THESE DE #mntnw fHicljàdis. 1870. DA INJECÇÃO SUBCUTÂNEA EM GERAL. THESE fiNKmm s PARA VERIFICAÇÃO DE TITULO EM JUNHO DE 1870 PERANTE A FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA POR Germano Michaelis Natural de Lilienthal em Hannover DOUTOR EM MEDICINA, CIRURGIA E ARTE OBSTETRÍCIA PELA UNIVERSIDADE DE GOTTINGEN, MEDICO APPROVADO PELO COLLEGIO MEDICO SUPERIOR DE IIANNOVER, BAHIA: TYP. DE J. G. TOURINHO 1850. FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIRECTOR O Ex,mo Snr, Conselheiro Ur, Joõo Itaptista «los Anjos, w a ©[i=© [kfii ©t© ia 0 Ex.rao Snr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Magalhães. OS SRS. DOUTORES 1 .* ANNO. MATÉRIAS QUE LECCIONAM Cons. Vicente Ferreira de Magalhães . | Francisco Rodrigues da Silva Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Physica em geral, eparticularmente em suas apnlicaçocs â Medicina. Chimica e Mineralogia. Anatomia descriptiva. S.» ANNO. Antonio de Cerqueira Pinto Jeronymo Sodré Pereira .... Antonio Mariano do Bomílm Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Chimica qrganica. Physiologia. Botaniea e Zoologia. Repetição de Anatomia descriptiva. 3.' ANNO. Cons. Elias José Pedroza José de Góes Sequeira Jeronymo Sodré Pereira Anatomia geral epathologica. Pathologia geral. Physiologia. 4.' ANNO; Cons. Manoel Ladisláo Aranha Dantas. . Conselheiro Mathias Moreira Sampaio | Pathologia externa. Pathologia interna. Partos, moléstias de mulheres pejadas e de menines recemnascidos. 3.» ANNO. José Antonio de Freitas » J Continuação de Pathologia interna. Anatomia topographica, Medicina operatória, e apparelhos. Matéria medica, e therapeutica. 6.° ANNO, Salustiano Ferreira Souto ...... Domingos Rodrigues Seixas. Pharmacia. Medicina legal. Hygiene, e Historiada Medicina. Clinica externa do 3.* e 4.® anno. Anlonio Januario de FariaClinica interna do 5.° e 6.' anno. Rozendo Aprigio Pereira Guimaraes. . Ignacio José da Cunha. Pedro Ribeiro de Araújo José Ignacio de Barros Pimentel. . . Virgílio Clymaco Damazio Secção Accessoria. José AíTonso Paraizo de Moura. . . . Augusto Gonçalves Martins, Domingos Carlos da Silva Secção Cirúrgica. DemetrioCyriacoTourinho' Luiz Alvares dos SantosI Secção Medica. O Sr. Dr. Cincinnato Pinto da Silva. ©mma iDâ saowonii O Sr. Dr. Thomaz <I'Aquiiio Gaspar. A Faculdade nãoapprova, nem reprova as opiniões emittidas nas thcses que lhe são apresentadas. INJECÇÃO SUBCUTÂNEA EM GERAL. A historia da medicina custa achar-fee um progresso, que em tão pouco tempo tenha grangeado acceitação e apro- veitamento igual a injecção subcutânea de medicamentos; de outro lado este seo emprego geral e extraordinário é a prova da sua grande importância. Nascido originalmente dos esforços de localisar os effeitos therapeuticos sobre nervos alterados em suas funeções, o methodo passou em pouco estes estreitos limites e tornou-se justamente pela sua acção rapida, segura e intensiva geral um estimável acrescimento da nossa therapia. A litteratura jornalística tem nos trazido no correr dos últimos dois annos numerosas communicações a seu respeito, porém nenhuma que marcasse um progresso saliente no methodo em geral. Estando este bem firmado por importantes trabalhos, deveram todas as futuras diligencias e experiencias serem dirigidas ao emprego de novos medicamentos pelo mesmo modo e ao estudo mais aprofundado dos que já assim se tem usado. O campo da injecção subcutânea é decididamente novo, porém ja bastante conhecido e experimentado, e ser-me-ha por isso permittido tel-o escolhido para objecto de minha these, dando aqui um resumo do actual estado deste methodo em geral. 4 1. Resumo historico e lit<erário.-Ainda que se não possa dizer, que o methodo da injecção subcutânea tenha tomado origem do aperfeiçoamento de outros methodos que se lhe assemelham, elle tem relações tão intimas com os methodos epidermatico e endermatico que estes se podem considerar como seus precursores. Em permeio entre estes e o methodo hypodermatico colloca-se a inoculação de Lafargue e é por isso que a primeira lembrança da injecção subcutânea e a honra da sua invenção tem sido vindicados a esse author. Porém o methodo de Lafargue em rigor é apenas endermatico, embora o medicamento seja pela profundidade da puncção introduzido até ao tecido connectivo subcutâneo. Entretanto querendo se fallar da hypodermatia no mais lato sentido da palavra, também os globulos narcóticos, que Trousseau introduzia no tecido cellular subcutâneo, mereciam menção. Todos esses modos de proceder seriam então para assim dizer substituídos pelo methodo de injectar os medicamentos directamente no tecido connectivo subcutâneo. O mérito da invenção deste methodo cabe a um medico inglez Dr. Alexander Wood em Edinburgo, que primeiro em 1855 delle usou na pratica e o promulgou. E notável que a injecção subcutânea achasse nos primeiros annos apenas pouca acceitação, e que só mais tarde fosse recebida com grande accla- mação. Na Inglaterra foram Bell e Hunter os primeiros á adoptal-a; na França achou ella em Béhier seo apreciador que deu sobre ella um relatorio á Academia de Paris vindicando-lhe muitos adherentes. Na America do Norte deo-lhe introducção Ruppaner de Boston. Quem fora seo primeiro protector no Brazil, não o sei, as primeiras notificações a respeito do seo emprego neste paiz encontram-se na Gazeta medica da Bahia e são dos Drs. Caídas, Pacifico Pereira, Brendel, Wucherer etc. Na Allemanha foi Bertrand de Schlangenbad quem primeiro fez propa- ganda do methodo de Wood. Logo que a injecção subcutânea tinha alcançado aceitação em toda a parte, principiou á demonstrar-se em numerosíssimos artigos jornalísticos, por novas confirmações, extensões do seo emprego e communicações de factos o vivo interesse, extendendo-se assim cada vez o campo da sua uti- lidade. O primeiro trabalho monographico sobre a injecçã subcutânea foi o de Dr. Bois; depois sahio á luz em 1863 a obra do Dr. Eulenburg, premiada pela Sociedade medica de Hufeland, que de um modo rigorosamente scien- 5 tifico, baseando-se em observações physiologicas, da ao mesmo tempo um resumo de tudo o que é pratico, e do que mais importante que até aquelle anno sobre este tbema se soube. A obra de Lorent é antes es- cripta de um ponto de vista clinico e pode ser considerada como uma continuação e conclusão daquella de Eulenburg.-De trabalhos mais pequenos muitos podem ser olhados como preciosas contribuições e ex- tensões do uso para o methodo, porem não caberia aqui a sua innume- ração. 2. A operação, sua íecliniea e instrumento.-A execu- ção d'esta pequena operação deverá so ser possível por meio de uma se- ringa de construcção appropriada. As primeiras injecções subcutâneas fizeram-se com a seringa de Fergusson, uma agulha oca, porém ella era muito volumosa e por isso pouco maneavel; a columna do batoque, que ainda não era graduada, espellia o conteúdo da seringa por empurração simples. Em França usava-se a principio da seringa de Pravaz, modificada por Béhier, cuja calumna do batoque é movido por meio de parafuso; cada meia volta de parafuso expellia uma gotta de liquido. Este machi- nismo de parafuso e o emprego de um trocarle em lugar da agulha são complicações desnecessárias, que não admittem uma execução tão rapida da operação como as seringas ulteriormente usadas por exemplo a de Luer. Na pratica são as seringas de Luer em Paris e de Leiter em Vienna e depois aquella que reune as vantagens de ambas, que mais acceitação tem achado. Seringa de Luer. A columna é graduada; a scala é de 45 riscòs, dos quaes todo o quinto é numerado. A puncção se effectua com uma agulha de comprimento de quasi duas pollegadas, que tem uma ponta de lança pouco curva quasi como o agulhão de Scarpa. A collocação da agulha na seringa não é por meio de taracha e sim por simples enfincamento. A guarnição do cylindro que forma a seringa e a da agulha são de prata. A caixinha de Luer contem ainda uma agulha de ouro que tem o incon- veniente de ser molle. O seo preço é de 12-15$000 em França, na Allemanha é mais barata. Leiter é quem se servio primeiro do caoutchouc duro para construc- ção 'da seringa, tornando o instrumento assim mais barato sem quebra de sua duração. O caoutchouc duro ainda offerece a vantagem de não ser corrodido quando se tem de empregar soluções aciduladas ou aquella de mercúrio corrosivo, como a guarnição de prata de outras seringas. O 6 canno lanciforme da agulha da seringa de Leiter é de ouro, porém mais forte e menos flexível de que aquella da seringa de Luer e é munida de uma ponta de aço. A confecção do tubo da agulha em ouro oflerece deci- didamente vantagem na injecção de certos medicamentos, por exemplo do pcrchlorureto de ferro; a principal vantagem na pratica consiste nisto, que o canno d'ouro não pode oxydar e que por tanto com pouco traba- lho conserva-se sempre aberto, resultado este, que num tubo d'aço mesmo com o maior cuidado, nem sempre se pode obter. Além disto a puncção com o canudinho d'ouro, que facilmente sempre conserva a sua superfície liza é menos dolorosa e ao mesmo tempo menos su- jeita a causar inflammação. O movimento do cylindro e batoque da seringa de Leiter é feito por mera empurração; a columna tem uma escala de 12 riscos, dos quaes cada um corresponde á um gráo-ou á uma gotta de liquido. A collocação da agulha na seringa por meio de taracha é menos conveniente do que aquella por mero enfincamento. Quer se estabelecer pela taracha exclusão mais perfeita do ar, mas o que se quer então prevenir é justamente o que se favorece, porque na manobra de tarachar é mais facil dar-se passagem a algum ar. A ponta da agulha não deve terminar em forma de lança em direcção recta, mas deve acabar com uma superfície obliqua; assim são as agulhas de Luer e de Leiter. A seringa de Leiter custa em Vienna 4-5&000. Nos últimos tempos tem entrado em uso uma seringa que reune as vantagens das seringas de Luer e Leiter, a qual se tem dado o nome de seringa de Luer-Leiter, e que é muito bem feita pelo fabricante de ins- trumentos de cirurgia Goldsohmidt em Berlin; o seo preço é de 3$000. É provável que esta seringa venha substituir todas as mais. A operação é mui simples. Enche-se a seringa por retraeção da co- lumna e batoque ou toda ou até que a altura do liquido corresponda a certo risco da scala, e colloca-se a. agulha. (Pode-se fazer a puncção com a agulha separada da seringa e depois ajuntar a elle a seringa). Levanta- se uma dobra da pelle com o pollegar e indicador da mão esquerda e penetra-se com a agulha até ao tecido connectivo subcutâneo, o que se conhece por cessar a resistência que a cútis offerecia a agulha, cuja ponta se sente então livre, podendo-se dirigil-a em diversos sentidos sem causar dor. Solta-se a dobra da pelle, empurra-se a columna e batoque da seringa, para expellir o seo contendo, extrahe-se rapidamente a agulha e tapa-se o lugar da puncção por um momento com o dedo. 7 3» ILugares proprios para a injecção.-Se for local o pa- decimento que. se quer combater, então deverá a injecção ser feita o mais perto possivel á parte affectada, v. g. nas neuvralgias subcutâneas, de- vem ser procuradas os pontos doridos (les points douloureux), nas paraly- sias os nervos paralysados, nos spasmos por acção reflexa pontos de compres- são etc. Quando se pretende produzir um effeito geral, então ha maior liber- dade na escolha do ponto da puncção; porque o tecido connectivo espalhado por todoo corpo com os seos princípios de veias capillares e vasos lym- phaticos apresenta em toda parte as condições para a necessária absorpção do remedio. Porem ainda aqui devemos por motivos ou technicos ou physiologicos evitar ou preferir certas regiões do corpo. As partes que deveremos evitar são sobretudo aquellas mui sen- síveis, ricas em nervos ou em que uma ligeira irritação é sufficiente para produzir inflammações extensas, ecchymoses etc; evitaremos tam- bém pontos em que o tecide connectivo subcutâneo é denso e não contem quasi nenhum tecido o adiposo; pontos onde não é facil levantar-se uma dobra da pelle, finalmente regiões percorridas por numerosas e gros- sas veias-Erlenmeyer recommenda que se dé preferencia a pontos onde a pelle fica sobre um osso, porque menos se deveram receiar hemorra- gias; porém é nestes pontos justamente que a puncção é ordinariamente mais dolorosa, talvez por ahi se ramificarem mais nervos ou por maior rigidez do tecido connectivo. Partes muito cabelludas também devem ser respeitadas, a lesão dos folliculos dos cabellos produz uma reacção bas- tante forte. Quanto mais facil for o levantamento da dobra do tegumento tanto menor a affecção local. Para alcançar effeitos geraes, deverão natu- ralmente ser excluídas quanto for possivel regiões em que já existem aftecções locaes bem como ocdema, inflammação, derramamento que po - derão difficultar a resorpção. A actividade da resorpção depende da densi- dade e consistência do tecido connectivo subcutâneo, da sua riqueza em capillares e vasos lymphaticos e d'ahi resultará também a maior ou menor intensidade e rapidez dos effeitos. As maiores probabilidades por se fazer a resorpção debaixo das mencionadas circumstancias que influem na escolha do ponto da injecção, oflerecem em geral a face (testa e lado in- terno da bochecha), região lateral do thorax, do hypo-e epigastrio, a face interna do braço e (também da coxa). A injecção na região temporal, não obstante ser muito favorável para a resorpção não é muito elegível por razões cosméticas. 8 Em resumo, se o proposito for produzir um effeito geral, então convirá escolher a região lateral do thorax, ou hypo-e epigastrio.a face interna do braço, como pontos mais adaptados para a injecção. Um padecimento local reclamará também a localisação da puncção sobre o lugar affectado. 4. Doses»-Os medicamentos que se empregam para a injecção subcutânea sendo de acção energica e capazes de produzir effeitos em do- ses minimas, e das outras a quantidade que vem a ser resorbida de uma vez sendo relativamente grande e portanto capaz de produzir uma acção proporcionalmente energica, nasce a imperiosa necessidade de ser minu- cioso na gradação das doses. Comtudo também não precisa recorrer-se a cálculos mathematicos, subteis e complicados, como as fizeram e prescre- vem alguns autores. Como as seringas, que geralmente se usam são de calibre e capacidade diflerente, não é possivel estabelecer-se uma regra geral, sobre o peso ou numero de pingos, que se deverão empregar. O meio mais facil e seguro de attingir á necessária exactidão, será de ser- vir-se da própria seringa como medida do liquido, (agoa destillada sem- pre que possivel for), em que se dissolvem os medicamentos, p. e., pe- sando-se dous grãos de morphina dissolvem-se em 4 seringas d'agoa, en- tão cada seringa cheia da solução contem meio grão de morphina, meia seringa um quarto de grão, a seringa cheia até um terço, um sexto de grão. A scala na columna facilita ainda a marcação da dóse; por exemplo V6 de grão de morphina (da solução em cima) corresponde ao enchimento da seringa nas seguintes extensões: d/ na de Luer, cuja scala tem 45 riscos até ao risco 15. 2/ na de Leiter, cuja scala tem 14 riscos até ao risco 4. 3/ na de Lue Leiter, cuja scala tem 60 riscos até o risco 20. O gráo de concentração do liquido deve depender da solubilidade do medicamento empregado. Se for possivel não se deve injectar mais de que meia ou uma seringa de liquido. Se por qualquer motivo tiver-se de injectar duas ou mais se- ringas cheias, será melhor fazer-se as injecções em differentes partes, para evitar enflammação que poderia defficultar a prompta resorpção. Medica- mentos que precisam de grande porção de liquido para a sua dissolução deveram ser escluidos-do methodo. 5. Cautelas.-Na execução da injecção subcutânea é preciso tomar certas cautelas. Para expellir alguma bolha de ar que se descobre na se- ringa depois de cheia basta virai-a com a ponta para cima e espellir uma 9 gotta de liquido-mister é que a agulha penetre a cutis toda, porem c impossível dizer-se exactamente até que profundidades ella deve entrar, dependerá isto da grossura da cutis e do panniculo adiposo, das cir- cumstancias individuaes do corpo. Em geral a agulha haverá de pe- netar 1-3 centímetros. Se a puncção não for profunda bastante, a epi- derme pode ser levantada em uma bolha, o que causa dermatite, forma- ção de abcessos, escarras etc. mesmo quando a puncção é funda resulta quasi sempre pelo liquido injectado uma inchação, que é contudo, facil desmanchar-se pela pressão e fricção com o dedo-Para prevenir á algu- ma hemorrhagia capillar, que por acaso se podia dar, e para evitar a sa- hida de alguma parte do liquido, convém não dilatar a ferida da punção na extracção da agulha, e cubril-a depois um instante com o dedo. Acabada a operação é necessário o maior cuidado na limpeza da serin- ga; tanto esta como a agulha devem ser bem lavadas e seringadas-com agoa; a columna alem disto deve ser posta de tempos em tempos em agoa morna, para conservar a cappa de couro sempre apta. Soprando-se pelo canudinho se expellirá algumas gotlas que ainda possam nelle adhe- rir. Depois da agulha ter sido enxuta, é bom introduzir neila um cabello de cavallo, o que é preferível ao arame, porque quebrando-se este no canudo o que facilmente acontece elle se inutilisa, rompendo-se porem a crine por acazo raro, basta metter a agulha em agoa a ferver para der- reter o cabello e destruir o canno. É necessário de vez em quando servir-se do instrumento que accompanha a seringa de Luer-Leiter, para limpar bem o canno da agulha. Haverá quem julgue pedantismo occupar-se destas minuciosidades, po- rem ellas são de importância para a conservação de um instrumento em estado de em qualquer instante se poder usar, elles são de maior impor- tância ainda em lugares, onde não se encontra um fabricante de instru- mentos de cirurgia capaz de qualquer concerto que se torna necessário. G. Consequências nocivas que podem resultar da injeeção subcutânea.-Alguns phenomenos em consequência da injecção subcutânea, que se manifestam constantemente ou de vez em quando, subjectiva ou objectivamente, são d'uma importância, que nao convém despresar; visto que cautelas podem limitar o seu progresso ou desviar totalmente consequências nocivas. Durante e depois da operação os doentes accusam uma dor que geralmente não é senão de pouca duração, mas em alguns casos raros 10 ella perdura até dias, estando fora de toda relação com os phenomenos de reacção locaes. As causas destas dores mais fortes podem ser diversas, segundo a sensibilidade do indivíduo, as condições da pelle, o lugar esco- lhido para a puncção, a concentração e quantidade da solução, o effeito irritante local do medicamente injectado, o liquido no qual este fora dis- solvido, a agudez da agulha e a dexteridade do operador. Ainda que a operação não possa ser feita sem dor alguma com tudo, em referencia aos sobreditos motivos da dor, muitas vezes está em nossa mão reduzil-a ao minimo. Os pontos preferíveis para operar-se a injecção, já foram in- dicados no que procede. A injecção por si deve se executar com a maior attenção; deve se fazer só uso de instrumento bem cortante.e não flexível, a ponta não deve ser aspera e cega e de tempos em tempos ella deve amol- lar-se de novo. A respeito da concentração do liquido da injecção, a em- piria fixou para os medicamentos que se empregam na hypodermatia os gráos proprios; estes se acham notados na parte especial da therapia sub- cutânea. De todos os remedios empregados na medicina apenas aquelles servem para injecção subcutaneh que produzem effeitos, quando appli- cados em diminutas doses e que não causam demasiada irritação quando introduzidos no tecido subcutâneo. Por isso também não é indifferente que liquido se emprega para fazer as soluções; o alcohol não serve por causar uma irritação dolorosa que impediria também a absorpção. Deve se usar sempre d'agoa e quando a solução não se faz com facilidade, Lo- rent recommenda que se ajunte um pouco de glycerina que favorece a so- lução de alguns alcaloides. Pode se favorecer a dissolução também pelo calorico, porém é preciso lembrar-se, que repetindo o aquecimento das soluções ellas se tornam mais concentradas. A exigencia de usar só de soluções claras e neutraes não se pode sempre attender, alguns medica- mentos admittem e reclamam mesmo, que se lhe ajunte um pouco de acido para que se tornem claros; porém o emprego de solução em que o acido prepondera muito, é reprovável assim o é também de soluções em que tem principiado a formação de crystaes, por que estes augmentam a. irritação local. Quando se guardam soluções dos alcoloides por muito tem- po, ellas perdem segundo Bourdon muito da sua força. Isto provém pelo que diz este autor, de se formarem cogumelos nas soluçõos, que decom- põem em parte os sáes, ou que como pequenos corpos estranhos no li- quido favorecem a formação de crystaes. A injecção de alguns medicamentos, sobretudo do sulfato de morphina 11 não é accompanhado quasi de dor alguma; outros porém provocam uma vivíssima reação assim por exemplo o chloroformio, razão pelo que deve- ram ser abandonados para este fim, apezar dos beneficos resultados que a priori d'elles pudesse presumir na introdução subcutânea. Representam muitos authores a inílammação e suppuração em conse- quência da injecção subcutânea como raríssimas occurencias, assim affir- ma Erlenmeyer que não as vio, e Eulemburg só tres vezes em alguns mi- lheiros de casos (ambos porém pouco empregaram líquidos irritantes). Outros temem essas consequências quando as injecções se praticam, uma mui aproximada a outra. Graefe oppõe a isto que elle tem feito a injec- ção subcutânea na região temporal com intervallos de um a dous dias centenas de vezes sem consequências desfavoráveis. Nussbaum sustenta de outro lado que uma accumulação de muitas injecções na mesma região da pelle causa uma deterioração do tegumento e do tecido connectivo subcutâneo; elle vio infiltrações serosas, exsudação gelatiniforme, perda d'insensibilidade, uma especie de elephantiasis, a formação de abcessos, varicosidades dos vasos subcutâneos, succeder tudo nestes casos. Nos úl- timos tempos vão se ajnntando as noticias de semelhantes desaggradaveis acontecimentos. A morphina e atropina e alguns outros medicamentos quasi nunca deixam inílammação alguma, porém quem tiver empregado muitas vezes o quinino ou sublimado corrosivo por-se-ha do lado d'aquel- les qne não consideram taes phenomenos inflammatorios consecutivos co- mo acontecimentos mui raros. Nussbaum fez aliás a importante observação, confirmada também de- pois por outros authores, da ponta de agulha acertar casualmente no lumen de um pequeno vaso, e de se produzirem assim temíveis successos. O liquido injectado entra então directamente na circulação do sangue, fal- tando a filtração pelo tecido cennectivo e pode provocar sobretudo quan- do se operar com medicamentos narcóticos, effeitos violentos e tempes- tuosos. Taes accidentes aconteceram seis vezes á Nussbaum. Para desviar ou diminuir semelhante perigo, recommenda o mesmo author, que no caso que na injecção se dão estes symptomas receiados, repuxando a cohimna e batoque da seringa se trate de rechupar o san- gue e uma parte do liquido injectado. Para este fim porém seria preciso deixar a seringa quasi dous minutos debaixo do tegumento, para esperar o desenvolvimento eventual dos symptomas ameaçadores; porém neste caso, visto a força da circulação nos vasos o liquido injectado não seria 12 mais rechupavel. Maior segurança deverá offerecer a regra ja acima men- cionada, de introduzir a agulha tão funda que ella se possa mover facil- mente e sem dor em todos os sentidos; (Nussbaum manda a agulha pe- netrar na profundidade de um centímetro, medida esta certamente mui diminuta, se deverá servir como regra geral.) Assim adquerir-se-ha a certeza da agulha não ter penetrado em um vaso pelo menos de medio- cre calibre, e os maiores será facil evitar, recordando-se da disposição anatómica das parles. <la injecção siilíciitanea. IBesorpção. Sílinii nação e eíTeJto Bocal.-O necessário substrato da resorpção do medicamento injectado c o tecido connectivo subcutâneo; parece que o liquido c ahi recebido directamente pelo sangue e conduzido aos orgãos centraes, d'onde retrogradamente pode operar sobre as diffcrentes regiões. Porem também não c menos verosímil que o medicamento não só entra no sangue, mas que diffundindo-se no tecido cellular produz a sua acção directa sobre as terminações dos nervos. Hunter foi quem primeiro negou este effeito local sobre os nervos nos casos de injecção subcutânea, attri- buindo á esta operação unicamente um effeito geral, designando oseffeitos locaes como uma acção secundaria, centrifugal ou consecutiva; porém a prova que o effeito também é local pelo menos para os nervos sensíveis, está nas experiencias que Eulemburg fez com o chamado compasso de tacto. Este author chegou a conhecer por meio deste instrumento que empregando-se diversos narcóticos, a sensibilidade na região da injecção c immediatamente alterada e diminuída e isto já em um tempo em que não se percebe a mesma diminuição da sensibilidade nas partes corres- pondentes e symetricas da outra metade do corpo. A resorpção do medicamento injectado se faz com rapidez extraordinária de sorte que em menor de um quarto de minuto se manifesta o seo effeito. Eulenburg fez experiencias com iodureto de potássio para de- monstrar pelo seo apparecimento na saliva das parotidas e rapidez da resorpção do medicamento injectado en; algum lugar do corpo. O tempo minimo constatou-se por injecção no peito-1 minuto, o mesmo na coxa-5 minutos. Se o iodureto de potássio era dado internamente com o estomago vasio, elle apparecia na saliva só depois de 20 ou 40 minutos. Eulenburg também fez experiencias sobre o tempo necessário para a eliminação dos medicamentos injectados, sempre fazendo as experiencias comparativas entre a applicação subcutânea e interna e chegou ao resul- 13 lado, que na injecção subcutânea a eliminação completa das substancias injectadas é mais accelerada e então o tempo de demora do medicamento no organismo é mais curto. A differença é aqui como 1 para 4. É nesta circumstancia, que se basêa segundo a sua opinião, o facto de não se observarem effeitos accumulativos dos medicamentos depois da injec- ção subcutânea ou ao menos com muito menos intensidade. Logo que forindicadada a repetição da injecção, o effeito da primeira, por causa da eliminação mais rapida, já está de todo ou quasi de todo desva- necido e assim evita-se um augmento progressivo da acção. Disto pode em certas circumstancias nascer uma vantagem mui considerável para a Tberapia. S. Effeito therapeutico «Ia injecção subcutânea.-Os effeitos dos medicamentos injectados cada um de per si são objecto da tberapia especial, aqui não posso tratar delles senão em sua acção geral. Os medicamentos assim applicados obram realmente da mesma ma- neira, como se fossem introduzidas na economia por outros modos, mas injectados os seus effeitos são mais rápidos e mais intensivos. A differença aqui é mais quantitativa do que qualitativa, porém em seguida da injecção apparecem symptomas que faltam quando o medicamento é empregado interiormente, e vice-versa. O effeito favoravel da injecção e muitas vezes apenas palliativo e só pode ser radical quando assim a natureza do reme- dio o admitte. 9. Comparação da injecção subcutânea e da applica* ção interna dos medicamentos.-Comparando o emprego inter- no de medicamentos com a injecção subcutânea encontram-se vantagens e desvantagens por ambos os lados. A limitação nccessaria na escolha, forma e dose do medicamento no methodo subcutâneo, a maior intensidade dos effeitos que exige maior vi- gilância sobre os doentes, farão que o methodo interno sempre sustentará a sua soberania; porem em muitos outros casos a injecção subcutânea de- viria merecer decidida preferencia. A segurança com que se produzem.os effeitos do medicamento injectado, a possibilidade de ajuntar um effeito local ao gerai, a independência de certos obstáculos á recepção, que se apresentam da parte da mucosa do estomago o dos intestinos, o diminuto perigo de effeitos accumulativos, a possibilidade de vencer a repugnância e resistência dos doentes contra a ingestão dos medicamentos pela bocca,. a vantagem pecuniária da simplicidade da preparação do medicamento 14 sem adjuvantia e corrigentia (o emprego de doses menores por exemplo do sulfato de Quinina para os pobres, é sem duvida de alguma impor- tância); que se podem empregar só medicamentos em pequenas porções, portanto medicamentos mais activos e por isso mesmo de maior confiança: tudo isto explica sufficientemente a acceitação que a injecção subcutânea tem attingido. IO. Indicações para a injecção subcutânea.-Resu- mindo o até agora dito, resulta que, em concordância com os princípios de Eulemburg, se reúnem tres indicações principaes para o methodo hypodermatico o que se pode formular da maneira seguinte: Este methodo é indicado, supposto que os medicamentos empregados lhe são ade- quados: 4. Quando se trata de produzir os efteitos de um medicamento com a maior rapidez e intensidade possivel. 2. Quando se quer combinar um effeito local com o geral do medica- mento. 3. Quando a applicação interna de um medicamento é contra-indicada por desarranjos funccionarios dos orgãos digestivos, ou quando ella é impossível por obstáculos mechanicos. Dotada de taes incontestáveis méritos a injecção subcutânea não podia deixar de occupar um lugar entre os mais insignes acquisições datherapia moderna; os progressos neste campo da medicina fazem calar as recri- minações, que se tem querido fazer á medicina moderna, a de desprezar o seo principal fim o de soccorrer. Assim como o methodo hypodermatico pela reunião de tantas virtudes tem adquirido o applauso e adhesão dos médicos, assim também tem a approvação e confiança do publico, principalmente pela rapidez dos efteitos, pois o que se assemelha a magica é o que sempre mais encanta. PROPOSIÇÕES. O JP/tísica.-As leis da phisica explicam perfeitamente toda a acção de mamar dos meninos. x Chimica»-0 ozone é uma transformação de oxygenio, que se mani- festa, ora como ozone, ora como antozone. Potanica,-As plantas pertencentes a uma familia contem muitas vezes substancias de uma acção therapeutica similhante. Anatomia»-Ha variedades da mama tanto a respeito de numero como a respeito de sua situação. Phgsiologia»-A resorpção do achylo não se faz pelas cellulas calyciformes (vacuolas) ultimamente descobertas por Leitzerich. Anatomia pathologica»-Na lepra anesthesica encontram-se os nervos que fornecem as partes affectadas, entumecidas e alteradas. Palhologia geral,-O thermometro, isto é a temperatura exter- na do corpo, não dá indicios certos para o diagnostico, prognostico e the- rapia das febres. Palhologia externa»-Os estreitamentos da urethra tratados pela urethrotomia interna exigem mais a dilatação consecutiva. Palhologia interna»-Como do typho assim também da febre amarella ha casos que são abortivos. Partos.-A injecção subcutânea de morphina diminue as dores de parto sem quebra do seo effeito expulsivo. 16 Itlaleria medica»-0 hydrato de chloral é um hypnotico e anesthesico. medicina operaloria»-0 methodo americano de executar a operação da fistula vesiculo-vaginal é o preferível. medicina legal»-As condições do hymen nada provam com certeza á respeito da virgindade. moléstias por infecção a ventilação é de summa importância. Pharmacia»-As pilulas de uma consistência excessiva passam pelo tracto intestinal sem serem dissolvidas. HIPPOCRÀTIS APHORISML L In omní morbo mente valere et bene se habere ad ea quse offeruntur bonum est, contrarium vero malum. (Sect. 2.a aph. 33.) II. In ictericis bepar durum fieri malum. (Sect. 6% aph. 72.) III. Leuco phlegmatise bydrops subervenit. (Sect. 7.a aph. 74.) IV. Ungues nigri et digiti manuum et pedum frigidi contracti vel remessi mor tem in propinquo esse ostendunt. (Sect. 5.a aph. 12.) V. In temporibus quando eadem die modo calor modo frius fit, autumnales morbos exspectare oportet. (Sec. 3. aph. 4.) VI. In morbis acutis extremarum partium frigus malum. (Sect. 7.a aph. 9.) BAHIA.-Typographia de J. G. Tourinho-1870. £fá>eme/ãc/a d féowmè/dão g/beucdola. Sflarfca e c/e iy/d>ec/cccna em 3 4- c/e c/e eêjo\ ê/f. féèncennato ê/?cn/o. <Sd/á oJ Sdfaáetod. //acn/c/ac/e c/e c/a &arfca 3/ c/c c/e sfycr. <W & ê/y. ê/>r. K>//ouía. -de. e £/acu/c/ac/e c/e <y//cc/cccna 25 c/e c/e ê/y. /fâa/itá/a íDií«chs.