\ DO ;r. Hujusfo ff*sar &e ffreitcis DISSERTAÇÃO CADEIEA DE CLINICA MEDICA TRATAMENTO DAS NEVRITES PELA ELECTROTHERAPIA PROPOSIÇÕES Três sobre caia uma ias caieiras io cnrso ie sciencias médicas e cirnrpas TEESE APRESENTADA Á FACULDADE EE MEBICINA E BE FHAEMAC1A DO HIO BE JANEIRO EM 6 DE OUTUBRO DE 1896, E SUSTENTADA' fcM 14 DE JANEIRO DE 1897 PERANTE S. EX.a O SR. VICE-PRESIDENTE D^ REPUBLl Dr. Manoel Victorino Pereira PELO Df, Augusto km de NATURAL DA CAPITAL FEDERAL Bacharel em sciencins e lettras pelo Externato do Gymnasio Nacional. Ex-interno da Ia cadeira de Clinica Medica da Faculdade (1895-1897). Ex-interno do Estabelecimento Hydro e Electrotherapico dos Drs. Avellar Andrade e Werneck Machado (1892-1896). Ex-socio effectivo e membro da commissão de Medicina do Grêmio dos Internos dos Hospitaes. Sócio honorário do mesmo Grêmio, etc. FILHO LEGITIMO DO ^Brigadeiro Cacharei Francisco Çjymes de Çfreifas E fntilía ingttsfo ira Wonstüx Jf reiias APPROVADA PLENAMENTE -----------■»« i «»»----------- RIO DE JANEIRO Papelaria Mendes, Marques & C.—Rua do Ouvidor n. 38 1897 SURGEONGENFRAíV^p. — Q ÍPüQ Ficuliii: de Medicina e t; Pharmacia io Rio áe Janeiro DIRECTOR —Dr. Albino Rodrigues de Alvarenga. VICE-DIRECTOR — Dr. Francisco de Castro. SECRETARIO — Dr. Antônio de Mello Muniz Maia. LENTES CATHEDRATICOS Drs. : João Martins Teixeira.................. Physica medica. Augusto Ferreira dos Santos............ Chimica inorgânica medica. João Joaquim Pizarro.................. Botânica e zoologia médicas. Ernesto de Freitas Crissiuma.......... Anatomia descriptiva. Eduardo Chapot Prevost............... Histologia theorica e pratica. Arthur Fernandes Campos da Paz....... Chimica orgânica e biológica. João Paulo de Carvalho................ Physiologia theorica e experimental. Antônio Maria Teixeira................. Matéria medica, Pharmacologia e arte de formular. Pedro Severiano de Magalhães.......... Pathologia cirúrgica. Henrique Ladisláo de Souza Lopes...... Chimica analytica e toxicologica. Augusto Brant Paes Leme.............. Anatomia medico cirúrgica. Marcos Bezerra Cavalcanti.............. Operações e apparelhos. Antônio Augusto de Azevedo Sodré..... Pathologia medica. Cypriano de Souza Freitas............. Anatomia e physiologia pathologicas. Albino Rodrigues de Alvarenga......... Therapeutica. Luiz da Cunha Feijó Júnior............ Obstetrícia. Agostinho José de Souza Lima......... Medicina legal. Benjamin Antônio da Rocha Faria...... Hygiene e mesologia. Antônio Rodrigues Lima............... Pathologia geral. João da Costa Lima e Castro........... Clinica cirúrgica — 2? cadeira. João Pizarro Gabizo................... Clinica dermatológica e syphiligraphica. Francisco de Castro.................... Clinica propedêutica. Oscar Adolpho de Bulhões Ribeiro..... Clinica cirúrgica — Ia cadeira. Erico Marinho da Gama Coelho........ Clinica obstetrica e gynecologica. Hilário Soares de Gouvêa.............. Clinica ophthalmologica. José Benicio de Abreu................. Clinica medica— 2a cadeira. João Carlos Teixeira Brandão.......... Clinica psychiatrica e de moléstias ner- vosas. Cândido Barata Ribeiro................ Clinica pedriatica. Nuno de Andrade...................... Clinica medica — Ia cadeira. LENTES SUBSTITUTOS Drs.: Ia Secçâo............................ Tiburcio Valeriano Pecegueiro do Amaral. 2a „ ........................... Oscar Frederico de Souza. 3* • >■> ■ ..........•................. Genuino Marques Mancebo e Luiz Antônio da Silva Santos. 4? „ ............................ Philogonio Lopes Utinguassú e Luiz Ri- beiro de Souza Fontes. 5a ,,............................ Ernesto do Nascimento Silva. 6? „ ........................... Domingos de Góes e Vasconcellos e Fran- cisco de Paula Valladares. 7a ,, ........................... Bernardo Alves Pereira. 8a ,, .......................... Augusto de Souza Brandão. 9a ,, ............................ Francisco Simões Corrêa. 10? „............................ Joaquim Xavier Pereira da Cunha. 11? „ ••.......................... Luiz da Costa Chaves Faria. 12a ,,............................ Mareio Filaphiano Nery. N. B. A Faculdade não approva nem reprova as opiniões emittidas nas theses que lhe são apresentadas. ANTELOQUIO RATAMENTO DAS NEVRITES PELA ELECTRO- THERAPIA, eis o pontoescolhidopara disser- tação da nossa these inaugural. Interno, desde o nosso 2" anno, de clinica de moléstias nervosas no Estabele- cimento Hydro e Electrotherapico dos Drs. Avellar Andrade e Werneck Machado, e empregando quasi que diariamente no tratamento das nevrites a electri- cidade, fomos tomado de verdadeiro enthusiasmo por esse methodo, pelo resultado sempre feliz e em pouco prazo por elle operado. Mais tarde, sendo interno da Ia cadeira de clinica medica (50 e 6o annos) vimos confirmadas as nossas observações nos doentes da 8a enfermaria do Hospital da Misericórdia. II Não apresentamos um trabalho novo, nada avan- çamos ao que já existe estabelecido em nturo-patho- logia e electrotherapia e relativamente a esta — seja dito de passagem — tudo está ainda por fazer. O valor deste trabalho é todo pratico. Calcado sobre observações pessoaes consciente e minuciosa- mente confeccionadas, elle salienta dois pontos impor- tantes:— i° que no tratamento das nevrites, a electri- cidade emprega-se em qualquer circumstancia, salvo quando ha reacção febril franca ou phenomenos de hyperemia muito considerável; 2° que no tratamento, pela electricidade, dos membros superiores ou inferiores acommettidos de nevrites, é de boa regra fazer preceder á applicação dos membros a voltaisação descendente do rachis afim de apressar a cura e im- pedir a degeneração ascendente. O nosso trabalho é dividido em duas partes, comportando a 2a três capítulos. Na Ia parte — estudamos o tratamento medico propriamente dito; na 2a occupamo-nos com o trata- mento electrico, dissertando. No i° capitulo sobre os principaes effeitos do fluido electrico; condições a preencher no seu emprego; theorias que explicam a sua acção no organismo ; methodo a seguir; dosagem e duração das sessões. No 2o capitulo tratamos dos apparelhos e processos de technica empregados, referindo as in- dicações e contra-indicações da electrotherapia nas nevrites. III No 3° capitulo apresentamos uma série de 16 observações cuidadosamentecolhidas no nosso tirocinio acadêmico. Antes de terminar cumprimos um dever deixando aqui consignada a nossa eterna gratidão aos illustres clínicos e distinctissimos amigos Drs. Avellar Andrade e Werneck Machado pela amizade ecarinho que sempre nos dispensaram durante o nosso internato no seu Estabelecimento. Rendemos, outrosim, homenagem ao talento brilhante e profunda erudição do nosso illustrado mestre o Exm. Sr. Conselheiro Dr. Nuno de Andrade, a cujas sabias lições devemos a orientação do nosso espirito em medicina. DISSERTAÇÃO PEJMEIRA PAUTE Tratamento medico das nevrites CAPITULO i SUMMARIO :— Tratamento das nevrites pelos meios médicos propriamente ditos. Classi- ficações das nevrites. Nevrites tóxicas; infecciosas; dyscrasicas e traumáticas e a f vigore. Vantagens do iodurKo de potássio, de sódio ; da ergotina; da strychnina ; dos linimentos calmantes e excitantes ; dos analgésicos e antipyreticos ; dosrevulsivos ; da massagem e da hydrotherapia, no tra- tamento das nevrites. I Si lançarmos uma vista retrospectiva para o estudo das affecções nervosas periphericas, veremos que em um passado não muito remoto, ha pouco mais de um quarto de século, talvez, os neuro-pathologistas preoccupados com os estudos das lesões nervosas cen- traes, descuidavam-se da rede peripherica, e todos os phenomenos mórbidos que se passavam na esphera -- 4 — dos conductores nervosos eram referidos a causas centraes — era nos centros cerebraes ou medullares que elles iam buscar a sua explicação. A physiologia do systema nervoso peripherico não estando ainda desvendada, as nevnpathias não tinham o direito de figurar no quadro das affecções nervosas. Mais tarde, porém, a anatomia pathologica de- monstrou de modo eloqüente, na mudez expressiva das necropsias, a perfeita integridade dos centros nervosos (medulla e encephalo) em indivíduos consi- derados em vida soffrendo daquelles centros ; a expe- rimentação physiologica, no silencio dos laboratórios provou aos experimentadores a possibilidade de se lesar os nervos periphericos, determinando em animaes paralysias e atrophias musculares semelhantes ás que se observava na clinica sem que os centros nervosos fossem lesados. Estes factos operaram uma revolução benéfica na Pathologia Nervosa; a autonomia dos conductores ner- vosos foi estabelecida e pesquizas posteriores, pacien- temente feitas, trouxeram um grande contingente ao estudo das affecções nervosas periphericas. Muita cousa ha ainda a fazer-se; em muitos pontos da patho- logia nervosa peripherica nota-se ainda confusão e algumas questões, mesmo, ainda esperam solução. Si é verdade, porém, que a neuro-pathologia realizou conquistas importantes nesses últimos annos, á frente das quaes se acha a degeneração nervosa tão bem estudada por A. Waller, a therapeutica não acompanhou-a nesse terreno. — 5 — Muito limitados são os recursos que ella fornece á Pathologia Nervosa. Não devemos, comtudo, des- animar — muitos obstáculos têm sido removidos com os auxilios therapeuticos que possuímos—e, com ardor ao estudo, com o máximo rigor na investigação cuida- dosa dos factos, poderemos, em futuro não muito longínquo, remover do horizonte scíentifico a densa nebulosidade que ainda vela certas questões e deste modo augmentar os recursos therapeuticos, hoje tão exíguos. Tendo de encetar o estudo do tratamento das nevrites e, variando este conforme a natureza da nevrite, a sua fôrma, localização, etc, deveríamos apresentar uma classificarão das nevrites. Muitas classificações têm sido propostas sem que, entretanto, uma só satisfaça cabalmente. Assim é que alguns autores, tomando para ponto de partida a intensidade do processo pathologico, dividem as ne- vrites em agudas, sub-agudas e chronicas ; outros em — locaes e ^eraes — baseando-se na extensão do processo mórbido. São ainda divididas em intersticiaes e parenchy- matosas, segundo o gráo da lesão anatomo-patholo- gica que apresentam. As nevrites têm ainda sido diversamente no- meadas conforme os filetes lesados: nevrite do radial, -do sciatico, do facial, etc. Outros baseando-se na etiologia admittem, de um modo geral, quatro grandes classes: nevrites tóxicas, infecciosas, dyscrasicas e traumáticas, conforme faz A. —2 — 6 — parte da etiologia da nevrite um agente tóxico, infec- cioso, um traumatismo ou se trate das nevrites que apparecem no curso das diversas dyscrasias e por ellas provocadas. Na ausência de uma classificação perfeita e dei- xando de considerar as nevrites secundarias, isto é, as que apparecem como a conseqüência da propagação das lesões centraes para a rede peripherica, nós, com a maioria dos autores, acceitamos até segunda ordem, esta ultima classificação. Dividindo, pois, as nevrites em quatro grandes grupos — nevrites tóxicas, infecciosas, dyscrasicas e traumáticas — estudaremos separadamente a thera- peutica que convém seguir em cada uma dellas. II No tratamento das nevrites tóxicas a primeira indicação a preencher é a suspensão ou a eliminação prompta do tóxico do organismo. No caso de tratar-se do álcool basta-nos aconselhar ao doente a abstenção das bebidas alcoólicas. Quando, porém, se tratar de agentes mais perigosos (chumbo, arsênico, etc.) devemos eliminar de modo rápido e por completo taes substancias do organismo e, nesse caso, recorreremos aos eliminadores — vomitivos e purga- tivos. A intoxicação nem sempre é aguda, revelando-se por phenomenos estrepitosos que reclamam uma in- tervenção prompta. Muitas vezes o indivíduo que se intoxica absorve lentamente a substancia tóxica que se vai localizar em troncos nervosos de maior ou menor extensão, determinando paralysias e atrophias musculares mais ou menos pronunciadas. O medico, nessas condições, deve tratar de exonerar o agente nocivo do organismo do seu doente e consegue esse desideratum desde que facilite a sahida do tóxico pelos emunctorios naturaes: pelle, mucosas, rins, etc. O regimen lácteo nesses casos tem um valor extraordinário nutrindo o doente, augmentando a diurese, facilitando a eliminação da substancia tóxica. O medicamento empregado com grande van- tagem, para esse fim, é o iodureto de potássio. Como age o iodureto de potássio sobre o systema nervoso ? A sua acção physiologica sobre este systema da economia ainda não está perfeitamente estabelecida para que possamos deduzir alguma cousa nesse sen- tido. A acção benéfica do iodureto de potássio nas paralysias tóxicas só pôde ser explicada appelando-se para o auxilio que este medicamento presta á elimi- nação do tóxico. Elle é devolvido em sua maior parte (os dois terços) pela urina, em estado de iodureto de sódio, e o restante passa pela saliva e pela superfície das mucosas, irritadas muitas vezes pelo iodo que se desprende em natureza, determinando a fluxão tão conhecida para estas mucosas, nos casos de iodismo. O iodureto de potássio, na estima dos observa- dores, é administrado com vantagem nas nevrites — 8 — alcoólicas. Nós nunca tivemos o ensejo de verificar, e no doente da observação VI este medicamento foi associado a outros meios, o que nos deixou na impos- sibilidade de só concluir em favor delle. E' empregado com resultados admiráveis nas nevrites saturninas, próprias dos pintores e dos indi- víduos que manipulam o chumbo*ou os seus compostos. O doente da observação XVI que havia seguido um tratamento longo e variado, obtendo pouco resul- tado, começou rapidamente a melhorar depois que entrou em uso do iodureto de potássio. Póde-se administrar este composto sob varias fôrmas pharmaceuticas: vinho, xarope, poção, etc. Ha, porém, um meio que, tornando-o de fácil ingestão, permitte ao medico dosal-o com precisão. Esse meio é a solução daquelle sal em água distillada ou em tinturas amargas. O iodureto por essa fôrma é prescripto ás gottas em um cálice dágua ou de vinho, ás refeições, estabe- lecendo-se a dosagem de accôrdo com o titulo da solução e o numero de gottas empregadas. Nas nevrites saturninas são também empregados com proveito os banhos sulfurosos em temperatura elevada Ouvimos de um distincto clinico a narrativa do caso de um seu doente que, acommettido de satur- nismo, foi sujeito ao uso dos banhos sulfurosos com resultado admirável. O doente, ao sahir do banho, notava em diversas partes do corpo manchas pretas que a principio o impressionaram muito. Estas manchas eram devidas ao sulfureto de chumbo, formado pelos — 9 — , vapores sulfurosos em presença do chumbo eliminado pela superfície cutânea. O iodureto de potássio ainda é favoravelmente utilisado nas nevrites arsenicaes e em outras nevrites tóxicas. III No tratamento das nevrites infecciosas o cuidado do medico consiste em supprimir a infecção, removendo o doente para ponto distante do foco morbigenico, (paludismo) ou atacando pelos meios ao seu alcance a infecção e suas conseqüências (syphilis, tuberculose, diphteria, etc.) Nas nevrites de origem palustre é dever do clinico aconselhar ao doente a sua retirada do sitio conta- minado e submettel-o ao uso dos diversos saes de quinina e preparados de quina. Quando os indivíduos se apresentam enfraque- cidos, minados por cachexia profunda, é mister admi- nistrar-lhes, além dos preparados quinicos, os tônicos e reconstituintes diversos, como os arsenicaes, os ferru- ginosos, os preparados de manganez, os ioduretos em dose tônica, a hydrotherapia e um regimen alimentar sa.dio. Nas nevrites beribericas, o tratamento é idêntico ao das nevrites palustres, tendo nesse caso grande valor a remoção do doente para logar diverso daquelle era que contrahiu a moléstia e principalmente as viagens por mar. — IO — Nas nevrites syphiliticas, recorreremos aos espe- cificos iodureto de potássio e mercuriaes. Quando a nevrite apparece em um tuberculoso, reconhecendo em sua etiològia ..a affecção geral do doente, recorreremos á medicação especifica — creo- soto, gaiacol, etc,— a par de uma alimentação sadia e de um regimen hygienico racional. Nos casos em que as nevrites apparecem como conseqüência de febres graves ou outras infecções como : a febre typhoide, a varíola, a febre amarella, a infecção puerperal, a diphteria, o typho exanthematico, etc, etc, devemos combater as infecções assignaladas e tonificar em seguida os indivíduos depauperados por meio dos tônicos e reconstituintes. IV E' muito commum o apparecimento de nevrites no curso das differentes dyscrasias. Estas, empobrecendo o sangue, diminuem as resistências do organismo, que se vai enfraquecendo, tornando-se mais apto a >er preza de infecções diversas e a soffrer mais de perto as influencias nocivas dos resfriamentos. Nesse terreno assim cultivado, não é raro ver-se medrar nevrites que affectam formas e caracteres interessantes. Estas nevrites que, para uns são attribuidas ao frio, que encontrando um organismo cuja rede nervosa — II — peripherica, achando-se em condições de pouca resis- tência, é facilmente influenciada pelos resfriamentos diversos, para o professor Bouchard são o resultado de auto-intoxicações. Elle explica o facto dizendo que, em virtude de uma nutrição lenta, retardada, as substancias elaboradas no organismo, não sendo eli- minadas pelos emunctorios naturaes a \ roporção que se vão formando, são retidas nesse organismo, dando logar a intoxicações diversas. Tal é a origem das nevrites : diabética, gottosa, rheumatica, dos chloro- ticos e anêmicos, etc. No tratamento da nevrite gottosa lançaremos mão dos alcalinos: o bicarbonato de sodio, os ioduretos de potássio, de sodio, de cálcio, de stroncio ; os saes de lithio, a piperazina, etc. 'Para combater a nevrite rheumatica empregamos o salicylato de sodio, o iodureto de potássio, os alcalinos, os arsenicaes, os banhos sulfurosos, etc De que modo actúa o iodureto de potássio na cura da nevrite rheumatica? Ainda não sabemos de modo categórico e o mais que podemos avançar é que elle aproveita facilitando a absorpção dos productos inflammatorios, isto é, como antiplastico. No doente da observação V empregamos com vantagem o iodureto de potássio por meio da electri- cidade. As observações IV e V são interessantissimas porquanto a nevrite isolada do circumflexo de causa rheumatica é rara. O professor Tillaux, em seu livro, diz que um traumatismo quasi sempre é a causa deter- minante. —- 12 -- Nos estados de anemia, chlorose, cachexias di- versas em que sobrevem nevrites, empregamos com vantagem os arsenicaes, os ferruginosos, os'amargos, asinhalaçõesdeoxygenio, o regimen hydrico, etc, etc. V Nas nevrites que resultam da acção de -uma trauma qualquer sobre o nervo, devemos recorrer ás fricções com os linimentos excitantes, álcool campho- rado, etc, ou procederá massagem da região affectada e á electrisação. A observação XIII refere o caso de uma nevrite consecutiva á compressão por apparelho cirúrgico, curada só pelo emprego da electricidade. Alguns autores adoptam mais uma classe'de nevrites a que denominam — nevrites afrigore— pela freqüência em encontrarem o frio na etiologia destas nevrites. A questão de saber-se si o frio, só por si, é capaz de determinar nevrites tem soffrido longas discussões. Hoje, appellando para os conhecimentos que a Pathologia Geral nos ministra, não podemos acceitar o frio como agente determinante das nevrites. Assim nos pronunciando não desprezamos por completo este factor physico quando estudamos a etiologia de uma nevrite; pelo contrario, damos-lhe todo valor, considerando-o, porém, como causa occa- sional. Babinsky mesmo diz que o frio humido pôde provocar exclusivamente, por sua acção própria, lesões — 13 — dos nervos, mas que é bem possível que não seja mais do que causa occasional. Para os casos em que o frio determina manifes- tações inflammatorias para os nervos, nós admittimos que se dê para o organismo uma auto-intoxicação pro- duzida pela alteração dos plasmas cellulares cuja funcção se altera por effeito do frio, dando como resultante final a formação de productos tóxicos para a vida das próprias cellulas. Outras vezes o frio favorece a explosão de uma infecção de origem externa qualquer, que esteja á espera de opportunidade para installar-se na rede peripherica, e ainda muitas vezes o frio assccia-se á compressão exercida sobre os filetes nervosos para lesal-os, como vemos nas observações colhidas pelo professor Duchenne (de Bologne). VI Tendo estudado a therapeutica empregada nas diversas classes de nevrites, resta-nos fallar de alguns medicamentos que são ainda empregados com van- tagem no tratamento destas affecções. Na phase inicial da nevrite, o nosso illustrado mestre, professor Nuno de Andrade, aconselha sempre que possível for, o emprego de um medicamento vaso- constrictivo, afim de diminuir a tensão sangüínea nos vasa-nervorum, enfraquecendo dest'arte a phlogose do nervo. O vaso-constrictivo por elle empregado é — a ergo tina. A.—3 — 14 — Outro medicamento muito empregado pelos clí- nicos fluminenses é a noz-vomica e o seu principio activo — a strychnina. As experiências recentes da Therapeutica provam que a strychnina tem acção excitante especial sobre as extremidades dos nervos sensitivos e sobre os nervos de sensibilidade especial, não exercendo, porém, acção directa sobre os nervos motores e os músculos. Por sua acção physiologica, parece só dever ser empregada nos casos em que ha certo entorpecimento da sensibilidade. O emprego da strychnina tem soffrido restricções nesses últimos tempos, e o fallecido professor Martins Costa já condemnava o uso deste medicamento entre nós, uso que chegava até o abuso, sendo muitas vezes prejudicial ao próprio doente. A strychnina sendo um amargo pôde, entretanto, ser empregada (em pequeninas doses para activar a digestão. Produzindo a anemia do tubo gastro-intestinal (Berlioz) pela constricção que produz nas arteriolas,. determina contracções nesse tubo, favorecendo os phenomenos da digestão. VII A dor, a hyperemia e a elevação thermica que accommettem os nevriticos são vantajosamente com- batidas por meio dos analgésicos e antipyreticos conhecidos: antipyrina, exalgina, phenacitina, chloral, etc, etc — i5 — Quando esses meios não bastam, resta-nos o recurso dos revulsivos. Resultados brilhantes têm sido obtidos com o emprego da revulsão e conferiram a esse meio um logar de honra na therapeutica. Todos os revulsivos têm sido empregados, desde os que produzem simples rubefacção da pelle até os que determinam mortificação mais ou menos profunda dos tecidos. Fricções com substancias excitantes ou irritantes, como therebentina, pipi, noz-vomica, etc; vesicatorios volantes de ammonea, o emplastro de cantharidas, etc. Hoje o processo mais limpo, mais empregado e que melhores resultados produz, é a cauterisação pelo thermo-cauterio de Paquelin. A cauterisação pôde ser feita em raias e é dita transcurrente, -ou sob a fôrma de pontos mais ou menos próximos e é chamada pontuada ou simplesmente pontas de fogo. O emprego do thermo-cauterio feito a tempo e convenientemente, previne as varias conseqüências das nevrites, combatendo o estado agudo da phlogose e alliviando a dor. O doente da observação IV obteve allivio prompto e melhoras rápidas com o emprego da cauterisação pontuada. VIII Nas nevrites chronicas em que ha necessidade de levar aos nervos lesados e aos músculos atrophiados um estimulo muito grande, empregamos com feliz resultado a massagem. — i6 — A massagem feita sobre a parte doente amacia a pelle e determina um affluxo de sangue maior, augmen- tando a circulação e portanto a calorificação locaes o que torna a nutrição da parte mais activa. As fibras musculares sob sua influencia contraem-se com mais energia e augmentam de volume. Mitchell, que estudou com cuidado os effeitos da massagem, observou que muitas vezes os músculos que não reagiam á electricidade antes de soffrerem a mala- xação, eram facilmente excitados depois de massados. IX Ainda possuimos um recurso heróico para debellar as nevrites — a hydrotherapia. O estudo detalhado do seu emprego, a descripção dos apparelhos e a technica seguida nas applicações hydricas dariam assumpto para uma these. Não podendo entrar em miudezas, diremos de um modo geral — deixando de parte os effeitos par- ticulares que a água possue em tal ou qual caso, administrada desta ou daquella fôrma—que os effeitos principaes da hydrotherapia nos casos de nevrites, são de duas ordens: calmantes, sedativos, quando se considera o estado agudo da nevrite e excitantes, tônicos reconstituintes, quando se considera o estado de nevrite chronica. No primeiro caso as duchas mornas, quentes, fumi- gatorias, de vapor e escossezas têm inteira indicação. No segundo caso por nós considerado, as duchas frias geraes ou localisadas, os banhos de mar, as - 17 — compressas frias, etc, são empregadas com brilhante resultado. Na practica, associa-se commummente a hydro- therapia aos outros meios de tratamento e as nossas observações confirmam esta asserção. X Temos passado successivamente em revista os diversos agentes da matéria medica que têm sido empregados na cura das lesões nervosas periphericas. D'entre esses agentes, alguns attenuam certos sym- ptomas ; outros actuam como específicos em relação ao elemento etiologico productor do processo mór- bido ; outros por sua vez curam a lesão nervosa quando ainda não existem alterações anatomo-patho- logicas profundas. Havendo, porém, degeneração nervosa, é mister um agente mais enérgico que restrinja a marcha invasora do processo pathologico, impedindo a sua propagação a uma zona mais extensa e evitando as conseqüências que lhe são corollario. Pois bem. O agente que realiza esse effeito enérgico, poderoso, é a electricidade — esse fluido maravilhoso que impulsionando a Industria e desven- dando novos horizontes á Sciencia, prophetisa para a Humanidade uma éra de luz, grandeza e opulencia. Esse mesmo fluido que nas mãos de Rcentgen acaba de revelar o que se passa atravez dos corpos opacos — enfim, a pedra angular da therapeutica nervosa. SEGUNDA PAUTE CAPITULO I SUMMARIO :— Considerações sobre o fluido electrico no tratamento das nevrites. Seus principaes effeitos. Condições a preencher para o triumpho da electricidade na cura destas affecções. Principaes theorias ado- ptadas para explicar o seu modo de actuar. Methodos a seguir no seu emprego. Do- sagem do fluido electrico. Duração das sessões. I A applicação da electricidade ás sciencias médicas, a sua introducção na Therapeutica foi uma brilhante conquista para a Medicina. E' um agente da matéria medica que gosa de valor inestimável na cura das moléstias, principalmente do systema nervoso. A electrotherapia encerra em si toda uma série de. indicações — ella pôde figurar, e com 13 -- 20 -- reaes vantagens, em quasi todos os grupos medica- mentosos das classificações therapeuticas. Não raro vemol-a agir aqui como hyposthenisante poderoso, alli como excitante efficaz, acolá como antiphlogistico, mais além como congestionante, etc, etc. Applicada ás lesões nervosas periphericas, mani- festa effeitos múltiplos e salutares. Assim é que a vemos levar a nutrição ás fibras musculares que se apagam em uma atrophia lenta; excitar as zonas cutâneas interceptadas dos centros nervosos por anes- thesia rebelde ; remover a serosidade que imbebendo as malhas do tecido conjunctivo frouxo, constitue os cedemas tão communs nas nevripathias e impedir a marcha invasora da degeneração nervosa. Si considerarmos os seus effeitos sobre outros territórios da neuropathologia, vamos vel-a descarregar o exceso de fluido que agita violentamente o systema nervoso nas crises que acompanham as grandes ne- vroses e ainda nos casos extremos em que a vida parece abandonar o corpo (accidentes de anesthesia cirúrgica, commoções violentas, etc), a electricidade rehabilita esse corpo inerte, frio e quasi morto, fazendo voltar a elle o movimento, o calor e a vida. No tratamento das nevrites podemos empregar o fluido electrico sob as duas fôrmas com que elle se apresenta — dynamica e estática. A primeira destas fôrmas se subdivide ainda em galvanica ou voltaica e faradica conforme são empre- gadas as correntes continuas ou as induzidas. Differentes processos variando conforme o caso -- 21 -- em presença e o effeito a obter encerra cada uma destas formas. O fluido electrico, relativamente a sua acção physio-therapeutica, age de modo diverso no orga- nismo de accôrdo com a natureza da fonte productora. Pelo que deixamos dito vê-se que a electricidade é um recurso therapeutico preciosíssimo, um meio heróico. Para que triumphe,porém, na practica é mister ser prescripto com toda a circumspecção, manejado com toda a cautela. Não é raro ouvir dizer-se: a electricidade é um recurso inesgotável para a cura das moléstias incurá- veis. Quando o medico, cansado de presci ever tudo para o seu doente, não obtem resultados, envia-o para uma casa em que haja iíistallação de apparelhos electricos, e convencendo-o de que só a electricidade aproveitará no seu caso, deixa que o pobre doente vá renovando indefi- nidamente assignatwas, ficando assim livre de um doente massante. Este facto infelizmente se dá e por isso é que não é raro ver-se attribuír á electricidade insuecessos que de modo algum lhe pertencem. Para que a electricidade triumphe na cura das affecções nervosas, é preciso observar um con- juneto de condições: i° deve haver em primeiro logar indicação formal para o seu emprego. Realizada esta condição o medico deve ser muito rigoroso na escolha do methodo a seguir; deve dosar com rigor mathematico a intensidade do fluido empregado ; deve levar ainda em conta a duração das sessões e a escolha, A.—4 -- 2 2 -- dos diversos processos de technica a por em exe-; cução. Alénvdestes cuidados, o medico deve revestir-se da máxima paciência possível, não só para poder esperar pelos resultados do tratamento, que se mani- festam lentamente, maxime em casos de nevrftes chronicas que constituem a maioria, mas também, paraJ avigorar a fé no espirito de seus doentes, que soffrendo de moléstias nervosas são, por via de regra, impacientes1 e desconfiados. -> Si qualquer destas condições for omittida, si a indicação não for formulada em occasião opportuna 6 as sessões scientifica e pacientemente feitas, a cura dos* doentes em alguns casos não se verifica e em outros os symptomas que mais os affligem, em vez de se attenuarem, aggravam-se. O doente da observação I serve de exemplo ao que acabamos de referir. Adoecendo na cidade da Campanha, foi submet- tido ás applicações de electricidade faradica que, sendo mal applicada, não produziu effeito. O medico daquella localidade mandava o doente segurar em cada mão um electrodo metallico e fechava o circuito, augmen- tando progressivamente a força da corrente faradica até o doente protestar que não supportava mais.. Nesta capital, foi submettido no Estabelecimento dos Drs. Avellar Andrade e Werneck Machado ao uso da mesma electricidade faradica applicada, porém, pelo modo que indicamos na observação I e o resultado foi a cura completa. Esta observação prova que embora — 23 -^ a indicação seja acertada, a technica do processo posto em practica não sendo observada com rigor scientifico prejudica o resultado que se deveria esperar. II Acabamos de ver que a parte mais importante para a victoria do agente electro-theraueutico é a sua indicação em occasião opportuna. Esta parte sendo a mais importante é ao mesmo tempo a mais difificil. Quando indicar um ou outro methodo ? Porque preferir este áquelle? Estas interrogações só podem achar resposta cabal no terreno practico da experimentação — só a observação cuidadosa e a experiência diária dos casos poderão resolver o problema. O mecanismo intimo pelo qual o fluido electrico exerce no organismo as suas acções múltiplas ainda se apresenta velado pelo mysterio. Theorias differentes, repousando umas em leis brilhantes da physiologia experimental, outras em sólidos princípios physico- chimicos têm sido creadas para servir de base a explicação do mecanismo da cura das espécies noso^ lógicas pelo fluido electrico. Esse, porém, continua ignorado e não fora a experiência—esse leal timoneiro do sábio — as poucas affirmativas que possuímos hoje, deixariam de existir. Erb, o illustre professor de Heidelberg, fazendo a critica das theorias propostas para explicar o modo de actuar da electricidade no organismo, diz que a electrotherapia ainda assenta — 24 — em uma base puramente empírica e que só por um numero considerável de experiências ulteriores pode- remos estabelecer em definitivo, a theoria exacta que explicará a acção curativa do fluido electrico. Theoricamente, pois, não possuímos uma expli- cação cabal da acção da electricidade no organismo, ficando ao nosso alvitre acceitar entre as theorias que existem, a que julgarmos mais racional ou a que nos fôr mais sympathica. No terreno practico da experi- mentação e da observação clinica, porém, colhemos grande numero de factos que podem, até certo ponto, constituir regra para a nossa conducta em presença do caso mórbido que se nos apresentar á observação. III Varias são as theorias creadas para explicar o mecanismo de acção do fluido electrico no organismo. A theoria que teve mais voga foi a das contracções electrotonicas ou simplesmente electrotonus. Creada por Du-Bois-Reymond, foi aperfeiçoada pelos estudos posteriores de Pflüger. Reymond fazendo passar por um tubo nervoso uma corrente galvanica, verificou que o nervo experi- mentava em toda a sua extensão uma mudança de estado que se revelava ao observador por um augmento ou diminuição de sua excitabilidade própria. Elle denominou este facto — estado electrotonico do nervo e conforme o pólo em que houvesse augmento ou diminuição da excitabilidade nervosa, assim também o electrotonus seria denominado positivo ou negativo. — 25 — Elle explica o facto pela polarisação molecular que se dá no nervo electrisado pela corrente galvanica, no qual as moléculas nervosas, dotadas de dois pólos electricos distinctos, orientam todos os pólos positivos no sentido da direcção que segue a corrente no tubo nervoso e os negativos no sentido da entrada desta. Mais tarde, Pflüger experimentando sobre tubos nervosos verificou que estes, atravessados por uma corrente voltaica decompunham-se em duas partes distinctas sob o ponto de vista physiologico. Assim, a porção próxima ao pólo positivo perdia sua excitabili- dade, ao passo que esta era accrescida na visinhança do pólo negativo. Ao primeiro phenomeno elle chamou anelectrotonus ; ao segundo catclectrotonus. Estas mudanças no estado do nervo não se dão só nos pontos onde se acham os electrodos collocados, mas também em um certa zona da visinhança delles. Pela theoria de Pflüger, pois, fica o nervo dividido em duas porções distinctas, uma, a do pólo positivo, em estado de anelectrotonus que sendo mais intenso no ponto occupado por aquelle pólo vai progressivamente abran- dando até a parte média do tubo nervoso considerado onde se extingue, sendo logo substituído pelos effeitos do catelectrotonus que se vão accentuando cada vez mais até attingirem o seu máximo no ponto em que está collocado o pólo negativo. Esta theoria hoje só pôde ser referida pelo in- teresse histórico que encerra, visto como na practica não tem interesse algum. Erb, illustre professor de Heidelberg, objectou a — 26 — esta theoria que a acção electrotonica desapparece immediatamente após a cessação da corrente e mesmo, si inverter-se o pólo positivo, emquanto que as curas obtidas por meio dellas são mais ou menos duradouras. Além disso, nesta theoria não podemos depositar inteira confiança, visto que, como provou Erb, não ha um só nervo do organismo (excepto o acústico) em que possamos estabelecer uma ação polar pura — existindo sempre simultaneamente a acção do pólo opposto — ainda que diversos casos de cura nas moléstias do acústico devidas unicamente á acção anelectrotonica nos sejam apresentados pelos autores/ Estes factos, pouco numerosos, porém, não podem constituir base segura para uma theoria electrothera- peutica. Matteucci e Becquerelle criticando as conclusões a que haviam chegado Reymond e Pflüger, appellaram para as acções chimicas dizendo que a passagem mais rápida de uma corrente de pilha é acompanhada de phenomenos electrolyticos que dão em resultado a producção de ácidos no pólo positivo e de alcalis no negativo. Estes factos foram verificados experimentalmente por Matteucci nas experiências que este electricista fez sobre o sciatico do coelho primeiro e mais tarde sobre o fio de platina protegido por fios de algodão. Deste modo Matteucci e Becquerelle reduzem, baseados em suas experiências, os phenomenos de electrotonus á acções chimicas que se desenvolvem durante a passagem da corrente. Assim, a perda de — 27 — excitabilidade no pólo positivo que para Pflüger é devida ao anelectrotonus, para Matteucci é explicada pela producção ácida que se dá nesse pólo. Por argumento idenjtico, a hyperexcitabilidade no catode que para Pflüger é devida ao catelectrotonus, para Matteucci é explicada pela producção alcalina que se verifica nesse pólo. Humboldt já havia verificado que a excitabilidade do nervo augmenta em contacto com uma solução alcalina diluída e se enfraquece em contacto com uma solução ácida diluída. Outra theoria apresentada por Legros para explicar a acção do fluido electrico no organismo é a que se basêa na direcção da corrente, determinando uma modificação funccional. Nesta theoria ficam ex- cluídas : a acção puramente physica da orientação molecular de Reymond e Pflüger e as acções chimicas polares de Matteucci e Becquerelle. Legros não admitte a theoria de Pflüger por- que si o electrotonus fosse um phenomeno puramente physico, diz elle, a força da corrente não deveria agir de modo diverso segundo a sua intensidade, e o estado electro-tonico, com uma corrente forte, longe de au- gmentar diminue, acabando por desapparecer. Além disso, o estado anelectrotonico se produz sem que os electrodos sejam directamente applicados sobre o nervo. Considerando a theoria de Matteucci, Legros admitte dois casos : ou o nervo goza de excitabilidade perfeita ou não a possue mais, e nesse caso age como — 28 — simples corpo conductor susceptível de ser submettido a electrolyse. No primeiro caso a corrente electrica determinará a actividade no nervo que ella atravessa porque modifica o estado molecular qualquer que seja a sua direcção ou o momento de fechamento ou aber- tura do circuito. No segundo caso o nervo estando esgotado, a sua excitabilidade desapparece e então intervém condições diversas e não se poderá mais appelar para a acção da corrente electrica sobre a porção do nervo con- siderada, mas sim, ás correntes derivadas e de pola- risação. Outra theoria que alguns electro-therapeutistas quizeram fazer reviver é a da excitação — theoria pri- mitiva que já havia sido abandonada. Por esta theoria, a electricidade actúa unicamente como agente de exci- tação e os diversos períodos desta excitação conduzem á cura. Esta theoria não nos explica todos os factos, apenas uma parte dos phenomenos curativos pôde ser explicada pela excitação dos centros trophicos, por- quanto, depois da brilhante descoberta destes centros, chegou-se a conhecer que cada nervo encerra fibras trophicas e se acha collocado sob a influencia dos centros trophicos. E' natural e racional acreditar que uma excitação levada a esses centros agiria de modo a modificar os phenomenos de nutrição nos nervos, músculos, etc, apressando a regeneração e fazendo desapparecer as perturbações mais delicadas da nu- trição, curando assim os casos mórbidos. — 29 — A theoria mais recente, finalmente, é a das—• acções catalyticas. Esta theoria que tem um cultor dedicado em Re- mak é muito complexa. Os resultados electro-therapeuticos são expli- cados por uma somma de acções de correntes entre as quaes se acham as acções trophicas, as acções sobre os vasos sangüíneos e nervos vaso-motores, sobre os phenomenos electrolyticos e osmoticos e ainda os effeitos mecânicos da corrente. Esses effeitos cataly- ticos são ainda muito hypotheticos e como taes não podem servir para explicar de modo satisfactorio todos os factos. Pelo que fica exposto, concluimos que, no estado actual dos nossos conhecimentos, ainda não ha uma theoria que satisfaça cabalmente ao espirito. Não po- demos affirmar com segurança porque meio a electri- cidade, atravessando os tubos nervosos ou as partes circumvisinhas, determina effeitos curativos sobre as lesões que procuramos combater. Das theorias que tem sido propostas e que aca- bamos de expor—umas são antigas e só podem ser invocadas perante a therapeutica como um facto histórico—e mesmo—só podem ser observadas actuan- do-se sobre os nervos a descoberto em experiências de laboratório ; tal é a do electrotonus, a da exci- tação, etc, outras não podendo ser rejeitadas in totum, não elucidam, entretanto, as questões que se apresentam na practica de modo claro e conciso ; tal é a de Legros sobre a direcção das correntes, etc. A.5 — — 30 — Outras, como a das acções catalyticas apresentam-se com uma complexidade de acção tal que não podemos com precisão separar os phenomenos de modo a apre- ciar o valor de cada um delles e saber mesmo a qual attribuiros effeitos curativos. Entretanto, esta theoria, quando melhor estudada e experimentalmente verifi- cada, poderá esclarecer em muitos pontos e talvez, mesmo, reformar completamente o juizo que presen- temente formamos sobre o modo de actuar do fluido electrico no organismo pathologico. IV Acabamos de expor as theorias propostas para explicar o modo de actuar no organismo da electrici- dade voltaica ou galvanica. Resta-nos dizer alguma cousa sobre a electrici- dade faradica ou induzida e sobre a estática. O professor Duchenne (de Boulogne) foi quem melhor estudou a acção do faradismo sobre os diver- sos systemas do organismo, especialmente sobre o sys- tema neuro-muscular. Depois de uma serie de experiências feitas com todo o determ.msmo e cuidadosamente repetidas, o professor francez chegou á conclusão de que, nos ap- parelhos electro-dynamicos, a acção physio ogica dá corrente variava conforme se empregava a cor ente de primeira helice ou a de 2» helice corrente De accôrdo com as experiências feitas no homem e em ammaes elle chegou ás seguintes conclusões — 31 — a corrente de segunda helice excita mais viva- mente a retina do que a de primeira helice, quando é applicada na face ou sobre o globo ocular, por inter- médio dos reophoros humidos. A corrente de se- gunda helice tem poder excitante muito superior ao da primeira helice sobre a superfície cutânea; provoca contracçoes enérgicas de ordem reflexa e penetra mais profundamente nos tecidos do que a extra-cor- rente. Esta excita mais vivamente a sensibilidade de certos órgãos collocados mais ou menos profundamen- te sob a pelle. Duchenne, investigando a causa dessa differença de propriedades nas duas correntes, quiz filial-a á differença de tensão que existia entre ellas. Como não foram, porém, concludentes as provas practicas que procurou estabelecer em apoio de seu modo de pensar, elle deixou de parte esta questão. Mais tarde, physicos eminentes, estudando a questão, manifestaram-se inclinados a acceitar como causa da diversidade de acção nas correntes das duas helices — a differença de tensão. Duchenne voltou a novas investigações e acabou por concluir que só a differença de tensão não expli- cava o facto e terminou dizendo que as propriedades de que gozam essas duas espécies de correntes são muito especiaes e escapam até o presente a toda es- pécie de explicação. Em relação á corrente de segunda helice, chamada também — induzida — cumpre considerar ainda o diâmetro do fio que compõe essa segunda helice, por- — 32 — quanto os effeitos therapeuticos são diversos conforme o fio for fino, grosso ou de diâmetro médio. Na helice de fio fino os effeitos physiologicos e therapeuticos se passam para o lado da innervação sensitiva; na de fio grosso é a innervação motora a influenciada; quando a helice tem um fio de médio calibre os effeitos são mais accentuados para o lado das fibras mixtas (sensitivas e motoras) dos nervos peripheiicos. A faradisação differe da galvanisação em que nesta dominam os phenomenos chimicos—a intensi- dade da corrente—ao passo que naquella, a tensão existindo em gráo mais elevado que a intensidade, esta é sobrepujada, pelo que os effeitos chimicos não são tão accentuados. V Dos três modos de ser da electricidade, foi a electricidade estática a primitivamente adoptada. Foi mais tarde abandonada para voltar de novo a fi- gurar na therapeutica nervosa. Sendo a fôrma primi- tivamente empregada é a mais obscura em relação á sua acção physio-therapeutica. O que todos os autores são unanimes em afnrmar e a practica a confirmar é que ella age sobre o con- juncto das funcções de nutrição, activando a circulação, facilitando as trocas orgânicas e favorecendo a diu- rese. Tem acção sedativa manifesta sobre a innervação cerebro-espinal. Esta é explicada pela descarga que — 33 — se dá do fluido nervoso em conseqüência das diversas camadas de electricidade que atravessam o corpo do indivíduo submettido á acção electro-estatica, e que são continuamente renovadas durante o tempo de duração da sessão. VI Pela exposição feita sobre as diversas theorias que foram creadas para explicar o modo de actuar da corrente galvanica no organismo, podemos concluir a priori que não temos um methodo que offereça ga- rantia segura de successo. Dois methodos, porém, principaes têm sido in- vocados por autores de mérito para a resolução da questão, tendo se travado discussões vivas entre os partidários de cada um delles. Napractica, ambos esses methodos contam alguns triumphos. Os methodos de que acabamos de fallar são dois: o da direcção das correntes e o das acções polares distinctas. O primeiro destes methodos é adoptado por Benedikt, Remak, Legros e outros. Segundo estes autores, a direcção da corrente tem um valor inesti- mável na producção do resultado que se procura obter. Para o Sr. Legros, a corrente de direcção des- cendente (pólo positivo collocado mais próximo dos centros e polo negativo mais affastado delles) goza de propriedades sedativas, calmantes sobre o systema — 34 — nervoso, diminuindo-lhe a excitabilidade. A corrente de direcção ascendente tem propriedades oppostas, isto é, augmenta a excitabilidade nervosa. Em auxilio de seu modo de pensar, narra Legros o caso de uma ran strychnisada que era agitada por violentas contracçoes musculares e excitabilidade nervosa exagerada; nesta ran a applicação da cor- rente electrica descendente sobre o rachis fazia cessar de prompto as contracçoes musculares. Cita ainda o caso de um menino que, accommettido de contrac- turas hystericas fortes, melhorava quando soffria a applicação da corrente descendente medullar; peiorava quando a applicação feita era a inversa. Erb critica este methodo dizendo ser impossível fazer passar de um modo efficáz a corrente electrica em uma direcção determinada sobre um tubo nervoso não lesado, porquanto a densidade da corrente varia de accôrdo com a resistência própria a cada tecido. O outro methodo é o das acções polares distinctas que tem por sectário a Brenner. Para Brenner, a acção polar distincta exercen- do-se ora em um ponto, ora em outro ou successiva- mente no mesmo ponto, deveria ser a medida para o methodo electrotherapeutico. Dizem os partidários desse methodo: em i° logar, as analyses physiologicas nos provam que todos os effeitos das correntes» exactamente conhecidos e até ahi therapeuticamente utilisados, de um modo consciente, são as acções ex- clusivamente polares e parecem se passar na visi- nhança de um e outro polo, bem como, em geral, as — 35 — acções das correntes são mais intensas, na visinhança immediata dos pólos. Em 2o logar, technicamente é mais fácil collocar quaesquer partes do corpo, nervos, músculos, etc, sob a acção tão intensa quanto possível de um polo ou de outro do que estabelecer nessas partes do corpo uma direcção de corrente determinada e agindo com in- tensidade uniforme. Pode-se quasi sempre realisar isso com facilidade e certeza, com o auxilio de conhecimentos anatô- micos positivos e considerações physicas exactas, escolhendo convenientemente o electrodo differente e o indifferente. Quanto á objecção que podia soffrer esta argu- mentação e que se refere a impossibilidade de evi- tar-se a acção do outro polo (indifferente) sobre a parte que se electrisa, os sectários deste methodo ap- pellariam para o modo de distribuição da corrente, para a densidade e a energia que vai tendo essa corrente nos diversos tecidos que vai atravessando, e assim não seria difficil acceitar que a acção do polo differente deve ser extraordinariamente preponderante, a tal ponto que a acção secundaria do polo indifferente pôde ser desprezada na maioria dos casos. Pode-se ainda diminuil-a por um certo processo e póde-se deixar agir a acção polar primaria do polo, de um modo mais enérgico sobre todas as secções dos nervos que se trata de influenciar. Em 3o logar, existe já um certo numero de expe- riências therapeuticas que provam a exactidão e a - 36 - efncacia do methodo polar, como sejam por exemplo, os casos de hyperesthesia do acústico (Brenner). O polo positivo é efficaz para combater a hyper- esthesia e os zumbidos nervosos do ouvido, ao passo que o polo negativo é nullo ou mesmo prejudicial. Por nossa parte, não temos razões de ordem pra- ctica para preferir o methodo da direcção da corrente ao methodo polar, nem também este áquelle. Nas ap- plicações que temos tido occasião de fazer na clinica civil e nosocomial, temos colhido resultados quer com um quer com outro methodo. Um facto que temos observado sempre é o valor calmante da corrente des- cendente ao longo do rachis ou dos filetes nervosos accommettidos de fortes nevralgias. Ha pouco tempo, no anno passado, empregámos, auxiliado pelo distincto collega Dr. César da Fonseca, a corrente descendente em um doente que, accom- mettido de tetania com phenomenos dolorosos pro- nunciados, achava-se em opisthotonus no leito n. 33 da 8a Enfermaria do Hospital da Misericórdia. Este doente estava sujeito ao uso das poções calmantes de chloral, bromureto em alta dose, morfina, etc. e não havia obtido ainda resultados satisfactorios. Pois bem, com a applicação da corrente voltaica descendente so- bre o rachis, as dores attenuaram-se logo e no fim da sessão electrica o opisthotonus havia cedido um pouco e o doente conseguia dormir por alguns instantes. As melhoras progrediram com a continuação do trata- mento, até a cura definitiva do doente. Em outro doente, o da observação XV, as dores — 37 — nevrálgicas que se irradiavam pelos differentes plexos nervosos eram ás vezes fulgurantes e só conseguiam attenuar-se sob a acção da corrente electrica voltaica descendente ao longo desses plexos. A acção excitante da corrente é observada quando applicada esta em direcção ascendente. Outro facto que temos observado sempre e que a experiência mesmo, autorisa-nos a erigir como ver- dade inconteste é a acção altamente sedativa e analgésica do polo positivo. Desde as nevralgias do trigemeo, muitas vezes oriundas de caries dentárias, até as grandes nevralgias visceraes dos tabeticos; desde as manifestações do- lorosas das nevrites até as dores pertinazes que re- sultam das compressões aneurismaticas, acham no polo positivo um recurso heróico, um analgésico extra- ordinário. Esses casos são diários na clinica. A practica ainda nos tem revelado a acção alta- mente revulsiva do polo negativo, bem como a sua acção fundente sobre os engorgitamentos ganglio- nares. Quer se attribua a acção calmante do anode á direcção descendente da corrente, como quer Legros e outros; quer se invoque a acção polar, attribuindo essas propriedades sedativas á situação do polo posi- tivo nas proximidades do bulbo e encephalo, como quer Brenner, o facto verificado é que a corrente des- cendente é calmante, sedativa. c—7 - 38 - VII No faradismo podemos tornar a electrisação Io* calisada ou generalisada, revestindo cada um destes modos a fôrma secca ou a humida. Na faradisação localisada secca os electrodos metallicos são ap- plicados sobre um músculo insulado ou um grupo mus- cular determinado, sobre um nervo ou um plexo ner- voso, emfim, sobre um órgão qualquer mantendo os dous electrodos pouca distancia sempre entre si. Na fôrma humida da faradisação localisada o pro- cesso é o mesmo, variando apenas os electrodos que são ambos de camurça e embebidos n'agua. Na faradisação generalisada secca, o doente fica despido e de pé sobre uma placa metallica rectangu- lar, ligeiramente humida, a qual é ligada a um dos pólos da bobina de inducção, emquanto que um ele- ctrodo de metal, ligado ao outro polo do apparelho, percorre rapidamente todos os grupos musculares do corpo, a começar pela nuca, dorso, thorax, membros superiores, abdômen, lombos e membros inferiores. Na fôrma humida da faradisação generalisada, póde-se empregar o processo acima descripto, substituindo apenas o electrodo de metal pelo de camurça huniedecido ou então recorre-se ao chamado banho hydro-faradico que será descripto em outro capitulo. — 39 — " VIII Na fôrma estática, a electricidade pôde ser admi- nistrada de três modos : i°— sob a fôrma de banhos estáticos simples, podendo estes ser positivos ou negativos ; 2o— sob a fôrma de ducha estática; 3o— sob a fôrma de percussão por scentelhas constituindo a chamada franklinisação. Nas lesões nervosas periphericas esta fôrma é pouco empregada, recorrendo-se de preferencia ao faradismo ou ao galvanismo. Casos ha, porém, em que a electrisação estática aproveita muito, em certas nevrites de fundo rheumatico e nas nevrites dos neurasthenicos que são alimentadas pelo estado de asthenia nervosa geral. Nesses casos, a fricção sobre as vestes com o excitador metallico aproveita muito. IX Em relação á dosagem do fluido electrico temos a referir que nunca empregamos intensidade superior a 20 milliampéres. Em geral as sessões são feitas com io a 15. Quando a applicação é estabil começamos por uma intensidade menor de 5 milliampéres e deixamos que a corrente vá vencendo a resistência dos tecidos. Realizada esta condição, a agulha do amperemetro vai desviando gradualmente e accusando intensidades cada vez mais elevadas, sendo necessário muitas vezes diminuir com o collector um ou mais elementos, por — 4o — já o doente não poder supportar a intensidade da corrente. Na applicação labil, porém, podemos empregar intensidades maiores (de 10 a 20 milliampéres) por isso que os electrodos sendo continuamente movimen- tados não tem tempo sufhciente de vencer as resis- tências offerecidas pelos differentes tecidos e nessas condições a applicação é tolerável. Nas applicaçõés faradicas em que o amperemetro não tem emprego — por isso que nesse modo de ser do fluido electrico prepondera sobre a intensidade a tensão — a dosagem pôde ser regulada pela escala existente ao lado do apparelho Trouvé. Em geral, porém, não nos servimos desta escala e graduamos o apparelho introduzindo a bobina externa na interna o numero de voltas necessárias para que o doente accuse sentir bem o effeito que procuramos obter. Introduzindo ou affastando a bobina interna na externa, assim também augmentamos ou diminuimos a intensi- dade e a força da corrente. Na fôrma estática, o meio único que possuímos para regular a quantidade do fluido é apertar ou affrouxar os coxins da machina Carré ou diminuir a velocidade do motor da machina estática. X A duração das sessões em geral é de 12 a 15 minutos, qualquer que seja o methodo em- pregado. — 41 — Nos casos, porém, em que houver indicação formal, podemos elevar a 20 ou 30 minutos a duração da sessão ou ainda fazer duas ou mais sessões de 10 mi- nutos cada uma no mesmo dia. CAPITULO II SUMMARIO :— Api>arelhos e processos de technica empregados. Principaes indica- ções e contra-indicações da electrotherapia uas nevrites. No tratamento das. nevrites são empregadas as baterias voltaicas montadas em intensidade e munidas de um collector capaz de augmentar ou diminuir gradualmente esta intensidade, e de um amperemetro destinado a dosal-a com extrema pre- cisão. As baterias voltaicas podem apresentar modelos e tamanhos diversos conforme o fabricante e o numero de elementos que -encerram. As baterias commummente usadas nas casas em que ha installações electricas são as de Gaiffe — typo grande — 6o elementos. As que se empregam para applicações em domi- cilio de clientes são também do mesmo autor, porém, typo pequeno — 36 a 40 elementos. Estas são por- táteis. As baterias completas, além do collector duplo que permitte pôr em jogo maior ou menor numero de elementos devem ter um commutador ou inversor destinado a inverter a ordem dos pólos e portanto o — 44 — sentido da corrente; um interruptor, botão de ma- deira que, recalcado pelo dedo do medico, intercepta a passagem da corrente; e um amperemetro afim de dosar precisamente a intensidade da corrente e orientar o electrotherapeutista. Os amperemetros são de mo- delos diversos conforme os fabricantes e podem ser fixos ás baterias ou independentes dellas. As escalas desses amperemetros podem ser refe- ridas a milliampéres, décimos de milliampéres, etc. Para collocar a bateria em communicação com o doente ha os reophoros, dos quaes um é verde e outro vermelho afim de bem se distinguir os pólos no decurso de uma sessão. A estes são ligados os electrodos, as cintas, etc. Os electrodos podem affectar formas diversas; são redondos, cylindricos, olivares, em fôrma de placas quadradas, rectangulares, ellipticos, de tamanhos diversos. As substancias com que são fabricados os ele- ctrodos também variam ; podem ser de carvão, metal- licos, etc. Os de carvão são forrados de uma tênue camada de agarico e recobertos de camurça. Outros affectam fôrmas especiaes conforme as regiões a que se destinam, como os urethraes, os anaes. etc Ha ainda um electrodo em fôrma de pincel de barbas metallicas, usado em casos especiaes. As cintas podem ser simples ou duplas. Aquellas servem para fixar ao corpo do doente as placas de que já falíamos ; as cintas duplas já trazem em si um \ — 45 — electrodo redondo de carvão ao qual se implanta a extremidade terminal de um dos reophoros. Alguns electrodos trazem, junto ao ponto de implantação do electrodo ao cabo de madeira, um pequeno botão branco que recalcado intercepta a passagem da corrente. O circuito, portanto, nas baterias voltaicas pôde ser interrompido por meio do interruptor da própria bateria, já descripto, ou por meio do botão existente no cabo do electrodo ou ainda por meio do metronomo quando queremos regularisar as interrupções. A duração destas é medida por meio de um pequeno cursor de metal existente na haste graduada do apparelho. Os electrodos de camurça nunca são empre- gados em estado de seccura; costumam ser previa- mente molhados com água simples ou ligeiramente salgada afim de facilitarem a passagem da corrente. Aproveitando a acção chimica electrolytica da corrente voltaica sobre os saes inorgânicos, temos administrado por esse meio o iodureto de potássio em casos de nevrites de fundo rheumatico. Para isso molhamos os electrodos em uma solução de iodureto de potássio a 25 % ou 30 %. O iodureto se decompõe em iodo metallico que se reúne no polo positivo e em potassa que se accumula no pólo nega- tivo logo que se fecha o circuito, e deste modo o iodo é levado conjunctamente como fluido electrico ao inte- rior dos tecidos. A.—8 _ 46 - A penetração deste metalloide por esse meio é um facto inconteste, porquanto indivíduos sujeitos a experiência revelaram a presença de iodo nas urinas alguns dias depois de encetado o tratamento, sem que houvessem feito uso de compostos iodados por via gástrica. O outro sal que temos empregado pelo mesmo processo é o iodureto de lithio. Na applicação das correntes induzidas empre- gam-se os apparelhos electro-dynamicos ou electro- magneticos conforme tomam sua fonte em uma pilha ou em um iman artificial. Na clinica emprega-se geralmente o apparelho electro-dynamico represen- tado pelo chariot Trouvé accionado pela pilha de bichromato de potássio. Este apparelho consta de um fio de cobre coberto por uma camada de cautchuc e recoberta esta por um fio de seda isolador. Este fio tem diâmetro e extensão variáveis e é enrolado em espiras unidas de modo a formar uma helice no centro da qual se colloca um ferro doce ou iman. Um segundo fio de cobre mais fino e mais longo recoberto também por uma camada de cautchuc e por um fio de seda é enrolado s-obre o primeiro e forma uma segunda helice. O apparelho é construído de tal modo que estas duas helices constituem duas bobinas, sendo a pri- meira menor que a segunda de modo que esta penetra naquella ou delia se affasta. * Collocado o apparelho em communicação com a pilha e estabelecida a corrente, opera se uma modi- — 47 — ficação electrica no estado do fio da Ia helice e também no ferro doce que se imanta temporariamente. Si o circuito é aberto em seguida, resulta d'ahi uma nova modificação electrica e magnética, porque a ele- ctricidade natural do fio retoma o seu estado normal e o ferro doce perde sua imantação. E' somente nesse momento que se manifestam na primeira helice os phe- nomenos de inducção. Fechado o circuito utn pheno- meno physico análogo se desenvolve ao mesmo tempo no fio que fôrma a segunda helice e a corrente que se manifesta nesse fio marcha em sentido inverso ao da que se produz no fio da primeira helice e tem uma tensão excessivamente maior. Esta é por isso cha- mada induzida. Ao lado do apparelho ha uma escala cuja gra- duação deve ser lida em sentido inverso — quanto mais alta a graduação, tanto mais fraca é a força da corrente. Em geral, não é empregada na practica essa es- cala ; a corrente é graduada introduzindo se ou affas- tando-se o numero de voltas sufficiente a segunda bobina da primeira. O instrumental usado nas applicações faradicas é o que já foi descripto a propósito das applicações galvanicas. Cumpre, entretanto, considerar si a indicação da corrente faradica se refere a partes superficiaes ou a órgãos profundos da economia. No primeiro caso são os electrodos de metal e o pincel faradico que se em- - 48 - pregam. No segundo são os de camurça embebidos n'agua ou os banhos chamados hydro-faradicos. Estes banhos são administrados do seguinte modo: enche-se dágua ligeiramente salgada uma bacia metallica ou mesmo uma banheira tendo em uma das suas paredes uma guarnição metallica com um dispositivo apropriado para a implantação da extre- midade terminal do reophoro. O doente entra na banheira e com um electrodo de metal applicado di- rectamente dentro d'ao-ua fecha o circuito. Os tecidos, como que macerados pela água, deixam-se mais fa- cilmente atravessar pelo fluido electrico, visto como sabemos que a humidade é uma condição favorável á passagem desse fluido. A observação VI em que narramos o emprego de tal methodo, falia eloqüentemente em favor delle. Na electrisação estática empregamos a machina Carré. Para obter scentelhas fortes são usados os excitadores esphericos de metal ou de madeira. Nos casos em que queremos, apenas, determinar aigrettes, empregamos os excitadores metallicos terminados em ponta afilada. Para a producção do sopro ou ducha estática, utilisamos a vassourinha de palhas ou um excitador metallico terminado em pontas afiladas. II Si attendermos ao que dissemos em outra parte desta these—que a electrotherapia encerra todo um conjuncto de indicações—e si nos lembrarmos ainda que o modo de actuar do fluido electrico no organismo — 49 — não está definitivamente elucidado, teremos como conclusão que a electricidade tem indicação em qual- quer phase da evolução de uma nevrite exceptuando apenas os casos em que ha phenomenos de hyperemia e inflammação intensas ou quando existe reacção febril franca, casos em que o emprego da electricidade pôde prejudicar o doente carregando as cores do quadro symptomatologico. Fora esses casos especiaes, a electricidade é empregada em todos os demais. O methodo empregado e a natureza do agente electrico variam conforme os symptomas a combater. Um dos symptomas mais importantes e—póde-se mes- mo dizer—o predominante é a dor, a nevralgia, que se pôde apresentar sob diversas modalidades, desde a ne- vralgia lenta, surda e continua até a nevralgia aguda, fulgurante com paroxismos determinados, etc. Nesse caso podemos empregar a corrente con- tinua e seguir o methodo de Legros et Onimus isto é, fazer a corrente descendente atravessar o nervo affectado ou então applicar sobre elle o pólo po- sitivo, que a observação deixa ver e a clinica sancciona as propriedades altamente sedativas, analgésicas que possue. Nós preferimos a acção polar á de direcção. Nos casos em que procuramos corrigir o estado nevrálgico por meio de um revulsivo, empregamos com resultado as correntes induzidas de interrupções freqüentes. Quando ha hyperesthesia accentuada, podemos empregar a corrente voltaica, fazendo preponderar a acção polar positiva sobre o nervo lesado. — 5o — Muitas vezes as nevrites são seguidas de zonas de anesthesia mais ou menos profundas. Nesse caso a fara- disação dá resultado admirável, principalmente quando se emprega como electrodo o pincel de barbas metal- licas. Outro symptoma de grande valor nas nevrites é a paralysia. Esta apresenta diversos gráos, desde o simples cansaço por occasião dos movimentos, até a paralysia completa. Esta é flacida e restringe-se á região innervada pelos filetes lesados. A faradisação ou a voltaisação são indistincta- mente empregadas nos casos de paralysias periphe- ricas. Nós temos tirado bons resultados combinando > os effeitos do galvanismo aos do faradismo. Muitas ve- zes, quando a paralysia é muito extensa, podemos re- correr aos banhos hydro-faradicos, já anteriormente descriptos. Outro symptoma importante é a atrophia muscu- lar. Ella localisa-se nos pontos em que se assesta a paralysia e invade rapidamente os músculos. Não é, entretanto, phenomeno obrigatório nas nevrites. Le- tulle, mesmo, observou que as paralysias mercuriaes evolvem sem atrophia. Os outros symptomas de menor importância, como sejam as desordens da sensibilidade traduzidas por sensação de calor e frio, dormencias, formigamentos e as lesões trophicas para o lado da pelle, dentre as quaes sobresahe o Herpes Zoster, etc, são combatidos por qualquer dos meios apontados. — 5' — Nos casos raros de ngvrites dos nervos motores em que ha phenomenos de contracturas, espasmos, etc, a corrente descendente dá bons resultados. O modus facicndi depende do conhecimento exa- cto da disposição anatomo-topographica dos filetes nervosos das regiões affectadas, afim de sabermos com precisão como se distribuem, em que pontos são mais superficiaes. e portanto, mais facilmente accessiveis a serem tocados pelos electrodos, etc. Devemos ainda conhecer os apparelhos de que nos vamos servir afim de manejal-os com facilidade c verificarmos previamente se estão em boas condições de funccionnr, bem como os electrodos; reophoros, etc. De posse destes dados cumpre-nos distinguir tra- tando-se da corrente galvanica si a applicação é des- cendente ou ascendente. No i° caso o pólo positivo fi- cará collocado sempre mais próximo aos centros me- dullar ou cerebral do que o negativo e si conservarão fixos si a.corrente for estabil; si for labil os electro- dos serão deslocados no sentido da direcção do nervo ou das fibras musculares atrophiadas. Na corrente ascendente dá-se o inverso do que se verifica com a descendente isto é, o pólo nega- tivo ficará mais na proximidade dos centros que o po- sitivo, observando os mesmos preceitos da descen- dente no que se refere á corrente labil ou estabil. Quando não se tratar de distinguir a direcção da corrente, mas sim a acção peculiar a cada pólo collo- car-se-ha sobre a parte lesada o pólo differente isto é — 52 — aquelle cujo effeito se quer obter e o outro, o índií- ferente, será collocado tanto distante quanto possivel afim de annular cada vez mais os seus effeitos. Na corrente faradica, os dous electrodos são passeiados juntos um do outro sobre a região aríe- ctada realisando o processo seguido por Duchenne (de Boulogne). Exceptua-se a applicação faradica generalisada em que um dos electrodos, sob a fôrma de placa re- ctangular é applicada nos pés do doente emquanto o outro electrodo, de camurça, percorre todas as regiões do corpo rapidamente. Nós temos empregado em todos os nossos doen- tes, de um modo brilhante quanto aos successos obti- dos a voltaisação da medulla concommittantemente com a faradisação ou a voltaisação das partes accom- mettidas de nevrites (conforme a indicação de occa- sião). Assim procedemos, não só para evitar unia propagação do processo mórbido dos conductores ao centro, o que seria desastroso, como também porque, assim operando, nós vamos actuar sobre a nutrição geral do indivíduo apressando-lhe a cura. Não somos exclusivista, não levamos o nosso determinismo ao ponto de traçar limites para a appli- cação de tal methodo ou de tal outro, mesmo porque, como já ficou dito anteriormente, a electrotherapia re- pousa sobre uma base infelizmente ainda empírica e, nesse particular, não poderíamos affirmar com precisão mathematica. — 53 — Escudado, porém, na observação clinica cuida- dosa dos casos que nos tem sido possível observar e nas experiências de illustres neuro-pathologistas como Erb, Legros, Onimus, Duchenne (de Boulogne,) De- bove, etc, ousamos apresentar as indicações que ahi explanámos como o fructo da nossa practica de 5 annos de internato nõ Estabelecimento Hydro e Electrothe- rapico dos Drs. A. Andrade e Werneck Machado e na 8a Enfermaria de Clinica Medica do Hospital da Mi- sericórdia. A.—9 y CAPITULO III SUMMARIO :— I. Polynevrite infecciosa, seu tratamento pela electrotherapia, cura.— Obs. IT. Nevrite rhemnalica do cubital, tratamento pela electrotherapia. cura.— Obs. III. Nevrite do sciatico, tratamento pelahydroelectrotherapia, cura.—Obs. IV. Nevrite rheumatica do circumflexo, cura.— Obs. V. Nevrite rheumatica do plexo bra- chial, seu tratamento pela electricidade, cura.— Obs. VI. Nevrite alcoólica, cura.— Obs. VII. Nevrite traumática do radial, cura.— Obs. VIII. Polynevrite infecciosa consecutiva á febre grave, seu tratamento pela hydro-electrotherapia : muito melho- rada.— Obs. IX. Polynevrite palustre, cura. — Obs. X. Nevrite a frigore do facial, cura.— Obs. XI. Polynevrite infecciosa, cura.— Obs. XII. Nevrite do circumflexo, muito melhorada.— Obs. XIII. Nevrite traumática do cubital, cura.— Obs. XIV. Nevrite do sciatico, melhorada.— Obs. XV. Nevrite múltipla aguda, morte.—Obs. XVI. Nevrite dos filetes do plexo brachial.— Conclusão. OBSERVAÇÃO I POLYNEVRITE INFECCIOSA, SEU TRATAMENTO PELA ELECTROTHERAPIA. CURA. J. R. X. homem branco, de 49 annos de idade, casado, natural do reino de Portugal, negociante de chapéos o morador nesta capital, apresenta estatura regular, débil, anêmico; diz - 56 - ser o mais forte de seus 11 irmãos, seis dos quaes hoje fallecidos, sendo dois por desastres e quatro em tenra idade. Os cinco, que aiuda vivem, são fortes sendo raras vezes importunados por moléstias. Seus pães, ja fallecidos, gozaram vigorosa saúde, tendo ambos succumbido em idade avançada. Entre seus antecedentes mórbidos refere algumas febres de pequena importância e que ha muito tempo não o impor- tunam ; quando rapaz, teve algumas manifestações venereas próprias das suas aventuras de moço e eczemas que o obrigaram a ir a Europa para tratar-se. Mais tarde soffreu de accessos de rheumatismo e em 1892 ■contrahiu uma bronchite asthmatica da qual está hoje quasi curado. Em Janeiro de 1894, achando-se na cidade da Campanha (Minas) teve occasião de expor-se ao frio de uma bella noite de luar, sem ter tido o cuidado de resguardar-se conveniente- mente. No dia immediato a esse facto sentiu dormencia em alguns dedos das mãos, dormencia esta que se propagou aos outros dedos, ante-braços e braços. O clinico do logar prescreveu-lhe um laxativo. No dia immediato ao do laxativo, ficou todo paralytico, guardando o leito e só no fim de 30 dias recuperou de novo, pouco a pouco, os movimentos, excepto os dos membros superiores. Durante todo esse tempo fez uso dos preparados de noz-vomica e iodureto de potássio e da electricidade faradica que, pela descripção feita pelo doente, julgamos não ter sido bem applicada. Em Abril regressou a esta capital, apresentando-se, quando o vimos, nas seguintes condições: assentado em seu leito, apresentava-se pallido e eminagrecido tendo os membros thoracicos iminoveis ao lado do tronco, não podendo delle affastarem-se. A atrophia muscular nesses membros era mani- festa, sobretudo na zona muscular que funcciona sob a jurisdicção dos nervos circumflexo e musculo-cutaueo. Como deixamos entrever, o doente, por si só não podia vestir-se e, para levar á bocca um cigarro, tomava-o entre os — 57 — -dedos indicador e médio e baixava a cabeça até poder appre- hendel-o com os lábios. Não tinha força para apertar a nossa mão e a pouca que possuia não mantinha por muito tempo. Accusava fastio e de nada mais se queixava. Era seu medico assistente o distincto clinico e professor desta Faculdade Dr. Ernesto do Nascimento Silva que em conferência com o Dr. Francisco de Castro, prescreveu-lhe, por indicação deste, as pontas de fogo á região cervico-dorsal, em numero de dez de cada lado do rachis, um dia sim outro não, por espaço de dez dias. Banhos de vapor que o doente tomava em sua residência por meio de um dispositivo arranjado ad hoc. Internamente, o doente usava das pululas de centeio espigado. No fim de 200pontas defofjo, o doente queixou-se que não podia mais supportar tal operação e mesmo não sentia me- lhoras, antes pelo contrario, a atrophia muscular evolvia e o organismo do nosso doente accusava perda de forças cada vez maior. O Dr. Nascimento Silva lembrou-se de recorrer á electri- cidade, como já se havia lembrado da primeira vez ; mas. por um escrúpulo muito louvável não quiz prescrever o tratamento electrico sem ter primeiramente a sua opinião confirmada por um collega que, sendo especialista se pronunciasse sobre o assumpto. Recorreu então ao distinctissimo clinico Dr. Avellar Andrade, especialista em moléstias nervosas e Director do Estabelecimento Hydro e Electrotherapico da rua Sete de Setembro, d'onde somos interno. De posse da historia do doente, das causas que determi- naram a moléstia e da marcha que esta seguira, o Dr. Avellar Andrade encetou a exploração clinica. Esta revelou : diminuição considerável nos reflexos rotu- liano e do tendão de Achylles; grande diminuição da força muscular ao lado de atrophia considerável das massas mus- culares dos braços. A sensibilidade thermica era normal, mas - 58 - a táctil se adiava muito diminuída nos braços e nas pernas visto como o compasso de Weber marcava todo o desvio angular. O doente não tinha dores medullares nem apresentava perturbação alguma para os outros apparelhos da economia, como deixaram evidentes as explorações dirigidas sobre os pulmões, coração e vasos, apparelho genito-urinario, etc. Em relação ao apparelho digestivo o doente só accusava fastio. O exame electrico revelou, apenas, diminuiçãoda excitabi- lidade dos nervos e músculos á corrente faradica, sendo entretanto, excitados normalmente pela corrente galvanica o que indicava que não existia ainda degeneração Walleriana. O Dr. A. Andrade prescreveu-lhe então : Voltaisação medullar descendente (pólo j- lia região bulbar e pólo—passeiando em toda a extensão da medulla) ; inten sidade de 5 a 8 milliampéres, durante 5 minutos, diaria- mente. Logo após : faradisação humida dos membros thoracicos e abdominaes durante 5 minutos em cada membro, sendo utilisada uma bobina de fio médio. Iuternamente: Phosphato de cálcio ( aá Pyro-phosphato de ferro X 5 grams. { Ácido arsenioso — 5 centigrams. Em 30 papeis.— Tomava 2 por dia, um em cada repasto. A faradisação a principio era feita com electrodos de camurça humedecidos. Mais tarde, o Dr. Avellar usou do seguinte processo : Tomava uma tira de morim de 75 centímetros de compri. mente, molhava-a n'agua salgada e enrolava o membro superior de modo que uma das extremidades da tira fosse terminar na espadua, onde collocava um electrodo e a outra extremidade ficasse presa á mão mergulhada em uma bacia com água sal- gada onde se fechava o circuito por meio de um electrodo de- metal. — 59 — No fim de 12 sessões, as melhoras eram sensiveis á vista além do doente já mover um pouco os braços, a sensibilidade e a força muscular estavam muito melhoradas. Explorando a força muscular e a sensibilidade do nosso doente no fimda ll>«,32",60-e m» sessões, organisamos o se- guinte quadro cujos algarismos traduzem as melhoras obtidas: ;/:' fcfc •/. Pá < _Z cí 1/ o >> ^ >> o TC. Cl >> ri Cl r*5 o Cl ^ § -tí || Cl 1—1 II II rH II í0 o II c II o II o II o C O í- o < <1 -1-2 o +^ d +3 0) -4-s tf V. !/3 — se 'S í- c- | O & n5 O "Í d 'C ô ri ft ç o o O o o O O o Ü1 o o Oi Oi O Jt rc c; cS s 3 M — — »^ -*,^ -/^ -»■■> "^ i—i " -1 i-i -1 H^ M Cl Cl -o Sã !—| CO o :o &<3 — 6o — Em relação aos membros inferiores, podemos estabelecer o seguinte quadro: SESSÕES SENSIBILIDADE TÁCTIL 12 a p«™»{satAâr 32a p--ldSati;ooü°- GO* Pernas j «Wf