FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA APRESENTADA Á FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Em 15 de Outubro de 1910 PARA SER DEFENDIDA POR UVthur ©sorio de Ui ato Killio legitimo de fllwtowio cDèeMvcftòo So&zí-hIio e CD. cFRomevt-oc ieita òe ClauAar 2/mto NATURAL DO ESTADO DO MARANHÃO (Caxias ) Pharmaceutlco pela mesma Faculdade, ex-loterno de Hydro-Electro- Tbsrapla do Hospital Saota Izabel AFIM DE OBTER O GRAO DK D©ut©r ©ffi N/lediem® DISSERTAÇÃO Cadeira de Clinica Medica TRATAMENTO DA PESTE PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medicas e Cirúrgicas. BAHIA Typographia S. José Rua cio corpo santo n. se 1910 FACULDADE DE MEDICIMA DA BAHIA Director—Dr. AUGUSTO C. VIANNA Vice-Director—Dr. MANOEL JOSE’ DE ARAÚJO LENTES CATIIRDKATIGOS OS D1!S. MATÉRIAS QUE EECCIONAM l.a SECÇÃO Carneiro de Campos Anatomia deseriptiva. Carlos Freitas ' Anatomia medico-cirnrgica. 2. a Antonio Pacifico Pereira Histologia normal. Augusto C. Vianna Bacteriologia. Guuherme Pereira Rebello .... Anatomia e Physiologia pathologicas. 3. a Manoel José de Araújo Physiologia. José Eduardo F. de Carvalho Filho . Therapcutica. 4. a Luiz. Anselmo da Fonseca .... Hygicne. Josino Correia Cotias Medicina legal c Toxicologia. 5. a Antonino Baptisla dos Anjos . . . Pathologia cirúrgica Fortunato Augusto da Silva Júnior . Operações e apparelhos. Antonio Pacheco Mendes Clinica cirúrgica 1.» cadeira. Braz Hermenegildo do Amaral . . . Clinica cirúrgica 2.:1 cadeira. 6. a Aurélio R. Vianna Pathologia medica. João Américo Garcez. Froes . . . Clinica Propedêutica. Anisio Circundes de Carvalho . . . Clinica Medica 1.» cadeira Francisco Braulio Pereira .... Clinica Medica 2." cadeira 7. a A. Victorio de Araújo Falcão . . . Matéria medica, Pharmacologia e arte de Formular José Bod rigues da Costa Dorea . . Historia natural medica. José Olympio de Azevedo .... Chimica Medica. 8. a Deocleciano Ramos . . . . . • Obstetrícia. Climerio Cardoso de Oliveira . . . Clinica obstétrica e gynecologiea. 9, a Frederico de Castro Rebello . . . Clinica pediátrica. 10, a Francisco dos Santos Pereira . . . Clinica ophtalmologiea. 11.a Alexandre E. de Castro Cerqueira . . Clinica dermatológica e syphiligraphica. 12. a Luiz. Pinto de Carvalho Clinica psvchiatrica e do moléstias ner- vosas João E. de Castro Cerqueira . . . Em disponibilidade. Sebastião Cardoso 1 LENTES SUBSTITUTOS OS DOUTORES José Affonso de Carvallio . . l.a Pedro da Luz Carrascosa e . . Gonçalo Moniz Sodré de Aragão . ( 2.a J. J. de Galasans . . - • ]•* Julio Sérgio Palma ( « .1. Adeodato de Souza . . . 8 a Pedro I.uiz. Celestino .... 3." Alfredo Ferreira dc Magalhaes . 9 » Oscar Freire de Carvalho . . 4.“ Clodoaldo dc Andrade .... 10. Caio O. F. de Moura . ... 5.“ Albino Leitão 11- Clemontino da Rocha Fraga , . (i.“ Mario Leal 12. Secretario-Dr. MENANDRO DOS REIS MEIRELLES Sub-Secretario Dr. MATHEUS VAZ DE OLIVEIRA A Faculdade não approva nem reprova as opiniões exaradas nas tlicscs pelos seus auctores PRIMEIRA PARTE Perdeu-se no abysmo do passado o começo da historia do tratamento da peste bubonica. E’, das moléstias prehistoricas, indubitavelmente, a peste, a que maiores damnos tem infligido á humanidade. Com o fim de libertar as pessôas accommettidas por este terrível mal foram empre- gados meios estravagantes. Galeno preconizou a theriaga, celeberrima prepa- ração da polypharmacia, que era composta de sessenta substancias diíferentes. O bolo arménio era considerado por Galeno como um antipestilencial de primeira ordem. Não era mais nem menos do que terra vinda da Pérsia ou da Arménia, que devia a sua côr vermelha ao oxydo de ferro, com a forma de bolo. 2 Plinio, o naturalista, prescreveu, também, uma serie de medicamentos empíricos. No começo do século XII, estiveram em voga o metriclat, composto de cincoenla e duas substancias, e o diascordium, de dezesete. Em 1348, os médicos de Montpellier aconselhavam um electuario que era constituido por pimenta negra e cuminho, em partes eguaes. Para os pestosos que tinham o temperamento bilioso, o electuario devia ter menos pimenta e mais cuminho. Quando a sangria imperava com despotismo foi, imprudentemente, empregada no tratamento da peste. Du Gardin, em 1617, abraçou este methodo que já tinha sido applicado por Guy de Chauliac, em 1348. Os antigos empregavam-na julgando que a causa se achava no sangue. Está provado que os micro- organismos responsáveis pela peste não são encon- trados, em todos os casos, no sangue. Justamente o contrario se dá com as suas toxinas. O organismo, com a sangria, liberla-se de um pouco de toxinas e ao mesmo tempo perde grande quantidade de ele- mentos de defesa. Com a menor resistência da parte do organismo, a probabilidade de victoria dos ger- mens torna-se maior. Procede de alguns séculos passados a eontrain- dicação da sangria. O famoso cirurgião Lyonense, Barbette, em 1680, já a combatia com estas palavras: «La saignée est íort 3 nuisible à ceux qui ont la peste, comme elle est dangereuse à ceux qui veulent s’en préserver. . . Si on 1’attire (le sang) au cceur [)ar la saignée, vous pouvés juger si vous n’aurés pas eté cause, en diminuant le sang, les esprits et les íorcés que le coeur soit étoulle et n’ait pas eu la 1‘orce de chasser 1'ennemi.» «Nas moléstias inlectuosas, diz Arnozan, a sangria não pode trazer nenhum residtado satisíatorio.» Ambroise Paré e Rauchin consideraram, também, sem razão de ser, o emprego da sangria no trata- mento da peste. Em Lille, no século XV11, foi largamente applicado o emplastram dia palma. Du Gardin aconselhou uma cataplasma de compo- sição complexa, inventada, muitos annos antes, por Hermés le Glercq, um dos mais celebres médicos da Hollanda antiga. Os purgativos gosaram de grande reputação em Lorraine, no século XIV. Mereatus Septalins, Am- broise Paré e Sydenham recommendaram estes me- dicamentos no inicio da moléstia. Hoje servem para libertar o doente da acção dos micro-organismos existentes nos intestinos que, muitas vezes, produzem complicações no decurso da peste. O oleo de recino, que não provoca a constipação de ventre, como os salinos, e nem tem os elleitos 4 energicos dos drásticos, preenche, perfeitamente, este fim. Para os médicos de Lille, do século XVII, os vomitivos tiveram um valôr maravilhoso. A formula mais usada, foi: «IIIJ á V culières ddiuile d’olive, d’autant de bon vinaigre et d’eau tiéde.» Ambroise Tardieu, imitando os loimographos da antiguidade, aconselhou, em 1873, o emprego dos emeticos no começo do «mal divino.» No estomago do pestoso nada ha que indique a applicação d’estes medicamentos. Para maltratar o bubonico bastam os vomitos produzidos pela acção das toxinas sobre a medulla alongada. Na epidemia de Provence, em 1720, o vinagre dos quatro valores deu resultados fabulosos. Quando a peste assolou Smyrna, em 1804, Assa- lini preconisou as fricções de oleo morno, por ter observado que as pessoas empregadas na fabricação de oleo ou em sua conducção não contrahiam este terrivel jnal. São palavras de Assalini: «In the space of 5 years 250 persens infected with plague have been received in the hospital of Smyrna, and I am assured that all those whowere thus treated have recovered, and that the number of persons preserved from the plague by frictions of oil is immense.» Alkinson manda administrar ao pestoso setenta 5 e cinco centigrammas de phenol de duas em duas horas, nos tres primeiros dias, e, nos subsequentes, até que appareça a intolerância, quarenta centigram- mas de quatro em quatro horas. Dupuy diz que se pode receitar no máximo uma gramma em vinte e quatro horas. Yvon, Gilbert e Courtois-Suflit, que são mais providos, prescrevem, no máximo cincoenta centi- grammas no mesmo tempo. Os misérrimos bubonicos, que forem submettidos a este tratamento, ingirirão nove vezes a dose maxima de Dupuy e dezoito a de Yvon, em vinte quatro horas. Robim provou que este medicamento accelera a desassimilação. Conhecemos um caso de anemia profunda e emmagrecimento rápido produzidos peia ingestão de phenol. Foi uma tentativa de suicidio que se deu no anno passado. A morte do pestoso durante a convalescença, em regra geral, é devida ao mau funccionamento do estomago. E, no emtanto, Atkinson o inutiliza com o phenol, em vez de o preparar para a convalescença. As experiencias de Gaglio provaram que o albumi- nato de mercúrio estimula os phagocytos. Elsner demonstrou que o bichlorureto de mercúrio em contacto com a albumina e em presença do chlo- rureto de sodio produz um albuminato solúvel. Bacelli, baseando-se nas observações de Gaglio e de Elsner, receitou a formula seguinte: 6 Bichlorureto de mercúrio.. 10 eentigrammas Chloríireto de sodio 40 eentigrammas Agua d is til lada e fervida 100 grammas. Para injecções endovenosas e peribubonicas. O I)r. Tornpson, em Hong Kong, e o Dr. Augusto Couto Maia, Director do Isolamento em Mont-Serrat, Bahia, empregaram o bichlorureto de mercúrio sem resultados. Penna empregou o hyposulfito de sodio na dose de uma gramma para um centimetro cubico d’agua distillada em injecções hypodermicas de tres em tres horas. Le Dantec indica as injecções endo-venosas de dois a cinco centimetros cúbicos de uma solução de collargol a um por cento. A pratica tem de- monstrado que os resultados obtidos com este medi- camento não são como dizem. O I)r. Couto Maia applicou o collargol com o sòro. O Dr. Lopes Rodrigues aííirma que tratou pestosos com o salicylato de ferro, no Rio Grande do Sul. Os frebrifugos têm sido usados, imprudentemente, em todos os tempos. Vejamos o qúe, sobre estes medicamentos, disse Catrin: «On conseille en général d’évirer Panalgésine et tous les antipyrétiques ayant une action aífaiblis- sante sur le coeur. 7 Judiciosamente têm sido preconizados no trata- mento da peste, desde a mais remota antiguidade, os diuréticos e os diaforéticos. Em todas as épocas, os bubões têm attrahido a attenção dos loimographos. Até o século XVII, emLorraine, applicaram sobre os bubões um vesicatório e, sete ou oito horas depois, o emplastro arsenieal magnético. Geralmente o bubão pestoso é dolorosissimo e as partes que o circumdam ficam hyperesthesiadas. A liyperesthesia é o producto da acção irritante das toxinas do bacillo de Yersin. Ambroise Tardieu disse: «Le traitement local consiste à abandonner à la nature la marche des bubons, et à les ouvrir avec le bistouri lorsque la fluctuation y est manifeste.» Os germens da suppuração têm a propiedade de destruir os bacillos da peste. Baseando-se neste principio, Yalassapoulo propoz a injecção, nos bubões, de uma cultura estrepto- coccica com o unico intuito de provocar a suppu- ração. Cremos, porem, que os bubões são menos perigosos do que a injecção de Valassopoulo. Com o ferro em braza os Árabes destruíam os bubões. Terid ben Ibahim, plagiando este methodo, preconiza o thermocauterio. Kitasato e Terni estirpam os ganglios infectados. 8 Por mais habil que seja, o cirurgião nunca poderá estirpar todos os ganglios. Durante a estirpação muitos vasos sanguíneos serão lesados e os bacillos que ficarem nos ganglios não visivelmente enfartados, poderão promover a septicemia pestosa. ' Certamente estes loimographos nunca foram ata- cados pela peste, porque' quem soífreu as dôres provocadas por um bubão pestoso jamais terá a audacia de lembrar tão inhumano quão pernicioso tratamento. Naturalmente os estirpadores não anesthe- siavam o infejiz paciente quando iam praticar esta terrível operação. Os anesthesicos locaes são impotentes e os geraes consideramos contraindicados. Sobre o barbaro tratamento dos bubões por meio de injecções, diz o Dr. Gonçalo Moniz : «Tentaram também injecções intraganglionares de acido phe- nico, bichlorureto de mercúrio, tinctura de iodo; estas injecções tiveram por unico effeito tornar o ganglio mais doloroso.» SEGUNDA PARTE Na historia hodierna da peste, Yersin occupa o primeiro lugar entre os loimographos. Foi este sabio quem descobriu o micro-germen responsável pelo «mal divino» de Hippocrates. O nosocratico da «pestis glandularia» devemos a Yersin, Roux, Calmette e Borrei. Foi obtido pela primeira vez no Instituto Pasteur, de Paris, em 1895. Somente dois Institutos fabricam o soro no Brazil: o de Manguinhos, no Rio de Janeiro, de Butantan, em S. Paulo. Em S. Paulo empregam o burro e no Rio o cavallo. Verificou-se, no Instituto de Manguinhos, que o soro do cavallo é menos toxico que o do burro. 10 Rolle e Hetsch, em bellas experiencias, paten- tearam (pie o sôro do Instituto de Manguinhos, como preventivo, é superior aos de Berne, de Paris e da índia. Segundo os mesmos autores, este sôro sendo applicado seis horas depois da infeceão, tem acção curativa inferior ao de Berne e superior aos de Paris e da índia. Administra-se o sôro em injeccões sub-cutaneas, endo-venosas e endo-peritoneaes. As injeccões sub-cutaneas, commummente são empregadas na prophylaxia. Produzem distensão dos tecidos, reacção local e hyperesthesia. Neste methoclo a absorpção é muito lenta; dahi vem o porque de ser elle raramente usado no tratamento. As injeccões endo-venosas são as inais usadas. E’, verdadeiramente, commovente o estado que apresenta muitos pacientes minutos depois das primeiras injeccões endo-venosas. Mil symptomas horríveis se apoderam do pestoso. Casos ha em que elles começam antes de se terminar a injecção. Muitos têm naufragado neste mar encapellado. A respiração, a temperatura e o pulso são augmentados ’—observamos—depois das injeccões endo-venosas. Este methoclo é contraindicado no bubonico em que ha cardiopathia. E, como o I)r. Ribeiro de Almeida, these de doutoramento, julgamos que é, igualmente, contraindicado na forma peneumonica da peste. Ha, nesta forma, hvperemia dos pulmões, e a introducção 11 rapida de uma dose massiça de sòro augmentará, indubitavelmente, a estase sanguinea nos já mencio- nados orgãos. São escolhidas para este fim as veias salvatellas, as medianas basílicas e cephalicas, as radiaes, as cubitaes, as superficiaes do dorso do pé, etc. Cremos que, na applicacão do sòro, as endo- peritoneaes constituem o methodo ideal. Aqui, como em todas as injecções, deve ser rigorosa a asepsia. Neste methodo os accidentes immediatos, que apavoram o operador, são raros e a absorpção é extraordinariamente rapida. As outras razões serão dadas com a continuação da nossa narrativa. O nosocratico do typho d’Oriente é injectado em doses massiças ou em íraccionadas. As doses fraccionadas—consistem no emprego de quinze a vinte centímetros cúbicos de soro, uma ou duas vezes por dia. Elias, ao lado de alguns resultados, têm dado grandes dissabores aos clínicos que as têm applicado. O Dr. Cardoso Fontes, em sua These inaugural, tratando das doses íraccio- nadas, diz: «Ha como se fosse uma armazenagem de sòro que só actuaria quando chegasse á dóse sufficiente.» Afigura-se-me que o sòro, que é anti-toxico e anti-infectuoso, dá combate ao inimigo logo que chega ao organismo. A dose fraccionada, uma vez no organismo, actua immediatamente destruindo os bacillos e suas 12 toxinas; a sua acção deleteria sobre esses micro- organismos pathogenos se exerce até o ponto em que o sôro perde suas propriedades microbicida e anti-infectuosa e, então, é eliminada. Não acredi- tamos que, depois de vinte e cpiatro horas, ou mesmo de doze, haja sòro, com propriedades exactamente iguaes às que tinha antes de ser injectado, no organismo. As doses massiças têm dado bellissimos resultados no tratamento da peste. Somente ellas, segundo o que observamos, devem ser acceitas para este fim. A quantidade de bacillos e de toxinas que encerra o corpo do pestoso não pode ser determinada. E, porque ha necessidade de se tratar o bubonico o mais breve possirel, é racional que se empregue grandes doses do nosocratico da peste. Para maior elucidação vejamos como pensam os mestres: «A questão da dóse é também importante: convém dar preferencia á injeçcão em grandes doses de uma só vez». (Dr. Oswaldo Cruz). «As doses devem ser massiças; cada secção de sorotherapia de 50tíC ou 60cc. Em certos casos, de apprehensiva gravidade, fiz injecções intravenosas, em uma só secção de 100tíC. Adoptei as inoculaçDes massiças e espaçadas: no máximo duas nas vinte e quatro horas.» (Dr. Tavares de Macedo, Director do Hospital Paula Cândido, Rio de Janeiro.) «Inoculamos, diz o Dr. Gonçalo Muniz, nas crean- 13 ças, de cada vez, 20cc, 30'c e mais conforme a idade e a gravidade do caso. Nos adultos as doses eram de 40e<‘ para cima, e nos casos graves injectamos nas veias 60cc, 80cc de cada vez, repetidamente em dias successivos; j)or vezes fazíamos mais de uma injecção no mesmo dia.» Para confirmar o que dissemos quando nos occu- pamos das dóses fraccionadas, aqui está o que escreveu o Dr. Uballes: «Guiando-se pelo conselho de Calmette e Salimbeni e pelo proprio Yersin, de usar dóses pequenas e repetidas de soro, quando appareceu a peste em Buenos Ayres, o Dr. Penna poz em pratica o mesmo tratamento, quer dizer, praticando injeccões intravenosas de 20cc e sub- cutâneas de 40cc a 60cc, os resultados foram muito duvidosos, a febre se prolongava e muitos enfermos morriam. Foi então que o Dr. Penna, começando por porções suecessivas e augmentando progressiva- mente a quantidade, chegou a empregar dóses de sôro muito mais intensas e repetidas em injeccões unicamente endo-venosas com um resultado muito mais favoravel.” Já se administrou em casos graves, no Hospital Paula Cândido, cento e cincoenta centímetros cúbi- cos de sòro de uma só vez e duzentos no espaço de doze horas. Pela manhã foram injectados cem eenti- metros cúbicos e a tarde quantidade igual. Foi de cento e vinte centímetros cúbicos a dose 14 mais elevada que se utilisou o Dr. Couto Maia. Na these inaugural do Dr. Enjolras Vampre, illus- tre ex-interno do Isolamento de Mont-Serrat, encon- tramos este axioma: «Na peste bubonica classica, o mal está no bubáo e o perigo na respiração». O maior perigo da peste é constituído pelas to- xinas. E’ bem aeeentuada a sua predilecção pelos centros nervosos. São, talvez, os centros que pre- sidem a respiração os que mais soffrem a acção dele- teria dessas substancias. A tachypnéa, que indica a existência de grande quantidade de toxinas no or- ganismo, é um symptoma terrível para o doente e para o medico. O enfermo soííre extraordina- riamente e o medico vê nelle um candidato a sepultura. As toxinas do hematozoario de Laveran não têm como as do cocco-bacillo de Yersin, a propriedade de produzir a tachypnéa. O nosocratico da lebre do Levante é mais anti- infectuoso do que anti-toxico. E’ obvio que, tendo-se de combater as toxinas, se utilise de maior quanti- dade delle do que se se tivesse de agir somente sobre os factores etiologicos. E’ intuitivo o emprego das doses massiças porque se não pode fixar a porção de sôro que seja capaz de neutralizar uma quantidade determinada de toxinas. Inconveniente não ha na applicação do sòro 15 dês que os emunctorios funccionem regularmente’ As toxinas têm, como o phenol, a propriedade de emmagrecer rapidamente. Um nosso criado, victima da peste, morreu completamente magro no fim de poucos clias. Julgamos conveniente a administração de sòro, em doses (pie devem depender do estado de cada enfermo, até a franca convalescência. Com cacochymia têm fallecido alguns pestosos em convalescência. Este phenomeno é, provavel- mente, devido as toxinas que não foram neutrali- zadas. E’ a unica explicação que suppomos plausível. A acção da sorôtherapia é tanto maior quanto rnais precoce fôr empregada. Yersin, em 1897, escreveu: «Elle (la peste) est d’autant plus facile à guérir, que le sérum est injecté plus tôt.» O Isolamento de Pestosos, na Bahia, fica em um arrabalde muito distante do centro da Capital. E’ muita ingenuidade se acreditar que um hospital de pestosos no centro da cidade constitua perigo para a saude publica. Quando são attendidos todos os preceitos da higiene moderna, em uma época de epedimia, é mais perigoso se estar fora do que dentro de um hospital de pestosos. Nas circumvisinhaças do Mont-Serrat habitam mais de duzentas pessoas e, até hoje, somente tres casos de febre do Levante foram ali notificados. Dois delles em pessoas que se mudaram para lá, já, naturalmente, com o mal incu- 16 bado, pois moravam em casas de onde se tinham retirado pestosos. O outro foi em um menino que havia passado dias em lugares suspeitos. Apezar de o Isolamento não inspirar confiança, comtudo, não se tem o direito de o responsabilizar por estes casos. Para se obedecer a observação de Yersin, achamos que é indispensável o emprego de sôro—cincoenta cen- tímetros cúbicos, no minimo—em injecção endoperi- toneal, depois da extracção do material para o exame bacteriológico. Para se fixar um diagnostico bacterio- lógico são necessárias, pelo menos, quinze a dezeseis horas. Ter-se-á, forçosamente, de combater maior quantidade de toxinas, no fim deste tempo, se não fôr realizado o emprego prematuro do sôro. E, mesmo porque, nenhum incoveniente ha em se applicar o sôro n’um caso suspeito. A remoção de pestosos, na Bahia, vem, também, justificar o nosso modo de pensar. Ella é feita em carros que teem dois leitos estreitíssimos e jogam extra o rd i nari a men te. A cidade tem muitas ladeiras e o calçamento é péssimo. Calcular o que soffre o desventurado pestoso nos inconfortaveis e anti-hygienicos carros da hygiene— é quasi impossível. Eis o que disse Raimundo Mattos que passou pelo dissabor de andar em um dos anti-hygienicos: «Ao penetrar no calabouço ambulante, carro destinado 17 a remoção de pestosos, senti logo um mal-estar geral, devido asna péssima acomodação. Quando osanimaes magrizellas se puzeram em marcha, fustigados pelo chicote, choque successivos, synchronos com os sola- vancos do vehiculo, comecei então a experimentar. Gomo consequência destas repetidas sensações veio a exacerbação de todos os symptomas( febre, dor inguinal, raehialgia, cephalalgia, etc.) até ahi sen- tidos. Durante o meu trajecto da rua do Fogo ao Hospital, que durou cerca de 3 horas, mandei por varias vezes o bolieiro refrear os animaes, afim de me alliviar um instante dessas dores cruciantes e into- leráveis. Finalmenle cheguei a Mont-Serrat, porem, já num estado quasi que inconsciente. E, digo, sem exagero, que no decorrer da minha moléstia foi a phase de remoção a mais martyrisante.» O Dr, Couto Maia e os seus auxiliares tratam os pestosos, ricos ou pobres, com desvelo e carinho. E, comtudo, é phrase vulgar na Bahia: «Quem vae para o Isolamento morre.» Os anti-hygien.icos carros da hygiene são pes- tosicidas. Muitos empestados chegam mortos no Mont-Serrat. Os amarei len tos padecem mais do que os bu- bonieos. No typho icteroide a hepatomegalia é mais pronunciada do que na peste. A frequência das hemorragias nos ama rei lentos deve infundir cuidados. A remoção destes doentes nos anti-hygienicos é um 18 dos maiores crimes que se pode praticar aclual- mente. A estatística do mal do Sião attesta este crime. Quando começou apparecer, nesta Capital, o typho americano entraram no Isolamento cinco doentes e sahiram cinco cadaveres. Quem é respon- sável por este morticínio? Mil vezes mais inditosos são os variolosos. immundissimos, inqualificáveis mesmo, são os carros usados para os remover. A Bahia, não obstante ter uma Faculdade de Medicina e quasi uma Universidade, é a Capital, das que conhecemos, onde ha menos hygiene. Ninguém, talvez, lá fora, acreditará que, em pleno século vinte, o insènsato Governo da Bahia commette a selvageria de alojar, quasi em promiscui- dade, variolosos, em numero fabuloso, pestosos e amarellentos. Muitos bubonicos têm contrahido a variola dentro do Mont-Serrat. Ultimamente foram removidos pestosos em carros destinados a variolosos e vice-versa. Commummente o enfermo vae só e, muitas vezes, tem por companheiro outro enfermo do mesmo sexo ou de sexo contrario. Já vi um casal de variolosos em um carro. Um nosso primo, que fez a gentileza de nos acom- panhar quando tivemos peste em 1908 e de que trata- remos adiante, chegou ao Isolamento todo contundido. 19 Trava-se, durante a viagem, verdadeiro combate entre as viceras do pestoso. Em que estado ficará o fígado de um pestoso ou de um amarellento ?. . . Que deshumanidade !. . . 0 Governo gastaria relativamente menos, e teria um bom meio de remoção, se se utilizasse da atração electrica, como ha mais de dois annos aconselhou, no seu' relatorio annual, o Dr. Couto Maia. E’ conveniente, ao nosso ver, a applicação de dose massiça de sóro, em lugar da prophylatiea, em cada pessoa da casa onde for notificada a existência da peste. Na occasião em que nos atlingiu o mal levantino foram injeetados dez centímetros cúbicos de soro em cada um dos nossos companheiros de Republica. Um delles, Raimundo Mariano de Mattos, apresentou, dois dias após á injecção, a symptomatólogia earacte- ristica da peste bubonica; no dia seguinte, então, foi removido para o Isolamento. O mal levantino do nosso distincto collega não foi tão intenso quanto o nosso. Teve um bubão inguinal direito que não suppurou. Empregou-se, no tratamento, o noso- cratico. Se fosse maior a quantidade de sóro applicado no Mattos, o mal, sem duvida, teria se manifestado com symptomologia relativamente menos alarmante. Muitas vezes, como aconteceu com o Mattos, as pes- soas (piando recebem o sóro já têm a peste incubada. 20 Prevendo, estes casos é que aconselhamos o emprego das doses fortes. O nosso criado, que não tomou sôro antes da remoção, íalleceu com alguns dias de molés- tia. A nossa peste se manifestou com uma symptoma- tologia apparatosa. Podiam ser nove horas da manhã de 26 de Novembro de 1908, quando sentimos uma pequenina dor, no lado interno e abaixo do centro da região da virilha direita, que, pouco a pouco; se foi dirigindo para o limite superior da região e augmentando ao mesmo tempo de intensidade. A anorexia foi o primeiro symptoma que veio á scena. Era pouco mais ou menos uma hora da tarde quando as extremidades dos nossos membros, princi- palmente as dos inferiores, pareciam que estavam dentro debelo. Era somente sensação de frio; ellas não tinham, verdadeiramente, a temperatura que se nos afigurava. Alguns minutos depois batíamos queixo, como um impaludado na occasião do accesso. As extre- midades dos membros foram esfriando paulatina- mente. Todo o movimento que faziam com o membro inferior direito provocava dor viva na virilha corres- pondente. Já estavamos de diagnostico feito. Ao nosso distin- eto companheiro de casa e de anuo, José Gonçalves dos Santos, communieamos quedinhamos peste. Elle, que tinha de entrar em prova oral do quarto anno, no dia seguinte, ficou mais atterrado do que nós. 21 Dentro de poucos instantes começou a rachialgia que veio servir de ma.is um elemento para o nosso dia- gnostico. Longe do paterno lar sentiamos que, svmptoma a symptoma, a peste invadia o nosso corpo. Só «quem sentiu o frio da desgraça» poderá avalliar o que passou pelo cerebro do pestoso que conhecia theoricamente a peste. Pelas tres horas da tarde o frio dominava em nossos pés e o calor em nossas faces. Vimos, em um espelho, o estado em que se achava o nosso rosto. Cremos que estavam juntas a fácies do pestoso e a do aterrorizado. Com attenção observamos muitos pestosos; jámais, porém, encon- tramos fácies igual a nossa. A febre e a cephalalgia appareceram cerca de quatro horas. Com as palpebras pesadas, cahimos, como be- bedo, na nossa idolatrada rede. Dizem, os nossos companheiros, que a noite vomitamos e deliramos. No dia 27 pela manhã, o Dr. Carmo Lordy inje- ctou-nos vinte centímetros cúbicos de soro. Fomos removido para o Isolamento no mesmo dia á tarde. Agora vamos transcrever a observação do nosso caso: «Artliur Osorio de Aguiar Pinto, brazileiro, branco, vinte annos de idade, estudante, legitimo, solteiro, Rua do Fogo 31. Diagnostico-peste bubonica. Chegou em sub-delirio, muito abatido pelos incom- 22 modos da viagem. Àprezentava lingua sa burrosa,lialito fétido, earacteristieo da peste, pupillas dilatadas symetricamente e eonjunctivas congestionadas. O en- tumescimento dos ganglios inguinaes e cruraes direi- tos não é muito pronunciado, porém, doloroso. Febre muito alta, 40°,3; 114 pulsações e 29 respirações, uma injecção intraperitoneal de cincoenta cenlime- tros cúbicos de soro. 28- Pela manhã: - temperatura 40,°3; pulso -- 114 por minuto. Respirações—26 por minuto. A’ tar- de:—temperatura — 40°,2; pulso—108 por minuto; res- pirações-- por minuto. Dormiu pouco; passou em delirio e agitação o resto da noite. Ingeriu mal o leite. l)eu-se-lhe uma poção de bicarbonato de sodio, precedendo dez mi- nutos a administração da poção de quina. Os vomitos continuam. O doente permaneceu em sub-delirio durante todo- o dia. Manifestou-se á tarde a carpho- logia. Tendo-se em vista a alta temperatura do doente e a sua inquietação foram dados dois banhos de 15 minutos, com intervallo de duas horas, a 34°. Uma injecção endo-venosa de cincoenta centímetros cúbi- cos de soro. 29- XI—908. Pela manhã:—temperatura—39°,6; pulso — 108 por minuto; respirações—25 por mi- nuto. A’ tarde:—-temperatura — 40°,6 ; pulso — 122 por minuto; respirações—38 por minuto. Passou mal a noite. Deu-se-lhe calomelanos em 23 dose purgativa «pie produziu elíeito. As fezes eram extremamente fétidas. A' tarde os symptomas aggrava- ram-se sensivelmente. Chegou-se a duvidar da salva- ção do doente. O sub-delirio augmentou. Foram dados mais dois banhos nas mesmas condições do dia an- tecedente, a 35°. Uma injecção intraperitoneal de cincoenta centímetros cúbicos de sòro. 30—XI—908. Pela manhã: -- temperatura — 39°,5; pulso — 120 por minuto; respirações — 40 por minuto. A’ tarde: — temperatura-39°,8; pulso—120 por minuto; respirações — 38 por minuto. Dormiu um pouco. O estado de enfraquecimento é pronunciado. O prognostico continua grave. Vo- mitos frequentes. Perdura o sub-delirio. Nota-se na região malleolar externa do pé direito a existência de um carbúnculo pestoso com aureola inflammato- ria pouco accentuada, porém com tendencia a esten- der-se. O doente accusa nesta região dor aguda e continua. Uma injecção endo-venosa de cincoenta centímetros cúbicos de sòro. 1—XII—908. Pela manhã:— temperatura — 39°,1; pulso—118 por minuto; respirações—37 por minuto. A’tarde:—temperatura—39°,8; pulso--112 por mi- nuto; respirações—35 por minuto. Passou regularmente a noite. A aureola inflam- inatoria do carbúnculo estende-se. As dôres nessa região augmentaram a ponto cl o doente não achar posição no leito. Os ganglios inguinaes e cruraes di- 24 reitos apresentam-se um pouro mais engorgitados. Oitenta centimetros cubieos de sòro foram empre- gados, em uma injecção intra-peritoneal. 2— XII—908. Pela. manhã:—temperatura38°,9 ;— pulso—116 por minuto; respirações—30 por minuto. A’ tarde: — temperatura—39°; pulso—124 por minuto; respirações—32 por minuto. O doente mostrou-se mais calmo. Sentia tendên- cia ao somno. Já não tinha mais vomitos. Nelle não se manifestou mais o sub-delirio. Começa a experi- mentar a reacção do sòro. Com eííeito, nota-se aqui e alli, pelo corpo, uma urticaria extremamente pru- riginosa. Uma injecção de oitenta centimetros cúbicos de sòro por via intraperitoneal. 3— XII—908. Pela manhã:—temperatura — 38°,7; pulso—102 por minuto; respirações—30por minuto. A’ tarde:—temperatura—38°,8; pulso—100 por mi- nuto; respirações 26 por minuto. Dormia regularmente durante a noite. Os ganglios inguinaes e eruraes direitos estão sensivelmente augmentados. A aureola inflammatoria do carbúnculo cada vez mais se estende. O estado geral não inspira mais o prognostico grave dos primeiros dias. Em- pregamos quarenta grammas de oleo de rieino e uma injecção endo-venosa de sessenta centimetros cúbicos de sòro. 4— XII—908. Pela manhã:—temperatura—38°,5; pulso 100 por minuto; respirações—29 por minuto. 25 A’ tarde:—temperatura—38°,4; pulso—98 por minuto; respirações—20 por minuto. Foi receitada a poção de Tood, para usar as co- lheres de duas em duas horas. 5— XII—908. Pela manhã:—temperatura—38°; pulso—92 por minuto; respirações.—34 por minuto. A’ tarde:—temperatura—38°,8; pulso—94 por minuto; respirações—36 por minuto. A temperatura está baixando sensivelmente. Pie- tirou-se a escara do carbúnculo que deu pus. O doente alimenta-se regularmente. O estado geral parece li- sonjeiro. 6— XII—908. Pela manhã:—temperatura—38°; pulso—98 por minuto; respirações—29 por minuto. A’ tarde:—temperatura—38°,6; pulso—102 por mi- nuto; respirações—36 por minuto. 7— XII—908. Pela manhã: temperatura—37°; pulso—92 por minuto; respirações—28 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°, 8; pulso—96 por minuto; respirações—32 por minuto. 8— -XII—908 Pela manhã:— temperatura—37°,2; pulso 102 por minuto; respirações-—33 por minuto. A’ tarde:—-temperatura— 38°; pulso— 96 por minuto; respirações—23 por minuto. O doente vae melhorando cada vez mais. O car- búnculo embora tenha tendencia a se estender não dá mais pus. Limonada purgativa de Lefort. 9— XII—908. Pela manhã:— temperatura—37°. 1: 26 pulso—90 por minuto; respirações — 100 por minuto. A’tarde:—temperatura—38°;—pulso—102 por minuto; respirações—32 por minuto. 10— XII—-908. Pela manhã:—temperatura—37°,2; pulso—100; por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde:—temperatura—38°,8; pulso—102 por mi- minuto; respirações—32 por minuto. O estado geral é bom. Incisou-se hoje o bubão inguinal que deu bastante pus. 11— XII—908. Pela manhã:—temperatura—-37°,6; pulso—96 por minuto; respirações—31 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,7; pulso—98 por minuto; respirações—37 por minuto. Foi receitado: Formiato de sodio 10 grammas Glycérophosphato de cálcio. ..... 20. grammas Sulfato de estrvchnina 10 centig. Arrhenal . 1 gramma Agua 1000 grammas Para usar duas colheres por dia. 12— XII--908. Pela manhã:—temperatura -36,°5; pulso—100 por minuto ; respirações—30 por minuto. A’ tarde: — temperatura— 37°,2; pulso—92 por minuto; respirações—38 por minuto. 13— — 908. Pela manhã:—temperatura—36°,7 ; pulso—106 por minuto; respirações—32 por minuto. A’ tarde:— temperatura—38°,5; pulso—96 por minuto; respirações-32 por minuto. 27 0 bubão inguinal dá pouco pus. A fluctuação do crural não está ainda clara. 14-- XII -- 908. Pela manhã:-temperatura — 37°,3; pulso—92 por minuto; respirações—33 por minuto. A’ tarde:—temperatura—38°,8; pulso—102 por minuto; respirações—35 por minuto. Incisou-se o bubão crural cpie deu bastante pus cremoso. 5— XII— 908. Pela manhã: — temperatura — 38°; pulso—98 por minuto; respirações—31 por minuto. A’ tarde:—temperatura—39°; pulso—110 por minuto; respirações—33 por minuto. A quantidade de pus está sensivelmente dimi- nuída. Por apresentar o doente um retardamento em sua deíecação, íoi-lhe administrado sai de fructas. 16— XII —908. Pela manhã:—temperatura—36°,2; pulso—98 por minuto; respirações—29 por minuto. A’ tarde:— temperatura — 38°, pulso—120 por minuto; respirações—34 por minuto. Limonada purgativa de Lefort porque o sal de fructas não fez elleito. 17— XII— 908. Pela manhã:—temperatura—36°,4: pulso—94 por minuto; respirações — 32 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,6; pulso—90 por minuto; respirações—30 por minuto. 18 — XII— 908. Pela manhã: — temperatura—36°,8; pulso—82 por minuto; respirações — 27 por minuto. A' tarde — temperatura— 37°,6; pulso —92 por minuto; respirações—28 por minuto. 28 19— XII —908. Pela manhã:—temperatura—36°,3 pulso—92 por minuto; respirações—20 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,2; pulso—82 por minuto; respirações—26 por minuto. 20— XII—908. Pela manhã : — temperatura — 36°, 1; pulso—100 por minuto; respirações—28 por minuto, A' tarde: — temperatura — 37°; pulso—92 por minuto; respirações—25 por minuto. O estado geral continua lisonjeiro. G doente dorme e alimenta-se bem. Não accusa rnais as dores agudas dos primeiros tlias na região correspondente á sede do carbúnculo pestoso. Continua sahir pus dos dois bubões. 21— XII—908. Pela manhã: — temperatura — 36°,3; respirações—21 por minuto; pulso--88 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,4 ; pulso—104 por minuto; respirações—25 por minuto. 22— XII—908. Pela manhã; — temperatura — 36°,2; pulso—100 por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,7; pulso—104 por minuto; respirações—20 por minuto. 23— XII — 908. Pela manhã:—temperatura — 36°,2; pulso—106 por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°; pulso—106 por minuto ; respirações—24 por minuto. 24— XII—908. Pela manhã: — temperatura — 36°,4; pulso—108 por minuto; respirações—26 por minuto. 29 A’ tarde:—temperatura—37°; pulso—102 por minuto, respirações—26 por minuto. O doente continua bem. Tem sahido bastante pus liquido da ferida correspondente ao bubão crural. A cicatrizarão da ferida do carbúnculo está se dando len lamente. 25— XII --908. Pela manhã: —temperatura —36°,4; pulso—110 por minuto; respirações--22 por minuto. A’ tarde:—temperatura — 37°; pulso—96 por minuto; respirações—24 por minuto. 26— XII—908. Pela manhã: — temperatura — 36°,4; pulso—124 por minuto; respirações—26 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,6; pulso—94 por minuto; respirações—24 por minuto. 27— XII—908. Pela manhã:--temperatura—36°,6; pulso—98 por minuto; respirações—26 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,5; pulso—98 por minuto; respirações—28 por minuto. 28— XII—908. Pela manhã: — temperatura — 36°,2; pulso—100 por minuto; respirações—25 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,7; pulso—98 por minuto; respirações—22 por minuto. 29— XII— 908. Pela manhã: — temperatura —36°,9; pulso—108 por minuto; respirações-24 por minuto: A1 tarde:— temperatura—37°,7; pulso—106 por minuto; respirações—25 por minuto. Oestado geral lisongeiro. Odoente alimenta-sebem. Ainda continua sahir pus muito liquido dos bubões. 30 30—XII—908. Pela manhã:—tempera lura— 36°,4; pulso—104 por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde — temperatura — 36°,9 ; pulso—116 por mi- nuto; respirações — 28 por minuto. 31 —XII—908. Pela manhã; — temperatura—36°,4; pulso—108 por minuto; respirações—29 por minuto. A’ tarde;—temperatura—37°,6; pulso—110 por minuto; respirações—30 por minuto. 1 —I — 9J9. Pela manhã: —temperatura 37°; — pulso—118 por minuto; respirações—30 por minuto. A’ tarde:— temperatura—37°,4; pulso —122 por minuto; respirações—30 por minuto. 2— I—909. Pela manhã: — temperatura — 37°, 1; pulso—120 por minuto; respirações—30 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,6; pulso — 122 por mi- nuto; respirações 32 por minuto. O doente nestes últimos dias foi aceommettido de uma intercurreneia, de uma diarrhéa dysenteri- forme, acompanhada de vomitos e de um estado de enfraquecimento geral. As fezes são muco-sanguino- lentas. A sua emissão pequena mas repetida (de 15 em 15 minutos) é acompanhada de tenesmo. Trinta eentigrammas de calomelanos, em uma capsula. Po- ção desinfectante com bicarbonato de sodio, uma colher de hora em hora. 3— I—909. Pela manhã: —temperatura—37°,4; pulso 128 por minuto; respirações—22 por minuto; 31 A’tarde:—temperatura—36°,9; pulso--98 por mi- nuto; respirações—26 por minuto. Os medicamentos empregados não deram resul- tados. Agrava-se o estado do doente. Vomita os me- dicamentos e os alimentos. Foi receitado: Subnitrato de bismutho—6 grammas, Laudano de Syclenham— XXX gottas, extracto de ratanhia—5 grammas, xa- rope de flor nle larangeiras. Uma colher de chá de hora em hora. 4— Pela manhã: — temperatura — 36®,9; — pulso—120 por minuto; respirações.—30 por minuto. A’tarde: — temperatura--37°,5; pulso—92 por minuto; respirações — 28 por minuto. lloje, graças ao decocto de folhas tenras de goia- beira e ao uso do gelo, a diarrhéa está cedendo e os vomitos desappareceram. As cólicas intestinaes que tanto atormentaram o doente também cederam. 5- Pela manhã:--temperatura — 37,°4; pulso -- 104 por minuto. Respirações—22 por minuto. A’ tar- de:—temperatura — 37°,4; pulso—110 por minuto; res- pirações-28 por minuto. O decocto de folhas tenras de goiabeira foi o único medicamento que deu resultados. Tendo-se em vista o estado de fraqueza organica do doente, fez-se nelle uma injeeção de lecithina de Clin, por via sub-cutanea. 6 — 1—909. Pela manhã: — temperatura —36°,9; pulso—1.02 por minuto; respirações—28 por mi- 32 nuto. A’ tarde:—temperatura — 37°,6 ; pulso — 112 por minuto; respirações—22 por minuto. 7— I—909Pela manhã:—temperatura— 37°, 1; pulso—114 por minuto; respirações—28 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°,5; pulso--114 por minuto; respiraeões--24 por minuto. O doente continua melhorando lentamente. Usa o deeoeto aos cálices. Diarrhéa e as cólicas dimi- nuiram sensivelmente. Uma injecção sub-cutanea de liei thi n a de Clin. 8— I —909. Pela manhã: — temperatura — 36°,2; pulso—112 por minuto; respirações—20 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,7; pulso—-116 por minuto; respirações—24 por minuto. O doente continua melhor, porem muito fraco e abatido. Deeoeto de duas em duas horas. 9— 909. Pela manhã:— temperatura—36°,6; pulso—100 por minuto; respirações—24 por minuto, A’ tarde:—temperatura—37°,1; pulso—108 por minuto; respirações—28 por minuto. Lecilhina de Clin. O deeoeto foi suspenso. 10— 1—909. Pela manhã: — temperatura — 36°,6; pulso—106 por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,8 ; pulso—116 por minuto; respirações—28 por minuto. 11— — 909. Pela manhã: — temperatura — 36°,5; pulso—106 por minuto; respirações—28 por minuto. 33 A’ tarde:—temperatura—36°,8; pulso—96 por minuto; respirações—28 por minuto. 12 -- I -- 909. Pela manhã :T- temperatura — 36°,4; pulso—104 por minuto; respirações—28 por minuto. A’ tarde:—temperat ura—37°,3; pulso—112 por minuto ; respirações—32 por minuto. O doente vae melhor. Alimenta-se regularmente. 13— — 909. Pela manhã: — temperatura — 36°,5; pulso—94 por minuto; respirações—18 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,5; pulso—106 por minuto; respirações—28 por minuto. 14— 1—909. Pela manhã:—temperatura—36°,3; pulso—98 por minuto; respirações.—26 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°; pulso—96 por minuto; respirações—28 por minuto. 15— I—909. Pela manhã:—temperatura—36°, 1; pulso—104 por minuto; respirações—20 por minuto. A1 tarde:—temperatura—36°,4; pulso—94 por mi- nuto; respirações—20 por minuto. O doente melhor. O seu estado é lisonjeiro. A diarrhéa, mais normalisada, ainda perdura. 16— I—909. Pela manhã:—temperatura—36°,4; pulso—102 por minuto; respirações—28 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°, 5; pulso—104 por minuto; respirações—24 por minuto. 17— -I—-909 Pela manhã:-- temperatura — 36°,3; pulso 100 por minuto; respirações--- 22 por minuto’ 34 A’ tarde:—temperatura—37°; pulso—108 por minuto; respirações—24 por minuto. 18— Pela manhã:.—temperatura — 36°,8; pulso—96 por minuto; respirações — 28 por minuto. A’tarde:—temperatura— 37°;—pulso—98 por minuto; respirações—28 por minuto. 19— I— 909. Pela manhã: --- temperatura —36°,4; pulso—104; por minuto; respirações—20 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,4; pulso—100 por mi- minuto; respirações—21 por minuto. 20- —909. Pela manhã: — temperatura—36°,5; pulso—106 por minuto; respirações—22 por minuto. A' tarde:—temperatura—36°,6; pulso—100 por minuto; respirações—24 por minuto. 21— 1 — 909. Pela manhã: — temperatura- 36,°4; pulso--112 por minuto; respirações—24 por minuto. A’ tarde:— temperatura—36°,5; pulso—98 por minuto; respirações—22 por minuto. 22- 1 —909. Pela manhã: — temperatura — 36°,9; pulso—94 por minuto; respirações—27 por minuto. A’tarde:—temperatura—36°,6; pulso—88 por minuto; respirações-23 por minuto. 23- l —909. Pela manhã:—temperatura — 36°,3; pulso—90 por minuto; respirações—22 por minuto. A’ tarde:—temperatura—36°,7; pulso—96 por minuto; respirações—20 por minuto. 24 —1 —909. Pela manhã:—temperatura--36°,6; pulso—80 por minuto; respirações—20 por minuto. 35 .V tarde:—temperatura—36°,8; pulso—96 por minuto; respirações—20 por minuto. 25 — I — 909. Pela manhã: — temperatura—36°,7; pulso—90 por minuto; respirações—22 por minuto. A’ tarde:— temperatura—36°,6; pulso—92 por minuto; respirações—24 por minuto. O doente está á espera da cicatrização completa da ferida correspondente ao carbúnculo pestoso para poder sahir. O seu estado geral é bom. 26—1—909. Pela manhã: — temperatura — 36°,5: pulso—98 por minuto; respirações — 20 por minuto. A’ tarde: — temperatura—36°,8; pulso—90 por minuto; respirações—22 por minuto. 27 -- I — 909. Pela manhã: — temperatura — 36°,5; pulso—82 por minuto; respirações — 20 por minuto. A' tarde—temperatura—36°,6; pulso —98 por minuto; respirações—22 por minuto. 28— 909. Pela manhã: — temperatura — 36°,7; pulso-98 por minuto; respirações — 24 por minuto. A’ tarde:-temperatura—37°; pulso—108 por minuto; respirações—20 por minuto. 29— 1—909. Pela manhã: — temperatura — 36°, 6; pulso-96 por minuto; respirações--22 por minuto. A’ tarde:—temperatura—37°; pulso-102 por minuto; respirações--20 por minuto. 30— Pela manhã: — temperatura — 36°,5; pulso-100 por minuto; respirações—20 por minuto. 36 A’ tarde:~temperatura~36°,4, pulso--100 por minuto, respirações-24 por minuto. 31- 1- 909. Pela manhã: — temperatura — 36°,1, pulso-84 por minuto, respirações-22 por minuto. A’ tarde:-temperatura-36°,4, pulso--88 por minuto, respiraeões-20 por minuto. L — II -- 909. Pela manhã: - temperatura - 36°, 1, pulso-92 por minuto, respirações-20 por minuto. A’ tarde: - temperatura - 37°, pulso—98 por minuto, respirações-20 por minuto. A cicatrização está completa. Já lhe voltaram as forças. Sente-se muito bem. 2 — II —909. pela manhã: — temperatura —- 36°,6 pulso-104 por minuto, respirações—23 por minuto. A’s onze horas da manhã, teve alta, por ter sido considerado completamente restabelecido». Estivemos, como narra a observação, em um estado gravíssimo. O pessoal do Mont-Serrat, estribando-se na sua longa pratica e em dados scientiíicos, já tinha feito um prognostico fatal. « Em regra geral, diz o Dr. Vampré, quando o nu- mero de respirações excede no segundo dia a tarde, mais ou menos 48 horas após a entrada do enfermo, ao numero de 36 movimentos thoraxicos por minuto, o desfecho fatal é quasi certo na generalidade dos casos (90°/o de probabilidade)». Tínhamos no tempo determinado pelo Dr. Vampré, trinta e oito respirações por minuto. 37 O prognostico é mau na opinião do Dr. Ribeiro de Almeida, quando a curva esphygmographica não segue a thermographia nas suas oscillações. Houve alguma desproporção nas nossas curvas. Tivemos a carpho- logia que é um symptoma negro de morte próxima. O prognostico é na nossa opinião, o que ha de mais diflicil na peste. E, apezar disso, as pessoas que vivem ao lado dos pestosos apprendem prognosticar com alguma segurança. Era Janeiro de 1909. Em um cubículo proximo ao nosso, um pobre homem delirava noite e dia. Uma noite acordamos e pedimos leite ao enfermeiro que fazia o quarto. Perguntamos pelo estado em que se achava o nosso desventurado vizinho. Respondeu-nos o enfermeiro:—«Vae mal. Não amanhecerá.» Ingerimos o leite e embalados pelos delírios do prognosticado adormecemos. Pela manhã não ou- .vimos mais os delírios. Logo que appareceu o en- fermeiro pe’dimos noticias do agourado. E, com a fleima dos que estão habituados a presenciar este terrível quadro, nos disse: «Morreu as cinco horas da manhã». O vaticínio tinha sido confirmado. E, a espera de um anti-hygienico carro da hygiene, estava, no ne- crotério, o cadaver. O prognostico dos pestosos que têm o tecido adi- poso muito desenvolvido é sombrio. Parece que a peste ama a gordura. 38 A quantidade total de sôro empregada no nosso tratamento foi quatrocentos e cincoenta centímetros cúbicos. Sendo : duzentos e sessenta em injecções endoperitoneaes, cento e cincoenta em injecções endovenosas p vinte em uma injeeção sub-cutanea. No decurso do anno de 1908, foram administrados, no Isolamento, cinco mil quatrocentos e trinta centí- metros cúbicos de sôro. Em cincoenta e nove injec- ções endoperitoneaes tres mil trezentos e vinte cen- tímetros cúbicos; em trinta e sete endovenosas, dois mil e trinta centímetros cúbicos; e em tres sub- cutâneas, oitenta centímetros cúbicos. Esta estatís- tica mostra que o Dr. Couto Maia applica em larga escala as injecções endoperitoneaes. Foi, indubita- velmente, estribado na sua longa pratica que o illustre Director do Mont-Serrat resolveu assim proceder. Na peste buboniea o somno é um balsamo para o doente e para o medico assistente. São estigmas de péssimo prognostico a insomnia e o delirio depois das applicacões do sôro. Já havíamos consumido, como vimos na observação, cento e muitos centíme- tros cúbicos de sôro, e, a despeito disso, a insomnia e o delirio continuavam. Judiciosamente, em sua these de doutoramento, diz o Dr. Eutychio Leal: « Apezar de sua írequencia em outras moléstias infectuosas, a insomnia, tem na peste, uma importância particular.» 39 Em 1617, Du Garclin considerava o somno como um contratempo para o tratamento do pestoso. Diz o Dr. Emile Arthur Gaplet: «. Du Gardin de se promener, de ne pas dormir ou tout au moins de ne pas dormir profondément.» Sobre os bubões, no Isolamento, deita-se pomada de iodureto de chumbo, de belladona, de mercúrio, papa de farinha commum com oleo de amêndoas ou com oleo de linhaça, etc. A incisão dos nossos bu- bões foi feita quando estavam em plena fluctuação. O primeiro incisado foi o inguinal e dias depois o erural soífreu igual operação. A incisão não é muito dolorosa. O curar martyrisa extraordinariamente o infeliz pestoso. Muitas vezes segurávamos nos ferros do leito para não esmurrar o distincto interno que fazia o curativo. Depois da expressão de todo o pus, eram lavados com agua oxygenada, que provoca uma dòr horrivel, diluida em agua fervida. O doente tem de supportar este supplicio até a desapparição do pus. Applica-se também o ether iodoformado. Felizmente não experimentamos a sua acção. Dizem que a dòr produzida pelo ether iodoformado é mil vezes maior do que a causada pela agua oxygenada. A acção irri- tante do ether promove a sua exacerbação. Achamos conveniente a substituição do ether pelo oleo esteri- lisado. Não tem a mesma acção therapeutica do ether, mas tem a grande vantagem de diminuir os soffri- mentos do pestoso. 40 Vimos optimos resultados obtidos com o ether iodoformado e eomooleo creosotado em um caso de osteo-arthrite tuberculosa, na clinica do Dr. Pacheco Mendes. A creosota anniquila rapidamente os micro- germens da suppuração e é irritante. Não accusaram dòr os enfermos nosquaes tivemos occasião de vêr o seu emprego. O pestoso tem hvperesthesia na região onde se desenvolve o bubão desde o inicio da mo- léstia até o fim da suppuração. Talvez o bubonico supporte melhor as dores, que deve produzir a creosota. Deita-se um dreno para facilitar o escoamento do pus. Nas partes que circundam a incisão pode ser usada a vazelina boricada, salolada, etc. Um pouco de gaze iodoformada deve separar a ferida do algodão que serve de receptaculo para o pus. Se não íor col- locada a gaze o algodão ficará collado aos lábios'da ferida e com grande prejuízo para o paciente será retirado. Segundo o Dr. Ribeiro de Almeida o carbúnculo pestoso não é doloroso. Não concordamos com o illustre ex-interno do Hospital Paula Cândido. E’ dolorosissimo. Entre elle e o bubão ha uma dessemelhança colossal. O bubão, não se fazendo movimento no membro onde elle reside, depois do curativo, não doe e o car- búnculo se torna insupportavel. Opusé espesso e vis- coso. A gaze e o algodão que são postos sobre o carbúnculo, no dia seguinte, estão como que fazendo 41 parte delle. Com dificuldade são extrahidos e o pestoso passa minutos atrozes. Nesta forma da peste a zona de hyperesthésia é tnais extensa do que na bubonica. A quantidade e a qualidade das toxinas são os fautores do exagero da sensibilidade. O cocco- baeillo de Yersin é aerobio e a accâo directa do ar, provavelmente, influe neste phenomeno. Quando o carbúnculo acompanha uma das outras formas da peste ennegrece prognostico. Tivemos myalgias na perna e coxa direitas que se exacerbavam a noite. Os movimentos dos dedos do pé direito foram perturbados por muito tempo. No tratamento são empregadas as pomadas de Reclus e de oxydo de zinco até a extincção do pus e depois se usa o aristol, dermatol, etc. A cicatrização é lentíssima e, para que não fique viciosa, com um lapis de nitrato de prata ou com o thermocauterio se nivela os botões car- nosos. O thermocauterio incommoda menos do que o nitrato de prata. A reacção do sòro foi muito forte. Gomo um paralytico passamos os primeiros dias. Os movi- mentos foram, paulatinamente, apparecendo e sem- pre seguidos de myalgias. A extensão e a flexão, das diferentes partes do nosso corpo, fazíamos com dificuldade porque os musculos pareciam rí- gidos. Em seguida veio o prurido e, quando passa- vamos as mãos pelo corpo, tínhamos sensação semelhante a que se experimenta ao contacto de 42 uma barba depois de feita. Esputação igual nunca tínhamos visto. Tivemos um espasmo do collo da bexiga que gerou uma forte retensão de urina que passou depois de um banho quente de assento. E, para augmentar os nossos soffrimentos, se apresentou uma terrível constipação de ventre. Depois de um purgativo expellimos fezes com uma consistência especial. Eram—scybales pelreas—e hvperaquecidas. Já havia passado a reacção do sôro; os bubões eram verdadeiros mananciaes de pus; o carbúnculo estava dominado e nos alimentavamos regularmente quando, na manhã de 29 de Dezembro, sentimos uma dor pouco mais ou menos no ponto de Mac Burney. Naquella manhã de aíllicção escaparam dos nossos lábios estas palavras: Será appendicite? Que des- graça!... Supportamos mal os alimentos durante o dia. As fezes eram pastosas e a dor progredia. Passa- mos mal a noite. No dia seguinte havia hepatome- galia e esplenomegalia. Uma faxa de dôr unia o baço ao fiaado. Vomitávamos os alimentos e os medica- o mentos. A diarrhéa e o tenesmo imperavam. Noite péssima. O decúbito dorsal era a unica posição que podíamos tolerar. Dejecções de cinco em cinco 43 minutos. Vomitos porraceos e quentes. Não dormi- mos durante a noite. Assistimos a entrada do anno de 1909, em um estado deplorável. Parecia que as dores começavam no estomago e terminavam no recto. Uma hyperchlorhydria sem par veio coroar este estado de cousas. Todos os medicamentos indi- cados, neste caso, foram empregados sem resultado nenhum. O leite e os medicamentos eram gelados, porem só demoravam no estomago o tempo sutíi- ciente para o seu aquecimento. O interno fez o curativo dos bubões e do car- búnculo e não sentimos dores porque as do abdómen eram maiores. Tivemos o desprazer de auto-observar a serie chromatica das fezes. E, com o cerebro em brazas, esperávamos a mudança de côr das fezes que vinha evidenciar a gravidade do nosso estado. Des- crever o tenesmo é impossivel. O Dr. Couto Maia não tendo obtido resultados com os medicamentos que havia receitado, mandou preparar um decocto de folhas tenras de goiabeira e applicou, gelado, aos cálices, de hora em hora. O decocto fez o papel de nosocratico. O infuso deve substituir o decocto porque poupa os princípios voláteis das folhas da goiabeira e rnesmo tem o sabòr menos desagradavel. A goiabeira tem muito tanino e é a elle que se deve, em grande parte, o brilhante resultado conseguido. 44 O l)r. Pedro Araújo curou-se de uma dysenteria que teve com tanino puro em capsula. Havia, naquella epoca, uma formidável epidemia de dysenteria na Bahia. No corpo administrativo do Isola- mento e no pavilhão de variola havião alguns casos. Quando cessou a dysenteria estavamos esque- léticos. A cada movimento que fa/damos, no leito, a pelle protestava contra o peso dos ossos. * * No tratamento das moléstias infeetuosas a balnqothe- rapia representa um papel saliente. As experiencias modernas têm ampliado o seu emprego. Na dothie- nentéria de Bretonneau toma o caracter de um verdadeiro especifico. Assim se exprime Dieulafoy:... «le bain froid est aussi utile dans la fièvre typhoide, que la quinine dans le paludisme et le mercure dans la syphilis». O soro anti-pestoso precisava de um auxiliar. Muitos medicamentos foram empregados; uns deram pequenos resultados e outros geraram lamentáveis desastres. Entre estes, a morphina conquistou, in- dubitavelmente, o primeiro lugar, não obstante a physiologia não permittir a sua prescripção na peste. Dar morphina a um pestoso é condemnal-o a morte. O tratamento symptomatico é hypothetico e per. nicioso. As vias de eliminação ficam profundamente alteradas. Os medicamentos applicados contra os 45 symptomas, infallivelmente, accumular-se-ão no or- ganismo. Alem dos princípios toxicos do organismo, que não são eliminados, das toxinas do bacillo de Versin, ainda empregam, a titulo de combater sym- ptomas, um pestosicicla da ordem da morphina. Nos primeiros dias de moléstia deve ser usada a dieta lactea. O leite alem de ser um alimento é um diurético. Na convalescença o pestoso é atacado por uma íome sem limites. Convém que os alimentos sejam de óptima qualidade e em pequena quantidade. O pestoso é um exemplo manifesto contra a loca- lisação da sensação da fome no estornado. A nossa auto-experiencia é mais um argumento em favor dos physiologistas que julgam a fome como «uma sensa- ção geral devida á diminuição dos princípios nutri- tivos do sangue». Depois de termos ingerido alimen- tos, em quantidade superior a que aconselhamos hoje, muitas vezes sentíamos fome. Nesta epoca o pestoso exige muitos cuidados. O seu apparelho digestivo deve funecionar regularmente. Os vinhos medicinaes devem ser abolidos. A titulo de estimu- lante acompanhou, por alguns dias, as nossas refeições um pequeno cálice de vinho. Resolve- mos desistir delle porque sentíamos, minutos depois da sua ingestão, symptomas da embriaguez. Durante a nossa convalescença tomamos banhos frios antes das refeições. Com este regimen, depois 46 da dysenteria, os nossos apparelhos funccionaram re- gularmente. Podemos garantir que o banho frio é um estimulante de primeira ordem. A balneothe- rapia no tratamento da peste é um poderoso adjuvante do sòro. Preenche todos os fins dos medicamentos que são usados e tem a propriedade de favorecer as secreções. Dieulafoy basea sempre o seu prognostico, em um caso de dothienentéria, na quantidade de urina expedida em 24 horas. E’ de maxima importância a quantidade de urina emittida [mio pestoso no mesmo tempo. O prognostico será tanto mais grave quanto menor fôr a quantidade de urina, Os estudos de Muller e de Liebermeister mostram que, depois de uma applic.ação hydrotherapiea, ha na urina maior quantidade de prineipios nocivos ao organismo. Diante disto os diuréticos podem ser dispensados. Um suor de consistência especial cobre a pelle do pestilento e depois seeca formando crostas. A eliminação pela pelle, que tem grande valor, fica nulla. A balneotherapia presta aqui um serviço applausivel, quer seja applicada como adjuvante do sòro, quer como o mais rudimentar principio de hygiene. Na occasião do banho é indispensável o emprego de um sabonete medicinal e de uma esponja. Quando o empestado passa alguns dias sem tomar banhos, como suceeden comnosco, as 47 crostas tomam um aspecto de escamas. O sabonete foi impotente nos primeiros banhos. E’, sem duvida uma das principaes vantagens das applieações balneotherapicas a sua acção sedativa so- bre o do systema nervoso. A cephalalgia e o delirio, que tanto nos acabrunharam, são combatidas vanta- josameute pelos banhos. Quem passou pelas acerbidades da peste se lem- bra, como quem teve febre typhoide, de muitos dos seus delírios. Assistimos duas vezes em lugares completamente differentes o nosso enterro. Nos estados adynamicos a balneotherapia tem dado resultados maravilhosos. Juhel Renoy, não tendo esperança de salvar um doente moribundo, lançou mão dos banhos frios como o ultimo recurso. Os resultados mereceram delle esta phrase: «Le malade radevient vivant.» Brand aconselha o uso da balneotherapia até no coma. Tratando na sua these de doutoramento, dos eífeitos do banho sobre a respiração, diz o Dr. An- drade Rezende: «Depois dum banho os movimentos respiratórios são mais profundos, mais regulares e mais amplos, a oxygenação do sangue faz-se melhor e a vida renasce.» Os trabalhos de Mongeot, publicados em Maio deste anuo, demonstram que as applieações balneo- therapicas combatem a asthenia cardio-vascular. 48 Wiuternitz e Thermes observaram o augmento dos globulos vermelhos e dos leucocytos depois das applicações hydrotherapicas geraes. O sabio hydro- logista Wiuternitz atíirma que o acerescimo dos leu- coeytos e das hematias não é por neoformação e sim pela passagem destes elementos, que estavam disse- minados nos diíferentes tecidos e orgãos, para a cor- rente circulatória. O sangue venoso do empestado é cpiasi negro. Provou Quinquaud que os banhos promovem maior exalação de gaz carbonico. Sobre a temperatura são incontestáveis os efifeitos da balneotherapia. Nas observações feitas pelo Dr. Andrade Rezende, no Hospital S. Sebastião, do Rio de Janeiro, vimos que a temperatura retrocedia de- pois dos banhos, nos doentes de febre amarella, sa- rampo, variola, pneumonia e lebre typhoide. Quem primeiro empregou regularmente a bal- neotherapia no tratamento da peste, no Brazil, foi o Dr. Tavares de Macedo. a A balneotherapia, diz o Director do Hospital Paula Cândido, deu bons resultados em muitos casos de hyperthermia. Considero um recurso adjuvante de efficacia, apenas contra-indicada na forma pulmonar. Si no curso da infecção se desenhar o typo ty- phoide, então a balneotherapia torna-se de indicação imprescindível e de inestimável proveito alliada a desinfecção e alcalinisáção do tubo gastro intestinal. 49 A balneotherapia de que frequentemente lanço mão, deu-nos bons resultados nos casos de insomnia e mesmo de delírio.» Recommenda este eminente clinico que os banhos, em numero de tres a quatro por dia, devem ter um ou dois gráus abaixo da temperatura auxiliar do pes- toso, durar vinte minutos e sempre com a mesma temperatura, até o fim. A prova a mais convincente que existe, em prol das applicações balneothera- picas, é a estatística que traz a tliese inaugural do Dr. Ribeiro de Almeida. Eil-a: Doentes tratados em Setembro de 1904 110 Falleceram com—24 horas 6 Falleceram com — 24 horas. , 12 Fazendo-se a eliminação dos que permaneceram no Hospital menos de viute e quatro horas, temos a mortalidade de 6 °/0. E’ a menor que conhecemos. O clima da Bahia tem a propriedade de tornar rela- tivamente benignas as moléstias epideinicas que a ella chegam. Comtudo a menor mortalidade obser- vada até hoje foi de 15 °/0, em 1908. No Isolamento a balneotherapia não faz parte do tratamento, como devia, porque, para os que go- vernam, a vida do povo não tem importância. A Bahia tem muitas moléstias epidemicas (peste bu- 50 boniea, febre amarella, diphtheria e variola) e, no entretanto, o Governo não tem um Hospital. O Mont- Serrat é um pardieiro que antigamente serviu para alojar immigrantes. * Os accidentes da sòrotherapia anti-pestosa são divididos em immediatos e tardios. O sòro tem sido, injustamente, imputado como causador dos acci- dentes immediatos. A tachycardia, os calefrios, o augmento da« temperatura, o resfriamento das extremidades, a cyanose, o collapso cardíaco, etc, depois de uma injecção endovenosa, não podem correr por conta do sôro e sim da injecção. Já tivemos occasião de observar os estragos produzidos por uma injecção sub-cutanea de sôro. A via de applicação do nosocratico da peste que menor numero de accidentes traz é, sem duvida, a endoperitoneal. Os accidentes immediatos são exclusivamente devidos a falta de perícia do operador ou ao methodo de introducção do sòro. Temos agora os tardios que apparecem quatro a dez dias depois, da applicação sôrotherapica. Julgamos que estes accidentes são causados pelas toxinas que não foram neutralizadas juntamente com as do sòro. 51 A eliminação das toxinas pestosas é feita em grande parte pela pelle, fazendo erupções terriveis, e se torna maior quando não funccionam regularmente os rins. Elias agem sobre os nervos peripherieos produzindo arthralgias e myalgias. Estes pheno- menos são combatidos pelas fricções com menthol, salicylato de methyla e com os banhos camphorados. Patet observou erupções em diphthericos que não haviam tomado sôro anti-diphtherico. As hemorrhagias são, como na febre amarella e na diphtheria, symptomas de gravidade e não acci- dentes da sôrotherapia. PROPOSIÇÕES à HISTORIA NATURAL I Os ratos são mammiferos da ordem dos roe- dores. II A propagação da peste é leita, geralmente, pelas especies: mus decumanus, mus rcittus e mus alexandrinus. III Commummente é encontrada na Bahia a es- pecie mus decumanos. ANATOMIA DESCRIPTIVA I 0 systema nervoso divide-se em central e peripherico. II O mais importante é o central. III Ambos participam da acção deleteria das toxinas do cocco-bacillo de Yersin. .CHIMIGA MEDICA I A agua é composta de hydrogenio e oxygenio. II Evaporisa-se em todas as temperaturas. III Presta relevantes serviços no tratamento da peste. 54 PHYSIOLOGIA I O vomito é um phenomeno reflexo. II O centro do vomito é bulbar. III Na peste o vomito é um symptoma de valor. HISTOLOGIA I Ha duas variedades de vasos lymphaticos. II Uma tem túnica muscular e a outra não. III Nem sempre são affectadas na peste. CLINICA DERMATOLÓGICA E SYPH1LI- GRAPHICA I O carbúnculo é uma manifestação cutanea da peste. II Pode ser primitivo ou secundário. III E’ dolorosissimo. CLINICA PROPEDÊUTICA I Quem está habituado a vêr pestosos, com facilidade faz o diagnostico clinico. II São necessárias, pelo menos, 15 a 10 horas para se fazer um diagnostico bacteriológico. III Em todos os casos este deve ser feito. 55 BACTERIOLOGIA I O micro-germen responsável pela peste é um cocco-bacillo. II E’ cultivado nos meios solidos e líquidos. III Não esporula. MATÉRIA MEDICA, PHARMACOLOGIA E ARTE DE FORMULAR I A morphina é o principal alcaloide do opio. II E’ um hypnotico poderoso. III Não deve ser applicada na peste. CLINICA CIRÚRGICA (2.a Cadeira) I O bubão pestoso pode suppurar ou não. II Nunca se faz a incisão antes da fluctuação. III A cicatrização é muito demorada. CLINICA OPHTALMOLOGICA I Ha manifestações oculares na peste. II Já se observou a keratite parenchymatosa. III A conjunctivite é observada maior numero de vezes. 56 ANATOMIA E PHYSIOLOGIA PATHOLOGIGAS I Encontra-se hyperemia e hypertrophia do íigado na peste. II A vesícula biliar íica duas ou tres vezes maior do que normalmente. III Existe hypertrophia e hyperplasia dos ganglios. PATHOLOGIA MEDICA I A peste é uma moléstia infecto-contagiosa. II E’ produzida pelo cocco-bacillo de Yersin. III Apresenta-se sob diversas formas. PATHOLOGIA CIRÚRGICA I Encontra-se a lympharigite 11a peste. II Vem acompanhada de edema. III Traz sérios embaraços quando se propaga a distancia. CLINICA CIRÚRGICA (l.a Cadeira) I O tratamento cirúrgico da peste consiste em extirpar os ganglios infectados. II E1 perigosissimo. III Não se o deve empregar. 57 CLINICA MEDICA (2.a Cadeira) I Entre as diversas formas da peste a carbunculosa é uma das mais importantes: II EUa se manifesta quasi sempre ao lado de uma outra. III Neste caso ennegrece o prognostico. CLINICA PEDIÁTRICA I A peste ataca menos as creanças do que os adultos. II A forma bubonica é a que maior numero de casos apresenta. III Os bubões são, em geral, na axilla ou no pescoco. ANATOMIA ME DICO-CIR URGIC A I Os ganglios lymphatieos da virilha são dividi- dos, conforme ficam para diante ou para traz da faseia cribriformis, em superficiaes e profundos. II Chamam-se inguinaes os ganglios superficiaes que ficam na parte superior da região e cruraes os que estão a baixo destes. III A peste age maior numero de vezes sobre os cruraes. 58 THEfi APEUT1CA 1 A sangria foi estudada pliysiologieamente por H ay em, Lorain, ete. li Indi ca-se, hoje, em limitados casos. 111 E1 absurda a sua applicaçSo no tratamento da peste. OPERAÇÕESE APPARELHOS I Com o thermocauterio praticaram a ablação dos buhões pestosos. II E’ uma operação imperfeita e barbara. III Nunca deve ser executada. CLINICA MEDICA (l.a Cadeira) I A dieta presta relevantes serviços no tratamento das moléstias infectuosas. II Na peste ella deve prender a attenção do medico. III A dieta lactea é a usada. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOG1CA I A peste provoca o aborto ou o parto prematuro. II Nem sempre se dá o mesmo na variola. III O bacillo de Yersin e suas toxinas não atravessam o filtro placentario. 59 CLINICA PSYCH1ATR1CA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I O systema nervoso constitue uni grande campo de acçído das toxinas do bacillo de Yersin. II O delirio é commum e varia com a intensidade das toxinas. III O coma é sempre symptoma de mau pro- gnostico. OBSTETRÍCIA I A peste não supprime o fluxo catamenial. II Na epoca das regras a pestosa merece cuidados. III O augmenlo da quantidade de sangue expellida é, muitas vezes, um symptoma de gravidade do caso. MEDICINA LEGAL E TOXICOLOG1A I O segredo profissional não permitte ao medico a revelação das moléstias dos seus clientes. II Nas epidemias o medico é obrigado a fazer a notificação do caso á Hygiene. III Até médicos da Hygiene têm deixado de comprir o seu dever. HYGIENE I Os ratos e as pulgas representam papel impor- tante na propagação da peste. II O extermínio destes animaes é necessário. 11! A vaccina é o melhor meio prophylatico individual. Visto—Secretaria da Faculdade de Medicina da Bahia, 15 Outubro de 1910. 0 Secretario, !£)r OdZenandro dos Ddleireífes