faculdade de JVIedicma da IBatiia THESE SÃO PAULO DUPRAT & COMP. - RUA DIREITA, 14 1006 Faculdade de JVIedicina da Baldia THESE APRESENTADA Á FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Em 30 de Outubro de 1906 PARA SER DEFENDIDA POR Edmundo de Carvalho rP (Natural do Rio de Janeiro) Filho legitimo do Dr. Antonio Amancio Pereira de Carvalho e de D. Emilia da Silva Carvalho Bacharel em Sciencias e Lettras peio Gymnasio de S. Paulo Ex-auxiliar do "Hospital Ophtalmico do Dr. Pignatari" em S. Paulo Ex-interno da clinica Ophtalmologica da Faculdade de Medicina da Bahia Afim de obter o gráu de Doutor em Medicina DISSERTAÇÃO Cadeira de Clinica Ophtalmologica Campo Visual dos Epilépticos (Continuação ao estudo do Campo Visual dos Degenerados) PROPOSIÇÕES Trez sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medicas e Cirúrgicas SÃO PAULO DUPRAT & COMP. - RUA DIREITA, 14 1906 Faculdade de Medicina da Bahia Director-DR. ALFREDO DE BRITO Vice-Director-DR. MANOEL JOSÈ DE ARAÚJO Lentes cathedraticos OS DRS. J a Secção MATÉRIAS QUE LECCIONAM J. Carneifo de Campos ' Anatomia descriptiva Carlos Freitas Anatomia medico-cirurgica 2.a Secção Antonio Pacifico Pereira Histologia Augusto C. Vianna. Bacteriologia Guilherme Pereira Rebello Anatomia e Physiologia pathologicas 3.* Secção Manoel José de Araújo Physiologia José Eduardo F. de Carvalho Filho. . . . Therapeutica 4.a Secção Josino Corrêa Cotias . Medicina legal e Toxicologia Luiz Anselmo da Fonseca Hygiene 5.a Secção Braz Hermenegildo do Amaral Pathologia cirúrgica Fortunato Augusto da Silva Júnior. . . Operações e apparelhos Antonio Pacheco Mendes Clinica cirúrgica, l.a cadeira Ignacio Monteiro de Almeida Gouveia. . Clinica cirúrgica, 2.a cadeira G.a Secção Aurélio R. Vianna Pathologia medica Alfredo Brito. . . Clinica propedêutica Anisio Circundes de Carvalho Clinica medica, l,a cadeira Francisco Braulio Pereira Clinica medica, 2.a cadeira 7.a Secção José Rodrigues da Costa Dorea . . Historia natural medica A. Victorio de Araújo Falcão Matéria medica, Pharmacologia e Arte de formular José Olympio de Azevedo Chimica medica 8.a Secção Deocleciano Ramos. Obstetrícia Climerio Cardoso de Oliveira Clinica obstétrica e gynecologica 9.a Secção Frederico de Castro Rebello Clinica pediátrica 10.a Secção Francisco dos Santos Pereira Clinica ophtalmologica 11." Secção Alexandre E. de Castro Cerqueira .... Clinica dermatológica e syphiligraphica 12.a Secção J. Tillemont Fontes Clinica psychiatrica e de moléstias ner- vosas Cerqueira: disponibilidade Lentes substitutos OS DOUTORES José Affonso de Carvalho (interino) . l.a Secção Qonçalo Muniz Sodré de Aragão 2.a „ Pedro Luiz Celestino 3.a „ \ 4.a „ Antonino Baptista dos Anjos (interino) ... 5.a „ João Américo Garcez Fróes -. . 6.a „ Pedro da Luz Carrascosa e José Julio de Calasans 7.a „ J. Adeodato de Souza 8.a „ Alfredo Ferreira de Magalhães 9.a „ Clodoaldo de Andrade lO.a „ Albino Leitão (interino) H.a „ Luiz Pinto de Carvalho (interino) 12.a „ Secretario-DR. MENANDRO DOS REIS MEIRELLES __ Sub-secretario-DR. MATHEUS VAZ DE OLIVEIRA A Faculdade não approva nem reprova as opiniões emittidas nas theses que lhe são apresentadas. Considerações geraes As relações muito estreitas que a escola do professor Cesar Lombroso, de Torino, deixou claramente demonstrado existir entre a actividade sensorial e as manifestações psychicas, muito contri- buíram para que numeroso grupo de experimentadores tentasse a pesquiza dos vários modos de se patentear a sensibilidade. A retiniana foi a escolhida para o estudo especial que, então, se encetou, porque, como de modo criterioso e preciso diz Sollier, a vista é o sentido mais aperfeiçoado, por permittir a franca distincção entre as perturbações do systema sensorial e as do systema central. Multiplicaram-se os trabalhos sobre o campo vizual; Charcot completou seu estudo sobre os distúrbios vizuaes nas hystericas, depois Thomsen e Oppenheim, Magnan, D'Abundo, Bianchi e outros, tendo em vista elucidarem o cortejo de perturbações taes nas moléstias do systema nervoso central ou peripherico, propor- cionaram tanta importância a esse assumpto, que hoje elle pertence á alçada não só da neurologia propriamente dita, como á psy- chiatria e até á Medicina-Legal. - A Charcot, com seu magistral trabalho sobre campo vizual na hysteria, depois, em outras nevroses e em varias pertur- bações psychicas, seguem-se Thomsen e Oppenheim, encontrando, não constantemente embora, a hemiopia dos hystericos, e notando a diminuição concêntrica do campo vizual nos epilépticos, não só depois do accesso, como nos intervallos, tanto no estado tranquillo como nos abatimentos da consciência ou de depressão psychica. Em virtude disso, concluíram o parallelismo entre a exten- são do campo vizual e a sensibilidade psychica. O mesmo estreitamento concêntrico foi encontrado por Finkelsteins, depois das crises convulsivas. 4 Já se approximando mais das idéas modernas, tão convicta- mente sustentadas pelo professor Ottolenghi, appareceu D'Abundo considerando o estreitamento do campo vizual dos epilépticos não só como consequência necessária e immediata do accesso, como existindo nos intervallos dos mesmos. Feré, em seu precioso livro ^Epilepsia e Epilépticos» diz ser levado a crêr que em todas as manifestações epilépticas com perda do conhecimento são seguidas de amblyopia que seriam sempre observadas si se conseguisse chegar a tempo. Ainda diz elle ter insistido nesses exames, e em 18 indiví- duos ter observado estreitamento muito notável após os accessos puramente convulsivos. Encontrou todas as vezes que os doentes eram examinados apenas meia-hora ou menos, depois de finalisado o accesso. Na mesma série de estudos, Pichon verificou que o estrei- tamento do campo vizual dos epilépticos se dava no 73 dos casos examinados por elle; ainda considerou, analysando o traçado do campo vizual, mais irregular o da côr vermelha, comparativamente á branca e a verde. -Encetando, dissemos que o estudo do campo vizual era hoje indispensável ao neuropathologista, como ao psychiatra e ao medico-legista; agora, embora de modo rápido, procuraremos apresentar os factos que confirmam essa asserção. Descobre-se, pela medida do campo vizual, segundo o pro- fessor Ottolenghi, 0 resto de um ataque epiléptico com poucas horas, de antecedencia. -E' conhecido em Medicina-Legal o grande valor dos methodos empregados na descoberta da simulação: a medida do campo vizual não fornece dados falsos, pois são de modo facil reconhecidos. Mais difficil de caracterisar é a simulação da epilepsia fóra do accesso, mas diz o professor Ottolenghi, que os caracteres encontrados por elle nos seus epilépticos são bastante preciosos por serem achados com grande frequência no intervallo dos acessos. Vantagens outras são apresentadas pelo mesmo professor, na differenciação do epiléptico, hysterico, neurasthenico, etc. Não explanaremos este ponto por se affastar do assumpto propriamente do nosso trabalho, bastante exclusivo. Methodo de estudo Dependendo nossas observações de um rigoroso exame e levando-se em consideração todas as minudencias a que tem direito o delicado estudo da topographia retiniana, julgámos indispensá- vel fazer algumas referencias ao que de mais importante relativo ás percepções vizuaes nascidas em toda extensão da retina (excepto na fosseta central e immediações) que constituem a vizão excên- trica, também indirecta ou peripherica. Si, por um reflexo, em nossos olhos, na fovea centralis, - termino do eixo optico do globo ocular - sefórmacom grande nitidez na distincção de seus minimos detalhes, a imagem do objecto, sobre o qual esteve fixa nossa attenção, outro tanto não acontece quando buscamos a qualidade das sensações na retina peripherica. Este desideratiim é alcançado por meio de instrumentos especiaes, bastante conhecidos de todos aquelles que se dedicam á Ophtalmologia que tão alto hoje se conserva, esteiada no talento habilitado de Wecker, na concepção esclarecida de Graefe. Campimetro e Perímetro 'são os dois apparelhos empre- gados, que têm por fim chamar a attenção do indivíduo a examinar para um objecto visto obliquamente, sem que elle o fixe; desse modo, ficarão desenhados os limites attingidos pela retina excên- trica na percepção do objecto, não só relativamente á sua fórma, como á sua coloração. Ligados esses pontos encontrados em varias posições de um mesmo plano, obteremos o contorno polygonal chamado - Campo Vizual.- 6 Poderia parecer surperflua e dispensável a discripção dos referidos apparelhos, si não tivéssemos em mira a demonstração dos inconvenientes de um sobre o outro, e da preferencia que demos ao que reputámos melhor. - O Campimetro é constituído por um quadro negro, tendo na parte central um pequeno ponto de fixação (commummente uma cruz branca), e em seu lado inferior um descanso ou apoio para o mento, variavel em altura, de modo a produzir uma horizontal tirada do olho a examinar sobre o centro de fixação. -Faz-se percorrer o objecto a examinar, sobre o polygono- negro, em varias direcções, da peripheria para o centro, e logo que fôr reconhecido será marcado esse ponto no proprio quadro negro. De objecto para o exame costuma-se fazer o proprio giz, que tem a grande vantagem de facilitar a annotação Simples se torna o modo seguinte de traçar o campo vi- zual: o individuo fixa, sómente com um dos olhos, um ponto de uma superfície vizual; procura-se com um pedaço de papel branco, por ex., a distancia mais affastada em que o objecto póde ser indirectamente percebido, em varias direcções, não só quanto ao seu contorno, como á coloração: reunidos todos esses pontos obtem-se o campo vizual para o objecto examinado. Reproduz-se a fórma de um cone, cujo vertice é repre- sentado pelo olho e de base, sobre o quadro negro, variavel e tanto maior quanto mais afastada. Assim sendo, torna-se condição essencial e indispensável, antes de serem tiradas conclusões sobre qualquer traçado, operar sempre á mesma distancia, e de, á priori, conhecer as dimensões que apresenta um campo vizual physiologico. Resta na descripção do apparelho dizer que as medidas adoptadas são lineares-centímetros-. O campimetro apresenta, entretanto, inconvenientes, que muito prejudicam o resultado final de um exame rigoroso. Assim, por elle, o campo vizual é projectado sobre um plano e occupará uma superfície tanto maior quanto mais obliqua fôr a direcção. Por isso, em pesquizas campimetricc.s, o olho a examinar é collocado muito proximo do quadro negro, com o fim de evitar 7 que se lhe dêm consideráveis dimensões, mas, tal proximidade tem influencia e não pequena sobre o phenomeno da accommo- dação, e por consequência, constitue outro inconveniente. Ainda na analyse das desvantagens do Campimetro, La- grange et Valude assim se exprimem: «os eixos opticos secundários, segundo os quaes, os raios incidentes extremos encontram as partes mais excêntricas da retina, cortam o eixo optico principal do olho em angulo quasi recto; são pois, parallelos ao quadro negro do campimetro e não podem provir delle: o campo campi- metrico para os limites exteriores do campo vizual será incom- pleto, ao menos para a direcção temporal, onde o supercilio, nem o nariz, nem a bochecha interceptam a entrada dos raios extremos. Ainda. O porta-objecto, deslocado sobre o plano do cam- pimetro, apparece ao olho em exame a uma distancia tanto maior quanto mais afastado fôr ficando do centro do quadro. Si esses factores não fossem sufficientes, citaríamos Lan- dolt e Hummelshein apresentando a necessidade de transformar uma medida linear em valor de angulo, na interpretação do dia- gramma. Explorando a sensibilidade das partes excêntricas da retina todos esses inconvenientes desapparecem sendo substituído o plano por uma superfície espherica em cujo centro ficará, fixo, o olho a examinar. Só então haverá entre a curva traçada sobre a calotte es- pherica e a parte sensível do fundo do olho, uma perfeita seme- lhança, de modo que espaços eguaes no traçado, em qualquer posição que se os considerem, representarão uma extenção egual da retina porém, bem se vendo que em opposição, devido ao en- trecruzamento que soffrem os raios luminosos no olho, onde as imagens se estampam invertidas: a metade inferior do campo vizual é resultado da sensibilidade da parte superior da retina e vice-versa. Baseado no principio que Purkinje primeiro enunciára de que para se tomar um exame preciso do campo vizual era neces- sário uma superfície espherica concêntrica á retiniana, foi cons- truído por Aubert e por Foerster introduzido na pratica, o ins- trumento denominado Perímetro. Das descripções deste apparelho, preferimos a de Masselon -o discípulo inseparável de Wecker, e sobre quem o prof. Abadie 8 assim se expressa: "o nome de Masselon deve ser unido ao de Wecker. Tão activo e intelligente, quão modesto e dedicado, foi um collaborador, um auxiliar de todos os momentos. Sem elle, Wecker, absorvido por suas occupações materiaes, não teria con- seguido dar toda a expansão exigida por seu vasto espirito.„ O perímetro consiste em um arco metallico, largo, chato, corado de negro em sua face interior, representando um semi-cir- culo fixo em uma columna vertical, em torno da qual pôde girar de modo a engendrar, pelo movimento de rotação que descreve, um hemispherio. O arco é dividido em grãos em sua face exterior a partir do vertice, que representa o zéro até as extremidades, correspon- dentes a 90.° Delle faz parte um apoio movei, duplo, que se póde, á vontade, mais ou menos elevar, e que é destinado a receber o mento do paciente; existe ainda uma haste que termina por uma placa de marfim curva, disposta de tal modo que o rebordo or- bitario, applicado sobre ella, proporciona uma correspondência entre o centro optico do olho e o centro do instrumento. O perímetro que, por mais uzado, acabámos de descrever, apresenta certas minudencias de grande valor e que merecem uma explicação. Assim, é de necessidade o arco ser largo afim de não apparecer a mão do observador, quando em pesquizas dos limites do campo vizual. A graduação é marcada na face exterior do arco, para que possa escapar ás vistas do individuo examinado. Ado- ptado, como foi por nós, o perímetro, descreveremos o methodo ap- plicado geralmente quando nos servimos desse apparelho. O doente sentado diante do perímetro, tendo um dos olhos coberto, colloca o mento sobre o descanso, em altura capaz de produzir uma horizontal tirada do centro de fixação ao centro optico. Com o olhar do doente dirigido para o centro de fixação do perímetro e com o arco em uma direcção determinada, o observador faz percorrer um pequeno quadrado de papel da extre- midade para o centro do arco, ou segundo uma direcção centrí- peta, até o ponto onde o paciente accusar ter visto distinctamente. Certos auctores, entre os quaes Foerster, mandam o examinado fixar um ponto interno ao centro do apparelho; a 15.° para dentro, 9 relativamente ao olho examinado. Foerster proporciona deste modo uma correspondência entre o vertice do hemispherio engendrado pela rotação do arco e a papilla; obtem com semelhante processo um campo vizual mais symetrico. Não obstante esta vantagem, tal pratica não prevaleceu, pois, com a judiciosa ponderação de Masselon, a distancia entre a papilla e a macula não é constante e sendo observada a média fixa de 15.° não se ficará isento de commetter um erro até in-extremis de 4.° grãos. Actualmente, os perímetros, como o de Landolt que servio para nossos estudos, levam a marca de fixação sobre o vertice do eixo do apparelho. Outras pequenas divergências existem entre os auctores na pesquiza do campo vizual perimetrico. Mandam alguns que os pedaços de papel corado, indispensáveis em semelhantes exames, tenham um centímetro quadrado de superfície. Lagrange e Valude e Coppez (de Bruxellas) assim pensam. Outros auctores aconselham dois centímetros de lado ou quatro centímetros quadrados. Nós nos servimos de pedaços de papel com um centíme- tro de lado, sendo que estes eram percorridos sobre o arco, não adaptados á corrediça própria do perimetro, mas, presos a extre- midade de uma fina haste negra de madeira. Já vimos que o olho a examinar fixando o zero do perimetro, a corrediça ou haste de madeira é conduzida da peripheria para o centro, de um modo nem rápido nem lento, até o momento em que o disco seja percebido pelo paciente; verificado sobre o arco o nu- mero de gráos, marca-se o diagramma no meridiano correspondente. Repete-se a mesma operação na extremidade opposta do arco; conhecidos os limites do campo vizual para um meridiano, varia-se a inclinação do arco e se procede da mesma maneira afim de obter os limites extremos do campo vizual para esse novo meridiano, e assim successivamente se pesquizará com o numero de meridianos desejados. Ao mesmo tempo se vae praticando a transferencia para o diagramma. Pequenas considerações devem ser feitas quanto ao modo de se comportar o doente diante do perimetro, e ainda relativas ás condições do meio em que o campo vizual deve ser tomado. Como preliminar do exame, deve se ensinar ao doente com toda minudencia, o que se deseja que elle faça; exige-se, em 10 seguida: (a) fixar sempre o zero do perímetro, o que não é muito fácil, maximé por se achar vendado um dos olhos; (b) só dever indicar o momento em que distinguir claramente o objecto e não accusar uma vaga percepção de um corpo em movimento. Operar sempre com luz de igual intensidade, a mais forte que se possa encontrar em uma sala, sem que entretanto, se torne incommoda para o doente, deve ser uma condição sempre lem- brada por quem se encarregar dos fatigantes e difficeis exames perimetricos do campo vizual. Quando se explorar a parte superior do campo vizual, re- commendar ao doente abrir o olho em exame, afim de evitar a reducção proveniente do anteparo proporcionado pela palpebra e pelo rebordo orbitario correspondente. Além da intensidade luminosa e das partes circumvizinhas ao globo ocular, capazes de uma diminuição do campo vizual, outras condições exercem influencia sobre elle. Pela própria situação topographica do globo ocular, quando está profundamente collocado na orbita, as partes periphericas fi- cam constituindo maiores factores de reducção do campo vizual. A elevação formada pela raiz do nariz dá lugar a um estreita- mento do campo vizual na parte interna, correspondente ao dia- metro horizontal; ainda maior causa de diminuição para a parte infero-interna é a elevação do nariz mesmo. A palpebra superior incompletamente levantada e ao re- bordo orbitario correspondente, como causas de reducção superior do campo vizual, já nos referimos mais acima. Diz Masselon que es- tas causas de reducção dos limites do campo vizual podem ser eliminadas, dando-se para cada uma das quatro direcções princi- paes uma posição conveniente á cabeça do doente, emquanto o olhar permanece fixo ao zero do perímetro. Ao mesmo tempo que aconselha essa variante nas posições da cabeça do doente, o proprio Masselon, para evitar o inconveniente do deslocamento da cabeça nascido da fadiga proporcionada pela demora inevitável de semelhantes exames, manda collocar a face do exami- nado voltada um pouco para dentro e conserval-a até o fim do exame. Neste particular não concordamos com aquelle professor e pensamos que a cabeça deve permanecer na maior immobilidade possivel em frente ao zero do perímetro. 11 Em primeiro logar, não vemos como a posição lembrada pelo prof. Masselon póde evitar a fadiga do doente. Quanto ás variantes de que fallámos, que elle aconselha afim de evitar as causas de reducção, diremos que elle proprio já procurou meio de immobilisar a cabeça; e ainda mais, ficando á vontade do doente a melhor posição, tendo em vista o desapparecimento das eleva- ções circumvizinhas ao globo ocular, não poderíamos considerar médios os limites do campo vizual. Accresce que nada impede de considerarmos normal um campo vizual com as inevitáveis reducções de peripheria que não o deixam circular. Si quizermos sustentar a necessidade de permanecer immovel a cabeça do doente, diremos que Grand Mont, procurando aper- feiçoar o estudo da perimetria, modificou o apparelho de Lan- dolt, estabelecendo como uma de suas innovações um accessorio fixador da cabeça. Dentro em pouco trataremos do seu perímetro. Entre as causas de influencia directa sobre os limites do campo vizual não incluiremos o diâmetro pupillar na opinião de alguns auctores. Ha outros asseverando que o augmento da pupilla produ- zido pela atropina conduz a maior extensão do campo vizual; Masselon diz que isso se dá não porque o campo optico se ache augmentado pela dilatação do orifício pupillar, mas devido á maior accentuação da intensidade luminosa da imagem retiniana produzida por aquella dilatação. Esse augmento de intensidade, medido por seu effeito sobre a retina, é sobretudo sensível para os objectos vistos segundo a direcção muito obliqua de um eixo secundário e se tornará mais vizivel para as imagens excêntricas. -Effeito inteiramente opposto foi verificado por Charpen- tier, pela acção da eserina, isto é, o estreitamento do campo vizual. Acontece, porém, que não é como se pensava, a iris contrahida podendo encobrir as partes excêntricas da retina, mas porque a diminuição do diâmetro do orifício pupillar conduz a um enfra- quecimento de intensidade luminosa das imagens retinianas, e disso resulta a. menor extenção do campo vizual. 12 Outro factor capaz de exigir considerações é a accom- modação, que Lagrange e Valude suppõem poder ser despre- zada; deste modo já não pensa Cárter que fez construir seu perímetro, tendo como modificação ao de Landolt um orifício no centro do arco afim de evitar os effeitos notáveis da accom- modação. Pensamos, como este ultimo auctor, que ella tem influen- cia sobre o campo vizual, e por isso nos exames que fizemos davamos descanso ao olho coberto antes de ser examinado. O estado da refracção é considerado como de importân- cia na determinação do campo vizual e por isso só tirámos nossas conclusões baseadas em exames feitos nos limites da vizão distincta, isto é, em doentes dotados de acuidade approximada- mente normal. Si qualquer modificação da vizão central fosse encontrada, ainda poderíamos obter campo vizual exacto, corrigindo prévia- mente os defeitos do olho examinado á custa dos vidros-(lentes). A chromatopsia peripherica é feita do mesmo modo que a luminosa e constitue hoje assumpto de maxima relevância, atten- tas as estreitas affinidades existentes entre o apparelho da vizão e o systema nervoso geral, cephalico ou medullar. Empregámos no perímetro pequenos pedaços de papel corado, que variam de volume segundo os auctores; nós fizemos sempre nossas pesquizas com pedaços de papel de dois centíme- tros quadrados de superfície. Este exame do campo vizual das côres apresenta, entre- tanto, certa difficuldade tendo por causa a impressão luminosa antecedente á sensação da côr. Ficará mais claro exemplificando. A chromatopsia peripherica é feita do mesmo modo que para a branca. E' preciso fazer ver que as partes excêntricas da retina são menos impressionáveis ás côres do que a parte central e além disso, variam de sensibilidade para as differentes côres. -Empreguem-se as côres de intensidade sufficiente como as póde fornecer a decomposição da luz solar, e acharemos que a sensibilidade chromatica attinge os limites do campo vizual e que não ha zona retiniana achromaíica propriamente dita Ao contrario, si substituirmos côres espectraes muito vivas pelos papeis corados, como se faz habitualmente, verificaremos 13 então que além de certo limite, variavel com as cores, o tom do papel deixa de ser percebido, para apparecerem os intermediários. Assim, tratando-se do vermelho, o doente accusará muito além do limite proprio um tom esbranquiçado, que a medida que se vae approximando o indice do centro de fixação se transforma successi- vamente em amarello, alaranjado, mais escuro, e depois em vermelho. O exame faz-se habitual mente para as tres cores funda- mentaes vermelha, azul e verde, em papeis de 2 cent. quadrados ou de diâmetro. Torna-se necessário para o bom exito na compara- ção dos exames fazel-os em dias de egual intensidade luminosa, com descanço da vista do paciente e demais factores de que tra- támos quando descrevemos o campo vizual para o branco. Destacaremos ainda que é de grande monta a escolha das cores, porque, si as empregarmos pallidas, observaremos que o campo vizual do azul se estreita mais do que o campo vizual do verde e do vermelho. E' bom chamar attenção sobre este ponto, porque algumas vezes acontece desmaiarem as cores, ficando o perímetro exposto por algum tempo. Foi tendo em mira esta minuciosa condição que H. Coppez, de Bruxellas, estabeleceu processos para reconhecimento de egual saturação das cores. Manda Masselon: a amostra corada se fará avançar lenta- mente da peripheria para o centro até que o paciente fixando ,o zero do instrumento reconheça a côr. Este ponto será notado no diagramma e se recomeçará a ex- periencia em uma outra direcção, de modo a obter um numero sufficiente de pontos que, reunidos por uma linha continua, cons- tituem uma curva normalmente quasi parallela á que encontrámos no campo vizual para o branco. Si este methodo aconselhado pelos auctores dá resultados positivos, tratando-se de indivíduos de capacidade intellectual in- tegra, ou com pertubações oculares sómente, não poderá servir nos casos de exames em desequilibrados, nos epilépticos que constituíram o nosso centro de trabalho, nos hystericos, nos ne- vropathas, onde se encontra bem accentuada a tendencia á mentira ou a desviar a attenção do observador. Nascendo da pratica de taes exames perimetricos em epilépticos, adoptámos um processo que, com pequeno esforço deu 14 resultados fieis capazes de corresponderem exactamente ao campo vizual para as côres nos doentes examinados. Consiste esse processo em examinar, n'uma direcção qual- quer, sobre um raio, uma cor, ao mesmo tempo que no raio op- posto diametralmente fazíamos percorrer outra cor, e de novo no primeiro raio a outra ou a mesma como contra-prova; assim examinavamos em um diâmetro dado todas as côres escolhidas, com exito seguro, por escapar ás respostas casuaes ou de tentativas. Ao doente não era dado adivinhar a côr que lhe ia appa- recer e consequentemente, só accusava vendo-a em realidade. Segundo o processo aconselhado pelos auctores, o doente, tentada a mesma côr em varias direcções, não trepidava em deduzir tra- tar-se da côr ensaiada nos primeiros raios do perímetro com o fim de abreviar o trabalho explorador por tentativas. Casualmente, quando já bastante familiarisado com o pro- cesso acima descripto e não citado pelos auctores correntes, para grande gáudio nosso, encontrámos um artigo do prof. Grand Mont, aconselhando um perímetro seu onde também cita o que elle chama o campo polydiromo. Achamos conveniente acompanhar oauctoremsua descrip- ção que assim diz « Para obter-se o campo polychromo, faz-se apparecer nos indices côres differentes uma das outras de modo que o doente não as tenha visto previamente. Fazendo avançar os indices á custa da manivella até que o doente declare o que está em cada um d'elles, e repetindo quatro vezes essa operação, alternando as côres de cada indice, obtem-se a medida do campo peripherico para as côres desejadas. Continua elle: foi por esse processo que pude estabelecer com certeza o valor do campo chromatico. Antes de expor quero assignalar uma outra causa de erro: é devido a que a retina perde muito rapidamente sua sensibilidade ás impressões luminosas coradas, isto é, que si se procede muito lentamente na explora- ção peripherica dessa membrana ou si se deixa muito tempo uma superfície corada impressionar a mesma parte da retina esta perde a pouco e pouco a sensação da côr. > Tratando das medidas normaes do campo visual para as côres, diremos estarem concordes os auctores, considerando menor o campo do verde, maior o do azul e intermediário o do vermelho. 15 Do mesmo modo que o campo vizual para o branco, os limites para as côres serão um pouco maiores para fóra e pode- rão em condições physiologicas, offerecer algumas differenças se- gundo os indivíduos, sem que entretanto possam cahir abaixo de certas dimensões. É preciso saber onde termina o estado normal, conhecendo o minimum de extenção que deve offerecer o campo vizual para o verde. Masselon avalia em 30° para cima, 35 ° para dentro, 35." para baixo, 40° para fóra. Grand Mont apresenta as seguintes quantidades: para o azul no lado externo, a vizão se extende a 80 ; 50 para a parte superior; 50 para o lado interno; 60 para o lado inferior. Para o vermelho, 80" do lado externo; 40° para a parte superior; 40' para dentro; 50" para a parte inferior. Para o verde: 70° ext; 30° sup.; 30" interno 40° inf. Para o branco: Ext. 90°, sup., 60° int, 60°, inf. 70. Schoen que muito estudou essa questão, considera como physiologico: Azul Vermelho Verde em cima: 45' 40" 30 a 35° para fóra: 65° 60 ' 40° » baixo: 60° 50' 35" » dentro: 60" 50° 40 Landolt, baseado em recentes pesquizas, considera como minimum o seguinte campo vizual para as 3 côres fundamentaes: Azul Vermelho Verde sup.: 50" 35° 30' ext.: 80" 70' 55" inf.: 55" 45° 35" int.: 50" 40° 30" Actualmente, attenta a importância do estudo das modifi- cações do campo vizual em varias moléstias nervosas de origem central ou peripherica, systematisadas ou não, têm apparecido perímetros novos, onde se tem procurado corrigir ou evitar as faltas existentes nos primitivos. 16 Além dos peri metros de Foerster, Landolt, com suas refor- mas, o de Cárter caracterisado por apresentar um orifício no ponto central como meio de ser evitado o effeito da accommo- dação, encontramos o do professor de Lapersonne cujo mostrador é variavel de cor e de dimensões, e deslocavel sem que isso per- ceba o paciente. O de Maklakoff foi feito para ser uzado na obscuridade. O de Grand Mont, cuja descripção mais ou menos com- pleta faremos, em vista das vantagens que apresenta e por não ser conhecido entre nós, será descripto. O primeiro aperfeiçoamento do Dr. Gillet de Grand Mont consistiu na inscripção automatica do campo vizual, evitando ao observador a leitura longa e fatigante feita no arco do instru- mento. Com a invenção do seu perímetro registrador não attin giu ao mais alto gráo de aperfeiçoamento, porquanto, impressio- nou-lhe o deslocamento da cabeça do doente dando em resultado causas de erros nas avaliações perimetricas o que só com um apparelho contentivo poderia ser evitado. Elle acrescentou ao perímetro esse annexo, tendo pontos fixos no mento, na fronte e nas têmporas. Tendo em vista evitar o deslocamento do doente na pes- quiza comparativa dos 2 olhos, elle juntou ao ramo frontal um obturador para um dos olhos, que, movei em todas as posições, impossibilitava o doente do minimo movimento. Esse perímetro tem quatro arcos que, dois a dois formam dois semi-circulos com 30 centímetros de raio. Estes arcos peri- metricos podem soffrer uma rotação em torno de um eixo hori- sontal e occupar successivamente todos os meridianos da esphera. Em cada arco se acha um mostrador que se póde fazer mover desde a extremidade livre delle até o centro de fixação. Nos mostradores são collocados os papeis corados ou brancos do tamanho referido (°,02 centímetros no nosso caso) Estes são movimentados por fios que se vêm enrolar cada um isoladamente numa roda, gyrando por meio de uma manivella. Com o movimentod esta avançam todos os mostradores a um tempo si estiverem ligadas as rodas ao eixo da manivella, e cor- rerão separadamente se isolarmos os mostradores desejados para o exame. 17 Com esse apparelho complicado diz Grand Mont ter supprimido as difficuldades da perioptometria, porque além da rapidez, os quatro arcos contribuem muito para a immobilisação sempre difficil do olho do doente. Em verdade, quando o olho é solicitado em uma só direcção, pelo desejo de ver apparecer uma superfície luminosa ou corada que se lhe annuncia, elle se volta instinctamente para essa direcção e falha se torna a observação. É este um dos motivos pelos quaes não empregamos o carn- pimetro e sim o perímetro nas nossas pesquizas pois o quadro enor- me daquelle impede que o observador fixe sempre a direcção do olhar do doente. E facto de observação que um olho guarda absoluta im- mobilidade quando espera que surja em quatro pontos ao mesmo tempo, oppostos uns aos outros a superfície luminosa ou corada correspondente a cada um dos pontos. Os quatro arcos do perimetro de Grand Mont têm por fim principal immobilisar o olho do doente. Estudos do prof. Ottolenghi Este illustrado e laborioso mestre da Universidade de To- rino, o professor Ottolenghi, fez, em 18Q1, um trabalho sobre campo vizual dos psychopathas e criminosos, onde foram incluídos os doentes epilépticos, que constituem, em especial, o assumpto do trabalho que ora apresentamos. Em suas pesquizas, observou o campo vizual de 30 delin- quentes, dos quaes 26 typicos, 15 epilépticos adultos, 8 menores epilépticos (fóra de accesso,) 4 hystero-epilepticos, 4 neurasthenicos, 11 prostitutas, 4 mulheres criminosas de occasião, 10 mulheres criminosas typicas, 13 menores delinquentes e 8 pellagrosos. Suas pesquizas foram feitas com o perímetro de Landolt, procedendo, diz elle proprio, muito attentamente da peripheria para o centro, em vários sectores e produzindo no arco excursões lentas de 5.° no máximo. Como condições indispensáveis para a demonstração cabal de seus estudos experimentaes, declara elle ter feito as observações no Manicomio de Torino, em condições approximadamente eguaes de luz, para o que collocava o instrumento sempre diante de uma janella, onde era illuminado em todas as direcções. Os doentes eram estudados quando completamente tran- quillos, tanto sob o ponto de vista do campo vizual luminoso, como do campo vizual para as côres. Nesse estudo, elle procurou a extensão maior ou menor do campo vizual, a fôrma, quanto ao modo especial de se patentear a peripheria, isto é, a regularidade na linha que reúne os diversos pontos extremos da vizão da imagem nos vários sectores. 20 Assim procedendo, o professor de Torino tinha estudado a sensibilidade retiniana, o modo mais ou menos symetrico de funccionamento das diversas partes periphericas da retina, onde uma imagem começa a ser percebida. Si até agora, as minudencias de methodos de estudo do prof. Ottolenghi acceitamos, reconhecendo seu valor, não calaremos e ousamos declarar que discordamos de sua valiosa opinião quando diz ^(non éprocedendo molto lentamente nel far girare /'arco del pe- rímetro, esperimentando la vizione periférica in maggior numero di meridiani, che si puó avere in esatto concetto delia periferia del campo visivo)» Não. E sabido, e constitue facto de nossa observação que varias vezes em um espaço de 20 grãos e até mesmo de 10 grãos, se verificam irregularidades no contorno de um campo vizual. Dos epilépticos (adultos) estudados, o prof. Ottolenghi obte- ve a média de extensão do campo vizual seguinte: 0 D a 41 -40-38-41 -47-51 e b 40-41 -40-39-37-37 .54- 58-63-63 - 63 -63 1 39 -41 -44.54- 60-64 a 43-40-37-38-39-37 e - - - • b 43 - 39 - 43 - 39 - 41 - 46 .38-46- 53 - 62- 65 -66 1 51^547^65 - 66 -67 0 E Desta média deduziu elle: l.° A linha perimetrica apresenta-se ligeiramente sinuosa: não offerece depressões nem saliências notáveis, pois, não sendo constantes os pontos onde a imagem começa a apparecer nos vá- rios sectores, não póde tal caracter apparecer accentuado nos resul- tados médios. 2.° Claro apparece, entretanto, o limite do campo vizual na metade externa e na metade interna, tanto nos delinquentes na- tos, como nos epilépticos, e mais ainda naquelles do que nestes. Com effeito, nos criminosos o máximo limite superior at- tinge a 50°, 51° á direita; 48° e 56° á esquerda; 48° inferior- mente; 48° e 40° á direita; 48° e 54° á esquerda. Observa-se, entretanto, tanto no campo vizual dos epilép- ticos, como no dos criminosos, que o limite não é symetrico nos dois olhos, mas, com maior diminuição á direita, correspondendo 21 ao hemispherio inferior, á esquerda correspondendo ao hemisphe- rio superior, onde não existe hemiopia vertical. O prof. Ottolenghi, em outro capitulo relativo aos meninos epilépticos, diz que Schele refere nelles existir o campo vizual sem soffrer alterações. Continúa: 11 devido á gentileza do emerito Dr. Vignolo, pu- demos examinar alguns (8) menores epilépticos typicos no Hos- pital Cottolengo e o campo vizual foi tomado pelo collega Dr. Bocci da Clinica Ophtalmologica". "Nas 8 observações foi encontrado 5 vezes o campo vizual limitado notavelmente em ambos os olhos; 4 vezes a peripheria muito irregular; 2 vezes com sinuosidades mais ou menos pro- nunciadas; 7 vezes scotomas periphericos mais ou menos profundos; 3 vezes hemiopia parcial inferior. Este resultado corresponde aos menores criminosos; mas também nos epilépticos o campo vizual é ainda mais anormal e demonstra desde os primeiros annos a equivalência da epilepsia e da criminalidade". Chegou o prof. Ottolenghi ás seguintes considerações geraes, depois de estudadas suas observações. Quanto á extensão: L°) fórma exageradamente diminuída do campo vizual em 1 epiléptico; 2 o) limite do campo notável sem ser excessivo encontrado em 9 epilépticos adultos e 5 meno- res epilépticos; 3.°) estreitamento parcial do campo vizual corres- pondente a porções do hemispherio, formando hemiopias parciaes. A Hemiopia vertical parcial heteronyma foi encontrada em 5 epilépticos, o que levou a acreditar em ser caracter de maxima frequência nestes degenerados. Os resultados obtidos quanto ao estudo da peripheria do campo vizual foram considerados de grande importância e cons- tantes pelo prof. Ottolenghi que concluio E°) Existência de lacunas periphericas, maiores ou menores. São verdadeiros scotomas periphericos como chama Nuel e foram encontrados em 6 epilépticos adultos e em 6 menores epilépticos. E' um caracter que, embora raro, apresenta-se nos epilépticos. 2.°) Mais importantes são os resultados obtidos no estudo da linha que limita a extensão do campo vizual nos vários meridianos. 22 Essa linha appareceu irregular, mais ou menos, manifesta- mente 10 vezes em 15 epilépticos adultos e em 8 menores epilé- pticos. E' esse o caracter mais constante do campo vizual dos delinquentes-natos e dos epilépticos, o que mais os distingue dos campos vizuaes de outros psychopathas. Campo vizual das côres. Diz o prof. Ottolenghi não ter examinado o Campo vizual das côres em todos os seus doentes, mas, notou quasi sempre a mesma fórma do Campo vizual do branco com limites menores. Continua: 0notamos em taes criminosos e epilépticos o entrecruzamento do vermelho e do azul que também foi encontrado em 2 hystero-epilepticos, em 4 criminosos e em 2 epilépticos notámos o do vermelho maior que o do azul. Em conclusão: fica patente que nos epilépticos e nos de- liquentes-natos adultos e menores ha diminuição do campo-vizual tanto na metade externa como na interna, porém mais ainda no sentido vertical, com peripheria irregular, com depressões em fórma de scotomas periphericos: esses caracteres não encontramos, ou só excepcionalmente, nos hystericos e neurasthenicos. Diz ainda Ottolenghi: "não encontrei scotoma central das côres em nenhum doente; isso é importante para excluir o alcoolis- mo nos indivíduos estudados, privando de erros os dados peri- metricos". A estreiteza do campo vizual não corresponde a uma lesão do fundo do olho: as lesões principaes encontradas pelo prof. Ottolenghi, scotomas periphericos, hemiopia vertical homonyma ou heteronyma não tinham relação com o estado do fundo do olho, o que é caracter de grande importância. Depois dos trabalhos minuciosos do professor Ottolenghi, o Dr. Audenino, em um artigo intitulado, // Campo delia vizione distinta delle forme negli alienati e nei delinquenti nati tratou do mesmo assumpto com bastante cuidado e escrupulo scientifico de modo a nos obrigar a uma reproducção de seus resultados, bas- tante valiosos para o assumpto de nosso trabalho. Assim, procurou elle saber si havia possibilidade de varia- ções nos resultados dos exames praticados nos mesmos indivi- duos em horas diversas do dia; e chegou á conclusão de que, 23 por tão insignificantes, poderiam ser perfeitamente desprezadas as differenças encontradas, porém, para maior exito em suas pesqui- zas, escolheu e aconselha como faz Roncoroni, a hora de luz mais forte. Foram estudados 22 indivíduos fóra de accessos, e nelles em 17 foi encontrado o campo vizual diminuído, totalmente ou só em alguns sectores. O prof. Audenino, depois de examinar, sob este ponto de vista, 97 individuos (68 degenerados e 29 normaes) chegou ás seguintes conclusões: l.° Nos normaes (sem alteração ocular) raramente se en- contra estreitado o campo da vizão distincta das fôrmas. De 29 examinados, 3 sómente apresentavam. 2." Nos criminosos -natos e nos loucos moraes, é frequen- temente estreitado 8 sobre 13, isto em uma porporção de 61 %. 3.° Quasi na mesma porporção (77 % segundo Audenino e 75 % segundo Roncoroni) se encontra nos epilépticos e adul- tos o estreitamento do campo vizual; em alguns individuos elle é maior nas proximidades dos accessos. (J) E' facto digno de nota, porque, diante deste exame, os de- linquentes-natos se confundem com os epilépticos, dos quaes estes constituem uma variedade, na opinião de Lombroso. Em epilépticos jovens o estreitamento se encontrou em me- nor escala (40 %). 4.° Em outras fôrmas de psychopathia, (a hysteria, alcoolis- mo, paranoia) o campo vizual é estreitado, mas não com a fre- quência encontrada nos grupos precedentes. Relativamente a este estudo, Parisotti, que também fez pes- quizas serias, encontrou o seguinte resultado: (a) o campo vizual irregular em 16 sobre 23 epilépticos ou 69 %; (b) campo vizual estreitado em 14, na proporção de 60%; (c) ao mesmo tempo estreitado e irregular em 41 %. -Segundo a opinião de Parisotti a irregularidade e o es- treitamento do campo vizual não constituem um caracter particu- lar aos epilépticos e delinquentes natos, mas são extensivos aos degenerados em geral. O grypho é nosso. 24 ETIOLOGIA DAS LEZÕES 1)0 CAMPO VIZUAL Procurando explicar as lesões do campo vizual dos epi- lépticos e dos delinquentes natos, o prof. Ottolenghi as deixa de- pendentes de causa central ou peripherica. A diminuição do campo vizual é commum a tantas nevro- ses que se não torna mais caracter differencial entre as varias nevropathias, mas sómente entre os diversos estados da mesma fórma mórbida. Esta póde provir de lesões periphericas ou centraes. O estreitamento do campo vizual existe nos processos de atrophia das papillas, nas nevroretinites, na simples hyperemia da papilla e no edema; foi encontrado ainda na epilepsia, na paraly- sia progressiva, na demencia e em outras alterações centraes. Segundo Thomson e Oppenheim e Moravosik os abalos nervosos, as excitações psychicas e physicas tornam o campo vi- zual estreitado mais ou menos concentricamente. Varias são as causas, portanto, que influem sobre o cam- po vizual dos epilépticos e delinquentes-natos, estreitando-os. Além das observações das prostitutas que se relacionavam com processos de nevroretinite, facilmente descobertos pelo oph- talmoscopio, em quasi todos os outros casos, o campo vizual ap- parecia mais ou menos diminuído (Ottolenghi). Patente o resultado negativo do exame ophtalmoscopico, a acuidade vizual normal ou mesmo superior, podemos, diz Ot- tolenghi, procurar a causa do estreitamento do campo vizual na diminuição de sensibilidade por imperfeição de estructura ou dos elementos retinianos, que devem receber as impressões luminosas, ou mais provavelmente dos elementos corticaes que devem per- cebei-as. Frequente, observando-se antes a média do campo vizual de epilépticos e criminosos do que individualmente, é a fórma de estreitamento do campo vizual correspondente á parcial hemio- pia vertical homonyma ou heteronyma (Ottolenghi). Em taes casos, Nuel acredita tratar-se de um processo ne- vritico por causa intracraneana conduzindo a defeitos nas duas metades superior e inferior do campo vizual. 25 Mais frequentes e mais exclusivas aos epilépticos são as lacunas periphericas do campo vizual, constituindo os scotomas, que Nuel considera resultantes de alterações periphericas. Ottolen- ghi, excluindo uma lesão da choroide, physiologica a acuidade vizual, negativo o exame ophtalmoscopico, diz ser levado a crer tratar-se de alterações das fibras opticas em seu trajecto além do chiasma. A alteração da peripheria do campo vizual é muito mais commum aos epilépticos e delinquentes e não é encontrada nos normaes, nem nos neurasthenicos, hystericos, etc. Naquelles, a linha perimetrica do campo vizual não se apresenta como uma curva quasi regular, ao contrario, é tortuosa, com depressões mais ou menos profundas, e esta irregularidade da porção peripherica do campo vizual não póde ser devida a lesões retinianas disseminadas, nem a alterações do nervo optico. Trata-se de um phenomeno cortical. Como bem lembra Ottolenghi, poderia parecer um effeito de desattenção do doente examinado; tal não acontece: as depres- sões não têm pontos constantes, nem mesmo nos proprios indi- víduos, onde se supporia encontrar pequenas hemorrhagias corres- pondentes aos centros opticos, e em certos pontos da retina, como se encontra na retinite pigmentar. A irregularidade do contorno do campo vizual dos epilépticos não é, ainda, oriunda da impaciência do examinado, nem de cansaço. Em resposta a esta ultima hypothese, diremos que os sco- tomas são varias vezes descobertos no principio do exame peri- metrico, antes de qualquer fadiga do doente. Ainda mais, si as depressões do contorno perimetrico fos- sem dependentes de fadiga, nós deveríamos notar a lesão mais accentuada e frequente no segundo olho examinado que no primeiro. Estará antes, ligada a uma desigual excitabilidade dos di- versos elementos corticaes, e então estes que recebem a impressão luminosa desordenadamente reagem irregularmente, havendo no limite da funcção vizual uma zona indeterminada de pontos sen- síveis e de outros insensíveis. Certo, á base dessa alteração func- cional permanente, deve estar ligada uma imperfeição de estructura da superfície perceptora. 26 CAMPO VIZUAL E SENSIBILIDADE PSYCHICA O prof. Ottolenghi notou as modificações que soffrem os limites do campo vizual pelas condições psychicas do individuo examinado. As oscillações do estado psychico repercutem na extensão e no modo de distribuição da sensibilidade retiniana. Já Oppenheim et Thomson tinham observado que a dimi- nuição do campo vizual dependia directamente do maior abati- mento da consciência, e foram levados a considerar a diminuição da sensibilidade retiniana como um symptoma de funcção cortical alterada. Para demonstrar a extrema ligação existente entre as con- dicções psychicas e a sensibilidade retiniana bastará reproduzir os resultados obtidos por Moravosik, que viu modificar-se o campo vizual sob excitações sensoriaes, e, mais interessante, observou no estado hypnotico, sob a suggestão da dôr, estreitar-se o campo vizual, ao passo que se dilatava sob a suggestão da alegria. As observações levaram Ottolenghi a julgar demonstrado tal facto, não só pela extensão do campo vizual, como também, pela regularidade da peripheria que apresenta. A irregularidade na razão directa da excitação psychica. «8<-8» Estudos do dr. Chardinal Sobre o mesmo assumpto o Dr. J. Chardinal, distinctissimo oculista do Hospício Nacional de Alienados, elaborou um magni- fico trabalho que foi publicado na Revista Medica Cirúrgica do Brazil, do qual em traços geraes faremos um resumo, acompa- nhado das conclusões a que chegou. Fez seus estudos em epilépticos fóra dos paroxysmos, pro- cedeu insistentemente com relação aos exames de campo vizual, tendo sempre em vista a mesma intensidade luminosa. Diz elle: «embora tomadas todas as precauções, o campo vizual para as cores não poude ser obtido com a mesma preci- são quanto o do branco, o que é facil de ser previsto por todos aquelles que estão habituados a taes exames; todavia, as médias obtidas dão idéa desses campos vizuaes. Utilizou o perímetro do Dr. Landolt em sectores de 20.° em 20.°, examinou o campo vizual de 18 epilépticos (8 homens e 10 mulheres), nos quaes não havia lesão do fundo do olho, capaz de perturbar o resultado dos exames. O Dr. Chardinal, confirmando a ponderação do prof. Otto- lenghi, verificou que as médias dos campos vizuaes não se pres- tam ao estudo da angulação dos bordos, porque, já vimos, nem sempre são os mesmos sectores alterados, de modo a uns com- pensarem os outros e tornarem falso o resultado do campo vizual em média. Somente o estreitamento concêntrico e a ligeira angulação (pouco caracteristica) poderam constituir particularidade de nota na média do campo vizual que elle estabeleceu. 28 Quanto ao estudo de cada caso em particular, achamos mais prudente reproduzir as próprias palavras do prof. Chardinal: «o estudo de cada caso particular é muito mais instructivo, nelles se manifestam claramente os stygmatas tão bem observados por Ottolenghi. Num ponto sómente nossas observações divergem das deste auctor, é a que diz respeito á hemiopia heteronyma\ se- gundo nossa maneira de ver, os scotomas periphericos mais ou menos irregulares não podem ser considerados como hemiopia.» Encontrou elle nos casos estudados, a configuração dos cam- pos vizuaes, reproduzindo a fórma ovoide, cujo grande eixo era dirigido horizontalmente ou tangente. Com suas observações chegou ás seguintes conclusões: l.° o campo vizual nos epilépticos fóra dos paroxysmos é sempre diminuído; 2.° o campo vizual chromatico é muitas vezes diminuído, embora em menor proporção que o do branco. O campo vizual verde póde-se conservar normal. 3.° ha sempre intervenção parcial das côres, mas nunca completa. 4.° o limite do campo vizual para o branco, apresenta sempre ângulos mais ou menos pronunciados, e idêntico pheno- meno apparece no campo vizual chromatico; 5.° o campo vizual está sujeito a scotomas nos hemisphe- rios superior e inferior, mas não podem ser considerados como hemiopia. 6.° a percepção chromatica central é sempre normal, e quando não existe póde-se affirmar que ha achromatopsia total para essa côr. 7.° finalmente, sendo dado um campo vizual com os ca- racteres descriptos pela primeira vez pelo prof. Ottolenghi, não havendo nenhuma affecção ocular ou central que a explique, po- de-se affirmar que pertence a um degenerado. O Dr. Chardinal termina dizendo que suas observações confirmam a brilhante memória do prof. Ottolenghi. Observações Obs. I- (h) A. C. 30 annos-branco-brasileiro EPILEPSIA branco a 50-60-70-65-80-90 e b 90- 85 -85-80- 65 . 70- 60- 60- 60-55 1 45-40-50-65 azul a 35-60-70-70-80-80 e b 90-80-90-80-70 . 40 - 45 - 45 - 60 - 55 ' 50-50-40-40 0 D verm. a 40-60-55-60-90-90 e b 85-80-80-80- 65 .45-50-60-50- 55 1 50 - 60 -60 - 65 ' verde a 30 - 30 - 50 - 65 - 70 - 80 e b 75- 75 - 65-65-40 . 30-30-40-45-55 1 45 - 40 - 50 - 40 a 50-40-40-70-80-80 e b 80-80-85-85- 70 . 50-55-60-60-60 1 45-40-50-55 branco a 30-40-55-55 - 70-00 e b 00-85- 75- 75-65 . 40-50-50-50-45 ' 50-50-45-50 azul 0 E a 45-40-50-80-80-00 e b 85 -80-80-75 -45 . 35-45-45-40-40 ' 45-45-40-40 verm. verde a 35-40-40-40-50-65 p b 65 - 65 - 75 - 60- 55 . 30-30-30-30-30 1 30-40-40-40 Era doente completamente calmo e ha seis mezes não tinha accessos. O campo vizual apresenta os seguintes caracteres: No O. D. l.° O campo vizual do branco não apresenta es- treitamento, que existe, embora pequeno, no O. E. correspondendo ao quadrante supero-externo; 2.° a linha de contorno é em am- bos os olhos irregular; 3.° no O. D. os campos das côres estão cavalgados; mais accentuado entre o vermelho e o azul, e mais no hemispherio inferior. O do verde, sem estreitamento, acompanha o das outras côres. 4.° No O. E. o estreitamento que no Campo vizual do branco occupava o quadrante supero-externo, também o faz com relação ao azul; no segmento interno a ordem das côres é mais ou menos normal, o que, entretanto, não acontece 30 no quadrante infero-externo. 5.° As linhas limitrophes dos campos vizuaes corados, em ambos os olhos, não apresentam scotomas periphericos apreciáveis. Comparativamente, o campo vizual do olho esquerdo apre- senta menos perturbações. Obs. II-D. W. S. (h; 21 annos-pardo-brasileiro EPILEPSIA branco a 45-50-60-70-85-90 e - b 85-85 -00-85 - 70 . 60 - 60 - 70 - 60-55 1 55-40-40-45 azul a 25-55- 75-85 -00-00 e -* --- ií 85-85-90-80-60 . 30-25-35 -40-50 1 45-50-40-40 0 D verm. a 35- 50-50-75-00-85 e b 85 -00-75- 60-50 . 15-30-20-25-25 1 25-25-40-25 verde a 15 -20- 50-45 - 60- 80 e b 70- 70- 70- 70-20 .45-35-25 -30-30 1 50- 50-40-60 a 45-40-45-60-80-00 e -*- b 85-00-80 - 80-75 . 50- 60-70- 70- 70 1 65-55-45-50 branco a 30- 30- 35 - 50- 55 - 65 e a 60 - 40 - 65 - 75 - 55 .45-40-40-40-45 1 40 - 55 - 50 - 50 azul 0 E a 20-20-20-40-65-65 e *--- b 70- 60- 55 - 60- 50 . 20-30-35-30-25 1 30-40-35-25 verm. a 15-20-40-25- 50-30 e b 60-50-35 -50-20 .45 -45-35 -45 - 35 1 45-20- 15- 10 verde E' doente calmo. Seu campo vizual apresenta: l.° No O. D. o campo do branco pouco estreitado sómente nos quadrantes supero-externo e infero-interno; a linha de con- torno é regular. No O. E. estreitamento no quadrante infero-interno e ainda maior no supero-externo; linha de contorno também regular. 2.° Campo vizual das côres do O. D. limitados por linhas irregulares, entrecruzadas no segmento nazal. No segmento tem- poral D o campo do azul apresenta maiores dimensões. 31 O campo do vermelho, estreitado, principalmente no seg- mento nazal, onde apresenta dois scotornas principaes, um no raio 20° e outro no 160°. No segmento temporal, para a mesma cor, outro scotoma correspondendo ao raio 90°. O campo do verde limitado por uma linha irregular, principalmente no segmento nazal; um scotoma no raio 180° e outro no hemispherio superior, entre os raios 40." do segmento temporal e o correspondente do se- gmento nazal. 3.° Campo vizual das côres no O. E. Estreitados e cavalgam-se; o do azul menos irregular apresenta um scotoma cor- respondente ao raio 120° do segmento temporal, o do vermelho com um scotoma no raio 160° do segmento nazal, o do verde mais irregular apresenta 3 grandes scotornas: no raio 90°, outro no raio 60° do segmento temporal, um no raio 160° do segmento nasal. Obs. III-J. L. S. (h) branco-23 annos-solteiro- brasileiro EPILEPSIA a 25 - 35 - 35 - 35 - 65 - 75 e b 75 -80- 75 - 75 - 55 . 30-30-35^35-40 1 40-45-25-45 branco a 30-35-35-50 - 65 - 75 e - b 75 - 75 -80-65-60 . 20-35-35-35^35 ' 40-45-40-45 0 D azul a 25-40- 35- 50- 55-70 e b 75 - 75 - 75 - 55 - 30 . 35-30-25-20-20 1 25 - 25 - 30 - 25 verm. verde a 20-20-20-25-45-45 e b 35 - 30 - 40 - 30 - 45 . 15-15- 10- 15-15 1 15-20-20-20 branco a 30-20-20-45-45- 50 e b 80-35-50 -50-55 . 30-45-45-45-40 ' 40 - 40 - 35 - 35 ' azul a 30-35-40- 60- 65-65 e b 80- 70 -75- 65 - 50 . 40-45-45-45-45 1 40-40-30-35 0 E venn. a 25-25-50-55-60-65 e - --- b 65-55-45-35-55 . 30-45-35-35-40 1 30-25-30-25 verde _ a 20- 15-25-20-25-35 e b .40 - 30 - 30 - 25 - 25 . 15-20-25-20-20 1 20-20-20-20 32 Este campo vizual mostra: l.° Campo do branco: estreitamento notável em ambos os olhos, sendo mais accentuado nos quadrantes supero-externo e in- fero-interno. A linha que os circumscreve é quebrada e irregular, apre- senta scotomas periphericos dos quaes os mais notáveis são situados: no O D. um correspondendo ao raio 140.° do segmento nazal; no O. E um no raio 120.° do segmento temporal e outro entre os raios 0° e 60.°. Campo vizual das cores. No O. D. o do vermelho e do azul se confundem entre si e com o do branco em todo segmento temporal; no segmento nazal o do vermelho muito estreitado e o do azul cavalgando sobre o do branco; o do verde é circmns- cripto por uma linha irregular. No O. E. o do verde, muito estreitado é circumscripto por uma linha regular; o do azul cavalga sobre o do branco em todo o circulo, excepto no quadrante infero-externo onde pelo scotoma que apresenta o branco, elle ultrapassa; o do vermelho irregular e estreitado. Obs. IV-A. J. S. (h) pardo-20 annos-solteiro-brasileiro EPILEPSIA branco a 45-45-55-55-70-70 e b 65- 70- 70- 65-55 . 45 - 50 - 50 - 50 - 45 ' 40.-25-30-25 a 35-35-40-40-45-60 e - B 60-40-55-60-50 . 30-25-25-25 -25 ' 35-35-40-40 0 D azul a 25-35-35-45-45-70 e b 60-65-60-60-25 ■ 20 - 25 - 20 - 25 - 30 ' 25-20-30-25 yerm. achromatopsia para o verde a 40 - 40 - 50 - 55 - 65 - 65 e b 45-55-65-60-65 . 40-50-45- 55 - 50 1 45-40-35 - 65 branco a 35-30-40-50-50-55 e b 50-40-60-60-55 . 35-40-35-45 -45 ' 40-40-30-45 0 E azul a 30-30-30-35-40-40 e - b 35-45-40-40-35 . 30-30-35-30- 30 ' 30-25-35-20 venn. achromatopsia para o verde. 33 Este campo vizual apresenta: no O D. o campo do bran- co é estreitado, excepto no quadrante supero-interno; mais estrei- tado no quadrante infero-interno; circumscripto por uma linha que- brada, apresenta scotomas correspondentes aos raios 120.° e 160.° do quadrante infero-interno. No O. E o campo do branco também é estreitado, irre- gular, com scotomas nos raios 100.° do quadrante infero-externo e no raio 140° do quadrante infero-interno. Campo vizual das cores. No O D. o do vermelho e o do azul estreitados e circumscriptos por linhas irregulares que se cru- zam em quasi todo o circulo. No do azul ha um scotoma no quadrante infero-externo correspondendo ao raio 120.°. Não distingue o verde. No O. E. o do vermelho mais estreito que o do azul com um scotoma no raio 160.° do quadrante infero-interno; o do azul acompanha o do branco em suas irregularidades e apresenta pe- quenos scotomas periphericos. Não distingue o verde Obs. V.-J. A. (h) branco 39 annos -hespanhol EPILEPSIA branco a 35 - 55- 65 - 55 - 55 - 55 e b 80-80-80-75-70 . 40 - 50 - 50 - 45- 45 1 40-40-30-30 ' a 30-40-45-60-70-70 e b 70-70-65-65-40 azul . 30-30-30-35-35 1 30-35-35-35 0 D a 20-45-50-50-60-60 e b 60-60-40-45-40 . 20-25-30-25-25 1 30-30-35 - 35 verm. a 10-10-10-10-15-15 e b 15- 15 - 20-25 -20 . 25-20-20- 15- 15 1 15-15-15-10 " verde branco a 35-25-20-25-25-25 e b 65 -55-75 - 75-55 .45 - 45 - 50 - 55 - 55 ' 60-50-50-55 azul a 10-20-25-25-40-55 e B 35-50-40-45-40 . 30-40-50-45-45 1 55-45-40-45 0 E vem. a 20-25 -30-30- 35-45 e b 35 -30-35 -40-45 . 20-30-40-35-30 1 30 - 30-35-35 verde a 10-25-30-40-35-45 e b 45 -40-20-25- 30 . 30-20-30-30-25 ' 25 - 20 - 30 - 25 34 Apresenta de notável: 1° No O. D. o campo do branco estreitado, menos notável entretanto, nos quadrantes supero-interno e infero-externo; circumscripto por uma linha irregular. 2.° Campo vizual das côres: todos estreitados; o do vermelho cruza o do azul em vários pontos do segmento nazal: apparecem em ordem no quadrante infero-externo. O do verde apparece mais irregular nos quadrantes supero-externo e infero-interno. No O. E. O campo do branco muito estreitado, mórmente, no quadrante supero-externo; limita-o uma linha sinuosa que apre- senta um scotoma no raio 90.° do segmento nazal. O campo vizual das côres se nos apresenta diminuído, principalmente o do vermelho; este com todos os outros se entre- cruzam no quadrante supero-interno; o do azul que é bastante irregular apresenta dois scotomas, um no raio 100 do quadrante infero-interno, outro no raio O° (zero); o do verde, muito sinuoso, estreitado, apresenta vários scotomas, dos quaes um é idêntico ao que notamos na cor azul, correspondendo ao zéro. Obs. VI-P. R. C. (h) - preto - 33 a unos-casado - brasileiro trabalhador. Epiléptico impulsivo. - De uma só vez, ar- mado de facão, feriu 11 pessoas e matou 5. a 30-40-45-65- 80-75 e b 80- 75 -90- 75- 65 . 40 - 45 - 50 - 55 - 45 ' 40-35-60-45 branco a 35-35-55-55-75-80 e b 80-80-80-65-60 . 40-35-45-40 - 45 1 50-50-45-50 0 D azul a 25 - 40 - 50 - 55 - 80 - 80_ C b 80-75-70-65-35 . 30-35-30-30 -45 ' 45-35 -30- 30 venn. não conhece o verde a 25 - 30 - 35 - 45 - 55 - 55 p . b 80-75-85-85- 50 . 35-45-55 - 55 - 50 1 45.45.50-45 branco^ a 25 -25-40-50-55-55 e -♦ b 75-00-80-80-55 . 40 - 45 - 50 - 55 - 50 1 50- 35- 50- 50 azul 0 E a 25-25-40-45-55-00 p - ii 80-00-75-80-45 20 - 40 - 45 - 40 - 40 1 40 - 40 - 35 - 40 vcnn. • não conhece o verde. 35 E' um preto de constituição forte, bastante musculoso, genio submisso quando calmo; em um só impulso epiléptico, a facão, feriu 11 pessoas e matou 5 outras, sendo de notável que narra com todas as minuciosidades a tragédia de que foi protagonista. O campo vizual para o branco no O D: um pouco es- treitado e circumscripto por uma linha sinuosa. Campo vizual das côres: O do vermelho, o do azul e o do branco completamente cavalgados; sómente no quadrante in- fero-interno o vermelho apparece um pouco mais estreitado. Não distingue a côr verde. No O E. o campo vizual do branco é estreitado, princi- palmente no quadrante supero-externo; nos quadrantes infero-ex- terno e supero-interno attinge, entretanto, ás dimensões normaes. O campo vizual do vermelho e do azul, como no O D caval- gam-se em todo o circulo e são limitados por uma linha sinuosa. Não distingue o verde. Obs. VII-(m) M. S. -19 annos-solteira-alletnã EPILEPSIA a 40-50-40-60-55-70 e b 50-60-65-50-55 . 50-35-40- 55-50 1 35-50-50-55 branco a 30 - 30 - 40 - 50 - 55 - 60 e b 75-75- 70-60- 55 . 45-40-40-40-45 50 - 45 - 45 - 50 azul 0 D a 25-30-40- 55 - 50-65 e b 65 - 75 - 70- 70- 50 . 30-40- 40-35^40 35-40-40 -45 verm. verde a 20-30- 15-40- 45-50 e b 50-60-45-55-30 . 40 - 35 -40-45-15 ' 40-35-20-4(F a 30-40-30-40-45-40 C b 60-30- 55- 50- 70 . 30.40 - 40.45.5Q 1 50-50-50-50 branco a 30-45 -40-40-45-50 e b 60-65 - 55 -60- 55 . 35-35-40-45-45 1 50-40- 50 - 50 azul 0 E a 40-45-45-40-45-55 e - b 55 -50-60- 55 - 55 . 35 ■ 40.40.40 _ 35 1 45 - 40 - 50 - 55 verm. a 40-35 -30-40-45 -35 e b 55-40-45-40-40 . 30 - 35 - 30 - 40 - 35 1 40- 50-45-45 verde O exame do campo vizual do O D. nos mostra: 1° es- treitamento, relativamente mais pronunciado no segmento temporal. 36 2.° A linha-limite é muito sinuosa, o que demonstra grande numero de scotomas periphericos; apparecem dois scotomas syme- tricamente collocados na passagem do hemispherio superior para o hemispherio inferior. O campo vizual das côres apresenta: l.° o do azul acompanha o do branco, entrecruzando e seguindo suas sinuosidades; 2.° o do vermelho confunde-se com os outros, seguindo suas irregularidades. 3.° O campo vizual do verde apresenta-se com vários sco- tomas principalmente na passagem do segmento temporal para o nazal, tanto superior como inferiormente, como também na pas- sagem do hemispherio superior para o inferior do lado interno. O campo vizual do branco no O E offerece de notável: estreitado mais do que o do O. D. limitado por uma linha sinuosa, principalmente no quadrante infero-externo, correspondendo ao raio 120.° onde existe um scotoma. Quanto aos campos vizuaes das côres, diremos que o do azul, como o do vermelho e do verde se confundem e que são bastante irregulares suas linhas-limites. Obs. VIII (h) 7?./. V 50 annos-preto- casado-brasileiro. EPILEPSIA-criminoso incendiario. branco a 25 - 30 - 40 - 55 - 60 - 45 e b 75 - 50 - 75 - 70 50 . 20-25-30- 25-25 J 20-15 - 25 - 25 azul a 30 - 35 - 40 - 60 -65 - 50 e b 60 - 60 70 - 70 - 60 . 25 - 25 - 35 - 25 - 25 1 25 -20 - 25 -30 0 D vem. a 25 - 35 • 40 ■ 50 - 70 - 60 " e b 50 - 75 - 70 - 70 - 60 . 25 - 25 - 25 - 25 - 30 ' 25-20-25-30 verde ■ a 20 20 30-55 • 70 - 60 e b 55 - 70 - 40 - 60 - 55 . 20- 15-20-25-25 1 20-20-25-30 branco a 15-25-30- 35- 50-70 e « 40 - 30 • 30 ■ 30 • 35 . 15 - 20 - 20 - 25 - 40 ' 30 - 35 ■ 40 - 30 ~ azul a 20 35 - 40 - 45 - 50 70 ® B 40- 40 ■ 40 ■ 30 35 . 25 - 25 - 30 - 30-50 1 30 - 35 - 30 -40 ' 0 E a 20 - 30 - 30 - 35 - 60 - 00 e b 35 - 30 - 35 - 30 - 30 . 25 - 25 - 30 - 30 - 30 ' 25 - 35 -30-35 vem. a 15 - 25 * 30 • 35 - 50 - 60 e , b 35 - 25 - 30 - 30 ■ 35 . 20 - 25 - 20 - 30 - 30 ' 25 - 35 - 35 - 35 verde < 37 O exame do campo vizual do O D. nos demonstra: l.° estreitamento muito grande, a ponto de podermos considerar uma hemiopia vertical interna : o contorno muito sinuoso offerece gran- des scotomas principaes no segmento temporal. O campo vizual das côres: 1/ todos elles se confundindo com o do branco, cavalgam-se em todo o circulo de modo a estender a hemiopia já citada ás demais côres. O campo vizual do O E é muitíssimo estreitado, apresen- ta-se limitado por uma linha irregular. Sobre esta e entre si se confundem os campos vizuaes do verde, do azul e do vermelho em toda a extensão. Obs. IX- (m) F. B. O. 45 annos-cabocla-solteira-brasileira. EPILEPSIA branco a 60 - 50 - 60 - 55 - 50 - 70 . 25-35- 25 -45- 50 e । - b 50 - 65 - 40 - 35 - 45 40 - 30 - 35 - 35 azul a 45-45-40-65- 70- 80 . 40 - 45 - 40 - 45 - 55 e - - । b 80 - 75 - 55 - 75 - 55 50 - 50 - 45 - 45 0 D verin. a 50 - 40 - 55 - 55 - 70 - 80 . 30-45-40-35-35 e i b 75 - 65 - 70 - 65 - 55 40 - 35 - 40 - 40 verde a 30-40-40-40- 55- 65 . 40 - 20 - 30 - 25 - 35 e b 45 - 30 - 50 - 55 - 50 ' 25 - 35 - 30 - 40 branco a 45 -45 -30-20-40- 35 . 30 - 35 - 35 - 35 - 35 e i b 45 - 35 - 35 - 50 - 40 35 - 30 - 35 - 30 azul a 30 - 40 - 45 - 45 - 50 - 60 .50- 50 -45 - 50- 50 e i b 65 - 80 - 65 - 70 - 65 40 - 40 - 50 - 35 0 E vem. a 40 - 45 - 35 - 45 - 50 - 55 . 35 -35 -45 -45 -30 e - i b 90 - 80 - 65 - 65 - 55 30 - 30 - 40 - 40 verde a 30 - 20 - 35 - 35 - 50 - 40 . 30-35-40-40-25 e B 45 -55 - 50 - 55 - 45 1 30 ~35^40 - 25 O campo vizual do branco nos indica: l.° estreitamento; 2.° é limitado por uma linha sinuosa, com grandes scotomas, principalmente, no segmento temporal. Notamos outros na passagem do segmento temporal para o nazal, superior ou inferiormente, assim como na passagem do hemispherio superior para o inferior, interna e externamente. 38 O campo vizual do azul, relativamente pouco estreitado é irregular e maior que o do branco. O campo vizual do vermelho acompanha as sinuosidades dos precedentes, excepto no quadrante infero-externo, onde é regular. O campo vizual do verde com grandes scotomas em todo o circulo. No olho esquerdo o campo vizual do branco é muito estreitado, principalmente no segmento externo; a linha que o limita bastante sinuosa, traduzindo scotomas periphericos, dos quaes os maiores se acham no segmento temporal correspondendo aos raios*60.° e 90.°. Os campos vizuaes das côres também estreitados; o do azul e o do vermelho cavalgam-se em quasi todo o circulo; têm sinuosas as linhas-limites. O campo vizual do azul é mais estreito no quadrante supero-externo e apresenta scotoma no raio zéro. O campo vizual do verde irregular, pouco estreitado, apre- senta dois scotomas: um no raio 20." do segmento temporal, outro no raio 160.° do segmento nazal. Cumpre notar que no mesmo raio 160.° do segmento nazal existe um scotoma para as outras côres. Obs. X-(m) - M. L. A.-branca 39 annos brasileira solteira EPILEPSIA a 35 - 25 - 45 - 40 - 75 - 75 e b 55-65-60-40- 40 . 35 -35-30-50- 50 1 35 - 30 - 35 - 40 ~ branco a 30 - 40 - 55 - 35 - 75 - 85 e - - --- b 65 - 65 - 70 - 60 - 55 . 30-40-50-40-45 1 45-40-45-40 0 D azul a 30 - 35 - 45 - 40 - 65 - 75 e -- b 75 - 65 - 55 - 60 - 50 . 25-40-40-45-40 1 40 - 35 -50 - 45 verm. verde a 25 - 40 - 45 - 40 - 55 - 70 e • - b 60 - 75 - 65 - 60 - 45 . 30-35-45-40-50 1 30 - 30 - 35 - 35 branco a 40 - 30 - 40 - 35 - 55 - 70 c b 40 - 45 - 45 - 50 - 35 . 20 - 35 - 25 - 35 - 35 1 30-35-35-40 a 40 - 45 - 40 - 55 - 65 - 70 e r-- b 60 - 50 - 45 - 50 - 45 . 35-40-40-35-35 '45-40-35-45 0 E 02111 a 35 - 30 - 40 - 50 - 55 - 65 e --- b 60 - 50 - 40 - 40 - 35 . 30-40-35-35-30 1 40-40-35-40 vem. verde a 30-25-25-40- 50-60 c -_ b 50 - 50 - 50 - 45 - 40 : 30 - 25 - 35 - 35 - 30 1 45-30-35-35 39 O exame do campo vizual do branco no O D nos deixou patente: 1." o estreitamento em toda a extensão; 2.° irregularidade na linha-limite, apresentando os principaes scotomas nos raios 20.°, 60.° e 100.° do segmento temporal no raio 60.° do segmento nazal. Quanto ás côres: diremos que todas entre si se confun- dindo, e, caprichosamente entrelaçadas, apresentam um scotoma sensível no raio 60.° do segmento temporal. No O. E. o campo vizual do branco apresenta-se 1° es- treitado, muito mais que o do O. D; offerece vários scotomas no hemispherio superior. Os campos vizuaes das côres se entrecruzam, cavalgando- se reciprocamente todas no rfiesmo grau de extensão. Comparativamente, o campo vizual esquerdo é menor do que o direito, embora apresentem ambos a mesma superposição bizarra de todas as linhas-limites dos campos vizuaes das côres. Obs. XI A. J. -preto -29 armos -casado - brasileiro EPILEPSIA branco a 25 - 25 - 30 - 50 - 75 - 90 e [ B 85- 80-60- 65 -40 . 25 - 33 - 40 - 20 - 35 1 30-20-20-45 azul a 30 - 50 - 45 - 65 - 85 - 80 e ; b 90 - 80 - 75 - 65 - 55 . 35-35-40-40-45 1 35 - 30 - 20-45 0 D a 30 - 35 - 45 - 55 - 85 - 70 e b 80 - 60 - 55 - 65 - 50 . 25-30-30- 30-25 1 35 -30 - 30 - 45 verm. a 25 ■ 30 - 40 - 50 - 80 - 85 e b 60 - 55 - 65 - 60 - 40 . 25-30-30-15-25 ' 30 - 25 - 30 - 35 verde branco a 15- 10- 15-35-20-25 e - - b 30 - 45 - 20 - 20 - 30 . 15-20-25-40-35 ' 25-25-20-25 azul a 30- 15-30-35- 65- 70 e -- b 75 - 70 - 70 - 80 - 50 . 20-30-35-35-35 1 30-35-30-40 0E( verm. a 15- 15-25 -30- 60- 70 e - B 75 - 70 - 75 - 65 - 60 . 25-20-20-25-25 1 30-35-25-50 verde a 20 - 30 - 20 - 45 - 50 - 75 e b 80 - 75 - 60 - 65 - 40 . 20-15-35-30-25 1 20- 25 - 25 - 20 (') O exame deste olho foi feito 5 horas depois de 2 ataques fortes. 40 Esta observação tem grande importância porque foi tirada no periodo inter-paroxystico, 5 horas depois de dois ataques quasi seguidos. O campo vizual do branco no O. D: l.° estreitamento, mais pronunciado no hemispherio superior e mais no segmento nazal; 2.° linha sinuosa, com um scotoma no raio 90.° e outro no raio 140.° do segmento nazal. Os campos vizuaes corados seguem perfeitamente o cam- po vizual do branco, em suas irregularidades e scotomas. O campo vizual do verde não está estreitado.. No O. E. o campo vizual do branco muitíssimo estreitado, apre- zenta grandes scotomas no segmento temporal. Está mais estreitado no hemispherio superior onde oscilla seu máximo entre 15.° e 30.°. Os campos vizuaes corados si de um lado se confundem entre si e com o do branco, no quadrante infero-externo, achan- do-se mais estreitada a linha do campo vizual do branco, sómen- te as 3 côres, cavalgando-se, confundem-se entre 70.° e 80.° em média. Comparando, vemos o campo vizual esquerdo menor do que o campo vizual direito, mas apresentam mais ou menos as mesmas sinuosidades e entrecruzamentos. Obs. XII V. P.- ^) branco 28 annos-brasileiro-casado EPILEPSIA. a 30-40-45-60- 80-75 e b 80- 75- 65 - 60-45 . 35-40-35 -40 -40 1 45 -40 -45 - 50 branco a 25 -40 - 50- 55- 75 - 75 e b 50-55-65-55- 50 . 25 - 25 - 20 - 20 - 25 1 25-40-35-45 azul 0 D a 20-25-40-60-75-65 e b 70-65- 60-65-55 . 10-25-25-25 - 25 1 30-30-40-35 vem. não distingue o verde a 25 - 30 - 25 - 40 - 25 - 35 e - B 55 - 55 -45 -00-35 . 33 - 40 - 40 - 40 - 40 35 - 35 - 40 - 30 brancoí a 30-25-30-45-40-40 e - b 50-45-40- 55 -45 . 35 -35 -40-35 -45 ' 40-40-45-50 azul 0 E a 15-20-20-35-45- 55 e b 50 - 45 - 35- 55-40" . 20-25-35^30^25 1 30-35-40-35 vem. não distingue o verde. 41 O Campo vizual do branco no O. D. l.° Estreitado con- centricamente; 2.° a linha limitante não é muito sinuosa. Campos vizuaes corados: as limitantes dos campos vizuaes do azul e do vermelho sobrepõem-se á da côr branca; são um pouco mais sinuosas e a do azul offerece um scotoma no raio 100? do segmento temporal e a do vermelho um no raio 20.° do segmento nazal. O doente não distingue o verde. Campo vizual do branco no O E: 1? estreitado em toda a extensão; 2.° limitado por uma linha irregular, apresenta vários scotomas grandes, entre os quaes citaremos um no raio 80.° do segmento temporal e outro no raio 180.°. No segmento nazal a linha é mais regular. Os campos vizuaes corados cavalgando sobre o da côr branca, seguem sua irregularidade. Não conhece o verde. Comparados, o campo vizual esquer- do é menor que o direito, mas em ambos ha as mesmas per- turbações. Obs. XIII-J. B. A. (h)~ branco - 30 annos-solteiro brasileiro EPILEPSIA. a 10-10-15-15-30-65 e - b 30-30-20-25-35 . 10-15-15-30-25 1 25-25- 10-25 branco a 15 - 15 -20-25 - 55 - 60 e b 50-40-50-40-30 . 15-20-15-15-20 1 30-20-20-25 azul 0 D a 10- 15-30-35-40- 75 e b 65-65-50-50-45 . 15-15-15-25-30 1 30-30-30-40 venn. a 10-20-20-25-45-60 e B 45-50-45 -35 - 30 . 10-15-15-20-20 ' 20-25-20-20 verde branco a 10-10-20-15-35-50 e B 30-45-40-40-30 . 5-10-10-10-15 ' 15-10-25-25 azul a 15-30-25-30-55-70 e b 75-70 -65-50-45 . 25- 15 - 30- 35-40 ' 25 - 30 - 30 - 45 0 E venn. a 20-15-10-10-45-65 e b 60 -60-50- 55-45 . 15-10-15-20-20 ' 20-25-25-30 a 10-10-15-10-40-60 e b 60- 50- 50-45- 35 . 15- 15-25-20-25 ' 20-20-25-25 verde 42 O Campo vizual do branco no O. D. apresenta l.° estreita- mento notável, mórmente no hemispherio superior, que nos leva mesmo a considerarmos uma hemiopia horizontal superior 2.°, o campo limitado por uma linha bastante sinuosa. Os campos vizuaes para as cores apresentam-se estreitados e todas as linhas-limites cavalgam, confundindo-se. O maior campo é o do azul e o menor é o do branco. Todos elles são limitados por linhas irrègulares. No O. E. Grande estreitamento, muito mais notável no he- mispherio superior que nos conduz a pensarmos em uma hemiopia horizontal superior (é quanto ao branco.) A linha de contorno é sinuosa, denunciando scotomas periphericos, dos quaes o maior está no raio 100.° do segmento temporal Os campos vizuaes corados se nos mostram l.° estreitados, cavalgando-se em toda extensão, limitados por linhas tortuosas. Delles: o do azul apresenta scotomas mais sensíveis, principalmente os dos raios 20.° e 50.° do segmento nazal e o do raio zero. Comparando, vemos serem os campos vizuaes mais ou menos semelhantes. Obs. XIV - R T - pardo - 45 atinos - brasileiro - casado EPILEPSIA branco a 25 -20- 35 - 50-60 - 70 e -• b 75 - 70- 65 -45 - 50 . 25-35-30-30-45 1 40-35-30-20 azul a 25-40-40- 50- 50- 70 e - b 70-65-65-50-40 . 15-25 -25 -30-30 1 30- 35-35-45 0 D verm. a 35 -40-40- 50-60-65 e - b 60- 55 - 50 - 50 -55 . 20-15-10-15-20 1 20-30-30 -30 a 20 - 20 - 30 - 35 - 55 - 20 e - b 65 - 50- 60-40-40 . 15-15-20-20-20 1 20-20-25-30 verde branco a 30-25 -20-25- 50- 55 |e is 50-55- 55 -55-40 . 40 -40 -40 -40^40 ' 35-30-30-40 azul [ a 25 - 30 - 25 - 30 - 50 - 55 |E b 55- 55 - 50- 50-40 . 30-35-40- 30-35 ' 40 - 35 - 30 - 30 0 E verm. | a 35 - 20 - 25 - 30 - 50 - 50 r .B 55 -55 -00 - 50- 40 . 35-35- 35-35-40 1 30-30-35-35 verde a 20-20-20-25-35-35 e B 50-55-50-40-35 . 25 - 35 - 30^25 -25_ 1 25-25 - 25 - 30 43 No O. D. o campo vizual para o branco estreitado, tem como contorno uma linha sinuosa e apresenta o maior scotoma no raio 160." do segmento nazal. Quanto ás côres: todos os seus campos vizuaes estreitados, apparecem limitados por linhas sinuosas, e todos cavalgam-se, con- fundindo seus limites. O campo vizual do verde apresenta um forte scotoma no raio 90.° do segmento temporal. No O. E. Podemos dizer que os campos vizuaes de todas as côres, inclusive o do branco, são limitados por linhas que se sobrepõem em toda extensão. Todos estreitados e com contornos irregulares. Obs. X V - R. M. - 22 annos - branco - brasileiro solteiro EPILEPSIA a 15 - 20 - 40 - 55 - 50 - 80 . 20-20-30-40-30 e i b 75 - 55 - 50 - 60 - 25 30 - 20 - 30 - 20 branco a 35 - 40 ■ 55 - 65 - 70 - 85 . 35-30-35-35-40 p 1 - - b 60 - 60 - 55 - 60 - 40 35 - 40 - 40- 25 azul 0 D a 20-35-40-50- 70-80 . 20 - 25 - 25 - 30 - 25 p I b 45 - 50 - 55 - 50 - 35 20 - 25 - 30 ■ 25 verm. a 30 - 30 - 30 - 55 - 75 - 80 . 25 - 30 - 30 - 20 - 25 p 1 b 55 - 55 - 45 - 55 - 25 30 - 25 - 35 - 25 verde a 20 - 30 - 35 - 30 - 35 - 50 . 25-35-35-35-45 e -- 1 b 55 - 40 - 35 - 35 - 25 35 - 30 - 35 - 35 branco a 30 - 40 - 35 - 35 - 45 - 65 . 35-40-45-45-45 p 1 is 70 - 60 - 45 - 65 - 40 35 - 35 - 45 - 45 azul 0 E verm. a 30 - 20 - 20 - 35 - 45 - 55 . 25-35-35-30-35 e - । b 65 - 50 - 40 - 45 - 35 35 - 30 - 35 - 35 verde a 25 - 25 - 25 - 30 - 45 - 55 . 35 - 35 - 40 - 40 - 30 e -- - i - b65-55-45-45-35 25-30-35-30 Campo vizual do branco no olho direito bastante estrei- tado, principalmente no segmento nazal; circurnscripto por uma 44 linha irregular, quebrada, indicando scotomas periphericos mais accentuados no quadrante infero-interno. Campos vizuaes das côres apresentam: o do azul é menos estreitado, limitado por uma linha mais ou menos regular; o do vermelho confunde-se com o do branco e do verde, entrecruzando- se em vários pontos; todos elles denotam scotomas periphericos mais frisantes no segmento interno e deste no quadrante inferior. O campo vizual do verde é o menos estreitado. O campo vizual do branco no olho esquerdo apresenta-se: muito estreitado, circumscripto por uma linha regular; o campo vizual das côres offerece: o do azul mais largo, sómente irregular no quadrante infero-externo. O campo vizual do vermelho e o do verde, embora inverti- dos e cavalgados entre si, não apresentam scotomas sensíveis. Obs. XVI - P. A. - 45 annos - brasileiro - casado - branco EPILEPSIA a 25 - 40 - 20 ■ 45 - 25 - 80 .50-35-20-20-25 e । 6 60 - 40 ■ 55 - 60 - 35 30 - 25 - 35 - 40 branco a 20 ■ 10 - 25 - 35 - 40 - 75 . 30 - 20 - 25 - 25 - 30 p I b 75 - 45 - 60 - 50 - 40 30 - 30 - 35 - 45 azul 0 D a 10-20 20- 30-40-40 . 20-20- 15-15- 15 C b45 ■ 25 • 15 • 50 • 30 " '35-25- 15-30 vem. a 15 ■ 15 30 45 - 35 - 45 . 15-20- 15-20-20 C b 60 ■ 45 -35 - 35 • 35 ' 20 - 20 "25 - 30 verde branco a 15^15 20_ 10-20-30 . 15-30-25-40-45 ° u 50 - 45 • Í 5 - 15 - 15 ' 20-20-25^20" azul a 15 _ 20 20 -25-45 - 50 .25-35-45-35-45 C b 6Õ -50 ■ 50 40-40 ' 35 - 35 - 25 - 35 0 E vem. a 15 10 15-25-30- 50 .25-35-35- 35-35 e .. ■ b 45 - 40 40 ■ 25 - 40 30 - 25 - 20 - 35 verde a 15- 15-15-20-45-40 . 20-20-20-20- 15 c - 1 b 45 ■ 35 - 30 - 35 - 30 25 - 30 - 25 - 30 45 Apresenta no campo vizual do olho direito o seguinte: 1." o do branco muito estreitado e irregular, com fortes scotomas no segmento temporal a 80." 40.° e 120.". Os campos vizuaes das cores: todas cavalgam-se entre si, e têm linhas-limites bastante irregulares, estreitadas. Ao campo vizual do olho esquerdo não nos referimos, porque offerecem ao exame ophtalmoscopico caracteres de uma atrophia do nervo optico, embora em inicio. Obs. XV// - A. M. - /7 annos - pardo - brasileiro EPILEPSIA branco a 30 - 30 - 35 - 55 - 65 - 70 .45 -35 -45 - 50 - 50 C b 65- 50-45-65-60 1 45-45-45-50 azul a 35-40-45-40-60-65 . 40-35-45-50 - 45 e - i b 60-70 - 70- 70-65 50-45-40- 55 0 D verm. a 30-40-40-60- 75-65 .30-30-35-40 - 40 e i b 65-75 - 70- 70- 60 45 -35 -40-45 não conhece o verde a 40-30-45-60-65- 75 . 45 - 45 - 45 - 50 - 45 e - - i b 70-75- 80- 70- 65 45 -45 -45 -45 branco a 40-50- 60- 60- 65 - 85 . 45 -40 - 35- 50 - 50 e - i b 75-75-75-70-65 50-50-50-55 azul 0 E a 40-55 -55- 65- 70-80 . 35 - 30-45- 35- 45 e -:- 1 b 80-70-70-70-60 45- 40 - 50 - 45 verm. não conhece o verde. Apresenta o campo vizual do branco do olho direito: 1° pequeno estreitamento, mas circumscripto por linha quasi regular. O do vermelho e o do azul entrecruzando-se entre si, e o do branco acompanha este até em suas irregularidades, embora quasi sem estreitamento. 46 O campo vizual do branco no olho esquerdo é pouco estreitado, regular, excepto no quadrante supero-externo que apre- senta um scotoma a 20.°. Os campos vizuaes do vermelho e do azul, sobrepostos ao do branco, entrecruzam-se em alguns pontos ; são pouco estreitados. Não conhece o verde. Obs. XVIII 714. G. N. ~ branco -35 annos-brasileiro casado EPILEPSIA a 35 -35 -40-45 - 55 - 60 . 35 - 35 - 40 - 45 - 50 e - i b 60 - 60 - 65 - 40 - 35 40 - 35 - 30 - 30 branco a 30-35 -45 - 55- 60 - 70 . 35 -45-40-45 -45 e i b 65 -60-60-40- 35 45 - 45 - 45 - 40 azul 0 D a 35 - 40 - 50 - 55 - 55 - 60 .35-35-40-40-45 e ----- - b 60-60- 65 - 50-40 45-35-35 -40 venn. verde a 35 - 35-45- 50- 55 - 60 . 35 - 35 - 30 - 30 - 30 e b 60-60- 70-45 -35 30- 35 -35-35 a 40-40 - 50- 50- 55- 60 .35 - 35-35-45- 55 e i b 65 - 70 - 75 - 50 - 50 45 - 40 - 35 - 40 branco ■ a 40-35 -40-45-60- 70 . 35 -35-40-40-45 e ] B 64 - 60 - 60 - 50 - 50 45 - 40 - 40 - 45 azul 0 E venn. a 35-35-40-45 -60- 70 . 40 - 45 - 45 - 50 - 55 c i b 65 - 65 - 65 - 55 - 50 50 - 45 - 40 - 45 verde a 35 - 35 - 45 - 45 - 50 - 55 .35-40- 35- 30- 30 e - --------■--- i b 55- 55 -60-45-40 30 - 35 - 35 - 35 Campo vizual do branco do olho direito: muito estreitado, limitado por uma linha pouco irregular; os campos vizuaes das côres, seguindo o do branco, apresentam-se estreitados e caval- gados todos. No olho esquerdo encontramos mais ou menos o campo vizual do olho direito em todas as suas anormalidades. 47 Obs. XIX J. H. - 25 annos brasileiro - pardo solteiro EPILEPSIA branco a 15-25 - 20- 45-45-35 e b 50 - 35 - 70 - 30 - 45 . 15-10-10-25-30 1 30-20-30-20 azul a 35 - 45 - 50 - 60 - 65 - 50 e B 70 - 00 - 65 - 55 - 40 . 30- 35-30-40-35 1 30-35 -45-40 0 D venn. a 35 - 45 - 40 - 50 - 55 - 80 e b 45 - 60 - 60 - 50 - 35 . 20- 30-25 - 30-25 1 15-25-40-40 verde a 20-25- 15 -25-45-45 C b 35 - 30 - 40 - 35 - 45 . 15-15- 15-15-15 1 15-20-20-20 a 15-15 -20- 15-25-25 e b 35 -20- 15 -20 - 50 . 20-20-20-25-35 1 30-25-30-25 branco a 30 - 25 - 25 - 40 - 45 - 55 e b 60 - 50 - 50 - 45 - 50 . 30 - 40 - 40 - 50 - 40 1 30-35-30-45 azul 0 E a 35 - 25 - 40 - 40 - 50 - 60 e b 55 - 00 - 45 - 50 - 50 . 40-35 - 35 -40-30 ' 25-35-40-20 verin. a 25 - 30 - 20 - 25 - 25 - 25 e b 25 - 25 - 25 - 20 - 40 . 25-20-20-35-20 1 20 - 25 - 25 - 25 verde O campo vizual do branco no O. D. apresenta: 1° estrei- tamento notável, principalmente no segmento temporal; 2.° a li- nha de contorno bastante irregular, devido ao grande numero de scotomas periphericos. Quanto ás côres: o campo vizual do azul estreitado, cir- cumscripto por uma linha irregular, embora, menos que a do branco; o do vermelho irregular, mais no segmento nazal que no temporal; o do verde estreitado e irregular, com maiores sco- tomas no segmento temporal. Os campos vizuaes das côres e do branco, emfim, todos cavalgados entre si. No O. E.: o campo vizual do branco muitíssimo estreita- do, embora mais ou menos regularmente. Os campos vizuaes do azul e do vermelho, mais largos que o precedente, confundem-se em toda extensão, mais ou menos regularmente, excepto no quadrante infero-interno. 48 O campo vizual do verde estreitado, cavalga o do branco seguindo as suas irregularidades. Obs. XX - M. B. - 16 armos - pardo - brasileiro EPILEPSIA branco a 35 - 40 - 65 - 55 - 70 - 80 e b 75 - 75 - 85 - 60 - 60 . 40-45 - 50- 60 - 50 1 50-55-40-45 0 D azul a 30 - 35 - 35 - 35 - 55 - 75 e b 70 - 65 - 55 - 50 - 50 . 30 - 40 - 30 - 25 - 30 ' 30-30-30-30 vem. a 40 - 45 - 50 - 55 - 60 - 60 e b 60 - 60 - 75 - 55 - 45 . 35 _ 40 - 35^35 - 35 1 40 - 35 - 50 - 35 Não distingue o verde. branco a 40 - 40 - 35 - 40 - 45 - 35 e b 45 - 35 - 35 - 50 - 40 . 30-30-40-45-35 1 45-40-45-40 azul a 35 - 50 - 55 - 60 - 55 - 60 e B 70 - 80 - 65 - 70 - 60 . 50- 50-40-45- 50 1 40-45-50-30 0 E vem. a 35 - 45 - 40 - 60 - 55 - 60 e b 80 - 75 - 60 - 65 - 50 . 30-35-35-45-40 1 35-30-50-45 Não distingue o verde. No O. D.: l.° Campo vizual para o branco pouco estrei- tado; circumscripto por uma linha quasi regular. Os campos vizuaes das côres apresentam de notável: 1 ° o do vermelho e do azul se cavalgam no quadrante infero-externo e são invertidas no resto do circulo. A linha-contorno do campo vizual do vermelho mais ir- regular que a outra. Não conhece o verde. No O. E. O campo vizual do branco estreitado, limitado por uma linha sinuosa. Os campos vizuaes corados offerecem: l.° o do verme- lho e do azul, pouco estreitados relativamente, cavalgam-se em todo o circulo. No campo vizual do azul ha um scotoma notável no raio 160° do segmento nazal. Não conhece o verde. Notas e Conclusões pessoaes Foi necessário, para conseguirmos o resultado que tinlia- mos em mira obter, que examinássemos doentes epilépticos por- tadores de suas fichas rubricadas pelos especialistas competentes, dos quaes resultavam diagnósticos dignos de toda confiança. Sobre esses doentes foram feitas as nossas observações, e por isso, as conclusões tiradas constituem apenas o corollario deduzido da pratica. Submettemos a exame um numero de epilépticos superior ao que fórma o quadro de nossas observações; algumas delias, porém, não mereciam o titulo de completas, o que se póde admittir, em vista da difficuldade de taes exames; outras eram de epilépticos já em estado de demencia, que produziam falsos diagrammas. -Disso resultou a escolha de vinte casos, adquiridos com todo escrupulo technico, em que eram evitados erros oriundos da primeira impressão por parte de quem examina sob tal ponto de vista. Operámos com a mesma intensidade luminosa, insistimos nas pesquizas perimetricas com o fim de fugir ás respostas falsas ou mesmo inconscientes, attenta a equação deficiente do funccio- namento cerebral dos epilépticos. Os doentes preferidos apresentavam a agudeza vizual approximadamente normal. -Fizemos pesquizas com as quatro côres: branca, azul, vermelha e verde\ e as deslocações do arco do perímetro eram de 20.° em 20.° (gráos). A formula empregada para exprimir os limites do C. V. é assim traduzida: na primeira fracção, o numerador (a) corresponde 50 aos raios do hemispherio superior; o denominador (b) ao hemis- pherio inferior, do segmento externo (representado pela letra e). Na segunda fracção, as partes correspondentes do segmento interno (expresso pela letra z ). Serviram de campo para estudo vinte epilépticos, entre os quaes, ló homens e 4 mulheres. Delles, 18 brazileiros, 1 hespa- nhol e 1 allemão. Brancos em numero de 10, pardos 7 e 3 negros. Eis a média obtida por nós: _ a 30 - 35 - 40 - 50 - 60 - 70 e b 70 - 65 ■ 65 - 60 - 50 . 35-35-40-40-40 1 35 - 35 - 35-40 ~ branco a 30 - 40 ■ 45 - 55 - 65 - 70 e b 70 - 70 - 65 - 60 - 50 . 30-30-35-35-40 1 40- 40 - 35- 40 azul 0 D a 30 - 40 - 40 - 40 - 65 - 70 C ii 65 - 65 - 60 - 60 - 45 . 25-30-30-30-30 ' 30-30-35-35 vem. a 15-20-25-30-40-45 e i> 40 - 40 - 35 - 35 - 25 . 20-20-20-20-20 ' 20~20 - 20 - 25 verde branco a 30 - 30 - 30 - 40 - 45 - 50 e b 55 - 50 - 50 - 50 - 45 . 35-35-40-40-43 1 40-35-40-40 azul a 30 - 35 - 35 - 45 - 55 - 60 e b 65 - 60 - 60 - 60 - 50 . 35-40-40-40-45 1 40 -40 -40-45 " 0 E vem. a 30 - 30 - 35 - 40 - 55 - 60 e B 60 - 60 - 55 - 55 - 45 . 30 - 35 - 35 - 35 - 35 1 35 - 35 - 35 - 35 verde a 25 - 25 - 20 - 30 - 40 - 45 e b 50 - 45 - 45 - 40 - 35 . 25 - 25 - 30 - 30 - 20 1 30- 30- 35 - 30 Do estudo que fizemos, chegámos ás seguiu- 1 7 0 O tes conclusões finaes : i.° E' estreitado o campo visual dos epi- lépticos, quando no periodo interparoxystico. 2.0 E' também estreitado o campo vizual das cores. 51 3-° Os campos vizuaes do azul e do ver- melho estreitam-se mais que o c. v. do verde. 4.0 E' caracteristico o entrecruzamento irre- gular das linhas-limitantes dos campos vizuaes das côres e do branco. Este entrecruzamento é mais accentuado nas linhas que circumscrevem os c. v. do vermelho e do azul. 5.0 O campo vizual do epiléptico apresenta s coto mas periphericos. 6 o Esses scotomas nos campos vizuaes (do branco e das côres) tornam as linhas-limitantes sinuosas, quebradas e angulosas. 7.0 Não encontrámos a hemiopia citada pelo prof. Ottolenghi no campo vizual dos epilépticos. 8.° Devido ao maior estreitamento que ex- perimenta o campo vizual do branco, seguido da reducção gradativamente menor que soffrem os campos vizuaes do azul e do vermelho, e com a pequena diminuição do campo vizual do verde, as suas linhas-limitantes superpôem-se irregular- mente, produzindo o entrecruzamento do campo vizual dos epilépticos, segundo nosso modo de pensar, bastante caracteristico. Typo do campo visual do Epiléptico Otos. vu (O C. V. branco é representado pelo traço preto) 0. E. Media do campo visual de 20 Epilépticos O.D. Edmundo Carvalho Proposições CHIMICA MEDICA I A capsula do crystallino é formada por uma substancia albuminoide-a membranina. II Na temperatura ordinaria é insolúvel n'agua, nas soluções salinas, nos alcalis e nos ácidos diluídos; dissolve-se, a quente, nestes líquidos, mas as soluções obtidas não se transformam, pelo resfriamento, em gelatina. III Na cataracta senil ordinaria, as matérias albuminoides, que no estado normal existem em maior proporção na substancia própria do crystallino, diminuem e a cholesterina augmenta. HISTORIA NATURAL MEDICA I A irritabilidade - ou a propriedade da cellula viva de reagir ás excitações exteriores, existe nos Invertebrados mais ru- dimentares. II Na cellula animal, a membrana é destinada á recepção e á transmissão das impressões ao apparelho motor, que, segundo Cajal, é representado pelo espongioplasma ou reticulum cellular. 56 PHYSIOLOGIA I O nervo motor-ocular-commum, o cordão do sympathico do pescoço e fibras nervosas que saem da medula pelo 1° par dorsal, constituem a parte nervosa que dirige a movimentação da iris. II O reflexo retino-pupillar ou reflexo á luz tem como via centrípeta o nervo optico, centrífuga o nervo motor-ocular-commum e centro os tubérculos quadrigémeos anteriores. III Provavelmente, por supressão da actividade cortical, du- rante o somno, as pupillas se estreitam; dilatam-se pela acção da dôr. ANATOMIA E PHYSIOLOGIA PATHOLOGICAS 1 O sangue do epiléptico é rapidamente coagulavel, como em certas intoxicações. II O exame histo-pathologico das cellulas nervosas do epi- léptico demonstra o processo de degenerescencia gordurosa e uma atrophia. III A necropsia de epilépticos mortos em estado de mal de- monstra uma congestão do systema venoso, principalmente, en- cephalico. BACTERIOLOGIA I r Pelo exame bacteriológico é muitas vezes encontrado no puz de uma conjunctivite, o diplococcus de Neisser. 57 ii Na conjunctivite blennorrhagica o gonococcus existe em maior quantidade no oitavo dia de affecção. III A conjunctivite gonococcica é sobretudo grave, pela faci- lidade com que é atacada a cornea. OBSTETRÍCIA I Durante o trabalho do parto, pelo augmento de tensão intra-vascular, pódem apparecer varias perturbações do apparelho vizual. II Sob influencia do esforço, podem apparecer ecchymoses da conjunctiva, derramamentos sanguíneos na cornea e hemor- rhagias do corpo vitreo. III A septicemia depois do parto póde occasionar graves per- turbações oculares. PATHOLOGIA CIRÚRGICA I As queimaduras produzidas pelo vapor dagua são pouco dolorosas. II Essas queimaduras são sempre profundas; geralmente do quarto ou do quinto grão. III A morte sobrevém devido aos accidentes locaes que passam no larynge ou nos bronchios. 58 PATHOLOGIA MEDICA I A herança é importante factor etiologico da epilepsia. II O automatismo hysterico differe do automatismo co- micial pela ausência de amnésia completa. III A base do tratamento da epilepsia é diminuir a excitabi- lidade da casca cerebral. OPERAÇÕES E APPARELHOS I A resecção osteoplastica da parede externa da orbita é uma preliminar na ablação de um tumor benigno profundo da cavidade orbitaria. II Os fócos purulentos da orbita também pódem ser abertos por meio da puncção ou da incisão. III O ponto preferido para as incisões exploradoras ou eva- cuantes da cavidade orbitaria é na parte infero-externa. THERAPEUTICA I Um dos melhores methodos de tratamento da debilidade nervosa geral é o de Weir Mitchell, que consiste simplesmente em reduzir ao minimo as perdas do doente e elevar ao máximo os ingesta. 59 II Os medicamentos empregados com o fim de augmentar a secreção renal chamam-se - diuréticos. III Dividem-se enYtres classes : os queactuam sobre o sangue ; os que actuam sobre a circulação; os que actuam sobre o appa- relho glandular propriamente. HYGIENE I Das perturbações vizuaes do alumno de escola, é a myopia a mais frequente, porque coincide com o periodo da edade em que os olhos, pouco resistentes, fatigam-se com o trabalho que executa defeituosamente em geral. II Em tempo se evitará a myopia escolar, adaptando bem a ílluminação das salas de aula, e impedindo que por muito tempo os olhos estejam fixos a objectos situados muito perto. III A posição do alumno durante a leitura, a prohibição do uzo de oculos sem prescripção medica, são condições de hygiene escolar. MEDICINA LEGAL E TOXICOLOGIA 1 A cataracta traumatica póde produzir-se independentemente do traumatismo directo do globo ocular. 60 2 O exame do globo ocular subsidia o diagnostico de morte. 3 O grau de acuidade ou alcance vizual é um elemento de grande valor na apreciação das provas testemunhaes de certos crimes. CLINICA PROPEDÊUTICA I A apalpação do abdómen, no seu hypochondrio esquerdo, basta muitas vezes para se reconhecer o augmento de volume do baço, principalmente, quando depende de uma cachexia palustre. II A's vezes, porém, assim não acontece e só a - percus- são poderá permittir um resultado mais positivo. III A posição em que se deve collocar o doente para a percussão do baço varia com os auctores; entre outras, é acon- selhado o decúbito dorso-lateral direito. CLINICA CIRÚRGICA (P cadeira) I Os tumores do pancreas são muito raros e os signaes clínicos por que se revelam são de tal modo obscuros, que é quasi impossível o diagnostico. II Quando a ampoula de Vater está comprimida, póde ap- parecer uma icterícia, porém, os tumores do figado dão logar ao mesmo phenomeno. 61 III A stearrhéa é um symptoma que faz lembrar um tumor do pancreas. CLINICA CIRÚRGICA a* cadeira» I Os tumores vasculares da orbita revelam-se pelos signaes caracteristicos: batimentos, ruido de sopro, continuo ou inter- mittente. II Os diversos tumores vasculares da orbita dão logar a symptomas quasi idênticos, e mesmo a distincção dessas varie- dades offerece importância clinica secundaria. III O tratamento cirúrgico póde ser o da ligadura ou com- pressão digital da carotida primitiva. CLINICA MEDICA (i.* cadeira) I Atheroma é uma lesão; arterio-esclerose é uma moléstia. II Aquella localisa-se nos vazos de medio e de grosso ca- libre ; nesta, são attingidas as pequenas artérias e as arteriolas pe- riphericas e visceraes. III Sob o ponto de vista therapeutico, todavia, o regi meu será o mesmo. Os atheromatosos são intoxicados pela senilidade, isto é, physiologicos; os arterio-esclerosos são intoxicados pelas perturbações nutritivas e exogenas-intoxicados pathologicos. 62 CLINICA MEDICA (2-* cadeira) I A temperatura eleva-se no principio da agonia nas mo- léstias agudas (Wunderlich ). II A morte dá-se nestes casos por asphyxia ( Piorry). III A temperatura na agonia eleva-se tanto mais quanto menos enfraquecido estiver o organismo ( Peter). CLINICA PEDIÁTRICA I A diarrhéa infantil é bastante rebelde ao tratamento. II Um dos melhores meios de combatel-a é a mudança de regimen alimentar. III Quando as fézes contêm caseina não digerida ou gru- mos de leite, é de effeito o sôro do leite, o leite peptonisado ou humanisado, em dóse moderada, pois, em excesso provoca diarrhéa. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOGICA I Na gravidez existe uma pigmentação mais escura da pelle, não sómente na linha-alva e nos mamillos, como nas pál- pebras. 63 II O utero gravido póde provocar perturbações oculares reflexas, analogas ás que produzem as affecções uterinas. III As retinites gravidicas têm por causa, geralmente, a al- buminúria. CLINICA OPHTALMOLOGICA I A inflammação da capsula de Tenon - verdadeira bolsa serosa-constitue a tenonite. II Rara, apparece, entretanto, como consequência ás pyrexias do rheumatismo, da blennorrhagia e da influenza. III Delia resulta constantemente um phlegmão do olho. CLINICA DERMATHOLOGICA E SYPHILIGRAPHICA I Entre as affecções do orgão da vista que podem com- plicar as moléstias da pelle, nos paizes quentes, existe o botão de Alep. II O cancro duro é muito raro na palpebra; em geral, pro- vém de beijos de indivíduos atacados de cancro syphilitico nos lábios ou na bocca. III As affecções syphiliticas da choroide são mais frequentes do que as do corpo ciliar, porém, apparecem menos que as da iris. 64 CLINICA PSYCHIATRICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I O typo mímico frontal dos degenerados, segundo a clas- sificação de Sikorsky, consiste na predominância de contracção dos musculos frontaes. II O segundo typo de mimica degenerativa traduz-se pela grossura do labio superior, immovel. III O terceiro typo de mimica degenerativa "mimica indif- ferente» tem como caracter predominante a contracção dos mus- culos elevadores do labio superior e da aza do nariz, e commu- nica á physionomia uma expressão de chôro. Visto. Secretaria da Faculdade de Medicina da Bahia, 30 de Outubro de 1Q06. O Secretario, Dr. Menandro dos Reis Meirelles.