DA PHARMACODYNAMICA DOS ALCALINOS (Com um estudo pathogenico, clinico e therapeutico da acidose) PELO Dr. Renato de Souza Lopes LIVRARIA EDITORA DE Leite Ribeiro & Maurillo 3, RUA SANTO ANTONIO, 3 RIO DE JANEIRO 1920 Ba pharmacodynaniica dos alcalinos «The right working of physio- logical processes depends upon aocu- rate adjustement and prçservátion of physico-chemical conuitions wifhin the organism ». L. Henderson - 8 th Interna- tional Physiological Congress. Vien- na, September, 1910. E' da perfeita coordenação dos processos physioo-* chimicos que depende a estabilidade dà temperatura, da concentração molecular e da reacção dos liquidos e te- cidos do organismo. Subordina-se este ultimo predicado, que particularmente importa á nossa these, ao conflicto de ácidos e bases, do qual resulta a condição propiciai para o bom acommettimento dais funcções organicas, já nas vias digestivas, onde se desintegram! e se solubilizam os alimentos, já no sangue e nos tecidos, onde se proces- sam as trocas nutritivas, já nas vias urinarias e sudorípa- ras, através das quaes correm os detritos do trabalho physiologico. Realmente decisivo é o papel dos ácidos e das bases na economia animal, assim no meio interno cujas reacções influenciam, como no momento da digestão, da qual em se apartando, occasionam, de regra, o en- fraquecimento e até a suppressão do poder diastasico dos chamados catalysadores orgânicos, que outra coisa não são, os fermentos solúveis, agentes biologicos por excellencia, enzymas-substancias para a escola de Fischer, Ostwald, Duclaux, ou enzymas-forças, na hypothese de Jager, bri- lhantemente sustentada por Wittisch e Arthus, e ainda ha 4 pouco por Achalm(e (1), comquanto escarnecida por Pozzi- Escot (2). Para assegurar o equilíbrio dòs ácidos e das bases no organismo vivo, impõe-se o conhecimento das fontes suppridoras, exógenas e endógenas, as modificações reci- procas que suscitam taes substancias e, finalmente, a eli- minação d'ellas pelos emunctorios. De origem exógena deparam-se ao organismo as bases e ácidos contidos nos alimentos e eventualmente nas aguas mneraes e nos me- dicamentos. filiando-se a producção endógena nos proces- sos metabólicos e fermentativos dos princípios immedia- tos, no curso dos quaes abundam ácidos, como o carbó- nico, phosphorico, láctico, sulfurico, alcalis, colmõ a am- monia, e substancias amphigenas como os albuminoides e ácidos aminados. Effectua-se a eliminação dos ácidos e das bases por vias diversas, seja pelo pulmão, por onde se escapam ácidos voláteis, como o carbonico, ou pelos rins, através dos quaes se escoam os ácidos fixos e as demasias de bases, seja, em menor escala, pelos intestinos, que excretam também acido phosphorico, ou pela pelle, mercê de suas glandulas sudoríparas e sebaceas. Em relação aos ácidos é univoco o conceito, quer se encarem elles pela antiga escola que os definia peta ca- pacidade de substituição de seu hydrogenio por um ra- dical electro-positivo, quer se apreciem em face da mo- derna concepção de Arrhenius, que os define pela liber- tação de iontes H, sob a influencia do solvente. Já, po- rém, no que diz aos alcalinos varia o conceito, segundo considerados á luz da chimica ou da therapeutica. A par dos saes originários dos metaes alcalinos, assim o po- tássio, c sodio, o cesio, o lithio, avérba a chimica sob tal rubrica, as bases livres, não saturadas, cujo oxydrilio se pode trocar por um radical electro-negativo, ou, para di- zer ao compasso dos modernos, corpos que, em solução, manifestam livres iontes O H. São estas as substancias que mais interessam ao nosso estúdio, porque é da pro- visão d'ellas que se socoorre o organismo tbída vez que 5 avulta a producção acida endógena ou exógena. No que respeita á pharmacologia dleve, comtudo, ser accrescenta- do ao estudo d'esses alcalinos o de outros corpos que, com- quanto nâo frúam taes attributos básicos, sinão mesmo originariamente de funcção acida ou neutra, podem, en- tretanto, transmudar-se no organismo em substancias que, dissolvidas, libertem o oxydrilio, com a subsequente fa- culdade de neutralizar iontes ácidos. Assim1, portanto, si em chimica não poderemos inscrever como alcalinos o< ci- trato, o lactato ou outro sal orgânico congenere, já que carecem de poder básico, não deixará a pharmacotherapia de attentar nesses agentes, a titulo de alcalificantes, por se transformarem elles em carbonatos alcalinos em vir- tude dos processos de oxydação que soffrem1 na economia. Bem menor que a dos alcalinos é a extensão do; emprego dos ácidos com o fim de corrigir a carência da acidez organica, que tende antes a demasiar-se nos des- vios do metabolismo. E', de facto, a alcalinidade que so- breleva na composição normal do organismo.', emprestando reacção basica á maioria de seus humores^ á excepção ape- nas do sueco gástrico e dos productos normaes de ex- creção, como a urina e frequentemente o suor. AGENTES DA MEDICAÇÃO ALCALINA E' a reacção do meio orgânico tributaria dos ali- mentos, que, providos de substancias acidogenicas e al- caligenicas, asseguram a justa proporção de iontes H e OH, necessária ás reacções ionicas, d'entre as quaes pre- ponderam as de natureza catalytica. Rompa-se, porém, esse equilíbrio por motivo de inconveniente seleCção dos ali- mentos ou pela incidência de causas pathologicas, e se fará mister recorrer a medicamentos alcalificantes ou aci- dificantes, assim se tenha em vista o excesso de ácidos 6 ou de bases. Como, porém, prevalecem os ácidos nos pro- ductos residuaes do metabolismo, prima em importância o preservar as reservas basicas da economia. E a tantQ) se propõe a medicação alcalina, cujos agentes serão es- tudados antes dos alimentos e das aguas mineraes, ca- pazes egualmente de influenciar a reaoção do organismo, visto que com similhante traça melhor se poderá exami- nar a funcção dos corpos definidos que actuam na emer- gencia. Só depois de bosquejadas as condições do meio que vai ser theatro da acção, se cuidará dos effeitos phar- macodynamicos dos alcalinos. Medicamentos Attenta a sede de sua acção, dividem'-se os alcalifi- cantes em directos e indirectos. Entre aquelles, que po- dem ser solúveis ou insolúveis, ficam incluídos os oxydos, os hydratos e os carbonatos alcalinos e alcalino-terrosos. Como alcalificantes indirectos se alistam certos saes or- gânicos, taes os citratos, tartaratos, m!alatos, lactatos, os quaes, como já se disse, se oxydam na economia, conver- tendo-se em carbonato alcalino. Si estes só propiciam a procurada acção basica no sangue, e nos tecidos, os al- calificantes directos destinam-se indifferen tem ente á sa- turação no meio gastro-intestinal e no meio sanguíneo. ALC ALIPICANTES DlRECTOS Dotados de forte electro-affinidade, os metaes alca- linos originam saes mui dissociáveis e facilmente solúveis, crescendo a electro-affinidade com o peso atomico. Por isso é que os compostos de cesio são os mais solúveis, emquanto os de lithio dão logar já a um carbonato e| es- pecialmente um phosphato de solubilidade difficil. Muito 7 importa essa noção á pharmacodynamica, porque, depois de neutralizados os ácidos, os saes dos metaes alcalinos são absorvidos e influenciam a reacção sanguinea, ao pas- so que os dos metaes alcalino-terrosos, menos solúveis, por motivo da menor electro-affinidade, podem, como ve- remos, limitar os seus effeitos ao conteúdo das vias di- gestivas. Postos á margem os oxydos dos metaes alcalinos, alheios á pharmacologia, serão estudíados os demais com- postos, cuja acção pharmacodynamica será opportunamen- te apreciada. Os h yd ratos de potássio (KOH) e de sodio (NaOH), por desorganizarem os tecidos animaes, só valem comoí cáusticos. Exerce o oxydo de cálcio (Ca O) a mesma irritação sobre os tecidos e, associado á potassa caustica, cuja acção regulariza, é usado com o nome de cáustico de Filhos, na proporção de uma parte de cal para cinco de potassa, e de cáustico de Vienna quando as proporções se apre- sentam respectivamente de seis para cinco. Com a agua combina-se o oxydo de cafcio formando o hydrato, Ca (OH)2, no qual muito se esmorecem as propriedades irritantes d'aquelle composto. Ainda que pouco solúvel, soffre o hydrato dissolvido completa dissociação electro- lytica, tal como o attesta a conductibilidade electrica dos solutos : C a (0 H)2 Ca + 2 0 H. E' por isso que o hydrato de cálcio é uma base' forte, comquanto a sua pouca solubiliddde, offerecendo uma fra- ca concentração de iontes OH, não permitta obter o ef- feito neutralizante em larga escala, sinão com grandes quantidades de seu soluto, chamado agua de cal. Contendo esta 1,30 grs.de cal por litro, o proprio leite, na reaílidaj de, com 1,70 grs., sobrepuja-a na quantidade da mesma substancia (Bunge, 3). O hydrato de anunonio (Az H40H) não é aprovei- tado por via de regra como alcalificante, sinão como re- 8 vulsivo, em applicação externa, e como estimulante dif- fusivo, em uso interno. Sobram, com effeitp, agentes me- dicamentosos que, desfructando aquella acção, se forram ás propriedades irritantes da ammonia AzEP que, ao de- mais, em solução n'agua é de fraca dissociação electrolytica : + - AzH4OH AzH4+OH, com prevalência do systema da esquerda. E', porém, o seu anhydrido AzH3, existente não combinado no soluto, e para o qual ainda se não conhece meio de dosagem (Ostwald, 4), que lhe emprestando o forte cheiro e crescendo o poder irritante, difficulta o uso do soluto ammoniacal como alcalificante. Injectado escaparia á acção antitoxica do figado e seria altamente nocivo, como o são, nessas circumstancias, tddos os saes de ammonio. Todavia, é de lembrar que a ammonia, no momento de sua formação, é inestimável recurso de de- fesa do organismo, que com ella ineutraliza a demasia de ácidos originados de seu metabolismo, oomoí ao deante se verá. D'entre os saes alcalinos solúveis sobrelevam o bi- carbonato, o biborato de sodio e de potassioi, o carbonato de lithio. Bem1 que irmanados no tocante ás reacções geraes da chimica, divergem os saes de sodio e de potássio no conceito biologico. Si são indispensáveis á vida am- bos os metaes alcalinos, é de ver que o potássio consti- tue a dominante mineral nos vegetaes e o sodio no reino animal, em cujos fluidos orgânicos predomina, sobretudo no plasma sanguineo. Talvez em relação com o seu poder radioactivo (Achalme, 1), o potássio prevalece nas par- tes mais differenciadas dos tecidos, nos elementos cel- lulares, como, por exemplo, nas hematias, nas cellujlas musculares e nervosas, no figado, na gemma d'ovo, no leite. Revela-se exuberantemente esta affinidade eléctiva das cellulas nos peixes, que, vivendo em1 um meio rico de chlorêto de sodio, qual a agua do mar, nem assim dei- xam de armazenar consideráveis provisões de potássio para as suas necessidades physiologicas, embora nas cinzas do 9 peixe marinho só se apurem 13,5 o/o de oxydo de potássio, emquanto 24 o/o no de agua doce e 36 % na carne de boi. Acarretam os saes de potássio desmineralização so- dica, como primeiro insistiu Bunge (3), corroborado re-< centemente por Gérard (5). E' que o chlorêto de sodio> do meio interno soffre dupla decomposição, ao menos parcial, com o carbonato de potássio ingeridd, formando- se o chlorêto de potássio, que, por extranho ao plasma sanguíneo para logo se elimina, e carbonato de sodio, cujo excesso egualmente se escapa, tanto que tendia a modi- ficar-se a reacção do meio interno. Crescerão as perda§ de chloro e sodio até certo limite, traçado pelas affinida- des electivas dos tecidos pelo sodio. Outro não; é o mo- tivo por que, como accentúa Bunge (3), nutrindo-se os herbívoros de alimentos ricos de potássio, necessitam de forte quota de chlorêto de sodio em sua ração}. Passemos a assignalar, por maior, os principaes al- calificantes, cuidados em pharmacologia. Embora já applicado contra a urolithiase, o carbonato normal de sodio tem limitada a sua applicação, por irri- tante, á superfície cutanea, sob a forma dê banhos, pom- madas e glyceroleos. Em injecções intravenosas ha quem o prefira ao bicarbonato, em nada, porém, lhe avantajando4 visto que o poder alcalificante de 100 grs. de carbonato normal cristallizado equivale a 58,6 grs de bicarbonato de sodio, não esquecido no conjuncto o peso da agua de cristallização d'aquelle sal. Deve-se a reacção basica do carbonato á hydrolyse, phenomeno evidenciado na solução aquosa de ácidos for- tes e bases fracas, ou de ácidos fracos e bases fortes, como no caso vertente, no qual a dissociaição* se operai 4~ -- da maneira seguinte : Na * CO3<^ 2 Na 4- CO'. O ionte CO 3 tende a passar ao estado molecular, pela combina- ção com o ionte H de agua, dada a fraca dissociação ele- ctrolytica deH2CO3. E' portanto a dissociação da agua, embora em minimas proporções, que, cedendo o H, que neutraliza electricamente OH, permitte romper-se o equi- 10 librio, com a libertação d'este ultimo ionte, que empres- tará reacção basica ao soluto. Exprimir-se-á, pois, o phe- nomeno pela seguinte equação : CO3 + HOH = HCO3 + OH E' o carbonato acido, NaHCO1, impropriamente dicto bicarbonato de sodio, sem duvida, o mais importante dos agentes de alcalinização do organismo. Bem que ainda incluído por Stokvis (6) entre os irritantes de acção the- rapeutica local, exerce, entretanto, no particular, influen- cia muito mais fraca que o carbonato normal. Muito me- nos solúvel do que este, o bicarbonato de sodio é, outro- sim, desprovido de acção adstringente por mais concen- trado que seja o seu soluto. A sua reacção alcalina é explicada pela dissociação hydrolytica: Na HCO3 Na + HCO3 HCO3 + HOH - H 2 CO 3 | O H Gomquanto seja o bicarbonato uma base fraca, a sua alcalinidade potencial pode ser aquilatada, tendo-se em consideração que 1,97 grs. d'aqtielle sal neutraliza 1 gr. de acido chlorhydrico. Decompondo-se o bicarbonato em carbonato normal e anhydrido carbonico, já á temperatura de 70.°, cumpre evitar seja feita a sua dissolução a quente, dando conta a equação que segue do phenomeno que se observaria ; 2 Na HCO 3 - Na 2 CO 3 > CO 2 b H 20. Para que se aproveite todo o beneficio do bicarbo- nato é mister se encontre elle isento de sesquicarbonato (Na2CO3,NaHCO3) que com grande frequência o acom- panha no producto fornecido pelas pharmacias, empres- tando-lhe propriedades causticas. Tal impureza, que é com- mum em nosso clima quente, se deve certamente á perda de gás carbonico, por influencia da elevação da tempe- 11 ratura. Muitas foram as amostras (*) em que testemunha- mos o facto, e não sabemos si a elle se referia Bourget (7), quando acoimando de impuro o bicarbonato fabri- cado em França, insistia na necessidade da pureza d'este sal, visto que «son effet sur la muqueuse gastrique est tout autre que celui de bicarbonate du com'merce». O carbonato de potássio - K2 CO3, mais irritante que o mesmo sal de sodio, tem mui restricto emprego, reservado a uso externo. Pode o carbonato acido ou bicarbonato de potássio, KHCO3, substituir o idêntico sal de sodio, e até com vantagem no sentir de alguns scientistas inglêses, mas contra aquelle depõe o ser mais caro, mais solúvel e, por isso, de mais difficil purificação, mais pesado e, poiis, com menor quantidade em egual peso. Além d'isso, gran- de é a prevenção contra os saes de potássio, com respeito aos quaes a experiencia demonstrou serem mais toxicos que os de sodio, particularmente em referencia ao coração. Já, porém, insistindo no exaggero d'este conceito, Nothna- gel e Rossbach (8) mostraram a considerável porção de saes de potássio, que recebe diariamente o homem no seu nutrimento, mas o prejuízo ficou, não talvez sem al- gum motivo. No que toca á acção alcalificante, aos saes de potássio se refere quanto foi assignalado para os de sodio. Em virtude da hydrolyse de suas soluções, os phos- phatos bisodico (Na2HPO4+12 H20) e bipo^tassico (K2H PO4) são utilizados como alcalificantes directos: M2HP()< = 2M 4 HPO4 H PO 4 + H. OH - H 2 PO4 + OH (*) Recorrendo ao mcthodo de Winkler, tivemos occasião de verificar em uma amostra recente de bicarbonato de sodio puro, de Cario Erba, a proporção de 4,34 o/o de sesquicarbonato, em outra mais antiga de Merck, e qualificada «pro anajysi», subia a quantidade a 10,4 o/o, e, finalmente, pa^ra não mais nos alon- garmos, em outro especime, muito mais velho, em nosso poder já havia mais de 15 annos, montavx a mesma impureza. a 58 O/o. 12 O phosphato de sodio, que é um dos factores de equi- líbrio da reacção do sangue, como depois se verá, é utili- zado antes como alcalificante das vias digestivas, vistoi como pelâ funcção electiva do epithelio renal se transfor- mam os phosphatos dimetallioos em monometallicos, de reacção acida. Affirma Sollmann (9) que nenhuma influen- cia exerce o phosphato bisodico sobre a verdadeira rea- cção da urina, ao passo que, pela infofmação de Cusnhy (10) maior se tornaria no caso» a acidez d'este producto de excreção. E' fora de duvida que sobre este ponto ainda contendem as opiniões, faltas de decisivo fundamento ex- perimental. Claro é que nos referimos aos orthophospha- tos, únicos empregados em medicina, pois como salien- taram Gamgee, Priestley e Larmuth (11), ultimamente cor- roborados por Crawford (12) só elles são inoffensivos, emquanto toxicos são os metaphosphatois e particularmente os pyrophosphatos que, ingeridos, occasionam1 grave gas- tro-enterite, e injectados, produzem effeitos altamente to- xicos, á feição do phosphoro e do vanadio, provocando a degeneração gordurosa do figado, coração: e rins, e até a morte por paralysia cardíaca. Deriva o borax ou tetraborato de sodio Na 2 B 4 O 4-5 ou 10 H2O de um acido bibasicomuito fraco, oacido te- traborico, cujos saes dão logar á hydrolyse, d'onde a reacção alcalina de seus solutos. O seu poder antiseptico o tem inculcado nos casos em que se pretenda a um tempo acção alcalificante e antibacteriana. O pabmitato e o estearato de sodio ou de potássio (C'6 H31 M O2 e C'8 H35 M O2) constituem os sabões, que já ti v eram largo uso medicinal, mas adstrictos hoje ás ap- plicações externas, á excepção dós casos de envenenamento pelos ácidos, nos quaes são recurso prestadio, ao alcance de todos. E' que, sendo muito fraco o poder dos ácidos gordurosos superiores, facilmente se deixam elles preci- pitar de suas combinações salinas pelos ácidos fortes. Propriamente como alcalinos não podériam °s sabões ser usados em outras emergencias, já que os palmitatos e 13 estearatos se decompõem nas suas soluções diluídas, com formação de hydrato de sodio, que é irritante e ao qual devem seu emprego em lavagens purgativas: C18 H35 Na O2 + H.OH - C18 H3& O2 + NaÒH E' o carbonato de lithio, Li2CO3, um alcalificante di- recto, pouco solúvel na agua, e do qual se lança mão quando se pretende participar da acção physiologica do ionte Li, deduzida de seus effeitos diuréticos, estudados por Husemann, mas sobretudo usado em virtude da pro- prieaade que tem o carbonato de lithio de dissolver qua- tro vezes mais o acido urico, do que o carbonato de so- dio, como salientou Garrod, louvado nas experiencias de Ure. Comtudo, note-se desde já, que d'estes ensaios não se pode induzir a sua real utilidade no organismo hu- mano, visto como neste abundam Na e K, e em face des- tes iontes é o urato menos solúvel que se forma, em nada influindo a presença de iontes Li. Mostrou, porém, Haskins (13) que só em presença de grandes doses de sal de lithio, poderia haver algum proveito, que, aliás, talvez não seja compensado pela toxicidade d'este ionte. Demais a mais não é de esquecer que o acido carbonico impede a producção do urato de lithio, que até, precipita no estado de carbonato, sob a influencia d'aquelle acido-, como o demonstrou Schilling (14). Esses experimentos abalam, pois, muito, si não invalidam o fundamento; do tradicional uso dos saes de lithio comb lithontriptico, o que não impede que Erdmann (15) assignalasse a ci- fra de 1.000 kilogrammas como expoente dó consumo an- nual d'aquelles saes com tal objectivo. Ç) bicarbonato de'magnésio MgH2(COJ)2 cujo soluto a todo momento se usa com o nome de magnesia fluida, é alcalino, comquanto fraco. Nem sempre, porém, poderá ser usado na dose necessária como alcalificante, limitada que fica a sua applicação pelas propriedades laxativas! do corpo. Dos saes de rubidio e de cesio já foram! introduzido^ na therapeutica o bromêto e o iodêto, os quaes, porém, 14 não colhem ao nosso objectivo, por desprovidos de pro- priedades basicas. Taes os agentes alcalificantes que, mercê de seus iontes OH e de sua solubilidade, não só actuam1 nas vias digestivas, como após a absorpção, influenciam a re- acção d'o sangue e da urina. Discrepam1, assim, da maioria dos compostos alcalino-terrosos, cuja relativa insolubili- dade lhes adstringe ,a influencia á neutralização dos áci- dos, que com elles entrem em conflictO; nas vias digesti- vas, excretado o excesso em natureza, escapo que fica da absorpção. Haverá, por consequência, indicações particula- res que marquem a preferencia ou a associação di'elles- com os alcalinos solúveis. Preferidos serão nos casos em que haja tendencia a crescer a alcalinidade do sangue ou a diminuir a acidez urinaria, emtantoi que se faça mis- ter a saturação de ácidos no canal digestivo, ou quando; se queira evitar a acção supersecretoria de certos alcali- nos solúveis, como o bicarbonato de sodio. Não esqueça, todavia, que, além da acção principal, de natureza basica, os corpos que dissociam1 O H fruem uma acção secundaria desinfectante, tributaria do mesmo ionte, a qual cresce com o poder de dissociação da base. Faz, apenas, excepção o hydrato de aimmonioi, cuja acção antiseptica com elle não se acha em relação. Nos alcalinos insolúveis importa resahir a acção pe- culiar de seu cathionte, seja o cálcio, o magnésio ou o bismutho. São indispensáveis os saes de cálcio á economia ani- mal, cujas necessidades diarias se computam no adulto entre 1 e 1,5 grammas de oxydo de cálcio, rivalizando-, elles, em importância com os saes dê magnésio, pois que si prevalecem estes nos tecidós jovens, predominam os saes de cálcio nas organizações em çompleto desenvolvi- mento. O carbonate de cálcio,Ca, CO3, usado em' pharmacia, é o precipitado de um soluto de sal de cálcio. Apresen- tando-se amorpho, é mais instável e, portanto, mais so- 15 luvel que as formas cristallinas, ou, ao menos, assás so- lúvel para emprestar reacção basica ao solvente. Todavia, no interesse therapeutiico é desprezível esta reacção e é' a sua quasi insolubilidade que se aproveita, quando se visa á saturação dos ácidos no meio gastro-intestinal. Nor te-se, porém, que, ao cabo de pouco tempo, se transforma o sal amorpho solúvel em sal crista^llizado, mui pouco so- lúvel, do qual se conhecem duas variedades: uma, consti- tuída por um pó pesado, de grossos grãos, sensíveis ao tacto, obtém-se a 30.° ou melhor pela ebullição; outra, que se apresenta em pó finíssimo impalpável, de natureza egualmente cristallina, prepara-se á temperatura dé 0o. Concilie Albert Berthelot (16) que só esta é capaz de saturar facilmente os ácidos orgânicos das fezes, não sen- do os grossos grãos da primeira variedade atacados pelos ácidos acético, butyrico e láctico, em liberdade no bôloj fecal. O phosphalo tricalcico Ca3 (PO4)2 é o constituinte que, ao lado de diminuta porção dé carbonato calcareo^ predomina nas cinzas de ossos. Practicamente insolúvel o phosphato normal é facilmente atacado pelos ácidos fracos, não sendo de esquecer que no sólo são os phos- phatos de cálcio solubilizados pelo acido carbonico. Si- milhante saturação pelos ácidos fracos se deve á ten- dência do ionte trivalente P O* para fixar H e transfor- mar-se em HPO 4. Quasi insolúvel, o oxydo de magnésio, Mg O, é um dos mais utilizados alcalificantes gastro-intestinaes, em virtude da suavidade de seus effeitos. Logradó pela de-i composição do carbonato básico de magnésio em tempe- ratura superior ao vermelho nascente, constitue a magne- sia pesada, dieta também inglêsa. Quando, porém, a tem- peratura, na preparação, não excede de 250.°, de muito menor densidade é o pó obtido, que se diz então magné- sio. leve ou francêsa. Desde que não tenha soffrido calci- nação muito forte, o oxydo de magnésio* combina-se cont a agua, mediante calôr brando, constituindo oi hydrato, 16 o que se não observa no caso contrario:, modificando-se então a magnesia, que se torna cristallina. O oxydb de magnésio combina-se facilmente com os ácidos, ainda que fracos, sendo capaz de absorver consideráveis proporções de anhydrido carbonico, e transformandb-se em bicarbo- nato de magnésio. Assim é que 1 grammía de oxydo de magnésio pode absorver 2,16 grs. ou 1090 c. c. de CO2, Releva notar que 1 gramrna de acido chlorhydrico é sa- turado por 0,55 grs. de magnesia calcinada, como' o ini dica a equação que segue : Mg0d-2HCl-MgCl24*HzO. Também quasi insolúvel n'agua, o hydrato de ma- gnésio, Mg(OH)2, communica-lhe, comtudlo, reacção basica. E' o neutralizante magnesiano preferível, porque, já hy- d ratado, poupa ao estomago essa reacção, considerada ir- ritante por Martin (17). A sua capacidíade de saturaç&o se avalia attendendo a que 0,79 grs. de hydráto de ma- gnésio neutralizam 1 gramrna de acido Chlorhydrico: Mg (OH)2 4- 2 HCl-MgCl24- 2H20. O carbonato de magnésio usado em pharmacia é um sal básico que tem por formula 4MgC03.Mg(0H)2,4H20. Em verdade, este é o producto precipitado, quandlo postos em 4- - contacto dois solutos com iontes Mg e CO3, pois havendo hydrolyse por conta do carbonato alcalino, comio já as- signalámos, o ionte Mg se acha também em presença de O H. E assim sendo, teremos: Mg + CO 3 = Mg CO 3 + - Mg + 2 OH = Mg (OH)2 Quanto mais baixa é a temperatura e menor a di- luição, tanto, mais rico será o precipitado de carbonato. A saturação de 1 gramrna de acido chlorhydrico exige 1,28 grs. de carbonato básico de miagnesio : 4 Mg CO 3. Mg (OH)2 + 10 HC1 - 5MgCl2 R 4 CO 2 + GH2O 17 O phosphaio ammoniaco-m&gnesiano^gK7ÃL\l?()\fâ^^ quasi insolúvel n'agua, dissolve-se muito bem nos ácidos, propriedade que permitte inclui-lo entre os saturantes. Ef- fectivamente 2,27 grs. do sal neutralizariam 1 gramma de acido chlorhydrico, mas com o inconveniente de trans- formar a acidez chlorhydrica em acidez phospihorica: Mg (AzH4) PO 4+ 3HC1 = MgCl2 + AzH4 Cl + H3 PO4 Considerado insolúvel n'agua, o hydraêo de bismu»- tho, Bi (OH)3, combina-se facilmente com os ácidos, sen-» do preferido quando, a par do poder saturante, se deseja participar dos effeitos constipantes do bistnufhof e da pro- priedade, de ordem physica, de adhesão, peculiar aos com- postos d'este metal. Para neutralizar 1 gramma de acido chlorhydrico seriam necessários 7,1 grs. de hydrato de bismutho -. Bi (OH)3 + HC1 - Bi 0 Cl + 2H20. Outro alcalificante practicamente insolúvel e de dila- tado uso é o subcarbonato de bismu-tho (BiO)2.CO3, cuja composição, todavia, não é invariável. Dada a formula referida, 7 grs. do sal seriam precisas para a saturaçjãol de 1 gramma de acido chlorhydrico: (Bi O)2 C03 + 2 HC1 = 2 Bi 0C1 + CO2 + H20 ALCALIFICANTES INDIRECTOS Estudados os alcalificantes directos, cuidemos de ali- nhar agentes que, dispondo de reacção neutra ou acida, se transmudem em bicarbonato, por oxydação no recesso do organismo, tal como se pode exemplificar com os ace- C H3 COO Na + 2 O2 = Na HCO3 + CO2 + H20 Entre esses alcalificantes indirectos se incluem áci- dos orgânicos, salificaveis no intestino, ou seus saes, feita a resalva dos primeiros termos das series organicas, os quaes maior resistência offerecem á oxydação, a exemplo do acido formico (HCOOH)e do acido oxalico (COOHCOOH). Em relação aos ácidos, o facto é paradíoxal, mas saturados pelas bases, contraria toma-se a acção d'elles, depois que, mercê das combustões, são conduzidos ao estado básico. 18 Assim obram os acetatos, os tartaratos, os citratos, os malatos, exciuidos que ficam, por toxicos, os cyanê- tos e os oxalatos, os quaes, além dis^o, são de dif- ficil oxydação na economia animal. Não se ha de esque- cer, porém, que para esses corpos lograrem o procurado effeito, mister é que sejam ainda sufficientes os proces- sos de oxydação organica. Obvio portanto é, que, a me- nos que haja indicações especiaes, seja por exemplo a subacidez gastrica. se prefira ao emprego dos ácidos or- gânicos em natureza, o de seus saes alcalinos, mais facil- mente oxydaveis. Antes, porém, que se complete a oxy- dação, podem os mencionados saes orgânicos desem- penhar acções ionicas, que lhes são peculiares. Du- vidosas em relação aos formiatos, somenos no to- cante aos acetatos, accentuam-se ellas com respeito aos oxalatos, cujo anionte precipita os saes de cálcio na eco- nomia, tornados por egual inactivos pelos citratos e tar- taratos, que lhes restringem o poder de ionização (Sab- batini, 18), no que, aliás, não annuem Salant e Swanson (19). Comtudo, por difficilmente absorvidos, actuam os tartaratos como catharticos, e bem que em menor escala, outro tanto se dizendo dos citratos. Os formiutos (H COO M), sendo mui resistentes á oxydação, raro é que sirvam ao fim que temos em vista.. Todavia, mostrou Pohl (20) que, com pequenas doses, pode ser completa a oxydação no organismo, processada particularmente no figado (Fleig, 21). O acetato de sodio (CH3 COO Na) e o de potássio (CH3C00K)ainda que promovam solutos neutros, transfor- mam-se, ao menos parcialmente, como vimos, em' alcali. O tartarato acido de potássio , (C00H-(CH0H)2-C00Na) e o tartarato duplo de potás- sio e sodio (COOK - (CH0H)2-C00Na), também po- dem offerecer bases á economia, mas com' tal fim nãq ha de exceder a sua dose de dois a quatro; gramtnas* por, dia, além da qual obrariam como purgativos. O cUrato de potássio (K3C6H5O7+H2O) e sobretudo o de sodio têm cada vez mais dilataído uso como alcalifi- 19 cantes, não só do meio interno, como da superacidez es- tomacal. E' que, embora neutros, reagem com o acido, chlorhydrico e outros ácidos, com formação, dos respe- ctivos saes, dês que em o noVo systema se verifique! maior desenvolvimento thermico. O citrato de lithio (Li3 C6 EP 0' + 2H2O) partici- pando das vantagens attribuidas ao ionfe lithio é outro bom agente de que dispõe o arsenal therapeutico contra o excesso de producção acida no organismo. O lactato de sadio (CH3CH0H.C00Na) que se apresenta sob a forma de crystaes mui solúveis n'agua, é o mais oxydavel dos saes alcalinos que vimos enumerando. E' elle que se forma nos intestinos, por conta dó acido» láctico da coalhada, que, d'este geito, se inscreverá en- tre os alcalificantes do sangue. Posto que não usados como medicamentos, os ma- laios merecem referidos por se formarem pela salifica- ção do acido imalict (C00H-CH2CH0H-C00H) existente em certos vegetaes. E não resta duvida que os malatos sup-< prem de carbonatos o meio interno. No rol dos alcalificantes se capitulam; ainda certas sub- stancias organicas que, na sua maior parte, eliminadas em natureza, formam, no emtanto, com' o acido urico com- postos solúveis, ou quando mais não seja, augmentam a concentração do oxydrylio em certos liquidos e tecidos cio organismo, facilitando a eliminação d'aquella ureide. D'entre ellas descreveremos a piperazina e seus saes, a lysidina, o atophan, a citarina e o acido thyminico, os quaes medicamentos, comtudo, foram taxados dê sem va- lia por Hanzlik (22) na sua recente revisão dos solventes uricos. E' mais provável que a maior parte dos benefícios que a clinica testemunha se liguem ao augmento da al- calinidade do sangue e á diminuição da acidez da urina. De facto, observou Haskins (13) que doses elevadas de urotropina tornam maior o poder solvente da urina em relação ao acido urico, mas egual effeito se colhe dos 20 bicarbonatos, desde que a concentração ionica da urina baixe de 7,1 a 7,4. A • HA CK2-CH2\A H , .... A piperazina, H Az x Qjp çjp / Az H, e a diethyleno diamina, base de natureza organica, de reacção fortemen- te alcalina, sabôr ammoniacal e mui solúvel n'agua. Não irrita as vias digestivas e forma com o acido urico uni composto solúvel em 47 partes d'agua, cerca, portanto, de oito vezes mais solúvel que o urato de lithio. In viv^. porém, c esta acção consideravelmente prejudicada, sinão nulla, visto como, moistrou-o Mendelsohn (23), maior nãoi é que o dos outros alcalis, o poder solvente da piperazina, em' presença de iontes sodio, abundantes no sangue e na, urina. Basta 1 % de chlorêto de sodio para que seja elle, nullo, como o viu Vindevogel (24). Depois de absorvido, o lyeetol,............................... WA /CH(CH3)-CH2\A np4TJ6n6 , + + + HAz Qjjy AzH,C ±1 O que e o tartarato de dimethylpiperazina, põe em liberdade a piperazina, com a vantagem de ter melhor sabor do que esta. O sidonal H ÕAzH.CH12©6, é oqai- nato de piperazina, que não só actúa pela base libertada,, sinão também pelo acido quinico ou aros i na, de acção synergica, ainda que inferior no tocante á dissolução do acido urico. ' Outro derivado orgânico muito em vogai é a lysidina, CH2-AzH p CH2 Az 3 rne^"y^'Sor°xa'1dina, corpo muito so- lúvel n'agua e com cheiro, que lembra o da cicuta. No- tável é a solubilidade de seu urato, que apenas exige seis partes d'agua, oito vezes, pois, mais solúvel que o urato de piperazina. O c/o/tfnzrt(C9H5Az.C5H^^ é o acido diphenyl- quinoleico carbonico, que suscita considerável eliminação urica, quando usado na proporção de 1 a 3 grs. por* dia.. Sua acção, porém, é especifica, não parecendo dispôr o 21 producto de poder solvente da ureide, pois que, em se^ guida ao seu emprego, cresce até a acidéz urinaria, que tende a precipitar o acido urico eliminado. D'ahi a possi- bilidade de provocar cólicas nephreticas e a advertência de ser usado o atophan, de concerto com1 alcalinos, como| o bicarbonato de sodio. Largamente preconizado na gota, por KJemperer, Dohrn, Nicolaier e muitos outros, acre- ditam esses auctores ainda obscuro o mechanismo da acção„ talvez justificado pela mobilização do acido urico, como- aventou Brugsch (25), porventura pelo augmento da acti- vidade eliminadora dos rins, como querem Weintraud (26) e Folin e Lyman (27), ou aindá pelo crescimento da per-, meabilidade renal especifica para o acido urico, como pro- põem Fine e Chace (28), á guisa dó que se observa comi a phloridzina em relação á glycose. O mesmo se dirá do novato phan, que é o ester me- fhyl-ethylico do atophan, para succedaneo do qual foi pro- posto, por desprovido do sabor amargo. A urofropina. (CH2)6 Az4, ou h exame thylenotetrami- na, que é a sua designação scientifica, embora tenha para o seu emprego, indicações outras, mais procuradas e me- nos duvidosas, é também inculcada como solvente do aci- do urico. Na dose de 1 a 2 grs. diários, não| viu Haskins (13) este effeito, observado, porém1, com doses superiores a quatro grammas, mas não de molde a sobrepujar a mesma vantagem que os alcalinos, em1 geral, proporcio- nam. Note-se que alcalinos ao tornasol se apresentam os solutos de urotropina. A citarina (CHTONa)MCMWO2)é o anhydro- methyleno-citrato de sodio, pó cristallino, mui solúvel n'a- gua, capaz de produzir com o acido urico um composto, o acido diformaldehydo-urico, dez vezes mais solúvel do que elle. Mui pouco toxico podé ser usado na dose dé 5 a 8 grs. por dia. O acido thyminico ou solurol (C16H2^Az3P2O12) seria para Kossel, Minkowski, Fauvel, o solvente physio-logico do acido urico, no que, aliás, ainda reina desaccôrdo entre 22 os investigadores. Na realidade, no laboratorio o acido thyminico pode á temperatura de 37.° dissolver uma vez e meia o seu proprio peso de acido urico, d'onde o* seu avultado emprego, na dose media de 50 centigrs. por dia» a qual, aliás, não deve exceder de 1,50 grs. Alimentos E' a alimentação a fonte physiologica que suppre a economia de bases e ácidos, já directamente por conta do seu material salino, já nos processos fermentativos occorridos na travessia digestiva, já no curso dos proces- sos metabólicos, ao nivel do sangue e dos tecidos. Pro- porcionam, de facto, os alimentos saes mineraes e orgâ- nicos diversos, uns de funcção acida ou neutra, outros de funcção basica, mas é na assimilação e desassimilação dos proprios princípios immediatos que se origina a maior parte de corpos de ama e outra funcção, tendentes a rom- per o equilíbrio dos ácidos e das bases no organismo. Em these se poderá affirmar que os alimentos de origem animal, como as carnes, são os grandes mananciaes de ácidos, porquanto encerram nos albuminoides, não peque- nas proporções de enxofre e phosphoro em1 combinações organicas, que se desdobram e se oxydam na economia, com produoção de ácidos sulfurcio e phosphorico. Ao re- vés, são os vegetaes os grandes depositários de bases, assim no estado de bases mineraes, como no de corpos orgânicos, que ainda mesmo de funcção acida, facilmente se salificam, oxydando-se no organismo em carbonatos al- calinos, como já assignalámos (pag. 17). Ha de se fa- zer resalva, todavia, de muitos cereaes, que por sua rij queza de phosphoro e escassez de bases, acidificam os humores. Em que pese a Schmiedeberg (29), que excluia dos limites da pharmacologia, as substancias capazes de as- similação, muita razão assiste a Henrijean (30), o sabio professor de Liège, quando reflecte que «1'étude des sub- stances alimentaires, si nombreuses, introduites dans la 23 matière medicale pendant ces dernières années, est du domaine de Ia pharmacodynamie». Nem outro é o pensar de Greene (31), que ensina na Universidade de Missouri, ao ponderar que «many recognized food materiais have a decided influence on the normal reactions oí the 1U ving body. They may be primarily nutritive, yet at the same time they produce changes in the physiological fun- ctions over and above those of simple nutrition, henco to that extent are pharmacological in nature». No regime alimentar do homem é considerável a par- te que tomam as carnes, os ovos, o pão, o que equivale a dizer, rica é a fonte productora de ácidos, cuja oxy- dação no organismo cada vez se toma mais difficil para o homem civilizado, em que mingua o trabalho physico, á medida que se desmesura o intellectual. Impende, pois, á alimentação ministrar o material básico, mercê do qual se precave a economia da producção acida. Antes do mais digamos da provisão salina que se en- contra nos alimentos. Foi Forster (32) quem primeiro lhe pôs em relevo o importante papel na vida dos animaes. Assim é que, submettendo cães e pombos a nutrimento, esccimado de saes, observou o rapidb deperecimento» de uns e outros, e até a morte, que mais presta occorria' do que quando privados de qualquer alimento. Coube a Lunin (33), em seguida, demonstrar experimentalmente; que era á insufficiente neutralização dbs ácidos forma- dos que se devia a morte d'esses animaes. Instituindo experiencias em ratinhos nutridos com caseina e gordura de leite, associadas á saccharose e isentas de saes, veH ri ficou-lhes a morte na metade do tempo aturado por ou- tros, a cujo alimento havia ajunctadb. o carbonato de so- dio. Para provar que, de facto, o beneficio corria á conta do alcali, e não de qualquer alimento inorgânico, a outra série de ratinhos, sujeitos á mesma alimentação, addicionou Lunin o equivalente de chlorêto de sodio, ten- do observado lhes não foi maior a duração do que a1 dos privados completamente de sal. 24 Por sua vez Ketnmerich (34), nutrindo dois cães com carne esgotada por agua fervente, accrescenta ao repasto de uni chlorêto de sodio, e ao de outro o residuoj da in- cineração do caldo de carne. Ao passo que este se desen- volvia, aquelle estacionava no seu peso, dó que forçoso é concluir que exige a economia animal, não apenas sub- stancias mineraes, mas que se lhe dleparem ellas sob a forma conveniente ao mister a que se destinam. Nem só dos saes alcalinos dos alimentos se soccorre a economia animal contra a producção acida. Nos carní- voros, em que ella avulta, por influencia dos resíduos áci- dos a que dá ala o seu regime, o organismo se defende; pela producção de ammonia, tão nitidamente posta em evidencia no cão por Walter (35) e por Coranda (36).; Effectivamente, si privarmos o carnívoro d'e todos os saes alcalinos, assim de seus phosphatos, carbonatos e albu- minatos, ou, para maior eloquência, si subminístrarmos um acido mineral a um cão, crescerá a producção defen- siva da ammonia, equivalentemente a cerca de dois ter- ços do acido ingerido. O nlesmo se não logrará com os ácidos orgânicos combustíveis, já que, como vimos, se mudam elles no organismo em saes alcalinos. Obvio é que os que resistam á combustão, actuem como acidífican- tes, qual succede, por exemplo, com o acido benzoico, eliminado sob a forma de acido hippurico. No regime ali- mentar dos herbívoros prevalecem, ao contrario, as bases, do que resulta a alcalinidade de suas urinas, em con- traste com a forte acidez da dos carnívoros. Nelles ca- rece de necessidade o mechanismo da defesa pela ammo- nia. O homem, tornado omnívoro pela adaptação, encon- tra em • seu regime habitual uma quota de bases apenas sufficiente para a neutralização dos ácidos normalmente formados na sua economia. Para a perfeita desobriga de suas funoções, no intuito de manter o equilíbrio entre ácidos e bases, impõe-se aos seus emunctorios a elimina- ção dias demasias de uns ou de outros. Também ao ho- mem pertence a defesa pela ammonia, posto que em me- nor escala que nos carnívoros. Por eldjaí é que o organismo 25 humano procura resistir ao excesso de ácidos provenien- tes do exterior ou nascidos da sua própria desassinrilação, como, por exemplo, no diabetes. POTENCIAL ACIDO E BÁSICO DOS ALIMENTOS - Afim de resahir a importância da natureza f dos alimentos na reacção do meio interno, Sherman e Get- tler (37), tendo prescripto a um homem uma dieta comi a capacidade de 3.000 calorias, das quaes 300 propor- cionadas por batatas, substituíram este alimento por um equiavlente calorífico de arroz, e observaram um cresci- mento de 50 «/o na acidez urinaria, assim como um au< gmento na excreção ammoniacal. Interessa, pois, conhecer por menor o potencial aci- do e básico das cinzas dos alimentos, e com tal fim1 or- ganizámos o quadro que segue, colligido das analyses de Moleschott, de Kõnig, de Atwater e Bryant, e no qual são considerados alguns alimentos typicos, em estado fresco : 100 grs. K2O O 04 cá 55 CaO MgO Ò o 04 Ph Eos 10 Carne de vacca 0,422 0,069 0,028 0,037 0,005 0,469 0,011 0,053 0,008 Peixe do mar... 0,180 0,500 0,045 0,030 - 0,180 0,035 0,510' - Leite de vacca.. 0,177 0,111 0,160 0,021 0,0004 0,197 0,170? - Ovos 0,138 0,183 0,087 0,009 0,003 0,300 0,002 0,071'0,002 Feijão 1,364 0,036 0,197 0,236 0,010 1,101 0,125 0,027.0,018 Pão 0,193 0,018 0.060 0,072 0,004 0,456 0,007 0,039 0,016 Farinha de trigo 0,147 0,014 0,016 0,057 0,006 0,222 0,006 0,00110,009 Arroz 0,052 0,016 0,012 0,032 0,005 0,122 0,002 0,002 0,005 Milho 0,059 0,002 0,004 0,031 0,001 0,091 0,001 0,002 0,004 Cevada 0,167 0,019 0,021 0,070 0,009 0,281 0,014 0,008 0,021 Farinha de aveia 0,421 0,039 0,085 0,168 0,028 0,604 0,042 0,022 0,711 Batata 0,528 0,023 0,021 0,039 0,004 0,134 0,052 0,027 0,016 Alface 0,260 0,363 0,121 0,044 0.013 0.112 0.040 0,043 0,031 Couve 0,329 0,180 0,172 0,052 0,0190,162'0,157 0,092 0,064 Cenoura 0,296 0,169 0,090 0,035 0,008 0,102 0,051 0,03610,019 Abobora 0,097 0,105 0,038 0,017 0,013 0,164 0,012 IO,002 0,036 26 Do exposto nos e dado deduzir a quantidade total de bases avaliadas em K20 e de acidbs, expressos em IJ2 O5, contidos nos mesmos 100 gramlmas de alimentos frescos. Organizámos, assim, um outro quadro, cuja sim- ples inspecção permitte conhecer a predominância de áci- dos ou de bases nos alimentos tomados por typo: 100 grs. Bases totaes avalia- das em K2O Ácidos totaes ava- liados em P2O5 Bases para neutra- lizar os ácidos existentes. Ácidos para neutralizar as bases existentes Sobresalente de base Sobresalente de acido Carne de vacca 0,662 0,712 0,500 0,212 Peixe do mar 1,084 1,262 0,819 0,413 Leite de vacca 0,457 0,537 0,345 0,192 Ovos 0,584 0,451 0,441 0,010 Feijão 2,309 1,419 1,880 0,529 Pão 0,492 0,584 0,372 0,213 Farinha dc trigo 0 333 0,256 0,251 0,005 Arroz 0,174 0,139 0431 0'008 Milho 0,142 0,106 0,140 0,002 Cevada 0,399 0,372 0,301 0,072 Farinha de aveia 1,034 2,406 0J81 1,625 Batata 0,692 0,318 0,421 0 272 Alface ; 1,124 0,342 0'453 0,671 Deflue das cifras referidas que nas carnes, nos ovos e nos cereaes, em geral, e particularmente no pão, pre- valecem os ácidos, emquanto nos demais alimentos, so- bretudo na batata, nas hervas, nas fructas, predominam as bases. Não sendo de crèr que fique livre o excessoí de alcali, é razoavel suppôr com Maurel (38), se encontre elle, ora combinado com as proteínas, como nas legumi- nosas, ora com os acidos-alcooes ou com o acido carbó- nico, como é de acreditar nos tuberculoís< e raizes, nas her- vas e fructas, mas seja como fôr, sempre em estado de saes alcalificantes. São illativas as investigações de Blafherwick (39) acerca da influencia dos alimentos ricos de bases na al- calinização da economia, tendo verificado com o uso d'el- ies que a concentração ionica do hydrogenio, expoente da acidez, era de 6,63 em trinta urinas de vegetarianos, 27 emquanto orça pela informação de Henderson e Palmer (40) em 5,98 nas urinas de sujeitos em uso, de regime misto. Neste effeito se avantajavam as batatas, as laran- jas, as uvas, as maças, as bananas, menos efficazes se mostrando os tomates. O pão de trigoi e o arroz cresciam a acidez urinaria, assim como as ameixas, em virtude de seu contento de acido benzoico.- São, por consequência, as féculas, os herbáceos e as frucias os inestimáveis mananciaes dte alcalis, que, hau- ridos ao solo, seriam, na expressão de Monteuuis (41), vitalizados, transformados em matéria viva. Como vimos, as principaes matérias salinas, contidlas nos vegetaes, ci- fram-se, em relação aos cafhiontes, no potássio, no sodio, no cálcio, magnésio e ferro, e, no tocante aos aniontes^ no phosphoro, enxofre, chloro e silicio, não esquecendo que os ácidos orgânicos, como o acético, o malico, o tar- tarico e o citrico se transformãm no organismo, em pre- sença das bases, em carbonatos alcalinos. O estado em que os elementos se acham combinadlos, ainda não logram affirma-lo os recursos actuaes da sciencia, ao menos com1 respeito ás suas proporções. Devem, com tudo, os acidbs phos- phorico e sulfurico achar-se unidios ao potássio, ao sodio, ao cálcio e ao magnésio, e o chloro aos metaes alcalinos. No que concerne aos ácidos orgânicos, diversos sào os aniontes que se nos deparam nas fructas e nos outros vegetaes, sendo que predominantes nos fructos verdes em estado livre, só pequena parcella assim remanesce depois da maturação, no curso da qual, parte se salifica e parte se oxyda com perda de gás carbonico;. Varia a especie do anionte com a natureza do vegetal. Assim, por exem- plo, é ao acetato de potássio e de cálcio que os aspargos devem o seu poder diurético, visto como áí aspa^agina, pouco ou nenhum effeito se tributa no caso (Stokvis, 6). No tamarindo, na batata, no topinambour, mas sobretudo nas uvas existe o acido tartarico, que no ultimo fructo se encontra, já em liberdade, na proporção) de 0,3 a 0,5 o/o, já no estado de tartarato acido de potássio na percenta- gem de 0,5 a 0,9. O acido malico \e os malatos preva- 28 lecem nas maçãs, pêras, groselhas, framboesas, morangos, amoras, marmellos, abacaxis, cerejas, na cenoura, nas fo- lhas dó rhuibarbo e da alface e tamfbem na uva e na batata. O acido cítrico e os citratos pertencem' ao limão, ás laranjas, á lima, aos tomates e em menor proporção egualmente ao marmello, ao morango, á groselha, á amo- ra e á framboesa. Não pode a proporção de acido livre ser reconhecida prelo paladar, desvirtuado pela maior ou menor proporção de assucar nos differentes fructos, que são na seguinte ordem arrolados por Blyth (42) no to-» cante á crescente percentagem de ácidos livres: Pêra 0,20 Uva 0,79 Maçã 0,84 Cereja 0,91 Pecego 0,92 Morango 0,93 Damasco 1,16 Arnora 1,19 Groselha 2,15 Limão (sueco)... 6,00 já realçámos o importante papel que desempenham os saes de potássio na economia animal. São elles os al-> calificantes dos nossos tecidos, que os recebe do meio exterior sob a forma de bicarbonatos, tartaratos, mala- tos, citratos. São elles que predólminam nos vegetaes e mais convêm introduzir na economia animal com o fim de accelerar a actividade dos tecidos e as combustões organicas, tal como o accentúa Gautier (43). Para se julgar da proporção dos saes de potássio relativamente aos restantes, nos alimentos habituaes, organizámos um quadro comparativo, onde as bases são expressas em gram- mas e concernentes a 100 partes de alimento cozido, quan- do de costume seja usado neste estado. Nisso apartámos da generalidade dos auctores que, a exemplo de Bunge (3), estabelecem o confronto entre as quotas de saes con- tidos na mesma quantidade de substancias seccas (*). A (*) Só por c-xcepçãoi e á falta de dados analyticos relativos a alguns alimentos cozidos, fomos obrigados a considerar ó cómes- tivel em estado crú. Lembre-se, porém, que a cocção subtráe sempre uma certa dose de saes, a qual varia comi a maior ou metior dura cf'aquelle processo culinário. Assim1 é que Grindley £ Mojonnier (44) verificaram que perde a carne assada 2,47 a 27,18 O(o de matéria mineral, e a ícozida de '2q,04 a 67,39 o/o. 29 proposito, não se perca de vista não só que o processo culinário implica a perda maior o-u menor de saes, como a existência de alimentos que podem ser ingeridos em estado fresco, a par da de outros para os quaes a cocção redunda em absorpção d'agua e, portanto, em augmento de peso, e finalmente de outros que, ao invés, perdem agua em tal operação. Assim, por exemplo, seria inve- rosímil, ingerisse alguém, depois de cozido^ 100 gram- mas de arroz secco, ao passo que nada representa de ex- traordinário a mesma ração de batatas. ALIMENTOS VEQETAES K! 0 Na20 CaO MgO Fe203 Feijão cozido 0,704 0,023 0,102 0,121 0,005 Batata cozida 0,528 0,023 0,021 0,039 0,004 Bananas 0329 0,064 0,058 0,093 Ervilhas cozidas 0,334 0^007 0,039 0,064 0,007 Couve (crúa ) 0,329 0,181 0,172 0,052 0,019 Alface ( » ) 0,260 0,363 0,121 0,044 0,013 Pão . . . • 0,193 0,018 0,060 0,072 0,004 Espinafre cozido 0,182 0,388 0,130 0,070 0,036 Maçã 0,130 0,095 0,015 0,032 0,005 Milho cozido . 0,119 0,004 0,009 0,062 0^003 Aveia cozida 0,089 0,008 0,018 0,035 0,006 Arroz cozido 0,035 0,011 0,008 0,021 0,004 ALIMENTOS ANIMAES Carne de vacca assada. 0,359 0,059 0,024 0,032 0,004 Leite de vacca 0,177 0,111 0,160 0,021 0,0004 Ovos quentes 0,l04 0,137 0,065 0,007 0,002 Leite de mulher 0,078 0,023 0,330 0,006 0,0004 Da inspecção do quadro anterior e do exposto á pag. 25 resalta notoria a predominância dos saes de po- tássio nos alimentos vegetaes, á excepção do espinafre, da alface e da abobora, nos quaes prevaledem os saes de sodio. Nos grãos seccos das leguminosas, como o fei- jão, as favas, as ervilhas e lentilhas, verifica-se, de regra, nas cinzas mais de 40 <>/o de oxydo de pousio K2O, O qual permitte sobrarem 18»/o de bases, a despeito do forte 30 contingente de ácidos. Egualmente prepondera o oxydo de potássio nos tubérculos e raizes, nos quaes varia a percentagem entre 66 %, apresentadã na batata e 40 % no inhaníe, na mandioca, e na cenoura. Figurando entre 17 e 32% nos cereaes, o oxydo de potássio sobresáe nos herbáceos, onde oscillam os seus limites entre 50% no pepino e 16 a 18% no espinafre e na abobora. Nos ali- mentos de origem animal diminue a percentagem dó oxydo de potássio, que não excede na carne de vacca de 35 %, no leite de 25% e nos ovos de 17%., Dominando nos vegetaes, os saes de potássio susci- tam consideráveis perdas de sodio nos herbívoros, comq já foi mostrado (pag. 9), d'onde a necessidade do sup- primento d'este ultimo metal na alimentação d'aquelles animaes. Assim sendo, toda vez que se impuzer o regi- me vegetariano, rico de potássio, haverá maior necessi- dade de chlorêto de sodio, que a historia regista como indispensável condimento nas populações herbívoras, em- quanto esquecido e mesmo repugnado pelas carnívoras. O oxydo de sodio. N a2O é fracamente representa- do nos vegetaes, salvas as excepções apontadas, além de poucas mais. Excedendo raramente de 25 % dá totalida- de da mineralização, exhibe, na maior parte d'elles, pro- porção inferior a 10%. Nos tubérculos e raizes dós pai- zes quentes, de oxydo de sodio só se contêm'' vestígios, no testemunho de Maurel (38). Já, porém, nos alimentos; pertencentes ao reino animal cresce o conteúdo d'aquelle oxydo alcalino, do qual se verifica 36 % do miaterial sa- lino do peixe marítimo e 20 % do fluvial, 23 % do dos ovos, posto que na carne de vacda só se encontram1 IO0;» e das cinzas do leite 9 %. Não é muito diffundido o oxydo de cálcio Ca O no reino vegetal, em contraste com a percentagem que lhe compete no organismo animal, entre cujas bases é pre- eminente. De feito, variando entre 2 e 4 o/o nas cinzas dos cereaes, e 4 e 6 % nas das leguminosas de grão, chega a 11 % nos aspargos, no nabo, na cenoura e no espinafre, 15% no rabano e na couve, 18,7% na couve-flôr, at- 31 tingindo o máximo de 21,9% na cebola. Entretanto nos animaes representa o oxydo de cálcio 40 % das matérias inorgânicas, incluída a considerável parte que toma no esqueleto. Consideradas, porém, só as partes molles bai- xa a percentagem a 2 o/o nas cinzas totaes da carne, 11 %• nas do ovo, 16% nas do leite humano e 22,5% nas. do leite de vacca. Não é para desprezar a significação da elevada proporção do cálcio no leite, indicio que é da in- fluencia decisiva d'este metal no crescimento^ dos sêres em período de amamentação. Supera o oxydo de magnésio MgO a cal e a po- tassa nas cinzas dos cereaes, aonde apparece em propor- ções que vão de 7 % na aveia a 15% no milho. Mais pobres são as leguminosas, nas quaes se mede pela quo- ta de cal. Assim si alcança no feijião 7,6 %, não passa; de 2,5% nas lentilhas. Nos herbáceos e nas raizes e tubér- culos anda o oxydo de magnésio entre 1 e 6%. No orga- nismo animal, comprehendidos os ossos, a proporção não vai além de 2,5 % das cinzas totaes. D'esta media não( discrepam muito os alimentos que nelle tem origem, tal como a carne bovina que encerra 3,31%, o leite de vacca com 2,6% e o ovo não tendo mais de 1,1%. Das bases, é o oxydo de ferro uma das mais es-» cassas nos vegetaes, aindia que seja a quantidade d'ellé mais que sufficiente para prover o animial do ferro de que tem mister. Medeando nos cereaes entre 0,76 % no milho e 1,84 o/o no arroz, figura o oxydb de ferro com O,32o/u das cinzas do feijão, e 2 o/o nas da, lentilha. Avulta um pouco mais no pepino e no rabano, ondie chegh a cerca de 2,5 %, nos aspargos e no espinafre, a 3,3 o/o e na ce- bola a 4,5 %. Das cinzas totaes do organismo animal compartilha o oxydo de ferro na proporção de 1 %, com- petindo á carne 0,98 %, aos ovos 0,39 % e ao leite 0,30 %. Differindo o contingente das diversas substancias ba- sicas dos alimentos, importa que o regime seja assás variado para attender ás necessidades mineraes da eco- nomia viva, computadas por dia em 24 a 28 grammas de 32 matérias salinas, com as quaes repara o organismo as per- das soffridas. São estipuladas estas por Gautier (43), da maneira seguinte, no curso de vinte e quatro, horas : Bases grs. Oxydo de potássio (K2 O).. 3,22 Oxydo de sodio (Na2 O)... 7,70 Oxydo de cálcio (Ca O)... 1,47 Oxydo de magnésio (MgO) 0,56 Oxydo de ferro (Fe2 O3 ).. 0,04 12,99 Ácidos grs. Anhydrido phosphorico (P2 O5 ) 3,90 Anhydrido sulfurico (SO3 ) .... 2,03 Anhydrido sulfuroso (SO2 ) .... 0,25 Chloro (Cl) 8,50 Anhydrido carbonico (CO2 ) ... 0,05 14,73 São essas as substancias mineraes que, transportadas pelos alimentos da ração diaria, conservam o equilíbrio mineral do organismo nos seus justos termos. A pro- visão media quotidiana ha de conetar, pois, com 15 a 17 grammas de matérias salinas, ás quaes cumpre ac- crescentar cerca de 10 grs. de sal marinho, com que o homem tempera os seus comestivos. Perfazem-se, assim, os 26 grammas de saes, que, em média, se eliminam dia- riamente pelas urinas, fezes e suor. Mercê do regime ha- bitual logra a economia os elementos mineraes de que não prescinde o trabalho physiologico, tal como se de- prehende do quadro que organizámos na pagina seguin-- te. Para ter a ração de equilíbrio, basta que sei lhe ajun- cte o assucar e a gordura indispensáveis ao provimento de calorico. 33 SAES TOTAES O CS N O Ca O MgO ò CM O È ô CM Ph EOS O Si O2 grs. grs. grs. grs. grs. grs. grs. grs. grs. grs. Carne : 150 grs 1,650 0,633 0,103 0,042 0,055 0,007 0,703 0,016 0,079 0,012 Ovos: n. 1 0,396 0 069 0,092 0,043 0,004 0,001 0,150 0,001 0,035 0,001 Leite : 500 cc 4,161 0,885 0,555 0,800 0,084 0,002 0,985 - 0,850 - Leguminosas seccas : Feijão cozido : 100 grs... 1,601 0,704 0,023 0,102 0,121 0,005 0,558 0,065 0,014 0,009 Cpfmm 5 Arroz cozido : 300 grs Cereaes p3o . 250 grs 0,502 0,105 0,033 0,024 0,064 0,011 0,244 0,005 0,005 0,011 2,161 0,482 0 045 0,150 0,180 0,010 1,140 0,017 0,097 0,040 Tubérculos ou rai-k Batata cozida : 200 grs.... 1,688 1,056 0,046 0,042 0,078 0,008 0,268 0,104 0,054 0,032 zes feculentas / Farinha de mandioca 50grs. 0,524 0,319 0,032 0,046 0,020 0,047 0,037 0,006 0,015 0,002 Herbáceos - Alface: 150 grs 1,538 0,390 0 544 0,181 0,066 0 019 0,168 0,060 0,064 0,046 Fructas - Banana : 150 grs 1,420 0,643 0,096 0,087 0,139 - 0,330 0,043 - 0,082 - - - - - -- -- - -- - ■ ■■«»1 -■ Total dos saes 15,641 5,286 1,569 1,517 0,811 0,110 4,583 0,317 1,213 0,235 Total das bases avaliadas em K2 O = 12 grs. 180. Total dos ácidos avaliados em P2 05 = 8 grs. 128. Bases neutralizadas pelos ácidos existentes = 10 grs. 761. Sobresalente de bases = 1 grs. 419. ALIMENTAÇÃO MEDIA DIARIA 34 Do exposto se deduz que a alimentaçãoi do homem, animal hoje omnívoro, lhe faculta pequena sobra de ba- ses, assás sufficientes, porém, para assegurar o estado de equilíbrio das reacções humoraes. Já, por si, o fraco excedente de alcali demonstra a facilidade com que tem iogar a supremacia dos ácidos no regime alimentar po- bre de vegetaes. Ainda mais facil será a occorrencia,, desde que sobrevenham fermentações acidas anómalas, ou se torne o organismo incapaz de oxydar os productos áci- dos normalmente elaborados, que, fixando as bases, pre- judicam a reacção physiologica do meio interno, como adeante se verá. Além d'este aspecto pathologico da evo- lução dgiestiva ainda importa conhecer o conteúdo ali- mentar de acido oxalico e de purinas, geradoras de acido urico, factores ambos que são de acidemia, embora sob duas de suas feições particulares. FERMENTAÇÕES ACIDAS E BASICAS DOS ALI- MENTOS. - Sobrelevam os hydratos de carbono d'entre os alimentos capazes de soffrer fermentações acidas, sob a influencia de agentes especificos, que dão logar ao ap- parecimento dos ácidos láctico, butyrico e acético. Produz-se o acido láctico - C3H 6 O3 pela acção de varias especies de «Bacillus lacticus » sobre a lactose, sac- charose e glycose: C,2H 22O]1 + H20 = 4 C3 H6 O3 C6H12O6 = 2C3H6O3 Forma-se o acido bulyrico - C4H8O2 - á custa, do acido láctico, por interferencia do «Bacillus butyricus» : 2 C3HÓO3 - C4H8O2 t 2 C O2 + 2 H2 Outros fermentos taes como o «Bacillus amylobacter »* são capazes de transformar egualmente a glycose, o ami- do e até a cellulose em ácido butyrico, gás carbonico e agua. 35 Si, porém, taes processos fermentativos incidem ori- ginariamente sobre os hydratos de carbono nas vias di- gestivas, não é improvável a formação dó acido butyrico, assim como de outros ácidos gordurosos, a expensas das proteínas, tal como auctoriza a suppôr a transformação. in vitro do acido glutamico, por perda de ammonia e gás carbonico, em acido butyrico (Gautier e Étard, 45). O acido acético é proporcionado pela influencia do: «Mycoderma aceti» sobre o álcool ethylico : C2 H6 O + O2 = C2 H4O2 + H2O Si esses ácidos em excesso, formados ordinariamente no curso de fermentações gastro-intestinaes, podem atra- vessar o organismo, em estado de liberdade, actuando co- mo acidificantes, succede que, em dose limitada, pode o acido láctico e o acético, depois de salificados, oxydar- se em carbonatos alcalinos. Já então pbrariam como al- calificantes indirectos, mas para tanto seria mister a in- tegridade dos processos de oxydação organica, e se não extremasse a quantidade d'elles. Não só ácidos, mas também bases podem ter origem na fermentação alimentar. Haja vista a chamada fermen- tação pútrida que soffrem occasionalmente, já agora, os albuminoides, com producção de bases ptomainicas e so- bretudo de ammonia - a ammoniuria enterogenica. As- sim é que de acidificantes normaes da economia, podem, os alimentos azotados funccionar, por excepção, como al- calificantes, tanto que putrefaçám no intestino. O ACIDO OXALICO E AS PURINAS NOS ALI- MENTOS. - A par dos productos aicidbjs e básicos engen- drados na decomposição dos princípios immediatòs da ali- mentação, ou acarreados por ella, não se percam de vista o acido oxalico e as purinas contidas em certos alimentos.! Resiste geralmente o acido oxalico aos processos de oxydação organica, e, já por seu poder toxico, já por- que forma com o cálcio um sal insolúvel, conturba as tro- cas metabólicas. Accrescentam-se, pois, estes dois effei- 36 tos mais importantes á acidificação do meio orgânico pelo acido oxalico dos alimentos, que o encerram nas pro- porções seguintes, considerado o producto alimentar em estado fresco, e na dose de 100 grs., em* conformidade com as analyses de Esbach, Albahary e Cipollina : grs. Cacao 0,45 Chá 0,37 Azedinha... 0,36 Espinafre... 0,32 Rhuibarbo.. 0,32 Figos seccos 0,10 Chocolate.... 0,09 Chicorea 0,07 Beterraba.... 0,04 Grão de bico. 0,04 Feijão branco 0,03 Vagens 0,02 Pepino 0,020 Pão 0,013 Groselhas, ameixas 0,012 Laranjas, limão... 0,003 Macãs, morangos.. 0.001 As carnes e certos fructos, como as pêras, os pece- gos, o 'melão, o abricó e mesmo o tomate (malsinadb por tanto tempo), só encerram vestígios de acido oxalico. Nenhum traço d'elle parece se conter no leite, nas ervi- lhas, nas lentilhas, na couve-flôr, na alface. Resulta o acido urico do metabolismo das nucleinas, que, em proporções variadas, se encontram nos alimen- tos. São as proteínas dos núcleos cellulares, assim de origem endógena, como exógena, que se desdobram no organismo, principalmente no figádo, com producção de acido urico, além de outros corpos, como se observa noi eschema seguinte : Nucleoproteide Bases pu- ricas ou purinas Adenina-• Hypoxantina aci- do uri- co Albumina nucleina Albumina acido nucleico , Gttanina - Xanthina Bases pyrimidicas Thymosina Cytosina Hydratos de carbono eni C5 e O Acido phosphorico Interessa, pois, conhecer o conteúdo de bases puri- cas nos alimentos habitualmente usados, afim de que nos seja dado comprehender o papel que desempenham elles 37 na «uricnacidemia», de que nos fala Wells (46). Comi esse objectivo nos serviremos das analyses de Schmid e Bessau (47), cujas cifras foram accrescidàs de 20 o/o, por- que a tanto monta a depreciação das quotas reaes, sof- frida por imperfeição do methodo empregado pelos au- ctores, tal como assignala von Noord'en (48). No quadra que segue é expresso em grammas o azoto purico, sob a forma de nucleinas e bases puricas, assim como o acido urico, produzido, em geral, na razão de três vezes aquel- las bases, mas que só se elimina effectivamente pela urina, na proporção de 60 «/o do acido urico formado : 38 S LI- 20 L) 3 uj 8 « UJ POR 100 ORS. DE ALIMENTO CQ O </) W UJ uj H" o o Q Q > u 2 í □ z Z O - u O J « Q U E õ o z Thvmo de carneiro 0,396 0,713 Fígado de boi 0,112 0,202 Sardinha 0,098 0,176 Rim de. boi 0,096 0,173 <r Anchovas frescas 0,094 0,169 i' Pombo 0,070 0,126 5 Cabrito 0,047* 0^085 § Vitella 0,046 0.083 /Vacca 0,044 0^079 A Ganso desengordurado 0,040 0,072 * Gallinha. . . X 0,035 0,063 n Miolos de boi 0,034 0,061 Carneiro 0,031 0,056 Presunto crú 0,029 0^052 Caldo de 100 grs. de carne cozida por 2 horas 0,018 0,032 ' Leite ovos 0 0 Lentilha 0,065 0,117 Leguminosas de grão < Ervilha 0,022 0,039 ( Feij ão 0,020 0^036 Cereaes 0 0 Feculentos' Batata 0,0024 0,004 'Féculas: tap.oca, sagu 0 0 / Espinafres 0,029 0,052 Repolho 0^013 0^024 Herbáceos < Aspargos 0,011 0,020 / Couve flôr 0,011 0^020 Pepino, cenoura, cebola 0 0 . Banana, laranja, ananás 0 0 Frnctos jUvas, pêra, maçã, nozes, avellã, v etc 0 0 39 Analysando os aromáticos, concluiu Walker Hall (49) pela presença das seguintes quantidades de corpos pu- ricos, expressos no correspondente de acido urico: Chicara de chocolate 0,268 - 0,572 » de café 0,110 - 0,250 » de chá da Índia 0,070 » de chá da China 0,025 - 0,046 Não esqueça, porém, que estas elevadas quotas de purinas contidas nos aromáticos no estado de methylpu- rinas, perdem de importância, já que em sua quasi to-< talidade se eliminam em natureza, não se transformando em acido urico. Todavia nos ensaios dé Levinthal (50) e de Benedict (51) a ingestão de 1 a 1,5 grs. de cafeina por dia, augmentava o acido urico eliminado no homem. Aguas mineraes Participando das qualidades dos medicamentos, mas já vestindo a inimitável complexidade dos alcalificantes do reino vegetal, deparam.se-nos as aguas mineraes, que, por ultimo turno, nos occuparão, como fon^e suppridòra de alcalinos. Tal como nô-la apresenta a natureza, encerra a agua mineral os seus saes em associação complexaj em estado de equilíbrio as moléculas e os iontes livres, que tanto mais dissociados se apresentam, quanto maior é o grau de diluição. Si na maioria das aguas mineraes é o estado de extrema ionização que prevalece, não é de deslembrar a presença, assignalada por Iscovesco (52) de diversos colloides electro-negativos nas aguas sulfurosas e do arsénico, de natureza colloidal, nas aguas arsenicaes. De outro lado Salignat (53), Foucaud! e Chamagne (54)r também attestaram a existência de productos colloidaes nas aguas de Vichy e de Chatel Guyon. Aliás, chegaram Heen e Micheels (55) a comiplarar as aguas mineraes a 40 suspensões colloidaes. Desempenhariam os metaes em es- tado colloidal, notáveis acções biológicas, encarecidas por Garrigou (56), que nessas aguas adimitte verdadeiras oxy- dases, resultantes, a seu juizo, da união: de vestígios d'a- quelles metaes com substancias dte natureza colloidal. Te- nha-se, outrosim, em conta que ao lado de electrolytos e colloides, muitas aguas mineraes encerram gases raros (Moureu, 57), e outras são dotadas de propriedades raj dioactivas, constituindo já por sua instabilidade, já por desafiarem a copia de seu natural, um meio essencialmente vivo, na expressão de Bardet (58). Nesta conformidade^ mal nos haveríamos si considerássemos incluído nas pa- ginas anteriores o estudo dos alcalinos nas aguas mi- neraes, cujas quotas de carbonatos, bicarbonatos, chlorê- tos, sulfatos, verificadas pela analyse, jamais nenhum chi- mico ousou affirmar, como diz Frenkel, exprimissem o estado em que taes substancias realmente se encontram. Por isso pergunta aquelle insigne hydrologista, como sa- ber, si tal ou qual base está ligada a um ou; outroacido. e como repartir o total de uma base entre os vários, áci- dos, ou como fazê-lo no tocante a um acido entre varias bases? Em resposta, a theoria ionica, admittindól a disso- ciação electrolytica dos elementos ao influxo da solução, equipara as aguas mineraes a simples solutos salinos, d'onde a asserção de Sollmánn (9) de que «mineral wa- ters are simply Solutions of the ingredients of the soil, and possess only the action of those ingredients which are present in notable amount». Mau grado, porém, a auctoridade do professor americano, mesmo á luz da theo- ria ionica, ainda sobram muitas incógnitas na composição das aguas mineraes, a par da existência de moléculas não dissociadas, dos colloides, das propriedjades radioactivas, da thermalidade d'esses agentes therapeuticos. Ao nosso objecto só interessam as aguas alcalinas, nas quaes figura o bicarbonato de sodio, de cálcio ou de magnésio, ás vezes phosphatos e borato;s alcalinos, que, sós ou associados a outros saes, imprimenf typos vários 41 a essa categoria d'aguas mineraes, em ordem a auctorizar a discriminação seguinte : z sodicas calcicas e magnesianas mistas Aguas bicarbonatadas simples Aguas bicarbonatadas mistas. Aguas bicarbonatadas chloretadas. Aguas bicarbonatadas sulfatadas. Aguas bicarbonatadas chlorosulfatadas. Em maior ou menor proporção fruem todlas as aguas alcalinas os attributos das aguas acidulo-gasosas, mercê do acido carbonico que encerram, o qual combinado com certas bases terrosas assegura a solubilidade d'ellas. Des- de, porém, que escapado aquelle gás, em virtude da in- sufficiente pressão a que esteja submettidio, soffre a agua mineral alterações na sua composição physico-chimica e nos seus predicados biologicos. Frias na sua maior parte, as aguas alcalinas são, de regra, pobres de gases raros e de mui limitadas pro- priedades radioactivas. Assim é que o coefficiente N de Curie é representado nas aguas de Vichy e de Vais por medos de 0,30, cifra, aliás, já alcançada por algumas fon- tes de agua potável. A thermahdade das aguas alcalinas é circumstancia d'e relevo, visto que o resfriamento, inevitável nos pro- ductos usados a distancia, altera substancialmente a com- posição physico-chimica das aguas mineraes, já prejudi- cada pela considerável differença de pressão na sua emer- gencia. Nessas condições, não só o bicarbonato se trans- forma em sesqui-carbonato, muito mais irritante para o estomago, sinão também se precipitam as bases terrosas, o ferro e o arsénico. Quando destinadas ao uso immediato^ prefiram-se, pois, as aguas alcalinas thermaes, mas si se propuserem a uso remoto, tenham logar as frias. Nas aguas bicarbonatadas sodicas prima em quanti- dade e importância o acido carbonico sobre o sulfurico e chlorhydrico, todos combinados com o sodio, ainda que 42 em mínimas proporções com o potássio, o cálcio, o mã- gnesio, o estroncio, o lithio e o ferro. Essas são as- aguas que mais importam ao nosso estúdio, porque mais a miude se inculcam como medicação alcalina. Pobre de aguas mineraes, o Brasil só duas tem que possam ser consideradas alcalinas : as do Araxá em Mi- nas e as do Prata, em São Paulo, mas só estas cabem no grupo que ora analysamos, visto como aquellas se in- cluem entre as bicarbonatadãs sulfatadas, de que cogi- taremos adeante. As aguas mineraes de Caxambu, Lam- bary, Cambuquira, São Lourenço, são antes acidulo-gaso- sas e radioactivas, e não podem, em bô,a razão, ser inscri-> ptas como fontes alcalinas. Basta confrontar a composi- ção da agua potável com a da fonte D. Pedro, a tnais) rica das aguas de Caxambú, utilizadas em exportação.' d'entre as quaes figura, além das da fonte Viotti e May- rink : AOUA POTÁVEL: FONTE D. PEDRO Residuo fixo por litro a 110°.. 0,200 a 0,500 0,211 Oxydo ds potássio 0,003 0,017 Oxydo de sodio 0,012 a 0,045 0,033 Oxydo de cálcio 0,033 a 0,185 0,050 Oxydo de magnésio 0,003 a 0,035 0.007 Todavia, adeante veremos que si as aguas de Ca- xambu das fontes Belleza, D. Izabel e Duque de Saxe são verdadeiramente bicarbonatadas calcicas e portanto al- calinas, não são usadas em exportação. Das aguas de Lam- bary, São Lourenço e Cambuquira se poderá repetir que entre os seus constituintes nenhuma diose de sal alcalino ha que as afaste sensivelmente dle simples aguas potá- veis, ainda que a provisão de gás e as propriedades ra- dioactivas e therapeuticas, as taxem de mineraes. Já, porém, as aguas do Prata, nascidas em São Paulo, na cidade de egual nome, são realmente alcalinas, bicar- bonatadas sodicas, como o indicam as seguintes analyses, emprehendidas no Laboratorio do Estado de São Paulo: 43 FONTE ANTIGA FONTE PAIOL Bicarbonato de sodio grs. 2,6124 grs. 1,9776 » de potássio 0,0734 0,0672 » de lithio 0,0004 - > de ferro 0,0009 0,0006 » de manganez.... 0,0001 - Chlorêto de sodio 0,0714 0,0436 Sulfate de sodio 0,0336 0,1690 » de magnésio ...i 0,0190 0,0600 > de cálcio ... 1 0,0309 0,0166 » de baryo 0,0002 - Phosphato de cálcio ... - 0,0005 Alumina ... I 0,0032 0,0039 Siliça ... 0,0420 0,0302 Perdas e não dosados 0,0494 - Mineralização por litro 2,9369 2,3692 D'entre as aguas bicarbonatadas sodicas extrangeiras assignalaremos a composição por litro d:e algumas das mais conhecidas : ■w £ sx 2 Sr o ? ifT • s Jí ÍL O"" : -*S 'í f ? S & • i sj2.~ । n ; -S :-Gril- lo -31o. is-12o n. 9.. 1 a 38o 05 4,8 5,0 5,1 7,2 3,1 4,6 Bicarbonato p 00 NJONJOtCCO © © 4». CO © P de sodio 0^-0 O O O Bicarbonato 1 152 140 35 110 189 148 de potássio P o _o o oo Bicarbonato 134 Í70 162 !91 >71 de cálcio o 0,303 0,200; 0,328 0,258 0,255' Bicarbonato UI de magnésio o o 0,0 0,0 0,0 Bicarbonato LH -IU<O de lithio P p p p o o Bicarbonato 8 de ferro 0,130 0,046 0,091 vest. Phosphato de sodio 0,002 0,002 0,002 Biborato de • sodio O O OOP Chlorêto de 534 518 534 092 169 :a) 043 sodio X§X P ©PP© Sulfato de 0*0 191 >91 191 )34 X» sodio o p p p p o § ,070 ,050 ,060 ,060 Siliça - - - o ± । ?;£££ Gas carbonico © © © -U co í ^4 o © oo co^j Mineralização © -4 00 P N3 ©UX © OO bi total Bicarbonafadas calcicas e wagnesianas são as aguas que encerram pronunciadas quantidades de carbonato de caicio ou de magnésio, dissolvidas graças ao acido car- bónico, que geralmente contêm em forte dose. Para ser lhes aproveitarem os attributos chimicos hão de ser usa- das á própria fonte, ou, quando não, só depois de sub- mettidas a perfeito engarrafamento, por modo que se evite a perda do gás, a qual, occasionando a precipitação dos carbonatos insolúveis, as tornaria inefficazes. Sãoi aguas ordinariamente de fraca mineralização, devendo ser incluí- das no seu numeroso grupo as aguas das fontes Dona Izabel, Duque de Saxe e Belleza, de Caxambu, por si- gnal que das mais mineralizadas d'esta estancia. 44 As aguas bicarbanaiadas mistas se marcam por maior proporção de bicarbonato de sodio, em1 relação aos de- mais carbonatos ácidos. Contam-se entre ellas Pougues, Alet, Condillac na França. Em rigor, todas as aguas bi- carbonatadas são mistas, como se deprehende dos quadros já expendidos acerca da composição de muitas d'ellas. Encerram as aguas bicar bonodadas chloretadas, além dos bicarbonatos, o chloro, de combinação com o sodio) ou o magnésio. Compartilha, portanto, a sua acção phy- siologica das propriedades estimulantes d'estes iontes. D'entre ellas occupam a primasia Chatel-Guyon, Ste. Ne- ctaire e Royat na França, Ems naAllemanha, Puenteviesgo e Rocafort na Hespanha. As aguas bicarbonaladas sulfatadas, pela associação do bicarbonato aos sulfatos alcalinos ou alcalino-terrosos, constituem um dos typos chimicos mais largamente pre- scriptos. Como mais conhecidos representantes doesta clas- se figuram Contrexeviile e Vittel, na França e Araxá no Brasil. Estas ultimas, que nascem na cidade de São Do- mingos de Araxá, são francamente alcalinas, sulfatadas, levetnente sulfurosas, mais ou menos thermaes e radio- activas, como nos informa a analyse feita em 1916 pelo Dr. Schãffer, no Laboratorio do Estado de Minas : [FONTE N. 1 FONTE N. 2 FONTE N.3 Temperatura 29° 26° 25°, 5 Radioactividade em matches 28,4 4,8 17,5 Acido sulfhydrico livre 0,00061 0,00011 0,00029 Sulfhydrato de sodio 0,00525 0,00730 0,00709 Acido silicico 0,01960 0,02280 0,02180 Chlorêto de sodio 0,00987 0,01084 0,01076 Biphosphato de potássio... 0,00638 0,00689 0,00844 Sulfato de cálcio 0,00534 0,00631 0,00480 Sulfato de magnésio 0,00334 0,00281 0,00302 Sulfato de potássio 0,34350 0,35738 0,35584 Sulfato de sodio .0,21930 0,23068 0,22610 Carbonato de sodio 2,16840 2,22030 2,21940 Bicarbonato de sodio 1,74600 1,77790 1,73470 Bicarbonato de ferro 0,00073 0,00047 0,00047 Oxydo de aluminio 0,00207 0,00159 0,00189 - - - - 4,53109 4,64538 4,59460 45 Nas aguas chloro-blcarbonaiadas-sulfatadas os três saes se dividem mais ou menos por egual. Para dizer de se<u valor basta lembrar que era esta a associação preferjdã por Hayem para influenciar a digestão. Desta classe de aguas carece a França, ao passo que na Bohemia se con- tam três das mais reputadas d'essas fontes: Karlsbadi, Marienbad e Franzesbad,. A seguir vai registada a com- posição por litro dos principaes typos: o o Caxambu Bicarbonatadas mistas D. Izabel (2 Duque* de S (23,o3).. Belleza 23,oC • • X • • n c OO pp o Bicarbonato 3 00 s ê w de sodio pp 0,254 Bicarbonato 1 de potássio s 2.000 - o gs O 00 0,720 Bicarbonato de cálcio pp pp p Bicarbonato cn W S W o de magnésio 1 i 0,005 0,018 © o cn Bicarbonato de ferro pp p Bicarbonato ss hJ to i UH de manganez ! i 0,003 0,004 0,002 Chlorêto de sodio p Sulfato de cr sodio O pp p Sulfato de S 1 2o cn -u caleio 03 p Lo ss 1,294 1,184 1,501 Oas carbonic pp pp 00 co 1,741 2,232 1,550 Total dos sae Bicaràonatadas cMoretadas Bicarbonato de sodio O n 'O Bicarbonato de ferro Chlorêto de sodio lorêto de agnesio jas carbonico Total dos saes Bicarbonat de potassii Bicarbonat de cálcio x: O S Châtel-Guyon (18 a 38o) 0.955 0,253 2,176 0,068 1,633 1,563 1,112 8,000 St. Nectaire (38o) 2.500 • • 1,000 2,500 1,530 7,000 Royat 3,461 - 1,728 1,709 5,620 Ems (26-490) 2,000 * - 1,000 0,988 3,200 < n - o ca <T> ~ o । 2' K s» n 0 O*' t: -o • • I • T* 00 0 Bicarbonato 1 8 de sodio 0 Bicarbonato 00 de cálcio £00'01 Bicarbonato de magnésio n> S Bicarbonato ~§ de lithio 0,007 0,0001 Bicarbonato de ferro - - Sulfato de 560 121 cálcio 00 Sulfato de 60 B ~ O magnésio Chlorêto de UI sodio 0 Silicato de S 1 sodio >0,080 0,283 □as carbonico mm Total dos 0 s sacs Karkbad (51 a 73o) Marienbad (frias).. Chloro-bicarbona- tadas sulfatadas - - Bicarbonato to o de sodio o Bicarbonato 00 ' de cálcio O Bicarbonato de magnésio -oi Bicarbonato s de lithio o Bicarbonato de ferro soo'o Bicarbonato de manganez - - Chlorêto de sodio to Sulfato de 400 709 sodio 0,065 Sulfato de cálcio 0,083 Siliça O 3 ■ Gas carbonico n 00 Total dos -o saes 46 A par dos alimentos, inscrevem-se, pois, as aguas mi- neraes entre os melhores agentes dia medicação, alcalina. Com a exposição anteriormente feita dos medicamentos que visam ao mesmo objectivo, demos por encerrado o, estudo descriptivo das fontes de alcalinização do orga- nismo. A seguir indagaremos summariamente a expressão da acidez e da alcalinidade na economia, e as condições do meio em que se exercerá a acção pharmacodynarnica no tocante á pelle, ás vias digestivas, ao meio interno e ás vias urinarias. A acidez e a alcalinidade, actual e potencial (CONSIDERAÇÕES GERAES) Examinadas miudamente as fontes suppridoras dos electrolytos que influenciam a reacção dós liquidos e te- cidos do organismo, bosquejaremos, em substancia, o con- ceito moderno da acidez e da alcalinidade, antes de in- vestigar os effeitos dos alcalinos na economia. Outr'ora só se cogitava dia acidez e da alcalinidade total, informada pelo methodo titometrico, que, nos di- zendo do numero de átomos de hydrogenio e de oxydri- lios substituíveis pelos radicaes básicos ou ácidos equi- valentes, nos facultava a noção quantitativa dó poder de um1 acido ou de uma base, mas nada nos instruía acerca da qualidade de um ou de outra. De feito, ainda que o soluto normal de um acido forte, como o sulfurico ou o chlorhydrico, tenha o mesmo poder saturante do de um acido fraco, qual o láctico ou o acético, distingnem-se elles, já no tocante ás propriedades physicas e chimicas, já no que respeita aos predicados physiologicos. Assim', nos aci- dós fortes, mais pronunciado é o sabor, mais rapida a dissolução dos metaes, maior a toxicidade e mui mais notável a resistência d'elles aos processos de oxydação organica. E' que, na realidade, nãjo basta considerar a ■quantidade do acido ou da base, mias a sua força, subor- dinada á maior ou menor libertaçãd de iontes H e OH, ao influxo do solvente. Vem a ponto copiar a imagem de Cusnhy (59), ao insistir na differença que, no caso,, se observa: «The -H ion measures the intensity of the reaction, the titration merely the amount of the acid pre- 48 sent; the distinction is the same as that between the^ pressure of steam and the total amount of steam in a boiler». São, pois, os iontes livres ou actuaes, que em- prestam mais ou menos energia aos ácidos, e ás bases,' dependendo d'elles a acidez e a alcalinidade acíual, me- divel pela conductibilidade electrica ou pelo poder ea- talytico. Mais se pronuncia o poder de catalyse e, bem! assim, a faculdade de conduzir a corrente electrica,, quan- to maior a quantidade de iontes H ou OH dissociados. Esta é a noção que inspira modernamente o experimentador que pretende conhecer a reacção dos líquidos do orga- nismo. Entretanto, é mister não esquecer que, neutrali- zados electricamente os iontes livres, expoentes da re- acção actual, pode ainda sobrar ao soluto a capacidade de saturar chimicamente uma base ou um lacidb, antes que se lhe torne neutra a reacção. E' que se haverá dé! consi- derar, ao lado da actual, a acidez e a alcalinidade poten- cial, representadas pelo hydrogenio acido e pelo oxydrilio> básico, os quaes, embora não se achem em estado ionico, podem ser deslocados pelos alcalis ou pelos ácidos. Se- riam esses, iontes virtuaes, como lhes chama Ostwald (4), aos quaes sommados os actuaes, se refere a expressão) da acidez ou da alcalinidade total. Quando se assignala a dependencia da reacção apenas dos iontes actuaes, ou quando envolve ella os virtuaes, nos diz aquelle grande mestre de Leipzig, pela penna de seu traductor: «Les ions actuels jouent seuls un rôle quandl le phénomène n'en altère pas du tout la quantité ou ne la change qu'in^ finiment peu. Si, au contraire, la nature du phénomène est telle qu'il fait disparaitre les ions, et qu'il se poursuit' tant qu'il reste des ions de Pespèce dont il s'agit, iZ dépend de la quantité totale des ions possibles ». Sem embargo da importância do conhecimento da concentração ionica do hydrogenio e do oxydrilio nos flui- dos da economia, não é por demafis encarecer o valor da reacção titometrica, colhendlo a propósito a sabia adver- tência de Lambling (60), pertinente á reacção quasi neu- tra, que a conductibilidade electrica attribue ao sangue : 49 «Mais cette manière physico-chimique dê considerer la reaction du sang est restée jusqu'à présent sans utilité [trafique, et pour la diiscussion des problèmes de phy- siologie normale et pathologique qui touchent au con- flit des acides et des bases dans le sang1, il faut conti- nuer à envisager ce liquide comme un milieu alcalin». Isto posto, se deverá concluir que não só importa conhecer a acidez e a alcalinidade livre, como a total, nos liquidos e tecidos do organismo. Esta, isto é, a con- centração total de ácidos e bases, dissociados ou não» pode ser estimada pelos conhecidos methodos de oxy- metria (ordinariamente dieta acidimetria) e basimetria, aos quaes nos reportaremos a proposito da avaliação da al- calinidade do sangue, pelo interesse particular que, no caso, despertam A quantidade de iontes H e OH, factores de acidez e de alcalinidade factualmente presentes, é medida, já pela conductibjlidade que aquelles iontes em liberdade offe- recem á passagem da corrente-electrica, já pela proprie- dade que elles têm de accelerar as reacções, mercê de seu poder catalytico, favorecendo, por exemplo; o desdobra- mento da saccharose em glycose e fructose, ou dos ethe- res em seus componentes. Sabido é como se emparelham os resultadoos dos dois methodos, bastando attender ao confronto seguinte, feito de accôrdo com1 os dados de Ostwald (4), Nernst (61) e Treadwell (62): li- ica ao 1 Q o CO i 3 ÁCIDOS 1 © -2 S •^ ^3 ^3 5: >3 Q J s. - O; CA Chlorhydrico 93 °/° 100 0 100 0 100 0 Bromhydrico 93% 1004 111,0 983 Chlorico 93 °/„ 100,0 103 5 Azotico 93 °/„ 99.0 100 0 92 0 Sulfurico 62 °/n 65,1 73 2 73 9 Trichloracetico v* /o 62,3 753 684 Acético 1,3% 0,42 0,4 0,34 50 No tocante aos ácidos fracos, melhor será nos re- portarmos ás minuciosas informações de Sccuder (63), am- pliadas por Mc Clendon (64), que exprimem as constan- tes de dissociação por - log. K a, segundo a sua força decrescente : Ácidos -log. Ka Ácidos (continuaação) -log-.KA Trichloracetico. . . -0,92 Caprylico + 4.84 Oxalico + 1.00 Urico 5.80 Dichloracetico.... 1.29 Aldehy do salicylico 5.80 Phosphorico (H*PÕ4) 1.96 Tannico 6.00 Monochloracetico . 2.81 Phosphorico (HPÕ4) 6.05 Salicylico 2.96 Cacodylico 6.19 Tartarico 3.01 Carbonico (HCO3).. 6.52 Citrico 3.08 Snlfhydrico 7.24 Malico 3.40 Borico (HSBO9 9.24 Hippurico Fortnico Acetylacetico .... Láctico Succinico Benzoico Acrylico Adi pico Gallico Betaoxybutyrico .. 3.65 3.68 • 3.82 3.85 4.17 4.18 4.25 4.44 4.49 4.70 Cyanhydrico Phenol Carbonico Hydrato de chloral Maltose Levulose. ........ Glycose Lactose Arabinose 9.33 9.92 10.22 11.00 11.74 12.06 12.23 12.23 12.43 Acético 4.73 Phospliorico (PO1). 12.44 Bntyrico 4,80 Saccharose 12.72 Valerico 4,82 Mannita 13.47 Propionico 4.84 Glycerina 14-15 Caproico 4.84 Propionitrilio .... 14.74 51 Da força das bases, tributaria do grau de dissocia- ção, nos dá conta a relação seguinte: HA ÇPÇ Grau de dissociação Saponificação do do soluto 10 acetato de methylio Hydrato de potássio. . . . 94»/, 98 » de sodio 90% 99 » de lithio ...... - 100 » de thallio - 89 » d e tetraethy - monium -- 75 » de triethylam - monium - 14 » de diethyl a m- monium - 16 » de ethyla m mo- nium ■ 12 Carbonato de sodio 3,17 % - Phenato de potássio... . 3,05% - Hydrato de ammonio... . 1,30»/. 2 Cyanêto de potássio .... 1.127o - Borax 0,50% Acetato de sodio 0,008 % - Para as outras bases valha-nos aind!a o referido es- tudo de Sccuder (63), que representa peloi - log. K b as as constantes de dissociação d'esses electrolytos. BASES -log Kb BASES - log Kb Piperidina 2.80 Estrychnina 6.07 Diethylamina .... 2.90 Atropina 7-00 Ethylamina 3.25 Pilocarpina 7-00 Dimethylamina... 3.27 Pyridina 8.64 Methylamina .... 3.39 Anilina 9.30 Ethyleniodiamina. 4.07 Ortho-toluidina. . . 9.50 Trimethylamina. . 4.22 Methylanilina .... 9.58 Allylamina 4.34 Dimethylanilina . . 9.62 Ammonia 4.74 Ethylanilina 9.80 Brucina 4.77 Uréa t13.80 Quinina 5.58 52 Não esqueçamos, porém, que nas reacções organicas merece particular relêvo o papel desempenhado pelos ele- ctrolytos amphigenos, ou amphoteros, como preferem ou- tros ao qualificar, talvez menos bem, corpos, para os quaes se ha de invocar a noção do; ionte hy brido, que com o nome de Zwilierion, foi introduzida na chimica por Kiister (65). São essas, substancias que, podendo func- cionar qual acido e qual base, apresentam em solução aquosa, como refere Nernst (61), o ionte , (CH3) 2 R - SO3. Em nosso caso, porém, o que sobreleva em impor- tância são os ácidos aminados e peptidios, em cuja for- mula de constituição resalta o grupo funccional „„ AzH2R-COOH, que participa egualmente dfc> complexo albuminoide. Estabeleceram, de facto, as pesquisas de Pauli e Hirschfeld (66) que, polybasica, a proteína actúa como acido tri ou tetraaminado, portando-se da maneira seguinte, pela absorpção de agua, como nos diz Bechhold (67), que nella põe a estructura de um sal ammoniacal cyclico: / AzH3 /AzffOH R \O +H2O^RZ \CA \COOH Resulta, assim, que a proteína neutra opera comoí electrolyto amphigeno, capaz de dar saes fortemente io- nizados, assim com os ácidos, como com as bases: /AzffOH /AzH'01 R/ +HC1=R/ +H20 \ COO H \ COO H / AzH3OH z AzWOH B / + Na OH = R ( + H2 O \ COO H \ coONa 53 Apresentam taes ampholytos duas constantes de dis- sociação Ka e Kp predominando no soluto a reacção ba- sica, quando é esta a constante que avulta, e acida, quan- do aquella. E' sobremodo instructivo o estudo de Sccuder (Õ3), que, na eloquência de seus numeros, mostra que não só se apresentam os dipeptidios mais dissociados que os acidós aminados originários, cbmo que nelles cresceu + - mais a dissociação do H, do que a do OH. - log Ka AMPHOLYTOS - log Kg 3.85 Acido aspartico „ 11.92 4.39 Acido glutamico - 4.79 Acido m - aminobenzoico 10.91 4.92 Acido p - aminobenzoico. 11.63 7.74 Glycylglycina 10.70 7.74 Alanylglycina 10.70 7.82 Leucylglycina 10.52 8.16 T aurina 8.28 Asparagina 11.74 8.40 Tyrosina 11.58 8.66 Phenylalanina 11.89 8.66 Histidina 8.24 9.70 Alanina 11.28 9.74 Glycina 11.55 9.74 Leucina 11.49 11.00 i_ysina 7.00 13.96 Arginina. 7.00 E' sobretudo ao methodo electrometrico que se deve o conhecer-se a acidez e a alcalinidade autuai, ou seja o grau de ionização do hydrogenio e do oxydrilio nos flui- dos da economia. E para a perfeita e proveitosa aprecia- ção de suas inferências, vem de molde relembradas certas noções physioo-chimicas, tão importantes são ellas e tanto se relacionam com o nosso thema, a despeito de muito; sediças umas, e, talvez, por miudeadas, um pouco arre- dias outras, do principal objecto do nosso trabalho. Com a dissolução de 1 gramma de hydrogenio ca;- paz de se ionizar em 1.000 cc. de agua, logra;-se um soluto acido, dicto nofmal, que se representará por 1 N. Diluidlo este soluto em dez vezes o seu peso d'agua, terá logar um soluto 1/10 normal, que encerra 0,1 grs. de 54 iontes hydrogenio em 1000 cc. Idêntica diluição nos leva ao soluto 1/100 normal, com 0,01 grs. de hydrogenio: activo por litro. Si operarmos successivamente até attin- gir o grau de diluição de 1 gr. de hydrogenio, em estado de ionte, em 10.000.000 de litros d'agua teremos uma concentração de iontes ácidos de 0,000.000.1 grs de H por 1.000 cc., a qual outra não é que a verificada na própria agua destillada a 20.°, considerada neutra por- que nella se contém egual numero d!e iontes OH. Encerra, + - pois, a agua 1 gr. de H e 17 grs. de OH em 10 mi- lhões de litros. No intuito de evitar numeros extensos para expri- mir a concentração ionica, propôs-se a simplificação pelo logarithmO correspondente. Foi assim, referido o resultado, conforme o grau de diluição pelo logarithmpi de 10, 100, 1.000.... 10.000.000, numeros que, sendo potências de 10, têm o seu logarithmo indicado pelo expoente da por tencia, com signal negativo, em vista de se tratar de nu- mero fraccionario. Será, por exemplo, a concentração do hydrogenio na agua, representada por 10 "7, correspon- dente á diluição de 1 gr. de H em 10.000.000 (ou 107) litros. Da simples lei da acção da massa se induz a neu-» tralidade da agua pura, que, comtudo, qual mostra a ex- periência, conduz levemente a corrente electrica, indicio este da presença de certos iontes dissociados. Equilibra- dos estes com as moléculas, o phenomeno se exprimirá + - por H2O ^H + OH, inferindo-se da acção da massa TZ H x OH. , a constante 1\---ppQ Dada, porem, a minima con- centração de H e OH, emquanto considerável a de H 2 O, esta não soffrerá, por maiores que sejam as modifica- ções impressas á concentração d'aquelles electrolytos, d'onde a faculdade de desprezar-se o denominador da fraeção assignalada (Macleod, 68), e, assim, se ex- 55 primir o valor da constante K=HxOH. Experimental- mente se encontra para esta constante o valor aproxi- mado de 1x10 "14 mas como as concentrações do H e OH são fatalmente as mesmas (que, do contrario, resul- taria phenomeno electrico, deixando o soluto de ser neu- tro), a concentração de cada um d'esses iontes se obtém! pela l/fxlô^N. Assim sendo, Ch e C OH equivalerão a 1/000 -14= i x 10-7. Ainda da própria lei da acção da massa se conclue que si, pela addição de um electrolyto, crescer a con- centração de um dos iontes (H ou OH), necessariamente decrescerá a concentração do outro. Por consequência, nos solutos ácidos á medida que augmenta a concentraçãQ do hydrogenio, diminue a do oxydrilio, justamente o in- verso do que se observa com os solutos básicos, mas sempre mantida a relação entre os dois iontes em pro- porções taes que a multiplicação dos dois factores da reacçâo do meio corresponde a 1 X 10 'u Tanto vale, pois, investigar a concentração de H, como a de OH, attenta a dependencia d'elles. mas por mais facil e mais exacta, é que se adoptou, para avaliar a acidez e a alcalinidade adual, a medida do grau de concentração do hydroge- nio no soluto. Com o "fim de simplificar ainda ntais a expressão dos resultados propôs Sõrensen (69) que o expoente nega- tivo da notação logarithmica fosse usado como numero, inteiro, precedido, porém, das iniciaes PH. Assim, em vez, de representadas por 10 ", 10 10'8, as concentra- ções ionicas do hydrogenio o seriam simplesmente por PH 6, PH7, Ph8. Para maior entendimento do assumpto alinharemos as varias concentrações do H e correspondentemente as do OH, os titulos dos solutos que as representam, e bem assim as diversas notações em voga: 56 Concentração Titulo do :ão logari- ca de CH o simpli- (PH) Concentração ;ão logari- a de CQH acção do meio *3 cS do H por °/oo soluto « E cS ■o CS do OH por°/w cS V a b js Z * O Z O c Z5 1 1 N 10 0 PH 0 0, 1 10~14 acida 0,1 N_ io 10'1 PH 1 IO"13 > 0,01 N íóõ 10'2 PH 2 10-12 » 0,001 N 1,000 IO'3 PH 3 10"11 0,000.1 N__ 10.000 104 PH 4 10"10 > 0,000.01 N IO"5 PH 5 0,000.000.001 10-9 > 100.000 0,000.001 N i7oòo ooo 10"6 PH 6 0,000.000.01 10'8 > 0,000.0001 N 10-7 PH 7 0,000.000.1 IO"7 neutra 10.000.000 0,000.000.01 N í õo'.ooõ7õ()o IO8 PH 8 0,000.001 10"6 alca- lina 0,000.000.001 N 10"^ PH 9 0,00001 10"5 1.000.000.000 w10 10 r r cu 10 11 0,0001 0,001 io;4 10 3 > 10'12 PH 12 0,01 10'2 > 10'13 PH 13 0,1 101 » 0, 1 10~14 PH 14 1 10"° Requer alguma practica o uso dos logarithmos na expressão da acidez e da alcalinidade, devendo-se atten- der sempre a que tanto maior será esta, e menor aquella, quanto mais avultado fôr o algarismo que represente a concentração ionica do hydrogenio. 57 Theoricamente para transformar um soluto neutro, em que P H - 7, em outro, em que a dieta concentração seja de 6, de reacção acida, bastaria a addição de 0,000.365 grs. de HC1, equivalentes a 0,000.001 grs. de H activo, Assim) também para lograr um soluto com P H = 8, isto é, um millionesimo normal, seria preciso addicionar 0,000.040 grs. de Na OH, correspondentes a 0,000.017 grs de OH. Na practica, porém, é mister contar com o grau die dissociação peculiar a cada acido e a cada base. Assi'm sendo, no primeiro caso figurado, sabido que só 93 °o do acido chlorhydrico se encontram dissociados no soluto de- cinormal, resalta evidente que em tal estado de diluição, não será a concentração ionica dó H expressa por 0,10 N (ou 1 X 10 ■') mas por 0,093 N., ou em notação loga- rithmica 9,3x10 "2 Si quizermos adioptar a notação sim- plificada de Sõrensen, não se ha de representa-la por 2, que seria verdadeira, si total fosse a dissociação de HC1 no soluto decinormal. Será necessário subtrahir de 2 q logarithmo de 9,3, o qual sendo 0,97, nos indica o va- lor de P H = 1,03. O mesmo se dirá do acido acético, que no soluto deci- normal só se dissocia na razão de 1,3 o/o. CH não será pois, egual a 0,10 N (ou IxlO'2), senão a 0,0013, ou seja em notação logarithmica 1,3x10 "3. Para se simpli- ficar a expressão, consoante o proposto por Sõrensen,, basta considerar que o logarithmo de 1,3 - 0,11, que, sub- trahido de 3, nos informa do valor de PH-2,89. Em relação ao hydrato de sodio decinormal, orçando a dissociação em 90 o/o, a concentração (do oxydrilio será de 0,090 por litro, ou, na linguagem1 technica, será o| o soluto 0,090 N. Considerando, porém, que o producto das concentrações do H e do OH é sempre egual a u... 1X10 "14J4. á alta concentração dó ultimo radical corres- ponderá necessariamente a baixa concentração do primeiro. Assim, na expressão mathematica, o soluto 0,090 N. dé soda terá a concentração de seu oxydrilio representada, por 9,0 x 10'. Como o logarithmo de 9,0 é 0,954, subtra- 58 hida esta cifra de -2 teremos -1,04. POH será por* tanto egual a 1,04. Para se ter a concentração do H, a qual se convencionou adoptar na expressão, assim1 da aci- dez, como da alcalinidade, basta deduzir de 14,14, ex- poente dia concentração total, a do oxydrilio. Assim, 14, 14- 1,04 = 13, 10 = PH Para terminar, mais o exemplo da ammonia, que se dissocia na proporção de 1,3 o/o, d'onde o conter o seu soluto decinormal 0,0013 grammas de equivalentes OH por litro, ou seja C qjj -1,3 x 10"3. Logo; p OH = 3 -0,114 (log. de 1,3) = 2,886. P H =14,14-2,886=11,254 (*). De sobreaviso se esteja ainda tocante ao expoente da notação logarithmica, o qual apenas traduz o numero de vezes em que a base do systema (10) é multiplicada por si mesma. D'este geito 10 "3 não indica que a con- centração ionica do hydrogenio seja três vezes menor que em 10 0 sinão que, si neste caso ha 1 gr. de H poít litro, naquelle ha IO"'3 ou (10x10x10) vezes menos. Ou- tra não é a consideração por que, si a concentração .' --- é representada por seu logarithmo 10 "7 10 . 000 .000 1 ou por P u 7. a concentração _ N não n'o será 1 H ' v 5.000.000 pela metade da referida notação mas por 10 ™ /0 ou- por P H 6.70, que é a cifra correspondente ao logarithmo de 5.000.000. (*) Dada a expressão em P h , como saber a quanto corresponde em notaçio ordinaria, é problema facil de resolver. Basta o conhe»- cimento do antilogarithmo da differença entre o numero que exprime P H e o numero inteiro immediatamente superior. Assim por exem- plo, sendo Ph egual a 11.286, faz-se mister indagar o antilogarithmo de 0,746 (12,000 - 11,254), o qual corresponde a 5,57. D'onde Ch =5,57 X 10-12, equivalente a um soluto 0,000.000.000.557, ou sejam 5.57 grs. de ionte H em 100.000.000.000 de litros. 59 METHODO DOS INDICADORES A difficuldade da applicação do methodo electrome- trico no determinar a concentração ionica dos ácidos e das bases, suggeriu o chamado «indicator method», no qual são usadas, como indicadores, matérias corantes es- peciaes, capazes de indiciar, pela modificação da côr, a mudança da concentração ionica do hydrogenio. Sem nos determos em assumpto de tamanha monta, mas que trans- cende os limites do nosso thema, nos cingiremos ai trasla- dar de Clark e Lubs (70) a seguinte relação dos indicai dores, que marcam a contento os vários graus da con- centração ionica do hydrogenio: 60 NOMES SCIENTIF1COS NOMES COMMUNS TITULO ■/. MUDANÇA DE COR PH Thyrnolsulphonphtaleina Thymol Blue 0,04 vermelho : amarello 1.2-2.8 T etrabromophenolsulphonphtaleina Brom-Phenoi Blue 0,04 amarello: azul 3.0-4.6 Orthocarboxybenzeneazodimethylanilina.. Methyl-Red 0,02 vermelho : amarello 4.4-6.0 Orthocarboxybenzeneazodipropylanilina.. Propyl Red 0,02 vermelho: amarello 4.8-6.4 Dibromorthocresolsulphonptaleina Brom-Cresol Purple 0'04 amarello : purpura 5.2-6.8 Dibromothymolsulphonphtaleina Brom-Thymol Blue ' 0,04 amarello: azul 6.9-7.6 Phenolsulphonphtalef na Phenol Red 0,02 amarello: vermelho 6.8-8.4 Orthocresolsulphonphtaleina Cresol Red 0,02 amarello : vermelho 7.2-8.8 Thyrnolsulphonphtaleina Thymol Blue 0,04 amarello : vermelho 8.0-9.6 Orthocresolphtaieina Cresol Phtalein 0,02 incolor : vermelho 8.2-9.8 61 Offerecendo a phenolsulphonphtaleina uma serie de matizes bem differenciados entre as concentrações de 6,8 - 8,4, em cujos limites se enquadra, a reacçao do san- gue, é esse o indicador que com a technica de Levy,j Rowntree e Marriott (71) se propõe palra avaliar de modo sensivel a concentração do hydrogenio no meioi interno, como mais adeante esmiudaremos. Outros methodos in- directos servem ao mesmo proposito, como tudo será1 tra- tado a seu tempo. Mercê do excel lente methodo indicador se tem lo- grado a concentração do hydrogenio nofe principaes flui- dos da economia, podendo-se, para dar uma noção de conjuncto, adeantar o quadro seguinte, que tomámos ain- da a Clark e Lubs (61) : FLUIDOS Ph FLUIDOS Ph Sangue 7.4 Sueco do musculo (auto- Urina 6.0 lysado) variavel Saliva 6.9 Extracto de pancreas... 5.6 Sueco gástrico (adulto). 0.9-1.6 Fluido peritoneal 7.4 Sueco gástrico (criança) 5.0 Fluido pericardico 7.4 Sueco pancreatico (cão) Contento do intestino 8.3 Humor aquoso 7.1 delgado Contento do intestino 8.3 Humor vitreo • 7.0 delgado (criança). ... 3.1 Fluido cerebro-espinhal. 7.2 Bile do figado 7.8 Fluido cerebro-espinhal. 8.3 Bile da versicula 5.3-7.4 Fluido amniotico 7.1 Suor 7.1 Fluido amniotico 8.1 Suor 4.5 Leite (de mulher) 7.0-7.2 Lagrimas 7.2 Leite (de vacca) 6.6-6.8 Sueco do m use u 1 o Leite (de cabra) 6.6 (fresco) 6.8 'Leite (de ju menta) 7.6 A pelle Onde quer que actue a medicação alcalina, soffrerão os seus effeitos inevitável influencia do meio. Antes, por- tanto, de a referir e pormenorizar, no1 tocante á pelle, é de attentar na composição das secreções glandulares, que banham a superfície cutanea, peculiarmente em relação aos productos ácidos e básicos segregados. O SUOR Desempenhando sobretudo papel de ordem physica, regulador da temperatura do corpo, o suor não deixa, en- tretanto, de funccionar como emunctorio, por onde se eli- minam matérias residbaes, d'entre as quaes sobrelevam substancias acidas e basicas. Normalmente considerado aci- do, á excepção do das glandulas da axilla,da virilha e dos dedos dos pés, o suor, eliminado diariamente na dose de 700 a 900 cc. apresenta essa reacção apenas no inicio da sudação, tornando-se neutro minutos depois e, por fim, alcalino, consoante as observações de Arloing (72). At- tribuida por uns ao phosphato acido de sodio, a acidez é por outros referida aos ácidos gordurosos, originários das glandulas sebaceas. Na verdade, desde que perfeitamente lavada, escorre a pelle suor com reacção- alcalina, mais ac- centuada no da palma da mão, obtido pela injecção de 0,1 de pilocarpina (Trumpy e Luchsinger, 73). A realidade é que se mistura á superfície dá pelle o producto das* glandulas sebaceas com o das glandulas sudoríparas, con- 64 fundindo-se a reacção de um e outro, podendo, todavia^ ser attribuidà ao suor a quasi neutralidade, auferida de sua concentração ionica de hydrogenio, expressa por PH 7. 1, mas podendo manifestar-se francamente acido, momento em que PH = 4,5 (vide pg. 61). Diverge a composição do suor nas varias partes do corpo, resumindo-se ella num soluto mais ou menos con- centrado de chlorêto de sodio, com um pouco dè chlorêtof de potássio e saes alcalinos de ácidos orgânicos, como lactatos e sudoratos. Ainda encerra vestigios de phospha- tos alcalinos e terrosos, acido urico (Tichborne), acetona (Devoto), etheres sulfuricos dó phenol e talvez indol e escatol (Kast). Nos animaes, particularmente no carneiro, qual mostrou Buisine (74), verifica-se ainda grande nu- mero de ácidos gordurosos voláteis, como o formico, acé- tico, propionico, butyrico, valerico, caproico, ácidos de ou- tra natureza, taes como o urico, o hippurico, o benzoico e o oxalico. E' sobretudo com a potassja que taes ácidos se encontram, ao menos em bôa parte, combinados, mas só pathologicamente se formando elles em maior dose no suor humano. Analysando o suor, obtido por elevação; da tempera- tura, apurou Favre a seguinte composição: Agua 995,570 °/00' Residuo fixo 4,430 Chlorêto de sodio 2,230 Chlorêto de potássio.. 0,244 Sulfatos alcalinos 0,012 Phosphatos alcalinos.. vestigios Phosphatos terrosos.. vestígios Lactatos alcalinos.... 0,317 °/w Sudoratos alcalinos.. 1,562 Albuminas vestigios Urea ;.. 0,043 IGorduras 0,014 Como já annunciava Chevreul, é o suor poderosa fon- te eliminadora de saes, maxime de alcalis, não sendo para esquecer que maior é a riqueza mineral no inicio da excreção. Põe Hugounenq (132) reparo na circumstancia de ser o suor, dos líquidos da economia o que faculta maior percentagem de compostos inorgânicos. De outra maneira não se concluiria da seguinte relação dos saes mineraes 65 contidos em 100 partes de residuo fixo, proveniente da evai>oração dos principaes d'aquelles humores: Plasma sanguíneo 8,6 Lympha 17,0 Urina 21,9- 40,0 Liquido amniotico 42,3 Humor aquoso 64,1 Lagrima 72,2 Suor 75,0 Especificando as quantidades das matérias mineraes de 14 litros de urina e de suor, simultaneaimente colhi- dos num mesmo sujeito, estabelece Favre (75) o seguinte confronto que é instructivo : ; suor URINA Chlorêtos 34,64 57,02 Sulfatos 0,16 21,77 Phosphatos traços 5,38 Alcalis em Na OH 4,18 2,49 Matérias organicas totaes 22,92 139,65 No estado pathologico modifica-se essa eliminação mi- neral pelo suor, em particular quando! a fundio se conturba a nutrição, qual no diabetes e na gota, ou dês que, sa- crificados outros emunctorios, se exalce a funcção vica- ríante da pelle, como na uremia, no cholera, em diversas intoxicações. Refere-se ao suor de um rheumatico a seguinte ana- lyse, feita por Erich Harnach (76) : Agua 990,9 %0' Residuo fixo 9.1 ( C hlorêto de sodio 5,2 l Sulfatos 0 6 i Phosphato de cálcio.... 0,2 I Phosphato de magnésio. 0,1 %o Carbonato de potássio... 0,1 Uréa 1,2 Matérias organicas di- versas 1,2 Podem, entretanto, os suores ter augmentado o seu coefficiente de acidez pelo crescimento da secreção se- bacea, através dà qual é de crêr se elimine também parte dia demasiada producção de acidojp da economia, em cir- 66 cumstancias pathologicas. Qual o papel de uma e de ou- tra secreção neste trabalho eliminador, ainda, é problema a resolver. A SECREÇÃO SEBACEA Segregada por glandulas annexas aos pellos, ou mes- mc independentes, espalha-se pela superfície cutanea uma substancia oleosa que a lubrifica. E' a secreção sebacea; que, dotada de reacção acida, apresenta pequena quota de matéria albuminoide, considerável proporção de gor- duras e de um corpo ternário, solúvel no álcool, no ether e no chloroformio, provavelmente de funcção acetonica, segundo o parecer de Rosenfeld. Eliminada por dia na razão de 12a 15 grs., a máteria sebacea contém ainda ácidos gordurosos voláteis e cerca de 1 Qo de cholesterina e seus etheres. A seguinte analyse devida á Schmidt (77) é relativa ao producto de um cysto sebaceo Agua 317,0° oo Residuo fixo 683,0 Cellulas epitheliaes 617,5 Gorduras neutras ' 41,6 Ácidos gordurosos (butyrico, valerico, caproico) 12,1 Saes mineraes 11,8 Consectario frequente de certos estados dyscrasicos é a eliminação de ácidos pela cute, em virtude da ac- cumulação de taes productos no organismo de nutrição viciada. Em consequência da irritação da epiderme, resul- tam dermatoses, nas quaes encontram justo cabimento os alcalinos em applicação local, já que, neutralizados os ácidos fica removida a causa directa da desordem. Na conjunctura, actuam, outrosim, os alcalinos por estimu- lação da epiderme, como resaltarâm Casteret e Auge (78) quando os preconizavam' nas feridas cutaneas, particular- 67 mente em ulceras varicosas e nas queimaduras, sempre emfim que fosse mister excitar a vitalidade dos tecidos. Sobre a superfície acommettida, se applicam os al- calinos, em soluto assás diluido para esquiva-los á acção irritante, assim sob a forma de banhos, loções, envolto- rios, como, por exemplo, nos eczemas seborrheicos, na psoriasis. Formando albuminatos alcalinos com as proteí- nas, normaes ou pathologicas, e sabões solúveis com as gorduras, os alcalinos favorecem a remoção do excesso conturbador das secreções cutaneas. Postos á margem os cáusticos como, a potassa, a soda, a cal, aproveitam-se como alcalificantes, os carbonatos al- calinos, os bicarbonatos alcalinos e terrosos, o biborato de sodio. O carbonato normal de sodio, aconselhado, pelo Co- dex na proporção de 258 grs. para um banho de 300 litros d'agua, pode ter augmentada a dose a 500-1.000 grammas, quando não haja grande irritação cutanea, as- sim como propõem Nothnagel e Rossbach (8). Ao mesmo carbonato devem as pommadas alcalinas de Alibert e de Mahon as suas propriedades medicinaes. Menos irritante, é o bicarbonato de sodio usado com o mesmo fim, constituindo, na dose de 500 grs., o ba- nho dicto de Vichy. Em compressas humedecidas no so- luto a 1 - 5 «/o é ainda recurso prestadio aquelle sal, que é o mais importante agente de algumas aguas bicar- bonatadas sodicas (Vichy, Pedras Salgadas), egualmente usadas na emergencia, ainda que não tenham claramente precisadas as suas indicações. Por menos irritantes e com o favor de Brocq e Jacquet (79), inculca'm-se as aguas bi- carbonatadas calcicas e mistas (vide pag. 43). O acido* carbonico livre d'essas aguas mineraes completa-lhes a acção physiologica, dotando-as de maior influencia esti- mulante sobre a pelle. Também o borax pode ser usado localmente, soibre- tudo quando se lhe quer aproveitar o poder antiseptico. 68 Egualmente alcalificantes são os sabões, que, ao de- mais, formam com as gorduras neutras corpos insolúveis, de facil remoção. Preparados com a soda deparam-se-nos os sabões duros e com a potassa os maltes, os quaes, por isso mesmo, são mais irritantes e menos empregados em medicina. O sabão amygdalino ou medicinal, que é obtido pela acção da soda sobre o oleo de amêndoas, recommenda-se por sua pureza, assim para uso externo., como interno. O oxydo, o h yd rato e o carbonato de magnésio, por menos irritantes que os alcalinos solúveis, podem ser uti- lizados em natureza no intuito de saturar as secreções aci- das das glandulas cutaneas. Resumem-se, pois, os effeitos dos alcalinos sobre a pelle, na neutralização dos ácidos e na emulsão e sapo- nificação dos indutos gordurosos, poupandodhe, assim, a irritação e favorecendo a circulação superficial. Nos car- bonatos neutros e ácidos mais complexa é a acção, visto que o acido carbonioo, libertado ao contacto da excreção» acida, estimula a superfície epidérmica. Não obstante sustentada por Lecorché, que verificou basica a reacção das urinas, após um banho alcalino, não é admittida a absorpção dos carbonatos e bicarbonatos pela via cutanea, desde que Rõhrig a negou. As vias digestivas Antes de cuidar da acção dos alcalinos nas vias di- gestiva® será esboçado o estudo do meio, em que se vai processar a acção medicamentosa. A BOCCA Por conta dos saes que contéml, a saliva é um li- quido de reacção fracamente alcalina, ao menos no curso da mastigação e da primeira hora do trabalho digestivo (Sticker, 80). Jaeubowitsch (81) assignalou-lhe a compo- sição seguinte: Agua 995.16 %0 Residuo secco 4,84 Matérias proteicas 2,09 Corpos gordurosos e ex- tracto alcoolico traços Sulfocyanéto de potássio 0,07 Chlorêtos de sodio e de potássio 0,84 Phosphato de sodio 0,94 Sulfato de sodio traços Cal e magnesia... • 0,04 Cumpre ainda accrescer o carbonato acido de sodio que, com o phosphato disodico, empresta a fraca reacçàoi alcalina do meio, equivalente a cerca de 0,08 a 0,10 °/oi de carbonato de sodio (Ville e Derrien, 82). Estima Pflíi- ger (83) em 65 volumes por cento a quantidade de gás carbonico, que pode ser obtida da saliva, dos quaes 42,5 % no estado de carbonatos. Merece, outrosim, registada a 70 verificação de Fleckseder (84) de que quanto miais abun- dante flue a saliva, tanto mais diminuem seus componentes orgânicos e atigmentam os mineraes, sobretudó os car- bonatos. A presença d'estes alcalis si não obsta á acção da ptyalina, a principal, sinão unica diastase da saliva,* também lhe não é favoravel. Desde as pesquisas de Chit- tenden e Smith (85) se conhece que, de facto, melhoír actúa a saliva em meio neutro, diminuindo os carbonatos o seu poder diastasico. Aliás, nesta secreção, confina comi a neutralidade a concentração ionica do H, que, como vimos, orça em 6,9 (vide pag. 61). Comtanto que se encontrem em concentração minima, os iontes H consti- tuem mesmo condição propicia, muito, porém, se avisi- nhando a dose paralysante da dose óptima. E' assim que já se manifestam impedientes os solutos millinormaes de acido chlorhydrico. Estando, porém, este em combinação organica, mostrou-se favoravel a acção, nos ensaios de O. John (86). Pode alterar-se a reacção normal da saliva algumas horas após o repasto, em consequência d'a fermentação lactica, soffrida pelos resíduos alimentares na cavidade buccal. Bem assim sabida é a acidez salivar, consecutiva ao desenvolvimento de um cogumello, o Endontyces albi- cans, causador de uma estomatomyoose conhecida. Ainda em certos casos pathologicos observa-se a rea- cção acida da saliva, a quali é de regra no diabetes, attri- buida ao acido láctico (Garnier e Schlagdenhauffen, 87), e não rara na tuberculose, na escrófula, no rachitismo, nos processos febris, em certas affeCções funccionaes e or- gânicas do estomago, como, por exemplo, na ulcera e no cancro gástrico. Indubitável é a acção molesta da acidez salivar, não só inhibidora da acção diastasica, como prejudicial ao te- cido dentário. Impõe-se, nessas condições, o uso de al- calinos, cuja acção physiologica na bocca consiste na in- fluencia local neutralizante dos ácidos e solvente da mu- 71 cina, segregada em demasia nos processos phlegrnasicos da mucosa buccal, assim como na acção alcalificante indi- recta, em virtude da supersecreção da saliva, provocada pelo sabôr peculiar, estimulante dias papillas gustativas. Equivalem, no particular, os effeitos obtidos com os vários alcalinos ionizados, excepção feita do bórax, que, a um passo, funcciona como alcalificante e antiseptico. Em lavagens ou em collutorio não hão de, porém, apre- sentar aquelles saes grande concentração no soluto usa- do, attentas as propriedades irritantes de taes medica- mentos. E' de lembrar a proposito que Liebreich (88) concluiu que apenas a concentração dó soluto de borax attinge 2 o(>, já se observa irritação do epithelio gastro-. intestinal do cã a, e bem assim com o soluto a 1 o/o de bicarbonato de sodio. Certo é que, si para simílhante irritação concorre o ionte oxydrilio em liberdade, deve nella collaborar a acção do proprio cathionte, já que, ao parecer do mesmo experimentador também irritantes são os solutos de 0,5 °.o, de chlorêto de sodio. No que toca ao ionte bóro, convém assignalar que nenhuma acção irritante foi verificada com os solutos de acido borico a 5 °o. Note-se, para concluir, que desde que se não ver rifique maior irritação na mucosa buccal e se não> prolon- gue o uso, são proveitosos os solutos a 5 °'o de borax e a K)"., de bicarbonato de sodio. O ESTOMAGO No estado physiologico diversifica a reacção do, con- ttnto gástrico, conforme se encontre ou não o estomago em periodo digestivo, durante o qual é segregado um sueco, cuja acidez cresce progressivamente, para diminuir depois a pouco e pouco, já desempenhadd o seu mister. Fóra da phase digestiva, acreditava-se até ha pouco, não fosse acido o sobredicto conteúdo, por ventura existente, a menos uue entrecorressem fermentações acidas. As re- 72 centes investigações de Carlson (89) trouxeram1, porém, nova luz, mostrando que mesmo nos períodos de jejum se observa secreção acida continua das glandíilas gástri- cas, com um fluxo de 2 a 50 cc. por hora, em Togar do de 3,5 cc. por minuto, verificado no curso da digestão, Já em similhante sueco se contém a pepsina e o acido chlorhydrico, os dois componentes que sobrelevam na com- posição do sueco gástrico, ao lado dá chymdsina e da Ji- pase gastrica, ainda posta em duvida por alguns. E' so- bretudo na secreção da parte cardíaca do estomago, que se encontram aquellas duas substancias, muito restringi- da como se acha a secreção da pepsina na região pylorica, onde desapparece completamente a do acido chlorhydri- co. Condiz, aliás, esta observação com! a maior percenta- gem de chi oro, que a investigação attesta na mucosa da região da cardia, em contraste com| a dá pylorica. E' obvio que outro não é o anionte á custa do qual se' ha de fa-« bricar no estomago o acido chlorhydrico, devendo mui provavelmente achar-se fracamente combinado, talvez com a ammonia, talvez em estado de ether, de conformidade com as modernas vistas de Harvey e Bensley (90). Das importantes pesquisas d'estes auctores resulta que não se forma nas cellulas das glandulas gastricas o, acido chlo- rhydrico, sinão que só apparece este nos tubos glandu- lares, onde o chlorêto excretado soffre dissociação, quiçá um1 processo hydrolytico, mercê do qual se libertarão o acidó chlorhydrico e a base fraca, para logo reabsorvida. Não é dc olvidar o grande poder de penetração da am- monia em todas as cellulas do organismo) e a maior per- centagem d'ella na mucosa do estomago do que em qual- quer outro orgam (*). Si no sueco gástrico de jejum[ a acidez total é repre- sentada quasi exclusivamente pelo acido livre ou actual, (*) Em abono de hypothese da formação do acido chlorhy- drico do sueco gástrico por conta do chlorêtb de animonio, lembra Macleod (6S() o «Penicillium glaucum», que, crescendo em um meio provido d'aquelle sal, absorve ammonia e dei\ai, como residuo, o acido chlorhydrico. 73 as coisas se medem por outra craveira durante o periodo digestivo. Neste passo, o acido formado se combina, em todo ou em1 parte, com as matérias albuminoides alimen- tares, modificando-se-lhe a concentração, mediante o cha- mado sueco diluente de Strauss, cujo mister seria abaixar a proporção de acido livre e permlittir a abertura do py- loro e prosecução do acto digestivo. Nãoi basta, porém, com este fim, a alcalinidade do muco gástrico, computada por Boldyreff (91) em 0,05 a 0,10% de Na2CO3. Se- riam necessários 100 a 200 cc. dà secreção mucosa para reduzir, mediante neutralização, a acidez normal do sueco gástrico de 0,45 a 0,25, razão por que para Carlson (89) teria sido exaggerada por Pawlow a influencia d'este fa- ctor. Não soffre duvida que nas condições normaes hão de pesar outras circumstancias, mercê das quaes se di- lua e se neutralize em parte a secreção gastrica no curso digestivo, quaes sejam o refluxo duodenal e a saliva de- glutida, factor este que escapa á analyse nos sujeitos com obstrucção esophagiana, qual o do eminente expe- rimentador de Chicago. Importa, porém, no caso, sobre- tudo o refluxo das secreções alcalinas do intestino, o suc- co pancreatico, a bile e o sueco enterico, de accôrdo com os accurados estudos de Boldyreff (91), para quem con- stituia similhante regorgitação «a regulação automatica da acidez gastrica». Foram estas vistas confirmadas ultima- mente por Spencer, Meyer, Rehfuss e Hawk (91 a), que testemunharam, assim a bile, como a trypsina, no contento do estomago de um indivíduo, onde haviam introduzido um soluto a 0,5 % de acido chlorhydrico. De tudo se conclue que teremos de considerar na acidez gastrica varias circumstancias de relêvo: a) a aci- dez total titometrica, representada pela somma dos hy- drogenios substituíveis, b) a acidez actual, traduzida pela concentração ionica do H (vide pag. 47), em' relação? com a qual se manifesta a actividade da pepsina. c) o acido| chlorhydrico livre (ou sejam compostos orgânicos chlo- rados para Arthus, 92), cujas proporções não hão de ex- 74 ceder de certos limites, sem que fique ameaçada a inte- gridade da mucosa gastrica. Na acidez total, a par de diminutas proporções de ácidos orgânicos e phosphatos ácidos, prevalece o acido chlorhydrico, parte do qual livre, ou melhor ionizada, e parte combinada com as proteínas. Computa-se esta par- cella, no auge da digestão, segundo as indagações de Schule (93) em 0,12--l,l°/oo, e aquella, a do acido considerado livre, em 0,7 - 2,0°õo, ou seja approxima- damente a media de 2°/oo. No sueco gástrico puro, co- lhido no fundo de sacco, insulado no estomago, indemne do sueco diluente, muito maior é a concentração do acido., a qual attinge a cerca de 5 °/oo, oscillando entre 4,6 e 5,8°, oo, como no caso de Umber e Bickel (94), refe- rente a um sujeito com uma dupla fistula esophagiana e gastrica. A acidez actual, facultada pelo methodo electrome- trico nos indica a disponibilidade de iontes H dissocia-- dos, sommada a contribuição do acido chamado, livre á do acido dicto combinado, que dissocia em muito menor escala. E' pois sob a expressão de acidez actual que se deverá referir, sempre que possível, a reacção do .sueco gástrico. E', de facto, o que aconselha Howell (95) na ultima edição de seu excellente tratado de Physiologia: «For physiological purposes it is preferable to abandon the terms free and combined acid, and instead to express the degree of acidity in terms of the actual hydrogen-ion concentration ». Com o methodo electrometrico, testemunhou Menten (96) a concentração de iontes hydrogenio no sueco gás- trico normal, entre PH 0, 95 ePH 1,15 ou, na media, egual a IxlO"1 isto é PH 1. Nos ensaios de Fôa (97) a mesma concentração regulou entre P H 1 e P H 1,9. Michaelis e Davidsohn (98), tendo por meio do methodot colori métrico investigado a acidez gastrica, encontram-n'a, depois de uma refeição de prova, egual a 0,017 N, seja; 1,7 x 10 "2 . 75 O acido chlorhydrico livre existiria para Arthus (92) unicamente no sueco gástrico puro, obtidb pela refeição fictícia, mas não no impuro, qual o commumente exami- nado. Realmente, neste não apresenta o acido chlorhydrico todas as reacções do mesmo acido livre, assim por exem- plo, quando fervido o sueco com o amido, não se hydro- lisa este hydrato de carbono, bem como não haverá des- prendimento de vapores ácidos, desde que fervido ou des- tiliado o sueco no vacuo. E' que, diz Arthus (92), ol acido elaborado formaria sempre com as matérias organicas com- postos chlorados, os quaes, todavia, se comportam phy- siologicamente á maneira do acido livre, dependente como se acha o valor da acidez da concentração ionica do hy- drogenio. Si acceitarmos as determinações de Carlson (89) que orça em 700 cc. a quantidade de sueco gástrico produ- zido em cada repasto, não se andará longe da realidade em estimar em 2 litros a producção diaria d'aquelle sue- co, equivalente a 4 grs. de acido chlorhydrico, ou seja perto de 12 grs. de acido officinal por dia. Para se aquilatar acerca dos outros componentes do sueco gástrico, registaremos a velha analyse d*e Schmidt (77) e a moderna de Carlson (89) : 76 S ANALYSE DE SCHMIDT Sueco gástrico de homem (misturado com saliva) ANALYSES DE CARLSON Dentidade Sueco de appetite 1007 Secreção continua ou sueco de fome Residuo matinal 1006 (*) Agua 993,404 0/0 Residuo fixo 6,600 Ponto de congelação -0,55° a -0.62°C - 0,47° a 0,52° C - 0,21° a 0,41° C Acido chlorhydrico 2,000 Substancias solidas totaes 0,48 a 0,58 °/0 , Em maior quota 0,98 (*) Matérias organicas 3,195 Substancias inorgânicas.. 0,11 a 0,14 / que no sueco de 0,45 f) Chlorêto de sodio 1,465 Substancias organicas.... 0,34 a 0,47 appetite 0,53 (*) > de potássio 0,550 Acidez total em HC1 0,48 0,34 0,23 » de cálcio 0,061 Acidez livre etn HC1 0,40 0,25 0,18 Phosphato de cálcio.... ; i Chlorêtos 0,49 a 0,56 - - » de magnésio ; 0,125 Azoto total 0,06 - 0,066 (*) » de ferro.... Ammonia em Az.. Ácidos aminados em Az.. Pepsina (♦♦) 0,002 a 0,003 0,003 a 0,009 6 12 a 7 1/2 mm. 6 a 7 mm. 3 a 4 mm. (*) Pertence' esta Indicação a Fowler e Buchanan (89 v). j (**) Foi feita esta dosagem mediante a digestão da ovalbumina coagulada, nos tubos de Mett. 77 E' indispensável a presença de iontes H no sueco gástrico á acção biochimica de suas diastases, á frente das quaes se inscreve a pepsina, que em' meio neutro se re- vela absolutamente inactiva. Outra diastase sua, a chy- mvsina, lab-fermenio ou rennina, dõs americanos, requer também meio acido para a sua formação) e maior efficien- cia, ainda que, depois de produzida, possa actuar em meio neutro. A concentração óptima do ionte H para a acção da pepsina tem sido diversamente estimada, assim, em 1,25 °/oo die acido chlofhydrico por Slis (99), 1,50 °/oo por Didier (100), 2°/oo por Huppert e Schutz (101) e 2 a 3 °/oo por Iscovesco (102), para quem seria inefficaz concen- tração inferior a 1 °/oo, e prejudicial, quando superior a 6°/oo. Para Sõrensen (103) o máximo da actividade dias- tasica se exerceria com uma concentração die hydrogenio equivalente ao soluto 0,06 N. de acido chloíhydrico, ou seja a percentagem de 2,19°/oo grs. Todavia, os experi- mentos de Michaelis e Mendelsohn (104) depõem em fa- vor de uma concentração mais fraca, concluindo pelo opti- mo de acidez representado por 4x 10"2, o qual correspon- de ao soluto 0,04 N. E' de crer que a discordlancia dos resultados se filie na actuação concomitante de outros factores (*) e na existência provável de diversas varieda- des de pepsinas, pois que nos differentes animaes não (*) Ninguém mais do que Ringer (105) tem procurado sus- tentar que a velocidade da acção da pepsina depende, não só da concentração do hydrogenio e de outros iontes do meio, co- mo do grau de embebição da albumina. A esta these, ain<?a ha pouco, oppunha Michaelis (10â) com1 o 'peso de sua auctoridade a seguinte reflexão: «Da ist ja auch natiirlich, dass ein Kolloid, je nadh der Dispersijtãt, je nach der Oberflãche, die es dem Ferment darbietet, und je nach der Quellung schneller oder langsamer verdaut wird. Aber dan# ist nicht gesagt, daps diea die einzige Beziehung der Sãure zur Fermentwirkung sei, ich glaube vielmehr, dass dies eine zweite, mehr sekundãre Wir- kung der Sãuren* ist und dass es nur eine Zweckmâssigkeiteinri« chtung des Organismus ist, wenn diejenige Wasserstoffzahl, ,wel- dhe das Optimum der Pepsinwirkung darstellt, gleichzeitig unge- fãhr das Quellungsoptimumi fúr das anzugreifende Eiweiss ist». 78 é a mesma a concentração acidia propicia á acçao do fer- mento, como, por exemplo, no cão, ondie se mede a con- dição mais favoravel pelo soluto acido 0,05 N. Em que pese á Achalme (1), para quem «la mise en liberte dtes ions H semble bien être le facteur principal de 1'action de Pacidité», na actividade da pepsina influe decisiva- mente o anionte, occorrendo o processo, muito mais rá- pido em face do acido chlorhydrico, do que do sulfurico. Tanto mais para confutar é aquelle asserto de Achalme, quanto é sabildo que, em se combinando o acido chlorhy- drico com a albumina, o processo diastasico se effectua mesmo na ausência de qualquer acido livre (Macleod, 68), o qual egualmente não é necessário afim de que se pro- cesse a digestão gastrica no cão, como o provou Miil- ler (107). Em relação á actividade da chymosina, conclue Dann (108) que o tempo da coagulação do leite é inversamente proporcional á concentração de iontes H, a qual no leite orçaria, a seu ver em 0,14 a 0,32x 10'6 . De muito maior alcance é, na emergencia, a preponderância de iontes Ca, com o qual se combinará a paracaseina formada para dar o conhecido composto colloidal insolúvel, que consti- tue o coagulo. Ainda pende, porém, de decisão a duali- dade dos dois fermentos gástricos, a pepsina e a chy- mosina, sobretudo depois que a auctoridade de Pawlow propôs identifica-los. A lipase gastrica, destinada unicamente á saponifica- ção das gorduras já emulsionadas, como as do leite e da gemma d'ovo, actúa em meio neutro ou acido, con- soante os estudos de Volhard (109), que notou que, si mínima parcella de alcali lhe era nociva, egualmente pre- judicial era, no caso, um soluto 0,1 N. de acido chlorhy- drico. Recentemente Hall e Keeton (110) concluíram no mesmo sentido, tendo sido verificada a destruição da li- pase gastrica por uma concentração 0,2 N. do mesmo acido, d'onde resulta ficar adstricta a sua funeção aos pri- meiros períodos da digestão gastrica, quando ainda não attingida a quota de acidez physiologica. 79 No estomagc obram os alcalinos solúveis, já directa- menie neutralizando o excesso de acido chlorhydrico e os ácidos de fermentação, que conturbam o processo phy- siologico, já os saturando, a estes e áquelle, fóra da actividade digestiva, já por estimulação da mucosa gás- trica com a supersecreção secundaria, já, e finalmente, pela acção peculiar de seu anionte. Para bem se apreciarem os effeitos dios alcalinos no estomago, se deverá ter em conta particularmente o mo^- mento da applicação, visto como deparando-se-lhes o acido chlorhydrico em maior dose, á neutralização d'elle se li- mitará a acção na conjunctura, ao passo que usados em jejum, momento em que reduzida é a acidez gastrica, mais facilmente exercerão directa influencia sobre a mu- cosa. Outra circumstancia de grande valia é a dose do alcalino prescripto, pois que, sobrando á saturação dos ácidos, darão logar a effeitos secundários, quer localmen- te, quer depois de absorvidos, em virtude do augmento das reservas alcalinas da economia. Verdade é que para Kaufmann (111) ainda é «open question» saber si os al- calinos, em geral, augmentam secundariamente a secreção gastrica, tendendo certos auctores modernos, com Cusnhy (10), Dixon (112), Gaglio (113), Sollmann (9) a res- ponder pela negativa, esteiados nos experimentos de Paw- low (114), que em cães verificou diminuição do sueco» acido com solutos de 0,05-l,Oo/o de bicarbonato d.e sodj.0, investigações essas comprovadas por Bickel (115) e Heinscheimer (116). Similhante effeito correria por con- ta, não só dia acção directa sobre a mucosa, sinão tam- bém por influencia reflexa do duodeno. Convém não es- quecer que a própria agua augmenta a secreção gastrica, e Reichmann (117), assignalando o facto, não via maior augmento quando prescriptos os solutos alcalinos. Cou- be, porém, a Sawitch e Zeliony (118) demonstrar em ex- perimentos no proprio laboratorio de Pawlow que, appli- 80 cado sobre a mucosa da região pylorica, o bicarbonato de sodio occasiona, de ;regra, secreção acida. De tudo se conclue que o effeito ha de variar se- gundo a natureza do alcalino empregado, a sua dosagem, o momento da applicação e o estado de excitabilidade da mucosa gastrica. Em jejum, facilmente removida a acidez do sueco de repouso, os alcalinos solúveis exercem sensível acção, mais ou menos irritante, conforme verificou Liebreich (119) em cães, com solutos a 1 <*/0 de bicarbonato de sodio, á similhança do que se observa com os de chlorêto de sodio a 0,5 o/o. Por isso é de aconselhar o uso de taes alcalinos em solutos diluídos, para fugir á irritação da mucosa. Note-se ainda que é em jejum que se offerece a melhor occasião para aproveitar o beneficio dbs alcalinos sobre o muco segregado pelo estomago, dissolvendo-oi e facilitando-lhe a eliminação, A presença anormal de ácidos em elevada proporção no estomago em jejum, em consequência da irritabilidade dã mucosa ou da fermentação dos alimentos, modificará o effeito medicamentoso, exigindo maiores doses do al- calino, quando se busque actuar directamente sobre a mu- cosa, já que neutralizada é urda parte da base. E, assim sendo, como beneficio preliminar se esquiva o estomago da acção irritante de ácidos extranhos ou não, e de pro- ductos outros nocivos como os gases, mas também, mu- dada a reacção do meio, se obsta ao desenvolvimento de certos fermentos figurados. A' acção physiologica dos al- calinos, haverá, então, que accrescentar a dios productos se- cundários, particularmente o acido carbonioo que, além de anesthesico, estimula a secreção e a motilidade gastrica. No caso do sal de Vichy, formar-se-á, outrosim, em pre- sença do acido chlorhydrioo, o chlorêto de sodio que, á maneira do gás carbonico estimula a secreçãoi gastrica, devendo, pois, soffrer esta algumá influencia secundaria no sentido do seu augmento. Não podem, em summa, ser recusadas as conclusões de Linossier e Lemoine que, em 81 memorável communicação á Academia de Medicina de Pa- ris, em 1908, insistiam nas propriedádes excito-secretoras do bicarbonato de sodio, já proclámadas, aliás, em 1894 por Mathieu e Laboulais (120) e mesmo muito antes por Claude Bernard (121). Para que se verifique a referidai acção secundaria dos bicarbonatos alcalinos, é mister se- jam estes usados em certa proporção;, afim de que, embora no momento restrinjam seu tanto a acidez, não sobrem a neutralizar o acido segregado a mais. Com as doses co- piosas a supersecreção será tardia, no que annuem Li- nossier e Lemoine (122), que verificaram o máximo dá secreção uma hora depois da ingestão do medicamento, cuja dose óptima estimaram em 5 grs. de bicarbonato de sodio. ' I No curso do processo gastro-digestivo de um sujeito normal a saturação do acido chlorhydrico do sueco gástrico só pode malfazer, porque, diminuindo a acidez, embaraça a acção diastasica physiologica, enfraquece o poder anti- septico da secreção, favorecendo as fermentações nocivas, perturba as trocas osmoticas e, no caso dos carbonatos,, pode motivar supersecreção tardia e damnosa. Na occorrencia pathologica varia o effeito dós alca- linos solúveis, já que reagem diversamente os hyperchlo- rhydricos e os hypochlorhydricos. Demonstrou-o Mathieu (123), observando em relação ao bicarbonato de sodio, que estes respondem por uma supersecreção a uma dose menor dó sal, do que aquelles. Mais facil é a suai excitai ção, comtanto que seja de origem funccional a insuffb ciência secretora, e, muito embora com lesões parciaes da mucosa, não se observe a gastrite atrophica total. E' evi- dente que nesta hypothese debalde se estimulará a mui cosa, destruídos como se acham os seus elementos glan- dulares. A maior sensibilidade dos dyspepticos hypo-chlo- rhydricos dá aso a que, não raro, passem elles ao typo hyperchlorhydrico, por motivo de inveterado tratamento alcalino. Ao parecer de Hayem (124) seria esta, uma con- sequência da gastrite medicamentosa. / 82 Mais amplo ainda é o território de acção dos bicar- bonatos alcalinos sobre o estomago doente. Assim é que favorecem indubitavelmente a evacuação do orgam, já com- batendo o excesso de acidez, que occasiona o reflexo py- lorico, já pela estimulação da motricidade gastrica, assim como o aventaram Mathieu e Laboulais (120), corrobora- dos depois, radiologicamente, por Binet e Lebon (125). Tributaria, ao menos em bôa parte dó gás carbonico des- prendido, essa benefica influencia é mais nitida nos hy- perchlorhydricos. Manifesta-se o máximo do effeito com a dose de 5 grs. de bicarbonato de sodio, subministrada meia hora antes do alimento, menores effeitos se obtendo; com a dose de 2,5 grs., comquanto mais sensíveis do que com 10 grs., proporção esta que pode actuar como inhibidora, tal como nos instruem as pesquisas de Binet e Lebon. A acção calmante da dór gastrica, tão notoria e peculiar aos bicarbonatos é attribuida ás propriedades analgésicas do gás carbonico produzido, mas sobretudo á própria neutralização dos ácidos, a cuja conta se inscreve o espasmo pylorico, origem talvez exclusiva dós phenome- nos dolorosos, no opinar de Mathieu, Soupau/t e Harfmann. Os carbonatos alcalino-terrosos e o de bismntho sa- turam eguaimente os ácidos estomacaes, com idêntica pro- ducção de gás carbonico. Sua acção se caracteriza, assim como a qos outros alcalinos insolúveis, a magnesia, o phosphato ammoniaco-magnesiano, o tricalcico, pela mais dilatada permanência no estomago, em natureza, e prom- ptos á funeção neutralizante, tanto que se segregue o acido chlorhydrico ou se desenvolvam ácidos de fermem tação. Posto que de acção menos energica, menos provei- tosos ás manifestações dolorosas, são elles preferidos co- mo saturantes gástricos por desprovidos de acção super- secretoria secundaria. Não é indifferente a preferencia dos alcalinos de bismutho, de cálcio ou de magnésio, sendo de aconselhar este ou aquelles, assim se pretenda a acção estimulante ou depressora da musculatura intestinal, ou ainda a associação d'elles, quando em' vista corrigir a acção dominante num ou noutro. Binet (126) testemunhou 83 considerável augmento da motricidade gastrica em segui- da ao emprego do carbonato de cálcio e da magnesia, ainda que em menor escala do que com 01 bicarbonato1 de sodio. 1 O citrato de sodio, proposto por Germain Sée e Ma- thieu, na dose de 2 grammas, com o fim de combater os vomites de certos gastropathas, foi definitivamente incluí- do entre os melhores agentes da medicação alcalina por Stadelmann (127), que o preconiza em altas doses, 20 a 30 grs. por dia. Considerandoo superior ao bicarbo- nato, como anti-acido, Boas (128) reduziu-lhe, entretanto, a dose a 10 ou 12 grs. Acredita Mathieu (123) que oí citrato de sodio apresente acção secundaria, excitante de secreção gastrica, muito inferior, porém, a do bicarbonato. Só se verifica a acção alcalificante dos citratos durante) os períodos de actividade gastrica, ou melhor em face do acido chlorhydrico livre, que os decomporá com formai ção de chlorêto e de um1 acido muito mais fraco, o) acido cítrico, ao qual, por sua vez, attribue o predicado de mo- derar a secreção gastrica. O biborato e o phosphato de sodio actuam1 também como alcalificantes, alliadia a esta acção a propriedade an- tiseptica de um e o poder tonificante de outro. Até d concentração de 0,2 o/o não deprime o biborato a acção da pepsina, mas, segundo Halliburton (129), já a 0,1 «/oj supprime a actividade da chymosina. Si, porém, o acidqi Chlorhydrico presente fôr bastante para transformar o sal em acido borico, nenhuma acção retardante ou impediente será observada, que, ao contrario, até a concentração dei 1 o/o o acido borico accelera a digestão peptica. O INTESTINO Theatro de complexo trabalho chimico, o meio intes- tinal tem a sua reacção subordinada aos vários suecos di- gestivos que nelle se lançam. Assim é que despeja o estomago, periodicamente, o producto de sua actividade no 84 diuodeno, onde entra em contacto com o sueco enterico, a bile e o sueco pancreatico. Alcalinas, todlas estas secre-, ções têm a sua reacção modificada pela acidez do sueco/ gástrico e dos productos de fermentação processada no intestino delgado, pelo que é a reacção acida que preva- lece, embora muito attenuada, até a maior parte do ileon. Cerca de três litros diários de sncco enterico fluem, no calculo de Pregl (130), das glandu^las de Briinner, no, duodeno, e das de Lieberkiihn nas partes restantes do intestino delgado. De reacção fortemente alcalina ao tor- nasol, foi estudado nos quatro casos conhecidos de fistula intestinal no homem, tendo-lhe sido assignalada a com- posição media seguinte (Gley, 131): Matérias solidas 10,0°/oo Chlorêto de sodio 5 a 6,0 Carbonato de sodio 2,0 Densidade 1007 Ponto de congelação 0o,62 O sueco pancreatico é também francamente alcalino, como se infere de sua composição no cão, já que o do homem oscilla nos mesmos limites (Lambling, 60). Eis o que nos diz umia analyse do sueco pancreatico do re- ferido aminal, emprestada de Hugounenq (132): Agua 900,75°/oo Matérias albuminoides 90,38 Chlorêto de sodio 7,36 Phosphato de sodio 0,45 Carbonato de sodio 0,50 Phosphato de cálcio 0,22 Magnesia 0,05 85 Segregado pelo homem na proporção de 500 a 800 cc. (caso de Olaessner, 133), o sueco pancreatico mede o seu titulo basinietrico pelo de um soluto de soda a 4,5-» 4,9°/oo, de tal modo que é um pouco mais alcalino dó que o sueco gástrico puro é acido, o que Lambling (60) exprime pela relação de 78:100. Note-se, porém, que o sueco pancreatico, prodiizido pela chamada «secreção ner- vosa », mediante o estimulo das fibras secretoras do vagoj e do esplanchnico, é espesso, opalescente, rico de fer- mentos e pobre de bases, emquanto o sueco originado da «secreção chimica», mercê da influencia da secretina, é, ao revés, pouco denso, miai providó de diastases e abun- dante de alcali. Afere Fôa (134) a concentração dó sueco pancrea- tico, em iontes oxydrilicos, pela de um soluto de potassa a 0,0056 °/oo. Na tabella de Clark e Lubs ^(vide pag. 61) figura o mesmo sueco do cão com PH = 8.3, ao passo que no extracto do pancreas PH = 5.6. Em comparação com! os extractos de outros orgams é o pancreatico o que maior acidez apresenta, vendo Macleod (68) nesta cir- cumstancia o resultado da grande secreção de alcali por» parte do pancreas. Note-se, ainda mais, que mostrou von Liebermann (135) que, em se reduzindo a concentraçpto, do oxydrilio no sangue, mediante a injecção de acidq láctico, diminue egualmente o fluxo da secreção pancrea- tica sob um estimulo constante. Estaria o phenomeno, ao parecer de Bayliss (136) na dependencia do maior traba-, lho exigido para attingir a concentração alcalina no sueco pancreatico, a partir de nivel mais baixo no tocante ao| sangue. A bile é outra secreção alcalina lançada no percurso intestinal, na proporção media de 500 a 800 cc., tendo sido assignalada pela analyse de Jacobsen (137) a se-> guinte composição mineral no producto obtido por uma fistula biliar : 86 Agua 997,40°/oo Residuo fixo 22,60 Saes mineraes 8,50 Chlorêto de potássio 0,28 Chlorêto de sodio 5,50 Carbonato de sodio 0,95 Phosphato trisodioo 1,30 Phosphato de cálcio 0,37 Phosphato de magnésio traços Ferro traços Sobram, portanto, bases alcalinas na bile, a par do tauro e glycocholato de sodio e dos sabões de sodio,, como palmitatos, estearatos e oleatos. Si a bile que flue tem a sua alcalinidade actual medida por PH 7.8, a que se estagna na vesícula tende a augmentar a concentração ionica do hydrogenio, passando PH a ser egual á media, dé 6.3 E' de vêr que a reacção alcalina, verificada nas três secreções intestinaes, se acha normalmente modificada pelo sueco gástrico e pelos ácidos de fermentação-, do que re- sulta o meio intestinal neutro, fracamente acido ou leve- mente alcalino, criada, assim, a condição favoravel piara a actividade das muitas diastases que ahi actuam, como ao deante se verá. Evidente é que, tributaria de tantos factores, ha de variar em certos limites aquella reacção, consoante o regime alimentar e a composição das secre- ções digestiivas que no intestino se mesclam. Não admi- ra, pois, a falta de uniformidade dos resultados, quanto á reacção actual, isto é, a quota die iontes H e OH em estado livre. Mediante o tubo de Rehfuss e a coadjuvação, dos raios X, Long e Fenger (138), recorrendo ao metho- do electrometrico, verificaram no duodeno do homem um conteúdo, cuja reacção variava de franca a levemente aci- da, conforme o tubo se avisinhasse mais ou menos doi pyloro. Já, porém, na extremidade inferior do duodeno, a; 87 reacção, si por vezes era acida, por outras se manifestava alcalina. A reacção das partes restantes do- intestino del- gado foi determinada cm animaes, como porcos, carneiros, vitellas, tendo sido separado por ligaduras o intestino del- gado em três partes. Ainda que houvesse, de regra, con- sideráveis variações, concluíram aquelles auctores pela rea- cção levemente acida no terço superior e no medi o, ao passo que alcalina no terço inferior. ComtudO, neste ul- timo trecho a reacção podia apresentar-se, por excepção, muito mais acida que nos primeiros. Em uma das ex- periências de Long e Fenger (138), a acidez do terço mé- dio do intestino delgado de um cão recentemente alimen- tado correspondia a PH 6.79, ou seja fracamente acida. Aliás, observando em um sujeito com uma fistula na ex- tremidade distai do intestino delgado, Macfadyen, Nencki e Sieber (139) encontravam mesmo nas proximidades da valvula ileo-cecal a acidez equivalente a do soluto a 0,1 ®/o de acido acético. A reacção habitual do intestino delgado pode modifi- car-se pela incidência de múltiplas causas, seja a hyper- chlorhydria com insufficiente secreção alcalina do Fígado, do pancreas e da mucosa enterica, seja pela occorrencia de fermentações acidas anormaes, assim por excesso de feculentos e assucares no regime alimentício, como por imperfeita absorpção d'estes princípios. Interessando a reacção do meio particularmente á acti- vidade diastasica, impõe-se-nos a apreciação do optimo de acidez ou de alcalinidade peculiar aos principaes fermen- tos intestinaes. E' claro que as endbenzymas ou histo- diastases, por isso mesmo que não alcançam a luz do canal digestivo, sinão que limitam sua esphera de acção ao recesso das paredes intestinaes, são influenciadas uni- camente pela reacção d'estes tecidos. Em these se poderá dizer que das diastases que ope- ram no percurso intestinal, as saccharolyticas actuam, dê regra, melhor em meio acido, emtanto que as proteolyticas o fazem de preferencia em meio alcalino. 88 Provido de fracas propriedades diastasicas, o SUCCO ENTERICO é dotado apenas de uma amylase (Gley), que, assim como a de proveniência pancreatica, exerce a sua actividade maxima em meio fracamente acido. A mal- tas e, porém, nelle egualmente assignalada, tem prejudi- cados os seus effeitos já por mui fraca concentração dei iontes H, abeirando-se da neutralidade o optimo de sua acção. Mas já quanto á sucrase ou invertina, endoenzyma encontrada na parede enterica, mostraram Kjeldahl,' e Fern- bach (140), que pequena proporção de acido lhe favorece a acção, emquanto forte dose a modera. Foi estudado ex- perimentalmente o optimo de acção por Von Hudson (141) e representado por uma concentração egual ao soluto 0,02 N. de acido chlorhydrico, tendo decrescido rapida- mente o effeito depois que a concentração excedia a do soluto 0,06 N. De outro lado Sõrensen (142) demonstrou que é tão sómente á concentração de iontes H livres que se deve a activação da sucrase, computando-a para todos os ácidos em 0,00003. A lactose, outra histodiastase da mucosa enterica, tem outrosim, favorecidia a sua acção por fracas doses de ácidos e paralysada por fortes. Bierry (143) marca a dose vantajosa em 0,001 N. e a preju- dicial em 0,01. Por sua vez, a erepsina, que é uma en- doenzyma proteolytica só actúa em meio neutro, ou, comi mais energia em meio alcalino. Dos FERMENTOS PANCREATICOS temos que con- siderar, entre outros, a amylasè, que opera mais energi- camente em face de mui fraca concentração de iontes H, visto como já é impediente a de 0,001 N. de acido' chlo- rhydirico. Na observação de Terroine e Weil (144), os proprios ácidos aminados, oriundos da desintegração dos albuminoides bastam para activar a amylase. No que re- fere á lipasc pancreatica, prejudica-a a presença de áci- dos, entretanto que lhe é favoravel a das bases, tal como viu Hanriot (145), correspondendo o máximo do effeito á concentração do hydrogenio expressa por IxlO"'8. Ca- paz de se exercer em meio neutro ou mesmo acidoí, a acção 89 da trypsina é consideravelmente acoroçoada pelo meio al- calino. Kanitz (146), reportando esta circumstancia á al- calinidade actual, estima o ponto optimo em uma concen- 1 1 tração de oxydrilios, que medeia entre - e normal. 70 200 Não esqueça, porém, (e o facto tem significação the- rapeutica) que não é a alcalinidade condição indispensável á acção da trypsina, tal como foi recentemente demonstra- do, e tanto assim que é ella ainda effectiva em um) meib com uma forte concentração acida, egual a PH 1.5 (Ma- cleod, 68). Tributaria em grande parte da acção primeiramente exercida no estomago, a acção ph a rmacodyn arnica dos al- calinos no intestino subordina-se ao momento em que são usados, á sua maior ou menor dose e, finalmente, ao grau de solubilidade do agente alcalificante. Ingeridos á refeição, em dose moderada, serão oá alcalinos saturados pelos ácidos normaes da digestão, não attingindo, por conseguinte, as vias intestinaes. Não dei- xam, entretanto, em tal caso de actuar indirectamente sobre a secreção intestinal, pancreatica e biliar, deprimindo-as, pois que, neutralizando a acidez gastrica, restringem cm consequência o estimulo physiologico dressas secreções. Todavia, mesmo nos períodos digestivos, os alcalinos, em fortes doses, poderão alcançar o intestino, cuja reacção será então decisivamente influenciada, ainda que para tan- to se houvesse de conturbar a elaboração digestiva. Quan- db excessivamente acido, o chymo pode irritar a mucosa intestinal, inhibindo-lhe a acção dos fermentos, e, em tal caso, os alcalinos usados ao termo da digestão gastrica influirão beneficamente sobre a digestão intestinal. Assim, nas diarrhéas acidas, subsecutivas á hyperchlorhydria, apro- veitará o poder saturante dos alcalinos, que, corrigindo o excesso de acidez do meio intestinal, esquivará a mu- 90 cosa da irritação, além de facultar a regularidade da seção díastasica dos suecos digestivos no meio enterioo. Afóra do trabalho de digestão gastrica, os alcalinos alcançam facilmente a via intestinal, onde, depois de neu- tralizados os ácidos frequentemente presentes, é o ex- cesso absorvido em natureza, quando o permittam suas condições physico-chimicas. E', então, ás fermentações in- testinaes, que aproveita a acção díos alcalinos. Afim de que attinjam, porém, as porções distaes do intestino se ha- verá de recorrer aos alcalinos insolúveis, sejaml, por exem- plo, o oxydo de mãgnesio, os carbonatos de cálcio, dei magnésio ou de bismutho. No particular, diverge, portan- to, sensivelmente a acção dos alcalinos solúveis e insolu- veis. Emquanto aquelles são absorvidós nas primeiras por- ções do tubo intestinal, só os outros se permittem chegar ás partes distantes, aonde por ventura se desenvolva a fermentação acida. A par de seu poder de saturação ainda os alcalinosi solúveis, como o bicarbonato de sodio, fluidificando o mu- co, actuam efficazmente sobre a mucosa intestinal, con- sentindo mais franco accesso aos suecos digestivos e pro- piciando a absorpção. . Por muito tempo se acreditou os alcalinos fluidificas- sem a bile, augmentandõ-lhe a secreção, mas concluirami as investigações de Stadelmann e de Rufherford em 1879, por nenhuma influencia em similhante sentidb. Registe- se, todavia, que é universalmente reconhecido o beneficio das aguas mineraes alcalinas sobre a secreçãoi biliar, par- ticularmente nos casos de cholelithiase, d'onde se have- rá de concluir que acerca do assurripto ainda não foi dieta a ultima palavra. As pesquisas de Wohlgemuth (147), e depois d'ellas, as de Wilbrand (148) testemunharam a diminuição do sueco pancreatico, sob a influencia do bicarbonato de so- dio. Seria a diminuída actividade do estomago a causai do phenomeno para Dixon (112). De facto, desde que se 91 admitta o decrescimento da secreção chlorhydrica pela acção dos alcalinos, é de convir que menos secretina se for- maria no duodeno e menor resultaria o fluxo pancreatioo. Bem acceitaveis seriam essas considte rações do sabio phar- macologo de Cambridge, si estivesse assentada a acção depressora dos alcalinos sobre a secreção chlorhydrica do estomago. 0 meio interno Vem preoccupando os scientistas a reacção do meio interno, desde o século XVII, com alternativas de cuidado e de esquecimento, mas, como sempre, a investigadores extremados em generalizações apressadas, se oppondo a nimia contradícta de outros, eivados do mesmo animo ra- dical. o Já Le Boc Sylvius (1614-1672) descrevia com superior previsão, a acrimonia acida e a alcalina, ás quaes tribu- tava uma série de desordens do apparelho digestivo, em cujos desvios pathologicos, distinguia, ora excesso, ora carência de ácidos ou de alcalinos. E assim também nas variações da acidez e da alcalinidade dos humores filiava muitos dos phenomenos inflammatorios. De Robert Boyle (149), coetâneo dé Sylvius, partiu vigorosa e triumphante a opposição que havia de derro- car o systema das acrimonias, mau grado as verdades; que continha. Só muito depois, dois séculos mais tarde, Scherer (150) e Andral (151) tornaram ao assumpto, encarecendo a im- portância da reacção humoral. E' mister se chegue a 1850, para que se nos deparem os primeiros ensaios quantita- tivos de Cahen (152), acerca da alcalinidade do sôro san-, guineo, que diminuida se revelava nas moléstias inflam- matorias, por meio dia titulação pelo acido phosphorico. Pesquisas qualitativas da reacção do sangue de animaes seguem-se nas mãos de Kúhne (153) em 1865, de Lie- breich (154) em 1868, de Mosler (155) em 1872, de 94 Lassar (156) em 1874 e de Walter (157) em 1877. Já providos de outros recursos scientificos em 1878, Lepine (158) e seus discípulos Canard e Oarel logram attrahir a attenção de sua epocha para o delicado problema da de-, terminação da alcalinidade do sangue no homem. Bouchard em 1879 e 1880 accentúa a importância dá reacção dos humores, no seu memorável curso de pathologia compa- rada, em que edificou o capitulo nosologico dás doenças devidas a retardamento da nutrição. Na Allemanha, recebia o assumpto contribuições va- liosas de Maly (159) em 1882, de Landois (160) em 1885, de Haycraft e Williamson (161) em 1889, de Kraus (162) em 1889-1890. Todavia, ainda por essa epocha, affirmava! Hayem (163): « On sait que le sang possède normal e* ment une réaction alcaline ... Mais il est probable que, mêmc chez Phomme sain, Palcalinité du sérum est três variable. 11 serait donc intéressant de connaitre un pro- cede permettant de doser Palcalinité du sérum dans une petitc quantité de véhicule». Respondeu ao appello do sabio francês, René Drouin (164) que, em 1892, publi- cava sua notável these acerca da «Hemo-alcalimétrie et Hemo-acidimétrie», na qual, estudando as variações da reacção alcalina e da acidez real do sangue nas condições normaes e pathologicas, apresenta um subsidio de perto de 1.500 observações. Nessa monographia conclue Drouin que o sangue, influenciando os reagentes corados, a mo- do dos alcalis, se comporta, entretanto, á indagação chi- mica, como um liquido acido. Veremos a seu tempo (pa- gina 107) como interpretar a illação dfeste investigador, no tocante ao que elle chama a alcalinidade apparentq c a acidez real do sangue. Depois dos ensaios de Drouin,. que pareciam) ter es- gotado o assumpto, segue-se perto de um decennio de si- lencio, até que o desenvolvimento da chamada chimica- physica veiu lançar nova luz sobre a matéria, marçandó, o inicio da moderna historia da reacção, não só do san- gue, como dos outros liquidos da economia. Assim é que se delineou a nova concepção da alcalinidade e da acidez, 95 avaliada pela concentração de iontes hydrogenio e oxy- drilios no soluto. Renegados os velhos processos titome- tricos e gasometricos (não raro, com prejuízo), os novos methodos physico-dhimicos foram applicádos ao sangue, pela primeira vez, em 1900, por Hõber (165), que, usan- do electrodios de gás, concluía que o sangue era fracas mente alcalino. Seguiram-se as investigações de Frieden- thal (166), de Frãnkel (167), de Farkas (168) e do pro- prio Hõber (169), que, modificando as suas primeiras in- ferências, acreditava que a concentração de oxydrilios no sangue não excedia a da agua destillada. D?ahi deduzia Loeb (170) que, em geral, os phenomenos da vida se pas- sam em um liquido não alcalino, porém mais ou menos neutro. Nestes últimos annos as múltiplas contribuições de Ewing (1908), de Henderson (1909), de Sõrensen (1912), die Michaclis (1914), de Marriot, Levy e Rowntree (1915), de Mc Clendon e Magoon (1916), de Van Slyke (1916), de Clark e Lubs (1917), de Sellardjs (1919) e outras adr duzidas adeante, enriqueceram a litteratura contemporâ- nea sobre o assumpto, exalçandò-lhe a importância e per- mittindo concluir que, si o fluido logrado por expres- são dos tecidos é quasi neutro-, o sangue é levemente al- calino. Revela-se mui fraca esta reacção ao methodò ele- ctrometrico, mas, como pondéra a indeclinável auctoridade de Lambling (60), á luz dos problemas da physiopatho- logia, no que respeita ao conflicto d!e ácidos e bases na economia, se haverá de continuar a vêr no sangue um' meio alcalino. Corpos ácidos e básicos do sangue Nas condições physiologicas a desassimilação lança no sangue corpos ácidos, damnosos já por sua dissocia- ção electrolytica, já por derivarem bases da economia* 96 já por seu fraco coefficiente de solubilidade, mas que neutralizados pelos alcalis, a par d'elles existentes, se tornam menos nocivos, quando não innocuos. Neste pror- posito se empenha o organismo, conservando o equilí- brio chimico de que ha mister, mercê de reacções que «are known with a fair approach to certainty», para falar as próprias palavras de Henderson (171), aquelle que mais ha tratado tão importante questão. D'entre os ácidos normalmente elaborados sobreleva assignalar o phosphorico e o sulfurico, originários dá oxy- dação do phosphoro e do enxofre dos princípios albuminoi- des, o acido carbonico, resultante dos princípios carbo- nados, em geral, ácidos gordurosos, oriundos assim das gorduras, como das proteínas, acidos-alcooes, taes o lá- ctico, o glycuronico, o oxybutyrico1 e o diacetico, amidas acidas, como o acido hippurico,e ureides acidas, a exemplo do acido urico e do oxalurico, produzidos particularmente no metabolismo das nucleoproteides. Os ácidos mineraes e muitos dos orgânicos não podem, porém, de nenhum modo, encontrar-se em estado de liberdade, visto que des- locam as bases de ácidos fracos, assim decompondo os bicarbonatos, ou convertendo os phosphatos dimetallicos em monometallicos ou acidós. No computo de Henderson e Palmer (172) a forma- ção acida normal do organismo humano corresponde á media diaria de 600 a 700 cc. de soluto acido decinormal.. Em certas anomalias pathologicas maior é a somma de ácidos que desafiam reacções de defesa por parte do organismo e suscitam estados acidemicos. E' sobretudo na acidose diabética, que m'ais e mais attentam os inves- tigadores contemporâneos, despertados de longa data por suas dramaticas consequências. Patenteia-se nella um vi- cio da desassimilação dos ácidos gordurosos superiores, especialmente o palmitico e o esteárico, provenientes das gorduras, assim1 como na desintegração de certos ácidos aminados da matéria albuminoide, taes como) a leucina, a tyrosina, a phenylalanina. Uns e outros têm1 travada a sua perfeita oxydação em gás carbonico e agua, remanes- 97 cendo em bôa parte no estado de ácidos B - oxybutyrico e diacetico, que engravecem sobremodo a producção acida normal db meio interno-. Ainda que nos não possamos deter no estudo del tào relevante assumpto, que antes se inscreve na chimica biologica, registaremos a ordem, a que parece obedecer a successão dos phenomenos conducentes á superprodu- cção acida no diabetes : Ácidos gordurosos superiores Acido butyrico Acido diacetico d - acido oxybutyrico (de facil combustão) 1 - acido oxybutyrico (de difficil combustão) Esse o eschema em que Marriott (173), corroborado por Hurtley (174) e por Wilder (175), resume as transi formações que culminam na producção do acido B-oxy- butyrico, predominante na acidose diabética, onde não é rara a eliminação diaria de 15 a 20 grs. do mesmo cor- po, podendo mesmo se elevar tal proporção a 150 - 200 grammas. Quando abunda a existência d'esse acido min- gua, de regra, a do acido diaceticoj e da acetona, os* quaes, todavia, poderão apparecer, sem embargo* de ausência do acido B-oxybutyrico. E' de vêr, comtudo, que na actualidade apenas se debuxa o problema biochimico da acidemia, e ainda hoje se não logra responder ás questões formuladas em 1916 por Howland e Marriott (176), quando inquirem si ha- verá ao menos em certas formas de acidose, a presença de outros ácidos anormaes ainda não averiguados, si se demasiam os ácidos normaes, ou si as bases é que se escoarão em excesso, e, finalmente, si não será de in- vocar, em certos casos, a incapacidade renal para excre- tar sufficientemente os ácidos elaborados. D'ahi o con- 98 cluirem, confiantes no futuro, aquelles illustres scientis- tas : «much has been learned in the last few years; with the present greatly stimulatad interest in the subject, we may confidently expect that the future will provide an- swers to many of the questions that now seem obscure ». Ainda que muito não faça ao nosso objecto cumpre assignalar a opinião expendida por Hugounenq e Morei no seu relatorio concernente a «La chimie du coma dia- bétique», apresentado ao Congresso de Lyon em 1911. Por essa occasião assertavam elles que, mais ou menos inertes no tocante á toxicidade, os corpos acetonicos res- tringem a alcalinidade do sangue, em virtude de sua aci- dez. Tornando o organismo mais vulnerável, a acidose consecutiva interferiria, sem duvida, na producção dos phe- nomenos tóxicos, mas, entretanto, assás não dievêra ser para provocar o coma diabético. Seriam antes os deriva- dos das matérias proteicas, escapos de completa destrui- ção no organismo diabético, em consequência da desassi- milação transviada de seu curso regular, que deveriam ser inculpados pelo apparecimento do coma. Si ainda se não assentou de todo em! todo nos respon-, sáveis directos da acidose diabética, a mais conhecida das formas de acidemia, mais se escurece o assumpto no to- cante ás outras modalidades, como sejam as da nephrite, da diarrhéa infantil e outras que serão opportunamente estudadas. Mechanismo regulador da reacçâo do meio interno Os acidòs normalmente elaborados, ou experimental ou pathologicamente accresccntados, combinam-se com as substancias basicas dos tecidos e do sangue. Quaes se- jam estas substancias, e como entram ellas em acção, é o que passaremos a explanar. 99 Affirmava Marcet (177) em 1874 que a alcalinidade do sangue devia ser attribuida a crystalloides, vistoi que desapparecia pela dialyse. Já Liebig e Claude Bernard, (178) em 1859 concluiam, sem rebuço, pela existencial de carbonatos no sangue. A perda de gás carbonico ao vacuo da machina pneumática não tardou em demonstrar que, na realidade, havia bicarbonatos, em cuja especie se transmudam os carbonatos, em conflicto com os productos ácidos do sangue, com libertação de acido carbonico. Effectivamente, submettidos ao vacuo, o plas- ma e o sôrô sanguineo só perdtem^a metade do anhydrido? carbonico, combinado no estado de bicarbonato, o que indicia que a outra metade resiste no estado de carbo- nato normal. Carreando na sua própria molécula o gás carbonico, o bicarbonato é decomposto ao nivel do epithelio pulmo- nar, em virtude da differença da tensão, em carbonato nor- mal que fica e no alludido gás que passa para os; alvéolos pulmonares : 2 Na H CO3 Na2 CO3 + CO2 + H2O Além dos bicarbonatos existentes no plasma e nas cellulas, já Berzelius assignalára a presença do phospha- to disodico, que em face do acido carbonico se transmu^ daria, ao menos em parte, em phosphato monosodico, com producção de bicarbonato : Na2 HPO4 + CO2 + H2O - Na[H2PO4 + Na HCO3 Não só com o sodio, sinão com o potássio, o cálcio} e o magnésio se acha combinado o acidoí phosphoricoy com formação de phosphatos, que quasi por inteiro se encontram nas hematias (Howlandi, 176). Com as proporções medias seguintes concorrem os saes responsáveis pela leve alcalinidlade do sôroí sangui-* neo, segundo as analyses de Schmidt e Bunge (179): Bicarbonato de sodio 2 a 4 °/oo Phosphato disodico 0,15 a 0,20°/oo Phosphato tricalcioo e tri- magnesiano 0,50 a 0,00 °/oo 100 A estructura chimica dós saes do acido carbonico e do acido phosphorico afaz-se admiravelmente ao mister de conservar em justas proporções o trafego entre as bases e os ácidos produzidos na economia. E' a essa re- serva alcalina, constituída por bicarbonatos e phosphatos, que os inglêses chamam «buffer substances», em cuja actividade divisa antes Bayliss (136) uma «tampon action », visto como se reservam ellas o papel de absorver, assim o H, como o OH accrescentado. Na realidade, crescendo aquelle ionte avultarão os bicarbonatos e os phosphatos ácidos, que, por mais dialysaveis, lograrão mais facil ac- cesso através dos emunctorios, particularmente quando pos- to em liberdade o acido carbonico. Ninguém melhor do que Lawrence Henderson (171) expôs o problema, synthetizando-o nas duas reacções fun- dãmentaes seguintes, nas quaes M representa um radi- cal básico e A um radical acido: MH CO3 + H A = M A + H2CO3 M2HP 0' + HA = M A + MH2P0' Não será difficil, mercê dos conhecidos princípios phy- sico-chimicos, que presidem á theoria das soluções e da ionização, avaliar as proporções em que taes trocas set operam no sangue. Preliminarmente se assente, porém, na propriedade que fruem os ácidos fracos, polybasicos, co- mo o carbonico e o phosphorico, em presença de um ex- cesso de seus saes, de manter estável a reacção do meio, sendo a acidez actual, ou melhor, a concentração ionica do hydrogenio proporcional á relação entre o acido livre e o sal relativo. De facto, a addição de acido ou de, al- cali não modificará a reacção do soluto, visto que não altera sinão a proporção relativa dos saes presentes. Assim sendo, a concentração ionica do hydrogenio (C H) cor- responderá, tal como o induz o mesmo Henderson, ao pro- ducto da relação entre a constante de dissociação do aci- do (K) e a de ionização do sal (y) pela relação entre a 101 concentração molecular total do acido e a do respectiva sal. Assim, facilmente lograremos esta ultima relação: K HA $ H V X M A HA K MA ~ Ch ' ? HA _ CHxr MA j< Conhecidas experimentalmente a constante de ioniza- ção dos ácidos e dos saes que influenciam! a reacção do H2 CO3 sangue, nos será dado determinar as relações de NaHCO3 Na H2 PO e , ainda que mais difficil de obtida seja Na2 H PCB esta, do que aquella. H2 CO3 Para obter o valor de adoptaremos os se- Na HCO3 guintes coefficientes colhidos em Michaelis e Rona (180): Ch (concentração de H no sangue) = 0,35 xl0'7 K (constante de dissociação de H2 CO3 ) - 4, 4 X 10 ~7 V (constante de ionização de Na HCO3 no sangue, - 0,605 H2CO3 CH x k Sabido que - = , teremos Na HCO3 K H2CO3 0,35 x 10 7 x 0,605 = Simplificando Na HCO3 4,4 x 10 7 0,35 x 0,605 0,21 4,4 4,4 ' 102 H2 CO3 1 Logo = ( ) Na HCO3 21 Por outro methodo, comprobatorio do anterior, se po- H2 CO3 derá lograr a relação Para isso, tomando-se 100 NaHCO3 grammas de sangue, com o cuidado de evitar perda de gás, verificar-se-á que em tal volume se contêm 60 cc. de CO2, parte dos quaes livre e parte combinada. Attendendo a que, a 760 mm. de pressão, o ooefficiente de solubilidadle dt> gás carbonioo é egual a 0,54 cc., facil é dedlizir a quanto corresponde elle no sangue, onde a pressião par- cial do mesmo gás é estimada em 42 mm., na visinhança 42 dos tecidos. Haverá, de facto, em 1 cc. de sangue -x0,54 too ou sejam 0,0297 cc. de CO2. Em 100 cc. se conterão, pois 2,97 cc., ou, por aproximação, três volumes, dl'onde se • xbtém a relação entre o acido carbonicO livre e o aombír 3 1 nado, equivalente a - OU -. 60 20 Na H2 PO 4 Para ter a relação - recorreremos aos se- Na2 H PO4 guintes dados, propostos por Henderson (171), com os quaes se resolverá a já conhecida equação, de equilibrioi Na H2 PQ4 CH Xl Na2 H PO4 K (*) Valendo-se de outros dados physico-chimicos, discrepa um pouco o resultado dos cálculos de Henderson (171), quanto ao equilíbrio entrei o acido carbonico livrle e combinado no san- gue. Fazendo K - = 3 X 10 ~7 e V 0,8, concluía aquelle H2 CO3 H2 CO3 1 illustre investigador pela relação - egual a Na HCO3 12,5 103 CH (concentração de H no sangue) 0,3 X 10 ~7 K (êonstaute de dissociação de H2 PO4 ) = 2 X 10 -7 7 (constante de ionização de Na2 H POt) - 0,8 Na H2 PO4 0,3 X 10 '7 X 0,8 - = --, Simplificando, teremos Na2 H PO4 2X10-7 0,3 X 0,8 0,24 2 2 Na H2 PO 4 1 Logo - Na2 H PO4 8,3 Mais recentemente, em 1915, Michaelis e Garmendia (181) adoptaram esta outra relação como a verdadeira expressão do equilíbrio entre as duas especies de phos- Na H2 PO4 1 phatos no plasma sanguíneo : - = Na2 H PO 5,1 Si, para maior uniformidade, adoptarmos os cálculos de Henderson, é de concluir que 88 o/o dos phosphatos do protoplasma e do sangue se acham no estado de sal bimetallico (M2 HPO4) e 12»/o no de sal monometallico (M H2PC)4), só tendo, pois, havido mister de 88 o/o da molécula de alcali para converter o phosphato monome- tallico em bimetallico. Assim também, 92 o/o db gás car- bónico se nos depara combinado, sob a forma de bicar^ bonato e 8 «o em estado livre, tendo,' portanto, sido consu- midas, na saturação, 92 o/o da molécula de alcali (*). A par dos carbonatos e phosphatos, que constituem: os chamados «alcalis diffusiveis», existentes no sangue humano na proporção de cerca de 20 «/o da totalidade das (*) A outra conclusão se não poderá chegar, posto que no trabalho de Henderson (171), provavelmente por lapso, se regis- te que 89 o/o dos phosphatos pertençam ào typo M2 HPO4 e 93 o/o do acido carbonico se encontre combinado. 104 bases (Brandenburg, 182), alistam-se, como reguladores dâ reacção do sangue, as proteínas, que, por sua natureza amphigena, podem combinar-se, como o realçou Landau 183), não só com os ácidos, sinão com as bases. E' que, como já foi dicto, (vide pagina 52), na contextura d'ellas, assim como na dos ácidos aminados, que actuam similhantemente, se contêm os grupos Az H2 e COOH, capaz este de se combinar com os . radicaes ba-< sicos e aquelle com os ácidos. Constituem: estas bases, que divergem fundamentalmente das primeiras, os alcalis chamados «não diffusiveis», ou melhor, como prefere Ham- marsten (184) «difficilmente diffusiveis». Não é preciso encarecer a vantagem para a economia d'esta categoria, de alcalis, que formam, a bem dizer, a grande reserva sempre prompta a ser mobilizada, assim o exijam as ne- cessidades do organismo. A amrnonia é outra base que prima no mechanismo de defesa organica contra os ácidos. E porque estes avul- tem no metabolismo dos carnívoros e do homem, os saes ammoniacaes se excretam nelles em maior copia que nos herbívoros, onde, ao invés, a formação acida se restringe, E' de considerar o grande poder neutralizante da am- monia, tal como o accentúa Joslin (185), visto como 1 gr. d'este alcali pode neutralizar cinco vezes mais acido B - oxybutyrico do que a mesma dose de bicarbonato de so- dio, dada a diversidade da grandeza molecular dos dois corpos. Quer a ingestão de ácidos, quer a sua maior producção nos processos de desassimilação acarretam pronunciada ex- creção de ammonia nas urinas, seguida de correspondente diminuição de uréa, ao passo que a ingestão de alcalinos, em natureza ou carreados pelo regime vegetal, occasiona phenomeno inverso. E' fóra de duvida que a defesa am- moniacal apenas se observa em face de ácidos que no organismo tenham resistido normal ou pathologicamente á combustão, assim, por exemplo, com o acido benzoico. 105 eliminado sob a forma de acido hippurico, assim com os ácidos acetonicos, gerados em excesso, quando desviada a desassimilação de seu curso physiologico. Verificou Hal- lerworden (186), que a subministração diaria de 2,81 grs. de acido chlorhydrico a um homem, durante dois dias, lhe crescia a excreção ammoniacal pela urina de 0,80 a 1,10 e 1,31. Por outro lado, Janney (187), no laboratorio ole von Miiller, demonstrou que a ingestão de bicarbo- nato de sodio ao homem determinava a reducção da am- monia urinaria a vestígios desprezíveis, d'onde o concluir elle que a este alcali cabe tão sómente neutralizar os ácidos orgânicos, cessando de produzido, em presença de excesso de alcalis fixos. Taes as quatro linhas de defesa que, segundo Hen- derson, precavem a economia contra a maior concentra- ção de iontes ácidos, nociva por mais de um titulo. Re- sumindo as suas conclusões, diremos que a primeira linha se nos depara nos carbonatos do sangue, que actuados pelos ácidos dão logar ao acido carbonico>, eliminado no acto respiratório, com baixa de sua tensão nos alvéolos pulmonares, o que, por seu turno, permitte ao mesmo producto em estado de crescente concentração no sangue, e maior ainda nos tecidos, escoar-se pelos pulmões. Mos- trou Hasselbach (188) que o proprio augmento de con- centração de H no sangue, estimula os centros respira- tórios, accelerando a respiração, crescendo a ventilação pulmonar, e permittindo, portanto, maior eliminação do residuo acido. Nella divisa mesmo Henderson (189) uru verdadeiro hormonio da respiração, sendo, com effeito, a hyperpnéa, traduzida na «air hunger» o melhor dos in- dícios da acidose, revelado pelo só exame physico do pa- ciente. Convém ainda insistir na tensão do gás carbonico nos alvéolos pulmonares, proporcional á do sangue das ar- térias, como o demonstrou Krogh (190), a qual, si cresce 106 com o augmento da alcalinidade, diminue sempre que o sangue se enriquece de productos de funcção /acida (*). Representa a segunda linha de defesa a formação- dios phosphatos ácidos, mais facilmente elimináveis pelos rins, com producção de urina acida e economia de uma molécula de base para cada molécula excretada do mes- mo phosphato. Na terceira linha militam sobretudo as proteínas, cuja importância já Loeb (170) exaltára quando testemunhava em uma de suas memoráveis experiencias, que um mus- culo de rã morria em uma hora ou menos, immerso que fosse em soluto physiologico a 8°/oo, tornado, pelo acido chlorhydrico, de uma acidez N/1000, ao passo que restava vivo por vários dias, quando substituído esse soluto por sangue de boi desfibrinado, ainda quando- augmentada a acidez. Finalmente, a quarta linha de defesa se resume na formação anormal dia ammonia. A reacção do sangue e dos tecidos Do conflicto entre os ácidos e as bases elaboradas e absorvidas resulta a reacção normal do sangue e dos te- cidos do organismo. Como vimos, alistam-se, no rol das bases saes, que, embora d;e reacção alcalina, por conta da hydrolyse soffrida, são evidentemente saes ácidos, nos quaes ainda remanesce hydrogenio substituivçl por metal básico. D'ahi deflúe a reacção amphigena do sangue, que, actuando á maneira dos alcalis, em face da maior parte dos reagentes corados, como o tornasol, a cochonilha, o acido rosolico, nada ou pouco sensíveis aos ácidos fracos, (*) Por isso é Iquc orçando em 40 mm. cie- tnercuriof a tensão media de gas carbonico nos alvéolos pulmonares, descerá ell^ a 38 - 39 mm. com o regime cárneo, que é acidificante, em4 quanto se elevará a 43 - 43,5 mm. com o regime vegetariano, que, como vimfcls, é rico depositário 3e alcalis. 107 corno o carbonico, se comporta, entretanto, como neutro- á phtaleina phenolica, e desempenha, na realidade, func-> cções acidas, como primeiro affirmava Maly (1877), em! vista da capacidade que tem o sangue de neutralizar certa- quantidade de base. E' em virtude da existência doesses saes ácidos, mais dialysaveis que os outros, que o san- gue, não obstante a reacção alcalina assignaladla, excreta urina acida. E' ainda como oorollario d'estas considera- ções que se adimitte no sangue uma alcalinidade apparente, apreciável pela hemobasimetria e uma acidez real, medivel pela hemoxymetria, «duas grandezas que, de ordinário, variam em sentido inverso», no dizer de Lambling (191). E' de ver que a alcalinidade do sangue medeia entre os limites indicados pelo tornasol e pela pheno;lphta'Jeina> não attingindo o limiar da reacção d'esta, mas excedendo o d'aquelle. Mercê de processos titometricos a alcalinidade do san- gue foi comparada a 0,218 grs. de hydrato- de sodio por Landois (160), a 0,228 % grs. por Lépine e Canard (192), a 0,226% por Kraus, (162), a 0,206 % por Drouin (164) e a 0,161 -0,187 o/o de carbonato de sodio anhydrico por Luff (193). Medida por Kraus no sangue, a acidez cor- respondia, nas mesmas condições, á media de 0,199% de hydrato de sodio, deixando, pois, por seu calculo, um so~» bresalente de 0,027 de alcali. A esta relação attribuia o notável investigador maior importância doi que á va- riação de cada um dos dois valores insuladamente. De facto, observou que, ministrado a coelhos um soluto de acido chlorhydrico em grau de diluição toxico, poderia permanecer alcalina a reacção do sangue ao tornasol, mas a traduzir a acidose, havia a cifra representativa da aci- dez real excedente á da alcalinidade. Varia, comtudo, o; coefficiente d'esta, obtido mediante titulação, não só em funcção do indicador utilizado, mas também com1 o me- thodo preferido. Recommenda Loewy (194) hemolyzar pre- viamente o sangue, com o fim de evitar escape á dosagem grande parte do alcali contido nas hematias, visto como 108 em outras circumstancias, mais elevadó seria o resultado da titulação. Os modernos methodos physico-chimicos introduziram, porém, a noção da acidez e da alcalinidade achial, désenv volvida em outro passo do nosso trabalho (pag. 47) e mais consentânea á perfeita apreciação da força dos aci-» dos e das bases, a qual depende da presença de ionfes? H e OH, dissociados em maior ou menor numero no meio sanguíneo. Oscilla a concentração ionica do hydrogenio no san- gue, adoptada como exponente da reacção actual por mo< tivos já adduzidos, entre 10 "7 e 10 "8, esta só lograda pela subministração de alcalinos e aquella pela occorren- cia de acidose. Erróneas foram as primeiras determinações dó grau exacto da alcalescencia sanguínea, por não ha« verem attentado convenientemente na tensão normal do gás carbonico nas vias circulatórias. Não esquecidó, por rém, este factor, verifica-se que varia aquella concentra- ção (CH ) de 0.35 X 10 "'7 a 0.49 X 10"'7, ou sejam1 0,000000035 a 0,000000049 grs. por litro. Si tomarmos, como media, 0. 4 X 10 '"7, será PH egual a 7.39 e ha- verá, portanto, 1 gr. de H em 25.000.000 de litros de sangue, que, assim, poderá ser considerado um soluto al- calino 0,00000025 normal, correspondente a um liquido que encerre 0,000010 de NaOH por litro. A delicadeza de similhante ordem de pesquisas justifica de sobra alguma discordância nos resultados. Assim, para Friedentahl (195) a concentração media do sangue desfibrinado se compu- taria entre 0,3x 10'"' e 0,7x 10'"7. Hasselbach (196) en- controu PH egual a 7.45 no sangue arterial e a 7.3 no venoso, ao passo que Mc Clendbn< e Magoon (197), após cuidosos ensaios, concluiram pela media de P H 7.50 nq sangue venoso, com variações entre PH 7,45 e PH 7,55. Media analoga, isto é, entre PH 7,40e PH 7,60 offereceu o sangue oxalatado pelo processo empregado por Levy, Rowntree e Marriott, mais alcalino se revelandó o sôroí sanguíneo do homem, no qual PH oscillava de 7.6 a 7.8. Sobre o que não resta duvida é que um' poouco mais al- 109 calino do que o venoso é o sangue arterial, em1 confor- midade com a maior percentagem de acido carbonico, exis- tente naquelle. Não haveria mais de cinco partes de iontes H ou OH livres para 10 bilhões de protoplasma, ao parecer de Henderson (198). Mais condescendente, na hypothese, con- cede Arrhcnius (199) que uma parte em 1.000 milhões de moléculas proteicas, tenha dissociados aquelles iontes. E' que, ao seu proprio dizer «only a thousandth part (we suppose this figure for simplicity) of the proteid mo- lecules has split off its H-ions, and perhaps only a millionth part its OH-ions». Todavia, preciso é não es- quecer o accumulo possível de ácidos no interior das cé- lulas dos tecidos, sem que o facto influa sensivelmente na reacção do plasma sanguíneo, entre cujos factores de al- calinidade se inscreve, sem duvida, o numero de globulos. Nestes é, de facto, maior a quota de «alcali difficilmente diffusivel», do que no plasma, onde, ao revés, dominam os diffusiveis (vide pagina 103). Não ha nessa reparti-* ção desegual, sinão um recurso de preservação das reservas alcalinas da economia. Pode, porém, desfazer-se a relação assignalada. Assim é que, deslocado sob a influencia do acido carbonico, o alcali que existia combinado na he- matia com a proteína, vai augmentar a concentração die oxydrilios no plasma, perturbando-se, d'este geito, o equi- líbrio osmotico mantido entre os globulos e o sôro san- guíneo, d'onde decorrerá a absorpção d'agua por parte dtaquelles e a maior concentração dos productos dissol- vidos neste, assim os alcalis, como os saes, o assucar, as albuminas (Loewy e Zuntz, Hamburger, 200). Não seria alcalino, oomO o sangue, o fluido obtido por expressão dos tecidos, sinão «quasi exactamente neu- tro», pelos estudos de Michaelis e Kramsztyk (201), que + orçaram em 1.5x10 'a sua concentração die iontes H. Todavia, para Bechhold (67) teriam reacção acida os te- cidos, em relação com a considerável producção, não só de acido carbonico, mas sobretudo de ácidos gordurosos no 110 metabolismo cellular. Sobre o que não resta duvida é que os núcleos cellulares são relativamente acidas, maxi- me em phase de caryocinese, razão por que são dotados os seus elementos chromaticos de carga electrica negativa. A tempo, se note, porém, que augmentando a cons- tante de dissociação da agua com a temperatura, ha de variar forçosamente em proximos limites a concentração do oxydrilio no sangue circulante, ou seja, ao pensar au- ctorizado de Hammarsten (184) duas ou três vezes maior db que quando medida a 18.°, e avultada de 15 a 20 «/o, si se elevar a 42.° a temperatura normal db corpo humano. Papel da alcalinidade do sangue Multíplice é o beneficio concedido ao organismo por suas reservas alcalinas, que asseguram1 a fraca alcalini- dade do plasma sanguíneo, tão necessária e propicia ao transporte db acido caxbonico, á velocidade das reacções organicas, aos processos de oxydação, ao equilíbrio eol- loidal, á funcção phagocytaria, á dissolução de certos pro- ductos do catabolismo. O TRANSPORTE DO ACIDO CARBONICO Este é um dos mais importantes encargos dos al- calis do sangue, com cujos carbonatos se combina o aci- do carbonico, que os transmuda em bicarbonatos. Note- se, porém, que cerca de 1/5 a 1/10 do gás carbonico; for- ma com a Iglobulina e a hemoglobina uma combinação dissociavel (Engel e Moitissier, 202). São essas combina- ções fracas que se dissociam na rêde pulmonar onde a tensão do gás carbonico é mais forte que no ar dos alvéolos. 111 A VELOCIDADE DAS REACÇÕES E OS PROCESSOS OXYDANTES NO ORGANISMO O desenvolvimento dos seres organizados não logra- ria a velocidade normal, si o meio interno não dispuzesse; de recursos para neutralizar os ácidos resultantes do pro- cesso vital. Provam-n'o á evidencia os experimentos de Loeb (170). Separando o polypo dos troncos da Tubulari^ crocea, verificou o sabio americano que outro se regene- rava em cerca de dois dias, á temperatura de 20.° C., Em um solutc com NaCl, KC1, MgCl 2 Ca Cl2 e Mg SO 4 nas proporções em' que estes corpos se contêm na agua do mar, retardava-se á regeneração, quando o meio era neu- tro, para retomar, porém, a velocidãde normal, apenas se N lhe accresciam, a 100 cc., 0,5 a 1 cc. de Na HCO 5 - ou 8 N N 0,1 cc. de Na2 CO3 - ou ainda 0,2 a 1 cc. de Na OH - 8 10 D'estes alcalinos foi o bicarbonato que mais prestante se revelou ao desenvolvimento do referido hydroide. Si á N citada mistura se accrescentar 0,05 cc. de H Cl - não 10 se conturbará o processo regenerador, que porém, se inhi- birá desde que se addicione 0,1 cc., ou, no máximo, 0,15; cc. dó mesmo acido a 100 cc. Corresponde similhante per- N N centagem á concentração do acido - e r Outra 10000 60000 experiencia realizou Lceb cornos ovos fecundados doStron- gyloceni rotas purpuratus, ouriço que vive nas costas dã Califórnia, e cujos ovos só se desenvolvem em meio do- tado de certa alcalinidade. O optimio de concentração de hydroxyliontes seria de IO"6 a IO'4, a qual se reporta ao estado inicial, pois que a seguir decresce, tanto pela absorpção do gás carbonico da atmosphera, como pela neutralização por conta de ácidos formadós nos proprios ovos. 112 De seu lado Zoethout (203) privando organismos unicellulares de oxygenio, testemunhou muito maior re- sistência, quando inimersos em meio levemente alcalino. Já, pois, nos seres inferiores resáe a benefica in- fluencia da alcalinidade, que a vida animal depara nos oceanos e mares (*), cujas aguas fracamente basicas, d*i- minuem a sua alcalinidade a proporção que se tornam mais profundas, medindo, porém, a concentração ionica do hydrogenio de 0,000000011 N a 0,0000000045 N (Hen- derson, 204), ou seja no caso particular do « Pacific Gn> ve» de 10'8e no do «Woods Hole<» de 10"9 Verifica-fce esta reacção mercê do desenvolvimento de algas, como as do genero Ulwi e Enteromvrfiha, as quaes, postas á luz, tornam alcalinas as aguas marinhas, emquanto ne- nhuma transformação á obscuridade, descobria a accura- da observação de Lceb (157). Mais facil que nas organizações superiores seria des- vendar nos ouriços e hydroides, porque a alcalinidade favorece o desenvolvimento vital. Entretanto, ainda des- concerta a resposta no consenso dos investigadores. An- tes do mais, porém, pela neutralização dos ácidos forma- dos exime-se o organismo de sua acção toxica, que Griitzner + (205) demonstrou em funcção dos iontes H, e tanto as- sim que, de regra, augmenta a toxicidade dos vários áci- dos com o grau de dissociação. Por outro lado, reflectin- do sobre os seus ensaios com os ovos do ouriço, pondera/ Lceb que, não sendo possível o desenvolvimento; d'elles na ausência do oxygenio, é de crer que, em1 uma concen-< tração de hydroxyliontes inferior a 10 "7, se produzam1 de- masiado lentos os processos de oxydação. Seria, portanto, (*) Exaltando, a constância da composição da agua do oceano através de millenios, nota judiciosa mente Henderson (204): «No doubt since its origin it has grown tolder and more saline, and has changad its reaction from faintly acid to faintly al- kalinc. But a Imillion years are little in sudh great slow processes, and no living thing has ever experienced appreciable change in any one of them». 113 a fraca alcalinidade do sangue que permittiria as rea- cções oxydantes no organismo. Com effeito, demonstrou Lehmann (206) que, ingerido ou injectado nas veias, c carbonato de sodio crescia a quota de oxygenio fixada e de gás carbonico desprendido, ao passo que ,o{ contra- rio se observava com os ácidos. Ajusta-se esta conclusão; ao conceito de Liebig (207), que na alcalinidade do san-< gue via uma das circumstancias de maior relevo para que se produzam as combustões organicas, o calor e as trocas nutritivas. Sem conta é o numero de substancias organicas que, no laboratorio, reagem ou se oxydiam mais prestamente em meio alcalino, tal como já ensinava Chevreul em 1825. Descompõe-se, por exemplo, a agua oxygenadã com maior velocidade em um meio fracamente básico, cuja concen- tração de hydroxyliontes se verifique superior a 10"' O ozonio só ataca as gorduras em face de alcalino^ e( bem conhecida é a oxydação do pyrogallõl em presença do mesmo agente. Os outros princípios immediatos, como a glycose e os albuminoides, resistentes á acção oxydante do ar, por ella se deixam influenciar mediante a interven- ção do carbonato de sodio. E para frisar que, de facto, na ccnjunctura são incrementados os processos de oxy- dação, lembra Radzisewski (208) que a pyrobenzolina, de funcção basica dissolvida em potassa alcoolica, soffre len- tamente a acção oxydante do ar, tomando-se phospho- rescente, a cujo estado não chegaria, entretanto, sem a interferencia do alcali. Ao demais, não ha negar a relação entre o grau de alcalinidade do meio e o poder de oxydação nas diffe- rentes especies zoologicas. Como pondera Drouin (164), cresce, realmente, a actividade das combustões respirató- rias com a alcalinidade do sôro sanguíneo dos peixes aos repteis, aos batrachios, aos mammiferos, aos passaros, nos quaes ao máximo de alcalinidade do sangue se casa a mais perfeita hematose, tal como já havia mostrado Jolyet (209). Duas excepções, todavia, se apontam na ordem as- 114 signalada : o sôro da tartaruga revela-se mais alcalino que o dos passaros e o do coelho nrenojs que o da] rã. O EQUILÍBRIO COLLOIDAL Sobre o estado colloidal da matéria se faz sentir décisivamente a reacção do sangue e dos tecidos. Não é demais se verse um pouco por miudo tão signaladò; ponto, attendendo ao que reflecte Martin Fischer (210), ao trasla- dar a obra de um dos mais auctorizados mestres do. as- sumpto «it happens that nature has chosen the colloid form in which to show her face. Crystalloid behavior is the exception, colloid behavior the rule, in the cosmos.., Living matter, whether of plants or animais, and under normal or pathological conditions is chemistry in a col- loid matrix.» Mantido o estado colloidal pelo sentido unilateral de sua carga electrica, é de ver quão necessário é que no meio interno se conserve a reacção visinha da neutrali- dade, mercê do mechanismo regulador, de que já demos + - conta. Realmente, o incremento de iontes H ou OH, por-» tadcres de cargas positivas ou negativas, disturbaria pro- fundamente o equilíbrio colloidal e, por consequência, o pro- cesso physiologico, dada a extensão e a ifmportancia de si- milhante estado da matéria na economia viva, e com res- peito ao qual, faz pouco, assertava a auctoridade de Achal- me (1): «Les réactions entre colloides dominent le pro- cessus vital ; or, elles sont en grandle partie limitées en-í tre ces deux changements d'état: la dispersion et la coa- gulation ; Pétat normal, compatible avec le fonctionnement dês organes vivants, apparait comine étant un équilibre instable, pouvant pencher d'un côté ou de Pautre sous lai mcindre influence exterieure.» Desempenha relevante papel na estabilidade do col- loide, no meio dispergente, a carga electrica de que or- dinariamente são dotados os grânulos, que, aliás, em per- feito estado de pureza e em meio absolutamente neutro. 115 são desprovidos d'ella. E' que, embora desconhecida ao certo a origem de similhante electricidade, se tem admit- tido qúe os grânulos colloidaes se apresentam1 sempre contaminados por electrolytos, ou melhor, por iontes H ou OH, que lhes são fixados por simples adsorpção, ou, como acquiesce Duclaux (211), mesmo por combinação chimica. Pensa Perrin (212), com o applauso de Achal- me (1) que, no caso, se verifica a electrização. por con- tacto, que constitue a base da theoria da dupla camada, electrica, sustentada por ambos. Assim, diz Perrin que «o contacto entre dois corpos desenvolve cargas electricas, que formam sobre as duas paredes (a do granulo, e a do: liquido intermicelar) duas camadas de signaes contrários, adherentes a estas paredes, e que subsistem1 em equilí- brio, não obstante a attracção que as solicita uma para outra». Considerar-se-iam, pois, no systema colloidal, além do granulo, duas camadas electricas : uma integrada á sua superfície e outra, de signal contrario., a qual, partici- pando do liquido intergranular, mantém electricamente neu- tro o systema, que, no seu conjuncto, constitue a micela. Descarregado, de facto, o granulo colloidal, por um ionte dte signal inverso, ainda assim, depois de purificado, se fixa á sua superfície o ionte que primitivamente o ele- ctrizava, remanescente este que, ao parecer do mesmo Per- rin, se faz mister á neutralização de iontes de signal con- trario, que egualmente sobram na phase liquida. Mais, por conseguinte, do que aos electrolytos neu- tros, são sensíveis os colloides aos acidoiS e ás bases, sen- + - do que os iontes H e OH accrescidos respectivamente aos colloides de carga positiva e negativa, seriam estabilizan- tes d'elles no organismo, não sem dam no para as trocas- nutritivas, cuja essencia se tradíuz no equilíbrio instável. Si, porém, encontram nos colloides cargas electricas de signal c»pposto, será o H precipitante dós colloides ne- gativos e o OH dos positivos, coagulando-ols e privando*- os da energia electrica, que lhes empresta, a bem dizer, 116 a vida de que são dotados. Importa não esquecer na emer- gencia, a energia da acção, tributaria, não só da pequenez! e consequentemente dia grande mobilidade d'aquelles ion- tes, como, e sobretudo, da extrema impressionabilidade dO systema colloidal. + - A presença de iontes H ou de OH orienta a direcção» dos colloides precipitados, isto é, desprovidos de suas car- gas electricas, para o cathodio e para o anodio, respecti- vamente. Observou, com effeito, Hardy (213) que as pro- teinas coaguladas se dirigem para o polo negativo, quan- do o meio é acido, e para o positivo, desde que alcalino. Preciso é convir, todavia, com Pozzi-Escot (214) que, sem embargo da importância attribuida ás cargas electri- cas dos diversos colloides, não se assentou até hoje em! definitivo acerca do,valor dos signaes da electricidade que elles trazem. Certo é que se acha a natureza da carga na dependencia do dispersoide e da phase liquida, porquan- to, comO nos ensina a physica, do attritc de dois corpos, que, no caso, seriam o granulo e o fluido intermicelar, resulta carregar-se de electricidade positiva o de constante dielectrica mais elevada. Por isso é que, dada esta alta constante na agua pura (cerca de 8°/o), os corpos nella dis- persos se carregam, de regra, de electricidade negativa, d'onde o terem esta carga quasi todos os colloides em meio aquoso, taes por exemplo, o enxofre e o graphite, que, entretanto, se carregam de electricidade positiva, quan- do em suspensão no oleo de terebinthina. Aindà reportando-se ao assumpto, que vimos perlus- trando, questões outras merecem referidas, em relação á estructura colloidal que é a de todos os princípios im- mediatos da economia viva, em cuja organização tão re- levante é o papel desempenhado, que mereceu de Be- chhold (67) a consideração de que « eines aber mõchte ich behaupten, welches auch immer die stoffliche Zusam- mensetzung jener Lebewesen sein mag: es miissen Kol- loide sein... Welcher andere Zustand, ausser dem Kol- loiden, kõnnte derart verãnderliche, derart plastische For- 117 men bilden und ware doch im stande, diese Formen* wenn nõtig, unverãnderlich zu wahren.». Investiguemos, pois, as varias e importantes propriedades dos complexos colloi- daes que soffrem o influxo da reacção do liquido intermi-f cellar. E', de facto, notoria a influencia dos electrolytos» + - particularmente o H e o OH sobre a viscosidade e a su- perfície de tensão dos colloides, e, consequentemente, so- bre os seus movimentos brownianos. Mais ainda, em vir- tude do poder adsorvente dos grânulos, modificam aquel- les electrolytos a pressão osmotica nos solutos colloid!aes, do que resultam as variações impressas aos phenomenos osmoticos e á rapidez da diffusão, factores de alta valia nas trocas cellulares do organismo. Traduzindo a força de cohesão entre os dispersoides, a viscosidade desempenha saliente papel no equilíbrio phy- sicc-chimico da economia, deixando-se influenciar pelos ele- ctrolytos, sobretudo na sua funcção modificadora do mo- vimento molecular e browniano, e bem assim da velo- cidade das reacçôes. Na realidade, quanto mais viscoso é o meio, tanto menores são os movimentos das particulas colloidaes e mais se enfraquece a acção hydrolitica das diastases (*). Varia a viscosidade do sangue com* a natureza dos dispersoides circulantes, assim dos saes, como dos col- loides, entre os quaes cumpre resahir, por sua quantidade, as proteínas. Quanto menos viscoso fôr o sangue, maisf rapida será a circulação nos conductos vasculares, maior o volume do oxygenio carreado, mais propicias as oxy- dações organicas. Feitas as resalvas conhecidas do potássio, do rubi- (*) No caso diverge a acção dos catalysaídores diastasicod e dos catalysadores chimicos, como á evidencia o revelaraárí Bredig (2150 e Achalme (1), mostrando que a addição de um' corpo viscoso, comof a glycerina, em nada retarda, por exemplo, a acção catalytica dos afcidos na inversão da saccharose. E' que se deve ter em conta a differença entre o volume do ionte H dos ácidos e o dp granulo colloidal de uma diastase. 118 dio do cesio, do lithio e do ammonio, os solidos dissol- vidos augmentam a viscosidade do meio dispergente, mais rapidamente do que cresce a concentração d^elles, segun- do a lei de Arrhenius. No tocante, porém, á viscosidade das proteínas, é ella abaixada pelos saes neutros, que da mesma forma actuam sobre os suspensoidles (Pauli, 216). E' sobretudo, a maior ou menor proiponçãoj de ácidos e| de bases que influencia decisivamente a viscosidade dos emulsoides, que, na emergencia, primam em importância, não só por dotados de alto coefficiente de attrito, como porque sobrelevam na constituição dia matéria viva. Não esqueça, a proposito, que se ioniza a molécula proteita em face de acido ou de base (vide pag. 52), e, sendo m\aito mais elevado o attrito interno do ionte albumina, do, que o da molécula albuminoide (Bechhold, 67), maior será a viscosidade do sangue e dos tecidos, em: presença do ele- + ctrolyto H ou OH. E, no particular, importa conhecer que, sendo maior a acidez na superfície entre os tecidos e o sangue, é ahi que sobreleva a viscosidade, por conta d!a maior ionização da albumina, influenciada pelos muitos ácidos gordurosos, nascidos do catabolismo. Assim, por- tanto, não deve ser a mesma a viscosidade do plasma to»- tal e a d'aquella superfície, como reflecte o mesmo il- lustre professor de Frankfort. Como quer que seja, é, sem duvida, circumstancia de nota, como defesa organica, a manutenção do meio interno nos limites da reacção neu- tra, que é a mais vantajosa á viscosidade dos emulsoi- des. Em grandes diluições, assim os ácidos, como as bases elevam ao máximo a viscosidade da gelatina, tal como» resulta dos estudos de von Schroeder (217) com o so- luto 1/256 normal de acido chlorhydricot e 1/128 normal de soda. Desde, porém, que a concentração d'estes ele- ctrolytos exceda a do soluto 1/32 normal, decrescerá a; referida propriedade. Em virtude de lograrem purificação mais perfeita, as albuminas, as globulinas e as phospho- proteinas proporcionaram, na especie, importantes depoi- mentos nas mãos experimentadas de Hardy, de Pauli e 119 outros, todos elles comprobatorios das conclusões de von Schroeder. Verificaram, realmente, que vestígios de ele- ctrolytos, especialmente de ácidos ou de bases, modificam, de modo sensível, a viscosidade dos albuminoides. Neste sentido, nos informam Pauli e Handovsky (218) que o soluto 0,015 normal de acido chlorhydrico eleva a visco- sidade do soluto de sôro-albumina de 1.0623 a 1,2937, ou seja um accrescimo de 20 %, analogamente se compor- tando as bases, sinão até com maior relêvo, visto que coma concentração 0,002 normal do hydrato de tetraethylammo- nium avulta a viscosidade de cerca de 230%. Concordantes são as illações a que chegaram Bottazi e Victorow (219) no tocante á influencia do. ionte OH na viscosidade dos solutos de sabão. Em funcção dia viscosidade, ha mister considerar os movimentos brownianos dos colloides, os quaes encontram o seu optimo de velocidade na readção: que d organismo offerece. Por via de regra, á medida que augmenta a viscosidade, mais lentos se tornam elles, reduzindo-se ou mesmo cessando pela addição de electrolytos, em virtude de se avolumarem as partículas vibrateis. Objectivamente o que se pode consignar é que os grânulos se agglome-, ram e por fim se coagulam. Revelaram as pesquisas de Henri (220) que os movimentos dos globulos do «lá- tex » do cautchuc se reduz á metade pela juncção do sor luto decinormal de soda e á nona parte em presença do soluto 1/32 normal de acido chlorhydrioo. Computado o movimento normal da partícula em 0,62 // por 1/20 dq segundo, passaria a ser de 0,31 em meio alcalino q de 0,07 // em meio acido, assim como o instrue a figura jun- cta, pedida a Ostwald (221) : 120 Meio neutro Meio alcalino Meio acido Todavia, nenhuma tendencia foi notada á coagulação, o que demonstra se não achar este phenomeno na depen- dência da diminuição dos movimentos dos dispersoides. Apontou, porém, Lecocq (222) uma excepção na regra do retardamento dos movimentos brownianos, por conta da addição de electrolytos, tendo observado que, no col- loidte arsenical, suscitavam elles, ao contrario, um; incre- mento na mobilidade das partículas dispersas, posto que nádã nos dissesse o investigador quanto ás substancias de que se serviu (11). Cumpre ainda consignar que no hydrosol de prata mostrou Svedberg (223), que os movimentos brownianos d*ependem propriamente da carga electrica do colloide vis- to como se não alteram elles pela addição de traços de ele- 121 ctrolytos, sufficientes para a neutralização, e até para a mudança do signal da mesma carga. Em idêntico sentido conclue Perrin (224), em relação a vestigios de ácidos addicionados a suspensões de gutta-petcha. 1 No que diz, porém, aos movimentos dos colloides do organismo ainda carecem estudos peculiares, mas tudo faz crer que seja o meio neutro o mais favoravel. Tanto maior será a estabilidade de um soluto, quanto menor for a tensão superficial dó solvente, a qual ao! passo que se eleva um pouco pela addição de saes mine-< raes, diminue, de regra, pela de substancias organicas. Isto, porém, no que refere ás superfícies entre a phase liquida e o ar, porque nas superfícies entre duas phases liquidas, ou entre uma phase solida e outra líquida, a tensão superficial sempre decresce pela dissolução de sub- stancias no liquido. E' que taes substancias se concen- tram na superfície das partículas colloidaes, ou, para usar a linguagem technica, são adsorvidas, mercê da energia de superfície, tão extensa nos colloides (*). E' evidente que similhante poder de adsorpção depende da carga electrica inherente ao colloide, razão por que pode ser modificada, não só por electrolytos, mas por outros colloides, porta- dores de electricidade. Só se dará, porém, a adsorpção, si o dispersoide e a partícula accrescentada tiverem' signal electrico contrario, como, por exemplo, o caso> de uma suspensão grosseira de carvão, que, em virtude de sua carga negativa, adsorverá o hydrato de ferro colloidal; positivo. Na hypothese do mesmo signal, não se observará o phenomeno. Claro é que poderá ser adsorvido um não' electrolyto, isto é, moléculas não dissociadas, mas então, (*) Pensa, aliás, Arrhenius (199) que tem sido exaggerada a importância attribuida aos phenornenos de adsorpção no organismo: «Without doubt their existence is proved in many cases, but the predominant influence which is ascribed by the school of colloi- dal chemistry to these phenomena seems to be greatly over- estimated». 122 se não alterando a carga electrica do colloide, nao ha- verá coagulação, ainda que do phenomeno resultem ou- tras modificações, seja no volume, seja na viscosidade e na tensão superficial do adsorvente. Já entretanto, a ad- dição de ácidos ou de bases, influenciando substancial- mente a carga dos colloides, estabilizando uns, coagulan- do outros, interessará sensivehuénte o phenomeno da adsor- pção. Sobre a tensão superficial influem1, outrosim, esses eiectrolytos, crescendo-a pela addição de pequenas quan- tidades de iontes OH, mas reduzindo-a sob a influencia + de iontes H, tal como nos informam os ensaios de Bu- glia (225) com1 a gelatina neutra' e o sôro sanguíneo eguak mente neutro. Todavia, nos solutos de sabão, observaram Bottazzi e Victorow (219) decrescimento da tensão su- perficial em face da mui fraca concentração de soda, em^- quanto augmento pelas fortes, como o deixa prevêr a acção das bases sobre a viscosidade. A absorpção de agua pelos colloides - a que se chamou etnbebição - modifica-se mediante certa concen- tração de ácidos e de bases, d'onde o papel, aventado por alguns, da reacção organica, próxima da neutralidade, no impedir a demasiada retenção d'agua nos tecidos. Apu- raram, effectivamente, os ensaios dé Lloyd (226), com a gelatina, que o soluto N/320 de acido sulfurico occasiona o máximo de embebição, ao passo que com uma concentra- ção muito mais fraca, a saber, com o soluto N/2800 doí mesmo acido, assim como em presença de saes neutros, aquelle colloide se intumesce menos do que com: a agua pura. De modo analogo aos ácidos, obrariam os alcalis, + mas não é de esquecer que taes concentrações de H ou' de OH se não encontram no organismo, onde, além da mais intensa acidemia não sobrepujar a concentração 123 0,00001 N de hydrogenio, não attinge a mais desmedida acidtez urinaria a concentração 0,00003 N. Não ha, pois, como sustentar a theoria de Martin Fischer (227), fun- dada em que, augmentando os ácidos a affinidade dos colloides proteicos pela agua, devessem ser filiados os edemas no estado de acidemia. A outra conclusão não chegaram as sabias experiencias díe Henderson, Palmer e Newburgh (228), que assentaram ser tal theoria «clear- ly without foundation in quantitative experiment». No pensar de Traube (229) prevaleceria o papel da, embebição das albuminas ao da própria concentração aci- da do meio na acção peptica do estomago,. Sobresae, de facto, este investigador, já nas suas próprias pesquisas, já nas de outros auctores, a coincidência do optimo da embebição pelo acido chlorhydrico, da fijbrina, da gelati- na, da sôro-albumina com o optimo de actividade diges- tiva da pepsina, em relação a esses albuminoides. Ainda sobre a pressão osmotica influem as substan- cias accrescentadias ao organismo, em geral de modo sim- plesmente additivo nos solutos moleculares, mas de ma- neira mais complexa, como veremos, nos systemas col- loidaes. Não falta quem attribúa aos electrolytos adsorvidos a pressão osmotica, observada nos solutos dos colloides. Facto é que minimas porções dle ácidos e bases influem' incontestavelmente na emergencia, e, si os saes abaixam + ' sempre a pressão osmotica dos colloides, os iontes H e OH obram diversamente, consoante a concentração. Não deixam duvida as investigações de Bayliss (230) sobre os solutos de vermelho congo, e as de Lillie (231) sobre os solutos de gelatina, que as fracas concentrações de acido diminuem e as fortes augmentamj a pressão osmo- tica. Os alcalis, porém, crescendo-a até certo ponto, abai- xam-na depois. Comtudo, observa Ostwald (221) que nos 124 solutos de ovalbumina, a pressão osmotica é sempre di- minuída, assim pela addição de iontes H, como pela de OH. Dizer da influencia que os desvios da reacção do, meio interno occasionam na acção dias diastases é repetir quanto acaba de ser explanado em referencia aos col;- loides, com cuja estructura e predicados tanto se identifi-» cam ellas que foram chamados catalysadores colloidaesí específicos. Conhecida é a sensibilidade das diastases, em geral, + á acção do H e do OH, assim comio é sabido^ que, si cresce nas cellulas a concentração d'aquelle ionte, já se poderá observar a auto-digestão das proteínas, incapazes, até en- tão, de atacadas pelas próprias diastases digestivas, con-, tidas no elemento cellular. Insistindo no papel da reacção do organismo no cohibir a autolyse, dizia Loeb (232) nã ultima de suas notabilíssimas obras: «We might say that the preservation of a certain CH probably at or near the point of neutrality during life prevents self-digestion, whi- le the gross alteration of the CH in either direction after death (or after the cessation of oxidations in the tissues) induces autolysis». Realmente, para Bradley (233) ao au- gmento da concentração do hydrogenio nos tecidos, se subordinariam muitos dos processos autolyticos observa- dos em vida, taes como involução, atrophias, necroses. E', porém, no tocante ás oxydjases que importa so- bretudo, resahir o papel da reacção do meio interno, que, mercê de suas reservas, se defende da influencia nociva da concentração de iontes H. Realmente, assignaladas na composição das oxydases uma substancia proteica e um metal, que desempenha o papel de cofermento ou com- plementar activa, não é de surprehender que o. ionte H' dos ácidos, neutralizando a carga negativa do metal, susci- te a agglomeração e, por fini, a coagulação dias partículas colloidaes, que as compõem e definem. São de lembrar 125 a proposito as relações que com os processos oxydantes mantêm o ferro e o manganez, mui provavelmente pela; facilidade com que os seus hydratos se transformam do. typo M (OH)2 em M (OH)3 prestando-se, outrosim, á reacção inversa, com a qual se regenera o corpo primi- tivo, ou melhor, o agente catalysador. Em presença da albumina, de tal forma se incrementa e se preserva a acção oxydante d'aquelles hydratos, que Bayliss (234) os identificou mesmo com as peroxydases, até porque per- dem elles toda a actividade sob a influencia do calôr,j De relêvo é o papel oxydante dos metaes colloidaes, de cuj^ acção decorre, ao demais, a necessária concentração de oxydrilios no sangue. Vem de molde referir a hypothese de Donagh (235) que, para explicar as reacções de oxy- dação e reducção na economia, attribue preliminarmente a um não metal, participante da molécula proteica (R)v a funcção reductora, mediante a qual teriam Jogar, além do mercaptan, o peroxydo e o hydrogenio, aproveitados nas reacções ulteriores: R. S. S.R4-2H.OH = R.S4-R.SH + HO. OH + H Com effeito, imprescindível é admittir no organismo vivo, a formação, ao menos transitória, de peroxvdos no curso dos processos oxydantes, como indispensável é sup- por a producção de hydrogenio para o fim de transformar a molécula triatomica do hydrato formado na molécula diatomica ou catalytica (Donagh, 235). Sem a presença do peroxydo não se daria a acção oxydante do ferro ou, do manganez, existente, a par da proteína (R), nas oxy- dases (*), de cuja acção resulta o libertar-se o oxydrilio. (*) Para Beatty (236), tres substancias interfeririam nos processos de oxydaçãp, subordinados á acção das oxydases: um peroxydo (R-Ò-OH), um íhydrato de manganez, de ferro e de alguns outros metaes [M (OH)2 ], e, finalmente, uma substancia, oxydavel, cuja oxydação se resume na substituição de H por OH, nos corpos saturadas, e na simples addição de OH, nos corpos que o não sejam. A affintdade de Mn (OH)2 ou de Fe(OH)2 126 que, adsorvido pela proteína do sôro, a proveria do oxy- genio necessário á defesa contra a acção- reductora dos parasitas. Na seguinte equação exprime Donagh a supra- mencionada acção oxydante : R. Fe (OH)2 4 H. OH 4- HO. OH = R. Fe (OH)3 4 H2O 4 OH E nesta outra traduz a regeneração do hydrato fer- roso : Fe (OH)3 4 H = R. Fe (O H)- 4 H2O Sobremodo sensível é a influencia dos electro-lytos ácidos ou básicos sobre as peroxydases ou, admittida a equivalência metallica destes enzymas, sobre os referidos hydratos. Assim é que traços de ácidos mineraes inhibem a acção oxydasica (possibilidade, aliás, não verificada no meio interno), ao passo que os iontes OH embora nãol de todo indispensáveis, favorecem, sem duvida, o processo. A laccase, por exemplo, é, de regra, paralysada pelos áci- dos, á excepção dos ácidos carbonico, borico e phospho- rico. Não ha de, porém, se desmedir a concentração da base, como o evidencia a tyrosinase, diastase oxydante, que só actúa em presença do ferro, a qual, inhibida pelo, por OH justificaria a equação subsequente, que, como as demais, pertencem a Beatty: Libertado o radical fortemente electronegativo RO, attrahiria + elle o \H da substancia oxydavel, representada por (H Sub.) : R-O- OH + Mn (OH)2 = RO 4 Mn (OH)3 - -| RO 4 H Sub. = ROH 4 Sub Transmuda-se, assim, a substancia oxydavel em outra de reacção amphigena, isto é, capaz de se combina/r com os radi^ caes fortemente positivos, como o H, ou com os negativos, como o OH, d^onde o representa-la Beatty por (Sub.). E' O seu caracter positivo em relação ao OH, que facultará a reducção de Mn (OH)3, com o que se restaura o catalysado?: , + Sub 4 Mn (OH)3 Sub. OH 4 Mn (OH)2 127 acido chlorhydrico N 100, é consideravelmente retardada pela soda N/100. Do sobredicto é de concluir, pois, que os ácidos pre- judicam a acção oxydasica, de tanta valia na defesa or- gânica, ao passo que os alcalis em concentração conve- niente, ao revés, a propiciam. Attentando neste effeito o illustre scientista patrício, o Sr. Ph.° Orlando Rangel, que tem dedicado o melhor e o mais louvável de seus, esforços á colloidotherapia, propõe, mesmo, com o objecto de an- nular os malefícios da inhibição das oxydases na economia, o uso de metaes colloidaes por via hypodermica, os quaes mercê de sua.carga electrica negativa restaurariam a re- acção do meio interno, permittindò que «restabelecido o equilíbrio colloidal indispensável, annulados os ions hy- + drogenio H (que caracterizam qualitativamente hoje a aci- d>ez e gosam em estado nascente da maxima actividade re- ductora e do máximo poder de combinação), removida em- fim a acidose, voltem os fermentos diastasicos, inhibidos, perturbados em sua acção, diminuídos ou enfraquecidos em sua actividade, a desempenhar o seu papel na defesa orgâ- nica, as suas funcções, os seus effeitos catalysadores, em geral oxydantes dos productos do metabolismo.» (237). Quanto á relação que mantém a concentração dlo hy- drogenio e a actividade das outras diastases inlportan- tes no organismo, já foi o assumpto explanadó, á medida da nossa exposição. Entretanto, afim de que se tenha uma idéa de conjuncto, para aqui trasladamos de Mc Clendon (64) o seguinte quadro demonstrativo do optimo de acção dos principaes fermentos : 128 ENZYMAS OPTIMO PH Amylase, ptyalina 6.7 Catalase do sangue e do figado 7 Cellase ■ 6 Glycolase do sangue 7.52 » (invertase) 4.5 Maltase (maltose) 6.6 (3 a 35° e 7.2 a 47°) 6.2 » (alphamethylglycoside) Inulase • 3 Lipase do estomago * 6.7 » » Ricinus 3 » » pancreas e do sangue $ Oxydase, laccase 7 Protease, erepsina 7.8 » pepsina 1.5-2 » > ou chymosina (formação de plasteina) 1 » trypsina (peptona) 7.7 » » (gelatina) 9.7 » das bactérias 7.2 » do malte 4.5 » da chymosina 5.7 Urease (combinação com uréa) 8.7 » (decomposição) 7 Taes as considerações attinentes ao papel da reacção do sangue no equilibrio das condições physico-chi'micaS' do systema colloidal. Não ha negar que, si já se tem feito alguma luz acerca de tão relevante assumpto, muito pon- to controverso e obscuro ainda sobra a justificar a desa- lentada confissão de que «on ne sait rien» qual a que ha uma década inscreveu Jacques Duclaux (238) na intro- ducção de seu exceli ente estudo sobre a chimica da ma-, teria viva. A FUNCÇÁO PHAGOCYTARIA A fraca alcalinidade acoroçôa o poder phagocytario do organismo, tal como se collige das experiencias de Ham- burger e Hekma (239), que mostraram crescia a ca^ pacidade de absorpção dos leucocytos para o carvão pul- verizado, quando accrescentado carbonato de sodio á sus-, pensão d'esses globulos no sôro sanguíneo. Ainda acce- lerados se nos revelam os movimentos ciliares do epithe- 129 lio sob a influencia dos alcalis diluídos, com prevalência dos saes de sodio sobre os de potássio, que[ mais toxicos se manifestam (Cusnhy, 10). A DISSOLUÇÃO DO ACIDO URICO Outra funeção attribuida aos alcalinos, bem que de caracter mais particular que as outras, reporta-se á influen- cia que exercem na dissolução do acido urico, originário do> metabolismo das nucleinas. E' esta, porém, matéria tão re- nhida e controversa, que não obstante o apuro dos1 novos methodos de indagação biochimica, ainda d'elles não sur- giu o perfeito conhecimento d'o estado em que circula, o acido urico no sangue, nem tão pouco se desvendaram hs condições pathologicas que o precipitam1 no recesso do organismo. Para similhante atrazo contribuiu, sem duvida, a falta de um processo efficiente, por meioi .do qual se effectuasse a dosagem do acido urico no sangue, só logra- da depois de 1913, quando appareceu o mcthodo dei Folin e Denis (240). Não offerece duvida que, mui pouco solúvel, ol acida urico (*) não circularia nos humores, ondie sobram oá saes básicos, sinão que logo se salifica, formandó uratos ácidos, que os neutros ou normaes se não produzem' eml face dos bicarbonatos do sangue. Ainda, porém1, se nãoí assentou inteiramente na constituição d'esses saes solúveis, nem na metamorphose d'elles na gota, onde insolubiliza- (*) Muito maior do que na agua é a solubilidade do acidoí urico no sôro sanguíneo. Ao passo que '1 gr. d'esta ureíde se diaolVe, a 18°, em 1000 grs. de hôro, exigiria cerca de 40000 grs. de agua (Taylor, 242). Note-se, outrosim, que num soluto satu- rado de acido urico só 0,5 o/o- de suas inóleculas se encontram^ dissociadas, consoante as pesquisas de Hh e Paul (243), operando- se a dissociação em duas phases, a ultima, das quaes em grau extremamente fraco (Wells, 46): C > H4 Az4 03 " H + C5 H3 Az4 O 3 Cõ H3 Az 4O3 - H + C> H2 Az4 O3 Claro é a presença de ionte H, potr oonta de qualquer outro acido, fará prevalecer o systema da esquerda, sinão mesmo que inhibirá qualquer dissociação do acido urico. 130 dos se depõem. Foi Bence Jones (241) o primeiro a admittir que, na urina, o urato amorpho podia ceder á agua uma metade solúvel, formada de biurato verdadeiro, e deixando um sedimento de acido urico puro. D'ahi o concluir que uma molécula d?este e outra d'aquelle de- veriam constituir, em fraca combinação, o urato amorpho. Continuando esses estudos William Roberts (244) susten- tava que, na realidade, se constituiriam as combinações physiologicas do acido urico, de verdadeiros quadriuratos, resultantes de uma combinação molecular do biurato com o acido urico. Seriam aquelles saes solúveis, mas instáveis, que circulariam nos líquidos do organismo, capazes, po- rém, de se combinar com o carbonato de sodio (?), d dar formação ao biurato, que, por menos solúvel, se de- poria facilmente : 2 (Na H OH- Az'O3, H2OH2 Az'O3) + Na2 CO3 = _ = 4 Na H O H* Az^ O3 + CO2 + H2O Supposto que verdadeira a hypothese de Roberts, por- fiadamente defendida por Luff (193), não bastaria a só. producção em excesso do urato acido, nemí a demasia do alcali sanguíneo, para que occorresse a precipitação d'a« quelle nos humores do gotoso, como ao< deante se eluci- dará. Isto, porém, nos nossos dias, já se capitula* na his- toria antiga, e ao parecer de Kohler (245) jamais; existiu realmente o quadriurato. A tendencia moderna se norteia pelas vistas de Gudzent (246), para quem1 outro é o mechanismo da solubilização do acido urico, que os alcalis! dos líquidos orgânicos converteriam unicamente em biu- rato ou urato acido de sodio. Sob duas formas isomeraS! se apresentaria no sangue este sal : a lactamíca, mais so- lúvel e convertivel na lactimica, menos solúvel e mais* estável, a qual já foi chimicamente dliffe^enciada por E. Fischer. Emquanto a solubilidade da primeira monta a 18,4 milligrs. por 100, orça a do ultimo unicamente em' ,8,4 milligrs. na mesma quantidiade de sangue. 131 Az H - CO OC C - Az H \ \ II CO \ Az H - C - Az H Forma lactamica , Az - C. OH / i O HC/ C - AzH \ \ I ;coh \ Az - C - Az / Fornia lactimica Ao pensar de Bechhold (247) poderiam os uratos permanecer no sangue em estado colloidal, incapaz de transpor o filtro renal. Na urina, mantêm-se dissolvidos o acido urico e os uratos sob a influencia do phosphatoí disodico e possivelmente de outros constituintes d'ella, especialmente os pigmentos e o chlorêto de sodio (Wells, 46). Como quer que seja, requer a formação do sal do. acido urico a alcalinidade do meio, mas segundo, não» só as investigações de Roberts (244), como as de Gudzent, o excesso de alcali favorece a transformação da forma labil do urato em sua modalidade estável. Não sé ha dei perder de vista, porém, que, nocivo como é o; excesso de alcalis, d'elle se exime a economia pelo admiravel me^ chanismo cie defesa, de que é dotada. Crescida, de fa- cto, a pressão osmotica no sangue elimina o emunctorio/ renal a demasia de alcali, de modo que a concentraçjãof ionica do H, que poderia chegar então a 10"8 volta ái normal. O prejuizo decorrido do excesso de alcalis nãoi se limitaria á maior toxicidade dos humores, a qual, como) se sabe, cresce com a concentração díe hydroxyliontes^ sinão também se turbaria a dissolução de certos corpos, que, no sangue, nos tecidos e na urina, se; precipitariam. Isto posto, traçado em suas linhas geraes o impor-, tante papel que desempenha a fraca alcalinidade do san- gue, apreciaremos os effeitos causados pela restricção d^ella, por conta de ácidos formados em demasia nos des- vios pathologicos do metabolismo. Só assim se havera 132 de estudar com exacção a pharmacodynamica dos alcalinos n'esses estados morbidos. Estados alcalipenicos Tanto que avultem os compostos ácidos em seus hu- mores, a economia se defende mediante o apparelhamen- to já descripto, de sorte que, de regra, inalterada; se man- tém a reacção actual do sangue. E tão bemj apercebido se acha o organismo que raramente se eleva a concentração dó hydrogenio, ainda quando se desmesure a producçãoj acida. Haja vista os ensaios de Poulton (248) que emi sete diabéticos encontrou apenas um, cujo expoente da reacção do sangue andava e'm PH 7.18, havendo todos os mais cifra considerada normal (Py, 7.25-7.36). E' pos- sivel, comtudo, um augmento local da concentração- do ácidos em certas cellulas e tecidos, tal como resairami Rona e Wilenko (249). Na realidade, porém, pode um- su- jeito eliminar consideráveis quantidades de acido oxybu- tyrico e acetylacetico ou qualquer outro, sem que se mo- difique sensivelmente a concentração ionica do sangue, visto como vão sendo consumidas a pouco e pouco as re- servas alcalinas, com tolerância do organismo-, até o pon- to que, por sua progressiva diminuição, a mudança ope- rada na reacção do meio onde immerge o protoplasma, lhe damnifica as trocas metabólicas. Já então se conturba poderosamente o poder adsorvente da cellula. Assim é que, como adverte Martin Fischer (250) sob a influencia dé maior concentração acida local, um dado tecido quey em condições normaes, fruia excellente poder de adsor- pção para certas substancias dissolvidas, pode practica- mente perdê-lo. Ao invés, o protoplasma que d'antes não adsorvia tal ou qual substancia nociva, pode fazê-lo, eml détrimento da integridade da cellula viva. Com o gasto das reservas alcalinas, crescerá: a cha- mada acidez real do sangue (vide pag. 107), emquantb{ diminuirá a dieta alcalinidade apparente, como, se logra medir pelos processos titometricos. 133 Não ha, porém, de facto, ácidos livres no sangue, onde, á medida que se formam, são eiles neutralizados, cum-^ prindo não esquecer que não é pativel com' aí vida a con- dição acida do meio interno. Não deixa, por isso, de ser, seu tanto extranho se fale de acidose, nome creado por Naunyn para significar o apparecimento. no sangue dó diabético de somma anormal de acido oxybutyricoí e de corpos acetonicos. Aliás, no mesmo sentidó se exprime Allen (251) que até propõe seja reintegrada no. concei- to primitivo, a noção da acidose, que, mau grado seu,, hoje se procura dilatar a quantos estados mOrbidos apre- sentam restringida a alcalinidade sanguínea. Ao nosso pa- recer melhor caberia a esses estados, em geral, a denomi- nação de alcalipenia. porquanto não ha nelles excessoí de ácidos, sinão carência de alcalis, pela qual se ha dei aferir, ao justo, o critério da demasiada producção} acida no meio interno. Quando se não haja por bom/ tal neolo- gismo, mais convinha designar por acidemia taes estados em que crescesse a concentração de fontes H, tributaria, do acido láctico, dos phosphatos monometallicos e quan- tos outros corpos viessem a ser apontados. Reservar-se-ia o termo de acidose, conforme o votoi de Allen, para a. sua primeira significação, que foi a do estado diabético, e, quando muito, se extendèria elle á situação mórbida analoga, observada no jejum prolongado do homem são, posto que, nestas circumstancias, muito menor é a pro- ducção de acido B-oxybutyrico e corpos acetonicos, do que na condição diabética. Ainda obscura é a pathogenia da maior parte dos estados acidemicos, que, comtudo, podem ser filiados já na intensão dos processos physiologicos, já na inciden-* cia de estados morbidos, enfeixados por Ewing (252) em duas grandes classes: 7.a - Acidemias susceptiveis de re- produzidas experimentalmente pela injecção. de ácidos, ca- racterizadas pela elevada excreção de corpos acetonicos e de ammonia, e nas quaes se não observam lesões anató- micas. 2.*- Acidemias reproduzíveis experimentalmente pe- la extirpação do figado ou pela fistula de Eck, traduzidas, 134 funccionalmente pela notável eliminação de acido sarco- lactico (*) e fraca producção de corpos acetonicos, e ana- tomicamente pela degeneração da cellula hepatica. Exem- plificam-nas o envenenamento pelo phosphoro, arsénico, chloroformio, etc., além de que é sabido que « com' a perda da funcçào hepatica coincide frequentemente a acidose,. ou seja, a accumulação de metabolitos ácidos » (von Fúrfh, 253). Não comprehende, porém, similhante classificação de Ewing todos os typos conhecidos de acidemia, os quaes preferimos grupar pela maneira discriminada ao lado, at- tendendo-sc, todavia, a que muitos casos ha ainda não. con- venientemente qualificados. (*) Claro é que, na especie, só nos importa o acido sarcolaictp co, que é o prpduzido no trabalho musculan, e formado pela varie- dade dextnogyra doí acido ethylkienio-lactico, visto como õ acido láctico ordinário ou de fermentação, constituido pelo ísome- ro raoemico, originado no tubo digestivo, facilmente se oxyda no organismo, depois de salificado. 135 Na inanição e na cachexia (cancro, psychoses, vomi- tos hystericos) No diabetes Na intoxicação por metaes pesados, pela atropina, antipyrina, phloridzina Na intoxicação pelo phosphoro, arsénico, chloroformio, ether, hydrazina, estrychni- na, cocaina. Na toxemia gravidica. Na atrophia amarella aguda do figado. com alcalipenia : na diathese urolithogenica. com alcalose: na diathese gotosa. Nas nephrites. Nas diarrhéas infantis. a) oxybutyrica ou diacetica Na infancia Na velhice Nas grandes altitudes Após o exercício d) phosphatica b) urica c) lactica physlologica< experimental pathologica ACIDEM1A ACIDEMIAS PHYSIOLOGICAS. - Mesmo nas con- dições normaes da vida pode verificar-se leve è passageiro, grau de acidemia. Na infanda o facto é ^registado como expressão de mais intenso metabolismo (*). Nas creanças, (*) Não deixam duvida os estudos de Meeh e de Du Bois (255) acerca do maior metabolismo na criança do que no adulto, e, bem assim, mais avultado no homem do que na mulher. Mostrou Du Bois que, emquanto num menino de 12 a 13 annos era estimada a producção thermica, por hora e por metro qua- drado em 49, caí, Q) no homemf, de 20 a 50 annos, o era em; 39,cal,7 e, na mulher, em 36cai,q. 136 realmente, um pouco mais baixa que no> adulto e a ten- são alveolar do gás carbonico, podendo chegar a 36 mm. Por sua vez, nas condições normaes, a concentração ionica do H no sangue é um pouco maior, havendo nellas inne- gavel tendencia á acidemia. Salge (254), em suas inves- tigações pelo methodio electrico, encontrou em dez crian- ças normaes, o valor de CH entre IO-7-2 e IO-7-63. Em tal periodc da vida jamais encontraram Howland e Marriott (256), nas 4* condições physiologicas, concentração ionica do H supe- rior a PH 7.4. No recemnascido normal testemunhou Ylippo (25), em 1914, um estado de acidemia physiologica, attestada já na maior concentração de hydrogenio, já no valor de PH, que correspondia a 6.50, já na proporção doí gá's carbonico no sangue. Todavia, d'este parecer se apartou recentemente Seham (258), que, estudando o problema em 50 recemnascidos, em 151 exames, verificou que nel- les não é possível obter uma tensão alveolar de CO2 assás baixa para se poder falar em acidose, nem? reconhe- cida foi a presença de acetona na urina, que* aliás, sem- pre lhe appareceu acida, exigindo 1,7 grs. de bicarbonato afim de se tornar alcalina. Com muita facilidade se pronuncia o decresCimentQ das reservas alcalinas na infancia, sob a influencia de var rias condições mórbidas, qual adeante se explanará. Como nas creanças, testemunhou Jaksch (259) no ve- lho, egualmente, leve baixa da alcalinidade sanguínea. Nas grandes altitudes cresce, outrosim, o coefficiente da acidez humoral, ao passo que diminue nos sitios. abai- xo do nivel do mar, assim como o assignalou Yandell Henderson (260), em 1916, no Congresso da «Association of American Physicians», observandlo o facto em todos os membros da famosa expedição «Haldane's Pike's Peak», em 1911. Após o exercício, o mesmo phenomeno se denota, com o abono de Barcroft (261) que, subindo em camiV 137 nho recto cerca de 300 metros, em trinta minutos, testi- 4~ ficou um augmento da concentraição do H no sangue, a qual, de 7.29 passou a 7.09, e correspondentemente um abaixamento na tensão alveolar do gás carbonicoí, que de 40 mm. desceu a 35 mm. Na emergencia é o acido la-* ctico inculpado de alcalipenia, pois que cresce sua pro- porção assim no sangue (Fries, 262), como na urina, (Ryf- fel, 263), provavelmente por conta da anemia local du- rante o trabalho mechanico dos musculos. Computou Bar- croft em 0,023 de acido láctico a producção acida a maior, no sangue, no curso de seus experimentos. AC1DEMIA EXPERIMENTAL. - A subministração experimental de ácidos trouxe inestimável contingente ao estudo da phenomenologia subsecutiva á restricção da al- calinidade dos humores orgânicos. Em 1877, já procla- mava Walter (264) que a injecção de acido chlorhydrico nas veias dc um animal conduz ao estado comatoso, ent tudo egual ao que se observa no diabético, a mesma eli-t minação de corpos acetonicos, o mesmo estado de in-( consciência, e a morte consecutiva. Subministrando a coe- lhos 0,72 grs. de acido chlorhydrico por kilo de peso corporal, Loewvy e Miintzer (65) observaram! dyspnéa com diminuição do acido carbonico dissolvida sangue, de 45 a 10,1 volumes por cento. Mod'ernamente, Levy, Rowntree e Marriott (71), injectandlo na veia de um; cãa 90 cc. do soluto semi-normal de acido chlorhydrico tes- temunharam a morte do animal, em consequência do; au- gmento da concentração do hydrogenio, que attingiu 6.9 nos últimos momentos de vida. A anemia, o enfraquecimento progressivo, a perda de peso dos animaes, sujeitos á acidemia, não resultariam para Cusnhy (10) de nenhuma ac!ção especifica dos áci- dos ministrados por dilatado tempo, sinão de distúrbios digestivos occorrentes. No envenenamento pelos ácidos, não raro é observar a degeneração gordurosa do coração, do figado, dos mus- 138 culos e dos rins, cujas cellulas soffrem mesmo um pro- cesso de necrose, posto em evidencia por Fraenkel el Rei- che (266). Todavia é de ver que em( vista, das reservlas basicas da economia, jamais se observou, na emergencia, acido livre no sangue, que explique qualquer acção di- recta. Não só os ácidos fortes occasionam a alcalipenia, sinão também os saes ácidos, como resalta dos ensaios de Porges (267), que, practicando injecções venosas de phos- phato monosodico em um coelho narcotizado, verificou maior eliminação do gás carbonico do plasma sanguíneo, como o attesta a elevação do quociente respiratório dd 0,68 a 0,79. ACIDEMIAS PATHOLOGICAS - A' similhança da acidemia experimental, dando logar á mesma producção de acido oxybutyrico, do acido diacetico e da acetona, se inscrevem os estados acidemicos observados no dia- betes, no curso dá inanição e por effeito de certos ''toxicos. A acidemia consecutiva ao jejum prolongado foi tes- temunhada por Cathcart (268) e por Brugsch (269) no celebre jejuador Succi. Ao cabo de 24 ou 36 horas de je- jum podem eliminar-se diariamente até dez e vinte grs. de acido oxybutyrico, a par de intensa eliminação del am- monia. O phenomeno corre por conta da carencja de hydrato de carbono para as necessidades organicas, visto como persiste a acidemia ainda quando ministrado ao pa- ciente albuminoides e gorduras, ao passo que cessa com pequena quota d'aquelles princípios. E' ainda por motivo da inanição observada nas ca- chexias cancerosas, em1 certas psychoses, nos vomitos hys- rerjcos que se verifica a acidemia n'estes estados moo bidos. Constitue a acidose do diabetes um dos mais estu- dados typos de acidemia, posto qu,e ainda não bem es- clarecidos os seus fundamentos pathogenicos. Em cães pri- vados de pancreas, foi dado a Minkowski (270), a Lúthje 139 (271) e a outros investigadores reproduzi-la nas mesmas circumstancias em que occorre no homem. Acreditam Cirad- wohl e Blaivas (272) na existência de alguma'funcçãoí es- pecifica do pancreas, no que concerne á genese da acip dose diabética, accentuando que não é propriamente a mu- dança da reacção do sangue, que no comia causaf a morte,, não frustrada pela subministração de alcali em ordem a restabelecer aquella reacção. D'ahi, porém, se não infira menor importância pa- thogenica do estado acidemico no diabetes, sabido, como é, que impedem os ácidos a oxydação doí assucar,, como de todo alimento, deprehendendo-se, ao demais, dos estudos de Rona e Wilenko (249) que o augmento da concentração ionica do hydrogenio reduz a utilização da glycose por parte do coração extirpado, mas ainda vivo. Consignam, por sua vez, os experimentos de Elias (273) a descarga do glycogenio hepático e subsecutiva hyperglycemia e gly- cosuria, em consequência da injecção venosa de ácidos em cães. Como já apontámos (pag. 96), cingem-se os facto- res da acidose diabética, que culmina no coma, aoi acido diacetico e sobretudo ao acido B-oxybutyrico, acompa- nhado ou não de acetona, substancias estas originadas no catabolismo das gorduras e das proteínas. Theoricamente 210 grs. de gordura podem produzir 72 grs. de acido, B-oxybutyrico, e 120 grs. de proteínas a metade mais ou menos dc mesmo acido. Desprovidos de acção toxica especifica taes corpos devem obrar unicamente como áci- dos, consumindo as reservas alcalinas, preservadoras do meio interno. Quanto á parte que tomam no coma; diabé- tico, concluiu Wells (46) recentemente: «it must be con- cluded that only a part of the symptomatodogy of dia- betic coma depends on acids as such but as yet we do, not known what other agents are acting». A' acidose attribuiam Benedict e Joslin (274) o- au- gmento de 15 a 20%, que verificaram no metabolismo do diabetes, assim se encarecendo o papel reservado1 á al- calitherapia na conjunctura. Entretanto, AHen e Dubois 140 (275), estudando o «metabolismo basal» de 2b diabé- ticos, só na metade divisaram incrementado o metabolis- mo, com a circumstancia eloquente de queaquelles cuja aci- dose era mais crescida, menor metabolismo apresentavam. E', pois, de concluir que não é a acidose causa d'estje crescimento, sinão phenomeno simultâneo d'elle. Maior é a resistência á acidose ,no diabetes das crian- ças e idos adultos de menos de quarenta annos, do fque nos velhos, provavelmente em virtudle da maior vulnerabili- dade renal d'estes, tal como o notificaram Goodal e Joslin (276). Assim também foi assignaladlo por Harrop e Mo- senthal (277), que, nos periodos menstruaes, o organismo da mulher se torna menos resistente aos corpos ácidos formados no dabietes, pelo que mais facil é o accidente comatoso nessa epoca. Na intoxicação aguda por certos m\etaes pesados, co- mo o mercúrio e o urânio, pela phloridzina, pelai, anttpy- rina e pela atropina, manifesta-se, outrosim, acidemia com acetonuria, á maneira da que se observa no} diabetes. E' o envenenamento pelo m-ercuríp e pelo urânio que tem servido para pôr em relevo a importância da acidei mia nas intoxicações, e cujo alcance therapeutico ainda ha pouco apontava Weiss (278). Foi Mac-Nider (279), quem, envenenando um cão pelo sublimado corrosivo, sobresahiu a intoxicação acida se- cundaria, attestada já na producção de corpos acetonicos, já na reducção das reservas alcalinas do sangue, já na maior producção de gás carbonico. Anteriormente, accu- rados estudos do mesmo Mac-Nider assentáram na maior producção de. acetona e acido diacetico emi casos de ne- phrite experimental pelo azotato de urânio. Em outras doenças da nutrição, além do diabetes, têm sido estudadas as modificações da reacção do sangue. Na obesidade as poucas observações conhecidas nos levam a crer na occorrencia de acidemia, sobre a. qual nãof parece, entretanto, aquella doença dystrophica exercer, por si mesma, uma influencia predisponente. E' assim que concluem Folin e Denis (280) na cuidbsa observação( fei- 141 ta em duas mulheres obesas, nas quaes o jejum repetido afez o organismo á perfeita oxydação das gorduras, visto como decresceu o acido B - oxybutyrico eliminado, o qual ao fim de algum tempo, era computado na dose diaria de; 7,2 e 18,5 grs., referida esta ultima cifra á menos gorda' de suas doentes. No rheuMatismo chronico já, em 1878, Canard (192) consignava notável e constante diminuição da alcalinidade do sangue. Foram estes resultados confirmados por Lé- pine e por Peiper (281), mas nada ainda se colheu dos novos methodos com relação aos humores no rheumatismo. No tocante á diathese urica, que numa expressão, ain- da obscura, traduz as desordens no metabolismo; das nu- cleinas, impõe-se desdobra-la nas duas feições que a obje- ctivam : a diathese gotos\a e a urolithogenica ou! uricurica, no dizer de Bru,gsch (282). Si ambas se irmanam no principio azotado que interessam, distanciam-se na patho- genia e, pois, no tratamento, como apartadas se nos de- param nas cogitações da clinica. Faz-se necessário con- siderar a reacção do meio nos dois aspectos d'essa dystro- phia, em que o acido urico circulante pode precipitar-se eventualmente, em um caso, no meio interno, com eleição nas serosas, em outro, nas vias urinarias. Si, nesta hyp pothese, occorre a precipitação em caminho mais acces-< sivel aos meios de investigação, faz-se, na diathese go- tosa, no recesso da economia, onde mais difficil é o prescrutar e temerário o concluir. Tal porque continua a pender de solução o problema pathogenico: dia gota,; na qual, aliás, ha sido exaggerado o papel do acido uricoy como ha perto de trinta annos já reflectia Bouchard^ que chegava até a negar fosse aquella affeoção devida á uri-< cernia. Si, de facto, existindo normalmente no sangue do sujeito em dieta mista, na dose de 0,7 a 3,7 milligrs. por cento (Folin e Denis, 283), o acido urico sobe na' gota a 4,3 milligrs., alcança, todavia, proporções muito maiores em uma serie de doenças outras, sem nenhum, de- posito gotoso, como, por exemplo, na leucemia, nas gran- des anemias, na pneumonia, no saturnismo, na nephrite 142 intersticial, onde Myers, Fine e Lough (284) referem um caso em que foram verificados 27 milligrs. da mesma ureide. Outrosim, mostrou Klemperer (285) que o san- gue dos gotosos tem capacidade de dissolver muito* maist acido urico, emtanto que já permitte se deponha elle no oirganismo, o que se ajusta ao observado por Bass e Herzberg (286) que na circulação dos mesmos doentes injectaram acido urico até perfazer a concentração de 0,01 °/o, sem que se objectivasse nenhum symptoma arti- cular. Por outro lado, Daniels e Mc Crudden (287) assisti- ram á superveniencia do ataque de gota em individuos, em cujo sangue havia menos acido urico do que no es- tado physiologico. O que ha de certo é que, conservando-se mais ou, menos normal no intervallo dos ataques de gota, a elD minação urica decresce nas proximidades d'elles, para se intensar no periodo agudo e poucos dias depois. Do exposto se ha de concluir que ha na gota, in- dependentemente da percentagem de uratos, condições ou- tras, ainda desconhecidas, que favorecem a precipitação d'estes saes. Não resta duvida que neste effeito deve in- fluir a reacção do meio, acerca da qual ainda contendem as opiniões. De mais a mais, aindã quando, os methodos chimicos a determinem a preceito no laboratorio, muitas são as incógnitas no problema biochimico, que impedem, por emquanto, uma illação positiva. Será, realmente, a reacção alterada dos humores causa efficiente da insolu- bilização dos uratos? Ou uma e outra serão, corollarios da profunda anomalia do metabolismo orgânico? Por muito tempo se suppôs se encontrassem na gota as caracteristicas das dyscrasias acidas, d'onde a inferên- cia dia diminuição da alcalinidade do sangue naquelle vi- cio da nutrição. Entretanto, as modernas investigações con- tradizem a baixa das reservas alcalinas no gotoso. Já Drouin (164), em 1891, affirmava, não sem surpresa, que, em um só caso de gota que lhe fôra dado ensaiar, divi- sára augmentada a alcalinidade sanguínea, embora fosse aquelle mal de origem saturnina. Comprovava assim a 143 observação de Jeffries (288) que o mesmo resultado ha- via logrado no sangue de um doente d;e nevralgia supra- orbitaria, de natureza gotosa. Egualmente, jamais notou Klemperer (289) fosse a alcalinidade do sangue dos gotosos menor que a do sangue normal. Também Magnus Levy (290) não encontrou differença sensível tanto noi curso, como no intervallo dos accessos, com referencia á reacção sanguínea de taes doentes. Recorrendo ao me- thodo de Wright, verificou Luff (193), no sangue dos go- tosos uma alcalinidade media mais elevada que no dos sujeitos sãos. Computando a reacção do sangue d'estes em1 0,161 a 0,185 o/o grs. de carbonato de sodio, ou seja a media de 0,167 grs., viu naquelles doentes ascender aí alcalinidade a 0,193-0,251 o/o, correspondentemente á me- dia de 0,217 grs. Demonstrou Luff (193), ao demais, que não é a re- stricção da alcalinidade que motiva a precipitação do- biu- rato de sodio no sôro sanguíneo impregnado de acido urico, nem tão pouco cresce o seu augmento/ a solubilidade dos depositos d'aquelle sal. Effectivamente, como diz Pratt (291), negativos têm sido todos os ensaios tendentes d attribuir á diminuída alcalinidade sanguínea, a deposição- dos uratos nos tecidos. Ao contrario, resalta dos expe-i rimentos do citado Luff que o augmento do bicarbonato, no sangue, activaria proporcionalmente a transformação dp biurato gelatinoso, em que se mudaria, a seu vêr^ o 'qua- driurato, na fórma crystallizada de biurato, menos solúvel. Note-se, porém, que para Wells (46) e outros, nos; accessos de gota, o acido urico se deporia em! estado li-, vre, e não combinado, como até ,agora se suppõe. Isso em relação a um dos aspectos da acidemia uri- ca. Passemos a analysar o outro. Na diastase urolithogenica se medirão os phenome- nos pela mesma craveira da diathese gotosa? Poderá cres- cer a alcalinidade do sangue quando a anailyse testifica, o augmento da acidez urinaria a favorecer a precipitação; dos uratos? Raras e incompletas são as contribuições ex- perimentaes a respeito, até porque só diepois de Brugsch 144 e Schittenhelm (292) foi individuada em nosologáaf a Urat- steindiathese, ou, trasladada para a nossa linguagem, a; diathese urolithogenica, que «nada tem de commum com a gota», no dizer d'aquelles auctores. Realmente, tudo leva a crêr que nella, ao revés, se restrinja a alcalinidade, dò sangue, o que permitte surdir a symptomatologia pró- pria ás dyscrasias acidas. Carecem, porém, sobre o as- sumpto dados positivos, só indirectamente se podendo con- cluir, como por exemplo, pelo exame dia urina, que, na emergencia, se manifesta em regra superacida. Mas como na diathese urolithogenica prevalecem' as manifestações nas vias urinarias, d'e!la só cuidaremos ao tratar da acção phár- macodynamica dos alcalinos neste apparelho. As mesmas considerações têm cabida no que toca á diathese oxalica, na qual provavelmente haverá certo es- tado de acidemia, não só porque, como temos verificado, se acompanha com grande frequência, de superacidez uri- naria, sinão também porque incontestável é o beneficio do tratamento alcalino na occorrencía. Reservaremos, po- rém, por egual, o seu estudo para quando cuidarmos do apparelho renal. No escorbuto, que hoje se acredita uma doença por defeituosa nutrição, notou Jaksch (259) considerável de- ducção da alcalinidade sanguínea, assim contradizendo a velha conclusão de Fremy, Becquerel e Rodier (293) que, ao contrario, a apregoavam augmentada. Avaliando a reacção sanguínea pelo grau de acidez urinaria, Joulie (294) distribue as doenças devidas ao re- tardamento da nutrição em duas classes: l.a- por di- minuição das trocas organicas e abaixamento das oxy- duções: diathese superacida; 2.a - por excesso^ de oxy- dações, nas quaes, sobrepuja a despesa á receita : diathese subacidia. Entre estas inclue elie um grande numero de doenças até então averbadas na primeira classe, como, por exemplo, muitas das manifestações do arthritismo, que, a seu ver, se filiam em alguma dyspepsia declarada od latente. Assim é que para Joulie haverá augmento, da alca- linidade dos humores na cachexia gotosa, em todas as 145 doenças consumptivas, no rachitismo, em certas nephrites, na lithiase phosphatica e oxalica, nas dyspepsias hyper- chlorhydricas, nas varizes, nas hemlorrhoidas e em mui- tas dermatoses, entre as quaes o eczema. Para combater todas essas doenças propôs o illustre chimicoi a therapeu- tica pelo acido phosphorico com o fim de restabelecer oi equilíbrio entre os acidlos e as bases do organismo^ Ainda pendem, porém, de sancção as curiosas revelações de Jou- lie, e o problema da alcalose, nome sob ol qual traduziu Fischer (294 a) na clinica de Krehl, em Heidelberg, o excesso de bases na economia, apenas começa de ser in- vestigado experimentalmente, já pela injecçào de alcalis no sangue (vide pag. 169), já produzida pela extirpaçãoj das glandulas parathyreoides, onde, como corollario, ap- parece o tétano, tal qual o eviddnciarami as pesquisas de Wilson, Stearns e Thurlow (295) na «John's Hopkins, School». Similhantes contraoções tetanicas têm sido ex- plicadas como condição de defesa contra a alcalose, visi to como mercê d'ellas crescerá fatalmente a producçãoi acida, e é sabido que se logra o desapparecimento do| referido symptoma pela injecçào de acido chlorhydricd no systema venoso. Em que pese a Wells (46) que só acredita bem es-, tabelecida a alcalose no tétano parathyreoideu, Mc Cann (296) suggere a possibilidade da alcalose no tétano, de origem gastrica, tendo-a verificado quando excluia expe- rimentalmente o acido chlorhydrico gástrico de seu per- curso para o duodeno. Ao pensar do mesmo Mc Cann^ poderia o tétano gástrico ser clinica/.nente observado no caso de obstrucção pylorica que, privando o estoimagoi do estimulo acido, impediria a descarga normal de alcalis pelos intestinos, ficando por essa forma augmentada a concentração de OH no sangue. Ao lado da acidemia por corpos acetonicos se inscre- ve a acidemia pelo acido láctico, que parece depender do 146 insufficiente supprimento de oxygenio nos tecidos, d'on- de resultaria a imperfeita combustão, não só da glycose (Nef, 297), mas também das proteinas, que contribuiriam: para a formação de 25 a 30 o/o do acido apparecido na-) quellas condições (Woodyatt, 298). Em1 verdade, abona o laboratorio similhante conceito, verificando-se a produ- cção do acido sarcolacticoj, a partir da glycose, em1 presença de alcali, desde que haja carência de oxygenio. Por isso) é que avulta o acido láctico no organismo, após! o exer- cício muscular desmedido e nos casos de intoxicação por substancias, como o phosphoro, o arsénico, a hydrazina^ o chloroformio, o ether, as quaes actuam sobretudo pela/ degeneração gordurosa do figado, que acarretam. Na intoxicação pela esírychnina, as convulsões muscu- lares dão logar ao decrescimento das reservas alcalinas> do sangue, em virtude da considerável producção de aci- do láctico. Realmente, Sass (299) nenhuma acidemia obser- vou, em cães estrychnizados, mas privados do pancreas, porquanto, nestas condições, se não pode gerar o acido< láctico á custa da glycose. Outrosim, nas convulsões de- vidas á intoxicação pela cocaína, testemunhou Underhill (300) a acidemia lactica. Muito tem merecido a questão no que refere á oc- correncia da acidemia, sob a acção dos anesfhesicos ha^ bitualmente utilizados, desde que pela primeira vez, Gre- ven (301), em 1895, e, depois, Baldwin (302) attentarajm1 no apparecimentc quasi constante d'e corpos acetonicos, entre os quaes o acido diacetico, nas primeiras 24 horas e mesmo dois ou três dias após a anesthesia pelo chlo- roformio e pelo ether. Recentemente voltaram a insistir na importância do assumpto em cirurgia, Crile e Menten (303), que chegaram a encontrar na conjunctura PH=7, Aus- tin e Jonas (304), Morriss (305), Mc Ellroy (306) e muitos outros. E' de crêr que na maioria .dos casos desem- penhe primordial papel no surto de Similhante acidemia, o jejum1 que geralmente precede e segue as intervenções operatórias. 147 Nos casos, porém, de intoxicação grave pelo chloro- formic, parece que outro deve ser o meçhanismo patho- genico da acidemia, como quer Ewing (pag. 134). E' que se nota, então, o rápido consumo das reservas glycoge-t nicas do figado, seguido de degeneração gordurosa da| mesma viscera e de abundante producção, de acido láctico. Similhante lactacidemia, em ultima analyse, seria depen- dente, no pensar de Wells (46), da deficiência do| oxyge-, nio nas cellulas no curso dó catabolismo dós hydratoá de carbono, tanto mais de crêr quanto não, se produz aci- do láctico nos processos orgânicos, ricos de oxygenio (Woodyatt, 298), nem quando privada a economia animal de suas reservas glycogenicas, assim como o assignalou Lusk (307). O protoxydo de azoto, associado ao oxygenio é o{ anesthesico, que segundo Marshall (308) e Crile e Loi- wer (309), mais convém na incidência de acidemia, so- bretudo nos doentes em choque operatorio. Depõem no mesmo sentido as pesquisas de Cannon (310) que, emi três operados submettidos áquelle anesthesico attestou, não só que minima era a reducção soffrida nas reservas alcalinas do sangue, sinão que insignificante era a queda observada na pressão arterial d'esses doentes. Exalçada a importância do estado acidemico na ane- sthesia geral, vêm a pêlo referir, embora pela rama, o; papel que lhe tem sido attribuido no proprio choque\ ope- ratorio e na gangrena gasosa. Realçou-o o mesmo Can- non em fundamentadas observações, accentuando que «os casos com baixa de pressão arterial devidos ao choque, á hemorrhagia ou ao bacillo da gangrena gasosa, apre- sentam diminuídas as reservas de alcali no sangue, isto| é, uma acidose». Por via de regra quanto maior for esta,, tanto mais baixa a pressão arterial. Não viu Cannon em! casos taes eliminação de corpos acetonicos, como tam- bém normal lhe appareceu o conteúdo do assucar no san- gue. Todavia, quasi ao mesmo tempo, foram conhecidos os resultados dos estudos de Mc. Ellroy (306), acerca da «Acidosis in Shock», de todo em todo discrepantes dasi 148 conclusões do celebre investigador americano. Assim é que no choque, determinado experimentalmente em cães, ha- via, de facto, decrescimento das reservas alcalinas, mas tributário do anesthesico empregado, e não d'aquelle es- tado. Demais a mais, promovendo considerável acidemia experimental, não conseguiu Mc Ellroy nenhuma condição que se assemelhasse ao choque, recobrando o animal pela injecção de alcali, ao passo que nenhum beneficio exercia esta medicação nos animaes em choque operatorio. Note-se que na gangrena gasosa foi a existência da acidose confirmada nos estudos de WrigWí e Fleming (311), que sobresahiram a faculdade que tem o bacillo d'aquella affecção de elaborar acido capaz de lhe favorecer o des- envolvimento. A intoxicação pelo phosphoro e pelo arseniPo, inte- ressando a integridade do fígado, acarreta a acidemia, á maneira do chloroformio. Em cães intoxicados pelo arsé- nico verificou Meyer (312), em 1883, diminuição da al- calinidade sanguinea, em virtude da quantidade excepcio- nal de acido láctico produzido. Haveria para o notável! ex- perimentador, carência do poder de oxydação do organis- mo a frustrar a subsecutiva transformação d'aquelle aci- do. Entretanto, para Kraus (162) a acidemia, no caso, se- ria tributaria do só poder hemolytico dos toxicos, como resalta das conhecidas propriedades do phosphoro, dos nitritos, da toluylenodiamina, do hydrogenio arseniado, dó pyrogallol, da glycerina, do acido dholico e doi ether, com os quaes corpos testemunhou augmentadla a acidez real dó sangue, e diminuída a quota de gás carbonido. Araki (313), assignalando, no* caso do phosphoro, a elevada producção de acido láctico no sangue, subordinava-a (como propôs Meyer) á falta de poder oxydante dos te- cidos, não pela anemia, mas provavelmente pelo vagar da pulsação cardíaca. Para Lusk (307), porém1^ o phospho- ro interessaria as condições que facilitam1 a oxydação da glycose em acido láctico, de cujo excesso resultaria a inhibição das diastases desaminantes. 149 Na atrophia ama relia do fígado não é de admirar se gerem condições propicias ao desenvolvimento da aci- demia lactica, egualmente observada no curso da toxe- mia gravidica, onde, a par de notável proporção de acido láctico, são excretados corpos acetonicos em: pequena quota. Analysemos agora outras emergencias clinicas, em que se ha de invocar outro mechanismo pathogenicoí para a alcalipenia verificada, pois que nellas falta a formação! de acido láctico e de corpos acetonicos em quantidade sufficiente para justificar o symptoma. Nas nephrites é a acidemia um dos attributos pree- minentes, maxime quando profundamente acommettida a permeabilidade dos rins. Notori^ é a baixa doí titulo, he- mobasimetrico toda vez que haja empeço, ao escoamentoi dos resíduos ácidos da desassimilação, através db emun- ctorio renal. Em 1888, Jaksch (259) attentára no pheno-: meno, observado em trêse doentes de nephrite aguda ou chronica, mostrando a coincidência d'elle com symptomas uremicos, mais ou menos intensos. A's mesmas conclu- sões chegou Peiper (281) em sete casos de nephrite agu- da ou chronica. Em outros casos insulados de doença^ renaes apparece a acidemia nos estudos de Canard (192) referentes a dois albuminuricos, de Mya e Tassinari (314) a uma criança com nephrite chronica e de Rumpf (315) a um sujeito com nephrite agudia. Para Drouin (164) a alteração acida do sangue, resultante do mau funcciona- mento renal, pode iniciar-se antejs de irromperem' os ac- cídentes uremicos, nos quaes não seria difficil lobrigar, por entre os variados symptomas do envenenamento múl- tiplo, os que se tributam á intoxicação acida, como, por exemplo, a dyspnéa e o estado comatoso. Andam contestes os auctores na coexistência frequen- te da nephrite e da acidemia,, e ainda recentemente' Keith e Thompson (316), relatando á « British Medicai Research Committee» o resultadó de suas pesquisas, accentuavam 150 o moderado grau de acidemia existente no cursol das ne- phrites, na grande guerra, as quaes, por seu lado, bene-* ficiavam da alcalitherapia. Aliás, para a designada Com- missão de investigadores inglêses, a acidemia verificada deveria ser tida como secundaria ao acommettimento re- nal, o que se ajusta ao pensar de Sellards (317), para quem haveria, no caso, uma «retention acidosis». Nem, por isso, porém, é de desprezar a condição; alcalipenica nas doenças renaes, visto como da accumulaçãoi de áci- dos nos rins, pode resultar a degeneração de seu epithelio. Só recentemente foi aclarado o mechanismo da aci- demia nas nephrites, depois que as investigações de Pea- body (318) determinaram, na oonjunctura, a retenção no sangue, de ácidos não voláteis, que ordinariamente se eli- minam pelos rins. Que existe acidemia' nas nephrites pro- vam-no á evidencia as pesquisas de Marriott e Howland (319) que, particularmente nos períodos terminaes, obser- varam a baixa da tensão de gás carbonico no ar dos alvéolos, o augmento da concentração ionica do hydro- genio no sangue, o progressivo decrescimento de suas; reservas alcalinas e do poder de combinação da hemo- globina com o oxygenio. Ao demais, negam aquelles in- vestigadores haja accumUlação de corpos acetonicos, quer no sangue, quer na urina. Por outro lado, assentaram Le- wis, Ryffel e outros (320) que não cresce o acido la-t ético no sangue dos nephriticos. D'estas considerações se ha de convir com Henderson e Palmer (321), que nes- ses doentes é de origem renal a acidemia, mesmo por- que verificaram elles em muitos casos, a par do grande volume nychtemeral da urina, o augmento da sua acidez titometrica, emquanto restringida era a eliminação acida total por conta da considerável baixa da excreção da. am- imonia. No que diz á regulação do equilíbrio entre ácidos e bases no organismo, consubstancia-se o papel dlo rim na eliminação dos phosphatos ácidos que, remanescendo no sangue, inevitavelmente lhe decrescerão o grau de alca- linidade. Coube a Marriott, Haessler e Howland (322) 151 demonstrar a accumulação dos phosphatos inorgânicos no sangue dos nephriticos, tendo recorrido a um! methodo simples e seguro, que imaginaram. Verificandd no san- gue dos sujeitos normaes a media de 1 a 3,5 milligrs. por cento, de phosphatos, expressos em1 phosphoro, tes- temunharam naquelles doentes complicados de acidemia, cifras superiores a 23 milligrs., por 100. D'ahi o. con- cluírem aquelles auctores pela retenção de phosphatos áci- dos, tanto mais importante quanto nesta especie figuram perto de 90 o/o dos phosphatos eliminados pela urina. Com- quanto não seja de suppôr este o factor único da acide- mia na nephrite, não é de esquecer sua relevância, até porque não é elle proporcional á retenção dé outros; pro- ductos, taes como o chlorêto de sodio, a uréa, o acido urico. Pelo visto, turbar-se-á, no caso das nephrites, ai funcção especifica do apparelho renal, aperfeiçoada no sen- tido da eliminação dos phosphatos, por isso que se não modifica a producção total do phosphoro, nem! cresce a absorpção delle pelo intestino, assim' como o attesta a eliminação dos phosphatos urinários, que, quando não di- minue, permanece a mesma. A baixa observada na eliminação da ammonia uri* naria nas nephrites, encontra sua razão dê ser nos en- saios de Howland e Marriott (323), que não lograraml augmento d'aquella base na urina, em seguida á admi* nistração de phosphatos acidois. Por egual, na occorren- cia de acidemia no curso, d'aquella doença, o çalcio chega a 1,5 milligrs. por 100 cc. de sôro sanguíneo, em logar, de 10 a 11 milligrs,, verificados no estado normal,, as* sim como resae das pesquisas de Marriott, Haessler e Howland (322). Todavia, talvez não seja univoca a origemí da acide- mia nas nephrites, como nos faz crer a presença do aci- do diacetico e da acetona nas nephropathias experimen- taes pelo urânio e pelo sublimado (vide pag. 140). Não parece coadunar-se com a observação clinica, como já accentuámos, a nova theoria dos edemas, consectario! frequente nas affecções renaes, suggerida por Martin Fi- 152 scher (227), que os subordina á maior affinidade dos colloides dos tecidos pela agua, em face de maior con^ centração acida, posto que como pondera Forcheimer (324), estejam ainda no dominio da discussão, similhante theo- ria e as suas suggestões therapeuticas. Na infanda e na puerida teni a acidemia, por egual^ desafiado as investigações da clinica e do laboratorio. Foi Keller (325) quem, em 1897, primeiro testemunhou avubi tadã a eliminação da ammonia na urina de certas crian- ças, que apresentavam um coefficiente die 2 a 57 o/o (*). Ao mesmo Keller, em collaboração com Czerny (326), se deve a primiasia na suggestão da similhança entre a syndrome observada nas diarrhéas infantis e a que se lhes antolhou em coelhos, após a subministnaçãoi d!e áci- dos mineraes. Vinculavam elles o augmento verificado na ammonia urinaria á maior dose de gordura noi regime; alimentar de certas crianças. Para Steinitz (327) oi phe- nomeno se justificava como compensação á notável per- da mineral pelo intestino, sobretudo do sodio^ Si, de facto, havia alcalipenia, era a seu vêr, a acidose apenas* relativa, nos casos tributados á «intoxicação alimentar», syndrome memoravelmente descripta na infancia, por Fin- kelstein (328), em 1907. Pelo methodo electrometrico comprovou Salge (329) o crescimento da concentração do hydrogenio; no soro! san- guíneo de crianças acommettidas da referida intoxicação, tendo numa encontrado CH egual a IO'62, e noutra, de cinco mesês de idade, 10'4-84 (**). Com referencia a tão important^ assumpto ainda em 1914, concluíam mui scepticamente, TÍ>bler e Bessau (330) : « Es bedarf noch die Frage der Beantwortung , ob irgend (*) Acreditam Howland e Marriott (256) que tão elevada percentagem se deva1 á falta de precisãfo ído methodo então usado, que foi o de Schloesing. (**) Muitoi justa é a critica de Howland^ e Marriott (256) aos resultado de Salge, attendendòHse a que a concentração 10 - *. 84 é nada menos/ que 100 vezes m&ior que a maxima observada em animaes moribundos, em consequência de intoxicação acida expe- rimental. 153 ein bestimmtes Krankheitsbild oder ein Komplex charakte- ristischer Symptome, wie etwa derjenige der sog. «ali- mentãren Intoxication», mit der einen oder anderen der hier besprochenen Stoffwechselanomalien zusammenfâllt. Nach dem derzitigen Stand unserer Kentnisse muss diese Frage verneint werden.» Graças, porém, aos estudos de Howland e Marriott (256) podé-se, sem receio, averbar entre as eventualida- des clinicas complicadas de acidemia, um estado que,, po- dendo apresentar-se desacompanhado, occorre* de regra, no curso de certas diarrhéas graves da infancia. Para exemplificar, citam esses auctores o caso dé um menino- de seis annos que, atacado subitamente de febre alta,, era levado, ao fim de doze horas, ao hospital, com grande dyspnéa, mas sem cyanose. A não ser uma otite media, nada rnais indiciava o exame physico, entretanto, que: to- dos os ensaios revelavam forte acidemia. Completa foi a efficiencia da medicação alcalina então appilicada, ten- do cessado todos os symptomas alarmantes. E' porém, nas diarrhéas de caracter grave, que, na infancia; a aci- demia prepondera em frequência, d'ellas se tornando, não raro, accidente fatal. Referem Howland e Marriott que^ oomtudo, muita vez, se logra a cessação da acidemia, sem' que, no emtanto, se impida a morte do pequeno] paciente. Mas, neste caso, terá sido tardia a intervenção, já se tendo inhibido, quiçá permanentemente, muitos processos normaes, emquanto outros permanecerão estimulados. Pre- ciso é, porém, não confundiir a descripta diarrhéa com os svmptoma similhante dias ileo-colites, onde a acidemia deve ser subordinada antes ao jejum imposto aos doentinhos. Deante das provas abonadas por aquelles auctores, não pode haver duvida da existência da alcalipenia na-? quelles casos. Assim nas graves emergencias, chegava a PH 7.2 a concentração ionica do H noi sôro sanguíneo,- medida pelo methodo de Levy, Rowntree e Marrioitt (vide pag. 162); grande era a tolerância pelos alcalinos,, que, ao em vez, de tornarem basicas as urinas com a dose diaria de 2 a 3 grs. de bicarbonato de sodio, qual 154 succede nas crianças normaes, eram supportadas sem o fazerem, em quantidades, 4,5 e até 10 vezes maior; di- minuído era, finalmente, o poder de saturação da liemo- globina pelo oxygenio. Não parece ligar-se a acidlemia infantil aos corpos acetonicos, registados na dose maxima de quinze a trinta milligrs. diários (*), sinão á influencia d'outros factores ainda não totalmente esclarecidos. A anuria, amiudadas vezes coexistente nos doentes investigados, deixa crêr, co- mo factor etiologico dominante, na demasia dos phospha- tos ácidos no sangue. Aliás, foi áttestado o facto nos casos graves de Howland e Marriott (256), que, todavia, se não sentem auctorizados a dizer se esta será «solely the cause of acidosis ». Passaremos a seguir em ligeira revista outros esta- dos pathologicos em que se haja registado- diminuída a alcalinidade dos humores, denunciada ainda a maior parte d'elles pelos antigos methodos usados por Canard, Mya, Renzi, Jaksch, Kraus, Drouin e seus coetâneos. Nas pyrexias é constantemente observada a acidemia, que lhes imprime, assim como ás phlegmasias, um cará- cter commum, no dizer de Drouin. Lembre-se a proposito que Fodor (331) verificou aug*mentada a alcalescencia san- guínea em ánimaes que sobreviviam á infecção, emquanto diminuída nos que morreram ao mal inoculado. Aliás, observou Hamburger (332), em experimentos de labora- torio, que cresce o poder bactericida do sangue á me-* dida que augmenta a alcalinidade d'elle. Entre as febres eru.pti.vas, pelo methodo gasometri- co deduziu Kraus (162) a baixa do titulo basimetrico do sangue na escarlatina e Brouardel (333) em trinta casos de varíola. Recentemente Thomas (334), estudando a uri- (*) Lembram}, a respeito, Howlantl1 e iMarriott, (250) ocaso de acidemia em uma criança de 20 mêses, submetiida a jejum, c na qual, não obstante a presença de 40 milligYs. de corpos' acetonicos, nenhum symptoma de nota foi apreciado. 155 na de sete crianças com escarlatina, comprovou a acide- mia num periodo de três a doze dias, alcançando o má- ximo no quinto dia de doença. Ainda que geralmente; pre- sentes, nem sempre havia eliminação de acido diacetico e de acetona, não se observando, ao demais, a alcalifi- cação urinaria, quando subministrados ao paciente 0,6 a 1 gramma de bicarbonato de sodio, todas as quatro ho- ras. Na observação de Thomas, verificou-se o desenvolvi- mento tardio de nephrite, nos dois escarlatinosos, em que mais accentuada era a acidemia. No rheumatismo articular agudo e na malaria, outro- sim consignaram Canard (192) Peiper (281f) e Kraus (162} estado alcalipenico. Os estudos recentes de Lewis e Barcroft (335) de- nunciam o mesmo phenomeno na pneumonia, cedendo o accidente em pós as crises. Na mesma doença e1 na pleu~ risia já Peiper (281) e Drouin (164) haviam egualmentíe distinguido o sangue menos alcalino. Na tuberculose não parece modificar-se o titulo he,- mobasimetrico, desde que se não acompanhe de hyper- thermia. Já, porém, a infeoção com febre o restringe, con- soante a verificação de Kraus (162) e de Mya e Tas- sinari (314). Todavia, ainda não está assentada illação, definitiva, tendo Lematte (336) concluído em 1911, de-1 pois de investigada a acidez urinaria, que os humores dos tuberculosos eram superacidos. Entretanto, a este conceito se oppõem Mme. Salovieff (337) e Mme. Tartakowsky (338), ambas accentuando que, nesses doentes, não é pro- porcional a eliminação da ammonia ao grau de acidez urinaria. Na recente pandemia da grippe, também foi regis- tado numa communicação de Ely (339), de Philadelphia, o papel que compete á acidemia, que, a seu vêr, é a condição fatal no metabolismo pervertido pelas invasões bacterianas. Davicíson (340) depôs no mesmo sentido, en- carecendo o tratamento alcalino na infecção< grippal. O cholera é outra infecção em' que a acidemia tem logar de relêvo, tal como o assignalou Rogers (341), nas 156 índias, tendo verificado já sensivel diminuição da alcali- nidade do sangue nos casos leves, considerável nos gra- ves e extrema nos sujeitos em imminencia de uremia. Sellards (342), salientando o beneficio da subministração precoce do bicarbonato, o.bservava a notável tolerância dos alcalinos nos cholericos, cujas urinas, em certos casos,, só se tornavam de reacção basica com o uso de 90 grs.t d'aquelle sal. Para Violle (343) similhante acidemia se origina, não só da perda de alcali arrastado pelo fluxo diarrheico, como da producção exaggerada de ácidos por conta da infecção vibroniana. Entre as consequências da diminuída alcalinidade na emergência, alista Ceni (344) a restricção do poder bactericida do soro. Na recentq guerra balkanicá foram os resultados de Rogers, corro- borados nas pesquisas de Rosenthal (345). Além do carbúnculo, é a diphteria outra infecção, que nos estudos de Peters (346) revelou decrescidas as reservas alcalinas. Julga este auctor que diverso não é o factor dominante nos casos complicados de vomitos,, nos quaes a acidemia teria causado o esgotamento da< funcção suprarenal. Note-se que a antitoxina não impedirá os vomitos, sinão quando subministrada até o terceiro^ ou quarto dia da doença. No cancro, ao contrario, apparece augmentada a al- calinidade titometrica do sangue, nas modernas investi- gações de Moore e Walker (347). Entre as affecções do sangue, a ftnenúa, em que pese a Peiper (281), acompanha-se, muita vez, de baixa da alcalinidade sanguínea, assim como o attestam os ensaios de Jaksch (259), Graeber (348), Rumpf (315), desenhan- do-se para Sellards (349) em cerca de 1/5 dos- casos gra- ves. Realmente, em havendo pobreza de corpúsculos san- guineos, diminuirá a quantidade de proteínas e, portanto, do «alcali difficilmente diffusivel», com ellas combinado. No mesmo sentido se manifesta a leucemia, onde, por egual, se nota diminuição dos albuminoides do> sôro san- guineo. Entretanto, nos estudos do citado Graeber, reve- lou-se augmentada a alcalescencia do sangue na chlorose. 157 Todavia, d'este parecer diverge Wells (46), que a tem' geral mente como norma! nesta doença, e, até, ao revés, diminuída em casos raros. Nas doenças cardíacas não se alteraria o titulo he- móbasimetrico, a crêr nas conclusões dê Drouin (164), as quaes, porém1, só se accordam ás lesões compensadas, porque, nas outras, nas descompensadas, avulta a forma- ção de acido láctico, em virtude da insufficiente circulação e imperfeitas oxydações (Lusk, 307). Durante as crises das grandes necroses, natural é a acidemia por conta do desmarcado trabalho muscular. E' de hontem a verificação de Bisgaard, Jarlov é Norvig (330), que mercê do methodo electrometrico e da me- dida da tensão alveolar do gás carbonico, testemunharam a acidemia durante e logo após as crises epilépticas, ao passo que augmentado fóra d'ellas era o titulo, hemobasi- metrico. Procuram elles combater, pela subministração de ácidos, esta tendencia á alcalinidade, que, aliás, já havia sido notada na epilepsia por Marotta e Renzi (351). Nas hystericas, porém, Canard (192) assignalára, ao invés, ten- dencia á acidez humoral. Em muitas intoxicações, a de mais das assignaladas (pag. 140), manifesta-se a acidemia, posto que, na maioír parte d'ellas, ainda ignorado o mechanismo pathogenico. Assim é que Kobert (352) assignalou o phenomenoj en- tre as perturbações causadas pelo ferro e ntanganez, e Meyer e Williams (353) nas consecutivas á intoxicaç|ão: pela platina, pelo iodo, pelo nitrifo e oxalaío dõ sodio, pela emetina e pela toluyleniodíamina. Taes são, e.m summa, as mais importantes eventua- lidades que, no organismo doente, se nos deparam acom- panhadas de acidemia, cujo estudo, mal esboçado ha cer- ca de trinta annos, mais e mais se alarga, e apenas co<- meça de ser caldeado na sciencia americana, tão; opulenta 158 de recursos, quão fértil de ensinamentos. Comtudo, é pre^ ciso não esquecer que, faz pouco, revistando Sellards (349) os últimos estudos acerca da acidose, acreditava só. dif- ficilmente pudessem ser encontradas outras doenças, em que possa desenvolver-se aquella synrdome, como occor- rencia fatal, e, condemnando a actual tendencia á gene- ralização dos estados acidemicos, como soe acontecer a toda noção nova, diz o illustre representante dã escola de Harvard : «The milder grades of acidosis may de- velop and persist for a short time in a variety of çioh- ditions though there is apparently a tendéney both' arnong clinicai and laboratory workers to exaggerate the ease with which slight acidosis may occur». De como aferir a superproducção acida no sangue Para estudar a acção pharmacodynamica dos alcalinos no organismo doente, mister é conhecer até onde che- gam os seus effeitos, de tal sorte que nelles se distinga, a acção therapeutica da acção toxica. Como, em; outro pas- so exalçámos, prejudica o excesso de alcali, não, só por- que cresce o poder toxico com a concentração de hydro- xyliontes (Loeb, 170), como porque occasiona a precipi- tação de certos principios, em virtude da mudança da reacção do meio. Assim pois, questão de tamanha mon- ta é esta, que, quando se não queira andar por acerto, será indispensável medir a reacção do sangue. Só en- tão estará apto quem pretender do alcalino o que elle; concede de beneficio, já nas suas celebres prelecções na « Royal Institution », de Londres, salientava Arrhenius (199), em 1914, como condição essencial ao progresso scientji- fico, a noção quantitativa nos processos tnochimicos : «It must be confessed that no real Chemical Science in the modern sense of the word existed before quantitativa measurements were introduced». Traçando, por outro la- do, os limites impostos aos velhos methodos chimicos, 159 resae Arrhenius a importância dos modernos processos physico-chimicos, os qtiaes «allow us to foílow quanti- - tatively the influence of temperature and: of foreign sub- stances upon these interesting organic products, whichj are of the greatest importance in industry, in the phy- siological process of daily life, and in deseases and their therapy ». Consulta, portanto, o interesse do nosso thema dizer algo, ainda que muito pela rama, dos principaes processos destinados á avaliação do grau de alcalinidade do san- gue. Por maneiras varias pode ser reconhecida a exces- siva producção acida no organismo doente, já por suai physionomia clinica, já pelos ensaios de laboratorio. In- diciam-na diversos methodos, que, usados separadamente ou em conjuncto, constituem não pequeno acervo, de que se vale a semiótica da acidemia. No rol d'elles e entrei os mais importantes, se averbam os seguintes, uns assás conhecidos e outros deslembrados da generalidade dos au- ctores: a) a diminuição da alcalinidade titometrica do sangue ; b) o crescimento de sua acidez titometrica real ; c) o augmento de sua concentração de iontes H; d), o maior poder de dissociação da oxyhemoglobina ; e) o menor conteúdo de gás carbonico no sangue ; f) a bai- xa da tensão d'este gás no ar dos alveolosi pulmonares ; g) a existência de ácidos anormaes no sangue e na uri- na; h) o augmento da acidez urinaria, partidularmente, com referencia á urina matinal; i) a maior proporção; de phosphatos monometallicos na urina; j) a maior con- centração de H nesta excreção ; k) a elevação: do coeffi- ciente da ammonia urinaria; 1) o crescimento da tole- rância pelos alcalinos, revelada pela permanencia da re- acção acida da urina, sem embargo de grandes doses do, medicamento em jejum, ou por via sub-cutanea ou ve- nosa; m) a intolerância dos ácidos mineraes e dos ali- mentos acidificantes do meio interno. Nos casos particulares de acidemia, outros indicios merecem registados: n) a hyperpnéa, sobremodo signi- ficativa na infancia; o) o augmento dá quota de phos- 160 phatos no sangue, quando de origem renal a acidemia;' p) . , , Acido urico a elevaçao do eoefnciente , 7- na urina, ' Phosphatos neutros supposto que não haja simultaneidade de lesão renal, a qual, obstando á excreção dos phosphatos ácidos, falsea- ria o critério como expoente dia reacção sanguínea. De maior relevância na indicação da superacidez urinaria, este ultimo symptoma será a seu tempo circumstanciado. METHODOS TITOMETRICOS - A) Dos antigos processos de hemotitometria sobreleva o de Drouin (164) que. expeoito e efficiente, muito concorreu para o estudo do problema. Mirava elle a determinação da alcalinidade,, não só do sangue total, mas também do sôro, quando* pretendia comparar os resultados com os colhidos da he- moxymetria. Para aquilatar a alcalinidade total, collocava Drouin em uma série de tigelinhas especiaes, I, ÍI, III, N IV.... X gotas de um soluto de acido oxalico, e, 30 conjunctamente, mas em ordem inversa X, IX, VIII, VII...., ...I gota de um soluto de sulfato de sodio a 20 o/o. Intro- duzida logo a seguir, em cada tigelinha, a mesma quan- tioade conhecida de sangue, diluido a meio peloí referido, soluto salino, uma pequena tira de tornasol sensível de- terminaria o conteúdo da tigelinha que manifestasse neu- tra a reacção. Conhecido previamente o grau de acidez correspondente a cada gota do soluto acido, ter-se-á me- dida a alcalinidade do sangue total. Era avaliada a alcalinidade do sôro, colhendo-se, an- tes de maior refeição, do paciente, cerca de 3 cc. dq sangue, que, abandonado em local fresco, se coagulava com formação do sôro desejado. D'este toma Drouin 0,5 cc., que, ajunctado a 1 cc. de agua destillada e I gota de phtaleina phenolica, é aquecido em pequena capsula a ba- nho-maria. com o fim de livra-lo do gás carbonico. En- vermelhecido o liquido e coagulada a albumina, põe-se a capsula a esfriar. Em seguidia, titula-se a alcalinidade pelo* soluto de 1 gr. de H2SO4 por litro, tendo-se o cuidadoí 161 de, terminada a operação, aquecer novamente o sôro cm) banho-maria, para o desprendimento eventual de nova dose de gás carbonico, e seguimento da titulação, si houver mister. Exprimir-se-á o resultado em Na OH ou em H2 SO4. B) Modernamente propôs Sellards (354) novo me- fhodo de titulação da alcalinidade do sôro sanguíneo, veri- ficada, seja no resíduo da calcinação, seja no soluto al- coolico, onde as albuminas quedariam precipitadas, redu- zindo a natureza do solvente as proporções da hydro-< lyse e ionização. Neste methodo, toma-se 1 Cc. de soro, que é addicionado gota a gota em 25 cc. de álcool abso- luto. Agita-se fortemente, filtra-se, ajunctam-se III a IV gotas de um soluto de phtaleina phenolica a 0,5 o/o, poni do-sc depois a evaporar lentamente, em banho-maria, até seccura. Logo que se dá* a concentração do soluto, pelo escapamento do gás carbonico e consequente transfor- mação de Na HCO3 em Na2 CO3, observa-se o appa- recimento da côr vermelha, indicativa da presença de base. Nos casos normaes, esta coloração, que toma todbs os matizes, surge nitidia e precocemente, perdurável por cinco a oito horas, sem embargo do constante aquecimento. Nesse ensaio qualitativo, que o auctor encomia, dienuncia-se a re- duzida alcalinidade do sôro, já pela tardança na revelaçãoi da côr, que pode faltar nos casos de pronunciada acide- mia, já pelo desapparecimento prematuro d'ella. No par- ticular da clinica pode este methodo convir na revelação dos estados acidemicos, mas não offerece, comtudo:, oi ne- cessário rigor ao estudo da pharmacodynamica dos alca- linos. C) A par d'estes processos basimetricos, inscreve- se o methodo fundado na avaliação da acidez titometrica do sôro sanguíneo, criado por Maly (159) e aperfeiçoado por Drouin (164). Facil é a technica di'este auctor e no seguinte se resume: collocam-se em um tubo de ensaio 0,5 cc. de sôro sanguíneo, 2 cc. de um soluto de soda com 1,25 grs. de soda por litro e II gotas do soluto satu-f 162 •rado de chlorêto de baryo, e, depois de bemj arrolhado o! dicto tubo, agita-se fortemente, deixando-o permanecer por 24 horas na geleira. Decorrido este prazo, todos os bi- carbonatos e phosphatos acidOs se terão mudado em car- bonatos e phosphatos básicos, mercê da soda, cujo pro- positado excesso sobrará. Por seu lado, o chlorêto de baryo terá precipitado aquelles saes, que a filtração sei parará. Na metade do filtrado será dosada a soda rema- nescente, logrando-se saber por um simples calculo a que foi neutralizada pelos saes ácidos existentes emi 1/2 cc'. de sôro. Não ha negar o grande alcance da avaliação da cha- mada acidez real do sangue, com o fim de julgar da correspondente reducção de suas reservas alcalinas. A' bôa luz, continuam esses methodos titometricos a prodigalizar inestimáveis ensinamentos. E nem o adven- to dos novos systémas, baseados na medida da concentra- ção do hydrogenio no sangue, logrará, despi-los da Km- portancia que a physiologia lhes outorgou. METHODOS FUNDADOS NA CONCENTRAÇÃO ION1CA DO SANGUE - A) Coube a Levy, Rowntree e Marriott (71) instituírem um processo practico e sensí- vel, sem as difficuldades do methodo electro-metrico, para determinar a concentração dos iontes H no sangue, va-j lendo-lhes na emergencia, as suggestões de Henderson e de Walpole, que analogo recurso haviam1, com' êxito, ap- plicado á urina. Préviamente tinham elles assentado que, si a helianthina indicava as concentrações entre PH 3 e 5 e a phtaleina phenolica entre PH 8 e 10denunciava a phe- nolsulphonphtaleina, pela diversidade de matizes, as con- centrações que medeiam entre PH 6.4 e 8. 4 em cujos li- mites se inscreve a do sangue. Por isso foi este o ito dicador preferido no methodo proposto, traçado> a seguir nas suas linhas geraes. Retiradb 1 a 3 cc. de sangue (oq utilizado apenas o sôro), é elle collocado em ;pequenosj saccos de collodio, adrede preparados, através dos quaes se dialysarão, por cinco ou dez minutos, os saes do pias- 163 ma, contra um soluto de chlorêto de sodio< a 0,8 o/o. Li- vram-se, d'este geito, as matérias corantes e os albumi-* noides, que conturbariam a efficiencia do processo. Ac- crescentam-se ao dialysado V gotas do soluto a 0,01 o/o de phenolsulphonphtaleina, que indicará o grau de con-< centração do hydrogenio, o qual, por seu turno, será fa- cilmente aferido pelo confronto com um soluto; de phos- phato monopotassico e disodico, em proporções conheci- das e submettido ao mesmo indicador. E' que nesta mis-1 tura, com a predominância de um ou outro sal, se obtémí a concentração de iontes H de PH 6. 4 a 8. 4. Por muito instructivo para aqui trasladamos o quadro que os am ctores organizaram : P H 1 6.41 6.6| 6.8 Phosphato mono-| 7.0' 7.1 1 7.2 7.3 7.4 7.5, 7.6 7.7 7.8 8.0 8.2| 8.4 potassico 73,0 63,0 51,0 Phosphato diso-l | i 37,0 32.0 27,0 23,0 19,0 15,8 13.2 11.0 8,8 5,6 3,2 2,0 1 1 dico 27,0 37,0 49,0 63,0 68.0 73,0 77,0 81,0 84,2 86.8 89,0 91,2 94,4 96,8 98,0 Com o seu mefhodo obtiveram sempre Levy, Rowntree e Marriott, concordantes resultados, que permittem con- cluir como vimos á pag. 108 pela media de PH 7.4 a 7. 6 para o sangue total de sujeitos sãos, apresentando o sôroí medias que reclamam um pouco maior a alcalinidade, re- presentada no caso por PH 7. 6 a 7. 8.! Em uma pequena serie de indivíduos com acidemia variou a concentração; dó sangue total de PH 7. 3 a 7. 1 e do sôro, de PH 7. 55 a 7. 2. B) Marriott (355) modificou o methodo preceden- te, com c intuito de medir as reservas alcalinas do pias-, ma, depois da remoção do gás carbonico dissolvido, sem go, porém, no mais, de grande similhança com o pro- cesso anterior. Prefere o auctor diialysar 0,5 cc. de sôroí sanguíneo nos saccos de collodio, contra 2 cc. de um so- luto de chlorêto de sodio a 8°/óo, mias já accrescido da phenolsulphonphtaleina. Com o fim de remover todo o gás carbonico é o producto da dialyse perpassado poil forte corrente de ar. Comparada a côr final, adquirida; 164 pelo sôro dialysado, com o soluto phosphatico que serve de modelo, tudo como no processo anterior, obtém-se a concentração ionica do hydrogenio,' a qual será forçosa- mente menor do que com o sanglue total. Para distinguir do methodo precedente propôs Marriott representa-la por Rp H que nos indivíduos normaes, em dieta mista, pode variar de 8.4 a 8.55, em correspondência com a tensão alveolar de 38 a 45 mm. Em um, paciente sujeito/ a je- jum de sessenta horas foi Rp H eguall a 8.35. Em crian- ças normaes, não raro, foi verificado Rp H 8.3 com a tensão alveolar de 35 mm., em vista da míenor alcalini- dade sanguínea na infancia, como para trás assignalámos. Na ocoorrencia de branda acidemia no adulto oscillavam •s valores referidos entre Rp H 8.00 a 8.35b equivalentes á tensão alveolar de 28 a 35 mm. Nos casos graves, po- rém, com perigo imminente era a concentração de Rp H 7.7, correspondente a 20 mm. de tensão, chegando a 7.3 durante o coma, em cujo periodoí só se accusavam? 11 mm. no ar dos alvéolos pulmonares. METHODOS GASO,MÉTRICOS r- Eram' estes ou- tr'ora usados por Meyer, Kraus e outras que ,os encare- ciam, assignalando que a quantidade de acido carbonico* no plasma sanguíneo variava na razão diirecta dos seus componentes alcalinos e na razão inversa dé seu contentei de ácidos. Com effeito, é o que se verifica nas condi- ções de bom funccionamento do apparelho respiratório, mas desde que, por exemplo, esmoreça a ventilação; pul- monar, sobrecarregando-se o sangue de acido carbonico, o methodo deporia em favor do augmento inexistente da alcalinidade. Demais d'isso, as variações da temperatura, que não devem influir de modo sensível no poder alcalino» do plasma sanguíneo, actuam poderosamente na quota de acido carbonico, tal como se infere das experiencias de Mathieu e Urbain (356). Com significação diversa, poder-se-ia incluir entre os gasometricos, o novo methodo de Van Styke (357), outra que nasceu das modernas cogitações americanas sobre o 165 assumpto. Já não é agora o gás carbonioo dissolvido ou fracamente combinado que se extrae, sinão que se deter- mina «o poder de combinação do anhydrido, carbonico; no plasma sanguíneo». Centrifugado o sangue fresco, pre- viamente tratado pelo oxalato, obtém-se o plasma que, em seguida, na dose de 1 cc., é saturado pelo gás car-> bonico na tensão alveolar. Em um apparelho especial, que demasiado longo fôra descrever, liberta-se, mediante o aci- do sulfurico, o acido carbonico contido na referida, quantidade de plasma sanguíneo. Basta subtrahir a ci- fra 12 do numero directamente indicado na parte gra< duada do apparelho, para que se loglíe. a percentagem, em volume, do anhydrido carbonico combinado com as bases do sangue. Computa-se a media em 0,53 a 0,78 por cc., ou sejam, 53 a 78 o/o. Revelam acidémia indicações infe- riores a 50 o/o, podendo, todavia, descer a 30 °/o, como em um caso de diabetes, referido pelo auctor. t No pensar de Qradwôhl e Blaivas (272), o methodo de von Salyke rivaliza em efficiencia com os methodois de medida da concentração ionica do hydrogenio de Mar- riott e o da pesquisa da tensão alveolar do gás carbo- nico, bosquejado a seguir. METHODOS BASEADOS NA TENSÁO ALVEOLAR de CO2 - As variações da tensão do gás carbonico nos alvéolos pulmonares reflectem com vantagem o grau dó acidemia, tal como nos mostraram Beddard, Pembrey e Spprigs (358). Correspondendo normalmente a 40 mm. de mercúrio, a tensão alveolar dó gás carbonico mantém es- treita relação com a dó mesmo gás no sangue, o au- gmento de uma implicando' o da outra. Ora, desde que no sangue appareçam ácidos anormaes, liberta-se propor- cional quota de gás carbonico, com subsecutiva queda da tensão. E' por isso que nos casos graves de diabetes cae a tensão a 20 mm., podendo até chegar a 14 mm.,; durante o coma. Já, porém, a subministração de bicar- bonato a elevará. 166 Varios investigadores engendraram1 processos rápidos e precisos, que permittem aquilatar a tensão de CO 2 nos alvéolos. Entre os menos recentes sobreleva o de Plesh (359), com as modificações introduzidas por Higgins (360). Dos mais novos é de referir o de FredericU (361) e o< de Marriott (362). E' o methodo de Fredericia que ma,is se tem generalizado. Nelle se faz uso de um apparelhoi portátil, onde o paciente recolhe 100 cc. de ar alveolar, resfriado em seguida á temperatura ambiente. O gás car- bónico contido- neste ar é absorvido por um soluto de1 potassa a 20 o/o, assim se creando um vasio no recipiente, o qual é medido pela agua' a que corresponde. Attendèndá á pressão barométrica e á tensão de vapor d'agua no^ momento do ensaio, lograr-se-á por um simples calculoi a tensão expressa em millimetros de mercúrio. Cumpre lembrar, porém, antes de concluir, que, no< depoimento de Van Slyke (363), o decrescimento- da ten- são alveolar do gás carbonico é apenas medida indirecta da concentração ionica do hydrogenio no sangue, não de- vendo absolutamente ser tido como synonymo de acidemia. Só se lhe dê credito, pois, quando normães as funcç^es respiratórias e conhecidas as condições da temperatura e da latmosphera. Esses os methodos a que usualmente se soccorre na determinação da alcalinidade do sangue, com o fim? parti- cular de se não exceder a dose de alcalino, requerida para a sua efficiencia therapeutica. Impendíe ainda não deslem- brar que outros processos existemi, alguns dds quaes, em- bora de menos precisão, não desmerecem, sinão mesmo se impõem nas lides da clinica, onde, aliás, num sem conto de vezes, mingua, mau grado nosso, a collaboração do laboratório. Então um dos recursos mais prestadios é ai observação da tolerância do alcalino em jejum', conferida pela mudança da reacção da urina, mediante um simples papel reagente de tornasol, e até, na falta d'este, pela tur- 167 vação d'ella e o cheiro ammoniacal que se desprende. As- sim como pondera Barker (364), na acidose media do diabetes, são necessários cerca de 20 grs. de bicarbonato' de sodio para tornar basica a reacção das urinas, e nos casos graves, obra de quarenta ou mais grammas, de- balde se empregando avultadas quantidades do alcalino na emergencia comatosa, insufficientes siquer para a só neutralização. Nos casos normaes, aponta o mesmo Barker a necessidade de cinco a dez grs. de bicarbonato para o fim enunciadó. Temos por verificado, porém, que, em jejum, doses bem menores logram o mesmo effeito. Recorre Blum (365), egualmente, para julgar a aci- óose diabética, á subministração diaria de bicarbonato de sodio em doses crescentes até que se torne alcalina á excreção urinaria. De sua observação concluiu elle : 5 a 10 grs. de bicarbonato: nenhuma acidose. 20 grs. de bicarbonato: leve acidose. 20 a 30 grs. de bicarbonato: media acidose. 50 grs. de bicarbonato: grave acidose. A pharmacodynamica dos alcalinos no meio interno. Vincula-se a acção doestes agentes á presença do oxy- drilio na sua molécula, ou á formação d'este radical pela hydrolyse da agua, em que se encontrem dissolvidos. E' similhante constante que os identifica e os define, facultan- do-lhes a reacção com o hydrogenio dos ácidos e sub> sequente producção de agua. São dois radicaes toxicos' que se neutralizam, produzindo um corpo practicamente in- nocuo. Poder-se-á mesmo dizer que não importa no caso a reacção entre o metal e o anionte do acido, até| porque, á luz da theoria ionica, subsistem inalterados aquelles, iontes, peculiarmente no organismo, onde dissociados se nos deparam 85 o/o dos electrolytos. Sirva de exemplo o 168 effeito do hydrato de sodio sobre o acido .chlonhydrico), ambos em estado de solução: 4- - + - - 4~ 4" - Na + OH 4- H + Cl - OH.H -j- Na + Cl Por demais é a exposição dos ensaios demonstrati- vos de que, na realidade, esses agentes alcalinizam ,o<s humores do meio interno, impregnando provavelmente to- dos os tecidos. Freudberg (366), subministrando todos os dias de cinco a dez grs. de bicarbonato de! sodio a cinco indivíduos, observou que em três d'elles orçava o au- gmento da alcalinidade sanguínea em 1/14, em todos se, tornando a urina fortemente basica. A duração do ef- feito seria fugaz para Raimondi (367), não excedente de três horas após a subministração da ultima dose. Contra- põem-se, no emtanto, a este juizo as experiencias d*e Ca- nard (192) que em um sujeito são, ainda dez dias depois de suspender o uso diário de aguas alcalinas, verificou, durante um mês, um crescimento da alcalescencia do san- gue, correspondente a 59 milligrs. de acido tartarico. Por outro lado, lograda a acidemia experimental, obti- do, por exemplo, no coelho, o abaixamento do contentoj no seu sangue de 25 volumes de gás carbonico a dois volumes, provocado, assim, o collapso, que segue á hy- perpnéa e ao enfraquecimento do coração, facil é remo- ver similhante condição a que sobreviria a morte, pela subministração venosa da alcalino (Cushny, 10). Assignalada a acção neutralizante primordial, não é de esquecer que effeitos secundários podem! decorrer dos outros radicaes da molécula do agente alcalificante, equi- paráveis, então, aos manifestados pelos saes neutros. Já agora, não será o effeito dependente do oxydrilio, sinãc dos metaes que lhe satisfazem a atomicidade. Assim^ pois, na acção do alcalificante não ha perder de vista, por exem- plo, a toxicidade do potássio, exaltada no estado ionico, nem a vantajosa acção inhibidóra que os saes alcalinos.i d'este mesmo metal exercem na transformação do que Luff (193) chamou de biurato gelatinoso na variedade 169 crystallizada, e menos ainda o beneficio do ionte calcioi nas dyscrasias acidas, onde occorrem grandes perdas does- te elemento, culminadas no diabetes, como apontaram Schle- singer e Gerhardt (368). A admittir como acção physiologica a que se opera no organismo sem modificação notável no trabalho func- cional dos orgams, nenhuma outra melhor a exemplificará, em sentido estricto, do que a influencia dos alcalinos noi meio interno. E' que, mercê das reacções de defesa, ha^ como vimos, um paradeiro á concentração de hydroxy- liontes no sangue e nos tecidos, triumphando, o organismo^ da subministração de doses toxicas, nas quaes nos seria dada melhor apreciação da pharmacodynarnica d'esses me- dicamentos. Não esqueça, comtudo, que importa similhante defesa a eliminação de urina alcalina, que malfaz, não só por mais irritante, como pela sedimentação de substan-j cias, que a reacção normal d'ella permitte solubilizadas. Na emergencia, além de transformar o organismo bôa parte de seus phosphatos monometallicos em bimetallicos, que, mais diffusiveis, carreiam pelos rins considerável quota de bases, estabelece-se a defesa pela formarão de acido sarcolactico ou de outros ácidos não oxydaveis, assihi comof o demonstraram as recentes indagações de Macleod e Knapp (369), consagradas ao estudo da alcalose experi- mental. . i ' Releva notar que assim como ha substancias, a exem- plo de certos venenos, faltas de radicaes ácidos, mas ca- pazes de provocar acidemia, assim também pode ser mo- dificado o titulo hemobasimetrico, no estado normal ou, pathologico, suscitadas reacções da economia, ao influxo de medicamentos carecentes de poder acido ou básico. Em verdade, no tocante ao mechanismo therapeutico, além dos alcalinos de effeito saturante immediato, outras sub- stancias ha capazes de desempenhar idêntico papel, me- diante uma acção secundaria, provocada no organismo. Si 170 aquelles manifestam effeitos proporcionaes ao seu poder básico, as ultimas podem até ser desprovidas d'elle. As- sim, por pequena dose de bicarbonato de sodio se poderá alcalinizar fortemente o sangue, desde que, estimulada a mucosa gastrica, se determine hyperchlorhydria e, corres- pondentemente, na circulação sanguínea, o apparecimento de soda, na razão directa do jacido produzido1. Outrosim' alcalificantes são os cholagogos e purgativos, por cresce- rem, em geral, as secreções alcalinas. Mais um exemple eloquente se encontra na pilocarpina, capaz, por si mes- ma, de augmentar a alcalinidade dos tecidbs, já que, pela estimulação directa da actividade glandular, provoca abun- dante secreção de suor acido, com o qual sei reduz a con- d- centração de H no meio interno, como o provai a elimina- ção de uma urina de reacção fortemente basica (Soll- mann, 9). Cumpre ainda, e preliminarmente, distinguir a acção physiologica da acção toxica, como resulta evidente da confronto entre os experimentos de Renzi e Marotta (351), que viram normalizar-se, após algumas gotas de nitrito de amylio, o titulo hemobasimetrico, abaixadoí em um caso de insufficiencia aortica, e os ensaios de Mya ,e Tassinari (314), que, ministrando o mesmo medicamento a cães, até a producção de glycosuria, attestaram', ao invés, con- siderável reducção da alcalinidade sanguínea. No perquirir a acção. dos alcalinos sobre o meio in- terno sobreleva a consideração de sua solubilidade1, e bem assim a sua capacidade de saturação immediata ou re- mota (vide pag. 6). Os alcalinos solúveis influenciam aquelle meio já no período digestivo, já fóra d'elle, exi- gindo, porém, proporções diversas na dosagem. Em jejum, as pequenas doses, e, por maior razão, as grandes rapida- mente se escoam do estomago e alcançam o intestino, onde são absorvidas em natureza ou, parcialmente, no estado dé albuminatos. Em tal condição, di-lo Hayem (370), basta um copo d'agua de Vichy para se modificar a reacção da urina, subindo, então, a alcalinidade sanguínea de 1/16. 171 Já, porém, durante as refeições, a mór parte, sinão a totalidade do alcalino, é saturada pelo acido segregado, cuja proporção pode até crescer á sua acção estimulante, como em outro capitulo assignalámos. Não se diga que,, por essa forma, possa resultar a mesma alcalinização1 san- guínea, já que, em compensação, não é o acido gástrico despendido no saturar as secreções alcalinas do intestino, que sobrariam livres do contacto acido. E' que são| produ- zidos estes suecos digestivos em funeção d'aquelle acido, que em concentração insufficiente, não dará logar ao| re- flexo, mediante o qual fluem na cavidade do intestino as secreções ricas de alcali. Assim, por consequência* é ben^ de frisar a importância da subministração dos alcalificantes solúveis em jejum, quando se pretende actuar no meioj interno e no apparelho urinário. De uma feita, poupa-sç a digestão de uma influencia, que pode ser conturbadora, e attende-se efficazmente ao que se tem por objecto. Os alcalinos insolúveis, como as bases terrosas, só influenciam directamente a reacção sanguínea depois de solubilizados e absorvidos. Para isso, faz-se necessária a intervenção do acido carbonico, que os transmuda no; in- testino, ao menos parcialmente, em bicarbonatos, visto co- mo seria inefficaz a influencia do acido chlorhydricoí es- tomacal, em virtude da producção de saes neutros. Mas,, in- directamente, ainda actuam as bases terrosas sobre a re- acção do sangue e dos tecidos, porque, combinandoi-se1 no canal digestivo com os ácidos gordurosos, o sulfurico, o phosphorico e outros, os forram á absorpção, evitandó que restrinjam as reservas alcalinas da economia. Egualmente divergem no critério pharmacodynamico, os alcalificantes directos c indirectos (vide pag. 6), uns e outros capazes de influir na reacçãó: do meioi interno.j Emquanto aquelles apresentam funeção, basica directamente aproveitável com fim therapeutico, como sejam os hydra- tos e carbonatos alcalinos e terrosos, os outros, os alu calificantes indirectos só propiciam o seu poder saturante depois que, por oxydação intraorganica, tenhaml passado 172 a carbonatos alcalinos. Sirva de exemplo o acido láctico, depois de salifiçado : CH3 - CHOH - COO Na -p 3O2 = Na HCO3 + 2 CO2 4- 2 H2O E' de modo analogo que actuam os saes organidos, de que é rico o reino vegetal, taes como, os malatos, tartaratos e citratos, como tudo foi miudeado no) primeiro capitulo d'este opusculo. Investigaremos a seguir a acção dos alcalificantes di- rectos e indirectos no sangue e nos tecidos. Aquelles, de- pois de solubilizados, quando já o não estejam', e após soffrerem a influencia do meio gastro-intestinal, são para logo absorvidos, levando ao meio interno o hydroxylionte, que lhes imprime a funcção primordial. Todavia, dotados de fraco poder de diffusão, o carbonato de sodio; e par- ticularmente o bicarbonato só lentamente serão absorvi- dos, de tal sorte que, usados em excesso, poderão occa- sionar diarrhéa. No particular mui mais considerável é a diffusibilidade dos acetatos, levada por Stokvis (6) á conta da accentuada dissociação dos solutos d'estes saes. No tocante aos alcalificantes indirectos, consoante sua constituição chimica, se transmudarão elles no organismo em maior ou menor dose em carbonatos alcalinos, que, no pensar de Manquat (371) actuariam em estado nascen- te. Posto que indiscutível esta metamorphose, ainda rei- nam duvidas acerca de sua séde. Admittem Nothnagel e Rossbach (8) que já no intestino parcialmente se transi formem os tartaratos, malatos, acetatos e citratos alcali- nos em bicarbonatos, para depois apparecerem na urina no estado de carbonatos. Para Bucheim (372) residiria a causa desta transformação, parte em processos de fermen- tação e parte na influencia do acido carbonicoí existente' no intestino. Combinar-se-ia este acido com as bases re- manescentes, depois de libertados os ácidos orgânicos, que penetrariam a circulação. Custa um pouco; a convir na hy- pothese de Bucheim, na qual forçoso seria suppor pro- 173 cessos de oxydação em um meio nimiamente reductor, como o intestino, e conceber o acido carbonico, capaz de deslocar, sem outro factor superveniente, os ácidos refe- ridos de suas combinações. Já, entretanto, na oxydação processada no meio interno annuem todos os auctores,, entre os quaes Lauder Brunton (373), para quem' prova- velmente residirá a séde da transformação no systema muscular. Os proprios ácidos orgânicos de que se trata, em; sua maior parte ácidos vegetaes, salificados pelas bases da economia, podem funccionar como alcalificantes, á guisa de seus saes alcalinos. Não é completa, porém-, a analo- gia da acção, já porque derivam bases do organismo, já porque, em grande excesso, poderiam eliiminar-se pelas urinas em natureza, ou no estado de saes ácidos (Man» quat, 371). Já então lhes careceria o papel dei alcalifican- tes, sinão mesmo effeito opposto lhes caberia. A esta subtracção de alcalis ao organismo se poderia increpar a desnutrição verificada nos indivíduos que se collocam1 em um regime de ácidos orgânicos, qual, por exemplo, o vinagre. Entretanto não anda accorde a proposito o consenso dos auctores. Não falta quem' impute o facto á consecutiva descalcificação do organismo, para tanto se estribando nos ensaios de Teissier (374) que, em! animaes, testemunhou o augmento da eliminação dos phosphatos terrosos em seguida ao uso de acido láctico. Todavia, louva- dos em Heiss, negam Nothnagel e Rossbach (8) possa este acido subtrahir cal do organismo. Revê como indis- cutível do que fica dicto a dissimilhança entre a acção[ dos saes e dos ácidos orgânicos. □'entre os alcalificantes indirectos, signalaremos os saes orgânicos mais importantes em pharmacologia, par- ticularmente quanto á metamorphose, que lhes permitte servirem ao fim que collimamos. Oxydam-se os formiatos alcalinos em carbonatos, no organismo, sobrando, porém, uma parte que, proporcional- mente á quantidade ingerida, se elimina inalterada pelas 174 urinas, como mostraram as pesquisas dle Quinqaud, Schot- ten, Grehant (375). Baixa, de facto, a acidez urinaria,,; conforme o demonstrou Rabuteau, ao menos depois das primeiras micções subsecutivas ao uso do formiato, que pode iser empregado, para tal fim, 4ia dose de 1 a 4. grs. diários. Os acetatos, segundo o registou Limbeck (376), trans- formam-se com grande rapidez em carbonatos, assim in- fluenciando a reacçao das urinas, em doses que vão díe 1 a 5 grs. por dia, sobrando, porém, 'inalterado cerca de 3 o/o do sal ingerido. Dos homologos superiores da serie gordurosa dizem os experimentos physiologicos que são inteiramente oixy- dados o propionato, o biUyrato e o Valeriwato de sodio, aindia que, de habito, não logrem os dois primeiros em- prego therapeutico. Entre os saes de acidos-alcooes, inscrevem-se, no que nos interessa, os lactatos, os malatos, os tartaratos e os citratos. Constituem os Lactatos os saes mais oxydaveis def quantos estudamos por agora, podendo, comtudo, ser tam- bém excretados pela urina em diminuta quantidade (Cus- nhy, 10). Verifica-se a sua mudança em carbonato, mes-' mo quando injectadas directamente no sangue grandes doses de lactato de sodio (Gaglio, 113). Isso quanto .aoi acido láctico ordinário ou de fermentação, porque o sar- colactico, seu isomero, formadd no trabalho muscular, é incomparavelmente mais resistente aos processos de oxy- dação, como para trás annotámos (pag. 134). No parecer de Nothnagel e Rossbach (7),- quando os lactatos aban- donam o organismo sem se modificarem, signal é de forte decresci mento nas reacções oxydantes. Sendo, po-* rém, laxativos brandos, esses saes têm por isso limitado* o seu emprego como alcalificante. Não se prescrevem, em regra, os malatos em phar-* macia, ainda que mereçam referidos, por participarem de muitas fructas, habitualmente usadas. Oxydam-se no or- ganismo em succinatos, os quaes, entrando em combustão; 175 no sangue, se transformam em bicarbonatos alcalinos (Nothnagel e Rossbach, 8). D'esta opinião discrepa, no; emtanto, Henrijean (30), para quem não soffreria trans- formação o acido malico, assim como o succinico- e <0 saccharico. Em sua maior proporção» os tartaratos egualmente/ se oxydam, embora em parte se eliminem em natureza, variando esta percentagem com a forma crystallina do corpo. Segundo as pesquisas de Bucheim, Petrowski, Pohl (377) o acido tartarico direito, que é o empregado em medicina, elimina-se pelas urinas na proporção de 25.6 a 29,3 %, o esquerdo de 2,7 a 6,4 °/o, o rademico de 24,7 a 41,9 o/o e, finalmente, a variedade mesotartarica dei 2,7 a 6,2 o/o. Na oxydação do acido tartarico attribue Hen- rijean (30) ás fermentações intestinaes um papel, ctu.ja importância ainda se não tem firmado á justa. Não sen- do facilmente absorvidos pelo tubo digestivo, os tarta- ratos tornam-se, em certa dose, catharticos, não devendo, por isso, como alcalificante ser usado além de 5 a 6 grs. diários. De absorpção egualmente difficil são os citratos al- calinos, mas depois de absorvidos sendo totalmente (Di- xon, 112) transformados em carbonatos, sob cuja forma se eliminam pelas urinas, alcalificando-as, como mostrou Jawein (378), sem, todavia, influenciar as tnkuo azota- das. Realmente, presenciou Stadelmann (379) a alcalini- zação da urina, por quatro dias, em seguida ao uso do; citrato de sodio. E' uma de suas vantagens, apregoada^ por Burchhard e Korserski (380), o não causar este sal transtornos gastro-intestinaes, ainda quando ingerido em1 elevadas doses, que podem attingir 40 grs. diários. Ó proprio acido cítrico parece oxydar-se sem maior empeço- no organismo, como demonstra o ensaio de Labbé (381),, que encontrou diminuída a acidez urinaria depois do usoí do limão no momento das refeições. Os oxalatos, que, por toxicos, não se usam em me- dicina, resistem muito mais do que os saes que acaba- mos de enumerar. Negada a sua oxydação no organismo 176 por Gaglio e Gianti (382), e por Faust (383), foi ella,. entretanto, observada nos experimentos em coelho por Autenrith e Barth (384). Os saes orgânicos da serie aromática offerecem egual resistência á oxydação organica, não influenciando, eni> regra, a reacção do- meio interno. O acida salicylico, ex- cretado em natureza em pequena fraoção, transforma-se sobretudo nos ácidos salicylurico e salicylglycuronico. Por egual acidificante é o acido benzoico, já que, além da pequena quota que sáe em natureza, o restante se elimina sob a forma de acido hippurico, e também de acido ben- zoylglycuronico. No que toca ao metaboilismo das niu cleinas, interessa consignar que, si o acido salicylico cresce a eliminação urica, o benzoico a restringe (Cushny, 10). Fica assim registada, em summa, a maior parte dos ácidos orgânicos e seus saes, que, depois de soffrerem combustões, se transmudam em bicarbonatos e alcalifi- cam a. economia. Condicionada a reacções preliminares, a capacidade saturante d'esses corpos se opera m'ais suavemente no; recesso do organismo, alheia, na maioria d'elles, á ip- fluencia dos ácidos no apparelho digestivo. Occupam, as- sim, preeminente logar na therapeutica, em que pese á reconhecida auctoridade de Nothnagel e Rossbach (8), que tinham os saes alcalinos vegetaes por inteiramente supérfluos na practica, visto que, em logar dMles, suffi- cientes seriam os carbonatos. D'estes, no emtanto, se dif- ferenciam aquelles, no alto critério de Rabuteau (385),^ porque entram em combustão no organismo, desempe- nhando o papel de alimentos e porque, além de diuréticos^ representam uma quantidade de bicarbonato bem inferior a de seu peso. Isto posto, apreciada á luz da pharmacodynamica a funcção basica dos vários alcalificantes, analysemos os effeitos physiologicos d'estes agentes therapeuticos. Re- 177 sumbram elles, aliás, de quanto foi adduzido no estudo, do meio interno, sobre o qual haverão de actuar, com o escopo principal de corrigir a anomalia da concentração< ionica do hydrogenio no sangue e nos tecidos, e quan- tos vicios d'ella derivam. Preciso é que se distinga a acção do alcalino no su- jeito em estado hygido e em situação mórbida. Inevita- vehnente variarão os effeitos, conforme se actue no or- ganismo de um ou de outro. Si o crescimento da alcalini- dade dos humores de um homem são será antes nocivo, do que util, no doente dependerá o effeito da alcalescfen- cia de seus humores. E como não é esta a mesma no$ vários estados morbidos, a acção pharmaoodynamica dos alcalinos variará com elles^ Não podem, por exemplo^ influenciar, por egual, o organismo dé um diabético, onde avultada é a formação acida, e o de um chlorotioo, onde, ao contrario, o titulo hemobasimetrico se encontra ge- ralmente normal ou augmentado.. Tanto quanto pode ser discernido no estado actual1 da sciencia, cifra-se a acção therapeutica dos alcalinos* em annular a toxicidade dos iontes hydrogenio, em vir- tude da neutralização do acido, que é, na recente phrase de Cusnhy, «provavelmente o mais venenoso de todos os productos residuaes, até hoje conhecidos» (59). Isso, porém, no conceito geral, que outros effeitos secundários promanam dos alcalinos em casos concretos, como noi diabetes, na diathese urica, etc. Em relação ao metabolismo normal, embora algumas illações positivas já permittam estabelecer, em certa me- dida, a influencia dos alcalinos, ainda sobra muita in- terrogação num terreno tão eriçadt) de estorvos. Assim,, como dsitinguir numa experiencia si se tributam as mo- dificações processadas ao hydroxylionte ou ao ionte me- tallico, e como individuar, em consequência, o que per-' tence ao alcali e o que concerne ao sal? Ao demais, em crescendo a alcalescencia do sangue, avultará ella na mes- 178 ma proporção nos tecidos, em cuja intimidade occorrem as trocas nutritivas? E' obvia a complexidade do pro- blema formulado aos investigadores, que ensaiam em su- jeitos diversos, onde a producção acida de cada um mo- dificará a seu modo a dose de alcali introduzido e nos: quaes variará a tensão osmotica dlo sangue, a suscitar maior ou menor eliminação dias demasias alcalinas. E' facto que baldos têm sido os numerosos subsídios exi perimentaes que ainda não permittem uma conclusão de- cisiva, nem mesmo no j que respeita á influencia dos ah calinos no poder de oxydação dos tecidos. Si a maior1, parte dos experimentadores apregoam o seu incremento, não falta quem o negue. Para averiguar o augmento da capacidade oxydante do organismo, foi dos primeiros critérios adoptados a dosagem dos productos de combustão, como a uréa e o gás carbonico. que se revelavam crescidbs sob a influen-^ cia dos alcalinos. Assim concluíram Damourette, Hyades e Seegen (386), quando descobriram notável augmento da uréa excretada, após a ingestão de 5 grs. de bicar- bonato de sodio. No mesmo sentido depõe Quinquaucj (387), que, em um de seus experimentos, tendo verifi-, cado no sangue a percentagem de 0,020 de uréa, a viu: subir a 0,040, após o uso de bicarbonato de sodio. Por outro lado, investigando a excreção urinaria, á conclusão) opposta chegaram Rabuteau e Constant (389), tendo usa- do também 5 grs. do mesmo sal, ainda que verificassem augmentada a uréa nas urinas, em seguida á subministra- ção de pequenas doses do medicamento. Ritter e Robin (390) acreditam, outrosim, na influencia, restrictiva que os alcalinos exercem nas oxydiações. Utilizando o mesmo methodo, mas outro sal, Se- verin não encontrou nenhuma modificação concludente da uréa excretada, em conformidade com os estudos de Bur- chardl e Klemperer, que utilizavam doses elevadas de ci- trato die sodio. Entretanto, Lapicque (391), recorrendo a este mesmo sal, concluiu pela restricção d'aquella amida na urina. 179 Tanta dissidência parece depender da fallibilidade do critério do augmento da uréa, como indicio de maior oxy- da-ção, visto como, neutralizados pelo bicarbonato ou por outro alcali os ácidos oriundos do proprio organismo» sobrará ammonia, normalmente utilizada neste mister, e á custa da qual crescerá, já agora, a quota de uréa./ Outro methodo com o fim de conhecer a influencia dlos alcalinos nos processos de oxydação, foi proposto por Taniguti (392) e por Jawein (378) que mediam com- parativamente nas urinas a excreção dó enxofre neutro e do enxofre completamente oxydado. Verificando, após a subministração de alcalis, o augmento da eliminação d^aquelle a expensas d'este, assentavam na acção frenadora d'estes agentes, no tocante ao poder da oxydação. En-t tretanto Heffter e Harnadk (393) foram levados á infe-; rencia ppposta, com o mesmo methodo. Do sobredicto se ha de concluir com Pouchet (394) até o fulgir de nova luz, que os alcalinos, em' particular o bicarbonato de sodio, exaggeram ou retardam os pro- cessos oxydantes, conforme a dosagem. As pequenas do- ses provocam augmento da uréa e máximo de desassi-t milação, occasionando as grandes phenomenos inversos» Outrosim, não são concludentes os estudos relativos á influencia dós alcalinos no catabolismo dos albumi- noides e dos hydratos de carbono. Na desassimilação das matérias proteicas consigna Meyer (395) uma inhibição transitória, mas compensada na prosecução da experiencia. No particular das nuclei- nas resulta ora crescimento dã eliminação do acido uricol (Haig, 396, Macleod e Haskins, 397), ora baixa (La- quer, 398, Miinch, 399). Quanto á influencia na solubili- zação do acido urico, já foi o assumpto, assás discutido1 em outro passo d'este trabalho (pag. 129). E' provável que os alcalinos favoreçam a oxydiaçãoj da glycose na economia, como auctorizam suppor Mur- lin e Kramer (400) que, em cães privados de pancreas^ observaram maior oxydação d'aquelle assucar. Pela in-» jecção de alcali, Pavy e Godden (401) viram obstada a 180 glycosuria chloroformica, o mesmo tendo verificado Un- derhill (402) em relação a idêntico symptoma provocado; pela injecção intravenosa de adrenalina. Collocando rãs em soluto assucarado alcalino viu Ehrlich (403) augmen- tar o glycogenio hepático, nada acontecendo no solutoi neutro, e diminuindo o mesmo producto no liquido acido. De seu lado, demonstrou Dufourt (404) que 2 a 5 grst de bicarbonato de sodio, ministrados a um cão, duplica- vam-lhe as reservas d>e glycogenio no figado, o que foi corroborado por Macleod (405). Para Kramer e Marker (406), embora não augmentasse o quociente respiratório, a injecção de alcali suscitaria a inhibição da glycogeno- lyse. Accresce que Quinqaud (387), tendo còmprovadol estas inferências, regista constante diminuição da glycose no sangue, sob a acção do bicarbonato de sodio, que em* uma de suas notáveis experiencias actuou de tal sorte que o sangue, onde antes havia 0,071 % de glycose, pas-t sou a conter unicamente 0,049%. Também provável é para Loewy (407) o favor dós alcalis na oxydação das gorduras, tal como, para os bo- ratos, patentearam Riibner e Rost (408).1 Interferem ainda os alcalinos no metabolismo do cal- cio, assim1 como resalta nos ensaios de I^ceper e Gouraud* (409), que, sob a influencia do bicarbonato de sodio[ observaram accelerada a eliminação calcarea pelas uri- nas, não por conta dia cal fixa dos ossos e cartilagens,t sinão da cal dos tecidos molles. Sobre o equilíbrio chlorêtado do organismo também incide a acção dos alcalinos. Em 1909, Blum (410) e, em 1911, Pfeiffer (411) attentaram no papel dó bicarbonato de sodio, em doses elevadas, na producçao do edema nos diabéticos muito esgotados ou cacheticos, verificável sem- pre pelo augmento de peso do pacientei A proposito concluem Widal, Lemierre e Cotoni (412), em luminoso estudo, que «a introducção do bicarbonato de sodio em dose massiça na economia exerde verdadeira acção sus-i pensiva sobre a eliminação dos chlorêtos, não differin- do, na sua essencia, as hydropisias sobrevindas nos dia- 181 beticos, submettidos á medicação alcalina, das outras até hoje conhecidas. Não é o bicarbonato de sodio que attráe agua para os tecidos, sinão que facilita a retenção, no organismo, dos chlorêtos e de sua agua de diluiçlão». E' muito evidente que, comquanto o facto persista ver- dadeiro, ainda que inconstante, no opinar de Mareei Lab- bé (413), a explicação proposta nadla esclarece do seu, mechanismo pathogenico. Em gastropathas, a mór parte dós quaes, attingidos de ulceração gastrica, Tillandier e Samson (414), sob a direcção de Mathieu, attestaram a retenção chlorêtada^ depois da ingestão de 20 grs. de bicarbonato, e, ás ve- zes, mesmo quando se baixava a dose a 4 ou 5 grs. Acom- panhava-sc a diminuída eliminação de chlorêtos, de re- tenção d'agua, d'onde o augmento de peso do doente, nessas condições, podendo verificar-se a mais 1.200 3 1.500 grs. Em vários estados morbidos é dado apreciar a acção pharmacodynamica dos alcalinos, particularmente nas doen- ças da nutrição, cuja physiologia pathologica, porém, ain- da obscura, não proporciona, por em'quanto, base solida, e scientifica, que sirva de fundamento indiscutível á al- calitherapia. Preliminarmente, em todas as doenças em que trans- pareça augmentada a concentração ionica do hydrogenio, o effeito dos alcalinos se traduzirá pela reducção do po- der toxico do sangue. E', portanto, vasto o camlpo de acção d'esses medicamentos, assim para corrigir a aci- demia, como para influenciar o proprio metabolismo or- gânico. Nas dyserasias acidas em que se encontram con- turbadas as combustões, é notorio o beneficio dos agen^ tes alcalificantes, em pequenas doses, quando arrefecidos aquelles processos e em grandes, na hypothese contraria. Só a medida da alcalinidade sanguínea pelos metho- dós directos ou indirectos, atrás discriminados, poderá instruir acerca da dose util de alcali, de modo que se- evite a demasia, capaz de malfazer. Louvando-nos na pra- 182 ctica de Marriott (355), poderemos concluir que, por via de regra, quando Rp^H do sôro fôr superior a 7.9, podei a acidemia ser efficazmente removida pelo consentâneo regime alimentar ou pela subministração d'e alcalinos por via gastrica. Uma condição, porém, inferior aquelle ex- poente, sendo indicio de acidemia grave, aconselhará a via venosa, por mais expedita. Já cm 1878, discreteando sobre a possibilidade de ser regulada a bôa dosagem dos alcalinos, affirmava Ca- nard (192): «qu'en notant et en surveillant ainsi Pac- croissement des propriétés alcalines du sang, en indi- quant, en regard les effets produits,on sera prochainement en mesure de graduer Paction de ce mo|dificateur puis-* sant, et d'indiquer un degré, ou niveau physiologique ul- time qu'il serait imprudent de dépasser...» No diabetes, cuja acidose marca a origem do es-' tudo de outros estados alcali pênicos, a medicação aljca- lina não só actúa pelo decrescimento immediato da con- centração do hydrogenio no sangue, augmentada, qual vi- mos (pag. 138), em casos taes, como, sobrando da neu- tralização, influe no metabolismo dos hydratos de car- bono, e quiçá no dos albuminoides e das gorduras. En- tretanto, pesa dizê-lo, ainda se não assentou sobre si ha acceleração ou retardamento da nutrição no diabético. Pa- rece, porém, que tende a ser acceita com Robin (415) a theoria que sustenta, na emergencia, maior actividiade cel- lular, retratada, já na elevação do coefficiente de utili- zação azotada, que attinge 87 o/o em logar de 80 a 85 o/o, e do coefficiente de oxydação do enxofre, que soibe a 96,4 o/o em vez de 80 a 90 %, já no crescimento da per- centagem da oxyhemoglobina no sangue (Quincke, 416), e da uréa na urina, já e finalmente no augmento da cifra de acido carbonico expirado e do oxygenio consunridol (Quinqaud, 387). Subscrevendo as conclusões de Rabuteau e de Ritter, que nos alcalinos divisam uma acção restrictiva das oxy- dações, Robin (415) os aconselha no diabetes, como in- 183 ferencia lógica das idéas que sustenta, com1 respeito ao ac- celeramento da nutrição nesta doença. Na realidade, pro- duz o bicarbonato frequente diminuição do assucar ex- cretado. E' bom, comtudo, ter em devida conta o sabio aviso de Quinqaud (387), para quem, si esta é a regra geral, varias restricções se impõem. Assim, não é infre-» quente o augmento do assucar, após passageira diminui- ção, como também não subsiste por muito tempo o de- crescimento verificado, tanto que cessada a influencia do bicarbonato. Bem se ajustam taes conceitos ao pensar de Joslin (185), dos mais modernos e experimentados, estudiosos da questão, quando se refere ao perigo dos alcalinos no diabetes. Allega elle que, si fora de duvida é a necessidade de alcalis nessa doença, é de considerar que, usados por longos períodos, podem eventualmente, libertar corpos ácidos, existentes em combinações ano- dynas, desmineralizar a economia pela perda de chlòrê- tos (?!), engravecer o estado do doente na incidiencia de nauseas e vomitos, e até entreter a constante excreçãoi de corpos ácidos. Cita a proposito casos vários de sua longa observação, nos quaes cessava a acidose diabética, pela só suspensão do uso dos alcalinos. Por tudo isso é que reflecte Joslin (185): «The dangers attendant upon the use of alkalis in the treatment of acid intoxidation; nearly equal their importance. This is a paradoxical sta- tement, but experience has forced! this confession from; me». Não significa, porém, este juizo a proscripção doa alcalinos, muito menos na occorrencia díe acidemia. E' tão somente questão de dose e de duração da therapeutica a influir nos effeitos physiologicos do medicamento,. A acção dos alcalinos no curso do diabetes, livre de intoxicação acida, será util por tempo limitado, no qual, estimulando as funcções hepaticas, favorecerá, como as- signalámos, a fixação no figado do glycogenio, cuja trans- formação em glycose, por sua vez, retardará. De facto, viram Elias e Kolb (417) que os alcalis restringem, si- não mesmo impedem a glycosuria ligada ao estado de 184 jejum, d'e cuja reduzida alcalinidade sanguínea depende aquella syndrome. Na acidose diabética é certo o valor da alcalitherapia, não só por neutralizar o poder toxico dos iontes acidos„ sinão também por facilitar a eliminação dó acido B-oxy- butyrico dó organismo, tal como o mostrou Stãubli (418), que refere o caso de um diabético, que, eliminando 34 grs. de acido B-oxybutyrico, com o uso diário de 60 grs. de bicarbonato, só excretou a metade pela suppressão! do alcalino, e novamente 45,2 grs. apenas tornou a elle. E' de notar a relevância d'esta acção, já que, como pen-: sava Magnus-Levy (419), se filia o coma diabético, nãO' no acido neutralizado que se elimina pela urina, mas noi que remanesce no sangue, a consumir as reservas alcali- nas. Prova-o a observação de von Noorden (420), que relata casos de diabéticos com relativa saúde, apesar da eliminação diaria de 5 a 6 grs. de acetona e 30 a 40 grs.. de acido B-oxybutyrico. A alcalitherapia logrará pou- par as reservas alcalinas do sangue do paciente, que não( suscitará a defesa pela superproducção de ammonia, as- sim como o evidencia o caso estudado porWeiland (421), num diabético, em uso de herbáceos, 200 grs. de carne e 120 grs. de bicarbonato de sodio. Apresentava este doen- te, em quatro dias successivos, a urina com1 a composição* seguinte, no que nos interessa : ; 1° DIA 2o DIA 3o DIA 4o DIA Acetona 14,4 11,8 15 1 13,1 Acido B-oxybutyrico 90^8 68,4 105,9 90'7 Glycose 138'9 132,0 197,0 89'6 Azoto 19'3 15,0 25'0 15'2 Ammonla 1,3 1,1 2,9 Í9 Consideráveis sommas de alcali podem ser ministra- das, attingindo-se mesmo 100 e 200 grs. em certos ca- sos, sem que se logre normalizar a reacção dó sangue do; diabético. E' então que se deve attentar na escolha da viã de introducção do medicamento, a qual, conforme as cir- cumstancias e a gravidade, poderá ser a gastrica, a re- 185 ctal e a venosa. Prefere Joslin (185) a via gastrica, usando, na practica, uma mistura de bicarbonato de so- dio e carbonato de cálcio precipitado. A via rectal apre- sentou-se-Ihe com frequente intolerância, tendo recorrido a um soluto a 3 o/o do mesmo sal. Pela via venosa proipõe o citado Joslin a.injecção do soluto com este mesmo ti- tulo, na dose de um litro, a repetir 24 horas depois. Ain-< dá assim, só em ultima instancia deve, a seu vêr, ser ado- ptada esta via que lhe tem dado logar a convulsões e a collapso, talvez devidos á tardança do recurso therapeutico. Na hypothese de consideráveis doses, merecem pre- feridos, entre os alcalinos, os saes de sodio, não> sendo de esquecer a toxicidade dos de potássio. E' mesmo o bi- carbonato o melhor de quantos medicamentos alvitrados, entre os quaes o citrato de sodio, escolhido por alguns' por favorecer, em sua oxydação no organismo, a com- bustão de productos ácidos. Alais lentos, porém, seriam os seus effeitos, como já accentuámos, maior o esforça despendido pelo organismo na oxydação previa do pro- dueto, mais elevada a quantidade do sal a ministrar, em vista da grandeza molecular d'elle, e, finalmente, impos- sível seria certificar a dose necessária, sujeita a variaveis e imprevistas condições individuaes. Na escolha db alcalino, tenha-se ainda em conta a' vantagem do carbonato e do phosphato de cálcio, os quaes, no parecer de Grube (422), influenciariam mui favora- velmente a condição dos diabéticos, em consequência, potr certo, das grandes perdas de cálcio, havidas nesses doen-i tes, tal como o assignalaram Schlesinger e Gerhardt (368). Na obesidade é conhecido o favor, que fruem as aguas alcalinas, como Vais, Vichy, Pougues, Karlsbad, em que pese a Nothnagel (8), para quem, na emergencia,. devem "os effeitos ser imputados aos sulfatos alcalinos e á sua acção purgativa. Comtudo, não ha negar que, além dos effeitos uteis nos obesos dyspepticos, actuam prova- velmente os alcalinos, melhorando as oxydaçoes orgâni- cas, em particular das gorduras, como já annotámos.; 186 Na diathese urica é dissidente a opinião dos expe- rimentadores. Na gota, as modernas pesquisas subordinam o mal, menos á difficil solubilidade dos uratos, do que ao retardamento do processo destruidor e eliminatório d'estes saes, mercê da carência de certas diastases. Dos estudos de Roberts e Luff (vide pag. 0 43) resulta que os alcalinos cresceriam as condições de precipitação dos uratos nos humores, propiciando a transformação da for- ma colloidal ou gelatinosa do biurato em sua modalidade crystallizada, menos solúvel. A' luz da experimentação, mostrou, de facto, Van Loghems (423) que a precipitação dos uratos era favorecida pelos alcalis, e á luz da clinica viu William Roberts (244) a permanência dlos ataques dq gota, sem embargo de manter basica a reacção da urin$/ de seus doentes, pelo uso constante de bicarbonato. Comi as mesmas vistas, affirma Pratt (291) que a addição de iontes sodio aos solutos de urato de sodio decresce a so- lubilidade d'este sal. D'ahi o prescreveremi alguns, de preferencia, o bicarbonato de potássio, já que, mais so- lúvel que o urato de sodio é o de potássio, mau grado os inconvenientes d'elle. Condemiiando o uso dos alcalinos na diathese gotosa, verificou Joulie (294), ao contrario, melhoras neste processo morbidò pelo emprego de ácidos. Ainda, porém, a sciencia aguarda sentença definitiva acerca de assumpto de tamanha monta. No pensar de von Nocrden (424), as vantagens que a tradição attribue aos, alcalinos na cura dós gotosos se tributariam á acção d'esj tes agentes sobre o apparelho digestivo e glandulas an- nexas, ordinariamente interessadas no processo morbido. Já na diathese urolithogenioa, cuja objectivação se nos antolha no apparelho urinário, avulta o papel dosl alcalificantes a ser estudado no proximo capitulo. No escorbuto é controverso o beneficio da influen- cia dos alcalinos. Como recurso prophylactico e curativo, já se usára, em 1795, na «British Navy», o sueco de limão. Os beneficos effeitos deste fructo e de outros vegetaes eram attribuidos por Drouin (164) aos saes. 187 de aeidos orgânicos, transformados na economia em bi- carbonatos, que removeriam a pretendida acidemia do es- corbuto. Entretanto, recentes experimentos de Harden e Zilva (425) mostraram, ao contrario, o effeito nocivo» dos alcalinos sobre o poder antiscorbutico do sueco da laranja, que, apenas tornado neutro, perderia a maior, parte d'esta sua propriedade. Feito 1/20 normal alcalino já aquelle sueco não impediria, nem mesmo retardaria o apparecimento do escorbuto. Nas doenças em que cresce a formação de acido lá- ctico, como nas cardíacas, por vicio circulatório, e no momento das crises epilépticas e hystericas, assim como na intoxicação pela estrychnina e pela cocaína, transmu- dando aquelle acido em lactato de sodio, o alcalino be- neficia, já immediatamente, por diminuir a concentração de iontes hydrogenio no sangue, já, depois, augmentando a alcalinidade dos humores pela possibilidade de ulterior oxydação do lactato formado. Em conformidade com o expendido á pag. 146, po- dendo a anesthesia pelo chloroformio e pelo e/her se- guir-se de acidose, impõe-se a prescripção do alcalino,■ quando registado este symptoma depois das intervenções cirúrgicas. No choque operaiorio, outra condição mórbi- da aggravada pela acidemia, no pensar de Wright e de Cannon (vide pag. 147), testemunhou este ultimo auctor o immediato resultado que se seguiu á injecção venosa de um litro do soluto de bicarbonato de sodio a 4 %, em dois doentes acommettidos do accidente. Num dos casos, a par de intensa «air hunger», o pulso, que era de 148 e a respiração de 48, baixaram respectivamente a 126 e 26, tendo o doente adormecido tranquillo. Outra crise res- piratória requereu durante a noite nova injecção venosa, ainda uma vez seguida de immediato allivio. Este trata- mento foi continuado no correr do dia pela só ingestão; de duas em duas horas, de 4 grs. do bicarbonato em. cerca de 200 grs. d'agua. 188 A' alcalipenia da gangrena gasosa, atrás assignaladà (pag. 147), oppõem Wright e Fleming (311) o trata- mento alcalino, á similhança do que se faz para a adi- dose grave do diabetes. Òom tal fim propõem a injecção venosa de 500 cc. do soluto de bicarbonato; de sodio a, 5 o/o, seguida pela subministração oral de 8 grs. diários de lactato de sodio até tornar-se basica a reacção da urina. Localmente, applicam, como lymphagogo^ o soluto de ichlorêto de sodio a 5 »/o. Nas nephrites, não lograram Howland e Marriott (319) reduzir a retenção phosphatica pelo só em'prego( de alcali, ainda que do expediente não pudesse deixai^ de surtir o augmento do titulo hemobasimetrico, abai- xado em casos taes (vide pag. 149). Entretanto, sugge- rem como therapeutica racional a administração de saes de cálcio, que, na observação d'elles, incrementam a eli- minação phosphorica, assim pelos rins, como pelos in-, testinos. Ao revês, a eliminação dê cálcio pelas fezes, cresceria pelo uso de phosphatos. E', pois, de proscrever o phosphato disodico, como alcalino, prevalecendo, na1 emcrgencia, o uso dos demais agentes alcalificantes, as- sociando-se, por exemplo, o bicarbonato de sodio ao car- bonato de cálcio e á magnesia. Propõe L. J. Henderson (426), de Boston, que, nas nephrites, sejam usadas por longo tempo, pequenas quan- tidades de alcali, assim, se tornando impossível a acide- mia, sendo, porém, condemnavel a prescripção indiscri- minada de grandes doses. Mac Nider (279) observou que! os carbonatos reduzem, de facto, a toxicidade do urânio, retardando, nas nephrites consecutivas, a formação dos ácidos acetonicos. Protegido pela acção dos alcalinos, o rim se tornava funccionalmente mais activo, menor o ede- ma agudo, assim como a degeneração e a necrose do epi- thelio renal. Na acide mia infantil, já analysada em outro passo^ (pag. 152), nota-se por parte do organismo, considerável1 tolerância pelos alcalinos. Referem Howland e Marriott 189 (256) o caso de uma criança de seis mêses, que, om- bora usasse diariamente, por via gastrica, 20 grs. de bicarbonato de sodio e 6 grs. por via rectal, não apre^ sentou vomitos, nem diarrhéa, nem modificação alguma da reacção acida da urina. Todavia, influenciára similhante medicação todas as condições mórbidas do paciente, tor- nára menos frequentes e menos profundas as respira-; ções, tendo testemunhado o laboratorio o desappareci- mento da acidemia. Diz a experiencia d'aquelles aucto- res que os effeitos dos alcalinos nas diarrhéas da in- fância, complicadas de alcalipenia, são promptos e, de habito, permanentes. Como a hyperpnéa traduz a acide- mia, seria ella indicio sufficiente, para exigir o recurso a alcalinos, entre os quaes sobreleva o bicarbonatoi dé sodio. E' preferida a via venosa, quando se pede rapidez de acção, ou quando inutilizadas as outras vias, pela oc- correncia de vomitos ou diarrhéa. Nas crianças de pouca idade, aconselham Marfan, Tobler e Helmholz (427) a injecção no seio longitudinal superior, ou nas veias ju- gular externa e femural. Nas crianças mais idlosas já são de utilizar as veias dos braços. Na impossibilidade doesta via de introducção, preconizam Howland e Mar- riott (256), a subcutânea, comtanto que o bicarbonato' tenha sido escoimado de carbonato (*). Não obstante, é sempre este recurso doloroso, como sóe observar a pra- ctica. Nas injecções venosas, o titulo do soluto alcalino/ deve medir 4 o/o, e, para uso subcutâneo 2 o/o, no opinai di'esses investigadores. A dose therapeutica só pode ser previamente determinada, mercê do conhecimento do grau de acidemia, podendo, porém, variar conforme a idade* oe 75 a 150 cc. do citado soluto alcalino, e repetida três) (*) Na indispensável esterilização do soluto pelo calor, dá-se a transformação de uma parte do bicarbonato em carbonato neu- tro, que, por irritante, malfará na hypothese de utilizada a via sub-cutanea. Para livra-lo da impureza basta perpassar o soluto (por uma corrente de gas carbonico até que se não core mais a phenol-, phtaleina. Elsftle ç o conselho de Howland e Marriott (256). 190 horas depois, si houver hyperpnéa. Após uma ou duas injecções venosas, é facil manter a urina basica ao tor- nasol, pela subministração de 1 a 3 grs. de bicarbonato^ todas as duas ou três horas. Em uma criança de sete mêses foi mister o emprego de 12 grs. d'este sal nas 24 horas, para colher o desejado effeito. Nas pyrexias não parece diepender a baixa da alca- linidade sanguinea da hypertheímia, sinão do proprio pro- cesso morbido, infectuoso ou toxico. Assim é que não se verifica augmento da concentração ionica do sangue, nas chamadas «febres neurogenicas», produzidas pela punctu- ra de certas regiões cerebraes, particularmente o corpo estriado. Foi o que demonstrou Quagliariello (428) em seus experimentos em cães e coelhos, nos quaes avul-j tava, todavia, a combustão dos hydrocarbonados. Outra não é a conclusão que se pode deduzir dos estudos de Klemperer (429), quando proclamava que permanecia abai- xada a alcalinidade sanguinea nos typhicos, nos quaes a temperatura havia decrescido mediante a prescripção da antipyrina e da acetanilide. E' que, incidindo a acção d'es- tes medicamentos sobre os centros nervosos, é quasi nulla sobre o metabolismo do homem são. Não ha duvida que, no estado pyretico, sob a influencia d'aquelles agentes, se verifica diminuição do metabolismo, mas, neste caso, é o phenomeno consectario dia queda de temperatura, at- tendendo a que, como diz Dixon (112), a droga que al- tere o metabolismo dos tecidos, fa-lo-á, assim em estado de saude, como no de doença. A acidemia dos estados febris deve ser tributaria da formação de certos pro- ductos no curso do catabolismo dos princípios immedia- tos, por via de regra, conturbado e'm casos taes. De fa- cto, desde as investigações de May (430) se sabe que, nas febres toxicas, cresce o metaibolismo em geral, so-< bretudo o das proteínas. Mas os agentes therapeuticos que combaterem a causa d'estas desordens serão capazes, por isso mesmo, de remover a acidemia. E' o que succede com a quinina na malaria (Peipper, 281, Jeffries, 288), 191 e com o salicylato de sodio no rheumatismo agudo (Lé-« pine, 158, Renzi e Marotta, 351). Entretanto, ainda quando se não dirija á causa das pyrexias, tem cabida o emprego dos alcalinos nestes es- tados morbidos. Neutralizando o excesso de ácidos, tri- butário da anomalia metabólica, reintegram elles a alca- linidade do meio interno, em seu papel, que em outro local encarecemos (pag. 154). No Congresso de Medicina interna, reunido em Vien- na em 1890, Kraus (431), realçando a importância da me- dicação alcalina nos estados pyreticos, registava nelles a elevada dose de bicarbonato de sodio, necessária para alcalinizar as urinas. Emquanto no estado normal bastavam dois a oito gramrnas, requeriam os febricitantes vinte; a trinta grs. do mesmo sal. Ainda faz pouco, dizia Thomas Ely (339) quando se occupava dos alcalinos no tratamento da ínfluenza n^ ultima epidemia, que avassalou o mundoi: «It is univer- sally agreed that in perverted metabojlism by bacterial invasion, it is the acidosis that is fatal». Attestava, en- tão, aquelle observador, os bons effeitos dos alcalinosi na grippe, preferindo na sua practica, o bicarbonato de} sodio, o citrato de potássio e os saes de cálcio. Os dois primeiros eram prescriptos na dose 14 grs. (1/2 onça) por dia, e os últimos na agua de cal, que representava a terça parte do leite usado comO alimento. No cholera, cuja acidemia foi assignalada paginas atrás (pag. 155), aconselha Rogers (341), a injecção ve- nosa seguinte: Chlorêto de sodio 4 grs. Bicarbonato de sodio 10 grs. Agua 500 cc. Em seis dias chegou Rogers a ministrar cerca de 145 grs. de bicarbonato. Rosenthal (345) recorria, de preferencia, ás injecções subcutâneas de um litro do so- luto de bicarbonato de sodio a 3 °/o, não esterilizado, po-* 192 rém, com o intuito de evitar a formação, pelo calôr, do car- bonato irritante. No rheum^tismo articular agindo os effeitos dos al- calinos são proclamados de longa data com o fim de' impedir o desenvolvimento da acidose nesta doença. Quan- do é perfeita a alcalinização dos humores, menos fre- quentes são as complicações cardíacas, do que sob o trata- mento pelo salicylato, tal como nos informa Irons (432). * Nas intoxicações é proveitosa a acção dos alcalinos, não só porque pode diminuir a toxicidade do veneno1^ a exemplo do que mostrou Mac Nider (279) para pi urânio, como reduz os iontes ácidos libertados pelo tó- xico. O principio que preside á medicação alcalina nasí intoxicações é, no dizer de Martin Fischer, o combate á intoxicação acida, da qual decorreria,, a seu vêr, o edema geral toxico e degeneração de todos os tecidos. Ao de- mais, como ficou assignaíado, é a funcção renal efficien- temente protegida pelo uso dos alcalinos, tanto mais re- levando o facto, quanto são os rins dos primeiros orgams interessados no processo toxico. A dose aconselhável deve ser tal que mantenha alcalina a excreção urinaria, pe- culiarmente á helianthina, pois que, como adverte Fi- scher, desde que não na indicie este reagente, requintai de gravidade o estado do paciente. Propõe Weiss (278) que se recorra ás vias venosa, oral e pelo recto>, maxime quando o requeira a urgência do caso. De duas em1 duasi horas deve ser ministrada uma mistura constituída por 4 grs. dc cremor de tartaro, 2 grs. de citrato de sodio e de assucar, 240 cc. de agua. Por via venosa, aconselha oi mesmo Weiss, conforme o estadb do apparelho circulató- rio, 1.000 a 2.000 cc. dio soluto de Fischer, composto' de 10 grs. de carbonato de sodio crystallizado, 15 grs., de chíorêto de sodio e 1.000 cc. de agua destillada. Antes de ultimar o estudo da influencia dos alca-1 linos sobre o meio interno, vem a proposito dizer adgó 193 de sua acção toxica, na qual filiava Trousseau a «cai chexia alcalina», desenhando-a com tão sombrias côres, que aterrou seus coetâneos. O abuso dos alcalinos acar- rearia phenomenos similhantes ao escorbuto, sobresahin- do a anemia, a fraqueza, indhação geral e hemoírrhagias passivas. Realmente, mau grado as affirmativas contra- rias dos médicos de Vichy, assiste-se, não raro, aos mai leficios decorrentes do abuso do bicarbonato de sodio-,, assim1 como o abona o Prof. Arnozan (433). Já, de fa- cto, uma verdadeira cachexia havia sido consignada nasí experiencias de Magendie e Lamikowski (434), sob a; acção de doses excessivas de carbonato de sodio. Rabu- teau e Constant (361), e, por outro lado, Clément (435) estabeleceram em bases experimentaes a existência de ane- mia, como resultante de grandes doses de alcalinos, em- parelhada á fraqueza do pulso, inaptidão para o trabalho' corporal e intellectual, baixa de uréa excretada. Todavia, não lograram as modernas investigações re- produzir a cachexia alcalina de Trousseau, sem embargo, das doses elevadas de trinta a quarenta grs. de bicar- bonato de sodio, propinadas por Debove (436). Nem,, por isso, são para desprezar as advertências d'aquelle im- mortal mestre de Paris, pois conhecida é a toxicidadel do radical oxydrilio, sabido é que certos productos do» metabolismo têm conturbada a sua solubilização, assim no, sangue, corno- na urina, apenas se diemasie a alqalinidade de seus humores, e, finalmente, manifestos são os pre- juizos do excesso de alcali nas vias gastro-intestinaes e urinarias, nas quaes minguaria a acção antiseptica dos ácidos habituaes. 0 líquido cephalo-racheano Tido geralmente como producto da secreção dos ple- xos choroidies, o liquido cephak>racheano toma ao san- gue e para elle torna os materiaes de sua composição. Não admira, pois, que, embora discrepando do sangue, por attributos essenciaes no tocante ao seu contento de colloides, d'elle se aproxime por seus dispersoides mo- leculares ou supermoleculares, factores estes preeminen- tes na reacção dos líquidos e tecidos do organismo. Pri^ vado do fibrinogenio e da quasi totalidade dos albumi- noides sanguíneos, não pode o fluido que enche o es;-) paço subarachnoidiano ser considerado simples «filtra - tum» do plasma sanguíneo, sinão como um «ultra -filtra- tum», em conformidade com' as idéas vencedoras de Be- chhold (67). Assim1 sendo, deve ser - e na realidade é - aproximadamente o mesmo o conteúdo da uréa, da gly- cose e dos saes diffusiveis no sangue e no fluido espi-» nhal, não devendo, porém, ser esquecida a influencia que sobre a composição d'este ultimo deve exercer o cata-» bolismo do tecido nervoso. Tal é a conclusão a que se chega' ao confrontar o seguinte quatro, tomado a Mc Clendon (437): - : j 196 SUBSTANCIAS FLUIDO ESPINHAL। Por 1000 PLASMA SANGUÍNEO Por 1000 Glycose 1,3 a 2 (Mott) 0.6 a 2 Uréa cerca de 0,4 cerca de 0,4 Saesmineraes totaes. 8,78 (Halliburton) 8,574 (C. Schmidt) Chlorêto de sodio... 7,0 Harding e Mason 6,0 (Harding e Mason) Chlorêto de potássio. 0,28 (Halliburton) Cálcio diffusivel 0.05 (Halverson e Ber- geim) 0,07 (Rona) Reserva alcalina .... Bicarbonato de sodio 0,0275 normal 0,03 normal (calculado) 2,3 2,3 Gas carbonico total. cerca de 600 (Mott) , cerca de 6oo Tensão de oxygeneo. 25 a 115 mm (Mott) | 4q a 115 mm (Mott) Acredita Mc Clendon (437) «pareça provável que o fluido- espinhal se forme primeiro por ultrafiltraçãp^ acurescentando-se, depois, ao filtrado as secreções cel- lulares ». Para este auctor, a differença de 10%, para me- nos, observada nas reservas alcalinas do liquido cephaloi racheano, corresponde precisamente á proporção de 10%, de albuminatos alcalinos não diffusiveis, existente no plasma. • ■ Verificou, outrosim, Mc Clendon que são mantidas em estreita correlação os depósitos alcalinos do sangue e do fluido cerebro-espinhal. Com este fim, anesthesiando dois cães pelo ether, injectou na veia de um, acido chlqr* hydrico até que se lhe causasse a mlojrte. Emquanto aS reservas alcalinas do fluido espinhal do cão testemunha eram 0,025 normal, as do animal experimentado haviam baixado a 0,02 normal. Por seu lado, Cavazzani (438), por effeito do choque operatorio, suscitado em1 cães, obser- vou o decrescimento da alcalinidade d'aquelle liquido, á maneira do que Cannon (vide pag. 147), já havia regis- tado em relação ao plasma sanguíneo. Recorrendo- ao processo electrometrico e ao methodo dos indicadores, dos quaes foi preferida a díbroimortho- cresolsulphonephtaleina, Mc Clendon (439) assignalou no liquido cephalo-racheano a media das reservas alcalinas, quasi só constituídas por bicarbonato de sodio, entre 0,027 e 0,0275 normal, inferência esta que se ajusta á 197 obtida por Mott (440), de 0,027 normal. Em vários es- tados morbidos foi a mesma pesquisa realizada por Mc Clendon (437), com os resultados seguintes :' CASOS N. RESERVA ALCALINA DIAGNOSTICO 1 0,015 normal Diabetes. 2 0,023 » Tabes dorsalis. 3 0,025 » Sciatica. 4 0,026 » Myasthenia grave. 5 0,026 » Syphilis cerebro-espinhal. 6 0,027 » Hysteria. 7 0,027 » Syphilis. 8 0,027 » Nephrite. 9 0,027 » Neurose. 10 0,027 Neurasthenia, 11 0,0275 0,0275 » Nephrite. 12 » Tabes dorsalis. 12 0,0275 » Tabes dorsalis. 2 0,0275 » Tabes dorsalis 13 0,0275 » Estenose mitral, 14 0,028 » Epilepsia. 15 0,030 » Diabetes. Notificando em um doente a supervenção do coma dyspeptico, no curso de grave doença intestinal, obser- vou, de sua parte, Labbé (441), que, emlbora a forte aci- dêmia do começo cedesse nos últimos momentos de vida, a baixa das reservas alcalinas se mlanteve no liquido, espinhal. No tocante á concentração do hydrogenio neste flui- do foi ella computada entre PH 7. 4 e 7. 6 por Felton, Hussey e Bayne-Jones (442), mercê do methodo colo- rimetrico. Do exposto se ha de concluir que, sendo as reser- vas alcalinas do liquido cerebro-espinhal proporcionaes ás do sangue, só influenciando a reacção d'este, é que sq favorecerá a alcalescencia physiologica dl'aquelle. 0 apparelho urinário O effeito dos alcalinos no apparelho urinário depende das modificações que lhes são impressas pela reacção normal ou pathologica das urinas. E' ainda uma vez o meio a interferir na acção pharmacodynamica d'esses me- dicamentos, tal como já foi assignalado nos outros dis- trictos do organismo. Impõe-se, por conseguinte, o es- tudo preliminar da reacção da urina, nos seus factores, e na influencia que estes exercÇm no equilíbrio dos pro-< duetos por ella excretados. Como vimos, é a reacção alcalina dó sangue propi- ciada pela funeção renal, incumbida do trabalho elimi- nador dos productos ácidos, oriundos do metabolismo or- gânico ou do meio exterior, entretanto que retém) a maior, somma possível de alcali. Resultam, em consequência, di- versas a reacção do sangue e a da urina. Ao passo; que aquella se verifica entre o tornasol e a phenolphtaleina, a reacção urinaria se manifesta entre este reagente e a helianthina, indicadores esses que denunciam, bem que in- - _p directamente, a proporção dos iontes OH e H de um so- luto. E' de lembrar a relatividade das expressões aci- dez e alcalinidade, maxime quando avaliadas pelos indi- cadores. Assim, acida é a excreção urinaria á phenol- phtaleina, mas basica á helianthina. Tudo, portanto, mos- tra limitada e fraca a acidez da urina, devida que é aj substancias levemente dissociadas, assim como o indiciam; os limites da concentração ionica do hydrogenio, nella: verificada. Si a acidez mais elevada da urina não excede 200 á do phosphato primário M H2 P O4, corresponde a mais baixa ao soluto decinormal deM2HPO4 no critério de Henderson e Palmer (40), os dois scientistas america- nos, que mais se têm dedicado ao assumpto nos últimos tempos. Os corpos ácidos que conferem similhante grau de acidez á urina são sobretudo constituídos por phosphatos monometallicos, e, secundariamente, pelos ácidos urico e hippurico, acido carbonico, pigmentos, talvez certos áci- dos aromáticos e outros productos ainda não determina- dós. São, porém, os phosphatos biacidos, que primam em importância, já por sua notável diiffusíbilidade, já, e sobretudo, em razão do poder electivo do epithelio re- nal, que, incapaz de libertar ácidos fortes de suas com^ binações á guisa das cellulas glandulares do esto!mago,; frue, entretanto, a faculdade de mudar, mercê de H2 O, as proporções existentes, no sangue, de Na 2 H P O4 e Na H2 PO4, em favor d'este e em detrimento d'aquelle. Retém o organismo o oxydlrilio, emquanto se desfaz de iontes hydrogenio, oomlo se infere do seguinte systema: Na2 H PO 4- H.OH = NaOH + Na H2 PO Na OH + CO2 = Na HCO3 Elimina-se pela urina o phosphato monometallico for- mado, transmudando-se a soda, ao contacto do acido' car- bónico, em bicarbonato de sodio, reintegrado na circula- ção sanguinea. Ainda pairam duvidas acerca da essencia d'essa fun- cção, sinão até da séde em que ella se realiza. Si certo é que o fluido do glomerulo renal manifesta reacção quasi neutra, á similhança do plasma sanguíneo, é na travessia pelos tubulos renaes, que a excreção urinaria ganha re- acção acida. Sobre isto não deixam a menor duvida os experimentos da generalidade dos investigadores. Toda- via, a natureza mesma do phenomeno continúa litigiosa, pretendendo, uns, com1 a velha theoria vital de Bowman e Heidenhain, que o acido seja activamente excretado, sus- 201 tentando outros, conr as vistas mais modernas de Cushny (59), a reabsorpção activa dos alcalis em seu percurso! pelos tubulos renaes, e correspondente libertação de áci- dos. Ao glomerulo incumbiria simples trabalho de fil- tração, antes que d'e secreção activa (Barcroft e Straub, 443), emianto que aos tubulos competeria o mister reabsorpção. Assim pensando, e escudado nas verificações de Lé- pine (444) e de Lindemann (445), sustenta Cushny (59) com Bainbridge (446) e outros a inanidade da fun- cção secretoria do epithelio tubular, sinão que se cinge a funcção renal, como foi dicto, á filtração na capsula e reabsorpção electiva nos tubulos. E' a theoria physica do «filtro», aventada por Ludwig, que resurge ampliada, mercê dos ensaios de injecção e de obstirucçãc^ dos ureteres. Nada obstante, porém, é a theoria primitiva de Hei- denhain corroborada por alguns factos ainda não infir-t mados. Haja vista os ensaios de Dreser (447), que, in^ jectando fuchsina acida no sacco lymphatico de rãs, foi' encontra-la na luz d'aquelles tubulos, no interior de cujas cellulas, viu egualmente Suzuki (448) localizar-se o car- mim introduzido na circulação. Assim também, por meio de reacções corantes, mostrou Lescke (449), em abono; dos precedentes investigadores, que a uréa, o acido urico, o chlorêto e o phosphato de sodio se eliminavam através dos tubulos contornados. Por seu lado, continuam Lamy, Mayer e Rathery (450) a sustentar que a elaboração uri- naria, assim dos saes, como até mesmo da agua, deve ser unicamente attributo da secreção glandular, proces- sada ao nivel do epithelio dos tubulos contornados, á revelia dos glomerulos, reduzidos á funcção de simples) corpos pulsáteis, aos quaes só caberia favorecer o pro- gresso da urina através d'aquelles conductos. Concluindo acerca de tão delicado thema, reflecte Ho- well (95): «it must be admitted that the weight of evidence is in favor of the ÍBowman-Heidenhain theory of secretion ». 202 Antes de rematar essas considerações, de ordem phy- siologica, mas indispensáveis ao nosso objectivo, cumpre lembrar a conhecida hypothese de Koranyi, para quem a agua e os saes mineraes, filtrados nos glomerulos, cor- reriam pelos condíuctos uriniferos, onde se dariam as tro- cas osmOticas com as matérias organicas db sangue. Do exposto forçoso é concluir que não ha, de pre- sente, accordo acerca da funcção renal, o que leva Meyer (395) ao commodo eclectismo de affirmar que é deter - miinadia a totalidade da urina pela quantidade de liquido, filtrado nos glomerulos, sendo a composição eventual d'el- la dependente da secreção e reabsorpção electiva nos ca- naliculos renaes. Não resta duvida que é a hydrolyse de que são pas- síveis os phosphatos que cria para esses saes uma con- dição diversa da dos outros, nas trocas renaes. Conside- rando Na2 H PO4 como expoente dos phosphatos bi- metallicos, que chegam aos rins, é d!e notar a reacççíO' alcalina de seus solutos, por conta da hydrolyse soffri- da, como tudo se verifica nas egualdades seguintes : Na2 H PO1 = 2 Na + H PO' ATÕ' + H .OH = H2PQ' + ÕH E' nesses dois últimos iontes que reside o substra- tum das trocas ao nivel do epithelio renal, e emquanto para a corrente sanguínea vai o ionte básico OH, passa para a urina o ionte acido H2 P O4 combinados ambos com o sodio. A' luz de qualquer das theorias defendidas,, verdadeiro e indisputável é o facto, seja como expressão da actividade vital da cellula tubular, eliminando-se , Na H2 P O4 seja como resultante dia incapacidade de reabsorpção d'este sal, em contraste com Na OH, facil- mente absorvível, em estado de ionização. Em abono de suas idéas, Cushny (451), em 1904, tendo obstruído parcialmente um dos ureteres de um ani- mal, provocava a diurese pela injecção venosa de phos- phato disodico. No rim em que se oppunha o obstáculo,, 203 menor era a velocidade do fluxo, emquanto maior era a acidez da urina e a proporção dos phosphatos. Assim, em um de seus experimentos, ao passo que a acidez da urina do ureter livre correspondia, em1 face da phenol- phtaleina a 16 cc. o/o de potassa decinormal e os phos- phatos a 0,205 % de P2 O5 manifestava a urina do ureter obstruído, respectivamente, 27,4 cc. e 0,390 °/o. Por sua parte, Bainbridge e Beddard (452), ligando a artéria renal de uma rã, e nella injectando uma mistura, de phosphato e de uréa, observaram a urina excretada mais acida do que quando usado este ultimo corpo insu- ladamente. ' Trevan (453), por derradeiro, testemunha também o augmento da acidez da urina da rã, através de cujo rim transfundira o soluto de Ringer, accrescido de phosphato, entretanto que a reacção se mantinha egual a do mesmo soluto, desde que prescripto este desacompanhado. Isto posto, realçada a importância dos phosphatos na determinação da acidez urinaria, cumpre esmiuçar outros factores, que actuam no mesmo sentidó, e sobre os quaes se haverá de exercer a acção pharmacodynamica dos al- calinos. Fracos como são os acidios urinários, é de atten- tar que concorrem para a efficiencia do processo da ex- creção acida, mais pela quantidade em que são elimina- dos, do que pelo grau da concentração de hydrogenio, peculiar a cada um. Vem a ponto registar as seguintes constantes de ionização dos ácidos urinários, relatadas por Henderson e Spiro (454) : Acido hippurico 0,00022 Acido acetyl acético 0,00015 Acido láctico 0,00013 Acido B - oxybutyrico 0,00002 Acido urico 0,0000015 Acido carbonico 0,0000003 M H2 PO4 0,0000002 Desde os trabalhos de Berthelot, relativos aos gases da urina, é conhecida a presença do acido carbonico li- 204 vre nesta excreção (Yvon, 455), em quota egual á dq bicarbonato existente. Em|bora adlmittida, em geral, para o acido urico a eliminação media de 0,7 grs. por 24 horas, menor seria similhante proporção para Hawk (456), que em dez indivíduos de dezenove a vinte e novie annos,. em dieta mista, só assignala a media nychtemeral de 0,597 grs., elevada a 2 grs. pela dieta rica de purinas, e bai-< xadía a 0,1-0,5 pelo regime isento dtostas substancias. Se- gundo Henderson (171), nota-se cerca de quatro vezes mais urato de sodio, do que de acido urico livre. O aciidoj hippurico, eliminado na dose de 0,7 grs. por dia, pode, á maneira dó acido urico, apparecer algumas vezes em1 liberdade, tal como resulta evidente dos estudos de De- nigès, com o methodo do coefficiente de repartição. Nó estado physiologico se eliminam pela urina 2 a 12 mllgrs.,. diariamente, de acido acetylacetico e 20 a 30 mllgrs. do/ B - oxybutyrico. No organismo, é o acido láctico quasi sempre inteiramente oxydãdo. Basta, porém, se arrefeçam' os processos oxydantes, ou surjam outros vicios na nu- trição organica, para que, pela urina, se escapem avulta- das quantidades d'esses ácidos, assim como em outro pas- so desenvolvemos (pag. 96). Determinaram Henderson e Palmer (172), que nas urinas de elevada concentração de hydrogenio, podem1 apre- sentar-se dissociados alguns de seus ácidos. Registam, de facto, a dissociação do acido urico na proporção de 91 °/o, do acido hippurico na de 8 °/o, dos ácidos láctico e aoe-; tylacetico na de 11 a 12 o/o e do acido oxybutyrico na de 45 o/o. Contribuem, todavia, estes ácidos para a acidez uri- naria, menos por seu estado de dissociação, do que peloí desvio de alcali na sua salificação e consecutiva mudança de phosphatos secundários em primários. Nas circumstancias normaes, eliminam-se pela urina os productos ácidos referidos, computados, na sua totali- dade, por Henderson e Palmer (172), em cerca de 60 a 70 cc. de soluto acido normlal. Excretados de mais ou* de menos, disturbam elles o estado physiologico de certos componentes urinários, cuja solubilidade se verifica a fa- 205 vor da reaoção do meio, taes como os uratos, os oxala-* tos, os phosphatos terrosos. E', portanto, mister atten- tar na noção quantitativa da acidez, quando se procurfa estudar o effeito dos alcalinos sobre a excreção urinaria. Convém ainda uma vez insistir na differença entre a reacção inferida da concentração do hydrogenio' ionico! ou acidez actual, e a obtida pela avaliação titometrica ou, acidez total. Si nos traduz aquella a intensidade da re- acção, esta nos indicia a somma de acido presente. Pelos methodos já adduzidos a proposito do, sangue^ pode ser medida a concentração do hydrogenio na uri- na, orçada, na media, por Henderson e Palmer (457), em 0,000016 a 0,00000008 normal, ou seja PH 4.85 a 7.45 Em outra serio dé pesquisas, relativas á urina nychte- meral de 222 sujeitos, testemunharam os mesmos au-, ctores (40) a acidez actual entre PH 5.1 e 7.0, com a media de PH 5.98, podendo, todavia, em curto perío- do, chegar a concentração a PH 7.4, desde que as urinas se tornassem francamente alcalinas. Como já assignalá- mos, consignou Blatherwick (39) a media de PH 6.63 em trinta amostras de urinas de vegetarianos. Corre pa- rai leia a concentração do hydrogenio na urina á sua acidez titometrica, o que mostra a identidade dos factores na determinação de ambas. Pode esta ultima ser avaliada,, por maior, pelos conhecidbs processos oxymetricos, em face do tornasol ou da phenolphtaleina, e em acido sul- furico, oxalico ou outro, sendo expresso o resultado, que,: aliás, varia com o indicador preferido. Já, porém, que a maior parte dos corpos ácidos da urina é constituída por phosphatos primários, sobreleva em importância deduzir a acidez urinaria da percentagem d'estes saes. Conhecida a totalidade dos phosphatos eli- minados e a proporção dos phosphatos ácidos, facil seráj deduzir a quantidade dos bimetallicos, dictos neutros. E' o que se logra com o methodo de Freund-Lieblein, ba- seado em que o chlorêto de baryo accrescido a um so- luto de phosphatos mono e bimetallicos, precipita estes no estado de phosphato tribarytico, não reagindo sobre 206 aquelles, supposto o soluto de concentração similhante á da urina. Tem sido, entretanto, acoimado de falho ey por isso, desusado este methodo, porque o sal de baryo precipita não só os phosphatos bimetallicos, como trans- forma uma parte d'elles em phosphatoi acido. Mostra-o á evidencia a equação seguinte, que representa o phe^ nomeno: 2 Na2 H P O4 + 4 Ba Cl2 = Ba3 (PO4)2 + Ba H4 (PO4)2 + 8 Na Cl Verifica-se, porém, na practica, que é constante o augmento soffrido nos phosphatos ácidos, dosados pelo mencionado methodo de Freund-Lieblein, podendo aquelle accrescimo ser computado por um simples calculo em 23,6 o/o, que é quanto deverá ser descontado do resultado! obtido. Com similhante correcção, que adoptámos, pode- se, a nosso vêr, confiar na exactidão do citado methodo1. Em apurados ensaios verificaram Lieblein e Ott (458) que na repartição entre as díias especies de phosphatos urinários, 42,8 o/o competiam ao sal bimetallico e 57,2 o/o ao monometallico, podendo este oscillar entre 74,2 o/o e 34,9 o/ò, momento em que amphotera se torna a reacção dã urina. Habitualmente admitte-se que cerca de 66 o/© estejam no estado de phosphatos monometallicos, ou, aoi menos, 60 o/o, si attendermos a Hawk (456) (*). Admittida como eliminação media de phosphatos to- taes por litro de urina a quantidade de 2,50 grs., orçam* os phosphatos bimetallicos ou neutros em 1,00 gr. é os monometallicos ou ácidos em 1,50 °/oo grs. Sendo o papel mais relevante dos phosphatos neutros da urina manter dissolvido o acido urico eliminado na dose dei 0,5°/oo, é de assignalar a importância, como indicio de acidose, da elevação do coefficiente acidojirico Phosphatos neutros 1 . , 50 cuja media normal sera , por consequência, de -. (f) Não anda certo Henderson (171) quando affirma que só um terço dos phosphatos da urina seja constituído pelo sal mono-' sodico, enquanto dois terços pelo disodico. 207 A ACÇÂO DOS ALCALINOS SOBRE A URINA Ainda nas vias urinarias é tributaria a acção da quan- tidade do alcalino submin is trado e da natureza do ca-, thionte, como dependentes são os seus effeitos, assim se considere o homem são ou doente. No estado physiologico, já o assignalámos, o justo equilíbrio entre os vários productos excretados assegura a reacção acida da urina, sinão mesmo é d'ella condição*, indispensável como resultante da funeção vital das ceh lulas renaes. E' evidente que sendo assim1, restringindo os alcalinos esta acidez, seriam damnosos ao homem são, já favorecendo o precipitarem-se os phosphatos terrosos, já sujeitando as vuas urinarias a uma contingência a que não são atreitas. Na occorrencia, porém, dé super- acidez urinaria, condicionada ás varias causas de acide- mia, perquiridas a seu tempo, ou subordinadã a quaesquer processos do proprio apparelho urinário (*), nitidos e beneficos são os effeitos physiologicos dos alcalinos, que restauram o equilíbrio desfeito, comtanto que, por dema- sia, não gerem a condição opposta, mediante a qual se precipitariam os corpos normalmente dissolvidos a favor da acidez physiologica. E', por conseguinte, a avaliação» do grau de acidez que permittirá medir a acção therapeu-í tica dos alcalinos. Os alcalificantes directos attingem o meio urinário mais prestamente que os indirectos (pag. 6), os quaes, exigindo do organismo previa oxydação em carbonatos, mais tardos apresentam os seus effeitos. Note-se, ao de- mais, que, si todos elles logram o mesmo fim, neutrali- zando os ácidos, não são idênticas as suas proípriedades. Assim, mais irritantes e mais toxicos que os saes de sodio e de lithio, os de potássio a elles se avantajam na acção diurética, comio para o bicarbonato de potássio de- monstrou Rabuteau (385). A seu vêr, promoveria este sal (*) Não esqueça que certos processos, como a blenorrhagia, parecem augmentar a acidez urinaria. 208 mais facilmente a alcalinidade das urinas, bastando o uso- de 3 grs. em cada refeição, para que o effefto se a|ttes.i tasse em todo o per iodo nyctheme;ral. No particular do' acido urico, seriam de prevalecer os saes alcalinos de potássio e de lithio, já que mais solúvel, que o de sodio, é o urato formadlo com um e outro. Lembre-se, outrosim, acerca da pretendida toxicidade do potássio que Nothna- gel e Rossbach (8) não a tinham em grande conta, a ponto de oohibir o uso de seus saes. Condição de relêvo para a efficiencia do alcalino em sua acção modificadora da reacção urinaria, é o momento de sua ii ngestão. Em1 jejum, livre da influencia neutraíi- zante dos ácidos normiaes ou pathologicos das vias diges- tivas, mais rápido é o effeito e menor a dose requerida. E', pois, de preferencia fóra dos períodos digestivos, que- se ha de subministrar o medicamento' toda vez que d'elle se pretender o fim que temos em vista. No que pertence á alcalinização. das urinas, ainda notável é a differença no mechanismo. de acção- entre os alcalificantes solúveis e insolúveis ou terrosos. Uns e ou- tros influenciam a reacção- urinaria, mas entretanto quie; os primeiros, a exemplo dos bicarbonatos e saes orgâni- cos, actuam por augmento da concentração ionica da urina, operam os últimos secundàriamente, combinando-se com os ácidos nas vias digestivas e, por essa forma, obstando-f lhes á absorpção. Em consequência, os alcalificantes in- solúveis, como a magnesia, o giz preparado e outros,, diiminuem, ao contrario, a concentraçãoi ioniCa da urina, privada que fica esta de parté dos sulfatos e phosphatosy eliminados pela via intestinal, em virtude da difficil absor- pção. E' esta importante circumstancia, assignalada por Strauss (459), que, assim, justifica a vantagem do uso: das bases terrosas na dissolução de concreções uricas assestadas nos rins e na bexiga. Cinge-se a acção phartuacodynamica dos alcalinos nas vias urinarias á restricção da superacidez da urina, cuja 209 influencia irritante é assas conhecida, á solubilização dos ura tos e á fluidicação do catarrho vesical. Quanto á efficiencia da primeira acção, não deixam duvida os dados experimentaes, sendo até mais facil mo- dificar a reacção da urina sob a influencia dos alcalinos^ do que lhe crescer a acidez pela medicação acida. D'entre' as contribuições modernas a proposito de tão velho the- ma, bastam-nos as de Henderson e Palmer (172), que re- sumem no seguinte quadro as suas observações, acerca da mudança de concentração do hydrogenio da urina de seis sujeitos, sob a influencia do bicailbonato, usado por via oral: J í : : o o to de rido o a SS .Et «o c v* C S Kr> Z" Pj_| das amostras de urina, colhidas no horário S-g I «3 S A Et o s 3 2° e> Q ■" *2 ■« « 2 assignalado, depois do uso do medicamento "u o P 8 H cu o CQ a. ,2 eis <3 11 h. a. m. 12 h. 1 h. p. m. 2 h. p. m. 3 h. p. m. 1 4 grs. 7.40 8.30 7.48 7.48 7.40 5.85 2 8 grs. 5.40 8.50 8.30 6.50 6.50 7.40 3 12 grs. 5.30 8.70 8.70 8.70 8.70 8.70 4 8 grs. 7.40 8.50 8.70 8.50 8.50 8.50 5 8 grs. 5.85 - - 8.70 8.70 8.30 6 8 grs. 6.70 7.48 8.70 8.50 8.70 8.50 Por outro lado, viu Blatherwick (39) ao tempo que, pela ingestão de 25 grs. de bicarbonato em dois dias, decrescia a acidez da urina, baixava a ammonia elimi- nada de 0,256 a 0,072. Similhante effeito alcalificante é utilizado em todas as doenças em que a hyperesthesia da mucosa do appa- relho urinário reage ao maior conteúdb acido da excre- ção. A par dos alcalinos, é, na conjunctura, de real pro- veito, a ingestão de abundante quantidade de agua, que, diluindo a urina e os seus saes, a torna menos irritante. Todavia, preciso é attentar que a só neutralização da urina pode occasionar a transformação dos phosphatos ácidos de cálcio e de magnésio, em phosphatos neutros das mes-i 210 mas bases, que insolúveis se depositam, com risco de; formação lithoide. E' mister, portanto, não prolongar 01 emprego dos alcalinos, posto que limitada seja a alcali- nidade da urina, a qual jamais chega á concentração suf- ficiente para ser observadja a reaCçãoi basica á phenol-i phtaleina. E' na d^hese uroltthogenica ou uricurica (vide pa- gina 141), que se nos depara uma das mais repufadas indicações dos alcalinos. Não é difficil comprehender co- mo se processa sua acção na emergencia. Já vimos que, quasi insolúvel, o acido urico exige para dissolver-se obra d'e 15.000 partes de agua fria, eliminando-se, porém, do organismo, sobretudo no estado de urato acido de sodio, que, muito rnais solúvel, requer apenas 800 partes do mesmo solvente. Na urina a sua solubilidade é assegurada pelos phosphatos chamados neutros, particularmente o de sodio, Na2 H PO4 . Em diminuindo a proporção des- tes, avultam, como vimos, as condições que favorecem a precipitação do urato. Transformlando os alcalinos, em ge- ral, os phosphatos ácidos em neutros, promovem a disso- lução dos precipitados de acido urico e de urato acido- Haja vista o effeito do bicarbonato, apreciado na equa- ção seguinte : Na H2 PO4 + Na H CO» = Na2 H PO1 + CO2 + H2O Sobre tal effeito não deixa a menor duvida a obser- vação clinica, que chega a testemunhar nos casos de li- thiase urica a eliminação de fragmentos do calculo. Des- de muito é conhecido o facto, vindo a pêlo lembrar que era unicamente por conta dos saes alcalinos, que actua- va o celebre remedio secreto contra a «pedra», invento de uma certa Jane Stephens, que tão grande nomeada fruiu no meado do século XVIII. Tal era o beneficjo pro- digalizado, que, em 1739, o Parlamento britânico se as- senhoreava do segredo em troca de 5.000 libras, por quanto foi sabido que não passava o remedio de cascas de ovos calcinados, sabão e alguns amargos aromáticos. Na dissolução dos cálculos urinários, uricos ou oxa- licos, podem ainda ser justificados os effeitos beneficos 211 dos alcalinos, na acção solvente do muco, que, de ordi- nário, os envolve e os entremeia, permittindó-se, assim,, mais fácil desaggregação d'elles. No que concerne aos cálculos die oxalato de cálcio^ não é de presente explicada por outro modoí o mecha-: nismo de acção dos alcalinos, nos tendo a practica de- monstrado quão propicio é o emprego de similhante me- dicação na diathese oxalica. E' provável que incida o beneficio nos actos intimos da nutrição viciada, de tal sorte que se frustre a formação do oxalato, ou se lhe proporcione melhor oxydação. BIBLIOGRAPHIA 1 Achalme - E^lectronique et Biologie, 1913. 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Chem.», 1916. 225 403 Ehrlich - Citado por Qrasset - Thérapeutique générale; vol. II, 1914. 404 Dufourt - «Ibidem». 405 Macleod - «Soc. Exp. Biol. Med.», 1916, XIII, pag. 169. 406 Kramer and Marker - «Am'. Soc. Biol. Chem.», 1916, III. 407 Lcewy - «Dubois Arch.», 1903, vol. 378. 408 Riibner und Rost - «Arch. d. Kais. Gesundheits.», 1902, LXX. 409 Loeper et Qouraud - «Presse Médicale», 4 Nov. 1909. 410 BIum - Ueber die Rolle von Salzen bei der Entstehung vion Edemen - 26.° Congress f. innere Medizin. Wiesbaden, 1909. 411 Pfeiffer - 28.° Congress f. minere Medizin, 1911. 412 Widal, Lemierre et Cotoni - «Semaine Médicale»,, 1911, pag. 325. 413 Mareei Labbé - «Soc. Méd. Hôp.», 1912. 414 Tillandier et Samson - «Arch. des Mal. de l'App. dig.», Nov. 1911, pag. 599 e Dec. 1911, pag. 697. 415 Albert Robin - Traité de Thérapeutique Pratique, 1913, vol. III. Art. «Diabète». 416 Quincke - Citado em Robin (415). 417 Elias und Kolb - «Bloch. Zeitschrift», 1913, L1II, pag. 331. 418 Stãubli - «Deutsch. Arch. f. Klin. Med.», 1908, XCIII. 419 |Magnus-Lievy - «Ergebnisse d. inn. Med.», 1908, I. 420 Von Noorden - «Pathologie des Stoffwechsels», 1907, II. 421 Weiland - «Zeitschr. f. exp. Path. und Ther.», 1912-1913, XII, pag. 116. 422 Grube - Citado por Meyer e Gottlieb (395). 423 Van Eoghems -■ Citado por Pralt (291). 424 Von Noorden - «Pathologie des Stoffwechsels», 1909, VII e VIII. 425 Harden and Zilva - «The Lancet», Sept. 7, 1918. 426 L. J. Henderson - «New York Med. Journ.», Dec. 2, 1916, pag. 1119. 427 Marfan, Tobler and Helmholz - «Buli. Johns Hopk. Hosp.», 1916. 428 Guagliariello - «Bioch. Zeitschr.», 1912, XLIV, pag. 162. 429 Klemperer - Congresso de Medicina de Vienna de 1890. 430 May - «Zeitschr. fiir Biologie», 1894, XXX. 431 Kraus - 9.° Congresso de Medicina interna de Vienna, 1890. (Sessão de 17 de Abril). 432 Irons - Na Forcheimer's Therapeusis, 1917, vol. II, pag. 303. 433 Arnozan - Précis de Thérapeutique, 1912. 434 Magendie et Lamikowski - Citados por Drouin (164). 435 Clement - Thèse de Paris, 1874. 436 Debove - «Soc. Med. Hôp.», 1884, pag. 178. 437 Mc Clendon - The Formation and composition of the Cerebro-spinal Fluid -< «The Journ. Am. Med. 'Ass.», April, 6, 1918, pag. 977. 226 438 Cavazzani - «Arch. Ital. Biol.», 1902, XXXVII, pag. 30. 439 Mc Clendon - «Journ. Biol. Chem.», 1918, XXXIII, pag. 19. 440 Mott - Citado por Mc Clendon (437). 441 Labbé - «Buli. Soc. Méd. des Hôp.», 49 Juillet 1918, n.o 26. 442 Felton, Hussey and Bayne-Jones - The Reaction of the Cerebrospinal Fluid - «Ardi. Int. Med.», June 1917, pag. 1085. 443 Barcroft and Straub - «Journ. of Physiol.», 1910-1911, IXL. 444 Lépine - C. R. de 1'Acad. des jScienc.», 1888, vol. 107, pag. j 71 e 1913, vol. 156, pag. 1958. 445 Lindemann - Citado por Cushny (59). 446 Bainbridge - «Proc. Roy. Soc.», 1913, LXXXVI, pag. 355. 447 Dreser - «Zeitschr. f. Biol.», 1885, XXI, pag. 41. 448 Suzuki - Morphologie der Nierensekretion, 1912. 449 Leschke - «Zeitsch, f. Klin. Med.», 1914, LXXXI. 450 Lamy, Mayer et Rathery - «Journ. de Physiol. et de Pathol. génér.», 1904, VIII, pag". 624-634. 451 Cushny - «Journ. of Physiol.», 1904, XXXI, pag. 188. 452 Bainbridge and Beddard - «Journ. of Phvsiol.», 1906, XXXIV. 453 Trevan - «Journ. of Physiol.», 1916, L, pag. XV. 454 Henderson und Spiro' - «Bioch. Zeitschr.», 1908,XV, pag., 105. 455 Yvon et Michel - Manuel d'Analyse des urines, 1909. 456 Hawk - Practical Physiological Chemistry, 1918. 457 Henderson and Palmer! - «Journ. Biol. Chem1.», 1912, XIII, pag. 394. 458 Lieblein e Ott, - Citados por Yvon fet Michel (455). 459 Strauss - «Zeitschr, f. Klin. Med.», 1897, XXXI. ÍNDICE Paginas DA PHARMACODYNAMICA DOS ALCALINOS 3 AGENTES DA MEDICAÇÃO ALCALINA ... 5 Medicamentos 6 Alcalificantes directos 6 Alcalificantes indirectos 17 Alimentos , Potencial acido e básico dos alimOntos ... 25 Fermentações acidas e basicas dos alimentos 34 O acido oxalico e as purinas nos alimentos . 35 Aguas mineraes . 39 A ACIDEZ E A ALCALINIDADE ACTUAL E PO- TENCIAL . . i 47 Methodo dos indicadores 59 A PELLE , 63 O suor , , 63 A secreção sebacea , , 66 Os alcalinos na superficie cutanea 66 AS VIAS DIGESTIVAS 69 A bocca „ 69 O estomago 71 Os alcalinos no estomago 79 O intestino , ,83 Os alcalinos no intestino 89 228 Paginas O MEIO INTERNO 93 Corpos ácidos e básicos do sangue .... 95 Mechanismo regulador da reacção do meio in- terno ... 98 A reacção do sangue e dos tecidos 105 Papel da alcalinidade do sangue ....... 110 O transporte do acido carboníco 110 A velocidade das reacções e os processos oxydantes no organismo 111 O equilíbrio colloidal 114 A reacção do meio e a viscosidade .... 117 A reacção do meio e os movimentos brownia- nos 119 A reacção do meioi e a tensão superficial . . 121 A reacção do meio e a embebição .... 122 A reacção do meio e a pressão osmotica . . 123 A reacção do meio, e as diastases 124 A funcção phagocytaria 128 A dissolução do acido urico 129 Estados alcalipenicos 132 Acidem ia physiologica 135 Acioemia experimental 137 Acidemia pathologica 138 No estado de inanição 138 No diabetes 138 Na intoxicação pelos metaes (mercúrio e urâ- nio), pela phloridzina, antipyrina, atropina 140 Na obesidade 140 No rheumatismo chronico 141 Na diathese urica 141 Na diathese oxalica 144 No escorbuto 144 Na nutrição retardada (alcalose) 144 Na intoxicação pela estrychnina e pela co- caína " 4 140 Na intoxicação pelos anesthesicos (chlorofor- mio, ether, protoxydo de azoto) . . . 146 229 Paginas No choque operatório e na gangrena gasosa. 147 Na intoxicação pelo phosphoro e pelo arsenioo 148 Nas nephrites 149 Nas diarrhéas infantis 152 Nas pyrexias . . . . x 154 Nas febres eruptivas 154 No rheumatismo articular aguido e na malaria 155 Na pneumonia e na pleurisia 155 Na tuberculose, na grippe e no cholera . . 155 No carbúnculo e na diphteria ...... 156 No cancro 156 Na anemia, na leucemia e na chlorose ... 156 Nas cardiopathias 157 Nas nevroses 157 Nas intoxicações pela platina, iodo, etc. ... 157 De como aferir a superproducção acida aio sanglie 158 Methodos titometricos 160 Methodo basimetrico de Drouin 160 Methodo de Sellards 161 Methodo oxymetrico de Drouin 161 Methodos fundados na concentração ionica do sangue , 162 Methodo colorimetrico de Levy, Rowntree e Marriott . 162 Methodo de Marriott 163 Methodos gasometricos 164 Methodo de Van Slyke . . . . ... 164 Methodos baseados na tensão alveolar de CO2 165 Methodo de Fredericia 166 A pharmacodynamica dos alcalinos no meio in- terno • 167 Acção dos alcalinos solúveis 170 Acção dbs alcalinos insolúveis 171 Os alcalificantes directos e indirectos .... 171 Sobre o metabolismo normal 177 No diabetes 182 Na obesidade 185 230 Paginas Na diathese gotosa e urolithogenica .... 186 No escorbuto- 186 Na lactacidemia por doenças cardíacas e por convulsões 187 Na intoxicação pelos anesthesicos e no choque operatorio 187 Na gangrena gasosa 188 Nas nephrites 188 Na acidemia infantil 188 Nas pyrexias 190 Na grippe e no cholera 191 No rheumatismo articular agudo 192 Nas intoxicações 192 A cachexia alcalina 193 O LIQUIDO CEPHALO-RACHEANO 195 O APPARELHO URINÁRIO 199 A acção dos alcalinos sobre a urina 207 BIBLIOGRAPHIA 213 Bibliotheca Medica A enorme vastidão do nosso stock, sobretudo de obras scien- tificas, notadamente de. medicina e cirurgia, nacionaes e estran- geiras, dia a dia accrescido de novidades, torna impossível uma catalogação permanente, pelo que preferimios dar aos nossosi clientes, sempre que nos pedirem, informações sobre o assumpto que aos mesmos interessar, aqui mencionando nós apenas os tra- balhos de que "Somos os editores, ou os de que somos únicos proprietários ou depositários. 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