%/. SLS&+-*-*- _______^j/tlzr^ ^r^?^P4.v^.^ /%'%/%/^/%'*/%^'%/%',%,%/%/%/%/%'%/%'%V'%.'%'*/%'%''%'%'V%'%^'* "* -TU .......^J> DE MED1C1N4 DV B4III4. JêffÊ^ DE ccuoe i %óe $ votaeà. 5 ! i A 4 4 4 4 O c é P S» S ij , * 5 6 * v> ;« ^ / * ccc ^X>'*£< N°^- **«-, 1756 THESE í>US7£rJ7ÃI)A PSH CylvDauoet '\ôòe Jôotcíeó NATURAL DA PROVÍNCIA DO MARANHÃO o jtíbo UrmtímoiV lote Caefatxo tfootaeò c Tl.vu^a Jquacta íc «.llvuxcà 0:un«.-)?,», PARA OBTER 0 GRÀO DE DOUTOR EM MEDICINA PELA FACULDADE DA BAHIA. On peut oxigcr heaucoup de cetulqui devlcnt auleur pour acqucrir de Ia gloire, ou par un motif d'intercl, ma li cclul quí nVcril que pour salisfaire à un devoir donl il nc peut ec dispenser, à une obllgalion qui lul esl Imposée, a ?ansdoute de grands droits à 1'indulgence de ses lecleurs. (LA Buuyerx.) baeia: TYPOGRAPDIA rOGGETTI DE T01RINH0 k C/ Rua do Corpo Santo n.° 47 1 S64 FAClIDADE DE MEDICINA DA BAHIA. DIRECTOK O Ejt.™0 SiH'. Conselheiro I9v. •João BtaplisSit eios Anjos. 0 E\.m0 Snr. Conselheiro Dr. Viccnlc Ferreira do Magalhães. os sus. DOiTonKS 1." ANNO. ji \TnaiAS Qin i iciON.m . .. . i„,,„„„ii,-r„(. "í Physica em geral, e parlicuíarmente cm suas (,>ns. \ iccnlc lerreira de Magalhães . .] ^po^aç,-,^., Medicina. rr.nicisco Rodrigues da Silva.....Cilindra c Mineralogia. Adriano Alves de Lima Gordilho . . . Anatomia descripliva. •_>.• ANNO. Antônio de Cerqucira Pinlo.....C.himica orgânica. .....-.........Physiologia. AuMnlo Marinno do Itomlim.....Holanica c Zoologia. Adriano Alves de Lima Gordilho. . . . Bepelição de Anatomia descripliva. 3.* ANNO. Elias José Pcdroza........Anatomia geral c palliologiea. Jo>e de GOes Siqueira.......Pallmlogia neral. ...............Phy.slologia. 4.° ANNO. Cons. Manoel l.adisláo Aranha Dantas. . radiologia externa. Alexandre José de (Juciroz.....1'alhologia interna. Mathias Moreira Sampaio......j Vi,^^l^"^^^iJ,sS(lc ,r'ulhcrcs pcjadasc,lc mcIlinos 15.» ANNO. Alexandre José de Queiroz......Continuação de Pathologia interna. Joaquim Antônio d'01iveira irdcllio . . Matéria medica e therapeulica. José Antônio de licitas.......! Anatomia topngraphica, Medicina operatoria.e ) apparctnos G.° ANNO. Antônio José Ozorio........Pharmacia. Salusliano 1'iTrcira Souto......Medicina legal. Domingos Bodrigues Seixas.....llygiene, c liistoria da Medicina. Antônio Jo*é Alves.........Clinica externa do 3.0 e 4.» nnno. Antônio Januário de Faria......Clinica interna do 5." c 0.' anuo. Rozendo Aprigio Pereira Guimarães. .") lgnacio Josc da Cunha......./ Pedro Ribeiro de Araújo......> Secção Accessoria. José lgnacio de Jlarros 1'imcnlcl. . . \ Virgílio Cllmaco Dama/io.....) Jo\;e AfTonso Paraizo de Moura. . . .\ Auuuslo Gonçalves Martins...../ Domingos Carlos da Silva......[secção Cirúrgica. Antônio Alvares da Silva......\ Demetrlo Cyriaco Tourinho...../ Luiz Alvares dos Santos......) Secção João Pedro da Cunha Valle.....í Jeronimo sodié Pereira.....\) Medica. O SJxia. Sr. Cdr. ('inciiiiiiito B^liito sla Silva. 1i?33H3ü2 3)A S32^S'J'ü'J12i\ O Sr. l>r. Thomaz Uiescs qucTíic i s.Ui apresenta'!;!- El n\ E VERDADEIRO AMIGO 1» 222^ Sita» J W C*$ bÜ W^âBâ» HT W SO £"* ^T MB »>É> • Hoje, meu bom pai, que vou ver com satisfação a minha fronte cingida pela coroa de Ilyppocratis, seria o mais ingrato de todos os filhos, si depois de tan- tos sacrifícios c privações que tendes leito, não vos dirigisse palavras de verda- deiro sentimento filial: peço-vos portanto, que, para a minha felicidade ser completa, afim de que eu possa ser aceito entre a sociedade, como verdadeiro homem, bom lillio e oplimo amigo, me lanceis a vossa abençãoc rogueis a üeos pelo futuro de vosso obediente filho Borges. i^-A^Oá: A MINHA QUERIDA E EXTREWIOSft URA! D. TIIERESA IGNACIA DE MORAES BORGES. Os vossos e os meus mais ardentes desejos estão coroados. E eu, certamente, seria um filho ingrato e indigno de vós, si não vos offerecesse o frueto de mi- nhas locuhrações, e filha dos vossos dcsvellos; não, por certo, em retribuição do quanto vos devo, mas como a expressão mais intima e grata do eterno reco- nhecimento c profundo amor filial que vos consagro. Borges. ji IMS HIBEIMS 18MlHS, Exigua, mas sinccr#prova d'ainor fraternal. A MEUS PARENTES E AMIGOS. Meus amigos, recebei esta pequena offerenda, como exigua prova (Tamisade que vos consagro. A ILUSTRADA FACULDADE DE 1ÍEDICI11A DA BAHIA. Tributo a sciencia c ao mérito. Amisade e sympathia. Borges. SECÇÃO CIRÚRGICA. DISSERTAÇÃO. ÃO incontestáveis os progressos, que a sciencia dos partos, um dos ramos mais importantes e mais positi- vos da medicina, tem tido com o andar dos tempos. Parto é uma funcção, que consiste na expulsão na- tural, ou artificial de um feto vividouro e seus anexos atravez dos órgãos naturacs da geração. Chama-se natural ou espontâneo, o parto que se eífectua somente pelas forças da natureza. Artificial ou laborioso, o parto que necessita da intervenção da arte. Chama-se trabalho do parto a successão de phenomenos mais ou menos variáveis, que manifestão-se na mulher desde as primeiras con- trações uterinas até a retração completa do órgão depois da expulsão da placenta. Divide-se elle em trez epochas distinctas: a primeira comprehende todos os phenomenos que se observão desde o começo do trabalho até a dilatação completado collo do utero; onde principia a segunda epo- cha que termina com a expulsão do feto; a terceira comprehende o de- livramento. Dos diversos accidentes, que podem sobrevir a mulher durante o trabalho do parto, é sem duvida alguma, a hemorrhagia uterina um 2 dos mais freqüentes c dcsumma gravidade lanlo para o félo como para a mulher. Knfnulemospor hemorrhagia ulerina duranle o trabalho do pariu, um aceidcnle que sm!uv\cih a mulher duranle o parlo, caraelorisado por derramamento de sangue nos órfãos genitacs, proveniente dos pró- prios vasos d'elles, ou dos do cordão umbilical. Ella ]>odc se apresen- tarem qualquer uma das epochas de que se compõe o trabalho; as que se manifestão nas duas primeiras epochas são muito semelhantes em tudo que lhes diz respeito; porem estas diversitieão um pouco da que se observa na terceira epocha. Podíamos tratar separadamente década uma dellas em outros tantos capítulos dislinetos; mas, para evitarmos repetições, e não tornarmos este trabalho muito longo e fastidioso, somos obrigados a estudar con- junetamente cm um só capitulo no qual o leitor facilmente eomprehen- derá o que mais se refere a primeira, a segunda ou a terceira epocha. Foi este o ponto que escolhemos para a nossa dissertação, não certa- mente para alardear conhecimentos, pois que elle (trabalho) está bem longe da perfeição que era de desejar, e sim por causa de sua freqüên- cia, gravidade e utilidade. Mas, antes de entrarmos cm seu assumpfo propriamente dito, con- vém darmos uma ligeira exposição do aparelho circulatório do utero, para eomprehender-se mais facilmente a produção da hemorrhagia, e mesmo a sua freqüência. As artérias hypogastricas e as ovaricas, que accarretão o sangue necessário a nutrição do ulero e a do produeto da concepção, assim como os pequenos ramusculos arteriaes que durante o estado de vacuidade do órgão são quasi imperceptíveis, durante a prenhez estas artérias adquirem um volume extraordinário; ellas dila- tão-sc c ramificão-se infinitamente no tecido do órgão. O mesmo suc- cede com as veias, as quaes anastomasão-se entre si formando vastos ea- naes ou seios. Tal é o estado do aparelho vascular sangüíneo estando completo o desenvolvimento do utero, Claro fica, que as causas que congestionarem o utero podem dar em resultado hemorrhagias. Passa- remos agora a tratar do assumpto principal, o qual para mais simplifi- car-se será exposto da maneira seguinte: Etiologia, Symptomalologia, Diagnostico, Tratamento e Prognostico. 3 ipdsükjô3 DPJ]Dm Em pnsDioPDJKJOT^oj &È72J\m]]Ãm~Ê3 s espz- ©]ÍJÔJ\3, AS ©J\iJ2J\3 QUâ MAIO Jfflá©yS337E7íl2íil7E IJüíLU^J C.ujzas PREDisroNKNTr.s. As perturbações diversas que o estado de prenhez traz a circulação da mulher; as mudanças sobrevindas na estruetura do ulcro, que d1 alguma sorte tem-se tornado um verdadeiro centro flnxionario, predispõe poderosamente as hcmorrhagias. não só durante a prenhez, mas também durante o parto. Esse estado pletorico cm que se acha o utero c mesmo os órgãos vizinhos, deve necessaria- mente augmentar todas as vezes, que uma cauza (pialqucr obrando sobre a mulher vier ainda mais aclivar a sua circulação; d'essc nu- mero são: os partos anteriores acompanhados de perdas sangüíneas; o temperamento sangüíneo, as menstnumes abundantes. Ainda po- demos cnnumerar outras mais, como sejão : uma nutrição muito su- culenta e substancial; as repetidas vigílias; o abuzo dos excitantes; os revulsivos sobre as eslremidades inferiores; os banhos quentes, as mo- léstias do utero; o abuzo dos purgativos drásticos, os quaes pela irrita- ção muito viva que produzem sobro os intestinos, podem reagir sobre o utero; a applicação freqüente de sanguesugas na vulva, finalmente todas as circunstancias próprias a entreter um estado habitual de con- gestão para o utero. São essas as eauzas predisponcnlcs. que mais se relerem as duas primeiras epochas do trabalho: as que- dizem respeito a terceira, são a constituição forte, o temperamento sangüíneo; uma menstruação pre- coce c muito abundante, principalmente quando não se tem praticado nos últimos mezes da prenhez nem uma sangria preventiva; o tempe- ramento lymphatico o nervozo nas mulheres dilicadas, dotadas de pou- ca força muscular e de grande suseeptibilidade nervoza;cashemorrhu- gias abundantes nos partos antecedentes. Cuz.vs detkp.mi.wntes. As eati/as predisponentes antecedentemente cnnumeradas podem tornar-se determinantes, si a sua acção sobre a eco- nomia for prolongada. Mas, alem dV.sas existem outras lircumslancias que se podem dia- 4 mar eauzas determinantes accidentacs, as quaes podem obrar sobre a mulher physica ou moralmente. As phvsicas obrão directamenfe sobre o utero e pelo aballo que lhe communicão destroern as relações que existem entre elle (utero) e o producto da concepção: são d'este nu- mero as quedas sobre os pés, joelhos, ou nádegas; os esforços; a car- reira; o salto. As moraes obrão primeiramente sobre todo o organismo para ao depois reagirem sobre o utero, determinando um afluxo mais consi- derável do sangue, o enfarte dos vazos utero-placentarios e a ruptura delles; entre ellas, contamos um grande prazer, o susto; uma noticia dezagradavel; o desgosto. Para explicar-se o phenomeno tem-se apprezentado duas hypothe- scs. Ou o descollamento da plaeenta é que produzio a ruptura dos va- zos e portanto o derramamento de sangue; ou a ruptura d'elles c que precede a separação dVlla. E mais provável esta segunda hypothese, pois que facilmente se concebe, que dando-se a ruptura do vazo o sangue que se derrama augmentando, venha a separar a plaeenta. Alem d'estas eauzas que também tem grande influencia na produção da hemorrhagia na terceira epocha do trabalho do parto, podemos en- numerar mais: primeiro, todo e qualquer obstáculo a expulsão natural do feto; segundo, um trabalho muito rápido e um parto precipitado; terceiro, a distenção excessiva do utero; quarto, finalmente, as adheren- cias que podem existir entre o utero e os órgão vizinhos. No 1.° cazo, pela fadiga, cançasso e esgotamento das forças; no 2.°, pelo relaxa- mento e estupor das paredes do órgão; no 3.°, pela falta de contracti- lid.ule; e no i.<\ pelo obstáculo a retração do utero. Não se deve con- cluir que estas eauzas sejão sempre seguidas de hemorrhagias; e mes- mo a sua influencia não está sempre em relação com a sua violência e intensidade. Muitas vezes para que ellas obrem é necessário que da parte da mulher exista uma tal predisposição, que a cauza determinante vem despertar; essa predisposição é que as vezes influe maispudero- samente na produção do accideníe. Assim ha mulheres em que a menor contrariedade tem sido seguida de hemorrhagias assustadoras, e outras em quem as mais fortes violências nada produzem cm sua 5 Calzas espfxificas. Além d:ts eauzas gcraes do que acabamos de tratar, existem outras que se podem chamar especificas; das quaes as que são geralmente admittidas, são: o descollamento prematuro da plaeenta, a sua inserção no segmento inferior do utero; as rupturas d'cste; as rupturas da vagina, e de um dos vazos do cordão, ou do próprio cordão umbilical. Descollamento prematuro da placenta. Todas as vezes que o parto seguir uma marcha regular elle se termina sem que algum accidente grave o venha complicar, pois que as contrações suecedem-se umas as outras regular c normalmente até conseguirem o seu fim. Mas isto nem sempre sucede: as contrações podem tornar-se mais enérgicas e irregulares, e a retração rápida e violenta do utero dá cm resultado o' descollamento prematuro da plaeenta, e por conseguinte, o derra- mamento de sangue: o que se observa freqüentemente depois da ex- pulsão do primeiro feto, nos cazos de gêmeos, e na hydropizia do am- nios depois da sabida de uma grande quantidade de liquido: o utero passa então de um estado de ampliação exagerada a um volume muito mais circumscripto, que não está em relação com as dimensões do" feto, sobre o qual elle deve se applicar. Ruptura do utero. É um accidente muito raro; as eauzas que podem dar lugar são: contrações demaziadamente enérgicas; dislenção exces- siva do utero, como nos cazos de gêmeos e de hydropisia do am- nios; o enfraquecimento das paredes do utero, as lezões eauzadas por outras circumstancias, como sejão: pancadas, golpes, a má applicação dos ramos do forceps. Inserção da placenta no segmento inferior do utero. E esta uma das principaes eauzas da hemorrhagia. As variedades principaes da inserção anormal da placenta, são: a marginal, que é quando a pla- centa se insere perto da circuniferencia do orifício uterino; incompleta ou parcial quando cila cobre parte d'este orifício; completa ou central quando o cobre totalmente; e intra-cervical, quando o ôvo se insere na cavidade mesmo do collo do utero. Para explicar-se a produção do accidente tem-se admittido varias hypothescs, das quaes a que nos parece mais acertada é a seguinte: achando-se a placenta inserida jus- tamente nessa porção do utero, (pie nos últimos mezes da prenhez e mesmo durante o parlo, parteeipa de um desenvolvimento rápido, es- 6 tando o da placenta já completo, está claro que ella não podendo então acompanhar a distensão rápida das partes em que se acha adhercnte, desprende-se do centro para a circumferencia, as adhcrcncias vem a romper-se, e d'ahi a produção da hemorrhagia. Ruptura da vacina. É uma das mais raras; todavia tem-se obser- vado nos cazos de dimensão excessiva do feto, c na má applicaeão do forceps. Ruptura de um dos vazos do cordão, ou do próprio cordão umbilical. Este accidente pode depender, ou da pequenhez da haste umbilical, quer ella seja natural ou accidcntal; ou da má distribuição dos vazos que constituem o cordão; ou de alguma doença das túnicas vasculares. SYftlPTORIATOEiOGIA. ©o 51Jj1T>TQJJ\Ao DA HSMDanHAQlA UTEn^A 3A® ©S&A23 E LQSAS3. Symptomas geraes. A hemorrhagia ulerina manifesta-se muitas ve- zes de uma maneira brusca c repentina, como suecede nos casos em que ella sobrevem em conseqüência d'acção violenta d'uma causa ex- terna ; e a presença do sangue é o primeiro phenomeno que se observa. >tlas cm alguns casos ella é precedida de prodromos: os que mais se observão, são: uma dor obluza e gravativa nos lombos, nas virilhas e na parte superior das coixas, dor essa que augmenta com a estação c com os esforços de urinar c deffccar; pezo e entorpecimento na ba- cia, fraqueza geral ; um estado de displicência. Phenomenos estes que de alguma sorte denuncião uma plctora local uterina, e que acompa- nhão-se muitas vezes de symptomas de plctora geral, como sejão fre- qüência e plenitude do pulso, cephalalgia, vertigens, escurceimento da vista, tenidos nos ouvidos. As perturbações geraes tendo durado por algum tempo, os movimentos activos do feto podem tornar-se mais fracos e mais raros, podem mesmo deixar de ser percebidos pela mu- lher. Estes phenomenos precursores cuja duração pode ser de poucas horas, são seguidos ao depois de symptomas geraes das hemorrhagias, cuja intensidade varia, segundo a abundância e mesmo a rapidez da perd . e . fc,va de mulher. D'entre elles os que mais freqüentemente oe uwoci-w buo os seguintes: diversas perturbações da vista, do ouvi- 7 do ; frio nas extremidades; fraqueza do pulso; pallidez da face ; e syn- COpa.s. Symptomas locaes. A presença de sangue é por si só um symptoma bastante para caracterisar uma hemorrhagia uterina; mas em certas circuinstancias, elle pode não se apresentar, e entretanto ella existe: no primeiro caso a perda é externa, c no segundo interna, Nas perdas internas, os symptomas que mais freqüentemente se ob- servão, são: além dos geraes já mencionadas, o desenvolvimento ra< pido do ventre, a resistência maior do globo ulerino, sua forma irre- gular, um sentimento de pezo na bacia e muitas vezes a cessação dos movimentos do félo. O lugar em que se derrama o sangue deve necessariamente variar, conforme o ponto do aparelho vascular que é a origem da hemorrha- gia. Assim elle pode-se derramar no tecido mesmo da placenta.; cons- tituindo o que se chama apoplexia placcnlaria; entre as diversas folhas da bolsa amniolica; no interior do amnios; entre a face interna da placenta e a correspondente do utero; na cavidade do peritonéo, nos casos de ruptura do utero ; c no exterior. Depois da expulsão do félo, o sangue pode se derramar dentro do utero todas as vezes que houver um obstáculo a sua sabida ; o ventre toma então um desenvolvimento rápido e torna-se bastante mollc o ftacido ; a face pallida ; o pulso pequeno ; syncopas, c outros sympto- mas geraes mais graves ainda. DIAGNOSTICO. Perda externa. É tão raro nos últimos mezes da prenhez apresen- tar-se a menstruação, que podemos considerar todo e qualquer corri- mento de sangue pela vulva, não só antes, mas lambem durante o tra- balho do parlo, como um accidente que é preciso combatter-se. Essa questão (do diagnostico) torna-se tanto mais importante, (em relação ao prognostico e ao tratamento,) quanto, as mais das vezes é dilíicil reconhecer-se a cauza que promove a hemorrhagia. Portanto convém muito agora indicarmos alguns signaes por meio dos quaes se !>ode reconhecer a inserção anormal da placenta, por ser ella uma das eauzas mais poderosas na produção da hemorrhagia de que tratamos-. Elles sodestinguem cm raeionaes c sensíveis; estes são fornecidos pelo lado; aquelles se referem ao desenvolvimento do accidente e as cir- cumstancias (pie o accompanhão. O collo do utero estando sufiicicnte- menle dilatado, o dedo encontra coágulos adherentes a um tumor car- pudo, molle, anfractuoso, de aparência polposa, situado no fundo da vagina; extrahindo-sc os coágulos a perda augmenta; querendo-sc circumscrevero tumor, o dedo encontra o orifício do utero que o abra- ça superiormente, e que pode estar inteira ou parcialmente adherente a elle. Distingue-se d'um coagulo por que este é em geral muito menos re- sistente, mais friavel e mais movei do que a maça da placenta, que custa mais a mudar de posição e mesmo a separar-se parte d'cila. A vista do que temos dito, e tendo-se em consideração os comme- morativos da doente e os symptomas geraes, facilmente se distinguira a inserção viciosa da placenta dos tumores cancerosos, fungosos, vege- tações syphiliticas, e polypos. Mas nem sempre se encontra esse tumor no fundo da vagina, o que suecede quando a inserção vicioza se faz em um ponto afastado do collo, peste caso é necessário que o dedo penetre o collo, e percorrendo-se então toda a parte visinha do orificio interno encontra-se em um dos lados as membranas mais espessas que do custume, sobretudo um epi- chorion mais molle e bastante espesso. Si o collo não estiver sufficienleinente dilatado, de maneira a per- mittir a introdução do dedo, ainda podemos reconhecer qual é a cauza da perda. Nestes cazos a hemorrhagia geralmente aparece espontanea- mente, sem cauza apreciável e sem phenomenos precursores. Si as membranas ainda estiverem intactas, a perda augmenta constante- mente durante as contrações, e diminuem no seu intcrvallo; porque as contrações produzindo a dilatação do collo destroem cada vez mais as adhcrencias vasculares multiplicando assim as origens da hemorrha-ia Mas não suecede o mesmo depois da ruptura das membrana se sabida das agoas, por cauza da cabeça do feto que impede d'alguma sorte a sah.da do sangue. Quando a inserção é central não ha formação da bolsa das agoas; e nos outros cazos o dedo pode encontral-a mais ou pienos, porque um só lado do orificio é oecupado pelo bordo da pia- 9 Perda interna. Em geral podemos dizer, que todas as vezes, que a hemorrhagia fizer receiar pela vida da mulher, ella será falcimente reconhecida. A principio são os phenomenos geraes que accompanhão todas as perdas que dispertão a attenção do medico; ao depois o de- senvolvimento rápido do ventre; c muitas vezes a sua forma irregular. É necessário não confundir este augmento do ventre com aquelle que é determinado por outras eauzas: assim a tympanite e a hydropisia podem produzir o mesmo effeito; mas na tympanite a sonoridade é manifesta; e na hydropisia o crescimento do ventre é muito lento; além d'isso, nestes cazos não se observão os phenomenos geraes das hemorrhagias. O desenvolvimento do ventre pode ser também cauzado pela bexiga cheia de urina, o que facilmente se distinguira praticando o cathe- terismo, e pela auzencia dos phenomenos geraes. A estes signaes devemos ajuntar a syncopa que é de grande vallor, principalmente vindo ella reunida a uma fraqueza geral, e a suspensão das dores. TRATAMENTO. ©3 DüaiE0®3 ©Ü52 SETSBS1 EIKlPaSQASQ ©QTüTSRa AM53fl9HH3ílJ\©]A UTSJltfüA Q2 DWWEM EBS1 P&EWETirTWSJo S ©DJÍ&TN-Ó3* Tratamento preventivo. Os meios prophylaticos são tão numerosos como as causas predisponcnles. Assim as mulheres fracas, cacheticas, nas quaes a face é pallida, o pulso molle c pequeno, devem ser sub- mettidas a um regimen tônico e reparador. As pletoricas, as que sao abundantemente regradas devem se sugeitar a um regimen pouco substancial e sangrarem-se algumas vezes durante a prenhez. Todas as excitações phvsicas e moraes, como as carreiras, os esforços, os abai- los, os banhos quentes, as vigílias, finalmente todas as eauzas predis- ponentes devem ser evitadas. São esses os meios mais geralmente empregados quando quizermos prevenir a hemorrhagia que pode se manifestar nas duas primeiras epochas do trabalho e mesmo na ter- ceira; mas para esta é necessário mais, por ex: despertar a contracti- lidade do utero por meio de fricções e pressões feitas no exterior, du- 10 ranlo o trabalho, se a mulher for de temperamento lymphatico, de constituição fraca e delicada, principalmente tendo tido perdas nos partos anteriores. ()ppor-se o mais que for possível a uma terminação prompta do trabalho, principalmente nas mulheres lymphalicas e ncr- vozas; accellerar pelo contrario, ajudar a natureza enfraquecida, quan- do o trabalho for muito lento. Mas, si não obstante os meios empregados, a expulsão do feto for muito rápida, deixaremos a placenta no utero, até que novas contra- ções appareção, porque ella não estando descollada, ou mesmo es- tando pouco, oppõc a perda durante a inércia do utero. Porém quando a expulsão do feto tiver sido lenta c a placenta estiver em grande parle descollada, praticaremos o dclivramento o mais cedo possível. Tratamento curativo. ISmnerozos são os meios curativos empre- gados para combater a hemorrhagia uterina; e como uns são empre- gados em todos os cazos c outros não, dividiremos elles cm geraes e espeeiaes. Meios curativos geraes. Estes são applicados em todos os cazos de hemorrhaga. Assim depois de lermos collocado a mulher n uma posição conveniente, em uma sala um pouco vasta e arejada; recom- mendando-se ao mesmo tempo o ropouzo c o silencio, e animando-se a doente acerca de seu estado, administraremos as bebidas frias aci- duladas com xarope de limão, cidra, flores de larangeira. Alguns clys- teres, purgalivos brandos afim de evitar os esforços que podem aug- mentar a perda; pralicar-se-ha o calhelcrismo si houver diíiiculdade de urinar Meios curativos especiaes. As indicações a preencher varião ainda, segundo a intensidade do accidente e o grão de dilatacão do collo do utero. Si o sangue escorrer-se em pequena quantidade, estando-se certo de que elle nao se está acumulando no interior do órgão; estando o collo pouco dilatado, e a mulher aprezentando phenomenos de plctora em- pregaremos a sangria do braço, que obra no mesmo tempo como rc- vulsivo e ant.fiogistico; convém ter muita canteira no seu emprego e nao devemos por maneira alguma nos esquecer dos meios ^eraes antecedentemente descriptos que as mais das vezes são sufficicnles. Porem st o collo do utero já estiver bem dilatado ou de tal sorte 11 amollccido e as membranas intactas, sendo pequena a hemorrhagia (■ouvem rompc-las, porque a retração que se segue basta para sus- pende-la: si a perda continuar, si o trabalho for se prolongando c as contrações tornarem-se mais fracas e raras ou mais demoradas, é ne- cessário desperta-las pela administração do centeio espigado. Este heróico medicamento tem sido aconselhado não só para prevenir a hemorrhagia nas mulheres que pela sua constituição e seus antece- dentes parecem ser inevitavelmente accommcttidas, mas também como meio curativo. iNão obstante as vantagens que dellc se tem obtido, as quaes são incontestáveis, assim mesmo tem tido muitos contraditores. Si a hemorrhagia for abundante, e o collo do utero estiver pouco dilatado ou não estiver dilatado, ou mesmo não for dilalavel, uzaremos não só dos meios já mencionados, como lambem dos refrigerantes: assim applicarcmos compressas embebidas cm um liquido bastante frio sobre a parte superior das coixas, sobre o hypogastrio e rins ; mas o seu uzo não deve ser muito prolongado. Os refrigerantes são contra-indicados, quando a pelle estiver fria, o pulso pequeno c fraco, e quando a abundância da perda já tiver enfraquecido a doente; neste caza uzaremos dos revulsivos applicados sobre as partes superiores. Mas, si depois de termos empregado o centeio espigado, termos mesmo rompido as membranas, a perda continuar c o estado do collo não permittir a introdução da mão, applicarcmos a rolha exercendo ao mesmo tempo uma compressão sobre a parede abdominal anterior, afim de prevenir o accumulo de sangue no interior do órgão. A rolha pode ser feita de pannos, fios, estopa c de esponja; substancias essas que podem ser applicadas simplesmente, ou molhadas em vinagre. Os cazos em (pie mais freqüentemente se emprega a rolha, são: nas he- morrhagias provenientes da vagina; na do collo do utero, estando o trabalho cm principio; na inserção central da placenta; quando for im- possível praticar-se o parlo forçado; quando a dilatação do collo não permittir romper-se as membranas. \nles de recorrermos aos meios extremos devemos tentar a dilata- rão do collo por meio dos dedos, com toda a prudência, e romper ao depois as membranas. Continuando a hemorrhagia e as contrações íomanxo-se traças e 12 raras é necessário exlrahir-se o félo. Então segundo o estado do collo e o grão de adiantamento do trabalho, empregaremos o forceps, ou praticaremos a versão. Si for a inserção anormal da placenta a causa da hemorrhagia, o parteiro deve tratar de extrahir logo o feto por meio da versão,, e es- ta operação é feita com toda a presteza, afim de não interromper-se a circulação. Si for a ruptura do utero a cauza, elle deve tentar extrahir o feto pelas vias naturaes, ou com o forceps, ou por meio da versão; quando absolutamente não lhe for possível, é que elle praticará a operação Cezaria ou o desbridamento. Meios curativos especiaes na terceira epocha do trabalho. De- vemos promover quanto for possível as contrações uterinas; friecio- nar, apertar e comprimir vivamente as paredes uterinas com a mão le- vada a parede abdominal; excitar mesmo o collo do utero com os de- dos da outra mão; si isto não for sufliciente, introduz-se toda a mão na cavidade do órgão, cstimula-se a superfície interna, continuando a friecionar o ventre com a outra mão, comprimindo mesmo o utero en- tre cilas. Si estes meios, dos quaes jamais devemos nos esquecer, não bastarem, recorremos aos refrigerantes: assim compressas bem frias devem ser applieadas sobre o abdômen, órgãos genitaes e parte supe- rior das coixas: tem-se injectado mesmo agoa fria, e levado pedaços de gel Io dentro do utero. Estes meios não devem ser applicados por muito tempo, pois que depois de alguns minutos tornão-se inúteis, algumas vezes prejudiciaes, precipitando a doente a um torpor que pode ser mortal, e expondo mesmo a uma reação inflamatoria. Alguns padeiros aconselhão tam - bem levar-se a cavidade do utero um limão descascado e espremel-o; ou uma esponja embebida em vinagre, tendo antecedentemente atado a uma fita, que é para extrahir-se logo que for necessário. Com tudo, as vezes a hemorrhagia é tão rebelde, que se vê todos esses meios falharem; nesse caso ainda podemos recorrer a rolha, a compressão immcdiata feita pelo aproxhnamento das paredes do utero; a compressão da orta abdominal; ao centeio espigado; ao ópio e final- mente a transfusão. Rolha. Tendo já dito alguma cousa a seu respeito, aqui apenas ac- 13 crcscenlaremos que o meio mais simples de se applicar, é o seguinte: tomão-se algumas bollas de fio, atão-se umas as outras por meio d\im fio ou fita e introduz-se uma por uma na vagina; tendo o cuidado de que a primeira toque o collo do utero; tudo isto é sustentado por uma compressa e uma atadura. Sendo ella convenientemente applicada, e ajuntando-se a isso a com- pressão abdominal, feita por meio de compressas e uma atadura en- rolada ou mesmo uma toalha, é um meio de que se tem tirado opti- mos resultados. Nos casos de inércia do utero, a rolha não só impede o escoamenlo de sangue e determina a sua coagulação, como também excita a su- perfície interna do utero e produz a retração dos vasos. ♦ ApproximaçÃo das paredes do utero pela compressão immediata. E um optimo meio, é muito simples e fácil. Applica-se uma sobre a ou- tra, as paredes do utero por meio d'um ou dous guardanapos dobrados sobre si mesmo, collocados sobre o hypogastrio e sustentados por uma larga atadura bastante apertada. Compressão d\\rteria aorta. Para praticar-se essa compressão, man- da se a mulher dobrar as partes inferiores e superiores sobre a bacia, deprime-se com os dedos d'uma das mãos a parede abdominal imme- diatamente a cima do fundo do utero: descobre-se os batimentos da artéria, comprime-se o trata-se de despertar as contrações uterinas, afim de produzir a retração desejada. A perda sendo bastante abundante, convém prolongar-se a compres- são d'arteria por algum tempo, mesmo depois de detida a hemorrhagia; pois ella impede a chegada da maior parte de sangue para o utero e membros inferiores; favorecendo ao mesmo tempo a sua maior des ■ tribuição para o cérebro e medulla allongada. Introdução d'uma bexiga de porco dentro do utero. Este meio deve ser inteiramente banido da sciencia, pois que elle não oftéresse utilida- de alguma. Centeio espig vdo. Tendo nós já tratado toste heróico medicamento, aqui apenas diremos que a forma a mais fácil e mais prompta de ap- plicar-se consiste em dissolver em um pouco d'agua assucarada meia oitava de centeio espigado, em pó, dividida cm seis papeis iguacs. que se toma um de dez em dez minutos. 14 Ópio. Não podemos afiançar que este medicamento por si só seja capaz de combatter a inércia do utero, porque elle tem sitio emprega- do juntamente com os meios geraes. Transfusão. É o ultimo recurso de que nos servimos. Na pratica da transfusão é preciso escolher-se um sangue rico, fornecido por um indi- víduo bem constituído e robusto; o sangue será injetado em natureza, com todos os seus elementos. Para praticar-se a transfusão, colloca-se a principio uma ligadura sobre o braço da doente, como na phlebotomia, descobre-se por meio d'uma incisão longitudinal o vaso que for mais apparente, isola-se c ., levanta-se por meio dum fio; segura-se com a pinça, divide-se obli- quamente debaixo para cima na metade de seu diâmetro, de maneira a formar um retalho em forma de V: recebido então o sangue em uma porcelana na temperatura de 25 gráos centígrados, deita-se em uma seringa de hydrocele, que deve ter a mesma temperatura; expelle-se d'ella todo o ar que pode conter, introduz se a canula da seringa por baixo do pequeno retalho c faz-se a injecção com todo o cuidado; fecha- se ao depois a ferida. Tem-se d'essa maneira injectado até 4o0 grammas de sangue. Essa operação tem sido muito empregada em Inglaterra e nos parece que é onde ella tem tido mais suecessos, entre nós não nos consta ter sido praticada nem uma só vez. Terminando o parto e detida a hemorrhagia, convém applicar-se sobre o ventre alguns pannos embebidos em vinagre ou mesmo álcool e mantel-os por uma larga atadura bem apertada. Recommendar o repouso, o silencio; e combatter alguns accidcnles que podem sobrevir, e reparar as perdas do organismo por uma ali- mentação apropriada ao caso. PHOGIVOSTICO. Em geral a hemorrhagia uterina será tanto mais grave, não só para a mulher, como para o feto quanto menos adiantado estiver o traba- lho do parto; e será mais grave ainda se a mulher for primipara; tanto mais quanto maior for a quantidade de sangue. A hemorrhagia que é devida a implantação da placenta sobre o se"- 15 menlo inferior do utero é uma das mais graves, tanto para a mulher como para o feto, para a primeira, porque tendo-se manifestado muitas vezes durante a prenhez, ella vem reproduzir-sc no trabalho, e neces- sita as mais das vezes da intervenção da arte; grave para o feto, por- que esta intervenção quasi sempre é perigoza e a interrupção da cir- culação que rezulta do descollamento, expõe a uma asphyxia rápida. Dentre as insersões anormaes, a central expõe as hemorrhagias mais abundantes que as marginaes; naquella pode suceeder que a placenta se descolle inteiramente, c seja expellida muito antes do feto, que neste caso corre grande risco. A hemorrhagia interna é em geral mais grave que a externa, por- que quasi sempre ella passa desapercebida no principio. É menos grave antes que depois da ruptura das membranas. E gravemente mortal a que é devida a ruptura do utero. E muito grave para o feto a que provem do cordão umbilical. A que se declara depois da expulsão do feto, é bastante grave, e dentre os symptomas, os que denuncião um perigo eminente, são: os callafrios violentos, as convulsões, as syneopas prolongada* e a dyspnéa. SECÇÃO ACCESSORIA. SM) HiBtfDMf? S SIE M MDTOEflíM» PROPOSIÇÕES. |»—Aborto é a expulsão do feto antes que seja viável. 2.a—4 epocha da viabilidade do feto, começa do fim do sexto mez, até o termo da gestação. 3.a—o aborto é muito mais freqüente nos trez primeiros mezes da gestação. 4..»—0 aborto pode ser natural, accidental e provocado. 5.a—É natural quando depende do estado geral e do habito d a mulher, das moléstias do ôvo, do estado do utero e seus annexos. O.a—O aborto accidental é o rezultado de emoções vivas, aball-, exercícios, fadigas &c. 7.a__o aborto provocado é determinado pela acção de meios me- chanicos sobre o utero, e pelos meios therapeuticos. 8.a__às suas eauzas se dividem em predisponentes, occazionaes e meios abortivos propriamente ditos. 9.»—Os meios mais frequentemeute empregados para produzir o aborto, são: as sangrias repetidas, os drásticos enérgicos, a sabina, a arruda, 0 centeio espigado, o assafrão, a esponja preparada e a per- furação das membranas. 10.—De todos elles o mais seguro é sem duvida alguma a perfuração das membranas. 18 11.—O exame da mulher e do producto da concepção, e um in- terrogatório eircumspecto sobre as circumstancias que precederão e acompanharão o fato, podem decidir o primeiro quisito. lá.—0 conhecimento da epocha em que se deo o facto, e a epocha em que é feito o exame, influem consideravelmente sobre o seu re- sultado, 13. Os vestígios de sangrias geraes e locaese o emprego das drogas já mencionadas, é de grande recurso em nossas pesquizas. H.—Os vestígios de um instrumento mechanico sobre o utero, e principalmente sobre o feto, é a prova mais evidente da provocação do aborto. EDH1 itjite i ywmn. frofosb^ces. 1."—Desde Virgílio que empregava a palavra vírus como synonima de peçonha, até hoje, essas palavras tem recebido interpretações muito diversas. 2.a—As difinições apresentadas por Behicr c Hardy e acceilas por Bouchut são as mais satisfactorias. 3."—Os virus são muito numerosos e o futuro infelizmente nos mos- trará novas moléstias virulentas. 4.»—As matérias que o encerrão podem ser sólidas, líquidas e ga- zozas: d'ahi a divisão d'elles cm fixos e voláteis. 5.a—Q virus é uma produção mórbida; é um facto inteiramente accidental e pathologico. 6.a—A peçonha é uma secreção própria a certos animaes; é um facto continuo e physiologico. 7.a__A peçonha manifesta rapidamente os seus etícitos; e os virus necessitão d um tempo mais ou menos longo. 8.»—O tempo que vai desde a introducção do virus na economia até a manifestação dos primeiros symptomas, que elles determinão, é chamado incubacão, durante o qual se diz que o virus germina. 9.a—A incubacão é mais oa menos longa, como já foi dito, o que depende não só do virus mesmo, como também do indivíduo submet- tido a sua acção. 20 10.__0 virus pode-se reproduzir por uma elaboração mórbida o transmittir-se a outros indivíduos. U.—A peçonha limita os seus efTeitos ao indivíduo que é atacado ou que a recebe. 12.—A acção do virus sobre a economia se faz por contacto dirccto e indirecto. 13.—A peçonha só pode obrar directamente. li.—É necessário da parte do indivíduo uma predisposição para que o virus manifeste os seus efteitos. SECÇÃO CIRÚRGICA. ©Ml (D Mim SBffilM, IMS MDjSTPTO S Iffi BKREI- STO M(D M IP]BÍ)HI5-C*§€0< FP.OFCSIÇOE5. 1 .a—Chama-se parto prematuro, o parto que tem lugar antes do termo ordinário da prenhez, porem em epocha da viabilidade. 2.a—É no fim do 7.° mez que geralmente provoca-se o parto pre- maturo. 3.a—Os processos, para isso empregados, são muito numerosos. 4.a—Uns obrão mechanica e directamente sobre o utero, e outros obrão indirectamente. 5.»—Os primeiros são os mais seguros e mais promptos; é a elles que devemos recorrer sempre que for necessário. 6.a—Os mais geralmente conhecidos, são: as fricções sobre o fun- do e collo do utero; o descollamento do segmento inferior do ovo; a perfuração das membranas ; e as injecções. 7_a__As fricções sobre o fundo e o collo do utero, e o descollamento do segmento inferior do ovo quasi que estão abandonados hoje, pois que o seu resultado é muito incerto. 8.a__A perfuração das membranas, modificada por M. Meisner, é um processo seguro, e prompto, porem não deixa deter seus inconve- nientes. 9.a_o processo deKluge modificado por Cazeaux, assim como o do Dr. Sehoeller, oíTerecem bons resultados, mas nem sempre são prati- caveis. 22 10.—0 processo de Kiwish ofterece grande segurança, promptidão e é o mais inofensivo e que mais imita a natureza. 11.—Consiste em dirigir sobre o collo uterino banhos d'agoa quente por meio d'um aparelho apropriado. lá.—A sua acção pode ser graduada a vontade do parteiro, não só em relação a duração do banho e a sua temperatura; como também no que diz respeito ao jorro d'agoa e a sua direção sobre o collo do utero. I. Vita brevis, ars longa, occasio praeceps, experientia fallax, judicium difflcile. II. (Sec .1." Âph. l.°) Ad extremos morbos, extrema remedia exquisite optima. (Sec. 1.» Aph. 2.°) III. Mulier in utero gerens, seetâ venâ, abortit, et magis, si major fue- rit fcetus. (Sec.b.*Aph.3i.°) IV. Mulier in utero gerenti, si alvus multum fluxerit, periculum m abortiat. (Sec. l.a Aph. 34.°; V. Somnus vigília utraque modum excedentia, malum. (Sec. 2.a Aph. 3.°) VI. In morbis acutis, extremarum partium frigus, malum. (Sec. 7.a Aph. i.°) 15AHIA—Typ. Poggetti de Tourinlio, & C.8—1864. ^/vemetíic/a ei féomtnúSão êtbeviáolei. £vane'a e &actíu/ae/c t/c tsmec/tcena aCe/e ££/ife?nvto e/e lêcí-j. otctelaúo tutcttttc 0ec/íctna fí e/e fluSa/to e/e /éfá. £$*. Ma/i/ú/a, 2)it«ctot.