^v1- ti ^mm&M^~^fc~M^t5XMMM DO DR. ANTOMO AUGUSTO MALHEIROS Mr r;! r a i JAN ;• 8 Í935 \ ^ > '; / y .-■*•** /<. "*- 'Cr V 5-: he -í: ■J / APRESENTADA A FACULDADE DE MEDICIM DO RIO DE JANEIRO E PERANTE ELLA SUSTENTADA EM 6 DE DEZEMBRO DE 1858 Jloiitoiuo Joitau^to JdtocobetiGo NATURAL DA CIDADE DE CAMPINAS (PROVÍNCIA DE S. PAULO) FILHO LEGITIMO DE ANTÔNIO PINTO CARDOSO MALHEIRO K l)OlfTOK EM JIIESHCIUjA PELA MESMA FACULDADE RIO DE JANEIRO TYPOGRAPHIA UNIVERSAL DF, LAEMMKRT (3{ B — Rua DOS INVÁLIDOS — 61 B 858 / „1 V 4 FACULDADE DE MEDITO DO RIO DE JANEIRO. DfREGTOR—O Sr. Conselheiro Dr. José Martins da Cruz Jobim. VICE-DIRECTOR— O Sr. Dr. José Bento da Rosa. LENTES PROPRIETÁRIOS. Os Srs. Doutores: 1.» Anno. ['rancisco de Paula Cândido...... Physica em geral, e particularmente em suas applicações á Medicina. Joaquim Vicente Torres Homem...... Chimica e Mincralogia. José Ribeiro de Souza Fontes......Anatomia descriptiva. 2.° Anno. Francisco Gabriel da Rocha Freire,£^«to. Botânica e Zoologia. Francisco Bonifácio d'Abreu......Chimica orgânica. Lourenço d'Assis Pereira da Cunha, Exam. Physiologia. José Ribeiro de Souza Fontes...... Anatomia descriptiva. 3.° Anno. Lourenço d'Assis Pereira da Cunha. . . . Physiologia. F. Praxedes d'Andrade Pertence .... Anatomia geral e pathologica. Antônio Felix Martins......... Pathologia geral. 4." Ano. Antônio Ferreira França........ Pathologia externa. Antônio Gabriel de Paula Fonseca .... Pathologia interna. Luiz da Cunha Feijó......... Partos, moléstias de mulheres pejadas e paridas e de meninos recém-nascidos. 5.° Anno. Antônio Gabriel de Paula Fonseca. . . . Pathologia interna. Cândido Borges Monteiro......Anatomia topographica, medicina opera- toria e apparelhos. João José de Caryalho........Matéria medica e therapeutica. 6.° Anno. Thomaz Gomes dos Santos....... Hygiene e historia de medicina. Francisco Ferreira d'Abreü....... Medicina legal. Manoel Maria de Moraes e Valle. . . . Pharmacia. M. F. Pereira de Carvalho, Presidente. . Clinica externa do 3.° e U.* Manoel de Valladão Pimentel...... Clinica do 5.° e 6.° Luiz da Cunha Feijó.........Clinica de partos. LENTES SUBSTITUTOS. Francisco de Menezes Dias da Cruz. . . . [ gecc5o Medica> Antônio Ferreira Pinto ........ I José Maria Chaves...........j Secç3o Cirurgica. Ezequiel Corrêa dos Santos......) Francisco José do Canto e Mello Castro> Secção de Sciencias Accessorias. Mascarenhas , Eccam.........1 OPPOSITORES. José Joaquim da Silva . . ..........| Secç5o Medica> Lucas Ant.° de Oliveira Catta-Preta . . . . í Seccão Cirurgica. Antônio Teixeira da Rocha ....•••..) João Joaquim de Gouvêa............J Secção de g^ncias Accessorias. SECRETARIO—Dr. José Maria Lopes da Costa. AT. B. A Faculdade não approva nerareproya as opiniões emittidasnas Theses que lhe são apresenta-las AO MEU RESPEITÁVEL E PREZADO PAI O ILLTJSTRISSIMO SENHOR ANTÔNIO PINTO CARDOSO MALHEIIíO E Á MINHA CARA E PREZADA MÃI A ILLUSTEISSIMA SENHORA Pequeno tributo de veneração e amor filial. AOS MEUS QUERIDOS 11MIÃO* E lllllA V* Ingênua expressão de fraternal estima. AO ILLUSTRISSIMO SENHOR ANTÔNIO LOPES RODRIGUES CAVALLEIRO DA ORDEM DE CHRISTO Exígua, mas verdadeira prova de estima, respeito e gratidão. AOS MEUS COLLEGAS E VERDADEIROS AMIGOS OIYerece e Dedica © autor. 27 *wt«ja>R«e>««®K
íi^a^««s)«®e>í*íHKíí®s>ít Um grande numero de factos, diz Bérard, observados sobre o homem, provão que as cousas podem se passar nelle, como nos animaes, nos casos de secção transversal de suas artérias. Mr. Velpeau colheu cincoenta e seis observações de feridas artcriaes. nas quaes a hemorrhagia não teve lugar, ou suspendeu-se espontaneamente; ora, tirando dessas observa- ções as que se referem ao arrancamento. ás feridas por arma de fogo, ou ás amputações praticadas nos casos de sphacelo, resta ainda um bom numero de divisões completas por instrumentos cortantes, que não forão seguidas de hemorrhagia, ou nas quaes a effusão de sangue foi suspensa espontaneamente. O homem é todavia muito mais exposto do que os animaes a morrer por effeilo de uma hemorrhagia, se o vaso cortado é volumoso. Esta differença depende mui provavelmente da menor plasticidade de seu sangue, e lambem da organisação, e propriedades de suas artérias. Acontece algumas vezes que uma artéria é dividida nos Ires quartos de sua circumferencia; nesse caso a retraccão é bastante pronunciada, e as extremidades do vaso lomão a fôrma de uma embocadura de cla- rineta, e seu calibre é diminuído em proporção; querem alguns que a cura seja muito mais fácil do que quando a divisão não excede á metade da circumferencia do vaso, se a bainha da artéria não for arrebatada. A ulceração, destruindo o ultimo quarto da artéria que havia sido res- peitado pelo instrumento cortante, reduz o caso ao de uma secção trans- versal completa. Se urna artéria de irande capacidade soffrer uma secção que interesse unicamente a metade de sua circumferencia, os lábios da 27 so. solução de continuidade do vaso tendem a afastar-se consideravelmente, o sangue sahe impetuosamente, e seu escorrimento se prolonga mais do que em qualquer outra circumstancia. Ou a hemorrhagia continua até a morte, que então é muito prompta, ou esta hemorrhagia é interrompida por syncopes, e reapparece logo que a circulação se reanima ; neste caso a morte faz-se esperar mais tempo. Quando, por uma rara excepção, a cura tem lugar sob a influencia de uma longa syncope, e da coagulação do sangue na bainha do vaso, a matéria coagulavel obstrue o canal da artéria, que então se oblitera definitivamente. Sendo a divisão transversal limitada á quarta parte da circumferencia do vaso, os bordos da pequena solução de,continuidade affectão a fôrma arredondada, o sangue se coagula na bainha, e uma matéria coagulavel é secretada, que oblitera a abertura vascular, e ahi se organisa. E' a J. L. Petit que cabe a honra de haver descoberto aqui o ver- dadeiro mecanismo da suspensão da hemorrhagia. Elle tinha reconhecido que o tecido cellular circumvizinho retinha o sangue em torno do vaso. Jones não fez mais do que reproduzir a mesma cousa em termos mais precisos, dizendo que o parallelismo não se dando entre a abertura do vaso e a da bainha, o sangue parava e se coagulava nesta ultima. Em uma ferida longitudinal os labiôs da ferida arterial não se afastão sen- sivelmente ; o sangue que surge da solução de continuidade, corre em menor abundância: a matéria coagulavel secretada não tarda a formar ao nível da ferida um pequeno corpo tuberculoso, que desapparece pouco a pouco. Tem-se podido fender muitas vezes um mesmo vaso do mesmo modo, e injecta-lo mais tarde sem inconveniente. A puncção ou picada de uma artéria dá lugar a um escorrimento de sangue que é logo moderado pela resistência que offerece á sua sahida a parte do liquido que se derrama na bainha do vaso. O sangue é depois reabsorvido, um pequeno tumor persiste por algum tempo ao nivel da picada, e desapparece mais tarde, conservando a artéria o seu calibre. E' o que se passa nos animaes, se- gundo observações de alguns autores, e até um certo ponto póde-se admittir que em um grande numero de casos as cousas se passem do mesmo modo no homem. Todavia no homem, simples picadas não têm sido isentas de hemorrhagias consecutivas. Guthrie vio duas vezes a ar- 27 21 teria crural, ferida pelo teoaçulum í se ulcerar mais tarde, e fornecer uma hemorrhagia abundante, O que constitue os caracteres e o perigo dos ferimentos das artérias. não é tanto o trabalho mórbido que se passa nas paredes do vaso, tra- balho sem muita importância, e que não interessa de perto á saúde geral, mas é a sahida do sangue atravéz das vias circulatórias; è a perda deste liquido nutritivo e regenerador; são os accidentes que resultão de sua presença em alguns pontos em que elle se accumula. Já bastante numerosos são os meios de que dispõe a cirurgia para oppôr uma barreira ás hemorrhagías, prevenindo e evitando assim as fataes conseqüências que dellas resultão. Estes meios são: a compressão, os refrigerantes, os absorventes, os stypticos, os scaroticos e cauterio actual, a ligadura, a torsão, a perplicação, o sedenho, a acupunctura. electro-punctura, e outros. Trataremos por sua vez de cada um desses agentes hemostaticos. Refrigerante*.— Os tópicos refrigerantes obrão sobre as superfícies he- morrhagicas, determinando a contracção das extremidades vasculares, ao mesmo tempo que pela subtracção de uma parte do calorico produzem. um effeito anti-phlogistico; effeito muito salutar, e que concorre pode- rosamente para a suppressão das hemorrhagias activas dos vasos capil- lares. Os refrigerantes de uso mais geral são o ar, á acção do qual se expõem as partes, e a água mais ou menos fria, que se applica, se- gundo as necessidades: em aspersões, projectando-a, ou fazendo-a cahir dividida em fôrma de chuva; derramando-a em abundância: em lavagens por meio de uma esponja, ou de um panno embebido delia, deixando em contacto com as partes sangrentas compressas molhadas; emprega- se também o gelo reduzido a fragmentos, e contido em uma bexiga, que se applica e retira-se alternativamente durante alguns minutos, afim de evitar a congelação das partes que não deixaria de determinar um frio continuo; emfim, póde-se fazer uso das injecções, introduzindo a água por meio de uma seringa, em alguns conductos, ou em algumas cavidades. Os refrigerantes offerecem muitas vantagens, quando empregados com discrição nas hemorrhagias capillares: seu uso não tem importância nas hemorrhagias dos grossos vasos. jibsorventet— Os fios brutos, a esponja, differentes pós de que se* 27 22 envolve os fios, applicados ás superfícies sangrentas, suspendem muitas vezes a hemorrhagia, embebendo-se de sangue, e adaplando-se ás mesmas superfícies sob a fôrma de coagulo solido. se todavia a hemorrhagia não é muito abundante, Este meio é ordinariamente combinado com a com- pressão. Estes corpos apresentão o inconveniente de irritar os tecidos por seu contado, e por isso se faz em geral pouco uso delles. Stypticos.— Deuominão-se assim as substancias que por seu contado condensão os tecidos vivos, favorecendo a coagulação do sangue que es- corre. Póde-se até um certo ponto compara-los aos refrigerantes. Ledran diz, em seu tratado das operações, que um fragmento de vitriolo ou de alumen. applicado sobre a extremidade do vaso cortado, e conveniente- mente mantido, basta para suspender a hemorrhagia que segue a am- putação. Heister preferia a applicação do vitriolo á ligadura na amputação do ante-braço. As soluções de saes, lendo por base o ferro, e todos os ácidos mineraes, têm sido também recommendados como stypticos' ou adstringentes. Os antigos se servião delles em grande escala, mas hoje esses agentes têm cabido no esquecimento quasi completamente; e com razão , porque possuímos hoje melhores meios a oppôr ás hemorrhagias. Escaroticos. — A potassa, differentes ácidos mineraes concentrados, e o nitrato de prata derretido, o chlorurelo de antimonio ou de zinco, etc, entrão nesta categoria. Elles differesn dos stypticos por um gráo de acção mais elevado ; elles produzem uma escara,, entretanto que os stypticos não desorganisão os tecidos. Esta escara fecha mecanicamente os vasos, e concorre com o coagulo para fazer parar a hemorrhagia. Segundo a escola italiana, todas estas substancias que se applicão como remédios mecâni- cos, exercem ao mesmo tempo um effeito dynamico. ou constitucional, que depende de sua absorpção. Segundo (Uacomini. as applicações de nitrato de prata suspendem certas hemorrhagias activas, menos pela escara muito fraca que ellas produzem, do que pela hyposthenia que ellas oceasionão nos vasos da região. Cauterio actual. — A cauterisação dos vasos por meio do ferro incan- decente é um dos processos mais antigamente usados. Os cirurgiões cauterisavão as partes ao mesmo tempo que dividião; elles amputavão ífS membros com facas, cujas lâminas havião sido previamente aque- 27 23 cidas até o vermelho, afim de que toda a ferida, sendo immedíatamente reduzida a escara, não pudesse ter lugar o escorrimento de sangue; mas os práticos os mais sábios não as empregavão senão depois que as opera- ções se achavão terminadas. O cauterio deve ser aquecido até a temperatura branca, convindo applí- ca-lo no momento em que se levanta o chumaço de fios com que se deverá dessecar as partes. Muitas vezes não basta uma primeira applicação, é necessário uma segunda e mesmo uma terceira. Se a artéria é volumosa é prudente manter a escara por um apparelho compressivo que se opponha ao esforço pelo qual o sangue tende a destaca-la. Esta precaução não será desprezada senão quando se trata de muito pequenos vasos. A cauterisação è impotente quando é opposta a hemorrhagias fornecidas por grossos vasos. Os casos em que se deve emprega-la são os em que nem a ligadura, nem a compressão lateral são praticaveis. Assim cauterisa-se as artérias do freio do penis ou da lingua; deve-se ainda applicar o cauterio actual quando ao mesmo tempo (pie se trata de suspender uma hemorrhagia, propõe-se operar a destruição dos tumores fungosos, cancerosos, erectis, quando se opera sobre partes em que o systema capillar sangüíneo é muito abundante, e donde o sangue escorre de todos os pontos da superfície da ferida, espraian- do-se: taes são os casos de operações praticadas sobre os tecidos erectis do penis, dos grandes lábios, sobre a lingua, etc. Lm preceito que se deve sempre observar, quando se emprega a caute- risação, é que é melhor desorganisar os tecidos além do que é necessário, do que ficar áquem. Se a hemorrhagia não é suspensa de modo que não se dè a reincidência, é mais ilifficil combatê-la quando ella apparece do que na primeira vez, porque então as extremidades dos vasos estando destruídas achão-se mais profundamente occultas no meio das carnes inflammadas. Experiências de MM. Amussat e Bouchacourt demonstrarão que, no caso de cauterisação, não só as duas membranas externas das artérias, mas ainda a membrana interna se retrahião, e impedião assim, formando uma verdadeira rolha, a continuação da hemorrhagia. Perplicacão. — A perplicação é um processo hemostatico de origem allemãa : elle consiste em isolar a artéria cortada na extensão de algumas linhas, depois pratica-se uma pequena incisão longitudinal em uma das 27 24 paredes do vaso, sustentando-o por meio de uma pinça applicada ao seu orifício. Então se introduz pela pequena abertura lateral as extremidades de uma pequena pinça curva, a qual tomando a extremidade da artéria, fa-la passar atravéz da fenda praticada lateralmente sobre o vaso, cuja extremidade se acha assim voltada sobre si mesma, e como que estran- gulada. A vantagem que o seu autor o Dr. Stirling, attribue a este processo é fazer parar o escorrimento de sangue sem produzir a mortificação da extremidade da artéria, permittindo assim operar-se a reunião immediata da ferida. Comquanto á primeira vista, a perplicação pareça de uma execução fácil, e de um effeito satisfadorio, comtudo na pratica offerece sérias diffi- culdades, e exige uni certo tempo durante o qual se poderia preencher a indicação por outros meios não menos seguros. Concebe-se muito bem a difficuldade de praticar uma abertura na parede da artéria que podesse ser exadamente occupada pela sua extremidade, de maneira a não permittir a sabida do sangue. O valor deste processo é susceptível de contestação. Sedenho.—Este processo é proposto por Jammeson: consiste em atravessar a artéria com uma tira de pelle de gamo de i ou 6 millimetros de largura; o autor assegura que este meio traz constantemente a obliteração do vaso. Corta-se as duas extremidades do sedenho e fecha-se a ferida. O Dr. Jam- meson atravessou a carótida de um carneiro com uma agulha de sutura, introduzindo uma tira de pelle de gamo; fez o mesmo na artéria carótida de um cão, determinando uma arterite limitada, e obliteradora com espes- samento das paredes. Worms e Amussat, que repetirão a operação, obtiverão bom resultado. A importância do sedenho parece não estar ainda sanccionada pela pratica. A inversão da artéria é um outro meio que se tem inventado, e cujo uso se attribue a Mr. Koch, de Munich. Revirando-se ou dobrando-se a extre- midade da artéria dividida, crea-se um obstáculo á circulação. Não obstante ter-se podido pôr em pratica este processo com algumas vantagens, o seu uso não tem sido recommendado pelos operadores. Mastigões.—-Tem-se aconselhado para suspender a circulação a compres- são forte das artérias em um ou em muitos pontos de sua extensão por meio 27 25 de pinças dentadas, a ponto de romper as túnicas internas. Os resultados das experiências têm protestado contra a efficacia deste meio. Arrancamento. — Alguns cirurgiões têm podido se lembrar de arrancar as artérias, isoladas, para suspender a hemorrhagia, seduzidos pela sua ausência que ordinariamente se observa nos casos de arrancamento dos membros : é um meio bárbaro que a sãa razão condemna. A acupunctura é um processo hemostatico que pertence aMr. Velpeau. Pratica-se a acupunctura por meio da introducção de alfinetes nas artérias, atravessando-as, quer depois de as haver descoberto, quer interessando os tecidos. Depois de quatro dias de permanência destes corpos estra- nhos no interior do vaso, tem-se observado a formação de um coa- gulo sobre os pontos picados. Mr. Velpeau, que fez estas experiências sobre cães, estabeleceu que para uma artéria da grossura de uma penna de escrever, bastava um alfinete; seria necessário empregar dous ou três para um vaso de calibre duplo; para os grossos troncos quatro ou cinco. O mesmo autor aconselha que se colloque os alfinetes em zig-zag, guardando a distancia de quatro a seis linhas entre si para que o effeito seja mais seguro. Para alguns cirurgiões a acupunctura é não só insufficiente, como também poderia dar lugar a hemorrhagias e aneurismas. O fado observado por Guthrie de hemorrhagia abundante consecutiva- mente à picada da artéria com a ponta do tenaculo justifica até um certo ponto os receios de alguns cirurgiões. Mr. Amussat, cujas experiências tendião a provar a insufficiencia ou antes a inefficacia dos alfinetes, refere que um aneurisma teve lugar consecutivamente a uma experiência feita com o fim de conhecer o valor deste meio. Electro-punctura.-^ meio foi empregado por Pravaz com o intuito de determinar acoagulação do sangue em um tumor aneurismatico. Elle introduzia uma agulha fazendo ao depois passar sobre ella uma corrente electrica. A compressão é o primeiro meio que se apresenta para suspender a effusão de sangue. Por meio delia suspende-se a circulação nas artérias pela approximação das paredes em maior ou menor extensão deseutra- jecto Velpeau distingue a compressão em quatro espécies: directa, indirecta, provisória e permanente. Directa quando os meios compressi- vos são applicados directamente sobre a ferida; indirecta quando os meios 27 56 compressivos são exercidos a alguma distancia do ponto lesado, acima ou abaixo da ferida, segundo o exige a disposição das artérias; compres- são provisória a que se exerce temporariamente até a applicação do meio ao qual se confia um resultado definitivo; esta espécie de compressão, quan- do possível, é constantemente indicada nos casos de ferimentos arte- riaes; e finalmente a compressão é permanente quando se tem em vista por meio delia obter a obliteração da artéria, e a cura definitiva. A divisão que mais geralmente se admitte da compressão, e que nós adoptamos, è a em mediata e immediata, segundo que se actua sobre os vasos por inter- médio das partes molles. ou directamente sobre elles. A compressão me- diata se exerce sobre toda a extensão, ou sobre um ponto somente do trajecto de uma artéria, A compressão immediata pôde ser exercida sobre o orifício dos vasos, ou perpendicularmente a seu grande eixo: no primeiro caso é chamada directa, no segundo indirecta. Para que se possa exercei a compressão sobre o trajecto de u a artéria é necessário que se dêm circumstancias anatômicas, que nem sempre se encontrão; ha pois artérias que, em razão de sua topographia e relações de connexão com órgãos importantes, não se prestão á compres- são sem que se dê grave compromettimenlo da saúde geral, ou pelo menos da integridade das funcções da parte que se acha submettida á sua acção. Assim, para que um vaso possa ser comprimido com vantagem, é neces- sário que se ache collocado sobre um ponto de apoio solido, que seja situado próximo á superfície do corpo e corresponda a um osso ao qual se possa approxima-lo facilmente. Se nas proximidades da artéria não se encontrasse senão partes molles é evidente que ellas deverião ser fortemente comprimidas para que a hemor- rhagia cessasse; neste caso a compressão teria um effeito funesto. Algumas vezes todavia não se pôde deixar de fazer uso da compressão, e não ha osso que possa servir de ponto de'apoio; então a arte pôde supprir essa falta, esta- belecendo duas pyramides de fios oppostos por seus ápices, entre os quaes o vaso se acha comprimido. Da .compressão mediata sobre toda a extensão do vaso. — Este gênero de compressão, que se applica especialmente sobre os membros thoracicos e abdominaes, se exerce por meio de compressas graduadas applicadas 27 27 sobre todo o trajecto da artéria; estas compressas são mantidas por meio de ataduras circulares enroladas em espiral, a partir das extremidades digi- taes do membro até a origem do vaso; sem esta precaução dar-se-hia a intumescencia oedematosa das partes situadas. abaixo- do lugar aonde come- çasse a compressão. Thedeo applicava compressas longas sobre o trajecto da artéria, afim de moderar e suspender o curso do sangue, e as mantinha por meio de- voltas de uma atadura circular, que comprimia moderadamente, humeder cendo depois o apparelho com um liquido adstringente. Gangha, na compressão do braço, começava por comprimir os dedos; a mão e o anfe-braeo, até o nível da ferida, sobre a qual applicava um" tampão feito do pannos embcbidos de uma mistura liquida de substancias adstringentes, collocando depois algumas compressas, que elle mantinha com algumas voltas de uma atadura, com a qual elle fixava sobre o trajecto: da arbvia um cylindro de madeira envolvido de pannos, este apparelho era em seguida ligeiramente molhado por um liquido adstringente. A com- pressão de que tratamos exige certas condições, quando empregada, para que surta o desejado effeito; e pois e necessário que ella seja regular, igual e uniforme; deve-se levantar o apparelho e reapplica-lo com freqüência,. se elle afirouxa. ou se, em virtude de sua constricção, elle causa muitas dores aos doentes. Compressão mediata sobre um ponto do trajecto arterial. — Faz-se um uso ínuiio freqüente da compressão mediata limitada a um ponto do tra- jecto arterial, para prevenir a perda