«Aquelle que combate as enfermidades, disputando contra a morto dia por dia, hora por hora, instante por, instante, o campo da vida; quo no exercício da medici- na não faz distineção entre o rico e o pobre e vê só os indivíduos que seus cuidados carecem; aquelle que nem mesmo desaniman’esse viver trabalhoso ante o mon- stro que mil vezes fere o coração do medico—a ingrati- dão; que paciente se amolda a impertinência da criança-, ao capricho da velhice, ao pudor da virgindade; aquelle que tem na cabeça a medicina para corar, nas mãos metade do ouro que recebeu do rico para espalhar so- bre as misérias da pobreza, nos lábios consolação sa- lutiferas para com ellas abrandar os tormentos do in- feliz e no coração uma sepultura para etemamente encerrar os segredos das familias; esse sim,.. esse é o medico, E se acaso se orgulha de sel-o, tem razão para oreulhar-se», Dr. /. de Mello. FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA fiESf APRESENTADA A’ fliJMIiMlíill EM 25 DE OUTUBRO DE 1905 para ser defendida por SBuii mínícmio- ifte/ilDbUb (ootlko Intorno do Clinica Medica (2.a Cadeira) MTURAL DO ESTADO DA BAHIA (Inhambupe) AFIM DE OBTER O GRAU DE DOUTOR EM MEDICINA DISSERTAÇÃO CAVEIRA DE CLINICA MEDICA Concepção pathogentça e Diagnostica dos PROPOSIÇÕES - Tres sobre cada uma das cadeiras do curso de scieucias medicas o cirúrgicas BAHIA TYP. NORTISTA DE I. PINHEIRO 35— Rua Chile —85 11)05 Faculdade de Medicina da Bahia Director—Dr. ALFREDO BRITTO VieE-DiRECTOR-Dr. MANOEL JOSÉ DE ARAÚJO Lentes catliedraticos OS DRS. MATÉRIAS QUE LECCIONAMS lA SECÇÃO J. Carneiro de Campos. . . . . . Anatomia descriptiva. Carlos Freitas. ........ Anatomia uiedieo-eirnrgica. 2a Secção Aatonio Paerfieo Pereira. . . . Histologia A.ígusto C. Vianna Bacteriologia- Guilherme Pereira Rebello. . .. . Anatomia e Pbys-ioiogia patli o-logicas 3. Secção Manuel José de Araújo ..... PhysioPogia. José Eduardo F. de Carvalho Filho. . Thérapeutiea. 4. Secção- Raymundo Nina Rodrigues. . . . Medicina legal- e To-xicologra» Luiz Anselmo daFonseca. .... Hygiene. 5a Secção Braz Hermenegildo do Amaral . . Pathologia cirúrgica. Fortuuato Augusto da Silva Júnior . Operações e apparelhos Antonio Pacheco .Mendes . . * . Clinica cirúrgica, I.» cadeira ígnacio Monteiro de Almeida Gouveia ,. Clinica cirúrgica, 2.» cadeira 6a Secção Aurélio R. Vianna. Pathologia medica. Alfredo Brítto Clinica propedêutica. Anisio Circundes de Carvalho. . . Clinica medica l‘« cadeira. Francisco Braulio Pereira.. . . . Glink-a medica 2.acadeira 7.a Secção JoséRodrigues da Costa Dorea . . Historianaturat medica. A. Vietoriode Araújo Falcão . . . Matéria medica,. Piiarmacotogia e Art®- de formular. José Olympio de Azevedo .... Chimica medica-. . 8a Secção Deoeleeiano Ramos Obstetrícia Climerio Cardoso de Oliveira . » . Clinica obstetriea e gynsctdogica. 9a Secção- Fredeiieo de Castro Rebello. . . . Clinica pediátrica 10. Secção Francisco dos Santos Pereira. . . Clinica ophtalmologiea. 11. Secção- Alexandre E. de Castro Cerqueirá . Clinica dermatológica e sypliiíigrapincs 12. Secção J. Tíllemont Fontes Clinica psycbiatrica e de moléstias n-ervosas. JoãoE. de Castro Cerqueirá . . . Sebastião Cardoso Lentes Substitutos OS DOUTORES José Affouso de Carvalho * - t.;l secção Gonçalo Moniz Sodré de Aragão . . . 2.a » Pedro Luiz Celestino ...... 3.a Josino Correia Cotias » 4.a » Antonino Baptista dos Anjos . 5.a João Américo Garcez Froes 6.a » Pedro da Luz Carrascosa e José Júlio de Cslasans 7.a » J. Adeodato de Son a 8.a Alfredo Ferreira de Magalhães ... 9.a » Clodoaldo de Andrade 10. » Carlos Ferreira Santos IV. » Luiz Pinto de Carvalho (interino-) ... 12. » Secretario—DR. MENANDRO DOS REIS MEIRELLES Sub-secretario—DR. MATHEUS VAZ DE OLIVEIRA Em disponibdlidáde approva nem- reprova as opiniões exaradas nas tbese pelos seus auctores TOA W& Assumpto difficil e trabalhoso, oceano pro- celloso onde podia sossobrar o pequeno batel de um frágil timoneiro, denso e cerrado nevoeiro onde a bússola de um nauta inexperto podia rolar aos ventos impetuosos da tormenta ameaçadora, não nos arriscariamosás intemperies de tão longa e penosa travessia, si não fosse a convicção de que, fazendo-o,prestávamos o serviço de erguer do esquecimento um ponto de alta relevância e de que ainda ninguém se occupou na Bahia. Enormes foram as difficuldades com que tive- mos de luctar, serias as perplexidades do nosso espirito, mas, felizmente, tudo conseguimos de- bellar. Apresentando aos leitores o nosso despre- tencioso trabalho, pedimos licença para, desde já, sobre elle emittir o nosso parecer: .—Bom ou mau —c filho único e exclusivo do es- forço proprio. II Cumpre-nos agradecer aqui aos Exms. Srs. Drs. João Fróes, Aurélio Vianna e Adriano Gordilho as gentilezas que nos dispensaram emprestando obras para a confeç-çfio do presen- te trabalho. Ao preclaro Mestre Exnio. Sr. Dr. Fran- cisco Braulio Pereira manifestamos de publico o nosso vivo reconhecimento, profunda admi- ração e grande estima. CÃ.3PIT©!,'© S SSNBmiBABSS BIF1N1ÇÃ0 «REAMBULANDO ou succedendo a granrle numero de estados morbidos, constituindo um factor capital ou au- xiliar para o » diagnostico de muitas moléstias, imperando isoladamente em organismos physiologicos, é o tremor, em neuropathologia, um importante e momen- toso assumpto, um problema intrincado e difficil para cuja resolução a energia admiravel dos homens de scieneia muito se tem empenhado. Algumas vezes subtil, exigindo para ser verificado o «emprego de meios especiaes, outras vezes trágico e apparatoso, revelando logo a sua existência incommoda e prejudicial um especta- culo tétrico e monotono, dominando e subjgando, 10 em certos casos, a força poderosa da vontade humana, é o tremor um symptoma de alto valor de que se não descuraram os antigos, desde Ga- leno e Descartes, mas que, infelizmente, ainda não se acha bem elucidado. Tenhamos paciência até que se descortinem por completo os largos horisontes da pathologia nervosa. Continuemos, impávidos e serenos, subju- gando, com coragem e valor, a vagas encapei- ladas que nos embaraçarem a marcha trium- phante, vencendo, com trabalho e perseve- rança, as myriades de difficuldades que nos angustiarem, certos de que a sciencia surgirá, sempre, victoriosa e bella, pujante e grandiosa, illuminando, com seus reflexos diamantinos, as trevas do erro. Deixando de lado tudo isto, despresando o historico das differentes phases por que tem passado o assumpto de que nos occupamos, por- que d’ahi não dimana mui grande interesse pratico, comecemos, agora, dando algumas das differentes definições que têm sido apresentadas para os tremores. s Pieraccini os define como um movimento que, quando é persistente, é ‘caracterisado por oscillações frequentes e rhythmicas dos mus- 11 culos da vida de relação, produsindo-se em torno de um plano unico, ’quasi sempre com- patíveis com a execução dos movimentos volun- tários. Huchard e Axenfeld dizem que os tremores são constituídos por uma serie de contracções e relaxamentos successivos dos musculos affe- ctando um rhythmo mais ou menos regular. Littré acha que os tremores são caracteri- sados por uma agitação involuntária do corpo ou de algum membro, constituída por pequenas oscillações, compatíveis com os movimentos voluntários, que perdem apenas a sua precisão. Demange diz serem os tremores movimen- tos anormaes e involuntários, constituídos por oscillações, interessando os musculos da vida de relação, compatíveis com a execução dos movimentos voluntários. Eulemberg affirma serem os tremores uma forma de espasmo chronico dos musculos volun- tarios devido a contracções debeis e oscillato- t rias, que se succedem rhythmicamente. Nysten, em seu diccionario, os define como uma agitação involuntária do corpo ou de al- guma das suas partes, por oscillações pequenas, 12 compatíveis com os movimentos voluntários, que perdem apenas a sua precisão. Ch. Achard os define como oscillações ra- pidas e rhythmicas, em geral de pequena ampli- dão, que, em torno da sua posição de equilíbrio, descrevem uma ou varias partes do corpo, em virtude de contracções involuntárias dos mús- culos. Dejerine julga os tremores como forma- dos por oscillações rhythmicas e involuntá- rias deseriptas pelo corpo ou por uma das suas partes em torno de sua posição de equilíbrio. Mayet considera como contracções rhyth- micas, regulares em duração, extensão e succes- são, de fraca amplidão, trazendo oscillações das difíerentes partes do corpo, principalmente da cabeça e dos membros superiores. Algumas outras definições existem que po- deriam ser citadas, mas, todas ellas girando, em torno dos mesmos pontos, em nada differem das apresentadas senão em mudança de palavras ou phrases. Ora, querendo uns que as oscillações sejam rhythmicas, ao passo que outras não precisam esta necessidade, segue-se, logicamente, que- semelhante propriedade das oscillações dos tre- 13 mores imo seja constante. O Dr. Mariano Alur- ralde, em um trabalho apresentado e discutido no 2o. Congresso Latino-Americano, reunido em Buenos Ayres em Abril do anno passado, diz que as oscillações dos tremores são de rhythmo variavel. Assim, pois, resumindo, podemos definir os tremores como movimentos anormaes e involun- tários, attingindo somente os musculos da vida de relação, variaveis em rhythmo e frequência, compatíveis com a execução dos movimentos voluntários, que perdem apenas a sua precisão. Assim definido o tremor não devemos con- fundi!-o: Io.) Com as contracções fibrillares dos mus. culos, ondulações parciaes limitadas a algumas fibras musculares, insufficientes para produzirem a deslocação das partes attingidas. 2o.) Com as convulsões, que são contracções bruscas, de amplidão muito maior, verdadeiras crises com intervailos variaveis. 3o.) Com os ticos, movimentos mais extensos, que se produzem por accéssos, verdadeiras con- vulsões intermittentes. 4o.) Com os movimentos chlonicos, muito mais extensos, de fraca energia e sentido re- gular . 14 5o.) Com a athetose, verdadeiros movimen tos de flexão e extensão das extremidades attingidas, mais lentos e contínuos do que o tremor. Algumas vezes o tremor é tão pouco pronunciado que para verifical-o é preciso fazer o doente occupar attitudes especiaes. Outras vezes, porém, o tremor, por serem as amplidões das oscillações muito grandes, adquire tal inten- sidade que impede quasi os movimentos volun- tários e perturba o doente na execução das suas differentes funcções. O typo desta ultima varie- dade de tremor encontramos na esclerose em placas. As oscillações dos tremores não variam so- mente em amplidão, como também em forma e em numero. Na cabeça as oscillações podem ser verti- caes, constituindo o tremor affirmativo, ou horisontaes, constituindo o tremor negativo, de modo que, nestes casos, o doente parece dizer sim ou não. Quanto ao numero das oscillações os tremo- res podem ser collocados em 3 grupos: Io.) Tremores de oscillações rapidas ou vi- bratórios, tendo de 8 á 12 oscillações por segundo. 2o.) Tremor de rapidez media, tendo de 6 á 7 oscillações por segundo. 15 3.°) Tremor de osciJlações lentas, tendo de 4 á 6 oscillações por segundo. O tremor pode ser passageiro, como na emoção; temporário, como em certas formas de hysteria; chronico, como na moléstia de Base- dow* permanente, como na paralysia agitante. O tremor pode ser ainda geral ou parcial, isto é, pode oceupar todos ou quasi todos os mus- Iculos da vida de relação, ou, então, limitar-se a certos musculos, podendo, neste caso, revestir a forma monopltgica, hemiplegica ou paraplégica. Nos membros pode affectar ao mesmo tempo todos os segmentos, formando o tremor massiço, como, em geral, se observa na esclerose em pla- cas, ou limitar-se a alguns destes segmentos, formando o tremor segmentario. O tremor dos musculos motores fio globo occular chama-se nystagmus. O tremor da lingua, que se pode verificar projectando-a para fóra da cavidade buccal,torna a palavra entrecortada e diffieil. Os movimentos voluntários têm uma acção muito variavel sobre os tremores t Existem tremores que só se manifestam quando o doente executa algum movimento, nada existindo no repouso que possa fazer pre- 16 sumir semelhante symptomá, são os tremores intencionaes; outros persistem durante o repouso e desapparecem por occasião dos movimentos voluntários, são chamados não intencionaes; outros, emfim, existem tanto no repouso como durante os movimentos, são os tremores mixtos. O processo clássico para a descoberta dos tremores intencionaes consiste em fazer o doente levar á bocca um còpo completamente cheio dé um liquido, ordenando que beba um pouco, sem derramar. O resultado é que o tremor augmenta pro- gressivamente á medida que o cópo se appro- xima dos lábios, ao ponto de, no momento em que chega ao fim augurado, o cópo chocar os dentes e o liquido ser projectado em differentes sentidos. Este facto foi verificado em um nosso doente de esclerose em placas, constante da observação que apresentamos neste trabalho. * * * O tremor é decomponivel pelo methodo graphico em seus elementos constitutivos. Por este meio podemos determinar o nu- mero das oscillações por segundo, sua ampli- dão e suas variações. 17 Para a inscripção dos tremores o doente deve estar calmo, em repouso, porque a menor emoção é sufficiente para alterar o resultado. O trabalho deve demorar muito pouco tempo e não passar de 15 segundos. Diversos apparelhos têm sido empregados para a inscripção dos tremores. O apparellio geralmente usado é o de Ver- din—Compoe-se de um tambor de reacção de Marey tendo no centro da sua parede movei de caoutchouc uma hastesinha sobre a qual se para- fusa uma pequena massa metallica. Este tambor possue um cabo, também de metal, provido de um involucro de madeira, onde o doente segura no momento opportuno. Uma vez produsido o tremor, as oscillações da mão se transmittem ao tambor registrador cujo estylete se move sobre o cylindro ennegre- cido do polygrapho. As oscillações se transmi- ttem por intermédio de um tubo de caoutchouc, que liga o cabo do tambor de reacção ao tambor registrador do polygrapho. Este apparellio existe no gabinete de clini- ca Propedêutica, conseguindo nós, auxiliado pelo eminente Professor Doutor João Fróes, adaptal-o para a obtenção de traçados nos doen- tes do Hospital. 18 Infelizinente, porem, talvez por algum de- feito 11a parede movei do tambor de reacção, 0 estylete, que se move sobre 0 cylindro enne- grecido do polygrapho, só assignalava tremores de grande amplidão, de sorte que somente obti- vemos traçado de um do entede esclerose em pla- cas. Dutil apresentou uma ligeira modificação para este apparelho «O tambor de reacção de Marey, em vez de ser simplesmente mantido na mão pelo doente, é montado sobre uma placa metallica, que se fixa solidamente á superfície cujas oscillações se pretende registrar. No centro da parede movei do tambor está parafusada uma pequena massa metallica tão leve quanto possivel. As oscillações desta massa se communicam á membrana movei do tambor, que as transmitte, por intermédio de um tubo de caoutchouc, ao tambor registrador. » Este apparelho pode ser applicado na cabeça, na face dorsal do metacarpo etc. Para avaliar 0 numero das oscillações em um tempo determi- nado, inscreve-se parallelamente os abalos de um metronomo. Para os tremores da lingua Feró emprega um tambor de reacção de Marey tendo uma parede resistente, de metal, e a outra movei, de caoutchouc. 19 A parede movei tem, em seu centro, um ponteiro que, tocado pela lingua, o movimento se transmitte ao apparelho registrador. Fílltatre inventou um apparelho mixto para o tremor dos membros e o da lingua. Consiste em um fio de seda distendido por uma roldana, em cuja garganta deslisa, e fixado á pelle da região ou á mucosa lingual. Este fio movimenta uma alavanca em re- lação com o tambor de reacção. O processo photographico tem dado muito bons resultados. A sua execução é rnais complicada e exige da parte do medico muita pericia e delicadesa. Para isto fixa-se uma lampada electrica pequena, de modo que sua luz seja punctiforme, sobre a parte cujo ti emor tem de ser registrado e proje- cta-se a imagem sobre uma placa sensivel collo- cada em um cylindro giratorio. Deste modo, as oscillações do ponto lumi- noso se gravando sobre o papel sensivel, obtem- se o traçado photographico do tremor. Ultimamente tem sido empregado também o cinematographo. CLASHiríCAÇÃO BBS TBSiVtOBBS Diversas e variadas tém sido as classifica- ções apresentadas para os tremores. A primeira, em data, é a que divide-os em paralyticos e convulsivos. Tém sido também divididos em intencionaes, quando só se manifestam durante os movimentos voluntários; não intencionaes, quando se manifes- tam fóra dos movimentos voluntários, cessando quando estes se produzem; mixtos, quando exis- tem tanto durante os movimentos voluntários como fóra delles. Huchard e Axenfeld classificam os tremores em: Io. Agudos—Tremor de frio, medo etc. 2o. Chronicos—Moléstia de Parkinson, es- clerose em placas, alcoolismo. 3o. Convulsivos e paralyticos—Tremores do estado de contracção ou de repouso. 4o. Essenciaes—Tremor senil, nervoso. 5o. Symptomaticos—Tremores por lesões- cerebraes ou cerebros-espinhaes. 6o. Tremores sem lesões conhecidas. Charcot, em suas licções de Mardi, tomando para base da sua classificação o numero de oscil- 22 lações por segundOj dividio os tremores do modo seguinte: A) Intencionaes Esclerose em placas Moléstia de Friedreich Oscillações lentas (4 á 5 por segundo) Moléstia de Par- kinson Tremor senil. B) durante o re- pouso Oscillações medias (5 â 6 por segundo) Tremor hysterico Paralysia geral Bocio exophtalmi- co Alcoolismo Oscillações rapidas (8 à 9 por segundo) C) Durante o repouso com 5 á 6 oscillações por segundo Durante os movimentos com exaggero das oscil- lações I Tremor mercurial Demange classifica os tremores assim: Io. Tremor nas lesões do eixo cerebro-es- pinhal. 2o. Tremor nas nevroses. 3o. Tremor nas intoxicações. 4o. Tremor nas febres. 23 5o. Tremor em certos estados nervosos. 6o. Tremor na debilidade geral. Pieraccini divide os tremores em primários e secundários. Primários são os que são sufficientes para o diagnostico. Secundários são os que são acom- panhados por outros symptomas. Como exemplo dos tremores primários de Pieraccini temos o senil, o neurasthenico etc; como exemplo dos tremores secundários temos o basedowiano, o da esclerose em placas, o parkinsoniano etc. Dejerine divide-os do modo seguinte: Io. Tremor physiologico. 2o. Tremor nas intoxicações. 3o. Tremor nas moléstias organicas do sys- thema nervoso. 4o. Tremor nas nevroses. 5o. Tremor nas moléstias infectuosas. 6o. Nevrose tremulante (tremor hereditário) 7o. Tremor profissional, mecânico. 8o. Nystagmus. Mayet apresenta também uma classificação collocando os tremores em cinco grupos: Io. Tremores physiologicos ou não mórbi- dos, ainda que algumas vezes sejam consequên- cia de moléstias. 24 Nesta ordem colloca Mayet o tremor here- ditário, senil, o emotivo e o consequente á debi- lidade muscular por enfraquecimento orgânico. 2o. Tremores infectuosos, comprehendendo o da febre typhica, varíola, etc. 3o. Tremores toxicos, (álcool, chumbo, mercúrio, arsénico, opio, tabaco etc.) 4o. Tremores das lesões centraes do systhe- ma nervoso, isto é, o da paraiysia geral, hemi- plegias, esclerose em placas etc. 5o. Tremores de lesão indeterminada, com- prehendendo o parkinsoniano, o basedowiano e o hysterico. Encarando isoladamente cada uma das classificações apresentadas, pesquisando as bases escolhidas para a feitura de todas ellas, verifi- camos, pela simples inspecção, que todas são passiveis de critica, susceptiveis de confusão. Entendendo que uma classificação deve se íundar somente em um caracter único e exclu- sivo, tirado de uma propriedade inherente áquillo que se pretende classificar, somos de parecer que, nos tremores, as classificações deviam ba- sear-se somente na sua etilogia, pathogenia, anatomia pathologica, etc. A classificação de Charcot preenche mais ou menos esta exigencia, porém tem o inconve- 25 niente de que uma só moléstia pode apresentar um tremor com oscillações variaveis. Em falta de uma classificação mais minu- ciosa, que corresponda melhor ás difficuldades da pratica, transcrevemos para aqui a do Profes- sor Massalongo, que nos parece a mais nitria e methodica. Massalongo divide os tremores em 3 grupos: Io. Tremores por lesão do systhema nervoso central (esclerose em placas, hemiplegias, para- lysia geral, affecções medullares.) 2o. Tremores por lesão do systhema nervoso peripheriço (polynevrites.) 3o. Tremores devidos a modificações dyna- micas do systhema nervoso, comprehendendo o tremor das nevroses (hysteria, neurasthenia, hocio exophtolmico, paralysia agitante); o tre- mor idiopathico (frio emoção); o tremor por auto- intoxicação (febre etc ); e o tremor por hetero- intoxicação (álcool, chumbo, mercúrio etc). Seria preferível que o segundo grupo da classificação de Massalongo fosse reunido ao primeiro; isto é, que os tremores fossem eollo- cados somente em duas classes: Io. Tremores sem lesões perceptiveis do systhema nervoso. 2o. Tremores com lesões perceptiveis do systhema nervoso. €AKTOJrf© O PATHOfilNIá B3H THIM0RI8 Um campo renhido de batalha onde se tém degladiadò grande numero de competentes e sábios, cada qual procurando desfraldar a ban- deira gloriosa do triumpho, cantar o hymno esplendoroso da victoria, a pathogenia dos tre- mores é, talvez, a parte mais difficil e delicada do assumpto de que nos occupamos, a estrella predistinada de todos os luctadores que disputam a primasia de tão seria e controvertida questão. Sobre duas theorias baseiaram-se principal- mente as discussões: a theoria muscular e a nervosa. Spring, o adepto enthusiasta da theoria muscular, con&iderava o tremor, que julgava existir nas myosites e na atrophia muscular pro- gressiva, oscillações myopathicas. Ainda mais, o distincto medico belga, se apoiando 11a influ- encia da circulação sobre a contractilidade muscular, considerava 0 tremor como produsido, algumas vezes, pela deficiência da irrigação san- guinea nos musculos, (oscillações dyshenricas e ischemicas), quando a insuffiencia da irrigação sanguínea determina enfraquecimento não do 28 musculo, porém da innervação, como sóe accon- tecer na convalescença das moléstias graves, nos excessos venereos etc. Esta theoria de Spring foi reforçada pelas experiencias de Saunders e Gusserow, que julgavam também o tremor devido a uma alteração da contextura muscular, em virtu - de de não terem encontrado chumbo no sys- thema nervoso de animaes intoxicados por esta substancia, apresentando tremor, quando, pelo contrario, descobriram abundantemente esse metal nos músculos dos mesmos animaes. As experiencias de Lancereaux, Raymond, Westphal, que encontraram grande porção de chumbo no systhema nervoso de um saturnino, e também as de Charcot e Vulpian, vieram destruir por completo as pesquisas de Saunders, concorrendo poderosamente para que cahisse no esquecimento a theoria de Spring. Charcot e Vulpian eollocando sob a pelle de uma rã umagotta de nicotina obtiveram ac- céssos de tremor, o que não conseguiram, repe- tindo a experiencia, a rã estando previamente curarisada. Isto prova que o curare tendo a potência excito - motora dos nervos a nicotina não poude agir sobre elles e o tremor não se manifestou. 29 A theoria nervosa é, hoje, a única acceita por todos os especialistas no assumpto, ainda que cada qual procurando interpretar o phenomeno de modo differente. Onimus e Luciani, á semelhança de Charcot. e Vulpian, que fixaram a lesão do bolbo rachi- diano como causa do tremor, dizem que é a altera- ção do cerebello que determina este phenomeno. Segundo Lucíani, o cerebello tem a propriedade de fundir as differentes descargas nervosas, tem uma acção estatica, resultando, portanto, da sua lesão, a não continuidade das sacudidelas musculares, e, conseguintemente, o tremor. Spies e MoeBius attribuem o tremor a uma successão de pequenas contracções involuntá- rias. Valentim diz que os tremores são devidos a fraqueza dos elementos do systhema nervoso. Massalongo dá as circuvoluções rolandicas e as columnas cinzentas anteriores como cen- tros dos tremores. As lesões cerebraes ou periphericas que produzem o tremor o fazem indifferentemente, provocando ou excitando a força motora das cellulas cinzentas. O tremor pode ser um phenomeno paraiytico ou convulsivo. 30 De Renzi considera-o como resultado de uma diminuição ou intermittencia da transmissão dos impulsos que determinam as contracções mus- culares. Gueneau de Mussy pensa que o tremor con- vulsivo é devido a uma contracção intermittente dos centros nervosos, dependendo o tremor pa- ralytico da falta de estimulo ou excitação do fluido nervoso. Huchard e Axenfeld, em seu «Tratado das Nevroses,» dizem que os tremores convulsivos parecem depender de lesão dos cordões lateraes da medulla, ao passo que os parcdyticos são de- terminados por lesões mais diffusas, difficultando, até certo ponto, a conductibilidade nervosa. Os convulsivos são reanimados pela electri- cidade, strychnina, convulsivantes e excitantes em geral; os paralyticos diminuem pelos calman- tes. Weber e Marey, partindo do principio de que por excitações electricas se pode obter o tétanos physiologico de um musculo, suppuzeram que a contracção muscular era o resultado de uma serie de pequenas excitações partidas dos cen- tros nervosos, se succedendo com curtos inter- vallos. Accrescentou ainda Marey, depois de gran- 31 des estudos feitos no Collegio de França, que era necessário, para que a fusão destas pe- quenas oscillações ou sacudidelas se désse, pro- duzindo uma contracção, era necessário, repe- timos, que o numero das oscillações, que se passam em cada fibra muscular, excedesse a 32 por segundo, porque, sendo menor de 32, as oscillações ou sacudidelas não se fundem, se separam, se decompõem, produzindo o tremor. Fernet, considerando egualmente uma con- tracção muscular como formada por sacudide- las musculares, cuja rapidez e successão traz a sua fusão, acha que o tremor é uma contra- cção decomposta em suas sacudidelas consti- tuintes. Debove e Boudet, em um trabalho sobre a pathogenia dos tremores, publicado nos Archi- vos de Neurologia do anno de 1880, tendo che- gado á conclusão de que o alongamento brusco de um musculo determina a sua contracção, tenta- ram produsir experimentalmente o tremor pelo processo seguinte: Prende-se uma espessa faixa de caoutchouc a um ponto fixo, puxa-se fortemente, flexionando o antebraço sobre o braço, observando-se, então, que o antebraço e a faixa de caoutchouc são agi- tados por um tremor que se pode inscrever ha- vendo um apparelho registrador. 32 Debove e Boudet procuraram explicar o pbenomeno dizendo que a faixa de ccioutchouc, distendida fortemente pela primitiva contracção do musculo, exerce, quando volta sobre si própria, uma contracção brusca sobre o mús- culo, sendo esta contracçao tanto mais enér- gica quanto a faixa de ccioutchouc é mais espessa e mais fortemente distendida. Porém, desde que o alongamento do mus- culo provoca a sua contracçao, esta determina um alongamento novo do ccioutchouc, que, vol- tando sobre si proprio, produz outra contracção do musculo e assim por deante até a fadiga muscular. Um musculo em contractura repre- senta, pois, o papel da faixa de ccioutchouc. Segundo esta theoria o tremor é produzido pelas contracções e relaxamentos successivos dos musculos, pela contractura predominante de um musculo sobre o seu antogonista. Demange diz que quando um membro não executa movimento algum ha synergia perfeita da tonicidade, equilíbrio das forças antagonistas; ao passo que durante os movimentos ha synergia da tonicidade e da contractilidade. Elle pensa que o tremor é devido a um au- gmento da tonicidade, attribuindo este augmento ao exaggero da força reflexa da medulla ou do 33 bolbo e ao augmento de acção dos centros toni- cos medullares. Assim, na esclerose em placas, na moléstia de Parkinson, em que ha augmento da tonici- dade muscular, este augmento de tonicidade produz o tremoí nos musculos antagonistas áquelles em que a tonicidade está exaggerada. Como prova disto elle lembra que durante o somno ou a anesthesia, quando ha diminuição da tonicidade, o tremor não se manifesta. Hmle, em 1850, apresentou a segninte theo- ria: O tremor muscular sendo devido a uma rapida successão de excitações formadas nos centros, quando ha retardamento n’essa succes- são, quando ha intermitência na sua producção, o tremor se manifesta. Arnould diz que o tremor é devido a inter- mittentes e bruscas mudanças de intensidade do tonus muscular. Mayet affirma serem os tremores produsidos pela chegada intermittente da impulsão nervosa nos músculos, podendo a corrente ter fraca ener- gia, ser exaggerada em sua energia, ou os con- ductores nervosos obstarem a sua transmissão. 34 Em qualquer dos casos, diz Mayet, as sacu- didelas, cuja fusão produz a contracção muscu- lar, se tornam mais espaçadas, mais demoradas, determinando o tremor. A’ despeito dos esforços de tantos scientistas que se têm occupado cuidadosamente do assum- pto, apezar da lucta'titanica travada em torno desta parte essencial do nosso ponto, a pedra philosophal de tantas pesquisas, não obstante tudo isso, nenhuma tlieoria ainda obteve a con- sagração classica da sciencia, tudo persiste no terreno fictício de meras hypotheses. O De. Maeiano Alurralde, Professor de Phy- siologia da Escola de Medicina de Buenos Aires, em um trabalho apresentado e discutido no 2o. Congresso Latino Americano reunido ifiessa Ca- pital em Abril do anno passado, dá uma brilhante explicação para a patliogenia dos tremores, que nos parece muito ac-ceitavel e racional. Adeptos, que somos, da importante theoria do Professor Alurralde, transcrevemos para aqui fragmentos do seu artigo publicado nos Annaes do Congresso. Como veremos, esta theoria é pouco mais ou menos a do Professor Mayet com grandes ampliações. 35 Segundo Alueraldb o tremor deve appa- reeer em 4 condicções: (a) «Io. O tonus muscular é constante; porém ha em certos momentos um excesso de cor- rente nervosa que partida do corpo do neuronio é transmíttido pelo cylindro-eixo até o musculo. Este passa, então, do estado normal aum estada de encurtamento maior, para, em seguida, voltar ao estado normal. Esta passagem successiva, de rhythmo e frequência variaveis, constitue o tremor hyper- tonico ou por hypertonus (tremor convulsivo.) 2o. O tonus muscular é constante; porém ha, em certos momentos, um déficit na elabora- ção da corrente nervosa; o musculo passa então do estado normal a um estado de maior encur- tamento; para voltar deste ao estado normal. Esta alternativa constante e successiva dá logar ao tremor hypotonico ou por hypotonus (tremor paralytico.) 3o. A energia da corrente nervosa partida do corpo do neuronio é constante. Si a resis- tência do cylindro-eixo diminue momentanea- mente em qualquer ponto á passagem da corrente (a) Fisiologia patológica y patogenia de los temblores por el doctor Mariano Alurralde. 36 nervosa, a conductibilidade e a excitabilidade do nervo augmentam e para egual intensidade ha reacçâo ou encurtamento maior do musculo. A passagem successiva desse estado de encur- tamento ao estado normal constitue, porém por outro mecanismo, o tremor hypertonico ou por hypertonus (tremor convulsivo.) 4°. A energia da corrente nervosa é con- stante. Si a resistência do cylindro-eixo augmen- ta momentaneamente em um ou .vários pontos á passagem da corrente nervosa, a conductibi- lidade e excitabilidade do nervo diminuem e para egual intensidade reaeção menor no musculo, que augmenta o seu relaxamento, passando deste estado ao estado normal e vice-versa para dar logar ao tremor liypotonieo ou por hypoto- nus. (tremor paralytico).» Assim, pois, o tremor é ora um plienomeno convulsivo ora um plienomeno paralytico. Continuando o Dr. Alurralde a sua bella explicação, diz que sendo considerado o tremor hypertonico como convulsivo e o tremor hypo- tonico como paralytico, por que meio, em clinica, é possivel distinguir um tremor dado a que clas- se pertence quando elle se apresentar isolada- mente como unico e principal symptoma de tal ou qual moléstia? 37 Como, quando em presença de Uma affeCçâO cerebral medullar, peripherica ou qualquer, ha* vendo ausência de paralysia, espasmo, contra- ctura ou outro phenomeno indicativo que sirva de guia para o diagnostico, saber > si no caso vertente, o tremor é convulsivo ou paralytico? Para resolver parte tão interessante do as- sumpto procurou o illústre medico estudar nos doentes atacados de tremor: Io. A myographia clinica dos reflexos ten- dinosos. 2o. A curva de contracção. 3o. O período de excitação latente. 4o. A excitabilidade electrica. E, depois de estudar numerosos traçados obtidos pelo methodo graphico, conclue Alurral- db do modo seguinte: «Nos tremores de ordem convulsiva se observa, (a) Io. Um reflexo tendinoso habitualmente exaggerado de typo, espinhal, raramente cerebro espinhal, nunca cerebral. 2o. O estado chamado por Paul Richer dia- these de contractura, estado intermediário entre a amyosthenia e a contractura verdadeira. (a) Actas y trabajos del Segundo Congresso Medico Latino Americano Buenos Aires—1904 38 3o. A curva de contracçfio galvanomusciilaf apresenta uma linha de ascenção brusca, utn ver- tice muito agudo, uma linha descendente muito irregular3 em uma palavra, a curva de typo con- vulsivo segundo a classificação de Mendelsohn 4. O periodo de excitação latente está dimi- nuido. 5. A excitabilidade electrica se acha exa- ggerada. Nos tremores de ordem paralytica se observa/ 1. Um reflexo de typo cerebral debilitado ou nullo. 2. Uma curva de contracção muscular de linha de ascenção lenta, vertice em plateau e linha descendente obliqua, porém não irregular, isto é, uma contracção de typo paralytico. 3. Um periodo de excitação latente augmen- tado. 4. A excitabilidade electrica diminuida. No tremor dos individuos fóra do estado pa- thologico, no tremor chamado essencial se ob- serva: 1. Um graphico de reflexo tendino-mus- cular de typo normal. 2. Uma curva de contracção simples, pliy- siologica. 39 3. Um período de excitação latente con- stante . 4. A excitabilidade electrica intacta. Proseguindo na observação de tão interes- sante e proveitosa questão, diz o eminente Medico Argentino ser possível, pelo estudo do tremor, não somente dar uma localisaçâo anatómica á certas affecções cuja anatomia pathologica é ainda desconhecida, mas também, o que é notá- vel, distinguir si um tremor dado é de origem dynamica ou organica. Assim, tratando-se da pa- ralysia agitante, nevrose que se acompanha dos mesmos caracteres graphicos do tremor do typo da esclerose em placas, essa affecção pode, por este estudo, ser classificada no grupo das mo- léstias da medulla. €APríTTEaO III SIMI3T1EA BSS TSEM8HÍS TREMOR EMOTIVO A emoção, cortejo sumptuoso de phenome- nos pychicos e physicos, imagem mental de uma viva impressão doce e sublime ou lugubre e terrível, sentimento mystico e indizível que pe- trifica e extasia o coração humano, é, frequen- temente, acompanhada de um tremor mais ou menos intenso, muita vez unico phenomeno que revela esta perturbação especial capaz de arre- batar até a vida. Conta-se que Diagoras tendo visto, n’um só dia,coroarem-se os seus dois filhos,e sendo levado, triumpho atravéz da multidão, esta, considerando isto uma felicidade mui grande para um mortal, bradara:—Morre Diagoras, já que te não podes tornar Deus ! Diagoras, com effeito, suffocado pela emo- ção profunda que lhe ia n’alma, absorto, tremulo, tombou, morto, nos braços dos seus dois filhos. 42 A força poderosa da vontade humana, o or- gulho, a vaidade e o amor proprio que todo mundo ostenta, tudo se modifica, tudo se anni- quila e destróe sob a acção aterradora de certas emoções agudas. Dentre as emoções mais vivas é no medo que o tremor se manifesta mais accentuada- mente, prejudicando visivelmente os meios de- defesa d’aquelle que se acha sob sua tutella. Não ha quem não tenha soffrido a acçâo de- pressiva e pavorosa, do tremor pelo medo. Mosso relata que, sendo medico militar na Calábria, onde teve occasião de presenciar a tre- menda e revoltante pena de execução de crimi- nosos, assistio a morte de um rapaz de 20 annos, o qual, depois de nm ligeiro interrogatório, ou- vindo o fatal e barbaro grito de—Fuzilai-o— emittido pelo Major, lançou um gemido terrível, olhou, aterrorisado, como quem procurava algu- ma cousa em torno de si, cahindo, em seguida, mudo, pallido e tremendo horrivelmente. As emotividades mórbidas, as differentes va- riedades de phobias podem egualmente ser acompanhadas de tremor. Feré, em sua «Pathologia das Emoções», apre- senta grande numero de observações de casos 43 desta ordem que poderiam ser transcriptas para aqui, si houvesse necessidade. E’ muito interes- sante a de numero 34, de um caso de syphilo- phobia. Um individuo, com 34 annos de edade, en- tregava-se à masturbação receioso de que do contacto com mulheres lhe resultasse umain- fecção syphilitica. Um dia, tendo entretido rela- ções sexuaes com uma supposta mulher honesta9 foi atacado por uma ligeira inflammação local, que o fez procurar, durante 3 mezes, os médicos de Midi, afim de se scientificar si, de facto, estaria infeccionado. Apezar das afflrmações em contrario dos profissionaes consultados, o pobre homem, ame- drontado e arrependido, continuava, quotidiana- mente, com suas perguntas descabidas, até que, um dia, por gracejo, lhe disse um dos médicos: —«Não acrediteis, meu hello rapaz, que uma mulher honesta só tenha tido relações com- vosco». Com esta resposta imprevista, simples pi- lhéria de occasião, o doente empallidecu e cahiu tremendo, suiciando-se pouco tempo depois. Podemos citar um caso typico de astraphobia acompanhado de tremor. Esse individuo, a que 44 nos referimos, em tempo de trovoadas recolhe- se tremendo aos seus aposentos e é atacado de forte diarrhéa. Conhecemos egualmente um caso de hema- tophobia em que o doente, em presença de sangue, é accommettido de accéssos repentinos e passageiros de tremor, ou, o que é mais commum, tem syncopes Na dor ou na alegiia , na cólera ou nas ma- nifestações sublimes da alma, quando o espirito sente as impressões extaticas do pathetico, é o tremor um phenomeno muito commum que se manifesta em todo corpo ou limitado a certas partes, como as mãos, a vòz, os lábios. São numerosos os exemplos de casos dessa ordem. Pessoas ha que não podem dansar porque têm accéssos de tremor nos membros superiores e inferiores; outras que se não podem encontrar com algum ente querido, do qual estejam sepa- radas ha muito tempo, sem que sintam tão in- commoda perturbação; outras que evocando á reminiscência factos impressionáveis occorridos em épocas mais ou menos longuiquas,são attingi- das por um tremor mais ou menos generalizado. Vivas impressões são causas provocadoras de verdadeiros choques de tremor. 45 Existem homens que não podem assomar à tTibuna para recitar alguma peça oratoria sem que a precisão da sua mimica seja perturbada por tremor; alumnos que no momento dos exa- mes são perseguidos por tremor; doentes qu e se approximam do medico agitados por tremor e, assim, indefinidamente, poderíamos citar mais exemplos. Sergi, Lange e William James, procurando es- tudar a psychologia das emoções, consideraram o tremor que acompanha estes estados como causa productora das emoções, como factor pri- mordial e indispensável para a sua apparição. Para esses auctores, sendo sempre o tremor secundado por emoções, o polygono do individuo attingido habitua-se a associar esses dous tactos, resultando disto que toda vez que o individuo treme suggestiona-se de que deve ficar emocio- nado. Proseguindo em uma serie de considera- ções, accrescentaram esses scientistas que é porque choramos que sentimos tristeza e que assim como quando lançamos mão de uma ípenna ou de um lapis nos vem á mente a déa de escrever ou desenhar, assim também 46 a presença de um tremor provoca a idéa de uma emoção ea determina. Para elles, portanto, são os phenomenos physiologicas a parte essencial e a verdadeira causa das emoções. Nós outros, pensando de modo inteira- mente contrario, adeptos da opinião geral- mente seguida, admittimos nas emoções a existência de elementos psychologicos e phy- siològicos, e, inversamente, consideramos o elemento psyehologico como o factor mais importante, o factor essencial, porquanto pode haver emoção que não seja acompanhada de phenomenos physiologicos, mas não existe em phenomenos psychologicos. Uma emoção completa pode ser decomposta em 3 phases: Io.) Phase intellectual, isto é, phase de concepção da idéa que provoca a emoção. 2o.) Phase aífectiva que comprehende a emoção propriamente dita (alegria, medo, cólera, etc.) 3o.) Phase dos effeitos da emoção (tremor, suores, pallidez, etc.) 47 0 tremor effeito das emoções pode ser eon- vulsivo (hypertonico) ou paralytico (hypotonico), segundo a especie de emoção que o determinar, isto é, conforme a emoção seja sthenica ou as- tkenica. TREMSR ESSENCIAL HERIKTARI3 t TREMOR SEMIL a) 0 tremor essencial hereditário, estudado em primeiro logar porEulemburg, é um pheno- meno muito frequente nos nevropathas. Hollbns e Rubens citam numerosos casos observados em individuos com herança neuro- pathica. Charcot, em suas licções de Mardi, á pagina 450, diz que este tremor pode apparecer espo- radicamente, sem herança, mas que, sendo isso uma excepçao, em geral elle é familiar. Pode acontecer que em uma familia de ire* medores todos os seus membros não sejam attin- gidos e também que o tremor ataque de prefe- rencia um sexo, respeitando o outro. Este tremor é lento, de 4 á 5 oscillações vpor segundo, atacando especialmente os mem- bros superiores. A lingua pode ser attingida, disto resultando grandes embaraços e perturbações da palavra. 49 Raramente existe nos membros inferiores4 A cabeça, em geral, é respeitada. Entre- tanto, segundo dejerine, o tremor hereditário da infancia pode começar pela cabeça, o que pro- va, até certo ponto, a sua analogia com o typo senil. Mo se exaggera pela execução dos mo- vimentos voluntários. A posição de juramento das mãos torna-o mais claro; as emoções e os trabalhos physicos augmentam-no notavelmente. Cessa durante o somno, a anesthesia e no repouso absoluto. E’ligado a fraqueza congé- nita do systema nervoso, b) O tremor senil começa em geral fraca lenta e vagarosamente, adquirindo no fim de certo tempo grande intensidade, de modo a perturbar muito os movimentos voluntários. As oscillações deste tremor, que podem aug- mentar ou diminuir de amplidão em condicções especiaes, são em numero de 3á 6 por segundo. A’ principio intermittente e depois perma- nente, o tremor denominado senil começa de pr/ferencia pelos musculos do pescoço, de modo que a cabeça, não estando apoiada, pode executar movimentos verticaes (tremor affir- 50 mativo] ou horisontaes de lateralidade (tremor negativo). Quando se assesta no maxillar inferior o in- dividuo parece estar mastigando incessante- mente. A lingua e os lábios podem ser egualmente atacados. A associação do tremor do maxillar, dos lábios e da lingua dá um tremulo especial e ca- cteristico á vóz dos velhos. Os membros superiores podem ser atacados posteriormente, porem os inferiores somente excepcionalmente o são, de sorte que é raro o tremor generalizado. Este tremor, que ataca mais frequente- mente o sexo musculino, desapparece durante o somno, a anesthesiae o repouso absoluto. Os velhos victimas de tão incommoda per- turbação muitas vezes não conseguem escrever. A existência independente do tremor senil é muito contestada e discutida por grande numero de sábios. Demange diz que o tremor essencial heredi- tário é uma variedade do senil se manifestando prematuramente. 51 Dejerine quer estudar estes dous tremores sob a denominação unica de nevrose tremulante. Trousseau, considerando que muitos velhos não têm tremor e que grande numero de moços apresentam este symptoma, condemna o nome de senil dado a essa variedade. Pieraccjni, procurando estudar o assum- pto no Asylo de Inválidos de Florença, verifB cou que o numero de velhos com tremor era de 4%. O Doutor Bondenari diz que dentre 165 ho- mens maiores de 50 annos, examinados no Hospital de 8. Roque, no serviço clinico do Doutor Ramos Mejia, apenas 3 tinham tremor. Charcot affirma que o facto é pouco frequente na velhice, porquanto dentre dous mil velhos da Salpétrière apenas trinta apresentavam tremor. Muitos desses velhos, diz ainda Charcot, sendo interrogados sobre otssumpto,afíirmavam que o seu tremor datava de épocas mais ou menos remotas, muitas vezes desde a infancia. Assim.; portanto, conclúe o grande Mestre da Salpétrière, não sendo apanagio da velhice, não sendo um attributo essencial da senilidade? o nome de tremor senil não deve ser accefto. 52 Pensamos, deante de tantas divergências, que, quer se manifestem nos moços ou nos ve- lhos, estas duas variedades podem perfeitamente ser englobadas sob a denominação unica de tremor essencial, porquanto parecem depender das mesmas causas, variando em algumas das suas manifestações e dos seus caractéres pela differença da edade e dos organismos em que se apresentam. Ahi vae a nossa opinião para ser acceita ou condemnada pelos Mestres. NIDfUSTHElA E EPILEPSIA A neurasthenia, moléstia proteiforme, capri- chosa e apparatosa em suas variadas manifesta- ções, é susceptivel de apresentar o tremor figurando em seu quadro symptomatologico. Essa perturbação motora, que na neuras- thenia se pode manifestar por accéssos, attinge, de preferencia, os membros superiores, podendo, entretanto, atacar os membros inferiores, a ca- beça, o pescoço, a lingua, os lábios. As oscillações do tremor neurasthenico são pequenas, breves, rapidas (tremor vibratório). O Dr. Bondenari diz que em 46 casos de neurasthenia observados por elle apenas 2 tinham tremor. Este tremor, diz Bondenari, era de oscilla- ções breves e rapidas, exaggerava-se pelas emoções ou a fadiga e era dominada pela acção da vontade. ' Em geral o tremor da nenrasthenia desappa- rece durante o somno ou o repouso. A epilepsia pode também apresentar o tremor como fazendo parte dos seus symptomas. 54 0 tremor na epilepsia pode constituir ospro* dromos longínquos desta moléstia, isto d,se mani- festar dias ou lioras antes de qualquer symptoma, ou, então, ser uma forma motora do aura indica- tivo do ataque comicial imminente. O infeliz epiléptico pode empallidecer, tre- mer e em seguida cahir fulminado, porém na maioria dos casos o tremor apparece depois dos grandes ataques convulsivos, após os paroxismos comiciaes, de modo que parece depender do grande esgotamento em que fica o indivíduo. Nos casos em que a epilepsia se manifesta por accéssos repetidos, os espaços que separam estes accéssos podenrser occupadospor um tre- mor mais ou menos generalizado. Em casos raros o tremor pode ser o essencial e unico symptoma da epilepsia. As oscillações do tremor na epilepsia são breves pequenas, ligeiras e vão augmen- tando progressivamente. Em casos especiaes o primeiro e o segundo períodos do ataque podem ser preenchidos por tremor, isto é, as convulsões tónicas e chloni-' cas são substituídas por elle, seguindo-se então o periodo de estertor. HISTERIA À grande nevrose simuladora é também susceptivel de apresentar o tremor como uma das suas múltiplas manifestações. O caracter particular deste tremor é o seu polymorphismo- De facto, o tremor hysterico não é disseme- lhante somente de um individuo para outro, porém, o que é notável, um mesmo doente pode apresentar um tremor affectando formas diversas e variadas. Podendo, em casos raros, se manifestar insidiosamente, sem que o doente perceba omo- mento da sua invasão, o tremor hysterico, em geral, irrompe após uma contrariedade, um medo violento, uma emoção qualquer, ou, mais frequentemente, depois de um ataque convulsivo. Pode accontecer que o doente, sentindo os effeitos de uma viva emoção, tenha, substituindo as convulsões do ataque vulgar, verdadeiros accéssos de tremores, que se desenvolvem em seguida ás perturbações que constituem o aura hysterico. Finalmente, em formas frustras da hysteria, quando ha ausência de certos estigmas liyste 56 ricos, o tremor pode constituir toda a sympto- matologia da nevrose, o que difficulta sobremo- do o diagnostico da natureza do mesmo tremor. A duração do tremor na hysteria è muito variavel, podendo ser de annos, mezes, dias ou horas. Segundo Chaucot este tremor é mais commum no homem do que na mulher. A com- pressão de uma zona hysterogenica pode deter- minar o seu apparecimento ou tornai-o mais accentuado e nitido. O tremor hysterico pode ser geral ou par- cial, revestindo a forma monoplegiea, hemi- plegica ou paraplégica. Algumas vezes é tão breve, delicado e subtil, que só uma observa- ção minuciosa pode tornal-o perceptivel; outras, pelo contrario, adquire tal intensidade que per- turba aexecucção dos movimentos voluntários. Os tremores hystericos muitas vezes simu- lam perfeitamente os de certas affecções orgâ- nicas ou funccionaes. Podem appareeer somente durante o re- pouso, simulando o alcoolico e o parkinso niano; somente durante os movimentos voluntários, imitando o da esclerose em placas, ou, emfim, indifferentemente, no repouso ou nos movimen- tos, simulando o mercurial. 57 Têm sido diversas as classificações apre- sentadas para os tremores hystericos. Pítres os divide em trepidatorios, vibra- tórios e intencionaes. Charcot colloca os tremores hystericos em dous grupos e Dutil em tres. CLASSIFICAÇÃO DE CHARCOT a) Tremor osòilla- torio. (3 oscillaçOes por segundo) b) Tremor vibra- tório. (8 j«t 9 oscillaçOes por segundo. 1.) Tremor não oxaggerado polos movimentos volun- tários. Simula o tremor da paraiysia agitanto ou o senil, 2. Tromor oxa- ggo rado pelos mo- vimentos volun- tários. Í Simula o tremor mercurial e o da es- / cleroso om placas. Tremor intencio- nal do numero mo- dio do oscillaçOes. 58 CLASSIFICAÇÃO DE DUT1L 1.) Tremor vibra- tório . (8 à 9 oscillações por segundo) Persistente du- rante o repouso, som ser modificado polos movimentos. Simula o tremor dá molostia de Basedow, o do alcoolismo e o da paralysia geral. a) Remittõntô in- tencional typo Ren- du, existindo ou não durante o ro- pouso exaggerado pelos movimentos. I Imita o tremor mor-* [curial. 2.) Tremor de rhythmo medio. (5 lp2 á 7 1x2 os- cillaçõos por se- gundo) b) Forma para- plégica (localisada nos membros inferiores) Imita a epilepsia espinhal na gia espasmódica. c) Tremor inten- cional puro, nulio < no ropouso. I Imita o da escloroso em placas. 8.) Tremor lento (4 á 5 oscillações por segundo) i Persistente no re- pouso, pouco ou nada modificado polos movimentos. l Simula o tremor da \ paralysia agitante e o I senil. 59 0 primeiro grupo da classificação de Dutil, tremor vibratório, imitando o do alcoolismo, o da paralysia geral e o da molsstia de Graves, é caracterisado por oscillações muito rapidas que parecem se fundir em uma só vibração. Esta variedade de tremor tem em geral uma duração ephemera, podendo, porém, ser mais ou menos permanente. Ou é generalizado, es- tando neste caso o doente em uma fcremulação continua que pode attingi.r a cabeça, os lábios, a lingua, a palavra, ou parcial, limitado a certas e determinadas regiões. Este tremor exaggera- se durante os movimentos voluntários e sob a influencia de certas emoções. O segundo grupo da classificação de Dutil, tremor de rhythmo medio, é o mais frequente de todos e é dividido em 3 sub-grupos: l.° Tremor remittente intencional typo Rendu, imitando o mercurial. E’persistente no re- pouso, ao menos em certas posições, accentuan- do-se quando o doente executa algum movi- mento. Si lia necessidade de praticar alguma cousa que dependa de muita attenção e precisão para a sua execução, as oscillações do tremor au- 60 gmentão progressivamente á medida que o doente se approxima do fim desejado. Os movimentos delicados ás vezes tornam-se impossíveis. 0 2.° sub-grupo é formado pelo tremor para- plégico, isto é, pelo localisado nos membros inferiores. E’ um tremor continuo, tendo o indivíduo atacado o aspecto de um doente de paraplegia espasmódica de natureza organica. 0 3o. sub-grupo 6 o tremor intencioral puro, não existindo no repouso, imitando o da esclerose em placas. 0 terceiro grupo da classificação de Dutil, tremor hysterico de rhythmo lento, simula o da paralysia agitante. As oscillações deste tremor são lentas, amplas. Persiste no repouso e exa- ggera-se durante os movimentos voluntários. A nevrose traumática, considerada por Charcot como constituída pela associação da hysteria e da neurasthenia, e por outros auctores como uma affecçâo inteiramente diversa, é capaz de apresentar o tremor dentre as suas manifes- tações. Este tremor, bastante rápido, com 8 á 9 oscillações por segundo, é muito semelhante ao da moléstia de Basedow. Geralmente inten 61 cioiial, o tremor da nevrose traumatica pode ser parcial, limitado a parte do corpo que recebeu o traumatismo, ou então generalizado. Augmen- ta consideravelmente sob a influencia das emo- ções e com a extensão do movimento que o doente tem de executar. Chargot, nas licções de Mardi, apresenta um caso typico de um indivi- duo com nevrose traumatica e tremor depois de um desastre em trem de ferro. MOLÉSTIA BE PARMS3N Na paralysia agitante ou moléstia de Paií- kinson, affecção. càjo diagnostico muita vez se impõe pela simples inspecção do doente, o tremor é considerado um symptoma importante e cara- cteristico, um elemento essencial e de grande valor clinico. Este tremor pode apparecer lentamente, de- pois de um periodo prodromico mais ou menos longo constituido por sensações subjectivas di- versas, ou rapidamente, provocado por um medo súbito, por uma emoção qualquer. Sendo, 11a maioria dos casos, a primeira manifestação evidente da moléstia, pode, entre- tanto, apresentar-se como plienomeno secun- dário, posterior á rigidez muscular. Começa geralmente pelos membros supe- riores, passa depois aos interiores, tornando-se, 110 fim de certo tempo, mais ou menos genera- lizado. A cabeça não é attingida pelo tremor parkinsoniano; as pequenas oscillações que nella têm sido verificadas lhe são com muni cadas pelo tremor generalizado do corpo. Westphall e Ville- 63 min affirmam ter encontrai o um caso de tremor parkinsoniano se estendendo á cabeça. Brissaud e Pierre Marte, na revista de Neu- rologia de Julho do corrente anno, dizem haver encontrado um caso de moléstia de Parkinson com tremor muito accentuado das palpebras, sobretudo durante a occlusão. Em geral, porém, o tremor da paralysia agitante predomina nos membros superiores, principal mente nas mãos e nos dedos. Os dedos attingidos pelo tremor podem se mover em torno dos metacarpos correspondentes produzindo um movimento comparado ao de bater tambor; outras vezes, tremor é limitado ao pollegar e ao index imitando certos actos caracteristicos, como contar moédas, fazer pi- lulas, fiar algodão etc. Este tremor se estende ás mãos que execu- tam em torno dos punhos movimentos successivos de extensão e de flexão. Todos estes movimentos dos membros infe- riores imprimem ao parkinsoniano um cunho especial e caracteristico, fornecem um elemento preciosissimo para o diagnostico da moléstia em questão. Nos membros inferiores também o tremor se accentuapara as extremidades especialmente no 64 nivel da articulação tibio-tarsiana. Em geral o tremor da paralysia agitante se propaga de um modo especial. Suppo-ndo, por exemplo, que elle tenlia co- meçado pelo membro superior esquerdo, d’ahí se passa para o inferior correspondente para depois atacar ò superior direito e emfim'30 infe- rior direito. Pode accontecer, porém, que elle não obedeça a esta ordem interessante e se estenda indifferentemente de um membro á outro qualquer. O maxillar inferior pode ser agitado por oscillações, de modo que o doente parece estar resmungando ou mastigando permanentemente, A lingua é attingida por um tremor em massa, uniforme, rápido, o que se pode verificar projectando-a para fora da cavidade buccal. A palavra, nestes casos, é lenta, interrom- pida, analoga, segundo a comparação dc Charcot, a de um individuo que procura fallar quando montado em um cavallo trotando. O doente tentando escrever, as lettras são finas, em ligeiros zig-zags, demonstrando o esforço por elle empregado para conter o tremor dos dedos. B’ um tremor constante, persistente, lento, 65 constituído por oscillações pouco amplas em nu- mero de 4 á 5 por segundo Manifesta-sejio repouso e é nullo no periodo agonico e durante o somno e a anesthesia. O tremor da moléstia de Parkinson au- gmenta nas fadigas corporaes e intellectuaes, nas emoções etc. Em certas formas anómalas da moléstia de Parkinson o tremor pode ficar parcialmente limi- tado a determinadas regiões, como o pé, a mão, ou então faltar completamente. Axenfeld relata um caso de um individuo de 69 annos que apre- sentava todos os symptomas da moléstia menos o tremor. Outras vezes, o tremor existindo no começo da moléstia desapparece nos últimos periodos da mesma. Ha casos excepcionalissimos em que o tremor parkinsoniano se manifesta com o caracter inten- cional, como o da esclerose em placas, dificul- tando muito o diagnostico. A liysteria pode também simular não somente o tremor, porém, até certo ponto, o fácies cara- cteristieo do parkinsoniano. Neste caso, o dia- gnostico é muito complicado. Segundo Dutil o 66 tremor da hysteria lião imita a posição classica de fazer pilulas, fiar algodão etc. Deeove quer que o tremor da moléstia de Parkinson ache sua explicação na existência de rigidez muscular nesta affecção. Neste caso, elle resultaria da predominância de acçâo dos musculos contracturados jsobre os seus antago- nistas . Não apoiamos absolutamente semelhante hypothese, mesmo porque já não mais existe a theoria que considerava o tremor em geral como produzido por uma ruptura continua de equilí- brio entre musculos antagónicos. Pensamos que o tremor parkinsoniano é provavelmente deter- minado por alterações diversas situadas no corpo dos neuronios ou nos seus prolongamentos, donde difficuldade de partida ou de transmissão da cor- rente nervosa, intermittencia da mesma e tremor. MOLÉSTIA BE BASEBBW (BOCIO EXOPHTALM1CO) 0 tremor é o symptoma mais importante da tríade de perturbações motoras que encon- tramos na moléstia de Graves. Apparecendo na maioria dos casos combi- nado com os numerosos e variados signaes desta gravíssima aífecção de que nos occupamos, elle pode também se apresentar como pheno- meno primitivo e inicial, constituindo, por assim dizer, o grito de alarme do apparecimento da moléstia de Basedow. Existem formas frustras desta moléstia em que o tremor é o unico symptoma apreciável e de importância. E’ uin tremor em massa, muito rápido, ás vezes pouco perceptivel, tendo 8 á 10 oscilla- ções por segundo, atacando de preferencia os membros superiores. As mãos e os dedos são attingidos por oscillações continuas que per- turbam e precisão dos movimentos delicados. Os dedos são atacados por uma especie de tremor individual. 68 0 tremor baseeiowiano pode estender-se aos membros inferiores, impossibilitando a es- tação de pé e a marcha. Raramente elle é generalizado a todas as partes do corpo. Desapparece no repouso e du* rante o somno, augmentando visivelmente na attitude do juramento e sob a influencia das emoções. Verificamos, no começo do presente anuo, no Hospital de Santa Izabel, um caso de molés- tia de Basedow com tremor em um doente pertencente a primeira cadeira de clinica medica. O individuo em questão, typo perfeito de basedowiano, apresentava, somente nas mãos e nos dedos, um tremor ligeiro, fino, rápido, per- ceptivel unicamente na attitude do juramento. ALCOOLISMO Os effeitos pathologicos resultantes do uso e abuso das bebidas alcoólicas são conhecidos desde épocas mui remotas. O tremor é um plienomeno muito constante nesta intoxicação tão commum em nosso Paiz. Este tremor pode acompanhar a forma aguda, porém mais frequentemente se manifes- ta no alcoolismo chronico. No delirium tremem, episodio agudo e intem- pestivo da intoxicação, existe, ao lado das ter- ríveis allucinações que anniquilam o infeliz martyr de tão medonho flagello, um tremor ac- centuado, intenso, violento, auginentando pro- gressivamente medida que o doente procura defender-se dos phantasticos inimigos que ten- tam aggredil-o. No alcoolismo chronico o tremor não se manifesta durante os movimentos voluntários e é pouco perceptivel no repouso. Para verifica a sua presença é mister mandar o indivíduo por a mão na attitude do juramento e affastar os dedos tanto quanto possível, verificando-se, 70 \ então, que, além das oscillaçoes da totalidade do membro, cada um dos dedos treme isolada- mente . Cliama-se isto tremor individual dos dedos eé um phenomeno muito importante e peculiar a intoxicação pelo álcool. No alcoolismo o tremor adquire o seu máximo de intensidade pela manhã, podendo desapparecer mais ou rnenps completamente durante o dia e depois da ingestão de uma nova porção de álcool. Em geral esta perturbação começa pela mão, atacando progressivamente o resto dos membros superiores e depois aos inferiores. A lingua e os lábios podem ser também attingid( s, tornando a palavra difficil, breve e interrompida. Os múscu- los zygom áticos e os elevadores da aza do nariz quando são atacados dão ao fácies do alcoolata uma feição especial e caracteristica. E’ um tremor de oscillaçoes rapidas, em nu- mero de 8 á 9 por segundo, assemelhando-se bastante ao basedowiano, do qual, entretanto, distingue-se principalmente por não ser um tre- mor em massa, porém individual de cada dedo. HYBRARSYR1SM8 0 tremor é uma das mais importantes mani- festações do hydragyrismo chronico. Esta perturbação da motilidade é muito fre- quente e commura entre os mineiros, doiradores de metaes, constructores de thermometros e ba- rómetros e quaesquer indivíduos que por suas profissões ficam expostos á absorpçâo de vapores mercuriaes durante um certo espaço de tempo. Este tremor, que se pode manifestar de modo brusco e inesperado, começa, em geral, mais ou menos lentamente, invadindo successivamente os membros superiores, os inferiores, a face, a lingua etc. A palavra do indivíduo intoxicado torna-se lenta, trepidante, arrastada e difficil. Em certos casos a cabeça é agitada por oscilla- ções verticas ou horisontaes, dizendo o doente sim ou não. Escrever para as pessoas attingidas por seme- lhante tremor é um acto penoso, irrealizável mesmo, quando sob a acção de alguma emoção. Nos membros inferiores o tremor mercurial pode determinar perturbações taes que a marcha torna-se incerta, titubiante, trabalhosa, impossi- 72 vel mesmo, ficando o doente forçado a guardar o leito. E’ um tremor lénto, tendo 4 á 5 oscilla- ções por segundo, mais ou menos generalizado, porém mais aecentuado e mais perceptivel nos musculos da face e dos membros superiores. Durante o periodo de repouso, o tremor mercurial cessa em certos momentos para rea- pparecer em outros, isto é, manifesta-se com in- termittencia, ao passo que por occasião dos movi- mentos voluntários elle, á semelhança do que se passa na esclerose em placas, augmenta e ad- quire proporções extraordinárias. Pedindo-se ao hydrargyrico para levar um objecto á bocca, as oscillações do tremor cres- cem progressivamente com o esforço empre- gado pelo doente, sendo possivel observar o choque do objecto em differentes pontos antes de attingir ao desejado. Idênticos durante os movimentos voluntá- rios, o tremor da esclerose em placas a o mer- curial differem profundamente no periodo de % repouso, pois que neste ultimo caso o tremor é nullo na esclerose em placas einquanto que se manifesta na intoxicação mercurial, ainda que por poucos instantes. 73 0 tremor mercurial se exaggera pela in- gestão de álcool ou por qualquer acto physico ou intellectual capaz de impressionar o doente. Nos momentos de calma absoluta, quando o doente se acha em ccmpleta resolução muscu- lar, a mais ligeira emoção pode produzir o apparecimento de um tremor accentuado. Esse tremor attenua-se pela suppressão do toxico e sob a influencia do tratamento apro- priado. A pathogenia do tremor mercurial tem sido explicada pela acção que tem o toxico de des- truir progressivamente a myelina com conser- vação do cylindro-eixo. Charcot, apezar de sustentar que o mercu- rialismo pode por si só determinar o tremor, affirma que em muitos casos este symptomanão é propriamente produzido pela intoxicação, porem por uma hysteria latente, representando o toxico o papel de ngente provocador da hys» teria. Dutil, em sua these, sustentando a opinião de Charcot e citando em seu apoio muitcs casos de tremor mercurial em indivíduos com estig- mas hystericcs, diz que este tremor na maioria 74 dos casos não deriva directamente da intoxi- cação, não está sob a dependencia de uma lesão do systhema nervoso, más que, pelo contrario, é de natureza hysterica e puramente funccional. 8AÍSffiSfâMB~MiffiPB!l»lSM8 TABAGISM8 ETC. ' 0 tremor saturnino, symptoma essencial e de grande valor na intoxicação pelos preparados de chumbo, manifesta-se geralmente nos typo- graphos, pintores ou quaesquer indivíduos cuja profissão os expõe ao contacto com este metal durante um certo tempo. Este tremor, de oscillacões rapidas, em nu- mero de 8 á 9 por segundo, offerece grande analogia com o alcoolico, do qual, entretanto, segundo a opinião de Lafont, distingue-se por- que o tremor plunlbico manifesta-se com mais intensidade ao anoitecer e as suas ôscillações augmentam com a fadiga. Podendo apparecer rapidamente, o que é raro, o tremor saturnino em geral se manifesta lenta e progressivamente e não tem tendencia ase generalizar. Ssndo parcial, ataca com mais frequência as mãos, o rosto, os lábios e a lingua. Commummente desapparece com o tratamento proprio. 76 A existência do tremor no saturnismo chro- nico como dependente directamente desta into- xicação é egualmente muito contestada por * grande numero de scientistas, querendo esses, que reservam para o toxico o papel de agente provocador, que semelhante tremor seja de natureza hysterica. O morphinismo chronico apresenta também o tremor como symptoma. Bste tremor, que persiste muito fraco nos períodos de euphorici* que se attenúa pela absorpção de uma nova quantidade de morphina, apparece intensamente quando o doente fica privado do seu toxico ha- bitual, quando elle sente a necessidade imperiosa de uma nova dose de tão importante quão peri- goso medicamento. * O tremor do morphinismo é de amplidão variavel e de 5 á 7 oscillações por segundo. O tabagismo offerece também o tremor como uma das suas variadas perturbações. Vimos, no começo do presente trabalho, a injecção de nicotina produzindo tremores nas celebres expe- riências de Charcot e Vulpian. O tremor da intoxicação pelo «tabaco, que ataca de preferencia as mãos, apparece geral- mente n’aquelles que abusam dessa solanacea. 77 (fumantes exaggerados, tomadores de rapé etc.) Tem sido verificado em operários de fabricas de cigarros > As intoxicações pelo arsénico, belladona, camphora, sulfureto de carbono, ergotina, qui- nina e algumas outras substancias são suseepti- Veis de apresentar tremores. O café e o chá podem produzir um tremor mais ou menos generalizado, atacando principalmente as mãos e a cabeça. MfiUESTlAS IHFICTO8SAS Da mesma sorte que as intoxicações, as moléstias infectuosas podem também produzir tremores diversos, seja agindo por acção dire- cta e própria seja despertando hysteria ou neu- rasthenia latentes. O tremor fazendo parte do calefrio febril pode ser muito brando e simples ou então manifestar-se intenso, sob a forma de verdadeira trepidação generalizada. Neste nltimo caso o tremor é por tal forma accentuado que imprime ao doente um movi- mento oscillatorio muito perturbador; a palavra torna-se entrecortada, os dentes rangem, a agi- tação é enorme e o tremor in venci vel e insupportavel. O tremor pode se manifestar na febre ty- phoide, na variola, erysipéla, pneumonia e diversas outras moléstias. Fourniek descreve uma variedade de tremor apparecendo na sy- philis. * * * * O tremor tem sido descripto como fazendo parte do quadro symptomatologico das polyne- vrites. Este tremor em geral não é considera- 79 do como dependente direpmente da própria polynevrite, porem sim como sendo effeito da acçâo toxica especial do agente productor desta affecção. SSELIRSSI EM PUCAS 0 tremor da esclerose em placas, conside- rado durante muito tempo como symptoma pathognomonico desta grave affecçâo, é, de facto, um signal caracteristico e de grande im- portancia clinica, uma alavanca poderosa em que se apoia o medico para fazer o diagnostico da moléstia em questão. Tremor intencional* isto é, nullo no repouso apparecendo sómente durante a execução dos movimehtos voluntários, parece intimamente ligado á actividade muscu- lar, pois se manifesta ao menor movimento exe- cutado pelo doente. Massiçoi por que abrange por completo os membros, a cabeça, o tronco, ou qualquer parte do corpo onde se assesta, elle é também considerado como um tremor radijular, em virtude de partir da raiz do mem- bro. O tremor da esclerose em placas, que tem geralmente de 5 á 7 oscillações por segundo, ataca de preferencia (s membros superiores, podendo se estender aos menbros inferiores, a cabeça, aos lábios e ao globo occular. 81 Escrever para os infelizes victimados por semelhante moléstia é um acto difficil, mesmo impossível, e quando o pobre doente con- segue fazel-o as lettras são dispostas em planos differentes* irregulares, distanciadas e até illegi- veis. A extensão do movimento á executar, a attenção e as emoções em geral augmentam consideravelmente o tremor; as suas oscillações tornam-se mais amplas e mais frequentes. Collocando-se, por exemplo, um cópo com agua a uma distancia relativamente grande e mandando o| doente beber um pouco da agua contida no cópo, verifica-se que as oscillações do tremor, que então apparece, augmentam pro- gressivamente á medida que o cópo se approxima do fim desejado, até que o liquido é vioienta- mente projectado em differentes direcções. Do mesmo modo, a cabeça e o tronco oscillam vivamente durante este acto, se approximando ou se affastando da mão que leva o cópo. Grasset, em sua obra denominada «Les ma- ladies de 1’orientation et de l’équilibre», affirma haver encontrado uma doente de esclerose em placas com um tremor que não era massiço nem radicular, porém segmentario e da peripheria. 82 Essa doente, diz o grande mestre da Uníversídadê de Montpbllier, ao passo que tremia muito para prender um copo ou qualquerjvaso, este, uma vez preso, era levado á bocca perfeitamente sem tremor; porém, de novo, quando ,o cópo estando perto da bocca era preciso fazer ulgura movi- mento para beber o seu conteúdo, o tremor re- apparecia. Este facto acha sua explicação na circumstancia de ser, no caso, o tremor inten- cional clássico limitado aos dedos e as articula- ções das mãos sobre os antebraços. Pelo mesmo principio, diz ainda Grasset, a doente não podia escrever, o que, entretanto, realisava depois da immobilização absoluta dos dedos e dos punhos. O tremor da esclerose em placas offerece grande analogia com o da intoxicação mercurial. Ao homem de sciencia, que tudo deve observar com methodo e cuidado, é possivel fazer o dia- gnostico, desde que o tremor da esclerose em placas é inteiramente nullo no repouso e o mer- curial apparece neste periodo espontânea e intermittentemente. Muitas vezes a moléstia de Frieãreich, e os tumores cerebraes se acom- panham de um tremor intencional muito seme- lhante ao da esclerose em placas, havendo nos outros symptomas meios de fazer o diagnostico. 83 A liysteria simula perfeitamente o tremor da moléstia de que nos cccupamos. Segundo Dutil, excepção feita dos casos em que estas duas aífecções se acham associadas, a distincç-ão pode ser íeita porque na hysteria as oscillações são mais frequentes e o tremor persiste modificado durante o período de repouso. A pathogenia do tremor na esclerose em placas tem sido diversamente interpretada. # Demange o ligava a irritação que produziam as placas de esclerose sobre os feixes pyramidaes. Oppenheim suppunha ser elle uma consequên- cia de alterações no cerebello. Erb e Ordestein queriam ligai-o a uma alte- ração da ponte de Varole. Para Charcot, o tremor da esclerose em placas é devido a existência de placas de esclero- se sobre o cylindro-eixo desprovido da sua bainha de myelina, donde intermittencia da corrente nervosa que parte do corpo do neuronio. 84 No começo do pre - sente anno, ao tomar- mos conta do serviço da segunda cadeira de Cli- nica Medica, encontra- mos, occupando o leito n°. 20 da enfermaria de S. Vicente, o doente de nomeC. F. L., brasileiro, pardo, com 35 annos de edade, solteiro, lavrador. Diagnostico— Escle - rose em placas. Antecedentes heredi - tarios sem importância para o caso. Antecedentes pessoaes —Confessou apenas ter tido sarampâo aos oito annos de edade. Moléstia actual—1 n - formou que em certo dia, cuja data não pode precisar, tendo ador- \ . . mecido completamente bom, foi surprehendido, durante a noite, por um ictus apoplectiforme, Traçado de ura caso de esclorose era placas (Hospital do Santa Izabei; 85 que o prostou oito dias sem sentidos, e que ao readquirir as suas faculdades observou que tinha uma paralysia da perna e do braço direito. De- pois de algum tempo, disse o infeliz doente, a paralysia desappareceu completamente, maselle nunca mais recobrou o seu estado normal. Queixava-se de uma terrível cephaléa, que o atormentava principalmente â noite. • Estido na occasião em que foi examinado no Hospital. Marcha espasmo - cerebellosa typica. Diffi - culdade extrema de levantar-se do leito e mo- vimentos involuntários da cabeça, dos lábios, do tronco e dos membros. Exaggero dos reflexos rotulianos e trepidação epileptoide. Signal de Babinski um pouco retar- dado. Tremor intencional, massiço, radicidary au- gmentando notavelmente sob a influencia das emoções e a extensão do movimento executado. Este tremor, cujo traçado obtivemos com muita difficuldade e trabalho, é o que ahi se achains- oripto. Pedimos ao doente para beber um cópo com agua e observamos que á medida que o cópo se approximava da cavidade buccal as oscillações do tremor augmentavam em numero e amplidão 86 e o liquido era projec-tado em differentes dire- cções. 0 doente tinha perturbações da mastiga- ção e da deglutição; a palavra era lenta, mono- tona, escandida, articulada com grande difficul- dade. Vivia sempre contente e esperançoso da sua próxima cura. Não tinha perturbações subje- ctivas da sensibilidade, e as perturbações obje- ctivas consistiam em uma ligeira confusão do frio com o quente e vice-versa. Apresentava apenas perturbações da vista, (dysclir •matopsia) Não havia nystagmus nem estrabismo. O doente veio a fallecer de uma affecção inter- currente (Beriberi). A autopsia não poude ser feita. HEMIPLEGIAS (SYNDROMA DE BENEDIKT) Uma hemiplegia qualquer pode ser prece- dida ou seguida de tremores; no primeiro caso diz-se que o tremor é pre-hemiplegico, no se- gundo, que é post-liemiplegico. Estes tremores, que só se produzem quando não lia rigidez mus- cular e também quando a paralysia não é fla- cida, podem se manifestar no repouso, simulan- do a paralysia agitante, ou durante os movi- mentos, imitando a eselerose em placas. Muitas vezes, quando o tremor tem o caracter intencional, é muito difficil o diagnostico com a eselerose em placas, pois nesta ultima affecção os reflexos tendinosos também são exaggerados. Neste caso, somente a pesquisa cuidadosa dos outros signaes permittirá a necessária dis- tineção. As oscillações deste tremor são rapidas, verticaes e regulares. O tremor nas hemiplegias é limitado ao lado paralysado e ataca de preferencia os mem- bros superiores. A pathogeniâ do tremor que acompanha as hemiplegias tem sido díversamente interpretada. 88 Nothnagel accredita ser elle produzido por alterações da cama optica ou da capsula in- terna. Kapler e Pick dizem que este tremor é uma consequência de irritações das fibras mo- toras . Demange e massalongo afnrmam ser elle de- pendente do estado de tonicidade dos músculos paralysados. Charcot, o emerito coripheu da neu- ropathologia, pensa ser este tremor devido a uma lesão das fibras do segmento posterior da capsu- la interna. Bénomina-se syndroma de Benedikt um com- plexo morbido constituído pela paralysia do motor occular çommum de um lado com hemi- plegia e tremor do lado opposto. A lesão anato- mica que determina este syndroma se assesta na parte interna e inferior dos pedúnculos cerebraes, na emergencia dos núcleos do nervo motor oc- cular commum. O tremor é um factor essencial e faz parte integrante do syndroma de Benedikt. Este tremor pode explodir conjunctamente com os outros symptomas ou então se manifestar tar- diamente, mesmo um anno depois do appareci- mento das primeiras manifestações evidentes de tão grave e terrível affeeçâo. Atacando de pre- 89 ferencia os membros superiores, elle pode se estender posteriormente aos inferiores, ao pes- coço e ao tronco. O tremor do syndroma de Benedikt pode apparecer somente no repouso, simulando o da paralysia agitante, ou durante os movimentos voluntários, com verdadeiro caracter intencional, simulando o da esclerose em placas. Esta ultima forma é a mais commum. Nem sempre o tremor deste syndroma é tão caracteristico: Em certos casos é fraco, inter- mittente, frustro, quasi imperceptivel. A pathogenia deste tremor é assumpto ainda muito controverso. Para Benedikt todas essas modalidades do tremor reconhecem por causa uma lesão pedun- eulàr, dependendo as diferentes variedades das manifestações do tremor da maior ou menor ex- tensão da lesão anatómica. Neste caso, conforme a lesão fosse mais ou menos extensa, verificar-se ia o tremor typo da esclerose em placas ou o da paralysia agitante. Gille de La Tourette affirma que o tremor do syndroma de Benedikt está, de facto, ligado a uma lesão assestada nes pedúnculos cerebraes, porém que elle é devido ao modo de agir do feixe pyramidal, que passa nos pés dos pedúnculos. 90 Assim, a localisacão peduncular sendo sempre a mesma, o tremor, por exemplo, sendo o typo paralysiaagifcante o feixe pyramidal seria apenas excitado, ao passo que o tremor simulando o da esclerose em placas, o feixe pyramidal seria destruido * PARALISIA GIRAL 0 tremor é umsymptoma essencial e muitas vezes precoce da meningo - encephalite intersticial chronica di/fusa. Phenomeno interessante, que imprime ao paralytico geral um aspecto origi- nal, elle ataca a lingua, os musculos da face, os membros superiores e os inferiores. A lingua sendo projectada para fóra da cavidade buccal apresenta movimentos desor- denados, verdadeiras oscillações de vae e vem. Charcot denominou-a lingua saltitante. E’muito commum a existência de tremor fibrillar da lingua e dos lábios. O tremor dos lábios e da lingua augmenta consideravelmente quando o doente procura fallar. A palavra do paralytico geral é tremula, hesitante, difficultosa e cara- cteristica. Na face o tremor interessa principalmente os musculos zygomaticos, os levantadores das azas do nariz, o orbicular etc. As mãos apre- sentam um tremor breve, rápido, vibratório, de oscillações pouco amplas e em numero de 8 á 9 por segundo. 92 Este tremor, que, em geral, é muito mani- festo e accentuadt , -.ode, em certos casos, tor- nar-se quasi imperceptivel. O doente tde paralvsia geral muito difficil- mente consegue escrever ou praticar qualqner acto que precise e reclame muitadelicadesa. Nos membros inferiores o tremor difficulta extraor linariamente a marcha. O r-pouso absoluto na maioria dos casos faz desapparecer o tremor da paralysia geral. Deiíange liga o tremor desta moléstia a uma lesão in itativa do córtex cerebral se transmit- tindo por via reflexa aos centros tonicos me- dullares. Em ura certo numero de affeções outras, principalmente quando ha lesão dos cordões lateraes da medulla, podemos encontrar tremores mais ou menos manifestos. Na moléstia de Friedreich existe muitas vezes um tremor especial com caracter inten- cional . Este tremor, mais accentuado nas mãos, augmenta de intensidade quando o indivíduo procura levar algum objecto á um ponto deter- minado. A mão do doente, como se observa na 93 esclerose em placas, hesita e oscilla muito antes de executar o movimento desejado. A esclerose lateral amyotrophica, a molés- tia de Little, a atropina muscular progressiva, os tumores medullares e cerebraes, podem, ainda que raramente, apresentar tremor como symptoma. 97 CHIMICA MEDICA I 0 perraanganato de potássio, cuja formula é KMnO4, é um corpo solido, crystallizado em agu- lhas prismáticas, de cor vermelha escura e refle- xos brilhantes. II Uma das principaes propriedades deste composto chi mico é a sua energia oxydante. III Antiseptico muito empregado em me- dicina principalmente nas blennorrhagias, é a substancia preferida para a cura desta moléstia pelo methodo de Janet. HISTORIA NATURAL MEDICA I A digitalis é uma planta herbacea da fa- mília das scrofulariaeeas. II Si bem que todas as partes desta planta sejam activas, as folhas são preferidas para o em- prego em medicina. III As folhas da digitalis, que devem ser conservadas em vasos hermeticamente fechados, alteram-se no fim de certo tempo, desvirtuando os effeitos maravilhosos do grande tonico do co- ração. 98 ANATOMIA DE8CRTPTIV í Os pedúnculos cerebraes são 2 grossos cordões brancos que se estendem da parte supe- rior da protuberância annular aos hemispherios cerebraes, onde se perdem. II Esses cordões se affastam progressiva - mente á medida que sobem para os hemispherios cerebraes, de modo a deixarem um espaço trian- gular denominado espaço interpeduncular. III Os pedúnculos cerebraes são divididos em duas porções pelo lo cais niger: uma superior, calotte, outra inferior, pé dos pedúnculos. HISTOLOGIA I A entidade anatómica denominada neu- ronio é constituida por um corpo cellular e pro- longamentos. II Os elementos que entram na composição do corpo do neuronio são os mesmos dos seus prolongamentos. III Ha apenas contiguidade e não conti- nuidade entre os diversos neuronios constituti- vos do sysihema nervoso. 99 PHYSIOLOGIA I 0 excesso de acido carbonico contido no ar expirado é ura producto de oxydação resul- tante das trocas organicas que se eflectuam na intimidade dos nossos tecidos. II Um adulto normal executa 18 movimen- tos respiratórios por minuto. / III O numero dos movimentos respira- tórios pode variar sob a influencia de diversas causas. BACTERIOLOGIA I O bacillo de Nicolaier é o agente produ- ctor do tétanos. II Este bacillo, que muitas vezes verifi- camos no campo do microscopio, se apresenta sob a forma caracteristica de um bastonnete alJongado, de extremidades arredondadas, muito semelhante a cabeça de um alfinete. III E’ um germen anaerobio e muito com- mum no sólo. 100 MATÉRIA MEDICA, PHARMACOLOGIA E ARTE DE FORMULAR I O laudano de Sydenham é uma composi- ção do opio que tem muito emprego em medi- cina. II Uma gramma deste preparado pharma- ceutico corresponde mais ou menos á 6 centi- grammos de extracto de opio ouájl centigrammo de morphina, III O laudano de Ròusseau é duas vezes mais activo que o de Sydenham; as gottas negras inglezas duas vezes mais que o de Ròusseau. ANATOMIA E PHYSIOLOGIA P ATHOLOGIC AS I Na esclerose em placas o processo ana- tomo-patiiologico ataca a bainha de myelina e conserva o cyliiulro-eixo. II As placas de esclerose se assestam irre- gularmente em pontos differentes do eixo cerebro espinhal. III Essas placas são achatadas, de uma cor cinzenta ou ligeiramente rosea, de dimensões variaveis, mais abundantes na substancia branca do que na cinzenta. 101 PATKOLOGIA MEDICA I A paralysia agitante é uma moléstia pró- pria dos individuos de edade superior â quarenta annos. II O tremor e a rigidez muscular são os symptomr s capitaes desta affe- cção. éf • III A marcha da moléstia de Parkinson é fatalmente chronica e progressiva. PATHOLOG1A CIRÚRGICA I Furunculo é uma pequena proeminência infiammatoria, vermelha, acuminada, dura, oceu- pando a pelle e o tecido cellular sub-cutâneo, em cujo centro existe uma. porção necrosada de te- cido denominada carnicão. II O staphylococcus pyogenes aureus é o agente ordinariamente responsável .polo furun- culo; o apparelhopilo-sebaceo é o logar de pene- tração do germen e o ponto primitivo do processo morbido. 4 III Anthraz é uma agglomeração de furun- eulos. 102 THERAPEUTICA I O methylarsinato de podio ou arrlienal ê um medicamento essencialmente util nos casos de tuberculose ou qualquer decadência organica, II . E’ também reputado succedaneo da qui- nina na cura do paludismo. III A dóse de arrhenád geral mente empre* gada é de 2 á 5 centigrammas por dia. OPERAÇÕES E APPARELHOS I A urethrotomia interna é lima operação que consiste em seccionar de dentro parafóraos estreitamentos urethraes por meio de instrumen- tos especiaes introduzidos na urethra. II O urethrotomo geralmente empregado é o de Maisonnaiyb. III Esta operação deve sempre ser seguida de dilatação lenta, progressiva e demorada do canal urethral. ANATOMIA MED1CO-C1RURG1CA I Chama-se mediastino um espaço corres- pondente á parte media da cavidade tlioracica e limitado: adeante pelo esterno; atraz pela co- lumna vertebral; aos lados pelas pleuras medi- 103 astinas; era baixo pelo diapliragma e era ciraa se eommunicando directamente com a região do pescoço. II A regiilo do mediastino é dividida pelo pediculo do pulmão em mediastino anterior e posterior. III Nos dois mediastinos estão contidos muitos orgãos de grande importância. MEDICINA LEGAL E TOXICQLOGIA I Segredo profissional é aquelle de que o medico se torna sabedor no livre exercício da sua nobre e sublime profissão. II Este segredo é uma bellalei moral e um dever legal da profissão medica que ninguém tem o direito de transgredir senão em condicções mui- to especiaes e excepcionaes. III O medico que, desviado dcs seus sac a- tissimos deveres, attentar contra a inviolabilidade dos segredos adquiridos no exercício do seu sa- cerdócio, incorre em um crime previsto pelo Co- digo Penal. 104 HYGIENE I Sanatórios são estabelecimentos em que se praticam as regras do tratamento hygienieo da tuberculose, II O local escolhido para fundação de um sanatorio deve ser muito salubre, distante dos centros populosos, jjossuir uma boa agua potável, ar puro e abundante e diversos outros requisitos reclamados pela hygiene. « III Erryim sanatorio só devem ser acceitos tuberculosos ainda curáveis, sendo que o nu- mero de doentes não poderá exceder ao indicado do.los médicos do estabelecimento. OBSTETRIQA I Menstruação é uma funcção inherente ao organismo feminino que consiste no escoamento periodico de uma certa quantidade de sangue pela vulva. II O apparecimento da menstrucção, que estabelece para a vida da mulher uma nova era, que denota a faculdade de reproducção do ser feminino, tem logar em geral dos 13 aos 16 annos 105 d& edade e varia sob a influencia de diversas causas. III Quando, em uma mulher virgem, o hymen não apresentar orifício natural, cabe ao medico praticar uma perfuração nesta membrana para que na epoca da puberdade se possa dar o corrimento menstrual. CLINICA PROPEDÊUTICA I Os ruídos de sopro percebidos pela au- scultação do coração são divididos em orgânicos e anorganicos. II Os sopros orgânicos, symptoma patlio- gnomonico de atíecções valvulares do coração, podem ser systolicos, dyastolicos oupresystolicos, con- forme o tepipo da revolução cardíaca em qpç_se produzem. III A insuffciência mitral se traduz â au- scultação por um sopro -systolico, com propaga- ção axillar, tendo sèu máximo de intensidade na região da ponta, para baixo e para fóra do ma- millo. CLINICA CIRÚRGICA 2a CADEIRA Os kystos sebaceos são tumores produzidos pela retenção dos produetos de secreção das glan- 106 dulas sebaceas, em virtude da obliteração do seu canal excretor. > II Elles se apresentam sob a forma de um pequeno tumor hespherico, regular, movei, de volume variavel e facil diagnostico. III A ablação é o unico remedio radical contra o kysto. CLINICA CIRÚRGICA 1». CADEIRA I A osteomalacia é uma moléstia caracte- rizada pelo amollecimento dos ossos do esqueleto. II Ella é produzida pela reabsorpção dos saes calcareos da substancia ossea e pela decal- cificação das suas trabéculas, em virtude de uma grande perturbação nutritiva dos ossos. III Extremamente rara no homem, a osteo- malacia é uma affecção própria do sexo feminino e sempre de gravidade excepcional. CLINICA MEDICA 2». cadeira I A ankylostomiase é uma affecção para- sitaria determinada pelo distoma ankylostoma. II O thymól, em dóses massiças, passacomo sendo o medicamento especifico desta moléstia. 107 UI Actualmente estabelecem a possibili- dade da larva desse parasita penetrar pela pelle e fazer o seu trajecto até o apparelho digestivo. CLINICA MEDICA 1*. CADEIRA I O heriberi é uma affecção de natureza toxi-infectuosa em cujo estudo se tem salientado grande numero de médicos brasileiros. II O reforço do 2o. tom pulmonar ou signal de Skoda foi verificado no beriberi pela primeira vez pelo Doutor Francisco de Castro; as formas clinicas foram estudadas pelo Doutor Silva Lima. III A marcha em steppage, o signal de Wes- tphall e o de Romberg são symptoinas de alto valor no diagnostico do beriberi. CLNICA DERMATOLÓGICA E SYPHIL1GRAPHICA I A syphilis é uma moléstia geral, eminen- temente contagiosa e hereditária. II Acredita se que o tabes dorsualis seja uma affecção para-syphilitica. III As manifestações da syphilis no sys- thema nervoso são sempre gravíssimas e recla- mam tratamento muito energico. 108 CLINICA OPHTÁLMOLOGICA I Nystagmus são pequenos movimentos os- cillatorios rápidos e rbythmicos do globo occular. II Esses movimeutos dos olhos, que de or- dinário só se fazem no sentido horisontal, cessam durante o somno e augmentam sob a influencia de certas emoções ou com o esforço empregado pelo doente para detel-os. III O nystagmus pode ser adquirido; é então profissional ou idiopathico, ou symptomatico de affecções diversas dos centres nervosos, como a hysteria, a esclerose em placas e muitas outras. CLINICA PED1ATRÍCA I As gastro-enterites infantis são perturba- ções muito frequentes e susceptiveis cie tomar um caracter grave. II Elias são sempre determinadas pela acção dos alimentos de má qualidade sobre a mucosa digestiva da creança. III O leite deve ser a unica alimentação das creanças durante um certo numero de mezes. CLINICA OBSTÉTRICA E GYNECOLOGICA I O sacco das aguas desempenha papel im- portantíssimo no mechanismo do parto. 109 II Elle auxilia poderosamente a dilatação do orifício uterino, provoca contracções e, se- gundo alguns auctores, concorre também para dilatar a vagina e a vulva. III A ruptura do sacco das aguas dá-se em um periodo muito adeantado do parto, quando o orifício uterino já está quasi completamente dila- tado. Algumas vezes, porém, elle pode se romper precocemente. CLINICA PSYCHEIATICA E DE MOLÉSTIAS NERVOSAS I A mania das grandezas é a forma mais frequente do delirio da paralysia geral progres- siva. II Em um certo numero de paralyticos ge- raes essa megalo-mania caracteristiea é substi- tui d a por delirio de perseguições ou idéas de me- lancolia. III As allucinações tem sido também obser- vadas no curso da paralysia geral. BlâLlÔQHÂFHlà Bouchard—Pathologie Genei ■ale. Charcot, Bouchard, Brissaud— Traité de Medicine. Achard, Brouardel et Gilbert—Traité de Me- dicine . Charcot—Leç.ons de Mardi d la Salpêtnére. Charcot—Mcdadies du Systéme Nerveux. Brissaud—Leçons sur les Mcdadies Nerveuses. Grasset—Clinique Mediccde. Grasset—Les Maladi.es de VOrientation et de VEqui- libre . André—Nouvelles Mcdadies Nerveuses. Rendu—Clinique Mcdicale. Jaccoud—Traité de Pathologie Interne. Huchard et Axenfeld—Traité des Necroses. Deboye et Achard—Manuel de Diagnostic Me- dicai . Mayet—Diagnostic Medicai et Semeíologie. BíjOCQ Onanoff—Semeíologie et Diagnostic des Ma- l a dies Nem 'eu ses. Rogues de Fursac—Manuel de Psychiatrie. Gilles de la Tourette —Traité de VEysteric PlTRES—Leçons Cliniques sur VHysterie. 111 Achille Souques—E’tule sur les Synãromes Hyste- riques «Simulateurs». Feré—Patholoqie des Emotions. Ribot—Psychologie des Sentiments* Létourneau—Physiólogie des Passions. Mosso—La Peur. Qrasset — L’Hypnotisme et Jg Suggestioa. Dr. Alurralde—Actos e Tràbajos dei Segundo Congresso Medico Latino Americano—Buenos Aires. Dr. Emílio Bondenari—Clasificaciòn y Fisio— ■gatologia de los Temblores—Bwnos Aires — 1904. Fernet — The se de Paris—1872. Dutil—Tremhlements ffysteriques ('11/esc—Paris— 1891.) '¥'■ / 4 / mo-. decretaria da Faculdade de Medicina da Bahia, 2o de Outubro de 1905. 0 Sk(vretatv'[o. Dr. Menandro dos Beis Meirelles.