THESE 1)0 dr, justos mmm otto wissmai. 1872 THESE APRESENTADA E SUSTENTADA PERANTE A FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Eli ABRIL DE 1872 PARA VERIFICAÇÃO DE TITULO o y POR JUSTUS CIIRISTIAN OTIO WISSMMN. BAHIA TYPOGRAPHIA DE J. G. TOUKINHO 1872 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIFECTOR 0 Ex.mo Snr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Mayalliãcs. os sus. doutores l.*ANNO. matériasqub lkccionam Cons. Vicente Ferreira deMagalhães . Physica em geral, eparticularmente em suas applicações á Medicina. Francisco Rodrigues da Silva Chiinica e Mineralogia. Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Anatomia deseriptiva. a.* ANNO. Antonio de Cerqueira Pinto ..... Ciiimica organica. Jeronymo Sodré Pereira . ... . Physiologia. Antonio Mariano do Bomlim Botanica e Zoologia. Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Repetição de Anatomia deseriptiva, 3. ANNO. Cons. Elias José Pedroza Anatomia geral epathologica. José de Góes Sequeira ....... Pathologia geral. Jeronymo Sodré Pereira ...... Physiologia. 4. ANNO; Cons. Manoel Ladisl&o Aranha Dantas . Pathologia externa. Demelrio Cyriaco Tourinho Pathologia interna. Conselheiro Mathias Moreira Sampaio Partos, moléstias de mulheres pejadas e de meninos, reeemnascidos. Deinetrio Cyriaco Tourinho . . . ; . Continuação de Pathologia interna. 3.° ANNO. José Antonio de Freitas. . . . . • Luiz Alvares dos Santos Matéria medica, e therapeutica. 6.* ANNO, Rozendo Aprigio Pereira Guimarães . . Pharmacia. Salustiano Ferreira Souto . Medicina legal. Domingos Rodrigues Seixas Hygiene, e Historiada Medicinai Anatomia topographica, Medicina operatória*, apparelhos. JoséAfTonso de Moura. ....... Clinica externa do 3.* e 4." nnno, Antonio Januario de Faria Clinica interna do 5.“ e 6.* anno*. 83!tr.Cinciniiato PintodaSilv». ii)ii aian!iiiBTM!iiii& O Sr» l)r. Thomaz d’Aquino Gaspar. à Faculdade não approva, nem reprova as opiniões cuiitUdas nuslhcscs que lhe são apresentada». Sobro a existência de cabellos, dentes e ossos nos tnmores do ovário bnmano fÉ attenção dos anatomo-pathologistas tem se dirigido, há muito tempo, com interesse particular para o estudo dos ‘ tumores do ovário, e sobre tudo para o daquelles, que por causa de sua construeção anatómica mais grosseira se denominão Kystos. Não pode sorprebender, que justamente os neoplasmas no ovário chamassem sobre si este eminente interesse, porque em parle nenhuma do corpo humano os processos da neoplasia pathologica são mais energicos, e em parte nenhuma ach.ão-se kystos tão frequentemente e ao mes- mo tempo de tão differente qualidade como nos ovários. Além disto também o volume, ao qual elles podem che- gar neste orgão é muito notável; mas sobretudo excitarão a curiosidade particular aquelles kystos, cujo conteúdo consiste em formações, que devem ser consideradas entranhas ao ovário, por serem partes normaes de outros orgãos, como cabellos dentes e ossos. Dando-se estas formações frequentemente, pois que talvez a metade dos kystos do ovário e composta d’ellas, (1) e sendo tanto no interesse da sciencia como no interesse da pratica, a litteratura sobre este assum- pto não só é enorme, como ao mesmo tempo disseminada em obras sobre differentes matérias, que o conhecimento, mesmo approximativamente perfeito d’ella se torna quasi impossível. Porém comparativamente á grande quantidade de descripções desta natureza o numero daquellas» em que se possa notar algum progresso da nossa sciencia é naturalmente (1) G. Lebert. Traité u*anatoraie pathologique, tom. I 258. 4 mui pequeno; as mais, não se tomando em consideração a vantagem, que offerecem em confirmar a certeza das observações já feitas, só tem valor, porque provão a grande frequência na pratica d’estes casos. Pretendo fazer um ensaio, e escolher do grande numero destas obser- vações aquellas, que me parecem as mais aptas para fornecerem um es- boço do que até agora se sabe em relação á este assumpto. O primeiro que estabeleceu uma hypothese scientifica da exisiencia de cabellos, dentes e ossos nos tumores do ovário foi Heister, cirurgião assas conhecido (1). É elle o autor daquelía [theoria, que considera aquelles prendoplamas como os restos d’um feto, que se formou por uma especie de prenhez extranterina, cujas outras partes tornarão a desapparecer por reabsorpção ou nunca chegarão a desenvolver-se. Antes, diz Heister, muitos os attribuião á causas sobre-naturaes, má- gicos, feiticeiras, mesmo o proprio diabo devião ter introduzido estas couzas no ventre das infelizes mulheres. Não se póde negar, que esta hypothese era própria de ganhar muitos partidários. Ella não era pouca robustecida pela circumstaneia de ser o ovário justamente o orgão, que fornece o primeiro material para a for- mação de novos entes, e como tal a séde de tumores, tque contenhão as partes constituintes do féto. Porém, é verdade, que dão-se muitos fa- ctos, que não se podem combinar com esta theoria e antes a con- tradizem. Apezar disto tem-se encontrado semelhantes formações no ovário de mulheres, que tinhão ainda todos os signaes anatómicos da virgindade; cujas partes genitaes interiores nem no minino se achavão desenvolvidas e conseguintemente erão [absolutamente inhabeis para a geração. Uma observação desta natureza publicou primeiro Matthew Baillie (2). Elle achou kystos com cabellos, dentes e ossos no ovário de uma me- nina de 12 annos, a qual não só tinha o hvmen illeso, mas também as partes genitaes interiores sem desenvolvimento algum. Em consequên- cia disto Baillie se viu obrigado de attribuir ao ovário a faculdade de procrear sem coito uma especie de imitação da geração. Observações desta natureza depois ainda se fizerão muitas; o proprio M. Baillie publi- (1) íleister. Epistola gratulatoria de pilis ossibus et. dentibus in variis corporis hu- mani partibus preeter naturam repertis. Helmstadiae 1743. (2) Matthew Baillie. Philosophival transaction 1789. Vol. LXXIX. 5 cou uma segunda (I), tornando de novo a suscitar duvidas contra a theoria de Heister. Eu opino, que nos casos relatados uma concepção precedente não seja presumível, ,porém si o scepticismo chegasse a tal ponto, de presu- mir-se um coito precedente, e ao mesmo tempo antes um prematuro desenvolvimento dos orgãos sexuaes em vez de inhabilidade para a ge- ração, então creio, que qualquer duvida a respeito deve julgar-se infun- dada em vista de casos taes como os referidos por Pigne (2) de kistos com cabellos no ovário, entre os quaes 5 se observarão em virgens de 12 annos, 5 em meninas de 6 mezes a 2 annos, 4 em fétos femininos de termo, e finalmente 3 em fetos, que foram abortados no oitavo mez. Uma vez que é fora de duvida, que realmente se tinha a tratar de uma neoplasia verdadeiramente pathologiea procurou-se reconhecer quaes os elementos do ovário, cuja degeneração davão origem á estes tumores. Parece bastante provável, que sejão os follieuli Graafii, dos quaes nascem estes kystos. Nos casos, pelo menos, em que se achão muitos kystos de differente tamanho, no mesmo ovário, os menores se parecem ainda aos folliouli Graafii, e alguns observadores (3) pretendem ter observado os di- versos graus da real transformação destes em kystos. O conteúdo destes kystos é as vezes pura gordura, as vezes gordura com cabellos. dentes e ossos. Não se pode considerar de maneira algu- ma como casual esta mistura de cabellos etc. e gordura, e acha-se nesta circumstancia mais um argumento contra a theoria de Heister, visto não ser admissível, que os hystos de pura gordura possão ser reduzidos a formação rudimentaria do feto (Khvisch 4). O exacto conhecimento da estructura anatómica fina dos diíferentes tecidos, que compõem taes kystos, só podia ser obtido naturalmente por meio de microseopio aperfeiçoado. Tal analyse foi dado pela primeira vez por Kohlvausch (5). Essa descripção importante contém não só o resultado da primeira (1) M. Baillie, Engravings of pathological anatomy. Fase. tab.VII eo texlo 1799. (2) Pignè em Becquerel traité clinique des maladies de Futerus et de ses aime- xes 1859. Tome II 276. (3) Kokitans ky. Anatomie 1852 B 111 504. Dr. W. Steinlin. Uber. Fettoysten in deu Ovavien; in Hente & Pfeufers Zeits ehriit fnr. rat Medioin 1850 B. 9. 145. (4) Kiwisck. Klinische Vortrage* Prag. 1849. II Abtheilung 13. (5) Kohlrausoh in Mullers Archiv fur. Anatomic u. Physiologie: 1843. pag. 3G5 sqs. 6 analyse minuciosa dos differentes tecidos, mas em realidade quasi tudo quanto até agora poude ser descoberto á respeito. Investigações posterio- res, por avultado que seja o seu numero só fornecerão a confirmação do que fica dito. Tive occasião de me convencer por minhas próprias observações da exactidão desta analyse, examinando dois kystos desta natureza, que forão extirpados pelo professor Sohwartz por meio da ovariotomia. O resultado de todos estes exames consiste no seguinte: Os kystos do ovário, nos quaes se achão cahellos, dentes e ossos, sem- pre contem ao mesmo tempo gordura: as vezes também acido marga- gariço, eristaes de cholesterina e matérias semelhantes. O tamanho d’elles é as vezes enorme: ifurn caso por exemplo mon- tou o peso da parede a 7 kilog. e o do conteúdo a 20 kilog. (1.) As paredes destes kystos tem, ou em toda sua extensão ou só em parte a estructura dos tegumentos e achão-se todas as camadas, que compoem a pelle normal. A superfície interior é formada pela epider- mis, e seguem ella na ordem normal a cutis, e o tecido connectivo sub- cutâneo (2). A cutis é muito vasculosa e contem muitas papillas: rara- mente achão-se nervos, (N’um caso referido por Gray (3) um kysto achou-se todo cheio de nervos varicosos.) Glandulas tuhulosas enovela- das (glandulae sudoriparae sir dictae) nem sempre se descobrem; vários observadores affirmão de as terem só encontrado depois de muitas ob- servações frustradas (Heschl 4); as vezes crê-se distinguir os novellos des- tas glandulas, porem não se descobre os canaes exeretorios espiraes. Os cahellos ou se achão soltos no interior do kysto, irnmassados na g ordura ou nascem da parede do kysto. O seu comprimento varia d’uns millimetros até alguns pés; a sua cor é também mui variaveleas vezes dif- ferente da cõr dos cahellos do indivíduo em questão. A sua organisação microscopia é perfeitamente a dos cahellos normaes. A raiz acha-se no folliculo pili e neste embocão as glandulae sebaceea. Ella tem a vagina radieis pili, e acaba pelo bulbus pili que assenta na papilla pili. (1) Meissner. Frauenzimmer Krankheit II 364. (2) Tecido connectivo subcutâneo. Unterhantbindegewcbe. (Textus ceílulosus sío dictus). (3) Veja-se sobre este notável phenomeno o original: Gray an acconnt ot' a <1 is- section of an ovavian cyrt, which contáined brain. Medice chirurg. Trausact. 1853. XXXVI 433 sqs. (4) Heschl. Zeitschrit der Arzte zu Wien 1850 Iahrg 8 pog. lol rqs. 7 Os dentes achão-se as vezes em numero considerável. Achavão-se já 100 (1), e num caso mesmo 300 (2) n’um só ovário. Descobre-se entre elles toda especie de dentes humanos e em todo grau de desenvolvimeno. Elles são quasi sempre embolidos co proprio tecido da parede, cobertos pela camada superior, raramente proeminentes com as coroas livres na ca- vidade dos kystos. Elles achão-se em alvéolos, os quaes frequentemante são em ossos de forma regular. As vezes descobrem-se pedacinhos que parecem em forma com dentes, porem que observados pelo microscopio mostrão-se com- postos de tecido osseo; os dentes verdadeiros porém contem todas as par- tes dentes normaes quanto a disposição anatonomica e microscopia. Fre- quentemente eneontrão-se dentes imperfeitos em saquinhos fechados quer o germen do dente traga comsigo pequenos cacos de substancia dental, quer esteja coberto de uma especie de capa, que se pode tirar inteira, ou que esteja perfeitamente circumdado de substancia dental. N’um caso observou-se também unhas deformes (3). Os ossos que se encontrão sempre na substancia das paredes tem o periosteo e contem os caraeteristicos corpúsculos, como os ossos nor- maes, porem em numero maior do que estes. A forma delles é quasi sempre irregular e a maior parte não tem nem a menor semelhança quer com ossos inteiros quer com partes de ossos do esqueleto. Conhece-se, é verdade, nas descripções e empenho dos autores (4) em demonstrar tal semelhança, porem devo crer que elles se canção debalde. Pelo que me diz respeito ainda não tive occasião de ver a mentâo de um só caso que não admittio duvidas sobre tal pretendida semelhança. A mesma nota já outros fizerão. (Steinlin.) Eis aqui os resultados obtidos unicamente dos exames feitos a res- peito da existência de cabellos, etc., que se descobrirão nos kystos do ovário, porem também fora do ovário se achão em outras partes do (1) Schnabel. Wurtembergisch correspondenzblatt 1844. B. XIV v. 10. (2) Braun Memorabile physconiae ovavicae eteinplam. Dissertatio inauguratis. Prae- side Plouequet. Tubingen 1798. (3) Cruveilkier. Traité d’anatomie pathologique générale 1856 tom. 111. Des kystes pileux de Povaire. (4) Veja-se p. e. Alquié Moniteur des hopitaux 1857 que ensaia de demonstrar e os ossos e os cabellos como os de certas regiões do corpo, e mesmo de determi- nar o sexo, ao qual pertencem estes restes évidents d'un emboyon. 8 corpo humano kystos, que contem os mesmos prendoplasmas e cujas paredes são também de idêntica estructura como as d’aquelles. Deixando de parte os kystos com gordura que se diz haver encontrado no cerebro e em suas meninges—sobre tudo na dura ma ter—porque as descripções, que d’elles achei não parecem-me satisfactorias, primeiro notão-se taes kystos assás frequentemente em vários logares da super- fície do corpo, na pelle e por baixo d’ella. O conteúdo delles é [gordura só, ou gordura e cabellos, os quaes ou se aehão soltos dentro do kysto ou nascem das paredes, Frequentemente encontrão-se elles na vizinhança do angulo externo do olho. Segundo achão-se taes kystos, menos frequentes do que no ovário porém não menos caracteristicos, e com cabellos, dentes e ossos, nos tes- tículos, Como aliás outros já compilarão estes casos, me limito a apontar aquellas collecções. (I) As paredes e o conteúdo destes kystos concordão tanto com aquelles que se aehão no ovário, que não se pode deixar de consideral-os como pertencentes á mesma especie de tumores. Somos, portanto, obrigados a procurar uma explicação geral destes phenomenos. É evidente que a theoria do feto rudimentar seria unicamente applica- vel aos kystos do ovário; quanto aos outros orgãos os partidários d’ella são portanto forçados a procurar outra explicação, e talvez quanto a cada orgão uma theoria particular. Porém tal modo de querer explicar pheno- menos homogéneos, suppondo-lhes causas absolutamente differentes seria contrario ao principio do methodo inductivo das sciencias exactas. Também deste ponto de vista é, portanto, preciso abandonar tal theoria. Vamos, porém, descobrir uma explicação mais geral da origem de taes formações. Devemos por ora deixar de faliar da formação dos ossos, atten- dendo que as condições, das quaes depende o desenvolvimento destes, ainda não parecem sufficientemente determinadas. Podemos com tanto mais razão deixar de tomal-as em consideração, quanto a neoplasia patho- logica do verdadeiro tecido osseo apresenta-se também independente da formação de kystos, e em circumstancias que parecem totalmente difte- rentes—como no tumor osteoides de I. Muller, no Enchonclroma etc. (1) //m-Uber Geschwulsle nut zeugungsaehnlichem Inhalte. Diss. inoug. Giesscn 1853. CannstatCs Iahnesberichte 4855. Xernenil Archive générale 1855. O caso notável de Velpeaw. Bulletin de 1’academie de medecine T. 11. 590. 9 É possível que este tivesse a sua origem na camada do tecido connectivo subcutâneo (Virchow). Quanto as mais partes substanciaes, a saber dentes cabellos, e unhas é, porém para estranhar que em relação morphologica pertencem a um grupo commum, ao das formações corneas. Como matrix delias deve-se considerar a cutis e como elemento pro- creador na mesma a papilla. As particularidades das differentes meta- morphoses, como as differenças primitivas dos tecidos procreadores, ainda carecem ser estabelecidas com mais exactidão. Deixamos de considerar as controvérsias ainda pendentes sobre alguns pormenores deste assumpto. É fóra de duvida que as formações corneas, que se encontrarão nos kystos do ovário são geradas nos proprios kystos. Sobre tudo pode-se affirmar isto com certeza quanto aos dentes. Os differentes gráos de desenvolvimento, nos quaes elles aqui se en- contrão, correspondem exactamente ás phases de evolução normal, desde o deposito da primeira camada de substancia dental, em redor da papilla no interior do pequeno sacco fechado, até ao dente perfeito. Mesmo a respeito dos cabellos existem algumas observações, segundo as quaes se encontrarão cabellos novos dentro do folliculo ainda fe- chado. (1) Sobre as unhas, que aliás raramente se encontrão, não fizerão-se obser- vações especiaes. Segundo tudo o que fica dito, não podemos duvidar que nas formações corneas, nos kystos só vêmos a repetiçãojde processos morphologicos nor- maes, e como portanto a estructura das paredes, idêntica com a da cutis, se deve considerar como o principal caracteristico dos kystos, que contém estas formações, por isso Lebert propôz a denominação de kystos der- moides. Finalmante ainda se torna necessário investigar de que maneira pode nascer nos orgãos internos um tecido idêntico com a cutis, sobretudo em orgãos, que parecem ter tão pouca connexão entre si. Em geral, esta questão coincide talvez com a da origem dos tumores em particular, e (i) Compara a descripção de Stendcl: Beschreibung einer Cystengesehwnlst des Eiers- tocks. Tubingen 1854. Dissert. inaug., e a observação de Kolliker: Handbucb der Gewebelehre. IV Anflage. 1863. pag. 159. sobre a muda de cabellos nas sobrance- has d’uma criança. 3. C. 10 uma resposta satisfactoria sobre ella por ora não se pode dar. Quero me limitar a ofiérecer alguns apontamentos. Deve considerar-se como uma lei bem fundada do desenvolvimento, pelo menos dos mammiferos, que todas as formações bistologieamente analogas nascem dos mesmos princípios embryonarios. Este resultado acha numerosa affirmação por todos que se occupavão com o estudo da embryologia dos vertebrados superiores. Se esta lei, porém, tem um valor geral, devemos concluir quanto á eutis, achada em vários orgãos, que cada orgão, no qual ella se acha, nasce primitivamente ou tudo ou em parte do mesmo substratum embryonario como a pelle mesma. Quanto ao ovário seria necessário suppôr a connexão desta qualidade n’um estado mui prematuro. Devemos, pois, presumir que a glandula sexual indiffe- rente do embryão ou antes o rim primordial (1), do qual o ovário se des- envolve, tem sua origem ou em seu todo ou em parte, sempre ou exce- pcionalmente, da camada combinada (2), da folha germinativa superior com a parte da media, a qual fornece o material para a formação da pelle. O conhecimento do desenvolvimento do apparelho da geração não é ainda tão adiantado, que se possa dar a decisão definitivamente sobre a admissi- bilidade desta presumpção, porém deve-se apontar para o facto, que os rins primordiaes e os canaes delles (3) se achão primitivamente entre as placas das vertebras primordiaes e as dos lados, mui perto da folha ger- minativa superior, e que só mais tarde, depois de crescerem as placas lateraes, aquellas glandulas ficão apertadas contra o lado do ventre do em- bryão. A possibilidade de uma connexão mais intima nem por isso fica excluída. Seria importante, quanto ao ovário, determinar a genesis dos tubos de Pflueger. nos quaes se desenvolvem os folliculi Graafii. Quando a disposição para a formação da cutis já tem logar neste pri- meiro periodo embryonario, antes de differenciar-sc o sexo, a existência da cutis nos testículos também se pode explicar por igual modo, como no ovário. Também os kystos dermoides do cerebro e de suas membranas devião considerar-se debaixo do mesmo ponto de vista, visto que as pla- cas medullares se formão da folha germinativa superior (Remak) e prova- velmente também em parte pela da media (Reichert. Biscboff.) (1) Primordiolniere (Iacobson); Urniere (Ratlike) Corpo de Oken; corpo de WolfT. (2) Seguimos á theoria das folhas germinativas de Remak. (3) Canaes de WolfT. 11 A reducção dos kystos dermoides á condições embryonarias se apoia n’aquillo, que já ácima é mencionado, que tão frequentemente a sede delles é perto do angulo externo do olho. Este logar corresponde á borda superior do primeiro arcus visceralis, a possibilidade da formação de bolsos de pelle pode ainda ser admissivel em períodos embryonarios relativamente tardios. O facto innegavel, que kystos dermoides se encontrãe ás vezes innatos, mostrando a connexão destes pseudoplasmas com o desenvolvimeuto em- bryonario, conduziu os partidários da theoria do feto rudimentar extran- terino á admittir como soccorro a theoria do foctiis in foctu naquelles casos, em que se achão estes productos em condições que excluem abso- lutamente a influencia immediata da fecundação. Para accomodar esta theoria aos esclarecimentos modernos, deve-se suppôr que, ás vezes, dous ou mais embryões se estabelecem n’um ovo e se desenvolvem separados até a um certo gráo. Depois um d’elles crescendo mais depressa do que o outro, inclue finalmente o atrophio mais ou menos completamente. Neste caso a existência independente d’elles tem deixado de existir; o incluído é um monstro (monstrum per inclusionem) urn parasito que vive a custa do hospede (inclusion parasitaire.) Por falta de observações reaes sobre tal desenvolvimento deve-se con- cluir de outros factos a este respeito. (1) Deve-se julgar como a condi tio sine qua non o estabelecimento dos diversos embryões numa só zona pel- lucida, pois que a fusão de diversos ovos não pode-se imaginar, em vista da solidez do tecido desta membrana. No interior d’ella o estabelecimento de dous embryões talvez possa ter logar de differentes maneiras, quer a mesma gemrnula contenha duas vesiculae germinalivae, quer uma gem- mula inclua a outro, como se observa no ovum in ovo dos aves, quer final- mente duas gemmas separadas existão n’uma zona pellucida, como Bise- hoff pretende ter observado em ovos dos mammiferos. Observações sobre o processo da fusão mesma dos corpos embryonarios não conhecemos nenhuma, mas podemos admittir a possibilidade de semelhante processo, em vista dos monstros duplos, que talvez devem ser explicados desta maneira. Aliás taes acontecimentos raramente teem logar, visto que a disposição de dous corpos embryonarios para fundir-se não pode ser julgada mui (1) Conf. fíischoff em Wagners Handwoerterhuch der Physiologie 1841. vol. I. pag. 908—914. Arlikel; Entwickelungsgeschichte. 12 grande, porque gemeos, incluídos mesmo n’um só amnion pela notável estreiteza de espaço mantem-se separados. Completamente problemática fica a transformação de embryão num kysto e tanto mais em diversos kystos, como seria preciso para o kystoido composto. Caracteres distin- ctivos, que sejão positivos em favor de tal modo de origem, em opposição ao desenvolvimento extra-uterino por prenhez, ainda não tem sido exhL bidos em particular; esta theoria tem limites assas arbitrários. Apontamos desde já para a inconsequência deste methodo. A hypothese, ácima exposta, sobre o nascimento dos hystos dermoides, em seu actual desenvolvimento, parece na verdade digna de merecer a approvação geral, porém ha ainda hoje muitos autores, que não só a com- batem e desprezão, como até dão preferencia sobre ella á antiga bypo- these do íeto rudimentar e do monstro incluso. Porém, não obstante con- tar entre estes Cruveilhier, autoridade, cujos merecimentos, em anatomia pathologica, são únicos, não pude convencer-me da importância de suas objecções. Elles se apoião sobretudo no principio que a formação do tumor ne dépasse pas le cercle des tissus colluleux, fibreux, cartilagineux et osseux. Esta doetrina parece ser justamente desmentida pelos kystos dermoides. As objecções das quaes tratava-se no precedente, parecem ser as de mais pezo, que podem ser levantadas contra a theoria do feto rudimentar; como esta porém ainda acha partidários queremos examinar também as outras objecções. Em primeiro logar a base fundamental desta hypothese é o desenvol- vimento do embryão no proprio ovário; a seu respeito não se pode ad- mittir outros modos de prenhez extranterina. Porém bem que theorica- mente não se pudesse negar a possibilidade da fecundação do ovo, dentro do folliculo Graafii (1), em vista das experiencias de Vircliow e Kiwisch, comtudo por outro lado não existem factos anatómicos induditaveis que uma gravidez ovarica jamais realmente existisse. Naquelles casos, que antigamente se fazião passar por prenhez no ovário, as experiencias não forão feitas com cuidado sufficiente para destruir a duvida que pudesse haver questão da existência d’uma prenhez da trompa no ostium abdominal (2). Em todo ocaso esta gravidez deve ser raridade inaudita; em quanto os (1) Sobre o mecanismo pretendido veja-se: Kiwisch. Klinische Vortrage Ií. Anflag Abth II. 240. e: Vevhandlg. d. phys. med. lesellscbaft in Wuozburg. 1850 I. f, (2) Max. Mayer Kritik der Extranterinschwangerschaflen vom Standpuncte der Physiologie und Entwickelungsgeschichte. Giessen 1845. 13 restos foctaes, que se crê ver no ovário, não pertencem por maneira ne- nhuma á taes raridades. E o que se poderá dizer nos casos em que, pelo grande numero de dentes, não fosse possível deixar de considerar que um acontecimente, já tão problemático em si, se tem dado no mesmo indivíduo oito e mais vezes ? Outra supposição é a que já o feto possue dentes, porque, sem esta supposição, não se podia fallar daquelles como de restos evidentes dum feto, o que tem acontecido. A supposição, porém, e notoriamente falsa. Pode-se talvez oppôr que, excepcioualmente, a formação de dentes per- feitos já possa ter logar no estado fetal, bem que neste easo então não se pode comprehender, porque esta anormalidade justamente quasi sempre devesse ter logar nos fetos que se desenvolvem no ovário. Aliás pode ser abandonado o termo restos fataes como mal acertado, si se quizesse man- ter em pé atheoria, a que elle pertence, apoiando-se na supposição—que o feto já desenvolvido pode ainda por mezes continuar a sua existência, vivo no ventre materno, para depois morrer e caber á reabsorpção, da qual ficasse isentos só seus eabellos, dentes e alguns ossos, perdendo, porém, a sua configuração própria. A pouca verosimilhança de um pro- cesso tão hypothetico é evidente por si mesmo. A serie destas condições extravagantes, que aquella theoria necessita, talvez pudesse ainda estender mais, si se submettesse todas as particulari- dades d’ella á igual critica; creio,porém,ter contradito os pontos essenciaes. Portanto, quer examinemos esta theoria, applicando-lhe princípios ge- raes, quer comparemos as suas supposições e consequências em particular com os resultados da investigação objectiva, em todos os casos ella envol- ve-se em contradições e estravagancias; a theoria, porém, que eu tratei de estabelecer em seus princípios não fica desmentida por nenhum facto conhecido, e pelo contrario se apoia essencialmente em observações exa- ctas e repetidas, e mesmo n’aquillo em que ella ainda parece ser, por ora, menos segura e incompleta, se acha a decisão do hypothetico por ex- perieneia dentro dos limites do que se pode alcançar. Posto, portanto, que ella, em um ou ontro ponto, possa soffrer modificações, em virtude de resultados posteriores, comtudo posso já affirmar que com ella se en- trou na senda do methodo certo, que deve conduzir ao definitivo esclare- cimento sobre tal assumpto. PROPOSIÇÕES ò Physiea.—A claridade vista de um objecto, igualmente allumiado, que for observado mediante um systema concentrado de superficeis re- fragantes, é in máximo egual á claridade vista do mesmo objecto, visto de olho nú. Clilmlca.—O hydrogenio talvez deve antes ser considerado metal no estado gazoso em vez de metalloide. Chimlca organlca*—Não ha fermentações sem vegetação de co- gumelos. SSotasiIca.—A base de todos os tecidos dos vegetaes é a cellula. Anatomia descriptlva.—Não ba na postata um musculo da vida animal, que funccione como sphiniter vesicae. Pliysiologla»—As glandulas chamadas sudoriparae produzem sebo. A respeito de sua construcção ellas devem ser chamadas glandulas en- noveladas (glandulae glomiformes). Anathoania patliologica*—A formação de tubérculos encon- tra-se mais frequentemente nos pulmões. Anathomia geral.—O estado do frio nas febres intermittentes é unido com objectivo augmento da temperatura. Pathelogia externa.—Nas caries dos ossos ás vezes acha-se moléstia de Bright. Patfiologia interna.—O sarampão é doença contagiosa. Partes.—Não ha symptoma absolutamente infallivel da gravidez. operatória.—Na operação da tracheotomia infra- thyreoidea a incisão no sentido de baixo para cima é preferível á inci- são na direcção opposta. Matéria Medica.—O eífeito cumulativo dos preparatos de digi- talis obriga a restringir o emprego destes medicamenjos. Hyffieiie*—Poçostornão-se ás vezes centros deinfecção quando com- munieão subterraneamente com latrinas. Medicina legal.—Sugillações no pescoço de recem nascidos mor- tos podem originar da enroscadura do cordão umbical. 16 Pliarmacia*—0 chininum muriaticum dissolve-se na agua mais facilmente do que o chininum sulphuricum. Clinica externa*—0 melhor methodo de extirpar os polypos pe- diculados na cavidade do utero é aqueile por meio do esmagador (éaras- eur), munido de uma porta cadêa. Clineca interna*—O melhor methodo para combater a dyspnea na pneumonia em sujeitos plethoricos é a sangria. liirrOCRATIS APHORISMI I Vulneri convulsio superveniens lclhale. (Sect. V, aph. 2.) II In temporibus, quando eodem die modo calor, modo frigus íit, aulum- nales morbos exspectare oportet. (Sect. III, aph. 4.) III Duobus doloribus simul obortis, non in eodem loco, vehemenlior obs- cura t alterum. (Sect. II, aph. 46.) IV A febre ardente occupato, rigore accedente, solutio fít. (Sect. IV, aph, 58.) V Aculi morbi in qualuordecim diebus judicantur. (Sect. II, aph. 23.) VJ Kenum atleetioneSj ct quae circa vesicam consístunt. operose sanantur* in senibus. (Sect, VI, aph. (3.) Bahia—Typ. de J. G. Touriulio—1872, f/éeme/Zda c! fâommtféSo Mbevcdola. Mja/uu e /Zactt/c/ac/e c/e %s//ec/t~ c/na £ c/e ó/Zt/Zc/e céjs. ê/'?. (fcid^/ia?. Sd/á condoí me od Sdfa/utod. ZZacu/c/ac/e c/e o/a £§a/ca p c/e 3/Zct/c/e céjí2. ê/)v. °/up(ud/o MÕn. Z/auc/cmtío t/a/c/ad. ZZm/it/ma-de. Mj a/ta e Z/acuZ/ac/e c/e \s/&ec/ccina p c/e sZZi/Zc/e /éjtu Mó/. ly/éapja Ziãed