DE Flavio Augusto Falcào. 1S7S, THESE fêMMM, m ©'UAI©> APRESENTADA Á FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA E QUE PERANTE A MESMA SUSTENTA FJ1 IVOYFIflllKO ME 1§11 S^a/caa Natural da Bahia 9*i$0 (eaituwo ffleíiciaito Joáé 9*afcão e 2). Cfata Spfj S^afcão Tout malade est un teraple (le la nature. IVe t’en approche qu’ayec craintc et respect, en écar- tant de toi 1’irréflexion, les calcules de 1’iutérêt persounel, les inspiratious d’une conscience trop large, alors la nature laissera tomber sur toi un regard de biénveillance, et te dévoilera son secret. llufeland (Medeciue pratique p. 58). BAHIA Typographia de J* G« Tourlnho 1871 FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIRECTOR 0 Ex.ra0 Snr. Conselheiro l)r. Vicente Ferreira de Magalhães. OS SIIS. DOUTORES l.*ANNO. MATÉRIAS QUE LECCIONAM Cons. Vicente Ferreira de Magalhães . Francisco Rodrigues da Silva Chimica e Mineralogia. Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Analomia dcscripliva. Physica em geral, eparticularmenlc em suas applicaçõrs â Medicina. Antonio de Cerqueira Pinlo Cliimica organica. Jeronymo Sodré Pereira . ... . Pliysiologia. Antonio dariano tio iioinfim iiotanica e Zoologia. Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Hepclição de Anatomia descriptiva. 2." ANNO. 3.* ANNO. Cons. Siias José Pedroza Anatomia geral epathologica. José de Goes Sequeira Palhologia geral. Jeronymo Sodié Pereira Physiologia. 4.* ANNO. Cons. Manoel Lndisláo Aranha Dantas . Palhologia externa, Demetrio Cyriaco Tourinho Palhologia interna. Conselheiro! Mathias Moreira Sampaio Partos, moléstias de mulheres pejadas e de meninos receinnascidos. Demetrio Cyriaco Tourinho ..... Continuação de Pathologia interna. a.« ANNO. José Anionio de Freitas. ...... Luiz Alvares dos Santos Matéria medica, e therapeutica. Analomia topographica, Medicina operatorla, e appareinos. «.* ANNO, Rozcndo Aprlgio Pereira Guimarães. . Pharmacia. Salusliano Peneira Souto Medicina legal. Domingos Rodrigues Seixas Uygiene, e Historiada Medicina. JoseAfTunso de Moura Clinica externa do 3.* e 4.° nnno. Anlouio Januario de Faria Clinica interna do 5.* e 6.* anuo. Partos, moléstias de mulheres pejadas e de meninos receinnascidos. lgnacio Jose da Cunha. i Pedro Uibeiro de Araújo > José Ignac o de Burros PUnentel. . .1 Virgílio clyuiaco Damazio . ... J Secção Accessoria. Augusto Gonçalves Martins i Domingos Garlos (la Silva Antonlo Paciiico Pereira Secção Cirúrgica. Hamiro AlTonso Monteiro ! Egas Cailos Aloniz Sodré de Aragão . .t f.laudeiuiro Augusto de Moraes v.aldas.. Secção Medica. O Sr. Dr.Ciiicinimto l*iuto IDA BfflUIfiaUAlMA O Sr. Ifer. Thomaz tl’Aquino (àaitpar. A Faculdade não approva, nem reproya as opiniões emiltidas nas thcscs que lhe são apreienladas. QUE JUIZO SE DETE FAZER DO CURATIVO DOS MECRISMAS POR MEIO DWECÇÕES? iE íiSi JÊ^ Je cherclie à diriger mes fflorts ters uu but d’ulili!é. M. Castaulnet. (Essai sur la gastronrie). CAPITULO PRIMEIRO 'ENTRE os diversos methodos curativos empregados no tra- tamento dos aneurismas, ó a injeeção um d’aquelles, de que o praclico só deve lançar mão em casos cxcepcionaes, dos quaes logo nos occuparemos. Conhecida desde o meiado do século decimo sexto, foi Lambert o primeiro, que cm 1656 aconse- lhou, e poz em practica o melhodo das injecções nas cavi- dades fechadas. Entretanto aos bem pouco casos de hvdroce- le se limitava o uso d’este methodo, gastando-se cerca de um século só no aperfeiçoamento d’este meio curativo de tal en- fermidade; meio, cuja proficuidade, si bem que por muito tempo contestada, foi depois altamente reconhecida. E foi só depois de se ter ensaiado, e mesmo practicado injecções sem sub- stancias diversas, e a experiencia ter provado que muitas d’ellas podião ser levadas na profundeza dos tecidos, e sem que o mais das vezes acar- retassem accidentes graves, e que o phanatismo de Yelpeau pela tintura 4 de iodo adquirira sectários, que o uso das injecções poude, ganhando terreno, se estender não só a todas as especies de kystos, senão também aos derrametis, nas cavidades articulares, thoracicas, abdominaes e cra- neana. E não parou ainda ahi; a maior gloria do methodo estava reservada a Monteggia, que em 1813 atrevendo-se a estender o methodo de Lambert até os proprios tubos circulatórios, propondo a coagulação do sangue contido no saco aneurismal por meio de líquidos adstringentes, taes co- mo o a.lcool, a solução de acetato de chumbo, de tannino, etc., capazes de produzir a coagulação, poude assignalar uma epocha e dar mais um passo na therapeutiea cirúrgica d’esta especie de tumores. Considerada um paradoxo a ideia de Monteggia foi esquecida, e até mesmo por muito tempo despresada. Si bem que mais tarde, em 1831, Yilardebo viesse corroboral-a, toda- via só quatro annos depois, em 1835, poude ella ser convertida em facto material por Leroy (d’Etioles), que por meio da seringa de Anel injectára o álcool, não nos aneurismas, mas na própria cavidade das artérias; e ainda que obtivesse alguns coalhos, todavia fôra infeliz nos poucos casos, em que se servira das injecções. Wardrop em 1841, e Bouchartern 1844, attribuindo talvez ás qualidades do liquido com que erão feitas as injec- ções os máos resultados obtidos por Leroy, ensaiárão por meio da mes- ma seringa, aquelle o acido acético, e este o acido sulfurico, sem que porém nos dessem a conhecer o resultado de suas experiencias. Entre- tanto algum tempo se passa para que se fação algumas experiencias sobre animaes; e Pravaz, que de ha muito já conhecia os effeitos coagulantes da electricidade, entra em uma serie de experiencias de laboratorios no intuito de conhecer quaes os líquidos que mais coagulavão o sangue, chegando a concluir que era o perchlorureto de ferro, que mais rapida e seguramente preenchia este fim. Com Guérad em 1851, e em presen- ça de Lallemand, Pétrequin e Lecoq, emprehende Pravaz nova serie de ex- periencias sobre coelhos, carneiros e cavallos, as quaes forão apresenta- das á Academia de Scieneias por Lallemand; e vindo a Pariz poude tor- nar practico o methodo das injecções, fazendo com Charrière construir uma pequena seringa própria para determinar seguramente a quantidade de liquido a injectar-se. Confirmadas por Debout e Lebranc as experiencias de Pravaz, em que lhe bastavão tão somente algumas gottas de uma solução concentrada 5 de perchlorureto de ferro injeetadas na carotida de um animal para de- terminar em alguns minutos a formação de um coalho, podendo resistir a impulsão da onda sanguinea impellida pela systole ventricular, fora o methodo do sabio professor de Lyon abraçado com ardor. Ensaios se fazem sobre o homem; e tres casos de cura apresentados á sociedade de Cirurgia, d’entre os quaes muito sobresahia o de Raoult Deslongchamps, em que dentro de vinte dias restabelecera elle o seo doente tão somente com uma injecção feita com dez gottas da solução de perchlorureto de ferro, fizerão, crescendo o enthusiasmo pelo novo me- thodo em um só anuo vinte casos felizes para se contar.Ghega, porém, im- mediatamente o tempo de tentativas sem mais reflexão. Já não se fazem mais ensaios. O methodo das injecções é o unicomeio curativo dos aneu- rismas. Traumáticos e espontâneos, arteriaes e arterio-venozos, todas estas especies de aneurismas lhe pagão um largo tributo. AI guns accidentes, porém, se dão. Crescendo o numero d’elles, even- tualidades se dizem as curas obtidas. E multiplicando-se de dia em dia as más consequências, um echo de indignação fez-se ouvir de todas as partes contra o methodo ainda inci- piente; até que por occazião de uma memória apresentada por Malgai- gne á Academia de Medicina em 1853, onde se lia sobre onze casos só duas curas obtidas, foi calorosamente atacado o methodo das injecções, e mesmo por alguns de seos membros, a despeito de numero insufficien- te de tentativas fataes, taxado de inútil e até perigoso, ia o novo methodo ser banido d’entre os meios curativos dos aneurismas: quando se levantão Yelpeau e Laugier, que se havião dado ao estudo d’essas tentativas desas- tradas, e apresentarão razões bastente convincentes, por ineio das quaes chegarão a provar que os êxitos infelizes obtidos erão devidos a insuffí- ciencia dos instrumentos, ao abuso do perchlorureto, e a má direcção nas operações, que só novas experieneias emprehendidas com todas as con- dições necessárias serião capazes de dicidir a questão. Assim podérão elles de algum modo attenuaro terror, que dos ânimos se apoderára, e novas experieneias forão ensaiadas. E então que Broca, Goubaux e Giraldòs se põem em campo, e de suas experieneias se pode deduzir o seguinte: Segundo o maior ou menor gráo de concentração da solução de per- chlorureto de ferro a injecção era sempre seguida da formação de um coalho, e de alterações mais ou menos profundas das túnicas arteriaes. Com uma solução de 45 a 49 gráos de concentração, as túnicas arte- liaes se tornavão amarellas e friáveis, e o sangue alterado em todos os seos principios formava um coalho de cor eseuro-carregada, homogenio, e duro; e logo tanto as túnicas artiíiciaes como o coalho se desor- ganisavão, e um trabalho eliminatório se fazia nos tecidos visinhos. Se porém a solução era de 15 a 30 gráos, apenas uma infiltração plastica se fazia na túnica externa com hypei trophia e vascularisação da túnica media das artérias, e o coalho, que se formava continha sangue alterado e grande quantidade de fibrina em estado normal. Então logo depois um trabalho reparador se estabelece. A túnica media hypertrophiada eontráe de todas as partes adherencias com o coalho de maneira a enkyslal-o, obturando completamente a cavidade do vaso. À este coalho derão ellcs o nome de—■primitivo —afim de distinguil-o de dous outros formados pela lympha plastica derramada, um acima e outro abaixo do coalho primitivo, nas vinte quatro horas, que se seguem á in- jecção,eque puramente fibrinosos e solidos adherem iutimamente á mem- brana interna; mas que também muitas vezes estas adherencias podião ser destruídas pelo trabalho eliminador, ehemorrhagias abundantes e pe- rigosas ter logar, bem como estes coalhos podião ser absorvidos e des- apparecer. Debout, que em Pariz confirmara as experiencias de Pravaz, notara nos cavallos submettidos ás experiencias phenomenos geraes de entoxicação. No dia seguinte ás injeeções os achara com febre, abatidos, e não comião. Explica elle estes phenomenos pela absorpção do sal ferreo e sua acção sobre os centros nervosos. Em dous dos cavallos, nos quaes elle havia deixado aberta aferida,afim de melhor apreciar a marcha dos phenome- nos locaes, notara o endurecimento com retracção das paredes arteriaes, retracção, que em um delles era acompanhada de uma intumescência do vaso. De todas estas experiencias se ve quão reservado deve ser o pratico no emprego das injeeções, pois que, se na própria cavidade da artéria se produzem alterações taes, com mais razão se deve presumil-as, dando-se em mais larga escala na cavidade aneurismal, cuja superfície interna, que offerece a injccção, é muito vasta e muito mais vascular, que a offerecida pela artéria. Não é indifferente a quantidade de liquido que deve ser injectado. Se- gundo Goubaux e Giraldès são precisas cinco gottas de uma solução de 30 gráos para solidificar tres centímetros cúbicos de sangue. Segundo Broca, 7 que a taes experieneias se dera com todo o zelo e pericia, a quantidade de liquido a injectar-se varia segundo o volume do aneurisma e o gráo de concentração da solução. São precisas, segundo elle, quatorze gottas de 30 gráos, e vinte gottas de 15 a 20 grãos para coagular um centilitro de sangue. À solução de 30 grãos era seguida de consequências graves, e a menos de 15 gráos os coalhos resultantes erão moiles e insufíicientes. Para a coagulação se fazer mais promptamente era mister comprimir a ar- téria ácima e abaixo do tumor, afim de fazer parar toda a circulação no saceo aneurismal, e também de previnir que o sangue impedindo o li- quido coagulante nas divisões arteriaes, o que muitas vezes poderá ter logar, resulte uma gangrena pela obstrucção extensa do vaso. Ainda que determinada esteja a quantidade de liquido, que deve serin- jectada, todavia nada de positivo se pode afíirmar sob taes quantidades; porque se muitos dos resultados infelizes forão attribuidos á quantidade e a exagerada concentração da solução, como se deduz das experieneias de Pravaz, em que elle se servira de uma solução a 46 gráos de concen- tração, ahi estão as observações de Symc, em um caso de aneurisma da aorta, e de Barrior em um aneurisma do tronco brachio-eephalico, em que servirão elles de mais de sessenta gottas de uma solução de 45 gráos de concentração, e sem que obtivessem resultado algum, sobrevindo no doente de Barrier uma viva inflammação, se terminando por um pequeno abscesso em todo o trajeeto da canula. Poderamos ainda citar em nosso apoio as observações de Malgaigne, de Velpeau, de Lenoir, de Forbes, de Pélrequin e de ontros, em que ás in- jecções se seguirão as mais graves consequências, se nos tivessem elles precisado a quantidade de liquido irijectada, e o gráo de concentração da solução. Entretanto, não nos desabonão ellas quando depois de referir al- guns dos casos desastrados, obtidos pelo mesmo Malgaigne. e por outros, e de nos fazer conhecer as propriedades do corpo resultante da mistura dos dous liquidos—sangue e solução de perchlorureto de ferro, Vidal as- sim se exprime: « II faut observer que les cas que ont été suivis d’accidents sont precisèment des cas ou le perchlorure navait pas été enjecté ni cn trop grand quantité ni à un degré considerable de concentration. » Á tudo isto accresce a grande difficuldade em determinar-se segura- mente a quantidade de sangue contida no saco aneurismal, afim de bem precisar-se a quantidade de liquido a injectar-se, a menos que não se exponha o practieo aos perigos, que soem acompanhar as injecções feitas 8 em grande. De outra parte a coagulação não se opera logo que é feita a injeeção, salvo nos aneurismas de pequeno volume, nos quaes a compressão feita, segundo nos reeommenda Broca, possa conseguir parar toda a cir- culação, o que nem sempre é possível. A mistura do persal com o sangue faz-se difficilmente, e o coalho resultante é negro, solido, duro e resistente; fazendo para a economia o verdadeiro papel de corpo extranho, o qual necessariamente para sua eliminação provocará um trabalho suppurativo. Esta nossa asserção com- provão as observações de Velpeau, de Debout, e de Richet. Yelpeau en- controu pela autopsia em um doente seo, em quem como em muitos outros se servira do methodo de Pravaz, um coalho negro, duro, e como que lenhoso, o qual jamais poderia ser absorvido. Debout em um caso de aneurisma no braço de Valette de Lyon, em que o coalho parecera ter sido absorvido, cinco mezes depois da operação o encontrára pela dissec- ção do membro com a mesma cor e propriedades. E Richet em um tu- mor erectil cutâneo presternal em uma menina de seis annos tres mezes depois da operação nos afirma nada haver de mudança no coalho obtido. Não queremos, com o que temos dito, negar a possibilidade da absorp- ção do coalho; pois que iriamos de encontro ás experiencias de Giraldès e de outros: apenas tentamos provar quão difficil é obter-se esta absorp- ção, a qual para eííectuar-se é preciso que o coalho enkvstado seja tolerado pela economia. Pode bem ser que nos pequenos aneurismas a injeeção, ajudada da compressão, provoque a cura d’elles, como se deprehende das observações de Pavesi, de Raoul Deslongchamps, de Niepce, de Serres (d’Alais), e de outros, em que ella se fizera em virtude de circumstancias outras de que logo fallaremos, e não como consequência immediata da obstrucção do saco aneurismal pelo coalho e da absorpção d’este. Si o aneurisma é volumoso, em balde se procurará a cura pela injeeção, por quanto difficil sendo recorrer-se á compressão, o coalho qne se produz é insufficiente, e livre na cavidade aneurismal determinará accidentes gra- ves. Assim hemorrhagias abundantes e perigosas, inflammações termi- nando já pela suppuração, que pode produzir-se quer interna quer exter- namente ás paredes do saco, já pela gangrena, que pode estabelecer-se quer no proprio saco, quer na parte doente, resultão das experiencias; e mesmo phenomenos de entoxicaçâo se tem observado. E como éxpli- cal-os? Serão o resultado da irritação mechanica das paredes do saco aneurismal pelo coalho, que não obturando completamente a sua cavida- 9 de é levado de encontro á ellas pela corrente sanguínea? Não; porque em um aneurisma se comprehendendo difficilmente esta projecção do coa- lho contra as paredes do saco, não tem razão de ser esta theoria me- diante as observações de Hugier e de Velpeau, em que accidentes se derão ainda mesmo que o coalho obturasse completamente a cavidade do saco. O que se pode diser, deprehendendo-se das experiencias feitas não só so- bre os animaes, como sobre o homem, é que o coalho resultante do persal de ferro sobre a albumina do sangue, sendo um corpo extranho, necessariamente obrará sobre as paredes, bastante irritáveis dos aneuris- mas (por isso mesmo que muito vasculares como acima dissemos), mais por suas propriedades pbysicas e chimicas, que chimicamente sobre o sangue. Diversos tem sido os preparados empregados nas injecções. Se tem usado do persulfato e do perazotato de ferro. Do sesquisulfato e do ace- tato de sesquioxido de ferro. Porém o preparado de ferro o mais geralmente empregado, si bem que não seja innoccnte, tem sido o perchlorureto. Para substituil-o apontarão o chlorureto de zinco, e o liquido iodo-tanico; mas estes corpos além de não gozarem das altas propriedades hemoplasticas do perchlorureto de fer- ro, o chlorureto de zinco é irritante e cáustico mesmo em fraca solução. Ensaios também se tem feito com o álcool, o chloroformio, os ácidos vegetaes, e o tanino, mas sem proveito algum. Isto posto e antes de vermos como se deve proceder as injecções e as condições necessárias para o bom exito d’ellas, força é dizer alguma eou- za, ainda que succintamente, mas em relação com a physiologia e patho- logia d’esta classe de tumores. N’este estudo porem, digamos logo, não nos occuparemos senão de uma das especies ou variedades do aneurisma arterial espontâneo, o sacciforme por exemplo, que é o que mais vezes se apresenta na practica, e contra o qual o practico poderá alguma vez recorrer ás injecções com mais probabilidade de exito favoravel, que em outra qualquer especie; e figurando-o bem caracterisado não nos envol- veremos com as diversas theorias, que a cada passo se offerecem no es- tudo d’esses tumores. F. F. CAPITULO SEGUNDO Situado sobre o trajecto da artéria, de forma mais ou menos circums- cripta, molle, indolente, compressivel, e sem mudança na coloração da pelle, que o cobre, fluctuante, desapparecendo pela pressão sobre elle, ou pela compressão da artéria entre o saco aneurismal e o coração, do- tado de batimentos espansivos synchronos o pulso, batimentos já sensí- veis á vista, já á mão posta sobre elle,e que muitas vezes também percebe durante a diástole arterial um frémito vibratório fraco e intermittente; pela escutação deixando ouvir-se um ruido de sopro, que como o frémito, intermittente e coincidindo com a diástole arterial é ora fraco, ora forte; e que nem sempre se fazendo ouvir é muitas vezes seguido de um se- gundo ruido durante a systole arterial, ruido de retorno de Guiden, eis com algumas modificações talvez o quadro symptomatico e caracteristico do tumor aneurismal. Formado o tumor, seja qual for a cauza que a sua producção dê logar, o sangue rfelle contido necessariamente ha-de coagular-se; porquanto sendo preciso, para que se conserve em estado de integridade, estar o san- gue sempre em movimento, e em contacto com uma superfície, que lisa e urtctuosa, concorra para lhe manter a fluidez; em um aneurisma onde elle se acha desviado das leis da circulação, e em contacto com superfície, que não está acostumada a recebel-o, sua estagnação se ha-de necessa- riamente effeetuar. E dando logar a estagnação do sangue ás duas espe- cies de coalhos, que na abertura do saco aneurismal se apresentão, e de- pendendo d’elles a cura espontânea dos aneurismas, estudemol-os, ainda que rapidamente. Desviado, como dissemos, das leis da circulação, tendem os seos ele- mentos a desaggregar-se, e a fibrina prendendo nas malhas do seo tecido os corpúsculos sanguíneos vae se depositar sobre as paredes do saco debaixo da forma de coalhos vermelhos e molles (passivos). Mas pela en- trada de nova quantidade de sangue no saco aneurismal, essa fazendo pressão sobre os coalhos, que ahi se achão, estes se despojando de todo o liquido que contem, (e tornados coalhos activos) vão se depositando de- baixo da forma de laminas albumino-fibrinosas sobre as paredes do saco. Si porém a circulação for completamente parada no saco aneurismal, todo o sangue ahi contido se coagulará, dando em resultado uma só especic de coalho molle, que necessariamente para a sua eliminação provocará um trabalho suppurativo, ou então desapparecerá pela separação de seos elementos, restabelecendo-se a circulação. Eis como se formão as duas especies de coalhos. Posto que pelos accidentes a que dá logar nos tecidos visinhos o seo desenvolvimento progressivo, seja o aneurisma uma afíecção grave, tanto mais quando se deve receiar, de sua marcha sempre continua, a sua ter- minação pela ruptura, e com ella a morte, todavia em muitos casos se opera a sua cura espontânea; cura que segundo Broca, se pode eífectuar já pela inflammação, já pela coagulação fibrinosa. Yejainos pois como se effectua ella n’esses dous casos. Dissemos que a suspensão completa da circulação no saco aneurismal era seguida da coagulação súbita de todo o sangue 11’elle contido. Pois bem; 0 mesmo acontece quando uma inflammação acommette todo 0 saco aneurismal, e então a cura pode dar-sc, ainda que difficilmente, por qualquer das tres terminações d’esta inflammação: pela suppuração, pela gangrena, e pela resolução. Si bastante violenta esta inflammação, um vasto abscesso interno se forma, e então ou não se tem effectuado a coagulação do sangue, e uma hemorrhagia abundante e mortal vem a ter logar pela abertura do abscesso, ou effectuada a coagulação, a sua abertura dá logar a sahida de grande quantidade de pús misturado com coalhos molles e negros, e coalhos descorados; e a cura se estabelece. Mas si tão intensa for a in- flammação, que todo 0 tumor se ache reduzido a uma profunda e larga escára, a cura será muito mais difficil, e só effectuada depois da queda da escára, como soe acontecer em uma gangrena ordinaria. Entretanto acontece muitas vezes também que pela fraca intensidade da inflamma- ção estes accidentes não tem logar, e que pouco a pouco a absorpção dos coalhos se fazendo, a resolução se opera. Bem accidental é, portanto, a cura provocada pela inflammação. e a custa de perigos imminentes. Outras vezes, porém, depois de ter 0 aneurisma chegado a um gráo de desenvolvimento exagerado, e quando se pensa que sua ruptura vae effectuar-se, cessão de todo os batimentos, e 0 tumor se apresenta mais firme e consistente. Pouco a pouco se vae abatendo até reduzir-se a peque- níssimas dimensões, e finalmente desapparecer. É que a estagnação in- completa do sangue em circulação favorecendo continuamente o deposito de coalhos fibrinosos, estes obturárão completamente a cavidade aneu- rismal; e depois sendo absorvidos, derão logar ao desapparecimento do tumor, e com elle á cura natural de Broca, ou por coagulação íibrinosa. Sem que mais nos demoremos em procurar diagnosticar um aneu- risma, por isso que bem precisado o ponto de nossa dissertação, toda a confusão é inadmissível, diremos todavia que ahi está a bella invenção de Marey, o Sphygmographo, para os casos de diagnostico difficil. E exposto assim o que de necessidade julgamos dizer sobre os aneu- rismas espontâneos, afim de bem precisar á modo de obrar das inje- cções, vejamos agora como se deve proceder nellas. CAPITULO TERCEIRO A solução de perchlorureto de ferro de 15 á 20 gráos de concentra- ção é a mais geralmente empregada, e o instrumento proprio para pro- ceder-se ás injecções é a seringa de Pravaz, que consiste pouco mais ou menos no seguinte. Uma seringa cujo embulo trabalhando por um movimento de parafuso permitte graduar-se ao certo a quantidade de li- quido, que deve ser injectada, e cuja armadura superior é disposta de maneira a receber uma canula contendo em seo interior uma haste capil- lar, que com a canula forma um trocati. Começa-se por fazer a puncção do saco por meio do trocati, que será introduzido por um movimento de verruma, e logo que pela falta de re- sistência sente-se que elle tem penetrado no interior do saco aneurismal, retira-se a haste ficando a canula, que dá logar á sahida de um pouco de sangue. Então com prime-se a artéria acima e abaixo do tumor. Feito isto, adapta-se a seringa á canula, e imprime-se no embulo tres meias voltas afim de expellir da canula o sangue, que ahi se acha, e prevenir a sua coagulação, que obstaria a entrada do liquido que se vae injectar. De- pois do que e segundo o gráo de concentração da solução, continua-se a imprimir no embulo tantas meias voltas quantas sejão precisas para coa- gular o sangue contido no saco aneurismal. Deixa-se o doente descançar por algum tempo, e então se machuca brandamente o tumor afim de favorecer a mistura do sangue com a solução injectada. Examina-se o tumor: e si a coagulação ainda não se tem effectuado, procede-se a nova injecção de algumas gottas até a coagulação completa do sangue. Conse- guida esta, retira-se ligeiramente a canula imprimindo no embulo uma meia volta para traz afim de produzir na canula um pequeno coalho, que obste o contacto da solução sobre os lábios da ferida resultante da pun- cção, e assim prevenir uma inflammação violenta, e mesmo a formação de uma escára, com cuja queda uma hemorrhagia poderá ter logar. Para que a operação seja completa é mister continuar ainda a compres- são acima do tumor por espaço de meia hora, afim de que o líquido coa- gulante tenha o tempo necessário para endurecer completamente o san- gue, e o coalho obtido não venha a desaggregar-se pela onda sanguínea impellida pela svstole ventricular. O repouso e a dieta apar dos topicos refrigerantes concorrerão para o restabelecimento da cura no caso de coagulação completa. Se porém in- completa, se deverá esperar algum tempo, quinze dias ao mais, e então proceder-se a nova injecção, por isso que o uso das injecções repetidas é seguido de aceidentes graves. Em todo o caso é melhor recorrer-se a compressão. Coaielaisi&o.-—Devendo o practico no tratamento dos aneurismas pro- curar imitar a natureza (na cura espontânea d’elles), onde os coalhos, que se formão, obturando completamente a cavidade do saco, e sem que gozem para a economia do papel de corpo extranho, se retrahindo pouco a pouco, passão por transformações, e são absorvidos, por sem duvida que acharia elle nas injecções coagulantes este meio poderoso de imita- ção, si o corpo de que até hoje se tem lançado mão gozasse de proprie- dades taes, que produzissem um coalho, que podesse ser absorvido. En- tretanto do que acima deixamos dito se vê claramente que o coalho pro- duzido pela solução do persal de ferro não está n’estas condieções. Àna- lysemos, porém, alguns dos casos felizes obtidos afim de podermos mais seguramente emittir um juizo, se bem que insufíiciente, em uma questão em que a sciencia, com quanto já alguma couza tenha dito, todavia ainda não pronunciou a sua ultima palavra. Raoult Deslongchamps recorre a duas injecções em um caso de aneu- risma situado sobre o trajecto da artéria suborbitaria. A primeira injecção sem resultado algum, a segunda feita com doze gottas, segue-se de uma inflammação do saco, que provoca a cura do aneurisma, o qual deixou de pulsar, e endureceo-se desapparecendo em vinte dias. Nièpce em um aneurisma da poplitéa faz uma só injecção, que provoca uma inflamma- ção se terminando por um pequeno abscesso na face interna do saco, e que aberto dá logar á sabida de matéria sero-purulenta, e a cura se es- tabelece em vinte cinco dias. Tão feliz, porém, não foi Lenoir, que em caso idêntico recorreo a muitas injecções sem resultado, sobrevindo á ub tima injecção uma intlammação intensissima na região poplitéa e com ella a morte do doente. Nos casos de Serres (d’Alais), de Malgaigne, de Velpeau, de Pétrequin e de outros, sempre a inflammação seguia-se ás injecções, terminando-se ora pela suppuração, ora pela gangrena, e ra- ramente pela resolução. De todos estes casos e do quanto temos expendi- dido, se deduz que acura provocada pela injecção se faz a custa da inflam- mação, que, como vimos fallando da cura espontânea dos aneurismas, dava em resultado coalhos passivos, e por tanto duvidosa; pois que era seguida de accidentes senão sempre perigosos, ao menos assustadores. Nos aneurismas traumáticos, nos quaes a compressão indirecta tem sempre sobresahido a todos os outros methodos, sendo preciso injectar- se grande quantidade de perchlorureto de ferro, o coagulo formado mais do que o sangue derramado, naturalmente produzirá nos tecidos acci- dentes graves. Nos aneurismas arterio-venozos, ainda que Jobert conte um caso feliz, o emprego das injecções é ainda mais perigoso, porque o coalho produ- zido pode passar da artéria á veia, e dar logar a morte súbita por em- bolia, e mesmo sobrevir a gangrena da parte, como provão as observa- ções de Léger e Chabrier. Em conclusão sendo este o nosso juizo não rejeitamos de todo as in- jecções, e reservando o seo emprego para os casos de aneurismas peque- nos, arteriaes espontâneos, em que a compressão feita acima e abaixo do tumor, possa concorrer para a completa parada da circulação, abra- çamos a opinião do Sr. Follin, que assim se exprime: Jusqiià ce que de nouvelles observations viennenl nous permeltre d’apprecier completement cette question de therapeutique, on peut recommender ces injections pour les anéurismes de petit volume et pour ceux ou Vou arrete facilement le cours du saug entre la tumeur aneurismale et les capillaires. SEOÇAO MEDICA lios effeitos therapeuticos «1o opio po«lc-se inferir sua acç&io physiologica? PROPOSIÇÕES. ò I. —São o opio e seos princípios activos, mais frequentemento empre- gados, a morphina, a eodeina, e a narcotina, agentes preciosos da matéria medica. II. —Novo Protheu o vasto quadro therapeutico do opio parece dominar toda a Pathologia. III. —A dor e a insomnia, cruéis inimigos do repouso, cedem sempre ao seo emprego. Mas se sobre a dor o opio firma o seo império, nem sempre a insomnia cede ao seo poder, a menos que a economia não se resinta d’este hypnotico poderoso e a custa de um somno agitado por pesadellos. IV. —Em quasi todas as nevroses tem o opio superado a muitos dos agentes therapeuticos. Assim a hysteria, a choréa, a epilepsia, o delirio- tremens, o tétanos etc. tem cedido ao seo emprego. V. —Applicado sobre o derma desnudado, e ainda internamente, tem o opio produzido effeitos maravilhosos em casos de rheumatismo e de ne- vralgias atrozes. N’estas sobresahindo ainda mais os effeitos rápidos e seguros dos saes de morphina pelo methodo das injeeções sub-cutaneas. VI. —Em muitas das pyrexias exanthematicas tem o opio aproveitado. Entretanto o especifico de Sydenham é de temer-se, quando pela intensi- dade da causa morbifica phenomenos ataxicos se apresentão oppondo-se ao seo emprego. VII. —Em certos casos de fortes catarrlios do larynge acompanhados de tosse rebelde, e nos suffocantes accessos da asthma, unido aos anti- pasmodicos ou a solaneas virosas, e ainda mesmo só, o opio tem sido de utilidade incontestável. VIII. —O vomito desapparece mediante o seo emprego. Entretanto po- de elle, dando logar a aecidentes nervosos, também produzir este sym- ptoma. IX. Nas violentas caimbras do estomago, nas cólicas nephriticas e he- páticas, sejão quaes forem as cauzas que as possão dar logar, o opio só ou unido ás solaneas virosas tem conseguido curas espantosas. X. —O laudano de Sedenham, preparado de opio de grande voga, e a codeina, tem em pequenas doses suffocado rebeldes dispepsias. Notando- se que nas dispepsias bolimicas o laudano tem sobrepujado a todos quantos possão ser os agentes da matéria medica. XI. —Arma poderosa contra as diarrhéas agudas e chronicas, e ainda que n’estas seja temporário o seo emprego, sempre o opio aproveita na lienteria dos meninos devida a rapida passagem do bolo alimentario em estado quasi que normal. XII. —Quer contra as dores uterinas que muitas vezes preludião o aborto, quer nas devidas a um estado phlegmasico ou nevropatico d’este orgão, o opio em injecçõcs ou em elysteres tem muitas vezes bastado para sustai-as. XIII. —Conhecida a serie de entidades e manifestações mórbidas diver- sas, que o opio attenúa ou debella £ pode-se inferir d’ella qual a acção physiologica d’esta substancia preciosa, mas cujo abuso se revelia por symptomas, que annuncião o narcotismo e uma viva excitação ? Ve- jamos. XIV. —Sede, perda de appetite, digestão difíicil, tendencia ao vomito, vomito, constipação, e as vezes diarrhéa, são os effeitos physiologicos do opio sobre as funcções nutritivas. XV. —Diminuição da secreção renal, excreção difficultada da urina, restabelecimento dos catamenios, as vezes augmento com apparecimento prematuro d’elles, eis a sua acção physiologica sobre os apparelbos ge- nitaes do homom e da mulher. XVI. —Diminuindo a secreção renal, augmenta elle a secreção cuta- nea, que sóe acompanhar-se de prurido insupportavel, augmenta os movimentos respiratórios, e accelera o pulso. XVII. —Exaltação do intellecto, contracção do iris, pertubação da vista, cephalalgia, enfraquecimento geral, somnolencia e somno, são os demais effeitos physiologicos do opio sobre a economia animal. E como con- cial-os com os effeitos therapeuticos ? XVIII.—Calando a dor, elemento o mais poderoso em quasi todas as moléstias, pelo enfraquecimento e abolição da acção nevrosa; diminuindo o augmento das secreções; regularisando a excitabilidade muscular exa- gerada; e determinando a turgencia dos capillares, provocando assim a diaphorese, é o opio um estupefaciente poderoso; e os bemispherios ce~ rebraes, medullas-alongada e rachidiana, e os plexos dos nervos gan- glionarios os agentes de sua acção. F. F, secção Icterícia tios recem-nascidos e seo tratamento» PROPOSIÇÕES. I. —Não é uma affecção essencial a icterícia dos recem-nascidos como pensão Valleix e Billard, mas um symptoma da affecção do figado—a he- patite aguda. II. —Duas são as formas da hepatite aguda, que dão logar a icterícia. A hepatite aguda, simples e ligeira, e a hepatite aguda grave, maligna e in- tensa. III. A pelle a principio de cor amarella tirando ligeiramente sobre a vermelha, e logo completamente amarella, a distensão do ventre do nivel do hypochondro direito, a pressão dolorosa sobre o figado, que desce muito abaixo das costellas, e o ligeiro calor da pelle sem alteração do pulso e das funcções digestivas, caracterisão a icterícia simples. IV. —Côr amarella da pelle, febre, injecção da face, olhar fixo, ventre tenso e doloroso, nauseas, vomitos, soluços frequentes, respiração difficil, convulsões, collapso, resfriamento geral, e finalmente a morte, eis os ca- racteres da icterícia grave. V. —Que ella é sempre o resultado da phlebite, que se manifesta apoz a ligadura do cordão umbilical, e que se estende até o figado, d’onde a obstrucção dos canaliculos biliares, embaraço na circulação biliar e sua passagem no sangue, confirmão as opinões de Morgagne, de Van-Sweiten, e de Rosen. VI. —Não se confunde a côr ictérica com a côr amarella dos meninos, porque é bastante vizivel, e se acompanha da injecção das conjunctivas, da mucosa bucal, e ainda da côr amarella das ourinas. VII. —Suffusão ictérica geral, figado congesto e hypertrophiado com amollecimento e descoramento de seo tecido, turgencia dos vazos hepá- ticos e abdominaes, exudaçâo de sangue negro na vezicula biliar e no duodeno, focos purulentos dispersos no interior do figado, coalho negro no interior da veia umbilical separado de suas paredes por secreção pu- rulenta, e tudo quanto a autopsia tem revellado. VIII. —Placas erysipelatosas, abcessos em roda do umbigo, e em outras partes do corpo, aphthas, ulcerações nos lábios e na boca, e muitas ve- zes hemorrhagias e gangrenas, complicão a icterícia grave. IX. —Seis a dez dias bastão para a resolução completa da icterícia sim- ples. X. —Nos casos graves aos symptomas de infecção purulenta segue-se quasi sempre a morte—terminação fatal. Xí.—A cura que nos casos benignos faz-se as mais das vezes pelos es- forços da natureza, se pode ajudar por meios dos banhos mornos simples, dos banhos aromáticos, das fricções sobre o ventre etc. XII.—Se o estado do menino permitte uma leve sangria por meio de algumas sanguesugas na região do figado, banhos mornos prolongados e repetidos, fricções espirituosas, clysteres oleosos, purgantes, a agoa fria, o laudano de Sydenham contra o vomito, abrir os abscesos, laval-os com vinho aromatico, preparações de quina interna e externamente nos casos de gangrena, eis pouco mais ou menos o que se pode fazer na icterícia grave. SECÇÃO AOCESSOEIA Pode-se em geral ou excepcionalmente affinuar que houve estupro? PROPOSIÇÕES ò I.—Seja ou não honesta a mulher, tenha já sido deflorada, ou seja ain- da virgem, o coito n’ella consummado por meio de toda e qualquer vio- lência, é o que a medicina legal chama—estupro. íí.—Bem difficil é em geral dizer-se que houve estupro, por quanto circumstancias ponderosas pesão sobre elle. III. —Se a dcshonra macula a mulher no albor da idade, e si ella é ainda virgem, e o attentado data de proximo, do exame de seos orgãos genitaes o crime se patentea. IV. —Por um só signal é difficil sinão impossível decidir do estupro, por isso que elle não o pode caracterisar. V. —Nos caracteres das lesões, que o medico-legista encontra no cor- po da victima e de seo aggressor, terá elle muita probabilidade para de- cidir do estupro. VI. —Ha meios tão poderosos de que se arma a perversidade do crimi- noso, que podem muitas vezes fazer vacillar o espirito do medico-legista diante da innocencia, e não se pronunciar pela verdade. VÍI.—Debalde, porem, recorre a mulher a mesmos meios para dizer-se estuprada, tendo o medico-legista diante de si o accuzado, e examinando a ambos. V!H.—Si bem que a auzencia do hvmen, sentinella vigilante, mas que fraco cede a qualquer esforço, seja um dado valioso, é faíiivel entre- tanto; pois que em muitos casos se o tem encontrado ainda mesmo ha- vendo copla. IX.—As manchas de sangue e de esperma encontradas nas roupas da mulher, a dor e a intumescência das partes submettidas ao exame, e o escorrimento vaginal, esclarescendo muito o diagnostico, nem sempre provam o estupro. X. —0 mesmo valor tem para o diagnostico do estupro estes vestígios do liymen despedaçado, as carúnculas myrtiformes, ainda mesmo que se trate de virgindade simulada. XI. —Perpetrado em larga escala n’estes centros, que se dizem civilisa- dos, e onde as paixões refervem, e se engendrão, é um dos crimes de que mais a lei se occupa, si a denuncia por ella chama. XII. —Circumspecção e critério, exame judicioso, são condicções que aguardão ao medico-legista, que deve decidir da verdade, defendendo a innocencia, a quem muitas vezes tende a lançar no abysmo da desgraça a malvadez d’aquelle, que dispõe de recursos valiosos. - E7FF0CB.ÀTIS AFHCRISMX i Sanguine multo effuso, convulsio aut singultus superveniens, ma- lum. (Sect. 5.a, Aphor. 3.°) II A forte pulsu in ulceribus sanguinis eruptio, malum. (Sect. 7.a, Aphor. 21.) III Vulneri convultio superveniens, letbale. (Sect. 5.a, Aphor. 2.°) IV Qui sanguinem spumosum exspuunt, his ex pulmone talis rejectio fit. (Sect. 5.a, Aphor. 13.) V Ab hepatis inflammatione singultus, malum. (Sect. 7.a, Aphor. 17.) VI Quse medicamenta non sanant, ea ferrum sanat. Quse ferram non sanat, ea ignis sanat. Quse vero, ignis non sanat, ea insanabilia exis- timare opportet. (Sect. 8Aphor. 6.0) Bahia—Typograpbia de J. G. Tourinho—1871. ê/íeyne/áda â Sommtflãc ê/bevèíota. ê/a/ca e ê/aca/c/ac/e c/e c/na C5 c/e ê/e/em/io c/e cêjc. ê/y. S/ncma/o Se/a oe Se/a/u/oJ. 8/acu//ac/e c/e ts/toec/cccna c/a £/a/ca ■/ / c/e ê/e/em/to c/e cêjts. ê/y. V-. ê/amajf/o. ê/y. *$/. (j/f. is/Zai/cne. ê/y. (ê/auc/em/lo Sa/c/aé. Jm/iUvna-ee. ê/a/ta, e S/acu/c/ac/e c/e %s/6ec/'cma aya&ãee (0icí'2)ifcectot.