FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA THESE APRESENTADA Á faculdade de Medicina da Bahia EM 31 DE OUTUBRO DE 11)11 POR Glaudeluio cSepulveda Ex-interno de Clinica Propedêutica (1910) e de Clinica Medica (Prof. J. Fróes, em 1911), ex-socio da Beneficência Académica NATURAL DESTE ESTADO Filho legitimo de Carlos Sepulveãa e de D. Florentina A. Sepulveda Afim obter o Gráo DE doutor mim mcíicins DISSERTAÇÃO CADEIRA DE CLINICA MEDICA Albumino-diagnostico da tuberculose Trabalho do Instituto Alfredo Britto. (Gabinete da Clinica Medica dc Prof. J. Próes) PROPOSIÇÕES ."J"'RES SOBRE CADA UMA DAS CADEIRAS DO CURSO DE SCIEN CIAS jVLEDICO-piRURGICAS BAHIA Lith. T.yp. e Enc. Gonçalves, Teixeira & C. 3 — Praça Marechal Deodoro — 3 1911 Faculdade de Medicina da Bahia DIEKCTOR — Dr. Cezar Vianna VICE-DIRffiCTOR- . . SBCRETAEIO-rDr. Menandro dos Reis Meirelles STJB-SEiCEETARIO — JDr. MatRens Vaz de Oliveiríj PROFESSORES ORDINÁRIOS DOUTORES MATÉRIAS QUE LECCIONAM Manuel Augusto Pirajá da Silva . . . Historia natural medica. Pedro da Luz Carrascosa Physica medica. José Olympio de Azevedo Chimica medica. Antonio Pacifico Pereira Anatomia microscópica. José Carneiro de Campos Anatomia descriptiva. Manuel José de Araújo Phvsiologia. Augusto Cezar Vianna Microbiologia. Antonio Victorio de Araújo Falcão. . Pharmacologia. Guilherme Pereira Rebello Anatomiae Histologia pathologicas. Fortunato Augusto da Silva Júnior . Anatomia medico-círurgica com ope- rações e apparelhos. Anísio- Circundes de Carvalho .... Clinica medica. Francisco Braulio Pereira Clinica medica. João Américo Garcez Fróes Clinica medica. Antonio Pacheco Mendes Clinica cirúrgica. Braz Hermenegildo do Amaral . . . Clinica cirúrgica. Carlos Freitas Clinica cirúrgica. Francisco dos Santos Pereira .... Clinica ophtalmologica. Eduardo Rodrigues de Moraes. . . . Clinica oto-rhino-laryngologica. Alexandre Evangelista de Castro Cer- Clinica dermatológica e syphiligra- queira . . . phica. Gonçalo Muniz Sodré de Aragão. . . Pathologia geral. José Èduardo Freire de Carvalho Filho. Therapeutica. Frederico de Castro Rebello ... Clinica pediátrica medica e hygiene infantil. Alfredo Ferreira de Magalhães . . . Clinica pediátrica cirúrgica e ortho- pedia. Luiz Anselmo da Fonseca .... Hygiene. Josino Correia Cotias Medicina legal Climerio Cardoso de Oliveira.... Clinica obstétrica. José Adeodato de Souza Clinica gynecologica. Luiz Pinto de Carvalho Clinica psychiatrica e de moléstias nervosas. Aurélio Rodrigues Vianna Pathologia medica. Antonino Baptista dos Anjos .... Pathologia cirúrgica. PROFESSORES EXTRAORDINÁRIOS _ ; ; ~ Egas Moniz Barretto de Aragao. . . Historia natural medica. João Martins da Silva ■ Physica medica. Pedro Luiz Celestino Chimica medica. Adriano dos Reis Gordilho Anatomia microscópica. José Aifonso de Carvalho . . . . » Anatomia descriptiva. Joaquim Climerio Dantas Bião . . Phvsiologia. Augusto Couto Maia Microbiologia. Francisco da Luz Carrascosa Pharmacologia. Julio Sérgio Palma Anatomia e Histologia pathologicas. Eduardo Diniz Gonçalves Anatomia medico cirúrgica com ope- rações e apparelhos. Clementino da Rocha Fraga Júnior . . Clinica medica. Caio Octavio Ferreira de Moura. . . Clinica cirúrgica. Clodoaldo de Andrade Clinica ophtalmologica. Albino Arthur da Silva Leitão .... Clinica dermathologica e syphiligra- phica. Antonio do Prado Valladares , . . . Pathologia geral. Frederico de Castro Rebello Koch . . Therapeutica. José de Aguiar Costa Pinto Hygiene. Oscar Freire de Carvalho Medicina legal. Menandro dos Reis Meirelles Filho . Clinica obstétrica. Mario Carvalho da Silva Leal .... Clinica psychiatrica e de moléstias nervosas. Antonio Amaral Ferrão Moniz . . Clinica analvticae industrial. • PROFESSORES KM DISROIVIRIKIR.AJDPJ Dr. João Evangelista de Castro Cerqueira' Dr. Sebastião Cardoso. Dr. Deocleciano Ramos Dr. José Rodrigues da Costa Doria A Faculdade não approva nem reprova as opiniões exaradas nas theses pelos seus auctores. Proemio Albumino diagnostico da tuberculose e mais concatenisação de esforços numa ultima investida em prol de um ideal, termino de u a lucta trava- da desde o dia que o volver de um sexenio tomou digno de memória—eis qual devera ser o titulo deste trabalho (trabalhoso o soube ser elle) que a guisa de these nos ha de levar ao doutoramen- to, pois que tudo isso nos assaltou n mente, reavi- vando passados transes, em quando tivemos de baptiza-lo. Mas a ninguém de carência é saber se foi ou nào afadigosa a tarefa que de nós para comnosco traça- mos a vencel-a, e a mercê de que chegamos ao viso da montanha, topando, a cada passada, quan- do não tropeços, o escorregadio do caminho. Paciência... Fique portanto e só albumino dia- gnostico da tuberculose. II Do methodo de Roger, pesquisa da albumina nos escarres seleccionamos a parte que toca a tu- berculose pulmonar, a mais importante, de maior relevância, para construeçâo do assumpto em tor- no do qual hemos de dissertar. Despretencioso ensaio scientifico que elle o é, quando por tal não valha (como julgo que não vale por vir de onde vem) valerá, o que nos torna muito ufano, pelo menos, como demonstração ca- bal, irrefutável, do quanto se trabalha, num afan quotidiano e incansável, no gabinete de Clinica Medica sob a direcção magistral do provecto Prof. J. Froes.* a quem muito devemos e muito agra- decidos somos por tudo que nos tem feito, como interno que o fomos seu, desde o tempo que de Propedêutica era o nome da matamorphoseada de hoje. assim feito por inútil acharem-na áquella em que (forte irrisão !) alem de tudo, mourejaram os espiritos adamantinos das intellectualidades vibrantes dos Profs. Alfredo Britto, aqui na Bahia e Francisco de Castro, no Rio de Janeiro, cujas memórias pairam immòrredouras por sobre os an- naes da medicina brasileira. Eil-a; antes, porem, e pela rama, algumas con- siderações sobre o valor do diagnostico precoce da tuberculose e de alguns methodos de faze-lo será assumpto. III Priucipiisobsta: sero medicina paratur Qunm maio per longas invalnere moras OV.DIO. Sim, não ha negal-o: quando em inicio sur- prehendida a moléstia em terreno cujas condições lhe não são propicias ao seu desenvolvimento, da therapeutiea a acção benefica tolhe-lhe o evolver, ma t a n d c >-a, a n n i qu i la n d o-a Assim cedo tratados, assim desde logo curados os doentes. No procurar abeberar-se, porem, o espirito me- dico. dos conhecimentos exactos que bem demar- quem, como balizas de irrefragavel valor, o ponto de transição da saúde para a morbidez franca, muita vez contrsita—e. abate-se, angustiada presa das possantes garras da duvida, que lhe invade todo. A tuberculose, monstro de fauces hiantes, sor- vedouro horroroso medonhamente a tragar sem tréguas, sem piedade, milhares e milhares de se- res humanos, de carência é e grande que se lhe traço um termino, um adversado surja antepon- do-se-lhe vencedor. A therapeuticá tem sido falha, em todas as suas modalidades, quando enfrentando uma tu- berculose já em avançado progredir. Todavia a tuberculose é e ás custas quasi ex- clusivamente do organismo, fartas vezes sanada. Por demais trivial é a phrase de Grancher ser IV de todas as infecções a tuberculose a mais" cu- rável; nada de paradoxal ha nisso, porquanto ne- cropsias feilas em indivíduos que succumbiram do moléstias outras que de commum nada têm com a tuberculose, apresentam nelles lesões sob a forma de granulações que soífreram a transfor- mação íibro-cretacia, corpo de delicto de uma lu- cta travada contra a infecçâo que vencida foi por quem de maior energia era. E’ que o organismo reage á infecçâo de dois modos, buscando a cura, pela eselerose do tubér- culo e pela calcificação delle, exemplificando o pri- meiro a raridade da tuberculose no velho. Não ha duvidar se, curável ella o é, as provas são bem comprobantes e sobejas, mas no seu ini- cio; quando porem, destro ido em grande pare o tecido nobre do orgão, e as toxinas pelo bacillos fabricadas, forem 'espalhadas por todo o organismo, quando em periodo avançado a tuberculose rarís- sima mente o será. Por isso, alto resae o valor do seu diagnostico precoce, que não só para o doente delia portador, por ter maior probabilidade de cura, é vantajoso, como também para todos os seus circumvisinhos delle que são expostos á contaminação pela absorpcão de poeiras largamente espalhadas, podendo-as evitar por meio de uma hygiene e prophylaxia cedo cuidadas. Não sendo feito e cumprido tal desideratum, expostos ao seu ataque delia como somos todos. V em breve, confirmadas totalmente, sem resquícios siquer de duvida, serão as palavras de auctores que professam sermos todos tuberculosos. Mas a incúria dos pioprios doentes, amiúde desprezando phenomenos morbidos que se lhes apresentam como insignificantes para só se ate- rem apavorados áquelles que ao surgirem paten- teiam um gráu elevado do evoluir do morbo que pouco a pouco os arrastará ao tombamento ultimo, e que muito tem concorrido para a progressão da tuberculose, não é para duvidar-se como impeci- lho e grande para o alcança men to de tal meta. Que não seja dado ao medico apenas ver doentes que do evoluir do morbo que o3 invade tenham alcançado o termino, e então, a bemfazeja acção medica sobrepujando-se a tudo h i de vencer, por sua fecunda influencia. Por isso, no afan nobre e altaneiro de bem ser- virem-na, aos abnegados apostolos de uma tão su- blime deusa—a Medicina, fadigosa jamais se lhes tem tornado a taiefa, por vezes supinamente ar- dua, que a si mesmos têm traçado, de pesquisarem da tuberculose os seus primórdios, quando ao primeiro embate o organismo desperta todo em guerra, de diagnostícarem-na precocemente. Muitos e variados tem sido os methodos de que se tem utilisado a medicina clinica para o dia- gnostico precoce da tuberculose. Não nos è inépcia repetil-o, embora muito se tenha já dito: é imprescindível á clinica hodierna VI um laboratorio em que'bacteriologistas, chimicos, cytologos, physicos e demais auxiliares ao medi- co clinico revelem o quede mais intimo se passa nos pontos mais recônditos do organismo. D’ahi o surgirem, baseados já na bacteriologia, firmadas já na cytologia; esteiados ora na physica, apoiados ora na chi mica, processos tantos e não bastantes, infelizmentê, todavia. Apresentando falhas maiores ou menores quasi todos (apezar os encomios de impecáveis que lhes tecem ao surgirem, os seus auctores) uns a pon- to de serem total mente banidos como inúteis, após pesquisas minuciosas e demoradas, todavia, no seu conjunto, são de valor tão excelso, que firmam sem rebuço e sem vaeillação, o diagnos- tico de tuberculose, quando accordes em o mesmQ signal de positividade. Trazel-os á baila a todos e de um por um esmiu- çadamente, discutir-lhes o valor, quizeramos fazer, mas não nos é dado no âmbito restricto de uma these. De passagem, porém, e ao de leve, sem lhe penetrarmos a fundo como soe o fizéssemos, não o cumprindo por não ser o assumpto capital da nossa dissertação, toquemos em alguns, nos mais empregados. Provas tuberculinicas -A tuberculina, de cura- tivo, como ao apiesental-a em 1880, o quiz que fosse o seu inventor, tendo em segredo o processo de preparação delia, tornou-se ao depois apenas meio diagnostico. VII Estabeleceram-se então processos que foram surgindo de quando em quando: cuti reacção de Von Pirquet, reacção pereutanea de Moro e as suas variantes de Lignières e de Lautier; a reacção da picada, observada primeiramente por Koch, revista por Epstein, Escherich, que assim a denomi- nou, Spengler, Turban e mui principalmente por Schick, que delia fez processo diagnostico; ulte- riormente a intradermo—reacção de Mantoux e a oculo-reacção de Von Pirquet, Galmette, Breton e Wolff—Eisner, e ainda a rhino-reacção de Lafíite Dupont e Molier, a vagino-reacção de Richter e fmalmente a receção intra-rectal, pro- posta de Calmette e Breton, com o fito de apre- ciar a reacção thermica De todos esses processos apenas conseguiram emprego a cuti-reacção, a sua co-irmã ao de Mantoux e a oculo-reacção. Estudemos-lhes o valor. Cuti-reacção—Nada de especificidade apresenta t i 1 prova tuberculinica. Na infancia, em que o seu auctor tanto a preconiza, o valor que ella tem apenas resae naquellas das crianças cuja idade alcançou dois annos, nunca superior, sempre inferior é a sua importância, nas de idade mais elevada. Dufour e Bruslé, dizem até, seguindo o resultado das experimentações por elles feitas no Hospital Provisoire, que os meninos de idade su- perior a dois annos, reagem todos ou quasi todos á inoculação cutánea da tuberculina. VIII No adulto, a decepcão é grande, o descalabro do processo é enorme, affirmam vários experi- mentadores que delle se utilisaram. Positiva em individuos elinicamente tubercu- losos ella o é também já em soffredores de aífe- cções mui differentes da tuberculose, a esta liame algum unindo-as, já em um quarto e mesmo um terço de individuos sãos, como o asseveram Sicard e Descamps. Inane é o seu papel ao tentar firmar um dia- gnostico hesitante entre a syphilis e a tuberculose: syphiliticos apresentando reacções rnais accusa- das que tuberculosos averiguados, muita vez. Na sclerose em placas, hemiplegia e etc. Sicard e Descamps viram-na apresentar-se positiva, fartas vezes. De mais, nas moléstias febris agudas ella é as mais das vezes fortemente positiva: assim na febre tvphoide, assim na pneumonia, como observaram Bezançon e Serbonnes. Gomo é obviamente perceptivel. a reacção posi- tiva não é especifica á tuberculose, a negativa não na exclue. A reacção, positiva, não permitte locali- sar-se a sede do processo tuberculoso, nem tão pouco a maior ou mencr actividade delle; pode ser negativa e o indivíduo ser um tuberculoso, depen- dendo esse, phenomeno, diz-nos Maragliano, das condições loeaes e const.it ucionaes peculiares a<> individuo (estado de nutricçao da pelle, cachexia). na acquisiçâo da immunidade em seguida ao trata- IX mento tuberculinico preeedentemente feito. Falha é a reacção quando se dá uma diffusão, por via san- guínea, do virus tuberculoso, tal como na tuber- culose miJiar e meningite da mesma naturesa; Von Pirquet, explicando esses factos pela absorpção da ergina, isto é, da substancia que torna possível a reacção entre a tuberculina e a cédula. Assim observada, (mesmo em indivíduos sãos) denunciando não somente tuberculoses averigua- das, como também as extinctas, a cuti-reacção de Von Pirquet, é de um critério quasi'nullo quando por ella se procure estabelecer um prognostico, não se o podendo assentar quer sobre uma reacção positiva, quer sobre uma reacção negativa, ambas constituindo pedestal fugidio, inapoiavel. Seria temeridade e mesmo erro, da intensidade de uma reacção positiva, infenr-se um juízo pro- gnostico sobre o caracter e o decurso da doença tu- berculose, indivíduos de peile muito sensível dando reacções assaz fortes ao lado de reacções fracas apresentadas por aquelles de peile muito resis- tente. Apenas nos estados adiantados da tuberculose, a ausência da reacção cutanea, será signal de um proximo desfecho. A intradermo-reacção de Mautoux que segundo o seu auctor é mais nítida e mais sensível que a precedente, tem delia as mesmas falhas, os mes- mos inconvenientes. X Ophtalmo-reacçâo—Pesa-nos dizel-o; a ophtal- mo-reacção infelizmente acoimada é também dos mesmos sinões. ReacçÕes positivas se têm assi- gnalado na carcinomatòse generalisada, no diabe- tes, rheumatismo articular agudo, febre typhoide, svphilis, febre de Malta, lepra, esporotrichose, cirrhose de Laennec, a ponto de auctores que affirmam tudo da especificidade da reacção, con- cluírem de naturesa tuberculosa serem a cirrhose atrophica e o rheumatismo articular agudo. Se Calmetté affirma a inocuidade delia, regis- tam-se em farta copia, provas de seus perigos e inconvenientes, em individuos sem affecgão ocular anterior. Goerlich em fazendo instillações da tuberculina Tes1-Calmette, em um lactante que tinha os olhos sãos, vê surgir uma Phtisis bulbv, Siegrest viu sur- girem em cinco individuos indemnes, após lhes ter instillado essa substancia, numerosos nodulos mil- liariformes proeminando de sobre a conjunctiva do bulbo, histologicamente similares aos nodulos tuberculosos, apresentando-se em alguns cellulas gigantes de Langhans, com pontos centraes de ca- seifiçação. Outros accidentes têm sido observados por ex- perimentadores diversos taes como WienseGiin- ther, Waldstein, Sehille, Seligmann, Stiilp, Schiele, Barbier, Gohn. Klieneberger, Trousseau, v. Sza- bokv, Mitulescu, Kalt, Brunetière, Poulard, Bar- bier, Renon e etc. Nós mesmos temos observado XI conjunctivitès e irites em vários dotehtes que fo- nim sujeitos a tal prova tuberculinica. Bacilloscopia.—Assentado como está ser o ba- cillo de Koch, mau grado ás opiniões contrarias de Middendorp, Bernbeim, Szendeffy e outros, signal pathognomonico da tuberculose, se lhe patentear a presença em producto proveniente já de um orgão, já de uma parte qualquer do corpo, certo é, estar affectado esse ou essa de tal enfermi- dade. Assim se nos escarros a analyse nol o deparar, resquício siquer de duvida deverá pairar por sobre o nosso espirito de tratar-se ou não de uma tu- berculose que se tenha localisado no ápparelho respira toi io. Mas, quanta vez, tardia que não precoce, se tem notado a presença do germen de Koch nos es- putos, quando já de ha muito solapa o organismo o morbo terrível? Empregue-se o processo de coloração de Ziehl- Nelsen. aproveitando-se do microbio a propriedade ácido-resistente, que se pensou ser delle privativa; utilise-se do processo de Krõning—levando até a fervura repetida a fuchsina carboliea. com o fito de produzir-se uma condensação do gérmen, tornan- do-lhe mais aguçada a tal propriedade acido re- sistente delle; recorra-se ao processo picrico de Spenglèr, fazendo que passem os escarros, por vários tempos de coloração e descoloração até XII uma coloração final: tudo é infructifero e a tuber- culose existe aguardando o momento de incremen- tar-se. Todos esses processos, por nós empregados no gabinete de Clinica Medica do Piof. Dr. Fróes, onde os exames de escarros são cuidadosamente elaborados, fazende-se delles preparações vaiaas das quaes além das fixadas e coradas executam- se frescas para a pesque a de parasitos vários, apenas patenteiam bacillos, que contados em cada campo microscopico, examinando-se pelo menos vinte, oceupam do typo 4 ao 9 da seguinte clas- sificação de Gaffky: Typo n. 1—1 a 4 bacillos em toda a preparação. « n. 2—media de 1/2 bacillo por campo. « n. 3—1 bacillo por campo « n. 4—2 a 3 bacillos por campo. « n. 5—4 a 6 bacillos por campo. n. 6—7 a 12 bacillos por campo. « n 7—mais de 12 bacillos por campo. (( n. 8—grande quantidade. « n. 9—quantidade incontável. Felizmente se não podem mais confundir com o bacillo Koch os demais acido-resistentes, como outr’ora que o espirito vacillava ao procurar affir mar tratar-se de tuberculose, quando apenas ba- seado na presença de bacillos resistentes a des- coloração pelos ácidos Graças aos ftotaveis estudos do Dr. A. Fontes, feitos no Instituto Oswaldo Cruz, sobre a tuber- XIII culose, nos quaes ells considera o bacillo de Koch, uma reunião de unidades vivas represen tadas por granulações reprodutoras, o diagnostico differencial entre taes bacillos firmemente se es- tabelece, sob o processo seguinte apresentado pelo auctor citado. A) Corar a quente pela fuchsina phenicada de Ziehl cerca de 2 minutos. Lavar em agua corrente. B) Corar pelo crystal violeta phenicado durante 2 minutos. C) Tratar pelo Lugol. D) Descorar pela mistura : Álcool absoluto 2 partes Acetona 1 parte. Lavar—Corar por uma cor de contraste (azul de methylenio em solução aquosa). As soluções em A e B podem ser empregadas em um só tempo, misturando-se-as em partes iguaes, tornando-se menos nitidas, porém, as prepara- ções. Os baçillos da tuberculose apresentam-se cora- dos em vermelho, com granulações esparsas no interior, intensamente coradas em violeta. Os para tuberculosos apresentam-se corados em violeta sein orla vermelha, mostrando granulações condensadas. Tudo isso é de um alcance muito pratico, é muito bmo, mas não nos leva ao ponto desejado—o diagnostico precoce da tuberculose. XIV Mas se todos esses processos, apenas patenteiam bacillos de Koch quando eliminados innumeros, a presença delles nas expecto rações em numero exi- guo, sendo capaz de revelar uma tuberculose pul- monar correlata, justo era que empregassem todos os esforços, esquecendo o penoso do trabalho, os homens de sciencia, para em separando tal germen das substancias est.ructuaes do escarro, da sua massa mesma, faze-lo signal seguro de tal enfer- midade. Surgiram então os diversos processos de homo- geneização, desde os de Biedert, Dilg, Sorgo, Ilke- witsch, Spengler e etc., até ao do sanatorio allemão de Wolfgang, utilisando da antiformina (partes iguaes de hypochlorito de potassa ou soda e po- tassa ou soda caustica, em solução) e o de Zahn, que aqui o pomos integro por tratar-se de um va- loroso processo, por nós algumas vezes empregado com resultados maravilhosos. A 5 ou 15 cc. de escarro ajuntam-se 50 cc. de agua de torneira e 5 cc. de uma solução normal de soda (4 % de NaOH) ou solução normal de po- tassa (5,6 % de KOH) num balão de Erlenmeyer. Deixa-se ferver, agitando, sobre uma rede de asbesto, o todo, durante 2 a 3 minutos até tor- nar-se homogeneo. Em seguida se o resfria sob um filete d’agua. Ajunta-se agitando 1 a 2 cc.de uma solução normal de chloreto de cálcio (5,5 % de Ga Cl2) pelo que delicados flocos se formam, que ao depois são XV divididos pelo emprego de algumas bolas ou pérolas de vidro. Centrifuga-se em seguida por meio de. um cen- trifugador de mào, ou melhor electrico, durante 1 a 2 minutos. Decanta-se o liquido transparente que se superpõe ao deposito, substituindo-se-o por nova quantidade de liquido do balão até que es- gotado todo elle, no fundo do tubo do centrifu- gador esteja toda a parte solida concentrada. No caso de falta de um centrifugador, o conteúdo pode ser, após uma agitação forte e demorada* com 3 a 4 pérolas de vidro, derramado num funil armado de um papel de filtro molle e secco, o de- posito ahi mantido, servindo então para pesquisas ulteriores, fazendo-se delle, em seguida, prepara- ções, por meio de uma agulha de platina ou de uma espatula, no mais, seguindo -se todos os por- menores de technica que requer uma pesquisa de bacillos de Koch nos escarros. Emfim Jousset, com seu methodo inoscopico, que serviu de assumpto para a elaboração de uma bôa these de doutoramento, apresentada pelo Dr. Manoel de Lemos,ex-interno da extincta cadeira de Clinica Propedêutica, veio concorrer grandemente para o aperfeiçoamento da pesquisa de bacillos, quando em pequeno numero existente nos esputos. Consiste tal methodo em tratar-se a secrecção pathologica que se quer examinar, após soffrido uma coagulação anterior que pode ser espontânea XVI ou provocada por meio do plasma salgado ou do acido láctico, e após se ter separado do liquido res- tante o coagulo, utilisando-se de uma filtração por intermédio de uma gaze, pelo sueco gástrico arti. ficial de Jousset. Essa digestão, em seguida, é elaborada numa estufa a 38,° durante 3 a 4 horas, ou melhor num banho maria a 50°; terminada que seja ella o liquido resultante é centrifugado e com o sedi- mento fazem-se preparações para pesquisa dos bacillos. Mas, infelizmente, infructiferos também o são todos esses processos, bacillos só existindo nos escarros, quando transformada em aberta a tuber- culose que no seu inicio era representada por granulações fechadas, inda não se communicando com os bronchios. Conseguintemente se de nós desprende essa esperança de termos na bacilloscopia, methodo seguro de diagnosticarmos uma tuberculose que mui provavelmente se poderá guarir, quando desde logo combatida por meios racionaes. Do que hemos dito, obviamente resae a diffi- culdade enorme com que muita vez tem de arcar um medico, enfrentando um caso dubio. Methodos havendo, como os ha, tão sensiveis a fazerem considerar-se doentes indivíduos que não o são; outros, de parca sensibilidade, passando por sobre tuberculosos como se sãos fossem elles. A qual delles nos atermos? XVII Parece, á primeira vista, que aos de pouca sensibilidade- devemos abandonar, os prejuízos a surgirem sendo em dupla cópia dos que poderão advir, se os de sobeja sensibilidade em- pregarmos. Mas, não ha pensar desse modo, senão sim que dos menos sensíveis áquelles cuja sensibilidade ha alcançado o mais alto gráo, devei- é que se os façam usados, delles separando-se o que de mais valioso, delles auferindo-se o que de mais util, e de todos, retirado o imprestável, o mau. unidas as partes sãs, eonstituirern-se verdadeiros círculos, resultado do confronto do que disser cada um por- ca d a um. Assim um doente apresentando symptomas que o emerito Prof. Torres Homem, com seu espi - rito clarividente e altamente observador, tão nitidamente delineou com mão firme: primeiro ponto temos do circulo, o proprio doente, parta- mos. Perquirindo-se-lhe dos seus antecedentes hereditários delle, verifica-se a presença de tuber- culose; proseguindo nota-se que todas as vezes que elle se fatiga, tem pequenos accessos de febre que mesmo sem rasão alguma de ser se lhe apresenta a elle. á tarde, ephemera, a ponto de ser esque- cida em breve, e outros symptomas mais. Suspeitada assim a presença de uma tubércu- los e em inicio, desde logo, tornal-a mais firme, que dubia até então deve ser essa idéa, re- correndo-se a diversos processos que têm surgido XVIII para o alcançamento de tal meta, condição iin- prescendivel se faz. Só nos escarros, fartas são as fontes de esclare- cimentos. Provocando-se-os, quando não existen- tes, pelo processo de Stickerc opplicação de 2 cen- tigrammas de iodeto de potássio, pouco recom- mendavel pelos perigos delle immanentes) quer pelo de Krõning, efíectuando o accumulo de secreção por meio da morphina. Assim obtidos e não encontrados bacillos como custuma de acon- tecer, pesquisem-se as fibras elasticas, os lym- phocvtos, que no dizer de Wolff-Eissner são signal evidente da existência de uma tuberculose, de um modo semelhante áquelles que levam os geologis- tas a concluírem da existência de certas substan- cias onde formações particulares são encontradas. Façam-se experiencias animaes, quer pelo pro- cesso de. Bloch, em que se podem obter conclu- sões definitivas em poucos dias, quer pelo de Marmoreck, com auxilio da tuberculina. O sangue, por sua vez e por intermédio da agglutinação, precipitação, pesquisa do indice opsonico, anaphylaxia, reacção do veneno de cobra, reacção de fixação e leuco-reacção de Achard, e demais outras de valor é e grande. O exame da urina não é de esquecer-se, como também uma das provas da tuberculina, pois que todas produzindo phenomenos de anaphy- laxia local, darão signal erroneo, enganador. E assim nesse caminhar, passando-se por pa- XIX radeiros em que se não olvidem os methodos clínicos da palpação, percussão, empregando-se alem do commum os processos de Kroning, Seitz e Goldscheider, e a auscultação, de importâncias tan as e valores taes a alcançarem cumeadas a que raros, raríssimos alcancam, chegue-se ao grande invento de Roentgen, no seu descriminar lyncico, se me permittem, admiravel, a presença de coisas que á vista humana por si só será grandemente impossível—methodo fartas vezes empregado, em todas as quartas-feiras pelo Prof. Fróes, em nume- roso grupo de doentes, com resultados brilhan- tíssimos, na clinica sob a sua chefia. E assim fazendo-se e assim colhendo-se dados abundante seara de um fatigoso labor sim, se ha de ter em firmeza transformado o que de dubie- dade existia dantes. DISSERTAÇÃO CADEIRA DE CLINICA MEDICA /Vlbumino-diagrçostico da tuber- culose Li_£çiras histórica^ Albumino-reacçâo das expectorações: ou ainda albuinoptyse de Lesieur e Privey, methodo de Roger, em honra de quem o tornou tão vulgarisado, enriquecendo-o de conceitos novos, pesquisa da albumina nos escarros, de carência de definição se não faz mister, pois obviamente intelligivel o é a todos a significação do que seja tal coisa. Havendo, como ha, em outros productos do orga- nismo, quer physiologicamente natos, quer pat.ho- logicamente elaborados, innumeros e variegados methodos de exames clínicos, á expectoração, signal de uma perturbação do apparelho respiratório e por isso resaindo alto a utilidade da sua analyse. nos seus mais intimos recessos, na sua estrucLura a mais fina, se restringiram, apenas, investigações no que tange a pesquisas de germens e demais elementos morphologicos por ella acarretados e que muita vez, após um esmiuçar continuo, em- preguem-se processos quaesquer que sejam, os mais delicados possíveis, todavia tardiamente se 2 deixam revelar, para firmesa de um diagnostico dubio, em malefício assim dos doentes, quando a moléstia adiantada já o é. A Roger se deve o importante papel de, se não o iniciador dos estudos chirnicos dos esputos, como de verdade elle não o foi, todavia, ter patenteado o valor clinico desses estudos, a sua importância diagnostica na tuberculose pulmonar, no que diz respeito á pesquisa da albumina, conjunetamente a Levy-Valensj, interno dos hospitaes de Paris, em investigações feitas desde o anno de 1909. Gomo já nos foi asada occasião de dizer, não cabe a Roger a honra de ser o iniciador de taes estudos, mas sim um dos da pleiade constituída de muitos outros qne embora não alcançando dar-lhes o valor que hoje têm, apezar de limitados á albu- mina apenas, todavia começaram de procurar o alcançamento dessa meta. Assim a Biermer vemol-o em 1885 tirando illa- ções de pesquisas nos escarros, por elle feitas, em busca, além de outras substancias, da albumina. Renk, mais tarde, determinou-lhes a presença, dosando-as, uma por uma, nos esputos de bron- ehites chronieas, peneumonias e tuberculose. Deixando de lado investigadores que de outras substancias cuidaram e que delias não fizeram al- cançado o valor adquirido pela albumina, para nos attermos só aos que desta se fizeram estudiosos, Wanner surge como o digno predecessor de H. Roger, já haurindo de suas observações valio- 3 sissimas conclusões que se assemelham bastante ás de hoje, de seu sabio sucçessor emanadas. Um tanto falhos por considerarem dependentes da albumina unicamente, todo o azoto existente nos escarros, quando esses contêm ainda substancias outras azotadas, como a mucina, são os estudos de Lanz, que todavia não deixam de ter importância, por quanto vieram concorrer para a firmação da existência de albumina nos escarros tuberculosos. De somenas importância, não só por não abrange- rem uma certa segurança na explicação das ima- gens percebidas como também por ser complicada a sua execução, todavia interessantes, são as pes- quisas de Bezançon e Jong, executadas desde o anno de 1907, antecedentes assim ás de Roger, sobre a albumina, por meio de reacções de colo- ração, microscopicamente observadas. E por serem interessantes, não por valorosas, vamosdescrevel-as. Para a sua execução, antes de tudo, destinguem Bezançon e Jong tres cathegonas de escarros: 1. a escarros sero-albúminosos, no edema pul- monar, contendo uma quantidade considerável de albumina; 2. a escarros muco-aquosòs, nas bronchites agudas e chronicas, que acompanham eventual- mente o emphysema, sem albumina; 3. a escarros mixtos, contendo uma pequena quantidade de albumina, nos doentes atacados de bronchites chronicas, consequentes a pertuiba- ções cardiacas e renaes. 4 A’ albumina na tubreculose, de passagem seja dito, negam estes auctores, importância diagnos- tica, dando-lhe porém, valor prognostico: a albu- mina é signal precursor de tuberculose galopante, quando a.pparecida nos escarros provenientes dessa doença,, dizem elles Vejamos aqui mesmo a technica seguida para a execucão dessas pesquisas pelos seus auctores delias. Distendida em camada tenue, uma pequena por- ção de escarro, fixam-na pelo acido chromico a um por cento, colorindo-a em seguida, por meio do azul de Unna. Ao microscopio elevada a pre- paração e examinada á luz artificial. Eis o que se vê: A albumina patenteia-se sob a coloração de um violete azulado, nos escarros que os auctores de- nominam sero-albuminosos, o muco toma uma coloração violete avermelhada e a fibrina verde. Gomo patentemente resae a dubiedade de tal pro- cesso não pode alcançar para elle o valor que tem a albumino reaccão. Assim duas personalidades imminentes concor- reram mui de cheio, uma após outra, pegada por pegada, para o alevantamento da pesquisa da al- bumina nos esputos: primeiro Wanner, com seu mestre Muller, e depois Roger com seu discipuio Levy-Valensi: aquelle pesquisando-a e dándo um caracter clinico, diagnostico á sua presença em escarros de doentes cujo diagnostico se balanceie 5 entre bronchite chronica e uma tuberculose pre- coce, entre uma pneumonia e um infarctus; este confirmando as asserções daquelle e indo rriais além, como teremos ensejo de relatar mais tarde. Publicadas que foram as pesquisas de Roger, a attenção do mundo medico desde logo despertou, em tendo delias noticia, attrahida por um assum- pto de magna relevância e ajuda para o diagnos- tico precoce da tuberculose, confirmadas as as- serções dos seus auctores. Vários trabalhos surgiram, dos quaes se não todos, pelo menos a maioria, confirmaram as con- clusões de Roger. Na Rahia, senão no Brasil, pareçe-nos, termos sido nós os primeiros a estudar tal questão, como bem o confirma e comprova a lição inaugural do Prof. Dr. Fróes, deste anuo, em que este nosso il- lustrado mestre relata o resumo dos trabalhos exe- cutados, durante o anno proximo passado, (logo apas a publicação das observações de Roger na Presse Médicale de 20 de Abril de 1910) no gabi- nete da clinica que tão dignamente chefia. T çchrpca De uma simpleza admiravel, de uma facil execução a todos dada, é a technica da albumino reacção. O apparelhamento que ella requer, que de especial nada tem; o poder executal-a em toda e qualquer parte, juntõr'o seu executor á cabeceira do doente ou delia afastado; a sua inocuidade, poupando todo e qualquer malificio aos doentes e aos que delia se utilizem; o expedito de sua apre- ciação, fazem resaia alto a preciosidade da albumino-reaccão, tornando-a destinataria de rele- vantes serviços a prestarem-se á clinica hodierna, quando reconhecidos de todos e bem firmados forem os seus valores, como o parece estão sendo. Sem mais penetremos.o assumpto e, methodi- zando façamo-lo dividido em três tempos, a saber: l.° Captação do escarro a examinar-se e cuidados concernentes a ella c a elle; 2.° operações preli- minares; 3.° reacção e modos de executa-la. 8 Captação do escarro—Cuidados carecem tomados na collecta do material para o exame. Antes de mais nada de modo nenhum deve ser avisado o doente do exame que se vae praticar, pois que ao contrario se o fazendo, por um excesso de zelo, para agradaveis tornarem-se ao medico uns, outros por pensarem sobrevir-lhes a elles uma cura rapida, immediata, após um exame de escarro em quantidade profusa, esforços não lhes escasseiam no fornecerem uma massa considerável de expec- toração, entregando assim a examinar se uma secrecção salivar mais ou menos abundante, ao lado de pequena copia de esputo, sendo como o é, apanagio de uma boa reacção, a ausência de saliva. No que tange ao vaso em que se hão de colle- ccionar as expectorações, é mister sejam limpos e seccos; das expectorações mesmas, rejeitar-se dever é que desde logo salta á vista, a toda aquella que contiver sangue, pois que assim se não o fazendo, falso, enganador será o resultado obtido. Matéria de grande estimação, de um valor mui interessante, deve ser o sujeitar-se ao exame o esputo longo tempo após emit.tido, pois, principal- mente no verão, a temperatura elevada concorrendo para putrefazel-o, desdobra as proteides e mui principalmçnte a mucina, e põe albumina em liberdade. D’ahi surge inconcussa notável connivencia de erro, que se sana examinando-os, logo apos emittidos, aos escarros. 9 Operações 'preliminares—No proprio vaso em que foram postos os escarros, ou mesmo em um outro para onde se os transplante a elles, como nós preferimos fazel-o, têm inicio as operações preliminares. E’ sobremaneira intelligivel. Resumindo-se todo o processo no pesquisar da albumina que possa existir no escarro, da presença de substancias outras, que lhe façam corpo (mucina, nucleo- albumina, restos de alimentos, etc), causas impe- dientes da verificação da substancia procurada, embaraçando-lhe a busca, por apresentarem cara - cteres de reacção que aos delia assas se asse- melham, é mister seja expurgado. E’ do acido acético o papel de depurador Se não fora ao mesmo tempo que as demais substancias, precipitar uma certa quantidade de albumina, o álcool absoluto seria de emprego. Finalmente, a consistência de que se revestem os esputos, difficult.ando ulteriores operações, requer se façam delles diluições, já pela agua distiliada, já por meio da agua commum, que tenha precedentemente fervido, ou, então, e muito melhor, ajuntando-se-lhe mais ou menes volume igual de sôro physiologico. Encaremos mais de cheio o assumpto, que elle é de*estimativa. Retirada a quantidade de escarro necessária ao exame, isento elle o mais possível de saliva, em- bora, que o acido acético tudo sana, a influencia 10 delia seja nulla, addiciona-se volume mnis ou me- nos igual de agua distillada, ou melhor ainda agua salgada a 7 p. 1000. Convém, agora, se estabeleça a homogeneidade da mistura, que se o faz, quer triturando cuidado- samente a massa, ou melhor, collocande-se-a» em um balão de Erlenmeyer em que se tenha posto algumas pérolas de vidro, agitando-o cuidadosa- mente, durante algum tempo. Alcançado que seja esse fim, procura-se coa- gular o muco por meio de algumas gottas de acido acético puro (geralmente 5 a 6 gottas são sufficientes). Gantz e Hertz aconselham a solução acética a 3 °/,; não a empregamos. E’-o bem merecedora de cautelas essa phase da operação, pelo delicado manejo que requer; um excesso de acido (*) impedindo a precipitação ulterior da albumina-, e mesmo dissolvendo o coa- gulo de mucina formado, mascarando assim o re- sultado; delle uma exigua quantidade, deixando restante mucina que em se não precipitando, mais tarde dará uma inveras reacção. Por não ser possivel o precisar da quantidade de acido capaz de precipitar toda a mucina, va- riante como ella o é de expectoração a expecto- ração, collocamos a principio cinco a seis gottas (*) Quando excessiva for a quantidade de acido juntam-se ao liquido filtrado algumas gottas de sopa caustica para diminuir-lhe a acidez 11 delle e, após a filtração, podendo esta ser feita em papel de filtro commuiii ou papel Chardin, prefe- rindo nós áquelle que poupa tempo, juntamos mais duas a três gottas. Se o muco foi de todo coagu- lado nenhuma turvação se produzirá: ao revez disto succedendo, novas gottas addicionamos até não mais nada surgir. A filtração, que é demorada se não tendo o cui- dado de separar os grumos resultantes da coagu- lação da mucina, rapida o é tendo-se-o. Idearam alguns experimentadores substituírem a filtração pela centrifugação; nada de pratico vejo nisto O liquido obtido, em que se vae passar o ter- ceiro tempo do processo, isto é, a pesquisa da albumina, é ordinariamente transparente, ligeira- mente opalescente, algumas vezes incolor, outras vezes amarellado de reflexos esverdinhados, apre- sentando uma ieacção, como obvia mente intelli givel o é, nitidamente acida. Reacçãu e mudos de executal-u.—Agora a parte que toca á reacção em si. A pesquisa da albumina nos escarros, em nada diversifica do reconheci- mento delia nas urinas; tudo, de feito, conforma a identidade dos reactivos. » Roger aconselha e pratica, as mais das vezes, o calor e o ferro-çyanêto de potássio, sendo con- cordes os resultados de ambos emanados. O calor quando utilisado requer seja ajuntado ao liquido um pouco de ehlorêto de sodio: que se não 12 coagula a albumina em meio desprovido de ele-' ctrolytos. 0 ferro cyanêto de potássio, em solução saturada, dá uma reaeção assas nítida, por enco- trar um meio acelico, qual o é esse em que elle age: uma gotta e, albumina havendo, uma turva- ção manifesta se produzirá. Quando não com profusão e sim com traços se apresenta a albumina, carece se recorra a um va- loroso pormenor de technica que aqui fazemos traslado: numa proveta commum colloca-se cerca de um centímetro cubico da solução de ferro-cya- nêto de potássio; em seguida, por meio de uma filtração, que deve ser muito lenta, deixa-se que caia o liquido, termino da operação preliminar, sobre o reactivo. SuperpÕe-se, por sua leveza, o liquido filtrante, sem se misturar ao reactivo e, um annel caracteristico de albumina, sendo ella conteúdo do liquido, tem foi mação no ponto de contacto delle e do reactivo. UtiJisamos em as nossas pesquisas de vários re- activos: o calor, ferro-cyanêto de potássio, acido azotico, reactivo sulfo-phenicu-salicylico de Bou- reau, reactivo de Esbach e etc. Sempre congressos num mesmo resultado, empregamos pelo menos tres delles para as verificações de um só esputo. Em uma proveta, o reactivo levando-se-lhe ao % fundo por meio de uma pipeta ou melhor, num cálice afundado, conoide, pode ser realisada a re- acção, carecendo ser repetida passados alguns dias, para verificações no tocante ao augmento ou 13 diminuição da quantidade de albumina, persistên- cia ou fugacidade da reacção, que pode caracteri- sar-se por um coagulo espesso, indicio de uma quantidade mui considerável de albumina, ás vezes, e de outras, ora um ligeiro coagulo, ora uma simples turvação, tem lugar. Com o fito de methodisarmos o resultado das nossas pesquisas, classificamol-as do seguinte feitio. O— reacção negativa I— turvação ligeira II— turvação manifesta e mesmo um ligeiro coagulo III—precipitado floconoso. Isto é, reacção do primeiro gráo, segundo e terceiro, ao lado da reacção negativa. Valord o methodo Valor diagnostico.—Como nos foi dado relatar alhures, ás expectorações por muito tempo, apenas se ateveram investigações que de nada ouravam sobre o util da determinação de substancias chi- micas que especificas fossem, em dados estados mórbidos ou em determinadas phases delles, de modo fazerem-se delias processos diagnósticos. Surgidos que foram toes estudos, a elles se li- garam, de quando em quando, observações novas e novos emprehendimentos. até que, finalmente, se concatenaram todos em uma única e mesma dire- cção, em busca de um mesmo fim, a pesquisa da albumina, que de outra substancia, importância igual se não tez patente, após demoradas investi- gações. Então, alcançado que foi o desejado, por Wan- ner, Miiller e em nossos dias pelo Prof. Roger, cujos estudos se avantajaram abs demais outros, poderam ser classificadas as expectorações em 16 dois grupos: constituindo o primeiro, aquellas conteúdas de albumina em maior ou menor copia, e sendo o segundo grupo representado, por delias as em que tal substancia é ausente. Assim gisados os limites divisórios, e, por com- pleto, estabelecida a difterença existente entre as duas sortes de expectorações, vejamos em qual dos grupos tem acolhida a tuberculose pulmonar, por intermédio dos esputos delia originados. Partamos do dizer aphoristico de Roger, que toda a expectoração que não contiver albumina, pode ser, desde logo, considerada como não per- tencente a um tuberculoso. ObjecçÕes surgiram que em nada abalaram a veracidade de tal asserto, de que se fez patrono Roger. Assim Goggia, fazendo da putrefacção dos escar- ros, causa sufficiente para o apparecimento da albumina, por desdobramento das proteides e notadamente da mucina, se esquece de que é condicçâo indispensável de uma bôa technica da reacção, fazer-se-a em esputos logo após a ex- pulsão delles. Remlinger, por sua vez, nega as affirmações de Roger, chegando até a pensar na inutilidade do methodo, dizendo encerrarem todas as expectora- ções sempre traços de albumina, que se torna au- gmentada pela juncção da saliva, possuidora como esta o é, daquella-substancia. Mas não tem razão Remlinger. A quantidade de albumina contida na 17 saliva é tão apoucada, a não perturbar os resulta- dos, fazendo-õ, apenas, em sendo o doente soffre- dor de uma estomatite. Demais, é assas facil e simples evitar-se essa causa de erro. rejeitando-se expectorações que contenham grande quantidade de saliva. Mas, melhor que todo raciocinio, os factos estão patentes, para em desasserto com as objecções de Remlinger, aos dizeres de Roger sustenta- rem nos. Observações varias, innumeras, feitas por di- versos experimentadores, apresentando resultados negativos, são sufíicientes para o assentamento em provas irrefugaveis, da veracidade do que es- tatue Roger, d’ahi defluindo. o valor demonstra- tivo desse novo meio diagnostico, ser digno de «acatamento, de utilisação. Acudamos, agora, a outra e importante questão, qual a de saber-se ser sempre albuminoso o es- carro de proveniência tuberculosa. De todas as observações que têm chegado ao nosso conhecimen.to (apoucadas não são ellas e sim sobejas) um pequeno numero, insignificante, de indivíduos nitidamente tubercul-osos, no dizer de quem as executou, tem dado uma reacção nega- tiva. Gantz e Hertz apresentam uma concernente a um indivíduo portador de lesões ulcerosas in- tensas, confirmadas pela necropsia; mas, é bem possível haver ahi apenas um erro de technica por haverem-na executado a reacção pelo calor, sem o 18 addicionamento do chlorêto de sodio, como é mis- té r se o faça. Lesieur e Privey relatam outras que, não pa- tenteando o exame microscopico do esputo, a presença de bacillos, induzem, por falta de firmeza, a duvidar-se da realidade do diagnostico. Smoli- zanski, finalmente, traz á baila um caso de um indi - viduo apresentando um endurecimento do pulmão esquerdo, na sua metade superior e, a auscultação, na porção concernente a esse, deslindando uma respiração soprante e rude. A albumino-reacção sempre se revelou negativa, a bacilloscopia, repe- tida varias vezes, em uma delias patenteou, dois elementos acido-resistentes, morphologicamente redondos e dispostos em cadeias. Em bem enganoso ponto, qual este é, assenta tal diagnostico de tuberculose pulmonar. Por que não se tratar, nesse caso, de uma pseudo tubercu- lose, originada de oosporos, que grande parecença têm com os bacillos de Koch? Gosta, em sua própria estimativa, julga digno de reservas o resultado negativo de uma reacção que obtivera. De outras, é necessário saber-se, sendo pharyn- geos que não bronchicos os esputos, não ha ex- tra nhesa que se dêm reacções negativas. Ora bem. De tudo isso, conseguintemente, nos parece poder colligir-se, 'com rasão, a justesa da opinião de Roger, que ella esteio tem e firme em abundante seara de observações. 19 Assente isto, a ausência da albumina nos es- carros adquire um valor semiologico tão notável, a fazer que se possa, por ella apenas afastar um diagnostico de tuberculose pulmonar, em evolução, que a curada ou detida no evoluir delia o é sempre de albumino-reacção negativa. A granulia somente se differença, como hemos de ver além. Transformemos, agora, a face da questão, es- merilhando o valoroso de uma reaeção positiva, para o diagnostico da tuberculose pulmonar. Com- putemos a matéria nos seus innumeros experi- mentadores. Iniciemos pela forma chronica da tuberculose, quando deparada nas phases termi- naes da evolução delia, a nossa perigrinação. Aqui está um ponto, cujo interesse é somenos para o valor que possa ter o methodo de Roger, empannando-lhe o brilho, a bacilloscopia, reve- lando-nos o germen de Koch, productor da doença aqui curada, no que pese ao dizer contrario de al- guns que negam a relação de causa entre o bacillo e a tuberculose; a clinica, em que encontra o me* dico necessários e clarividentes elementos de aflu- iu ação. Nesse periodo, em que o valor semiologico da albumino-reacção é, senão nullo, relativo, de confir- mação apenas, as expectoraçoes tuberculosas con- têm sempre albumina: assim o comprovam, pois que as Caras reacçoes negativas nem mesmo aos proprios auctores delias não lhes mereceram a de- vida confiança, os dizeres de Roger e Levy-Valensi, 20 Mikailoff, Lecaplain, Clemente Ferreira, Guinar, Lessieur e Privey, MUe Wourmann, Chapei, Cornu, Gosta, Darrasse, Dieudonné, Gantz e Hertz Gee- rald, Oddo e Gachet, Srnolizanski e muitos outros, que após numerosas reaoçoes feitas com todos os requisitos emanantes de uma boa techniea, a isso chegaram todos aceordes. E’, porém, nos casos em que a tuberculose se apresente no inicio, a desafiar a argúcia medica, a despertar-lhe a necessidade de fazel-a desvendada no primeiro embate ao organismo, quando apenas ha probabilidades a par de suspeitas clinicas, não evidenciando-se anula bacillos de Koch, que aal bumino-reàcção adquire um alto valor estimativo. Ahi, sendo constante o resultado positivo da rea- cção, que é mister se a faça varias vezes para ser-se bem assegurado da persistência delia, ás suspeitas alevantadas pela exploração clinica, ajuntando-se este importante elemento, o diagnostico de tuber- culose pulmonar incipiente pode ser muito de perto pensado. E assim feito, terá confirmação ulterior, quer pelos methodos de laboratorio, sero-diagnostico. inoculação em cobaias, e demais, quer e mui principalmente pela evolução da terrível doença. Desse theor são os resultados que de todos os experimentadores se fizeram patenteados, mere- cendo aqui traslado, pelo valioso de que se cercam, as interessantes pesquisas, emprehendidas nesse sentido por Levy, em jovens soldados a elle con- 21 fiados, perfazendo o numero sessenta e dois, sus- peitos todos de tuberculose pulmonar. Dividiu-os elle em quatro grupos: o primeiro de nove indi viduos constituído, queixando-se todos de fadiga e perturbações dyspepticas: a albumino-reacção foi positiva em 5 casos, perfazendo assim uma propor- ção de 51,11 por cento. O segundo grupo e compoz de trinta, parecendo elles mais atacados da doença, que perderam em alguns mezes tres a quatro ki- logrammas de peso; a reacção positiva em trinta casos, deu uma proporção de 73.30 por cento. Consta o terceiro grupo de soldados em numero de oito, que igualmente emmagreceram e queixavam de perturbações cardíacas; os resultados obtidos demonstraram a presença de albumina seis vezes, isto é, uma proporção de 75 por cento; compre- hendendo, emfim, o quarto grupo quinze indiví- duos, nos quaes a auscultação revelou modificações na intensidade do murmúrio vesicular: o resultado foi positivo doze vezes, isto é, em oitenta por cento dos casos. E como as de Levy, numerosas outras, que se- ria enfadonho cital-as, uma por uma, fumam a veracidade do valoroso do methodo em tal seara. Deixemos a tuberculose pulmonar chrònica e penetremos outra modalidade delia, a tuberculose aguda, a respigar utilidades. Dá-nos M-lle Wourmann uma interessante ob- servação concernente a isto: Em um doente em quem se diagnosticara uma bronchite num emphy- 22 sematoso, os accidentes não melhorando, a albu- mino-reacção é empregada e uma quantidade considerável de albumina patenteia-se. Perante tal resultado, suspeitas surgiram carecedoras de asseverar-se noutras provas; pesquisas outras são empregadas, que conduzissem á certeza : a ba- cilloscopia foi negativa e comella duas intra-dermo- reacções da tuberculina. Mas, passados que foram quinze dias, uma localisação se apresenta no vér- tice direito e desde então os bacillos caracteris- ticos surgem nos esputos. D’ahi claramente se vê quanto notável é o valor do methodo de Ro- ger e como azados a erros são os processos da tuberculina. Ao revés disso se passa com a granulia, em que, e segundo varias observações de Rnger, Le- sieur, Roger e Mikailoíf de Montpellier, a albu- mino-reacçâo é negativa. Nada de estranhesa pode haver nisto, porquanto é de facil concepcão, não occasione uma erupção de granulações miliares, a passagem de albumina para as expectorações. Acareados, agora, os resultados, fica evidente a situação das expectorações tuberculosas no grupo das que são continentes de albumina. Acudamos a ver assumpto outro de importância mui sensível. Ha, muita vez, no que toca ao diagnostico da tuberculose pulmonar, difficuldades a supera- rem-se que muito são embaraçosas, ao surgirem necessitando resolução immediata, e a clinica por 23 si só não podendo-as satisfazer, ás vezes, por sua inanidade em tal assumpto. Queremos fallar dos casos de syphilis pulmonar e das pseudo-tuberculoses. Curemos da primeira dessas doenças. Localisando-sea syphilis nos pulmões, dá origem a symptomas taes e tão importantes que fazem se a considerem uma tuberculose, por seu reves- timento apresentado, pela illusão que occasiona, delia revestindo-se das mesmas atrocidades. A bacilloscopia, não podendo revelar o bacillo de Koch, que se quer um diagnostico precoce e, em tal caso, a ausência delle é por demais noto ria. Que fazer ! .. . e no entretanto o triumpho the- rapeutico, em tratando-se de syphilis, sendo o seu apnnagio. Pois bem, o que não consegue a clinica, a ba- cilloscopia e quejandos methodos outros, o faz a albumino-reaccão, e muito bem, differençando as expectoraçoes tuberculosas das que de uma sy- philis pulmonar sobrevenham. Fal-o como? Apresentando uma reaação nega- tiva tratando de esputos provenientes de uma syphilis pulmonar, os de origem tuberculosa dando, como tivemos ensejo de dizer, positi- vidade de reacção, porem. Bem assente está isto, que numerosas são as provas de tal asserto Vejamos, desta feita, as pseudo-tuberculoses, 24 notáveis também, no patentear do valoroso papel que enriquece o methodo de Roger. Dentre as differentes causas productoras dessas pseudo-tuberculoses, umas pertencentes a para- sitas animaes, não atacando, porém, o homem, ou- tras de origem vegetal, convém se.salientem apenas as que têm sido observadas como geradoras de pseudo-tuberculoses humanas. Pertence ao aspergillus fumigatus e aos oospo- ros, aquelle um cogumelo da ordem dos Ascomy- cetos e da familia dos Perisporiaceos, estes occu- pando na classificação bot.anica lugar .incerto, apresentando, como elles o fazem caracteres de cogumelos e de bactérias, verdadeiras myco- bacterias, o papel de geradores de taes doenças pseudo-tuberculoses. Pois bem, sendo-lhes os symptomas em tal ponto, assemelhados aos da tuberculose bacillar, ao ponto de fazerem-nas merecidas de tal denomi- nação e de carência apresentando-se, um diagnos- tico precoce, á clínica são falhos os recursos de executal-o. E’ então para o exame microbiologico que se lançam todos os olhares. Mas, quantas difíi- culdades a vencerem-se, quanto tempo emprega- do, muita vez, no pesquisar do agente productor ! Surge então espalhando luzes por sobre a ne- gridão das trevas reinantes, a albumino-reacção, revelando-se negativa no caso de tratar-se de uma pseudo-tuberculose pulmonar. Se não exgotam ainda os ‘conspícuos papeis, 25 reveladores da importância que cerca o methodo de Roger. Nos casos de bronchites simples, sejam ellas agudas ou chronicas; trate-se de emphysema, a ausência de albumina, é de grande relevância, afas- tando dessas affecções as que a ellas similares todavia por sua naturesa etuberculosa, delias se distinguem. Quem lançar a vista indagativa por sobre o avul- tado pecúlio de observações versadas em tal assum- pto, ha da vel-a surgir firme, a veracidade desse asserto. Não, que não hajam occasiões de apresentar-se albumina nos esputos de bronchites simples, não tuberculosas; fal-o algumas vezes, mas passageira- mente, que constante, persistente, signal é de miopragia manifesta do musculo cardíaco. Como facilmente se infere da classificação mes- ma das expectoraçoes em albuminosas e não al- buminosas, não é particular á tuberculose e só delia proveniente, esputo de naturesa albuminosa. As infecções agudas dos pulmões, pneumonia ou broncho-pneumonia, congestões pulmonares agudas, apresentam-no. Mas, nessas doenças, se não mantém constante a presença delle, decrescen- do gradativamente a proporção de albumina com as successivas phases delias, desapparecendo com- pletamente após o periodo de deffervescencia, indi- cando imminencia de uma recahida, de uma com- plicação, ás mais das vezes um pleuriz purulento, n 26 a persistência da substancia aqui curada; nos ve- lhos, e em virtude do lento da resolução, por mais tempo ella mantém sua presença. Nos pleurizes, uma corticalite bacillar soto- posta á lesão pleural, como nol-o demonstram as observações de Roger e de Raymond. explica a sua presença. Albumina patenteiam nos escarros as congestões passivas ligadas ás cardiopathias, os edemas pulmonares dos brighticos, como também certas affecções dyscrasicas: a moléstia de Addi- son assim o faz. Admitte Wanner tres possibilidades de pene- tração da albumina nos escarros: Io atra vez ás glandulas mucosas; 2o atravez os bronchios e os alvéolos; 3* por abcessos bronchicos e atravez o parenchyma pulmonar. Da albumino-reacção um resultado positivo é sempre signal de uma lesão assentada no paren- chyma pulmonar, no alvéolo mesmo, seja qual for a causa que a produza. Valoroso signal clinico, como todos o são, care- cedor de interpretação intelligente, sensata o é também elle, Valor 'prognostico. — Cumpre-me mencionar agora, que estancadas não ficaram as importantes revelações que nos dá o methodo de Roger, o que se tem ajuisado delle, no que toca á previsão do evoluir da tuberculose pulmonar. Procuram assentar, vários experimentadores, o valor prognostico da albumo-ptyse, na maior ou 27 menor quantidade de albumina patenteada á rea- cção. Quanto mais adiantado se achar o estado morbido e mais rapida for a evolução delle, tanto maior será a quantidade de albumina. Tal é a opinião de Roger, cuja não differem no seu intrin- siço, as ídéas de Smolizanski, de que ha relação proporcional entre a extensão e profundidade das lesões e a quantidade de albumina conteúda dos esputos. Em tudo similares a estas observações são as de Lesieur e Privey, que vão mais alem e consideram marchando de par a par, a abundancia de bacillos, tuberculosos com a de albumina. Discrepam destas as observações de Gantz e Hertz e Dieudonné. Parece-nos, porém a nós, que ha uma certa relação entre esses factos; apenas um accidente passageiro, uma congestão mais que outro, fa- zendo que suba a proporção de albumina. Mas ainda, e para esse fim, apresenla o me- thodo papel interessante, valioso. Em separando, ao dosarem-se as quantidades de albumina, da serina aglobulina, apoucada sendo desta a quantidade á daquella que avulte, signal prognostico nimiamente terrível o é; ao revez suc- cedendo, inverso paradeiro terá o futuro do doente. Roger executando dosagens de um caso de evo- lução rapida e outro de evolução lenta, obteve resultado deste theor : 28 Evolução rapida Evolução lenta Albumina total. 0,58 p. 100 0,387 p. 100 Serina. . . . 0,266 — 0,129 — Globulina. . . 0.314 — 0,258 — Mais comprobatorias e interessantes sào as observações de Smolizanski sobre este assumpto. Fel-as elle em numero de onze. Delias sete deram predominio de serina, cujos os doentes soffreram quatro uma rapida evolução do morbo, um morreu no decurso de quatro mezes e apen'as dois nada soffreram na marcha da affecção. Aos demais, predominando a globulina, consi- deravelmente se lhes viu mais tarde melhorar o estado morbido e, sobre melhorar-lhes a doença, dois deixaram o sanatorio por considerarem-se aptos para fazel-o; um, submettido ao regimen de entrainement, o supportou bem e, o ultimo, de todos o que apresentou menor quantidade de glo- bulina, teve detida na sua evolução a tuberculose que lhe minava a existência. Correlato deste valor, é o seguinte e importante papel do methodo que, aqui mesmo, passamos a descrevel-o. Bem difficil é o ponto que se refere a verificação da cura, evolução ou estacionamento de um pro- cesso tuberculoso. De todos quantos methodos ha surgido, nenhum á albumino-reacção as lampas leva. no que toca a esse fito. > Ella é de uma utilidade notável, manifesta, no 29 investigar de um foco tuberculoso a sua actividade ou o guarecimento delle, que assente está a ve- racidade do que dizemos em farta copia de obser- vações. Roger dá deste facto uma prova mui evidente consignada numa das suas observações. Uma mocinha de quinze annos, com tosse e ex- pectoração, apresenta-se ao serviço clinico do Prof. Roger que, baseado apenas no exame physico exe- cutado lhe diagnostica uma tuberculose pulmonar. Mas a pesquisa de bacillos, intradermo-reacção e albumino-reacção foram todas concordes em um só e mesmo resultado negativo. Não satisfeito recorre Roger a uma injecção de tuberculina que, á temperatura atè então normal, fal-a elevada durante dois dias, havendo no ponto da injecção uma reacção local intensa. Durante esse periodo, positiva foi a albumino reacção; passado elle, chegada a defervescencia, a calma, tornou-se ella de novo negativa. Tira Roger, então a seguinte illação : a doente era séde de uma tuberculose que se detivera; os bacillos de todo se mantinham inactivos; a tosse e escarro apresentados sendo apenas ligados a uma bronchite simples, de exsudato mocuso. A tuberculina desperta o que se deparava so- mnolento, mas rapidamente chega a calma. A isto comprova a cura da doente pelo repouso apenas, que, após um mez e quatro dias de per- 30 manencia no serviço, delle sae com um augmento de tres kilogrammas de peso. Tratava-se, portanto, de uma lesão cicatrisada. As observações de Clemente Ferreira, Smoli- zanski, Geeraerd, faliam no mesmo sentido. Dieudonné, como ninguém, patenteia o interesse estimativo irrecusável, a verdade emanada desse facto, nas suas importantes pesquisas sobre a evi- dencia da cura de dezenove tuberculosos. Destes, oito julgados de pouco tempo curados, nada mais careciam que a antiformina patenteou alguns bacillos, embora raros: a albumino-reacção foi positiva; em sete, apesar da ausência de bacillos, notou-se existência de albumina; os quatro res- tantes, que Dieudonné os considerava curados ha dois annos, nem bacillos, nem albumina paten- tearam. Enfeixando todas as suas verificações e nellas baseado, Dieudonné conclue ser a albumino-rea- cção de alta relevância na verificação da cura real da tuberculose, sobrepujando, por sua sensibilidade mais aguçada, ao processo bacteriológico e, mais ainda, sendo capaz de com justeza differençar, das secreções pathologicas provenientes de um fóco tuberculoso activo ou curado desde pouco, as se- creções triviaes que sobrevêm mezes após antigas lesões especificas se terem sanado. OBSERVAÇÕES TUBERCULOSE FXJT.MOTsTAI? (3.* período) Observação I—J. M. U. bahiano, branco, solteiro, 34 annos, operário, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 10 de Junho de 1910. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A bacilloscopia apresentou innumeros bacillos. A ophtalmo- reaeção foi positiva. Observação II—C. S. M. bahiana, parda, solteira, 25 annos, residente em S. Antcnio. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo). O exame bacterioscopico revelou grande quantidade de ba- cillos. % Observação III—A. S. bahiano, pardo, solteiro, 23 annos, ope- raino da Villa Operaria, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 13 de Outubro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo) Dosamos a quantidade de albumina existente em 1000 cc. de escarro e encontramos 12.5 grammas. O exame bacterioscopico revelou grande quantidade de bacillos de Koch. Observação IV—M. F. C. bahiano, pardo, solteiro, 22 annos, roceiro, entrou para o isolamento dos tuberculosos em 5 de Outu- bro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo) A dosagem da albumina patenteou 6 grammas por mil centí- metros cúbicos de escarro. A bacilloscopia foi positiva. 32 TUBERCULOSE (3.- período) Observação I—I. J. S. bahiano, pardo, solteiro, 35 annos, roceiro, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 22 de Novem- bro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A bacilloscopia também o foi. Observação II—M. N. bahiano, pardo, casado, sapateiro, 27 annos, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 28 de Novem- bro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo). A bacilloscopia revelou-se positiva. A dosagem da albumina revelou 6 grammas por mil centíme- tros cúbicos de escarro. Observação III—J. 0. R. bahiano, pardo, solteiro, operário, 23 annos, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 19 de Março da 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo), revelando a dosa- gem da albumina 4 grammas delia por litro de escarro. A bacillos- copia foi positiva. Observação IV—J. H. bahiano, pardo, 30 annos, casado, ro- ceiro, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 6 de Novembro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo); a dosagem da albu- mina patenteou 6 grammas delia por litro de escarro. A bacillos- copia foi positiva. Observação V—D. P. S. A., bahiano, preto, solteiro, 38 annos, alfaiate, entrou para a enfermaria de S. Luiz, serviço do Professor Pinto de Carvalho em 11 de Outubro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A bacilloscopia revelou alghns bacillos de Koch. Observação VI—M. P., bahiano, pardo, solteiro, 22 annos, ga- nhador, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 14 de Setem- bro de 1911. 33 A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo); a quantidade de albumina que a dosagem revelou foi de cinco grammas e meio por litro de escarro. A bacilloscopia foi positiva. Observação VII—J. B., bahiano, pardo, casado, 55 annos, lavrador, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 26 de Setem- bro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo); a dosagem revelou 6 grammas de albumina por litro de escarro. A bacilloscopia foi positiva. Observação VIII—A. B., bahiano, solteiro, pardo, 25 annos, carpinteiro, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 30 de Se- tembro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (3.° gráo); a dosagem da albu- mina patenteou seis grammas dessa substancia por litro de escarro. A bacilloscopia foi positiva. Observação IX—B. P. A., bahiano, pardo, solteiro, 38 annos, roceiro, entrou para o pavilhão dos tuberculosos em 6 de Julho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2o. gráo). A bacilloscopia reve- lou a presença do bacillo de Koch. Observação X—F. C. bahiano, preto, solteiro, 31 annos, garim- peiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente, leito n. 33, eml9 de Julho de 1910. A albumino-reacção foi positiva (2.°) gráo. A ophtalmo-reacção e a bacilloscopia também o foram. Observação XI—O. B. norueguez, branco, solteiro, 29 annos, marinheiro. Entrou para o leito n. 34 da enfermaria de S. Vicente em 1 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva. A ophtalmo-reacção, como a bacilloscopia, foi positiva. Observação XII—L. P., bahiano, pardo, solteiro, 30 annos, roceiro. Entrou para a enfermaria de S. Vicente, leito n. 35, em 19 de Julho de 1911. 34 A albumino-réâcçãbfoi positiva (2.° gráo). A ophtalmo-reacção foi positiva, assim como o foi também a bacilloscopia. Observação XIII—Z. M. bahiana, branca, solteira, com 38 annos, entrou para a enfermaria de SanfAnna em 2 de Março de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A ophtalmo-reacção também o foi. A bacilloscopia, executada pelo processo de Ziehl-Nelsen, seis vezes, foi negativa, revelando, porem, o pr-ocesso de Zahn, raros bacilíos. A prova do vesicatório patenteou grande diminuição dos eosinophilos sem augmento dos lympliocitos. Observação XIV — S. C. bahiana, parda, solteira, 32 annos, empregada em seryiçôs domésticos, entrou para a enfermaria de SanfAnna em 26 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A bacilloscopia também o foi. Observação XV — J. B. S., bahiano, pardo, solteiro, 29 annos, padeiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 3 de Outubro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.°gráo). A ophtalmo-reacção foi positiva. A bacilloscopia revelou alguns bacilíos. Observação XVI—C. N., bahiana, parda, solteira, 17 annos, costureira, entrou para a enfermaria de SanfAnna em 21 de Agosto de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.» gráo). A bacilloscopia foi positiva. Os raios de Roentgen confir- maram o diagnostico. Observação XVII — A. A., bahiano, pardo, solteiro, 21 annos> roceiro. Pavilhão dos tuberculosos. A albumino-reacção foi positiva (2.® gráo). A bacilloscopia revelou bacilíos de Koch. 35 Observação XVIII — G. M., hespanhol, branco, solteiro, 22 annos, carroceiro. Pavilhão dos tuberculosos. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo); a dosagem da albumina, revelou 3 grammas delia por litro de escarro. A bacilloscopia foi positiva. Observação XIX — M. F., bahiano, preto, solteiro, 30 annos, pedreiro. Pavilhão dos tuberculosos. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo); a dosagem revelou 4 grammas de albumina por litro de escarro. A bacilloscopia foi positiva. Observação XX— J. B., bahiano, pardo, casado, 32 annos ganhador. Pavilhão dos tuberculosos. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo); a dosagem reve- lou 35 grammas de albumina por litro de escarro. A bacillos- copia foi positiva. Observação XXI — M. A. A., bahiano, pardo, solteiro, 25 annos, roceiro. Pavilhão dos tuberculosos. Albumino-reacção positiva (2.° gráo). A pesquisa de bacilloa revelou raros. Observação XXII—M. F. C., bahiano, pardo, 22 annos, roceiro, entrou em 5 de Julho de 1911 para a enfermaria de S. Vicente. Albumino-reacção positiva (3.° gráo). Bacilloscopia positiva. Observação XXIII —M. J. S., bahiano, pardo, solteiro, 48 , annos, desinfectador, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 9 de Agosto de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.» gráo). Bacilloscopia positiva. Os raios de Roentgen patentearam uma obscuridade completa no pulmão esquerdo e adherencias pleuraes no terço inferior; pulmão direito obscuro no terço superior. Observação XXIV — C. C. R., bahiano, branco, solteiro, 29 annos, pedreiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 17 de Junho de 1911. Albumino -reacção positiva. Ophtalmo-reacção-ligeiramente positiva. 36 Observação XXV — A. J. S., bahiano, pardo, solteiro, 22 annos, entrou em 26 de Março para a enfermaria de S. Vicente. Albumino-reacção-positiva (2.» gráo). Ophtalmo-reacção posi- tiva. Bacilloscopia positiva. TUBERCULOSE (l.° período) Observação I — A. S., hahiano, branco, solteiro, 27 annos negociante, doente do Dr. J. Gesteira. A albumino-reacção foi positiva ( 2.° gráo). A bacilloscopia foi negativa. Hemoptyses repetidas; bronchites de repetições frequen- tes. O exame clinico revelou rudeza respiratória nos vertices pulmonares. Observação II — R. M., bahiano, pardo, casado, 25 annos, empregado na Faculdade de Medicina da Bahia. A albumino-reacção foi positiva. A bacilloscopia foi negativa. Os raios de Roentgen demonstraram: vertice pulmonar esquerdo um pouco obscuro; vertice direito reduzido de volume e obscuro: os terços superiores dos pulmões mais obscuros que as bases. Observação III — A. D. , bahiano, pardo, solteiro, 27 annos, copeiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 10 de Julho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráô). Bacilloscopia nega- tiva. Tosse, espectora. O exame clinico revelou rudeza respiratória dos vertices pulmonares e ligeiros crepitos no vertice do pulmão esquerdo. Observação IV—A. S. B. S'. J., cearense, branco, solteiro, 23 annos, estudante, doente do professor Dr. J. Fróes. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráo). A bacilloscopia foi negativa. A ophtalmo-reacção foi negativa. Os raios de Roentgen patentearam obscuridade do vertice pulmonar direito. Observação V — L. M. C. S., bahiano, solteiro, estudante, doente da Professor J. Fróes. A albumino-reacção foi positiva. Bacilloscopia negativa. Os raios de Roentgen patentearam obscuridade dos vertices pulmonares. 37 Observação VI —Z. A., doente do Professor Fróes. Albumino-reacção-positiva (2.° gráo). Bacilloscopia-negativa. Observação VII—A. D. S. A., bahiano, pardo, solteiro, 22 annos, tecelão. Entrou para a enfermaria de S. Vicente em 8 de Agosto de 1910. Albumino - reacção positiva (2.° gráo). Ophtalmo-reacção positiva. A bacilloscopia foi negativa. Observação VIII—A. P>., baliiana, branca, solteira, 50 annos, costureira, entrou para a enfermaria de SanfAnna em 2 de Maio de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráo). A bacilloscopia foi negativa. A ophtalmo-reacção foi positiva. Observação IX—S. M. C., bahiana, preta, solteira, 15 annos, cosinheira, entrou para a enfermaria de SanfAnna em 10 de Ou- tubro de 1911. Albumino-reacção positiva (l.° gráo). Bacilloscopia negativa. Observação X—M. B. J., bahiano, pardo, solteiro, 25 annos, empregado publico, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 8 de Outubro de 1911. Albumino-reacção-positiva. Á pesquisa de bacillos foi negativa. Rudeza respiratória dos vertiees pulmonarçs. Observação XI—V. F. M., bahiano, branco, casado, 48 annos, roceiro, entrou para a enfermaria de 8. Vicente, no dia 13 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráo). O exame bacterio- scopico foi negativo. A roentgoscopia patenteou: elasticidade pul- monar diminuída, ligeira obscuridade nos vertiees pulmonares, com accentuação para o lado direito. Ganglios do mediastino hypertro- phiados. Movimentos limitados do diaphragma principalmente á direita. Observação I—A. N., bàhiano, pardo, casado, 35 anuos, nego- ciante, entrou para a enfermaria de 8. Vicente em 3 de Julho de 1911. B RON CHITBS 38 A albumino-reacção foi negativa. A ophtalmo-reacção foi negativa. A bacilloscopia foi negativa. Os raios de Rcentgen nada revelaram de anormal. Observação II—B. B. N., bahiano, pardo, solteiro, 28 annos, roceiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente 'em 7 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráo). A ophtalmo-reaccão deu uma reacção ligeira. A bacilloscopia foi negativa. Observação III—M. P. S., bahiano, pardo, solteiro, 32 annos, carregador, entrou para a enfermaria de 8. - Vicente em 26 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva (l.° gráo). A bacilloscopia negativa. Observação IV—B. F., bahiano, branco, solteiro, 20 annos, conductor de bonde, entrou para a enfermaria de 8. Vicente em 20 de Maio de 1911. A albumino-reacção foi negativa e a bacilloscopia também. Observação V—J. D. S., bahiano, preto, solteiro, 18 annos, ganhador, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 8 de Agosto de 1911. A albumino-reacção foi positiva. A bacilloscopia negativa. Observação VI—J. C. O., bahiano, pardo, solteiro, 29 annos, roceiro. Entrou em 6 de Julho de 1911 para a enfermaria de S. Vicente. A albumino-reacção foi negativa. A bacilloscopia também. Observação VII—J. V., sergipano, pardo, solteiro, 23 annos, roceiro, entrou em 8 de Junho de 1911 para a enfermaria de 8. Vicente. Albumino-reacção positiva. Bacilloscopia negativa. Observação VIII —A. L. P., italiano, branco, casado, 42 annos, 39 marinehiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 3 de Outu- bro de 1911. Albumino-reacção negativa. Bacilloscopia negativa. Observação IX — A. A., bahiano, branco, solteiro, operário, 28 annos, ént.rou para a enfermaria de S. Vicente em 22 de Julho de 1911. Albumino-reacção positiva (2.° gráo). Bacilloscopia negativa. Observação X — M. A. A., bahiana, branca, solteira, 41 annos, empregada em serviços domésticos, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 21 de Julho de 1911. Albumino-reacção positiva (2.° gráo). Bacilloscopia negativa. PLEURIZES Observação I — M. A., bahiana, parda, 8 annos de idade, en- trou para a enfermaria de Santa Maria, serviço clinico do Professor Dr. Magalhães, em 2 de Agosto de 1911. Albumino-reacção positiva (2.° gráo). Bacilloscopia negativa. Ophtalmo-reacção negativa. Pleuriz purulento esquerdo. Oservação II — J. M., bahiano, preto, solteiro, 46 annos, car- roceiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 21 de Junho de 1911. A albumino-reacção foi positiva. A ophtalmo-reacção e a ba- cilloscopia, foram negativas. A formula cytologica do liquido extra- hido da pleura revelou grande abundancia de lymphocitos. Pleuriz sero-fibrinoso esquerdo. Observação III — J G., bahiano, pardo, solteiro, 18 annos, roceiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 13 de Julho de 1911. Albumino-reacção positiva. Bacilloscopia negativa. Pleuriz sero-fibrinoso direito. NE;PHRITKS Observação I — A. A. S., bahiano, branco, solteiro, 12 annos, empregado em serviços domésticos, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 23 de Julho de 1910. Albumino-reacção positiva (3.° gráo). Racilloscopia negativa. 40 Observação II — F. B. 8. J., bahiano, preto, casado, 32 annos, mascate, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 25 de Outubro de 1910. Albumino-reacção positiva (3.° gráo). Ophtalmo reacção nega- tiva. Bacilloscopia negativa. Observação III — J. B'., bahiano, branco, casado, 77 annos, empregado publico. Doente do Professor Dr. Fróes. Albumino-reacção positiva. Bacilloscopia negativa. Este doente, além de nephrite, soffria de bronchiectasia e arterio-sclerose. ANEUEYSMA DA GROSSA 13A. AORTA Observação I — A. J. N., bahiana, parda, solteira, lavadeira, entrou para a enfermaria de SanfAnna em l.° de Janeiro de 1911. Albumino-reacção positiva (2.° gráo); Bacilloscopia negativa. A urina apresentou traços de albumina. PNEUMONÍA Oservação I — A. B. N., bahiano, preto, solteiro, 20 annos, car- roceiro, entrou para a enfermaria de S. Vicente em l.° de Novem- bro de 1911. Albumino-reacção positiva (3.° gráo). Bacilloscopia negativa. JlROlSrCHO-P^STElUMOIISri.A. Observação I — C. S., bahiano, preto, solteiro, 30 annos, em pregado em serviços domestiços, entrou para a enfermaria de S. Vicente em 28 de Junho de 1911. Albumino-reacção positiva (3.° gráo). Bacilloscopia negativa. Observação II — J. M. C., bahiano, pardo, solteiro, 24 annos, soldado, entrou para o serviço clinico do Dr. A. de Carvalho em 31 de Outubro de 1911. A albumino-reacção foi positiva (2.° gráo). A dosagem da albumina revelou 7.5 grammas delia por litro de escarro. Foram feitos vários exames bacilloscopieos, sendo empregado também o processo de homogeneisação de Zahn, dando todos resultado negativo. CONCLUSÕES Agora, para termino deste nosso despretencioso trabalho, vejamos que conclusões tiramos das nossas pesquisas. Façamol-as patenteadas. Pela simplesa e facilidade de execução, inocuidade de manejo, é a albumino-reacção digna de apreço. Reveladora da ausência de albumina em uma expectoração, torna-se ella signal seguro de tratar-se de uma lesão outra que não a producto tuberculoso. Ao reves succedendo, positiva sendo ella, carecem interpre- tações, por doenças, em nada semelhantes á tuberculose, paten- tearem-na, o que todavia não desfaz o valor do methodo. Nada ha em clinica que não necessite interpretar-se Infelizmente não podemos verificar o valor do methodo quanto ao prognostico e a cura da tuberculose: âmbito estreito sendo o das nossas observações e de pouca longura o tempo de executal-as Todavia, praticamos dez dosagens de albumina; por defi- ciência de numero, porém, não queremos colligir delias coisa alguma, sendo-nos razoavel as idéas de outros experimentadores, que foram explanadas alhures, por nós. Por consequência valoroso é o methodo de Roger. Avantaja-se a tantos outros que se vêm em campo, buscando o mesmo fito, como limpidamente surge do computo que lhes faça com o que hemos dito ao iniciarmos este trabalho, delles realçando-se ainda por, alem dos mesmos predicados que lhes são emanantes, possuir valores de alto renome, que nelles não são topados. 42 Hemos, assim, chegado ao termo da romagem emprehendida. Temos para nós, que se não atinamos com a verdade, procura- mos por que o fizéssemos. Bom esteio é o em que se firmaram as nossas conclusões, que são as de muitos: sessenta observa- ções, feitas cuidadosamente, por não contaminadas de falhas, por bem assentadas na verdade, são o bafetante para que não nos acoimem de precipitado. Aos que, ávidos do innumeravel, nellas virem apoucado de numero, digo-lhes: « Quod potui feci, faciant meliora potentes». PROPO$IÇÕGS PROPOSIÇÕES PIistobia Natural Medica I— O aspergillus fumigatus é um coGumeJlo da ordem dos Ascomycetos e da familia dos Perisporiaceos. II— Apresenta esporos que, verdes ou pardos, o são conforme o meio. III— Ataca o homem, produzindo pseudo-tubercu- loses. Anatomia desceiptiva I— Os pulmões são duas massas esponjosas e de estru- ctura alveolar, conteúdo da cavidade do peito, da qual soffre as impressões das paredes. II— O volume dos pulmões differe de um para o outro: o direito sobrepujando o esquerdo. III— Servem as scissuras interlobaes de differenciação dos pulmões: o direito poâsuindo-as em numero de duas e o esquerdo tendo apenas uma. Chimica medica I—Albuminoides são substancias organicas comple- xas que muito se assemelham á albumina do ovo. As matérias albuminoides são amorphas, solidas, insi- pidas e inodoras. III—Delias a hemoglobina é a unica que erystallisa. 46 Physiologia I— E’ na bolsa estomacal que se passa a acção da mis- tura pepsino-acida sobre as matérias albuminoides. II— Consiste esta acção em fragmentações e desdo- bramentos successivos resultantes de processos conti- nuos de hydratação. III— Além dè o serem no intestino delgado, as subs- tancias albuminoides podem ser absorvidas no estomago e intestino grosso. Matéria medica — Pharmacologia e Arte de • formular I— Das associações medicamentosas, surge, as vezes escolho terrivel—as incompatibilidades. II— Dividem-se ellas em physicas, chirqicas, plvarma- ceuticas e physiologicas. III— Para evital-as é necessário conhecimento preciso das propriedades dos medicamentos. Bacteriologia I— O bacillo de Koch, apresenta no seu seio granula- ções nomeadas de Mucli. II— Afuncção dessas granulações é não só importante como essencial á vida do bacillo. III— Elias são a forma; mais resistente do germen da tuberculose. Clinica dermatológica e Syphiligraphica T—A syphilis terciaria dos pulmões é uma manifesta- ção essencialmente tardia, as mais das vezes. TI—Ella pode simular a tuberculose. III—A albumino-reacção distingue-a delia. 47 Clinica Medica (l.a cadeira) I— A febre dos tuberculosos é indicio quasi seguro da gravidade do prognostico. II— Ella é devida ao envenenamento da economia pela tuberculina bacilar. III— O melhor meio de cural-a é a aeração. Clinica Propedêutica I— O som tympanico só por si, não firma o diagnos- tico de uma caverna pulmonar. II— Sempre que elle fôr mais alto na posição resupina e mais baixo na erguida, deve-se ter por bem fundado o diagnostico de uma caverna. III— A variação sonora de Wintrich é um bom signal dessa lesão tuberculosa. Anatomia e Phtsiologia Pathologicas I— A tuberculose reveste duas formas: ou é granulosa ou infiltrada. II— Granulosa, o tubérculo miliar e a granulação cin zenta são os seus genuínos representantes. III— Infiltrada, a substancia caseosa é de predomi- nância. Pathologia Medica I— São as hemoptyses um dos svmptomas mais im- portantes da tuberculose pulmonar. II— Nem toda hemoptyse se liga á tuberculose. III— As hemoptyses tardias ligam-se as mais das ve- zes a rupturas dos aneurysmas de Rasmussen. Pathologia Cirúrgica I—Uma ferida do pulmão pode determinar uma pneu- monia traumática mortal. 48 II— Todavia as feridas desse orgão, ordinariamente se cicatrisam rapidas. III— Um emphysema sub-cutaneo pode surgir instan- taneamente após ferido o pulmão. Clinica Pediátrica I— Dentre as affecções congénitas do coração, a mais commum é a estenose pulmonar associada á moléstia de Roger. II— A tuberculose pulmonar é frequentíssima na este- nose pulmonar congénita. III— Duas theorias disputam a pathogenia das affe- cções congénitas do coração: a da parada do desenvolvi- mento de Rokitansky e a da endocardite fetal de Lan- cereaux e Cruvelhier. Anatomia Medico Cirúrgica I— Os pulmões occupam mais ou menos quatro quin- tos da cavidade thoracica, cujas paredes são delles sepa- radas pelas pleuras. II— O vertice dos pulmões excede, em geral, a pri- meira costella mais ou menos a dimensão de. um dedo posto transversalmente. III— No vertice encontram-se duas depressões: uma para diante, formada pela primeira costella; a outra para fóra, constituída pela artéria sub-clara. Medicina Legal I— E’ uma substancia albuminoide que affirma ser ou não uma mancha producto do sangue—a hemoglobina- II— Ella o faz por seus crystaes, nomeados de lieminso chlorhydrato de hematina, ou de Teichmann. III— O espectroscopio por sua vez a caracterisa. 49 Clinica Cirúrgica (l.a cadeira) I— Não só o álcool, uma infecção pode também pro. duzir um delírio post-operatorio. II— Ha casos em que nem uma nem outra destas cau- sas produzem delírio. III— Quando o delirio é alcoolico, o álcool é o trata mento mais efficaz. Clinica Cirúrgica (2.a. cadeira) I— Os abcessos do figado ou um hysto-hydatico, ulce- rando odiaphragma abre-se ou na pleura ou nos bronehios. II— A pneumotomia encontra nesse caso indicação va- liosa, III— Ha quem affirme a cura das cavernas tubercu- losas por essa operação. Clinica Obstétrica I— A prenhez pode precipitar a marcha de uma tuber- culose pulmonar. II— Em geral as tuberculosas dão á luz sem grandes difficuldades. III— O aborto é muito commum nessas doentes. Obstetrícia I— Na tuberculose as perturbações do menstruo são assaz frequentes. II— As regras podem ser suppressas. III— Elias podem também apresentar-se dolorosas. Clinica Medica (2.a cadeira) I— Nem todo pleuriz é tuberculoso. II— Ha quem negue o valor do cyto-diagnostico nos pleurizes. III— O melhor tratamento delles é a thoracentese. 50 Therapeutica I— Curam-se as doenças por meio de tratamentos, específicos e symptomaticos. II— Raro é o tratamento especifico. III— A tuberculose não o tem. Operações e apparelhos I— Chama-se thoracentese a operação que tem por fim punccionar o peito, para delle extrahir o liquido que lhe é conteúdo. II— Ha diversos generos de apparelhos, que servem para executai-a, chamados thoracentesios. III— Serve de indicação para essa operação a quanti- dade do liquido pleural. Hygiene I— Os escarros dos tuberculosos são fonte frequente de contagio. II— A projecção,. quando tossem os tuberculosos, de gotticulas de saliva bacillifera, é um outro e frequente meio de contagio. III— Os tuberculosos só devem escarrar em escarrado- res proprios, moveis. Histologia I— Os pulmões são constituídos de pequenos orgãos denominados lobulos. II— Quando periphericos, têm elles a forma pyramidal. III— Centraes, têm formas variadas. Clinica Psychiatrica e das Moléstias Nervosas I— O bacillo de Koch produz meningites cerebro-espi- nhaes. II— Não é elle o unico agente pathogenico dessa doença. 51 III—Os symptomas delia são os mesmos, qualquer que seja a sua pathogenia. Clinica ophtalmologica I— A infecção tuberculosa pode atacar a cornea, deter- minando-lhe lesões - inflammatorias. II— Não parece haver caso algum de infecção primitiva da cornea pelo bacillo de Koch. III— —O parenchyma corneano não pode ser lesado in- dependentemente de não o ser a região irido-ciliar. Visto. Secretaria da Faculdade de Medicina da t Bahia, 31 de Outubro de 1911. O Secretario, Dr. Menandro dos Reis Meirelles ERRATÁ Pg.: Linha: Onde se lé: Leia-se: I 7 a guisa á guisa I 8 a á II 7 tal al II 16 matamorphoseada metam orphoseada VII 17 ao a XI 6 se lhe se se lhe XIII 28 b mo bom XIV 8 estructuaes estructuraes XVI 20 diagnosticamos diagnosticar XVIII 5 Stickerc Sticker 29 24 e escarro e o escarro 29 25 mocuso mucoso 30 11 careciam careciam para a sa- bença de não de ve- ras o estarem,.pois. Alem destes outros descuidos existem semelhantes ou de menor importância, que o leitor facilmente os corrigirá.