FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA 2^2 APRESENTADA Ã FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA EM 3] D-E OUTUBRO DE 1906 • PARA SER DEFENDOA POR ReuGulano de Hli^eida Cunha NATURAt DO ESTADO DE PHRNAMBUCO Diplomado em Pharmacia em 1900 pela mesma Faculdade AFIM DE OBTER O GRAU DE DOUTOR EM MEDICINA DISSERTAÇÃO TUBERCULOSE ÓSSEA (cadeira de patholôglà cirúrgica) PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medico-Cirurgicas r BAPTISTA DE OLIVEIRA COSTA ODTCLVA TYPOGRAPHJCA, GRADES DE EERRO-73. BAH1A--Í906 fffllíADE DE REDIGIRA DA pAHIÀ TBESE APRESENTADA Á FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA EM 31 DE OUTUBRO DE 1906 PARA SER DEFENDIDA POR ^epsularç© de pi^eida Gun^a NATURAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO Diplomado em Pharmacia em 1900 pela mesma Faculdade AFIM DF OBTER O GRAU DE DOUTOR EM MEDICINA DISSERTAÇÃO TUBERCULOSE OSSEA (CADEIRA DE PATHOLOGlA CIRÚRGICA) PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medico-Cirurgicas J. BAPTISTA DE OLIVEIRA COSTA OFFICINA TYPOGRAPHICA, GRADES DE FERRO-73 BAIIIA-1906 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Director.-Dr. Alfredo Britto Vice-director.-Dr. Manoel José de Araújo Secretario.- Dr. Menandro dos Reis Meirelles Sub-secretario. - Dr. Matheus Jaz de Oliveira Lentes Cathedraticos OSSNRS. DRS. .MATÉRIA QUE LECCIONAM: PRIMEIRA SECÇÃO J Carneiro de Campos . . . Anatomia descripliva Carlos Freitas . , . . , » medico-cirurgica SEGUNDA SECÇÃO Antonio Pacifico Pereira . . . Histologia Augusto C. Vianna .... Pacteriologia Guilherme Pereira Rebello . . ' Anatomia e Physiologia pathologicas TERCEIRA SECÇÃO Manuel José de Araújo . . . Physiologia José Eduardo Freire de C. Filho . . Therapeutica QUARTA SECÇÃO Josino Correia Cotias • / • • Medicina Lega! e Toxicologia Luiz Anselmo da Fonseca . , Hygiene QUINTA SECÇÃO Braz Hermenegildo do Amaral . . Pathologia cirúrgica Fortunato Augusto da Silva Júnior . Operações e apparelhos Antonio Pacheco Mendes . . . Clinica cirúrgica, r* cadeira Iguacio Monteiro de A. Gouveia . . » » 2a> » SEXTA SECÇÃO Aurélio R. Vianna .... Pathologia medica Alfredo Britto ..... Clinica propedêutica Anísio Circundes de Carvalho . . » medica cadeira Francisco Braulio Pereira ... » » 2a » SEPTIMA SECÇÃO Jose Rodrigues da Costa Dorea . . Historia natural medica A. Victorio de Araújo Falcão . . . Matéria medica pharmacologia e arte de formular Josè Olympio de Azevedo . , . Chimica medica OITAVA SECÇÃO Deocleciano Ramos .... Obstetrícia Climerio Cardoso de Oliveira . . Clinica obstétrica e gyneccdogica NONA SECÇÃO Frederico de Castro Rebello . . Clinica pediátrica DECIMA SECÇÃO Francisco dos Santos Pereira . . Clinica ophtalmologica DECIMA PRIMEIRA SECÇÃO Alexandre E. de Castro Cerqueira . Clinica dermathologica esyphiligraph. DECIMA SEGUNDA SECÇÃO J. Tillemont Fontes .... Clinica psychiatrica e de moléstias nervosas João H. de Castro Cerqueira . . ( ,, ,. ..... . . Sebastião Cardoso . . . . ( Km disponibilidade Lentes Substitutos-Ôs lllms. Surs. Drs. Ia Secção José Affonso de Carvalho 2a » Gonçalo M. S. de Aragão 3a » Pedro Luiz Celestino 4a » 5a » Antonio Baptista dos Anjos 6a » João A. Garcez Fróes 7a Secção Pedro da L. Carrascosa 8a » José Adeodato de Souza 9a » 1 Alfredo F. de Magalhães 10a » Clodoaldo de Andrade 11 a » . . 12a » Luiz Pinto de Carvalho N.B.-A Faculdade, de conformidade-com o Art. 65 do Regulamento de 1901 não approva nem reprova as opiniões exaradas nas theses por seus autores. AO LEITOR Surtout, dans ce travail, confié á ta mémoire; Plutòt ce qu'on a fait que ce qu'on a pense. 1,'esprit peut s'ègarer dans un rêve insensê Présenter comine viaie une fausse peinture; Mais les fauts sont toujours plus près de la nature, Ils parlent sou langage. {L'art de guèriraux armées-Poema em 4 eantos, 1809.) Extensa e vastíssima é a arena onde campeam os elevados cultores das sciencias medicas, que tão distanciado delles sinto-me, a perdel-os de vista. Do elaborar triumphante de suas investigações, só os seus reflexos chegaram-nos, pallidos e amortecidos, qual luar matutino das ultimas phases lunares, pela longínqua distancia que nos separa. Estamos em pleno periodo de estudos, observações, e pesquizas. E' mais que surpreliendente o ver-se, como, pressurosos, de todos os ângulos do orbe culto, II AO LEITOR partem os sábios e scientistas ávidos e sequiosos de se congregarem, como outrora, no tempo da grande cruzada, sem distincção de titulos, nome e patria, para debaterem-se em prol de uma idea pura e sublimada:-a da luta contra a flagellante tuberculose. Os poderes públicos, os proprios poderes pú- blicos, não se têm conservado silenciosos; dispertaram e agitaram-se, e, cousa notável, até os mais indif- ferentes ergueram-se de sua catalepsia, enviando seus representantes, com a missão nobre de assis- tirem ao congresso internacional, e estudarem o morbus; porque o não indifferentismo assim impu- nlia-se formalmente. Convulsiva, a agitação do corpo social medico vibra accionada pelo grandíloquo poder da energia do trabalho e do saber. Cada qual porfia trazer o que de apurado AO LEITOR III colheram em seus laboratorios, e no campo de sua clinica, para communicar aos seus comparsas com aquella lhaneza e isenção de espirito tão compatível com os espíritos superiores,, onde jamais o pesado e mortífero egoísmo se aninha e tem guarida. E' o decantado principio de Tropoquine na ideali- sação do communismo de ideas desdobrando-se no de acção. «Concorrer cada um com o seu subsidio maior ou menor, sem a pretensa vaidade do valor que por ventura deva ter, esforçando-se por trazer qualquer partícula do seu trabalho, para a grandeza e sustentáculo da verdade e da sciencia.» E' o ponto por mim escolhido, como se deixa ver, da mais alta importância, é a questão de ordem do dia. Porém que ousadia! E' bem verdade eu reconheço profundamente. Já havia começado. Compulsando as minhas forças vi, quão pouco que dos nossos estudos fica para cuidar-se seriamente destes assumptos; veri- IV AO LEITOR fiquei também a escassez dos meios de que dispunha quando me sobrasse o tempo; e sem bibliothecas que francamente podessem vir em nosso auxilio, ou outros meios. E ao Dr. Bonifácio da Costa a quem devo as obras e revistas que consultei, e o ter ouvido nas aulas algumas lições sobre tuberculose dos maxillares quan* do alumno seu; e ao Dr. Egas Moniz que por sua vez também poz a minha disposição as Conferencias do Congresso Internacional de 1905, reunido em Paris. A ambos meus profundos reconhecimentos. Senti-me apparelhado de certo modo, sim de certo modo, porque absolutamente não. Os casos e observações eram os que correm pelos livros. Mas que importa? Se os casos, as observações, as experiencias e as experimentações que acompa- nhando, e só acompanhando, deixam gravar em nossa consciência o valor e a certeza! Entre nós tudo é completamente negativo. Ler, e ler e somente AO LEITOR V ler, não basta para se ter a firme convicção scien- tifica em sciencias tão praticas como as medicas. Conhecedor desta verdade parece-me que deveria escolher outro ponto, que estivesse ao abrigo destas dificuldades, e que servisse quanto necessário fosse para o cumprimento do disposto da lei, mas era tarde. Diante destas verdades que com pureza externo, quero que se não julgue que este meu humilde tra- balho esteja na altura desejada.-E' um ligeiro esboço do que se chama tuberculose OSSEA. DISSERTAÇÃO TUBERCULOSE OSSEfi IDEAS GERAES E' o bacillo de Koch o maior cosmopolita conhecido, que contém o organismo em seu seio. Comparável e superior ao mais ousado viajor, a quem não intimidam as grandes diffi- culdades, vencendo todos os obstáculos, demo- vendo todos os escolhos, não se detendo e nem recuando em sua derrota, avante e sempre a cante, impassível, rindo-se das procellas, affron- tando os perigos, familiarisando-se com todo e qualquer meio, uniformisando-se, conformando-se e unificando-se com a variante dos costumes, elle, onde quer que exista, graças á privilegiada con- stituição de que maravilhosamente é dotado, possuindo o mystico poder de resistência e de adaptação consentânea á sua própria natureza, 4 que tanto lhe proporciona a vida sociologica e intima, de incólume manter-se vencedor em qualquer que seja o ponto do organismo animal, levando de vencida a tudo, desconhecendo os óbices, que se lhe deparam nos tecidos e líqui- dos da economia para, atropellando-o, ante- porem-se á sua permanência e proliferação, impávido ostenta-se no vigor de sua plenitude physiologica no orgão, onde aporta, dando cer- teiro e victorioso tentamen aos defensores do organismo por elle invadido, que, cedendo ao império do seu vigor, em uma desigual e inglória luta, abatidos, assistem o território de acção ser occupado e convertido em um outro meio pela transformação effectuada em suas cellulas e em todos os seus princípios anatomo-physio-, logicos em anatomo-pathologicos, debaixo de tantas outras leis impostas pelo vencedor, que pondo em acção appropria ao seu bem estar. Metamorphose admiravel e importante, que, sob o seu poderoso dominio, se passa e que só difficilmente respeita as organisações superiores, de uma resistência athlctica, se ainda a persis- 5 tencia dos intrépidos e heroicos invasores não se tornar constante, pertinaz e accentuada pela frequente aportagem de novos combatentes que venham preencher os claros dos que abatem-se ou succumbem na acção, e é então quando somente o triumpho se põe ao lado destes na- turaes e legítimos defensores, os leucocytos que com os seus phagocytos e- lymphocytos, consti- tuem esta pleiade possante de força e energia de garantia organica em tantos outros campos de batalha e guerrilha em prol da vida dos tecidos na manutenção e conservação de sua integridade physiólogica, contra a acção da degenerescencia e transformação pathologica. Pavorante espantalho da humanidade, o seu poder generalisador é da mais vasta amplidão. Debil, fraca e exigua é, em relação a este morbos, a resistência organica. A sciencia sente-se frágil e baldos os seus recursos, malogrados os seus esforços e tentativas. O indomito guerreiro tudo avassalla. Emquanto que os socialistas desdobrando-se em justas e beneficas aggremiações, procurando 6 melhorar os rigores e agruras do operariado e minorar a sorte do proletariado, vão, gradativa- mente, aqui e ali, colhendo os seus louros, com pezar digamos, é tão pouco o que os scientistas, filhos do Velho de Cos tem conseguido, que as estatísticas, por mais rigorosas e precisas que sejam, jamais teem demonstrado a sensível baixa em favor da tuberculose a despeito de todo o humanitário esforço invidado pelos eminentes espíritos que apenas teem chegado a desola- dora conclusão de que a vulgarisação do mal é mais extensa do que julgaram os nossos antepassados, por haver hoje melhor desvendado os horisontes da sua pathologia, aclarando assim a verdade e dissipando as duvidas e confusões que permíttiam classificações erróneas e absurdas sobre o assumpto, ignorando-se a sua existência em orgãos que com outras denominações atraves- saram a existência inteira do enfermo até a morte. E' somente o que temos conseguido com o auxilio da bacteriologia e da anatomia patho- logica, firmar o diagnostico, pezando infelizmente sempre e sempre em nosso espirito a desoladora 7 convicção firme de nossa impotência, quer em sustar a propagação do mal, em outros orgãos, quer em atenuar a sua virulência e finalmente em banir de modo absoluto, o germen, rehabilitando o organismo, muito embora surja, de tempos em tempos, quem se diga ter conseguido o que não confirma as observações. Não queremos com isto trazer o desanimo, nem plantar o terrível pára, nem tão pouco negar o valor das modernas pesquizas. Destes acurados estudos foi que chegamos a desvendar a realidade de que o cerebro, as fossas nazaes, os ouvidos, a bocca, a lingua, o larvnge, o pharynge, as amygdalas, os pulmões, o estomago, o fígado, os rins, o utero, os testí- culos, os intestinos, todo o organismo emfim, desde a pelle até os ossos, synoviaes, articulações, cada dia, dá franco ingresso e pousada a estes terríveis emigrantes, que encontrando favoráveis condições vencem, pelo seu poder, toda resis- tência e constituem ahi a sua patria, o seu lar. Emigrando de um ponto a outro do or- ganismo, mantêm o seu dominio territorial no 8 ponto apossado; porque sem levantarem os seus arraiaes, fundam novos reinos para os seus des- cendentes e comparsas, quando, prosperas dis- posições fraqueam-lhes a permanência dos recem- chegados. Este facto é bem sensivel, quando sabemos e observamos constantemente que a manifestação da tuberculose em um orgão, nem só não priva e immune o outro, como não desapparece em um para surgir no outro. Como um aereonauta também pode transpor- tar-se nos espaços, quando, do organismo, pelas leis das escreções é expulso com os productos da sua elaboração mórbida, escarros, lympba, pás e outros tantos detrictos, e transportado para onde quer que seja; e se o fatal acaso o faz deparar com um ser qualquer homem ou animal, e que por uma feliz coincidência para elle, permitte surprehender aquelles guardas avançados da defeza invasora, em condição de não agir energicamente no desempenho de opporem a resistência necessária e precisa de sua própria garantia-, estabelece, pois, o seu núcleo colonial e eil-o senhor definitivo da posição occupada 9 d'onde jamais abandonaba, se não o con- segue. Não ha orgào que impere e vença aos seus incessantes ataques, bem como animal que al- cance a immunidade; os repetidos factos obser- vados vão provando esta nossa asserção. Na serie animal não é indifierente a acção das substancias, até alimentícias, que sustentando a uns, e curando a outros na mesma familia, são ou não toxicas muitas vezes conforme a especie do animal; e o mesmo que presenciamos em referencia as nosoemias, e todas as affecções e morbos, que exemptam a uns e poupam a outros, exceptô o bacillo da tuberculose que submette e envolve a toda a escala animal, o que assim nos vae authorisando a imponência dos factos observados a pensar. O macaco, o boi, o cavallo, o burro, o car- neiro, o cão, (i) o gato, o rato, o cobaio, todos os roedores, aves e, cousa notável, as rãs, os vermes, e ate as serpentes que se arrastam (1) E mesmo a cabra nào é absolutamente refractaria como peusavim outr'ora muitos e como pensam actualmente alguns. 10 sobre o solo, não tem o poder de cerrar as portas do seu organismo contra a invasão Sestes audazes inimigos, descobertos c estudados pelo sabio e benemerito Koch que perscutou a sua genese, natureza e vida desvendando tranca e lealmente o segredo destes seres aos olhos dos cultores das sciencias medicas. TUBERCULOSE OSSEA Amant de la Science, apprends en 1'origine; Demande aux temps passés leur antiqúe doctrine; ' De toutes nos douleurs lis y 1'horrible histoire L'art de guérir aux armées-Poema etn 4 cantos 1809. ESBOÇO HISTOKICO No manto vastíssimo que encobre a his- toria das tuberculoses em geral está a da tuberculose ossea. Longo e interessante assumpto que os estreitos e acanhados âmbitos de meu exiguo trabalho, o de uma these inaugural, ultrapassariam se por ventura desejar quizesse deter-me em considerações doctrinaes e philosophicas, o que não o faço e nem o posso fazer attento ás conveniências de tempo e tantas outras que aguardo-me de referir; contentar-me-hei na 12 citação apenas dos mais salientes factos, que, no perpassar das épocas, atravessaram impondo-se á consideração e respeitos dos vindouros nas suas pesquisas, investigações e elucidação da magna questão da natureza etiologica e exis- tência do morbus. Foi com denominações varias e diversas que abrigada essa affecção occultou-se por tantos séculos, não conseguindo porem escapar ao ge- nial espirito de Hypocrates, e bem assim do seu sucessor o immortal Galeno que em seu tratado 'De articulis menciona de modo claro, e preciso as suas localisações nas vértebras, tra- balho de tão subido mérito, que a veneração dos posteros consagram-lhe, até hoje, repetidas citações onde o seu valor c inportancia são por elles enaltecidos. Sanson em 1833, escreve a sua these pro- fessoral insistindo sobre a existência dos tubér- culos nos ossos, na carie articular, fazendo convergir a attenção dos seus coHegas para esse ponto. Os acurados estudos do eminente cirurgião 13 inglez, Polt sobre o mal das vertebras, compre- hendendo todas as lesões inflammatorias e as tuberculoses da columna vertebral, com a tão vulgarisada e conhecida denominação que uni- versalmente corre hoje, de Mal de Pott, tantas vezes origem das paralysias, abcessos por con- gestão, tumores e da giba, abriram a larga e espa- çosa estrada vás primeiras descobertas; sem em- bargo de Marco Aurélio, Trangot, Gerber, Pattner e tantos outros que já haviam conhecido os tubér- culos vertebraes, como causa da giba e outras enfermidades, que Frederich Haack sustentara com muita vantagem naquella epocha, de modo a um século mais tarde Depech, abundando nas mesmas idcas, desenvolvel-as criteriosamente, assignalando as granulações inter-articulares dos ossos, e com- parando com as das partes molles, para desse parallclo inferir as suas deducções. Submisso .aos caprichos c alternativas do tempo e do' meio a historia dessa affecção esteve sempre sujeita ás oscillações constantes, impostas pelas affirmativas de uns, repulsas de outros, até que a evidencia manifesta e decidida dos acontecimentos, labor e 14 perseverança dos cultores da sciencia dissessem a sua ultima palavra sobre a natureza e ethiologia ou a isso se approximassem. Nessa grande crusada além dos já mencio- nados, não nos devemos esquecer os nomes de Nelaton e tantos outros que com os seus subsídios concorreram possantemente á realisação do grande desideratum. Nelaton, o grande cirurgião Nelaton, ini- ciando a sua carreira em 1836 escolhe para a sua these inaugural as affecções tuberculosas dos ossos com o titulo: Recberches sur Rafection tuber- culeuse des os-notando-se que era então essa affecção desconhecida de uns e negada por outros, que se não conformaram com as razões expostas. O mesmo prosegue escrevendo depois Eléments de patbologie cir urgi cale, sempre ferindo o mesmo assumpto. Mauclaire filiando-se ás mesmas ideas confe- cciona um bem elaborado trabalho de these sob a epigraphe-Des différèntes formes d'osteo-arthrites tuberculeuses; de leur traitemeute par la methode du professeur Lanuelongue arrancando do olvido o 15 nome de Lisfranc, faz sobresair e lembrar o seu bem lançado artigo, publicado Dans rArchives generales de medecine, em 1826 onde descreve os tubérculos nos tecidos peri-articulares dos tumores brancos. Troussaint pensa ter encontrado este agente pathologico fazendo ligal-o ao parasitismo em- quanto que Klebs se preoccupava de suas monas- tuberculosum. Arloing, Villemin, Pedoux Champard, Collin encarando do mesmo modo esta affecção apresen- tam-na como geral e diathesica; e Villemin então occorrendo á idea de que a tuberculose era o efTeito de um agente especifico que com outros congeneres que se deveriam encontrar nos pro- ductos directos, sobre os elementos affectados, nor- maes, que eram susceptiveis de serem por elles impressionados e mais que este agente devia reproduzir no mesmo * tempo a moléstia que constituía o» principio essencial e a causa determi- nante, dirigio-se emtres bem lançadas proposições, deductivas de suas próprias experiencias, á Aca- demia de Medicina. Sobre a localisação da tuber- 16 culose ossea, elle deixa cahir de sua amestrada penna estas bem pensadas linhas que não po- demos supprimil-as a bem de seu mérito legitimo. Le tubercule des os nest peut-être pas sans analogie avec celui des tissus lymphatiques. Cest dons la partie médullaire et principalement dans le tissu spongieux des os curts ou des épiphyses quon l'observe habituellement. A PaAl nu le dcbut du processas sAn- nonce par un petit nodide grisátre qui tranche sur la coloation rougeâtre de la moelle. Sons le champ du microscope ou voit que la gramdaíion se constitue par lAccumulation des cellules medullaires eu voie de proliferation. Quand le tubercule vient à se developper dans la moelle jaune, 11 se fait dans celle-ci une modification remarquable que la raniérfe à l'ctat fatal de la moelle rouge: le processas se designe d'abo rd La pre- sence de la neoplasie tuberculeuse sAccompagne Lalle- ration consecutwes dans le tissu osseux, qui com- pliquent la lesion primitive de diffèrentes manieres. 17 11 nest pas toujours facile de dire ce que sont devenu les trabécules osseux Les tubercules venaiit a se ramollir, eutraiiuent quelquefqis des caries fistuleuses qui fgnt communi- quer lefoyer caséux au dehors ou lui donnent issue duns les articulations. Dans ce dernier cas il se forme des tumeurs blaucbes, de 'cause tuberculeuse, qui doivent figurer à cole de celles qui preunent naissance sous riufluence de la luberculisadon des seseuses articulaires. Sem mais querer-me demorar na citação dessas suas palavras lembrarei o protesto formal ■ que elle levanta contra Hérard e Cornil que acreditaram que o tubérculo osseo, da mesma maneira que o dos lymphaticos não constitue a mesma especie anatómica que o tubérculo do tecido conjunctivo ordinário ou o de qualquer Outro orgão; o seu esforço procura sustentar a imitariedade da affecção. Vae já um pouco além do meu proposito de ser breve e conciso .. . E' preciso terminar, mas é impossível passar em silencio o da des- coberta de Koch, até nossos dias. 18 Em 1882, Koch descobrindo o seu bacillo, agente da tuberculose, confirmara as ideas sobre a natureza virulenta, ardentemente debatida e sustentada por Villemin e seus sectários, de um agente pathogeno definido. Debaixo do denso nevoeiro das repetidas duvidas e contestações, radiante disponta o vivi- ficador sol da sciencia e da verdade com toda a sua modesta e decorosa magestade. Multiplicam-se as observações e experiencias; as inoculações succedem como por encanto; todos á porfia da resolução do grande problema. Ollier, Riedel, Schieller, Koenig, Hucler, Lan- nelongue, Fedor, Krauss, Múller e outros fazem repetidas inoculações de fungosidades ósseas e articulares, produzindo tuberculoses oralocaes, 01a generalisadas, divulgando o notado critério da natureza infectuosa por elles reconhecida. Cour- ment e Dor, verificam a relação da escrofulose com a tuberculose em constantes experimenta- ções cuidadosamente praticadas. Shaw Talamon, faz referencias de analogia entre as arthrites fungosas sacro-coccygiana e 19 outras lesões ósseas cie fundo tuberculoso susten- ta Ias por elles. Tripier, no Congresso de Berlim, em 1891 escudado sobre dados histologicos architectou unia sua theoria int dramente nova para explicar a genese dos tubérculos, ideas que são consen- tâneas com as experiencias de Yersin e outros. Triumphante vê-se a dçctriná, que fora sus- tentada por Laennec, da unicidade, surgir com todo o seu explendor, elevando-se á cumiada do verdadeiro e legitimo merecimento. Sua especificidade \parasitaria apoiada e re- conhecida pela natureza microbiana do bacillo descoberto por Koch, desesete annos após os monumentaes trabalhos de Villemin é glorificada. De 1865 a 1882, que embate de opiniões! que luctas renhidas se não travaram entre si os homens de sciencia? Quantas controversas? Que farfalhar de ideas, comprehendendo-se cada qual mais senhor da realidade, não cedendo na arena um cetil em prol do seu antagonista?! Uns assaltam as ideas de outros; outros col- ligando-se para reforçar as suas, e desdobral-as 20 mas tarde; alguns procurando concilial-as e har- monisal-as com as ideas reinantes; e todos, por fim, concorrendo com a sua actividade, com a elaboração de seu cerebro, sem o pensar talvez, para a realisação de um e mesmo fim. Vencedores e vencidos todos foram verda- deiros heróes e os seus nomes jamais devem descambar no trevoso olvido. ÀlfiMlÁ PãTHOLOHCA Chi poria mai pur coti parole sciolte Dicer del sangue, e delle piaghe appieno, Ch'i'ora vidi per nairar piu volte? Ogni lingua per certo verria meno Per lo nostro sernione, e per la mente, Ch'hanno a tanto comprender poco seno. Dante Ç. XXVIII O unicismo do sabio immoital Laennec descerra as pesadas cortinas do sagrado taber- náculo, que continha a verdadeira natureza scientifica da tuberculose, donde com mais um esforço do seu genio emprehendedor, Koch descobre o bacillo que vem resolver a tão debatida questão do problema da natureza pa- rasitaria, intectuosa e contagiosa. Uma nova aurora dispontava doirando a magestosa fachada do templo de Apollo, quando carregada nuvem de duvida, impellida pelo dua- 22 lismo Allemão, já arquejante e moribundo, pesa ♦ sobre o unicismo procurando erguer a não unidade bacillar da tuberculose, apoiando-se sobre Virchow, Reinhard, Ba; le, Grancher, Thaon e Charcot, que, firmando-se sobre dous casos de lesões idênticas, queriam tirar consequências pre- cipitadas para hastearem o descido pavilhão do dualismo. Incontinenti, sem mais se fazer esperar, o laborioso e intrépido Villemm, a quem, solicitos, acompanham Chareau e os experimentadores e os bacteriologistas, onde destacam-se o nome do conhecido Koch e os de seus fieis sectários que descarregam o final golpe ao dualismo, com as suas demonstrações experimentaes, que provam, á luz meridiana, que as manifestações múltiplas, em apparencias dissimilhantes podem turvar a limpidez da essencia imitaria, mas nunca des- truil-a, pois aquellas confusões, naturaes e le- gitimas filhas são da originalidade de terreno, de germen e de modo de cultura. São os bacillos algumas vezes menos abun- dantes, e por tanto, mais difficeis de revelarem-se, 23 attentas ás circumstancias ditas; e, entretanto, elles ahi existem, c existem com toda integridade physica e physiologica, como evidenciam-se nas suas granulações cinzentas. Na elucidação do ponto tuberculose ossea e de sua anatomia patbologica ha tantas e tantas relações com a anatomia pathologica da tuberculose pul- monar e da de todos os outros orgãos atlingidos pela affecção que, muito embora me não detenha cm largas apreciações, com tudo, cabe-me o imperioso dever, ao menos de passagem, de ferir aquelles pontos de cuja relatividade furtar-me tornar-se-ia imprescindivel. Sob duas formas anatomo-pathologicas a affecção patenteia-se • nos orgãos e em qualquer outra parte do corpo, com aspectos differentes, constituindo-se a tuberculose miliar descripta por Bayle e a tuberculose caseosa crua, a de Laennec. E' preciso notar que ellas não supplantam o unicismo. São frequentemente associadas e diz Dieu- lafoy: Cesdeux formes sont frequeutement associées, ets nous faisous remarquer à íavauce que lesparticularité 24 anatoniiques du tissu (poumon, larynx, sèreuses, mè- ninges, foie, peau, ganglions, tissu osseux, etc.) daus le que! se développent les lessions tuberculeuses peuvent modifier rappureucc anterieure de ces lesions. 1? justo e bem alio fala a não influencia por sua vez para destruir a unidade da lesão. O des- dobramento das duasformas cimentarão a verdade. . Tuberculose miliar.-E' Bavle a que de- vemos a descripção desta forma de tuberculose, a granulosa, sendo Laênnec, quem convergioas suas vistas para anatomia pathologica, convidando a attenção dos anatomo pathologistas pâra as produ- cções mórbidas, que a tuberculose caseosa, vulgar, do pulmão, podesse apresentar ou acompanharem sua evolução e marcha, assim conseguindo-se os resultados importantes que a sciencia moderna auferio, pelo estudo das granulações miliares, pri- meira forma anatómica do tubérculo, granulações cinzentas miliares. E' sob a forma de pequenas massas nodulares, arredondadas, dura ao toque, cinzentas e meio transparentes,ecircumscriptasíazendo com o paren- chyma do pulmão corpo ou união, tal que se torna 25 impossível a sua unicleação, tendo a coloração cinzenta e transparente, e quando novas ou no começo; tornando-se opacas e amareiladas, quando, a proporção.que vão envelhecendo se encaminham para o estado caseoso, donde origina-se a syno- nimia também de caseosa. Variavel é o seu volume, e as suas denomi- nações podendo exceder de t/zo de millimetro de diâmetro, sendo visível a olhos nús ou ás lentes. As granulações tuberculosas são constituídas por granulações elementares mais pequenas que as outras e por folliculos tuberculosos. Elias podem corresponder a unidade microscópica, e 15, 30, 40 folliculos, podem reunir-se, agglomerar-se, alim de constituir a granulação tuberculosa elementar de ?vlálasser, o íolliculo tuberculoso de Koster, tendo no centro uma cellula gigante de prolongamentos que vão emergir-se na substancia do Íolliculo e tendo o protoplasma cheio de grânulos e com dimensões taes a merecer a denominação de cellulas gigantes, as quaes são rodeadas de uma zona cel- lular bastante volumosa, o epitheloide, e de outras cellulas arredondadas, amontoadas, confluentes, 26 submissas ao typo embrionário, devido ao seu volumoso núcleo relativamente ao protoplasma que deveria possuir. Pode-se bem distinguir entre as cellulas que entram na constituição do tubérculo, tres especies de cellulas volumosas, epithelioides e as cellulas redondas lymphaticas, cada especie representando • um papel na mesma scena. As cellulas gigantes são as que se deparam nas experimentações e observações feitas, constante- mente, nos folliculos tuberculosos; unica, e quasi sempre central; ou então, quando muitas, perma- necendoaindano centro reunidas dentro do nodulo; ou se esparsas disseminadas aqui e alli, em plena desordem. As cellulas epithelioides que são assas vo- lumosas com o seu protoplasma grosseiramente granulado tendo um e unico núcleo, ou múltiplos, ovalares e vesiculosos, francamente colorando-se, não estendendo-se até á periferia do tubérculo; agrupando-se ainda em redor da cellula gi- gante. As cellulas pequenas, redondas, uniculares, 27 ccllulas lymphaticas ou embryonarias interme- diam-se ás ccllulas epithelioides para formarem a terceira camada concêntrica. Pensavam alguns histologistas que as cellulas gigantes eram o elemento constituinte, necessário e primordial da tuberculose, ainda que seja um bom caracteristico, assás evidente não, entretanto, abso- luto. E' facto bem sensivel, que não deve passar em silencio, que nos nodulos tuberculosos intei- ramente novos e nascentes não se encerram estas ccllulas, pois são constituidas simplesmente por cellulas epithelioides e cellulas embryonarias e são tubérculos definidos. Uma tendencia constante, ou melhor quasi fatal, a soffrer, metamorphose regressiva tem o fclliculo tuberculoso. Quasi caracteristica é a classificação dos pro- cessos tuberculosos. Attribuia Virchow este phenomeno a uma mera perturbação dvstrophica resultante da ausência dos vasos que não irrigam o nódulo, e que conhe- cemos claramente hoje ligar-se a uma acção 28 necrotisante especifica desenvolvida pelo proprio bacillo. Weigert e Grancher fizeram pertencerão qua- dro das necroses por coagulação esta necrobiose, cujas cellulas se transformam lentamente em massas coaguladas, homogéneas, vitrosas ou finam ente granulosas, com a desapparição do núcleo, quando feridas de mortificação. Osrcactivos colorantes tornam-se impotentes a revelar-se; e essas massas sofírem uma infil- tração gordurosa ulterior, revestindo-se de um aspecto branco, opaco, devido ao tubérculo que se transforma em tubérculo caseoso. Convém notar que nem sempre c esta a sua evolução; porque a transformação fibrosa Laennec Cruveilhier e Virchow conheceram, como podemos deduzir dos trabalhos Grancher e mencionados por Brouardel. Do exposto também temos chegado a con- clusão que a cellula gigante não deve ser con- siderada como um elemento anatomico especifico, e exclusivamente representativa dos tubérculos, porque em muitos casos, como soe acontecer 29 com os sarcomas, as ulcerações chronicas,a syphilis etc., nota-se semelhança cellular, que pode por sua imagem confundir-se. As cellulas gigantes de natureza tuberculosa são aquellas que são provocadas pelo bacillo de Koch, da mesma maneira que se vê, examinando tubérculos recentes, onde o processo, estando no X periodo inicial nas cellulas epithelioides, apparecem Iogo'osbacillos situados no interior dó protoplasma, fóra dos núcleos. Existindo cellulas gigantes pode-se affirmar com toda a probabilidade, que existe o bacillo, se a tuberculose, os processos tuberculosos forem acti- vos, invasores, em suas formas lentas e entorpecidas, como nas lesões escrofulosas ou nas do lupus,onde, a despeito de serem as cellulas gigantes muito vo- lumosas e caracteristicas, encerram apenas um nu- mero diminuto de bacillos; deste facto surgerindo a idéa a Kock de que os elementos cellulares do tubérculo dos globulos brancos do sangue en i- grando para o exterior dos vasos são sobrecarre- gados de bacillos tuberculosos, representando as cellulas fixas dos tecidos, nesta acção, um papel 30 subalterno. Dada a emigração cellular, a cellula que emigra é que transporta o bacillo, eeste fixan- do-se em um ponto determinado tem o poder de transformar a cellula epithelioide; e portanto o bacillo que a cellula hospeda, isto é, os productos que são elaborados neste bacillo tem, ao que parece uma acção pathogena sobre as cellulas circumvi- sinhas, sejam ellas próprias emigrantes, sejam diri- vantesdas cellulas fixas, sendo que a transformação effectua-se de todas estas cellulas em cellulas epi- thelioides, em um raio determinado. Attendendo-se a cellula que dá a hospedagem ao bacillo percebe-se que, transformando-se em cellula gigante, ostenta uma multiplicação consi- derável nucleolar, donde todas as formas interme- diárias, entre a simples cellula epithelioide, vê-se esta contendo um bacillo unico, ao passo que rica em núcleo e bacillo são as cellulas gigantes. São os elementos fixos dos tecidos as cellulas- epitheliaes e as cellulas do tecido conjunctivo que pensa Baumgarten em sua concepção da histoge- nese do tubérculo, que exclusivamente seriam o ponto de partida a formação do tubérculo, devido 31 ás pesquisas,o tubérculo não parte de uma accumu- lação de globulos brancos emigrados dos vasos, globulos que se transformam gradualmente em cel- lulas epithelioides e em cellulas gigantes. Da con- fluência de muitas cellulas epithelioides estas não resultariam e sim da proliferação nucleolar de uma única destas cellulas, proliferação que dá segmen- tação concomitanteao protoplasma e não o acom- panham. Quanto mais novos forem os tubérculos, tanto mais o aspecto epithelioide das cellulas, que os acompanham, os compõem e primordialmente, eé apenas mais tarde que osleucocytos emigrados em consequência de uma irritação inflam ma to ria exercida pelos bacillos invasores sobre os vasos apparecem, sendo esta invasão secundaria, tanto mais pronunciada, quanto mais activo for o pro- cesso, de tal sorte, que muitas vezes acontece ser tão rápido desde o começo que o tubérculo tem o singular aspecto de accumulado de cellulas lym- phoides, constituindo a forma a mais maligna do neoplasma tuberculoso; ao contrario do que per- cebe-se nos processos mais lentos, em que a ger- 32 minação bacillar é mais morosa, podendo faltar completamente a invasão leucocytaria, ficando quasi exclusivamente constituido por elementos epithelioides, o tubérculo. A mortificação caseosa é a consequência, se uma vez os tubérculos são invadidos pelosleuco- cytos. As confusões que por algum tempo annu- viaram a verdade dissiparam-se e em conclusão diremos: As cellulas epithelioides, ac. cellulas gigantes, elementos caracteristicos e primordiaes do tubérculo derivam-se por via karyokinesica das cel- lulas fixas dos tecidos, como sejam as cellulas do tecido conjunctivo, endothelium vascular, cellulas epitheliaes ou parenchymatosas; e os leucocytos polynuclearese monucleares, elementos emigrantes que invadem o nodulo tuberculoso por diversas vezes ao saírem dos vasos inflammados. Não pare cendo elles (elementos Ivmphoides e emigrados) suscepíiveis de evolução progressiva, não dão nas- cimento as cellulas epithelioides, e ás cellulas gigantes, mas soffrem a fragmentação rapida do nucleolo, a chromatolyse e tantas outras modi- 33 ficações cellulares regressivas em sua desintegração que se torna bem salientes ás nossas observações e conclusões. Após estas ligeiras considerações continuemos sobre a primeira forma anatómica do tubérculo, granulações cinzentas miliares, já descriptas em parte, as quaes fazem saliência na superfície do pulmão, sob a pleura ou sobre a superfície paren- chymatosa; sobretudo quando ellas são pouco confluentes e que podem ser sãs, succedendo as mais das vezes congestionar-se ou inflammar-se, chegando a attingir por vezes as lesões caseosas de diíferentes idades o que por mais de uma vez 'tem despertado attenção. Nas formas agudas, smfocantes, podem as granulações occupar todo o pulmão, sendo por ellas crivados; as mais discretas preferindo a pleura, os espaços interlobulares, o longo dos vasos san- guíneos ou lymphatico^, principalmeme as paredes dos bronchios e dos alvéolos patenteando pela sua séde de predilecção o modo de propagação no corpo humano pelos vasos sanguíneos e Ivmphalicos das serosas. 34 Quando existe agglomeração dos folliculos tuberculosos ha formação de neoplasias, mais extensas e volumosas desde as granulações cin- zentas ou amarellas, ate as massas da tubercu- lose caseosa que não escapam a neoplasia. Reunem-se entre si todos estes elementos por uma substancia fundamental granulosa, e fibrillar embaraçando ou sustando a circulação, tornando-a incompleta, e até nulla nas granu- lações divido aos efíeitos da endarterite ou da capillarite que no seu desdobrar perturba a marcha do trabalho, chegando a obteral-os por completo. Summariamente descripta esta forma en- tremos na forma diffusa da tuberculosa. Segunda forma anatómica do tubérculo dito Tubérculo Caseoso.-As infiltrações tuber- culosas trazendo a forma diffusa dos tubérculos tem recebido uma synonimia de Granulações tuber- cnlosasj Tubérculo cru de Laennec, Pneumonia caseosa de Tircbow, Tubérculo pneumonico de Grancher, Tubérculo massiço de Hanot e outros mais. Perdendo os folliculos tuberculosos a sua tendência de agglomerar-sc sob forma de gra- 35 nulações estendem-sc, desdobrãm-se infiltrando os tecidos; e estes ao sèu turno, expressam-se offere- cendo algumas vezes a forma ou aspecto lardaceo, passando ao estado caseoso amollecendo-se, com a coloração acinzentada ou amarellada. As massas caseosas, diz Roger, são depó- sitos amarellos, esverdinhados, tendo o aspecto de certos queijos, notavelmente dos queijos de Roquefort. Estas lesões, diíferentes por seus caracteres macroscopicos, são constituídas sobre o mesmo plano; resultam da fusão de varias lesões elemen- tares, designadas sob o nome folliculos tubercu- losos. O que caracterisa, diz elle, sobretudo o folli - culo tuberculoso, não é tal ou tal elementocellular; é o arranjamento reciproco dos differentes elementos que entram na sua constituição. Tbeoricamcnte o folliculo tuberculoso é for- mado de tres zonas. Ao centro se acha uma cellula gigante a Riesenzelle dos autores allemães: arre- dondada ou polygonal, provida de numerosos prolongamentos; esta cellula contendo 20 a 50 36 núcleos ovulares e nucleolados, dispostos em coroa, em sua peripheria. A segunda zona é constituída por cellulas epithelioides assas volumosas, e protoplasma abun- dante e pouco granuloso. A zona peripherica é representada por cel- lulas embryonarias, arredondadas, dos nucleolos volumosos; estas cellulas são muito volumosas, empilhadas umas sobre as outras. No estudo da infiltração tuberculosa do pul- mão está patente o papel das infiltrações outras desta natureza; a infiltração tuberculosa do larynge, dos ganglios lymphaticos, que ainda ha bem pouco tempo considerava-se de natureza escrofulosa, as infiltrações synoviaes, articulares e osseos, que passaram também mescladas e disfarçadas com as denominações de synovite fungosa, tumor branco e carie, sendo actualmente definida a sua natureza pela bacteriologia; sem que isto, influa na manifestação in situ, evoluindo a infecção, o pro- cesso tuberculoso como uma lesão local. Idênticas a evolução no processo caseoso apresenta-se revestindo-se de duas formas o tuber- 37 culo caseoso, cuja apreciação merece ser também objecto de nossa attenção. Em uma das formas percebe-se que o bacillo penetrando nos alvéolos, uma irritação alveolar desenvolvendo-se e desabrochando-se, em um ou muitos fócos de pneumonia catarrhal, submissas esta evolução ao poder caseificante do bacillo nos referidos alvéolos, a pneumonia a broncho-pneu- monia, que em suas lesões faz lembrar as lesões elementares constituídas do tubérculo pneumonico de Grancher ou o tubérculo intra-alveolar anterior- mente existente. Passando a outra forma, vê-se então, o bacillo emergindo por entre as paredes alveolares, seguindo os lymphaticos, determinado a formação do nodulo tuberculoso do tecido intersticial ou peribronchios; manifeste-se ou não uma bronco-alveolite em sua penetração. Gaseificação.-A caseificação ou degene- rescencia caseosaé um dos modos mais communs e frequentes da evolução do tubérculo. Come- çando pela parte central do folliculo tuberculoso, pela cellula gigante, onde desde o seu inicio de 38 infiltração apresenta-se como Grancher já havia demonstrado, os caracteres da degenerescencia vitrea. Ella e submissa a mesma evolução que as granulações tuberculosas. Brouardel diz: c ahi de preferencia e em grande numero que se acham inclusos os bacillos tuberculosos. Como diz justamente Auclair: de da elle fait tache d'huile et sa marche excentrique depend de rabondance des bacilks de la qnalititè de substame caseifiant. Quando o folliculo tuberculoso tem de passar ao estado caseoso, as grandes cellulas tornam-se pallidas, perdem os seus núcleos, amollecem-se, tomam uma coloração pallida, acinzentada, ou amarellada, transformam-se em massas hyalinas; as cellulas pequenas cessam de serem distinctas, estabelece se a confusão na massa, que em massas cretadas ou fendidas, offerecem o aspecto de um mosaico; os núcleos desapparecendo depois, em consequência deste trabalho regressivo, e o tecido infiltrando-se de 39 gordura, desassociando-se desintegra-se; final- mente, quando completa-se este tlieatro de tran- sformações, de metamorphose a caseificação di- fine-se; não ha mais elemento algum cellular differencial; as granulações terminam as mais das vezes, por eliminarem-se cm totalidade, e o proprio bacilio evade-se deparando apenas com um numero diminuto, depois de haver-se mani- festado a inflammação ainda em redor; acontecendo que só em condições raras e excepcionaes, sofira estes elementos a transformação fibrosa e persiste então. Martin referindo-se as obliterações dos vasos diz que a obliteração dos vasos das neoplasias tu- berculosas e daquelles que contornam, se produz pelo effeito de uma inftammação,que começa pelos capillares e estende-se até as arteriolas; é ahi muito verosemelhante, que seja preciso indagar a causa da tendencia que apresentam estes productos a soffrerem a transformação caseiosa. Essas massas casciosas tendem-se a eliminar-se e quando a eliminação delias começa a efiectuar-se então dá lugar á perdas de substancias que se 40 apresenta sob a forma de ulcerações ou de ca- vernas, cujas eliminações podem attingir a enor- mes proporções; suas paredes* são infiltradas de nodulos tuberculosos, em períodos diversos de sua evolução e desenvolvimento; podendo a tuberculose localisar-se; e a tuberculose cirúrgica e a prova fornecida na historia das tuberculoses. E' bem verdade, seria ahi. uma expressão má ou imprópria se não desejar pretendesse no sentido de uma classificação natural, obedecendo porem a significação inteiramente clinica, ex- prime-se melhor como a tuberculose, sendo toda local em se curando o tuberculoso, cura-se-o, curando o foco. Ha tuberculoses locaes, diz Dieulafoy, que se aloja nos ganglios, nos syno- viaes, em uma articulação, na próstata, no tes- tículo, no escrotum, no ovário, no utero, nas mamas, na pelle, na pleura, nas meninges, no cerebro, mos olhos, etc. Entre estas tuberculoses locaes, ha algumas que se desenvolvem em pes- soas, já suspeitas de tuberculose pulmonar, neste caso, não merecem o nome de tuberculose local; ha outros porém que parecem ser uma mani- 41 festação isolada da tuberculose. Certas, podem se immobilisar, sem se generalisar e sem attingir o pulmão, podendo até curar-se; outras attingem o pulmão e são seguidas, ora de phtisica pul- monar lenta, ora de uma explosão de tuber- culose aguda. Quantas pessoas, ainda diz o mesmo auctor, victimas de adenite supurada, de tumor branco, de abcesso ossificante, e que se têm encarado como escrofulosas, sendo estas lesões manifestamente tuberculosas?! Julgamos escrofulosos, porque a lesão parecia localisada, e curável, e porque seus pulmões estavam indemnes, porque, se não estavam ainda sufficientemente libertos da lei proposta por Luis, pela qual a tuberculose pulmonar deve forçosa- mente acompanhar a tuberculose dos outros orgãos estavam tuberculosos. , A matéria caseosa em sua evolução offerece vários typos de manifestações. Enkystamento, infiltração pigmentaria, infil- tração calcaria, extensão periférica, amollecimento, eliminação pelos bronchios, formação de escava- ções pulmonares ou carenas. 42 Não entrarei no desenvolvimento do as- sumpto, limitar-me-hei a tel-o mencionado, para dizer algumas palavras sobre o bacillo de Koch, como elemento anatomo-pathologico. Bacillo de Koch.-E' hoje conhecidissimo este bacillo, entretanto occupando-me da anato- mia pathologica da tuberculose seria uma lacuna bem sensível, se por passasse em silencio, tanto mais, quando recentes estudos demonstram que em condições dadas, metamorphoses traduzindo modificações profundas, tem já sido observados, é mister descrevel-o normalmente para definil-o pela comparação destas differenciações. Sob o aspecto de bastonetes immovel, muito delgado recto ou inflexo, sendo a sua extensão de 2 a 4"' m> elle sempre apresenta-se; salvo quando os seus esporosos lhe da uma saliência ovoide. Na sua extensão tem-se comparado a de um terço da do globulo sanguíneo. Os pequenos vacuolos incolores, ovalares que tem sido obser- vados nelle interiormente sãs, dizem, sporos também. Estes caracteres associados a outros, como o da sua grande resistência servem para 43 evitar a confusão, o que se pode estabelecer com o bacillo de Ilansen, o productor ou responsável pela manifestação da lepra, cm que os caracteres morphologicos e tinturiaes tem pontos de ana- logia, que bem podem, uma ligeira inspecção, confundil-os; porque quando se vê, mas com os ( lhos de um observador amestrado este bacillo se differencia; elle possue uma reacção tinturial inteiramente caracteristica, se deixa penetrar com muita dificuldade pelas cores da anilina, que necessita, e exigem mordentes de certa energia demorar-se na operação, fazendo emergir no banho corante, durante vinte e quatro horas, ou ainda, aquecer o liquido até o ponto de emittir vapores, afim de dispensar esta perda de tempo, porque só assim conseguir-se-ha em alguns mi- nutos. Dada que seja a coloração, então os micró- bios descoram-se dificilmente, resistindo á acção do acido nítrico, na quantidade de um terço, solução que tem o poder descorante, quando empregada em outras bacterides, como demonstra-se prati- ca mente, utilisando-se desta solução nas prepa- rações outras, em que só elle resiste. 44 A^organisação, como dissemos, é extraor- dinária, e a sua resistência admiravel; é até hoje, segundo parece-nos, o da mais elevada organisação, como ao começo não se julgava. Tem-se verificado, que este bacillo goza do privilegio de possuir uma enorme resistência, e vitalidade para que a sua destruição ou aniqui- lamento se não possa pôr em acção; os factos explicam a grande extensão de seu poder sobre- natural. Os meios de cultura são o serum sanguíneo, os caldos, as geloses, com addicção da glycerina, onde vários assucares, sobretudo, a batata com a glycerina ainda, e outros meios. Particulas quaesquer que se levem aos meios mencionados não se faz esperar a reproducção de novas colonias de bacillos. Podem repetir-se culturas successivas sem atenuar senão difficilmente. A putrefação é impotente para distruil-os, até mesmo com a demora de trez mezes e até mais, conservam a sua infecção, embora um pouco atte- nnada, menos rapida, no seu desenvolvimento. 45 Seja qual for o producto que se examinar encon- tra-se-os em todos os líquidos, que recebem os productos de ulcerações tuberculosas: escarros, urinas, secreções pathologicas, procedentes da bocca, lingua, dos lábios, do larynge, .das fossas nazaes, da vulva, da vagina,'dos contornos do anus, sempre em condicções de. firmar-se por elles, com toda a certeza o diagnostico da affecção. Com este vírus, inoculações praticadas em diflerentes animaes, a tuberculose determina-se ainda. Sendo, o que é melhor, as inoculações feitas com culturas de bacillos tuberculosos em estado de pureza é, na expressão do brocado popular, o ouro sobre o azul, tanto mais sendo de procedências das diversas lesões tuberculosas locaes ougeraes, porque dão sempre manifestações tuber- culosas francas, claras e bem sensíveis. As injecções, nas veias, do liquido determina uma tuberculose aguda, rapida, e generalisada. Sobre meios solidos forma seccas escamas, ou húmidas ligeiramente; sobre os meios líquidos véos escamosos fendilhados, que, após algum tempo, veem cair no fundo dos vasos e ahi se depositar. 46 Tem-se notado, que como os outros bacil- los, existe muitas variedades de bacillos tuber- culosos, sem com isso ferir a sua unidade-na espe- cie, variedade que se tem submettido a ires typos principaes: o bacillo da tuberosidade humana, que encontra-se no homem, nos mamíferos, e entre os passaros, ex.: os papagaios; o bacillo da tubeiculose aviar, que attinge de preferencia aos gailinaceos c uma variedade que produz a tuberculosidade nos peixes. Parece-nos isto deveria quebrar os laços do unicismo e as tuberculoses nestes, serem con- stituídas por uma outra affecção, porem o principio mantém-se de pé em toda a sua plenitude, porque, nào obstante haver autores, que, feridos por diffe- renças, quizessem estabelecer nestes tres agentes, tres entidades differentes, tres naturezas oppostas; pela facil conversão de uns em outros, quando a transmissão ou inoculação natural ou arteficial effectua-se de uma especie de animal a outra, ou ao homem e vice-versa, ninguém distingue mais donde procedera o bacillo, elle accommoda-se ao meio, e toda a trama dos tecidos modifica-se segundo a do orgão; é sempre a mesma, a affecção. 47 Nas granulações tuberculosas de todas as dimensões, e de todas as idades encontram-se sempre a identidade inquebrantável, até mesmo nas mesmas tuberculoses, em via de calcificação Nocard c Roux; nas infiltrações tuberculosas caseosas, que invade o pulmão interessando a interna trama histológica, e da mesma sorte, que os ganglioslymphaticos, as articulações, e o tecido osseo, assumpto de nossos trabalhos onde procu- rarei ser minucioso. A unidade é ainda a mesma quando trata-se das ulcerações tuberculosas lingual, phan^gea, nazal, laryngea, vaginal, intestinal, anal, em todas as secreções resultantes de ulcerações, nos líquidos das pleuresias tuberculosas, nas urinas dos tuber- culosos das vias urinarias, no pús dos abcessos tuberculosos, nas dijecções diarrheicas, nas expe- ctorações das hemoptises, emfim em todos os casos existentes, inoculado, dá sempre o mesmo resul- tado. A questão que se agita actualmente é saber se o parasita se apresenta sempre em estado de bacillo. Diz Malasses e Vinal achar-se nos productos 48 tuberculosos micrococos livres, ou reunidos em zoogleas. Precisamos difinirse ha difterença desta tuberculose zoogleica da tuberculosidade bacillar; o que parece bem provável, porque deve ser logico, que o bacillo e as zoogleas sejam a representação dos estados successivos, por que passam o mesmo micro-organismo no seu desenvolvimento; tanto assim devemos inferir, desde que sabemos pelas experimentações que, após uma ou muitas inoculações, pode se engen- drar a tuberculose bacillar com todos os seus caracteres baci liares e histogenos. Não basta a inoculação, todos sabemos que ■ a ingestão de productos tuberculosos como carne, leite e até legumes, plantados em terrenos sus- peitos, podem e muita vez dão lugar a tuberculose intestinal, caracterisada por ulcerações, seguidas de lymphangite e adenite tuberculose, lesões que extende-se ao peritoneo e desta arte attinge aos outros pontos do orgnismo, como as serosas por intermédio dos lymphaticos. Rara, nas lesões cirúrgicas, sempre depara-se com a sua presença, nas articulações, con- 49 stituindo a tuberculose articular, tendenosa, ossea, periustea, etc. Pela sua acção pathogenica nos ossos, ella se revela umas vezes pelas mortificações ósseas somente, outras, pela necrose e a supuração e até sequestros seccos que toleram ainda por algum tempo. Propriedades pyogenicas que gosam os bacillos, não pode mais serem contestadas. Gan- golphe, Fraenkel o proprio Koch acceitam.Fraenkel encontrou o bacillo só em um caso de abcesso do cerebro, sem haver outra especie do bacillo para acceitar a responsabilidade, e Rendu confirma o mesmo facto, reforçando a opinião do prece- dente. O escrupulo de Koch faz empregar as culturas filtrando e da mesma sorte Arloing e a despeito de tudo as propriedades pyogenicas observam-se e assás desenvolvidas e accen- t nadas. Nas tuberculoses ósseas ha como na pulmonal, uma multiplicidade de formas clinicas que, per- mittindo difíerenciações, referentes quer á attenua- ção do bacillo como já tive occasião de tratar, 50 quer, enfim, na coesistencia de outros agentes pathogenicos. Babes Barreta e depois outros, têm deparado por varias vezes, com streptococos pyogenos, nas arthrites tuberculosas, nos ganglios tubercu- losos do mediastino, e até no pús de abcessos ■ vertebraes, o que levara a pensar o proprio Babes que o microbio addicionado longe de impedir o desenvolvimento do bacillo da tuberculose, o fa vo rec e o rd i n a ri a m ente. Os trabalhos de Paulowsky, nos annaes do instituto de Pasteur em 1889, em que refere ter encontrado bacillos de Koch nas lesões diversas e ósseas, e streptococos nas fungosidades, produ- zindo arthrites fungosas com a inoculação dos streptococos, conseguiram o mesmo resultado com a differença de que a tumefação e a supuração fossem absolutamente anormaes. Continuando as observações e pesquisas ainda estas concluíram que a tuberculose pura tem uma marcha muito mais lenta que a tuberculose complicada e não acompanha-se de uma destruição tão rapida, nem tão extensa dos tecidos. Para estes mesmos 51 factos Gangolphe e Guillioud chamaram a attenção; e Gangolphe em 1888 dissera que nos vasos alludidos sobrevem uma infecção secundaria de origem accidentalmente cirúrgica, a transfor- mação dos sequestros de carie em sequestro de necrose, ou antes em sequestros que com o aspecto' de sequestro tuberculoso teria as pro- priedades phogogenas e pyogenas do sequestro de osteite supurada. E' de grande importância nos focos tuber- culosos a presença de streptococos e staphylococos mediante a pratica. Estas questões transcendentes de anatomia pathologica merecem a maior circum- specção e critério; demandam de muito tempo, conhecimentos e, sobre tudo, meios; aqui sus- pendo esta parte, conscio de que é sobremodo impossível tocar á meta desejada. ETIOLOGIA Opus est ut causa rei restituatur. Suet. Da mesma maneira que para a tuberculose cuja sede é em outros pontos do organismo, duas ordens dc causas se fazem sentir; assim, pela mesma razão, para a tuberculose, cuja mani- festação local é nos ossos, deve-se distinguir as mesmas duas ordens de causas, desde queella é uma, unica e idêntica, apenas com as alterações, inherentes a histogenese da parte affecta; e assim a mesma divisão em causas veraes e causas locaes. o z ou melhor ainda, em causas determinantes e causas predisponentes deve ser acceita. São causas determinantes da tuberculose ossea, as causas geraes, taes, como as infecções do organismo, que por vários meios se podem effe- 54 ctuar: vias respiratórias, digestivas, tegumentos e a transmissão hereditária anteriormentc conhecida á existência do bacillo; causas predisponentes: o temperamento, a herança, a profissão, a idade, a syphilis, a escrofulose, o esgotamento de forças organicas, quer pelo excesso de trabalho, quer pela má ou insuficiente alimentação, etc. Causas determinantes.-A descoberta do bacillo da affecção tuberculosa, veio pôr termo as diathrites constantes e repetidas discussões, que convulsionavam o campo das investigações e pesquizas, veio harmonisar as ideas que se deba- tiam em um continuo labor, muitas vezes, em busca de um principio que consentâneo com os tactos, lançasse seguros e firmes alicerces sobre a causa real c verdadeira da natureza infectuosa e contagiosa de uma entidade, que embuçada nas dobras do organismo se havia vedado aos olhares dos scientistas. Foram os memoráveis trabalhos do immor- tal Pasteur, que com os processos de culturas, seu genio altivo e ao mesmo tempo paciente, pertinaz e emprehendedor que representam o 55 grande dia da medicina hodierna; foram os inestimáveis resultados obtidos de outros agentes pathologicos que revolucionaram com as suas tentativas experimentações successivas, que como florões destacados aqui e ali projectando seus raios vectores sempre convergentes para um novo meio, serviram de fanal guia e modelo á grande obra, fora a aggremiação confraternisada desta região de operosos talentos, a lapide sentada sobre a qual erigiu-se o sumptuoso solioonde as verda- des biológicas triumphantes como os athletas da intelligencia, saber, e humanidade cingidos de imperesciveis louros ostentam-se as gerações vin- douras. E' tocante ver-se como ao grito de alarma, ao toque da alvorada, que se fez repercutir por todos os ângulos do universo scientifico, os pressurosos batedores das ideas, congregam-se e os mais intrépidos, distanciados pela vastidão dos oceanos, mares e continentes, mas estreitados pelos mesmos princípios, sem tregoa, infatigáveis, montam as suas tendas de trabalhos e os micros- cópios com o seu rico e variado arsenal technico, 56 e os pacientes animaes constituem a sua munição scientifica. Em breve, cousa admiravel, os fructos de suas locubrações são colhidos. Pasteur creando a physiologia das bacterides, Duvaine a pathologia, impelliram a realisação de um problema de difficil solução,-o da natureza especifica das moléstias e das affecções. I Duvaine em 1850 descobre o bacillo do carbúnculo, o Bacillus anthracis, Eberth em 1880 o do typho; Koch em 1882 o da tuberculose; Loeffler e Sctrubz o do mormo; no mesmo armo Klebs o da dyphteria, que em 1884 Loeffler descreve; Nicolaier em 1884 o do tétanos; Pasteur em 1885 o do vibrião séptico; Ducrey em 1889 o do cancro molle; Pfeiffer em 1890 o da grype; Yersin e Kitasato recentemente o da peste; o da syphilisSchaudinn e Hoffmann,o bacillo trepanema. Dia a dia os estudos da anatomia c da bacteriologia vão descobrindo os horisontes da etiologia das affecções e das moléstias, dando á cada um destes estados pathologicos, um bacillo responsável; a tuberculose reconhece no bacillo descoberto por 57 Koch, o agente de sua genese. Descobertos e conhecidos o bacillo causa da affecção, resta saber como clle prolifera-se, e se é elle proprio ou as suas toxinas que determinam a affecção. E' mister entranharmos nos segredos da patho- logia e bacteriologia, e da physiologia pathologica abordarmos em flagrante acompanhar toda a evolução para o reconhecimento claro, preciso e irrecusável da verdadeira causa e natureza; e foi effecti-vamente o que tem acontecido. No estudo da anatomia pathologica, veri- ficamos ser por intermédio do systema lym- phatico, que geralmente tem lugar a penetração do microbio, seja qual for a porta de en- trada, haja ou não erosão cutanea ou mucosa, notando-se, que os ganglios da região exposta á infecção, immcdiatamente receba o agente virulento. Andral foi quem primeiro descreveu a propa- gação da tuberculose pelas paredes dos vasos chv- liferos, estudando em sua clinica experimental Virchow, Rendfteisch, Eepine Villemin, Cornil, Chauveau, Arloing e outros. Pela via sanguinea 58 sob a forma dc embolias, se observa o desenvol- vimento da tuberculose ossea. Nos casos de adenopathia tuberculosa, o bacillo immigracom uma promptidão vertiginosa, de sorte que, manifestada esta lesão em um ponto do organismo, não é raro ver-se osteites tuber- culosas apresentar-se em um osso distante do ponto dado e ahi colou ias novas estabelecer-se, porque segundo Pezzini tem-se verificado no orga- nismo e particularmente nos ganglios o bacillo muito mais frequente do que se presumia. Ha enxertia do neoplasma tuberculoso sobre os condpctos vasculares, como sóe acontecer com as plantas parasitarias sobre o tronco de uma arvore, diz Hanot e Trepier, reconhecendo a endocardite- tuberculose; e mais tarde Souza, percebendo phenomeno, não pode deixar esca- par a sua observação á infecção sanguínea pelo bacillo. As injecções nas artérias nutritivas de vários ossos sempre, salvo circu instancias imprevistas, a tuberculose se manifesta no espaço de dous a tres mezes, tornando-se o osso doloroso e apresen- 59 tando todas as modificações já bem descriptas na anatomia pathologica. Deixando a margem as inoculações bacillares no estudo da reproducção do mal e referindo-me ao que de natural se passa nas causas determi- nantes, trataremos das vias de receptividade do mal, vias respiratórias, digestivas tegumentos. E' pelas vias respiratórias que sem a mínima contestação, geralmente dá-se o maior e mais franco accesso ao bacillo, é o primeiro orgão em preferencia, o mais attingido. Neste motu continuo de inspirações e expi- rações, tudo quanto em parcellas diminutissima achar-se, pode em suspensão na atmosphera ine- vitavelmente ser arrastado pela corrente que o acto da respiração estabelece; ainda cm torno do ser que vive e respira. Inhalando estas poeiras impregnadas, do germen, nas atmospheras confinadas, o ar viciado dos commodos, onde existem ou existiram tuber- culosos, os detritos dos tubérculos, quer existentes nos moveis, e utensílios, quer lançados ao sólo, diffundindo-se e permanecendo em suspensão no 60 ar, nos colloca na situação a mais favoravel mais sujeita a contrahir o morbus. Ser o ar*vi ciado pelo germen tuberculoso foi bem conhecido, verificado e referido por Cornil e Tapier, Bertheau, Weichselbaum, Veragerth e o proprio Koch, Celli, Guarnier, Cadeac e Malet; Taon, Preyn conscios de que era facto que deveria ser considerado como consummado, que uma atmosphera confinada, sendo viciada pela natureza da expiração tuberculosa, era quanto satisfazia para determinar a affeccão, collocaram em seus labo- ratorios, cães, coelhos, cobayos, ratos, em um estreito recinto onde prepararam uma atmosphera de escarros, pulverisados de phtysicos, e outros detritos tuberculosos finamente pulverisados. A manifestação da tuberculose se não faz muito esperar, nos pulmões e nos ganglios, sacrificados estes animaes, o bacillo é encontrado. Procedendo a cultura e a inoculação, quer no homem, quer em outros animaes, pela evidencia das experimen- tações, é a demonstração, a confirmação da prova irrecusável 'da verdade. Também devemos mencionar o phenomeno, 61 que tem lugar com os animaes que deglutem os escarros, ou outros productos tubérculos, ou sós, ou envoltos com os alimentos, ou ainda mais, com os voínitos que por sua vez, não escapam a fatal lei da receptividade mórbida; são attingidos pela affecção. São factos realmente assás conhecidos, até dos leigos da sciencia, e que faliam bem alto em militança com as nossas idéas. A superstição havia creado uma usança de máo foro, que o poder do tempo vae dissipando telizmente, mas ainda com certa pujança nas classes inferiores e entre os camponios, a qual consistia em transmittir aos cães e outros animaes domésticos, a tuberculose por meio de bolos de alimentos ensalivados, que lançavam a estes ani- maes, afim de deglutindo, contrahirem a moléstia como effectivamente realisava-se, na leda e espe- rançosa ilkisão de que assim conseguiria libertar-se da affecção pela mera circumstancia da transmissão do mal a outros, chegando até a attingir as raias da perversidade egoista, de sorte, que sem escrú- pulos, e sem consciência, não trepidaram em dis- 62 tribuir as innocentes creanças escravisadas ou des- protegidas das fortunas, - as migalhas restantes, muitas vezes, já insalivadas propositalmente. Acontecia algumas vezes que por uma mera coincidência a illusão dorára-se com o falso refulgir de verdade, o que era raro e muito raro, porque a victima morrendo magra, esquelletica, também o enfermo não recuperara a saude precedia-lhe, seguia-lhe, ou se sobrevivia e era isto, por algum tempo, para voltar mais tarde debaixo do influxo de qualquer circumstancia ao estado anterior, senda a morte o unico desenlace. Contagio.*-Do exposto, já se deixa trans- parecer a natureza contagiosa, mas é indispen- sável dizer-se algumas palavras, para maior cla- reza, não me dispensando de ir aquem, nos tempos idos, buscar alguns traços históricos, mesmo de passagem, sem dissertar sobre elles. A frequência observada pelos médicos anti- gos, sem possuirem elementos para as provas do contagio da tuberculose, desde a mais alta antiguidade, mantinham a crença de uma pro- pagação ou contagio, crença que atravessou 63 séculos, até que Broussais abandonando as tradi- ções encontradas, com argumentos diversos fundou a escola antagonista que foi acceita quasi universalmente, e então os tuberculosos viram-se menos privados da communhão social, que impunham-lhes a sequestração na própria familia onde o medo e o pânico de contrahir a affecção ia além da meta do possível. Para dar uma idéa justa de quanto o receio si impunha, basta referir que o celebre Margagni reputava em uma ordem tão seria a transmissão, o seu contagio, que evitara sempre que lhe era possível praticar as autopsias em cadaveis de tuberculose. Andrae, Trousseau, Laennec com proverbial tino e illustração medica e talentos superiores, nem só attingiram a attenuar este pessimismo, sem nome, este rigor de apreciação sobre as repro- duções da typhica, como a manter o que era necessário, a idea do contagio; porque haviam casos de immunidade, assás sério, entre cônjuges conviventes e outras pessoas que expostas ao contagio eram indemnes, ao contrario de outras 64 que contraiam moléstias, offerecendo dados taes que se não poderia pôr em duvida a sua natureza contagiosa. Villemin como, já referi deu exito ás idéas de Laennec, que Koch rubricou com as suas des- cobertas e inoculações. Hardy, Herard, Bergeret, Compin, Weber, Debove, com suas observações constantes, subsi- diaram a Laennec e Villemin. A idéa do contagio é boje cousa assente; sua predilecção, ou prefe- rencia é notável, sem que pareça fóra das leis da razão. , Quando demoramos a nossa attenção, e per- scrutamos os arcanos da verdade scientifica, reco- nhecemos sempre ou quasi sempre a causa desta escolha ou preferencia. O contagio da tuberculose entre os casados, nas estatísticas, tendem sempre a demonstrar, que as esposas são mais sujeitas a receptividade, do que os seus maridos; o que, em nada nos leva a admi- ração, desde que a vida domestica, a vida do lar, em seus encantos e magias, é pelas razões que tendo as cores firmes da verdade eu passo a expor; 65 pareça embora ou se afigure de phantasia. E' a mulher quem realmente expôe-se, sem reserva ao contagio, o que effectivamente se descobre no homem, em caso muito excepcional. E' a mulher quem mais do que o homem idea- lisando o casamento, na altura de um acto sublime, sociologico e divino, que de um só amplexo unifica, consubstanciando a alma e o corpo, tendo a sua aurora esmaltada nas millifluas inspirações do amor, e do sentimentalismo, fiel transumpto da mais perfeita união, e legitima sociabilidade, onde a unidade familiar impõe-se pelas sacras leis do communismo firme e inhabalavel não poderá jamais, quando na solidariedade conjugal a mais pura, o cruel bacillo invade e aninha-se no organismo da consorte;. estabelecer o desolador e penoso cordão sanitario, entre dous entes, que se extremaram nos affectos, quando ainda as brisas embalsamadas do amor, extasiando os dous corações nas contemplações de sua idolatria, ou seu'perpassar das epochas da vida, na outra phase, não menos pura, e santa da idadé adiantada, «onde os primeiros não desappareccram c sim crystalisa- 66 ramse em permuta de outros, quiçá, mais inque- brantáveis ainda, e o interesse completo e absoluto do ente amado; tudo supporta e não conhece sacrifício; é o contagio marital em todas as suas manifestações a porta mais franca, a mais larga para a transmissão da affeçção. E' em regra geral a esposa mais docil, mais terna e meiga, percnne sacrario de dedicações e abnegações, transfor- mando o seu amor de esposa no de desvelada mãe, envidando todos os meios para occultar-lhe a natureza de seus soffrimentos, a despeito das mais compromettedoras consequências, sem reservas; ao contrario do que commummente passa-se com os maridos, maxime nos grandes centros sociaes. Arrastados pelos deveres e contingências da vida, são suas horas de conchego mui redu- zidas, a par da natureza menos meiga do homem, de sorte que, são ordinariamente outras pessoas, a quem são confiados os cuidados de esposa. São os parentes ou os extranhos, os amigos ou os mercenários, que principalmente na quadra a m^is peiigosa, delia encarrega-se, ficando ao abrigo do mal, não por decidido proposito e 67 sim as mais das vezes, pela disciplina imposta pelos encarregados do serviço. Além «do exposto, não podemos também passar despercebido as circumstancias, muitas vezes das senhoras serem esgotadas pelos partos frequentes, e os cuidados da maternidade, que . não sendo uma causa determinante, comtudo é uma grande causa predisponente, como são por sua vez, a vida sedentária e reclusa. A frequência da tuberculose nas irmães de caridade é assás sensível. Sua vida laboriosa e preza aos cuidados da profissão, quer de enfer- meiras, quer de educadoras, ou ainda de mães nos asylos, os constantes sacrifícios religiosos que por motivos da ordem supportam os perigos da vida, em commum são serias razões para o contagio. Ha abi duas ordens de causas: a do con- tagio, pelo contacto quasi permanente com os tuberculosos nos hospitaes, causas determinantes; e o esgoto pelo excesso de trabalho, e os actos religiosos, causas predisponentes. 68 E' pelo contagio (i) que os médicos e enfer- meiros, civis e militares são tão sujeitos á tuber- culose como consta das estatísticas notando differenças sensíveis entre os civis e militares, entre os militares do exercito e os da armada c durante a paz e a guerra; havendo em tudo isso, uma razão para ■quem estuda a mesologia e os costumes, clara e evidente. A manifestação tão conhecida da tuberculose nas prisões, penitenciarias, asylos, Casas pias, col- legios, e todas as instituições onde a agremiação existe, e os meios são escassos em prophylaxía, denotam imperantemente que o contagio é e será sempre o factor de maior grandeza. Idade e sexo valem muito menos do que parece. As profissões têm valores relativos e muito influem pelo trabalho em co nmum, o excesso ou a má, ou a ínsuíficiente alimentação. As moléstias anteriores principalmente a syphilis e a escrofulose, muito concorrem para a mani- (1) Os médicos quantas vezes colhem-tia em sua vida clinica? L.' vivo exemplo o grande Laenuec que ferindo-se com uma picada anatómica em um cadaver tuberculoso, trahiu os morbus que ultimara os seus dias. 69 festação, não dispensando o contagio; e a herança de que iremos tratar, muito embora tenha dado logar ás maiores discussões, a uma região de contendores, uns a favor, outros contra, uns absolutos intransigentes, theòricos, outros mais sensatos, mais práticos tem o seu valor que em absoluto não se poderá negar, porem, que tem diminuído dia a dia com os estudos os mais recentes como veremos. Herança.-Não são somente os dons da fortuna, os privilégios sociaes, as morphoses organicas, os sentimentos moraes, as aptidões intellectuaes, a perfectibilidade deste ou daquelle orgão para esta ou aquella manifestação do taíemo ou a sua perversão para os crimes pelas falhas physiologicas: uma tara, uma predisposição mórbida, ou ainda a própria entidade mórbida, nos recebemos como dóte natural como uma verdadeira c legitima herança. Tudo herdamos ou podemos herdar. Não é tuberculose a affecção de maior poder here- ditário. Ha muitas outras como a svphilis, por 70 exemplo, cujo poder hereditário julgo superior; entretanto a tuberculose é tida'geralmente como uma das affecções mórbidas, em que mais se ostenta a herança. De tempos memoriaes data esta idéa, já Hypocrates reconhecia a hereditariedade da tuber- culose, como faliam delia os médicos que o seguiram; da mesma forma o catarrho pulmonar, o emphysema pulmonar, a asthma, a tuberculose cuja hereditariedade é por Laennec, Jackson, Luiz e tantos outros, acceita e sustentada. Tem sempre observado que as creanças phtysicas são ordinariamente filhas de paes phtysicos, idéa esta que tem sido reconhecida em todos os tempos na etiologia da moléstia. Onde ha dissidência é na maneira de inter- pretação, no modo de encarar o facto. Quando a tuberculose, era encarada como uma moléstia constitucional, diz Brouardel, dia- thesica, como a diabete por exemplo, ou a gotta, esta herança explicava-se mui naturalmente pela transmissão hereditária, disposição ou predispo- sição. A descoberta da natureza virulenta e para- 71 sitaria da moléstia, tornorf mais complexa e com- plicada a solução do problema. Uma moléstia virulenta, asyphilis conhecia-se já como frequentemente, se transmittia por inter- médio da herança, não se podendo djsfarçar as differenças extremas que separaram-na da tuber- culose em referencia a herança. Sempre e congénita a syphilis hereditária, ou quasi sempre, ella se manifesta por lesões mais ou menos denotadas, remontando então a uma vida intra-uterina ou explodindo nas pri- meiras semanas, ou nos primeiros mezes de sua vida. A tuberculose congénita é de todos os tem- pos, e tem sido reconhecida rara e muito rara, a ponto de ser negada da mesma maneira a da primeira infancia, menos rara que a procedente, a congénita ella é ainda rara. E geralmente mais tarde, na puberdade ou na edade mais adiantada que se vêm apparecer a affecção. Tardia parece ser a apparição do tubercu- 72 loso o contrario da s^rhilis e outras moléstias hereditárias. A mulher esposa, disse, é sem reservas para com o seu marido de sua estreita união, demanda o contagio em larga escala. A creança sempre presa aos carinhos dos paes, com muita facilidade contrahe a moléstia pelo contagio, e é muitas vezes a herança uma falsa apparencia. Os promotores das doutrinas parasitarias da tuberculose, Villemin, Cohnheim e Koch recu- sam-se de explicar a herança da tuberculose pela transmissão hereditária do germen tuberculoso; e é assim que o grande Villemin que maior parte dos casos de tuberculose attribuidosa heran- ça dever-se-hia na realidade legar-se ao contagio, que se acha nas mais occasiões de exercer-se nas famílias tuberculosas do que nas famílias indemnes, opinião um tanto analoga a de Cohn- heim. Não ha absolutamente recursos para isolaras creanças do(contagio a não ser pelo prop^io isola- mento do domicilio. O heredo-contagio do notável Baumgerten é 73 sem razão; elle quer erigil-o esforçando-se para fazer entrar em um quadro de heredo-tuberculose de infecção congénitas. O bacillo especifico infeccionaria o ovulo directamente antes da concepção ou no momento da fecundação pelo esperma paterno, ou antes e as mais das vezes, seria transmittido da mãe ao feto, por intermédio do sangue materno atravez da placenta. Invoca, para dar uma sahida ao seu modo de ver, os factos de tuberculoses congénitas, que não obstante serem assás raros, existem, e affirma que as lesões tuberculosas, nas creanças de alguns mezes de edade, não são raras como parece, e que fossem praticadas as autopsias com mais cuidado e interesse, e levados os estudos ao seu fim e o coefi- ciente seria maior. Ha quem pense que a infecção fique latente por um tempo assás longo, depois do nascimento; mas nada ha de positivo e serio, é uma taboa de salvação, a que se agarra o nauta na vastidão do oceano de suas incertezas, e para elucidação do facto, ainda architecta mais çutras razões para 74 explicar este estado latente, este período de hiber- nação, este longo somno tão prolongado dos germens. Suppõe o mesmo Baumgarten que uma resistência toda especial possuem os tecidos dos fetos e de todos as creanças, afim de resistir a acção do bacillo da tuberculose, e ener- gia emanada dos elementos cellulares das pessoas novas, onde a vida ostenta-se em sua magestade; e que estes bacillos são introduzidos em quan- tidades muito reduzidas pela veia umbelical, no corpo do feto indo ter em algum' orgão, nos ganglios lymphaticos, na medula dos ossos; é ahi no seio dos ossos onde, abrigados dormitam como hibernados em plena catalepsia, annos apòs o nascimento, sem se proliferarem revelando-se quando as sollicitações de uma causa intercurrente vem provar as suas circumperigrinagem na esco- lha do ponto de sua localisação. Neste modo de pensar Baumgarten, vae tão longe nesta ordem de ideas, que para elle a tuberculose é clara e notoriamente hereditária. Para o contagio exterior não admitte o valor 75 etiologico que se quer dar, gosando este apenas de um papel puramente accessorio. Estudos experimentaes sobre outros bacillos, como o anthracis, o bacillo d'Eberth deram margens aos estudos também experimentaes da tuberculose nos fetos extrahidos immediatamente após a morte das mães. Landouze, Hipp e Marten inocularam cm cobaios fragmentos de orgãos extrahidos de dons fetos humanos, proce- dentes de mulheres tuberculosas, e sobre um feto de cobayos tuberculosos com os orgãos sãos apparentemente; os cobaios assim tornaram-se tuberculosos. E' presumível que, segundo a experiencia do tubérculo, se passe mais ou menos da mãe ao feto, como os de outros bacillos; porem outras experiencias analogas de Grancher, Brouardel, Nocard, Lyden tem dado resultados negativos. Não ha a mesma identidade, os phenomenos não se passam para a tuberculose como para as outras moléstias infectuosas, carbúnculo, cólera,etc. porque nestas o microbio pathogeno obra como uma verdadeira septicemia, o que não sóe veri- 76 ficar-se com a tuberculose. O microbio desde que attingè a placenta é a regra, e principal condição firma-se ahi para que depois se dê a passagem; ora si esta condição faltar o que é em sua maioria senão totalidade para a tuberculose porque como se sabe os bacillos ficam aquartelados nos orgãos doentes e não se acham senão por excepção e isto mesmo na menor quantidade concebível, na circulação em geral, onde pelas leis da dia- pedese e phagocitose tão energica sempre nestes casos elles são absorvidos. Ha pouco tempo Goertner procurou estudar ainda esta questão procedendo inoculações de culturas tuberculosas em femea de ratos, verifi- cando que extrahindo dos orgãos destes e inocu- lando em cobayos, elles se tornaram tuberculosos, contestando alguns este facto de se tornar tubercu- loso ou melhor ter elle a forma scepticemica da tuberculose. Insistindo sob o assumpto devemos dizer de uma maneira geral que a inoculação dos orgãos sãos em apparencia de fetos provenientes de femeas tuberculosas, ou mulheres phtysicas 77 dão resultados negativos; e só por excepção serão positivos os resultados como nos trabalhos de Birch-Mirchfeld e Sçhmord dWvingnet e Pré- fontamh e outros. Brouardel em relação a esta tíossa maneira de ver assim se exprime: A falta de casos assás numerosos de tuber- culose congénita os partidários da herança do germen têm invocado os factos de tuberculose de toda a primeira infancia que procuram ligar a uma infecção intra-uterina. A maior parte dos médicos de creanças são accordes em encarar a tuberculose como raras nas creanças abaixo de um anno; as estatísticas mais recentes, mos- trando que com effeito a tuberculose é exce- pcionalmente rara nos primeiros mezes (os tres primeiros especialmente) que seguem ao nasci- mento, estabelecem que éde uma frequência muito maior do que geralmente se não acreditava na primeira infancia (de tres mezes a dois annos), sem entretanto acontecer, que este periodo da vida se constitua, o em que a tuberculose attinja o seu máximo. 78 Reconhecendo-se em tudo que a tuberculose da primeira infancia, seja menos rara, que se não tenha ainda proclamado, eu não posso entre- tanto ver neste dado um argumento militando em prol da origem congénita da moléstia. A maior parte dos casos de que se trata referem a creanças de seis mezes a dous annos de idade, tendo por consequência tido largamente tempo de infectar-se depois do seu nascimento pelo con- tacto de seus paes phtysicos ou pessoas outras conviventes. O que em apoio vem desta maneira de ver, é o facto muitas vezes verificado, que as creanças filhas de ascendentes tuberculosos, mas subtrahidas cedo do meio mfectuoso, em que nas- ceram são indemnes. As estatísticas dos orphanatos assignalam a extrema raridade entre os meninos desses estabe- lecimentos, cuja metade quasi eram entretanto de origem tuberculosa. Continuando elle ainda, cita o facto de que também é muito raro entre as creanças soccorridas em Paris e que a Assistência Publica enviadas 79 províncias e que formam uma população de 15.000 creanças. Um grande numero destas creancas nasceram de p.aes ou mães tuberculosos, que succumbiram uo hospital Hutinel. Se estas creanças não se tornaram tuberculosas foi devido a circumstancia de serem levadas, c viverem em pleno campo e de assim evitarem o contagio. Seus paes tuberculosos tendo morrido, evi- tado o contagio não houve razão para a trans- missão da moléstia, e do seu germen contagioso. Do conjuncto de todos estes factos, não poderemos acceitar esta frequenciá de tuberculose congénita, filhiando-nos ás bandeiras de Baum- garten. Ha, e verdade, casos de tuberculose congénita, mas são extremamente raros. A existência, e frequenciá tão manifesta da tuberculose da primeira idade prova, por sua . vez, que o organismo fetal, e dos recemnascidos gozam de um privilegio de resistência á infecção tuberculosa, os que imaginam, e debalde invocam para sair do labyrintho de explicar o profundo somno do germen, durante a vida fetal e infantil, onde como incubados vivessem. 80 Admittindo esta gratuita hypothese se da immunidade dos tecidos fetaes, se por ventura existisse realmente, como comprehender-se que ella seja tão subpujada aox fatalismo dos casos, que excepcionalmente se observam da tuberculose congénita, quando pelo contrario nós só deveríamos observar o que viesse firmar a hypothese. . Não podemos também silenciosos passar sobre um facto que se quer admittir por conta das leis geraes, facto problemático e gratuito que só aos espíritos infantis pode calar o de admit- tir-se a herança paterna directa, sem o concurso da existência da infecção materna, no ovulo pelo esperma do pae tuberculoso. Comprehender esta infecção paterna directa alheia, é forçar a admittir-se que o espermatozóide seja carregado de bacillos tuberculosos, transpor- \ tando-se com elle até o interior do ovulo, sem que em sua passagem, alguma cousa fique, que possa inteccionar a mulher; é mecanisar muito a copula. Esta maneira de ver, cae debaixo do estudo da fecundação. Recapitulando diremos, é fora de 81 duvida, é cousa assente na infecção fetal; porem muito excepcionalmente. Ha transmissão pelo contagio directo ou indirecto; o contagio pela familia é sem contestação neste ultimo o elemento primordial sem ser o unico, é o que concorre poderosamente a realisação da transmissão. As outras causas ditas predisponentes repre- sentam o papel secundário como nas grandes representações, as figuras que completando o scenario sem influencia definida ao assumpto. v Reforçam e auxiliam a manifestação, mas, é o contagio ou a herança quem se responsabilisam pelo facto da manifestação da affecção. TRATAMENTO Phthisicu» est, quis hoc curat? Santo Agostinho. Esta expressão formal-quis hoc curat?-que se deixa escapar dos lábios do eminente philo- sopho, cujo nome impõe-se ao mais profundo respeito e acatamento da posteridade, pèla sua vasta illustração e saber, em todos os ramos de conhe- cimentos humanos, c a demonstração mais palpá- vel, a mais clara e evidente da preoccupação con- stante, desde os primeiros alvores da civilisação e da sciencia; é actualmente a questão de máximo interesse universal. E' uma das renhidas campanhas o tratamento das tuberculoses, onde, sem tregôas, a cogitação medica em um continuo afan, não repousa, nem arrefece. 84 Não ha no mundo civilisado, paiz, por menos culto que pareça, que se não tenha electrisado, procurando comparticipar desta utilitária, interes- sante pugna. Os congréssos succedem-se com uma fre- quência maravilhosa, excedente a toda espectativa, onde, o ideal de uma confraternisação paiece haver-se realisado. Os meios de cura surgem e cahem no des- alento de sua própria inexequividade. Em geral, é a idea dominante e mais sen- sata, e consentânea com os factos observados, não mais libertar-se o infeliz, cujo organismo deu guarida ao bacillo, pois isto até hoje, sinceramente se não tem conseguido, não obstante a lympha de Koch ou tuberculina, o remedio de Lubreich, apresentado para cura da tuberculose laryngea, kehlkop tuberculose, o methodo sclerogeno, as injecções de oleo de creosota, o soro de cabra de Peck et Bertin. Deve-se armar reductos, bahlartes mais solidos e inexpugnáveis, como barreiras invencíveis, a invasão do morbus; e entretanto, não devemos esquecer, nem abando- 85 nar os agentes therapeuticos, que concorrem para mitigar, os soffrimentos do doente; prolongar a vida, tornal-a menos angustiosa, dar-lhe por ventura, mesmo a fagueira e risonha esperança de uma cura pelas melhoras experimentadas, atte- nuando a marcha do mal,por um agente qualquer dos que conhecemos; alem de ser um acto da mais divinal piedade, é do mais profundo humanita- rismo; não deve ter um valor qualquer, o mi- norar o soffrimento? Sim, e bem verdade. Xão se deve banir Ião pouco do espirito o ideal da investigação dos meios de cura, mas concentrar, como se esta procedendo com a luta contra a tuberculose, envidando-se todo o esforço e actividade para a sua prophylaxia. O methodo de Koch cingido das garantias 'que a voga do seu renome impunha, gosou momentaneamente, dos effluvios da radiante aurora de uma fama universal, concorrendo para isso o efleito poderoso, sem duvida, de um certo mvsterio, que a composição do agente, como remedio secreto, guardará. A descoberta do segredo da composição da 86 da tuberculina familiarisou-se, bem como o seu emprego, então os insuccessos vieram plantar o descrédito e o abandono. Em 4 de Agosto de 1890, Koch dizia em a communicação feita, ser um remedio, uni agente curativo e a verificação em contrario nas repetidas experiencias trouxeram a gélida desillusão obede- ceu ao fadario do que cabe (1). Corria o mez de Janeiro de 1891, quando Virchow, em suas observações deduzidas das auto- psias praticadas em phtysicos tratados em Berlim, (1) Não corresponder a espectativa a lympha de Koch, não se pode classificar de uin desastre, nem tão pouco de trabalho, sem valor e prestigfo; é como assás criteriosamente se exprime, o nosso intelligente collega em seu trabalho bem elaborado no desem- penho da commissão do Ministro da Guerra na Eu- ropa, o Dr. Ismael Rocha, em 1893. O apparecimento da lympha de Roberto Koch é o facto mais notável da historia da tuberculose. Triumphe ou naufrague, cure ou não a phtysica, consiga ou não debellar o mal, nem por isso desmerece o valor desse producto de laboratorio, que se prende tão de perto á historia do bacillo, que o sabio descreveu e provou ao mundo inteiro, ser principio daquella entidade mórbida. O descobrimento está feito, em relação á patho- logia geral e á biologia, elle encerra quasi uma maravilha. Desvendaram-se novos horisontes, abriu-se novo trilho á therapeutica. E' como me disse em Londres 87 sustentou que a 'necrose do tubérculo, de que Koch fazia experiencias, não se podia verificar, senão quando a congestão peri-tuberculosa intensa e rapiua fosse o resultado immediato e conse- quente das injecções de tuberculina; donde a generalisação que se notara, era deduzida do trata- mento que se havia tentado. Este facto, foi objecto de uma serie de com- municações á Sociedade de Medicina interna de Berlim, nesta occasião. Foram mencionados quatro casos de pessoas, o Dr. Broadbent, quando outra vantagem não hou- vesse, bastam o impulso, o estimulo, o interesse com que todos os médicos acompanham a evolução do processo pathologico, pesquizando-o em todas as suas formas, surprehendendo-lhe todas as manifestações para permittir esperar-se em breve, na questão da tuberculose, conclusões positivas, que acenam a tantos infelizes com a esperança de um restabelecimento, ainda hoje duvidoso. E aqui temos a prova: de Dezembro até a presente data, nesse afan de. prioridade que tanto domina, e incommoda os homens da sciencia, têm apparecido já novas e numerosas medicações acon,- selhadas para o mesmo fim: e para só mencionar as mais importantes citarei: E as injecções de sangue de cabras, realisadas pelos Sns. Bertin e Pick, na esperança de determinar a cura pela presença, no organismo do sangue desse animal, refractario a moléstia; 2? a-interessantissima descoberta do professor Liebreich, relativa aos effeitos notáveis do cantha- 88 que submissas ao tratamento da tuberculose pelas injecções de tuberculina, todos tiveram o infausto resultado de succumbirem rapidamente, devido ao methodo do tratamento. Praticando a autopsia em um destes casos, que era do mal de Pott, pouco accusado e sem traços de tuberculose visceral, esta, mostrou a existência de uma granulia generalisada nos dons pulmões, nas pleuras, no baço, no figado, nos dous rins, e nas meninges, sendo amarellas cin- zentas e transparentes todas estas citadas lesões. ridato de potássio; 3" as injecções gayacol iodoformado lembrada pelo professor Picot; 4? a applicação do ar comprimido contendo fumigações de creosoto, mis- turado ao eucalyptus, ha pouco lembradas pelo pro- fessor Germain Sèe, 5? as injecções de creosoto me- dicamento já ha muito conhecido e sobre o qual baseam-se novas esperanças no tratamento desta molés- tia (Burbureaux). Como vêdes, a tuberculose continua na ordem do dia, e é digna de applausos essa lucta sem tregoa contra o domiuio da morte. Entretanto, apezar de todos os insuccessos, das injustiças e do empenho em riscar da therapeutica, a lympha de Koch, é ella, mesmo agora, e talvez ainda por muito tempo, o assumpto mais palpitante, o invento mais discutido por médicos e cirurgiões. . . Quanto aos que dizem, que andamos nas trevas em relação á estructura intima da lympha, e aos seus effeitos incertos, aconselhando o abandono, não 89 Era ainda bem notável e facto de que o vertice dos pulmões, nenhuma lesão antiga apre- sentara, que podesse traduzir um tara-anterior. Uma congestão peri-tuberculosa franca osten- tára-se naquella autopsia, a despeito do tempo decorrido entre a morte, e a ultima injecção intensa nos dous pulmões, onde se descobria, sobre o corte, um fundo vermelho negro, que debaixo da menor pressão vertia o sangue em abundancia. Tres foram as injecções praticadas, c em dose seria descabido repetir aqui o metias est progredi per tenebras quam sistere grada: é melhor tactear pelas trevas do que ficar parado; é melhor seguir pela esouridão acompanhando o vulto de Koch, porque elle está habituado a sondar o desconhecido, e saberá cauteloso encontrar a clareira que mostre o caminho da verdade, a fulguração da sciencia, a victoria da saúde contra a moléstia, e da vida contra a morte. Acompanhem todas as esperanças dp mestre, e recordem-se de que, quem soube isolar este bacillo com o processo engenhosissimo de sua coloração, que achou o micobrio da bholera, quem ideou a prepa- ração dessa lympha, que só elle, ou Pasteur, com os créditos scientificos que os exornani, seria capaz de fazer acceitar logo e logo, como medicamento, e não ia suffocar em um erro uma reputação tão con- firmada, não ia atirar-se no despenhadeiro, para en- contrar nelle o ridículo e o descrédito. 90 de um milligrammo cada uma delias, sendo sus- pensas, logo em consequência dos phenomenos de meningites observados, apòsa primeira applicação. Tornou-se também digna de attenção a tempera- tura, que sendo normal, desde o começo do tra- tamento, elevou-se immediatamente, accentuando definitivamente a forma febril com phenome- nos mui patentes de meningite tuberculosa, que duraram dous mezes, após a ultima injecção, da qual succumbiu; havendo o doente recebido apenas 3 millimetros da tuberculina. Esta obser- vação é extrahida da Provinde Medicai do mez de Março de 1891. Nos Archivos de Medicina Experimental, de Novembro do mesmo anno, deparamos tamberh com tantos outros factos citados pelo Professor Arloing, cujo insuccesso ainda é o mesmo. Em outras muitas revistas, que tenho em poder, são constantes as referencias em casos de vaccinação contra a tuberculose. Actualmentepratica-se a vaceinacom oextracto de culturas aviares attennadas, que dizem não ser toxica, e dever, por consequência, gozar da prefe- rencia. 91 J. Denys traz ao Congresso do anno passado o facto com que prende a attenção das injecções de caldos simplesmente filtrados, que, desde 1896, elle tem lançado mão, de caldos de bacillos de Koch, em todas as formas de tuberculoses. «Eu tratei, diz elle, 16 casos de peritonites tuberculosas, e obtive 13 curas. Tres doentes succumbiram, acontecendo que um foi victima de pneumonia aguda. Este doente achára-se em um estado de miséria physiologica extrema. Eu possuo, diz elle, em sua communicação ao Congresso, as photographias de 4 casos de doentes tomadas antes do tratamento, durante e depois. Como se pode verificar, tratava-se de formas graves com ascite considerável. As photographias, tomadas em ultimo lugar, mostram que estes quatro indivíduos gozam de um excellente estado geral». Elle rccommenda os caldos filtrados dos bacillos de Koch, nestas affecções, garantindo os bons resultados. Emprego do raiò X e sua influencia na .tuberculose ossea. - «E' assás animador o resul- 92 tado que vae colhendo-se com o empregado raio X. As applicações da radio-therapia nos tumores brancos e nas tuberculoses osscas é mais um meio de utilisação do raio X empregado por M. P/Renard; lê-se nas sessões do Congresso, de recente publi- cação (1906), cujos resultados nos tratamentos das osteo-arthrites tuberculose passaremos a des- crever. OSTEITES TUBERCULOSAS CHRONICAS.-Q_Uan- do a osteite é superficial, tendo a sua séde ao nivel dos dedos, dos ortelhos, ao nivel dos ossos do pé, mesmo quando, exista fistulas e seques- tros, . a acção do raio X é rapida, e portanto, curativa. Em diversas observações de osteites chronicas das phalanges e dos ortelhos nota-se uma dimi- nuição rapida da tumefação, no fim da 3/ ou 4/ sessão, e sem o repercutir enfadonho sobre articulações visinhas; cura-se no fim de 8 a 10 sessões. Actualmente, ao nosso parecer, os raios X convêm na generalidade dos casos de osteites o 93 tuberculose dos ossos da mão (spina ventosa) e do pé. * Um dos nossos doentes de idade de 7 annos, apresentara ao começo do tratamento muitos fócos de osteites ao nivel dos ortelhos do pé di- reito, com fistulas múltiplas, tumefaeção e dores; a marcha era impossível. Actualmente após oito sessões 'as. fistulas são sanadas; a marcha, o curso até 'são laceis. Quando a aífecção tuberculosa tem sua sede sobre um osso profundamente situado; quando existe sequestro, a acção é mais lenta menos favoravel. E' assim que, não temos notado algum resul- tado nos casos de coxalgias ou mal de Pott, tratados pelos raio X. Em algumas observações de osteites pro- fundas, fistulosas,temos observado depois de nume- rosas sessões, o desapparccimento da dor, da tume- faeção e da cicatrisação da fistula. Desde as primeiras sessões o corrimento purulento augmenta, para diminuir rapidamente cm seguida,depois a dor, o encommodo funccional 94 desapparece, a tumefacção diminue, e, as fistulas se cicatrisam por fim. OsTEO-ARTHRITES TUBERCULOSAS SEM FIS- TULAS.-Nas synovites, nas osteo-arthrites tuber- culosas chronicas os raios X não têm uma acção favoravcl, senão, quando a affecção é muito super- ficial em um periodo pouco adiantado. Notamos excedentes resultados em muitas de nossas observações d'osteo-synovites tibio- tarsiannas e do punho. Em um de nossos casos de arthrite tibio-tar- sianna datando de alguns mezes, depois da i.a sessão, a tumefacção, o aspecto globuloso da região, tinha desapparecido, não existia mais dor e encommodo funccional. Nos tumores brancos dos joelhos a acção dos raios X, nos parecia pouco efficaz. Temos entretanto observado, em muitos casos submisso aos raios X, um desappa- recimento rápido dos phenomenos dolorosos. / ArTHRITES SUPPURADAS, ABERTURAS FISTU- losas.-Nas articulações importantes, profundas, em um periodo avançado da evolução da moléstia 95 quando existe fistulas e sequestros, a radio-therapia não tem dado resultado. Convém accrescentar que nunca verificamos uma accão agravante. Arterites em via de cura com ankilose fibrosa.-Em alguns casos de tumores brancos do joelho, em via de reparação, não temos em- pregado o tratamento pelos raios X, com o fim de modificar a ankilose fibrosa e de dar alguns movimentos ao joelho. Em uma de nossas observações do tumor branco, antigo do joelho, sem reacção notamos depois de um tratamento radio-therapico pro- longado, o desapparecimento do empastamento dos cul-de-sac synoviaes. A flexão da perna sobre a coxa nulla ao começo, attinge logo depois, a 120 grãos. A marcha é facil. A atrophia da coxa e da perna tem sensivelmente retrocedido. A technica applicada, observada pelo nosso collega G. Barret, tem consistido em fazer absorver durante alguns minutos, doses massivas de raios assás penetrantes n. 7, 4a 5 H, com doze a quinze dias de intervallo, multiplicando os póros, quando 96 a região a isto presta-se de maneira a attingir a lesão de muitos lados. Temos empregado algumas" vezes o processo de filtração sob uma folha delgada de alumínio preconisada por Perthes e que permitte evitar até um certo ponto, a radio-dermite, sem diminuir muito a acção profunda. Em caso algum temos notado accidente. A reacção, que receamos ao conkço, nunca tem sido viva. Nunca notamos acção aggravante. Em re- sumo: a radio-therapia não pode ser recommen- dada, como methodo geral de cura das tuberculoses ósseas e articulares. Empregada só, ou melhor associada a outros methodos, eHa modifica os tecidos tuberculosos, facilita a sua regressão e a sua transformação pode servir em alguns casos determinados. Nas osteites e nas osteo-arthrites superficiaes, mesmo no periodo fistuloso, ella dá excellentes resultados, e mui trequentemente curas rapidas. Convém pouco nas osteo-arthrites profundas, nas osteo-svnoviaes das grandes articulações. J O j 97 Obra entretanto favoravelmente, mesmo nestes casos, sobre a dor ou sobre a contractura. % Tem uma acção muito favoravel sobre certas ankiloses fibrosas, facilitando a mobilisação, e a regeneração dos musculos' atrophiados. Neste ponto de vista, o methodo therapeu- tico, que acabamos de estudar merece fixar toda a nossa attenção; na discussão M. D. Rcboul obteve egualmente bons successos e bons resultados. Sero-therapia.-O tratamento das moléstias infecciosas pelas injecções de serum, procedente do sangue de animaes immunisados, contra a pró- pria moléstia, vae ganhando extensão, dia a dia, e seu emprego na tuberculose merece attenção. Este methodo, como sabemos, repousa sobre o poder bacterjcida do sangue e do serum, que a vaccinação augmenta ou faz apparecer, e também sobre a acção que exerce o serum, não só sobre os elementos figurados, mas sobre as toxinas. E' já assás extensa a applicação do processo do serum do sangue dos animaes immunisados, contra os diversos bacillos e òutra bacteridia por 98 por ex.: a diphteria, o tétano, a pneumonia, o typho e a tuberculose e tantas outras moléstias infectuosas. O facto de um animal, apresentar uma certa immunidade, e parecer refractario á tuberculose, dispertou a Ch. Richet e Heiicourt o emprego da serotherapia na tuberculose. Sero-therapia na tuberculose-E'de algum tempo já conhecido o tratamento de uma moléstia infecciosa pelo serum dos indivíduos vaccinados ou immunisados contra a própria iíifecção. As experiências(Maurice Raynaud) feitas com uma certa quantidade de sangue ou lympha de uma novilla sete ou oito dias, depois do começo da erupção vaccinal, era capaz de conferir a immuni- dade em um outro animal. Este foi o ponto de par- tida de Ch. Richet e Hericourt cm 1888. E' longo descrevermos suas peripécias; é saber o que se esta passando presentemente. Os trabalhos de. Bertin, Pick e Lepine, com o sangue da cabra, são assás importantes; porque a maioria dos doentes melhoram do estado geral, 99 voltando o appetite c o bem estar, sem chegar a attingira cura, é portanto, medíocre, como se pode inferir das tentativas de Maragliano, parecendo as animadoras. (Os animaes que devem fornecer o serum, devem também, por sua vez, receberem dòses progressivamente crescentes de uma mistura de ires partes de cultura tuberculosa concentrada á 100o, e de uma parte de cultura filtrada sobre porcelana e concentrada no vasio a 30 gráos. No fim de 6 mezes a immunisação é obtida) Manquat. No ultimo Congresso Internacional Contra . a Tuberculose (1905), publicação de-1906, encon- tramos o seguinte artigo: Ensaio de sero-tberapia ante-tuberculosa por M. M. Lannelongue, Achard et Gaillard, e nelle se encontram as citações de numerosas tentativas de immunisação contra a tuberculose, que têm sido feitas, quer no homem, quer nos animaes, por processos mui variados e com successos mui diversos. 100 Cauterisações, extirpações do abcesso ossifluente, tratamento do abcesso ossifluente volumoso pela puneçõo, puneção seguida de uma irqecção modificadora, incisão Por mais que procure restringir-me, é impos- sível limitar o tratamento da tuberculose óssea, á estes processos, o que seria uma lacuna imper- doável. Cauterisação.-Todos os que se tem occu- pado deste assumpto, sabem perfeitamente que este meio curativo, fora conhecido e utilisado desde muitos séculos, principalmente pelos cirur- giões de Lion, tendo presentemente ganho uma certa acceitação, com justa razão. A revulsão, como pensa Ollier, parece que é contradictoria com a naturesa infecctosa, assim como, com a sede profunda da tuberculose. Os bons effeitos xerificados pelos clínicos em certos ca.sos, não devem obrigar completamentc a banir o seu uso. Com verdade nós ignoramos como a revulsão, pelas pontas de fogo, os cáusticos, os vesicatórios possam obrar; mas, este facto não da 101 razão sufficiente para negar a sua utilidade, desde quando ella se torne manifesta. Devemos appellar é para o abcesso, que, sem contestação, tem origi- nado a reacção muito mais viva do que a inter- venção, que é inoffensiva e benefica quando bem dirigida. Gangofle diz ser de opinião que unia cau- lerisação intra, r preferível a uma extra; que uma operação precoce, é preferível a uma espectação prolongada. Elle diz ainda: nós continuamos entre- tanto, a tratar durante os primeiros tempos as ostco- arthrites pela revulsão combinada com ímmobilisação e compressão. Sabe-se de que voga tem gosado os cautérios applicados de cada lado das gibas, (i) Como tem feito Senter, Lannebenque. e Pott teríamos exagerado com certeza os seus successos, quando elles mesmo escrevem assim: Os doentes de que eu tenho cuidado no começo da moléstia, de qualquer edade que elles sejam se têm todos resta- belecidos. (1) Parabém cotuprehetider-se estude as1 escolioses, o mal de Pott, a hygieue escolarne os vícios da espinha. 102 Não se pode esperar, desta sorte, restirngir o processo da tuberculose ossea, quando tem suas vantagens. O valioso concurso de Charcot, nos resul- tados obtidos pelas pontas de fogo reiteiradas explicando as melhores por uma acção provável exercida sobre a pachymeningite c pela congestão medular que a acompanha. A ^pplicação das pontas de togo têm uma acção benefica nas tuberculoses articulares e nas synoviaes podendo o tecido cellular gorduroso, modificar-se. Até mesmo em certas formas dolorosas, a revulsão tera em certas condicções, vantagens bem assentes. No que diz respeito as affecções ósseas arti- culares e as cauterisações directas destructivas, methodo antigo, ha trabalhos dirigidos por vários cirurgiões Bonnet, Barvier, Bouchacourt, OIlier, Richel, Vencem, Juliard e outros que falam eloquen- tememe quanto aos serviços prestados nas expe- riências clinicas. Na época em que a intervenção sangrenta 103 corria pleno perigo diz Gangofle era preferivel penetrar em uma articulação ou em uma extremi- dade ossca com o ferro em braza, a fazel-o com o bisturi. Não somente a carie dos ossos do pé, da mão, e outras, como'tambem as das grandes articulações tornadas fungosas, eram tratadas por este poderoso agente. Os orifícios deixados pela passagem do instrumento, constituíam um verdadeiro dreno, que assegurava o corrimento dos líquidos, e a sabida das partes destruídas. Os cautérios de chlorureto de zinco eram muitas vezes usados. Ha uma propriedade ou melhor uma acção das mais importantes a utilisar; o calorico não exerce seus effeitos destruidores, senão sobre a zona limitada, poremos effeitos thermicos se fazem, sentir a distancia e podem provocar uma reacção, interna dos tecidos e matar os bacillos. Quando se passa o trajecto fistuloso osseo, mais de uma vez, ou por muitas vezes, vê-se apenas algumas fracas parcellas ósseas eliminarem-se; emquanto que os elementos anatómicos visinhos. 104 são vivamente irritados. E' o que na clinica se evidencia diariamente. Presentemente a cauterisação não é unica, como se fazia anteriormente, com receio da hemorrhagia, cila e completa; faz-se a bisturi, thesoura e curettas, porém, aquecendo o fóco doente em suas paredes. E' sempre .util reunir os dous empregos. Collecções ossifluentes.-Suppressão da lesão e de suas dependencias. E' sempre de grande vantagem, quando isto pode-se fazer, atacar dire- ctamente o toco osseo e supprimir as lesões, que são as consequências, do lado do tecido cellular, ou das cavidades articulares visinhas. Conforme o tubérculo osseo acompanhe-se de abcesso ossifluente, ou de synoviaes secun- darias, a intervenção operatória variará; aconte- cendo que, no primeiro caso a evacuação e a extirpação do foco tuberculoso não são mais discu- tidos, e no segundo ter-se-á a examinar as ope- rações parciaes, como sejam: arthrectomias, tunel- lisação (passagem por baixo da massa dos tecidos) 105 cauterisações, olvações, recessões atypicas e as comparar com as resecções typicas para nos guiar no desempenho e modo de agir. CollecçÕes ossiflu entes.-Tratando desta parte, devemos levar em consideração, as incisões que se conduzem sobre a séde da lesão, que deve ser suffíciente, para bem descobril-as e combinar de maneira a facilitar a extirpação simultânea do abcesso ossifluente. Devemos prestar toda a nossa attenção aos tegumentos, e reconhecermos, se elles adherem a um ponto ao que é necessário disseccar com o sacco, e um segmento da pelle cuja infecção é mais pu menos completa. Nos casos em que existe um orifício fistuloso, é preciso desinfectal-o cuidadosamente, e servir-se do trajecto como guia, mas tendo fóra da mem- brana piogenica, nos tecidos sãos. Nos é dada a faculdade de disseccar também com os dedos, o que é bem necessário muitas vezes, introduzindo-os no sacco e produzindo um longo de verticulum fungoso aberto, indo ter 106 muitas vezes as nadegas, nos casos^ por exemplo, de uma osteite intra-pelviana. Com algum esforço consegue-se também e rapidamente os mesmos resultados introduzindo-se as thesouras curvas, insinuando-as geitosamente thesouras rombas, fechadas, com uma espatula fazendo com os dedos contornar o abcesso, enuclear, como uma lente, e isto, tanto melhor, tanto elle ainda não esteja aberto. Dever-se-á conduzir as pressões, e velar sobre a acção dos instrumentos para respeitar a integração do sacco, o maior tempo que for possível. Nas ultimas phases da operação sua ruptura c sem importância alguma. Pegar-se-a os retalhos da membrana pyoge- nica, com o auxilio de pinças hemostaticas, a trácção que se exercera por seu intermédio, permit- tira conduzir bem e rapidamente a decorticação. Sempre não se consiguirá levantal-o de uma só vez, em um bloco; porque sendo variavel a consistência de suas paredes, as suas relações com os orgãos visinhos, nervos e vasos, obrigam a recorrer a curetta e ao mesmo tempo, algumas 107 vezes a uma compressa de gaze, friccionando, passeando com ella um pouco asperamente nos logares perigosos, repondo-se os restos fungosos, e os contribuindo por seu attritar para a limpeza da região. Em relação ao emprego da curetta, o seu manejo, será sempre nos casos em que a dis- secção não é possível, e não se deve portanto manejar as cegas. Tratando dos abcessos das paredes thoraxicas, dos que provem da peripheria da bacia fazer transporte pelas axillas, custas itiacas, nadegas, e por estes pontos serem extirpados, não é cousa difhcil, pelo contrario é o melhor meio. No mal de Pott posterior também se pode chegar ao mesmo hm. No que diz respeito as apophyses espinhosas, as laminas, ao mesmo tempo que esvasiarem-se os abcessos, fizer-se a sua oblação, as laminas podem ser esvasiadas, de sorte que, chegando-se sobre o fóco, os dedos se procederá a oblação completa. Gangofle diz: i.° A coloração amarclla mastique, a consis- 108 tencia eburnea, a mobilidade em certos casos distinguem bem o tecido doente. Seu aspecto ischemicoo differencia ainda das partes visinhas, algumas vezes uma camada fun- gosa continua isolada; nos ossos curtos, no sacrum, nas espinhas illiacas posteriores, se encontram ossos frequentemente, estes sequestros tuberculosos em forma de guiso. Com a goiva e o malhete, augmenta assás o orifício para a extracção; a curetta desembaraça a parede das fungosidades que a forram, a ponta do thermocauterio aquecido a branco terminara por desinfectar, sem tocar a superfície ossea, um tampão de gaze iodoformado completa o penso. Hm igual caso, ha apenas a hesitação sobre os limites onde deve parar o cirurgião: o processo, de deteza que se estabelece idêntico, ellenão neces- sita exceder a coque dura limitante. Infelizmeme não é sempre assim; e esva- siando-se da parte tomada, tudo o que é friável ou não hyperostose, exceder-se para zona doente e commctter-se-á uma grave desordem. O processo tuberculoso não suscita sempre 109 ossificações novas em seu percurso, e a infiltração puriforme pode se apresentar sobre um osso longo, chato ou curto, sob forma de uma manc*ha, de uma superfície extensa de cor amarella mastique em continuidade, algumas vezes, petfeita com o tecido visinho. Convém talhar no tecido osseo vascular, para fora da região amarella, eburnea: se é adver- tido que os limites do mal excederam, quando a goiva, a alavanca a faca apenas, conduzem parcellas vasculares, quando a talhada ossea sangra. 2.° A difficuldade é ainda maior' quando é a forma diffusa da carie. Aqui as fungosidades, a rarefação domina, os tecidos são mais ou menos violáceos, congestionados e podem encerrar gra- nulações tuberculosas. A eschimia, a necrose, não são também evidentes. De outro lado a immobilisação pro- longada conduz um estado gorduroso dos ossos sãos, com rarefação de suas trabéculas. E' preciso, pois, não mais contar com os tecidos duros, como ponto de reparo. Que estes erros jamais commetter-se-á. 110 E' por isso que nas grandes osteites limitadas, por exemplo, ao cuboide, com ligeira camada fungosa na articulação com o quinto metatar- siano, achar-se-iam neste ultimo graxo friável, facil de cortar-se a faca se deixam o arrastar ao com- meçar. A curetta cortante poderia bastar para evasiar todo o tarso somente gorduroso, e nul- lamente tuberculoso. Na realidade, quando se não encontram mais fungosidades, pequenos sequestros; quando as aureolas parecem encerrar uma medula vascullar, se deverá parar; mas nos não pensamos que o habito de observar-se em taes lesões, possa em certos casos permittir ao operador de não fazer desordem inuíil. A operação é terminada habitualmente pelo aquentamento; far-se-á o penso de gase iodoformado com drenagens. Temos, diz elle, muitas vezes deparado e tra- tado desta maneira, as osteites tuberculosas das costellas, do sternum, da bacia, das epiphyses. Muitas vezes, quando o foco estiver apenas suppu- rado, e não áberto ao exterior, temos procu- 111 rado, e obtido a reunião immediata com o dreno collocado para fora da linha das suturas, segundo a pratica de Tripier. Será da regra, procurar a reunião, se a obla- cção tenha sido tal, que se não tenha mais algum receio de recidiva; reúnam com a drenagem, o tampão de gaze, a modificação ulterior das super- fícies, com a creosota, o chlorureto de zinco, o balsamo do Perú... nos parece preferível. A resecção parcial ou total de um osso curto cuboide, caloneum espinha iliaca, eschion por exemplo; de um osso longo o primeiro metacarpo, a clavícula, de uma porção de osso chato, esternum os ilíacos, asseguram certamente meios contra as recidivas que um esvasiamento intra-epiphysario. Este ponto devemos examinar, quando se acha cm presença de uma verdadeira osteomyelite tuberculosa, de uma infiltração da medula, por granulações ou fócos tuberculosos, a ablação do membro se impõe a amputação ou a desarticu- lação. M. Vencent em um artigo, expoz as suas, 112 ideas sobre a intervenção operatória no mal de Pott. Os abcessos por congestão inexgotaveis, as paraplegias, e mesmo os casos não abertos, mas perceptiveis ao longo do raches, lhe parecem justificáveis de uma operação de curetagem de esvasiamento, de trepanação, de transsomatica dre- nagem. As vantagens transparecentes eram as seguintes: evacuar os productos da osteite em sua origem, e pôr assim um termo aos abcessos por congestão, sustar 'a origem da- suppuração, levantando os sequestros, as tungosidades fazendo cessar ou diminuir uma paraplegia, assim como tem sido claramente notado nas observações. Sem contestação é evidente que a cirurgia rachidiana para a osteo-tuberculose sempre será uma cirurgia de execução; sabe-se que nos trau- matismos a intervenção é muito frequentemente indicada. Tratamento dos abcessos ossifluentes vo- lumosos.-Desde muitos annos, que a cirurgia já conhece a possibilidade de ser obtida a resor- pção espontânea das collecções ossifluentes. 113 E' fora, de discussão o valor da immobilisação, que deixo de tratar para não ser mais extenso. Os cautérios, os revulsivos, tão conhecidos no de Pott por elle, Poyer, Larvey não fallarei pela mesma razão. Da posição para a evacuação dos abcessos ossifluentes está fora de duvida tratando-se- do mal de Pott. O emprego dos aspiradores, o aspirador de Potain, as largas incisões, e tantos outros assum- ptos que teriamos de discutir, permitte deixal-os ao nosso critério, como outras tantas questões, modificações ósseas, o emprego de varias sub- stancias como o iodo o iodoformio, etc. As injecções de Verneuil e Barrettc, a sua utilidade, as incisões antisepticas, passarei em silencio; porem não posso dispensar de me referir aos últimos trabalhos de Michel Gangolfe a respeito dos' abcessos ossifluentes no que diz respeito ao tratamento por seus trabalhos lidos no.Congresso de Paris sobre a tuberculose no armo proximo passado. Assim elle o expõe em relação ao tratamento: i.° Certos abcessos ossifluentes podem cu- 114 rar-se espontaneamente, não somente na creança e no adolescente como ainda no adulto. E' ahi, todavia, uma excepção. A sua tendencia a invasão dos tecidos e finalmente a abertura exterior é indiscutível. 2.0 Não fia analogia alguma a estabelecer-se quer pronostica, quer therapeutica entre os abces- sos ossifiuentes fechados e os que são abertos. 3.0 A abertura mesmo cirúrgica sob os zelos da asepeia aggrava-se em certos casos, em uma proporção enorme, a situação dos doentes; pode ser quasi uma causa de morte, nos casos de vastas collecções vertebraes e pelviana. Pode-se per- guntar aos indivíduos curados nestas condições se não o tem sido a despeito do tratamento empregado. A fistulisação espontânea è talvez menos perigosa que a fistulisação cirúrgica. O cirurgião, deve fazer todo o possível para estacionar a evolução do abcesso ossifluente; uma intervenção energica impõe-se de antemão, para impedir a transformação da collecção fechada, em collecção aberta. 115 Eu dou a preferencia a puncção simples evacuativa; emprego algumas vezes a puncção evacuadora, seguida de uma lavagem de serum arteficial perfeitamente assépticas. 4.0 Este methodo, absolutamente inoffensivo, . simples dá resultados surprehendentes, que eu tenho podido verificar em alguns casos, ha mais de 18 a 20 annos, depois da intervenção. Os resul- tados affastados, definitivos merecem só na especie que se os mencione. Eu fiz a puncção de centenas de abcessos tendo a sua sede em regiões diversas; fossas iliacas, interna e externa nas regiões thoraxicas (costella esternum, clavícula); escapular, postero- rachidiana, glútea, inguino-pelvianna, etc. Certos abcessos ossifluentes de origem tro- cranterianna tem podido ser assim observadamente % curados, sem outra alguma operação. Em outras regiões, como cotovello, joelho, me tem por sua vez ainda, fornecido occasião de intervir; posto que, mais raramente. Aqui permitta-me assignalar os excellentes resultados, que eu tenho obtido na collecção 116 osteo-arthrisfluentcs do joelho de indivíduos idosos sendo mais ou menos cacheticos. A puncção praticada, no momento em que parecia, que dever-se-ia forçosamente incisar, combinada com a immobilisação, me tem per- mittido, pôr um osso nú 4 junta. Em geral os abcessos ossifluentes, não se acompanham de febre; todavia, ha certos abcessos de entre elles, que ella pode apresentar-se. Esta, cabe pela puncção; da mesma sorte que as dores (principalmente nas cadeiras), desapparecem rapida- mente, o estado geral melhora consideravelmente. Como se deve fazer a puncção? A região deve ser saponihcada, lavada com solução de sublimado fraca, limpa depois com o álcool e o ether. O trotarte (um pouco mais grosso que mais forte numero de Potain) e os buris de um dia- metro, muito menor que o da canula serão este- rilisados na agua ordinaria. Importa de se não empregar a aspiração; porque chama algumas partículas ou grumos] não convém exercer mani- pulações, massagens sobre o sacco vasio, mas 117 apenas exercer uma larga, uniforme pressão por meio da mão estendida sobre elle. Não nos adiantaremos a declarar que a evacuação é impossível, porque grumos, restos caseosos, vêm obturar a canula; Usae de um pequeno buril para recalcal-os ou. como eu de uma especie de sacca-rolhas de cachimbo, feito de fio de ferro torcido Com a qual se suspende e retira estes restos adheridos á canula. Evitae de arranhar a túnica do abcesso, e de fazer sangrar, de maneira a não favorecer inoculações 'novas. Esvasiado que seja o sacco, em um só tempo, o mais breve possível, passa-se a fazer uma lava- gem antíseptica sobre a região, um tampão imbebido em álcool enxuga-se a picada no mo- mento preciso, em que o cirurgião retira a canula. Existe dons pontos a notar ainda: a principio, a puneção sera feita obliquamente, longe de toda a zona adelgaçada, para evitar a fistulisação; mais tarde se retirará a canula e o trocarte sendo reposto no seu logar; isto para evitar que um pouco de pús ficando na canula, não venha a 118 infeccionar o trajecto seguido pelo instrumento. E' melhor de fazer-se em seguida um verdadeiro penso que se deixa dez ou quinze dias no logar. As pessoas assim tratadas, podem bem con- tinuar muitas vezes ir ás suas occupações, voltar ás suas famílias, se reconfortar ao ar livre c ao sol. Quando se deve fazer a puncção? Desde que um abcesso seja reconhecido se c I accessivel, sem perigo a puncção é indicada. A evacuação feita, se pode, no dia seguinte algumas vezes, achar a collecção reproduzida. Não tocae nella: esperae doze ou quinze dias, pelo menos para renovar a puncção com as mesmas precauções; porém em um outro ponto que o primeiro. O pús retirado, então é geralmente menos amarello, mais avermelhado, misturado com serosidade hematica. Si, tres semanas mais tarde, a collecção tem se espalhado, punccionae: o pús será ainda mais seroso. Breve, a evacuação será feita de mais a mais, de tres a sete e oito semanas. Podereis então observar o processo de cura em toda a sua 119 limpeza; o abcesso tem dado logar a uma collecção sero-albuminosa, límpida, transparente, que se reabsorve finalmente com a maior facilidade. Pouco a pouco, este liquido sero-hematico tem substituido-se ao pús amarello espesso infectuoso. E' com o fim de evacuar os grumos, de lavar o sacco, e de ahi deixar um pouco de serum que a injecção de uma certa quantidade de serum arteficial cuidadosamente esterilisada se empregam nos casos da puncção evacuadora. Os abcessos abertos são justificáveis de uma intervenção cirúrgica mais ou menos complexa. Ordinariamente eu ensaio e dreno, a asepsia methodica... então eu não espero attingir as lesões ósseas. Conclusão O tratamento de escolha é a puncção sim- ples precoce, sem injecção ou, algumas vezes, com injecção de serum arteficial no sacco. A cura é a regra. A intervenção sangrenta, não é acceitavel e lógica desde que se não esta seguro de levantar 120 de um só golpe e completamente o foco osseo inicial e o sacco ossificante donde este deriva. Nas discussões do mesmo Congresso o Dr. Robert Lewy diz ter obtido curas ajudadas com injecções de ether iodoformisadas, eu apenas citarei como já disse. Elle insiste sobre um ponto de technica extremamente importante e que con- siste depois da evacuação do sacco tuberculoso de lavar e relavar com agua esterilisada até que fique limpida a agua da lavagem. Injecta-se depois a solução modificadora, que obra então efficazmente sobre a porção viva do sacco. Em relação ao valor deste assumpto, eu bem poderia.referir-me as sabias palavras de M. Lanne- longue no Congresso; entretanto, peço venia ao leitor de suspender esta parte; não porque deixe de ter importância, mas, para não ser mais prolixo, como também, ao que diz respeito as ampu- tações ankiloses e tantos outros assumptos estrei- tamente ligados ao objecto desta these. Passaremos a tratar da prophylaxia, mas de uma maneira geral, o mais ligeiro possivel, muito 121 embora para ella deva e até convirjam todas as vistas medicas. Não será isto uma falta, porque disse summa- riamente o indispensável e demonstrarei o seu alto valor e importância. Ser extenso, fa^er as descripções do que c o objecto de tudo quanto se está fazendo e tratando, não poderá caber nos limites deste meu exiguo trabalho. PROPHYLAXIA Ah !! ... come questo è triste! .,. Andiamo! .... Dante. No extase do mais completo regosijo de uma immorredoira gloria, pelo offuscante triumpho de uma descoberta ha tanto almejada, cahe gélida e triste, qual região polar, a trevosa des- crença da impossibilidade, de um lado, da cura do mal, e do outro, o que é ainda muito mais contristador e que nos faz contorser nas vascas da mais dolente agonia, o facto altamente sensível de conhecer-se claramente os meios de sustar o mal de salvaguardar a humanidade de completo, e, entre- tanto, tão difficil os meios de expor em acção, que • sinceramente digamos, por amor a verdade, que reãl- mente se torna inexequível. Horrível sacrifício de Tantalo!... 124 Tudo temos e nada ou quasi nada, possuímos. Sim, tudo temos na theoria, porque tudo com- prehendemos scientificamente, mas na pratica, quão pouco é o que poderemos conseguir a despeito das melhores intensões. Por mais piedosa que seja a missão de amparar e proteger aos infelizes, e muito mais de prophylaxiar a uma população como conse- guir-se-á isso, sem despender sommas enormes e até fabulosas, porque assim demanda a execução deste desideratuni sommas excedentes aos recursos de um povo, quiçá, para providenciar justamente sobre as necessidades vertentes. Não quero que estas minhas expressões sejam as do desanimo, da negligencia, ou do desalento. Não.-Elias não tem por Hm negar as vantagens das prophylaxias, não é este o meu intento; pelo contrario eu desejo e quero que cada qual (partí- culas ou associações, povo ou governo) faça o que estiver ao seu alcance é o faciant quod potunt meliora potentiora faciant. Quero que comprehendam que o meu sentir é este: que ainda bem longe vae a realidade de uma 125 perfeita prophylaxia, ella está ainda em estado de nebulosa e densa, donde o astro que deve surgir mé- rito preciso do sansão das evoluções, e do tempo. Permittam-me esta verdade; que só um per- feito socialismo na expressão genuína e pbvlo.opbica dos factos, conseguirá as legitimas vantagens que mili- tem em prol desta santa causa. Senti-me desvanecido um dia, quando li na Revista Medica deS. Paulo-Hospital e Sanatórios para tuberculosos; o modo de pensar do nosso eminente professor brasileiro Dr. Hilário de Gouvêa que entre nos, e nos Congressos de Copenhague, Berlim e Paris tendo empregado a sua inexgotavel c nunca desmentida actividade nesta campanha bemfeitora, assim se exprime: ^4 propaganda tbeo- ríca contra a tuberculose, desacompanhada de medidas praticas, não tem senso commum, cae logo na irrisão e no ridículo, e não serve senão para levar ao coração do pobre o sentimento de inveja e odio para com as classes dirigentes. Tara luctar ejficagmente contra um inimigo que se tem alastrado, do modo phenomenal por que o tem feito a tuberculose fa^em-sc precisos não só a difusão, 126 por todas as classes, das medidas de defesa contra o con- tagio, como enormes sommas de dinheiro: i* para pôr termo à derrama do terrivel joio social; 2.° para faiar abortar sua germinação já come- çada; q? para modificar o terreno social de modo a tornal-o improprio para a germinação da semente do mal. Impedir a derrama da semente apoz a fructifica- ção-importa em- isolar dos sãos,, todos os casos de tuberculose aberta; Fazer abortar a germinação iniciada da tubercu- lose quer dizer proporcional a todos os tuberculosos curáveis, e esses são leigos, a cura em sanatórios e.peciaes; modificar o terreno social de modo a tor- nai-o improprio para a germinação da semente da tuberculose, importa em dar cabo da matéria social. Estas ideas na conferencia dinamarqueza, são pontificadas pelo já conhecido professor o emi- nente Koch sobre esse monumental assumpto, em doutrinas semelhantes as do illustre professor brasileiro Hilário Gouvêa. 127 A prophylaxia da tuberculose entre nós, digamos com pezar, é ainda um mytho; e nos grandes centros de civilisação um arremedo ligeiro porque como disse Dr. Bonifácio em uma de suas aulas de hygiene: tresfadores são indispensáveis para uma boa hygiene; muito dinheiro, muita educação de um povo ou nação, alta moralidade dos governos. E o que vale realmente Sanatórios, Hospitaes e Legislação sanitaria, faltando qualquer destes fac- tores ? Estas idcas são commungadas também por um dos mais eminentes professores de nossa faculdade o Dr. Anselmo da Fonseca, em suas sabias lições deixando-nos patente esta verdade em sua subida linguagem e elevada elocução do seu talento e saber. Teríamos muito que dizer ainda com relação a este vasto assumpto, mas, precisamos entrar em detalhes outros para pôr termo ao nosso trabalho. Hospitaes, sanatórios, dispensários, legis- lação SANITARIA E OUTROS ASSUMPTOS.-O prO- fessor Berlinez considera este estabelecimento de um valor tal que os classifica de grossa arti- 128 lheria necessária e indispensável de combate da tuberculose. Somos solidários com este modo de apre- ciação não ha negal-o. Peço que apreciem sómente este facto, que a ^Allemanba onde o progresso tem sede, a medida pro- phylatica exigiria para internar os tuberculosos um numero tal de estabelecimentos que com- portassem acima de 200.000 enfermos!... Para demonstrar o valor dos Hospitaes, Dis- pensários, Sanatorio, devemos dizer que na Ingla- terra como na Allemanha, onde a hygiene goza de um apreço cultual; onde a deusa Ilygia parece possuir o seu altar, a tuberculose tem demonstrado que já existe uma diminuição de 50 °/o, o que nestes últimos trinta annos, tem se observado. Entretanto, esta cifra tão notável, é o resul- tado dos bons governos, da boa comprehensão da população e das sommas colossaes que se tem despendido com todas as classes sociaes. Os Dewlling diseases. expressão ingleza dada pelos hygienistas para cognominar a tisica mortí- fera, representando-se também na vivenda do pro- 129 letarismo, sempre doentia, e má, mal arejada, sem luz, e sem conforto hoje bonificada tem servido de nm serio coefficiente para atenuar e baixar a cifra. As fabricas, e todos os pontos de aggremia- ções, tornam-se sempre fócos, e meios'de con- tagio, principalmente quando a hygiene é descu- rada, attrnto aos interesses dos proprietários e dos accionistas. Não obstante ter sido da França, diz o citado professor Dr. Hilário Gouvêa, donde partiu o grtio de alarma, logo depois das experiencias de Wille- min, e ahi ter-se organisado as primeiras ligas contra a tuberculose, a partir de 1886, e se ter celebrado os primeiros congressos periocFos, onde se fundaram por iniciativa privada sanatórios para a cura de creanças tuberculosas, e escrofurosas, sanatórios populares, etc., o problema social da tuberculose continua quasi estacionado, apezar . dos prodígios feitos pela iniciativa particular. Entre nós parece que a idéa de promover o isolamento dos tuberculosos, recolhidos dos hospitaes da Capital Federal, para asylos especiaes 130 construídos fóra do perímetro da zona urbana, e em condições technicas proveitosas ao tratamento e allivio dos que o cruel morbus avassallou ia ser posta em acção. Prasa aos céos, que esta obra tão meritória seja realisada, mas, que os que tem as redeas do poder lembre-se por sua vez dos Estados, maxime os do Norte, onde o menosprezo, desde os tempos monarchicos lhe fôra votado. Será então uma obra digna dos applausos nossos, e de todos os bra- sileiros. Havendo também aqui na Bahia uma outra Faculdade de Medicina, não será fóra de proposito lembrar que ao mesmo tempo, seja creado aqui onde possa aproveitar aos alumnos que nesta faculdade fazem os seus cursos. Não obstante pertenceria outro Estado, o de Pernambuco, is'o não me dá direito de negara a preferencia pela Bahia, onde fiz o meu tirocínio académico. A falta de prophylaxia nas Casas Pias e outros estabelecimentos congenefes, é um facto que julgo altamente criminoso, não possuo outra expressão 131 que traduza esta desidia da Instituição da Santa Casa de Misericórdia, associação rica e poderosa no Brasil. E" actualmente uma epoca onde se vê o esforço privado, o das associações de muito menos recursos envidarem todos os esforços e até em paizes pequenos para este fim; entretanto, quando ha um tuberculoso nos estabelecimentos pios, como as casas pias de educação, por exemplo, separam as creanças apenas do commodo, o que tem dado logar a propagação do mal em outras pessoas. Eu creio, até ser do dominio das classes dirigentes, o dever de ordenar a creação pelo menos, de um Sanatorio (i), Dispensário (2), ou que melhor conviér, e não continuar este modo escandaloso e im moral de -prophylaxia, mas infelizmente, entre nós o que menos se cuida é da saude publica; desculpem a minha sincera (1) A creaçâo do Sanatorio para Tuberculosos, em Cascadura (Capital Federal) è um acto que muito honra a rapida, porem beiiefica, adminis- tração do illustiado bahianu Dr. Felix Gaspar, Ministro do Interior e da Justiça, no governo do Kxmo. Sr. Dr, Rodrigues Alves, : (2) Ha em Pernambuco, Recife, o Dispensário Octavio de Freitas. 132 franqueza (3). O valor, destes meios é de ordem superior e impõe-se por si mesmo. Convém dizer que, não deverá também con- fiar, a quem quer que seja, o destino destas con- strucções, qualquer que seja a sua especie. E' de maxima necessidade que os estabeleci- mentos desta ordem, sejam bem estudados, obe- diente a um plano e planta severa, a qual seja confiada a um profissional de conhecido mérito, sendo desde o começo da sua construcção fiscali- sado por dous profissionaes • competentes um architecto, para as leis de belleza e segurança, e um medico hygienista, a quem cabe a maior responsabilidade e que deverá chefiar todo o estabelecimento. Não se deverá despresar, o que será confiado a uma commissão medica, o estudo da natureza do solo, local, rosa dos ventos, disposição dos com- modos, arejamento, cubagem, estufas, autoclaves, commodos apropriados e que não encommodem .0 manejo do serviço, e nem seja desagradavel aos (3) E' hoje acsnselhado pelos resultados obtidos, o Hospital Alveolar. Ha em Paris o Hospital (denominado Pasteur, dirigido por Mr. Martin, 133 enfermos; canalisações pelos meios últimos da sciencia e diversos outros recursos que dispenso-me de mencionar; porque é impossível neste opusculo entrar em minudencias sobre matéria da constru- cção e ordem destas habitações que por si só fariam objecto de um livro. Todos os que desejarem se pôr ao corrente desta matéria,encontrarão presentemente obras em que beberão o necessário, nem só em discussões de congressos, revistas, como também em obras expressamente publicadas nestes últimos tempos. Não querendo alongar este trabalho e para nãodeixal-o incompleto, devo mencionar qualquer cousa sobre o que ha entre estes estabelecimentos e em outros paizes da America, pelo menos para ver se desperta a emulação dos nossos poderes, e o egoísmo dos potentados. Observe-se o que se tem passado no Brasil e o que se tem feito em pequenas Republicas. A Liga no Brasil, começou no anuo de 1898. Duas foram as primeiras ligas: - a Liga Brasi- leira, e a Liga de S. Paulo (1). (1) Na Bahia (1901) fundou-se a L,iga Bahiana contra a Tuberculose que permanece estacionaria, não obstante os esforços e a dedicação do'Dr. Gon- çalo Moniz. 134 O unico estabelecimento que possuímos para debellar o mal de Koch é o Sanatorio Militar em Mantiqueira, e isto devido ao másculo estorço e iniciativa do Marechal Dr. Medeiros Malet, ex- Ministro da Guerra. A creação da Liga Brasileira foi devido a iniciativa do distincto mestre Dr. Hilário Gouvêa, secundado por uma commissão de intelligentes médicos que a fundara em 7 de Outubro de 1899 sob os auspícios da Liga Brasileira. Então o Conselho Municipal do Rio de Janeiro editou uma serie de medidas prophvlaticas, as quaes foram postas em execução só a partir de Janeiro de 1904 um lustre após a fundação!... epoca em que foram definitivameute consagradas por um decreto devido a boa vontade e patriotismo do nosso esforçado e benemerito ex-Ministro do Interior o Sr. Dr. José Joaquim Seabra, este brasi- leiro illustre a quem tanto devemos, hoje pela restauração da nossa casa de ensino superior. E' muito sensível para nós, o maior paiz da America do Sul que seja assim o progresso nosso. 135 E' nulla a iniciativa particular e os nossos poderes públicos nada tem feito, quando a Liga Argentina contra a tuberculose tem já estabelecido- em Buenos-Ayres tres dispensários bem regulares, dos quaes só darei ligeira, noticia de um para fazer uma justa idéa. Estes dispensários receberam a sagração baptismal dos nomes de médicos, que talvez, e sem duvida, circumstancias serias prenderam-se a elles: Dispensário Dr. Torni, Dispensário Dr. Razu- son, Dispensário Dr. Juan M. Fernande^. E' da melhor orientação a disposição total destes estabelecimentos, onde tudo se procurou estudar, tudo pôz-se ao alcance pratico, até os' pontos de sua edificação; todos estão situados, e bem situados, nos quarteirões mais populosos da cidade ao alcance de todos. As visitas medicas têm logar pela manhã, tres vezes por semanas, e os doentes são visitados perio- dicamente nos seus domicílios pelo inspector. Uma experiencia de tres annos em frente dos dispen- sários da Liga Argentina nos tem demonstrado 136 que elles prestam tres reaes serviços, cada qual mais importante. . A sua influencia prophylatica é fora de dis- cussão. Nenhum doente assistido pode voltar ás suas occupações sem realmente achar-se res- tabelecido. Alguns mesmos chegam a se curar, resultado que é assás satisfatório. O Dr. J. M. Astigueta, director da Assis- tência Publica, em 1889 propoz primeiro cm pro- mover a creação de um hospital de tuberculosos nas montanhas de Cordoba e no mez de Março de 1905 M. Corni, organisou o sanatorio muni- cipal Dr. Torni, situado em Buenos-Ayres (villa Ortuzar, occupando um terreno em fôrma de polygono irregular, circumscrevendo ruas com uma superfície de 72.000 metros quadrados. E' este o primeiro sanatorio da Capital. , Tem dois pavilhões para mulheres, de egual capacidade, que são projectados com cosinha, banhos, lavanderias, camara de desinfecção e outras dependencias. Contam 200 leitos. Soccorros ás famílias dos doentes dos sanato- 137 rios, recebem por intermédio dos dispensários da Liga, e por uma Sociedade de Senhoras de Cari- dade, que exercem a vigilância de suas necessidades materiaes. Pois bem, não é somente em Buenos-Ayres, e vejamos: No Uruguay,sob os auspicios da Liga,existem ■ seis dispensários, tres na capital e tres nos depar- tamentos. Em Cuba, o goveno desejou estabelecer um sanatorio, submeteu este projecto ás commissões nomeadas para fazer a escolha do terreno» para sua aequisição em 14 de Outubro de 1903. Em Março a generosidade de D. Rafael Fernandez de Castro cedeu á Liga o terreno necessário para as creanças escrophulosas e a Liga não dispondo de fundos para aquella empreza, cedeu também seus direitos ao governo que deveria declinar da offerta. Um dispensário foi estabelecido no mez de Fevereiro e a Liga contra a tuberculose o ajudou. E' este estabelecimento um dispensário assás modesto. Ha portanto, pequenos paizes que se não 138 julga, e que a actividade, e iniciativa dos poderes públicos e particulares, já ha feito mais do que poderíamos pensar e nos dormitarmos com as nossas vistas distrahidas infelizmente em cousas alheias ao bem estar publico, sem pensarmos que não ha bem individual seguro, sem o bem geral. Entremos agora no que diz respeito a medidas outras prophylaticas. Cada paiz tem promulgado suas leis prophylaticas em defeza da tuberculose. Todas ellas têm o mesmo fundo, são medidas sanitarias, divergentes apenas em relação a certo modo de comprehender, accorde com o Paiz, Nação, Estado ou até localidade, como sóe acon- tecer entre nós mesmo. Prophylaxia da tuberculose nos logares públicos.- Escolas, igrejas, asylos, etc.-Pelos Drs. Azevedo Lima e Anjo Coutinho-Rio de Ja- neiro.-São estes os meios práticos empregados no Rio de Janeiro para lutar contra a tuberculose nos logares públicos, e que se pode resumir da maneira seguinte: i. Desinfecção de toda a casa na qual tenha habi- 139 tildo ou morrido um doente atacado de tuberculose pulmonar ou laryngea. Uma demora de vinte e quatro horas basta para tornar igual medula obrigatória; 2. Installações de escarradeiras em numero suficiente em todos os lo gares públicos, e cartazes prohibindo-se ou vedando escarrar em qualquer logar, excepto nos recepientes destinados á estes ejfeitos; j. Obrigação de não expõr productos alimentares, taes como pasteis, doces e confeites, etc., senão em caixas fechadas; Evitando-se assim, contaminação por meio das poeiras e por meio das moscas; q. Trohibição de empregar-se nas casas de comes- tíveis indivíduos affectados de tuberculose; q. Fa^er retirar todos os professores das escolas publicas, attingidos pela tuberculose e a eliminação dos discípulos que se acharem na mesma condição; 6. Isolamento dos tuberculosos nos hospitaes, nos pavilhões ou sallas separadas. Infhfmente, as condições económicas não têm ainda permittido fa^er este isolamento em todos os estabelecimentos; 140 /. Obrigação de caiar ou de pintar com uma substancia que se preste à lavagem, os muros ou quartos de dormir e dormitorios nos boteis, pensões de familia, casas mobilhadas, hospitaes e casas de saúde; 8. Interdicção absoluta de varrer a secco nos logares públicos. Esta ultima medida encontra entretanto grandes dificuldades a entrar nos nossos costumes. Todas estas prescripções parecem apparelhadas a dar resultados, tanto mais efficazes, quanto são regularisados por leis, cuja a inobservância arraste penalidades variaveis segundo os casos. O decreto, que tem regulamentado a lei federal n. 1151 de Janeiro de 1904 deve-se a ini- ciativa do Ex-Ministro do interior Dr. Seabra e constitue o epilogo das campanhas intentadas pelas ligas nacionaes contra a invasão da tubercu- lose. (1) Estas medidas, por mais bem eleboradas que nos pareça, estão cheias de muitas lacunas e mes- cladas de muitas contradições e encongruencias, [1] Ao Dr. Seabra è também devido a reforma do Hospício Nacional de Alienados no Rio de Janeiro, confiado a sabia Direcçãc do illustrado medico bahiauo Dr. Juliano Moreira. 141 das quaes, não me proponho a occupar-me; mas, citarei ligeiramente algumas delias para firmar o meu modo de pensar a respeito: i. 'Desinfecção de toda a casa na qual tenha habitado ou morrido um doente atacado de tubercu- lose pulmonar ou laryngea; ora parece que, ou só estes orgãos são os atacados, ou que os demais orgãos ou partes do corpo, não possuem o poder de transmissão, e por isso, está fora da saneção da lei? Uma demora de vinte e quatro horas basta para tornar igual medida obrigatória; o;a se a demora fôr inferior ás vinte e quatro horas, não haverá por tanto perigo, desde que não haverá medida obrigatória.-Fica sem commentario. j. Obrigação de não expôr productos alimen- tares, taes como pasteis, doces, confeitos, etc., senão em caixas fechadas; evitando-se assim a contaminação por meio das poeiras, e por meio das moscas. Esta medida só, bastará? Em relação aos que vendem e compram, como retiral-os das caixas, quaes os papeis para envolvel-os e o acceio dos vendedores e outras tantts necessidades ? 142 5- Fa^er retirar to.los os professores das escolas publicas, attingidos pela tuberculose e a eliminação dos discípulos, que se acharem nas mesmas condições. Peço vénia para perguntar: Se o professor fôr particular ? Se fôr um director ou directora de um collcgío? Se os discípulos forem destes cohegios particulares? Se forem auxiliares dos col- legios? Se forem pessoas que tenham o collegió como vivenda? Quando se tratar dos dirigentes dos collegios pois? E outros estabelecimentos congeneres? Fia medidas contra os frades tuberculosos que existem nos conventos educando a mocidade? E cousa assás perigosa o confissionario tão fre- quente entre nós? 6. Isolamento dos tuberculosos nos hospitaes, nos pavilhões ou nas sallas separadas, preencherá bem esta medida prophylatica o fim desejado? Esta é que aqui fa^em as casas pias, onde o mal não cessa de ceifar constantemente. 7. Caiar ou pintar, com uma substancia que se preste a lavagem...; ora que nas paredes a oleo isto seja exequível, accordo perfeitamente, mas, 143 nas paredes caiadas, parece-me que será melhor raspal-as, depois de borrifada com bichlorureto de mercúrio, ou outio processo, e caial-a de novo, tanto mais quanto, tão pouco custa uma caiação e a qual, tem por sua vez poder microbicida. Não mencionarei as medidas prophylaticas dos outros paizes, e até das nossas irmãs as das duas Américas, porque no seu' fundo, são os mesmos signaes antropologicos, com physiono- mias differentes, denotando a mesma raça. Quiz também, logo que não me era possível transcrever as níedidasdc outros paizes, não omittir a do nossô, principalmente as editadas pela Capital Federal, donde tudo dimana, e assim não cahir nos satyricos versos do nosso poeta Gregorio de Mattos: . 3ão litteratos de alto nariz; Que a historia ignora de seu paiz; E,mquanto fala dos outros povos Na própria terra são pretos novos. PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medico-Cirurgicas l.a Secção ANATOMIA DESCRIPTIVA 1 Os musculos do maxillar, inferior são em numero de oito: quatro para cada lado, quatro na extremidade do craneo que são os dois masseteres e dois temporaes e quatro nas duas partes internas do maxillar inferior, que são os dois pterygoi- dianos externos. 11 Os masseteres, os temporaes e os pterygoi- dianos internos, são elevadores da mandíbula. III Os pterygoidianos externos, executam movi- mentos diversos dos precedentes, são agentes principaes dos movimentos de lateralidade do maxillar, leva o condylo do maxillar para adeante e pela contracção de um só musculo é que o movimento de lateralidade se cffectúa. 148 ANATOMIA MEDICO-C1RURGICA l A bocca é a cavidade situada na parte inferior da face, tendo nella alojada a língua, sendo cir- cumscripta aara acima, pela abobada palatina, para abaixo pela lingua, para adiante pelos lábios, para atraz pelo véo do paladar, e pela pharynge, late- ralmente pelas bochechas. II A bocca se divide em cavidade buccal ou bocca propriamente dita e porção vestibular. no Nenhuma das cavidades do corpo humano oflerece disposição anatómica tão favoráveis, quer para ser explorada, quer para ser operada. 2.a Secção HISTOLOGIA I Os ganglios lymphaticos são de consistência molle, de cor vermelha ou de um branco roseo. 149 II Fazem excepção os ganglios lymphaticos do pulmão que offerecem coloração negra em conse* quencia das partículas de carvão que por infiltração nelle se deposita. III A capsula ou envolucro que os ganglios lym- phaticos possuem é formada de tecido conjunctivo fibroso de redes elasticas e de espessura varia vel, accorde com o volume do ganglio. BACTERIOLOGIA I • Foi Nicolaier quem descobrio o bacillo do tétano no pús das feridas dos cobaios e dos ratos tetânicos, mais tarde Rosenbach, no homem, e em 1889 Kitasato isolou e cultivou em estado de pureza. II Este bacillo é mui fino, delgado, colora-se de modo intenso por toda as côres basicas da anilina em soluções hvdro-alcoolicas. 150 III A toxina tctanica secretada por este bacillo é uma das mais activas. ANATOMIA E PHYSIOLOGIA PATHOEOGICAS I i Cabe a Cartaz, a gloria de ter sido quem primeiro em 1887, em uma bem elaborada mono- graphia, traçou o mais importante e completo estudo sobre a tuberculose das fossas nazaes. II No exame microscopico, praticado sobre qual- quer parcella do tumor, vê-se os elementos do tecido tuberculoso; um stroma com cellulas gigantes epitheliodes e traduzem o periodo do em- brvonario. III E' a presença do bacillo de Koch quem vem diciparas duvidas que podem pairar sobre a natu- reza da lesão. 151 3»a Secção PHYSIOLOGIA 1 Ignorada é até hoje a constituição das maté- rias corantes da bilis. II A Bilirubina e a bilkerdina são as principaes. III Sendo impossível assignalar as formulas de structura devemo-nos contentar com as formulas brutas, até que a sciencia possa desvendar este ponto da physiologia. THERAPEUTICA I A absorpção da atropina faz-se pelo tecido cellular, pela pelle sem epidemia e pelas mucosas. II A pelle integra não absorve, salvo nas crean- ças e isto mesmo, em quantidade infinitesimal e inapreciável. III Elimina-se de dez a vinte horas. 152 4.* Seeção MEDICINA LEGAL I A permanência da membrana hymen, nem sempre prova a virgindade da mulher. II Ha concepções com a permanência d'esta membrana. III Não é facil, em taes emergencias, se decidir criteriosamente o medico legista. HYGIENE I A hygiene caminha paripassu com o pro- gresso e a civilisaçâo de um povo. II E' um thermometro que desce ou sobe quando a civilisaçâo cresce ou regressa. III Quereis saber ao penetrar n'um paiz e n'este em qualquer de suas cidades, villas, o que foram, são e serão? Estude-se o estado actual da hygiene. 153 S,* Secção PATHOLOGIA CIRÚRGICA I Epitaxis é a heniorrhagia nasal, que se faz gotta a gotta por uma das narinas e algumas vezes por ambas. II Frequente na adolescência e algumas vezes na infancia, é rara na velhice. III E' activa ou passiva, podendo estar ligada portanto a insufficiencia aortica, menstruação, hemorrhoides, mudanças bruscas de temperaturas, febre typhoide, tysica e outras causas. OPERAÇÕES E APPARELHOS I São sempre indicadas as rhinoplastias totaes, todas as vezes que a perda do orgão é muito extensa ou completa. II Vários têm sido os methodos e processos empregados nestas operações. 154 III Methodo indiano, processo de Lisfranc, methodo francez, processo de Nclaton, methodo italiano, processo de Frabrizi e outros, tendo cada qual, sua indicação e contra-indicação. CLINICA CIRÚRGICA (i.a Cadeira) 1 As feridas do coração são hoje bem conhecidas. II São produzidas por instrumentos cortantes ou perfuran.tes e projectis. III Constituem a base primordial do tratamento d'estas lesões a immobilidade absoluta, a applicação do gelo na região precordial, occlusão da ferida exterior. CLINICA CIRÚRGICA'(2.a Cadeira) I A vaginite é na mulher uma moléstia analoga á blenorrhagia no homem. 155 II Ella é aguda ou chronica. III O tratamento c quasi o mesmo da blenor- rhagia. G.a Seeçâo PATHOLOG1A MEDICA I O bucaco de Botale fechando-se logo após o nascimento, pode permanecei até a avançada idade. 11 A duração da vida depende da natureza e da gravidade da lesão. III E' facto assás importante, a conservação da vida até a idade avançada. CLINICA PROPEDÊUTICA 1 O microscopio é um poderoso meio para o 156 diagnostico das moléstias e deve ser manejado por todos os clínicos. II Não obstante ser de grande utilidade o seu' uso, não satisfaz in totum. Hl E' necessário não abandonar os outros meios, que tão bons serviços têm prestados. CLINICA MEDICA (i.a Cadeira) » 1 A pleurisia é a inflam mação da pleura. il Elle é geral, parcial, diaphragmatica, medias- tina, interlobular, e quanto ui sua origem, primi- tiva ou secundaria. III A classificação mais consentânea com a descripção clinica, é a que é fundada sobre a natureza do liquido se este é sero-fibroso, hemor- rhagico ou purulento. 157 CLINICA MEDICA (2? Cadeira) bl A intoxicação do organismo pelos productos não eliminados em parte ou totalmente pelo emunctorio renal, constitue a urina. II Sob tres formas ella se apresenta cerebral, gastro-intestinal, respiratória ou dvspneica. III E' aguda ou chronica, e isto depende da parada brusca das funcções dos rins ou da insufFiciencia renal. Secção HISTORIA NATURAL MEDICA I ♦ O distomo-hepatico ou fasciola do figado, é um verme largo e achatado, de tegumentos molles, corpo adelgaçado na parte inferior, e arredondado anteriormente, apresentando na parte media, uma saliência em forma de capsula, onde se encontra a bocca no fundo de uma pequena ventosa. 158 II Elle encontra-se em todas as partes do globo, principalmente na Europa, na America do Norte e na Australia. III No estado de desenvolvimento completo, é encontrado nos canaes biliares de diversos mam- miferos, principalmente dos lanígeros, não sendo difficil descobrir-se no homem, maxime nos crea- dores. CHIMICA MEDICA I O dermatol é o gallato básico de bismutho. II E' uma substancia pulverulenta, amarella cor de enxofre, inodora, quasi insípida, insolúvel n'agua, no álcool, no ether, não hygroscopica, inalterável ao ar, a luz do dia, dissolvendo-se na lexivia de soda, que avermelha-lhe e tornando também o papel azul de tournesol ligeiramente vermelho. 159 III Graças a Heinz foi esta substancia introduzida no dominio das substancias medicas, pertencendo chimica medica e a therapeutica, sendo mais tarde melhor es udada por Glasser e Rosenthal, como agente therapeutico, succedaneo do iodoíormio. MATÉRIA MEDICA, PHARMACOLOGIA E ARTE DE FORMULAR 1 O serum ante-tetanico foi pela primeira vez preparado por Behering e Kitasato. II Sendo anacrobio o bacillo tetânico, para faci- litar a elaboração da sua toxina, é necessário cubi- vaLa em caldo de animal, mantido no vasio ou em uma atmosphera de gaz azoto ou hvdro- geneo, na temperatura de 28 a 39o. III E' prodigiosa a aclividade deste serum, po- dendo 1 centimetro cubico, preservar mil kilo- grammos de ratos contra uma dose de toxina tetanica de virulência mortal bem conhecida e definida. 160 8.a Secção OBSTETRÍCIA 1 Não é sem relação os phenomenos da gra- videz, com as moléstias cios dentes e das gengivas. II A perda de 'saes calcareos de que não só os dentes como também os ossos são alvos, durante a gravidez, denunciam-se pelas odontalgias. III Não devemos olvidar as stomatites que se manifestam durante a gravidez. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOGICA I O parto é uma funcção natural e physiologica, o papel do parteiro deve ser o de auxiliar a natureza. II Após um exame vigoroso e criterioso é que devemos effectuar a intervenção. 161 III O emprego do fórceps é muitas vezes intem- pestivo, só casos especiaes deve elle ser applicado e assim mesmo, procedendo-se com a maior calma e prudência. 9.a Secção CLINICA PEDIÁTRICA I A febre aphtosa é mui commum nascreanças. II Apresenta-se sob a forma epidemica sendo mal ainda conhecidas suas causas. III E' uma moléstia infectuosa e muito contagiosa. 10.a Secção CLÍNICA OPHTALMOLOGICA I A inflammação da iris denpmina-se irite. 162 II E' na maioria dos casos determinada pela syphilis. III Ao tratamento local, se deve associar o tra- tamento geral especifico nestes casos. ll.a Secção CLÍNICA DERMATOLÓGICA E SYPH1LIGRAPHICA I As syphilides papulosas, representam as varie dades de syphilides mais observadas. ' II Elias seguem immediatamente a roseola. III r . Acontece muitas vezes coincidir e a papula pode-se desenvolver sobre uma macula. 163 12.a Secção CLINICA PSYCHIATRICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I A choréa (mal de S. Guido) é uma affecção hysterica. II Na mocidade e no sexo feminino, é geral- mente observada. III São frequentes nos indivíduos affectados deste mal as desordens psychicas. (^ectetada da CC^acu/dade de Ç^T^dicina da Q^Zadia, 31 de ©utudta- de 1966. 0 Secretario c/ú3 Q^íe^e^e^.