracção. Bahia, 1860, in-89- E' o segundo volume, onde acham-se muitas composições, já publicadas em varias revistas. De uma delias, a Judia, são os seguintes versos : « Judia !... Si tu és judia, Judeu também quero ser... Si de amar os teus encantos Um christão não tem poder, Ensina-me as tuas crenças, Eu quero comtigo crêr. Dá-me a luz desses teus olhos, Num sorrir meiga expressão... Amor igual ao que eu sinto No fundo do coração.. • Que eu juro amar tuas crenças, Que eu deixo de ser christão...» Collaborou para algumas folhas políticas, como o Pedro II, o Cruzeiro, a Imprensa, o Constitucional e a Nova Epocha e redigiu: - A Constituição, periodico politico. Bahia, 1861 a 1868 - E' escripto de accordo com as idéas da política conservadora e, muitas vezes, em linguagem vehemente. Fortuna to da Fonseca Duarte - Filho de Joaquim Donato da Fonseca e de dona Graciana Florisbella Duarte da Fonseca e natural da proviucia de Minas Geraes, nasceu a 7 de maio de 1847; é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e professor de latim do antigo collegio de Pedro II, hoje gymnasio brazileiro. Escreveu : - Diagnostico differencial dos tumores do scrotum; Ra reabdistincção entre a chimica mineral e a organica ? Vantagem da compressão na thorapeutica cirúrgica ; Apoplexia : these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1873, in-4°. FO 369 - De litteris apud Romanos alhibitis : dissertatio philologica, quam lege jubente conscripsit Fortunatus da Fonseca Duarte, M. D., lati- nitatis locihypodidascali in imperinle collegio Petri II competitor. Po- tamopoli, MDCCCLXXIX, 40 pags. in-4°. - De ellipsi in sermone latino adhibita. Hanc dissertationem propo- nebat imperialis collegii Petri II professoribus ad cathedram latinitatis obtinendam Fortunatus do Fonseca Duarte, M. D., in eodem collegio latinas linguse hypodidascalus. Potamopoli, 1873 54 pags. in-4u - O Dr. Duarte tem ainda trabalhos no exercício de sua cadeira, como : - Programma do ensino do imperial collegio de Pedro II, organisado de conformidade wmogh do art. 2o do decretou. 8227 da 24 dí agosto de 1881- approvado etc, Rio de Janeiro, 1883. 5P pies. in-P - E' escripto era collaboração com outros lentes. Ifortunato Gonçalves Pereira de A.nd.rtxd.e- Natural da província de S. Paulo, onde falleceu, ora presbytero do ha- bito de S. Pedro, grande musico,- excellente cantor e compositor inspi- rado. O piano era seu instrumento favorito. Não sei si deu á estampa suas numerosíssimas composições; ellas, porém, são conhecidas em sua província e constam de - Missas, ladainhas, antiphonas de igreja, concertos e coros para theatro, valsas, contradansas, arias, etc. - Numa noticia, que publicou o Almanak litterario paulista para 1876, onde o padre Fortunato è classificado como um genio, bem como seu contemporâneo, o padre Mamede José Gomes da Silva, também compositor, lê-se o seguinte : « Mamede é vivaz e imaginoso em suas composições; Fortunato plácido e sentimental. Aquelle dã ás suas harmonias toda a pompa da ex- pressão; este toda a ternura de uma melancolia ideal. Mamede parece Strauss em suas valsas arrebatadoras ; Fortunato simula Beethowen em suas melodias embaidoras. Um falia aos sentidos com vigorosa eloquên- cia, emquanto que o outro desce ao coração com ineffavel doçura. São ambos génios...» Fortunato Rapkael PÇo^aeira JPenítlo - Filho do doutor Agostinho Nogueira Penido, nasceu na província de Minas Geraes e ahi falleceu entre os annos de 1867 e 1870, sendo bacharelem sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo, formado em 1834. Seus proprios lentes o tinham cm consideração e nelle reconheciam um dos mais brilhantes talentos que essa faculdade teve. Dedicou-se á advocacia e, apezar de cego e até paralytico, trabalhou sempre, quer na tribuna, quer no gabinete, Possuía vastos conhecimentos 370 de outras sciencias, além daquellas que cursara, como demonstrou escrevendo : - Tratado de Medicina e de outros variados interesses do Brazil o da humanidade. Rio de Janeiro, 1858, 442 pags. in-4"- E' dividido este livro em tres partes: Na primeira trata-se do assumptos que teem relação com a medicina ; nas outras duas, sob o titulo de « Variados interesses do Brazil e da humanidade» trata-se da agricultura, da instrucção publica, de vias de communicação, naturalisação, systema eleitoral, fôro civil e criminal, magistratura, etc. IX Francisca Isidora Gonçalves da Kocha- Filha de Isidoro Gonçalves da Rocha e de dona Francisca Herculana Gonçalves da Rocha, é natural do Estado de Pernambuco e nascida no engenho Santo André, na comarca de Jaboatão. Dotida de educação es- merada, conhece varias linguas, cultiva as lettras, é uma das mais dis- tinctas poetisas do Brazil e tem escripto varias obras, quer em prosa, quer em verso, que ella, excessivamente modesta, se esquiva de dar a lume e até, segundo me consta, se empenha em viver desconhecida. A uma noticia que delia escreveu o doutor II. Capitulino P. de Mello, devo o conhecimento de duas poesias suas, que são : - Scena campestre- Vem nas Pernambucanas illustres, pags. 77 e 79. E' um quadro da natureza campestre, cujo desenho de maviosa bel- leza conclue a autora com os seguintes versos : Meu Deus 1 quanta ventura neste quadro' E como ao coração falia de amores ! Que estrophes lindas de um poema d'ouro! Que lindo prisma de animadas cores! - Ailhade Coral-Idem, pags. 180e 181. Além destas duas compo- sições, declara o doutoi' Capitulino ter em seu poder : - Tarde de estio ; Resignação; Heart Strings, paraphrase de Goethe - Diz mais que D. Francisca Isidora entre as diversas producções, que a honram muito, possue : - A fdha dos Tvpys: drama lyrico em tres actos. - O sitio de Lysandro : romance. - Traducção de Manfredo, de Byron. IX Francisca Maranhão Ciivalcanti Albu- querque - Filha de Lourenço Cavalcanti de Albuquerque Ma- ranhão e de dona Anna Luiza Vieira Maranhão, Barão e Baroneza de Atalaia, e casada com seu primo, o conselheiro Lourenço Cavalcanti de Albuquerque, nasceu em Maceió, capital de Alagoas, a 9 de maio de 1844. FR 371 De esmerada educação, falia perfeitamente francez e allemão, viajou mais de uma vez pela Europa, e escreveu : - Emma de Teneburgo : conto moral do conego Schmid ; traduzido do allemão. Rio de Janeiro, 1858, 194 pags. in-8° - Foi o primeiro e feliz ensaio de sua penna, ainda infantil, e consta-me que ha da tra- ductora outros trabalhos, que, talvez, ainda venham á luz. 1>. Francisca Senliorinlia da Moita Diniz - Filha de Eduardo Gonçalves,da Motta Ramos e de dona Gertrudes Alves de Mello Ramos, é natural de S. José d'El-Rei, Estado de Minas Goraes e foi casada com o advogado José Joaquim da Silva Diniz já fallecido. Sempre dedicada ao magistério da instrucção pri- maria, leccionou com distincção em sua província natal, na de S. Paulo e no Rio de Janeiro, onde dirige actualmente o collegio de Santa Isabel para meninas ; dedicada ás lettras, collaborou na Estação, jornal de modas, e redigiu : - A Voz da Verdade ; jornal semanario, noticioso e instructivo - Nunca o vi ; mas sei que foi uma publicação de ephemera duração. - A Primavera : revista semanal instructiva e noticiosa. Rio de Janeiro, 1880, in-4° - Sahiu o Io numero a 1 de setembro e cessou a publicação no 8°. Esta revista nada tem com outra de titulo igual, publicada em 1861. - O Sexo Feminino : jornal semanario, dedicado aos interesses da mulher. Rio de Janeiro, 1884-1886, in-4° gr.- E' um jornal de propa- ganda da instrucção, no qual sua redactora se occupa também da abo- lição do elemento servil. - A Judia Rachel: romance original de costumes, por D. Francisca Senhorinha da Motta Diniz e sua filha A. A. Diniz. Rio de Janeiro, 1886, 254 pags. iu-8°. Francisco _A.ccioli Lins - Filho de Sebastião da Cunha Accioli Lins e natural de Pernambuco, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado em 1884 e creio que foi delegado de policia da capital federal. Escreveu : - Canções da Aurora : poesias. Ouro Preto, 1886. - Harpa das selvas : poesias. Juiz de Fóra, 1887. Francisco ^kdolplio de Varnhageu, Visconde de Porto Seguro - Filho do tenente-coronel Frederico Luiz Guilher- me de Va^nhagen, nasceu a 17 de fevereiro de 1816 na freguezia de S. João de Ipanema, do actual Estado de 8. Paulo, quando seu pai 372 1 1< ahi se achava restaurando as fundições nacionaes e administrando a fabrica de ferro, e falleceu em Vienna d'Austria a 29 de junho de 1878. Estudava em Portugal o curso de mathematicas no collegio militar e foi obrigado a interromper esse curso para vir concluil-o no Brazil, porque alistou-se voluntariamente pela causa do imperador D. Pedro 1 quando esse príncipe quiz firmar no reino a restauração constitucional. Depois de 1840, anno em que concluiu seus estudos, tornou a Portugal, por achar-se ahi seu pai gravemente doente. Voltando á patria, foi em 1842 promovido a official do imperial corpo de engenheiros, do qual alguns annos depois pediu demissão para dedicar-se á carreira di- plomática como addido á legação em Lisboa-carreira em que prestou ao Brazil os mais relevantes serviços e ao mesmo tempo aceumulava considerável cabedal de conhecimentos, de que exhibiu inconcussas provas nas obras que escreveu como historiador, corographo, geogra- pho, poeta, dramaturgo, biographo e mathematico. Em 1851 foi pro- movido a encarregado de negocios em Madrid donde cm 1859 passou á Republica do Paraguay, que elle deixou sem licença de seu governo, por ver a crueldade com que o dictador Lopez, o velho, tratava seus sub- ordinados e a miséria, a que o mesmo dictador reduzia aquelle misero paiz. Serviu depois successivamente nas republicas da Venezuela, Nova-Granada, Equador, Chile e Perú, tendo a gloria de protestar nesta ultima contra o modo por que o presidente Prado defendia o governo do Paraguay, censurado de não guardar com o Brazil a cortezia ã que o Brazil tinha direito, e íinalmente em Vienna d'Austria, sendo enviado extraordinário e ministro plenipotenciário. Barão e depois Visconde de Porto Seguro, titulo que lembra o descobrimento do Brazil, cuja historia tanto o preoccupou, levando-o a revolver poentos e já carcomidos archivos, Varnhagen era grande do império : commendador da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo ; ' gran-cruz da ordem russiana de Santo Estanislau ; da ordem austriaca da Corôa de Ferro ; da ordem hespanhola de Isabel, a Catholica, e da de Carlos III; membro do Insti- tuto historico e geographico brazileiro, da academia real das sciencias de Lisboa e de muitas associações de sciencias e lettras. Escreveu: - Reflexões criticas sobre o escripto do século 16°, impresso com o titulo de Noticias do Brazil (de Gabriel Soares de Souza), no tomo 3o da «Collecção de noticias para a historia e geographia das nações ultra- marinas». Lisboa, 1839, in-4°-Sujeitas ao juizo de uma commissão da real academia das sciencias de Lisboa, que as elogiou, sahiram antes no 5° volume da mesma collecção de noticias. Escrevera o autoi' esta obra, sendo ainda estudante e obtendo o titulo de membro da academia, e também o de membro do Instituto historico brazileiro. lli 373 - Diário da navegação da armada, que foi á terra do Brazil em 1530 sob a capitania-mór de Martin Affonso de Souza, escripto por seu irmão Pero Lopes de Souza. Lisboa, 1839, 154 pags. in.-8°.-- Acompanha esta obra, também publicada durante o tirocínio esco- lástico do editor, o retrato de Martim Affonso, sua biographia e a de seu irmão Pero, annotações e documentos. Houve posteriormente uma edição, feita em S. Paulo á custa da província, com accrescimos e cor- recções de Varnhagen, havendo ao todo quatro edições, e a ultima com o titulo : - Diário da navegação, de Pero Lopes de Souza pela costa do Brazil até o rio Uruguay (de 1530 a 1532). Quarta edição, acompanhada de vários documentos e notas, e livro da viagem da não Bretôa ao Cabo Frio (em 1511), por Duarte Fernandes. Nova edição ; tudo annotado e precedido de um minucioso prologo, escripto por seu editor F. A. de Varnhagen. Rio de Janeiro, 1867, 113 pags. in-8° gr. - Acha-se também na Revista do Instituto, tomo 24. - O descobrimento do Brazil : chronica do fim do 15° século. Se- gunda edição authentica, revista, correcta e augmentada pelo autor. Rio de Janeiro, 1840,70 pags. in-8°- Tinha sido publicado no perió- dico Panorama, tomo 4o, 1840, pags. 21, 33, 53, 68, 101 e segs. em 12 capítulos com o titulo de Chronica do descobrimento do Brazil, sendo escripto em fôrma de romance, afim de melhor adaptar-se ao gosto do paiz, como diz o autor. - Noticia histórica e descriptiva do mosteiro de Belém. Lisboa, 1842' 59 pags. in-8° com uma estampa - Fecha-se o escripto com o glossá- rio de alguns termos relativos á architectura, e foi também publicado no Panorama, tomo 6o, 1842, pags. 58, 66, 73, 99, 109, 125, 130 e 138' accrescentado de mais um capitulo, o 13", com additamento aos pre- cedentes eum desenho do interior do mosteiro, no tomo 7o, pags. 385 e segs. - Corographia cabo-verdiana ou descripção geographico-historica da província das Ilhas de Cabo-Verde e Guiné ; publicada por José Conrado Carlos de Chelmicki e Francisco Adolpho de Varnhagen. Lisboa, 1841, 2 vols. de 304 e 511 pags. in-8° com seis estampas - A indicação do nome do segundo autor sò vem no segundo volume. - As primeiras negociações diplomáticas relativas ao Brazil. Rio de Janeiro, 1843 - Foi feita a publicação pelo Instituto historico, em virtude de deliberação tomada na sessão de 2 de dezembro de 1842. - Épicos brazileiros. Lisboa, 1843 - Houve segunda edição, de Lisboa, 451 pags. in-12%-A primeira contém o poema Caramurú ; a se- gunda contém este e o poema Uruguay, acompanhados de notas biogra- 374 FR phicas acerca de seus autores frei José de Santa Rita Durão e José Basilio da Gama, e de notas instructivas de Varnhagen. - OCaramuru perante a historia : dissertação. Rio de Janeiro, 1846, in-8° - Este trabalho foi apresentado ao Instituto historico, que premiou o autor com uma medalha de ouro no valor de quatrocentos mil réis, prémio que elle cedeu em troca de outra remuneração de ordem litteraria. Foi também publicado na Revista Trimensal, tomo 10°, 1848, pags. 129 a 152. - Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuitica pela Bahia, llhéos, Porto Seguro, Pernambuco, etc., escripta pelo P. Fernão Car- dim. Lisboa, 1847, 129 pags. in-8®- Esta obra existia na bibliotheca publica eborense, muito incorrecta. Varnhagem corrigiu-a e addicio- nou-lhe muitas notas que, entretanto, não sahiram impressas por mo- tivos que elle expõe no flm do livro numa advertência final. - Replica apologética de um escriptor calumniado e juizo final de um plagiario diffamador que se intitula general. Madrid, 1846, 24 pags. in-8® - Refere-se a uma publicação do general Abreu Lima em vista do juizo critico que escrevera Varnhagen sobre seu «Compendio da Historia do Brazil», o qual juizo vem na Revista do Instituto, tomo 13*, pags. 60 a 83. (Veja-se José Ignacio de Abreu Lima.) - Qual o gráo de veracidade em que se deve ter o facto maravilhoso de Diogo Alvares Cabral e da celebre Paraguassú, conforme refere Rocha Pitta na sua « America portugueza », livro 1°, pag. 59, ns. 98 e 99, de que, deixando a nado as praias da Bahia de Todos os Santos, oram acolhidos em uma nào franceza e levados á França, onde reinava Henrique II, alli foi ella baptisada com o nome da rainha Catharina de Medieis e unidos em matrimonio, sendo os dous sobreditos soberanos os padrinhos: programma do Instituto historico - que Varnhagen desenvolveu, merecendo a medalha de ouro. 1847. - Memorial orgânico que á consideração das assembléas geral e provinciaes do império do Brazil apresenta um brazileiro. 1849 (sem indicação do logar), 54 pags. in-4° - Trata-se da divisão das pro- vindas e da mudança da capital do império. No anno seguinte publi- cou elle: - Memorial orgânico. Segunda parte, em que se insiste sobre a ad- opção de medidas da maior transcendência para o Brazil. Madrid, 1850, 16 pags. in-4® - O trafico dos africanos e a escravidão. Madrid, 1850 - Neste livro pede o autor a promulgação de uma lei que desde logo decrete a liberdade de ventre, depois de um prazo dado, como propuzera o Dr. A. F. França na camara dos deputados na sessão de 15 de julho FR 375 de 1837 (veja-se Antonio Ferreira França, Io), e como realizara depois o Visconde do Rio Branco. - Memória sobre os trabalhos que se podem consultar nas negocia- ções de limites do império, com algumis lembranças para a demar- cação destes, escripta por ordem do Exm. Sr. conselheiro Paulino José Soares de Souza, ministro, etc. 1851 -Existe na bibliotheca nacional a cópia, datada de 15 de julho deste anno, 21 fls., com um mappa. - Tratado descriptivo do Brazil em 1587, obra de Gabriel Soares de Souza, senhor de engenho na Bahia e nolla residente dezesete annos, seu vereador da camara, etc. Edição castigada pelo estudo e exame de muitos códices manuscriptos, existentes no Brazil, Portugal, Hespanha e França e accrescentada de alguns commentarios à obra, etc. Rio de Janeiro, 1851, 422 pags. in-8° gr. - Vem também na Revista do In- stituto, tomo 14°, pags. 1 a 422 da primeira edição da Revista, ou pags.l a 330 da segunda edição, precedidas de um prologo, com 28 pags. de numeração especial, e de « Algumas noticias biographicas acerca de Gabriel Soares de Souza, tiradas do 2o volume da Historia do Brazil do editor Visconde de Porto Seguro » e seguidas de « Breves commen- tarios ao dito tratado de Gabriel Soares e do códice, de pags. 331 a 382. Diz Innocencio da Silva que esta edição é em tudo incomparavelmente superior á que fizera pela primeira vez a academia real das sciencias de Lisboa, quando ainda se ignorava quem fosse o autor, na Collecção de noticias, etc. - Historia geral do Brazil, isto é, do descobrimento, colonisação, legislação e desenvolvimento deste Estado, hoje império independente, escripta em presença de muitos documentos authenticos, recolhidos nos archivos do Brazil, de Portugal, da Hespanha e da Hollanda por um socio do Instituto historico do Brazil, natural de Sorocaba. Madrid, 1854, 2 tomos de XV-498 e XXVHl-489 pags. in-4° com 27 estampas - achando-se o prefacio e o discurso introductorio no 2o tomo. « Esta obra, objecto incessante das vigílias do autor nos melhores annos de sua vida, não só lhe grangeou o suffragio e approvação dos homens competentes, cujo testemunho elle se compraz de mencionar no P. S., com que termina o segundo tomo, mas abriu-lhe as portas de varias corporações scientiticas e litterarias, como a academia das sciencias de Munich e a sociedade geographica de Paris, que espontaneamente se apressaram em chamal-o ao seu grémio. » Depois publicou-se : - Historia Geral do Brazil antes de sua separação e independencia de Portugal.Segunda edição,muito augmentada e melhorada (sem data, com a declaração da casa deLaemmert &C., mas notando-se no verso da folha do rosto do Io volume c Imprensa do filho de Carlos Gerold » e na 376 IR do 2° volume a mesma declaração, com a designação Vienna) - E' uma edição nitida de 1222 pags. in-4° e mais 28 da introducção, com vários retratos de homens ilustres, desenhos e mappas, offerecida ao Imperador D. Pedro II. Após a publicação da primeira edição appareceu em Pariz a obra « Considerations geographiques sur 1'histoire du Brésil, recem- ment publiée em portugais à Madrid, par Mr. François Adolphe de Varnhagen : rapport fiit par Mr. d'Avezac» e então escreveu Varnhagen : - Examen de quelques points de 1'histoire geographique du Brésil, comprenant des eclaircissements nouveaux sur le second voyage de Vespucci, sur les explorations des cotes septentrionales du Brésil par Hojeda et par Pinzon, sur 1'ouvrage deNavarrete, sur le véritable ligne de demarcation de Tordezillas, sur 1'Oyapok de Vincent Pinzon, sur le véritable point de vue ou doit se placer tout 1'histoire du Brésil, ou Analyse critique du Rapport de M. d'Avezac sur la recente Histoire générale du Brésil. Paris, 1858, 70 pags. in-8° com 1 mappa-E ainda mais, si não é a mesma obra : - Bulletln de la Societé de geographie. Examen de quelques points de 1'histoire geographique du Brésil (sem logar, nem data), in. 8o - Primeva epistola del almirante d. Christobal Colou, dando cuenta de su gran descubrimiento a d. Gabriel Sanchez, tesorero de Aragon. Acompana al texto original castellano el de la traducion latina de Leandro de Cosso, segun la primera edicion de Roma de 1493 y precede la noticia de una nueva copia dei original manuscrito y de las antiguas ediciones del texto en latiu, hecha por el editor d. Genaro H. Volafan. Valência. 1858, .35 pags. in-4°-Tiraram-se apenas desta edição cem exemplares numerados, sendo, portanto, uma obra muito rara. Depois de alguns annos, fez-se nova edição com o titulo : - Carta de Christobal Cofon, enviada de Lisboa á Barcelona en marzo de 1493. Nueva edition critica conteniendo las variantes de los dife- rentes textos, j meio sobre estos, reflexiones tendentes a mostrara quien la carta fue escrita, y varias otras noticias. Por el seudonimo de Valência. Vienna, 1869, 85 pags. in-8° com uma carta do districto das Antilhas, visitado por Colon, como suppõe o editor - Serviu-se para esta obra do texto de um exemplar da primitiva edição castelhana, encontrado na bibliotheca ambrosiana de Milão. Foram tirados só 120 exemplares, também numerados. - Succinta indicação de alguns manuscriptos importantes, relativos aoBrazil eã Portugal, existentes no museo britannico do Londres e não comprehendidos no Catalogo Figanieri, publicado em Lisboa em 1853, ou simples additamento ao dito catalogo Habana, 1863, 15 pags. in-8n. FR 377 - La verdadera Guanahani de Colon: memória, etc. Santiago, 1864, 120 pags. in-4°, com uma carta em folha de grande formato - Foi pu- blicada nos Annaes do Chile e depois traduzida em allemão. Nella prova o autor que a Guanahani de Colombo não era sinão a Maya- guana e nunca alguma das pretendidas Lucayas. Esta memória sahiu também nos Annaes do Chile, e depois traduzida em allemão, isto é : Das wahre Guanahani desColumbus & Wien, in-8°. - Aim las questiones de limites del Ecuador ó sea Pedro Moncayo y su nuevo folheto, sus absurdos y su mala fé, etc., por E. P. Lima, 1862, 76 pags. in-4°- Bem que no rosto deste opusculo não venha o nome de Varnhagen, comtudo muito trabalhou nelle sua penna, e quasi ex- clusivamente sua é a parte relativa á diplomacia. - Amerigo Vespucci, sou caractere, ses écripts (mème les moins authentiques), sa vieetses navigations. Lima, 1865, in-fol. com uma carta das derrotas - A continuação, que ahi se promette, desta obra, foi publicada em Vienna, como se verá adeante. - Vespucci et son premier voyage ou notice d'une decouverte et exploration primitive du golfe du Mexique et des côtes des Etats-Unis, en 1497 et 1498, avec le texte de trois notes importantes de la main de Colomb. Paris, 1858,31 pags. in-8° com uma estampa-Sahira antes no «Bulletin de la Societé de Geographie » de janeiro e fevereiro deste anno. - Le premier voyage d'Amerigo Vespucci, deflnitivement explique dans ses details. Vienna, 1869, in-fol. - Nouvelles recherches sur les derniers voyages du navigateur dorentin A. Vespucci. Vienna, 1868, in-fol. - Nouvelles recherches sur les derniers voyages du navigateur floreutiu et le reste des documents et eclaircissements sur lui. Vienna, 1869, in-fl. com uma carta e um fac-simile. - Ainda Amerigo Vespucci. Novos estudos e achegos, especialmente da interpretação dada á sua primeira viagem, em 1497 e 1498, ás costas de Yucatan e golfo Mexicano. Vienna d'Austria, 1874, in-81' com um fac-simile do mappa-mundi de Ruysch, -Historia completadas luctas hollandezas no Brazil, desde 1624 a 1654, pelo autor da Historia Geral do Brazil. Vienna d'Austria, 1871, 395 pags. com uma estampa - Fez-se no anno seguinte uma nova edição me- lhorada e accrescentada, Lisboa, 1872, 432 pags. Esta obra deu motivo à publicação em Haya de um opusculo com o titnlo « Les hollandais au Brésil : un mot de replique à M. Varnhagen, par le Lieut.-Colonel P. M. Netscher» em Haya, 1873, ao qual respondeu Varnhagen com : - Les hollandais au Brèsil: un mot de repouse à M. Netscher. Vienna, edition de 1'auteur, 1874,in-4°. Kit 378 - Io Schõner et P. Apianus ( Benewitz ) Influencia de um e de outro e de vários de seus companheiros na adopção do nome America e primeiros globos e mappas--mundi com este nome. Vienna, 1872 - Sahiu também na Revista do Instituto, tomo 35, 1872, parte 2a, pags. 171 a 202. - Sull' importanza d'um manuscripto inédito delia Biblioteca impe- rial de Viena per veriflcare quale fu la prima isola scoperta dal Colombo ed anche altos punti delia historia delia America: discorso, etc. Vienna, 1869, in-8°. - Em serviço ao Norte da Europa (paginas não ofllciaes). Stockholm, 1874, in-8.° - O fficio protesto, dirigido ao Instituto historico e geographico do Bra- zil pelo seu antigo primeiro secretario contra varias asserções injustas insólitas e infundadas do Dr. Antonio Henriques Leal em certa pequena nota de seus «Apontamentos», publicado com algumas notas additivas e um prefacio também protesto. Vienna, 1874, 23 pags. in-8°. - L'origine touranienne des Americains Tupis-caribes et des anciens Egyptiens, iudiquée principalemento par la philologie comparée: traces d'une ancienne migration en Amérique, invasion du Brésil par les Tupis, etc. Vienne, 1876, 175 pags. in-8°. -• Historia da paixão de Christo e taboas dos parentescos, em lingua Tupi, por Nicolas Yapugnay, com uma resenhados impressos acerca da dita lingua, por, etc. Vienna, 1876, 58 pags. in-8° - Essa historia é ex- trahida da « Explication del catechismo en lengua guarani », obra ra- ríssima, impressa em 1724. Precede a historia uma introducção de Varnhagen, de 15 pags., acerca dos citados impressos. A Varnhagen se deve a reimpressão das duas obras seguintes: - Arte de la lengua guarani, ó mas bien tupi, per el p. Antonio Ruiz de Montoya. Nueva edicion, mas correta y esmerada que la primera y con las voces indias en tipo diferente. Vienna, 1876, 104 pags. in-8° - Precede-a uma introducção do editor. - Vocabulário y tesoro de la lengua guarani, ó mas bien. tupi, en dos partes : Io, Vocabulário espanol-guarani, ó tupi ; 2o, Tesoro gua- rani, ó tupi-espanol, por el p. Antonio Ruiz de Montoya. Nueva edicion, mas correta y esmerada que la primera e con las voces indias en tipo diferente. Vienna, 1876, in-8°. - A caça no Brazil ou manual do caçador em toda America tropical, acompanhada de um glossário dos termos usuaes da caça, por um brazi- leiro devoto de Santo Huberto. Rio de Janeiro, 1860, 146 pags. in-8°. - Os indies bravios eo Sr. Lisboa, Timon 3.° Apostilla e nota G aos ns. 11 e 12 do Jornal de Timon, contendo vinte q seis cartas in- FK 379 editas do jornalista e um extracto do folheto « Diatribe contra a timo- nice » (em parte agora reimpressa). Lima, 1867, 128 pags. in-8°- Este opusculo, aqui apontado, é escripto por Frederico Augusto Pereira de Moraes, portuguez, com o titulo: < Diatribe contra a timonice do Jornal de Timon » ácerca da Historia geral do Brazil, pelo Sr. Varnhagen. Lisboa, 1859, 47 pags. in-8° e é assignado por Erasmo, anagramma de Moraes. - Carta ao Sr. Dr. L. F. da Veiga ácerca do autor das cartas chilenas. Rio de Janeiro, 1867, 15 pags.- E' datada de 30 de novembro e declara o autor ter convicção de que taes cartas são da penna de Cláudio Manoel da Costa (veja-se e^te nome) e não de Alvarenga Peixoto, como se suppunha. - A questão da capital: marítima ou interior ? Vienna, 1877, 17 pags. in-4°-Foi depois reimpresso esse trabalho n'O Cruzeiro de 7 e 12 de janeiro de 1878. - Projecto de uma lei addicional á das terras publicas, com a impo- sição do censo por maior, e favores aos que promovem a colonisação agricola no Brazil. Madrid, 1856, 8 pags. in-4°. - Relatorio do congresso estatístico de S. Petersburg em agosto de 1862 - Neste congresso foi Varnhagen um dos vice-presidentes. - Carta ao Exm. ministro da agricultura a respeito principalmente de vários melhoramentos nos engenhos de assucar nas Antilhas, appli- caveis ao Brazil. Caracas, 1863, 15 pags. in-8° - Este opusculo teve outra edição no mesmo anno. - O Tabaco na Bahia. De que modo se ha de melhorar, assim o cul- tivo da planta, como especialmente a cura da folha para charutos, afim de poderem rivalisar com os havanos. Caracas, 1863, 14 pags. in-8°- Este escripto foi publicado com outro de João Francisco dos Santos « A lavoura rotineira. Idéas praticas ». - O café da bahia - Acha-se este trabalho no opusculo publicado no Rio de Janeiro, sem data, mas de 1868 com o titulo: O enigma commer- cial do café moka, patenteado na exposição de 1867. - A cultura do trigo no Brazil - Na Revista Popular, tomo 5°, pag. 94 e seguintes. - Memória sobre a necessidade do ensino e estudo das quinze linguas indígenas no Brazil, lida na sessão do Instituto de 1 de agosto de 1840- e publicada na Revista Trimensal, tomo 3o, 1841, pags. 53 a 63. -Excerptos de varias listas de condemnados pela inquisição de Lisboa desde o anno de 1711 ao de 1767, comprehendendo só brazileiros e colonos estabelecidos no Brazil-Na mesma Revista, tomo 7o, 1845, pags. 54 a 86. Consta de 221 nomes com as accusações e sentenças do 380 Flt terrível e execrando tribunal, entre elles os dos infelizes Antonio José da Silva, sua joven esposa e sua velha mãi. - Ethnographia indígena. Línguas, emigrações e archeologia. Pa- drões de mármores dos primeiros descobridores - Na mesma Revista, tomo 12°, 1851, pags. 366 a 376. - Cartas de Américo Yespucci na parte que respeita ás suas tres viagens ao Brazil, traduzidas e annotadas criticamente - Idem, tomo 41°, 1878. parte Ia, pags. 5 a 31. - Gabriel Soares de Souza : memória - Idem, tomo 21°, pags. 455 a 468. - Naturalidade de Felippe Antonio Camarão - Idem, tomo 30°, parte Ia, pags. 500 a 508 - Ha, além do que se refere á historia do Brazil, a cujo estudo Varnhagen consagrou toda a sua actividrde e in- telligencia, muitos trabalhos, de que citarei: - Trovas e cantares de um códice do 14° século, ou antes mui pro- vavelmente o « Livro das cantigas » do Conde de Barcellos ( com dous fac-similes ). Madrid, 1849, XLII-339, in-12° - Tudo faz crer que se trata do Cancioneiro do collegio dos nobres. As poesias do códice manuscripto e original que existia na bibliotheca real da Ajuda, em Lisboa, precede um nobiliário ou livro de linhagens, escripto pela mesma lettra, em pergaminho e em folio de duas columnas ; a lettra, que se julga ser do proprio Conde de Barcellos, é do século 14°; o idioma, o portuguez castiço, é deste século, e do secuto 13°, anterior mesmo ao reinado de D. Diniz. Já havia sido impresso esse códice, notavelmente adulterado, por Lavanha e Faria no século 17°, e Var- nhagen, não sò deu âs trovas e cantigas a ordem e nexo que faltam no códice, como o illustrou com o que póde tornal-o mais interessante histórica e litterariamente considerado, como se póde ajuizar da intro- ducção e dopost-scriptum por elle elaborados com apurada critica. Ao original deste códice foram unidas mais algumas folhas encontra- das na bibliotheca publica eborense, e escriptas em pergaminho do mesmo formato e da mesma lettra. Esse post-scriptum foi publicado depois, para ser reunido ao livro com a numeração seguida de 340 a 369. Por ultimo deu elle ainda à publicidade: - Novas paginas de notas. Vienna d'Áustria, 1868 - A numeração é continuada do precedente, isto ê, de 371 a 399. Nestas notas o autor, em vista de estudos posteriores e da confrontação com o Códice do Vaticano, reforma a opinião, que alimentava, de ser o Cancioneiro do collegio dos nobres trabalho de uma só penna. - Florilégio da poesia brazileira ou collecção das' mais notáveis composições de poetas brazileiros fallecidos, contendo as biographias de 381 muitos delles, tudo precedido de um ensaio historico sobre as lettras no Brazil. Lisboa e Madrid, 1850 - 1853, 3 vols. a saber: O Io tem 359 pags. precedidas de mais de 54 pags., contendo o ensaio histo- rico ; o 2o tem 361 pags., em continuação do precedente, até 720; o 3o, que é impresso em Madrid, 1853, tem 311 pags. a que segue-se um appendice publicado em Vienna em 1872, de 102 pags. O Dr. A. J. de Mello Moraes, Io, de quem já fiz menção, transcreve fielmente o en- saio litterario precedendo o primeiro volume no seu livro intitulado « Elementos de litteratura », dando-lhe, porém, o titulo do Historia da litteratura brazileira. - Amador Bueno : drama historico-americano em quatro actos e Ires mutações. Lisboa, 1847, in-12° - Segunda edição. Madrid, 1858, 16 pags. in-8° gr. - Sumè: lenda mitho-religiosa americana, recolhida em outras éras por um indio Moranduçara, agora traduzida e dada â luz com algumas notas por um paulista de Sorocaba. Madrid, 1855, 39 pags. in-12° - Sahiu também no periodico Panorama, tomo 12°, 1855, pags. 347 a 351, e ainda no periodico Abelha, n. 9. - Caramuru : romance historico, brazileiro. Rio de Janeiro, 1859 - È escripto em quadras de redondilha de seis syllabas e foi antes publicado no Florilégio. - Cancioneirinho de trovas antigas, colligidas de um Grande Can- cioneiro da bibliotheca do Vaticano, precedido de uma noticia critica do mesmo Grande Cancioneiro com a lista de todos os trovadores que comprehende, pela maior parte, portuguezes e gallegos. Vienna, 1870, 217 pags. in-8° - E' uma primorosa edição, em que se encontram preciosas trovas inéditas do códice do Vaticano, do qual o doutor Caetano Lopes de Moura publicou uma parte apenas com o titulo de Cancioneiro alegre d'el-rei D. Diniz. Em sua introducção Var- nhagen apresenta especies mais circumstanciadas que completam e rectificam o que sobre o códice escreveu Lopes de Moura ; corri- gem-se algumas asserções de escriptores allemães que, mal infor- mados, do celebre códice se teem occupado; estudam-se e esclarecem-se certos pontos obscuros ou duvidosos, e dá-se noticia de trabalho . portuguez, manuscripto existente na bibliotheca imperial de Vienna d'Áustria. - O memorial das proezas da segunda Tavola redonda e a edição Triumpho de Sagramor. Vienna, 1872, in-16°. - Litteratura dos livros de cavallaria. Vienna, 1872 - Trata-se dos romances de cavallaria, dos Amadis de Gaulis, Palmeirim de Ingla- terra e de outrds. 382 rlí - Relatorio e parecer apresentado ao Conservatorio real da arte dramatica por uma commissão especial acerca das peças submettidas ãs provas publicas em 1841. (Extraindo da Revista Lisbonense.) Lisboa, 1842, 14 pags. in-8° gr.- E' também assignado por F. S. Margiochi. - Elogio histórico do vice-almirante Ignacio da Costa Quintella, lido na sessão publica do conservatorio real. (Sem data e logar.) Typ. Nacional, in-4° - Publicou-se também nas Memórias do Conservatorio. - Os dous Vellosos, botânicos brazileiros - Na Gazela Medica da Bahia, 1880-1881, reproduzido da publicação em folheto feita em Vienna, segundo me consta. Refere-se o autor a frei José Mariano da Conceição Velloso e João Velloso de Miranda. De brazileiros illustrcs e outros homens que representam papel importante de nossi historia ha publi- cadas por Varnhagen na Revista do Instituto as biographias seguintes: D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho-tomo 2°, pag. 378. Salvador Corrêa de Sá e BeneviJes- tomo 3% pag. 100 e tomo 5°, pag. 224. João Fernandes Vieira -tomo 5o, pag. 82. Martim Aflonso de Souza -Idem, pag. 232. Pero Lopes de Souza - Idem, pag. 252 e tomo 6", pag. 118. Euzebio de Mattos - tomo 8°, pag. 540. Fr. José de Santi Rita Durão- idem, pag. 276. Antonio José da Silva - tomo 9o, pag. 114. Manoel Botelho de Oliveira -idem, pag. 124. Vicente Coelho de Seabra- idem, pag. 261. João de Brito Lima - tomo 10°, pag. 116. Fr. Manoel de Santa Rita Itaparica- idem, pag. 240. Thomaz Antonio Gonzaga - tomos 12°, 13° e 30°, pags. 120, 405 e 425 da 2a parte. Domingos Caídas Barboza - tomo 14°, pag. 449. Antonio de Moraes e Silva - tomo 15°, pag. 244. Jorge de Albuquerque Maranhão - tomo 25°, pag. 353. Francisco José de Lacerda e Almeida - tomo 36", parte Ia, pag. 177. Antonio Pires da Silva Pontes Leme - idem, pag. 184. Finalmente Varnhagen deixou inéditos vários trabalhos, como: - Relação em 25 classes de documentos existentes no archivo real de Simancas, relativos aos limites meridionaes do Brazil para delles se tirar cópia - Se acha inédita na bibliotheca nacional, acompanhada das «Observações, etc., pelo Barão da Ponte Ribeiro». (Veja-se Duarte da Ponte Ribeiro.) - Historia da independência - O grande valor deste livro pòde-se cal- cular pelo que o autor diz na sua Historia Geral do Brazil, dada á lume L'K 383 depois de sua morte ; diz elle: « Essa nossa Historia da Independencia já se acha escripta e serà publicada apenas consigamos elucidar algumas poucas duvidas que ainda temos. A mesma historia unicamente se recommenda pela pureza das fontes e abundancia de documentos que se tiveram presentes, além dos publicados por Cayrú e aproveitados por Pereira da Silva, a saber: l.° As collecções mais ou menos com- pletas dos periódicos do tempo, e com especialidade o Reverbero, a Malagueta, o Espelho e o Regenerador. 2.° Todas as publicações avulsas, não periódicas, do mes:no tempo, que são muitíssimas e hoje raras de encontrar. 3.° Varias informações verbaes, recolhidas desde 1840 pelo autor (e desde logo por elle protocollisadas) em conversações com vários coriphêos da independencia que conheceu e tratou, incluindo os Marquezes de Paranaguá, Valença, Rezende, Monte-Alegre e Sapu- cahy e também Januario, Lédo, Vergueiro, Raphael Tobias e outros. 4.° Finalmente, as importantíssimas confidencias officiaes dos agentes diplomáticos e consulares hespanhol, francez, inglez e austríaco, desde 1821 a 1825, consultados pelo autor, etc., etc. » Alguns trechos deste livro foram publicados em Pariz pelo Barão do Rio Branco. Francisco A.@rostinlxo Gomes - Filho de Agostinho Gomes, fidalgo cavalleíro da casa real, oriundo da nobre família dos Fontouras e Carneiros, e de dona Isabel Maria Maciel Teixeira, nasceu na Bahia a 4 de julho de 1769 e falleceu a 19 de fevereiro de 1842. Fez os estudos necessários para seguir o estado ecclesiastico, como desejavam seus pais, e depois de receber as ordens de diácono, falle- cendo seu pai e ficando possuidor de grande fortuna, deixou o estado em que se filiara sem ter a necessária vocação e deu-se apaixonada- mente ao estudo das sciencias naturaes, economia politica e litteratura, nas quaes tornou-se notável. Concorreu poderosamente para a fundação da bibliotheca publica da Bahia, doando-a de grande parte de sua im- portante livraria, que então era a primeira, depois da dos jesuítas; introduziu na província machinas e instrumentos agrícolas dos mais aperfeiçoados, que elle sabia existirem na Europa ; mandou vir da Europa e propagou no paiz muitas plantas exóticas ; dotou o museo bahiano de ricas collecções mineralógicas e finalmente despendeu uma parte de sua fortuna, auxiliando jovens conterrâneos seus a irem estudar no velho mundo. Eleito deputado ás cortes portuguezas, foi dos que se recusaram a jurar a constituição, sahindo por isso de Lisboa para Inglaterra, donde voltou á patria demorando-se um anno na pro- víncia de Pernambuco. Foi ainda deputado á primeira legislatura bra- zileira em substituição do V:sconde de Cayrú, eleito senador em 182(5. 384 IR Era socio correspondente da sociedade dos estudiosos da natureza de Edemburg, á qual fez diversas remessas de preciosas collecções de um museo, que possuía, de productos naturaes do paiz, que elle com admiravel perfeição preparava, pois que possuía também um labora- torio chimico e um gabinete de physica. Finalmento, conhecedor de varias linguas, além de muitos trabalhos, que publicou na Gazeta Com- mercial e em outros periódicos, escreveu: - O Escudada Liberdade. Pernambuco, 1822 - Procurei esta publi- cação, que Agostinho Gomes redigira em sua volta da Inglaterra e nunca, pude encontral-a. - Jornal da Sociedade de agricultura, commercio e industria da província da Bahia. Bahia, 1833 a 1836 - Subiu em folhetos mensal- mente e os trabalhos de sua penua eram apreciados, pelo assumpto e pela pureza e elegancia do estylo. - Memória apologética do tratado de commercio entre o ministro do Brazil e o ministro de Portugal e dos Srs. deputados que na camara temporária o sustentaram. Bahia, 1837, 56 pags. in-4°. - Dissertação sobre a origem e estudo da lingua portugueza, oíTc- recida á sociedade Bibliotheca classica portugueza da Bahia em 1841 - Creio que não foi publicada. Affirmaram-me ser de F. A. Gomes: - Lei natural ou princípios physicos de moral, deduzidos da organi- zação do homem e do universo, por C. F. Volney, traduzidos por um bahiano. Bahia, 1835, in-8°. -Philosophia moral de Dugald Stewart - Ia ser dada à luz a tra- ducção commentada desta obra, quando a morte surprehendeu o tra- ductor. Naturalmente está o manuscripto com os numerosos trabalhos que ficaram inéditos. O coronel Ignacio Accioli de Cerqueira e Silva, de quem adeante occupar-me-hei, enviando ao Instituto historico e geographico brazileiro, em 1842, a biographia de F. Agostinho Gomes, depois impressa na Revista trimensal, diz que lhe foram entregues os manuscriptos deste, isto é: - Traducções de diversas obras de philosophia, de economia política, de theologia e dramáticas - as quaesnão enviava logo ao Instituto, por se acharem em grande confusão e ser preciso tempo para coordenal-as. (Veja-se a acta da sessão de 7 de julho de 1842, Revista, tomo 5o.) O Instituto, porém, nunca taes obras viu, nem se sabe que destino tiveram ellas com o fallecimento do coronel Accioli, nem isto admira, porque também não ha noticia da immensídade de seus papeis, relativos, principalmente, á historia patria, de que elle era o chronista-mòr. O Dr. Mello Moraes, já fallecido, em casa de quem residia e morreu ignacio Accioli, é quem poderia alguma cousa dizer a tal respeito. FR 385 Francisco Agostinho Ttibeiro - Advogado no Estado de Matto Grosso e natural, segundo penso, desse Estado, escreveu: - O despotismo em acção ou a falta de liberdade individual. Cuyabá, 1888 - Não pude ver essa obra, mas è sem duvida sobre política; é uma discussão de actos do presidente da provincia, coronel Francisco Raphael de Mello Rego. - O Sr. Dr. Joaquim Murtinho e o seu manifesto. Cuyabá, 1890-• E' um escripto politico, impugnando um manifesto do Dr. Murtinho, publicado pela imprensa do Estado. - Biographia do general de divisão Antonio Maria Coelho. Cuyabá, (?) 1890, com o retrato do general. Francisco Alberto de Souza e Silva - Irmão de João José de Souza e Silva Rio e de Joaquim Norberto de Souza e Silva, dos quaes se fará menção neste livro, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 27 de novembro de 1822, e falleceu na cidade da Barra Mansa a 16 de janeiro de 1872, com 49 annos de idade. Depois de cursar diversas matérias de humanidades, se alistou no exercito, e serviu na arma de cavallaria, de que pediu depois e obteve demissão, tendo o posto de tenente. Poeta, como seus irmãos, escreveu, além de muitas poesias em diversos periódicos e revistas de lettras: - A visão : phases de um império. 1831 a 1834. Rio de Janeiro, 1842, in-8° - Comprehende esta obra: A revolução ; A abdicação ; A menoridade ; A maioridade. E' escripta em verso hendecasyllabo solto. Francisco Alberto Teixeira de Ararão - Filho de Felisberto Teixeira de Aragão e de dona Anna Teixeira de Aragão, nasceu em Lisboa em 1788 e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de junho de 1847. Formado em direito pela universidade de Coimbra, depois de exercer um logar de juiz de fôra em Portugal, foi á França, donde passou ao Brazil e aqui serviu o cargo de intendente da policia, fazendo nesse ramo do serviço melhoramentos que lhe valeram a nomeação de commendador da ordem de Christo e o titulo de conselho do Imperador. Foi desembargador na relação da Bahia e depois desembargador do paço e deputado da mesa de consciência e ordens e por ultimo ministro do supremo tribunal de justiça. A elle se deve chamar-se do Aragão o toque de sino da igreja de S. Francisco de Paula, às 10 horas da noite, ainda em uso no Rio de Janeiro, ha poucos annos. Escreveu : - Gazela dos Tribunaes, dos juizes e factos judiciaes do fôro e da jurisprudência. Rio de Janeiro, 1843 a 1846, in-folio - E' uma excel- lente revista, de que o conselheiro Aragão foi o fundador. Diz o 386 IR Dr. José Francisco Sigaud (veja-se este nome) no seu Annuario político, historico e estatístico do Brazil, 1847, que elle escrevera diversos tra- balhos litterarios, que lhe abreviaram o termo da existência. Só co- nheço, além de sua revista : -A instituição do jury criminal. Rio de Janeiro, 1824, in-8°- Outros trabalhos de que falia o Dr. Sigaud estão, sem duvida, publicados sob o anonymo ou ficaram inéditos. Francisco A.lipio - E' proprietário rural na província do Rio de Janeiro, como elle mesmo o declara, e talvez ahi nascido ; cul- tiva a poesia e escreveu: - ázuI e sombras (collecção de versos): Rio de Janeiro, 1884, in-8°. Francisco de Almeida - Filho do capitão-mór Amaro Ferreira de Almeida e de dona Barbara de Souza Almeida, e natural da villa da Cachoeira, depois cidade da província e hoje Estado da Bahia, nasceu em 1706 e não em 1724, como suppõe o doutor J. M. de Macedo. Com quinze annos de idade, a 7 de dezembro de 1721, tomou a roupêta no collegio dos jesuítas, onde estudou sciencias, sendo admirado pelo seu talento e applicação ; recebeu ordens sacras e leccionou diversas ma- térias. Foi orador sagrado muito applaudido, poeta e grande latinista; escreveu muitos sermões e muitas composições poéticas em latim e na própria lingua ; mas apenas publicou: - Orpheus brasilicus, sive eximius elementaris mundi Harmostes, nempe V. P. Josephus de Anchieta, no vi orbis thaumaturgus et Brasilise apostolus. Ulyssipone, 1737, in-4° - E' um poema em verso heroico. - Sermão de S. Francisco Xavier, protector da cidade da Bahia, na solemnidade anniversaria, com que o festeja o nobilíssimo senado da camara pelo beneficio que fez a todo o Estado do Brazil, livrando-o da peste chamada vulgarmente a bicha. Lisboa, 1743, in-4°. - Oração etica e política da terceira quarta-feira de quaresma, na igreja da Misericórdia da Bahia, em o anno de 1742. Lisboa, 1743, in-4°. Francisco Altino Corrêa de Araújo - Nascido em Pernambuco no mez de dezembro de 1819 e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado em 1875, administrou a província, hoje Estado do Rio Grande do Norte e tem exercido cargos de magistratura, como o de promotor publico no Recife e o de juiz de direito em Goyaz. Cultiva desde muito joveu as lettras, é um idealista romântico, « mas de um lyrismo suave, límpido » e publicou durante o curso jurídico FR 387 muitas poesias e estudos críticos no jornalismo académico do Recife. Delle só conheço as seguintes composições : - Sonhando. Escuta. A' uma menina. No album de um poeta. Não crês ?! Não me fujas... Dea. Eu tinha um coração. Adeus... Visão. A' Eurico Dominici. Senhora. Platão - São poesias de um volume inédito, que um seu parente, o Dr. SilvioRomero, possuia e foram pu- blicadas na .Revista Brasileira, anno 2o, tomo 7o, 1881, pags. 458 a 470. Sinto não poder dar outras publicações do mimoso poeta. Francisco A.1 vares Machado <Le Vaseon- cellos - Filho do cirurgião Joaquim Theobaldo Machado de Vas- concellos e de dona Maria Alvares da Silva Bueno, nasceu na cidade de S. Paulo a 21 de dezembro de 1791, e falleceu no Rio de Janeiro a 4 de julho de 1846. Com vocação irresistível para a medicina, começou a estudar esta sciencia com seu pai e depois, para ter direito ãs lições dadas nessa época pelo physico-mór das tropas de S. Paulo, o Dr. Ma- riano José do Amaral, entrou como ajudante de cirurgia na legião de voluntários desta província. Pedindo mais tarde demissão desse corpo, foi medico do hospital militar, e foi cirurgião da imperial camara. Já em 1814 havia elle obtido a nomeação de cirurgião-mór de um regi- mento de linha. Representou sua província em tres legislaturas ; foi pella membro do conselho central, e presidiu o Rio Grande do Sul em 1840, sendo por isso condecorado com o officialato do Cruzeiro. Foi orador incisivo, eloquente, âs vezes satyrico, e poeta distincto, deixando uma collecção de poesias em poder do conselheiro Olegario Herculano de Aquino e Castro, que provavelmente ainda serão impressas. Vi delle publicadas: - A um libertino : soneto - Vem no Almanak de S. Paulo, de 1878, pag. 114. - Saudades da patria: soneto-No mesmo Almanak, de 1879, pag. 77. - Ode - Idem, pag. 192. Francisco Alvares da Silva Carnpos-Filho do doutor Francisco Alvares da Silva Campos e sobrinho do conselheiro Martinho Alvares da Silva Campos, de quem occupar-me-hei, nasceu em Minas Geraes, é bacharelem lettras pelo antigo collegio de Pedro II e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo. Escreveu : - E' legitima a nossa constituição ? discurso proferido no Club polí- tico e litterario de S. Paulo em sessão de 20 de agosto de 1881. S. Paulo, 1881, 24 pags. in-4°. 388 FR Francisco Alves Freitas- Filho do antigo pagador das tropas da província da Bahia, Joaquim Alves Freitas e avô de Euclides Alves Freitas, já mencionado neste livro, nasceu na dita província e ahi falleceu de avançada idade a 1 de junho de 1881. Veterano da in- dependência, fez a campanha da Bahia de 1821 a 1822 e viveu muitos annos cego e, além de cego, com outros soffrimentos physicos que lhe tornavam pesadíssima a existência. Foi um desvelado cultor da poesia e repentista muito feliz. De grande cópia de composições suas, que elle pedia a um amigo para escrever, publicou um volume com o titulo de - Nuvens negras. Bahia, 1872-Das inéditas, que são innumeraveis» vi, ha poucos annos, algumas em poder do Dr. Affonso José dos Santos. De genio alegre, apezar de seus soffrimentos, foi um dos fundadores da - Marmota da Bahia-(Veja-se Prospero Ribeiro Diniz). Nesta folha escreveu muito sob o pseudonymo « Pantaleão da Saubára» e de uma feita, sendo offerecido um prémio a quem melhor glozasse a quadra: Faz-se preciso saber, Segundo as leis sociaes, Si são os filhos ou filhas Que dão mais gostos aos pais, foi Alves Freitas quem, entre crescido numero de glozadores, obteve o prémio promettido. Francisco Alves Lima - Filho de Francisco Alves de Moraes e de dona Rachel Cecilia de Oliveira Lima, nasceu no Piauhy a 2 de janeiro de 1869 e é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade do Recife em 1891. Fez seus estudos de humanidades no Ceará, para onde voltou depois de formado e havia sido nomeado promo- tor publico da cidade de Quixeramobim quando explodiu a revolta de 16 de março de 1892. Cultor da poesia, mas muito modesto, só a instantes pedidos de amigos publicou seu primeiro livro de versos com o titulo : - Estrophes. Fortaleza, 1891, in-8° -O autor, surgindo para as lettras sob o influxo da escola poética, que tão alto levantou o ascen- dente da plastica em litteratura, não seguiu, entretanto, esta escola em toda sua comprehensão. Seguindo em larga escala o methodo eccletico, combateu o parnasianismo moderno e fez reviver em seu livro uma das fôrmas mais fecundas da poesia, o sentimento tão desprezado, infelizmente, pelos exagerados admiradores da fôrma. Francisco Alves da Silva Castilho - E' natural da freguezia do Nossa Senhora do Desterro do Campo Grande, freguezia FR 389 suburbana do município neutro, e foi para ahi a 5 de fevereiro de 1849, nomeado professor publico da instrucção primaria, em cujo magistério jubilou-se, sendo actualmente nessa freguezia delegado da instrucção publica. Escreveu: - Methodo para o ensino rápido e aprazível de ler impresso, ma- nuscripto e numeração, e de escrever. Rio de Janeiro, 1850, 64 pags.- Segunda edição, Lisboa, 1853. - Manual explicativo ou methodo de leitura, denominado Escola brazileira, offerecido e dedicado á classe dos professores de primeiras lettras. Rio de Janeiro, 1859, 64 pags. in-8° -E' um methodo novo e especial pela divisão e ordem dos elementos phonicos da palavra, e pela leitura immediata, independente de alphabetos e de syllabarios. - Methodo de leitura para o ensino dos meninos e adultos. Rio de Janeiro, 1863, 100 pags. in-8° - E' também publicado sob o titulo de Escola brazileira, assim como outros livros deste autor. - A B C de amor, ou methodo ameno de ensinar as moças, conforme o systema da Escola brazileira, seguido de uma mimosa collecção de poesias amorosas e ternas, extrahidas dos melhores poetas, além de um Diccionario das flores, da explicação das côres e do thermometro do amor. Rio de Janeiro, 1864, in-8°. - Preliminares de grammatica, dispostos em leitura apropriada para exercitar a intelligencia dos principiantes e preparal-os para o estudo desta doutrina em obras de maior desenvolvimento, representando o systema grammatical figurado por meio da arvore da sciencia. Rio de Janeiro, 1864, in-8°. - Grammatica pittoresca ou systema grammatical explicado pela arvore da sciencia: mappa appenso aos Preliminares de grammatica da Escola brazileira. Rio de Janeiro, 1864, 11 pags. in-8°. - O principio da sabedoria é o temor de Deus : maxima desenvol- vida e explicada por meio de trechos de leitura apropriada para despertar a reflexão da mocidade, etc. Obra dedicada a S. M. o Sr. D. Pedro II e âs mãis de familia. Rio de Janeiro, 1872, in-8°. - Analyse e considerações sobre o relatorio da commissão visitadora dos estabelecimentos da instrucção primaria e secundaria do município da côrte, offerecidas a seus collegas. Rio de Janeiro, 1874, 47 pags. in-8°. Francisco Amedée Peut - De origem franceza, como seu nome indica, sei apenas que é natural de Ouro-Preto, capital do Estado de Minas Geraes e que escreveu : - Ouro-Pretanas : poesias. Ouro-Preto (?), 1890 - E' um livro de 390 FR estréa e, como de estrêa, devem ser desculpáveis pequenos defeitos, naturaes de quem começa. Francisco Amyntis cie Carvalho Moura - Na- tural da provincia, hoje Estado de Pernambuco, e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade do Recife em 1861, é admi- nistrador do consulado do mesmo Estado e foi governador do Rio Grande do Norte, nomeado pelo ministério do Barão de Lucena. Escreveu: - Ensaios economicos e apreciações praticas sobre o estado finan- ceiro do Brazil. Rio de Janeiro, 1885. - Estudo sobre o meio circulante. Rio de Janeiro, 1888. - A republicanisação do Brazil perante a historia. Recife, 1891 - E' uma reproducção de artigos publicados no Diário de Pernambuco sob o pseudonyrno de Ignotus civis. Francisco Antonio de Almeida - Filho do coronel Francisco Antonio de Almeida, doutor em sciencias physicas e mathe- maticas e cavalleiro da ordem da Rosa, regeu interinamente a segunda cadeira do curso de minas da escola polytechnica ; viajou pela Europa e, a convite do governo imperial, foi addido á commissão do governo francez encarregada de observar a passagem de Venus no Japão em 1874. Exercia o cargo de director do Diário Official e delle foi ex- onerado, quando o general Deodoro deixou a presidência da Republica ; depois, accusado de entrar na conspiração de 10 de abril de 1892, foi preso e recolhido â fortaleza de S. João. Escreveu : - Noticia sobre as minas de ferro de Jacupiranguinha e bases de um projecto de exploração : memória apresentada a S. Ex. o Sr. Visconde do Rio Branco, director da escola polytechnica. Rio de Ja- neiro, 1878, 40 pags. in-8°. - A paralaxe do sol e as passagens de Venus, acompanhadas de uma carta para a passagem do mesmo planeta a 6 de dezembro de 1882, que será visto no Brazil ; organizada para o meridiano do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1878. - Da França ao Japão : narração de viagem e descripção histórica, usos e costumes dos habitantes da China, do Japão e de outros paizes da Asia. Rio de Janeiro, 1879, 236 pags. in-4°- Este livro é nitida- mente impresso, illustrado com varias estampas, precedido do retrato do autor e tem no fim a - Carta do império do Japão, organizada segundo documentos offlciaes. Rio de Janeiro, 1878. - A federação e a republica. Rio de Janeiro, 1889. FR 391 Francisco Antonio de Andrade e Silva - Natural da Bahia, viveu na época da independencia e exercia, si não me engano, o cargo de vereador da Camara Municipal da antiga villa de Sergipe do Conde, quando escreveu : - Exposição da collocação do retrato do Senhor D. Pedro de Alcan- tara, Io imperador do Brazil, na casa da camara da villa de S. Francisco de Sergipe do Conde, na província da Bahia. Rio de Janeiro, 1825, 27 pags. in-4°. Francisco Antonio de Azevedo -■ Filho de An- tonio Ferreira de Azevedo, nasceu na cidade de Goyaz a 7 de setembro de 1815 e falleceu alli em outubro de 1884. Doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, entrou para o serviço militar de saude em 1845 com o posto de alferes cirurgião ajudante, e subiu successi- vamento até o de tenente-coronel cirurgião-mór de divisão, em que re- formou-se, sendo cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz, e escreveu: - Algumas considerações acerca da importância e hygiene dos hospitaes civis : these que foi apresentada â faculdade de medicina, etc. Rio de Janeiro, 1844, in-4°. - Manual de agricultura elementar, precedido de algumas considerações geraes a respeito do auxilio á lavoura do Brazil. Goyaz, 1875, in-4°. Francisco Antonio Brandão - Natural da província do Maranhão e doutor em sciencias naturaes pela Universidade de Bru- xellas, foi por varias vezes deputado â assembléa de sua província, e ahi, segundo mo consta, se deu ao magistério como professor da in- strucção superior. Escreveu: - A escravatura no Brazil, precedida de um artigo sobre a agri- cultura e colonisação no Maranhão. Bruxellas, 1865, 188 pags. in-12° - Este livro é dedicado ao Dr. Luiz Pereira Barreto, de quem farei menção no logar competente e que cursara com o autor a mesma universidade seguindo, porém, o curso medico. Francisco Antonio Carneiro da Cunha-E* na- tural da antiga província da Parahyba, major honorário do exercito, bacharel em mathematicas, lente substituto da escola polytechnica e cathedratico do curso superior da escola militar, cavalleiro da ordem da Rosa e da de Christo, condecorado com a medalha da campanha do Paraguay, tendo servido no exercito, e reformando-se com o posto de capitão. Escreveu : - Os heròes parahybanos na campanha do Paraguay de 1865. Rio 392 FR de Janeiro, 1867 - Foi feita esta publicação por cadernetas. Occupa-se do alferes Leoncio Frederico Augusto Neiva e do tenente Ruflno Bor- ges Marques Camacho, com seus retratos. - Historia da descoberta dos principaes metaes : these de concurso à uma das vagas da segunda secção do curso geral da escola polyte- chnica. Rio de Janeiro, 1880, in-4°-E' seguida de proposições sobre a constituição da matéria. - Da electricidade estatica, comprehendendo o estudo da electri- cidade atmospherica e dos phenomenos que delia dependem, e o estudo comparativo das diversas machinas electrico-estaticas : these de concurso para o preenchimento da vaga de repetidor da 2a secção do curso superior da escola militar da corte. Rio de Janeiro, 1887, in-4°. - Memória sobre as instituições e organização militares. Rio de Janeiro, 1889 - O governo da Republica mandou gratificar ao autor com a quantia de 1:500$, como foi arbitrado pela congregação da escola militar, que considerou a dita memória de utilidade para o ensino. Francisco Antonio cie Carvalho - Filho de Fran- cisco Antonio de Carvalho e de dona Rosa Filgueiras de Carvalho, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 6 de maio de 1855, e falleceu a 3 de maio de 1879. Bacharel em sciencias sociaes e juridicas, formado em 1877 pela faculdade de S. Paulo, tendo estudado na do Recife o terceiro e quarto annos do curso, foi nomeado promotor publico de Angra dos Reis dous ou tres mezes depois de sua formatura, e no anno seguinte, nomeado juiz municipal, veio ao Rio de Janeiro, onde a morte o arrebatou. Dedicado ãs lettras, escreveu como collaborador em al- guns periódicos, sobretudo na Republica, de S. Paulo, e seus escriptos foram dados á lume sob o titulo: - Escriptos posthumos de F. A. de Carvalho Júnior. Rio de Janeiro, 1879, in-8°, com o retrato do autor, e uma noticia biographica, escripta por Àrthur Barreiros - Constitue a primeira parte das obras posthumas a Parisina, drama em tres actos, que o autor escrevera depois de ler o poema de Byron com o mesmo titulo. As outras partes de que se compõe o livro, são: 2a, Hesperides, collecção de versos; 3a, Folhetins ; 4a, Critica; 5a, Vários, que abrange dous escriptos políticos e fragmento de uma conferencia sobre a liberdade de cultos. Francisco Antonio Castorino de Faria - Filho de Antonio Francisco de Faria e natural de Santa Catharina, FR 393 é professor da instrucção primaria da primeira cadeira da freguezia da Gloria no município da capital federal e escreveu: - Conferencias pedagógicas. ( Considerações acerca da terceira these do programma das conferencias pedagógicas e apreciação da critica feita ao seu trabalho na Revista da Liga do ensino). Rio de Janeiro, 1884, 12 pags. in-8°, sem folhas de rosto. - Lasthania. Rio de Janeiro, 1884, 176 pags. in-8° - E' um romance que o autor tinha escripto e conservava inédito, ha muitos annos, como outros de sua penna, segundo diz elle. Francisco Antonio Cesario de Azevedo - Natural de Pernambuco e bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife, formado em 1861, escreveu: - Illusões perdidas: primeiros cantos. Pernambuco, 1861. Francisco Antonio Dutra Rodrigues - Natural da cidade do Rio de Janeiro, falleceu na de S. Paulo a 29 de setembro de 1888. Era doutor em direito pela faculdade desta cidade, lente de direito romano, do conselho de sua magestade o imperador, e presi- dente da directoria do banco de credito real. Foi deputado á assembléa de S. Paulo mais de uma vez. Escreveu: - Theses e dissertação para obter o grào de doutor, etc. S. Paulo, 1866, 24 pags. in-4° - O ponto da dissertação é este: E' razoavel a responsabilidade de terceiro por conta de quem saca a letra de cambio, imposta pelo art. 317 do codigo commercial ? Será ella tratada pela mesma acção decendiaria ou por acção ordinaria ? - Dissertação e theses para o concurso do logar de lente substituto, etc. S. Paulo, 1868, 36 pags. in-4° - Ponto da dissertação: A classi- ficação dos direitos civis em reaes e pessoaes abrange o quadro de todo direito privado ? Qual a classificação preferível. - Theses e dissertação em virtude do disposto no art. 128 do Reg. n. 1868 de 24 de fevereiro de 1855. S. Paulo, 1871, 26 pags. in-4° - Ponto da dissertação: A legitimação por subsequente matrimonio estende-se a todos os filhos ? - Theses e dissertação que apresentou conforme o disposto no artigo 128 da Regulamento, etc. S. Paulo, 1872, 21 pags. in-4°-Ponto da dissertação: Qual a importância ea autoridade dos jurisconsultos e dos casos julgados na formação da culpa ? - Postillas de pratica : collecção completa de lições de pratica do anno de 1865, precedidas de cinco lições de hermeneutica jurídica e se- guidas de dez lições do processo criminal, inteiramente correctas. 394 FR S. Paulo, 1872, 359 pags. in-8° - E' segunda edição. Parece-me que a primeira é de 1866. As lições de pratica são dadas pelo professor Joaquim Ignacio Ramalho. - Prelecções de direito romano. Volume Io. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. - Direito romano. Resumo completo das prelecções desta matéria (tachigraphadas na faculdade de direito de S. Paulo em 1882, por um bacharel em direito). S. Paulo, 1888, 246 pags. in-4° - E' uma pu- blicação posthuma. - Discurso recitado perante a congregação da faculdade de direito de S. Paulo, por occasião de receber o grào de doutor em sciencias sociaes e jurídicas. S. Paulo, 1866, 8 pags. in-8°. - Faculdade de direito de S. Paulo. Memória histórica académica do anno de 1872, apresentada em sessão de 1 de março de 1873. Rio de Janeiro, 1873, in-4n gr. - Banco de credito rural de S. Paulo. Relatorio apresentado á as- sembléa geral dos accionistas em reunião de 20 de março de 1885. Anno de 1884. S. Paulo, 1885,in-4° - Ha outros trabalhos iguaes. Francisco Antonio Filg-ueiras Sobrinho - Filho de Luiz Antouio Filgueiras e de dona Carolinade Seixas Filguei- ras, nasceu na cidade da Bahia a 5 de janeiro de 1842 e falleceu a 17 de abril de 1878 em Paris na casa de saude-Maison des Bois. Fez o curso de sciencias sociaese jurídicas na faculdade do Recife, onde re- cebeu o grào de bacharel a 12 de dezembro de 1863 e o de doutor a 13 de novembro de 1870. Poeta desde seus verdes annos e desvelado cultor das lettras, escreveu, além de sua - Dissertação e theses para obter o grào de doutor, etc. Pernambuco, 1870, in-4° - o seguinte: - Discurso proferido na faculdade de direito do Recife no dia 30 de novembro de 1870, na ceremonia da collação do grào. Pernambuco, 1871, 12pags. in-4°. - Auroras e crepúsculos (Io volume de poesias). Pernambuco, 1863. - Consoladoras (2o volume de poesias). Paris, 1876. - Estudos biogrophicos. I Furtado Coelho. Recife, 1863, 178 pags. in-8° - Teve outra edição no mesmo anno no Maranhão, typ. de Bellarmino de Mattos, 172 pags. in-8°. E' dividido este livro e'm duas partes. Além da parte biographica, de artigos e poesias ao biogra- phado, ha ahi varias considerações sobre o theatro em suas relações com a civilisaçâo e sobre a arte dramatica no Brazil. - Ouro è o que ouro vale : provérbio. Bahia, 1864. FR 395 - Legenda de um pariá: drama em quatro actos - Sei que foi escripto em 1864. - Amor com amor se paga : provérbio. Bahia, 1865. - A phenix do amor : romance. Bahia, 1865. - Penelope brazileira: comedia em dous actos - Foi escripta em 1866. Inédita. - Eschola dos pais : comedia em dous actos. Bahia, 1871. - Resumo de um curso de philosophia elementar. Bahia, 1876. - Curso elementar de direito penal para uso da instrucção primaria edo povo. Bahia, 1874. - O inferno: refutação philosophica á esta crença. Bahia, 1880 - Foi escripta esta obra em 1877. - O Sillabus: traducção com commentarios ã todos os seus artigos - Foi escripta também em 1877 e supponho que ainda está inédita. Francisco Antonio da ILuz - Natural da província de S. Paulo e formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade da mesma província, alli falleceu a 3 de setembro de 1889 em Ubatuba, onde eXercia o cargo de promotor publico. Dedicou-se ãs lettras e também á musica, compondo varias peças. De suas obras conheço: - Alberto: romance. S. Paulo, 1859 - E' seu primeiro trabalho de lettras escripto em estylo ligeiro, mas gracioso e correcto. - A cruz preta: romance - Sahiu no Correio Paulistano, 1859-1860. - Sacrifício : romance. S. Paulo, 1861-Compoz também algumas melodias para canto, sendo ainda estudante, e mesmo depois, sobre lettra de diversos poetas, entre ellas a - Não me deixes, não : modinha com poesia de Gonçalves Dias. Francisco Antonio Monteiro Touuinho - Nasceu na província de S. Paulo a 19 de dezembro de 1836 e falleceu em 1884 ou 1885, bacharel em mathematicas e sciencias physicas, major do corpo de estado-maior de 1* classe, membro do instituto polytechnico brazileiro e cavalleiro da ordem de S. Bento de Aviz. Escreveu: - Provinda do Paraná. Caminhos de ferro para Matto Grosso e Bolivia. Salto do Guayra. Rio de Janeiro, 1876, in-4° - Da penna de Tourinho é somente a primeira parte do livro, isto é: Observações de traçados. O mais é do Dr. André Rebouças, sendo do capitão Nestor Borba uma descripção de viagem a Sete-quédas. - Estradado ferro de Matto Grosso á Bolivia. Observações ao tra- çado Lhoyd e ao projecto do capitão Polen : trabalho organizado por ordem da presidência do Paraná. Rio de Janeiro, 1876. 396 FR Francisco A.ntonio <le Moura - Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu a 29 de outubro de 1839, é general de brigada do exercito ; ministro dos negocios da guerra; cavalleiro das ordens de Christo, do Cruzeiro e da Rosa ; offlcial da de S. Bento de Aviz ; condecorado com as medalhas da campanha oriental de 1865 e da do Paraguay, e com a do Mérito e bravura militar. Com o curso de arti- lharia pelo regulamento de 1860, e praça em 1857, serviu sempre na respectiva arma e exerceu commissões importantes, sendo as ultimas a de commandante da escola de tiro do Campo Grande, director da es- cola militar do Rio Grande do Sul, director da escola militar do Rio de Janeiro, cargo em que foi elogiado por ordem do dia do exercito e commandante de artilharia. Militar illustrado, possue, talvez, a me- lhor bibliotheca da classe a que pertence. Escreveu: - Regulamento para instrucção de artilharia, organizado pelo coro- nel Severiano M. da Fonseca (veja-se este nome), coadjuvado pelo major Francisco Antonio de Moura e capitão Luiz Carlos de Moraes Pinheiro. Rio de Janeiro, 1877, 293 pags. in-8°, com 79 estampas - Este livro foi adoptado para instrucção do exercito. - Guia para o jogo de guerra - Na Revista Militar, anno 3o, pags. 4, 73, 105, 137 e 233, com figuras coloridas. - Relatorio apresentado ao general Vice-Presidente da Republica pelo ministro e secretario dos negocios da guerra. Rio de Janeiro, 1892, 152 pags. in-4°, seguidas de annexos e documentos. Francisco Antonio Pereira da Rocha-Natural da Bahia, falleceu com avançada idade em junho de 1882, sendo bacharel em direito, formado pela faculdade de Olindaem 1834 e doutorjpela uni- versidade de Coimbra. Exerceu a advocacia na capital de sua provincia com brilhante nomeada, possuia grande cópia de conhecimentos de historia natural, e achou-se ã frente de vários melhoramentos. Ten- tara elle introduzir em sua provincia uma locomotiva de rodas forra- das de borracha vulcanisada de considerável grossura, sendo a machina movida a vapor, do systema de Thomsons Road Steamer. Esta locomo- tiva fez diversas evoluções a 12 de maio de 1871, percorreu logares planos e ladeiras sem auxilio de trilhos, com a grande vantagem de suas rodas não se aprofundarem no terreno não pedrado ; trans- porem com mais segurança a mais ingreme ladeira ; não produzirem barulho em sua marcha e, no caso de desastre, não causarem tão gra- ves damnos, como os bonds em geral fazem. Escreveu: - Breves noções sobre piscicultura, extrahidas das memórias da academia de Berlin^de 1764 por Gleditsck, e das obras de Coste, Millet, 1K 397 Koltz, Jõurdier e Carbonier. Bahia, 1876 - De muitos trabalhos que, como advogado, deu á publicidade, citarei as - Razões de recurso interposto para o superior tribunal da rela- ção por Francisco Justiniano de Castro Rebello, Francisco Sampaio Vianna, Joaquim de Castro Guimarães e João Coelho de Oliveira. Ba- hia, 1867, 70 pags in-4° - Referem-se a uma causa celebre da Bahia e são também assignadas pelo Dr. Pedro Eunapio da Silva Deiró. Francisco Antonio Pessoa <le Barros - Filho de Antonio de Barros Itaparica, nascido na cidade da Bahia, no anno de 1833 e formado em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade do Recife no anno de 1856, exerceu cargos de magistratura e actualmente exerce a advocacia no Rio de Janeiro. Foi o presidente da primeira intendência municipal da capital federal depois da proclamação da Republica. Escreveu: - Poesias americanas. Bahia, 1862, 134 pags. in-8°. - Rodolpho ou o louco assassino: romance. Pernambuco, 1858, 150 pags. in-8°. - Barbara de Alvarenga ou os inconfidentes: drama historico em quatro actos, um prologo e seis quadros. Rio de Janeiro, 1877, 157 pags. in-8°. - Synopse política do império do Brazil desde o primeiro reinado até o presente. Rio de Janeiro, 1868, 56 pags. in-8°. Francisco A.n.tonio Pimenta Bueno - Filho do doutor José Antonio Pimenta Bueno e de dona Balbina Henriqueta de Faria e Albuquerque, Marquez e Marqueza de S. Vicente, nasceu em Cuyabá, capital de Matto Grosso, a 10 de novembro de 1836 e falleceu no Rio de Janeiro a 7 de dezembro de 1888, sendo bacharel em mathe- maticas e sciencias physicas pela antiga academia militar ; coronel do corpo de estado-maior de primeira classe ; socio do Instituto historicoe geographico brazileiro; official da ordem da Rosa; cavalleiro das de Aviz e do Cruzeiro, e condecorado com a medalha da campanha do Pa- raguay. Acabava de administrar a provincia do Amazonas e de ser nomeado para elevado cargo, quando a morte arrebatou-o e, como disse o orador do Instituto historico « em todos os degràos da nobre e digna carreira militar sustentou com brilho, quer nos recontros da lucta armada, quer nos labores da sciencia, o venerando nome que carregava como filho do nunca olvidado estadista Marquez de S. Vicente». Escreveu: - Prolongamento da estrada de ferro de S. Paulo: parecer sobre a 398 IR petição dos directores da Companhia Paulista. Rio de Janeiro, 1876, 30 pags. in-8° com 1 mappa. - Memória justificativa sobre o prolongamento da estrada de ferro de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1876. - Memória justificativa dos planos apresentados ao governo para prolongamento da estrada de ferro de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1877, 164 pags. in-fol. com 1 carta geral das estradas de ferro da mesma província. - Informações sobre o requerimento da directoria da Companhia Paulista, concernente ã preferencia do valle Mogy-Guassú para prolon- gamento da estrada de S. Paulo. Rio de Janeiro, 1877, 62 pags. com 1 mappa das estradas de ferro desta província e do prolongamento desde a cidade de S. João do Rio Claro até o porto do Parnahyba. - A estrada de ferro de Matto Grosso á Bolivia. Rio de Janeiro, 1877. - Memória justificativa dos trabalhos, de que foi encarregado na província de Matto Grosso, segundo as instrucções do ministério da agricultura de 27 de maio de 1879. Rio de Janeiro, 1880. - Relatorio sobre a preferencia dos traçados para estradas de ferro na provincia de Sergipe, apresentado ao conselheiro Pedro Luiz Pereira de Souza, etc. Rio de Janeiro, 1882, com um mappa da provincia. - A borracha. Rio de Janeiro, 1882 - Foi publicado antes no Jornal do Commercio sob o titulo de Industria extractiva. - Memória sobre o porto do Ceará, ou estudo para a construcção de uma dõca de embarque e desembarque na provincia do Ceará - Ao ex-lmperador pertencia o autographo, acompanhado de um esboço do porto da Fortaleza, capital do Ceará e do futuro porto da Fortaleza ; de um parecer do pratico Filippe Francisco Pereira, e de um esboço do ancoradouro da Fortaleza, feito pelo dito pratico á bico de penna com diversas côres. - Projecto de regulamento dos práticos para a navegação do Ama- zonas, cuja promulgação é de grande interesse - Foi apresentado o manuscripto perante o conselho naval, poucos dias antes da morte do autor. - Historia da provincia de Matto Grosso - Ficou também inédita e consta-me que é um trabalho de alta importância. - Carta da provincia de Matto Grosso, organizada em 1880- Está na secretaria da agricultura. Pimenta Bueno muito cooperou para o - Atlas do Império do Brazil segundo os dados existentes e outros documentos fornecidos pelo Barão Homem de Mello e tenente-coronel Francisco Antonio Pimenta Bueno e pelos mesmos revisto. Rio de Janeiro ( 1880), com 23 mappas. KR 399 - Carta da fronteira do Brazil - Este trabalho é de inestimável valor. Poucos dias antes de morrer foi o autor admittido em conferencia do ministério de então para se resolver acerca da publicação dessa carta. Francisco Antonio Raulino - Nascido na província (hoje Estado) da Bahia ou na de Sergipe, exerceu por muitos annos a vida commercial e dedicou-se depois á lavoura. Escreveu : - Novo processo para a extracção do assucar da canna e da beter- raba por Mr. Melsens, lente da escola de medicina e agricultura de Bruxellas ; traduzido, etc. Bahia, 1849, 114 pags. in-8°. Francisco Antonio Sampaio - Natural da cidade da Cachoeira, província, hoje Estado da Bahia, ahi vivia em 1782, sendo licenciado e exercendo a cirurgia, considerado como um homem de muitos e variados conhecimentos. Escreveu : - Historia dos reinos animal, vegetal e mineral, pertencentes à medicina - Esta obra foi offerecida em manuscripto, ao Instituto histó- rico e geographico brazileiro pelo doutor Emilio Joaquim da Silva Maia em 1853, e pelo instituto offerecida á sociedade pharmaceutica. Não sei si foi publicada por esta sociedade, ou si esta, á seu turno, a offereceu á alguém. Francisco Antonio Soares - O brazileiro resoluto, como era conhecido, falleceu em Pernambuco, donde o supponho natural, a 17 de setembro de 1842. Accusado e processado por tomar parte activa nos movimentos políticos de 1824, escreveu : - Defesa de Francisco Antonio Soares, offerecida ao governo de Pernambuco antes da amnistia de S. M. I. e C. Rio de Janeiro, 1825, 10 pags. in-fol. Francisco Antunes Ferreira da Luz - Filho do doutor Antonio Antunes da Luz que, achando-se como medico militar na província, hoje Estado de Matto Grosso, por occasião da invasão das forças do nefando dictador Lopez, foi aprisionado e morreu nos tormentos infligidos por esse abominável tyranno, é natural do Rio Grande do Sul, e doutor em medicina pela faculdade do Rio de Ja- neiro. Reside no Estado do Rio de Janeiro, á cuja constituinte é deputado. Escreveu : - Da nutrição : Matéria, força e movimento ; Indicações e contra- indicações da sangria durante o estado puerperal ; Tubérculos mesente- ricos : these apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1876, in-4°. 400 KR - Harmonias ephemeras : poesias. Rio de Janeiro, 1876, 207 pags. in-8°. - Echos de Rig-Veda - inéditos. Deste livro O Paiz de 25 de julho de 1888 diz conter bellissimas traducções em formosos versos suaves e insinuantes como a religião primitiva que inspirou os hymnos im- mortaes de que são cópia e publicou em seguida o hymno Ao sol. Kr:tncisco Antunes <le Siqueii'a - Filho de Fran- cisco Antunes de Siqueira e de dona Maria Luiza do Rosário, nascido na cidade da Victoria, capital do Espirito Santo, a 3 de fevereiro de 1832, e presbytero do habito de S. Pedro, obteve, quando estudava no seminário de S. José, taes notas e tão grande estima do reitor, o monsenhor Manoel Joaquim da Silveira, que este, quando foi nomeado bispo do Maranhão, instou para que elle o acompanhasse como seu secretario, apezar de ser ainda menorista. Não acceitando o convite por se anteporem ao futuro rico de esperanças as saudades da familia, e concluindo nessa mesma occasião seus estudos, com 19 annos de idade, foi á provincia; mas pouco depois, a convite dos directores do col- legio de S. Pedro de Alcantara do Rio de Janeiro, veiu fazer parte do corpo docente, lendo diversas matérias, o que fez também no collegio Tautphoeus. Obtendo do bispo D. Manoel do Monte, sem a idade pre- cisa, além das ordens de sub-diacono e de diácono, provisão para pregar em todo o bispado, fez-se ouvir em vários templos e, por causa de um de seus sermões, o da primeira dominga da quaresma de 1854, foi-lhe concedido o uso do annel, solidéo e banda. Ordenado pre- sbytero e partindo para sua provincia, foi nomeado vigário de S. João da Campina e, por concurso, professor da instrucção primaria - car- gos que deixou em 1856 por motivos politicos, sendo depois nomeado lente de rhetorica do lyceo da capital, e no anno seguinte, vigário da villa de Santa Cruz, onde fundou um curso de instrucção para os me- ninos pobres. Resignando o beneficio da parochia de Santa Cruz, tornou ao magistério em 1876, como lente de geographia e historia na escola normal do sexo feminino e no collegio Espirito Santo, e em 1877 foi provido na cadeira de grammatica latina do atheneo provincial. Foi muitas vezes deputado â assembléa provincial e tem sido desde 1855 o mais constante orador nas festividades religiosas, patrióticas e nacio- naes. De seus discursos oratorios vi: - Os fructos da palavra divina : sermão prégado na primeira do- minga da quaresma na cathedral do Rio de Janeiro em 1854 - manu- scripto. Ainda o orador não tinha ordens de presbyterado. - Sermão sobre a propagação do Evangelho e animando os orde- FR 401 nandos, seus companheiros, para as nobres conquistas da religião do Calvario; pregado na capella da Conceição no dia em que recebeu or- dens de presbytero - também manuscripto. Estavam presentes seus discípulos dos collegios de S. Pedro e Tautphceus, os quaes em côro cantaram sob a regencia do professor J. M. Leoni o versículo «Orantes imposuerunt eis manus, et verbum Domini crescebat et multiplicabutur inJerusalem valdi» na occasião da imposição de mãos feita pelo bispo. - Discurso pronunciado no dia 28 de março (de 1870) por occasião do Te-Deum em acção de graças pela gloriosa terminação da guerra do Paraguay. Victoria, 1870, in-4°. - Sermão do Te-Deum por occasião da visita de SS. MM. II. á capital do Espirito Santo, em 1860 - Não o vi impresso; mas apenas o original offerecido ao Imperador e acompanhado de diversos sonetos do autor e. de um acrostico, em que se lia « Visita imperial ». - Oração gratulatoria pronunciada por occasião da bênção da inau- guração do gazometro da cidade da Victoria ; offerecida á seu empre- zario M. da C. Madeira, a 16 de novembro de 1878 - Sahiu publicado no Espirito-Santense de 20 de novembro de 1878. - Oração fúnebre proferida nas exequias solemnes, celebradas em memória do SS. Papa Pio IX. Victoria, 1879. - Oração gratulatoria pronunciada no Te-Deum em acção de graças ao Todo-Poderoso pelo 42° anniversario natalício da Princeza Re- gente, D. Isabel, etc. Victoria, 1888. - Estudo sobre a orthographia da língua luso-brazileira, revisto e approvado pelo Dr. José Ortiz e Luiz Alves Leite de Azambuja Suzano. Victoria, 1877. - A família da roça e as astúcias de um seminarista: farça. Victoria, 1874. - A provinda do Espirito Santo: poemeto descriptivo em oito cantos, nos quaes se referem os seus logares, cidades, rios, edifícios, monumentos, producções e personagens. Victoria, 1884, 87 pags. in-8° - Em avulso tem publicado ainda muitas poesias, como : - Deus na natureza : ode - Escripta a 4 de outubro de 1878 e publi- cada no periodico Actualidade de 9 deste mez e depois reproduzida em outros orgãos da imprensa. - Ao memorável e faustoso dia 7 de setembro: ode-Sahiu na Actua- lidade de 7 de setembro de 1879. - Uma noite de luar: ode - Idem de 13 de outubro de 1879. - Em honra do Dr. Eliseu de Souza Martins (poesia em verso hen- decasyllabo solto). 1 folha in-fol. - E' datada da Victoria 21 de julho, 1880, e tem por assignatura « A justiça indignada>. O padre Siqueira, 111 402 finalmente, tem collaborado no Correio da Victoria, no Tempo, na União, na Regeneração, na Semana, no Espirito-Santense, na Idéa e na Gazeta da Victoria; foi correspondente do Monarchista, do Jornal do Commercio e do Cruzeiro do Rio de Janeiro e redigiu: - O Marimbondo... Francisco <le Assis <le Oliveira IJra^a- Filho de outro de igual nome e natural de Guaratinguetã, Estado de S. Paulo, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do mesmo Estado, formado em 1881, advogado na cidade de seu nascimento e foi eleito deputado provincial na legislatura de 1882 a 1883. Poeta saty- rico e repentista de grande merecimento, tem publicado muitas poesias em vários jornaes, e um volume com o titulo : - Pilhérias rimadas. S. Paulo, 1880 - Como specimen de seus felizes improvisos aqui apresento o seguinte : - Soneto escripto no album de um collega - quando estudava na faculdade de direito : Irra ! cêbo ! Que cavaco ! Embalde as muzas depreco, Nenhuma idéa no caco... Nunca vi-me assim tão pêcco ! Bem fugi. Velho macaco Teme combuca. Eis-me sêcco Sem achar rimas no saco, Sem ver sahida do bêcco... Embalde Caliope invoco !... Tal desgraça não explico ; Ao desespero já toco... Mas calado, irra! não fico, Pois que o nome aqui colloco Deste teu amigo - o Chico. Francisco <le Assis Pacheco Neto - Filho do ba- charel Francisco de Assis Pacheco e natural da provincia, hoje Estado' de S. Paulo, é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do mesmo Estado e escreveu ainda estudante: - Vespertinas : lyrica. S. Paulo, 1887, 114 pags. in-8°. Francisco <le Assis Peixoto Gomide - Natural da província, hoje Estado de S. Paulo, em cuja faculdade recebeu o gráo de bacharel em sciencias sociaes e jurídicas a 29 de outubro de 1838, falleceu a 4 de abril de 1850, quando acabava esta província de elegel-o seu representante á legislatura de 1850 a 1852. Foi ahi pro- FR 403 motor publico da capital, amanuense da secretariado governo ejuiz municipal em Mogy das Cruzes. Escreveu : - Necrologia do Revm. Sr. D. Manoel Joaquim Gonçalves de An- drade, etc. por um amigo. S. Paulo, 1847, 27 pags. in-4a. Francisco de A.ssis Vieira Bueno - Natural da província, hoje Estado de S. Paulo, nascido pelo anno de 1821, e ba- charel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de sua província, onde recebeu o grro de doutorem 1841, foi presidente do banco do Brazil e deputado da junta commercial, vereador da camara muni- cipal do Rio de Janeiro, etc. Escreveu diversos artigos sobre jurispru- dência e administração na imprensa periódica de S. Paulo e da côrte, e o volume : - Grinalda de um poeta. S. Paulo, 1852 - E' uma collecção de poesias, de cuja publicação foi editor seu amigo e collega, o doutor Paulo Antonio do Valle, de quem hei de occupar-me. D. Francisco d.a Assumpção e Britto- Natural de Minas Geraes, nasceu entre o primeiro e o segundo quartel do século 18° e falleceu em Lisboa a 16 de dezembro de 1808 em con- sequência de quéda de uma escada. Religioso da ordem dos eremitas descalços de Santo Agostinho, e geralmente venerado por seu saber e virtudes, foi nomeado por D. José I para bispo de Olinda, confirmado a 14 de março de 1772 e sagrado em sua igreja a 5 de dezembro. Não tomou, porém, posse desse cargo, porque foi trasladado para o de arcebispo de Gôa, recebendo o pallio a 30 de janeiro de 1774 Depois de servil-o alguns annos, renunciou o novo cargo em janeiro de 1783. Como arcebispo mais antigo da junta denominada dos tres estados, foi elle o primeiro, que a 23 de maio de 1808 assignou a petição, pela mesma junta dirigida ao imperador dos írancezes, de um rei de sua escolha para Portugal. O padre Lino do Monte Carmello dá deste prelado noticias na sua « Memória do clero pernambucano». Escreveu : - Entrevista do ex-abbade de Seyés com o ex-bispo de Talleyrand : obra posthuma, etc., continuada ou ailaptada ás presentes circumstan- cias da Europa. Lisboa, 1809,30 pags. in-4° -A paternidade desta obra foi também dada á outro arcebispo de Gôa, D. frei Manoel de S. Galdino, e ao abbade do Valle, Lourenço Justiniano Osorio. Inno- cencio da Silva, que a attribuira ao primeiro, dando-a depois a D. frei Francisco da Assumpção, a quem se dizia pertencer, diz que « a dar credito a certo documento, que possuia, pertencia ella ao abbade 404 FR Lourenço Justiniano Osorio ». Por que não apparece esse documento? Em vista de tal confusão, não posso ter certeza do verdadeiro autor do escripto, mas não devo também omittir esta noticia. Francisco Augusto de Almeida - Natural do Rio de Janeiro, nascido a 29 de abril de 18... e doutor em medicina pela universidade da Pensylvania ou por outra faculdade do estrangeiro, deu-se ao exercício da homoeopathia na côrte, hoje capital federal. Depois entrou para o serviço de fazenda e, sendo lançador da recebe- doria, foi aposentado a seu pedido. Tem exercido cargos de eleição popular e de confiança do governo, e escreveu : - O medico de si mesmo ou instrucção de medicina homoeopatha. Rio de Janeiro, 1878, 231 pags. in-8°. - Regulamento do sello, organizado alphabeticamente e annotado, etc. Rio de Janeiro, 1866. - Revista da Sociedade Commemorativa da Independencia do Império do Brazil; organizada pelo Dr., etc. Rio de Janeiro, 1867, com o retrato de D. Pedro I. - Roma e a maçoneria por Guatimozim. Primeira serie. Recife, 1876, 8 pags. in-4°. Francisco Augusto Fereira da Costa - Filho de Manoel Augusto de Menezes Costa e de dona Maria Augusta Pereira daJCosta, nasceu a 16 de dezembro de 1851 na cidade do Recife, capital de Pernambuco, onde faz parte do funccionalismo publico e dedicou-se sempre ao estudo da historia patria. Por causa dessa dedicação foi pela administração da provincia incumbido de colligir no archivo da res- spectiva secretaria documentos de interesse historico para a exposição effectuada na bibliotheca nacional do Rio de Janeiro, sendo louvado pelo modo por que satisfez semelhante serviço e foi depois incumbido de outras commissõss do mesmo genero. E' membro do Instituto histo- rico e geographico brazileiro, do Instituto archeologico pernambucano, da sociedade de Geographia de Lisboa, da sociedade Propagadora da instrucção de Pernambuco e da dos Artistas mecânicos e liberaes, a cujo lyceo prestou serviços. Escreveu : - Modesto monumento á memória de Demetrio Acacio de Albu- querque e Mello. Pernambuco, 1877, in-8°. - Esboço biographico do desembargador Joaquim Nunes Machado. Pernambuco, 1879, 16 pags. in-8°. - Diccionario biographico de pernambucanos celebres. Recife, 1882, 818 pags. in-4°- Este livro foi recebido com bem merecidos elogios pela imprensa. FR 405 - Discurso pronunciado na sessão magna do 41° anniversario da im- perial sociedade dos Artistas mecânicos e liberaes em 17 de dezembro de 1882 na qualidade de orador da mesma sociedade. Recife, 1882, 18 pags. in-8°. - Musaico pernambucano: collecção de excerptos históricos, poesias populares, anecdotas, curiosidades, lendas, antigualhas, uzanças, ditos celebres, inéditos, etc., tudo relativo à provincia de Pernambuco. Pernambuco, 1884, 263 pags. in-8°. - Informações sobre as comarcas da provincia de Pernambuco; organizadas em virtude do aviso-circular do Exm. Sr. conselheiro ministro da justiça, expedido em 20 de setembro de 1883, etc. Recife, 1884, 50 pags. in-4°. - Noticia sobre as comarcas da provincia do Piauhy. Theresina, 1885, 130 pags. in-8°. - Pernambuco ao Ceará. O dia 25 de março de 1884. Historico das festas celebradas por occasião da redempção da provincia do Ceará. Recife, 1884, in-8°. - Relatorio em que se dá conta ao Exm. Sr. presidente da pro- vincia da commissão de que fora encarregado em 2 de março de 1886. Recife, 1886. - A ilha de Fernando de Noronha. Pernambuco, 1888, in-8°. Francisco de Azevedo Monteiro Caminhoá - Filho de Manuel José Caminhoá e de dona Luiza Monteiro Caminhoá, natural da cidade da Bahia, e engenheiro civil, formado em Paris, escreveu : - Documentos, juizo critico e orçamento relativos ao monumento patriótico do Brazil, destinado ao campo da Acclamação no Rio de Janeiro ; publicados por ordem da Illma. camara municipal da côrte. Rio de Janeiro, 1874, 173 pags. in-4°. Francisco líaptista Marques Finlieiro - Nas- cido na villa de Mirandella, comarca de Bragança, em Portugal, a 4 de setembro de 1841, veio para o Brazil muito joven ; fez o curso de direito na faculdade de S. Paulo, recebendo o grão de bacharel em 1865; é advogado no fôro da capital federal; socio e membro do con- selho fiscal da associação de Soccorros à invalidez; socio honorário da associação litteraria e scientifica Culto á sciencia, da qual foi pre- sidente quando estudava em S. Paulo, e socio fundador do lyceo litte- rario portuguez. Escreveu: - Jurisprudência commercial: Collecção de todas as sentenças pro- 406 FR feridas em grão de revista pelo supremo tribunal de justiça eaccordãos revisores dos tribunaes do commercio, desd^ a promulgação do codigo do commercio, lei de 25 de julho de 1850 e regulamento n. 737 de 25 de novembro de 1850 até hoje. Rio de Janeiro, 1870, 392 pags. in-8°. - José Estevam : traços biographicos. S. Paulo, 1864, 48 pags. in-8°- São os mais importantes traços da vida do exímio orador portuguez, de que o doutor Jacintho Augusto de Freitas escreveu em Lisboa em 1863 um bem elaborado esboço biographico. - Apontamentos sobre pontos differenciaes entre a constituição do Brazil e acarta constitucional do reino de Portugal -Vem nas Me- mórias da associação Culto ã sciencia, novembro de 1864, pags. 75 a 83. - Regulamento das aulas gratuitas do lyceo litterario portuguez. Rio de Janeiro, 1870, 12 pags. in-4° - O Dr. Marques Pinheiro foi o relator da commissão que apresentou este regulamento. - Côro da Candelaria. Rio de Janeiro, 1890 - E' um trabalho historico desde a installação da irmandade e do côro da Candelaria, no qual o autor põe em relevo os serviços prestados pelos irmãos dessa irmandade. Francisco Barreto Picanço da Costa - E' filho do chefe de divisão José Manoel Picanço da Costa e de dona Maria Julia Barreto Picanço, e natural da província do Rio Grande do Sul. Bacharel em sciencias physicase mathematicas e engenheiro civil, ser- via o cargo de engenheiro residente na estrada de ferro de BUurité, de onde se retirou doente para o Rio de Janeiro em outubro de 1881 e desde então vive exclusivamente para o estudo. Foi o fundador da - Revista de engenharia, publicação mensal. Rio de Janeiro, 1879 a 1880, in-4° - Sahiu o Io numero desta publicação sob a redacção somente de Picanço da Costa em maio de 1879, completando um volume em dezembro deste anno; em janeiro seguinte associou-se á redacção o engenheiro José Americc dos Santos, que ficou só de julho em deante por ter de retirar-se o fundador da empreza, a qual continuou além de 1880. Entre os artigos de sua penna, ha ahi: - Notú ia sobre o projecto de melhoramento do porto do Rio de Ja- neiro, do engenheiro Henri Law-Vem no tomo 2o, n. 2. Escreveu mais : - Ensaio de um vocabulário de estradas de ferro e de rodagem e aas sciencias e artes accessorias. Rio de Janeiro, 1880, 219 pags. in-fol. - Neste livro, de impressão nitida, encontram-se os termos technicos em tres linguas, portugueza, franceza e ingleza, isto é, divide-se o livro em tres partes: Portuguez, francez, inglez; Francez, portuguez, inglez; Inglez, francez, portuguez. FR 407 - Viação ferrea do Brazil: descripção technica e estatística de todas as nossas estradas. Rio de Janeiro, 1884, 445 pags. in-4° - Dá-se aqui uma descripção technica e estatística de todas as nossas vias ferreas, quer em trafego, quer em construcção ou em estudos. - Carteira do engenheiro: ephemerides das estradas de ferro do Brazil e bibliographia das estiadas de ferro; autores nacionaes e estrangeiros que se referem ao Brazil. Rio de Janeiro, 1884, 203 pags. in-16° - As ephemerides são escriptas deixando-se um espaço em branco para lembranças quotidianas. - Estradas de ferro: vários estudos. Rio de Janeiro, 1887, in-8° - Compõe-se o livro de trabalhos inéditos e de trabalhos já publicados em revistas. - Diccionario de estradas de ferro, sciencias e artes accessorias, acompanhado de um vocabulário em francez, inglez e allemão. Volume 1®, Rio de Janeiro, 1891 - Este volume abrange as lettras A a E e é illustrado com muitas gravuras. O Diccionario é offerecido ao Vis- conde de Ouro-Preto. - Amor mathematico: capricho comico por François Pivert. Rio de Janeiro, 1876, 31 pags. in-8° - E' uma comedia em verso, offerecida a seus collegasda escola polytechnica. Actualmente redige o Dr. Picanço: - O Commercio. Rio de Janeiro, 1892 - Sahiu o primeiro numero deste periodico em agosto. Não o vi; mas, annunciada sua publicação do modo seguinte : Operoso e illustrado, o Dr. Picanço procurou dar ao seu periodico o caracter que lhe competia de folha technica da classe a que se destina, occupando-se unica e exclusivamente dos assumptos que a interessam, sob o ponto de vista especulativo, discutidos á luz dos princípios e das leis scientiticas. Francisco cl© Barros Aceioli cl© Vascon- cellos - Filho de José de Barros Accioli de Vasconcellos e de dona Anna Carlota de Albuquerque e Mello, nasceu em Alagoas a 23 de setembro de 1847, e militou na campanha do Paraguay, donde voltou com a graduação de major, obtendo mais tarde as honras de coronel. Serviu o cargo de secretario da directoria do arsenal de guerra da côrte, donde passou a chefe de secção da secretaria da agricultura, e por fim a inspector geral das terras e colonização, logar em que foi aposentado. E' official di ordem da Rosa, cavalleiro da do Cruzeiro, condecorado com a medalha daquella campanha, e escreveu: - Guia do emigrante para o império do Brazil. Rio de Janeiro, 1884, in-8° - E' uma publicação official, que foi vertida para o francez pelo professor F. X. Fabre e no mesmo anno publicada no Rio de Janeiro. 408 FR Francisco de Barros Lima Monte-Razo - Natural do município das Dôres da Boa Esperança, do actual Estado de Minas Geraes, falleceu em maio de 1879. Bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de Olinda em 1852, seguiu a carreira da magistratura e era juiz de direito de Tocantins em Goyaz. Gosava da reputação de magistrado distincto e illustrado, e escreveu: - Notas forenses, contendo princípios, maximas, regras e questões praticas de direito em diversos ramos com a legislação respectiva, e em appendice a novíssima reforma judiciaria e actos do ministério da justiça desde a data da mesma lei até hoje. Rio de Janeiro, 1878, 2 vols., 377-240 pags. in-4°. Francisco Basilio Duque - Filho de Francisco Manoel Duque e de dona Carolina Leopoldina Lage Duque, nasceu em Para- hybuna, Minas Geraes, é doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro, e escreveu: - Discurso pronunciado pelo relator da commissão encarregada pelo Atheneo Medico de acompanhar ao ultimo jazigo os restos mortaes de seu distincto membro o estudante do 6o anno de medicina bacherel Carlos José Moreira. Rio de Janeiro, 1864, 7 pags. in-4° - O autor foi um dos fundadores do Atheneo. - Hygiene da criança, do nascimento á quéda do cordão umbilical; O que mais convém: crear os expostos em um só estabelecimento ou distribuil-os por casas diversas ? Da imperfuração do anus; Do infanticídio por omissão : these apresentada, etc. e sustentada em 12 de dezembro de 1864. Rio de Janeiro, 1864, 54 pags. in-4°. Francisco Belisario Soares de Souza - Filho do desembargador Bernardo Belisario Soares de Souza e de dona Marianna Alvares de Macedo Soares de Souza, nasceu em Itaborahy, província, hoje Estado do Rio de Janeiro, a 9 de novembro de 1839, e falleceu a 24 de setembro de 1889, bacharel em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de S. Paulo, do conselho do Imperador e senador do Império. Fez parte do gabinete de 20 de agosto de 1885, gerindo a pasta da fazenda, revelando-se grande estadista e financeiro, e foi director do banco do Brazil, de 1873 a 1878. Collaborou no Diário do Rio de Janeiro, onde publicou excellentes artigos em favor da eleição directa, e fundou: - O Brazil. Rio de Janeiro, 1883Escreveu: - O systema eleitoral no Brazilcomo funcciona, como tem func- cionado e como deve ser reformado. Rio de Janeiro, 1872, 150 pags. FR 409 in-4°- Divide-se o livro em tres partes. O Novo Mundo, dando delle noticia, transcreve alguns trechos no seu tomo 3°. - Reforma eleitoral. Rio de Janeiro, 1878-Sahiu no Jornal do Commercio sob o pseudonymo de Flaminio. - Notas de um viajante brazileiro. Rio de Janeiro, 1882, in-80 - E' a segunda edição em livro de uma serie de escriptos que publi- cara antes no Jornal do Commercio quando viajava pela Europa. Entre noticias de mera curiosidade ahi se discutem assumptos eco- nomicos, industriaes e commerciaes sempre com a applicação que podem ter no Brazil. - Situação actual da cultura do café no Brazil: conferencia effe- ctuada no dia 1 de novembro de 1882, por occasião da segunda exposição de café no Brazil - Vem no Cruzeiro de 10 do dito mez, occupando seis columnas. Sobre taes assumptos e sobre politica ha outros escriptos do conselheiro Belisario em periódicos. - Discursos proferidos na camara dos Srs. deputados e no senado, 1886. Rio de Janeiro, 1887, 211 pags. in-8°. - Ministério da Fazenda. Proposta e relatorio apresentado á assembléa geral legislativa na 20a sessão legislativa. Rio de Janeiro, 1887, in-4° gr. Francisco Bernardino Rilbeiro - Filho de Fran- cisco das Chagas Ribeiro e de dona Bernardina Rosa Ribeiro, nasceu no Rio de Janeiro a 12 de julho de 1815, e ahi falleceu a 16 de junho de 1837. Em outubro de 1834 havia recebido o gráo de bacharel em sciencias so- ciaes e juridicas na faculdade de S. Paulo ; em 12 de maio de 1835 o de doutor, apresentando-se dous dias depois oppositor á uma cadeira da dita faculdade, e em 1836 ahi leccionava direito criminal. Ninguém ousou apresentar-se a esse concurso, para que os proprios juizes foram os arguentes, tão conhecido jã era esse moço, que seus collegas, ainda estudante, chamavam de mestrinho, e no quarto anno do curso já advogava em S. Paulo com provisão! Pennas hábeis, bem aparadas, lamentaram sua morte, tecendo-lhe o derradeiro elogio já em prosa, jã em verso, e uma destas, a do Dr. Firmino Rodrigues Silva (vède este nome), numa nenia â sua memória assim exprimiu-se : «Marchai avante, prole de esperança, A' gloria, á gloria que o futuro é nosso ... Mas queé delle? Não vae na vossa frente.... Oh ! que é feito do rei da mocidade ?... » « Morreu ! - disse o conego Januario da C. Barbosa - E um nome puro e limpido como a virtude, brilhante como o genio, foi resplen- 410 FR decer nessa longa lista de nomes mais afamados, que ditosos, dos jovens inspirados que na aurora da vida se eclipsaram total mente e para ■sempre... » E flnalmente disse o Dr. Justiniano José da Rocha : « Nin- guém o excedeu na variedade dos conhecimentos e no desenvolvimento intellectual. » Foi socio e fundador da sociedade Philomatica em 1833, socio do Instituto historico da França e de outras associações de lettras, o escreveu : - A Voz Paulistana (periodico político). S. Paulo, 1831 - Ahi estreou Bernardino Ribeiro a vida jornalística com 16 annos de idade, tomado <de enthusiasmo com os movimentos de 7 de abril. - O Novo Pharol Paulistano. S. Paulo, 1834. - Revista da sociedade Philomatica. S. Paulo, 1833 - Nesta revista, ■entre vários trabalhos seus, notam-se os dous seguintes : - Ensaio sobre a tragédia - trabalho que demonstra grande eru- dição e em que collaboraram os Drs. Queiroga e J. J. da Rocha. - Traducção do livro terceiro de Joseph, romance epico de Bi- thaube - reproduzida na Minerva Brazileira, tomo 2o, pags. 620 e 686 ■e segs. Consta de 560 versos hendecasyllabos. - Theses para obter o gráo de doutor em sciencias sociaes e jurí- dicas, etc. S. Paulo, 1835. - Qual o melhor intermédio das permutações : as moedas metallicas ou o papel-moeda? dissertação. S. Paulo, 1835 - Foi também repro- duzida na Minerva Brazileira, tomo 2o, pags. 539 e segs. - Direito Criminal: discurso com que abriu a segunda aula do ter- ceiro an no do curso jurídico de S. Paulo em 1836 - Idem, pags. 583 e segs. e mais tarde no Direito, tomo 36°, pags. 497 a 504. - Noites lugubres, de Cadalso - Idem, pags. 483 e 515 e segs. - A paz : discurso recitado na Harmonia paulistana - publicado em S. Paulo e reproduzido no livro Annos académicos, de Peç nha Povoas, pags. 101 a 103. Publicou ainda muitas poesias,de que algumas constam do Florilégio de Varnhagem, do Parnaso Brazileiro de Pereira da Silva, etc., deixando muitas inéditas, assim os seguintes trabalhos de maior folego, dos quaes se occupava, quando falleceu : - Historia do Brazil desde sua independencia até nossos dias. - Penas cor rectivas ou que servem para emenda dos pacientes, con- trapesando o systema americano das penitenciarias com o systema hol- landez das colonias agrícolas. Francisco Bernardino de Souza - Natural da Bahia, nasceu na cidade de Itaparica a 29 de janeiro de 1834. Presbytero secular, cujas ordens recebeu do venerando arcebispo D. Romualdo que FR 411 sempre o distinguiu, mudando de residência para o Rio de Janeiro pelo anno de 1860, aqui foi conego da capella imperial, capellão e professor de religião, latim e portuguez do collegio de Pedro II e lente de geographia e de rhetorica do curso de preparatórios annexo ao seminário episcopal. Fez do Rio de Janeiro uma viagem ás provín- cias hoje Estados do Pará e do Amazonas, percorrendo-as como membro da commissão do Madeira, encarregado dos trabalhos ethnographicos. Depois voltou a residir na Bahia, onde continuou a dar-se ao magis- tério, f)i nomeado examinador synodal do arcebispado e admittido ao Instituto historico. Notável prégador, litterato e escriptor, escreveu: - Breve resposta ao discurso do Sr. senador Dantas ou protesto em favor dos princípios catholicos. Rio de Janeiro, 1861, 24 pags. in-8°. - Compendio de historia universal por Victoi' Duruy, ministro da instrucção publica na França e ex-professor de historia do lyceo Napo- leão ; traduzida, etc. Paris, 447 pags. in-8° - Houve segunda edição correcta e augmentada com um appendice da historia contemporânea por ***. Paris (1868), 549 pags. in-8°, sendo da penna do conego Bernar- dino os novos capítulos concernentes á historia de Portugal, e duas outras, sendo a ultima correcta e augmentada com factos relativos á guerra do Paraguay e feita pela casaGarnier, 1877. - A primeira communhão: romance do conego Schmidt. Paris, in-8' - E' edição da mesma casa que, segundo me consta, incumhiu o conego Bernardino da traducção dos romances deste autor, os quaes foram, effectivaraente traduzidos e publicados sem o nome do traductor. - Importância da prjineira communhão, demonstrada por exemplos: obra de grande uttilidade aos pregadores e catechistas, às mães de familia christãs e aos que teem de fazer a primeira communhão, pelo rev. padre Huguet ; traduzida, etc. Rio de Janeiro, 1873, in-8°. - O Espirito de Pio IX ou bellissimos traços da vida deste grande papa pelo rev. padre Huguet. Traducção da segunda edição. Rio de Janeiro, 1873, in-8°. - Directorio do joven sacerdote no que é tocante á sua vida intima e em suas relações com a sociedade, pelo padre Reaume; traduzido da terceira edição. Rio de Janeiro, 1872, in-8°. - Lembranças e curiosidades do valle do Amazonas. Pará, 1873, 328 pags. in-8°. - Commissão do Madeira. Pará e Amazonas. Rio de Janeiro, 1884 - 1885, tres tomos, 145, 147, 145 pags. in-8° -Nesta obra dá o autor muito curiosas e importantes noticias da historia natural e civil de tão vasta porção do território brazileiro, assim como dos indiòs que ahi habitam, sua vida, seus costumes, etc. 412 FR - Novo methodo da grammatica latina, reduzido a compendio pelo padre Antonio Pereira e acompanhado de um supplemento de exemplos da syntaxe pelo padre F. Bernardino de Souza. Paris, 1868, in-8° - Ha uma edição de 1881, feita pela casa Garnier. Collaborou para algumas revistas do norte e depois que veio para o Rio de Janeiro collaborou para outras, como a Revista Popular, o Jornal das Famílias, Tribuna Catholica e também para o Jornal do Commercio. De seus escriptos de então citarei : - A litteratura na Bahia - Na Re vista Popular, tomo 8o, pags. 17 e segs. - A ilha de Itaparica-Idem, no mesmo tomo, pags. 152 e 229 e segs. - O recolhimento de S. Raymundo na Bahia - Idem, tomo 9o, pags. 17 e segs. - Um passeio â villa do Rio Preto - Idem no mesmo tomo, pags. 224 e 350, e tomo 10°, pags. 34 e 89 e segs. - O mosteiro de S. Bento - Idem, tomo 11°, pags. 112 e segs. - A lenda de Mimosa : romance traduzido -Idem, tomo 14°, pags. 29, 80, 159, 215, 291, 326 e tomo 15°, pags. 25 e 91 e segs. - Spiritus, que vadit, redit aut non ? - Na dita revista. Neste es- cripto estuda os phenomenos então, em inicio no Brazil e que constituem hoje a sciencia ou que melhor nome possa ter de occultismo, citando factos dados comsigoe com o arcebispo D. Romualdo. - Julião, o apóstata - Na Cruz, jornal religioso, litterario, historico e philosophico, publicado no Rio de Janeiro de 1861 a 1864, anno Io n. 6. - A arca de Noè - Idem, n. 4. - Uma academia para o clero - Idem, n. 7. - A torre de Babel - Idem, n. 11. - A morte de Magdalena - Idem, ns. 15 e 17. - Reminiscência de minha infancia. O Santo Antonio da Velha Barbara - Idem, n. 20. - A morte do bom ladrão, traduzida do poema de Klopstok - Idem, 2o anno, n. 26. - A escriptura e a sciencia - Idem, n. 27. - Os derradeiros momentos da vida - Idem, ns. 48 e 51. - O dedo de Deus - Na Estrella do Norte, periodico religioso sob os auspicios do Exm. bispo do Pará, tomo 2o, pags. 4 a 7. - Uma mãe: poesia - na Tribuna Catholica, n. 22. Foi escripta quando o autor tinha 16 annos de idade e publicada no Noticiador Catholico da Bahia. E', me parece, sua primeira composição poética. Como collaborador do Jornal do Commercio publicou não só vários FR 413 artigos, como romances e folhetins. Na Bahia também escreveu varias memórias que oífereceu ao Instituto historico da província e redigiu : - O Noticiador Catholico: periodico religioso. Bahia, in-fol.-E' uma revista hebdomadária de 8 pags. e 2 cols. fundada sob os auspícios do arcebispo D. Romualdo, e redigida pelo padre Mariano de Santa Rosa de Lima, de quem hei de occupar-me, desde 1847 até 1852, data em que este foi nomeado vigário de uma freguezia do sertão, e em que passou a redacção ao padre Bernardino. - Jornal da Bahia. Bahia, in-fol.- Este jornal, depois propriedade do Dr. Francisco José da Rocha, foi fundado em 1848. Ahí acham-se do autor importantes trabalhos sobre questões de interesse local, política, litteratura e também romances traduzidos, sendo notáveis: - Typos parlamentares : serie de artigos. - Horas vagas : folhetins - De seus sermões nunca me constou que publicasse algum. Só o ouvi prégar uma vez sobre as Dôres de Maria Santíssima na Igreja da Cruz dos Militares em 1868 um sermão, que tanto arrebatava o auditorio pela sublimidade do assumpto, como pela belleza do trabalho e pela exposição do autor. Francisco Bittencourt Sampaio - Filho do ba- charel Francisco Leite de Bittencourt Sampaio, de quem occupar-me- hei mais adeante, nasceu na cidade do Rio de Janeiro ; é bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de S. Paulo em 1884, e escreveu : - Casamento civil. Rio de Janeiro, 1892- Este livro contém o texto da lei que estabeleceu no Brazil o casamento civil e numerosas annotações elucidando os pontos importantes da mesma. Francisco Bonifácio de Abreu, Barão da Villa da Barra -Filho de Francisco Bonifácio de Abreu e de dona Joanna Fran- cisca da Motta, nasceu na villa da Barra, Bahia, a 29 de novembro de 1819 e falleceu no Rio de Janeiro a 30 de julho de 1887, doutorem me- dicina e lente jubilado da faculdade desta cidade, tendo feito na da Bahia os quatro primeiros annos do curso ; grande do império ; do conselho do Imperador e medico de sua imperial camara ; coronel cirurgião-mór honorário do exercito por serviços prestados na campanha do Paraguay, occupando esse cargo ; deputado por sua província natal, como já o havia sido em varias legislaturas desde 1869 ; grande dignitário da ordem da Rosa, commendador da de Christo, e condecorado com a me- dalha commemorativa da referida campanha e membro de varias asso- 414 FR ciações de sciencias e lettras. Depois de sua formatura foi nomeado por concurso lente de geographia do lyceo bahiano; e mais tarde, tendo transferido sua residência para a côrte e sendo lente substituto da faculdade de medicina, fez uma viagem á Europa, onde se achava quando, por occasião da reforma das faculdades medicas, foi nomeado lente da cadeira de chimica organica. Então, como nunca tivesse estudado essa matéria, só nessa occasião exigida pelo novo regu- lamento, procurou na França o professor Wurtz com quem estudou e este, ao cabo de poucos mezes, dizia que Bonifácio de Abreu era um talento maravilhoso e que estava habilitado para ensinar chimica organica em qualquer faculdade. Viajou depois pelo norte do Brazil, acompanhando o Imperador e sua augusta consorte, e ultimamente presidiu a provincia, hoje Estado de Minas Geraes. Foi distincto poeta e escreveu : - These apresentada á faculdade de medicinado Rio de Janeiro, etc. I. Os homens julgam acertadamente de seus semelhantes? Si não, o por- que ? E como, si não acertar, se quer chegar da certeza de seu jui/o ? II. A organização tem sido prejudicada com a reforma que o capricho «los homens entendeu devia dar ao seu funccionar ? III. O numero e a virtude dos medicamentos tem procurado á sociedade os bens que delles se promettia ? Qualquer será apto a administral-os ? Muitos, que o são, fazem-no com sizudez ? A falta de seu effeito é motivo de dezar ao medico ? IV. Os bailes motivam alguma quebra na saúde publica ? Rio de Janeiro, 1845, in-4°. - Dissertação na qual se justifica o aborto provocado e depois se demonstra: Io Que o aborto provocado por legitima indicação é menos arriscado e funesto que o parto instrumental correspondente, e como corollarios desta proposição; 2o Que o aborto espontâneo é menos pe- rigoso do que o parto natural respectivo ; 3o Que o aborto complicado, mas ainda espontâneo, é menos perigoso que o parto complicado, mas ainda effectuado sómente pelas forças da natureza: these do Dr., etc. •candidato á uma cadeira de lente substituto da faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1851 in-4°. - De chirurgo et de occulorum effusione: theses quae apud flu- minensem medicinae facultatem, doctori Francisco Bonifácio Abreo, candidato ad umam cathedram seccionis chirurgire professore vicário carentem tuendm sunt. Flumine Januario, 1852, in-4". - Memória histórica da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, no anno de 1863. Rio de Janeiro, 1864. in-fol. - Historia e geographia : proposições, etc. Bahia, 1850, in-8°-E' .sua these no concurso á cadeira de geographia no lyceo da Bahia. fi: 415 - Relatorio apresentado á assembléa legislativa da provincia de Minas Geraes na sessão ordinaria de 1876. Ouro Preto, 18764. in-4°. - Relatorio com que ao Illm. e Exm. Sr. Barão de Camargos passou a administração da provincia etc. Ouro Preto, 1877, in-4°. - Tersina: romance brazileiro (em verso). Bahia, 1848, in-8°. - Palmira ou a ceguinha brazileira: romance (em verso). Bahia, 1849, in-8° - Deste livro escreveu C. J. Gomes de Souza uma noticia no Atheneo, periodico da Bahia, pag. 55, reproduzindo parte de um bello episodio da infeliz Julia Fetal, traiçoeiramente assassinada por um ho- mem à quem não queria dar a mão de esposa,- episodio em que o poeta a apresenta « meio confusa, turbada um pouco da fadigosa jornada >r, e assim começa: « Trajada de neve pura, Belleza, lyrio em candura, Calou o Olympo em procura De fallar com a Divindade... Anjos, Archanjos topou ; Anjos, Archanjos saudou, E tudo em stasi deixou Pasmado da novidade ». - Moema e Paraguassú : episodio da descoberta do Brazil. Opere lyrica em tres actos, vertida para o italiano por Ernesto Ferreiro França (veja-se este nome). Rio de Janeiro, 1860, 65 pags. in-8° e mas 8 dos apontamentos históricos. - A divina comedia, de Dante Alighieri, fielmente vertida do- texto (obra posthuma). Rio de Janeiro, 1888, 505 pags. in-8° e 31 do prefacio do editor e da introducção de T. de A. Araripe - Este livro é o primeiro de seus escriptos inéditos que seu so- brinho, o Dr. José Carlos Mariani, se propõe a dar ao prélo.. Do Barão da Villa da Barra andam esparsas muitas composições poéticas como: - Soneto ã morte do Duque de Caxias - no Jornal do Commercio. - Soneto ao tricentenário de Camões - idem. - Saudação á Cachoeira de Paulo Affonso - E' um improviso por occasião da visita do Imperador à dita cachoeira, e em resposta a um, desafio, também em verso, e de improviso, que lhe dirigiu o doutor Deiró. (Veja-se Pedro Eunapio da Silva Deiró.) Tanto este, como Boni- fácio de Abreu achavam-se verdadeiramente inspirados em vista do portentoso espectaculo da magestosa natureza. Esta poesia vem nas- « Memórias da viagem de suas magestades imperiaes á provincia da 416 FR Bahia, colligidas e publicadas por P. de S. Rio de Janeiro, 1867 » e termina assim: acceita o preito Que humilde á teus pés deponho. Deixaste de ser um sonho Na harpa do trovador. Si as nayades do San-Francisco Pedirem-te um dia a historia De teu passado de gloria, Narra um só facto - só este: Que em teus paços recebeste O Imperador do Brazil ! Algumas de suas composições poéticas teem sido postas em musica, como a bem conhecida modinha Saudades do nosso amor e em grande somma se conservam inéditas. Finalmente existem de sua penna diversos trabalhos em prosa, em revistas litterarias, como - Extirpação de uma lupia (lobinho) que pesou mais de uma arroba. - No Aiheneo da Bahia, 1849, n. 1. E' a historia de uma operação, que praticara nesta provincia. Francisco Borges <la Silva - Filho do major Francisco Borges da Silva e de dona Custodia Maria de Jesus Borges, e nascido na Bahia, sendo doutor em medicina pela faculdade deste Estado e formado em 1870, entrou a 31 de janeiro do anno seguinte para o corpo de saude da armada, onde serve como primeiro cirurgião. Escreveu: -Accidentes produzidos pelo raio ; Feridas por arma de fogo ; Póde-se em geral ou excepcionalmente aflirmar que houve estupro ? Do emprego da sangria na congestão do cerebro e na apoplexia: these apresentada, etc. Bahia, 1870, in-4°. - Considerações sobre o beriberi. Fortaleza, 1874, 37 pags. in-4«. Francisco <le Borja Marques Lislboa - Filho do almirante Visconde de Tamandaré e da Viscondessa do mesmo titulo, nasceu a 10 de outubro de 1841 no Rio de Janeiro, e aqui falleceu em 1886. Alistando-se na armada por occasião da guerra contra o Paraguay como segundo tenente de commissão e fazendo parte da esquadra em operações no Rio da Prata, assistiu á passagem de Cuevas e ã tomada do Passo da Patria; como secretario do chefe Alvim subiu ao alto Pa- raguay e assistiu á tomada de Curuzú em 1866. Era segundo tenente honorário da armada, condecorado com a medalha da campanha em que militou, professor de inglez do collegio naval e escreveu : - Medições de terra. Rio de Janeiro, 1881, in-8°. FR 417 - Os torpedos e seu emprego, contendo a narrativa completa da apparição e incremento da arto da guerra submarina e bem assim o exame detalhado dos assumptos correlativos, inclusive os últimos aper- feiçoamentos por C. W. Sleeman. Traducção que por ordem do Exm. Sr. conselheiro José Rodrigues de Lima Duarte fez, etc. Rio de Janeiro, 1881, 303 pags. in-4°, com diversas estampas. Francisco de Borja Oliveira- Em 1869 estudava na faculdade de direito do Recife: é sômente o que sei a seu respeito. Por esse tempo escreveu : - 0 pomo da discórdia : comedia em um acto. Recife, 1869 (?) - Li o offerecimento de um exemplar desta comedia ao Instituto archeologico pernambucano a 11 de novembro deste anno. - Paulo: romance. Recife, 1870. Francisco do Brazil Finto Bandeira e A.e- cioli de Vasconcellos - Natural da antiga província de Pernambuco, e irmão de Antonio Witruvio Pinto Bandeira e Accioli de Vasconcellos, já commemorado neste livro, nasceu em 1849 e falleceu com 33 annos de idade a 29 de março de 1882 na cidade do Recife apóz longos soffrimentos que o levaram á p»ocurar alllvio nos últimos sertões da dita província. Era professor de rhetorica e poética do gymnasio pernambucano, poeta muito applaudido e eximi o litterato. Com seu trespasso - diz o Diário de Pernambuco de 30 de março deste anno - perdeu Pernambuco, que lhe dera o berço, um filho distincto, e a re- publica das lettras um cidadão já prestimoso e que muito mais pro- mettia dar á litteratura patria.» Com effeito Pinto Bandeira, versado em diversas linguas, escreveu e deixou diversas obras, sob o pseudo- nymo, de que usava, de Francino Cismontano, como : - Echos da antiguidade: ensaios clássicos - São dous grossos vo- lumes, contendo: o Io mais de duzentos sonetos e eem fabulas ; e o 2o odes, cantatas, elegias, dithyrambos, epistolas, epigrammas, satyras, e uma comedia original em um sô acto, em verso heroico, intitulada « Ou casa ou morre ». A maxima parte dos Ensaios clássicos corre im- pressa nos jornaes de Pernambuco, e a comedia < Ou casa ou morre » está na America Illustrada sob o psendonymo de Zebedeu Xixarro. - Trovas e Provas : tentativas românticas - São dous grossos vo- lumes de cerca de 400 pags. cada um, sendo divididos: o 1° em tres livros denominados Intimas, Phantasticas e Avulsas ; e o 2o em dous livros ou Religiosas e Brasilianas. Também as Tentativas correm im- pressas, em^grande parte, nos jornaes de Pernambuco. 418 FR - Ultramarinas: traducções - São dous volumes, contendo: o 1° Ligeiras traducções e paraphrases poéticas das linguas franceza, ingleza, hespanhola e italiana; o 2° Amynthas, drama pastoril em cinco actos, traduzido verso a verso, do original italiano, de Torquato Tasso, e o Ensaio sobre critica, traduzido quasi verso a verso do original inglez, de Pope. Grande parte do Io volume corre im- pressa em diversos jornaes; e do drama Amynthas, do 2o volume foram publicados alguns fragmentos no Diário de Pernambuco e no extincto Jornal da Tarde. - Telemaco, traduzido do original francez, de Fenelon, para verso heroico solto-Inédito. Parece-me que Pinto Bandeira não chegou a concluir o segundo volume dessa traducção. Pelo menos a 20 de janeiro de 1881, numa carta que dirigiu-me de Garanhuns, onde se achava á conselho da medicina, dando-me uma noticia circumstanciada de todas as suas obras, que projectava dar ã publicidade conforme as tenho clas- sificado, assim m'o dizia. E desta época em deante a moléstia não lhe deixara trabalhar. - Parnaso pernambucano ou galeria dos melhores poetas da provincia de Pernambuco desde Bento Teixeira Pinto até aos nossos dias. Dous grossos volumes, inéditos - contendo, o Io as poesias dos antigos, eo2' uma selecção das poesias dos modernos e contemporâneos, precedidas tanto umas, como outras, de esboços biographicos ou breve noticia sobre a vida, e as obras dos respectivos autores. Parece-me que o 2° volume também ficou incompleto. - Poética compilada de Hughes Blair e outros. Pernambuco, 1882, 136 pags. in-4° gr.- Foi approvado este livro pela directoria da in- strucção publica de Pernambuco e depois pelo conselho litterario da instrucção publica. Consta-me que foi também publicada sua - Anthologia nacional ou supplemento á Poética compilada de Hughes Blair. - Rhetorica compilada de Hughes Blair e outros-Supponho que conserva-se inédita. - Grammatica latina para uso dos que faliam a lingua portugueza - Inédita. - Picciolo: Corso de litteratura italiana ad uzo delia gioventu studioza che parla la lingua - Idem. - Fabulas originaes, traduzidas e imitadas por Francino Cismontano. Recife, 1877, 112 pags. in-8o-Estas fabulas são as que fazem parte do Io volume dos Ensaios clássicos, e foram approvadas pelo conselho Jirector da instrucção publica. Em varias publicações, quer do Brazil, quer da Europa aeham-se deste autor poesias, como FR 419 - Uma lagrima: traducção paraphraseada em verso-No Almanak de lembranças luso-brazileiro. Lisboa. 1883, pags. 101 e seguintes. - Ode - No livro « Collecção de discursos e poesias, recitados por occasião do assentamento da primeira pedra do hospício dos alienados de Pernambuco. Recife, 1875, pags. 57 e seguintes. Francisco de Urito Guerra - Natural, parece-me, do Rio Gr.mde do Norte, de que foi representante na terceira legisla- tura de 1834 a 1837 e neste anno eleito e reconhecido senador, alli fal- leceu a 23 de fevereiro de 1845. Era presbytero secular, muito versado na lingua latina e escreveu : - Oratio académica coram excellentissimo ac reverendíssimo domino Josepho Joachino a Cunia Azeredio Coitinio, episcopo pernambucanensi, seminarii olindensis fundatore, studiorum doctore ac reformatore. Anno MDCCCI, litterario secundo - Vem no livro « A gratidão pernambucana ao seu benfeitor, etc. », publicado em Lisboa, 1808, pags. 107 a 129. Francisco <le Uri to Peixoto - Filho de Domingos de Brito Peixoto e de dona Anna da Guerra, nasceu em S. Paulo em meiados do século 17° e falleceu em 1733. Foi com seu pai o fundador da villa de Santo Antonio da Laguna ; mais tarde deu-se a descobri- mentos e explorações pelos campos do Rio Grande do Sul de 1715 a 1718 e, sendo pelos seus serviços « capitão-mór das terras da Laguna e seu districto com a ilha de Santa Catharina e do Rio Grande de S. Pedro » por carta patente de 1 de fevereiro de 1721, sustentou com seu genro João de Magalhães uma lucta contra os indios tupis e minuanos que, ligados aos hespanhóes, procuravam apossar-se daquellas regiões do Rio Grande. Escreveu : - Noticias da povoação e fundação da villa da Laguna, feita por Francisco de Brito Peixoto que foi capitão-mór delia e doou os seus serviços em seu sobrinho Diogo Pinto Rego - Inéditas, não sei onde param ; só sei que a bibliotheca nacional possue uma parte desta obra. Francisco Calheiros da Graça - Filho do com- mendador Guilherme José da Graça e de dona Balbina Calheiros da Graça, nasceu na cidade de Maceió, capital da antiga província de Alagôas, a 3 de julho de 1849. Tendo feito o curso da escola de marinha com praça de aspirante de 26 de fevereiro de 1864, foi pro- movido a guarda-marinha em 1866, a segundo tenente a 5 de março de 1868, a primeiro tenente a 12 de abril do mesmo anno e a capitão- 420 FR tenente em 1879 e por ultimo a capitão de fragata. E' director da repartição hydrographica, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, offlcial da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz, cavalleiro da ordem de Cliristo, condecorado com a medalha da esquadra em operações na guerra do Paraguay e tem feito mais de uma viagem ao estrangeiro, achando-se actualmente em importante commissão do governo na Europa - e escreveu: - Memória sobre a origem e causa do aquecimento das aguas do Gulf-stream. Rio de Janeiro, 1874, 60 pags. in-8° - E' seguida da opi- nião ultimamente sustentada na Inglaterra sobre o assumpto pelo doutor William Carpenter, da pag. 47 em deante. Esta memória foi traduzida na França em 1875 por Desiré Mouren, e as idéas nella emittidas foram contestadas pelo capitão-tenente A. A. Camara. ( Veja-se Antonio Alves Camara.) - Theoria do desviometro. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Transferidor de sondas. Rio de Janeiro, 1876, in-8°. - Investigações sobre os instrumentos destinados ã hydrographia. Rio de Janeiro, 1878, in-8°. - Determinação das linhas magnéticas do Brazil: relatorio apresen- tado ao capitão de mar e guerra Barão de Teífé, director geral da repartição hydraulica. Rio de Janeiro, 1882, 30 pags. in-fol. -Vem no relatorio do ministério da marinha deste anno, e sahiu antes na Revista Maritima brazileira. Dividido em duas partes, ahi se trata: Io, do magnetismo terrestre;2o, dos instrumentos e methodos de deter- minação de suas curvas. - Estudos sobre a barra da Laguna. Rio de Janeiro, 1882, in-8° - Segunda edição, 1883. Sobre a Laguna ha mais dous trabalhos seus : - Preferencia do porto da Laguna sobre a enseada de Imbituba. Rio de Janeiro, 1883, in-8° - E'uma reimpressão de artigos que pu- blicara no Jornal do Commercio. - Porto da Laguna: artigos publicados no Jornal do Commercio, ns. de 7, 8 e 9 de janeiro de 1884. - Analgse da informação do capitão-tenente João Justino de Proença, capitão do porto da província de Santa Catharina. Rio de Janeiro, 1884, in-8®. - Primeiros trabalhos da commissão de longitudes, incumbida ao capitão-tenente Francisco Calheiros da Graça e primeiro tenente Arthur índio de Brazil. Repartição hydrographica do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1888, 278 pags. in-4°. - Carta reduzida da costa do Brazil e das Guyanas entre o Cabo Gurupy e o rio Suriman, demarcando as sondas feitas pela FR 421 corveta Vital de Oliveira; organizada por ordem do governo imperial em 1874. - Carta comprehendendo as costas das Guyanas, Venezuela e An- tilhas entre o rio Iracoubo e a ilha de Santa Luzia. 1874. - Carta comprehendendo as ilhas da Trindade e Porto-Rico. 1874. Francisoo Calmon - Filho de Francisco Calmon e de dona Ignacia de Almeida Pereira, e nascido na Bahia a 18 de setembro de 1703, foi fidalgo da casa real, socio da academia brazilica dos re- nascidos, fundada nesta provincia a 6 de junho de 1759, e escreveu : - Relação das faustíssimas festas que celebrou a camara da villa de N. S. da Purificação e Santo Amaro, da comarca da Bahia, pelos au- gustissimos desposorios da sereníssima senhora D. Maria, princeza do Brazil, como sereníssimo senhor D. Pedro, infante de Portugal. Lisboa, 1762, 16 pags. in-4°. D. Francisco Cardoso Ayres, bispo de Olinda - Filho de João Cardoso Ayres e de dona Maria Cardoso Ayres, nasceu na cidade do Recife a 18 de dezembro de 1821 e falleceua 14 de março de 1870 em Roma. Destinado por seus pais á vida do commercio, apenas preparado com a instrucção primaria, se estabeleceu numa loja de livros, de propriedade delles; mas depois começou a dar-se aos estudos superiores, e ao passo que nesses progredia, sentindo vocação para o estado religioso, abandonou de todo o commercio e foi para Roma, onde matriculou-se na universidade de Sapiência em 1846. Fechada, porém, anniversidade com a revolução de 1848, sahiu de Roma com o abbade dom A. Rosmini Ser bati, seu amigo e fundador do instituto da Cari- dade, resolvido a entrar no mesmo instituto ; foi â cidade de Strezza no Lago-maior, então reino do Piemonte, onde se fazia o noviciado ; dahi foi á Inglaterra, onde, no collegio de Ratcliffe, concluiu o novi- ciado e o curso theologico, recebendo as ordens de diácono das mãos do bispo diocesano. Passou dahi á casa de Rugby, onde recebeu as ordens do presbyterado,e leccionou uma cadeira. Fez ainda uma excursão por alguns logares da Europa, visitando o Santo Padre, e tornou-se tão notável por suas raras virtudes e por sua illustração, que foi nomeado sub-reitor da casa de Santa Maria de Upton no condado de Cork, na Irlanda, e lhe foi oíferecida pelo governo imperial, fóra da patria, uma mitra, de que pediu que o dispensassem. Nomeado mais tarde bispo de Olinda, ainda elle quiz eximir-se a tão alto encargo ; mas desta vez, cedendo á vontade do chefe da Igreja, foi sagrado em Roma a 15 de março de 1868, e fez em sua diocese entrada solemne a 2 de agosto do 422 FR mesmo anno. Bem recebido nella, cahiu logo no desagrado de seus diocesanos por prohibir que fosse sepultado em cemiterio sagrado o cada ver do general José Ignacio de Abreu Lima e por ordenar a todo o clero o retiro espiritual no convento de S. Francisco do Recife, com leitura diaria do cathecismo, feita por padres estrangeiros. Achava-se em Roma fazendo parte do concilio ecumenico do Vaticano, convocado para 8 de dezembro de 1869, quando a morte o surprehendeu. Escreveu: - Carta pastoral de saudação a seus diocesanos. Roma, 1868 - Fize- ram-se duas edições desta pastoral ao mesmo tempo com a data de 1& de março, sendo uma em portuguez e outra em latim : Prima epistola pastorata. - Pastoral de 28 de abril de 1869. Recife, 1869 -Nesta pastoral occupa-se o prelado das accusações que lhe fazia parte da imprensa pela denegação de sepultura em logar sagrado ao general Abreu. Lima, e de outros fact>s. - Pastoral a respeito do seminário de Olinda. Recife, 1869, en-4°. - Carta pastoral de despedida aos seus diocesanos. Recife, 1869 - E' datada de 14 de setembro deste anno, dia em que embarcou para assistir em Roma ao concilio ecumenico. D. Francisco Cardoso Ayres era poeta e publicou algumas poesias, antes de tomar o estado eccle- siastico, como : - Epistola a João Lustosa da Cunha Paranaguá (hoje Marquez de Paranaguá). Recife, 1844. - Poesias publicadas no Phileidemon, periodico scientifico e litte- rario da sociedade Phileidemica Olindense. Pernambuco, 1846, pags. 31 e 151 - São duas composições. Francisco Carlos Brandão - Nascido em Pernambuco e ahi fallecido depois de 1870, sendo bacharel em sciencias sociaes e jurídicas, formado pela faculdade de Olinda em 1836, exerceu a advo- cacia, foi deputado á assembléa provincial e também á geral da nona à decima terceira legislatura, de 1853 a 1868, e escreveu, além de outros trabalhos talvez : - Sobre a carestia e monopolio dos generos alimenticios e concessão de loterias: discurso recitado na sessão de 4 de agosto de 1857. Nictheroy, 1857, 14 pags. in-4°. - A eleição do 5o districto da província de Pernambuco. Rio de Janeiro, 1861, in-fol. Francisco Carlos da Luz - Filho de José Maria da Luz e natural de Santa Catharina, onde nasceu em 1830, é doutorem FR 423 mathematicas pela antiga academia militar; general de brigada do exercito; lente cathedratico da escola superior de guerra ; commen- dador da ordem de Christo, official da ordem da Rosa e da de S. Bento de Aviz. Assentando praça em 1846, serviu no corpo de engenheiros até novembro de 1865, e depois na arma e corpo de estado-maior de artilharia. Representou a província, hoje Est ido, de seu nascimento na undécima, decima quinta e decima sexta legislaturas ; foi à Europa por mais de uma vez em commissão do governo e exerceu muitas com- missões como a de director do laboratorio pyrotechnico do Campinho, sendo ao mesmo tempo professor da aula de applicação. Tem o titulo de conselho do Imperador e é um dos redactores da - Revista da commissão technica militar. Rio de Janeiro, 1891-1892 - onde ha vários trabtlhos seus. Escreveu: - Ligeiras considerações sobre os canhões raiados em uso do exercito do Brazil. Rio de Janeiro, 1866, in-8°, com uma grande folha, contendo 22 figuras. - Questão de limites entre as províncias de Santa Catharina e do Paraná : discursos proferidos, etc. Rio de Janeiro, 1876, 58 pags. in-8°. - Conferencias populares. 2a serie. Cursos livres de instrucção supe- rior. N. 4. Curso elementar e popular de sciencias physicas. Da origem e classificação das sciencias physicas. Rio de Janeiro, 1879, in-8°. - Influencia do chumbo sobre as aguas potáveis : memória apresen- tada ao Instituto polytechnico brazileiro. Rio de Janeiro, 1879, 19 pags. in-8°. - Pyrotechnia militar. Duas palavras sobre o mixto das espolêtas de tempo. Rio de Janeiro, in-8°. - As armas de retro-carga e o fuzil de Comblain, com seis estampas, contendo mais um estudo minucioso sobre o cartuchame metallico. Rio de Janeiro, 1880, in-8°. - Estudos sobre as polvoras de guerra, antigas e modernas. Paris, 1889, 210 pags. in-8°. Francisco Carlos da Silva Calívita - Filho de Francisco de Paula Avellar Cabrita e sobrinho do bravo tenente-coronel de artilharia João Carlos de Willagran Cabrita - que falleceu de feri- mento pro luzido por uma granada inimiga quando ditava a parte offl- cial da tomada de I tapicuru na campanha contra o Paraguay - nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 10 de março de 1857 ; é engenheiro civil pela escola polytechnica; director e professor da cadeira de mathe- maticas da escola normal da capital federal; lente de desenho topogra- FR 424 phico daquella escola; cavalleiro das ordens da Rosa e de Christo; socio conservador da sociedade Propagadora das bellas-artes, etc. Serviu alguns annos como secretario e professor no lyceo de artes e offlcios e escreveu: - Curso de mathematicas elementares. Calculo arithmetico. Rio de Janeiro, 1883, in-4°-Foi publicada em fascículos e é um trabalho que, denotando grande proficiência de seu autor, parece destinado mais para consultas, do que para compendio. - Monographia e involução : idéas geraes. Rio de Janeiro, 1884, 26 pags. in-12°, com 8 figuras intercaladas no texto -E' destinado para uso dos candidatos à matricula na escola polytechnica que não pu- derem consultar os tratados de geometria superior. - Elementos de geometria. Estados Unidos do Brazil,Capital Federal, anno de 1890, 2o da Republica, 130 pags. in-4° com figs. intercaladas no texto - Este livro é escripto segundo o plano dos Elementos de geometria de Clairaut, publicados em 1871 - Sei que o Dr. Cabrita tinha, ha alguns annos, a publicar - Noções sobre projecções -Creio que estão inéditas. Francisco Carlton Otho da Silva - Nascido no Rio de Janeiro a 29 de maio de 1847, fez o curso da escola de marinha que concluiu em 1867 ; é capitão de fragata da armada e foi professor interino da escola pratica de artilharia por aviso de 20 de janeiro de 1884, tendo antes prestado serviços na campanha do Paraguay, de que tem a respectiva medalha, e feito uma viagem á Europa em commissão do governo. Escreveu : - Algumas palavras sobre torpedos no armamento dos vapores- torpedos ou dos navios de guerra, por M. Cthchensnovecth. Traducção do francez. Rio de Janeiro, 1880 -Sahira antes no Cruzeiro de 9 de setembro deste anno em deante. Francisco de Carvalho Soares Brandão - Nascido em Pernambuco a 31 de outubro de 1839 e bacharel em scien- clas sociaes e jurídicas, formado pela faculdade do Recife em 1861, re- presentou sua província natal na decima sétima legislatura de 1878 a 1880 ; foi eleito senador em 1882; entrou no ministério de 24 de maio do anno seguinte como ministro dos estrangeiros, obtendo o titulo do conselho do Imperador; presidiu as províncias de Alagoas, do Rio Grande do Sul e de S. Paulo; foi socio fundador do Instituto archeolo- gico pernambucano; agraciado com a commenda da ordem de Christo, de Portugal, com a gran-cruz da ordem russiana da Aguia Branca, da FR 425 ordem belga de Leopoldo e com a medalha do Libertador da Bolivia. Escreveu além de - Relatórios apresentados-ás respectivas assembléas no desempenho de cargos administrativos, o - Discurso proferido na sessão magna do decimo quinto anniversario do Instituto archeologico pernambucano e mandado publicar por alguns de seus amigos. Recife, 1877,28 pags. in-8° - Foi um dos redactores da - Revista do Instituto archeologico e geographico pernambucano. Recife, 1863 a 1872, dous vols. de 561 e 811 pags. in-4° com estampas - Esta revista continua. Começou sua publicação em outubro de 1863 sob a redacção dos Drs. Antonio Rangel Torres Bandeira, Aprigio Justiniano da Silva Guimarães e Pedro Autran da Matta e Albuquerque a quem Soares Brandão substituiu do n. 10 em deante. O ultimo numero do Io volume sahiu em fevereiro de 1866, e o primeiro do 2o volume em outubro deste anno. Francisoo de Castro - Filho de Joaquim de Castro Gui- marães e de dona Maria Heloisa de Mattos Castro, nasceu na cidade da Bahia a 17 de setembro de 1857. E' doutor em medicina pela faculdade daquella cidade, tendo feito parte do curso na do Rio de Janeiro e nesta professor de clinica medica; director da repartição sanitaria, re- centemente instituída na capital federal e membro titular do Instituto nacional de medicina. Apenas formado entrou para o corpo de saude do exercito, onde serviu alguns annos, e escreveu: - Correlação das funcções; Therapeutica geral dos envenenamentos; Da septicemia; Da susceptibilidade recurrente: these apresentada á faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 23 de setembro de 1879 e sustentada na da Bahia a 13 de janeiro de 1880. Bahia, 1880, 223 pags. in-4°. - Fôrmas curáveis das moléstias chronicas do coração, inclusive a syphilis cardiaca: prelecção do Dr. G. Mayer, traduzida e anno- tada, etc. Rio de Janeiro, 1889, in-8°. - Do prognostico das moléstias do coração pelo professor E. Laydon: monographia traduzida e annotada, etc. Rio de Janeiro, 1892, in-8°. - Centros corticaes psychologicos: memória apresentada á imperial academia de medicina, etc.- Nos Annaes Brasilienses, tomo 33°, pags. 334 a 353 e, si me não engano, foram publicados também em opusculo. - Elementos de clinica propedêutica. Exame|physico do apparelho da respiração - No Brazil Medico, 1891, pags. 213 a 269. E' o primeiro capitulo de um livro destinado para compendio da faculdade de medicina. 426 FR - Elogio historico dos académicos fallecidos durante o anno acadé- mico de 1884-1885 (sessão anniversaria em 30 de junho de 1885). Rio de Janeiro, 1885, 16 pags. in-8°. - Elogio historico, etc., durante o anno académico de 1885-1886. Rio de Janeiro, 1886, in-8°. - Elogio historico, etc., durante o anno académico de 1886-1887. Rio de Janeiro, 1887, in-8° - Estes elogios foram escriptos sendo o autor orador da academia, e foram to los publicados nos Annaes. - Harmonias errantes: versos. Rio de Janeiro, 1878, in-8°. - Castro Alves: poesia no decennio da morte do poeta-Acha-se na Revista Brazileira, tomo 9°, 1881, pags. 170 e 171. O Dr. Castro foi um dos redactores da - Revista Académica: orgãodo Instituto dos académicos. Publicação mensal. Rio de Janeiro, 1877-1878, in-4°. Fríincisco das Chagas Lima - Brazileiro, não sei si nato ou adoptivo, nasceu, segundo posso calcular, pelo anno de 1780. Presbytero secular, foi o capellão que em 1809 partiu para Guarapuava, onde estabelecia-se uma colonia e foi primeiro missionário quando no anno seguinte fundaram-se ahi as missões. Depois disto foi parocho collado da freguezia de Nossa Senhora de Belém, cargo que ainda exer- cia em 1827. Escreveu: - Memória sobre o descobrimento e colonia de Guarapuava. 1809 - Foi publicada na Revista do Instituto historico, tomo 4°, pags. 43 a 64 e delia se faz menção no Atlas de C. M. de Almeida. O autor dá noticia do idioma dos indios de Guarapuava e dos que habitam o vasto sertão entre o rio Paraná e a estrada geral de Itapetininga para o sul. - Mappa do campo de Guarapuava e seus recintos de mattas. 1818- O original á aquarella esteve na exposição de historia patria em 1881. - Cothecismo escripto na lingua nacional e na dos Purys - Não me consta que se publicasse. Sei apenas que o manuscripto existia em poder do finado José Rebouças de Palmas. Manoel Eufrasio de Oliveira, dando desta obra noticia ao Instituto historico, promettera obtel-a e fazer delia presente ao mesmo instituto. Creio que a não pôde conseguir ou então, sobrevindo sua morte, não teve tempo de cumprir a promessa feita. Sou informado de que é da penna do padre Chagas a - Noticia da fundação da villa de S. João de Queluz, provincia de S. Paulo - da qual o mesmo Manoel Eufrasio extrahiu uma cópia do livro Io do tombo da dita villa, e enviou-a ao instituto em 1843. FR 427 Francisco Chrispiniano Valdetaro - Filhado doutor Manuel de Jesus Valdetaro, nasceu no Rio de Janeiro a 25 de outubro de 1805 e falleceu a 9 de janeiro de 1862. Formado em medi- cina, foi o segundo administrador que teve a Imprensa nacional, em. cujo cargo substituiu o conego Januarioda Cunha Barboza. Deu-se ao exercicio de educador da mocidade, dirigindo um collegio, publicando- para este fim diversos livros e foi mestre de grammatica portugueza das princezas, filhas do Imperador dom Pedro II. Escreveu: - Novo formulário pratico dos hospitaes ou escolha de formulas- dos hospitaes civis e militares da França, Inglaterra, Allemanha,, Italia, etc., contendo a indicação das doses em que se administram as substancias simples e as preparações magistraes e officinaes do codex ; o emprego dos medicamentos novos e noções sobre a arte de formulan pelos senhores Milne Edward e P. Vavasseur ; traduzido da segunda edição de 1834 por ***. Rio de Janeiro, 1836, in-8°. - Poesias sacras e profanas para uso da escola da sociedade de instrucção elementar do Rio de Janeiro, colligidas por Francisco. Chrispiniano Valdetaro. Rio de Janeiro, 1841, in-8°. - Lições de leitura : Aos discípulos da escola da sociedade de in- strucção elementar do Rio de Janeiro. Terceira edição, publicada para o ensino das primeiras lettras (Ia e 2a parte). Rio de Janeiro, 1856 - Houve uma edição de 1864, feita por João Braulio Moniz. Deixou prompta para entrar no prelo uma - Grammatica grega ( veja-se frei Custodio de Faria) - e uma tra- ducção do Formulário de Bouchardat. Publicou alguns trabalhos em revista de sciencias, como o Semanario de saude publica, e redigiu: - Piario de Saude ou ephemer'des das sciencias medicas e naturaes do Brazil. Rio de Janeiro, 1835-1836, in-4°- Sahiu o 1° numero a 18 de abril daquelle anno e o ultimo, 53, a 16 de abril deste, sendo também daredacção os doutores Francisco de Paula Cândido e J. F. Sigaud. - Aurora Fluminense : jornal político e litterario. Rio de Janeiro, 1827-1828, in-fol.- Foram também seus redactores o mesmo doutor Sigaud, José Apollinario de Moraes e Evaristo F. da Veiga, que desta ultima data até 1835 foi o unico redactor. E' um jornal abundante de noticias para a historia da época. Posteriormente, em 1855, houve outra folha de igual titulo. - O Patriota Brasileiro, amigo da moral e da industria, contendo os- trabalhos da instrucção elementar. Rio de Janeiro, 1832, in-4°- Nesta publicação collaborou o conselheiro José Maria do Amaral, de quem hei de tratar. 428 FR Francisco Clementino de Santiago Dantas - Natural do Rio de Janeiro, falleceu em Matto Grosso pela época da proclamação da republica, sendo bacharel em mathematicas e sciencias physicas, major do corpo de estado-maior de artilharia, offlcial da ordem da Rosa, cavalleiro da de S. Bento de Aviz, condecorado com a medalha da campanha do Paraguay e a de Mérito á bravura militar. Assentando praça em 1863 e pertencendo sempre á arma de artilharia, foi um offlcial illustrado, desempenhou varias commissões importantes como a de instructor da escola de tiro no Campo Grande; de engenheiro na província do Rio Grande do Sul, á cuja assembléa foi deputado ; fundador da colonia militar de Chopim na do Paraná, etc. Escreveu : - Ligeira noticia sobre as operações militares contra os Muckers na província do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro, 1877, 18 pags. in-8°. - Estudos militares : defesa da província do Rio Grande do Sul. Rio de Janeiro, 1878, 28 pags. in-4°. - O Aguidaban perante a historia. Operações finaes da campanha do Paraguay. Porto Alegre, 1880, in-8°. - Sobre o casamento: prelecção feita em saráo do Pantheon Litte- rario de Porto Alegre - publicada na Revista Contemporânea da mesma sociedade. Exaltando o casamento, o autor compenetrou-se do que expunha por fórma tal, que nessa mesma occasião sontractou alliança matrimonial com interessante joven rio-grandense, dona Justa de Azambuja. - Planta da estrada de Palmas á Boa Vista e Cochipó. Francisco Coelho Duarte Badaró - Filho de Justiniano Cursino Duarte Badaró, é natural de Minas Geraes, ba- charel em sciencias sociaes e juridicas pela faculdade de S. Paulo e foi um dos deputados eleitos ao primeiro congresso republicano em 1890 Escreveu: - Fautina: (scenas da escravidão) com um juizo critico por Bernardo Guimarães. Rio de Janeiro, 1881, in-8° - Era o autor estudante de direito. - Pamazo mineiro .• noticia de poetas da província de Minas Geraes. Ouro Preto, 1887. Francisco Cordeiro d.a Silva Torres e AI vim. Visconde de Jerumerim - Filho de Antonio de Souza Mello e Alvim, o senhor dos morgados de Olaia, Cadaval e Painho, e de dona Maria Barbara da Silva Torres, nasceu na quinta da Olaia, termo de Ourém, em Portugal, a 24 de fevereiro de 1775, e falleceu no Rio de Janeiro FR 429 a 8 de maio de 1856, sendo brazileiro por haver adherido á indepen- dência do Brazil; marechal de campo do exercito ; grande do império ; do conselho do Imperador ; veador da Imperatriz ; conselheiro de estado ; grande dignitário da ordem da Rosa, commendador da de Christo, offlcial da do Cruzeiro, cavalleiro da de Aviz; socio e pre- sidente da sociedade Auxiliadora da industria nacional, em cuja sala das sessões foi collocado seu busto, e socio do Instituto historico e geographico brazileiro. Assentando praça de aspirante em Portugal, cursou alli a academia de marinha e, promovido a guarda-marinha em 1798, veio ao Rio de Janeiro, mas decorridos dous annos tornando ã Lisboa, fez o curso da escola militar, formou-se em mathematicas e passou da armada para o corpo de engenheiros. Por occasião da invasão franceza passou de Portugal para Inglaterra, donde veio ao Brazil; foi nomeado lente da academia militar e incumbido de dar os compêndios para a mesma academia, onde leccionou mais de vinte e cinco annos. Ministro da guerra a 15 de junho de 1828, deixou a pasta ao cabo de oito dias, porque - dizia elle - um cordeiro não servia para a guerra. Prestou outros serviços á patria adoptiva, como os de inspector da caixa de amortisação, de que foi fundador. Escreveu: - Tratado elementar de arithmetica de Lacroix ; traduzido do francez por ordem de sua alteza real, o príncipe regente, para uso da real academia militar, e accrescentado com taboas para a reducção das me- didas francezas, antigas e modernas, entre si á medidas portuguezas, e reciprocamente. Rio de Janeiro, 1810, 156 pags. in-8°. - Elementos de álgebra por Mr. Lacroix, traduzidos em portuguez por ordem de sua alteza real o príncipe regente, etc., para uso dos alumnos da real academia militar, desta côrte. Rio de Janeiro, 1811, 345 pags. in-8°. - Tratado elementar de calculo differencial e de calculo integral por Mr. Lacroix, por ordem de sua alteza real, traduzido em portuguez para uzo dos alumnos da real academia militar desta côrte. Rio de Janeiro, 1812-1814, 2a parte, ou 2 vols. de 220 e 360 pags. in-8°, com estampas. - Memória sobre o credito em geral, operações de credito, caixas de amortisação e suas funcções, com uma exposição exacta das opera- ções e expediente da caixa de amortisação do império do Brazil. Rio de Janeiro, 1832, 56 pags. in-4°. - Relatorio sobre o melhoramento do systema de pesos e medidas e monetário ; apresentado pela commissão para esse fim nomeada por decreto de 8 de janeiro de 1832. Rio de Janeiro, 1834, 148 pags. in-4°, com duas tabellas - Assignam como membros da commissão Cândido 430 FR Baptista de Oliveira e Tgnacio Ratton. Vem ahi annexos á obra pre- cedente : Dados extrahidos de Kelly ; Systema de pesos e medidas do Brazil e Relatorio sobre os cunhos de ouro da União, traduzido pelo mesmo Torres e Alvim. (Veja-se Francisco Vieira Goulart.) - Apontamentos extrahidos de Mr. John Quiney Adams sobre pesos e medidas dos Estados Unidos. Rio de Janeiro, 1833, in-4°. - Apontamentos sobre o systema monetário e resgate do cobre, mandados imprimir pelo Marquezde Barbacena. Rio de Janeiro, 1833, 39 pags. in-8° - Segunda edição, com um appendice sobre o credito publico e remedio ás queixas do Brazil. Rio de Janeiro, 1843, 46 pags. ãn-4°. - Memórias sobre o meio circulante. 1837-1838, 2 vols.- Inéditas. - Exposição e informações sobre o encanamento das aguas do Ma- racanã para o chafariz do campo de Sant'Anna. 1816 - Idem. - Memória, apresentando um systema geral de pharóes sobre as costas do Brazil. 1829 -Idem. - Observações sobre a caixa de amortisação e os meios de consolidar cada vez mais o credito publico. 1835 - Idem. - Discurso proferido na abertura das aulas da academia militar no anno de 1826 - Idem. Francisco Corrêa <la Conceição - Natural do Rio -de Janeiro, exerceu um logar de fazenda no thesouro nacional e esta- beleceu-se depois como negociante na praça, do Rio de Janeiro. "Escreveu: - Estudo sobre finanças e economia das nações, extrahido da obra deste titulo, publicada em Paris por H. Price. Rio de Janeiro, 1877, 113 pags. in-8°. Francisco Corrêa Telles <le Menezes - Filho xlo licenciado Manoel Corrêa Telles e de dona Rosa de Vasconcellos 'Saraiva, nasceu na cidade de Olinda, em Pernambuco, pelo meiado do século decimo oitavo, e falleceu na avançada idade de mais de noventa annos. Desde criança se votara ao estado ecclesiastico, preparando-se para elle, mas teve de ver demorada por algum tempo a realização de seus ardentes votos por lhe faltar seu velho pai. Depois de receber as ordens do presbyterato percorreu os sertões do Ceará, do Rio Grande do Norte e da Parahyba, fazendo predicas evangélicas, e celebrando missa, pois trazia comsigo um altar portátil com os paramentos ne- cessários, e mais tarde se escusou ao offerecimento que lhe fizera o bispo Azeredo Coitinho de uma cadeira no seminário de Olinda, porque FR 431 ã sua vasta illustração reunia elle uma excessiva modéstia. Foi também um apostolo fervoroso da independencia de sua patria, e bem que não se ache seu nome entre os « Martyres pernambucanos, victimas da liberdade nas duas revoluções ensaiadas em 1710 e 1817 » do padre J. Dias Martins, elle fez parte dos movimentos de 1817, e foi por isso preso e perseguido. Escreveu muitas obras que, como succedeu a outros muitos brazileiros, nunca pôde imprimir á falta de typographia no Brazil, e por isso se perderam. Além das obras perdidas, sendo algumas sobre botanica e sobre mineralogia, escreveu outras que se conhecem, em sua provincia, bem que inéditas, como: - Lamentação brazilica discernitiva de occultos segredos por linha, prumo e nivel do fiel da balança braziliana ; ornada de ricos the- souros temporaes e eternos ; dividida em tres partes distmctas; dedicada a sua alteza real, o fidelíssimo príncipe regente, etc. Parte Ia- escripta desde o anno de 1799 e reformada neste de 1807. No norte do Brazil, Ceará. 613 pags. in-4°. - Nova seara de ricos thesouros temporaes e eternos. Arte de con- quista, de novo descoberta nos gemidos fraternos com os melhores modelos para a sua cultura e vindima ; offerecida, etc. Parte 2a da Lamentação brazilica desde o anno de 1800, completa em 1817 e accres- centada desde 1824 até 1827. 198 pags. in-4°. - Mappa curioso do novo descoberto. Parte 3a da Lamentação bra- zilica ; dividida em seis capítulos, dedicados, etc.; começada em 1799 & concluída em 1806, na freguezia de Pão dos Ferros, Ribeira do Apody. 432 pags. in-4° e 28 mappas. - Lamentação brazilica. Codigo dos brados populares, continuado á. parte Ia, e relativo á parte 2a da mesma, que acaba de demonstrar as verdades occultas. Tomo 4°, contra os peccados que bradam ao céo, etc. Vai offerecido á sua magestade imperial do Brazil ; organizado desde o anno de 1817 e completo em 1826, ao depois augmentado até ao fim do presente de 1828 no norte do Brazil. 386 pags. in-4°. - Códice geral do Mappa curioso de novos descobertos, pertencente á parte 3a da Lamentação brazilica, continuado do capitulo 6° delia. Das indagações feitas desde o anno de 1808 até o presente de 1817. 130 pags. in-4°- Estas obrasse acham inéditas por lettra do autor, e pertencem ao Instituto historico. No frontespicio do 2° volume lê-se esta declaração por lettra differente: « Pertence esta obra a Joaquim Henrique Ferreira Burity, que lhe deixou seu tio, o reverendo padre Francisco Telles de Menezes. » Foi o mesmo Burity quem fez ao instituto a offerta de taes obras em 1858. - Sobre a lingua dos aborígenes do Brazil - Ficou também inédita. 432 FR - Sobre a riqueza vegetal do Brazil - Idem. Escripta por occasião das sêccas dos sertões do norte. Trata-se ahi desenvolvidamente de muitos productos vegetaes, como a carnahuba. - Sobre mineralogia - Idem. Trata-se ahi com muita especialidade do ouro, da prata, do carvão de pedra, do alúmen e de mais alguns mineraes, e particularmente « da cochinilha vegetal e do ouro em pó que elle descobrira nos diversos ramos em que abunda a natureza do rico e prodigioso solo deste paiz » como diz o autor do Diccionario biographico de pernambucanos celebres. - Sobre genealogia - Idem. Occupa-se o padre Telles de Menezes nesta obra com todo o critério da linhagem das famílias mais distinctas de Pernambuco. Diz o autor que acabo de citar que - muitos dos ma- nuscriptos do padre Telles de Menezes foram parar ás mãos do senador Francisco de Brito Guerra, um dos homens mais conceituados da pro- víncia do Rio Grande do Norte, que isto mesmo declarou a um irmão ; a estes manuscriptos, especialmente os históricos, dignos de serem decorados como lendas em que se decantam feitos memoráveis, addicionou o senador Guerra muitas annotações e merecidos elogios ao seu autor ; mas hoje ignora-se em que mãos param elles, si não estão perdidos. Francisco Corrêa Vasques - Filho do Francisco Pinheiro de Campos, cujo nome usou à principio, e irmão do celebre actor comico Martinho Corrêa Vasques, nasceu na cidade do Rio de Janeiro a 29 de abril de 1839 e aqui falleceu a 10 de dezembro de 1892. Aos cinco annos de idade figurou no palco fluminense e começou a acompanhar seu irmão nos espectaculos, com tal gosto pela arte, que nestas occasiões nunca tinha o somno proprio de sua idade e, sempre que era preciso um menino em scena, elle achava-se prompto. Aos 12 annos desempenhou o papel do menino na comedia. «O noviço > de Martins Penna e, depois de estudar algumas aulas no collegio Marinho, já collocado por seu pai numa casa commercial, deixou tudo para dedicar-se ao theatro. Representava no theatro de S. Pedro, em 1859, quando foi contractado pelo actor Germano F. de Oliveira, para o do Recife. Depois de um anno, voltando ã côrte, entrou para o theatro de S. Januario, e deste passou para o Gymnasio, de onde retirou-se em 1867 por ser delle despedido, provindo dessa occurrencia uma discussão que consta do Jornal do Commercio, e então foi para S. Paulo. De volta de S. Paulo formou uma companhia que trabalhou quatro annos no theatro do Campo de Sant'Anna e na Phenix dramatica, onde com seu Orphêo na roça fez FR 433 baquear o tão encantado Alcazar. Sempre applaudido desde que, ainda criança, appareceu em scena, foi o actor mais popular e sympathico do palco brazileiro; em sua especialidade, a comedia, não teve rival no Brazil. Era cavalleiro da ordem de Christo de Portugal, e condecorado com a medalha de Caridade da caixa de soccorros, que em scena aberta foi-lhe entregue pelo conselheiro Victorio e com outras medalhas humanitarias ; socio de varias associações de lettras e socio bemfeitor de muitas associações de caridade do Rio de Janeiro, sendo principal- mente á esforços seus levantada nesta cidade uma estatua em bronze á um dos mais notáveis actores do mundo, á gloria do palco brazileiro, João Caetano dos Santos. Escreveu as peças theatraes que passo a relatar e, provavelmente, outras de que me faltam noticias, sentindo não dar, talvez, com exactidão as datas da publicação de algumas e ignorando si dentre ellas foi alguma impressa, além das mencionadas. São de sua penna : - O senhor Zè-Maria assombrado pelo magico : scena cómica, que compòz para seu primeiro beneficio, que teve logar em Nictheroy. Rio de Janeiro, 1859 - Foi sua estréa de autor. - O beberrão: scena cómica - escripta e representada em Per- nambuco em 1859, e no theatro Lucinda a 31 de julho de 1881. - O senhor Joaquim da Costa Brazil: scena cómica. Rio de Janeiro, 1861 - Representada pelo autor no theatro S. Januario a 30 de agosto de 1861, e muito applaudida. - As pitadas do velho Cosme: scena cómica. Rio de Janeiro, 1861 - Foi também applaudida e teve grande successo. - Um dos tres: scena cómica. Rio de Janeiro, 1861, 10 pags. in-16°- Só foi representada tres vezes. O autor tomara-lhe ogeriza por um desastre que teve na terceira representação, isto é, por quebrar a cabeça de encontro a um piano. E' em verso. - Um actor sem theatro : scena cómica. Rio de Janeiro, 1861, 10 pags. in-8°. - Um bilhete para o beneficio do Graça : á proposito comico. Rio de Janeiro, 1862, 12 pags. in-8°. - Viva o circo do Grande Oceano : scena cómica. Rio de Janeiro, 1862, 12 pags. in-16° - Foi muito applaudida. - O Graça e o Vasques: scenas sem pretenção, escriptas pelo se- gundo e representadas por ambos. Rio de Janeiro, 1862, 24 pags. in-8°. - A questão anglo-brazileira : scena cómica. Rio de Janeiro, 1862. - O senhor Anselmo apaixonado pelo Alcazar : scena cómica. Rio de Janeiro, 1863, 10 pags. in-16°. 434 FR - Dona Roza, assistindo no Alcazar a « un spectacle extraordi- naire avec meue. Risette » : scena burlesca em resposta ao « senhor Anselmo apaixonado pelo Alcazar». Rio de Janeiro, 1863, 12 pags. in-8°. - Por causa da Emilia das Neves : scena cómica. Rio de Janeiro, 1863. - A orfã: scena dramatica em verso. Rio de Janeiro, 1864 - Teve grande successo esta composição. - O Vasques em Machambomba: comedia] em um acto. Rio de Janeiro... - O fim do anno: scena cómica. Rio de Janeiro... - O senhor Domingos fóra do serio : scena cómica. Rio de Janeiro, 1864 - Teve esplendido successo ; é um dos triumphos do autor. - O Joaquim sacristão, assistindo á representação do drama «Os milagres de Santo Antouio »: scena cómica. Rio de Janeiro, 1864, 10 pags. in-8° - Depois de cerca de quatrocentas representações foi prohi- bida pelo bispo diocesano. - O Gymnasio de roupa nova : pu/f comico. Rio de Janeiro, 1864 11 pags. in-16°. - Os namorados de Julia : scena cómica. Rio de Janeiro, 1864. - O diabo no Rio de Janeiro : scena cómica. Rio de Janeiro, 1864. - O Vasques pelos ares : scena cómica. Rio de Janeiro, 1864. - O menino Monclar: scena cómica. Rio de Janeiro, 1865. - O advogado dos caixeiros : scena cómica. Rio de Janeiro... - Mais um campanologo : scena cómica. Rio de Janeiro, 1865, 12 pags. in-16°. - O Brazil e o Paraguay : scena patriótica. Rio de Janeiro, 1865, 14 pags. in-16®. - Quero casar minha sobrinha: comedia... 1865. - Os dous infernos : dialogo entre o Sr. Procopio e a Sra. Dorothéa, provocado pelo Orphêo nos infernos. Rio de Janeiro, 1865, 22 pags. in-16°. - O Orphêo na roça : parodia em quatro actos do Orphêo nos in- fernos. Rio de Janeiro, 1868, 59 pags. in-8° peq. - Esta comedia foi enthusiasticamente applaudida, com delirio mesmo. Coma represen- tação delia começou a decahir o Alcazar. Teve mais de quinhentas representações quando foi á scena. Ultimamente o foi a 18 de fevereiro de 1891 em beneficio do autor. - Orphêo na cidade : parodia phantastica do Orphêo nos infernos, em seguimento ao Orphêo na roça. Rio de Janeiro, 1870, 56 pags. in- 8o - Não teve o exito da precedente ; muito longe disto. FR 435 - 0 Zè Pereira carnavalesco : scena cómica que se deve parecer muito com « Les Pompiers de Nanterre », arranjada, etc. Rio de Ja- neiro, 1869, 16 pags. in-8°. - Rocambole no Rio de Janeiro : scena cómica. Rio de Janeiro, 1867. - Aguentem-se no balanço: scena cómica. Rio de Janeiro... - Muito applaudida foi. - Variações de flauta : scena cómica. Rio de Janeiro... - Diabruras do Souto : scena cómica... - A honra de um taverneiro : comedia em tres actos. Rio de Janeiro, 1874 - Foi representada pela primeira vez em novembro de 1873. O Barão de S. Felix, presidente do conservatorio dramatico, disse delia ... «encerra muito interesse dramatizo, bonitos lances, naturalidade e movimento, bem como estylo fluente e apropriado á scena.» E quando foi exhibida, teve o autor de presente uma penna de ouro, que lhe foi offertida por um grupo de taverneiros. - As lagrimas de Maria: comedia em tres actos. Rio de Janeiro, 1876 - Foi à scena pela primeira vez em dezembro de 1875 com igual successo ao da precedente. Para avaliar-se seu mérito aqui transcrevo algumas linhas que a respeito desta peça publicou o Jornal do Com- mercio de 19 de dezembro deste anno. « Moral no seu fundo, temo drama ao mesmo tempo attractivos que, habituadas como se acham as platéas, se tornam quasi indispensáveis para assegurar-lhe boa accei- tação. Associa-se o comico com o serio, quanto basta para romper a monotonia; mas sem que aquelle empreste falsas côres â torpeza, privando-a inteiramente do que tem de repugnante - Descrevem-se aqui dous typos contrapostos : a mulher cazada e a impudica. Discre- vem-se, como deveriam descrever-se sempre, desde que se põe um deante do outro. E' pura, immaculada, resignada aquella ; é amiga do marido, mesmo desvairado, e procura no amor maternal conforto para o dilacerado coração de espoza. Esta é venal, fingida, invejosa, friamente calculista, incapaz de todo sentimento geneioso. Na lucta entre ambas, a mulher honesta, que por armas só tivera a doçura, a resignação e a bondade, triumpha da que o não é, e que, apezar de todos os seus artifícios, acaba miseravelmente numa orgia ! Em torno destas duas figuras dispõe o autor outras que eram indispensáveis para animar o quadro. Todas são verdadeiras no fundo e copiadas da vida real. Entre ellas se destaca a da mulher beata, tão verdadeira, como habilmente pintada I » - A filha de um condemnado : drama extrahido do romance deste titulo. - Os estranguladores: drama extrahido do romance Rocambole. 436 FR - A rainha Crinoline : comedia em um acto. - Taustino : parodia do Faust, de Dennery. - Ah! como eu sou besta ! cançoneta. - O sello da roda: scena dramatica. - Giralda Giraldinha: imitação da opereta Giroflé Giroílà. - Viagem d roda do mundo a pè : scena cómica. - Amor em liquidação : scena cómica, composta para seu beneficio em 1882. - Ahi! cara dura! novella cómica, dividida em oito capítulos, e escripta para ser representada no theatro Sant'Anna na festa em seu beneficio a 10 de abril de 1883. - Dá cá tabaco, compadre : scena cómica. Rio de Janeiro, 1881. - Os capoeiras: opportunidade cómica escripta expressamente, etc.- e representada pela primeira vez em seu beneficio no theatro Sant'Anna a 12 de abril de 1887. - Imperador e republica : episodio comico, escripto expressamente para a noite de seu beneficio - Representado no theatro Sant'Anna a 25 de março de 1890. Vasques foi folhetinista da Gazeta da Tarde e fez algumas - Conferencias sobre a abolição da escravidão- e em quasi todas as matinées nessa época recitou poesias, que elle chamava « versos de pés quebrados, mas de sua lavra » na primeira das - Cartas ao cidadão Floriano Peixoto no dia de seus annos - publi- cadas na Cidade do Rio de 7 e 30 de abril de 1892, transcriptas no Jornai do Brazil de 1 e 8 deste mez. Nestas cartas pede o autor o perdão para os exilados pela sediçãoe conspiração de 10de abril. Francisco da Cunha Oalvãio - Bacharel em mathe- maticas pela antiga academia militar, depois de haver feito o curso da de marinha com praça de aspirante em 3 de março de 1846,desempenhou varias commissões, como a de engenheiro dos terrenos diamantinos da província da Bahia. Em 1873 foi reformado no posto, que tinha, de primeiro tenente da armada e firmou residência emS. Paulo. Escreveu: - Relatórios sobre a navegabilidade do rio Paraguassú, província da Bahia, apresentados pelo Io tenente, bacharel Francisco da Cunha Galvão e pela commissão de exploração, composta dos engenheiros Ladislau Videki e Trajano da Silva Rego em 1 de fevereiro de 1864. Bahia, 1878, in-8°. Francisco Dias Carneiro - Filho do coronel Fran- cisco Dias Carneiro e de dona Franciscade Carvalho Carneiro, nasceu a FR 437 23 de novembro de 1837 na comarca de Pastos-Bons, hoje comarca do Alto Itapicurú, no Maranhão. E' bacharel em sciencias sociaes e jurí- dicas pela faculdade do Recife, formado em 1861 ; foi por varias vezes deputado á assembléa de sua província e á assembléa geral nas legis- laturas de 1873 a 1876 e de 1885 a 1889, e escreveu : - Poesias. Maranhão, 1878, 243 pags. in-8° - Divide-se este livro em quatro partes : Ia, Fugitivas; 2a, Noite do diabo ; 3a, Poesias di- versas ; 4a, Scenas do coração (poesias lyricas). Fez parte dessa pleiade de litteratos maranhenses que produziu - A casca de canelleira (steeple chaise): romance por uma boa duzia de esperanças. S. Luiz, 1866, in-8° - O pseudonymo de que usa ahi è Stephani von Ritter. (Veja-se Antonio Marques Rodrigues.) Francisco Diogo Ferreira da Silva - Natural, Si me não engano, do Rio de Janeiro, e nascido a 13 de setembro de 1852, é typographo e como tal dirigiu a officina typographica de Laemmert & C.a, donde passou para a do jornal Brazil, e foi director da bibliotheca do club dramatico Aurora Boreal. Escreveu : - Zulmira ou a mulher perdida : romance. Rio de Janeiro... - O cego ; scena dramatica. Rio de Janeiro... - A orfã Gabriella: drama em tres actos. Rio de Janeiro, 1876. - Um tolo como muitos: comedia em um acto. Rio de Janeiro, 1885. - Album enigmático : linda collecção de charadas, logogriphos, am- phigures e adivinhações, tudo em verso rimado, acompanhada da com- petente decifração ; colleccionada, etc. Rio de Janeiro, Laemmert &C.a - A republica brasileira : descripção minuciosa dos factos occasiona- dos no dia 15 de novembro de 1889, acompanhada dos primeiros actos officiaes do governo provisorio, organizada por Diogenes Ferreira. Rio de Janeiro, 1890. - Diccionario de conceitos e sentenças, proferidas pelos vultos mais eminentes, até hoje conhecidos, ou livro de consulta para auxilio de estudiosos e litteratos. Rio de Janeiro, 1892. Francisco Elias Rodrigues cia Silveira, Barão da Silveira, de Portugal - Filho de Francisco Manoel de Oli- veira e nascido na cidade da Bahia a 20 de junho de 1778, falleceu em Lisboa em serviço do reino a 10 de janeiro de 1864, sendo doutor em medicina pela universidade de Coimbra; primeiro medico da real ca- mara; cavalleiro da ordem da Rosa; commendador da de Christo, de Portugal e da de Carlos III da Hespanha; socio e secretario perpetuo da academia real das sciencias de Lisboa, etc. Tendo feito os estudos 438 FR de humanidades nesta cidade, entrou para a ordem dos Agostinhos des- calços com o nome de frei Francisco de Santo Elias e matriculou-se no primeiro anno do curso de philosophia em 1795. Depois, secularisan- do-se, fez o de medicina e estabeleceu-se como clinico em Lisboa, onde em pouco tempo conquistou fama de distinctissimo medico e foi admittido no paço. Foi quem procedeu á autopsia no cadaver do fundador da monarchia brazileira e, mais tarde, foi agraciado com o titulo de barão, em 1855, pelo regente D. Fernando, em nome de D. Pedro V. Alèm de vários trabalhos que publicou em o Jornal de Coimbra, escreveu: - Breve instrucção do que ha de mais essencial a respeito da vac- cina. Lisboa, 1812 - Foi publicada em opusculo numa collecção com outros de vários membros da academia das sciencias e do instituto vac- cinico. (Veja-se Francisco de Mello Franco.) - Carta dos trabalhos da instituição vaccinica, lida em sessão pu- blica da real academia das sciencias de 14 de junho de 1814-Im- pressa nas Memórias da mesma academia, tomo 3°, parte Ia, pags. XXX a XLVI. - Discurso historico acerca dos trabalhos da instituição vaccinica, lido na sessão publica de 24 de julho de 1821 - Nas ditas Memórias, tomo 8°, pags. XIX a XXXIV. - Ensaio acerca do que ha de mais essencial sobre o cholera-morbus epidemico, redigido pela commissão medica da academia real das sciencias. Lisboa, 1833, 47 pags. in-4° - E'assignado por mais tres collegas da commissão. - Direcção sobre o curativo do cholera-morbus no primeiro pe- riodo, afim de embaraçar o andamento para o segundo periodo. Lisboa, 1833, in-4° -Idem. - Da dedaleira e suas propriedades-Nas citadas Memórias, tomo 3°, parte Ia (Memórias dos socios correspondentes, pags. 4 a 40, e também em volume especial). - Do empirismo em medicina - Idem, tomo 7o, pags. 280 a 316. Francisco <1© Faria - Nasceu na Bahia, provavelmente entre o primeiro e segundo decennios do século 18°. Presbytero secular, foi o presidente da reunião impropriamente denominada academia dos selectos, pois que td academia foi fundada sômente para se tecer elogios em proza e em versos ao governador Gomes Freire de Andrade em 1752, por occasião de sua promoção ao posto de mestre de campo general, com a nomeação de primeiro commissario geral da medição e demarcação dos limites meridionaes do Brazil, e só se reuniu uma vez 439 no palacio do mesmo governador, que bem hesitou em dar consen- timento para essa unica reunião, a sessão solemne, ou acto académico panegyrico, como foi designada. Devia ser notável philosopho, ter mui distincta erudição, a julgar-se pelo Dr. Manuel Tavares de Siqueira e Sã, que o proclama «um padre-mestre, cujo magistério temem os Platões, os Gassendos, os Descartes e todos os mais coripheus das esco- las e systemas antigos e modernos ». Sei que assignava-se às vezes Cové Xenheenga ; só tenho porém noticia de sua - Oração panegyrica ou acto panegyrico académico - Acha-se na collecção intitulada Júbilos da America na extallação e promoção do Illm0. Exm0. Senhor Gomes Freire de Andrade, etc. Lisboa, 1754-Além disto só conheço de sua penna: - Soneto recitado - no referido acto e que vem na mesma obra, onde ainda o doutor Siqueira e Sá, a proposito da Oração panegyrica, diz que elle deixara apoz si, a perder de vista, os Plinios, os Eunodios, os Mannetinos, os Claudianos, os Eumenios, os Lacerdas e todos os mais panegyristas que a fama celebra e que por seus excellentes escriptos são na republica das lettras venerados venerandos padres conscriptos; não só a todos vence na erudição, maviosidade e elegancia, mas ainda os ex cede na ventura e excellencia do heroe ou heroes elogiados. Francisco Felix Pereira da CJosta - Filho de Manoel Felix Pereira da Costa e de dona Maria Luiza da Costa, nasceu, em Lisboa em 1802 e falleceu no Rio de Janeiro a 4 de janeiro de 1872 Vindo muito criança para o Brazil, aqui fez toda asua educação litteraria desde a primeira instrucção até doutorar-se em medicina e, entrando em 1824 para o serviço de saude da armada no primeiro posto, subiu successivamente até ao de cirurgião de esquadra com a patente de capitão de mar e guerra, em que foi reformado. Como cirurgião da armada prestou á sua patria adoptiva muito bons serviços, sobretudo no hospital de marinha, onde esteve muitos annos, e foi chefe do serviço clinico. Era official da ordem da Rosa, cavalleiro da de Christo e da de S. Bento de Aviz ; membro honorário da antiga academia impe- rial de medicina, e escreveu: - Dissertação sobre a dilatação e hypertrophia do coração: these apresentada e sustentada perante a faculdade de medicina do Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1837. Rio de Janeiro, 1837, in-4° gr. - Desumo historico das moléstias, que se trataram no hospital de marinha desta côr-te desde que eatrou em exercício, a 3 de março de 1834, até 31 de dezembro de 1839. Rio de Janeiro, 1840, in-8°. - Historia da guerra do Brazil contra as republicas do Uruguay e do 440 FR Paraguay, contendo considerações sobre o exercito do Brazil e suas campanhas no Sul até 1852 ; campanha do Estado Oriental em 1865 ; marcha do exercito pelas províncias argentinas ; campanha do Para- guay ; operações do exercito e da esquadra, acompanhadas do juizo critico sobre todos os acontecimentos que tiveram logar nesta memo- rável campanha. Rio de Janeiro, 1870- 1871, 4 vols., 428, 469, 683 e 663 pags. in-4° - Do tomo Io ao 5° da Revista Medica Fluminense ou tomo 4o ao 8o dos Annaes Brazilienses de Medicina, ha trabalhos do Dr. Pereira da Costa, dos quaes citarei: - Descripção das febres insidiosas e typhoides, tratadas no hospital de marinha da côrte - No tomo 2o, pags. 191 a 204. - Moléstias reinantes no hospital de marinha nos tres mezes de julho, agosto e setembro ( 1835) - No tomo Io, n. 7, pags. 10 a 28. Ha ainda de sua penna: - Resumo historico da vida de Francisco de Mello Franco, bacharel em medicina pela universidade de Coimbra, etc. Rio de Janeiro, 1851 - O manuscripto de 36 pags. pertence ao Instituto historico. Francisco Ferreira de AJbjreu, Barão de There- zopolis - Filho de Guilherme Ferreira de Abreu e de dona Felisberta Luiza de Abreu, nasceu na cidade do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, a 18 de novembro de 1823 e falleceu em Battignolles, na França, a 14 de abril de 1885, doutor em medicina pela faculdade do Rio de Janeiro e nella professor jubilado ; bacharel em sciencias e doutor em medicina pela universidade de Paris ; do conselho do Imperador e medico hono- rário da imperial camara ; commendador da ordem da Rosa, e caval- leiro da de Christo ; commendador da ordem de Christo de Portugal ; membro da academia imperial, hoje academia nacional de medicina, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, etc. Sendo lente sub- stituto daquella faculdade, foi, em 1855, por occasião da reforma desta data, nomeado lente cathedratico de medicina legal. Foi professor de physica e chimica das princezas, filhas do Imperador D. Pedro II e representou o Brazil em vários congressos scientiflcos da Europa, como o congresso de hygiene e demographia celebrado em Haya, o congresso internacional de Londres em 1881 e estava nomeado para representar o império no congresso pharmaceutico que reuniu-se em Bruxellas a 21 de agosto de 1885, um mez depois de seu falle- cimehto. Gosou no seu paiz de notável reputação como homem da sciencia, e na faculdade das sciencias de Paris depois da leitura de um trabalho seu, foi seu nome inscripto na lista dos savants ètrangers, honra só conferida áquelles, cujos trabalhos, além de approvação, são FR 441 elogiados pela faculdade. Ferreira de Abreu foi o primeiro que genera- lisou o processo de Duflos e Millon, de modo a applical-o na pesquiza de todos os venenos metallicos. Escreveu: - Discriminação geral dos corpos orgânicos e inorgânicos : these apresentada à faculdade de medicina do Rio de Janeiro e sustentada a 29 de novembro de 1845. Rio de Janeiro, 1845, 39 pags. in-4°. - De la recherche des principaux poisons métalliques: thèse pour le doctorat en médecine, présentée à la faculté de medecine de Paris et soutenue le 26 juillet 1849. Paris, 1849, 75 pags. in-4° com uma est.- Sobre o assumpto publicou por esta occasião em revistas européas vários trabalhos como: - Mêthode pour rechercher par une seule opération, 1'arsenic, l'an- timoine, le mercure/le cuivre, le plomb, le zinc, et 1'argent - no Journal de C^imique mêdicale, de pharmacologie et de toxicologie, 1848, pags. 491 e seguintes. E ainda poucos annos antes de morrer, escrevia : - Novo processo para a pesquiza dos principaes venenos metallicos: memória apresentada á academia das sciencias. Rio de Janeiro, 1878 - Foi reproduzida no Jornal de Hygiene de Pietra Santa em 1879.5 - Historia das indicações e da pratica da bronchotomia ; apreciação dos methodos: these, etc. do concurso á um logar de substituto;da secção de sciencias cirúrgicas para ser sustentada em 24 de outubro de 1851* Rio de Janeiro, 1851, 71 pags. in-4°. - Breves considerações sobre as inspirações de ether sulphurico, consideradas como meio capaz de servir a suspender a susceptibilidade dos enfermos operados - No Archivo Medico Brazileiro, tomo 3°> pags. 230 e 253 e tomo 4o, pags. 58 e seguintes. Depois escreveu sobre o mesmo assumpto, isto é í - Inspirações de ether sulfurico na cirurgia como anesthesico: me- mória apresentada á academia imperial de medicina - Nos Annaes Brazilienses, tomo 20°, 1852, pags. 71 e seguintes. Sobre esta memória foi escripto um parecer pelo Dr. Domingos Marinho de Azevedo Ame- ricano e publicado nos Annaes, tomo 21°. -- Considerações medico-legaes sobre um caso controverso de in- fracção do artigo 223 de nossa legislação criminal : memória apre- sentada á academia imperial de medicina. 'Rio de | Janeiro, |1857,- 57 pags. in-4°. - De Vantagonisme de la morphine et des alcaloides des solanées vireuses : extrait du Journal d'Hygiene du 4 mai 1882. Paris, 1882, 15 pags. in-4° - Ha outros trabalhos seus em revistas medicas da Europa desde 1848. 442 FK I). Francisco Ferreira de Azevedo. Io Bispo ■de Goy iz- Natural de Cuyabá, hoje capital de Matto Grosso, nasceu em 1764 o falleceu em sua diocese a 12 de airosto de 1854. Sendo pres- bytero secular, prégador reido e vigário collado da freguezia de Santo Antonio de Cassarebú, termo da villa de Macacú e provincia do Rio de Janeiro (razão, provavelmente, pela qual o general Cunha Mattos o considerava nascido nesta freguezia), foi creado bispo de Meliapôr a 17 de dezembro de 1811. Não se tendo realizado este titulo até que' conforme a divisão do bispado do Rio de Janeiro em tres bispados e duas prelazias, foi elle nomeado a 18 de outubro de 1818 para a prelaziS, de Goyaz, foi-lhe então conferido o titulo de bispo de Castorea. Elevada depois a dita pr elazia a bispado por bulia de 15 de julho de 1827, passou elle a ser o primeiro bispo, nomeado por carta de 3de novembro. Tendo regido a igreja goyana por espaço de 35 annos, contrahiu uma moléstia, que foi seguida de completa cegueira, e ainda assim foi sempre um pre- lado modelo e, como tal, querido e venerado de suas ovelhas. Era commend; dor da ordem de Christo e escreveu, além de - Pasioraes sobre diversos assumptos - que não pude ver. - Oração deacção de graças, que no dia 7 de março de 1816, anni- versario da chegada d'El-rei N. S. ao Rio de Janeiro, recitou na capella cal. Rio de Janeiro, 1816, 22 pags. in-8°. Francisco Forreii'a Barreto - Filho de Vicente Ferreira Barreto e de dona Adriana de Messias Barbosa, nasceu a 5 de abril de 1790 na villa do Recife, depois cidade capital de Pernambuco e falleceu a 25 de fevereiro de 1851, presbytero secular, vigário de uma freguezia da dita cidade, prégador da capella imperial, examinador synodal do bispado de Olinda, commendador da ordem de Christo e cava 11 ei ro da do Cruzeiro. Desde seus primeiros estudos, não sô por sua applicação e intelliszencia, como ainda por sua eloquência, palavra facil e energica, imaginação fértil e brilhante, seus condiscípulos co- meçaram a chamal-o doutor e como tal ficou conhecido. Ainda mino- rista encetou a prédica com applauso, com admiravel eloquência, revelando o orador que havia de ser. E de feito, achando-se na côrte em 1823 como deputado à constituinte, e occupando a tribuna evan- gélica na capella imperial perante o Imperador e sua côrte, este o mandou comprimentar e nada menos de quatro graças concedeu-lhe nesse anno : o habito de Christo, o do Cruzeiro, o titulo de pregador da capella imperial e o de parocho, graças de que lhe provieram certos aborrecimentos, porque seus adversários assoalhavam serem ellas a paga de triste e aviltante humilhação do representante da provincia IK 443 naquella assembléa. Superior, porém, a isso era a reputação de que gosava, e tanto que foi logo o escolhido pela camara municipal do Recife para ir á côrte comprimentar o Imperador, por occasião de seu casamento com a princeza dona Amélia de Leuehtemberg. Depois fez parte e representou importante papel na Columna do throno, sociedade secreta quo se dizia querer o governo absoluto e, quando esta sociedade baqueou, teve novas contrai iedades que o levaram a ausentar-se da patria. Esteve então uns tres annos em Lisboa, onde foi considerado como grande orador, e também como distincto poeta e litterato ;prégou em festas da maior pompa e rejeitou a offerta de empregos, como o de guarda-mór da torre do Tombo, porque para elle não havia honras nem interesses que o decidissem a deixar os fòros de cidadão brazileiro. Restituído á patria, voltou á sua parochia, e ainda foi nomeado director do lyceo; membro da commissão revisora do Ensaio estatístico civil e político da provincia de Pernambuco, escripto pelo Dr. Jeronymo Martiniano Figueira de Mello ; examinador synodal ; vice-presidente, e depois, por morte do bispo dom Thomazde Noronha, presidente da associação da propagação da fé, e foi eleito deputado provincial. Escreveu: - O Relator Verdadeiro. Recife, 1821 - E' um periodico fundado e redigido pelo padre F. Barreto depois da deposição do general Luiz do Rego, eleita ajunta governativa, e que muito contribuiu para nossa independencia. Depois disto, como um dos prmcipaes membros da Columna do throno, foi um dos redactores dos dous orgâos dessa asso- ciação, isto é : - O Amigo do Povo. Pernambuco, 1829-1830, in-4°. - O Cruzeiro: jornal político, litterario e mercantil. Pernambuco, 1829-1831, 3 vols. in 4o - A estas duas folhas faziam opposição o Diário de Pernambuco e o Constitucional, cujas invectivas, vehementes e até insultuosas eram atiradas ao padre F. Barreto, e fazem crer que era elle o principal redactor das duas folhas precedentes. - Ao natalico de D. Pedro 1 : hymno- Foi posto em musica e ex- ecutado a grande orchestra pelo compositor J. Bernardo de Mendonça a 12 dv outubro de 1822. -Ao capitão general Luiz Rego Barreto: soneto. Recife, 1822 - Em resposta, pelas mesmas consoantes, publicou no mesmo anno, no Recife, Joaquim Manoel Carneiro da Cunha, outro soneto, e ainda ha um outro, também em resposta e com as mesmas consoantes, escripto nas costas do exemplar do segundo, que se acha na biblíotheca provincial do Recife. Todos vem no Musaico Pernambucano, de Pereira da Costa, pags. 123 a 125. 444 FK - A creação do homem e da mulher. Pernambuco, 1842, in-12° - Nesse mesmo anno foi reimpressa em Lisboa, seguida das reflexões do doutur José Soares de Azevedo, publicadas no Diário de Pernambuco de 4 de março. E' um poema em dous cantos ou, naphrase ep Azevedo, «um raminho de nardos aromáticos, que ainda conservam toda a fres- cura do paraiso. » - Inspirações de David: paraphrase do psalmo « Miserere mei, Deus» e de outros, em verso por tuguez. Ao Exm. o Revm. Sr. D. Thomaz de Noronha, bispo resignatario de Olinda. Pernambuco, 1845. - Oração em acção de graças na solemnidadedo juramento do projecto como constituição política do império, no dia 1 de dezembro de 1825, na matriz de Santo Antonio. Pernambuco, 1825. - Oração pelo anniversario natalício da princeza imperial, a Sra. D. Januaria, no Te-Deum na matriz de Santo António, a 11 de março de 1S36. Pernambuco, 1836. - Dissertação sobre a imposição dos nomes no baptismo. Pernambuco, 1840, in-4°. - Allocução, que na igreja matriz da Conceição de Pajehú de Flores, aos 17 de janeiro de 1841, dirigiu|ao collegio eleitoral, alli reunido para a eleição de deputados geraes e provinciaes. Pernambuco, 1841. - Allocução, que na igreja matriz de Santo Antonio do Recife, aos 15 de agosto de 1842, pronunciou no collegio eleitoral, reunido para a eleição de deputados geraes. Pernambuco, 1842. - Oração fúnebre do commendador José Ramos de Oliveira, recitada nas solemnes exequias, etc. Pernambuco, 1846 - Todas as publicações emflm, do padre F. Barreto e muitas obras que deixara inéditas, se acham reunidas nas - Obras religiosas e profanas do vigário Ferreira Barreto, etc., colleccionadas pelo commendador Antonio Joaquim de Mello em virtude da lei provincial n. 647, de 20 de março de 1866, mandadas publicar pelo Exm. Sr. commendador presidente da província, Dr. Henrique Pereira de Lucena. Recife, 1874, 2 vols. in-4°. - a saber: I. Prosa - Contém seis orações apologéticas; quatro orações fúne- bres ; onze allocuções eleitoraes ; a elucidação do direito, com que procederam os parochos, que nos impedimentos de ausência não quizerem commettero regimen de suas freguezias aos seus coadjutores, porém a outros sacerdotes que o ordinário approvar para esse fim ; dissertação sobre os nomes que se devem impor aos baptisandos ; resposta á consulta de um amigo, relativa a uma passagem da escri- ptura sagrada que vem no officio da Conceição de Maria Santíssima, e analyse de um soneto de Bocage. FR 445 II. Poesia - Contém vinte e oito sonetos ; uma ode; um elogio ; uma anacreôntica ; um hymno ; quatro decimas glozadas ; o poema « a Criação do homem e da mulher » ; oito composições sacras ; as in- spirações de David e tres poesias theatraes. Um dos sonetos, que também sahira no tomo 2o do Almanak do Maranhão, pelo Dr. Cesar Marques» e foi escripto ao receber o autor em grave enfermidade o sagrado Viatico, é o seguinte: Anciãs, frio suór, a vista errante, Convulso o coração, em sêde ardendo, Gottas de sangue, tépidas correndo Pelo divino, pallido semblante ; Espinhos na cabeça agonisante, Cravos nos pés, nas mãos... supplicio horrendo ! Terno pae, que espectaculo tremendo ! Quem pôde resistir, meu doce amante ? Tudo quer contra o mundo me revolte, Vossos olhos estão a procurar-me ; A lança, a cruz me diz que os vicios solte. As mãos erguidas buscam abraçar-me, A cabeça inclinada diz que eu volte, A boca meio aberta quer chamar-me... Este soneto foi publicado em folha avulsa em 1837 e, segundo affirma Pereira da Costa no seu Diccionario biographico de pernambucanos illustres, ainda ha escriptos do padre F. Barreto, que não foram unidos ás suas obras. Dentre taes escriptos cita este autor os seguintes : - Dissertações sobre differentes assumptos. - Memórias, discursos e sermões diversos. - Reforma do clero, dedicada ao episcopado brazileiro. - Resposta a todas as objecções levantadas contra o catholicismo - Estes escriptos ficaram inéditos. Os outros foram quasi todos pu- blicados. Francisco Ferreira da Roza - Nascido a 20 de maio de 1864 em Angra do Heroísmo, capital da Ilha Terceira dos Açores e hoje cidadão brazileiro, vindo para o Rio de Janeiro em 1878, serviu no commercio até 1883 e foi estudante e professor do Lyceo litterario portuguez até 1890. E' socio honorário do mesmo lyceo, um dos redactores do periodico O Paiz, desde 1891 e escreveu: - Methodo pratico de aprender a ler, seguido do primeiro livro de leitura. Rio de Janeiro, 1888, 63 pags. in-8°. - Segundo livro de leitura. Rio de Janeiro, 1889, 149 pags. in-8°- Teve segunda edição melhorada em 1892, com 163 pags. in-8°. 446 FR - Terceiro "livro de leitura (encyclopedia scientifica ). Rio de Janeiro, 1890, 194 pags. in-8°- Este livro contém excellentes escri- ptos de sciencias physicas e naturaes, mathematicas, sciencias sociaes, historia, de bellas lettras e artes Lberaes emfim e, como os demais, são adaptados ás intelligencias e foram approvados pelo conselho director da instrucção publica da capital federal para uso das escolas publicas. - Explicador de arithmetica pratica e elementar, escripto para uso dos alumnos das escolas primarias dos Estados Unidos do Brazil. Rio de Janeiro, 1890, 62 pags. in-8°. Francisco Ferrei ra de 'Villiena A_Ives - Natural, segundo me consta, da Vigia, antiga província do Pará, escreveu: - Melodias : collecção de poesias. Maranhão, 1868, 191 pags. in-4°. - E'dividido este livro em tres partes: Americanas, dedicadas ao doutor Domingos Antonio Raiol ; Religiosas, consagradas á memória dos pais do autor; Poesias diversas, offerecidas a Agostinho José de Almeida. Francisco <le Figueiredo, Conde de Figueiredo - Filho do commendador José Antonio de Figueiredo e de dona Joaquina Carlota Penna de Figueiredo, e nascido na cidade do Rio de Janeiro a 13 de novembro de 1843, completou o curso de humanidades aos treze annos deidade, entrou na vida commercial e aos 18 annos assumiu a gerencia de um importante estabelecimento commercial de seu pai. Em 1879 já era notoria sua esclarecida intelligencia e tino administra- tivo pelo modo, por que presidiu a Companhia nacional de paquetes a vapor, foi eleito director do Banco do Brazil e desde então não faltou companhia que uão desejasse tol-o em sua directoria, nem quasi houve emprehendimento util e humanitário a que seu nome não se ligasse. Nos encargos que, no intuito de ser util á patria, assumiu ao mesmo tempo, demonstrou uma actividade, um espirito verdadeiramente supe- rior. Seus serviços, prestados por occasião da sêcca do Ceará, deram-lhe em 1889 o titulo de visconde. Quanto ás emprezas a que se liga seu nome, basta para gloria sua a instituição do Banco Internacional do Brazil e a do Banco Nacional, seu maior feito financeiro, a maior crea- ção bancaria de toda a America, concepção em seus elevados intuitos destinada a realizar a conversão do meio circulante, desideratum a que nossos maiores estadistas consagraram seus esforços durante mais de um quarto de século, e também a concorrer largamente para o desen- volvimento de nosso progresso economico - banco esse que foi creado eom o capital de noventa mil contos de réis em ouro, equivalentes a FR 447 dez milhões de libras sterlinas ou a 250 milhões de francos. E' notável banqueiro do Brazil, economista e financeiro ; socio do Instituto his- tórico e geographico brazileiro; commendador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa, etc Escreveu: - Estatutos do Banco Internacional do Brazil, fundado em 1886. Rio de Janeiro, 1886, 20 pags. in-4°. - Estatutos do Banco Nacional do Brazil. Rio de Janeiro, 1889, 24 pags. in-4° - Bem que firmados também por outros, este e o prece- dente escripto são da penna do Conde de Figueiredo. - Allocution prononcée par le... president du conseil de 1'adminis- iration de la banque nationale du Brésil à la reunion des actionaires residents en France, le 11 février 1890. Paris, 1890, 26 pag. in-4°. com o balanço do banco, de 31 de dezembrede 1889- E' um trabalho historico, em que o autor demonstra seus conhecimentos financeiros e em que « analysa, á proposito, a evolução política e economica, ope- rada no Brazil pelos acontecimentos de 15 de novembro, sendo elle, ao terminar sua exposição, vivamente applaudido, e sendo na mesma occa- sião unanimemente acolhida por toda aassembléa aindicação, feita por um accionista, de um voto de agradecimento ao presidente do conselho da administração, pelos esclarecimentos tão interessantes, quão satisfa- ctorios que acabava de fornecer acerca da situação financeira daquelle banco», como já tive occasião de declaral-o ao Instituto historico. - Relatorio da Venerável Ordem Terceira dos Minimos de S. Fran- cisco de Paula, apresentado á nova, administração no acto da posse em 31 de maio de 1873 pelo irmão corretor. Rio de Janeiro, 1873, 28 pags. e mais 23 de notas, in-4° gr.- Ao relatorio seguem-se noticias histó- ricas sobre a fundação da Ordem. Francisco Figueiredo de Andrade - E' natural de Angra dos Reis, província do Rio de Janeiro, onde nasceu em 1832. Sendo religioso da ordem carmelitana, e obtendo breve de secularisação, è conego da capella imperial e muito conceituado pregador. Só vi im- pressa sua - Oração jaculatória pelo feliz regresso de S. M. o Imperador, que no Te-Deum em acção de graças, celebrado em o dia 7 de janeiro do corrente anno na igreja da Venerável Ordem Terceira dos Minimos de S. Fran- cisco de Paula, a expensas da actual administração, recitou, etc. Rio de Janeiro, 1866, 19 pags. in-8° - Sahiu também no Correio Mercantil* n. 11 deste anno. Entre seus sermões inéditos ha o - Sermão de N. S. do Carmo, prégado no convento da Lapa a 16 de julho de 1880. 448 FR Francisco Freire Allemão - Filho de João Freire Allemão e de dona Feliciana Angélica do Espirito Santo, nasceu na fre- guezia de Campo Grande, da actual capital federal, a 24 de julho de 1797, e falleceu no mesmo logar a 11 de novembro de 1874, cirurgião approvado pela antiga escola medico-cirurgica desta cidade ; doutor em medicina pela faculdade de Paris ; professor jubilado da do Rio de Janeiro; medico da imperial camara ; do conselho do Imperador; com- mendador da ordem da Rosa, e da de Christo; cavalleiro da ordem na- politana de Francisco 1; membro honorário da antiga academia de medicina ; socio do Instituto historico e geographico brazileiro; socio e presidente da sociedade Vellosiana ; socio da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da Academia philomatica do Rio de Janeiro, e de varias associações de sciencias e lettras no Brazil e no estrangeiro. Pobre, sem meios de dedicar-se a qualquer carreira scientifica, já moço, procurou a casa de seu vigário, que o fez sacristão e começou a ensi- nar-lhe o latim. Dahi, por protecçãode uma alma bemfazeja veiu para o seminário de S. José, mas sem vocação para o estado ecclesiastico, deixou o seminário, e propoz-se a ensinar algumas matérias, que já havia aprendido, estudando ao mesmo tempo o curso da academia me- dico-cirurgica. Ainda com a protecção de alguns amigos foi á França, donde voltou doutor em medicina, apresentou-se ao concurso da cadeira de botanica e zoologia da nova escola de medicina, e foi nella provido, exercendo o magistério até sua jubilação na forma da lei. Cultivando com todo esmero o estudo da botanica, classificou muitas plantas. Ha quem o considere superior ao Dr. Antonio Ildefonso Gomes, a frei Leandro do Sacramento, a frei José Mariano da Conceição Velloso, e a Manoel de Arruda Camara (vejam-se estes autores). Uma autoridade competente, que assim o considera, accrescenta:« Contemporâneo de Custodio Alves Serrão, excedeu-o como botânico, não diremos pela intelligencia, mas por aquelle esforço supremo na creação de generos e de especies novas e nos labores da imprensa. Freire Allemão subiu todos os degráos do throno dessa sciencia para contemplar extático o quadro maravilhoso da natureza vegetal e para penetrar nesse oceano de conhecimentos uteis e com elles illustrar o mundo, ora com a pa- lavra sonora e eloquente, reflexo de sua proficiência, ora com aquelle estylo conciso e encantador, cahido por vezes de sua invejável penna.» Depois de jubilado leccionou na escola central, a pedido do Imperador em 1858 e no seguinte anno foi nomeado presidente da commissão scientifica que foi ao norte do império, na qual serviu até 1861. Escreveu: -Dissertation sur le goitre: thèse presentée et soutenue à la faculté FR 449 de Medecine de Paris, le 10 decembre 1831, pour obtenir le grade de docteur en medecine. Paris, 1831, 46 pags. in-4°. - These de concurso ã cadeira de botanica e zoologia da escola de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1833 - Nunca a vi. - Trabalhos da commissão scientiíica de exploração. Introducção. I a III folhetos. Rio de Janeiro, typ. Univ. de Laemmert, 3 vols. in-4° com ests.-Assigna-os também o Dr. Manoel Freire Allemão. A introducção contém mais o relatorio da commissão geologica pelo dr. Guilherme Schuch deCapanema, e relatorio da commissão zoologica por Manoel Ferreira Lagos. (Vejam-se estes nomes.) - Descripção de duas plantas: Silvia dos arsenaes e mirocarpo fas- tigiato. Rio de Janeiro, 1849, com ests. - Breve noticia sobre a collecção de madeiras do Brazil, apresen- tadas na exposição internacional de 1867 pelos Drs. F. Freire Allemão, Custodio Alves Serrão, Ladislào Netto e J. Saldanha da Gama. Rio de Janeiro, 1867, 32 pags. in-4°. - Quaes são as principaes plantas que hoje se acham acclimadas no Brazil : memória lida no Instituto historico e geographico - e publi- cada na revista trimensal, do mesmo instituto, tomo 19°, 1856, pags. 539 a 578. Nesta revista ha outros escriptos seus, como o - Parecer da commissão especial, encarregada de aj uizar o mérito de duas memórias offerecidas em concurso sobre o melhor plano de escrever a historia antiga e moderna do Brazil, em 1847 - Acha-se no tomo 9o, pags. 279 a 287 (da 2a edição) e é também assignado por monsenhor M. Joaquim da Silveira e Dr. Thomaz Gomes dos Santos, - Estatutos da sociedade Vellosiana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1850, 12 pags. in-8°.- São também assignados pelos Drs. Emilio J. da Silva Maia e Guilherme Schuch de Capanema, hoje Barão de Capanema. - Observações meteorológicas feitas no Rio de Janeiro - Vem na Revista Fluminense, tomo 2o, pags. 206, 318 e 462 ; tomo 3o, pags. 64, 192, 224 e 382 ; tomo 4o, pags. 40, 232, 342 e 437. - Descripção do vaginulus reclusus - Na Revista Brazileira, tomo Io, 1857, pags. 214 a 217 e também nos Archivos da Palestra Scientifica do Rio de Janeiro, 1858, pags. 146 a 149, em ambos com estampas. Descripções de plantas e outros trabalhos botanicas de sua penna se acham nestas duas revistas, assim como no Archivo Medico Brazileiro, nos Annaes Brazilienses de Medicina, na Minerva Brazi- liense, nos trabalhos da sociedade Vellosiana, no Guanabarense e na Revista Pharmaceutica. De taes escriptos possj mencionar : - Geissospermo de Vellozo, ou páo pereira, páo forquilha, pao de 450 FR ponte, camará de bilro, etc. - no Archivo Medico Brazileiro, tomo 2°, pag. 73, com est. Nesta revista acham-se ainda: Poarchon flu- minensis ou maririçó, e Silvia dos arsenaes ou tapinhoan no tomo 3o, pags. 73 e 265; Myrocarpo fastigiato, oleo pardo ou cabureida, e Jeronima alchorneoide ou urucurana no tomo 4°, pags. 25 e 169, todos com estes. - Trypetes sessiliflora -na Minerva Braziliense, tomo 2o, pag. 737 - Acham-se na mesma revista: Vicentia acuminata ou guarajuba, no tomo 3o, pag. 36, e Andradea floribunda no tomo Io da 2a serie, pag. 91, todos com ests. - Ophtalmoblapton rnacrophyllum-no Guanabara, tomo Io, 1851, pag. 14, com ests. A descripção desta planta, cujo nome scientiflco vem de duas palavras gregas que dizem nocivas aos olhos, foi transcripta nos Annaes das sciencias naturaes de Paris. - Machrcerium heteropterum, angelim - Nos trabalhos da sociedade Vellosiana, 1850, pag. 8. Ha nesta collecção Ferreira spectabilis, sepipira amarella, 1851, pag. 26 e Apontamentos para a historia das arvores florestaes do Brazil, particularmente das do Rio de Janeiro, pags. 53 a 59. - Poligala acuminata de Lacerda ou caamembeca - na Gazeta Medica do Rio de Janeiro, 1862, pag. 81. - Hyeronima alchorneoides, urucurana (já publicado no Archivo Medico Brazileiro) - na Revista Brazileira, Rio de Janeiro, 1857, pag. 56 - Acham-se ahi ainda: Myrospermum erythroxilum, oleo ver- melho ; Soaresia nitida, oiticica, e Acanthinophyluni strepitans, bainha de espada, no dito tomo, pags. 151, 210 e 368, com ests., sendo estas descripções reproduzidas no Archivo da Palestra Scientifica, 1858. - Relatorio ácerca das quinas de Patayó - Nos Annaes Brazilienses de Medicina, 1846-1847, pag. 160. - Notas colhidas na província do Ceará: Moléstias observadas no Crato. Plantas medicinaes - na Revista Pharmaceutica, tomo 1°, 1884, pags. 155 e segs. E' uma publicação posthuma, por E. de A. Martins Costa. - Exercidos botânicos: memória 3a. Rio de Janeiro, 21 de agosto de 1851 - O autographo de 9 fls. acha-se na bibliotheca nacional. - Estudos botânicos e descripções de plantas brazileiras, 1834-1866, 17 vols. in-fol. com estampas coloridas â penna e a lapís, intercalladas no texto. São trabalhos originaes com descripções scientificas muito minuciosas, e observações histológicas interessantíssimas, sendo de es- pecies novas grande parte das plantas descriptas ; são preciosíssimos trabalhos, de cuja publicação muito lucraria a sciencia. FR 451 Francisco Furquim Werneck cie Almeida - Filho do doutor Francisco de Assis e Almeida e de dona Marianna Isabel de Lacerda e Almeida, nasceu na província do Rio de Janeiro, é bacharel em lettras pelo collegio de Pedro II, doutor em medicina pela faculdade da capital federal e deputado eleito á constituinte repu- blicana. Escreveu : - Do uso do tabaco e de sua influencia sobre o organismo; Ex- ploração e remoção dos corpos estranhos, suas vantagens e incon- venientes ; Diagnostico, marcha e tratamento do rheumatismo visceral; Dialyse de Graham : these apresentada, &. Rio de Janeiro, 1869, in-4°. - Questão medíco-legal. Defloramento ; documentos officiaes e sua analyse. Rio de Janeiro, 1878. Francisco Galbriel cia Rocha Freire - Nascido em Diamantina, actual Estado de Minas Geraes, no anno de 1818, fal- leceu no Rio de Janeiro em 1867. Doutor em medicina pela faculdade desta cidade, formado em 1840, foi nomeado lente substituto da secção desciencias accessorias em 1844 e, por oocasião da reforma de 1855, lente de botanica e zoologia, em cujo exercício morreu. Era cavalleiro da ordem de Christo e escreveu : - De spinalis medullce physiologia, atque pathologia nonnullse pro- positiones: thesis, quam ad doctoris in medicina gradum promotus, fluminensi medicinae facultate obtulit &. Flumine Januario, 1840, in-4° gr. - Considerações sobre o calorico: these apresentada, & por occasião do concurso aos logares de lentes substitutos da secção de sciencias ac- cessorias, &. Rio de Janeiro, 1844, in-4.° gr. - Memória histórica dos factos mais notáveis, occorridos na facul- dade de medicina do Rio de Janeiro durante o anno de 1866 (Rio de Janeiro, 1867), 35 pags. in-fol. Francisco Gaudencio Sabbas da Costa - Filho de João Gualberto da Costa e de dona Raymunda Lamagner Frazão da Costa, nasceu na província do Maranhão a 5 de dezembro de 1829 e falleceu em outubro de 1874. Serviu na repartição de fazenda na pro- víncia do Pará, e na de seu nascimento como primeiro conferente da alfandega, e dedicou-se muito à litteratura amena, com especialidade á dramatica. Escreveu : - Francisco II, ou a liberdade da Italia: drama historico em cinco actos. Maranhão, 1831, 97 pags. in-8°. 452 FR - Garibaldi ou o seu primeiro amor : drama em tres actos e um prologo. S. Luiz, 1862, 89 pags. in-8° - E' offerecido aos pais do autor. - Pedro V, ou o moço velho : drama em cinco actos, offerecido a Sua Magestade o Senhor D. Luiz I. Maranhão, 1862, 123 pags. in-8°. - 0 Barão de Oyapok: drama em um prologo e tres actos, original brazileiro. S. Luiz, 1863, 142 pags. in-8°. - Bechman : drama historico em sete actos. S. Luiz, 1866, 195 pags. Com o retrato do autor, lithographado em Paris. - A buena-dicha : comedia-drama em dous actos, um prologo e um epilogo. S. Luiz, 1862, 77 pags. in-8°. - 0 escriptor publico : comedia em um acto. S. Luiz, 1862,22 pags. in-8°. - Os bacharéis: comedia em tres actos. S. Luiz, 1870, in-8°. - Rozina : romance. S. Luiz, 18.., in-8°. - 0 amor fatal : romance. Maranhão, 1868, in-8°. - A casca de canelleira (steeple-chaise ) por uma boa duzia de esperanças. S. Luiz, 1866, in-8".- Usa aqui opseudonymo de Gólondron de Bivac, e são seus companheiros de collaboração: A. Henriques Leal, A. Marques Rodrigues, C. C. de Cantanhede, F. Dias Carneiro, F. Sotero dos Reis, Gentil H. d'A. Braga, J. Serra, J. de S. Andrade, Trajano G. de Carvalho e Raymundo Filgueiras, cada um com seu pseudonymo. Francisco Gê Acaiaba <le Montesuma, Vis- conde de Jequitinhonha - Filho de Manoel Gomes Brandão Montesuma e de dona Narcisa Thereza de Jesus Barreto e nascido na cidade da Bahia a 23 de março de 1794, chamou-se, até ser proclamada a inde- pendência do Brazil, Francisco Gomes Brandão Montezuma, e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de fevereiro de 1870, sendo bacharel em leis pela universidade de Coimbra, grande do império, senador por sua provincia natal, do conselho do Imperador, conselheiro de estado, di- gnitário da ordem da Rosa, commendador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa, condecorado com a medalha da guerra da Independencia, fundador e presidente honorário do Instituto da ordem dos advogados brazileiros, de que foi o primeiro presidente effectivo, socio do Instituto historico e geographico brazileiro, da sociedade Auxi- liadora da industria nacional, etc. Destinado por seus pais a ser frade franciscano, entrou para o convento da Bahia; mas, deixando o con- vento antes de professar, para seguir a carreira militar, como seus pais se oppuzessem a isso, foi á Coimbra estudar medicina e, deixando FR 453 também o curso medico, depois do terceiro anno, passou para o de leis. De volta á patria, fundou a Sociedade dos Jardineiros (sociedade polí- tica e secreta á semelhança de outra que havia fundado em Coimbra, com alguns estudantes, sob o titulo de heratica ou dos jardineiros), envolvendo-se logo no jornalismo político, de que nunca separou-se. Fez parte da camara municipal que negou a posse do commando das armas ao general Madeira, o chefe nomeado das forças lusitanas, e per- sistiu naquelle cargo até depois de travada a lucta da independencia, que às occultas auxiliava, fugindo então para o Reconcavo, onde coo- perou para a organização de um governo provisorio, do qual fez parte como secretario. Da villa, depois cidade da Cachoeira, foi por terra á villa de Ilhéos, de onde, affrontando os maiores riscos, veiu ao Rio de Janeiro numa pequena lancha em commissão do mesmo governo ao príncipe regente, de quem teve lisonjeira recepção e a offerta do titulo de Barão da Cachoeira - honra que não acceitou para não causar ciúmes a seus amigos, ainda em armas, e porque não tinha fortuna para sustental-a. Nesse interim, acclamando-se a independencia, teve a dignitaria do Cruzeiro e foi admittido na ordem maçónica dos Caval- leiros da Santa Cruz, de que era chefe D. Pedro I. Deputado à consti- tuinte, fez opposição ao ministro da guerra Costa Barros, com quem esteve a ponto de bater-se em duello e, dissolvida ella, foi com outros preso e deportado para fora do império. Viajou então por grande parte da Europa e, ainda no exilio, sua província agradecida o elegeu deputado, de modo que, voltando ao Brazil em 1831, tomou assento na assembléa a 31 de maio desse anno, propoz nessa sessão a creação do banco do Brazil e a abolição do commercio de africanos, que não devia ser feita por convenções diplomáticas. Deputado â quarta le- gislatura, pugnou pela maioridade de D. Pedro II e foi escolhido para honrosa missão á Inglaterra como enviado extraordinário e ministro plenipotenciário, finda a qual, dedicou-se á advocacia. No gabinete de 16 de maio de 1837, o ultimo da regencia Feijó, occupou a pasta dos estrangeiros e, interinamente, a da justiça. Foi um dos primeiros oradores brazileiros; sabia incommodar, aturdir, esmagar seus adversários e para isso ãs vezes bastava-lhe uma sò palavra, um só gesto, um só riso, um só olhar, de que elle sabia o segredo. Escreveu: - Diário Constitucional. Bahia, 1821-1822, in-fol.- Esta folha teve por fundador o offlcial da secretaria do governo Francisco José Côrte Real, bahiano, que depois da Independencia assignou-se Côrte Imperial, sendo também seus redactores Euzebio Vanerlo (vêde este nome) e Montesuma. Fundada para se estabelecerem os ele- 454 FR mentos da independencia, chamou-se depois O Constitucional e por ultimo : - O Independente Constitucional. Cachoeira, 1823 - Foi continuada na Cachoeira quando Montesuma regressou de sua missão ao impe- rador, e suspensa com sua retirada a tomar assento na assembléa constituinte e sua deportação subsequente; mas reappareceu em 1824 na capital sob a redacção de outro, talvez de Euzebio Vanerio. - Memória política e histórica da revolução da província da Bahia, principiada a 25 de junho de 1822 na muito heroica villa da Cachoeira, apresentada aS. M. I. o Sr. D. Pedro I. Rio de Janeiro, 1822, 24 pags. in-4°. - Itinerário da deputação do conselho interino do governo na pro- víncia a S. M. I.,o muito alto e poderoso Sr. D. Pedro I. Rio de Janeiro, 1822, 16 pags. in-4°-E' também assignado por Simão Gomes Ferreira Velloso, e ainda Montesuma usava do appellido Gomes Brandão, substituído pelo de Gê Acaiaba. - Felicitação que a S. M. o Senhor D. Pedro I, dirigiram Francisco Gomes Brandão Montesuma e Simão Gomes Ferreira Velloso, em nome do conselho do governo interino da província da Bahia. 1822 - O ori- ginal acha-se no archivo militar, e me parece que nunca foi impresso^ assim como me parece que é de sua penna a - Analyse do decreto de 1 de dezembro de 1822 sobre a creação da nova ordem do Cruzeiro com algumas notas. IIlustração ao Brazil e ao nosso imperador, o senhor D. Pedro I. Offerecida ao publico pelo Desengano. Bahia 1823, 29 pags. in-8°. - A opposição de 1831 e 1832 justificada ou os crimes da adminis- tração actual, por um brazileiro amante de sua patria. Rio de Janeiro, 3832 - E' um opusculo político contestado pelo pericdico o Indepen- dente, ns. 105, 106 e 107. - A liberdade das republicas. Rio de Janeiro, 1834 - O autor nesta obra combate os princípios federalistas. Sahiu sob o titulo « Livraria do Povo». - Comparação entre as monarchias e as republicas. Rio de Janeiro, 1834 - E' o segundo numero da Livraria do Povo. - Memórias do Instituto da ordem dos advogados brazileiros. Pri_ meira serie. Rio de Janeiro, 1843, in-8° - E' monumental o discurso que ahi se acha, de Montesuma, de pags. 5 a 44, sobre o ministério do advogado desde os tempos de Moysés. - Discurso pronunciado no Instituto da ordem dos odvogados bra- zileiros no dia 7 de setembro de 1848, anniversario de sua installação. Rio de Janeiro, 1849, in-8°. FR 455 - Discurso sobre a necessidade da organização definitiva da Ordem dos advogados brazileiros, pronunciado no Instituto da ordem em março deste anno (1850). Rio de Janeiro, 1850, 34 pags. in-4°. - Discurso pronunciado no Instituto da ordem dos advogados em 23 de fevereiro de 1851, por occasião da posse do novo presidente, o Dr. Francisco Ignacio de Carvalho Moreira. Rio de Janeiro, 1851,20 pags. in-4° - Foi este quem substituiu o autor, então nomeado con- selheiro de estado. - Reflexões sobre as finanças do Brazil, operações de credito do thesouro e o empréstimo contractado em Londres, de cinco milhões de libras sterlinas, no corrente anno. Rio de Janeiro, 1865, 85 pags. in-8°. - Protesto do senador Visconde de Jequitinhonha contra a inter- venção dos alliados no sitio e rendição da cidade de Uruguayana. Rio de Janeiro, 1865, 29 pags. in-8° - Esta publicação deu motivo a di- versas outras, confutando-a, como por exemplo: Ia, Impugnação ao protesto do Sr. Visconde de Jequitinhonha, por Quintino Bocayuva, 12 pags. in-8°; 2a, Contra-protesto feito por umbrazileiro em resposta ao senador Visconde de Jequitinhonha, quanto à rendição de Uruguayana, 55 pags. in-8°; 3a, Segundo contra-protesto ao Sr. Visconde de Jequi- tinhonha, por um ex-ministro de estado, 19 pags. in-8°. São todos pu- blicados no Rio de Janeiro em 1865. - Carta do Illm. e Exm. Sr. bispo de Orleans ao clero de sua diocese sobre a escravidão ; traduzida e offerecida ao clero brazi- leiro, etc. Rio de Janeiro, 1865, 37 pags. in-8° - Sobre a escravidão publicou Montesuma alguns artigos no Jornal do Commercio por essa mesma época. - Relatorio apresentado á assembléa geral dos accionistas do Banco do Brazil na sua reunião de 1866. Rio de Janeiro, 1866, 37 pags. in-fol. com vários documentos e mappas - Era o autor o presidente do banco. - Resposta á falia do throno: discursos proferidos nas sessões de 26 de junho e 3 de julho de 1868. Rio de Janeiro, 20 pags. in-4° de duas columnas - O Visconde de Jequitinhonha cultivou a poesia, mas não me consta que publicasse alguns versos mais do que o - Dithyrambo aos annos de minha mulher, a Sra. D. Marianna Angélica de Toledo Marcondes de Montezuma. Paris, 1828 - Acha-se na Minerva Braziliense, tomo Io, 1844, pags. 277 a 279, occupando cinco columnas. Francisco Genelicio Lopes de Araújo - Filho do doutor Domingos Genelicio Lopes de Araújo e natural da cidade do 456 FR Rio de Janeiro, onde nasceu a 29 de julho de 1851, é chefe de secção da contadoria do correio geral e serve interinamente o cargo de contador geral. Escreveu : - Indicações ao publico sobre o serviço do correio, extrahidas de diversos regulamentos, avisos, ordens e portarias. Rio de Janeiro, 1887 - E' um livro de grande utilidade attento o excessivo e com- plicado serviço dessa repartição. Francisco Gril Castello Branco - Natural do Piauhy e bacharel em lettras formado na herança, falleceu neste Estado, em Marselha, no mez de setembro de 1891. Esteve algum tempo em Campos, então província do Rio de Janeiro e, passando á côrte, serviu na secretaria da agricultura, para onde entrou com a nomeação de amanuense da inspectoria geral de terras e colonisação, e em 1868 foi nomeado cônsul geral do Brazil em Assumpção, capital do Paraguay, onde conservou-se depois do advento da Republica. Foi um dos redactores da - Lux: revista scientifico-litteraria quinzenal, publicada sob os auspícios da sociedade Brazileira de Beneficencia. Campos, 1874, in-fol.- com J. Baptista de Lacerda Filho e J. A. Teixeira de Mello, e ahi publicou elle: - A pérola no lodo : romance humoristico - em vários numeros. - Um figurino: conto offerecido á Exma. Sra. D. M...-nos ns. 10, 11 e 12. Depois escreveu: - O Dr. Julião Alexandre Baptista Cabral. Campos, 1874, 1 fl. in-fol. - Contos a esmo. Rio de Janeiro, 1876,in-8°. - Ataliba, o vaqueiro : episodio da secca do Norte - No Diário de Noticias. Rio de Janeiro, 1878, em folhetim, começando a sahir a 27 de maio. Dos escriptos de litteratura amena sobre tão lamentável calamidade é este o que delia dá-nos uma idéa mais approximada, ao mesmo tempo que descreve com as côres mais vivas a natureza, os costumes, a vida no Piauhy. Delle ha segunda edição, isto è : - Ataliba, o vaqueiro ; Hermione e Abelardo ; A mulher de ouro : contos. Rio de Janeiro, 1880. - Pobreza neto é vicio: comedia-Na Gazeta Universal, tomo Io, 1884. - Os ganços sociaes : comedia, idem. Francisco Gomes Corrêa Lemos - Sei apenas que, sendo lavrador, escreveu : - Opusculo acerca do melhoramento de nossas finanças. Rio de FR 457 Janeiro, 1868, 8 pags. in-40.- Com igual titulo e sob o pseudonymo de Valenciano, escreveu elle um artigo no Correio Mercantil, de 5 de maio de 1866. Francisco Gomes Parente- Filho de Francisco Gomes Parente e natural do Ceará, formou-se em direito na faculdade do Recife em 1867 e recebeu em 1878 o grão de doutor. Exerceu o cargo de promotor publico da comarca do Recife e dedicou-se depois á profissão de advogado na mesma cidade ; foi deputado â assembléa de Pernambuco nos tres biennios de 1870 a 1875 e á da do Ceará no de 1877 a 1878, e escreveu : - Theses e dissertação, apresentadas â faculdade de direito do Recife para o proximo concurso em julho de 1881. Recife, 1881, 21 pags. in-4° - Versa a dissertação sobre este ponto: A maxima « Nemo pro parte testatus et pro parte intestatus decedere potest » está em vigor entre nós ? - Annotações â lei n. 3029 de 9 de janeiro de 1881, contendo todas as disposições referentes á eleição directa, regulamentos e decisões do governo. Pernambuco, 1881, 78 pags. in-8° e mais 29 pags. comas instrucções de 29 de janeiro de 1881, annotadas. Francisco Gomes dos Santos e Almeida - Natural da Bahia e nascido nos últimos annos do século 18°, sendo presbytero secular, foi distincto patriota na campanha da independencia, cuja medalha lhe ornava o peito e cujas glorias commemorou na tribuna sagrada em solemne Te-Deum celebrado depois de terminada essa campanha. Ha ainda vários sermões seus, dos quaes só vi publicada a - Oração sagrada, recitada na sé cathedral da Bahia no dia 2 de julho de 1829, anniversario da entrada do exercito pacificador que acclamou a constituição e independencia. Bahia, 1829, 23 pags. in-4°. Francisco Gomes da Silva, Io - Filho de Antonio Gomes da Silva, nasceu em Lisboa a 22 de setembro de 1791 e ahi fal- leceu a 30 de setembro de 1852, tendo adoptado por patria o Brazil, por cuja independencia trabalhara, sempre ao lado, e sempre dedicadissimo ao fundador da monarchia. Preparava-se para seguir o estado eccle- siastico, quando veiu com seu pai para o Brazil na real comitiva em 1807; aqui foi admittido no paço como reposteiro de numero em 1810 ; foi nomeado juiz da balança da casa da moeda em 1816 ; secretario do gabinete imperial e superintendente das imperiaes cavallariças em 458 FR 1824; official-maior graduado da secretaria do império a 1 de dezembro de 1823, e finalmente, em 1830, enviado extraordinário e encarregado dos negocios do Brazil em Nápoles, cargo que não acceitou, seguindo, porém, para a Europa sob o pretexto de ir tratar de sua saude, porque as graças que recebera do Imperador lhe tinham creado inimigos poderosos, sendo-lhe declarado pelo Marquez de Barbacena que o ministério ameaçava o Imperador de uma subversão geral, si não expulsasse do Brazil elle e João da Rocha Pinto. Depois da retirada de D. João VI, foi Gomes da Silva a S. Paulo em com- missão particular do príncipe D. Pedro, relativa á independencia, e foi um dos primeiros que formaram a guarda de honra do mesmo príncipe como simples soldado, passando a tenente em 1823, a capitão em 1824 e a coronel commandante em 1827. Achando-se em Lisboa na época da restauração em 1833, foi nomeado pelo duque regente secretario de estado da casa de Bragança, em cujo exercício morreu, sendo do conselho do Imperador D. Pedro I, dignitário da ordem da Rosa e da do Cruzeiro; commendador da ordem de Christo, da antiga ordem da Torre e Espada de Portugal, e da ordem austríaca de S. Leopoldo. Escreveu : - A exposição do Marquez de Barbacena, commentada por um bra- zileiro nato. Londres, 1830, in-8° - Rçfere-se este escripto à decla- ração já referida. - Memórias oílerecidas á nação brazileira. Londres, 1831, 166 pags. in-4" - E' uma obra raríssima, preciosa pelas luzes que derrama sobre factos do primeiro reinado, dos quaes foi o autor testemunha e parte, como o declara, e onde justifica ao mesmo tempo seu proceder re- lativamente a arguições injustas que lhe foram feitas, segundo as classifica. Francisco GrOin.es da Silva, 2o - Filho do prece- dente, nasceu no Rio de Janeiro em 1828. Com praça de aspirante a guarda-marinha em 6 de março de 1845, fez o curso respectivo, sendo promovido a guarda-marinha em 1846, a segundo tenente em 1848 e a primeiro tenente em 1854. Com este posto ainda vejo seu nome no Almanak do ministério da marinha de 1862. Escreveu: - Relatorio da viagem do Madeira, apresentado ao... presidente da província do Amazonas pelo Io tenente da armada, commandante de vapor Pirajá, etc. Manáos, 31 de julho de 1861 - Creio que foi publicado no relatorio do mesmo presidente em 1862. Existe uma cópia na bibliotheca da marinha, de 8 folhas in-folio. FR 459 Francisco Gonçalves Graves - Natural da Bahia e nascido pelo anno de 1850, é professor livre de latinidade e es- creveu : - O cavalleiro da Cruz Vermelha: conto historico, oílerecido ao Club Cruz Vermelha e á sua digna direcção. Bahia, 1889. Francisco Gonçalves Martins, Visconde de S. Lou- renço - Filho do abastado fazendeiro, coronel Raymundo Gon- çalves Martins, nasceu na freguezia do Rio Fundo, termo de Santo Amaro, na Bahiu, a 12 de março de 1807 e nesta província falleceua 10 de setembro de 1872, sendo senador do império, do conselho do Imperador, commendador da ordem de Christo, etc. Feitos os estudos de humanidades em Portugal, no seminário de Sarnache, fez o curso de direito na universidade de Coimbra, e depois de concluil-o - como se envolvesse nos movimentos políticos em favor de D. Maria II, fazendo parte do batalhão académico e entrando na batalha de Vouga e na de Morouços - foi obrigado a emigrar para Hespanha, cujo território atravessou a pé até que embarcou para a Inglaterra e dahi foi ã França, tornando á patria em 1830. Em attenção a taes serviços foi-lhe conferido o titulo de bacharel com a dispensa do ultimo acto académico. Depois de dar-se á advocacia e ao jornalismo, entrou para a magistratura, serviu os logares de juiz de direito e chefe de policia em sua província e mais tarde de desembargador, aposen- tando-se com as honras de ministro do supremo tribunal de justiça. Foi deputado nas legislaturas de 1834 a 1850 e neste anno escolhido senador ; presidiu a Bahia de 1848 a 1852 e de 1868 a 1871, dotando-a de importantes melhoramentos ; dirigiu a pasta dos negocios do império no gabinete de 11 de maio de 1852, devendo-se-lhe a primeira estrada de ferro do Brazil e a navegação a vapor do Amazonas ; foi, flnalmente, um benemerito da patria, em cujo serviço soffreu calum- nias e privações, e arriscou a vida durante as crises por que passou a província antes da maioridade de D. Pedro II. Possuía vastos conhecimentos da litteratura classica, e escreveu muito sobre política, quer em redacção, quer em collaboração de jornaes, bem como vários discursos e trabalhos inherentes a cargos que occupou, dos quaes citarei: - Falias de abertura da assembléa provincial da Bahia (nos annos de 1849, 1850, 1851 e 1852). Bahia, 1849-1852, 4 vols. in-fol.- Ha mais de 1869 a 1871. - Relatorio do estado da fazenda provincial da Bahia, no anno de 1849. Bahia, 1850, in-fol. 460 FR - Relatorio, apresentado á assembléa geral legislativa, na primeira sessão da nona legislatura, etc. Rio de Janeiro, 1853, in-4° - Neste relatorio se mencionam os dous seguintes decretos reformando as academias de direito e de medicina: - Decreto n. 1134 de 30 de março de 1853. Rio de Janeiro, 47 pags.- dando novos estatutos aos cursos juridicos do império. - Decreto n. 1169 de 7 de maio de 1853. Rio de Janeiro, 24 pags.- dando novos estatutos ás escolas de medicina. - Breve e simples exposição dos acontecimentos do dia 7 de no- vembro de 1837 em resposta ao communicado inserto no n. 41 do periodico Constitucional Cachoeirano. Bahia, 1838, 43 pags. in-4° - Servia o autor como chefe de policia, quando rompeu essa revolução. - Supplemento á minha exposição dos acontecimentos do dia 7 de novembro em resposta ás annotações e commentarios á mesma exposição, por um anonymo, e a outras accusações. Bahia, 1838, 55 pags. in-4°. - Vantagens da escola de agricultura e necessidade da reforma agricola. Bahia, 1864 - Li um opusculo do Visconde de S. Lourenço, publicado em 1864, quando era elle presidente do Instituto bahiano de agricultura, mas não me recordo si é este o verdadeiro titulo. O assumpto é esse, e é desenvolvido de accordo com a sciencia moderna. - Ensino primário (extrahido do relatorio apresentado no Io de março de 1871 á assembléa legislativa da Bahia) - Na Revista da Instrucção Publica, anno Io, n. 20, pags. 64 a 74. Esta revista foi creada por lei de 16 de maio de 1870, do autor, pela qual foram refor- mados os estudos na Bahia. - Discurso do Sr. Barão de S. Lourenço, pronunciado na sessão de 21 de junho de 1867 (no senado). Rio de Janeiro, 1867, in-4° e duas cols.-• Neste, assim como em todos os seus discursos, é tão notável a vasta erudição do orador, como a franqueza e lealdade com que se exprime. Ahi diz elle : « Eu terei o pensamento de falsear o poder ? Desafio que se aponte um acto, uma opinião, que possa, em toda a minha vida parlamentar de 34 annos sem interrupção, mostrar siquer inco- herencia ou doutrina suspeita ao elemento regular do governo, essen- cial ás sociedades humanas... » De seus discursos, muitas vezes humoristicos e epigrammaticos, são notáveis os que pronunciou no senado em 1855 sobre a lei dos círculos, que elle combatia, predizendo as evoluções por que essa lei, annos depois repudiada, faria passar a sociedade política, e as consequências que proviriam de sua adopção. Francisco Ignacio de Carvalho Moreira, Barão do Penedo - Filho do capitão João Moreira de Carvalho e de FR 461 dona Maria Joaquina de Almeida e Silva, nasceu na província, hoje Estado de Alagoas, a 26 de dezembro de 1816. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo em 1839 e doutor pela universidade de Oxford, sendo o unico cidadão americano que tal distincção ahi obteve, como affirma o doutor Jehovah (vide José Prospero Jehovah da Silva Coroatá), numa noticia que publicou em o 2o numero da Revista do Instituto archeologico alagoano, representou a dita província na oitava legislatura, de 1849 a 1852 ; exerceu a advocacia no Rio de Janeiro e, entrando na carreira diplomática, desempenhou vários cargos perante varias cortes e potências da Europa e da America, sendo o ultimo o de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário na Gran-Bretanha, onde permaneceu muitos annos. Foi viador da Imperatriz D Thereza Christina e do conselho do Imperador D. Pedro II; é grande digni- tário da ordem da Rosa e cavalleiro da de Christo; gran-cruz da mesma ordem de Portugal; commendador da ordem portugueza da Conceição de Villa Viçosa ; gran-cruz da ordem de S. Gregorio Magno de Roma, da ordem napolitana de Francisco I e da ordem turca de Medjidié, Ia classe, e cavalleiro da ordem franceza da Legião de Honra ; conde- corado com a ordem chineza do Duplo Dragão, Ia classe do segundo grão ; socio do Instituto da ordem dos advogados brazileiros, do Insti- tuto historico e geographico brazileiro, etc. Escreveu : - Constituição política do império do Brazil, seguida do acto addi- cional, da lei de sua interpretação, e da lei do conselho de estado ; augmentada com as leis regulamentares, decretos, avisos, ordens e portarias que lhes são relativas, e que desde sua publicação até ao presente se tem expedido. Rio de Janeiro, 1842, in-8° - Ha uma edição accrescentada de annotações feitas por José Maurício Fernandes Pereira de Barros. (Veja-se este nome.) - Do supremo tribunal de justiça, sua composição, organização e competência: memória. Rio de Janeiro, 1848, in-4°. - Da revisão geral e codificação das leis civis e do processo no Brazil: memória lida na sessão publica do Instituto da ordem dos advogados brazileiros em 7 de setembro de 1845, segundo anniversario de sua abertura, offerecida ao mesmo instituto, etc. Rio de Janeiro, 1846, 24 pags. in-4°. - Necrologia do Dr. Manoel Joaquim Fernandes de Barros. Sergipe, 1840, 6 pags. in-4° - Segunda edição, Rio de Janeiro, 1841, 8 pags. in-8.° - Relatorio sobre a exposição internacional de 1862, apresentado a S. M. o Imperador. Londres, 1863, 598 pags. in-4° gr.- Este livro, illustrado com algumas estampas, é acompanhado de um atlas in-folio. FR 462 - O empréstimo brazileiro, contrahido em Londres em 1863. Paris, 1864, in-4°. - Brèsil. La colonie Blumenau. Paris, 1867, 13 pags. in-8°. - Missão especial d Roma em 1873. Londres, 1881, 172 pags. in-4°- Em resposta a este livro escreveu o bispo do Pará, depois arcebispo da Bahia, D. Antonio de Macedo Costa, em 1886, o livro : «A questão religiosa perante a Santa Sé ou a missão especial á Roma em 1873 á luz de documentos publicados e inéditos », o que levou o Barão de Penedo a publicar : - O Bispo do Pard ou a missão á Roma. Lisboa, 1887, in-8.° - A exposição internacional e a educação: trabalhos da commissão brazileira. Londres, 1885, 67 pags. in-4°. Francisco Ignacio de Carvalho liezende - Filho de João Ignacio de Carvalho e de dona Elidia Maphalda de Re- zende, e natural da província de Minas Geraes, falleceu na cidade de Vassouras, Rio de Janeiro, a 4 de maio de 1883. Formado em direito pela faculdade de S. Paulo em 18G1, foi na mesma faculdade um dos mais distinctos alumnos e, como disse o doutor Macedo Soares, se ap- plicara com tanta felicidade ás sciencias j uridicas, como á historia e á poesia. Representou sua província na Camara temporária na 16a le- gislatura e na 18a, que não chegou a ver concluída. Escreveu : - Recordações de S. Paulo : versos. Rio de Janeiro, 1875, 96 pags. in-12° -E' uma collecção de 24 poesias. A primeira delias, a Saudade, que tem por epigraphe estes dous versos de Bernardo Guimarães : A tarde está tão bella e tão serena. Que convida a scismar, assim começa: Tibio o sol já descora no occidente, E antes que da noite desça o manto Aura fagueira, recordando amores, A' princeza do sul leva meu canto. - Aos seus comprovincianos. O ex-deputado Francisco Ignacio de Carvalho Rezende. Rio de Janeiro, 1878, 57 pags. in-8° - Contém o volume um discurso proferido na camara dos deputados e alguns ar- tigos publicados no Arauto de Minas. Francisco Ignacio Ferreira-Filho de João Gon- çalves Ferreira e de dona Francisca Barbara Ferreira e irmão de Manoel Jesuino Ferreira, de quem se fará menção, nasceu na cidade da Bahia a 31 de junho de 1832 e falleceu no Rio de Janeiro a 15 de julho de FR 463 1891, formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade de Olinda, com o mesmo seu irmão, em 1854 ; chefe de secção aposentado da secretaria da agricultura; advogado na capital federal; socio do Instituto historico e geographico brazileiro, etc. Serviu depois de formado cargos de magistratura e escreveu : - Legislação das minas. Repertório jurídico do mineiro, consolidação alphabetica e chronologica de todas as disposições sobre minas, com- prehendendo a legislação antiga e moderna de Portugal e do Brazil. Rio de Janeiro, 1884, 380 pags. in-8°. - Diccionario geographico das minas do Brazil. Rio de Janeiro, 1885, 754 pags. in-8° - E' uma concatenação de noticias, informações e descripções de minas, conforme documentos officiaes, memórias, histo- rias, revistas, diccionarios, cartas geographicas, etc. - Construcção de docas e outros melhoramentos do porto da Bahia. Rio de Janeiro, 1871, 109 pags. in-4° - E' escripto com seu irmão Manoel Jesuino Ferreira. - Breves reflexões sobre a immigração, acompanhadas do projecto de um banco de credito territorial e agrícola. Rio de Janeiro, 1877, 22 pags. in-4°. - Eleição directa: artigos publicados no Jornal do Commercio em os mezes de outubro e novembro de 1878, 75 pags. in-16°. - Projecto de regulamento de minas. Rio de Janeiro, 1885, 23 pags. in-4°. - Breves considerações sobre o projecto de uma exposição geologica e mineralógica, acompanhadas de um artigo publicado sobre o mesmo assumpto. Rio de Janeiro, 1885, 19 pags. in-8°. - Projecto regulamentado de reforma municipal. Rio de Janeiro, 1886, in-8°. - Projecto de abolição do elemento servil. Rio de Janeiro, 1887, 14 pags. in-8°. - A regencia ou os desacertos do poder pessoal, por William Cobbett. Rio de Janeiro, 1889, 57 pags. in-8°. - O reinado dos Loyos ou a decadência da administração publica do império do Brazil, por William Cobbett. Rio de Janeiro, 1889, 69 pags. in-8°. - Projecto de constituição política para a Republica dos Estados Unidos do Brazil. Rio de Janeiro, 1890, 50 pags. in-4°. Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello, Barão Homem de Mello - Filho do coronel Francisco Mar- condes Homem de Mello, depois Barão e Visconde de Pindamonhangaba 464 FR e de dona Anna Francisca de Mello, fallecida antes de ser seu esposo agraciado com taes títulos, nasceu na villa, hoje cidade desse nome e ahi foi baptisado a 1 de maio de 1837. Tendo estudado humanidades no seminário episcopal de Marianna, fez o curso de direito em sua provincia natal e recebeu o gráo de bacharel em 1858. Depois de ter exercido a advocacia na cidade de nascimento e ser eleito presidente da camara municipal, firmando residência na cidade do Rio de Janeiro, foi nomeado em 1861 professor de historia antiga e da idade média no eollegio de Pedro II, de que pediu demissão por ser nomeado presidente de S. Paulo em 1864. Administrou depois a provincia do Ceará, donde passou no mesmo cargo á do Rio Grande do Sul em 1867, época em que mais renhida era a guerra com o Paraguay, e ainda em 1878 administrou a da Bahia. Representou a provincia de S. Paulo na legislatura de 1867 a 1870, não tomando assento na sessão de 1867 por pedido do governo e consentimento da camara, em razão de serem necessários seus serviços na administração em que se achava ; repre- sentou-a depois na legislatura de 1878 a 1881 e foi ministro dos negocios do império no gabinete de 28 de março de 1880. Exerceu interinamente o cargo de inspector geral da instrucção publica e depois de procla- mada a Republica foi nomeado professor do eollegio militar e membro da intendência da capital federal. Teve o titulo de conselho do Impe- rador ; é dignitário da ordem da Rosa ; socio honorário do Instituto historico e geographico brazileiro, membro da sociedade de Geogra- phia do Brazil, da sociedade Auxiliadora da industria nacional, da so- ciedade Brazileira de acclimação, da associação Propagadora dos cursos nocturnos e de outras. Escreveu : - Estudos históricos brazileiros. S. Paulo, 1858, 161 pags. in-8°- Contém o livro, depois do prologo : 1. Lanço de olhos sobre o tempo colonial ; II. Sete de setembro de 1822 ; III. Vinte e cinco de março de 1824 ; IV. Sete de abril de 1831 ; V. Decennio das regencias ; VI. Se- gundo reinado (1840-1856) ; Noticia histórica das principaes obras rela- tivas ã historia do Brazil. - Esboços biographicos. S. Paulo, 1858, 90 pags. in-8° - Kcferem- se a E. Ferre ira da Veiga, D. A. Feijó e aos irmãos Antonio Carlos e Martim Francisco R. de Andrada, sendo os destes reproduzidos na Galeria dos brazileiros illustres, publicada por S. A. Sisson. Os Esboços biographicos, depois de ampliados e refundidos, foram publicados em 1862, formando os ns. 2 e 4 da Bibliotheca brazileira com as biogra- phias de José Bonifácio de A. eS.,Marquez de Maricá, Visconde de S. Leopoldo, F. A. Machado de Vasconcellos, F. de Paula Souza e Mello, e Bernardo Pereira de Vasconcellos. 465 - A Constituinte perante a historia. Rio de Janeiro, 1863, m-8ô - As doutrinas ou idéas ahi emittidas foram contestadas pelo conselheiro J. M. de Alencar em artigos insertos no Jornal do Commercio. O livro, porém, teve nova edição feita por Q. Bocayuva na Bibliotheca brazi- leira, n. 2, pags. 317 e seguintes ; depois nos - Escriptos históricos è Utterarios. I. A Constituinte perante a his- toria (2a edição) ; II. O golpe de estado de 30 de julho de 1832 ; HL Diversos. Rio de Janeiro, 1868, 352 pags. in-4°- Acha-se neste volu* me um estudo sobre os Guayanazes, conto historico do doutor José Vieira Couto de Magalhães, de quem hei de occupar-me. O golpe de estado de 30 de julho de 1832 foi também publicado na Revista bra~ zileira, pags. 156 a 216. - O atlas do império do Brazil polo Dr. Cândido Mendes de Almeida : noticia litteraria. Rio de Janeiro, 1869, 23 pags. imS0. - O general José Joaquim de Andrade Neves, Barão do Triumpho 1 biographia. Rio de Janeiro, 1869, 50 pags. in-4° com o retrato do ge- neral - No fim deste opusculo está transcripta a poesia < O redivivo » do conselheiro José Bonifácio. - A paz (artigo publicado na Reforma de 25 de fevereiro de 1870). Rio de Janeiro, 1870, 4 pags. in-8°. - Estrada de ferro de S. Paulo á Cachoeira : requerimento e de- monstração, dirigidos ao governo imperial. Rio de Janeiro, 1873, in-8% - Discurso feito pelo... membro da commissão incumbida de erigir a estatua de José Bonifácio de Andrada e Silva no acto da inauguração da mesma estatua nesta côrte Jem o dia 7 de setembro de 1872. Rio de Janeiro, 1873, 7 pags. in-8° - Ha outra edição feita em S. Paulo, 1887. - A eaiposição publica de belias-artes em 1872 (revista artistica publicada na Reforma). Rio de Janeiro, 1875, 32 pags.in-80. - Edificio para a exposição nacional ( parecer dado sobre os edifícios apropriados áquelle fim): extrahido do Diário Official de 13 de junho de 1875. Rio de Janeiro, 1875, 8 pags. in-8°. - Subsídios para a organização da carta physica do Brazil: estudos geographicos. Rio de Janeiro, 1876, 52 pags. in-fol.-Esta obra foi no mesmo anno traduzida e publicada em inglez. - Discurso proferido no acto da inauguração da estrada de ferro dé S. Paulo e Rio de Janeiro no dia 8 de junho de 1877. Rio de Janeiro, 1877, 21 pags. in-4°. - Eleição directa. Reforma constitucional : discurso na sessão da camara dos Srs. deputados de 23 de julho de 1879. Rio de Janeiro, 1879, 29 pags. in-8°. 466 FR - Auxilio à lavoura discurso e projecto apresentado na sessão, etc. de 2 de maio de 1879. Rio de Janeiro, 1879, 16 pags. in-8°. - Auxilio d lavoura : discurso, etc. na sessão de 22 de agosto de 1879 (na discussão do projecto apresentado pelo orador). Rio de Janeiro, 1879, in-8°. - Resposta do Barão Homem de Mello, ex-presidente da provincia da Bahia e sentença proferida pelo Supremo Tribunal de Justiça no processo de responsabilidade, instaurado em virtude de deliberação do Senado sobre o prazo da ultima eleição senatorial da mesma provincia. Rio de Janeiro, 1879, 16 pags. in-8°. - Resposta á interpellação do deputado J. Saldanha Marinho: discurso do... ministro do império. Rio de Janeiro, 1879, 24 pags. in-8°. - Discurso pronunciado na sessão civica em homenagem a José Bonifácio em 8 de dezembro de 1886. S. Paulo, 1887, 25 pags. in-12°. - Exposição internacional de geographia da America do Sul no Rio de Janeiro no dia 23 de fevereiro de 1889: discurso do orador, etc. Rio de Janeiro, 1889, 5 pags. in-8°. - Discurso inaugural na installação do Collegio Militar a .6 de maio de 1889. Rio de Janeiro, 1889, in-4°. - Sesion extraordinária del Instituto Historico y Geographico brazi- leiro en honor de la officialidad del encorazado Almirante Cochrane, celebrada en el dia 31 de octubro de 1889 : discurso del Baron Homem de Mello. Rio de Janeiro, 1889, 13 pags. in-8° e mais 13 da traducção - Foi reproduzido no livro Chile e Brazil. - Catálogo da exposição internacional de geographia da America do Sul. Rio de Janeiro, 1889, in-4°-De collaboração com o Dr. Torquato Tapajôz e log tenentes J. Cordeiro da Graça e Themistocles Savio. - Excursões geographicas. 1872-1886 - No livro « Instituto His- torico, etc.: Homenagem ao seu quinquagenario a 24 de outubro de 1888. Supplemento ao tomo 51° da Revista Trimensal». Rio de Janeiro, 1888, pags. 167 a 203, com dous mappas. Ha diversos trabalhos deste autor, desde seu tirocinio académico, em periódicos e revistas de lettras e sciencias, como a Reforma, o Guaycurú, o íris. Ensaios litterarios do Atheneu Paulistano e Bibliofheca Brazileira, dos quaes uns foram reproduzidos em outras revistas do império e em publi- cações suas, posteriores. Entre os da Revista do Instituto historico mencionarei: - Memórias do Visconde de S. Leopoldo, compiladas e postas em ordem, etc. : trabalho lido nas sessões de 11 e 25 de julho e 8 de agosto de 1873 - No tomo 37°, 1875, parte 2a, pags. 5 a 70 e tomo 38°, FR 467 parte 2a, pags. 5 a 38. Estas memórias foram escriptas em presença de apontamentos do proprio punho do Visconde de S. Leopoldo. - Excursões pelas províncias do Ceará, S. Pedro do Sul e S. Paulo : memória lida no Instituto historico e geographlco brazileiro em as sessões de 2 de junho, 28 de julho e 25 de agosto de 1871 - No tomo 35°, parte 2a, pags. 80 a 169. Esta obra ô acompanhada de tres mappas: do Ceará, da fronteira do Chuy e Jaguarão, do Rio Grande do Sul. - Biographia de Hippolyto José da Costa Pereira - No mesmo tomo, pags. 203 a 245. E'acompanhada de diversas notas, assim como do interrogatório feito ao biographado no tribunal da inquisição, donde poderá elle escapar-se ( veja-se este nome ). E' uma peça curiosa; uma pagina interessante da historia das aberrações do espirito hnmano, como diz o autor. - O que se deve pensar do systema de colonisação, adoptado pelos portuguezes para povoar o Brazil ? - No tomo 34°, parte 2a, pags. 102 a 122. E' o desenvolvimento de um ponto dado, etc. - índice chronologico dos factos mais notáveis da historia da ca- pitania, depois província do Rio Grande do Sul ( 1837-1867) - No tomo 42°, parte 2a, pags. 115 a 140. - Viagem ao Paraguay em fevereiro e março de 1869 : cartas ao tenente-coronel Benedicto Marcondes Homem de Mello - No tomo 36°, parte 2a, pags. 5 a 51. Ainda estudante, escreveu Homem de Mello o - Juixo critico sobre a historia geral do Brazil de Francisco Adolpho de Varnhagem - Nos Ensaios Litterarios de S. Paulo, 1858, e depois reproduzido no Correio Mercantil do Rio de Janeiro e n'outrag folhas. - Atlas do Império do Brazil segundo os dados existentes e forneci- dos pelo conselheiro Barão Homem de Mello e tenente-coronel Francisco Antonio Pimenta Bueno, pelos mesmos revisto, etc. Rio de Janeiro, 1882 - Contém 23 cartas coloridas. Neste genero tem elle : - Carta physica do Brazil, mostrando os systemas orographico e hydrographico desta região. 1875. Lith. de Rensbourg, 1 folha colo- rida - Foi premiada com uma medalha de bronze na exposição cen- tenária de Philadelphia em 1876. - Mappa para servir de guia do Rio de Janeiro ao pico do Itatiaia. Lith. de Alex. Speltz. - Excursão ao Itatiaia em junho de 1876. Lith. de Alex. Speltz - Estes dous são os que se acham nas « Excursões geographicas». O Barão Homem de Mello, administrando a Bahia, emprehendeu a publicação de trabalhos relativos á historia da capitania, depois província e hoje Estado da Bahia e publicou em 1878 a Historia da America portugueza, de Sebastião da Rocha Pitta. (Veja-se este autor.) 468 FR Francisco I^nacio de Siqueira Nobre - Natural da Bahia e proprietário rural na mesma província, segundo me consta, viveu do fim do século 18® ao actual. Escreveu: - Descrtyção e instrucçôes da maneira com que se deve preparar o tabaco da Virgínia, como o da America ingleza. Rio de Janeiro, 1810-• A bibliotheca nacional possue deste autor: - Nono methodo para a cultura e criação da seda; a maneira, como se deve tratar o bicho ; quaes são os seus rivaes no Brazil; a fórma de os defender delles até ultimarem seu trabalho e as vantagens que delle espera o Estado e a Nação - Original de 3 fls. in-fol. - Memória do novo methodo para a cultura da seda nesta capitania da Bahia e nas mais partes deste vasto império do Brazil; offerecida ao Illm. e Exm. Sr. Conde dos Arcos etc. - Original de 7 fls. in-fol. Annexa a esta memória acha-se outra do mesmo autor sobre « as medidas que se devem tomar para animar os aprendedores da agricultura do novo ramo da seda, etc. » e à esta precede um officio original ao Conde de Linhares com data de 11 de agosto de 1811, em que diz Siqueira Nobre que o bicho da seda nutre-se da folha do espinheiro de tinta amarella, créa e dá seda como a do Piemonte, produzindo-a sete vezes no anno. Francisco I^nacio Xavier de A.ssis Moura - Natural do Taubaté, S. Paulo, onde nasceu a 14 de setembro de 1844, depois de estudar algumas aulas de humanidades, estabeleceu-se como agricultor na cidade de seu nascimento, cultivando ao mesmo tempo as lettras. E' socio do Atheneu paulistano e de outras associações de let- tras, e escreveu alguns trabalhos no Commercial de Taubaté, no Pro- gresso de Pindamonhangaba, na Estreita Paulista de Guaratinguetâ_e no Ar chie o.Litt erário de S. Paulo e redigiu : - Aurora: revista litteraria. Taubaté, 1863, 40 pags. in-4°-E' uma publicação quinzenal que cessou no sexto numero. - íris: jornal politico liberal. Taubaté, 1864 --Também cessou de- pois de oito numeros. Escreveu : - Almanaháa comarca de Taubaté para 1864. Taubaté, 1864, 60 pags. in-4° - Collaborou com elle Benedicto G. O. Bastos. - Contos da noite de S. João - Creio que estão inéditos. - Nem tudo o que luz è ouro : comedia - Inédita. Em 1870 se propunha Assis Moura a publicar as obras de fr. Antonio de Santa Ursula Rodovalho e de outros paulistas com noticias biographicas e anuotações* FR 469 Francisco Jacintlio cie Sampaio - E' natural da cidade de Aracaty, província do Ceará e nascido em 1839. Formado em sciencias sociaes e jurídicas pela faculdade do Recife em 1861, exerceu a advocacia na cidade de seu nascimento até 1864. Nomeado juiz mu- nicipal e de orphãos de S. Miguel, em Alagoas, pediu exoneração do serviço de magistratura em 1867, por se haver apresentado á concurso e ser nomeado professor de latinidade no Gymnasio pernambucano, em cujo exercicio se acha, sendo também advogado na capital do respectivo Estado. E' socio do Instituto archeologico e geographico pernambucano, em cuja revista tem publicado vários trabalhos, e escreveu : - Esboço historico da guerra do Paraguay desde 1864 a 1870. Per- nambuco, 1873, 50 pags. in-8°. - Traços biographicos do Dr. Manoel Pereira de Moraes Pinheiro, nascido em setembro de 1832 e fallecido em julho de 1881. Recife (sem data), in-80. - Allocução proferida na abertura das aulas do Gymnasio pernam- bucano no dia 3 de fevereiro de 1881. Recife, 1881, in-4°. - Allocução proferida na abertura das aulas do Gymnasio Pernam- bucano no dia 4 de fevereiro de 1884. Recife, 1884, 16 pags. in-8°. Francisco Jacintlxo da Silva Coelho - Nasceu na cidade da Bahia pelo anno de 1820 e falleceu na província de Per- nambuco em 1859 ou 1860, sendo doutor em medicina pela faculdade de sua província. Escreveu : - Considerações medico-philosophicas sobre a mulher: these apresen- tada á faculdade de medicina da Bahia para obter o gráo de doutor, etc. Bahia. 1845, in-4° gr. - A imprudência de um pai: drama original em cinco actos e dous quadros. Bahia, 1846, in-8° - O Crepúsculo, periodico do Instituto litterario da Bahia, publicou um juizo critico sobre este drama, no tomo 3o, n. 5, pag. 71, que termina chamando-o de monstruosidade prenhe de erros. Com effeito, foi imprudência do Dr. Silva Coelho publicar assim sua Imprudência. Entretanto, como pai extremoso que ama e educa seu filho, elle acariciou sempre seu drama, o refundiu e tinha-o prompto para reimprimil-o, dez annos depois. Não sei si o eífectuou. Fmnciseo Januario da Gama Cerqueira- Filho de Januario Freire de Cerqueira e de dona Maria Carlota da Gama, nascido na província de Minas Geraes, falleceu em S. José de Além-» 470 FR Parahyba em 1889. Bacharel em direito pela faculdade de S. Paulo no anno de 1854, foi deputado por sua província em tres legislaturas, occupou a pasta da justiça em 1877, e antes disto presidiu a província de Goyaz e serviu o cargo de primeiro offlcial da secretaria do império. Escreveu : - Reforma do elemento servil. Discurso proferido na camara dos deputados em sessão de 1 de agosto de 1871, etc. Rio de Janeiro, 1871, 32J pags. in-8° - E' contra o projecto de libertação do ventre escravo. APPENDICE Caetano Allberto Munhoz, pag. 1 - Foi em 1892 aposentado no logar de inspector da thesouraria de S. Paulo e escreveu mais: - Fiscalização externa nas alfandegas. Paranaguá, 1890. Caetano Maria Lopes Gama, Visconde de Maran- guape, pag. 14- Na poesia, que citei deste autor, em vez de Pura és tu sympathica, leia-se : Pura és tu, Sympathia, Qual é dos céos a harmonia, Qual ê da virgem sorrir ! Camillo Bassalaqua, pag. 21 - E' natural da Italia e brazileiro por naturalisação. Cândido Barata Rilbeiro, pag. 26 - Foi nomeado e exerceu o cargo de presidente da intendência municipal da capital federal e actualmente occupa o de prefeito. Naquelle escreveu : - Officio dirigido ao ministro do interior em 18 de junho de 1892 relativamente ao projecto da concurrencia para a confecção da planta cadastral do districto federal. Capital federal, 1892, 53 pags. in-4°. - Exposição dos motivos que determinaram a suspensão do acto do conselho municipal sobre concurso para escolas municipaes. Rio de Janeiro, 1892. 472 APPENDICE Cândido Mendes de A.1 me ida, pag. 35 - Deu à pu- blicidade : - I^rincipios de direito mercantil e leis de marinha pelo Visconde de Cayrú. 6a edição. Rio de Janeiro, 1874, dous vols.- E' precedida esta edição de uma longa introducção da penna do distincto publicista ma- ranhense, (Veja-se José da Silva Lisboa.) Cândido Pereira Monteiro, pag. 40 - Nasceu a 24 de setembro de 1837. Carlos Ambrozio do Rego Barroca, pag. 43 - Nasceu em Pernambuco a 1 de dezembro de 1859. Carlos Antonio de Paula Costa, pag. 47 - E' socio installador e presidente da sociedade de hygiene, que bem impor- tantes serviços presta ao paiz. Publicou com effeito o - Movimento sçientifico medico, brazileiro: Annuario medico brazi- leiro. Quarto anno. 1890. Rio de Janeiro, 1891, VIII - 170 pags. in-8° - e também o Quinto anno. 1891. Rio de Janeiro, 1892, VII- 119 pags. in-8.° E' um trabalho de muita paciência, com minuciosas noticias acerca das publicações relativas ãs sciencias naturaes, medicas e cirúrgicas e do desenvolvimento que estas sciencias teem tido no Brazil desde 1886. E' a historia delias, tão descurada até esta época. Escreveu mais: - Os hospitaes marítimos para crianças escrophulosas e rachiticas: memória, etc. Rio de Janeiro, 1889, 31 pags. in-4° - Esta memória foi apresentada ao primeiro congresso brazileiro de medicina e ci- rurgia em 1889, assim como a memória sobre a syphilis infantil no Brazil e suas relações com a escrophulose e o rachitismo, publicada em 1890, com 24 pags. in-8°, a qual foi apresentada ao segundo congresso. - Catalogo da exposição medica brazileira, realizada pela faculdade de medicina do Rio de Janeiro a 2 de dezembro de 1883. Rio de Janeiro, 1884, 1X-638 pags. in-4° gr. - Catalogo systematico da bibliotheca da faculdade de medicina do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1892, XII -556 pags. in-4° gr. Carlos A.rthiur Moncorvo de Figueiredo, pag. 49 - A's suas obras accrescem: - Sur Verytheme noeux palustre. Rio de Janeiro, 1892. - 0 microbio cia coqueluche. Rio de Janeiro, 1892. APPEND1CE 473 Carlos Augusto Peixoto de Alencar, pag. 53 - De seus trabalhos escriptos no exercicio do cargo de director geral da instrucção publica, possuo o - Relatorio do estado da instrucção publica e particular da pro- víncia do Ceará em 31 de dezembro de 1858. Ceará, 1858, in-fol. com 7 quadros demonstrativos. - Oração fúnebre que em 17 de março de 1854 na cidade da Forta- leza, recitou por occasião das exequias que se celebraram pela muito alta e muito poderosa senhora D. Maria II, de saudosa memória. Ceará, 1854, 37 pags. in-8°- Sua oração fúnebre nas exequias de D. Pedro V foi recitada e impressa em 1862. Carlos Augusto Taunay, pag. 55 - Os dons Pedros: ode didié a son altesse royal, le prince regent du Brésil, de 7 pags. in-8°, tem a traducção portugueza em prosa ao lado. Carlos Cliidloe, pag. 59 - Além dos escriptos mencionados ha sua these inaugural: - Experientia in homine sano... 1848. Carlos Frederico dos Santos Xavier de Azevedo, pag. 69 - Escreveu mais com o Dr. Soeiro Guarany (relator) e Dr. Costa Ferraz: - Parecer sobre o projecto de saneamento das habitações para ope- rários, proletários e empregados subalternos que na cidade do Rio de Janeiro pretende edificar o Sr. Arthur Sauer, apresentado e lido em sessões da academia imperial de medicina do Rio de Janeiro de 13 e 20 de setembro de 1887, pela commissão, etc. Rio de Janeiro, 1887, in-8°. Carlos Hypolito d.e Santa Helena Magno, pag. 74 - Escreveu mais: - A igreja e a escola: poesias de Santa Helena Magno, Julio Cesar Ribeiro de Souza e Julio Mario. Pará, 1879 - São cantos religiosos: « 0 de Santa Helena Magno é suave, elevado e correcto ; Julio Cesar faz não sem graça a narrativa histórica ; Julio Mario ataca sem piedade a impiedade, e vê, como os outros, a harmonia e o bem no seio da igreja de Roma, e especialmente na do Pará.» D. Caídos Luiz de Amour, pag. 83 - Vi mais as seguintes pastoraes suas : - Pastoral annunciando o encerramento do grande jubileu do presente anno santo no dia 31 do corrente mez de dezembro e implo-- 474 APPENDICE rando um obulo em favor do asylo de mendicidade. Bahia, 1875, 5 pags. in-8°. - Pastoral annunciando aos fieis a preconisação do Exm. e Revm. primaz da igreja brazileira; convidando-os para a sua recepção e agradecendo o auxilio que lhe prestaram durante o seu governo. Bahia, 1877, 9 pags. in-8®. - Carta pastoral saudando e dirigindo algumas exhortações aos seus diocesanos. Bahia, 1878, 34 pags. in-8° - E' a primeira, assumindo o autor ao bispado de Cuyabá. - Carta pastoral publicando o jubileu do santo padre Leão XIII por occasião de sua exaltação ao throno pontifício. Cuyabá (1879), 20 pags. in-8°. - Pastoral publicando o jubileu concedido pelo SS. padre Leão XIII pelas letras pontifícias de 12 de março de 1881. Cuyabá, 1881, 24 pags. in-8°. - Carta pastoral premunindo os seus diocesanos contra a propa- ganda, que se tem feito nesta cidade, de biblias falsificadas e outros opusculos contra a religião. Cuyabá, 1881, 19 pags. in-8°. - Carta pastoral despedindo-se de seus diocesanos por occasião de ir á côrte do império tratar de negocios da mesma diocese. Cuyabá, 1882, 4 pags. in-8°. - Carta pastoral instruindo os seus diocesanos na pura doutrina da igreja catholica sobre o celibato clerical e religioso, e sobre o poder que tem a mesma igreja de estabelecer impedimentos de matrimonio, dispensal-os e revogal-os. Cuyabá, 31 pags. in-8° - Além destas ha diversas publicadas no Liberal, na Província de Matto Grosso, na Situação e na Gazeta Offtcial, e numa folha avulsa, in-4°, a - Pastoral (lamentando as dissenções politicas em sua diocese) - datada de 5 de abril de 1892. Carlos Rodrigues de Vasconcellos, pag. 88 - Escreveu mais: - Estudo clinico dos aneurismas da aorta thoracica. Rio de Janeiro, 1891, 74 pags. in-4°, sendo as 13 ultimas de proposições. Carlos Vidal de Oliveira Freitas, pag. 92 - Nasceu na cidade de Paraty e não na de Pirahy. Celso da Cunha Ma^alliães, pag. 101 - Posso dar algumas noticias ainda deste escriptor, graças ao meu estimável amigo e distincto litterato João Zeferino Rangel de S. Paio, que a elle ligado, APPENDICE 475 quando no Recife, por estreitos laços de fraternidade litteraria, com elle entreteve, até seus últimos dias, activa correspondência que foi-me gentilmente confiada, em parte. Celso de Magalhães, espirito sequioso de saber, descançava de um trabalho começando outro; comprehen- dendo que para o genero litterario de sua predilecção eram precisos sérios conhecimentos scientificos, dedicou-se ao estudo da anatomia e da physiologia e depois applicou-se á historia natural, munindo-se do importante livro de Ernest Hoeckel, que por Ch. Letourneau foi ver- tido para o francez e publicado em Paris em 1874. Nomeado promotor publico do Maranhão, severo e honestíssimo como sempre foi, espirito aberto a todos os grandes sentimentos e por isso abolicionista, como se demonstrou no seu poema Calhambolas de que já dei noticia, por esses nobres sentimentos.'perdeu-se: tivera conhecimento de crime atroz que se dizia praticado em um escravinho por uma senhora da mais elevada estirpe e então, pondo de parte todas as considerações, esforçou-se para levar ao banco dos réos a indigitada autora de covarde assassinato, e o resultado foi o previsto - a accusada foi absolvida, o promotor accusado torpemente, pouco depois demittido do cargo e, não podendo dominar a decepção cruel, foi seu nome, em menos de um anno depois, riscado do rol dos vivos. Durante seu tirocínio académico collaborou para muitos periódicos como o Jornal do Recife em que escreveu: - Critica theatral - assumpto de que então no Recife se occupavam os estudiosos, e a que elle, Antonio de Souza Pinto de quem occupei-me no Io volume deste livro e Rangel de S. Paio procuraram dar o maior desenvolvimento. Onde, porém, seu talento ostentou-se com maior pujança foi no Trabalho, importante revista do dito Souza Pinto e Adolpho Generino dos Santos, também mencionado no Appendice daquelle meu livro, na qual iniciou seu - Estudo da poesia popular brazileira - Teve começo a 31 de maio de 1873 este trabalho, mais tarde proficientemente completado por outro talento de selecção, o Dr. Sylvio Romero e que sel-o-hia por Celso, si a morte lhe não quebrasse a penna. Elle se preparava para isso, como vi numa carta sua, onde assim se exprime : «Tens visto umas cartas do Alencar sobre o nosso cancioneiro ? EUes começam a mover-se nesse terreno e eu hei de nelle apparecer mais completamente armado.» E oDr. Theophilo Braga, na introducção dos Cantos populares do Dr. Romero, faz justiça ao mallogrado litterato que ainda escreveu: - Folhetins humorísticos - no Paiz, periodico do Maranhão, redigido por Themistocles Aranha, 1876. Nesses folhetins, que eram semanaes, e sob o pseudonymo Balcofri, o autor se occupava dos problemas de momento e dos costumes, indicando melhoramentos. 476 APPENDICE - Prologo do drama «O Evangelho e o Syllabus» de Rangel de S. Paio -publicado no M irauhão, na época em que a questão religiosa chegara á seu periodo mais incandescente. Este prologo despertou a ira fanatica de illustre sacerdote, mal dotado de cordura evangélica, resultando disso uma polemica, em que sua reverencia, para suster-se aos golpes que lhe eram vibrados com o látego da critica philosophica, da historia e das sciencias naturaes, só encontrou as velhas accusações contra a impiedade, o atheismo e o jacobinismo, pois uma das diatribes foi sobre o republicanismo, como que procurando ferir o funccionario publico. Deixou inédito : - 0 Padre Estanislau : romance naturalista - e também um drama, escripto no ultimo anno académico do autor, e cujo titulo ignoro. Quando falleceu, o Dr. Celso fazia acquisição dos elementos necessários, physicos e scientiticos-, para escrever acerca de uma cidade lacustre de que existem vestígios no lago de Vianna, sua patria. Cezario TCugrenio Gomes de Araujo, pag. 105 - Falleceu na capital federal a 23 de maio de 1892. Cícero Odon Peregrino da Silva, pag. 110 - São seus pais Manuel Peregrino da Silva e dona Josepha Maria da Con- ceição, e escreveu mais: - Novo methodo de aprender a lingua franceza em seis mezes, segundo o metliodo do Dr. H. G. OllendoríT. Pernambuco, 1862. Clemente Ferreiro, pag. 122-0 titulo de seu penúl- timo escripto está errado ; em vez de «Clinica de temperamentos nas molestiis infintis» leia-se - Estudo critico da temperatura nas moléstias infantis, prognostico e diagnostico, etc. 8 pags. in-4°- Escreveu ainda: - Sur Vemploi clinique du strophantus par le Dr. Moncorvo et Dr. Clemente Ferreira. Paris, 1889, in-8°. - Du traitement de la syphilis infantile par les injections sous- cutaués de seis mercuriels. Paris, 1891, 51 pags. in-8°- E' escripto de collaboração com o Dr. Carlos Arthur Moncorvo de Figueiredo. - Sur la curabilité de la scirrhose hepatique. Paris, 1892, in-8n- E' extraindo do Bulletin General de Therapeutique. Collatino Marques de Souza, pag. 129 - Depois de feita a Republica obteve a graduação de capitão-tenente, e aos seus escriptos accrescem os opusculos: - A nova cidade do Rio de Janeiro, etc. Rio de Janeiro, 1889, APPENDICE 477 - A estrada de ferro inter-oceanica Brazil central do Rio de Janeiro ao Pacifico, passando por Goyaz e Cuyaba. Rio de Janeiro, 1889. - 0 trabalho dos chins no Norte do Brazil. Rio de Janeiro, 1890 - Segunda edição accrescentada em 1892. - Estatutos do congresso internacional de dermatologia e instrucções para a desinfecção dos navios da marinha de guerra allemã, traduzidos dos Archivos do medicina naval da marinha de guerra franceza. Rio de Janeiro, 1892. Conrado Jacob de Niemeyeis 2°, pag. 133- Foi nomeado conselheiro de guerra a 9 de abril de 1892. D. Corina de Vivaldi Coavacy, pag. 139 -Fal- leceu em Nova Orleans a 23 de abril de 1892. Cosme de Sá Pereira, pag. 142 - Ha ainda vários tra- balhos seus, como: - Cholera-morbus. Medidas preventivas. Reminiscências do cholera- morbus em Pernambuco em 1855-1856. Recife, 1886. - Utilidade do cajueiro. Recife, 1887. - 0 beriberi em sua quarta forma. Recife, 1887 - E' um opusculo em que o autor estuda a moléstia exclusivamente caracterisada por vomitos incoerciveis acompanhados de embaraços geraes para o lado do apparelho respiratório, com dores de caracter nevrálgico no epigastrio e na região precordial. Custodio de Oliveira Lima^ Io,pag. 147 - Sua Guia do jardineiro em 1887 teve nova edição, augmentada e revista por Jayme Braulio Muniz Cordeiro. Damião da Hora, pag. 159 - Foi natural de Sergipe e não da Bahia, e falleceu em Paris. Diogo de Mendonça finto, pag. 181 - Falleceu na cidade de S. Paulo a 1 de maio de 1892. Domingos de Almeida Martins Costa, pag. 187 - Accresce ás suas obras: - Tratado das moléstias do coração e dos grossos vasos arteriaes. Volume Io. Rio de Janeiro, 1889, in-4° com gravuras intercalladás no texto e estampas chromo-lithographicas. 478 APPENDICE Domingos Borges de Barros, Visconde da Pedra Branca, pag. 196 - Tenho convicção de que são de sua penna as - Reflexões sobre a commissão militar, creada na Bahia por decreto de 16 de novembro de 1824, dedicadas aos seus amigos M. R. B. e J. M. P. por B** B**. Bahia, 1825, 20 pags. in-8°-Referem-se a abusos e irregularidades da commissão. Domingos José Freire. 2°, pag. 212 - 0 escripto « La mission au Brésil du Dr. Stemberg > foi publicado em 1889, in-8°. E ainda ha desse distincto professor : - Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Memória histórica do anno de 1889, apresentada, etc. Rio de Janeiro, 1890, in-4°. - Note sur une alcaloide extrait du fruit-de-loup. Paris, 1888, in-8°. - Tratamento da tuberculose pelo methodo Koch : relatorio apre- sentado ao cidadão ministro do interior. Rio de Janeiro, 1892, 50 pags. in-4°. - Sur rorigine bacterienne de la fièvre bilieuse des pays chauds. Rio de Janeiro, 1893. Domingos José Gonçalves de Mag-a,llxãe«, Visconde de Araguaya, pag. 217 - Entre seus escriptos publicados ha ainda: - Discurso sobre o objecto e importância da philosophia, reci;p«o perante S. M. o Imperador, etc. Rio de Janeiro, 1842, 19 pags. in-4°. - Saudação a Sua Magestade Imperial o Sr. D. Pedro II etc. no fausto dia de sua sagração. ( Sem frontespicio, mas do Rio de Janeiro, 1841) 3 pags. in-4°. Doming^os do Nascimento, pag. 226 - Seu nome é Domingos Virgílio do Nascimento. Fez o curso da escola militar do Rio de Janeiro, onde redigiu a - Cruzada: orgam da escola militar. Rio de Janeiro-Depois, transferido para o Rio Grande do Sul, escreveu nos jornaes da capital artigos de propaganda abolicionista e republicana, e redigiu : - A Lucta. Porto Alegre, 188 * - A Denuncia. Porto Alegre, 188 * - 15 de Novembro. Porto Alegre, 1890 - Collaborou na Fe- deração, desta mesma capital ; redige actualmente a - Folha Nova. Curytiba, 1892 e 1893 - e tem a publicar : - Forças vivas, poesias. APPENDICE 479 Eduardo Augusto Pereira de Abreu, pag. 243 - l alleceu no Rio de Janeiro a 21 de outubro de 1892. Ernesto Frederico da Cunha, pag. 288 - E' também bacharel em lettras pelo antigo collegio de Pedro II, foi um dos fundadores do instituto dos bacharéis em lettras e serviu na cam- panha do Paraguay como 2o cirurgião em commissão. Felislbello Firmo de Oliveira Freire, pag. 326- Nasceu a 30 de janeiro de 1858, collaborou, quando estudava na Bahia, no Horisonte, jornal republicano fundado pelo conego Rodrigo de Oli- veira Menezes e pelo Dr. Francisco Gil, e redigiu: - O Laranjeirense. Laranjeiras, 1885-1889 - Sahiu o 1° numero a 1 de janeiro de 1885 e depois da abolição passou a chamars- Republicano. Francisco Antunes de Siqueira» pag. 400 - 0 Marimbondo é um periodico politico e foi publicado em 1862 e 1863. Sei que este autor tem em composição: - Esboço historico e caracteristico dos costumes do povo espirito- santense desde os tempos coloniaes atê nossos dias.