AIMtESKXTADA E PIBLICAUEXTE StSTEXTADA PERANTE A FACULDADE DE MEDICINA EM NOVEMBRO DE 180.*>. FEÍ.1TCISS0 SIDROIIO BAUDERi CHAGAS NATURAL DA MESMA PROVÍNCIA Filho legitimo de Francisco Agostinho Guedes Chagas e 3». Emílio Augusta Bandeira Chagas PÃR& ©3TET1 © ©TlÁ© DE Homo est qui futurus est. (Tkrtulia ko) TYPOGKAPÍIÍV POGGETTÍ, DE TOURINIIO & G. ISia» ai o CL'ori»o Ssmto n.°4J FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIRECTOR O l?jc.m0 8tn\ Conselheiro JDe. *Soão JBaplista dos Anjos» ^a©i=©3^i©T©[a 0 Ex.moSnr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Magalhães. &8STOQ8 3>2&(DS>S&285Pima(D§. OS SUS. DOUTORRS \ •' ANNO. MATÉRIAS que leccionam n^. «n„„„i„ p„..^„;-,H«M,re^n,ãoc 1 Pliysica em geral, eparticularmente em suas Cons. Vicente Ferreira de Magalhães . .J apolicações a Medicina. Francisco Rodrigues da Silva.....Chimica e Mineralogia. Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Anatomia descriptiva. a.' ANNO. Antônio de Cerqueira Pinto ..... Chimica orgânica. ...............Physiologia. Antônio Mariano do uomfim.....Botânica e Zoologia. Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Repetição de Anatomia descriptiva. 5.' ANNO. Elias José Pcdroza........Anatomia geral epathologlca. José de Góes Siqueira.......Pathologia geral. ...............Physiologia. 4.' ANNO. Cons. Manoel Ladislao Aranha Dantas. . Pathologia externa. Alexandre José de Queiroz.....Pathologia interna. „„..,„ .,„,„.., e~„,nntr. ) Partos, moléstias de mulheres pejadas e de meninos Mathias Moreira Sampaio.....\ rcccmnascidos. S.» ANNO. Alexandre José de Queiroz......Continuação de Pathologia interna. Joaquim Antônio d Oliveira Botelho . . Matéria medica e therapeulica. José Antônio de Freitas.......j AnaaplJamr^nt00P°srai)hica' Mcdicinaoperatorla.fi «.• ANNO. Antônio José Ozorio........Pharmacia. Salustiano Ferreira Souto......Medicina legal. Domingos Rodrigues Seixas.....Hygiene, e Historiada Medicina. Antônio José Alves.........Clinica externa do 3.* c 4.° anno. Antônio Januário de Faria......Clinica interna do 5.* e 6.' anuo, S»(D32S(Dm83. Rozendo Apriglo Pereira Guimarães. .") lgnacio José da Cunha.......f Pedro Ribeiro de Araújo......} Secçao Accessoria. José lgnacio de Barros Pimcnlel. . .] Virgílio Climaco Damazlo...../ José AfTonso Paraizo de Moura, . . .\ Augusto Gonçalves Martins.....j Domingos Carlos da Silva......>Secção Cirúrgica. Demelrio Cyriaco Tourinho.....( Luiz Alvares dos Santos......) Secção Medica. João Pedro da Cunha Valle.....^ Jeronimo Sodré Pereira.....J O Exni. Sr. Dr. Cincinuato Pinto da Silva. O Sr* Dr. Thomaz il'Aquino Gaspar. A Faculdade nãoapprova, nem reprova ag opiniões euültidas nas lheses que lhe são apresentadas. VÍCIOS DE COHFORMÇ.lO DA BACIA E SUAS INDICAÇÕES, IHI:RÜIDU©CilDa A' 5â ^ ^ qdzessemos traçar a historia de todas as variedades, qi:e a ^|'^.ife\ ' conformação viciosa da bacia pode olíereccr,, pesar s:ircossi- SiS^I*:^ vãmente as cansas especiaes, as conseqüências e estabelecer as indicações, que cilas apresentão, seria mister dar grande extensão a este trabalho. Não temos pois cm mira estender o horisoiite do nosso escripto, cxamiiian- do com critério os vicios de conformarão da bacia e suas iudicacões: é tarefa que compete aos escritores provectos, que ricos de sufíicieale cabedal scien- tiíico podem todo dia patentear o fraclo de seos conhecimentos. Portanto, sobre o ponto dado pelaFac;:! !a;Je para prova de nossa sufíicien- cia, convém que digamos alguma coisa, que a ponquidade de nossas luzes pos- sa suggcrir-nos em cumprimento do preceito legal que ora nos corre. Para este fim dividiremos esta nossa dissertação em três partes, que maior elucidação dccm ao assumpto, que tomamos por llicsc. F. 1 VICIOS DE COINFORMAÇAO DA BACIA E INFLUENCIA QUE EXERCE» DURANTE A PRENHEZ E O PARTO. L'accoucbeur seul peat reunir lcs conditions de savolr.de fermeté, d'autorité capablcs d'ins- pirer uncconflance absolue, luiseulpeut pre- voir et prevenir les accidens possibles, lui seul peul y remédier convenablement, quand ils arrlvent. (ülbert. et Baile). UANDO por desvio de seu estado normal, a bacia exer- i ce sobre o mechanismo do parto tal influencia, de que pode resulíar grande perigo, não só para a mulher* como também para o foto, se diz que ella está vicia- da ou mal comformada. Execulando-se o parta algumas vezes de uma maneira muito rápida e n'outras occasiões tornando-se diíficil e até impossível aos esforços d& natureza, é evidente, que por dois modos esta terrível influencia se- manifesta: primeiro,, o parto se faz rapidamente por um excesso de amplidão da bacia, e cm segundo lugar a estreiteza se apresenta como influencia diametralmente opposta. Uma bacia larga parecendo á primeira vista uma favorável circuns- tancia para a mulhervpode todavia expol-a aimmensos accidentes du- rante a prenhez e o trabalho do parto. Durante a prenhez, o utero achando mais espaço na escavação, ahl 4 se desenvolve até uma epocha adiantada, e não sendo solicitado a ele- var-se para cima do estreito superior, comprime o recto e a bexiga e (Visso provem difficuldadc maior ou menor em suas excreções. Se este vicio é levado ao excesso e de preferencia accometle a escavação d'ella, conservando os estreitos a sua respectiva normalidade, não será raro ver-se o reviramento do utero, e mais tarde não podendo elle pelo seu desenvolvimento demorar-se na pequena bacia, encontra difficuldades invencíveis da parte do estreitosuperior;e o embaraço qued'ahi resul- ta, produz muita vez o aborto. Àccontece algumas vezes, que o utero retido na escavação seja com- primido por todos os lados, e que a seu turno também aggiavando os aceidentes acima expostos, produza na mulher lenesmo insuportável na bexiga e no recto, repuxamentos excessivos nas regiões ingui- naes, lombar e umbilical; e até um escorrimento, mais ou menos fétido, tem lugar pela vulva e a final todos os symptomas de uma in- flamação uterina se desenvolvem. No fim da prenhez, a cabeça do feto se envolvendo cedo no estreito superior; todos os aceidentes que vimos apresentar-se no principio da gestação, renovão-se eo embaraço da circulação, que se patentea pe- la infiltração das extremidades e por tumores hcmorrhoidarios, varices etc, tem seu máximo de intensidade. A marcha muito veloz do trabalho pode ser perigosa á mulher e ao feto, se bem que pessoas estranhas á arte, entendão como feliz a par- turição rápida. Os eífeitos que se deve receiar de um parto promplo, são: a ruptura da vagi na e sobre tudo a dopcrinèo. Pode accontecer que o segmento inferior da madre, que encerra a cabeça do feto, seja arrastado pelas forças expulsivas da mesma, antes da dilatarão com- pleta de seu orifício; e ha exemplos de queda de todo utero com seu conteúdo, conforme diz o Snr. Naegelé. Finalmente, a acção continuada dos movimentos, que tem lugar n'cstas parte.*, c as dores que a parturiente aceusa pela pressão exces- siva di-terminão muita vez o esgoto, um tremor geral, o delírio ele. & Já vimos qual a influencia de uma bacia larga durante a prenhez e o parto: as indicações d'estes vicios de conformação, a maneira de reco- nhecel-os e sua etiologia, hcmos de tratar em capítulos dilTerentes. II. Quando as dimensões do canal pelviano e as do corpo, que deve ser expellido, estão em condições inteiramente oppostas, o parto não é mais possível; e se esta desproporção é levada ao extremo o parteiro não tem mais que escolher, senão meios igualmente perigosos. As variadas formas de que a bacia se reveste, as differenças de se- de das deformidades e especialmente os diversos grãos de estreita- mento são tão numerosos, que torna-se necessário dividil-os ern duas cathegorias: estreitamentos uniformes e desiguaes, ou bacia viciada por estreitesa absoluta e por estreitesa relativa. A bacia uniformemente estreitada, em virtude da qual todos os diâmetros são proporcionalmente muito pequenos constitue um vicio primitivo. Sr. Naegelé, cujos insignes trabalhos sobre a bacia, muito se tem propagado, torna-se credor de que assignalemos a importân- cia dos estreitamentos, que ora é o assumpto, que nos oecupa. Se não encontra de preferencia nas mulheres de pequena estatura a menos que não estejão em condições de uma anã: todavia a bacia pode apresentar-se uniformemente estreitada em mulheres, comquan- to convenientemente conformadas pelos seus caracteres exteriores não possão fazer presentir este estado. A estreiteza relativa da bacia resultado da direcção e mudanças que tem soífrido os differentes os- sos de que ella se compõe, pode apresentar-se em uma medida e de maneiras variadas. O estreitamento antero-posterior, que resulta do approximamento das paredes anteriores e posteriores da bacia, sendo a forma de vicio F. * ti de conformação a mais commum, apresenta todavia algumas varieda- des concernentes á sua extensão. 0 estreito superior pode ser o único estreitado, emquanto que a escavação pode conservar sua capacidade normal e a razão é obvia. O sacro apresentando de ordinário, uma pequena concavidade an- terior, toda vez que esta augmentar-se formando um angulo obtuso ou diminuir tomando a forme plana, é evidente, que factos inteira- mente oppostos devem orientar o parteiro, o qual não terá só a con- siderar um estreitamento simples do estreito superior, mas também a escavação que se acha interessada por sua vez. Os diâmetros sacro-pubiano e coccy-pubiano, de parceria podem ser estreitados, a menos que o sacro cedendo aos impulsos do peso do corpo, que lhe é transmittido pelo rachis, experimente sobre seu eixo um movimento de rotação, em virtude do qual a base do mesmo seja levada para diante, cm quanto que o ápice deste osso é repellido para a parle posterior: o contrario pode dar-se sempre que o sacro offereça em sua face anterior uma considerável curvadura, e então é> claro, que as duas extremidades d'elle se hão de dirigir para o mes- mo ponto, e conseguintemente augmentar o diâmetro da escavação. Se bem que a symphese dos púbis possa concorrer de alguma sorte para o estreitamento da bacia, já pela sua extensão demasiada, já pela direcção que cila pode tomar, produzindo d'est'arte differentes configurações na forma da mesma, todavia é sempre o sacro, que commummente se desloca no approximamento dos diâmetros antero- posleriores da bacia. Em conclusão, digamos com o illustre parteiro Snr. Naegelé, que é raro, que o estreitamento superior não dependa de um estado aná- logo do superior, se bem que muita vez o parteiro suppondo a diffi- culdade do parto n'este estreitamento, engana-se e vae procurar a verdadeira causa n'um estado anormal das contracções ou na resis- tência que a cabeça do feio encontra nas partes externas da geração. A compressão lateral, que estreita o diâmetro transversal é a mais 9 rara de todas as deformidade*, muito principalmente quando estas se limitão ao estreito abdominal e a parte superior da escavação, o contrario pode accontecer ao estreito perineal dando-se o approxima- mento das tuberosidades ischiaticas. Quando um dos lados da bacia é menos desenvolvido, que o outro, e discreve uma curva menos pronunciada, uma outra espécie de estrei- tamento se apresenta. A articulação do rachis com o sacro, neste ca- so não corresponde ao meio da bacia, e a columna vertebral por isso mesmo mais se approxima do quadril do lado estreitado. Vimos que os estreitamentos antero-superiores e inferiores, apre- sentavão um certo antagonismo e como que se combinavão para dar formas diversas á bacia; o contrario suecede aos diâmetros transver- sos, que a largura de um coincide com o encurtamento do outro, salvo se este vicio não for determinado pela luxação congênita dos femures. O estreitamêuto oblíquo, sendo mais freqüente, do que o prece- dente, pode ser observado de um lado somente ou concumitantemen- te com o do lado opposto. No primeiro caso a symphese dos púbis des- via-se para um lado e o promontorio segue a direcção contraria; o os- so coxal forma uma saliência na junecão das trez peças, que o cons- tituem, de modo que faz consistir a deformação no desdobramento da curva formada pela bacia. Quando este desdobramento, acima men- cionado, tem lugar em ambos os lados, uma certa symetria pode exis- tir entre estas partes, porém accontece muitas vezes que a deformação do osso coxal, sendo levada a um alto gráo, concorra a modificar os diâmetros antero-posteriores e d'ahi d'esta viciação nos diâmetros da bacia é que resultão as multiplicadas variedades de formas, que ser- vem de base á classificação de M.mí Lachapelle em estreitos renifor- mes, triangulares, bilobados, arredondados, ovalares e cordiformes, trapezoides, pyramidaes e trilobados. Não podemos deixar de mencionar, ainda que perfunetoriamente, n algumas considerações a respeito da variedade de estreitamentos oblí- quos, assignalada pelo illuslre professor Senhor Naegelé. A ankylosc de um dos ossos iliacos com o sacro, a demora do des- envolvimento da metade d'este osso, buracos sacros menores de um lado são os caracteres que constituem a bacia oblíqua ovalar; a outra metade da bacia, isto é, aquella que parece conservar-se n'um estado regular, não é entretanto assim, visto como supprimindo-se a parte viciada de duas bacias d'csta espécie, não se poderá com as outras duas metades, que parecem bem conformadas, constituir uma bacia normal. Este vicio de conformação á que nos referimos, apresenta algumas vezes uma grande vantagem, e é—geralmente—o que se perde de um lado cm amplidão, ganha-se no outro; e d'est'arte permitlindo que se eftéctue o parto, maximé, se por uma circunstancia imprevista fòr mister a extracção do produeto no momento do trabalho, o parteiro poderá praticar a versão, ainda que um vicio de conformação possa ser uma conlra-indicação do emprego d'esta operação. Na primeira parte do nosso trabalho, vimos a influencia, que tinha durante a prenhez, e o parto, uma bacia larga; agora porém, que li- geiramente fizemos conhecer em geral os vicios da segunda cathego- ria, é mister que apresentemos a sua influencia relativa. 0 estreitamento do estreito superior, quando é pouco pronunciado e acompanhado do augmento da escavação, o utero achando mais es- paço para se desenvolver, ahi demora-se e produz os mesmos aceiden- tes acima expostos; mas nem sempre isto acontece, a scena se muda, e vemos no fim da prenhez, quando o utero está bastante desenvolvi- do e que o estreitamento é sobre tudo na direcção de seu diâmetro transverso, ser a causa do parto prematuro, como faz observar A. Dubois. Quando este estreitamento se localisa de um lado, pode até produ- zir a obliqüidade do utero. O embaraço que este terrível vicio traz para o trabalho do parto, em geral, será tanto, quanto maior o gráo o do estreitamento, se bem que o volume da cabeça do feto influa de algum modo na producção d'este embaraço, sua posição, o relaxamen- to mais ou menos pronunciado das sympheses pelvianas. E a rasão é que existem mulheres, que tendo a bacia em idênticas circunstancias, umas tem o parto com feliz successo, em quanto que outras hão mister que a arte intervenha. Quando um dos lados da bacia apresenta-se estreitado, algumas ve- zes o sacro se dirige para diante e ao mesmo tempo curva-se sobre es- te lado: o parto n'estas condições pode effectuar-se de dois modos; ou apresentando espontaneamente a grossa extremidade occipital ao lado não estreitado, ou vice-versa, se a apresentação for da extremidade pelviana. D'aqui vè-se quanto é perigosa a influencia d'esse vicio du- rante o parto, se a mão compadecida do parteiro não vem em soecor- ro, tanto para a mulher, que expõe-se á ruptura do utero, da bexiga, á contusão e inflamação d'estes órgãos e do peritoneo, e emfim a um estado febril bastante grave; como para o menino que envolto nas águas amnioticas e chegando ao momento marcado pela Providencia a dar o seu primeiro vagido, encontra esta resistência no estreito superior, e não podendo fechar completamente o collo uterino, deixa escapar o liquido, que o banhara; o feto pois fica comprimido entre as paredes do utero e este concorrendo para a terminação do trabalho, comprime igualmente o cordão umbilical. A cabeça do feto, supportando todo esforço das resistências oflére- cidas pela bacia, está sujeita as pressões, as quaes podem fracturar os frágeis ossinhos, ferir até a massa encephalica. Em conclusão: quando o feto se apresenta pela extremidade poda- lica, as manobras que se praticão com o fim de conseguir-se, que a cabeça se desembarace, produz muita vez luxações das vertebras cer- vieaes e lorsões da medula propriamente dita. A forçada introducçâo, como anteriormente vimos, da cabeça do teto em uma bacia anormal pode determinar o afastamento das sym- pheses e deste accidente resultar as inflammações, supuraçoes, e F. 3 IO como conseqüência remota, uma grande mobilidade nas articulações da bacia, a claudicação, etc. Por conseguinte, é de crer-se avista de tão imminentes perigos a importante influencia, que exercem os estreitamentos da bacia duran- te a prenhez e sobretudo durante o trabalho do parto. CAUSAS PRODUCTORAS DOS YICIOS DE CONFOR1I\ÇÍO DA BACIA E O MODO DE RECOMECEL-OS. On dolt beaucoup exiger de celul qul se falt au- teur par un suget de gain et d'intôrêt, mais celui qui va remplir un devoir donl il ne peut s'exem- pter, est digne dVxcuse dans les lautes qü' il pourra commettre. ( La Druyêre.) I. « Se procurarmos as causas geraes dos vicios de conformação da ba- cia, veremos, que todos trazem algumas modificações na vitabilidade e no modo de nutrição dos ossos, qualquer que seja a epocha da vida em que estas causas se manifestem, pode dar como resultado um vicio na bacia. O rachitismoe a osteomalacia, com quanto muito distinctos por seus caracteres anatômicos, de que não nos occupamos, produzem os mes- mos resultados; o primeiro, que é próprio da infância, se accompanha muitas vezes de um certo grão de amollecimento, porem é caracteri- sado sobre tudo por uma demora de desenvolvimento; emquanto que o secundo—a osteomalacia, que não ataca senão ao adulto, o amolleci- mento é mais pronunciado, ao passo que os ossos tem adquirido seu inteiro desenvolvimento. São pois estas duas affecções as causas mais communs das diversas deformações, bem que para ellas aetuarem, hão mister a acção de uma força externa, sem a qual o esqueleto ficaria intacto em sua conformação. Na estação, o peso do corpo, transmittido das ve^ebras lombares ás- 1 s cabeças dos femures, tende a deprimir de cima para baixo a parte pos- terior do circulo ósseo, que representa a bacia, e a elevara parte ante- rior; esta força ao passo que empurra o sacro para a parte inferior, ao mesmo tempo dirige-o para diante, conjunetamente parte dos púbis visinha da cavidade cotyloide, que estando subordinada a esta influen- cia deve approximar-se do angulo sacro-vertebral; dahi a maior fre- qüência nos estreitamentos do estreito superior. O peso do corpo cahindo maisparaumlado, o que ha lugar, quando um dos membros é mais curto do que o outro, e se ao habito da mu- lher e a natureza de sua profissão, se liga alguma influencia, é claro, que a deformidade deve affectar especialmente um lado da bacia e não sua totalidade. Se de ordinário o menino fica assentado, este peso transmittido pelo rachis pode ainda impellir para diante o promontorio, e se coneumi- tantemehte a ponta do coccyx segue a mesma direcção, a concavidade do osso, de certo, é augmentada, e conseguintemente os diâmetros antero-posteriores de ambos os estreitos são igualmente viciados. Os vicios de conformação da bacia, longe de serem naturaes, salvo raras excepções, devem pois ser altribuidos á algum accidente. É ordinariamente na infância que esta posição viciosa apresenta seu máximo de freqüência, e que a causa primordial, o rachitismo, acha seu pleno desenvolvimento. Ninguém ignora, que mais pouco cuidosas na educação physica de seos filhos, arrastadas por um funesto habito, envolvem estes pequenos seres em faixas, aliás estreitas, logo que vêem a luz do dia, e não satisfeitas ainda d'este primeiro gênero de tortura entregão os ternos fruetos de seu amor á amas mercenárias, que ao envéz de estendel-os horisonlalmente sobre seus braços, a fim de favorecer o desenvolvimento de seus órgãos, levantão-nose os abração de certo modo, que comprimem mais ou menos sua delgada bacia; ou- tras ha que fazem-nos andar, ainda fracos e sem terem bastante soli- dez nas pernas para sustentarem o peso do corpo; tornando-se a bacia o centro de acção ra^tre o rachis e os membros abdominaes, cede ao 13 esforço das potências, que a comprimem, porque falta-lhes consistên- cia e ella se contorna de mil maneiras. O que hemos dito sobre as causas dos vicios de conformação, não se applica ás bacias viciadas por estreiteza absoluta, pelo que invoca- mos a opinião d'aquelles, que pensão, que este vicio é antes devido a demora do desenvolvimento, em conseqüência de que os caracteres que cilas tinhão na infância, se approximão durante a puberdade, aos do homem. Finalmente, estas bacias parecendo um defeito da naturesa, si bem que as muito grandes apresentem a mesma supposição ao parteiro, comtudo devemos dizer com o illustre professor Naegelé, que não te- mos noção exacta sobre as causas produetoras d'este vicio da bacia. A curvadura da columna vertebral, as luxuções do femur, quer con- gênitas, quer accidentaes, as lesões dos membros inferiores, são causas que podem concorrer para semelhante vicio, e d'est'arte impe- dir que o parto se eífeclue pelos esforços da natureza. II. Por mais minucioso que sejamos no exame a que procedemos, este tornar-se-haestéril, si não indicarmos os signaes, pelos quaes podemos reconhecer os differentes vicios de conformação, e os meios de apre- cia-los, tanto quanto for possível. Estes signaes nos são fornecidos pela inspecção exterior da mulher c pela pelvimetria ou mensuração da bacia. O estado geral da mulher, sua estatura, constituição e a historia de seus primeiros annos são predicados, que o parteiro não deve des- presar, c que podem oriental-o a respeito do estado da bacia. Comludo como é essencial para a felicidade das famílias chegar a re- sultados mathematicos, e como os signaes sensive^ não dão, senão pro- F. '' 14 habilidades, osparteiros teem imaginado uma infinidade de instrumen- tos, com o fim de medir com mais exactidão a bacia, quer exterior, quer interiormente, conhecidos com o nome de pelvimetros. Alguns preliminares julgamos conveniente ao desenvolvimento da mensuração da bacia, pelo que consideraremos os seus estreitos e esca- vação no estado normal, para podermos conhecer suas differenças e alterações, quando a arte nos imposer a decisão de uma boa ou má conformação da bacia. No estado normal, em geral, o estreito superior marca no seu diâ- metro antero posterior quatro pollegadas; os dois diâmetros oblíquos, que se medem das sympheses sacro-iliacas a eminência ileo-pectinea do lado opposto, tém quatro pollegadas e meia, emfim o bis-iliaco ou transverso, que parte do lugar mais declive das duas fossas iliacas, apresenta cinco pollegadas. O estreito inferior, chamado também perineal, é muito irregular em seu contorno; apresenta no seu diâmetro antero-posterior, medido da ponta do coccyx abaixo da arcada do púbis quatro pollegadas; os dois oblíquos, que, se dirigindo do ponto de reunião do ramo descen- dente do púbis e ascendente do ischion, chega ao meio do grande liga- mento sacro-iliaco, tem igualmente quatro pollegadas, podendo adqui- rir linhas de mais. Emfim, o diâmetro transverso d'este estreito apresenta a mesma ex- tensão, que os precedentes, e é marcado ou tem como extremidades as duas tuberosidades ischyaticas. Os diâmetros da escavação apresentão quasi todos quatro pollega- das; sua altura é variável, segundo a parede, que se observa. Passemos em revista a mensuração da bacia. O uso tem consagrado* como de grande utilidade, para medirmos a bacia exteriormente, o compasso de espessura de Baudelocque, que consiste em duas hastes metálicas, curvas em semi-circulo, de maneira que em sua curvadura, possa abraçar a maior parte da bacia; os pontos de terminação d'estas hastes são lenticulares, destinados á serem applicados sobre os pontos, 15 cuja extensão se quer apreciar: marca o gráo de afastamento d'estes pontos uma regoa, que trazendo uma escala, atravessa os ramos do lugar, em que sua porção recta se une á curva, h pois o instrumento que o Snr. Baudelocque apresenta, assegurando provas satisfactorias de seu emprego. 0 emprego do pelvimetro de Baudelocque não dando, segundo a nossa fraca opinião, senão resultados approximados, pois que, depois da escala graduada marcar a extensão do diâmetro, que se quer exa- minar, havemos de subtrahir uma cifra para a espessura das partes molles, cujas variedades conhecemos, todavia não devemos renunciar o seu uso, quando tivermos de examinar uma virgem, e não havendo a rigorosa necessidade de um exame mathematico, receiamos ainda lan- çar mão de outro meio, que, offendendo o pudor da donzella, traga igualmente a ruptura da membrana hymen. Quanto a mensuração interna, infinidade de instrumentos ha se apresentado, com o fim de facilitar a pratica, taes são os de Coutou- ly, de Stein, M.me Boivin, Van-Huevel, até a mão do parteiro tem disputado n'esla pratica uma alta missão. Não nos demoremos na discripção minuciosa d'estes intro-pelvi- metros, e passemos a fallar do ultimo que na arte obstetrica tem go- sado foros de superioridade. Sendo a mão do operador o melhor de todos os intro-pervimetros, quando temos de apreciar modificações, que se passão durante a pre- nhez e o parto, torna-se quasi de nenhuma utilidade, quando temos de emittir a nossa opinião a respeito de uma virgem. Não é senão cautelosamente, que o parteiro pratica esta exploração e que vae apreciar a extensão dos diâmetros dos estreitos, a fim de que não seja apagado o signal physico da virgindade. Eis a maneira de servir-se do dedo. O indicador é levado na vagina e dirigido segundo o eixo da bacia até encontrar o angulo sacro-ver- tcbral, reconhecido pela depressão transversal, que apresenta a articu- lação ;'depois, quando a extremidade do dedo está bem applicada sobre 1» este ponto, levanta-se o puuho, até que seu bordo radial encontre a resistência da parte inferior da symphese dos púbis, e tendo a cautella de afastar, o que poder, os grandes e pequenos lábios, o operador mar- cará o ponto do dedo introduzido, que se acha em contado com a symphese, e afinal levará a uma escala graduada, da qual subtrahindo a altura da symphese, terá a dimensão do diâmetro antero-posterior do estreito superior. Quanto ao mesmo diâmetro do estreito inferior, se medirá da mes- ma forma. Os diâmetros oblíquos e transversos são muito difficeis de apreciação no estreito inferior, e só o habito do parteiro poderá decidir. INDICAÇÕES QUE RECLAMÍO OS VICIOS DE CONFORMAÇÃO DA BACIA DURANTE A PRENHEZ E O PARTO. II n'est pcut-Clre aucun de nous qui force de choisir entre Ia vie de safcmme et ciile de Icnfant qú\ elle porte dans son scin, bésilerait a autorlzer Ic sacrifice de cc dernicr. ( CASBALX ). I. Quando a bacia está viciada por forma a impossibilitar o parto, não resta mais, que trez gêneros de recursos para livrar a mulher do im- minente perigo, que a ameaça: primeiro, obrar sobre o feto para dimi- nuir seu volume; segundo, augmentar a bacia, terceiro, extrahir o feto por uma via artificial. Para preencher estas indicações, devemos ter em consideração as dimensões exactas da cabeça do feto e da bacia nos diâmetros, que de- vem se corresponder nos differentes tempos do trabalho; saber em fim o quanto é susceptível de reducção a cabeça e qual o gráo de ener- gia e coragem, que apresenta a mulher, que só approximadamente podemos adquirir. Para maior elucidação das indicações, que hemos de preencher, convém dividir, segundo Snr. P. Dubois, todos os vicios de confor- mação em trez classes. Na primeira collocaremos as bacias, que apre- sentarem em seu menor diâmetro trez pollegadas, na segunda estão F. 5 1» comprehendidas as bacias que tiverem, pelo menos, duas pollegadas e meia, e a terceira cathegoriacompõe-se daqucllas, cujo menor diâme- tro é tal, que o espaço livre será inferior a duas pollegadas emeia. Antes de tractar das indicações, que reclamão estes vicios acima ex- postos, convém que digamos duas palavras acerca das indicações, que devemos preencher durante a prenhez. Diversas opiniões tem sido dadas por differenlcs parteiros com o fim de tornar nulla a disproporção existente entre o feto de termo c a bacia deformada e quasi sempre estreitada; muitos tem acconselhado deter o desenvolvimeuto do feto, durante a gestação e permitlir-lhe por este meio franquear mais facilmente o canal ósseo da bacia no ter- mo normal do parto. Se é verdade que a força do feto encerrado em seus envolucros está cm relação com as forças da mulher, nada seria mais natural, nem mais indicado, que enfraquecer as mulheres mal conformadas, duran- te a prenhez. Mas como a experiência não demonstra estas previsões, e todo o dia vemos mulheres robustas darem á luz meninos débeis e vice- versa, é de recear que a dieta a mais severa e vegetal, as evacuações sangüíneas as mais abundantes, não servirião, senão de impossibilitai- as á supportar as operações, que a pratica esclarecida dos grandes par- teiros tem registrado nos annacs da arte. Admittindo por um instante que uma dieta severa auxiliada pelas de- pleções sanguineas, tenhão na pratica algum êxito feliz, quem nos assegurará que a mulher submettida a semelhante influencia poderá resistir por espaço de nove mezes a este martyrio? Não devemos antes ter em consideração a profunda alteração dos sólidos e dos líquidos, que este regimen produz c que a predispõe a todos os aceidentes post-puerperaes ? Na preferencia, pois de um meio, que satisfaça esta indicação, cum- pre dizer alguma coisa acerca do parlo prematuro artificial e sobre o aborto provocado. Pertence á Inglaterra esta conquista obstetrica. Desanimados pelos IO riscos da operação cesariana e da sympheseotomia, os parteiros d'este paiz excogitarão uma operação, que as substituísse, apresentando os mais bellos resultados; e com effeito em breve o seo anhelo foi satisfei- to por analogias entre partos laboriosos e prematuros espontâneos. Tendo pois decidido os práticos d'este paiz, que esta operação era vantajosa e approvada pela moral, Macaulay justificou suas previsões, e mais tarde foi tendo ingresso na obstetrícia o parto prematuro artifi- cial. Hoje porem que não há duvidar dos resultados e muito menos das estatísticas, que nos são transmittidas pelos patriarchas da arte, não podemos deixar de emittir nossa fraca opinião e apresentar as suas in- dicações. Se o mechanismo do parto consiste, como diz Pajot em seu curso, em fazer atravessar por um canal de forma e direcção dadas um corpo de forma e de volume igualmente dados, é evidente, que quando a provo- cação do parto for contestada, o primeiro cuidado que devemos ter, será determinar tão exactamente, quanto possível for a relação existen- te entre as dimensões da bacia e o volume do corpo, que deve de ser cxpellido. Em primeiro lugar, esta operação deve de ser tentada n'um tempo da prenhez, em que a vitabilidade do feto não esteja em duvida, o que sesundo a nossa lei, é aos sete mezes decorridos, Em segundo lugar, para emprehender semelhante conquista, é mis- ter consignarmos o gráo do estreitamento, em que se acha a bacia; pelo que passando além dos limites acima expostos, ou confiaremos nas forças naturaes no tempo próprio do parto, ou recorreremos a outro meio, que a lei nos garante e que nos dá a esperança de salvar, pelo menos, a mulher. Comparando a final a epocha marcada, em que se deve provocar o parto, convém que seja dito de passagem e que sejão demarcados os li- mites dos estreitamentos igualmente e as dimensões dos diâmetros da cabeça do feto no tempo da vida intra-uterina. «o A extensão do diâmetro bi-parietal, que commumente se põe em re- lação com o antero-posterior, é, segundo as experiências de M.me La- chapelle e P. Dubois, de trez pollegadas e uma linha a trez e sete li- nhas, dos oito aos nove mezes; e de duas pollegadas e sete linhas a trez e sete, dos sete mezes aos nove. Ora para que tenha lugar a applicaçâo d'esse meio, será preciso que o diâmetro da bacia, que lhe correspon- der, tenha pelo menos duas pollegadas e sete linhas, limite extremo á que podemos recorrer, e que estabelece a separação entre o aborto provocado, de que temos de tractar, e o parto prematuro artificial. Quando houver mais de trez pollegadas e duas linhas, que é o outro limite extremo da indicação do parto prematuro, os parteiros recom- mendão esperar pela expulsão natural, pois ha toda probabilidade de obter-se um feto de termo, a menos que a mulher, tendo por habito parir sempre meninos volumosos, tenha sido obrigada a recorrer a embriotomia nos partos precedentes, pois com quanto tenha trez polle- gadas e meia em seu diâmetro antero-posterior, é todavia de nesessr- dade recorrermos ao auxilio do parto prematuro artificial. Além d^estas indicações acima expostas sobre o parto artificial, ha outras, que não fazem parte do nosso ponto, e de que não nos occu- paremos, passando em resenha os casos, que reclamão o aborto pro- vocado. Há circunstancias, em que o parteiro deve evacuar o utero para sal. var a vida da mulher na epocha, em que o feto é incapaz de viver. Chama-se aborto provocado artificial a reunião dos meios emprega- dos para conseguir este fim. Vem de alta antigüidade a idéa do aborto medico. Entre os Gregos dizia Democrrto, que era licito provocar o aborto, desde que se con- vencesse que o parto de termo trazia perigo a vida da mulher. Avicennes acreditava que o medico tinha direito de fazer morrer o feto no seio materno, quando a mulher era muito jovem, e temia-se que ella morresse durante o parto; quando o utero era affectado de 91 qualquer moléstia, que podesse fazer perecer a mulher; e quando te- mia a ruptura do utero. Finalmente com o correr dos séculos, a idéa do aborto medico per- deo-se completamente, até que Louise Bourgeois fê-la reapparecer com o fim de livrar da morte a mulher, que era accomettida, durante a prenhez, de uma metrorrhagia rebelde a todos os meios até então em- pregados. Em 1768 Cooper, Barlow e outros propuserão a pratica do aborto provocado nos casos de angustia considerável da bacia. Na Allemanha Mende e Naegele não tardarão em seguir a pratica Ingleza, e a França dominada por Baudelocque e seos discípulos foi unisona em repellir o aborto da pratica obstetrica, mas Fodéré porfiou com perseverança, até que este novo recurso foi successivamente ac- ccito por Marc, Velpeau, Dubois. Stoltz, Caseaux, Chailly e outros, tendo ingresso na obstetrícia o aborto provocado. Assim como o parto prematuro artificial ha mister para ser indica- do, certas dimensões na bacia, o aborto provocado surge igualmente do meio da pratica obstetrica e acha sua applicação nos casos extre- mos de estreitamentos, quando não ha senão o triste recurso, e espe- rando-se o termo da prenhez haver de recorrer-se infallivelmente a uma operação sangrenta, por que n'estas condições um feto de termo será physicamente impossível atravessar o canal pelviano. Por conseguinte assignalamos como indicações do aborto a bacia, que apresentar dimensões inferiores á duas pollegadas em seo menor diâmetro. Os perigos d'esta operação serão de certo menores que se não pensa. De dois mezes a trez, a quatro, e até a cinco mezes tocaremos, sem trabalho, o ovo pelo collo uterino, quer com uma sonda, quer com o dedo; a madre se desembaraçará do produeto, como se desem- baraça de coágulos de sangue, de falsas membranas. É impossível, pois, comparar, no estado da arte, a vida precária de um feto de dois á quatro mezes, com a de um ser, que mil relações süciaes nos obrigão a conservar; de sorte que nos casos de estreitamen- F. 6 99 tos extremos, se for positivamente demonstrado que o parto de ter- mo não poderá ter lugar, não hesitamos cm acconselhar o aborto pro- vocado no principio da gestação. II. As indicações que a arte ministra aos seus proselytos durante o tra- balho do parto, são inherentes aos estreitamentos, que se desenvol- vem pelo approximamento de suas paredes ou em conseqüência de tu- mores sólidos, formados no tecido ósseo, que constituo este canal. Es- tas indicações não sendo sempre as mesmas, variaráõ, com forme o gráo do estreitamento, a intensidade das contracções, o excesso de volume do feto, que tem de ser expellido, e finalmente, segundo a re- ductibilidade da cabeça. Finalmente, depois de havermos procedido com o mais minucioso exame, que procuraremos estabelecer as regras impostas pela arte, e nos casos em que esta expulsão antes de termo não possa ser legitima- mente tentada, e ainda se o parteiro não fòr consultado, se não duran- te o trabalho, tentaremos esses meios, senão com reserva e confiança, ao menos com a esperança da salvação da mulher. No estudo das indicações, supponhamos a cabeça no estado normal,. e os estreitos conservando as cathegorias acima mencionadas, segundo Snr. Paulo Dubois. Quando o cume da cabeça do feto se apresenta n'uma bacia, cujo menor diâmetro não excede a trez pollegadas e meia, o primeiro passo que devemos dar, e o que a pratica quotidiana demonstra, será espe- rar e confiar na expulsão espontânea, pois n'estas condições o parto ó mui possível. Após a ruptura das membranas e a dilatação completa do collo do utero, alguns entendem, que deve-se esperar ainda, e na impossibili- 93 dade de meios, que a naluresa offereça c que só sirvão de adiamento, outros são de opinião que n'estc tempo não devemos hesitar no em- prego do forceps. Quando estivermos pois convicto de que as forças naturaes são im- potentes, quando a cabeça for detida numa porção estreitada da bacia e seus legumentos se tumefiserem, em conseqüência da pressão exer- cida pelos órgãos genitaes, e quando os ruidos do coração do feto tive- rem perdido sua força e sua freqüência, o forceps achará o seu pleno desenvolvimento. A versão pelos pés, quando a cabeça se apresenta, é indicada toda vez que depois de havermos assignalado um certo gráo de estreita- mento, no qual a saliência do angulo sacro-vertebral torna-se a causa principal do vicio, e dadas certas circunstancias, v. g: quando um dos lados da bacia é menor do que o outro, o que accontece pela direcção que toma mais d'este lado, o sacro. N'este caso praticando a evolução do feto pela extremidade podalica, procuraremos offerecer ao lado largamente comformado, o plano pos- terior do feto, de modo que na extracção da cabeça a sua grossa ex • tremidade passe igualmente do lado não estreitado. Ao contrario, se pelo exame da mulher tivermos assignalado que a apresentação corresponde ao lado não viciado, então não trepidemos em recorrer ao forceps, principalmente se as contracções estiverem esgotadas e grande parte do liquido amniotico houver-se escorrido. A secunda divisão dos vicios de comformação da bacia, estabelecida pelo Snr. P. Dubois, comprehende igualmente uma subdivisão, que na pratica torna-se de grande utilidade, visto como as suas indicações igualmente devem variar. De trez e meia a trez pollegadas, o que devemos preencher? Será mister esperarmos, como no caso precedente? Haverão probabilida- des, que nos assegurem, que esta mulher ajudada pelas contracções uterinas, possa ainda dar a luz o terno producto de seu amor sem o soecorro d'arte? Possuiremos provas e estatísticas, que nos justifi- 94 quem a vista de semelhantes factos? 0 que a pratica demonstra é o seguinte: se a cabeça se apresentar em posição favorável, esperare- mos algum tempo pelos esforços naturaes e se estes são infruetiferos, a applicação do forceps tornar-se-ha uma indicação; se esta depois de um tempo de espectativa e de novo tentada não aproveitar, e a mulher dobrar de energia nas contracções, procederemos sem hesitar a versão podalica, da qual poderemos obter alguns resultados, segundo o pare- cer do Sr. Simpson. Este parteiro notando que em certas mulheres mal conformadas o trabalho tinha sido muito mais fácil e mais feliz, quando o feto se apre- sentava antes pelos pés, do que pela cabeça, c até em casos que tinhão reclamado anteriormente a craniotomia, não discré da applicação da versão. Lachapclle apresentando a sua estatística acerca dos estreitamentos d'este gênero, diz, que para a versão dois terços são favoráveis, ao passo que para o forceps um pouco menos de metade; e então corro- bora a sua experiência acrescentando, que estes resultados da versão são devidos, sem duvida, a maior facilidade, com que se pode, durante as tracções sobre a extremidade pelviana, dirigir a cabeça do feto, de modo que seu diâmetro transversal corresponda ao antero-posterior estreitado. Por conseguinte, julgamos, segundo o parecer de Simpson, conve- niente tentar a versão podalica, sempre que depararmos com um es ■ treitamento sacro-pubiano de trez pollegadas e com os oblíquos ova - lares de Naegelé; finalmente quando discortinarmos uma posição vi- ciosa do vértice, as apresentações da face e do tronco. Depois de termos esgotado os dados que acabamos de assignalar, e que algumas vezes depõem dos recursos da arte, não devemos desani- mar e encarar como allivio outra operação, senão favorável a ambos os seres, ao menos que permitte salvar-se a mulher; queremos fallar da embryotomia. E com eifeito se para salvar o menino se ha tentado tudo, que era 95 possivol, cumpre que nos prestemos por meio d'esta manobra á salva- ção da mulher, que submersa nas agonias de um trabalho infructife- ro, tem sua existência comppromettida, senão immediatamente, ao menos pelas conseqüências de um prolongado trabalho. Em conclusão: se o menino ainda vive n'estas circunstancias, aci- ma expostas, procederemos em primeiro lugar á applicação do forceps ou a versão pelos pés; e quando de modo nenhum possamos terminar o parto, e a cabeça não se adiantar, não obstante tracções repetidas, suspensas por algum tempo, depois renovadas, julgando que novas ten- tativas com o forceps serião perigosas para a mulher, a pratica recom- menda a perforação do craneo do menino, afim de pôr termo a este quadro horrível de aceidentes, e assim considerar o feto como não vi- ta vel. Ao contrario quando a terminação rápida não é indicada formalmen- te, contentar-nos hemos em esperar a certesa da não vilabilidade do feto, e segundo o parecer dos mesmos, somos acconselhados a esperar até que a corrupção do cadáver do menino diminua seu volume, de forma a auxiliar sua expulsão pelas forças naturaes. A perforação do craneo é uma operação, cuja applicação devemos restringir não tental-a, senão com muita reserva, porquanto será im- possível executal-a em certos estreitamentos, ainda mesmo quando a morte do feto não seja duvidosa, visto como as conseqüências, que d'ella resultão, são imminentemente perigozas. O que devemos fazer quando a bacia apresentar em seu menor diâ- metro trez pollegadas a duas e meia? Se o menino estiver vivo, esperaremos por algum tempo, pois ha exemplos de em virtude da energia das contracções uterinas, da reduc- tibilidade extrema da cabeça, e pequenhez do producto, ser expel- lido com algum trabalho. Se ao contrario, cançadosda espectativa não o conseguirmos, tenta- remos o forceps como no caso precedente, antes de seguir a pratica In- 96 Quando o feto acha-se morto, os parteiros rccommendão obrar im- mediatamentc sobre o cadáver, afim de poupar grandes dores e os pe- rigos do trabalho. N'esle gráo de estreitamento alguns tem acconselhado a sympheseo- tomia. Um outro gráo de estreitamento se apresenta na pratica obs- tetrica, cuja extensão, segundo P. Dubois, fizemos sentir. Quando a bacia ofterecer de duas pollegadas e meia a duas, o que he- mos de preencher? N'este caso é physicamente impossível a extracção de um feto de termo pelas vias naturaes; então se verificarmos imme- diatamenlea morte do feto, o forceps cephalotribo terá sua applicação, como meio de poupar a delonga do trabalho, e prevenir a todos os ac- eidentes, que poderem assaltar a mulher. Se ao envéz, o feto vive, a indicação do mesmo processo achará seu desenvolvimento; e apesar de todos os perigos, que esle instru- mento pode fazer correr a mulher, deixará sempre algumas probabili- dades de salvação. O ultimo gráo de estreitamento comprehende a cifra inferior a duas pollegadas. Quando a bacia se apresenta n'estas circunstancias, qual indicação, que de accordo com as estatísticas devemos seguir ? A operação cesariana é formalmente indicada por certos parteiros, como o ultimo desideratum da sciencia, porquanto pelas vias naturaes se torna impossível a execução do parto, ainda mesmo que o feto te- nha sido mutilado. Depois da perforação do craneo e a extracção da massa cerebral, a sahida do cephalotribo exigiria com effeito tantos esforços do parteiro e pressões tão repetidas, que julgamos semelhantes tentativas tão pe- rigosas, quanto a operação cesariana. Se porem a apresentação é das extremidades inferiores, na hypo- ihese da bacia se apresentar tão estreita, os parteiros recommendão depois de tentativas por meio do cephalotribo, praticar a secção do pescoço e deixar á naturesaa expulsão da cabeça, e apesar de todos os 99 perigos, que podem sobrevir a esta operação, todavia será melhor do que a operação cesariana. Quanto as indicações, quereclamão os casos de bacias amplas, ado- ptaremos estas. Primeiro que tudo devemos esforçar-nos para que a expulsão do feto não seja rápida; o que consiguiremos, estendendo a parturiente sobre um leito ecollocando-a de lado: impedil-a-hemos de ajudar as contracções, desviando d'ella tudo que possa servir de ponto de apoio; repetiremos muitas vezes o toque para assegurar-nos da ver- dadeira posição do feto e estaremos prestes a sustentar o perinêo, logo que a cabeça se introduzir na vulva. Se o feto é rapidamente expellido, procuraremos retel-o um pouco, introdusindo sem exercer muita força, dois dedos na vagina; e se o collo não estiver preparado sufficientemente, e contracções muito violentas fizerem receiar rupturas do mesmo ou do corpo uterino, os parteiros ac- conselhão algumas incisões no primeiro, quando as dores forem muito intensas. SECÇÃO CIRÚRGICA. Aborto provocado e suas indicações. PROPOSIÇÕES. i. O aborto é a expulsão do producto da concepção, antes que seja vitavel. II. O aborto ou é natural ou accidental ou provocado. III. O aborto natural pode-se dar ou por um estado particular do utero, ou por um estado geral da mulher. IV. O aborto accidental pode resultar de vivas emoções, de exercícios forçados. V. O aborto provocado pode ser terminado por meios mechanicos, actuando sobre o utero ou sobre o feto; e até por bebidas e emissões sangüíneas. F. 3 30 VI. O aborto é provocado ou com o fim medico ou criminoso. VII. Differe muito do parto prematuro provocado. VIII. O fim do aborto provocado medicamente é sacrificar o filho para sal- var a mãe. IX. A legislação não deve contrariar uma pratica tão útil. X. Nem contra a moral, nem contra a religião assenta esta pratica obs- tetrica. XI. Esta operação é indicada em todas as complicações da prenhez, em que a vida da mulher e conseguintemente a do feto achão-se em risco. XII. Compressões exercidas sobre o grosso intestino pelos desvios e in- clinações do utero, por tumores &c. de forma a perturbarem o tubo digestivo; vômitos incoerciveis trasendo o esgoto e a morte, em conse- qüência de hérnias estranguladas ou não reductiveis, reclamão impe- riosamente o aborto artificial. 31 XIII. Quando collecçõcs aquosas se formão nas diversas cavidades do cor- po e ameação a vida da mulher, o aborto provocado ainda acha seu in- teiro desenvolvimento. XIV. Nas hemorragias rebeldes a todos os tratamentos, nas hydropesias excessivas do amnios deve de ser indicado. XV. Da mesma sorte quando houver tumores nos estreitos da bacia, que não forem susceptíveis de ser deslocados, incisados ou estirpados. XVI. A angustia extrema da bacia constitue a mais positiva das indica- ções do aborto medico. XVII. Quando o diâmetro antero-posterior apresentar duas pollegadas e meia ou menos, o parteiro deve provocar o aborto. XVIII, Esta pratica deve de ser preferida a embryotomia no termo da pre- nhez, e será melhor e mais humano provocar o parto, do que praticar a sympheseotomia ou a operação cesariana. XIX. Em lodo o caso que ventilar-se esta questão, o parteiro deverá con- sultar com outros e auxiliar-se das leis da pelvimetria. SECÇÃO MEDICA. Existirão prodromos nas moléstias? PROPOSIÇÕES. i. Prodromos são perturbações da saúde anteriores á declaração da mo- léstia. II. Período prodromico pode existir em todas as moléstias de causa in- terna. III. Não ha prelúdios mórbidos para moléstias inteiramente locaes, nem para as traumáticas. IV. Só no período de invasão das moléstias, signaes precursores se mostrão, e nunca no de sua incubação, como alguns tem pensado. V. É inexacta a analogia, que alguns tem supposto entre o prodromo e a convalescença. 33 VI. São muito numerosos os prelúdios mórbidos, e estão na ordem das perturbações geraes. MI. A manifestação de muitas moléstias tem lugar sem este trabalho prévio do organismo. VIII. Prodromos análogos podem apparecer cm moléstias differentes. IX. Não se deve confundir os prodromos com os symptomas das molés- tias. X. A maior ou menor intensidade do prodromo não auctorisa a acredi- tar, que lhe seja proporcional a gravidade da moléstia, que houver de surdir. MI. Os prodromos não podem significar a naturesa de uma moléstia. XII. Pode portanto existir moléstia, sem que algum prodromo a tenha precedido. XIII. Existem prodromos em muitas moléstias. F. 9 SECÇÃO ACCESSOIUA. São os Médicos responsáveis pelas faltas conimeltidas no exercício sua profissão? Existe alguma disposição de lei nossa, que seja applicada a este caso? Se pela affirmaliva, qual êclla? PROPOSIÇÕES, 1. Não ha criminalidade no proceder do Medico, mesmo quando se afasta dos princípios conhecidos na sciencia, para seguir uma indica-* cão de sua rasão. II. A lei que tivesse por fim responsabilizar o Medico, deveria antes de tudo traçar-lhe o caminho, fora do qual não haveria acção justificável. III. ' Os actos praticados pelo sacerdote da medicina no melindroso exer- cício de sua profissão, não podem estar ao alcance das leis humanas. IV. O Medico que como ministro da sciencia provoca o aborto, não pode estar sujeito ao artigo 200 do código penal. 35 V. A lei, que traçasse ao Medico a estrada, que devesse forçosamente seguir no exercício de sua profissão, seria mais perniciosa a humani- dade, do que a mais absoluta irresponsabilidade. VI. O Medico só deve ter para julgal-o a sua consciência. VII. Admittindo-se tal responsabilidade era mister a creação de um tri- bunal exclusivamente medico, para julgal-o. VIII. Sendo os códigos formulados por jurisconsullos, elles não podião impor penas a responsabilidade. IX. Responsabilisar pois o Medico, perante a lei, é oppor-lhe urna bar- reira no caminho do progresso. X. Quando porem o Medico, abuzasse da nobresa de sua profissão para disvirtual-a com o crime, á custa da deshonra das famílias, deveria haver uma lei especial. XI. Não ha no código Brasileiro penas especiaes para o Medico, a ex- cepção da segunda parte do art. 200. 36 XII. Como Medico legisla, o Medico só pode ser responsabilisado por perjúrio em causa criminal. XIII. A sua posição de Medico será sempre uma circunstancia aggravanle. XIV. 0 Medico legista não pode, nem deve ser responsabilisado no livre exercício de sua profissão. HIPPOCMTIS APHORISMI. >sOs« Vila brevis, ars longa, occasio proeceps, experientia fallax, judicium difíicile. II. Solvereapoplexiam, vehemenlemquidem, impossibile: debilem vero, non facile. III. Mulier in uterogerens seda venã abortit, et magis, si major fuerit fetus. Mulicri menses decolorcs, neque sccuudun eadem prodeuntes, pur- gatione opus esse significant. V Ad extremos morbos, extrema remedia exquisite optima. VI. Qu*e medicamenta non sanat, ea ferrum sanant, Quee ferrum non sanat, ea ignis sanat. Quoc vero ignis non sanat, ca insanabilia exis- timarc oportet. HAIIIA—TYP. rOGGETTI DE TOIT.INUO \ C. 1865. F. 10 Zfbeme/écc/a á 0ommejSão £&>eut'. Mc/te. Jtnfttàna -de. âJa/fta c iSacu&ac/c c/e ^/fácc/tctna p c/e (Tatufóo c/e *ê/~5. @k. á%a/iá'dfa,