EffiESE DE MIGUEL PINHEIRO REQUIÃO <I mu apresentada à FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA PARA. EM NOVEMBRO DE 1871 ✓ ™> tf/ Miguel Pinheiro llequiíío NATURAL D'ESTA PROVÍNCIA <Ãfíw íkjiliiuo ?« CfeMteuU íPittCcito íRequião « ?« 3). Jbuua CaloCiua fPuquião PARA OBTER 0 GRAU DE WMW M ■OII Conibien de fois le médecin n'esl-il pas le seul Riui qui reste au pauvre gisant sur sou Jit de dou- leurs! 11 lui apparait comine uu auge cousolaleur, ses soius coinpatissants lui ramèneut 1'esperauce qui Fabaudouuait, et sou art lui infiltre des nou- velles forees daus les veiues. Hufieland. Tyiiogrnpliia de J. G. Tourlnlio 1871. FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIRRGTOR 0 Ex.mo Snr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Majalhães. 08 8RS. DOUTORES l.*ANNO. MATÉRIAS QUE LECCIONAM Cons. Vicente Ferreira de Magalhães. Physica em gerai, epartlcularmente em suas appiicações á Medicina. Francisco Rodrigues5 da SilvaChirniea e Mineralogia. Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Anatomia descripliva. 2. ANNO. Antonlo de Cerqueira PintoChimica organica. Jeronymo Sodré Pereira • ... . Physiologia. Antonio Mariano do BomílmBolanica e Zoologia. Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Repetição de Anatomia descripliva, 3. ANNO. Cons. Elias José PcdrozaAnatomia gerai epathologíca. José de Góes Sequeira .. . . ... . Pathologia geral. Jeronymo Sodré Pereira Physiologia. 4. ANNO; Cons. Manoel Ladísl&o Aranha Dantas . Pathologia externa. Demelrio Cyriaco TourinhoPathologia interna. 'Conselheiro Mathias Moreira Sampaio Partos, moléstias de mulheres pejadas e de men'nns reccmnascidos. ».• ANNO. Demetrlo Cyriaco Tourlnho . . . ; . Continuação de Pathologia interna. José Antonlo de Freitasi Luiz Alvares dos SantosMatéria medica, e therapeulica. 6.* ANNO. Rozendo Aprigio Pereira Guimarães. . Pharmacia. Salustiano Ferreira SoutoMedicina legal. Domingos Rodrigues SeixasHygiene, c Historia da Medicina. Anatomia topographica, Medicina operaloriu. e appareinos. José AÍTonso de MouraClinica externa do 3.* e 4.» anno. Aulonio Januario de FariaClinica interna do 5.* e 6.* anuo. Ignacio José da Cunha spedro Ribeiro de Araújo. . . . José Ignacio de Barros Pimentel. Virgílio Clymaco Damazio . . . Secção Accessoria. Augusto Gonçalves Martins. . . Domingos Carlos da Silva. . . . Antonlo Pacifico Pereira .... Secção Cirúrgica. Ramlro AÍTonso Monteiro Jiga» Carlos Moniz Sodré de Aragão . Claudeiniro Augusto de Moraes Caídas Secção Medica. O Sr. Dr. Cincinnato Pinto <la Silva» IDà SBWKBQABlIâ O Sr. Dr. Thomaz «PAquino Gaspar. A Faculdade não approva, nem reprova as opiniões piniltldas uas lheses que lhe são apresentadas. à MEMÓRIA DE MEL AVÔ O SENHOR MIGUEL PINHEIRO REQUIAO Jb aftua pi pita pata çtajat 110 Ceo clp>uiii). A morte não quiz que eu repartisse comvosco as ílores do meu dia, e uma sorte impia converteu em prantos as que erão vossas, mas em troca pude regar as vossas cinzas com as lagrimas que só a vós pertencião, e que só elias, n'esse dia, podião traduzir o amor que vos dei. Cheguei ao ultimo dia de minha crusada e para que ama- nhan possa entrar feliz na pratica do meu Apostolado, ahençoai, lá da mansão dos justos Ao vosso neto Jiíyud. k MEiíCFJÀ dz e:itha :f.kah D. Adelaide Carolina Requião Como o lírio no caudor, que desbotòa De inais no crescer das alvoradas Vivestes tão louçan E como o proprio lirio, que se espalha Pendente do tufão pelas lufadas, Morrestes minha irman. A MEMÓRIA DE MEU INNOCENTE IRMÃO E DE MINHA INNOCENTE IRMAN Manoel Pinheiro Requião e Anna Carolina Reguião Forão uns Anjos. Deixarão a terra o pousarão aos pés do Senhor. À MEMÓRIA DE MINHA AVO' MATERNA 1>E MEUS TIOS E TIAS DE MEUS PARENTES DE MEUS AMIGOS Sentimento. Á MEU BOM PAI o mu cusnm krsw ntnis E A MINHA EXTREMOSA MÃI Jb tfeuftota. 3). Jbtiua Catoíuia. (Re quíão Estão concluídos os vossos desejos. O ultimo dia de minha romagem chegou, â vossos conselhos o devo. No caminho cansado de tanto caminhar, por vezes quiz dormir ás sombras das arvores; mas as vossas falias, as vossas animações fazião-me sonhar as bel- lezas da filha de Hyppocratis e então reanimado queria vencer os andes da sciencia, e atinai tudo venceu-se: a medicina me abriu seus templos, e a sociedade me acolheu sur- rindo. Agora que vai começar para mim uma nova cruzada, n'ella, para que eujreceba a recompensa de Deus e os applausos da sociedade, é mister que abençoeis ao vosso Miguel. A aw nmi© K HfiMD & âbeyutào Oh! palavras , oh lingoa! quam sois fracas Para d'alma narrar os sentimentos Magalhães. A@ MEU AMIGO 0 llhistrissiruo Seulior TeneMÍe-Coronel Dr. Domingos tf. fia Silva Conto e â fjmnoom Estima, respeito e consideração. A MEU AVÔ £ S». ÍOOTSa MWISffiOffi Respeito. à MINHA AVÓ .4 Senhora D, Blosa tle Requino Respeito. jm.' mks<J rJT»o 0 SÉNIOR MIGUEL DE SOUZA RE0U1ÍO JURIOR E A SUA EXMA. FAMÍLIA Estima e respeito. â mw m V O Capitão chwtucvdco E A SUA EXCELLENTISSIMA FAMÍLIA Amisade. a Mire O SENHOR ANTONIO PINHEIRO REQUIÃO Estima. AOS SENHORES DOUTORES Ãjaôúeí íBútto êotauidfau Siuiíiú ?e ffiiitto Cfàoveo ííóefúníoto Cefeólúio í$<x|HÍôta Ofiwita Signal de amisade. AOS MEUS COLLEGAS DOUTORANDOS Uni adeus. A ILUSTRADA CONGREGAÇÃO DA FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA Profundo respeito. AOS MEUS MESTRES Gratidão. AOS EMPREGADOS DA FACULDADE Lembrança. mia maaasM vícios de conformação da bacia e suas indicações DISSERTAÇÃO o ACIA é a grande cavidade ossea, bastante irregular, que se en- u» contra no esqueleto, abaixo da columna vertebral e acima dos Y membros abdominaes. Nos adultos occupa a parte media do corpo, nas crianças a Pai>le inferior. A bacia é o resultado das articulações dos ossos illiacos, sacro e ccccyx; os dous primeiros formão as paredes lateraes, anterior e concorrem para a formação da parede posterior: os dous ulti- mos orma() 0 centro da parede posterior. Não entrarei na appreciação das disposições destes ossos e sim na analyse de uma bacia bem conformada, para que possamos, ■ com 0 conhecimento d'ella, bem comprehender as bacias vi- ciadas. As bacias bem conformadas apresentão a forma de um cone ligeiramente achatado de diante para traz, cujo vertice, situado para baixo, é ao mesmo tempo voltado para traz. As bacias apresentão superfície externa e interna; a primeira é dividida em quatro regiões: anterior, posterior e lateraes; a segunda, cavidade da bacia, apresenta, segundo a opinião do Sr. Vesale, a forma de uma bacia de barbeiros, como esta tem ella uma porção superior bastante desenvolvida, grwdc bacia 4 bacia superior ou abdominal, e outra menos dilatada, inferior á primeiray. pequena bacia, bacia inferior ou excavação pelviana. A bacia abdominal, de forma muito irregular forma, como diz o Sr. Ca- zeaux, uma especie de pavilhão á entrada da bacia; cila apresenta quatro paredes: anterior que sondo constituída por partes molles desapparece no es- queleto, posterior e lateraes. A bacia inferior tem a forma de um canal inais dilatado no centro que em suas extremidades e um pouco inclinado para diante. O Sr. Chaussier tra- tando d'esta matéria diz: se separarmos tudo quanto temos descripto perten- cente á bacia abdominal, ficará um annel de circumferencia estreita para, diante e dilatada para traz, que nos dará uma ideia exacta da forma da bacia inferior. Também encontramos quatro paredes n'esta bacia: anterior, posterior e lateraes. No todo d'esta exeavação achão-se diversas saliências que convém conhe- cel-as; porque, suceptiveisde tomarem proporções maiores, podem ser a causa de má conformação; assim, temos as symphises sacro-illiacas e a symphise pubiana, que as vezes se clevão á 4 e 5 millimelros. ESTREITOS. A grande e a pequena bacia se achão separadas por uma especie de circttfo» conhecido dos parteiros por estreito superior, abdominal, eslhmo ou garganta da bacia-. além d'este temos a abertura circular, em parle ossea e em parle ligamentosa, que se encontra no vertice da bacia: estreito inferior. O estreito superior, todo osseo, tem a forma, segundo o Sr. Chaussier, de um trigono curvilíneo cujos ângulos se achão arredondados, de base para traz e vertice para diante. Este estreito não apresentando a forma geométrica de um circulo segue se que os diâmetros tomados em diversos pontos marcarão dimensões desiguaes; d'isto resultou, entre os parteiros, a convenção de certos e determinados diâmetros, para que elles possão responder á certos quesitos nos casos de partos laboriosos, etc. No estreito superior 3, segundo a maioria dos parteiros, e 4 segundo o Sr. Vclpeau, são os diâmetros; o primeiro, antero^posterior,marez a extensão que vai do angulo sacro-vertebral á parte superior da symphise pubiana, mede onze á doze e meio centímetros; o segundo, transverso, marca a extensão que vai do meio do bordo espesso que termina a fossa illiaca superior de nm lado 5 ao meio <lo mesmo bordo do lado opposto, mede trcse e meio centímetros: o terceiro, obliquo, marca a extensão que vai da parte anterior da symphise sacro illiaca á eminência illeo-peclinea do lado opposto, mede doze centíme- tros: o quarto admiltido pelo Sr. Velpeau, sacro-colihjdiano, mede, segundo elle, dez á doze e meio centímetros, segundo os Sr». Naegelé e Stolz, nove centímetros. A circumferencía d'este estreito mede trinta e cinco á quarenta c Ires centímetros. 0 estreito inferior tem uma circumferencia muito mais irregular, consti- tuida por porções ósseas e por porções ligamentosas. Os diâmetros d'este es- treito são lambem Ires: o primeiro, anlero-poslerior, vai da ponla do coccyx ao verlice da arcada pubiana, mede onze centímetros, porem adquire mais um durante o trabalho do parlo; o segundo, transverso ou bischiatreo, vai de uma luberosidade do ischion á outra, mede onze centímetros; o terceiro oblifjuo, vai do ponto de união do ramo ascendente do ischion com o ramo descendente do pubis ao meio do grande ligamento sacro-schialiaco, mede onze centímetros, p uem adquire mais um durante o trabalho por causa da elasticidade do ligamento. Conhecidos os estreitos, estudemos as generalidades da excavação. Excavação é cavidade limitada pelos estreitos: ahi durante o parto é qne a cabeça do feto executa os seos principacs movimentos e para que o parlo es- pontâneo. e natural se dê é preciso que exista grandeza relativa entre os dia- metros felaes e ptevianos. Os diâmetros da excavação também são tres: o primeiro, antero-posterior, mede doze á trese centímetros; o segundo, transverso, mede doze centíme- tros; o terceiro, obliquo, mede doze centímetros. Eis aqui o que ha sobre generalidades das bacias bem conformadas, agora entremos na apreciação do nosso- ponto. VÍCIOS DE CONFORMAÇÃO. 0 Sr. Cazeaux tratando das bacias viciadas se explica do modo seguinte: Toda vez que uma bacia se afasta da organisação de uma bacia que tenha as dimensões normaes é viciada. O Sr. Ilyerneaux escrevendo sobre a mesma matéria diz: Un bassin est viciée chaque fois qui' il sécart de ses dimensions norniales, que ce soil par excés ou par dèfaut d'amplitude dans ces dia- metres-,par excès ou par manque de profondeur de son cxcavatioii. 6 t As bacias podem todavia apresentar millimetros de mais ou de menos na extensão dos seus diâmetros, e o parto fazer-se naturalmente. As bacias viciadas se dividem em duas grandes classes, em relação a gran- deza dos seos diâmetros: assim temos bacias que tem os diâmetros maiores que as normaes e bacias que tem os diâmetros menores: as primeiras cons- tituem os vicios de conformação por excesso de amplidão, as segundas os vicios de conformação por excesso de estreiteza. BACIAS VICIADAS POR EXCESSO DE AMPLIDÃO. Toda vez que uma bacia bem conformada em seos elementos constitutivos apresentar maior capacidade do que as bacias naturaes, o parto se fará mais promptamente, trazendo menos incommodo para a mulher e menos perigo para o menino, se um e outro estão sob os cuidados de um medico intelli- gente. A este respeito diz o Sr. Cazeaux parece que, sempre que uma bacia apresenta maior desenvolvimento em sua capacidade que isto é favoravel; in- felismcnte não acontece assim, (piando a amplidão é bastante considerável expõe a mulher a accidentes perigosos, quer no estado de vacuidade do utero, quer durante a prenhez, o parto e a expulsão da placenta: examinenos quaes são estes accidentes. 1. Um utero vasio, diz o Sr. Cazeaux, que busca apoio conveniente nas paredes da bacia e que não acha, e que livre flucíua cm uma cavidade es- paçosa descolloca-se mais facilmente que nas excavações normaes. O Sr. Joulin não aceita esta opinião, diz elle, se alguém comparar o volume do utero com a extensão da bacia, verá que as paredes d'esta nada influem na sustentação d'aquelle. Confesso que não sei o que quer dizer o Sr. Joulin. Todos nos sabemos que o utero não se equilibra na excavação a custa das pressões recebidas directamente das paredes ósseas; porem sim que servem-lhe de apoio as partes molles que enchem a excavação: ora se nas bacias nor- maes as partes molles, enchendo a excavação, deixão um espaço como um para o utero e se nas baçias ampliadas estas partes conservando as mesmas gran- dezas, deixão um espaço como dous, que razão temos para negar a predispo- sição á descollocar se que tem o utero nestas ultimas bacias? 2. Durante a prenhez, o utero achando maior espaço na excavação, ahi se demora por mais tempo e então em consequência de seo maior peso, é a causa de accidentes taes como; a compressão do reto, a difficuldade de ou- 7 rinar, os desenvolvimentos, devidos a compressão dos vasos inferiores, de va- rices, edemas, tumores hemorroidarios, etc. O Sr. Cazeaux nos apresenta, em seu traclado de partos, accidentes de maior importância. Diz elle, se o utero se acha em uma bacia, na qual o ex- cesso de amplidão existe especialmenle na exeavação, apresentando os seos estreitos em dimensões quasi normaes, o seo fundo se revira frequentemente na concavidade sacra. Mais tarde quando o seo volume é muito considerável para que possa prolongar sua estada na exeavação, encontra, da parte do es- treito superior, obstáculos que elle não pode vencer e o resultado é o aborto. A primeira parte d'esta opinião pode ser aceita, a segunda me parece que não tem muita rasão de ser; porque o utero quando começa a subir tem os seos diâmetros menores <jue os diâmetros do estreito superior, ainda mesmo que estes se achem um [touco reduzidos, e por que ha de encontrar obstáculos que elle não pode vencer? No fim da gestação, quando elle desce, não passa o estreito porque su- bindo não ha de passar, tendo muito menos volume? 3.° No fim da prenhez, a cabeça apresentando se cêdo no estreito superior, desce na exeavação, compiime as parles vesinhas, e faz reapparecer, nos der- radeiros mezes da gestação, todos os accidentes que se linhão dado no começo. Vejamos se esta opinião, aliás professada pela maioria dos Srs. parteiros, é bôa. Dividamos as bacias ampliadas, segundo a dimensão dos seus estreitos em tres classes: A primeira classe seja das bacias ampliadas na exeavação tendo o estreito superior em condicção natural. A segunda, das bacias ampliadas na exeavação tendo o estreito superior diminuído. A terceira, das bacias ampliadas na exeavação e no estreito superior. No primeiro caso a descida do utero ha de ser toda normal; no segundoelle não descerá antes de tempo; pelo contrario em razão da insufliciencia do es- treito, terá que vencer difficuldades; no terceiro, se me dessem a razão do utero perder sua força própria e deixar-se vencer pelas pressões e seo proprio peso, eu acreditaria na descida do utero antes de tempo, nos cazos de bacias am- pliadas: porém eu vejo que nos casos de bacias normaes elle soffrendo as mesmas presssões e tendo o mesmo pezo não desce antes de tempo, como posso acreditar n'esta doutrina? 8 Será porque não possa transpor o estreito? 4.° Durante o trabalho do parto podem se dar algums accidentes, taes como: a impulsão do ulero até a vulva, a dilaceração do collo, do perineo, etc. Todas estas consequências más deixão de apparecer se a mulher está sob os cuidados de um medio consciencioso. Muitos parteiros attribuem estas consequências á ampliação da bacia, mas eu acho mais acreditável que du- rante as conlracções nenhum papel representão as porções ósseas da bacia, e se ellas influem, nos casos de bacias normaes o parlo deve ser mais prompto. BACIAS VICIADAS POR EXCESSO DE ESTREITEZA. Ja sabemos o que é uma bacia viciada por excesso de estreiteza; vejamos a sua classificação. Os parteiros as dividem em duas classes. Na primeira, collocão as bacias que tem seos ossos bem conformados mas que apena solTrerão reducção na grandeza dos seos diâmetros, e na segunda collocão todas aquellas que não apresentão a organisação normal, em um ou mais dos seos ossos. As bacias da primeira classe enconlrão-se em indivíduos bem confor- mados e que nunca soflrerão moléstias que podessem produzir taes desor- dens, como, o escrobuto, o rachitismo, a osteomalacia, a carie, as escro- phulas, etc. Estas bacias constituem á estreiteza absoluta de Velpeau; as bacias da segunda classe á estreiteza relativa. Estriteza absoluta de Volpeau.-Assim chamão-se as bacias cujos diâmetros soffrem uma diminuição regular. Não é mui frequente o encontro d'ellas, o Sr. Naegelé nos apresenta o limitado numero de 4, destas, segundo clle nos diz, 3 pertencerão á mulheres de estaturas regulares e 1 a uma anã. Estreiteza relativa de Velpeau.-Muitas divisões se tem feito para o estudo das bacias da segunda classe, porem só tem resultado muita complicação e nada mais: felizmente apresentou-se o Sr. Dubois oílerecendo-nos uma classificação que me parece a melhor. Elle tomou por base a deformação dos ossos consti- tuintes da bacia e formou 3 typos dislinctos. 1. Achatamento de diante para traz. 2. Compressão de um lado á outro. 3. Depressão das paredes antero lateraes. 9 No l.° caso perde em extensão o diâmetro antero-posterior, no 2.° o dia- metro transverso, e no 3.° os diâmetros oblíquos. Qualquer d'estas formas de estreitamento pode se dar isoladamente no es- treito superior, inferior, ou na exeavação, geralmente os dois estreitos são victimas ao mesmo tempo. ACHATAMENTO DE DIANTE PARA TRAZ. N'esta especie as paredes antero-posterior estão mais próximas, o dia- metro que as separa é mais curto que naturalmente. A deformação do sacro geralmente é a causa d'esta desordem. Elle deforma-se por diversos modos, assim: ou elle apresenta uma curva anterior muito exagerada e a saliência do angulo sacro-vertebral também augmentada, diminuindo o diâmetro antero-pos- terior, ou elle apresenta-se plano ou convexo para adiante. No primeiro cazo o estreitamento tem sua sede no estreito superior, e, se em virtude de um movimento debasculo o coccyx se afasta á proporção que o angulo sacro-vertebral se adianta, o estreito inferior augmenta na direcção do seo diâmetro antero-posterior; mas se o coccyx também se curva sobre si mesmo» então o estreitamento se dá em ambos os estreitos e a exeavação no cazo de curva exagerada do sacro nunca vem a soffrer; pelo contrario, torna-se mais espaçosa. No segundo cazo, quando o sacro é plano, toda a bacia soílre estreitamento no seo diâmetro antero-posterior. No terceiro cazo, quando elle é convexo, o estreitamento tem sua séde no estreito superior e porção superior da exeavação; neste caso o estreito in- ferior augmenta. Não é só o sacro quem pode ser o agente destas desordens, também a re- gião pubiana deformando-se acarreta as mesmas consequências. A parede posterior desta região pode apresentar uma saliência tal, que diminuindo o diâmetro antero-posterior, seja a causa da viciação de uma bacia; felizmente bem poucas vezes as deformações da bacia dependem de alterações n'esla região. Ila casos em que esta saliência da parede interna do pubis coincide com maior elevação do angulo sacro-vcrtebral e então o estreito superior tem a forma do algarismo 8. N'estcs estreitamentos a extensão que tem geralmente o dia- 10 metro antero-posterior, é de 8 á 9 centímetros, algumas vezos de 8á 6 c raras vezes de G-á 5. COMPRESSÃO DE UM LADO A' OUTRO. São raras as bacias que tem vicios d'esta ordem, e ainda mais aquellas cujo estreito superior e parte superior da exeavação sejão os únicos lugares estrei- tados. Estas bacias geralmenle resultão do rachitismo. Também existe uma outra causa que pode dar em resultado uma viciação tal; é o desequilíbrio no desenvolvimento das duas ametades lateraes da bacia; parece que a bacia até certa epocha desenvolveo-se regularmente, mas que d'csta epocha em di- ante deixou de desenvolver-se de um lado, ao passo que o outro continuou nesse trabalho. Os estreitamentos transversos geralmcnte são mu to limitados; quasi sem- pre a reducção que soílre o diâmetro é de um á dous e meio centímetros e o que se perde nelle ganha-se no diâmetro antero-posterior. Nas bacias viciadas por compressão de um lado á outro, os ossos caxaes oíferecem menos curvadura, o sacro recua e os pubis adiantão-se. Quando o estreitamento é pouco desenvolvido o estreito superior tem a forma circular, quando c mais pronunciado, á forma de um ovoide, cuja extremidade mais desenvolvida existe para a parle posterior da bacia. DEPRESSÃO DAS PAREDES ANTERIORES E LATERÂES. As bacias viciadas nos diâmetros oblíquos são mais frequentes que as que acabamos de descrever. N'ellas o vicio de conformação pode existir de um lado só, ou de ambos ao mesmo tempo: ordinariamente tem sua séde na porção interna da bacia, correspondente a cavidade cotyloide. As bacias d'esta especie dividiremos em duas classes: a primeira pertence- rão as que forem viciadas cm ambos os diâmetros, a segunda as que forem em um só. Quasi sempre as bacias da primeira classe são produzidas pela osteomala- cia. Elias tem suas paredes antero-lateraes deprimidas para dentro da exca- vação, a symphise dos pubis muito saliente para fora, em forma de angulo agudo, este ás vezes tão agudo, que as paredes internas dos ramos hori- 11 sonlacs dos pubis se achão muito pnoximas uma da outra; os ramos as-* cendenles do ischyon e descendentes do pubis se achão tão proximos que a arcada pubiana se acha muito redusida, ou falta. N'estcs estreitamentos a al- teração é quasi a mesma para ambos os estreitos. As deformações da segunda classe dependem da existência de uma das tres causas seguintes: do rachilismo, da luxação congénita ou lesões dos membros inferiores e finalmente de uma causa especial cuja natureza é desconhecida; é a esta causa que se attribue a bacia obliqua ovalar do professor de Hei- delberg. As bacias viciadas em um só diâmetro não tem uma forma symetrica. Aqui a forma do estreito superior altera-se completamente; o semicírculo que forma o osso illiaco, do lado affectado, lambem se altera, o ossoè quasi plano e ás ve- zes convexo para o lado da exeavação; a symphise pubiana desvia-se para um dos lados da linha media e não corresponde a direcção do angulo sacro- vertebral. O Sr. Sacombe aconselha que quando se tiver de fazer um parlo, cuja ba- cia, for viciada em um só diâmetro, que examine-se se o feto está, ou se não o colloque-se, em posição tal que a extremidade mais desenvolvida da cabeça corresponda á porção mais dilatada da bacia. O Sr. Sacombe lembra-nos este preceito, porque nas. bacias viciadas em um só diâmetro as mais das vezes não se altera a extensão do outro e pelo contrario, muitas vezes o torna maior. O preceito é bom mas não devemos confiar muito nelle. No estudo das bacias viciadas em um só diâmetro existe uma especie da qual especialmente se occupou o Sr. Naegelé e que a sciencia dá-lhe o no- me de bacia obliqua ovalar de Esta bacia apresenla-se com os ca- racteres seguintes. 1. Ankilose completa de uma das symphises sacro-illiacas ou-fusão com- pleta do sacro e de um osso coxal. 2. Desenvolvimento imperfeito da metade do sacro c estreitamento dos bu- racos sacros anteriores do lado ankilosado. 3. Menor largura do osso coxal e de sua chanfradura do mesmo lado. 4. O sacro é impcllido para o lado da ankilose, tendo a face anterior diri- rigida para este ponto, a symphise pubiana, impellida para o lado opposto, não occupa a direcção do angulo sacro-vertebral, os ramos horisontaes dns pubis não estão em harmonia, o que pertence ao lado deformado está collo* cado um pouco para traz. 12 5. A parede lateral e 'anterior do osso illiaco do lado deformado é quasi plana. 6. A outra metade da bacia é levemente deformada por causa da sym- phise pubiana que passa a linha media, de modo que dividindo-se duasbacias ovalares viciadas, uma á direita outra à esquerda, as duas porções não ankilo- sadas, reunidas por sua porção sacra apresentarião entre os pubis um affasta- mento de 8 á 10 centímetros. 7. O diâmetro obliquo do lado não ankilosado é mais ou menos estreito; o do lado opposto conserva o seo comprimento ou augmenta; o mesmo se dá na excavação. 8. O diâmetro sacro-cotyloidiano do lado deformado é mais curto que o do outro lado; o mesmo se dá para com as distancias que separão as tuberosi- dades sciaticas da espinha illiaca postero-superior, e a apophese espinhosa da ultima vertebra lombar da espinha illiaca antero-superior. 9. A cavidade cotyloide do lado aakilosado dirige-se mais para diante que a do outro lado. 13 CAUSAS DOS VICIOS DE CONFORMAÇÃO Felix que poluit rerum cognt scere causas. (Virg.-Georg., liv. 2o) Por muito tempo acreditou-se que as bacias viciadas erão produzidas por uma causa unica, o rachitismo; hoje graças ás descobertas da cirurgia moderna sabe-se que outros muitos agentes podem ser a causa da mesma desordem. Antes de tratar das causas dos vicios de confirmação, façamos uma divisão d'ellas para facilitar o estudo. Consultando os escriptos dos Srs. Cazeaux, Joulin, Naegelé, Scanzoni, Hyerneaux, Jacquimier e outros muitos práticos distinctos, talvez que devido aos poucos recursos de que disponho, achei dif- ficuldade e confusão, achei que estes homens não se occuparão em methodisar o estudo das causas. As causas que vicião as bacias parece-me que podemos dividir em duas classes; chamem-se estas:-Causas determinantes e causas predisponentes. As primeiras tem sua séde na bacia, as segundas fóra d'ella: as primeiras, dada a causa dá-se o elleito; a bacia altera-se desde que a causa apparece; as segun- das os effeitos apparecem com mais ou menos tempo depois da existência da causa. São causas da primeira classe ou determinantes, a causa incógnita que pro- duz a estreiteza absoluta de Velpeau, os callos diformes da bacia, as exostosis ou os tumores osseos da bacia, os enchondromas, os osteosarcomas, etc. São causas da segunda classe ou predisponentes, a inflexão da columna ver- tebral, as luxações congénitas enão congénitas do femur, as lesões dos mem- bros inferiores, as luxações das ultimas vertebras lombares, o rachitismo, a osteomalacia, etc. CAUSAS DETERMINANTES Estreiteza absoluta de Velpeau.-Segundo a exposição que no começo d'este trabalho fizemos acerca das bacias viciadas por estreiteza absoluta de Velpeau, comprehendemos que ellas tem todos os quesitos de uma boa conformação; 14 mas que destacavão se das bacias normaes, porque sua capacidade era muito menor em relação á estas, assim, levados por essa forma caprichosa que apre- sentão estas bacias, houve quem dissesse, que era uma bacia de criança em uma mulher; que os seos ossos conservavão os mesmos caracteres da infancia e que estas bacias erão devidas a uma parada no desenvolvimento de seos ossos. Acho pouco aceitavcl a doutrina: porque os ossos não conscrvão laes ca- racteres, como nos provão as autopsias: é melhor que confessemos o estado actual da sciencia, que digamos-nós não sabemos qual a causa que produz esta deformação. Callos difornies.-Em uma bacia quando fracturada é muito diílicil se obter uma consolidação boa; quasi sempre um callo diforme vem perverter a sua con- formação; muitos exemplos d'esla triste verdade encontramos na sciencia. O Sr. Papavoine teve occasião de observar um osso illiaco traclurado em 3 partes, cujas consolidações erão viciosas. O Sr. Rowland Gibson nos refere o caso de uma consolidação viciosa do sacro. O Sr. Joulin também nos diz ter encontrado alguns casos de fracturasmás consolidadas. Exostosis.-0 Sr. Njegelé nega a existência destes tumores osseos da bacia; mas se temos a palavra conceituada do celebre professor de Heidelberg nos ga- rantindo essa não existência, também temos de outro lado as opiniões de muitos práticos distinclos, como sejão: Velpeau, Cloquel, Barbant, Sandifort, Fried, e etc., nos garantindo a existência delles. Não sei o que levou o Sr. Naegelé a privilegiar os ossos da bacia de laes estados pathologicos, não serão ossos como os mais? Não terão a mesma or- ganisação dos outros? Por elle não ter encontrado em sua pratica segue-se que deve negar o facto? Ainda se elle désse a razão porque as exostosis não se dão nos ossos da bacia a sua opinião seria aceita. Quanto a mim acho que as exos- tosis podem ter sua séde nos ossos da bacia c que sua existência é uma causa de deformação d'esta. Ostcosarcomas.-São degenerações cancerosas dos ossos da bacia, raras vezes se tem encontrado estados d'esta ordem e quando existem são de facil diagnos- tico; as mulheres accusão a existência de dores violentas, o tumor c muito ir- regular, elástico e crepitante, em alguns pontos; o que serve para os distinguir das exostosis. Encliondroinas.-São tumores cartilaginosos; também são aílecções que poucas vezes encontramos na pratica, também o prognostico, em casos taes, não é muito desfavorável; salvo o caso de ser o tumor muito grande e sua elas- ticidade muito pouca. Os enchondromas adhercm ao osso ou ao periosto, ora 15 "por tuna superfície larga, ora por um pediculo forte, resistente e curto; algu- mas vezes elles se desenvolvem em parles molles, porem sempre nas visi- mhanças de superfície Óssea. CAUSAS PREDISPONENTES Inflexão da coluinna vertebral.-Auligamente era o algoz único do esqueleto da mulher, o rachitismo; assim, acreditou-se que só elle era a causa das más con- formações da bacia; acreditou-se que só elle era a causa das inflexões da co- lunina vertebral: felizmente á essa crença que queria escurecer os horisontcs da sciencia, succedeo o sol bello e radiante da cirurgia moderna, e os Srs. Bouvier, Naegelé, Guerin, Sedillot e outros se exphcão pouco mais ou menos do modo seguinte: Não condemnemos o rachitismo como unico responsável das más conformações dacolumnaeda bacia; muitos outros agentes produzem os mesmos estragos; o que se dá é o seguinte: quando a inflexão da columna vertebral é o eíleilo do rachitismo, a bacia quasi sempre se altera cm sua con- formação, ao passo que sendo cíleito de outras causas cila raras vezes se de - forma. As bacias viciadas pela influencia das inflexões da columna são caracteri- sadas por um achatamento de diante para traz, mais pronunciado do lado do angulo sacro-vertebral. As inflexões do rachis nem sempre tem a influencia perigosa que alguém lhe attribue. A columna apresenta tres formas principaes de incurvação; a mais commum é a incurvação lateral ou scoliose; depois temos a incurvação para traz ou cyphose emfim a incurvação para diante ou lordose, esta forma é a mais rara. Luxações congénitas c não congénitas do fémur.-As bacias viciadas pelas luxa- ções congénitas dos femurs offerecem as disposições seguintes: os diâmetros transversos da bacia abdominal são consideravelmente diminuídos em razão da fornia vertical das fossas illiacas. No estreito inferior dá-se o contrario; o diâmetro bi-ischiatico augmenta e o coccy-pubiauo diminue. Todas estas alte- rações são consequência da posição viciosa que occupão os femurs nas fossas illiacas externas. Além desta causa uma outra existe, de grande importância, que soccorre á primeira em seo trabalho eslragadouro, é o peso do corpo du- rante a estação e é de facil comprehensão o modo porque elle concorre para deformar a bacia, c sem duvida por causa da grande tração exercida de dentro 16 para fora nos ligamentos capsulares das articulações deformadas, em consd-» quencia das cabeças dos femurs conservarem-se presas por estes ligamentos e em posições muito superior a que occupa normalmente, permittindo assim que o tronco tique em suspensão. A deformação em consequência de uma luxação congénita é irregular e não symetrica, porque as alterações que solhe a bacia são mais pronunciadas de um lado que do outro. 0 Sr. Dupuytren a respeito da influencia das luxações congénitas, diz que ellas não influem sobre o desenvolvimento da bacia. 0 Sr. Lenoir quasi que professa a mesma doutrina; para elle, ella é verdadeira nos casos de luxação dupla: diz elle, que na luxação simples, a bacia deforma-se por um modo tal, que o parto é impossível e quando se faça é muito longo e laborioso. O Sr. Cazeaux recusa acceitar esta opinião, por ser muito absoluta e carecer de factos que a justifiquem. Parece-me que o Sr. Lenoir não tem muita razão para fallar assim: quanto a mim acho que o utero nas luxações duplas encontra muita opposição ao seo desenvolvimento eque nos casos de luxação simples quasi sempre desvia se em sentido contrario e accommoda-se melhor. Nas luxações não congénitas as cousas se passão da mesma maneira. A de- formação, n'este caso, será tanto mais considerável quanto mais antiga fóra lu- xação. Lesões dos membros inferiores.-As incurvações dos membros inferiores tam- bém podem produzir as viciações da bacia, em consequência da desigualdade que geralmentc se dá entre o comprimento de um e outro membro, variando conseguintemente o gráo de pressão que recebem as cavidades cotyloides. O encurtamento do membro quer dependa de uma fractura, d'uma luxação ou de uma atrophia produz os mesmos estragos, sobre tudo se estes accidentes ap- parecem na infancia. Quando a incurvação ataca somente um membro a deformação da bacia é do lado não affectado. Além das causas que acabamos de expor outras existem que também, defor- mando os membros inferiores, vão influir sobre a organisação da bacia; assim temos: o uso que fazem das moletas os indivíduos atacados de moléstias nos membros inferiores, e a razão porque este apparelho influe sobre a bacia é por que a cavidade cotyloidc do lado são é que recebe unicamente toda pressão. A amputação da coxa em uma moça e sobre tudo em uma criança, também pode produzir a deformação da bacia, porque o membro artificial apoiando-se 17 Isobre o ischion, a cavidade cotyloide do lado são, é lambem a unica compri- mida pelo peso do corpo. Luxações das ultimas vertebras lombares.-Também são causas predisponentes das viciações pelvianas a luxação das ultimas vertebras lombares e provão os lados citados pelo Sr. Killian e o Sr. Campbell. Quando as bacias são deformadas por esta causa, podemos conhecel-as pelo aspecto geral da mulher; a deformação que se dá na região lombar é compen- sada por umaincurvação em sentido opposto da columna vertebral; além d'este symploma de muita importância, temos um outro que vem dar força ao nosso diagnostico, é a depressão caracterislica que se encontra na região lombar e finalmente o toque vaginal resolverá a questão. Rachitismo e osleomalacia.-São estes doús estados paihologicos que geral - mente vem estragar a bacia. São elles que obrando de um modo eslragadouru» sobre os tecidos osseos pervertem uma organisação que em principio foi per-1 feita. O primeiro é uma moléstia própria da infancia; os ossos, em consequên- cia d'elle, lornão-se molles e não se desenvolvem: o segundo só apparece na idade adulta; o amollecimento dos ossos é mais porem elles con- tinuão em seo desenvolvimento, O rachitismo e a osteomalacia por si sós não são os agerités das deforma- ções; estes dous estados necessitão do concurso de uma força externa para poderem obrar sobre a conformação dos ossos; esta força é a pressão que resulta do peso do Corpo e da acção Contractil dos musculos. O rachitismo começa pelos membros inferiores e tem uma marcha asceil- denlé; a osteomalacia começa ordinariamente pela bacia e quasi sempre appa- rece cm mulheres que já parirão. As bacias rachiticas se caractcrisão pela diminuição do diâmetro antero-pos- terior do estreito superior, o mesmo geralmente se dá para com o diâmetro» obliquo; o diâmetro transverso poucas vezes se altera, geralmente coiiserva- se normal e algumas vezes augmenla-se; a curvadura do sacro ê diminuída, os diâmetros do estreito inferior quasi nunca se allerão, ás vezes o transverso augmenta; o angulo formado pela arcada pubiana é mais largo que natural- mente. As bacias viciadas pela osteomalacia caracterisão-se pela compressão de suas paredes lateraes, pela saliência que faz a symphise pubiana para diante, pela curva maior do sacro, pela deformação mais geral do estreito inferior, pela viciação de todos os diâmetros e finalmcnle pela maior agudeza do angulo formado pela arcada pubiana. 18 DIAGNOSTICO 'Os meios que nos podem levar ao conhecimento de uma conformação viciosa da bacia, são divididos pelos parteiros em duas classes: á primeira, a quem elles chamarão signaes racionaes, pertencem todos os symplomas fornecidos pelo exame geral da mulher, e conhecimento de sua vida anterior; a segunda, signaes sensíveis, pertencem todos aquelles fornecidos pelo exame interno e externo da bacia. Signaes racionaes.-O medico que é chamado ao seio de uma familia para diagnosticar a conformação de uma bacia, deve proceder o seu exame com toda attenção o minuciosidade. Deve-se informar da vida anterior da examinanda, pedir a familia esclarecimentos dos accidentes que ella soffreo em sua infancia, examinar os membros e a columna vertebral, se encontrar deformações deve perguntar a que tempo ellas appareccrão e qual foi a marcha de seo desen- volvimento; havendo claudicação deve indagar a causa, etc. As respostas e as averiguações de todos estes quesitos, tornará mais facil o conhecimento da con- formação da bacia. O Sr. Tarnier nos appresenta um meio facil de obter-se o diagnostico diílc- roncial entre as bacias viciadas pelo rachitismo e as inflexões da columna ver- tebral. Nasbacias rachiticias a diminuição que a mulher soffre na estatura é devida a parada do desenvolvimento osseo e a incurvação que sobre tudo se dá nos membros inferiores: assim, as mulheres rachiticas tem os membros inferiores curvos, bacia muito em baixo, a columna vertebral parecendo muito longa e os braços curtos. Nas inflexões, toda alteração reside no rachis, a bacia é bem conformada e occupa seu lugar natural; os membros inferiores são bem con- formados, e os superiores também, estes distendidos verticalmente vão alem dos joelhos por causa do abaixamento das espadoas, devido a incurvação do cachis. Signaes sensíveis.-Ê a medição dos diâmetros pelvianos que constitue os signaes sensíveis. Pelvimetria chama-se a arte que nos ensina essa medição, a qual pode ser feita externa c internamente;, dahi resultou a divisão da pelvimetria em ex- 19 terna c interna. Os instrumentos aconselhados para essa medição chamão-se- pelvimetros. Para medir-se a bacia muitos pelvimelros tem apparecido; entremos em sua apreciação. PelvimeLo de Baudelocque.-Este apparelho consiste em um compasso que a partir de sua articulação, os ramos tem a forma recta, mais que depois de uma certa extensão curvão-se, formando dous semicírculos de concavidade interna, as extremidades livres dos ramos terminão em botões: uma escala articulada no ponto em que á porção recta do instrumento liga-se a porção curva, mede a distancia que vai d'este ponto ao outro opposto, quando o ins- trumento está aberto Este instrumento é applicado na medição externa, mas os resultados de sua applicação nem sempre são verdadeiros; porque se a collocação de uma esphera (terminação de uma das extremidades do instrumento) sobre a parte su- perior da symphise pelviana é facil, a collocação da outra esphera sobre a apophese espinhosa da ultima verlebra lombar, ou melhor ainda da primeira sacra, é sempre diflicil; além d isto o sacro sempre terá a mesma expessura em sua base? A simphese pelviana também terá sempre a mesma expessu- ra? De certo que não: assim, como poderemos chegar ao conhecimento das dimensões dos diâmetros com o pelvimetro do Sr. Baudeloque? Acho muito difficil; o instrumento não se presta a aequisição dos dados necessários á um bom diagnostico. Para a medição externa ainda apparecerão outros pelvimetros, como fossem: o do Sr. Davis, o mecometro do Sr. Chaussier, etc.; porem se o pelvi- metro do Sr. Baudelocque, que eu considero o typo dos pelvimetros externos, não garante os scos resultados, muito menos estes outros- PELVÍMETRIA INTERNA. Pehiincíro de Coulouly.-Este instrumento é o mais antigo de todos os peU vimetros internos; a sua forma é semelhante a do instrumento de que os sa- pateiros servem-se para medição do pé; este pelvimetrose applica do modo se?- guinte: leva-se o instumento á cavidade pelviana e ahi colloca- se a placa ter- minal do instrumento sobre o angulo sacro-vertebral; depois traz-se modera- damente o cui sor (a placa movei) em direcçào ao cabo do instrumento até que ellc toque a parte posterior da symphise pubiana; então examina-se & 20 a escala que o instrumento tem c vê-se a extensão do diâmetro antero pos- terior. Este pelvimetro também não preenche as qualidades de um bom pelvime- tro; começa por sor do difficil applicação; a placa que se colloca n > angulo sacro vertebral resvala-se e descolloca-se com muita facilidade; o inslrumen- to distende a mucosa vaginal, o que c muito doloroso para a mulher. M. Boi- vin querendo corrigir este pelvimetro, apresentou o seu inlro-pelvimelro; mas também teve a infelicidade de ver o seo instrumento regeitado, por causa do seu modo de applicação; portanto não entrarei em mais considerações. Pelvimetro de Van-Huevel.-Este celebre professor de Bruxellas também por sua vez apresentou um instrumento para a medição externa c interna da Bacia. O soo instrumento compõe-se de duas hasteasredondas, uma terminando em espatula e a outra é atravessada, em sua extremidade, perpendicularmente a sua direcção, por um parafuso bastante longo; estas duas hasteas se prendem, formando um compasso, por uma articulação tal, que permille que ellas se- jão augmentadas, diminuídas e voltadas em todos os sentidos; esta articu- ilação tem um parafuso central, que posto o instrumento como se deseja, aper- lando-se-o, prende solidamente uma hastea contra a outra e torna o instru- mento immovel. Para a applicação d'este pelvimetro colloca-se a mulher em decubilus dorsal, tendo os membros inferiores dobrados e separados, depois examina-se exter- na e internamente o bordo superior dos pubis e marcasse com tinta o meio deste bordo em seguida procura-se a eminencia illeo-pectinea direita esquerda e marcão-se'estes pontes; feitos estes processos preparatórios, leva-se a has- tea em espatula do instrumento a vagina e se a vai dirigindo até o angulo sa- cro-vertebral com dous dedos da mão esquerda, ahi colloca-se-a e a mão direita leva a extremidade do parafuso, do ramo externo, ao ponto de tinta feito no pubis; um adjudanto, feito isto, fixará o instrumento torcendo o parafuso da articulação, e o medico retirará o pelvimetro cautelosamente e medirá a distancia que vai da extremidade da espatula á do parafuso e tomará nota; depois reconhecerá o grao de expessura da arcada pubiana, por meio do mesmo instrumento, subtrahirá da primeira extensão esta segunda e o resto será a di- mensão do diâmetro anlero-posterior. Os diâmetros oblíquos se obtem por processos semelhantes: colloca-se a ex- tremidade vaginal no promontorio e a extremidade do parafuso no ponto cor- respondente a eminencia illeo-pectinea; depois por um segundo processo, me- 21 de-seaexpessura da parede cotyloidiana; deduz-se a extensão desta da extensão do diâmetro achado e o resto será a extensão realjdo diâmetro obliquo. Alem destes pelvimelros que sempre tem os seos inconvenientes, temos um que pertencendo a um parteiro experiente, é o melhor de todos; é o dedo e a mão do parteiro pratico. Concluiremos aqui o estudo da pelvimetria, poderíamos escrever ainda mais; tractar de mais alguns pelvimetros, porem sem utilidade; porque os melho- res já apresentamos e se estes nem sempre nos dizem a verdade, menos os pnlros que a sciencia regeila, 22 INFLUENCIA DOS VICIOS DE CONFORMAÇÃO Bem poucas vezes os vicios de conformação influem seriair.enle sobre a prenhez, bem poucas vezes são os complices de um aborto de um parlo pre- maturo; quasi sempre o ulero se accommoda com as formas irregulares da exeavação e quando chega o tempo de sua subida, sobe e vai occupar uma cavidade onde elle pode livremente se desenvolver, até que chegue o dia ter- rível, e então, muitas vezes, é que o medico parteiro conhece a cord.lheira que é preciso transpor se. A diílieuldade do parlo será tanto maior quanto maior fôr o estreitamento, em geral, isto é o que se passa; porem ás vezes esta regra se modifica. Vejamos; não é só o gráo do estreitamento que inílue na marcha do parto; a posição do feto, o volume da cabeça, a flexibilidade dos ossos cranianos, a energia das conlracções uterinas, o afrouxamento das symphise pubiana são outras tantas causas que influem sobre o trabalho do parto, e ainda nos de- vemos lembrar do que diz M. Lachapelle, que ha certas mulheres nas quaes a mobilidade das symphises se accompanha de um resvalainento mutuo das superfícies articulares dos pubis, de um cavalmenlo tal, que um osso illiaco caminha para diante, augmentando o diâmetro anlero posterior, ao passo que o osso illiaco do outro lado recua, diminuindo o mesmo diâmetro dando esta circumstancia om resultado, augmente do diâmetro obliquo corres- pondente ao grande diâmetro da cabeça fetal; assim uma bacia pode soí- frer de estreitamento, não exagerado, e o parto fazer-se sem grande traba- lho, se o feto que tem de transpor este canal estreitado, for pequeno, estiver em boa posição, tiver bastante flexibilidade nos ossos cranianos e se ascondic- ções pertencentes á mulher se derem segundo a normalidade. São estas as circumstancias que podem modificar a regra que a pouco apre- sentamos. Infelizmente quando uma familia nos pede a nossa opinião sobre o resultado de um parto que faz-se em uma baeia viciada, nós não dispomos, de uma palavra conscienciosa, ou para anima-la ou para mostrar-lhe a impossi- bilidade de um parto espontâneo; porque se nos temos a pelvimetria para nos. dar o conhecimento mais ou menos exacto do canal que o féto tem a transpor, temos também a nuvem negra que devora as nossas crenças, a diílieuldade,. ou por outra, a impossibilidade de adquerirmos o conhecimento do volume do feto, o gráo de flexibilidade dos ossos cranianos, até que gráo a symphise pu- 23 luana da parturiente pode levar o seu afrouxamento: só temos a nosso favor a «energia das contracções e o conhecimento da posição do feto; mas com estes dous dados não podemos alcançar a certeza do prognostico. A difficuldade do parto está na razão directa do gráo do estreitamento, como ja vimos, se isto é verdade, os phenomenos que se derem em um parto, que se passa n'uma bacia muito estreita, não serão os mesmos que se hão de darem uma outra bacia menos estreita Assim dividamos as bacias em grupos, segundo o gráo de seu estreitamento em seguida façamos uma descripção dos phenomenos peculiares a cada um d'èsles grupos, para que possamos afinal ter um conhecimento exaclo da influencia que exercem os vicios de confor. mação sobre a marcha de um parto. As bacias podem ser divididas em Ires grupos: 1. Bacias cujo estreitamento marque nove centímetros e meio ao menos. 2. Bacias cujo estreitamento marque nove e meio centrimetros ao máximo e seis e meio ao minimo. 3. Bacias cujo estreitamento marque menos de seis e meio centímetros. As bacias do primeiro grupo raras vezes perturbão, de uma maneira desastro- sa, a marcha do trabalho do parlo; este é ruais penoso, mais longo emaisdif- íicil que o parto natural, porem a expulsão espontânea do feto quasi sempre se dá c nos devemos esperar. O trabalho é lento, disse eu, e convém notar a len- tidão é não só em relação a dilatação do collo, mas também a expulsão; esta quando o estreitamento tem sua séde no estreito superior tão somente, sendo a principio laboriosa, torna se ao depois natural; se o estreitamento é no estreito inferior dá-se o contrario; facilidade a principio difliculdade afinal; se os dous estreitos soffrem ao mesmo tempo então todo trabalho é laborioso. Nos casos de eslritamento em ambos os estreitos as vezes tem se visto o utero gastar suas contracções para vencer o primeiro obstáculo, e quando chega ao segundo, cahir em inércia e então a indicação do fórceps será a mais apropriada. As bacias que soffrem estreitamentos de nove e meio á seis e meio centímetros: complicão seriamente o trabalho do parto, se o estreita- mento é de oito á nove e meio centímetros o parto espontâneo, ainda que poucas vezes, pode se dar; se o estreitamento é de oito á seis e meio centimetros, salvo o caso de amollecimenlo dos ossos fetaes, ou existência de um feto mu'to pequeno, o parto é impossível sem os soccorros d'arte. Se o estreitamento é de menos de seis e meio centimetros o parto ex- pontâneo e natural á termo é completamente impossível. 24 ÍNDICACÔÉS O E na infancia que espccialmente se deve ter todo o cuidado sobre o desen- volvimento das crianças para que mais tarde, não venhão a soíTrér males, qué se podia ter evitado. E' na infancia que a famiba deve abrigar de toda circumslancia desfavoraveí ao desenvolvimento osseo á essas innocentes crianças: assim, quando se tra- tar de uma creança rachitica se deverá abrigal-a de toda especie de pressão que possa influir sobre a bacia, principalmente, deixar se-ba ella deitada o maior tempo possível, prohibir-se lhe-ha andar cedo, etc. No estudo da iulluencia dos vicios de conformação vimos a influencia que elles tem sobre as funcções puerperaes; agora vejamos as indicações que de- vemos aconselhar. Quando tratamos da influencia, vimos que ella era relativa ao gráo do es- treitamento, e por isso dividimos as bacias estreitadas em Ires classes; o mesmo se dá para com as indicações, que também são relativas ao gráo do* estreitamento: assim dividamos as bacias em tres classes. 1. a Bacias cujo maior diâmetro mede ao menos nove e meio ccntimetrosí 2. a Bacias cujo maior diâmetro mede ao menos seis e meio centimelros. 3. a Bacias cujo maior diâmetro mede uma dimensão inferior a seis e meio centímetros. 0 que devemos aconselhar nos estreitamentos da primeira classe?-Se a criança se apresenta pelo verlice, o parto expontâneo pode se dar: n'este cazo, devemos esperar cautelosamente; se porem as membranas se rasgarem, o collo estiver completamente dilatado, a agoa dos amnios tiver sabido c as contracções uterinas se forem enfraquecendo, sem que a cabeça do feto tenha feito algum progresso, devemos applicar o fórceps. Se o menino apresenta-se pela extremidade pelviana, tendo maior parte do corpo ja sahido, devemos fazer tracções moderadas, segundo a direcção dos eixos da bacia, se assim não conseguirmos a terminação do parto, devemos applicar o fórceps. Se o menino se apresenta pela face, o Sr. Dubois aconselha a versão, 25 manda mudar esta posição em posição do verlice; feito isto, se fará o mesmo que nos casos de apresentação do verlice. Se o feto se apresenta pelo tronco, ainda devemos praticar, primeiro que tudo a versão, devemos converter esta posição em posição do vertice, isto antes ou logo depois da ruptura das membranas; mas se o liquido amniotico se tem escorrido, então é preferível a versão podalica em virtude da relracção do utero. A versão potalica também deve ser feita de preferencia á cephalica, nos casos de morte do feto. 0 que devemos aconselhar nos estreitamentos da segunda classe?-Se o feio está morto devemos aconselhara embryotomia. Se o feto corre risco de vida, por que as membranas-rotas deixarão sahir toda agua do amnios e as contracções uterinas se enfraquecem cada vez mais, ainda se pode praticar a embryo- tomia. Se nos conhecermos o vicio de conformação antes da ruptura das mem- branas, aconselha o Sr. Cazeaux e o Sr. Dubois que, se abacia tiver um estrei- tamento de nove e meio centímetros á oito, a applicação do fórceps e se este nada obtiver á embryotomia: si abacia tiver de oito á seis e meio centímetros devemos tentar a applicação do fórceps e se nada conseguirmos a «ymphism tomia, ou a mutilação do feto. 0 que devemos aconselhar nos estreitamentos da terceira classe?-Nestes casos a passagem do feto pelos canaes ordinários é impossível. Se abacia tem em seu menor diâmetro cinco centímetros, deve-se praticar a craneotomia. Si a ba- cia tiver menos de cinco centímetros de diâmetro no logar estreitado a operação coczariana. SECÇÃO MEDICA Ciroliose do figado PROPOSIÇÕES [-Cirrhose é um estado morbido caracterisado anatomicamente pela hy- pertrophia da substancia amarella do fígado, coincidindo, em uma epocha mais adiantada da moléstia, com uma diminuição geral do volume deste orgão (Bccquercl). H-A cirrhose ataca de preferencia aos homens e na idade 30 á GO an- nos; aos indivíduos de constituição fraca; aos que se alimentão mal; aos que submettem-se aos excessos de toda especie; aos que morão em lugares baixos, húmidos e mal ventilados. III- A cirrhose caracterisa-se pela dor, que não é frequente, pela colora- ção de um amarello terreo da pelle, principalmente da face e do pescoço, pela ascite, (sympthoma mui frequente), pela urina de cor amarella com sedimento cor de tijolo, pela pelle secca, pelos vomitos e eructações, pelo abatimento geral etc. IV- O fígado no começo da moléstia, ou no seu primeiro grau, augmenta por causa da congestão que se dá no orgão. V- No segundo grau da-se a hypertrophia do tecido fibroso do fígado, alympha plastica se organisa em tecido cellulo-fibroso, nos interstícios da substancia vermelha do orgão, donde resulta obstáculos na circulação do sangue e da billes. Neste periodo o ligado tem a face externa cheia de granulações. VI- As granulações, segundo o Sr. Andral, são formadas pela hyper- trophia da substancia branca do fígado, ao passo que a substancia verme lha se atrophia. 28 VII- No terceiro período da moléstia o novo tecido, retrahe-se compri- mindo os vasos. O orgão neste periodo diminue e altera-se em sua forma. VIII- A cirrhose é uma moléstia de marcha continua e de uma termina- ção, quasi sempre fatal. IX- A cirrhose pode ser confundida com outras moléstias, taes como: a hydropesia enkistada dos ovários, a peritonite crónica, a hepatite crónica, etc. X- A falta de coloração particular da pclle, as urinas naturaes, a pouca tumefação do abdomem e a forma particular que elle apresenta são sympto- mas que destinguem a hydropesia enkistadados ovários da cirrhose do fígado. XII-O volume do fígado, a dor constante, o movimento febril e a ausência da ascite distingue a hepatite crónica da cirrhose. XI!-A falta de coloração particular da pelle, a febre hetica c o estado doloroso do abdomem distingue a peritonite crónica da cirrhose. XIII-As sanguessugas, os vesicatórios, os diuréticos, os purgativos, as- aguas alcalinas, os banhos sulfurosos etc., são os remedios applicados na cirrhose. SECCÃO CIRÚRGICA 16istelo<jia do baço e suas alterações mórbidas PROPOSIÇÕES I- Baço é uma glandula vascular sanguínea, situada no hypocondris es- querdo, abaixo do diaphragma e a esquerda do estomago, de côr de borra de vinho, de forma de meia lua e de pouca consistência. II- Duas são as faces do baço, uma externa em contacto com o diaphra- gma, outra interna contendo uma linha saliente, Ay/o, cheia de buracos por onde passão os ramos da artéria splenica. III- Du as membranas envolvem o baço, uma de natureza fibrosa, outra sorosa; a primeira é contractil e elastica, a segunda fornecida pelo periloneo adhere a primeira. IV- A membrana fibrosa chegando ao hylo se reflecte, e penetra no orgão acompanhando os vasos. Esta porção reflectida da membrana conslilue a ca- psula de Malpighi. V- A superfície interna da túnica fibrosa envia ao interior do orgão pro- longamentos que se vão crusar com os que fornece a face externa da capsula de Malpighi: formando-se assim na tramado orgão, cavidades que se commu- nicão. VI- O baço recebe a artéria splenica e dá a veia do mesmo nome e nume- rosos lymphaticos. A artéria antes de penetrar no orgão divide-se em muitos ramos, estes no inferior do baço se dividem em outros tantos. VII- A veia splenica nasce no parenchima do orgão, recebe os troncos da pequena e grande mesaraica, e vai formar a veia porta. Os lymphaticos nascem nas vesículas ou cellulas, seguem a veia splenica e vão ter aos gan- 30 glions da cauda do pancreas. Os nervos vem do plexo solar seguem a artéria e não se sabe como lerminão. VIII- O baço é um orgão sujeito a alterações pathologicas, como sejão: a hyperemia, a hyperthrophia, a degenerecencia amyloide, a splenite, a ruptura ou apoplexia, etc. IX- Na hyperemia o baço augmenta, conserva a forma, diminue a con- sistência, toma uma cor mais escura, e tem sua túnica distendida e lisa, que torna-se rugosa c tlaccida com a resolução da moléstia. X- O baço hypertrophiado augmenta de volume, conserva a forma, au- gmenta a consistência, seo envolucro é expesso, opaco e as vezes adherente aos orgãos adjacentes; o inicroscopio não descobre formação heterogenea. XI- Nas degenerecencias amyloides o baço é denso e quebradiço; o envo- lucro é liso, secco.e lustroso, os elementos das cellulas da polpa splenica au- gmentão de volume e o conteúdo delias é pallido e homogeneo. XII- Nas splenites o baço é volumoso, de côr escura, molle, friável, e apresenta traços de infiltração purulenta ou mesmo collecçõcs de pus em pon- tos diversos. SECCÃO ACCESSORIA O Analyse e composição immediata do sangue PROPOSIÇÕES O I- Sangue é um liquido alcalino, mais denso que a agua, um pouco viscoso, de cor vermelha, sabor salino, que gira em um systema de canaes e cavidade: (artérias, veias, capillares e coração). II- O sangue sahindo da circulação coagula-se e separa-se em duas por- ções distinctas, uma liquida (soro), outra de consistência polposa (coagulo). III- O soro é de cor amarella, coagulavel pelo calor, ácidos, álcool, etc., tem em si agoa, fibrina, albumina, corpos gordurosos, matéria extractiva, chloruretos, carbonatos, phosphatos e sulfatos alcalinos e terreos. IV- O coagulo é de cor vermelha, compõe-se de um trama fibroso cheio de pequenos globulos. V- Os globulos apresentão duas variedades, uns são vermelhos, outros bran- cos, estes são menores que aquelles, ambos são molles e elásticos. VI- Os globulos se compõe de um involucro membranoso e de um con- teúdo, este de uma substancia albuminosa, de matéria corante, de corpos gor- durosos, salinos e matéria extractiva. VII- As substancias gordurosas contidas nos globulos são: oleina, margari- na, cholesterina, oleatos, margaratos e phosphogliceratos. As substancias sa- linas são: chloruretos, phosphatos e sulfatos de potassa, soda, cal, magnesia c ferro. VIII- A composição do sangue varia segundo a especie, o sexo, a idade e a constituição do individuo. IX- O sangue também contem em dissolução azoto, carbono, oxigeneo, urea, cazeina e assucar, segundo o Sr. Bernard. 32 X- A quantidade de fibrina de uma porção determinada de sangue é reco- nhecida, batendo-se o sangue com uma pá; a febrina, segundo este processo, separa-se, então depois de lavada e seca verifica-se a quantidade. XI- Para obter-se a quantidade dos globulos, também de uma porção de- terminada de sangue, une-se esta a uma dissolução de sulfato de soda, de- pois íiltra-se a mistura e lavão-se os globulos obtidos, os quaes depois de se- cos e despidos dos princípios a que por ventura possão estar unidos repre- sentão a quantidade real de globulos contidos na porção de sangue analysado. XII- Os líquidos e os solidos do soro são conhecidos pela coagulação do sangue. XIII- Verifica-se a quantidade de albumina deitando-se álcool sobre o soro e depois lavando-se e secando-se o coagulo obtido., XIV- Os saes mineraes são obtidos pela calcinação do soro e de coagulo. IIIPPOCRATIS APIIORISMI I Duobus doloribus, simul abortis, non in codem loco, vehementiof obscurat alteram. , (Sec. 2. Aph. 46A II Frigida velut nix, glacies, pectori inimica, tusses movent sanguinis eruptlo- nes ac calarrhos inducunt. (Sec. 5. Aph. 40.) III Mulieri sanguinem evomenli, menstruis erumpentibus solutio fit. (Sec. 5. Aph. 32.) IV Se mulieri pregnanti eryzipelas in utero fiai, lelhale. (Sec. 5. Aph. 32 J V A sanguinis fluxu deliriam, aut etiam convulsio, malum. (Sec. 7. Aph. 9.) VI > Ubi in febre non intermitenti difficultas spirandi, et deliriam fit, lethale. (Sec. 4. Aph. 50.) Bahia-Typograpbia de J. G. Tourinho-1871. //bemetit/a a féom-middão 2ievtdoia. <2(2ca e ê/aca/c/ao/e c/e 2/ec/c' ç/na 3s c/e ó/yodto c/e séyo. 2c. //adftac. fédtá con/olmc 04 fédfa/utod. //acu/c/ac/c c/e <y//cc/cccna (/a fé/faáia 22 c/e c/e <féjy. fâ/aao/cintio êZ)#. fé. Qy. féfm/iicma -do. e c/c 2/ c/e Cufa/co c/e dê^s, 2c. X'ice-2)ttectot.