ESTUDOS SOBRE OS FLAGELLADOS PARASITOS TBABALHQ DO Instituto: Oswaldo Cruz àW, p£lo Of, Olympio Oliveira Hgija Fonseca r,AimHADO Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro "PRÉMIO OUNNINQ" RIO DE JANEIRO TYPOGRAPHIA LRUZINGER Í9M6 1915 ESTUDOS SOBRE OS FLAGELLADOS PARASITOS ESTUDOS SOBRE OS FLAGELLADOS PARASITOS DOS MAMMIFEROS DO BRAZIL TRABALHO DO Instituto Oswaldo Cruz PELO Dl Olympio Oliveira Ribeiro da Fonseca LTATJREyVlDO PELA Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro COM O "PRÉMIO GUNNING" RIO DE JANEIRO TYPOGRAPHIA LEUZINGER 295-16 1915 PROLOGO Cumprindo a formalidade legal da defesa de these, nos é grato fazel-o apresentando um trabalho sobre Historia Natural brazileira, desse modo concorrendo, embora muitissimo pouco, para tornar conhecido aquillo que de ignorado existe em tão grande escala em nossa terra. Desde os primeiros annos de frequência á Faculdade, influenciado pelo Professor Nascimento Bittencourt, nos decidimos ao estudo das sciencias naturaes. Encontrando também no laboratorio de Historia Natural da Faculdade o Professor Pacheco Leão, actual director do Jardim Botânico, e o Dr. Hildegardo de Noronha, preparador da cadeira, fomos a principio guiado por elles que nos diri- giram mais tarde para o Instituto Oswaldo Cruz. Ahi, gentilmente recebido pelo Dr. Oswaldo Cruz, que nos forneceu todos os elementos para a execução deste trabalho e a quem deixamos regis- trado nosso sincero agradecimento, pudemos fazer o curso de Microbiologia e Zoologia medica, o qual se tornára indispensável á continuação de nossos estudos. Foi nesse curso que ouvimos as lições bellis- simas do Dr. Carlos Chagas, cuja influencia sobre nossos estudos poderá ser reconhecida por aquelles que tiveram a ventura de assistil-as. 6 Ao Dr. Aristides Marques da Cunha, que, com o maior interesse e solicitude, acompanhou nossas pesquizas e nos orientou, dia a dia, na feitura deste trabalho, assignalamos nossa gratidão. Aos illustres zoologos Drs. Arthur Neiva e Alipio de Miranda Ribeiro, manifestamos nossos agradecimentos ; ao primeiro pelo muito que com elle aprendemos e pela amizade com que nos distin- guiu, ao segundo pela gentileza com que se prestou a determinar vários dos mammiferos por nós exami- nados. Ao Dr. Bruno Lobo, director do Museu Na- cional, por nos ter facilitado a utilisação do material desse estabelecimento, muito agradecemos. Aos Drs. Lauro Travassos, Oscar D'Utra e Silva, assistentes do Instituto, e ao Dr. Waldemar de Almeida, assistente do Hospital Nacional de Alienados, muitos agradecimentos pelo material que nos forneceram. PARTE GERAL INTRODUCÇÃO Representa este trabalho o resultado de pes- quizas emprehendidas durante anno e meiò sobre material obtido de observações sobre mammiferos pertencentes a 36 especies e a 2 fôrmas albinas. Dos flagellados parasitos de mammiferos só nos occuparam os da ordem Protomonadina, porquanto os restantes, ou não foram por nós observados, ou pertencem a grupos que, por sua importância em Pathologia, têm sido muito pesquizados. Descrevemos 21 especies de flagellados, das quaes 6 considerámos novas ; essas especies estão distribuídas por 10 generos dentre os quaes 2 foram por nós creados. Além disso julgámos necessário estabelecer uma nova familia e um novo sub-genero. Os mammiferos importados para o Brazil, embora tenham sido objecto de diversos trabalhos europeus, mostram no novo habitat parasitos que ainda não haviam sido descriptos, demonstrando isso que, mesmo na Europa, os flagellados parasitos são mal estudados. Quanto a mammiferos originariamente brazi- leiros, só nos constam neste assumpto as pesquizas recentes e ainda inéditas de Chagas sobre Cerodon rupestris, o mocó. Também brazileiro de origem é Cama porcellus, o cobayo, hoje cosmopolita e jul- gado extrangeiro por muitos que o chamam por- 10 quinho da índia, pensando provir elle das índias Orientaes e não de terras do Novo Mundo, índias Occidentaes dos navegadores dos séculos XVI e XVII; este animal, embora seja dos mais estudados mammiferos, é hospedador frequente de dous flagel- lados, cujo parasitismo nelle não era conhecido. Na determinação especifica dos flagellados procurámos seguir, com a maxima exactidão compa- tível com a noção biologica de especie, a prudente conducta de Alexeieff que julga os caracteres morphologicos sufficientes e, só elles, utilisaveis para a distincção dos protozoários que de facto são diffe- rentes. Nem sempre, entretanto, tem applicação rasoavel a doutrina do eminente scientista russo, a qual pode levar a conclusões totalmente erróneas pela nenhuma importância que confere aos cara- cteres biologicos, taes como pathogenidade, trans- missibilidade, etc. Além disso, na apreciação dos caracteres mor- phologicos, devemos tomar em consideração não só o indivíduo em condição vegetativa, como em suas phases de reproducção sexuada ou asexuada, em seu meio natural de desenvolvimento ou no meio arti- ficial, constituído pela cultura in nitro ou pela inoculação do protozoário. A difficuldade de toda a systematica, botanica ou zoologica, reside na apreciação e na avaliação dos caracteres, de modo a distinguir, após exame e comparação de numerosos exemplares, os caracteres communs a todas as fôrmas de uma dada especie, caracteres especificas, daquelles que variam de um a outro indivíduo, nunca existindo em todos elles, caracteres ou variações individuaes. 11 Os caracteres específicos, constantes dentro de cada especie, embora ás vezes menos apparentes que os individuaes, são os únicos utilisaveis para a deter- minação systematica do indivíduo. Na nomenclatura dos parasitos e dos hospe- dadores seguimos a lei de prioridade absoluta, procurando sempre adoptar para cada grupo o nome que, como mais antigo, lhe competir. E' necessário apenas que esse nome não esteja preoccupado, isto é, não tenha sido anteriormente applicado a outro animal; além disso deverá elle obedecer ás regras convencionaes de nomenclatura zoologica e, parti- cularmente, á lei da nomenclatura binaria estabele- cida por Linneu, no Systema Naturce. HISTORICO Na edição de 1758 do Systema Naturce de Linneu, ponto de partida da moderna nomenclatura botanica e zoologica, apenas é citado um genero de protozoários: Volvox, com duas especies, ambas seres de vida livre. A essa obra fundamental da systematica dos seres vivos, se seguem os trabalhos de Palias ( Elenchus zoophytorum, 1766), Gleichen (Inpu- sionsthierchen, 1778) e Eichorn ( Kleinste Wasser- thiere, 1781) e ainda outros trabalhos são publicados sem que se façam referencias a protozoários para- sites. 12 Parece ter sido no anno de 1782 que, pela pri- meira vez, foram feitas referencias um tanto precisas a infusorios parasitos. Com effeito, cita Dujardin (H. N. des zoophytes infusoires, 1841) os trabalhos de Goeze e de Bloch que, sob esse ponto de vista, estudaram as rãs. Um longo periodo se passa após esse trabalho inicial. Novas contribuições são trazidas ao conhe- cimento dos infusorios de vida livre, com os quaes são confundidos muitos seres diversos : rotiferos, algas, etc. Por fim, em 1837, Donné ( Récherches micros- copiques sur la nature du mucus) estabelece o pri- meiro genero creado para flagellados parasitos, nelle collocando um parasito da vagina da mulher, o Trichomonas vaginalis. O genero creado por Donné ainda hoje persiste, comprehendendo numerosas especies que em tempo haviam sido distribuidas em generos diversos de acceitação ephemera. Ehrenberg, em seu monumental trabalho (Die Infusionsthierchen ais vollkommene Organismen, 1838), que forma com o de Dujardin uma epocha nos estudos protozoologicos, cita, entre os flagellados intestinaes, duas especies, Bodo zntestinalis e B. ranarum, provavelmente Trichomonas, parasitos de sapos e rãs. No mesmo anno Dujardin creou, para seres de vida livre, o genero H examila. Pouco depois, em 1843, Gruby e Delafond descrevem ciliados do boi e do cavallo e citam, sem descrevel-as, diversas especies de flagellados do cão, do cavallo e do porco, ás quaes não dão nome. 13 Perty (Zur Kenntniss kleinster Lebensformen, 1852) estabelece a especie Trichomonas batrachorum e varias outras no genero C ercomonas creado por Dujardin. Nessa occasião cabia papel muito saliente a Davaine pela descoberta de flagellados nos excreta typhicos e nos excreta cholericos da epide- mia de cholera de 1853-1854, em Paris. Para esses flagellados creou Davaine a especie Cercomonas hominis, hoje incluída no genero Tri- chomonas. O papel etiologico desses flagellados na cholera e na febre typhoide foi discutido por Davaine, que já acreditava na possibilidade de existir mais de uma especie de flagellados intestinaes do homem e suppunha uma delias mais frequente nos excreta typhicos que nos cholericos. A mesma opinião, pouco modificada, foi expressa e precisada por Lambi com a creação de uma nova especie, Cercomonas intesti- nalis, hoje Giardia intestinalis. Na mesma epocha Eckekrantz encontra flagel- lados em fezes dysentericas do homem. Em 1862, Eberth descreve um flagellado do intestino das aves, cuja posição systematica não esclarece. Em 1874, Fromentel (Etudes sur les micro- zoaires) descreve algumas especies de Trichomonas e C ercomonas. Marchand, em 1878, apresenta um caso humano de flagellose intestinal, que attribue á especie de Lambi, Cercomonas intestinalis, dando figuras que fazem crer tratar-se antes de representantes do genero Chilomastix. 14 Uma nova epocha é assignalada em proto- zoologia pela publicação do importantíssimo trabalho de Stein (Der Organismus der Infzisionsthiere, 1878), em que este autor descreve tres especies de flagellados parasitos, Cercomonas (hoje Herpeto- monas) muscce-domesticce, Lophomonas blattarum, e T richomonas batr acho rum. Leuckart (Die Parasiten des Menschen, 1879) admitte dualidade especifica dos flagellados do intestino humano, os quaes deveriam ser separados, um no genero Cercomonas Dujardin, outro no genero Trichomonas Donné. Cunningham, em 1881, publica, sobre os flagel- lados do homem e dos outros animaes, extenso trabalho em que, a par de observações exactas, ha muita confusão nas partes biologica e systematica do assumpto. Grassi, no mesmo anno, publica contribuições valiosas ( Ad alcuni protisti endo par as sitiei) sobre os protozoários parasitos, salientando, como impor- tante critério para a systematica, o numero e a posição dos flagellos, o que tornou mais precisa a distineção dos generos. De 1880 a 1882, Kent (A manual of Infusoria) redescreve o Trichomonas vaginalis e estuda no genero Bodo os parasitos do homem que Davaine e Lambi collocaram no genero Cercomonas. Dessa epocha até 1886, Kunstler estuda os Trichomonas do homem e estabelece o genero Giardia em 1882. (Comptes rendus de V Académie des Sciences, vol. 95), o qual mais tarde (1907), em collaboração com Gineste, novamente estuda; fala 15 então, em sua possível identidade com o genero Lamblia. Em 1884, Stokes (American naturalist, vol. 18) descreve, em batrachios, Exechly ga acuminata, nov. g., nov. sp., que evidentemente é o mesmo Tricho- monas batrachorum Perty. Este, como os Trichomonas do homem, são estudados no mesmo anno por Blochmann. De 1883 a 1887, Biitschli faz uma revisão da protozoologia (Bronn, A lassen und Ordnung des Thierreiches, Protozoa), condensando todos os dados até aquella epocha obtidos. Em 1885, Scanzoni e Koelliker estudam o Trichomonas vaginalis. Perroncito descreve o processo de enkysta- mento de Giardia intestinalis, para a qual Blanchard propõe no anno seguinte o genero Eamblia. Em 1888, Perroncito estuda os flagellados do cobayo, admittindo-os como tres especies de Cerco- monas, hoje incluídas em generos diversos. No mesmo anno, Grassi estuda os flagellados de diversos animaes e o poder pathogenico dos flagellados do homem. O mesmo assumpto é pesquizado, em 1893, por Ernst Roos, Moritz e Hõlzl, em 1894, por Ucke e por Marchand, que observa Trichomonas vaginalis na urina de um homem. Em 1895, Schmidt estuda os flagellados do pulmão, creando a especie Trichomonas pidmonalis, que o proprio autor julga semelhante ou talvez idên- tico a T. vaginalis. Artault, voltando ao assumpto em 1898, descreve no pulmão do homem muitos outros protozoários. 16 Em 1900, Galli-Valerio redescreve o Tricho- monas cavice. A partir dessa epocha, com a divulgação da technica das colorações protozoologicas, o conheci- mento da morphologia dos protozoários progride cada vez mais. Laveran e Mesnil, em 1901, começam a estudar os Trypanosoma e os Trichomonas^ dando destes últimos detalhada descripção. Em 1902, Perroncito volta a estudar as Giardia, que elle responsabiliza por uma moléstia mortal dos coelhos. No mesmo anno, Prowazek estuda o Tricho- monas hominis e Metzner a Giardia intestinalis. Em 1903, Moroff se occupa dos Cercomonas de vida livre e ainda Conheim dos flagellados do homem. Em 1904, Anna Foà estuda os Octomitus e Prowazek os flagellados dos reptis. No mesmo anno pela primeira vez são feitas referencias a casos huma- nos brazileiros de flagellose intestinal; é o Dr. Olyntho de Oliveira que os observa no Rio Grande do Sul. Em 1905, Castellani estuda casos de dysenteria com flagellados, ao mesmo tempo que Terry e Stiles na America do Norte, observam casos de Tricho- monas e de Giardia. Dessa epocha em deante, com o aperfeiçoa- mento das colorações cytologicas, após os estudos de Schaudinn e dos de sua escola, principalmente de Hartmann e de Prowazek, os conhecimentos sobre flagellados tomam a feição com que agora nos apparecem. 17 Alexeieff estuda a systematica das protomona- dinas parasitas, tornando-se hoje, no assumpto, uma das mais acatadas autoridades. Aragão, Hartmann e Chagas estudam a cyto- logia das protomanadinas de vida livre, trazendo muitos progressos ao estudo da cytologia e syste- matica dos flagellados. Os estudos de Prowazek e de Bensen sobre os flagellados intestinaes do homem, de Wenyon sobre Chilomastix mesnili, Cercomonas longicauda, e sobre os protozoários do intestino do rato, de Dobell sobre T richomastix ser gentis e sobre os flagellados dos batrachios, de Martin e Robertson sobre os das aves, de Liebetanz e de Braune sobre os dos rumi- nantes, de Kuczynski sobre os Trichomonas, são, quanto a flagellados intestinaes, as contribuições mais notáveis que têm surgido nesta ultima epocha. No Brazil não tinham sido muito estudados os flagellados do homem. Depois do trabalho do Dr. Olyntho de Oliveira, no Rio Grande do Sul, o Dr. Mello Leitão, em 1912, no Rio de Janeiro, estuda, mais sob o ponto de vista medico que zoologico, 32 casos de infecção de creanças por Giardia intesti- nalis e Trichomonas hominis. Brumpt, em 1913, revela a presença de Giardia intestinalis em São Paulo. Os Drs. Aristides Marques da Cunha e Maga- rinos Torres, em 1914, observam Chilomastix mes- nili em casos de dysenteria occorridos em Lassance, estado de Minas Geraes. Em 1915 o Professor Ficker, de São Paulo, publica dados estatísticos sobre as dysenterias rei- nantes naquella cidade e refere ter observado 22 18 casos de flagellose intestinal, dos quaes 7 com occorrencia simultânea de amebas. No mesmo anno publicámos a descripção de uma nova especie de Chilomastix, parasitando uma especie de rato domestico e a observação de um novo flagellado do homem, pertencente a genero até então não descripto. MATERIAL O material de que nos servimos para a elabo- ração deste trabalho comprehende o producto de 252 autopsias em mammiferos ou observações in anima nobili. Foram por nós examinadas 36 especies e 2 fôrmas albinas de mammiferos, pertencentes a faunas muito diversas. E' do intestino que, na maioria dos casos, provém o material, que pode também ser obtido do apparelho genito-urinario da mulher (urina e muco vaginal). Lista dos mammiferos por nós examinados e das respectivas protomonadinas parasitas Ordo I. - Bimana (x) I. Homo sapiens Linneu, 1758. - Homem. Chilomastix mesnili (Wenyon, 1910). P) Seguimos na lista dos hospedadores o Catalo°um Mam mahum de Trouessart, tanto no que diz respeito á ordem seguida como quanto aos nomes adoptados. Exceptuam-se desta regra os^nomes que estiverem assignalados por um asterisco, os quaes correspondem aos mammiíeros a nosso pedido determinados pelo Prof. Alipio de Miranda Ribeiro. ' 19 Enteromonas hominis mihi, 1915. Giardia intestinalis (Lambi, 1859). Trichomonas hominis (Davaine, 1854). Trichomonas vaginalis Donné, 1837. Ordo II. - Primates II. * Cebus carayá (Humboldt, 1811).-Macaco. Giardia intestinalis (Lambi, 1859). III. Callithnx jacchus Linneu, 1766. - Sagui. VI. Midas (Leonto pilhe cus) rosalia Linneu, 1766. - Sagui vermelho. Ordo IV. - Chiroptera V. * Molossus obscurus Geoffroy, 1805. - Morcego. VI. * Nyctinomus gracilis (Natterer) Wagner, 1843. - Morcego. VIL * Hemiderma perspicillatum (Linneu, 1758). - Morcego. VIII. * Glossophaga soricina (Palias, 1766). - Morcego. IX. * Desmodus rufus Wied, 1826. - Morcego. Ordo VI. - Carnívora X. Ursus ( H elarctos) malayanus Rafles, 1822. - Urso malayo. XI. N asua rufa Desmarest, 1820. - Coati. XII. Galliciis vittata Schreber, 1775. - Furão. XIII. Canis (Canis) familians Linneu, 1758.- Cão. XIV. Felis (Felis) domestica Linneu, 1758.- Gato. 20 Ordo VIII. - Rodentia XV a. Mus (Epimys) norwegicus Erxleben, - Rato dos esgotos. C hilomastix bittencourti mihi, 1915. Giardia muris (Bensen, 1908). Octomitus muris (Grassi, 1881). Trichomonas muris Galli-Valerio, 1907. XV b. Mus (Epimys) norwegicus Erxleben, Elb forma albina. - Rato branco. Chilomastix bittencourti mihi, 1915. Octomitus muris (Grassi, 1881). Trichomonas muris Galli-Valerio, 1907. XVI. Mus (Epimys) rattus Linneu, 1766. - Rato dos tectos. Octomitus muris (Grassi, 1881). XVII a. Mus (Mus) musculus Linneu, 1766. - Camondongo cinzento. Trichomonas muris Galli-Valerio, 1907. XVII b. Mus (Mus) muscrilus Linneu, 1766, fórma albina. - Camondongo branco. Octomitus muris (Grassi, 1881). XVIII. Coendu prehensilis Linneu, 1766. Ouriço. XIX. Coendu villosus F. Cuvier, 1822. Ouriço. Giardia cuniculi (Bensen, 1908). 21 XX. D asyprocta aguti Linneu, 1776.-Cotia. Tnchomastix cavice (Grassi, 1881). XXL Agouti paca Linneu, 1766. XXII. Cavia porcellus Linneu, 1766. - Co- bayo. Chilomastix intestinalis Kuc- zynski, 1914. Chilomitus cavice, nov. gen., nov. sp. Sphceromonas communis Liebetanz, 1910. Tnchomastix cavice. (Grassi, 1881). Trichomonas cavice Davaine, 1875. XXIII. Cavia aperea Erxleben, 1777. - Preá. Chilomitus cavice, nov. gen., nov. sp. Tnchomastix cavice (Grassi, 1881). rXXIV. Hydrochcerus capybara Linneu, 1766. - Capivara. XXV. Oryctolagus cuniculus Linneu, 1766. - Coelho. Chilomastix cuniculi, nov. sp. Giardia cuniculi (Bensen, 1908). Ordo X. - Ungulata XXVI. Equus (Equus) caballus Linneu, - Cavallo. XXVII. Sus (Sus) scrofa Linneu, 1766.- Porco. XXVIII. Tayassus (Tayassus) ta)acu Linneu, 1766. - Caitetú. XXIX. * Cervus elaphus Linneu, 1766. - Veado europeu. XXX. * Antílope cervicapra Linneu. - Antí- lope. 22 XXXI. Capra (Capra) hircus Linneu, 1766. - Cabra. Callimastix frontalis Braune, 1914. Chilomastix capra?, nov. sp. SphczTomonas communis Liebe- tanz, 1910. XXXII. Ovis aries Linneu, 1766. - Carneiro. Callimastix frontalis Braune, 1914. XXXIII. Bos taurus Linneu, 1766. - Boi. C allimastix frontalis Braune, 1914. Sphtxromonas communis Liebe- tanz, 1910. Sphtzromonas liebetanzi, nov. nom. Ordo XIII. - Edentata XXXIV. Tatus (Tatus) novem-cinctus Linneu, 1766. - Tatú. Trichomonas tatusi, nov. sp. Ordo XIV. - Marsupialia XXXV. Macropus ( M acrofms ) robustus Gould, 1840. - Cangurú. XXXVI. Didelphys (Didetiphys) marsufnalis Linneu, 1760. - Gambá. 23 TECHNICA Obtenção do material. O material a examinar é obtido de modo diverso, conforme provém de animal examinado em vida ou procede de animal morto accidental ou propositadamente. No primeiro caso está quasi sempre incluído o material humano constituído por fezes emittidas e levadas a exame no laboratorio. Estas devem ser contidas em vaso limpo e secco para que delle não possam provir contaminações que levarão a resul- tados falsos quanto aos parasitos encontrados no indivíduo em questão ; outrosim, deve o exame do material ser feito pouco tempo depois de sua emissão, pois os protozoários parasitos, em sua phase de vida vegetativa, não resistem muito tempo depois de expulsos do organismo hospedador. Mais raramente incluímos nesse primeiro caso material de outros mammiferos conservados vivos e cujas fezes são periodicamente examinadas. Autopsia. Para os animaes, que não o homem, é a autopsia o methodo de escolha para a retirada do material. Ella deve ser praticada, sempre que possível, logo após a morte do animal, de prefe- rencia sacrificado pelo pesquizador. Para matar o animal varia com as circumstan- cias o processo empregado. O chloroformio ou .o ether são utilisados para os animaes domésticos ou aprisionados ; o tiro é o recurso geralmente adoptado para com os animaes selvagens e livres. 24 Convém assignalar também que a visita aos matadouros é meio vantajoso de obter material abundante. Nada diremos quanto á technica de autopsia dos grandes mammiferos, o que, por completo, escapa ao assumpto em questão; não podemos, entretanto, proceder de modo idêntico para com a parte referente aos pequenos mammiferos, que com maior frequência serão autopsiados pelo protozoolo- gista ; além disso, a autopsia dos grandes mammi- feros é feita segundo as mesmas normas que a dos pequenos, differindo apenas pelas condições diversas de estatura. O pequeno mammifero será solidamente atado, pelas quatro patas, a quatro pontos distantes uns dos outros, na bandeja de autopsias, de modo a ter sua face ventral inteiramente descoberta. Faz-se a bisturi uma incisão mediana occupando toda a extensão do tronco em sua face ventral ; de cada extremo dessa incisão partem duas outras que se dirigem em linha recta, terminando pouco além da raiz dos membros anteriores e posteriores do animal. Essas cinco incisões interessam exclusiva- mente a pelle que será disseccada na maior extensão possível para que delia se não destaquem pellos que viriam mais tarde se misturar ao material em exame. Postas a descoberto as camadas aponevrotica e muscular da parede abdominal, são ellas mordidas e levantadas em sua porção posterior por uma pinça que não deverá prender as alsas intestinaes sub- jacentes ; com uma tesoura manejada em posição horizontal, faz-se uma incisão em V de abertura anterior, a qual serve de inicio para as incisões late- 25 raes, de modo a ser retirado inteiro o plastron abdomino-thoracico, o que se consegue terminando o isolamento deste com alguns golpes de tesoura nas inserções infero-lateraes do diaphragma e na parte anterior correspondente á cintura escapular. Tem-se desse modo expostas as visceras abdominaes e thora- cicas que serão retiradas, successivamente ou em bloco, ou, melhor, que serão examinadas e abertas em sua posição normal; esse ultimo proceder é prefe- rível pelo retardamento que traz á desseccação do material, assim mais tempo conservado em seu meio natural, antes de iniciados os processos de decom- posição do hospedador. Quando o conteúdo das cavidades a examinar é mais ou menos liquefeito, em vez de abril-as fazendo se escoar o liquido sobre as visceras próximas, é aconselhável aspirar esse liquido por meio de fina pipeta que deixa insignificante abertura na parede da viscerav Si o conteúdo é solido, podemos, com um golpe de tesoura, abrir mais completamente a cavidade e delia retirar material por meio de uma alsa de platina ou, melhor, da lamina limpa de um escalpello. Retirado o material, com elle se confeccionam os preparados. Sempre que se tratar de mammifero pouco vulgar ou de classificação ignorada, devem ser con- servados pelo menos a pelle e o craneo para ulterior determinação systematica do animal ; também convém colleccionar os ectoparasitos, principalmente arthropodôs, que muitas vezes exercem papel impor- tante na transmissão dos hematozoarios. 26 Preparados Os preparados para estudo de qualquer proto- zoário devem ser de duas modalidades : a fresco ou, então, corados, isto é, submettidos aos diversos processos de fixação e de coloração. Os preparados a fresco se destinam ao exame do protista vivo, e, sempre que possivel, será este exame feito no mesmo meio em que vive o proto- zoário. Si, entretanto, esse meio fôr demasiado con- sistente, deve ser elle diluido em solução salina de densidade egual ao do plasma do protista exami- nado. Esta solução isotonica é, para os protozoários parasitos, quasi sempre a solução isotonica para os globulos sanguíneos do homem, isto é, a solução de chloreto de sodio de 7 a 9 0/00. Devidos aos pheno- menos de 'plasmolyse, são certos factos que nos referem já os autores mais antigos que estudaram os protozoários ; assim, dizem elles que a agua é um veneno para os flagellados parasitos, provocando em sua superfície a formação de bolhas, indicio de sua desorganisação e desapparecimento em breve prazo. O exame a fresco é indispensável e tanto mais util quanto mais educada fôr a vista do observador e quanto maior fôr sua persistência nesse exame. Assim, por exemplo, o conhecimento exacto do numero, das dimensões e da posição dos flagellos só se consegue adquirir assistindo áquillo que pode- ríamos chamar a agonia do flagellado ; os movi- mentos dos flagellos, examinado o protozoário entre lamina e laminula, ao microscopio, são a principio tão rápidos que não permittem avaliar seu numero 27 nem o ponto de sua inserção; esses movimentos, porém, se vão tornando cada vez mais lentos, até por completo desapparecerem ; é antes desse desap- parecimento, quando, porém, já muito lentas suas oscillações, que os flagellos podem ser contados e que se os pode estudar. Então, assim que aberta a viscera, faz-se o primeiro preparado a fresco ; tem elle por fim veri- ficar si existem protozoários no material em estudo ; deve, portanto, ser esse preparado espesso e observado com fraco augmento, para que maior quantidade de material possa ser de uma só vez examinada. Si não são encontrados parasitos, é regeitado o material. Si, entretanto, existem protistas em numero sufficiente para estudo, antes de conti- nuar o exame a fresco, é começada a fixação dos protozoários para feitura dos preparados corados; assim, praticada immediatamente, a fixação surpre- hende os parasitos em plena actividade vital. Continua-se o exame a fresco com preparados muito delgados e utilisando fortes augmentos; observa-se então, a forma do protozoário, sua loco- moção, seu modo de nutrição e, quando se tratar de flagellados, estudam-se os seus flagellos. Deve esse exame ser feito com augmentos de 2 a 3 mil dia- metros. Vários artifícios podem ser então empregados para facilitar esse estudo; um delles é a coloração vital, com soluções aquosas fracas de vermelho neutro ou de azul methyleno, o que revela muitas vezes as substancias alimentares ; outro é o emprego do lugol, que augmenta a visibilidade dos flagellos, principalmente nos flagellados de vida livre. 28 Dous methodos geraes são adoptados para a fixação dos protozoários, variando com elles os processos de coloração. O primeiro é o methodo de fixação a secco; o material é distendido em lamina, desseccado por agitação ou por calor brando e fixado por um agente physico ou por um reactivo chimico ; o principal agente physico fixador é o calor, pouco usado em protozoologia; geralmente a fixação a secco de protozoários é feita pelo álcool ethylico ou pelo álcool methylico. O álcool ethylico é empregado de preferencia no estado de álcool absoluto e deve agir uma hora ; o álcool methylico é empregado durante quinze minutos, offerecendo fixações menos per- feitas que o precedente. A fixação a secco é geralmente seguida de colo- ração pelo processo de Romanowsky, cuja variante principal é o methodo de Giemsa. E' no estudo summario dos hematozoarios ou em seu diagnostico rápido que essa technica tem applicação ; também é ella utilisada no estudo dos esfregaços de visceras, caso em que é vantajosamente substituída pelos processos histologicos. O methodo de Giemsa consta do emprego da solução de Giemsa do commercio (azul-eosina), dissolvida nagua, na proporção duma gotta de corante para um centímetro cubico de agua, de prefe- rencia distillada; o reactivo deve actuar sobre os preparados fixados a secco, durante pelo menos uma hora. Este processo de fixação a secco e coloração pelo methodo de Giemsa não se presta a estudos minuciosos, poucos detalhes revelando na cytologia do protozoário. 29 A fixação empregada nos estudos cytologicos é a fixação a húmido. Esta fixação é feita em material distendido na face inferior de uma laminula, de preferencia, ou na face superior de lamina; tem o primeiro proceder duas vantagens sendo por isso quasi exclusivamente o empregado : uma é a de per- mittir melhor adhesão do material durante as manobras de technica; outra é a de, nos preparados fixados a húmido, que sempre são fechados em balsamo, approximar mais o material da objectiva do microscopio, permittindo o emprego dos mais fortes augmentos. Distendido o material na face inferior da lami- nula, antes de qualquer desseccamento é ella collo- cada sobrenadando no fixador contido em placa de Petri. Após a fixação, a laminula é voltada com a a face inferior para cima e assim levada a todos os outros reactivos até ser fechada, com a face inferior para baixo, no balsamo de Canadá, collocado sobre uma lamina. A fixação a húmido é realizada segundo vários processos, que têm por base o sublimado, e seguida de coloração por um derivado da hematoxylina. As variantes principaes do processo geral constituem os methodos de Heidenhain e de Dobell, que, ambos, têm o inconveniente de sua morosidade. O methodo de Heidenhain consta dos seguintes tempos : i°, fixação pelo sublimado-álcool de Schau- dinn, cuja fórmula é : Solução aquosa saturada de sublimado corrosivo 2 volumeg. Álcool absoluto 1 volumeí 30 o preparado deverá permanecer no fixador de 15' a 1 hora; 2°, retirada do excesso de fixador, constituído por crystaes de sublimado, pelo emprego de álcool a 70o iodado, que deverá ser renovado até não mais haver descoramento do liquido; 30, álcool a 70o, para retirar o iodo, durante cerca de 5Z; 40, agua, para retirar o álcool, rapidamente ; 50, solução aquosa de alúmen ferrico de 2 a 5 % ; este mordente deve actuar de 2 a 24 horas; 6o, lavagem repetidas vezes nagua, para retirar todo o alúmen; 70, hematoxylina de Heidenhain, durante 1 a 2 horas; este reactivo pode constar de solução aquosa de hematoxylina a 1 % ou ser formulado do seguinte modo : Solução alcoolica de hematoxylina a 10 % 1 volume. Agua 9 volumes. 8o, lavar nagua; 9.°, differenciar ao microscopio com solução de alúmen ferrico a 1 ou 2 % ; para isso colloca-se uma gotta dagua sobre lamina e, enxugando com papel de filtro a parte superior da laminula, volta-se a face inferior sobre a gotta dagua; leva-se ao micro- scopio e examina-se com objectiva a secco, de forte augmento, ou com objectiva de immersão, o que é preferível, embora de mais difficil pratica; para differenciar, leva-se o reactivo contido em fina pipeta a uma das bordas da laminula e, junto á outra borda, colloca-se um fragmento de papel de filtro 31 para aspirar de baixo da laminula a gotta dagua, fazendo penetrar ahi a solução differenciadora. Desde que as substancias chromaticas se mostrem bem distinctas entre si, rapidamente se retira o preparado do microscopio e se colloca a laminula com a face inferior para baixo sobre agua contida em placa de Petri; este processo de lavagem deve ser repetido. io°, volta-se a laminula com o material para cima e inicia-se a deshydratação, durante 5', em cada tempo da série de alcooes, a 70o a 90o ou 95o e a 100o. IIo, passar rapidamente ao xylol, onde perma- nece a laminula 5Z; fechar no balsamo collocado sobre lamina, invertendo a laminula sobre a gotta de balsamo. O methodo de Dobell se differencia do de Heidenhain pela substituição das lavagens em agua por lavagens em álcool a 70o, da solução de hema- toxylina pela solução alcoolica a 1 % de hemateina, actuando durante ioz, e pela solução alcoolica em vez de aquosa do alúmen ferrico. Os diversos tempos do methodo de Heidenhain se tornam muito mais rápidos quando se opera a quente, a cerca de 60o C. A's vezes o preparado, após a coloração pelo methodo de Heidenhain, embora seja rigorosamente seguida a technica póde se apresentar com coloração vermelha de barro, em vez de ter cor azul escura ou negra; outras vezes, logo após o contacto com o sublimado do fixador, o material toma coloração rosea devida a uma reacção daquelle sal com deri- vados dos pigmentos biliares; em ambos os casos 32 uma immersão em álcool a 70o habitualmente corrige os inconvenientes que decorrem desses factos ; no primeiro caso a immersão deve durar 24 horas, no segundo, em geral, o resultado é obtido muito mais rapidamente. Mensuração. Também faz parte da technica o conjuncto de artifícios empregados para medir os protozoários. Delles só descrevemos o que habitual- mente empregámos e que nos parece o mais pratico. Leva-se ao microscopio e examina-se, com a objectiva e a ocular que são utilisadas para a obser- vação do protista, um micrometro-objectiva, cujas divisões se desenham á camara clara ; faz-se o mesmo ao protozoário em estudo e comparam-se as dimen- sões dos dous desenhos. Manda a boa pratica que se desenhe cuidadosamente uma escala definitiva, com o auxilio das combinações opticas habitualmente utilisadas. MORPHOLOGIA GERAL No estudo morphologico dos flagellados, sendo elles animaes unicellulares, o estudo minucioso de seu núcleo e de seu plasma se torna indispensável; além desse estudo estructural facultado pelos prepa- rados definitivos, o exame a fresco revela detalhes indispensáveis da morphologia externa e da biologia do protista. Como, porém, não poderemos estudar morphologia geral de flagellados sem fazer múltiplas referencias a outros grupos de protistas, é preferivel 33 estudar a morphologia geral dos protozoários em tudo o que disser respeito a flagellados. Escolhe- remos os exemplos, sempre que fôr possivel, dentre as especies descriptas neste trabalho. A cellula • O protoplasma, sensu lato, é a substancia essen- cial na constituição dos seres vivos. Num ponto de vista mais restricto e especiali- sado, devemos considerar em qualquer ser vivo, animal ou vegetal, duas ordens de substancias, substancias plasmaticas e substancias nucleares, cuja collaboração morphologica e funccional cons- titue em seu aspecto mais simples a cellula. Unidade morphologica e physiologica da vida, póde a cellula viver isolada ou se reunir a outras constituindo associações, em gráos diversos de mutua depen- dencia dos elementos reunidos : colonias, tecidos, associações de natureza symbiotica e parasitaria. A cellula dos flagellados, desses modos diversos de comportamento apresenta a reunião em colonias, a associação symbiotica e a vida parasitaria. O flagellado, porém, em seu modo de vida primitivo, ainda muito frequentemente observado, tinha vida livre como cellula isolada e movei em meio liquido. Como tal, sua fórma obedecia ás condições physicas a que estava sujeito ; substancia fluida, lançada noutro fluido e não miscivel nelle, adquiriu o protozoário a fórma espherica, dada - a homogeneidade de sua superfície ; obedecia assim ás leis physicas da tensão superficial. A acção 34 porém, de diversos factores, do movimento, da alimentação, das associações diversas, veio bem cedo modificar essa condição original; o movimento em sentido determinado deu muitas vezes ao protista uma fôrma alongada, a alimentação holozoica pro- vocou não raro o apparecimento de um cytostoma, a fixação parasitaria lhe forneceu por vezes uma ventosa, e assim por deante. Emfim, a fôrma primitiva do flagellado, moldada pelas condições physico-chimicas que, constituindo o meio, cercavam o animal, em breve foi profundamente modificada pela adaptação do protista a modos variados de vida que imprimiram á estructura cellular as modificações mais diversas. Protoplasma O protoplasma (*) é uma substancia colloide, viscosa, semi-liquida, de natureza proteica, de estructura complexa, não miscivel nagua e mais refringente que ella, entrando na constituição de todos os seres vivos. São suas propriedades essenciaes a nutribili- dade, dando em consequência a reproductilidade, e a irritabilidade, se manifestando pela motilidade, em todas as suas fôrmas. O plasma tem reacção alcalina e a maior parte de sua massa é constituída por agua tendo em disso- lução muitas substancias mineraes. De toda a mis- tura complexa e muito variavel que, no ponto de (!) De Kpw-roç, primeiro TvÀáatrstv, dar fórma. 35 vista chimico, constitue o plasma, têm maior impor- tância os compostos quaternários do grupo dos proteidos. Fluidez do plasma. São de ordem physica os argumentos comprobatorios mais notáveis da fluidez do plasma: i.°, existência dos phenomenos de osmose, de que uma expressão nitida constitue a plasmolyse (x); 2°, existência de movimentos ameboides e metamorphicos; 3°, existência de correntes interiores, consti- tuindo os phenomenos de rotação e de cyclose, demonstradas pelo movimento das granulações do plasma e bem nitido em muitos ciliados, nos pseudo- podos dos rhizopodos, etc.; 4°, applicação ao plasma das leis de tensão superficial dos fluidos; 5°, applicação ao plasma das leis de capillari- dade. Estructura do plasma. O plasma é uma substancia organizada, não tendo a homogeneidade estructural da matéria bruta não crystallisada. O exame microscopico após coloração revela esse facto, offerecendo, entretanto, á critica, como argu- mento em contrario, a existência de artefactos, isto é, de aspectos artificiaes causados nos preparados pelos defeituosos processos de technica. O emprego, porém, das colorações cytologicas, após fixação a húmido, e a comparação dos resultados obtidos com os fornecidos pelo exame a fresco, vêm tirar a esse (x) De 7tÀacp.a, aroç, o plasma -J- Xúaiç, dissolução. 36 argumento a maior parte de sua importância; não é raro mesmo que só o exame a fresco nos forneça sobre a estructura do plasma de um protista quasi todos os dados que se obtem por meio dos prepa- rados corados. Dos diversos aspectos com que o plasma se apresenta nos differentes seres vivos, se originaram differentes theorias. A theoria da homo geneidade do plasma é defendida principalmente pelos botânicos chefiados por Strasburger, que julga todas as estructuras solidas do plasma como accidentes, por serem incompatíveis as estructuras fixas com os pheno- menos de rotação e de cyclose. A theoria granular, exposta por Altmann, que julga serem parte essencial do plasma os grânulos ou bioblastos (x), isto é, as granulações cuja existência todos os observadores verificam e inter- pretam de modo variado. Os estudos recentes, prin- cipalmente os de Fauré-Frémiet, vieram chamar, para esses bioblastos ha muito esquecidos, a attenção dos pesquizadores ; elles resurgem com os nomes de mitochondrios ou chondriosomas (3) e a elles são attribuidas funcções vitaes da maior relevância. A theoria fibrillar é desenvolvida por Flemming e Kupfer, que consideram o plasma formado essen- cialmente de fibrillas, denominadas mitomes (4), nadando em um liquido, o paramitome (5). P) De píoç, vida 4- pXaaroç, germe. (2) De púroç, tecido ou fio + zovopoç, grão. (3) De xovãpoç, grão 4" atõpta, corpo. (4) De puroç, tecido ou fio. (5) De rrapa, junto de 4- p-tToç, fio. 37 A theoria reticular, estabelecida por Frommann, Heitzmann e Leydig, que suppoem o plasma formado por um reticulo de filamentos solidos, o espongio plasma que seria a parte essencial do plasma ; este reticulo, cujos nós ou entrecruzamentos forneceriam o aspecto granuloso do plasma, estaria embebido em um liquido, o hyaloplasma (2). A theoria alveolar do plasma, patrocinada por Bútschli, admitte, como lhe sendo essencial, a existência dos delicados alvéolos descobertos por Kunstler; entre as paredes solidas desses alvéolos existiria um liquido, o enchylema (3). A theoria areolar é admittida por Eismond, que julga o reticulo de Frommann, não constituído por fios, mas por laminas que separam alvéolos, não mais ou menos esphericos como os de Bútschli, mas poly- gonaes. Todas estas theorias que acabámos de enu- merar consideram o plasma mono morphico, isto é, de estructura idêntica em todos os seres vivos. Opposta a essa orientação está a theoria do poly- morphismo do plasma, admittida por Fischer, que julga sua estructura variavel conforme a cellula examinada e conforme mesmo o momento em que é observada. Além destas theorias, que tomam para base de suas hypotheses os aspectos morphologicos do plasma, existe outro grupo de concepções baseadas sobre suas propriedades physicas; dessas conce- (J) De a-oy-ya, a esponja -Ç TcXácrjJia, o plasina. (2) De uakoç, o vidro ou o cristal - ■ KÀáapa, o plasma. (3) De ev, em, zuuò;, secco -j- Xsppa, envolucro, 38 pções a mais notável é a theona micellar de Naegeli, que admitte o plasma formado de grupamentos molleculares, os micellos, de natureza crystallina e comparáveis aos polyedros elementares dos crystaes, cujas propriedades estructuraes e physicas apresen- tariam. De todas essas a que melhor acolhimento tem recebido dos protozoologistas é a theoria alveolar de Biitschli, com cuja orientação geral, nesse ponto de vista, concorda a maioria dos trabalhos modernos. Ectoplasma e seus derivados A maior parte dos protozoários apresenta em torno de seu corpo uma camada de plasma que morphologica e physiologicamente se differencia da parte interna da cellula. A essa camada externa, de importância variavel, se denominou ectoplasma (*). Nos protozoários inferiores o ectoplasma é formação transitória e constituída successivamente por toda a massa plasmatica que ora é exterior em relação ao protozoário, ora lhe é interior. Nos proto- zoários, porém, de maior differenciação cellular o ectoplasma é uma estructura fixa, formada por uma porção sempre a mesma do protoplasma do animal. O ectoplasma se differencia do endoplasma por sua maior transparência, menor refringencia e ausência habitual de granulações. (!) De sxròçj por fóra -j- nÀaapoç, o plasma, 39 Derivados ectoplasmaticos de funcção protectora Uma delgada camada externa do ectoplasma, que ás vezes, constitue a totalidade delle e que fica em relação directa com o meio exterior, constitue o que se denomina periplasta Elle póde ser rigido occasionando por isso fixidez maior da fórma do protozoário ; outras vezes o periplasta é flexivel e permitte, então, ao protista a execução de movi- mentos metamorphicos e ameboides. Em via de regra o periplasta dos flagellados é delgado, póde, entretanto, ás vezes, nesses pro- tistas como em quaesquer outros, adquirir por seu espessamento tal importância que venha a consti- tuir verdadeira membrana cellular. Na maioria das vezes a membrana cellular dos flagellados não apre- senta duplo contorno e sua parte interna se continua insensivelmente com o plasma do animal. A mem- brana de duplo contorno existe porém, em diversos protozoários ; ora ella apresenta certa flexibilidade que permitte ao animal se deprimir e se deformar á pressão leve, sem inconveniente, ora ella é rigida e recebe, então, de alguns autores o nome de lorica. Não se detendo ahi a differenciação do ecto- plasma, a camada periplastica póde adquirir impor- tância ainda maior, tornar-se espessa, sem indicios de vida e, se isolando mais ou menos do protozoário, tornar-se uma capsula. Os envoltorios do protozoário podem ter origem diversa e, em vez de provirem da evolução .do (!) De 7uep\, em torno TrÀaaaw, eu fórmo.' 40 ectoplasma, podem ser constituídos de productos de secreção do protista ou de outros retirados do meio exterior; são as carapaças communs nos seres de vida livre e que Haeckel distingue, no primeiro caso, quando secretadas pelo proprio protista, com o nome de aiitophya no segundo, quando formadas de elementos do meio exterior, com g nome de xenophy.a. Todos os envoltorios de protistas que até agora estudámos se caracterizam por sua permeabilidade, que permitte aos seres que os possuem estar em cons- tante relação com o mundo exterior. Quando, porém, este meio se torna desfavorável á vida do protista, este secreta em torno de si uma membrana imper- meável, rigida e espessa, a membrana kystica; por sua impermeabilidade a membrana kystica o protege contra o desseccamento e a plasmolyse, por sua espessura ella o defende do frio e do calor, por sua rigidez o preserva dos effeitos maléficos dos agentes mecânicos. Quando apparece a membrana kystica, ella e o protozoário que a formou, constituem o kysto. O kysto é denominado vegetativo ou de repouso quando sua formação não é acompanhada de pheno- menos de reproducção; quando a formação do kysto coincide com phases de reproducção, elle se denomina, ora kysto de multiplicação, ora kysto de fecundação, conforme a reproducção é asexuada ou sexuada. Derivados ectoplasmaticos de funcção motora Entre os derivados ectoplasmaticos de funcção motora alguns são estructuras permanentes, outros 41 são formações transitórias. No primeiro caso estão os cilios e a membrana ondulante, no segundo os pseudopodos Q. Estes ^Êo prolongamentos retrácteis e transi- tórios do plasma constituidos por saliências lobosas ou filamentosas de ectoplasma, em cujo eixo pode existir pequena porção de endoplasma. Segundo a fórma dos filamentos, distingue-se os pseudopodos em lobo^odos, espessos, curtos e não anastomosados e filopodos, longos, delgados e anastomosados entre si. Para que o protista emitta pseudopodos é necessário que não tenha periplasta rigido. O meca- nismo de sua formação parece residir em variações da tensão superficial do protozoário. Para se mover por meio delles, o animal lança um desses prolon- gamentos e depois, todo elle, plasma e núcleo, como que se esvasia no interior do pseudopodo. Além de sua funcção motora os pseudopodos actuam como orgãos de prehensão dos alimentos. Existem em alguns radiolarios pseudopodos finos, longos e não anastomosados, dotados de movi- mento oscillatorio, denominado nutação, que de longe se assemelha á vibração do flagello. Desse facto provém a idéa de que os proprios flagellos dos flagellados são organellas de natureza plasma- tica, idéa que nos parece, como á maioria, completa mente errónea. Nos flagellados parasitos existe, ás vezes, ligando um flagello ao corpo do protozoário, uma fina lamina de ectoplasma, a membrana ondulante, (!) De óeuStjç, falsoTtoug, tzoSc ç, o pé. 42 assim denominada por apresentar em sua borda presa ao flagello uma série de ondulações. A's vezes a membrana ondulante repousa sobre uma barra chromatica collocada proximo á superfície do ani- mal ; é a costa. O flagello ao qual está presa a mem- brana ondulante, constituindo elle sua orla, tem o nome de flagello adherente e pode ser um flagello anterior (Trypanosoma) ou recorrente (Tricho- monas). O numero e a profundidade das ondulações e o comprimento da membrana são caracteres espe- cificos ; sua existência é um caracter generico. Nos protozoários de vida livre não existe membrana ondulante, existem, porém, formações ectoplasmaticas com aspecto e funcções semelhan- tes ; nesse numero está o collarinho, existente em torno da base dos flagellos nos flagellados da familia Codosigidce. Os cilios são prolongamentos curtos e pouco flexiveis, espalhados em determinadas zonas, ou por toda a superfície do corpo, de certos protozoários, por elles caracterizados, os ciliados. Sua natureza não está definitivamente estabelecida, julgando alguns que elles partem de granulações basaes de origem ignorada. Endoplasma e seus annexos O endoplasma é a porção interna do plasma do protozoário e geralmente constitue a maior oarte delle. E' ao endoplasma que compete a elaboração das substancias absorvidas atravez do ectoplasma e é nelle que se encontram o núcleo com a maioria de 43 seus derivados. O endoplasma se caracterisa por menor transparência, maior refringencia e aspecto mais granuloso que o ectoplasma. Os annexos do endoplasma constituem forma- ções complexas, ás vezes de papel mal conhecido, outras vezes intervindo nas funcções de nutrição, de sustentação e, talvez, nas funcções sensoriaes do protista. Entre os annexos de funcções nutritivas estão os vacuolos nutritivos e pulsáteis, os chromatophoros e as granulações metaplasticas. Os vacuolos nutritivos são cavidades que se formam em torno das substancias alimentares inge- ridas. São peculiares, portanto, aos protistas de nutrição holozoica. Sua existência não é constante e, frequentes vezes, em torno da substancia alimentar ingerida, não se nota vestigio siquer de cavidade. Não tendo paredes próprias, sua formação é inter- pretada, ou como o resultado da dilatação de um alvéolo unico do plasma, ou como a consequência da fusão de vários delles ; mais facil nos parece explicar o facto como resultado do afastamento da substancia plasmatica pela particula alimentar sem- pre acompanhada de quantidade maior ou menor de agua. Os vacuolos pulsáteis, também chamados vacuolos ou vesículas contracteis, são estructuras fixas, constituídas por uma cavidade unica ou dupla, ou por um systema de cavidades funccionando de modo harmonico, com movimentos alternativos de repleção gradual e de brusco esvasiamento. Essés vacuolos, communs em diversos grupos de proto- zoários, não existem nos flagellados parasitos. Sua 44 funcção e o mecanismo de seu funccionamento são ainda mal conhecidos. Parece, entretanto, que a agua, penetrando por osmose no corpo do protista, acarreta as substancias de origem catabolica, conti- das no plasma, e se vem lançar em um ponto fixo no qual se fórma uma cavidade que, attingido o máximo de sua plenitude, bruscamente se contrahe, pela pressão do corpo do animal, lançando no exterior, com a agua nella contida os productos de desassi- milação do protozoário ; são, portanto, orgãos de excreção. Os chromato^phoros (T) são granulações contendo substancias coradas por pigmentos diversos, muitas vezes verdes e analogos ás chlorophyllas vegetaes. São neste caso peculiares aos seres de vida livre, aos flagellados de nutrição holophytica, por exemplo. As granulações metaplasticas (2) .são granula- ções derivadas do metabolismo crescente ou decres- cente do protozoário. Neste numero estão incluidas as granulações deuto plásticas (3), constituidas por substancias de reserva ; estas podem ser do typo das dos vegetaes, como o paramylo das euglenoideas, ou do typo das dos animaes, como a gordura dos radiolarios e o glycogeneo das gregarinas. Substan- cias provenientes da degeneração plasmatica tam- bém devem estar aqui incluidas ; ás vezes são granu- lações de gordura, outras vezes de pigmento. Ainda no grupo das granulações metaplasticas devemos incluir as substancias chromatoides, cujas relações (j) De xptÕ|J.a, aroç, côr + ©opòç, productor, portador. (2) De |xerà, que indica mudança + KÀaaaw, eu formo. (3) De àeúroç, segundo 4~ ^Xáapia, o plasma. 45 intimas com a evolução do núcleo nos levam a deixar seu estudo para o capitulo respectivo. Nos phytoflagellados existe muitas vezes, no polo anterior, uma granulação vermelha, o estigma, que, para alguns autores, teria funcção visual, dadas suas relações, ás vezes verificadas, com um apparelho de aspecto lenticular. Sob a designação de cr gasto'plasma é compre- hendida uma série de substancias plasmaticas das quáes têm sido ultimamente mais pesquizados os mitochondrios ou chondrio somas, primeiro estu- dados por Altmann que os collocára entre os seus bioblastos. . Mitochondrios são granulações polymorphas, existentes no endoplasma, e que a maioria dos autores julga constituidas de substancias proteicas separadas do plasma por uma parede lipoide ou lipo- proteica; a caracteristica dos lipoides dos mitochon- drios seria que, após a acção do acido osmico, se tornariam insolúveis no xylol e resistentes ao acido acético. Sua funcção não está elucidada, querendo alguns cytologistas attribuir-lhes a intervenção em quasi todos os phenomenos da vida cellular. Parece que, como os leucitos vegetaes, os mitochondrios se reproduzem por divisão. Não é possivel calcular ainda a verdadeira importância desses corpúsculos, sobre cuja natureza e funcções reinam as maiores divergências. Nucleo No endoplasma, seja qual fôr a cellula exami- nada, existe um grupo de substancias, se apresen- 46 tando com aspectos morphologicos variaveis, mas de natureza e de funcções constantes; são as substancias nucleares. Muito próximas no ponto de vista chimico das substancias plasmaticas, as sub- stancias nucleares delias se distinguem, sob esse ponto de vista, por maior complicação mollecular e maior percentagem de phosphoro. Dentre as substancias nucleares, umas têm pouca affinidade para as matérias corantes, outras, ao contrario, são avidas desses reactivos. As primeiras são as substancias achromaticas, das quaes a mais notável é a linina. As outras são as substancias chromaticas, das quaes as mais importantes são a chromatina (x) e a plastina, á primeira das quaes é attribuido o papel capital no funccionamento do núcleo. A's vezes dissolvidas ou esparsas pelo piasma cellular, estas substancias não podem ter caracteri- sação morphologica e constituem, nesse caso, um núcleo diffuso, habitual nas bactérias e nos espi- rochetas. Na maioria dos casos, porém, as substancias nucleares se grupam de modo a constituir corpús- culos de aspecto determinado, núcleos individuali- sados, dos quaes derivam muitas organellas de pro- tozoários. Nos protozoários o núcleo se apresenta com dous typos diversos: núcleo compacto e núcleo vesiculoso. (!) De xpwjxa, aroç, a côr-|-suff. ina. (2) De zAáarTjç, formador + suff. ina. 47 O núcleo compacto é constituído por uma massa compacta de substancias nucleares, na qual nenhuma estructura póde ser verificada. Este aspecto do núcleo é caracteristico dos infusonos e coincide nelles com uma das modalidades de dupli- cidade nuclear que adiante estudaremos. O núcleo vesiculoso existe nos outros proto- zoários, ora unico, ora em duplicidade ou mesmo em multiplicidade. Elle é essencialmente constituído por uma granulação chromatica central, o caryo- soma (J), circumdada por uma zona achromatica, a zona do sztcco nuclear. O caryosoma é constituído por um arcabouço alveolar de linina em que se accumulou grande copia de substancias chromaticas. Em seu centro existe uma granulação chromatica, o centriolo (2), á qual é attribuida a supremacia funccional entre todos os constituintes do núcleo. Sua existência não foi ainda demonstrada em todos os núcleos vesiculosos mas, o numero sempre crescente de verificações posi- tivas de sua presença, em protozoários dos mais diversos grupos, nos leva a crer em sua constância. Em via de regra o núcleo tem um só centriolo e se diz neste caso monocaryon (3). A's vezes, porém, tem elle mais de um centriolo, em um ou mais caryo- somas, e se denomina, então, núcleo polycaryon (4). A zóna do sueco nuclear pode se continuar de modo insensível com o endoplasma ou delle ser í1) De piápuov, noz, núcleo -f- aojpa, aroç, corpo. (2) De fievTpov, centro -}-suff. iolo. (3) De [iovov, um -|- piápuov, núcleo. (4) De ttoÀuç muitos -j- piápuov, nuclco. 48 separada por uma membrana nuclear mais ou menos desenvolvida; sobre a natureza dessa membrana têm surgido divergências, parecendo, entretanto, ser ella constituida pelas substancias chromaticas do núcleo, o que acontece, ao menos, para diversos pro- tozoários. A zona do sueco nuclear póde só conter esse liquido, dizendo-se, então, que ella é vasia, ou apresentar estructuras fixas, chromaticas ou achro- maticas ; no numero dos primeiras estão granulações de chromatina que, por estarem fóra do caryosoma, se denominam chromatina exterior ; entre as substan- cias achromaticas da zona do sueco nuclear, a linina apparece sob a forma de um reticulo constituido por filamentos que, a modo de raios, ligam o caryosoma á caryomembrana, e filamentos circulares, mais ou menos parallelos a esta ultima : é a rede de linina que, nos differentes protozoários, apresenta gráos diversos de desenvolvimento. Além de todos esses elementos, póde o núcleo apresentar outros corpúsculos chromaticos sem cen- triolo e que, portanto, não deveriam ser considerados caryosomas e constituiriam os nucleolos cuja natu- reza não está ainda conhecida. Hartmann descreveu, sob o nome de evolução cyclica do caryosoma, phenomenos evolutivos parti- culares caracterisados pela emigração da chromatina do caryosoma para a zona do sueco nuclear; ahi as granulações chromaticas se vão dispondo em cama- das concêntricas que cada vez mais se approximam da membrana nuclear ; a chromatina eliminada acaba por desapparecer, ao passo que no caryosoma se vae accumulando chromatina de nova formação. O objectivo desta evolução parece residir na necessi- 49 dade de renovação do material chromatico do caryosoma. Segundo seu gráo de complicação estructural e conforme o proceder dos núcleos durante os phe- nomenos de mitose, poderemos distinguir, com Hartmann e Chagas, tres typos principaes de núcleos, correspondentes a tres estádios particulares da evolução phylogenetica desses corpúsculos. Entre esses typos principaes existem numerosas fôrmas intermediárias. O primeiro typo de núcleo se caracterisa porque no caryosoma está quasi toda a chromatina gené- tica ; nesta phase evolutiva, nunca existe núcleo exterior permanente ; as granulações chromaticas, ás vezes existentes na zona do sueco nuclear, foram desprendidas do caryosoma em virtude da evolução cyclica. A modalidade mais simples desse núcleo é o denominado protocaryon Q, ou núcleo 'primi- tivo, constituido por caryosoma cercado de zona de sueco nuclear vasia, sem membrana nuclear. No segundo estádio phylogenetico do núcleo, existe, de modo constante, chromatina exterior com funeção genetica, ao passo que ao caryosoma cabem apenas funeções cinéticas. O terceiro typo de núcleo apre- senta intimas relações com os dous outros: ahi existe núcleo exterior permanente, como no segundo typo, e o caryosoma parece intervir nos phenomenos geneticos, como acontece no primeiro. Em via de regra o protozoário, em sua phase vegetativa tem um só núcleo, ao qual cabe dirigir as funeções trophicas, cinéticas e geneticas da cellula. (Ã) xpwroç, primeiro -f- xápuov, núcleo. 50 O mesmo acontece quando o protozoário tem muitos núcleos os quaes, todos elles, intervêm em todas as funcções da cellula. Quando, porém, em sua phase vegetativa, o protozoário apresenta dous núcleos, os factos se podem complicar pela especialização de cada um dos núcleos a um dos tres typos de funcções. Tres casos, então, se podem verificar. No primeiro caso os dous núcleos não têm diffe- renciação morphologica, nem funccional; ambos intervêm nas tres ordens de funcções da cellula; é o que acontece com as protomonadinas duplas ( Giardia, Octomitus, etc.). No segundo caso um núcleo é cineto-genetico e o outro tropho-genetico ; ao primeiro, denominado blepharoplasto (x), cabem as funcções locomotoras do protozoário ; ao segundo, denominado núcleo prin- cipal, cabem as funcções de nutrição; ambos os núcleos são séde de phenomenos mitoticos; esta condição se realiza nos flagellados da ordem dos binucleados. No terceiro caso existe um núcleo genetico, séde dos phenomenos de mitose, e um núcleo trophico, no qual não se verificam esses pheno- menos ; o núcleo genetico é o menor dos dous e se denomina micronucleo ; o núcleo trophico é o maior e se chama macronucleo; é o caso verificado nos infusorios. Verificada a condição de duplicidade nuclear para alguns protozoários vários autores tentaram generalizar a concepção para todos elles. Hartmann P) pXs^apov, palpebra -j~ formo. 51 e Prowazek imaginaram o caryosoma como um segundo núcleo incluido no núcleo propriamente dito ; após se ter verificado o caso de duplicidade dos binucleados, admittida a theoria daquelles dous cytologistas, esses flagellados passariam a ter, não dous, mas quatro núcleos, dous delles constituindo o blepharoplasto e dous, o núcleo principal; foi como acertadamente raciocinaram Hartmann e Chagas que, entretanto, se limitaram a discutir a questão da duplicidade nuclear nos flagellados da ordem dos binucleados. A especialização funccional dos núcleos devia ser explicada por uma disposição particular das substancias do núcleo. Baseada nos aspectos da mitose foi, então, estabelecida a hypothese da existência de variedades funccionaes da chromatina. Foi admittido que existiam duas variedades funccionaes da chromatina, uma cineto-genetica e outra tro^ho-genetica; á primeira caberia dirigir a locomoção do protista, á segunda presidir a sua nutrição; ambas tomariam parte nos phenomenos reproductores. Este modo de comprehender a hypo- these dos componentes do núcleo basta para explicar o caso dos flagellados binucleados, não concor- dando, porém, com os factos que se observam no estudo dos infusorios. Do mesmo modo seria incom- pleta a hypothese que admittisse uma variedade de chromatina tr o pho-cinética e outra tropho-genetica. Com effeito, como comprehender nos infusorios a existência de uma chromatina que reuna funcções trophicas e cinéticas quando essas funcções têm nelles por séde núcleos diversos? A objecção inversa é applicavel ao caso dos binucleados. 52 Mais acertado nos parece conceber tres compo- nentes funccionaes do núcleo a cada um dos quaes caberia a direcção de um dos grupos de funcções da cellula, trophicas, cinéticas e geneticas. Deste modo a distincção funccional das chromatinas, tornada indispensável pela especialização funccional dos núcleos, é conciliada, com o caso de duplicidade nuclear dos infusorios e com o dos binucleados. Comparando o núcleo vesiculoso com o dispo- sitivo nuclear duplo dos infusorios, se verifica a identidade quasi completa das duas formações. Com effeito, o micronucleo é séde de modificações mito- ticas correspondentes aos phenomenos de formação da placa equatorial que, para os núcleos vesiculosos, têm muitas vezes por séde o caryosoma e são sempre presididos pelo centriolo. Si a homologação com- pleta do caryosoma ao micronucleo não é ainda facto assentado, embora já admittido por muitos, constitue ella hypothese muito acceitavel. Si, ao mesmo tempo compararmos o núcleo vesiculoso dos protozoários com os núcleos dos meta- zoarios e dos metaphytos, verificamos que a unica differença essencial entre elles está na posição do centro cinético da cellula; com effeito o centriolo do núcleo vesiculoso é intra-nuclear, emquanto que o centriolo dos metazoarios e dos metaphytos está no interior do centrosoma e é extra-nuclear. Derivados nucleares Formações chromaticas de aspecto e funcções diversas se constituem no plasma á custa de mate- riaes do núcleo. Esses derivados nucleares ora se 53 formam por simples eliminação de substancias do núcleo para o plasma, ora são constituidas em conse- quência de processos de divisão nuclear. Os derivados nucleares por eliminação consti- tuem os chromidios Q que, pela primeira vez descri- ptos por Hertwig, foram definidos por Mesnil, como substancias nucleares extra-nucleares; restringindo esta definição devemos excluir dentre os chromidios os derivados nucleares por divisão. Ficam também de parte as substancias chromatoides, julgadas por alguns autores de natureza chromidial. Os chromidios se distinguem em idio-chromi- dios (2) e tropho-chromidios (3). Os idio-chromidios ou chromidios geneticos têm sua formação mais ou menos directamente relacionada com phenomenos de reproducção ; ás vezes seu apparecimento parece depender de pheno- menos de reducção nuclear pre-conjugal ; outras vezes vão tomar parte nos phenomenos de fecun- dação, entrando na constituição dos núcleos gametos. Os tropho-chromidios ou chromidios vegeta- tivos são formados durante a vida vegetativa da cellula e se destinam a manter entre o núcleo e o plasma uma relação constante, denominada por Hertwig relação nucleo-plasmatica. Assim, quando, por phenomenos degenerativos, se dá hyperchro- masia, isto é, quando a quantidade de substancias nucleares ultrapassa os limites permittidos por í1) De xpwpia, aroç, cór suff. idio. (2) De "Sioç, proprio chromidio. (3) De ipoç-T], nutrição, alimento chromidio. 54 aquella relação, o núcleo elimina para o plasma parte de sua chromatina ou, todo elle, passa ao estado chromidial. Os derivados nucleares por divisão, entre os protozoários, são exclusivos aos flagellados, em que constituem as partes essenciaes do apparelho loco- motor. Foram os estudos de Schaudinn sobre o Trypano soma nuctuce que revelaram o mecanismo de formação do apparelho flagellar. E' por meio de divisões caryocineticas hetero- polares que, após a formação dos individuos jovens, se vão formar todas as organellas daquelle appa- relho. Antes de proseguirmos convém referir que nas ultimas phases da divisão nuclear dos flagellados os centriolos filhos permanecem ligados entre si por um filamento, a centrodesmose ; existe também para muitos flagellados um fuso achromatico de divisão. Comprehendemos no numero dos derivados nucleares por divisão as seguintes formações: blepharoplasto, corpúsculo basal, rhizoplasto, fla- gello, apparelho para-basal, costa da membrana ondulante, labio chromophilo do cytostoma, myo- nema, axostylo (?) e rhizostylo. Uma primeira divisão heteropolar do núcleo pode dar origem a um segundo núcleo, menor que o primeiro e especializado á funcção locomotora; este segundo núcleo recebeu o nome de blepharoplasto. Quando existe blepharoplasto é delle que se originam os outros derivados nucleares, por outras tantas mitoses heteropolares; assim se forma uma granulação chromatica, denominada corpúsculo basal. As centrodesmoses das mitoses, que deram origem ao blepharoplasto e ao corpúsculo basal, 55 permanecem, durante algum tempo ou indefinida- mente, com o nome de rhizoplastos (1). Uma ou mais mitoses heteropolares do corpúsculo basal dão origem aos flagellos. Casos ha em que não se forma blepharoplasto e, então, do núcleo unico do flagellado se origina um corpúsculo basal do qual partem os flagellos. A's vezes, após formar um corpúsculo basal, o núcleo unico soffre nova mitose heteropolar e constitue um segundo corpúsculo basal reunido ao primeiro por um rhizoplasto ; em via de regra, o rhizoplasto resultante da segunda mitose do núcleo bem cedo desapparece. Outras vezes, ainda, o núcleo unico do flagellado soffre apenas as mitoses formadoras dos flagellos, sem constituir nenhuma outra formação chromatica. O resultado dessas diversas modalidades de formação do apparelho locomotor, é se consti- tuirem assim quatro typos de apparelho flagellar, os quaes servem para caracterisar as differentes ordens de flagellados, no systema de Hartmann. Numa primeira ordem ( Rbizomastigina) o flagello sahe directamente do caryosoma do núcleo. Na segunda ( Protomonadina) o flagello sahe de um corpúsculo basal, ligado ao núcleo por um rhizoplasto. Na terceira (Bi-nucleata) o flagello sahe de um corpúsculo basal ligado a um blepharoplasto, por um rhizoplasto. Na quinta ( Euglenoidea) o flagello sahe de um corpúsculo basal ligado a outro corpúsculo basal solto no plasma cellular; a esse apparelho constituído por dous corpúsculos basaes g) De SKa, raiz -|~ TrXáaTT]?, formador. 56 reunidos se denominou diplosoma ('). Na sexta ordem ( Phytomonadina) o apparelho flagellar se assemelha ao da segunda. Na quarta ordem (Chro- momonadina) a estructura do apparelho flagellar não é conhecida. O flagello é um filamento longo e muito del- gado ; como a cauda do espermatozóide elle apre- senta um filamento axial, representando a centrodes- mose da mitose que o formou e uma delgada camada externa proveniente do ectoplasma. Para alguns cytologistas, entretanto, o flagello seria de natureza puramente plasmatica e teria estructura idêntica á dos pseudopodos ; quando tratámos do estudo dos pseudopodos verificámos quaes as bases desta errónea theoria. Os flagellos podem ser em numero variavel conforme o grupo a que pertence o flagellado. Quando existe um só flagello elle, em geral, parte do polo anterior da cellula, para deante (flagello anterior) ou para traz (flagello recorrente); ás vezes o flagello parte do polo posterior da cellula para traz (flagello posterior); ás vezes ainda o flagello parte para um lado do protista (flagello lateral). Nos flagellados de vida livre o flagello perma- nece livre em toda a sua extensão qualquer que seja a direcção por elle tomada (flagello livre). Nos protozoários parasitos, ás vezes, um flagello perma- nece ligado ao corpo do protista (flagello adherente) por meio de uma membrana ondulante á qual elle serve de orla. (*) De SmÀóoç, duplo + atõpa, corpo 57 Esta membrana ondulante póde repousar em uma barra chromatica, a costa, que parte do mesmo corpúsculo basal, que o flagello adherente e do qual se origina pelo mesmo processo que este. A's vezes, quando a membrana ondulante é muito pouco desenvolvida e caminha dentro do cytostoma do flagellado, a barra chromophila, em vez de lhe servir de costa, contorna o labio do cytos- toma, constituindo-lhe o labio chromophilo. Sob o nome de axostylo têm sido até hoje constantemente confundidas duas formações de natureza, de funcção e, talvez, de origem, totalmente diversas. Uma delias é constituida por compactos filamentos chromaticos, mais ou menos delgados, de origem nuclear indiscutível, ligados a um núcleo ou a um corpúsculo basal e directamente se continuando com os flagellos: é o que succede em G tardia, Octomitus, etc.; a esses elementos preferimos reservar o nome de rhizostylo (2), creado por Alexeieff para uma formação analoga que descreveu em seu Rhizomastix gracilis. A outra organella, existente nos flagellados dos generos Trichomonas, Tricho- mastix e Hexamastix, é o verdadeiro axostylo, um espesso bastonete cujo interior é sempre mais ou menos incolor e cujas bordas raramente são um tanto chromophilas; este bastonete parece ser oco, pois, em seu interior, ás vezes existem granulações side- rophilas das que, se encontram no plasma dos para- sites daquelles generos. De suas extremidades, uma é ponteaguda e habitualmente a ponta faz saliência P) De àewy, eixo + aruXoç, estylete. (2) raiz uruXoç, estylete. 58 para o exterior, a outra ou mergulha no plasma onde desapparece, ou se continúa insensivelmente com o cytostoma do protista. Janicki demonstrou em alguns flagellados para- sitos a presença de um corpúsculo frequentemente em fórma de bastonete, e partindo dum corpúsculo basal, que elle denominou a^-parelho 'p.ar a-basal. Alguns protozoários apresentam em sua super- fície fibrillas contracteis, denominadas myonema e que alguns membros da escola de Schaudinn con- sideram originadas do fuso achromatico duma divi- são do núcleo; ao myonema compete auxiliar a manutenção da fórma e o movimento do protista. Substancias chromatoides f) Sob essa designação se comprehendem sub- stancias chromophilas encontradas no plasma de certos protistas e que, não pertencendo ao grupo das substancias nucleares, parecem estar intimamente relacionadas com seu mecanismo de renovação. Julgam alguns tratar-se de productos de decompo- sição e outros as consideram reservas donde a cellula retira os materiaes para renovar a chromatina do núcleo. No numero dessas substancias está a volutina dos Try^anosoma e é possível que também nelle esteja incluído o corpúsculo que descrevemos em vários Trichomonas. (j) De zptõpia, aroç, côr -f- eiSoç, fôrma. 59 ECOLOGIA GERAL Muito rudimentar ainda é o estudo ecologico dos protozoários, principalmente no que diz respeito ás fôrmas parasitarias. Não vamos, por conseguinte, dar aqui ao assumpto um desenvolvimento que o estado actual de adeantamento desses estudos não permittiria. O estudo do habitat e de sua influencia sobre o individuo constitue, no ponto de vista biologico, a ecologia. (T) O primitivo flagellado, já o dissemos, devia ter sido protozoário de vida livre e, provavelmente, chlorophyllado. E' o que parece demonstrado prin- cipalmente após as pesquizas de Dangeard e de Alexeieff sobre alguns representantes do genero Monas. Bem cedo, porém, mudanças de habitat, fazendo variar as condições mesologicas, trouxeram á mor- phologia do protista as modificações mais diversas (V. Morphologia geral). Não é isso de extranhar quando hoje observamos muitos protozoários vari- arem extraordinariamente de morphologia conforme o meio em que se desenvolvem ; pode servir de exemplo frisante o Trypanosoma cruzi que, con- forme se acha na corrente circulatória e nos tecidos do homem ou no intestino do Triatoma transmissor, se apresenta com morphologia correspondente á dos generos T rypanosoma, Leishmania, Cnthidia e H erpetomonas. (2) De oíxoç, casa -|~ Xo-pç, discurso. 60 O habitat, influindo de modo tão accentuado sobre a morphologia do protista, está claro que é preponderante muitas vezes sua importância para a collocação systematica do protozoário. Assim é que alguns caracteres são peculiares a flagellados de vida livre, presença de chromoto- phoros, por exemplo, ao passo que outros, como membrana ondulante, caracterisam os flagellados parasitos. Entre os flagellados de vida livre muitos generos são exclusiva ou principalmente encon- trados ora nagua doce, salgada ou salobra, ora em aguas correntes ou estagnadas, ou ainda nas infusões vegetaes. Quanto aos flagellados parasitos, varia seu habitat não só no que diz respeito á especie parasi- tada, como também no ponto de vista de sua locali- sação no hospedador. Dahi decorrem variações, não só morphologicas, como dos processos de contagio (transmissão) e influencias diversas do hospedeiro sobre o parasito e vice-versa (utilidade, inno cuidade ou pathogemdade do flagellado). Nenhum ramo do reino animal está isento do parasitismo por proto- zoários e existe mesmo um flagellado, Herpeto- monas davidi que tem por habitat o latex de vegetaes do genero Euphorbia Q. Hospedador. A distincção especifica é em I1) Já estava no prelo este trabalho, quando do Dr. L. E. Migone, delegado paraguayo ao 2.° Congresso Scientifico Pan-Americano, tivemos communicação verbal de que havia elle descoberto em uma asclepia- dacea, Ara/tijia angustifolia, um novo H erpetomonas, ao qual o autor deu a designação especifica de H. elmassiani ; o estudo desse novo pro- tozoário constitue objecto de uma memória que o Dr. Migone apresenta áquelle Congresso. 61 geral insufficiente obstáculo para transmissão de um dado flagellado de um a outro hospedadores. Assim Cavia porcellus, o cobayo, e C. aperea, a preá, têm em seu cczcum os mesmos flagellados. O mesmo póde acontecer para as differenças genericas ; assim Dasyprocta aguti, a cotia, é parasitada por Tricho- mastix cavia, hospede habitual do cobayo, animal de genero diverso mas da mesma familia que a cotia. As differenças de familia para o hospedador podem permittir ainda a transmissão de flagellados ; é o que succede por exemplo com Giardia cuniculi parasito habitual de Oryctolagus cuniculus, o coelho, roedor da familia Geporida, em Coendu villosus, o ouriço, roedor da familia Cercolabida. Até mesmo diffe- renças muito accentuadas de ordem são por completo indifferentes a muitos flagellados ; assim Spharo- monas communis, parasito dos ruminantes, foi por nós encontrado também no cobayo, um roedor. Os limites tão pouco restrictos dessa especificidade para- sitaria são, no caso dos protozoários sanguicolas, um Lanto reduzidos ; mesmo assim, ainda esses limites permittem que, por exemplo, o Trypanosoma cruzi infecte Homo sapiens, o homem, e Callithnx jacchus, o sagui, ambos primatas, com a mesma faci- lidade com que se hospeda no organismo de F elis domestica, o gato e de Canis familiaris, o cão, dous carnivoros, e, o que ainda é mais notável, permittem também a infecção de um desdentado, Tatus novem- cinctus, o tatú. Para a escolha de hospedador é muito impor- tante a opportunidade mais ou menos frequente que ao flagellado é offerecida para infecção ; assim os hábitos do hospedeiro, sua convivência com indivi- 62 duos infectados e, para o caso dos flagellados intes- tinaes, seu regímen alimentar, devem particular- mente influir. A influencia do regimen alimentar do hospe- dador é preponderante sobre os flagellados intes- tinaes, os quaes só muito excepcionalmente parasi- tam carnívoros. As occasiões de contagio offerecidas ao para- sito são frequentes no caso de communidade de habitat. A's vezes o resultado da cohabitação de hospedadores differentes é a transferencia dos para- sitos de uns para outros, ao passo que em outros casos, apezar de intima convivência, não se dá a infecção. Assim os numerosos exemplares de cobayos por nós examinados nunca mostraram Giardia em seu intestino, apezar de estarem em contacto frequente com coelhos habitualmente infe- ctados ; esses mesmos cobayos, porém, muitas vezes appareceram infectados por Sphceromonas com- munis, proveniente de bovideos frequentadores dos campos que forneciam alimentação aos cobayos. A idade do hospedador ás vezes influe sobre o parasitismo do flagellado; assim Giardia agitis, parasito de gyrinos de rãs, vae se enkystando á proporção que estes se metamorphoseam e, no batrachio adulto, não existem mais flagellados, nem moveis, nem enkystados. A questão geographica não parece prevalecer muito em matéria de ecologia dos flagellados para- sitos, fazendo com que variem as especies conforme a região habitada pelo hospedador. E, si assim não fosse, os animaes importados do Velho para o Novo Continente deveriam adquirir no ultimo habitat, 63 parasitos outros que não os frequentavam na primi- tiva área de distribuição; este facto não parece realizado, pois, só excepcionalmente, os flagellados de mammiferos indigenas do Brazil são proximos das especies que observamos nos mammiferos importados; além disso, com a mudança de habitat não ha modificação sensivel do meio interno ou do modo geral de vida do hospedador, o que poderia acarretar adaptações parasitarias até então impos- siveis. E' frequente a coexistência de flagellados diffe- rentes em um mesmo hospedador. A's vezes esses flagellados pertencem a especies mais ou menos próximas do mesmo genero; é o que succede com os Trichomonas do homem. Outras vezes ha associa- ções mais ou menos frequentes de flagellados pertencentes a generos diversos; é o que acontece com os parasitos da familia Tetramitidcz que são quasi sempre representados por mais de um genero em cada especie de hospedador. Localisação. Si os flagellados são tão pouco exigentes no que diz respeito á posição systematica do hospedador, ao contrario, sua localisação neste está em intima relação com as condições morpho- logicas do protista. A localisação do flagellado também póde dar uma idéa, ás vezes falha, sobre o gráo de parasitismo e de poder offensivo de que elle é dotado. Das tres ordens de flagellados que têm repre- sentantes parasitos, as duas primeiras, Rhizomas- tigina e Protomonadina, incluem apenas protozoá- rios das cavidades naturaes ; por excepção na ultima está incluída Costia necatrix*ectoparasito de peixes. 64 A terceira ordem de flagellados parasitos, Binu- cleata, comprehende protozoários do meio interno; aqui também é necessário exceptuar-se as Cryptobia que habitam o tubo digestivo de peixes. Os binucleados ora são hematozoarios como as Babesia, ora parasitam os tecidos como as Leishmania. Alguns delles habitam o plasma san- guineo, como os Try pano soma, outros, levando mais longe seu parasitismo, atacam os elementos anato- micos e nelles se localisam ; é o que succede com Trypanosoma cruzi que parasita a fibra cardiaca e com os Plasmodium que são hematozoarios endo- globulares. Só é descripta uma rhizomastigina parasita ; é M astigamoeba bovis, que não encontrámos aqui e que na Europa habita o estomago dos ruminantes. Das cavidades naturaes parasitadas por proto- monadinas, o pulmão foi objecto de pesquizas, sobre as quaes um juizo definitivo não foi ainda emittido. Schmidt descreveu Trichomonas pulmonalis e outros autores assignalaram no apparelho respira- tório, Monas lens e Cercomonas hominis, o que ainda é mais problemático. A vagina da mulher, quando séde de secreções anormaes, é, ás vezes, parasitada por Trichomonas vaginalis, que póde da vagina passar á cavidade vesical. Poeranu descreveu no genero Monas, pro- ximo de M, pyophila uma forma flagellada que observára na vagina de uma femea de búfalo; embora seja muito summaria a descripção desse autor,.tudo leva a julgar tratar-se neste caso apenas de um espermatozóide. 65 As outras protomonadinas são encontradas no tubo digestivo. A bocca e o pharynge só occasional- mente podem conter flagellados. O esophago dos peixes é a séde habitual das Cryptobia. Nos rumi- nantes é o estomago a séde predilecta dos flagella- dos, ao passo que nos outros mammiferos é ao intestino que cabe esse papel. No intestino delgado são encontradas as Giardia dos roedores, que nunca apparecem moveis no intestino grosso desses ani- maes. Este, ao contrario, é o habitat preferido pelas outras protomonadinas intestinaes. No recto dos mammiferos não são habitualmente encontrados flagellados moveis, inversamente ao que se observa com a cloaca dos batrachios e reptis. Transmissão. Varia com a localisação do flagellado o modo pelo qual se realisa sua transmis- são de uns a outros hospedeiros; estando a locali- sação directamente relacionada com a morphologia do protista e com sua posição systematica, está claro que com estas variará o processo de transmissão. Si o flagellado vive no meio interno do hospe- dador é possível o contagio directo, mas habitual- mente a transmissão se executa indirectamente, por intermédio de um agente animado. O contagio directo se verifica algumas vezes pelo coito, como succede ao Treponema pallidum e ao T ry pano soma equiperdum. O contagio indirecto é mais commum e o agente vivo, por meio do qual se realiza a transmissão, se denomina hospedado? intermediário e nelle, geral - mente, o parasito experimenta modificações evolu- tivas. E' assim que se transmittem os Trypanosoma e muitos outros hematozoarios; o vehiculador de 66 regra é arthropodo, geralmente reduvideo,culicideo ou ixodideo. Quanto a protozoários das cavidades naturaes, a transmissão costuma se effectuar pela intervenção de agentes inanimados. Sobre a transmissão de Trichomonas vaginalis nenhum dado positivo existe. Costia necatrix, ecto- parasito de peixes, segundo demonstração experi- mental de Alexeieff, se transmitte pela agua em que vivem os hospedadores. Os flagellados do tubo digestivo se transmittem pela agua e pelas substancias alimentares ingeridas pelo hospedador; do tubo digestivo, seriam os mes- mos parasitos que por migração chegariam ao appa- relho respiratório. Utilidade. Inocuidade. Pathogenidade. Os gráos diversos do parasitismo, evidenciados pela localisação e pelo regimen alimentar do protozoário dão ás vezes uma idéa, vaga e nem sempre verda- deira, das consequências trazidas para o hospedeiro pela presença do parasito. Assim os flagellados hematicos, principalmente os endoglobulares deveriam ser para o hospedador muito mais prejudiciaes que os flagellados do intes- tino ; as numerosas excepções a esse principio, entre- tanto, o tornam de applicação muito restricta; entre os hematozoarios alguns ha grandemente pathoge- nicos, como Trypanosoma cruzi, e outros absoluta- mente inoffensivos, como T. lewisi. Para o caso de flagellados intestinaes de muitos animaes, elles são certamente inoffensivos e, talvez, uteis mesmo, ás funcções digestivas do hospedador: é o que poderá 67 succeder também para os do estomago dos rumi- nantes. Por fim, os flagellados do intestino humano são encontrados em casos de affecções dysentericas, na etiologia das quaes representam papel muito pro- blemático. Não poucos autores têm querido estabe- lecer uma relação entre a presença de flagellados e a etiologia dos processos dysenteriformes em que elles apparecem; destes, por interesse historico, devemos recordar Davaine que, os tendo observado em casos de cholera e de febre typhoide, lembrou o alcance pratico da verificação exacta do papel dos flagellados na provocação daquellas moléstias. Hoje, sessenta annos depois das pesquizas de Davaine, ainda nada de positivo se sabe sobre o poder pathogenico dos protozoários por elle estu- dados ; parece, entretanto, que elles se observam indifferentemente em quaesquer processos dysenteri- formes, como simples infecções secundarias. PHYSIOLOGIA GERAL No estudo da physiologia geral dos flagellados temos a considerar, como em qualquer ser vivo, func- ções de relação, de nutrição e de reproducção. Nutrição Todo phenomeno vital acarreta dispêndio de energia e, para compensal-o, a cellula dispõe da energia chimica potencial que lhe fornecem os 68 alimentos e da energia physica actual que lhe envia o Sol. A analyse chimica demonstra na cellula a exis- tência de numerosas substancias constituidas por misturas e combinações em que entram, como ele- mentos mais frequentes e indispensáveis, oxygenio, hydrogeneo, carbono, azoto, enxofre e phosphoro. E' pelos phenomenos de nutrição que a cellula recebe a energia chimica e, com o auxilio da energia solar, a transforma em energia mecanica (movimento), thermica (calor animal e vegetal), chimica (secre- ções), electrica e, por hm, em actividade plastica, a actwidade formadora de Max Schulze. Esse desprendimento de energia occasiona a destruição das molleculas albuminoides, com elimi- nação de agua e de gaz carbonico, destruição logo compensada pela absorpção do oxygenio que vae queimar os outros alimentos ingeridos. Este pheno- meno de absorpção do oxygenio e eliminação de gaz carbonico, constitue a respiração, phenomeno com- mum a todos os seres vivos. Os animaes e vegetaes que vivem em contacto com a mistura oxygenada que constitue o ar atmospherico, se denominam aerobios; nesse numero estão os protozoários de vida livre que respiram o oxygenio dissolvido nagua. Outros seres vivem ao abrigo do ar que lhes impede o desenvol- vimento ; estes retiram o oxygenio indispensável das decomposições chimicas por elles mesmos provoca- das ; entre os protozoários, alguns espirochetas são anaeróbios, tendo sido sua cultura bastante difficul- tada pela ignorância desse facto ; de modo idêntico devem respirar os protozoários do tubo digestivo, o qual é completamente privado de ar. Existem ainda 69 seres que podem viver aerobia ou anaerobiamente, embora, ás vezes, normalmente só de um modo ; são os aerobios facultativos. A absorpção dagua também é commum a vege- taes e a animaes e, com a agua, são absorvidos os saes, sulfatos, phosphatos e azotatos, que ella dissolve. A quantidade de phosphatos e sulfatos é sempre sufficiente no solo donde os retiram os vegetaes e, por intermédio destes, os animaes. O azoto, porém, quasi só assimilável sob a fórma de azotatos tem sua fonte, inexgottavel e quasi exclusiva, na atmosphera, de onde passa, até ser incluido no organismo dos vegetaes, por uma série de transformações chimicas que constituem o cyclo do azoto. Em um primeiro tempo o azoto atmospherico é fixado pelas bactérias do solo sob fórma de com- postos orgânicos ; em seguida soffrem estes a ammo- nisação, isto, é transformação em ammoniacaes, devida a diversos microbios ; oxydados pela acção dos fermentos nitrosos, soffrem os ammoniacaes sua transformação em azotitos ou nitrosação ; por um segundo gráo de oxydação, a nitratação, devida aos fermentos nítricos, os azotitos são transformados em azotatos, fórma assimilável do azoto que, absorvido pelos vegetaes, é por estes fornecido aos animaes. A origem do carbono alimentar está na funcção chlorophylliana, isto é, na propriedade que têm os vegetaes chlorophyllados, de, em presença de deter- minadas radiações contidas na luz solar, absorverem o anhydrido carbonico da atmosphera e desprende- rem oxygenio. Estão ainda incompletamente conheci- das as transformações chimicas por que passa o anhy- drido carbonico até se constituírem os hydratos de 70 carbono, sendo neste ponto a hypothese de Bayer geralmente admittida. Segundo este autor o anhy- drido carbonico em presença dagua (CO2 + H2O), nas partes verdes da planta, daria aldehydo formico e oxygenio (CH2O + O2); o oxygenio se libertaria e o aldehydo formico seria immediatamente polymerisa- do fornecendo os assucares [(CH2O)6 = C6H12O6)] ; os assucares se accumulariam dissolvidos no plasma e, attingido certo limite, perderiam agua, se transfor- mando em amylo (C6H12O6 - H2O = C6H10O5). Como intermediários entre vegetaes e animaes, os protozoários ora são capazes de realizar a synthese da complicada mollecula albuminoide, ora se mos- tram utilisando as substancias alimentares já elabo- radas por outros seres vivos. Dahi modos diveisos de nutrição que abaixo enumeramos. Alguns protozoários absorvem por osmose as substancias já elaboradas; ás vezes são nesse caso seres parasitos do meio interno, plasma sanguineo, por exemplo, e seu modo de nutrição se denomina nutrição parasitica. Outras vezes essas substancias dissolvidas são retiradas do meio externo e frequen- temente constituidas por matéria organica em des- aggregação ; diz-se, então, que o protozoário tem nutrição saprophytica. Outros protozoários praticam o predatismo e, como os animaes superiores, ingerem as substancias alimentares elaboradas; é o que se chama nutrição holozoica, a qual é utilisada por protozoários de vida livre e pelos parasitos das cavidades naturaes. Por fim, alguns flagellados, providos de chro- matophoros, que contêm substancias semelhantes ás chlorophyllas vegetaes, gozam da propriedade de 71 formar por synthese a mollecula albuminoide ; estes protozoários apresentam a denominada nutrição holophytica. Como os outros seres vivos, o protozoário accumula reservas nutritivas que variam de natureza conforme o typo de nutrição do animal; ás vezes são constituídas por gordura e glycogeneo, consequentes á nutrição holozoica, parasitica ou saphrophytica; outras vezes são amylaceas, como o paramylo das euglenoideas e formadas pelo mesmo processo que o amylo dos vegetaes superiores, pela nutrição holophytica. Sensibilidade As funcções de relação constituem o modo pelo qual a cellula recebe as influencias ou excitações do meio exterior e a ellas responde por intermédio dos phenomenos de reacção. K propriedade que tem o indivíduo de receber as influencias ou excitações do meio constitue a irritabilidade que, quando accentuada, se denomina sensibilidade. Os phenomenos reaccionarios appa- recem sob fôrmas diversas de movimento, cujo con- juncto constitue a motilidade. As áffinidades positivas ou negativas que a substancia viva apresenta para os diversos excitantes constituem os tropismos. Quando um ser vivo tem apparelho de recepção de uma excitação qualquer, a propriedade pela qual elle recebeu o excitante constitue o sentido. Nenhum sentido, daquelles de que temos noção, foi até hoje certamente verificado em proto- 72 zoarios. Aos flagellos foi attribuida funcção táctil ; ao estigma, junto do qual foi descripto em certos flagellados apparelho lenticular, se attribuiram funcções opticas. Os protozoários constituem, ao contrario, objecto favoravel para o estudo dos tropismos. Os excitantes da cellula podem ser mecânicos, physicos e chimicos. Todos elles têm uma intensi- dade óptima, minima e maxima, que fornecem a primeira a maior reacção, as outras respectivamente as intensidades de excitação minima e maxima ás quaes a cellula responde. Todo excitante deve ser intermittente, para não occasionar a fadiga ou o habito. Dos excitantes mecânicos é a pressão o mais importante ; ella sempre é pouco tolerada e, quando pouco intensa, provoca nos protozoários gradual diminuição dos movimentos; após prazo variavel estes desapparecem e se segue a morte, tanto mais cedo quanto mais forte foi a pressão; quando esta é muito forte, a morte é instantanea e, ás vezes, se póde observar verdadeira explosão do plasma, como succede nos grandes ciliados. Os excitantes physicos comprehendem os luminosos, os thermicos e os electricos. Existe phototropismo positivo nos flagellados verdes, que, entretanto, fogem á luz demasiado intensa ; o phototropismo é antes negativo para os protozoários incolores. Para quaesquer protistas, porém, certas radiações luminosas são rapidamente mortaes; é a esta propriedade que as radiações ultra-violetta devem seu emprego na esterilização das aguas. 73 Um optimum thermico existe sempre para o protozoário que, em temperatura superior ou inferior a elle, soffre intensas modificações em sua evo- lução ; os phenomenos de fecundação observados nos hematozoarios de vertebrados quando passam ao organismo do invertebrado transmissor, são inter- pretados como effeito da baixa de temperatura. Os excitantes electricos, quando intensos, provocam diminuição ou desapparecimento do amebismo e da circulação plasmatica ; quando enér- gicos estes excitantes provocam a. destruição da cellula. As correntes galvanicas moderadas agindo sobre protozoários podem fazel-os se dirigir para o polo positivo, galvano tropismo positivo, ou para o polo negativo, galv ano tropismo negativo; é sobre- tudo aos estudos de Verworn que se devem esses dados colhidos sobre amebas, ciliados e flagellados. Os excitantes chimicos são o ponto de partida dos phenomenos de nutrição da cellula, o chimiotro- pismo positivo existindo sempre para a agua, para o oxygenio e para as substancias alimentares. Motilidade Dos movimentos de que é séde a matéria viva nem todos lhe são exclusivos, alguns existindo também nas substancias inanimadas. Taes são os movimentos brownianos, pequenas oscillações que agitam quaesquer particulas microscópicas em sus- pensão num liquido. Os movimentos proprios do plasma se distin- guem em internos e externos. 74 Os movimentos internos são aquelles que acarretam a mudança de posição ou de fórma do conteúdo cellular, sem deformar o individuo ou deslocal-o da posição que occupa. Neste numero estão comprehendidos os movimentos de contracção dos vacuolos pulsáteis, os de cyclose, e de rotação, as deformações e migrações dos chromatophoros. A contracção dos vacuolos pulsáteis se realiza provavelmente sob influencia da pressão exercida pela cellula sobre a superficie da cavidade ; já ante- riormente verificámos estar o phenomeno relacio- nado com as funcções catabolicas do protista. No plasma cellular, principalmente nos vege- taes, apparecem ás vezes correntes que comsigo acarretam as particulas solidas nelle contidas, o que constitue o principal indicio revelador do pheno- meno ; quando as correntes têm sentido parallelo ás paredes cellulares, diz-se haver rotação plasmalica; quando as correntes percorrem a cellula em sentidos diversos o phenomeno se denomina circulação 'plas- matica ou cyclose. Os chromatophoros em presença de luz pouca intensa vêm á superficie da cellula e offerecem ás radiações luminosas maior superficie pela fórma polyedrica que adquirem ; quando a luz é demasiado intensa elles se retiram para as porções mais longín- quas da cellula, onde apparecem com fórma esphe- roide para offerecerem aos raios luminosos uma superficie menor. Os movimentos externos do plasma são aquelles que acarretam modificações na fórma ou na posição do corpo cellular. Entre elles estão os movimentos 75 metamorphicos e os diversos modos de locomoção dos unicellulares. Quando o plasma apresenta modificações exte- riores de sua forma sem que a cellula por isso se des- loque da posição que occupa, dizemos que existem movimentos metamorphicos f); também denomi- nados pelos autores movimentos metabólicos (2), são elles constituidos frequentemente, nos flagellados de periplasta pouco rigido, por ondulações do plasma que, partindo de um ponto, geralmente anterior da cellula, se propagam e vão diminuindo de intensi- dade, em determinada direcção, com frequência e velocidade ás vezes consideráveis. Quando o protozoário lança pseudopodos para se locomover no liquido em que habita, diz-se que elle tem movimento ameboide, cujo mecanismo, como o dos movimentos metamorphicos, parece con- sistir em modificações da tensão superficial do plasma. Movimento locomotor semelhante a estes dous últimos é o descripto por Engelmann para protistas cercados de envoltorios rigidos e que, sem terem prolongamentos locomotores, apresentam, entre- tanto, mobilidade por uma especie de escorrega- mento sobre o substractum; este movimento seria observado nas gregarinas, nas diatomaceas e nas oscillarias, e teria sua origem no deslocamento de delgadíssima camada de plasma exterior ao envol- torio, imperceptivel a fresco e só revelada pelos reactivos. P) De [xerá, que exprime mudança p.opOTj, fórma. (2) De' p.£TaPoÀ7j, mudança. 76 Os cílios agem como remos ; sua origem contro- vertida não permitte explicar rasoavelmente o movimento ciliar; as experiencias de Verworn, entre- tanto, demonstram a influencia sobre elles exercida pelo ectoplasma ou qualquer formação nelle con- tida ; a observação diaria do rythmico movimento dos cilios o mostrou se propagando de um ponto do corpo successivamente a toda a superfície delle; Verworn, praticando cuidadosamente uma incisão interessando apenas o ectoplasma, em um ponto da superfície de um ciliado, o Spirostomum ambigum, observou que o movimento ciliar só se propagava até a porção incisada, dahi concluindo que a desconti- nuidade morphologica do ectoplasma interrompe a propagação do movimento ciliar. A membrana ondulante, segundo a opinião de muitos, tem por papel afastar os corpúsculos solidos existentes nos líquidos em que vivem os flagellados que a possuem, sangue e conteúdo intestinal; na dependencía das oscillações do flagello adherente, o movimento da membrana ondulante se realiza do mesmo modo que o das nadadeiras medianas de certos peixes. Da direcção do movimento ondulato- rio depende o sentido da progressão do flagellado. Estabelecida por Schaudinn a doutrina da ori- gem nuclear dos flagellos, se esclareceu o mais importante da questão do movimento flagellar; conhecidas as relações dos flagellos com os núcleos, ficou demonstrado que a estes cabe a direcção ciné- tica da cellula dos flagellados. Diversas theorías têm sido apresentadas para dar explicação mecaníca á progressão da cellula occasionada pelos flagellos ; dentre essas hypotheses 77 se destacam as de Biitschli e de Délage e Hérouard, que, como habitualmente succedeu a outros autores, tomaram em consideração sómente o caso mais sim- ples, de existência de um unico flagello ; só por isso qualquer explicação se torna insuífíciente, dada a diversidade de numero e de posição dos flagellos. Em resumo, constam as concepções dos autores citados do seguinte : num dado momento o flagello se enrola- ria em helice a qual, gyrando em meio liquido resis- tente supportaria uma pressão; esta pressão, consti- tuida pela resistência do liquido, é uma força normal ao eixo do flagello enrolado e, decomposta pelo paral- lelogrammo das forças, ficaria constituida por duas componentes : uma parallela ao eixo longitudinal do flagellado e provocando sua progressão, outra per- pendicular a esse eixo e promovendo a rotação da cellula em torno de si mesma. Essa hypothese, mais ou menos alterada, talvez seja verdadeira para muitos flagellados ; o facto porém, de, ao microsco- pio, não se observar formação de helice em flagellos de muitos protozoários, faz crer que a explicação bem poderá não ser generalizada. Reproducção Nos primeiros tempos da vida, pelo excesso de materiaes nutritivos elaborados, a cellula vae augmentando de volume : é o crescimento que tem limites mais ou menos determinados dentro de cada especie. Segundo muitos acreditam, á medida que a cellula cresce, seu volume augmenta numa pro- porção maior que sua superfície, dentro de algum tempo, surgindo perturbações nutritivas nos pontos 78 mais centraes da cellula; attingido esse máximo de crescimento a cellula soffre o processo de divisão que traz como consequência o restabelecimento do equilibrio entre o volume e a superfície da cellula. Quando, após varias divisões successivas, o plasma mostra symptomas de degeneração, que constituem o envelhecimento, sobrevem a fecundação, como phenomeno regenerador. Devemos, portanto, no capitulo da reproducção, estudar dous processos geraes : divisão, consequên- cia do crescimento, e fecundação, provocada pelo envelhecimento. Divisão Depende quasi sempre da estructura do núcleo o modo pelo qual se effectua a divisão do protista. Quando existe núcleo diffuso, como nas bacté- rias e nos espirochetas, a simples divisão do plasma constitue todo o processo. Quando o núcleo é individualizado, o pheno- meno da divisão cellular se complica pela occurren- cia simultânea da divisão do núcleo, que representa, então, o papel mais saliente. A divisão nuclear reveste dous aspectos geraes : divisão directa ou amitose (x) e divisão indirecta ou mitose (2) ou caryocinése (3). A divisão directa é o processo pelo qual o núcleo se divide por simples estrangulamento, o (x) De á (privativa) 4" fio, tecido. (2) De ptíroç, tecido. (3) De xápuov, núcleo -|- xtvvjatç, movimento. 79 qual não é precedido de quaesquer modificações estructuraes; este processo, não raro observado nos metazoanos e metaphytos, tem sua existência con- testada nos protozoários. A mitose é o processo de divisão durante o qual o núcleo passa por modificações estructuraes, antes da separação dos núcleos filhos. Segundo é admit- tido, têm essas modificações por fim distribuir equi- tativamente a chromatina entre os núcleos novos; dessa distribuição equitativa resulta, ás vezes, a separação de uma das variedades de chromatina; outras vezes, a mitose occasiona a persistência nas cellulas filhas das propriedades de que gozava a cellula mãe ; é esta persistência que constitue o phe- nomeno da hereditariedade. O primeiro caso tem logar quando os núcleos filhos são de tamanho des- egual e não se separam da cellula mãe. O segundo caso occorre quando os núcleos filhos têm mais ou menos as mesmas dimensões. No primeiro caso a divisão se diz heteropolar e é por meio delia que se fórma o apparelho locomotor dos flagellados, o qual é constituido justamente de chromatina cinética, isolada pelo processo de divisão ; nos casos de gem- miparidade, isto é, reproducção por brotos ou gom- mos, nascidos na superfície da cellula, também existe divisão heteropolar que, porém, neste caso não separa as differentes variedades de chromatina. A divisão indirecta, no segundo caso, se deno- mina homo polar e pode ser binaria e múltipla ou eschizogonia (*). (!) De trztÇstv, dividir -{- yovoç, geração. 80 A divisão binaria é aquella que se detem após formação de dous núcleos. A divisão múltipla e aquella em que se formam muitos núcleos que vão depois constituir, com o plasma circumjacente, outros tantos individuos. A mitose sempre se realisa sob a influencia de um centro director; este centro é extra-nuclear (cen- triolo do centrosoma) nos metazoarios e metaphytos e intra-nuclear nos protozoários (centriolo do caryo- soma). A mitose dirigida por um centro extra- nuclear seria a mitose completa ou metamitose (1), que teria fôrmas a ella similares ou mesmo idênticas em alguns protozoários ; a mitose própria dos proto- zoários, dirigida por centro intra-nuclear, seria a mitose 'primitiva, da qual existem numerosos typos que alguns autores grupam de modos diversos. Alexeieff admitte, além da amitose e da divisão múltipla que denomina cyclomitose (3), cinco grupos de mitose primitiva cada um dos quaes o mesmo autor subdivide em dous outros. Sendo sempre mais ou menos artificial qualquer tentativa de systematisa- ção, nos parece inútil distinguir tão grande numero de grupos ; uma tal classificação está longe de satis- fazer o unico objectivo desejável, o de tornar mais facil a comprehensão de uma série evolutiva, mais ou menos perfeita, intermediária entre a divisão directa e a mitose completa. Hartmann e Chagas admittem tal correlação entre os typos de estructura nuclear e os processos de mitose, que utilisam estes para melhor distincção (t) De peTa (que exprime mudança) + piro;, tecido. (2) De púxXoç, circulo + pkoç, tecido. 81 daquelles. Após o estudo do processo geral de mitose primitiva, estudaremos as modalidades que elle apresenta, de accôrdo com os trabalhos dos dous autores citados. Quando estudámos a differenciação de varie- dades funccionaes de chromatina, vimos que, em alguns protozoários, a variedade trophica se acha, ás vezes, separada das outras duas, constituindo o macronucleo nos infusorios. As outras duas varieda- dades de chromatina, veremos que se distinguem nitidamente uma da outra no processo de mitose. Chegado o momento da divisão indirecta, o centriolo se estira, tomando a principio a fórma de bastonete e, em seguida, a de halteres, por fim se divide, e suas duas metades se afastam e se vão col- locar em dous polos oppostos do caryosoma ; os cen- triolos filhos permanecem ligados entre si por um filamento de sua própria substancia, a centrodes- mose. A substancia chromatica do núcleo, constituida pela chromatina do caryosoma e pela da zona do sueco nuclear, se reúnem na porção correspondente ao equador do núcleo. Os dous centriolos ligados pela centrodesmose se afastam; o material achro- matico do núcleo se dispõe em uma figura fusiforme cujo eixo é a centrodesmose e cujos polos são os centriolos ; essa figura recebe o nome de fuso achro- matico de divisão. As substancias chromaticas se dispõem no equador do fuso, constituindo ahi a placa equatorial que pode estar distincta em chro- mo somas (f), geralmente em numero variavel, rara- (J) De xpwpa, côr + gwpa, corpo. 82 mente em numero fixo para uma dada especie. Só nesta occasião é que se dissolve a membrana nuclear e, então, os centnolos arrastam, para os dous polos da cellula, cada um metade da placa equatorial, cuja chromatina se vae dispor em torno dos centnolos filhos que, então, constituem dous novos núcleos. Comparando o phenomeno com o que occorre nos metazoarios e metaphytos, duas differenças prin- cipaes são a notar. Em primeiro logar o centro dire- ctor da mitose é, nestes, extra-nuclear o que obriga a membrana nuclear a um desapparecimento pre- coce, para tornar possivel a attracção dos chromoso- mas e a formação do fuso, em seguida é a fixidez do numero de chromosomas, sua estructura e seu des- dobramento por um processo muito aperfeiçoado. Verifica-se, considerando o processo de mitose num e noutro caso, mitose primitiva e mitose com- pleta, que as substancias nucleares se separam em dous grupos; um delles, acompanhando os centrio- los, é constituído por estes, pela centrodesmose e pelo fuso ; o outro é constituído pela placa equato- rial. O primeiro grupo constitue a parte cinética do núcleo, aquella que dirige a execução dos compli- cados movimentos constituintes da mitose. O se- gundo grupo, placa equatorial, vae ser a séde dos phenomenos de distribuição da chromatina entre os núcleos, facto básico no ponto de vista da heredita- riedade ; é a chromatina genetica. Considera-se em geral, tanto mais aperfeiçoado o processo quanto menor fôr a quantidade de chro- matina que acompanha os centriolos porque assim, indo esta para a placa equatorial, de lá será mais equitativamente distribuída. Assim o typo de mitose 83 que descrevemos seria muito aperfeiçoado porque a componente locomotora era apenas formada pelos centriolos, centrodesmose e fuso, sem outra parte chromatica; é elle, com effeito, que se observa no terceiro e ultimo estádio da evolução phylogenetica dos núcleos. Ao contrario, o typo mais imperfeito de mitose primitiva seria caracterisado pela ausência de placa equatorial, de modo que na divisão, toda a chromatina do núcleo acompanharia os centriolos : é o que se denomina promitose (x), a qual justamente occorre nos núcleos de typo protocaryon. Além da promitose, o primeiro typo evolutivo de núcleo apresenta outros modos de divisão mais aperfeiçoados. Assim, em alguns protozoários se nota em torno dos centriolos substancia chromatica, que constitue a componente cinética do núcleo, e uma placa equatorial, ás vezes apresentando chro- mosomas ; já se percebe portanto, aqui uma evolução notável do processo de mitose que, mesmo nos núcleos do primeiro typo, póde attingir o estado que descrevemos para os do terceiro. No segundo typo de núcleo, o caryosoma corresponde á parte cinética do núcleo e, após sua divisão por um processo semelhante á promitose, a chromatina exterior fórma placa equatorial que, nas fôrmas mais perfeitas, tem chromosomas distinctos, existindo ás vezes também um fuso achromatico. E' este processo que Chagas denomina promitose do caryosoma e mitose do núcleo exterior ; nelle está comprehendida a haplomitose (2) das euglenoideas. (J) De jtpò, antes de -{- [/troç, tecido. (2) De simples -j- pro;, tecido. 84 Fecundação Fecundação é o processo pelo qual dous núcleos se fundem de modo a constituir um núcleo unico, syncaryon Q, que, por phenomenos subse- quentes de divisão, dá origem a núcleos múltiplos de individuos filhos. Os elementos que entram em conjugação se denominam gametos e, ora são constituidos por cellulas vegetativas, òra são elementos derivados dessas ceflulas as quaes se denominam, então game- tocytos ou gamontes (2). Gametos são, portanto, os elementos que vão entrar em fecundação. Gamontes são os elementos de que se originam os gametos. O resultado da fecundação é o ovo que, para o caso dos protozoários, recebe a designação espe- cial de zygoto (3) ou cópula. Os elementos que entram em fecundação podem ser originados da mesma cellula, serem, portanto, gametos irmãos, ou derivarem de individuos diffe- rentes. Dahi duas grandes divisões do processo geral da fecundação, automixis e amphimixis. Automixis é a fusão de dous núcleos irmãos ; ás vezes estes dous núcleos pertencem á mesma cellula e o processo se denomina autogamia (4); outras vezes os núcleos em fusão pertencem a duas cellulas differentes : diz-se, então, haver pedogamia. (J) De aóv, com + xápuov, núcleo. (2) De yá[xo;, casamento + wv, ovroç, ente, ser. (3) De Çuywròç. unido, junto. (4) De aúróç, proprio yáp.oç, casamento. 85 A autogamia, quando se realiza em elementos asexuados, se denomina pedagomica; quando, ao contrario, se executa em cellulas sexuadas, é deno- minada farthenogamia f)eé geralmente observada nos gametos ou nos gamontes femininos, consti- tuindo a reproducção sexuada da cellula feminina virgem. Amphimixis é a fusão de dous núcleos origi- nados de elementos differentes. Quando esta fusão é permanente o processo recebe o nome de comutação. Quando a fusão é temporária e seguida da separação dos gametos, dá-se a chamada conjugação. Quando na conjugação ha simples permuta de substancias nucleares entre os dous gametos, o processo se deno- nima conjugação alelogamica; quando, em vez de permuta, ha transferencia das substancias nucleares, de um para outro gameto, a conjugação tem o nome de heterogamia. Posição dos Flagellados Para comprehender todos os seres vivos infe- riores, cuja collocação nos reinos vegetal ou animal era difficilmente justificada, creou Haeckel o « Reino dos Protistas » que detalhadamente estuda em sua Generelle Morphologle des Organismen. Parecendo a principio util esse modo de ver, vem elle, entretanto, complicar ainda a já tão difficil quanto debatida questão de nitidamente separar os campos respectivos de acção da Zoologia e da Botanica. P) De TcapOsvoç, virgem ya^oç, casamento. 86 São de facto imprecisos e artificiaes os limites classicamente acceitos entre animaes e vegetaes ; não é, porém, mais claramente expresso por Haeckel o meio de distinguir os protistas por um lado dos vegetaes, dos animaes por outro ; e é elle o primeiro a reconhecer o facto, quando, em sua Naturliche Schõfifungsges chi chte, fica em duvida si deve' collocar como protistas ou como vegetaes, os cogu- melos e as phycochromaceas (algas coradas sem chlorophylla), como protistas ou como animaes, as noctilucas e as esponjas. Mal delimitado como os outros dous, o reino dos protistas, viria trazer, com seu apparecimento, uma confusão ainda maior; isto, porém, não succedeu, pelo simples motivo de sua duração ephemera, que teve, como vantagem unica, a de contribuir bastante para o progresso das idéas trans- formistas, atravéz do monismo de Haeckel. Botânicos e zoologos se attribuem o dever de estudar os Flagellados. Praticamente essa confusão apenas traz a van- tagem de serem estes mais pesquisados. No ponto de vista theorico só a acceitação dogmatica de determinados caracteres distinctivos, sempre mais ou menos artificiaes, poderia resolver a questão. Parece-nos, entretanto, melhor solução, que a trazida por essa illogica medida, considerar os factos como naturalmente elles se apresentam: reconhecer a existência de caracteres animaes e vege- taes nos mesmos individuos, não separar artificial- mente esses caracteres, não estabelecer nas sciencias naturaes uma precisão que, impossível nos domínios 87 muito mais exactos da Mineralogia e da Geologia, é totalmente absurda no terreno da Biologia. Como, porém, para methodizar o estudo, é necessário collocal-os em alguma das duas partes, tendo em vista os caracteres mais apparentes (moti- lidade, entre outros), colloquemos os Flagellados entre os Protozoários, animaes providos de uma unica cellula. PARTE ESPECIAL CLASSIFICAÇÃO DOS FLAGELLADOS Na io.a edição do Systema N atura de Linneu, (1758) sob o titulo de Vermes Infusoria, o autor constitue um grupo de animaes em que estava incluido um genero de protozoários, Chãos, com duas especies; mais tarde, em outras edições da mesma obra, foi muito augmentado o numero de generos e especies de infusorios admittidos por Linneu e creados por outros autores. Em 1786, O. F. Miiller, em seu Animalcula Infusoria distingue dous grupos de protozoários, sendo que, no segundo, confunde as vorticellas com vermes e rotiferos. Com Ehrenberg (Infusionsthiere), em 1838, ainda a confusão é grande, distinguindo elle trinta e duas famílias de infusorios, para isso se baseando, em primeiro logar, sobre a presença ou ausência de tubo digestivo. Melhor ordem é estabelecida na systematica protozoologica, em 1841, por Dujardin (Zoophytes Infusoires) que admitte cinco ordens de protozoá- rios, das quaes a terceira comprehende apenas os flagellados que o autor distribue em seis famílias. Kent, em 1880, admitte um sub-reino dos Pro- tozoa em que estaria comprehendida a legião dos 92 Infusoria que elle distingue em tres classes : Fla- gellata, Ciliata e Tentaculifera. Biitschli em 1883-87 (Klassen und Ordnung) admitte quatro classes de protozoários : Sarcodina, com tres sub-classes (Rhizofoda, Heliozoa e Radio- laria), S^orozoa, com tres sub-classes (Gregarinida, Myxosporidia, Sarcosforidia), Mastigophora, com quatro ordens (Flagellata, Choanoflagellata, Dino- flegellata e Cystoflagellata) e Infusoria com duas sub-classes (Ciliata e Suctoria). Na ordem Flagel- lata o autor admitte quatro sub-ordens e vinte e tres familias cuja caracterisação é ainda muito defeituosa. Systema dos Protozoários, segundo Doflein Em 1902, Doflein publicou uma classificação, ainda hoje seguida por muitos, cujas relações com a classificação de Hartmann, adoptada neste trabalho, são muito intimas e cuja terminologia ficará em seus pontos capitaes comprehendida após o estudo desta ultima. Ramo : Protozoa I sub-ramo : Plasmodroma Doflein. I classe : Rhizopoda v. Siebold. I ordem : Amoebina Ehrenberg. II ordem: Heliozoa Haeckel. III ordem : Radiolaria Johannes Miiller IV ordem : Mycetozoa De Bary. II classe : M astigophora Diesing. I sub-classe : Flagellata Cohn, em. Bútschli. 93 I ordem : Protomonadina Blochmann. II ordem : Polymastigina Biitschli et Blochmann. III ordem : Euglenoidina Klebs. IV ordem : Chromomonadina Bloch- mann. V ordem : Phytomonadina Blochmann. II sub-classe : Dinoftagellata Biitschli. I ordem : Adinida Bergh. II ordem : Dinifera Bergh. III sub-classe : Cystoflagellata Haeckel. Addenda : Trichonymphid^ III classe : Sporozoa Leuckart. I sub-classe : Telosporidia Schaudinn. I ordem : CoccldlomoTpha Doflein. I sub-ordem : Coccidia Leuckart. II sub-ordem : H cemosporidia Da- nilewski em. Schaudinn. II ordem: Gregannida Aimé Schneider em. Doflein. I sub-ordem : Eugregarinana Doflein. II sub-ordem : Am^bospondia Aimé Schneider. II sub-classe : N eospondia Schaudinn. I ordem : Cnidosporidia Doflein. I sub-ordem : Myxosporidia Biitschli. II sub-ordem : Micro sporldia Bal- biani. 94 Addenda: S.erumsporidia, Haplosporidia, Lymphosporidia, etc. II sub-ramo : Cilio^hora Doflein. I clase : Ciliata Bútschli. I ordem : Holotricha Stein. II ordem : Heterotricha Stein. III ordem : Oligotricha Bútschli. IV ordem : Hypotncha Stein. V ordem : Peritricha Stein. II classe : Suctona Bútschli. Systema dos Protozoários, segundo Hartmann Adoptámos neste trabalho a classificação publi- cada, em 1907, por Hartmann e ligeiramente modi- ficada, em 1910, por elle e Chagas, na parte referente aos flagellados. Os dous sub-ramos creados por Doflein são mantidos. O sub-ramo Ciliophora, cuja classificação per- maneceu inalterada, inclue seres que desde logo se distinguem por suas organellas locomotoras, os cilios, e pela modalidade particular de duplicidade de núcleos : micronucleo genetico e macronucleo trophico. O sub-ramo Plasmodroma comprehende quatro classes das quaes duas encerram protozoários moveis : Rhizo^oda, caracterisada pelo movimento ameboide, e Mastigophora pela presença de flagel- los. As outras duas classes, Neosporidia e Telos-po- ridia correspondem aos Sporozoa de Doflein, exclui- 95 dos os Hosmosporidia, cuja posição entre os Masti- go-phora deveremos justificar. Distingue-se telospo- ridios de neosporidios, porque os primeiros apresen- tam duplo cyclo evolutivo cuja primeira phase é de crescimento e de divisão, e cuja segunda phase é de reproducção esporogonica, ao passo que os segundos terminada a primeira phase de crescimento, entram em eschizogonia que se continua juntamente com o crescimento durante o resto da vida do protista. A classe Mastigophora fica comprehendendo tres classes : Flagellata, Dino flagellata e Cysto fla- gellata. A primeira dessas classes é a que nos occupa. As outras duas encerram seres de vida livre, provi- dos de flagellos, no primeiro caso envoltas por carapaça bivalve, no segundo com o corpo muito augmentado de volume por estar embebido de uma substancia gelatinosa que pode ser mais abundante que a substancia viva. A sub-classe Flagellata inclue seis ordens, cuja caracterisação é feita principalmente pelo aspecto do apparelho locomotor. A primeira ordem, Rhizomastigina, primitiva- mente não admittida por Hartmann, comprehende protozoários cujo flagello parte directamente do caryosoma do núcleo para o exterior. A segunda ordem, Protomonadlna, compre- hende protozoários cujo flagello sahe de um cor- púsculo basal, o qual está ligado ao caryosoma do núcleo por meio de um rhizoplasto. Na terceira ordem, Binucleata, estão incluidos protozoários que em uma phase qualquer da vida são flagellados e que sempre apresentam uma moda- 96 lidade de duplicidade de núcleos com núcleo prin- cipal tropho-genetico e blepharoplasto cineto-gene- tico. Nesta ordem estão incluidos os Hoemosporidia do systema de Doflein, os quaes, ora em cultura, ora no hospedeiro transmissor e, até mesmo, no hospe- dador vertebrado, apresentam uma phase flagelli- fera. Pela primeira vez foi verificado esse facto por Schaudinn, para o caso do Try pano soma noctuce, cujas fôrmas flagelladas appareciam á noite no sangue das corujas parasitadas e, durante o dia, se apresentavam com a morphologia caracteristica dos H emoproteus, parasitos endoglobulares. A quarta ordem é Chromomonadina, cujos representantes têm disposição flagellar ainda igno- rada. A quinta ordem no systema de Hartmann é Euglenoidea caracterisada pela presença de diplo- soma, isto é, de dous corpúsculos basaes, dos quaes um dá origem ao flagello. A sexta ordem é Phytomonadina, cujos repre- sentantes, geralmente chlorophyllados, têm appa- relho locomotor idêntico ao dos protomonadinas. Ramo : Protozoa I sub-ramo : Plasmodroma Doflein. I classe : Rhizo^oda v. Siebold. I ordem : Amoebina Ehrenberg. II ordem : Mycetozoa De Bary. III ordem : Foraminifera d'Orbigny. IV ordem : Heliozoa Haeckel. V ordem: Radiolaria Joh. Múller. ESTAMPA I Eschema da classificação dos Flagellados Segundo Hartmann e Chagas I II III IV V V I Fig. I - Ordem Rhizomastina. Fig. II - Ordem Protomonadina. Fig. III - Ordem Binucleata. Fig. IV - Ordem Chromomonadina. Fig. V -Ordem Euglenoidea. Fig. VI - Ordem Phytomonadina. 97 II classe : M astigoflhora Diesmg. I sub-classe : Flagellata Cohn et Bíitschli. I ordem : Rhizo mastigina Bíitschli. II ordem : Protomonadina Blochmann. III ordem \Bi-nucleata Hartmann. IV ordem : Euglenoidea Klebs. V ordem : Chromomonadina Bloch- mann. VI ordem : Phytomonadina Blochmann. Annexo. - Spiroch^ta II sub-classe : Dinoflagellata Bíitschli. I ordem : Adinida Bergh. II ordem : Dinifera Bergh. III sub-classe : Cysto flagellata Haeckel. Annexo. - Trichonymphid/e, Leidy. III classe: Telos^ondia Schaudinn. I ordem : Coccidia Leuckart. II ordem : Gregarinida Aimé Schneider I sub-ordem : Eugregarinaria Doflein. II sub-ordem : Schizogregannana Léger. IV classe : N eosporidia Schaudinn. I ordem : Myxosporidia Bíitschli. II ordem : Microspondia Balbiani. III ordem : Sarcospondia Balbiani. IV ordem : Actinomyxidia Stolc. V ordem : Haplospondia Caullery et Mesnil. 98 II sub-ramo Ciliophora Doflein. I classe : Ciliata Bútschli. I ordem : Holotncha Stein. II ordem : Heterotricha Stein. III ordem : Oligotricha Bútschli. IV ordem : Hy^otricha Stein. V ordem : Peritricha Stein. II classe : Suctoria Bútschli. Classificação das Protomonadinas Generos parasitos. No systema de Hartmann, as protomonadinas são distribuídas em dous grupos, um delles compre- hendendo indivíduos asymetricos, tendo numero simples de organellas, e outro constituído por fla- gellados providos de symetria bi-lateral e quasi sempre com numero duplo de todas as suas for- mações. O primeiro grupo, Monozoa, inclue toda a antiga ordem das protomonadinas, excluindo apenas os binucleados com os quaes Hartmann constitue uma ordem á parte. O segundo grupo, Di^lozoa, corresponde ao antigo grupo dos Dvplozoarios de»Dangeard e ás Distomata de Klebs. Embora isto não tenha sido expresso por Hart- mann e Chagas julgamos dever considerar esses dous grupos com a categoria de sub-ordens. Na sub-ordem Monozoa, Hartmann inclue oito familias, numero este que augmentámos pela creação de uma nova familia. ESTAMPA II Eschema da classificação das Protomonadinas Segundo Hartmann e Chagas Modificado pelo autor I Familia Cercomonadidce. II Familia Oicomonadidce. III Familia Codosigida. IV Familia Monadidce. V Familia Amphimonadida. VI Família Bodonidce. VII Família Trimastigidce. VIII Familia 7 etramitidce. IX Familia Callimastigida. X Familia Hexamitida. 99 A primeira familia Hartmann designa pelo nome de C ercomonadacce; é caracterisada pela pre- sença de um flagello anterior que se continua com um filamento de origem nuclear que atravessa o corpo e termina na extremidade posterior da cellula onde existe prolongamento caudal. Nesta familia estaria incluido o genero Cercomonas, que outros julgam ser antes uma rhizomastigina; foi por isso que Lemmermann, propoz em 1913, a creação do genero Cercomastix, para incluir os protozoários que Hart- mann e Chagas julgam Cercomonas ; neste caso o nome da familia deveria ser mudado de accordo com o nome do novo genero que lhe serviria de typo. Não julgando, entretanto, que esteja resolvida a questão, preferimos seguir a opinião dos dous autores citados conservando a designação por elles dada á familia, mudando apenas a desinência, que, de accordo com as regras de nomenclatura zoologica deve ser idce e não acece, terminação esta adoptada para os nomes de familias na nomenclatura botanica ; esta mudança de desinência será feita também para as outras familias da mesma ordem. Collocamos na familia Cercomonadidce, devido á presença de rhizostylo, o genero Rhizomastix, creado por Alexeieff em 1911, apezar de opiniões em contrario de outros, que preferem estudal-o na familia seguinte. A especie typo deste genero é R. gracilis Alexeieff, 1911. A segunda familia, Ozcomonadidcz, se caracte- risa por corpo globoso com um flagello unico e longo ; ella encerra um unico genero parasito, Sphtz- romonas, creado por Liebetanz, em 1910, e cuja especie typo é S. commzmis Liebetanz, 1910. 100 A terceira familia Hartmann denomina Craspe- domonadacece, designação que não póde prevalecer por não incluir ella nenhum genero de cujo nome pudesse este se originar; designaremos por isso a familia pelo nome adoptado por Poche, em 1913, de Codosigidce. Esta familia, caracterisada pela pre- sença de um collarmho membranoso cercando a base do Hagello, não encerra nenhum representante parasito. A quarta familia que consideramos é a quinta de Hartmann, M onadidce, caracterisada pela pre- sença de dous Hagellos anteriores dos quaes um grande e um pequeno (nebengeissel) ; nenhum representante parasito. A nossa quinta familia é a sexta de Hartmann, Amphimonadidcz, caracterisada pela presença de dous flagellos anteriores de egual comprimento; nenhum representante parasito. A sexta familia, na seriação que estabelecemos, é a quarta de Hartmann, Bodonidcz, sobre cuja significação reinam as maiores divergências. O genero que serve de typo á familia é o genero Bodo, creado por Ehrenberg, em 1838, e cuja especie typo, por sua vez é B. saltans descripta na mesma occasião por aquelle autor; até 1910 nenhuma duvida existia quanto aos protozoários que deviam ser collocados no genero Bodo; naquelle anno, porém, Hartmann e Chagas descrevem um novo genero de binucleados com o nome de Prowazékia, differindo do genero Bodo apenas por ter dous núcleos; tempos depois Alexeieff verificou que B. saltans também tinha dous núcleos e era, portanto, um binucleado, o que fazia cahir em synonimia o nome de Prowazekia. Hart- ESTAMPA III Eschema da classificação dos generos parasitos Familia CERCOMONADID/E. I Genero Rhizomastix. Familia OICOMONADID/E. II Genero Sph<2romonas. Familia BODONID/E. III Genero Proioazekella. Família CALLIMASTIGID/E. IV Genero Callimastix. Família HEXAMITID/E. V Genero Octomitus. VI Genero Giardia. Annexo : VII Genero Selenomonas. ORIGINAL DR. O. DA FONSECA 101 mann, porém, continua convencido da existência autonoma do genero Prowazekia, por ter visto aqui no Brazil uma especie aquatica de Bodo, que elle não determinou e que não era binucleado. Para as especies parasitas, por alguns collocadas no genero Bodo, fora creado o genero H eteromita, nome que não pode prevalecer por já ter sido anteriormente empregado com significação differente; por esse motivo, em 1912, Alexeieff creou o genero Prowaze- kella, para a especie conhecida com o nome de Bodo lacertce. Os representantes mononucleados do antigo genero Bodo, uma vez verificada a duplicidade nuclear da especie typo deste genero, devem ser col- locadas em um novo genero que para tal fim ainda não foi creado. A sétima familia é Trimastigidce, caracterisada pela presença de um flagello anterior e de dous fla- gellos recorrentes : nenhum representante parasito. A oitava familia é Tetramitidtz, cuja caracteri- sação era feita antigamente pela presença de quatro flagellos; hoje, depois de conhecidos muitos flagel- lados proximos a tetramitidas typicas e com numero diverso de flagellos, somos levados a caracterisar esta familia como : protomonadinas com quatro fla- gellos em dous grupos ou em um só grupo, podendo, então, um ser recorrente, ou, ainda, com numero diverso de flagellos, mas tendo ou membrana ondu- lante, ou flagello recorrente livre, ou axostylo, ou va- rias destas formações simultaneamente; esta familia comprehende muitos generos e sub-generos de. fla- gellados parasitos, segundo consta da lista seguinte : Genero Chilomastix Alexeieff, 1910. Cytostoma com bordo chromophilo e percorrido por membrana 102 ondulante, tres flagellos livres anteriores; não ha axostylo. Especie typo: C. caulleryi (Alexeieff, 1909). Sub-genero Tetrachilomastix, nov. sub-gen. Differe do typo precedente pela presença de quatro flagellos anteriores em vez de tres. Especie typo : Chilomastix (Tetrachilomastix) gallinarum Martin et Robertson, 1911. Genero F anapepea Prowazek, 1911. Differe de Chilomastix por ter dous flagellos anteriores, em vez de tres; sua existência é duvidosa, por motivos que mais tarde estudaremos. Especie typo : F. intesti- nalis Prowazek, 1911. Genero Cyathomastix Prowazek, 1914. Differe de Chilomastix pela presença de axostylo ; existên- cia também duvidosa. Especie typo : C. hominis, Prowazek, 1914. Genero Difeemus Gabei, 1914. Differe de Chi- lomastix pela ausência de membrana ondulante; existência duvidosa. Especie typo: D. tunensis Gabei, 1914. Genero Embadomonas Mackinnon, 1912. Dif- fere de Chilomastix por ter apenas um flagello ante- rior ; encontrámos um representante deste genero em Stylopyga americana, a barata. Especie typo : E. agilis Mackinnon, 1912. Genero Protrichomonas Alexeieff, 1911. Tres flagellos anteriores, costa chromophila, axostylo não saliente para o exterior; não ha membrana ondu- lante, nem flagello livre recorrente. Especie typo : P. legeri Alexeieff, 1911. Genero Hexamastix Alexeieff, 1912. Seis fla- gellos anteriores deseguaes, dos quaes um esboça ESTAMPA IV Eschema da classificação dos generos parasitos Família TETRAMIT1D/E Parte I I Genero Enteromonas. II Genero Trimitus. III Genero Trichomastix. IV Sub-genero Tetratrichomastix. V Genero Monocercomonas. VI Genero Costia. VII Genero Hexamastix. VIII Genero Chilomitus. IX Genero Polymastix. ORIGINAL DR. O. DA FONSECA 103 membrana ondulante em seu inicio ; axostylo saliente para o exterior; não existe costa. Especie typo : H. batrachorum (Alexeieff, 19 n). Genero Trichomonas Donné, 1837. Membrana ondulante repousando sobre costa, tres flagellos anteriores, axostylo saliente para o exterior. Especie typo : T. vaginalis Donné, 1837. Sub-genero Tetratrichomonas Alexeieff, 1911. Differe do precedente por ter quatro flagellos ante- riores, em vez de tres. Especie typo: Trichomonas (Tetratrichomonas) prowazeki Alexeieff, 1909. Sub-genero Pentatricho monas Chatterjee, 1915. Differe de Trichomonas pela presença de cinco fla- gellos anteriores. Especie typo : Trichomonas (Pen- t atricho monas ) ardin delteili (Derieu et Raynaud, 1914. Genero Enteromonas mihi, 1915. Um flagello posterior e dous anteriores eguaes e mais curtos que o primeiro. Especie typo: E. hominis mihi, 1915. Genero Trimitus Alexeieff, 1910. Um flagello posterior atravessando o corpo e dous anteriores des- eguaes e livres; existência duvidosa mesmo para o seu autor que creou o genero com muitas reservas. Especie typo : T. motellce Alexeieff, 1910. Genero Trichomastix Blochmann, 1884. Um flagello recorrente livre, tres flagellos anteriores eguaes entre si, axostylo saliente para o exterior. Especie typo : T. lacertce (Biitschli, 1884). Sub-genero Tetr atricho mastix Parisi. Distin- gue-se do precedente por ter quatro flagellos ante- riores em vez de tres. Especie typo Trichomastix (Tetratrichomastix) orthoEterorum Parisi, 1910, 104 Genero Chilomitus, nov. gen. Quatro flagellos anteriores eguaes, cytostoma anterior, não ha axos- tylo. Especie typo : C. cavia, nov. gen., nov. esp. Genero Costia Leclerq, 1890. Quatro flagellos anteriores, dous maiores e dous menores, corpo asy- metrico. Especie typo: C. necatrix (Henneguy, 1884). Genero Polymastix Biitschli, 1884. Quatro flagellos anteriores eguaes, em dous grupos de dous cada um, axostylo não saliente para o exterior, periplasta rigido e estriado. Especie typo : P. melo- lonthcz Biitschli, 1884. Genero Monocercomonas Grassi, 1881. Quatro flagellos anteriores em dous grupos cada um delles tendo dous flagellos, dos quaes um ás vezes maior que o outro. Especie typo : M. melolonthcz (Grassi, 1879). A nova família é Callimastigid^, nov. fam. - O genero unico, que constitue a nova familia que estabelecemos, foi creado por Weissenberg, em 1912, para a especie que denominou Callimastix cyclojns; julgava este autor que o parasito era proximo da familia Pophomonadid^ na qual, entretanto, não o fazia incluir ; como veremos pela descripção de C. frontalis, a qual concorda em suas linhas geraes, com a que Weissenberg fornece de C. cyclofiis, o genero representa typo perfeito de protomonadina, segundo a accepção attribuida a esse termo pelos actuaes representantes da escola de Schaudinn. No quadro das famílias da ordem Protomonadina nenhuma existia em que licitamente se pudesse incluir o genero Callimastix; foram essas considerações que nos levaram a abandonar a insinuação de Weis- ESTAMPA V Eschema da classificação dos generos parasitos Família TETRAMITID/E Parte II I Genero Embadomonas. II Genero Fanapepea. III Genero Chilomastix. IV Sub-genero Tetrachilomastix. V Genero Difasmus. VI Genero Cyathomastix. VII Genero Protrichomonas. VIII Genero Trichomonas. IX Sub-genero Tetratrichomonas. X Sub-genero Pentatrichomonas. ORIGINAL DR. O. DA FONSECA 105 senberg e a crear nova família para este genero. A nova família fica assim caracterisada : protomona- dinas arredondadas com ftagellos numerosos em seu pólo anterior. Genero Callimastix Weissenberg, 1912. Muitos flagellos delgados, longos, eguaes, anteriores e paral- lelos entre si, corpo globoso com periplasta muito rigido. Especie typo: C. cyclopis Weissenberg, 1912. Na sub-ordem Diplozoa, Hartmann inclue uma unica familia a que denomina Distomatida, nome que não pode prevalecer por não encerrar ella nenhum genero de cujo nome este possa provir; deve ser adoptada a designação de H examitidce, creada em 1880-82, por Kent; esta familia encerra dous generos de flagellados parasitos : Genero Octomitus Prowazek, 1904. Tres fla- gellos anteriores de cada lado, dous flagellos cau- daes, dous núcleos anteriores, dous corpúsculos basaes também anteriores de onde sahem os flagel- los ; os flagellos çaudaes antes de se libertarem per- correm o corpo de uma a outra extremidade. Hart- mann e Chagas consideram os flagellados deste genero como formados pela fusão de dous Tricho- mastix; para admittir esta hypothese é necessário que se admitta o desapparecimento do axostylo, caracteristico deste ultimo genero e que não tem similar em nenhum diplozoario parasito. Especie typo : O. intestinalis Prowazek, 1904. Genero Giardia Kunstler, 1882. Dous núcleos anteriores, dous flagellos anteriores, dous lateraes, dous medianos, dous caudaes, um chromidio e uma ventosa anterior. Especie typo: Giardia agilis 106 Kunstler, 1882. A hypothese de Hartmann e Cha- gas sobre a origem de Octomitus ainda póde ser applicada ao caso deste genero, havendo necessi- dade da restricção estabelecida no caso precedente e, mais ainda, as difficuldades decorrentes da pre- sença de uma unica ventosa e de um unico chromidio e da disposição complicada do apparelho nucleo- flagellar. Familia Oicomonadidae Kent, 1880-82. Synonimia. Cercomonadidce Kent, 1880-82, pag. 249, pro parte; C ercomonadina Biitschli, 1884, pag. 812, pro parte; Oicomonadacece Senn, 1900, pag. 117 ; Oicomonadidce Kent, 1880-82, pag. 250. Genero Sph^romonas (t) Liebetanz, 1910. Synonimia. Cercomonas Dujardin, 1841, in Liebetanz, 1910, pag. 35; Monas Miiller, 1786, in Braune, 1914, pag. 122-123; Oicomonas Kent, 1880-82, in Liebetanz, 1910, pag. 33; Piromonas Liebetanz, 1910, pag. 37 ; Braune, 1914, pag. 124- 125 ; Sphceromonas Liebetanz, 1910, pag. 25-26. Historico. Reina grande confusão na syste- matica dos flageilados do estomago dos ruminantes. Foram elles até hoje objecto de dous trabalhos. O primeiro de Liebetanz que, em 1910, distinguiu, na familia que denomina Cercomonadina, onze espe- cies, distribuídas em quatro generos parasitando ruminantes; servem de critério, para distincção generica, variações pequenas de fórma e, para cara- cteres específicos, differenças de tamanho arbitraria- (!) De <j®alpa, globo -f- povaç, unidade. 107 mente consideradas. Braune, em 1914, reduziu, a nosso ver com razão, todas essas formas a duas espe- cies que, entretanto, ainda colloca em generos dif- ferentes, para isso se baseando em differença de forma, constante mas pouco accentuada. Procurando resolver a questão preferimos admittir as duas espe- cies acceitas por Braune, collocando, porém, ambas no genero S^hoeromonas, o primeiro descripto por Liebetanz, visto como a nenhum genero anterior podem ellas ser referidas. As especies admittidas por Braune são S^hoeromonas communis e Piromonas communis, passando esta ultima para o primeiro genero, tem que mudar de designação especifica por ser esta preoccupada no genero Sphfzromonas ; pro- pomos sua substituição pelo nome de Spharomonas liebetanzi, em homenagem ao autor que pela primeira vez a descreveu. Diagnose. Corpo arredondado, espherico ou piriforme, metabólico ; núcleo caryosomico, esphe- rico, ligado a um corpúsculo basal por um rhizo- plasto ; do corpúsculo basal, collocado no polo ante- rior da cellula, sahe um longo flagello encurvado para traz. Morphologia. Plasma distincto em endo e ectoplasma; este é nitidamente limitado externa- mente por uma camada periplastica que permitte ao parasito executar amplos movimentos metamorphi- cos ; o restante do ectoplasma é hyalino, desprovido de granulações e envolve completamente o endo- plasma; o endoplasma é alveolado, estructura esta quasi sempre mascarada pelo grande numero de granulações siderophilas volumosas e esphericas de que está repleto o parasito. 108 Núcleo espherico, mais ou menos excêntrico, ás vezes central; caryosoma volumoso, cercado da zona do sueco nuclear vasia; não existe membrana nuclear que póde ser simulada por uma coroa de granulações siderophilas. Corpúsculo basal pequeno, anterior, sub-mar- ginal e ligado ao núcleo por meio de um rhizoplasto. Desse corpúsculo basal parte um flagello recorrente, longo e espesso que se vae afilando pouco a pouco para a extremidade livre. Especies conhecidas : • S. communis Liebetanz. S. liebetanzi, nov. nom. Spha^romonas communis Liebetanz, 1910. Synonimia. Monas communis Liebetanz, in Braune, 1914, Pag"s- 122-123; Oikomonas commu- nis Liebetanz, 1910, pag. 33-34; O. minima Lie- betanz, 1910, pag. 34; SphizTomonas communis Liebetanz, 1910; S. maxima Liebetanz, 1910, pags. 32-33 ; S. minima Liebetanz, 1910, pags. 31-32. Redescripção. Corpo arredondado e muito metamorphico, desse metamorphismo resultando aspectos variaveis nos preparados corados, frequen- temente coincidindo com posições particulares do flagello ; dessa coincidência resultou, provavelmente, a supposição errónea de multiplicidade de especies. Dimensões, habitualmente, 10 tx de diâmetro, ás vezes baixando até 7 tx ou subindo a 12 u. Plasma differenciado em endo e ectoplasma; este é nitidamente limitado para fora e se continua 109 para dentro com o endoplasma alveolado; o ecto- plasma é hyalino, desprovido de granulações e muito ilexivel o que permitte os movimentos metamorphi- cos do protozoário; a estructura alveolar do endo- plasma é muitas vezes imperceptivel por causa do grande numero de granulações sidérophilas que a encobrem; essas granulações são esphericas, volu- mosas e invisiveis a fresco. Núcleo mais ou menos excêntrico, espherico, caryosomico, com cerca de 2 [x de diâmetro ; zona do sueco nuclear vasia, membrana nuclear ausente, mas ás vezes simulada por um collar de granulações side- rophilas; caryosoma central, espherico, volumoso, attingindo ás vezes 1,5 [x de diâmetro ; zona do sueco nuclear vasia e de coloração idêntica á do endo- plasma com o qual se continua; não foi ainda visto centriolo. Corpúsculo basal sub-marginal, espherico, pe- queno e ligado ao núcleo por um rhizoplasto ; muitas vezes a zona do sueco nuclear se extende na direcção desse corpúsculo. Do granulo basal parte um flagello espesso e muito longo, tendo cerca de 30 tx de comprimento. Não estamos convencidos da existência do movi- mento que Braune descreve para este flagello, não sendo, entretanto, improvável que, como refere esse autor, muitas vezes o parasito execute movimento gyratorio em torno do eixo antero-posterior, tendo, então, o flagello dirigido para frente e partindo de ponto um tanto lateral. Outro movimento gyratorio foi por nós observado não parecendo, porém, ser normal ao flagellado; é em torno de seu centro que o protista gyra e o flagello, a principio collocado em 110 relação á cellula como si fora o prolongamento de um raio, de recto que era, vae se encurvando a pro- porção que augmenta a velocidade de rotação; em breve o protozoário e seu flagello tomam o aspecto que Liebetanz representa na figura 1 da estampa 1, do trabalho citado. O protozoário se reproduz por divisão binaria e por divisão múltipla. Habitat. Rumen de Bos taurus e coecum de Cavia 'porcellus. Sph^romonas liebetanzi, nov. nom. Synonimia. Cercomonas rhizoidea communis Liebetanz, 1910, pags. 35-36 ; C. r. maxima Liebe- tanz, 1910, pags. 36-37 ; C. r. mínima Liebetanz, 1910, pag. 36; Piromonas communis Liebelanz, 1910, pags. 37-38 ; Braune, 1914, pags. 124-125 ; P. maxima Liebetanz, 1910, pags. 38-39; P. mí- nima Liebetanz, 1910, pag. 38. Redescripção. Corpo alongado, muitas vezes ovoide, outras vezes sub-cylindrico ou piriforme; metamorphismo menos accentuado que na especie precedente. Dimensões habituaes 9 a 11 pi de com- primento por 5 a 6 de largura; ás vezes o corpo attinge 15 a 16 p. de comprimento por 5 a 6 p. de largura. Plasma differenciado em endo e ectoplasma; endoplasma cheio de granulações siderophilas meno- res e mais visiveis a fresco que na especie prece- dente ; ectoplasma nitidamente limitado para fóra e se continuando insensivelmente para dentro com o endoplasma. Núcleo um pouco anteriormente collocado, 111 caryosomico, muito refrigente e, ao inverso do que acontece com a especie precedente, bem visivel a fresco; caryosoma central, espherico e volumoso; zona do sueco nuclear vasia; não existe membrana nuclear. Flagello espesso e muito longo, geralmente com mais de 30 [x; este flagello parte de porção antero- lateral do corpo e se dirige em linha mais ou menos recta para traz. Durante o movimento o flagello é arrastado pelo protista que vae executando movi- mento rápido de rotação em torno do eixo longitu- dinal do corpo. O protozoário se multiplica por divisão binaria e por divisão múltipla. Habitat. Rumen de Bos taurus. Família Callimastigidae, nov. fam., 1915. Genero Callimastix Q Weissenberg, 1912. Diagnose. Corpo espherico, envolto por del- gada capsula, numerosos flagellos anteriores mais ou menos parallelos, longos, partindo de corpúsculos basaes, collocados lado a lado e ligados entre si por meio de rhizoplastos. Especies conhecidas : C. cy cio pis Weissenberg, 1912. C. frontalis Braune, 1914. Callimastix frontalis Braune, 1914. Redescripção. Corpo geralmente espherico, raramente ovoide, não metamorphico. Dimensões (J) De xàÀuÇ, envolucro [xáaTiÇ, chicote ; a etymologia e a ortho- graphia deste nome generico, não estão de accordo uma com a outra ; ás regras de nomenclatura zoologica nos impedem aqui qualquer cor- recção. 112 médias, quando espherico, 9 a iopi, e, quando alon- gado, cerca de 11 p. de comprimento por 7 a 8 pr de largura. Plasma distmcto em endo e ectoplasma; este ultimo é externamente limitado por penplasta rigido e um tanto isolado do resto do corpo; o restante do ectoplasma é pouco coravel e constitue camada con- tinua, espessa, hyalina e desprovida de granulações, envolvendo o endoplasma do qual é pouco nitida- mente separada; e endoplasma tem estructura alveolar pouco nitida por causa do accumulo de gra- nulações siderophilas volumosas e esphericas que occupam todo o endoplasma. Núcleo espherico, quasi sempre central, volu- moso e caryosomico ; membrana nuclear nem sempre visivel, separada do caryosoma por zona do sueco nuclear vasia; caryosoma volumoso com 1 a 1,5 p. de diâmetro, intensamente corado; no centro do caryosoma existe centriolo um tanto volumoso e chromophilo. Da superfície da região anterior do protozoário, sahem para frente, ao que parece em grupos, nume- rosos flagellos finissimos e muitos longos, attingindo 30 e mesmo 40 u. de comprimento; elles têm sua origem em corpúsculos basaes pequenos, sub-mar- ginaes, ligados entre si por meio de finos rhizo- plastos; só uma cuidadosa differenciação do prepa- rado permitte distinguir esses corpúsculos das gra- nulações siderophilas do endoplasma. Um desses corpúsculos, pelo menos, póde estar ligado ao caryo- soma do núcleo por meio de um rhizoplasto. Pela estructura do plasma e pela presença de granulações siderophilas este flagellado muito sg 113 assemelha aos Sphceromonas de que se distingue pelo numero, posição e dimensões dos flagellos e pela presença de envoltorio rigido. Habitat. Rumen de Bos taurus, de Capra hir- cus e de O vis aries. Família Tetramitidae Kent, 1880-82. Synonimia. T etramitacece Senn, 1900, pag. 118 ; Tetramitidce Kent, 1880-82, pag. 312 ; Tetra- mitina Biitschli, 1884, pag. 841 ; Trimastigidce Kent, 1880-82, pag. 307, pro parte. Genero Chilomastix (x) Alexeieff, 1910. Synonimia. C ercomonas Dujardin, 1841, pag. 287, in Davaine, 1854, pro parte; Cyathomastix Prowazek, 1914, pag. 162. Difremus Gabei, 1914, pag. 18; Fanapepea Prowazek, 1911, pag. 97; Macrostoma Alexeieff, 1909 (n. preoc. peixes); M onocercomonas Grassi, 1881, pag. 11, pro parte; Tetramitus Perty, 1852, pag. 170, pro parte; Tri- chomonas Donné, 1837, 272 Roos, 1893. Diagnose. Corpo mais ou menos piriforme, não metamorphico ; núcleo anterior, tendo, ás vezes, caryosoma unido por um rhizoplasto a corpúsculo basal também anterior, donde partem tres flagellos anteriores eguaes, o labio chromophilo do cytostoma e uma membrana ondulante que percorre longitudi- nalmente esse cytostoma. Morphologia. Plasma distincto em endo e ectoplasma. Este é constituído quasi exclusivamente por periplasta continuo impedindo os movimentos (x; De xélXoç, labio + pàari$, cliente. 114 metamorphicos do protista; logo abaixo delle existe muitas vezes delgada camada de plasma finamente granuloso. O endoplasma é bastante alveolado, prin- cipalmente na porção media do corpo e contém poucas inclusões. Nunca existe axostylo, que, entre- tanto, é ás vezes grosseiramente simulado por uma faixa de plasma correspondente ao eixo longitudinal do protozoário a qual ás vezes, por estar situada entre fileiras de alvéolos, se mostra constituida de uma linha mais intensamente corada ou de duas linhas parallelas mais coradas limitando um espaço mais claro. O núcleo é anterior, um pouco lateral, marginal, vesiculoso. Raramente existe caryosoma central que pode estar reunido ao corpúsculo basal por meio de um rhizoplasto ; nesse caso a zona do sueco nuclear é vasia ou, então apresenta esboço de reticulo de linina constituido por filamentos achromaticos, que, partindo do caryosoma, a modo de raios vão terminar na membrana nuclear. Outras vezes, o que é mais frequente, não existe caryosoma; a chromatina do núcleo, neste caso, é representada por granulações lenticulares ou bacillares, adherentes á face interna da membrana nuclear. Esta membrana é espessa e muito chromophila. O corpúsculo basal, ora é unico, ora duplo; do corpúsculo basal unico ou da granulação anterior, quando elle duplo, partem, para frente, os tres flagellos eguaes entre si; do corpúsculo basal unico, ou da granulação posterior do corpúsculo duplo, parte o labio chromophilo e fortemente recurvado de um cytostoma, bem como uma membrana ondulante que percorre longitudinalmente esse cytostoma. 115 O cytostoma é bem visivel, tanto a fresco, como após coloração. A membrana ondulante, ao contrario, um tanto difficil de se perceber a fresco, é, geralmente, invisível após coloração; é muito provável que tenha sido a pouco visibilidade da membrana o facto que levou Gabei a crear o genero Difoemus, o qual se distinguiria de Chilomastix só pela ausência da membrana ondulante. Sub-genero Tetrachilomastix, nov. sub-gen. O numero de flagellos dos Chilomastix é pas- sível de oscillações. Prowazek descreveu um genero, Fana-pefea que se distinguiria de Chilomastix só por ter apenas dous flagellos anteriores; entretanto, elle mesmo ora representa o protozoário com dous, ora com tres flagellos anteriores, o que faz crer num erro de observação. O mesmo não succede com as pesquizas de Martin e Robertson, que descreveram o Chilo- mastix gallinarum como tendo quatro flagellos ante- riores, e com as pesquizas de Mackinnon, que esta- beleceu o genero Fmbadomonas, se distinguindo de Chilomastix pela presença de um só flagello ante- rior. No primeiro caso a differença não é bastante para formação de novo genero, mas nos parece justi- ficar a creação de um sub-genero, para o qual pro- pomos o nome de Tetrachilomastix; desse modo procedendo adoptamos o modo de ver daquelles que estabeleceram os sub-generos Tetratrichomonas e Tetratrichomastix. Quanto ao genero Embado- monas, além da differença numérica de flagellos mais accentuada, existem também outras pequenas 116 differenças morphologicas que justificam a sepa- ração desses flagellados em um genero distincto. A especie unica deste sub-genero será Chilo- mastix (Tetrachilomastix) gallinarum Martin et Robertson, 1911. Especies descriptas : C. bittencourti, mihi, 1915. C. bocis Brumpt, 1912. C. caprce, nov. sp. C. cauleryi (Alexeieff, 1909). C. cuniculi, nov. sp. C. gallinarum Martin et Robertson, 1911. C. intestinalis Kuczynski, 1914. C. mesnili (Wenyon, 1910). C. motellce Alexeieff, 1912. Chilomastix bittencourti, mihi, 1915. Redescripção. Corpo alongado, ovoide, de contornos geralmente menos regulares que nas outras especies do genero; dimensões, longitudinal- mente, 13 a 16 ;x, excepcionalmente até 11 [x, trans- versalmente 9-11 [x, excepcionalmente até 7 [x. E' a maior especie do genero que parasita mammiferos. Extremidade anterior arredondada e romba; extremidade posterior afilada em ponta ou, ás vezes, também arredondada, sempre, porém, mais delgada que a anterior. Na extremidade anterior existe cytos- toma com labio fortemente chromophilo, de 4 a 5 pi de comprimento por 2 a 3 p. de largura, frequente- mente parecendo, nos preparados corados, se enrolar em torno do nuclço. 117 De um corpúsculo basal, collocado adeante e a um dos lados do núcleo, sahe para traz uma mem- brana ondulante bem visível a fresco percorrendo o cytostoma, cujo labio tem a mesma origem. Do mesmo corpúsculo basal ou de outro collocado a seu lado, sahem para deante tres delgados flagellos, mais ou menos do tamanho do corpo. Protoplasma distincto em endo e ectoplasma. O ectoplasma é constituído sómente pelo periplasta, cuja camada continua e finamente granulosa apre- senta rigidez bastante para impedir movimentos metamorphicos do corpo. O endoplasma é alveolado e nas paredes dos alvéolos existem finas granulações. A fresco parece que este flagellado se apresenta com aspecto mais granuloso que o Chllomastix intes- tinalis. Núcleo anteriormente collocado, ás vezes um tanto lateral, com 3 a 4 de diâmetro ; membrana nuclear espessa e nella se prendendo massas chro- maticas, de forma mais ou menos lenticular, em numero de uma a duas, sendo, então, uma delias por vezes, maior que a outra. Zona do sueco nuclear vasia. Raramente apparece caryosoma central volu- moso não coexistindo esse formação de modo fre- quente com as massas chromaticas da peripheria. Habitat. Coecum de Mus (Epimys) norwe- gicus. Nota. - A designação especifica foi dada em homenagem ao Prof. Dr. Nascimento Bittencourt, cathedratico de Historia Medica e iniciador do ensino official da Parasitologia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, 118 Chilomastix capr/e, nov. sp. Descripção. Corpo alongado, mais ou menos piriforme, largo anteriormente, se estreitando, ás vezes bruscamente, a partir dos dous terços poste- riores. Corpo não metamorphico, raramente defor- mavel, com cerca de 9 a 12 y. de comprimento por 5 a 6 jx de largura. Extremidade anterior arredondada, apresen- tando uma depressão lateral, quasi parallela ao bordo lateral do corpo. Extremidade posterior afilada em cauda geralmente curta; raramente a extremidade posterior é arredondada. Protoplasma distincto em endo e ectoplasma; este constituido só pelo periplasta rigido, cuja exis- tência impede os movimentos metamorphicos do protista; endoplasma alveolado com poucas inclu- sões ; nos dous terços anteriores os alvéolos são gros- seiros e volumosos se tornando delicados e pequenos no terço posterior. Na extremidade anterior existe o cytostoma bem visivel a fresco, com labio chromophilo nitido nos preparados corados; cytostoma geralmente pouco encurvado, com cerca de 3 a 4 tx de comprimento por 1 a 2 y de largura. E' percorrido por membrana ondulante cuja orla não chromophila é constituída por flagello adherente que parte de um corpúsculo basal sub-marginal collocado anteriormente em relação ao núcleo e donde sahe também o labio do cytostoma. Este núcleo é anterior, sub-marginal, espherico, pobre em chromatina, ás vezes parecendo sub- 119 jacente ao cytostoma, ou vice-versa ; frequentemente é um tanto lateral; caryosoma muitas vezes visivel, ligado ao corpúsculo basal por um rhizoplasto; chromatina nuclear grupada sob a fórma de massas em bastonete recurvado, adherentes á face interna da membrana nuclear e geralmente em numero supe- rior a duas; frequentes vezes essas granulações estão reunidas ao caryosoma por filamentos de linina que formam raios partindo do centro para a peri- pheria do núcleo. Flagellos anteriores tres, de egual compri- mento, partindo do mesmo corpúsculo basal unico que dá origem ao labio chromophilo do cytostoma e á orla não chromophila da membrana ondulante. Habitat. Rumen de Capra hircus. Nota. - Braune descreve na pansa dos rumi- nantes dous flagellados sobre cuja posição systema- tica fornece dados positivamente erroneos. Um delles é um Trichomastix que não tivemos occasião de observar e que o autor colloca no genero Tricho- monas. O outro é um flagellado com tres flagellos anteriores, sem flagello recorrente, sem membrana ondulante e sem cytostoma ; não o pudemos identi- ficar ao nosso Chilomastix do qual differe por muitos caracteres; Braune o julga Trichomastix. Chilomastix cuniculi, nov. sp. Descripção. Flagellado piriforme, geralmente estreito e alongado, raramente largo e mais arre- dondado e curto. Dimensões medias 7 a 9 y de com- primento por 4 a 7 u. de largura. Extremidade anterior arredondada e larga 120 junto á qual, ao lado cytostoma, existe uma depressão mais ou menos accentuada. Extremidade posterior afilada em longa cauda que pode por vezes attingir tamanho egual á metade do comprimento do corpo ; raramente a cauda é curta ou não existe, sendo então, a extremidade posterior do corpo arredon- dada. Plasma em geral delicadamente alveolado. Periplasta rigido, impedindo movimentos metamor- phicos do corpo; limite externo nitido, constituindo o periplasta só, todo o ectoplasma. Na extremidade anterior existe cytostoma com labio chromophilo; o cytostoma tem 5 a 3 u. de comprimento por 1 a 2 p.de largura, sendo frequen- temente encurvado. Núcleo espherico, collocado na extremidade anterior do parasito, ás vezes um tanto lateral, geral- mente sub-marginal, com 1,5 ll de diâmetro. Mem- brana nuclear espessa ; o caryosoma, quando existe, é muito pequeno ; neste caso a zona do sueco nuclear frequentemente apresenta filamentos achromaticos, geralmente em numero de tres, ligando o pequeno caryosoma á membrana nuclear. Nesta existem fre- quentemente, adherentes a sua face interna, tres a quatro granulações de chromatina, irregulares e alongadas. Flagellos menores que o corpo em numero de tres anteriores e eguaes em comprimento e espessura, partindo de corpúsculo basal collocado anterior- mente em relação ao núcleo. Do mesmo corpúsculo basal parte para traz o flagello adherente á membrana ondulante. Esta é bem visivel a fresco, percorrendo o cytostoma. 121 Habitat. Coecum de Oryctolagus cuniculus. Nota. - Nenhuma referencia encontrámos na bibliographia a flagellados do coecum do coelho ; o parasito que descrevemos não é o unico que ahi se encontra, não sendo também rara sua occorrencia. Chilomastix intestinalis Kuczynski, 1914. Synonimia. Trichomonas cavirz Davine, 1854, pro -parte, auctorum. Historico. Não existe ainda descripção deste parasito que, em 1914, foi descoberto, citado e repre- sentado por Kuczynski em seu trabalho sobre os T richomonas. Descripção. Corpo alongado, piriforme, de 13 a 16 g de comprimento, por 7 a 9 k de largura ; extremidade anterior muito mais larga que a poste- rior na qual, ás vezes, existe expansão caudal. Corpo não metabólico, ás vezes, entretanto, deformado nos preparados, nunca porém, tanto quanto os indivíduos do genero Trichomonas. Na extremidade anterior existe cytostoma de labio facilmente coravel, com 4 a 6 k de compri- mento, largamente aberto para diante depois estrei- tado, vindo se alargar em sacco na porção posterior em que attinge 3 r de largura. Dentro delle existe membrana ondulante que parte do corpúsculo basal; essa membrana é visivel a fresco e muito difficil- mente coravel. Não ha flagello livre posterior. Do mesmo corpúsculo basal anterior, partem para diante e um tanto para um lado tres flagellos finos e de egual comprimento. 122 Protoplasma mais ou menos grosseiramente alveolado nos 3/5 médios do corpo; ha differen- ciação nitida entre endo e ectoplasma; os limites externos do corpo são claramente assignalados pelo periplasta que, só elle, constitue todo o ectoplasma e cuja consistência impede os movimentos meta- morphicos do protista; endoplasma alveolado con- tendo geralmente poucas inclusões. Núcleo anterior, collocado junto ao cytostoma; membrana nuclear espessa, caryosoma em geral ausente, chromatina quasi sempre disposta em massas adherentes á face interna da membrana nuclear; ás vezes essas massas são duas e estão collocadas em polos oppostos do núcleo. Habitat. Coecum de Cavia porcellus. Chilomastix mesnili (Wenyon, 1910). Synonimia. C ercomonas hominis Davaine, 1854, pro parte, Cyathomastix hominis Prowazek, 1914, pag. 162. Difcemus tunensis Gabei, 1914, pag. 18; Fanapepea intestinalis Prowazek, 1911, pag. 97; Macrostoma mesnili Wenyon, 19.10 b; T etramitus mesnili, (Wenyon, 1910) auctorum. Historico. Este parasito foi visto e confun- dido com outros por quasi todos os autores que estu- daram flagellados intestinaes do homem; Grassi, Epstein e Marchand o representam e descrevem ora no genero Monocercomonas, ora no genero Cerco- monas ; Wenyon o estuda correctamente e o descreve no genero Macrostoma, depois mudada por Ale- xeieff esta denominação para a de Chilomastix; Prowazek, em 1911, descreve um novo genero Fana- 123 ^e^ea, com a especie F. intestinalis que se distin- guiria de Chilomastix por ter apenas dous flagellos; o mesmo autor, entretanto, a representa, ora com dous, ora com tres flagellos, o que nos faz collocar esse genero na synonimia; Gabei descreve Dijcz- mus tunensis differindo do parasito em questão pela ausência de membrana ondulante cuja difficil visi- bilidade, faz crer em facil erro de observação; Rodenwaldt confunde o Chilomastix com o Tricho- monas do homem e representa eschematicamente aquelle com um axostylo deste, o que certamente não existia ; para esta ultima forma, Prowazek creou, em 1914, o Cyathomastix hominis, dififlcilmente accei- tavel. Redescripção. Flagellado mais ou menos piriforme raramente um tanto arredondado, com 10 a 15 tx de comprimento, raras vezes menos, e cerca de 4 a 7 jx de largura. Extremidade anterior larga e arredondada; extremidade posterior se afilando em cauda a partir do ponto de união do terço médio com o terço pos- terior do parasito; ás vezes a cauda é longa e ter- mina ponteaguda; mais raramente é ella arre- dondada. Plasma distincto em endo e ectoplasma; aquelle é alveolado e contém poucas inclusões ; este é em geral constituido quasi exclusivamente pelo periplasta. Na extremidade anterior está o núcleo esphe- rico, sub-marginal, com 1 a 3 jx de diâmetro, rara- mente com caryosoma central; zona do sueca nuclear em geral vasia; uma a duas granulações de chromã- tina presas á membrana nuclear. 124 Na mesma extremidade está o cytostoma com labio chromophilo e com 3 a 4 jx de comprimento por 1 a 2 [x de largura. O labio do cytostoma parte de corpúsculo basal unico, anterior ao núcleo, pequeno, que também é o ponto de origem da membrana ondulante. Esta percorre o cytostoma longitudinal- mente, é bem visivel a fresco e pouco coravel. Flagellos anteriores em numero de tres, com igual comprimento partindo do mesmo corpúsculo donde sahem a membrana ondulante e o labio do cytostoma. Habitat. Intestino de Homo sapiens. Genero Trichomonas (*) Donné, 1837. Synonimia. Bodo Ehrenberg, 1838 in Kent, 1880-82 ; Cercomonas Dujardin, 1841, pag. 287, in Davaine, 1834; Cim^nomonas Grassi, 1881, pag. 11, pro parte \ Entamceba Leidy, 1879, in Castellani, 1905; Exechly ga Stokes, 1884; Lõschia Chatton et Lalung-Bonnaire, 1912 ; Monocercomo- nas Grassi, 1881, pag. 11, pro parte; Schedaocer- comonas Grassi, 1879, pro parte. Diagnose. Corpo ovoide, muito metabólico; dum corpúsculo basal anterior partem tres flagellos livres, para deante, e, para traz, um flagello adhe- rente a uma membrana ondulante que percorre extensão variavel da superfície do corpo ; núcleo anterior, raramente caryosomico ; axostylo saliente para o exterior, ás vezes se continuando com o cytos- toma ; este é juxta-nuclear e não tem labio chro- mophilo. (*) De 6p1Ç, rpizòç, o cabello piovàç, unidade. 125 Especies conhecidas : T. ardin delteili Derieu et Raynaud, 1914. T. augusta Alexeieff, 1911. T. batrachorum Perty, 1852. T. brumpti Alexeieff, 1912. T. carnes Davaine, 1875. T. columbarum Prowazek e Aragão, 1909. T. ebcrthi Martin et Robertson, 1911. T. gallinarum Martin et Robertson, 1911. T. granulosa Alexeieff, 1914. T. bominis Davaine, 1854. T. lacertce Prowazek, 1904. T. mabuice Dobell, 1910. T. muris Galli-Valerio, 1907. T. parva Alexeieff, 1911. T. prowazeki Alexeieff, 1909. T. tatusi, nov., sp. T. tritonis Alexeieff, 1911. T. vaginalis Donné, 1837. Morphologia. Protoplasma mais ou menos nitidamente alveolado; periplasta delgadissimo, constituindo, só elle, todo o ectoplasma, permittindo os movimentos metamorphicos intensos do pioto- zoario. No polo anterior o plasma é mais intensa- mente corado pelo accumulo maior, que ahi se verifica, de granulações siderophilas e diversos derivados nuclares. Num dos bordos se prende a membrana ondulante, delgadissima lamina ectoplas- matica, em relação directa com o apparelho flagellar. No interior do plasma existe frequentemente um vacuolo, ás vezes vasio e incolor, outras vezes oceupado por um corpúsculo que se cora em azul 126 mais ou menos intenso pelo processo de Heidenhain ; ás vezes, esse corpúsculo é espherico, ovoide ou mais ou menos alongado; outras vezes, elle tem a fórma de um hexágono regular de ângulos arredon- dados ; esta formação foi por nós encontrada em Trichomonas cavice e T. muris, e foi vista algumas vezes fóra do corpo de qualquer protozoário, livre no material examinado ; nenhuma referencia encon- tramos na bibliographia, sobre os corpúsculos em questão, julgamol-os entretanto, de natureza chro- matoide; facil é differencial-os da chromatina pela colorabilidade analoga mas sempre menor, que apresentam ; esta formação persiste nos protozoários em divisão. Granulações siderophilas em numero e de volume variaveis existem occupando ás vezes posi- ções caracteristicas das differentes especies de 7 ri- chomonas. Atravessando o corpo de um a outro lado existe um bastonete espesso que ás vezes paiece se continuar por uma de suas extremidades com um cytostoma em fórma de fenda collocado anterior- mente ao lado do núcleo; o outro extremo ponte- agudo e frequentemente cortado em bisel faz saliên- cia para o exterior. Os limites entre o plasma e o axostylo são sempre nitidos, talvez pela maior refringencia deste, talvez, o que parece occorrer em algumas fôrmas, pela existência de uma linha limi- tante mais intensamente corada que aquellas duas formações; o interior do axostylo é sempre incolor, podendo, entretanto, conter granulações siderophi- las, o que se torna caracter importante. No ponto em que o axostylo se desprende do plasma para fazer saliência, para o exterior, em varias especies, 127 se nota a presença de duas granulações chromaticas bacilliformes nos dous bordos do axostylo. A ori- gem desta formação é extremamente controvertida; para alguns, Dobell, por exemplo, é derivado da centrodesmose dos corpúsculos basaes, para outros deriva do núcleo e, para outros, emfim, Martin e Robertson, por exemplo, nada tem que ver com o apparelho nuclear; a confusão é muito augmentada por julgarem quasi todos os autores como homolo- gas as formações esqueleticas dos Arichomonas e Trichomastix e as das Cercomonas (Hartmann e Chagas), Hexamitus, etc.; a nosso ver se trata de duas formações completamente distinctas ; sobre a natureza e origem da primeira, nada podemos de seguro adiantar; quanto á segunda, esta é indubita- velmente um derivado do núcleo, cujas relações morphologicas e funccionaes com o apparelho fla- gellar são indiscutíveis. Voltaremos ao assumpto quando estudarmos os diplozoarios. O cytostoma, em fórma de fenda, é juxta- nuclear e collocado na base dos flagellos; elle fre- quentemente se continua de modo completo com o axostylo. Núcleo anterior, raramente caryosomico e com centriolo; mais frequentemente o núcleo é consti- tuído por um grupo de granulações chromaticas esparsas no polo anterior do parasito. Zona do sueco nuclear é vasia e coexiste com o caryosoma o qual e as vezes muito volumoso. Adeante do núcleo, junto a borda do protista, existe corpúsculo basal unico ou duplo; desse corpúsculo ou de sua granulação ante- rior partem os flagellos anteriores em numero de tres para as formas typicas do genero, em numero de 128 quatro, no sub-genero Tetratrichomonas, e de cinco no sub-genero P entatrichomonas ; do mesmo corpús- culo, ou de sua granulação posterior, parte o flagello recorrente que adhere em toda ou quasi toda sua extensão á membrana ondulante; esta assenta sobre uma barra chromophila, a costa, que parte da mesma granulação donde sahe o flagello adherente, que se denomina orla da membrana; o flagello adherente ás vezes se continua além da membrana ondulante, parte essa que se denomina flagello livre; a costa é flexivel, recta ou encurvada, conforme o corpo do protozoário está estirado ou arredondado ; ás vezes a costa é dupla o que pode succeder quando occorre duplicidade dos corpúsculos basaes. Como annexo do apparelho nuclear, ás vezes parte do corpúsculo basal, um bastonete chromatico, morphologicamente variavel, que recebeu de Janicki o nome de apparelho para-basal. Trichomonas cavi/E Davaine, 1875. Synonimia. C ercomonas ovalis Perroncito, 1888; C. pisiformis Perroncito, 1888. Trichomonas intestinalis Leuckart, 1879, auctorum. Descripção. Corpo de fórma variavel e muito metabólico ; quando não deformado, mais ou menos ovoide, de 10 a 15 jx de comprimento. Na parte anterior do corpo existe cytostoma sem labio chromophilo, em fórma de fenda, mais ou menos triangular e encurvada, pequena e se conti- nuando para traz com o axostylo, pouco coravel e saliente para á parte posterior do corpo; axostylo tem a extremidade posterior cortada em bisel, ponta 129 afilada e longa e mede cerca de 10 [x de comprimento por 0,5 a 1,0 jx de largura. Frequente é a presença do vacuolo e da granulação chromatoide que já descre- vemos. Na extremidade anterior existe um corpúsculo basal donde partem para frente tres finos flagellos mais ou menos longos que o corpo e, para traz, o flagello recorrente muito espesso e preso, em certa extensão, á membrana ondulante; o flagello recorrente é longo, attingindo ás vezes 30 de comprimento. Membrana ondulante com cinco a oito, em geral seis, ondulações muito accentuadas, percorrendo pouco mais de metade da circumferen- cia do corpo. Costa espessa e flexivel, muito refrin- gente e bem visivel a fresco, fortemente encurvada nas fôrmas arredondadas e quasi recta nas formas alongadas, ás vezes, em sua extremidade posterior mais ou menos ondulada; a costa é acompanhada por uma fileira de granulações chromophilas. Protoplasma differenciado em ectoplasma, constituido sómente pela delgadissima camada peri- plastica, e endoplasma mais ou menos delicadamente alveolado. Núcleo collocado anteriormente entre o cytos- toma e a costa da membrana ondulante ; ás vezes com caryosoma volumoso e, ás vezes, centriolo e aspectos assimiláveis á evolução cyclica do caryo- soma. Fôrmas de divisão com dous corpúsculos basaes e duas costas reunidas pela parte anterior e, ás vezes, também pela parte posterior, estas fôrmas são, em geral, muito maiores attingido 18 a 24 jx de compri- mento por 14 a 17 ix de largura; ha casos, porém, 130 em que fôrmas dessas dimensões não têm costa e corpúsculo basal duplos. Habitat. Coecum de Cavia porcellus e C. aperea. Trichomonas hominis (Davaine, 1854). Synonimia. Bodo hominis Davaine in Kent, 1880-82, pag. 256; Cercomonas hominis Da- vaine, 1854, pro parle; Cimcenomonas hominis Grassi, 1882, pag. 11; Mono cercomonas hominis Grassi, 1881, pags. 12-23, pro parte; Trichomonas intestinalis Leuckart, 1879 ; Trichomonas buccalis, auctorum; T. dysenterice Billet, 1907 ; T. pulmo- nalis Schmidt, 1895. Redescripção. Flagellado muitíssimo meta- morphico, em geral piriforme ou arrendondado, com 5 a 10 jx de comprimento por 2 a 3 [x de largura ou mais, quando arredondado. Plasma mal distincto em endo e ectoplasma, este representado apenas pela delgada camada ecto- plasmatica, cuja flexibilidade permitte os intensos movimentos metamorphicos do protista; endo- plasma delicadamente alveolar e contendo poucas inclusões. Cytostoma em forma de fenda larga, parecendo muitas vezes se continuar directamente com o axos- tylo ; este é muito nitido, calibroso, longo, ponte- agudo e saliente em sua extremidade posterior, não sendo acompanhado por granulações siderophilas que também não existem em seu interior. Ao lado do cytostoma está o núcleo espherico ou ovoide, muitas vezes caryosomico, outras vezes 131 constituído por granulações chromaticas esparsas ; o núcleo attinge cerca de 1,5 p. de diâmetro e, quando existe caryosoma, tem zona do sueco nuclear vasia. Dum corpúsculo basal anterior, ligado ao caryo- soma do núcleo por um rhizoplasto, sahem para frente tres flagellos geralmente maiores que o corpo e não raro reunidos em feixe junto a seu ponto de emergencia. Do mesmo corpúsculo basal parte, para traz, o flagello adherente preso ao corpo por uma membrana ondulante que tem cerca de cinco ondu- lações pouco profundas; este flagello recorrente é maior e mais espesso que os anteriores e, ás vezes, constitue em sua porção terminal flagello livre. A membrana ondulante percorre longitudinalmente cerca de metade da circumferencia do corpo. Trichomonas muris Galli-Valerio, 1907. Synonimia. Tnchomonas intestinalis Leuckart, 1879, auctorum. Historico. Foi visto em 1885 por Kunstler que não verificou a especie a que pertencia o parasito, nem lhe estudou a morphologia. Redescripção. Corpo de fórma quasi sempre ovoide, ou mais ou menos alongado; em geral de aspecto mais regular e de fórma mais alongada que o T richomonas cavice; dimensões longitudinalmente 13 a 18 ui, transversalmente 6 a 9 jx. Na extremidade anterior está o cytostoma aberto anteriormente e se continuando quasi sempre poste- riormente com o axostylo vasio de granulaçõés; este é geralmente encurvado, estando a convexidade da curva voltada para a membrana ondulante; o 132 axostylo é muito visivel, saliente para o exterior, com a ponta biselada, provido de duas granulações bacil- lares no ponto em que se desprende do plasma para fazer saliência para o exterior; este axostylo attinge 12 y. de comprimento, por 0,5 y de largura. No polo anterior do corpo está um corpúsculo basal, sub-marginal, donde partem tres flagellos anteriores relativamente curtos ; para traz sahe o flagello recorrente espesso, servindo de orla á mem- brana ondulante e se tornando depois flagello livre em pequena extensão ; a membrana ondulante tem cerca de oito ondulações muito profundas e percorre bastante exactamente metade da circumferencia do corpo do flagellado; ella se apoia sobre uma costa espessa, ás vezes dupla, partindo do mesmo cor- púsculo que a orla. Protoplasma alveolar mal differenciado em endo e ectoplasma; granulações siderophilas esparsas no plasma, havendo constantemente uma fileira delias que acompanha a costa da membrana ondulante, do lado do núcleo; outras granulações siderophilas formam uma hgura cónica e encurvada na parte ante- rior do parasito, indo da região peri-nuclear até a parte media ou posterior da cellula. Outras granu- lações siderophilas formam uma curta fileira de cada lado da porção anterior do axostylo. O cytostoma anterior tem a fórma de fenda larga que parece se continuar com o axostylo. Entre o cytostoma e a costa está o núcleo ás vezes com um grande caryosoma e zona do sueco nuclear vasia, outras vezes não individualizado e constituído por granulações chromaticas mais ou menos espessas; estas granulações ás vezes se apre- 133 sentam em camadas circulares concêntricas tendo ás vezes no centro um pequeno granulo; dá esse aspecto impressão dos phenomenos de evolução cyclica do caryosoma. Habitat. Coecum de Mus norwegicus e sua forma albina, de Mus rathis e de Mus musculus e sua fórma albina. Trichomonas tatusi, nov., sp. Descripção. Corpo ovoide ou mais ou menos arrendondado, com cerca 10 u. de comprimento por 6 [x de largura, muito metamorphico. Plasma delicadamente alveolar, mal distincto em ectoplasma, constituido apenas pela delgadís- sima camada periplastica, e em endoplasma que encerra poucas inclusões. Cytostoma anterior, juxta-nuclear, em forma de estreita fenda. Axostylo saliente para o exterior e visivel a fresco. Na região correspondente ao núcleo, o qual não vimos individualizado, se encontram granulações chromaticas mais ou menos irregulares situadas entre o cytostoma e a membrana ondulante. De um corpúsculo basal anterior partem para frente tres flagellos livres, eguaes, delgadíssimos e maiores que o corpo. Do mesmo corpúsculo basal parte o flagello recorrente pouco espesso, preso ao corpo por uma delgadíssima membrana ondulante, cujas ondulações são largas, pouco profundas e geralmente em numero de duas ou tres ; a membrana ondulante percorre cerca de metade da circumfe- rencia do corpo e, quando termina, sua orla vae em 134 geral constituir um longo flagello livre. Do mesmo corpúsculo basal parte a costa sobre a qual repousa a membrana ondulante ; é uma barra chromatica pouco espessa que acompanha a superfície do corpo em toda a extensão da membrana ondulante. Assistimos a divisão tranversal no protozoário vivo. Habitat. Parte terminal do intestino de Tatus novem cinctus. Trichomonas vaginalis Donné, 1837. Synonimia. T. irregulans Salisbury. 1868. Redescripçãq. Flagellado muito maior e menos metamorphico que o Trichomonas homims. com cerca de 12 a 16 u. de diâmetro, geralmente arrendondado ou ovoide. Endoplasma alveolado contendo poucas inclu sões, limitado externamente pela delgada camada periplastica que, só ella, constitue todo o ectoplasma e cuja delgacez permitte os movimentos metamor- phicos do protozoário. Axostylo saliente e pouco visivel. Cytostoma anterior, em forma de fenda. Núcleo anterior e, adeante delle, o corpúsculo basal simples ou duplo donde partem para frente tres flagellos livres, delgados, eguaes e mais ou menos do tamanho do corpo ; para traz sahe do mesmo cor- púsculo basal o flagello adherente espesso, preso ao corpo por uma membrana ondulante ; esta percorre cerca de um terço da superfície do corpo, é muito estreita e tem cerca de seis ondulações bem nitidas e accentuadas. 135 Habitat. E' parasito inoffensivo da vagina da mulher, da qual póde emigrar para o apparelho uri- nário e penetrar mesmo na bexiga onde, segundo alguns, póde concorrer para a persistência de certas cystites. Genero Trichomastix^1) Blochmann, 1884. Synonimia. Cercomonas Dujardin, 1841 in Perroncito, 1888, pags. 220-221 ; H eter omita Grassi, 1881, pag. 12; Monas (?) Muller, 1786, in Davaine, 1875; Trichomonas Donné, 1837, in Doflein. Especies descriptas : Trichomastix cavice (Grassi, 1882). T. lacertce (Bútschli, 1884). T. mabuice Dobell, 1910. T. motellce Alexeieff, 1910. T. orthopterorum (Parisi, 1910). T. salpce Alexeieff, 1914. T. serpentis Dobell, 1907. T. trichopterce Mackinnon, 1910. Trichomastix cavi^: (Grassi, 1881) (2). Synonimia. Cercomonas globostts Perron- cito, 1888; Heteromita cavice Grassi, 1882, pag. 35 ; Monas cavice (?) Davaine, 1875. Descripção. Corpo geralmente piriforme, mais raramente arredondado ; extremidade anterior arre- (7) De OpYÇ, rptxòç, o cabello -|- páartÇ, o chicote. (2) Esta especie não havia ainda sido dçscripta. 136 dondada, extremidade posterior gradualmente se afilando até terminar em ponta que corresponde quasi sempre á parte terminal do axostylo. Dimen- sões médias oscillando entre 7 a 9 ix de comprimento, por 4 a 7 ix de largura. O axostylo tem o aspecto de um tubo comple- tamente vasio, mais ou menos rectilineo de que uma extremidade faz saliência para o exterior ao passo que a outra se perde na massa plasmatica, parecendo, ás vezes, se continuar com o cytostoma. Este appa- rece, como fenda mais ou menos cónica e encurvada, num ponto antero-lateral da cellula, junto á base dos flagellos ; não existe labio chromophilo. O plasma não é nitidamente distincto em endo e ectoplasma; este é representado apenas por del- gadíssima camada periplastica, cuja flexibilidade permitte ao protozoário realizar intensos movimentos metamorphicos; o endoplasma é delicadamente alveolado e contém poucas inclusões ; não existem granulações siderophilas. O núcleo é caryosomico, anterior, sub-marginal, espherico ou, ás vezes, de fórma irregular; o caryo- soma tem volume variavel podendo attingir 2 a 3 jx de diâmetro; zona do sueco nuclear vasia; parece existir membrana nuclear. Um corpúsculo basal, ligado ao núcleo por um rhizoplasto dá origem a tres flagellos anteriores menores que o corpo do flagellado e a um flagello recorrente livre maior do que elle. Habitat. Coecum de Cavia aperea, C. por- cellus e Dasyprocta aguti. 137 Genero Enteromonas (') mihi, 1915. Diagnose. Protomonadinas com um flagello maior recorrente e livre e dous menores anteriores, eguaes ; corpo globoso sem axostylo, sem cytosioma e sem membrana ondulante. Enteromonas hominis mihi, 1915. Redescripção. Flagellado de corpo quasi sempre regularmente espherico, ás vezes com a extremidade posterior afilada em cauda muito curta. Dimensões médias 5 a 6 p. de diâmetro. Periplasta delgado, porém, sufficientemente rigido para impedir movimentos metamorphicos do protista e, só elle, constituindo todo o ectoplasma. Endoplasma alveolado, contendo frequentemente inclusões muitas vezes constituidas por bacterios. A disposição dos alvéolos não raro é regular, sendo que, então, nos preparados corados, um delles appa- rece proximo ao centro do parasito, emquanto os outros formam uma coroa em torno delle. Não exis- tem axostylo, nem cytostoma. Núcleo anterior, espherico, sub-marginal ou, ás vezes, central, com 1 tx de diâmetro. O núcleo é de typo protocaryon, isto é, vesiculoso, com caryo- soma e zona do sueco nuclear vasia, sem membrana nuclear. Caryosoma central, volumoso e espherico, raramente irregular ou pequeno. Zona do sueco nuclear vasia e muito estreita. Não foi visto centnolo. f1) De E'vrepov, intestino -}- p.ovàç, unidade. 138 Flagellos em numero de tres, sendo um recor- rente e maior que o corpo e os outros anteriores menores que elle. Os flagellos partem de corpúsculo basal unico, muito pequeno, sub-marginal, collocado anteriormente em relação ao núcleo, ao qual esta unido por meio de rhizoplasto. O flagellado se reproduz por divisão longitu- dinal ; nas primeiras phases desta apparecem duas placas chromaticas, em que parece haver distincção de chromosomas; dous corpúsculos basaes dão, nessas formas, origem a dous grupos de flagellos ; não raro, entre as placas chromaticas se observa cen- trodesmose que póde ser bastante espessa. Raramente são encontradas formas grandes com numerosos flagellos irregularmente dispostos; tal- vez possam essas fôrmas ser interpretadas de accordo com a opinião de Hartmann e Chagas, sobre disso- ciação degenerativa das fibrillas constituintes do filamento axial de cada flagello. Habitat. Intestino de Homo sa/piens; o fla- gellado foi observado em fezes emittidas, menos de cinco minutos antes do exame, por uma doente do Hospital Nacional de Alienados, acomettida de dysenteria, cuja etiologia permanecia obscura; antes desse primeiro exame a doente fora improfi- cuamente tratada pelo sulfato de sodio, pós de Dower, calomelanos, electrargol em lavagens intes- tinaes e injecções de oleo camphorado. No fim de 12 dias de moléstia a doente veio a fallecer. A sym- ptomatologia consistiu principalmente em abati- mento, evacuações dolorosas, fezes sanguinolentas, lingua saburrosa, ventre tympanico e doloroso ; nos dous primeiros dias de moléstia honve ligeira hyper- 139 thermia (máximo de 37o,6 C.), nos dias seguintes a temperatura attingiu a 38o a 39o C. á tarde e 37o a 37o,6 C. pela manhã; nos dous últimos dias de moléstia a temperatura cahiu e se manteve a 36o C. O primeiro exame que fizemos das fezes desta doente foi realizado na vespera de sua morte, o que não nos permittiu fazer o exame bacteriológico das fezes, o qual decidiria do papel etiologico do fla- gellado. Genero Chilomitus (x) nov. gen. Chilomitus cavize, nov. gen., nov. esp. Descripção. O flagellado apresenta um dimor- phismo muito accentuado, havendo, porém, entre as duas formas extremas, muitos aspectos interme- diários. Sob uma das formas o flagellado se apresenta alongado, com 12 a 17 p. de comprimento, por cerca de 4 jx de largura; o corpo é nitidamente deprimido no sentido longitudinal; a extremidade anterior é arredondada e larga, a extremidade posterior é afi- lada, mas não constitue cauda ; o corpo é nitidamente deprimido no sentido longitudinal; um dos dous bordos do corpo é mais espesso e mais convexo que o outro ; o cytostoma é dirigido obliqua ou quasi parallelamente, em relação ao eixo longitudinal do corpo, vindo terminar no limite entre o bordo mais delgado e a extremidade anterior. (') De xeíXoç, labio -|- |jÚtoç, fio. 140 Sob outra fórma o flagellado é curto, tendo cerca de 8 a 10 jx de comprimento, por 4 a 5 tx de largura; as extremidades são egualmente arredondadas e muito largas ; o corpo é fortemente deprimido no sentido longitudinal; um dos bordos é muito espesso, arredondado e apresenta grande convexi- dade ; o outro bordo é muito delgado, quasi laminar e tem convexidade muito pouco accentuada ; o cytos- toma perpendicularmente dirigido, em relação ao eixo longitudinal do corpo, vem terminar na parte mais anterior do bordo delgado. O limite entre a parte laminar e a parte espessa do corpo, fórma uma curva nitida, com a concavidade dirigida para o bordo delgado, e, ás vezes, parece se continuar com a linha limitante do cytostoma; é ao lado da conca- vidade dessa curva que, frequentemente, os flagellos se acham escondidos formando um feixe. O cytostoma tem quasi sempre o aspecto de um sacco, ás vezes estreitado junto á abertura; tem 1,5 a 2 ;x no máximo de largura ,por cerca de 3 a 4 jx de comprimento. Plasma distincto em endo e ectoplasma. Este apresenta uma camada periplastica espessa, verda- deira capsula, cuja rigidez impede o menor movi- mento metamorphico; o resto do ectoplasma é hya- lino e se continua com o endoplasma cujas granula- ções siderophilas, irregulares e numerosas se accumulam principalmente nas regiões centraes do protozoário. Núcleo difficil de distinguir dentre as numero- sas granulações siderophilas ; está disposto anterior- mente, tem caryosoma volumoso e zona do sueco nuclear vasia. ESTAMPA VI Eschema da Morphologia DE CHILOMITUS CAVI/E I -■ Fórma larga, de perfil. II - Fórma larga, de face. III - Fórma longa, de perfil. IV - Fórma longa, de face. ORIGINAL DR. 0. DA FONSECA 141 Corpúsculo basal também difficilmente perce- ptivel, situado proximo ao cytostoma, e ligado ao caryosoma do núcleo por meio de um rhizoplasto. Deste corpúsculo basal sahem para frente, pelo cytostoma, quatro flagellos anteriores, todos mais ou menos do tamanho do corpo ; nas formas largas, as vezes, elles formam um feixe cuja extremidade livre se vem occultar na concavidade limitante do bordo delgado do parasito. Habitat. Coecum de Cama aferea e de C. forcellus. Família Hexamitidae Kent, 1880-82. Synonimia. Distomata Klebs, 1892, pag. 329 ; Distomatacecz Senn, 1900, pag. 147 j Distomatidcz Hartmann e Chagas, 1910, pag. 118. Genero Octomitus (x) Prowazek, 1904. Synonimia. Dicercomonas Grassi, 1882 ; He- xamita Dujardin, 1838, fro farte; Urofhagus Moroff, 1903, fro farte. Especies conhecidas : O. intestinalis (Dujardin, 1814). O. muris (Grassi, 1882). (x) De òxró, oito 4-[xíroç, fio. 142 Octomitus muris (Grassi, 1882). Synonimia. Dicercomonas muris Grassi, 1882 ; H examitus muns (Grassi, 1882) auctorum. Redescripção. Corpo em fórma de massa ou de bastão, alongado, ás vezes mais ou menos encur- vado, com 9 a io u.de comprimento por 2 a 4 jx de largura. Extremidade anterior arredondada, romba e mais larga que a posterior que é afilada, mas não ponteaguda. Plasma distincto em ectoplasma, constituído só pela delgada camada periplastica, e endoplasma pouco distinctamente alveolado e contendo poucas inclusões; a zona longitudinal situada na parte média do corpo é mais clara e acompanhada em seus dous lados por duas linhas chromophilas, depen- dentes do apparelho locomotor do flagellado e con- fundidas quasi sempre com os axostylos de vários Tetramitidee ; é para essa formação chromatica, idên- tica á de Giardia e Cercomonas que propomos conser- var o nome de rhizostylo, reservado por Alexeieff, para formação analoga dos Rhizomastix ; esse ultimo autor justifica a distincção entre axostylo e rhizos- tylo dizendo : « Sa fonction n est pas .analogue à celle de V axostyle. En effet cet dernier est surtout destiné à maintenir constante la forme du corps et représente ainsi une formation squelletiqzie tandis que le rhlzostyle fait partie intégrante de Vappareil ftagéllaire. y> Esses dous rhizostylos são parallelos e separam para fóra duas zonas mais escuras afiladas posteriormente ; nestas zonas existem muitas vezes grânulos chromophilos, mais ou menos volumosos e esparsos. 143 Em continuação aos rhizostylos sahem da extre- midade posterior do parasito dous fíagellos caudaes delgados e menores que o corpo. Na extremidade anterior das zonas lateraes escuras do corpo, estão os dous núcleos alongados, symetricamente dispostos e formados de granulações chromaticas irregulares. Estes núcleos estão ligados a dous corpúsculos basaes marginaes, collocados symetricamente na extremidade anterior do protista. De cada corpús- culo basal sahem, para frente e para um lado, tres Hagellos do tamanho dos posteriores. Habitat. Intestino de Mus musculus, fórma cinzenta e fórma albina, de Mus nowegicus, fórma cinzenta e albina, e de Mus rattus. Genero Giardia Kunstler, 1882. Synonimia. Cercomonas Dujardin, 1841, in Lambi, 1859 ; Dimorphus Grassi, 1879 (nom. preoc. por arachnideos); Hexamitus Dujardin, 1841, in Davaine, 1875; Lamblia Blanchard, 1888; Megas- toma Grassi, 1881 (nom. creado por Blainville, para molluscos; por Costa, em 1850, para peixes, por Swainson, em 1837, para aves, por Megerle e Míihl- feld, para molluscos). Especies conhecidas : Giardia agilis Kunstler 1882. G. alata Kunstler et Gineste, 1907. G. cuniculi (Bensen, 1908). G. intestinalis (Lambi, 1859). G. muris (Bensen, 1908). G. microti Kofoid et Christiansen, 1915. 144 Morphologia. Flagellados em geral pinfor- mes ou claviformes, providos de ventosa discoide occupando toda a parte anterior da cellula, cuja por- ção restante se vae progressivamente afilando, até terminar em um prolongamento caudal flexivel. Plasma constituido de periplasta resistente que sósinho representa todo o ectõplasma, e endoplasma de estructura mais ou menos granular, desprovido de granulações e de alvéolos. Não ha movimentos metamorphicos. O plasma é separado por filamentos chromo- philos em regiões differentes pela espessura e colo- rabilidade que apresentam. Dous núcleos com caryosoma central cercado de zona do sueco nuclear vasia; membrana nuclear espessa e fortemente chromophila. No centro do caryosoma existe, ás vezes, centriolo chromatico ; outras vezes se observam duas a quatro pequenas granulações de chromatina. No polo anterior de cada núcleo existe uma granulação chromatica bacilli- forme, adherente a membrana nuclear e ligada ao caryosoma por meio de fino rhizoplasto. Adeante do espaço intermediário entre os dous núcleos existe, formando um arco de concavidade anterior, um grupo de quatro grânulos chromaticos perfeitamente idênticos aos corpúsculos basaes; esses grânulos estão ligados entre si e ás granula- ções bacillares da membrana nuclear, por meio de rhizoplastos. Dos dous grânulos externos desse grupo sahem dous filamentos se encurvando para deante de modo a virem se cruzar na linha média; a curvatura continua até que o filamento encontra a superfície da cellula no ponto mais lateral da extre- 145 midade anterior; nessa occasião os dous filamentos soltam-se para o exterior, como flagellos livres. Dos dous grânulos internos do grupo sahem dous fila- mentos chromaticos que caminham rectos e parai - lelos até a extremidade posterior, donde também se continuam como dous flagellos caudaes ; foram esses dous filamentos axiaes do parasito que, como os dos Octomitus, vários autores confundiram com o axos- tylo typico dos Trichomonas e Trichomastix; a esses dous filamentos, pelas mesmas razões que expuzemos para o caso dos Octomitus, deve caber a denominação de rhizostylos. Dos mesmos grânulos donde partem os rhizostylos sahem, para cada lado, dous outros filamentos ; cada um delles se encurva para fóra e depois para deante, de modo a descreverem um ovoide em torno de cada nucieo e se terminarem no ponto de emergencia dos fla- gellos anteriores; os outros dous filamentos cami- nham ligeiramente encurvados para fóra e para traz e terminam na superficie do parasito, ao nivel da união do terço médio com o terço posterior, ponto em que se continuam livres no exterior como flagellos lateraes. Na parte média de cada rhizostylo existe uma granulação chromatica bacilliforme, donde emergem dous flagellos medianos e livres que, quasi sempre, caminham parallelos para um lado, descre- vendo duas curvaturas que dão a cada um delles a conformação de um S itálico. Pouco para traz do ponto de emergencia dos flagellos existe um corpo chromophilo de natureza chromidial, cuja forma serve de caracter especifico e cujo papel physiologico é totalmente ignorado. 146 Giardia cuniculi (Bensen, 1908). Synonimia. Cercomonas intestinalis Lambi, 1859, pro parte; H examitus duodenalis Davame, I^75> pro parte; Lamblia intestinalis Blanchard, 1880, pro parle; Lamblia cuniculi Bensen, 1908; M egastoma entericum Grassi, 1881 ; M egastoma intestinale Blanchard, 1886. Descripção. Corpo com 10 a 20 pL de compri- mento por 6 a 12 p de largura, formado de grande parte anterior discoide, se continuando para traz pelo prolongamento caudal que começa meio brus- camente ao nivel do equador do disco anterior. Núcleos ovoides e caryosomicos; caryosomas frequentes vezes com diversas granulações chroma- ticas em seu interior. Corpúsculos basaes do grupo quadruplo anterior, bastante afastados uns dos outros, formando arco de curvatura pouco pro- nunciada. Chromidio alongado, perpendicular ou obliquo em relação ao eixo do animal; ás vezes é triangular, outras vezes é constituido por duas barras chroma- ticas mais ou menos encurvadas e ligadas entre si por uma extremidade ; geralmente lateral, esse chromi- dio se distingue por esse facto dos das espccies seguintes. Flagellos eguaes, delgados, mais ou menos com comprimento egual a metade do tamanho do corpo. Habitat. Intestino delgado de Coendu vil- losus e de Oryctolagus cuniculus. 147 Giardia intestinalis (Lambi, 1859). Synonimia. Cercomonas intestinalis Lambi, 1859, pro parte; Hexamitus duodenalis Davaine, 1875, pro parte; Lamblia intestinalis, Blanchard, 1888, pro parte; M egastoma entericum Grassi, 1881, pro parte; Megastoma intestinale Blanchard, 1886, pro parte. Descripção. Dimensões variaveis e idênticas ás da especie precedente ; fórma do corpo analoga, apenas o afilamento do parasito para a parte poste- rior se faz menos bruscamente; extremidade caudal menos afilada. Núcleos ovoides, caryosomicos ; caryosomas fre- quentemente ligados por meio de rhizoplastos aos corpúsculos basaes; estes estão no grupo quadruplo formando arco de concavidade posterior e de curva- tura pouco accentuada. A's vezes não existe caryo- soma e a chromatina se acha adherente á membrana nuclear geralmente no polo posterior do núcleo, onde constitue uma barra em crescente. Chromidio em bastonete, perpendicularmente disposto em relação ao rhizostylo, geralmente me- diano, raramente um tanto lateral, o que faz confun- dir ás vezes este flagellado com o precedente. Flagellos mais ou menos do tamanho de metade do comprimento do corpo. Habitat. Intestino de Homo sapiens e de Cebus carayá. 148 Giardia muris (Bensen, 1908). Synonimia. Cercomonas intestinalis Lambi, 1859, pro parte; Dimorphus muris Grassi, 1879; H examitus duodenalis Davaine, 1875 ; Gamblia intestinalis Blanchard, 1888; Lamblia muris Ben- sen, 1908; Megastoma entericum Grassi, 1881; M egastoma intestinale Blanchard 1886. Descripção. Dimensões variam como nas especies precedentes, sendo, porém, o corpo mais largo e mais curto na G. muris que nas outras espe- cies do genero. Ventosa anterior relativamente maior, afilamento posterior mais brusco, extremidade caudal quasi ponteaguda e mais bruscamente formada. Núcleos mais arredondados que nas especies precedentes, ora caryosomicos, ora com a chromatina adherente a um dos polos do núcleo. Corpúsculos basaes formando um grupo em linha fortemente encurvada, de concavidade pos- terior. Chromidio mais ou menos espherico, caracter esse constante, o que facilmente permitte a caracte- risação da especie. Flagellos curtos como nas especies precedentes. Habitat. Intestino delgado de Mus nowe- gicus. 149 ANNEXO Genero Selenomonas (]) Prowazek, 1913. Selenomonas ruminantium (Certes, 1889). Synonimia. Ancyromonas ruminantium Cer- tes, 1889; Selenomastix ruminantium Woodcock et Lapage, 1913. - Historico. Em 1889, Certes collocou no genero Ancyromonas de Kent um interessante pro- tista que ulteriormente Prowazek verificou dever ser separado do genero Ancyromonas para constituir um novo genero, cujas relações de semelhança com Spi- rillum sputigenum o mesmo autor verifica. Descripção. Parasito em fórma de crescente com dimensões muitíssimo variaveis, frequentemente entre 8 e 20 u. de comprimento por cerca de 3 [x de largura. Espessa e rigida membrana cellular, com cara- cteres physicos da cellulose, envolve toda a cellula. Plasma de estructura alveolar difficilmente veri- ficável. Chromatina ás vezes esparsa pelo plasma, outras vezes condensada em uma granulação chro- matica, ás vezes dupla, disposta junto á membrana cellular, na concavidade do crescente. Dessa granulação chromatica, parte um espesso flagello mais ou menos do comprimento do corpo; (!) De aeX^vr], lua + piovàç, unidade, 150 A's vezes o flagello é duplo ou múltiplo. No primeiro caso a interpretação verosimil é de estar o facto relacionado com a divisão transversa habitual no protista. No segundo caso parece tratar-se de phenomenos degenerativos. Habitat. Coecum de Cama aperea, C. 'porcel- lus e Dasy-procta aguti. Nota. - O parasito é descripto como encon- trado no estomago dos ruminantes domésticos e sel- vagens (Certes, Kerandel, Domizio, Prowazek) nos ganglios lymphaticos de cobayo (Splendore), no san- gue de falcão, etc. Foi elle pela primeira vez encon- trado nos tres roedores que citámos pelo Dr. Aristi- des Marques da Cunha o qual sobre o assumpto havia publicado, em 1915, uma nota prévia. Alguns autores descreveram como phase evolutiva de Sele- nomonas outros protistas do estomago de ruminan- tes : pequenas cellulas redondas, sem orgãos locomo- tores apparentes e de extrema mobilidade ; parece não dever prevalecer esta opinião. Visto. - Secretaria da Faculdade de Medi- cina do Rio de Janeiro, 4 de Dezembro de 1915. - Dr. Brito Silva, Sub-Secretario. Explicação DAS ESTAMPAS VII E VIII NOTA.-Os parasitos foram desenhados ao microscopio Zeiss com objectiva de immersão V12 e ocular compensadora 12. Figura 1 - Sphceromonas communis. Figura 2 - S. liebetanzi. Como a precedente, esta figura mostra núcleo cons- tituído de grande caryosoma cercado de zona de sueco nuclear clara ; o flagello sahe de corpúsculo basal unico, ligado ao nuc'eo por um rhizoplasto. Granulações siderophdas no plasma. Figura 3 - Callimastix jrontalis. Os flagellos múltiplos partem de corpús- culos basaes ; vê-se nitadamente a grande differenciação ectoplas- matica e as granulações siderophdas do endoplasma. Figura 4- Chilomastix bittencourti. Núcleo constituído por grande vesicula provida de espessa parede chromophila, em dous polos oppostos da qual existem duas granulações chromaticas lenticulares. Cor- púsculo basal duplo ; da granulação anterior sabem os Hagellos, da posterior se origina o labio chromophdo e recurvado do cytostoma. Figura 5 - Fórma atypica de Chilomastix caprce. Núcleo com caryosoma. corpúsculo basal unico. Figura 6 - Fórma habitual de Chilomastix capra. Núcleo com caryosoma e rêde rudimentar de linina. Cauda afilada em ponta. Figura 7 - Fórma de divisão binaria de Chilomastix capra. Nota-se a presença de duas granulações chromaticas periphericas em cada núcleo filho Figura 8 - Chilomastix intestinalis. Núcleo com uma só granulação lenticular peripherica. Figura 9 - Chilomastix cuniculi. Núcleo com duas granulações. Cauda afilada em ponta. Figura 10 - Chilomastix mesnili. Núcleo com uma só granulação chromatica peripherica. Figura II-Chilomitus cavia. Corpúsculo basal visivel dando inserção aos • flagellos. Não se vê núcleo. Figura 12 - Chilomitus cavia. Núcleo presente. Não são visíveis, nem flagellos, nem corpúsculo basal, 150 A Figura 13 - Enteromonas hominis. Flagellos em sua posição natural. Não se vê o corpúsculo basal. Figura 14 - Enteromonas hominis. Apparelho núcleo flagellar bem visivel. Figura 15 e 16 - Enteromonas hominis. Flagellos não visíveis. Núcleo primi- tivo com caryosoma volumoso e zona de sueco nuclear vasia. Figura 17-Trichomastix cavice. Axostylo não visivel. Apparelho núcleo flagellar bem visivel. Figura 18-Trichomonas caviae. Axostylo vasio bem visível. Costa e orla da membrana ondulante, corpúsculo basal bem nitido. Numerosas granulações siderophilas na região em que deveria existir núcleo. Figura 19-Trichomonas muris. Núcleo individualizado e cercado de zona de sueco nuclear vasia. Corpúsculo chromatoide presente. Figura 20-Trichomonas hominis. Núcleo individualizado. Costa não appa- rente e se confundindo com outras formações cbromophilas da região. Figura 21 -Trichomonas tatusi. Costa e orla da membrana ondulante presentes. Núcleo mal individualizado. Corpúsculo basal duplo. Figura 22 - Octomitus muris. Núcleos formados de granulações juxtapostas. Corpúsculos basaes muito pequenos. Rhizostylos representados pelas duas zonas parallelas mais escuras que percorrem o plasma. Figura 23 - Giardia cuniculi. No caryosoma de cada núcleo existem tres granu- lações chromaticas. Os caryocomas estão ligados aos corpúsculos basaes e estes entre si por meio de rhizoplastos. Rhizostylos paral- lelos e flexuosos na parte terminal. Chromidio lateral e oblíqua- mente disposto. Figura 24 - Giardia intestinalis. Caryosoma dos núcleos muito pequeno e não ligado aos corpúsculos basaes. Chromidio um tanto lateral e obliquamente dirigido, disposição esta menos accentuada que na fórma precedente. Borda posterior chromatica da ventosa visivel. Figura 25 - Giardia intestinalis, de perfil. Vêm-se os rhizostylos e a borda chromatica da ventosa, como dous traços. Núcleo com caryosoma. Figura 26-Giardia muris. Em vez de caryosoma existe uma granulação em crescente, adaptada á caryomembrana, no polo posterior de cada núcleo. Chromidio espherico e mediano. Flagellos medianos paral- lelos e dirigidos, portanto, para o mesmo lado, o que constitue a regra para o genero. Figura 27 - Selenomonas ruminantium. Fórma atypíca multiflagellada. Fórma do corpo e disposição da chromatina normaes. RUD. FISCHER, del. RUD. FISCHER, del. ÍNDICE geral Pags. Prologo. 5 PARTE GERAL Introducção 9 Historico | ] Material ]8 Technica 23 Preparados 26 Morphologia geral 32 A cellula 33 Protoplasma 34 Ectoplasma e seus derivados 38 Derivados ectoplasmaticos de funcção protectora. . . 39 Derivados ectoplasmaticos de funcção motora. ... 40 Endoplasma e seus annexos 42 Núcleo 45 Derivados nucleares 52 Substancias chromatoides 58 Ecologia geral 59 Hospedador 60 Localisação 63 Transmissão 65 Utilidade. Inocuidade. Pathogenidade 66 Physiologia geral . 67 Nutrição 67 Sensibilidade 71 Motilidade 73 Reproducção 77 Divisão 78 Fecundação 84 Posição dos Flagellados 85 152 PARTE ESPECIAL Pags. Classificação dos Flagellados 92 Systema dos Protozoários, segundo Doflein 92 Systema dos Protozoários, segundo Hartmann 92 Classificação das Protomonadinas - Generos parasitos. . . 98 Familia Oicomonadidce 106 Genero Spharomonas 106 Familia Callimastigidce 111 Genero Callimastix ... I 1 1 Familia Tetramitidce 113 Genero Chilomastix 113 Sub-genero Tetrachilomastix 115 Genero Trichomonas 124 Genero Trichomastix 135 Genero Enteromonas 137 Genero Chilomitus 139 Familia Hexamitidce 141 Genero Octomitus 141 Genero Giardia 143 Annexo : Genero Selenomonas 149 Bibliographia 153 índice alphabetico 167 ÍNDICE das estampas Eschema da classificação dos Flagellados. Est. I. Eschema da classificação das Protomonadinas. Est. II. Eschema da classificação dos generos parasitos : famílias CercomcnadidcE, Oicomorodidce, Bodonidce, Callimastigidce, Hexa- mitidce e annexo. Est. III. Eschema da classificação dos generos parasitos : familia Tetramitidce. Est. IV e V. Eschema da morphologia de Chilomitus cavice. Est. VI. BIBLIOGRAPHIA I. ALEXEIEFF, A. 1908 - Sur la division de Hexamitus intes- tinalis Duj. Compt. rend. de la Soc. de Biol. An. 60, pp. 40'2 - 404, 1 fig. - Paris. 2. ALEXEIEFF, A. 1909 - Les flagellés parasites des batraciens indigènes.- Compt. rend. de la Soc. de Biol. 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Absorpção 69 Actividade formadora 68 A. plastica 68 Aerobios 68 A. facultativos 69 Affecções dysentericas 67 138 Agouti paca 21 Álcool ethylico 28 A. methylico 28 Amitose 78 Ammonisação 69 Amphimixis 84 Amphimonadidae 100 Amylo 71 Ancyromonas 149 A. ruminantium 149 Antílope 21 A. cervicapra 21 Apparelho digestivo 65 66 A. flagellar 55 A. para-basal 54 58 A. respiratório 64 66 Araujia angustifolia 60 Artefactos 35 Arthropodo. . 66 Associações 63 Autogamia 84 A. pedogamica 85 Automixis 84 Autophya 40 Autopsia 23 Aves 17 168 B Pags Babesia 64 Barata 102 Batrachios 17, 62 65 Binucleados 55 64 Binucleata 55 64 Blepharoplasto 50 54 Bodo 14, 100, 101 124 B. hominis 130 B. intestinalis 12 B. lacertae 101 B. saltans 100 Bodonidae 100 Boi 22, 110, 111 113 Bos taurus 22, 110, 111 113 Bovideos 62 C Cabra 22, 113 119 Caitetú 21 Callimastigidae 104 Callimastix 104 105 C. cyclopis 104, 105 111 C. frontalis 22, 104 1 11 Callithrix jacchus 19 61 Camondongo 20, 133 143 Cangurú 22 Canis familiaris 19 61 Cão. 19 61 Capillaridade 35 Capivara 21 Capsula 39 Carapaça 40 Carneiro 22 113 Caryocinese 78 Caryosoma 47 Cavallo 12 21 Cavia aperea 21, 61 150 C. porcellus . 9, 21, 61, 62, 110, 122, 130, 136, 141 150 Cavidades naturaes 63, 64 66 169 Pags. Cebus carayá 19 147 Cellula 33 Centriolo 47 Centrodesmose 54 Cercolabidae 61 Cercomastix 99 Cercomonadaceae 99 Cercomonadidae 99 106 Cercomonadina 106 Cercomonas 13, 14, 15, 16, 99, 106, 113, 124, 127, 135 143 C. globusus 135 C. hominis 13, 64, 122 130 C. intestinalis 13, 21, 146, 147 148 C. longicauda 17 C. muscae domesticae 14 C. ovalis 128 C. pisiformis 128 C. rhizoidea communis 110 C. r. maxima 110 C. r. mínima 110 Cerodon rupestris 9 Cervus elaphus 21 Chilomastix 13, 18, 101, 113, 115 123 C. bittencourti 20 116 C. bocis 116 C. caprae 22, 116 118 C. cauleryi 102, 115 116 C. cuniculi 21, 116 119 C. gallinarum 102, 115 116 C. intestinalis 116 121 C. mesnili 17, 18, 116 122 C. motellae 116 Chilomitus 104 139 C. caviae 21, 104 139 Chlorophylla 44 Chondriosomas 36 45 Chritidia 59 Chromatina 46 C. cineto-genetica 51. C. exterior 48 C. tropho-cinetica 51 C. tropho-genetica \ 51 170 PagS' Chromatophoros 44 Chromidios 53 C. geneticos 53 C. vegetativos 53 Chromomonadina 56 Ciliados 42 Cílios 41 42 Cimaenomonas 124 C. hominis 130 Circulação plasmatica 74 Classificação das protomonadinas 98 C. dos flagellados, segundo Bútschli 93 » )) » » Doflein 93 )) )) » » Dujardin 92 )) )) )) )) Ehrenberg 92 » » » » Hartmann 94 » )) » » Kent 92 » » » » Linneu 92 » » » » Múller 92 Cloaca 65 Coati 19 Cobayo. ... 9, 61, 62, 110, 122, 130, 136, 141 150 Codosigidae ... 42 100 Coelho 16, 21, 61, 62, 121 146 Coendu prahensibs 20 C. villosus 20, 61 146 Cohabitação 62 Collarinho 42 Colonias 33 Componentes funccionaes do núcleo 52 Conjugação 85 C. alelogamica 85 Copula 84 Copulação 85 Corpúsculo basal 54 Costa da membrana ondulante 42, 54 57 Costia nscatdx 63, 66 104 Cotia 21, 61, 136 150 Craspedomonadaceae 100 Crescimento 77 Cryptobia 64 65 Culicideo 66 171 Pags. Cyathomastix 102, 113 123 C. hominis 102, 122 123 Cyclo do azoto 69 Cyclomitose 80 Cyclose 74 D Dasyprocta aguti 21, 61, 136 150 Derivados ectoplasmaticos 39 D. nucleares . 52 Desmodus rufus 19 Dicercomonas 141 D. muris 142 Didelphys marsupialis 22 Difaemus 102, 113 123 D. tunensis 102, 122 123 Dimorphus 143 D. muris 148 Diplosoma 56 Diplozoa 98 105 Distomata 141 Distomataceae 141 Distomatidae 105 141 Divisão . 78 D. binaria 79 Divisão directa 78 D. heteropolar . 79 D. indirecta 78 D. múltipla 79 Duplicidade nuclear 50 Dysenteria 67 138 E Ecologia 59 Ectoparasitos 25, 63 66 Ectoplasma 38 Electricidade 73 Embadomonas 102 1 15 E. agilis 102 Enchylema 37 172 Pags Energia chimica 68 E. mecanica 68 E. physica 68 E. solar 68 E. thermica 68 Entamoeba .124 Enteromonas 103 137 E. hominis 19, 103 137 Envelhecimento 78 Equus caballus 21 Ergastoplasma 45 Eschizogonia 79 Esophago 65 Espongioplasma 37 Euglenoideas 44 55 Euphorbia 60 Evolução cyclica do caryosoma 48 Exame a fresco 26 Excitação 71 Excitantes 72 E. chimicos 73 E. mecânicos 72 E. physicos 73 Exechlyga 124 E. acuminata 15 F Falcão 150 Fanapepea 102, - 113 123 F. intestinalis 102, 122 123 Fecundação 78 84 Fel is domestica 19 61 Fermentos nítricos 69 F. nitrosos 69 Filopodos 41 Fixação a húmido 29 F. a secco 28 Flagello 54 56 F. adherente 56 F. anterior 56 F. lateral 5b 173 Pags. F. livre 56 F. posterior 56 F, recorrente 56 Fluidez do plasma 35 F urão 19 Funcção chlorophylliana 69 Fuso achromatico 54 G Gallictis vittata 19 Gambá 22 Gameto 84 Gametocyto 84 Gamonte 84 Gato 19 61 Geographia 62 Giardia 14, 16, 57, 62, 105, 142 143 G. agilis 62, 105 143 G. alata 143 G. cuniculi 20, 21, 61 143 G. intestinalis 13, 15, 16, 17, 19 143 G. microti 143 Glossophaga soricina 19 Glycogeneo 44 71 Gordura 44 71 Granulações deutoplasticas 44 G. metaplasticas 44 Grânulos 36 Gregarinas 44 H Habitat 59, 60, 62 63 Haplomitose 83 Hematico (protozoário) 61, 65 66 Hematozoario 61, 65 66 Hemiderma perspicillatum 19 Hereditariedade 79 Herpetomonas . 59 H. davidi 60 H. elmassiani 60 H. muscae-domesticae 14 174 Pas?s. Heterogamia 85 Heteromita 135 H. caviae 135 Hexamastix 5 7 102 H. batrachorum 102 Hexamita 12 Hexamitidae 105 141 Hexamitus 127, 141 143 H. duodenalis 146, 147 148 Homem 16, 17, 18, 61, 124, 138 147 Homo sapiens 16, 17, 18, 61, 124, 138 147 Hospedador 60 H. intermediário 65 Hydrochooerus capybara 21 Hyperchromasia 53 I Idade do hospedador . 62 Idio-chromodios 53 Infecção 61 Influencia do meio . . . . ' 33 59 Inocuidade 60 66 Intestino 65 I. delgado 65 I. grosso 65 Irritabilidade 34 Ixodideo 66 K Kysto 40 K. de fecundação 49 K. de multiplicação 40 K. de repouso 40 K. vegetativo 40 L Labio chromophilo de cytostoma 54 57 Lamblia 14, 15 143 L. cuniculi 146 L. intestinalis 146, 147 148 175 Pags. L. muris 148 Leishmania 59 64 Leporidae 61 Leucitos 45 Linina 46 Lobopodos 41 Localisação 63 Lophomonadidae 104 Lophomonas blattarum 14 Lorica 34 Lõschia 124 Luz. . . 72 M Macronucleo 50 Macropus robustus 22 Macrostoma . . . 113 M. mesnili 122 Mammiferos examinados 18 Mastigamoeba bovis 64 Material 18 Megastoma 143 M. entericum 146, 147 148 M. intestinale 146, 147 148 Meio interno 64 Mensuração 32 Membrana cellular 39 M. nuclear 50 M. ondulante 41 Metamitose 80 Micronucleo 50 Midas rosalia 19 Mitomes . 36 Mitochondrios 36 45 Mitose 78 M. completa 80 M. primitiva 80 Mocó . • 9 Molossus obscurus 19 Monadidae 100 Monas 59, 64, 106 135 176 Pags. M. caviae J33 M. communis M. lens °4 M. pyophila 64 Monocercomonas 104,113,122 130 M. hominis J36 M. melolonthae 164 Monozoa 68 Morcego. ' Motilidade. . 34, 71 73 Movimento ameboide 33 /j M. brownianos 73 M. ciliar 76 M. da membrana ondulante 7o M. externo 73 M. flagellar 76 M. interno 73 74 M. metabólicos 35 75 M. metamorphicos 35 75 Mulher 135 Mus musculus 20, 133 143 M. norwegicus 20, 117, 133, 143 148 M. rattus 20, 133 143 N Nasua rufa 16 Nitratação 69 Nitrosação . 69 Núcleo . . 45 N. cineto-genetico 30 N. compacto 46 N. diffuso 46 N. genetico 30 N. individualizado 46 N. primitivo 49 N. principal 50 N. trophico 50 N. tropho genetico 50 N. vesiculoso 46 Nucleolos 48 Nutação 41 177 Pags. Nutribilidade 34 Nutrição 67 N. holophytica 44 71 N. holozo-ica 70 N. parasitica 70 N. saprophytica 70 Nyctinomus gracilis 19 O Octomitus 16. 57, 105, 141 145 O. intestinalis 105 141 O. muris 20, 141 142 Oicomonadidae 99 106 Oicomonadaceae 99 106 Oicomonas . 106 O. commmunis 106 O. mínima 106 Orla da membrana ondulante 42 56 Oryctolagus cuniculus . . . . 16, 21, 61, 62, 121 142 Osmose 70 Ouriço 20 61 P Páca 21 Paramitose 36 Paramylo 44 71 Parasitismo ' 33 Parthenogamia 85 Pathogenidade 60 66 Pedogamia 84 Pentatrichomonas 103 128 Pigmento 44 Piromonas 106 P. communis 110 P. maxima 110 P. minima 110 Phytomonadina 56 Plasmodium 84 Plasmolyse 26 35 Plastina. 46 178 Pags. Polycaryon 47 Polymastix 104 P. melolonthae 104 Porco 21 Porquinho da índia 9 Préa 21, 61 150 Predatismo 70 Preoccupado 11 Preparados 26 Pressão 72 Promitose 83 Protocaryon 49 Protomonadina 55, 63 65 Protoplasma 34 Protrichomonas 102 Prowazekia. . 100 Prowazekella 101 Pseudopodos 41 Pulmão 64 R Rã 12 62 Rato 18, 20, 117, 133 143 Reacção 71 Recto 65 Rede de linina 48 Reduvideo 66 Regímen alimentar 62 66 Reino dos protistas 85 Relação nucleo-plasmatica 53 Reproducção 77 Reproductilidade 34 Reptis 65 Respiração 68 Rhizomastigina 65 63 Rhizomastix 99 R. gracilis 57 99 Rhizoplasto 54 55 Rhizostylo 54, 57,. 99, 142 145 Rotação plasmatica 35 36 Ruminantes. ......... 17, 61, 64, 65 150 179 s Pags. Sagui . . 19 61 Sagui vermelho 19 Sanguicola (protozoário) 61, 65 65 Sapo ]2 Scheadocercomonas 124 Selenomastix 149 S. ruminantium 149 Selenomonas 149 S. ruminantium 149 Sensibilidade 7] Sentidos 7 ] Sphaeromonas 99 106 S. communis 21, 22, 61, 62, 99, 106 108 S. libentanzi 22, 108 110 S. maxima 10'5 S. minima 106 Spirillum sputigenum 149 Substancias achromaticas 46 S. chromaticas 46 S. chromatoides 44 53 S. nucleares 33 46 S. plasmaticas 33 Sus scrofa 2 ] Symbiose 33 Syncaryon $4 Systema dos protozoários, segundo Doflein 92 S. dos protozoários, segundo Hartmann 94 T Jatú- • • 22, 61 134 1 atus novem-cinctus 22, 61 134 Tayassus tajacu 2] Technica 23 Temperatura 73 Tensão superficial 33 33 1 etrachilomastix 102 115 Tetramitaceae 113 Tetramitidae ' 63, 101 113 1 etramitina 113 180 Pags. Tetramitus 113 T. mesnili 122 Tetratrichomastix 103 105 Tetratrichomonas 103, 115 127 Theoria alveolar do plasma 36 T. areolar do plasma 36 T. da homogeneidade do plasma 36 T. do polymorphismo do plasma 37 T. fibrillar do plasma 36 T. granular do plasma 36 1 . micellar do plasma 36 T. reticular do plasma 36 Transmissão 60 65 Treponema pallidum 65 Triatoma 59 Trichomastix 57, 103, 127, 135 145 T. caviae 21, 61 135 T. lacertae 103 105 T. mabuiae .135 T. motellae 135 T. orthopterorum 103 135 T. salpae . . 135 T. serpentis • 7 135 T. trichopterae 135 Trichomonas. 12, 13, 14, 15, 16, 17, 42, 57, 58, 63, 103, 113, 123, 124, 135 145 T. ardin delteili 103 T. augusta 125 T. batrachorum 13, 14, 15 125 T. brumpti 125 T. buccalis 130 T. caviae . 16, 21, 121, 125, 126 128 d. columbarum 125 T. dysenteriae 130 T. granulosa .125 T. hominis 16, 17, 19 125 T. intestinalis 128, 130 131 T. irregularis 134 T. lacertae 125 T. mabuiae 125 T. muris .... 20, 125, 126 131 T. parva 125 181 PagS. T. prowazeki 103 125 T. tritonis 125 T pulmonalis 15, 64 130 T. vaginalis 12, 14, 15, 19, 64, 66, 125 134 Trimastigidae 101 113 Trimitus 103 T. motellae 103 Tropho-chromidios 53 Tropismos 71 Trypanosoma 16, 42, 58, 59, 64 66 T. cruzi 59, 61, 64 66 T. equiperdum 65 T. lewisi 66 T noctuae 54 U Urophagus 141 Urso malayo 19 Ursus malayanus 19 Utilidade 60 66 V Vacuolos contracteis 43 V. nutritivos 43 V. pulsáteis 43 Vagina 43 Veado europeu 21 Vesículas contracteis 43 V. pulsáteis 43 Volutina 58 Volvox 11 X Xenophya 40 z Zygoto 84