WSS1 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA THESE APRESENTADA Á Faculdade de Medicina da Bahia em 30 de Outubro de 1909 PARA SER DEFENDIDA POR Pharmaceutico diplomado pela mesma Faculdade NATURAL DO ESTADO DA BAHIA AFIM DE OBTER O GRÃO DE DOUtO? OXXX l^e<3.1CÍEX£t DISSERTAÇÃO ( CADEIRA DE PHYSIOLOCIA ) Estatura humana e suas diversas modificações debaixo do ponto de vista medico. PROPOSIÇÕES Ties sobre cada uma das cadeiras do curso de sciencias medicas e cirugícas. BAHIA IMPRENSA POPULAR Rua dos Droguistas, 45 1909 Faculdade de Medicina da Bahia Director -Dr. AUGUSTO CESAR VIANNA Vice-Director -Dr. MANOEL JOSE' DE ARAÚJO Lentes cathedraticos OS DRS. MATÉRIAS QUE LECCIONAM l..a SECÇÃO Carneiro de Campos : Anatomia descriptivà. Carlos Freitas Anatomia medico-cirurgica. 2.a Secção Antonio Pacifico Pereira. . ... Histologia. Augusto C. Vianna Bacteriologia. Guilherme Pereira Rebello. . . . Anatomia e physiologia pathologicas. 3.a Secção Manuel José de Araújo Physiologia. José Eduardo F. de Carvalho Filho . Therapautica. 4.a Secção Josino Correia Cotias. ..... Medicina legal e toxicologia. Luiz Anselmo da Fonseca .... Hygiene 5.» Secção Antonino Baptista dos Anjos. . . . Pathologia cirúrgica. FortunatoAugusto da Silva Júnior . Operações e apparelhos. Antonio Pacheco Mendes .... Clinica cirúrgica, 1.» cadeira. Braz Hermenegildo do Amaral . . Clinica cirúrgica, 2.» cadeira. 6.a Secção Aurélio R. Vianna Pathologia medica. Clinica propedêutica. Anisio Circundes de Carvalho. . . Clinica meaica, 1'» cadeira. Francisco Braulio Pereira Clinica medica, 2.a cadeira. 7.a Secção José Rodrigues da Costa Dorea . . Historia natural medica. A. Victorio de Araújo Falcão. . . Matéria medica, pharmacologia e arte de formular. José Olympio de Azevedo .... Cnimica medica. 8.a Secção Deocleciano Ramos Obstetricia. Climerio Cardoso de Oliveira . . Clinica obstétrica e gynecologica. 9.a Secção Frederico de Castro RebellS . . . Clinica pediátrica 10. Secção Francisco dos Santos Pereira . . . Clinica ophtalmologica. 11. Secção Alexandre E. de Castro Cerqueira . Clinica dermatológica e syphiligrapiiica 12. Secção Luiz Pinto de Carvalho Clinica psychiatrica e de moléstias nervosas. ' * Em disponibilidade bebastiao Cardoso r Substitutos OS DOUTORES José Affonso de Carvalho 1/ secção Gonçalo Moniz Sodré de Aragão . • . Julio Sérgio Palma 2 a . Pedro Luiz Celestino 3.a • Oscar Freire de Carvalho 4.a » Caio Octavio F. de Moura ..... 5.a João Américo Garcez Fróes 6.a » Pedro da Luz Carrascosa e José Julio de Calasans 7.a » J. Adeodato de Sousa 8.a » Alfredo Ferreira de Magalhães ... 9.a » Clodoaldo de Andrade. ..... 10. » Albino A. da Silva Leitão 11. > MarioC. da Silva Leal 12. » Secretario-DR. MENANDRO DOS REIS MEIRELLES Sub-secretario-DR. MATHEUS VAZ DE OLIVEIRA A Faculdade não approva nem reprova as opiniões exaradas nas theses pelos seus auctores. Erratas mais notáveis Pag. lin. erros emendas 1 2 exatamente exactamente 11 6 condicções condição 17 20 axcitante excitante 17 29 especies especie 24 15 voulme volume 83 14 quaternarias quaternaria 39 1 acàhra achara 40 Ultimo algarismo quadro, 148 leia 158 43 27 disproporciona- desproporcionadamente da mente 44 9 mrsma mesma 40 19 noso nosso 55 18 frqueencia frequência 60 6 femenino feminino 61 16 femenino feminino 62 20 femenino feminino 62 24 femenino feminino 69 20 chegarem chegaram 72 22 8m.43O 0m.430 85 14 muitos muito 86 9 segimentos segmentos 86 17 gosto gasto 87 21 sna sua 106 3 mesuração mensuração Um ou outro erro, afóra estes, que escapasse no eorpo da nossa these é de facil correcção. DISSERTAÇÃO ( CADEIRA DE PHYSIOLOG1A ) Estatura humana e suas diversas modificações debaixo do ponto de vista medico. « A ignorância, muito mais do qua o caber produz a convicção. São sempre aquelles que sabem pouco e não aquelles que sabem muito, que affirmam com segurança que tal ou tal problema ha de ser sempre insolúvel para a sciencia » . Darwin, SUMMARIO I CAPITULO Ligeiras apreciações históricas sobre a estatura humana. II CAPITULO Considerações sobre a evolução humana e suas alterações morphologicas. III CAPITULO Estatura humana e suas diversas modificações. IV CAPITULO Pezo. Suas relações com a estatura. CAPITULO I 4] ® 's homens que habitaram a terra na mais a^ta antiguidade não eram exatamente parecidos. Pelo talhe, forma dos membros, da cabeça, traços da face, côr dos olhos e dos cabellos e também pela lingua, intelligencia e sentimentos, differiam urfs dos outros. Desde a mais remota antiguidade que se têm feito excavações na terra e descoberto ossa- das humanas, notáveis por suas dimensões e que a imaginação popular tem procurado personificar. Poi visto por Sertorius, nas visinhanças de Tanger, um esqueleto que mediria, ao dizer de Plutarco, 60 covados ( 34 metros). O de Oreste tinha 7 covados ou aproximadamente 4 metros. Santo Agostinho, de um dente que achou na margem do rio Utique, colligio que se poderia fazer 100 dentes humanos de volume ordinário. Plater calculou em 19 pés de altura, mais ou menos 6 metros, uma ossada humana que foi 2 achada nos arredores de Lucerne, no anno de 1577, sob um carvalho arrancado por um forte furacão. Na Grécia, um Philippe foi adorado por ter sido o mais bello homem de seu tempo. Varias foram as raças que povoaram a Europa, destacando-se, como mais remota, a denominada de Canstadt, porque foi neste lugar que em 1700 o duque Eberhard Ludwig de Wurtemberg descobriu o fragmento duma abobada craneana, que, examinada por Jaeger ( 1835) e depois por Hanny, começou a revelar os caracteres ethnicos, cujo conjuncto pareceu constituir um typo humano, distincto de qualquer outro actual ou fóssil, e cuja altura, no modo de ver destes scien- tistas, não deveria exceder a PPG 8 a !™73 A raça de Canstadt teve também represen- tantes na America. Um dos desenhos publicados pelos srs. Lacerda e Peixoto não deixa duvida sobre este ponto. Elles acharam no Estado do Ceará a parte superior duma abobada craneana igual á de Eberhard. A raça não era agigantada, mas era athletica. Da raça de Cró Magnon o homem era de elevada estatura : a media de- duzida por Hanny, segundo o exame feito em esqueletos de cinco indivíduos, é de 1T78. Tinha os ossos do corpo e membros bem espessos e solidos, era robusto, feições regulares, alguma belleza, boa organisação cerebral, possuindo, emfim, boa constituição, própria para as luctas do viver selvagem. Erradamente temos em o 3 nosso espirito unia idéa que alguns julgam ver- dadeira e que, se discutirmos, firmados em dados scientificos verídicos, veremos que não passa dum méro engano, somente prezo á phantazia humana. E' muito commum hoje, quando se quer fazer um estudo comparativo do homem antigo com o moderno, dizer-se que o antigo apresen- tava um desenvolvimento exagerado nas fôrmas do corpo e estatura mui elevada, 'isto não é mais do que uma illusão. citada por pessoas alhck s a assumpto e que procuram plantar este erro no espirito dos moços, e estes, por serem ainda puros, acreditam nesta citação inteiramente falsa. O gigantismo apontado como padrão do ho- mem primitivo, não é mais do que um facto teratologico que sempre existiu e existirá, pois dependeu e depende dum vicio de conformação, caracterisando-se por um augmento de volume considerável e exagerado, mas não commum aos homens da antiguidade como se diz a todo mo- mento. Lembramo-nos de que, quando éramos estu- dante de Historia do Brasil, por cccasião de ouvirmos uma fabula a respeito dos primeiros exploradores, o illustrado professor da mesma cadeira citou que Diogo Alvares (o Caramurú) salvou-se da pena de morte, imposta pelos indios, porque teve a magna felicidade de achar na praia um mosquete, e, (talvez para mostrar até 4 que ponto chegava o adiantamento de seu Paiz, porque as armas de fogo não eram conhecidas pelos mesmos), alvejou um passaro, ao deslisar dum vôo, conseguindo fazel-o cahir morto, cau- sando assim tão viva admiração e veneração, que o chefe duma das tribus deu-lhe uma filha a des- posar! Continuando a fabula, o professor pro- feriu o seguinte: «O homem da antiguidade, Ca- ramurú, que usou deste meio para salvar-se era tão forte e de estatura tão elevada, como os de sua éra que hoje seriam precisos uns dez, para conseguir, o mesmo, no manejo de tal arma! Illusão implantada no espirito novel e mais nada! Para provar ate' que ponto chegam as perver- sões históricas a respeito do homem-monumento, basta citar o seguinte facto: Berosio conta que appareceu um animal-Oannés, que tinha cabe- ça, corpo e cauda de peixe, possuindo também, mais abaixo da cabeça-uma outra que era de homem, e pés, também humanos, que sahiam da cauda. Este animal passava o dia no meio dos homens, sem se alimentar, ensinava-lhes a pra- tica das lettras, das sciencias, etc: ao pôr do sol mergulhava no mar e passava a noite debaixo das ondas, porque era amphibio. E', de facto, mais uma vez irrisorio o modo de esboçar a fornia do homem da antiguidade!! A mythologia, os livros religiosos, os poetas têm cantado, e os povos creem, que o homem, muito tem degenerado. Dizem que, dum gigante que 5 cra, passou a ser um verdadeiro typò de anão. Attesta a bíblia em vários de seus trechos a superioridade gigantesca dos velhos povos, e os compara a um carvalho pela força e a um cedro pelo talhe. O Deuteronomio diz que o rei de .Basan, Og, foi maior que o Goliath, ao qual, o Lavro dos Reis attribue 9 ,pés e 4 pollegadas. Dizem os historiadores que Homero e Hesiodo se lamentavam diante dos talhes abaixados, quando se comparavam áquelles dos antepassados illus- tres. Plutarco dizia que os seus contemporâneos só podiam ser comparados, em estatura, com as crianças recem-nascidas - dos povos anteriores. Mais tarde, Plinio, com o fim de dar um fundo de verdade a estas fabulas, disse que, depois dum terremoto, foi encontrada uma ossada humana na ilha de Creta, cujo talhe attingiu a 20 metros. Por sua vez, Henrion, antigo eclésiasta, cm. 1718 fez uma communicação á Academia de Inspec- ções e Bellas Artes, que muito veio auxiliar ás asserções que acabamos de citar. Informou, por meio duma estatística muito complicada, ter con- firmado scientificamente o dogma da queda do pae Adão e ter chegado a estabelecer a curva de decrescimento progressivo do talhe humano, a partir da creação do primeiro homem até o nasci- mento do Messias. Km um quadro chronologico resumiu as dimensões das principaes persona- gens, de que falam a Biblia e a Historia. Veja- mos o quadro para melhores esclarecimentos. 6 TxTOLMIES TALHE: em pés e poilegadas METROS Adão 123 pés 9 pollegc?s 40?095 Kva .... 118 » 9 » 38^475 Noé .... 103 » 33T372 Abrahão 28 » 9?094 Moysés . 13 > 4? 222 Hercules . 10 » 3n.'24S Alexandre . 6 » 1T948 Julio Cezar. 5 » 1^620 E' mais do que irrisória semelhante estatistica apresentada pelo Sr. Henrion!! Dizem também que na mesma época de Cezar appareceu o Mes- sias, apresentando talhe igual, ao deste impe- rador. Estas assombrosas descobertas, ou antes sublimes visões appareceram em tempos mui remotos: a anthropologia então não era conhe- cida, ou siquer sonhada. Até o presente só encontramos em desaccordo com as nossas idéas e da maior parte dos escriptores, as seguintes notas que se acham registadas na obra de Adolpho Badin. sob o titulo «Grutas e Cavei nas». «O Sr. Emilio Reviére, cavando uma das grutas de Cavillon, descobriu uma ossada, que, depois de limpa e organizada, mediu perto de 1T85. Este esqueleto ainda existe e pode ser visto em o Museo de Historia Natural de Paris». 7 «Em Julho do anuo de 15 73 o Sr. Reviére fez novas excavações nas grutas de Baoussé-Roussé e descobriu, a quatro metros de profundidade, numerosos fragmentos de esqueleto humano duma estatura de perto de 2 metros». E' o caso de perguntarmos: Seriam rigorosa- mente feitas as mensurações acima, ou sem va- lor, como as procedidas por Charles Witte? Tam- bém poderiamos perguntar ao citado escriptor: Na segunda excavação não se podia dar o caso de ter achado uma ossada dalgum gigante que tivesse existido? Esta só descoberta pode ou deve constituir uma regra geral? Acreditamos que não. Realmente o homem da antiguidade era um sêr mais aperfeiçoado do que o actual, pois o seu cultivo physico fazia parte integrante de sua civilisação, o que hoje é íettra morta, principalmente entre nós, o que é digno de las- tima para um paiz cheio de vida e luzes como o nosso. Com grande sentimento confessamos, por- que, também somos uma das victimas, que só se tem cuidado nestes últimos tempos da educação intellectual, sem se levar em linha de conta o desenvolvimento physico, visando a boa saude presente e futura e o bem estar da família. Basta dizer, para provar a verdade deste asserto que a escola primiria, que deveria ser o berço do desenvolvimento physico e intellectual das crianças, não satisfaz estes dois fins; temos observado muito que estas, quando concluem o 8 curso, retiram-se, ou num estado cachetico que contrista, devido a má hygiene local e pessoal e ao excesso intellectual, ou então em um dos se- guintes, não menos contristadores: neurasthe- nico, dyspeptico, tuberculoso, scoliotico. cypho- tico, hemorrhoidario ou propenso ao crime ou ao alcoolismo. Dura verdade que ninguém contestará! E se porventura alguém contestar que nos responda: como se explicar a deficiência thoracica universal- mente encarada como estigmata pre-tuberculoso? E o estado morbigenico actual dos nossos instin- ctos e do nosso povo? Seremos mais claros no correr da dissertação, afim de melhor justificar o quanto temos dito. Na antiguidade as crianças, após o nascimento, eram levadas diante dum conselho: se este as achava fracas, monstruosas ou aleijadas, expu- nha-as sobre uma montanha, porque eram pre- cisos somente homens validos. Elias comiam pouco, comiam depressa e tinham uma nutrição grosseira, com o fim de não encher muito o estomago para não ficarem homens pesados e sim ligeiros; pois visava-se a boa con- stituição futma para arrimo da guerra. Com este mesmo fim os Spartanos organisaram os exercicios do corpo; outros povos Gregos os imitaram ; a gynmastica tornou se para todos uma arte nacional, a mais estimada. 9 Antes da éra christã a gymnastica medica já se tinha estabelecido na China. Entre os chinezes a gymnastica medica, pro- fessada desde tempos immemoriaes, ainda existe hoje, pouco mais ou menos, talvez como estabe- leceu o seu fundador. Em tempos muito remotos houve um Imperador chinez que obrigava a todos os seus servos a praticar quotidianamente exercicios militares, para lhes evitar as doenças occasionadas pelas chuvas quasi continuas. Ado- ptou também esse monarcha umas danças deno- minadas «grande rodomoinho» para combater as febres palustres. Ainda prova a historia o gran- de valor que davam á gymnastica na China, re- gistando a sua mais antiga das maximas: «reno- va-te completamente em cada dia; faze-te de novo e sempre de novo». Todos os jovens gregos, de 7 á 10 annos, pas- savam pelo gymnasio durante dois annos ou menos frequentando-o todos os dias. Ahi apren- diam a saltar, a correr, a lançar o disco e o dardo curto, a luctar corpo a corpo; para endu- recer os musculos e fortalecer a pelle; mergu- lhavam-se nagua fria, passavam oleo no corpo e se esfregavam com uma almofaça Muitos conti- nuavam estes exercicios em toda a sua vida e tornavam-se athletas (luctadores). Alguns chegavam a fazer verdadeiros prodi- gios e cita-se que Milon, de Cretona em Italia, trazia um touro sobre as espaduas; que também 10 parava um carro, na sua carreira, segurando-o por detraz. Devemos fazer notar também que a cultura da intelligencia não se achava despresada; pro- va-o a fama que os Spartanos adquiriram, não só pela sua sagacidade, como pela óptima brevidade de falar, depois desigrada pela expressão de laconismo. A educação das raparigas de Sparta era idêntica a dos rapazes. Cuidava-se finalmente da boa perpetuidade da raça com melhoramentos da mesma; para isto basta dizer que a lei favo- recia a união de duas pessoas physicamente per- feitas, inda mesmo que a mulher fosse casada. Outro ponto obscuro nos nossos conhecimentos da antiguidade é o que se refere ao modo de união e reproducção da especie humana. Muitos dizem que na antiguidade o casamento não existia e que viviam todos em promiscuidade atroz, em verdadeiros lupanares. Não deixa de ter alguma verdade no que diz respeito a alguns povos; mas, de praxe, toda regra tem excepção. Os Aryas conheciam perfeitamente o casamento, como prova a historia dos seus costumes; não importa saber como era celebrado este acto entre elles, ou quaes as leis que o regulavam. Apenas lembramos que o homem arya tinha uma só mulher e vivia para ella e filhos, quando os tinha Não estavam, portanto, estes povos comprehendidos no numero daquelles que desço* 11 nheciam a necessidade da hygiene da raça e sua perpetuação por meio do casamento. Sabemos, entretanto, que o casamento para ser um factor essencial que assegure o vigor phy- sico, intellectual e moral da raça, precisa obede- cer á observância de muitas condicções pessoaes, hereditárias e moraes. De que serve a união de seres depauperados ou morbidos como a todo momento se vê? Nos paizes cultos de hygiene, como a Alle- manha, e onde as leis são observadas cegamente, o casamento é realmente um dos factores mais seguros para a conservação da raça e dos dois cônjuges. Em outros, porém, como o nosso, em que existem leis porque estão escriptas, o casa- mento deixa de ser considerado como factor seguro para a raça e para os cônjuges passando a ser um perigo para ambos, para a sociedade e para a Nação. Melhor explicaríamos os morbidos- casamentos realisados a todo momento, se nos fosse conveniente enumeral-os; deixamos de fazer para não nos alongar em accusações que pare- ceria, talvez, serem injustas. Promettemos, po- rém, no decorrer da nossa dissertação, mostrar os pontos bons e mãos p ira a sua vigorosa rea- lisação. Fica, portanto, ligeiramente esboçado o que ha de mais importante a respeito da estatura humana, e o que ainda circula entre nós, como mais real e verdadeiro, principal mente no espi- 12 rito daquelles que têm procurado conhecer a verdade do facto para cital-o como norma. CAPITULO II -f íd^ Çccupar-nos na hora actual da estatura - ■ JU humana e suas diversas modificações, debaixo do ponto de vista physio - pro- pedeutico, sem fazermos ligeiras consi- deraçõcs sobre a nossa evolução e suas J" alterações morphologicas, seria o mesmo que diagnosticarmos, sem medo de contestação e erro, a moléstia de Laveran, em qualquer phase de sua evolução, sem termos, para a isso che- gar, feito o uso doinfallivel microscopio. Precisamos, pois, para conseguir alguns dados seguros sobre a nossa estatura, estudar larga- mente o homem, sua evolução, seu desenvolvi- mento, sua educação physica, emfim abranger em a dissertação, a vida toda inteira. Entremos em primeiro lugar em as considerações sobre o ser humano, propriamente dito, e em seguida em apreciações detalhadas sobre o mesmo, afim de melhor esclarecermos o nosso assumpto. 14 Nasce o homem, cresce e se desenvolve, de- clina e morre. Conforme o seu desenvolvimento, seja lento ou rápido, as variações individuaes do talhe, de engordamento, as variações em exten- são da curva evolutiva, as predominâncias mor phologicas e por conseguinte evolutivas asses- tadas neste ou naquelle apparelho orgânico, levam o observador a classificai-as em diges- tivas, musculares, nervosas e respiratórias. Estes elementos múltiplos, desharmonicos, muitas vezes contradictorios, devem reconduzir o clinico á unidade, á ordem, a um grupo de leis. As leis que regem a evolução são as mesmas que as da vida. A vida, clinicamente, diz Sigaud; não é senão o resultado do conilicto da matéria orgauisada com o meio ambiente, ou então é o movimento provocado e entretido na matéria organisada pelas excitações nascidas do mundo exterior. Supprimir as excitações, é supprimir a vida; mo- dificar as mesmas é modificar o movimento da matéria viva, é, muitas vezes, mudar até de fôrma. Não nos devemos limitar ao estudo dos episó- dios morbidos, propriamente ditos, pois a clinica deve abraçar a vida toda inteira do homem. Devemos penetrar no conhecimento das pha- ses em que os phenomenos da vida parece des enrolarem-se em uma evolução silenciosa; deve- mos também precisar o modo por que e.las se 15 relacionam - umas com as outras - e quaes os caracteres proprios á cada uma. Devemos, por- tanto, estudar a evolução do indivíduo. Esta pode ser conhecida clinicamente por methodos e processos especiaes. Geralmente se consideram voluntários, na existência do indivíduo, dois estados bem dis- tinctos: um que abrange o tempo durante o qual os phenomenos da vida se desenrolam com toda a sua integridade; outro, verdadeiro ideal physiologico, caracterisado pela ruptura do equi- líbrio das suas funcções com apparição dum estado morbido. Parece-nos um tanto justificáveis estes dois estados na pratica, pois em as nossas condicções sociaes actuaes não somos senão victimas do meio em que vivemos. Certos indivíduos, a partir da puberdade, algumas vezes desde a primeira infancia, apre- sentam um desenvolvimento anormal de tecido graxo, coincidindo quasi sempre com isto um estado de enfraquecimento, mais ou menos accen- tuado, as vezes considerável, da massa gastro -intestinal. E' muito frequente, fazendo-se um exame do abdómen duma senhorita, notar-se u ia parede graxa considerável, com uma cavidade abdominal bem profunda, parecendo mesmo estar desprovida de vísceras. Entre as raparigas o modo de seu desenvolvimento graxo affecta uma progressão crescente. A principio vae augmen- 16 tarido, depois diminue lentamente, ou rapida- mente, muitas vezes desde o fim do crescimento, fazendo-se substituir por um estado de emagre- cimento considerável, attingindo a differença algumas vezes de 15 á 20 kilogrammas; coinci- dindo com perturbações subjectivas. Outras pes- soas ha que, durante todo periodo de seu desen- volvimento, apresentam um estado permanente de magreza, podendo mesmo se accentuar nos periodos em que o crescimento se effectua por impulsos rápidos ou exagerados. Dos 25 aos 30 annos, mais ou menos, é substi- tuido este estado de magreza pelo de engorda- mento progressivo, que continua durante uma serie de annos variavel; as vezes attinge a um gráo extremo, quasi em regra geral acompa- nhado de hypermegalia abdominal. A marcha desta phose pôde ser interrompida por oscillações muito numerosas, por variações do pezo. Depois de um numero de annos va- riavel esta exhuberancia morphologica para, entra em regressão e nós vemos o individuo voltar progressiva mente ás formas esqueleticas de sua juventude. Ha outros individuos que durante o periodo de crescimento, apresentam um desenvolvimento exagerado e progressivo da maior parte de seus systemas orgânicos, e estes são os grandes come- dores,' de aspecto vigoroso. Estes últimos são 17 aptos aos exercícios physicos e dotados duma força muscular sempre acima da media. Apresentam sua columna ossea fortemente desenhada, musculatura de relevos accusados, como testemunho de vigor e boa constituição, parecendo immunes a entidades mórbidas, mas no fim do seu crescimento, ou nos primeiros annos que seguem ao máximo, vemos começar um declínio de marcha mais ou menos rápido. As suas forças se enfraquecem, o emagrecimento se mostra, perturbações subjectivas intermitten- tes apparecem. O meio no qual evoluímos affecta quatro for- mas dístinctas; physico, atmospherico, social e alimentar. O primeiro suscita reacções muscu- lares; o segundo origina reacções respiratórias; ao terceiro correspondem as excitações cerebraes, sendo o ultimo, ou alimentar, a fonte de reacções digestivas. Cada funeção se exerce num meio especial; cada apparelho orgânico tem seu axci- tante natural. Da falta de producto entre as qualidades reaccionaes dum apparelho dado, e das propriedades excito-motoras do meio no qual este apparelho tira suas excitações, nasce a regularidade ou perturbação da funeção, ou melhor, a irregularidade ou regularidade da evolução deste apparelho. Funeção e evolução são, pois, dois termos eo-relativos. A funeção não é senão a evolução considerada na especics a evolução é a funeção considerada no tempo. 18 E}' preciso porém não nos esquecermos de que, em razão da synergia reaccional, as perturbações da evolução dum apparelho tem seu equivalente em os demais apparelhos; dahi a generalisação da perturbação evolutiva sob a mesma forma e com a mesma marcha no organismo inteiro. Não ha medico que se pecuse a attestar numerosos exemplos relativos a estas considerações geraes sobre os productos da evolução do sêr vivo com os meios exteriores. Sobretudo, entre as crianças, a amplitude e nitidez dos factos melhor conduzirá á boa con- vicção? A deformação do esqueleto, grande ven- tre curvado, com ou sem degenerescencia graxa, lentidão do crescimento, parada do mesmo, exagero accentuado com emagrecimento extremo, phenomenos estes causados pela insufficiencia quantitativa ou qualitativa da alimentação, pro- duzida as vezes pelo abuso do trabalho intelle- ctual entre sêres pouco providos de aptidões cerebracs, pelo trabalho manual, ou pelos exer- cícios physicos intempestivos entre sêres dotados de fraqueza muscular; ou ainda, ao contrario, gasto do organismo, desenvolvimento regular e progressivo do talhe e dos membros, succedondo a um retardamento do crescimento numa serie de musculos, no tempo em que passam a vida escolar, para a qual elles não estão ainda aptos; a vida physica dos campos ou do atclier, único meio em que acham excitações que lhes convêm, 19 tudo isto nos leva á convicção. Muito nos cha- mam a attenção-em uns individuos -a predo- minância variavel deste ou daquelle apparellio orgânico; em outros a predominância funccional ou morphologica, podendo dividirmos, como já o fizemos anteriormente, em musculares, diges- tivas, nervosas e respiratórias, conforme a sua localisação. Podemos, para melhor esclareci- mento, nos baseiar nas formas apresentadas por taes individuos. Nuns ha predominio do abdó- men, constituindo este uma porção saliente e dando ao corpo um aspecto fusiforme; noutros um busto miserável, membros delgados e cabeça volumosa; noutros, ainda, o thorax largo e ar- queiado, parecendo formar por si só a totalidade do tronco, diminuindo o abdómen, reduzindo os seus diâmetros, havendo reducção na estatura e desvio do seu centro de gravidade; noutros, emfim, o predominio das massas musculares dos membros, espaduas, da nuca e exiguidade da ex- tremidade cephalica, fazendo contraste com a amplitude do pescoço. As mais das vezes esta nitidez de forma faz falta e a analyse dos factos funccionaes annuncia a dyssimetria morpho- logica. Existem systemas que têm uma phase ascen- cional ou de crescimento muito prolongada, em- quanto que outros parece pararem prematura- mente e sua marcha é impcrceptivel. Podemos comparar a desigualdade de desen- 20 volvimento dos diversos systemas anatómicos num mesmo indivíduo á desigualdade de evo- lução do talhe numa serie de individuos. Uns apresentam seu talhe definitivo aos 14 annos, outros crescem até 20 annos, outros até 25 a 30. Podemos dizer, portanto, que não ha uma época determinada para se attingir o talhe defi- nitivo. Os meios onde evoluimos não são pro- porcionados, nem de composição fixa. Numa grande cidade ha predominio do meio social, ao passo que no campo ha predominio do meio cosmico, etc. W' portanto o organismo o reflexo do meio onde se vive. Observarmos a dyssimetria na natureza inorgânica é o mesmo que obser- varmos na natureza viva. Não nos admiraremos, portanto, de ver, ao lado dum systema muscular infantil, quasi immutavel desde tenra idade, um systema encephalico indefinidamente perceptivel, ou, inversamente, ao lado dum cerebro que pa- rece parar aos conhecimentos elementares, um apparelho muscular que adquire, com a idade, uma predominância de mais a mais accusada. Um certos casos o systema digestivo melhora e se desenvolve até o momento extremo da vida, emquanto os outros parecem estacionários depois de muito tempo. O organismo sé apresenta como um bloc asymetrico, onde marcham conjuncta- mente as inferioridades e predominâncias rea- ccionaes, constituindo estas ultimas um centro vital, onde chega a maior somma de excitações. 21 iCsta superioridade local apparece como con- dição essencial de equilíbrio para todas as outras funcções. Ha indivíduos que apresentam predo- minância do systema muscular, tendo estes ne-» cessidade de maior somma de excitações muscu- lares, afim de que o equilíbrio vital seja man- tido. Quando, por qualquer circumstancia, impomos uma vida sedentária a estes indivíduos, dá-se um embaraço na sua evolução e consequente dimi- nuição de excitações, podendo dar-se o mesmo naquelles em que ha predo ninio dos systemas -digestivo, cerebral e respiratório, segundo a natureza das predominâncias reaccionaes, reve- ladas por uma analyse methodica. Parece-nos pois assim que o organismo se acha num estado de equilíbrio instável, e esta instabilidade está na razão inversa da dyssime- tría. A insufficiencia da alimentação, a falta de exercício, a vida confinada. exercem sobre a evo- lução geral nma influencia desastrosa, sobretudo no periodo de crescimento, onde a irritabilidade dos elementos anatómicos é muito viva. Bem sabemos quanto influe o periodo da alimentação no futuro do indivíduo A evolução de cada indivíduo constitúe um problema dis- tincto, ao qual corresponde uma solução especial. Podemos encarar dois typos de indivíduos: O primeiro -- aquelle em que vemos o crescimento exagerado, ou rápido, acompanhado de magreza 22 extrema com o abdómen maisou menos excavado, musculatura atrophjada, contrastando com a ex- tensão e desenvolvimento massiço das alavancas ósseas. Durante a idade adulta o abdómen tor- na-se enorme, thorax espesso, a face e os mem- bros se arredondam. O declinio senil se assignala por uma volta, muitas vezes rapida, ás formas esqueleticas da juventude, sendo a morte geral- mente prematura. No segundo typo o crescimento é marcado por uma exhuberancia morphologica de todos os systemas anatómicos, o talhe está constantemente acima da média, os relevos musculares são forte- mente accusados, o abdómen fica arredondado, o peito volumoso e largo, todas as regiões do corpo se desenvolvem em iguaes proporções. Quando este crescimento está terminado, as carnes tornam-se flaccidas, os traços se apagam, o talhe se encurva e o abdómen cae, o organismo se abate em bloe, vem a morte, ou o começo da velhice. A trajectoria evolutiva se eleva progres- sivamente durante todo o periodo de crescimento, depois no decorrer do periodo de maturidade torna a descer e termina prematuramente, sem attingir o periodo de senilidade. Referindo-se a evolução diz Sigaud: «A evo- lução é o ponto nodal para onde tudo converge e donde tudo raia, foco luminoso que projecta sua claridade sobre todos os factos e em todas as direcções. Evoluir é mudar. Conhecer a evo- 23 lução é, pois, conhecer as mudanças que se têm produzido e se produzem actmdmente no orga- nismo dum doente, quer estas mudanças sejam simples modificações em sua maneira de reagir defronte dos agentes exteriores, quer de verda- deiras variações em sua morphologia. Conhecer a evolução é comprehender a origem e a natureza destas mudanças, isto é, saber quaes são as apti- dões organicas do doente e qual é a sua maneira de reagir sobre a. influencia dos diversos exci- tantes, aos quaes está submettido, porque todos os movimentos morphologícos; ou mesmo sim- plesmente funccionaes da cèllula organica, não são sinão reflexos exteriores das reacções susci- tadas na intimidade do elemento cellular pelo conflicto dos elementos com os diversos meios, onde elle gasta suas excitações e sua vida.» Quando ha falta de adaptação para o meio onde se vae dar a evolução, nascem phenomenos - di- tos morbidos -- e perturbações da evolução. Podemos, portanto, considerar o organismo como um conjuncto de apparelhos, tendo cada um seu excitante natural, evoluindo cada um num meio especial. O individuo pode ter uma evolução sem inci- dente nas phases successivas, quando achar no ar ambiente todas as qualidades vivificantes que lhe são precisas. Agir sobre um orgão, é agir sobre a reunião dos orgãos: modificar uma func- ção é modificar todas; restabelecer a ordem 24 sobre um ponto da economia é restabelecer a ordem na economia toda inteira. K' o crescimento, a extensão do corpo em todos os sentidos, soffrendo paradas no seu cur- so, que podem ir sobre as dimensões, determi- nando o decrescimento relativo, ou, em certas circumstancias, principalmente na velhice, um movimento descendente absoluto do crescimento. Vários phenomenos se ligam ao crescimento e estes consistem nas variações experimentadas pelo numero das partes para cada uma de suas dimensões e para seu volume As formas apre- . sentadas pelos corpos organisados são tão com- plexas, que nos é impossível determinabas geo- metricamente. A determinação de seu voulme é diflicilima, senão impossível. O estudo do crescimento, nós, muitas vezes, podemos simplificar pelo exame do pezo. O cres- cimento, que abrange a evolução do numero, dimensões, volume e pezo, deve ser estudado nas partes elementares figuradas, ou não, do orga- nismo. ahi que pode ser preso o mechanismo pri- mordial do crescimento porque, definitivamente, a constituição dos tecidos e humores, a estru- • ctura e a morphologia dos orgãos, dos apparelhos e dos systemas, são liga los estreitamente ao nu- mero, ás dimensões, á proporção dos diversos elementos anatómicos, que entram em sua com- posição. Bem que o seu mechanismo diffira em 25 certas proporções nas variadas partes do corpo, e seja preciso estudarmos separadamente no osso, no musculo, no nervo, etc., não podemos contestar que chegamos á ultima analyse de phe- nomenos cellulares. O crescimento da cellula é o resultado de sua nutrição e esta consiste num duplo movi- mento de assimilação e desassimilação, e quando houver predomínio da primeira, o crescimento da cellula será a consequeÀcia. As cellulas muito novas affectam geralmente uma forma espheroidal, perdendo muito depressa esta forma por causa das pressões reciprocas entre as visinhas, ou pór causa do seu accrescimo em numero. Quando ella soffre crescimento igual em todos os sentidos, permanece espherica ou polye- drica pela pressão, porém adquire uma forma allongada, (pando o crescimento se effectua, de preferencia, segundo um dos seus axes, ou fica estreitada quando elle se opera segundo vários axes a um só tempo. Ao mesmo tempo que as cellulas accrescem num sentido ou no outro, differenciam-se as propriedades e suas formas. Quando uma massa protoplasmica attinge a um certo volume, divide-se. Num grupo de cellulas da mesma fôrma a multiplicação das partes internas entretem a divisão da massa. Bsta di- visão constitue a reproducção, e, uma vez-que a massa derivada representa uma pequena quan- tidade ou uma grande parte da massa mãe, a 26 reproducção é dita por abrolhamentq ou por divisão. O ultimo caso éo mais frequente. A segmen- tação das cellulas é precedida e annunciada pela divisão de seus núcleos e do seu nucleolo. Os phe* nornenos mais elementares e fundamentaes do organismo estão intim imente ligados a pheno- menos de crescimento. O crescimento dos ele- mentos anatómicos está subordinado á nutrição. B' a este que está sujeito o dos tecidos cujas particularidades do accrescentamento que consti- tue as differenças morphologicas normaes é pre- ciso indagar, assim como as perturbações do accrescentamento que constitue as alterações pathologicas das partes mais complexas do orga- nismo. Podemos, pois, denominai crescimento a reunião dos phenomenos interiores, por onde o recem-nascido augmenta em dimensões, pezo, volume e extensão. B' elle um phenomeno de hypertrophia, isto é, de augmento das tres di- mensões cellulares que compõem o organismo. B' a hypertrophia dos ele uentos que traz a hyper- trophia do organismo. O crescimento apresenta uma duração variá- vel, segundo os seres. As differentes partes do nosso corpo não crescem da mesma maneira, ao mesmo tempo, nas mesmas proporções, sendo muitas influencias susceptiveis de modificar o processo geral, umas internas, outras externas. As leis que regem o crescimento normal são 27 as seguintes: o crescimento dos ossos dos mem- bros e o allongamento do talhe estão sob. a de- pendencia das cartilagens justa-epiphysarias; sobre as suas duas faces succedein-se pheno- menos histologicos bem conhecidos. Quando a soldadura das epiphyses e das diaphyses estão completas, ou melhor, quando a ossificação tem invadido as cartilagens de conjugação em toda a sua espessura, o crescimento para, o talhe adquire dimensões, ás quaes não excederá entre- tanto, podendo ser considerado como definitivo. A época do fim.do crescimento é variavel, se- gundo as especies. Relativamente precoce entre os animaes, é muito mais tardia entre os ho- mens. Rxistem variações, segundo o sexo. A evolução completa é mais rapida entre as mu- lheres do:que entre os homens. Nos ossos longos dos membros cada massa epiphysaria ossea re- sulta da extensão e da confluência de um certo numero de pontos primitivos e secundários; dahi a apparição se faz conformemente com as leis physiologicas formuladas por Alexis Julien. As epiphyses, durante um tempo variavel para cada osso, permanecem separadas de suas diaphyses correspondentes por uma faixa cartilaginosa, mais ou menos espessa, donde provém a com- pleta desapparição aos 22 á 25 annos. A ossifi- cação de todas as cartilagens de conjugação dos ossos longos é definitiva na idade de 24 á 25 annos. 28 Ksta idade corresponde ao fim do crescimento, e o talhe não soffre mais, senão muitas ligeiras variações. Se depois de 25 annos continua á crescer, ha um estado pathologico. Durante a adolescência os ossos soffrem um crescimento continuo e regular. Godin formulou as leis seguintes : 1* O cresci- mento dos ossos longos dos membros se effectua por períodos alternativos de actividade e de re- pouso que se succedem com regularidade. 2.? Os períodos d« actividade e de repouso são contra- riados por dois ossos longos differentes. Durante o semestre que o tibia angmenta o femur permanece estacionário e inversamente. 3* Os repousos do allongamento são utilizados pelo espessamento e reciprocamente. O osso longo torna-se espesso e allonga-se alternativa- mente e não simultaneamente. O desenvolvimento proporcional do encephalo é mais considerável em geral nas pequenas espe- cies, do que nas grandes; e numa mesma especie a relação é igual para os indivíduos de grande, ou de pequeno talhe. Conforme o grão de seu desenvolvimento, po- demos dividir os indivíduos em fortes e fracos. Os fracos, aquelles de constituição e relevos musculares acanhados; os fortes, aquelles do- tados duma boa ossada, relevos musculares accu- sados, e de maior vitalidade orgânica e elasti- cidade vital. 29 Descrevemos, portanto, ligeiramente a evolu- ção, podendo agora, depois de traçadas estas notas, entrarmos em outro assumpto. Passemos ao terceiro capitulo. CAPITULO III ' HAMA-SE talhe ou estatura do homem a extensã° do corpo que vae da planta " s d°s Pes a0 vertcx da cabeça. f&qy Também se denomina altura, por causa da situação vertical que occu- (, pamos na superfície do globo, o que achamos rasoavel. Como vimos em o nosso historico, o talhe humano ha muito que tem servido de assumpto para perversões históricas e estas chegaram a tal ponto, que o homem foi olhado como um ver- dadeiro monumento por alguns sabibs da anti- guidade1 Podemos dizer que estas legendas começaram a ser esquecidas depois dos celebres e immortaes trabalhos de Broca, nos quaes elle attestou o contrario do que se pensava até aquella data. Verdade é, porém, que Charles Witte foi o fun- dador da osteometria e em 1795 esse sabio inglez publicou um trabalho, no qual provou. 32 por meio de medidas tomadas sobre o vivo e sobre o esqueleto, que o aute-braço do negro era mais longo do que o do branco. Seguiram-se depois as pequizas de Lawrence em 1817, e de Humphry em 181 <8; todos, porém, sem a devida precisão. Broca fixou a technica das mensurações, esta- beleceu pontos constantes de reparo, aperfeiçoou os instrumentos, mediu novamente, por assim dizer, todas as peças que foram estudadas pelos seus antecessores Mais tarde Manouvrier. ba- seiando-sc nas differenças apresentadas pelos indivíduos em geral, dividiu-os em dois typos distinctos. Os primeiros denominou macroskèles ou indivíduos, cujos membros inferiores são lon- gos relativamente ao talhe; os segundos brachys- kèles ou indivíduos, cujos membros inferiores são curtos em relação ao talhe. Manouvrier chegou a compor quadros, graças aos quaes é facil, com um só osso dado, reconstituir o talhe. Entre- tanto, por este processo as vezes somos levados a erros; para evital-os. porém, podemos fazer comparar a circumferencia com a largura do osso. A relação indicará, em casos duvidosos, se os indivíduos, ou as raças, são atarracados e neste caso brachyskèles, ou se são emagrecidos ou macroskèles. Devemos concluir que o talhe indi- cado pelos quadros de Manouvrier é provavel- mente muito baixo no primeiro caso e muito elevado no segundo. 33 Vemos, portanto, que, basciando-nos nas taboas de Manouvrier, conseguiremos a determinação do talhe, sendo dado um osso humano. E' mais do que verdade que o talhe humano, ao envez de ter baixado, como se tem dito, pelo contrario, tem augmentado, apezar da falta de cultivo phy- sico que muito concorre para o bom desenvol- vimento e aperfeiçoamento do mesmo. O talhe tem variado depois da antiguidade? Foi Silberman quem primeiro se occupou desta questão, em Maio de 1859. Os scientistas modernos, submettendo a men- surações precisas as ossadas humanas da época quaternarias, têm chegado a provar que o nosso talhe não tem soffrído variações depois de muitos séculos. Segundo Manouvrier e Rahon, o homen de Neanderthal (época quaternaria) tinha 1'2613; o homem Spy 1'2610; o homem de Langeria 1 n?669; o troglodita de Chancelade 1^612. Em 429 ossadas masculinas e 189 femininas da epoca da pedra polida foi verificada a média de 1'2475 para os homens c de 1'2525 para as mulheres. Sabemos ainda que Jomard, estudando as dimensões da pyramide de Chéops, achou que a toesa egypcia « Orgya » era de 1'28.4722. Silberman fez o calculo seguinte: achou a principio que num effectivo de 1.714.192 ho- mens, tendo todos passado pelo exercito 20 annos o talhe médio era de 1'2654 096. Em 34 segundo lugar, estudando o numero de refor- mados, acreditou poder admittir que o talhe dos homens era de 1P643.353 e o das mulheres de 1P563.341 e a média ín?603.427. Ora, juntan- do-se a !'P6i3.353, talhe médio masculino, um oitavo, que representa a extensão do pé, obtem-se a Orgya l'?84722; e, diminuindo-se da Orgya um nono, teremos PP64197, que não differe do talhe médio masculino, sinão um millimetro e 56. Sendo, portanto, a extensão da Orgya exacta- mente de. 1P84722, se realmente ella deriva do talhe médio masculino egypcio 1 97, ao qual tivermos ajuntado um oitavo, isto é, a extensão do pé, para termos a média sagrada nove, vere- mos que o talhe não tem variado para menos; pelo contrario, tem augmgntado, segundo obser- vações bem fundadas de muitos que se têm occu- pado do assumpto. Depois da estatistica que apresentamos, vemos que no Biazil o talhe é superior ao de Paris, parecendo ter este ultimo diminuído por causa dos abusos sexuaes, surmenage physica e intelle- ctual, etc., e extrema corrupção que, na situação presente atravessa este berço de luzes. Para melhor justificar essa accusação, pedemos dizer que, no anuo de 1901, foi proposto á Camara dos Deputados na França, que o mínimo da estatura marcado para o alistamento no exer- cito, e que era de 1^54, fosse diminuído. Parece- 35 nos haver nesse pedido a confissão de que a estatura está diminuindo. Na Hungria, o Dr. J. Donath affirmou, fazendo excepção á Rússia e á Suissa, que o talhe de toda*Europa tem diminuído; mas vários sábios contestaram tal opinião. Carlier affirmou que na Hollanda isso era inexacto: a partir de 1886, isto é, desde que ahi se instituiu um serviço regular de observações, poude-se aflirmar o augmento progressivo da estatura média e a diminuição de indivíduos de estatura baixa. O sr. Rahon, paleontologista habil, mostrou, por seu lado, que a maioria dos velhos esqueletos de tempos prehistoricos não permitte affirmar que os homens de outrora fossem excepcional- mente altos. Pelo contrario, quasi todos esses esqueletos são de estatura mediana. Lastimamos, porém, a desharmonia que reina entre o talhe, pezo e formas do corpo dos brasi- leiros. E' verdade que temos um talhe bem ele- vado, mas a este se contrapõe a nossa miséria physica que prima por excellencia. E' muito commum vermos homens altos com diminuição considerável do perímetro thoracico. A que podemos attribuir esta irregularidade ? A' falta de mineraes sufficientes para a nossa nutrição? A' pobreza do nosso sólo em substan- cias alimentares? Não. A causa está no desleixo 36 dos nossos paes, mestres e governos, por falta de conhecimentos precisos para evitarem estes inconvenientes. Mais adiante veremos os meios que podem ser postos em pratica e de optimos resultados. Ha, porém, entre nós uma boa organisação mental, mas de curta duração, porque se resente da falta de contrabalanço da harmonia perfeita das outras funcções. Bem sabemos que todas as funcções guardam entre si relações estreitas, e que, quando ha pei turbação ou parada de desen- volvimento de uma, todas as outras experi- mentam alterações sensiveis Da boa harmonia de todos os orgãos e funcções nasce a boa orga- nisação, o bom caracter, a boa intelligencia, o bom desenvolvimento de todas as partes do nosso corpo e o bom talhe. Hm fim diremos: ée da união é que nasce ã força, estabeleçamos uma boa regularisação das nossas funcções, para con- tar com um bom desenvolvimento mental e phy- sico cio nosso povo. O apparelho com que se mede o talhe humano denomina-se de-toesa. Não faremos aqui a sua descripção, porque é muito conhecida por todos; mas o modo de trabalhar com o mesmo, acha, mos necessário descrever, para melhor compre- hensão. Toma se a toesa, colloca-se vertical mente as- sentando num plano horisontal ao mesmo nivel dos pés do individuo a medir. Este fica para 37 deante da toesa, dando as costas á mesma, de sorte que ella olha para a columna vertebral. O observador, quando quizer proceder a mensu- ração, deverá estar na frente. Faz-se depois escorregar o nonio, até que a sua liaste me- tallica toque no couro cabelludo do observado, tendo-se o cuidado de que caia no centro da cabeça. Assim teremos a medida em centímetros e millimetros da estatura, podendo ser exacta, se forem observados os preceitos abaixo. Quaes são, pois, as cautelas que devemos tomar para poder contar com a segura determi- nação do talhe humano? Topinard diz que é uma medida facil de determinar. Bertillon, porém, contesta e diz que é uma cousa muito delicada. Achamos mais do que arrasoada a opinião de Bertillon, porque não ignoramos as modificações e'alterações que po- dem apresentar ao talhe, sem a observância de certas regras. Varias são ellas, sendo as princi- paes as seguintes: A hora, em que deve ser me- dido o talhe, apresenta-nos uma grande impor- tância pratica, pois este varia muito pela manhã ou á tarde. Pela manhã, ao levantar, apresentamos um augmento de 1 a 2 centímetros de talhe, em- quanto que á tarde è ao deitar notamos uma diminuição, devida ao adelgaçamento dos discos fibro-cirtilaginosos, situados entre as vertébras 38 e a columna vertebral e curvamento da mesma columna. Perguntaremos ao indivíduo a medir se já trabalhou, e qual a natureza dos trabalhos exe- cutados; se estes tiverem sido pesados, exigindo, portanto, algum esforço para a sua execução, devemos recusal-o, porque os seus discos inter- vertebraes se acham achatados, havendo forçosa- mente diminuição do talhe em alguns casos, de 3 centímetros. Em geral, durante a marcha e o exercício, a estatura se altera em proporções variaveis, indo de 1 centímetro a mais. Durante o trabalho assentado, ou em repouso, o talhe augmenta. Da manhã para a tarde o talhe baixa, augmentando á noite, durante o somno; nesta occasião volta ao seu ponto definitivo. Camerer notou, em 10 crianças, 700 grammas de menos no peso e 2 centimentros de mais na estatura pela manhã e á tarde. Mostrou também que estes factos não se ligavam ao crescimento e sim a facto res puramente mechanicos, devidos á elasticidade da planta d >s pés e dos discos intervertebraes. Devemos medir o talhe até ás 1 1 horas da manhã, observando esta ultima condição, que muita importância nos apresenta para a exacta determinação do talhe real. O indivíduo deve se manter de pé, numa posição francamente ver- tical, pois que, o mesmo indivíduo, deitado, apresentará um augmento de 1 a 2 centímetros, 39 Robert acáhra um augmento, quando o indi- víduo deitado de O'?OO6 a 0?020, e os médicos do conselho de revisão de Paris dizem que pode ir até O^OSO» A cabeça deve estar em equilíbrio, espaduas cahindo naturalmente, membros superiores pen- dendo ao longo do corpo, membros inferiores em posição harmónica com a sua conformação e que se possam conservar por muito tempo sem fadiga ; finalmente os pés assentando no sólo na forma habitual e descalços. Podemos dizer que o indivíduo deve ficar na posição de «perfilar» do soldado desarmado. Convém evitar o desvio lateral, anterior ou pos- terior do corpo, para não trazer erro na deter- minação da estatura. O olhar deve ser horisontal, para deante. Para obter esta horisontalidade, devemos collocar na frente do indivíduo uma regoa de madeira pin- tada de branco numa altura correspondente á dos olhos. Só nos occuparemos do emprego da toesa em as nossas observações, porque é o unico meio que nos fornece medidas rigorosamente exactas. Deixaremos, portanto, de tratar de tudo que fôr convencional, porque não nos dá medidas pre- cisas, Vejamos na nossa estatística formulada com talhes de soldados do nosso exercito, qual o ma- ximo, médio, e o mínimo por elles apresentados. 40 Devemos porém notar que essas médias só podem ter grande precisão, quando tomadas em indivíduos de 30 annos e entre nos de 35. TALHES EDADES - Homens brasileiros / 18 1 19 20 21 22 25 26 27 30 1 1.63 1.G6 1.66 1.78 1.54 1.68 1.58 ♦ 1.55 1.61 1.63 1.76 1.61 ♦ 1.75 ♦ 1.62 1.70 1.65 1.61 1.59 ♦ 1.75 1.66 1.58 1.69 1.70 1.66 1.59 ♦ 1.67 ♦ 1.62 1.59 1.63 1.60 1.69 1.59 ♦ 1.62 1.72 ♦ 1.57 ♦ 1.67 ❖ 1.75 1.66 1.66 ♦ 1.71 1.65 ♦ 1.56 1.50 1,64 1*72 ♦ 1.57 1.61 1*0 1.77 1.62 1.58 1 *5 ♦ 1.66 ♦ 1.70 ♦ 1 63 1.65 1.75 1.77 1.65 1.68 1*9 1.66 ♦ 1.57 ♦ 1.58 ♦ 1.62 ♦ 1.58 ♦ 1.67 ♦ 1.60 1.69 ♦ 1 67 ♦ £ 4£ 1.77 1 62 ♦ 1.65 ♦ 1.70 1.68 ♦ 1.70 1*71 1.58 1.65 1.71 1.66 ♦ 1.65 1.69 ♦ 1.68 1*0 ♦ 1.59 ♦ 1.67 1.69 1.72 ♦ 1.61 ♦ 1.71 ♦ 1.61 ♦ 1.65 ♦ 1.72 1.68 ♦ 1.59 1.69 1.60 ♦ 1.78. ♦ 1.55 ♦ 1.71 1.63 ❖ 1.62 ♦ 1.54 ♦ 1.65 Máximo ln?78 - Média 1T70 - Minimo 1T54 Brancos 44 De çor . 60 (♦) 41 Devido a grandes dificuldades de conseguir- mos reunir indivíduos com a idade de 35 annos, pois, segundo Baxter, é a epoca em que attin- gimos o talhe definitivo, apresentamos a obser- vação (pessoal) com estaturas de differentes idades. Vemos, assim, que ainda estão em via de crescimento sendo claro que a nossa média é su- perior a de l^TO. Não deixam portanto, de apresentar algum valor as médias obtidas. Como vemos na estatística acima, o nosso talhe não é tão pequeno como querem algumas pessoas. Ha uma boa regularidade no mesmo quanto á sua elevação e uma desproporção em relação ás formas do corpo. Em muitos destes soldados observamos uma atrophia considerável do tecido muscular. Comparando o nosso talhe com os prehistoricos, vemos que o nosso, longe de abaixar, tem quasi augmentado durante o correr dos séculos. Os francezes, por exemplo, que a anthropologia classifica entre os pequenos talhes, se mostram neste ponto superiores aos seus antepassados. Os documentos fornecidos a este respeito pelo sr. Rahon demonstram que o talhe dos parisienses não tem variado depois duma dezena de séculos Medindo e comparando ossadas humanas, achadas no cemiterio de Saint- Marcel no V século com as do cemiterio de Saint-Germain-des-Prés no XI século, observou a mesma média de ln?677 para os homens e 1T575 para as mulheres. Ha, é verdade, uma 42 pequena differença de cerca de um centímetro no talhe do parisiense actual. O que também muito nos auxilia na defesa desta asserção é pro- curarmos saber daquelles que a admittem, se essas ossadas achadas pertenciam de facto a homens vigorosos e de talhes elevados, pois bem sabemos que a duração e conservação dos ossos não dependem da estatura elevada e sim da solidez dos mesmos. Os germanos, em relação ao talhe, acham-se em iguaes condições. As peque- nas differenças, que revela a anthropologia, se reduzem a alguns centímetros, facilmente expli- cáveis pela influencia do meio. O que tem feito sobretudo se acreditar em gigantes é a confusão que se tem estabelecido em todos qs tempos entre ossadas de anímaes fosseis e do homem prehistorico. A este respeito Von Zittel cita os seguintes factos: venera-se em Valence, como uma relíquia de São Christovão, o dente molar dum mamouth. Um dente de fóssil alli também foi levado por muito tempo em fórma de pro- cissão, implorando a chuva, como uma relíquia de São Vicente. Buffon, desde tempos muito idos, revelara a velhacaria que os sábios e o publico eram victi- mas em sua epoca, em identificar ossadas de ani- maes como de homens. Klle diz: « ha muito tempo se enterravam os guerreiros com seu cavallo, com seu elephante de guerra e são os restos destes 43 animaes que se têm a todo momento, identificado como esqueletos dos nossos antepassados !! » Apezar dos protestos de muitos scientistas, tem se continuado a venerar os restos de fossei^, como de homens, Launois e Roy em 1872, no castello de Cracovie, viram uma curiosa collecção de ossadas santas e attestam que eram, na reali- dade, um craneo de rhinoceronte, um osso de mastodonte e a metade dum maxillar dum cetáceo. A França durante muito tempo discutio a respeito duma ossada dum gigante de 25 pés, achada por um dos seus filhos, attribuindo que fosse de um dos reis Teutões - o chamado Teutobochus, vencido por Marins nos arredores de Aix no anno 102 antes de Jesus Christo. Esta ossada foi descoberta em 16'3 nos arredores romanos, em Delphina. Duzentos e vinte annos mais tarde Blainville dissipou esta illusão, provando que o pretendido esqueleto de Teutobochus nada mais era do que os restos mortaes dum mastodonte semelhante áquelle achado em Ohio. Depois destas ligeiras considerações sobre a falsa theoria dos gigantes e de alguns esclareci- mentos a respeito, entremos a descrever as diversas causas e factores que influem no nosso talhe, ora elevando-o disproporcionadamente, ora d i m i n u i n d o - o sensivelmente. Desde que um factor qualquer influencie no bom ou máo desenvolvimento do esqueleto, ha 44 um augmento ou diminuição do talhe. Kste e aquelle guardam entre si relações estreitas. Se o talhe se eleva ou abaixa, o esqueleto augmenta ou diminue. Nos paizes accideytados, as pernas são ema- grecidas ; ao passo que nos planos ha uma dimi- nuição na musculatura dos membros inferiores e predominio do thorax e membros superiores. Quando dois seres da mrsma raça habitam, um o plano, outro o montanhoso, sob o mesmo clima, notamos entre elles uma differença considerável no desenvolvimento, devida á maior ou menor facilidade na marcha. Segundo alguns auctores observamos no primeiro um augmento de talhe, no segundo uma diminuição. Varias são as causas que concorrem para desharmonia do nosso desenvolvimento e que, portanto, modificam o talhe, o physico e o moral do noso sêr. K' desde o berço que come- çamos a nossa miséria physica e a diminuir em estatura. Diversas são as causas principaes; limitamo nos, porém, a citar as mais importantes. A nutrição, como bem sabemos, exerce uma acção considerável no nosso desenvolvimento. Quando ha insuf&ciencia da mesma, sobrevêm graves consequências que se manifestam desde a primeira infancia. K' muito commum ainda hoje abraçar-se a er- rónea idéa de Budin em relação á dosagem da alimentação. Acreditamos porem que, quando se 45 trata de leite materno, não ha inconveniente de mandar administral-o em alta dose, porque é um alimento tão perfeito e tão adaptado ao esto- mago das crianças, que, ainda mesmo sendo dado de mais, não traz incovenientes graves, como geralmente se pensa. O mais que se pode dar é o regorgitamento e raríssimas vezes perturbações gastricas. A liypo-alimentação, além de trazer um grande embaraço para o desenvolvimento da criança, ainda produz vomitos. Quando se administra uma quantidade in. sufliciente de leite materno, não ha distensão completa do estomago e a criança engole ar. Por sua vez este excita a parede gastrica pela distensão- gazoza, dando-se neste caso uma re- acção por parte do estomago e rejeição do con- teúdo. Devemos, pois, aconselhar a super-alimentação lactea e que esta corresponda á sexta parte do pezo da criança e não á decima como quer Budin. O leite materno deve scr preferido a qualquer outro, porque muito inllue no futuro da criança e na diminuição da mortalidade. Ao nono mez é que a ração alimentar pode ser de 1/10. Até a idade de um anuo deve ser a criança mantida ao seio. De um a dois annos o leite e as papas de cereaes devem compor as quatro refeições e de dois a seis annos os cereaes, sob a forma de papas ou de puddings, legumes bem tenros, sopas ma- gras e espessas, fructos maduros e bolos seccos, 46 devem compor a sua alimentação. Os excitantes não devem ser administrados e neste caso de- vemos prohibir a mustarda, pimenta, chá, café, licores e o chocolate, sendo de notar porém, que este ultimo pode ser usado com a condição de fraccionar o mais possivel a dose. Passando o periodo de aleitamento, que muito influe no physico, moral e intellecto, outros cui- dados devem ser levados em conta. A mastiga- ção, por exemplo, que é um facto physiologico de primeira ordem, precisará ser velada, para garantirmos a boa assimilação dos alimentos. A mastigação dos alimentos deve ser demorada, pois tem por fim, não só quebrar os alimentos, mas também ensalival-os bastante, para facilitar a digestão. No acto duma refeição devemos evitar beber agua, porque esta neutraliza um pouco o sueco gástrico e embaraça a digestão, seja das crian- ças seja dos adultos. Podemos aconselhar o seu uso duas horas depois e neste caso, ao envez de ser prejudicial, é benefica, porque além de limpar o estomago, excita-o. Uma alimentação abun- dante e apropriada favorece o crescimento e con- seguintemente o bom desenvolvimento do talhe. Bouchardfinsiste em dizer que devemos dar uma alimentação rica em gorduras, assucares, amido, acido phosphorico, cálcio, como o leite, ovos, feijões, ervilhas, lentilhas e o pão, para contar com uni optimo cre^pimento. 47 Diz Richet que os animaes fornecem a mesma conclusão. Que no Egypto, dizia Aristoteles, uma parte dos animaes é maior que na Grécia. Os bois e as ovelhas são grandes, ao pàsso que os asnos, lobos, etc., são pequenos. Attribuem esta varia- ção á difTerença da nutrição muito abundante para uns e diminuta para outros. Os criadores de animaes apressam, por meio de rações exageradas de carne e leite, a solda- dura das epiphyses e diaphyses com a parada de crescimento. Weiske e Widt fizeram a s-eguinte experiencia em carneiros novos: deram uma alimentação normal a um e a dois outros rações pobres em cálcio ou em acido phosphorico e notaram, sacri- ficando-os depois de 55 dias, que as condições physico-chimicas dos ossos não apresentaram alterações. Experiências mais recentes nos têm mostrado que a privaçãp do cálcio traz como consequência a osteomalacia e o rachitismo, segundo a opinião de Lehmann, Stilling, Werning, Roloff e outros. Varias têm sido as opiniões a respeito da repa- ração dos saes de cálcio e parecendo mais certa a de Bouchard que manda administrar sob a fórma de vegetaes e de legumes, sendo neces- sário neste caso contarmos com a assimilação, para ser proveitosa. Quanto a educação, podemos dizer com segu- 48 rança que entre nós só se cuida da educação intellectual, permanecendo em completo desprezo a educação physica. Entretanto podemos attestar que esta ultima não é tão desnecessária como se julga geral- mente entre nós. A educação physica da criança deve dirigir o crescimento e impedir de crescer a torto e a direito, devendo dar-lhe belleza, força, agilidade, despertar-lhe a intelligencia, regular-lhe a ener- gia, preparar-lhe, |emfim um organismo resis- tente. Devemos prescrevel-a não só ao forte, para conservar a saude, como ao fraco para lhe dar uma boa organisação. Ella deve, sobretudo, velar sobre a boa organisação dos pulmões e do cora- ção e não exclusivamente sobre o bom desenvol- vimento muscular, como geral mente a indica m. Este resultado obteremos com a educação da res- piração. Entre os musculos submettidos á influencia da vontade, que podemos exercer a nosso grado, que concorrem para o desempenho duma funeção importai te entre todas, estão os que se fixam no peito e que asseguram a respiração. A vontade tem uma acção poderosa sobre a respiração. Ella pode embaraçal-a, suspendei-a um instante, mas não a pode parar, sendo im- portante constatar que ella pode actival-a e amplificai-a. Saber utilizar toda a superfície respiratória dos 49 pulmões, augmentar sua capacidade vital, ^xer- cer e fortificar a elasticidade do tecido pulmo- nar, inspirar largamente, profundamente e expirar fortemente, é alliviar o jogo do coração, é facilitar a circulação, é assegurar a purificação do sangue e sua revivificação, é recuar os limites da fadiga, da suffocação e da surmenage, é augmentar o calor e a força, é, em uma palavra, activar a nutrição de todos os orgãos. Está hoje demonstrado que a frequência da tuberculose, a abundancia de tantas pessoas longas e emagrecidas, de peito achatado e dorso arqueiado é devido á brevidade da respiração por falta da respectiva educação Nós respiramos indistinctamente pela bocca ou pelo nariz, sem considerarmos os graves prejuízos trazidos pela respiração buccàl. Aquelles que respiram pela bocca, introduzem em seus bronchios um ar muito frio ou muito quente, carregado de poeiras e de germes. Os seus pulmões enchem-se parcial- mente, o sangue não se regenera como é preciso, o desenvolvimento é embaraçado e a saude é compromettida. Aquelles que respiram pela bocca nunca são bellos, nem têm boa saude; com a idade o corpo se allonga. o nariz afila, o olhar torna-se fixo e atonico, o peito se cava, a colnmna vertebral se encurva ou se desvia e o dorso fica arredondado. Estas pessoas são sujeitas aos defluxos, candb datos á tuberculose, são sêres sem resistência e de 50 diminuição physica e moral. Ao contrario vemos acontecer com aquelles que respiram pelo nariz. Por m lis singular que isto possa parecer a quantidade de ar aspirada pelo nariz é superior á aspirad i pela bocca; os pulmões se enchem in- teiramente, o sangue se revivifica e neste caso obteremos um desenvolvimento bom e bôa con- stituição< As poiiras, os germes, param, porque o ar, antes de chegar aos bronchios, circula nas si- nuosidadesnasaes e toma a temperatura desejada. Quando, por qualquer circumstancia, a pessoa tem uma das narinas ou a garganta obstruida por vegetações, será conveniente fazer a edu- cação da respiração pela narina sã e supprimir as causas que actuarem sobre a garganta. Se houver vegetações, procuraremos intervir o mais cedo posmvel. Em qu í consiste a gymnastica respiratória? Em fazer respirar pelo nariz uma serie de as- pirações e expirações lentas e profundas acom- panhadas de movimentos determinados dos bra- ços, que )odem ser comparados aos gestos de preguiçoso que se estira e aos do nadador. Estes movimentos são combinados de maneira a alargar o peito no momento da aspiração e de o comprimir na expiração. Mandaremos executar movimentos respiratórios cinco a seis vezes por dia, na razão de um minuto cada vez e de dezeseis aspirações durante este minuto. 51 Áquelles que, por uma razão qualquer, não puderem aprender regularmente estes seis mi- nutos duma só vez, devemos aconselhar a sua execução duas vezes por dia; pela manhã e antes do deitar na seguinte ordem: pela manhã, tres vezes, deseseis aspirações e a tarde duas ou tres, deixando um pequeno espaço de alguns minutos entre cada minuto de exercicio. A gymnastica respiratória deve ser executada ao ar livre ou na habitação; quando puder ser francamente ventilada. Terminando, diremos que respirar pela bocca embaraça o desenvolvi- mento do nosso corpo, allonga-o, arqueia o dorso, atrophia os musculos e acanha o peito. A respiração pelo nariz faz bons pulmões e os bons pulmões fazem o homem perfeito. 10' ainda este factor muito importante sobre as modifi- cações por diminuição e augmento do nosso talhe, além da alimentação que muito concorre para os mesmos fins, quando administrada insuflicien- temente as crianças e aos adultos. Outro factor que muito influe no talhe futuro da criança é o leito. Wntre nós, neste ponto, ha um completo desaccordo. Geralmente usamos leitos bem macios e largos, o que é um grande erro. O le to deve ser estreito, feito de crina de vegetal, afim de que a criança procure se esti- rar, impe lindo desta maneira o mão desenvol- vimento do talhe. A vida escolar muito concorre para deformar 52 a nossa columna e portanto desgraciar o talhe, sendo também logico que procuremos corrigir o abuso dos professores primários obrigando, na occasião di escripta, a darmos posições viciosas ao nosso c *rpo. Podemc s obviar este inconveniente instituindo a seguinte posição para esta occasião: corpo em linha rect , cabeça na vertical, ! o peito com pe- quena distancia da carteira, os dois cotovellos sobre a m sma e não um só como é de praxe. Com esta posição evitaremos o desvio da columna vertebral, o*abahula mento do dorso e a fadiga do.; másculos posteriores do tronco. O que ambem muito infltie no nosso talhe, modificando-o consideravelmente, é a forma do abdómen. Kntre nós, desde a primeira juven- tude, noté. mos um deseqhilibrio total' no dèsen- volvimcnt • dos musculos da parede abdominal, podendo se denominar as pessoas em taes casos - d ;sequilibrados do ventre. Despim o uma criança, notaremos: o ventre apresenta , ao envez duma parede ligeiramente curvilinea um entumecimento considerável, affe- ctando m ,smo a forma dum sacco cheio pela metade, rorque os orgãos mal sustentados pela fraca par de muscular, cahem, dando esta forma anormal. facU corrigir este inconveniente por intermédio da gymnastica abdominal. Wsta, além de corrigir as formas extravagantes do ventre, dá-lhe um espartilho muscular, que é um agente 53 optimo contra a constipação habitual. Resumil-a- emos em tres movimentos: flexão do tronco para deante, torsão do tronco, flexão lateral do tronco. Na flexão do tronco para deante mandaremos o paciente se deitar a chato sobre o dorso, os pés junctos e presos por um auxiliar; em seguida sentar-se sem o auxilio das mãos. Na torsão do tronco o paciente, estando de pé, calcanhares aproximac os mandaremos fazer uma torsão do corpo que o obrigue a olhar para traz, sendo este movimento executado para a esquerda e para a direita. Na flexão lateral do tronco fa- remos collocar os braços em cruz e inclinar for- temente o corpo para a direita e para a esquerda alternadamente, de maneira que a mão direita ou esquerda aponte para cima. Estes movimentos devem ser executados vinte vezes seguidas pela manhã, em camisa de dormir, estomago vasio e ao mesmo tempo que a gymnastica respiratória. Entremos em ligeiras considerações sobre os jogos. Até a idade de 15 annos nos limitaremos a prescrever a gymnastica respiratória e abdo- minal. Entre os jogos uteis temos o da péla, o da bola, o lawn-tennis, o salto na corda e em geral todos os jogos feitos em pleno ar, todos os que obriguem a criança a se abaixar e a se levantar, porque são verdadeiras gy^nnasticas abdominaes. Contra-indicaremos os jogos que ne- cessitarem de grande energia da criança, porque neste caso desapparecem as vantagens e sobre- 54 vêm os p 'ejuizos. A partir de 15 annos acon- selharemos outros. Aprender a nadar, a montar a cavallo, a esgrimir, etc. Finalmente os passeios em bicyclcta podem ser postos em pratica, mas com a coi dição de evitar o abuso, porque neste caso teremos resultados que podem ser funestos. No caso deste meio ser posto em execução, lembraren os que é preciso descer do vehiculo, desde que se apresente o menor signal de palpi- tação e se deitar sobre o dorso para facilitar a circulação embaraçada Depois destes ligeiros traços passemos a explicações mais detidas sobre o talhe, propriamente dito. Causas diversas ainda agem sobre o desenvol- vimento ca estatura humana. Desde o periodo embryona io que varias modificações podemos observar no seu desenvolvimento. Quando, por motivos caaesquer no desenvolvimento, actuam causas de /isinhança, difficultando ou exagerando a nutriçãc, a marcha evolutiva do ovulo humano fecundad< soffre um periodo de estado no seu desenvolv mento e sobrevêm graves consequên- cias para a formação do embryãò, feto e criança, indo até a idade adulta. Kstas causas podem ser de origei 1 interior ou exterior. Como causas exteriores temos o uso e abuso de faxas e espartilhes, pelas mulheres gestantes, compri- mindo tolos os orgãos contidos na cavidade abdomina., impedindo ou difficultando-lhes o bom funccionamento, quer pela compressão dos vasos 55 externos da mesma parede, quer pelos vasos internos ischemiando-os por completo, ou dimi- nuindo-lhe a irrigação sanguínea, embaraçando, portanto, o bom funccionamento dos orgãos abdominaes com retardamento da vitalidade local e geral. Como causas interiores temos as affecções diversas que actuam sobre o ovulo e depois feto diminuindo ou retardando a sua vitalidade ou agindo sobre os orgãos, impedíndo-lhes o vigor de funccionamento, trazendo, portanto, menor vitalidade que se repercute sobre o ovulo e feto, As entidades mórbidas geraes que muito con- correm para o mão desenvolvimento do sêr humano, são; a tuberculose, o alcoolismo e a syphilis, a ém de muitas outras que deixamos de enumerar, porque formam um grupo á parte, devido a menor frqueencia, podendo mesmo denominar particulares. A tuberculose, flagello assustador que a ninguém respeita, exerce uma influencia considerável na estatura humana. No embryão, quando o ser ma- terno é tuberculoso, ha uma diminuição palpavel na sua nutrição devido á grande diminuição da hemoglob na do sangue. Quando o reproductor é tubercu oso, notamos menos influencia de acção sobre o embryão, porem não se deixa de fazer sentir a diminuição da vitalidade organica. A acção deste factor sobre a nossa estatura é incontestável, porem umas vezes eleva-a e outras 56 a abaixa, Imperando sempre fraqueza organica geral nos dois casos. Como xemplo seguro, podemos lembrar a frequência da escrofulose, quasi que especial aos predispôs1 as e heredo-tuberculosos. Notamos nestes in ividuos uma diminuição considerável de saes d( cálcio, uma diminuição no volume dos ossos e ex:rema fragilidade dos mesmos. I}' o desenvolvimento perturbado em sua marcha, havendo quasi sempre tardia chegada ao talhe definitivo. O akoc lismo é um factor importantíssimo que concorre { ara o abaixamento do nosso talhe. O álcool, de ermina. naquelle que o bebe, modifi- cações ch. micas e altera certos tecidos, particu- larmente ) tecido nervoso, assim como a sub- stancia qt 3 o representa no espermatozóide ou no ovulo. A tara que o álcool imprime no indi- viduo, tra ismitte-se á sua descendencia; e a raça intei 'a periga e degenera, no ponto de vista phydco e mais ainda no ponto de vista mental. Os alco datas dão nascimento a sêres muito differente de sua pessoa, com um tecido ner- voso de canstituição chimica e histológica anar- maes. To los os neuronas experimentam uma parada n > seu desenvolvimento, segundo a opinião de Schultz e Pick, confirmada mais tarde por Arndt, nos filhos dos alcoolatas. A sua acção é mais accentuada que a da tuberculose, havendo 57 sempre maior accentuação na parada do desen- volvimento. A diminuição do talhe é a regra e as predis- posições mórbidas são em maior numero. Para justificar melhor a variação da estatura para menos, sob a acção do álcool, citaremos um exemplo que tem sido acceito por muitos scientistas. Os negociantes de cachorros, para obter esses cachorrinhos minúsculos, misturam sempre nos alimentos um pouco de álcool e logo a raça vae decahindo, attingindo afinal um tamanho dimi- nuto. O álcool debilita consideravelmente o orga- nismo humano, abaixa sensivelmente a estatura, modifica as formas; é, emfim, um dos principaes factores da despopulação. Passem js á syphilis. Esta entidade mórbida muito influe no todo humano e age sòbre elle. depauperando-o sensivelmente e assegurando uma curta existência. Em qualquer phase de desenvolvimento do nosso sêr, os seus prejuízos podem se manifestar. O seu germen productor desorganisa todos os tecidos do organismo, trazendo-lhes um abaixa- mento considerável de vitalidade, predispondo-o a modificoções as mais desastrosas e a moléstias diversas que agem, não só disgraciando o nosso corpo, mas também a nossa estatura. Vemos, pois, que estes factores muito influem na estatura 58 humana, ( esde o desenvolvimento do ovulo, até o periodo adulto. Muitas pessoas consideram o talhe como sigual de raça, quando se occupam dos animaes irra- cionaes, ias isto não pode ser extensivo ao homem, j orque este varia muito, não somente nos diffe.'entes paizes, mas também no seio da mesma familia. Doutro lado, salvo algumas excepções (povos pygmeos) as variedades humanas accusam vm genero de talhe médio que se poderá avaliar de lm630. Acima e abaixo se collocam differente aglomerações, cujo talhe se torna mais baixo ou mais alto, segundo as condições do meio. O talhe é muito sujeito a modificações sensiveis influenciando as acções do bem-estar e da nu- trição. A anthropologia muito tem tentado para nos dar uma divisão scientifica e solida sobre a humanida le e sua relação de estatura; mas até hoje nad; tem conseguido, visto só ter apre- sentado d idos puramente descriptivos e alheios a qualque • determinação pratica. Suas descri- pções se confundem com as da hygiene e da therapeut ca, que dão somente boas formulas, para gani irmos vigor physico e saude. Klla nos ensina qu » a estatura varia conforme a saude e a aliment. ção; que pode ser mais elevada nas regiões ri as ou naquellas em que o exercicio e os sports e acham mais cultivados; que diminue muitas ve ;es com a altitude ou com o sexo. Binet-Sangle nos diz o seguinte quanto as 59 variações do meio: E' nas variações do ipeio (alimentos, venenos alimentares ou microbianos, gazes respirados, raios caloríficos) agindo sobre todo o indivíduo e em particular sobre as cellulas, que fornecem os espermatozóides dos ovos e depois sobre o proprio ovo fecundado, que reside a causa unica da evolução e da variação das especies. Sobretudo a acção dos alimentos é essencial. Os alimentos determinam uma modificação chi- mica e, por consequência, histológica das cellulas, como também do organismo. E' principalmente devido á sua alimentação especial que os irlan- dezes e bretões, os arabes e os samoyedas devem os seus caracteres de raça.) Outra questão que muito nos prende a attençã® é a que se refere ao talhe do homem e da mulher. Muitos querem que o sexo feminino seja infe- rior em talhe, mas não podemos aceitar esta opinião sem que primeiro lhe façamos alguns reparos. E' difficil admittir-se que no estado primitivo os homens tivessem sido superiores ás mulheres em força physica ou em capacidade intellectual. Tácito, por exemplo, affirma formal mente que entre os germanos as mulheres não differiam dos homens em talhe e em força. Existem, mesmo ainda hoje, na África Central, algumas tribus, cujas mulheres são mais fortes do que os homens. Actualmente entre os Afghans ha uma povoa- 60 ção, onde as mulheres fazem a guerra, vão á caça e os homens se encarregam dos trabalhos domésticos. O rei dos Achantis na África Occidental e o de Dahon ey na África Central, têm guardas do corpo fem nino, regimentos exclusivamente recru- tados ent e as mulheres, e commandados por ellas, que se assignalam deante dos guerreiros masculino . por sua bravura e sede de carnificina. Mas, dcv mos nos lembrar cie que esta força, apresentada pelas tribus da África Central, é um pouco ap] arente e que o ser bravo e ter sêde de carnifi. ina, hoje, depois da feliz descoberta da polvor , é muito natural, porque esta fez desappare ser o grande numero dos fracos dando- lhe^ a força portátil, que vence o forte, por mais vigoroso que seja!! O que não podemos contestar, porem, porque vae de encontro ás leis physiologmas, é que a inferioridade da mulher, em qualquer ponto de vista que a encaremos, é um facto ( onsumado. Km toc a a serie animal, o macho e a femea são seres que se completão mutuamente, e não podem se iguaes. Nos anmaes inferiores, segundo as investiga- vões de lelaanay, em geral a femea leva vanta- gem ao r acho, como por exemplo, num grande numero d cephalopodios, cirrhopodios, articula- dos e ent e alguns reptis e vários peixes. Kntre os vertebrados, com raras excepções, a 61 superioridade do macho em estatura, em pezo, em maior riqueza de hemacias etc. é muito accentuada. Na especie humana esta superioridade é incon- testável sendo raros os casos em que a mulher apresenta superioridade em estatura, etc. Entremos em esclarecimentos a respeito, para melhor justificarmos as nossas idéas. No ponto de vista da força muscular o sexo feminino é justamente denominado sexo fraco, e isto não é devido á ociosidade em que vive e sim a um caracter quasi constante na ordem inteira dos mammiferos. E' um erro acreditarmos que a fraqueza da mulher é puramente artificial e que desapparece por meio da gymnastica mus- cular. O sexo femenino apresenta como acabamos de ver, um talhe menor que o sexo masculino, mas o genero de vida e a cultura de exercicios physicos muitas vezes neutraliza a influencia do sexo, pois, tem-se observado que nas familias americanas do norte, ricas, as mulheres têm uma estatura igual ou mais alta do que a dos homens, e isto parece ser devido ao genero da vida espe- cial que levam as mocinhas. São poupadas de occupações, vivem ao ar livre e passam a pri- meira juventude jogando, para se distrahir, o lawn-tennis ou o foot-ball. Além destas, ha outras considerações muitíssimo conhecidas por todos e que por isso deixamos de citar. 62 Occupeno-nos, porém, da inferioridade de talhe em particular. D'Orbigny mostrou, depois de suas pesquizas feitas em indios da America, que, quanto mais fraco é o talhe duma população, mais forte é a differença do mesmo entre duas raças. Demon- strou também que esta differença é menor, quando o talhe médio é pequeno. O talhe da mulher, de de 17 a 23 annos, é sempre menor do que o do homem. Topinard admitte, como differença, 12 centi- metros ei tre todas as raças, Bertillon, porem, em suas bem fundadas observações, notou que nos dois t< rços a differença do talhe, em 20 casos sobre 35, entre os dois sexos duma população, varia entie 7 e 13 centímetros; que 14 vezes sobre 35 varia de 11 a 13 centímetros, adoptando como méd»a 12 centímetros. Fica, portanto, esbo- çado o qve ha de mais importante sobre o talhe femenino. No sexo masculino são considerados como altos os indivíduos de H?70 e mais; acima da média 1^69 a 1™65; abaixo da média 1^64 a FPóO; como baixos os de menos de 1?59. No sexo femenino: e mais; 1T57 a l'?53 inclusive; ™52 a 1^40 e finalmente, 1 ^39 e menos. 63 T^OIXLOXXS - ESTUDANTES - Edades: 19 a 25 annos Estaturas - Vários Estados - ( Observação pessoal) Maxima 1T804. Média 1™652. Mínima 1?51 -- Brancos 90. De cor 10 (♦) 1.743 1.804 1.714 1 633 1.71 1.561 ♦ 1.51 1.701 1.661 1.644 1.57 1.55 1.592 1.623 1.634 1.71 1.65 1.69 1.694 1.621 1.591 1.661 1.67 1.664 1.633 1.642 1.674 1.62 1.642 1.692 11.732 1.76 1.591 1.593 1.532 1.603 1.62 1.662 1.63 1.64 | 1.591 1.551 1.644 1.555 1.652 1.66 1.751 1.72 1.612 1 661 1.592 1 583 1.61 1.60 1.661 1.753 1.631 1.542 1.62 1.57 1.731 1.693 1.704 1.533 1.632 1.623 ♦ 1.72 1 613 1.593 1.751i 1.591 1.711 1.59 1.622 1.682 1.641 1.581 1.57 1.762 1.712j 1.702 1.552 1.733 1.632 1.521 1.582 1.603 1.663 1.742 1.673 1.581 ♦ 1.58 1.564 1.672 1.72 1.523 1.61 1.712 1.713 ♦ 1.71 Não apresentamos uma estatística de mulheres, porque julgamos sem valor, devido á impossibili- dade de obtermos com exactidão a idade. Negam a todo momento, procurando melhor illudir o homem com idades juvenis! 64 Entre nós o homem é taxado de relho, pelas senhoritas, quando attinge a idade de 25 annos, ao passo que ellas só attingem esta depois de casadas sendo antes sempre novas! Quando solteiras, inda mesmo sob o pezo dos 40, evitan a todo o instante conversações sobre 'idades, afm de não declarar que são idosas!!! Vemos oortanto que não teria nenhum valor a estatística de mulheres antes do casamento. Apresentarmos uma de mulheres casadas é im- possível nesmo porque são poucas as que confessam ter attingido a idade de 30 annos. Vimos na estatística apresentada com estaturas de soldados do nosso exercito á média de l^TO. Nesta ou\ra que damos acima, formada com estaturas de estudantes de medicina, em as idades de 19 a 25 annos a média é de 1T652. Vemos ainda mais uma vez que a nossa estatura não é tão pequena com se diz a todo instante, pois acha nos boa esta média, porque foram medidos antes do limite do talhe definitivo e ainda em via de crescimento. Passemos a estudar a acção dos diversos facto- res que a; em sobre o sêr humano, e que concor- rem, não só para embaraçar a marcha evolutiva de sua es .atura, mas também para determinar varias modificações. 65 O homem, como todo sêr orgânico, está sujeito á influencia do meio, sendo este factor o que domina todas as transformações que se passam na natureza. Ao lado desta força temos a hereditariedade, sob cujo influencia, os caracteres adquiridos tendem a persistir nas gerações nascentes. Nestas duas influencias centrifuga e centrípeta se con- densam os elementos principaes da evolução da matéria viva. A hereditariedade soffre também a influencia do meio e, pa/u que este exerça acção múltipla, é preciso que abrace o conjuncto de condições, que acompanham a concepção do sêr, fazendo-se seguir durante toda a sua existência terrestre e parando com a suà desapparição. A hereditariedade da estatura é uma das mais commum mente observadas. Casaes de elevada ou de pequena estatura geram seres semelhantes a si. Citam que o pae de Frederico, o Grande, baseiando-se neste prin- cipio formou um regimento de gigantes, pois, só permittia o casamento dos seus guardas com mulheres de estatura semelhante. Creadores cele- bres, entre os quaes se distinguem Backvrell, Princeps, Touwler e o Dr. Dannecy, chegaram, por meios simplíssimos, a suspender e a desen- volver o crescimento de certos orgãos nos ani- maes, a duplicar e quadruplicar certos tecidos, em detrimento de outros. Os indivíduos, prove- 66 mentes de metamorphoses semelhantes, procriam, depois de duas gerações, sêres iguaes a si. As condições climatéricas, a composição do solo, da vi la social, politica, intellectual, do bem- estar mat rial, exercem um papel distincto na expressão definitiva do meio. O meio age igual- mente sol re a existência intra-uterina ou intra- ovariana, como age sobre o individuo adulto. Nos tei renos silicosos e calcarios o homem apresenta modificações sensiveis Nos primeiros apresenta um talhe pequeno, ossos delgados; nos segundos um talhe elevado e esqueleto macisso. A falta de saes de cálcio, phosphato e carbonato, mormente o phosphato tri-calcico influeno cresci- mento, re^ ardando-o. Sob a influencia do meio, o talhe dos differen- tes povos iode variar, mas o seu periodo relativo de augmento está sujeito ás mesmas leis. Os es- tudos feitos a este respeito por Bowditch, Gould, Roberts, Beneke e outros, demonstraram que o talhe aug.nenta da mesma maneira, segundo a idade e o sexo, relativamente. Quetelet, em estudos detidos sobre o homem e sua anth 'opometria acreditou poder erigir numa lei especial-a influencia do bem-estar, da idade e do sexc sobre o talhe. Diz que será preciso ajuntar o genero de vida, cuja repercussão não se pode nagar. Zaborowski também se inclina a acreditar na acção do bem-estar, como signal de raça. 67 Diz elle: « é assim que, sempre que se estabelece uma linha de um caminho de ferro para um lugar que dantes não gosava desse melhoramento, a estatura de seus habitantes augmenta logo, com as vantagens de commodidades que aquelle pro- gresso lhes trouxe». Diminuindo-se as horas de estação vertical no dia, diz Daily, pode-se fazer crescer uma criança. Bertillon e Manouvrier, afirmaram também, com varias cifras em seu apoio, que os soldados moradores de quarteirões pobres, são, em média muito sensível, mais baixos do que o dos recrutas dos bairros ricos. Do mesmo modo, os individuos que exercem profissões penosas são também muito mais pequenos do que os outros. Boelz, em seus estudos aprofundados sobre o Japão, no ponto de vista anthropologico, assi- gnala a existência de dois povos que se dintin- guem pelo talhe e vigor physico. Dum lado, os descendentes das classes ricas que, tendo aban- donado suas armas favoritas do antigo tempo, dedicam-se ardentemente aos estudos, tornan- do-se de mais a mais enfraquecidos e decreptos; doutro lado, as crianças do povo, graciosas e fortes, solidamente constituídas, parece serem nascidas duma outra raça. Assim é que rejeita- mos as velhas famílias nobres de Kwazoku, attingidas por todas as especies de moléstias e onde a escrofulose domina abaixando o talhe e a força physica. A educação e o genero de vida 68 detestável da japoneza tem contribuído muito para aggravação do mal, e hoje a gymnastica, occupa alli um logar preponderante no systema da educação moderna, como um correctivo do mesmo p vo. Broca c Boudin querem que o talhe seja uma expressão especifica da raça; mas, Otto Bollinger diz que a influencia da raça sobre o talhe, em comparação a outros factores, como a nutrição, a surmemge physica ou psychica, as moléstias adquiridas ou hereditárias, etc., se reduz a uma quantidade tão pequena, que pode ser abandonada. O citado auctor diz: tiraremos da vida amer.cana, segundo observações feitas entre os respectivos habitantes, um exemplo significa- tivo da in luencia illusoria da raça sobre o talhe. Notaremcà que as tres especies dos habitantes da. Ameri a, brancos, indios e negros, têm quasi todos a mesma estatura. Depois das mensurações de Baxter, sobre os mesmos, os brancos attingem l'P73, os indios l'?73 (Gmld) e os negros l™70. Gould, para melhor n mtralizar as theorias da influencia da raça, aportadas como factor primordial na deter- minação do talhe, demonstrou que os irlandezes, emigrado, jovens para os Estados-Unidos, accu- sam um alhe mais elevado do que o dos emi- grados d ;pois da idade de 30 annos. Outres observações, feitas em França, vêm também em favor desta theoria. O Dr. Carlier estudou du« 69 rante 19 annos as relações do talhe entre as raças e as differentes profissões, nos arredores de EJvreux, e concluio que os indivíduos que podem ser olhados, por effeito de sua profissão, como tendo sido edificados em boas condições de hygiene e gozando duma certa destreza, têm geralmente um talhe superior á média, emquanto os indiví- duos mal nutridos, mal vestidos e que têm cres- cido num meio pouco favoravel, ficam em condi- ções inferiores. Outros observadores, Chopinet, Collignon, Chervin, chegaram ás mesmas conclusões. Sob a influencia da nutrição, varias têm sido as discussões entretidas. Desde 1829 que Villermé declarou que a estatura é mais alta em as communidades mais ricas, conseguinte- mente melhor nutridas e protegidas contra as intemperies. Quetelet e depois Cowell que em 1823 comparou 1062 crianças de fabricas com 228 das classes ricas, chegarem á mesma conclusão. Bowditch concorda com esta opinião, porém diz que as condições de existência têm mais acção sobre a estatura do que sobre o peso. Boudin não crê nas condições de nutrição e se inclina a crêr na acção da raça, com o que estamos em completo desaccordo. Donaldson admitte uma certa influencia, masf que se exercerá certamente mais no sexo mas- culino, do que no feminino. 70 Porter diz que pode existir uma differença considera .Tel na situação social e na prosperidade material, sem influir no crescimento até a puberdade. Key mostra que a penúria allonga o periodo de crescimento fraco, anterior a uma epoca mais tardia, m is este periodo é duma duração menor e o trabalho que se opera é o mesmo. Para as crianças pobres, o periodo é mais curto, havendo, porém, entre ellas um accrescentamento considérazel durante os últimos annos. Roberto diz que na puberdade ha um cresci- mento mais activo nas classes não obreiras, cessando de 19 a 20 annos, emquanto que entre os artistas o crescimento é mais uniforme e se estende a _é 23 annos, mais ou menos. Aproxi na-se pois, de Key, cujo pensamento é que o crescimento que precede á puberdade começa r m anno !ou dois mais cedo entre as classes ri :as, nas quaes se observa uma estatura média mais elevada. Desde o nascimento ha uma desigualdade no talhe entre os dois sexos. Os rapazes excedem ás raparigas de 2 a 10 millimetros; na média meio centímetro. Os dados relativos ás differenças, segundo as raças, são insuflicientes, mas podemos notar, entretanto, que entre um povo de muito pequeno .alhe como os Annamitas, (talhe médio l'?58) os recem-nascidos são também menores do que os dos povos de grande talhe, comq por 71 exemplo os da Inglaterra, on dos Kstados-Unidos. Os Francezes (talhe médio 1™65) parece fazerem excepção a esta regra. A epoca que se pode considerar como limite pratico deste crescimento é para os homens a edade de 18 a 25 annos. Em geral admitte-se que o hoipem normal pode ter de l'?2õ a 1^99 como talhes limites. Abaixo de l'?25 comeca um certo estado anormal, muitas vezes pathologico, que se pode chamar de nanismo, acima de 2 metros se tem um outro correspondente que se denomina gigantismo. Os primeiros podem ter até 38 centimetros e os segundos até 2™83. O nanismo pode ser devido a certos estados pathologicos, como tambqm ao resultado dum retardamento excessivo do crescimento. Em idên- ticas condições o gigantismo pode ser o resultado duma acromégalia, porém as mais das vezes é devido a um augmento excessivo da marcha do crescimento. Os talhes excepcionaes são produ- cçôes anormaes. Os talhes extremos de 1 n?25 e de 1^99 são muito raros. Po lemos mesmo dizer que, em geral, as estaturas abaixo de 1™35 e acima de P?90 são excepções. Na grande estatistica do Comité de Paris, de 3)0.000 indivíduos, só se encontra acima de 2 metros uma série de 10.000, e, tendo o talhe acima de l^OO cinco indivíduos numa serie de 1.030. Na estatistica do Comité da Associação Britâ- nica de 8.585 indivíduos se encontram 3 indivi- 72 duos sobro 1.00 X tendo o talhe acima de 1T90. Estas observações têm sido feitas em populações de talhe a to {1^72 como média). Nas populações de pequeno talhe, como por exemplo na italiana, achar-se-á 1 individuo de 1'?90 ou acima por serie de f.000, segundo Pagliani. Abaixo de 1™35, ain la eníre os italianos, o mesmo Pagliani achou 3 por mil. A Commissão Americana encon- trou uma ez sobre cem mil Podemc s, em geral, tomar um limite para os talhes normaes entre 1^35 e d^O. Para ti -armos a média duma população, deve- mos somi lar os numeros que representarem a altura dos talhes medidos e dividir pelo numero de individuos observados. Segundo Villermé, o talhe humano oscilla entre os limites lmõ62 a ln?787, tendo como média 1T >245. Depois de Weissbach de Navora, a média exacta sei á PP6V ; depois dos numeros apresen- tados por Sappey, que comprehendem um anão de 8^430 e um finlandez de 2m630 tem-se a média de 1T630. Os homens menores são os Bochiman 5, cujas mulheres são maiores. Em sete series observadas, Topinard achou as seguintes estaturas: homens lr?341, mulheres O, homens, considerados maiores, são os Tehuelches da Patagonia, cujo talhe médio é de 1?781. Na Europa os maiores são os Noruc- ^uezes. 73 Geralmente acredita-se que o alto talhe é sy- nonymo de distincção, de nobreza e de extração, mas é inexacto. Os anthropopsychologos collocam na frente da humanidade os dolicocephalos lou- ros e de alto talhe. Os indivíduos de fraca capacidade intellectual estão de ordinário abaixo da média, pela esta- tura e pelo pezo, sendo a mediocridade de consti- tuição e a debilidade mental manifestações dum atrophiamento no desenvolvimento de origem hereditária. Nas famílias que degeneram, diz Féré, observa-se muitas vezes o desnivelamento da estatura, o qual, sendo commum á família, soffre variações que a tornam cada vez mais de- crescente. Muitas vezes os rapazes tendem para o nanismo e as raparigas para o gigantismo. Topinard dividiu o talhe em quatro grupos: altos talhes de l^TOpara cima; talhes acima da média de 1'?65 a l^/O; abaixo da média de ln?60 a l^ôS; pequenos talhes aba.xo de Adoptando esta classificação de Topinard, os Patagõês que têm 1^781 de talhe, os Polynesios lm762, os índios Iroquezes :n?735, os Negros, Scandinavos, Inglezes e outros são classificados de altos talhes; os Francezes 1 n?650, os índios do Caucaso ITóSO de talhes abaixo da média. Richet, que é um dos exaltados da influencia da raça e hereditariedade, diz: « é difíicil sepa- rar estes dois factores.» 74 A influt ncia individual do progenitor é mar- cada bem que desigualmente, quando não é por cumulo perturbado pelo atavismo. As mais das vezes as crianças grandes são filhas de paes de grande estatura; a progenitura de paes desseme- lhantes se approxima quasi sempre do sêr ma- terno. O clim i não exerce uma acção apreciável sobre a estatura. Os Patagões, nas regiões frias, attingem uma estatura elevada; nas regiões quentes os Cafres e os Negros da Guiné attin- gem tamb mi um bello desenvolvimento. Theoricamente nos diz Pekham: « uma tem- peratura 1 aixa deveria definhar a raça, porque uma grande parte da energia se gastaria para - manter o calor animal.» Mas, o exemplo dos Patagões e dos Cafres não favorece o argumento. Se os Pat igões permanecessem pequenos num clima tem aerado, ou se os Lapões se tornassem grandes i os climas quentes poder-se-ia então/ invocar a icção do clima. Não ha relação entre a latitude e a estatura. Na Ingl iterra muito se tem tratado sobre este assumpto e nada se tem conseguido para affir- mar a acçf o directa do clima, que obra mais por influencia indirecta. Aristotcles notou que os animaes são differem tes, segun lo os climas e que ha paizes, onde cer- tos animaes são menores. Exemplo: os asnos da Illiria Thracia e Epiro. 75 Mas, achamos ainda que ahi domina o clima como influencia indirecta. As estações têm uma certa acçao sobre a nossa estati ra, desenvolvimento e pezo. Durante o verão o desenvolvimento do corpo é mais conside- rável. No começo do inverno as crianças accumu- lam peso ejo talhe estaciona. No começo do verão o pezo não muda e dá-se um augmento de talhe. Ha, segundo Mailing Hansen, trez periodos geraes no anno para o crescimento em pezo e estatura, sem contar as variações hcbdomadarias e quotidianas. Para a estatura temos trez periodos: máximo, minimo e intermediário. Entre nós o periodo minimo começa cm Março e vae até o meiado de Junho, durando 3 1/2 mezes. O periodo intermediário vae do fim de Junho ao fim de Outubro, 4 mezes. O periodo máximo vae do fim de Novembro ao mez de Fevereiro, 4;mezes. O crescimento, relativamente ao periodo minimo, é duas vezes e meia maior, durante o periodo máximo, e duas vezes maior durante o periodo intermediário. Podemos dizer approximativamente que o periodo de cresci- mento em pezo máximo nos 3 primeiros mezes do inverno é o periodo de crescimento em esta- tura, minimo; no verão emquanto o corpo se allonga, perdemos em pezo. Paia Combe a estação exerce uma influencia antes do wascimento e é opinião sua que os rapa- zes, nascidos dos fins de Março ao meiado de 76 Setembro, são mais curtos do que os nascidos dos fins de Setembro ao principio de Março; que as raparigas são curtas quando nascem do meiado de Junho ao meiado de Dezembro. D' muito racional admittirmos as idéas de Hansen, pois em vários casos só podemos achar boa explicação, invocando esta influencia como agente principal. Outro factor, que muito influe no talhe, é o casamento. Esta instituição divina e humana, sacramento e contracto, deve ser velada dum modo rigoroso por nósiafim de que possa garantir uma procreação vigorosa e util para si, familia e Patria. O que domina a creação dos sêres vivos bem o sabemos, é a conservação da especie, isto é, a continuação atravez das idades dos mesmos caracteres physicos e biologicos, para os indivi- duos nascidos duma mesma origem. E' a influencia indelevel dos geradores sobre o ser engendrado que deve ser observada com a maxima frequência. Esta transmissão não se limita aos caracteres essenciaes da especie; ella vae também ás modificações mais ou menos numerosas, sobrevindas nos organismos sob a influencia de causas diversas que têm agido sobre as gerações anteriores, determinadas pelas mu- danças morphologicas ou dymnamicas do typo primitivo. Physiologicamente, o casamento é a união dos sexos para conseguir o fim commum-a perpetui- dade da especie. Em todas as sociedades civili- 77 sadas nada mais é do que a união do homem com a mmher com o fim de associar tudo quanto ha de bom, amavel e affectuoso nos doissêres. O seu fim social é a^rogenitura, a boa educação physica e m< ral dos filhos. O casamento é um factor que muito age sobre o nosso talhe e o da prole futur i. Elle é o antagonista da devassidão e para que possa ser taxado de bom é preciso que haja, da p irte do casal uma certa moderação dos prazeres sexuaes. Mi itos auctores, vendo que nos casamentos precoces e desproporcionados ha sempre um exagero de coito mais accentuado quer no sexo masculino quer 'no feminino, prohibem essas uniões intempestivas. Os auctores europeus advogam em favor das uniões precoces, mas parece que não têm outro idéal senão o de dar a um homem uma joven escrava para satisfazer os seus desejos. A satisfa- ção constante do instincto sexual exerce |uma influencia desastrosa sobre o physico e moral dos dois sexos. E' o que observamos entre os homens que perteicein a familias, as mais ricas da Turquia. Os ricos differem, lá, consideravelmente, sobre este ponto, dos homens do povo. Emquanto estes se di; tinguem pela saude e vigor, aquelles nobres têm geralmente o organismo anemiado e enervado e filhos muito debeis. Vemos, portanto) que o abuso de prazeres 78 sexuaes, além de ser um modificador do talhe do casal, que^se deixa dominar por este instincto, é também um agente diminuidor do talhe dos filhos. Entre nós, como na França, o casamento visa mais interesses pecuniários, do que uma. proge- nitura vigorosa que possa ser util á familia e á Nação. A todo momento vemos sêres tuber- culosos, syphiliticos e alcoolatas, unirem-se a outros sãos só pelo facto de possuírem alguns pares de contos !! Em parte não podemos deixar de dar razão, porque o casamento por amôr fortifica a alma e enfraquece o corpo, por falta de dinheiro para a boa manutenção, integra da vitalidade organica. Mas, por outro lado, nos casamentos effectuados a pezo de ouro, temos a bôa integridade organica. porém a fraqueza, em maior grão, da familia futura. Podemos mesmo dizer que é para bem dé dois e desgraça de muitos. O que é real, é que esta segunda forma de casamento é observada commumente entre nós, sendo mais sonhada pela mulher, porque esta não o comprehende comp necessidade presente e futura e sim como uma fonte de luxo, vaidade, prazeres, e exhibições. Basta dizer que, quando se diz que esta ou aquella senhora vac casar, e se isso é dito a vista duma mulher, ella exulta iogo: Deus que a proteja, que seja muito feliz, que traga o descanço completo!! Descanço! Con. dição necessária para a felicidade da mulher | 79 Ridícula imposição exigida pela mulher e pela nossa sociedade!! Podemos dizer que a mulher prefere abdicar os seus direitos de sêr humano, para transfor- mar-se num germen parasitario pernicioso !! Devemos notar, entretanto, que esta ociosidade augmenta os desejos sexuaes e traz como conse- quência perigos para os filhos, diminuindo-lhes a vitalidade e determinando um abaixamento con- siderável do talhe. No Brazil é muito commum। H cto classes ricas, encontrarmos famílias inteiras transformadas em verdí deira pathologia e seus descendentes com- parti.harém dessas vantagens; ao passo que obsei vamos o inverso nas classes chamadas- re- medi idas. Na classe pobre observamos também o me ;mo que nas ricas, devido a inexplicável indokncia que a domina. Os casamentos preco- ces e desproporcionados são também modifica- dores sensíveis da nossa estatura. Sale faz notar que a idade de casamento ou de maturidade é fixada a 15 annos e que esta de- terminação está apoiada sobre a tradicção do prop leta; bem como Abu Hanifah pensa que aos 18 a inos será a época mais conveniente. Ai hamos mais razoavel a opinião de Debay que marca a idade de 25 a 40 para o homem e 18 a 30 para a mulher. A consanguinidade não tem influencia sobre a estatura. 80 Parece, pois, termos dado ligeiramente o que ha de mais importante no casamento sobre a esta- tura e quaes os meios de corrigir os abusos observados a todo momento. Os seres, originados de duas raças differentes, podem apresentar um augmento no talhe, quando o cru sarnento não é permanente de duas raças mães; e diminuição quando isto occorre. Mas, devemos nos lembrar de que ainda aqui não é a raça a unica responsável pela determinação do talhe e sim, além do seu auxilio valoroso, desta com a reunião de outros factores, de que ha pouco falamos anteriormente. A idade muito influe nas variações do talhe. Cremos que não ha ninguém que possa negar a desigualdade apresentada pelo talhe nos di- versos periodos da nossa vida. Quetelet diz que o homem, no momento do seu nascimento, accusa5: i centimctros; aos 19 annos apresenta uma parada de quasi 15 centimctros, que depois é reconstituida nos onze annos seguintes. Durante o primeiro anno da nossa existência o talhe augmenta muito rapidamente : a criança de um anno tem uma vez e meia de seu talhe do nascimento. Depois o augmento é menos rápido até attingir a idade de quatro annos, na qual o talhe tem duplicado, em relação ao do nascimento. Na idade de quatro annos o crescimento é ainda mais lento, até a época da puberdaée, 81 durante a qual ha uma nova parada com diffe- renças sexuaes sensiveis. As meninas crescem mais rapidamente do que os meninos de 10 a 15 annos; mas depois de 15 annos os meninos recuperam a superiori- dade e augmeutam, principio ligeiro, depois lenta nente, até a idade de 23 annos, na qual attin ;em quasi seu talhe definitivo, emquanto que entre as raparigas o crescimento em talhe parece parar aos 20 annos. Vemos, pois, que o talhe varia, conforme o sexo. Topinard observou, em experiencias que fez, que entre os povos de talhe inferior a l^óO a differença entre os dois sexos é de 0?07 a 0n?08 emqvanto que entre os de talhe superior á 1T70, é de O1? 14. Qualquer que seja o talhe, a diffe- rença é sempre igual a um duodécimo do talhe do homem. A estatura dos meninos é maior a parti: de 5 annos de idade; mas de 7 a 9 annos as meninas recobram o que perderam em cresci- ment5, excedendo-o de 9 a 11 annos. Aos 12 annos adqu rem um mais alto talhe e conservam até 17 annos depois do que, os meninos as excedem. ICllas crescem mais cêdo, porem menos do que estes últimos, porque depois de 17 annos pouco se avantajam em estatura ao passo que o homem cont' lúa a crescer durante vários annos. Ai istotele^ diz que as raparigas crescem mais promptamente e chegam á força da idade mais cêdo do que os rapazes. 82 O maior accrescentamento annual em estatura se opera aos 12 annos para as raparigas e aos 16 para os rapazes; para estes precede; dois annos a puberdade. Finalmente, os phenomenos de crescimento são mais rápidos entre o sexo femi- nino e menos prolongados do que no masculino, que é mais lento e mais prolongado. Para Baelz, o talhe dos japonezes augmenta depois da puberdade oito por cento, emquanto que o dos europeus augmenta treze por cento. Os Drs. Hamada e Sasaki dizem que o cresci- mento se retarda sensivelmente entre os homens japonezes a partir de 16 a 18 annos e para aos 28 annos. Ha varias controvérsias, dizendo-se que os negros, os melanesios e malaios attingem o |máximo do seu talhe entre 18 a 21 annos. Vemos mais uma vez a desharmonia que ha na determinação do talhe definitivo, explicando-se isso pela alteração produzida pelo concurso de diversos factores. Para Quetelet o corpo humano se desenvolve da maneira seguinte: ao nascimento sua exten- são é de 500 millimetros; augmenta 0T20 no primeiro anno de vida, O1? 10 no segundo, 0^06 a 0^37 no terceiro. De cinco a seis annos o augmento em talhe é, na média, de 0n?055 por anno. A partir de 16 annos o augmento se faz duma maneira muito lenta; aos 25 annos o cres- cimento está terminado. Dunant de Génova contesta este ultimo termo 83 de crescimento, dizendo que achara entre sol- dados suissos o talhe médio de 1^674 aos 20 annos e de 1T688 de 26 a 30 annos. Segundo Bowditch e Baxter, na America o máximo do talhe estará attingido aos 35 annos e não aos 20, 25, 30, como querem outros. As taboas de Lelut se mostram favoráveis á opinião de Bowditch e Baxter. Alguns têm querido dar talhes definitivos, e que nos sirvam de norma, nas differentes idades, mas isto é impossivel, porque para tal determi- nação concorrem differentes factores, os mais desemelhantes. Assim é que Quetelet diz que o homem de 20 annos apresenta um talhe médio de 1!P669 e o de 30 annos l^ÔSô. O Dr. Liharzik de Vienna, que muito tem investigado o assumpto, tem achado os talhes médios seguintes: á 20 annos l^ó?, a 21 1?69, a 22 r?71, a 23 l™73, a 24 l'?75. Das pesquizas do Dr. Benjamin resulta que o talhe médio é de 1T702 entre 83128 iríandezes de 21 a 25 annos e entre os soldados dos Estados-Unidos, de 1^705 de 26 a 30 annos, attingindo 111 aos 34 annos para depois decrt scer. «Topinard crê que o talhe augmenta regular - mente até 20, 25, 30 annos e mesmo acima, segui do os individuos, e que, algumas vezes de 20 a 25, chega ao seu máximo». O tempo que vae dos 35 aos 50 annos é de- 84 nominado - equilíbrio do talhe - porque nesta occasião não observamos augmento ou dimi- nuição. A partir de 50 annos é que o talhe diminue. Finalmente, tudo que tiver effeito mão sobre a nossa saude, durante o periodo de cresci- mento, repercutirá sobre a estatura. Assim é que notamos em as crianças, que desde tenra idade são entregues a serviços peno- sos e por conseguinte ;diminuidos de vitalidade, o desenvolvimento é muitíssimo embaraçado e ha um retardamento e diminuição considerável de talhe, quando chegados ao termo definitivo. Temos sómente até então nos occupado do vivo e normal e proseguiremos em o seu estudo, permanecendo indifferentes aos casos terato- logicos. Conforme a estatura, podemos dividir os homens em altos, | médios e pequenos. Para differenciar os homens altos dos gigantes e os pequenos dos anãos, temos um caracter de muita importância. E' que entre os gigantes e anãos observamos a esterilidade e a desharmonia dos membros com o busto, ao passo que nos altos e pequenos é a esterilidade observada raras vezes; deixa de ser um facto normal e ha uma harmonia entre os membros e o busto. Inda mesmo que se observe predominância destes ou daqueíles membros, nos pequenos e altos, não é tão exagerada como nos gigantes c 85 anãos. Além destes caracteres, temos outros, como a macrocephalia, etc. Não poderemos elevar o talhe daquelles que o apre^ entarem diminuído ? Pc demos, e para isto temos um meio que pas- samos a descrever. Até a idade de 45 annos o vigor pode augmentar e o corpo se transformar. Poucos homens attingem seu talhe normal. Diz-se geralmente que a natureza nos dá um talhe immutavel, e não se procura, erradamente, modificar por meio de esthet:ca. Podemos fazer de uta anão um gigante, sendo logico, entretanto, accrescer o talhe em notáveis proporções por praticas muitos simples. Nosso corpo comprehende tres segmentos distinctos: cabeça, tronco e membros. Na idade adulta é impossível augmen- tarmos a extensão das pernas e a altura da cabeça, mas jodemos conseguir o augmento do tronco. Este, em sua parte posterior, termina na columna vertebral, podendo esta soffrer modificações para mais ou para menos. Para mais, no augmento do talhe de 5 a 8 centímetros, para menos com diminuição do talhe até 7 centímetros. Tomemos um exemplo, para melhor esclarecer a questão: supp unhamos um talhe de ln?65 e teremos Para mais: 1T65 + 8 cent. = 1T73 Para menos: 1T65 - 7 cent. = A extensão da columna e o talhe do indivíduo 86 podem variar do estado de extrema vitalidade ao de atrophia completa dos meniscos, como vimos, cerca de 7 centimetros: mas esta differença é poucas vezes observada, porque nem todos os meniscos soffrem degenerescencia completa; alguns permanecem em estado de vitalidade, havendo, neste caso, perda somente de 3 a 4 centimetros. A columna vertebral é constituída por uma haste ossea composta de vários segi- mentos empilhados, vertebras, em numero de 32, superpostas umas sobre as outras e separadas pelos meniscos intervertebraes. São reunidas por ligamentos e musculos, podendo executar movimentos de flexão, extensão e rotação. A natureza dos meniscos é fibro-cartilaginosa e tem por fim, não só evitar o contacto, e portanto gosto dos mesmos, mas também manter a soldadura das vertebras e assegurar sua facil mobilisação. Os meniscos soffrem modificações importantes, segundo o habito do indivíduo. Entre os sedentários e aquelles que não dão uma grande mobilidade a sua columna vertebral, os discos fibro-cartilaginosos interpostos entre as vertebras tendem a se atrophiar, a se esmagar, a se transformar em tecido osseo como vemos entre os velhos Estas modificações são bem sensíveis nas regiões lombar e dorsal, devido á menor mobi • lidade das mesmas. A nossa columna contem 22 destes meniscos intervertebraes medindo cada um 3 a 4 mijlimetros de espessura, susceptiveis de 87 diminuição por degenerescencia até um millime- tro, variando o talhe do estado de vitalidade ao de atrophia completa dos meniscos, cerca de 7 centímetros. As vezes este numero é attingido, sendo raro, porem, porque nem todos os menis- cos chegam a soffrer esta degenerescencia com- pleta, podendo attingir uma diminuição de talhe de 3 a 4 centimetros. E -te esmagamento das libro-cartilagens-não é exclusivo ao fraco, pois, nos robustos podemos ver, sobretudo ao nivel do dor^o e lombos, a revelação deste processo. Comprehende-se que numa dezena destas cartilagens ha perca, por este facto de 2 millimetros e meio de sua altura e;notamos que o indivíduo diminue 3 centimetros de talhe. Além deste factor de diminuição temos também como causas que concorrem para fazer os homens menores do que deveriam ser. as flexões e os desv .os da columna vertebral. Quando a criança nasce, apresenta sna columna vertebral rectilinea; é uma linha recta que vae da base do craneo á bacia. Entre as bem desenvolvidas esta rectidão se m antem por muito tempo até os dois ou tres primeiros annos de existência. Com a idade, a columna vertebral soffre incur- vações, como se ella abatesse com o pezo do todo que sustenta. Notámos a principio a for- mação e exagero da curva dos rins; o ventre, consecutivamente, se acha lançado para diante, 88 abahulando-se muito desgraciosamente, sem que se trate dum caso de obesidade. Quasi ao mesmo tempo observamos uma segunda curvatura vol- tada em sentido inverso; é , a deformidade dos dorsos redondos. Podemos mesmo dizer que ninguém actualmente escapa a estas duas taras; é preciso que se exagerem, para ser consideradas como enfermidades. Nada achamos ahi de na- tural; só pelo facto de ser frequente, não pode- mos considerar normal, porque é proprio da per- feição de ser a excepção. A curvatura da columna vertebral não só des- feia o indivíduo, mas também diminue o talhe, pois é claro que uma haste não se curve sem diminuir de extensão. Neste caso o numero de centi netros perdido pode ser muito considerá- vel, varia vel, portanto, conforme o grão da cur- vatura. Tomaremos um numero médio: suppo- nhamos uma porção dorsal da columna vertebral, tendo em linha recta uma extensão de 20 centi- metros; se ella se curva de maneira a dar um arco de circulo, cuja flecha meça 2 centímetros, sua altura diminuirá cerca de 1 centímetro e meio. A curva lombar inversa dará resultado analogo, fazendo com que a perda em altura attinja a 3 centímetros; isso para as curvaturas muito banaes, e que se consideram como nor- maes. Km gráos mais avançados, os desvios ver- tebraes tornam-se enfermidades segundo a decla- ração de todos os scientistás. 89 Estes exageros, quando no dorso, chamam-se cyphoses, e quando nos lombos, denomina-se lordoses. Os obésos são attingidos destas taras, sobretudo da segunda; é que o pezo do seu abdó- men os leva a curvarem-se para traz, por uma simples lei de equilibrio; por compensação, para que í cabeça não seja levada para traz, a parte dorsal da columna exagera sua curva para diante. As vezes notamos desvio lateral da co- lumnt, devido a scolioses. Os musculos que regularisam u boa superpo- sição das vertebras, o não achatamento dos discos, e os seus movimentos, são de duas or- dens: os extensores, musculos posteriores e os flexores musculos anteriores. Podemos considerar estes musculos, como for- mam.o um systema que se denomina compen- sador. Estes musculos vertebraes se inserem por digit: ções ás apophyses das vertebras. Da har- mpni i de fu^ccionamento dos musculos flexores e extensores é que nasce a bôa direcção da co- lumm vertebral Se um dos musculos se relaxa a acçio daquelles que são oppostos predomina e se apresenta a curvatura da columna. Para que a columna fique em linha recta é preciso que o systema compensador seja bem equilibrado e que haja igualdade em força e funccionamento. Quando, por posições viciosas intensas, dei- xamos se atrophiar certos feixes musculares, 90 observamos um desvio vertebral, porque sabemos que se atrophia todo musculo que não funcciona. Se realizarmos um desenvolvimento harmonico do systema compensador, poderemos: Augmentar 1 a 3 centimetros, assegurando um trabalho normal aos discos intervertebraes que, em lugar de se anàylosar, ganharão em vita- lidade e augmentarão de espessura ; Augmentar de 3 a 10 centimetros com repa- ração completa das curvaturas vertebraes; Curar completamente todos os desvios patho- logicos, cyphoses, lordoses, scolioses, quando os ossos não estão definitivamente soldados em posição viciosa. Desbonnet inventou um apparelho, a que de- nominou zgrandisseur», que tem por fim obrigar os musculos a trabalharem igualmente, tendo também a vantagem de promover uma ligeira distensão dos discos intervertebraes, augmentando a vitalid de muscular do individuoe do seu talhe. Esse apparelho compõe-se do seguinte: 1? Duma corrêa. formando cintura. 2? De outras duas corrêas fixadas para diante e para traz desta cintura e podendo se ajustar ao talhe do indivi- duo. 3? De dois estribos, fixos aos pés e munidos em seu lado exterior de duas pequenas roldanas. 4? De dois cordões de caoutchouc, cujas extre- midades são munidas, uma de um punho que o individuo segura, outra de uma clavina que se fixa a um annel da cintura. Estes cordões passam 91 nas roldanas dos estribos. O apparelho é muito facil de usar. O indivíduo, assim equilibrado, executa uma série de movimentos cuja direcção geral será sempre parallela ao axe da columna vertebral. Tc dos estes movimentos concorrerão para assegurar, em diversas posições, um máximo de allongamento e rectidão ao rachis; mas elles não se pedem executar, quando o systema compensa- dor é obrigado a vencer uma certa resistência que lhe é opposta pelos cordões de caoutchouc e que attinge precisamente seu máximo nas posi- ções de allongamento extremo. Os diversos elementos do systema compensador têm a vencer esta resistência proporcionalmente á importância de seu papel na reparação normal; resulta que o embaraço que elles soffrem, o desenvolvimento que adquirem pela repetição destes exercícios, asseguram-lhes um poder mais que sufliciente para manter a columna vertebral recta nas condições habituaes da vida. Desbonnet diz ter obtido resultados satis- factorios e fáceis de justificar com o auxilio da toesa. Depois de ter executado duma só vez todos os exercícios, com o apparelho, experi- mentase uma acção de alongamento que corres- ponde á realidade; nas primeiras sessões o augmento do talhe não persiste, o que se obtem com a repetição prolongada. Os exercícios devem ser praticados pela 92 manhã, ao levantar. Por este processo poderemos augmentar o talhe daquelles que acharmos com diminuição, sem que isso traga inconvenientes que determinem a apparição dum estado morbido. Temos, por conseguinte, descripto ligeira, mente o que ha de mais importante sobre o talhe humano. Passemos ao estudo do pezo e sua relação com a estatura. CAPITULO IV Mfl correlação estreita que existe entre o talhe e o pezo é um facto verdadeiro. Todas as pesquizas demonstram que, quanto maior é o talhe, mais o pezo augmenta, e quanto mais este augmenta, mais aquelle diminue. Al- gum; s vezes estas differenças individuaes, deter- minadas pela massa do corpo, de que o talhe é uma das integrantes, vão um pouco mais longe e as causas principaes deste phenomeno são: a raça e as condições de existência. O pezo está sujeito a oscillações individuaes mais importantes do que o talhe. O crescimento do talhe depois duma certa idade, torna-se nullo, emquanto que o pezo con- tinha a augmentar sempre, attingindo o seu maxi no absoluto sómente na idade de 40 a 45 annos. iCste augmento de pezo não se faz duma maneira uniforme, pois está sujeito a periodos de acceleração e retardamento e ao de cresci- mento accelerado do talhe e da circumferencia do thorax. 94 O pezo, propriamente dito, augmenta duma maneira segura e seu máximo se faz mais ener- gicamente do que o das duas primeiras condi- ções mencionadas. O augmento accelerado do pezo começa aos 10 annos e vae até os 18. Partindo da estatura zéro o embryão chega ao nono mez, na especie humana, á estatura de 50 centímetros mais ou menos: este desenvol- vimento observa-se também para o pezo. Vierordt estudou muito esta questão e deu alguns numeros interessantes. No nascimento, o pezo é de 3 kilos na média, a qual comporta as mais numerosas variações. As vezes um phenomeno particular se observa: durante os primeiros dias o pezo dúninue em lugar de augmentar. O recem-nascido não se nutre e evacua o meconium. Usta evacuação se faz durante dois ou tres dias e o pezo cahe, por este facto, de 60 a 90 grammas na média. Para o sétimo dia, em geral, a diminuição do pezo tem sido compensada e o recem-nascido volta ao seu pezo inicial. A partir deste momento é que se faz um crescimento rápido e considerável. A relação do talhe com o pezo não é constan- te ; a média oscilla, nos homens bem confor- mados, de 372 a 402 grammas por centimetro de talhe: a relação não é mais constante com o quadrado dos talhes, como pretende Quetelet, nem com o cubo como adeantou Buffon. Uma lei mais intima (mas ainda indeterminada) liga 95 as relações da circumferencia thoracica ao pezo; a relação simples é cerca de 700 a 725 grammas por centímetro da circumferencia. No nascimento o pezo do craneo é um pouco depo s igual ao pezo de todo o resto do esque- leto ; depois a relação do pezo do craneo com o pezo do esqueleto diminue até a idade adulta e permanece maior nas pequenas especies entre os indiv duos pequenos e as mulheres. O cresci- mento da columna vertebral e o do craneo estão ligados por uma certa relação, porquanto, pela mesn a razão, por que o encephalo e o craneo são relativamente mais pezados. enj geral, nas peque- nas especies, na idade tenra, entre os individuos pequenos e as mulheres, a extensão da columna segm. em seu crescimento relativo, uma marcha parailela. Hccker, baseíando-se no crescimento do pezo do corpo entre o féto masculino e o feminino, organizou o seguinte quadro: Idade Pezo N? de crianças 3? mez 11 18 4? » 57 51 5? » 284 76 6? » 634 51 7? » 1218 52 8o » 1569 64 9? » 1971 81 10? » 2334 93 96 Em quasi todas as crianças o pezo do corpo diminue sensivelmente durante vários dias, de- pois do nascimento. Esta perda do pezo attinge uma média depois de 100 grammas ao quarto dia. Ella ao menos tem a insufíiciencia de nutri- ção. Mas, desde que a lactação é bem estabe- lecida, a criança não tarda em augmentar de pezo muito rapidamente e duma maneira muito regular. Odier, occupando-se do assumpto, deu as mé- dias seguintes: Nascimento Pezo médio 3-250 Augmento quotidiano médio 1? mez 4000 25 grammas 2? » 4700 23 » 3? » 5350 22 » 4? » 5950 , 20 » 5? » 6500 18 » 6? » 7000 17 » 7? » 7450 15 » 8? » 9560 13 » 9? » 8200 12 » 10? » 8500 10 » 11? » 8750 8 » 12? » 8950 6 » Quetelet organizou um quadro da progressão do talhe e do pezo depois do nascimento, até o limite do crescimento, e os numeros mostram 97 que o talhe do homem augmenta até 30 ãnnos e o pezo até 40; que em a época do desenvolvi- mento completo, p talhe é sómente tres vezes maio * do que no momento do nascimento, em- quan :o que o pezo do corpo torna-se um pouco mais tarde vinte vezes mais considerável. O pezo duma criança em seu nascimento, nos diz € uetelet, cresce com o cubo de sua altura; depo s do primeiro anno, este crescimento tor- na-se menos rápido e diminue successivamente. Pí ra os 4 a 5 annos, elle não tem mais do que tm valor entre o segundo e o terceiro poder de sua altura. Aos 12 para os 13 annos, ou me- lhor, no tempo que prezede a adolescência, o pezo relativo do joven tem menos desenvolvimen- to; d 'pois, seu crescimento torna-se mais rápido. Para a idade de 30 annos, época em que o honi( m attinge seu desenvolvimento completo, seu pezo é um pouco abaixo do valor que terá entre dois homens, dos quaes um tenha o cresci- mento com o quadrado e o outro com o cubo de sua a tura. Aos 3 annos, o talhe é de cerca da meta le, aos 7 annos dos dois terços e aos 10 annos dos tres quartos do talhe definitivo. Li larzik estudou o crescimento sobre um pe. queno numero de rapazes e chegóu a formular uma lei, que foi confirmada pelas pesquizas de Raseri. Liharzik dividiu o augmento total do nasci- mento a 25 annos, em 24 períodos. O primeirQ 98 período comprehende o primeiro mez da vida, e cada um dos períodos successivos é sempre dum mez mais longo que o precedente. Um certo nu- mero destes períodos, ligados junctamente forma uma época de desenvolvimento e nos períodos duma mesma época, o crescimento é constante. A primeira época comprehende seis períodos, a segunda doze, a terceira seis. Nos períodos da primeira época a razão do crescimento é de 0m0656; nos da segunda é de 0U06, nos da ter- ceira de O^OS. A circumferencia do thorax cresce pro- porcionalmente ao talhe de 10 a 19 annos, emquanto que o pezo do corpo, capacidade pulmonar e força muscular, crescem muito mais ligeiro do que o talhe. Depois de Quetelet e Pagliani o augmento annual de pezo do corpo é o seguinte : QUETELET Idade Peio do corpo RAPAZES RAPARIGAS G annos lk.9 lk.4 7 » 1. 9 1. 1 8 » 1. 9 1. 2 9 » 1. 9 2. 0 10 » 1. 7 2. 1 11 » 1. 8 2. 4 12 » 2. 0 3. 5 13 )) 4. 1 3 5 99 14 » 4. 0 3. 8 15 » 4. 1 3. 7 16 » 4. 2 3. 5 17 * 4. 3 3. 3 18 » 4. 2 3. 0 19 » 3. 7 2. 3 20 » 1. 9. 1. 1 JPaglianí Idade Pezo TALHE RAPAZES RAPARIGAS 10 a 11 1.67 1.8 3.2 11 a 12 2.20 4. 5.6 12 a 13 3.37 5.4 2.6 13 a 14 1.31 2.5 6.4 11 a 15 6.30 8.6 1.0 15 a 16 2.11 2.6 5.0 16 a 17 1.73 0.2 6.0 17 a 18 1.35 2.9 0. 18 a 19 2.10 1.7 0. Secundo Wiazemsky, de 10 a 13 annos ha uma igmento grande do pezo de 3,1 k. em média annual; depois de 13 a 16 seu augmento máximo é de 5,0 k. annualmente na média com um maxi no absoluto, a 15 annos de 6,3 k. e einfim depo s de 16 annos o crescimento ein pezo diminue até 1,4 k. em média annual de 17 a 100 19 annos. E)m resumo o augmento de 10 a 19 annos é de 31,7 k. O dr. Starkow dá como annos de crescimento máximo, 15, 16 e 17. O dr. Dick colloca todo periodo de crescimento máximo de 15 a 16 annos. Axd Key dá para os rapazes os limites de 10 a 17; o dr. Belaiew de 15 a 16. O pezo relativo do corpo, isto é, a quantidade de kilogrammas de pezo por um metro de talhe augmenta continuamente com a idade; este augmento é mais importante aos 13, 14, 15 e 16 annos: 2,3 k. em média. O augmento total do pezo relativo de 9 a 20 annos é de 14,1 k. Aos 10 annos diz o dr. Dementiew, por um metro de talhe se observa somente 22,36 k. e 2 annos depois, antes do começo do desenvolvi- mento energico do organismo, temos um kilo- gram na de mais. A 14 annos, com o começo de augmento accelerado do pezo, o crescimento annual torna-se duma tal importância, que durar.te cada anno consecutivo deste peripdo da puberdade, por um metro de talhe, tenros mais do qve por anno precedente 1,6 k. a principio, e mais 3 k. em seguida, de maneira que a 18 annos temos já por um metro de talhe, 33,64 k., ou melhor, 11 k. mais do que o observado aos 10 annos. Depois dos 18 annos o augmento do pezo continua a frente do augmento do talhe, mas em gráo menor. 101 Pí ra que se possa denominar - bem propor- cionado- o corpo do homem é preciso que se obsei ve uma relação definida entre a estatura e o pe. o. Eh tre o talhe e a gordura ha um equilíbrio aos 20 a. nos. Para Krause, nos corpos bem proporcionados, a um kilogramma de augmento, em pezo, corres- pond: um crescimento, em estatura, de 2 centi- metr s 9139 ou 3 centímetros. O augmento do pezo não segue a marcha do talhe. A columna de relações, e a estatura no quadro de Quetelet, indic i bem este facto: vê-se que em começo, na infan cia, a relação é 6 ou 7 e que elle augmenta prog essivamente para terminar de 30 a 35 anno , época em que o corpo é mais visinho das prop rções normaes. A brmula de Krause indica também a corre- lação entre os talhes elevados, o que é inade- quad ). Um homem de l'?80 pezará 60 kilos (se- gundo a formula). Bc rnhardt deu uma formula que repousa sobre a cir umferencia do peito, a estatura ou o pezo. E' a seguinte : p^SxT 240 102 Um indivíduo de l'P75 tendo 100 de circum- ferencia do peito deve ainda ter: 1.75 x 100 = 72k.900 24(T Deve-se levar em conta o elemento introdu- zido por Bornhardt, de que sendo a circumfe- rencia do peito um factor importante na capaci- dade vital e o crescimento não sendo normal, esta capacidade é proporcionada á estatura e ao pezo. O organismo tem trez dimensões e é de grande importância que o equilíbrio seja manti- do entre ellas. A corpulência, ou a relação do pezo com o talhe do indivíduo por seu numero notavelmente inferior, deve despertar suspeitas. Depois da formula utilizada pelos médicos militares este pezo expresso em kilogrammas deve ser repre- sentado pelo numero em centímetros acima de um metro. Com relação á mulher esta relação do pezo com a altura deve ser de 3,9; abaixo disto, pode-se consideral-a como muito magra e em perigo. Segundo a formula dos médicos militares, a estatística que apresentamos abaixo está em com- pleto desaccordo, o que não é passível de censura, porque entre nós a desharmonia do talhe com o pezo é muito frequente. 103 ESTUDANTES (ObsTvaçio pessoal) Idade Talhe Peio BRANCOS 19 1"633 46k750 19 1.71 60.250 15 1.52 42.250 16 1.63 52.402 13 1.441 37.225 15 1.492 * 42. 16 1.591 40.950 17 1.439 33.150 18 1.67 63.550 18 1.664 55.100 17 1.633 49.500 15 1.551 49 600 18 1.664 55. PRETOS 13 1.47 30 625 19 1.561 55.115 17 1.555 51. 19 1.51 57.750 Uma tentativa mais recente da correlação entre o pezo e o volume do corpo, foi feita pelo Dr. Kouprianoxy, sendo dado o talhe, a circumfe- rencia thc racica e das partes periphericas do corpo determinando o pezo com uma approximação de 1, lib 'as. O pezo do corpo, ao seu ver, acha-se em correlação directa ao volume de seu corpo e se exprime pelo coefficiente de 0,50234. Formula: Q - 7 a 2 h, 88 104 Q éo pezo procurado; a 2 li o volume do corpo, que pode ser applicado, a todas as pessoas de todas as idades, com a unica recommendação de •bservar-se que com as crianças e adolescentes a diferença entre o pezo calculado e o pezo real, na riaior parte, é negativa, com os adultos é positiva. Esta formulj é de applicação possivel para detei minação do pezo, porque além de muito longo, requer muitas mensurações para a sua reali; ação. O unico methodo que fornece resulta- dos i icontestaveis é o methodo das mensurações directas, depois das series puras do Prof. Petri e das médias. Segundo os cálculos de J. Gaube, o nosso corpo representa um pezo de 68 kilogram- mas e se compõe do seguinte: Agua 44 k. 66 Matérias organicas ..... 21 k. 30 » mineraes 2 k. 04 Existem cerca de tres por cento de mineraes. Vem )s, portanto, a importância que goza o cálcio, sodio, ferro e potássio para o sêr vivo. O sodio exen e um papel preponderante: o nosso organis- mo necessita dé 1 decigramma por dia por kilo^ramma de pezo. Quando o supprimimos, vemc s apparecerem estados morbidos. O potássio é indispensável para o nosso sangue, porque favoiece as oxydações e renova a hemoglobina. Da mesma maneira certos fermentos, como a 105 diastase pancreatica, são importantes para a nossa vida. Quanto ao ferro, basta-nos dizer que, si retirarmos algumas grammas do nosso organismo, veremos a sua parada e morte consecutiva. O sangue, que se acha diminuido de ferro, anemia-se pouco a. pouco e traz a morte. O magnésio, enxofre, etc., gozam também um papel importantissimo. Os mineraes, como vemos, exercem uma influencia considerável no nosso organismo; sua acção se faz notar antes do nascimento e não cessam de atravessãr, em seguida, em todos os sentidos e direcções, as funcções vitaes do organismo. A natureza dos alimentos tem influencia sobre o pezo. Mailing Hansen adoptou um regimen mais rico em azoto (pão branco e leite) (em lugar de pão e cerveja) dizendo ser mais favoravel ao crescimento: viu que em 8 mezes setenta rapazes ganharam 105 libras de mais, observando, porém, que este ganho não foi regularmente adquirido no curso dos 8 mezes e sim em um mez e 6 semanas ou mais. O pezo cresce mais sob uma influencia interna, do que sob a natureza dos alimentos. Brissow, comparando crianças nutridas ao seio, umas pelo leite de mulher, outras po rum regimen artificial, observou que as primeiras não ganham mais do que as ultimas. Finalmente, tudo isto nada significa, pois pre- 106 cisaremos de experiencias muito delicadas, de dosa£ ens das entradas e sahidas, com rações bem sonhecidas e regradas e mesurações cons- tante a do pezo e estatura, para chegar a uma concl isão valorosa. Se undo Mailing Hansen ha tres pcriodos por anno oara o ai gmento em pezo Um menino de 9 á . d annos tem tres períodos de augmento durai te o anno: máximo, mínimo e interme- diari< . O periodo máximo começa em Março e acab; ao meio de Julho; dura 4 mezes e meio. O mi limo vae do fim de Outubro ao meio de Janeiro; sua duração é de 3 mezes. Durante o periodo intermediário o crescimento em pezo é quasi 3 mezes. Quasi todo o ganho em pezo do periolo intermediário perde-se durante o mi- nimo.. O pezo total do corpo depende dum grande ' numt ro de factores. As variações de gordura são as pr ncipaes causas de erro na interpretação do pezo bruto no indivíduo ou duma média ethnica. Sob a influencia do crescimento exagerado do tecid) cellulo-Miposo se vê o pezo do corpo ele- var-s: a 16 k„ 180 k. e mais. D( is irmãos, observados na Inglaterra, peza- vam: um 233 k. e o outro 240 k. Um colosso apresentado ao Rei Jeorge II em 1724 pezava 285 x.; Edouard Bright 298 k. c um outro inglez 317 k. Este ultimo tinha 1'229 duma espadua a outra. 107 As variações do pezo do corpo são enormes na especie humana, independentemente da influencia da obesidade e da gordura. Tem se visto este pezo descer até 8 e 6 k. entre certos anãos. Mas, estes casos 'são teralologicos e não nos prem em a attenção, porque só temos nos occupa- do d< homem normal. A média do pezo do corpo calcu ada sobre um numero sufliciente de obser- vaçõ( s, abstracção feita dos casos pathologicos, representa o desenvolvimento do corpo muito melh >r que o talhe, porque ella representa, não ima só, mas a reunião de tres dimensões. Ao nascer, o talhe das raparigas é de 98/100 relativamente ao dos rapazes; o pezo das rapa- rigas é de 91/100 somente. A ipoca da puberdade coincide com uma acce- leraç ío notável do crescimento e este, sendo mais precoce no sexo feminino, chega a uma epocí,-dos 12 aos 14 annos-em que o talhe e o pez ) dos rapazes se normalisam, e das raparigas, algumas vezes ultrapassam. No fim do cresci- mento o talhe das mulheres é cerca de 93/100 com relação ao dos homens. Na idade de 30 annos o pezo das mulheres é somente de 85/100 de referencia ao dos homens. A mulher adquire o maxi no de seu pezo aos 50 annos; o homem aos 40 ar nos. Este facto é devido evidentemente ao augmento mais considerável da quantidade de tecido cellular da mulher, a partir da idade adulta. £}ste tecido é muito mais desenvolvido relativa* 108 mente no sexo feminino, sem que a differença sexual de pezo, na idade adulta, seja muito maior em relação á desigualdade do talhe indicada acima. A partir de 18 annos é muito pequeno o augmento da massa activa do corpo da mulher, comparado com o crescimento que a mesma massa adquire no corpo do homem. Na idade adulta os dois sexos se acham differenciades quanto á massa activa do corpo, muito mais do que assignalam as differenças do talhe e pezo. E7 um facto que certos auctores desprezaram quando investigaram a diminuição sexual do pezo e do encephalo provirá somente da differença sexual do desenvolvimento do corpo. Na mulher o augmento do talhe é mais rápido, relativamente ao do pezo, do que no homem; de sorte que, a cada idade, a mulher é maior do que o homem relativamente ao pezo, bem que o desenvolvimento considerável do seu tecido cellular sub-cutaneo contribua mais para o pezo do corpo do que para o talhe, quando se trata de sexos e, ainda, que o pezo do corpo seja um termo de comparação evidentemente máo. Bcrtillon, baseiando-se nos quadros de Budin e Ribemont, de 211 recem-nascidos, calculou as proporções seguintes: Relação centesimal Raparigas Rapazes Do talhe eom o pozo do corpo . . . 1,59 1,49 Da ciroumf. da cabeça com o thorax. . 76,4 77,4 Da circumf. da cabeça com o pezo do corpo. 12,2 11,15 109 As sim, o pezo do encephalo augmenta mais ligeiro no sexo masculino, relativamente ao talhe; mais ligeiro no sexo feminino, relativamente ao pezo do corpo. As meninas attingem o pezo máximo aos 7 annos, os meninos mais tarde. Quando o pezo augmenta mais e a estatura men< s, os pedodos de crescimento médio em pezo e em estatura coincidem, e o período de cresi imento em estatura maxima é um período de r ípouso relativo, para o augmento em pezo. Os p íriodos de crescimento em estatura começam e a<abam cerca de 15 dias antes do periodo de crescimento em pezo. A estatura cresce a principio duma maneira fraca, depois duma maneira média, finalmente duma maneira intensa, para voltar em seguida ao crescimento minimo. Milling Hansen falando das variações quoti- dian is menciona o seguinte: Dur; nte o dia o pezo augmenta a estatura diminue o pezo diminue a estatura augmenta Dur; nte a noite E itre 13 e 16 annos a difEerença pode ser de 1 centímetro e de 570 grammas. A temperatura exerce uma influencia notável sobri o pezo; quando o tliermometro sobe, o pezo augi lenta, quando aquelle abaixa, este também, Camerer diz que o pezo augmenta da manhã á tardj e cahe durante a noite. 110 0 pezo do corpo se acha ligado á estatura, não sendo pore'm proporcional. Para Gould, 1 centímetro de talhe corresponde: no hespanhol a um pezo de 364 gr?; no inglez ao de 366 gr?; no francez, belga e suisso ao de 372 gr^; no americano do norte ao de 374 gr?; no allemão ao de 376 gr?; no scandinavo ao de 382 gr?; no negro e mulato ao de 387 gr?; no iroquez a 422 gr?. Admittindo como verdadeiros estes nume- ros, é absolutamente impossível tirarmos uma conclusão. Parece provável que o genero de occupação deve ter um papel principal, ao lado de outras condições do meio, como a nutrição, a duração do somno e os exercícios physícos em pleno ar. Temos, portanto, em ligeiras ponderações sobre o pezo satisfeito o nosso ultimo capitulo do programma que traçamos em começo, pare- cendo-nos ter deixado claro o assumpto que apresentamos como these inaugural. PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de sciencias medicas e cirúrgicas. PROPOSIÇÕES ANATOMIA DESCRIPTIVA I - - A haste ossea que vae da base do craneo á bacia chama-se de columna vertebral ou rachis. Com iõe-se de 34 peças ósseas superpostas, sendo as ce rvicaes. dorsaes e lombares moveis e sepa- rada por discos. II - As peças são separadas por discos fibro- carti aginosos, em numero de 23, muito elásticos e qu< impedem o attrito e gasto das superfícies osseí s fixando-se solidamente entre ellas e lhes pern ittindo uma certa mobilidade, II - Quanto maior fôr a extensão da co- lumra maior será a estatura. Muito influencia taml em na estatura a maior ou menor accen- tuaç .o das curvaturas cervical, dorsal, lombar e sacn -coccigiana, havendo augmento ou dimi- nuiç o conforme o gráo de desvio. ANATOMIA MEDICO-CIRÚRGICA I - - O mais poderoso meio de união da colum- na v< rtebral é o disco fibro-cartilaginoso. Tem a fÕrm i duma lente biconvexa e se interpõe entre os cí rpos das vertebras. II - As suas dimensões variam conforme as re- giõe . Klle é r.iais espesso para diante que para traz. Na região dorsal a curvatura vertebral não depe ide dos discos e sim da maior altura dos cor- pos ertebraes para traz. II' - Pelo espessamento destes discos aug- 114 mentamos em talhe, pelo achatamento dimi- nuímos. HISTOLOGIA I - O tecido osseo é formado de cellulas ramificadas, anastomosadas entre si e mergulha- das numa substancia fundamental dura. II - Nos casos os mais simples constituem laminas delgadas, collocadas no seio do tecido fibroso e desprovido de vasos. III - Nas peças mais volumosas, as cellulas e a substancia fundamental se desenvolvem em redor de vasos proprios e vemos apparecer nellas cavidades cheias duma substancia molle, a me- dulla ossea. Um osso completo comprehende uma bainha fibrosa (periosteo) tecido e medulla osseos. BACTERIOLOGIA I - O coccobacillo hemophilo de Pfeiffer é um microbio vulgar do pulmão, e o productor da influenza. II - W' muito frequente a lithiase biliar como complicação da moléstia. Heyroosky isolou bacil- los da influenza em cultura pura do puz da vesícula biliar. III - Klle está sempre associado ao pneumo- coccus e streptococcus ou ao staphylococcus e o collibacillo. No sangue do doente não o achamos ao passo que depois da morte encontramos no coração. 115 ANATOMIA E PHYSIOLOGIA PATHOLOGICAS I - - As plilebectasias são dilatações das veias. II - São commumente observadas nos mem- bros nferiores. II - Perdem este nome e tomam o de hemor- roidas quando se localisam no recto, e o de varie )céle quando localisadas na veia do cordão espei matico. PHYSIOLOGIA I - O pancreas é uma glandula de secreção inter ia que goza um papel importante nos phen jmenos intimos da nutrição: intervem nos phen nnenos de consumo e de utilisação dos hydr (carbonadòs. II - Fazendo-se a ablação total do pancreas notamos a presença do diabe^tes grave : polyuria, polyc ypsia, polyphagia, hyperglycemia e glyco- suria II -Quando a ablação é parcial o diabetes é mais ou menos ligeiro, conforme a quantidade da g andula conservada. A funeção hemopoietica, glyc( -reguladora do pancreas está localisada em cellu as especiaes, sem relação com os canaes exentores formando empilhamentos conhecidos pelos nomes de ilhotas endocrines ou ilhotas de Lanperhans. 116 THEJRAPEUTICA I - O ferro é um metal preciosíssimo á nossa saudc e vida. Quando uma criança se nutre de leite, alimento pobre em ferro, durante muito tempo, as suas reservas ferruginosas são pouco utilisadas e en':ão apparecem symptomas de anemia ou anhemoglobinhemia; ha pallidez do sangue, descoramento dos tegumentos, das mucosas e fraqueza generalisada. II - O nosso organismo elimina constante- mente ferro; a via de eliminação é o intestino e não o rim como até bem pouco tempo se suppu- nha. E' encontrado nas féses na proporção de 7 a 8 milli grani mas por dia no homem. III - O ferro é absorvido sob a fôrma de com- binação organica. Os seus saes inorgânicos não são nem absorvidos nem assimilados. O ferro orgânico é um agente precioso emquanto que o medicamentoso é inteiramente sem acção para o nosso organismo. MEDICINA LEGAL E TOXICOLOGIA I--0 talhe do homem vivo é mais elevado que aquelle do seu esqueleto sendo a differença de 2 a 3 centimetros para mais no primeiro. II - Podemos calcular o talhe do esqueleto medindo qualquer dos ossos longos (femur e 117 hume *o etc.) e em seguida empregando a for- mula de Rollet. III - Basta multiplicar o numero achado para o femur por 3.66 para o talhe do homem e pelo 3.71 >ara o da mulher; ou multiplicar a extensão do humero por 5.03 ou 5.22, segundo o sexo, para obter-se o talhe do esqueleto. Para cál- culos mais exactos lançaremos mão das taboas de Manouvrier. HYGIENE I -- O exercicio moderado fortifica, emquanto que e n excesso debilita e mata. II - A educação physica, para que nos seja util, equer que a encaremos como um comple- mento da educação intellectual e moral, como um meio hygienico e não sportivo. III - A gymnastica muscular sem a respira- tória nenhuma vantagem apresenta ao individuo que f z uso delia. E' do contrabalanço das duas que nasce a bôa saude e o maior vigor do organismo. PATHOLOGIA CIRÚRGICA I - Os apparelhos engessados são fundados na propriedade que apresenta o gesso de endurecer depois da hydratação. São applicados todas ás vezes que se quer immobilizar um membro ou um segmento de membro. Suas 118 principaes applicações são nas fracturas e nas lesões articulares, tumores brancos em particular. II - Estes apparelhos podem ser a causa de esphacelo, pelos ângulos, bordos mais ou menos cortantes, particularmente nos pontos onde as partes molles são pouco espessas, sobre os tendões; ou por estrangulamento circular parando a circulação venosa. III - Um cuidado diário pode evitar estes inconvenientes; todas as manhãs se deve veri- ficar o estado do membro; velar a posição apropriada do mesmo ; ver se os bordos do apparelho estão ferindo, e neste caso cortar as saliências, finalmente se o apparelho estiver frouxo, por causa da desapparição do edema, o operador tratará de o ajustar. OPERAÇÕES E APPARELHOS I - O genu valgum se produz de ordinário em as jovens pessoas cujo crescimento dos membros é muito rápido. ■ II - O desenvolvimento exagerado e irregalar da extremidade diaphysiaria dá logar a mesma producção. III - Quando esta deformação é tardia nota- mos a persistência das cartilagens de conjugação ao nivel inferior do femur. O seu tratamento varia segando a idade. Na primeira infancia o tratamento deve ser geral e local, na adoles- cência e no estado adulto é somente local. 119 clinica cirúrgica (R cadeira) I - - A massagem se pode empregar no trata nento das fracturas, toda vez que esta inter sse articulações ou esteja localisada na sua visitil ança. II - Ella favorece a formação do callo, dimii ue as dores, restabelece a circulação, evita a ri< eza dos tendões musculares e articulares, finali lente assegura o restabelecimento das funcç ões. III - Contra-indicaremos nas fracturas que apres entarem tendencia a deslocamento, salvo quan lo praticada antes da applicação dum appa ellio inamovível. clinica cirúrgica (2* cadeira) I - - Hemorrhagia é o escoamento do sangue para fora dum vaso sanguíneo. Pode ser arterial, veno.' a ou capillar, segundo a natureza do vaso lezad). Toda hemorrhagia que não para espon- tane; mente ou que não póde ser sustada, por um n eio cirúrgico qualquer, conduz o paciente á mort 2. II - As hemorrhagias dos vasos capillares veno: os e das pequenas artérias podem parar espoi taneamente, ao passo que observamos o contiario nas das artérias e veias calibrosas. III - Quasi sempre neste ultimo caso a morte 120 é a consequência, sendo mesmo improfícua uma intervenção cirúrgica. PATHOLOGIA MEDICA I - A arterio-sclerose é uma perturbação ge- ral da nutrição que traz, como consequência capital, modificações profundas nas paredes arteriaes. II - As suas causas podem ser agrupadas em tres ordens; diatbesicas, toxicas e infecciosas. O prognostico é grave. III-O seu tratamento comprehende : em- prego duma medicação iodurada, por muito tempo, severidade no regimen alimentar, e medi- cação symptomatica. Obteremos, com estes meios, curas illusorias. CLINICA PROPEDÊUTICA I - Certas conformações thoracicas são con- sideradas como predisponentes a tuberculose pulmonar, podendo ser tomadas em consideração na determinação o diagnostico. II - A estreiteza do vertice da caixa thora- cica, o exagero do angulo de Luiz, a diminuição dos diâmetros antero-posterior e transverso da base do thorax nos leva a acreditar que se trata dum indivíduo suspeito de tuberculose pulmonar. III - Estas alterações concorrem muito para a boa determinação do diagnostico. Estes signae§ 121 apresentam uma predisposição relativa e não absoluta. clinica medica (1* cadeira) I - Varias são as entidades mórbidas que concorrem para o abaixamento do nosso talhe. II - Destacamos dentre ellas, como principaes a syp lilis, a tuberculose e o alcoolismo. III - Agem todas por um processo de dismi-" neralisação, abaixando não só, a vitalidade de certos orgãos, mas também de todo o organismo. Estas entidades abaixam o talhe disgraciando-o consideravelmente. clinica medica (2* cadeira) I - A osteomalacia é uma moléstia do tecido osseo caracterisada por um amolecimento devido a des; pparição dos saes calcareos e que se traduz por deformação mais ou menos accentuada do esque eto. E' uma moléstia da idade adulta e avanç ida; não apparece na primeira infancia e rarairente na segunda. E' frequentemente mais obser ada na mulher que no homem. II - Tres são as formas clinicas da osteomala- cia: p lerperab infantil e senil. A puerperal é a mais frequente. III - O prognostico varia conforme a forma observada e segundo o sexo. Na mulher é mais grave que no homem. O tratamento deve consistir numa medicação tónica e reconstituinte. 122 HISTORIA NATURAL MEDICA V I - O trichocephalus díspar vive habitualmente no céco do homem; penetra algumas vezes no appendice cécal; menos vezes no colon e raramente no intestino delgado. II - Existe de ordinário em pequeno numero no mesmo individúo; entretanto, Bellinghan observou 119 em um só cadaver e Rudolphi mais de 1.000. Observa-se nos individuos de todas as idades, nas crianças, exceptuando as de peito. III - Os irichocephalus no homem como nos animaes, parecem ter também as mais das vezes a cabeça enterrada na mucosa; entretanto, segundo Heller, esta perfuração não seria de regra : a extremidade anterior se insinuaria simplesmente entre as dobras superficiaes da mucosa, contendo-os em suas sinuosidades. MATÉRIA MEDICA, PHARMACOLOGIA E ARTE DE FORMULAR I - A absorpção do medicamento varia confor- me a forma em que o empregamos e segundo o estado de agregação da substancia. II - Os liquidos são facilmente e mais rapida- mente absorvidos que os solidos; os medicamentos solidos ingeridos sob certas formas agem melhor que sob outro qualquer estado. 123 II -Podemos transformarmos medicamentos toxicos em medicamentos uteis prescrevendo pequena dóse em grande vehiculo liquido. CHIMICA MEDICA I - - O cálcio é um metal di-atomico que se acha na natureza em estado de combinação ; carb< nato silicato e phosphato. No estado de corpo simples não tem emprego algum em medi :ina. II - Em estado de combinação é muito empre- gado Existe em grande quantidade nos ossos sob c forma de phosphato tri-calcico. III - A existência de maior ou menor quanti- dade de carbonato de cálcio e phosphatos, momente o tri-calcico, muito influe sobre o nosso cresc mento. Podemos mesmo denominar os seus compostos de reguladores do crescimento. OBSTETRÍCIA I--A contracção uterina é um phenomeno mate no activo que tem como caracter essencial ser d dorosa. A contracção precede a dôr e dura mais tempo. II - As contracções podem ser voluntárias ou inter nittentes. Ha geralmente uma relação entre a intensidade da dôr e a força da contracção. A contracção dura 30, 60 e 10 segundos, voltando 124 em intervallos de mais á mais approximados a medida que o trabalho progride. III - Quando ella não se produz podemos lançar mão dos meios seguintes: excitantes mechanicos, thermicos, electricos e medicamento- sos para provocal-a. Dos medicamentosos o melhor é o sulfato de quinino porque a augmenta sem provocar o trabalho. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOGICA I - Chama-se vaginite a inflammação da vagina. Varias são as causas que a produzem sendo a blenorrhagia chronica ou aguda a mais frequente. II - F' também muito frequente no curso da prenhez e nesse caso está ligada ás perturbações da circulação local e ás modificações das secreções. III - O seu tratamento, no curso da prenhez, é muito simples. Faz-se com injecções alcalinas ou de permanganato de potássio, sendo em alguns casos necessário o auxilio de emollientes, PEDIATRIA I - O rachtismo é uma moléstia própria da criança, caracterisada por deformações do esque- leto ligadas a perturbações da nutrição geral. Conforme o gráo de perturbação o individuo pode ser magro ou gordo. 125 II - Pode ser ligeiro, médio, grave, congénito e tardio. Quando é tardio manifesta-se na adoles- cenci i ou por desvios vertebraes ou dos joelhos. III - O talhe do rachitico é consideravelmente modi içado havendo sempre diminuição quando elle a.tinge estatura definitiva. Medicação tónica, reconstituinte, calcica, boa alimentação e ar puro podem conseguir o desapparecimento da moléstia. CLINICA OPHTALMOLOGICA I - Nas perturbações circulatórias da retina, a hyneremia arterial se reconhece pela verme- lhidão da papilla, a hyperemia venosa pela flexuo- sidade das veias que se enchem de sangue e tomam uma côr escura. II - O doente experimenta grande embaraço com a luz; é accommettido de cegueira e não pode trabalhar emquanto permanecem as desor- dens circulatórias que em geral são passageiras. A hyperemia é o resultado de vicios da refracção não corrigidos, inflammações do segmento ex- ternoj dum trabalho excessivo. Muitas vezes tam- bém as perturbações da circulação geral, os tu- mores da orbita e do cerebro produzem desor- dens vasculares. III - A anemia da retina é muito mais rara; é a consequência da compressão da artéria ophtalmica ou duma perturbação da circulação cerebral. As suas consequências são mais graves, 126 CLINICA DERMATOLÓGICA E SYPHILIGRAPHICA I - A syphiles é uma moléstia microbiana, cyclica, especifica e contagiosa, transmissível por inoculação ou hereditariedade. II - Transmitte-se de mãe á filho de dois mo- dos: ou por infecção antes da concepção ou no curso da prenhez. Quando o pae é o unico attin- gido pode se transmittir ao féto. Quando a mu- lher é a invadida pela syphiles a hereditarie- dade é mais manifesta. III-A syphiles é um factor importante na determinação do talhe. Abaixa-o consideravel- mente por desmineralisação geral do organismo. Os casamentos de sêres syphiliticos devem ser condemnados. CLINICA PSYCHIATRICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I - A mimica é a expressão das idéas e sen- timentos, pelos movimentos dos másculos da face e dos membros. II - O fácies é o estado exterior da physio- nomia dependendo de perturbações physicas desembaraçadas de toda emoção ou affectividade* A semeiologia da mimica mcrbida se liga sobre- tudo aos alienados, ás modificações do fácies e ás perturbações nervosas organicas. III - A mimica entre os delirantes é um syndromo que nos permitte orientar no exame do doente. * • Secretaria da Faculdade de Medicina da Bahia em 30 de Oututro de I909. 0 SECRETARIO,