FACULDADE M 1I1H1A DA BAHIA THESE APRESENTADA FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Em 30 de Outubro de 1911 PARA SER DEFENDIDA POR 9odo Q&odtiaueo da SooEx Qozia ° *\\ Exsinterno I gratuito 'i das Clinicas Obstétrica e Gvnecologica no Hospital Santa Isabel, em 1909 Exsinterno das mesmas clinicas, no mesmo Hospital, em 1910 Interno da Maternidade Climerio de Oliveira NATURAL DO ESTADO DE SERGIPE Filho legitimo de Gustavo Rodrigues da Gosta Doria fallecido ) Maria da Soledade Costa Doria AFIM DE OBTER 0 GRÁO DE DOUTOR EM MEDICINA DISSE RTAÇÃOv X5E CIjIXTIC-a. OBSTETEICA Das Apresentações do Pélvis PROPOSIÇÕES Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de Sciencias Medicas e Cirúrgicas BAHIA Typog caphia de S. Joaquim Rua do Arsenal de Guerra. 1911 Faculdade de Medicina da Bahia Dírbctor — DR. AUGUSTO C. VÍANNÀ Vice-Director — Secretario — DR. ALEXANDRE R. METRELLES Sub-secretario — DR. MATHEUS VAZ DE OJjLVEIRA Professores Ordinários Drs. : Manuel Augusto Pirajà da Silva . 1Jisloria Natural Medica. Pedro da Luz Carrascosa Physica Medica. José Olympio de Azevedo .... Chnnica Medica. Antonio Pacifico Pereira Anatomia Microscópica. José Carneiro de Campos Anatomia Descriptiva. Manuel José de Araújo Physiologia. Augusto C. Vianna . .• Microbiologia. Antonio Victorio de Araújo Falcão Pharmacologia. Guilherme Pereira Rebello . . . . Anatomia e Histologia Pallmlogicas Fortunato Augusto da SiUa Júnior Anatomia MedicoMfirurgica com Operações e Apparelhos. Anizio Circundes de Carvalho . . Clinica Medica. Francisco Braulio Pereira. .' . . . Clinica Medica. João Américo Garcez Fróes . . . Clinica Medica. Antonio Pacheco Mendes Clinica Cirúrgica. Braz Hermenegildo do Amaral . . Clinica Cirúrgica. Carlos Freitas Clinica Cirúrgica. Francisco dos Santos Pereira. . .Clinica Ophtalmologica. F.duardo Rodrigues de Moraes. . . Clinica Oto-Rhino Laryngologiea. i Alexandre E. de Castro Cerqueira Clinica Dermatológica éSyphiligr.K phica. Gonçalo M. Sodré de Aragão . . . Pathologia Gerai. JoséEduardo F. de Carvalho Filho Therapeulica. Frederico de Castro Rebello . . . Clinica Pedriatica Medica com iTy, giene Infantil. Alfredo Ferreira de Magalhães. . . Clinica Pediátrica Cirúrgica com A Ort.hopedia Luiz Anselmo da Fonseca .... Hygiene. Josirio Gorreia Cotias Medicina Legal e Toxicologia. Climerio Cardoso de Oliveira. . . Clinica Obstétrica. José Adeodato de Sousa . ..... Clinica Gynecologica. Luiz Pinto de Carvalho. ..'... Clinica Psychiatrica e Moléstias Nervosas. Aurélio R. Vianna Pathologia Medica. Antonino Baptisla dos Anjos . . . Pathologia Cirúrgica. Professores Extraordinar'103 Effectivos Drs. : Fgas Muniz Barretto de Aragão. . Historia Natural Medica. João Martins da Silva Physica Medica. Pedro Luiz Celestino Chirnica Medica Adriano dos Reis Gordilho Anatomia Microscópica. José Affonso de Carvalho Anatomia Descriptiva. Joaquim Climerio Dantas Biào. . . Physiologia. Augusto de Couto Maia Microbiologia Francisco da Luz Carrascosa . . . Pharmacologia. Julio Sérgio Palma Anatomia e Histologia Patlioiogica. Eduardo Diniz Gonçalves. ..... Anatomia Medico Cirúrgica 'curti Operações e Apparelhos. Clementino da Rocha Fraga. . . . Clinica Medica. (faio O. Ferreira de Moura .... Clinica Cirúrgica. Clodoaldo de Andrade Clinica Ophtalmologica. Albino Arthur da Silva Leitão . . Clinica Syphiligrapíiiea eiDermato» lógica. Antonio do Prado Valladares. . . . Pathologia Geral. Frederico de Castro Rebello Koch, Therapeutica. José de Aguiar Costa Pinto Hygiene. Cscar Freire de Carvalho Medicina Legal. Menandro dos Reis MeirellesFilho. Clinica Obstétrica. Mario Carvalho da Silva Leal . . .Clinica Psychiatrica e Moléstias Nervosas. Antonio do Amaral Ferrão Muniz . Clinica Analytica e Industrial. Professores em Disponibilidade Drs.: Sebastião Cardoso José E. de Castro Cerqueira .... Deoeleciano Ramos José Rodrigues da Costa Doria. A Faculdade não approva oern reprova as opiniões exharadas nas tfeeses pelos seus auctores. Dissertação CADEIRA DE CLINICA OBSTÉTRICA MS APBESEiVTAÇÕES D# PELTIS DAS APRESENTAÇÕES DO PÉLVIS CAPITULO I DEFINIÇÃO E DIVISÃO fAMOS tentar escrever, embora que mal, sobre as apresentações do pélvis, por- quanto melhor que nós, simples estudantes, já têm escriplo os grandes mestres. Das apresentações é esta uma das de grande valor, pois alem de tornar o parto difficil, perigoso para a mulher, é também de grande gravidade para o féto. Denomina-se apresentação do pélvis, porque é esta a parte fétal que tende a se encravar ou já se encravou, ficando deste modo, como é natural, em relação com a area do estreito superior. Quasi todos os parteiros têm adoptado a divisão da apresentação do pélvis em apresentação completa e apresentação incompleta. Adoptamos esta divisão, pois julgamos ser a melhor porque exprime bem as duas variedades em que podemos encontrar o féto na apresentação do pélvis. 2 Diz-se que a apresentação é completa, quando as coxas estão flexionadas sobre a bacia, as pernas sobre as coxas, vindo os calcanhares tocar nas nadegas. Ribemont—Dessaignes, compara esta posição á de um alfaiate sentado. Quando tratamos da apresentação incompleta temos que ver tres modos, que são: 1. das nadegas, quando os membros infe- riores estão em tal estado de flexão sobre o tronco, de modo a virem os pés do leio a ficar em relação com o thorax; 2. Modo dos pés, quando os membros inferiores tendo se destendido, produzem a sabida de um pé, ou dos dois pés; 3. Modo dos joelhos, quando as pernas estão flexionadas sobre as coxas, e estas em extensão, de modo a vir sahir cm primeiro logar um joelho ou os dois joelhos. A apresentação do pélvis incompleta pode ser primitiva ou secundaria. Quando a apresentação já está encravada devemos chamal-a definitiva, quando não, de temporária, vindo depois a ser secundaria. O professor Bumm em seu Tratado Completo de Obstetricia, dá a seguinte divisão para as apresen- tações do pélvis: apresentação podalica (propriamente dita) e apresentação do pé. A podalica propriamente dita, se diz também completa ou composta, quando os pés vêm juntos no nascimento. Incompleta ou simples quando os membros inferiores estão ao longo do corpo. 3 A apresentação do pé pode ser completa e incom- pleta. Completa quando sabem os dois pés, incompleta quando sai uift. A apresentação do joelho é rara, e elle classifica, como dependendo da do pé. Adiamos esta divisão complicada, e sem o cunlio e importância da seguida pelos outros parteiros. FREQUÊNCIA É menos frequente que a apresentação do vertice, e mais commum que as apresentações da espadua e da lace. Mm* Lachapelle dá uma apresentação do pélvis para 27 partos, Pinard dá uimtpara 30, Mme Roivin dá 1 para 33, Pinard e Lepage dão 1 para 38. Quanto ás variedades, consultando-se a esta- tística. feita por Lepage na Clinica Bqudelocque, vemos 101 apresentações do pélvis, sendo 41 completas e 115 incompletas ; sendo destas 113 modo das nadegas, 2 modo dos pés, e 5 não especificadas. Estas 161 apresentações do pélvis deram-se em primiparas. Vemos por meio desta estatística que o modo das nadegas é o mais frequente. Ainda na mesma estatística, vemos em 132 apre- sentações do pélvis, dadas em multiparas, 50 com- pletas e 75 incompletas. modo das nadegas, 5 modo dos pés, 1 modo dos joelhos. Na estatística feita por Pinard, que dá a proporção de 1 apresentação do pélvis para 30 partos, elle inclue todos os partos quer prematuros, quer a termo; mas 4 se só considerarmos os a termo temos uma proporção de 1 para 62. Dizia-se antigamente que as apresentações do pélvis eram mais frequentes nas multiparas do que nas primiparas, mas as estatisticas, corno a que acima vemos, têm provado o contrario. No serviço de clinica obstétrica, do proíessor Cli- merio de Oliveira, no Hospital Santa Izabel, em 1909, tivemos 81 partos, dosquaes 6 apresentações do pélvis, sendo 3 completas e 3 incompletas, duas medo das nadegas, e uma modo dos pés. Destes casos somente um pertencia a primipara. No mesmo serviço, e no mesmo hospital, em 1910, tivemos G5 partos, dos quaes somente dois casos de apresentação do pélvis, sendo uma completa e uma incompleta. Um caso em primipara e outro cm multipara. No mesmo serviço, na Maternidade Climerio de Oliveira, tivemos de, Novembro de 1910 a Julho de 1911, 126 partos, sendo 9 apresentações do pélvis, destas 6 completas e 3 incompletas, todas modo das nadegas. Destes casos 3 pertenciam a multiparas e G a primiparas. Vendo-se esta pequena eslatistica, desde 1909 até julho de 1911, temos 9 casos em multiparas e 8 em primiparas, parecendo assim contraditorio ao que acima dissemos de ser mais frequente nas primiparas, mas é de notar que em todos os serviços de partos do mundo apresentam-se mais multiparas do que primi- paras. 5 PROGNOSTICO 0 parto 11a apresentação cio pélvis é grave para .a creança, porquanto a cabeça desta, comprimindo o cordão de encont ro a parede pélvica, produz o embaraço da circulação, dando-sc em consequência a morte do teto, ou este nascer cm más condições. Uma outra causa também apontada, c que vem embaraçar a circulação é a retração das paredes do utero sobre o pescoço do te lo depois da saliida do tronco, o que se dá nas intervenções muilo cedo, quando a dclatação não é sufficiente. Ainda outra causa que podemos apontar como produzindo a morte do féto, é que este sendo obrigado a inspirar prematuramente, inspira liquido amniotico, meconio, mucosidades, sangue; que vão obstruir as vias aerias, e impedir deste modo a inspiração de ar quando esta se der. Podem estes liquidos ser tirados e o féto se reanimar, mas não raro se vê elles morrerem dois ou Ires dias depois de broncko-pneumonia. A morte do féto dá-se por uma especie de suffo- caçao, e tanto mais demorada é a expulsão, tanto mais corre perigo a vida do féto. O descolamento da placenta produzido pela cabeça letal lambem é grave para o féto. As difficuldades das extraeções também são perigosas. As traeções intempestivas produzem a ruptura do musculo externo-mastoideo, podendo ser seguido de retraeção do musculo. Dá-se a isto erradamente o 6 nome de tortieolis congénito, e quePinard demonstrou ser uma lesão produzida no momento do parto. As eslatisticas dão para mortalidade dos tetos: Mme Lachapelle—1 para 7, P. Dubois—1 para 11, Pajot—14 para 100, Hecher— 22 para 100, Pinard — 3,57 para 100, Leyde — 3 para 11G, Porak—2 para 39. A estatística da clinica dá em 293 nascimentos, 34 mortos. Em nossa estatística de 1909 a 1911, tivemos 5 fétos mortos, 5 nascidos em más condições, dos quaes 2 morreram e 3 se reanimaram, e 7 nascidos em bôas condições. A vida da mulher também corre perigo. Nos partos das apresentações do pélvis ha quasi sempre ruptura do perineo, principalmente nas primi- paras. Os perigos dos partos nas apresentações do pélvis também dependem da habilidade do operador. DURAÇÃO DO TRABALHO Esta varia segundo o volume do feto, a causa e o modo da apresentação. CAUSAS As apresentações do pélvis, são consideradas como anormaes. Estas causas podem ser francas ou principaes, accidenlaes ou secundarias. As causas francas são devidas: ao desenvolvi- mento do segdftnento inferior do útero mais do' que o 7 superior; á hyclrocephalia ; ao pouco desenvolvimento das partes pélvicas; ao desenvolvimento do féto, que encontrando pouco liquido amniotico, acha dificul- dade, deste modo, em mudar a cabeça para baixo. Em um teto já desenvolvido que se acha de pélvis para baixo, uma contração uterina pode tornar esta posição definitiva. As causas accidentaes, que são mais communs, podem ser devidas: á mãi, ao féto, ou aos annexos. Dependentes da mãi, temos: estreitamento da bacia; quando se encontram ao nivel do seguimento inferior, ou do colo, fibromas uterinos. Cfuerlain dá uma apresentação do pélvis para 14.3 em bacias estreitadas, Lefour dá 33 apresentações do pélvis, em partos complicados por corpos fibrosos. II. Ferre (De Pau) sita nos Annales de Gynéco- logie et d’Obstétrique (Abril 1909) o caso de uma mulher, que tinha spondylolislhesis, com gravidez, estando o féto em apresentação do pélvis, e posição S. I. D. T. Foi leita iima cesariana, tendo sido extra- hida uma creança viva do sexo feminino. Dependentes do féto, temos: pequenez deste, que é de grande importância ; morte do féto; gravidez dupla, na qual é commum. Nos Annales de Gynécologie et d’Obstetrique de Abril de 1911, encontramos um caso apresentado por Barnsby e Gallet á Sociedade Obstétrica de Paris, de apresentação do pélvis, em um parto dvstocico de um monstro duplo (xyphopag-o). Dependentes dos annexos: a abundancia (hydram- 8 nios) ou pequena quantidade (oligo-amnios) de liquido amniotico; inserção baixa da placenta; pequenez do cordão, que pode ser natural ou devida a nós ou a circulares (Budin, Lefour). Ainda nos Annales de Gynecologie et d'Obste- trique de Abril de 1909, encontramos um caso de apresentação do pélvis, cummunicado á Sociedade Obstétrica cie Toulouse, por Couvelaire e Guillaume, onde liavia pequenez do cordão implantado no bordo inferior de uma placenta inserida no seguknento inferior do utero. DIAGNOSTICO Quanto ao interrogatório nada nos adianta para o diagnostico. As vezes a mulher se queixa de dor no logar occupado pela cabeça do féto. Quanto a inspecção, também pouco nos auxilia para o diagnostico. O palpar, principalmente durante o curso da gra- videz, nos é de grande valor. Praticando-o encontramos a escavação vasia, porque, como sabemos, só pela influencia das con- trações do trabalho é que o pélvis penetra na pequena bacia. Mas, examinando uma das fossas illiacas, ou acima do estreito superior, se encontra uma parte fétal volumosa e menos resistente que a extremidade ceplialica, e acompanhada de pequenas partes; esta parte fétal é o pélvis. Depois se seguindo a palpação de baixo para cima, quando se chega ao fundo do utero, ou perto delle, percebemos uma parte arredon- 9 dada e regular que foge â pressão da mão. Esta parte é a extremidade ceplialica, e a esta sensação de fugida pela pressão da mão, dá-se o nome de baloiço cepha- lico abdominal. Pinard dava grande importância a dôr que ás vezes as mulheres sentem, quando se pratica o baloiço. Maurice e Puech dão pouco valor a esta dôr porquanto falta em 30 por 100. Ha alguns factos que nos vem tornar o diagnostico embaraçoso, como sejam: havendo grande quanti- dade de liquido amniotico, podemos produzir o baloiço em outra parle letal; pode a cabeça do íéto estar occulta pelas falsas costellas ou pelo ligado; neste caso só com muita difíiculdade, seja calcando o feto, seja collocando a mulher do lado, podemos examinar a cabeça e produzir o baloiço. Referindo-se a esta segunda difficuldade o pro- fessor Pinard assim se exprime : nestes casos é neces- sário mobilizar o feto, fazel-o evoluir lenlamente calcando-o em sentido inverso nos dois polos, ou não agindo senão no poio inferior, se o superior é inacces- sivel, de modo a fazer voltar a cabeça na linha media, ou bem ao contrario fazel-a descer um pouco mais para um dos lados. Em uma palavra, é precizo tornal-a mais superficial, e por isto mais accessivel, mais palpavel. O que nos pode bem demonstrar que a cabeça esta no fundo do útero é o sulco do pescoço. Pinard diz a respeito delle: para mim, o signal característico, patkognomonico da presença da cabeça no íundo do útero é a verificação do sulco do pescoço. 10 Abaixo deste sulco encontramos um piano resis- tente que é o dorso. Este exame de palpação deve ser praticado varias vezes para que nos certifiquemos do diagnostico. Podem-se perceber as pequenas partes mas não tão facilmente como na apresentação do vertice. Agora procuremos fazer o diagnostico de pélvis incompleto. Este diagnostico tem valor para as versões por manobras externas, porquanto sejam ellas fáceis no pélvis completo, são difficeis no incompleto. Pelo palpar encontramos um volume menor, menos irregular. Os membros inferiores estão em extensão ao longo do corpo, podendo se sentir os calcanhares perto da cabeça. Nesta variedade, modo das nadegas, o pélvis em virtude de sua forma, pode se encravar durante a gravidez, nas primiparas, e tendo a mulher as paredes abdominal e uterina resistentes, pode levar a um engano, e se julgar que é cabeça quando é pélvis. A presença das pequenas partes perturba se praticar o bailoço, c se houver oligo-amnios, podemos tomar por pélvis o que c cabeça. A descoberta da cabeça é o principal ponto para o diagnostico. Depaul julgava que somente pela auscultação se poderia fazer o diagnostico de apresentação do pélvis, e dizia que nestes casos o foco estava ao nivcl ou acima do umbigo. Ribemont—Dessaignes não dá importância a auscultação para o diagnostico, e diz que o foco se deve encontrar alto, durante a gravidez emquanto não ha encravamento. Pinard, diz que em uma apresentação do pélvis não encravada, pode-se 11 ouvir o loco mais baixo que 11a apresentação do vertice, cujo encravamento não é muito acousacio. Para nós também o principal meio de pesquiza para 0 diagnostico durante a gravidez, é a palpação, quanto a auscultação, nos servirá para verificarmos se 0 feto está vivo ou não. TOQUE Se 0 fizermos durante a gravidez, ainda não liavendo encravamento, èncontra-se a excavaçãò vasia e muito diíficilmente poderemos alcançar a parte fé tal. Ys vezes se encontra pequenas partes, mas não podemos garantir se estas vem acompanhadas da cabeça. Para facilitar um pouco 0 toque, podemos fazer com a outra mão apoiada no abdómen, o abaixa- mento da apresentação. O toque nos offérece grandes informações, quando o praticamos durante 0 trabalho, e que as membranas já estão rasgadas; deste modo poderemos alcançar com 0 dedo todas as partes da apresentação, principal- mente 0 coccyx que é o ponto de reparo da apresen- tação, 0 que se reconhece por ser cartilaginoso, duro e movei. Quando introduzimos 0 dedo na vagina, e que alcançamos a apresentação, encontramos em primeiro logar a nadega anterior, que tem a forma de um tumor molle e arredondado, em seguida um sulco que é 0 sulco intergluteo, e finalmente com alguma diffi- 12 culdade encontramos outro tumor molle e também arredondado que é a nadega posterior. Agora devemos procurar outras partes da apre- sentação, para que não nos confundamos e façamos diagnostico de face, pois que na apresentação do pélvis ha partes como sejam, as nadegas, o anus e o scrotum ou os grandes lábios, que podem ser confun- didos com partes da apresentação da face, como sejam, bochechas, bocca e globulos occulares com palpebras tumefeitas. Mas se para a apresentação da face nós temos o nariz e mesmo a bocca para reconliecel-a, temos na apresentação do pélvis, a cristã sacra e o eoccyx que nos assegura o diagnostico, e alem disto quando se trata de um pélvis completo, temos ainda os membros inferiores. Se quando praticarmos o toque encontrarmos um pequeno membro, temos que reconhecel-o se é pé ou se é mão. O pé não está no mesmo eixo do membro e forma com elle um angulo, a mão está; os artelhos são curtos, todos no mesmo plano e unidos, os dedos são compridos, flexiveis, podendo se separarem facil- mente, e o polegar é mais ou menos affastado. No pé encontramos tres saliências, sendo duas quasi no mesmo plano, os malleòlos, e uma inferior, o calcaneo. Ainda podemos estabelecer a differença entre a face % plantar e a palmar que é côncava. Reconhecido que é um pé, precisamos saber se este é direito ou esquerdo. Se elle já está fora da vulva nada mais facil pela inspecção visual. Se elle ainda está na vagina, faremos o reconhecimento com a 13 mão do bordo interno do pé, pelos artelhos, e facilmente se reconhece porque o grande artelho está situado do mesmo lado que o bordo interno. Feito este reconhecimento procuramos estabelecer uma compa- ração entre o pé do féto e o nosso pé e faremos a distinção entre pé direito e esquerdo. Quando ha o modo rarissimo dos joelhos, encon- tramos um tumor duro, arredondado, e subindo-se rnais o dedo, encontraremos a perna e a coxa, e entre ellas uma prega. Ao encontrarmos um membro inferior, antes de aprofundarmos mais o dedo, não podemos fazer o diagnostico de apresentação do pélvis, porque pode haver apresentação do vertice ou da face com proei- dencia de um membro. O diagnostico de posição é facillimo logo que seja reconhecida a cristã coccyx-sacra, e o lado para onde está voltada. Se está para a esquerda, é esquerda, podendo ser anterior se está em relação com a emi- nência ileo-pectinea esquerda; posterior, se está em relação com a symphise sacro-illiaca esquerda, trans- versa se está entre estes dois pontos. O mesmo se dá para o lado direito, assim é que temos, direita anterior, direita posterior e direita transversa, conforme a cristã coccyx-sacra esteja em relação com a eminencia ileo-pectinea, com a sym- phise sacro-illiaca, ou com o ponto intermediário, do lado direito. Alem destas posições temos as posições: sacro-pubiana e sacro-sacra. Quando se apresentam os pés, por meio delles 14 podemos fazer o diagnostico da posição, mas como notaBudin, sendo elies muito mofeis, e terem scffrido uma rotação, podemos cahir em e rro. Quanto a auscultação. nas posições sacro-esquerda o toco se acha á esquerda do umbigo, nas sacro-direitas ;'i diimita. Tratamos do diagnostico de posição a respeito do mque, mas como sabemos elle pode ser feito pela palpação. Como acatamos de ver na apresentação do pélvis, come na la cr,beça, ha quatro posições pertencentes aos diâmetros obliquos, duas ao ransverso e duas ao antero-posterior. CAPITULO II MECANISMO DO PARTO ABEMOS que qualquer que seja a apre- sentação o mecanismo é o mesmo. Wallicli considera no parto pelo pélvis tres partos, que são: o do pélvis, o das espaduas e o da cabeça; a cada parto elle dá tres tempos, sendo no todo nove tempos. Fabre também considera do mesmo modo. Para elles os tres tempos de cada parto são: l.° encravamento, 2.° descida e 3.° desencravamento. Puecli adopta dez tempos, considera tres partos, e cada um com quatro tempos, sendo que para o parto das nadegas e para o parlo das espaduas, o mecanismo é dissociado, para o parto das espaduas c para o parto da cabeça o mecanismo é associado, dois dos quatro tempos são solidários. Para Puech são estes os dez tempos do parto: l.° accommodação lo pélvis nò estreito superior; 2.° descida do pélvis i.a bacia ossea 3.° accommodação (pela rotação) do pélvis no estreito inferior; d.° descida do pélvis atravez do estreito nferior e da bacia molle, ou. desencravamento; 5/ accommodação das espaduas 16 no estreito superior; 6.° descida das espaduas na bacia ossea; 7.° accommodação (pela rotação) das espaduas no estreito inferior; 8.° descida das espaduas atravez do estreito e da bacia molle; 9.° accommo- dação (pela rotação) da cabeça no estreito inferior, accommodada e descida na bacia ossea durante o sétimo e oitavo tempos do parlo das espaduas (tempos soli- dários); 10.° descida da cabeça atravez do estreito inferior e da bacia molle. Esta divisão do parto do pélvis cm Ires partos é devida a P. Dubois. Pajot admitia cinco tempos, porquanto confundia a rotação e a expulsão como um só. Tarnierem 1865 desdobrou estes cinco tempos, e sua divisão em seis tempos é a adoplada hoje pela generalidade dos parteiros. É esta a divisão que seguimos, é esta divisão que nos foi ensinada pelo nosso mestre Dr. Climerio Cardoso de Oliveira. Estes seis tempos são divididos em tempos de accommodação e em tempos de avanço. Os de accom- modação são: o Io 3.° e o 5.° os de avanço são : o 2.°, o 4.° e o 6.°. Para maior facilidade e comprehensão tomamos como típo I. E. A. 1.* Tempo.— Dá-se neste tempo a diminuição do volume da apresentação, mas esta diminuição não é como nas outras apresentações. Aqui dá-se pela com- pressão das partes que constituem a apresentação. A diminuição é directa. A compressão dos membros inferiores do féto sobre o' ventre, produz a sabida do 17 meconio. O que influe para se dar esta compressão é a contração uterina. 2. Tempo. — O pélvis começa a descer, vai-se ciar o encravamento. A nadega anterior penetra pri- meiro na escavação. No pélvis incompleto, os membros inferiores, ficando presos na area do estreito superior, o encravamento fica 1'acil, mas a expulsão íica mais lenta e mais perigosa para o féto. 3. Tempo. —Rotação. Neste tempo, na apresen- tação do pélvis, dá-se o contrario do que se dá nas apresentações do vertice e da face; nestas, o ponto de reparo fétal vem se pôr em relação com o pubis, emquanto que na apresentação do pélvis o ponto de reparo fétal desloca-se para traz e se vai pôr em relação com o extremo do diâmetro transverso da bacia, ficando o diâmetro bi-trochanteriano do féto em relação com o diâmetro antero-posterior da bacia. á.° Tempo. — E neste tempo que commeça a apa- recer na vulva a parte fétal, é chamado tempo do desencravamenlo. A parle que primeiro aparece é a nadega ante- rior; emquanto esta fica sobre o perineo, a nadega posterior lucta com o coccyx. O perineo e a vulva ficam bastante destenclidos, e a compressão exercida sobre o féto, produz o que se nota geralmente nos partos pelo pélvis, que é a sahicla do meconio. Para que o féto possa sahir, elle soffre uma flexão lateral anterior. Dá-se em seguida a sahicla dos pés, sahindo nos mais dos casos em primeiro logar o pé posterior, e em j. D. ' 3 18 segundo o pé anterior, continuando depois o félo a sabir. Quando a apresentação do pélvis é incompleta, modo das nadegas, este tempo do parlo dá-se mais demoradamente, é que o féto não pode facilmente soffrer a flexão devido aos dois membros inferiores que estão ao longo do corpo. Depois da sabida do Ironco, vai se dar a sabida das espaduas, o que se dá, sabindo em primeiro logar a espadua anterior e em seguida a posterior. Dá-se uma ligeira rotação externa do tronco de modo a vir o diâmetro bis-acromcal do féto ficar em relação com. o diâmetro obliquo da bacia. 5.° Tempo.—Neste tempo dá-se o encravamento da cabeça; ella está na mesma direcção em que está o tronco do félo, e para que ella possa sabir, tom que fazer uma rotação, de modo que o occiput venba se pôr em relação com a sympbise pubiana. ó‘.° Tempo.— Termina-se neste tempo o parto pela expulsão da cabeça. Tendo-se dado a rotação e a cabeça descido, o occiput apoia-se na sympbise do pubis, e começa o desencravamento da cabeça, esta gira de modo a ficara nuca como ponto de apoio, e vamos vendo, á medida que a cabeça vai sabindo, o mento, a bocca, o nariz, os ollios, finalmente o resto da cabeça. Quanto aos diâmetros, é esta a ordem em que elles se apresentam na occasião da expulsão da cabeça: primeiro o sub-occipito-mentoniano, depois i o sub-occipito-frontal e por ultimo o sub-occipilo- 19 bregmalico. O primeiro destes diâmetros, mede na media treze centímetros, o segundo onze e o terceiro nove centímetros. Quanto aos partos pelas outras posições poucas são as modificações que soffrem estes tempos que acabamos de estudar na S. I. E. A. NaS. I. E. P. a descida c o encravamento tornam-se um pouco mais difficeis, por causa das pequenas partes fétaes estarem para diante. Feito isto dá-se o parto como na posição anterior. Na S. I. D. A. o teto tem que se transformar em S. I. D. T. como se dá na S. I. E. A. quç se transforma em S. I. E. T. Pelo que vemos nesta posição a unica differença que ha da S. I. E. A. é que esta roda para a esquecia e a S. I. D. A. roda para a direita, no mais tudo é igual. Na S. I. D. P. a posição transforma-se em S. I. D- T. rodando de detraz para diante. ANOMALIAS DO MECANISMO Como diz Tarnier as anomalias na apresentação do pélvis, são mais frequentes do que se julga. Vamos estudal-as em cada um dos tempos para assim melhor comprehendermos. 0 excesso do volume da apresen- tação ou a deflexão dos membros inferiores, são causas destas anomalias. l.° Tempo.—Tendo-se apresentado no estreito superior uma apresentação do pélvis completa, esta pode tornar-se incompleta peia deflexão de um dos 20 membros inferiores, e muitas vezes retarda a acom- modação. Isto pode dar-se antes do começo do traballio. 2. Tempo — Pode a apresentação ser volumosa, e neste caso o ulero se falig*a, porque somente por suas contrações não pode produzir o encravamento da apresentação. Esta falta de encravamento pelo excesso de volume dá-se tanto na apresentação com- pleta como na incompleta, e quando se consegme dar, não que seja necessária, a intervenção manual, ella é lenta, dolorosa e de grande risco para a vida do féto. 3. Tempo. —Neste tempo ternos que observar dois factos em relação ao (élo: ou elle é muito pequeno e se desencrava sem que haja rotação, ou elle é muito volumoso, e alem disto as pequenas partes vêm impedir qualquer movimento de rotação. Depois dos estudos de Potocki, Frilsch, Lashine, Budin, vemos que os pélvis incompletos é que estão mais sujeitos ás anomalias de rotação. E assim que elles podem segai ir um caminho anormal e se transfor- marem em sacro-sacra ou sabro-pubiana, posições nas quaes os partos tornam-se difficeis. 4. Tempo.—Não se tendo dado a rotação, o desencravamento pode ser mais ou menos difficil. O desencravamento dá-se obliquamente, ou a nadega anterior passa a linha media pelo excesso de rotação. No pélvis completo o perineò íica tão destendido pela resistência da bacia molle, que quasi sempre temos que intervir. No pélvis incompleto ainda mais difficil é, por causa dos membros inferiores que impedem a inclinação do tronco. Era urna sacro-sacra 21 ou em uma sacro-pubiana, o desencravamento se não c impossível, é muito laborioso (Bandelocque). Vem também dificultar este tempo a deflexão de um ou dos dois braços, quando se apresentam ao nivel do estreito superior. 5. Tempo. — Este tempo pode ser dificultado pela falta de rotação da cabeça, ella ficar em trans- versa, dificultando a expulsão expontânea, ou o occiput ficar para traz, o que é comnmm no» fé tos pequenos. 6. Tempo. — Em consequência das anomalias do 5.* tempo, éque se dão as anomalias deste tempo. Quando o occiput está pâra traz temos que ver se a cabeça está flexionada ou se está deflexionada. Se ha flexão, a nuca repousa sobre o perineo, e vemos apparecer successivamente, o mento, a face, a fronte, o bregma. Como vemos dá-se primeiramente o desencravamento da face. Se ha deflexão, a região do mento se apoia atraz do pubis, e o desencravamento vai se dando segundo os diâmetros, S. M. O., S. M. B., S. M. F., sahindo deste modo em ultimo logar o mento. PHENOMENOS PLÁSTICOS As partes que soffrem mais estes phenomenos são o tronco e o craneo. Estes phenomenos têm sido bem estudados por Hecher, Fritsch, Kustner, Bonnaire e Schwab, P. Bar. Os malleolos e os calcanhares, pela compressão produzem marcas mais ou menos profundas naquellas 22 partes. Podemos encontrar pés-tortos, mas estes po- dem ser corrigidos por massagem, salvo os casos onde ha oligo-hydramnios. Bar cita casos de luxação con- génita da anca. A compressão soífrida pelo craneo exercida pelo canal pelvi-genital, pode produzir deformações, como seja a brachycephalia, cm que a compressão é exercida sobre o occipital, sobre o frontal, temporaes e parietaes, dando uma forma regular. Sobre isto chama a attenção Spiegelberg*: Esta deformação pode ser no parielal anterior, como mostraram Bar e Bonuaire. Estas compressões soffridas na gravidez e no parto, pela cabeça, podem ser pelo fundo do útero, por causa da pequena quantidade de liquido amniotico. A brachycephalia apresenta quasi sempre uma forma asymetrica. Pode-se também, mas raramente, encontrar a dolichocephalia assignalada por Hecher, que é o achatamento na parte posterior, podendo ser asymetrica. A orelha do féto pode ser deslocada pela pressão exercida pelo braço de encontro a ella. Varnier cita dois casos onde a pressão* sobre a região parotidiana era tão forte que os fétos nasceram com paralysia facial peripherica. A bossa sero-sanguinea, é encontrada ordina- riamente na nadega anterior, mas pode ser na poste- rior, no sacro ou 11a parte inferior do abdómen, dependendo da inclinação do pélvis. O scrotum soffrendo uma infiltração sero-sanguinea, torna-se 23 mais volumoso e de cor ecchymotica. Nos fétos femininos os grandes lábios, também podem ficar tumefeitos e ecchymosados. Os pés e os joelhos, também podem ficar edematosos e ecchymosados. CAPITULO 111 DA CONDUCTA QUE DEVEMOS TER NAS APRE- SENTAÇÕES DO PÉLVIS (31 EMOS que encarar este ponto sob duas con- ®LI_ dições, que são : durante a gravidez e durante o parto. Durante a gravidez.—Pelo que vemos é de g’rande gravidade para o feto a apresentação do pélvis pelo que vem logo ao espirito do parteiro ao lazer urn diagnosto desta apresentação, transformal-a por meio da versão por manobras externas, em apresentação do vertice. Este meio de transformação da apresentação, que iniciado por Wigand, em 1807 na França por Stoltz, F. J. ITcrrgott, em 1839 por Bumm e L. S. Hubert em 1843, e principalmente por Mattai, publi- cando em 1855 o trabalho «sobre a reducção e a versão cephalica operada atravez das paredes abdo- minaes antes da ruptura das aguas», e depois por Pinard, tem soffrido muitas contestações, e entre os contrários encontramos Pajot, que dizia, que difflçil, senão impossível, sempre perigosa nas primiparas e inúteis nas multiparas. j. d: 4 26 Hoje em vista das observações, todos os parteiros estão de accordo em fazel-a, principalmente nas pri- miparas. e nos casos em que o féto se apresenta em modo das nadegas. Para praticarmos a versão por manobras externas, temos que tomar as mesmas precauções que tomamos quando praticamos o palpar abdominal: a mulher collocada no decupitos dorsal e horizontal, a cabeça em um travesseiro baixo, os braços ao longo do corpo, os membros inferiores estirados e ligeiramente afastados. A mulher deve ter o recto e a bexiga vasios. O operador pode se collocar de um ou do outro lado do leito, e praticar a operação exercendo pressões leves e methodicas. M. Pierra (Paris) tem empregado a posição de Trendelenburg para praticar a versão por manobras externas, mas como esta posição é mal suportada pelas mulheres gravidas elle a modificou. Colloca o pélvis em posição de Trendelenburg, mas levanta o dorso de modo que o alto do tronco seja horizontal e a cabeça recta. Esta posição é commoda para praticar a versão por manobras externas: a doente respira facilmente e o parteiro não é perturbado nem por contrações musculares, nem por massa das viceras. Mattai aconselhava levantar a bacia da mulher com um travesseiro, e Pinard prefere mandar um ajudante introduzir dois dedos na vagina e o operador calcar brandamente o féto. A versão por manobras externas compreliende 27 dois tempos que são: l.° a mobilisação do féto, 2.° a evolução ou mutação. Mobilisação.—Para praticarmos a versão por manobras externas ha um facto que a torna mais íãcil ou mais difíicil, e este facto é o de ser a mulher primipara ou multipara, neslas com maior rasão de ser, em vista, das paredes do utero serem mais flacidas, tornar-se-á mais facil a versão por manobras exterbas, emquanto que naquellas não, porquanto as paredes do utero estão mais fortes, pois que não soffreram o esforço produzido por gravidezes anteriores. Ila casos em que podemos facilmente praticar a versão por manobras externas, nestes casos o operador colloca as mãos ao lado da linha media, e calcando-as de modo que os dedos possam se collocar entre a bacia e o pélvis do feto, comj/feça a fazer movimentos moderados, dc modo a calcar o féto der baixo para cima e para uma das fossas illiacas. Depois de feito isto, e que estámobilisado o pélvis do féto, firmada esta parte com uma mão, com a outra procuramos mobilisar a cabeça do féto, que se acha por debaixo daa falsas costellas e sob o fígado. Mobilisados os dois polos fétaes, commeçamos a fazer movimentos lentos de modo a levar o pélvis para cima e a cabeça para baixo pelo caminho mais curto. É a esta segunda phase, que acabamos de descrever, que chamamos tempo de mutação. IIa casos em que a versão por manobras externas torna-se tão demorada, que o parteiro deve ser 28 paciente, e mesmo administrar cliloroformio á partu- riente. Mas nem sempre podemos praticar a versão por manobras externas, porque causas importantes vêm tornal-a impossivel de ser praticada, pelo que estas causas são verdadeiras contra-indicações. Tarnier aconselha nunca se praticar a versão por manobras externas, em casos espcciaes de hyperesthesia, ou quando ha nevralgias dos ramos cutâneos do plexus lombar. É bem verdade que nestes casos podemos fazer a versão por manobras externas, mas é neces- sário o emprego de anesthesicos. No modo das nadegas, quando ha encravamento, não podemos praticar a versão por manobras externas, a não ser que recal- quemos o pélvis do leio com uma das mãos intro- duzida na vagina. Este meio foi indicado por Maygrier, Loviot, Pinard que reconhecem mesmo haver perigo em procedel-o, e neste caso é melhor não o praticarmos. Yarnier diz que o pélvis incompleto, modo das nádegas, não se encrava durante a gravidez. Se o útero estiver virado para diante da symphise do pubis, se houver tumores uterinos ou mal forma- ções uterinas, também não podemos praticar a versão por manobras externas. Se praticarmos a versão por manobras externas em uma primipara no fim do oitavo mez, ou em uma multipara no meio do nono mez, é uma operação inútil. Quando ha tenacidade do annel de JBandl e do seguimento inferior; pequena quantidade de liquido amniotico; feto morto ou macerado, e nas gravidezes 29 gemi liares, são lambem contra indicações para a versão por manobras externas. Leíour e Budin chamaram a attenção lambem como contra-indicação, o encurtamento natural ou accidental do cordão. Não achamos razão idesla contra-indicação lem- brada por Leíour e Budin, porquanto não podemos fazer o diagnostico do encurtamento do cordão achan- do-se o féto ainda no útero. Durante o trabalho —Podemos praticar a versão por manobras externas durante o trabalho, mas é necessário que as membranas ainda não se tenham rompido, e que a dilatação não esteja muito adian- tada, mas esta operação é muito perigoza, porque podemos tornar o partomaisdifficil pela substituição da apresentação do pélvis pela apresentação da cspadua, em vez da apresentação do vertice como desejávamos. Pelo que acabamos de ver, nunca devemos praticar a versão por manobras externas, estando as mem- branas rotas. Já sabemos que quando vamos praticar um parto devemos estabelecer todas as condições hygienicas de asepcia, como sejam: desinfecção das mãos do parteiro, desinfecção dos orgãos genitaes externos, e da vagina, panos, algodão, tios de seda e catgut, ferros e mesmo o proprio leito, tudo desinfectado, alem disto devemos ter prompto agma esterilisada quente e fria, insuflador, cognac, para n’um caso de morte aparente do féto (o que é commum nos partos das apresentações do pélvis) podermos reanimal-o. 30 Também devemos ficar em guarda para algum accidente que possa vir á mulher, principalmente contra as hemorrhagias, e por isto devemos ter prompto, agua quente e ergo tina, devendo-se só administrar esta quando o útero estiver completaménte vasio. Além disto devemos ter á mão ampolas de ether, cafeina, oleo camphorado, para algum caso dCverti- gem ou de syncope. A não ser que o féto ou a mulher corram perigo devemos seguir a regra estabelecida, de deixar ás forças da natureza a expulsão do pélvis e do tronco e de intervir somente para facilitar a sahida da cabeça. A expulsão desta é muito lenta e perigosa para o íélo. Não*devemos proceder a toques muito repetidos, e conservaremos a mulher no leito. Depois de completa a dilatação e que a apresentação se encrava, podemos em caso de necessidade, proceder a ruptura das mem- branas. E logo que percebemos a apresentação na vulva, collocaremos a parturiente em posição obsté- trica, e em frente a vulva esperamos que as ancas saiam naturalmente, ou procederemos o desencrava- mento de um dos membros inferiores. Devemos de vez em quando auscultar o coração fétal, para sabermos se o féto soffre ou está em boas condições. Sahido o pélvis, o amparamos com uma mão, e esperamos a sahida do tronco, sem fazermos esforço sobre o féto. Não necessitaremos mais de estar com auscultações. Com a mão que sustentamos o féto pelo ventre, á 31 proporção que este vai sahindo, procuramos o umbigo, e encontrado este, puchamos um pouco o cordão para fazermos uma ance fluctuante no exterior. Deste modo se evita que a sabida brusca do tronco, fazendo esforço sobre o cordão, produza a ruptura deste ou o descolamento da placenta, ou ainda a estrangulação do feto se houver circulares. Devemos nesta pbase seguir o conselho de Mme Lacbapclle: «O parteiro deve evitar ceder á impaciência natural que se experimenta muitas vezes em taes casos, e resistir a tentação de agir que excita naturalmente a facilidade aparente offerecida pela disposição das partes fétaes. Deve com cuidado e lentidão, receber e dirigir o féto expulso pelo utero, primeiro do que extrahir». Deve-se seguir este conselho porque se puctíarmos, o féto, vamos fazer a suspensão dos braços e defle- xionar a cabeça, e mesmo pela acção das mãos sobre o teto este poderá abrindo a bocca inspirar liquido amniotico. Sabido o tronco e com elle os braços, iica somente para sahir a cabeça, e é agora que o parteiro tem de intervir, e esta intervenção é feita por meio da manobra de Mauriceau, também chamada manobra de Veit— Maureceau — Smellie. É feita do seguinte modo esta manobra: colloca-se o féto montado no ante-braço da mão que o sustem pelo ventre, correspondendo este a face palmar da mão, (ventre a esquerda da mulher, mão direita; ventre a direita da mulher, mão esquerda, não sendo 32 indifferente, como se vê, a escolha da mão), agora escorregando-se com a mão por baixo do féto, penetra-se na vagina, até encontrar a bocca do féto, e nella se introduz os dedos índex e medio da mão. A bocca está para um lado, pois ainda não se deu toda a rotação. E logo que ná cavidade da bacia só exista a cabeça, devemos intervir immediatamente, de modo que os dedos vão encontrar a bocca de um lado da bacia, e não na concavidade do sacro. Com a outra mão, também com o index e o medio, abraçamos a nuca. Emquanto que a mão que tem os dedos na bocca do féto, completa a flexão, a descida, laz a rotação e leva o mento para o coccyx, afim de se dar o desencravamento, a outra mão qne se acha apoiada sobre a nuca, vai ajudando este movimento. Feito isto comjneçaremos a o féto com uma mão pela bocca, e com outra pelas espacluas, até que a nuca fique fixa sob a arcada pubiana e sirva de ponto de apoio para o movimento que vamos dar ao féto. Vai-se levantando o féto de modo que o dorso deste venha repousar sobre o ventre da mulher, porque se deixássemos o féto horizontalmente, o mento de encrontrò ao externo não permitiria a evolução da cabeça. Faremos com a mão que se acha com dedos na bocca do féto mais esforço do que com a que se acha na nuca. Livre a fronte do coccyx, entra na bacia molle, e temos que tiral-a do annel vulvar. Vai-se levantando, o féto, e vemos que vai apparecendo, o mento, a fronte e finalmente o bregma: a cabeça 33 aclia-se fora dos orgãos genitaes e o féto repousado no ventre da mulher, e deste modo, como acabamos de ver, terminada a expulsão fétaf. Alem da manobra de Mauriceau, temos ainda para a extração da cabeça a manobra de Wigand—Martin— Winchel, que é aconselhada para os casos em que ha extreitamento da bacia. Ella se differencia da de Mauriceau, porque em vez de dois dedos que intro- duzimos na boccado féto, introduzimos quatro, ealem disto, ajudamos o encravamento, fazendo pressão sobre a cabeça atra vez da parede abdominal. Esta parte em que ajudamos o encravamento com as duas mãos, é uma especie de manobra combi- nada, ou manobra de Braxton — llicks. Quando ha augmento do desenvolvimento da cabeça fetal, podemos praticar certas operações de que mais adiante falaremos. Durante todos estes trabalhos devemos velar para que não se de ruptura do perinéo. Quando as contrações são fracas, podemos ajudar o trabalho, mandando que um ajudante calque a cabeça do féto, atravez da parede abdominal. Muitas vezes temos que intervir, antes que se dê a expulsão do pélvis e do tronco, nos casos de hemorrhagia, de eclampsia, ou de perturbações da circulação inter-utero-placentaria, por exemplo. Nunca devemos praticar estas intervenções, cha- madas por Tracção Podalica, sem que o orincio uterino esteja dilatado. É um caso de pélvis incompleto, modo das J. D. 5 34 nadegas, ou mesmo um pélvis completo, mas que na Qccasião da descida, os membros inferiores se le\an- tam, tornando-o assim em um modo das nadegas. Temos que introduzir a mão para irmos procurar um pé, e por meio delle fazermos traeção. Nesta operação o que temos em vista, e o que nos é mais importante, é em primeiro logar a escolha do pé, e em segundo o mecanismo do encravamento no estreito superior. Reconhecida a posição do teto pelo toque, vamos proceder a tiragem do pé, o qual deve ser o que se denomina pé bom. Dos pés o que denominamos bom e que devemos escolher é sempre o anterior, porque se fizermos a traeção pelo pé posterior, faríamos a nadega anterior vir de encontro ao pubis, e assim tornar-se impossível a tirada do féto. É bem verdade que tendo-se puxado o pé poste- rior ou pé mau, podemos por meio delle fazer xa traeção, mas para lazel-a temos que obrigar o féto a fazer uma grande rotação, de modo que o pé mau transforme-se em pé bom ou anterior. A traeção feita por meio de um pé, traz a grande vantagem de não diminuindo o volume da apresen- tação, esta vir augmentando a largura do canal e deste modo quando se • der a expulsão das espaduas ou da cabeça, será com mais facilidade. Não nos é indiífercnte qual a mão que devemos introduzir para a tiragem do pé, deste modo segui- remos a formula estabelecida, que serve para se saber qual a mão a introduzir, c qual o pé a puxar : 35 Nas sacro-esquerdas, mão esquerda, pé esquerdo. ■ Nas sacro-direitas, mão direita, pé direito. Já sabemos que temos de dispor a nossa mão em iorma de cone, o que se consegue juntando os dedos, para introduzil-a na vagina, e para que mais facil- mente se dé a introdução a lubrificamos com vaselina esterilisada, com sabão liquido ou mesmo em uma solução de lysol. Quando temos introduzido a mão, e encontramos os dois pés, e queremos puxal-os juntamente, os seguramos com tres dedos, o index, o polegar, e o mcdio, ficando o index entre as duas pernas, e acima dos malleolos. Mas quando só encontramos um, o seguramos acima dos malleolos com os dedos index e medio. Se este pé que temos aprehendido e trasido para fora é o mau, isto é o posterior, em vez de transfor- mal-c em bom, por meio de uma rotação, como acima falamos, devemos amarral-o com um laço, e em seguida seguindo com a mão pelo seu lado interno, ir buscar o pé bom, que como sabemos é o anterior. Quando temos trasido para fora, ao mesmo tempo os dois pés, seguramos o esquerdo com a mão esquerda, o direito com a mão direita,, e temos que ir auxiliando o encravamento e descida, como se se?'desse um parto natural. E logo que o félo se ache no diâmetro anteio-pos- terior do estreito inferior, comtfieçaremos a puxal-o’ o que se faz quasi que .só pelo membro anterior, e com movimentos dirigidos para baixo e para traz, e 36 logo que vemos apparecer na abertura vulvar o trochanter anterior, ahi o manteremos, e sabemos então que o pélvis já está no fundo da bacia, bem orientado, em sacro-transversa, e que então se vai dar o encravamento no estreito inferior, Continuamos a traceão do féfo, mas desta vez no membro posterior, que é para dar-se o encravamento no estreito superior, de sua anca, e logo que esta tenha passado o coccyx, e per conseguinte esteja na bacia molle, vamos fazendo-a aproximar-se da furcheta vulvar, e nesta occasião devemos ter grande cuidado com o perinéo, pois elie acha-se muito desiendído e forçado pelo trochanter posterior. Vamos em seguida levantando o féto até que se de a sabida da circumferencia trochanteriana. Se temos trasido para fora somente um pé, puxa- mos lentamente para baixo e para traz, e quando tenha apparecido a anca anterior na abertura vulvar, vamos fazer com que se dê o encravamento da anca posterior na bacia molle, o que se faz por movi- mento horizontal; depois levantamos para que ella saia da furcheta vulvar. Mas se em vez do pé bom, como no caso acima tigurado, nós temos o pé mau, a extração vai-se tornar mais diíficil, a não ser que o transformemos em pé bom. Temos que fazer principalmente tracçâo para baixo e para traz, pois que deste modo iremos impedir que a nadega anterior se colloque acima ou atraz do pubis, o que tornaria quasi que impossivel a extração. 37 Pode vir um facto muito nos auxiliar e este é que pode dar-se sob a influencia das contrações, uma rotação, o que nós devemos ajudar, acompanhando a direcção para qual ella tende a dar-se, e quando terminada esta, o pé que era mau se acha transfor- mado em bom, isto é, de posterior transformou-se em anterior, e deste modo se tornará facil a extração do fé to. Para procedermos a extração, devemos segurar o féto pelas pernas e nunca pelo abdómen, pois que podíamos produzir lesões graves nas vísceras, princi- palmente no fígado, que, como sabemos, no féto, occupa quasi que metade da cavidade abdominal, indo para direita até alguns milímetros da cristã illiaca. Sahido o pélvis, procuramos como já dissemos em outra parte fazer a anse do cordão, e caso este seja muito curto, collocaremos pinças hemostaticas e procederemos a secção, impedindo deste modo a tracção sobre a placenta. Temos agora que proceder para que se dê a sabida das espaduas, o que se dá as vezes facilmente, bastando baixar o féto lentamente de modo que a espadua anterior se encrave a baixo da symphise, e podemos nos certificar disso praticando o toque. Resta- nos fazer com que se dê a sahida da espadua poste- rior, e obteremos isto, levantando o tronco, elogo que ella saia, o abaixaremos de novo para se dar a sahida da espadua anterior que se achava encravada como acima dissemos. 38 Mas muitas vezes esta extração torna-se difficil, e tanto peior se é em urneasd em que emo3 de ) mais depressa pos3ivel retirar c feto paia que este não succumba. Pode as contrações u crinas não ajudarem o parteiro, ou os braços lendo se estendido ao longo da cabeça, e seachandc entre estaca bacia impedirem a descida do feto. Nestes casos qualcuer traeção que fizermos virá cada vez mais nos diffleultar o resultado, produzindo deflexão da cabeça ou mesmo fr.ictura dot membros. Temos então que proceder ao abaixamento dos braços. Começaremos pelo braço que nos é mais accessivel, e este é quasi sempre o posterior. Em- quanto que com uma das mãos procuramos o braço, com a outra levantamos um pouco o fé to, para que assim se dê mais facilmente a introducção da mão que vai buscar o braço. É na prega do cotovelo que vamos apoiar o dedo e desse modo lazer o braço vir para o exterior. Feito isto abaixamos o fé to, introduzimos a mão pelo lado anterior, c iremos também a procura da prega do cotovelo do braço anterior, e enlão com algum esforço consiguiremos que o braço anterior também venba para fora. Extraliidas deste modo as espaduas, só nos resta a cabeça, que será extrahida pela manobra de Maurí- ceau, que mais atraz já descrevemos. Podemqs encontrar uma apresentação do pélvis incompletav modo das nadegas, que esta ainda não 39 esteja encravada, e termos que intervir para p extração do feto, e deste modo vamos transformar este modo das nadegas em modo dos pés, para que mais facil- mente possamos fazer a extracção. Era nestes casos que M,ne Lacliapelle introduzia a mão no utero e ia buscar o pélvis no estreito superior, para encraval-o, o que pode ser ajudado com a outra mão íãzendo-se pressão sobre o ventre, e então ella fazia com os dedos uma espccie de gancho e introduzia na verilha anterior, para fazer extracção do pé. Este modo de proceder 11a maioria dos casos é impossível. Earnes, Mauriceau e De la Motte, introduziam a mão até o fundo do utero, para buscar o féto. Isto é um pouco difflcil, senão impossível, e actualmente sabemos, que nos basta chegar com os dedos até a cavidade plopitea, para fazermos a extração do membro, que, como sabemos preferimos 0 anterior. Introduzimos a mão nos orgãos-genitaes, a lace palmar voltada para a face ventral do féto, e logo que sentimos que as extremidades de nossos dedos índex e médio se acham na cavidade do jarrete, forçamos a coxa a fazer abducção e a flexionar até 0 máximo. Agora então q le os musculòs ischio- ribiaes se acham encurtados, faremos ura gancho com os delos medic e index e abaixaremos o pé até a vulva. É este 0 conselhc preconisado por Pinard, e o que cá melhor resi liado. lionnaire aconselha não se lazer o abaixamento total do pé, mas 0 melhor é fazel-o, a não ser que o 40 orifício uterino não esteja completamente dilatado. A este abaixamento, denominamos abaixamento prophy láctico. Para a extracção das nadegas, ou melhor para se transformar o modo das nadegas em modo dos pés, que é para melhor se dar o parlo, podemos intervir ou por meio das mãos ou por meio de instrumentos. .Tá tratamos de uma parte das intervenções por meio das mãos, que foi o abaixamento prophylactico, deixamos os outros meios para outro capitulo. CAPITULO IV T RA.CÇÔES INGUINAES tos um caso em que ha uma apresentação do pélvis, incompleta, modo das nadegas, e logo vemos que os membros inferiores se aeliam levantados ao longo do tronco, e se houver encravamento na escavação, os pés, tornam-se inaccessiveis ao operador. Esta altitude pode ser primitiva ou secundaria. É em um caso como este que figuramos, que temos de intervir por meio das tracções inguinaes. Pelo que acabamos de ver somente haverá um ponto pelo qual podemos fazer a tracção, este é a. prega da verilha, porquanto acima d’ahi não podemos levar a mão: pois que o fé to que se acha com a circumíerencia bi-lrochanteriana no estreito superior, não permite a passagem. E com a mão que temos de intervir nestes casos, e como provou M1110 Lachapelle, ella é melhor do que o gancho, do que o laço ou do que o fórceps, e soube muito bem dizer Yiardel, que «a mão é o mais bello e mais util de todos os instrumentos que o parteiro possue». J. D. • 6 42 Temos que fazer, e sempre por meio das pregas da flexão femoral, o abaixamento da anca anterior ao máximo, fixal-a, mobilisal-a, e em seguida procurar encravar e desencravar a anca posterior. . Para o abaixamento e manutenção da anca ante- rior, introduzimos o dedo, estando a palma da mão olhando o dorso do féto, e quando o index se acha entre o femur e o bordo anterior do osso illiaco, fazemos tracção para baixo. Substituímos a mão, mantemos a parte aprehendida e vamos fazer o abai- xamento da anca posterior. Quando contornando o flanco do féto, podemos introduzir o dedo index na prega da ver ilha, pujamos um pouco liorizontal- raente, a nadega posterior vem para diante, e deste modo dá-se a encravação e a passagem do estreito coccyx-pubiano, acompanhado do grande trochanter. Achando-se o pélvis na bacia molle, puxamos ainda um pouco pela verilha posterior, acompanhando a via materna, e logo que se ache o pélvis no annel vulvar, faremos tracção pelas duas verilhas, e quando podemos tirar as pernas, o resto se dará nas condições ordinárias. Gampert dizia que a tracção inguinal produzia a fraclura do femur, mas, felizmente, isto é muito raro. Alem do encravamento das nadegas pode impos- sibilitar o abaixamento do pé, uma rigidez da articu- lação tibio-femoral, como lembrou Lefour, cRiviére, ou uma retracção do annel de Bandl, apertando os membros inferiores de encontro ao Ironco. * 43 Para os casos em que o pélvis está muito elevado na escavação, pelo que torna impraticável a tracção inguinal, Puech aconselha o enganchamento bi- . * digital da virilha anterior. É este o seu methodo: o index direito nas sacro-esquerdas, o index esquerdo nas sacro-direitas, é metido entre o puhis e a nadega anterior, até que a sua extremidade passe um pouco a prega da verilha; depois o index da outra mão escorrega no sulco inter-crural, onde se o calca profundamente, afim de que sua extremidade attinja a prega inguinal. Por cima desta ultima, as extremidades recurvadas dos dois index vão ao encontro uma da outra e se unem energicamente formando uma anse digital que abraça a raiz da coxa. Underhill aconselha que se introduza a mão na vagina e com as extremidades dos dedos applicados nas cristãs illiacas do féto, se faça a tracção. Alem destes meios nós temos ainda duas ma- nobras, mas que desde já diremos que devem ser rejeitadas, pelo risco que podem produzir; ellas são:' Manobra de .Kitgen, na qual introduzimos dois dedos no anus da mulher e atravez da parede reclo- vaginal, calcamos o pélvis do féto para o orifício vulvar; Manohra bi-rectal de Bitot, que se diffe- rencia da primeira, porque alem dos dedos intro- duzidos no anus da mulher, também introduzimos ' t t' um dedo no anus do féto, e por meio delle fazemos a tracção. Tenlou-se substituir a mão pelo gancho metal- 44 lico, e pensaram deste modo Smellie, Roederer eLevret, mas se em alguns casos elle nos presta serviços, é necessário ter-se grande cuidado em applical-o, para não irmos produzir lesões no íéto, como sejam fracturas do femur ou da bacia, ou mesmo contusões nos orgãos genitaes da mulher. Em vários auctores encontramos citações de acci- dentes produzidos pelo gancho, assim é que Belluzi cita o caso de uma ruptura do ramo horizontal do pubis; Bar viu produzir-se a fractura do femur, complicada com uma ferida profunda da verilha e ruptura da artéria femoral, o que produziu uma hemorrhagia mortal; Goulard cila casos de períuração da parede abdominal de letos. Já sabemos que quando applicamos um gancho (o mais conhecido co deBraun) o lado livre fica voltado para a bacia do féto. Alem do gancho temos o laço que também é collocado na verilha anterior. O melhor meio de collocal-o é com a mão, mas ha os porta-laços, de Werbecker—SternfeW, o de Oliveira,-o de Bar, o de Remy, e o de Warich. O laço também pode produzir feridas, e mesmo fractura do femur. Bar cila o caso de um menino que morreu de uma ferida gangrenosa, devido a um laço. E em vista do esforço que produz a traeção do laço sobre o femur só o devemos empregar ,nas sacro-anteriores. 11a também o tractor do pélvis, imaginado por 45 Narich (de Smyrua), no qual encontramos reunidos o gancho e o laço. Fórceps — Foi pela primeira vez empregado nas apresentações do pélvis, em caso de encravamento das nadegas, no século XVIII, por Steirq Levret, Bertrandi. O seu emprego foi muito combatido por Baudelocque e Mme mas de novo o vemos adoptaclo em França por Dubois, Stoltz, Jacquemier e Tarnier, na Allemanha por Kústner e na Italia por Belluzi. Podemos empregar o fórceps nas sacro-poste- riores, e evitaremos ou melhor não applicaremos nas sacro-anteriores, porque vamos produzir lesões graves nas vísceras contidas no abdómen do teto, e nos ossos da bacia, produzidas pela compressão das colheres do lbrceps. O fórceps deve scr applicado sobre as coxas. Tarnier aconselha o emprego do fórceps, aju- dado pelo laço. Podemos lambem empregar no pélvis o cra- neoclsLsto e o basiotribo, mas se tratando de teto morto. EXTRAÇÃO DA CABEÇA RETIDA NO ESTREITO SUPERIOR Pode dar-se que o parteiro se veja embaraçado não mais pelo pélvis e pelo tronco, mas sim pela cabeça que ficou no estreito superior, podenlo a causa desta retenção ser devido a estreitamen,o da bacia ou a desenvolvimento da cabeça. Para a extração da cabeça em casos clestes, temos vários meios'. 46 Temos a manobra de Champetier de Ribes, na qual o parteiro necessita de auxiliares. Com uma mão o parteiro procura introduzir dçis dedos na bocca do feto, como na manobra de Mauri- ceau, e procura puxando o mento para traz lazer uma rotação, e fazendo o maior esforço possível no maxillar produz a flexão. Esta flexão é ajudada por um auxiliar que calca a fronte do feto com as duas mãos, atravez da parede abdominal. E logo que se suppõe feito o encrava- mento, o parteiro eolloca a mão livre na nuca do féto, ainda como na manobra de Mauriceau, e começa a tracção, o primeiro auxiliar continua a calcar a fronte, emquanto que um segundo auxiliar agarra os pés. Os tres .pucham para frente até o encrava- mento da bossa parietal posterior, e conseguido, começam a fazer tracção para traz, para encravar a bossa anterior. E quando isto se dá, está terminada a manobra. Farabeuf e Varnier aconselham nos casos em que esfa manobra não seja possível, para salvarmos a vida do féto, procedermos uma symphyseotomia rapida. Se- se tratar de um féto morto, tanto mellior e tanto mais facil, porque podemos praticar sobre elles certas operações, tornando assim mais facil a extração. Abaixo damos as operações e os pontos aconselhados por diversos parteiros para pratieal-as. Craneotorhia. — Crouzat aconselha se fazer no occipital, na visinhança da “bossa, ao nível ou perto da 47 roldana fibro cartilaginosa. Este ponto é bom, mas é muitas vezes inaccessivel. Bar nos indica um bom local, que é ao lado da cabeça, abaixo ’e para traz da orelha anterior, des- truindo o rochedo. Na região sub-hyoidiana, atravessando a apophyse bazilar do occipital. Commandeur aconselha fazer com thesoura uma secção na face anterior do rachis, e descollamento até a base do craneo, de todas as partes molles pre-vertebraes. Pela bocca ou pela região sub-hyoidiana (abbo- bada palatina) rebentando o esphenoide. Bonnaire e Garipuy, aconselham as partes lateraes do pescoço ao long-o da columna vertebral attingindo a base do craneo ao nivel da roldana de Budin e destruindo a parte posterior do buraco occipital. Qualquer destes processos é ajudado pela tracção sobre o corpo do fé to e pela expressão abdominal, para a extração fétal. Aqui citamos uma observação de um caso de , craneotomia em apresentação do pélvis, feita na Maternidade Climerio de Oliveira, a qual não entra no numero das observações feitas até Julho de 1911, e que mais adiante citaremos. E. M. C., entrou em trabalho a .5 de Outubro, trazendo o sacco roto e dilatação muito pequena. Gravidez de 7.° mez. Foi internada no pavilhão 4. Feito o exame verificou-se tratar-se de apresentação pélvica incompleta, modo das nadeg-as. O colo acha- va-se desviado para a direita, e havia prolapso da 48 vagina e do útero. Foi feila pelo professor Climerio de Oliveira, a extração do féto, que foi do seguinte modo : pernas e braços tirados a ganclio de Braun e a dedo ; cabeça, procedeu-se a craneototnia pela abbo- bada palatina, terminando o parto pela manobra de Mauriceau. Féto morto, do sexo feminino. O delivra- mento deu-se expontaneamente. Craneoclasia— É do seguinte modo (pie nos aconselha o professor Auvard, para praticarmos esta " operação: é preciso perfurar tanto quanto possivel, ao nivel da abbobada palatina, visando a sela turcica ; o ramo macho é introduzido no craneo, o outro ramo é collocado na face. Se encravará a cabeça obl I- quamente para a descida na excavação e para o desen- cravamen to no estreito inferior se dirigirá, ao contrario, a face para traz. Basiotripsia. — Nesta operação nos diiRculta um pouco a presença do tronco e do pescoço, de medo que é com algum trabalho que podemos applicar o 1 basio tribo. Podemos rebentar a cabeça ou 11a direcção do diâmetro occipito-frõnlal, se ella está flexionada, ou 11a do diâmetro obliquo (mastoide-malar). Fazemos a perfuração ou nas partes lateraes do craneo, perto da orelha, na apophyse basilar do occipital, ou pela abobada palatina, ou pela região sub-hyoidianna. Pode-se depois do primeiro rebentamento fazer-se a extração, com um craneoclasto. Mavgner acon- selha, para melhor se poder applicar 0 segundo ramo, fazer-se depois do primeiro rebentamento uma secção 49 do pescoço do íéto. Bar preconisa «uma incisão em que parlindo de uma axilla vá a columna vertebral, e desça para a axilla opposta». Os braços permitem assim a fixação do tronco. Fórceps.— Podemos extrahir a cabeça por meio do fórceps, mas somente quando não podermos pra- ticar a manobra de Mauriceau, ou outras manobras aconselhadas e de que já falíamos. A não ser que o féto tenha o mento voltado para diante, introdusimos o fórceps pelo seu plano esternal. Quando a face olha para traz e feita a applicação do fórceps, julgamos estar a cabeça em flexão, puxamos para diante e depois para cima; se a face olha para cima, fazemos a traeção para baixo e um pouco para traz. Já sabemos que neste ultimo caso não é* pelo plano esternal que devemos levar o fórceps, e sim pelo plano dorsal, como nos aconselha M. Gfrynfelt. Devemos ter cuidado nesta applicação de fórceps, porque podemos ir produzir lesões na face, e até desarticular o maxillar inferior, como no caso apre- sentado por Tessier á Sociedade Obstétrica de Paris em 1911. Nos casos em que se tenha feito secção do pescoço e a cabeça ficado só no utero, podemos tiral-a com o fórceps, mas o melhor meio é o acon- selhado pelo professor Pajot, que consiste em intro- duzir no buraco occipital uma pequena liaste, no meio da qual é fixado um cordão. CAPITULO V NOVO METHODO DE EXTRAÇÃO NAS APRESEN- TAÇÕES PÉLVICAS ®Dr. G. Rossier, professor de Clinica Obsté- trica 11a Universidade de Lausanne, apre- senta um novo methodo de extração das apresentações pélvicas, que principalmçnte funda-se sobre 0 encra- vamento das espaduas no estreito superior, extração indicada em 1701 por Deventer e estudada por A. Mucller de Munich. O professor Rossier diz que é necessário pensar no modo do encravamento das espaduas no estreito superior, que devem penetrar em seu maior diâmetro, 0 transverso, depois ajudando-se por meio do tronco do feto, é preciso favorecer a sua descida em um dos diâmetros oblíquos, e finalmente mantendo 0 dorso do féto directamente de lado, desencravar no diâmetro antero-posterior. O novo methodo permitte fazer traeções mais energ-icas sobre 0 tronco e favorece a rotação delle. Se no parto expontâneo 0 levantamento dos braços embaraça a expulsão, no parto artificial 0 parteiro 52 pela maneira que faz as Iracçôes desfaz estes obstá- culos. O parteiro deve segurar o féto collocando os pollegares nas faces posteriores das pernas, não passando o sacro. Para se trazer a espadua anterior abaixo da symphise do pubis, abaixa-se bastante o féto, fazendo forte traeção no eixo do corpo fétal; depois levan- tando-se o íeto para o lado do abdómen da mulher, vemos a espadua posterior aparecer acima da furcheta. Podemos fazer Iracçôes alternativas para baixo c. para cima, para desencravar as espaduas gradual- mente. Os braços saem sem necessidade de se intro- duzir a mão ou o dedo na vulva. Facilila-sc a sabida da cabeça, puxando-se com uma mão o féto e com a outra apoiando 11a nuca, é a manobra de Praga, podendo-se também fazer a manobra de Mauriceau, caso haja resistência. Em. resultado, 0 professor Rossier acha este metliodo que elle chama Devcnter-Mueller, de grande vantagem porque sendo rápido e simples, faz com que a vida do íeto corra menos risco; as parteiras podem fazel-o, caso não haja um medico ; ha ausência de manobras internas diminuindo assim 0 risco das infecções; ha menos lesões maternas e íetaes. O professor Rossier termina o seu artigo, dando estatisticas, e observações provando a efficacia do novo methodo, e a não ser este artigo publicado nos Annales de Oynécologie e d’Obstétrique de Maio de .1909, não 53 o conhecemos pra li ca mente, pelo que ainda ficamos com duvida sobre as suas vantagens. Contra elle apresentou Yeit um caso de ruptura transversa da Columna vertebral e da medula espinal entre a terceira e a quarta vertebra cervical, mas um só caso também não prova desvantagens, embora que nos pareça o methodo um pouco perigoso. DA DILATAÇÃO PREFETAL VAGINAL NAS APRE- SENTAÇÕES DO PÉLVIS Este meio é aconselhado pelo Dr. C. Sauvage, antigo chefe de clinica da Faculdade de Paris. Elle emprega como melhor meio de dilatação, o balão de Champetier de Ribes. O professor Pinard teve esta idéa já ha alguns a unos e tendo experimentado tirou bom resultado, e o professor Sanvage emprega o balão desde 1908 em todas as primiparas que entram em seu serviço com apresentação do pélvis. Esta dilatação é fundada na lei formulada porM. Potocki em 1893, que diz quando ha resistência das partes molles maternas « é necessário dilatar a vulva antes da passagem doféto, sem que elle proprio sirva de agente dilatador ». E como sabemos se houver resistência das partes molles e o desencravamento for demorado, pode produzir a morte doféto. Já sabemos deste modo “qual o caso em que devemos applicar a dilatação prefetal. Este methodo queémais seguido nas primiparas pode ser applicado 54 nasmulliparas quando o féto é de volume muito supe- rior a media. O professor Sauvage depois de muitas observa- ções, quer pessoaes, quer na clinica Baudelocque tirou as seguintes conclusões: 1. a A dilatação prefetal vaginal tem uma acção inconstante, mas o mais das vezes aceleradora sobre a marcha do trabalho. Tem uma influencia constante sobre a duração do período de expulsão que é de uma duração notavelmente curta, no estado normal das forças expulsivas. Prepara o parto expontaneo e torna menos frequente as indicações de extração do pélvis. Quando esta intervenção torna-se necessária, é facili- tada pela dilatação previa das partes mollcs. 2. a Uma diminuição de um quarto na mortalidade infantil durante o trabalho c os dias que seguem o parto, uma vitalidade maior da crcança que não soífreu o traumatismo infligido aos recem-nascidos pela resis- tência da bacia molle, são, depois de nossas observa- ções, as consequências praticas da applição do me- thodo. 3. a De accordo com a pratica de M. Pinard, a dilatação prefetal deve ser empregada em todos os casos de apresentação do pélvis nas mulheres que estão nas condições de primiparidade, quando o féto é viável. Esta pratica pode ser estendida com van- tagem aos casos de apresentação do pélvis com fetos volumosos nas multiparase em casos de apresentação da espadua não transformavel nas primiparas e nas multiparas com fetos volumosos. 55 4.a No estudo actual da scicncia, os resultados optimos do methodo são obtidos pelo collocamento de um balão inoompressivel Champetier de Ribes na vagina com uma dilatação do orifício intermediário entre asdímenções de uma peça de 5 francos e a de uma palma de mão e pela expulsão expontânea do balão, O balão de Champetier de Ribes tem o inconve- niente de em nosso clima estragar-se muito depressa. Na Maternidade do Rio de Janeiro já foram prati- cadas algumas dilatações artificiaes em casos de apresentação do pélvis, mas em vez do balão de Champetier de Ribes foi empregada a sonda balão Penna, invenção do Dr. Gonçalves Penna, vice- director da mesma Maternidade. .Este apparelho é composto de um destes balões com que as creanças se divertem, que custam barato e se encontram em qualquer parte, e uma sonda urethral commum, dc gomma. Para a collocação da sonda balão não é necessário pinça, como no balão dc Champetier de Ribes, ella é collocada com os dedos. OBSERVAÇÕES Ag'ora vamos dai* as observações por nós feitas de 1909 a Julho de 1911. l.a M. A. A., mullipara, entrou para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel em 28 de Abril de 1909. Teve parto natural no dia 2 de Julho. Féto morto em apresentação do pélvis incompleta, modo 56 das nadegas. Posição—S. I. E. A. Sahiu efl* 20 de JllUio. 2. a M. A. A., piultipara, entrou em 20 de Junho de 1909, para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel. Teve parto natural a 20 de Julho. Féto vivo em apresentação do pélvis incompleta, modo das nadegas. Posição — S. I. E. A. Sahiu a 3 de Agosto. 3. a‘M. J., multipara, eutrou para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel em 5 de Agosto de 1909. Teve parto prematuro (7.° mez) natural a 2 > de Agosto. Féto morto em apresentação do pélvis completa. Posição — S. I. E. A. Sahiu a 11 de Se- tembro. 4. a A. A., multipara, entrou em 28 de Agosto de 1909 para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel. Teve parto natural em 20 de Setembro. Féto vivo em apresentação do pélvis completa. Posição — S. I. E. A. Sahiu em 3 de Outubro. 5. a M. J., multipara, entrou em 16 de Setembro de 1909 para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel. Parto natural em 3 de Outubro. Féto morto em apresentação do pélvis completa. Posição— S. I. E. A. Sahiu em 17 de Outubro. 6. a M. E. J., primipara, entrou para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel em 4 de De- zembro de 1909. Teve parto artificial, terminando pela manobra de Mauriceau, em 4 de Dezembro. Féto morto em apresentação do pélvis, incompleta, modo 57 dos pés. Posição—S. I. D. P. Sahiu em 19 de De- zembro. 7. a A. R. S., muRipara, entrou para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel em 26 de Fevereiro de 1910. Parto artificiai, tcrmidando pela manobra de Mauriceau cm 2 de Maio. Féto vivo em apresentação do pélvis completa.—Posição S. I. E. A. Sahiu em 16 de Maio. 8. a M. J., primipara, entrou para o Hospital Santa Izabel, enfermaria Santa Izabel cm 8 de Março de 1910. Parlo natural em 22 de Abril. Féto vivo em apresentação do pélvis incompleta, modo dos pés. Posição — S. I. E. A. Saliiu em de 6 de Maio. 9. a M. J. J., primipara, entrou para a Maternidade Olimeriode Oliveira em 9 de Janeiro de 1911. Pavilhão 2. Parlo artificial, em consequência da insuficiência das contrações, terminando pela manobra de Mauri- ceau. O parto que foi g-emeo, deu-se a 11 de Janeiro. Os fétos em apresentação pélvica incompleta, modo das nadeg-as. Posição—S I. E. A. Ambos nasceram em más condições de vitalidade. Sahiu em 27 de Janeiro. 10. a D. J. N., primipara, entrou para a Mater- nidade Climcrio de Oliveira, em 3 de Fevereiro de 1911, já em trabalho e com eclampsia. da qual falleceu. Tentando salvar a vida do féto, foi pelo assistente Dr. Almir de Oliveira, feita uma cesariana post- mortem. O féto nasceu vivo, mas em péssimas con- dições, vindo a morrer. Apresentação pélvica completa. Esta operação foi feita no Pavilhão 4. 58 11. a M. D. A., mui ti papa, entrou para a Mater- nidade Climerio de Oliveira, em 9 de Maio de 1911. Pavilhão 2. Parto gemeo, natural, em 10 de Março. Os fétos vivos, sendo um em apresentação dopeivis completa. Posição S. I. E. A. Sahiu em 24 de Março. 12. a I. Y. M., primipara, entrou em trabalho para a Maternidade Climerio de Oliveira, em 4 de Abril de 1911. Pavilhão 4. Parto natural no mesmo dia. Feto nasceu em estado de morte aparente, reanimando-se depois. Apresentação pélvica completa. Posição — S. I. E. A. Sahiu em 18 de Abril. 13. M. I. M., primipara, entrou para a Mater- nidade Climerio de Oliveira, em 4 de Abril de 1911. Pavilhão 2. Parlo g-emeo natural cm 6 de Abril. Fétos vivos, sendo um em apresentação pélvica completa. Posição — S. I D. P. Este feto nasceu um pouco asphyxiado. Sahiu em 20 de Abril. 14. a G. M. C., multipara, entrou para a Mater- nidade Climerio de Oliveira, cm 25 de Março de 1911. Pavilhão 2. Parto g-emeo natural em 30 de Abril. Fétos vivos, sendo um cm apresentação pélvica incompleta, modo das nadeg-as. Posição—S. I. E. A. Sahiu em 15 de Maio. 15. a M J. S., primipara, entrou para a Mater- nidade Climerio de Oliveira, em 3 de Jnnlio de 1911. Pavilhão 2. Parto artificial em 4 de Junho. Foi feito o abaixamento dos pés e dos membros superiores que se achavam ao longo da cabeça, terminando a axtração pela manobra de Mauriceau. O féto nasceu ligeiramente asphyxiado, reanimando-se depois. Apre- 59 sentação pélvica incompleta, modo das nadcgas. Po- sição— S. I. E. A. Saliiu em 19 de Junlio. 16. a M. G. X., primipara, entrou para a Mater- nidade Climerio de Oliveira, em 2 de Junho de 1911. Pavilhão 2. Parto artificial no dia 10 de Junho. A extração foi feita pelos mesmos processos do caso acima. Féto morto em apresentação pélvica completa. Posição—S. I. E. A. Sahiu em 25 de Junho. 17. J. M. S., multipara, entrou para a Materni- dade Climerio de Oliveira, em 4 de Julho de 1911. Pavilhão 2. Parto g-emeo, prematuro, natural, em G de Julho. Fétos vivos, sendo um em apresentação pélvica completa. Posição—S. I. D. P. Sahiu em 22 de Julho. i Proposições TRES SOBRE CADA UMA DAS CADEIRAS DO CURSO DE SCIENCIAS MEDICAS E CIRÚRGICAS PROPOSIÇÕES HISTORIA NATURAL MEDICA I— A canna de assucar, saccharum officinarum, é uma planta originaria da índia, e pertence a familia das Gramineas. II — Delia extrahimos por meio de pressão, o assucar. III—O assucar na dose de 25 grammas, em Ires vezes, emprega-se em obstetrícia para despertar e tonificar a fibra uterina. CHIMICA MEDICA I — O sublimado corrosivo, é um corpo solido, cristallisado em massa branca, sabor acre, desagra- dável, é pouco solúvel em aguacommum. II— É empregado em obstetrícia nas toilettes dos orgãos genitaes externos, e também em injecçõés vaginaes. III — É empregado juntamente com o acido tar- trico, sendo a dose deste sempre o dobro da do sublimado. ANATOMIA DESCKIPTIVA I — O utero é um orgão de forma cónica, acha- 64 tado de diante para traz, occupando a parte media da excavação pelviana. II— Seis ligamentos o sustentam em posição, dois lateraes, dois anteriores e dois posteriores. III— Apresenta com a bacia e seu contendo rela- ções importantes. HISTOLOGIA I— As trombas de Fallope são compostas de tres túnicas : uma externa serosa, uma media muscular e uma interna mucosa com numerosas pregas longi- tudinaes que vão até a extremidade das franjas. II— Conforme a parte da tromba (isthmo, am- pola, pavilhão ) a sua funcção eventual, a disposição, o numero e natureza das cellulas secretaras, varia. III — Não é somente na especie humana que existe esta variedade de estructura, na especie animal também existe. PHYSIOLOGIA I— A contração uterina é um acto physiologico independente da vontade da mulher. II— Ella varia de duração conforme os diíferentes períodos do trabalho. III — Um dos seus caracteres mais importantes durante o trabalho é a dôr, que também varia con- forme os diíferentes períodos. BACTEREOLOGIA I — Nos casos de puerperal, encon- tramos gonococcos e streptococcos nas vegetações vulvares. 65 II —Como provou Nòggereth o gxmococco pode produzir vários accidentes depois do parto. III—Os accidentes determinados pelo gonococco, são por sua própria conta, constituindo o que m chama gonococcia puerperal. MATÉRIA*MEDICA, PHARMACOLOGIA E ARTE DE FORMULAR I—A prata colloidal electrica ou electrarggd, tem um poder microbicida intenso e produz no organismo um poder antitoxico energico. II — É empregada com grande vantagem nos casos de febre puerperal. III—É administrado em injecções, variando a dose de 5 a 40 c. c. em 24 horas. ANATOMIA E PIIYSIOLOGIA PATIIOLOGICAS I— Os fibromas uterinos, podem soffrer alterações secundarias, como sejam; supuração, nccrobiose aseptica e gangrena ou putrefação. II— Os fibromas necrobiosados tem um aspecto particular, as vezes são encapsulados, cercados de tecido uterino. III —A necrobiosc do fibrama pode ser devido a uma alteração da circulação sanguínea local do mesmo. ‘ . PATHOLQGIA MEDICA I—A gravidez, principalmente no fim, produz embaraços no apparcllio urinário. TI—São frequentes as retenções de urina, produ- .1. D. * ' 9 66 zidas pela compressão da bexiga e canal da uretra, pela parte letal que se encrava. ’ III —Como mostrou Spiegelberg muitas vezes o útero, arrasta com elle a bexiga. PATHOLOGIA CIRÚRGICA I — A curetagem é empregada como" meio de tratamento da infccção puerperal. II— Para pratical-a faz-se o abaixamento do colo com pinças, e a dilatação com velas de Hegar ou com balões. III— Depois da curetagem a paciente tem calefrio violento com elevação de temperatura. OPERAÇÕES E APARELHOS I — A sympliyseotomia qne foi praticada pela primeira vez por Sigault, tem por fim augmentar a baciano sentido antero-posterior e transversal. II — Havendo leto morto; partes molles podendo se dilatar sem rompimento; bacia não sendo viciada, iião devemos praticar a symphyseotomia. III—A syphyseotomia tem sido boje substituída por outras operações, como seja a pubiotomia. ANATOMIA MEDICO—CIRÚRGICA I—A via abdominal é um dos meios actualmente mais usado para os cirurgiões chegarem ao utero. II — Por meio delia se pratica principalmente a hysterectomia. III — Também os cirurgiões podem chegar ao utero pela via vaginal. 67 THERAPEUTICA I— 0 rcposo, os emollientes, os balsâmicos e os opiciados, dão muitas vezes bom resultado nas cys- tites gTavidicas. II— Sc existe blennorrhagia, o melhor meio therapeutico, é instituir o tratamento da cystite blennhorrhagica. III - - Os banhos de assento e banhos geracs quentes c prolongados, podem também servir para o tratamento da cystite gravidica. I1YGIENE I—Alem dos cuidados de antisepsia que temos durante o parto, devemos ter depois do parto. II —A toilette dos orgãos genitaes tem grande valor depois do parto, para impedir que os liguidos sero-sanguineos, não sc putrefaçam. III— Tlm dos meios melhores da toilette genital, são as injecções vaginaes, contanto que sejam bem feitas, e completamente asepticas. MEDICINA LEGAL E TOXICOLOGIA I— É de grande importância saber-se se cm um fé to encontrado morto, este assim nasceu, ou se houve infanticídio, e sc é a termo. II— Por meio da ciocimasia pulmonar, e por meio das medições dos diâmetros da cabeça, do compri- mento, e do peso do féto, sabe-sc se o féto viveu e se é a termo. 68 111—0 meio mais commum do infanticídio é pela asphyxia. OBSTETRÍCIA I— Não se deve fazer logo em seguida a expulsão do teto, a ligadura do cordão umbelical, e sim depois que cessemos batimentos arteriaes. II— A ligadura feita logo faz o fé to perder cerca de 90 grammas de sangue, que vem ainda da pla- centa. III— O melhor meio de fazer a ligadura é com um fio de seda chato, aseptico. CLINICA PROPEDÊUTICA I— Entre os meios propedêuticos usados em obste- trícia, são tres os principaes, a palpação o toque e a auscultação. II— -Pela palpação e auscultação faz-sc o diagnos- tico de apresentação e posição, e sabemos se o féto vive. III— Pelo toque também laz-se o diagnostico da apresentação e posição, principalmente estando as membranas rôtas. CLINICA DERMATOLÓGICA E SYPHILIGRAPHICA I — A syphilis dos procreadores tem grande influencia sobre as anomalies fétaes. II— A influeneia paterna é mais accentuada que a materna. III— Pode-se prevenir contra estas causas, fazen- 69 dose o tratamento da syphilis na mulher durante a gravidez. CLINICA OPIITALMOLOGICA I—0 mclhodo de Crédé (nitrato de prata a 1 para 100) tem dado optimos resultados como preventivo da ophlalmia dos recem-Dascidos. II — Nas formas benignas de conjuntivíte dos recem-nascidos pode-se empregar solução boricada a 4 por 100. III—Para evitar estas conjuntivites o parteiro deve proceder a limpeza e desinfecção dos olhos do recem- nascido, logo após a expulsão. CLINICA CIRÚRGICA (2a cadeira ) I— Pode-se tratar as hemorrhagias por incerção viciosa da placenta, por meios cirúrgicos. II— Para se fazer uma operação destas é neces- sário que o féto esteja vivo e com viabilidade, ,a mulher não seja anemiada e -esteja em perfeita asqpsia. III— Das operações para este fim a melhor é ,a cesariana, como provou Krônig. CLINICA CIRÚRGICA (Ia cadeira) I— Para a extirpação do câncer do corpo uterino pode-se utilizar a secção para-vaginal de Schuchardt. II— Este methodo deve ser applicado quando houver fraqueza da mulher ou doença grave de outros orgãos. 70 III—Ainda para extirpação deste tumor temos o processo de AYertheim—Bumm. CLINICA MEDICA (2.a cadeira) I— A gravidez tem acção sobre o figado, faz exaltar todas as suas funcções, principalmente a funcção anti-toxica. II— 0 augmenlo dos elemôntos lipoides, pode ser interpretado para mostrar este esforço do figado em sua função anti-toxica. III— O equilibrio funcional desta vicera durante a gestação é instável devido a surmenage que elle soffre. CLINICA MEDICA (l.a cadeira) I — A ■ g*ravidez em uma mulber attingida de cardiopatbia, agrava a marcha da affecção do coração. II — 0 queda a asystolia gravidica seu caracter especial, é a predominância, dos accidentes pulmo- nares (Petu). III—As lesões mitraes, principalmente o estreita- mento peioram muito com a gravidez; as lesões aorticas são pouca influenciadas por ella. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOGICA I— Denomina-se placenta inserida anormalmente, a placenta inserida na parte inferior do útero. II— Esta parte ou segmento inferior do utero, é também chamada zona perigosa de Barnes. III— Um dos accidentes mais graves nas placentas de inserção baixa, é a liemorrliagia. 71 CLINICA PEDIÁTRICA I—0 recem-nascido só d$ve mamrnar de duas em duas horas durante o dia, e uma ou duas vezes durante a noite. II — O excesso de aleitamento pode produzir perturbações digestivas, diarrhéa, cólicas. III—Pode-se também aleitar o menino por meios mixtos, e neste caso o leite mais usado é o de vacca. CLINICA PSYCHIATRICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I— Parece que a gravidez não provoca o appare- cimento do bossio ophlalmico. II— Em caso de bossio oplitalmico o parto não provoca nenhum accidente, nem morte. III— Também não ha acção no bossio sobre o aleitamento, nem deste sobre o bossio. 1 Vióto.—Seczetazia da Faculdade de Medi- cina da Bahia, 3o de Outubzo de ign. Menandro dos Reis Meirelles Secrpfario.