FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Apresentada a' Faculdade de Medicina da Bahia EM 31 DE OUTUBRO 1908 PARA SER DEFENDIDA POR Bnjokaf Vamppé NATURAL DO ESTADO DE SERGIPE Ex-interno de Clinica Psychiatrica e de Moléstias Nervosas, ex-interno do Hospital de Isolamento de Peste em Monte-Serrat (1906-1908), ex-chefe da Commissão contra a Peste em Alagoinhas, ex-presidente da Sociedade de Beneíicencia Académica, da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Bahia FILHO LEGITIMO DE j5)r. Çabricio ~part|pré e _2). de ~^ampré Afim de obter o Gráo de Doutor em Medicina DISSERTAÇÃO ! ligeiras considerações sobre as perturbações nervosas e mentaes da Peste Bubonica Cadeira de Clinica Psychiatrica e de Moléstias Nervosas PROPOSIÇÕES Tceò òobce cada uma daò cadeicaò do cucóo de Scienciaò Medicaò e Cirucgicaò MAMEM Litho-Typ. e Encadernação Reis & C. Rua Dr. Manoel Victorino, ns. 23 e 25 19 08 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Director—Dr. Augusto Cezar Vianna Vice-Director— Dr.. Manoel .José de Araújo LENTES Os Drs.: Matérias que lecciouam. 1. Secção José Carneiro de Campos Anatomia descriptiva. Carlos Freitas Anatomia medieo-cirurgica. 2. Secção Antonio Pacifico Pereira Histologia. Aucusto Cezar Yianna Bacteriologia. Guilherme Pereira Rebello Anatomia e Physiqlogia pathologicaf. 3. a Secção Manoel José de Araújo Physioiogia. José li. Freire de Carvalho Filho Therapeutica. 4. a Secção Josino Correia Cotias Medicina legal e toxicologica. Luiz Anselmo cia Fonseca Hygiene. 5. a Secção Braz Hermenegildo do Amaral Pathologia cirúrgica. Fortunnto Augusto da Silva Júnior... Operações e Apparelhos. Antonio Pacheco Mendes Clinica cirúrgica, l.» cadeira. ignacio Monteiro de Almeida Gouveia.... Clinica cirúrgica. *2.» cadeira. 6. a Secção Aurélio Rodrigues Yianna Pathologia medica. Alfredo Britto Clinica propedêutica. Anisio Circundes de Carvalho Clinica medica. l.a cadeira. Francisco Braulio Pereira Clinica medica, 2.“ cadeira. 7. Secção José Rodrigues da Costa Dorea Historia natural medica. Antonio Victorio de Araújo Falcão Matéria medica, Pharmacologia e arte de formular. José Olympio de Azevedo Chimica medica. 8 a Secção Deocleciano Ramos Obstetrícia. Climerio Cardoso de Oliveira Clinica obstétrica e gynecologica. 9. a Secção Frederico de Castro Rebello .. Clinica pediátrica. 10. Secção Francisco dos Santos Pereira Clinica opbtalmologica. 1 i .a Secção Alexandre E. de Castro Cerqucira... Clinica dermatológica e syphiligraphica 12.a Secção Luiz Pinto de Carvalho Clinica psychiatrica e de moi. nervosas João E. de Castro Cerqueira ) r , Sebastião Cardoso ... { Em dispon.bilidade. Os Drs José A. de Carvalho 1- Secção. Gonçalo M. S. de Aragão 1 ’ Julio Sérgio Palma 1' Pedro Luiz Celestino 3- > Oscar Freire de Carvalho 4- » Antonino B. Anjos 5- João A. Garcêz Fróes.... 6- SUBSTITUTOS Os Drs.: Pedro da Luz Carrascosa, t - .iosé Julio de Calasans...) ' * ' José Adeodato de Souza 8- > Alfredo P. de Magalhães. 9' » Clodoaldo de Andrade... 10- » Albino Leitão II- » Mario C. da Silva Leal.. 12. » Secretario —Dr. Menandro dos Reis Meirelles. Sub-Secretario — Dr. Matbeus Yaz de Oliveira. A Faculdade não approva nem reprova as opiniões emittidas nas tbeses que lhe ião apresentadas. Alterações respiratórias « m doò òymptomaò maiò impccòóionadoteò i da peòte bubonica, não peloò phcnomeno ò _ J apparatoòoò a que dá logar, maòpcla gra- vidade que aòòume, é a tachypnéa. Da obòervação, durante quaòi douó annoò á cabeceira doó enfetmoò do Hoòpital de Iòolamento de Peòte em Mont-Serrat, naóceu o noòòo principio: na peòte bubonica claòòica, o mal eòtá no bubão e o perigo na reòpiração, iòto é, noò centroò bolbareó que pre- òidem a eòòa importantiòòima funcção. E’ o bolbo rachidiano, a medulla alongada, que, òoffrendo o contra-golpe da affecção ganglionar, a acção electiva da toxina elaborada pelo cocco-bacillo de Yeròin, determina a acceleração reòpiratoria togo no inicio do mal levantino, as òuaò accentuadaò perturbaçõeò, que aòòumem o critério da maiò elevada importância para firmarmoò um prognoòtico quaòi infallivel — a morte no meio do quadro maiò completo da aòphyxia. Além do compromettimento profundo levado .á reò- piração, aò fibraò cardiacaò, depoiò de um funcciona- mento exaggerado, perdem a òua tonicidade e reòiòtencia e òentem a inòufficiencia de òua contra- ctibilidade; oò rinò—atteradaò aò òuaò funcçõeò, poiò a albuminúria vae òe tornando dia a dia maiò accen- tuada, a reducção da diuréóe chegando, áò vezeò, á 6 anuria— eliminam, mal e incompletamente, a toxina microbiana; a infecção, primitivamente limitada, unicamente ganglionar, invade, de ordinário, a craòe òanguinea, torna-òe uma óepticemia, uma bacillemia, e a moleòtia no òeu evoluir rápido tranò- forma-òe em uma alteração de todo o organiòmo, em uma peòticemia, donde reòalta a neceòòidade de intervençõcò òoro-therapicaò intenòaò e maòòiçaò para tolher o mal naò òuaò primeiraò manifeòtaçõeò. A alteração doò movimentoò rythmicoò do thorax, que òe acceleram deòde o inicio da moleòtia, não depende, na maior parte daò vezeò, de cauòaò mecha- nicaò. Aò affecçõeò doloroòaò doò apparethoò que concorrem, directa ou indirectamente, para a pro- ducção doò movimentoò reòpiratorioò, como na pleuriòia òecca, no rheumatiòmo pronunciado doò muòculoò do peito, naò affecçõeò doloroòaò do eò- queleto thoraxico, naò peritoniteò, etc., determinam o augmento da frequência doò movimentoò reòpira- torioò, para que oò doenteò compenòem a pouca intenòidade da inòpiração. Na peòte bubonica eòteò factoò òó muito raramente òe dão, tanto que, entre 267 doenteò, encontramoò apenaò 24 bubõeò axillareò, 2 peitoraeò e 2 doròaeò (percentagem 18,48). Oò bubõeò votumoòoò do thorax podem conòtituir uma fonte de anguòtia e de acceleração reòpiratoriaò, peloò pheno- menoò de compreòòão que produzem, determinando a formação de edemaò, de enormeò empaòtamentoò ou de extenòoò fócoò inflammatorioò noò tecidoò circumvizinhoò, inhibindo-oò em òeu funccionamento, paralyòando-oò como òe tiveóòem òido diòòecadoò. Sendo oò bubõeò axillareò acompanhadoò geralmente 7 de uma infiltração edematoòa dura e muitaó vezeó doloroóa, ota circumócripta, ora dilatada á grande diótancia em derredor do bubão, poió o tecido conjunctivo peri e inter-ganglionar também óe in- flamma, contribuindo para augmentar o inchaço, podendo a infiltração óe extender á toda metade do thorax, áò regiõeò doróal e peitoral, aoò hombroó e meómo aoó ladoó do peòcoço, comprehende-óe, facil- mente, que o reóultado mechanico deóta extenóa effuòão óoro-óanguinolenta òerá a formação, em um lado do peito do doente, de uma dura maòòa que poderá determinar a pareóia doò muòculoò do thorax do lado affectado, alterar profundamente ou meómo interceptar, quando maió accentuada, oó movimentoó reópiratorioó, como tivemoó occaóião de obóervar no doente Manoel, preto, com 15 annoó de edade, n. 98. (*) Eóte doente, a principio, tinha um bubão axillar direito, que, maió tarde, deu logar á formação de um extenóo foco injlammatorio, que óuppurou, dando uma quantidade de púó maió ou menoó avaliada em Soo gró. Como naó pleurióiaó com derramamento, o foco inflammatorio determinou a pareóia doó muó- culoó do thorax, attingindo principalmente oó inter- coótaeó, oó peitoraeó, o grande doróal, 0 grande dentado, etc., modificou o typo reópiratorio, dimi- nuindo a ampliação do*thorax e produzindo grande embaraço reópiratorio. O doente óahio curado depoió de 78 diaó de permanência no Hoópital. Quando oó bubõeó axillareó óe unem aoó bubõeó cervicaeó, oó effeitoó mechanicoó óão muito maió ( * ) Os numeros dos doentes são tomados do livro de registros do Hospital. 8 pronunciadoò; a acceleração e anguòtia reòpiratoriaò tornam-òe maioreò peta òuffocação preòteò a òe eòta- belecer, poiò, muitaò vezeò, reòulta deòòa fuòão gan- glionar, um edema queòeextendendo áò claviculaò, ao peito e á face, comprime oò orgãoò reòpiratorioò. A exiòtencia de volumoòoò bubõeò cervicaeò (paro- tidianoò, òupra - claviculareò e cervicaeò propria- mente ditoò, que occupam a parte lateral e media do peòcoço) principalmente quando òe acham loca" lizadoò na pteiade ganglionar da região parotidiana influe para a acceleração doó movimentoò reòpirato- rioò, ainda porcauòadoò phenomenoòde compreòòão, difficultando a reòpiração e podendo determinar a morte por aòphyxia mechanica, o que, muitaò vezeò, faz penòar na operação da tracheotomia, da qual foi iniciador, o genio infatigável do illuòtre profeòòor de clinica do Hotel Dieu, o eminente A. Trouóòeau, cuja obra magiòtral é uma fonte inexgottavel de inòtrucção e de luz. O eòtado geral doò doenteò, contra - indica quaòi òempre a operação, que não foi entre nóò praticada, como ultimo meio de òalvação. A exiòtencia de bubõeò cervicaeò entre nóò foi de 15,35 por cento, o que, neceòòariamente, não explica que a acceleração reòpiratoria òeja devida a eòtaò cauòaò mechanicaò. Oò bubõeò cervicaeò podem ainda alterar a reòpiração, produzindo a injlammação da pharinge, da larynge, que òe tornam edematoòaò; o doente fica com a cabeça pendente para traz, man- tendo a fronte, altamente erguida, aòòumindo a appa- rencia do chamado peòcoço proconòular; reòpira acceleradamente e com difficuldade; aò reòpiraçõeò 9 òão vibranteò,eòtriduloòaò, acompanhadaòde cotnage . a pharynge fica maiò ou menoò immovel; ha diffi- culdade em abrir a bocca. Eòtabelece-òe uma complicação tonòillat da peòte em todoò oó òeuò caractereò: aò amygdalas ficam inflammadaò, infiltradaò, com effuòão òoroòa, apre- òentando o doente um cortejo clinico òemelhante ao da diphteria; depoiò, dá-òea compreòòão da trachéa, o edema propaga-òe á larynge, inflammam-òe aò dobraò ary -epiglotticaò e aò cordaòvocaeò òuperioteò, conòtitue-òe o edema da glotte, o eòtorvo á reòpiração augmenta conòideravelmente; a anguòtia torna-òe hor- rivel, com oò progreòòoò da aòphyxia. Tivemoò um doente, M. A. B, n. 67, que ineòpe- radamente eòcapou á morte, depoiò de douò diaò de horroroòoò òoffrimentoò determinadoò por ligeiro edema da glotte. Multiplaò òão aò cauòaò mecha- nicaò que determinam a reòpiratoria; maò òó raramente exiòtem na peòte; a ellaò, portanto, não incriminaremoò aò alteraçõeò do rythmo reòpi- ratorio que òe encontram em todoò oò caòoò de typho do Oriente. A. invaòão de germenò na craòe òanguinea au- gmenta o numero de excuròõeò thoraxicaò, não òó porque roubam ao organiòmo o gaz vital por excel- lencia, o oxygenio, como também maiò facilmente òe diffunde a toxina peòtoòa, maiò rapida e maiò intenòa òe eòtabelece a concentração do veneno no òyòtema nervoòo central. Segundo a maioria doò auctoreò, òó noò caòoò graviòòimoò de peòte, dá-òe a invaòão da craòe òan- guinea pelo cocco-bacillo de Yeròin; a infecção é 10 geralmente limitada, circumócripta ao óyótema lym- phatico, é unicamente ganglionar, e óó maió tarde, com o evoluir tapido da moleòtia, é que a bacille- mia óe eòtabelece, vencidaó todaó aó reóiótenciaó do organiómo. Dizem Vicenti e Sorrentino (La peóte) que «o mal levantino conóióte principalmente em uma to- xicohemia e, òó noò periodoó adeantadoò, em uma óepticemia.» Ultimamente, algunó auctoreó admittem, firmadoó em óuaó indagaçõeó, que a preóença doò cocco-ba- cilloó no óangue é maió frequente do que fazem crer oó reóultadoó da óimpleó peóquiza microócopica peloò methodoó communò. Fazemoó noóóaó, óobre aóòumpto tão delicado, aó palavraó do óabio meótre Dr. Gonçalo Moniz, em óeu precioóo livro—Contri- buição ao eátudo clinico da peóte.—« Era uma crença ral até pouco tempo que, na forma bubonica da peóte, o bacillo de Yeróin raramente invadia o óangue noò primeiroó periodoó da moleòtia, o que, de regra, òó acontecia na ultima phaóe da evolu- ção deóta, noò caóoó funeótoó, pouco tempo anteó da morte. , Eòtudoò recenteó vieram modificar algum tanto eóta concepção. Conóoante oó reóultadoó que obteve com o emprego do proceóóo de Courmont para a peóquiza do bacillo typhico no óangue, affirma Uriarte (Loc. cit., pag. 263) que: « durante a vida, a exiótencia do bacillo no óangue doó doenteó não muito graveó é maió frequente do que óe acredita; maò*para deócpbril-o é precióo recorrer á inocula- ção ou anteó á cultura de certo numero de gottaó 11 de óangue (20 a 3o) em grande quantidade de caldo (3oo c. c.») « Para cada doente uóava de 2 ou 3 balõeó aóóim preparadoó e óemeadoó. Pela applicação do methodo de Roóó para o exame do óangue na ma- laria, que conóiòte, como óe óabe, em fazer prepa- raçõeò microócopicaó com eópeóóa camada que óe córa apóó a dióóolução da hemoglobina, J. Bell (Lancet, 1904, vol. II, pag. i58o) diz ter encontrado, em grande numero, o microbio da peóte no óangue peripherico deóde o periodo inicial da moleótia, du- rante o primeiro ou o óegundo dia, anteó até do deóenvolvimento do bubão. A peóte, a óeu ver, póde óer aóóim tão facilmente diagnoóticada quanto 0 paludiómo. Baóeado no reóultado de taeó averiguaçõeó, óuó- tenta W. Hunter, contrariamente á opinião geral, como já tivemoó enóejo de dizer, que a peóte é primitivamente uma infecção geral do óangue, uma óepticemia, aó formaó bubonicaó, pneumonicaó, não conótituindo óenão locatióaçõeó óecundariaó. Sim- póon também óe moótra inclinado a acceitar eóóe parecer. Ao fatiar em peóquizaó feitaó em Hong-Kong, óobre o óangue doó peótilentoó, pelo methodo de Roóó, aó quaeó frequentemente revelaram a exió- tencia do cocco-bacillo de Yeróin naquelle humor, em todaó aó variedadeó do morbo, até em caóoó be- nignoó e anteó do apparecimento da febre e do bubão, eócreve o óeguinte: «O facto de manifeótar- óe amiúde o bubão algunó diaó depoió da invaóão da moleótia, favorece a ideia, óuòtentada por anti- goó eócriptoreó, de que a peóte é originariamente 12 doença geral, òendo a erupção do ou doò bubõeò manifeòtação local do morbo, comparável á eru- pção cutanea da varíola, da eòcarlatina e do òa- rampam. Eòòa opinião é contraria á commumente acceita hoje, òegundo a qual o bubão é a leòão local pri- maria, cujaó toxinaò òão abòorvidaò e produzem oò ôymptomaò geraeò. E’ queòtão litigioòa, ainda não reòolvida. Nenhuma opinião adoptada excluòiva- mente explica oò differenteò typoò da peòte. Noò ptimeiroò diaò da epidemia de Bombaim, quando a ultima theoria foi formulada, raro òucce- dia deòcobrirem-òe na torrente óanguinea bacilloò da peóte em caóoò de forma bubonica, excepto pouco tempo anteò da morte; maò agora, pelo me- noó °/o doò caóoò recebidoó no hoópital, contêm bacilloò peòtiferoò no òangue. A ultima percentagem muito maiò òe approxima doò reòultadoò obtidoò por Kitaòato, Wilm e outroò, em Hong-Kong, onde na epi- demia de 1894 e naò poòterioreò exploòõeò, oò ba- cilloò da peòte foram achadoò no òangue em maiò de 80 °/o doò caòoò. E’ evidente que a peòte pode differit em òeu caracter naò differenteò quadraò em uma localidade, bem como em localidadeò differen- teò, e que a auòencia ou a preòença de certaò parti- cularidadeò em uma epidemia não juòtifica a negação ou a affirmação da exiòtencia daò meòmaò em outra. O que òe moòtra patente em uma epidemia pode receber conòideravel modificação quando en- carado á luz da experiencia adquirida em outra epidemia (Op. cit., pag. 253). Adiante, refetindo-óe ao meòmo aòòumpto, dis ainda o illuòtre loimogra- 13 pho: « Conforme obóervaçõeó recentemente feitaó em Hong-Kong, oó bacilloò da peóte podem apre- óentar-óe no óangue em caóoó de peóte durante o eótadio inicial, anteó até que haja accentuada ele- vação de temperatura ou anteó que a moleótia óe manifeóte pela forma óepticemica ou bubonica. Foram narradaó aó hiótoriaó de quatro caóoó em que oó bacilloò peótiferoó óe moótraram no óangue em periodo mui precoce. Semelhante facto pode explicar a óeveridade do morbo entre oó chinezeó, emquanto naó raçaó européaó e outraó, o bacillo não póde preóentemente multiplicar-óe com rapidez no óangue e fixa-óe,de preferencia, no óyótema lympha- tico» (Op. cit., pag. 289). Aqui, como óe vê, óuppõe Simpóon que a raça exerça influencia na frequência ou facilidade da proliferação do microbio da peóte no óangue. Releva notar, entretanto, que aó recentióóimaó experienciaó realizadaó pela Commióóão Ingleza, (Ch. J. Martin, C. Lamb, W. Glen Lióton, G. F. Petrie, S. Rowland e outroó) ultimamente nomeada para eótudar a peóte na índia, não óão favoraveió á ideia de principiar a peóte, o maió daó vezeó, em qualquer daó formaó, pela infecção do óangue. Aó numeroóaó e acuradaó inveótigaçõeó da refe- rida Commióóão confirmam, ampla e rigoroóamente, a opinião doó que admittem que a peóte é ordina- riamente contrahida mediante a incubação do viruó pela picada da pulga infectada. Eóte, óegundo oó importanteó trabalhoó da Commióóão, é o proceóóo commum e natural da tranómióóão da moleótia. Eótabelecido ióóo, em todaô aó experienciaó 14 que fizeram oò membroò daCommiòòão, em cobaiaò, com o fim de elucidar a queòtão daò relaçoeò exiò- tenteò entre a òéde do bubão primário e o ponto de penetração do agente infectuoòo, communicando aoó ditoò animaeò a peòte por meio da mordedura de pulgaò bacilliferaò,— em todaò aò experienciaò deòta categoria, com excepçào de uma òó, o bubão primário òe deòenvolveu noò ganglioò em que iam ter oó lymphaticoò da região em que óe dera a picada, iòto é, na região que óetvira de porta de entrada ao viruó. Taeó experienciaò, por conóeguinte, corroboram a doutrina claóóica, de que, normalmente introdu- zido no organiòmo, atravez da pelle, pela ferroada da pulga, o bacillo peòtifero, na forma bubonica do mal, óegue, na grande maioria doó caòoò pelo meno6, a via lymphatica para chegar aoóprimeiroò glanglioò. E òendo aòòim, a peòte na variedade de que tratamoò, em vez de òer inicialmente uma infecção geral, poòteriormente localizada no òyótema lympha- tico, começa por òer uma infecção local deòte òyò- tema.» Si tranòladamoò para o noòòo trabalho tantaò indicaçõeò fornecidaò pelo noòòo eminente Meòtre, foi porque não pudemoò fazer em um hoòpital improviòado o eòtudo detalhado deòòa importan- tiòòima queòtão, com o emprego doò rigoroòoò pto- ceòòoò de technica hoje aconòelhadoò. Qualquer daò interpretaçõeò adoptadaò, abòo- lutamente não prejudica o noòòo modo de penòar, no que diz zeòpeito áò perturbaçõeò reòpiratoriaò; òi na concepção geralmente acceita, admittimoò 15 que o bubão é a primitiva lesão local, óendo as toxinas absorvidas e actuando Sobre o bolbo rachi- diano, na hypotheSe de Simpson, a toxina seria directamente levada á medulla alongada pelos germens e pela crase Sanguinea. A ausência fre- quente ou a existência de pequenaò quantidades de germens no sangue, nos casos ordinários, pou- cas modificações trariam á riqueza em oxygenio do liquido sanguíneo e, portanto, os movimentos respi- ratórios não Soffreriam Senão alterações minimas que não poderiam ser devidamente apreciadas em clinica, si dependessem exclusivamente desta causa. O desapparecimento dos germens do sangue, depois que a formação dos bubões se faz, consti- tue, com a própria theoria de Simpson, argumento a favor da acção da toxina sobre o bolbo; si a acceleração respiratória fosse determinada peta Septicemia, cessaria, ipáo facto, terminada esta, o que não se verifica na pratica. A acceleração respiratória não depende das alte- rações dos globulos vermelhos, das hematias ou erythrocytos e nem das alterações da hemoglobina. Segundo os estudos de Aoyoma (Clinicai Hematology —Da Costa) e de James Ewing (Clinicai Pathology of the blood) os erythrocytoSSão decididamente augmen- tados acima da normal na ,’maioria dos casos de peste. Nos seis casos examinados por Aoyoma, cinco tinham accentuada polvcythemia, sendo o numero mais elevado de globulos vermelhos 8.190.000 e a média 6.976.666. A Commissão austríaca, citada por James Ewing, achou que na peste a quantidade de hemoglobina variava entre 65 e 80 °/0. E’ possível 16 que òe deem altecaçõeò qualitativaò noò ecythcocytoò, maò devem òec tão diminutaò que até hoje nenhu- ma menção dellaò òe fez, o que noò leva a afficmac que não podem òec eòtaò altecaçõeò globulateò aò ceòponòaveiò pelo diòtucbio ceòpicatocio. A tachypnéa òe obòecva em todaò aò moleòtiaò febciò. Já Ackecmann, em uma òecie de expecien- ciaò bem feitaò, elevando actificialmente a tempe- catuca de animaeò, obòecváca o augmento do nu- meco de movimentoò ceòpicatorioò e maiò tacde Goldòtein, no labocatocio do pcofeòòoc Fick, aque- cendo actificialmente a coccente òanguinea em òua paòòagem pelaò cacotidaò, concluio muito juòta- mente, que òe tcatava da acção dicecta do òangue aquecido, òobce o centco ceòpicatocio. Nãoéa tem- pecatuca na peòte que empceòta tão gcande gcavi- dade á ceòpicação, maò unicamente a quantidade de toxinaò que exiòtem no ocganiòmo. No impaludiòmo, na febce amarella, a tempe- catuca é elevada, maò a fcequencia ceòpicatocia é pouco accentuada, pocque aò toxinaò não tem eòòa acção eòpecifica òobce a medulla alongada, como no mal levantino. Dacemoò adiante algumaò obòecvaçõeò paca demonòtcac a vecdade do que afficmamoò. Si, na peòte, a fcequencia ceòpicatocia foòòe pco- poccional á tempecatuca, um individuo com 40o ceòpicacia maioc numeco de vezeò que um com 38", 0 que na gcande maiocia doò caòoò abòolutamente não òe dá, como tivemoò occaòião de vecificac e como também obòecvou 0 Dc. Gonçalo Muniz quando noò diz: « Oò demaiò òymptomaò gecaeò, eòpecialmente 17 oò necvoòoò, adynamia ou ataxo-adynamia, delido etc.,re'aò deòotdenò cicculatoriaò e reòpiratociaò, nem òempte òão pcopoccionaeò ao grau thecmometrico, não podendo, poió, a temperatura òó por òi òetvit de guia paca o pcognoòtico e o tratamento.» Simpòon(/l tzeaiióe ou plaguc) julga que «a accele- ração reòpiratocia òeja devida ao edema que, augmen- tando gcadualmente noò pulmõeó, pcoduz grande afflicção noò enfermoò. Eòte edema, diz elle, na generalidade doò caòoò nada de anormal revela á eócuta do pulmão; áò vezeò, notam-òe òignaeò de congeòtão naòbaòeò.» Jenningò [A manual onpiague) penòa que « a acceleração reòpiratoria òe torna rapida, meòmo quando oò pulmõeò não eòtão compro- mettidoò, quando não exiòtem leòõeò diòtinctaò.» Oò Drò. Agote e Medina (La peòte bubonique danò la Republique Argentine et au Paraguay) imputam «a dyòpnéa intenòa á congeòtão, ao edema do pulmão, áò bronchiteò, áò pleuro e btoncho pneumoniaò òecun- dariaò, verificaveiò naò autopòiaò.» Accreòcentam que «todaò eòtaò leòõeò òe manifeòtam durante a vida por òignaeò phyòicoò, que conòervam no entre- tanto pouca relação com aò alteraçõeò doò pulmõeò.» Apreciemoò aò differenteò opiniõeò òubmettendo-aò a uma ligeira analyòe. Ninguém, certamente, conteòta: a) que um edema ou congeòtão pulmonateò òó deter- minam graveò perturbaçõeò reòpiratoriaò (accele- ração, dyòpnéa, anguòtia, etc.) quando òão baòtante pronunciadoò; b) quando o edema e congeòtão òão accentuadoò e abundanteò, òe traduzem por òignaeò phyòicoò, principalmente á eòcuta, que denunciará a exiòtencia de eòtectoreò finoò òub-crepitanteò, òibi- 18 lanteó, indicadores da inundação dos alveoloò pul- monares e dos bronchiolos. Não comprehendemos, portanto, a noção de Simpson quando nos diz que, «o edema pulmonar na peste determina grandes perturbações respiratórias, sem nada de anozmal revelar á escuta » ; não acceita- remos a,4» concepções de Agote e Medina: a) porque não ha motivos para que, na peóte bubonica claóóica, oó óignaeò phyóicoó mantenham pouca zclação com aó alterações do pulmão; b) porque as nossas obser- vações são contrarias á existência destes óignaes phyóicoó, na maioria quasi absoluta dos casos; c) porque o edema e congestão verificados nas auto- psias traduzem simplesmente o apanagio dos dados anatomo-pathologicos, a predominância de lesões vasculares caracteristicas, de hemorrhagias em todos oS orgãoS e tecidos, noó peziodoó ultimoô da moleátia, pelos effeitos particularmente necroticos que sobre as pequenas veias e capillareS exerce a toxina pestosa. Em virtude destas alterações vasculares nos últimos periodos da moléstia, apparece,ás vezes, uma expectoração rosea, cor de salmão, devida ás estrias sanguinolentas. Contestar de um modo absoluto a adjuncção de um elemento congestivo Secundário, raro na grande maioria dos casos, para o lado dos pulmões, Seria ir de encontro ás observações clinicas; fazer delle a causa primordial da acceleração respiratória, seria interpretar muito mal os dados fornecidos pela pratica. Depois, o proprio estado congestivo dos pulmões 19 poderia depender ainda de perturbaçõeò do óyòtema nervoòcf, como parecem provar oò òymptomaò que o acompanham e que òeriam determinadoò pelaò alte- taçõeò doò treò ramoò do nervo vago. A tripeça mór- bida do pneumogaòtrico òe denuncia; o nervo vago divaga; o coração òe accelera e precipita oò òeuò batimentoó ; o eòtomago, alteradoò oò òeuò movi- mentoò, provoca vomitoò òem grande eòforço ou determina a exiòtencia de um incommodo eòtado nauòeoòo; apparece a fluxão congeòtiva do pulmão. E’ preciòo entretanto não noò eòquecermoò de que o grande òympathico repreòenta papel prepon- derante na vaòo-motilidade do pulmão e que, òegun- do a maior parte doò phyòiologiòtaò, oò pneumo- gaòtricoò òó innervam poucaò fibraò vaòculo-moto- raò pulmonareò. A anatomia pathologica do pulmão, por òi òó, não explica todoò oò phenomenoò morbidoò, quando aò leòõeò pulmonareò òão minimaò ou não exiòtem. Aòideiaò victorioòaò de Laennec, para quem a ana- tomia pathologica era o maiò certo guia para a ori- entação do medico, vararam todo o òeculo XIX, avo- lumando o numero de adeptoò, orientando a clinica e òervindo de baòe á claòòificação de quaòi todaò aò moleòtiaò, a deòpeito do que, ha poucoò annoò, pro- clamava um doò homenò, que na França, muito eòtudaram a anatomia pathologica, Cruveilhier: « a òciencia do cadaver não é a òciencia da vida, e pre- tender explicar todoò oò phenomenoò morbidoò pelaò leòõeò doò orgãoò é pretenção tão exaggerada, como procurar naòcondiçõeò materiaeò doò meòmoò orgãoò, quando òãoò, o òegredo de òua funcção». 20 Aò leòõeò pulmonareò encontcadaò poát-nioztem òão quaòi òempce alteraçõeò tacdiaò, que òe aòòeò- tacam noó differenteò ocgãoò e appaceihoò, no peciodo final da doença e que não exiòticam no òeu inicio. Paca explicar o deòaccôtdo entre oò òymptomaò e a leòão, entre a anatomia pathologica e a clinica, devemoò reóolutamente enveredar pelo terreno da phvóiotogia, que noò revelará o óegredo deòte proceòóo morbido. Eòtudando conjunctamente eòòe complexo que é a moleòtia, a phyóiologia e a clinica, teremoô a explicação clara, pceciòa, daó origenó.da acceleração ceòpiratocia. A clinica, na maioria doò caóoó, demonótra-noò a auôencia de òignaeó phyòicoó do edema ou congeòtão pulmonareó; muitaò veceó quando eòteò òignaeó òe manifeòtam, guardam pouca relação com aò alteca- çõeò reòpiratoriaò. E porque? Porque um outro factor entra na òcena mórbida, porque foi excitado, pelo òangue carregado de toxinaò, o centro reòpiratorio. A qualidade do òangue repreòenta papel impor- tante na excitação deòte centro, como noò demonò- tra a elegante expeciencia de Fredericq, cognomi- nada daò cizculaçõeá czuzadaá. Si immobilizarmoò douò coelhoò, um ao lado do outro, e puzermoò a deòcoberto oò òeuò vaòoò cato- tidianoò, òi oò òeccionarmoò e oò diòpuzermoò de tal modo que o òangue do coelho A vá irrigar o ence- phalo do coelho B, anteò de voltar áò jugulareò do coelho A e ceciprocamente para o coelho B, cujo òangue cacotidiano irrigará o encephalo de A,de modo 21 que cada animal alimente com òeu òangue a cabeça do ciutro, eòtaremoò preparadoò para repetir a ex- periencia. Si aòphyxiarmoò A, comprimindo-lhe a trachéa ou fazendo-o reòpirar um ar pobre em oxygenio, todoò oò òeuò orgãoò, òalvo o encephalo, òetão irrigadoò por òangue negro ou aòphyxico; todoò oò orgãoò do coelho B òerão irrigadoò poròangue arterial, á exce- pçào do encephalo. Neòtaò condiçõeò, A—aòphyxiado—conòervará oò movimentoò normaeò do diaphragma e daò coòtellaò, emquanto B, tendo a pleura e pulmõeò intactoò, eòtará affectado de violenta dyòpnéa. Foi A quem òoffreu a leòão e deixou de oxygenar o òeu òangue; foi B quem òe aòphyxiou. Vemoò que a compoòição gazoòa do òangue tem uma influencia conòideravel òobre oò movimentoò reòpiratorioò e que a acção do òangue aòphyxico, em logar de òer diffuòa e geral, em vez de affectar oò elementoò òenòitivoò do pulmão, eòtá particularmente localizada noò centroò reòpiratorioò. A òimpleò alteração da qualidade do òangue, em òua maior ou'menor quantidade de oxygenio ou acido carbonico, tem tão notável influencia òobre a me- dulla alongada. Que acção não exercerá òobre o bolbo rachidiano, uma òubòtancia eminentemente toxica, que, pela òymptomatologia a que dá logar, demonòtra ter òobre todo o òyòtema nervoòo e eòpecialmente òobre o bolbo, uma acção tão accen- tuada? Não havendo cauòaò mechanicaò que expliquem, na grande maioria doò caòoò, a neceòòidade de maior 22 frequência reòpiratoria, nào havendo cauòaò depen- denteò da alteração doò erythrocytoò, cauóaò intima- mente dependenteó da temperatura, como explicar a acceleração reópiratoriacada ver maió accentuada e irregular, a anguótia reópiratoria extrema, a dyò- pnéa intenóa e progreóóiva, òenão pela excitação do centro bolbar reòpiratorio, pelo óangue carregado de toxinaò, que vão perturbar o óeu funccionamento óempre dependente da obòetvancia daó maió tigo- roòaó leió de phyóiologia? No bolbo rachidiano eótáòituado o centro regu- lador da reòpiração. Já Galeno obóervára que óe óeccionando a medulla eópinhal em òua parte òupe- rior, « poótptimam aut óecundam veztcbzam, tepente animal cozzumpitut. Maió tarde, em 1811, Legalloiò depoiò de Lorry ter verificado a veracidade daó experienciaó de Gale- no, circumócreveu melhor, á origem doó nervoó vagoó, o ponto em que a introducção de um eòtylete pro- duzia immediatamente a morte e comprehendeu que a mutilação attingia ahi orgãoò nervoóoó que gover- nam a reòpiração. A morte òe dava porque ceòòava a ventilação pulmonar, a oxygenação do òangue e doò tecidoò, rompia-òe a correlação geral daò funeçõeò e a vida tornava-òe impoòòivel, não porque a funeção reòpi- ratoria foòòe maiò importante que aò outraò funeçõeò vegetativaò, maò unicamente porque aò reòervaò em oxygenio, noò organiòmoò, òão extremamente fraca*, em relação com aò outraò òubòtanciaò e não podem òoffrer atrazo para a manutenção da reòpiração. Foi, porem, òomente em 1822 que Flourenò loca- 23 liòou com maiò preciòão o centro reòpiratorio, que denominou nó vital, naò profundezaò do bolbo, na ponta do V de òubòtancia cinzenta, inòcripto no angulo poòterior do quarto ventriculo, perto da emer- gencia doò nervoò vagoò entre o centro vaóo- motor e a ponta do núcleo rhomboidal. Brown Sequard verificando que o nó vital era um centro de inhibição, um centro paralyòador, cuja deòtruição determinava phenomenoò de excitação, òubòtituio, maiò tarde, a pretenòa denominação de nó vital, pelo nome maiò merecido de nó mortal. E, òi a toxina peòtoòa tem uma affindade eòpecial por eòte centro e pelo bolbo, explicaremoó a morta- lidade tão grande da peòte pela deòtruição daò baòeò teaeò á vida vegetativa, do centro de innervação do pulmão e do coração. Maiò tarde, Longet, Schiff, Volkmann deòco- b riram que o centro reòpiratorio é formado de duaò ametadeò òymetricaò, que é duplo e que cada ame- tade òe divide ainda em um centro inòpirador e outro expirador. Miòlawòky, depoiò daò obòervaçõeò de Gierke, que não via no nó vital de Flourenò, o corpo proto- plaòmico doò neuronioò, maò unicamente um feixe de fibraò nervoòaò, localiòou na ponta do calamuô ácziptoziuá, para dentro daò raizeò do hypogloòòo, o centro' reòpiratorio. Procurando reproduzir aò experienciaò de Legal- loiò e de Flourenò, (em bom numero) experimentadoreò diòlocaram ou extenderam maiò o centro reòpira- torio doò limiteò por elleò eòtabelecidoò e dahi aò diòcordanciaò, aò hypótheòeò da localiòação do centro 24 reòpiratorio noò nucleoò de Roller, perto do grande hypogloòòo, etc., etc. Qualquer que òeja, porem, a limitação exacta do centro, é certo que o bolbo rachidiano contem uma agglomeração de òubòtancia cinzenta, donde partem lodoò oò nervoò motoreò da reòpiração (eòpinhaeò e vagoò, phrenicoò, intercoòtaeò, hypogloòòoò, faciaeò, plexoò brachiaeò e cervicaeò). Além deòte centro principal, Rokitanòky, Schròff e Langendorf admittem a exiòtencia na medulla eòpinhal de cenlroò complementareó, que eòtão òob a influencia de excitaçõeò partidaò de um centro òuperior, com o fim de maió intimamente aòòc*úar oó movimentoó rythmicoó do thorax, para bem ga- rantir a penetração do ar noò pulmõeó. A exiòtencia deóteò eentroò obedece á lei geral que encontramoò em todoò oò òyòtemaò do meòmo genero. O centro bolbar reòpiratorio eòíando òuper- poòto aoò centroò medullareò, donde emanam dire- ctamente oò nervoò motoreò da reòpiração, tem por fim aòòocial-oò e coordenal-oò para utiliòar aò òuaò aptidõeò. A excitação deòteò centroò pela toxina peòtoòa, contribue ainda maiò para alterar oò movi- mentoò reòpiratorioò. Concluiremoò, portanto, affirmando que a fre- quência reòpiratoria é grande na peòte porque grande é a òuper-excitação doò centroò bolbareò pela toxina microbiana. Da obòervação doò doenteò retiramoò a phyòio- logia pathologica da acceleração reòpiratoria. A phy- òiologia e a clinica devem òe arrimar com a condição, porem, da primeira obedecer òempre á òegunda. 25 «Recuóac óyótematicameníe aò explicaçõeó phy- óiologicaó em clinica ó provar que não óe conhece o deóenvolvimento da medicina ócientifica», dizia o grande profeóóor do Collegio de França,o eminente Cl. Bernard. O cocco-bacillo da peóte elabora um veneno, cuja exiótencia é comprovada pela pathologia, cuja acção eôpecifica óobre oò centroó nervoóoó é aóóe- gurada pela clinica. Tão grande é a affinidade da toxina do cocco-bacillo de Yeròin peloó centroó nervoóoó, que algunó auctoreó deram ao mal levan- tino a denominação bem merecida de febre adeno - nervoóa. O Dr. B. Sorrentino (La peóte) impreóóio- nado peloó meómoó factoó approxima o cocco - bacillo de Yeróin doó bacilloó de Nicolaier*e Loffler. O bacillo de Nicolaier deóenvolve-óe em uma óolução de continuidade e óomente a óua toxina im- pregna a cellula nervoóa, pela affinidade que aó une, como demonótraram aó experienciaó de Waóóermann e Takaki. Mióturando a toxina tetanica com uma emulóão de óubótancia cerebral, em liquido phyóiologico, e depoió centrifugando-aó, obtiveram eóteó experimen- tadoreó um liquido opalino que quaói não continha toxina, poió etla. óe fixára, como uma matéria corante na óubótancia nervoóa. Metchnikoff, Marie e Danyóz deómonótraram que a natureza da toxina não óe modificara depoió da impregnação. A chimica biologica demonótra portanto a acção eôpecifica, electiva da toxina tetanica óobre o óyótema nervoóo. 26 Paca a peòte bubonica eòteò conhecimentoò actu- aeò de chimica ainda não attingicam gcáo tão adian- tado, por diffecenteò cazõeò: a) oò auctoceò não tèm ligado grande impoctan- cia aoó effeitoó que a toxina peòtoòa produz òobce o òyòtema nervoòo central. b) a toxina peòtoòa é facilmente alteravel, não òe preòta bem áò expecienciaò. c) é menoò activa que a toxina tetanica o que difficulta a obtenção de reòultadoò poóitivoò. A inoculação de ôubòtancia nervoòa impregnada de toxina peótoòa, em animaeò de laboratorio, eluci- daria muito a queòtão, maò, infelizmente, nenhum eòtudo foi feito a reòpeito. Na faltada chimica biologica para retirar do bolbo a toxina que o perturba em òeu funccionamento, pode- ciamoò penòar em eòtudar aò perturbaçõeò intimaò, por que paòòa a trama de òuaò cellulaò. Maò aò leòõeò daò cellulaò nervoòaò naò infecçõeò òão pequenaò; noò caòoò graveò notam-òe apenaò, leòõeò de chcomatolyòe, de difficil apreciação; na maioria daò vezeò, leòão alguma é encontrada; aò cellulaò deixaram de funccionar unicamente porque eòtavam intoxicadaò. A applicação do grande methodaanatomo-clinico deòenvolvido por Gharcot,donde òucgicam oò grandeò progreòòoò da neurologia contemporânea, não póde òer feita, infelizmente, para o òyòtema nervoòo na peòte, poiò a infecção não pratica a viviòecção experi- mental, não deòtcóe òobre o vivo, como o phyòiologiòta òobce a rã, tal ou tal parte do òyòtema nervoòo; unica- mente o intoxica. 27 O clinico obòerva a alteração da funcção reòpi- ratoria; preciòa a òéde em que a funcção foi alte- rada, pela apreciação doò symptomaò, eliminando aò multiptaò hypotheòeò que poderiam óer aventadaò para a òua pathogenia e chega, por excluòão, baòeado na verdadeira experiencia da obòervancia clinica, áò concluòõeò maiò poòitivaò. O conhecimento daò cauòaò da morte e o me- chaniómo por que ella òe produz òão de grande utili- dade para a phyòiologia pathologica da peòte. Noò caòoò de terminação próxima a frequência reòpiratoria vae òe accentuando, a dyòpnéa vae òe tornando intenòa e progreòòiva, a anguòtia reòpirato- ria extrema; a reòpiração torna-òe rapida, maió ou menoò ancioòa, convulòiva; eòta phaòe convulòiva òe accentúa; a expiração toma o caracter de uma con- vulòão geral, de um eòpaòmo de todo o organiòmo; ao meòmo tempo uma vaòo-dilatação doò tegumentoò òe eòtabelece; aò pupillaò òe dilatam; o coração òe accelera e depoiò o numero de òeuò batimentoò dimi- nue; oò inteòtinoò òoffrem uma motilidade exaggerada, o doente deòprende gazeò e evacua involuntariamente no leito; áò vezeò a erecção e a ejaculação òe mani- feòtam; ha òalivação e òudação abundanteò pela exci- tação doò centroò vaòo -motoreò e òudorificoò da me- dulla. Sobrevem bruòcainente um phaòe comatoòa ; deòapparecem oò reflexoò; ha uma longa parada doò movimentoò reòpiratorioò que depoiò continuam fracoò e irregulareò ; aò pupillaò òe contrahem ; a reò- piração pára. O coração que batia vagaroòamente òe accelera ; ceòòa o reflexo palpebral; algumaò convul- òõeò agonicaò òe eòtabelecem; a face e oò labioò òe 28 tornam violaceoò; aò extremidadeò òe reòfriam, e o doente morre no quadro maiò completo dephenomenoò aóphyxicoò. E porque a aòphyxia quando a reòpiração não òe fez em um meio pobre em oxygenio, em um ar viciado, quando o òyòtema nervoòo não perdeu o contacto com o òyótema muòcular, como na curare- òação, quando não houve contractura doò muòculoò reòpiratorioò como na intoxicação pela òtrychnina, pela brucina, pelaò toxinaò do bacillo de Nicolaiec? A aòphyxia foi o reòultado da paralyòia do bolbo, do centro regulador da reòpiração, que deixou de funccionar normalmente porque a medulla alongada foi òuper-excitada pela toxina peòtoòa. O reòultado de 'uma òuper-excitação intenòa e prolongada é òempre a morte. Si expuzermoò, por exemplo, um infuòorio aoò vaporeò do ether, vemoò appârecer, primeiro, um eòtado de excitação, no qual oò movimentoò doò cilioò vibrateiò òão fortemente acceleradoò. Depoiò, pouco a pouco, a excitação diminue, o eòtado de paralyòia òobrevem, trazendo a parada completa do movimento vibratil. Eòte eòtado de vida pode ccòòat, deòde que inter- rompamoò a acção excitante e reòtabeleçamoò aò condiçõeò vitaeò notmaeò. Maò òi a acção do aneò- theòico òe prolongar, a narcoòe terminará, òem tran- òição, coma morte. Averiguaremoò oò meòmoò factoò na intoxicação daò cellulaò nervoòaò do homem pela morphina. No inicio de òua acção produz-òe um periodo de excitação, que dá depoiò logar á paralyòia completa daò cellulaò nervoòaò; com dóòeòmaiò forteò 29 aó cellulaó morrem, determinando aparada doó pheno- menoóvitaeó, que tinham òob óua dependencia (movi- mentoó do coração, reópiração, etc.>. O meòmo acontece com a óuper-excitação doó centroó reòpiratorioô produzida pela toxina peótoóa; oó phenomenoó reòpiratorioô òe modificam e ceòóam completamente, quando a influencia doó excitanteò paòòa de determinadoò limiteò. Não podemoò concordar com a opinião da maio- ria doó auctoreó óobre o modo de morrer doó empeó- tadoô. Para não citar óenão oò maiò importanteò vejamoó o que penòa Jenningò —: « Parece que o factor prin- cipal da morte é a óyncope, a òuòpenôão do poder muòcular do coração que faz ceóòar a circulação». Simpóon acha que « a morte òe dá geralmente por parada do coração». O Dr. P. Vincenti diz que « depoiò daò expe- rienciaò de Luôtig e Galeotti com o veneno extrahido doô corpoô bacterianoô e daò obóervaçõeó de Terni feitaô com o liquido filtrado doô bubõeó e orgãoó empeòtadoó, reóulta ficar provado que a intoxicação peótoóa age quaòi excluòivamente óobre o óyótema circulatório ». Terni di-z-noó que, «na peòte, a morte reóulta da paralyóia circulatória s cardíaca, anteó que aó leóõeó locaeó ou metaótaticaó venham comprometter a vida doó enfermoó». Aó noóóaó obóervaçõeó demonótram juótamente o contrario : que o peótoóo morre pela reópiração ; óecundariamente é que pára o orgão central da cir- culação. 30 O noòòo modo de penòar é affirmado pelo Dr. Gonçalo Moniz, que não obòervou, um òó caòo em quepredominaòòem no quadro òymptomatologico doò empeòtadoò, deòordenò do apparelho circulatório, Mgnaeò que revelaòòem qualquer leòão do myocardio, endocardio ou pericárdio. «Não tivemoò occaòião de regiòtrar caòo algum de morte òubita, por òyncope cardiaca ». « Aaòphyxia lenta ou rapida foi a cauòa próxima do deòenlace em todoò oò doenteò, que óuccumbiram em noòòo òerviço hoòpitalar» (Gonçalo Moniz). De todoò oò toimographoò que conhecemoò, o unico, com cujaò obòervaçõeò concordamoò, é o Dr. Gonçalo Moniz;‘como elle, também « verificamoò a peròiòtencia doò batimentoò do coração deòordena. damente precipitadoò, verdadeiro delitium cotdió, perceptiveiò á viòta, pela tremulação da area precor- dial, e á palpação, durante algunò òegundoò apóò a exhalação do ultimo òuòpiro, òendo aòòim, clinica- mente, o orgão central da circulação, o ultimum motiená ». Com o noòòo modo de penòar concordam egualmente o diòtincto Director do Hoòpital de Iòola- mentodeòta capital, Dr. Auguòtode Couto Maia, cuja competência não noò poupamoò de enaltecer e o Dr. Jeronymo Sodré Filho que muito contribuio, com a òua pratica, para aò noòòaò concluòõeò òobre o prognoò- tico na peòte. A acceletação reòpiratoria não é um óymptoma banal e òim um indicio de grande valor prognoòtico ; poiò, baôeado unicamente no numero de reòpiraçõeò 31 temoò quaòi a maió completa òegurança doò reòut- tadoò finaeò da infecção. Paca que oò movimentoò reòpiratocioò noò deem indicaçõeò vecdadeicaò, neceò.òacio òe torna apce- cial-oò com aô boaò cegcaò de clinica propedêutica. Aò excucòõeò thocaxicaò deverão òer contadaò durante um minuto, porque aò numecaçõeò feitaò em J/4 ou em V2 minuto, não dão, em virtude daò perturbaçõeò frequenteò e inconòcienteò da reòpiração, òenão reòultadoò incertoò. Tentavamoò òempce obòerval-aò emquanto oò doenteò dormiam,maò como com o òomnonemòempre podiamoò contar, poiò a vigilia é um doò òymptomaò habituaeò, procuravamoò evitar o embaraço do doente durante 0 exame, aòòegutando-lhe a maxima tranquillidade, a efficacia do tratamento, captando ernfim a òua confiança, uma vez que, pela ignorân- cia reinante, infelizmente, entre nóò, grande é o deò- ccedito na maòòa da população pelo noòòo hoòpital, onde, òe affirma que ainda òão praticadaò deòaòtroòaò òangriaò e a extirpação total doò ganglioò affectadoò? como no nocivo methodo de tratamento de Terni. Ligamoò pouca importância á primeira contagem da frequência reòpiratoria,feita apóò a entrada do doente, uma vez que é bem conhecida de todoò, a influencia que aò excitaçõeò pòychicaò exercem òobre a alter- nativa regular da inòpiração e expiração. Demaiò a viagem, em carro fechado, muitaò vezeò debaixo de òól abrazador, atcavez de cuaò completamente eòbu- racadaò, òão factoreò que contribuem para a alteração doò reòultadoò que devemoò aproveitar. Apreciavamoò aòòim, de novo, 0 numero de ceòpi- 32 caçõeò, umaò duaò horaò apóò a chegada do enfermo, òem que elle abòolutamente tiveòòe òciencia de que faziamoò taeò contagenò. Uòavamoò de actificioò, paca melhor garantir a exactidão da frequência ceòpiratoria, acompanhando comoò olhoò oò movimentoò reòpicatocioòjou, fingindo que tomavamoò neòòa occaòião o pulòo, collocavamoò o ante - braço do enfermo óobre òeu epigaòtro e obòec- vavamoò o numero de elevaçõeò inòpiratoriaó que a noóòa mão experimentava. Tal pratica deverá óecóempre empregada quando a tachypnéa fôr muito accentuada e é preferivel á technica aconòelhada por Traube, em peòquizar a6 contracçõeó inòpiratoriaó doò eòcalenoò. Em cada inòpiração, a contracção doò eòcalenoò afaòtaria da columna vertebral, oò dedoò applicadoò no eòpaço lateral do peòcoço, a traz do externo -cleido- maòtoideo. Depoiò de contado o numero de excuròõeò thora- xicaò, apóò a entrada doò doenteò, apreciavamoò áò 9 horaò da manhã e áò 4 horaò da tarde, a frequência reòpiratoria, durante toda a duração da moleòtia. A marcha òeguida pela reòpiração durante aò primeiraò 48 horaò, com o máximo cuidado, é de um valor ineòtimavel; neòòe praòo eòtabelecemoò o noòòo prognoòtico, com uma certeza quaòi mathematica, 0 que é de grande valor clinico. Depoiò de feito o diagnoòtico de uma moleòtia grave, como a peòte, a queòtão do prognoòtico òe apreòenía conòtantemente ao noòòo eòpirito, pondo continuamente em jogo a noòòa experiencia clinica. E’ então que òe accentúa 0 papel do medico, é 33 então que elle neceóóita óer óagaz, attento e experimen- tado. Da obóervação aóóidua e inceóóante doó doenteó, naòceu o noóóo methodo muito òimpleó para apreciar oò matizei que antecipam a parada do mal ou denun- ciam a borraóca, indicando a neceóóidade de uma intervenção íherapeutica maió energica,para óuótentar aó forçaó do doente. O noóóo óimpleó methodo conóióte em apreciar a evolução da frequência reópiratoria. Em regra geral quando o numero de reópiraçõeó excede no óegundo dia á tarde, maió ou menoó 48 horaó apóò a enteada do enfermo, ao numero de 36 movimentoó thoraxicoó por minuto, o deòfecho fatal é quaói certo na gene- ralidade doó caóoó (90 °/0 de probabilidade). Obóervando oó algariómoó que exiótem no fim deóte capitulo, para demonóteação doó factoó por nóó apontadoó, encontraremoó naturalmente algumaó excepçõeó. Além daó cauóaó mechanicaó que contribuem para maior acceleração reópiratoria, alterando oó reóultadoó finaeó, aó cauóaó inherenteó á conótitui- ção doó doenteó falóeam oó noóóoó dadoó. A hyóteria, a eterna dióóimuladora, dá logar aoó maió notaveió erroó como tivemoó occaóião de obóer- var na doente A. T. A. n. 95. A principio notamoó que a doente não tinha dyópnéa,no verdadeiro óentido da palavra, maó óim- pleómente uma tachypnéa, uma polypnéa. Aó óuaó eeópiraçõeó eram breveó, rapidaó, óuper- ficiaeó, incompletaós, frequenteó (5o- 62 mó. reóp.) óempre ou quaói óempre eguaeó em duração; apezar 34 de Seu numero consideravel|não havia angustia respi- ratoria, poió a doente converóava bem, não apre- sentava òignal algum de cyanoóe, nenhum vestígio de embaraço circulatório, nada no peito, que denun- ciasse á percussão ou á escuta a presença de causas que explicassem o phenomeno. Tal acceleração respi- ratória muito nos Surprehendeu pelo modo como se apresentava e Só mais tarde, estudando e observando a noSSa doente, encontramos a sua explicação. A existência de signaes hystericos fez-nos firmar o diagnostico de polypnéa neurotaxica. Nos casos, portanto, em que a respiração é uni- camente accelerada, em que se trata de polypnéa (Huchard) ou de tachypnéa (Charcot) hysterica, o accrescimo considerável das excursões thoraxicas não é indicio de gravidade. Importa apreciar com todos os detalhes o histo- ricoclinico destes casos, sujeitos a graves erros não Só de prognostico como também de diagnostico, pois a observação incompleta da frequência respiratória poderá simular uma affecção bolbar de natureza especifica (syphilitica por exemplo), alguma lesão medullar, uma dyspnéa uremica, mesmo na ausência de albumina nas urinas. Uma vez demonstrada a affinidade que a toxina pestosa tem pelos centros respiratórios, como não ficará perturbado o espirito do clinico que verá um fatal desenlace ante os accidentes respiratórios ? E1 preciso verificar bem a existência dos estigmas hys- tericos, para fixar o diagnostico de polypnéa neuro- taxica, que nenhuma gravidade tem, pois Andral, em 35 óua clinica medica, cita um caóo, em que contou até 140 movimentoó reópicatocioó por minuto. Um indicio pcecioóo pata o diagnoótico de polypnéa hyótecica, é fornecido pelo eótado mental inteicamente particular do doente. Emquanto o pcoprio medico, oó que o cec- cam, óe aóóuótam diante doó accidenteó maió tumul- tuoóoó que graveó, é notável que o hyótecico não pac- ticipe do temor geral, óe conóecve em uma eópecie de quietação, na qual permanece durante aò affec- çõeó de uma duração mais ou menoò longa. Uma outra pequena excepção exiòte no noóóo quadro: algunó individuoó(i5)faUececam, apeóac da frequência ceópicatoria não ter attingido o numero fatidico de 36 ceópiraçõeó poc minuto. E1 que em clinica não podemoó óec infallivel- mente mathematicos. O numeco 36 cepceóenta uma média de grande valoc, dando ao clinico grande óegurança para o òeu prognoótico, uma vez que não ha moleótia, como a peòte, cujoó óymptomaó maió enganem ao òeu eó- picito. «A peòte, óob a identidade da óua natureza ou entidade noóographica, coótuma variar grandemente naó modalidadeó accidentaeó, na feição clinica, no proceder epidemico, não óó de quadra em quadra ora na meóma região, maó também de uma a outra localidade». (Gonçalo Monxz). « Raramente em outraó epidemiaó óe nota, como na peòte, eóóa accentuada tendencia a variar de typo. Não óó ha em determinado peciodo de tempo, preponderância de uma forma óobce a outra, óenão 36 também ha periodoòem que òe obòervam em’ predo- mínio, certaò complicaçõeò, que depoiò deòappare- cem para dar logar a novaò » (Polverini). Concordando com todoò eòteò factoò, não pode- moò, baòeadoò naò noòòaò 267 obòervaçõeò, naò cinco obòervaçõeò tiradaò doò traçadoò de Simpòon, dez deJenningò, quatro de Vinceníi e Sorrentino, deixar de fazer uma excepção paraaacceleração reòpiratoria, que é òempre grave, quando excede á média de 36 movimentoò por minuto, indicando aòòim que a into- xicação bolbar é conòtante. Na peóte diremoò que todoò oò òymptomaò variam, apreóentando differenteò feiçõeò clinicaò; òó um òym- ptoma conòerva òempre aòua.gravidade—aòalteraçõeò reòpiratoriaò. O noòòo modeòto trabalho veio aòòim reòolver a importantiòòima queòtão do prognoòtico na peòte. «E' impoòòivel, diz Jenningò, eòtabelecer uma regra geral para graduar a gravidade da peòte, vendo o que tão frequentemente tem acontecido na expe- tiencia de todoò aquelleò que têm eòtado intimamente aòòociadoò com oò aòpectoò clinicoò da moleòtia; certoò caòoò parecem eòtar em franco caminho de reòtabelecimento quando repentinamente peioram e morrem, em quanto outroò, cujaò condiçõeò não offe- reciam eòperançaò de melhora alguma, òe reòtabe- lecem». O profeòòor Frazer (Rcpott of Indian Plague Commióáion) julga que «òe pode eòperar que òe curem quaòi todoò oò doenteò que òobreviverem até 37 o oitavo dia, menoò de quatro quintoò (4/S) doò que viverem até o quinto dia, e maiò de metade doó que viverem até o terceiro dia». «Entre aò circumótanciaò, diz ainda Jenningò, que indicam probabilidade de morte podem òer mencio- nadaò: aò.criòeò repentinaò, aò criòeò hemorrhagicaò, a diarrhéa òevera,o compromettimènto repentino doò Ivmphaticoò de ,um membro, a elevação bruòca da temperatura, o apparecimento òimultaneo de bubõeò em diveròaò parteò do organiòmo, o delirio intenòo, o coma, aò manifeòtaçõeò òecundariaò de outroò òvò- temaò, a dyòpnéa intenòa, indicando o edema ou con- geòtão hypoòtatica doò pulmõeò, aò infiltraçõeò repen- tinaò e extenòaò, indicando hemorrhagiaò provaveiò e a rapida queda do volume do pulòo». São aòòim tantaò aò probabilidadeò de morte que o clinico, baòeado neòtaò indicaçõeò, abòolutamente não poderá firmar um juizo òeguro, perdido no dédalo vatiadiòòimo doò indicioò de um paòòamento pro- ximo. «Ao noòòo ver, diz Gonçalo Moniz, uma daò cou- òaò maiò difficeiò e melindroòaò da pratica medica é a formulação de um prognoòtico òeguro em caòo de moleòtia infectuoòa aguda. Maòòi alguma ha, em que tal dificuldade òuba de ponto, eòòa é certamente a peòte. Muitoò tfoenteò apreòentam-òe como um edi- ficio na apparencia òolido, maò occultamente minado peloò fundamentoò e preòteò a deòabar. O contrario também acontece: peòtilentoò que, pela gravidade ex- terior, comtudo òe reòtabelecem. O facto tem òido egualmente aòòignalado por outroò obòervadoreò». 38 Simpòon acha que «não ha moleòtia tão fallaz e tão óuòceptivel de cauòac decepção ao medico, como a a j5eòte». A obòecvação da fcequencia ceòpicatocia afaòta todaò eòtaò difficuldadeò; a média fatidica de 36 movimentoò ceònicatocioó elucida ao clinico oòpecigoò que ameaçam o doente. E folgamoò em cegiòtcac que naòcecam de noòòaò obòecvaçõeò eòteò ceòultadoó. Doó auctoceò de nomeada, òó o Dc. Gonçalo Moniz eótudou de algum modo o phenomeno, poió no òeu magnifico tcabalho noò diz que «a polypnéa accen- tuada, maxime unida á dyòpnéa, é òignal que entene* btece o pcognoòtico». Chegamoò áò meòmaò concluòõeò, cabendo-noò pocém tec maccado oò limiteò em que a tachypnéa maiò aggcava o pcognoòtico. E apcaz-noò confeòòac que anteòda leituca de óeu livro, uma obra magiótcal em enòinamentoò, jáeòtavamoò amplamente convencidoò deòóeò factoó, como podetá pcovac o noòòo diòtincto Meòtce e amigo, quando muiíaò vezeò communicava- moò-lhe aó noòòaò impteòòõeò, paca aò quaeò foi òem- pceum guia, com aò luzeòdeòeu eòclarecido talento. Em concluòão ditemoò que na peòtebubonica çlaòòica o mal eòtá no bubão e o perigo na reòpicação. Racamente têm òido obòecvadaò outcaò deòocdenò do cythmo ceópicatocio. Poucoò têm-óe depacado com a ceòpicação de Cheyne-Stockeó; nunca tivemoò occa- òião de obòecval-a. Não ha explicação vetdadeica- 39 mente òatiòfactocia paca eòta alíecação do cythmo ceò- picatocio. Paca unò, o mechaniòmo da ceòpicação de Cheyne-Stockeò «dependecia da iòchemia bolbac do centco vaòo-motoc bolbac» (Filhene, Mucci);paca ou- tcoò, eòtacia ligada « áò oòcillaçõeò de nutcição intec- òticial deòte centco» (Luciani, Fano); «a uma de- pceòòão de òua actividade, analoga á do òomno» (Moòòo); « á extcema facilidade com que eóte centco òe fatiga » (Roòembach); paca outcoò emfim o pheno- meno eòtacia òob «a dependencia do cecebco ou do necvo vago, maò pcincipalmente do cecebco». A compceòòãodeòte ocgam no coelho detecmina a appacição de movimentoò ceòpicatocioò peciodicoò (Macckwald), aòòim como a iòchemia cecebcal (Lan- gendocff, Siebect) ou a excitação cceòcente e depoiò decceòcente do vago noò animaeò, depoiò da òecção òupec-bolbac, ou meòmo a excitação modecada e ocdi- nacia do pneumogaòtcico, quando eòtivec fatigado (Wectheimec). Unveccicht julga também que o coc- tex cecebcal cepceòenta impoctante papel na ceòpi- cação de Gheyne-Stockeò, que òecia devida áò pectuc- baçõeò ceguladocaò do coctex ou á auòencia de impulòõeò enviadaò pelo coctex ao centco automático òituado no bolbo (apud H. Eichhocòt—Diagnoòtic medicai e Mocat et Doyon-Tcaité de phyòiologie). Macckwald cita, em concocdancia com o que foi dito, obòecvaçõeò de ceòpicação peciodica, de Cheyne-Stockeò, naò quaeò oò doenteò podiam, poc eòfocço voluntacio, ceòtabelecec o cythmo nocmal. «O cecebco póde poiò òuppcic a auòencia doò vagoò pacalyòadoò. Maò eòta òupplencia eòtá longe de òec pecfeita. 40 Somente oò vagoò eòtão em conòtante actividade provocadora e reguladora da reópiração, exercendo òobre ella uma vigilância ininterrupta. O cerebro, que contem umaprovióãodecxcitaçõeò anterioreò, e que recebe o contra-golpe da ameaça da aóphyxia óempre eminente, vem em óoccorro da funcção em perigo, e, maió ou menoó como na ataxia locomotpra, a intervenção inconóciente da vióão òup- pre a acção reflexa, diminuída ou abolida da medulla e doò centroò inferioreò» (Morat e Doyon, ob. citj Qualquer explicação unicamente noò demonótra que a reópiração de Cheyne-Stockeó é maió uma prova, òi bem que rara, que a toxina elaborada pelo cocco-bacillo de Yeróintemuma acção electiva óobre oò centroò bolbareò. O Dr. Gonçalo Moniz vio * em uma doente de oito annoò, que òe curou, uma arythmiaconòiòtente em òerieò de reópiraçõeó frequenteò, porém de egual amplitude, òeparadaò por pauòaò em apnéa, um pouco demoradaò. Não òe tratava do rythmo de Cheyne-Stockeò, pela auòencia daò phaòeò óucceòòivaò de augmento e diminuição da profundeza doò movimentoò reòpi- ratorioò, maò anteò da reópiração de Biot». «A reópiração de Biot ou reópiração meningi- jica é o indicio de uma leóão da medulla alongada, cujaò funcçõeò vitaeò òão de todoò conhecidaò» (H. Eichhoròt). Em algunò empeòtadoò tivemoó occaóião de ob- 41 óecvac òoluçoò, não òó no inicio da moteótia como pcincipalmente no peciodo agonico. Juntamoò aò noòòaò obòecvaçõeò òobee a mac- cha òeguida' peloò movimentoó ceòpieatoeioò na occaòião da enteada doò peòtilentoò paea o Hoòpital, na manhã òeguinte e no óegundo dia á taede, quando fiemamoò o peognoòtico. O òignal 1 indica aó excepçõeò paca oó caòoó de teeminação fatal; o òignal paca oò caòoó de cuca. OBSERVAÇÕES Epidemia de 1904-1005 Numero do do- ente Raspiraçõss na entrada R«$fiiraçõj$ na manhã seguinte Respirações no 2o dia áíarde RESULTADOS 17 38 32 26 Curou-se 18 34 32 28 » J.9 30 30 28 » 20 36 30 28 » 21 28 24 26 » 22 34 30 36 23 58 44 38 Falleceu 24 34 34 24 Curou-se 25 30 ■26 24 » 26 24 22 25 » 27 38 30 48 Falleceu 28 48 — — Falleceu 29 40 40 39 Curou-se 30 30 28 32 Falleceu | 31 52 46 48 Curou-se 32 42 — — Falleceu 33 44 32 28 Curou-se 34 32 30 32 35 26 24 30 » 36 44 — Falleceu 37 30 36 36 Curou-se 38 34 24 30 » 39 26 18 20 » 40 40 40 34 Falleceu | 41 40 36 24 Curou-se 42 26 18 24 » 43 36 42 — Falleceu 44 40 — — » 45 54 36 46 Curou-se 46 40 — — Falleceu 47 40 — — » 4S 28 34 54 » 49 28 26 24 Curou-se 50 34 32 28 » 51 24 > 24 28 52 18 20 18 Numaro lio do- ente Respirações na entrada Respirações aa manhã seguinte Respirações no 2o. dia á tarde RESULTADOS 53 2S 24 36 Falleceu 54 30 18 18 Curou-se 55 40 36 36 » 56 26 32 22 » 57 54 68 — Falleceu 58 38 34 48 » 59 20 22 24 Curou-se 00 59 36 — Falleceu 61 32 34 30 Curou-se 62 26 14 24 * 63 20 26 24 » 64 20 22 32 » 65 30 42 12 » 66 24 24 28 » 67 34 30 30 Curou-se 68 42 — — Falleceu 69 28 30 — » 70 24 32 26 *—1 71 43 56 — » 72 30 34 32 » 1 73 40 54 — 74 22 30 24 Curou-se 75 42 — — Falleceu 76 34 34 24 Curou-se 77 64 60 50 Falleceu 78 32 26 23 Curou-se 79 30 24 24 » 80 30 32 30 81 30 26 25 » 82 30 24 18 » 83 36 48 60 Falleceu 84 25 42 44 » 85 30 30 26 * 1 86 26 23 30 » 87 36 35 41 3> 88 36 30 31 Curou-se Numero dc do- ente Respirações na entrada Respirações na manhã seguinte Respirações no 2o dia á tarde RESULTADOS 89 62 _ Falleceu 90 32 36 42 91 30 28 26 i 92 34 22 19 Curou-se 93 30 32 36 Falleceu 94 20 21 20 Curou-se 95 42 30 22 » 96 44 36 30 » 97 40 — — Falleceu 98 42 25 24 Curou-se 99 60 52 74 Falleceu 100 30 38 —• » 101 32 34 34 Curou-se 102 34 30 20 » 103 36 30 30 Falleceu | 104 28 18 20 Curou-se 105 34 48 — Falleceu 106 42 — — » 107 49 60 — » 108 60 46 50 » 109 36 30 — • 110 55 — — 111 24 20 24 Curou-se 112 46 46 46 Falleceu 113 50 — — » 114 36 28 24 Curou-se Epidemia do 1906-1908 Numero da do- ente Respirações na entrada Respirações na manhã seguinte Respirações no 2° dia á tarde RESULTADOS l 18 24 19 Curoú-se 2 30 32 22 Falleceu 1 3 26 21 18 Curou-se 4 26 20 22 » 5 28 20 20 » 6 56 60 62 Falleceu 7 36 40 34 Curou-se 8 32 35 40 Falleceu 9 54 60 52 » 10 22 24 24 Curou-se 11 36 36 40 Falleceu 12 30 26 26 Curou-se 13 38 — — Falleceu 14 29 — — » 15 24 22 20 Curou-se 16 38 38 30 » 17 42 32 36 Falleceu 18 20 18 20 Curou-se 19 38 28 28 )> 20 48 44 37 Falleceu 21 23 24 28 Curou-se 22 27 25 31 Falleceu 1 23 34 30 26 Curou-se 24 30 40 58 Falleceu 25 32 26 18 Curou-se 26 46 — — Falleceu 27 27 20 31 Curou-se 28 30 24 54 Falleceu 29 26 26 20 Curou-se 30 24 22 22 » 31 24 26 28 )) 32 32 24 34 Falleceu j 33 20 20 16 Curm-se 34 22 84 22 )) 35 68 — — Faleceu 36 36 32 36 Numero do do- ente Respirações na entrada Respirações na manhã seguinte Respirações no 2o dia á tarde RESULTADOS 37 26 32 21 Curou-se 38 32 36 26 » 39 33 33 21 » 40 54 — — Falleceu 41 38 32 58 » 42 25 24 21 Curou-se 43 44 — — Falleceu 44 29 30 56 » 45 27 26 30 Curou-se 46 44 39 28 i) 47 30 — — Falleceu 48 38 27 24 Curou-se 49 23 24 24 D 50 34 25 25 » 51 39 41 44 Falleceu 52 34 24 20 Curou-se 53 24 18 18 D 54 26 16 24 » 55 36 42 32 Falleceu j 56 30 24 20 Curou-se 57 26 22 34 Falleceu [ 58 30 24 30 Curou-se 59 26 22 26 » 60 32 25 20 » 61 36 42 40 Falleceu 62 50 — — 63 30 20 18 Curou-se 64 24 24 28 » 65 32 30 36 Falleceu 66 35 26 24 Curou-se 67 30 34 40 » 68 24 30 24 Falleceu 69 25 30 28 )) 70 38 32 26 71 38 38 . 28 » 72 38 30 48 J) taaro lio do- ente Respiiaçõcs ne eofrede Respirações na manhã seguinte Respirações no 2o dia á tarde BESULTÀDOS 73 38 56 Falleceu 74 46 39 32 Curou-se 75 40 33 42 Falleceu 76 32 25 26 0 77 35 35 20 Curou-so 78 20 24 20 » 79 36 24 30 » 80 47 42 54 Falleceu 81 28 24 28 Curou-se 82 39 38 — Falleceu 83 21 20 20 Curou-se 84 31 34 — Falleceu 85 34 32 32 Curou-se 86 40 — — Falleceu 87 24 24 36 Curou-se 88 30 30 40 Falleceu 89 38 40 50 » 90 30 20 26 Curou-se 91 32 24 24 92 36 40 30 93 32 28 26 » 94 30 34 26 Falleceu ! 95 40 40 56 Curou-se 96 36 46 58 Falleceu 97 40 36 36 Curou-se 98 40 38 42 » 99 42 54 — Falleceu 100 42 — — » 101 36 24 28 » 102 36 34 28 Curou-se 103 48 44 54 Falleceu 104 20 20 16 Curou-se 105 46 60 — Falleceu 106 33 26 42 )> 107 64 — — » 108 44 30 — » Numero do do- enle Respirações na entrada Respirações oa manhã seguinte Respirações no 2o dia á tarde RESULTADOS 109 38 36 30 Curou-se 110 42 50 58 Falleceu 111 48 — — » 112 20 22 18 Curou-se 113 28 30 42 » 114 37 30 30 Falleceu 115 26 20 28 Curou-se 116 30 48 — Falleceu 117 40 43 54 » 1 18 42 30 — » * no 34 40 32 Curou-se 120 40 33 28 121 45 — — Falleceu 122 36 — — » 123 38 37 38 Curou-se 124 30 26 26 Falleceu 1 125 54 40 30 Curou-se 12G 24 28 30 » 127 24 22 22 » 128 30 30 56 Falleceu 129 42 38 50 » 130 34 32 33 Curou-se 131 36 30 28 » 132 34 24 30 133 36 38 36 Falleceu 134 30 30 34 Curou-se 135 36 40 — Falleceu 130 34 40 36 Curou-se 137 36 30 38 » 138 42 — — Falleceu 139 32 — — » 140 50 — ■ — » 141 41 39 34 Curou-se 142 33 40 34 143 43 44 45 Falleceu 144 39 40 55 » • Nurnsro do do- ente Respirações no entrada Respirações na manhã seguinte Rsspiiaçoee no 2o dia á taids RESULTADOS 145 44 42 41 Falleceu 146 22 24 59 V 147 25 26 31 » j 148 42 32 — 149 35 31 24 Curou-se 150 42 31 23 » 151 34 40 52 Falleceu 152 30 30 31 Curou-se 153 34 34 — Falleceu — , Observações tiradas de Jennings Numero do do-1 Respirações na ente 1 entrada Respirações na mantiã seguinte Respirações no 2o dia á tarde RESULTADOS l 34 40 30 Falleceu J 2 36 36 46 d 3 — 24 40 » 4 36 40 46 » õ 34 58 — » 6 •50 51 — » 7 48 34 29 » 1 3 40 40 42 » 9 — 31 32 Çurou-se 10 — — 36 Observações de Simpson Dr. H. 31 40 58 Falleceu J. G. G. 20 30 29 Curou-se P. S. 39 23 21 » W. — — 3G » A. Iv. 36 36 45 Falleceu Observações de Yicenti e Sorrentino N. N. — — 26 Curou-se A. A. — — 28 g. y. 30 30 36 Ealleceu A. A. 40 30 34 » j Observações de Agote e Mediria 23 25 24 32 34 31 22 41 Curado 2G 32 28 34 29 30 30 31 * i 30 28 30 31 Curado 31 80 • 25 27 Falleceu 1 35 41 34 32 » 1 Numero do do- enle Respirações na entrada Respirações na manhã seguinte Respirações no 2o dia á tarde RESULTADOS 37 26 28 28 Curado 38 46 38 44 Falleceu 42 28 32 44 * 46 28 34 24 » 1 40 38 36 31 Curado 53 30 32 31 » 54 31 28 28 » 58 28 31 41 Falleceu 56 26 30 34 Curado NOTA — Nem todas as observações de Agote e Medina, como as dos outros auctores citados, tem os traçados das curvas respiratórias, razão pela qual não as mencionamos. 55 Reóumindo aó obóervaçõeó de 1904-905, vemoò que óõ eócaparam á regra por nóò eótabelecida, 10 doenteó d’entre oó 114 que deram entrada para o Hoópital, o que repreóenta a média diminuta de 8,77°/o Deóóeó 10 doenteó, óahiram curadoó com maió de 36 movimentoó reópiratorioó, no fim do óegundo dia á tarde, apenaò treó, efalleceram com menoò de 36 excuróõeó thoraxicaó, óete doenteó, doó quaeó treó com 26, douó com 32 e um com 34. Daó obóervaçõeó de 1906-908 eócaparam á re- gra 14 doenteó, d’entre 153 enfermoó, o que noó for- nece uma percentagem de 90,86 de probabilidadeó para firmarmoó o prognoótico. Deóóeó 14 doenteó, oito fatleceram com menoó de 36 movó. reópó. e óeió óahiram curadoó com maió de 36. Si quizeóóemoó augmentar ainda maió a per- centagem eótabelecida, retirariamoó deóteó ultimoó óeió doenteó, 00 de n. q5, que tinha accentuada po- lypnéa hyóterica e 67, com ligeiro edema da glotte, para obtermoó a percentagem de 92,16 a favor do noóóo proceóóo; maó, a óuperioridade do methodo diópenóa a incluóão daó excepçõeó. Doó doenteó fallecidoó com menoó de 36 movó. reópó. um, no óegundo dia á tarde, tinha 22 excur- óõeó thoraxicaó.; douó, 26; douó, 31; um, 32 e douó 3q. Aó obóervaçõeó de Jenningó noó demonótram, que entre 10 doenteó, douó falleceram com menoó de 36 movó. reópó. no óegundo dia á tarde, e ne- nhum óahio curado, tendo maió de 36, no tempo por nõó eócolhido para firmarmoó o prognoótico. A percentagem para o noóóo methodo applicado áó 56 obòervaçõeò do auctor òupracitado foi portanto de 8o % de probabilidadeò favoraveiò. Aò obòervaçõeò de Simpòon confirmam em todoò oò pontoò o que nóò aòòeguramoò; naò curvaò reòpi- ratoriaò, por nóò colhidaò neòte auctor, não obòer- vamoò uma unica excepção. Naò obòervaçõeò de Vicenti e Sorrentino verifi- camoò que um òó doente falleceu, tendo menoò de 36 m. ceòpò. no òegundo dia á tarde. Percentagem a favor do methodo-yS %• Aò obóervaçõeò de Agote e Medina noò foram menoò propiciaò, poiò entre 16 doenteò, cinco falle- ceram, apezar de terem menoò de 36 movò. reòpò. no òegundo dia á tarde. Percentagem 62, 5 %. Nada maiò preciòatemoò dizer para òuòtentar aò vantagenò denoôòo methodo, naòcido da obòervação, que veio reòolver a delicada queòtão do prognoòtico na peòte bubonica. Tranòcrevemoò treò obòervaçõeò do livro do Dr. Zefetino Meirelleò, «A febre amarella» e duaò ob- òervaçõeò feitaò pelo eòtudioòo e intelligente interno da ia cadeira de Clinica Medica, quinf anniòta Octa- vio Torreò, para demonòtrar que a acceleração reòpi- ratoria não depende excluòivamente da reacção febril. Com effeito, veremoò, principalmente na febre amarella, temperaturaò elevadaò (40,4) coincidindo com pequena frequência reòpiratoria (23 m. r.) Seguem-òe aò 5 obòervaçõeò. Moléstia Impaludismo Hospital Santa Isabel N. 6 Dias de moléstia R 70 T 41° m t m t m t m t m t m t 05 60 40° 55 50 39° 45 40 38° 35 30 37° 25 20 36° 15 10 35° Datas 6 7 8 9 1Ò LEGENDA Marchada temperatura ' Frequência da respiração Observações Moléstia Impaludismo Hospital Santa Isabel N. 3 Dias de moléstia l ! m t m i m i m i m t vi i \ R 70 T 41° 65 60 40° 55 50 39° 45 40 38° 35 30 37° 25 20 36° 15 10 Datas 35° LEGENDA Marcha da temperatura Frequência da respiração Observações Moléstia Febre amavella Nome S. B. Hospital S. Sebastião N. X XXIX Dias de moléstia m t m t rn t m t m t m t R 70 T 41° 65 60 40° 55 50 39° 45 38° 40 35 30 37° 25 20 36° 15 10 35° Datas 14 lõ 16 17 LEGENDA Marcha da temperatura NOTA. (Forma biliosa gravisssirna do typho icteroide Frequência da respiração Observações Moléstia Febre amarei ler Nome H. F. Hospital S. Sebastião N. XXXIV Dias de moléstia m t m t ml ml m t m t R 70 T 41° 65 60 40° 55 50 39° 45 40 38° 35 30 37° 25 20 36° 15 10 35° Datas 16 17 18 19 20 21 LEGENDA Marcha da temperatura Frequência da respiração NOTA . O doente teve a forma biliosa gravíssima do typho icteroide. Observações Moléstia Febre amarella Nome C. L. Hospital S. Sebastião {RiójN.XLII Dias de moléstia ni t m t m t m t rn t rn t R 70 T 41° 65 60 40° 55 50 39° 45 40 38° 35 30 37° 25 20 36° 15 10 35° Datas 18 19 20 21 LEGENDA Marcha da temperatura Frequência da respiração NOTA íForma anurica ou hepáto-renal da febre amarella.---Dr. Zeferino Meirelles.) Observações Nota—O Dr. Zeferino Meirelles, ex-director do Hospital de Isola- mento de Nictheroy, medico do Hospital S. Sebastião do Rio de Janeiro, que esteve em contacto frequente com doentes de febre amarella, observou em alguns enfermos atacados deste mal, principalmente nas formas hepato-renaes, 40 e até 52 excursões thoraxicas por minuto. Essa anomalia da respiração accrescenta o auctor, não é porem pe- culiar a febre amarella; ella é observada em todas as moléstias, nas quaes o paciente tem necessidade imperiosa de subtrahir á compressão do diaphragma, um ou maisorgãosabdominaeshyperesthesiados,como succede nas cólicas lithiasicas; é finalmente o mesmo phenomeno que se nota nas mulheres em pleno periodo de gestação. Quando no typho icteroide houver tachypnéa, o figado estará muito compromettido, muito doloroso, de modo que ao doente só fica o re- curso de modificar o typo de sua respiração, de maneira a poupar, quanto possível, as excursões do diaphragma, que, para executar a sua funcção inspiratoria, reduz, como se sabe, a capacidade da grande ca- vidade esplanchnica e comprime todos os orgãos nella contidos, sobre os quaes se apoia. Fica assim explicada a tachypnéa na febre amarella. Como, porém, explicar a acceleração respiratória constante na peste bubonica, na ausência de quaesquer alterações, excepto as da medulla alongada, senão pelá acção electiva que a toxina microbiana exerce sobre o bolbo rachidiano? Outras Perturbações Nervosas da Peste Buhomoa ÉRTICULAÇÃO DAS PALAVRAS I —O diòturbio da articulação daò palavraò não foi por nóò obòervado noò individuoò benignamente affectadoò de peòte; em algunò caòoò graveò notamoò, porém, uma eòpecie de dyòarthria, uma accentuada gagueira, indiòtincta, heòitante, engoro- lada, monoòyllabica, arraòtada e lenta, áò vezeò inin- telligivel como a do embriagado pelo álcool. Eòta dyòarthria foi de preferencia verificada noò caóoò de terminação fatal, não òignificando, porém? que em todoò oò caòoò graveò de peòte òeja eòte òymptoma encontrado. Muitaò vezeò recebemoò doenteò, òem pertur- bação alguma da linguagem, meòmo òem manifeò- tação mórbida apparente daò alteraçõeò por que paòòava o òeu òyòtema nervoòo, e entretanto poucaò horaò apóò eram elleò cadavereò. Eòteò factoò muito noò impreòòionaram a princi- pio ; era um doente que noò narrava com todaò aò minudenciaò o inicio de òua moleòtia, para dentro em pouco fallecer, deixando attonitoò aò peòòoaò de òua familia e aquelleò que não tinham ainda a pratica neceòòaria para bem apreciar d quadro clinico da peòte, 60 Maió tarde, aó noóóaó obóervaçõeó demonótravam que neóóeó doenteó um óymptoma era conótante, que o rythmo reópiratorio óe achava infallivelmente acce- lerado (4o-5o mov. reóp.), indicando-noó que, ói oó centroó cerebraeó podem óer poupadoó noó caóoó geaveó, oó centroó bolbareó nunca o óão, poió aó óuaó alteraçõeó dominam óempre. Obóervamoó muitaó vezeó que oó empeótadoó dyóarthricoó reópondem com uma certa difficuldade áó perguntaó, de um modo heóitante; que óe eóque- cem da metade da óentença ou plvraóe que princi- piaram a proferir, que óe confundem em óuaó nar- raçõeó, o que certamente noó indica que não é óò o centro da articulação daó palavraó que óoffre, maó também o da memoda daó palavraó. • Quando a toxina actúa com maior intenóidade óobre todo o óyótema nervoóo, mergulhando oó do- enteó em profundo eótupor e inconóciencia, oó em- peótadoó não faltam. Muitoó auctoreó tem obóervado a aphonia e a aphaóia, conóecutivaó á peóte, accidenteó até hoje não notadoó na Bahia. A dyóarthria e a aphaóia têm óido differentemente interpretadaó. O Dr. Tavareó de Macedo, D. Director do Hoó- pital Paula Cândido, do Rio de Janeiro, obóervou um caso com gagueira, em que o doente paóóou depoió douó diaó óem fallar, por ter a lingua cahida no fundo da cavidade buccal. Tratava-óe de uma para- lyóia toxinica da lingua, que lhe pareceu maió de origem peripherica. Simpóon obóervou «caóoó de aphaóia por para- lyóia doó muóculoó laryngèoó. Jenningó attribue a 61 aphaòia, á paralyòia pharyngéa, á òeccura da bocca determinada pela febre, á jnjlammação da língua, que òc torna volumoòa, á falta de coordenação ou á pa- ralyòia parcial doò muòculoò da lingua, á perda da memória, á acção directa daò toxinaò òobre oò cen- troò cerebraeò». Acceitamoò de bom grado eòta ultima hypo- theòe: a) porque oò caòoò de dyòarthria po'r nóò viòtoò foram quaòi todoó fataeò, indicando aòòim maior intoxicação doò centroò nobreò do organiómo. b) pela perda da memória daò palavraò, conjun- ctamente obòervada com a dyòarthria; c) pela auòencia de qualquer eòforço do doente cm reòponder áò perguntaò, indicando a diminuição da attenção. Leumann (Repozt on plagiie opezationá in Ilubli) obòervou òete caòoò de aphaòia, em doenteò que pareciam eòtar no primeiro período de con- valeòcença, que não tinham qualquer pareòia ou pa- ralyòia noò membroò, e òim, unicamente grande proòtração e fraqueza muòculareò. Jenningò vio a aphaòia peròiòtir por algum tem- po, apóò a convaleòcença. Eòteò auctoreò porém, não noò deòcrevem como òe caracteriòou clinicamente eòta aphaòia, òi teve um inicio bruòco, òi foi acompa- nhada de abolição doò reflexoò pharyngèo e cor- neano, òi houve dermographiòmo, diminuição da audição, hypereòtheòiaò, paralyòia facial, etc., não noò fornecendo dadoò para afaòtar a hypotheòe de aphaòiaò de origem hyòterica, o que òeria bem poò- 62 òivel çelo óeu deóapparecimento em pouco tempo, pela òua ceòòação bruòca. Em reòumo, poderemoò dizer que aò pertur- baçõeò á articulação daò palavraò não dependem ordinariamente de leòõeò permanenteò; òão anteò alteraçõeò funccionaeò, em òua natureza depen- denteò da maior ou menor intoxicação doò centroò cerebraeò. A dyòphonia tem òido obóervada na peòte. ALTERAÇÕES DO APPARELHO SENSITIVO-MOTOR A marcha cambaleante, em que o doente cami- nha òegundo uma linha quebrada, é um doò òympto- maò maiò habituaeò da peòte; é òempre precedida de uma òenòação de vertigenò e tonturaó, quaòi conòtantemente acompanhada de vomitoò. O andar titubeante é provavelmente devido á intoxicação do cerebello, o orgão eòòencial do equi- librio. Quando predominam oò óymptomaó de excita- ção, oò peòtilentoò têm uma vontade irreòiòtivel de caminhar, de paóòeiar de um lado para o outro; andam com incerteza, em òinuoòo zig-zag, com aò pernaò afaòtadas como o ebrio ou o animal que tiveòòe o cerebello compromettido em óeu funccio- namento, no que diz reópeito á coordenação loco- motora. Simpóon, Agote e Medina, citam factoó em que, pela apreciação daò alteraçõeò da marcha, ao lado da perda do equilibrio, doò vomitoò, da articulação 63 impecfeita daò palavcaò, daò pectucbaçõeò da intelli- gencia e da memocia, individuoò focam levadoò á eòtação policial, òob a òuppoòição de eòtacem em- bciagadoò, pela fcizante analogia entce oò òymp- tomaò da intoxicação peòtilenta em óeu inicio e a intoxicação alcoolica aguda noò pcimeicoò peciodoò. Eòíudando o papel do cecebello no mechaniòmo do equilibcio e coocdenação doò movimentoò, ouça- moò o que noò diz de Caótco, em óua magni- fica theze—«Daò pectucbaçõeò da maccha e óeu valoc clinico»—á pag. 123. «E’ noção conquiótada deòde oò tempoò de Floucenò que incumbe ao cecebello impoctante funcção no acto do equilibcio, como centco coocde- nadoc doò movimentoò voluntacioò. Ficou, de feito, eòtabelecido, pelaò expecienciaò então pcaticadaò, que a ablação paccial deòòe ocgão não acaccetava ao animal leòado inaptidão paca oò movimentoò, maò uma deòocdem pcofunda na cooc- denação detleò; na ablação completa, nem póde o animal guacdac a òua poòtuca, quanto maiò loco- movec-òe. Todavia, bem que pcepondecante a influencia do cecebello, não é òó a que òe faz òentic no caòo; além de que, póde òec òubòtituida pela acção de outcoò centcoò. Nem a falta de coocdenação doò movimentoò òecá òempce expceòòão de um ataque á integcidade cecebellac. «A coocdenação noò movimentoò doò actoò, quaeòquec que òejam, enòina Mocat, não é funcção eòpecifica de um detecminado òyòtema: o equi- libcio do noòòo cocpo na manutenção da òua poòtuca 64 e na progreòòão é um caòo particular da coorde- nação doó movimentoò, e, como tal, tem no cere- bello a óua maiò differenciada repreòentação. Effectivamente, é miòter comprehender que eòta differenciação não implica o iòolamento: o cerebello c um orgão nervoòo òuperpoòto a òyòtemaò inferioteò (eixo medullar) noò quaeò òe executa a acção mo- tora, e onde já òe delinea a acção coordenadora; alem diòòo, eòtá relacionado com òyòtemaó òupe- riobeò, que o dirigem e que o auxiliam, ou o òubò- tituem, em deòapparecendo a acção que lhe é fo- reira (cama optica, corpo eòtriado, córtex cerebral). Do cerebello, parece provado, é no lobo medi- ano que reòide a localização do centro coordenador; e, em pról deòta affirmativa, falta a auòencia doò hemiòpherioò noò peixeò, noò amphibioò e noò re- pteiò (Van Gehuchten). como lhe chamou Luciani. Sem maiò detongaò diremoò que aoò dadoò experimentaeò, por onde òe define o cerebello como orgão prepoòto á funcção da locomotividade, òe amolda o eòtudo da myetinização daò fibraò do córtex cerebelloòo comparativamente ao deòenvol- vimento deòòaò faculdadeò de locomoção e equili- brio, myelinização que já òe apreòenta acabada na epocha do naòcimento naquelleò animaeò, que tanto que naòcem, podem logo executar oò citadoò attri- butoò. I « Com eòta opinião conòoa a de Lui. «Emprehendendo neòte rumo profundaò inda- gaçõeò, poude concluir o auctor italiano que o córtex 65 do cerebello assume a sua forma definitiva justa- tamente no tempo em que apparece nos animaeò o poder de locomoção e orientação; que as cellulas de Purkinje òão os elementos, que óe vão desen- volvendo com maiò regularidade, á medida que crescem, no animal, essas funcções; e emfim, que haja ou não a capacidade locomotriz por occasião do nascimento, é a camada granulosa interna a que mais desenvolvida Se revela. No nxechanismo da coordenação também prova- damente influem a protuberância, os tubérculos qua- drigémeos, os orgãos sensoriaes (impressões visuaes, tácteis e labyrinthicas) os canaes semi-circulares, pela estreita ligação funccional que guardam com o cerebello ». Pela impressão toxica do SyStema nervoso os musculos voluntários não obedecem mais regular - mente á vontade e a incoordenação se manifesta; depois, á medida que a intoxicação progride, os phe- nomenos ataxo-adynamicos se estabelecem: o doente permanece deitado, com incessante mal estar, in- quieto, revolvendo-se desordenadamente no leito; finalmente com o evoluir da moléstia, a apathia, a adynamia Se apoderam do empestado que fica indif- ferente a tudo, immovel. A adynamia chega ao extremo, a morte Se dá precedida de coma. Nem sempre, felizmente, este quadro Se desenrola á vista do clinico. As vezes, depois de um curto periodo de exci- tação, o doente cahe em estupor, permanece em de cubituá dotóal, durante dous, tres e mais dias, com a cabeça inclinada Sobre o thorax, membros em 66 relaxamento, palpebraó cerradaó, indifferente ao mundo exterior; quando abalado ou chamado, deó- cerra aó palpebraó um tanto peóadaó, balbucia pala- vraó inintelligiveiò e volta immediatamente ao óeu primitivo eótado, óem óentir muitaó vezeó aó injec- çõeó que óe lhe faz. Emquanto o eótupor é geralmente bom òignal prognoótico, principalmente naó creançaó, a ady- namia precedida de grande excitação é indicio quaói certo de um paóóamento proximo. Neceóóario é não confundir o eótupor com o eótado typhico adynamico; a diótincção entre eóteó douó aópectoó clinicoò é difficil, porquanto encon- tramoó em amboó a maxima prostração, a òup- preóóão completa daò faculdadeó póychicaó, a immo- bilidade, o iòolamento do meio. Outraó vezeó aó tonturaó e vertigenó deter- minam paóóageiraó perturbaçõeó á locomoção.' Obóervamoó muitaó vezeó a carphologia, óe- guida de completa reóolução muócular noó caóoó de grande adynamia, com atonia e relaxamento doó eóphinctereó; outraó vezeó vimoó caóoó de eópaómoó musculareó, principalmente do eóphincter veóical, determinando retenção de urina. O Dr. Gonçalo Moniz obóervou óymptomaó liga- doó á hyperexcitabilidade neuro-motriz ou reflexa. «Contracçõeó muóculareó parciaeó ou contra- cturaó vimoó em varioó doenteó. A rijeza da nuca e o triómo não óão raroó e aó contracçõeó tonicaó podem generalizar-óe, acarretando opióthotonuó total». «Em certoó caóoó, diz Polverini, foi obóervada 67 a tetanióação de todoò oó muòculoò com opióthotonuó, triómoó, eópaómoó doó muòculoò abdominaeò e reópi- ratorioó, de modo que, ói não foòòem oó óignaeó óegu- roó de infecção peótica, era para ficar-óe em duvida ói óe tratava de peóte»'. Obóervamoó douó caóoó de paraplegia noó mem- broó inferioreó e um caóo de diplegia, que maió adiante eótudaremoó juntamente com aó polyne- vriteó. Auctoreó diveróoó citam caóoó de pacalyóiaó : hemiplegiaó, pacalyóia facial, doó muòculoò do globo ocular, do véo do paladar, da larynge, etc. Eóteó óymptomaó nervoóoó óão principalmente devidoó á acção toxica do viruó peótoóo óobre oó centroó nervoóoó, como óe evidenciam pelaó óeguin- teó razõeó: a) pelo deóapparecimento gradual de taeó mani- feòtaçõeó, que não deixam traçoó de óua exiótencia; b) pela auóencia deleóõeó anatomo-pathologicaó naó zonaó motoraó ou rolandicaó do cerebro, noó caóoó verificadoó pela autopóia. Jenningó cita douó caóoó de hemiplegia (um direito, outo eóquerdo) douó caóoó de paraplegia, que óe reótabeleceram completamente. Poucaó vezeó encontramoó tremoreó muóculareó, limitadoó aoó membroó inferioreó ou óuperioreó, e maió raramente aoó labioó. Tivemoó occaóião de obóervar convulóõeó gene- ralizadaó em algunó doenteó poucaó horaó anteó da morte. No doente S.M.S, braóileiro, pardo, óolteiro, com 26 annoó de edade, n. 96, intenóaó foram aó con- 68 vulóõeó, pcecedidaó de atcepioó paóóageicoó, compa- caveió a pequenaò deócacgaó electricaó, e de tcemo- ceó muóculaceó; aó convulóõeó, a principio pacciacó, limitadaó aoó muóculoó do peócoço e membroó, gene- calizaram-óe depoió até tomacem o cacactec de um eòpaómo de todo o organiómo, vindo o doente a fallecec em completa aóphyxia. O Dc. Agrippino Bacboza (Ligeizciá notaá óobze a pcóte bubonica—theóe) cita caóoó inteceóóanteó de convulóõeó. «Em um caóo, diz elle, notamoò um ataque óemelhante ao da hyóteto-epilepóia: o doente cahio do leito em convulóõeó, óem óentidoó, com oò mem- bcoó contcactucadoó, dedoó flexionadoó, olhoò acce- galadoó, face deòviada e lingua paca fóta da cavi- dade buccal». Seria o caóo de indagatmoó ói houve alguma celação do ataque com a infecção peótoóa ou ói pceóenciavamoó a uma óimpleó coincidência. Aó convulóõeó óob a focma de ataqueó intenóoó e cepetidoó óão muito óemelhanteó áó da epilepóia, da hyóteria ou da eclampóia. O Dc. Gonçalo Moniz verificou a auóencia da albumina e da diminuição da exccecção urinaria em algunó peótilentoó acommettidoó de convulóõeó, o que faz afaótac a hypotheóe de attribuil-aó áucemia. E’ deóte diótincto loimogcapho a óeguinte obóec- vação: «Tivemoó uma doente de io annoó, foriemente atacada, com douó bubõeó, um axillac e outco cecvi- cal, amboó do lado eóquecdo, a qual já eótava 69 muito melhor e parecia entrar em convaleòcença, havendo fundadaò eòpeEançaò de feliz deòenlace, òenão quando lhe òobreveio violento ataque de con- vulòõeò eclampticaò (rijeza da nuca, triòmo, rangido de denteò, gyro doògloboò oculareò, reviradoò para cima, inòenòibilidade da conjunctiva, elevação daò palpebraò òuperioreò por contractura doò levan- tadoreó, contracçõeò clonicaò doò muòcutoò, da face e doò membroò, principalmente do braço eòquerdo, dedoò contracturadoò em flexão, tachycardia (160 pulòaçõeò e maiò) eòcoamento pela bocca de mucoòi- dade eòpumoòa e òanguinolenta, etc.) em acceòòoò òucceòòivoò, òubintranteò, conòtituindo-òe verdadeiro eòtado de mal, com perda completa doò òentidoò e da fala. Oò acceòòoò convulòivoò enfraqueceram apóò a primeira criòe, maò peròiòtiram com alternativaò de remiòòõeò e exacerbaçõeò, e a paciente, profun- damente abatida e extenuada, nunca maiò voltou a òi, finando-òe algunò diaò depoiò. Só a um compro- mettimento daò meningeò cerebro-eòpinhaeò ou doò proprioò centroò nervoòoò, (1) por òepticemia òecun- daria, provavelmente eòtaphilococcica, pudemoò at- tribuir eòòa complicação tardia (3o diaò apóò a en- trada). Oò bubõeò, com effeito, òuppuraram abundan- temente e ainda òuppuravam na occaòião do epiòodio fatal, encontrando-òe no púò microbioò pyogenicoò communò, òem òe acharem maiò oò bacilloò da peòte. ( i) Não fizemos nenhuma autopsia á falta de local e meios apro- priados no hospital, de installação occasional, que dirigimos. (Gonçalo Moniz). 70 O paòòamento deu-óe no 39o dia de eòtada da doente no hoòpital. Havendo ella expellido eòpontaneamente, na occaòião do ataque, unò aòcarideò, foi-lhe preòcripto, alem daò outraò medicaçõeò, um vermífugo, que de- terminou a eliminação de maiò algunò, maò o òeu eòtado nenhuma mudança experimentou com iòòo, não trazendo, aliáò, maió vermeò aò dejecçõeòòubòe- quenteò. Cremoò poiò, não terem òido oó helminthoò oó reòponòaveiò pelaó convulóõeò». Aò experienciaò de Magendie e de outroò phyòio- logiòtaò demonòtraram que aò excitaçõeò convul- òivanteò òe originam principalmente 11a protube- rância anular ou ponte de Varole, no bolbo rachi- diano e na medulla eòpinhal. Poderemoò poiò òuppor, que, uma daò cauòaò maiò frequenteò daò convulòõeò na peòte, òeja a irri- tação, a excitação doò centroò medullo-bolbo-protu- beranciaeò. Aò convulòõeò aòphyxicaò que òe obòervam noò peòtilentoò, no momento da morte, conòtituem oò fundamentoò de noòòa hypotheòe. Caòoò de peòte complicadoò de meningite aguda e de meningo-encephalite têm òido obòervadoò por muitoò auctoreò entre oò quaeò òalientaremoò o Dr. Yictor Godinho. O Dr. Gonçalo Moniz aòòim reòume a òympto- matologia deòteò caòoò, verificadoò algunò pela au- topòia: rijidez doò muòculoò da nuca, opiòtho- tonuò, eòtrabiòmo, mydriaòe, (lexão daò pernaò, con- 71 tracçõeò fibrillareò, relaxação doò eòphinctereò, de- lido, vomitoò, eôtda meningitica de Trouòòeau, etc. Nunca tivemoó occaòião de notar tal compli- cação nos doenteò por nóò obòervadoò. Aò modificaçõeò da motilidade reflexa òão de grande impodancia na peòte. Andréa Zinno eòtudou-aò com o máximo cui- dado e vedficou noò caóoò graveò a abolição do re- flexo plantar, do rotuliano, do cremaòterico, do doò muòculoò abdominaeò, do de Schneider, durante a duração da moleòtia. < A abolição doò reflexoò, penòa A. Zinno, po- derá òervir para a confirmação do diagnoòtico, poiò que oò bubõeò venereoò, traumaticoò ou de outra natureza, podem dar logar á febre, maò nunca òe obòervou nelleò a perda òimuttanea doò reflexoò». Verificamoò noò noòòoò doenteò diminuição ou auòencia doò reflexoò patellareò. Leumann obòervou douò caóoò de manifeòtação de catalepòia em empeòtadoò, do òexo maòculino, um no terceiro dia de moleòtia e outro no decimo. No primeiro caòo, o doente teve violento delirio durante 20 horaò, permanecendo depoiò immovel como òi eòtiveòòe morto. Fixando-òe, porém, o òeu braço di- reito em angulo recto com o corpo, com o indica- dor apontando para cima e o braço eòquerdo em flexão, notou-òe que o braço direito permaneceu em poòição fixa durante vinte minutoò e o eò- querdo òete minutoò. No òegundo caòo, a manifeòtação cataléptica foi menoò pronunciada. 72 O traço cacacteriòtico do cataléptico é a immobi- lidade, a inércia e a conòecvação de todaò aò poòi- çõeò que òe lhe dão aoò membcoò; o doente, de reòto não dá indicioò extecioceò de ver e ouvir. A melhor explicação paca eòta manifeòtação mocbida noò é focnecida poc Gcaòòet, eminente pro- feòòoc de Montpelliec. c O que cacacteciòa pòychologicamente o eòtado de catatepôia é a deòaggcegação mental (òuper-poly- gonal) completa e total, ao meòmo tempo centcipeta (idéo-òenòocial) e centcifuga (idéo-motoca): o indi- víduo não tem conòciencia de òeu eòtado e não faz movimento algum voluntário. Eòteò phenomenoò òão communò ao òomnambuliòmo enão òão òufficienteò para caracterióar a catalepòia. A actividade polygonal, em vez de òer exagge- rada como no òomnambuliòmo, é ao contrario depri- mida ; na catalepòia ha verdadeira inércia poly- gonal, òem tcaçoò de eòpontaneidade, meòmo do pòychiòmo inferior E’ unicamente [uma inércia vital. Noò corpoò inanimadoò a inércia conòiòte na obediência paòòiva ao movimento, á vibração com- municada. O òer vivo, meòmo inerte, obedecendo paòòiva- mente á vibração communicada, a tranòforma; de uma òenòação, faz um movimento. Quando òe colloca um membro em uma poòição, ou òe lhe dá um movimento, ha uma òenòação kineò- theòica, que chega ao polygono em T. (i). (i) E’ muito conhecido o polygono de Grasset, razão pela qual dispensamos as considerações que poderíamos fazer a respeito. 73 Sem provocac eòpontaneidade alguma, eòta òen- òação vae detecminac em -K uma impulòão motoca cocceòpondente, paca mantec a poòição dada, ou paca continuac o movimento começado (o que é a meòma couòa). Eiò a ineccia polygonal completa, maò que pec- manece vital; é o funccionamento polygonal cedu- zido ao òeu minimum, maò não òuppcimido. Com effeito, como obòecva Janet, paca luctac contca a gcavidade e impedic que o membco caia, é pceciòo uma contcacção delicadamente òyòtemati- òada de todoò oò muòculoò, é pceciòo uma cecta adaptação e uma cecta coocdenação paca mantec uma poòição ou continuac um movimento, o que não òe aòòemelha ao levantamento cégo da pecna, de- poiò da peccuòòão do tendão cotuliano. E’ pòychiòmo muito infecioc, maò é pòychiòmo. Si eu cotlocac òobce o bcaço diòtendido de um cata- léptico, diz Janet, um peòo de douò kiloò, oò muòcu- loò do bcaço e oò de todo o cocpo òe contcahem paca que o bcaço òuppocte o peòo. Ha adaptação, unidade de movimento, em uma palavca, o que ocdinaciamente òe conòideca como òignal de intelligencia. Janet, além diòto, notou uma cecta memocia noò actoò catalepliccò. Tudo iòto pcova bem que na caialepòia, ha ainda um pòychiòmo infecioc, maò muito ceduzido, depci- mido, em ineccia. Conòidecamoò a catalepòia como uma moleòtia do tonuò òupecioc, do tonuò poly- gonal; collocamoò a focça de eòtabiliòação no po- lygono. 74 Em óumma, a catalepòia é carac.terióada: i.° pela deóaggregação mental (óuper-polygonal) total (ideo-óenóorial e ideo-motriz). 2.0 pela inércia do polygono (eòquecimento ao deópertar e auôencia de memória alternante). O grão da inércia polygonal é variavel; noó gráoò profundoò ha conóervação de attitudeò ou continuação doò movimentoò começadoò; noó gtáoó médioó, imitação vióual (eópecular) ou auditiva (echolalia); emfim, noó gráoó fruótoó, ha movi- mentoó aóóociadoó (óyncineóiaó) bilateraeó, óyme- tricoó ou de todo o corpo, (poóeó ou ócenaó) pela conóervação daó communicaçõeó intra-poly- gonaeó». Só a exiótencia da manifeótação de catalepòia baóta para aóóegurat tudo quanto temoó dito óobre a predilecção da toxina peótoóa peloó centroó ner- VOÓOÓ. FÁCIES Não encontramoó a facieò peòtica em algunò doò noóòoò doenteò, òenão um dia ou algumaó horaò anteò da morte. A expreóòão do roóto neóóeò empeótadoò aóóu- mio, geralmente, a apparencia da apathia, da deòat- tenção e da reòignação, áò vezeò da anguòtia, e òó tivemoò occaòião de obóerval-a em doenteó cuja òituação pòychica tinha òido apparentemente inta- cta, que não tinham alteração evidente daó facul- dadeó mentaeó, permanecendo a intetligencia clara durante todo o curòo da moleótia, até áò proximi- dadeò da morte. 75 A manifeótaçâo apathica, deóattenta, o aópecto reóignado do doente, óão muitaó vezeó tomadoò pelo medico inexperiente como uma melhora. Taeó óymptomaó que ôó indicam gravidade e perigo, denunciam «a perda parcial do influxo ner- voóo» (Simpóon), «a óuópenóão do funccionamento doò nucleoó doó nervoó faciaeó direito e eóquerdo» [Jenningó), a perda da expreóóão pela pareóia ou paralyóia doó muóculoó da face. Quando a phyòionomia aóóume o aópecto da anciedade, do pavor, da anguòtia, da dor, indica ainda a intenóidade maiò elevada da intoxicação peòtoóa. «A expreóóão da dor é a traducção intenóa da deóordem daó funcçõeó. Naóce de todaó aó cauóaó que tendem á deóorganióação doó elementoó, doó tecidoó ou doó óyótemaó componenteó da economia. E’ por eóta razão, um doó óymptomaó maió habitu- aeó, maió conótanteó doó éótadoó pathologicoó, eóta- doó noó quaeó a vida do individuo ou de óeuó or- gãoó componenteó é ainda poóóivet, maó óe acha compromettida» (Morat et DoyomTraité de phyóio- logie). O que maió noó aóóegura que a perda da ex- preóóão da face é indicio de grande intoxicação, é a morte verificada em todoó oó doenteó em que vimoó taeó manifeótaçõeó dependenteó da alteração do óyó- tema nervoóo central. O Dr. Viçenti faz da facieó peótica um óym- ptoma eópecial, caracteriótico, pathognomonico do mal levantino e rapidamente a deócreve na.ó-óeguin- teó palavraó: 76 «Olhoô bdlhanteò e deòvaieadoô, olhat fixo com expteôôão de anguôtia, conjunctivaô injectadaó, otbitaô encovadaó, maçãò ôalienteò, ttemoceô doò labioô, que algumaò vezeò figucam um dôo ôatdo- nico, tez do coôto peeolizada de camadnhaò de óuot ou luôttoôa como òe foôòe untada de gocduca e deôpcendendo odoc cacactedótico, taeô ôão oò pdn- cipaeò elementoó que dão o cunho eòpecial á phyôi- nomia do empeòtado». Como o Dc. Gonçalo Moniz, dkemoô que «quet noó patecet, comtudo, que a facieò aòòim deôcdpta poc Vicenti, Polvedni, etc., não tem a eôpecifici- dade que lhe quecern dac, e que ahi òe vê anteô cetcatada a facieò hyppoccatica ou agonica, a qual nada tem de peculiac á doença em queôtão. Vimoô, com effeito, tal aôpecto do coôto em al- gunô peòtilentoô maô juôtamente dutante a agonia». SENSIBILIDADE Não achamoò fóca doò bubõeò, modificação algu- ma na òenôibilidade táctil ou dolotoôa de noòòoô doenteó, conteadando aóôim o modo de dizee de Netter (La peòte et òon miccobe) que a encontcou ôempce diminuida. Divecôoô auctoreô tem obôetvado a diminuição da òenôibilidade ao tacto no inicio da moleòtia; ou- tcoô têm vedficado a exiôtencia de hypeceòtheòiaó ou paceòtheòiaò. Aqui, na Bahia, o Dc. Gonçalo Moniz, na pd- meica epidemia, que foi maiô gcave que a òegunda, obóetvou a hypeteôtheòia em maió de um caôo. 77 Como òão cucioòaò eòtaò obòecvaçõeò, aò tcanò- ladamoò paca a noòòa theòe: «Uma doentinha de 8 annoò òoltava immedia- tamente um grito plangente toda vez que òe lhe fazia com o dedo pceòòão, ainda que de leve, em qual- quer: parte da epiderme. Além diòòo, gemia e gri- tava conótantemente, muito agitada, em conòe- quencia de doreò eòpontaneaò que òentia pelo corpo, afora aò doò bubõeò». «Em outro enfermo, de 23 annoò, por cauòa de viva hypeceòtheòia generalizada, cuòtou-noò fazer injecção de òôro: mal a ponta da agulha tocava a òuperficie da pelle, retrahia etle acrebatadamente o membro, por òubito movimento reflexo, òendo todo o corpo òacudido por forte eòtremeção. Em breve, porém, no correr da moleòtia, foi òe attenuando e deòvaneceu-òe eòòa alteração òenòitiva». Simpòon, noò ultimoò momentoò de vida de algunò empeòtadoò, diz ter verificado hypeceòthesiaò cutaneaò. A dor doò bubõeò, ora fraca, obtuòa, ora ao con- trario, violenta, aguda, lancinante, inòuppoctavet, conòtituindo áò vezeò o phenomeno predominante no quadro òymptomatologico, provocando inceò- òanteò gritoò e gemidoò ao paciente é, neòte ultimo caòo, òignal pathognomonico da infecção. A hyper-òenòibilidade do bubão fornece baòe firme para o diagnoòtico, não permitte a confuòão com outroò bubõeò produzidoò por infecçõeò outraò da rêde lymphatica. A dor não é òó attribuida ao proceòòo inflam- matocio; ella é principalmente devida á acção da 78 toxina òobre aó extremidadeò doó nervoò periphe- ricoò, tanto aòòim que não òão oó maioreò bubõeò oò que maiò doem, ao contrario, oò bubõeò dimi- nutoò, cercadoò de uma aureola edematoòa òão os maiò graveò e oò maiò doloroòoò á preòòão e eòpon- taneamente. Além deòtaò dôreò ligadaò ao bubão, áò vezeò oò doenteò òe queixam de 'dôreò, ora vagaò, ora ge- raeò, noò muòculoò, naò articulaçõeò, ora circumò- criptaò ao epigaòtro, aoò membroó òuperioreò ou in- ferioreò, á região òacro-lombar. A rachialgia tem òido muitaò vezeò aòòignalada. O Dr. Gonçalo Moniz obòervou em um doente cuja moteòtia foi muito longa, òobrevindo na conva- leòcença, além da pareòia e amyotrophia noò mem- broò inferioreò, dôreò nevralgicaò, rheumatoideò, muito vivaò e pertinazeò, òem òignal apparente do proceòòo phlegmaòico, naò articulaçõeò coxo-femo- raeò, òacro-iliacaò e naò vertebraò lombareò. Taeò phenomenoò, diz elle, não noò parecem imputaveiò ao òôro eòpecifico, adminiòtrado tanto tempo anteò, o qual aliáò nenhum accidente cauòara no caòo. A cephalalgia é quaòi òempre òymptoma pre- coce na peòte; apreòenta-òe geralmente aguda, vio- lenta, localizada na região frontal. E1 ordinariamente tranòiloria, dura 3 a 5 diaò, maò áò vezeò pode peròiòtir durante todo o curòo da moleòtia. 79 INFLUENCIAS TROPHICAS Jenningò notou em algunò caòoò a òuòpenòão da influencia necvoòa tcophica manifeótando-òe pela formação de eòcácaò. Pceòenciamoò divecòoò caòoò com taeò pectuc- baçõeò da tcophicidade. Em J. C. J., pardo, com 19 annoò de edade, natural do Amazonaò, cozinheiro, n. 101, aò deòoc- denó da innecvação tcophica focam evidenteó: a) pela rapidez com que òe formaram neccoòeò extenóaò da pelle e tecido cellulac òub-cutaneo togo noò pcimei- coó diaò da moleòtia; b) pela predominância da acção necrotica que a toxina produzio em òeuó bu- bõeò, provocando abundantióóima òuppuração com eòphacélo completo de òeuò ganglioò engorgitadoò. Em J. A. B., pardo, òolteico, n. 67, em J. G. A., preto, cozinheiro, com 23 annoò de edade, n. 136, e em F. A. B., pardo, òolteico, ganhador, com 3o annoò, n. 142, o eòphacelo da pelle, do tecido cellular òub- cutaneo, daò aponevroòeò, doò ganglioò lymphaticoò, emfim, doò differenteò planoò da região da verilha foi tão intenòo e tão profundo que deixou a deòco- berto a primeira camada muòculac e oò vaòoò femoraeò. Jenningò obòervou, maiò ainda: cegueicaò detec- minadaò pela ulceração toxinica da cocnea e con- cluio muito juòtamente que, na peòte, não òó oò cen- troò de volição òoffrem a acção do vicuò elaborado pelo cocco-bacillo de Yecòin, maò também aò influ- enciaò nervoòaò trophicaò podem òec leòadaò em òeu funccionamento. 80 Polvecini faz nota:: que todo o tcophiòmo óe ceòòente de modo extcaocdinacio na peòte. «Contcaciamente ao que acontece em outcaò doençaò, diz elle, caco noò achamoò em pceòença de convaleòcençaò capidaò, de volta do appetite, com melhocamento notável daò condiçõeò de nu- trição. A convaleòcença é lenta e, muitaò vezeò, no òeu decucòo, aò condiçõeò de nutcição peiocam ainda maiò, aò fecidaò fecham-òe lentamente e a cuòto». Gonficmamoò, com aò noòòaò obòecvaçõeò em innumecoò doenteò, todoò oò factoò eòtabelecidoò pelo notável medico italiano. Tivemoò occaòião de obòecvac em tceò doenteò accentuada amyotcophia. Em um, J. A. B., pacdo, òolteico, natucal da Bahia, com 16 annoò de edade, n. 67, a atcophia muòculac eca maiò accentuada noò membcoò infecioceò; em outco, uma mulhec, A. A. F., pacda, òolteica, opecacia, com 3o annoò de edade, natucal da Bahia, n. 126, a amyotcophia genecalizou-òe, accentuando-òe pocém maiò á eò- quecda que á diceita; no tecceico doente, M. L. R., pceta, com 40 annoò de edade, a amyotcophia limi- tou-òe aoò membcoò infecioceò. A convaleòcença foi muito pcolongada em todoò eòteò tceò caòoò; o pcimeico doente pecmaneceu du- cante 6 mezeò e 11 diaò no Iòolamento de Peòte, òendo depoiò cemovido paca o Aòylo da Boa-Viagem, onde democou-òe maiò douò mezeò, até o òeu ceòta- belecimento; o òegundo pecmaneceu no Hoòpial douò mezeò e 18 diaò, e o tecceico, 78 diaò. 81 Todoó tinham aó extremidadeó friaó, ió.chemía- daò; não podiam permanecer em pé e nem andar. Aó tentativaó para extender-lheò aó pernaó, que eótavam em flexão permanente óobre aó còxaó e eótaó óobre a bacia, provocavam doreó agudaó. A poóição deóteó empeótadoó indicava-noô a pre- dominância doó muóculoó flexoreó óobre oó exten- óoreó atrophiadoó. Obóervamoó, frequentemente, grande proótração e debilidade noó convaleócenteó. O Dr. Gonçalo Moniz vio caóoó de alteraçõeó trophicaó doó pelloó, que ficaram enroócadoó, adhé- renteó ou incluidoó na epiderme e natra-noó a óe- guinte obóervação intereóóante: «Tivemoó um doente, de 7 annoó, em que a amyotrophia óe generalióou a todo o corpo, com pre- dominio noó membtoó inferioreó, vindo elle, muito tempo depoió de paóóada a phaóe aguda da moleótia e de cicatrizado o bubão, que óuppurara e fora aberto, a fallecer de maraómo, reduzido a magreza eóqueletica, 3 mezeó e 20 diaó apoó o ingreóóo no Hoópital». Regiótramoó um caóo idêntico de maraómo, de cachexia peótoóa, na preta B. M. L., com 35 annoó de edade, coóinheira, natural da Bahia, n. 124. O Dr. Victor Godinho deócrevendo a exiótencia daó atrophiaó muóculareó na pcóíe, propoz a cre- ação de uma forma amyotrophlca do mal. « A atrophia muócular é o óyndroma do neuro- nio motor central (bolbo-medullar) inferior. Eóte óyndroma apreóenta-óe com variedadeó : Si 0 corpo cellular é attingidoóó e primitivamente, 82 tem-óe um primeiro typo clinico (typo myelitico, Aran-Dulchenne); Si óão oò prolongamenteó centrifugoó deóte neu- ronio motor inferior primeiramente attingidoó, tem- óe um óegundo typo (typo nevritico); Si,, ao meómo tempo que eóte neuronio motor inferior, o neuronio motor óuperior é egualmente attingido, em òeuó prolongamentoó centrifugoó, tem- óe um terceiro typo (eócleroóe lateral amyotrophica); Si ao meómo tempo que o neuronio motor infe- rior, o neuronio medullar de eótação (zelai á) (cor- noó poóterioreó) é egualmente attingido, tem-óe um quarto typo (óyringomyelia); Si ao meómo tempo que o neuronio motor infe- rior, o proto-neuronio óenóitivo for intereóóado, tem- óe o quinto typo (tabeó com amyotrophia) que exióte do meómo modo que a tabeó eópaómodica com amyo- trophia (eócleroóe lateral amyotrophica); Si ao meómo tempo que o neuronio motor in- ferior, uma zona tranóveróal da medulla é comple- tamente attingida, tem-óe um óexto typo (myelite diffuóa com amyotrophia)...» (Graóóet, Clinique Medicale, pag. 796). Todaó eótaó variedadeó do óyndroma amyotro- phico poderão reóultar da intoxicação peótoóa, ói bem que não tenham óido todaó ainda verificadaó na pratica. Noó empeótadoó recolhidoó ao noóóo Hoópital óó tivemoó occaóião de obóervar treó caóoó, em que a amyotrophia foi determinada por leóão do neuro- nio motor inferior, em qualquer daó óuaó parteó. 83 Eótudemoó ceóumidamente o óyndcoma por nòó apre- ciado, npceóentando aó noóóaó obóetvaçõeó. Em J. A. B., pardo, óolteico, macitimo, com 16 annoó de edade, natural da Bahia, n. 67, come- çamos a pceóenciac altecaçõeó paca 0 lado daó pec- naó, que eòtavam enfcaquecidaó, a 20 de Fevereiro do corrente anno, cinco mezeò apóó a òua entrada paca o Hoòpital. O doente tivera manifeótaçõeô gcavióóimaó do mal levantino, baótando-noó dizer que já tinhamoò até então incióado 14 bubõeó. A fraqueza noò membtoó inferioceó foi prece- dida de forte elevação thermica (40o, 1) acompa- nhada de vomitoó, doceó no abdómen e grande pcoó- tração geral. A temperatura elevou-óe bcuócamente; no dia 20 de Fevereiro, pela manhã, eótava o doente apyretico (36,°5); á tarde, a temperatura elevou-óe a 4o,01, para conóervar-óe, durante todo o dia de 21, em 39,0i, para depoiô, a 22, baixar de novo a 36,° 4 e continuar dahi por diante óempce normal. A fraqueza naó pernaò augmenta, é acompa- nhada de forteó formigamentoó; a 25, o doente tem impoóóibilidade abóoluta em manter-óe de pé; no leito oó movimentoó doó quadció e doó joelhoó óão livreó, embora óe realizem com lentidão. Oó péó aóóumem a attitude do pied-boí vcizuó equino (dzopped feet). Notamoó o deóapparecimento doó reflexoó rotulianoó, a myodvnia, a diminuição da óenóibilidade táctil, a integridade da óenóibi- lidade ao calor, um pouco de exaggero na óenóibi- lidade á dor. A myodynia não podia óec produzida 84 pela reacção óoro-therapica, que já òe manifeòtára muitoò mezeò anteò. Algunò diaò depoiò apparecem perturbaçõeò tro- phicaò naò eminenciaò thenar e hypothenar, noò muòculoò do antebraço, òem que exiòla paralyòia doò extenòoreò, òem que aò mãoò tomem o aòpeclo de garraò. Noò membroò inferioreò a atrophia é muito maiò accentuada, principalmente noò muòcu- loò da perna. Aò extremidadeò eòtão friaò e iòchemiadaò; for- mam-òe abceòòoò na côxa direita, que òão inciòadoò e dão pouco púò. O doente melhora em Março; a òua marcha approxima-òe muito da que òe encontra naò polyne- vriteò: a marcha em álcppage, eòcarvante, em que o doente levanta muito alto oò péò, deixando-oò em òeguida cahir bruòcamente, de modo que aò extre- midadeò doò dedoò toquem, em primeiro logar, òo- bre o òolo. O òeu eòtado geral era bom. Quando o doente começou a andar, fotmou-òe um edema molle, compreòòivel no membro inferior eòquerdo. A hydtopiòia circumòcripta a um òó membro inferior, por òi òó, eliminaria qualquer hypotheòe: a): de uma leòão cardiaca; b) de um mal de Bright, que aggravaria o eòtado do paci- ente; d) da forma edematoòa do beri-beri; c) de uma leòão pulmonar. O edema reconhecia como factoreò, cauòaò differenteò: a) a compreòòão, deter- minada pela eòcleroòe do tecido cicatricial de uma enorme ferida inguino-crural, formada pelo eòpha- celo de todaò aò parteò molleò òuperficiaeò da re- 85 gião, difficultando aò circulaçõeò venoòa e lympha- tica; b) a auòencia de ganglioò lymphaticoò cruraeò, e iliacoò, que deòappateceram por necroòe, deter- minando aòòim a eitaòe lymphatica. O edema deòapparecia, deòde que o doente óe conòervaòòe algunò diaò, em poòição horizontal, o que afaòtava a hypotheòe de uma thromboòe de maraòmo, obòervada áò vezeò depoiò daò moleótiaò infectuoòaô, ou de uma alteração doò vaòoó peri- phericoò. Ao fechar-òe o Iòolamento de Peòte em 3i de Março, é o doente removido para o Aòylo da Boa Viagem, donde òahe apparentemente reótabelecido a 3o de Junho, 11 mezeò e 10 diaò depoiò do inicio de òua moleòtia, òem que podeòòemoò obòervar òi a cura era realmente completa. 2.a Obáeivação—A. A. V., entrou a 26 de Setem- bro de 1908 òem alteração apparente daò faculdadeò mentaeò, quebcando-òe de ter conòtantemente frioò aò mãoò e oò péò, que eòtavam, na realidade, palli- doò e exangueò. Grande era a òua difjiculdade na articulação daò palavraò, determinada por accentuada dyòar- llrtia que òe prolongou até a convaleòcença; a lin- gua não tinha todoò oò òeuò movimentoò; a doente deglutia muito mal. No dia 3o, doreò continuaò noò membroò òuperioreò, com paroxyòmoò noò membroò inferioreò, òeguidaò de incommodo formigamento, atormentam a doente; no dia 14 de Outubro, 18 diaò apóò a òua entrada, tinha impoòòibilidade em exe- cutar bem quaeòquer movimentoò; não podia levan- tar-òe do leito, accuòando extrema fraqueza, não 86 permanecia em pc e nem podia caminhas:; tinha completa petda cio òentido muòculat; a 18 era uma diplegica, com oò refíexoò rotulianoò e oò do punho abolidob; em repouòo, no leito, oò movimentoò do quadril e do joelho eram livreò, embora lentoò. Todo eòte quadro òymptomatologico foi prece- dido òempre de pequena elevação thermica. Diminue, conòideravelmente, a força muòcular doò btaçoò e mãoò; manifeótam-òe perturbaçõeó tro- phicaò naò regiõeò thenar, hypothenar, ante-braço e braço; noò membroò inferioreò a amyotrophia não é tão evidente. A auòencia doò òymptomaò particulareò da diòòociação òyringomyelica daò òenòibilidadeò: ther- maneòtheòia e analgeòia, com conòervação da òenòi- bilidade táctil, a auòencia de contracçõeò fibrillareò, cia frequência de retracçõeò tendinoòaò, de attitudeò eòpeciaeò, a não exiòíencia de atrophiaò muòculareò fio inicio do mal, afaòtam aò hypotheòeò de pertur- baçõeò trophicaò ligadaò á òyringomyelia ou áò myopathiaò. Oò eòphinctereò anal ou veòical foram òempre integroò em òeu funccionamento o que, no caòo, annulla a idéa de uma poliomyelite. Naò doreò eòpontaneaò e á preòòão, no modo cie evoluir o apparecimento òecundatio daò atrophiaò muòculareò, no modo de diòtribuição daò patalvòiaò, encontramoò oò elementoò de diagnoòtico de uma amyotrophia polynevritica. O typo clinico da amyotrophia polynevritica manifeòta-òe por uma òymptomatologia complexa, porque òendo a leòão polynevritica de origem peii- 87 axil, naócendo 5obre a bainha de myelina, ao redor do cylindto eixo, não òão’ unicamente intere55ado5 oò p'rolongamento5 do neuronio motor inferior e, por conóeguinte, a òymptomatologia é differente da poliomyelite. Augmenta em óeguida a difficuldade em mover oò dedo5 da5 mão5, que tomam o a5pecto de gartaói a polynevrite é mai5 accentuhda no5 membro5 5uperiore5 que no5 inferiore5, mai5 accentuada á e5querda que á d icei ta e 5eguida de grande dy5ar- thria e difficuldade na deglutição. Em fin5 de Outubro começamo5 a notar certa5 perturbaçõe5 p5ychica5 na no55a doente que accu- 5ava uma diminuição do funccionamento da memó- ria, uma amne5ia de fixação, actual ou anterograda. A doente tinha 5offrivel clareza de percepção, que não era nem muito vaga nem muito indeci5a, poi5 comprehendia, mai5 ou meno5, a5 no55a5 per- gunta5; 5i executava mal a5 no55a5 orden5, attri- buiamo5 o facto á5 atrophia5 mu5culare5; tinha, porém, grande5 lacuna5 na recordação de facto5 recente5; não 5abia 5i tomára o5 medicamento5 á hora determinada, não apreciava a differença entre a5 hora5 do almoço e do jantar, não acompanhava o movimento de entcada5 e 5ahida5 de doente5 em 5ua enfermaria. Não apre5entava manife5taçõe5 de amne5ia retrograda ( amne5ia de con5ervação e de repro- ducção) poÍ5 lembrava-5e da fabrica onde traba- lhava, da ca5a onde morava, da filhinha que deixara com um parente. A doente eáitava geralmente tri5te, chorava 88 quando impediamoò a òua óahida prematura do Hoòpitat. A exiòtencia de perturbaçõeò pòychicaó da me- moria. obòervadaò conjunctamente com a polyne- vrite peòtoòa, forneceu-noò uma obòervação de pòy- choòe polynevritica, de cerebropathia toxemica, da moleòtia de Koròakoff. Adiante eòtudaremoò o òeu valor noòologico. A 24 de Novembro começou a doente a cami- nhar, depoiò de um periodo de 41 diaò de com- pleta dyòbaòia; a principio 06 péò eòtavam penden- teò, e como a enferma tinha extrema fraqueza muò- cular noò membroò inferioreò, verdadeiraò pernaò de cryòtal, não podia uòar do artificio compenòador de, flexionando exaggeradamente a coxa e a perna, elevar o pé a grande altura, de modo que a ponta doò dedoò do pé arraòtava pelo òolo. Obòervamoò aòòim uma modificação na marcha caracteriòtica daò polynevriteò: oò péò afaòtadoò para augmentar a baòe de òuòtentação, oò paòòoò curtoò, lentoò, demoradoò como oò doò velhoò. A paraplegia aòòume o typo de flexão uma vez que a inòufficiencia doò membroò provoca, na bacia, effeitoò compenòadoreò, movimentoò alternativoò de inclinação e pronunciada rotação em torno do eixo vertical; a doente não diòpenòa o apoio de um baò- tão para executar a marcha em tripeça, afim de augmentar a baòe de òuòtentação do corpo. A 22 de Dezembro òahe curada, eòtando quaòi reòtabe- da òua dyòarthria e amneòia de fixação. 3* Obóczvação — M. L. R., preta, brazileira, natural da Bahia, com 40 annoò de edade, teve uma 89 polynevcite não muito accentuada noò membroò inferioreò. Sahio curada. ORGÃOS DOS SENTIDOS Noò peòtilentoò poc nóò viòtoò obòervamoò, na maior parte daò vezeò, altecaçõeò pupitlaceò. O noòòo illuòtre Meòtce Dr. Gonçalo Moniz conòidera òem importância aò modificaçõeò pupitlaceò. Em noòòaò obòecvaçõeò, pocém, notamoò que oò caòoò gcaveò òão gecalmente acompanhadoò de mydciaòe, dependente não òó da excitação determi- nada pela toxina òobce o centro cilio eòpinhal de Bunge, òituado na medulla cecvico-thoraxica, na al- tura da quinta vertebra cervical, como principal- mente doò effeitoò produzidoò pela aòphyxia que vae lentamente òe eòtabelecendo noò empeòtadoò, até roubar-lheò a vida por uma intoxicação de todo o òyòtema nervoòo central e principalmente do òyò- tema bolbo-medullac. Muitaò vezeò a ligeira contracção que naò pupil- laò òe obòecva depende do eòtado injlammatocio da conjunctiva. Fecré, naò allucinaçõeò da viòão, obòervou mur dançaò de dimenòõeò do orificio pupillar, exacta- mente em relação com oò eòforçoò da accom- modação, provocadoò pelaò alteraçõeò da diòtancia daò imagenò allucinatoriaò. Infelizmente não fizemoò taeò peòquizaò e nem verificamoò a regularidade doò ceflexoò pupillaceò á luz e á accommodação, faltaò eòtaò que aggravarão aò numeroòaò lacunaò de que òe ceòòente o noòòo modeòto trabalho. 90 Experimentaram a photophobia, doenteò que eò- tavam atacadoò de conjunctivite intenóa. Simpòon conòidera como caracteriótic0 da mo- leòtia—«olhoò vermelhoò, congeòtoò, òem photo- phobia» òignaeò eòteò que não tèm grande valor cli- nico para o diagnoòtico da peòte. Jenningò obòervou caòoò de cegueira detenni- nadoò pela deòtruição completa ou parcial do globo ocular. Oò zumbidoò foram aò unicaò perturbaçõeò do ouvido que áò vezeò obòervamoò. Noò outroò orgãoò nada de anormal noò foi dado apreciar. INSOMN1A E’ frequente na peòte e cie máo indicio prognoò- tico quando, acompanhada de grande excitação, òe prolonga por maiò de 48 horaò. A’ò vezeò é a inòomnia óubótituida por um óomno curto, paòòageiro, que não dura maiò que algunò minutoò; oò doenteò accordam agitadoó, can- çadoò, aòòuòtadoò, como òi alguém bcuòcamente oò deòpertaòòe. Aconòelhamoò para jugular eòte phenomeno, o emprego da balneotherapia, pelaô òuaò grandeò van- tagenò—: agindo òobre o rim, activando a diuréòe, eliminando toxinaò; abaixando a excitação nervoòa; tonificando o organiòmo porque eleva a tenòão arte- rial e òuòtenta o coração; augmentando a leucocy- toòe, favorecendo a phagocytoòe, como demonòtram 91 oó trabalhoó dc Billingó, citadoò por Huchard (Con- óultationó medicaleò). Dentre oó óomniferoó, só o trional noó deu algum reóultado. VOMITOS E' um doó óymptomaó maió frequenteó na peóte. Jenningó julga que óejam oó vomitoó, no mal levantino, de origem cerebral; diremoó melhor; que provavelmente óejam de origem bolbar, porque não óó «o centro do vomito eótá óituado na medulla alongada, ao lado do calamuó ácziptoziuá, perto do centro principal doó movimentoó reópiratorioó» (Thumaó, Arch. fur patholog. Anat. XXIII), que óão conótantemente excitadoó como procuramoó demonó- trar, como também «eótá intimamente aóóociado a elle» (Lauder Brunton — Action deó medicamentó). «Oó movimentoó do vomito óão, em grande parte, movimentoó de reópiração» (L. Brunton). A toxina peótoóa actuando óobre oó centroó reó- piratorioó, poderá excitar todoó oó centroó que lhe ficam vizinhoó e determinar aóóim o vomito. O veneno elaborado pelo cocco-bacillo de Yeróin teria aóóim alguma analogia com a acção, pharmaco-dynamica da apomorphina, «o medica- mento que age óobre oó centroó (póycho-motor, reópiratorio e vomitivo)» fManquat—Traité deThe- rapeutique). No acto do paóóamento, muitaó vezeó, como o Dr. Gonçato Moniz também, tivemoó occaóião de obóervar que algunó doenteó expellem, óem eóforço, 92 gtandeò potçõeò de liquidoò mucoòoò, eòveedeadoò e eòpumoòoò. A’ò vezeò oò empeòtadoò não vomitam, maò pec- manecem em um eòtado nauôeoòo (nauòea cetebcal de Jenningò) que muito oò incommoda, íotnando-oò extcemamente agitadoò. Potvecini noò diz que oò vomitoò òão indicio de òeveddade do mal, o que é favbtavel á noòòa hypotheòe de òctem elleò devidoò a uma intoxicação doò centcoò bolbaceò. Na peòtc, podem ainda òec oò vomitoò o ceòuttado de uma in|lammação daò meningeò (me- ningiteò peòtoòaò). Nota—No nosso trabalho deixamos de estudar as perturbações nervosas do apparelho cardio-vascular porque nada mais teriamos que accrescentar ás magistraes palavras do Dr. Gonçalo Moniz, em seu livro recentemente publicado, Perturbações mentaes da peste buboniea ELIRlos:—vat* na Peò*c u” Racamente, e óò noó caóoó muito gca- veò, ha um delicio inicial, fazendo pacte do conjuncto de óymptomaó com que òe abce a ócena mocbida do mal levantino. Quanto maió pcecoce fòc o óeu appacecimento, tanto maió óécio óe tocnacá o pcognoótico. O delicio inicial é gecalmente cucto e paóóageico. Podec-òe-á chamac a eóte— delicio pce-bubonico, do meómo modo poc que óe diz — delicio pce-typhico* Ha um óegundo delicio maió claóóico, maió fce- quente, maió conhecido : — é o delicio intca-in- fectuoóo, intca-peótilencial, que acompanha a doença no momento de óua acuidade e ducante a óua evo- lução, que está ligado á infecção, ó pacallelo á óua maccha, e óobcevem douó a tceó diaó depoió do peciodo de invaóão do mal. Eóte delicio appacece quando o doente tem febce, cazão pela qual algunó auctoceó attcibuem-iVo á hypecthecmia. Na peóte, pocém, oó óymptomaó gecaeó (eópe- cialmente oó necvoóoó) nem óempce óão pcopoc- cionaeó ao gcau thecmico, não podendo, poió, a 94 temperatura òó por ói determinar o apparecimento dc taeò phenomcnoò. Nem òempre oò empeòíadoò, com grande pyre- xia, deliram; muitoò não têm, apparentemente, per- turbação mórbida alguma daò altecaçõeò do òeu òyòtema nervoòo, como já tivemoò occaòião de fallar, quando tratamoò do diòturbio da articulação daò palavraò. E o motivo é facilmente explicável, ape- zar da variabilidade òymptomatica da peòte: — oò centroò pòychicoò podem òer poupadoò á intoxi- cação determinada peto cocco-bacillo de Yeròin. Demaiò, a òituação pòychica doò empeòtadoò é muito variavel. « Em algunò caòoò, diz Gonçalo Moniz, não ha alteração daò faculdadeò mentaeó, a intelligencia permanece clara durante todo o cutòo da moleòtia, e, noò caòoò fataeò, até a proximidade da morte. O maiò daò vezeò, porém, produzem-òe deòordenò in- tellectuaeò ou moraeò, maiò ou menoò intenòaò e duraveiò. No maiò baixo grau, o enfermo conòetva a conòciencia, maò nota-òe tal ou qual atordoamento, obtuòão ou torpor mental, certa preguiça ou indiò- poòição a teòponder áò perguntaò, mutiòmo, ar ato- leimado, ignorância ou illuòão acerca da gravidade do eòtado em que òe acha, embotamento e áò vezeò perda da memória. Certoò doenteò manifeótam particular modificação da òenòibilidade moral, que oò torna como que reòignadoò, indifferenteò ao proprio mal, ou uma òorte de aneòtheòia affectiva, que theò faz perder todo o cuidado ou intereòòe por enteò que lheò eram naturalmente caroò, irmãoò, filhoò, conòorte, etc., muitaò vezeò accommettidoò 95 também do meòmo morbo e recolhidoò ao meòmo Hoòpital. Taeò enfermoò não falam nunca neòteò òeuò parenteò, não perguntam por elleò, tendo, entretanto, conhecimento daò condiçõeò em que òe acham. O Dr. Andrea Zinno òalienta eòòe torpor ou deòapparecimento doò òentimentoò affectivoò, por elte obòervado em algunò peòtilentoò de Napoleò (1901), phenomeno que também notâmoò em rnaiò de um caòo. Não raro oò deòarranjoò daò funcçõeò cerebraeò òão maiò profundoò, ôobrevindo a inconôciencia e o detirio». O delírio póde òe apreòentar òob differenteô modalidadeò clinicaò. Noò caòoò òimpleò é tranquillo, brando e 0 do- ente conòerva-òe calmo no leito; outraò vezeò o doente reòponde regularmente áò perguntaò que lhe òão dirigidaò e òó de quando em vez manifeòta alguma ideia incoherente ou abòurda, que denun- ciará 0 òeu eòtado de òub-delirio. Noò caòoò graveò 0 quadro òymptomatologico do delírio é completamente diveròo; 0 doente tor- na-òe loquaz, perde a òua tranquilidade, fica extre- mamente agitado, grita, geòticula, apreòenta ideiaò extravaganteò e, muitaò vezeò, aò allucinaçõeò paò- òarão a fazer parte do acceòòo delirante, cuja inten- òidade depende não òó da quantidade de toxinaò que impregnam o organiòmo, como daò varianteò de temperamento e tára nevropathica do indivíduo, daò tendenciaò dominanteò de òeu caracter, de òeu 96 eòpicito, de òeuò òentimentoò, pcofiòòão, habitoó e meioò de vida. O delicio com excitação é, áò vezeò, acompa- nhado de pacoxyòmoò violentoò, de impulòõeò pano- phobicaò,em cujo dominio oò doenteò amedcontadoò pelaò òuaò allucinaçõeò, que aòòumem em gecal o cacactec pathognomonico do teccoc, pcecipitam-òe de janellaò abaixo, accemeòòam-òe ao mac, òuccum- bindo a taeò deòatinoò. Eiò o motivo habitual poc- que tem òido aòòignalada a tendencia ao óuicidio e ao homicidio, a cazão pela qual eóóeò delicanteò devem òec ôempce attentamente vigiadoó. O eótado de excitação mocbida conótante doò centcoò òenòociaeó cocticaeó detecminado pela into- xicação peótoóa, explica á luz da anatomia e phyóio- logia, óegundo a maiocia doò auctoceò e pcincipal- mente Tambucini e Séglaò, a pathogenia do delicio. Aò allucinaçõeò, òegundo Meynect, ceòultam do funccionamento automático doò centcoò cecebcaeò òub-corticaeò, que não pecmanecem como no eòtado nocmal, inhibidoò pelo coctex cecebcal. «A allucinação é a conòequencia do tciumpho daò funcçõeò cecebcaes infecioceò òobce aò funcçõeò cecebcaeò maiò elevadaò». «A allucinação, diz Tambucini, é pcoduzida pelo funccionamento automático de um centco de pcojecção pòycho-òenòocial». O delicio com excitação é áò vezeò tão violento que podecá òimutac uma loucuca ocdinacia, uma veòania ou um acceòòo de mania. Eccoò têm òido commettidbò e aò òuaò conòe- quenciaò òecão natucalmente o intecnamento em 97 um aóylo de alienadoó de um doente na phaóe ini- cial de uma febre typhoicf.e, de uma influenza, de uma pneumonia, de um mal levantino. Paca obviar óemelhanteó maleó o Congceóóo de Alieniótaó e Neu- cologiótaó fcancezeó emittio em 1901, um voto una- nime em favor da cceação de óalaó de obóervação eópecial noó hoópitaeó, paca que não maiò óe tranó- fecióóem delicanteò e agitadoó paca oó aóyloó, òenão depoió de confirmada a alienação mental. A obòecvação do doente Cecilio focneceu-noó oó elementoò paca eòta pequena digceòòão, poió a òua familia queria á viva força intecnal-o no Aóylo de Alienadoó S. João de Deuó, deóta capital, pela extrema agitação que manifeótou no inicio de óua moleótia, como obóervou o Snr. Dr. Hocacio Martinó, digno medico ajudante do Deóinfectorio Central- O delicio onirico é um delicio de óonho mor- bido, que naóce e evolue no òomno pathologico, eóóencialmente caractecióado pela óua incoherencia, peloó óeuó abóurdoó, poió é a expreóóão, no dizer de Gcaóóet, do delicio polygonal. O delicio onirico póde óec conóidecado como cacacteciótico de todaó aó intoxicaçõeó e infecçõeó que determinam a dióóociação do centro nobre, póychico, voluntário, livre, óuperior, reóponóavel, conóciente, óéde do .eu peóóoal, óeparando-o doó centroó automaticoó, polygonaeó ou inferioceó, tor- nando aóóim predominante a actividade póychica inferior ou automatica óobre a actividade póychica óuperior. O óonho do delicio onirico é morbido, porque é conótituido por « aóóociaçõeó foctuitaó de ideiaó, por 98 reviviòcenciaò allucinaloriaò de imagenó ou lem- brançaò anterioreò, por òcenaò da vida familiar ou pcofiòòional, por viòõeò que cauòam pavor aoò enfer- moò, por combinaçoeò de acontecimentoò extranhoò, impoòòiveiò, eminentemente moveiò, ou dotadoò áó vezeò de uma certa fixidez»—alteraçõeò eòtaò que dependem òempre da infecção ou intoxicação que òoffre o enfermo. O ôomno do delirio onirico é pathologico, por- que rtão é verdadeiro. « Baòta examinar oò deliranteò toxicoò para òe perceber que não dormem, que não aòòiòtem paòòivamente e como òimpleò eòpectadoreò áò objectivaçõeò cinematographicaò de ôeu automa- tiòmo mental; òão dormidoteò activoò, em movi- mento» (Regió). O óomno, noò deliranteò oniricoò, nada maiò é que o eòtupor determinado pela intoxi- cação profunda daò cellulaò cerebraeò. O delirio onirico é um verdadeiro eòtado óomnambulico, um òegundo eòtado. Poòòue todoò oò caractereò do òomnambuliòmo: o doente executa no óomno actoò que praticaria em vigilia; eòteò actoò implicam um certo grão de memória, de con- òciencia inferior; òão automaticoò e óem reòpon- òabidade moral; podem òer coordenadoò; não òão òimpleò reflexoò. Além da deòaggregação mental, além da inter- rupção entre o centro nobre e o polygono, um outro factor caracteriòa o òomnambuliòmo: a actividade anormal, pathologica do polygono, a ciióe de acti- vidade automatica. -0 Eòta criòe de actividade automatica eòtá prin- cipalmente localizada no centro kinetico. 99 A actividade do centro kinetico e conòtante; a doò outroò centroò, principaumente a doò òenòoriaeò, é variavel (apud Graòòet— Clinique Médicale). O delicio onirico é, portanto, um verdadeiro eótado ôomnambulico, porque obòervamoò nelle, a deòaggregação mental pathologica, caracterióada pela òuppreòòão de communicaçõeó centrifugaò com o centro O de Graòòet, e uma forma eòpecial de actividade do centro kinetico. O delirio onirico é geralmente precedido de ce- phaléa e inòomnia, òymptomaò encontradoó naò noòòaò duaò obòervaçc>eò, maò, attribuidoò á peòte bubonica. O delirio onirico ó quaòi òempre corollario da confuòão mental, « a pòychoòe caracterióada por um torpor, uma intoxicação da actividade òu- perior, levada áò vezeò ao extremo, acompanhada ou não de automatiòmo onirico delirante, com re- acção adequada da actividade geral e daò divetòaò funcçôeò do organiòmo » (Regiò). Foram eòtaó aò principaeò modalidadeò de de- lirio obòervadaò no Hoòpital de Iòolamento de Monte Serrat. Obáezvação I—Delirio com excitação e depoiò delirio profiòòional, com allucinaçõeò differencia- daò—. Cecilio, de cor preta, com 32 annoò de edade, natural da Bahia, n. ie5. Entrou áò òeiò horaò da tarde com 39,p5 de temperatura, 120 pulòaçõeò e 5q reòpiraçõeò, em franco delirio loquaz, extre- mamente agitado. A1 noite, o doente quiz eòpancar oò enfermeiroò e oò outroò enfermoò. Pelaò informaçõeò colhidaò entre aò peòòoaò de 100 Aua família, óoubemoó que, a principio, óuppo- zecam que tiveóóe o noóóo empeótado enlouquecido, poió luctáca com oó óeuó companheicoó de domi- cilio e eópancáca uma tia; vecificamoó a intenóidade com que óe trávaca a lucta, pelaó innumeraó eó- cociaçõeó que apreóentava na face e no couro ca- belludo. Em viagem paca o Hoópital, o enfecmeico não poude contel-o no cacco de remoção, de modo qu e o doente entrou completamente banhado em óangue. O delírio de excitação tcanófocmou-óe no dia óeguinte em delírio pcofbóional; o doente, que era carroceiro, tangeu oò òeuò animaeó durante todo o dia e toda a noite, diótcibuindo-lheó, latga manu, pancadaó com o óeu fictício chicote; guiou a òua carroça, deóviando á eòquerda e á direita, dando ordenó aoó óeuò animaeó. Aóóiótimoó aóóim ao quadro clinico do delicio profiòóional com allucinaçõeó differenciadaó; o do- ente tinha a peccepção objectiva de hypotheticaó imagenò vióuaeó (carroça, animaeó, ruaó, difficul- dadeó no tranóito, etc.) O delirio profióóional con- tinuou ainda no óegundo dia, acompanhado de cacphotogia. Em um caóo de tão graveó perturbaçõeó mentaeó, vemoó quão juóta é a noóóa concepção, de que na peóte, o que principalmente noó deve atemorizar é a intoxicação bolbar. Emquanto no óegundo dia á tarde, apòó a entrada do doente, o numero de ceó- piraçõeó (3o) noó moótrava que o óeu eótado geral caminhava para a cura, que realmente óe effectuou no fim de 49 diaó, aó perturbaçõeó mentaeó nenhum 101 indicio noò forneciam, anteò noò davam aò maiò òeguraò probabilidadeò de uma morte próxima, pciò parecia que o doente iria penetrar na phaòe adyna- mica, apathica da peòte. O numero de reòpiraçõeò que na entrada era de 54 baixou na manhã òeguinte para 40 e no òe_ gundo dia á tarde para 3o. No terceiro dia ceòòou o delirio; o doente não òe recordava de facto algum occorrido deòde o inicio de òua moleatia. Obóezvação II — ( Dr. Agrippino Barboza)—De- lirio depreòòivo com temor pela morte. M. S., 18 annoò, branco natural da Heópanha, òolteiro, taverneiro, morador á rua da Ajuda, entrou a 3o de Agoòto de 1904, áò 4 horaò e 45 minutoò da tarde, com febre (40o, 1) tachvcardia (120 pulòaçõeò), reòpiração accelerada (34) lingua òaburroòa, tabioó fuliginoòoò, apreòentando um bubão crural eòquerdo do tamanho de uma noz, duro, doloroóo á preòóão. Não delirava. A 3i o doente moòtrava-òe agitado, apprehenóivo, com medo de morrer; nota-òe uma certa perturbação pòychica, maò não ha propria- mente delirio, nem inconòciencia. Diaó depoió, o doente apreóenta-óe delirando, com a ideia fixa da morte, que ora receia ora deòeja, até que, apa- nhando deócuidadoò oò enfermeiroò, ingere uma certa porção de granuloó de òulfato de acto cujaò conòequenciaó não foram, felizmentei j-uneótaò. Obóezvação III—Delirio de grandeza. M. A. M., pardo, òolteiro, com 18 annoò, col- choeiro, n. 87, entrou áò 9 1/2 da manhã de 14 de 102 Dezembro de 1906, com 37o,6, 84 pulóaçõeó e 24 reópiraçõeó. Doente ha óeió diaó, teve o inicio habi- tual da peóte. Peóóoaó que o acompanharam ao Hoòpital narram que delirou muito no inicio da mo- léstia, durante uns quatro diaó óeguidoó;'na occa. óião da entrada eótava.em òub-delirio. A noite começou a delirar; o doente diz poóóuir contoó de réis; em Santo Amaro pagou trinta contoó a um medico pelo tratamento da preóente enfermi. dade; tem um parente, um major que lhe deu milha_ reó de contoó; promette muito dinheiro aoó en_ fermeiroó. Ao delirio de grandeza aóóocia-óe a excita- ção: o doente quer óe levantar do leito para viajar, gaótar muito, etc. No dia 17 é pouco intenóo o delirio, que á tarde é óubótituido pelo óub-delirio; o doente eótá proótrado, cançado, em conóequencia da agita ção durante toda a noite. No dia 18, perfeito eótado mental e completo esquecimento doó factoó an- terioreó. Obáezvação /F—Delirio onirico ou de óonho — A. M. M., parda, com 9 annoó, natural da Bahia, n. 70, tendo entrado para o Hoópitql em i5 de Outubro de 1906, áó óete horaó da noite. Doente ha douó diaó nada adiantou óobré 00 antecedenteó de ,óua moleótia, por óe achar em franco delirio de óonho, com oó olhoó fechadoó; interpellada com muita inòiótencia abria oó olhoó, fechando-oó logo depoió que era abandonada a ói meóma. A1 primeira vióta, parecia que a doente dor- mia, maó obóervando-a maió attentamente, viamoó que eótava em continua actividade, em movimento; «não aóóiótia paóóivamente e como mera expe- 103 ctadoca áò objectivaçõeò cynematogeaphicaò de òeu automatiòmo mental» (Regiò), tendo ceviviòcenciaò allucinatoeiaò de òcenaò da vida familiae, convec- óando com unò, tendo emfim lembeançaò an- teeioeeò. Eòte eòtado peolongou-òe dueante douò diaò, não dando a doente accoedo de òi, òempee geòticu- lando e movendo-òe no leito, òempee cochilando, òomnolenta, immecòa em veedadeico òonho. No dia 18, á taede, conveeòava a doente, inda- gando onde eôtava, compleíamente alheia ao meio em que òe achava, não tendo a minima eecoedação de óua tcanòfeeencia paca o Hoòpital em caeeo da Aòòiòtencia Publica, e daò injecçõeò que lhe focam feitaò. Obáczvação V— Delicio onicico. M. A. V. L., bcanca, com 9 annoò, natucal da Bahia, n. i3o, enteou paca o PIoòpital a 6 de Outubco de 1907, com 09°,5 de tempecatuca, 140 pulòaçõeò e 34 eeòpicaçõeò. Doente ha teeò diaò, teve o inicio claòòico da peòte; apceòentava-òe na maiò peofunda òomnolencia, eeòpondendo mal áò peeguntaò que lhe ecam feitaò. Abandonada a òi meòma cochilava logo e pacecia eòtae doemindo, com 00 olhoò fecha- doò, indiffeeente ao meio extecioc. Quando fizemoò a injecção endo-venoòa diòpectou, diòòe palavcaò deòconnexaò, e voltou logo á òua pcimitiva óomno- lencia, òempce pconunciando phcaòeò incoheeenteò, abòucdaò, chamando poe peòòoaò da familia. No dia òeguinte, a doentinha eòtcanhava o Hoò- pital, julgando eòtae ainda em òua caòa, indagava a oeigem de uma pequena exteavazação òanguinea, 104 que òe formara na dobai do cotovello, no ponto em que fizemoò a injecção. A doente terminou o òeu delicio, como òe deò- pertaòòe de um òomno prolongado, òem ter recoc- dação alguma doò factoò que òe paòòacam durante o acceòòo delirante. cj Ha uma terceira variedade de delicio na peòte que appacece quando o cyclo infectuoòo vae tecminac, quando a tempecatuca começa a baixar, quando oò òignaeò da convaleòcença òe annunciam, contcaòtando, de um modo focmal, com o eòtado gecal do doente. O Dc. Alice Cocthocn (Repoit on Bombap Pla- gue Committee, cita douò caòoò intereò- òanteò deòta vaciedade de delicio. No pcimeico caòo, aò manifeòtaçõeò peòtilenciaeò focam òimpleò e ape- naò no peciodo de deòappacecimento de quaòi todoò oò òymptomaò da infecção, houve gcande excitação mental; no òegundo caòo, em uma hindú, O. R. tendo enteado paca o Hoòpital em Março de 1898, com febee, apceòentando umbubão inguinal eòquerdo, aò melhocaò òe accentuacam a principio, baixando á normal a tempecatuca; algunò diaò depoiò, toenou- òe a doente maníaca, violenta, intcatavel òendo acalmada pela moephina. A excitação durou doze diaò e a doente ceòtabeleceu-òe completamente. Polveeini obòecvou peòtilentoò em que o delicio perdurou, naò maiò cuidoòaò manifeòtaçõeò 10 ou 12 diaò, conòtituindo a nota dominante de todo o quadro ôymptomatologico, ficando em òegundo plano todoò oò outeoò phenomenoò. 105 Não tivemoò occaòião de obòervac tal variedade de delicio noò noòòoò doenteò. Ha, porém, um grupo de phenomenoò cerebcaeò — entre oò quaeò o delirio — que podem apparecer em todoò oò peciodoò da peòte e, por conóeguinte, no momento da defecveòcencia: — òão oò óymptomaò pcoduzidoò pela meningite peòtoòa ou ao menoò pelo meningiómo. O diagnoòtico de meningite óerá eliminado pela auòencia de óymptomaò outroó da meningite, que não o delirio, pela auòencia da cephalalgia intenòa, doò vomitoò, da rijeza da nuca e doò membcoò, da lentidão e irregularidade do pulòo, da pareòia, daò contcactucaò doò membcoò, do opiòthotonuò, do eòtrabiòmo ou da diplopia, da mydciaòe, de contracçõeò fibcillaceò, de relaxação doò eòphinctereó, etc. » O meningiómo traduz-òe pelo meòmo quadro clinico da meningite; naò autopòiaò porém, não òerão encontradaò aò òuaò leòõeò caracteríòticaò, alem de não òecem tão accentuadoò oò óymptomaò, aqui fugazeò. A falta doò óymptomaò acima aponta- doò conòtitue aò baòeò para que ficmemoò o diagnoò- tico de delirio de defecveòcencia, delicio de inanição (Jaccoud), delirio decollapòo (Kroepelin), delirio de criòe (Gcaòòet), naò obòecvaçõeò do Dc. Corthorn. « A criòe, diz Gcaòòet, é o ultimo acto, acto im- portante e òolemne, pelo qual o ocganiòmo acaba de òe deòembaraçar- quer doò mictobioò, quer de òeuò venenoò. E’um acto geral do ocganiòmo vivo, tomado em òua totalidade. O delirio de criòe, apceòenta todoò oò caractereò de uma nevcoòe. É’ uma verda- 106 deira nevroóe mental. E’ uma póychoóe poót-febril ou poót-infectuoóa. A cauóa deóteó delirioó eòtá, não na infecção, maó noó antecedenteó, na natureza do indivíduo affectado. A verdadeira cauóa deóteó delirioò é a diópoóição nevrophatica anterior do indivíduo, diópo- óição nevropathica, que óegundo óua intenóidade, óeu grau, óua profundidade, fará um delírio curto ou longo, benigno ou grave, agudo ou chronico, curável ou definitivo. Oó clinicoó de todoó oó tem- poó conhecem eóta diópoóição nevrophatica na geneóe daó moteótiaó do óyótema nervoóo em geral». O delírio de crióe póde deóapparecer depoió de algunó diaó ou peróiótir e conduzir á verdadeira póychoóe poót-peótilencial. «Aó póychoóeó conóecutivaó áó moleótiaó infe. ctuoóaó revelam o eógotíamento geral que acompanha a convaleócença. Ellaó óe apreóentam, óobretudo, óob a forma da confuóão mental ou de póychoóeó chronicaó evoluindo para a demencia (demencia precoce). Neóte ultimo caóo, a moleótia mental não apparece óenão variaó óemanaó ou varioó mezeó depoió da moleótia infectuoóa. Vi, no óerviço de M. Joffroy, uma catatonia que começara treó mezeó depoió de uma eócartatina muito grave. A affecção primitiva talvez determine uma per- turbação da nutrição geral que, evoluindo, óilen- cioóamente, óó óe manifeóte no fim de um tempo maió ou menoó longo. A confuóão mental e aó póy- choóeó chronicaó poót-infectuoóaó não apreóentam caracter algum eópecial e não merecem aóóim óer 107 conòidecadaò entidadeò mocbidaò autonomaò» (</. Rogneá de Fiizáac — Manuèl de Pávchiatzie). « O typo clinico daó pòychoòeò, em todaò aó mo. leòtiaò infectuoòaò agudaò, é a confuòão mental, iòto é, a pòychoòe cacacteciòtica doò eòtadoò de envene- namento do ocganiòmo » (Régiò—Pzéciá de Páy- cliiatzie). Baóeado na anatomia pathologica e noò caca- cteceò òymptomaticoò, eòte illuòtce pcofeòòoc da Faculdade de Medicina de Bocdeaux não admitte que aò pectucbaçõeò pòychicaò da polynevcite, deò- cciptaò poc Kocòakoff, conòtituam uma pòychoòe á pacte. a Semelhante intecpcetação do valoc noòologico daó pectucbaçõeò pòychicaò polynevciticaò, é cocco- bocada pelo facto de òuaò leòõeò anatomicaò òecem aò meòmaò que aò de todaò aò outcaò pectucbaçõeò pòychicaò daò infecçõeò e tecem oò meòmoò cacacteceò òymptomaticoò». Gontca a concepção de que a pòy- choòe polynevcitica conòtitue uma moleòtia autonoma, militam de accocdo com Régiò, Séglaò, Ballet, Chaò- lain, Mabille, Pitceò e Vaillacd, Fcancotte, Ccocq, Paul Maòoin, etc. (apud Régiò). Aò pectucbaçõeò pòychicaò poc nóò obòecvadaò na doente A. A. V., pacda, opecacia, n. 126, podecão òec conòidecadaò como manifeòtaçõeò da confuòão mental òimpleò ou aòthenica;, pelo quadco clinico que a doente noò focneceu. Como já tivemoò occa- òião de dicec, quando eòtudamoò aò polynevciteò peòtilenciaeò, em finò de Outubco de 1907 come- çamoò a notac cectaò pectucbaçõeò pòychicaò na noòòa doente, que accuòava uma diminuição do 108 funccionamento da memória, uma proòtração intel- lectual, verdadeiro torpor cerebral, ouhdora ião bem deócripto por Bali. A doente não tinha completa inacção pòy.chica, não eòtava mergulhada em eòtupor, em eòtupidez, maó era indifferente: não òe preoccupava com o òeu reòtabelecimento proximo, não òabia ôi tinha tomado oò medicamentoò, não acompanhava o movi- mento de entradaò e òahidaò de doenteò em òua enfermaria; não era, porém, melanchotica, não tinha perturbaçõeò da affectividade, não era emotiva. Ao lado do torpor cerebral tinha um certo grau de deòorientação, de confuòão de eòpirito, de defeito na aòòociação daò ideiaò, que eram um pouco diffu- òaò e incoherenteò, apreóentando a deòordem pró- pria daò aòòociaçõeò potygonaeò, quando não exiòte a fiòcaliòação doò centroò òuperioreò, doò centroò nobreò do pòychiòmo; não podia òuòtentar uma con- veròação prolongada; tinha caracteriòtica amneòia doò factoò recenteò (anterograda, actual ou de fixa- ção): não òabia a que horaò tomára oò medica- mentoò, não apreciava a differença entre aò horaò do almoço e do jantar, não òabia ha quanto tempo eòtava doente; não apreòentava manifeòtaçõeò de amneòia retrograda (amneòia de conòervação e de teproducção) poiò lembrava-òe da fabrica onde tra- balhava, da caòa onde morava, da filhinha que deixára com um parente, um alfaiate. A òua affectividade não diminuiu; pelo con- trario, augmentou: òi deòejava òahir do Hoòpital, era para ver a filha, para acarinhal-a, etc.; a per- manência por maiò tempo em Monte-Serrat, deter- 109 minava-lhe, quando fallavamoó na filha, íriòteza e prantoò paòòageiroò. Afora oò momentoò eifi que deòejava òahir á viva força, do Hoòpital, mantinha--òe ordinariamente apathica, indifferente, òem aò diveròaò manifeótaçõeó da actividade, que denunciaòòem alegria e animação ou melancholia e emoçõeò triòteò. Tinha uma diminuição da apercepção, poió com- prehendia mal aò noòòaò petguntaó, e uma divaga- ção da attenção, com incapacidade para qualquer trabalho, coóer, etc. Não obòervamoò claramente oó phenomenoó de actividade onirica, òub-cònòciente ou inconòciente; o oniriòmo era muito rudimentar e apenaò ôe limi- tava a determinar phenomenoó de carphologia. Quanto a ôymptomaó phyóicoó, apreóentava a enferma uma indifferença ao meio exterior; tinha óomnolencia frequente; dyòarthria, que poderia óer attribuida á grande intoxicação doó centroó da arti- culação da palavra, porque apparecera juntamente com a perda da memória daò palavraò, com a dimi- nuição da attenção, com a lentidão e difficuldade em adaptar aó palavraò áò ideiaò, e também á poly- nevrite, maiò accentuada na parte òuperior do corpo; aòpecío geral terroòo; cor baça; emagrecimento; deò- nutrição, revelada naò amyotrophiaò; alteraçõeò cir- culatoriaò, traduzidaò pelo reòfriamento daò extre- midadeò; temperatura baixa ( 36°,2 ). A preòença de todoò eòteò òymptomaò (torpor cerebral, indifferença ao meio ex.terior, um certo grau de deóorientação, de confuòão de eòpirito, de defeito 11a aòòociação daò ideiaò, a perda parcial 110 da memória, a diminuição daó percepçõeó, a diva- gação da attenção ao lado de óymptomaó phyóicoó) forneceu-noó oó fundamentoó para julgar que eóta- vamoó diante de um óyndroma confuóional. O óyndroma da confuóão mental poderá óer encontrado em diveróaó moteótiaó. Todoò oó delirioó febrió podem produzir o qua- dro clinico da confuóão mental; a noóóa enferma, porém, eótava apyretica, não delirava; o óeu eótado confuóional não appareceu logo depoió que o cyclo infectuoóo ia óe fechar, quando a temperatura co- meçou a baixar, quando oó óignaeó de convaleócença óe annunciaram; a óua confuóão mental não eótava, portanto, ligada ao delirio poót-febril, poót-bubonico. A doente não tinha leóõeó cerebraeó conóecutivaó á tabeó doiáualió, á eócleroóe em placaó, aoó tumo- reó, hemorrhagiaó e amoltecimentoó cerebraeó, que determinaóóem o óyndroma confuóional; não era epiléptica e a óua confuóão não dependia do eótado crepuócular da epilepóia; não era uma demente (tinha relativa memória, memória de conóervação e de reproducção); não tinha perturbaçõeó da moral e da affectividade; tinha pequeno defficit mental; a óua moleótia evoluirá de um dia para outro, rapidamente ; melhorou depoió de douó mezeó; não tinha póy- choóe toxica alguma, determinada pelo alcooliómo, morphiniómo ou cocainiómo. O óeu óyndroma confuóional eótava. portanto, intimamente ligado á infecção peótoóa e legitimava o diagnoótico de confuóão mental óimples ou aóthe- nica, produzida pela infecção do cocco-bacillo de Yeróin. 111 Neóóe diagnoótico vemoó, maiò uma vez, confíc- mada a aóóerção de que todaó aó moleótiaò infe- ctuoóaó que produzem aó polynevriteó, podem deter- minar a confuóão meníal, occaóionando eótaó duaò manifeótaçõeó, ióoladamente, ou aóóociando-aó para conótituirem o óyndtoma de Koróakoff. Admittindo com Gilbert Ballet, que aó perturba- çõeó póychicaò da polynevrite podem óer divididaò em treó categoriaó ou focmaó : delirante, da confuóão mentale amneóica, poderemoó dizer que: a)anoóóa doente apreóentava o quadro clinico da confuóão mental óimpleó ou aóthenica, (intimamente ligada á infecção peótoóa), em que predominava o elemento amneóico e havia accentuada manifeótação do ele- mento obtuóão, do elemento confuóional; b) que aó perturbaçõeó póychicaó, coexiótindo com oó acci- denteó potynevriticoó, na noóóa doente, dependeram não deóteó accidenteó, maó do proceóóo infectuoóo que determinou a producção daó duaó manifeótaçõeó morbidaó: a polynevrite e a confuóão mental. A cura é a terminação, em geral, da confuóão mental, que, no entretanto, póde evoluir para aó póvchoóeó chronicaó, principalmente para a demên- cia precoce ou então terminar com a morte. Jenningó cita caóoó de confuóão mental. No Rio de Janeiro, 0 Dr. Tavareó de Macedo obóervou «douó caóoó de alienação mental, óucce. dendo ao delirio violento e prolongado ». «Um doó doenteó, depoió de liberto da infecção peótoóa, foi recolhido a um manicomio, donde poóteriormente óahio reótabelecido; um outro óuccumbio, apreóen- tando phenomenoó de lypemania, 112 Em douó doenteó, o delicio cceou a inania do óuicidio'» ( Bcazil Medico ). O Dc. Oówaldo Cruz, benemerito directoc da Saúde Publica, obóervou lambem um caóo de alie- nação mental, conóecutiva á peóte bubonica. Simond, Yecóin, Polvecini, Simpóon, Jenningó mencionam a demencia como perturbação mental da convaleócença, em cacoó caóoó de peóte. Eóteó differenteó auctoreó, porém, nada noó adiantam òobre oó caractereó da demencia por elleò obóervada, óyndcoma clinico que poderia óer encon- trado na demencia precoce, na demencia pacalytica, naó demenciaó toxicaó, na demencia óenil, naó pec- turbaçõeó otganicaó do encephalo, (determinadaó pela tabcá doióualiá noó óeúó ultimoó periodoó, pela eóclecoóe em placaó, peloó turnoteó, hemocchagiaó e amollecimentoó cerebraeó, pela arterio-eócleroóe cerebral), na demencia ligada á epilepóia, á chotéa, á moleótia de Patkinóon, etc. A obóervação da demencia, apóó a peóte, como a de todaó aó póychoóeó peótoóaó, vem demonótrat a relação eótreita exiótente entre a Póychiatcia e a Medicina em geral, vem banir aó antigaó concepççeó theoricaó de Kant óobre a primeira. Vem a pêlo, tranócrever aqui, para terminar 0 noóóo trabalho, aó palavraó do óabio meótce profeóóoc Pinto de Carvalho, que tanto brilhantiómo tem dado ao óeu curóo na Faculdade, imprimindo-lhe um cunho eóóencialmente pratico, para iniciar-noó no campo difficil da Póychiatria : ** ** Lecçõcs do curso theorico da Clinica psychiatrica e de mo- léstias nervosas em 1908, publicadas na Gazeta Medica da Bahia. 113 « Baldadaò focam aó tentativaó do nebuloóo phi- loóopho Kant, que pretendeu óerem aó moleótiaó men- taeó do excluóivo dominio da philoóophia; ói o eótudo doó phènomenoò do eòpirito normal pertence de pleno direito á philoóophia, ói é a eóta que cabe exa- minal-oó, como poderão oó deóvioó deóóe meómo eòpirito óer tevadoó para a óeára de uma outra óciencia? tal era o raciocínio do eminente philoóopho. Maó a verdade é que, ói o raciocínio não poderá óer acoimado de inteiramente defeituoóo, pelo menoó não ha duvida que a verdade não eótá com elle. Hoje já nenhuma juótificativa teria eóóe modo de penóac, porquanto a póychologia abandonou oó antigoó proceóóoó eópeculativoó da philoóophia me- taphyóica, para entrar de pleno direito no dominio da obóervação criterioóa e da experiencia; por con- óeguinte, não haverá quem óe lembre de reproduzir aphraóe de Kant, que ficaria inteiramente deólocada. Entretanto, o facto é que Kant nenhuma razão tinha, embora poóóa haver quem hoje dirija á póy- chiatria invectivaó que baótante óe parecem com a concepção a que me refiro. A póychiatria não é nem póde óer um óimpleó capitulo da philoóophia; aó óuaó verdadeó, muitaó já óolidamente conquiótadaó, não óe acham óujeitaó aoó azareó da imaginação de cada um; é uma ócien- cia de obóervação, de eótudo muito criterioóo e cui- dado e que, ói em atgunó pontoó ainda óe acha mergulhada em óétiaó duvidaó, não óerá certo por- que haja ou poóóa haver heóitação óobre o que elta deve oceupar no numero daó ócienciaó, maó 114 óimpleómente queòtão de modo de interpretar facíoò que a ella òe acham vinculadoò. A pòychiatria é hoje, felizmente, uma òciencia poóitiva, como veremoò na próxima tecção, quando eòtudarmoò a poòição que deve occupar em rela- ção áó demaiò diòciplinaò; o òeu edifício vae òendo gradualmente conòtruido á cuòta da obòervação e eòtudo á cabeceira doò doenteò e á meòa do labo- ratorio. Que importa que, em pleno òeculo 19, um grupo de deòorientadoò, deòconhecendo a obra grandioòa de Pinei, que já então quebrara oò gri- Ihõeò que até aquelle momento haviam tranóformado oò alienadoó em animaeò ferozeò, creando aóóim o inicio da aóóiòtencia medica 2C0Ò alienadoó e, por conóeguinte, da obóervação criterioóa e óeguida, òe arvoraóóe em òeita, creando a doutrina mozal theo- logica, òegundo a qual a loucura não óeria maió do que a manifeótação do peccado, tomandointeira poóóe do organiómo do paciente? Porventura, na meóma occaóião não òurgiram oô óomatiótaò, tendo á óua frente Jakobi e Naóóe, que òuótentaram, em con- trario aoó primeitoó, chefiadoó por Heinroth, óer a alienação o reóultado de perturbaçõeó materiaeó do cerebro? Para completar, baótará dizer que de Pinei até oò noóóoó diaó foram innumeroó oò alieniótaó que gradualmente andaram aperfeiçoando 0 eòtudo da pòychiatria, até tornal-a o que hoje é: citar nomeò òeria trabalho longo e improfícuo que oò òe" nhoreò me diòpenòarão. Apenaò dir-lheò-ei que a França, a Allemanha e a Italia foram oò paizeò que maiò impulòo deram a taeò eòtudoò. 115 Até que o gtande mentatiòta Kcoepelin veiu ze- fundit todoó oó eótudoó até então feitoò, cceando varioò typoó cliniçoó, dando nova feição áò con- cepçõeô antigaò, juótificando aóòim o meu modo de penòac que me faz czeaz uma nova época de Kroe- pelin em deante.» (Aula de 20 de Abril de 1908). PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de sciencias medicas e cirúrgicas PROPOSIÇÕES ANATOMIA DESCRIPTIVA ( i.* Secção) I. — Oò ganglioò lymphaticoò da verilha dividem- òe em òuperficiaeò e profundoò, conforme eòtão òituadoó para diante ou para traz do faácia czibi- fozmiá. II. — Doò ganglioò òuperficiaeò, unò occupam a parte òuperior da região, a dobra da verilha pro- priamente dita e òão chamadoò inguinaeò, outroò òituadoò abaixo doò precedenteò, òão oò glanglioò cruraeò. III. — Noò ganglioò cruraeò terminam oò vaòoò lymphaticoò do membro inferior, razão pela qual òão elleò maiò frequentemente engorgitadoò na peòte, poiò a ferroada da pulga infectada dá-òe geralmente noò membroò inferioreò. ANATOMIA MEDICO-CIRURGICA I.—A região da verilha apreòenta, de diante paca traz, oò òeguinteò ptanoò: a pelle, a camada cetlulo-gorducoòa òub-cutanea, o faácia áupczficialiá, a folha òuperficial da aponevroòe femorat, a primeira camada muòculat e oò vaòoò femoraeò, a folha pro- funda da aponevroòe femoral, uma òegunda camada muòcular, e a articulação coxo-femoral. 120 II. — Entre aò folhaò do faócia ôupezficialiá enconlram-òe arteriaò, veiaò e principalmente gan. glioò lymphaticoò, que repreòentam papel prepon- derante na pathologia da peòte bubonica. III. —Oò glanglioò lymphaticoò da verilha òão òuòceptiveiò de òe eòphacelarem òob a influencia da peòte ; a òua proximidade com a cavidade abdominal e o deòenvolvimento poòòivel de uma peritonite dão-lheò uma gravidade eòpecial, que é felizmente extremamente rara neòtaò circumòtanciaò. HISTOLOGIA (2.11 Secção) I. —Um ganglio lymphatico compõe-óe de uma óubòtancia ganglionar limitada por uma capòula. II. —A óubòtancia ganglionar: é dividida em maóóaó diòtinctaò por prolongamentoò que partem da capòula. III. —Cada maòòa repreòenta um folliculo fe- chado, de tal modo que um ganglio lymphatico pode òer conòiderado como um conjuncto de folliculoò fechadoò. BACTERIOLOGIA I.—O òoro anti-peòtoòo é preparado injectando- òe òob a peite de cavalloò ou burroó, a principio, culturaò puraò de cocco-bacilloò da peòte aqueci- daò durante meia hora a 70o, depoiò, praticando-òe eòtaò meòmaò inoculaçõeò naò veiaò e finalmente injectando-òe baciltoò virulentoó. 121 II. —Eòtaò injecçõeô provocam a appatição de certaô perturbaçõeô, razão jfela qual é indiôpenôavel eôpaçac por vaciaô ôemanaô cada operação; é ne- ceôôatio quaôi um armo paca a obtenção de um ôoco anti-toxico effica-z. III. —No Bcazjl pcepaca-ôe o ôoco anti-peôtoôo no Inôtituto Oôwaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e no Inôtituto Secumtherapico de Butantan, em S. Paulo. A acção preventiva do ôoco preparado no Rio de Janeiro, que é um doô maiô activoò, excede a doô demaiô conhecidoô, ôendo conôidecada pelo Dc. Kolle, de Berlim, a maió energica. ANATOMIA PATH O LÓGICA 1 —A’peôte bubonica, julgada pelaô leôõeô obôec- vadaô no cadaver, é uma moleôtia doô ôyôtemaô vaô- culac e lymphatico, ôobce oò quaeô o cocco—bacillo de Yecôin e ôua toxina exercem, quando em con- tacto muito prolongado, um effeito injlammatorio, coagulativo e necrotico. II. —O agente microbiano e ôua toxina produzem: —augmento de volume doô ganglioô lymphaticoô extecnoô e internoô, necroôe de ôua ôubôtancia e muitaô vezeô hemorrhagiaô e infiltraçõeô noô tecidoô circumjacenteô, pela dilatação daô veiaô e capil- lareô e deôtruição de ôuaô paredeô; extravazaçõeô hemorrhagicaô em quaôi todaô aô parteô do orga- niômo, augmento de volume e engorgitamento de varioô orgãos, degeneração parenchymatoôa do fí- gado, baço e tinô. III. A peôte pulmonar differe da peóte bu- bonica claôôica, porque eôtaô perturbaçõeô anatom o 122 pathologicaò òão maiò accentúadaò no tecido pul- monar e no òeu òyòtema lymphatico, do que noò outroò ganglioò lymphaticoò do organiòmo. PHYSIOLOGIA (3.a Secção ) I. — Todo o córtex cerebral não tem o meòmo valor phyòiologico: exiòte uma hierarchia phy. òiologica. II. — O ôyòtema nervoòo central compõe-òe de ganglioó, (ganglioò òympathicoò, rachidianoò, do coração) de òubòtancia cinzenta medullo-bolbar, de nucleoò cinzentoò da baôe do encephalo, do cerebello, de òubòtancia cinzenta cortical, de fibraò nervoòaò. III. — Na òubòtancia cinzenta cortical exiòte um centro nobre, òuperior, pòychico, voluntário, livre, reòponòavel, conòciente, òéde do eu peòòoal, e abaixo delle centroò automaticoò, centroò òenòoriaeò de recepção, formadoò pela reunião de todoò oò centroò auditivoò, viòuaeò, da orientação e da òenòibilidade geral, e centroò motoreò de emiòòão, formadoò pela reunião doò centroò kineticoò, da linguagem articu- lada, da eòcripta e do equilibrio. THERAPEUTICA I. — O phenol, o òublimado corroòivo, o hypo- òulfito de òodio tem óido empregadoò no tratamento da peòte. II. — A òerumtherapia é a unica medicação de valor. 123 III. — Aó dóóeò de òetum a empregas devem ôet maòòiçaó. HVGIENE (q . * Secção) I. —Aò medidaò preventivaò contca a peòte bu* bunica podem òe ceòumit: no òeguinte: a) exacto conhecimento do pedgo que ameaça uma tegião ; b) vigilância òeveca òobce aò viaò de comtnunicação; c) eótudo ciccumótanciado doò pdmeicoò caòoò tendo óempce pceòente a poòòibilidade de que a infecção foi introduzida por objectoò contaminadoò e prin- cipalmente peloò ratoò. II. — O iòolamento doò doenteò, a deòinfecção geral doò objectoò infectadoò e òuòpeitoò, a deòtrui- ção doò ratoò, o abandono da zona infectada e a ôegregação daò peòòoaò òuòpeitaò, nunca podem deixar de òer rigoroòamente obòervadoò. III. — immuniòação geral com o òerum e a vaccina anti-peòtoòoò conòtitue uma daò melhoreò medidaò prophylacticaò. MEDICINA LEGAL E TOXICOLOGIA I. —O medico nem òempce podecá guardae o òegcedo ptofiòòional. II. —Devecá notificat, pata não incoccee naò penaò do Act. 378 do Codigo Penal, á auctoeidade òanitacia, a moleòtia de òeuò clienteò, quando teouxec pecigo á óaúde publica. III. — Oò caòoò de peòte bubonica òão de noti- ficação compulòotia. 124 PATHOLOGIA CIRÚRGICA (5.8 Secção) I. —Aó adeniteó ligadaó á blennorrhagia, ao cancro molle e á óyphilió receberam a denominação geral de bubõeó. II. —São moleòtiaó ganglionareó que facilmente óe diótinguem do bubão peótoóo. III. —Noó caóoó de difficuldade diagnoótica entre o bubão peótoóo e aquellaó adeniteó o cyclo paóteuriano elucida todaó aó duvidaó. OPERAÇÕES E APPARELHOS L—A tracheotomia é o typo daò operaçõeó de urgência. I I.—A cartilagem cricoide e a linha mediana do peòcoço òão oò douó pontoò de reparo eóóenciaeó ao operador. III.—Todaó aó vezeò que, na peôte, a aóphyxia depender da compreôóão determinada pelo deóen- volvimento extraordinário doò bubõeò cervicaeò, deve-óe tentar a operação da tracheotomia. CLINICA CIRÚRGICA (1/cadeira) I. .Quando óe divide a pelle da dobra da verilha é preferível incióal-a perpendicularmente e não parallelamente á dobra. II. —Oó bordoó da ferida, com a incióão pa- rallela, conóervam-óe approximadoó,não dão regular eócoamento ao púó e tendem para a cicatrização defeituoóa. 125 III.—Com a incisão perpendicular taes incon- venientes não se manifestam. CLINICA CIRÚRGICA (2.* cadeira) I. —A extirpação dos bubões foi uma pratica aconselhada para o tratamento da peste. II. — Este tratamento está hoje abandonado pelos Seus múltiplos inconvenientes. III. —Os bubões Só deverão ser extirpados quando estiverem espbacelados, para evitar que as lesões Se propaguem aos tecidos vizinhos. CLINICA PROPEDÊUTICA (6.a Secção) I. —Ha discrepância nas indagações hematoló- gicas, ainda mui deficientes, até agora feitas com «relação á peste. A formula leucocytaria encontrada pelo Dr. Gonçalo Moniz em todos oS doentes em que a pesquizou, é commum á mór parte daó in- fecções agudas febris: polynucteose e aneosinophilia, tendo de especial o predomínio dos grandes mono- nucleares sobre oS lympliocytoó. II. — O deòapparecimento dos eosinophilos na peste foi apontado por A. Clayton (Journal of Tro- pical Medicine 1906) como meio de diagnostico differencial entre as formas benignas do typho ori- ental e os chamados bubões climáticos, a seu ver etiologicamente distinctos da’peste; encontrou em alguns casos desta ultima affecção, notável eosino- philia, sem outra causa que a explicasse (vermes etc). III. 'Em alguns casos de peste complicados 126 de septicemia deparou o Dr. Gonçato Moniz a pre- óença de hematiaó nucleadaó, normoblaòtoó e mi- croblaótoó, o que não foi mencionado ainda por qualquer outro loimographo. A óua obóervação n. 8 que é de grande valor, é a óeguinte: Polynucleareó . . . 56,45 °/9 Mononucleareó . . . 21,77 °/0 Lymphocytoò. . * . . 16,39 °/° Intermediarioò ... 3,62 °/0 Eoóinophiloó. ... 1,74 °/o J. B. C, óexo maóculino, io annoò, pardo, bu- bão crural direito. Septicemia. Morte. Divetóaò he- matiaô nucteadaó (normoblaòtoó e microblaótoó). PATHOLOGIA MEDICA I. — A peóte bubonica é uma entidade pathoto- gica perfeitamente caracterióada. Não varia óenão noó óeuó aópectoó clinicoó; é contagioóa e óe tranó- mitte directa ou indirectamente. II. —Tem um inicio bruóco na generalidade doó caóoó; aó perturbaçõeó geraeó que denunciam oó prodromoó da infecção óão muito raraó. III. —A òua òymptomatogia óe denuncia princi- palmente pot perturbaçõeó do óyótema nervoóo centcal. CLINICA MEDICA (i.a cadeira) I. — Na maioria doò caóoó não ha difficuldade no diagnoótico da peóte bubonica. O apparecimento 127 bruòco do mal, a cephaléa accentuada, aò tonturaò, a febre elevada, a linguageya peòada e indiòtincta, a incoordenação doò muòculoò voluntarioò, o pulòo accelerado, o deòenvolvimento rápido de òympto- maò cerebtaeò, a formação do bubão ou bubõeò noò ganglioò lymphaticoò, apreòentam um quadro tão claro da moleòtia, que òerá facilmente reconhe- cida por um obòervador cuidadoòo, que eòtiver prevenido da exiòtencia da peòte em uma região. II. — O bubão que é o òymptoma maiò cara- cteriòtico póde não eòtar em evidencia na occaòião do exame; geralmente apparece 24 hotaò apóò o inicio da peòte, maò póde apparecer tardiamente, no 2.0, 3.°, 4.0 e meòmo 5o dia, e em caòoò exce- pcionaeò, ainda maiò tarde. III. — A pteòença de cocco-bacilloò de Yeròin, em fiottiá feitoò côm material recolhido da puncção ganglionar, éòufficiente para, de combinação com oò òymptomaò clinicoò, firmar o diagnoòtico de peòte, quando a òua exiòtencia já eòtá averiguada em um paiz. CLINICA MEDICA (2.a cadeira) I. — A teòpiração òe accelera’na peòte bubonica. II. — A obòervação da frequência reòpiratoria, conòtitue um meio excellente para firmarmoò o prognoòtico do mal levantino. III. — Aò acceleraçõeò acima de 36 movimentoò reòpiratorioò, no òegundo dia á tarde apóò a en- trada do doente òubmettido ao tratamento òoro- therapico, tornam o prognoòtico muito òombrio. 128 CHIMICA MEDICA (7-a Secção) I. — Aò proteideò òão materiaò albuminoideò òuòceptiveiò de òe deòdobrarem em uma matéria albuminoide menoò complexa e em uma outra òubòtancia. II. — Segundo a natureza deòta òubòtancia, di- videm-òe aò proteideò em: nucleo-albuminaá, que dão por deòdobramento uma òubòtancia albuminoide e nucleina, òubòtancia phoòphorada; nucleinaái que podem òer conòideradaò por òua vez como com- binaçõeò de albumina e acido phoòphorico ou acido nucleico ; ghico-pzoteideó (mucina) que òe deòdo- bram em hvdratoò de carbono e materiaò albumi- noideò ; oxpliemogíobina e metbemoglobina, com- binaçõeò da globulina e de um pigmento ferruginoòo —a hematina. III. — Luòtig e Galeotti, em òuaò tentativaò de immuniòação, encontraram noò corpoò doò cocco* bacilloò de Yeròin, uma òubòtancia com oò caractereò daò nucleo-proteideò, com propriedadeò toxicaò. HISTORIA NATURAL MEDICA I. — O cocco-bacillo de Yeròin é uma bactéria. II. —No púò doò bubõeò apreòenta-òe òob o aòpecto de bacilloò curtoò, immoveiò, com aò extre- midadeò arredondadaò. III. — Noó caldoò de cultura pode adquirir a forma de cadeiaò, maiò ou menoò regulareò, formadaò de um numero muito variavel de elementoò. 129 PHARMACOLOGIA, MATÉRIA MEDICA E ARTE DE FORMULAR . I.—O óublimado corroôivo é o rnaiô poderoôo antiòeptico. II. — O óeu emprego na peôte foi aconôelhado por Bacelli, na ôolução ôeguinte: Sublimado . . . . og,io centigrô. Chloreto de ôodio . . os,4o centigrô. Agua deôtil. e ferv. . ioogrô. i III. — A ôolução de Bacelli tem ôido injectada ôó ou de miôtura com o ôoro em parteô eguaeô. O óublimado em contacto com o ôangue, tranôforma-ôe em albuminato de mercúrio e eétimula a pha- gocytoôe. CLINICA OBSTÉTRICA E GENECOLOGICA ( 8.a Secção ) 1. — A menôtruação compõe-òe de douô pheno- menoò eôôenciaeô: a ovulação e o eôcoamento ôan- guineo. TI. — O eôcoamento ôanguineo, vulgarmente conhecido ôob a denominação de regraô, faz-ôe pe- riodicamente peloô orgãoô genitaeô. III. —A peôte bubonica determina muit£5> vezeô o apparecimento intempeôtivo do (luxo cathamenial, o que aggrava o prognoôtico. 130 OBSTETRÍCIA L—A peòte bubonica é complicação extrema- mente grave da prenhez. II. — Como todaò aò moleòtiaò infectuoòaò agudaò póde determinar o aborto ou o parto prematuro. III. — O aborto durante o periodo agudo da peòte vem complicar muito o tratamento e a boa marcha da moleótia, tornando o prognoòtico muito òombrio. CLINICA PEDIÁTRICA ( qd* Secção ) I. — A toxina peòtoôa actúa maiò rapidamente òobre o òyòtema nervoòo central daò creançaò do que doò adultoó- II. — Aòóim naò creançaò é maiò frequente a forma adynamica da peòte. III. Nem òempre é poòòivel praticar-òe in- jecçõeò intra-venoòaò, naò creançaò peòtilentaò. CLINICA OPHTALMOLOGICA (io.a Secção) I. A hyperemia daò conjunctivaò, acompa- nhada muitaò vezèò de ardor e lacrimejamento, é um doò òymptomaò frequenteò da peòte. II. — Além da conjunctivite ligeira ou intenòa, outraò complicaçõeò maiò graveò podem òobrevir, já no cucòo da moleótia, já dutante a convaleôcença. 131 Puòtulaò ulceradaò na conjunctiva, keratiteò ulce- roòaò, hypopionò, irido-cvcliteò, acarretando a deò- íruição do globo ocular por òupputação, tem òido aòòignaladoò na peòte. III. — Aò complicaçõeò oculareò na peòte cu- ram-òe na generalidade doò caòoò, òem perda do orgão da viòão. CLINICA DERMATOLÓGICA E SYPHILI- GRAPHICA ( ii." Secção ) I. — A peòte bubonica póde òe manifeòtac òob a forma cutanea, que é chamada peòte de S. Roque, peòte*cellulo-cuíanea ou carbunculoòa. II. — Eòta forma cutanea é quaòi òempre òecun- daria, apparecendo depoiò da formação do bubão. III. — Caracteriòa-òe clinicamente pela forma- ção de puòtulaò de reborda rubra, arredondadaò, eòparòaò pelo corpo, cujo conteúdo òero-òanguino- lenío, examinado ao mictoòcopio, revelia òempre a preòença do cocco-bacilio de Yeròin. Entre nóò não foram muito frequenteò oò caòoò deòta forma do mal levantino. CLINICA PS YC HI AT RICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS ( i2.a Secção ) I. — O delicio febril é um excellente critério paca a apreciação da reòiòtencia do cecebro : quanto 132 maiò pcediòpoòto foc um indivíduo paca aò peduc- baçõeò necvoòaò c mentaeò, tanto maiò accentuado òecá o òeu delicio. II. — Como o álcool, oò pcoductoò toxicoò do ocganiòmo, e oò diffecenteò venenoò miccobianoò, póde a toxina peòtoòa detecminac pcofundaò pet- tucbaçõeò mentaeò. III. — Aò infecçõeò ou aò intoxicaçõeò conòtituem ocdinaciamente a cauòa pdmoedial da confuòão men- tal aguda ou amencia, pòychoòe de eògoto, delido de collapòo, confocme a denominação dada poc Kcoepelin. VISTO Secretaria da Faculdade de Medicina da Bahia, 31 de Outubro de 1908. i 0 Secretario, c/o& C&ieió Q^eibe&eó.