Faculdade do Medicina da Bahia r ~g~ -g~ g < i g < i Apresentada á FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Em 31 cie Outubro do 1003 Para ser defendida pelo Pharmaeeutico c /{nnn/iÀ c Â)c//o c À\ir/>C(\> NATURAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL ( Porto Alegre) AFIM DE OBTER O GRAU DE Doutor em Medicina PISSEB.TAÇÁO (Cadeira do clinica ophtalinologica) Da Adrenalina em ophtalmologia (C10R15AZ38) PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medico-Cirúrgicas B A H I A 1 M P R E N S A E C O N O M 1 C A 1C - Ria Nova das Piincczas-16 I () O 3 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Director.- Dr. Alfiedo Britto Vice-director.- Dr. Alexandre E. de Castro Cerqueira LENTES C4THEDIIATIC0S 1 " SECÇÃO Os lllms. Srs Drs. Matérias que leccionam J. Carneiro de Campos Anatomia descriptiva Carlos Freitas Anatomia medico-cirurgica 2. SECÇÃO Antonio Pacifico Pereira Histologia theorica e pratica Augusto C. Vianna Bacteriologia Guilnerme Pereira Rebello A natomia e Phisiolog. patholegicas 3. SECÇÃO Manoel José de Araújo Physiologia theorica e experimental José E. Freire de Carvalho Filho. Therapeutica 4. SECÇÃO Raymundo Nina Rodrigues Medicina legal Hygiene 5." SECÇÃO Braz Hermenegildo do Amar. L.. . Pathologia cirúrgica Fortunato Augusto da Silva Júnior Operações e apparelhos Antonio Pacheco Mendes Clinica cirúrgica 1* cadeira Ignacio \I. de Almei la Gouveia. » » 2* » 6 " SECÇÃO Aurélio R. Vianna. Pathologia medica Alfredo Britto Clinica propedêutica Anisio Circundes de Carvalho. . . . Cbnica medica 1? cadeira Francisco Braiilio Pereira » » 2/ » 7. SECÇÃO José Rodrigues da Costa Dorea... Historia natural medica A. Victoiiode Ar.uijo Falcão.... Matéria medica Pharmacologia e Arte de formular José Olympio de Azevedo Chimica medica 8. SECÇÃO Deocleciano Rimos Obstetrícia Climerio Cardoso de Oliveira.. . Clinica obstétrica e gynecologica 9. SECÇÃO Frederico de Castro Rebello . . . . Clinica pediátrica 10. SECÇÃO Francisco dos Santos Pereira. Clinica ophtalmologica 11.» SECÇÃ Alexandre E. de Castro Cerqueira Cl. dermatológica e syphiligraphiea i2." SECÇÃO João Tillemont Fontes Clinica psychiatrica e de moléstias nervosas João E. de Castro Cerqueira behastiâo Cardoso Lmz Anselu o da F<nseca em dispenibiliJíule 1 .a secção 2. x> Gonçaio M. S. de Aragão 3. n Pedro Luiz Celestino 4? » Josino Correi* Cotiis 5? » (»." » .1 ão A Garcez Fioes Lentes substitu tos - Os lllms. Sns. Drs, 7? secção P. droda L. C rrascosa 8 a » José Adeodaio do S irzii 9.a » Alfredo F. de Magalhíles 10? » Cloloaldo de Andrade 11? » Carlos Ferreira Santos 12? » Secretario.- Dr. Menandro dos Reis Meirelles Sub secretario.-- Dr. Matheus Vas de Oliveira A Enenliliide nilo npp ovii nem reprovn as opiniões exaradas nas lhe Os que llu sftoapresen tiula* DISSERTAÇÃO Da Adrenalina em ophtalmologia (C10Hl5AzO8) SUMMARIO I Exordio CAPITULO I II Considerações históricas III Preparação da Adrenalina Acção physiologica IV Acção geral V > local VI » hemostatica VII » anesthesica VIII » toxica IX Modo de empregar APPLICAÇÕES DIVERSAS X Em cirurgia urinaria e nos seguintes casos: Laryngite aguda e hemorrhagica - (Edema da larynge - Ablação de polypo da larynge - Ablação das amygdalas - Operações de oto-rhino-laryngologia - Hemorrhagias uterinas - He- morrhagias post-partum - Tumores hemorrhoidarios - Câncer da lingua - Câncer da palpebra inferior- Câncer do seio - Epithelioma da lingua. XI Quadro schematico de applicaçõcs therapcuticas. XII Posologia da Adrenalina. CAPITULO II XIII A Adrenalina em oplitalmologia. XIV Seu emprego nas intervenções oculares: Intervenções nas palpebras - Intervenção no apparelho lacrymal - Inter- venção na conjunctiva palpebral - Intervenção na con- junctiva bulbar. XV Indicações no glaucoma. XVI Emprego therapeutieo da Adrenalina nas affecções oculares: Conjunctivites - Affecções da cornea - Episclerites e sclerites - Irite - Hemorrhagias intra-oculares. CAPITULO I 11 XVII Observações diversas. XVIII Observações de clinica ophtalmologica. XIX Proposições. I-EX0RD10 inconteótavel o grande valor que tem a Therapeutica na óeriação daó ócienciaó que conótituem o curôo de Medicina e Cirurgia. «A Medicina é a arte de curar» - eió uma defi- nição empreótada á elevada ptofióóão do medico e que, como muito bem diz o eminente profeóóor Gilbert, é, propriamente fatiando, a que cabe á Therapeutica. Para não ir maió longe, baóta citar a Faculdade de Medicina de Patió, em que a cadeira deóóa óciencia foi óucceóóivamente occupada por profeóóoreó da eótatura ócientifica de Alibert, Trouóóeau, Grióolle, Germain Sée, Gubler, Hayem, Landouzy e o referido Gilbert, que a profeóóa actualmenle. Eóte, cujo alto mérito é reconhecido, exaltando com ióenção e nobreza oó óerviçoó preótadoó por óeuó col- legaó, refere que Grióolle, apezar de occupar a cadeira de Therapeutica por maió tempo do que a de clínica, neóta, devido certamente aoó VI grandeó tecuróoó hauridoó n'aquella, conóeguíu deixar em óua vida laborioóa de diótincto ptofióóional um traço luminoóo como Patholo- gióta, fazendo parte da pleiade doó grandeó clinicoó do meado do óeculo XIX, na qual figuram vultoó como Roótan, Chomel, Piorry, Bouillaud, Monneret, etc.; Germain Sée e Gubler - douó meótreó que óe dedicaram com amor á Therapeutica, foram ao meómo tempo clinicoó emeritoó e vetdadeiroó Therapeutaó; o primeiro deixou óua cadeira pela de profeóóor de clinica, maó, continuou cultivando-a pelo eótudo de- tido até morrer; o óegundo occupou-a durante onze annoó preótando óerviçoó ptecioóoó, como diz o óeu digno óucceóóor de hoje, áquella ôciencia, em que era claóóico e conóervador, como o primeiro era renovador e revolucionário, mantendo óempre o traço indelevel de óeu elevado engenho. Quem poderá negar o concutóo impreócin- divel da Therapeutica no conjuncto doó conhe- cimentoó que guiam a profióóão do medico ? Enriquecido o theóouro de óuaó conquiótaó pelaó deócobertaó conótanteó da chimica, pro- duzindo oó elementoó com que oó pharmaco- logiótaó e oó medicoó firmam aó óuaó experienciaó óobre o organiómo do homem e doó animaeó, VII vae eóta óciencia, dia a dia, lançando oó óeuó beneficioô óobte a humanidade, no óeu luctar conótante contra a moleótia, provando aóóim o alto valor que tem. Eócolhendo, poió, para diãóertação, em minha prova final obrigada, um ponto óobre Therapeutica, não óó rendo uma modeóta home- nagem aoó meritoó deóóa cadeira, como obedeço á tendencia que óinto, com irreóiótivel óympa- thia, para um doó innumeroó ramoó da clinica, óob o ponto de vióta pratico e ao qual é conóa- grada a maior porção de meu deópretencioóo trabalho, para o qual peço a benevolencia doó meótreó. CAPITULO l II - Rapidas considerações históricas A Adrenalina, também conhecida na França Sob as denominações de Renalína, Ischemina, Suprarenina, Epincph) ina e Sphymogenina, é um producto do reino animal: é o principio activo das glandulas suprarenaes, bolado em 1901 por Jokicki Takamine. ApreSenta-se sob a forma de um pó esbran- quiçado, polymorpho, crystallino, cuja formula empírica, segundo o seu descobridor, seria Cl0Hl5AzO3, e segundo Aldtich C9H13AzO3. Gozando das mesmas propriedades possuí- das pelo extracto de capsulas suprarenaes, (*) tem, entretanto, a vantagem de ser um producto definido, de facil conservação e effeito constante; parece ser, além disso, segundo conclusões (*)0 termo capsula consagra um erro dos antigos anatomistas: glandulas suprarenaes seria preferível. Charpy. DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA 10 experimentaes, seiscentas e tantas vezes mais activa do que aquelle. Os médicos americanos tecem os maiores elogios a esse novo producto, cujas vantagens no campo da clinica, acredita-se sejam incalcu- láveis, á vista das innumeras applicaçõeS, em que foram obtidos resultados de maxima uti- lidade. Mareei Lermoyez teferindo-se a elle, cha- ma-o «um grande medicamento do faturo ». Apparecendo vinte annos depois da cocaina, que revolucionou a cirurgia, apresentou-se sem grande alarme a Adrenalina na America, como irmã gemea daquella-completando-lhe a aeção, que supprime a dor em beneficio do operado, e, por meio de seu admiravel effeito de vaso constrictor de energia inexcedivel, veioóupptimir as hemorthagiaó, que constituem enormes emba- raços na technica do operador; por isso-diz elle - esse medicamento, por seu maravilhoso poder de hemostase preventiva, merece o cognome « ale doide da faixa de E march ». O Dr. Suarez de Mendonza, tratando com proficiência do emprego deste alcaloide, cujas propriedades vaso-constrictoras e ischemianteS estão firmadas pelos felizes resultados obtidos com o Seu emprego, baseou-se em importantes pesquizas e communicaçõeó que muito valem por serem de auctoridades como Schymonowitz, ARMANDO BELLO BARBEDÔ 11 Gyboubóky, Olivier, Schaeffer, Konigótein, Bidl, Sharp, Bateó, Louió Dor, Darier, Landolt, Perret, Weóóely, Moure Botey, etc., etc. III - Preparação da Adrenalina Segundo o Dr. TtivaS, em sua these inaugural, é este o modo de preparação do importante alcaloide, conforme publicou pela primeira vez o Dr. Takamine: A capsula supratenal, finamente desaggre- gada, é mergulhada n'agua durante cinco horas, aquecida a uma temperatura variando entre 5o e 8o.0 centigradoó, tendo-se o cuidado de agitar, augmentando depois a temperatura a go e g5°, mantida assim durante uma hora, de modo a provocar a coagulação dos corpoó albuminoides. O principio activo da glandula (Adrenalina) óendo avido de oxygeneo,com o qual forma uma substancia inerte, é necessário evitara exposição do liquido ao contacto do ar, o que se consegue por meio de uma camada gordurosa (oleo) que, fluctuando na superficie da massa liquida, não deixa produzir-se uma evaporação muito rapida, preenchendo assim o fim que se tem em vista. Separa-se por pressão a parte liquida que encerra o principio activo e mergulha-se durante muitas horas a massa residual n'agua quente, 12 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOG1A levemente acidulada com acido chlothydrico ou acético, para extrahir a quantidade de prin- cipio activo que ahi poóóa exiótir. A'ó óoluçõeó reunidaô óão addicionadaó 2 ou 3 vezeó óeu volume de álcool forte, para pre- cipitar a5 materiaó inotganicaó e organicaó inerteó. Aó ôubótanciaó inerteó aóóim óeparadaó óão lavadaó no álcool a fim de óerem tanto quanto poóóivel óeparadaó do principio activo que poóóam conter. A ôolução alcoolica é, então, evaporada, de preferencia in vácuo, por eóóe meio todo 0 álcool utiliôado é recuperado e ao liquido reóidual junta-óe depoió ammoniaco, até que a ôolução torne-ôe francamente alcalina, depoió do que é abandonada a ôi meóma du- rante uma hora, finda a qual, forma-ôe um precipitado amarellado, que é a Adrenalina bruta, óob óua forma baôica. O precipitado é filtrado, depoió lavado e óujeito a proceóóo de óeccação. A Adrenalina precipita-óe ordinariamente óob a forma de uma maóóa levemente amarellada, formando agglomeraçõeó de cryótaeó em agulhaó muito delgadaó e acha-óe mióturada com materiaó córanteó e com algumaó materiaó inorganicaó, óobretudo phoôphatoô: não é, poió, aóóim obtida, abóolutamente pura. Para obtel-a neóóe ultimo eótado, convém deóembaraçar 0 principio activo daó ultimaô 13 ARMANDO BELLO BARbEDO impurezas e assim ficará chimicaments pura. A ultima manipulação consiste em dissolver a Adrenalina bruta em um acido, addicionado de quantidades sufficientes de álcool e de ether. Produz-se, então, um precipitado pardacento, composto de matérias corantes e de impurezas inorgânicas, precipitado esse que é separado por decantação e filtração. Finalmente, o ultimo producto é ainda tratado por filtração e lavagem n'agua e obtem-se assim um precipitado branco crystallino - a Adrenalina. Este precipitado é obtido depois do processo de seccação indispensável, precedida das la- vagens successivas nagua e no álcool. A Adrenalina combina-se com os ácidos para formar saes e assim Takamine obteve quatro sortes de saes que terei occasião de citar. * ACÇAO ' HYSIOLOGICA IV - Acção geral Introduzida na economia, em dóses infinite- simaes, produz instantaneamente uma vaso- conótricção de maxima energia e forte elevação da tensão arterial. Sendo sua acção a mesma da do extracto, calcula-se, entretanto, que a da Adrenalina seja de seis a setecentas vezes 14 DA ADRENALINA EM OPHTALMÔLOGIA maió poderoôa, o que a torna conôidetavel ( ha quem a julgue 1000 vezeó ). Mareei Jacqueó affitma, baôeado em expe- tienciaô, óet ella em injecção intra-venoóa, um eótimulante do nervo vago, excitante da contracção cardíaca e da túnica muôculat doó vaôoô, elevando, portanto, a pteôóão óanguinea; e um medico americano demonôtrou que em ôolução de 1/200.000, injectada no ôyôlhema netvoôo, produz 0 notável alcaloide um augmento ôenôivel da pteôóão do ôangue. O proptio Takamine e 0 Dt. Houghton, (*) ptofeóôot de Phatmacologia experimental do collegio de Dètroit, provaram que uma injecção de 0,000016 da gramma cm um cão de i5, 5 kgtó elevou a pteôóão óanguinea de 9 millimetroó de mercúrio. Outraô expetíenciaó foram feitaô neôte ôentido e repetidaô muitaó vezeó com reôultadoô ôenóivelmente identicoó. No homem, ôegundo refere 0 Dt. Chatleô Ré-erat, tratando do emprego da Adrenalina em cirurgia urinaria diz que 1/200.000 da gramma do alcaloide injectado naó veiaó do homem é (*) The pharmacology of the suprarenal glanãs and a methodo of assasing the produts (Journal of the American Medicai Association, 18 janv. 1902.) ARMANDO BELLO BARBEDO 15 baótante para produzir um effeito phyóiologico muito accentuado. Eótudoó experimentaeó detidoó e maió recenteó, feitoó por Carnot e Joóóeran (") moótram que a acção da Adrenalina óobre a preóóão varia conforme aó viaó de penetração utilizadaó; compararam elleó a acção de uma meóma dóóe óegundo o modo de injecção vaó- cular e concluiram o óeguinte: «A injecção de uma fraca dóóe na veia peripherica é de todaó a maió activa, a que atraveóóa o figado o é muito menoó, a que atraveóóa uma rede muócular o é menoó ainda e, finalmente, a que atraveóóa ao meómo tempo o inteótino e o figado é inactlva. V - Acção local «E' de todoó oó conótrictoreó, o maió po- detoóo que óe conhece» - diz Letmoyez. Régerat cita que Trivaó, applicando uma óolução de i/iooo (é uóada em oculiótica e delia fallaremoó em capitulo eópecial) no interior daó foóóaó naóaeó tornou quaói immediatamente branca, por ióchemia, a mucoóa pituitária, determinando umaretracçào violenta doó tecidoó (°) Comptes rendas de la Société de Biologie, 20 dec. 1902, 16 DA ADRENALINA EM Oi HTALMOLOGIA doó cornetoó, óendo o effeito tão intenóo no começo como no fim de uma hora. Uma óolução i para 5.ooo até i para 10.000, produz na latynge uma anemia intenóa da reó- pectiva mucoóa e meómo daó cordaó vocaeó ( S. Reynoldó). Quando tratar da applicação referente ao objectivo principal deóta theóe, óalientarei o grande papel do heroico agente aqui eótudado, deóempenhado pela óua acção local, particular- mente naó affecçõeó doó olhoó. VI - Acção homostatica Por óet um vaóo-conótrictor poderoóo, a Adrenalina é forçoóamente um hemoótatico, preótando, por conóeguinte, teaeó óetviçoó em certoó caóoó de hemorrhagiaó. Régerat refere óuaó applicaçoeó com bonó reôultadoó para óuó- pender epiótaxió graveó, hematemeóeó, metror- thagia reóiótindo a toda therapeutica e meómo hemoptyóeó. Conforme peóquizaó feitaô por Carnot e Joóôerand (*) relativamente á acção hemoótatica do agente em queótão óobte aó differenteó viô- ceraó, reóulta que, em injecção intra-venoóa, não (*} Comptes rendus de la Société de Biólogie, 29 nw. 1902. ARMANDO BELLO BARBEDO 17 determina hemoótaóe vióceral, na óubcutanea não produz acção hemoótatica nem elevr.ção da pteôóão arterial e na intra-parenchymatoóa local no nivel daó differenteó viôceraó (rinó, eótomago, figado, pulmóeô, etc.) não provoca egualmente hemoôtaóe, pelo menoó em doóeó inoffenóivaó. VII - Acção anesthesica Como todoó oó agenteó cuja óimpleó applicação local produz vaóo-conótricção, é a Adrenalina lambem um aneôtheóico; e,neóte ponto de vióta, não poderá óer comparada com a cocaína, da qual é um auxiliar precioóo, o que lhe dá uma condicção notável. Effectivamente, a aôóociação deôteô douó productoó permitte que óejam empregadaó quantidadeó menoreó da ultima para obter uma aneótheóia maió intenóa e maio prolongada. Além do que, actuando óobre mucoòaó inflammadaó, a Adrenalina determina uma deócongeótão rapida e permitte que a cocaina produza ôeuó effeitoó, que falham anteó doó ptoduzidoó por aquella (Moure e Brindei). Um facto ainda notável é a raridade com que óe dão intoxicaçõeó agudaó pela cocaina quando óeu emprego efeito aóôociando-a á Adrenalina: éo que tem óido obóervado-a peloó medicoó laryngo- logiótaó americanoó e francezeô. 18 DA ADRENALINA EM Oi HTALMOLOGIA VIII. - Acção toxica Apezar de Takamine conôidetar o producto de ôua deôcoberta iôempto de acção irritante, to.xica ou prejudicial, oô reôultadoô da experimen- tação e da clinica não confirmam eôta apreciação optimiôta. A Adrenalina, poiô, manejada com prudência, é inoffenôiva, convindo conhecer aô dóôeô de applicação para unô e outroô caôoô. Monte (de Boutdeaux) (*) obôetvou, apóz ôua applicação, algumaô perturbaçõeô, taeô como : hydrorthéa profuôa, ôenôação de vacuo e vertigenô (iôto com ôoluçõeô de i para 5.ooo). Debtand aôôignalou em um de ôeuô doenteô que tomara 20 gottaô de chlorhydrato de Adrena- lina (ôolução de 1 para 1.000 ) accidenteó com- pataveió aoó da embriaguez quinica (vertigenô, obnubilaçõó, zunidoô noô ouvidoó, etc.) Apezar deóóeó accidenteó, adminiótrou elle noô diaó óeguinteó e óem inconveniente algum, 15 e depoió 10 gottaó da meóma ôolução, dimi- nuindo ôucceôôivamente uma gotta por dia até obter a cura completa, ôem que tiveôôe ôobre- vindo nenhum outro accidente. (* ) Revue Jiebd. de laryngol, 1202, n. 22, pag. 66. ARMANDO BELLO BARBEDÓ 19 O Dl. Rouóóel, tratando de uma mulher que óoffria de metrite hemorrhagica e fazendo- lhe applicaçõeó locaeó da óolução de i para 1000, dando internamente, no começo, 5 e depoió 10 gottaó da óolução por dia, viu óua doente apre- óentar no óegundo dia vertigenó, anciedade, arythmia catdiaca, etc. Eóóe phenomeno reproduziu-óe, accentu- ando-óe maió óobre a tarde e de noite ao ir a doente para o leito: no fim de meia hora appa- recia o óomno, pondo termo áó perturbaçõeó circulatoriaó. Eóóe eótado peróiótia óómente durante a medicação. Aquelle medico empregara muitaó vezeó com óucceóóo o medicamento em diveróoó caóoó de hemoptyóeó, hematemeóeó, hemor- thagiaó cetebraeó, etc. Souqueó e Mourel (*), utilióando injecçõeó óub-culaneaó de meio até um milligrammo de Adrenalina para combater a hemoptyóe doó tióicoó, obóetvaram accidenteó: cephaléa, ver- tigenó, nauóeaó e uma óenóação de conótricção thoracica. Eóóeó phenomenoó não óe davam depoió da dóóe de meio milligrammo e óim na de um. O Dr. O. von Furth publicou um caóo de intoxicação grave produzida por uma injecção (*) BuUetin Soe, Med. des liôpitaux, 20 novembre, 1902. 20 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA de Adrenalina na urethra de um homem para óuótar uma hemotrhagia conóecutiva á urethro- tomia: ceóóou a hemorrhagia, porém o doente foi acommettido de óyncope e convulóõeó doó membtoó. Oó acceóóoó convulóivoó e óyncopaeó repetiram-óe algumaó horaó. Eóóeó caóoó vatiadoó de intolerância pro- vocaram peóquizaó exactaó óobre o gráo de toxidez do alcaloide de que trato, óalientando-óe aó feitaó por Battelli e Taramaóio e aó de Bouchatd, Henti Claude e Mouóóetqueo appli- caram em injecçõeó em cobayaó e coelhoó, provocando a morte noó ultimoô uma dóôe oócillando em torno de um centigrammo; e, noó primeiroó, na dóóe de cinco milligrammoó por kilogrammo do animal: ióto quanto áó experien- ciaó doó douó primeiroó, apreóentando aó doó demaió pequenaó varianteó, que nào vale á pena mencionar. IX - Modo de empregar Embota haja no commetcio, actualmente, muitaó Adrenalinas, oó reóultadoó por mim apte- óentadoó óe referem á de Takamine, poóta á venda pela caóa Patkeó, Davió C.ia, de Détroit (Michigan, Eótadoó-Unidoó da America do Norte) ARMANDO BELLO BARBEDO 21 e foram obtidoó pelo Dr. Charleó Régerat em Patió, recentemente. (*) A óubótancia é vendida no commercio óob treó formaó differenteó: i." Em óolução aquoóa a i para 1000, conó- tituida do óeguinte modo : Chlorhydrato de adrenalina 1 gr. Solução pliysiologica de chlorureto de sodio 1000 grs. Chloretona 5 « A chloretonatem por fim na óolução tornal-a límpida e é obtida fazendo agir a potaóóa óobre duaó parteó iguaeó de chloroformio e acetona: é um poderoóo germicida, além de antióeptica e aneótheóica. Seja dito de paóóagem a chloretona na dóóe de 0,40 a 1 gr. é empregada com óucceóóo para combater a ínóomnía doó velhoó e doó cardiacoó. A óolução acima é perfeitamente eótavel e inalterável, conóervando meómo óua efficacia apóó eóterilióação por ebullição. Aó óoluçõeó expoótaó á venda óão contidaó em fraócoó de vidro coloridoó, com tampaó a eómetil, circumdadaó de parafina. O Dr. Galezovvóki, em tratando do collyrio de Adrenalina e de óua acção anti-congeótiva naó (*) De Vemploi ãe VAdrencdine en chirurgie urinaire - Févríer, 1903. 22 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA affecçõeó oculareó, refere-óe ligeiramente á pre- paração do impo Jante alcaloide, pelo óimpleô motivo de ter já óido ella publicada em dif- fecenteó obtaó profióòionaeô. Eóóe medico, Pelit e Alboui occupatam-óe de aperfeiçoar o proceôóo de preparação e conôe- óeguitam uma óolução titulada a i por 1.000 que, affitmam elleó, dá todaó aô teaçõeó chi- micaô e phyôiologicaó do producto deócripto por Takamine. Vem a propoóito mencionar aó reacçõeô daò óoluçõeó de Adrenalina : Juntando-lheó perchlorureto de ferro tomam a cor vetde eômetalda, depoió a côr vermelha purpura e depoiô, pela addição de alcali-cauó- tico, feita com precaução, tomam a còr vermelha carmim. O ammoniaco produz uma coloração roóea. A agua iodada aó faz tomar a côr violeta. A Adrenalina reduz oô daeó de ouro. Aó ôuaó óoluçõeó tomam a coloração roóea com o contacto da luz e do ar: pode ella meòmo L até a còr pardacenta eócuta. Entretanto, aó ôoluçõeó, meómo coloridaó, conòervam toda óua actividade therapeutica. Finalmente, oó acidoô pictico, tannico, phoôphorico e phoòpho-molybdico, bem aóóim o iodureto mercurio-potaóóico, o chlorureto- mercutico, o bichromato de potaóóa e o chio- ARMANDO BELLO BARBEDO 23 tutelo de platina não produzem precipitado, poótoó em contacto com aô óoluçõeó. (*) 2. Em pó cryótallino que pode óe dióóolver n'agua acidulada pelo acido chlorhydrico (a Adrenalina é facilmente diôóolvida peloó acidoó, com oó quaeó forma óaeó). Takamine obteve quatro óorteóde óaeó: óulfato, benzoato, tartrato e chlorhydrato, óendo o ultimo o maió óoluvel n'agua. 3. u Sob forma de paótilhaó (tabletteó) de tartrato de Adrenalina, muito óoluveió n'agua (uma diôóolvida em 16 grammaó de óerum phyóiologico normal forma uma ôolução de ipara 1000). A ôolução naó proporçõeó acima pode óer diluida pela addição de óerum phyóiologico e aóóim levada a tituloó maió fracoó, taeó como i para 1000, i para 5ooo, i para 10.000, etc. Eótaó differenteó óoluçõeó óão uôadaó em applicaçôeó locaeó, pincelamento daó mucoóaó, inótillaçõeó, etc. A dóóe da ôolução de i para 1000 em in- jecção hypodermica é de meio até douó centi- metroó cubicoó; no interior adminiótra-óe de cinco a trinta gotlaó da ôolução mãe em um pouco d'agua, vinho ou xarope. Ha um inconveniente que parece á primeira (*) Revue de Pharmacologie Médicale-n. 2 de Mai - 1903, 24 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA vióta oppôr-óe ao emprego commum da Adre- nalina'. é o ôeu elevado preço. Convém, porem, conóiderar que é ella empregada em óoluçõeó extenóaô, de modo que apenaó um centímetro cubico da de i para 1000 torna-óe óufficiente para todoó oó caóoô: o cuóto deó.sa porção mi- nima é, poió, de pequeno valor. X - Applicações diversas Em cirurgia urinaria aó primeiraó appli- caçõeó foram feitaó pelo profeôóot Ftióch, de Vienna, que publicou oó reóultadoó obtidoó em Julho do anuo p. paóóado, epocha em que o Dr. Bartrina empregou o heroico alcaloide no .serviço do profeóóor Guyon, vetôando óuaó experienciaó dobre eôtreitamento da urethra, aó quaeô publicou em Novembro do meómo anuo noó Annales des maladiet des organes genito-urinairee. A propoóito Paóteau e Legueu tornaram extenôivo ôeu emprego aoó outroó tamoô da urologia, fazendo óobre o aôôumpto uma com- municação. O Dr. Régerat fez eôtudoô óucceôôivamente, quanto áóapplicaçõeô relativaó á cirurgia urethro- proótatica, veóical e renal, tirando bonó ceóultadoô. Applicou-a em meatotomia, eôtreitamento da ARMANDO BELLO BARBEDO 25 urethra, urethrotomia interna e externa, tumoreó da urethra, hypertrophia proôtatica, etc. Sobre óuaó experienciaó apreóentou elle innumeraó obóervaçõeó que não vem ao caóo citar: ellaó referem-óe, tanto á cirurgia urethro- proótatica, como á veóical e renal, acima tefetidaó. O Dr. Suarez de Mendoza, já citado neóte trabalho, refere intereóóanteô applicaçõeô naô intervençõeó intra-naóaeó, tae.5 como: extracção de cotpoó eótranhoó, ablaçõeó de polyptoó, etc., em que a Adrenalina preótou, como ióchemiante e hemoótatico, aóóignaladoó óerviçoô, ampliando o campo operatorio e facilitando a acção do operador pela auóencia quaói abôoluta de he- morthagia. Eóóe medico, para prevenir aó hemotrhagiaó poót-operatoriaó tardiaó, aóóignaladaó por algunó auctoreó, uzou óempte, noô caóoó óupra- mencionadoó, applicar um tampão de gaze iodoformada ou óimpleómente eôterilizada, na cavidade naôal. Uóando aóóociadoó o extracto óupra-tenal e a cocaina, tirou elle óempre vantagem, agindo com grande óegurança, naó pequenaó inter- vençõeó na orelha, taeó como paracenteóe, myringodectomia, ablação de polypoò, extracção 26 UA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA doó oóóoô pequenoó do ouvido, curetagem da caixa, etc. Suaó applicaçõeó em muitoó caóoó de latyn- gite aguda e hemotthagica, edema da latynge, bem aóóim n'um caóo de ablação de um polypo aóóeótado abaixo da commióóuta anterior daó cordaó vocaeó, tiveram triumphoó analogoó, não óendo menoó favotecidoó oó que teve relativoó á ablação de amygdalaó, extremamente hyper- trophiadaó, determinando conóideravel hemor- rhagia, rebelde a todoó oó meioó de hemoótaóe uóadoó (antypirina, gelo, injecçõeó de ergotina, compteóóâo digital, etc): óempte ponde eóóe medico garantir a hemoótaóe preventiva em óuaó opetaçõeó e cortar aó tardiaó por intermédio do poderoóo agente. O caóo que elle referiu e em que óe deu a hemotrhagia rebelde tem ainda a particularidade de óer concernente a um hemophylico adulto, eópecifico, o que aliáó óalienta o mérito do medicamento em queótão e menciona elle que naó epiótaxió, oó óerviçoó que a Adrenalina preóta, como óimpleó hemoótatico, no momento da hemotrhagia, não óão maioteó do que oó preótadoó com relação ao diagnoótico e ao trata- mento cauóal d'aquella affecção. E' eópecialmente na oto-rhino-laryngologia e na ophtalmologia (deóta tratarei em capitulo óepatado) que óe moótram em larga eócala oó ARMANDO BELLO BARBEDÔ 27 tapidoô e conôtanteô effeitoô deôôe medica- mento. Attendendo a pouca duração de ôeuô effeitoô iôchemianteô, o Dr. Mautice Mignon (de Nice) incorporou á Adrenalina vaôelina, de maneira a obter uma acção prolongada ôobre a mucoôa naôal. O Dr. Maurice Mignon attendendo também a que a quantidade de ôubôtancia activa que entra na compoôição da pomada é muito fraca (i : 1000) tomou ptecauçõeô particulareô para aôôegurar a homogeneidade da miôtura. Elle aconôelha addicionat primeiro a o,o3 cen- tigrammaô de Jdrenalina, 3 grammaô de oleo de vaôelina e juntar, ôomente depoiô, 12 grammaô de vaôelina branca e 15 grammaô de lanolina, ôendo eôta deôtinada a augmentar a conôiôtencia da pomada; poder-ôe-ia addicionar, a titulo de antiôeptico, 3 gottaô de eôôencia de gerânio. Baôta pincelar a mucoôa com um porta-algodão unctado da miôtura acima deôcripta e não introduzir gtandeô quantidadeô naô foôôaô naôaeô. O uôo deôta preparação é indicado todaô aô vezeô que ôe quer obter uma iôchemia perôiôtente (rhiniteô agudaô, rhinite congeôtiva repetida com ou ôem hydrorthéa). O Dr. Mignoi} aconôelha apóz aô cauteriôaçõeô da mucoôa naôal, para evitar a congeôtão ôecundaria, aôôim como em conôequencia de intervençõeô ôangrentaô ôuôce- ptiveiô de produzir uma hemorrhagia ôecundaria. 28 DA ADRENALINA EM Oi HTALMOLOGIA No emprego da Adrenalina na tubage laryn- gea (Annales das maladies de Voreill3, du larynx, du nez et du n. 6 de Junho do corrente anno ) o Dt. Caôtaneda eôtabelece aó concluóõeó óeguinteó: 1, Aó óoluçõeó do chlorhydrato de Adrenalina a i para ioo), aóôociadaó ao meômo ôal da cocaina, têm uma acção efficaz para a tubage da larynge, naô laryngiteó óub-mucoóaô, agudaô da infancia. 2. O emprego deóóa ôoluçâo com ôetinga laryngeana deve óer feito 5 a io minutoó anteó de applicar o tubo. 0 Dr. Gallego (de Sevilha) conóidera o alcaloide inconveniente naô laryngiteó graveò daó creançaó e inútil na diphteria. E' notável, porem, a óua acção benefica naó hemorthagiaò uterinaó, quer óe trate de uma aQecção do utero, quer de uma hemorthagia de cauóa obótelrica. O Dr. Erlanger (*) publicou muitaó obôer- vaçõeó de caóoó em que obteve completo triumpho mediante o agente em queótâo, rela- (*) L' adrenaline dans le traitement des métrorrhagies - Janvíer 1903 Paris. ARMANDO BELLO BARbEDO 29 tivoó a: metrite com metrorrhagia, menotthagia, metrorrhagia da menopauóa, metrorrhagia poôt- partum, hemorrhagia devida a epithelioma do collo uterino, etc., e cita uma obóervação do Dr. Debtand, de uma óenhota de quarenta e cinco annoó, menôtruada deóde oó doze c caóada aoó vinte e cinco, que óoffria de abundanteó hemorrhagiaó, devidaó a uma metrite parenchy- maloôa, cujoô accidenteó óanguineoó, aliád graveó, ceôóaram pela applicação do meómo remedio. O Journal des Praticiens numero doze, de vinte e um de Março do corrente anno, traz um artigo mencionando cadoó de applicação da Adrenalina no tratamento daó hemorrhoideó e de câncer externo: O Dr. Moóóê, deToulouôe, empregou-a com ôucceóóo num caóo de tumor hemotrhoidario irreductivel (Soc. Méd. deó Hôpitaux, 23-i - igo3). Um delgado tampão embebido numa óo- lução de i para 200 diluida em igual volume d'agua diótillada, é poóta em contacto com a parte maió turgeôcente e maiô doloroóa affectada, que, em vinte minutoó, fica deócongeótionada, perdendo, portanto, a coloração própria do eótado congeôtivo, produzindo melhora im- mediata. O Dr. Julliard, medico ftancez, de Châtillon- de-Muhaille, inãtillou 20, depoió 3o, 40 gottad 30 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGlA da óolução a i para 1.000 com reóultado, em Agoóto de 1902, em um caóo de cancro no rectum. O Dr. A. Robin tirou effeitoó óatiójactorioó de douó caóoó de câncer da língua - publica o meómo orgão ócientifico. O Dr. Paóquier, de Saint-Martin-du-Boió, obteve melhora num caóo de cancroide do labio óuperiot; e o Dr. W. Matple (Mèd. JRecord. 23-8 1903) apreóentou caóoó de cura em uma mulher óoffrendo do meómo mal aóóeótado no bordo da palpebra inferior: eóóe medico viu o neoplaóma deóapparecer e depoió de inótillaçõeó na con- junctiva, de uma óolução de um centigrammo de chlorhydrato de Adrenalina para cem grammaó d'agua deótillada, feitaó uma vez por dia. No fim de treó mezeó, uma cicatriz com depreóóão óubótituia o cancroide. La France Alédicale, que óe publica óob a direcção do Dr. Albert Prieur, contem em óeu numero de vinte e cinco de Junho deóte anuo um artigo tratando daó curaó referidaó e aóóígnala ainda um caóo de câncer do óeio, tendo óido operado duaó vezeó e tendo duaó recidivaó cuja terceira foi evitada pelo Dr. Ch. Fieóóinger, dando á doente, internamento, concorrendo com a quinina, dez a vinte gottaó da óolução de Adrenalina a um por mil. Alli vem ainda con- óignada a tranóformaçâo obtida por pincella- mentoó da meótna óolução em um epithelioma do ARMANDO BELI.O BARBEDO 31 lado eóquerdo da língua, com hemotthagiaó abundanteó, que deóapparecetam óob oó cui- dadoó do Dr. Mahu, ficando o doente ao meómo tempo livre de outroó óymptomaó deóagradaveió, que conótrangiam-lhe o uóo da palavra, a deglutição, etc. Iria longe a óetie de citaçõeó que podiam óer feitaó óobre aó vantagenó da Adrenalina no campo da clinica cirúrgica, por ióóo termino aqui óem meómo entrar no dominio da cirurgia den- taria, em que aliáó ella preóta relevante concuróo. Sobre óua applicação no câncer, convém notar que o penúltimo medico acima eócreveu um artigo óubótancioóo, ptoprio da óua com- petência, no Journal des Fraticiens de 25 de Abril ultimo: eóte medico que diz- le câncer est une de ces maladies qui font la honte de la médecine. Entretanto elle regiótra reóultadoó favoraveió no tratamento do terrível mal por meio do alcaloide de Takamine. XI. Para encerrar o primeiro capitulo e por julgar de utilidade, conóigno aqui um tapido quadro, deócriminando aó applicaçõeó thera- peuticaó da Adrenalina, já conhecidaó. Quanto á acção hemoótatica é applicada em: Epistaxis Hemoptyse Extracção de dentes Hematemese 32 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA Hemorrhagia in testi ndl Mctrorrhagia e Hemorrhaijia pott-partum Hemorrhagias vesicaes Hemophylia. Operações diversas praticadas no nai iz, na locca, lingua, pharynge, amygdálas, larynge, apparélho ocular, trompa de Eustachio, orelhas, beociga e urcthra, pelle, etc. Quanto á acção ióchemiante e deócongeótiva é applicada em: Moledia dos olhos « do nariz « da trompa de Eustachio « da orelha « dos dentes e gengiva « das amygdalas « da linyua Estreitamento urdhral Hemorrhoides Bocio exophtalmico Asthma e b onchite Pneumonia Aó applicaçõeó acima citadaó dizem teôpeilo áô ptoptiedadeó vaóo-conótrictoraó do alcaloide. Quanto á óua acção catdio-tonica, ôegundo publica a Bevuc de Pharmacologie Médicale, em óeu numero de Junho do corrente anno, da qual ARMANDO BELLO BARBEDO 33 extrahi o quadro expoóto, a Adrenalina tem applicação em: Estado syneoi al Collapsos cardíacos Pneumonia Febre typhoide Boeio exophtalmico Floetóheim (de New-Yotk) preconióou a Adrenalina, em particular, noó caóoó óeguinteó: a)- certaó affecçõeó cardiacaó, óobretudo na moleótia mitral e na myocardite; ò)- na óyncope chloroformica; c)- moleótia de Addióon, bocio exophtalmico; d)- eócorbuto; e)- envenena- mento peloó entorpecenteó, a morphina nota- velmente. XII. Em tratando daó applicaçõeó do importante medicamento que faz o objecto deôta theóe, darei em óeguida, para completar maió a noção de óeu uóo, a poóologia da Renálinafranceza, que extrahi da Revue Moderne de Medicine et de Chirurgie, numero de Junho do corrente anno. I. Medicina geral: i.h Em applicações locaes óobre o ponto hemorrhagico ou óobre aó mucoóaó - óolução a i : i .000. 2.0 Moléstias dos olhos, em inótillaçõeó - óo- 34 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA luçõeó a i : 1.000 ou i : 5.ooo ou i : 10.000, conforme oó caóoó. 3.° Em inj cções estomachaes- 2 centimetroó cubicoó da óolução a 1 : 10.000, diluidoó em 20 grammaó d'agua. 4.0 Em injccçõss sub-cutaneas - óoluçõeó a 1 : 5.ooo ou 1 : 10.000. 5. Em injecçõcs intra-muscalares-1 centimeteo cubico da óolução a 1 : 1.000. 6. Em injccções intra-tdcrinas-1 a 2 centi- metroó cubicoó da óolução a 1 : 1.000. 7.0 Em injecçõe; urcthraes- 1 a 2 centimetroó cubicoó da óolução a 1 : 2.000. 8.° Em imtillaçõâs na bexiga- 1 a 3 centimetroó cubicoó da óolução a 1 : 10.000. g.° Em injccçõ s intra-tracheaes- 1 a 3 centi- metroó cubicoó da óolução a 1 : 10.000. io.° Em injcccòes nasaes- 1 centímetro cubico da óolução a 1 : 1.000, diluido n'agua contida em pequeno pulvetióador. II. Pequena cirurgia: 1." Renalina cocainada - óolução fraca (em ampolaó de 5 centimetroó cubicoó). Formula: Solução de Chi. de cocaína a 1 :200.. 5 cc. Solução de Renalina a 1 : 1000 V gottas Faz-óe a injecção intra e óub-detmica com 5 ARMANDO EEL1.0 BARBEDO 35 a 20 grammaó da óolução'acima para extirpação do anthraz, ablação de adeniteó óuppuradaó, etc. 2.° Benalina cocainada-óolução forte. Formula: Solução de Chi. de cocaína a 1: 1.000. 1 cc. Solução de Benalina a 1 : 1000 V gottas Faz-óe a injecçào para abertura de um panarício, um abceóóo, etc., toda vez que óe deóeja evitar a diótenção doó tecidoó. Accidentes toxicos: A Benalina é toxica por cauóa de óeu grande poder reductor e oó accidenteó toxicoó óão a tyncope e, algumaó vezeó, maio raramente, a glycoóutia. Convém tratar o accidente óyncopal por meio de injecçõeó de ether, fricçõeó energicaó, inhalaçõeó de iodureto de ethyla, etc. A eócolha cuidadoóa daó diluiçõeó do alca- loide fará evitar facilmente taeó accidenteó, contra oó quaeó ficará aóóim prevenido o medico, óem neceóóidade de privar-óe do optimo concuróo de um medicamento, que occupa já um doó primeiroó lugareó na therapeutica. CAPITULO II xm-Adrenalina em ophtalmologia Em 1895 foi Dor, de Lyon, um dcs primeiros cuja attenção foi attrahida para a utilisação das propriedades vaso-constrictoras do extracto das capsulas suprarenaes com applicação na oculistica. Em 1896 apparece uma communicação ruidosa de Bates, de New-York, que cita um caso de conjuncti- vite phlyctenular completamente curada em dous dias e uma keratite intersticial cujos vasos desappa- recem inteiramente. O primeiro dos médicos acima, tratando mais tarde da acç~o local da substancia, diz que ella se manifesta energica, não sendo, porem, durável o eífeito e que se for repetida a sua applicação com frequência, de duas em duas horas, por exemplo, as primeiras instillações são seguidas de uma sensação agradavel de frescura, muito apreciada pelos doentes, porem, acompanhada depcis de uma quentura, que augmenta a ponto de tornar-se dolorosa. Emtanto Darier declarou no Congresso d'Heidelberg. no mesmo anno, ter obtido bons resultados. 38 DA ADRENALINA EM Oi HTALMOLOGIA Entra depois em scena a Adrenalina, com a qual recomeça o mesmo Darier os seus estudos no anuo proximo passado, já anteriormente encetados com a snprarenáliua. Daniel Velez prefere a pre- paração americana (Adrenalina) ao preparado francez çsupri rer.alina). Vignes communica á scciedade franceza de oplitalmologia (Maio de 1902) bons resultados obtidos por meio do alcaloide. Nos casos de hyperemia conjunctival, produz efíeitos sedativos nas perturbações subjectivas; nas irites, favorece a acção dos mydriaticcs; no glaucoma, favorece tombem a acção dos n yoticos e, empregada corjunctamente com a CiCaina, produz uma anes- thesia operatoiia mais completa, o que aliás Fuclis, de Vienna, obteve em caso de irido-cyclite e glaucoma inflammat. rio. Terson mostra-se satisfeito no mesmo anno com o novo medicamento, que muito o auxilia na cura de conjunctivites hyperemicas s(ccas e de sclerites, vindo ainda Ferdinands por esse tempo (Annalee d'Ociditlique, Ntv. 1902) assignalar o emprego do va.ioso medicamento em casos de corpos extranhos no crgão visual, etc. E' especialmente em applicações locaes que a Adrenalina tem sido utilisada e, particularmente, nas affecções dcs olhos, bem assim nas do nariz, larynge e ouvido. Apezar de sua descoberta ser relativamente ARMANDO BELLO BARBEDO 39 recente, muitos são já os médicos que a têm applicado vantajosa mente; e, quanto tio dominio da ophtalmologia, pódem ser citados os oculistas americanos Northon, Vilson. Reinolds, Colburn, Ingals e os francezes Badal, Fromaget, Galezowski, Graudelément e Vignes, acima citado: todos elles confirmaram a acção do remedio pela obtenção de favoráveis result dos. XIV - Seu emprego nas intervenções oculares Em cirurgia ocular a presta os maiores serviços: em primeiro lugar, como hemosta- tico e graças ao seu poder vaso-constrictcr extrema- mente poderoso, permitte cila operar n'um campo quasi enxuto, por ser no genero o agente mais encrgico que se conhece, porquanto produz ischemia na fraca solução de 1 para 10.000. Mac Fr plane (de Toronto) praticou a enucleação de um olho com perda de dez gottas de sangue, com a instillação, dez minutos antes de operar, de tres gottas de uma solução de chlorhydrato de Adrenalina a 1 para 1.000; em segundo lugar, basta ver que dá ella os melhores effeitos em combinação com a cocaina, por isso que favorecendo a abs rpção desta substan- cia, permitte que seja ella empregada em quantidades menores, causando anesthesia mais intensa e mais prolongada. 40 ARMANDO BELLO BARBEDO De f eto, as dins substancies se associam perfeitamente: póde se applicar a Adrenalina em piimeiro lugar, ea cccaina em segundo, immediata- mente depois, ou empregar-se ambas juntamente. Lermoyez formula assim o seu emprego simul- tâneo «ni douliur ni ,cang» (Opportunamente verá o leitor formulas em que as durs substancias entram associadas). Intervenções nas palpebras.- Diz o Dr. Brissob de Paris, que a injecção sub-cutanea de Adrenalina neste ponto não parece dar bon? resultados; que a hemcrrhagia se produz, porém, a instillação de algumas gottas de sueco suprarenal sol re a ferida permitte ter um campo operatorio relativamente enxuto. Nas operações de chalazio uma vez que tenha- mos a pinça de Desmarres. que pernitte immobilizar o kisto e evitar a hemonhagia, bastam algumas gottas de Adrenalina (solução adequada) para limpar o campo operatorio, sustando o corrimento do sangue. Intervenções no apparelho lacrymal. - Na extirpação do sacco, o mesmo medico fez uma injecção sub-cutanea de 3 gottas de Adrenalina a 1 para 1.000 e não produziu anemia local, não dimi- nuindo, portanto, a hemcrrhagia. Felizmente, presta ella mais serviços no catheterismo das vias lacry- maes, em que facilita, pela descongestão da mucosa, a penetração dos liquidos no canal (Vignes). Além ARMANDO BELLO BARBEDO 41 disso, fazendo injecções suecessivas de'Adrenalina e de cocaina, produzem-se certa inr ermeabilidade da mucosa e uma anesthesia mais profunda, de modo que a sonda passa mais facilmente e não occasiona hemorrhagia alguma (Darier). Intervenções na conjunctiva palpebral.- Convém empregar a Adrenalina em instillações, todas as vezes que se quizer intervir na conjunctiva. A acção da cocaina é mais bem exercida e a hemorrhagia, se não fôr supprimida, será, pelo menos, muito reduzida (operação de chalazio na via conjunctival, etc.) Intervenções na conjunctiva bulbar.- Affirma o mesmo medico ter tirado resultados excel- lentes com a Adrenalina em todos os casos de intervenção na conjunctiva bulbar, tanto no sentido de sua acção hemcstatica, como favorecendo o poder anesthesico da cocaina, qu ndo actua esta em um olho extremamente lyperemiado, bem como nas intervenções em cases de glaucoma. Cita ainda o seu emprego, operando uma catarata com ponte conjunctival em que ordinariamente se produz uma hemorrhagia embaraçadora do tiabalho technico, a qual é supprimida, graças ao admiravel medicamento; e nada devendo-se receiar da infecção, podendo-se comtudo esterilizar a solução a empregar, antes de utilizal-a, sem que por isso perca suas virtudes. 42 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA XV - Indicações no glaucoma Estudarei primeiro o seu emprego nas inter- venções cirúrgicas praticadas em olhos affectados de glaucoma, citando depois os resultados que têm sido obtidos com o emprego do alcaloide nessa affecção, tanto isolado, como associado aos myoticos. Vejamos primeiro a sua associação com a cocaina. Darier, instillando alternativamente ambos os collyrios em um olho bastante hyperemiado, obtem uma anesthesia sufficiente e pratica operações sem dòr, sendo esses resultados confirmados na pratica por Bribosia de Namur e Vignes. (*) Nas applicações successivas e alternadas dos dois collyrios, que devem ser feitas por espaços de dez a quinze minutos, eram elles nas proporções de um porn.il cora a Adrenalina e quatro por cento com a cocaina. O Dr. Brissot obteve em muitos casos, por esse meio, uma insensibilidade completa, tanto na conjunctiva, como na íris, chegando mesmo o doente a supportar a puneção da camara anterior, sem perceber sensação alguma. (*) Leçons de therapeutique oculaire (1900). Clinique opldcdmologique (1900). Société française d'opldalmologie (1902). ARMANDO BELLO BARBEDO 43 Vem a proposito dar aqui a seguinte formula, composta de ambas as substancias empregada em instillações, antes de operar, pelo Dr. Fromaget: Adrenalina a 1 por 1000 8 cc Chlorhydrato de cocaina 0,10 a 0,20 cenligrs. Agua destillada 7 cc O Dr. H. Copper (de Bruxellas), enaltecendo : s propriedades therapeutiCdS da Adrenalina, diz-nos que se obterá optimos resultados, nos casos de glaucoma agudo ou sub-agudo, com a formula seguinte: Chlorhydrato de pilocarpina 0,10 centigrs. Chlorhydrato de Adrenalina a 1/1000 Agua destillada ãã 5 grs. Uma gotta de duas em duas horas até cessar o accesso. O que é bem manifesta, segundo os auctores de critério, é que a Adrenalina, em todos os casos em que o olho está hyperemiado e inflammado, facilita a acção da cocaina. Conclue-se, como primeira vantagem no em- prego da Adrenalina que a dôr é diminuída e mesmo supprimida algumas na iridectomia praticada em um . Como actuará o notável alcaloide para favorecer a absorpção da cocaina ? 44 DA ADRENALINA EM Oí HTALMOLOGIÂ Provavelmenie pela descongestão que produz- responde o Dr. Brissot. Elle mesmo chegou por observações próprias e por outras feitas pelo Dr. Landolt, de Strasburgo, a esta dupla conclusão: o emprego da Adrenalina nas intervenções cirúrgicas praticadas nos glaucomatosos se manifesta per duas vantagens-ausência de dôr e de sangue. Wessely e Zimmermann obtiveram na pratica, um abaixamento de tensão, aquelle em um olho são e este em um glaucomatoso; esta diminuição de tensão não é, entretanto, manifesta na mór parte dos casos e nunca fui publicada un a observação apresentando a cura do glaucoira somente pelo emprego da Adrenalina. O Dr. Brissot, mais de uma vez citado, garante que a jldnnaZma tanto favorece, com relação a olhos hyperemiados e inflammados, á acção da cccaina, como a des hypotensores. Reporfando-se a obser- vações devidas a Darier, Zimmermann e Hans Kirchner, appliccu a AtZrawZma associada aos myoticos, em glaucomatosos (tanto em casos leves como em glaucoma chronico), obtendo grande attenuação nos sympton.as. Os tres médicos acima enumerados obtiveram curas por meio do uso, continuado por longo tempo, de um collyrio recommendado pelo primeiro (Darier) e cuja formula se acha consignada na pii.neira das observações adiante apresentadas, como valioso con- ARMANDO BÈLLÔ BARBÈDÔ 45 tingente para este modesto estudo, e em cuja serie as quatro primeiras são referentes a glaucoma. XVI - Emprego therapeutico da Adrenalina nas affecções oculares As referencias aqui feit s se reportam a estudos realisados pelo Dr. Brissot: Conjunctivites - Em caso leve, simplesmeire liyperemico, póde a Adrenalina, em dóse muito fraca, produdr um allivio muito apreciável e uma rapida descongesfão; uma ou duas gcttas instilladas são sufficientes para fazer desapparecer a fadiga, as picadas e a injecção vascular que succedem a um trabalho prolongatlo sob a acção da luz artificial (Hallot). Diz Ferdinands que, nos c. sos de corpos extranhos nos cwZa-de-suc e na ccrnea, o allivio produzido é semelhante ao precedente da acção da cocaína e que a congestão existente desapparece por um tempo bastante prolongado. Nas inflammações intensas, é necessaiio applicar muitas gottas para se dar a descongestão, que desapparece para voltar o estado congestivo, mais ou menos quinze minutos depois das instillações. Estas, porém, repetidas com intervallos de quinze minutos, poderão manter o estado descongestivo 46 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA definitivamente, segundo pensa aquelle auctor. Paru outros como Bribosia e Duier, a acção do medica- mento é mais durável e vae até duas horas. O ultimo notou na conjunctivite e na keratite pustulosa, sem julgar haver acção especifica, que o uso da Adrenalina, precedendo a applicação da pomada amarella abrevia notavelmente o curso da moléstia. Finalmente, o agente de Takamine não possue acção especifica: póde auxiliar, favorecendo os éffeitos da cocaina, a acção dos diffcrentcs collyrics e pomadas empregados. O Dr. Dor assevera que o remedij exerce de modo passageiro alguma acção sobre cs phenomeuos subjectivos; e, de medo favo- rável, melhorando o estado mcral do doente e trazendo-lhe certo bem estar, que, muitas vezes repetido no organismo, 1 evanta-o dando-lhe energia para lactar contra a moléstia. AffecçÕes da cornea. - A Adrenalina favorece a acção da pomada an arella na keratite pustulosa, como já vimes, e dissipa as opacidades ela cornea devidas a contusões, e influe favoravelmente sobre a keratite pontuada syphilitica, segundo Reynolds. Seu emprego, porém, segundo pensa Zimmer- mann, é contra-indicado nos casos de ulcera da cornea, cuja cura deve ser conseguida por um augmento de affluxo de sangue. Quando, em consequência de uma keratite, desenvolve-se r.m pannns e não tende a desapparecer, ARMANDO BEI.LO BARBEDO 47 póde a Adrenalina dar bons resultados e evitar a secção deste feixe vascular, notando-se que ella instillada não causa sensação alguma dulorosa. Vignes a prefere, como analgésico, á cocaina, nas in'lamma- ções superficiaes da cornea e da conjunctiva, attendendo a que a Adrenalina respeita a vitalidade dos epitheliums. Episclerites e sclerites. - E' reconhecidamente difficil fazer desrpparecer as demonstrações de vas- cularisação, mesmo superficial, nasaffecçõts acima. Todavia em certos casos, graças a numerosas e successivas a cor violacea de vasos pro- fundos póde desapparecer (Zimmermann, Landolt e Darier). O primeiro dos auctores citados no paren- thesis teve um succcss rápido n'um gottoso soffrendo de sclerite, em caso de r. petição; Terson e Rochon- Devignaud observara n que a Adrenalina auxilia muito a cura. O Dr. Brissot acompanhou um caso, cuja observação publicou, no qual não foi tão feliz, por isso que não conseguiu a cura apenas obtendo attenuação dos symptomas: trata-se precisamente de um moço chegado a Paris com procedência de nosso Brazil, soffrendo de lépra. Esse doente apresentava ao mesmo tempo uma dupla keratite intersticial e uma dupla sclerite com enorme congestão e nodulos. As instillações produziram-lhe desde logo a calma, suppri- mindo ou attenuando a dôr, a photophobia e o lacrimejamento; objectivamente foi apenas conseguida 48 d.\ adrenalina em ophtalmologia pequena, havendo alguns accessos congestivos; depois, apezar do emprego da Adrenalina, sobrevindo um em que as dôres foram tão vivas que o doente recusou continuar com as applicações do remedio. Irite. - Diz o Dr. Ferdinands que a Adrenalina atravessa rapidamente a camara anterior e faz sentir sua acção na iris corg< stionada. O mesmo Brissot aíu em muitas experiencias que as instillações successivas produziam leve descoloração na iris inflammada, julgando d'ahi que rão era caso de seguro successo. O Dr. Vignes, que recon menda o emprego da Adrenalina. nas irites e toda vez que houver injecção ciliar, não lhe reconhece um poder curativo especial, mas apenas o de facilitar a absorpção dos mydria- ticos, que é tão diminuta nos casos super-agudos. Segundo Drrier, a Adrenalina, no ponto de vista em questão, rão é toxica, na dóse de algumas gottas, mesmo repetidas, e p: rece respeitar comple- tamente a integridade da conjunctiva. Após a descongestão rapida, a congestão volta,porém, Brissot jamais observou uma reacção alarmante. Notou também, i pós a injecção sub-conjunctival por elle praticada, uma pigmentação ennegrecida da conjun- ctiva, que parece resistir por muito tempo. O Dr. H. Coppez (de Bruxellas) escreveu em Maio deste anuo (Recueil a'Ophtalmólogie) sobre o emprego da Adrenalina em therapeutica ocular, ARMANDO BELLO BARBEDO 49 mostrando-nos as excellentes propriedades therapeu- ticas doste alcaloide. Affirma o Dr. Coppez que, em casos de hyperemi i do gl )bo do olho, que offerece, como sabe-se, uma resistência á acção dos collyrios, a auxilia sua acção e augmenta sua intensidade: assim é que, nos casos de irites graves, se obterão resultados verdadeiramente extraordinários com o emprego do collyrio mixto, cuja formual passo a dar: Sulfato neutro de atropina 0,02 centigrs. Chlorhydrato de cocaina 0,20 centigrs. Chlorhydrato de Adrenalina a 1/1000 2 a 5 grs. Agua destillad 5 a 8 » Uma gotta de tres em tres horas. O mesmo medico prescreve, para obter uma insensibilidade completa sobre um olho hyperemiado, a formula seguinte: Chlorhydrato de cocaina 0,20 centigrs. Chlorhydrato de Adrenalina a 1/1000 2 grammas Agua destillada 8 » Uma gotta de dous em dous minutos, durante dez minutos. Hemorrhagias intra-oculares. - Nos vasos do fundo do olho não tem acção a Adrenalina applicada em instillações e não se manifesta igualmente em injecção sub-conjunctival, segundo opinião de Lan- 50 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA dolt. O Di'. Brissit menciona esoa opinião e confessa que nunca empregou o revolucionário alcaloide ncs casos de hemorrhagias profusas intr.'.-oculares, di- zendo, entretanto, que lalvez consiga ella uma reabsorpção maia rapida nos cas s de derramamento, bem assim prevenir uma nova hemorrhagia. Vem a pello inserir aqui o seguinte: Em Janeiro dette anno, o Dr. A. Yvert, fazendo uma apreciação sobre os ensaios therapeuticos de alguns produ cte s neves, realizados pelo Dr. A. Darier, diz, rel.iti vamente ao chlorliydrato de Adrenalina, apresentado por Takamine, que só devem ser emj re- gadas soluções muito fracas e recon menda algumas formulas por elle adoptadas, eil-as: а) Collyrio anti-congestivo e calmante á coca- renalina: Chlorliydrato de Adrena- lina a 1/1000 0,50 (X gottas) Chlorliydrato de eteaina 0,10 centigrs. Agua destillada 10 grammas. б) Collyrio ischemiante: Chlorliydrato de Adrena- lina a 1/1000 XX a L gottas Solução de Cn.Hg. a 1/2000 10 grammas. c) Collyrio adstringente: Chlorliydrato de Adrena- lina a 1/1000 1 gr. (XX gottas) ARMANDO BELLO. BARBEDO 51 Cl lorhydrato de cocaína 0,20 centigrs. Sulfato de zinco 0,20 » Agua destillada 10 granunas. d) Collyrio anti-glaucomatoso: Chlorliydrato de Adrena- lina a 1/1000 1 gr (XX gottas) Chlcrhydrato de pilocar- pina 0,10 centigr?. Salicylato de eseiina 0,02 » Agua destillada 10 graminas. Duas a oito instillações por dia. CAPITULO 111 Quadro Demonstrativo das observações Relativa- a clinicas diver as I Hemorroides sangrentas. II Inércia uterina. III Carcinoma do seio. IV Hemorrhagia grave. V Polypo uterino. VI Sutura da parede vaginal. Relativas a clinica ophtalmologica I Keratite intersticial - Pannus. II Ptérygion. II) Glaucoma. IV « chronico. V « « com accesso agudo. VI « VII Conjunctivite catarrhal aguda. VIII « lacrimal intensa. IX « purulenta ehronica complicada de trachoma X Irido-cyclite. XI Irite com escoriação da cornea. XII Episclerite. XIII Blepharo-conjunctivite. XIV Cataracta traumatica - Aspiração. XV Keratite intersticial. Sclerite, Baciilo de Hansen. XVI Sclerite. XVII Epithelioma da palpebra inferior. 54 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOG1A XVIII Conjunctivite eatarrhal sub-aguda de ambos os lados. XIX Conjunctivite eatarrhal aguda com accessos de keratite phlyctenular. XX Eetropion senil eom lacrimejamento. XXI Irite syphilitica. XXII Ablação de um ehalazio. XXIII Ptêrygion duplo. Excisão. XXIV Ruptura da sclerotica. XXV Iridectomia. XXVI Extracção do crystalino. XXVII Dacryocystite purulenta. Ablação do sacco. XXVIII Tumor lacrimal enkystado. Extirpação. XXIX Tenotomia. XXX Cauterisações da eonjunctiva e do tarso. XXXI Destruição das palpebras inferiores por largas ulcerações. Blepharoplastia e blepharorrhaphia. Observações Deóejando, como é natural, apreóentar obóer- vaçõeó feitaó por clinicoó nacionaeó, eópecial- mente ligadaó á clinica ophtalmologica, procurei obter algumaó do illuótre oculióta deóta Capital, Dr. Ribeiro doó Santoó, além daó que figuram neóte trabatho, devidaó ao não menoó illuótre ophtalmologióta e Profeóóor deóóa eópecialidade em noóóa Faculdade, Dr. Ftancióco doó Santoó Pereira; aquelle medico, garantindo-me que obtivera bonô reóultadoó com a applicação da Adrenalina, em óua clinica, não poude, entretanto, dar-me obóetvaçõeó óobte ellaó, por ióóo que óeu eótado de óaude forçára-o a óubmetter-óe a melindroóa operação por eóóe tempo, tendo de óeguir em tratamento para o Rio de Janeiro, d'onde regreóóou ha pouco. Recorrendo ao habil clinico e Profeóóor de Obótetricia, Dr. Deocleciano Ramoó, por óaber que emptegára o precioóo alcaloide no exercicio de óua profióóão, preótou-óe, com óua proverbial amabilidade, a fornecer-me óeió uteió obóerva- çòeó óuaó, que vieram enriquecer valioóamente a minha obócura theóe. 56 da adrenalina em opfítalmologia O illuótrado meótce cotteópondeu ao meu appello feito em uma carta, honrando-me com outra, que tranôcrevo aqui com agrado eópecial e com a qual enviou-me aô citadaò obôetvaçõeô. Eil-a : Dlustre collega Dr. Armando Barledo Bahia, Outubro ds 1903 Cordiaes saudações. De accordo com o pcddo qun, c m tanta gentileza fez-me cm sua carti de 23 do nuz passado, e cuja resposta nlo poude ser m is prompti, por de ejar accrescent ir ás quatro clinicas que possuia, mais duas que resultariam de operardes que tinha de qoraticar e nas quacs yctcndii aprplicar o agente therapeutico que const.tue o assumpto principal de sua those inaugural, envio-lh1, cm resumo, a informação do resulta lo que tenho oiti 'o. Quanto ao de ejo que manifesta de juntar estas minhas obseivaçòes ao seu ultimo trabalho académico, que com certeza corre ponderá a's s.us méritos scien- tificos já la tan'e comprovados, lhe posso affrmar que apraz-me corre ponder, pois vejo nisto sincera demon- stração de sympathia, o que muito me penhora. J) sejando-lhe todas as glorias de que são merece- dores os que se dedicam á a dua profissão de medico, sou com estima collega affectuoso, etc. ARMANDO BELLO BARBEDO 57 XVII - Observações diversas Aó óeió obóetvaçôeó que óe óeguem, óão aó colhidaó pelo meó no clinico: observação 1 ITemorrhoides sangrentas D., de 44 annoô de idade, óofftia algunô annoô de hemorthoideó externaó, que óangra- vam periodicamente. Tanto a indicação interna, como applica- çòeó topicaó divetóaó, pouco reóultado produ- ziam, óendo que óempre aó petdaó ôanguineaô perôiótiam por cerca de quinze diaó. Tendo lido algunó artigoô óobre a Renrtina franceza reóolvemoó, a 20 de Fevereiro do corrente anno, fazer applicação delia topi- camente, óetvindo-noó de uma ôoluçâo ao milleôimo. Tomamoó cerca de dez gtammaô da óolução, embebemoó um pouco de algodão e collocamoó directamente óobre oó tumoreó que eram em numero de cinco, baótante deóenvol- vidoó e tumefeitoô. Ligeira óenóação de calor accuóou o paciente durante uma hora, maió ou menoó, deóapparecendo depoió completamente 0 peóo e a dor que anteriormente óentia. 58 GA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA Quatorze hotaó depoió óobreveio forte diatrhéa, maó nenhum veótigio de óangue. Oó tumoreó haviam diminuído muito de volume e a inflammação lambem diminuíra. Douó diaó maió tarde foi feita nova appli- cação e oito diaó apóz uma terceira. A reducção doó tumoreó foi notável, aó perdaó ceóóaram por completo e nenhum acci- dente ou complicação teve logar. OBSERVAÇÃO II I nercia uterina M. A., de 23 annoó de idade, primipara, eóteve em trabalho de parto laboiioóo, a 10 de Abril, apreóentando-ôe o feto pela região pel- viana. Emóeguida a expulóão doó annexoó nota- moó pouca energia daó paredeó uterinaó e ten- dência á inércia. Receiando que óe podeóóe produzir hemor- rhagia, fizemoô na parede abdominal, uma inje- cção hypodetmica de óolução de Adrenidina na razão de um para cinco mil. O óangue que corria já com alguma abun- dancia foi pouco e pouco eócaóôeando e a hemotrhagia não teve logar. ARMANDO BELLO BARBEDO 59 OBSERVAÇÃO III Carcinoma do seio M. S., de 6o annos de idade, viuva, tem, ha perto de dous annos, um cancro da mamma esquerda. Tendo-a visto alguns dias antes, delibera- mos, a 2 de Maio, fazer applicações tópicas de Solução de Adrenalina na parte ulcerada do cancro. Após lavagens com solução de permanganato de potássio foi empregada a Solução ao mille- simo, pela manhã e á tarde. Nos primeiros dias, apenas ligeira Sensa- ção de calor produziu-se, mas os tecidos muda- ram rapidamente de coloração, cedeu a tume- facção em torno do tumor, a dor tornou-Se quasi nulla e a doente não Só passou a dormir melhor, como a alimentar-Se bem. N'eSSa occasião lemos uma observação cli- nica firmada pelo Dr. Méhu, medico francez, na qual elle julgava que Se devia tentar as injecções na trama do tumor canceroso; não o quizemos, porem, fazer, como elle não o havia feito. O tumor deixou de Sangrar facilmente, como succedia sempre nos curativos e diminuio de volume, pelo deSpregamento de uma parte das 60 DA ADRENALINA EM OPHTALMO1.OG1 A abandonando-o, no emtanlo, por se convencer de que não Se curava. vegetações, 0 que de forma alguma attribuimos á acção da Adrenalina, em vista da própria disposição do tumor. A doente uiou deste medicamento e pelo modo que expuzemos, durante uns tres mezes, OBSERVAÇÃO IV Hemorrhagia grave J. B., de cerca de 20 annos de idade, pri- mipata, presa de forte hemotrhagia uterina, reclamou os nossos cuidados médicos, a 11 de Setembro. Era pelas oito heras da noite quando nos apresentamos junto a ella, e, pela infor- mação que nos foi prestada, concluímos tra- tar-se de complicação de parto que havia tido logar doze dias antes. Pela apalpação abdominal verificamos o augmento do utero revelando conter qualquer corpo solido interiormente. Feito o aóóeio do canal vulvo-vaginal e a asepsia de nossas mãos, procedemos 0 toque e em seguida a dilatação digital do coito uterino e attingimos a parte mais profunda do utero; não nos foi difficil reconhecer que tratava-Se de ARMANDO BELLO BARBEDO 61 retenção de um cotyledon de placenta, poió 0 extrahimoó. Durante 0 trabalho que fizemoó, o óangue não ceóóou de correr, quente, abundante, amea- çador, e, logo depoió, a doente, lavada em óuoreó, teve forte acceóóo de toóóe e vomitoó, perdendo neóóa occaóião enorme porção de óangue. Immediatamente fizemo-lhe, na parede ab- dominal, uma injecção hypodermica de um centímetro cubico de óolução de Adrenalina, a um por cinco mil. Dentro de algunó minutoó a hemmorrhagia ceóóou óob a poderoóióóima acção vaóo-conó- trictora de tão óeguro medicamento e a doente óalvou-óe, reótabelecendo-óe em pouco tempo. OBSERVAÇÃO V Polypo uterino P. V., maior de 40 annoó de idade, tinha um polypo mucoóo da cavidade do cotio, que óangrava abundantemente, prejudicando-lhe já o eótado de óaude. Depoió de havermol-a examinado, propu- óemo-noó a praticar a extracção do referido tumor, o que fizemoó a 28 de Setembro, auxi- 62 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA liado pelo illuôtre collega Dr. Antonio do Amaral Ferrão Muniz. Feita a antiôepôia do canal vaginal, obtive- moô a aneôtheôia e a iôchemia local pela applicação tópica de uma miôtura de cocaina e Adrenalina em ôolução. O reôultado foi ôatiôfactorio. A operação foi praticada ôem dor e ôem ôangue, ôendo que anteô, a ôimpleô apprehenóão do coito por uma pinça de Muôeux, para determinar o abaixamento do útero, produzio dor e hemorthigia. OBSERVAÇÃO VI Sutura da parede vaginal V. D., de cerca de 38 annoô de idade, caôada, apreôentava uma ôolução de continui- dade da parede vaginal, tornando-óe preciso praticar-óe a óutura. Datando de maió de dez diaô o traumatiômo, foi neceòôario fazer o avivamento de toda a eôpeóôura doó bordoó da ferida. Em óeguida á antiôepôia da vagina e appli- cação de apparelho para manter o afaôtamento daô paredeó vaginaeô, collocamoô ôobre a ferida um pouco de algodão embebido em uma miótura de Adrenalina e cocaina, deixando permanecer por cerca de dez minutoó, ôob ligeira preóôão. ARMANDO BELLO BARBEDO 63 Experimentada a aneótheóia pela compreó- óão doó bordoó da ferida, fizemoó, em primeiro logar, o avivamento da mucoóa, durante o qual nem uma gotta de óangue derramou-óe; feito ióto, continuamoó a praticar maió p.ofundamente o avivamento doó bordoó a óuturar, havendo neóóa occaóião pequena hemorthagia. Enxugada rapidamente a ferida com algodão boricado, applicamoó novamente a óolução de Adrenalina e eóperamoó algunó minutoó, podendo então terminar a operação óem que houveóóe nova perda de óangue. Auxiliaram-noó neóta operação oó diótinctoó collegaó Dró. Major Joóé Marqueó doó Reió e Meóóiaó Patury. xvin- Observações de Clinica ophtalmologica As seguintes observações foram feitas no serviço do professor Lapersonne, de clinica ophtalmologica do Hôtel Dieu, de Paris, e são referidas pelo Dr. Pierre Brissot. OBSERVAÇÃO I Keratite intersticial - Pannus Bertha, com doze annos de idade. Dupla keratite intersticial. Em 14 de Novembro de 1902. - O O. E. apresenta um pannus muito desenvolvido na parte supeiior. Uma instillação de duas gottas de Adre- nalina a um para mil se fez; o doente sente no angulo externo do olho algumas picadas que logo desapparecem. A conjunctiva bulbar empallidece no fim de um minuto; os vasos perdem um pouco de sua coloração e apparecem menos tortuosos. Um quarto de hora depois da instillação, os vasos se mostram ainda estreitados. Uma hora depois, as sinuosidades estão mais apparentes, os vasos 66 OA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA conservam-se ainda pequenos e a conjunctiva se mostra mais pallida do que antes da intillação. Em 15 de Novembro.- O pannus parece mencs coloiido do que na véspera e os vasos se mostram menos sinuosos. Instillação de duas gottas de Adrenalina: nenhuma sensação dolorosa. Uma hora depois, está o pannus extremamente descorado. AJ/a 17 de Novembro.-Uma instilL.ção fez-se na vespera. O pannus apresenta uma côr violacea e parece mais destacado; os vasos de apparencia menos nitida. Em 23 de Nuveml.ro. - Apezar de repetidas instillações, o estado continua o mesmo. Em 22 de Novembro. - Tendo augn.entado o soffrimento da doente, foram suspensas as instillações e decidida a intervenção cirúrgica da tonsura da metade superior da conjunctiva. Fizeram-se: ás 11 h. e 15 m., instillações de uma gotta de Adrmidina a um por mil, empallide- cendo instantaneamente a conjunctiva, deixando per- ceber com nitidez os vasos; instillações de cocr.ina; ás 11 h.20 m., duas gottas de Adrenalina, logo após, cocaina; ás 11 h. 25 m., duas gottas de Adrenalina, logo após cocaina. Os vasos tornam-se pequenos e tendem a peider sua coloração. Pro- cede-se á lavagem. Nenhuma reacção se opera. Duus minutos depois applica-se uma gott i de Adrenalina. Procede-se á operação: começa-se por ARMANDO BELLO BARBEDO 67 seccionar o quarto superior e interno da conjunctiva, não apparecendo a menor quantidade de liquido sanguíneo. Apenas no começo da secção do quarto superior e externo da conjunctiva, um vaso muito visível é o unico que deixa escapar algumas gottas de sangue. O resto da operação é realisada exsangue. Proce e-se á cauterisação pelo thermo-cautério e ao penso. A doente nos dias consecutivos nada apresenta de particular; não teve hemorrhagia e a ferida da conjunctiva tomou logo uma bôa via de cicatrisação. OBSERVAÇÃO II Ptérygion Theophilo, com trinta e seis annos, empregado, operado em 6 de Novembro de 1902. O.E.- A conjunctiva não se mostra vasculari- sada. Instillação de cocaína; a excisão é acompanhada de leve hemorrhagia. 0. D.- Instillação de cocaina e Adrenalina. A operação é praticada tres minutos, mais ou menos, depois da instillação de duas gottas de Adrenalina a um para mil. A conjunctiva está muito pallida e o olho apresenta o aspecto da porcellana. A excisão é feita sem correr sangue, que tende a apprecer na ferida, mas cessa. Apezar de tudo, a 68 DA ADRENAI.INjX. EM OPHTALMOLOGIA differença é pouco sensível entre as duas operações, no ponto de vista do sangue perdido. O Dr. Scrini, chefe de clinica, que viu o doente a quatorze do mesmo mez, communicou a observação seguinte: O olho esquerdo está em bôa via de cura; o direito, que recebeu a Adrenalina, é séde de uma reacção intensa, de lacrimejamento e não tem completa sua cic/itrização, ao passo que o olho esquerdo a tem terminada. OBSERVAÇÃO III Glaucoma Este caso e os dons seguintes são tratados pelo Dr. Darier em 1900, pela associação do extracto suprarenal com myoticos. Este primeiro é de glaiicoma súb-agudo dos dons olhos, já adiantado. A cura completa foi obtida depois de seis mezes por meio do collyrio seguinte: Chlorhydrato de pikcarpina 0,03 centigrs. Sulfato neutro d'eserina 0,02 » Extracto aquoso de capsulas supra- renaes em paries iguaes 5 grammas Agua destillada 5 » Alem disso, foram ministradas internamente ao doente pastilhas de suprarenalina. ARMANDO BELLO BARBEDO 69 OBSERVAÇÃO IV Glaucoma clironico Houve accessos agudos e necessidade, anterior- mente, de iridectomia no olho esquerdo; a eserina e a pilocarpina attenuam perfeitamente os phenomenos glaucomatosos, que, entretanto, reapparecem muitas vezes. Depois de applicações do collyrio de suprarenal eserinado, não se produziu mais accesso algum. OBSERVAÇÃO V Glaucoma chroníco com accessos agudos Um dos olhos estava já completamente perdido. O collyrio produziu optimo effèito. O doente foi melhorando gradativamente. Darier confessa que neste e no caso precedente, limitou-se ao tratame nto palliati vo acima citado, tão sómente devido á recusa a se deixar operar no segundo olho, apresentada pelos doentes. OBSERVAÇÃO VI Glaucoma Esta observação é devida ao Dr. Hans Kirchner. Trata-se de uma Senhora bastante idosa, sob os 70 GA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA cuidados do seu medico durante muito tempo já, devido a uma affecção geral em relação com o seu glaucoma. O tratamento deste foi emprehendido com o maior rigor e o regimen dietetico severamente observado. O resultado, porém, não era satisfactorio; estava o olho direito íor temente inflammado e a doente soffria muitas alterações na cornea. A tendão ocular era muito elevada no lado direito; a irritação da conjunctiva augmentava diariariamente, essa membrana estava intumecida e espessada, e, por suas vegetações corneas, apresentava ella absoluta- mente o aspecto d j trachoma. Os adstringentes mais variados e energicos foram em] regados sem inter- rupção, e instillados os myoticos em todas as dóses e combinações, sem que se obtivesse modificação alguma na tensão e no diâmetro pupillar. Dez mezes depois do começo do tratamento, foi o Dr. Kirchner chamado, encontrando a doente com aspecto realmente triste: a conjunctiva forte- mente intumecida e semeada de granulações espessas, o que é causa de um ectropion notável das duas palpebras inferiores. A pelle da face apresenta escoriações em muitos pontos, devidas á presença de uma secreção abundante; no olho direito, glaucoma absoluto e na cornea duas ulcerações profundas; a pupilla, em ambos os olhos, acha-se médiamente dilatada, apezar da instillação diariamente feita de cinco gottas de um myotico poderoso. ARMANDO BELLO BARBEDO 71 Foi dado á doente um collyrio contendo suprarenalina (preparação franceza Jacquet-Lyon). A conjunctiva estava quasi normal, o ectropion tinha desapparecido; a pelle da face estava curada e ambas as pupilks, dilatadas desde longos mezes, não obstante o emprego de myoticos energicos, tinham-se contraindo sob a influencia de um collyrio fraco. A formula empregada foi: Chlorhydrato de pilcc. rpina 0,006 milligrs. Eserina .. 0,004 » Suprarenalina 1 gramma Agua destillada 1 » O numero de instillações é diminuído prcgressi- vamente; o regímen muito severo da paciente é modificado, tendo menos ligor, e a melhora persistiu. As perdas de substancia da cornea foram reparadas. Sete mezes depois de encetado o tratamento acima, isto é, de chamado o ultimo medico, foi feita a experiencia de abandonar a suprarenalina, fican lo apenas o emprego de myoticos: manifestou-se mudança, rapidamente seguida por uma aggravação, a tensão augmentou de novo, as pupillas se dilataram e uma nova ulceração se manifestou na cornea direita. Combinando as instillações de suprarenalina e de myoticos, foram obtidos excellentes resultados. 72 DA ADRENALINA em OPHTALMOLOGIA Tempos depois, é abandonado novamente o extracto de capsulas suprarenaes, sendo empregados simplesmente os myoticos: o olho direito ficou naturalmente amaurotico, as crises dolorosas não reappareceram e a cornea ficcu curada. O olho esquerdo apresenta uma acuidade visual quasi normal; a tensão e a pupilla são normaes. OBSERVAÇÃO VII (Colhida na clinica do Dr. Fromaget) Conjunctivite catarrhal aguda F. G., com 54 annos, vendedor ambulante, soffrendo de conjunctivite catarrhal aguda, com rubor, accentuado especialmente na parte inferior e interna do globo ocular. O doente entrou para a clinica a 19 de Seteml ro, sendo-lhe applicado um collyrio de nitrato de prata, duas gottas, tres vezes por dia. Em 21 de Setembro.-Melhora dos signaes subjectivos, persistindo, porém, a injecção con- junctival. Feita uma instillação de Adrenalina a 1 para 5.000, deu-se, no fim de um minuto, o desappareci- mento total do rubor, persistindo, entretanto, uma leve injecção profunda. Foi continuado o tratamento pelo nitrato de prata. ARMANDO BELLO BARBEDO 73 Em 26 de Setembro.-Pouca mudança se mani- festou, accusando o doente alguma dôr. Foi prescripto o tratamento pela Adrenalina com o collyrio seguinte, applicando duas gottas, tres vezes per dia: Chlorhydrato de Adrenalina VIII gottas Agua destillada lOc.c. Em 29 de Setembro. - Melhora sensível se manifestou, desapparecendo totalmente a dôr; o tratamento foi continuado. Em 3 de Outubro.-Persiste a melhora. Em 6 de Outubro.-A affecção parece curada e é suspenso todo o tratamento. Em 17 de Outubro.- Teve alta a doente, por não haver reapparecido a iiritação e por ter se mantido a cura. OBSERVAÇÃO VIII [Colhida na mesma clinica) Conjunctivite lacrimal intensa Luiza B., com 42 annos, soffrendo de con- junctivite com lacrimejamento considerável, foi primeiramente tratada por um collyrio com acido tannico, sem obter grandes resultados. 74 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA Em 25 de Outubro. - Applicação do seguinte collyrio: Sulfato de zinco 0,02 centigrs. Adrenalina a 1:1000 XV gutt. s Agua destillada 10 grammas. Duas gottas, quatro vezes por dia. Em 31 de Outubro. - Melhora sensível sem lacrimejamento. O Dr. Maicel-Jacques cita uma observação, tirada do British Medicai Journal de conjunctivite com lacrimejamento, n'uraa mulher de 43 annos, que delia soffria desde longo tempo e apresentava o rebordo das palpebras extremamente vermelho. Applicou-lhe em cada olho, duas vezes por dia, instillações de Adrenalina a 1 para 10.000. Apóz quinze dias de tratamento, a doente experimentou grande allivio, especialmente na diminuição da photophobia e do lacrimejamento, voltando os olhos ao estado normal. OBSERVAÇÃO IX (Publicada pelo Dr. Reynolds) Caso grave de conjunctivite purulenta chronica, complicada de trachoma Refere elle que, depois de uma serie de instillações da solução de chlorhydrato de Adrenalina, 75 ARMANDO BELLO BARBEDO acompanhadas de lavagens com uma solução de bi-chlorureto de mercúrio, desappareceu completa- mente o trachoma, tendo se manifestado um grande allivio, que foi attribuido á Adrenalina. OBSERVAÇÃO X (Publicada pelo Dr. Reynolds) I ri do-cyclite M. S., com 43 annos de idade, soffria de uma irido-cy elite proveniente de um sôco que recebeu sobre o olho. A tensão estava augmentada, o olho vermelho e doloroso, com lacrimejamento e photo- phobia intensos; apresentava opacidade intersticial da cornea, não permittindo ver o estado da pupilla. Applicaram-se instill ações da solução de Adre- nalina a 1 para 5.000. A tensão diminuiu, dissi- pando-se, em menos de um minuto, todos os traços de vascularisação; vinte e quatro horas depois das instillações, reappareceu a vascularisação. A photo- phobia e o lacrimejamento cessaram em menos de um minuto e nenhum outro tratamento local foi applicado. O doente continua experimentando melhoras; a opacidade da cornea começa a dissipar-se e a pupilla está nitidamente visivel sem ]uz artificial. A melhora manifestando-se, dia a dia, até que, no 76 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA fim de nove dias, era visivel apenas uma leve opacidade na parte inferior do limbo. A injecção vascular da cornea, bem assim a da conjunctiva, haviam desapparecido completamente. Esta observação é notável pelo facto de haver a irido-cyclite cedido quatro semanas depois da applicação da Adrenalina, ficando o doente inteira- mente curado e sem irritação alguma apparente do olho. OBSERVAÇÃO XI (Eaetr hida do Jornal referido acima pelo mesmo Dr. Mareei-Jacques ) Irite com leve escoriação da cornea J. W., era o doente, que estando atraz de uni homem que atirava ao alvo, fôra attingido no olho por um corpúsculo vindo da arma no acto de fazer fogo, sendo-lhe extraindo o ccrpo estranho no dia seguinte pelo Dr. T, que lhe instillou atropina no olho. Ao entrar para a clinica o doente, apresentava no olho offendido traços de irite com injecção perikeratica intensa, leve escoriação da cornea na parte externa, a 3 millimetros, mais ou menos, para dentro do limbo, e synechias posteriores, apparentes apóz exames com fuoresceina, nada de anormal apresentando no ophtalmoscopio. Continuou-se com a atropina, ao mesmo tempo que foi determinado ARMANDO BELLO BARBEDO 77 um tratamento com mercúrio. Poucos dias depois (a 11 de Outubro) o clho estava mais inflammado e foram applicadas micções belladonadas sobre as têmporas de quatro em quatro horas. Em 14 de Outubro. - Apresentou-se exsudação abundante de lympha. Em 18 de Outubro. - O olho está muito inflam- mado e muito doloroso. O proprio medico faz-lhe instillações de Adrenalina a 1 para 10.000, tres vezes por dia. Em 21 de Outubro.-O olho apresenta-se muito melhor e menos inflammado. Logo apóz a applicação de Adrenalina, o doente experimenta um allivio sensível, especialmente na dor, que diminuiu. A applicação da Adrenalina, foi continuada e com ella a melhora, cada vez mais sensível, dando-se o desapparecimento total da inflammação. O doente attribuiu seu allivio ao emprego do alcaloide. OBSERVAÇÃO XII (Feita na clinica do Dr. F'onu get, já citado) Idpisclerite M. A., com 52 ânuos, achando-se doente desde 14 de Abril, tratada por um collyiio de sulfato de zinco, durante tres semanas, mais ou menos, sem grande resultado, até que foi submettida ao trata- 78 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA mento pela sendo-lhe applicado o collyrio seguinte, em 4 de Junho: Adrenalina a 1 para 1000 XV gottas Solução physiologica de chlorureto de sodio 10 grammas Duas gottas, tres vezes por dia. Em 4 de Julho. - Persistiu uma leve injecção episcleral e alguma injecção conjunctival. Em 25 de Julho. - Cura completa. OBSERVAÇÃO XII í ( Da clinica precedente) I Hepharo-corrjunctivite Maria Luiza L., com sete annos de idade, apresentou-se na clinica em 19 de Setembro, soffrendo de uma blepharo-conjunctivite do olho direito, apre- sentando ruber intenso a palpebra e a conjunctiva palpebral, mostrando-se os cilios collados pela manhã, ao despertar. Foi-lhe applicado o collyrio mixto seguinte: Adrenalina a 1 para 1.000 XX gottas Sulfato de zinco 0,02 centigrs. Agua destillada 5 grammas. Duas gottas, tres vezes por dia. ARMANDO BELLO BARBEDO 79 Conjunctamente a pomada: Adrenalina a 1 para 1.000 3 grammas Lanolina / ) ãã 5 » Applicada no rebordo das palpebras. Dez dias depois, a 29 de Setembro, apresentava a doentinha melhoras sensíveis. As palpebras não tinham a vermelhidão anterior e não se dava o collamento dos cilios. A injecção conjunctival desap- parecera egualmente. O tratamento foi continuado durante oito dias, com a pomada unicamente. Em 8 de Outubro seguinte apresentou-se a menina inteiramente curada. OBSERVAÇÃO XIV ( Do serviço do professor Lapersonne, na ilinica do Hôtel-Dieu) Cataracta traumatica. Aspiração O doente era um rapaz de dezoito annos, empregado. Apresentava cataracta traumatica sim- ples, leve injecção perikeratica e conjunctiva uniformemente congestionada; nenhuma sensibilidade á pressão, nem dores expontâneas. Vejamos o tratamento. Em 10 de Outubro de 1902. - A's 10 horas e 10 80 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA minutos da manhã, foram applieadas duas gottas de Adrenalina a 1 por 1.000 em imtillação. Dous minutos depois, a conjunetiva bulbar empallideceu manifestamente em sua parte inferior e a injecção perikeratica (vasos profundos) não desappareceu. A's 10 horas e 14 minutos o districto conjun- ctival inferior tornou-se completa mente anemiado; a peripheria da conjunetiva bulbar apresenteu-se mais pallida, porém a injecção perikeratica subsistiu sempre. Um minuto depois fei feita uma instillação de cocaina a 4 % e a injecção perikeratica não mudou ainda sua coloração. Foi feita a lavagem do olho cinco minutos depois (ás 10 hs. e 20 ms.,); em seguida a puneção da camara ant rior e a aspiração do crystallino, tudo sem dor e sem hemorrhagia. Nos dias seguintes, nada aconteceu de anormal, xealizando-se boa cicatrização. OBSERVAÇÃO XV ( bevida ao Dr. Brissot, que a fes na clinica do Hôtel- Dieu) K era ti te intersticial. Sclerite. Hacillo de Hansen Este caso não conseguiu a cura completa. D. Alexandre, com 18 annos de idade, depois ARMANDO BELLO BARBEDO 81 de se achar em Paris algum tempo, indo do Brazil, entrou para o Hospital, apresentando dupla keratite intersticial (mais accusada no lado esquerdo), con- tando tres semanas; apresentava orla pericornea e tubercubs. Foi encontrado no doente o bacillo de Hansen. Em 16 de Outubro.-FA feita a excisão de uma porção de orla pericorneana; cauterização. Em 4 de Novembro. - O doente apresenta em ambos os olhos um augmento intenso de sclerite, além de sua dupla keratite intersticial. E' feita a applicação de Adrenalina e atropina associadas. As dez e meia horas da manhã apresentam-se dores, lacrimejamento e photophobia. Feita a instillação de uma gotta de Adrenalina a 1 para 1.000 em cada olho, parece a dòr ser mais viva nos primeiros instantes, sentindo depois o doente a sensação de um grande allivio. Uma hora depois continuam a photophobia e o lacrimejamento, como antes da instillação, porém os olhos abrem-se mais facilmente, produzindo-se modificação favoravel, diminuindo a der. O olho que empallidecera um pouco antes, retomou toda sua coloração. Em 5 de Novembro. - Foi feita uma instillação de Adrenalina ás 4 horas da tarde anterior, apresen- tando-se de manhã os olhos vermelhos; o direito com photophobia, lacrimejamento e dor; o esquerdo, que na vespera era séde de vivas deres, não apresenta 82 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA nem lacrimejamento nem dôr, estancio, entretanto, sempre muito congestionado. Apóz uma instillação novamente feita, a con- junctiva empallideceu, o olho esquerdo não apresenta dôr e no direito o lacrimejamento desapparece, a photophobia dimimie, bem assim a dôr, que já era muito mais fraca. Em 6 de Novembro. - 0 olho esquerdo se acha quasi sem dôr, parecendo, a congestão menos intersa; o direito, não soffre dores depois da instillação da tarde, havendo durante a noite, bem como no esquerdo, lacrimejamento. Renasceu a calma com uma instillação feita de manhã. Em 7 de Novembro. - 0 olho esquerdo sem dôr, com photophobia menor, acha-se menos congestionado; o direito está um pouco dolorido e apresenta photophobia, lacrimejamento e rubor intenso. Apóz a instillação, a dôr e o laciimejamento cessam. Em 8 de Novembro. - Durante a noite houve dôr e latejamento no olho direito, fazende-se uma instillação de manhã, que cessou o soffrimento. Em 10 de Novembro. - Passados os dous dias, o doente acha-se tranquillo; a dôr não se reproduziu nem o lacrimejamento, existindo ainda a photophobia, porém menos intensa. Em 13 de Novembro. - Um accesso muito do- loroso produzio-se no olho direito, não obstante terem ARMANDO BELLO BARBEDO 83 sido feitas com regularidade as instillações de Adrenalina. Existe intensa congestão e latejamentos dolorosos no olho esquerdo. Em 14 de N/vembro. - O doente soffre especial- mente no olho direito: a pressão da palpebra superior é muito dolorosa e esta se acha levemente edemaciada. A congestão continua muito forte. As instillações continuam sendo applicadas. Em 15 de Novembro. - O doente atravesssa o dia sem ter dôres, manifestando-se o soffrimento novamente de noute. Em 16 de Novembro. - Não houve dôres durante o dia, apparecendo apenas alguns latejamentos durante a noute. Em 17 de Novembro. - Hora e meia apóz uma instillação, produz-se uma pequena dôr no olho esquerdo, em que apresenta-se coloração vermelha muito accentuada; a conjunctiva se acha coberta por numerosos vasos volumosos e sinuosos. Está menos congestionado o olho direito, que apresenta filetes vasculares entre cujos intervallos a conjunctiva tende a empallidecer. Em 18 de Novembro. - O olho direito não tem dôr e não ha lacrimejamento; o esquerdo está muito doloroso. O doente queixa-se de dôres vivíssimas, que se manifestam sobretudo depois da instillação medicamentosa. As instillações foram suspensas. O accesso con- 84 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA tinuou sua evolução; ambos os olhos se acham congestos e dolorosos; aphotophobia, olacrimejamento e a dôr são especialmente observados com maior intensidade no olho esquerdo. Depois de alguns dias de soffrimento, veio um periodo de calma, que o doente aproveitou e pediu alta, e não foi possivel negal-a, apezar de não estar completamente curado. OBSERVAÇÃO XVI ( Zimmerma .n, Siuttgascl, clirvque opht., 1900) Sclerite, tratado pelo extracto de capsulas suprarenaes Trata-se de um doente gottoso, com 47 annos de idade, accommettido de sclerite, reproduzindo-se duas ou tres vezes por anuo, já durante sete annos. As nodosidades gottosrs, verdadeiras toyhi, occupam toda a parte superior do bolbo até o re- bordo da cornea, já invadida por uma zona de infiltração parenchymatosa. A visão acha-se dimi- nuída; o doente mostra-se desesperado, soffre muito e não póde abrir os olhos, que lacrimejam e se acham dolorosos. A acção da Adrenalina foi rapida, os olhos perderam promptamente sua coloração rubra, abri- ram-se facilmente, tornando-se tão pouco dolorosos que podia-se nelles explorar o tonus e mesmo revi- rar as palpebras, sem que o doente soffresse quasi. 85 ARMANDO BELLO BARBEDO Apenas os vasos profundos davam ás partes superficiaes anemiadas uma leve cor violacea. A duração do accesso, que era habitualmente de seis a oito semanas, acompanhado de dôres violentas, não permittia que o doente se entregasse a suas occupações habituaes; graças ao tratamento empregado (instillações de Adrenalina, duas ou tres vezes por dia). A cura foi obtida em cerca de quinze dias, apenas, podendo o doente entregar-se a sua actividade do costume. OBSERVAÇÃO XVII (Publicada no Medical-Record e referida por Mareei-Jacques) Kpithelioma da palpebra inferior Trata-se de uma mulher, na qual realisou-se o desapparecim.ento completo do neoplasma, depois de feitas instillações de solução de Adrenalina a 1 para 1000 na conjunctiva, repetidas diariamente. O autor, que se propunha a fazer proximamente uma operação radical, prescreveu este tratamento com o fim de combater a irritação inflan matoria e o corrimento sanguíneo que o tumor apresentava. Estes phenomcnos desappareceram desde as primeiras instillações; ao mesmo tempo as crostas esbranquiçadas que cobriam o neoplasma foram 86 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA cahindo, para não maiff se reproduzirem, e o tumor começou a diminuir de volume. No fim de tres mezes, encontrava-se tão sómente uma cicatriz com depressão, no ponto em que se assestara o cancroide. Convém notar que a natureza epitheliomatosa do tumor fora verificada pelo exame macroscopico. OBSERVAÇÃO XVIII ( Da clinica do Dr. Fromaget) Conjunctivite catarrhal subaguda dos dous lados M. S., com vinte e cinco annos. Apresenta in- conjunctival, sobretudo no nivel da conjun- ctiva tarsiana e d i caruncula; leve photophobia, principalmente de noute, quando submettido o doente á acção da luz artificial. Pela manhã, ao accordar-se, o doente temas palpebras colladas, com agglutinação dos cilios desprendendo secreção muco-purulenta, em pouca quantidade, no nivel do grande angulo. Fez-se instillação de Adrenalina a 1 para 10.000 no olho direito: no fim de um minuto, mais ou menos, manifestou-se pallôr notável na conjun- ctiva, que se torna absolutamente exsangue, depois de decorrer minuto e meio. O olho esquerdo, que não recebera instillação, continúa rubro e injectado. ARMANDO BÈLLO BARBEDO 87 O doente foi tratado, depois, pelo collyrio mixto seguinte: Adrenalinas 1 para 1.000 XX gottas Sulfato de zinco 0,02 centigrs. Agua destillada 10 grammas Para instillar dms gottas, qua'ro vezes por dia. Cinco dias depois de tratado por esta forma, o doente não apresentava traço algum de irritação e podia considerar-se curado. OBSERVAÇÃO XIX (Colhida pel? medico atin a no Biititii Medicai Journal) Conjunctivite catarrhal aguda com accessos de keratite phlyctenular A. B., com 68 annos d'idade, admittido no hospital do Condado de Lincoln, em 28 de Outubro de 1901, acommettido daaffecção acima mencionada, datando de seis semanas. Ao entrar para alli, havia intensa photophobia no olho direito, aliás tão fute que qualquer exame se tornara inpcssivel sem en prego de cocaina. Apresenta, então, a conjunctiva inflammada, rubra, edemaciada e com phlyctenas na cornea. Instillada a Adrenalina em solução de 1 para lo.ooo no olho, sente o doente um allivio 88 DA ADRENALINA EM ÔPHTALMOLOGIA notável em mencs de um minuto. A injecção con- junctival e a photophobia desapparecem completa- mente, não havendo mais traço algum de injecção peri-keratica. Esses differentes symptomas reappi recer. m algumas horas depois, mas tcdos attenuados. As gottas de Adrenalina foram repetidas tres vezes por dia, fazendo-se lavagens do olho com uma solução de bichlorureto de mercúrio a 1 para 5.000. No fim de alguns dias, o olho voltara ao estado normal. OBSERVAÇÃO XX (Da clinica do mesmo medico') Ectropion senil com lacrimejamento M. D., com 72 annos de idade, apresentando inflammação da palpebra inferior e conjunctivite angular com lacrimejamento intenso. Foi apphcado um collyrio de Adrenalina, tres gottas, seis vezes por dia. Oito dias depois dessa medicação, o lacrime- jamento havia quasi completamente desapparecido e o olho não tinha mais inflammação. OBSERVAÇÃO XXI ([Publicada pelo Dr. Reynolds) Irite syphilitica 8. J., com 46 annos de idade, apresenta-se com ARMANDO BELLO BARBEDO 89 uma irite sypbilitica datando de oito dias, tendo nodulos gommosos no rebordo da pupilla. O doente foi primeiraniente medicado pelo trata- mento mixt). Para diminuir as dôres foi-lhe ministrada uma solução de salycilato de sodio para tomar de hora em hora até completo allivio. O mercúrio e o iodureto de potássio foram-lhe também prescriptos, tomadas as doses de 3 em 3 horas. A conjunctiva conservava-se sempre injectada. Eram feitas, de tres em tres horas, instillações de sulfato de atropina, directamente sobre o olho. Em 15 de Janeiro. -O doente tem experimentado melhoras pelo tratamento do salycilato. A pupilla conserva-se contrahida. Nenhuma alteração é feita no tratamento. Em 18 de Janeiro.- Nenhuma mudança appa- rente. Tem sido feita no olho instillação da solução de Adrenalina a 1 para l°.000, notando-se que, dous minutes depois da instillação, o olho apresenta-se pallido e com côr marmórea. O doente tem sido observado e notou-se duas horas depois que o olho estava limpido. Uma gotta de atropina foi instillada. Em 19 de Janeiro. - A pupilla está fortemente dilatada; continuação da Adrenalina tres vezes por dia. Em 21 de Janeiro.- Dilatação completa da pupilla que deixa vêr algumas synechias. A injecção conjunctival diminuiu gradualmente. Conclue o autor, com justa razão, que não ha duvida alguma sobre os 90 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA effeitos produzidos pela Adrenalina agindo simulta- neamente com a atropina. Em 26 de Janeiro. - Não existi mais nenhum traço de irite. Haviam desapparecido complttamente as gommas. A pupilla inteiramente dilatada e abolida definitivamente a injecção conjunctival. O doente não apresenta nenhum traço de irritação, o olho voltou ao estado normal e a 7 de Fevereiro estava perfeitamente curado. Vejamoó agora algumaô obóetvaçõeó ôobre o emprego da Adrenalina naó divetóaó intervençõeó oculareó para aóóegurar a hemoótaóe e favorecer o effeito da cocaína. OBSERVAÇÃO XXII ( Da clinica do Dr. Fi\maget) Ablação de um chalazio Trata-se da viuva G., com qu; renta e cinco annos de idade. Antes de ser incisado o pequeno tumor, fez-se instillação de algumas gottas de cccaina a 2 para 100. O escoamento sanguíneo bastante abundante a ponto de cobrir a zona em que a incisão foi feita, é ARMANDO BELI.O BARBEDO 91 i stantaneamente sustado pela instillação de quatro gottas de Adrenalina a 1 para 5.000. O fim da operação foi exsangue. Foi applicado um penso de algodão. Dob dias depois o doente lev ntou-se. Não houve traço algum de sangue,depois de operada. OBSERVAÇÃO XXIII I3térygion duplo. Excisão M. L., com 62 annos. Olho direita. Foi feita a anesthesia com cocaina precedida de instillação de Adrenalina a 1 para 3.OOO. A excisão e curetagera do ponto de implan- tação sobre a cornea foi acompanhada de insignifi- cante hemorrhagia e muito pouca dôr. Olho equerdr. Foi feita instillação de cocaina sómente. Apóz a excisão, o corrimento sanguineo foi abundante, corrimento este sustado immediata- mente pela applicação de algumas gottas da solução de Adrenalina supracitada. O doente sentiu dôr muito passageira no mo- mento da excisão. OBSERVAÇÃO XXIV Ruptura da Sclerotica D. B., com 32 annos deidade. 0 doente apresenta ruptura da sclerotica, de- vida a uma chifrada de vacca, no nivel do limbo, 92 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA na parte interna, com luxação sub-conjunctival do crystallino. Chymose bastante abundante, sobretudo pronunciada no nivel do crystallino luxado. O doente queixa-se de deres na região ciliar. Ha irido-cyclite aguda. A conjunctivatornou-se absolutamente branca, em consequência de instillações da solução de Adre- nalina a 1 pi ra 1.000; a instillação do chlorhydrato de cocaina produz uma anesthesia completa. Pratica- se a incisão da conjunctiva sem dor e sem corrimento sanguíneo. A extraeção do crystallino luxado é feita sem dôr e, apenas no momento da resecção do processo ciliar herniado é que o doente sente algumas dòres. A sutura da conjunctiva com catgut faz-se com anesthesia perfeita. OBSERVAÇÃO XXV Iridectomia 0 doente J. D., com 61 annos d'idade, apre- sentava o olho esquerdo com glaucoma agudo, da- tando de oito dias e já com perda completa da visão. Em 15 de Julho de 1902-. Praticada a iride- ctomia com instillações de Adrenalina a 1 para 1000, seguida d'applicação de cocaina, obteve-se, ao cabo de dous minutos, palôr completo da conjunctiva. Sem sangue foi feita a secção desta muccsa e absoluta- mente indolor a secção da iris. ARMANDO BEI.LO BARBEDO 93 OBSERVAÇÃO XXVI Idxtracção do crystallino M. A., com 19 annos d'idade. Apresenta o do- ente myopia muito pronunciada no olho direito. Astigmatismo. Discisão praticada alguns dias antes. O crystallino está opacificado. Foi realisada a extracção sem iridectomia, tendo sido empregada a Adrenalina, que, em 2 minutos, produziu com- pleta ischemia. Insignificante foi a dòr accusada pelo doente. OBSERVAÇÃO XXVII Dacryocystite purulenta Ablação do sacco Trata-se do doente M. G., com 30 annos de idade, que é portador de uma dacryocyste purulenta com dilatação do sacco e com uma antiga fistula lacrimal obliterada. Em 25 de Ouhibro de 1902. - Foram realisadas a extirpação do sacco e larga curetrgem do canal nasal; a anesthesia foi feita com chloroformio. O emprego da Adrenalina, a 1 para 1.000, sustou immediatamente a hemorrhagia que se produzira no mcmento da incisão da pelle, assim como a liemor- rhagia capillar, tornando-seassimmais facil a operação. Não houve hemorrhagia secundaria. Alguns dias 94 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA depois da operação, foi levantado o penso, contendo uma quantidade minima de sangue. OBSERVAÇÃO XXVIII Tumor lacrimal enkystado. Extirpação L. M., com 52 anncs de idade, procura tratar-se de um tumor lacrimal enkystado no olho esquerdo. Em 28 de OutulrJ de 1992. - Foram praticadas a extirpação e curetagem. Uma hemorrhagia bastante abundante produzia-se logo depois da incisão da pelle, tendo sido inútil tentar sustal-a ccm a ccm pressão de um tampão de algcdão, pois que uma vez levantado o tampão de algodão, a hemorrhagia recomeça tão profusa como dantes. Recorreu-se, então, ao pincelamento com uma solução de Adrenalina a 1 para l.ooo, sendo o resultado excellente, pois, a hemorrhagia foi immediatamente sustada. Na continuação da operação o corrimento san- guíneo foi muito pouco, o que não aconteceria se não fosse o emprego da Adrenalina. OBSERVAÇÃO XXIX Tenotomia L. P., com 18 annos cfidade, é portador de estrabismo externo no olho direito, de myopia pronunciada, insufficiencia do recto interno e paresia. 95 ARMANDO BELLO BARBEDO Foi effectuada a tenotomia do recto externo e notou-se deslocamento muscular do recto interno. As suturas foram feitas com catgut. Foi utilisado um collyrio mixto de Adrenalina e cocaina, fazen- do-se a secção da ccnjunctiva sem perda de sangue. Na occasião da secção do tendão do recto externo a ligeira hemorrliagia apparecida foi logo sustada por uma nova instillr.ção do collyrio. O doente não soffreu dòr alguma. OBSERVAÇÃO XXX Cauterisações da corrjunctíva e do tarso O doente D. J.., cem 62 annos d'idade, agri- cultor apresenta ectrcpion senil total á esquerda com ccnjunctivite hypeitrc phica e ectropicn total á direita. O rebordo da conjur.ctiva hypeitrophiada scffreu cauterisações com o tliermc-cauteiio. Também fo- ram feitas cauteiisações lineares na ccnjunctiva e no tarso. Um ccllyiio n ixto de cocaina e Adrenalina. foi empregado dardo resultado cptimo, pois que o doente affirmcu não ter sentido nenhuma dòr. OBSERVAÇÃO XXXI no Hospital Santa Isabel, nesta capital. Esta obs. é pessoal) Trata-se de Florentino Peixoto Lordello, sol- teiro, com 19 annos de idade, natural deste Estado, lavrador residente de Conceição do Almeida. ( Da clinica cio Dr. Santos Pereira 96 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA Entrou para o Hospital Santa Izabel em 23 de Maio do corrente anuo, tomando lugar na Enfer- maria São Paulo, soffrendo de syphilis hereditária, apresentando como estigra: s o seguinte: Ectropion cicatricial da palpebra inferior do O. D., destruição dapalpebra inferior do O. E. por largas ulcerações, complicados, de estaphyloma cicatricial no O. D. e de ptérygion cicatricial na parte inferior e extrema do O. E., resultante todo esse estado de largas ulcerações abrangendo toda a pelle da fronte, das têmporas e da face, conservan- do-se a visão perfeita no O E. e pcrcepçãô quan- titativa no 0. D. Em 23 de 3/u/o ( dia da entrada) começou a tomar duas colheres de chá, por dia, de xrrope de Gibert, sendo submettido á dieta 6.a. Em 26 do mesmo mcz foi sujeito á medicação, seguinte: Xarope de iodureto de ferro de Blancard. Duas colheres de sopa por dia. Em 2 de Junho mudou a medicação para: Xarope de Gibert alternado com o xarope de iodureto de ferro e tomando ainda dous cálices de vinho quinado diariamente. Foi mantida esta medicação sempre, até a ul- tima repetição feita no dia 10 de Setembro. Em 20 de Outubro-o Snr. Dr. Francisco dos ARMANDO BELLO BARBEDO 97 Santos Pereira, illustrado lente cathedratico de nossa Faculdade fel-o passar de doente interno a externo, attendendo a que assim convinha para me- lhorar, o estado geral do doente e visto poder o mesmo continuar com vantagem em tratamento, por ter-lhe um amigo proporcionado um commodo íóra do Hospital, sem interromper seu tratamento, com o qual ficou consideravelmente melhorado. Vejamos agora as operações que soffreu o doente: Em 23 de Julho-foi praticada blepharoplastia da palpebra inferi r do O. D. e blepharorrhaphia do mesmo, sendo feitrs depois, escarificações com o fito de diminuir a grande congestão do mesmo olho. Em 12 de Setembro-foi praticada novamente a blepharoplastia no O. D., palpebra inferior, com o fim de corrigir a operação feita no dia 23 de Julho, havendo-se praticado novas escarificações em 13 de Agosto. Em 8 de Outubro-foram realisadas as operações de blepharoplastia e blepharorrhaphia da palpebra inferior do O. E. As operações do O. D. foram feitas, por um processo seu, pelo mencionado Professor junctamente com o não menos distincto Cathedratico Dr. Ignd,cio d'Almeida. Gouveia, auxiliando as operações o Dr. João dos Santos Pereira, assistente de clinica ophtalmologica. Foi empregado o methodo de Schleich para anesthesia, tendo sido injectada na parte a operar 98 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA 25 grammas da solução media de Schleich, cuja formula é a seguinte: Chlorhydrato de cccaina dez centigrammas Chlorhydrato de morphina.... duas centigrammas Chlorureto de sodio vinte centigrammas Acido phenico a 5°/0 II a III gottas Agua distillada cem grammas Não foi conseguida a anesthesia desejada, pois que o doente queixava-se de fortes dores. As ope: ações de correcção realisadas no O. D., em 12 de Setembro, estiveram a cargo dos mesmos operadores, mesmo auxiliar, porém, desta vez, o doente foi chlorofurmisado, estando achlorof rmisação aos cuidados do distincto clinico, Assistente da 2.a cadeira de clinica cirúrgica, Dr. Kaymundo E. de Mesquita; as do O. E., foram feitas sem chloroformio pelos citados operadores e auxiliar. No trabalho operatorio do O. E., foi applicada a seguinte formula: Chlorhydrato de côcaina vinte centigrammas Chlorhydrato de A're7ialina... duas grammas Agua destillada oito grammas Em instillações sobre a região operada. O resultado obtido como effeito da acção loca- ARMANDO BEIJ.O BARBEDO 99 do medicamento consistiu em diminuição de dor a da quantidade de sangue perdido. Tendo resultado de ambas as operações ficarem desprovidas de epiderme as porções da face adja- centes ás palpebras inferiores, foi praticada alli a autoplastia, tirando-se os retalhos de um braço do doente, sendo obtido excellente resultado no lado direito e achando-se em via de cicatrisação com- pleta a do lado esquerdo, ao ser escripta a presente observação. E' opinião do medico assistente que serão ainda necessárias, para o possível restabelecimento do doente em questão, outras operações taes como: No O. D.- Operação da estaphylotomia e iri- dectomia optica na parte superior, onde ainda con- serva-se uma porção transparente da cornea. Correc- ção de bridas cicatriciaes para completar a blepharo- plastia praticada em consequência da retracção cicatricial. No O. E.- Operação do ptérygion. Correcção da blepharoplastia pela causa já citada. Restabelecimento, em ambos os lados, das vias lacrimaes cujos pontos e canaes se acham destruídos em consequência das primitivas ulcerações. O doente acha-se muito melhorado no seu estado geral devido ao tratamento especifico e tonico a que sub.netteu-se durante o tempo que esteve no Hospital. 100 DA ADRENALINA EM OPHTALMOLOGIA Convém notar que, por diversas vezes, durante o tratamento, foi applicada a Adrenalina em solução de 1 para 1000, dando sempre resultado favoravel, quanto á descongestão do orgão, que assim apre- sentava estações de allivio para o doente, favore- cendo, até certo ponto, a marcha da melhora. PROPOSIÇÕES Sciencias physicas e naturaes Chi mica medica I A Adrenalina é o alcaloide micro-cryótallino e chimicamente puto do ptincipio activo daó capóulaó óupratenaeó, de que é extrahida. n Combinada com oó acidoó, forma ôaeó doó quaeó o maio empregado é o chlorhydrato em oolução aquooa de i para 1000. ui A ooluçâo do chlorhydrato de Adrenalina, que é a maio empregada, é eotavel, pôde oer eóterilióada e conóervada por tempo muito longo : ôob a acção do ar e do calor, muda ella de coloração, maó conóerva óua actividade. Historia natural medica I Aó quinaó óão fornecidao pelo genero cin- chona, da familia daó rubiaceaó. Exiótem no commercio treó eópecieó de quina: amarella ou calioaya, vermelha e cinzenta, óendo a primeira a que contem maior quantidade de quinina. II PROPOSIÇÕES II Além da quinina, aó quinaó encerram oó óeguinteó alcaloideó: quinidina, cinchonina e cinchonidina. Eóteó alcoloideó óão quaói inóolu- veió na agua; óeuó ôaeó porem óão baótante óoluveió. ui Eótudoó modetnoó vieram demonótrar que a quina vermelha vem a óer a caóca do tronco da planta, a amatella ou calióaya a doó ramoó grandeó e a cinzenta a doó ramoó pequenoó. Matéria medica, pharmacologia e arte de formular I A Adrenalina é uma óubótancía mícro-cryóta- lina branca, levemente amarga; óua reacção é alcalina; colora fracamente de azul o papel de tourneóol. n Díóóolvida na óolução phyóiologica de chlor- uteto de óodio, addicionando o,5 por 100 de chloretona, obtem-óe um liquido fixo de longa conóervação. A chloretona, que é ao meómo tempo um poderoóo germicida e um aneótheóico, fotma-óe fazendo actuar a potaóóa cauótica óobre parteó íguaeó de chlorofotmio e acetona. ARMANDO BEI.LO BARBEDO III A óolução do alcaloide expoôta no com- mercio tem, poió, a formula ôeguinte : Adrenalina 1 gramma Solução physiologica de Nace 1.000 grainmas Chloretona 5 < III Aó ôoluçõeô de Adrenalina, juntando per- chlorureto de ferro, produzem em óuaó reacçõeó um verde-eómeralda, depoio vetmelho-purputa; o ammoniaco produz a coloração roóea, a agua iodada a violeta; o iodureto mercurico-potaó- óico, oó acidoó picrico, phoóphorico, tannico, etc., não produzem precipitado algum. Sciencias que se referem á estatica e á dynamica do homem, em estado hygido. Anatomia Descriptiva I Oó globoó oculateó e oó netvoó opticoó correópondenteó conótituem oó elementoó eóóen- ciaeó do appatelho viôual. ii O globo ocular compõe-óe de membtanaó (óclerotica, cotnea tranóparente, chotoide com óeuó ptoceóóoó ciliareó, itió e tetina) e cotpoó contidoó noó eópaçoó limitadoó pot eóóaó mem- btanaó (humor aquoóo e óua membrana, ctyó- tallino e óua capóula, humor vitreo e óua membrana, muóculoó, vaóoó e nervoó). m O nervo optico diminuindo de diâmetro entra no globo ocular, e, expandindo-óe, forma a tetina. Histologia I A pelle ou tegumento externo do corpo humano é conótituida pot duaó camadaó. PROPOSIÇÕES VI 11 A camada profunda ou derma é provida de vaóoó e de nervoó; a camada óupetficial ou epi- demia é deóprovida deóóeó elementoó. ni Além daó duaó camadaó óupra citadaó, encontram-óe oó óeguinteó orgãoó annexoó á pelle: aó glandulaó óudoriparaó, aó papillaó, aó glandulaó óebaceaó, oó folliculoó piloóoó, oó pelloó e aó unhaó. I*li ysioloijia I A Adrenalina é um eótimulante do cotação, augmentando-llie a energia, maó por um tempo curto. Gottlieb demonótrou que, óob a influencia de uma injecção de Adrenalina, o coração parado, óob a acção do hydrato de chloral, recobra a óua energia e recomeça meómo oó óeuó bati- mentoó. n Infectada em um animal uma fraca dóóe de extracto de capóulaó óuprarenaeó, obóerva-óe um augmento da tenóão arterial, douó ou treó minutoó depoió, óendo eóte augmento de curta duração, explicado pela rapidez com que o principio activo, avido de oxygenio, óe deótróe por oxydação no óangue vivo. ARMANDO BELLO BARBEDO VII III Eóta hypectenóão é acompanhada de uma vaôo-conótricção enetgica, que é devida á exci- tação doó ganglioó netvoóoó peripheticoó: com effeito é ella obóetvada meómo depoió de feita a óecção da medulla com a adminiótcação óimultanea do chlotal que patalyôa o centro vaóo-motor. Sciencias que se referem á estatica e á dinamica do homem, em estado morbido. Pathologia Cirúrgica I Aó fetidaó daó palpebraó expõem a diveróoó accidenteó, taeó como: i.° Inflammaçõeó com gangrena, perda de óubótancia e, conóequentemente, formação de um tecido cicatricial que pode produzir o revi- ramento da palpebra para fora {ectropion ); 2.0 Paralyóia do muóculo levantador da palpebra óupetior (blepharoptose); 3.° Secção de um doó conductoó lacrimaeó (epiphera): formação de uma fenda vertical II Aó queimaduraó daó palpebraó expõem, conforme óua óéde, á formação, quer de adhe- renciaó entre a palpebra e a conjunctiva ( sym- blepharon), quer de cicatrizeó que reviram a palpebta para fora {ectropion). ni Oó kyótoó daó palpebraó óão muito fre- quenteó, o que óe explica ao meómo tempo pelo numero e diveróidade daó glandulaó palpe- braeó e pelaó irritaçõeó de toda a ot?.em, a X PROPOSIÇÕES que ôão ellaó expoôtaó. Podem teduzir-óe a quatro vatiedadeô: i.° Os Kyrtossebi ceos, 2.0 Ky tos meibomianos, 3.° Kystos fuãoriparos e 4.0 Kystos sub-conjunct i va es. Palhologia Medica I A hyôteria é uma nevroóe cuja manifeótaçâo ôe dá em geral na epocha da puberdade e apreôenta 00 maiô caprichoôoô ôymptomaó. Todoô 00 factoreô que determinam um exceôôo de actividade ou maior excitabilidade nervoôa, prediôpõem e produzem a hyôteria, acluando da meôma forma a prediôpoôição ligada á herança. II Oô ptincipaeô ôymptomaó que caracterióam eôôa nevroóe ôão: óenôação de bolo dirigindo- ôe do epigaôtro para a parte óuperior do thorax, cauòando conôtricção e anciedade; mudança, áô vezeó ôubíta, de caracter, vertigenô e pertur- baçõeô daó funcçõeô digeôtivaô; e, ôe o mal accommette de tepente, paralyôiaô, ataque, contractura, alteraçõeô da ôenôibilidade, deôot- denô pôychicaô, etc. ui O tratamento conôiôte, ôendo poôôivel, em remover a cauôa, combatendo 00 ôymptomaó que óe forem apreôentando, ôem deóptezar um regímen hygieníco racionalmente indicado. ARMANDO líELI.O PAREEDO XI A n a I om i a Pa th o! og i ca I Eóta í ciência, dando a conhecer aô diveróaó alteraçõeó concernenteó á forma, volume, con- óiótencia e compoóição doó elementoó conótitu- tivoó doó orgãoó, determinadaó pela moleótia, permitte limitar e conôtituir melhor aó entidadeó pathologicaó. II Sendo oó óignaeó phyóicoó oó que com maior óegurança noô revelam aó alteraçõeó organicaó, a anatomia pathologica, moótrando a dependencia em que aquelleô eótão deótaó, preóta importantióóimo concuróo e auxilio ao diagnoótico. ui Eóóa ôciencia, pondo em evidencia oò phenomenoó organicoó determinadoó pela moleótia, tem fornecido ao medico indicaçõeô curativaó de grande vantagem. Bactereologia I Oó methodoó bacteriologicoó curativoó, vi- óando moleótiaô já declaradaó, dividem-óe em treó grupoó: bacteriotherapia, toxitherapia e ôerotherapia. XII PROPQSIÇÔES II A bacíeriotherapia utilisa-óe do antagonismo de certos microbios entre si. A toxithecapia utilisa-se das toxinas microbianas. A serothe- rapia emprega o sero proveniente d'um animal hypervacinado contra a mesma infecção. ui Na serotherapia podemos empregar com toda a segurança o serum antidiphterico como o de effeito certo. Operações e Apparrllios I Em operações relativas a oto-rhino-laryn- gologia, a Renalina é mais especialmente indi- cada na cirurgia auricular e endo-nasal, para tornar exsangues as intervenções, geralmente muito sangrentas, praticadas na orelha media e na mucosa nasal. ii Nas intervenções supra-citadas ella realisa, com a cocaina, empregada em solução mixta, as duas condições operatórias ideaes: hemoStaSe mais ou menos perfeita. m Como hemostatico operatorio, o alcaloide parece ser pouco util e talvez perigoso na cirur- ARMANDO BELLO BARBEDO XIII gia da larynge e do oro-phárynge, devido á difficuldade de tamponamento neóóaó regiõeó, em caóoó de hemorrhagia óecundaria poóóivel: ao contrario, parece racional naó operaçõeó óobre o naóo-pharynge, em particular na ablação daó vegetaçõeó adenoideó e doó fibromaó naóo- pharyngeanoó. Therapeutica I A acçào therapeutica da Adrenalina. pelo menoó em óeuó effeitoó immediatoó é a de um tonico-cardiaco e de um hemoótatico geral, ii Em applicaçõeó locaeó é ella adótringente, anti-phlogiótico e hemoótatico. m Embora óuaó propriedadeó therapeuticaó não tenham ainda recebido a conóagração de toda a utilidade de que óe moótram óuócepti- veió, é fora de duvida que a acção ióchemica,- deócongeótiva e o poder hemoótatico do alcaloide já têm reaeó e numeroóaó applicaçõeó em oculióticae óobretudo em oto-rhino-laryngologia. Clinica Propedêutica I No eótado normal, o pulmão apreóenta pela XIV PROPOSIÇÕES percuddão, um dom claro, não tympanico, que varia com ad tegiõed em um medmo indivíduo e para uma medma região, em differenteô indi- viduod, conforme dua idade, <exo, edtado de magreza ou de gordura e deôenvolvimento muó- cular. ii O dom obtido é maid claro na creança, devido á pouca edpeddura e á eladticidade da parede do thorax; e no velho, em condequencia da magreza e do alargamento dod alveolod (rarefação do tecido pulmonar). E' o dom menod claro no adulto forte e vigorodo. ui Na região anterior é onde o dom de apredenta maid claro do que em qualquer outra e deu máximo de acha no nível do degundo edpaço intercodtal, que é o maid largo tendo uma parede maid fina; na região podterior, o dom é menod claro, de um modo geral, do que na anterior; na dupra-clavicular, a clareza é menor, porque a edpeddura do pulmão é pequena nedde nivel; finalmente, o dom é claro no lado, dendo- o maid na parte inferior do que na duperiot, e apredentando matidez na parte inferior do lado direito (figado ), é tympanico na do edquerdo, quando o edtomago de acha dilatado. ARMANDO BELLO BARBEDO XV Clinica Medica ( 1.* Cadeira ) I A ôoluçâo de Adrenalina, ôob a formula contida na ôegunda propoôição da cadeira de Matéria medica, utiliôada por via gaôtrica ou em injecção hypodermica tem dado reôultadoô favoraveiô em caôoô de hemoptyôeô, ôegundo Souqueô e Morei. ii A acção ôuôpenôora da hemoptyôe dá-ôe, ôegundo Louiô Rénon e Louôte e ôem manifeô- tar-ôe phenomeno algum de intolerância, tomando o doente i5 gottaô da ôoluçâo noô primeiroô diaô, augmenlado o numero até 20 e 25 gottaô noô ultimoô, durando 0 tratamento apenaô 20 diaô. ui A meôma ôoluçâo tem dado optímoô reôul- tadoô clinicoô na moleôtia de Baôedow e em hematemeôeô: em amboô oô caôoô a ôoluçâo foi miniôtrada por via gaôtrica, ôegundo obôetva- ção doô medicoô citadoô. Clinica Medica (2.' Caleira) Segundo a opinião do illuôtrado Profeôôor Dr. Aniôio Citcundeô: XVI PROPOSIÇÕES I A anemia tropical, confirmada pela mais grosseira observação, pode Ser levada até o estado de cachexia pelos ankylostomas, que representam sua habitual complicação, ou quando condições hygienicas independente- mente da existência destes vermes. ii O calor e antes delle a humidade na zona intertropical, ou em meios especiaes, como o interior dos tunneis em conótrucção, as fabricas de olaria e o interior das minas geram no i.° caso a anemia tropical, conhecida sob a deno- minação de anemia de S. Gothardo, anemia dos oleiros, anemia dos mineiros. A anemia tropical e bem assim a pseudo- tropical deixam-se complicar facilmente não só de ankylostomas e também de anguilluloó, trico- cephalos, oxyuros, etc., desenvolvimento para- sitario dependente de uma condição commum, a anemia. in Que existem casos de hypoemía sem anky- lostomas affitmam, a contragosto, os mais in- transigentes e autorisados parasitistas como A. Lutz, quando diz em sua obra - Ankylostoma pg. 88: « Estes casos em que os doentes acabam por succumbir e na autopsia os vermes ARMANDO BELLO BARBEDO XVII faltam ou encontram-óe pouco numeroóoó, são bastante frequentes e tem contribuído muito para occultar a relação etiologica entre o paraóita e a moleótia ». Clinica Cfrurgica ( Ia Cadeira ) I No tratamento daó hemotrhoideó a Adrena- lina tem dado optimoó reóultadoó, em applicação tópica da óolução a i por i.ooo. n O rcóultado clinico daó óimpleó applicaçõeó da óolução referida conóióte em óubtrahir a turgeócencia e a dor daó fluxõeó hemotrhoida- riaó, (Obóervaçõeó de Bouchard por indicação do Dr. Le Noir na Socicté Médicale des Hôptíaux, 14-• Novembre - 1902 ). 111 O uóo topico da óolução em tampõeó embebidoó, ou maió racionalmente, em óuppo- óitorioó proprioó, tem tanto valor clinico que chega a conóeguir a cura de hemorrlioides irredu- ctiveis com ameaça de estrangulamento, óalvando 0 doente de intervenção cirúrgica. (Obóervaçõeó de Moóóé, de Janeiro de 1902 ). XVIII PROPQSIÇOES Clinica Cirúrgica ( ) I O maravilhoóo producto de Takamine tem applicação no tratamento do câncer externo. li Segundo Ch. Fieóóinger, a óolução da Adrenalina a i por 1.000 applicada no câncer do recto em pincelamentoô de 3o até 100 gottaó em 24 horaô, diluidaó em uma colher d'agua, diminue a rectite concomitante produz a diminuição temporária de volume noó botõeó canceroôoó, favorecendo ainda a óuppreôôão do corrimento anal. 111 M. Matple aôóignalou caóoó de cancroide do rebordo da palpebra inferior que deóappa- receram em conóequencia de inótíllaçõeó, na conjunctiva, de uma óolução a 1 para 1.000 de chlorhydrato de Adrenalina, repetida.4» diaria- mente. Clinica Pediátrica I 0 rachitíómo é local, quando uma óó região do otganiómo é affectada; é geral, quando oó deóvioô oóóeoô óe extendem a um grande numero de parteò. ARMANDO BELLO BARBEDO XIX II Segundo a opinião de Parrot, o rachitiómo não reconhece outra cauôa a não óer a hereditária. m A cortôolidação doó oóóoô neóóa cruel mo- leótia deixa deformaçõeô no organiômo que pódem ter ulteriormente conóequenciaó gravió- óimaó, devidaó a perturbaçõeó que óe manifeó- tam no funccionamento de diveróoó orgãoó, principalmente no doó da reópitação. Clinica ophtalmologiea I Empregada naó inflammaçõeó da conjun- ctiva e daó palpebraó, a Adrenalina produz uma deócongeótão tapida, faz deóapparecer oó phe- nomenoó inflammatorioó, abrandando de maneira manifeóta e permanente oô óignaeó óubjectivoô, taeó como lacrimejamento, óenôação de corpo extranho e photophobia. ii No glaucoma. o notável alcaloide de Taka- mine, aóóociado á cocaina, permitte praticar a iridectomia óem dôr apreóentando hemorrhagia quaói óempre nulla e reduzida a óeu minimo em outroó caóoó. XX PROPOSIÇÕES III Ao meómo tempo que favorece a acção da cocaína, permitte que oó myoticoó e oó mydria- ticoó actuem noó caóoó em que a obóotpção óe ache dificultada por uma forte hypethemia da conjunctiva. Clinica psychiatrica e das moléstias nervosas I Aó aphaóiaó pódem óer polygonaeó, óubpo- lygonaeó, óuperpolygonaeó e tranópolygonaeó ( Grassct) . II Maió óimpeó e concha é a claóóificaçâo de Dejerine que divide aó aphaóiaó em corticaeó e óub-corticaeó ou puraó. m Cada uma daó diveróaó aphaóiaó tem óeu substratim anatomico líuma leóão incidindo: já noó centroó polygonaeó, já naó fibraó de pro- jecção doó meómoó, já naó fibraó óuperpoly- gonaeó, já, finalmente, naó fibraó de aóóociação intrapolygonaeó. Clinica Derinarloloíjica e Syphiligrapliica I Comprehende-óe óob a denominação de óyphilió hereditária tardia o conjuncto doó acci- ARMANDO BEI.LO BARBEDO XXI dentes de caracter syphilitico, cuja manifestação se dá durante a segunda infancia, adolescência ou a idade adulta: taes accidentes dependem de uma infecção hereditária. ii Para o diagnostico seguro das lesões cuta- neas produzidas pela syphilis hereditária tardia é necessário, além do estudo objectivo dessas leôõeó, conhecer os caracteres da evolução mórbida e colher informações sobre os ascen- dentes e os collateraes dos doentes. m São frequentemente confundidas as lesões cutaneas produzidas pela heredo-syphilis tardia com as dermatoses da eScrophula, especial- mente com o lupus. Sciencias que se referem á estatica e á dynamica do homem, em estado hygido e em estado morbido. Ana tomia Mcdico-cirurgica I O apparelho da vióão compõe-óe de muitaó parteó diôtinctaô, que ôão: Regiã? da orbita. « palpebral. « óupraciliar. Apparelho lacrimal (eópecial). II A região da orbita, nitidamente limitada pela cavidade orbitaria, divide-óe naturalmente em duaó parteó: continente e conteúdo. ui O continente é a própria cavidade com aó patedeó que a circumôcrevem; o conteúdo comprehende aó parteó molleó nella contidaó, globuloó ocular, gorduraó, vaóoó etc. llygielie I A deôinfecçâo daô veôteó e toupaó de cama uôadaó por peóóoaó atacadaô de moleótiaó tranô- XXIV PROPQSIÇÕES mióóiveió óe impõe maió ainda do que aó doó lugareó contaminadoó. li E' fora de duvida que eóóeó objectoó, que eótiveram em relação directa com o corpo do doente e que ficam muitaó vezeó ôujoó pelo contacto de óuaó excreçõeó e óecreçõeó, óão particularmente perigoóoó. ui Oó traveóóeiroó, por exemplo, não deóín- fectadoó depoió de ôervidoó, e utilizadoó aóóim por outro doente, óetvem óem duvida, muitaó vezeó, de meio de propagação de moleótiaó contagioóaó. O Dr. Ferron publicou factoó intereôóanteó a eóóe*reópeito, obóervadoó por elle. Medicina Legal e Toxicología I Segundo Takamine, o deócobtidot do po- deroóo alcaloide, a Adrenalina não poóóue acçâo irritante, toxica ou ir.eómo nociva; a experi- mentação e a clinica, entretanto, não confirmam eóóa opinião optimióta. n Na opinião de Lépine, a injecçâo, em uma ARMANDO BELLO BARBEDO XXV veia, de pouco maiô de douó decimoó de milli- grammo do alcaloide por kilogr. pode matar um cão, inóidioóamente, por óyncope. No coelho, óegundo Bouchard e Claude, a dóóe modal parece óer intermediária entre i e 2 milligrammoò por kilogr. de pero (em injecção em uma veia. ui A morte parece, ôeguudo penóam elleó, de- vida ao cauóa.5 ôeguinteó: 1. - Perturbaçõeó nervooaó (preguiça noã membroó infetioreó doó animaeó que óobtivi- vem e convulóõeó chronicaô e toxicaó com epióthotouoó e mydtiaóe noô animaeó que ôuc- cumbem). 2. - Perturbaçõeó catdio-pulmonateó (reó- piração, primeiro accelerada, depoió retardada naó ptoximidadeô da morte, edema pulmonar). Obstetrícia I A Adrenalina, tendo a propriedade de con- trahir oô vaóoó, e, por conóequencia, parar o corrimento óanguineo, ôerá óempre um recuróo precioòo, um medicamento de urgência para dominar uma metrorrhagia. u Segundo o Dr. V. Erlanger, pode óer ella XXVI proposições applicada óob duaó fótmaó- em injecçõeó intra- uterinaó ou por via buccal: á primeira recorre-ôe quando óe quer agir óobte a mucoóa uterina e á óegunda, óempre que óe quiser obter um reóultado efficaz por intermédio da circulação. ui A preparação actualmente empregada óegundo o meómo medico, é a óolução de chlo- rhydrato de Adrenali. a a i para i.ooo, da qual óe deverá adminiótrar internamente 10 a 40 gottaó por dia. Clinica obstétrica e yynecologica I A auócultação daó pulóaçõeó cardiacaó do feto é um óignal certo de gravidez. II A percepção doó movimentoó do feto é outro óignal certo deóóe eótado. 111 Oó principaeó elementoó que concorrem para 0 diagnoótico da prenhez conôiótem noó exameó do ventre e daó parteó genitaeó da mulher. Visto. Secretaria da Faculdade de Medicina da Bahia, 3i de Outubro de igo3. O Secretario, Menandro dos /(eis Meirellei.