VEGETAES ANTHELMINTICOS OU ENUMERAÇÃO DOS VEGETAES EMPREGADOS NA MEDICINA POPULAR COMO VERMÍFUGOS COM A DESCRIPÇÃO E ESTAMPAS DAS ESPECIES INDÍGENAS OU LARGAMENTE CULTIVADAS NO BRASIL E LIGEIROS APONTAMENTOS SOBRE OU- TRAS DOS GRUPOS A QUE ELLAS PERTENCEM E QUE SÃO USADAS NA MEDICINA POPULAR. = POR F. C. HOEHNE Botânico do Instituto de Butantan S. PAULO E RIO WEISZFLOG I R MÃOS 1920 " Herva Santa Maria" Cultura e colheita do Chenopodium ambrosioides, L. no Horto «Oswaldo Cruz» EXPLICAÇÃO Tratando-se de um trabalho destinado a pessoas que dispensam os conhecimentos technicos de Botanica, re- solvemos, para maior facilidade de consulta, distribuir a matéria pela ordem alphabetica das famílias, generos e especies scientificas e deixar para o indice e na mesma ordem os nomes vulgares, etc. Por idêntica razão pro- curamos fazer as descripções bastante accessiveis e jun- tar a muitas delias illustrações, que, em grande maioria, são reproducções fieis de outros trabalhos dignos de in- teira confiança, e, nesta conformidade, foram ainda feitas as descripções daquellas especies de que não logramos obter material para fazel-as originaes. Ao companheiro e amigo Dr. Afranio do Amaral, que bondosamente revio a parte medica, e ao nosso auxiliar e presado amigo Euclydes da Costa Soares, que fez a revisão e o indice, apresentamos, juntamente ao Dr. Arthur Neiva, Director Geral do Serviço Sanitario de S. Paulo, nossos sinceros agradecimentos. INTRODUCÇÃO Na genese da sua existência os vários póvos tive- ram, sem duvida nenhuma, que luctar com as maiores e as mais duras difficuldades para se manterem invencí- veis contra os elementos da natureza indómita que os cercavam. Era a lucta de um lado contra as féras e os semelhantes hostis, empenhados egualmente na lucta pela existência, de outro, contra as intemperies, o frio, o ex- cessivo calor e, principalmente, contra a fome e os ma- les que assaltavam o corpo. Se das chuvas e intemperies as cavernas ou lócas das rochas os protegiam, offerecendo-lhes abrigo e aga- salho, e se o silex lhes dava o material com que confec- cionavam as primitivas armas de que se serviam, aos vegetaes, no entanto, é que recorriam quando no fabri- co de suas flechas, careciam de cabos ou lanças para as aguçadas pontas de silex ou ainda, quando preparavam os flexíveis arcos com que impelliam seus mortíferos dardos. Mas, antes disto, a fome já estava sendo saciada com os fructos dos vegetaes; e mais tarde, as caçadas for- necendo a carne com que elles se nutriam, éra tam- bém com o sueco das hervas e fructos diversos que a condimentavam. E se as pelles dos animaes abatidos lhes serviam de vestuário, as folhas e as fibras foram os ob- jectos com que a principio cobriram a sua nudez que mais tarde, na falta daquellas, se tornaram indispensáveis. Quando feridos pelos inimigos, ou quando enfermos éra aos vegetaes que elles recorriam. Ahi encontravam o lenitivo para as fendas e o remedio para os males do corpo. No meio da natureza em que viviam, os vegetaes representavam para elles o maior thezouro, o maior dom da creação. 8 A principio chegaram mesmo a admittir que a na- tureza tivesse sido propositada e prodigiosamente equi- pada em beneficio delles, a ponto de ser dada a cada especie vegetal a maior semelhança possível com o or- gão para o qual mais energicas virtudes encerrasse. Co- meçou-se a ver nos orgãos reproductivos e vegetativos das plantas certa identidade com os orgãos do corpo humano e, foi assim que Aristoteles creou o primeiro systema para classificação dos vegetaes, apparecendo as Hepaticas, Orchidaceas, Cardiaceas e muitíssimos outros grupos cujos nomes em parte ainda hoje subsistem. Sendo as plantas tão uteis ao homem, não é de admi- rar que, no decorrer dos séculos, surgisse para elle a necessidade de arranjar-lhes classificação mais racional, pela qual fosse facil reconhecer as mais uteis para de- terminados fins e separar as já conhecidas- como nocivas ou imprestáveis. Nem é de estranhar que o numero de especies tidas como uteis ou nocivas augmentasse a pon- to de se chegar a usar contra um mesmo mal, ás vezes, dezenas de plantas de virtudes idênticas. Neste estado se encontram ainda hoje as cousas, e é de lastimar o menosprezo com que a classe medi- ca, em regra, encara a therapeutica indígena e popular. E' verdade que, hoje mais do que nunca, o povo em- prega, na sua therapeutica milhares e milhares de espe- cies vegetaes de nenhum effeito curativo e ás vezes mes- mo nocivas. Perguntamos, porém, de onde retirou a me- dicina moderna os seus maiores recursos? - Não são porventura ainda os preparados vegetaes que maiores pro- dígios operam e não são delles os mais efficazes alcaloi- des, os oleos e as essencias preciosas de que a medicina dispõe? Não foi dos índios que aprendemos a fazer uso do matte, guaraná, fumo, vanilla, cacáo, curare, strychni- na, cóca e outras plantas medicinaes e toxicas? - Para que então esse menosprezo pela sciencia indígena? Se de uma parte de vegetaes primitivamente empre- gados empiricamente, tantos benefícios procederam; se as Chinchonas do Perú, administradas assim pelos selva- gens revelaram tão grande poder curativo nas febres; quanto as Menthas, ha séculos antes utilisadas, de virtu- des se mostraram para outras moléstias; não parece lo- gico e muito natural que se procure analysar, estudar os vegetaes no sentido de aproveitarmos ainda muito maior numero de especies, ou, pelo menos, para demons- 9 trar scientificamente o que de verdadeiro e aproveitá- vel existe na asserção popular para a Sciencia Medica? Poucas são as pessoas capazes de avaliar e dar o devido apreço a semelhantes pesquizas, e as que o são ou que desejariam fazer qualquer cousa neste sentido, esbarram com varias difficuldades, graças ás quaes nem sempre conseguem levar avante e a termo as suas in- tenções. Uma e talvez a maior difficuldade com que depa- ram é a identificação exacta do vegetal. O nome vul- gar, sob que encontram a prescripção popular é, - como sabem todos aquelles que se tenham occupado com estes assumptos, - uma informação muito incerta, que na maio- ria dos casos póde antes contribuir para desnortear que para orientar o indivíduo, pois não define, senão rara- mente, uma mesma especie. Ao contrario, um mesmo no- me vulgar é dado commumente a varias especies, que muitas vezes pertencem a grupos, generos e famílias di- versas. Por outro lado, também não é raro que uma especie seja portadora de vários nomes vulgares e de accordo com os quaes varias virtudes lhe são attribui- das, representando ás vezes varias designações locaes. Para isto documentarmos, é sufficiente citarmos o «Tin- gui» ou «Timbó». Quantas especies botanicas são conhe- cidas por estes nomes, pelo vulgo dados como syno- nymos? - Varias especies de Leguminosas, Sapindaceas, Euphorbiaceas, Anarcadiaceas, etc. estão agrupadas sob elles. Porque, neste caso, o nome vulgar, - como ainda em muitos outros, nada mais define que a propriedade da planta. Elle significa apenas que a planta é «tingui- jante» isto é ichtycida; mas, especies vegetaes com pro- priedades ichtycidas ou empregadas como tinguis, só Greshoff, - autor que mais adeante citaremos, - enu- mera num dos seus trabalhos, mais de quinhentas! Outra difficuldade é a obtenção do material neces- sário para as pesquizas e experiencias physiologicas, por- que nem sempre é possível averiguar-se o habitat exa- cto de uma planta, onde possa ser colhida ou conseguir- se informações seguras a seu respeito. No Brasil o rei- no vegetal é muitíssimo mais rico que nas regiões extra- tropicaes, em lugar das poucas especies pharmaceuticas européas, se apresenta aqui um exercito inteiro munido de eguaes virtudes medicamentosas, de forma que tudo isto contribue para augmentar-nos as difficuldades a ven- 10 cer no esclarecimento das questões complicadas da the- rapeutica indígena. «Percorrendo com os olhos os thezouros medicinaes do Brasil», dizia Martins, «não devemos esquecer que a terra que os contem é de uma considerabillissima ex- tensão; e que não existe nella uma só província em que conjunctamente se encontrem todas aquellas plantas. E' portanto manifesto que os médicos brasileiros que dese- jarem coordenar scientificamente a multidão das plantas medicinaes, devem ter em vista quaes são as produzidas geralmente em todo o Paiz, quaes são as que produzem algumas províncias e quaes não. Na pharmacopéa bra- siliense devem ser postas, logo depois das plantas que são expontâneas em toda a parte, as que transplantadas subsistem com a mesma generalidade. Na escolha po- rém das que o emprego medicinal fizer levar da pa- tria primitiva para logares diversos do Império, deve ha- ver o maior cuidado em admittir sómente aquellas cujas virtudes não forem affectadas pela mudança. O mesmo se deve observar com as que forem importadas da Eu- ropa. E' facil de conceber que este trabalho util e ci- vil não é de facil e prompta execução». E mais adeante diz elle ainda: «Nenhum medicamento deveria ser empre- gado ou adoptado officialmente senão depois de um cui- dadoso exame por pessoas competentes, com o que se procuraria conseguir que a classificação dos remedios não dependesse de méras tradicções domesticas, ou de em* bustes de homens ignorantes, mas antes de uma esclare- cida experimentação de cada um dos medicamentos. Actual- mente os especuladores, a que chamam «Curandeiros», empregam muitos artifícios, e não só no campo ou ser- tão, onde os médicos são raros, mas mesmo nas cidades, o que é considerado pelos médicos e pharmaceuticos bra- sileiros eruditos um grande obstáculo para reduzir-se a praxe medica a regras certas; e de que maneira possa isto ser evitado, é improprio deste logar discutil-o. En- tretanto, parece-me que estas collecções que aqui offere- ço aos brasileiros conhecedores dos medicamentos do seu Paiz, contribuirão para que essa méta se considere mais approximada». Isto escreveu o grande bemfeitor botânico ha um século! - Que se tem feito entretanto até hoje no sen- tido de alcançar a méta proposta então? A balbúrdia continua reinando em tudo e, hoje como então, os «Curandeiros», abusando da ingenuidade do pu- 11 blico, florescem mais do que nunca nos seus artifícios e negocios de má fé. A tarefa é, como disse o grande sabio naturalista, ar- dua e difficil, e não poderá ser levada a cabo por um só indivíduo, é preciso que os esforços se reúnam com uma só directriz. A parte principal cabe aos médicos e chimicos, a elles assiste o dever de peneirar, de separar o trigo do joio. Ao botânico compete a preparação do terreno para esta obra, estabelecendo as relações existen- tes entre os vegetaes vulgarmente empregados e aquel- les já officialmente incorporados ao património therapeu- tico. Elle tem o dever de classificar o material e assim orientar aos demais pesquizadores nos seus trabalhos e é, reconhecendo este mesmo dever, que hoje ousamos apresentar o nosso concurso. Com a apresentação do opusculo sobre vegetaes an- thelminticos, temos em mira facilitar a acção dos chimi- cos e dos médicos que desejarem se occupar com esse estudo. Nelle encontrarão enumeradas todas as especies botanicas que pela observação nossa e de outros au- tores teem sido registadas e consideradas pelo povo como remedios contra a verminóse; além da indicação da bi- bliographia, distribuição geographica e outros empregos, encontrarão também a descripção de todas as especies in- dígenas do Brasil ou introduzidas, e hoje largamente cul- tivadas, que tenham emprego como vermífugo. Após a enumeração das varias especies anthelminticas de cada grupo botânico, fizemos seguir algumas nótas interessan- tes sobre outras especies medicinaes pertencentes ao mes- mo grupo cujas virtudes já estudadas, são utilizadas para outras moléstias. E' muito provável que muitas das plantas aqui enu- meradas não tenham valor algum como vermífugo e ou- tras que já estejam consagradas officialmente, nada disto, porém, nos impediu de expol-as, porque, como dissemos linhas acima, o nosso trabalho tem por objectivo ape- nas auxiliar as futuras pesquizas sobre os anthelminticos de origem vegetal. Neste trabalho não procuramos demonstrar ou pro- var a acção desta ou daquella planta, nem tentamos tam- bém examinar se na asserção do povo existe ou não algo de verdadeiro, registamos apenas, deixando essa parte aos que se quizerem especialisar no assumpto. 12 Em resumo, este trabalho é de ordem puramente sys- tematica e, apresentando-o ao publico, promptificamo-nos também a ceder, emquanto estivermos encarregados des- ta Secção, o material de plantas indígenas que nos for solicitado pelas pessoas que desejarem continuar esta obra e firmar com estudos, analyses e experiencias as pro- priedades vermífugas que o povo á taes plantas attri- bue, concorrendo desta maneira para extinguir um dos maiores flagellos em nosso meio - a verminóse. Esta publicação se nos apresenta tanto mais inadiá- vel, quando temos que attender ao facto de nos encontrar- mos cada dia mais limitados aos nossos proprios recur- sos. Esta guerra finda veio demonstrar-nos mais uma vez, que só é realmente forte e rica, ou independente, a na- ção que póde contar com os seus recursos internos. Até á presente data temos importado do estrangeiro todos os anthelminticos consumidos. Entretanto ainda não foram desmentidas a riqueza e a magestade da nossa flora, aliás cantada e apregoada por quantos a têm visto, mesmo por aquelles que nada conhecem dos seus thezouros. Nel- la se encerram centenares de vegetaes que, com van- tagem, poderiam substituir e talvez supplantar as drogas que nos vêm de fóra, e que por signal são em grande maioria, fabricadas de plantas que em nosso meio tam- bém se acham. Urge que isto mude, que nos equiparemos em todos os sentidos ás demais nações fortes do globo, procurando imitar o que de melhor ellas possuem. Se taes povos adeantados desde muitos annos fizeram se- lecção na sua phytotherapeutica, tirando da flora patria o que de utilidade real encerrava e refugando o que era inútil ou nocivo, que nos impede de fazermos o mesmo? De pequeníssimas cellulas se compõe o nosso corpo, de milhares de tijolos se formam os grandes edifícios e, da mesma maneira, do conjunto de trabalhos especiaes resultam as grandes obras, que, tanto mais uteis e per- feitas se tornam, quanto maior seja o numero de espe- cialistas que nellas collaboram. Apresentamos, pois, esta nossa partícula, que por si já representa o esforço e a contribuição de vários col- legas e, oxalá, que outras e outras a ella se aggreguem e em poucos annos nos seja dado colher os fructos de todas resultantes. OS VEGETAES EMPREGADOS NA MEDICINA POPULAR COMO VERMÍFUGOS AMARANTACEAS AERVA LANATA, (L.) Juss. Bibliographia: A. L. de Jussieu, Ann. Mus. Paris, XI (1808), pag. 131. - Schinz, Die Natúrliche Pflan- zenfamilien de Engl. e PrantI, vol. III, l.a, pag. 109, onde se lê Aerua, ao contrario do índex Kewensis e de Greshoff, que escrevem Aerva. - Greshoff, Mededeelin- gen uit S. Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 128, etc. Distribuição geographica: Regiões tropicaes e sub- tropicaes do velho mundo. Greshoff a dá como anthelmintica. AMARANTUS VIRIDIS, L. Na Flora Brasiliensis egual a Euxolus viridis, Moq. e no Die Natúrliche Pflanzenfamilien de Engler e PrantI, synonymo de Amarantus graecizans, L., dando o primeiro como synonymo de Amarantus blitum, L. No índex Ke- wensis, a primeira: Amarantus viridis, L. é acceita como boa; Amarantus graecizans, L. é considerada synonyma de Amarantus sylvestris, Desf. e Euxolus viridis, Moq. como syn. de Amarantus viridis, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, ed. II, pag. 1405. - Schinz, ob. cit., pag. 103. - Mauritius Seubert, Fl. Brasiliensis, de Martius, vol. V, I, pag. 233 e Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: Brasil, etc. Plantinha herbacea de 30-45 cm. de alt.; caules as- cendentes, erectos ou algo prostrados, sinuosos, espessos, algo avermelhados e ligeiramente estriados, lisos. Folhas bastante variaveis em tamanho, rhombo-ovaes ou ovo- oblongadas até ellipticas, obtusas ou mesmo retusas, ver- 16 des ou algo avermelhadas, ligeiramente mucronadas. Es- piculas axillares menores que o peciolo das folhas, termi- naes, alongadas e algo sinuosas. Flores de 1 mm. de comp., trimeras e esverdeadas; perigono duas vezes mais longo que as bracteas, de segmentos escariosos, oblon- gos, com a nervura mediana excurrente um tanto apicula- dos. Utriculos V3 mais longos que o perigono, ovaes aguçados e longitudinalmente rugados. Sementes lenticula- res, negras e brilhantes. Affim do «Carurú», de que se distingue pelos segmen- tos floraes agudos, côr mais geralmente avermelhada das partes vegetativas e flores trimeras. Segundo Greshoff anthelmintico. Planta cosmopolita e bastante dispersa por todo o Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, Minas e São Paulo. CELOSIA ÀNTHELMINTICA, Aschers. Bibliographia: Ascherson, Schweinf., Beitr. Fl. Ae- thiop., pag. 176. - Schinz, ob. cit., pag. 100. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: Abyssinia. Segundo Schinz, ob. cit., pelos abyssinios empregada como poderoso anthelmintico. CELOSIA ARGENTEA, L. (Schinz, considera-a como provável typo da Celosia cristata, L. - «Cristã de gallo», a que junta ainda a Cel. cernua, Roxb.). Bibliographia: C. Linneu, ob. cit., pag. 205. - Schinz, ob. cit., pag. 99 e 100, com uma illustração. - Mauritius Seubert, ob. cit., pag. 246 e Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: Cosmopolita pela cultura. Planta herbacea, erecta, glabra, attingindo á um me- tro de alt., caules ascendentes e ramosos; folhas lineo- lanceoladas ou mesmo sub-cordato-ovaes, lanceoladas e agudas. Espigas longamente pedunculadas e flores mui bastas; a fórma das inflorescencias é bastante variavel, sendo não raro monstruosas, achatadas ou arredondadas. 17 Celosia cristata, L. « Cristã de gallo » (Seg. Das Pflanzenleben) Flores digynas, vermelho-vinosas, amarelladas ou alvacen- tas. Sementes castanho-escuras, muito brilhantes. As varias fôrmas e variedades desta planta, vulgar- mente conhecidas por «Cristã de gallo», são cultivadas em quasi todos os jardins das regiões tropicaes do globo, cres- cem e se propagam com grande facilidade. A indicação de que ella é anthelmintica é de Greshoff. CELOSIA TRIGYNA, L. Bibliographia: Linneu, Mantisa, pag. 212. - Schinz, ob. cit., pags. 99 e 100. - Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: África do Sul. Segundo Schinz e Greshoff, na Erythréa e Abyssinia empregada como poderoso tenifugo. Tratando-se de plantas fortemente amargas, das quaes uma grande parte tem encontrado emprego no tratamen- to de moléstias varias, e sendo certas especies de diffe- rentes generos empregadas contra vermes intestinaes, pa- rece-nos muito provável que muitas outras especies bra- sileiras de Amarantaceas contenham propriedades anthel- minticas. 18 ANACARDIACEAS MANGIFEEA INDICA, L. Bibliographia: Engler, Die Nat. Pflanzenfamilien, de Engler e Prantl, vol. III, 5, pag. 147. - Caminhoá, Bo- tânica Geral e Medica, pag. 2448. Distribuição geographica: índia; hoje cultivada em todas as regiões temperadas e calidas do globo. Caminhoá affirma ser a resina da «Mangueira» depu- rativa, e o sueco dos galhos, em fraca dóse, aconselha- da contra as diarrhéas chronicas; as folhas passam por anti-asthmaticas quando novas, e as sementes por vermi- cidas. Os fructos, grandes, de côr geralmente amarella- da ou verde depois de completamente maduros, conteem assucar e acido citrico. Engler diz que o abuso da «Man- ga» produz erupções cutaneas, e Caminhoá affirma que ella passa por anti-escorbutica, accrescentando mais que na índia é crença geral que o fructo prohibido do pa- raiso tivesse sido a «Manga». As Anacardiaceas, em grande maioria, são plantas resiniferas; as gommas e resinas uteis que encerram, são, como a «Gomma do Cajú» (Anacardium occiden- tale, L.) de consistência idêntica á das Acacias. Algu- mas são também adstringentes e como taes empregadas na medicina popular; isto se dá com as cascas das Spon- dias, Pistacias, Schinus, Lithraeas, Bhus, Semecarpus, etc. Mais interessante é, talvez, a particularidade que mui- tas Anacardiaceas apresentam, de causarem urticarias e enrubescimento da pelle em certos indivíduos que delias se approximam ou que as tocam. Neste numero es- tão: Bhus toxicodendron, L., o «Poison Oak» ou «Giftsu- mach», do Japão, México e Estados Unidos da Ameri- ca do Norte; B. venenata, D. C., também da America do Norte e B. vernicifera, D. C., do Japão, os quaes, como a Lithraea molleoides, Engl., e o Schinus terehinthifolius, Raddi, a «Aroeira branca» e a «Aroeira vermelha», no Brasil e Semecarpus heterophylla, Bl., de Java, são geral- mente temidos por causa de tal propriedade. (Curioso é que este phenomeno não se observa senão em determi- nados indivíduos, tal como acontece com a febre do feno, 19 quando este floresce, que, ou pela maior susceptibilidade do organismo ou ainda pela predisposição do mesmo, são as victimas, emquanto outros nada soffrem). Esse facto póde ser attribuido á emanação por par- te destas plantas, de essencias ethereas, que impregnan- do a atmosphera, sejam capazes de exercer accentuada in- fluencia sobre indivíduos mais susceptiveis. ANONACEAS ASIMINA TRILOBA, Dun. - (Anona triloba, L.). Bibliographia: Dun., Monogr. Anonaceae, pag. 83. - Prantl, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 2, pag. 31 e tab. 20. - Caminhoã, Botanica Geral e Medica, pag. 2312. Distribuição geographica: America do Norte e tam- bém cultivada na Allemanha. Caminhoá affirma que os fructos são, em cataplas- mas, usados como emollientes e maturativos; as folhas, diz elle, são cicatrisantes, as sementes vomitivas e, re- duzidas a pó, empregam-se como insecticidas e vermici- das. Dos fructos prepara-se também uma bebida conhe- cida pelo nome de «Rhum de Pittsburgo», que é muito apreciada. Prantl. diz apenas que as folhas, fructos e res- pectivas sementes são empregadas na medicina, sendo a planta cultivada como ornamento. ANONA PALUSTRIS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, ed. II, pag. 757. - (Botanical Magazin, tab. 4225). - J. Gri- sard et M. van de Berghe, Les bois industrieis. - G. Dragendoref, Die Heilpflanzen (1898), pag. 216. - M. Greshoff, Beschrijving der giftige en bedwelmende plan- ten bij de vischvanst in gebruik, etc. no Medeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 12. - C. Fr. von Martius, FI. Br. de Mart., vol. XIII, I, pag. 11. Distribuição geographica: África e America tropi- cal e sub-tropical. Arvore bastante ramosa, de 3-7 metros de altura, ou maior; partes vegetativas glabras. Folhas membranaceas, 20 Anona palustris, L. «Araticum do brejo» (Seg. St. Hil.) 21 ovaes até ovo-oblongadas, aguçadas ou ligeiramente acumi- nadas, base arredondada ou aguda, de 15-25 cm. de comp. por 7-9 cm. de larg., ás vezes menores, raro maiores. Flores solitárias, sobre pedúnculos providos de uma bra- ctea; segmentos exteriores verde-amarellados com uma macula rosea ou amarello-avermelhada proximo á sua base na parte interna, interiores um tanto mais agudos. Fru- ctos ovoide-globulares, vermelho-amarellados quando ma- duros, e então com cheiro de queijo velho. Sementes lu- zentes e escuras. Bastante frequente nos litoraes do Rio de Janeiro, Espirito Santo e Bahia, onde se emprega a madeira para fabricar fluctuadores de redes, dando-se-lhes os nomes vul- gares de «Araticum do brejo», «Corticeira», etc. Ella ap- parece também no Maranhão e mais para o sul do Rio de Janeiro, porém em menor quantidade de exemplares. Nas Antilhas conhecem-na por «Alligator ou Monkey-ap- ple» e ainda por «Corkwood». Pelos autores acima indicados ella é dada como anthel- mintica. Dragendorff affirma que as folhas são não só vermífugas, mas também tinguijantes para os peixes e Grishard diz que as folhas, com cheiro que faz lembrar o da «Sabina», são anthelminticas. Sendo Anona muricata, L., A. paludosa, Aubl. e ou- tras especies affins de A. palustris, é bem provável que possuam também as mesmas propriedades vermicidas. BOCAGEA ALBA, St. Hil. Bibliographia: Carolus Fred. Phil. de Martius, Fl. Br. de Martius, vol. XIII, I, pag. 45. - St. Hilaire, Fl. Bras. Meridionalis, vol. I, pag. 42. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2319. Arvore pequena, completamente glabra, com folhas ovaes, breve acuminadas e obtusas, base aguda, peciolo articulado. Pedúnculos floraes solitários, unifloros e tres vezes mais longos que os peciolos, extra-axillares, pouco acima da base articulados e bracteolados, como o cálice, bastamente ferrugineo, puberulo-hirsutos; este ultimo cupu- liforme e truncado; petalos albos, os exteriores lineares e agudos e os interiores menores e triquetros na parte superior. Arvore das mattas virgens, perto de Cabo-Frio, Rio de Janeiro; florescendo e fructificando em Setembro. 22 Caminhoá assignala que a infusão das sementes con tusas é tida como vermicida. BOCAGEA VIRIDIS, St. Hil. Bibliograjphia: Carolus Fred. de Martius, ob. cit. pag. 45. - St. Hílaire, ob. cit., pag. 42, tab. 9. - Ca minhóá, ob. cit., pag. 2319. Bocagea viridis, St. Hil. (Seg. St. Hil.) Arvore com os ramos nóvos e as folhas jovens en- cano-villosas, mais tarde glabras. Folhas ovo-lanceola- das ou lanceoladas, de base aguda. Pedúnculos extra- axillares, tres vezes mais longos que os peciolos, ebra- cteolados e com o cálice, trifido, appresso-pubescente; pe- talos alvos, agudos, exteriores ovaes e interiores mais largos quasi orbicular-ovaes. Frequente nas mattas virgens de Minas, perto da ci- dade de Ubá e no Rio de Janeiro; florescendo em Ou- tubro. 23 A respeito das propriedades medicinaes desta espe- cie, Caminhoá affirma o mesmo que para a precedente. Fallando das utilidades das Anonaceas, Martius diz que as sementes de varias especies de Anona e JRollinia são, reduzidas a pó, empregadas como insecticidas, prin- cipalmente contra os piolhos da cabeça (Pediculos). Na índia, Roylius observou que se empregavam para este mesmo fim as sementes trituradas de Cicer arenitum mis- turadas com as de A. squamosa. Os fructos immatu- ros de algumas Anonas, taes como os de A. reticulata e A. muricata, são também usados contra a dysenteria. Além destes, são múltiplos os empregos que as Ano- naceas encontram na Medicina popular. APOCYNACEAS CARISSA XYLOPICRON, Thou. Bibliographia: Du Petit-Thours, Ob. Pl. Iles, Afric. Austr., pag. 80, tab. 2. - Schumann, Die Natúrliche Pflan- zenf. de Engler e Prantl, vol. IV, 2, pag. 126, onde é dada como: Arduina; mas veja-se também Nachtrag da mes- ma obra, isto é, Nacht. zu Band IV, 2, pag. 283, onde se encontra a rectificação. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 105. Distribuição geographica: Madagascar. Nomes vulgares segundo Greshoff: «Bois amer» ou «Bois d'absinthe» e, segundo elle, febrífuga e anthelmintica. COUMA UTILIS, Muell. Arg. Bibliographia: Johann Múllei?, Flora Br. de Mar- tius, vol. VI, I, pag. 19 e Martius, vol. da mesma obra, pag. 195. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2685. - Traducção da Matéria Medica Vegetal de Mar- tius, pag. 170, onde figura como Callophora utilis. Distribuição geographica: Brasil, nos estados do norte. Arvore sylvestre, lactifera, de ramos roliços, com cas- ca cinereo-amarellada e verrucosa. Folhas oblongo-ob- ovaes, obtusas, attenuadas para a base e sustidas por pe- ciolo de 1 cm. de comp., oppostas ou em verticillos de tres, attingindo de 9-11 cm. de comp. por 4-5 cm. de larg. Inflorescencias pedunculadas, tri-tetra-ramosas, fio- 24 Couma utilis, Muell. Arg. (Seg. a Fl. Br. de Mart.) 25 ribundas, ostentando de 20 a mais flores ligeiramente ró- seas, agrupadas nos extremos dos ramulos e glabras. Cálice de segmentos arredondados, obtusos, de margens ligeiramente ciliadas. Corolla rosea, quasi cylindrica, ex- ternamente algo puberula. Fructos quasi globosos. O latex, obtido pela incisão praticada no tronco, é recolhido em vasos e secco ao sol e o residuo albo- pastoso que fica é empregado como verniz pelos indios do norte do Brasil e das Guyanas, que o misturam tam- bém com o oleo de ricino e o empregam então contra as tenias e outros vermes intestinaes. Veja-se Martius, Syst. Med. Veg. Bras., pag. 89 e traducção da obra, pag. 170. Vulgarmente a planta é conhecida por «Sorva» ou «Sorveira». Nomes que na mesma região e em Matto- Grosso também são dados ao Brosymum galactodendrum, arvore com latex potável, da familia das Moraceas, que por esta utilidade é também appelidado «Páo vacca». KICKXIA ARBÓREA, L. Bibliographia: K. Schumann, ob. cit., pag. 174. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2675. Distribuição geographica: Java. Caminhoá a cita como toxica e usada na medicina popular. O sueco misturado com mel de abelhas diluido em agua fervendo é drástico e vermífugo. PLUMERIA LANCIFOLIA, Muell. Arg. Bibliographia: Johann MUllee, ob. cit., pag. 41. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2683. - K. Schumann, ob. cit., pag. 136. Distribuição geographica: Brasil central e meri- dional. Arvore de 2-5 metros de altura; ramos espessos, bas- to-foliosos; folhas longo-pecioladas, estreitas, lanceo-espa- tulares, attenuadas para a base, agudas no apice; pecio- lo de 2 cm. de comp. e limbo de 16-25 cm. comp. por 2-3 cm. de larg.; nervuras secundarias distantes entre si, mais ou menos 18 de cada lado do limbo. Bracteas gran- des, algo compressas e carenadas no dorso, oval-lanceola- das e acuminadas, tão longas quanto o tubo da corol- la; esta alva, de 5 cm. de comp., tendo o tubo apenas 26 2 cm.; lóbos do cálice pequenos, muito mais curtos que os pedicellos. Foliculos fusiformes de até 7-9 cm. de comp. As inflorescencias, como na antecedente, occupam os ex- tremos dos ramos, são cymosas, tendo os ramos ascen- dentes, pouco patentes, cheios de cicatrizes das bracteas e dos pedicellos já cahidos. Frequente nas cercanias do Rio de Janeiro, S. Pau- lo, etc. Vulgarmente conhecida por «Agoniada». Caminhoá diz que o decócto das folhas é usado pelo povo e pelos médicos para combater os vermes intestinaes, empregan- do-se para adultos a dóse de uma oitava; serve egual- mente para combater impigens, herpes, pian, histeria, etc. PLUMERIA PHAGEDAENICA, Mart. Bibliographia: J. Múller, Fl. Br. de Mart., vol. VI, I, pag. 37. - K. Schumann, ob. cit., pag. 136. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2683. - Tra- ducção da Mat. Med. Vegetal de Mart., pag. 169. Distribuição geographica: Amazonas. Arbusto de 2-3 metros de altura, ramoso na parte terminal; ramos espessos e parcamente foliosos; folhas longo-pecioladas, alongado-ob-oval-espatuliformes, obtuso- acuminadas, de 20-25 cm. de comp., por 6-8 cm. de larg.; peciolo de 3 cm.; nervuras secundarias algo distantes en- tre si e de 18-20 de cada lado. Inflorescencias cymosas, dichoto-ramosas, tão longas quanto as folhas terminaes; bracteas grandes, ligeiramente compressas e carenadas, de fórma oval, agudas e tão longas quanto o tubo da co- rolla, isto é de 2, 5-3 cm. de comp., um tanto albacentas. Flores de 5 cm. de comp., alvas; lóbos da corolla oblon- go-ob-ovaes de 3 cm. de comp. e 12 mm. de larg. na parte terminal; cálice de segmentos linear-assovellados, agudos. Foliculos de 13 cm. de comp. por 2 cm. de dia- metro. Mattas do Rio Negro. Vulgarmente conhecida por «Sebiú-uva» ou «Succu-uba». Na dóse de uma oitava, usa- da contra vermes intestinaes e externamente contra her- pes, impigem, etc., segundo Caminhoá. RAUWOLFIA SERPENTINA, (Linn.) Benth. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2679.-Schu- mann, ob. cit., pag. 154. 27 Plumeria phageãaenica, Mart. « Sebiú-uva » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 28 Distribuição geographica: índia e Java. Caminhoá diz que a raiz, é, na índia e Java, conhe- cida por «Chynlen» e considerada excellente vermífugo e purgante. TABERNAMONTANA CITRIFOLIA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 210. - Schumann, ob. cit., pag. 148. - Greshoff, ob. cit., pag. 106. Distribuição geographica: México e Antilhas. Greshoff a cita como anthelmintica. A maior parte das Apocynaceas possue sueco leitoso, que fornece borracha e que em regra é mais ou menos toxico, drástico ou cáustico. Uma das especies mais ce- lebres do reino vegetal, pelas suas propriedades toxicas é a Tanghinia veneniflua, Dup., de Madagascar, de que Lin- dley diz bastar uma semente para matar vinte indivíduos, embora esta semente não seja maior que uma amêndoa, como observa Caminhoá, que acha exagero nesta asser- ção. Também Cerbera Manghas, L., tem fama de muito venenosa. Acocanthera abyssinica, K. Schumann, é egual- mente muito toxica e acredita-se que seja a produ- ctora do afamado veneno «Ouabayo», dos Somalis, com que esta tribu envenena as suas flechas. Da «Oleandra» ou «Espirradeira», Nerium oleander, L., muito cultivada en- tre nós como arvore ornamental, sabe-se de ha muito que é nociva e dizem que a ingestão de algumas folhas póde causar a morte d'um cavaílo. Algumas especies são venenos cardíacos e tem a propriedade da Digitalina sobre o coração; neste numero estão principalmente os Stro- phantus, especialmente hispidus e Kombe. Algumas espe- cies, como Alamanda Cathartica, L., Varias plumierias, etc., são fortemente purgativas. Em Tabernanthe Iboga, Baill, a «Iboga» da África, presume-se um magnifico corrobo- rante. «Córtex pereira» é produzido pelo Geissospermum laeve, (Vell.) Miers., bastante commum nos arredores do Rio de Janeiro e Alstonia scholaris, L., é considerada to- nica. Para a alimentação os fructos, bastante deliciosos da Hancornia speciosa, Gomes, a «Mangába», merecem espe- cial attenção. 29 Entre nós dá-se o nome de «Jalapa» a varias especies de Dipladenias, que parecem ser usadas como purgantes, substituindo a verdadeira Jalapa. - Martius, Mat. Med. Veg., diz ser o latex das especies de Macrosiphonia, pre- conizado pelos tropeiros, em cozimento ou infusão, con- tra as febres pútridas dos cavallos e burros. ARACEAS EPIPREMUM MIRABILE, Schott. Bibliographia: Schott, Gen. Aroideae, tab. 79. - Engler, no Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e PrantL, vol. II, 3, pag. 120 e 121, com estampa. - Greshoff, no Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 158. Distribuição geographica: Java. Anthelmintica segundo o trabalho de Greshoff. PHILODENDRON BIPINNATIFIDUM, Schott. Bibliographia: Schott, no Wien. Zeitschrift, III, pag. 780; ex Endlicher, no Linnaea, VI, litt. 53. - Adolphus Engler, Flora Brasiliensis de Martius, vol. III, I, pag. 168 e tab. XXXV e XXXVI. - Greshoff, ob. dt, pag. 158. - Th. Peckolt, Hist. das Plantas Medicinaes do Brasil, vol. I, pag. 232. Planta terrestre. Cáudice (sympodio) erecto, basta- mente folioso no apice, coberto de cicatrizes de mais ou menos 3 cm. de diâmetro em toda a parte despida de folhas. Peciolos das folhas de mais ou menos 50-60 cm. de comp. e cerca de 1 cm. de largura na parte superior, sempre mais longos que a lamina, na base vaginiforme, dilatados e um tanto amplexicantes; lamina de âmbito cordato-oval quasi sagittado, de 4-5 cm. de comp. e mais ou menos de egual largura, dividida em tres partes que ainda se subdividem em segmentos ou lóbos lobulados, de comprimento e fôrmas varias. Espatha espessa sobre pedunculo mais curto que os- peciolos, de fôrma oblon- go-oval, ligeiramente apiculada, de tubo pouco distincto ou pronunciado, hiante, externamente avermelhada e in- ternamente alva, com o pedunculo de 6-8 cm. de comp., de 20-23 cm. de alt., emergindo das axillas das ultimas fo- lhas dos caules. Espigas floraes pouco diversas das dos 30 demais Philodendros, ostentando em baixo as flores fe- mininas e em cima as masculinas estereis e ferteis, oc- cupando as primeiras uma extensão de 5 cm., as segun- das de 7 cm. e as ultimas de 6 cm. Ovários de 4 mm. de comp. e estames de 6-7 mm. de comp. Baga ama- rella cylindroide, coroada por uma macula negra do es- tigma, toda a espiga madura de 10 cm. de comp., por 5-6 cm. de diâmetro. Frequente nas mattas, capoeiras e campos brejosos de Minas-Geraes, St. Catharina e S. Paulo, onde é conhe- cida por «Banana d'Imbé». Também muito cultivada em parques e jardins como arbusto de centro de gramados. Greshoff a cita como anthelmintica, não indica en- tretanto quaes as partes empregadas. Theod. Peckolt dá, como partes usadas, as sementes. SCINDAPSUS OFFICINALIS, Schott. Bibliographia: Schott, Melet., pag. 21.-Greshoff, ob. cit., pag. 157. Distribuição geographica: índia oriental e Burman. Greshoff a cita como anthelmintica. A estas poucas especies, dadas ou empregadas como vermífugos, ter-se-á de juntar talvez muitas outras espe- cies de Philodendros brasileiros ainda pouco estudadas, mas communissimas em todas as mattas hygrophilas ou hydrophilas do nosso Paiz, em que, na grande maioria, vivem epiphytas de permeio com os Rhypsalis e múlti- plas Orchidaceas, emittindo, não raro, as suas raizes, co- nhecidas por «Cipó d'Imbé» pelo povo, de grandes altu- ras e constituindo os grupos vegetativos que tanta admi- ração provocam aos europeus que pela primeira vez os veem. As referidas raizes aereas são usadas tanto pelos indígenas, como pelos semi-civilizados, no fabrico de ces- tas, baquités, peneiras e muitos outros utensílios domés- ticos. Algumas das Araceas são venenosas, mas de ou- tras, taes como especies de Xanthosoma, Calocasias, etc., comem-se os tubérculos e os rhizomas. Monstera deliciosa, Liebmann, natural do México é hoje muito cultivada por causa dos fructos aromáticos e deliciosos que fazem lem- brar o abacaxi. O sueco de uma grande parte de es- pecies das secções Aroidea, Amorphophaloidea, Lassica e Colocasioidea, é empregado para curar feridas chro- 31 nicas e também como antídoto para as mordeduras de cobras. Reputado como altamente cáustico é o de Dief- fenbachia seguine, Schott., da índia Occidental, onde o em- pregam na fabricação de assucar, misturando-se á este para tornal-o mais granuloso e secco. ARISTOLOCHIACEAS ARISTOLOCHIA KAEMPFERI, Willd. Bibliographia: Willdenow, Species Plantarum, vol. IV, pag. 152. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 132. Distribuição geographica: Japão. A indicação de anthelmintica é de Greshoff. Sobre as Aristolochias em geral, todas consideradas mais ou menos medicinaes, e principalmente anguicidas e antiophidicas, Masters, Fl. Br. de Martius, vol. IV, II, dá uma bôa lista bibliographica, pela qual se póde ver que desde Theophrastes e Dioscorides, até aos nos- sos dias, tem-se ligado a maxima attenção a estas in- teressantes plantas, tão bem representadas na nossa flo- ra. Embora nada encontrássemos que nos autorizasse a admittir propriedades anthelminticas nas nossas especies, é de suppor que as possuam, pois se trata de um grupo de plantas muito bem limitado e caracterizado, em que os mesmos princípios medicamentosos parecem estender- se a todas ou pelo menos á grande maioria das especies. ASCLEPIADACEAS DAEMIA EXTENSA, R. Br. Que é, segundo Schumann, Daemia cordifolia, (Retz.) K. Schumann. Bibliographia: R. Braown, Mem. Wern, Soc., I, (1809), pag. 50. - K. Schumann, Die Nat. Pflanz., de Engler e Prantl, vol. IV, pag. .258, onde são citados diver- sos synonymos desta especie, taes como: Daemia ango- lensis, Dcne., D. aethiopica, Dcne., Rhaphiostemma cilia- tum, Hook. et fil., etc. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands, Plantentuin, vol. XXIX, pag. 108. 32 Distribuição geograpliica: Desde a índia Occiden- tal até a Senegambia e África austral-allemã. Anthelmintica e alcaloidifera, segundo Greshoff. A nossa flora contem vários representantes desta in- teressante familia de plantas, que são reputados toxicos para o gado, distinguindo-se a Asclepias curassavica, L. vulgarmente conhecida por «Official de sala», «Paina de sapo», «Herva de rato», e outros nomes, sendo cos- mopolita e muito frequente em todo o Brasil. Outras especies ha que são reputadas emeticas, e uma, a Mars- denia condurango, Reichb., f., é, na região dos Andes, empregada na medicina, correndo como estomacal; é delia que provém o «Córtex Condurango» das pharmacias. Ou- tras são consideradas anti-syphiliticas e de algumas co- mem-se as tuberas. O-látex sempre tão diffamado como extremamente toxico, parece ser menos offensivo que o das Apocynaceas. As propriedades anthelminticas não são, por certo, privilegio exclusivo da Daemia, sendo pelo contrario, provável, que muitas especies brasileiras as pos- suam também. BASIDIOMYCETES (Fam. HYMENOMYCETINEAS) POLYPORUS ANTHELMINTICUS, Berk. Bibliographia: Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 166. - Hennings, Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e Prantl., vol. I, 1, pag. 169. - Caminhoâ, Botanica Geral e Medica, pag. 1726. Distribuição geographica: índia. Esta familia de Fungos legítimos ou Cogumelos, con- tem entre múltiplas especies comestíveis, varias que são extremamente venenosas, podendo desfarte causar a mor- te em poucas horas. Em regra é difficil a distincção das especies boas das venenosas, e estas mesmo podem tornar-se nocivas quando entram em decomposição. Af- firmam alguns leigos, ser facil reconhecer-se se um Co- gumelo está bom ou se está decomposto, juntando-se-lhe, durante a cocção, alguns dentes de alho; se elle esti- 33 ver ruim, tingir-se-á de verde; ao contrario, se isto não se der, é uma prova de que está bom. Uma outra especie deste genero, Polyporus officinalis, L., era ha tempos empregada como purgativo. A respeito de P. anthelminticus, Berk., Greshoff af- firma que os chinezes o empregam como anthelminti- co mui poderoso. Caminhoá diz que çlle é lombricida, A proposito do reconhecimento do Cogumelo bom, Caminhoá affirma que fervendo-os no leite, o nocivo ta- lhal-o-á, ao passo que o bom o conservará em estado natural. BETULACEAS BÉTULA VERRUCOSA, Ehrh. Bibliographia: Prantl, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. III, 1, pag. 45. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 1941. Distribuição geographica: Asia central e Occiden- tal e Europa central. Caminhoá diz que as folhas das diversas variedades desta especie gozam de reputação como vermífugas e diuréticas. Na Finlandia, usam-se em infusão como suc- cedaneo do chá preto. Elias fornecem também um prin- cipio corante amarello conhecido no commercio como «Lacca amarella». Prantl affirma que as cascas são, na Rússia, aproveitadas para fabricar caixas e cobrir casas, e em algumas regiões se aproveita a cortiça para ro- lhas e fabrico de papel. Bétula lutea, W. (Talvez Bétula lutea, Michx., da America do Norte). E' por Caminhoá citada como possuindo propriedade idêntica á já citada. Outras especies uteis desta familia são: Corylus avel- lana, L., «Avellã» e Bétula pubescens, Ehrh., das quaes a primeira fornece nozes comestíveis e bastante conheci- das entre nós e a segunda madeira muito util na mar- cenaria, para o que também se aproveita a da Bet. ver- rucósa, Ehrh., que já foi citada mais acima. 34 BROMELIACEAS ANANAZ SATIVUS, Schult. Bibliographia: Schultes f. - R. et S. Syst., vol. VIII, pag. 1283, n.o 1, e vários outros autores além de Carolus Mez, Fl. Br. de Mart., vol. III, III, pag. 290. - Wittmack, Die Nat. Pflanzen. de Engl. e Prantl, vol. II, 4, pag. 45. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 149. Distribuição geographica: Cultivada em múltiplas variedades e fôrmas em todas as regiões tropicaes e sub- tropicaes do globo. A variedade Microstachya, que tal- vez possa ser considerada fôrma typica ou primitiva da especie, encontra-se em estado indígena, dispersa por todo o Brasil, onde também ainda apparecem selvagens algu- mas outras variedades e fôrmas, que ultimamente fo- ram tratadas em uma monographia bem elaborada pelo Dr. Bertoni, de Assumpção, Paraguay. Os syncarpios immaturos são indicados por diversos autores como vermífugos e abortivos. Para serem usa- dos, devem os abacaxis ser colhidos antes de completa- mente desenvolvidos, expremendo-se logo todo o sueco que contenham, o qual se administra ao doente. BROMELIA PINGUIN, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 285. - Carolus Mez, ob. cit., pag. 196. - Wittmack, ob. cit., pag. 45 e Greshoff, ob. cit., pag. 149. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 1889. Planta terrestre acaule, com inflorescencia de 1,5-2 m. de altura; folhas até 2 m. de comp. por 4-5 cm. de lar- gura, isto é, longo-lineares, formando rosetas de mais de 2 m. de diâmetro, nas margens armadas de aculeos fortes de quasi 1 cm. de comp., os quaes nas margens inferiores, isto é, na parte inferior das folhas, são virados para bai- xo e para cima, na parte superior, de fôrma a constituí- rem, em conjuncto, verdadeiros flagellos para quem te- nha de passar entre ellas. Inflorescencia emergindo da cratera, no centro das folhas, bastamente albo-farinosa. muito mais baixa que as folhas, vestida de grandes bra- cteas vermelho-sanguineas até róseas, aspergidas de la- nugem quasi farinacea, alva, pluri-floro; flores em raci- 35 mos de cerca de doze, com cerca de 5 cm., de comp.; sepalos albacentes, algo esverdeados, albo-farinaceos; pe- talos no centro alvos e no apice maculados ou sombrea- dos de roseo, de cerca de 30 mm. de comp. por 5,5-6 mm. de larg.; estames muito menores que os petalos, concrescidos entre si e com os petalos até 7 mm. acima da base e depois livres de 5-6 mm.; antheras amarel- las de cerca de 13 mm. de comp.; ovário bastamente al- bo-farinoso. Bagas numerosas, formando grandes cachos, pouco maiores que um ovo de pombo, amarello-limão. Esta planta que ainda não foi registada para o Bra- sil, encontrando-se com frequência na Ilha de Cuba, Ja- maica, S. Domingos, Porto-Rico, S. Thomaz, Panamá, Gua- temala, etc., estende-se provavelmente também para o sul até Venezuela e talvez mesmo ao norte do Brasil. As Bromelias que entre nós são vulgarmente conhe- cidas por «Macambyra», «Croatá», «Gravatá», etc., e que abundam em todas as mattas ralas, capões de matta sec- ca e grupos arborescentes dos cerrados e campos do nosso Paiz, desde o sul ao norte, cujos fructos muito picantes constituem um alimento de grande importância para os índios, principalmente para os Bororos e Guatós em Matto-Grosso, devendo possuir egualmente, quando immaturos, as propriedades anthelminticas que se encon- tram na especie acima descripta. CACTACEAS CEREUS FLAGELLIFORMIS, Mill. Bibliograpbia: Miller, Dict. ed. VIII, n.o 12,(1768), Syn. pag. 185, etc., etc. e Karl Schumann, Monogr. Ca- ctacearum, ed. II, pag. 142, (onde se póde encontrar a maior e mais longa lista bibliographica). - Greshóff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 82. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2180. Distribuição geographica: Talvez indígena no Mé- xico, onde é vulgarmente conhecida por «Junquillo» e «Verba de la Alferezia». Schumann a dá também como 36 Cereus flagelliformis, Mill. « Junquilho » ( Seg. B. Reg.) encontrada nas Guyanas, norte do Brasil, e em regiões da Asia e África. Planta epiphyta, de crescimento arbustivo muito ra- mificada, a principio ascendente, mais tarde pendente; ra- mos, attingindo a um metro de comp., flaccidos, approxi- madamente de 1,5 cm. de diâmetro, para o apice onde são mais verdes, coroados de um feixe de aculeos alvos ou ligeiramente roseos, muito finos e de 3 mm. de comp., quando adultos algo acinzentados, longitudinalmente sul- cados, apresentando 8-13 ângulos ou elevações separa- das por leves sulcos de talvez 1 mm. de profundidade, sempre rectas, raro um pouco inclinadas e divididas em pequenas secções gibbiformes. Areolas approximadas de 3-7 mm. de distancia uma da outra, circulares, de 1-1,5 37 mm. de diâmetro, ornadas de esparsa lanugem alvacen- ta que em pouco passa a ser acinzentada. Aculeos 15-20 em cada areola, de comprimento mais ou menos egual, setiformes, de 3-5 mm. de comp., caducos com a lanu- gem. Flores abundantes, lateraes, emergindo pouco aci- ma ou na borda superior das areolas, zygomorphas e algo curvadas, de 10 cm. de comp.; ovário espheroide, verde escuro, coberto de pequenas escamas triangulo-agu- das e um tanto espessas, de cujas axillas emergem pel- los lanosos e um aculeo cerdiforme, de 5 mm. de comp.; periantho alongado infundibuliforme, tubo coberto de es- camas e bracteas cujas axillas são despidas de pellos na parte superior do mesmo; segmentos exteriores do pe- riantho lineares-lanceolados e acuminados, vermelhos; os interiores lanceo-espathulares, acuminados, dobrados para fóra, vermelho-carmin. Estames mais longos que o pe- riantho, filetes brancos, antheras amarellas. Pistillo mais longo que os estames, alvo na base e roseo na parte su- perior, onde se divide em 5-7 estigmas globulares de côr vermelha. Baga pequena, globular, de 1-5 cm. de diâmetro, vestida de pequenas cerdas, vermelho-clara, in- ternamente esverdeada. Sementes não muito abundantes, vermelho-acastanhadas, ob-ovaes. A indicação desta planta como anthelmintica é de M. Greshoff, que lhe attribue essa propriedade conjun- ctamente com a Opuntia reticulata, Dcne., que não é cita- da pelo Index Kewensis, nem por Schumann, na sua Monographia. Além desta, Caminhoá cita também Cereus compres- sus, Nill, que é Cereus triangularis Haw., segundo Schu- mann, e que se acha dispersa desde o México até ao Rio de Janeiro e ás Antilhas. Elle diz que o sueco passa por vermífugo. As Cactaceas são um grupo de plantas muito bem representado na nossa flora; como xerophytas que são, ellas preferem os logares mais seccos e áridos, apparece- cem desde a praia até ao interior, vivem tão bem no sólo como sobre as pedras; e múltiplas são as especies que vegetam epiphytas. Não havendo differença consi- derável na estructura anatómica destas plantas, é mui pro- vável que as mesmas propriedades sejam também com- muns a outras especies. 38 Cereus triangularis, Haw. «Cardo» (Seg. Bot. Reg.) CAMPANULACEAS LOBELIA CARDINALIS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 930. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2931. Distribuição geographica: America do Norte. Segundo Caminhoá, toxica, mas, em doses pequenas, vermífuga. LOBELIA CIRSIIFOLIA, Lam. Bibliographia: Lamarck, Encyc., vol. III, pag. 584. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2931. Distribuição geographica: Ilha do Cabo Verde. Segundo Caminhoá, sueco toxico, mas, em dóses pe- quenas, passa por lombricida. Importantes são ainda as Lobelia syphilitica, L. e L. inflata, L., «Indian Tabac», das quaes a primeira é em- pregada contra moléstias venereas; ambas conteem um 39 alcaloide a «Lobelina», mas que se encontra em maior quantidade nas sementes da ultima. Lob. urens, L., desde a Espanha até a Madeira, é reputada como fortemente no- civa para o gado. Campanula Cervicaria, L., e Camp. Trachelium, L., são empregadas contra affecções da garganta e Camp. glauca, Thunb., do Japão, emprega-se ali contra varias moléstias. No Chile faz-se também uso da Wahlenbergia lina- rioides, A. D. C. para combater cólicas intestinaes. O sueco leitoso de varias Lobelias é narcotico e acér- rimo, ataca a cutis, produz inflammações intestinaes, vo- mitos e pode mesmo pôr em perigo a vida do indiví- duo que o ingerir. CAPPARIDACEAS BOSCIA SENEGALENSIS, Lam. (Vulgo: «Djandam»). Bibliographia: Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Med., vol. I, pag. 670. - Pax, Die Nat. Pflanz. de En- gler e Prantl, vol. III, 2, pag. 232. - Caminhoá, Bota- nica Geral e Medica, pag. 2376. Distribuição geographica: África septentrional e tropical. Lanessan diz que as raizes são empregadas como vermífugo e Caminhoá accrescenta que as folhas têm re- putação no tratamento das cephalalgias e enxaquecas, seja em cataplasmas, seja em defumatorios, quando postas a ferver; a raiz, diz também elle, é lombricida e o lenho, bastante aromatico, é usado como condimento. CADABA INDICA, Lamk. Bibliographia: Lanessan, ob. cit., pag. 670. - M. Greshoef, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 19. - Pax, ob. cit., pag. 233. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2375. Distribuição geographica: índia. Na índia, onde esta e a maioria das demais espe- cies deste genero são conhecidas por «Kahdab», de que se derivou o nome do genero, emprega-se a C. indica como anthelmintico, segundo Caminhoá e Lanessan. 40 CAPPARIS BREVISPINA, Baill. (?) Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2375. Não encontramos outras referencias a respeito desta especie. Não será talvez C brevispina, D. C., que é egual a C. zeylanica, L., das índias Orientaes, ou também C. brevispina, Wight. et Arn. que é a C. diversifolia, mesmo autor, também das índias Orientaes? CAPPARIS HEYNEANA, Wall. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2375. Distribuição geographica: índias Orientaes. Segundo affirmação do Dr. Caminhoá, usada como vermífugo. CAPPARIS RHEEDII, Baill. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2375. Não encontramos outra citação desta especie. Não será tavel Capp. Rheedii, D. C., que é egual a Capp. zeylanica, L., das índias Orientaes? Ou talvez Capp. hór- rida, L. da Malaya? Vermífuga segundo o citado autor. CLEOME FELINA, L. (Talvez, melhor: Polanisia felina, L.). Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2374. Distribuição geographica: índia. As sementes são vesicantes e, em dóses fracas, admi- nistra-se, internamente, como vermífugo, etc. Caminhoá diz que a planta misturada com o leite é, na índia, em- pregada externamente, nos casos de epispaxis; é tam- bém mencionada como antiscorbutica. CLEOME GRAVEOLENS, Rafin. (Que deve ser antes Polanisia graveolens, Rafin.). Bibliographia: Rafinesque, Journal Phys., (out., 1819), pag. 98. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 20, etc. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2374, erradamente dada como Cleome icosandra, L., com a syn. de Pol. viscosa, L_, que são synonymos delia. 41 Distribuição geographica: America do Norte. Anthelmintica, segundo Greshoff. Caminhoá diz: «usada na índia e Ceylão; as sementes passam por to- xicas; em dóses moderadas, porém, passam por vermífu- gas, antiscorbuticas», etc. CLEOME MICROPHYLLA, Eichl. (Que deve ser tam- bém Polanisia microphylla, Eichl.). Bibliographia: Eichler, Fl. Br. de Mart, vol. XIII, I, pag. 263. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2377. - Pax, ob. cit., pag. 224. Distribuição geographica: Asia tropical e Brasil. Frutescente, ramosa, totalmente glanduloso-pubescen- te; ramos laxos e vergados. Folhas minúsculas, tripar- tidas, peciolo de 1-3 mm. de comp. e foliolos de 2-6 mm., oblongo-obovaes, na base cuneiforme-attenuados e no ápi- ce arredondados e mucronados ou cuspidados, com pel- los glanduligeros um tanto hirtos e margens ciliadas. Flo- res axillares, sobre pedúnculos maís longos que as fo- lhas, isto é, attingindo a 15 mm. de comp. e, abaixo das flores, a 5-7 mm. de espessura. Sepalos lanceolados; pe- talos duas vezes mais longos que (aquelles, inteiros e de limbo elliptico, duas vezes mais curto que o ungui- culo. Estames 10-12, os 5-6 posteriores muito mais cur- tos, todos antheriferos; esta desproporção só se obser- va, porém, depois do completo desenvolvimento da flor, porque, no alabastro, elles são eguaes. (Isto acontece aliás com muitas Capparidaceas). Ovário, como mais tarde a capsula, sessil. Pistillo lanceolar, persistente no fructo. Se- liqua da capsula linear-cylindrica, attenuada para a base e no apice ligeiramente falcada, de 5-8 cm. de comp. Sementes globosas algo reniformes, transversalmente cos- tulados e entre os costulos levemente estriadas em sen- tido longitudinal, fuscas e escuras, de 3-4 mm. de dia- metro. Encontrada no Rio de Janeiro, onde talvez tenha sido introduzida, vinda da Asia. Segundo Eichler, affim da precedente, de que dif- fere pelo tamanho das folhas, que também o distingue, logo á primeira vista,'de todas as demais especies des- te genero. 42 Caminhoá diz que provavelmente deve gozar das pro- priedades anthelminticas ou vermífugas, como acontece com a grande maioria das especies congeneres. Várias especies, principalmente dos generos Cleome, Capparis e Polanisia, são reputadas medicinaes e como taes usadas pelo povo dos sertões. As principaes virtu- des medicinaes, são: vermífugas, apperitivas, hydragógas, emmenagogas, diuréticas, febrífugas, vulnerarias, antiscor- buticas e desobstruentes. Certas especies são consideradas toxicas para o gado. Algumas produzem fructos comestíveis e da Capparis spinósa, L., aproveitam-se os botões floraes para conser- vas, collocando-se no vinagre, depois do que apparecem nos mercados com o nome de «Kappern». Esta conser- va condimentosa é tão apreciada na Europa, que já se recorreu a falsifical-a com os botões floraes de Caltha palustris, L. As legitimas caracterizam-se por pequenas manchas alvacentas nos extremos do cálice, com conteú- do crystalino (Rutina) que enche as cellulas. Sob o nome vulgar «Musambé» distinguem-se, no Brasil, varias especies de Cleome. «Icó», que é Capparis Ycó, Eichl., dos sertões da Bahia e outros Estados septen- trionaes do Brasil, é considerado venenoso e produz, pelo menos no gado vaccum, forte meteorismo, seguido de he- matúria ou de dysuria, etc. Contra as febres emprega-se no interior de Matto- Grosso e outros Estados do Brasil a Crataeva ta/pia, L. do vulgo «Tapiá» ou «Páo d'Alho», usando-se as cascas. Algumas especies de Cleome são também tinctoriaes e outras estomachicas. CARICACEAS CARICA PAPAYA, L. Bibliographia: Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Med., vol. I., pag. 781. - Hermano, Gomes A. SoLM.Sr Laubach, Fl. Br. de Mart., vol. XIII, III, pag. 188. - Idem, Die Nat-Pflanz. de Engl. et Prantl, vol. III, 6.a, pag. 98-99, com estampa. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2605. - Peckolt, Analyses Matéria Medica Brasileira (1868), pag. 55. 43 „ • T Canca papaya, B. \ +) « Mamoeiro » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 44 Distribuição geographica: Natural da America Me- ridional e hoje cultivada em quasi todos os paizes tem- perados e cálidos do globo. O «Mamoeiro» é uma arvore bastante conhecida, en- contrada em quasi todas as hortas, bastando a estampa para trazel-o á memória. Elle se apresenta sob duas fôr- mas ou melhor, sob dois sexos separados; o indivíduo masculino, portador de flores masculinas, por consequên- cia destituídas de ovário fértil, de permeio com flores bi-sexúaes que desenvolvem fructos pequenos, caracteri- za-se pelo porte mais esguio e inflorescencias panicula- das, pendentes e muito longas; os specimens femininos, ao contrario, são mais robustos e ostentam as flores, exclusivamente femininas, nas axillas das folhas, em gru- pos de 1-3. Os fructos são raros nos specimens masculi- nos, nos femininos, ao contrario, são abundantes e maio- res, attingindo, não raro, alguns kilogrammos e cobrindo toda a parte superior do caule. O latex das folhas, caule e fructos immaturos contem grande porcentagem de papaina, substancia ana- loga á pepsina, de que é considerado um bom succeda- neo, prestando-se por isto para a fabricação de pepto- na. Este producto foi bem estudado por Dom. Alb. Nio- bey; outro chimico do Rio de Janeiro occupou-se egual- mente com elle. As sementes, amargas, do tamanho de uma pimenta do reino, de fôrma um tanto alongada e, quando sec- cas, de casca encarquilhada, são piladas e administradas como vermífugo. - Caminhoá, diz: «As sementes masti- gadas passam por vermífugas e tenifugas, bem como o sueco lactescente do fructo e do tronco, que é também em alguns logares usado para tornar macia a carne». - Peckolt, diz terem as sementes grande fama como an- thelminticas. Além das sementes e do latex do «Mamoeiro» em- pregam, nos sertões brasileiros, idênticos productos do «Jaracatiá» ou «Jarakatiá», como escreve Dias da Rocha, arvore ainda conhecida pelo nome de «Mamoeiro do matto». O genero a que pertence esta segunda especie con- servou para a Sciencia o nome vulgar: Jaracatia, Marcg., representado no Brasil por quatro especies, havendo ain- da uma no México e outra extra-americana. 45 Em S. Paulo apparece a Jaracatia dodecaphylla, A. D. C., cujas sementes recebemos, por intermédio do Dr. A. Neiva, do Sr. Dr. Octavio Marcondes, de Cosmopo- lis, de que obtivemos um exemplar hoje cultivado no Horto «Oswaldo Cruz». De uma especie bastante commum, em Matto-Grosso, ouvimos dizer que os fructos produzem febre a quem os come. Dias da Rocha (Botanica Medica Cearense) affir- ma que o sueco do fructo (vulg. leite) é purgativo enér- gico, em dóse alta, desobstruente e vermífugo. Empre- gado contra a oppilação e inflammações do figado e do baço. CARYOPHYLLACEAS DIANTHUS CHINENSIS, L. (Algumas vezes também dada como Dianthus Fis- cheri, Spreeng.) Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 411. - Sprengel, Cat. Sem. Hal. (1810), Pugill., II, pag. 62. - Porter Smith, etc. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 23. Distribuição geographica: Originaria da Asia, mas hoje cultivada em quasi todos os jardins do mundo. A «Cravina» que se cultiva em todos os paizes pos- sue hoje grande numero de variedades e fôrmas, pro- ductos de cultura e hybridação. Ella é demais conheci- da para que ainda carecesse ser descripta aqui. Greshoff, diz que, segundo Porter Smith, esta plan- ta é, na China, empregada como abortivo, diurético e anthelmintico. SILENE MACROSOLEN, Steud. Bibliographia: Steudel, Tent. Fl. Abyss. I, pag. 44. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 24. - Pax, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 2 b., pag. 73. Distribuição geographica: Abyssinia. Pax e Greshoff affirmam ser esta planta emprega- da como tenifugo, na Abyssinia. O primeiro accrescen- 46 ta ainda que as raizes são importadas na Europa e ven- didas nas pharmacias como «Radix Ogkert» ou «Sarsari». SILENE VIRGINICA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 419. - M. Greshofe, ob. cit, pag. 24. Distribuição geographica: America boreal. Na patria, empregada como anthelmintico. As Silenes são plantas que se encontram represen- tadas em todas as regiões do globo, apparecendo algu- mas especies também no Brasil. Além destas aqui citadas, existem outras especies que que são consideradas medicinaes; entre estas ultimas des- tacam-se a Silene venosa, Aschers., frequente na Europa, Asia e África septentrional, que fornece a «Radix Behen albi» e a Silene italica, Pers., que são, na Italia e na Suécia, usadas como alimento. CHENOPODIACEAS CHENOPODIUM AMBROSIOIDES, L. (Chenopodium anthdminthicum, L. (?) é uma fórma desta mesma especie que apparece principalmente no Mé- xico, mas que se extende também até ao Brasil; de facto, ella era, até aqui, considerada especie distincta, mas tra- balhos ultimamente feitos por especialistas demonstraram o contrario). Bibliographia: Volkens, Die Nat. Pflanz. de En- gler e Prantl, vol. III, l.a, pag. 61. - Martius, na Flo- ra Brasiliensis, «Usus Salsolacearum», pag. 159, etc. - Dr. Arthur Neiva e Belisario Penna, Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, vol. VIII, pag. 163. - Caminhoã, Bot. Geral e Medica, pags. 219 e 2192. - Dr. Th. Pe- ckolt, Analyses de Matéria Medica Brasileira (1868), pag. 19. Distribuição geographica: Nativa na America, mas hoje cultivada em quasi todas as regiões tropicaes e sub- tropicaes do globo, contando grande numero de varie- dades e fôrmas. 47 Chenopodium anthelminticum, L. « Herva de St. Maria» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 48 Planta erecta, bastante ramosa, attingindo de 40-100 cm. de alt.; ramulos geralmente simples e desde a base floriferos, ostentando folhas muito menores que as do caule e dos ramos; folhas geralmente pblongadas, lan- ceoladas ou quasi lineares, agudas ou ás vezes obtusas, na base attenuadas em peciolo mais ou menos longo, nas margens sinuosas ou dentadas, as superiores dos ramos e ramulos não raro de margens inteiras, glabras ou ligeiramente hirsutas na pagina inferior, verde-escuras até verde-claras e resinoso-glandulosas, de mais ou me- nos 10-12 cms. de comp., por 5-7 cms. de largura na parte inferior do caule; dahi para cima gradativamen- te menores e muito reduzidas nos extremos dos ramu- los (além disto bastante variaveis nas diversas varieda- des e fôrmas); as floraes persistentes lineares ou linear- lanceoladas, inteiras e de 3-1 cm. de comp.; flores quasi sesseis, pequenas, agrupadas em glomerulos, attingindo até 15 e mais flores, geralmente polygamas; o centro destes glomerulos é geralmente occupado por uma ou mais flo- res perfeitas em roda das quaes se agrupam as femininas e masculinas, que em regra são 4-3-meras. Perigono em regra penta-fido até abaixo do meio, lóbos ovaes até obovo-arredondados. Estames 5-4 livres até quasi a base e pouco exsertos. Estigma alongado nas flores herma- phroditas 2, nas femininas ás vezes 3-4. Sementes pe- queníssimas, negro-luzentes, envolvidas pelo pericarpo mui- to frágil e facil de romper. O cheiro muito activo que se desprende da plan- ta ao mais leve contacto provém das pequenas glandulas que se acham espalhadas sobre toda a superfície das folhas e das demais partes vegetativas e, em maior quan- tidade, sobre os fructos e flores. Segundo Rohleder (Phytochemie, pag. 101), foi En- gelhard quem primeiro conseguiu isolar o oleo ethereo, a que se attribuem as propriedades anthelminticas da plan- ta, e ao qual denominou de «Chenopodium». Martius, ob. cit., affirma ser esta planta poderoso anthelmintico, encerrando ainda muitas outras proprieda- des medicinaes ainda pouco estudadas. E. Paccard (Plantas .Medicinales de las Republicas Oriental e Argentina, pags. 66 e 67) indica-a como usada naquelles paizes em chás, como vermífugo, dando-lhe o nome vulgar de «Yerba de St. Maria». 49 Os Drs. A. Neiva e Belizario Penna, ob. cit., citam- na com o nome vulgar de «Mastruço» e dizem ser muito usada nos Estados de Pernambuco, Bahia e Piauhy, para combater os vermes intestinaes. Segundo Caminhoá, Bot. Ger. Med., pag. 2382, o nome «Mastruço» ou «Mastriz» é impropriamente dado a esta planta, que designa antes es- pecies de Lepidium, da fam. das Cruciferas. Em outro lo- gar elle diz ser um poderoso medicamento no tratamento da verminose, mas que ataca algumas vezes o intestino, irritando-o. «Herva de Santa Maria» é o nome por que é co- nhecida esta planta no Rio de Janeiro, Minas-Geraes, S. Paulo e resto do sul do Brasil. Os francezes conhecem- na por «Herbe aux vers» e os inglezes a chamam de «American wormseed». Martius, referindo-se a esta planta affirma que, além do oleo suigeneris, ella contem camphora, resina, maté- ria mucilaginosa, nitrato de potassa e outros saes, e que é muitas vezes tomada, em infusão, como carminativo, diaphoretico e emmenagogo, contra a tosse, engurgita- mento pituitoso dos pulmões, amenorrhéa, e para a ex- pulsão de feto morto, casos em que é recommendada pelos médicos brasileiros. Outros nomes para este vegetal são: «Herva Formi- gueira» em Portugal; «Herva Ambrósia», «Herva do Mé- xico»; «Wurm-Kraut», dos allemães, etc. Peckolt diz que as sementes possuem também effei- to carminativo e que são usadas na digestão lenta e mo- rosa, aconselhando-a contra a amenorrhéa, hysteria, con- vulsões e asthma, e concorda com a asserção de que o povo a emprega como abortivo e emmenagogo. Além das propriedades anthelminticas e outras que lhe são attribuidas, esta planta também é considerada ma- gnifico insecticida; em Minas vimos usarem-na para ma- tar ou afugentar pulgas e percevejos, deitando-a sob os colchões da cama ou, em decocto, para lavar cães ata- cados de pulgas e bichos do pé. Sobre a cultura e a renda de oleo desta planta, já cul- tivada em larga escala no Horto «Oswaldo Cruz», dire- mos alguma cousa mais adeante. CHENOPODIUM BOTRYS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 219. Volkens, ob. cit., pag. 61. - M. Greshofe, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 128. 50 Distribuição geographica: Europa meridional, Asia Central, America do Norte, África, etc. E' Greshoff que a cita como anthelmintica. CHENOPODIUM HIRCINUM, Schrad. Bibliographia: Eduardus Fenzl; Fl. Br. de Mart., vol. V, I, pag. 142. - Peckolt, Analyses de Matéria Medica Brasileira, pag. 21. Distribuição geographica: Argentina e todo o sul do Brasil, até S. Paulo, Rio de Janeiro e Minas. Planta annua, erecta, de 50-120 cm. de altura, ap- parecendo de preferencia em terrenos adubados e já cul- tivados, caule verde estriado de branco e folhas no dor- so, ramos e inflorescencias recobertas de pó branco fa- rináceo; ramos ascendentes pouco patentes e não muito ramificados. Folhas caulineas maiores que as dos ramos e inflorescencias, de 5-15 cm. de comp. e 1-3 cm. de lar- gura, parte inferior attenuada em fórma de cunha e a superior, desde pouco abaixo do meio, mais ou menos dis- tinctamente trilobada e sinuosamente dentada, lóbos la- teraes muito mais curtos que o mediano, apice mais ou menos obtuso, base attenuada em peciolo bem distin- cto; as floraes e dos ramos menores. Flores pequenas, dispostas em glomerulos compactos recobertos de pó al- bacento e dispostas em interruptas espigas nos extremos dos ramos; inflorescencias muito mais aphyllas que as do Chen. ambrosioides, L. Perigono, depois de fecundada a flor, obtuso, pentágono, fechado e envolvendo o fru- cto que é maior que o da especie citada, na anthese semi-quinquefido. Estames na base concrescidos em pe- queno annel. O revestimento farinaceo, fórma das fo- lhas e principalmente a ausência quasi completa de chei- ro nas folhas, cheiro caracteristico das sementes, que faz lembrar o de Chen. vulvaria, L., indígena na Bolivia, con- stituem em conjunto caracteres que afastam esta planta de todas as affins conhecidas no Brasil. Peckolt affirma ser esta planta conhecida por «Ca- periçoba branca» e diz que obteve de dez kilog. de her- va 29 (?) grammas de oleo essencial, de peso especifico a = 13oC == 0,911, reputando-o anthelmintico. Estamos iniciando a cultura desta especie no Hor- to «Oswaldo Cruz», para apurarmos o que de verda- deiro existe a respeito da porcentagem do oleo essencial. 51 Chenopodium hircinum, Schrad. (Photographia original, desenhada pelo Sr. Fischer) Cultivado no Horto « Oswaldo Cruz» 52 CHENOPODIUM MULTIFIDUM, Linn. Bibliographia: Eduardus Fenzl, ob. cit., pag. 151, onde é descripta sob o nome de Roubieva multifida, Moq., ver Volkens, ob. cit., pag. 61. Distribuição geographica: Argentina, Perú, Bolivia, Brasil meridional, sul da Europa, etc. Planta erecta ou mais ou menos prostrada, um tanto pubescente, bastante ramosa, raiz longa e sub-fusiforme, depois de completamente desenvolvida atapetando o chão completamente onde se desenvolve, o que entretanto raro se observa quando em estado selvagem, onde apparece em exemplares esparsos que constituem pequenos gru- pos de 20-40 cm. de diâmetro. Folhas pinnati-sectas ou pinnati-lobadas, as caulineas sempre maiores, as floraes, ás vezes, quasi lineares e inteiras e as dos ramos mais ou menos lobadas, as maiores de 2-3 cm. de maior comp. e 0,8-1,5 cm. de maior largura; trituradas desprendem chei- ro caracteristico muito mais supportavel que as do Chen. ambrosioides, L. Flores verdes em pequenos grupos nas axillas das folhas dos ramos lateraes; perigono geralmente quasi ob-oval, lobado na parte superior e concrescido na inferior. Estames exsertos. Depois de fecundada a flor, o perigono envolve quasi completamente a semente e se apresenta mais ou menos atravessado de nervuras reti- culadas, como no Chen. ambrosioides, L. O ovário é re- coberto no apice por uma camada de glandulas oleosas que se espalham egualmente, em maior ou menor quan- tidade, em ambas as especies, sobre as folhas, perigono e toda a inflorescencia. Em 1917, encontrando esta planta nas margens da estrada de Pinheiros, aqui em S. Paulo, colhemos as se- mentes de dois exemplares e as semeamos no nosso Hor- to; no anno seguinte, possuíamos material sufficiente para fazer uma distillação, verificando que a sua porcentagem em oleo essencial é mais ou menos egual á do Chen. ambrosioides, L. e, em experiencias levadas a effeito pelo Dr. Vital Brasil, verificou-se ser a sua actividade sobre o ancylostoma idêntica á desta ultima planta. Até ao presente, nenhuma referencia encontramos so- bre o emprego desta planta como anthelmintico. 53 Chenopodium multifiãum, L. (Desenho do Sr. Fischer, segundo pliot. original) 54 HALOCNEMUM FRUTICOSUM, D. Dietr. Bibliographia: D. Dietrioh, Species Plantarum, vol. I, pag. 88. - Link, Handbuch, etc., vol. II, pag. 414. M. Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: Europa meridional e Áfri- ca boreal. De Greshoff é a citação de anthelmintica. SALSOLA KALI, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 222. - Vol- kens, ob. cit., pag. 82. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 128. Distribuição geographica: Halophita de quasi to- das as regiões tropicaes e subtropicaes do globo. Citada como anthelmintica por Greshoff. SALSOLA TAMARICIFOLIA, Cav. (Synonyma de Ana- basis tamaracifolia, L.). Bibliographia: Cavanilles, Ic. I, pag. 69. - Lin- neu, Syst. ed. X, pag. 949. - M. Greshoff, ob cit., pag. 128. Distribuição geographica: Europa. Anthelmintica segundo Greshoff. Parece-nos fóra de duvida serem raras as especies de Chenopodiaceas que, de uma ou outra fórma, não se- jam uteis na medicina, porque quasi todas encerram maior ou menor quantidade de oleo volátil e resina. Segundo Bley, diz Martius, ob. cit., pag. 160, Che- nopodium ambrosioides, L., além do oleo ethereo, a que se dá na pharmacia o nome de «Oleum Chenopodii», contém resina molle e esverdeada, matéria azotada, saes oxalicos, malicos, nítricos e sulfuricos, alúmen solúvel, aci- do acético, gomma, amilo e outras matérias e essencias menos conhecidas. Peckolt, no trabalho acima citado, affirma ter ex- trahido 90 grammas de extracto de um kilog. de se- mentes preparadas em macerato de espirito e ether. 55 A cultura desta planta é relativamente facil, sendo em Agosto a melhor época para semeal-a. A terra deve ser previamente adubada e preparada á enxada ou ara- do, abrindo-se pequenos sulcos, de 20-50 cm. de distan- cia entre si, onde se lança a semente, que não deve ser coberta; havendo falta de chuvas, torna-se necessá- rio regal-a algumas vezes. A germinação só se verifica depois de 15 ou mais dias e, a principio, as plantinhas são muito debeis e susceptiveis aos effeitos dos raios solares fortes, sempre desastrosos, podendo uma grande parte morrer, se as regas não forem feitas com regulari- dade e methodo. De novembro a dezembro, já se acham em condições de serem colhidas e aproveitadas para a distillação do oleo. Para isto são cortadas pelos caules, junto ao sólo, amarradas, sobre um panno qualquer em pequenos molhos e levadas incontinente ao alambique, onde são distilladas a vapor e não em contacto com a agua. Na occasião da colheita aproveitam-se as semen- tes que cahem sobre o panno para as novas culturas. Os caules brotam novamente e, antes do inverno seguin- te, podem ainda ser cortados mais uma vez, não sendo aconselhável repetir esta operação indefinidamente. Para maior facilidade de limpeza e colheita do material, ado- ptamos o systema de semear em leiras e não como se costuma fazer commumente. Pelo exposto verifica-se que para a obtenção do oleo distilla-se, tanto as folhas, como as inflorescencias e se- mentes da planta, e, como se trata de um oleo altamente volátil é aconselhável fazer-se a distillação no proprio local da cultura, porque com a demora no corte, transpor- te, etc., ella perde muito do mesmo. Peckolt affirma ter obtido quatro grammas de oleo essencial de dez kilog. de herva florida. Nós obtivemos uma maxima de 1 gramma por kilo de herva 'fructifica- da e uma minima, em outros dias, de 0,05 grammas por kilo. Aquelle chimico affirma ainda que a «Chenopodina» existe tanto nas folhas como nas sementes. Actualmente estamos ensaiando a cultura e distilla- ção de Chenopodium hircinum, Schrad. e Ch. multifidum, L. e no ultimo já verificamos que a renda de oleo é mais ou menos equivalente á aquella do Ch. a/mbrosioi- des, L. 56 COMBRETACEAS COMBRETUM CONSTRICTUM, Laws. Bibliographia: Laws, in Oliv. Trop. Afric., II, pag. 423. - Greshoff, Mededeelingen, uit S'Lands Planten- tuin, vol. XXIX, pag. 176. Distribuição geographica: África tropical. Segundo Greshoff, é recommendada como excellen- te anthelmintico para creanças pelo Catl. Welwisch, Afri- can. Plants, II (1898), pag. 343. COMBRETUM RACEMOSUM, P. de Beauv. Bibliographia: Palisot de Beauvois, Fl. Owar, pag. 87, tab. 118. - Greshoff, ob. cit., pag. 75. Distribuição geographica: África tropical. Greshoff diz que as folhas são anthelminticas. COMBRETUM TRIFOLIATUM, Vent. Bibliographia: Ventenat, Choix, tab. 58. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 75. Distribuição geographica: Provavelmente África. Segundo Greshoff, os fructos são anthelminticos. QUISQUALIS INDICA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, ed. II, pag. 556. - Brandis, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 7, pag. 126 e tab. 62. - Greshoff, ob. cit., pag. 75. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag 2068. Distribuição geographica: índia, Guiné, Philippi- nas, África tropical, etc. Segundo Brandis, arbusto meio escandente ou mes- mo sarmentoso, ornamental e bastante cultivado nas re- giões quentes e temperadas do velho e novo mundo. Greshoff affirma que o seu nome vulgar na França é «Liane vermifuge», toxica em grande dóse e anthelmin- 57 tica em dóse moderada. Caminhoá indica, como partes usadas contra a verminose, as folhas e as sementes. Embora não tenhamos visto cultivar-se esta planta entre nós, é muito provável que isto se dê, e, como se trata de um vegetal reputado por diversos autores como poderoso anthelmintico, julgamos de proveito cul- tival-a em nosso Horto. Do genero Combretum existem no Brasil diversos re- presentantes. Os mais communs são C. Jacquini, Griesb., que se estende por quasi toda a America Meridional e C. Loefflingii, Eichl., frequente em S. Paulo e caracte- risado pelas suas flores amarelladas, dispostas em racimos á maneira de escovas, o que lhe valeu o nome vulgar de «Escovinha»; e mais outros, vinte e tantos talvez, dos quaes certamente alguns devem conter as propriedades que distinguem as especies africanas. Muito empregadas na medicina popular, encontramos as especies do genero Terminalia, das quaes a T. Catappa, L., vulgarmente co- nhecida por «Amendoeira» ou «Guarda-sol», muito cul- tivada como arvore ornamental, é uma das mais com- muns. A maior parte das Combretaceas são plantas ricas em tannino, sendo por isso que os fructos immaturos de Term. chebula, Retz, têm no Cairo emprego como medi- camento adstringente para combater as diarrhéas. Algu- mas possuem sementes oleaginosas. COMMELINACEAS COMMELINA SCABRATA, Seub. (Phaeosphaerion vel Athyrocarpus persicariaefolius, C. B. Clarke.) Bibliographia: Seubert, FI. Br. de Martius, vol. III, I, pag. 266. - Sghõnland, Die Nat. Pflanzenfami- lien de Engler e Prantl, vol. II, 4, pag. 4. - Greshoef, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 156. A classificação de Phaeosphaerion persicariaefolium, (D. C.) Clarke é segundo Schõnland. Planta herbacea de caule ascendente, glabro, simples e, na parte superior ou mais próxima ao apice, bastamen- te folioso. Folhas bilateraes, obliquo-ovo-lanceoladas, acu- minadas e nas margens e parte superior escabras, de 58 10-20 cm. de comp. por 25-40 mm. de largura, na base contrahidas em peciolo e depois envaginadas; bainha de 28 mm. de comp., na margem superior ciliada. Flores emergindo de espatas pedunculadas, terminaes, glabras, de âmbito quasi redondo, ligeiramente mucronadas e obtu- sas; pedicellos estereis, ferteis e pluri-floros na mesma espata; periantho grande, sepalos esparsamente glandu- loso-punctulados nas suas margens e petalos pallidos. Interior da Bahia, Brasil até Cuba. Anthelmintica, segundo Greshoff. COMMELINA TUBEROSA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 41. - Schõnland, ob. cit., pag. 64. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 156. Distribuição geographica: México. Rhizomas tuberosos comestíveis e também anthelmin- ticos, segundo Greshoff. Embora não sejam de grande importância as pro- priedades medicinaes das Commelinaceas, existe comtu- do um grande numero de especies empregadas pelo povo para combater rheumatismo, tosse, impigem, lepra, re- tenção de urina e muitas outras moléstias. As tuberas de diversas especies contêm amilo e matéria mucilagi- nosa sendo usadas como alimento. As varias especies de Commelinas são entre nós vul- garmente conhecidas por «Trapoeraba» ou «Trapoerava». No norte do Paiz conhecem-nas também por «Marianni- nha» e «Grama». Especie muito commum é a Commdina agraria, Kunth, que apparece com frequência nos terre- nos já cultivados, nas beiras dos corregos e logares hú- midos ou sombrios. COMPÓSITAS AMBRÓSIA ARTEMISIAEFOLIA, L. Bibliographia: Baker et Eichler, Fl. Br. de Mar- tins, vol. VI, III, pag. 150 e 411. - Hoffmann, Die Na- túrliche Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. IV, 5, pag. 222. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2914. 59 Ambrósia polystachya, D. C. (Seg. Fl. Br. de Mart.) 60 Distribuição geographica: Regiões calidas e tem- peradas do Novo Mundo, desde o Amazonas até a Ar- gentina. Herbacea annua, erecta, copiosamente ramificada, pi- losa e podendo attingir até 1 m. de alt.; folhas alternas, inferiores bi-pinnatifidas com segmentos lanceolados, ver- de-pilosas ou mesmo glabras, de 12-18 cm. de comp.; as superiores pinnadas e menores. Racimos bastamente paniculados de 13-23 cm. de comp.; raches pilosas, capí- tulos masculinos pendentes, curto-peciolados e não bra- cteados, femininos agglomerados, sesseis, sustidos por fo- lhas reduzidas bracteiformes lineares. Invólucros dos ca- pítulos masculinos campanulados e herbáceos, hispidos, de 2,5-3 mm. de comp., margem inteira, ostentando de 15-20 flores; femininos ob-pyramidados, de 2-2,2 mm. de comp. e diâmetro, em cima tuberculosos com 6-8 peque- nos espessamentos. A disposição dos capítulos floraes e a ramificação em geral da planta faz lembrar um tanto o Chenopodium ambrosioides, L., cujo nome teve origem desta semelhança. Um caracteristico para este genero são os capítu- los monoicos; os masculinos multifloros e discoides com involucro gamophyllo e herbáceo, fauce truncada ou lo- bada e os femininos unifloros, flores apetalas, achenio solitário, de involucro agudo e endurecido. Hoffmann affirma ser esta planta um magnifico suc- cedaneo ou equivalente da Quinina, indicação cabivel tam- bém a alguns Eupatorios. Caminhoá dá os seguintes nomes vulgares: «Roman- Wormwood», «Hog-Weed» e «Bitter-Meed» dos Norte- Americanos, citando as folhas e summidades floridas co- mo anti-leucorrheicas, tónicas, aromaticas, febrífugas e lumbricidas. Seria interessante verificar se a virtude anthelmin- tica não se estende também ás especies affins, por exem- plo, á A. polystachya, D. C., muito semelhante á espe- cie supra, que reproduzimos na pagina anterior. ARTEMÍSIA CINA, Berg. Bibliographia: Berg, Darst., IV, tab. 29c. - Hoff- mann, ob. cit., pag. 282. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2903. Distribuição geographica: Turkestan. 61 Hoffmann affirma ser esta planta a productora da «Semen de Sedoaria», e Caminhoá que ella fornece a «Semen-contra do levante». «Zit-wer-Samen» é o nome que os allemães dão a este producto. ARTEMÍSIA GLOMERATA, Sieb. (Que é Art. Herloa-albd, Asso.) Bibliographia: Vide Art. judaica, L. Desta, Caminhoá diz: productora de «Semen-Contra», mas não o verdadeiro; emmenagoga, tónica e vermífuga. ARTEMÍSIA HERBA-ALBA, Asso. (E' citada por Caminhoá como A. contra, L.). Bibliographia: Asso, Syn. Arag. 117. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2907. Distribuição geographica: Da Espanha ao norte da África. Segundo Caminhoá, usada como vermífuga, tónica, febrífuga e fornecedora da «Semen-Contra». ARTEMÍSIA judaica, l. Bibliographia: Linneu, Fl. Palestin. in Amoen. Acad., IV, 463; et Mantisa., 281. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2907. Distribuição geographica: Egypto até a Arabia. Caminhoá diz: seus capítulos floraes recebem vários nomes nas drogarias, entre os quaes os seguintes: «Se- men-Contra», «Sementina», «Semenciana», «Borbotine» e «Graine vers» ou «Grenette», etc.; é planta vermífuga po- derosa. ARTEMÍSIA MARÍTIMA, L. var. PAUCIFLORA, Led. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag.846. - Lanessan, Hist. Nat. Med., vol. I, pag. 979. - Ca- minhoã, ob. cit., pag. 2898 e 2902. Distribuição geographica: Europa, região do Cau- caso, Sibéria, etc. 62 Segundo Lanessan, esta planta é a verdadeira for- necedora das sementes conhecidas nas pharmacias por «Semen-Contra», que conteem propriedades anthelminti- cas em elevado gráo. Delias se extrae a «Santonina», que segundo Eug. Collin (Toxicologie Vegetale, pag. 95), é encontrada na razão de 2 o/O) além de outro prin- cipio amargo que se conhece por. «Artemisina» e um oleo volátil, cuja base é o «Cineol». Caminhoá diz que as partes usadas são todas as summidades floridas que em decocto dão um poderoso vermífugo. ARTEMÍSIA MEXICANA, Willd. Bibliographia: Willdenow, ex Sprengel, Syst., III, pag. 490. -• Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plan- tentuin, vol. XXIX, pag. 93. Distribuição geographica: México. ARTEMÍSIA RAMOSA, C. Sim. Bibliographia: C. SlM8, ex Link, in Buch, Besch- reib. der Canar. Ins., pag. 148. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2903. Distribuição geographica: Ilhas Canarias. África. Segundo o mesmo autor originaria da Pérsia (?). Ca- Africa» que se vende de preferencia em Liorne, na Ita- lia. Vermífuga. ARTEMÍSIA SANTONINA, L. (?) segundo Caminhoá, devendo ser Art. suaveolens, Lam. ou Art. Santonicum, L., a primeira da Europa e a segunda da America do Norte. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2907. Segundo o mesmo autor originaria da Persia(?). Ca- pítulos floraes vermífugos. ARTEMÍSIA VALLESIACA. D. C., seg. Caminhoá, de- vendo ser Art. Vallesiaca, All., que é egual a Art. Val- lesiana, Lam., ou alguma outra especie. Egualmente não encontramos Art. flaginoidea, Stechm. que elle cita como synonymo desta. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2907. Segundo este autor, originaria da Europa, com flo- res e summidades florigeras estimulantes emmenagogas e vermífugas. 63 ATHANASIA AMARA, L. Bibliographia: Linneu, (?) - M. Greshoff, obcit., pag. 93. Anthelmintica, segundo Greshoff. CHRYSANTHEMUM VULGARE, (L.) Bernh. Bibliographia: Hoffmann, ob. cit., pag. 279. - La- nessan, ob. cit., pag. 982. Distribuição geographica: Europa, região do Cau- caso, Sibéria e na America do Norte, onde foi introduzida. Lanessan a cita corno Tanacetum vulgare, L., dizen- do ser muito odorante e amarga, é empregada como es- timulante e anthelmintico. FLAVERIA ANGUSTIFOLIA, Cav. (é de Pers. e não de Cav.) Bibliographia: Caminhoã, ob. cit., pag. 2912. Distribuição geographica: Chile ou México? Caminhoã a cita como do Chile e diz que passa por vermífuga. FLAVERIA CONTRAYERVA, Pers. Bibliographia: Baker et Eichler, Fl. Br. de Mart., vol. VI, III, pag. 412. - Greshoff, ob. cit., pag. 92. - Hoffmann, ob. cit., pag. 258, com est. n.o 125. - Caminhoã, ob. cit., pag. 2912. (Também conhecida por Vermífuga corymbosa, Ruiz et Pav. e vulgarmente por «Contra-Herva».) Planta herbacea, annua, erecta de 30-80 cm. de alt., copiosamente dichoto-ramosa; ramos glabros ou pubescen- tes. Folhas oppostas sesseis, lanceoladas, trinervadas, ser- rilhadas, inferiores, de até 8-10 cm. de comp. Flores de 5-6 em cada capitulo, estes ordenados em cymos de 20-25 mm. de diâmetro sobre ramos escorpioide-curvados mui bastos. Involucro de 4-5 mm. de comp.; bracteas da serie interna geralmente tres, ob-lanceolato-obtusas e compli- cadas, da exterior apenas uma muito pequena e lanceo- lada. Corollas tubulosas ou uma ligulada, as discoides de 2-3 mm. de comp. de tubo cylindrico. Achenio glabro, 10-costado metade mais curto que o involucro. 64 Segundo Baker e Eichler, esta planta é estimada como vermífuga no Chile e no Perú. Greshoff a indica egual- mente para este fim. Existem duas especies deste genero, que são com- muns a toda a America Meridional; a primeira, aqui descripta, é mais commum no Chile, Argentina e Perú, chegando sómente até ao sul do Brasil, e a segunda, Fl. repanda, Lag. estende-se desde as Guyanas até á Bahia, atravéz de toda a America tropical. As demais especies, com excepção de uma australiana, são também americanas. Além das propriedades anthehninticas que contem, esta planta fornece também um principio corante ama- rello. LAUNAEA PINNATIFIDA. Cass. (Que é egual á Launaea sarmentosa, (W.) Schultz Bip. e Microrhinchus sarmentosus, D. C.) Bibliographia: Cassini, Annal. Soc. Nat. ser. I, XXIII (1831), pag. 85. - Hoffmann, ob cit., pag. 370 e M. Greshoff, ob. cit., pag. 93. Distribuição geographica: Asia, África tropical. Segundo Greshoff empregada como anthelmintico e contra a insomnia das creanças. MIKANIA AMARA, Willd., var. GUACO. Bibliographia: Baker et Eichler, ob. cit., pag. 410. - Langgard, Novo formulário medico e pharmaceutico, Rio de Janeiro (1872), pag. 421. - Caminhoá, Bot. Ge- ral e Medica, pag. 2911. (Mikania Guaco, Willd e Eupa- torium Guaco, Humb.) Planta escandente ou volúvel, de ramos lenhosos e roliços, vestidos de pellos acastanhados. Folhas oppos- tas distanciadas de 5-8 cm. entre si, pecioladas oblongo- ovaladas, agudas e de margens inteiras, na face supe- rior glabro-brilhantes e na dorsal bruno-puberulas ou tam- bern glabras, penninervadas de 8-15 cm. de comp. por 3-4 cm. de larg.; peciolos de 7-10 mm. de comp.; ner- vuras primarias tri-jugas, ascendentes e curvadas; venu- los bem distinctos. Paniculos floraes de 8-15 cm. de comp. por egual largura ou mais largos que longos, de ramos 65 Mikania amara, Willd. « Guaco» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 66 puberulos, patentes e os inferiores ás vezes reflexos, na metade inferior despidas e na superior bastamente flo- rigeros. Bracteas foliaceas, espessas e oblongadas ou ob- ovaes, metade mais curtas que o involucro, este de 5-8 mm. de comp. e a principio verde e puberulo, de se- gmentos paleaceos e obtusos. Achenio glabro, cylindri- co de 3-5 mm. de comp. Pappus de 5 mm. composto de 40 cerdas avermelhadas, pouco maiores que o achenio. Corolla de limbo estreito-infundibulado, duas vezes mais longo que o tubo. A variedade Guaco, que também é o nome vulgar da planta, distingue-se pelas folhas sempre maiores e um tanto decurrentes pelo peciolo. Planta cultivada em quasi todos os jardins e geral- mente usada para combater a tosse, contra as mordedu- ras de cobras, picadas dos escorpiões e contra a hydro- phobia. Acreditam egualmente que seu sueco possa im- munizar o corpo contra o veneno da cobra. Empregam-na também como febrífugo, tonico e anthelmintico; o de- cocto é usado internamente, e, as partes esmagadas da planta, externamente para combater as feridas e ulceras. MYRIOGYNE MINUTA, Less. Bibliographia: Greshoff, ob. cit., pag. 178. Esta especie é no Index Kewensis egual á Centipe- da, nome este que também é acceito pelo Sr. Hoffmann, no «Die Nat. Pflanzenfamilien» de Engler e Prantl. Greshoff lhe dá o nome vulgar de «Sneezeweed» e accrescenta ser considerada vermífuga. TAGETES MINUTUS, L. Bibliographia: Baker et Eichler, ob. cit., pag. 273 e 412. - Peckolt, Analyses de Matéria Medica Bra- sileira, pag. 27 (1868). Distribuição geographica: Paraguay, Argentina, Uruguay e todo o sul do Brasil até Bahia, Minas-Geraes e Goyaz. Planta sub-arbustiva, erecta, vulgarmente conhecida pelo nome de «Rojão» ou «Coará bravo», de folhas sim- plice-pinnadas com segmentos lanceolados serrilhados, al- 67 Tagetes minutus, L. « Rojão » (Desenho do, Sr. Fischer, seg. phot. original) 68 ternas de 10-15 cm. de comp.; segmentos geralmente 6-8 jugos e de 25-35 mm. de comp.; os dentes das margens apresentam-se algumas vezes com leves espessamentos glanduliformes e os segmentos nem sempre são em nu- mero de 6-8; algumas vezes são em numero menor e isto principalmente nas folhas terminaes e partes florigeras dos caules, que nesta altura são sempre mais ramifica- dos que na parte inferior. Flores 5-6 em cada capitulo e estes com involucro tubuloso de 11-14 mm. de comp. e 2-2,5 mm. de diâmetro, no apice dividido em 4-5 den- tes. Os capitulos constituem corymbos nos extremos dos raminhos. Das 5-6 flores de cada capitulo, em regra duas a tres têm corolla ligulada de limbo deltoide. Achenios negros, coroados pelas paleas do pappus em numero de 5-6, sendo sempre uma ou duas mais longas. Esta planta é egualmente conhecida por Tagetes glan- duliferus, Schrak., nome este que lhe foi dado por causa das glandulas de que acima falíamos. O cheiro que faz lembrar o de Tagetes erectus, L., o verdadeiro «Cravo de defunto», é peculiar a todas as especies deste genero que apparecem no Brasil. Sob o referido nome, Peckolt a cita como «excellente anthelmintico» e affirma ter obtido 23 grammas de oleo essencial de dez kilos de herva distillada, cujo peso es- pecifico elle dá como - 13o C = 0,853. Baker et Eichler, dizem que as folhas desta plan- ta são amargo-aromaticas, estimulantes, além de diuréti- cas e diaphoreticas, e que o oleo, facilmente extrahivel pela distillação, é anthelmintico. Ella é bastante commum nas regiões e Estados acima indicados, apparece de pre- ferencia em queimadas recentes, nas roças e nas tape- ras, propaga-se com facilidade e, quando se desenvolve, muito junto, fornece magnificas varas para rojões que, em leveza e conformação, pouco ficam a dever aos pe- dúnculos floraes de Gynerium e Arando. TANACETUM UMBELLIFERUM, Boiss. Bibliographia: Diagr. ser. II, III, pag. 30. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 93. Distribuição geographica: Afghanistan. Segundo Greshoff, esta planta contém Pyrethrina, sen- do considerada anthelmintica e abortiva. 69 Esta especie foi, por Hoffmann, subordinada ao ge- nero Chrysanthemum, é affim de Chrys. vulgare, (L.) Bernh. acima citado. VERNONIA ANTHELMINTHICA, (L.) W. (Baccharoides, Mnch e Ascaricida, Cass.) Bibliographia: Hoffmann, ob. cit., pag. 125 e tab. 73. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 91. - Caminhoã, Bot. Geral e Medica, pag. 2913. Distribuição geographica: índia oriental. Região do Hymalaia. Segundo Greshoff, esta planta é na França conhe- cida por «Herbe aux mouches» e na Inglaterra por «Flea bane». Hoffmann affirma que as sementes são usadas como anthelmintico e as folhas e ramos contra parasi- tas externos. As Compósitas são, em geral, ricas em oleos ethe- reos e pingues, assim como em substancias resinosas e amargas, razão por que, em nenhum outro grupo, se encontram tantas especies com emprego medicinal como entre ellas. Distinguem-se, principalmente, os Eupatorios, Vernonias, Mikanias, Artemísias e Arnicas. Muitas são as especies empregadas como vulnerários; outras, como Mi- kania amara, Willd, já citada, e Eupatorium triplinerve, VahI., o «Ayapána» dos indígenas, são usadas contra a mordedura das serpentes. As «Carquejas», especies varias do genero Baccharis, são consideradas altamente estoma- chicas e usadas também como anti-diarrhéicas. Para de- bellar as dores nevrálgicas e dos dentes emprega-se, no norte do Brasil, a Spilanthes acmella, L., ali conhecida por «Agrião do Pará», «Pimenteira do Pará» ou «Mas- truço». Emfim innumeraveis são as utilidades medicinaes desta familia de plantas. CONÍFERAS CALITRIS, Vent. (Varias especies deste genero exclusivo de Mada- gascar, Australia e Nova Caledónia.) Bibliographia: Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 162, que o dá com 70 o nome de Frenela, de que é considerado synonymo por Eichler (Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. II, 1, pag. 94). A indicação de anthelmintico é de Greshoff. Calitris quadrivalvis, Vent., egualmente conhecida por Thuja articulata, Vahl., fornece a «Resina de Sandarak, que exsuda expontaneamente ou depois de fendida a cas- ca e, desde tempos immemoriaes, empregada na thera- peutica. Os egypcios antigos empregavam-na também para embalsamar os cadaveres. GINKGO BILOBA, L. Bibliographia: Linneu, Mant. II, pag. 313. - Eich- lee, ob. cit., pag. 109 e tab. 68. - Greshoff, ob. cit., pag. 161. Distribuição geographica: China e Japão. No Japão e na China, conhecida por «Ginkgo». Gres- hoff affirma que as sementes são anthelminticas. TAXUS BACCATUS, L. («Eibe» dos allemães e «If» dos francezes.) Bibliographia: Eug. Collin, Traite de Toxicologie végétale, pag. 175 e Eichler, ob. cit., pag. 112. Distribuição geographica: Europa meridional e cen- tral. Collin diz que a ingestão do sueco das folhas desta planta tem algumas vezes causado a morte! TORREYA NUCIFERA (L.) S. et. Z. Bibliographia: Eichler, ob. cit., pag. 111, com es- tampa n.o 70, fig. c-f. - Greshoff, ob. cit., pag. 163. Distribuição geographica: Serras de Nippon e de Sikok, Japão. A citação de anthelmintica é de Greshoff. No Brasil, as Coníferas ou Pinaceas, são representa- das apenas por dois generos indígenas: Araucaria, com a unica especie A. brasiliana, A. Rich. Lamb., o Pinheiro», 71 que no sul constitue grandes formações e Podocarpus, com duas especies, P. Sellowii, Klotzsch e P. Lamberti, Klotzsch, ambas egualmente do sul do Brasil extendendo- se até Minas Geraes e Rio de Janeiro. Muito cultivada é o Cupresus lusitanica, Mill., vulgarmente conhecido por «Arvore da Vida» ou «Sempre-viva». A Araucaria produz castanhas comestíveis e exsuda também uma resina com- parável á das Coníferas europeas e norte-americanas; é ainda rica em oleo ethereo, que não nos consta tenha encontrado emprego na medicina. CONNARACEAS CONNARUS AFRICANUS, Lam. Bibliographia: Lamarck, Encycl. II, pag. 95. - Gil- lies, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 3, pag. 64. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plan- tentuin, vol. XXIX, pag. 43. Distribuição geographica: Guiné superior e Ilha de S. Thomé. Anthelmintica, segundo Greshoff. O genero Connarus é representado no Brasil por mais de vinte especies, mas não nos consta que qualquer delias tenha emprego medicinal. CRUCIFERAS SISYMBRIUM SOPHIA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 659. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 19. Distribuição geographica: Regiões temperadas de quasi todo o globo. As sementes são anthelminticas. Greshoff dá «Mort aux vers» e «Wurmkraut», como nomes vulgares respecti- vamente na França e na Allemanha. As Cruciferas contêm muitas especies cultivadas que fornecem verdura e oleos comestíveis e medicinaes. Além das que cultivamos, apparecem espontâneas no Brasil, 72 o Lepidium ruderale, Linn. e Coronopus didymus (L.) Sm., ambas vulgarmente conhecidas por «Mastruço» ou «Menstruço» e empregadas contra impigens; Nastur- tium officinale, R. Br., o nosso «Agrião», que é preconi- zado contra as moléstias do peito e que, com mais tres outras especies, se encontra em todo o sul do Paiz; Car- damine, Vesicaria e Sisymbrium officinale, Scop., espe- cies de Brassica e de Sinapis, com a Cappsella bursa- pastoris, Monch., encontram-se egualmente dispersas e completam a lista das Cruciferas brasileiras. CUCURBITACEAS CUCUMIS TRIGONA, Roxb. (Que tem por synonymo a Bryonia callosa, Rottl.) Bibliographia: Roxburgh, Hort. Beng., pag. 70. e Fl. Ind. III, pag. 722. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 81. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2092. Distribuição geographica: índia oriental. Reputada anthelmintica, segundo Greshoff. Caminhoá diz: «As sementes são toxicas e, em dóses pequenas, ver- mífugas». CUCURBITA MAXIMA, Duch. Bibliographia: Duchesne, Lam. Encycl. II, pag. 151. - Alberto Padilla, Dicionário Botânico y Portátil de las tres Américas, pag. 15. - Caminhoá, Elem. de Bo- tanica, pag. 1333 (cit. Peckolt). Distribuição geographica: Cultivada em todas as regiões tropicaes e sub-tropicaes do globo. A. Padilla diz que as folhas são usadas para queima- duras, as flores para inflammações e as sementes como anthelminticas. Caminhoá dá as sementes como tenifugas. Vulgarmente conhecida e cultivada sob o nome de «Moranga» ou «Abobora grande». As pevides de abobo- ra são geralmente preconizadas como bom tenifugo. LUFFA CYLINDRICA, L. Bibliographia: Cogniaux, Fl. Br. de Mart., vol. VI, IV, pag. 10. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2090, etc. 73 Distribuição geograpliica: Todo o Brasil, etc. Planta escandente de folhas penta-lobadas, amplas, sobre peciolos de 10-12 cm. de comp., na base profun- damente emarginadas, nervuras inferiormente bastante pro- eminentes, verde escuras e completamente áspero pilosas. Gavinhas na parte superior 3, raro 2-5 fidas, levemente pubescentes. Flores masculinas e femininas axillares. In- florescencias masculinas com 15-20 flores, de 10-15 cm. de comp., bracteoladas na base; pedicellos de 1-2 cm. de comp. na parte superior do pedunculo floral, perto do apice articulados, bracteolados. Cálice levemente pu- bescente, tubo curto, largo-campanulado, não anguloso, com segmentos lanceolados, não carenados, pouco mais longos que o tubo. Petalos patentes, oblongo-cuneiformes, apice arredondados e um tanto emarginados, com 3-5 nervuras, de 2-3 cm. de compr. e 1-1,5 cm. de largura. Estames 3, sobre filamentos de 6-8 mm. de compr. Ru- dimento pistillar concavo. Flores femininas: sobre pedún- culos de 2-10 cm. de compr. Cálice e corolla um pouco maiores. Estaminoides 3-5. Fructos de 15-30 cm. de compr. por 6-10 cm. de diâmetro transversal, geralmente oblon- gados, raro ovoides. Sementes compressas, lisas, de 2-2,5 mm. de espessura, 12 mm. de compr. e 8-9 mm. de lar- gura, nas margens cingidas por uma especie de ala de 0,5-1 mm. de largura. A «Luffa» ou «Bucha» é frequentemente cultivada nas hortas e chacaras do Brasil. Fóra de S. Paulo, conhecem- na também pelos nomes de «Fructa ou Bucha dos Pau- listas». O sueco dos fructos maduros é reputado muito pur- gativo e algumas pessoas o usam também para expulsar os vermes intestinaes. O tecido fibroso que envolve as sementes, depois de estarem os fructos completamente maduros, é empre- gado como esfregão e substitue a esponja no interior do Paiz. LUFFA OPERCULATA, Cgn. Bibliographia: Cogniaux, ob. cit., pag. 12, etc. Distribuição geographica: Goyaz, Minas, Matto- Grosso, Amazonas e resto do Norte do Brasil. 74 Planta escandente, caules delgados, ramosos, geral- mente penta-angulados e glabros depois de adultos e quan- do novos esparsa e deprimidamente semeados de maté- ria um tanto farinacea. Folhas cordiformes ou, ás vezes, também quasi reniformes, angulosas ou 3-5 lobadas, um tanto asperas, por cima verde escuras e por baixo um tanto mais pallidas; peciolos de 2-8 cm. de compr. e limbos de 10-12 de compr. por egual largura, na base profun- damente emarginados e nos cantos ou lobos agudos. Ga- vinhas simples ou bifidas e um tanto longas e villosas. Flores masculinas e femininas em axillas aparte. Inflores- cencia masculina de 5-8 cm. de compr., com 6-10 flores, na base bracteoladas; pedicellos de 0,5-1,5 cm. de compr. na quarta parte superior do pedunculo, perto do apice ar- ticulados, e perto da base providos de uma bracteola de 1-2 mm. de compr. Cálice levemente villoso, tubo curto, largo-campanulado, não anguloso, segmentos lanceolados, não carenados, tres vezes mais longos que o tubo, de 4-5 mm. de largura. Estames tres, um unilocular e os outros biloculares, sobre filamentos de 2-3 mm. de compr., um tanto papillosos na sua base. Glandula pistillar côn- cava. Flores femininas sobre pedúnculos debeis de 0,5-2 cm. de compr. Cálice e ovário maiores. Estaminoides tres, um simples e dois bifidos, lineares de 1-2 mm. de compr. Ovário fusiforme, laxo-tomentoso, levemente verruculoso, com rostro de egual comprimento. Estigmas tres bicornes, mais curtos que a corolla. Fructo molle, ovoide, do ta- manho de um ovo de gallinha ou pouco maior, áspero, recoberto de pequenas elevações tuberculiformes quasi es- piniformes, dispostas em series. Sementes compressas, li- sas de 9-10 mm. de compr., 4 mm. de larg. e 1,5 mm. de espessura, margens regulares e não aliformes como na especie precedente. Os fructos seccos desta especie que no Rio de Ja- neiro são vendidos com os nomes de «Buchinha», «Bu- chinha do Norte» ou «Abobrinha do Norte» passam por serem fortemente drásticos. O sueco dos mesmos, quan- do maduros, é administrado contra os vermes intestinaes. MOMORDICA CHARANTIA, Linn. Bibliograpliia: Cogniaux, ob. cit., pag. 15. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2090. Distribuição geographica: Regiões tropicaes de to- do o globo. No Brasil dispersa por todos os Estados. 75 Planta sub-herbacea, escandente, de 1,5-3 metros de compr., ramosissima, estriada, pubescente ou mesmo to- mentosa perto do apice. Folhas reniformes, membranaceas, quasi orbiculares, por baixo das nervuras pilosas, pro- fundamente 5-7 lobadas, lobos ovaes, na base estreita- dos, dentados ou lobulados e lobulos mucronados, de 5-12 cm. de compr., superiormente verde-escuros e por baixo mais pallidas. Gavinhas delgadas, longas e pubes- centes. Pedúnculos masculinos com 5-15 flores, glabros ou um tanto villosos. Bracteas levemente pubescentes, de 5-15 mm. de larg. Cálice de lobos de 4-6 mm. de compr. e 2-3 mm. de larg. Corolla de segmentos obtusos e ás vezes emarginados de 1,5-2 cm. de compr., 8-12 mm. de larg. Estames pouco aglutinados, loculos das antheras mui- to flexuosas. Pedúnculos femininos com 5-10 cm. de compr., geralmente bracteados em sua base. Estaminoides 3, glan- duliformes. Pistillo curto, trifido em seu apice; estigmas 3, bifidos. Fructos de 3-15 cm. de compr., recobertos de pequenos tubérculos, ás vezes obtusos, outras vezes mais agudos, quando maduros abrindo-se em tres valvulas do apice para a base. Sementes comprimidas geralmente 3- dentadas, nas faces um tanto esculpidas, de 13-16 mm. de compr. por 7-9 mm. de larg. Esta planta, que, como já dissemos linhas acima, se acha dispersa por vários paizes do mundo, é aqui co- nhecida pelo nome de «Melão de S. Caetano». No nor- te do Brasil prescrevem-na contra a leucorrhéa e o sue- co dos fructos é aconselhado como purgativo e vermífugo. MELOTHRIA MADERASPATANA, Cgn. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit, pag. 2092, a cita com o nome de Bryonia callosa, Bth. Distribuição geographica: África tropical. Caminhoá affirma que as sementes são toxicas e, em dóse menor, vermífugas. MELOTHRIA SCROBICULATA, Cogn. (Também conhecida por Bryonia scrobiculata, Hochst.) Bibliographia: Cogniaux, Monogr. Phaner. de De Candolle, vol. III, pag. 605. - Greshoff, ob. cit., pag. 81. Distribuição geographica: Abyssinia. Tenifuga, segundo Greshoff. 76 SICYDIUM MONOSPERMUM, Cogn. Bibliographia: Cogniaux, Diagr. Cucurbitaceae, fase. III, ined. - Vellozo, Fl. Fluminensis, vol. X, tab. 103. - Cogniaux, Fl. Br. de Martius, vol. VI, IV, pag. 114. - Greshoff, ob. cit., pag. 82, etc. Planta sarmentosa, monoica, com caule sulcado, ra- moso e glabro. Folhas membranaceas, sobre peciolos de 3-4 cm. de comp. e ligeiramente pubescentes, pedatifor- me 5-7 nervadas, triangulo-ovaes ou quasi triangulares, inteiras ou levemente trilobadas, margens inteiras, gla- bras ou quasi glabras, na base truncadas ou levemente emarginadas, de 6-10 cm. de compr. por 5-9 cm. de larg. Cirrhos longos, tenues, glabros e no apice bi-fidos. In- florescencias masculinas com flores pequenas, em pani- culos do tamanho das folhas ou menores, ramos um tan- to ramificados e levemente pubescentes, floribundos, na base não raro ostentando uma folha reduzida; pedicellos de 1-3 mm. de comp. dispostos em pequenos fascículos pouco mais longos que as bracteas, que são linear-seta- ceas e puberulas. Cálice puberulo, de segmentos triangu- lo-lanceolados de 1-1,5 mm. de comp. e corolla papillosa de segmentos lanceolados ou lienares, maiores que os dentes do cálice, isto é de 2-3 mm. de comp. por 0,5-1 mm. de larg. Antheras quasi sesseis. Inflorescencia fe- minina, ao que parece, bi-flor, menor que o peciolo, isto é de 2-3 cm. de comp. Fructos grandes ob-ovaes, com- primidos e alados, attenuados na base, com 7-8 cm. de comp. por 5,5 cm. de larg. e 2-2,5 cm. de espessura, estipe da base de 1 cm. de comp. por 2 mm. de larg., ala marginal de 8-9 mm. de larg. e com duas elevações em cada face atravessadas de prégas transversaes. Semen- te grande, quasi orbicular, compressa e verrucosa, ligei- ramente marginada, de 3,5-4 cm. de comp. por 1,5-2 cm. de larg. e 1,5 cm. de espessura. Encontrada por Peckolt em Canta-Gallo, Rio de Ja- neiro e registada para o Estado, por Vellozo. Por Peckolt e Greshoff considerada anthelmintica e emetica. TELFATRIA PEDATA, Hook. Bibliographia: Hook, Botanical Magazin, tab. 2751 e 2752. - Mulher et Pax, Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. IV, 5, pag. 22. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 80. 77 Distribuição geographica: África Occidental e Ilhas Mascarenhas. Segundo Múller et Pax, planta muito cultivada na região citada, fornece um oleo alimentício precioso, que é extrahido das sementes. Os fructos attingem até 1 me- tro de comprimento e possuem polpa amarga. M. Gres- hoff affirma ser um heroico tenifugo. TRICHOSANTHES AMARA, L. Bibliographia: Linneu, Sp. Pl., pag. 1008. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2091. Distribuição geographica: S. Domingos e outras Antilhas. Caminhoá diz: «Fructo emetico-cathartico e vermi- cida». Segundo Greshoff, ob. cit., varias especies deste ge- nero são anthelminticas. Elias encontram também muitos outros empregos na medicina popular. As Cucurbitaceas, aliás muito bem representadas em nossa flora, contém varias substancias amargas e resino- sas, a que se attribuem propriedades emeticas e purga- tivas. As sementes de algumas são ricas em oleo. As especies com propriedades purgativas são, em via de re- gra, de effeito drástico. Muitas são as empregadas, no Brasil, como depurativo do sangue, entre as quaes o «Tayuyá» occupa um logar de destaque. A «Fructa de gentio» ou «Purga de Caiapó» do genero das Cayapo- nias é empregada entre nós como purgante forte, o qual se administra algumas vezes aos animaes, principalmen- te aos cavallos. Do genero Wilbrandia, temos W. ver- ticillc^a, Cogn. muito commum no Estado do Rio de Janeiro, que é vulgarmente conhecida por «Abobri- nha do matto» em Minas Geraes, por «Tayuya» ou «An- na Pinta» no Rio de Janeiro, e W. hibiscoides, frequente em Minas e S. Paulo, mais conhecida por «Tayuya de quia- bo» ou por «Gonú», ambas também usadas na medicina po- pular como purgantes ou depurativos. Mais preconizada que estas é, talvez, a «Espelina» ou «Tomba», também 78 conhecida por «Purga de Carijó», a Cayaponia espelina, (Manso) M. et P., que goza de grande fama em todo o Brasil. CYPERACEAS CYPERUS ARTICULATUS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 41. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 159. Distribuição geographica: Cosmopolita dos trópi- cos. Anthelmintica, segundo Greshoff. Os rhizomas tuberosos de algumas especies contêm substancias amargo-aromaticas, que são, por isto, empre- gadas para a preparação de drogas e essencias; os de Cyperus esculentus, L., contêm, além do oleo, uma boa porcentagem de assucar, e têm um gosto agradavel de amêndoas, sendo no velho mundo usados como succe- daneo do café e chegam aos mercados sob os nomes de «Bulbuli trasi», «Dulcinia» e «Amêndoa da terra». De es- pecies de Kyllinga, com rhizomas muito aromáticos, ex- trahe-se um oleo que é empregado na perfumaria. As flores e inflorescencias não desenvolvidas da Eriophorum polystachyum, L., são officinaes e fornecem a «Herba Li- nagrostis», das pharmacias. EBENACEAS DIOSPYROS VIRGINIANA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 1057. - GUrke, Die Natúrliche Pflanzenfamilien de En- gler e Prantl, vol. IV, 1, pag. 164 e fig. 86-f. - Gres- hoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 103. Distribuição geographica: Estados Unidos da Ame- rica do Norte. Gúrke diz que os fructos, como os de outras es- pecies, são comestíveis e Greshoff os cita como an- thelminticos. Guil. Miquel, Fl. Br. de Mart., vol. VII, 79 pag. 10, affirma que o macerato dos fructos immaturos desta planta é na America do Norte empregado para combater as febres e a cholera. Para este mesmo fim emprega-se, nas Guyanas e norte do Brasil, o decocto da casca de Diospyrus paralea, Steud. Outras proprieda- des medicinaes destas plantas são desconhecidas. EUPHORBIACEAS EUPHORBIA CEREBRINA, Hochst Bibliographia: Hochstetter, ex Boiss. in De Can- dolle Prodr. XV, II, pag. 146. - Pax, Die Natúrliche Pflan- zenfamilien de Engler e Prantl, voí. III, 5, pag. 110. - M. Greshoff, ob. cit. Distribuição geographica: Abyssinia. Segundo Greshoff, egual a Croton macrostachys, A. Rich. e considerada anthelmintica. EUPHORBIA THYMIFOLIA, Burm. (Que é egual a Euph. thymifolia, L., e Anisophyllum thymifolium, How., que são as citadas por Caminhoá, com a propriedade anthelmintica.) Bibliographia: J. Mueeler, Arg. Fl. Br. de Mart., vol. XI, II, pag. 684. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2342. Distribuição geographica: Asia, África e America. Planta herbacea, rasteira, de caules filiformes de 6-15 cm. de comp. ás vezes um tanto ascendentes, e isto prin- cipalmente nas plantas mais novas, nas mais velhas ge- ralmente prostrados, simples ou algo ramificados em sua base, em todo o comprimento bastamente foliosos. Esti- pulas geminadas, longo-lanceoladas, e fimbrilhadas ou la- cineadas, um tanto albacentes. Folhas oppostas, na base um tanto crenuladas, sobre peciolos distinctos, mas cur- tos, de limbo geralmente oval ou elliptico, ás vezes tam- bém ob-oval e um tanto obtuso, base symetrica e um pouco cordiforme, ou também asymetrica, de 5-6 mm. de comp., por 3-4 mm. de larg., denticuladas ou inteiras, fuscas pubescentes ou glabras completamehte. Invólucros floraes em grupos de 2-4 nas axillas das folhas, pequenos 80 de 1 mm. de comp., com appendices não raro avermelha- dos e bastante deseguaes, turbinados e hirtulos e interna- mente glabros; lobos oblongo-ovaes, lacineado-fimbrilha- dos, com quatro glandulas exiguas e estipitadas, cônca- vas e transversalmente ellipsoides; appendices polymor- phos, 4-5 lobados. Estames em todo o involucro 3-5. Ova- rio pubescente; pistillo erecto e bifido, segmentos clavi- formes. Capsula pubescente de 1,5-1,8 mm. de comp., ten- do o pistillo persistente. Sementes transversalmente on- duladas e com 4-5 sulcos. Frequente em todos os Estados do Brasil e também nas regiões acima citadas. Caminhoá a dá como anthelmintica. No Brasil exis- tem mais 4-5 especies muito affins desta, taes como Euph. pilulifera, L., Euph. prostrata, Ait., Euph. serpens, H. B. K., etc. que alguns dão como «Herva andorinha» € «Caá- cambuhy», e ás quaes se attribuem virtudes hydragogas, diuréticas e drasticas, além de vulnerarias; devem possuir as mesmas propriedades contra os'vermes intestinaes, que se attribuem á especie citada e descripta. Todas estas especies são também consideradas uteis no tratamento das moléstias dos olhos. HEVEA, Aubl. (varias especies deste genero, senão to- das). Bibliographia: Eichleb, Fl. Br. de Martins, vol. XI, II, pag. 722. Arvores grandes, com latex abundante, que é ex- trahido por meio de incisões e depois defumado sobre fogueiras de cocos de Attalea ou coagulado pela mistura de Alúmen e exportado sob o nome de «Seringa» ou «Borracha». Folhas alternas, bi-estipuladas, longo-peciola- das e digitato-tri-folioladas, bastante abundantes, princi- palmente nos extremos dos raminhos; peciolo commum na parte superior, perto do apice glanduligero; peciolos dos foliolos curtos e despidos; foliolos quasi sempre tão longos quanto o peciolo commum, de fórma oblongo-elli- ptica ou ob-oval, penninervuladas e ventiladas, inteiras. Inflorescencias bisexuaes, terminaes ou axillares, paniculi- formes, floribundas; eixos primários e também algumas vezes os secundários terminados com uma flor feminina, e no restante ostentando flores masculinas em mui maior numero, estas pequenas e breve-pedicelladas, tomentulo- 81 sas ou puberulas; bracteas uni-flores, pequenas. Cálice em ambos os sexos inteiro na base e depois penta-par- tido. Petalos nullos. Antheras em columna central, qua- si sesseis, extrorso-bi-rimosas, emarginadas. Ovário tri- locular, com loculos uni-ovulados. Estigmas tres, sesseis ou formando pequena columna. Fructo capsular, endo- carpo lenhoso, côcos bivalvos e monospermos. Semente carunculada e geralmente maculada de vermelho ou cas- tanho. Vulgarmente conhecida por «Seringueira». O latex fresco misturado com o oleo de ricino é, segundo Eich- ler, empregado como anthelmintico pelos indios do Ama- zonas e Pará. A distribuição das Heveas limita-se á parte septen- trional da America Meridional, comprehendendo todo o vale do rio Amazonas e rio Orenoco e as cabeceiras do rio Paraguay em Matto-Grosso. Elias têm sido também introduzidas nas índias e em Java. HURA CREPITANS, L. Bibliographia: Eichler, ob. cit., pag. 724. - Pax, ob. cit., pag. 102. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2345. Arvore americana, mas hoje, devido as suas fôrmas bellas, cultivada como arvore de ornamento em quasi to- dos os paizes tropicaes e sub-tropicaes do globo; geral- mente bastante alta e muito copada, com os ramos mais ou menos patentes e bem longos. Folhas alternas, bi-es- tipuladas, longo-pecioladas, limbo de âmbito largo-oval, de margens dentadas, de 6-15 cm. de comp., por quasi egual larg., na base ás vezes um tanto retuso e então quasi cordado, na face superior glabro e na dorsal so- bre as nervuras e venulos pallido-ferrugineo-piloso. Flo- res monoicas, as masculinas em espigas, quasi envolvi- das pelas bracteas, com que se acham um tanto concres- cidas; espigas de até 6 cm. de comp., por quasi 2 cm. de diâmetro; flores femininas solitárias nas axillas das ultimas folhas, pedicelladas e com pistillo agigantado, dis- ciforme, dilatado em estigma pluri-lobado e de segmen- tos recurvados em numero egual aos loculos do ovário; este multi-locular e loculos uni-ovulados (quasi sempre com 10-20 lojas). Fructo capsular, depresso e multi-cos- tado e sulcado; côcos compressos e sementes também compressas. Com grande numero de variedades e fôrmas. 82 Hevea discolor, Muell. Arg. (Seg. Fl. Br. de Mart.) 83 Hura crepitans, L. « Assacú » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 84 Vulgarmente conhecida por «Assacú». Os allemães a conhecem também por «Sandbúchsenbaum» e os ingle- zes por «Sandbox-tree», devido ás capsulas que eram em- pregadas como caixas para areia, uso a que muito se prestam, por terem no vertice varias aberturas muito es- treitas que permittem a sahida lenta e consequente pe- neiragem da areia. Eichler diz que o sueco da arvore é anthelmintico; que a semente acre, fortemente purgativa, póde causar a morte aos incautos e que as folhas trituradas, são em- pregadas para curar rheumatismo. JATROPHA CURCAS, L. Bibliographia: Joannes Mueller, argoviensis, Fl. Br. de Martius, vol. XII, II, pag. 487, descripção e tab. LXVIII. - Alb. J. de Sampaio, Almanak da Chacaras e Quintaes de 1916, pag. 276. Arbusto grande ou arvore pequena de crescimento rápido, com tronco de até cinco metros de alt. e 20 cm. de diâmetro, muito lactifero. Folhas de limbo menor que o peciolo, este de até 18 cm. de comp. e aquelle de 6-15 cm. de comp., por egual largura, de âmbito oval- orbicular e geralmente tri-lobado ou inteiro, base cor- dada, na face superior esparsamente puberulo-leproso e no dorso sobre as nervuras bastamente tomentuloso acin- zentado, mais tarde glabro em ambas as faces; os lo- bos do mesmo triangulares, agudos, menores que a par- te não dividida. Cymos floraes mais curtos que as fo- lhas, corymbiformes e multi-floros. Bracteas relativamen- te grandes, lanceoladas, de 4-8 mm. de comp., e como os pedicellos pubescentes. Cálice masculino de 3,5 mm. de comp. de segmentos ovaes obtusos e caducos com os petalos; feminino, tres vezes mais longo, augmenta- do com o desenvolvimento do ovário e com os petalos persistentes sob o fructo, os segmentos deste lanceolado- acuminados e petalos lanceo-ellipticos, internamente lanu- losos e duas vezes mais longos que o cálice masculino; es- te ultimo, em ambos os sexos, exteriormente pubescente ou esparsamente puberulo. Glandulas do disco em am- bos os sexos livres e truncadas, glabras. Antheras de 2,5 mm. de comp., extrorsas, apice agudo, glabras; fila- mentos estaminaes da serie exterior quasi livres e os da serie interna concrescidos em sua base. Ovário gla- 85 Jatropha curcas, L. «Pinhão de Purga» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 86 bro, no apice coroado pelo estigma tri-partido com se- gmentos bi-lobados, circumdado por estames rudimenta- res e pelas glandulas, tri-lobado e cada loja com um ovu- lo. Fructo capsular de 2,5-4 cm. de comp., por 2-2,5 cm. de diâmetro, quasi roliço e entre os carpides ligeiramen- te sulcado, base e apice agudos, endocarpo rijo e duro, mesocarpo carnoso e filiforme irradiado e epicarpo car- noso, semeado de pequenas elevações punctiformes. Se- mentes de 2 cm. de comp., por 11 mm. de larg. e 9 mm. de espessura, oblongo-ellipsoides, pallidas, bastamente es- triada de linhas negras e salientes, reticuladas. As sementes são, segundo vários autores, fortemente drasticas e emeticas. O oleo extrahido das mesmas é muito purgativo, e Sampaio diz que é parasiticida. As primeiras eram conhecidas por «Ricini majoris», «Ficus infernalis» e «Nuces catharticae americanae» e o oleo era vendido nas pharmacias como «Oleum Ricini majori» ou «Oleum infernale officinale». Entre nós esta planta é mais commumente conhe- cida pelos nomes de «Pinheiro do inferno», «Pinhão do Paraguay», «Pinhão de purga» e «Figo do Inferno». Têm- se dado vários casos de envenenamento pela ingestão das sementes que, por serem oleosas, provocam a cobiça de creanças e mesmo de adultos. JATROPHA MULTIFIDA, L. Bibliographia: Joannes Mueller, argoviensis, ob. cit., pag. 495 e est. n.o LXIX, I. - Alb. Sampaio, ob. cit., pag. 276. Arbusto até arvore pequena de 2-6 m. de alt., de ramos espessos, no apice bastamente foliosos. Folhas lon- go-pecioladas, de limbo palmatiforme nervulado, na base inteiro e depois partido em 10-12 segmentos mais ou me- nos attenuados em sua base e no apice e parte superior profundamente lobulados, penni-nervulados, de 12-15 cm. de comp. Peciolo tão longo quanto o limbo, junto á base no lado superior existe uma estipula pluripartida, de segmentos capillaceos, de 1-2 cm. de comp. Cymos flo- raes longo-pedunculados, corymbiformes, multifloros, de 2-4 cm. de diâmetro; pedunculo tão longo ou mais que os peciolos. Bracteas de 1,5-2,5 mm. de comp., triangulo-ovaes e agudas. Pedicellos articulados em seu apice. Flores coccineas. Segmentos do cálice inferiormen- 87 Jatropha multifida, L. « Flôr de coral» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 88 te concrescidos até quasi ao meio, ovo-obtusados, quasi inteiros e não setulosos, e, como os petalos, glabros; os petalos das flores masculinas de 4-5 mm. de comp. e os das femininas de 7 mm. de comp. Glandulas das flo- res masculinas concrescidas em disco mais ou menos tri- partido. Filamentos estaminaes livres acima do meio; an- theras quatro vezes mais longas que largas, quasi base- fixas e quasi tão longas quanto os filamentos. Ovário tri- gono, glabro e capsula globoso-pyriforme de quasi 3 cm. de comp. Vulgarmente conhecida por «Flôr de coral». A sei- va que dos ferimentos exsuda é, segundo Mueller, em- pregada como vulnerário. Eichler affirma que as semen- tes são purgativas, e Sampaio diz que o oleo extrahido das sementes é parasiticida. Dispersa por quasi toda a America tropical e bas- tante cultivada, frequente nós logares mais áridos do Rio de Janeiro, etc. PETALOSTIGMA QUADRILOCULARE, F. von Múller. Bibliographia: F. von MUller, in Hook Kew. Jour- nal, IX, pag. 17 (1857). - Pax, ob. cit., pag. 26. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 141. Distribuição geographica: Australia. Fructos vermicidas, segundo Greshoff. A familia das Euphorbiaceas encerra grande numero de especies muito venenosas; algumas delias, principal- mente dos generos Hippomanes, Hura, Excoecaria, Toxi- codendron, Ophthalmoblapton, etc., pódem mesmo ser con- sideradas as mais toxicas do reino vegetal e são empre- gadas para envenenar flechas e matar animaes damni- nhos. A Manihot utilíssima, Pohl., que segundo Pax, Das Pflanzenreich, fase. 44, pag. 67-72, era durante muito tem- po separada em duas especies, a saber: a «Mandioca bra- va» ou «Mandioca amargosa» (Manihot utilíssima, Pohl.) e a «Mandioca doce» ou «Aipim» (Manihot dulcis, Parodi), contém nas raizes tuberosas da primeira destas va- riedades, uma glycoside, que na presença da agua pro- duz acido cyanhydrico capaz de causar a morte. A va- riedade dulcis contém este principio em porcentagem di- minuta, razão porque não é tão perigosa. Diz ainda o 89 mesmo autor que, pela cocção ou assadura, neutraliza- se o effeito toxico desta planta e as raizes tornam-se co- mestíveis. A verdadeira «Mandioca branca» ou ainda «Aipim», «Macaxêra», «Mandioca doce» e «Mandioca man- teiga», distingue-se da primeira citada por ter capsulas sem alas e antheras mais longas, mas o proprio Sr. Pax, confessa ser ella muito mal limitada e ao nosso ver po- derá também ser uma variedade ainda de M. utilíssima, Pohl., apezar de ser dada como M. dulcis, (J. F. Gmel.) Pax. Na medicina popular as Euphorbiaceas representam um papel importante, delias se empregando tanto as se- mentes, como a casca, o latex, as folhas -e mesmo as rai- zes, para os fins mais variados. Da nossa flora são prin- cipalmente os Phyllanthus, vulgarmente conhecidos por «Quebra pedra» ou «Herva pombinha», empregados con- tra diabete e pedras na bexiga; Croton antisyphílitiçus, Mart., «Pé de perdiz», frequente nos campos seccos, usa- do contra a syphilis; Croton campestris, St. Hil., «Velame do campo» e «Curraleira», resinoso-acre nas partes vegeta- tivas, preconizado contra inflammações syphiliticas e como diaphoretico, diurético e fortificante dos nervos. Muitas ou- tras especies deste mesmo genero são consideradas vulne- rarias, anti-febris, purgativas e anti-ophidicas. Algumas for- necem oleos medicinaes mui preconizados. Vários Julo- crotons são egualmente usados, e muito afamadas são va- rias especies de Jatrophas e Tragias; o genero Euphor- bia contém, além das especies acima descriptas, mais ou- tras usadas para diversos fins, e do genero Sapium, prin- cipalmente o S. biglandulosum, Muell. arg., vulgarmente conhecido por «Leiteira», é bastante empregado, e diz-se que o seu latex cura ou faz desapparecer as verrugas. Joamnesia príncipes, Vell., vulgo «Andauassú», «Purga dos paulistas», «Coco de purga» e «Fructa de arara», etc., é purgante muito activo, bastando uma unica semente para produzir effeito. Ophthalmoblapton macrophyllum, Fr. Al- lemão, conhecida, segundo o autor, por «Santa Luzia», contém latex cáustico, que produz erupções cutaneas e que é muito perigoso para os olhos. Euphorbia coecorum, Mart., egualmente conhecida por «Herva de Santa Luzia» ou «Herva andorinha» é, ao contrario da precedente, em- pregada para curar endurecimento da cornea. Deste ul- timo genero existem ainda outras especies que são emé- ticas, vulnerarias, diuréticas e tinguijantes para os peixes, principalmente a Eup. piscatória, Ait, que é usada para 90 este mister. Tal como, com maior frequência, entre as Ana- cardiaceas, encontram-se também entre as Euphorbiaceas, algumas especies que são conhecidas e afamadas como perigosas para o homem, mesmo ao mais leve contacto; uma destas é Hippomanes Mancinella, L., indígena na America Central até a Colombia, vulgarmente conheci- da por «Arvore da Mancenilla» que deve ser a mesma arvore dada por Alb. Padilla como «Aacla», a respei- to da qual se affirmava que, até mesmo a sua sombra, produzia urticaria e erupções cutaneas. Na industria, o papel das Euphorbiaceas não é menos importante, onde, depois das Gramineas, Leguminosas e Malvaceas, ellas occupam talvez o primeiro logar, bastando considerarmos o papel importantíssimo que desempenha a borracha na moderna industria, a qual na sua grande maioria provém das Heveas, pois comparativamente pe- quena é a porcentagem da que provém das especies de Apocynaceas e Sapotaceas. Mas não é só a borracha; são egualmente importantes os vários oleos que se ex- trahem das sementes dos Ricinus, Crotons e Jatrophas; as resinas e cêras, de outras, o sangue de drago, com emprego na fabricação de vernizes, as cascas tanniferas de Aleurites e múltiplas especies de Amanoas e Securine- gas que produzem madeira muito util e bella. D'entre as alimentícias, em nosso meio, talvez nenhu- ma desempenhe papel mais importante do que a «Man- dioca», já citada, de que se fabrica a farinha que con- stitue a base alimentar dos nossos sertanejos, principal- mente dos seringueiros e dos viajantes do interior. FLACOURTIACEAS HYDNOCARPUS ANTHELMINTICA, Pierre. Bibliographia: Warburg, Die Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. III, ó.a, pag. 21. Distribuição geographica: China. Anthelmintica. As sementes são também usadas para combater as moléstias da pelle, taes como lepra e outras. Embora bem poucas especies desta familia de plan- tas sejam reconhecidas officialmente como uteis á medici- 91 na, um grande numero é empregado empiricamente pelo povo. Neste numero estão as sementes de «Chalmo- gra», provenientes da G-ynocardia odorata, R. Br., en- contradas em todos os bazares da índia e preconizadas contra a lepra e erupções cutaneas; as sementes de vá- rios Hydnocarpus, com empregos idênticos na mesma região e as castanhas da «Sapucainha» ou do «Canu- do de pito», Carpotroche brasiliensis, Endl., que se en- contram á venda em todos os hervanarios do Brasil usadas também contra as dermatoses e a lepra, e as folhas da «Guassatonga», especies de Casearias, das quaes o curandeiro lança mão quando falham outros meios na cura de uma ferida ou erupção da pelle. De toda a con- veniência seria occupar-se alguém com o estudo des- tas plantas, afim de averiguar o que de verdadeiro exis- te e o que de proveito ha para a medicina, pois todos estes empregos são empíricos e as experiencias scienti- ficas faltam por completo. Excepção poderíamos fazer do «Oleo de Chalmogra» que, empregado contra a le- pra, já passou ao domínio scientifico e é dos medica- mentos que melhores resultados tem dado nesta doença, embora ainda sejam muito diminutos. FLORIDEAS CHONDRIA VERNULARIS, Hook, além de outras es- pecies desta familia. Bibliographia: Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 167. Pelos hollandezes, conhecida por «Wormmos»; nome este que entretanto não designa só esta especie, mas outras por Greshoff citadas como vermicidas activos, taes como a Alsidium helminthochortos, Ktz., a Rhodomenia palmata, Grev., a Hypnea musciformis, Lamour, etc. Quasi todas as Algas desta secção são mais ou me- nos cosmopolitas. (ALGAS) GENTIANACEAS DEJANIRA NERVOSA, Cham. et Schlecht. Bibliographia: Chamis. et Schlechter, in Linnaea, I (1826), pag. 196. - Progel, in Flora Brasiliensis, de 92 Martius, vol. VI, I, pag. 202. - Caminhoá, Botanica Ge- ral e Medica, pag. 2700. Distribuição geographica: Brasil. Planta erecta de 30-70 cm. de alt.; folhas oblongo- lanceoladas ou estreito-oblongadas, base sessil e ample- xicante, arredondada, palmatinervada, erecta, com 2,5-6 cm. de comp., verde-arroxeadas. Flores em cymos termi- naes, quasi capituliformes, e também agrupadas nas axil- las superiores. Cálice de segmentos lanceolados. Corolla de mais de 2 cm. de diâmetro, rosea. Pistillo filiforme, mais alto que os estames; estigmas com lóbos quasi cy- lindricos, agudos. Encontrada em Goyaz, Minas-Geraes e Matto-Grosso. Tónica amarga, anti-dyspeptica, febrífuga e vermífu- ga, segundo Caminhoá. ERYTHRAEA CHILENSIS, Pers. Bibliographia: Persoon, Syn. I, pag. 283. - Gilg, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. IV, 2, pag. 73. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 111. Distribuição geographica: Região alpina, desde o México até ao Chile. Anthelmintica, segundo Greshoff. GENTIANA LUTEA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 227 - Gilg et Kusnezow, Die Nat. Pflanz., de Engler e Prantl, vol. IV, 2, pag. 81, etc. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2699. Distribuição geographica: Logares alpinos da Asia e Europa central, até a Asia Menor. Segundo Caminhoá, conhecida, na Europa, por «Gen- ciana maior», «Quina indígena», etc. Elle affirma ainda que é excellente tonico, amargo, febrífugo e lumbricida. Aconselham-na também como anti-dyspeptico e antisepti- co; da raiz preparam pela maceração e fermentação uma bebida, que é alcoolica e amarga; além disto, ella é ads- tringente e contém grande copia de acido tannico. Delia extrae-se a «Gentianina». 93 Limnanthemum Humboldtianum, Griesb. « Soldanella d'agua» (Seg. Das Planzenleben) 94 LEIPHAIMOS APHYLLA, (Jacq.) Gilg, que corresponde a Noyria uniflora, Lamk. Bibliographia: Gilg, ob. cit., pag. 104. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2700. - Progel, ob. cit., pag. 222, com a est. n.o LXI, fig. I. Distribuição geographica: Desde as Guyanas até Paraná e Santa Catharina. Plantinha herbacea, aphylla ou com as folhas tão reduzidas que não apparecem como tafes, de cor geral- mente amarellada, vivendo como saprophyta, de 15-20 cm. de alt., simples ou ramificada proximo á sua base e no apice unifloro; bractea sub-calicina, pouco diversa das escamas que ornam o caule de distancia em distan- cia e que são oppostas e um tanto concrescidas em sua base; cálice de 5 mm. de comp., appresso ao tubo da corolla, com lóbos de 2 mm., uninervados e agudos; corolla de 2,5-4 cm. de comp., com lobos cinco a seis vezes mais curtos que o tubo, que é longo e algo amplia- do na base e proximo ao seu apice; estames largo-ova- lados, sub-carnosos, livres; ovário oblongo-lanceolar, at- tenuado em sua base. Capsula papiracea, comprimida dos lados; sementes pequenas, numerosas, setiformes e sericeo- albacentas. Frequente nas mattas mais ou menos seccas, vivendo sobre madeira em decomposição ou junto aos troncos de arvores ainda vivas onde se acumula o humus. Caminhoá dá «Genciana sem folhas», como nome vul- gar, e accrescenta que ella é tónica, febrífuga, anti-dys- peptica e vermífuga. LIMNANTHEMUM HUMBOLDTIANUM, Griesb. Bibliographia: Progel, ob. cit., pag. 243. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2700. Distribuição geographica: Brasil, Guyanas até ao Panamá. Herva pequena, rasteira, dos terrenos grandemente húmidos e alagados ou fluctuante sobre os lagos e aguas paradas, com folhas cordato-orbiculares, de 4-12 cm. de diâmetro, glabras por cima e glanduligeras no dorso; flores solitárias nas axillas das folhas; cálice com segmen- tos ovo-lanceolados; corolla alva, no centro amarellada 95 de 3-6 cm. de diâmetro, segmentos nas margens e base bastamente fimbrilhados e glanduligeros; estigma capitel- lado; disco hypogyno, superiormente piloso; sementes li- sas ou ligeiramente carenadas. Segundo Caminhoá, vulgarmente conhecida por «Sol- danella d'Agua» e com propriedades tónicas, amargas, anti-dyspepticas, febrífugas e vermífugas. O modo de vida e a fórma das folhas desta planta fazem lembrar das Nymphaeas e de algumas Pontede- riaceas. MENYANTHES TRIFOLIATA, L. Bibliographia: Gilg, ob. cit., pag. 106. - Lanes- san, Manuel d'Histoire Nat. Med., pag. 950. Distribuição geographica: Europa, Asia até ao Ja- pão, principalmente nas serras e cordilheiras; na America, na região dos Andes, até ao sul da Califórnia. Segundo Lanessan, amarga e anthelmintica. Fornece a «Folia trifolii febrini». TACHIA GUYANENSIS, Aubl. Bibliographia: Gilg, ob. cit., pag. 93. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2700. Distribuição geographica: Guyanas, Amazonas até ao Pará, etc. Arvore pequena ou arbusto de 1,5-2 m. de alt., tron- co fistuloso, ramoso desde a base; ramos decusados, pa- tentes e também fistulosos. Folhas penninervadas, cur- to-pecioladas, oblongas ou ellipticas, abruptamente acu- minadas, de 12-20 cm. de comp., por 5-8 cm. de larg., inteiras. Flores sesseis ou levemente pedicelladas, ama- rellentas, de 7 e mais cm. de comp.; cálice de 2-2,3 cm. de comp., amarellado, segmentos lineares, ovo-trian- gulares, agudos; corolla amarella, com o tubo tão longo quanto o cálice e lobos ovaes, agudos, patentes, de 13-16 mm. de comp.; estigma com laminas patentes; capsula oblongo-lanceolar, tão longa quanto o cálice. Caminhoá affirma que ella é tónica amarga, anti- dyspeptica, febrífuga e vermífuga. 96 Tachia guyanensis, Aubl. (Seg. Aubet.) As Gentianaceas são, sobretudo, ricas em substancia amarga, que se encontra nos seus rhizomas, folhas, flores e todas as partes vegetativas; substancia esta que recebeu o nome de «Gentianina» ou «Gencianina» e que se encontra quasi sempre associada com outras, taes como assucares, oleos, etc.; por isso ellas são preconizadas como altamente estomacaes, tónicas e febrífugas. A droga da Gentiana lutea, L., que acima citamos, contém 1/10 °/o de uma substancia glycosidoide amarga, a «Gentiopicri- na», e outro tanto de «Gentianina», além de 6 o/o de oleo e 8 o/o de cinzas. O rhizoma fresco desta planta fornece também um assucar, a «Gentianose». Das Èrythraeas ex- trae-se a «Erythrocentaurina», que vem geralmente de E. centaurium, Pers. Desta e de especies de Sabbatias, faz-se, na America do Norte, uso contra as febres inter- mittentes, e Gilg. affirma que ellas se mostraram tão activas para combater estas moléstias, que alli, duran- te as guerras civis, foram por algum tempo magnífi- cos succedaneos da «Quinina». 97 No nosso continente, temos ainda a Tachia guyanen- sis, Aubl., conhecida vulgarmente por «Quassia» que en- contra grande emprego na medicina popular. A «Menyanthina», extrae-se de Menyanthes trifolia, L., e tem, além das propriedades acima citadas, a qua- lidade de servir não raro para substituir o «Lupulo» na fabricação da cerveja, para o que se emprega também al- gumas vezes as especies de Limnanthemum e de Villarsia. No Brasil varias especies são preconizadas e empre- gadas como febrífugas e estomacaes. Adenolisianthus arboreus, (Spruc.) Gilg, é, conforme verificamos, usada pelos indios da Serra do Norte, em Matto-Grosso, como um componente do «Eryva», veneno este com que os selvagens envenenam as suas flechas de caça e, talvez, de guerra, cujo effeito é mais ou menos idêntico ao do «Curare», usado pelos selvagens do Amazonas. Veja-se Commissão de Linhas Telegraphicas e Estratégicas do Matto-Grosso ao Amazonas, Annexo, n.o V. Botanica, parte I, pag. 11, «Sohana» (Lisianthus virgatus), e Parte VI, pag. 75. GRAMINEAS ANDROPOGON SQUARROSUS, Linn. Bibliographia: Eduardus Hackel, Fl. Br. de Mar- tins, vol. II, 3, pag. 294. - Alb. Lõegren, Syst. Anal, de Plantas, pag. 45. Planta cespitosa de crescimento muito semelhante ao do «Capim Limão», formando como este grandes toucei- ras. Folhas estreitas quasi lineares, longas e recurvadas, envaginadas no caule. Inflorescencias amplas paniculadas, sobre pedunculo despido mais ou menos longo, de 30 cm. de comp., com 8-12 verticillos de ramos, dos quaes os inferiores têm mais de 20 raios de 7-10 cm. de comp. Esta mesma especie é por outros autores também conhecida pelo nome de Andropogon muricatus, Retz. e de Vetiveria arundinacea, Griesb. As raizes rijas e muito aromaticas são commumente vendidas em pequenos molhos ou saquinhos que ser- vem para, collocados no meio das roupas e nos armá- rios, evitar a entrada e permanência de pequenos inse- ctos. Os chás feitos das mesmas raizes têm fama de ver- mífugos. 98 E' muito provável que entre as Gramineas com raizes insecticidas aromaticas se encontrem ainda outras espe- cies com virtudes anthelminticas. GUTTIFERAS GARCINIA MANGOSTANA, L. Bibliographia: Caminhoá, Botanica Geral e Medi- ca, pag. 2549. Distribuição geographica: índia e Ceylão. Caminhoá diz: «Passa por vermífuga». HYPERICUM PERFORATUM, L., que tem por syn. H. officinale, Cr., e H. vulgare, Lam. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit, pag. 2549. - Engler, Die Bot., Pfl. de Engl. e Prantl, vol. III, 6, pags. 208-215. Distribuição geographica: America e Asia septen- trional. Segundo Caminhoá, diurética, aromatica, lumbricida, tónica, estomachica, vulneraria, anti-rheumatica e até an- ti-hydrophobica. MAMMEA AMERICANA, L. Bibliographia: Engler, Flora Brasiliensis, de Mart., vol. XII, I, pags. 396 e 474. Distribuição geographica: Toda a America tropi- cal, norte do Brasil até ao Rio de Janeiro, onde pa- rece ter sido introduzida pela cultura. Arvore bella de cópa ampla e basta, de ramos bas- tamente foliosos em sua parte superior; folhas rijas, so- bre peciolos de 1 cm. de comp., bastante grossos, e limbo oboval-oblongo de 12-13 cm. de comp. e parte superior de 5-8 cm. de larg., obtuso no apice e attenuado em sua base, nervuras lateraes numerosas e correndo parai- 99 leias, venulos insignificantes e pouco salientes. Flores mas- culinas geralmente tres em cada axilla e de alabastro floral pouco mais longo que os peciolos, pedicellos das mesmas de 1,5 cm. e alabastro propriamente dito de 1,2 cm. de comp.; petalos oblongos um pouco maiores que os sepalos, de 1,3 cm. de comp., por 1 cm. de larg.; filamentos estaminaes de 6 mm. de comp. e antheras de 2 mm.; flores femininas geralmente solitárias nas axil- las das folhas, com segmentos menores que os das mas- culinas; ovário e pistillo de 1 cm. de comp.; estigmas dilatados, duas, de 5 mm. de comp.; fructos globosos de mais de 10 cm. de diâmetro, polpa amarella deliciosa; sementes 2-4, alongadas e casca amarga. «Mammei» ou «Pecego de S. Domingos» são, além de «Aprikose von St. Domingos» e «Abricoteiro», nomes vulgares pelos quaes se conhece esta arvore. Engler diz que é arvore muito bella, natural das índias occidentaes, mas hoje cultivada em quasi toda a America tropical. Diz ainda que a pôlpa dos fructos é comida crua e tam- bém preparada de varias maneiras; como a seiva que exsuda dos ramos, ella é também usada para preparar o «Toddy», vinho de Mammea. As flores mui aromaticas são empregadas no fabrico de «Eau de Créole» e as se- mentes são anthelminticas. D'entre as Guttiferas brasileiras são dignas de men- ção, além desta especie anthelmintica, outras empregadas na medicina popular, taes como a Caraipa fasciculata, Camb., o «Tamacoari», que vive nas mattas do Ama- zonas e Guyanas e que fornece uma resina balsamica utilíssima para curar sarnas e também usada como insecti- cida; as varias especies de Hypericum, usadas como vul- nerarias e adstringentes e também contra a mordedura das cobras; Calophyllum brasiliense, Camb., fornece egual- mente resina que é empregada para emplastros. A resina gommosa de varias especies de Clusias não é sómente em- pregada como magnifico vulnerário, mas ainda como purgante. Este mesmo uso faz-se também das Garcinias, algumas das quaes são entre nós conhecidas por «Ba- cupary». Quasi todas as Guttiferas fornecem bôa madeira e do latex de algumas prepara-se uma especie de pixe que se presta para calafetar barcos e navios. E' possível que os Hypericos brasileiros sejam egual- mente lumbricidas como os citados acima. 100 HUMIRIACEAS HUMIRIA FLORIBUNDA, Mart. Bibliographia: Ig. Urban, Fl. Br. de Martins, vol. XII, pag. 438. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2511. Distribuição geographica: Parte septentrional da America Meridional, até ao Rio de Janeiro, Minas, Goyaz e Perú. N.° II - Humiria floribunda, Mart. (Seg. FL Br. de Mart.) Arvore de 3-9 m. de alt., ás vezes também arbus- tiva, com casca odorífera e balsamica; raminhos roliços, compressos ou chatos, angulosos, estriados e até um tan- to alados, graças á decurrencia das folhas, glabros ou levemente puberulos. Folhas alternas, orbiculares, ovaes ou até oval-cuneadas, ovaes ou ellipticas, raro oval ou oblongo-lanceoladas ou um tanto rhomboides, as maio- res de 2-7 cm. de larg., por 2,5 até 15 cm. de comp., ses- seis ou attenuadas em um peciolo de até 2 cm. de comp., (com alas fortemente recurvadas), ligeiramente acumina- das, obtusas ou também truncadas e mesmo emarginadas, superiormente, acima da base, destituídas de glandulas e, por baixo, com a margem inteira ou raro repando-crena- da, mais ou menos bastamente glandulo-punctuladas, gla- bras ou puberulas. Inflorescencias lateraes, raro quasi ter- minaes, de 2-8 e até 14 cm. de comp., geralmente bis bifurcadas, ramosas, constituindo cymos ou corymbos mul- tifloros, eixos glabros ou levemente pubescentes; pedún- culo alado, ancipitiforme ou compresso-anguloso, em re- gra plano por cima e convexo por baixo; ramos algo es- pessados na base e alternos ou, raro, quasi verticilíados. 101 Bracteas triangulares ou triangulo-lanceoladas, agudas, in- teiras e no apice eglandulosas ou providas de uma glân- dula, de 1,5-3 mm. de comp., persistentes; prophyllas al- ternas, mais estreitas e menores. Pedicellos de 5 a 1 mm. de comp. e pouco abaixo do cálice articulados. Cá- lice glabro ou parcamente puberulo, de 0,7-1,5 mm. de comp., levemente campanulado, com os lobos semi-orbi- culares ou algo triangulados, obtusos ou truncados, nas margens tenuemente ciliados e levemente imbricantes. Pe- talos livres e decíduos, de estivação cochlear, de 4,5-6 mm. de comp., por 1-1,5 mm. de larg., linear-lanceola- dos ou lineares, glabros ou no dorso pilosos, alvos ou alvo-esverdeados. Filamentos estaminaes, vinte didynamos concrescidos em um tubo até ao meio ou acima do meio, de 2-2,5 mm. de comp., dahi para cima um tanto atte- nuados e bastamente pilosos em suas margens, pellos papillosos unicellulares e ellipticos, tão longos quanto a largura dos filamentos, raro muito mais curtos. Anthe- ras ovaes, ou um tanto oblongadas, dorsifixas, dos fila- mentos menores um pouco mais estreitas e mais lan- ceoladas; loculos pequenos e globoso-ellipticos, amarel- los; connectivo inferiormente carnoso e attenuado para cima e um tanto verruculoso, geralmente inflexo. Cupu- la hypogyna, sub-coriacea, formada de 20 escamas mais ou menos concrescidas, de fórma linear-lanceolada. Ova- rio ob-oval ou ovoide-globoso, truncado em seu apice e, na inserção do pistillo, um tanto escavado e provido de alguns pellos, 5 raro 4-locular. Pistillo de 3-4 mm. de comp., filiforme e algo pentagonado. Drupa ob-ovoide ou um tanto oblongada ou elliptica, apiculada ou obtusa, ás vezes mais attenuada para a base, de 8-14 mm. de comp., por 5-8 mm. de diâmetro, polpa de 0,5-1 mm. de espessu- ra; endocarpo geralmente com 5 aberturas ou fendas no apice, osseo, ligeiramente 10-sulcado; sementes 2-4, solitárias nas lojas, de 3-3,5 mm. de comp., obliquo-triangu- lo-ovaes ou um tanto cónicas, testa amarella; embryão com farta albumina, carnoso e oleoso; radicula cylindrica e obtusa; cotyledones um tanto incurvados de um lado. Nome vulgar «Humiri». Caminhoá affirma ser usada na medicina popular como tenifugo. Ella conta grande numero de variedades e fôrmas, que se distinguem quasi exclusivamente pelo revestimen- to, fórma e tamanho das folhas e das drupas. Reiche, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. ill, 4, pag. 37, diz que esta planta segrega um balsamo 102 muito aromatico, idêntico ao «Balsamo do Perú» ou ao «Oleo de Copayba», que é largamente empregado na medicina popular. Provavelmente é este o que se usa contra a verminose. HUMIRIA BALSAMIFERA, Aubl. Bibliographia: Ig. Urban, ob. cit, pag. 440. - Reiche, ob. cit., pag. 37. - Caminhoâ, ob. cit., pag. 2511. Distribuição geographica: Amazonas até ás Guya- nas. N.° I - Humiria bdlsamifera, Aubl. (Seg. Fl. Br. de Mart.) Arvore de tronco de 15-20 metros de altura e 50-80 cm. de diâmetro, casca grossa, avermelhada e rimosa; lenho duro, no terço superior ramificada com ramos lon- gos e um tanto esparsos. Raminhos compressos ou an- gulosos e um tanto alados, graças á decurrencia da ner- vura central e margens do peciolo das folhas, alas obli- quas, glabras. Folhas distichas, oblongo-lanceoladas, de 3-4 cm. de larg. e 9-11 cm. de comp., na base attenuadas em peciolo concavo na parte superior; lamina decurrente em fórma de auriculos recurvos pelo peciolo e um tanto amplexicaule, ligeiramente acuminada, acumen obtuso e levemente emarginado, na parte de cima destituído de glandulas e por baixo, proximo á base, um tanto crenu- lado nas margens e entre as crenas bastamente impresso- glanduloso, na nervura central, na parte dorsal levemente piloso e mais tarde glabro. Inflorescencias muito mais curtas que as folhas, de 2,5-5 cm. de comp., corymbo-cy- mosas, com 30-50 flores, inferiormente glabras e supe- riormente ligeiramente puberulas ou hirtas, pedúnculos 103 triangularmente estriados, não espessados em sua base, pouco ramificados na parte superior; ramos 2-3, alternos ou approximados e quasi oppostos, trifurcados ou bis a ter e quater-cymosos ou ramulosos. Bracteas triangu- lar-lanceoladas, agudas, inteiras; prophylla mais curta, op- posta ou alterna, geralmente obtusa, ás vezes ascendente nos ramos. Pedicellos de 3-1 mm. de comp., a 1 mm. do cálice articulados. Alabastros floraes ovo-conicos. Cá- lice glabro, de 0,5-0,8 mm. de comp., com lobos semi- orbiculares, de 1 mm. de diâmetro, sendo os interiores a metade menores. Petalos livres, de 4,5 mm. de comp. e acima da base de 1-1,3 mm. de larg., largo-lanceolares e levemente attenuados em sua base, no dorso no meio com esparsos pellos ou completamente glabros. Filamen- tos estaminaes vinte, didynamos, concrescidos em sua base em tubo de 2 mm. de comp. e os maiores de 3,5 mm. de comp. total, na parte livre em ambas as mar- gens ornados de pellos papillosos lanceolados e deseguaes e pouco mais curtos que a largura dos filamentos. An- theras ovaes oblongadas, as menores nos filamentos mais curtos e as maiores dorsifixas pouco abaixo do meio ou quasi perto da base, e as menores e intermediárias fixas não raro muito acima deste ponto; loculos globoso- ellipticos, amarellos, ornados de linhas e pontos amarel- los e escuros; connectivo acima dos loculos espessado e no apice tenuemente linguiforme prolongado, geralmen- te obtuso e nas margens com cellulas salientes um tan- to tuberculoso. Disco cobrindo o ovário até acima do meio, composto de escamas lineares ligadas ent-re si por uma membrana e um tanto livres na parte superior. Ova- rio ob-oval-globoso, depresso e indistinctamente 20-suI- cado, base do pistillo parcamente pilosa e este de 2-2,5 mm. de comp. e um tanto pentágono. Frequente nas mattas do Amazonas e das Guyanas. Reiche, ob. cit., affirma que o lenho desta arvore segrega um liquido que, condensado, fornece aos indí- genas uma resina vermelha muito preciosa para a me- dicina. Caminhoá diz que esta é tenifuga e anti-blenor- rhagica. A utilidade medicinal desta familia de plantas se re- sume nas citadas acima; ella é pequena, compondo-se sómente de tres generos: Humiria, Saccoglottis e Nan- tanea; dois dos quaes, o primeiro e ultimo, são exclu- sivos da America Meridional, tendo a Vantanea também alguns representantes na África tropical. 104 IRIDACEAS CYPELLA COERULEA, Seubert. (ou Marica coerulea, Ker). Bibliograjdiia: Klatt, Flora Brasiliensis de Mar- tins, vol. III, I, pag. 519. - Gawl, Botanical Magaz., tab. 713. - Hook, Exot. Flora, tab. 222. - Seubert, Bot. Magaz., tab. 5612. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 1883. - Pax, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. II, 5, pag. 147. Distribuição geographica: Rio de Janeiro, Minas- Geraes e Paraná. Cypella coerulea, Seub. (Seg. Fl. Br.. de Mart.) Planta campestre de raiz fibrosa, fibras espessas. Fo- lhas ensiformes, tenuemente nervadas, glaucas, de 1-1,6 m. de alt. e cerca de 2,5-3 cm. de larg., base invaginante. 105 Hastes floraes simples, mais longas que as flores, anci- piteforme aladas, no apice bibracteadas, de até 1,5-2 m. de alt. e tão largas quanto as folhas. Bracteas exterio- res de 12 cm. de comp., interiores a metade mais curtas, fortemente imbricadas, incluindo fascículos de 2-4 flo- res; espathas 2-3-floros, curvadas, sobre pedúnculos ala- dos de 5-10 cm. de comp. e ao todo de 6 cm. de comp. Pedicellos tão longos quanto as bracteas da espatha. Pe- rigono de segmentos exteriores largo ovalados, cuspida- dos, cerúleos, com as margens revolvidas e disco bar- bado com linhas e maculas fuscas transversaes, de 7-8 cm. de comp. e 3 cm. de larg.; interiores quasi urceo- lados, ob-ovaes-oblongados, mais curtos e concavos, côm lamina cerulea-venulosa e unguiculo alaranjado e faciado, na pagina superior pubescentes, de 2,5 cm. de comp. Antheras lineares de 6 mm. de comp. Filamentos inse- ridos na base dos segmentos do perigono, finos e de 3-5 mm. de comp. Pistillo alongado com o estigma de 2 cm. de comp., este tripartido e cada segmento com dois dentes mais longos e finos ascendentes e dois re- curvados mais curtos. Ovário oblongo-prismatico de 5-7 mm. de comp. Capsula coriacea de 3-3,5 cm. de comp., um tanto attenuada para a base e no apice truncada e longitudinalmente sulcada. Dada como anti-verminosa por Caminhoá. Entre outras plantas uteis das Iridaceas, conta-se o Crocus sativus, L., o «Açafrão», anteriormente tido como officinal; Tigriclia pavonia, (L.) Ker., que fornece uma cebola empregada como febrífuga; Lansbergia cathartica, Klat., de que provém o «Ruibarbo do campo»; Lansb. pur.gans, Klatt. e Lansb. caracasana. De V., .conhecidas por «Ruibarbo da matta», cujos rhizomas são preconiza- dos como purgativos e, como os da Lansbergia juncifolia, Klatt., o «Junquilho do campo», são de quando em vez empregados na medicina popular. JUGLANDACEAS JUGLANS REGIA, L. Bibliographia: Engler, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. III, 1, pag. 24. - Willkomm-Kohne, 106 Juglans regia, L. (Nogueira) (Seg. Das Pflanzenleben) 107 Bilder-Atlas des Pflanzenreichs, pag. 69 e tab. 41, fig. n.o 1. - Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Médicale, vol. I, pag. 1002. Distribuição geographica: Europa Meridional até ao Himalaya e Japão. Cultivada, além disto, em vários paizes do mundo, devido aos seus fructos ou nozes e ao seu bello lenho, sendo vulgarmente conhecida por «No- gueira». Lanessan affirma que o extracto da casca dos fructos verdes é purgativo e anthelmintico. As Juglandaceas são originarias, em maior parte, da Asia, Europa e Oceania; algumas, e especialmente as Ca- ryas, apparecem também na America do Norte, mas ne- nhuma é indigena da America do Sul. A especie que foi citada é, entretanto, também cultivada no Brasil. Todas as especies desta familia de plantas caracteri- zam-se pelas substancias amargas e pelo tannino que pos- suem; as sementes de todas ellas são ricas em oleos, e a madeira da grande maioria é apreciada na marcena- ria. Comestíveis são, além dos fructos da Nogueira, as sementes de varias Caryas, taes como C. alba, Nutt., C. sulcata, Nutt. e C. olivaeformis, Nutt., que, na America do Norte, são conhecidas por sementes ou nozes de «Hickory», menos apreciados são alli os fructos, bastante menores, de C. tomentosa, Nutt., que conhecem por «Mo- cker-nuts». Engler affirma ainda que, dos fructos de Ju- glans, preparam-se conservas, que são apreciadíssimas. As folhas de Carya porcina, Nutt., são, na medicina popu- lar, empregadas como purgativas e, externamente, indi- cadas contra moléstias da pelle. LABIATAS BALLOTA NIGRA, L. (que é egual a B. vulgaris, H. et Link, B. foetida, Lamk. e var. outras). Bibliographia: Briquet, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. IV, 3.a, pag. 258. - Caminhoá, Bota- nica Geral e Medica, pag. 2813. Distribuição geographica: Europa, África do nor- te e no Oriente até ao norte da Pérsia. 108 Caminhoá diz que os francezes conhecem esta plan- ta por «Ballota negra», «Maroio fétido», ou «Marrubium» e accrescenta que ella é estimulante, antispasmodica, hydra- goga e vermífuga; usam-se as summidades floridas. O ultimo nome vulgar dado, corresponde, segundo Lanes- san, a varias especies de Marrubim, outro genero de Labiatas, mas não a Ballota; de Marrubium album, elle affirma que é fortemente amarga e tannifera. GLECOMA HEDERACEA, L. Bibliographia: Briquet, ob. cit., pag. 238. - Ca- MINHOÁ, ob. cit., pag. 2813. Distribuição geographica: Europa e partes septen- trionaes da Asia: desde a Islandia até ao Japão e intro- duzida e já selvagem na America. Caminhoá diz que o nome vulgar desta planta é «Hera terrestre», mas ainda conhecida por «Herva de S. João», «Rondelette», «Rondelle» ou «Chá da Suissa». O sueco da planta, diz elle, é medicinal e empregado como excitante aromatico, lumbricida e amargo-adstringente. La- nessan escreve «Lierre terrestre» com a indicação de car- minativa e emmenagoga. MENTHA PIPERTTA, L. var. officinalis, Sole. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 576. - Briquet, ob. cit., pag. 323. - Lanessan, ob. cit., pag. 925. Distribuição geographica: Sul da Europa, norte da África e Asia. Muito cultivada em todos os paizes do mundo. «Hortelã-pimenta» entre nós ou «Menthe poivrée» dos francezes e, segundo Lanessan, empregada como estimu- lante e antispasmodico. Ella fornece a «Agua de Men- tha» ou «Oleum Menthae piperitae», cujo peso especi- fico oscilla entre 0,84-0,92, de cheiro agradavel muito activo e sabor ligeiramente picante, que produz uma sen- sação de frescura na bocca ao aspirar-se o ar. Resfrian- do-se o oleo até 4.o, formam-se nelle pequenos crystaes hexagonaes e incolores de «Menthol» (C10 H19 OH). Es- tes crystaes camphoroides fervem a 212o e possuem o mesmo aroma do oleo commum. A porcentagem de «Men- 109 thol» nos oleos fornecidos pelas Menthas é muito va- riável. Este corpo puro encontra-se nos mercados sob os nomes de «Oleo Japonez» ou «Oleo Chinez de Hor- telã-pimenta». No Brasil são vários os empregos dados .a esta plan- ta na medicina popular; temos visto empregal-a contra as dores estomacaes das creanças, nos casos de constipa- ções e ainda contra os vermes intestinaes. Alguns af- firmam que misturada com o «Poejo», Mentha pulegium, L., de que nos iremos occupar agora, se torna mais acti- va como vermífuga. MENTHA PULEGIUM, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 577. - Bri- quet, ob. cit., pag. 318. - Lanessan, ob. cit., pag. 926. Distribuição geographica: Europa, Asia e África boreal. Vulgarmente «Puejo», «Poejo» e «Pouliot» dos fran- cezes. Segundo Briquet, esta planta é a productora do «Oleum Pulegii», liquido este cuja formula é (C1() H16 O), ferve de 183o-188o C., tendo o peso especifico de 0,927. Na Algeria, Espanha e sul da França é cultivada em lar- ga escala, onde também são aproveitados para a dis- tillação do oleo os exemplares sylvestres. Também na Rússia já começaram a cultival-a em maior escala. Na America, onde está tão propagada, que já se acha em estado selvagem, segundo o autor citado, não dá oleo tão bom quanto na África e Europa, o que talvez seja antes attribuivel á escolha das partes que se distillam, do que ao clima. Lanessan affirma que ella é carminativa e antispasmodica, propriedades estas que também se en- contram em outras especies deste mesmo genero. No Brasil temos visto empregal-a como vermífuga e também em chás para as dores estomacaes nas creanças. Vide nota precedente. MENTHA SATIVA, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., ed. II, pag. 805. - Briquet, ob. cit., pag. 323. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2815. Distribuição geographica: Europa. 110 Caminhoá dá «Hortelã commum» como nome vulgar e accrescenta ser boa para temperar a comida e ter propriedades tónicas, aromaticas, excitantes, estomachicas e carminativas, sendo ainda considerada tenifuga. MENTHA VIRIDIS, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit, ed. II, pag. 804. - Briquet, ob. cit., pag. 321. - Caminhoá, ob. cit, pag. 2821. Distribuição geographica: Europa, Asia e África Boreal. Fornece o «Oleum Mentha-e viridis» e é aromatica, carminativa, além de vermífuga. THYMUS VULGARIS, L. Bibliographia: Lanessan, ob. cit., pag. 932. - Bri- quet, ob. cit., pag. 313. Distribuição geographica: Europa austral e Asia boreal. Segundo Briquet, esta planta possue um cheiro ca- racteristico muito activo e tem sabor aromatico-picante, razão pela qual se cultiva também para condimento culi- nário. E' cultivada em maior escala no sul da França, onde se extrae o oleo ethereo, pela distillação, da plan- ta inteira. Este oleo é castanho ou castanho-avermelhado, tornando-se, porém, incolor e menos cheiroso com a re- distillação. Nos mercados são encontrados, os dois oleos, o cas- tanho ou vermelho e o branco ou incolor. O oleo de thymol separa-se pela distillação fraccionada em duas par- tes. A primeira ferve entre 178o-18Qo e se compõe de uma mistura de «Cymo» (C10 H14) e «Thy.mo» (C10 H16). A segunda é o «Thymol» (C10 H14), um corpo affin do «Phenol». O «Thymol» forma grandes crystaes do sys- tema hexagonal, que fundem a 44° e fervem a 230o; póde ser extrahido facilmente do oleo impuro ou bruto por meio de alcalis cáusticos (soda), nos quaes é solúvel. O «Thymol» é considerado como um dos corpos mais acti- vos e energicos, muito util, especialmente na veteriná- ria. O «Thymol» foi, sob o nome de «Acido Thymia- nico», proposto como antiseptico e succedaneo do «Aci- do Phenico», nos casos em que esta ultima substancia 111 não pudesse ser empregada devido ao seu cheiro des- agradável ou á sua toxidez. Segundo as autoridades mais competentes da therapeutica moderna, esta é, das substan- cias chimicas estudadas, a mais energica para comba- ter os Ascaris lumbricoides, Ancylostomum duodenale, Ne- cator americanus, etc. As Labiatas são plantas que se caracterizam pelas substancias ethereas aromaticas que encerram, que as tor- nam uteis á industria de perfumarias e á medicina. Pou- cas são, no emtanto, as especies que, para a medicina e industria, merecem maior attenção que as varias especies de Mentha, Thymus, Lavandula, Stachys, Solvia, Melissa, Satureia, Hyssopus, Manjorana, e algumas outras. Das Menthas, a M. piperita, L., é talvez a que mais attenção tem merecido; a respeito delia, Briquet escreve: «A «Hortelã-pimenta» já era cultivada pelos antigos egy- pcios e o é ainda hoje na Europa, America do Norte e Asia, e, em menor escala, em quasi todos os paizes do mundo, principalmente na Australia e America do Sul, onde já se tornou selvagem em vários logares. As maio- res ou mais antigas culturas desta planta encontram-se na Inglaterra, nos arredores de Mitcham (Surrey), em Lincolnshire, em Cambriggeshire e em Hertfordshire. Mas estas areas cultivadas com a Mentha piperita, L., diminuí- ram grandemente nos últimos cincoenta annos. Em geral colhe-se, na Inglaterra, 8-12 libras de oleo por acre. Gran- des culturas encontram-se na França, nos arredores de Sens, no departamento de Yonne, na Saxonia e na Thu- ringia. As maiores parecem entretanto ser as america- nas, dos Estados de Michigan, New-York e Ohio. Em Michigan foi introduzida ha apenas 70 annos, e, segun- do Flúckiger, occupava em 1878, uma area de 2000 acres. Actualmente as afamadas culturas de Wayne County oc- cupam uma area de 3323 acres, pertencentes a vários proprietários. Os commissarios que compram o oleo pro- curam monopolizar as colheitas totaes daquelles fazen- deiros que melhor tratam as culturas da Mentha piperita, L., pois que conservar limpa de outras hervas uma vas- ta cultura desta planta requer grande esforço. Na Eu- ropa desenvolvem-se de permeio, algumas vezes, outras especies de Mentha, principalmente a M. arvensis, o que muito contribue para depreciar o oleo. Na America ou- tras plantas de generos diversos como Erigeron canaden- sis e Erechites hieracifolia, crescem conjunctamente, cau- 112 sando enormes prejuízos ás plantações da Mentha pipe- rita, L. Muito se desenvolveram, nos últimos annos, as culturas desta planta no Japão, que exportou, em 1889, de Janeiro a Agosto, nada menos de 630 caixas, conten- do 18.000 kilogrammos de oleo e crystaes de Menthol. Uma parte deste total é, porém, obtida da Mentha arven- sis, L., que os japonezes estão cultivando também em larga escala, tendo ainda a vantagem de fazerem dois cortes da planta por anno, quando na Europa só conse- guem fazer um. Para distillar, corta-se a planta com o alfange e deixa-se ficar no campo até seccar um pouco. Na Inglaterra usam-se alambiques muito grandes, que pódem conter de 1000-2000 galões, sendo aquecidos com carvão mineral. Na França estes alambiques são de ca- pacidade de 250-300 litros. A temperatura, para distillar, não póde ser muito elevada. A agua que em fórma de vapor passa para o condensador conjunctamente com o oleo essencial, não é aproveitada, mas distribuída entre os trabalhadores, que a empregam para fins diversos. Na Inglaterra, calcula-se para cada tonelada de rama secca uma producção de 2 V2 libras de oleo essencial. Algumas especies de Stachys, são consideradas sudo- ríficas e fortificantes, e St. anatolica preconizada contra a cholera. Lavandula contem algumas especies que for- necem a «Aqua lavandulae» e preconizadas como anti- spasmodicas, além do oleo empregado na veterinária. Me- lissa officinalis, L., é desde tempos immemoriaes conhe- cida como officinal, e cultivada em grande escala no sul da França, onde a distinguem por «Citronelle», graças ao cheiro caracteristico que faz lembrar o do limão. A infusão das folhas é tomada em chás, como antispasmo- dico, contra catarrhos chronicos, debilidade do estôma- go, etc. Fornece a «Eau de Mélisse des Carmes». Al- gumas especies de Saturcia, empregadas como tonicos e fortificantes para o estomago, são de aroma e sabor muito agradavel e por isto preferidas a outras drogas. Para o estomago e peito usa-se também Hyssopus of- ficinalis, L. Os oleos e essencias das Manjoranas são egualmente muito preconizadas como antispasmodicos e tonificantes. No Brasil empregam-se algumas especies de Hyptis contra algumas moléstias do estomago e do peito e ain- da como tonicos. 113 LAURACEAS LINDERA BENZOIN, Meissn. Bibliographia: Meissner, in De Candolle, Prodro- mus XV, I, pag. 244. - Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Medicale, vol. I, pag. 625. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2061. - Pax, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 2, pag. 123. Distribuição geographica: America do Norte. Lanessan diz que a casca é estimulante e considera- da vermifuga e mesmo febrífuga, e o oleo essencial aro- mático. Caminhoá dá «Fever-wood» ou «Spice-wood» co- mo nomes vulgares e diz que é aromatica, febrífuga e vermifuga. Pax affirma que a casca é indicada contra as febres. As Lauraceas contêm oleos aromáticos e uma grande parte das mesmas fornece material condimentoso de gran- de importância para o homem, sendo outras também uti- líssimas na medicina. Isto se dá especialmente com es- pecies de Cinnamomum, Cryptocarya, Dicypellium, Lau- rus, Linderia, Litsea, Nectandra e Sassafras. O «Abacate», Persea gratíssima, Gãrtn., é, além de medicinal, um fructo muito apreciado. Teophrastes e Plinius são os primeiros que falam dos empregos e utilidades das Lauraceas (Cinnamomum) como condimento e, antes disto, já Hippocrates citava as propriedades medicinaes destas mesmas plantas.' Cin- namomum zeylanicum, Breyn, fornece o «Córtex Cinna- momi acuti»; Cinn. cassia, Bl., o «Córtex Cinnamomi Cas- siae»; «Córtex Culilawan» e «Folia Malabathri» que desempenharam papel tão importante na medicina dos povos asiaticos, são egualmente productos de especies deste genero. De Dicypellium caryophyllatum, Nees., pro- vém a «Cassia caryophyllata», arvore bastante commum no Estado do Amazonas e norte da America Meridional, onde é conhecida por «Cravo do Maranhão». Sassafras officinale, Nees., da America, desde o Canadá até Florida, possue madeira e cascas medicinaes. «Sassafras», no Bra- sil, corresponde a Ocotea pretíosa, Meisn., e especies de outros generos, que em regra têm propriedades excitan- 114 tes, antispasmodicas e peitoraes. Outras especies que ap- parecem na nossa flora, são empregadas como estoma- chicas, sudoríficas e anti-syphiliticas. Quer nos parecer que justamente as Lauraceas, são um grupo de plantas no Brasil, que deveria merecer maior attenção por parte daquelles que se occupam com a analyse chimica dos nossos vegetaes, pois indubita- velmente todas ellas encerram propriedades que poderiam ser aproveitadas para a therapeutica ou para a industria. LEGUMINOSAS (GAESALPIN10IDEAS) BAUHINIA ACUMINATA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 376. - Taubert, Die Nat. Pflanz., vol. III, 3., pag. 149. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 1892. Distribuição geographica: índia Oriental, Malaya e China. Segundo Taubert, vulgarmente conhecida por «Éba- no da Montanha» e de folhas uteis na medicina popu- lar, o que Caminhoá confirma, accrescentando que o de- cocto da raiz é carminativo e vermífugo e as flores pur- gativas. E' preciso não confundir com B. acuminata, Vell., que é outra especie commum no Brasil, identificada como B. Baddiana, Bong. Parece provável que as especies affins, tão communs aqui no Brasil, possuam virtudes idênticas, como já se verificou no caso das Hymenaeas, genero affin das Bau- hinias. BAUHINIA VARIEGATA, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit, pag. 375. - M. Qreshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 67. - Caminhoá, ob. cit., pag. 1892. Distribuição geographica: China e Burman. Raizes, segundo Qreshoff, anthelminticas. Caminhoá diz que a flor passa por laxativa e a raiz por vermifuga. 115 HYMENAEA COURBARIL, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 1192. - Ben- tham, ob. cit., pag. 235. - Taubert, ob. cit., pag. 135. - Greshoef, ob. cit., pag. 67. Arvore de 10-20 metros de altura, de ramos patu- los, copa ampla e folhas glabras, bifolioladas; foliolos glabros, ovo-oblongados e algum tanto falcados, acumi- nados, breve-peciolados, na base asymetricos, de 8-10 cm. de comp. Peciolo commum de 1,3-1,5 cm. de comp. Estipulas lineares, membranaceas, de 2-3 cm. de comp. caducas antes do completo desenvolvimento das folhas. Inflorescencias cymosas, terminaes, floribundas, pedicel- los espessos e, como o pedunculo e cálice, basto-tomento- sos, avermelhados. Bracteas e bracteolas ovaes, coria- ceas e caducissimas. Cálice de tubo largo campanulado, espesso e de 3-4 mm. de comp.; segmentos do limbo ovaes, obtusos, coriaceos e completamente tomentosos, de cerca de 12 mm. de comp. Petalos pouco maiores que o cálice. Ovário estipitado, glabro. Legume espesso, comprimido e a metade mais longo que largo ou seja de 6-9 cm. de comp., por 4,5-5 cm. de larg., lenhoso, mais comprimido que nas demais especies, sutura supe- rior larga e espessada. Esta especie, vulgarmente conhecida por «Jatobá», é mais frequente no norte do Brasil, isto é, do Mara- nhão para cima, estendendo-se até á Colombia, Venezue- la e Antilhas. Os nomes «Lokustbaum», «Quapinole», «Ju- tahy», «Jatahy» e «Jatobá», extendem-se a todas as es- pecies. No sul do Brasil é commum a Hymenaea stilbo- carpa, Hayne, de S. Paulo, Minas e Matto-Grosso, até Santa Catharina; Hym. stigonocarpa, Mart., destes Esta- dos para o norte até Piauhy e Hym. Martiana, Hayne, no interior até á Bahia, Piauhy e Santa Catharina. As propriedades anthelminticas são contidas, segun- do Greshoff, nas cascas do tronco e nas folhas, deven- do ser communs a todas as especies. HYMENAEA VERRUCOSA, Gaert. (Melhor, Trachylo- bium verrucosum, Oliver). Bibliographia: Lanessan, Manuel d'Histoire Nat Medicale, vol. I, pag. 552. - Bentham, Fl. Br. de Mart., vol. XV, II, pag. 235, etc. - Taubert, Die Natúrliche Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. III, 3, pag. 135, 116 Hymenaea stigonocarpa, Mart. «Jatobá do Campo» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 117 (onde entretanto não se acha esta especie, mas a descri- pção do genero Hymenaea). Distribuição geographica: Ilhas Mascarenhas. As especies de Trachylobium são da África, ao passo que as Hymenaeas são quasi todas sul-americanas. No Bra- sil são communs seis especies, que fornecem resina «Co- pal». Esta resina que exsuda naturalmente das fendas que se formam, pelo demaziado accesso de seiva, no lenho e casca da arvore, deposita-se e crystaliza-se no sólo, mesmo depois de já desapparecida a arvore, ella é encontrada em blocos de alguns kilogrammas de peso. Os indios a aproveitam para vários fins domésticos e medicinaes e no fabrico dos tembetás com que ornam os lábios e o lobulo das orelhas. As propriedades car- minativas, purgativas e anthelminticas encerradas na cas- ca e nos fructos parecem ser communs a todas as espe- cies destes dois generos. (MIMOSOIDEAS) ACACIA ANTHELMINTICA, R. Br. Bibliographia: Lanessan, ob. cit., pag. 541. - Gres- hoff, ob. cit., pag. 71. - Caminhoá, ob. cit., pag. 1993. Distribuição geographica: Abyssinia. E' egual á Albizzia anthelmintica, A. Br. Lanessan diz que a casca, conhecida por «Casca de Moucena», «Mussena» ou «Abussena», etc., é um magni- fico anthelmintico. Encerra uma substancia - a «Musse- nina», - analoga á «Saponina». Greshoff diz conter Sa- ponina e ser tenifuga. Caminhoá affirma que delia pro- vém o «Kusso»? que elle também dá como provindo de Hagenia abyssinica, Willd (Rosaceae) que é egual á Braye- ra anthelmintica, Kunth. (PAPILIONACEAS) ANDIRA ANTHELMINTICA, Benth. e quasi todas as especies deste genero, taes como: And. fraxinifolia, Benth., And. vermífuga, Mart., And. stipulacea, Benth., etc. Bibliographia: Bentham, ob. cit, pag. 292. - La- nessan, ob. cit., pag. 608. - Taubert, ob. cit., pag. 346. 118 Andira anthelmintica, Bth. (Seg. Fl. Br. de Mart.) 119 - M. Greshoff, ob. cit, pag. 64, onde são citadas as primeira e a terceira. - Caminhoá, Elementos de Bo- tânica (1877), pags. 1330 e 1971. - Dias da Rocha, Botanica Medica Cearense, pag. 21. As Andiras são, na sua grande maioria, arvores cam- pestres ou dos cerradões, de crescimento variavel, flo- rindo desde alguns metros de altura e desenvolvendo-se ás vezes em arvores muito altas e bellas. As flores são sempre muito abundantes e aggregadas em bastos pa- niculos de alguns decimetros de comp. e diâmetro; o cá- lice é largo e campanulado e ostenta cinco pequenos dentes; os petalos geralmente roseos até arroxeados va- riam de comprimento, o vexillo é orbicular-alongado e emarginado no apice, destituído de auriculos e pregas na base onde se acha attenuado abruptamente em um unguiculo; as alas são erectas, oblongadas, reticuladas, na base obliquamente auriculadas e quasi tão longas quan- to o vexillo; os petalos que formam a carina são quasi eguaes ás alas, livres e imbricados no dorso; os estames em numero de dez, têm o vexillar livre ou raro são completamente unidos e fendidos apenas na parte supe- rior; as antheras são versáteis e os loculos se fendem longitudinalmente; o ovário é estipitado e obliquo-ob- longo, contem quasi sempre 4 ovulos, raro sómente dois; o pistillo é curto e incurvado, terminado por estigma pequeno; os legumes depois de maduros são drupaceos, ovoides, ás vezes um pouco compressos e contêm em regra 1, raro 2 sementes grandes. As folhas são alter- nas, pinnadas, os foliolos oppostos ou algo alternados com o impar distante, peciolados, adultos mais ou me- nos coriaceos, em regra bem grandes e em numero de 9-18 em cada folha. Os nomes vulgares por que ellas se distinguem, são: «Angelim côco» ou «Urarema», And. stipulacea, Benth., «Angelim de folha larga», And. anthelmintica, Benth., «Angelim doce», And. fraxinifolia, Benth., e as demais só por «Angelim». A respeito diz Dias da Rocha: «Vermifugo energico e toxico em dose elevada, produzindo vomitos, delirio e accidentes graves. A amêndoa torrada ou passada pelo calor do fogo, é empregada em purgantes contra os ver- mes intestinaes, com bom resultado», etc. A' grande maioria destas, attribuem-se propriedades anthelminticas. As partes usadas são as sementes e a casca dos troncos e galhos. 120 Andira inermis, H. B. K. « Angelim » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 121 A Andira inermis, H. B. K. e And. vermífuga, Mart., distinguem-se das And. anthelmintica, Benth., And. fra- xinifolía, Benth. e And. stipulacea, Benth., por terem o ovário glabro ou apenas ligeiramente ciliado em suas margens, quando nestas ultimas é geralmente pubescen- te ou villoso. Segundo Greshoff, a Andira retusa, H. B. K., e a And. inermis, H. B. K., fornecem a casca anthelmintica, conhecida por «Córtex Geoffroyae», nome este que tam- bém se dá ás provenientes da Geoffraea spinosa e G. su- perba, descriptas mais em baixo. As Andiras são bastante communs tanto nos cam- pos do interior, como nos arredores de S. Paulo. Não faltam também nas mattas, onde algumas ha que for- necem madeira aproveitável. Uma das especies mais fre- quentes nos arredores de Butantan é a And. anthelmin- tica, Benth., conhecida por «Páo de Morcego». Cami- nhoá affirma que as sementes do «Angelim Côco» ou «Urarema» (Andira stipulacea, Benth.), são as mais acti- vas, ob. cit., pag. 1330, e na pag. 1971 accrescenta que todas as Andiras têm sementes vermífugas. GEOFFRAEA SPINOSA, L. Bibliographia: Taubert, ob. cit., pag. 347. - Ben- tham, ob. cit., pag. 300, sob nota. Distribuição geographica: Nova Granada. Segundo Taubert, os fructos desta e os da Geoff. 'superba, H. B. K., são comestíveis e anthelminticos. GEOFFRAEA SUPERBA, H. B. K. Bibliographia: Taubert, ob. cit., pag. 347. - Ben- tham, ob. cit., pag. 300 e M. Greshoff, ob. cit., pag. 64. Arvore inerme, geralmente pequena, de 3-6 metros de alt., raro muito grande e excelsa. Ramulos mais no- vos ligeiramente tomentosos e mais tarde glabros e de casca acinzentada. Estipulas obtusas, caducas. Folhas pin- nadas, alternas. Foliolos impares de 13-25 em cada fo- lha, de fórma ob-oval-alongada, obtusos ou retusos, pilo- sos ou glabros, de 2-2,2 cm. de comp., por 3-6 mm. de largura, raro maiores, apice arredondado e base abai- xo do meio estreitada, obtusa, com peciolo de 1-2 mm. de comp., nervuras bastas e parallelas. Ramos floraes 122 Geoffraea superba, H. B. K. « Mari» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 123 axillares, tomentosos, tão longos quanto as folhas; bra- cteas ovaes e membranaceas, côncavas, caducas muito antes da anthese; pedicellos esparsos de 2-3 mm. de comp.; flores de 11-12 mm. de comp., amarellas, com máo cheiro; cálice de 6-7 mm. de comp., incurvado, ex- ternamente tomentoso, base attenuada, dentes de 2 mm. de comp., os dois superiores concrescidos até perto do apice; vexillo quasi duas vezes tão longo quanto o cá- lice, glabro, lados reflexos, unha mais curta que o cá- lice; alas pouco menores que o vexillo, falcado-ob-ovaes com unguiculo longo; carina mais larga e mais curta, petalos imbricados pelo dorso; estames 10, o vexillar livre e geniculado acima da base; ovário sessil, tomen- toso, attenuado de longe (na parte superior; ovulos 4. Legume do tamanho de uma noz, drupaceo, ovoide ou quasi globoso, sarcocarpo tenro, endocarpo duro, espesso e lenhoso. Semente oblongo-ovoide, compressa. Dispersa desde a Venezuela e Perú até ao Ceará, Bahia, Pernambuco e Alagoas. Vulgarmente conhecida por «Mari» ou «Marinheiro», que naturalmente é adul- teração de «Maré», nome indígena. A citação de anthelmintica é de Taubert, que diz ainda serem os fructos desta, como os da G. spinosa, L., comestiveis depois de cozidos. INDIGOFERA ANIL, L. Bibliographia: Linneu, Mant., II, pag. 272. - Ben- tham, ob. cit., pag. 41. - Taubert, ob. cit., pag. 262. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 52. Arbusto campestre ou de terreno cultivado á beira de estradas, de 60-120 cm. de alt., de ramos e folhas ligeiramente encanescentes; folhas pinnadas, com 7-15 foliolos oblongos, oppostos, de 15-26 mm. de comp., por 5-8 mm. de larg., em logares mais áridos também meno- res e em menor numero, na pagina inferior ás vezes com esparsos pellos. Racimos floraes espiciformes, desde a base florigeros, mais curtos que as folhas de cujas axil- las emergem. Flores de 5 mm. de comp., ligeiramente vermelho-amarelladas, sobre pedicellos curtos e recurva- dos. Bracteas pequenas, setaceas. Cálice de 3 mm. de comp. campanulado, dentes largos, acuminados, tão lon- gos quanto o tubo. Vexillo oval, externamente villoso. Alas linear-oblongas, subsesseis, com a carina obtusa, pou- co mais curtas que o vexillo. Legumes muito juntos e 124 Inãigofera anil, L. ( Desenho do Sr. Fischer, seg. photogr. original) 125 abundantes em cada inflorescencia, de 1,5-2 cm. de comp., arqueados, quasi roliços sub-tetragonaes. Frequente em todas as regiões tropicaes e sub-tropi- caes do globo, algum tempo muito cultivada; sabe-se mesmo que â cultura desta planta data de mais de dois mil annos; os judeus já a cultivavam, o que se veri- fica peia lei do Mischna parte do Talmud, em que se decreta a prohibição do extermínio da planta antes de ter attingido tres annos de idade. Ella era cultivada ex- clusivamente para fabricar o índigo, para o que se pro- cedia da seguinte fórma: As plantas eram cortadas pou- co antes de florir, mergulhadas em agua e cobertas com taboas; ahi se conservavam até que toda a agua tivesse tomado uma cor verde amarellada bem intensa; então decantava-se o liquido para uma vasilha mais baixa e, por meio de uma pá ou outro instrumento, era agitado para que entrasse em contacto com o ar e se impregnasse de oxygenio; com isto elle se ia mudando em azul, e a substancia corante precipitada solidificava-se no fundo; por meio de nova decantagem e coadura do liquido, se- parava-se a matéria precipitada que é o índigo, que, depois de fundido em formas, estava prompto para ser enviado aos mercados. Esta substancia assim obtida con- tem 90 o/o de Indigotina (C16 H10 N2 O2), e, misturada com amido, fornece o anil usado pelas lavandeiras. An- tes de descoberta a Anilina, esta planta era uma das mais uteis para a tinturaria. Muitas outras especies são egualmente indigenas no Brasil, mas sómente a Indigofera lespedezoides, H. B. K., apparece em tal profusão e se acha tão espalhada por todas as regiões do nosso Paiz como a Ind. anil., L.; ella pouco differe desta e o caracteristico mais facil para separal-as é a fórma do legume que naquella é um pou- co mais longo e recto, ao passo que nesta é sempre curvado e mais curto. Em Matto-Grosso conhecem a Ind. lespedezoides, H. B. K., como «Timbó» e dizem que os indios a usam para tinguijar peixes. Segundo Greshoff as folhas são, na Pérsia, empre- gadas como vermífugo. INDIGOFERA LINIFOLIA, Retz. Bibliographia: Retzius, IV, pag. 29 e VI, pag. 33, tab. 23. - M. Greshoff, ob. cit, pag. 52. 126 Distribuição geographica: Todas as regiões tropi- caes do globo. Anthelmintica, segundo Greshoff, que diz serem usa- das na Pérsia as folhas para este fim. TEPHROSIA VIRGINIANA, Pers. (Syn.: Galega virginiana, L.). Bibliographia: Persoon, Syn. II, pag. 329. - Lln- neu, Syst. ed. X, pag. 1172. - M. Greshoff, ob cit., pag. 48. Distribuição geographica: America boreal. A citação de anthelmintica é de Greshoff. As Leguminosas contêm, além das múltiplas espe- cies com madeiras preciosas e outras de fibras texteis, varias com empregos medicinaes; neste numero estão as Cassias, Astragalus, Copaiferas, Mymenaeas e Piptade- nias, que, encerrando tannino, são usadas como adstrin- gentes e para cortumes. As resinas mais empregadas são provenientes das Toluiferas e das Copaiferas; a grande maioria das nossas gommas extrae-se das Mimosas, Aca- cias e Piptadenias e os vários «Sennes», das pharma- cias, são produzidos por especies de Cassias, que ain- da fornecem as favas conhecidas pelo mesmo nome. Na medicina popular, e principalmente nas mãos dos curan- deiros, as sementes das Ormosiás, bellamente coloridas de preto e vermelho, as sementes duras e chatas de Schizolobium excelsum, Vog., o «Bacurubú» e muitas ou- tras, desempenham papel muito importante como pre- ventivos contra o quebranto e máo olhado. Para este mesmo fim são cultivadas também as Canavalia gladiata, D. C. e Can. ensiformis, D. C., cujas sementes são con- sideradas altamente venenosas. Como toxicas para o ga- do distinguem-se as Rhynchosias, principalmente a Rh. phaseõloides, D. C. e var. lobata (Desv.), vulgarmente conhecidas por «Olho de pombo», «Favinha do campo» ou «Feijão bravo», coloridas como as Ormosiás. As Mu- cunas, que são conhecidas pelo mesmo nome entre o povo, são toxicas para o homem, mas comestíveis, entre- tanto, depois de lavadas em muitas aguas. A casca de Pithecolobium avaremotemo, Mart., o «Ávaremotemo» do 127 vulgo, é considerada medicinal. Muitas especies são tin- guijantes e outras fornecem sementes comestíveis, em grande parte ricas de amilo e de oleos. As sementes de algumas Cassias, principalmente das vulgarmente conhe- cidas por «Fedegoso», são usadas contra as febres inter- mittentes, para o que são torradas e preparadas como café. As raizes destas mesmas especies são também em- pregadas como anthelmintico; segundo nos informam pes- soas insuspeitas, faz-se uso delias para este fim, nos es- tados de S. Paulo e Matto-Grosso; falta-nos porém iden- tificar a especie, pois na literatura que compulsámos nada encontrámos referente a esta propriedade. Seria entre- tanto de grande vantagem verificar-se a verdade desta asserção, e, proveitosas as experiencias feitas com as raizes das especies que estão mais ao nosso alcance, pois, tratando-se de especies affins, é bem provável que as mesmas propriedades se estendam a varias especies do genero ou, ainda, a especies de generos affins. A res- peito da mesma Cassia occidentalis, L., que, no norte do nosso Paiz, é conhecida pelos nomes de «Mangerio- ba», «Pajamarioba», «Mamangá», «Lava-Pratos», affirma- se que as raizes são um abortivo energico. LICHENES (ASCOLIOHENES - PELTIGERACEAS) PELTIGERA HORIZONTALIS (L), Hoffmann. Bibliograpliia: Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 167. Distribuição geographica: Regiões frias e tempera- das de quasi todo o globo, vivendo sobre troncos, raí- zes, pedras, etc. A citação de anthelmintico é do autor acima. E' muito provável que outras especies de Lichens contenham propriedades vermicidas, mas a literatura de que dispomos não nos permitte averiguar isto. 128 LILIACEAS ALLIUM SATIVUM, L. (Esta especie abrange muitas variedades e fôrmas, d'entre as quaes a var. vulgare, Dõll, o nosso «Alho», é a mais cultivada e indicada.) Bibliographia: Engler, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. II, 5, pag. 55, com estampa. - Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Medicale, vol. I, pag. 1045, com estampa. - Caminhoá, Bot. Geral Medica, pag. 1857. Distribuição geographica: Nativa da Songorania e hoje cultivada em todo o globo. Segundo Lanessan, a essencia do «Alho» é empre- gada como anthelmintico. Esta tem também proprieda- des sudoríficas e vários outros empregos. Segundo Ca- minhoá estas propriedades, que são devidas ao oleo es- sencial, extendem-se ao A. cepa, L., a «Cebola», usada ainda, quando cozida, como emolliente. ALLIUM VICTORIALIS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 295. - Engler, ob. cit., pag. 56. - M. Greshoff, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 154. Distribuição geographica: Logares alpinos da Eu- ropa central, Sibéria até Kamtschatka, Japão, China e America do Norte. Greshoff a cita como empregada contra vermes in- testinaes. ERYTHRONIUM AMERICANUM, L. e outras especies deste genero. Bibliographia: Engler, ob. cit., pag. 63. - Gres- hoff, ob. cit., pag. 154. Distribuição geographica das varias especies do ge- nero: Europa e America do Norte. Engler affirma que as cebolas desta planta são co- mestíveis e officinaes, e Greshoff dá as varias especies como anthelminticas. 129 MELANTHIUM COCHINCHINENSIS, Lour. Bibliographia: Loureiro, Fl. Cochinchin., pag. 216. - Greshoff, ob. cit., pag. 153. Distribuição geographica: Cochinchina. Citada como anthelmintica por Greshoff. MELANTHIUM VIRGINICUM, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 339. - Engler, ob. cit., pag. 24. - Greshoff, ob. cit., pag. 153. Distribuição geographica: America do Norte. Greshoff affirma que o rhizoma desta é toxico e o da precedente anthelmintico. SANSEVIERIA THYRSIFLORA, Thunb. Bibliographia: Thunberg, Prodr. Pl. Cap., pag. 65. - Greshoff, ob. cit., pag. 149. Distribuição geographica: África meridional. Greshoff diz que na África ella é empregada como vermífugo. No Brasil cultivam-se duas especies deste genero, a Sans. cylindrica, Boje, e Sans. zeylanica, Willd., ambas boas productoras de fibras texteis, que provavelmente encerram as mesmas propriedades da especie acima ci- tada. TOFIELDIA CALYCULATA, Wahl. Bibliographia: Wahlenberg, Fl. Lap., pag. 90. - Engler, ob. cit., pag. 20. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 153. Distribuição geographica: America Boreal e Eu- ropa. Anthelmintica, segundo Greshoff. As Liliaceas são pouco representadas no Brasil, ha- vendo, porém, algumas muito uteis á medicina. A Her- reria salsapariUa, Mart., fornecedora das raizes vulgarmen- te conhecidas por «Raizes de Salsa», ou «Salsaparrilha», 130 é commum em todo o Brasil. As raizes desta planta são em diversos logares usadas e exportadas como sendo de Smilax, outro genero bastante commum e bem re- presentado na nossa flora, geralmente conhecido por «Ja- pecanga», «Salsa de espinho», etc., e que tem encontrado emprego como depurativo. Realmente officinaes são as especies de Aloes, Colchi- cm, Asparagus, Scilla, Xanthorrlwea e Phormium, que não apparecem senão cultivadas, no Brasil. LINACEAS BUDDLEIA POLYSTACHYA, Fres. Bibliographia: Fresonius, in Flora, XXI (1838), pag. 605. - Solereder, ob. cit., pag. 49. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 111. Distribuição geographica: Abyssinia. Tenifuga, segundo Greshoff. HUGONIA MYSTAX. L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 675. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 27. - Reiche, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. III, 4, pag. 33. Distribuição geographica: índia, principalmente no Ceylão. Segundo Reiche, na índia empregada contra o ve- neno de cobra e inflammações e, internamente, contra ver- mes intestinaes. P. us: raizes. LOGANIACEAS LOGANIA FASCICULATA, R. Br. Bibliographia: R. Brown, ob. cit., pag. 456. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2705. Distribuição geographica: Australia. Tónica, vermífuga e toxica, segundo Caminhoá. 131 LOGANIA SERPYLIFOLIA, B. Br. (Por Caminhoá citada com os nomes de Log. his- pudula, Nees. e Log. hysopoides.) Bibliographia: R. Brown, Prodromus, pag. 454. - Solereder, Die Nat. Pflanz., de Engler e Prantl, vol. IV, 2, pag. 31. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2705. Distribuição geographica: Australia. Segundo Caminhoá, tónica e vermífuga; convindo cau- tela com o seu emprego, por ser toxica. SPIGELIA ANTHELMIA, L. Bibliographia: A. Progel, Fl. Br. de Martius, vol. VI, I, pag. 262. - Solereder, ob. cit, pag. 33 e (tab. 17) 34. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2706. Spigelia anthelmia, L. (Seg. Bot. Reg.) 132 Planta herbacea, de 30-40 cm. de alt., erecta, de cau- le quasi despido, com folhas oppostas, as ultimas sob a inflorescencia em verticillos de quatro, todas de fôr- ma estreito-lanceolar, as inferiores menores e as termi- naes de 8-12 cm. de comp., por 1,5-3 cm. de larg., le- vemente asperas e pilosas na pagina inferior. Espigas flo- raes terminaes, geralmente em fascículos de 3-6, multi- floros, florigeras desde a base, flores sesseis; cálice de 4 mm. de comp., com segmentos estreito-lanceolares, agu- dos, 1/3 mais curtos que a corolla; esta de 8-10 mm. de comp., rosea e de lobos ovaes, agudos, por fóra te- nuemente pubescentes, tubo dilatado gradativamente da base ao apice e infundibuliforme, quatro vezes mais lon- go que os lobos; filamentos estaminaes inseridos na par- te superior da corolla; estigma ligeiramente puberulo, agudo; capsula pouco mais alta que o cálice, comprimi- da dos lados e quasi dupla; sementes fusco-negras. Com differentes variedades e fôrmas, que se ca- racterizam pelas dimensões das folhas, espigas floraes e porte geral da planta. O seu principio activo é a «Spi- gelina». Distribuição geograpliica: índias occidentaes; com- mum no Maranhão, Pernambuco, Bahia, Goyaz, Repu- blicas do Perú, Colombia, Guatemala, nas Guyanas, etc. Segundo Solereder cultivada para fins medicinaes (ver- mífugo). Caminhoá diz que convém empregal-a com cau- tela, pois que, em dose superior a 3 grs., é venenosa. SPIGELIA FLEMMINGIANA, Cham. et Schlecht.. Bibliographia: Chammisso et Schlecht., in Lin- naea, I, pag. 203. - A. Progel, ob. cit., pag. 265. - M. Greshoee, ob. cit., pag. 110. - Caminhoá, Bot. Ge- ral e Medica, pag. 2706. Planta herbacea de 60-00 cm. de alt., de caule ro- liço, ramoso e glabro; inter-nós mais longos que as fo- lhas; estas oblongo-lanceoladas, curto-pecioladas, oppos- tas e as sob as inflorescencias, geralmente em verticil- los de quatro; estipulas hispido-pilosas, asperas; espigas floraes bem mais longas que as folhas, terminaes, soli- tárias raro aos pares, de 12-18 cm. de comp., erectas e com 20-50 flores sesseis; cálice pequeno, de segmen- tos largo-ovaes, agudos, de 1 mm. approximadamente, corolla de 1,5-1,7 cm. de comp. alva e ornada de estrias purpureas, lobos largo-ovalados de 2-2,5 mm. de comp.; 133 filamentos estaminaes mais curtos que as antheras e in- seridos na parte superior do tubo. Egualmente com algumas variedades e fôrmas. Distribuição geographica: Espirito Santo, Bahia, Ilhéos, Guyanas, etc. Citada como anthelmintica por Greshoff. Caminhoá diz que, além de vermífuga, é sudorífica. SPIGELIA GLABRATA, Mart. Bibliographia: Martius, Nov. Gen. et Species, vol. II, pag. 127, tab. 193. - Solereder, ob. cit., pag. 34.- A. Progel, ob. cit., pag. 264. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 110. Planta glabra, suffruticosa; folhas oppostas, sub-co- riaceas, elliptico-lanceoladas, breve-pecioladas, as floraes em verticillos de quatro, de 8-12 cm. de comp., por 16-18 mm. de larg., margens algo revoltadas. Espigas floraes pedunculadas, do comp. das folhas, depois da anthese reflexas, em grupos de 2-5 nos extremos dos caules ou ramos; cálice de segmentos lanceolados setaceos, attingin- do um oitavo do comp. da corolla; esta de quasi 2 cm, de comp., pallido-rosea, ornada com traços vermelhos lon- gitudinaes, lobos largo-ovaes, agudos e tubo delgado, es- treito, gradativamente dilatado para o apice, cinco ve- zes mais longo que os lobos; antheras inseridas na par- te superior do tubo da corolla. Distribuição geographica: Brasil, proximidades de Ilhéos e Almada. Por Greshoff citada como anthelmintica. SPIGELIA LONGIFLORA, Mart. Bibliographia: Martius et Galeotti, Buli. Acad. Brux., XI, I, pag. 376 (1844). - Caminhoá, ob. cit., pag. 2705. Distribuição geographica: México. Vermífuga, tónica e toxica, segundo Caminhoá. SPIGELIA MARILANDICA, L. Bibliographia: Solereder, ob. cit., pag. 33, com estampa. - J. L. Lanessan, Manuel d'Histoire Nat Mé- dicale, vol. I, pag. 875. 134 Distribuição geographica: Estados Unidos da Ame- rica do Norte, nos estados de Nova Jersey até o de Wisconsin e Texas. Tonico e anthelmintico segundo Lanessan. Partes usa- das rhizomas. SPIGELIA PAUCIFLORA, Mart. Bibliographia: Martius et Galeotti, ob. cit., pag. 376. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2705. Distribuição geographica: México. STRYCHNOS COLUBRINA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 189. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2705. Distribuição geographica: índia. «Páo de cobra». Segundo Caminhoá, venenosa, mas, em doses moderadas, empregada na therapeutica indiana como anti-cholerico, vermífugo e emetico; crê-se que a fumaça do lenho desta planta afugenta as cobras das visinhanças. Os alcaloides que muitas Loganiaceas encerram nos fructos, sementes e raizes as tornam uteis á medicina; as- sim temos a «Noz vomica», proveniente do Strychnos nux-vomica, L.; as falsas quinas, do mesmo genero Stry- chnos, que encerra ainda outras especies altamente to- xicas, das quaes algumas são usadas para fabricar o «Curare»; a Potalia amara, Aubl., o «Anabi», cujas folhas e caule em infusão têm emprego contra a syphilis; a Strychnos pseudo-quina, St. Hil., usada como febrífugo e conhecida como «Falsa-quina», etc. MALVACEAS HIBISCUS SENEGALENSIS, Cav., que é Pavonia zey- lanica, Cav. Bibliographia: Cavanilles, Diss., III, pag. 160 e tab. 68, fig. 1 e pag. 134. - Qreshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 26. Distribuição geographica: África Tropical. Sementes anthelminticas, segundo os autores citados. 135 SIDA FLORIBUNDA, H. B. K., que segundo Ind. Kew. é Sida paniculata, Linn. Bibliographia: Lfnneu, Syst. ed. X, pag. 1145. - Humb. Bonpl. et Kunth, Nov. Gen. V, pag. 258. - Greshoff, ob. cit., pag. 26. Distribuição geographica: America tropical. Arbusto erecto de mais de metro e meio de altura, mais ou menos lenhoso, ramoso, na parte florigera re- coberto de pellos tomentosos aureo-ferrugineos ou es- verdeados e mais tarde glabro; ramos divergentes, pa- tentes; folhas medianas medíocres, superiores menores, as primeiras mais longamente pecioladas que as ultimas e estas com limbo de 5 cm. de comp., por 3 cm. de larg., e as inferiores de até 15 cm. de comp., por 10 cm. de larg., geralmente largo-ovaladas, quasi orbicula- res e ligeiramente acuminadas, mais ou menos 9-ner- vuladas desde a base, e superiormente pubescente-to- mentulosas e no dorso bastamente villoso-tomentosas e molles, com as margens dentadas ou quasi duplo-den- tadas; estipulas estreitas, quasi aciculares; flores nos ex- tremos dos ramos dispostas em amplos paniculos, cujos raminhos são sustidos por folhas mais ou menos redu- zidas, longo-pedunculadas; pedúnculos acima do meio ar- ticulados e algo espessados, sustidos por bracteas es- treitas; cálice breve-campanulado, até ao meio dividido em cinco lobos ovo-triangulados, agudos e, como o tubo, bastamente estrellado-pilosos, ao todo de 2,5-3 mm. de comp.; petalos quasi espatulados, ou um tanto ovalados, retusos no apice, recurvados, glabros e de 3,5-4 mm. de comp., por 3 mm. de larg., arroxeados ou averme- lhados; androceu quasi duas vezes mais alto que o cá- lice, do meio para cima partido em 15 ou mais fila- mentos; ovário de 1,5 mm. 5-lobado e puberulo termi- nado pelo pistillo partido em 5 estiletes. Fructos madu- ros mais largos que altos, um tanto achatados e sepa- ráveis em cinco carpideos arredondado-trigonos, aresta- dos ou apiculados, no dorso estrellado-pilosos, com uma semente cada um. Frequente nos estados do Rio de Janeiro, Minas Geraes, S. Paulo, norte do Brasil, até a Republica do Perú, Paraguay e México. Anthelmintica e mecanicamente toxica devido aos pellos cerdosos muito rijos, segundo Greshoff. 136 Relativamente poucas são as especies de Malvaceas que possuem propriedades medicinaes. As principaes são a Altkaeae officinalis, L., cujo decocto é desde tempos remotos empregado para combater a tosse. Especies de Sida, empregadas como emollientes e em alguns loga- res tomadas, em chás, contra moléstias das vias respi- ratórias. As flores e folhas da Malva sylvestris, L., e M. rotundifolia, L., usadas para curar inflammações, fistulas, etc..; Urena lobata, Cav., conhecida por «Malvisco», «Gua- xima», etc., e Urena sinuata, L., vulgo «Carapicú» e «Uru- curana», empregadas como refrigerantes e mais algumas usadas empiricamente, pelo povo, eis tudo o que se co- nhece. Bastante mais importante parece ser o papel que desempenham na industria, pois um grande numero de Sidas, Malvas, Urenas e Abutilons, podem com razão ser consideradas magnificas productoras de fibras tex- teis, que em resistência rivalizam com as da «Juta» e outras, isto além da fibra que envolve as sementes de alguns Gosypios, o algodão, sem o qual não se arranja- ria tão bem a humanidade. O oleo extrahido das se- mentes destas mesmas plantas é egualmente de magna importância para o homem. MELIACEAS CEDRELA ODORATA, L. («Cedro vermelho»). Bibliographia: Haems, Die Nat. Pflanzenf. de Engl. e Prantl, vol. III, 4, pag. 269. - Caminhoâ, Botanica, Geral e Medica, pag. 2437. Distribuição geographica: Américas Central e Me- ridional. A casca é adstringente e febrífuga, diz Caminhoâ, e os fructos passam por lumbricidas. Esta propriedade deve ser commum ás demais especies, como sejam Ce- drela Glaziou, C. D. C. e Ced. fissilis, Velloso. LANSIUM DOMESTICUM, Jacq. Bibliographia: Jacquin, Trans. of the Lin. Soc., XIV (1823), pag. 115. - Harms, Die Natúrl. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 4, pag. 296 e tab. 162, fig. 137 J-P. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 31. - Caminhoá, Bot. Ger. Med., pags. 2437 e 2438. Distribuição geographica: Região do Archipelago Indico e índia. Greshoff affirma que é anthelmintica e Caminhoá diz que as sementes são vermicidas, propriedade que se accentua ainda mais nas raizes. MEL EA AZEDARACH, L. Bibliographia: Casemir De Candolle, Fl. Br. de Mart., vol. XI, I, pag. 167 e 228. - Harms, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 4, pag. 228. - Ca- minhoã, ob. cit, pag. 2435. Arvore de crescimento rápido, caule com medulla farta, madeira pouco resistente e quebradiça, cultivada em todos os paizes mais ou menos temperados ou quen- tes; entre nós vulgarmente conhecida por «Cinamomo». Folhas bipinnadas, longo-pecioladas, com 3-5 jugos de pinnas; foliolos oppostos, egualmente 3-5-jugos, o ter- minal sempre maior, margens serrilhadas, os inferiores não raro algum tanto lobados, agudos e glabros. Inflo- rescencias paniculiformes, floribundas, nas axillas das ul- timas folhas dos ramos; flores de 8 mm. de comp.; cá- lice penta-partido, com segmentos elliptico-oblongados, ex- ternamente puberulos; petalos de fórma egual, porém maiores, mais ou menos arroxeados; tubo estaminal tão longo e da mesma cor ou mais escuro que os petalos, com dez antheras alongadas no apice; ovário 5-locular, loculos 2-ovulados, os ovulos superpostos; pistillo mais comprido que o ovário, no apice ligeiramente espessa- do; estigma ligeiramente pentalobado. Drupa ob-ovoi- de, ou quasi espherica, glabra, de 1 cm. de comp., por quasi egual diâmetro, com 4-5 lojas e estas monosper- mas; sementes alongadas, cotyledones ellipticos, apice agudo e base sub-cordada. Alem de outras propriedades, taes como estimulan- tes, aperitivas e estomachicas, que a casca encerra, pos- sue a anthelmintica e, empregada em dose maior, é ain- da vomitiva e abortiva. No Rio Grande do Sul, empre- ga-se externamente para banhar as apostemas e feridas de origem syphilitica. As raizes e os fructos são tam- bém usados como vermífugo e o oleo das sementes é combustível e empregado na pintura. 138 Melia azeãarach, L. (Seg. Fl. Br. de Mart.) 139 Distribuição geographica: Parece não ser origina- ria do Brasil, mas aqui, como em outros paizes, é cul- tivada em quasi todos os jardins, pois, alem de medicinal, é uma planta que se recommenda por suas flores. SWIETENIA MAHAC40NI, L. Bibliographia: Harms, ob. cit., pag. 275. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2437. Distribuição geographica: índias Orientaes e Perú ou America Tropical. Caminhoá diz que o caule produz uma resina ver- mífuga, febrifuga e antiseptica e que da casca se ex- trae uma essencia aromatica. Solereder (Archiv der Phar- macie, vol. XXIX, fase. 4, do anno 1891) diz que as se- mentes de uma especie affim, talvez Swietenia humilis, Zucc., são extremamente venenosas, affirmando egual- mente que o oleo das sementes da «Arvore de Mahago- ni» é, na America Central, conhecido por «Karapatol» e usado como purgante. A casca amarga de varias especies é adstringente e considerada febrifuga; as principaes das que possuem estas propriedades são: Taona febrifuga (Forst.), Roem., da Java e índia; Soymida febrifuga, Juss., do Ceylão e índia; Azadirachta indica, Juss., da índia e alli conhe- cida como um febrífugo esplendido, fornecendo a «Cór- tex Margosae», «Margosa bark» ou «Nim bark» e cujas sementes produzem o «Nim-Oil», «Neem-Oil» ou «Margosa- Oil». Não menos importante para a industria são os oleos que são utilizados na fabricação de sabões e conhe- cidos por «Oleo de Andiróba», «Oleo de Carapa», etc. Mas em nenhum outro ramo as Meliaceas são mais va- liosas e uteis que na producção de matdeiras; as mais bellas madeiras para a marcenaria pertencem a esta fa- mília natural de plantas, e só a exportação destas tem sido fonte de renda valiosa para muitos paizes da America. MORACEAS FICUS ANTHELMINTICA, Mart. Bibliographia: F. A. Guel. Miquel, Fl. Br. de Mart., vol. IV, I, pag. 85, onde é dado como Pharmacosycea 140 anthelmintica, Miq. - Engler, Die Nat. Pflanzenfami- lien de Engler e Prantl, vol. III, 1, pag. 92. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 145. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2250. Arvore grande, glabra, de ramos abertos, os mais novos com casca ferrugineo-acinzentada. Folhas ellipti- co-oblongadas, base e apice agudos, quasi trinervuladas, sobre peciolos de 1,7-4 cm. de comp., de 13-30 cm. de comp., por 5-9 cm. de larg.; nervuras secundarias geral- mente de 10-15; estipulas lanceoladas sempre enroladas. Receptaculos axillares solitários ou geminados, peduncula- dos ou sesseis, pouco maiores que uma ervilha e algo deprimido-globosos, bracteas exiguas, tres, quasi orbicu- lares, appressas á base do involucro, concrescidas e hir- sutas na sua base; flores femininas muito mais numero- sas, com perigono profundamente 5-partido, segmentos deseguaes, sobre pedicello curto, um geralmente maior, e concavo-carenado e appresso ao ovário; pistillo late- ral e abaixo do meio do ovário e este quasi sessil; es- tigma bi-partido e obliquo; flores masculinas com pe- rigono 4-fido, segmentos ellipticos, um mais livre que os demais; estames dois e oppostos, com filamentos cur- tos e antheras fixas pouco abaixo do meio da parte dorsal, oblongadas, comprimidas e emarginadas na sua base, de comprimento desegual; rudimento do pistillo ro- liço e pequeno. Receptaculo maduro do tamanho de uma cereja. Vulgarmente conhecida por «Figueira» e no Pará ain- da por «Coaxingúba». O latex que pela incisão da cas- ca é obtido, empregam-no como vermífugo. Distribuição geographica: Pará e Ceará, até ao Rio de Janeiro. Dias da Rocha, Matéria Medica Cearense, repete com Martius, Syst. Med. Veg. Bras., dando a Ficus dolearia, Mart., como anthelmintica, quer nos parecer, porém, que a especie mais commum no Ceará é Ficus anthelmintica, Mart. O que porém é fora de duvida é que quasi to- das as figueiras fornecem latex vermicida. FICUS RADULA, Willd. Bibliographia: F. A. Guil. Miquel, ob. cit., pag. 84, onde figura como Pharmacosycea radula, Miq. - Engler, ob. cit., pag. 92. - Greshoff, ob. cit., pag. 145. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2250. 141 I - Ficus radula, Willd II - Ficus anthelmintica, Mart. « Figueiras » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 142 Differe da anterior por ser aspero-punctulada sobre as folhas, peciolos e receptaculos, por ter estes últimos geralmente solitários nas axillas das folhas, sobre pedún- culos algo mais longos, e em tudo maiores que aquel- les. As folhas são entretanto um pouco menores. Egualmente frequente no norte do Brasil, principal- mente nos Estados de Piauhy e Ceará. FICUS VERMÍFUGA, (Miq.) Engler. Bibliographia: F. A. Guil. Miquel, ob. cit., pag. 87. - Greshoff, ob. cit., pag. 145. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2251. Distribuição geographica: Rio de Janeiro e Brasil Meridional. Arvore grande, de folhas largo-ellipticas, agudas, ba- se arredondada e emarginada, coriaceo-membranosa, de margens incurvadas, ligeiramente onduladas, lisas e ver- de-pallidas no dorso, na base 5-nervuladas com 10-15 nervuras secundarias irradiantes da central, que se en- contram antes de attingirem a margem, de 10-14 cm. de comp., por 5-8 cm. de larg. Receptaculos axillares, solitários ou geminados, sobre pedúnculos glabros de 7-8 mm. de comp., na base sustidos por tres bracteas concrescidas, um pouco maiores que uma ervilha, antes de completamente desenvolvidos. Segundo Miquel facil de distinguir pela fórma das folhas. Além das citadas, todas pertencentes á secção com dois estames nas flores masculinas, que Miquel havia separado em genero distincto sob o nome de Pharma- cosycea, muitas outras estão citadas pelos diversos au- tores como fornecedoras de latex anthelmintico; mas co- mo esta propriedade parece antes ser commum a todos os Ficus, e sendo as «Figueiras» arvores muito conhe- cidas, julgamos supérfluo descrevel-as aqui. Caminhoá, cita ainda outras além de Ficus ferruginea, Hort., ou Fi- cus dolearia, Mart., a «Gameleira branca». SAHAGUNIA STREPITANS, (Freire Allemão) Engler. (Tem por synonymo: AcanthinophyUum.) Bibliographia: Freire Allemão, in Rev. do Bra- sil, I (1858), pag. 368. - Engler, ob. cit., pag. 82. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 145. 143 Distribuição geographica: Rio de Janeiro e outros pontos do Brasil. Arvore medíocre, lactifera; gemmulas e orgãos de reproducção tenuemente pubescentes. Folhas alternas, dis- tichas, rijo-cordiaceas, produzindo ruido pelo attricto mu- tuo; peciolo curto; limbo grande membranoso-coriaceo, glabro, ob-oval-oblongo, de base aguda e apice abrupta- mente acuminado, prolongado em uma ponta mui agu- çada, margens esparsas, mas profundamente sinuoso-den- tadas, dentes terminados em acumen rijo e espectante. Estipulas minimas, agudas, caducas. Receptaculos masculinos, de quasi pollegada, em nu- mero variavel sobre pequenos ramos axillares, de forma alongada um tanto claviforme. Ditos femininos também solitários ou agrupados, esphericos; dos ovulos relativa- mente poucos se desenvolvem. As bagas, em vida, são vermelho-alaranjadas, e tenuemente puberulas, reunidas em syncarpios. Embryão lactescente, verde-azulado. O primitivo nome generico dado a esta planta por Freire Allemão «Acanthinophyllum», diz elle que o tirou do grego e tem referencia ás folhas espinhosas. O no- me «strepitans» é ainda, segundo o mesmo autor, dado graças ao rumor que produzem as mesmas folhas pelo contacto mutuo. A citação das propriedades anthelminticas do latex desta arvore parece ter sido fructo da observação de Freire Allemão. Embora esta descripção tivesse sido publicada em 1858, no trabalho citado, não foi incluída no volume correspondente ás Moraceas, da Fl. Brasiliensis de Mar- tius, que sahiu em 1863. Das Moraceas registam-se ainda as «Imbaubas», va- rias especies de Cecropias cujas folhas novas e gemmu- las fornecem sueco refrigerante, usado contra as diar- rhéas, gonorrhéas, flores brancas, administrado ás co- lheradas com assucar ou leite. As Dorstenias, conhecidas por «Caiapiá», «Carapiá» ou «Contra-herva», produzem rhizomas tuberosos que são preconizados como diuréti- cos e diaphoreticos e os Ficus, que na Flora Brasilien- sis, são subordinados aos generos Pharmacosycea e Uros- tigma, encerram em seu latex, que em abundancia escor- re dos talhos da casca, além de propriedades anthelmin- ticas, propriedades vulnerarias, sendo também o de algu- mas especies toxico. Fazem egualmente parte desta fami- 144 Sahagunia strepitans (Fr. All.), Engl. (Seg. Freire Allemão) 145 lia a «Jaqueira», a «Arvore da Fructa-pão», o «Caoutchuei- ro» (Castilloa élastica, Cerv.), o «Páo-vacca» (Brosi- mum galactodendron, Don.), que assim chamado por for- necer latex potável e bastante nutritivo; o «Canhamo» (Canndbis sativa, L.) e o «Lupulo» (Humulus lupulus, L.) MYRCINACEAS EMBELIA MICRANTHA, A. D. C. Bibliographia: A. De Candolle, in Ann. Soc. Nat, ser. II, XVI, (1841) pag. 81. - Greshoff, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 99. Distribuição geographica: Ilha de Madagascar. Citada como anthelmintica por Greshoff. EMBELIA RIBES, Burm. Bibliographia: N. L. Burmann, Fl. Ind., pag. 62, tab. 23. - Greshofe, ob. cit, pag. 99. Distribuição geographica: Asia tropical. Citada como anthelmintica por Greshoff. EMBELIA ROBUSTA, Roxb. (N. vulg.: «Cosso».) Bibliographia: Martius, Fl. Br. de Mart., vol. X, pag. 321. Distribuição geographica: Asia. Martius affirma que as sementes esmagadas em in- fusão com agua, são purgativas e anthelminticas. MAESA LANCEOLATA, Forsk. (Syn.: M. picta, Hochst.) Bibliographia: Forkal, Fl. Egypt. Arab. part. CVI. - Hochstetter, Flora, n.o XXIV, 1, anno 1841. - Pax, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. IV, 1, pag. 96. - Greshoff, ob. cit., pag. 100. - Caminhoá, Bot. Med., etc., pag. 2664. Distribuição geographica: Arabia, Abyssinia, etc. 146 Pax considera diversas as duas especies, acima ci- tadas, como synonymas, e accrescenta que os fructos, co- nhecidos por «Soara», são um poderoso tenifugo. MYRSINE AFRICANA, L. (N. vulg.: «Tatzé»), Bibliographia: Pax, ob. cit., pag. 92. - Greshoff, ob. cit., pag. 99. - Caminhoâ, Bot. Geral e Med., pag. 2664. Distribuição geographica: Afghanistan até ao Hi- malaya, cultivada em quasi todos os jardins botânicos da Europa. Sob o nome de «Tatzé», diz Pax, apparecem nos mercados as sementes desta arvore que são usadas como tenifugo. Greshoff confirma esta asserção. Caminhoâ diz que os fructos são também vermífugos como os da pre- cedente. MYRSINE BIFARIA, Wall, (que também é conside- rada syn. de M africana, L.). (N. vulg.: «Cosso»), Bibliographia: Martius, ob. cit., pag. 321. Distribuição geographica: África austral e índia. As sementes esmagadas são, em infusão, administra- das contra as tenias. Dignas de nota são a Jacquinia racemosa, D. C., Jacq. aurantia, Ait., e Jacq. armillaris, Jacq., da índia, México e Ilhas de Sandwich, além de outras especies deste genero que apparecem na America do Sul; são consideradas toxicas e os fructos e folhas são usadas para tinguijar os peixes. Varias especies de Clavija são no Brasil conhecidas por «Fructa de cascavel» e em ou- tros logares e aqui se empregam as raizes das mesmas como vomitivo. Cybianthus detergens, Mart., de casca ads- tringente e gommosa é empregada em banhos contra impigens e outras moléstias eruptivas da pelle. Os fru- ctos das Embelias são considerados catharticos, e os das Ardmas usados nas febres, como refrigerantes. 147 MYRTACEAS PSID1UM GUYAVA, Raddi. (N. vulg.: «Goyabeira»). Bibliographia: Otto Berg, Fl. Br. de Martius, vol. XIV, I, pags. 396 e 631, a descripção da especie, e Peckolt, Analyses de Matéria Medica Brasileira, pag. 76 (1868) a citação como ascaricida. Distribuição geographica: Expontânea e cultivada nos seguintes paizes: México, Jamaica, S. Thomas, Gua- delupe, Guatemala, Guyanas, Perú, Bolivia, Argentina e Brasil. Podendo ser considerada cosmopolita para os tró- picos e sub-tropicos do globo. No Brasil não só muito cultivada, mas também expontânea em taperas e terre- nos mais ou menos ferteis. A goyabeira é arvore por demais conhecida de to- dos para que se torne necessário descrevel-a aqui. Delia distinguem-se diversas variedades, sendo as mais com- muns a vermelha e a branca. Peckolt affirma que as folhas e a casca desta ar- vore são empregadas não só como adstringente nas leu- corrhéas, diarrhéas e na cholera, mas também em clys- teres contra as ascarides. Pela resistência e durabilidade, muitas madeiras des- ta familia natural de plantas encontram applicação na industria, para manufacturar moveis, etc. Para este mis- ter nenhum genero possue maior variedade que o Eu- calyptus, pois sabemos hoje o que esta arvore represen- ta no rápido reflorestamento do terreno. Ella não só tem a vantagem do crescimento muito rápido, mas é ainda uma arvore cuja madeira altamente resistente ri- valiza com as melhores para construcções de toda a sorte, obtendo-se, além disto, de suas folhas e lenho oleo, resina e outros productos que encontram emprego na medicina e industria. As folhas de outras especies dos generos Leucadendron, Melaleuca, Pimenta, Eugenia, etc., encontram emprego como chá e a Ugni molinae, Turcz., fornece os fructos mais deliciosos indígenas do Chile, onde ainda se encontra a Myrteola com duas es- pecies de utilidade idêntica. De Myrtus communis, L., ob- tem-se uma agua aromatica conhecida por «Eau d'ange» que é usada para embellezar e aformosear a cutis, as 148 folhas e os fructos desta e d'outras especies do mesmo genero são aproveitados na medicina, e apparecem nos mercados sob os nomes de «Folia et Baccae Myrtii». Com a designação de «Pimenta ou cravo do México» são procurados os cálices floraes de Myrtus pseudocaryophyl- lus e para o fabrico de boas bengalas usa-se a madeira de Myrtus communis, L. Do genero Psidium, L., a grande maioria for- nece fructas saborosas, das quaes, infelizmente, só são cultivadas poucas especies. Além de Ps. guyava, Raddi, que, como já dissemos, apparece cultivada e expontâ- nea em varias regiões tropicaes e sub-tropicaes do glo- bo, temos ainda Ps. pumilum, Vahl., o «Araçá-iba» ou «Araçá merim»; Ps. Cattleyanum, Sabine, o «Araçá da praia»; Ps. densicomum, Ps. araçá, Raddi, conhecidas in- distinctamente por «Guabiróba» ou «Araçá»; Ps. radicans, a «Uvaia do campo»; Ps. molle, a «Goiaba acida», e outras crescem em quantidade pelos campos em quasi toda a America meridional. Medicinaes são além da Ps. guyava, Raddi, as folhas de Ps. pumilum, Vahl., e as raizes de Ps. salutare, Berg. Comestíveis são ainda os fructos de Myrrhinium, duas especies brasileiras; Rhodomyrtus tomentosa, Wight., do sul da China e índia; Britoa Sellowiana, Berg., natu- ral do Brasil e conhecida como «Sete-casacas». No Chi- le varias especies de Myrceugenia, Berg., são fornecedo- ras de boa madeira e fructos saborosos; Myrcia oitchi, Berg., no norte do Brasil e outras especies do mesmo genero são comestíveis, dando a Myrcia coriacea folhas medicinaes (os fructos da primeira são vulgarmente co- nhecidos por «Oitchi»); o «Cambucá» e a «Guapuronga» provêm de Marlieria edulis, Ndz. e M tomentosa, Camb.; Calyptranthes é outro genero que possue varias especies com fructos comestíveis; isto também se pode dizer de Gomidesia, Eugenia, Myrciaria, Jambosa, Syzygium, que nos fornecem respectivamente a «Manga do brejo», «Gru- mixama», «Pitanga», «Pitomba», «Jaboticaba», «Jambo», e outros fructos que constituem os melhores do nosso Paiz. Muitas especies, como acontece com Syzygium jam- bolana, D. C., a «Jambolana», são ainda bellas arvores de sombra. Orthostemon Selloivianus, Berg., tem a particularidade interessante de possuir flores adaptadas á fecundação pe- las aves. Os petalos são alvos e carnosos, além de um tanto adocicados, e por isso procurados pelos passari- 149 nhos que os cortam e devoram, produzindo desta ma- neira o derrame do pollen sobre o estigma. De varias especies de Blepharocalyx as folhas são medicinaes; e os fructos immaturos de Pimenta officina- lis, Berg., fornecem o «Semen Amomi», «Fructus Pimen- ta» ou «Piper jamaicensis» das pharmacias, de que se ex- trae o «Oleum Pimentae» ou «Balsamo de Carpol»; ser- vem além disto como condimento, principalmente na In- glaterra, onde são conhecidos por «Pimenta de espe- ciaria», «Cravo-pimenta» ou «Cravo de Jamaica». Egual emprego encontram na índia e America Central varias especies do mesmo genero. De Calyptranthes aromatica, obtem-se um producto conhecido como «Cravo da terra», que serve para sub- stituir algumas vezes o «Cravo da índia» proveniente da Jambosa caryophyllus, Ndz., e outras especies antes subordinadas ao genero Caryophyllus, L. Do genero Syzygium, Gãrtn., varias especies são re- putadas medicinaes e a Syz. caryophyllaceum, Gãrtn., for- nece o «Córtex caryophylli» ou «Cassia caryophyllata», das pharmacias. De Melaleuca cajeputi, e M. leucadendron, L., nos vem o «Oleum cajeputi» das pharmacias, que é obtido principalmente das folhas e prescripto contra moléstias do estomago e intestinos. Baeckea frutescens, L., do sul da China, possue chei- ro muito activo e, por isto, preconizada como insecticida, usando-se os ramos entre a roupa para evitar que in- sectos a ataquem. Na patria é também empregada, pela medicina popular, como abortivo. E' de crer que futuramente muitas especies sejam descobertas, entre as Myrtaceas nacionaes, que possuam virtudes anthelminticas. E' uma familia vastíssima e re- presentada em todas as formações vegetativas no Bra- sil. Depois da Sequoia gigantea, Ldl., esta familia encer- ra indubitavelmente as maiores arvores, e isto especial- mente entre as do genero Eucalyptus, L'Herit., que na Australia possue representantes, como o Euc. amygdali- na, Ldl., verdadeiros gigantes de que se tem derrubado exemplares com 155 metros de altura e uma circumfe- rencia de 30 metros na base e acima do meio ainda mais de 12 metros. Digno de nota é ainda a rapidez com que se desenvolvem estas arvores, pois que com 150 apenas 9 annos um exemplar desta ultima especie pode attingir uma altura de vinte metros. Pela abundante trans- piração de liquido, estas plantas são tidas como uteis na seccagem de pantanos menos profundos e, já por isto, já pela formação de ozone, influenciado pela evaporação dos oleos ethereos contidos nas folhas, são ellas consi- deradas febrífugas! - Ultimamente outras autoridades têm procurado desmentir esta virtude do Eucalyptus, tal- vez mais por espirito de contradicção que pela demons- tração contraria, pois quer nos parecer que a questão da formação do ozone no ambiente resultante da distillação do oleo pelas folhas deve ser difficil de verificar pela experiencia no laboratorio, formação esta que deve ser apreciável sómente em exemplares grandes, de copa am- pla e frondosa. OCHNACEAS OURATEA JABOTAPITA, (Sw.) Engler. Bibliographia: Engler, Fl. Br. de Martius, vol. XII, II, pag. 350. - Caminhoá, Botanica Geral e Medi- ca, pag. 2461. Distribuição geographica: Antilhas e Brasil septen- trional. Arvore pequena, de folhas alternas, persistentes, sim- ples, ovo-lanceoladas, mais ou menos attenuadas e de margens serrilhadas. Estipulas assovelladas e estreitas. Flores em paniculos terminaes, amarellas, com petalos tres vezes mais longos que o cálice; estames com filamen- tos muito curtos e antheras acuminadas para o apice, abrindo por poros terminaes e mais ou menos transver- salmente rugulosos, em numero de 10. Drupas em nume- ro de cinco, mas geralmente 1-3, pelo abortamento das demais, tendo a parte basica immersa no receptaculo. Caminhoá affirma que a casca desta arvore é tóni- ca e usada como lumbricida. Além delia, Engler cita Ouratea hexasperma, (St. Hil.) Baill., commum em Minas-Geraes, Goyaz até ao Piau- hy, como insectifuga. De Ouratea ilicifolia, (D. C.) Baill., das Antilhas, o autor acima citado affirma ser adstringente, razão por- que se emprega a casca como estomachica e digestiva. 151 Das sementes de Ouratea parviflora, (D. C.) Baill., de Minas, Rio e S. Paulo extrae-se um oleo aproveitável. As cascas de algumas especies de Ochnaceas são apro- veitadas para curar feridas, limitando-se á isso a utili- dade das plantas deste grupo, cujas flores, no entanto, podem ser consideradas ornamentaes e a madeira de al- gumas aproveitável para a industria. OLEACEAS JASMINUM FLORIBUNDUM, R. Br. Bibliographia: R. Brown, ex Fresenius, in Mus. Schenkenb. II (1837), pag. 168. - Knoblauch, Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e PrantI, vol. IV, 2, pag. 16. - Qreshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin vol. XXIX, pag. 103. Distribuição geographica: Abyssinia. Qreshoff diz que as folhas são tenifugas e nar- cóticas. O producto principal das Oleaceas consiste no «Man- ná», resina obtida pela incisão feita na casca de Fra- xinus ornus, L., que no sul da Europa é cultivada especialmente para este fim. A casca de outras espe- cies deste genero fornece também matéria corante, que se emprega para tingir de preto ou azul. A «Azeitona», proveniente de Olea europaea, L., com diversas varieda- des e formas, fornecendo ainda oleo delicioso. Dignos de nota são também os «Alfeneiros», varias especies de Ligustrum, que se cultivam em regiões differentes do globo como plantas de ornamentação, principalmente para arborizar ruas e praças. Sementes de Nyctanthes são usa- das na medicina, assim como o oleo ethereo das suas folhas, sendo ainda aquellas empregadas para tingir os alimentos. Jasminum Sambac, Ait., e outras especies do mesmo genero possuem raizes medicinaes e flores que produzem um oleo ethereo muito odorífero que se co- lhe para a perfumaria. Poucas são as especies desta fa- milia que apparecem indígenas no Brasil, e fazem par- te dos generos Jasminum, Nyctanthes, Menodora, Maye- pea (Linociera) e Tessarandra. Do primeiro é bastante commum o Jasm. azoricum, L., que talvez tivesse sido introduzido, contendo provavelmente as mesmas proprie- dades anthelminticas que se attribue ao Jasm. floribun- dum, R. Br., que é natural da Abyssinia. 152 ORCHIDACEAS ANGRECUM CARINATUM, Kost., segundo o índex Kewensis egual a Eulophia virens, Spreg., que é entre- tanto também citado por Greshoff, em outro logar. Bibliographia: Kostelectzky, Alg. Med. Pharm. Fl. I, pag. 250. - Sprengel, Syst. III, pag. 270. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 148. Distribuição geographica: índia Oriental. Segundo Greshoff, os tubérculos são anthelminticos. Esta propriedade deve ser encontrada provavelmente nos tubérculos de Cyrtopera longifolia, Reichb. f. (de que juntamos a estampa), planta bastante commum no Brasil e dada pelos inglezes como synonymo de Cyrto- podium Woodfordii, Sims (Bot. Mag., tab. 1814.), o que não foi acceito por Cogniaux, na Fl. Br. de Martius. NEOTTIA NIDUS-AVIS, Rich. Bibliographia: A. Richard, in Mem. Mus. Paris, (1818), vol. IV, pag. 59. - Pfitzer, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. II, 6, pag. 114, fig. 114. - Walter Múller, und Kraenzlin, Orchideen, Abb. Deu- tschland und angrenz. Geb. vork. pag. 43, com uma bella estampa em cores naturaes. - Greshoff, ob. cit., pag. 148. Distribuição geographica: Europa. De todas as saprophytas a mais própria para exa- me. A pigmentação castanho-amarellada de todas as par- tes vegetativas, passa ao verde desde que se submetta a planta a acção d'agua quente. Greshoff a indica como anthelmintica. P. u. rhizoma e raizes. As Orchidaceas estão destinadas á decoração e re- presentam de facto papel muito importante como plan- tas ornamentaes, pois raras são as flores que rivalizam em belleza de colorido e duração com as Cattleyas, Lae- lias, Odontoglossos, Cypripedilos, Oncidios, Vandas e outras desta família que, com justiça, se chamou de 153 Cyrtopera longifolia, Reichb. f ( Seg. Hoehne) 154 «Princeza das flores», mas em compensação bem pou- ca importância têm para a industria ou para a medici- na. Os tubérculos de algumas especies terrestres, cujas flores poucos attractivos apresentam, são fornecedores de «Salepo», producto de pequeno valor alimentício e ne- nhum medicinal. Os pseudo-bulbos dos Catasetos, Cyr- topodios e alguns outros, contêm matéria gelatino-gom- mosa que é empregada como colla, o que lhes valeu o nome de «Colla de sapateiro», pelo qual os conhece o povo. Mais importantes, sem duvida, são as favas das Vanillas, que em determinados pontos do nosso como de outros paizes sul-americanos, constituem matéria de exportação, e, segundo affirma Willkomm-Kõhne, (Bilder- Atlas des Pflanzenreichs, pag. 66) só a Allemanha im- portava para mais de 40.000 kilogrammas, num valor de 3.200,000 marcos, annualmente; accrescentando esse au- tor, que os chimicos, para diminuírem esta importação e para attenderem á grande procura das mesmas favas, con- seguiram obter a Vanillina pelo tratamento da Conife- rina, contida em varias especies de Pinaceas. Chamamos ainda uma vez a attenção para o que dis- sémos mais acima a respeito de Cyrtopera longifolia, Reicb. f., accrescentando que pode ser mesmo provável que os proprios pseudo-bulbos e rhizomas das Galean- dras, Govenias e Cyrtopodios contenham propriedades ver- micidas. OXALIDACEAS OXALIS PES-CAPRAE, L. (Oxalis anthelmintica, A. Rich.) Bibliographia: Linneu, Sp. Pl., pag. 434. - A. Ri- chard, Tent. Fl. Abyss., I, pag. 124. - M. Greshofe, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pa- gina 28. Distribuição geographica: África austral. O nome indica que a planta deve ter emprego an- thelmintico. OXALIS SMITHIANA, Eckl. Bibliographia: Ecklon & Zeyher, Enum., pag. 94. - M. Greshofe, ob. cit, pag. 28. 155 Distribuição geographica: África do sul. Segundo Greshoff, tenifuga. As folhas de Oxalis distinguem-se pelo conteúdo aci- do, e delias se prepara o «Acido Oxalico». A presença deste acido, que em dose elevada é toxico, torna as fo- lhas algo refrigerantes, de sabor acidulado, muito apre- ciadas em salada. Os caules rijos de algumas especies sul-americanas são em Coquimbó, no Chile, usados para fabricar esteiras, que pintadas e tomadas com argamassa se empregam na construcção de habitações para o ho- mem. As tuberas feculosas de algumas especies são uteis para alimentação do gado. PALMEIRAS HYPHAENE THEBAICA, Mart Bibliographia: Martius, Hist. Nat. Palm., III, pag. 226, tab. 131-133. - Drude, Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. II, 3, pag. 39. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pa- gina 156. Distribuição geographica: Noroeste da África. Na região acima citada, o mesocarpo dos fructos serve de alimento e é segundo Drude, pelos allemães conhecido por «Honigbrot» (Pão de mel); Greshoff af- firma que os fructos possuem propriedades anthelminticas. Além desta, existem outras especies, cuja agua e endocarpo, são preconizados como anthelminticos ou te- nifugos. Entre estas cita-se Cocos nucifera, L., o «Côco da Bahia», que temos visto empregar contra as tenias. Papel muito mais importante que na medicina, des- empenham as palmeiras na industria; os endocarpos du- ríssimos de varias especies, principalmente dos generos Phytdephas e Manicaria, fornecem o material emprega- do em trabalhos de torno, que conhecemos por «Mar- fim vegetal», no fabrico de botões, castões de benga- las e outros pequenos objectos. Algumas especies pos- suem endocarpos oleiferos dos quaes se obtem oleos fi- níssimos egualmente muito uteis na industria. As fibras das folhas e das estipes de algumas especies são egual- mente uteis. De outras se obtem cêra cujos empregos 156 augmentaram com a invenção dos gramophones. Para alimentação Cocos nucifera, L., e Phoenix dactylifera, L., são dignos de nota. PAPAVERACEAS BOCCONIA FRUCTESCENS, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 505. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plántentuin, vol. XXIX, pag. 18. - Caminhoâ, Botanica Geral e Medi- ca, pag. 2368. Distribuição geographica: México até ao Perú. Greshoff a cita como anthelmintica e Caminhoâ af- firma que o decocto das cascas é um perigoso vermi- cida. CORYDALIS CAPNOIDES, Wahlenb. Bibliographia: Prantl, Die Nat. Pflanzenf. de En- gler e Prantl, vol. III, 2, pag. 144. - Caminhoâ, ob. cit., pag. 2371. Distribuição geographica: Asia central e Alpes. Segundo Caminhoâ, tónica, emmenagoga e anthel- mintica. A synonymia desta especie não está bem clara, dan- do uns como sendo de Persoon e outros como de Wah- lenberg. C. capnoides, Pers. (Caminhoâ) deve ser C. lu- tea, D. C. CORYDALIS TUBEROSA, D. C. ou Corydalis cava, Schweigg. et Kõrte antiga Fumaria cava, Mill. Bibliographia: Prantl et KUndig, ob. cit., pag. 144. - Caminhoâ, ob. cit., pag. 2371. Distribuição geographica: Europa. Rhizoma amargoso, adstringente, emmenagogo e an- thelmintico, segundo Caminhoâ. DICENTRA FORMOSA, Borkh. ou D. formosa (Andr.) D. C. 157 Bibliograpma: Prantl et KUndig, ob. cit., pag. 143. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2371. Distribuição geographica: Califórnia e Oregon, na America do Norte. As raizes possuem propriedades tónicas e anthel- minticas, segundo Caminhoá. Tal como a precedente, de synonymia bastante con- fusa. Além das varias especies que o povo emprega em- piricamente, é de importância directa para a medicina o latex coagulado que se obtem das capsulas immatu- ras de Papaver somniferum, L., o «Opio», que contém, ao lado de outros alcaloides, a «Morphina», alliada ao «Acido Meconico», na razão de 24 o/o do peso total; de outros alcaloides citam-se a «Thebaina» e a «Narcotina» respectivamente com 8 o/o e 10 °/o do peso total. Para a producção do «Opio» cultiva-se a variedade alba, prin- cipalmente na índia e no Oriente, e, em escala menor, na Europa, Egypto e China. O latex, alvo ao sahir das capsulas, é obtido por meio de incisões que nellas se fazem, antes de perfeitamente desenvolvidas; depois de algumas horas, ao seccar, o latex toma uma cor amarel- lo-acastanhada, sendo então acondiccionado em folhas da mesma planta, depois de aspergido com o fructo de Rumex. Especie bastante commum entre nós é a Argemone mexicana, L., o «Cardo Santo», usado na medicina po- pular. Além desta apparecem ainda Fumaria officinalis, L., e Fum. capreolata, L_, que parecem ser cosmopolitas. PASSIFLORACEAS ADENIA LOBATA, Engl. Bibliographia: Engler, ex Die Nat. Pflanzenfami- lien, de Engler e Prantl, vol. III, 6.a, pag. 83. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. n.o 177. Distribuição geographica: Guiné, na África. O decocto das folhas e do caule é, na África, empre- gado para combater vermes intestinaes; esta planta é de facto tida como poderoso anthelmintico. 158 PASSIFLORA ALATA, Ait. Bibliographia: Maxwell T. Masters, Fl. Br. de Martins, vol. XIII, I, pag. 596, onde se encontra a des- cripção, e pag. 628, onde é citada como anthelmintica. Distribuição geograpbica: Amazonas, Guyanas, Mi- nas-Geraes, S. Paulo, etc. Planta volúvel, de caule quasi quadrangular, estrei- tamente alado, ramoso, glabro e algo avermelhado ou arroxeado, internamente fistuloso. Folhas ovo-oblongadas ou ovaes, agudas, de 11-18 cm. de comp. por 8-12 cm. de larg., membranaceas, superiormente brilhantes e no dorso mais pallidas, no centro uninervuladas, com ner- vuras secundarias algo arqueadas e menos salientes, mar- gens cartilaginosas, na juventude algo denticuladas, as ultimas ou as dos raminhos na base attenuadas em pe- ciolo, este de 25-30 mm. nas folhas mais adultas, na parte superior profundamente sulcado e nas margens com 2-4 glandulas sesseis dispostas aos pares e no dorso con- vexo e não carenado. Estipulas pequenas, foliaceas, 2-3 vezes mais curtas que os peciolos, de forma obliquo-oval- lanceolada, inteiras ou serrilhadas. Pedúnculos floraes so- litários nas axillas das folhas, uni-floros e duas vezes mais curtos que os peciolos, trigonos e articulados perto do apice, bracteolados e acima destas bracteas roliço e por fim pyramidado. Bracteas mais curtas que o tubo do cálice, foliaceas, ovo-agudas, serrilhadas. Flores aber- tas com 11-17 cm. de diâmetro, de tubo um tanto um- bilicado, glabro e pateriforme; sepalos sub-carnosos, ob- longo-obtusos, no dorso perto do apice, corniculados, ex- ternamente verdes e internamente roseo-punctados ou avermelhados; petalos mais longos que os sepalos e de forma idêntica, externamente albacentes e internamente vermelhos, na base espessados; corona da fauce filamen- tosa e filamentos pluri-seriados e distinctos, os exterio- res carnosos, mais longos que os petalos e transversal- mente fasciados de roxo e no apice roxos, erecto-paten- tes; os interiores pequenos denti-formes; corona mem- branosa, emergindo do meio da altura do tubo calicino e horizontalmente distendida, no apice ligeiramente incur- vada e fimbrilhada; corona basilar emergindo do fundo do mesmo tubo, annular, curta e carnosa. Gynandropho- ro curto, espesso, maculado de roxo, no meio com sa- liências trochleiforme-dispostas. Filamentos aplanados e rubro-maculados, ovário estipitado acima da base dos 159 Passiflora alata, Ait. (Seg. Fl. Br. de Mart.) 160 filamentos, glabro, oblongo ou ob-oval, indistinctamen- te lobado e sulcado. Pistillos tres, amarellados e ma- culados de vermelho, quasi claviformes. Fructos ob-ovoi- des ou piriformes de 8-11 cm. de comp., por 5 cm. de espessura, glabros e alvo-maculados, maduros amarellen- tos, geralmente algo-trilobados, na base e apice um tan- to escavados. A variedade brasiliana, com peciolo bi-glanduloso; estipulas pequenas e lineares; bracteas grandes; flores mais esbranquiçadas. A variedade latifolia, com peciolos tetra-glandulosos; estipulas foliaceas, linear-oblongadas, tão longas quanto ou mesmo mais longas que os peciolos; bracteas grandes. A variedade Mauritiana, com folhas tenuemente den- ticuladas; peciolos bi-glanduligeros; estipulas e bracteas ovaes agudas, a metade menores que nas demais va- riedades. No Peru conhece-se esta planta por «Tumbo» e no Brasil por «Maracujá do grande». O extracto das fo- lhas, misturado ao sueco de «Aloes», é anthelmintico. PASSIFLORA BAHIENSIS, Klotzsch. Bibliographia: Maxwell T. Masters, Ob. cit., pag. 561 e 598. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2165. Distribuição geographica: Brasil, Estado da Bahia. Planta escandente, cirrifera. Folhas ovaes ou oblon- go-ovaladas, sub-coriaceas, por cima glabras e por bai- xo pubescentes, de base mais ou menos cordada e apice agudo, irregularmente denticuladas, com uma nervura cen- tral e venulos lateraes um tanto arqueados, hirtas nas nervuras, de 8-11 cm. de comp., por 5-6 cm. de maior larg., sobre peciolos de 1,5 cm. de comp., com duas glân- dulas sesseis e bastante grandes no extremo superior e, como os ramos, um tanto hirsuto-puberulos. Estipulas glandulo-denticuladas, tão ou até mais longas que os pe- ciolos, porém decíduas, lineares. Pedúnculos floraes agru- pados em numero de 2-6 em cada axilla, tenues e uni- floros, proximo ao apice articulados e pouco mais lon- gos que os peciolos. Bracteas 3, de 7-11 mm. de comp., uninervuladas, caducas. Alabastros floraes ovo-oblonga- dos, agudos. Flores, depois de perfeitamente abertas, de 3,5-5 cm. de diâmetro; tubo curto e hirto-puberulo, um- 161 bilicado na inserção do pedunculo. Sepalos sub-coriaceos, oblongos, obtusos, plurinervados, nervo mediano excur- rente formando pouco abaixo do apice um corniculo um tanto incurvado. Petalos tenros, brancos, tão longos e um pouco mais estreitos que os sepalos. Corona pluri-se- riada, emergindo da fauce do tubo; serie externa fila- mentosa, de filamentos patentes liguliformes uni-nerva- dos, a metade mais curtos que os petalos, seguindo-se-lhe uma fila de numerosíssimos filamentos capilliformes e um tanto incurvados; serie interna membranacea em sua base, depois filifera e estes filamentos em tudo eguaes aos descriptos para a serie externa. No centro do tubo encontra-se um annel carnoso que cinge a base do gy- nandrophoro. Gynandrophoro glabro pouco mais curto que os sepalos, longitudinalmente sulcado e pouco aci- ma da base provido de um espessamento annuliforme car- noso. Ovário ovoide puberulo; pistillos tres, tenues e algo claviformes, mais longos que o ovário. Nos cerrados e mattas ralas da Bahia. Caminhoá diz que o decocto das folhas é anti-got- toso e que as sementes passam por vermífugas; os fru- ctos são doces e comestíveis. PASSIFLORA BILOBATA, Juss. Bibliographia: Maxwell T. Masters, ob. cit., pag. 546. - Caminhoá, ob. cit, pag. 2166. Distribuição geographica: México e S. Domingos. Segundo Caminhoá, tida por alexipharmaca e ver- mífuga. PASSIFLORA LAURIFOLIA, Mast. Bibliographia: Maxwell T. Masters, ob. cit., pag. 603, a descripção, e pag. 628, a citação da propriedade. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2167. Distribuição geographica: Guyanas, Pará, Amazo- nas, etc. Planta escandente, de caule um tanto anguloso, gla- bro, sulcado ou estriado; folhas glabras, membranaceas, ovo-oblongadas ou oblongo-lanceoladas, uninervuladas, agudas, algo acuminadas e na base arredondadas, geral- mente asymetricas, de 9-15 cm. de comp., por 4,5-5,5 162 cm. de larg.; peciolos curtos, de 2-2,5 cm. de comp., ostentando duas glandulas sesseis bastante grandes pró- ximas do apice. Estipulas lineares, caducas. Pedúnculos floraes mais longos que os peciolos, solitários nas axil- las das folhas, uni-floros e de 4-6 cm. de comp. Bracteas foliaceas, ovo-oblongadas, com as margens serrilhadas e geralmente glanduligeras, de 2,5-4 cm. de comp. Flores grandes, de mais de 10 cm. de diâmetro, largo campa- nuladas, com tubo calicino curto e umbilicado em sua base; sepalos sub-coriaceos, oblongo-obtusos, no dorso, perto do apice, providos de um corniculo; petalos seme- lhantes aos sepalos, mas um pouco menores; corona da fauce multi-seriada, filamentosa, serie exterior a meta- de mais curta que os petalos, filamentos espessos e trans- versalmente facetados de roxo, complanados e ligulifor- mes, no apice serrilhados e roxos; os da segunda serie tão longos quanto os petalos e em fórma idênticos aos da serie exterior, mas de apice não serrilhado; serie interna numerosa e bastante mais curta que' os petalos, filamentos quasi dentiformes, numerosos; corona mediana membranacea e inflexa. Gynandrophoro curto. Filamen- tos estaminaes liguliformes. Ovário ovoide. Fructo ob- longado, amarello e comestível. As folhas amargo-adstringentes são usadas em de- cocto para combater os vermes intestinaes. PASSIFLORA MUCRONATA, Vell. Bibliograpliia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2167. Distribuição geographica: Rio de Janeiro, S. Paulo e Minas. A planta referida por Caminhoá com o nome aci- ma deve ser, provavelmente, Passiflora mucronata, Lam., que se encontra justamente dispersa pela região por elle indicada como patria da especie, e correspondente á Pas- liflora pallida, Vell. E' uma planta escandente glabra, provida de gavinhas tendo algumas vezes os raminhos pintados com pequeníssimos pontos avermelhados. Fo- lhas sub-coriaceas, oblongo-cordiformes, de 5-15 cm. de comp., por 4-6 cm. de larg., sobre peciolos de 1-1,5 cm. de comp., com duas glandulas deprimidas e sesseis no meio da altura. Estipulas tão longas ou algo mais com- pridas que os peciolos, membranaceas e obliquamente alongadas, agudas e mucronadas. Pedúnculos axillares, 163 Passiflora mucronata, VelL « Maracujá-pintado » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 164 roliços, mais ou menos espessos, com uma só flor, tão longos quanto as folhas, no apice articulados e providos de bracteas estipuliformes pequenas e caducas. Alabas- tro floral depois de perfeitamente desenvolvido oblonga- do, obtuso e cylindrico. Flores, depois de perfeitamente abertas, de 8-12 cm. de diâmetro, com tubo cylindrico, glabro, 4-5 vezes mais curto que os sepalos, umbilicado em sua base. Sepalos sub-coriaceos, glauco-pruinosos, ob- longo-obtusos, de 4-5 cm. de comp., carenados no dor- so e providos de uma elevação em forma de ala úm tanto ondulada, e terminados em uma aresta que se pro- longa alem da ponta. Petalos membranaceos, alvos, pla- nos, obtusos, pouco mais curtos que os sepalos. Coro- na faucial filamentosa, com os filamentos erectos, a meta- de mais curtos que os petalos, seguida de outra serie de filamentos a metade mais curtos que estes; corona me- diana um pouco afastada da exterior, emergindo do meio do tubo, de base inteira e apice dividido em filamentos erectos; corona infra-mediana annuliforme e carnosa, e corona basilar membranacea curta e cupuliforme, ample- xitante á base do gynandrophoro. Este tão longo quan- to os petalos e 2-5 vezes mais longo que o ovário que sustem. Este oval-oblongado, glabro, com elevações lon- gitudinaes. Pistillo claviforme. Fructo oval, pruinoso, at- tenuado para o apice. Vulgo «Maracujá pintado». Caminhoá affirma que as raizes são alexipharmacas e as sementes vermífugas. PASSIFLORA OCELATA, (?). Planta citada por Masters como sendo anthelmintica e diaphoretica, que não encontramos citada em outros trabalhos. PASSIFLORA POEPPIGII, Mast. Bibliographia: Maxwell T. Masters, ob. cit., pag. 546. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2165. Distribuição geographica: Perú, província de Maye- nas. Caminhoá diz que a raiz é empregada como ver- mífugo. 165 PASSIFLORA QUADRANGULARIS, L. Bibliographia: Maxwell T. Masters, ob. cit., pag. 595 e pag. 628. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2167. Distribuição geographica: Nativa em Nicaragua e cultivada no Brasil. Frutescente escandente e cirrifera, de caule tetra- gono-alado; alas largas e herbaceas; folhas membrana- ceas, glabras, de 15 cm. de comp., por 12 cm. de larg., cordiforme oval-oblongadas, acuminadas, uni-nervuladas; peciolo a metade mais curto que a lamina, por baixo carenado e por cima sulcado, ostentando seis glandulas dispostas aos pares; estipulas ovo-lanceoladas, inteiras ou serrilhadas, de 1,3-2,3 cm. de comp. Pedúnculos flo- raes uni-floros, solitários nas axillas das folhas e mais curtos que os peciolos; bracteas foliaceas, obliquo-cordi- forme-ovaladas, serrilhadas, cobrindo o tubo da flor. Flo- res especiosas, de 5-8 cm. de diâmetro, perfumosas; tubo campanulado, carnoso e umbilicado na base, mais curto que os sepalos; estes algo carnosos, oblongos e obtusos, mais curtos que os petalos, destituídos de cor- niculo, por fora verde-claros e por dentro roseos, cor de carne; petalos eguaes aos sepalos, porem mais delgados e pouco mais estreitos; corona faucial com varias se- ries de filamentos, serie exterior com duas filas de se- gmentos patentes e espessos, ondulados, tão longos quan- to os petalos, e transversalmente facetados de roxo; se- rie interna de segmentos conico-tuberculiformes, inflexos em 3-4 filas; corona supra-mediana com 1-2 series, emer- gindo do tubo abaixo da fauce, na base inteiras e depois partidas em franjas distendidas horizontalmente contra o gynandrophoro, cujas saliências trochleiformes escon- dem; corona mediana ou operculo emergindo do tubo e distendida contra o gynandrophoro, nas margens den- ticulada e quasi bi-seriada; corona infra-mediana emer- gindo da base do tubo, espessa e annuliforme carnosa; gynandrophoro provido de saliências pouco acima da sua base; filamentos estaminaes complanados; antheras ob- longas; ovário ovoide, glabro; pistillos claviformes. Fru- ctos ovoides, do tamanho ou pouco maiores que um ovo de ganso, verde-amarellados, comestíveis. Sementes comprimidas ob-cordiformes, na incisão providas de um pequeno espinho, casca negra e escrobiculada. Planta muito cultivada devido não só á belleza das suas folhas, como também aos fructos comestíveis, de 166 sabor adocicado muito agradavel, com grande numero de variedades e fôrmas, tal como a P. alata, Ait, conheci- da no Perú por «Tumbo» e entre nós por «Maracujá do grande». Masters diz que as raizes são venenosissimas, mas em dose reduzida anthelminticas e emeticas. Segundo Masters poucas são as virtudes medicinaes destas plantas. As qualidades principaes encontram-se nas folhas e raizes, que contêm uma substancia analoga á morphina, denominada «Passiflorina». Além das proprie- dades anthelminticas, que parecem ser communs a to- das ou á grande maioria das especies, as folhas são também usadas para combater as febres intermittentes, a erysipela e affecções ou inflammações cutaneas, sendo ain- da consideradas diaphoreticas e anti-hystericas. O nome Passiflora, que deu o nome á familia, ori- ginou-se da interpretação dos vários segmentos da flor Passiflora edulis, Sinas. (Original reproduzido de uma pliotographia pelo Sr. Fischer) 167 como representando os instrumentos usados na paixão de Christo; a corona filamentosa que orna a fauce e a base dos segmentos do periantho symbolisando a coroa de espinhos, os estames com as antheras os cravos e o pistillo, com os seus tres braços, o açoute ou flagello. Das sementes de Passiflora edulis, Sims, obteve o Dr. Baptista de Andrade um bello oleo que mereceria ser experimentado na therapeutica. PHYTOLACCACEAS ANISOMERIA DRASTICA, Moq. Bibliographia: Caminhoá, Botanica Geral e Medi- ca, pag. 2208. । Distribuição geographica: Chile. Caminhoá affirma que ella é drastica. Usam princi- palmente as raizes, resinosas e algo amargas, applicando- se externamente o sueco, que é anti-psoriasico e vermí- fugo em clysteres. GALLESIA GORAZEMA, (Vell.) Moq. (No índex Kewensis ainda dada como Gallesia sco- rododendrum, Casar., que no Die Natúrliche Pflanzenfa- milien de Engler e Prantl, já foi posto na synonymia). Bibliographia: Moquin Tandon, in De Candolle Prodromus, XIII, b., pag. 8. - Velloso, Flora Flumi- nensis, vol. V, tab. 4, onde figura como Crataeva gora- zema. - Casareto, No Strip. Brasiliensis, dec. V, pag. 43. - J. A. Schmidt, Fl. Br. de Mart., vol. XIV, II, pag. 331. - Heimerl, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 1 b, pag. 7. - Greshoff, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 129. - Hans Walter, Das Pflanzenreich, fase. IV, 83, pag. 84. Distribuição geographica: Rio de Janeiro, Minas e outros pontos no Brasil, e no Perú. Especie unica do genero. Arvore alta, ramos robus- tos, raminhos delgados com linhas decurrentes ligeira- mente angulosos, acinzentados ou castanhos cobertos de pequenas verrugas meio amarelladas. Folhas sobre pe- ciolos canaliculados, angulosos, glabros, de até 4 cm. de 168 comp.; com lamina oval ou elliptico-ovalada, apice acumi- nado e nervura central ligeiramente projectada, base agu- da e larga, no dorso reticulada com as nervuras proemi- nentes, glabra, coriacea de mais ou menos 14 cm. de comp., por 6 cm. de larg., vista contra a luz cheia de pontos e traços translúcidos e na margem egualmente um tanto translúcida. Inflorescencias terminaes e axilla- res, delgadas, sub-conicas, de 15 cm. de comp. e mais de 10 cm. de diâmetro; eixo pouco anguloso, tenuemen- te pubescente e esverdeado, quando fructificadas mais ou menos castanhas. Flores com cheiro forte de alho, so- bre pedicellos espessos, angulosos, algo pubescentes, de 1,5 mm. de comp.; bracteas do mesmo comprimento dos pedicellos e bracteolas de 1 mm. Segmentos 4, de ap- proximadamente 3 mm. de comp. por 2 mm. de larg., persistentes no fructo e, então, de 6 mm. por 3 mm.; estames muitos, de 3 mm. de comp., filamentos de 1,5 mm. e antheras de 2 mm. Ovário de 1 mm. de diâme- tro; pistillo de 1 mm. de comp. Fructos em fórma de samaras com uma ala espathular de 22 mm. por 9 mm. de larg., em um extremo e um núcleo de 7 mm. de comprimento. Nome vulgar «Páo d'Alho», arvore conhecida como padrão de terra bôa, bastante frequente nos Estados de Minas, Rio e S. Paulo. Os banhos preparados com as folhas e com a ma- deira são usados como medicinaes. A madeira, rica em potassa, serve para o fabrico do sabão, além de ser empregada para purificar e clarear o assucar. Greshoff a cita como anthelmintica. GIESEKIA PHARMACOIDES, L. Bibliographia: Linneu, Mant. II, pag. 562. - Het- merl, ob. cit, pag. 11. - Greshoff, ob. cit., pag. 83. - Hans Walter, ob. cit., pag. 25, que a subordina ás Aizoaceas, excluindo-a de entre as Phytolaccaceas. Distribuição geographica: índia oriental. Tenifuga, segundo Greshoff. PETIVERIA TETRANDRA, Gomes. (Melhor talvez: Petiveria hexaglochin, Fisch. et Mey.) Bibliographia: Eichler, Fl. Br. de Mart., vol. XIV, II, pags. 334 e 376. - Hans Walter, ob. cit., pag. 120 169 - Heimerl, ob. cit., pag. 8, que a funde com a Peti- veria alliacea, L. Distribuição geographica: Brasil - vários logares. Suffrutescente erecta de ramos delgados e finos, com linhas decurrentes um tanto angulosas, quando novos verdes, adultos algo acastanhados ou amarellados. Fo- lhas sobre peciolos de 6 mm. de comp., canaliculados e glabros, com lamina elliptica ou largo-lanceolar, no ápi- ce acuminada e nervura central pouco proeminente mu- cronulada, base larga e aguda, por cima lisa e por bai- xo com as nervuras um tanto salientes, de 13 cm. de comp. por 5 cm. de larg., visto sob a lente e contra a luz, cheia de pontinhos translúcidos e uma zona es- treita translúcida em toda a sua margem, estipulas es- treitas de 2 mm. de comp. Inflorescencias erectas, laxas e racimosas, terminaes, nas axillas das ultimas folhas e mais longas que estas, de até 25 cm. de comp. e ape- nas 4 mm. de diâmetro, eixo glabro, lineado anguloso, verde. Flores sobre pedicellos de 0,5 mm. de comp. ou um pouco maior nos fructos e, então, até de 1,5 mm. de comp., roliços, glabros; bracteas de 1 mm. de comp. e bracteolas de 0,5 mm., persistentes; sepalos 4, de 2,5 mm. de comp. por 0,7 mm. de larg., roseos ou alvos, persistentes no fructo e, então, verdes, de 4 mm. de comp. por 1 mm. de larg.; estames 4, ou raro 5, de 2,5 mm. de comp. e filamentos só de 2 mm. e antheras de 1 mm.; pollineas tetra raro penta-sulcadas. Ovário de 0,8 mm. de comp., estigma penicellado e sessil. Fructos de 6 mm. de comp., com seis unhas recurvadas e de 2,5 mm. de comp. Bastante frequente em todo o Brasil e vulgarmente conhecida por «Herva pepi» ou «Raiz de Guiné». Anti- febril, diurética e anthelmintica. Propriedades idênticas encontram-se na Petiveria al- liacea, L., que, conforme já dissemos, é por alguns au- tores considerada idêntica a, acima descripta, da qual se afasta pelo numero de unhas nos fructos e por ter sepalos maiores e inflorescencia pubescente. A distribui- ção desta estende-se até o México, sul dos Estados Uni- dos na America do Norte, e La Plata na do sul. No México é conhecida por «Zorisso», no Brasil por «Mu- cura-caá», «Raiz de guiné» e «Herva pepi»; em Porto Rico por «Anamú» e na Martinica por «Herbe aux pou- les de Guiné» e «Arada». Caminhoá diz que registou nada 170 menos de 23 factos de envenenamentos pela raiz do «Guiné», e que, graças a esta propriedade, os escravos a conheciam por «Amansa-Senhor». PHYTOLACCA ABYSSINICA, Hoffm. (E' hoje considerada syn. de Phyt. dodecanãra, L'He- rit, segundo Hans Walter). Bibliographia: O. Hoffmann, in Comrm Gotting. XII (1796), pag. 27. - Heimerl, ob. cit., pag. 11. - Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 128. - Hans Walter, ob. cit., pag. 42. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2207. Distribuição geographica: Abyssinia, Madagascar e Cabo da Bôa Esperança. Anthelmintica, segundo Greshoff. Nomes vulgares: «Schebti» na região do Tigre e «Andot» em Amhara, na Abyssinia. Caminhoá escreve «Scheble». A utilidade das Phytolaccaceas é varia. Uma parte das especies é empregada como officinal. Segundo Hans Walter, Schablowsky diz que as raizes de Phytólacca americana, L., especie quasi cosmopolita, são usadas con- tra a raiva dos cães em Samursak. Fyles aconselha o uso da seiva desta mesma planta contra picada de in- sectos. Segundo Engler, emprega-se a Phyt. dodecandra, L'Herit., nos ferimentos; Schimper affirma que os fru- ctos desta especie são pouco e as raizes muito purgati- vas, fim para o qual se usa a raiz de Anisomeria coriacea, L., no Chile conhecida por «Pircun». A Phyt. heptandra, Retz., apezar de muito toxica é, no Cabo da Bôa Es- perança, empregada contra as affecções pulmonares. No México usam as folhas de Phyt. icosandra, L., para curar feridas, applicando-as com oleo, e as raizes de Agdestis clematidea, Moc., que também apparece no Rio de Ja- neiro, para combater a syphilis, sendo a primeira vul- garmente conhecida por «Conguera», «Ayamol» e «Ja- bonero» e a segunda por «Thusch». A Petiveria altiacea, L., acima citada, entra na composição do Curare, serve para banhos, sendo ainda usada como sudorífico. Algu- mas Phytolaccas produzem fructos que fornecem maté- ria corante, aproveitada para tingir licores ou no afor- moseamento da cutis, fins estes para que são cultivadas em alguns logares da America do Sul. As folhas de outras especies são comestíveis e usadas como carurús. 171 PIROLACEAS PTEROSPORA ANDROMEDA, Nutt. Bibliographia: Drude, Die Natúrliche Pflanzenfa- milien de Éngler e Prantl, vol. IV, I, pags. 7 e 10. - Greshoef, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 98. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pa- gina 2658. Distribuição géographica: Canadá, Colombia e Ca- lifórnia. Pelos indios destas regiões usada como vermífugo, segundo Drude. Greshoff confirma esta asserção e Ca- minhoá accrescenta que o é também como sudorífica. As Pirolaceas não são representadas na nossa flora, estendem-se, porém, até a parte septentrional da Ame- rica do Sul. Algumas são ainda consideradas diuréticas e outras parecem ter effeito narcotico. POLYGALACEAS POLYGALA TINCTORIA, Vahl. (Segundo o Index Kewensis é P. javana, D. C.) Bibliographia: Vahl, Symb. Bot. I, pag. 50. - De Candolle, Prodromus I, pag. 327. - Greshoff, Me- dedeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 22. Distribuição géographica: índia oriental e Malaya. Sementes tenifugas, segundo Greshoff. Graças á substancia amarga que encerram, as Poly- galaceas, são, como as Violaceas, empregadas empirica- mente contra varias moléstias; cujas partes mais usadas, as folhas e raizes, encerram propriedades emeticas, pur- gativas, diuréticas e anti-febris, sendo algumas especies ainda preconizadas como anti-ophidicas. A especie mais conhecida na medicina.é Polygala senega, L., da America do Norte, que fornece a «Radix Senegae», usada con- tra as moléstias pulmonares. Para idênticos fins ou como emeticos, pódem ser empregadas a Polygala fimbriata, 172 A. W. Ben., P. paniculata, L., e P. angulata, D. C., do Brasil. Como, toxicas cita-se a Polygala aspalata, L., da Republica Argentina e Brasil, P. venenosa, Juss., de Java e algumas outras. O principio activo das Polygala^ ceas é ainda desconhecido. As varias especies de Kramerias, que fornecem «Ra- tanhia» de varias qualidades e na Flora Brasiliensis subor- dinadas ás Polygalaceas, pertencem a familia das Legu- minoseas. POLYGONACEAS POLYGONUM ACUMINATUM, Willd. e POLYGO- NUM ACRE, H. B. K. Bibliographia: Meissner, Flora Brasiliensis de Mar- tius, vol. V, I, pags. 14, 15 e 99. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2222. Distribuição geographica: Todo o Brasil. Plantinhas herbaceas, dos brejos e alagados, com fo- lhas alternas, lanceolar-acuminadas, acima da bainha con- trahidas em pseudo-peciolo; caule noduloso e fistuloso de 50-150 cm. de comp., geralmente um tanto prostra- do. Inflorescencias terminaes espiciformes, flores peque- nas, alvas, entre bracteas um tanto imbricadas, em gru- pos de 3 a mais, com os segmentos mais ou menos es- cariosos, pistillo bi-partido e estames salientes. A segunda especie distingue-se da primeira por ser completamente glabra e ter inflorescencias muito menos floribundas, porém mais delgadas e longas, como se pode ver pela estampa. Ambas bastante communs no Brasil. Embora Meissner ignore a origem do nome vul- gar, dizendo parecer originar-se do emprego da planta contra a «Doença do bicho», achamos fora de duvida que o mesmo se tenha derivado do uso da planta contra os vermes intestinaes, vulgarmente conhecidos por «Bi- chas» ou «Bichos», uso este que deve ser interno e não em cataplasmas, como affirma Pison. O nome «Herva de bicho» que se dá a estas plantas extende-se algumas vezes também ao Chenopodium ambrosioides, L. A explicação da origem do nome é aliás de Martius, que affirma ter-se o mesmo originado do emprego da 173 Polygonum acre, H. B. K. «Herva de bicho» (Seg. Fr. Br. de Mart.) 174 planta contra as hemorrhoidas, para o que é muito pre- conizada. Plantas adstringentes muito empregadas para curar dysenterias fortes, affecções arthriticas e hemorrhoidaes, como aperiente e refrigerante. Caminhoá, affirma que o sueco de Polyg. acre, H. B. K. é vermicida. RHEUM UNDULATUM, L. Bibliographia: Engler, Die Nat. Pfl. II, 1, pag. 164. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2219. Distribuição geographica: Asia Meridional. As raizes contêm «Acido chrysophanico» e são, por Caminhoá, indicadas como lumbricidas e purgativas. As folhas e os peciolos são comestíveis. RUMEX ABYSSINICUS, Jacq. Bibliographia: Jacquin, Hort. Vind. III, pag. 48 e tab. 93. - Dammer, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, l.a, pag. 19. - Greshoff, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 131. Distribuição geographica: Abyssinia. Tenifugo. Contém «Acido chrysophanico», segundo Greshoff. RUMEX ECKLONIANUS, Meissn. Bibliographia: Meissner, in Linnaea, XIV, pag.493. - Greshoff, ob. cit., pag. 130. Distribuição geographica: África do sul. Segundo Greshoff, anthelmintica. Na America do Norte emprega-se como succedaneo do Rhuibarbo, sob o nome de «Horse Rhubarb», as rai- zes tuberosas de especies de Eriogonum, usando-se para o mesmo fim, na Abyssinia, a Rumex abyssinicus, Jacq., que mais acima citámos como anthelmintico. O genero mais importante para a medicina parece, entretanto, ser o Rheum, com mais de vinte especies asiaticas, conten- do todas «Acido chrysophanico» em suas raizes e tube- ras, dentre as quaes se encontram as productoras do 175 «Rhuibarbo» legitimo, de que Dammer faz o seguinte his- tórico: «Rhuibarbo é um medicamento estimado e co- nhecido desde muitos séculos. As noticias mais remo- tas encontramos em trabalhos chinezes, que datam de 2700 annos antes de Christo, em que se falia de Huang- liang (a bella amarella) e de Ta-lzuang (a grande ama- rella). Plinius conhecia uma raiz, que era trazida das regiões altas do mar Negro e do Poncio, e por isto chamada «Radix pontica» ou «Rhaponticum», nomes que no commercio e no caminho para o sul, região do mar Vermelho e índia, foram mudados para «Rha barbarum». No século 12 o «Rhuibarbo» parece ter sido também importado da índia, pois nas tarifas alfandegarias de Ancona encontra-se citação do mesmo. No século XVI já se recebia este producto pelo caminho de Moskou. Em 1719, Urga, nos confins septentrionaes de Gobi, era con- siderado emporio principal de «Rhuibarbo». Em 1728, Zuruchaitu e Kiachta no triângulo Russo-Siberico-Chinez, foram indicadas como pontos de importação e commer- cio entre a Rússia e a China, dos quaes o primeiro foi sem importância para o commercio de «Rhuibarbo», mas o segundo e Maimatschin, na China, se tornaram delle grandes emporios. Destas cidades exportava-se para a Europa pelo caminho de Moskou a «Radix Rhei mos- cowitici s. optimi», que hoje só se encontra em algumas collecções, pois com a abertura dos portos começou em pouco a importação deste material directamente da Chi- na, principalmente do porto de Cantão, o que veio mu- dar o nome do producto para o de «Rhuibarbo de Can- tão», que em pouco se implantou no commercio. A es- pecie productora do «Rhuibarbo» era desconhecida até bem pouco tempo. Os dois productos, aqui citados, pa- recem vir de duas especies diversas, provindo o pri- meiro, conforme ficou provado por Przewalski, de Rheum palmatum, L., var. tanguticum, originaria de Tangut, na China, e o segundo de Rheum officinale, Baill., do Hi- malaya chinez. Outras especies deste mesmo genero pa- recem entretanto fornecer producto similar e serem ex- ploradas para este fim.» Além das propriedades medi- cinaes, RJieum é ainda portador de qualidades alimentí- cias e egualmente cultivado como planta de ornamen- tação, o que contribuiu para o apparecimento de di- versas variedades e productos hybridos artificialmente con- seguidos. 176 Polygonum acuminatum, Willd. «Herva de bicho» (Seg. Fl. Br. de Mart.) 177 Algumas especies de Polygonum são productoras de tintas. Uma delias, P. tinctorium, Lour., fornece o índi- go da China. Outras são empregadas na veterinária e, em grande maioria, são consideradas boas para alimen- tação de abelhas que parecem dar preferencia ás suas flores; poucas são forrageiras e algumas fornecem grãos para a alimentação de aves. Empiricamente empregam-se muitas especies na me- dicina popular, assim a Muehlenbeckia sagittifolia, Meissn., «Salsa», contra a syphilis; algumas especies de Cocco- lobios, contra a leucorrhéa, diarrhéa, gonorrhéa, etc. POLYPODIACEAS ASPIDIUM ATHAMANTICUM, Kze. Bibliographia: Diels, Engl. e Prantl., Die Nat. Pflanzenf., vol. I, 4, pag. 183, etc. - Greshoff, Mede- deelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 164. Greshoff a cita como anthelmintica. ASPIDIUM MARGINALE, Sw. Bibliographia : Greshoff, ob. cit., pag. 164. Citada por Greshoff como anthelmintica. ASPIDIUM PRESTULATUM, Ten. Bibliographia: Greshoff, ob. cit., pag. 164. Citada por Greshoff. ASPIDIUM RIGIDUM, Webb. et Bert. Bibliographia: Greshoff, ob. cit., pag. 164. Indicada por Greshoff. NEPHRODIUM FELIX-MAS, Rich. (Aspidium felix-mas, Sw., etc., N. vulg.: «Féto-ma- cho»), Bibliographia: Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Med., vol. I, pag. 1131. - Diels, Die Nat. Pflanzenfami- lien de Engl. e Prantl, vol. I, 4, pag. 173. - J. G. Baker, Fl. Br. de Mart., vol. I, II, pag. 480. - Caminhoá, Bot. Geral e Med., pag. 1777. Distribuição geographica: Cosmopolita. 178 Nephrodium felix-mas, Rich. «Féto - macho» (Seg. das Pflanzenleben) Planta baixa de caudice erecto um tanto lenhoso, envolvido pela imbricação da base dilatada das estipes que delle emergem fascicularmente, abaixo e entre as folhas provido de raizes pretas e bastante rijas, coberto até sobre a parte inferior dos peciolos das estipes de paleas castanho-escuras. As frondes (folhas) são dispos- tas em espiral e são em estado jovem recobertas de pa- leas; quando adultas são constituídas de um peciolo prin- cipal, um tanto dilatado em sua base, (parte esta que ain- da persiste muito tempo depois de destruída a folha) e de limbo formado de pinnas primarias oppostas e pin- nati-sectas em segmentos egualmente oppostos. O pecio- lo principal acha-se, em sua base, provido de escamas ou paleas acastanhadas. O limbo é de fórma oblongo-lan- ceolar, glabro por cima e ligeiramente paleaceo sobre as nervuras na parte dorsal; attinge de 40-60 cm. de comp. e expande-se de 18-25 cm. em largura. As pin- nas em numero de 20-40 jugos, são egualmente oblongo- lanceolares, têm na media 10-15 cm. de comp. por 18-25 mm. de largura, sendo as superiores e inferiores geral- mente um pouco menores que as do meio, com 6-8 ju- gos de nervuras e outros tantos lobulos mais ou me- nos profundo-emarginados. Soros 8-12 por segmento, pró- ximos á nervura. índusio glabro, firme e convexo. 179 Relativamente rara no Brasil, só observada algumas vezes na Serra do Mar, em Caídas (no Estado de Minas) e perto de S. Paulo, talvez na Serra do Cubatão. Caminhoá diz que é vermífugo e .antirachitico. POLYPODIUM LIGULATUM, Sw. Bibliographia: Greshoff, ob. cit., pag. 164. Tenifuga, segundo Greshoff. POLYPODIUM PERCURSUM, Cav. Bibliographia: Baker, ob. cit., pag. 536. - Gres- hòff, ob. cit., pag. 164. Caudice rasteiro, mais ou menos lenhoso, de 3-5 mm. de espessura. Paleas lanceolar-assovelladas ferrugmeas, de 4-5 mm. de comp., recobrindo completamente o cau- dice quando joven. Frondes simples, inteiras, rigido-co- riaceas, breve-pecioladas, erectas, com limbo de 15-25 cm. de comp. e de 2-4 cm. de larg., na parte dorsal recoberto de escamas peitadas, com centro ferrugineo e margens es- cariosas, sobre as nervuras com escamas mais alongadas quasi lanceolares, na base e apice attenuado. Soros mais ou menos distanciados entre si, dispostos em duas li- nhas e em numero de 20-30 por serie e em cada lado do limbo, pulvinados, occupando o meio entre a margem e a nervura central, mais ou menos irnmersos e de 2-2,5 mm. de diâmetro. Epiphyta, dispersa por toda a America tropical. En- contrada em Santos, no Estado de S. Paulo, no Rio de Janeiro, Minas-Geraes e Amazonas. Affim de Polypodium crassifolium, Linn., bastante frequente nos arredores de S. Paulo, do qual se distingue apenas pelas nervuras se- cundarias que nelle se bifurcam e perdem antes de attin- gir a margem, vindo naquelle até as margens do limbo. POLYPODIUM SUSPENSUM, Linn. Bibliographia: Baker, ob. cit., pag. 514. - Gres- hoff, ob. cit., pag. 164. Caudice lenhoso, quando verde mais ou menos car- noso, rasteiro, vestido de paleas castanho-claras de 2-4 mm. de comp. Folhas simplice-pinnadas, mais ou me- nos pendentes, arqueadas, quando jovens recobertas de 180 pellos molles mais ou menos patentes, mais tarde despi- das; lamina pinnada, de 22-35 cm. de comp., por 4-7 cm. de larg., sobre peciolo de 10-15 cm. de comp. e ligeira- mente vestido. Pinnas contiguas, linear-lanceoladas, intei- ras, agudas, com 8-12 jugos de nervuras, da base ao apice attenuadas, as medianas de 25-40 mm. de comp. e 5-8 mm. de larg. Nervuras negras, ligeiramente vestidas, nas pinnas erecto-patentes, não chegando até ás margens das mesmas, nos ramos medianos mais curtos sorigeros. Soros proximos ás nervuras, intermixtos de raros pellos. Epiphyta, com rhizoma rasteiro, adherente á casca das arvores e folhas recurvadas; frequente na Serra dos Órgãos, estendendo-se até ao Perú e México. Indicada como anthelmintica por Greshoff. Além destas especies que aqui enumeramos e que encontramos citadas como anthelminticas e tenifugas, ou- tras existem no Brasil, que lhes são affins, devendo for- çosamente conter propriedades analogas. Neste numero estão o Polypodium crassifolium, L., bastante frequente nas mattas de S. Paulo; Polypodium Catharinae, Langsd. et Fisch., Pol. lepidopteris, Kunze, Pol. loriceum, Linn., além de outros da secção Polypodium, Mett., deste gene- ro. Também vários Pteris, Cheilanthes, e outros generos das Polypodiaceas devem possuir virtudes idênticas ás do «Feto macho». Diversas destas especies são por Eichler e Baker lembradas na Flora Brasiliensis de Martius, vol. I, II, pags. 622 e 623. Varias especies de Adiantum fornecem a «Folia Adian- ti», «Herba Capillorum Veneris», «Herva de Avença», «Avencão», «Frauenhaar», «Maidenhair ou Ladies Hair», «Capillaire de Montpellier», etc., material de sabor acre- doce, tanifero, com substancias amargas e oleo volátil extrahivel, ainda pouco estudado, sendo, entretanto, es- pecialmente preconizadas contra as affecções pulmonares. Os rhizomas muito carnosos da «Samambaia», Pte- ridium aquilinum (L.), Kuhn., de sabor mucilaginoso-aus- tero, adocicado e vellicante-adstringente, são empregados contra moléstias pulmonares e considerados ainda dia- phoreticos. Em alguns paizes são usados para preparar um pão especial. 181 PORTULACACEAS PORTULACA OLERACEA, L. (N. vulg.: «Beldroega»), Bibliographia: Peckolt, Hist. das Plantas alimen- tares e de gozo, vol. IV, pag. 17. - Paulus Rohrbach, Fl. Br. de Mart., vol. XIV, II, pag. 299. Herva carnosa, de caules na base não raro um tanto lenhosos, numerosos, algo avermelhados, prostrados ou erectos, ramosos desde a base, glabros e de 5-30 cm. de comp. Folhas planas ob-ovo-cuneadas ou quasi es- pathuliformes, alternas ou quasi oppostas, apice obtuso ou retuso, base attenuada e ligeiramente saliente, de ta- manho variavel, desde 5-40 mm. de comp,, por 3-15 mm. de largura; pellos axillares raros e curtos pouco conspí- cuos; ás vezes com duas estipulas junto á base dos pe- ciolos. Flores terminaes, raras entre as folhas dos ex- tremos dos ramos, com petalos amarellos uma e meia vezes mais longos que o cálice. Bracteas membranaceas, pequenas, ovaes e acuminadas. Cálice com tubo de 2-3 mm. de comp. e lobos ovaes obtusos, carenados no dor- so, e carena salientada em acumen, ao todo de 3-5 mm. de comp. Petalos ob-ovo-oblongados, emarginados, ligei- ramente concrescidos em sua base. Pistillo curto, esti- gmas 3-5, assovellados e bastante mais curtos que o pis- tillo. Capsula ob-oval, sustida pela corolla murcha, abrin- do transversalmente ao meio, com a parte ou metade in- ferior um tanto túmida. Sementes negro-opacas, renifor- mes, verruculoso-granulosas, com radicula obtusa pouco saliente no apice, de 0,5 mm. de diâmetro. Dispersa por quasi toda a superfície do globo, ap- parecendo principalmente em terrenos cultivados. Encon- trada no Rio de Janeiro, Bahia, Minas-Geraes, etc. Peckolt diz, que o vinho preparado dos fructos, é um anthelmintico poderoso. Este mesmo producto, é ain- da considerado emmenagogo e a herva tida como re- frigerante, sedativa e anti-escorbutica. Algumas especies são tidas como boas para activar a secreção urinaria. 182 PROTEACEAS GEVUINA AVELLANA, Molina. Bibliographia: Molina, Sagg. Chile, pag. 184 (1782). - Engler, Die Natiirliche Pfl. de Engler e Prantl, vol. III, 1, pag. 148. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 133. Distribuição geographica: Regiões alpinas do Chi- le, até 45o de lat. sul. Nome vulgar: «Avellã do Chile», «Chilenische Has- selnuss». As sementes oleosas, são na patria usadas como de- liciosa sobremesa. Greshoff affirma que a casca dos fru- ctos é anthelmintica. Apezar do grande numero de especies vegetaes que constituem esta familia, poucas são as realmente uteis. A madeira de quasi todas as arborescentes é, apezar de re- sistente, de pouco valor, porque as arvores nunca attin- gem proporções que compensem o seu aproveitamento. Algumas, como as Grevileas, com que ornamentamos as ruas e praças, são arvores ornamentaes, poucas fornecem fructos comestíveis e raras são as medicinaes. PUNICACEAS PÚNICA GRANATUM, L. (Vulg.: «Romã»), Bibliographia: Niedenzu, Die Nat. Pflanzf. de En- gler e Prantl, vol. III, 7, pag. 25. - Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Med., vol. I, pag. 798. - Otto Berg, Fl. Br. de Mart., vol. XIV, I, pag. 514. - Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2028. Distribuição geographica: Natural da Península Balcanica, propagada até ao Himalaya e hoje cultivada em quasi todos os paizes do mundo. A casca das raizes, «Córtex radieis Granati», das phar- macias, é vermicida e considerada como um dos melho- res tenifugos. Estas propriedades são devidas a um al- 183 caloide que, segundo Lanessan, foi descoberto por M. Tanret, e denominado «Pelletierine»; base do preparado de egual nome. PÚNICA NANA, L. (Vulg.: «Romã rasteira»). Bibliographia: Fl. Br. de Martius, vol. XIV, I, pag. 623 (Supplementum). Distribuição geographica: A mesma da especie an- terior. A presente especie deve antes ser considerada uma variedade da P. granatum, L., desta tendo as mesmas propriedades e usos. Desta pequena familia vegetal, que se compõe exclu- sivamente das duas especies aqui citadas, aproveitam-se egualmente as cascas dos fructos que apparecem sob o nome de «Córtex fructus Granatis», o «Malicorii». A pol- pa acido-adocicada que envolve as sementes é comestí- vel e usada para fabricar refrescos. RANUNCULACEAS CLEMATIS BRACHIATA, Thunb. Bibliographia: M. Greshoff, Mededeelingen, uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 7. - Thunberg, Proc. Pl. Cap., pag. 94. Distribuição geographica: África austral. Por Greshoff, citada como vermifuga e empregada no sul da África. DELPHINIUM COERULEUM, Jacq. Bibliographia: M. Greshoff, ob. cit., pag. 7 e Phar- macogr. Ind.? Distribuição geographica: índia. DELPHINIUM CONSOLIDA, L, e DELPHINIUM PE- RIGRINUM, L. Ambos da Europa e Asia, são por Caminhoá, Bot. Geral e Medica, pag. 2292, citados como amargos, vermi- 184 fugos e diuréticos, passam também por aphrodisiacos, em pequenas doses. Vulgarmente conhecidos por «Espo- ras de cavalleiro» ou «Esporas de cearas». Segundo Greshoff, vermicida (Root used to kill mag- gots). A grande maioria das Ranunculaceas encerra substan- cias picantes fugazes e algumas também alcaloides cons- tantes; as substancias amargas extrahiveis, contidas nas raizes de algumas especies, são de utilidade real para a medicina. O Hydrastis canadensis, L., commum na America do Norte, contem em seu rhizoma o alcaloide «Hydrastina»; Nigella e Paeonia contêm especies empre- gadas na therapeutica. Coptis trifolia, Salisb., na Ame- rica do Norte, é officinal e conhecida por «Golden-thread»; Coptis teeta, Wall., tem rhizoma medicinal que é co- nhecido por «Mamira» ou «Mishmee-bitter». Actaea cimici- fuga, L., e A. americana, (Michx.) Prantl, são officinaes; a primeira destas, como indica o nome, deve ser também insecticida empregando-se da segunda o rhizoma. Pur- gativas são as raizes de Adónis vernalis, L., e outras. As plantas mais importantes desta familia para a medicina são, no emtanto, algumas especies de Clematis, de Anemone e de Aconitum. Principalmente Aconitum Na- pellus, L., que em seus bulbos contem os alcaloides «Aco- nitina» e «Pseudo-aconitina», além de outros de impor- tância secundaria; Ac. ferox, Wall., medicinal e toxico, que na índia é conhecida por «Bikh», onde se empregam tam- bém os bulbos de Ac. heterophyllum, Wall., o «Atee», como alimento. No Japão conhece-se egualmente as proprie- dades toxicas das especies de Aconitum que alli são indíge- nas, portadoras de um alcaloide ainda mais nocivo, a «Japacotina». Em alguns paizes as folhas de Ac. Napellus, L., são egualmente usadas como officinaes, encerrando o Acido aconitoso», além da «Aconitina», aliás menos abun- dante que nos bulbos; a Anemone pratensis, L., fornece a «Herba pulsatillae» que contem «Anemonina». Desta familia vegetal relativamente pequena só tres generos são representados em nossa flora, a saber: Cle- matis, Anemone e Ranunculus; não nos consta, entre- tanto, que qualquer das suas especies tenha emprego medicinal entre nós. 185 RHAMNACEAS ZIZYPHUS JOAZEIRO. Mart. Bibliograpliia: SiG. Reissek, Flora Brasiliensis de Martius, vol. XI, I, pag. 86. - Weberbauer, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 5, pag. 404. - Drs. Arthur Neiva e Belisario Penna, Memmorias do Ins- tituto Oswaldo Cruz, vol. VIII, III, pag. 163 do anno 1916. Arvore relativamente bella, grande, de tronco sim- ples ou ramificado desde a base, de 40-60 cm. de diâme- tro e mais de 12 metros de altura; casca acinzentada, com ligeiros sulcos longitudinaes; ramos patentes, sinuo- sos, roliços; ramulos, peciolos e pedúnculos recobertos de tenue camada de pellos, ás vezes só visíveis com a lente, ás vezes glabros; aculeos rectos, na base dos ramu- los, em regra bastante raros; folhas pecioladas, largo- ovaes e base cordada, agudas ou quasi acuminadas, serri- lhadas, glabras e nas nervuras na pagina inferior pube- rulas, pouco distanciadas entre si, alternas e bem paten- tes, de 5-9 cm. de comp. por 3,3-5 cm. de larg., em exemplares mais viçosos também maiores; peciolos de 5-10 mm. de comp.; estipulas não raro caducas, as das bases dos ramulos não raro transformadas nos aculeos acima citados, de 14-15 mm. de comp., persistentes du- rante 2-4 annos e então quebradiças e destructiveis. In- florescencias cymosas quasi globosas, dichotomicamente ramosas e multifloras, duas vezes mais longas que os peciolos ou apenas pouco mais longas. Cálice glabro, tão longo quanto o pedicello, isto é, de 5-7 mm. de comp. Petalos reflexos, de unguiculo linear e lamina quasi or- bicular e um tanto aconchavados, insertos no cálice entre os lobos do mesmo, tendo em sua frente os filamentos es- taminaes cujas antheras geralmente envolvem com a parte aconchavada; antheras ellipsoides, de base cordada, duas vezes mais curtas que os filamentos que as ostentam; disco com dez carenas que em estado secco melhor se salientam; pistillo bi-partido, com os segmentos algo re- curvados. Fructos drupaceos pouco maiores que as amei- xas amarellas e mais esphericos que estas. Esta planta commum nos Estados septentrionaes bra- sileiros até á Bahia, desempenha naquellas regiões um papel muito importante como forrageira, principalmente nas seccas que de quando em vez assolam aquellas re- 186 Zizyphus joazeiro, Mart. « Joazeiro » (Seg. Fl. Br. de Mart.) 187 giões. O Dr. Alfredo de Andrade, do Museu Nacional no Rio de Janeiro, fez ha poucos annos um estudo chi- mico sobre o valor forrageiro desta planta e chegou á conclusão de que é muito rica em matérias azotadas, considerando-a como das mais indicadas para aquella re- gião, por ser a que melhor resiste á secca. Martius, Reise II, pag. 581, indica esta planta como adstringente e affirma que a casca é empregada como vermífugo. O Dr. A. Neiva, ob. cit, pag. 163, cita-a como parasiticida, indicando ainda o trabalho de J. E. Freire de Carvalho, «Estudo do Zizyphus joazeiro e suas applicações na Me- dicina», no qual se recommenda esta planta no trata- mento das ulceras. Alem desta existem outras especies de Rhamnaceas brasileiras que são usadas como febrífugos, tonicos, es- tomachicos, etc. Discaria febrifuga, Mart., é uma das que fornecem a falsa quina. Das especies exóticas são empre- gadas, a Ventilago maderaspatana, Gãrtn., cujas raizes contêm uma substancia acastanhada, nas moléstias do es- tômago e contra as febres e a Paliurus aculeatus, Lam., na China, desde tempos immemoriaes com bons resulta- dos na therapeutica. Algumas especies de Zizyphus, prin- cipalmente Z. jujuba, Lam., da Asia, Australia e África, são cultivadas para fornecimento de gomma, cuja se- creção é conseguida pelo Coccus lacca. Dos ramos de especie deste genero diz-se ter sido trançada a coroa de espinhos de Christo. As raizes de Berchemia discolor, Hemsley, são no Sambesi usadas para limpar os dentes. As folhas de Sageretia theezans, Brongn. na China, têm o emprego commum do chá. «Córtex Frangulae» e «Fru- ctus Rhamni catharticae», ou «Bacae spinae cervinae», bem como a «Cáscara sagrada», originam-se de especies de Bhamnus, genero que ainda fornece matéria corante e carvão proprio para fabricação da polvora. As folhas de Ceanothus americanas, L., são succedaneas do Chá preto, apparecendo nos mercados sob o nome de «New- Jersey-tea», e as raizes pelos indios empregadas como febrífugo, fim este para que ainda outras especies do mesmo genero são usadas. Colubrina ferruginea, Brongn., da índia fornece com a C. reclinata, Brongn., a «Casca de Palomabi», muito preconizada contra a dyspepsia. As Gouanias são, na Jamaica, usadas como febrífugo, na fermentação de cerveja e na fabricação de palitos. Os fructos de varias especies são comestíveis. 188 ROSACEAS AGRIMONIA EUPATORIA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 448. - Focke, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 3, pag. 43. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 73. Distribuição geographica: Regiões septentrionaes da Asia, America e Europa. Segundo Focke, vulgarmente conhecida por «Acker- mennig»3 «Heil aller Welt» e desde tempos immemoriaes empregada como remedio caseiro para homens e ani- maes. Greshoff a cita como anthelmintica. Caminhoá, ob. cit., pag. 2013, como boa contra as aphtas e ulceras da garganta, e os corrimentos da vagina e utero, dando «Agrimonia» como nome vulgar. BRAYERA ANTHELMINTICA, Kunth. (Focke, ob. cit., cita-a como Hagenia abyssinica, Willd.) Bibliographia: Kunth, in Brayer, Not. Verm. (1824). - Focke, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. III, 3, pag. 43, tab. 21 e Nachtrag da mesma obra, pag. 187, onde elle rectifica o autor do genero de Gmel. para Willdenow. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 73. - Ca- MINHOÁ, ob. cit., pag. 2013. Distribuição geographica: Arabia até a Abyssinia. Greshoff diz que as virtudes vermífugas se ac- centuam nas flores femininas, usadas em decoctos, ac- crescentando ainda que o proprio mel, que as abelhas fabricam com o néctar destas flores, possue idênticas vir- tudes. Focke diz que «Kosso» ou «Kusso», que pelos ara- bes é pronunciado «Cotz», corresponde ás «Flores Koso», das pharmacias, e accrescenta que o extracto de Ko- seina» que se apregoa como purificado, não o é chimica- mente. Caminhoá, diz que é poderoso tenifugo. PRUNUS ARMENIACA, L. Bibliographia: Focke, ob. cit., pag. 52. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2015. 189 Distribuição geographica: Turkestan e Mongolia. Caminhoá affirma que a amêndoa passa por vermi- cida. Esta planta, vulgarmente conhecida por «Damas- queira», e cultivada entre nós, é affim do nosso «Peceguei- ro» (Prunus Pérsica, L.) Sieb. et Zucc., cujas sementes amargas são consideradas toxicas em maior dose. SPIRAEA FILIPENDULA, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pagina 490. - Greshoff, ob. cit., pag. 73. Distribuição geographica: Europa e Asia boreal. Anthelmintica, segundo Greshoff. SPIRAEA ULMARIA, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 490. - Gres- hoff, ob. cit., pag. 73. Distribuição geographica: Europa e Asia boreal. Anthelmintica, segundo Greshoff. Das Rosaceas salientam-se as especies da secção Chry- sobalanoideas, pelo «Acido salicylico» que encerram. As substancias tanniferas que, em maior ou menor propor- ção, se encontram em todas as especies desta grande fa- mília de plantas, concorrem para que sejam empregadas para vários fins medicamentosos. Varias substancias, ainda não bem definidas chimicamente, são contidas nas raí- zes das Gillenias, nas folhas das Hagenias, etc., e outras, aromaticas, são fornecidas pelas raizes de Gneum. Oleos ethereos aromáticos encontram-se nas folhas das Cha- maébatias, Agrimonias e algumas Rosas. Dignos de nota são, além destas substancias, a «Amygdalina» que se ob- tém de varias especies da secção Prunoideae e em algu- mas da secção Pomoideae. A «Saponina» das cascas das Quillajas e o oleo precioso extrahido dos petalos das ro- sas, merecem egualmente menção. «Rhizoma Tormen- tillae», das pharmacias, ou o «Rhurwurz», dos alle- mães, provem de Potenilla silvestris, Neck. (Tormen- tilla erecta, L.); «Radix caryophyllatae», provem de Gneum urbanum, L. 190 Não ha, porém, a menor duvida que a utilidade das Rosaceas reside, não nas suas propriedades medicinaes, mas sim nos fructos altamente alimentícios e saborosos e nas suas bellas flores, entre as quaes a Rosa é ainda considerada como a soberana dos jardins. Como fructos poderíamos citar, entre muitos outros, a maçã, a pera, as varias ameixas, o pecego, o damasco, a amora, a amêndoa, etc. Embora sejam cultivadas todas estas espe- cies uteis em quasi todos os paizes do globo, bem pou- cas são aquellas que tenham uma dispersão maior e raras mesmo aquellas que em estado selvagem produzam fru- ctos tão saborosos como as já melhoradas e aperfeiçoa- das pela cultura de vários séculos. RUBIACEAS GARDENIA CAMPANULATA, Roxb. Bibliographia: K. Schumann, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. IV, 4, pag. 77. - Caminhoá, Bo- tânica Geral e Medica, pag. 2836, onde ella é citada como Genipa campanulata, Baill. Distribuição geographica: Região do Himalaya. Caminhoá, affirma que na índia a usam como vermí- fugo, sendo conhecida por «Hsay-than-paya». OLDENLANDIA CORYMBOSA, L. Bibliographia: Schumann, FI. Br. de Martius, vol. VI, V, pag. 272. - Idem, ob. cit., pag. 26. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2837. Distribuição geographica: America, África e Asia tropical, desde a índia até Java, Philippinas e Terras do Imperador Guilherme. Plantinha herbacea, de caule delgado, simples em sua base e depois abruptamente ramificado; de ramos tetragonos, um tanto alados, glabros, articulados e mais ou menos rectos ou pouco flexuosos, não attingindo mais de 25-35 cm. de alt. Folhas decussadas, patentes, mais tarde também recurvadas, sobre peciolos de 1 mm. de comp., um tanto complanados e sulcados na face supe- rior e limbo linear-lanceolado herbáceo ou membranaceo, attenuado e de margens tenuemente aculeo-serrilhadas, 191 na face superior áspero e no demais glabro, de 1,5-2 cm. de comp., por 2,5-3 mm. de larg., uninervado. Es- tipulas em 1-1,5 mm. de comp., concrescidas com os pe- ciolos em uma bainha ampla e indistinctamente pilosa e depois fendida em 3-7 segmentos lineares tão longos quanto a parte inteira. Inflorescencias alterno-axillares e ás vezes emergindo das axillas dos ramos, cymoso-tri-flo- ras. Pedicellos capilliformes sustentando uma pequena bra- ctea de 1 mm. em sua base. Ovário conico inverso ou quasi globuloso, de 0,5 mm. de comp. Cálice com quatro sepalos triangulo-agudos de 1 mm. de comp., serrilhados em suas margens. Corolla duas vezes mais longa que o cálice, fendida até 1/4 em lobos triangulo-lanceolados, alva, de 2 mm. de comp., abaixo da fauce na parte interna do tubo puberula. Estames inseridos na meia altura do tubo, não emergentes, com antheras de 0,5 mm. de comp. Pistillo a metade mais curto que o tubo da corolla e fendido até ao meio. Disco pequeno, inteiro e annular. Capsula transversalmente oblongada, apice truncado e co- roada pelo cálice. Sementes tenuemente pontilhadas, de 0,3 mm. de comp., arredondado-trigonas, amarellas. Frequente no Maranhão nas margens húmidas do rio Itapicurú, nas Guyanas, etc.; florindo durante quasi todo o anno. Caminhoá diz que as summidades florigeras passam por lumbricidas. OLDENLANDIA SENEGALENSIS, Hieron. Bibliographia: G. Hieronymus, in Oliver, Fl. Trop. Afric. III, pag. 56. - K. Schumann, ob. cit., pag. 26. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 90. Distribuição geographica: África tropical: Senegam- bia e Abyssinia, além das partes centraes do Indostão. Anthelmintica, segundo Greshoff. PLECTRONIA PARVIFLORA, Bedd. Bibliographia: Caminhoá, ob. cit., pag. 2861. Distribuição geographica: Indostão. Caminhoá, affirma que as folhas são aproveitadas na índia como verdura e que o decocto das mesmas é 192 alli empregado, na medicina popular, como anti-diarrhei- co e vermífugo. Elle cita-a como Canthium parviflorum, Lamk. SERISSA FOETIDA, Commer. Bibliographia: K. Schumann, ob. cit., pag. 131. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2843. Distribuição geographica: Originaria do Japão e China, mas hoje cultivada em vários paizes da Asia. A raiz, fortemente nauseabunda, é officinal, segundo Schumann. Caminhoá accrescenta que é vermífuga e ads- tringente e que as folhas antispasmodicas cheiram a ex- crementos. As Rubiaceas destacam-se pelas suas propriedades medicinaes; são ellas que, nas Cinchonas, fornecem um dos mais preciosos alcaloides para a medicina. A ellas pertence egualmente o «Café», que hoje representa uma das mais importantes fontes de renda do Estado e que nos fornece, além disto, múltiplos productos empregados na medicina. A «Poaya», ou melhor, as varias «Poayas» que se estendem por todo o território nacional, são ainda desta grande familia natural de plantas. Além das «Quinas- veras» (Cinchonas), ella contém também varias «Quinas- falsas», em cujo numero se incluem as Remijias, Landen- bergias, Coutareas, etc., que pelo vulgo são empregadas como magníficos succedaneos daquellas. Os vários «Ara- ribás» do genero Sickingia, a «Douradinha», «Ruivinha» e outras, são egualmente Rubiaceas que merecem menção. Mas não são exclusivamente as plantas medicinaes que desta familia se destacam, a ella pertencem também algumas toxicas, altamente nocivas ao gado vaccum, taes como a «Herva de rato», Psychotria Marcgravii, Spreng., e outras especies deste e do genero Palicoureas. Relativamente raras são as Rubiaceas que produzem fructos comestíveis, sendo as mais uteis talvez a G-enipa americana, L., o «Qenipapo», que apparece com frequên- cia nas mattas virgens do interior do Brasil; Vangueria edulis, Vahl., que cresce no Madagascar e região do Nilo; Sarcocephalus sambucinus, K. Schum., da África e Alibertia edulis, A. Rich., da America Central até á Co- lômbia. 193 RUTACEAS BORONIA (Varias especies). Bibliographia: M. Greshoff, Mededeelingen uit S'- Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 30. - Engler, (des- cripção do genero) Die Nat. Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, vol. III, 4, pag. 135. Parece que todas as especies deste genero possuem propriedades anthelminticas mais ou menos pronuncia- das. Existem mais de sessenta especies, mas nenhuma apparece na America, sendo todas naturaes e indígenas na Australia. CITRUS MEDICA, L. var. LIMETTA (Risso), Engl. Bibliographia: Engler, ob. cit., pag. 200. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2472. Distribuição geographica: Himalaya e Sikkim. Hoje muito cultivada em todo o globo. Nome vulgar «Limeira», que segundo Engler deve ser producto hybrido entre Citrus medica, L., e C. au- rantium, L.; uns autores a consideram como especie de- finida, outros como variedade da subespecie Limonum, (Risso) Hook., da especie acima citada. Caminhoá diz: «Fructo apreciado pelos convalescen- tes; seu oleo essencial, de grato aroma, é excitante, dif- fusivo, estomachico, antispasmodico e tenifugo, segundo alguns». DICTAMNUS ALBUS, L. (D. Fraxinella, Pers). Bibliographia: Engler, ob. cit., pag. 134. - Ca- minhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2472. Distribuição geographica: Sul da Europa até ao Caucaso, e China até ao Amur. Engler affirma que na Sibéria usam-se as folhas no- vas como succedaneo do chá e que ha tempos varias partes da planta eram empregadas na medicina popular; principalmente a casca das raizes, com forte cheiro de limão, e o oleo que se distillava das flores. Caminhoá diz que o oleo essencial é utilíssimo á industria de per- 194 fumaria, e que as cascas, principalmente as das raizes, passam por diaphoreticas e vermífugas. Nome vulgar «Fraxinella». RUTA GRAVEOLENS, L. Bibliographia: Lanessan, Manuel d'Histoire Nat. Med., vol. I, pag. 677. - Engler, ob. cit., pag. 130. - M. Collin, Traité de Toxicologie Vegetale, pag. 41. - Greshoff, ob. cit., pag. 28. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2466. Distribuição geographica: Europa Meridional. Cul- tivada em todos os Paizes mais ou menos temperados e quentes. Nome vulgar «Arruda». Segundo Lanessan e Ca- minhoá, as sementes são consideradas excellente anthel- mintico. A essencia das folhas emprega-se para comba- ter o hysterismo, sendo ainda desde tempos immemo- riaes usada como sudorífico, fortificante dos nervos e aperitivo. M. Collin affirma que, a titulo de vermífugo, as mulheres lançam mãos deste vegetal para encobrir suas faltas, pois em dose .alta é abortivo e actua forte- mente sobre o utero, sendo por isto tambern usado como emmenagogo. Greshoff diz que as sementes contêm «Cumarina» e a cita como anthelmintica. As folhas ou os ramos da «Arruda» são ainda considerados preventi- vos contra quebranto, etc. As Putaceas, em grande maioria, distinguem-se pe- las varias substancias amargas das suas cascas, folhas e raizes, frequentemente usadas contra as febres ou como diuréticos. Muito afamados são os vários productos medicinaes que se preparam das varias especies de Citrus, principal- mente de C. medica, L., e usados desde tempos immemo- riaes. Também as cascas das Cusparias, especialmente de C. trifoliata, Engl., e as folhas de Pilocarpus pennatifo- lius, Lam., o «Jaborandy», de que se extrae a «Pilocar- pina» e outras, adstringentes e amargas, são considera- das magníficos succedaneos das «Quinas». G-alipea jas- miniflora, Engl., é, alem de febrífuga, também empregada para curar boubas. Monnieria trifolia, L., a «Alfavaca de cobra», emprega-se, no norte do Brasil, como dia- 195 phoretico, diurético e expectorante. As Esenbeckias e as Metrodores, as primeiras conhecidas vulgarmente por «An- gustura» e as ultimas por «Chupa-ferro», são preconiza- das como febrifugas. Os Zanthoxylos são egualmente fe- brífugos e usados contra dores de dentes, etc. De Lu- nasia amara, L., os negros de Luzon preparam o ve- neno para as suas flechas. Da Ruta chalepensis, L., affir- ma-se que possue as mesmas propriedades da Ruta gra- veolens, L., e Ruta tuberculata, Forks, emprega-se, no Norte da África, frequentemente na medicina. Barosma, tem varias especies que fornecem as «Folia Bucco», das pharmacias, prescriptas para as moléstias dos rins e da bexiga. Adenandra fragrans, Rõm. et Schlect., serve, na Colonia do Cabo, como succedaneo do Chá. Especies de Diosma têm, no Cabo da Boa Esperança, os mesmos empregos que a Barosma e as folhas de Empleurum, servem muitas vezes para falsificar as «Folia Bucco», que provêm de Barosma crenulatum, Hook. G-alipea jasmí- níflora, (St. Hil.) Engler, «Quina» ou «Tres-folhas» do vulgo, fornece uma casca amarga e adstringente que é empregada como succedaneo da Quina verdadeira e tem propriedades idênticas ás da Evodia febrífuga, St. Hil., que é Esenbeckia febrífuga, Juss., sendo o decocto das suas folhas empregado contra boubas. Segundo Humboldt e Bonpland, Cusparía trífolíata, (Willd) Engl., é a verdadeira fornecedora do «Córtex angusturae», segundo Hancock, procedente de G-alipea officinalís, Hanck., que Engler desejaria considerar uma Cusparía, mas, no Index Kewensis, dada como boa. As raizes fortemente aromaticas de Moníera trífo- líata, L., vulgo «Alfavaca de cobra», são entre nós repu- tadas diuréticas. No México empregam-se as folhas de Casímiroa edulís, Llav. et Lex., contra as diarrhéas chro- nicas. A resina obtida do lenho e casca de Amyrís balsami- fera, L., «Rose wood» ou «Páo rosa» e de Am. elimífera, L., do Perú, Equador, Est. Unidos da America do Norte e Jamaica, é empregada na medicina, como balsamo. A Murraya exótica, L., pequeno arbusto muito cul- tivado no Rio de Janeiro e vulgarmente conhecido por «Murta» é, como outros affins, util contra mordeduras de cobras, em banhos, fornecendo também uma • essencia muito aromatica e usada na perfumaria. Contra a epilepsia são empregadas, na índia, as folhas de Limonia acidíssima, L., os fructos, seccos, re- 196 putados antídotos tonificantes e as raizes sudoríficas; pro- priedade esta que se encontra mais accentuada em va- rias especies de Citrus, principalmente no «Limão». Atalantia monophylla, (L.) Corrêa., contem em seus fructos um oleo que é usado contra o rheumatismo. Feronia elephantum, Corrêa., possue folhas com chei- ro de anis, empregadas no Ceylão e região do Hima- laya como fortificante do estomago, sendo a arvore alli conhecida por «Bilin», «Kait», «Kaitha», «Katbel» ou «Ele- phant wood» ou «Elephant Apple». A resina que esta arvore exsuda constitue uma grande parte da gomma ara- bica que procede da índia, conhecida nos mercados sob o nome de «Gomma arabica das índias occidentaes». Contra diarrhéas e dysenterias emprega-se, na África oriental, a polpa dos fructos de Aegle marmelos, (L.) Corrêa., das cascas fabricam-se bocetas para rapé, sendo ainda as raizes preconizadas como estomachicas. Hortia brasiliana, Van., é, segundo St. Hilaire, vul- garmente conhecida por «Quina» e considerada como ma- gnifico succedaneo da «Quina verdadeira» no tratamento de febres, etc. SCROPHULARIACEAS BONNAYA VERONICAEFOLIA, Spreng. (No Die Natúrliche Pflanzenfamilien de Engler e Prantl, é dada como llysanthes.) Bibliographia: Sprengel, Syst. I, pag. 41. - Ur- ban, in Berl. Deutsche Botan. Ges., II, pag. 436. - Wet- tstein, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. IV, 3b., pag. 80. - Greshofe, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 123. Distribuição geographica: Malaya e China. Anthelmintica, segundo Greshoff. GRATIOLA OFFICINALIS, L. Bibliographia: Wettstein, ob. cit., pag. 75 e 76. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2768. Distribuição geographica: Europa, Asia central e oriental. 197 Segundo Caminhoá, um drástico energico e vomi- tivo; é suspeita, senão venenosa. Empregada como an- thelmintico. Em Portugal conhecida por «Graças de Deus» Wettstein diz que a herva secca desta planta é ainda hoje muito empregada na medicina e conhecida nas phar- macias por «Herba et rhizoma Gratiolae». Ella encerra duas glycosides, a «Gratiolina» e a «Gratiolisina», além de resina e oleos graxos. LINDERNIA DIFFUSA, (L.) Wettstein. (Na FL Br. de Mart. dada como Vandellia diffusa, L. e por Caminhoá como Vandellia anti-geophagica, Ca- minhoá. Bibliographia: Joannes Antonius Schmidt, Fl. Br. de Mart., vol. VIII, I, pag. 320. - Wettstein, ob. cit., pags. 79 e 80. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2772. Distribuição geographica: África e America tro- pical. Herva annua, muito ramosa, com os ramos diffusos ou prostrados, radicantes e nos extremos ascendentes, distinctamente tetragonos, filiformes, flexuosos e hispi- do-pilosos, canescentes. Folhas sub-sesseis, oppostas, ovo- arredondadas e serrilhadas em suas margens, pubescentes, de tamanho muito variavel, desde 0,5-2,5 cm. de diâme- tro, raro levemente pecioladas, decussadas, 3-5-nervadas. Flores axillares, solitárias, breve-pecioladas; peciolos ere- ctos, angulosos, pubescentes, de 2-5 mm. de comp. Cá- lice tubuloso-campanulado, de 6-8 mm. de comp. e egual- mente dividido em 5 segmentos, pubescentes, linear-lan- ceolados. Corolla do tamanho do cálice, com o labio superior estendido para frente, oval e inteiro, obtuso e violáceo e o inferior trilobado, recurvo e alvo, com lo- bulos quasi orbiculares. Estames incluídos; filamentos con- vergentes, compressos, dois maiores com tubérculo glan- duloso hirsuto em sua base. Pistillo glabro, curvado em seu apice, bilamellado; lamellas ovaes obtusas e diver- gentes. Capsula oblongo-linear, algo comprimida, aguda, glabra, amarella, levemente estriada, duas vezes mais lon- ga que os segmentos do cálice, com valvulas membrana- ceas e inteiras. Sementes numerosíssimas, globoso-oblon- gadas, angulosas, rugosas e amarellentas. Em todo o Brasil bastante frequente e considerada uma praga dos canaviaes, e d'ahi conhecida por «Mata- 198 Linãernia diffusa, (L.) Wettstein (Seg. Fl. Br. de Mart.) cana». Caminhoá affirma que ella é mencionada como infallivel para combater a geophagia, que se nota na ancylostomiase, caracterisada por uma depravação do gosto ou picarismo, em que o symptoma predominante é a grande avidez para comer terra; esta planta, diz elle ainda, é também um emeto-cathartico. Nomes vulgares: «Bitter-blain» dos colonos inglezes «Haimarada» dos Arua- cas, etc. Wettstein diz apenas que no Paraguay é em- pregada na medicina popular. SCROPHULARIA NODOSA, L. Bibliographia: Wettstein, ob. cit., pag. 65. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2766. Distribuição geographica: America do Norte e Asia central. Caminhoá diz que as folhas e as raizes passam por antiscrophulosas, resolutivas e sudoríficas; as sementes por lumbricidas e insecticidas em geral, e accrescenta que é planta suspeita. Wettstein diz que esta planta fornecia a «Herba Scrophulariae» que era tida como officinal. 199 De uma especie affim desta planta, a Scr. frigida, Boiss., obtem-se uma especie de «Manná». VERBASCUM HAEMORRHOIDALE, Ait. Bibliographia: Alton, Kew. I, pag. 236. - M. Gres- hofe, ob. cit., pag. 122, onde elle a cita ao lado de Verb. pulverulentum, VilL, da Hist. Pl. Dauph., pag. 490. Distribuição geographica: Sul da Europa. Segundo Greshoff, a citação destas plantas como an- ti-hemorrhoidaes, tenifugas e tinguijantes, é de G. Dra- gendorf, «Die Heilpflazen. (1898), pag. 602. Do genero Verbascum empregam-se algumas espe- cies para tinguijar peixes, outras ha que fornecem as «Flores Verbasci», das pharmacias, sendo ainda outras tinctoriaes. Algumas vezes substitue-se também as folhas do Verbascum pelas de Celsia, egualmente consideradas peitoraes. Algumas especies de Calceolaria são também officinaes. A «Herva Linariae», que serve para preparar «Unguentum Linariae», provem de uma Linaria. Varias especies de Verónica são empregadas na medicina popu- lar e algumas até consideradas e usadas como magnifico succedaneo do Chá preto. As «Folia Digitalis» provêm de Digitalis purpurea, L., e são universalmente conside- radas medicinaes; ellas encerram a «Digionina», «Digita- lina», «Digitoxina» e «Digitaleina» além de outras subs- tancias. Algumas vezes falsifica-se este producto mis- turando-se-lhe as folhas de Inula e de Verbascum. Matérias corantes fornecem as raizes de Escobedia, que o vulgo conhece por «Açafranillo» ou «Raizes de Açafrão»; esta planta é bastante frequente nos campos mais ou menos húmidos de Matto-Grosso, Minas-Geraes, S. Paulo, etc. Algumas especies distinguem-se pelas suas flores e têm por isto merecido a introducção nos nossos jar- dins. Neste numero estão as Angelonas, Anterrhinos, Ver- bascos, Digitalis, Calceolarias e varias outras. 200 SIMARUBACEAS AILANTHUS GLANDULOSUS, Desf. («Gõtterbaum» dos allemães.) Bibliographia: Engler, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 5, pag. 224. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2486. Distribuição geographica: China. Cultivada nas re- giões temperadas, como arvore de sombra. As cascas são, segundo Engler, indicadas contra a tenia. As folhas são empregadas para alimentar e crear o bicho da seda. Caminhoá, diz: «As folhas são cáusti- cas e, reduzidas a pó, insecticidas e também usadas como lumbricidas. SIMARUBA VERSICOLOR, St. Hil. Bibliographia: St. Hilaire, Plantes Usuelles des Brasiliens, pag. 4, planche V. - Engler, ob. cit., pag. 213 e Flora Brasiliensis de Martius, vol. XII, II, pag. 225. - Caminhoá, Bot. Geral e Med., pag. 2486. Arvore pequena e ramosa, de 1,5-3 metros de alt. Folhas sem estipulas, alternas, pecioladas, pinnadas, de 15-35 cm. de comp. sustidas por peciolo bastante curto, glabro e ligeiramente avermelhado; foliolos de 8-14, al- ternos, peciolados, de 15-50 mm. de comp., oblongo-elli- pticos, bastante obtusos, retusos ou arredondados no apice e na base attenuados, verdes, glabros na face su- perior e na dorsal esbranquiçados e algo pilosos; nervu- ras mais avermelhadas e pubescentes; estes foliolos di- minuem em tamanho da base para o apice das folhas e em logar do foliolo terminal encontra-se o peciolo cen- tral ou principal um pouco saliente em fornia de aresta. Inflorescencias terminaes, paniculiformes, laxas, com ra- mos alternos bastante longos, um tanto angulosos ou aplanados e glabros, geralmente avermelhados e na base sustidos por uma folha reduzida simples, menor que os foliolos; divisões secundarias do paniculo bastante curtas e mais ou menos ramificadas, na base providos de bra- ctea espathular, de tamanho variavel. Flores agglome- radas, de 6-7 mm. de comp., sobre peciolos bastante curtos e pubescentes, com pequenas bracteas em sua base. As 201 Simaruba versicolor, St. Hil. « Parahyba» (Seg. St. Hil. Pl. us. bras.) 202 masculinas com cálice pequeno, em forma de cupula, gla- bro, um tanto espesso, com cinco dentes bastante pro- fundos e obtusos. Petalos em numero de cinco, hypogy- nos, iguaes entre si, mais longos que o cálice, lanceo- oblongados, na base um pouco mais largos e termina- dos no apice por dois dentes deseguaes, ligeiramente espessados, glabros e de cor verde amarellada com as margens avermelhadas, recurvados quando perfeitamente desenvolvidos. Estames dez, hypogynos, mais curtos que a corolla; filamentos glabros, subulados, na base pro- vidos de um appendice ovo-espathular, espesso e ciliado em seu apice, que se curva sobre os lobos um tanto pilosos do ovário atrophiado; antheras biloculares e di- varicadas em sua base, dorsi-fixas. Flores femininas com os estames atrophiados. Drupa de 1,5 cm. de comp., por 1,3 cm. de larg. compressa, em ambas as faces ca- renada e no apice levemente apiculada. Dispersa em todo o Brasil, desde o Estado do Pará até aos de S. Paulo, Rio e Matto-Grosso. Vulgarmente conhecida por «Parahyba», que segundo St. Hilaire, na lingua indígena significa arvore de folhas diversas. A decocção da casca «Córtex Parahybae» é empregada contra as picadas das cobras, vermes intestinaes e sy- philis. Reduzida a pó ella serve para matar insectos. Segundo St. Hilaire parece que as virtudes anthelminti- cas são communs a todas as especies deste genero. Elle accrescenta ainda que em dose alta é toxica e que con- vém ter precaução com o seu uso. Caminhoá, diz que as cascas são alexipharmacas, insecticidas e vermífugas, além de anti-syphiliticas. As Simarubaceas, principalmente as especies ame- ricanas, distinguem-se pelas suas substancias extractivas amargas que são de bom effeito sobre o estomago, como tónicas e digestivas. Afamada é especialmente a «Quas- sia», da Jamaica, que provem de Picrasma excelsa, Planch.; em segundo logar vem a «Quassia», de Surinam, que é de Quassia amara, L., da qual também se usam as flores e a casca das raizes. As cascas muito amargas das Simarubas americanas gozam de grande conceito na medicina e são usadas como anti-ophidico. Varias espe- cies de Quassia, de Simaba e de Simaruba são bons in- secticidas. Algumas Picramias são tinctoriaes e varias fornecem madeira aproveitável. As Samaderas da índia contêm «Quassinina» e «Samaderina» em suas cascas e são preconizadas como febrífugos. Para este fim empre- 203 gam-se também especies de Simaba, das quaes algumas são conhecidas entre nós por «Calunga». Elias, principal- mente S. ferruginea, St. Hil., são também usadas contra diarrhéas, dyspepsias e feridas. De Bt~ucea empregam-se também diversas especies como vermífugo, que servem, além disso, para combater febres e moléstias do estomago. Comestíveis são os fructos das Irvingias, da Ma- laca e Cochinchina. SOLANACEAS CAPSICUM, sp. Bibliographia: Martius, Fl. Br. de Martins, vol. X, pag. 195. Vulgarmente conhecidas por «Pimenta», são, segundo o autor citado, empregadas como lumbricidas. Graças aos seus alcaloides, as Solanaceas possuem varias especies realmente uteis á medicina. Isto princi- palmente nos generos Solanum, Atropa, Datura, Hyoscya- mus e outros. Varias especies de Nicotiana são cultivadas para o preparo do tabaco, aproveitando-se exclusivamente as folhas, seccas á sombra, e que contêm neste estado de 0,6-9 o/o de Nicotina, alcaloide bastante toxico. Outra especie egualmente muito toxica é a Atropa belladona, L., nativa na região do Caucaso, Asia Menor até a Pér- sia, vulgarmente conhecida por «Belladona», muito usada na medicina e hoje cultivada em muitos paizes; o alca- loide que a planta encerra é a «Atropina», que nas fo- lhas existe á razão de 0,416 gr. por 750 gr., sendo mais abundante nas raizes e nos fructos. Segundo Collin (Trai- té de Toxicologie vegetale, pag. 111) tres á quatro ba- gas são sufficientes para manifestar os phenomenos da intoxicação no homem, mas tem se verificado a cura dos doentes mesmo quando tenham ingerido 30 e mais bagas; a infusão das folhas, na dose de 1 gr., 20 em duas lavagens a 0,40 centigr. deram logar á intoxica- ção; a decocção das raizes na dose de 5 gr. em lava- gens provoca a morte. Hyoscyamus niger, L., contem «Hyoscyamina» que as folhas encerram a razão de 0,108 gr. por 750 gr.; graças a este alcaloide ella é usada na medicina. O alcaloide contido nas varias especies de Ca- 204 psicum é a «Capsicina», que tem vários empregos na therapeutica. «Stipites Dulcamarae», das pharmacias, são os rebentos mais novos de Solanum dulcamara, L., planta trepadeira, de corolla azul e estames amarellos, com fru- ctos esphericos vermelhos, muito cultivada como planta de ornamentação, contendo os alcaloides «Solanina» e «Dulcamarina». jacquinii, L., e S. indicum, L., são outras duas especies do mesmo genero e, na índia, usados na medicina. Varias especies de Mandragora, das regiões do Mediterrâneo e do Himalaya, eram em outros tempos usadas como officinaes, além de muito preconizadas na feitiçaria, e conhecidas por «Alraune» e «Alruniken» pe- los allemães. Algumas especies de Dàtura, são emprega- das na medicina, principalmente a Datura stramonium, L., vulgarmente conhecida por «Figueira do inferno» e bas- tante commum nas taperas e terrenos baldios proximos dos povoados, e Dat. alba, ambas afamadas pela grande quantidade de «Atropina» ou «Daturina», como querem outros autores, que ellas encerram á razão de 0,376 gr. por 750 gr. nas folhas. Da ultima ainda extraem na China um veneno, conhecido alli por «Van t'o lo hua» ou «Nao yang hua». As sementes destas duas especies são preco- nizadas mui especialmente como antispasmodicas. Varias especies de Cestrum são, na America, empregadas na medicina popular, e algumas, entre nós conhecidas por «Coeranas», são usadas como emollientes, vulnerários, etc. Em infusão usam-se ainda as folhas contra a dysuria e em cataplasmas como antispasmodico. Cestrum bractea- tum, Link et Otto e outras são também preconizadas como activas contra as hemorrhoides. A «Quina do mat- to», ou «Quina da terra», é considerada como succedaneo das Cinchonas e como tal empregada para combater fe- bres intermittentes; ella provem das cascas de Cestrum pseudoquina, Mart. Entre os indios do planalto central do Brasil, principal- mente entre os Parecis e Nhambyquaras, o Solanum mam- mosum, L., desempenha um papel importante; elles o cultivam como uma planta sagrada e só ao Utiarity, pessoa que desempenha o papel de medico e sacerdote entre elles, é permittido fumar as suas folhas, o que elle faz quando o estado de um doente chega a um ponto em que a sua sciencia não encontra mais recur- sos, e, emquanto o fumo o inebria, elle é inspirado e prophetiza o desenlace que vae ter a moléstia, que quasi sempre é a morte; e dizem que tão bem sabe arranjar 205 os acontecimentos que rara é a vez que a sua prophecia o deixa desmoralizado! Algumas especies de Physalis, na lingua tupy co- nhecidas por «Camarú», possuem virtudes anodynas e diuréticas; os indígenas empregavam-nas, segundo Ma- tius, contra as complicações gastricas, febres internas e como antispasmodico. Os mesmos empregos que se faz de Cestrum pseudo- quina, Mart., faz-se também do nosso Solanum pseudo- quina, St. Hil. Segundo St. Hilaire, esta planta é uma das mais uteis de S. Paulo, pelas suas propriedades fe- brífugas. Este mesmo autor expõe também a analyse completa da planta, feita pelo celebre chimico M. Vau- quelin. De entre as Solanaceas alimentícias, destacam-se pela sua importância para o homem: Solanum tuberosum, L., a «Batatinha», de tubérculos altamente nutritivos e S. melongena, L., S. lycopersicum, L., o «Tomate», SL giló, Raddi., o «Giló», e egualmente >9. lycocarpzim, St. Hil., a «Fructa de lobo», de fructos saborosos e alimentícios. THYMELAEACEAS DAPHNE GENKWA, Sieb. et Zucc. Bibliographia: Siebold et Zuccarinii, Fl. Jap., I, pag. 137, tab. 75. - Gilg, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 6.a, pag. 238. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2051. Distribuição geographica: China. Segundo Caminhoá, o córtex desta planta é vesicante e as flores passam por hydragogas, febrífugas e ver- mífugas. DAPHNE LAUREOLA, Linn. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 356. - Gilg, ob. cit., pag. 238. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2051. Distribuição geographica: Europa central e meri- dional e África septentrional. 206 Caminhoá affirma que esta planta fornece um prin- cipio acre e cáustico, o que a torna util como succedaneo de outros vesicantes. Elle a enumera como synonyma da que damos abaixo, o que nos faz crer que ella pos- sua também virtudes anthelminticas. DAPHNE MEZEREUM, L. Bibliographia: Eugênio Collin, Traité de toxico- logie vegetale, pag. 133. - Gilg, ob. cit., pags. 222 e 238. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2051. Distribuição geographica: Toda a Europa central, desde o Caucaso até ao Altai. Vulgo: «Bois joli» dos francezes e «Seidelbast» ou «Kellerhals» dos allemães. Segundo Collin, os fructos desta planta são purga- tivos, tenifugos e uteis no tratamento da hydropsia; ser- vem além disto para provocar abortos. Em dose maior elles se tornam nocivos, podendo mesmo causar a morte. Gilg, na ob. cit., attribue ás especies americanas pro- priedades analogas as que se encontram nas especies su- pracitadas. Elle accrescenta mais, que a maior parte, ou por outra, que quasi todas as Thymelaeaceas, encerram em suas partes vegetativas e fructos um veneno muito energico, a «Daphnina», cujo effeito é cáustico e entor- pecente sobre os musculos da bocca, chegando a pro- duzir empolamento da mucosa. Principalmente a Daphne Gnidium, L., e D. Mezereum, L., são, segundo elle, muito activas e foram antes empregadas como officinaes, sen- do-o ainda hoje como emeticas e purgativas. Para este mesmo fim emprega-se também Dirca, na America do Norte; Lagetta, na America Central e Daphnopsis, na America Meridional; Thymelaea Tartonraira, All., na re- gião do Mediterrâneo, além de varias especies de Gni- dia, no Cabo da Boa Esperança. No Brasil são bastante afamadas as especies de Fu- nifera e Daphnopsis, pelo vulgo conhecidas por «Embira branca», como extremamente toxicas para o gado vac- cum. Lõfgren (Cont. para a Fl. Paulista, Boi. da Comm. Geogr. e Geol. do Est. de S. Paulo, n.o 5 (1890), pag. 47), confirma esta asserção. Nós, entretanto, nadâ temos conseguido apurar de positivo a este respeito. 207 As fibras muito resistentes de varias Thymelaeaceas, são, pelos habitantes do interior, aproveitadas para amar- rar cercas, fabricar cordas e vários outros misteres, sendo de presumir que venham ainda a desempenhar um pa- pel importante na nossa industria têxtil. UMBELLI FERAS CR1THUM MARITIMUM, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pagina 246. - Drude, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 8, pag. 201. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 86. Distribuição geographica: Desde as Ilhas Cana- rias, littoral do Mediterrâneo, até ao mar Negro, e para o norte até ás costas da Inglaterra. Segundo Greshoff, anthelmintica. HETEROMORPHA ARBORESCENS, Cham. et Schl. Bibliographia: Chamisso et Schlechter, in Lin- naea, vol. I, pag. 285. - Drude, ob. cit, pag. 179. - Hermann Wolff, Das Pflanzenreich, fase. IV, 228, pag. 33 e tab. 4. - M. Greshoff, ob. cit., pag. 84. Distribuição geographica: Abyssinia, Cabo da Bôa Esperança e África Oriental. Segundo Greshoff, empregada como vermífuga. Segundo Wolff varias especies de Eryngium, são, desde tempos immemoriaes, tidas como officinaes e em- pregadas na medicina popular. Eryngium ternatum, Poir., das regiões do Mediterrâneo, é, na Créta, ainda hoje considerado um energico aphrodisiaco. O rhizoma de Eryngium aquaticum, L., do Estado do Paraná e da America do Norte, é neste ultimo ponto conhecido por «Button Snake-root» e preconizado contra o veneno das cobras, sendo ainda o decocto desta mesma planta alli usado como expectorante e diaphoretico. Como antídoto para o veneno das cobras emprega-se também Er. inte- grifolium, Walt. No México varias especies deste genero são conhecidas por «Yerba del sapo» e tidas como aphro- 208 disiacas, diaphoreticas e diuréticas. Er. foetidum, L., que se acha disperso por quasi toda a America, Asia e África, e que tem sido encontrado em Pernambuco, Minas e Rio de Janeiro, caracterizado pelo cheiro forte de coen- tro e por isto, em Nicaraguá, conhecido por «Culantrillo» é considerado diurético e anti-hysterico e também em- pregado contra a hydropsia e o veneno das cobras; na America elle é conhecido por «Fitweed-root». Apezar do seu cheiro é ainda, pelos naturaes, usada como condi- mento. O decocto mucilaginoso de Er. pristis, Cham. et Schlecht., muito frequente em todo o Brasil, é tam- bém considerado diurético e usado contra pustulas e fe- ridas da bocca. Er. rostratum, Cav., do Chile, e Er. arvense, Phil., da mesma região, são alli reputados como energico antídoto contra a mordedura de Latrodectes for- midabilis. Algumas especies de Sanicula são consideradas uteis no tratamento das moléstias pulmonares e também repu- tadas anti-ophidicas. Arctopus é, segundo Mac Owan, na Colonia do Cabo, considerada util no tratamento da gonorrhéa. Varias especies de Buplerum são tidas como vulnera- rias, estimulantes, adstringentes, sendo a B. fructicosum, L., até empregada contra a hydrophobia dos cães. Além destas citadas por Wollf, múltiplas são as es- pecies das Umbelliferas que têm fornecido material para a medicina, seria demasiado longo enumeral-as aqui e, por isto, indicamos aos interessados os trabalhos de Ben- tley «Manual of Botany» e Weinhold «Nutz und Giftpflan- zen», etc. VALERIANACEAS VALERIANA DI01CA, L. Bibliographia: Hõck, ob. cit., pag. 181. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2880. Distribuição geographica: Europa. As mesmas propriedades de V. officinalis, L. VALERIANA 1NTERMEDIA, Sternb., que é Vai. mon- tana, L. Bibliographia: Hock, ob. cit., pag. 179. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2880. 209 Distribuição geographica: Europa. Propriedades medicinaes idênticas ás da ultima. VALERIANA 0FF1CINALIS, L. Bibliographia: Hõck, Die Nat. Pflanzenf. de Engler e Prantl, vol. IV, 4, pag. 179. - Caminhoá, 'Botanica Ge- ral e Medica, pag. 288Ò. Distribuição geographica: Tropicos da Asia e Eu- ropa. Caminhoá diz que esta planta é, além de um pode- roso antispasmodico, febrífugo e tonico, um bom anthel- mintico; a raiz passa por ser sudorífica e anti-epileptica. Vulgarmente conhecida por «Valeriana das Boticas». As propriedades parecem ser devidas a vários hydrocarbu- retos da serie valerica. VALERIANA PHTF, L. Bibliographia: Hõck, ob. cit., pag. 181. - Cami- nhoá, ob. cit., pag. 2880. Propriedades, veja-se a primeira deste genero. Hõck diz que as raizes de varias V alerianaceas são, graças ao oleo ethereo e substancias amargas que en- cerram, empregadas na medicina popular, havendo algu- mas já consideradas officinaes. Elias actuam principal- mente sobre o systema nervoso. No Brasil estão representados apenas dois generos desta familia de plantas, a saber: Valeriana, com apenas uma especie, a V. scandens, L., a «Herva de Gato» e V alerianopsis, que conta sete representantes, por Hõck, ultimamente fundido com o anterior. VERBENACEAS CLERODENDRON INFORTUNATUM, Gaertn. Bibliographia: J. Gaertner, Fruct. I, pag. 271. - Oreshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 126. - Briquet, Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. IV, 3.a, pag. 175. 210 Distribuição geographica: índia Oriental e Malaya. Anthelmintica, segundo Greshoff. Briquet a dá como toxica. Outra especie deste genero citada como empregada na medicina popular é Cl. trichotomum, Thunb. Os Cle- rodendrons são empregados para os mais variados fins therapeuticos, considerados diuréticos, purgativos e bons para as moléstias do pulmão, do estomago, do figado, etc. Outras Verbenaceas uteis na medicina, são: Verbena officinalis, L., originaria do norte da Europa e Asia, mas hoje dispersa por todo o globo, que conjunctamente com algumas outras especies do genero é bastante usada; va- rias especies de Lantana, vulgarmente conhecidas por «Cambará» ou «Camará», preconizadas contra as molés- tias do peito, tosse, etc.; Lippia citriodora, Kunth., cul- tivada em todos os paizes e celebre pelo agradavel aroma das suas flores e folhas, nativa na Argentina, Chile e Brasil. Muitas especies de Stachytarpheta, vulgarmente co- nhecidas por «Gervão» ou «Orgivão», muito frequentes em todos os Estados do Brasil. Varias Verbenaceas são decorativas e por isto cultiva- das em . nossos jardins e parques. Muito mais avulta, porém, a importância das Ver- benaceas na industria; as melhores e mais duradouras madeiras para construcção naval, marcenaria, etc., são encontradas entre ellas, bastando nos lembrar das Tecto- nas, que fornecem a madeira de «Tek»; as Premnas, da índia e Ceylão, que fornecem o «Nagal» ou Booscurú»; as Gmelinas, que dão o «Goomar-Tek», e varias outras. ZYGOPHYLLACEAS BALANITES AEGYPTIACA, Delile. Bibliographia: Delile, Fl. Egypte, pag. 221, tab. 28. - A. Engler, Nachtrãge und Verbesserungen, do Die Nat. Pflanz. de Engler e Prantl, vol. III, 4, pags. 355 e 356, tab. 189. - M. Greshoff, Mededeelingen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 30. Distribuição geographica: África do norte, Arabia e Palestina. 211 Segundo Engler, a casca desta arvore, serve para tinguijar os peixes, a madeira muito resistente para fa- fricar as pás dos arados; os fructos, quando maduros, contêm o sarcocarpo adocicado e são apreciados na África, ao passo que, quando immaturos, possuem virtudes to- xicas e, então, empregados como anthelminticos; fermen- tados, fornecem um licor muito apreciado pelos negros. As sementes são consideradas activas contra as cólicas. O oleo expresso das sementes é, na África, conhecido por «Zachun» e, na índia, o empregam para emplastros. Greshoff attribue as virtudes anthelminticas ás folhas. ZYGOPHYLLUM COCCINEUM, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 386. - A. Engler, ob. cit, pag. 81. - Greshoff, ob. cit„ pag. 28. - Caminhoá, Botanica Geral e Medica, pag. 2491. Distribuição geographica: Egypto, Arabia e até a índia. Greshoff a cita como anthelmintica, e Caminhoá diz que as sementes são picantes e substituem nas mesas arabes a pimenta preta; além disto gozam de proprie- dade - anthelmintica. ZYGOPHYLLUM FABAGO, L. Bibliographia: Linneu, Species Plantarum, pag. 385. - Engler, ob. cit., pag. 81. - Greshoff, ob. cit., pag. 28. - Caminhoá, ob. cit., pag. 2491. Distribuição geographica: Sul da Rússia, nos ar- redores do mar Caspio, nos desertos campestres da Asia Menor e até ao Afghanistan. Engler diz que na Rússia se utilizam dos botões floraes para conservas, tal como se faz com os de Capparis spinosa, L. Anthelmintica, segundo Greshoff. ZYGOPHYLLUM SESSILIFOLIUM, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 385. - En- gler, ob. cit., pag. 81. - Caminhoá, ob. cit, pag. 2491. Distribuição geographica: África austral. Anthelmintica, segundo a citação de Caminhoá. 212 ZYGOPHYLLUM SIMPLEX, L. Bibliographia: Linneu, ob. cit., pag. 68. - Engler, ob. cit., pag. 81. - Gréshofe, ob. cit., pag. 28. - Ca- minhoá, ob. cit., pag. 2491. Greshoff diz apenas que é anthelmintica, e Cami- nhoá que as sementes são as partes usadas; Engler af- firma ser também usada contra o leucoma, na Arabia. Varias Zygophyllaceas arborescentes encerram no le- nho matérias resinoso-amargas e são por isto emprega- das na medicina popular. «Lignum Guajaci» ou «Lignum Vitae», que provem de Guajacum officinale, L., da Ame- rica Meridional equatorial e de G. santum, L., que appa- rece desde a Florida para o sul até á Venezuela e Guya- nas, contêm a resina de Guayaco. Larrea mexicana, Mo- ric. «Gobernadora», «Paio onda» ou «Hidiondo», é pelos nativos do México empregada na medicina e delia usam a seiva para envenenar a ponta das flechas. Peganum Harmata, L., é a planta de cujas sementes se prepara a «Semina Rutae Sylvestris», ou «Semina Harmalae», que serve para fabricar o «Vermelho da Turquia», cujo prin- cipio activo é a «Harmalina»; estas mesmas sementes eram também usadas como sudoríficas, vermífugas e para fabricar bebidas embriagantes; actualmente os Turcos as usam como condimento. Para estes dois últimos fins, usam, os arabes, também os fructos da Nitraria retusa, Aschers. As especies de Guajacum, Porlieria e alguns outros fornecem madeiras preciosas, muito pesadas e sempre aromaticas e coloridas. ZINGIBERACEAS AFRAMOMUM MELEGUETA, (Roscoe) K. Schumann. (A citação é sempre de Globba Beaumetzii, Heck., ou Ceratanthera Beaumetzii, Ed. Heckel, que pelo Sr. Schumann, no Regni vegetabilis conspectum, é conside- rada um producto hybrido entre Globba heterobractea, Sch. e Aframomum melegueta, Sch. Bibliographia: Ed. Heckel, «Sur le dadi-go ou ba- lancoufa (Ceratanthera Beaumetzii, Ed. Heckel.). Plante 213 nouvelle cleistogame et distopique, usitée comme taeni- fuge sur la côte occidentale de 1'Afrique tropicale, t. 1-3. Marseille, 1891, 4. - K. Schumann, Das Pflanzenreich, fase. IV, 46, pags. 160 e 204. - Qreshoff, Mededeelin- gen uit S'Lands Plantentuin, vol. XXIX, pag. 148, etc. Distribuição geographica: África Occidental. Pelos autores acima citados, usada na patria como vermífuga. HEDYCHIUM LONGICORNUTUM, Griff. Bibliographia: Griff, apud Baker, in Hook, f. Fl. Brit. Ind. VI (1892), pag. 228. - K. Schumann, Das Pflanzenreich, fase. IV, 46, pag. 55. - Qreshoff, ob. cit., pag. 148. Distribuição geographica: índia, frequentemente encontrada nas mattas de toda a península, principal- mente nas da base do monte Ophir; também em Perak, Solangera, Ginting-Bidai, etc. Na Malasia, em Sumatra, perto de Siak. Os rhizomas carnosos, chamados «Tepus lada» ou «Urubat chanching» são preconizados e usados contra dores dos ouvidos. Qreshoff a cita como anthelmintica. RENEALMIA EXALTATA, Linn. Bibliographia: Otto Gregorius Petersen, Fl. Br. de Martius, vol. III, III, pag. 41. - K. Schumann, Re- gni vegetabilis Conspectus, fase. IV, 46, pag. 296, n.o 26. Distribuição geographica: Rio de Janeiro, na Ti- juca e encosta da Serra dos Órgãos; Minas-Geraes, S. Paulo e também nas Guyanas, Jamaica, etc. Encontrada nas immediações de Mboy, perto desta Capital e na Serra de Santos ou de Cubatão. Planta umbrophila que vegeta de preferencia nos terrenos húmidos e nas encostas mais frescas das serras; caule alto muito semelhante ao do «Safrão», erecto e altini-folioso; folhas envaginadas, com bainhas amplexan- tes, glabras ou puberulas ou mesmo esparsamente se- meadas de fascículos de pellos avermelhados; lamina lan- ceo-ovalada, aguda para a base e acuminada parâ o apice, ligeiramente asymetrica, glabra. Inflorescencias ba- 214 Heãychium coronarium, Koenig et Retz. «Lirio do Brejo» (Seg. Fl. Br. de Mart. 215 saes emergindo do rhizoma, mais curtas que os caules, estereis, e destituídas de folhas, recobertas por bainhas amplexantes, de que as superiores ás vezes ostentam rudimentos de folhas. Flores dispostas em falsos capí- tulos, constituindo grandes cabeças, pedicelladas; pedi- cellos mais curtos, raro mais longos, que as flores; pa- racalice obliquamente bífido; cálice tubuloso, tridentado, dentes triangulares pouco mais altos que o paracalice; corolla vermelha, com tubo quasi tão longo quanto o cálice, com tres segmentos ovaes erectos; labello quasi reniforme e tão longo quanto a corolla, concavo, infe- riormente unguiculado tendo dos lados os dois estami- noides em forma de pequenos dentes. Estame fértil com o filamento concrescido ao tubo da corolla, com anthera livre, rectangular e pubescente. Pistillo cingido na sua base por um vaso nectarifero, apice recostado entre os loculos das antheras, delgado, com estigma largo ob- cordiforme escavado e margens pubescentes; ovário lar- go, ovoide, glabro. Capsula madura do tamanho de uma cereja ou pouco menor, fresca avermelhada e com casca succulenta que tinge o álcool rapidamente de vermelho; depois de secca alongada rugosa e um tanto coriacea. As partes empregadas desta planta são as sementes, que em grande numero enchem as capsulas. De prefe- rencia administram-nas em combinação com os chás de «Poejo» (Mentha pulegium, L.) e de «Hortelã Pimenta» (Mentha piperita, L.) Entre os hervanarios de S. Paulo e Rio de Janeiro, reputada como uma das sementes vermífugas mais im- portantes. As Zingiberaceas fornecem ao homem muitos oleos ethereos medicamentosos que são extrahidos dos seus rhizomas ou das suas sementes. Mais aproveitadas são, entretanto, as matérias condimentares e colorantes que delias se exploram. Zingiber officinale, Roscoe., é, em Bengala, Java, Serra Lione e Jamaica, cultivada em larga escala, e delia nos provém a maior parte do «Açaflor» ou «Gengibre» dos nossos mercados; producto que se prescreve para varias moléstias. As raizes da «Curcuma» (Curcuma lon- ga e Cure, rotunda), fornecem o «Tumeric» dos inglezes. O «Cardamomo» provém de Elettaria cardamomum, White et Maton. e de Amomum cardamomum, L. Os «Rhizoma 216 Plantação de Hedychium coronarium, K. et R. no Horto Bot. do Museu Paulista 217 Galangae» e «Zedoriae» provêm egualmente de especies de Zingíberaceas. Bastante commum entre nós é o «Lyrio do Brejo» (Hedychium coronarium, Koenig et Retz) já muito apro- veitado na industria do papel ou da perfumaria, graças á bôa cellulose que se obtem das suas folhas e caule e á essencia que se extrae das suas alvas flores. Forçosa- mente deve encerrar em seu rhizoma princípios activos analogos aos do H. longicornutum, Qriff. (.Ver a es- tampa). ÍNDICE Pag. Alibertia edulis, A. Rich. 192 Allium cepa, L. ... 128 » sativum, L. . 128 » victoriaiis, L. . . 128 » vulgare, Dõll. . . 128 Alsidium helminthochor- tos, Ktz. .... 91 Alstonia scholaris, L. . 28 Althaeae officinalis, L. . 138 Amansa-Senhor .... 170 Amarantaceas .... 15 Amarantus blitum, L. . 15 » graecizans, L. . 15 » sylvestris, Desí. 15 » viridis, L. . . 15 Ambrósia artemisiae folia, L 58 Amêndoa da terra ... 78 Amendoeira 57 Amomum cardamomum,L. 215 Amygdalina 189 Amyris balsamifera, L. . 195 » elemifera . . . 195 Anabasis tamaricifolia, L. 54 Anabi 134 Anacardiaceas .... 18 Anacardium Occidental, L. 18 Anami 189 Ananaz sativus, Schult. . 34 Andauassú 89 Andira anthelmintica, Benth 117 Andira frascinifolia, Benth 117 Andira inermis, H. B. K. 121 » retusa, H. B. K. 121 » stipulacea, Benth. 117 » vermífuga, Mart. 117 Andot 170 Andropogon muricatus, Rtz 97 Andropogon squarrosus, L. 97 Anemone pratensis, L. . 184 Anemonina 184 Angelim côco . . . .119 » doce .... H9 Angustura 195 Anisomeria coriaceae, L. 170 A P'S' Aacla ...... 90 Abacate 113 Acacia anthel mintica,B.Br. 117 Açafior 215 Açafranillo 199 Açafrão 105 Acido aconitoso. . . . 184 » chrysophanico . . 174 » meconico. . . • 157 » oxalico .... 155 » salicylico. . . . 189 » thymianico . . . 110 Ackermennig .... 188 Acocanthera abyssinica, K. Schum 28 Aconitina 184 Aconitum ferox, Wall. . 184 » heterophyllum, Wall 184 Aconitum napellus, L. . 184 Actea americana (Midi.) Prantl 184 Actea cimifuga, L. . . 184 Adenandra fragans, Rõm. et Schl 195 Adenia lobata, Engl. . . 157 Adenolicianthus arboreus, (Spruc.) Gilg. ... 97 Adónis vernalis, L. . . 184 Aegle marmelos, (L.)Correa 196 Aerva lanata, (L.) Juss. . 15 Aframomum melegueta, (Roscoe.) Schum. . . 212 Agdestis clematidea, Moc. 170 Agrecum carinatum, Kost. 152 Agrião 72 » do Pará .... 69 Agrimonia 188 Agrimonia eupatoria, L. . 188 Ailanthus qlandulosus, Desf 200 Aipim 88 Alamanda cathartica, L. . 28 Albizzia anthelmintica, A. Br. 117 Alfavaca de cobra . . . 194 Alfeneiros 151 Alho 128 220 Pag. Anisomeria drastica, Moq. 167 Anisophyllum thymifo- lium, How 79 Anona muricata, L. 21 » paludosa, Aubl. . 21 » palustris, L. . . 19 » triloba, L. . 19 Anonaceas 19 Apocynaceas 23 Araçá 148 » da praia .... 148 » iba 148 » merim. . . . . 148 Araceas . 29 Araribás 192 Araucaria brasiliana, A. Rich 70 Argemone mexicana, L. . 157 Aristolochia kaempferi, Willd 31 Aristolochiaceas .... 31 Arruda 194 Artemísia cina, Berg. . 60 >< contra, L. . 61 » flaginoidea, Stech. 62 » glomerata, Sieb. . 61 » erba-alba, Asso. . 61 » judaica, L. . . 61 » marítima, L. . . 61 » mexicana, Willd. 62 » polystachya, D. 0. 60 » ramosa, C. Sim. 62 » santonina, L. (?) 62 » suaveolens, Lam. 62 » vallesiaca, D. C. 62 » vallesiana, Lam. 62 Artemisina 62 Arvore da vida .... 71 Asclepias curassavica, L. 32 Asclepiadaceas .... 31 Asinina triloba, Dun. . 19 Aspidium athamanticum, Kze 178 Aspidium felix-mas, Sw. 177 » marginale, Sw. . 178 » prestulatum, Ten. 178 » rigidum, Webb, et Best 179 Assacú 84 Atalantia monophylla, (L.) Corrêa 196 Atee 184 Athanasia amara, L. . 63 Atropa belladona, L. . . 203 Atropina 203 Pag. Avaremotemo .... 126 Avellã. ... 33 » do Chile .... 182 Avencão 180 Ayamol 170 Aypána 69 Azadirachta indica. Juss. 139 Azeitona 151 Bacae spinae cervinae. . 187 Bacupary 99 Bacurubú 126 Baeckea fructescens, L. . 149 Balanites AegyptiacajDeAle 210 Ballota foetida, Lam. . 107 » nigra, L. . . . 107 » vul garis H. et Link 107 Balsamo de Carpol. . . 149 Banana d'Imbé .... 30 Basidiomycetes .... 32 Barosma crenulatum, Hook 195 Batatinha 205 Bauhinia acuminata, L. . 114 » Raddiana, Bong. 114 » variegata, L. . 114 Beldroega 181 Belladona 203 Berchenia discolor, Hems- ley 187 Bétula lutea, W. ... 33 » pubescens, Ehrh. . 33 » verrucosa, Ehrh. . 33 Betulaceas 33 Bikh 184 Bitter-blain 198 » -meed 60 Bocagea alba, St. Hil. . 21 » viridis, St. Hil. 22 Bocconia fructescens, L. . 156 Bois joli 206 Bonnaya ver onicae folia, Spreng 196 Booscurú 210 Borbotine 61 Boscia senegalensis, Lam. 39 Brayera antheImintica, ; 117 Kunth 1188 Britoa Sellowiana, Berg. 148 Bromelia pinguin, L. . . 34 Bromeliaceas 34 Brosimum galactodendron, Don 145 72 Bryonia callosa, Rottl. . {^5 221 Pag. Bryoniascrobiculata, Hoch. 75 Bucha 73 » dos paulistas. . . 73 Buchinha 74 Buddleia polystachia, Fres. 130 Bulbuli-trasi 78 Buplerum fructicosum, L. 208 a Caacambuhy 80 Cactaceas 35 Cadaba Indica, Lamk. . 39 Caiapiá 143 Calitris, sp 69 Calitris quadrivalvis,Vent. 70 Calophyllum brasiliense, Camb 99 Caltha palustris, R. . 42 Calunga 203 Calyptranth.es aromatica . 149 Camarú ,205 Cambará 210 Cambucá 148 Campanula cervicaria, L. 39 » glauca, Thum. 39 * trachelium, L. 39 Campanulaceas .... 38 Cannabis sativa, L. . . 145 Canavalia gladiata, D. C. 126 Canhamo 145 Canthium parviflorum, Lam 192 Canudo de pito 91 Caoutchueiro .... 145 Caperiçoba branca ... 50 Capparidaceas .... 39 Capparis brevispina, Baill. 40 » diversifolia, L. . 40 » Heyneana, Wall. 40 » hórrida, L. . 40 » Rheedii, Baill. . 40 t t 42 » spmosa, L. . . » zeylanica, L. . 40 Cappsella bursapastoris, Monch 72 Capsicina 204 Capsicum, sp 203 Caraipa fasciculata, Camb. 99 Carapiá . . . ,. . . 143 Carapicrí 136 Cardo Santo 157 Cardamomo 215 Carica papaya, L. . . . 42 Caricaceaes 42 Carissa xylopicron, Thou. 23 Pag. Carpotroche brasiliensis, Endl 91 Carqueijas 69 Carya porcina, Nutt . . 107 Caryophyllaceas. ... 45 Casca de Polomabi. . . 187 Cáscara Sagrada . . . 187 Casimiroa edulis, Llav. et Lex 195 113 Cassia caryophyllata . . {j^g » occidentalis, L. . 127 Castilloa elastica, Cerv. . 145 Cayaponia espelina, (Man- so) M. et P 78 Ceanothus americanus, L. 187 Cedrel.a fissilis, Vell. . . 136 » Glaziou, Ç. D. C. 136 » odorata, L. . . 136 Cedro vermelho. . . . 136 Cdosia anthelmintica, As- cher. 16 Celosia argentea, L. 16 » cernua, Roxb. . . 16 » cristata, L. 16 » trigyna, L. . . 17 Ceratanthera Beaumetzii, Heck 212 Cerbera manghas, L. . . 28 Cereus compressus, Mill. . 37 » flagMiformis, Mill. 35 » triangularis, Ham. 37 Cestrum bracteatum, Link. et Qtto 204 Cestrum pseudoquina, Mart 204 Cineol 62 Cinnamomupr cassia, Bl. 113 » zeylanicum, Breyn 113 Cipó de Imbé .... 30 Citrus aurantium, L. . . 193 » medica, L , . . 193 Chalmogra 91 Chenopodiaceas .... 46 Chenopodina. .... 55 Chenopodium ambrosioi- / 46 des, L <172 Chenopodium anthelminti- cum, L. (?)... 46 Chenopodium Botrys, L. 49 » hircinum, Schrad 50 Chenopodium multifidum, L 52 Chenopodium vulvaria, L. 50 222 Pag. Chilenische Hasselnuss . 182 Chondria vernularis, Hook. 91 r»o Chrysanthemtim vulgare, L. { $$ Chupa-ferro 195 Clematis brachiata, Thumb. 183 Cleome felina, L. . 40 » graveolens, Rafin. 40 Cleome icosandra, L. . . 40 » microphylla, Eichl. 41 Clerodendron infortuna- ■ tzim, Gaertn. . . . 209 Cierodrendon trichoto- mum, Thumb. . . . 210 Coará bravo 66 Coaxinguba 140 Côco da Bahia .... 155 Cocos nucifera .... 155 Coerana 204 Colla de sapateiro . . . 154 Colubrina ferruginia, Brongn 187 Combretaceas .... 56 Combretum constrictum, Lam 56 Combretum Jacquini, Griesb 57 Combretum Loeflingii, Eichl 57 Combretum racemosum, P. de B 56 Combretum trifoliatum, Vent 56 C o m m e 1 i n a agraria, Kunth 58 Commelina scabrata, Seub. 57 » tuberosa, L. 58 Commelinaceas .... 57 Compósitas 58 Coníferas 69 Connaraceas- 71 Connarus africanus, Lam. 71 » ensiformis, D. C. 126 Contra - herva . . . . { Corso 145 Copal 117 Coptis teeta, Wall. . . 184 » trifolia, Salisb. . 184 Coronopus didymus(L.)Sm. 72 Córtex augusturae . . . 195 » Caryophylli . . 149 » Cinamomi acuti . 113 » » cassiae. 113 » Condurango . . 32 » Frangulae . . . 187 Pag. Córtex Margosae . . . 139 » Parahybae . . . 202 » Radieis Granati . 182 Corydalis capnoides, Wahl. 156 » cava, Schw. . 156 » lutea, D. C. . 169 » tuberosa, D. C. 156 Corylus avellana, L. . 33 Couma utilis, Muell. Arg. 23 Crataeva gorazema, Casar. 167 » tapia .... 42 Cravina 45 Cravo da índia. . . . 149 » » Jamaica . . . 149 » » terra . . . . 149 » de defunto ... 68 » do Maranhão . . 113 » » México . . . 148 » pimenta .... 149 Crithum maritimum, L. . 207 Croatá 35 Crocus sativus, L. . . 105 Croton antisyphiliticus, Mart 89 Croton macrostachis, A. Rich 79 Cruciferas 71 Cucumis trigona, Roxb. 72 Cucurbita maxima, Duch. 72 Cucurbitaceas .... 72 Cullantrillo 208 Cumarina 194 Cupressus lusitanica, Mill. 71 Curare 97 Curcuma longa .... 215 » rotunda . . . 215 Curraleira 89 Cusparia trifoliata, Engl. { Cybianthus detergens, Mart 146 Cymo 110 Cypeita coerulea, Seub. . 104 Cypeceraceas .... 78 Cyperus articulatus, L. 78 » esculentus, L. . 78 Cyrtopera longifolia, Reich 152 Cyrtopodium Woodfordii, Sims 152 ID Daemia aethiopica, Dcne. 31 » angolensis, Dcne. 31 » cordifolia, (Retz). K. Schum 31 223 Pag. Daemia extensa, B. Br. . 31 Damasqueira .... 189 Daphne Genkiva, Sieb. et Zuc 205 Dapbne Gnidium, L. . . 206 » laureola, L. . . 205 » mezereum, L. . 206 Daphnina 206 Datura stramonium, L. . 204 Delphinum coeruleum, Jacq 183 Delphinum consolida, L. . 183 » peregrinam,D. 183 Dianthus chinensis, L. 45 » F i s c h e r i s, Spreng 45 Dicentra formosa, Borkh. 156 Dictamnus albus, L. . . 193 » Fraxinella, Pres. 193 Dicypellium caryophylla- tum, Nees 113 Dieffenbachia seguine, Schott 31 Digionina 199 Digitaleina 199 Digitalina 199 Digitalis purpurea, L. . 199 Digitoxina 199 Diospyrus paralea, Stend. 79 » virginiana, L. 78 Discaria febrífuga, Mart. 187 Dj andam 39 Dulcamarina .... 204 Dulcinina 78 e: Eau d'Ange 147 Ebenaceas 78 Elephant wood .... 196 Elettaria cardamomum, Whit et Mat. . . . 215 Embelia micranta, A. D. C. 145 » ribes, Burm. . . 145 » robusta.... 145 Embira branca .... 206 Epipremum mirabile, Schott 29 Eriophorum p o 1 y s t a - chyum, L 78 Erigium aquaticum, L. . 207 » arvensis, Phil. . 208 » foetidum, L. . 208 » integrifolium, Walt 207 Erigium ternatum, Poir. 207 Erythraea chilensis, Pers. 92 Pag. Erythronium americanum, L 28 Eryva 97 Esenbeckia febrífuga, Juss. 195 Espelina 77 Esporas de cavalleiro . . 184 » » cearas . . . 184 Eucalyptus amygdalina, Ld] 149 Eulophia virens, Spreg. 152 Eupatorium triplinervi, Vahl 69 Euphorbia cerebrina, Hoch. 79 » coecorum, Mart. 89 » pilulifera, L. . 80 » piscatória, Ait. 89 » próstata, Ait. . 80 » thy mi folia, Burm 79 Euphorbiaceas .... 79 Euxolus viridis, Moq. . 15 Erodia febrífuga, Lt. Hil. 195 E" Falsa quina 134 Farinha 'do Campo . . 126 Fedegoso 127 Feijão bravo .... 126 Feronia elephantum, Cor- rêa 196 Féto macho 177 Ficus anthelmintica, Mart. 139 1 • /140 » dolearia . { » ferruginea, Hort. . 142 » infernalis .... 86 » radula, Willd. . . 140 » vermifuqa, iMiq.) Engl . . 142 Figo do inferno ... 86 Figueira 140 Figueira do inferno . . 204 Flacourtiaceas .... 90 Flaveria angustifolia. Cav. 63 » contrayerva, Pers. 63 » repande, Lag. . 64 Flor de coral .... 88 Flores Koso 188 » Verbasci .... 199 Florideas 91 Folia Adianti .... 180 » Bucco 195 » Digitalis .... 199 » et Baccae myrtii . 148 » malabathri . . . 113 Frauenhaar 180 224 Pag. Fraxinella 194 Fraxinus ornus, L. , . 151 Frenella ...... 70 Fructa de arara ... 89 » » cascavel . . 146 » » gentio ... 77 » » lobo . . . 205 » » pão .... 145 Fructus pimenta . . . 149 » Rhamni catharti- cae 187 Fumaria capreolata, L. . 157 » cava, Mill. . . 156 » ofíicinalis, L. . 157 Galipea jasminiflora, Engl. 194 » ofíicinalis, Hanck. 195 Gallesia gorazema (Vell.) Mog • . 167 Gallesia scorododendron, Casar 167 Gameleira branca . . . 142 Garcinia mangostana, L. 98 Gardenia campanulata, Roxb 190 Geissorpermum laeve (VeD.) Miers. ... 28 Gengibre 215 Genipa americana, L. . 192 » campanulata, Baill 190 Genipapo 192 Gentiana lutea, L. 92 Gentianaceas .... 91 Gentianina ..... 92 Geofíraea spinosa, L. 121 » superba, H.B.K. 121 Gervão 210 Gevuina avellana, Molina 182 Giesehia pharmacoides, L. 168 Giló 205 Ginkgo 70 » biloba, L. . . . 70 Glecoma hederaceci, L. . 108 Globba Beaumetzii, Heck. 212 » heterobraetea, Sch. 212 Gneum urbanum, L. . . 189 Gobernadora .... 212 Goiaba acida . . . . 148 Goi abeira 147 Golden-thread . . . . 184 Gonú 77 Goomar-Tek 210 Gõtterbaum ..... 200 Graine vers 61 Pag. Grama . . . . . . 58 Graminhas 97 Gratiola ofíicinalis, L. . 196 Gravata 35 Grenette 61 Grumixama . . . . . 148 Guabiróba 148 Guajacum otíicinale, L. . 212 Guapuronga 148 Guarda-sol 57 Guassatonga .... 91 Guaxima 136 Guttiferas 98 Gynocardia odorata, R. Br. 91 Hagenia abyssinica,Willd. {Jgg Haimarada 198 Haloenemum fructicosum, D. Diet 54 Hancornia speciosa, Gom. 28 Harmalina 212 Hedychium c o r o n a r i u m, Koenig et Rtz. . . . 217 Hedychium longicornu- /213 tum, Griff <217 Heil aller Wellt ... 188 Herba capillorum veneris 180 » linagrostis ... 78 » pulsatillae . . . 184 » scrophulariae . . 198 Herbe aux mouches . . 69 » » poules . . . 169 » » vers ... 49 Herreriasalsaparilla,Mart. 129 Herva Ambrósia ... 49 » Andorinha ... 80 » de avença . . . 180 » » bicho . . . 172 » » gato .... 209 , 32 » » rato .... » » S. Jóão . . . 108 » do México . . . 49 » formigueira . . 49 » linariae .... 199 » pepi . . ■ . . 169 » pombinha . . . 89 » . Sta. Maria ... 49 » terrestre . . . 108 Heteromorphaarboreseens, Cham. et Schl. . . . 207 Hevea sp 80 Hibiscus senegalensis, Cav. 134 225 Pag. Hidiondo 212 HippomanesMancinella,L. 90 Hog-Weed 60 Honigbrot 155 Hortelã pimenta . . . {^5 Hortia brasiliana, Van . 196 Huangliang 175 Hugonia mystax, L . 130 Humiria balsamifera, Aubl 102 Humiria floribunda, Mart. 100 Humiriaceas . . . .100 Humulus lupulus, L. . . 145 Hura crepitans, L. . . 81 Hydnocarpus anthel- mintica, Pierre. . . 90 Hydrastis canadensis, L. 184 Hymenaea Cozcbaril, L. . 115 » Martiana, Hay- ne 115 Hymenaea stigonocarpa, Mart 115 H y m e n a e verrucosa, Gaertm 115 Hyoscyamina .... 203 Hyoscyamus niger, L. . 203 Hypericum officinale, Cr. 98 » per for atum,L. 98 » vulgare, Lam. 98 Hyphaene thebaica, Mart. 155 Hypnéa musciformis, Lam. 91 Hyssòpus officinalis, L. . 112 X lerba de la Alferezia . . 35 Indian Tabac .... 38 índigofera anil, L. . . {pfl » lespedezoides, H. B. K 125 índigofera linifolia, Rtz. 125 Iridaceas 104 JT Jabonero 170 Jaborandy 194 Jaboticaba 148 Jacquinia annilaris, Jacq. 146 » aurantia, Ait. 146 » racemosa, D. C. 146 Jambo 148 Jambolana 148 Jambosa caryophyllus Naz 149 Japacotina 184 Pag. Jaqueira 145 Jaracatiá ..... 44 » dodecaphy 11a, D. C 45 Jasminum azoricum, L. 151 » floribundum, R. Br 151 Jasminum Sambac, Ait. 151 Jatahy 115 Jatobá 115 Jatropha curcas, L. . . 84 » multifida, L. 86 Joannesia príncipes, Vell. 89 Juglandaceas .... 105 Juglans regia, L. . . . 105 Junquillo 35 Juta 136 Jutahy 115 K Karapatol 139 Kellerhals • 206 Kichxia arbórea, L. . 25 Koseina 188 Kosso 188 Lábiatas 107 Ladies Hair 18 Lansbergia cathartica, Klat 105 Lansbergia juncifolia, Klat 105 Lansbergia purgans . . 105 Lansium domesticum, Jac. ... . . 136 Larrea mexicana, Moric. 212 Latrodectes formidabilis . 208 Launaeapinnatifida, Cass. 64 » sarmentosa, (W) Schult 64 Lauraceas 113 Lava-pratos 127 Leguminosas . . . .114 Leiphaimos aphilla (Jacq. Gilg 94 Lepidium ruderale, L. 72 Liane vermifuge ... 56 Lichenes 127 Lignum Guajaci . . . 212 » Vitae .... 212 Liliaceas 128 Limeira 193 Limnanthemum Humbol- tianum, Griesb ... 94 Limonia acidíssima, L. . 195 226 Pag. Linaceas 130 Lindera benzoin, Meiss. 113 Lindernia diffusa, (L.) Wett 197 Lippia citriodora, Kunth. 210 Lisianthus virgatus . . 97 Lithraea molleoides, Engl. 18 Lobelia cardinalis, L. 38 » cirsifolia, Lans. 38 » infiata .... 38 » syphilitica, L. . 38 » urens, L. . . 39 Lobelina 39 Logania fasciculata, R. Br. 130 » hispudula. Ness. 131 » hysopoides . . 131 » serpyli folia, R. Br 131 Loganiaceas 130 Lokusthaum . . . . 115 Luffa cylindrica, L. . . 72 » operculata, Cgn. . 73 Lunasia amara, L. . . 195 Lupulo 145 Tur Macambira 35 Macaxêra 89 Maesa lanceolata, Tossk. 145 » picta, Hochst. . 145 Maidenhar 180 Malicorii 183 Malva rotundifolia, L. . 136 » sylvestris, L. . . 136 Malvaceas 134 Malvisco 136 Mamangá ... . 127 Mammea americana, L. . 98 Mamoeiro 44 » domatto . . 44 Mancenilla 90 Mandioca brava ... 88 » doce .... 88 » manteiga . 89 Manga do brejo . . . 148 Manjerioba 127 Mangifera indica, L. 18 Manihot dulcis, Parodi . 88 » utilíssima, Pohl. 88 í151 • « . » . . Maracujá grande . . . 160 » pintado . . . 164 Marfim vegetal .... 155 Margosa bark .... 139 » oil 139 Pag. Marianinha 58 Marica coerulea, Ker. . 104 Marinheiro 123 Marlieria edulis, Ndz. . 148 » tormentosa, Cansb 148 Marroio fétido .... 108 Marrubium 108 Marsdenia condurango, Reisch 32 49 Mastruço { Mata-cana 197 Melaleuca cajeputi . . . 149 » leucadendron, L. 149 Melanthium cochinchinen- sis, Lour 129 II lelanthvum virginicum, L. 129 Melão de S. Caetan» . . 75 Metia azedarach, L. . 137 Meliaceas 136 Melissa officinalis, L. . 112 Melothria maderaspatana, Cgn 75 Melothria s crobiculata, Cgn 75 Menstruco 72 jOg Menta piperita, L. . . {215 » pulegium, L. . . {215 » sativa, L. . 109 » viridis, L. . . 110 Menthol 108 Menyanthes trifoliata, L. 95 Microrhinchus sarmento- sus, D. C 64 Mikania amara, Willd. . 64 Mishmee-bitter .... 184 Momordica charantia, L 74 Monnieria trifolia, L. . 194 Monstera deliciosa, Lieh. 30 Moraceas 139 Moranga ...... 72 Morphina 157 Mucura-caá . . . . . 169 Muehlenbecki.a sagittifo- lia, Meison 177 Murraya exótica, L. . . 195 Murta 195 Musambé 42 Mussenina 117 Myrcia coriacea . . . 148 Myrcia oitchi, Berg. . . 148 Myrcinaceas .... 145 Myriogyne minuta, Less. 66. 227 Pag. Myrsine africana, L. . . 146 Myrsine bifaria, Wall. . 146 Myrtaceas 147 Myrtus communis . . 147 » pseudocaryophyllus 148 JXT Nagal 210 Narcotina 157 Nasturtium officinali, R. Br. ...... . 72 Neem-Oil 139 Neottia nidus-avis, Rich. 152 Nephro dium felix-mas, Rich 177 Nerium oleander, L. . 28 Nim bark . 139 » oil 139 Nitraria retusa, Aschen. 212 Noz vomica 134 Nuces catharticae ... 86 O Ochnaceas 150 Ocotea pretiosa, Meiss. . 113 Official de sala .... 32 Oitchi 148 Oldenlandia corymbosafL. 190 » senegalensis, Hieron 191 Olea europea, L. 151 Oleaceas 151 Oleo de Andiroba . . • 139 » » Garapa.... 139 » » chalmogra . . 91 » Japonez .... 109 Oleum Cajeputi . . . 149 » chenopodii ... 54 » infernalle officinale 86 » Menthae piperitae 108 » » viridis . 110 » Pimentae . . . 149 » Pulegii .... 109 » ricini majori . . 86 Olho de pombo .... 126 Ophthalmoblapton macro- phyllum, Pr. AU. . . 89 Opio 157 Opuntia reticulata, Dcne. 37 Orchidaceas 152 Orthostemon Sellowianus, Berg 148 Ouratea hexasperma, Baill. 150 » ilicifolia, (D. C.) Baill • 150 Ouratea jabotapita, (Sw.) Engl 150 Pag. Ouratea parviflora, (D. C.) Baíll 151 Oxalidaceas 154 Oxalis anthelmintica, A. Rich 154 Oxalis pés-caprae, L. . . 154 » Smithiana, Eckl. . 154 Paina de sapo .... 32 Pajamarioba . . . . . 127 Paliurus aculeatus, Lam. 187 Paio onda 212 Palmeiras 155 Páo d'Alho 168 » de cobra .... 134 Pão de mel 155 » » morcego . . . 121 Páo rosa 195 » vacca ... . 145 Papaver sonniferum, L. . 157 Papaveraceas 156 Parahyba 202 Passiflora alatu, Ait. . . 158 » bahiensis, Klotz. 160 » bilobata, Juss. . 161 » edulis, Sims. . 167 » laurifolia, Mart. 161 » mucronata, Vell. 162 » ocelata, (?) . . 164 » pallida, Vell. . 162 » Poeppigii, Mart. 164 » quadrangularis, L 165 Passifloraceas .... 157 Passiflorina 166 Pavonia zeylanica, Cav. . 134 Pé de perdiz 89 Peganum Harmala, L. . 212 Pelletierine 183 Peltigera Horizontalis, L. 127 Persea gratissima, Gãrtn. 113 Petalostigma quadriculare, Mull 88 Petiveria alliacea, L. . . 169 » hexaglochin, Fisch. et Mey. . . . 168 Petiveria tetandra, Gomes. 168 Pharmacosycea anthelmin- tica, Miq 139 Pharmacosycea radula,Miq. 140 Philodendron bipinnatifi - dum, Schot 29 Phoenix dactylifera, L. . 156 Phytolacca abyssi^úca^o^. 170 » americana, L. . 170 228 Pag. Phytolacca dodecandra, L'Herit 170 Phytolacca heptandra, Retz 170 Phytolacca icosandra, L. 170 Phytolaccaceas .... 167 Picrasma excelsa, Planch. 202 Pilocarpus pennatifolius, Lam 194 Pimenta do México . 148 » officinalis, Berg. 149 Pimenteira do Pará . . 69 Pinheiro 70 » do inferno . . 86 Pinhão de purga ... 86 » do Paraguay . . 86 Piper jamaicensis . . . 149 Pirolaceas 171 Pitanga 148 Pithecolobium avaremote- mo, Mart 126 Pitomba 148 Plectronia parviflora, Bedd 191 Plumeria lancifolia, Muell. Arg 25 Plumeria phagedaenica, Mart 26 Poaya 192 Podocarpus Lamberti, Klotz 71 Podocarpus Sellowii, Klotz 71 Poejo 215 Polanisia felina, L. . . 40 » graveolens, Raf. 40 . » microphylla, Eichl 41 Polanissia viscosa, L. . 40 Polygala angulata, D. C. 172 » aspalata, L. . . 172 » fimbriata, A. W. Ben 171 Polygala pavana, D. C. . 171 » paniculata, L. . 172 » senega, L. . . 171 » tinctoria, Vahl. 171 » venenosa, Juss. 172 Polygalaceas 171 Polygonaceas. . r . . . 172 Polygonum acre, H. B. K. 172 » acuminatum, Willd 172 Polygonum tinctorium, Lour 177 Polypodiaceas .... 177 Pag. Polypodium.Catharinae, Langsd. et Fisch. . . 180 Polypodium crasifolium,L. 180 » lepdopteris, Kunz. 180 » ligulatum, Sw. 179 » loriceum, L. . . 180 » pescursum, Cav. 179 » suspensum, L . 179 Polyporus anthelminticus, Berg 32 Polyporus officinalis, L. 33 Portulaca oleracea, L. . 181 Porhdacaceas 181 Potalia amara. Aubl. . . 134 Potenilla silvestris, Neck. 189 Proteaceas 182 Prunus Armeniaca, L. . 188 » Pérsica, L. . . 189 Psidium araça, Raddi . 148 » cattleyanum, Sabine 148 » densicomum . . . 148 » guayava, Raddi. . 147 » molle 148 » pumilum, Vahl. . 148 » radicans .... 148 » salutare, Berg. . . 148 Psychotria marcgravii, Spreng 192 Pteridium aquilinum, (L.) Kuhn 180 Fterospora andromeda, Nutt 171 Púnica granatum, L. . . 182 » nana, L. . . . 183 Punicaceas 182 Purga de Caiapó ... 78 » » Carijó ... 77 Q Quassia 202 » amara, L . 202 Quassinina 202 Quebra pedra .... 89 Quina do matto. . . . 204 Quisqualis Indica, L. 56 Radix caryophyllatae . . 189 » pontica .... 175 » senegae .... 171 Raiz de açafrão. . . 199 » » Guiné .... 169 Ranunculaceas .... 183 Rauwolfia serpentina, (L.) Benth 26 Renealmia exaltata, L. . 213 229 Pag. Rha barbarum .... 175 Rhamnaceas 185 Rhaphiostemma ciliatum, Hook 31 Rhaponticum .... 175 Rheum ofiicinale, Baill. . 175 » palmatum, L. . . 175 » undulatum, L. . 174: Rhizoma Galangae. . . 215 » Tormentillae. . 189 Rhodomyrtus tomentoza, Wight 148 Rhuibarbo 175 Rhuswurz 189 Rhus toxicodendron, L. . 18 » venenata, D. C. . 18 » vermicifera, D. C. . 18 Rynchosia phaseoloides, D. C 126 Ricini majores .... 86 Rojão 66 Romã 182 » rasteira .... 183 Roman-Wormwood. . . 60 Rosaceas 188 Rose wood 195 Roubieva multifida, Moq. 52 Rubiaceas 190 Rumex abyssinicus, Jacq. 174 » ecklonianus, Meiss. 174: Ruta clialepensis, L. . . 195 » graveolens, L. . . 194 » tuberculata, Borks. 195 Rutaceas 193 s Sageretia theezans, Brog. 187 Sahagunia strepitans, (F. Aliem.) Engl. . . 142 Salepo 154 Salva 177 Salsola kali, L 54 » tamaricifolia, Cav. 54 Samaderina 202 Samambaia 180 Sandbox-tree 84 Sandbúchsenbaum ... 84 Sansevieria cylindrica, Boje 129 Sansevieria thyr si flora, Thunb 129 Sansevieria zeylanica. Willd 129 Santonina 62 Sapium b i g 1 a n d u 1 o s u m, Muell. Arg 89 Pag. Saponina 189 Sapucainha 91 Sarcocephalus sambucinus, Schum 192 Sassafras 113 » ofiicinale, Nees. 113 Schebti 170 Schinus terebinthifolius, Raddi 18 Schizolobium excelsum, Vog 126 Scidapsus officinalis, Schott 30 Scroplrularia frigida,Boiss. 199 » nodosa, L. . 198 Scrophulariaceas . . . 196 Semecarpus heterophilla, BI 18 Semen Amomi .... 149 » Contra .... 61 » » do Levante. 61 » de sedoaria ... 61 Semenciana 61 Sementina 61 Semina Harmalae . . . 212 » Rutae Sylvestris. 212 Sempre-viva 71 Sennes 126 Sequoia gigantea, Ldl. . 149 Seringueira 81 Serissa foetida, Comines. 192 Sete-casacas 148 Sicy dium monospermum, Cogn 76 Sida floribunda, H. B. K. 135 Silene italica, Pers. . . 46 Silene macrosolen, Stend. 45 » venosa, Aschers. . 46 » virginica, L. . . 46 Simaruba ferruginea, St. Hil 203 Simaruba versicolor, St.Hil. 200 Simarubaceas .... 200 Sisymbrium ofiicinale, Scap 72 Sisymbrium Sophia, L. 71 Soara 146 Solanaceas 203 Solanina -204 Soldanella d'Agua ... 95 Solanum dulcamara, L. . 204 » giló, Raddi. . . 205 » indicum, L. . . 204 » Jacquini, L. . . 204 » lycopersicum, St. Hil 205 230 Pag. Solanum mammosum, L. 204 » melongena, L. . 205 » tuberosum, L. . 205 Soymida febrífuga, Juss. 139 Spice-wood 113 Spigelia anthelmia, L. . 131 » flemmingiana, Cham, et Schl. . . . 132 Spigelia glabrata, Mart. . 133 » longi flora, Mart. . 133 .» marilandica, L. . 133 » pauciflora, Mart. 134 Spilanthes acmella, L. . 69 Spiraea fllipendula, L. . 189 » ulmaria, L. . . 189 Stachys anatolica . . . 112 Stry cimos colubrina, L. . 134 » nux-vomica, L. 134 » pseudo-quina, St. Hil 134 Swietenia humilis, Zucc. . 139 » mahagoni, L. . 139 Syzygium caryophyllace- um, Gãrtn 149 Syzygium jombolana, D. C. 148 1* Tabernamontana citrifolia, L 28 Tabernanthe Iboga, Bail. 28 Tachia Guyanensis, Aubl. 95 Tagetes erectus, L. . . 68 » glanduliferns, Schrak 68 Tagetes minutus, L . . 66 Ta-huang 175 Tamacoari 99 Tànacehim umbelliferum, Bóiss 68 Tanacetum vulgare, L. . 63 Tanghinia veneniflua,Dup. 28 Taona febrífuga, (Forst.) Roem 139 Tapiá 42 Tatzé .... . . 146 Taxas Baccatus, L. . 70 Tayuyá 77 Terminalia Catappa, L. . 57 » chebula, Rtz. 57 Telfairia pedata, Hook. 76 Tephrosia virginiana, Pers. 126 Tepus lada 213 Thebaina 157 Thuja articulata, Vahl. . 70 Thusch 170 Pag. Thymelaea Tartonraira, All 206 Thymelaeaceas .... 205 Thymo 110 Thymol 110 Tigrida pavonia. . . . 105 Timbó 125 Tafleldia calyculata, Wahl. 129 Tomate 205 Tomba 77 Tormen tília erecta, L. . 189 Torreya nucifera, (L.) S. et Z 70 Trachylobium verr.ucosum, Oliver. 115 Trapoeraba 58 Tres-folhas 195 Trichosanthes amara, L. 77 Tumbo 166 Tumeric 215 TT Umbelliferas 207 Urarema 121 Urena lobata, Cav. . . 136 » sinuata, L. . 136 Urubat chanching . . . 213 Urucurana 136 Uvaia do Campo . . . 148 ■v Valeriana dioica, L. . . 208 » intermédia, Sternb. 208 » montana, L. . . 208 » oflflcinalis, L. . . 209 » phú, L 209 » scandens, L. . . 209 Valerianaceas .... 208 Vandellia anti-geophagica, Caminhoá 197 Vandellia difíusa, L. . . 197 Vangueria edulis . . . 192 Vanillina 154 Ventilago maderaspatana Gãrtn 187 Verbascum haemorrhoidale, Ait 199 Verbascum pulverulentum, Vell 199 Verbena officinalis, L. . 210 Verbenaceas 209 Vermífuga corymbosa,Ruiz et Pav. .... 63 Vernonia anthelmintica (L.) W 69 231 Pag. Veti veria arundinacea, Griesb 97 Voyria uniflora, Lamk. . 94 "W Walilenbergia linarioides, A. D. C 39 Wilbrandia hibiscoides . 77 » verticillata, Cogn. 77 Wurmkraut . . , . • {71 Yerba de Sta. Maria . . 48 » del sapo .... 207 Pag. z Zachum 211 Zedoriae 217 Zingiber officinalis, Roscoe 215 Zingiberaceas . . . .212 Zizyphus Joazeiro, Mart. 185 » jujuba, Lam. . 187 Zorisco 169 Zygophyllaceas .... 210 Zygophyllum coccineum, L. 211 » fabago, L. . . 211 » sessilifolium,Ij. 211 » simplex, L. . 212 PUBLICAÇÕES DO MESMO AUTOR I - Concernentes á Flora de Matto=Grosso: Na Commissão de L. Telegr. Estr. de Matto-Grosso ao Ama- , zonas. Annexo n.° 5. Historia Natural - Botanica: 1 - Parte I - Bromeliaceas, Pontedereriaceas, Liliaceas, Amaryllidaceas, Iridaceas, Orchidaceas, Aristolochiaceas, Droseraceas e Pas- sifloraceas. (Estamp. 1-63) Dez. de 1910 - Rio de Janeiro. 2 - » II - Leguminosas. Det. pelo Dr. H. Harms. (Traducção) Agosto de 1912-Rio de Janeiro. 3 - » III - Melastomaceas, Cucurbitaceas e Orchidaceas. Det. pelo Dr. Alfredo Cogniaux. (Traducção) Estamp. 61-65. Agosto de 1912-Rio de Janeiro. 4 - » IV - Alismataceas, Butomaceas, Hydrocaritaceas, Pontederia- çeas, Orchidaceas e Nymphaeaceas. (Est. 66-79) Agosto de 1912 - Rio de Janeiro. 5 ■- » V - Mayacaceas, Xyridaces, Commelinaceas, Liliaceas, Ama- ryllidaceas, Iridaceas, Musaeeas, Zingiberaceas, Cannaceas, Marantaceas, Burmanniaceas, Orchidaceas, Aristolochia- ceas, Phytolaccaceas, Nyctagenaceas, Passifloraceas e Ona- graceas.(Estamp. 80-112) Janeiro de 1915-Rio de Janeiro. 6 - » VI . Addição para Alismataceas e Butomaceas da Parte IV, Triuridaceas, Palmeiras, Cyclantaceas, RapateaceaS, addi- ção para Amaryllidaceas Part. I e V de Burmaniaceas da Part. V, Proteaceas, Opiliaceas, Olacaceas, Balanophora- ceas, Aizoaceas, Caryophyllaceas, addição para as Nym- phaeaceas da Parte IV, Ranunculaceas, Papaveraceas, Cap- paridaceas, Droseraceas, Oxalidaceas, Humiriaceas, Bur- seraceas, Meliaceas, Vochyseaceas, Rhamnaceas, Vitaceas, Ochnaceas, Caryocaraceas, Bixaceas, Côchlospermaceas, Turneraceas, Loasaceas, Cactaceas, Halorrhagidaceas, Ara- liaceas, Umbelliferas; Ericaceas, Theophrastaceas, Myrsi- naceas, Plumbaginaceas, Ebenaceas, Loganiaceas, Gentia- naceas, Apocynaceas, Hydrophyllaceas, Pedaliaceas, Cam- panulaceas e Martiniaceas. (Estamp. 113-131) Setembro de 1915 - Rio de Janeiro. 7 - »VIII - Leguminosas. (Estamp. 132-159) 1919 - Rio de Janeiro. 8 - Monographia das Asclepiadaceas Brasileiras. I- II fasciculos (Estamp. 1-62) Agosto de 1916 - Rio de Janeiro. 9-10 - Relatórios apresentados ao Snr. Coronel Cândido Marianno da Silva Rondon, Chefe da Cotnmissão. 1908 -1909. Rio de Janeiro. 11 - Relatorio dos serviços executados durante os annos de 1911-1912, apresentado ao Snr. Cândido Marianno da ISilva Rondon. Annexo ao 3.° vol. do Relatorio d'aquelle Chefe. 1918 - Rio de Janeiro. 12 - Expedição Scientifica Roosevelt - Rondon. Annexo n.° 2. Novembro de 1914 - Rio de Janeiro. II - Concernentes á Flora do Rio de Janeiro: 13 - Memórias do Instituto de Butantan, I fascículo N. I - As Utricula- rias do Rio de Janeiro e seus arredores, em collaboração com J. G. Kuhlmann. (Estam. 1-8) 1918 - S. Paulo. III - Concernente á Flora de São Paulo: 14 - Orchidaceas novas e menos conhecidas dos arredores de S. Paulo. Revista do Museu Paulista, vol. X, 1918 - S. Paulo. 15 - Leguminosas. Descripção de algumas especies e variedades novas encontradas no Hervario do Museu. Vol. X, 1918 - S. Paulo. IV - Trabalhos de propaganda e estudos vários: 16 - «A nossa opinião sobre a necessidade de uma Flora Brasileira em vernáculo » Chacaras e Quintaes. Anno de 1916 - S. Paulo. 17 - « Pleomorphismo das flores de alguns Catasetos ». (Estamp. 1-3) Chacaras e Quintaes. Abril e Maio de 1917 - S. Paulo. 18 - « O Horto Oswaldo Cruz e seus fins». Chacaras e Quintaes. Se- tembro de 1917-S. Paulo. 19 - «Cultura, Fecundação e colheita da Baunilha». Chacaras e Quin- taes. Junho de 1919 - São Paulo. 20 - «A necessidade de uma Flora Brasileira». Brasilea. Janeiro de 1917 - Rio de Janeiro. 21 - « As Orchidaceas do Brasil». Brasilea. Fevereiro e Março de 1917. Rio de Janeiro. 22 - « Caracteres botânicos, historia e cultura das Cinchonas ». Instituto de Butantan. Janeiro de 1919 - S. Paulo. 23 - Catalogo do Hervario e das especies cultivadas no Horto Oswaldo Cruz ». Instituto de Butantan. 1919 - S. Paulo. - «O que vendem os Hervanarios da Cidade de S. Paulo». Serviço Sanitario do Estado de S. Paulo, 1920 - S. Paulo.