í DE ou exposição Das doutrinas homoeopathioas. tRADIT.ÇÃO DO CIRURGIÃO PORTUGTJEZ João Vicente Martins LFNTE DK ANATOMIA F. PIlYSIor.OGIA NA EfCHOLA DE MEDICINA HOMoKOPATHICA DO RIO DK JANIilSíO, SÓCIO FUNOADO t E 1.° SKCHETABIO Di> INSTITUTO DOMOKOIVATHICO DO BKAS1L, DIRliCTOK DOS COKSULTuRIUS GPATLITOS l>ABA OS POBKES, ClC. DEDICADA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOU SILVESTRE PI Ml EI RO FERREIRA. ■--------- 11 ■ l:^Cftflfrp^l■^ i ■ NICTHKK-OY. TYI\ XICTIIEROYEXSE DE REGO E COMP. PRAÇA MUMCiPiL N. 17. /o ! ■ ExCELLINTlSSIMO SENHOR SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA. Consenti que vos seja dedicada esta imperfeita traducção, para que ella ganhe cora o vosso nome o que poderá ter per- dido com o meu. O vosso nome he já synonimo de amor á pátria, ás letras, sciencia, e humanidade; o meu começa apenas a ser soletrado, e não tem por ora significação. Assim me honraes; assim no meu peito alentaes a coragem, de que tanto hei mister para servir com dignidade a nossa, causa ; e assim, por Deos que irei caminho Da alta torre de Sião, A' qual não posso subir Sc ms vós nao daes a mão. /. 7. Martins.. PREFACIO DO TRADUCTOR. Depois de procdosa tempestade, Nocturna sombra, e sibilante vento, Traz a manhã serena claridade, Esperança de porto e salvamento. Assim, depois de mil erros, depois de milhões de desastres, que em luta hao sepultado a humanidade, e em trevas sub- mergido toda a sciencia vaidosa do homem, uma aurora di- vina radia por sobre as urnas scpulcraes, como a da resur- reição. Sem nenhuma regra ou lei se ingcrião nos estômagos enfer- mos as mais repugnantes drogas; e o estudo da matéria me-. dica, consistindo quasi no das propriedades physicas dessas drogas, parecia dirigir-se a saber quaes por mais desagradá- veis deverião ser preferidas. A pelle dos míseros doentes era arrancada, era desnudada ou consumida pelos exutorios, pelos cáusticos, e pela ferro O ferro em brasa percorria os mem-* bros, queimando-os muitas vezes até aos ossos, e nellesdeixava indeléveis marcas da barbara rutina A mais ligeira alteração da saúde tornava-se mortal sob a influencia da medicina ; e mais devastadora que a peste e a guerra a medicina atulhava os cemitérios, e inutilisava os berços. Era um castigo do ceo. A cólera divina se aplacou, e a pomba trouxe para a arca santa o símbolo da paz. Hahnemann djão condemnados pelo resultado. Quando longa pratica o tem convencido dos tristes efleitos de sua pretendida arte, elle se limita a dar insignifi- cantes bcbcragens, isto he, e nada fazer, mesmo nos casos mais graves, e he só então que menos doentes peorSo e morrem nas suas máos. Esta arte funesta que. lia tantos séculos decide da vida e morte dos enfermos, que faz perecer dez vezes mais homens que as guerras mais mortíferas, e que deixa milhões de homens infinitamente mais atormentados do que originalmente esta" vão, eu as examinarei com vagar antes de expor os princípios da nova medicina, que he a única verdadeira. Differente he a homoeopathia. Ella mostra sem custo a to- dos os que raciocinão que as moléstias não dependem de uma acrimonia, de um principio morbifico material mas que con- sistem somente d'um dosaicordo dynatnico da força que anima virtualmente o corpo humano. Fila sabe que a cura não pode ter lugar senáo por meio da reacção da força vital contra uni medicamento apropriado, eque ella se opera tanto mais segura e promplamente quanto mais energia esta Torça vital se conserva ainda no enfermo. Assim também elia evita quanto poderia debilita-lo; assim quanto he possível evita excitar a menor dor, porque a dor enfraquece ; assim também não emprega ella medicamentos cujos efíeitos lhe não sej o bem conhecidos, isto he, a maneira de modificar dynamicamente o estado do homem : ella escolhe entre estes aquelle cuja faculdade modificadora (moléstia medicinal) he ca- paz de fazer cessar a moléstia por sua analogia com ella [simi- lia similihas); e este o administra ella sõsinho em do.ies ra- ras e fracas, que, sem causar dor nem debilitar, excitao com- tudo uma reacção suíficienle Resulta daqui que ella exingue a moléstia natural sem enfraquecer atormentar ou toioidar o doente; e que as forças por si mesmas vem acompanhando as melhoras Esta obra, que chega a restabelecer a saúde dos doentes em pouco tempo, sem inconvenientes e de uma ma- neira completa, parece fácil, mas he penosa e exige muita me- ditação. A homoeopathia se nos orTerecc pois como uma medicina muito simples sempre e mesma em seus princípios e nos seus processos, formando um todo á parte, perfeitamente indepen- dente e recusando-se a toda a associação com a perniciosa ru- tine da autiga rutina. líXPOSlCÃO DA DOUTRINA MEDICA lillt.WHIÜ ou ©rganoii da arte de curar, LNTRODl-CÇÀO, Desde que homens ha na lerra tem clles ficado expostos, in- dividualmente ou todos, á influencia de causas morbilicas, ph)- sicas ou moraes. Fm quanto elles se conservarão no puro esta- do da natureza pousos remédios lhes bastarão, por que a sim- plicidade de seu gênero de vida os fazia acccssiveis somente a poucas moléstias. Mas as causas de alteração c!a saúde e a ca- rência de soecorros fora o crescendo na proporção dos progres- sos da civilisação. Desde então, isto he, desde os tempos que de perto seguirão Hippocratcs, ou desde ha dois mil o quinhen- tos annos, homens houverão, que se dedicarão eo tratamento das moléstias cada dia mais complicadas, e a quem a vaidade induzio a procurar na sua imaginação meios de as combater. Innumcras cabeças produzirão uma infinidade de doutrinas so- bre a natureza das moléstias, e de seus remédios; todas essas doutrinas condecoradas com o nome de systema, e qual mais contradictoria até comsigo mesma. Cada uma destas lheorias subtis maravilbavão logo pela por sua profundidade ininteligí- vel, e attrahião a seu autor uma multidão de proseiitos enthu- siastas, què em vão pretendião tirar d'essas lheorias alguma in- dução útil na pratica; até que novo systema, às vezes diametral- mente opposto, fazia esquecer aquelle, e por algum tempo an- dava em voga. Mas nenhum desses syslcmas era concorde com a natureza e com a experiência. Erão todos um tossido de sub- tilesas fundadas em conseqüências illusorias, que de nada apru" (I veiliitân á cabeceira do doente, e que pres'a\ão soíufnt" para entreter \ans disputas. A par de íaes theorias, esem dependência alguma oellas, for- mou-se um melhodo que consiste em administrar misturas ile medicamentos desconhecidos contra formas de moléstias arbi- trariamente admittidas, tudo segundo princípios niateriaes em nmlradicção com a natureza e com a experiência, é por tanto sem resultado vantajoso. Eis á antiga medicina, chamada allo- patíiia. Sem desconhecer Os serviços que um grande numero de mé- dicos tem prestado ás sciencias accessofias da ar!e de curar, á phjsica, á chimica, á historia natural nos seus difTerenlis ra- inos, e á do homem em particular, á anthropologin, á physio-» logia, á anatomh, sentidos. Houve então de imaginar-se uma. Comparando, de um lado, o estado normal das partes internas do corpo humano depois da morte (anatomia ) com as alterações visíveis de.sas partes nos indivíduos mortos de enfermidade (anatomia pathologica } e, do outro lado, as funcções do corpo vivo l physiologia ) com as observações infinitas que ellas sofrem nos ímnumcraveis estados morbificus patheologia, semeiotica ), c daqui concluindo para a maneira invisível por que se effectuão as alterações no intimo do enfermo, che<ía\a-se a crear uma imagem vaga e fantástica, que a medicina theorica olhava como causa primaria da molés- tia, de que. fo^e depois causa proxinu-., e ao mesmo tenq o a essência intima dessa moléstia, a molesta mesma, pnstouuc m o bom senso mostre que a causa de uma cousa não possa \ir a ser essa mesma cousa. E agora, comose poderia, sem pretender asi próprio enganar, fazer desta essência inapreciavel umobjec- to de cura, prescrever contra ella medicamenteis cuja tendên- cia curativa era igualmentedesconhecida, ao menos, pela maior parte, e sobre tudo accumular muitas destu> substancias des- conhecidas no que chamavão formulas? Todavia o sublime projecto de achar hpriori uma causa in- terna e invisível da moléstia se reduzia, ao menos entre os mer dicos reputados mais rasoaveis da antiga escola, a procurar, to- mando na verdade também por base os symptomas, o que se poderia presumir ser o caracter genérico da moléstia presente, Queria-se saber se era o spasmo, a fraqueza ou a paralysia, a febre ou a inflamação, a induraçãoou a obstrução de tal ou tal parte, a pletheora sanguinea, o excesso ou falta d'oxigenio, de carbono, de hydrogenio ou de azoto nos humores; a exaltação ou o abatimento da vitalidade do systema arterial, venoso, ou capillnr; uma falta nas proporções relativas dos fauetores da sen- sibilidade, da irritabilidade ou de nutrição. Estas conjecturas, honradas pela escola com o nome de indicações procedentes da causa, c olhadas como o único modo de raciocinar possível em medicina, erão muito hvpotheticas, e muito falases para que podessem terá maior utilidade na pratica. Incapazes, até quando fossem fundadas, de fazer conhecer o melhorremedio que houves- se de empregar-se em tal ou tal caso dado, assázlisongeavão o amor próprio de quem a custo as engendrara; mas cilas quasi sempre o induzião em erro quando por ellas queria obrar. Era mais por ostentação que por seria esperança de com ellas po- der chegar á verdadeira indicação curativa que se arriscavão a concebei-as. Quantas vozes o spasmo ou paralysia parecia existir em uma pqrte do organismo em quanto a inflamação figurava ter sua sede n'outra parte? Alem disso de onde podião vir remédios seguros contra ca- da um desses pretendidos caracteres geraes? Semelhantes meios só poderião ser os cspeciíicos, isto he, os medicamentos aná- logos á irritação mórbida na sua maneira de obrar; mas a antiga escola os proscreveo como muito perigosos, porque com cfíeito a experiência linha dcmonftrado que nas grandes doses em uso elles compromettião a vida dos enfermos , nos quaes he tão desenvolvida a aptidão a sentir irritações homo- gêneas. Oraaantiga escola não supunha que se podessem ad- ministrar os medicamentos em muito fracas doses, e até extre- mamente pequenas. A^sim não poderia curar pela via directa e mais natural , isto lie, co:n remédios homoopathicos c espe> ir eilioo,, pois (jue a maior parle dos efieilos dos medicamento* licavão -desconhecidos, ou quando mesmo conhecidos fosse ja- mais se poderia, attonl > o costume de generalisar, saber q«al era a substancia mais própria para ser empregada. Eufivtarifo a antiga escola, que muito bem precebia que mais rasoavel he seguir o caminho direito do que perder-se por atalhos, pensava ainda em curar directamente as moléstias iliminando sua pretendida causa material. Ou procurando ob- ter uma imagem da moléstia ou querendo descubrir as indi- cMÇões curativas, o que tanto em seu poder estava como reco- nhecer a natureza, ao mesmo tempo espiritual e material, do organismo por um ser tão elevado, que as alterações de sen- sação e acçaO vital, chamadas moléstias, nelle resultem princi- pal e quasi unicamente-de impressões dynamicas, e de nenhu- ma outra causa, quasi impossível se lhe fazia renunciar a suas idéas grosseiras. A escola considerava por tanto toda a matéria alterada pela moléstia, ou f/sse eila só turgenle, ou fosse expelida como causa excitante desta moléstia, ou pelo menos, em razão de sua preteri lida reacção, como a que a entreíia; e esta ultima opinião a conserva ainda hoje. Eis porque ella julgava conseguir curas atacando as causas, fazendo todos os esforços par.! expulsar do corpo as causas materinesqueás mohstias snppunha. Dahi provinha o seu cui- dada de fazer vomitar para evacuar a biljs nas febres biiiosas; o seu methodo de prescrever vomito rios nas afiecções de es- tômago; a sua preça, em expulsar a piíuita e os vermes na pá- lido/. d,i face bolimia eólicas e inchação do ventre das crianças; o seu costume de sangrar nas hemorrhagias, e principalmente a importância que dá ás emissões sangüíneas de toda a espécie como indicação principal nas inflamações. Assim procedendo ella julga que obedece a indicações verdadeiramente dedusi- das da causa, e que trata as moléstias de uma maneira rasoa- vel. Igualmente imagina que ligando um polypo, extirpando uma glândula entumecida ou fazendo-a suppurar com irritan- tes locaes, dessecando um kysto, operando um aneurisma, uma fistula Iacrimal ou uma fistulado ânus, amputando um seio cancroso, ou um membro cujos ossos estejão cariados etc., tem curado as moléstias radicalmente e lhes ha destruído a causa. Ella tem a mesma crença quando emprega os reper- cussivos e secea velhas ulceras das pernas pelo emprego de adstringentes, de oxidos de chumbo, de cobree de zinco, asso- ciados com purgantes que sem diminuir o mal fundamental o que fazem he enfraquecer; quando cauterisa os cancros, des- tcoe localmente as esponjas e verrugas, e secca a sarna por V meio de unguentos de enxofre, de chumbo, de mercúrio ou de zinco; e quando cm fim faz desaparecer uma ophtalmia pelas dissoluções de chumbo e de zinco, e acalma as dores dos membros por meio do balsaino d'opodeldoch, pomadas am- moniacaes ou fumigações de cinabre e de âmbar. Em todos estes casos ella imagina ter aniquilado o mal, e posto em pra- tica um tratamento racional dirigido contra a causa. Mas quaes são as conseqüências? Novas formas da moléstia, que mais tarde ou mais cedo infalivelmcnte se manifestão, eque então são dadas por moléstias novas, e que sempre são mais perigosas que a primitiva alíecção, refutão altamente as theo- rias da escola. Estas devião esclarece-la, provando que o mal tem uma natureza immatcrial profundamente oceulta , que sua origem he dynamica, e que elle não pode ser destruído senão por urna potência também dynamica. A hypothese que a escola geralmente preferio até aos tem- pos modernos, ou para melhor dizer até nossos dias, hc a dos princípios morbiíicos, e das acrimonias, que na verdade muito subtilisou. De taes princípios era necessário desembaraçar os vasos sangüíneos e lymphaticos pelos órgãos ourinarios ou pe- las glândulas salivares; o peito pelas glândulas tracheaes e bronchicas; o estômago e o canal intestinal pelos vômitos, e dejecções alvinas; e sem isto ninguém tinha o direito de dizer que o corpo estava limpo da causa material excitante da mo- léstia, e que se havia effectuado a cura radical segundo o prin- cipio tolle camani. Praticando na pelle aberturas que a presença constante da um corpo estranho convertia em ulceras chronieas (cauterios, sedenhos) imaginava ella subtrahir a matéria peccante do cor- po, que jamais enferma senão dynamicamente, como se ex- trahe a borra de um tonei pelo furo de uma verruma. Da mes- ma forma acreditava que attrahia para o exterior os mãos hu- mores por meio de visicatorios perpétuos. Mas todos estes pro- cessos, absurdos e contrários á natureza, conseguião somente enfraquecer os doentes, e tornal-os incuráveis. Convenhoem que era mais commodoá fraqueza humanasup- pôr nas moléstias um principio morbiíico cuja materialidade podesse o espirito comprehender, ainda mais prestando-se os enfermos voluntariamente a semelhante hypothese. li ffec ti vã- mente admittindo-a restava só tomar uma quantidade de me- dicamento sufficiente para purificar o sangue e os humores, provocar o suor, facilitar a expectoração, o alimpar o estômago e os intestinos. Eis-ahi porque todas as matérias médicas que tem apparecido desde Dioscarides guardão quasi absoluto silen- cio sobre a acção própria e especial década medicamento o s;; VI limitão, depo> de ter contado suas pretendidas virtude» contra talou tal moléstia nominal de pathologia. e dizer que elle pro- voca as ourinas, o suor, a expectoração, o fluxo menstrual, e sobretudo que elle tem a propriedade de expulsar por cima ou por baixo o contido no canal alimentar, porque sempre os ex- furços dos práticos tem tido por fim principal a expulsão de um principio n < iLiíico material c de muitas acrimonias que elluc tem supposlo causa das moléstias. Isto erão sonhos vãos, supposições gratuitas, hypolhes,es 'fin base, habilmente imaginadas para commodo da therapeu- tica, a que mais fácil era ter de combater princípios morbifi- cos niateriaes. Mas a essência das moléstias e a sua cura não se amoldão aos nossos sonhos nem aos desejos de nossa preguiça. Para romprazor com as nossas loucas hypotheses não podem as mo- léstias deixar de ser aberrações dynamicas que a nossa vida espiritual sofre na sua maneira de sentir, e obrar; isto he, mu- danças itnmateriacs no nosso modo de ser. As causas de nossas moléstias não podem ser matfriaes, pois que a menor substancia material extranha, por mais inno- cente que pareça, introduzida que seja nos vazos sangüíneos he repelida logo como veneno pela força vital, e se o não po-. de ser então mata. O mais pequenino corpo extranho venha insinuar-se em partes sensíveis; o principio de vida espalhado por todo o nosso interior não repousará emquanto não tiver iluminado esse corpo pela dor, pela febre, pela suppuração, p?la gragrena. E n'uma moléstia de pelle que datasse de vin- te annos este principio vital, cuja actividade he infaligavel, sofreria com paciência por vinte annos em nossos humores um principio exanthcmatico material , um vírus dartroso , scrofuloso, ougotoso! Que nosologista vio jamais um só de taes princípios morbificos de que falia com tanto desembaraço, e sobre os quaes pretende assentar um plano de cendueta me- dica? Quem jamais linde por á vista d'alguem um principio gc- toso, um virus scrofuloso? Quando mesmo a applicação de urna substancia material sobre a pelle, ou sua introducção n'uma ferida tenha propa- gado moléstias por infecção, quem poderia provar que a me- nor parcella da matéria desta substancia penetra, como affirmão tantas vezes as nossas pathognesias, nos nossos humores ou he absorvida? Debalde se lavão as parles gonitaes «nn o maior cuidado e promptidão possíveis, esta precauçTo não livra de rontrahir a moléstia venerea caucrosa. Hasta um fraco sopro de um homem affectado de bexigas ; ara produzir esta terrível doença na criam;a mais sã. 41537�11 MI Quanto <*rn peso deve ter penetrado deste principio material lios humores para produzir, no primeirc caso, uma moléstia a syphilis; que não sendo tratada durará por toda a vida, e, no segundo caso, uma affccção(as bexigas; que tantas vezes mata rapidamente no meio de uma suppuração quasi geral? Será possível admittir nestas duas circunstancias, e n'outras análo- gas, um principio morbifico material que tenha passado para o sangue? Tem-se visto muitas vezes cartas escriptas no quarto de um doente communicarem a mesma moléstia miasmatica nquelle que as lê. Pode-se então pensar em alguma cousa ma- terial que penetre nos humores? Mas para que são estas pro- vas? Quantas vezes se tem visto uma ollénsa causar uma febre biliosa que põe a vida em risco, uma indiscreta prophecia cau- sar a morte na época predicta, e uma surpresa agradável ou desagradável suspender subitamente o curso da vida? Onde está então o principio morbifico material que se insinuou em substancia no corpo, que abi produziu a moléstia, que a entie- tem, e sem a expulsão material do qual, por medicamentos, toda a cura radical seria impossível? Os partidários de urna hvpothcse tão grosseira como a dos princípios morbiíieos deverião corar por desconhecerem até es!:; ponto a natureza espiritual de nossa vida e o poder dynamico das causas das moléstias, e por se rebaixar desta maneira até ao oílicio ignóbil daquelles que com seus vãos esforços paia var- rer as pretendidas matérias peccantes matão os enfermos em vez de os curar. Os escarros, tantas vezes nojentos, que se observão nos en- fermos, serião elles mesmos ti matéria que os engendra, e os entretem? Não são elles sempre produetos da moléstia, isto he, da perturbação puramente dynamica que a vida sofre? Com estas falsas idéas materialistas sobre a origem e essên- cia das moléstias não he de admirar que em todos os tempos, os pequenos assim como os grandes práticos, e mesmo os in- ventores dos systemas mais sublimes tenhão tido por fim prin- cipal somente a iluminação e expulsão de uma pretendida ma- téria morbifica, e que a indicação mais freqüentemente esta- belecida tenha sido a de incisar esta matéria, tornal-a movei, e procurar a sua sahida pela saliva, escarros, suor, e ourina, e purificar o sangue pela acção intelligenta das tisanas, desem- baraçando-o assim das acrimonias, e impurezas que jamais teve, subtrair o principio imaginário da moléstia pelos sede- nhos cante rios, visicatorios permanentes, mas principalmente fazer sahir a matéria peccante pelo canal intestinal por meio de laxantes e do purgantes, condecorados com o titulo de aperiti- VIII vos e dissolanles para lhes dar mais importância, o reveshl os de um exterior grandioso. Agora se adinitíimos, o que não tem duvida, que á excepção de moléstias provocadas peia introdiiceão de substancias absolu- tamente indigestas ou micivas nos órgãos degeslivos ou n'outras vísceras ocas ou pelo penetrar de corpos extranhos atravez da pelle etc, nenhuma existe que tenha por causa um principio material, que todos pelo contrario são unicamente e sempre o resultado especial de uma alteração virtual e dynamica da saú- de, quanto mãos devem parecer ao home.n sensato os melho- dos de tratamento que tem por base a expulsão desse principio imaginário, pois que nada pode resultar d'elles que bom seja nas prineinaes moléstias do homem, as c irônicas, e que pelo contrario i l'es prejudicão sempre?. . As matérias degeneradas e as impurezas .que são visíveis nas moléstias outra cousa não são mais que pioduclos da mesma moléstia, dosquaes sabe o organismo desembaraçar-se, as ve- zes violentamente, sem o soccorro da medicina evacuante, e os quaes renascem por tanto tempo quanto a moléstia dura. Fs- sas matérias se apresentam muitas vezes ao verdadeiro med co como svmptomas mórbidos, o o ajudão a traç.vr o quadro da moléstia que lhe serve depois para buscar o agente medicinal homreopathico próprio para cura-la. Mas os partidários actuaes da antiga escola não querem mais que se diga que elles tem por fim nos seus tratamentos expul- sar os princípios morbificos materiaes. Dão ao emprego dos evacusníes numerosos e variados o nome de niethodo diriva- tivo, e pretendem com isto imitara natureza do organismo en- fermo, que nos seus esforços para restabelecera saúde termina a febre pelo suor e ourina, a pleurisia pela hemorrhagia na- sal suores e catarro mucoso, outras moléstias pelo vomito diar- rhea e hcmorrhagias, as dores articulares por ulcerações nas pernas, a angina pela salivação metastasese abeessos em luga- res afastados da sede do mal. Nestas idéas julgão que nada he melhor que imitar a natu- reza e tomão afastadas vias no tratamento da maior parte das moléstias. Assim, imitando a força vital molesta abandonada a si mesma procedem de uma maneira indirecta applicando ir- ritantes heterogêneos mais fortes em partes afastadas da sede do mal e provocando, e de ordinário entretendo evacuações ou secreções nosorgaõs que mais diferem dos tessidos affcctados, afim de distrair de alguma sorte o mal para esta nova sede. ' Fsta dirivação tem sido e he ainda um dos principaes me- tliodos curativos da escola reinante até hoje. Imitando assim a natureza ;ncdica'riz, segundo o dizer de outros, elles procurão It excitar violentamente, nas partes menos enfermas, e que me- lhor podem suportar a moléstia medicamentosa , novos symp- tomas, que com a apparencia de crises, e a forma de evacua- ções devem, segundo elles, dirivar a moléstia primitiva, afim de que seja permittido ás forças medica trizes da natureza eflec- tuar pouco a pouco a sua resolução. Os meios de que se servem para chegar a este fim são as substancias que provocão suor e ourinas, as emissões sangüí- neas, os sedenhos e os cauterios, mas de preferencia os irritan- tes do canal alimentar próprios a determinar evacuações ou por cima ou principalmente por baixo, irritantes dos quaes os últimos tem recebido os nomes de aperitivos, e dissolventes. ; Em soccorro deste methodo dirivativo he chamado outro que tem com elle muita afíinidade e que consiste em usar de irritantes antagonistas:os tessidos de lã sobre a pelle, os pedi- luvios, os nauseantes, os tormentos da fome, os meios que ex*. citão dor, inflamaçãoesuppuração nas partes visinhas ou aras»- tadas, como os sinapismos, os visicatorios, os sedenhos, os cau- terios, etc. Nisto ainda seguem os processos grosseiros da na- tureza, que a si mesma abandonada procura desembaraçar-se da moléstia dynamica por dores que faz apparecer em regiões afastadas, por methastases e abeessos, por erupções cutâneas ou ulceras suppurantes, e que ainda assim se debate em vãos es- forços quando a moléstia be chronica. Não he por tanto um calculo razoável, senão uma indolente imitação que induzio a antiga escola a estes methodos indrrec- tos, tanto dirivativo como antagonista, que a tem conduzido a processos tão pouco eíficazes, tão debilitantes e tão nocivos., simulando haver acalmado ou afugentado a moléstia por algum tempo, mas substituindo um mal ao mal antigo. Semelhante resultado poderá ser chamado cura? Limitárão-se a seguir a marcha instinetiva da natureza nos esforços que cila tenta, e que não são seguidos de algum fraco resultado senão nas moléstias agudas pouco intensas. Não se fez senão imitara potência vital conservatriz abandonada a si mesma, que, repousando unicamente sobre as leis orgânicas do corpo, também não obra senão em virtude dessas leis, sem raciocínio, sem reflexão. Copiou-se a grosseira natureza que não pode, como o cirurgião intelligente, confrontar os lábios de uma ferida e unil-ospor primeira intensão ; que numa fra- tura he impotente, por maior que seja a quantidade de matéria óssea que produza, para confrontar c unir os topos ósseos; que não sabendo ligar uma artéria ferida deixa um homem cheio de vida c força suecumbir á perca de todo o seu sangue, que ignora a arte de reduzir á sua situação normal uma cabe- X ça de osso deslocada por luxação, o torna mesmo em pouco tem- po a reducção impossível pela incbação que excita em torno da articulação; que para se desembaraçar de um corpo extra- nho introduzido violentamente na cornea transparente destros todo o olho pela supuração; que n'uma hérnia estrangulada não sabe remover o obstáculo senão pela gangrena e pela mor- te; e que em fim nas moléstias dynamicas torna muita vezes, pelas mudanças deforma que lhes imprime, a posição do doen- te muito mais penosa do que antes era. Ha mais ainda: esta for- ça vital não intelligente admittesem hesitação no corpo os maio- res flagellos de nossa existência terrestre, as fontes dcinnume- raveis moléstias queafiligem a espécie humana desde século», isto he, osmiasmas chrenicos,a psora, asiphilis, a sycose. Bem longe de poder desembaraçar o organismo de um só destes miasmas, ella nem mesmo pode abranda-los; ella os deixa pelo contrario continuar traquilíamente os seus estragos até que a morte venha fechar os olhos do enfermo, ás vezes depois de longos e tristes annos de sofrimento. Como he que a antiga escola, que se diz razoável, n'uma cousa tão importante como he a cura, n'uma obra que exi- ge tanta meditação e tanto discernimento, poude tomar es- ta cega força vital por sua instruetora, por seu guia único, imitar sem reflexão ©s actos indirectos e revolucionários que ella consuma, seguil-a em fim como o melhor e mais perfeito modelo, quando a razão, este magnífico dom da Divindade, nos foi conferido para sermos infinitamente eminentes a essa força soecorrendo os nossos semelhantes? Quando a medicina dominante, applicando desfarte, como soe fazer, seus metbodos antagonista e dirivativo, que assen- tão unicamente sobre uma imitação irrefloctida da energia grosseira authomatíca, e inintelligente da força vital, ataca os órgãos innocentese lhes inflinge dores mais agudas que as da moléstia contra que são dirigidos, ou como quasi sempre sug- cede, os obriga a evacuações que dissipão inutilmente as for- ças e os humores, seu fim he desviar para a parte que ella ir- rita a actividade mórbida que a vida desenvolve nos órgãos primitivamente afíectados, e assim desenraisar violentamente a moléstia natural, provocando uma moléstia mais forte, e dou- tra espécie, no ponto que havia até então sido poupado, isto he, servindo-sc de meios indirectos, e afastados, que esgotão as forças, e quasi sempre são dolorosos. Verdade he que, por esses falsos ataques, a moléstia, quan- do he aguda, e seu curso não pode por conseqüência ser de longa duração, se transporta para órgãos afastados e não se- melhantes aos que ella oecupava a principio, mas nem por is- XI to ella fica curada. Nada ha neste tratamento revolucionário que tenha relação directa e immediatamente com os órgãos primitivamente enfermos, e que mereça o titulo de cura. Se se tivessem abstido desses ataques perigosos contra a vida do restante organismo, terião visto freqüentemente a moléstia agu- da dissipar-se por si mais rapidamente, deixando após si me- nos sofrimentos , c causando menor consumpção de forças. Não se pode por em paralello nem o processo grosseiro seguido pela natureza nem a sua copia allopathica com o tratamento homceopatbico directo e dynamico, que, poupando as forças, extingue a moléstia immediata e rapidamente. Mas na grande maioria das moléstias, nas aíTecções chronicas, estes tratamentos perturbadores, debilitantes e indirectos da an- tiga escola nenhum bem jamais produzem. Seu effeito se li- mita a suspender por alguns dias tal ou tal symptomaencommo- do, que reapparece logo que a natureza se acostuma á irritação longiqua; a moléstia reapparece então mais encommoda porque as dores antagonistas, e as imprudentes evacuações tem enfra- quecido a energia da força vital. Emquanto a maior parte dos allopathas, imitando geralmen- te os esforços salutares da natureza grosseira entregue a seus próprios recursos, introduzindo assim na pratica essas diriva- ções chamadas úteis, que cada um varia segundo as indicações subgeridas por suas próprias idéas, outros attingindo a um fim ainda mais suhtil, favorecendo quanto podem a tendência que a força vital mostra nas moléstias para desembaraçar-se das mo- léstias por evacuações e methastases antagonistas, procurão de alguma sorte ajudal-a activando estas dirivações e estas eva- cuações, crendo poder desfarte arrogar-se o titulo de ministros da natureza. Acontecendo muitas vezes nas moléstias chroni- cas as evacuações provocadas pela natureza darem algum alli- vio nos casos de dores agudas de paralysias, de spasmos <&c.; a antiga escola imaginou que o verdadeiro meio de curar as mo- léstias consistia em favorecer, entreter ou mesmo augmentar es- sas evacuações. Mas ella não percebeo que todas essas preten- didas crises produzidas pela natureza abandonada a si mesma não dão senão um allivio paliativo e de curta duração, e que longe de contribuir para a verdadeira cura aggravão pelo con- trario o mal interior primitivo pela comsumpção que fazem das forças e dos humores. Jamais se virão semelhantes esforços de uma natureza grosseira conseguirem o restabelecimento du- radouro de um enfermo; jamais essas evacuações excitadas pe- lo organismo curarão moléstia chronica. Pelo contrario, em todos os casos deste gênero se vé, depois de breves melhoras euja duração vaesempre diminuindo, aggravar-semanifestamen- XII te a aíTecção primitiva, os accessos voltarem mais freqüentes c fortes, posto que as evacuações não diminuão. Da mesma sortw quando a natureza abandonada a seus próprios meios nas affec- ções chronicas internas que compromettem a vida não encon- tra recursos senão na provocação de symptomas externos afim de preservar do perigo os órgãos indispensáveis á vida operan- do methastases sobre os que o não são, estes esforços de uma força vital enérgica, mas sem intelligencia, sem reflexão, sem pTevidencia, nem melhorão realmente, nemcurão; apenas são paliativos, curtos allivios á custa de grande perca de humores e forças, sem que a affecção primitiva tenha nada perdido de sua gravidade. Elles podem quando muito, faltando o soccorro de um verdadeiro tratamento homeeopathico, procrastinar a mor- te inevitável. A allopathia da antiga escola, não contente de exagerar mui- to os esforços da grosseira natureza, lhe dava muito falsa inter- pretação. Imaginando que elles são verdadeiramente salutares, procurava favorecel-os e lhes dava maior desenvolvimento, es- perando chegar desta maneira a destruir o mal inteiro e obter uma cura radical. Quando n'uma moléstia chronica a força vital parecia que acalmava algum symptoma grave da moléstia interna, por exemplo, por meio de um exanthema humido, então o chamado ministro da natureza appiicava um epispastico ou outro exutorio sobre a superfície supurante que se tinha formado para tirar da pelle uma quantidade de humor ainda maior, e ajudar a natureza desta maneira a curar iluminando do corpo o principio morbifico. Mas umas vezes, quando a acção deste meio era muito violenta, o dartro já antigo, e o doente muito irritavel, a aíTecção externa augmentava muito sem allivio do mal primitivo, e as dores ainda mais vivas tira- vão o somno ao doente, diminuião-lhe as forças, até determi- • navão a apparição de uma febre erysipelatosa de máo caracter; outras vezes quando o remédio obrava mais brandamente sobro a affecção local, pode ser que ainda recente, exercia uma espécie de homoeopathismo externo sobre o symptoma local, que a na- tureza tinha feito apparecer na pelle para allivio da aíTecção in- terna, renovava por isso esta ultima, que então ficava mais gra- ve, e expunha a força vital por esta supressão do symptoma lo- cal, a provocar mais perigosos symptomas na parte mais no- bre. Sobrcvinha então por substitutos uma ophtalm/a, a sur- dez, os spasmos de estômago, as convulsões epilépticas, os ac- cessos de súfocação, os ataque? de apoplexia, as moléstias mentaes &c. A mesma pretenção de ajudar a força vital nos seus esfor- ços curativos, induzia o ministro da natureza, quando a mo- XIII lestia fazia afiuir o sangue as veias do recto e do ânus (hcmor- rhoidas cegas) a recorrer ás sanguesugas, muitas vezes em grande numero, afim de dar uma sabida ao sangue por este lado. A emissão sanguinea obtinba um pequeno allivio, ás vezes tão passageiro que nem merecia ser mencionado; mas ella enfraquecia o corpo e dava lugar a uma congestão mais forte ainda para a extremidade do canal intestinal, sem que obtivesse o menor melhoramento para o mal primitivo. Em todos os casos em que a força vital molesta procurava evacuar algum sangue pelo romito, expectoração etc., afim de diminuir a gravidade de uma affecção interna perigosa, apressavão-se a prestar apoio a esses pretendidos esforços sa- lutares da natureza e tiravão abundante sangue das veias, o que jamais deixava de ter inconvenientes para o futuro, e de- bilitava manifestamente o corpo. Quando um doente era sujeito a freqüentes náuseas prodi- galisavão-lhe emeticos sob pretexto de entrar nas intensões da natureza, o que jamais fazia um bem real, mas ao contrario muitas vezes trazia comsigo funestas conseqüências, accidentes graves e até mesmo a morte. Algumas vezes a força vital, acalmando um poueo o mal interno, provoca engorgitamentos nas glândulas superficiaes. O ministro da natureza cria que bem servia a sua divindade trazendo estes tumores á supuração com toda a espécie de fricções e applicações irritantes, para depois cravar seus ins- trumentos cortantes nos abcessos, e fazer assim sahir para fora a matéria peccante. Mas a experiência tem mil vezes demons- trado quaes são os males intermináveis que quasi sem excep- ção resultão desta pratica- Como o allopatha via muitas vezes grandes sofrimentos se- rem minorados, nas moléstias chronicas, por suores noctur- nos sobrevindos espontaneamente, ou por certas dejecções na- turaes de matérias líquidas elle se julgava encarregado de se- guir estas indicações da natureza; elle pensava até que devia auxiliar o trabalho que presenceava prescrevendo um trata- mento sudorifico completo, ou o uso continuado por muitos annos do que elle chamava laxantes brandos afim de desem- baraçar mais seguramente o doente da aíTecção que o ator- mentava. Mas este seu proceder jamais deixou de produzir contrario, isto he, de aggravar sempre a moléstia primitiva. Cedendo ao império desta opinião qua abraçava sem exan apesar de sua falta absoluta de fundamento, o allopatha c tinuava a ajudar os esforços da ferça vital molesta, a exag até mesmo as dirivações e evacuações, que não conduzer rnais á cura ma» sim a mina dos enfermos, sem compr XIV der que todas as afíecções locaes, evacuações e apparentei dirivações, que são effeitos provocados c entretidos pela força vital abandonada a seus próprios recursos, afim de alliviar um tanto a moléstia primitiva, fazem por si mesmo parte da reu- nião dos symptomas da moléstia, contra a totalidade dos quaes não haveria remédio verdadeiro c expedito senão um medi- camento escolhido pela analogia dos phenomenos determina- dos por elle no homem são, isto he, um remédio homrcpa- thico. Como tudo o que a grosseira natureza opera para mitigar as moléstias ou agudas, ou principalmente chronicas, he muito imperfeito, econstitue por si uma enfermidade; e bem se pode pensar que os esforços da arte trabalhando no sentido desta mesma imperfeição, para lhe engrandecer os resultados, muito ^ mais prejuclicão, e que, ao menos nas moléstias agudas, elles não podem remediar os defeitos das tentativas da natureza, porque o medico, sem poder seguir as vias oceultas pelas quaes a força vital opera essas crises, não poderia operar se- não no exterior por meios enérgicos cujos effeitos são menos beneficentes que os da natureza a si mesma entregue, e pelo contrario mais pertuibadores, e mais funestos. Este mesmo incompleto allivio que a natureza chega a conseguir por diri- vações e crises não o consegue o medico seguindo a mesma via; e por muito que faça muito abaixo fica deste misero soe- x corro que a força vital abandonada a si pode ainda prestar. Sacrificando a pituitaria tem-se querido provocar sangrias imitando as hemorrhagias nasaes naturaes para acalmar, por exemplp, os accessos de uma cephalalgia chronica. Sem duvida podia-se tirar assim do nariz bastante sangue para enfraque- cer o doente; mas o allivio era muito menor que o d'outro tempo em que de moto próprio a força vital instinctiva tinha feito sahir somente algumas gotas de sangue. Um desses suores ou diarrheias chamados criticos, que a força vital sempre activa excita depois de um incommodo pro- vocado pelo desgosto, pelo susto, por um resfriamento, etc., tem muito mais efficacia para dissipar, ao menos momentanea- mente, os soffrimentos agudos do doente do que todos os su- dorificos, e purgantes de uma hotica que servem só de aug- mentar o mal. A experiência quotidiana não permitte duvidas. A força vital, que não pode obrar por si mesma senão con- forme a disposição orgânica de nosso corpo, sem intelligencia, sem reflexão, sem juizo, não nos foi dada para que a olhásse- mos como o melhor guia na cura das moléstias, e menos ainda para quelmitassemos servilmente os esforços incompletos e mo- lestos que ella faz para restabelecer a saúde, accrescentando-lhe XV actos mais contrários que os seus ao fim a que se attinge, isto para pouparmos expensas da intelligencia e reflexão necessárias á descoberta da verdadeira arte de curar, e collocarmos no lu- gar da mais nobre de todas as artes humanas uma ruim copia dos soccorros pouco eííicazes que a grosseira natureza pode pres- tar abandonada a si. Que homem de bom senso quereria imitar a natureza nos seus esforços conservadores? Esses esforços são precisamente a própria moléstia, e he a força vital morbidamente aíTectada que produz a moléstia que se observa! A arte deve portanto augmentar necessariamente o mal se imita a natureza nos seus processos ou suscitar perigos quando süpprime seus esforços. Ora a allopathia faz uma e outra cousa. E he a isso que ella chama uma medicina racional! Não ! Esta força innata no homem, que dirige a vida da ma- neira mais perfeita em saúde, cuja presença se manifesta em todas as partes do organismo, na fibra sensível como na fibra irritavel, o que hea molla infatigavel de todas as funcções nor- maes do corpo, não foi creada para soecorrer-se a si mesma nas moléstias, para exercer uma medicina digna de attenção. Não! A verdadeira medicina, obra de reflexão e juizo, he uma crea- ção do espirito humano, que, tendt) sido a authomaticaenergia da força vital impeli ida pela moléstia a acções anormaes, sabe, por meio de um remédio homa^opathico, imprimir-lhe uma modificação mórbida análoga, mas pouco mais forte, de ma- neira que a moléstia natural não possa influir sobre ella, e que depois da desapparição da moléstia provocada pelo medica- mento, ella torne ás condições de seu estado normal, ao seu destino de presidir á manutenção da saúde, sem ter soflrido nesta conversão, nenhum insulto doloroso ou capaz de enfra- qucce-la. A medicina homoeopathica ensina os meios de chegar a este resultado. Grande numero de doentes tratados pelos methodos da an- tiga escola escapavão a suas moléstias, não nos casos chronicos (não venereos), mas nos casos agudos, que são menos perigo- sos. Com tudo elles conseguião isto por tão penosos rodeios, e muitas vezes tão imperfeitamente, que não se podia dizer que fossem devedores de sua cura á influencia de uma arte branda nos seus processos. Nas circunstancias em que o perigo nada tinha de urgente, umas vezes satisfazião-se com reprimir as moléstias agudas com emissões sangüíneas, ou supprimindo um de seus principaes symptomas por meio de um paliativo enantiopathico, outras vezes também as suspendião com ir- ritantes e revulsivos applicados sobre pontos não affectados até que o curso de sua revolução natural se completasse, isto he XVI oppunbão-lhes meios afastados produzindo uma depreciação de forças c de humores. Obrando assim , a maior parte do que era necessário para dissipar inteiramente a moléstia c repa- rar as perdas sofridas pelo doente ficava para ser feito pela força conservadora da vida. Esta tinha então de triumphar tan- to do mal agudo natural como das conseqüências do tratamento mal dirigido. Era ella que em certos casos, designados somente pelo acaso, tinha de desenvolver sua própria energia para trazer as funcções a seu rhythmo ordinário, o que ella não conseguia sem custo, nem completamente, e nem sem accidentes de na- tureza diversa. He duvidoso que este methodo, seguido pela medicina da escola nas moléstias agudas abrevie ou facilite realmente o tra* balho a que a natureza se deva dar para conseguir a cura, pois que nem a allopathia nem a natureza podem obrar direc- tamente, pois que os methodos dirivativo e antagonista não são próprios senão para atacar mais profundamente o organismo, e produzir maior perca de forças. A antiga escola tem ainda outro methodo de curativo, he o que ella chama excitante e íortificante, e que procede com substancias chamadas excitantes, nervinas, tônicas, conforta- tivas. Admira que ella fique vaidosa de tal methodo. Chegou ella jamais a dissipar a fraqueza que produz, que entretem ou augmenta tantas vezes uma moléstia chronica prescrevendo vinho do Rheno ou de Tokay? Não podendo es- te methodo curar a moléstia chronica, origem dessa fraqueza, as forças do doente diminuião tanto mais quanto mais vinho se lhe fazia tomar, por que aos excitantes artiíiciaes a força vi- tal oppunha o abatimento na reacção. Vio-se jamais a quina, ou as tantas substancias que temo nome collectivo de amargos, restabelecer as forças nestes ca- sos tão freqüentes? Estes produetos vegetaes, que se pretendia serem tônicos e fortificantes em todas as circunstancias, não tinhão elles, assim como as preparações marciaes, a preroga- tiva de addicionar muitas vezes novos malles aos antigos, em conseqüência de sua acção morbifica própria, sem poder fazer cessar a fraqueza depente de antiga moléstia desconhecida? Osunguentos nervinos e os outros tônicos espirituosos e balsamicos terão diminuído jamais de uma maneira durável, ou mesmo somente instantânea a paralysia incipiente de um braço ou de uma perna, que procede, como tantas vezes acon- tece, sem que esta haja sido curada? As commoções elétricas e galvanicas tiverão já outro resultado que não fosse, em taes circunstancias, tornar pouco a pouco mais intensa, e final- mente completa a paralysia da irritabilidade muscular e da excitabilidacle nervosa? XVII Os excitantes e aphrodisiacos tão elogiados, o âmbar, a tin- tura de cantharidas, o cardamomo, acanella e a baunilha não acontece acabarem constantemente por converter n'uma im- potência completa o enfraquecimento gradual das faculdades viris cuja causa he um miasma chronico desapercebido? Como podem blasonar de uma acquisição de força e de ex- citação que dura algumas horas quando o resultado que se se- gue conduz ao estado contrario segundo as leis da natureza de todos os paliativos? O pouco beneficio que cs excitantes e fortificantes fazem ás pessoas tratadas de moléstias agudas segundo a escola antiga lie mil e mil vezes sobrepujado pelos inconvenientes que delles resultão nas moléstias chronicas. Quando a antiga medicina não sabe como haver-se nas mo- léstias chronicas usa ás cegas de medicamentos que designa pelo nome de alterantes. Recorre aos rnercuriaes, aos calome- lanos, ao sublimado corrosivo, ao unguento mercurial, terrí- veis meios que ella mais que tudo estima, até mesmo nas molés- tias não venereas, e qua administra com tanta prodigalidade, que ella deixa obrar por tanto tempo sobre o enfermo que a saúde finda por se arruinar sem remédio. Ella assim opera grandes mudanças, mas estas não são jamais favoráveis, e cons- tantemente a saúde he destruída sem recurso por um metal pernicioso no mais alto gráo todas as vezes que não for admi- nistrado a propósito. Quando em todas as febres intermittentes epidêmicas, mui- tas vezes reinandopor largo espaço, ella prescreve altas doses de quina, que não cura homceopathicamente senão as verda- deiras febres dos charcos, adniittindo que a psora não se oppo- nha, ella dá uma prova palpável de seu proceder leviano e in- considerado pois que estas febres affectão caracter differente, por assim dizer, todas as vezes que se manifestão, e portanto reclamão quasi por cada vez também outro remédio homceopa- thico do qual pequena dose, única ou repetida basta para as curar radicalmente em alguns dias. Como estas moléstias reap- parecem por accessos periódicos, como a antiga escola não via mais que o typo em todas as febres intermittentes, como em fim ella não conhecia, e não queria conhecer outro febrifugo senão a quina, imaginava que para curar estas febres lhe bas- tava extinguir o typo por doses accumuladas de quina ou de quini- na, o que o instineto irrefletido, mas agora bem inspirado, da força vital procura impedir ásvezesdurante mezes inteiros. Mas o doente, enganado por este tratamento falaz, depois que se lhe tem supprimido o typo de sua febre, jornais deixa de ter sofrimentos mais fortes do que os da mesma febre. Fica asthmatico, seus xvm hypocondrios parecem cingidos por uma atadura, perde o ape- tite, seu somno jamais he calmo, não tem força nem coragem, inchão-lhe ás vezes as pernas, o ventre, o rosto, as mãos. As- sim deixa o hospital, curado, como pretendem, e muitas vezes um tratamento homceopathico trabalhoso por annos he neces- sário não para lhe restabelecer a saúde, mas somente para li- vra-lo da morte. A antiga escola fica vaidosa de chegar a dissipar por algu- mas horas o torpor de que ?ão acompanhadas as febres nervo- sas, empregando a valeriana que em tal caso opera como meio antipathico. Mas como o resultado he passageiro, como ella he obrigada a augmentar suecessivamente a dose de valeriana pa- ra reanimar o doente por alguns instantes, não tarda em ver as mais fortes doses não produzirem o resultado que espera, emquanto a reacção determinada por uma substancia, cuja im- pressão estimulante não passava de um ligeiro effeito primitti- vo, paralysa inteiramente a força vital, e vota o enfermo a uma morto próxima, que semelhante tratamento chamado racional torna inevitável. E comtudo a escola não vé que mata decidi- damente em tal caso, e não attribuc a morte senão á maligni- dade da moléstia. Um paliativo talvez mais temivel ainda he a digital purpu- rea de que a escola se mostra tão zelosa quando quer afrouxar o pulso nas moléstias chronicas. A primeira dose deste pode- roso agente, que opera como enantiopatbico. diminue segura- mente o numero das pulsações arteriaes por algumas horas; mas o pulso não tarda em recuperar a sua velocidade. Aug- menta-se a dose para obter que elle se afrouxe ainda alguma cou- sa, o que tem lugar com effeito até que doses cada vez maia fortes nada operem neste sentido, e que durante a reacção, que se não pode impedir, a ligeiresa do pulso venha a ser maior do que antes do emprego da digital: o numero das pul- sações augmenta então a tal ponto que não se podem contar, o doente perde o appetite, tem perdido todas as suas forças, e numa palavra torna-se um cadáver. Nenhum destes que as- sim se tratão escapa â morte, senão para ficar presa de uma mo- léstia incurável. Eis aqui como o allopathista dirigia seus tratamentos. Mas os doentes erão obrigados a submetter-se a esta triste necessida- de, porque nada melhor encontravão n'outros médicos, tendo todos bebido a mesma instrucção na mesma fonte impura. As causas fundamentaes das moléstias chronicas não veno- reas, e os meios capazes de as curar ficavão desconhecidos para estes práticos, que se pavoneavão de suas curas dirigidas, se- gwiido elles, contra aa causas e do cuidado que dizião ter tido XIX de piescrutar nos seus diagnósticos a fonte destas affecções. Como terião elles podido curar o numero immenso das mo- léstias chronicas com seus methodos indirectos, imperfeitos, e perigosas imitações dos esforços de uma força vital autho- matica, que não são destinados para guia de conducta em medicina? Elles olhavão o que acreditavão ser o caracter do mal eom« causa da moléstia, e assim dirigião suas pretendidas curas ra- dieaos contra o spasmo, a inflamação (plethora) a febre, a fraqueza geral e parcial, a pi tuita, a podridão, as obstruções, Ac. , que imaginavão afugentar por meio de seus antispasmodicos, antiphlogisticos, fortificantes, excitantes anticepticos, funden- tes, rcvulsivos, dirivativos, evacuantes, e outros meios antago- nistas, que nem mesmo conhecião senão superficialmente. Mas indicações tão vagas não bastão para achar remédios que prestem verdadeiro soccorro, muito menos na matéria medica da antiga escola, que se basea ern simplices conjectu- ras, e cm conclusões tiradas dos cfléitos obtidos nas moléstias. Procede-se também ao acaso quando levado por indicações mais hypoteticas ainda, se opera contra a falta ou superabun- dancia de oxigênio, de azoto, de carbono ou de hydrogenie nos humores, contra a exaltação ou diminuição da instabilida- de, da sensibilidade, da nutrição, da arterialidade, da venosi- dade, ou de capilaridade, contra a asthenia &c. , sem conhe- cer nenhum meio de attinguir a estes fins tão fantásticos. Eis o que he ostentação. Eis abi curas mas em pura perda dos en- fermos. Mas até mesmo a apparencia de tramento racional desappare- ce no uso consagrado pelo tempo, e mesmo erigido em lei, de miBturar substancias medicamentosas difíerentes para consti- tuir o que se chama uma receita ou formula. Colloca-se em pri- meiro lugar nesta formula, e debaixo da denominação de base um medicamento que não he por isso melhor conhecido por seus effeitos medicinaes, mas que se acredita dever vencer o ca- racter principal attribuido á moléstia pelo medico, ajunta-se- Ihe como coadjuvantes uma ou duas substancias não menos desconhecidas na maneira porque alTectão o organismo, o que são destinadas ou a preencher alguma indicação accessona, ou a corroborar a acção da base; depois ajunta-se-lhe um preten- dido correclivo , de que não melhor se conhece a virtude me- dicinal propriamente dita; mistura-se tudo fazendo ainda en- trar algum xarope ou alguma agoa destilada possuindo igual- mente suas propriedades medicinaes à parte, e imagina-se que cada um dos ingredientes desta mistura representará no corpo » papel que lhe foi destribuido pelo pensamento do medico, XX sem se deixar perlubar nem conduzir mal pelas outras cousas que o acornpanhão, o que rasoavelmente não he de esperar. Um destes ingredientes destroe o outro cm totalidade ou em parte na sua maneira de obrar, ou lhe dá assim como aos ou- tros urn novo modo de acção em que se não tinha pensado, de sorte que o elTeito com que se contava não tem lugar. Muitas vezes vem o inexplicável enigmadas misturas que senão esperava nem poderia esperar, nova modificação da moléstia, que se- não percebe senão pelo tumulto de symptomas, mas que se torna permanente quando he prolongado o uso da receita, e por conseqüência uma moléstia factícia que se acldiciona á moléstia original, uma aggravação da moléstia primittiva; ou se o doente não usa por muito tempo da mesma receita, se se lhe dá outra ou outras compostas de ingredientes diversos. -* resulta ao menos o augmento de fraqueza , porque as substan- cias prescriptas em tal sentido tem pouca ou nenhuma relação directa com a moléstia primittiva, e não fazem senão atacar os pontos sobre que a moléstia menos inllue. Mesmo quando a acção de todos os medicamentos sobre o corpo humano fosse conhecida (e o medico que formula a re- ceita não conhece muitas vezes nem a da centésima parte del- les) o misturar muitos, sendo alguns já mui compostos, c deferindo cada um na sua energia especial, fazer tomar ao doente esta mistura inconcebível em doses copiosas e muitas ve- ^ zes repetidas, e pretender comtudo inculcar que se espera um elTeito curativo determinado, isto he o maior absurdo que re- volta qualquer homem sem prevenções e acostumado a reflec- tir. O resultado está naturalmente em contradicção com o que se espera tão positivamente. Muitas alterações na verdade so- brevôm; mas uma só não ha que seja bòa, nem conforme ao fim proposto. Fora curioso saber a qual destas manobras imprimidas ás cegas ao corpo do enfermo se pretenderia dar o nome de cura. Não se deve esperar cura senão do resto de força vital en- ferma depois de se haver trazido esta força ao rhythmo nor- mal de sua actividade por um medicamento apropriado. Em vão se lisongearião de isto obter extenuando o corpo segundo os preceitos da arte. Comtudo a antiga escola não sabe oppõr ás affecções chronicas senão meios próprios a martyrisar os en- fermos, esgotar os humores e as forças, encurtar a vida! Pode- rá ella salvar quando destroe? Merecerá titulo de arte de cu- rar? Ella opera, lege artis, da maneira mais opposta a seus fins, e podia-se pensar que de propósito ella faz precisamente o contrario do que seria necessário fazer. Poder-se-ha ella exal- tar? Deverá sofrer-se por mais tempo? XXI Modernamente se excedeo ella na crueldade com os doentes, e no absurdo de suas acções. Todo o observador imparcial, e os próprios médicos sahidosdo seu seio, Kruger-Hansan, devião n'isto convir, e se virão constrangidos pela consciência a con- fessa-lo publicamente. Era tempo de que a sabedoria do divino Creador e conser- vador dos homens desse fim a estas abominações, e que fizesse apparecer uma medicina inversa, que em lugar de esgotar os humores e as forças por meio de emeticos, e purgantes, banhos quentes, sudorificos ou sialagogos, derramar o sangue indis- pensável á vida, torturar com meios dolorosos, ajuntar cons- tantemente novas moléstias ás antigas, e tornar estas incuráveis pelo uso prolongado de remédios heróicos desconhecidos na sua acção, n'uma palavra jungir os bois atraz do arado , e abrir desapiedadamente um largo caminho á morte, poupasse quanto possível as forças do enfermo, e as conduzisse tão suave como promptamente a uma cura durável, por meio de um pe- queno numero de agentes simples perfeitamente conhecidos e administrados em doses minimas. Era tempo de apparecer a houwopathia. EXEMPLOS DE CURAS H0M0E0PATHICAS OPERADAS INVOLUNTA- RIAMENTE POR MÉDICOS DA ANTIGA ESCOLA. A observação, a meditação e a experiência me fizerão des- cobrir que o inverso dos preceitos delineados pela allopathia, a marcha a seguir para obter verdadeiras, suaves, prornptas, certas e seguras curas, consiste em escolher, em cada caso individual de doença , um medicamento capaz de produzir por si mesmo uma affecção semelhante á que se quer curar. Este methodo homceopathico ensinado por ninguém tem sido e tão pouco praticado antes de mim. Porém, se elle só he conforme áverdade, como cada um se poderá disso convencer comigo, deve-se esperar, apesar de que por tão longo tempo se te- nha conservado desconhecido, que cada século offereça d'el- le vestígios palpáveis (1)- He na realidade o que acontece. Em todos os tempos as doenças que forão curadas de uma maneira real, prompta, durável e manifesta, por medicamentos, e que não deverão sua cura ao que se tem descuberto, a não !l\ Porque a verdade he eterna como a divindade. Os homens a poderião desprezar por mui- to tempo, porém «heça rm tira o momento em que, para o cumprimento dos decretos da Providen- cia, sens raios penetrão a nuvem das preoccupa<;ões, e espalhão sobre o gênero human» um rUrão bemfazejo, qne nada para » fucturo pôde extinguir xxn ser alguma outra circunstancia favorável, a que a deença agu- da tenha terminado sua revolução natural, ou em fim a que as forças do corpo tenhão recobrado gradualmente a preponde- rância durante um tratamento allopathico ou antipathico, (por que ser curado directamente differe muito de ser curado por uma via indirecta), estas doenças, repito, cederão ainda mes- mo sem o saber do medico a um remédio homceopathico, isto he, tendo o poder de suscitar por si mesmo um estado mor^ bido, semelhante áquelle, que se quer destruir. Até mesmo nessas verdadeiras curas obtidas por meio do me- dicamentos compostos, cujos exemplos são a'ias bem raros não se tem deixado de reconhecer que o remédio cuja acção do- minava a dos outros era sempre de natureza homccopathica. Porém esta verdade apresenta-se-nos ainda mais evidente em certos casos em que os médicos, violando ouso que só admit- te misturas de medicamentos formulados, sob a fôrma de re- ceitas, curarão promptamente com o soecerro de um medica- mento simples. Yê-se então com surpreza, que a cura foi sem- pre o effeito de uma substancia medica, muito capaz de produ- zir uma aíTecção semelhante á de que o doente era atacado, ainda que o medico ignorasse o que fazia, e assim não obrasse senão por um instante esquecido dos preceitos de sua escola. Dava um remédio, quando a therapeuthica adoptada lhe teria prescrip- to que administrasse exactamenteo contrario, e era por isto so- mente, que seus doentes se curavão com promptidãe. Eu vou referir aqui alguns exemplos d'essas curas homceo- pathicas, que achão sua interpretação clara e exacta na doutri- na hoje reconhecida e existente da homoeopathia, porém, que não he necessário encaral-a como argumento, em favor desta ultima, visto que ella não tem necessidade nom de apoio, nem de sustento. (2) Já o autordo tratado das epidemiasattribuido a Hyppocrates, fallou d'umachol<;ra-morbus rebelde a todos os remédios, e que elle a curou unicamente por mei® do helleboro branco, subs- tancia que todavia excita por si mesma a cholera, como o vi- rão Foreest, Ledel, Reimann e muitos outros. O suormalignoinglezque pela primeira vezse manifestou em 148o, e que mais matador do que a mesma peste, arrebatava inçontinente na presença de Willis noventa e nove doentes so- tt) Se nos casos qne se vão referir, as doses de medicamentos excederão á que prescreve a medicina homoeopathica, deve natural ir ente s»s doentes morrer, não da doença, mas sim do remed;o. No entanto que pode mui hem acontecer que haia mais d'um gráo ou d'uma espécie de hydrophobia e de raiva, e que por con equencia segundo a diversidade dos symptoma», o remédio homocopathi- co mais conveniente srja o m;imeradio e ás vezes também o stramonio. '2) Simplesn.ente por conjectura se tem honrado a belladona collocando-a vo" numero dos remédios da gotta. A doença que direito tivesse de arrogar a si o nome de gotta por jamais se curaria co™ ella. XXIX mui análogas á epilepsia, como se acha indicado nas obras d'E. Camerarius, C. Seliger, Hunerwolf, A. Hamilton. Plan- ehon, Da Costa e muitos outros. Fothergill, Stoerck, Hellwig, Ofterdinger empregarão o mei- mendro com suecesso em certos casos de alienação mental. Porém elle seria mais bem indicado por um maior numero de médicos, se não se tivesse emprehendido curar com seu soccorro outras alienações mentaes, como aquellas que tem analogia com a espécie de desvario stupido, a qual Van Hel- mont, Wedel, J. G. Gmelin, Laserre, Hunerwolf, A. Hamil- ton, Kiernander, J. Stedmann, Tozzetti, F. Faber eWendt vi- rão resultar pela acção desta planta sobre aeconomia. Reunindo-se os effeitos que estes últimos observadores virão v produzirão meimendro, forma-se a idéa d'uma hysterica alcan- çada já em um alto grão. Ora, nós achamos em J. A P. Ges- sner, em Stoerck e nos actos dos curiosos da natureza, que uma hysterica que tinha muita semelhança com aquclla foi curada pela applicação desta planta. Schenkbecher não conseguiria curar uma vertigem que já durava vinte annos, se este vegetal não possuísse em um alto gráo a faculdade de produzir geralmente um estado análogo, assim como certificão Hunerwolf, Blom, Navier, Planchon, Sloane, Stedmann, Greding, Wepfer, Vicat e Bernigau. à Maycr Ábramson atormentava desde muito tempo um ma- níaco cioso, com remédios que nenhum effeito produzião so- bre elle, porém logo que lhe fez tomar, a titulo de soporifico o meimendro, alcançou uma cura rápida. Se elle souloesse que esta planta excita o ciúme e manias nos indivíduos sãos, e se conhecesse a lei homceopathica, única base natural da thera- peutica, certamente que de principio o teria administrado com toda a segurança, e evitado por este meiocançar o doente com remédios que não sendo homceopathicos, não lhe devião ser- vir d'utilidade alguma. As formulas complicadas que Hecker poz em pratica, com o mais notável suecesso, em um caso de constricção spasrno- dica das palpehras, tonar-se-hião inúteis se um acaso feliz não fizesse entrar nellas o meimendro, que segundo a opinião de Wepfer provoca uma affecção análoga entre osindividuossadios. Withering, não menos conseguio triurnphar d'uma cons- tricção spasrnodica do pharynx, com impossibilidade de engu- lir, senão no momento em que administrou o meimendro, cu- jaacção especial consiste em determinar uma constricção spas- rnodica da garganta, com impossibilidade de executar a de- glutição, effeito este que Tozzetti, Hamilton, Bernigau, Sau- vages e Hunerwolf observarão produzir elle em alto gráo. XXX Como seria possivel que a camphora fosse tão salutar assim como o pretende o veridico Huxham nas febres chamadas ner- vosas lentas, onde o calor he in»nos intenso, a sensibilidade embotada o as forças geraes consideravelmente diminuídas, se o resultado de sua acção immediata sobre o corpo não fosse a manifestação d'um estado semelhante em todo o sentido áquel- le, assim como G. Alexander, Cullen e F. Hoffinann obser- varão? Os vinhos generosos tomados em pequenas doses curão ho- ínccopaticamente a febre inflamatoria pura. C. Crivellati, H. Augenius, A. Mond^lla e dous anonymos, colherão delle to- das as provas. Já Asclepiedes tinha curado uma inflamação do cérebro por meio d'uma pequena dozede vinho. Um delí- rio febril acompanhado duma respiração stertorosa, as«eme- Ihando-se á embriaguez profunda que o vinho produz, foi cu- rado em uma só noite por vinho que Rademacher fez o dovnte beber. E será possivel desconhecer-se aqui o poder d'uma irri- tação medicinal análoga? Uma forte infusão de chá oceasiona ás pessoas qua não estão habituadas a uzar delle palpites de coração e anxiedade; do mesmo modo que, tomada em pequenas doses, he ella umex- cellente remediocontra estes mesmosaccidentes provocados por outras causas assim como G. L. Rau o observou. Um estado semelhante á agonia, no qual o doente soffria convulsões que lhe tiravão os sentidos e que se alternavão com accessos de respiração spasrnodica e soíTreada, ás vezes também suspirosa e stertorosa, acompanhadas d'um frio glacial na cara e no corpo, com lividez dos pés e das mãos e fraqueza do pulso, (estado inteiramente análogo á maior parte dos accidentes que Schweikert e outros virão resultar da acção do ópio) foi im- mediatamente tratado sem suecesso algum por Stulz com o alcali, porôm curado ao depois rapidamente por meio do ópio. Quem não conhece aqui o methodo homceopathico applicadc, sem o saber daquelle que o emprega? O ópio também pro- duz segundo nos referem Vicat, J. C. Grimm e outros, uma forte e quasi irresistível tendência para o somno, acompanha- da de abundantes suores c de delirios. Foi est.? o motivo de OsthoíT não o administrar cm uma febre epidêmica que apre- sentava symptomas mui análogos; e porque o systema cujos princípios seguia prohibião-lhe lançar mão delle em igu.nl cir- cunstancia. No entanto depois de ter esgotado inutilmente todos os remédios conhecidos, e ju'gando seu doente em esta- do de morrer, lançou mão pelo acaso d'um pouco de ópio cujo effeito foi muito saudável, c cíléctivamente o devia ser avista da lei eterna da homceopathia. J. Lind, igualmente confessa XXXI íjue o ópio prevoca peso de cabeça com calor na pelle, e ma^ nifestoção difficil de suor, que a cabeça se desembaraça, o calor ardente da febre desapparece, a pelle se amacia e um suor abundante banha a superfície. Porém, Lind não sabia que este eíleito saudável do ópio, resulta de que, em despeito cios axiomas da escola, esta substancia tema propriedade de pro- duzir no indivíduo são symptomas mórbidos mui análogos a estes. Comtudo tem se encontrado médicos na opinião dos quaes esta verdade tem passado como um relâmpago, porém, sem fazer suspeitar mesmo da lei homoeopathica. Alston diz que o ópio he um remédio escandecente, certamente que não o he menes para moderar o mesmo calor quando elle já exista. De Ia Guerenne, administrou o ópio n'uma febre acompanha- da d'uma violenta dur de cabeça, de tensão e dureza do pulso, de seccura e aspereza na pelle, de calor ardente, e finalmente de suores debilitantes,cuja appariçâo difficil era continuamente interrompida pela agitação extrema do doente. Este remédio produzio bom effeito; porém De Ia Guerenne não sabia que, se d'applicação do ópio lhe tinha apparecido este resultado, he porque elle possue a faculdade de produzir um estado febril inteiramente análogo nas pessoas que gozão d'uma perfeita saúde, assim como o reconhecerão muitos observadores. Em uma febre soporoza onde o doente privado da falia, estava es- tendido com os olhos abertos, os membros rijos, o pulso pe- queno e intermitlentc, a respiração opprimida, e stertorosa, symptomas perfeitamente semelhantes aos que o ópio pode excitar, segundo o referido por Delacroix , Rademacher, Crumpe, Pyl, Vicat, Sauvages e muitos outros, esta substancia foi a única que C. L. Hoffmann vio produzir bons effeitos que naturalmente todos forão um resultado homceopathico, Wirthenson, Sydenham e Marcus, conseguirão curar febres Ic- thargicas por meio do ópio. A lethargia da qual de Meza ob- teve a cura não pude ser vencida senão por meio desta subs- tancia, que em taes casos obra homceopathicamente, visto que ella só por si oceasiona a lethargia. O mesmo autor depois de ter por muito tempo atormentado por meio de remédios im- próprios ao seu estado, isto he, não homceopathicos, um ho- mem atlacado d'uma moléstia nervosa pertinaz, cujos prin- cipaes symptomas erão insensibilidade e adormecimento dos braços, coxas, e baixo-vente, C. C. Mathaei a curou finalmen- te por meio do ópio; o qual segundo nos referem Stulz, J. Young, e outros , tem a propriedade de excitar por si mesmo accidentes semelhantes d'uma grande intensidade, e que por conseguinte , como cada um vé, não alcançou a eura ne??a oceasião senão pela via da homoeopathia: por- XXM1 que l«i se effectuou a cura d'uma lethargia datando já de muitos dias, a qual Hufeland conseguio por meio do ópio, a não ser pela da homoeopathia que se tem desconhecido até agora? Uma epilepsia que só se declarava durante o soinno do doente, de Haen reconheeeo que este somno não era natural mas sim uma somnolencia lethargica, inteiramente semelhan- te aquella que o ópio suecita entre os indivíduos sadios; e só foi por meio de ópio que elle o transformou em soinno saudá- vel e verdadeiro, e ao mesmo tempo livrou o doentw da epilep- sia. Como seria possivel que o ópio, que, como todos o sabem, he de todas as substancias vegetaes, aquella cuja applicação em pequenas doses produz a mais forte e pertinaz constípaçno, fosse entretanto um dos remédios infalliveis nas constipações as quaes põe a vida do doente em perigo, senão fosse em vir- tude da lei homoeopathica tão desconhecida, isto he, se a na- tureza não tivesse destinado medicamentos para vencer as doenças naturaes por uma acção especial de sua parte, a qual consiste em produzir uma aíTecção análoga? Este remédio cuja primeira impressão he tão poderosa para comtipar o ventre, Tralles reconheeeo também nelie o único meio de sal- vação n'um caso que inutilmente elle tinha tratado até abi por evacuantes e outros meios impróprios á circunstancia. Lenti- Iius e G. W. Wedel, Wirthenson, Bell, Heister e Ríchter veri- ficarão a efficacia do ópio, administrado mesmo só, ne ta mo- léstia. Bohn se convenceo também por experiência que os opiados podião só por si desembaraçar o ventre na eólica cha- mada miserere ; e o grande F. Hoffmann, nos casos mais pe- rigosos deste gênero, se servia do ópio combinado com o licor anodino. Todas as theonas contidas nos duzentos mil volumes que pesão sobre a terra, poderião ellas nos dar uma explica- ção racional deste facto e de outros semelhantes, quando el- las são inteiramente estranhas á lei theraupetica da homoeopa- thia? São suas doutrinas que nos levão á descoberta desta lei natural, tão francamente exprimida em todas as curas ver- dadeira?, rápidas e seguras, saber que quando se applicãoos medicamentos no tratamento das doenças, he necessário tomar por guia a semelhança dos effeitos que elles produzem no ho- mem são com os symptomas destas affecções? Rave e Wedekind suspenderão metrorrhagias inquietantes por meiodasabina, plvnta que,como todos sabem, determina he- morrhagias uterinas e por conseqüência o aborto nas mulhe- res sadias. Poderá desconhecer-se neste caso a lei homceopa- thica, a que prescreve curar similia similibus? O almiscar seria quasi especifico nas especieis de asthma spasrnodica ás quaes se tem chamado de Millard, se elle não XXX11I tivesse por si mesmo a propriedade de occasionar sufíbeações spasmodicassem tosse como observou F. Hoffmann ? He possivel que a vaccina preserve da bexiga de outra ma- neira que não seja homccopathicamcnte ? porque sem fallar de maiores faclos de semelhança que existem muitas vezes en- tre estas duas doenças, ellas tem de commum, que só se po- dem manifestar uma só vez no curso da vida, que deixão cica- trizes igualmente profundas, quo determinão ambas a entu- mescencia das glândulas axillares, uma febre análoga, uma vermelhidão inflamatoria ao redor de cada borbulha, e final- mente a ophthalmia e as convulsões. A vaccina destruiria tam- bém as bexigas que arrebentassem, istohe, curaria essa aíTecção já existente, se as bexigas não prevalecessem sobre ella em inten- > sidade. Só lhe falta pois para produzir este effeito, o excesso de energia que conforme a lei natural deve coincidir com a se- melhança homoeopathica para que a cura possa effectuar-se. A vaccina considerada como meio homceopathico não pode ter efficacia senão quando se a emprega antes de apparecer no corpo as bexigas, as quaes são muito mais enérgicas do que ella. Desta maneira ella provoca uma doença mui análoga ás bexigas, e por conseguinte homceopathico, depois de seu curso, o corpo humano que em geral não pode ser atacado se não uma só vez d'uma semelhante moléstia, acha-se para o fu- ^ turo ao abrigo de qualquer contagio semelhante. (1) Todos sabem que a retensão de ourina he um dos acciden- tes mais ordinários e mais peniveis que produzem as canthari- das. Este ponto foi suflicientemente explicado por J. Camera- rius, Baccius, Fabrico de Hilden, Foreest, J. Lanzoni, Yan- der "\Yiel e Werlhoff. As cantharidas administradas interna- mente com cautella, devem por conseqüência ser um remédio homceopathico muito saudável nos casos análogos de dysuria dolorosa. Ora effectivamente ellas o são. Sem nomear todos os médicos gregos que em lugar da cantharida empregavão o lUdoe cichorü de Fabricius, nomearei tão somente Fabri- ce d'Aquapendente, Capo di Yacca, Riedlin,Th. Bartholin, Young, Smith, Raymond , de Meza, Brisbane e outros que perfeitamente curarão com cantharidas ischurias muito doloro- sas que não provinhão de obstáculo algum mechanico. Syde- nham vio este meio produzir os melhores effeitos cm casos do mesmo gênero; e por isso a gaba muito, e de boa vontade a teria empregado , se as tradicções da escola crendo-se (1) Esta cura homoeopathica anticiivda (que se chama preservação ou prophvlaxia) ms parece possivel também em alguns outros ca ".os. Do mesmo modo imaginamos, t|ur n c - MilVe pulverizado, sobre o corpo be um prrs-.-rvativo da sr.rmi dos operários que trabalhão na I", e que tomnrlo-st» uma dose Jc bci!adona. tãn Ira.v <;iianto p-iM.ive], tica-se li\rc ra ao de- pois mais esclarecida por Stevogt, Molitor, Zacobi, J. C. Ber- nhardt, Jnugken, Fauve, Brera, Darwin, May, Jachton e Fow- ler, se elle não estivesse fundado sobre a faculdade de provocar a febre que assignalarão quasi todos os observadores inimigos dessa substancia, em particular Amatus Lusitanus, Degner, Buchholz, Heun e Knap? Podemos acreditar em E. Alexander, quando diz que o arsênico he um soberano remédio contra a angina de peito, visto que Tachenius, Guilbert, Preussius, Thilenius e Pyl o virão determinar uma forte oppressão de peito, e Griselius uma dyspsia a ponto de suíTocar, e finalmente Maujautl, sobre todos, accessos de asthma provoevdossubiíamen- te pelo andar e acompanhadosd'uma grande prostração de forças. As convulsões que determinão o cobre, e segundo Tondi, Rarnsay, Fabas, Pyle eCosmier, o uío de alimentos carregados de partículas enr de cobre, os reiterados ataques de epilepsia xxxn que apparecerão, debaixo das vistas de J. Lazerme, a introdu- ção duma moeda de cobre no estômago, e das de Pfundel, a ingestão do sal ammoniaco côr de cobre nas vias digestivas, explicãosem difficuldade alguma aos médicos que não se que- rem dar ao trabalho de reflectir, como o cobre poude curar a pechoria, no testemunho de R. Willan, de \Yalcker, de Tues- sinck e de Delarive, como as preparações de cobre tem conse- guido tão repetidas vezes, a cura da epilepsia, assim como o attestão, os factos referidos por Batty, Baumes, Bierling, Boer- haave, Gansland, Cullen, Duncan, Feuerstein, Heveliws, Lieb, Magennis, C. F. Michaelis, Reil, Russel, Stisser, Thile- nius, Weissmann, Weizenbryer, Whithers e outros Se Poterius, Wepfer, F. HoiTmann, R. A. Vogel, Thierry, e Albrccht, curarão com o estanho uma espécie de phlisica, uma febre hetica, catarros chronicos e uma asthma mucosa, he ' porque eítí metal tem de sua natureza própria, a propriedade de determinar uma espécie de phtisica, assim como Stahl já se tinha convencido. E como lhe teria sido possivel operar essa cura de males de estômago que Geischlaeger lhe attribue, se elle não poclesse por si mesmo produzir alguma cousa de semelhante? Ora, essa faculdade que elle gosa, o mesmo Geis- chlaeger e"Stahl antes verificarão. O terrível elTeito que o chumbo tem de occasionar uma cons- tipação pertinaz e mesmo a paixão iliaca, como a observarão Thunbcrg, Wilson, Luzuriaga e outros, não nos dá a enten- i der queeste metal possue também a virtude de curar estas duas affecçõcs? Porque elle deve, assim como todos os outros medi- camentos que existem, poder vencer e curar d'uma maneira estável, pelo poder que tem de excitar symptomas mórbidos, males naturaes com muita semelhança aos que elle gera. Ora Ange Sala curou uma espécie de iléus, cJ. Agrícola uma ou- tra constipação que punha a vida do doente em perigo, por meio d'applicaçã© do chumbo internamente. As pílulas satur- ninas, com as quaes muitos médicos, como Chirac, Yan Hel- mont, Naudeau, Pererius, Rivinus, Sydenham, Zacutus Lusita- nus, Bloch eoutros, curarão a paixão iliaca c a constipação inve- terada, não obrarião somente d'um modo mechanico e pot seu peso, por que se tal fosse a origem de sua efficacía, o oiro, cu- jo peso alcança sobre o do chumbo ter-se-bia mostrado preferi- Yel em semelhantes casos; porém elles obrarão principalmente como remédio saturnino interno, e curavão homosopathica- mente. Se Otton Tacbenius e Saxtorph antigamente curarão hypochondrias rebeldes por meio do chumbo, he necessário lembrarem-se que este metal tende por si mesmo a provocar affecções hypochondriacas, como se pode ver nadescripção que Luzuriaga dá de seos effeitos nocivos. XXXVII Não he de admirar que Marcus, curasse rapidamente uma inchação inflamatoria da lingoa e do pharynge, com a applica- ção do (mercúrio) visto que a experiência diária e mil vezes repetida de médicos, elle possue uma tendência especifica para resolvera inflamação e a entumescencia das partes inter- nas da boca, phenomcnos estes que elle mesmo occasiona com a simples applicação na superfície do corpo, debaixo da forma de unguento ou de emplastro, como o experimentarão Degner, Friese, Alberti, Engel e muitos outros. O enfra- quecimento das faculdades intellectuaes ( Swediauer ) , a embecilidade, (Degner), ea alienação mental, (Larrey), que se tem visto resultar do uso do mercúrio, reunidas á faculdade quasi especifica que se conhece nelle de provocar a saliva, ex- plicão claramente como G. Pcrfect conseguio curar d'uma ma- neira estável, com o mercúrio uma melancolia que se alter- nava com um fluxo de saliva. Porque razão os mercuriaes tem produzido tão bons efieitos applicados por Seelig, na an- gina acompanhada da scarlatinas e por Hamilton, Hoffmann, Marcus, Bush, Colden, Bailey e Michaelis em outras esqui- nencias de máo caracter? He evidentemente por que este metal suscita por si mesmo uma espécie de angina, a qual he das mais terríveis. (1) Não foi homoeopathicamente que Sauter curou uma ínflam- mação ulceroza da boca, acompanhada de aphtas e d'um alito fétido semelhante aquelle que apparece no ptyalismo, pres- crevendo gargarejos com a dissolução de sublimado, eque Bloch fez desapparecer aphtas na boca por meio de prepara- ções mercuriaes, visto que, entre outras ulceraçõesbocaes, esta substancia produz especialmente uma espécie d'aphtas, como Schlegel e Th. Acrey nos attestão? Hecker empregou com suecesso muitos medicamentos mis- turados em uma caria sobrevinda em conseqüência das bexigas. Por felicidade, entrava em todos estes mixtos o mercúrio, ao qual se suppoz que a doença podia ceder, visto que elle per- tence ao pequeno numero dos agentes medicinaes que tem a faculdade de provocar por si sós a caria, como provão muitos tratamentos mercuriaes exagerados, quer contra a sypmlis, quer mesmo contra outras doenças, como entre outras as de G. P. Michaeli?. Este metal, tão temível quando seu uso he prolongado, em razão da caria, que então elle se torna a causa íh Também se tem querido curar o cronp por meio do mercúrio, porém quasi sempre ten ' siTo malograi t" isento,, orque esse metal por si sô não P^.Jf^''"* "J™^ na mucosi da trach a-arteria uma mudança análoga a modificação par icularque esta doença hr noarecer O ficado de enxofre calcário que excita a tosse opprrmndo a respiração, e nnitoTais a[n,a colíò tenho verificado; a esponja queimada obrão d'uma man.ira muito màis hoaV.vopathica cm seus effeitos especiaes, e por conseguinte sao muito mais efficazes, pri!!cipa!iiifnte na* voais fraoas doses ptssiveis. xxxvm excitadora, exerce com tudo uma influencia homoeopathica extremamente saudável na caria que suecede nas lesões mecha- nicas dos ossos, da qual J. Lchlegel, Joerdcns e J. M. Muller nos transmittirão exemplos muito notáveis. Curas de carias não venereas d'um outro gênero, que forão igualmente conse- guidas por meio do mercúrio por J. F. G. Neu e .!. D. Metz- ger, fornecem uma nova prova da virtude curativa homoeopa- thica da qual esta substancia he dotada. Lendo-se as obras que se publicarão sobre a clectricidade medica, fica-se surprehendido da analogia existente entre os incommodos ou accidentes mórbidos que ás vezes este agente tem determinado, e as doenças naturaes compostas de sympto- mas inteiramente semelhantes, que elle tem conseguido a cura por homoeopathia. He immenso o numero dos autores que observarão a acceleração do pulso entre os primeiros effeitos * da electricídade positiva; porém Sauvages, Delas e Barellon virão paroxismos completos de febre que forão excitados pela electncidade. Esta faculdade que ella tem de produzir a febre, he a mesma a que se deve attribuir, que só ella tenha bastado a Gardini, Wilkinson, Syme e Wesley, para curar uma febre terçan, e também a Zetzel e Willermoz, para fazer desappare- cer as quarlans. Sabe-se também que a electricídade determina além disso, nos músculos, contracções que se assemelhão a movimentos convulsivos. De Sans, também podia, por sua influencia, pro- - vocar todas as vezes que lhe aprouvesse convulsões duráveis no braço d'uma menina. He em razão desta faculdade devolu- ta á electricídade que de Sans e Franklin a applicarão com suecesso no tratamento das convulsões, e que Theden alcançou por seu soccorro curar uma menina de dez annos, á qual um raio lhe fizera perder a falia e o movimento do braço esquerdo, dando tudo logar a um movimento involuntário continuo dos braços e das pernas, acompanhado d'uma contracção spasrno- dica dos dedos da mão esquerda. A electricidade igualmente determina uma espécie de sciatica, que Jallaber e um outro observarão: do mesmo modo elle pôde curar homoeopathica- mente esta affecção, como go verificarão Hivrtverg, Lovet, Ar- rigoni, Daboueix, Maudevyt, Syme e Wesley. Muitos médi- cos curarão uma sorte de ophtalmia pela electricidade, isto he, por meio do poder que esta ultima tem de provocar ella mes- ma inflamações nos olhos, o que resulta das observações de P. Dickson eBertholon. Finalmente ella tem curado varises, ap- plicada por Furcher, e deve esta virtude curativa a faculdade que Iallabert verificou-a, de fazer nascer tumores varicosos. Albers refere que um banho quente a cem gráos do ther- XXXIX mometro de Fahrenheit," acalmara muito activo calor d'uma febre aguda, em que o pulso batia cento e trinta vezes por minuto, e que elle reduzira a cento e dez. LofTer achou asfo- mentações quentes muito úteis na encephalite occasionada pe- la imolação ou acção do calor dos poélas, e Callisen, encara as effusões d'agoa quentQ sobre a cabeça, como mais efficaz de todos os meios na^ inflamação do cérebro. Se abstrahirmos casos em que os médicos ordinários apren- derão a conhecer, não por suas pesquizas, mas sim pelo empi- iismo do vulgo, o remédio especifico que permanece sempre semelhante á mesma doença e por conseguinte aquelle que com sua applicação elles podião cural-ad'uma maneira directa, como mercúrio na doença venerea cancroza, a arnica na doen- ça produzida pelas'contusões, a quinquina na febre intermit- tente de charcos, o enxofre em pó na sarna recentemente de- senvolvida, &c. ; se, repito, abstrahirmos estes casos, vemos que por toda a parte, sem quasi excepção alguma, os trata- mentos emprehendidos d'um modo tão idôneo pelos partidá- rios] da antiga escola, não tem tido por resultado senão ator- mentar os doentes, aggravar seu estado, conduzil-os mesmo ao túmulo e impor despezas ruinozas as famílias. Algumas vezes também um puro acaso os conduzia ao tra- tamento homceopathico; (1) porênr não conhecião a lei natu- fl) Como por exemplo,' elles crêm expellir da pelle a matéria da transpirarão, assim como elles dizem, detida nessa membrana depois dos resfriamentos, quando no meio do frio da febre dão a beber uma infusão de flores de sabugueiro, planta que tem a faculdade homoeopathica de fazer cessar uma febre semelhante e de restabelecer o doente, cuja cura he tanto mais prompta e mais segura, sem suor quanto maú pouco se beba delia e não se tome outra cousa. Cobrem de cataplasmas quentes e renovadas muitas vezes os tumores agudos e duros cuja inflamação excessiva lio acompanhada de insnpportaveis dores que não permittem a supu- ração declarar-se: debaixo da influencia deste tópico, a inflamação pouco tarda em desap- parecer, as dores diminuem, e o abeesso se debucha, como se reconhe e • pelo aspecto luzente da chaga, pela sua cór amarella e pela sua moleza. Crêm então elles ter amollecido o tumor pela humidade, em quanto que elles nada mais fizerão do que destruir homceopathicamente o excesso de inflamação pelo calor mais forte da cataplasma, e tornar assim possível a manifes- tação da supuração. Porque empregão elles com vantagem em algumas ophtalmias, o oxydo rubro de mercúrio, que faz a base da pommada Saint-Yves, e que a conceder-se a n«alquer substancia o poder de inflamar os olhos necessariamente elle também o devt possuir? He dit- ficil conhecer-se que em tal caso elles obrão homojopathicamente ? Como por meio do sum- ino da salsa se conseguiria um allivio instantâneo na dysuria tão freqüente nas crianças, e na çonorrbca ordinária principalmente reconhecível na dolorosa e inútil vontade de ounnarque aacompanhão, se ella não gozasse em si ra-sraa da propriedade de excitar nas pessoas sa- dias incommodos semelhantes e impossíveis de satisfazerem-se se por acaso ellenao obrasse hom(eopathicamente ? A raiz da saxifragia, que provoca uma abundante serreçao de mucus nos brônchios e na garganta, serve para combatter com suecesso a angina chamada muco- sa suspende-se algumas metrorrhagias psr meio d>ama pequena dose de folhas de sabina, que poY si mesmo possuem a propriedade de determinar metrorrhagias utennas: em todo caso cura-se sem conhecer alei homoeopathica. O ópio em pequenas doses, consiga o ventre, e no entanto que foi descoberto ser um dos principaes meios contra a constipação que acompanha esta descoberta tenha conduzido á da lei bo- •nte. Muitas vezes se t>m snspenomo a uiaimvi.» u..... ,i,.^«■»<"« "--------->.-■■■- resolve evacuações alvinas. Tem se curado a raiva por meio da belladona, que occasiona uma espécie de hvdrophobia. Tem se feito parar como por encantamento o coma, tao pe- •iloso nas febres "agudas, „or meio d'uma pequena dose de opm substancia dotada de virtudes escandecentes e entorpecentes. E avista de tantos exemplos que tao alto fallão, ■nnda se vèm médicos perseguirem a homoeopathia com um furor que nada mais pode an- num-iar do que o despertar dMmn consciência atormentada n'nm coração incapaz de cor- XL ral em virtude da qual ohrão-se e devem obrar-se as curas deste gênero. He pois da mais alta importância para bem da humanidade indagar como se lizerão essas curas tão notáveis por sua ra- ridade quanto admiráveis por seos effeitos. O problema he de grande interesse. Nós effectivamente vimos e os exemplos ci- tados bem claramente o demonstrão que todas essas curas se operarão com o soccorro de meios homceopathicos, isto he, meios que possuem a faculdade de provocar um estado mór- bido semelhante áquelle que se tratava de curar. Ellas forão operadas d'uma maneira prompta e durável por medicamen- tos sobre os quaes aquelles que os prescrevião estando em contradicção com todos os systemas e todas as therapcuticas do tempo, erão levados como por um acaso, muitas vezes mesmo sem saberem o que fazião e porque obravão de tal maneira, para confirmar desse modo por meio do facto e bom contra a sua vontade a necessidade da única lei natural na therapeutica, a da homoeopathia, lei que até hoje os precon- ceitos médicos tem feito com que elles se não entreguem em sua descoberta, apesar do numero infinito de factos e de in- dícios que devião guial-os. A mesma medicina domestica exercida por pessoas estra- nhas à nossa profissão, porém dotadas de juizo são e de espi- rito observador, acharão que o methodo homceopathico era o mais seguro, o mais racional e o que menos podesse falhar. Applica-se couve fermentada (choucroute) sobre os membros congelados ou se esfrega com a neve (1). (1) M. I.ux estabelecco sobre estes exemplos, tirados da pratica domestica, s u melliodn cu- rativo per idem (aeqttali aequalibus ), que elle designa pelo nome de hnpnthin, e que algumas cabeças excêntricas olhão já como o nee plus ultra da arte de curar, sem saber como poderão realisa-la. Porém se judiciosamente se julgão esses exemplos, a cousa apparece debaixo de um outro aspecto. As forças puramente physicas são d'uma outra natureza que as forças dynamicas dos medi- camentos em sua acção sobre o organismo vivo. O calor e o frio do ar ambiente, da água, ou dos alimentos e bebidas, não exercem por si sós uma influencia nociva absoluta sobre um corpo sadio. He uma das eondiçõís do sustento da sande, que o frio e o calor altemão um com outro, e por si sós não são medicamentos. Logo que elles obrem como meios curativos nas doenças do corpo, não he em virtude de sua essência, ou a titulo de substancias nocivas por si mesmas como são os medicamentos, mesmo nas mais pe- quenas doses; mas sim em razão de sua quantidade mais ou menos considerável, isto he do gráo da temperatura, da mesma maneira que para servir-me d'um outro exemplo nas forças pura- mente physicas, um maço de chumbo esmaga dolorosamente minha mão, não porque ella he de chumbo, visto que uma chapa delgada não produziria este effeito, mas sim porque ella em si encerra muito metal e he muito pesada. Sc pois o frio eo calor são úteis em certas affecções do corpo, taes como as congelações c as queimaduras, não o são mais do que em razão de seu gráo. Bem estabelecido isto vemos que, nos exemplos tirados da pratica domestica, não he a ap- plicação prolongada do gráo de frio a que o membro foi gelado quem o restabeleceo isopathica- mente,xisto que, longe disso, elle extinguiria a vida sem recurso, mas sim a d'um frio aproxima. ôo<\a.<\ne]\e(hom(ropathicamet)te),e levado gradualmente até uma temperatura snpportavel. Por- tanto, choueronte gelada que seapplicasobre um membro congelado, n'um aposento não tarda a se degelar, a tomar por gráos a temperatura do aposento, e acurar assim o membro d'uma manei- ra physicamente homoeopathica. Do mesmo modo, uma queimadura feita na mão pela água fiprvente. não se cura por meio da mesma a^aa, ma< somente pela acção d'uin calor um pouco menos activo, pela immersão do membro num liquido quente a sessenta grau1, cira ti-m- peratura abaixe a cada minuto até sto e um braço com gordura fervente. " O rosto que e.stav .mito vermelho c doloroso, foi coberto de óleo de terebentina alguns minutos depois do suei ml- quanto ao braço a do'-nte já o tinha mettido n'a:;oa fria, e bem depre: sn testemunhou a'nimas horas de- pois o eífoiío deste tratamento. No fim de sete horas o rosto estava melhor e a doente ali- via-la dessa parte. A respeito do braço que muitas vezes se tinha ívio-, ado o liquido vi- vas dores seíazião ressentir apenas se o ret.-ava d'agoa, e a inflamação claramente se tinba aiçsmentado. >• o dia seguinte eu vi cju> a doente tinba sentido grandes dores, que a inflama- ção se tinha estendido além do cotovelo, e que muitas empollas grossas tinhão arrebentado e loraiado c-;j!essas escavas sobre o braço e a mão qu- ao depois íòi coberta com uma eata- plasma quente. O rosto já pão cansava a menor sensação dolorosa; porém o braço foi neces- sário lançar mão dos emolientes para < nnsoonir a cura. " Quem não conhece em tal caso a immeiisa vantagem do tratamento bomoeopatbico, isto he de um a.gcele produzindo effeitos semelhantes aos do me;,,no mal, sobre o methodo antipatliico prtsciipto pela antiga escola? (I) J. Hnnter não he o único queassignala os graves resultados do tratamento das queima- dcivs por meio d'agoa fria. Fabiice de Ililden. (Dt comhnstionibiis tibellus, Bale, 1607, rapÉ V, p. li) igualmente assegura que as tòmentaçoes frias são muito nocivas nestas sortes de ac- cidentes, que produzem os mais terríveis etíe.tos como seja a inflamação, a supuração r as vezes a gangrena. (2) Zimmermaini (Da erptrieticit:. t. 11) nos refere que os .habitantes dos paizes quentes n-ão delia do iiies:iio modo com muito suecesso, e que elles tem por costume beber uma p .; :en;i q;,auCd.cle do licor espiritnoso quando se. sentem foi temente esquentados. ■:.'>) Vliiilei iiiteiirTin cit.-md» as passagens dos escriptoiçs q:ie siisiieitarão d.i bonioeopathia, nau In- Jirovar :\ < v"' !!c "cia flY.m u:ctb,,do que por si «' ma nitoia, mas sim de cao.tpar da cen.sHPa por deixar pav-ar estes prcssi uliuicntos para arrngar-ine » priori da idé.i xi.nt termina por fazer desapparecer uma dor muito análoga a que ella mesma provoca. Thoury attesta que a electricidade positiva por si mesma ac- edera o pulso, porem que também o retarda quando elle se acha muito alterado em razão da moléstia. StciTck descobrio qne o pommo espinhoso desaranjando o espirito e produzindo a mania nas pessoas sadias, mui provei- tozo seria administrado nos maníacos para lhes dar a razão de- terminando uma mudança na marcha de seus pensamentos. Porem de todos os médicos aquelle cuja convicção a este respeito se acha expressa mais formalmente he Danois Stahl que falia nestes termos: « A regra adoptada em medicina de « tratar as moléstias por meio de remédios contrários ou op- «. postos aos effeitos que elles produzem (contraria contrariis) « he completamente falsa e absurda. Estou persuadido do con- te trario, que as doenças cedem aos agentes que determinão « uma affecção semelhante [similia similibus), as queimadu- « ras pelo ardor d'um fogão ao qual se aproxima a parte, as « congelaçòes, pela applicação da neve e d'agoa fria, as infia- cc mações e as contusões, pelas dos espirituosos. He deste mo- (( do que tenho feito desapparecer a disposição ás azías por « mui pequenas doses d'acido sulphurico, em casos em que « inutilmente se tinha administrado uma immensidade de po- « ses absorventes. » Por tanto por mais d'uma vez elles se tem aproximado da grande verdade. Porem nunca se tem excedido cTalguma idéia passageira, e deste modo a indispensável reforma que a velha therapeutica devia soffrer para empregar a verdadeira arte de curar, a uma medicina pura e certa, só em nossos dias se tem podido instituir. ORGANON DE HAHNEMANN. 1. A primeira, a única vocação do medico he restabelecer a saúde dos enfermos: he o que se chama curar. •2. O bello ideal da cura consiste em restabelecer a saúde de huma maneira prompta, suave e durável; cm tirar, e des- truir a moléstia toda inteira pela via mais curta, mais segura o menos nociva, procedendo por inducções de fácil alcance. 3. Quando o medico percebe claramente o que ha a curar nas moléstias, isto he, em cada caso mórbido individual {conhe- cimento da moléstia, indicação) ; quando elle tem noção pre- cisa do que ha de curativo nos medicamentos, isto he, em cada medicamento em particular {conhecimento das virtudes medici- vuei); quando, guiado por evidentes razões, sabe escolher a substancia cuja acção a torna a mais apropriada a cada caso {escolha do medicamento), adoptar para ella o modo de pre- paração que melhor convém, estimar a quantidade em que a deve administrar, e julgar do momento em que essa dose deve ser repetida, nhuma palavra, fazer do que ha de curativo nos medicamentos ao que ha de indubitavelmente doente no indivíduo huma applicação tal que a cura deva seguir-se; quando emfim, em cada caso especial conhece elle os obstá- culos ao restabelecimento da saúde, e sabe removel-os para que o restabelecimento seja durável; então somente procede ra- soavelmenle e conforme ao fim que se propõe conseguir; então somente merece o nome de verdadeiro medico. 4. O medico he ao mesmo tempo conservador da saúde quando conhece as causas que a perturbao, que produzem e entretem as moléstias, e quando as sabe afastar do homem são. b. Quando se trata de effectuar uma cura o medico se premune de tudo quanto pode conhecer ou seja relativamente [ i J ã causa occasional mais verosimilhante da moléstia aguda, ou seja relativamente às principaes fases da moléstia chronica, que lhe permiltem encontrar a causa fundamental desta, de- vida a maior parte das vezes a hum miasma. Nas indagações deste gênero deve-se ter em vista a constituição physica do doente, sobre tudo se se trata de uma affecção chronica, assim como a disposição de seu espirito e de seu caracter, suas ocu- pações, seu gênero de vida, seus hábitos, suas relações sociaes e domesticas, stfa idade, sexo etc. 6. Por pouca que seja sua prespicacia, o observador isento de prejuízos, o que reconhece a futilidade das especulações melhaphysieas, não apoiadas pela experiência, percebo tao so- mente em cada moléstia individual modificações do estado do corpo e da alma accessiveis pelos sentidos, signaes da doença, accidentes, symptomas, isto he, desviaçoes do precedente es- tado de saúde, que são sentidas pelo próprio doente, notadas pelas pessoa1? que o cercão, e observadas pelo medico. A reunião destes signaes apreciáveis representa a enfermidade em toda a sua extensão, isto he, constitue a verdadeira forma, a única que pode ser concebida. 7. Visto que n'huma moléstia a respeito da qual se não apresenta causa a remover que manifestamente a oceasione e entretenha ( causa occasionalis ) não w pode perceber outra pousa mais do que symptomas, he necessário lambem, atten- cendo sempre á presença possivel de hum miasma, c a circuns- tancias accessorias (V. 5^, que somente os symptomas sirvao de guia na escolha dos meios apropriados á cura. A reunião dos symptomas, essa imagem refleclida no exterior da essência intima da moléstia, isto he da aliei cão da força vital, deve ser a principal ou a única maneira pela qual o mal de a conhecer o medicamento de que carece, a única que determine a es- colha do remédio mais apropriado NMiuma palavra a tota- lidade dos symptomas he a principal ou a única cousa de que o medico se deve oecupar nhum caso mórbido individual qual- quer, a única que elle tem a combater pelo poder de sua arte a fim de curar a moléstia e de a transformar cm saúde. 8. Não se poderá conceber, nem tão pouco provar por ne- nhuma experiência, como depois da extincçno de todos os symptomas da moléstia e de toda a reuni.ío de accidentes perceptíveis, fique ou possa ficar outra coma quo não seja a aude, e como a mudança mórbida que se operara no interior do coipj n:idj aniquilada. [ 3 ] 9. No estado de saúde a (orça vital, que anima dynami- ca men to a parte material do corpo, exerce um poder illimi- lado. Ella conserva todas as parles do organismo n'huma ad- mirável harmonia vital a respeito do sentimento o da ativi- dade, de sorte que o espirito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente empregar esses instrumentos vivos e sãos para conseguir o elevado fim da nossa existência. 10. O organismo material, supposto sem força vital, nem pode sentir, nem obrar, nem nada fazer para sua própria con- servação. He somente ao ser immatcrial, que o anima no es- tado de saúde e de doença, que elle deve o sentimento e o complemento de suas funcções vi taes. 11. Quando se adoece esta força espiritual, actira por si mesma, e presente em toda a parle do corpo, he logo incon- tinente a única que se resente da influencia dynamica do agente hostil á vida. Ella só, depois de haver sido perturbada por esta percepção, pôde communicar ao organismo as sensa- ções desagradáveis que tem, e conduzil-o ás acções insólitas que chamamos doença. Sendo invisível e somente apreciável pelos effeitos que produz no corpo, esta força não exprime nem pode exprimir sua perturbação senão por huma manifes- tação anômala na maneira de sentir e de obrar da parte de* organismo, accessivel aos sentidos do observador e do medico,. isto he por symptomas de moléstia. 12. Não he senão a força vital perturbada o que produz doenças. Os phenomenos mórbidos accessiveis pelos nossos sentidos exprimem pois a hum tempo toda a alteração interna» isto he, a totalidade da perturbação da potência interior. N'huma palavra elles poe a moléstia toda inteira em evidencia. Por conseguinte a cura, isto he, a cessação de toda a manifes- tação mórbida, a desappariçâo de todas as alterações apreciá- veis que são incompativeis com o estado normal da vida tem por condição, e suppõe necessariamente que a força vital foi restabelecida em sua integridade, e todo o organismo restüui- do á saúde. 13. Segue-se daqui que a moléstia, inaccessivei aos pro- cessos mechanicos da cirurgia, não he,como o suppõeos ai— lopathas. uma cousa distineta de todo o vivente> dr> organismo, e da força que o anima, oceulta no-interior do corpo e sem- pre material qualquer quti seja o gráodesubtilesa que se lhe- queira atribuir. Semelhante idéa só pôde vir a cabeças imbui- i ] das de doutrinas materialistas. Ue que cila por milhares de annos tern arrastado a medicina por falsos caminhos, que affastado a tem de seu verdadeiro destino. IV. De todas as alterações mórbidas invisíveis, que se pas- sa o no interior do corpo, e cuja cura pôde operar-se, uma só náo ha que signaes e symptomas não dêem a conhecer ao at- tento observador. Assim quiz que fosse a vontade infinita- mente sabia do soberano conservador da vida humana. 15. O desarranjo para nós invisível da força que anima o corpo, com todos os symptomas que essa força provoca no organismo, que affcctio nossos sentidos, que represenláo a mo- léstia existente, não faz mais de huma entidade. O organismo he certamente o instrumento material da vida; mas nem se poderia conceber nao animado pela força vital sensiente o governanle instintivamente, nem esta força vital seria con- cebida independente do organismo. Ambos nno fazem mais do hum;e se nosso espirito divide esta unidade por duas idèas he só para própria commodidade. 16. Nossa força vital sendo uma potência dynamica, sobre o organismo são a influencia nociva dos agentes hostis, que de fora vem perturbar a harmonia dos phenomenos da vida, nao poderia aftectal a senão de uma maneira puramente dyna- mica. O medico não pôde portanto remediar esttia natural. Mas em que consiste semelhante referencia? Nós vamos vôr que ella he tal quo precisamente he isto que de- veria evitar se si se quizesse nao enganar os doentes, não íu~ zer escarneo dei cs, 57. Um medico vulgar que quer proceder segundo o m-eího- do antipafhico não dá attenç.so senão a um svmptoma aqueílo de que 0 doente se queixa mais. e despreza lodosos outros ooj* [ 20 ] mais numerosos que sejão. Prescreve contra o *ymptoma um remédio conhecido por produzir o effeito directamente con- trario , porque, segundo o systema contraria conlrariis, pro- clamado ha mil equinhentos annos pela antiga escola, este re- médio he aquelle de que deve esperar o soccorro (paliativo) mais prompto. Assim elle dá fortes doses de ópio contra as dores de toda a espécie, por que esta substancia embola ra- pidamente a sensibilidade. Prescreve a mesma droga contra as diarreas porque em pouco tempo ella suspende o movi- mento peristaltico do canal intestinal , que ella torna insen- sível. Administra-a igualmente contra a insomnia porque ella promptarnente faz cahir n'u:n estado do torpor, e atordoamen- to. Emprega purgantes quando o doente está muito tempo atormentado de falia de deffecção. Faz mergulhar a mão quei- mada em agoa fria que parece tirar de repente e como por encanto as dores da queimadura. Quando uni doente se quei- xa de ter frio e de faltar-lhe o calor vital elle o manda entrar n*um banho quente e immcdiatamcnte o aquece. Aquelle que aq queixa de fraqueza habitua' recebe logo o conselho de be- ber vinho , que logo o reanima o parece fortalecer. Alguns outros meios antipathicos, isto he, oppastos as ymptomas, são igualmente postos em p-atira : comtudo além destes que acabo de enumerar, poucos ha mais porque o medico ordinário não conhece os effeitos primitivos senão de muito pequeno nu- mero de medicamentos. 5.S. Não insistirei sobre o vicio que tem este methodo do não attender senão a um sy>, proceder do qual nada se deve evidentemente o-perar para alivio da totalidade dos sympto- mas. q:ie he a u:i ca cousa a que o doente aspir.-t. Eu interroga- rei comtudo a experiência para saber delia se deentr* os casos cm quo assim so ha feito uma applicação anlipathica de medi- cam ntos contra uma mo estia chronica ou continua poderá c'tar meum só < m que o alivio pac c.gciro que se obtém não tenha sulo sr^nido e u anif.sía agravaçao não só do symp- toma assi:n palia:]o mas também da moíe-lia toda inteira. Oia todo* que tem observado com alíençAo concordâo em dizer quo depoi- d «te ligeiro alivio antipathico q;m nfm duia muito tem- po, o es!ado do doente peora sempre c- se;n rxcopção . posto que o tr-.odic . vulgar procure do ordinário explicar e!a o.i- den'e peora attribuindo-a á malígmdade da moléstia primiii- va. ou h inunifesinrao de uma moléstia nova. £3. J^mi'' -s ha tratado «rmpfoma a'gum grave de uma [ 21 ] moléstia continua por taes remédios oppostos e paliativos sem que algumas horas depois o mal tenha reapparecido eviden- temente agravado. Assim para dissipar uma tendência ha- bitual ao soinno dava-se café, cujo effeito primitivo era des- pertar, mas logo que esta acção era esgotada a propensão para o soinno reappareeia como cfantes. Quando um homem era sugeito a insomnias, sem attender a nenhum outro symp- toma da 0'Olestia , fazia-se lhe tomar, ao deitar-se, ópio, que, em virtude de sua acção primitiva lhe produzia por essa noite um soinno de atordimento c to, r por, mas a insomnia se tomava ca Ia vez mais teimosa nas seguintes noites. Oppunha- se o ópio ás diarreas chronicas, sem attender aos outros symp- tomas, por que seu effeito primitivo he resecar o corpo, mas as dijecçoes depois de suspensas por algum tempo reappare- cião mais fataes que d"antes. Dores \i\as e vindas por accessos freqüentes se acalmovao momentaneamente debaixo da in- fluencia do ópio, que embota a sensibilidade; mas ellas já- m;iis deixavão de renovar-se mais violentas, ás vezes mesmo em gráo insuportável, ou então erão substituidas por outro mal ainda mais perigoso. O medico vulgar nada de melhor conhecia contra uma antiga tosse , cujos accessos vinhão prin- cipalmente de noite, que o ópio, cujo effeito primitivo he acalmar toda a irritação; podendo acontecer que o doente sen- tisse alivio na primeira noite , mas renascendo a tosse nas noi- les seguintes mais cjue nunca fatignnte. apparecendo febre e suores noctumos se o medico se obstinava cm combatcl-a com o mesmo paliativo augmentando gradualmente as doses. Tem- se julgado poder dissipar a fiaqueza da bexiga e a relensão de ourina que se lhe segue administrando a tinclura de canthari- das que estimula as vias ourinarias; disto resultão na veidade a principio algumas evacuações forçadas de ourina, nas a be- xiga vem a ficar depois menos irritavel , menos susceptível de-conlrair-sc, e está em vesporas de cahir em paralysia. Tem- se lisongoado de poder combater uma disposição inveterada á resecaçiocom purg.mtes em alta dose que provocão abundan- tes e freqüentes dijecçoes ; mas este tratamento tem por effeito secundário tomar o ventre ainda mais resecado. Cm me- dico vulgar aconselha beber vinho para ía/er desapparecer uma fiaqueza chronica , mas es!e liquido não estimula se- não por a!guui tempo de seu effeito primitivo e a reacçpo que se segue tom em resultado enfraquecer ainda mais as forças. Espea-se aquecer e fortificar um estômago frio e perguiçoso com amargos e espeelerias mas o effeito secundário destes pa- liativos , que só excit'o durante sua acção primitiva, he aug- mentar ainda a inacçãade tâ vi?cera ímaginou-se que os ba- [ 22 ] nhos quentes convinhio para remediar a falta habitual de ca- lor vital ; mas, sahindo da agoa, os doentes ficão ainda mais enfraquecidos, mais difficeis de aquecer e mais írioren- tos do que eslavão A immersão na agoa fria alivia instanta- neamente as dores causadas por uma forte queimadura, porém depois esta dor augmenta a um gráo incrível, a inflamação se estende ás partos visinhas e adequire muito maior intensi- dade. Pretende-se curar uma sequidão chronica do nariz por stemutatorios que excitão a secreçio das muscosidades nasaes e não se nota que em ultimo resultado este methodo acaba sempre por agravar o accidenle a que se pretende pôr ter-> mo. A el"ctri< idade e o gnlvanismo . potências que a princi- pio excerecm grande influencia sobre o movimento muscular, restituem promplainentea faculdade deobrar a membros enfra-: quecidos ha muito e quasi paraliticos; mas o effeito secun- dário he o aniquilamento absoluto de toda a irritabilidado muscular e uma paralysia completa A sangria he própria para fizer cessar o afluxo habitual de sangue para a cabeça ; mas segue-se sempre a seu emprego subir o sangue em maior abundância as partes superiores. A única cousu que o com- murn dos médicos sabe oppôr ao abatimento quasi paralylico do physico e do moral, symptoma predominante em muitas es~ peces de typhos , he a valeriana. em altas doses , porque estq planta he um dos mais poderosos estimulantes que se conhe- ce . mus tem-lhes escapado que a excitação produzida pela valeriana he um puro effeito primitivo , eque depois da reac- ção do organismo, o torpor, c a impossibilidade de obrar, isto he a paralvsia do corpo eo enfraquecimento do espirito aug- menlão infalivelmente : elles não tem visto que os a quom so tem prodiga'i',ado a valeriana, om semelhante caso opposla ou antipathica, srio precisamente aquellcs (juea morte ceifa quasi íe um golpe. Quando o pulso he peque.io , e freqüente, nas cachex:as. os médicos da antiga escola chegão a demoral-o por algumas horas comui a dose de digital purpurea, cujo effeito primitivo he afrouxara circulação; mas o puNo não tarda a tomar a me^na ligeireza que de antes; repelidas dosoe cada vez mais fortes de digital cada vez menos aproveiMo e findao p.ir não poder mais afrouxal-a ; e longe disso o numero das puis ções tirna s:> incalculável durante a reacçn>, o soinno se perde com o apetite e f.rças , e prompta morte hc inevital , £0 a mania senão declara. N'uma palavra, a escola antiga ja- mais contou quantas vezes acontece aos medicamentos antipa-i tüico.i ter p ir effeito secundário o augmento do mal ou mes- mo a'g-i:na consa dó peor. mas a experiência nos tem d.ad.0, provas capazes de f^zer-nos estremecer. [23 ] 60. Quando estes fataes resultados, que naturalmente se devem esperar de medicamentos antipathicos, se manifestão; o medico vulgar julga que se sahe bem administrando uma dose mais forte cada vez que o mal augmenta. Mas daqui se nao segue mais que um alivio passageiro; e da necessidade de flugmentar continuadamente a dose do paliativo resulta, umas vezes que outra moléstia mais grave se declara , outras que a vida he posta em risco , ou que o doente suecumbe. Porém jamais desta maneira se obtém a cura de um mal existente ha tempo , ou , com maior razão , inveterado. 61. Se os médicos tivessem sido capazes de reflectir sobre os tristes resultados da administração de remédios antipathicos. desde ha lanto tempo elles terião encontrado esta grande vers- dade , que he seguindo um caminho directamente opposlo a eslie que se deve chegar a um methodo de tratamrn\o que oblema cura^ reaes c dwavcis. Elles terião comprehendido que assm como um effeito medicinal contrario aos symptomas da enfer- midade (remédio administrado aulipathicamente) não conse- gue senão um alivio passageiro , depois do qual o u ai peora constantemente, assim também o methodo inverso, quero di- zer, a applicação homoeopathica dos medicamentos, su a admi- nistração bazeada sobre a analogia entre os symptomas que el- les provocão e os da moléstia, deve obter uma cura perfeita e durável, uma vez que haja cuidado de substituir ás doses enor- mes de que elles uzao as mais pequenas que seja possivel em- pregar. Mas a pezar das poucas difficuldades que apresenta esta serie de raciocínios , ape/ar do facto de nenhum medico haver conseguido cura durável nas moléstias chronicas, senão quando suas formulas por acaso tinhão um medicamento ho- moeopathico predominante , apezar deste outro facto não me- nos positivo de não ter a nature/a jamais completado cura rápida e completa senão por meio de uma moléstia seme'hantc addicionada á antiga, (46) apezar de tudo isto elles não tem podido durante uma tão longa serie de secul s chegar a uma verda ic, na qual só se encontra a sa'vação dos enfermos. 62 Procur.mdo explicar a mim próprio, de uma parle os resultados perniciosos de tratamento anlipalhico ou paliativo, de outra parte os felizes resultados que oblem ao contrario o methodo homoeopathico a lanto liei chegado com o soecoiro das consider çoes que decorrem de numerosos fados e que nin- guém antes do mim achou , bem que as ti\c-s;e ú irão, que sej o de perfeita evidencia, e que tenháo infinita importância para a medicina. » [ 24 J 63. Toda a potência que aclua sobre a vida, tido o miidi- camento , perturba mais ou menos a força vital,e produz no homem uma certa mudança que pode durar mais ou menos tempo. Chama-se esta mudança tffito pumitiro. Posto que produzido ao mesmo tempo pela força medicinal, e pela força vital, pertence comtudo mais â potência cuja acçao se exerce sobre nós. Mas nossa força vital tende sempre a desenvolver v sua energia contra esta influencia. O effeito que dahi resulta, que pertence á nossa potência vital de conservação, e que de- pende de sua actividade automática, tem o nome de c(feito secundário ou reacção. 64. Em quanto dura o effeito primitivo das potências mor- bificas artificiaes sobre o corpo são , a força vital parece pura- mente passiva ccmo se estivesse obrigada a sofrer as impressões da potência que de fora actua , e a deixar-se por ella modifi- car. Porém mais tarde parece de certo modo acordar. Então, se ha algum estado directamente contrario ao effeito primi- tivo , ou a impressão que ella recebeo manifesta uma tendên- cia a produzil-o que he proporcional tanto a sua própria ener- gia como ao gráo de influencia exercida pela potência morbi- fica artificial ou medicinal ; senão existe na natureza estado directamente opposto a este effeito primitivo, ella procura res- tabelecer sua própria preponderância apagando a influencia que foi nella operada pela acção externa (a do medicamento) e substituindo-lhe seu próprio estado normal. 65. Os exemplos do primeiro caso são bem visiveis. A mão que esteve mergulhada em agoa quente tem a principio mui- to mais calor que a outra não mergulhada ( effeito primitivo); mas a'gum tempo depois de haver sido tirada da água e bem enchuta , ella arrefece e muito mais fria fica que essa outra (effeito secundário) O grande calor que provem de exercício immoderado (effeito primitivo) he seguido de arrepiamentos e frio (effeito secundário) O homem que hontem se aqueeeo bebendo muito vinho ( effeito primitivo) , hoje he sensível á menor corrente de ar ( eíVeiío secundário ''. Um braço que por muito tempo esteve dentro dágua gelada he a principio muito mais frio e pálido que o outro (efieilo primitivo) ; mas tire-se da água e aiimpe-se bem tornar-se-ha não só mais quente que o outro, mas r.té mesmo abrasado, rubro e infla- mado (effeito secundário). O café forte nos estimula a princi- pio (c.TiMto primitivo', mas depois nos produz um pe/o, e uir.a tendência ao soinno effeito secundado ) que muito tempo dura se a nã:» combatemos p- r algum tempo de uma manei;,\ [ 23] puramente paliativa tomando novas porções de café. Depois de haver obtido somno ou antes um atordoamento profundo por meio do ópio (effeito primitivo) muito mais custa a ador- mecer na segunda noite (effeito secundário). A' resecação pro- vocada pelo ópio (effeito primitivo), segue-se a diarróa (efiei- lo secundário), c ás evacuações provocadas pelos purgantes ' (effeito primitivo) uma resecação que dura muitos dias (effeito secundário):1 Assiui he que ao effeito primitivo de altas doses de uma potência que modifica profundamente o estado de um corpo são, a força vital pela sua reacção jamais deixa de op- por um estado directamente contrario, quando algum pode fa- zer declarar-se. 66. Mas concebe-se bem que o corpo são não dá signal algum de reacção em sentido contrario, depois da acção de uma dose fraca e homoeopatica das potências, que mn- dãoomodo da sua vitalidade. He verdade que mesmo uma pequena dose de todos esses agentes produz-'effeitos primitivos apreciáveis por quem lhes dá a necessária atlençao ; nos a reacção que exerce depois o organismo não excede jamais o gráo necessário ao restabelecimento do estado normal. 67. Estas verdades incontestáveis, que por si se nosapre- sentão quando interrogamos a natureza e a experiência, ex- plicão de um lado porque o methodo homoeopathico he tão vantajoso em resultados e de outro lado quanto he absurdo aquelle que consiste em tratar as moléstias por meios anti- pathicos e paliativos. (23) 68. Nós vemos na verdade examinando o que se passa nas curas homoeopathicas que as infinitamente pequenas doses , que bastão para vencer e destruir as moléstias naturaes, pela analogia existente entre os symptomas destas ultimas e os dos medicamentos , deixão no organismo, depois da euineção da moléstia primitiva , uma ligeira aíTecção medicinal que subsiste depois daquella. Mas a exiguidade das doses torna esta moléstia lão ligeira, passageira e susceptível de se dis- sipar por si mesma , que o organismo mio carece de desenvol- ver contra ella uma reacção superior á que he necessária para elevar o estado presente ao gráo habitual de saude ,. isto he , para restabelecer esta completamente. Ora todos os symptomas da moléstia primitiva sendo exlinctos nao lhe são necessários grandes esforços para o conseguir. (V. 65) 69. Mas o contrario tem precisamente lugar no methodo 4 [ 26 ] anlipathico ou paliativo. O svmptoma medicinal opposto pelo medicamento ao sympto < a mórbido (como o entorpecimento que constituo o effeito primitivo do ópio , opposto a uma dor aguda) nao he totalmente estranho e allopathico a este ul- timo. Ha entre osdous symptotnas uma relação evidente . mas inversa. O aniquilamento do symptoma mórbido deve ser effectuado aqui por um symptoma medicinal opposto. Ora eis o que he impossível. Iío verdade que o remédio antipathi- co obra precisamente sobre o ponto enfermo do organismo , tao bem como o faria um remédio homoeopathico ; mas elle se limita a cobrir por assim dizer o symptoma mórbido na- tural, e a tornal-o insensível por certo tempo. No primeiro instante da acção do paliativo o organismo não soffre acçao alguma desagradável nem da parte do symptoma mórbido nem do svmptoma medicinal que parecem ter-se anniquila- "o reciprocamente e neutrdisado por uma maneira, por as sim dizer, dynamica. He o que acontece, por exemplo, á , lauto mais quanto o paliativo foi administra- do '■ m í,-. ;ii„-' o!evad'S Píira uuo sahir do exemplo de [ *í ] que já usámos, mais a quantidade de opio dada para acalmar a dôr tem sido avultada, mais também a dòr se augmenla além de sua violência primitiva depois que o opio leu» deixado de obrar. (26T) 70. Depois do que vem de dizer-se não se poderião desco- nhecer as seguintes verdades : 1.° O medico não tem a curar outra cousa mais que os soffri- mentos do enfermo e as alterações do rylhmo normal que são apreciáveis pelos sentidos, isto he , a totalidade dos sympto- mas pelos quaes a moléstia indica o medicamento próprio a remedial-a; todas as causas internas, que se poderião attri- huir a esta moléstia, todos os caracteres occultos, que se que- reria assignar-lhe, todos os princípios materiaes de que a quererião fazer dependente, seriâo outros tantos sonhos vãos. 2.° A perturbação, que chamamos moléstia, não pode ser convertida em saude senão por outra perturbação provocada por meio de medicamentos. A virtude curativa destes últimos consiste pois unicamente na mudança que elles fa/em soffrer ao homem, istohe. na provocação de symptomas mórbidos especí- ficos. A experiência feita sobre indivíduos sãos he o melhor e mais puro meio de reconhecer esta virtude. 3." Segundo todos os factos conhecidos he impossível curar uma moléstia natural por meio de medicamentos que pas- suem por si mesmos a faculdade de produzir, no homem são, um estado mórbido ou um symptoma medicinal dissime- Ihanle. O methodo allopathico não consegue jamais cura real. A mesma natureza jamais opera cura em que uma moléstia seja anniquilada por uma segunda moléstia dissemeihante- addicionada aquella, por mais forte que seja esta nova affecção. \.° Todos os factos se reúnem lambem para demonstrar que um medicamento susceptível de fazer apparecer, no homem são, um symptoma mórbido opposto á moléstia que se trata do curar nao produz senão um allivio passageiro n'uma moléstia já antiga, jamais lhe opera a.cura, e deixa-a sempre reappa- recer depois de certo tempo-mais grave que d'antes. O me- thodo antipathico e puramente paliativo he pois absolutamente contrario ao fim que se tem em vista nas moléstias antigas e de alguma importância. V O terceira methodo, o único qtie fica a que possa re— [ 28 J (--rrer-se. o homoeopathico, que, calculando bem a dose , emprega contra a totalidade dos symptomas de uma moléstia natural um medicamento capa/ de provocar no homem sao svmptomas tão semelhantes quanto possivel aos que no doen- te se observão, he o único realmente salutar, o único que ítimiquila as moléstias ou as aberrações puramente dynamicas d~\ Foiça vital, de uma maneira fácil, completa e durável. A piopria natureza nos dá exemplos neste sentido, em certos ca- sos fortuitosem que, ajuntando a uma moléstia existente ou- Ira nova que se lhe assemelha a cura com prorhplidão o para sempre. 71. Como não pode mais duvidar-se de que as moléstias do homem consistão em grupos de cerlos symptomas, a pos- sibilidade de os destruir por medicamentos, islo he, de restabe- lecer a saude, íioi de toda a verdadeira cura, depende unica- mente da facudade inhcrente ás substancias medicinaes do provocar symptomas mórbidos semelhantes aos da affecção natural, e a marcha que se deve seguir nos tratamentos re- duz-se aos Ires pontos seguintes: 1." Por que via o medico chega a conhecer o que tem ne- cessidade de saber relativamente á moléstia para poder empre- fiender a cura?. 2." domo deve el!e estudar os instrumentos destinados á cura das molesiias naturaes, isto he, a potência morbifica dos medicamentos'.' 3." Qual he a melhor maneira de applicar estas potências morbificas artificiais (medicamentos) na cura das moléstias? 72. O primeiro ponto exige que entremos primeiro em con- siderações geraes. As mole-tias dos homens foro ao duas clas- M's. Umas são operações rápidas da força vital, sabida do seu rhvthmo normal, que terminso cm um tempo mais ou menos longo, mas sempre de medíocre duração. Chamâo-se moléstias aguda*. As outras pouco distinclas, e muitas vezes até imperceptíveis no seu começo, atacão o organismo cada uma a seu modo, o perturbao dynamicamenle, e pouco a pouco o afastao de tal forma do esdado de saude, que a aulho- n.atica energia vital de-linada á ma manutenção , chamada força vital, não podo mais oppor-lhe que uma resistência incompleta., mal dirigida o inútil, e que, na sua impotência pura as destruir por si mesma,'he obrigada a deixal-as crescer [29] alé que emfim destrua o o organismo. Essas são conhecidas pelo nome de moléstias chronicas. Ellas provêm de infecção por miasma chronico. 73. As moléstias agudas podem ser distribuídas por duas tatbegorias. Umas atacão homens isolados , quando tem soffrido a influencia de causas nocivas. Excessos de be- bida , de comida , privação dos alimentos necessários, vio» lentas impressões physicas, resfriamentos, calores, fadigas, exforços, etc. ou excitações. affecções moraes, são freqüente- mente a causa. Mas a maior parte das vezes ellas depen- dem de recrudescencias passageiras de unia prova latente , que recahe no seu estado de somno, de entorpecimento, quando a moléstia chronica não he muito violenta ou tem sido curada promptamente. As outras atacão muitos indivíduos a um tem- po aqui e alli (sporadicamente) debaixo do império de iufluen- cias meteoricas ou telluricas, cuja acção, por emquanto, he só sentida por pequeno numero de homens. A eslaclasse quasi pertencem aquellas, que atacão muitos homens a um tempo , dependendo então da mesma causa, manifestando-se por sym- ptomas muito análogos (epidemias) e costumando tornar-se contagiosas, quando obrão sobre massas serradas e compactas de indivíduos. Estas moléstias ou febres (27) são cada uma do natureza especial, e como os casos individuaes, que se ma- nifestão, tem a mesma origeai, constantemente íambem ellas põoaquelles, que atacão, em um estado mórbido por toda a parte idêntico , mas que abandonado a si mesmo termina em pouco tempo pela morte ou pela cura. A guerra , as inunda- ções e a fome são freqüentemente as causas destas moléstias ; mas ellas podem depender lambem de miasmas agudos que rcapparecem sempre debaixo da mesma forma, e aos quaes por conseguinte se lem dado nomes particulares: miasmas dos quaes, uns não atacão o homem senão uma vez na vida como a variola, o sarampo, a cocheluche, a febre escarlatina (28) de Sydenham, ele. e outros podem atacal-o muitas vezes, co- mo a peste do Levante, a febre amarei a , a cólera morbus asiática, etc. ' 74. Devemos desgraçadamente contar ainda entre as mo- léstias chronicas essas affecções tao vulgares, que os allopathas produzem pelo uso prolongado de medicameiilos heróicos em doses elevadas e sempre crescentes, pelo abuso dos calome- lanos , do sublimado corrosivo , do unguento mercurial, do nitrato de prata, do iodo, do opio, da valeriana, da quina, c da quinina, da digital, do ácido prussico, do enxofre e do [30] ácido sulfurico, dos purgantes prodigalisados por annos intei- ros , das sangrias, das sanguesugas, dos cauterios, dos sede- nhos, etc. Todos esses meios debilitão desapiedadamente a for- ça vital, e quando ella por elles não suecumbe pouco a pou- co e de uma maneira particular para cada um, elles alterão- lhe seu rythmo normal de tal sorte, que para garantir a vida de ataques hostis he ella obrigada a modificar o organis- mo, a extinguir ou exaltar desmedidamente a sensibilidade e a excitahilidades sobre um ponto qualquer, a dilatar ou apertar, amolecer ou endurecer certas partes, a provocar aqui, alli le- sões orgânicas , a mutilar, n'uma palavra o corpo interna o externamente. (29) Outro recurso não tem para preservar a vida de uma destruição total, no meio dos renascentes ataques de potências tão destruetivas. 75. Esses transtornos da saude devidos ás desastradas pra- ticas da allopathia, e de que já mais se vio tao tristes exem- plos como nos tempos modeirnos, são as mais tristes, as mais incuráveis de todas as moléstias chronicas. Pesa-me dizer que parece impossível que jamais se descubra ou se imagino um meio de as curar, quando ellas tem chegado a certo ponto. 76. O Todo Poderoso creando a homoeopathia não nos deu armas senão contra as moléstias naturaes. Em quanto a essas desordens que uma falsa arte tem fomentado ás vezes por annos inteiros no interior e no exterior do organismo hu- mano por medicamentos e tratamentos nocivos, só á força vital pertence reparal-as, quando ella não lem sido esgotada e pode sem que nada a perturbe consagrar muitos annos a obra tão laboriosa. Quando muito ho permiltido chamar em seu soccorro meios dirigidos contra algum miasma chronico que poderia ainda existir oceulto Nao ha nem pode haver me- dicina humana que traga ao estado normal essas innumeraveis anomalias produzidas tantas ve^cs pelo methodo allopathico. 77. Muito impropriamente se dá o epitheto de chronicas ás moléstias de que vem a ser acommettidos os homens que se achão expostos de continuo a influnecias nocivas a que po- derião subtrahir-se , que usao sempre alimentos ou bebidas nocivas á economia, que se entregüo a excessos ruinosos para a saude, (jue tem falta a lodo o instante dos objectos necessários á vida, que vivem em Iugar,es insalubres, e sobre tudo'cm lu- gares pântanos».s, que morão em suhjlcrrauuoà.ou outros lugare- fechados, que carecem de ar ou movimento, que se anniqni- lão por trabalhos immoder.idos de corpo e de e-piríto , q i.. [31 ] de continuo são devorados pelo desgosto, etc. Estas moléstias, ou antes, estas privações de saude, que se contraem, desappa- recem pelo simples facto de uma mudança de regimen ex- cepto se no corpo existe algum miasma chronico, e não pode dar-se-lhes o nome de moléstias chronicas. 78. As verdadeiras moléstias chronicas são aquellas que de- vem sua existência a um miasma chronico , que fazem contí- nuos progressos quando se lhes não oppõe meios curativos es- pecíficos, e que apesar de todas as precauções imagináveis em relação ao regimen do corpo e do espirito mortificão o homem com soffrimentos sempre crescentes até ao termo de sua existên- cia. São esses os mais numerosos e os maiores torrnentos da espécie homana, pois que o vigor da compleição, a regulari- dade do gênero de vida, e a energia da força vital nada podem contra elles. 79. Entre as moléstias miasmaticas chronicas que, quando se nao curão, não se,extinguem senão com a vida, a única conhecida até ao presente he a syphilis. A sycose, de que não pode a força vital da mesma maneira triumphar sósinha , não tem sido considerada como moléstia miasmatica chronica interna formando uma espécie á parte, e julgavão-a curada depois da destruição das excrecencias da pelle não attendendo a que seu foco ou sua fonte existia sempre. 80. Mas um miasma chronico imcomparavelmente mais importante, que esses dous, he o da psora. Os dois patenteao a affecção interna de que dependem um pelos cancros outros pelas excrecencias em forma de côvefior. Não he também senão depois de haver infectado o organismo inteiro que a psora annuncia seu immenso miasma chronico interno por uma erupçã"» cutânea muito parlicuiar, acompanhada de um pru- rido voluptuoso insupportavcl e de um cheiro especial. Esta psora he a única verdadeira causa fundamental e productiva das innumeraveis formas (30) mórbidas, que, debaixo dos no- mesde fraqueza nervosa, hysteria, hypocondria, mania, melan- colia, demência, furor, epilepcia, e espasmos de toda a espé- cie, amolecimento dos ossos ou raehitismo, scoliose, e cyphose, hvdropisia, amenorrhca, gaslrorrhagia, epistaxis, hemoptise, abolição dos sentidos, dores de toda a espécie, etc, ele. fi- gurão nas palbologias, como outras tantas moléstias próprias, d:stinctas, e independentes, umas das outras. 81. A passagem deste mia ma alra\ez de milhões de orga- [32] nismos humanos no curso de algumas centenas de gerações e o desenvolvimento extraordinário que por isso elle deve ter ad- quirido, explicão até certo ponto como elle pode agora moi- trar-se debaixo de tanlas formas differentes, sobre tudo atten- dendc—se ao numero infinito de circunstancias (31) que con- tribuem ordinariamenle para a manifestação desta grande diversidade de affecções chronicas ( symptomas secundários da psora ), sem contar a variedade infinita de compleições in- dividuaes. Não he pois surprehendente que organismos tão differentes, penetrados do miasma psorico e submcttidosa tan- tas influencias nocivas exteriores e interiores, que muitas vezes influem sobre elles permanentemente, dêem também um numero incalculável de affecções , de alterações , e de males que a antiga pathologia (32) tem até hoje citado, como ou- tras tantas moléstias distinctas designando-as por uma multidão de nomes particulares. 82. Posto que a descoberta desta vasta origem de affecções chronicas tenha feito que a medicina dê alguns passos para a descoberta da natureza da maior parte das enfermidades, com tudo, em cada moléstia chronica (psorica) que omedico hecha- mado para tratar, ohomoeopatha não menos deve insistir, como d'antes, em bem discernir os symptomas apreciáveis, e tudo que tem de particular; porque não he mais fácil nestas molés- tias do que nas outras , obter uma verdadeira cura sem indivi- dualisar cada caso particular de uma maneira rigorosa e abso- luta. Somente he necessário distinguir se a moléstia he aguda ou chronica , porque no primeiro caso os symptomas prin- cipaes se desenhão mais rapidamente, o quadro da moléstia se esbossa em muito menos tempo, e ha muito menos questões a fazer, offerecendo-se a maior parte dos signaes por si mes- mos ao observador. (*) 83. Este exame de um caso particular de moleslia, que tem por fim apresental-a debaixo das condições íormaes o da individualidade, somente exige da parte do medico espirito sem prevenção, sentidos perfeitos, attenta observação, e fideli- dade de traçar o quadro da moléstia. Eu me contentarei em expôr aqui os princípios geraes da marcha que deve seguir-se; conlormar-se-hão somente àquelles que são applicaveis a cada caso especial. 85-. O doente faz o relatório doqucsoffre, os circunstante.s (') Por isso a marcha que eu vou trnç:r para piecurar os symptomas só cm pailcs convém ás moléstias- agudas. [33 ] côhtSo de que se queixou elle, como tem passado , e o que Ibe notão ; o medico vé, escuta, n'uma palavra, observa com todos os seus sentidos o que ha de differente e extraordinário no doente. Escreve tudo nos próprios termos de que o doente » assistentes se tem sorvido Deixa-os acabar sem os inter- romper, se elles se não perdem em digreções inúteis. Tem cuidado somente a principio de exhortal-os a fallar lentamente, para poder seguil-os, escrevendo o que julga necessário notar. 85. A cada nova circunstancia que o doente e os assis- tentes referem, o medico começa outra linha, afim de que os symptomas sejão todos escriptos separadamente uns por baixo dos outros. Procedendo assim elle terá, para cada symptoma, a facilidade de ajuntar ás noticias vagas, que lhe tiverem com- inunicado ao principio, noções mais rigorosas que tiver depois adequirido. 86. Quando o doente e as pessoas que o cercSo acabão o que tinhão a dizer de seu motu próprio, o medico toma informações mais precisas a respeito de cada symptoma e pro- cede da maneira seguinte. Elle torna a lêr todos os que lhe linhão designado e para cada um em particular pergunta por exemplo: Em que época tal accidente teve lugar? foi anlos do uso dos medicamentos que o doente tem tomado até bojo, ou em quanto os tomava, ou somente alguns dias depois? Que dôr, que sensação, exactamente descripta, se manifestou em tal parte do corpo? que lugar oecupava ella precisamente? vinha por accessos somente? ou era continua e sem descanço? Que tempo durava? Em que época do dia ou da noite, em que posição do corpo era ella mais violenta ou de todo se des- vanecia? qual era o caracter exacto de tal accidente , de lal circunstancia? 87. O medico faz restringir desta maneira cada um dos indícios que lhe são dados, sem que jamais suas perguntas sejão feitas de sorte que dictem as respostas ou ponhão o enfermo no caso de ter só que responder sim ou não. Pro- ceder d'outra maneira seria expor o interrogado a neg-ir ou aílirmar, por indiferença ou por condescender com a medico, uma cousa falsa ou por metade verdadeira ou totalmente diffe- rente do que tem lugar. Resultaria então um quadro infiel da moléstia, e por concequcncia uma escolha má dos meios. curativos. 88. Quando o medico acha que nesse relatório spontaneo 5, [34 ] se não fez menção de.muitas partos ou funcções do corpo, ou das disposições do espirito, pergunta se alguma cousa ha mais que dizer de tal parto ou tal luncção, desta ou daquella disposição moral; mas tem grande cautella em conservar-se nos termos geraes afim de que a pessoa que lhe fornece escla- recimentos seja obrigada a explicar-se de uma u>atieira ca- thegorica sobre esses diversos pontos. 89. Quando o enfermo (porque be a elle, excepto nos ca- sos de moléstias simuladas , que nos devemos de preferencia referir para tudo o que diz respeito a sensações) tem desfarte por si mesmo fornecido todas as informações necessárias, o nem completado o quadro da moléstia, o medico pôde fa- zer-lhe perguntas mais especiaes, se ainda senão crê sufficien- temente esclarecido. 90. Acabando o medico de escrever todas as respostas, nota ainda o que elle próprio observa, e indaga se o que vé tinha ou não lugar em quando havia saude. 91. Os symptomas que tem lugar e o que o doente soflre emquanto usa remédios, e pouco tempo depois, não dão ima- gem pura da moléstia. Pelo contraiio, os symptomas e osen- couomodos que se tinhão manifestado antes do emprego de me- dicamentos ou muitos dias depois de ter cessado sua adminis- tração, esses são os que dão uma noção verdadeira da forma originaria da moléstia. São pois estes que o medico deve de preferencia notar. Quando a affecção he chronica, e tem o enfermo tomado remédios, pode-te deixar ficar alguns dias sem tomar nenhum medicamento, e defeiir-se para depois o exame rigoroso por ser o meio de colher os symptomas perma- nentes em toda a sua pureza, e poder conseguir um quadio fiel da enfermidade. 92. Mas quando se trata de uma moléstia aguda apre- sentando bastante perigo para não peimittir delongas, e nao pode o medico nada saber a respeito do estado que precedeo o uso dos remédios, então se satisfaz com observar a reu- nião de symptomas tal qual os remédios a tem modificado 4 afim de apreciar ao menos o estado presente da moléstia, isto be , poder reunir num só quadro a affecção medicinal con- juneta que , tornada ordinariamente mais grave e mais peri- gosa pelos meios quasi sempre contrários aos que devião ser administrados, reclama soecorros promptos e a administração rápida do remédio homoeopathico apropriado para que não [35 ] morra » doenUpelo tratamento irracional, que linha seffrido. 93. Se a moléstia aguda loi de presente occasionada , ou se a moléstia chronica o tem sido ha mais ou menos tempo por um acontecimento notável que o doente ou seus parentes in- terrogados c em segredo não descobrem , he necessário que o medico tenha muito geito e circumspecçSo para chegar a co- becer esta circumstancia. 94. Quando se indaga o estado de uma doença chronica he necessário ponderar bem todas as circumstancias particula- res em que o doente tem estado em razão do suas occupações ordinárias , de seu gênero de vida, de suas relações domesti- cas. Examina-se se nada existe nestas circumstancias , que te- nha podido originar ou quo entretenha a moléstia, afim de contribuir para a cura o afastamento daquellas que seriâo re- conhecidas poi suspeitas. 95. O exame dos symptomas precedentemente ennume- rados e de todos os outros >ignaes da moléstia deve, nas affec- ções chronicas, ser tanto quanto possivel rigoroso, e descer ató mesmo a minuciosidades. Com effeito he nestas moléstias que elles são mais pronunciados, que elles menos so assemelhão aos das moléstias agudas, e que pedem ser estudados com uiais cautella se s« quer que o tratamento aproveite. Por outra parto os doentes por tal forma se habituáo a -eus longos soffYimentos que pouca ou nenhuma attençao prestao a pequenos sympto- mas, muitas vezes característicos, e mesmo decisivos para a escolha de medicamento, olhando-os por assim dizer como necessariamente ligados a seu estado phisico, como fazendo parte de sua saude, cujo sentimento verdadeiro tem esquecido em quinze ou vinte nonos de sidlVimento, e a respeito dos quaes nem pensão que a menor co.ievao lenhio com a affec- ção principal. 96. Além disto também os doentes s3o de humor tão diffe- rente, que alguns, principalmente os hypocondriacos e as pes- soas sensíveis e impacientes, pintâo seus soffYimentos com co- res por demais vivas e se servem de expressões exageradas para induzir o medico a soccorrel-os promptameiite. 97. Outros pelo contrario, ou seja por preguiça ou por mal entendido pejo , ou em fim por uma espécie de bonhomia ou timidez caho parte de seus males, não os indicáo senão por termos obscuros , ou os aísignalão como de pequena impor— , ta nwia. [39] 98, Se hc verdade quo nos devemos referir principalmente Squillo que o próprio doente diz de seus maios e de suas sensa- ções, e preferir as expressões de que se serve para o* discrevei porque suas palavras se alterão quasi sempre na bocados cir- cunstantes, nâo he menos verdade que em todas as moléstias, e mais especialmente nas de caracter chronico, caresse o me- dico de alto gráo de circunspecção, lacto, e conhecimento do coração humano, prudência e paciência para chegar a formar um quadro verdadeiro e completo da moléstia e de todos os seus detalhes, 99. Em geral a indagação~das moléstias aguadas, e das que se lem declarado ha pouco, apresenta maior facilidade porque o doente e os circunstantes tem o espirito impressionado pela differença entre o estado actual , e a saude destruída ha pouco cuja imagem recente conservão de memória. O medico nesto caso deve igualmente saber tudo, porém menos carece do anticipar-^e a informações que de ordinário se apresentão na- turalmente, 100. Em quanto ao que diz respeito à indagação da reu- nião de symptomas das moléstia epidêmicas, e sporadicas he muito indifferente que alguma cousa semelhante tenha já exis- tido com este ou aquelle nome. A novidade ou o caracter de especialidade de uona affecção deste gênero não importa diffe- rença na maneira de éstudal-a , nem de a tratar; com effeito sempre se deve olhar a imagem pura de cada moléstia que domina actualmente como cousa nova e desconhecida, estu- da-la afundo singularmente se se quer ser verdadeiro medico, isto he, jamais collocar hypothese em lugar de observação, e jamais encarar um caso dado de moléstia como conhecido, ou na totalidade , ou tão somente em parte , senão depois de ha- ver profundado com cuidado todas as suas manifestações. Tal proceder he tanto mais necessário neste caso quanto a epidemia reinante he a muitos respeitos um phenomeno de espécie particular que examinado attentamente muito differe d'outras epidemias antigas a que se tenha dado o mesmo nome. He necessário entretanto exceptuar as epidemias que provera de um miasma sempre o mesmo, como as bexigas, a escarla- tina, etc. 101. Pode acontecer quo um medico que trata pela pri- meira vez um homem atacado de moléstia epidêmica a.ia> t*uc nlre iinmediatamente a imagem perfeita da aflecçãa,, r 37 ' L J atendendo-so a que senfio chega a conhecer bem a totalidade dos symplomas e signaes destas moléstias collectivas senão de- pois de ter observado muitos casos; comtudo um medico ex- ercitado poderá muitas vezes, logo depois do primeiro ou do segundo doente, aproximar-se jiop tal forma ao verdadei- ro estado de cousas que conceba da moléstia uma imagem ca- ratcrislica e que até >• esmo tenha logo meios de determinar qual seja o remédio homoeopathico a que haja de recorrer para combater a epidemia. 102. Havendo o cuidado do escrever os symptomas ob- servados em muitos casos desta espécie o quadro que se ha traçado da moléstia se aprefeiçoa de continuo, lílle não fica mais extenso, nem mais verboso, senão mais graphico, mais característico, e melhor abraça as particularidades da moléstia collectiva. Diuna parte ossymptouias geraes (por exemplo a falta de apetite, a perca de soinno, etc.; adequirem mais alto gráo de precisão; por outra os symptomas salientes, especiaes, raros na epidemia, e próprios somente de pequeno numero de affecções se desenhão, o formão o caracter da moléstia. Todas as pessoas atacadas da epidemia lem na verdade uma moléstia proveniente da mesma fonte e por conseqüência igual; porém toda a extensão de uma affecção deste gênero, e a totalidade de seus svmptomas, cujo conhecimento hc ne- cessário para se formar uma imagem completa do estado mór- bido, e procurar por ella o remédio homoeopathico mai* har- mônico com esta reunião de accidentes, não podem ser obser- vadas n'um só doente; be necessário para chegar-lhes exlrahil- as por abstracçáo do quadro dos soffrimentos de muitos doen- tes dotados d« constituição differente. 103. Fste methodo , indispensável nas moléstias epidêmi- cas que são de ordinário agudas, o devo applicar também de maneira mais rigorosa do que tem sido seguida até hoje ás moléstias chronicas produzidas por um miasma sempre o mes- mo essencialmente, e com particularidade á psora. Estas affec- ções requerem com effeito que se indague a reunião de seus symptomas; porque cada enfermo não apresenta senão alguns, não offerece por assim dizer senão uma porção dos phenome- nos mórbidos cuja inteira collecção fôrma o quadro completo da cacbexia considerada no seu todo. Nao he senão observan- do muito grande numero de pessoas atacadas destas espécies d'affecçóes que se chega a apreciar a totalidade dos sympto- mas pertencentes a cada miasma chronico, ao da psora em particular, condição indispensável para chegar ao conheci- [38 ] mentodos medicamentos que , próprios para curar a catbexia inteira, sáo ao mesmo (empo os verdadeiros lemedios do to- dos os malles climnicos individuaes do que ella he fonte. 104. A totalidade dos symptomas que caracterisào o caso presente , ou por outra, a imagem da moléstia unia vez esc ri- pta o mais defficil está feito. O medico deve para o diante ter sempre em vista esta imagem que serve de base ao tratamento, sobre tudo nas moléstias chronicas. Pode-se considerâl-a em todas as suas parles, e fazer sobresahir os signaes caracterís- ticos, afim deoppòr a esses symptomas. isto he. á moléstia mes- ma , um remédio exactamenle homoeopathico , cuja .-scolha tenha sido determinada pelos accidentes mórbidos que ellu proceder com sua acção pura. Durante o tratamento inda- gao-se os effeitos do remédio e as mudanças sobrevindas no es- tado do enfermo para apagar do quadro primitivo os sympto- mas que houverem desapparecido totalmente, nolar quaes aquelles , se alguma cousa existe, o acrescentar os novos in- commodos que tenhão sobrevindo. 10,>. A segunda parte do offivio do verdadeiro medico he procurar os instrumentos destinados á cura das moléstias natu- raes, estudar a potência morbifica dos medicamentos, afim de poder encontrar entre todos um , cuja serie de symptoma* constitua uma moléstia factícia tao semelhante , quanto possí- vel á reunião dos principaes symptomas da moléstia natural que se pietende curar. 106. Convém conhecer em toda sua extensão a potência» morbifica dos medicamentos. Por outros lermos, be necessá- rio que os symptomas e mudanças quo podem sobrevir pela acção delles no economia lenhão sido, quanto possivel , obser- vados todos antes que possa conceber-se a espeiança do entre elles achar remédios homoeopathicos contra a maior parte das moléstias naturaes. 107. Se para chegar a este resultado se nao dessem me- dicamentos senão a enfermos , mesmo prescrevendo-os simpli- ces e um a um , não se havia de colher senão pouco ou nada de seus effeitos puros, porque, rnisturando-se os symptomas da moléstia natural já existente com os do agenle medicinal, mui- to raro seria quo se podessem distinguir claramente. 108. Não ha pois um mais seguro meio e mais natural de achar infallivelinenle os effeitos próprios dos medicamentos do [39] que ensaiai os uns separados cb»s outros e por pequenas doses wm pessoas sãos, e notar as mudanças que d abi resultão no es- tado physico e moral, isto he , os elementos de moléstia que estas substancias sao capazes de produzir ; porque , assim co- mo já foi dito , (24-27) toda a virtude curativa dos medica- mentos he fundada unicamente sobre o poder que elles tem de modificar o estado do homem , e se conhece pela obser- vação dos effeitos que resultão do exercicio desta faculdade. 109. O primeiro eu fui que segui esta marcha com uma perseverança que não podia nascer e manter-se senão da con- vicção intima desta grande verdade , táo preciosa para o gêne- ro humano ,» de ser a administração homoeopathica dos medi- camentos o unico methodo certo de curar as enfermidades. 110. Percorrendo o que os autores tem escripto sobre os effeitos nocivos de substancias medicinaes que , por negligen- cia, intensão criminosa , ou d'outra maneira, tenUão sido ingeridas em altas doses no estômago de pessoas sãs , percebi certa coincidência entre esses effeitos e as observações que eu tinha colhido em mim e em outros, fazendo experiências cu- jo fim era reconhecer a maneira de obrar dessas substancias no homem sao. Cita o esses effeitos como casos de envenena- mento e como prova dos effeitos perniciosos inherentes ao uso desses agentes enérgicos. A maior parte dos que os refe- rem tiverao em vista assignalar um perigo. Alguns também os annunciao para fazer ostentação da habilidade que mostra- rão achando meios de restabelecer pouco a pouco asaudeáquel- les que perdido a tinháo violentamente. Muitos emíim para descarregar sua consciência da morte dos enfermos allcgão a malignidade dessas substancias a que então chamão vene- nos. Nenhum d'entre elles ha suspeitado que os symptomas, onde somente viâo provas de venenosidade, indícios erão certos da existência, nesses mesmos corpos, da faculdade de anniqui- lar, com o titulo de remédios, os symptomas semelhantes das moléstias naturaes. Nenhum pensou que os malles que elles excitão são o annuncio da sua salutar homoeopathicidade. Ne- nhum comprchendeo que a observação das mudanças a quo os medicamentos dío lugar no homem são era o unico meio de reconhecer as virtudes curativas de que sèo dotados, pois que se não pode chegar a esse resultado , nem pelos raciocí- nios á priori, nem pelo cheiro, sabor, ou aspecto das subs- tancias medicinaes, nem pela analyse chymica , nem pela ad- ministração aos enfermos de receitas preparadas em que es- tejao associadas maior ou menor numero de drogas. Nenhum [ W] finalmente que essas relações de moléstias medicinaes forne- cendo um dia os elementos de uma verdadeira o pura ma- téria medica, sciencia , que desde sua origem até nossos dias tem consistido n'um montão do conjecturas e de ficçoes , oú que, por melhor dizer, nunca existio. 111. A conformidade de minhas observações sobre o» effeitos puros dos medicamentos com essas antigas notas , que tinháo sido feitas com bem differentes vistas, e mesmo adestas Ultimas com outras do mesmo gênero que se cncontrfto es- palbadas nos escriptos de diversos autores, nos dão franca- mente a convicção de que as substancias medicinaes. fazendo apparecer uma mudança mórbida no homem que passava bom, seguem leis naturaes positivas e eternas, e em virtude dessas leis sao ellas capazes de produzir, cada uma em razão de sua individualidade , certos symptomas mórbidos que jamais deixâo de provocar. 112. Nas dcscripçoes que os autores antigos nos deixarão das conseqüências funestas de medicamentos em doses tão exageradas notáo-se lambem symptomas que se nao manilos- tavâo no principio desses tristes acontecimentos, mas so- mente no fim delles , e que forão de natureza totalmente op- posla â dos do primeiro período. Estes symptomas, contrá- rios ao effeito primitivo (63) ou á acção propriamente dita dos medicamentos sobre o corpo , são devidos á reacção da for- ça vital do organismo. Elles constituem o effeito secundário (62-67) de que raras vezes seobservão traços quando se em- pregão doses moderadas a titulo de ensaio , e de que se nao vô jamais, ou quasi nunca vestígio algum quando as doses são fracas, porque nas curas homoeopalhicas a reacção do organis- mo náo vac além do que he rigorosamente necessário para restabelecer a saude. (07; 113. As substancias narcóticas são as únicas que fazem ex- cepção a esta regra. Como no seu effeito primitivo ellas attin- gem tanto a sensibilidade e a sensação como a irritabilidade, acontece muitas ve/es, quando se experimentào em pessoas sãns mesmo em doses moderadas, observar-se durante a reacção uma exaltação de sensibilidade , c augmentode irritabilidade. ' 114. Mas, exceptuando os narcóticos, todos os medicamen- tos que se ensaião a doses moderadas, em indivíduos sãos deí- i3o perceber tão somente os seus effeitos primitivos, isto he , os symptoncas que indicão modificarem elles o rliyrtimo or- [il ] ilinario da saude , provocarem um estado mórbido destinado o durar mais ou menos tempo. 118. Entre os effeitos primitivos de alguns medicamen- tos muitos se encontr£o em parte, ou pelo menos a certos respeitos accessorios, oppostosa outros symptomas cuja appa- rição tem lugar antes ou depois. Esta circunstancia não basta contudo para os fazer considerar como effeitos conse- cutivos propriamente ditos ou como simples resultado da reacçSo da força vital. Elles formSo somente uma alteração dos devorsos paroxismos da acçao primitiva. ChamSo-se effei- tos alternos. 116. Alguns symptomas são provocados pelos medicamen- tos freqüentemente , isto he , n'um grande numero de in- divíduos , outros o são raramente , ou em poucos homens ; alguns outros o nüo são senão em certos indivíduos. 117. He a esta ultima cathegoria que pertencem as idiosyn^ crasias. Entendem-se por isto constituições particulares que bem que sans tendem a deixar-se pôr em um estado mais ou menos pronunciado de moléstia por certas causas, que não pa- recem fazer impresso alguma a maitas outras pessoas, e nel- las não produzir mudanças. Mas esta falta de acção sobre tal ou taes pessoas só he apparente. Com effeito como a produção de toda e qualquer mudança mórbida suppõe na substancia medicinal a faculdade de obrar, e na força vital que anima o organismo a aptidão para ser por cila affectada , as alterações manifestas de saude que tem lugar nas idiosyncrasias não po- dem ser unicamente atribuídas á constituição particular do individuo. Devem ser referidas no mesmo tempo às causas que as tem originado, e nas quaes hade residir a mesma in- fluencia para todos os homens , com a differença única de não se achar entre os homens sãos senão um pequeno numero que propenda a ser por ellas levado a estado tão evidentemente mórbido. Aprova de que essas potências fazem realmente im- pressão sobre todos os homens está em que ellas curão homoeo- pathicamente . em todos os doentes , os mesmos symptomas mórbidos similhanles aquelles que ellas parecem não provo- car senão nos indivíduos sujeitos ás idiosyncrasias. 118. Cada medicamento produz effeitos particulares no corpo do homem , e nenhuma outra substancia medicinal pode fazer nascer outros que idênticos sejão, 119, Assim como cada espécie de planta differe das outras 6 [ 42 ] tod.is por sua configuração, seu modo próprio de vcgelar e crescer , seu sabor, seu cheiro , assim como cada mineral dos outros differe pelas suas qualidades exteriores e proprie- dades chimicas , circunstancia que devia ter bastado para evitar toda a confusão , assim lambem todos os corpos difforcm entre si por seus effeitos morbiticos, e consequentemente por seus effeitos curativos. Cada substancia exerce sobre a sau- de do homem uma influencia particular c determinada que nao permitle que a coníundao com qualquer outra. 120. He necessário pois distinguir bem os medicamentos uns dos outros pois que delles he que depende a vida e a mor- le , a moléstia c a saude dos homens. Para isto he necessá- rio fazer com cuidado experiências puras, tendo por objecto descortinar as faculdades que lhes pertencem c os verdadei- ros effeitos que produzem nas pessoas sins. Procedendo as- sim se aprende a conhece-los bem, e a evitar todo o engano na sua applicação ao tratamento das moléstias , porque so- mente um remédio in;in escolhido pode restituir ao enfermo do um i maneira prompta e durável o maior bem da terra , a saude do corpo e da alma. 121. Quando se estudão os effeitos dos medicamentos robre o homem são não se deve perder de vista , que he já bas- lante administrar as substancias chamadas heróicas cm doses pouco elevada para que ellas produsão mudanças até mes- mo nas pessoas robustas. Os medicamentos de natureza mais branda devem ser dados em doses mais elevadas , quando também se quer experimentar sua acção. Em fim , quando se trata de conhecer a acção das substancias mais fracas, não se pode procurar para experimenlador senão pessoa isenta , sim de moléstia;, mas dotada contudo de uma constituição delicada irritavel e ssnsivel. 122. Para experiências deste gênero , de que dependem a certeza da arte de curar, e a saude das gerações futuras não se hade empregar senão substancias que bem so conhe- ção , ca respeilo das quaes se tenha a convicção de que sío puras, de que não forao falsificadas, e possuem toda a sua energia. 123. Cada um destes medicamentes deve ser tomado de- baixo de uma forma simples e isento de todo o artificio. Pelo quí respeita as p'antas indígenas espreme-se-lhe o suco e mstura-be com algum álcool para impedir que so corrom- [43] pa. Em quanto aos vegetaes estrangeiros pulveris;ío-se, ou então prepara-se delles uma tintura alcoólica , que se mistura com certa qualidade de água para se tomar. Os saes e as gomas em fim não devem ser desolvidos na água senão mes- mo no momento em que se vão tomar. Se não se pode obter a planta senão secca , e de sua natureza tem ella propriedades pouco enérgicas ensaia-se debaixo da forma de infasão , isto he , depois de havela cortado em pedacinhos cobre-se de água fervente em qu« se deixa por algum tempo; esta in- fusão deve ser bebida immcdiatamenle depois de sua pre- paração , e cm quanto ainda está quente ; porque todos os sucos de plantas, e todas as infusões vegetaes a que senão ajunta álcool passâo rapidamente á fermentação, á decomposi- ção , e assim perdem sua virtude medicinal. 124. Cada substancia medicinal que so submefte a en- saios deste gênero deve ser empregada só e perfeitamente pu- ra. Bem se devem abster de associar-lhe outra substancia extia- nha ou de tomar outro algum medicamento no mesmo dia ou ainda menos nos dias seguintes em quanto se quor obser- var os effeitos que ella he capaz de produzir. 12o. He necessário que o regimen seja muito moderado em todo o tempo da experiência. Deve-se prescindir quanto possivel de temperos, e usar somente de alimentos simples somente nutritivos , evitando com cuidado os legumes verdes, as raízes, as saladas e as sopas de hervas, comidas que apesar de cusinhadas conserváo sempre alguma energia medicinal qúe perturbaria os effeitos do medicamento A bebida ficará 'sen- do a mesma de que se usava ; será somente o menos eclimv lante que for possivel. 126. Aquelle que empreende "ma experiência deve evi- tar, em quanto ella dura , entregar-se a trabalhos fatigan- tes de corpo o de espirito . a deboe.lies , o a pnixoes desordena- das. He neces-ario que nimhum negocio urgente o impere de observar-se com cuiiado, o que elle mesmo dê escrupu- josa attenção a tudo que se passa no seu interior. <=s*>xi»s,. [44] 128. As observações mais recentes tem ensinado que as substancias medicinaes não manifestão decisivamente a to- talidade de suas forças , quando são tomadas em estado gros- seiro ou como a natureza as apresenta. Ellas não desenvolvem completamente suas virtudes senão depois de ter sido levadas a um alto gráo de diluição pela trituração e pelosacudimen- lo , modo o mais simples de manipulação que desenvolvo a um ponto incrível e põe em plena acção suas forças atè então latentes, e por assim dizer adormecidas. Reconhecido hc hoje que a melhor maneira de ensaiar , até mesmo uma subs- tancia reputada fraca , consiste em tomar em jejum por mui- tos dias quatro ou seis pequenos glóbulos ioibebidos na tri- gintessima deluição humedecidos com pequena quantidade de agoa. 129. Se tal dose só produz fracos effeitos pode-se para os tornar mais salientes e sensíveis augmentar cada dia a quan- tidade dos glóbulos até que seja a mudança apreciável. Por que um medicamento não affecta a toda a gente com a mes- ma força , e muita diversidade existe a este respeito. Yê-so algumas veies uma pessoa que parece muito delicada ser pouco affectada por um medicamento que se sabe ser muilo enérgico e que lhe fora dado em dose moderada entretanto que o ho fortemente por outras substancias muito mais fracas. Da mes- ma maneira ha indivíduos muito robustos que soffrem sym- ptomas mórbidos consideráveis por parte de agentes medici- naes brandos na apparencia , e que ao contrario sentem pou- co elTeito d'outros medicamentos mais fortes. Ora, como nun- ca se sabe previamente qual destes casos terá lugar he natural começar por pequena dose que se augmenta depois de dia a dia , se se julga necessário. 130. Se desde o principio e pela primeira vez se diurna dose assás forte resulta uma vantagem c he que a pessoa que se submette á experiência aprende logo qual he a ordem em que se suecedem os symptomas , e pode notar com exaclidâo o momento eu» que cada um apparece . cousa muito im- portante para o conhecimento do caracter doi medicamentos, porque a ordem dos effeitos primitivos e a dos effeitos alter- nos se mostra então de maneira menos equivoca. Muitas vezes taiebem uma dose muito fraca basta , quando o experiuicnta- dor he dotado de grande sensibilidade e quando se examina com muita attençao lim quanto á duração de acçao do me- dicamento essa não se chega a conhecer senão comparando a totalidade dos resultados de muitas experiências. [45] 131. Quando se he obrigado, para adquirir somente algumas noções, a dar por muitos dias seguidos doses propor- cionalmente maiores de um medicamento á mesma pessoa fi- cão-se conhecendo os diversos estados mórbidos que esta subs- tancia pode produzir em geral , mas nenhuma instrucção se adquire a respeito de sua suecessão , porque a dose seguinte cura muitas vezes um ou outro dos symptomas provocados pela precedente ou produ* em seu lugar um estado opposto. Symptomas desla natureza devem ser notados entre parenthe- ses como equívocos até que novas experiências mais puras tenhão decidido se se deve ver nclles uma reacção do orga- nismo ou um effeito alterno de medicamento. 132. Mas quando se tem em vista somente a indagação dos symptomas característicos de uma substancia medicinal , prin- cipalmente fraca , sem attender á suecessão desses symptomas, e á duração de acção do medicamento, he preferível augmen- tar quotidianamente a dose por muitos dias seguidos. O effei- to do medicamento ainda desconhecido, mesmo do mais bran- do , se manifesta desta maneira , principalmente em pessoa sensivel. 133. Quando o experimenlador sente qualquer encom- modo por parte do medicamento , he útil, he mesmo neces- sário para a determinação exacta do symptoma , que elle tome suecessivãmente diversas posições e observe as mudanças que lhesobrevôüa. Assim elle examinará se pelos movimen- tos imprimidos á parte molestada, pelo passeio em sua alcova ou ao ar livre , pela estação em pé, sentado , ou deitado, o symptoma augmenta, diminue ouse dissipa, e se volta ou não tomando-se a primeira posição, se muda bebendo ou comen- do , fallando , tossindo , espirrando , ou n'outro qualquer acto. Deve notar igualmente em que hora do dia ou da noite apparece elle de preferencia. Todas estas particularidades re- velão o que ha de próprio e característico em cada symptoma. 134. Todas as potências exteriores, e principalmente os medicamentos, tem a propriedade de produzir no estado do organismo vivente mudanças particulares , que varião para ca- da um delles. Mas os symptomas próprios de uma substancia medicamentosa qualquer não se mostrão todos na mesma pes- soa , nem simultaneamente , nem no decurso da mesma expe- riência ; vê-se pelo contrario a mesma pessoa soffrer de pre- ferencia umas vezes este outras aquelle symptoma na segun- da, na tcrceira'expcricncia,&c , de sorte que na quarta, oitava, [ « ] décima pessoa, etc. ver-sc-hão reapparecer muitos symptomas, que so mostrão jà na segunda , sexta, nona, etc. Os sympto- mas também não reapparecem ás mesmas horas. 135. He só por multiplicadas observações, em grande nu- mero de indivíduos dos dois sexos, e convenientemente esco- lhidos e tomados em todas as constituições, quo se chega a co- nhecer quasi completamente a reunião de todos os elementos mórbidos que um medicamento tem o poder de produzir. Não se tem certeza de saber os symptomas que um agente medicinal pode provocar , isto he , das faculdades puras que elle possue para modificar e alterar a saude do homem senão quando as pessoas que o cnsaião pela segunda vez nolão pou- cos accidentes novos a que elle dô lugar, e observão quasi sempre os mesmos que já tinhao sido notados por outras pes- soas. 136. Tosto que assim como dito foi um medicamento ensaiado no homem sao nao possa manifesíar n'uma só pes- soa todas as alterações de saude que elle he capaz de produ- zir e as não evidencie senão em certo numero dindividuas differentes uns dos outros pela constituição physica e pelas disposições moraes, não he por isso menos verdade que uma lei eterna e imutável da natureza lhes outorgou o poder de pro- vocar esses symptomas em todos os homens. (V. 110.) Daqui provêm que elle opera todos os seus effeitos, mesmo aquellos que raramente se observão no homem são, quando he dado a um doente que manifesta incommodossemelhantas aos que elle produz, administrado mesmo então em doses as mais fra- cas elle provoca no doente, se tem sido escolhido homoéopa- thicamente, um estado artificial próximo da moléstia natural, que a cura d'uma maneira rápida e durável. 137. Mais a dose do medicamento será moderada , sem com tudo ulírapassr certos limites mais também os effeitos primitivos , aquellcs que sobre tudo convém conhecer , serão salientes ; nem mesmo serão percebidos senão elles c nem ba- terá traço de reação. Nós suppomos por outra parte que a pessoa a quem a experiência he confiada ama a verdade, que ella he moderada a lados os respeitos, que tem sensibilidade bem desenvolvida, e que se observa com toda a alíenção de que he suscetível. Pelo contrario se a dose bc excessiva nao íomenle se hão do mostrar muilas reações entre os symptomas mas também os effeitos primitivos se hão de manifestar d um.; maneira (ao precipitada i.-*o \io|enla o tão confu-a qu1' bade [47 ] ser impossível fazer uma observação precisa. Ajuntamoá ainda o perigo que pode resultar para o esperimentador, perigo que nao hade olhar com indifférença aquelle que respeita os seus semelhantes e vê um irmão no ultimo homem do povo. 138. Suppondo que todas as condições assignaladas pre- cedentemente para que uma experiência pura seja validosa lenhao sido postas (v. 124, 127) os encommodos, os acciden- tes e as alterações de saude que se mostrão em quanto dura a acção do medicamento, dependem só desta Substancia edevern ser notadas como a cila pertencentes ainda mesmo que a pes- soa tivesae muito tempo antes sentido expontaneamente sym- ptomas semelhantes. A rcapparição desses symptomas du- rante a experiência provâo só que em virtude da sua consti- tuição essa pessoa tern uma disposição especial a que taes sym- ptomas n'ella se manifestem. No caso presente são effeitos do me- dicamento porque se não pode admittir que sejão vindos por si mesmos n'uui momento em que um poderoso agente medi- cinal domina toda a economia. 139. Quando o medico não tem experimentado o re- médio cm si mesmo , e o tem feito ensaiar por outra pessoa he necessário que esta escreva as sensações, encommodos accidentes, e mudanças quesoffre no instante mesmo em que os sente. He necessário também que ella indique o tempo de- corrido desde que tomou o medicamento até a manifestação de cada symptoma, e que faça conhecer a duração deste se se prolonga muito. O medico lê este relatório diante de quem fez a experiência immediatamente depois delia ser ter- minada ; ou se dura muitos dias , e lê cada dia afim de que o experimentador ainda lembrado possa responder as ques- tões relativamente a natureza precisa de cada symptoma e estar no caso de ajuntar novas observações que haja colhido e fazer as rectificações necessárias. 140. Se a pessoa não sabe escrever será necessário que cada dia o medico a interrogue para saber o que lhe acon- leceo. Mas este exame deve limitar-se em grande parte a ouvir a narração que ella lhe faz Elle se hade abster cuida- dosamente de adevinhar eu conjecturar : interrogará o me- nos possivel ou quando o faça seja com a mesma prudemeia , e icscrva que já recomendei (v. 81,99) como precau- ções indispensáveis quando se tomão informações para for- mar o quadro das moléstias naturaes. I í I. Mus de todas as experiências puras relativas as mu- [48 ] dança*? que Iodos os medicamentos simpliccs produzem no saude do homem, e aos symptomas mórbidos cuja nianiles- tação podem elles provocar no homem sêo, as melhores serão sempre aquellas que um medico dotado de boa saude, izento do prejuízos, e capaz de analysar as suas sensações fizer em si mesmo com as precauções que acabâo de ser prescriptas. Jamais se he tão certo de uma cousa como quando se a ex- perimenta em si. 142. Em quanto ao saber o que hade fazer-se princi- palmente nas moléstias chronicas , que pela maior parte não tem semelhantes . para descobrir entre os symptomas da ofec- ção primitiva alguns daquelles que pertenção ao medicamen- to simples apropriado á cura, isto he um objectode in- dagações que exige grande capacidade do juízo, e que he necessário abandonar aos mestres d'arte d observar. 143. Quando depois de ter experimentado desta manei- ra um grande numero de medicamentos simpliccs no ho- mem são se tiverem notado cuidadosa e fielmente todos os elementos de moléstia, todos os symptomas que elles podem produzir por si mesmas como potências morbificas artiliciaes, então somente se hade possuir uma verdadeira matéria medi- ca, isto he , um quadro dos effeitos puros e infalíveis de subs- tancias medicinaes simplices. Possuir-se-ha pois um có- digo da natureza no qual será inseripto um numero considerá- vel de symptomas próprios de cada um dos agentes que te- rão sido experimentados. Ora esses symptomas são os ele- mentos das moléstias artiliciaes com o socorro das quaes se hão de curar um dia ou outro muitas moléstias naturaes semelhantes. São os únicos verdadeiros iustrumentos IIo- moeopa ticos , isto he , especificos capazes d'obter curas cer- tas e duráveis. 144. Tudo o que he conjectura, asserçao gratuita ou ficção seja severamente excluido desla matéria medica. Não se deve encontrar nella«enão a linguagem pura da natureza interro- gada com cuidado e com boa fé. 14o. Seria necessário seguramente mui considerável nu- mero de medicamento* cuja acção pura no homem são fosse bem conhecida para que nós podessemos achar contra cada uma das inumeráveis moléstias naturaes que assaltõo o homem um remédio homoeopathico, isto he urna potência morbifica arti- ficial que lhe íosse análogo. Contudo graças à multidão d'cIo- [49 j mcnlos mórbidos que cada um dos medicamentos enérgicos sobre que se tem leito ensaio no homem são tem já permittido observar, já não ha desde hoje se não pequeno numero de mo- léstias contra as quaes se não possa achar entre essas substan- cias um remédio homceopathico soffrivel que restabeleça a sau- de d'uma maneira suave , segura e durável, isto he, com cer- teza infinitamente maior do que recorrendo ás lherapeutieas geraes e especiaes da medicina allopathica . cujas misturas de medicamentos desconhecidos náo fazem se não desnaturar c; aggravar as moléstias chronicas e retardar a cura das mo- léstias agudas. 146. A terceira parte da obrigação d'um verdadeiro me- dico he empregar as potências morbificas artiíiciaes (medica- mentos ) cujos effeitos puros sobre o homem são terá elle veri- ficado da maneira mais conveniente para operar a cura ho- mcüopathica das moléstias naturaes. 147. D'entre estes medicamentos aquelle cujos symptomas conhecidos tem mais semelhança com a totalidade dos que ca- racterisão una dada moléstia natural, essedeveser o remédio mais apropriado e certamente o mais homceopathico que se possa empregar contra essa moléstia ; esse he o remédio espe- cifico. 148. Um medicamento que possue a aptidão ea tendên- cia para produsir uma moléstia artificial tão semelhante quanto possivel á moléstia natural contra a qual s'imprega e que se administra em dose acertada, affecta precisamente, na sua acção dynamica sobre a força vital morbidamenle discorde, as partes do organismo que tinhao até então sido preza da moléstia natural, e excita n'ellas a moléstia artificial que por sua natureza pôde produzir. Ora esta em razão da sua simi- Ihitude e de sua preponderância substitue a moléstia nalura?. Segue-se que d'esde este momento a força vital automática não soffre mais por esta ultima e he só preza da primeira. Mas a dose do remédio tendo sido muito fraca a moléstia medicinal desaparece logo por si mesma. Vencida como lio. toda a léoçao medicinal moderada pela energia desenvolvida da força vital ella deixa o corpo livre de todo o sofrimento , isto he , em um estado de saude perfeita e durável. 1 ^9. Quando a aplicação do medicamento, escolhido de ma- neira que seja perfeitamente homoeopathico , he tem feita a moléstia natural aguda que se quer extinguir por mais ma- 7 [ 50 ] ligna e dolorosa que seja se dissipa em poucas horas, se he recente , ou em poucos dias se he mais antiga. Todo o soffrimento desaparece; não se vê nenhum ou quasi nenhum vestígio da moléstia artificial ou medica , e a saude se resta- belece por uma transição rápida e insensível. Pelo que diz respeito aos males chronicos, principalmente complicados, exigem elles mais tempo para curar-se. As moléstias medi- cinaes chronicas, que a medicina allopatica engendra muita vezes a pár da moléstia natural que não poudedistruir, pedem muitas vezes tempo, e até freqüentemente são tornadas incu- ráveis pelas subtrações de força e de sucos vitaes, que são o resultado dos meios de tratamento que empregao osallopathas. 150. Se alguém se queixa d'um ou dous symptomas pou- co salientes que só tenha percebido ha pouco , o medico nao deve vêr n'isto uma moléstia perfeita que reclame sérios so- corros da arte. Uma pequena modificação no regimen e no gênero de vida basta d'ordinario para dissipar tão ligeiras indisposições. 151. Mas quando os symptomas pouco numerosos de que se queixa o doente são violentos, o medico observador des- cobre ordinariamente muitos outros menos bem desenhados e que lhe dão uma imagem completa da moléstia. 152. Quanto mais aguda e intensa he a moléstia , tanto mais os symptomas que a compOesao d'ordinario numerosos e salientes, e lanto mais fácil he também achar-se um remé- dio que lhe convenha , uma vez que o-* medicamentos co- nhecidos na sua acçao positiva entre os quaes se haja d'esco- Iher sejão em numero sufficiente. Entre as series de sympto- mas d'um grande numero de medicamentos nao he difícil achar um que contenha os elementos mórbidos de que pos- sa compôr-se um quadro de symptomas muilo análogo á totali- dade dos symptomas da moléstia natural que se observa: ora he justamente este medicamento o remédio que se deseja. 153. Quando se procura um remédio homoeopathico es- pecifico,isto he, quando se compara a reunião dos signaes da moléstia natural com as series de symptomas dos medicamen- tos, para achar entre estes uma potência morbifica artificial, semelhante ao mal natural, cuja cura está em problema, he necessário sobre tudo e quasi exclusivamente atender aos symptoinas decisivos singulares, extraordinários e caracterís- ticos, porque he a esses principalmente que devem responder [ 51 ] os symptomas semelhantes, na serie daquelles que nascem do medicamento que se procura, para que este ultimo seja o re- médio com que melhor convenha emprehender a cura. Pelo contrario os symptomas geraes e vagos como a falta d'apetite, a dôr de cabeça, a languidez, o somno agitado etc. merecem pouca atenção porque quasi todas as moléstias e quasi todos os medicamentos produzem alguma cousa análoga. 154. Tanto mais a contra-imagem, formada com a serie dos symptomas do medicamento que parecem merecer pre- leroncia, incerra symptomas semelhantes a esses extraordiná- rios, salientes e característicos na moléstia natural, maior será a semelhança d'uirta parte, e de outra, e mais conveniente, homoeopathico e especifico na circunstancia ha de ser esse me- dicamento. Uma moléstia que não existe ha muito cede or- dinariamente sem graves incommodos, á primeira dose d'esse remédio. 155. Eu digo sem graves incommodos porque quando um remédio perfeitamente homoeopathico obra sobre o corpo, não ha senão os symptomas correspondentes aos da moléstia que sejãoeficases. que trabalhem por aniquilar estes tomando o soo lugar. Os outros symptomas muitas vezes numerosos que a substancia medicinal faz nascer e que em nada corres- pondem á moléstia presente quasi que se não mostrão, e o doente vai cada vez melhor. A razão está em que a dose d'um medicamento deque se quer faser aplicação homoeopathica nao carecendo de ser se não omito pequena, a substancia he muito fraca para manifestar symptomas queuaosejao homoeopa- thicos em partes do corpo isentas de moléstia. Ella não deixa pois obrar se ino esses symptomas homoeopathicos sobre os pontos do organismo que s.to já presa da irritação resultante nos ;ymptomas análogos da moléstia natural, afim de provocar n'elles a força vital enferma para fazer nascer urna afecção medicinal analogav porem mais forte, que extingua a moléstia natural. 156. Com tudo quasi que não ha remédio homoeopathico, por mais escolhido que tenha sido, que sobre tudo em dose muito pouco atenuada, não produza ao menos durante sua acção incommodos ligeiros com algum pequeno symptoma novo nos doentes muito irritaveis e muito sensíveis. He quasi impossivel com effeito quo os symptomas do medicamento cubrão tao exactamente as da moléstia como um triângulo a outro, cujos ângulos e lados sejão iguaes aos seos. Mas esta [52] anomalia, insignificante nflrn caso favorável, be remediada sem trabalho pela energia própria do organismo vivo e nem o doente a percebe, se não he dotado d'uma delicadeza ex- cessiva: o restabelecimento da saude nem por isso deixa de progredir, a não ser entravado por influencias médicas extra- nhas, erros de regimen ou paixões. 157. Mas ainda que he certo que um remédio homoeo- pathico administrado em pequena dose aniquila tranqüila- mente a moléstia aguda que lhe he análoga sem manifestar esses outros svmptomas não homoeopathicos, isto he.^setn ex- citar novos e graves incommodos ; com tudo acontece quasi sempre produzir pouco tempo depois de ter sido tomado pelo doente, no fim d'uma ou muitas horas segundo a dose, uma espécie de pequena agravaçao que se parece tanto com a affecção primitiva que o mesmo doente a toma por uma exa^ cerbação, de sua moléstia. Mas não he na realidade se nao uma moléstia medicinal muito análoga ao mal primitivo e que o excede um tanto na intensidade. 158. Esta pequena agravaçao homoeopathica do mal nas primeiras horas, feliz presagio que a maior parle das vezes annuncia que a moléstia vai ceder á primeira dose, está justa- mente na regra ; porque a moléstia medicinal deve natural- mente ser um tanto mais forte que o maj á extinção do qual he destinada se se quer que osobepuge e cure, assim como uma moléstia natural nao pode distruir e fazer cessar outra que se assemelhe se nao quando tem mais força e mais in- tensidade que ella ( V. 43, 48). 159. Quanto mais a dose do remédio homoeopathico he fraca, tanto mais o augmento aparente da moléstia he ligeiro e de cúria duração. 160. Com tudo como he quasi impossivel atenuar assás a dose dum remédio homoeopathico porá que e.te não sepi mais susceptível de corrigir sobrepujar e curar peifeitamente a moléstia que lhe he análoga concebe-se facilmente que toda a dose deste medicamento que não he a mais pequena pos- sível . pode ainda occasionar uma agravaçao homoeopathica nas primeiras horas que se seguem á sua administração. 161. Se eu refiro á primeira ou ás primeiras horas a agra- vaçao homoeopjthica , ou antes a acção primitiva do remédio homoeopathico, parecendo augmentar nu lauto ossvmpfo-- [ 53] mas da moléstia natural, esta detença se aplica as affecções agudas c sobre tudo recentes. Mas quando medicamentos cuja acção se prolonga muito tem de combater um mal antigo, e muito antigo , e por conseqüência deve uma dose continuar a « hrar por muitos dias seguidos, então se vêem aparecer de tempo a tempo, nos primeiros seis ou oito dias, alguns dos effeilos primitivos dos medicamentos, algumas dessas exacer- bações aparentes dos symptomas do mal primário, que durão uma ou muitas horas, em qu*»nto a melhora geral se pro- nuncia sensivelmente nos inlrevallos Decorrido este pequeno numero de dias a melhora produzida pelos effeitos primitivos do medicamento continua ainda por muitos quasi sem per- turbação geral. 162. Sendo ainda muito limitado o numero dos medica- mentos cuja acção verdadeira o pura he conhecida exactamen- te, acontece algumas vezes que só uma porção dos symptomas da moléstia que se vai curar se encontra na serie dos sympto- mas do medicamento mais homoeopathico, e que se he cons- trangido por conseguinte a empregar esta imperfeita potência morbifica artificial á falta de melhor. 163. Neste caso não se pôde esperar do remédio que se em- prega uma cura completa e isenta de inconvenientes. Veem- se sobrevir durante seu emprego alguns accidentes, que se nao notavao antes na moléstia, e que são symptomas acce^sorios dependentes do medicamento imperfeitamente apropriado. He verdade que este inconveniente não impede que o remé- dio anníquíle grande parte do mal, isto he, os symptomas mórbidos semelhantes aos symptomas medicinaes, e que d'aqui não resulte um começo bem pronunciado de cura ; mas ob- serva-se a provocação de alguus malles accessorios, que sómen - te sao bem moderados quando houve cuidado de atenuar muito a dose. 104 O pequeno numero de symptomas homoeopathicos que se eneontião entre os d > melicamento a que, á falta de melhor, se recorre, jamais prejudica a cura quando se compõe ern grande parte, de symptomas extraordinários que distin- guem e caracteri/âo a moléstia ; a cura sempre se segue sem graves inconvenientes. 165. Mas quando entre os symptomas do medicamento es- colhido nenhum se encontra que se assemelhe exactamente aos >;tmntoinas salientes e característicos da moléstia, c o nie- [ «»] dicamento não correspondo a esta senão a respeito de acciden- tes geraes e vagos (anxiedade, languidez, cephalalgia. etc.) o entre os medicamentos conhecidos outros nao ha mais homoeo- pathicos de que possa lançar-se mão, não pôde o medico espe- rar um resultado iminediato vantajoso da administração da remédio tão imperfeito. 166. Este caso he comtudo muito raro porque o numero de medicamentos cujo effeito puro he conhecido, tem augmen- tado nestes últimos tempos, e quando elle se dá os inconvenien- tes que se seguem diminuem logo que pôde em seguimento administrar-se um remédio cujos symptomas se assemelhem mais aos da moléstia. 167. Com effeito, se o uso do remédio imperfeitamente ho- moeopathico, que primeiro se empregou, produziu males ac- cessorios de alguma gravidade, nao se espera nas moléstias agudas que a primeira dose complete sua acçao toda inteira , antes que ella seja completa examine-se de novo o estado mo- dificado do enfermo, e adicciona-se o que ha de mais em symp- tomas recentemente apparecidos para formar com todos nova imagem de enfermidade. 168. Encontra-se então facilmente, entre os medicamentos conhecidos, um reme lio análogo, de que será bastante usar uma vez, se não para destruir de todo a moléstia ao menos para tornar a cura mais eminente Se este novo medicamento não basta para restabelecer a saude completamente torna-se a examinar o que ainda resta do estado enfermo e escolhe-se depois o remédio homoeopathico mais apropriado á nova ima- gem que se obtém. Continúa-se da mesma forma até que sn- tenha chegado ao fim, isto he, á cura.' 169. Pôde acontecer que examinando uma moléstia pela primeira vez, e escolhendo também pela primeira ve/ o remé- dio, se ache que a totalidade dos symptomas não he sufficiente- mente coberta pelos elementos morbificos de um só medica- mento, o que depende de serem poucos os bem conhecidos, e que dois remédios revalisem na convpniencia sendo um ho- moeopathico para tal porção de symptomas, e outro para ou- tra. Não he por isso ade/nissivel, empregando primeiro um destes remédios que parecesse mais conveniente empregar depois o outro porque tendo pela acção do primeiro mudado as circunstancias este nao conviria mais aos restantes sympto- mas; em semelhante caso será necessário examinar de novo o r L 55 ] estado da moléstia para julgar pela imagem delia que remédio homoeopathico convir» mais a seu novo estado. 170. Desta, como de todas as vezes que tiver havido mu- dança na moléstia, he necessário indagar o que he que ainda resta dos symptomas. e escolher um remédio tão conveniente quanto possivel ao novo estado presente do mal, seu» attender em nada ao medicamento que no principio parecia melhor de- pois daquelle que realmente servio. Nao hade acontecer mui- tas vezes que o segundo destes remédios seja ainda conveniente, Mas se depois de novo exame do estado da moléstia se acha ainda que elle convém será Í6to uma razão do mais para «,ue se lhe dê prelerencia. 171. Nas moléstias chronicas não venereas, nas que por conseqüência provêm da psora, muitas vezes ha necessidade de empregar um depois do outro, muitos remédios, cada um dos quaes, ou seja dado n'uma só dose ou seja muitas vezes repetido, deve ser escolhido homoeopathico ao grupo de symp- tomas que subsiste, ainda depois de finda a acção do prece- dente. 172. Uma difficuldade semelhante nasce do muito pequeno numero de symptomas da moléstia, circunstancia que merece igualmente fixar a attençao, pois que chegando a renova-la tem-se vencido quasi todas as difficuldades que, á parle e pe- núria de remédios, pôde apresentar este mais perfeito de todos os rnethodos curativos. 173. As únicas moléstias que parecem ter poucos sympto- mas, e por i*so prestar-se mais úifficilinente á cura, são aquel- las que se poderião chamar parciaes, porque não tem senão um ou dois symptomas salientes, que encobrem quasi todos os outros. Estas moléstias sao pela maior parte chronicas. 174 Seu symptoma principal pôde ser, ou um mal interno, por exemplo uma cephalalgia antiga, uma diarrhéa inveterada, uma antiga cardialgia, etc. ou uma lesão.externa. Estas ulti- mas affecções sao as que mais particularmente cbamão molés- tias locaes. 175. Pelo que diz respeito ás moléstias parciaes da primeira espécie, a falta de attenção da parte do medico he muitas ve- zes a única causa que impede de perceber os outros symptomas por meio dos quaes se poderia completar o quadroda moléstia. [ 50 ] 176, Ha comtudo algumas moléstias, em pequeno numera, que apesar de todo o cuidado com que se examinão no prin- cipio (84—98) nao mostrao se n?o um ou dois symptomas violentos, todos os outros náo existem se nao ein gráo pouco pronunciado. 177. Para tratar com suecesso este caso, alias muito raro, começa-se por escolher, pela indicação dos symptomas pouco numerosos que se percebem, o medicamento que parece ser o mais homoeopathico. 178. Poderá acontecer que esse remédio, escolhido segundo todas as exigências da lei homoeopathica offereça a moléstia artificial cuja analogia com a moléstia natural o torne apto a operar a destruição desta; e será isto tanlo mais possivel quan- to mais salientes, pronunciados e característicos forem os symp- tomas da moléstia natural. 179. .Mas o que acontecerá mais freqüentes vezes ho que elle não hade convir á moléstia senão em parte, e que não se lhe adaptará exactamente, porque a escolha não poderá ter sido feita segundo numero sufficiente de symptomas. 180. Ora, operando então contra uma moléstia a que não corresponde se não em parte, o medicamento provocará males accessorios, como no caso (162 e seguintes) em que a escolha fica imperfeita por penúria de remédios homoeopathicos. Elle fará então apparecer accidentes pertencentes á serie de seus próprios symptomas. Mas estes accidentes são igualmente symptomas próprios da mesma enfermidade, os quaes não li- nha o doente percebido ainda, ou não tinha soffi ido senão raras vezes, e que se desenvolvem, agora em mais subido gráo. Acci- dentes hão de apparecer agora ou se hao de exacerbar que o doente não percebia dantes, ou só sentia vagamente. 181. Hade ohjectar-se talvez que os u alies accessorios e os novos symptomas da moléstia que apparecem devem ser pos- tos à conta-do remédio que se administrou Tal he sua fonte na verdade. Sem duvida elles provém desse remédio (105) ; mas nem por isso deixão do ser symptomas que a moléstia por si mesma podia produzir nesse individuo. e o medicamento. na sua qualidade de provocador de symptomas semelhanlisos tem somente feito pronunciar-se. os tem determinado a appa- recer. N'uma' palavra, a totalidade dos svmplomns que se moslrão então deve sei considerada como pertencendo á mo- [ 57] Icstia, como sendo o seu verdadeiro estado actual, e he debaixo deste ponto de vista que he necessário encara-la para a tratar. 182. He assim que a escolha dos medicamentos, quasi ine- vitavelmente imperfeita por causa do pequeno numero de symptomas presentes, faz comtudo o serviço de completar a reunião dos symptomas da moléstia e facilita desta maneira a busca de segundo remédio mais homceopathico. 183. A não ser que a violência dos accidentes de novo de- senvolvidos exija promptos soccorros, o que deve ser raro, por causa da exiguidade das doses homceopalhicas, sobre tndo nas moléstias muito chronicas. he necessário, quando o primeiro medicamento nenhum bem mais produz, traçar novo quadro da moléstia segundo o qual se escolhe um segundo remédio hoinoeopatbico que seja justamente conforme ao estado actual. Esta escolha será tanto mais fácil quanto o grupo dos sympto- mas fòr mais numeroso e completo. 18V. Continua-se da mesma maneira, depois do effeito completo de cada doso, a notar o que ficou da moléstia e a marcar os symptomas que subsistem, e a imagem que resulta serve para achar o novo* remédio tao homoeopathico quanto possivel. Esta marcha he a que deve seguir se até à cura. 185. Entre as moléstias parciaes, as que são chamadas lo- caes occupâo lugar importante. Entende-se por ellas as mu- danças e os soffrimentos quo sobrevêm às partes exteriores do corpo. A escola tinha ensinado atè hoje que só estas partes ex- teriores erão affectadas cm taes casos, e que o resro do corpo nao tinha parte na moléstia ; proposição absurda em lheoria e que tem conduzido a applicaçoes as mais perniciosas. 186. D"entre as moléstias locaes aquellas cuja origem he recente e provêm só de umo causa exterior parecem ser as úni- cas que realmente merecem este nome. Mas ho necsssario en- tão que a lesão seja bem pouco grave; porque quando ella tem alguma importância todo o organismo se recente, a febre se declara, etc. Pertence 6 cirurgia tratar estes males em quanto são necessários soccorros mechanicos para remover ou destruir obstáculos também mechanicos à cura que ella mesma nao pôde esperar senão da (orça vital. Neste caso estão, por exem- plo, as reducções, a união das feridas, a extracção de-corpos estranhos que tem penetrado nas partes vivas, a abertura das cavidades sphlenchnicas ou para extrahir um corpo que sobre- 8. I :>81 rarrega a economia ou para dar sabida a derramamentos ou ndlecçoes de liquidos, etc. Mas quando por occaziáo de se- melhantes lesões o organismo inteiro reclama soccorros dyna- micos açtivos para ser posto em estado de completar a cura, quando, por exemplo, tem necessidade do recorrer a medica- mentos internos para extinguir uma febru violenta proveniente de uma pisadura, de uma dilaceração das partes molles, mus- * culos, tendoes. vasos, quando he necessário combater a dôr causada por uma queimadura ou uma caulerisaçao, então co- moção as funcções do-medico dinâmico,o são necessários os soccorros da homoeopathia. 187. .Mas o contrario acontece com os malles. alterações ou sofiiímentos que sobrevêm á superlicie do corpo sem ter por (.msa nua violência,externa, ou quando muito seguidos a uma lesão exterior quasi insignificante. Estas moléstias tem sua <>rig.«m n'uma aliccção interior. He pois tao absurdo como perigoso dal-oá por symptomas puramente locaeS, e tratal-os exrlu .ivaimv.ie ou quasi so por applicaçoes tópicas, como se se lra!,as>e d.; um caso cirúrgico, como tem feito até hoje os mé- dicos de todos os séculos. '88. Dá se a estas moléstias o epitheto de locaes porque se neredila serem affecções exclusivamente lixas nas parles exte- riores, nas quaes o organismo toma pouca ou nenhuma parte 'oino quem ignora sua existência. 189. Comtudo basta a menor reflexão para conceber que um mal externo , que não tem sido occazionado por huma vio'encia exterior, nem pôde nascer, nem persistir nem tao jmueo peorar sem uma causa interna, sem a cooperação do organismo inteiro, sem quo por conseqüência esteja este en- fermo. Não se havia de uuinifestar->e a saude geral não esti- vesse alterada, soa força vital dominante, se todas as partes i. sensíveis e irritaveis, se todos os órgãos nao tomassem parte nelle. Sua produc.io nem mesmo seria concebivel se nao fosse o resultad . de una alleraçio da vida inteira, tão ligadas umas ás oulrassa,) todas as partes do corpo formando um todo indi- visível no que diz respeito á maneira de sentir e de obrar. N".o pó.le apparecer uma erupção nos lábios, um panaricio, etc. sem que precedente ou simultaneamente deixe de haver uIiílüii desarranjo interior no individuo. 19;). Ti,d..i o verdadeiro tratamento medico de um mal so- bi;:vindo ú.-> parte- exteriores do corpo fom que violência exle- [ 59] rior lhe tenha dado causa deve ter por fim o aniquilamento o a cura do mal geral que sotTrc todo o organismo a favor de re- médios internos. He só desta maneira que elle pôde ser racio- nal seguro e radical. 191. Esta proposição he posta fora de duvida pela experiên- cia que mostra que todo o remédio interno enérgico produz immediatamenle depois de ter sido administrado mudanças consideráveis no estado geral do doente, e em particular nc» das partes exteriores aíícctadas, que a medicina vulgar olha como isoladas mesmo quando estas partes são situadas nas ex- tremidades do corpo. E estas mudanças são de natureza a mais salutar: ellas consistem na cura completa do homem fa- zendo desapparecer ao mesmo tempo o mal local sem que seja necessário empregar remédio algum exterior, uma vez que o remédio interior que se dirige contra toda a moléstia tenha sido bem escolhido e seja perfeitamente homceopathico. 192. A melhor maneira de chegar a este fim consiste, quan- do se examina a moléstia, em tomarem consideração nao so- mente o caracter exacto da affecção local, mas ainda todas as outras alterações que se notão no estado do doente sem que possão attribuir-se á acção dos medicamentos. Todos estes svmptomas devem ser reunidos n'um quadro completo afim de ijuese proceda á escolha de um remédio homceopathico conve- niente entre os medicamentos cujos symptomas mórbidos são conhecidos. 193. Este remédio, dado s'ó interiormente, e n'uma só dose quando o mal he recente, eo a thico pela totalidade dos symptoma'* fosse em iv^ado nao so- mente ao interior, mas ainda ao exterior, e quo um u., 1.ca- rne n to applicado mesmo sobre o lugar enferm.. deveria produ- zir uma mudança mais rápida. 197. Mas este methodo deve ser regeitado não somente nas affecções locaes que dependem do miasma da psora, mas ainda n'aque|las que provêm do miasma da syphilis ou da sycose. Porque a applicação simultânea do medicamento ao interior e ao exterior nas moléstias que tem por symptoma principal um mal fixo local, tem o inconveniente grave de que a aflec- çáo exterior desapparece de ordinário mais depressa que a mo- léstia interna ; o que pôde fazer crer erradamente que a cura está completa, ou pelo menos tom h difficil, e ás vezes impossí- vel julgar se a moléstia total ha sido anniquilada pelo romedio dado interiormente. 198. O mesmo motivo deve fazer regeitar a applicação pu- ramente local aos symptomas exteriores de uma moléstia mias- matica de medicamentos que tem o poder de curar esta, dados interiormente. Porque, limitando-se a supprimir localmente esses symptomas, urna obscuridade impenetrável se estende de- pois sobre o tratamento interno necessário ao restabelecimento perfeito da saude: o symptoma principal, a affecção local, desappareccndo, mais não fica do que outros symptomas muito [Gl ] menos significativos c constantes, que muitas vezes sSo mui pouco característicos para que possão compor uma imagem clara e completa da enfermidade 199. Não sendo encontrado ainda o remédio homoeopa- thico da moléstia quando o symptoma local he destruído pela cauterisação, excisão ou applicações dessicativas, o caso se tor- na muito mais embaraçado por causa da incerteza e da incons- tância dos outros symptomas que ficão ainda; porque o symp- toma externo, que melhor que nenhuma outra circumstancia poderia ter guiado na escolha do remédio e indicado por quan- to tempo se devia applicar ao interior para anniquilar inteira- mente a moléstia, acha-se subtrahidoã observação. 200. Se este symptoma ainda existisse podia-se achar o re- médio homoeopathico conveniente ao todo da moléstia; este remédio uma vez descoberto, a persistência da aíTecção local an- nunciaria que a cura não era ainda perfeita, em quanto que a sua desapparição provaria que se tinha extirpado o mal pela raiz e que a cura era absoluta ; vantagem esta que se não sabo assás apreciar. 201. He evidente que a força vital sobrecarregada por uma moléstia chronica de que não pôde triumphar por sua própria energia, nao se decide a fazer apparecer urna moléstia local rrurna parto exterior qualquer, senão para acalmar, abando- nando-lhe órgãos cuja integridade não he absolutamente ne- cessária á existência, um mal interno qne ameaça quebrar as molas essenciaes da vida e destruir a vida mesma. Seu fim he de alguma maneira transportar a moléstia de um lugar para outro, e substituir um mal externo a um mal interno. A affec- ção local faz calar desta maneira a moléstia interior mas sem po- der cura-la nem diminui-la essencialmente. O mal local não he comtudo mais que uma parte da moléstia geral, mas uma parte que a força vital orgânica tem engrandecido muito, e que transportou para a superlicie exterior do corpo, onde o perigo be menor, afim de diminuir outro tanto a affecção in- terior. Mas esta ultima nem por isso fica curada; pelo contra- rio pouco a pouco progride de sorte que a natureza he obriga- da a engrandecer eaggravar também o mal local afim de que possa continuar a substituir aquella até certo ponto, e dar-lhe algum alivio. Assim he que as velhas ulceras engrandecem em quanto a psora interna se não cura, e os cancros augmen- tão de extensão em quanto fica incurada a syphilis interna, e [ 62 ] pelo tempo adianle a moléstia total toma desenvolvimento maior, e adquire mais intensidade. 202. Se o medico imbuído pelos preceitos da escola ordi- nária destroe o mal local com remédios externos, na persuação em que está de curar assim a moléstia Ioda, a natureza substi- tue este symptoma augmentando os soffrimenlos interiores e os outros symptomas que, com quanto existissem ját parecião ter ficado adormecidos, isto he, exaspera a moléstia interior. He portanto falso que, como se diz, os remédios externos tenhão feito entrar o mal local para o interior do corpo, ou que o te- nhão transportado para os nervos. 203. Todo o tratamento externe de um symptoma local que tem por fim extingui-lo na superfice do corpo sem curar a moléstia miasmatica interna, que por exemplo, tendo a des- truir a erupção sarnosa da pelle por meio de uncçóes, fazer cicatrisar um cancro cauterisado-o, destruir uma excrecencia pela ligadura ou pela applicação do ferro cm brasa, este perni- cioso methodo, tao geralmente empregado hoje, he a principal fonte das innumeraveis moléstias chronicas, que tem ou não tem nome, debaixo de cujo peso geme a humanidade inteira. He uma das acções mais criminosas de que a medecina se tem feito culpavel. Comtudo tem-se elle praticado geralmente até hoje. c nem mesmo outra regra de proceder hoje se encina nas escolas. 204. Exceptuando as moléstias chronicas que dependem da insalubridade do gênero da vida habitual e essas innumera- veis moléstias medicamentosas, que são produsidas por falços. e perigosos methodosde tratamento, cujo emprego tanto hão prolongado os médicos da antiga escola contra moléstias mui- tas vezes bem ligeiras, todas as outras moléstias chronicas, sem, excepção, dependem de um miasma chronico, da syphilis, da. sycose, mas sobre tudo da psora, queestava,em posse de lodo o or- ganismo, e lhe penetrava todas as partes já antes da apparição. do symptoma primitivo, erupção, cancros e luitoos ou excre- cencias, e que, extrahido esto symptoma, se manifesta cedo ou, tarde, fazendo nascer uma multidaodoaffccçocs, que nao scrião tão freqüentes se os médicos tivessem cuidado sempre de curar radicalmente os próprios miasmas, o extingui-los no organismo. com remédios homoeopathicos internos, sem atacar seus symp- tomas locaes por tópicos. 032. O medico Ir mocopalh i ja rinrs (rata os symptoin?5 [63] primitivos dos miasmas chronicos, nem tão pouco os malles secundários resultantes de seu desenvolvimento por meios lo- caes obrando dynamica ou mechanicamente. Quando uns ou outros apparecem, elle trata de curar unicamente o grande miasma que he a base; desta maneira os symptomas primitivos e ossecudarios desapparecem por si mesmos. Mas como este methodo não he o que se tinha seguido antes delle, e desgra- çadamente elle encontra as mais das vezes os symptomas pri- mitivos ja desvanecidos no exterior pelos médicos precendentes, tem muitas vezes de oecupar-se dos symptomas secundários, dos malles provocados pelo desenvolvimento dos miasmas e sobre tudo das moléstias chronicas nascidas de uma psora in- terna. Eu remetto neste ponto a meu Tratado dai moléstias chronicas, no qual a marcha que se deve seguir a indiquei tão rigorosa quanto era possivel a um só homem fazer depois de longos annos de experiência, de observação e de meditação. 206. Antes de empreender a cura de uma moléstia chronica he necessário indagar com o maior cuidado se o doente tem sido infectado de moléstia syphilitica ou de gonorrhéa; por que sendo assim o tratamento deverá sofrer uma inpulsão especial neste sentido, e athe mesmo não ler outro fim, se existem só signaes de syphilis ou sycose. o que hoje he muito raro. Porem mesmo no caso em que tivesse de curar a psora he necessário igualmente procurar saber se uma infecção deste gênero teve lugar, porque então haveria complicação das duas moléstias, o que lem lugar quando os signaes não são puros, por que sempre ou quasi sempre quando o medico julga ter presente uma antiga moléstia venerea he principalmente uma compli- cação de syphicis e psora que se lhe oiíerece, sendo o iniasrna psorico interno a causa fundamental mais freqüente de molés- tias chronicas, que muitas vezes as manobras aventureiras da allopalhia vem ainda desfigurar e exasperar monstruosamente. 207. Sc o que pfecéde be verdade, o medico homoeopatha de e ainda informar-Se dos tratamentos allopathicos a que a pessoa que sofre de moléstia chronica tem sido submellida athe e.itão, dos medicamentos de que tem usado com preferencia e mais freqüentemente, das agoas mineraes a que reccorreo, e ofleilo que ellas produsirao Estes apanhamentos lhe sao ne- cessários para conceber athe que ponto a moléstia degenerou do seu estado primitivo, corrigir cm parte essas alterações nr- leíiciaes, se isso he possivel, ou ao menos evitar os medicamen- tos de que até então se abusuu. [ 6* ] 208. A primeira cousa que ha logo a fazer he indagar a idade do doente, seu gênero devida e seu regimen, suas occupações, sua situação domestica, suas relações sociaes etc. Examina-se se estas diversascircunstancias contribuem para aug- inentar o mal e até que ponto ellas podem favorecer o trata- mento ou ser-lhe desfavorável. Não se deixara tão pouco de indagar se a disposição do espirito e a maneira de pensar do enfermo põe obstáculo à cura, se he necessário fazer-lhes to- mar nova direcção, favorece-los ou modifica-los. 209. He somente depois de muitas conlerencias consagra- dos a colher estes dados preliminares, que o medico procura traçar conforme as regras precedentemente expostas um quadro tão completo quanto possivel da moléstia a fim do poder notar os symptomas salientas e carachristicos segundo os quaes esco- lhe o primeiro remédio antipsorico ou outro, tomando por guia uo principio do tratamento á analogia dos symptomas ta- manha quanto possível. 210. A' psora se referem quasi todas as moléstias que cha- mei ja parciacs, e que parecem mais deficeis de curar em razão desse mesmo caracter, consistindo em que todos os seus outros accidentes desapparessem ante este grande symptoma predo- minante. Aqui enlrão as moléstias do espirito e da moral. Estas affecções nao for/não comtudo uma classe á parte e in- teiramente separada das outras; porque o estado moral e do espirito muda em todas as moléstias chamadas corporaes, e se deve compreende-lo entre os symptomas principaes que impor- ta notar, quando se quer traçar uma imagem fiel da moléstia, pela qual se possa combater o mal homooopathicamente com bom resultado. 211. Isto vai tão longe que o estado moral do doente he muitas vezes o que decide principalmente a escoiia do remé- dio homoeopathico: porque este estado be característico, um daquelles que menos deve deixar escapar um medico habituado a fazer experiências exactas. 212. O creador das potenciqs] medicinaes attendeo singu- larmente a este elemento principal de todas as moléstias, a al- teração do estado moral e do espirito; porque não existe um só medicamento heróico que deixe de operar uma mudança notável no gênio e na maneira de pensar do individuo são a que se administra, e cada substancia medicinal produz esta mudança a teu modo. [63 ] 213. Nao so curará jamais de uma maneira conforme à na* tureza, isto he, hoinoeopathicamcnte, em quanto em cada caso individual de moleslia, ainda mesmo aguda, não se attender simultaneamente, ao symptoma de mudança sobrevinda no ario em primeiro lugar descrever exaclamente todos aquellcs que a moléstia corporal offerecia antes do momento em que, pelo predomínio do symptoma moral, degenerou em affecção do espirito e da a ma. Essas informações serão forne- cidas pelas pessoas que tem estado com o enfermo. 219. Comparando esses precedentes symptomas de moléstia corporea com os traços que ainda subsistào, quasi apagados, e que mesmo ainda se tornão ás vezes sensíveis n'algum lúcido intervallo ou quando a moléstia mental experimenta diminui- ção passageira, ficar-se-ha convencido de que posto que en- cobertos não tinhao elles deixado de existir. 220. Acrescentando a isto o estado do moral e do espirito queoscircunstantes o e medico tiverem observado como maior cuidado tem-se urna imagem completa da moléstia e pode-se proceder á busca de um medicamento homoeopathico pioprio para cura-la. isto he, se a affecção mental dura ha muito tem- po, á busca de um dos meios antipsoricos que tem a proprie- dade de produzir symptomas semelhantes, e principalmente uma desordem análoga nas faculdades moraes. 221. Comtudo se o estado de socego e tranquillidade ordi- nárias do enfermo foi subitamente substituído, debaixo da in- fluencia do medo, dos desgostos, de bebidas espirituosas, etc. pela demência ou pelo furor, oflérecondo assim o caracter de uma moléstia aguda, nào se pôde, posto que a affecção pro- venha quasi sempre deuma psora interna, procurarcombatel-a immediatamente pelo emprego de remédios anlipsoricos. He necessário primeiro oppor-lbe medicamentos apsoricos, por exemplo o aconito. a belladona, o strainonio, etc. em doses extremamente fracas afim de acalmal-o bastante para trazer a psora á sua precedente condição latente, o que faz parecer o doente restabelecido. [67] 222. Mas não se julgue que ficou curado o sugeito assim livre de uma moléstia aguda do moral e do espirito com remé- dios apsoricos. Longe disso, he necessário ter pressa em faze-r Io passar por um tratamento antipsorico prolongado, para o desembaraçar do miasma chronico, que na verdade se tornou latente, mas que nem por isso está longe de reapparecer. Não ha ,que recear accessos semelhantes ao que se remediou, quan- do o enfermo fica submisso ao gênero de vida que se lhe sabe prescrever. 223. Mas se não se recorre ao tratamento antipsorico, pó- de-se ficar quasi certo de que bastará uma causa muito menor que a que provocou a primeira apparição de mania, para fa- zer apparecer segundo accesso mais grave e mais prolongado, durante o qual a psora se desenvolverá quasi sempre de uma maneira completa, c degenerará n'uma alienação mental pe- riódica ou continua, cuja cura será mais difficil de obter pelos antipsoricos. 224. No caso em que a moléstia mental não estivesse intei- ramento formada, e cm que se estivesse na duvida de ser ella realmente o resultado de uma affecção corporea, ou ser antes a conseqüência ue educação mal dirigida, de máos costumes, de moral pervertida, de espirito inculto, de superslição ou de ignorância, o seguinte meio poderia tirar de duvidas. Far-se- hão ao doente exortações amigáveis, dar-se-Lhe-hão motivos de consolação, far-se-lhe-hão serias advertências, propor-se- lhe-bão sólidos raciocínios: se a moleslia do espirito não pro- vêm senão de moléstia corporea, bem depressa hade ceder; mas se o contrario tem lugar, o mal hade peorar rapidamente, o melancólico ficará mais sombrio, mais abatido e mais incon- solavel, o maníaco mais malicioso e mais exasperado, o demen- te mais imbecil. 225. Mas ha também, como acabamos de vêr, algumas mo- léstias mentaes, em pequeno numero, que nào provêm unica- mente de degeneração de uma moléstia corporea, e cjue, es- tando mesmo o corpo bem pouco affectado, tirão a sua origem de affecções moraes taes como um pesar prolongado, mortifi- eações, aborrecimento, offensas graves, e sobre tudo o receio e o terror. Estas também com o tempo influem sabre a saude do corpo, ea compromeltem muitas vezes consideravelmente. 226. He só nas moléstias mentaes assim engendradas e ali- mentadas pela alma que se pôde contar com os cemedios rao~, racs, mas ainda somente quando são recentes e não tem aít&— [ 68 ] r.ido muito o estado do corpo. Nestes casos he possível que a confiança que se testemunha ao doente, as exortações benevo- las que se lhe prodigao, os discursos sensatos que se lhe ende- reçao, e muitas vezes uma decepção encoberta com arte resta- belcção promptamente a saudo da alma, e com a assistência de um regimen conveniente restituão o corpo ás condições do es- tado normal. 'i27. Mas estas moléstias tem igualmente por causa um miasma psorico, que só não eslava ainda em estado de.se de- senvolver completamente, e a prudência exige que se submet- ia o individuo a um tratamento antipsorico radical, se se quer evita-- que elle recaia na mesma affecção mental, o que acon- tece facilmente. 228. Nas moléstias do espirito e do moral, produzidas por uma affecção do corpo, cuja cura se obtém somente por uni medicamento homceopathico antipsorico, ajudado por um gê- nero de vida sabiamente calculado, he bom entretanto ajuntar a esles meios um certo regimen a (pie a alma deve ficar sub- mettida. lie necessário que a esle respeito o medico, e as pes- soas que cerc 10 o doente conservem escrupulosamenle para com este a conducla que tiver sido julgada conveniente. Ao maníaco furioso oppoe-se o soe go e o sangue-frio de uma vontade firme inaccessivel ao temor; aquelle que mamFtsta seus soffrimentos por queixumes e lamentações testemUnha-se urna muda compaixão pela expressão da physionomia e pelo caracter dos gestos; escuta-se ern silencio a loquasidade do in- sensato, sem deixar perceber que se lhe dá altenção, couvo se faz ao contrario com aquelle cujos actos ou discursos são revol- tantes. Pelo que diz respeito aos estragos que um maníaco po- deria commelter, basta prevenil-os ou impedil-os sem jamais os reprehender, e he necessário tudo dispor para que jamais se recorra! aos castigos e lormcntos corporaes. Este ultimo pre- ceito he iv.ánto mais fácil de executar quanto o uso dos meios coercivos, nem mesmo encontra desculpa na repugnância do doente a tomar remédios; visto que no methodo homoeopa- thico as doses são tão fracas que jamais as substancias medici- naes se descobrem polo sabor ; e podem-se fazer tomar ao doente na lbebida sem que elle pressinta. 229. A contradição, .as adrnoestações mui ásperas, as re- prehensões muito acerba', ea violência convém tão pouco como umacondesi tendência fraca e limida.e não menos que ei! ís preju- dicâo no tra lamento das moléstias mentae*, Masb.9 •':!>r- Uilo j [69] ironia, e a decepção, que elles podem perceber, que irritão os maníacos, e agravão seu estado. O medico e os enfermeiros devem sempre parecer que estão certos de que o doente gosâ de sua razão. Deve haver lambem cuidado em afastar todos os objectos exteriores que possão perturbar-lhe os sentidos e alma. Não ha distracção para esses espíritos envoltos n'uma nuvem. Para essas almas revoltas ou languidas encadeadas n'urn corpo enfermo nem ha recreações salutares, nem meios de esclareci- mento, nem possibilidade de acalmar-se por palavras, por lei- tura ou d'outra fôrma. Nada as pôde acalmar senão a cura. A tranquillidade e o bem estar não entrao nessas almas senão quando o corpo recupera a saude. 230. Se o remédio antipsorico de que se fez escolha para um caso dado de alienação mental, affecção que se sabe diver- sificar ao infinito, he perfeitamente homoeopathico á imagem fiel do estatá mais tranquillo, tem mais liberdade de espirito , renasce-lhe coragem , e todas as suas maneiras se tornão por assim dizer mais naturaes. O contrario tem Iug*r se a moléstia peora , mesmo por pouco que seja; p rcebe-se no humor e no espirito do en- fermo, em Iodas as suas acções, em todos os seus gestos, em Iodas as posições que e!le toma, alguma cousa de in- sólito que não escapa a um observador attenlo. mas que he muito custoso descrever. 254. Se seajunta ainda, ou a aiparição de novos sympto- mas, ou a exacerbação dos queexistião já, ou pelo contrario a diminuição dos symptomas primitivos, sem que se lenhão manifestado novos, o medico dotado de um espirito observa- dor e penetrante não poderá duvidar de que a moléstia tenha- se agravado ou melhorado, posto que entre os doentes muitos se encontrão incapazes de dizer se vão melhores ou peores e alguns mesmos que o não querem dizer. 25ò\ Comtudo, mesmo neste ultimo caso, pode-se chegar a uma plena e inteira convicção revendo todos os svmptomas que forão notados no quadro da moléstia, e extininando-os um por um com o mesmo enfermo. Quando este não aceusa novos symptom.is, de que não linha fallado antes, quando ne- nhum dos antigos accidentes se a7") provocada pe"a substancia medicinal, e neste ultimo caso con- cluir daqui que a dosw nio foi assaz fraca. 236. Por outra parte, se o doente aceusa algum symptoma novo imporiante, annunciando que o medicamento não foi perfeitamente homoeopathico. embon elle diga que vai me- lhor, o medico longe de o acreditar deve ao contrario consi- derar seu estado como mais grave que d'antes, e brevemente so convencerá com seus próprios olhos. 257. O verdadeiro medico deve fugir de tomar affeição a [77] certos remédios que o acaso lhe lera feito empregar com van- tagem muitas vezes. Esta predilecção lhe faria muitas vezes esquecer outros que serião mais homoeopathicos e por isso mais efficazes. < 258. Evitará igualmente prevenir-se contra os remédios que lhe tiverem feito soffrer algum revez, porque elle he que os tinha escolhido mal. Sem cessar terá presente ao espirito esta grande verdade que, de todos os medicamentos conheci- dos um só merece a preferencia, aqucdle cujos symptomas tem mais semelhança com a totalidade dos que caracterisão a mo- léstia. Nenhuma pequena paixão deve ser escutada em negocio tão sério. 2S9. Como he necessário na pratica homoeopathica que as do.res sejão muito fracas, concebe-se facilmente que he neces- sário ala tar do regimen e do gênero de vida dos doentes tudo o que poderia exercer sobre elles uma influencia medicinal qualquer, afim de que o effeito de dose* tão exiguas não seja extineto, ultrapassado ou perturbado por nenhum estimulan- te estranho. 260. He sobre tudo nas moléstias chronicas que impe ta af- fastar com cuidado todos os obstáculos deste gênero, pois que já ellas são ordinariamente ag avaclas por elles, e por outros erros de regimen muitas vezes desconhecidos, 261. O regimen que melhor convém nas moléstias chroni- cüs, emquanto se está em uso de medicamentos, consiste em afastar tudo o que poderia obstar á cura, e em fazer apparecer, quando necessárias, as condições inversas, prescrevendo per exemp'o as distracções innocontes, o exercício activo ao ar li- vre e sem attenção ao tempo , os alimentos convenientes, nutritivos e isemptos de propriedades medicinaes, etc. 262. Nas moléstias agudas, pelo contrario, excoptuada a alienação mental, o instincto consprvador da vida (alia tão clara e precisamente que o medico não tem que recommen- dar aos assistentes que contrariem a naturesa recuando ao doente aquillo que elle pede com instância, ou procurando persuadil-o a que tome o que lhe poderia ser nocivo. 263. Os alimentos e bebidas que pede uma pessoa atacada [78 ] de moléstia aguda não são pela maior parte verdadeiramente senão paliativos ou aptos quando muito para produ/ir algum alivio momentâneo ; mas elles não tem qualidades propria- mente medicinae* e respondem somente a uma espécie de ne- cessidade. Uma vê; que a satisfação que se dá desta maneira ao enfermo seja contida em justos limites, os fraco» obstacuhis que ela poderia oppor á cur.i radical da moléstia são cobertos, e muito, pela potência do remédio homoeopathico, pela li- berdade em que se deixa a força vital, c pela tranqüilidade qin? se segu > á posse de um objeclo ardentemente desejado. A temperatura do quarto, e a cobertura devem igualmente ser reguladas pelos desejos do enfermo, nas moléstias agudas. Ter-se-ha cuidado em afagar do enfermo tudo o que p daria causar-lhe algum constrangimento, ou aha'ar sua moral. '265- O verdadeiro medico não pode contar com a virtude dos medicamentos senão quando os possue lão puros tão per- feitos quanto he possivel. Eli» tem pois de saber por si mesmo apreciar-hes a puresa. 265. He psra elle um caso de consciência ter intiim con- vicção de que o doente torne sempre o remédio que real- mente lhe convém. 266. Assubstancias provcnienl-s do reino animal, c do ve- getal não gosão planamente de suas virtudes senão quando crua?. 267. A mari"ira mais perfeita r mais certa d<" ficar senhor da virtude medicinal das plantas indígenas qu<- se podem obter fr> scas, consiste em expremer-die o sueco, que imme- diatamenle se mistura com parto igual de álcool. Deixa se a mistura em quielação por vinte equat'0 horas, em um fiasco rolhado, e, depois de ter decantado o liquido claro, no fundo do qual se acha um sedimento fibroso e albuminoso, se d n- ferva para uso da medicina. O álcool ajuntado ao sueco se oppõe ao desenvolvimento da fermentação, tanto no presenlo como no futuro, conserva-se o liquido a abrigo dos raios do sol em frascos de vidro bem rolhados. Desta maneira a virtu- de medicinal das plantas se conserva inteira, pcrfeiía, e sem a menor alteração. 268. Em quanto ás plan'as, cascas, grãos e raizes exóticas, que se i ao podem obter frescas, um medico sábio não acei- tará jamais seu pó debaixo da pa'a\ra d ou rem. Antes de [79 ] Usar del'as na pratica qucrer-se-ha le-las inteiras e náo pre- paradas a fim de poder ficar certo de sua puresa. 269. Por um processo que lhe he próprio, « que jamais foi nnles delia en*aiado, a medecina homoeopathica desenvolve de t..l sorte as virtudes medicinaes dynarnicas das substancias grosseiras, que ella faz apparecer uma acção das mais pene- trantes em todas, mesmo naqncllas que, antes de ser assim tratadas, não exercido a menor influencia medicamentosa so- bre o corpo do homem. 270. Tomão-se du»s gotas da mistura em parles iguaes de um sueco vegetal fresco com álcool, fizem se cair sobre no- venta o nove gottas de álcool, e dão-se duas fortes sacudidelas ao frasco que contem o 'iquido. Tem-se depois mais vinte e nove fiascos contendo até aos dois terços da sua capacidade noventa e novo gottas de álcool e em cada um desles frascos se deita successivamenle uma gotta do liquido do frasco pre- redenle tendo cuidado do dar duas sacudidelas a cada frasco. O ultimo, ou trigessimo contem a d luiçao no decilionessimo gráo de potência (X), aquella que se emprega mais vezes. 271. Todas as outras substancias destinadas aos usos da medicina bomoeopaihica, como os mplaes puros, os oxdos e í-ulphuretos metálicos, outras substancias mineraes, o p< tro- lio, o phosphoro, as part< s e suecos de plantas que se não po- dem obter senão seccas, as substancias animaes. os saes neu- tros e oulros, etc, são levaddS ao milionessimo gráo de alte- nuação pulverulenía por uma trituraçao que dura ires horas ; depois do que dissolve-se um grm de pó e trata-se a dissolu- i.ão em vinte e setn frascos succes»ivos, da rnes■• a maneira que se íaz com os suecos vegetaes afim de o levar até ao tre- gintessimo gráo de desenvolviu ento de sua potenci.'. 11± Nso ha caso em que seja necessário empregar ma:s de um medicamento de cad» vez. 273. Não se concebe como possa haver a menor duvida na questão de saber-se he ma;s rasoavel e mais confirme á na- tureza tão empregar n'uma doença, de cada vez, mais de uma substancia medicinal bem conhecida, ou prescrever uma misiura de muitos uiedicamentos differentes. 271.^Como o verdadeiro medico enconíra nos medicamen- tos :imp!i isto he a moléstia ariificial. muito análoga á moléstia natural, que o remédio tem excitado nas parlf s mais modestas do organismo, vai até ao ponto de [ 81 ] prejudicar, em quanto que, ficatido entre justos limites; teria eifrctuad;» brandamenle^a cura. O doente na verdade não solre mais da moléstia primitiva que tem sido destruída ho-> moeopathicamente , mas soffre tanto mais da moléstia medi- cinal, que tem sido muito mais iorle e de debilidade que he suaconsequeneia natural. 277. Pela mesma razão j e porque um remédio dado em dose muito fraca se mostra lanlo mais maravilhosamente efi- caz quanto melhor se ha tido o cuidado de o escolher homoeo- palhico , um medicamento, cujos symptomas próprios fo- rem perfeitamente accordes com os da moléstia , deverá ser tanto uiciis salutar quanto sua dose se aproximar mais da exi- guidade a que carece de ser reduzido para obter suavemente a cura. 278. Trata-sé agora de saber qual he o gráo de exguidade que melhor convém para dar ao mesmo tempo o caracter da certeza e de suavidade aos effeitos seguros que se querem pro- duzir, isto he* quanto se deve abaixar a dose do remédio ho- moeopathico n'um caso dado de moléstia, para obter a melhor cura possivel desla. Concebe-se facilmente que nâo he ás conjecturas theoricas que convém recorrer para obter a solução desle problema, que não he por ellas que so pode es- tabelecer, relativamentea cada medicamento em particular.em que dose basta da-lo para produzir o effeito homoeopathico e obter uma cura tão prompta quanto branda. Todas as súb- tilesas imagináveis de nada valem agora. Não he senão por experiências puras* por observações exacias, que se pode chegar é conclusão. Seria absurdo objectar com as altas doses empre- gadas na pralica allopathica vulgar, cujos medicamentos não se destinão ás partes snolestas, mas sómenle aquellas que não sao atacadas pela enfermidade. Nada pode concluir-se d'aqui contra a fraqueza das doses cuja necessidade , nos tratamen- tos homoeop-lhicos, he demonstrada pelas experiências puras. 279. Ora, as experiências puras estabelecem absoluta- mente que, quando a moléstia nao depende manifestamente da alteração profunda de um órgão importante, sendo ainda mesmo da classe das chronicas e complicadas , e quando ha cuidado de afastar do enfermo toda a influencia medicinal extranha , a dose do medicamento homoecpaihico não seria jamais assás fraca para o tornar inferior em força á moléstia natural , e que pode ittlingir e curar esla ultima em quanto conserva a energia necessária para provocar immediatamente depois de ter sido tomada symptomas semelhantes aoi delia, e um pouco mais intensos. [\, 157—160.) [ 82 ] 280. Está proposição, solidamente estabelecida pela expe- riência, servo de regra para atenuará dose de todos os medi- camentos homoeopathicos, sem cxcepção, até um grão tal que depois dè lerem sido introduzidos no corpo, não produsao se- não uma aggravação quasi insensível. Pouco importa que a attenuação chegue ao ponto de parecer impossível aos medi- > cos vulgares cujo cérebro se não nutre senão de ideas materia- listas e grosseiras. As declamações devem soffrer quando a in- íallivel experiência tem pronunciado a sentença. 281. Todos os doentes, sobre tudo relativamente a suai moléstias, tem uma incrível tendência para resmtir a influen- cia das potências medicinaes homoeopathicas. Nao ha homem, por mais robusto que seja, que , atacado mesmo só de uma moléstia chronica, ou do que se chama um mal local, não ex- perimente bem depreça uma mudança favorável na parte en- ferma, depois de ter tomado o remédio homoeopathico conve- niente , na mais pequena dose possivel, que n'uma pai tvra experimente, por effeito desta substancia , uma impressão su- perior aquella que faria sobre um recém-nascido gosando boa saude. Quanto he pois ridícula a incredulidade puramente theorica que recusa submetter-se á evidencia dos factos! £32. Por mais fraca que seja a dose do remédio , uma vez que produza a mais ligeira aggravação homoeopathica , uma vez que tenha o poder cie fazer nascer symptomas semelhantes aos da molcslia primitiva , mas um pouco mais fortes , elle affecta de preferencia , e quasi exclusivamente, as partes já molestas do organismo, que estão fortemente irritadas, e muito predispostas a receber uma irritação tão semelhante á sua. Ella substituo assim á moléstia natural outra moléstia artifi- cial que se lhe assem ei Iva muito e que he somente um pouco mais forte. Ü organismo vivo não soffre mais do que esta ul- tima affecção, que por sua natureza e em razão da exiguidade da dose pela qual foi produzida cede bem depreça aos esforços da força vital para restabelecer a ordem normal e deixa assim, quando a alficção era aguda, o corpo isento de soílrimenlos , isto he, são. 28i3. Para proceder de uma maneira conforme á natureza um verdadeiro medico não administrará o remédio homoeo- pathico senão na dose exaclamonte necessária para ultrapassar e aniquilar a moléstia presente, de maneira que , se por um desses erros perdoaveis á fraqueza humana , se havia escolhido um medicamento que não convinha, o damno resultante seria lao leve que bastaria, para a reparar, a energia da força vital [85] e a administração de outro remédio mais bDmooopathico,dado lambem na mais pequenina dose. 284. O effeilo das doses não diminue na mesma proporção que a quantidade mateiial do medicamento diminue nas pro- porções homoeopathicas. Oito gottas de tintura tomadas todas não produzem no corpo humano uoi effeito quádruplo de uma dose de duas gottas ; ellas não operão senão quasi no duplo. Da mesma sorte a mislura do uma gotta de tintura com dez gottas de um liquido sem propriedades medicinaes não produz effeilo decuplo de uma gotta dez vezes mais deluida , mas continua assim a seguira mesma lei, de sorte que uma gotta da diluição mais atenuada deve ainda produzir, e produz real- mente um effeito muilo considerável. 28o. Alenua-se assim a força do medicamento diminuindo o volume da dose, isto be, quando em lugar de fazer tomar uma gotta inteira de uma diluição qualquer senão dá mais que uma pequena fracção desta gotta, o lirn que se lem em Vista , o de lornar o effeilo menos pronunciado, tem-se perfeitamente conseguido. A razão he fácil de conceber : o volume da dose tendo sido deminuido segue-se que deve locar menos nervos, e estes com que se poz em contacto communi- cão uuito bom igualmente a virtude do remédio a lodo o or- ganismo, mas lh"a transmitem n'um gráo muito mais fraco. 286. Pela mesma razão o eíleit•» de uma doso homoeopa- thica augmenta em proporção da massa do liquido em que a dissolvem para a fazer tomar ao doente , posto que a quanti- dade de substancia medicinal fique sendo a mesma. Mas então o remédio se acha em contacto com uma superfice muilo mais extensa e o numero dos nervos que lhe sente o effeito he mais considerável. Posto que os tbeoricos pretendâo que se enfra- quece a acção do medicamento dduindo-o mais, a experiência diz precisamente o contrario; ao menos pelo que d z respeito aos meios homoeopathicos. 2S7. Deve-se comtudo notar que muita differença existe entre misturar imperfeitamente a substancia medicinal com urna certa quantidade de liquido e operar esta mistura de uma maneira tão intima que as menores fracçõesde licor contenhão uma quantidade de medicamento propercionalmenfe igual á que exisliâo em todas as outras. Com effeito a mistura tem muito maior potência medicinal no segundo caso que no primeiro. Poder-se-hão deduzir daqui regras que seguir na administraçSj das doses quando for necessário enfraquecer quanto possível o effeito dos remédios para os tomar suportá- veis aos doentes mais sensiveig. [ 84 ] 288 A acçâo dos medicamentos liquidos sobre nós he tão penetrante , ella se propaga com tanta rapidez , e tao geral- mente , do ponto irritavel e s- nsivel quo recebco a primeira impressão da substancia medicinal a todas as outras partes do corpo, que se estaria propenso e chamar-lhe effeito espiritual, dynamico ou virtual. 28Q. Toda a parte do nosso corpo que possue o sentido do fado he igualmente susceptível de receber a impressão dos medicamentos e propaga-la ás outras partes. 290. Depois do estômago a lingoa e a boca são as partes do corpo mais susceptíveis de receber as influencias medici- naes. Comtudo o interior do naris, o recto , os org >os geni- taes e todas as parles dotadas degrande sensibilidade tem quasi outra tanta aptidão para resenlir a acção dos medicamentos, A mesma causa faz que estes últimos se introduzão no corpo pela superfice das feridas ou ulceras quasi tão facilmente como pela boca ou vias aéreas. 291. Os mesmos órgãos que tem perdido o sentido a que são destinados, por exemplo, a lingoa e o paladar privados do gosto, o naris prjvado do olfato^communicão a todas as partes do corpo o effeito dos remédios que não ohrão immediata- menie senão sobre cilas tão perfeitamente corno se gosasse de sua faculdade própria. 292. A supprfice do corpo, posto que coberta de pelle e de epiderme, não está menos apta para receber a acção dos me- dicamentos sobre tudo líquidos. Comtudo os porções mais sensíveis deste invólucro são também aquellas que maior apti- dão tem. 293. Julgo necessário fallar também aqui do magnetismo animal, cuja natureza tanto differe dos outros remédios. Esta força curativa, que devia ser chamada Mesmerismo , do nome de seu inventor, e a respeito da realidade da qual só insensatos podem pôr duvidas, e que a vontade firme de um homem be- nevolente faz afluir ao corpo enfermo , por meio de toques ; opera homoeopalhicamente excitando symptomas semelhantes aos da moléstia, fim a que se cbega a favor de um unico passe executado, medianamente sustentada a vontade, passando lentamente a chato as mãos por sobre o corpo desde o alto da cabeça até abaixo das pontas dos pés. Desta forma o mesme- pismo convém, por exemplo, nas hemorrhogias uteriuas, mes- mo, no seu ultimo período, quando ellas estio a ponto decou- [ 8o ] sar « morte. Elle opera também repartindo a força vital csm uniformidade pelo organismo quando ella he excessiva n'um ponto e falta noutro como quando o sangue sobe á cabeça , quando um subjeito enfraquecido soffre insomnia acompa- nhada de agitação e mão estar. etc. Neste caso pratica-se um unico passe semelhante ao precedente , mas um pouco mais lorle. Emíim, elle obra rommunicando immediatamente força Vital a uma parte enliaqueeida ou a lodo o organismo, effeito que nenhum outro meio produz de uma maneira tão certa e menos própria a perturbar o tratamento medico. Preenche-se esta terceira indicação possui ndo-se de urna vontade fixa e bem pr«nunciad.i, c applcando as mão-, ou as pontas dos de- dos sobre a pntte enfraquecida de que uma affecção chronica interna faz sede de seu principal symptoma local, como por evemplo nas ulceras antigas, a gola serena, a paralisia de um membro, ele. Aqui se coloca'» certas curas apparentes que tem onerado em Iodeis os lempos os magnetisadores dota^ dos de grande foiça natural. Mas o resultado m-'\ terior invisível do corpo, ou de procurar im-cnsaitteiiicnte e\pi cr.r os phenomenos mórbidos o sua cii.ii:-.a pro\iina cjiie nos ficará sempre o culta, confundindo O todo num montão d';d)slracções inlt lligive s, da qual a pompa dogmática impõe aos ignorantes, em quanto que os doentes susp r;u> em \ào pelos soccorros. Nós temos muito d*estes desxasios a que chamão medicina the,rica, e para os quaes se l":ii ;n •-■»!;> iustitoido cadeiras espee.aes. He tempo que todo> a ji lírs (|:e se d./.em médicos ce.sem emlim ii,j, alliviar e tuiv.r realmente os doentes. (• § 6. ) Eu não comprehendo como se possa á cabeceira do doente sem observar com cuidado os svmptomas e d.rigir o traia.n"u!o e n consequenoa, se iimutine não ser preciso, pro- curar e m-Siu» se não acharia aquillo que uma doeiçi offe- rece a curar senão no interior do organismo, que he inac- cessivel As nosenlar este methodo como o unico qec seja lutah.do e racional. O que se mau'festa aos sentidos pelos symptomas não he a doença por si mesma para o med'co, vi íoqu.' não se pode jamais ver o ser espirlunl, a forca v I; 1 qne creou esta doença, que se não tem u esmo necessid; do de a conlucei e que a intu ção «te seus effeitos innrbdos basta | ar,. pr em es- tado de cural-a ? Que quer pos demais a ant ga escola com esta prima cama quo vai procurar i:o interior subtiahido h nossas vistas, em quanto que despitza a parte f< i.siu* e apre« 12 88 ciavel da doença, isto he, os symptomas que nos fallão uma linguagem tão clara? «O medico que se entretem em des- ce cobrir cousas oceultas no interior do organismo, pôde se « enganar todos os dias. Porém o homceopathico, delineando « com cuidado o quadro fiel do grupo inteiro de symptomas, « se alcança um guia sobre o qual elle pôde contar, e quan- « do consegue afastar a totalidade dos symptomas, segura- « mente que tem destruído também a causa interna e oceulta « da doença. » (Rau. loc. cit. pag. 103.) í § 7. ) Ainda que todo o medico que raciocina comece por afastar a causa accidental, o mal cessa ordinarimente de- pois por si mesmo. Assim também afastão-se as flores muito cheirosas que provocão a syncope e accidentes hystericos, ex- trahe-se da cornea o corpo extranho que provoca uma oph- talmia, levanta-se para o applicar melhor o apparelho muite apertado que ameaça fazer cahir um membro em gangiena, li- ga-se a artéria cuja ferida dá lugar a uma hemorrhagia inquie- tante, procura-se fazer sahir por meio de vômitos as bagas da belladona que poderão ser engulidas, tirão-se os corpos extra- nhos que se introduzirão nas aberturas do corpo (o nariz, a pharynge, o ouvido, a urethra, o intestino recto, a vagina, ) esmigalha-se a pedra na bexiga, abre-se o ânus imperfurado do recemnascido, &c. ( § 7 bis. ) Não sabendo muitas vezes a que outro expe- diente recorrer, a antiga escola tem mais d'uma vez nas doen- ças procurado de combater e de supprimir por medicamentos, um só dosdiversos symptomas que ellas fazem nascer. Este me- thodo está conhecido debaixo do nome de medicina symptoma- tica. Com razão tem excitado o desprezo geral, não somente porque não apresenta vantagem nenhuma real, mais ainda porque resulta d'elle muitos inconvenientes. Um só dos syrn- tomas presentes não he mais do que a doença por si mesma senão uma só perna não constiíue o homem inteiro. O metho- do era tanto mais terrível que atacando assim um symptoma isolado, combatia-se unicamente por hum remédio opposto, (isto he, d'uma maneira enantiopathica e palliativa) desorte, que depois d'uma melhora de pouca dura via-se apparecer mais grave que antes. í § 8. ) Quando um doente tem sido curado por um ver- dadeiro medico, de maneira, que não lhe fique nenhum ves- tígio, nenhum symptoma da doença, e que todos os signaes de sonde renhão apparecido d'uma maneira durável, pode-se 89- suppjr wíiu offender a intelligencia humaua que a doença existe ainda toda no interior? Com tudo, eis aqui o que pre- tende um dos coryphéos da antiga escola, Hufeland, quando diz que, « a homoeopathia pode affastar os symptomas, porém que a doença fica. » Pensa elle assim em despeito dos progres- sos que a homoeopathia faz para a felicidade do gênero huma- no, ou porque tem ainda uma idèa vã da doença, porque a considera não como uma modificação dynamica do organismo porém como uma couza material capaz de ficar occulta depois da cura em algum canto do interior do corpo, e de ter um dia a audácia de manisfestar sua presença no meio mesmo da saude a mais florescente? Eis aqui até onde chega a cegueira da antiga pathologia! Não se devem admirar por isto que ella não tenha podido produzir senão uma therapeutica da qual o seu unico fim he estragar o corpo do pobre doente. ( § 10. ) Morre, e desde logo submeltido unicamente ao poder do mundo physico exterior, cahe em putrefacção e se resolve em seus elementos cbimicos. ( § 12. ) Não seria de nenhuma utilidade ao medico sa- ber como a força vital determina o organismo a produzir os phe- nomenos mórbidos, isto he, como creou a doença, isso tam- bém ignorará elle eternamente. O senhor da vida não tornou accessivel aos seus sentidos, senão o que lhe era preciso e suffi- ciente de reconhecer na doença para alcançar a cura. ( § 17. ) Um sonho, um pressentimento, uma falsa vi- são produzida por uma imaginação supersticiosa, uma prophe- cia solemne de morte infalível a um certo dia ou a uma certa hora, tem muitas vezes produzido todos os symptomas d'uma doença principiante e crescente, os signaes duma morte pró- xima, e a morte mesma no momento indicado o que não po- deria ter lugar se não se tivesse operado no interior do corpo uma mudança correspondente ao estado que se exprimia por fora. Pela mesma razão, em casos d'esta natureza se tem algu- mas vezes conseguido, quer enganando o doente, quer ensi- nuando-lhe uma convicção contraria a dissipar todos cs signaes mórbidos annunciando-lhe a chegada da morte, o quo não te- ria podido acontecer, se o remédio moral não tivesse feito ces- sar as mudanças mórbidas internas e externas ás quaes a mor- te devia ser o resultado. f § 17 bis. ) O soberano conservador dos homens uão podia manifestar sua sabedoria e sua" bondade na curo daf. [íro] áienç3< q*!e o* rifiTçcrn, sen "o f.ovn lr> rl.ir.vv.en'? percebei a ) ill '.liei» o j i_» elle te u n • vs-.'d i le ,1 ' ,if i-tar n w\i; doen- ças para de-tni l-,is e re.t.iVl.ver t.imV.n i se i le. Jwede.e- riam >; nó; p.-.isar de sua s;i'»ed >r a e de sii.i b i:id.ide se, como o pretende a escola dom nau!..1 que affecta interpretar na essen- ria intima das co i^c* o quo he preeis • curar nav doenças, ach.iud.»-se iinobid >s nu na obscund, . inter or oecullo do ori* mismo. o !r) ne n estava por isso mesmo reduzido á impnsvh I d.ide de iv. ..uhccer o mal, e pur conseqüência «quille lambem de o ciliar? ( § 22. ) A outra mnneiri em q-.ie se pode ainda empre- gar os medicamentos contra as doenças, be o methodo allopa- tbico, noqoal se apj.lCão remédios produzimlo svinptomas que não tem neniuima rei. çV» d.recta com o estado do doente, não sendo nem seinclhüiiíes, nem opposfos, porém absoluta- mente heterogêneos. Eu p demonstrei na introilm ç'io quo este meliiodo he uma imitação grosseira e nociva dee-forços imperfeitos, que 1101 impulso cego e puramente iusíincti- vo dá á fo:ç,i vital pertubad» poi alguma medonha influen- cia, cm tentar para se c;d»ar a todo o cieto ev:ci!;,:ido e cn- treíeodo n'ella uma moléstia no organismo, porque a rega força vital não lôi eivada senão pira entn ler a harmonia no organismo em quanto dum a saude, e uma ve/ alterada nr.o es- te mais apta a restabelecer ao seu esl.alo iion.ud. j otque os symptomas não comt tuem a doença por si nenna. i^itietanto p>r mais indecoroso (nies.j.i, servem-se delle á mu;lo (empo na escola act'.:al, não semlo per:ii'it'do ao medi', <■< i\;d-o pas- sar em silencio, como ao hi>tor'adoi descer r as op; ressoes que o gênero humano tem supportado durante mJhaics d'an- hos debaixo de governos absurdos e dc-qmlicos. ( § 21. 1 Eu não ouç > f dlard'n:na experienrbtsemelhãn- te ;"i 11; 1 dl.i f|ue no-sos ndlesjas ant;gos se gabào. dejio s de ter d.irantc muitos annos combait do com um montão de receitas eoin.dicadas, uma runldão d • do-mça* que elles não examina- rão nunca comi cuidado, porém, que fieis aos costumes da es- cola, olh irão co uo s-\'Ti èent' uenle conhecidas pelos nomes qie traí mu ni natholoupa. julgar-d-» drr>. obr:.- r/ellas um principio mor!)'fico ima ;;na'io, 01 a!ia oit';i ,*>noiii;.l;a in- terna nã) 111 mios hvpo?i! t'ea. Mi verd de elles vêem sempre alzi 01 co-i/.-i. po--!":) nã ) s.ibe n o que v*,;o< < he.rão a re- s ilta !o> qi^ D >,)•> só po 'er'a explicar no meo tlbioi lão pran- d; coi:iN)(h f»;çr, dversi-; a l:vaido sobre uma origem deiconheoida, cujo resu.uJc não tem nenhuma inducção a ti- [Vf] tar. Cincoínt.i afinos d'trn-1 srnelhnn^ experiência *Sft como ciniroMita annos a oVeiviif n'ini ktléidoseope, que cheio de cou&as desconha idas e varia i is, voltariam contn.iímente so- bre si iiií/sti , verião*se 111 li ire,s de; li 3 .iras madamlo a cada imtaiitescm sô poJL*r fitar sobre nenhuma. ( § 23. ) H ) tamYvu le;ti fnne'ri qmse tratâo os ma- les plivsicos e in >ra,"s, porp» ohilintf? ti )i tu- d js.iu pare- ce no crepúsculo da uuahá d >s nervos o óticos daquelle que o contempla.' por.pi ti 11 p > ler se 11 dh 1 it4. pr>iln nnis forte, a luz do dia nasceii I 1 obra então sobrj seus órgãos. Com que se está em uso aealmr o; n-roí d 1 olfacto olíendidos por cheiros desagrada\cis ? co 11 t ibaco. qu; affecta o nariz d'uma 'maneira "semelhante porVu eo 11 mais vigor. Nm he nem com a musica nem co;u confe tos q relativos aos ner- vos iPoutros sentidos. Porque meio reprime-se «o ouvido com- passjvo dos as i,tentes as li n «iit Ç">ís d > desgraçado condem- nado no suppl co dos aÇoittes ? pelo sou esganiçado do pi fa- tio casado á hulha do ta nbor. Por.pese d ssipa o estrondo fahido dó canhão inimigo, queHara ot-rror n'alm:i dosol- dado ? | elo uifo da grai de ca.xa. Nem esta compaixão, nem este terror não |m lerião ser reprimidos quer por.ai noiísta- ções, quer por uma d:strih:iição de br l!iantes riníorm «s. Da mesma maneira, a tristeza e os pczares extingnein n'al:na a nova, ainda mesmo sendo falsa duma ali. Ç Io mi s forte so- brevinda a uma outra pessoa. Os resultad >s d*.im i al-.^r a mui foite, são previndos pelo café, que por si m «sm » d spõe a alma ás impressões agradáveis. Foi preciso que os \lle;n'ies mergulhados d'esile tantos séculos na apatYa e na esravali.) fossem opprim:dos sob o jrg> tvr mie,) I» estrio ímv>, pa- ra que o sentimento da d iíi d 1 le d 1 bom-in se despertasse n'elles e que finalmente levantassem a cabeça. ( §29. ) A pm-n força d'a ç"io d^ prttrnc'a^Mf.is á pro- duz i moléstias arlificlaes ás quaes nós damos o n > ne I * mj- diCamentos, fazem com que apezar d.» sua superinriibidesj- bre as moléstias naturaes. a força vital lenha com tudo nio- nosdifficuhbide a trium ;iliar IVlIas d ) qie Imitas ultim is. Ten- do ti 1 ti 1 força d'a-ção inui In ri. a m ror parte d 1 te nio tão extensa que a vida rm-s na ( sarna. syph lis sycose ') nã) pi lem nunca ser vencid is p-h firçi vital s!i. H.s preciso para as ex- tiiiguirque o medVo affeett! m tis enargeam mte esta, por m ;io d*Hm asrente rapv. d■; pr ivocar um i doença mui anal >g-i, po- rém dotada d'um poder superior (remédio hainâBoipáfchico). &1 Este agente introduzido no estômago ou respirado pelo nariz faz d'alguma sorte violência á cega e instinctiva força vital, • sua impressão toma o lugar da doença natural até então exis- tente, de tal sorte, que a força vital não lica mais para o dian- te do que tocada da doença medicamentosa á qual com tudo não permanece na presa senão pouco tempo, porque a acção do medicamento (ou o curso da doença determinado por elle) não dura longo tempo. A cura do doenças datando já de mui- tos annos que alcança ( V. i6 ) a apparição da bexiga e do sa- rampo, (que não tem ambas senão uma duração de algumas semanas) he um phenomeno do mesmo gênero. (" § 31. ) Quando eu digo que a doença he uma aberra- ção ou um desaccordo no estado da saude, não pretendo dar uma explicação methaphysica da natureza intima das doenças em geral, ou de algum caso mórbido qualquer em particular. Eu quero somente designar por isto que as doenças não são c nem podem ser, isto be exprimir que não são mudanças me- cbanicas ou chiinicas da substancia material do corpo, que não dependem d'um principio morbifico material, mas sim, que são somente alterações espirituaes ou dynamicas da vida. ( § 33. ) Eis aqui um facto notável d'este gênero, logo que antes do anno de 1801 a febre escarlatina lisa de Syde- nbão grassava de certo tempo sm diante d'uma maneira epidê- mica entre os meninos, atacava sem excepçãc áquelles que não a tinbão tido na epidemia precedente, porém na epidemia da qual eu fui testemunha á Ksenigslutter, todas as crianças qu» tomarão logo a tempo uma mui pequena dose da belladona ficarão isentos d'esta enfermidade extremamente contagiosa. Para que os modicamentos possâo preservar d'uma enfermida- de epidêmica, he preciso que seu poder de modificar a força vital seja superior á sua. ( § 33. ) Foi descripta exactamente por Withering o Plenciz. Porém ella differe muito da milliar vermelha (onde Roodvonk), o qual maravilha-se dar o nome de febre escar- latina. Não foi senão n'cstos últimos annos que as duas doen- ças originariamente mui differentes, so assemelharão urna á outra por seus symptomas. ( § 40. } Experiências exactas e curas que tenho obtido d'estas sortes daffecçõos complicadas me tem convencido que cilas não resultão d'uma amalgamação de duas doenças, po- rém que estas existem simultaneamente na economia, oceu- I 03 1 pando cada uma as partes que estão em harmonia com ella. Com effeito, a cura opera-se d'uma maneira completa alte- rando-se a propósito o mercúrio e os meios próprios a curar a sarna, administradas todas em doses e debaixo do modo de reparações convenientes. (§41. ) Porque independentemente dos symptomas aná- logos àquelles da doença venerea que lhe permittem curar ho- moeopathicamente esta ultima, o mercúrio produz ainda n'el- la muitos outros que não se parecem com os da syphilis, e uma vez que se o administra em grandes dozes, sobretudo na com- plicação tão geral com a sarna, gerão novos males c e.xercitão grandes estragos no corpo. (§45. ) Assim como a imagem da chammad'umcandieiro he rapidamente apagada no nervo óptico por um raio do sol, que fere nossos olhos com mais força. ( § 46. ) Nas edições precedentes do Organon citei exem- plos d'affecções chronicas curadas pela sarna, que depois das descobertas cujas já publiquei no primeiro volume do meu Tratado de Doenças Chronicas, não podem ser consideradas senão debaixo d'um certo ponto de vista, como curas homoeo- pathicas. As doenças assim curadas (asthmas suffocantes, e phtisicas ulcerosas) erão já d'origem psorica d'esde o princi- pio, erão os symptomas tornados ameaçadores da vida, d'uma antiga psora já completamente desenvolvida no interior, senão a apparição d'uma erupção psorica primittiva, o que fazia desap- parecer o mal antigo e os symptomas assustadores. Esta volta á forma primitiva não pôde ser tomada como meio curativo homceopathico de symptomas mui desenvolvidos d'uma sarna antiga, senão no sentido de que a nova infecção pôe os doen- tes na situação infinitamente mais favorável de poderem para o diante ser curados mais facilmente da sarna pelo emprego de medicamentos antisarnosos. ( § 56. ) Seria-se levado a admittir uma quarta maneira de empregar os medicamentos contra as doenças, a saber, o methodo isopathico, o de tratar uma doença pelo mesmo nvas- ma que a produzio. Porém suppondo-sc mesmo que a cousa fosse possivel, seria certamente isto uma descoberta preciosa, como senão administra o miasma nas doenças senão depois de o ter modificado ale um certo ponto pelas preparações que se Ih c faz soffrer, a cura não teria lugar n'este caso senão oppon- ffo-se n'c!la simiUimvm * sirnillifn». [W] (f § 58. ), Ainda que até agora os médicos nSoseteohao acostumado a observar, com tudo não tem podido lhes escapar. que- o emprego de pallialivos he infallivelmentc seguido d uma aggravação do mal. Acha-se um exemplo notável d'e$te gênero em J. II. Schnlze. (Diss. qna c:/rp ris humanl momen- tancnrum alterati >num sperimina quaedam expenduntur. Hal- le, 17H § 28). Alguma çousa de semelhante nos he attesta- dopor WiUis (Pharm. rat., sect. 7, cap. 1, p. 298'. Opiata djhrüsatr. cissim.:>splernmque sedant atque indolentiam.. . pro- curant, eamque... aliquandiuet pr > statj quodam lempore conti- vuant, qw> spati) clnpso, d lorcs m >x recrudesrunt et breci ad mlitam fer- ciam augenlur. E p. 295. Exçftis opiiviribus Mi- co re'eint lormtna, n»c atroritatem suam remiltunt, msi dum ab eidem vharmio runu.i iivtntfitur. Da m sini sorte, J. Hunter no seu traía Io de doenças venereas; diz, que o vinho augiueuta a energia entre as. | essoas fracas sem lhes conimu- nicar um verdadeiro vigor, e que as forças iliuinuein depois na mesma proporção que l nháo sitio excitadas de maneira que o sujeito nada ganh,^,. antes, pelo contrario perde u maior parte de s:ias forças. ( § 67. ) Não he senão em casos extremamente urgentes onde o perigo que a vida corre e a iminência da morte não darião tempo d'ohrar a um medicamento houueopiilhico, enão adnitlirião nem horas, nem ás vezes mesmo minutos dVspera em moléstias sobiwin l.ts de repente entre pessoas antes bem sadias, co no as plixias, a fule; iração, a saíf «cação, a congela ção, a suh\cr-ão, &c, que he pcrurllido e conveniente de começar ao menos, por reauimar a irritabilidade e a sensibili- dade por meio da pall"at;\os, taes como ligeiras rommoções elec- tricas. custeies de café forte, cheiros excitantes, a acção pro- gressivo do calor. évv. Logo que a vida phvsica está reanima- da, o j«Mjo dos órgãos que a entretem toma seu curso regular, porque não havia então aqui a doença (*) porém tão somente suspensão ou oppressão da força vital, que antes se achava por si mesma no estado desande. Aqui se ordenão ainda diversos antídotos eiu envenenamentos súbitos, os ideais contra os áci- dos mineraes. o Ii\miI » de enx fie contra os venenos motallicos, o café, acamphora (o a ipuoicuauha]i contra os cuvençuamçn- tos pelo opio. Não he preciso acereditar que um remédio homceopathico (*•) A nova 'òyi ■\"'r'^.:> (i 'os imu ici»n* sa-i. a^io'*-"-. no:'èn» »• n vnj.viirp • Hta nfr. (•rvaijãa pari a-1mi"ir p:»r t, U a iai-i"(>iii;V-s na fja.çn ftoTii;.^* e pulei- ao« p'icar a na fM'Í5"*c;V > 09 pa ia*i ...s »'»-'a,V us. 1 -■.. i\ q ie »|'w nVu oSr» ur.m se- pão para. se poupar'a.) trabalhe "\r provirar » rt-rt» lio. li,>nv~Qpatbico qu"çowén «•*»<•- tamente em ca'a caso morbHo. o a ites para nlo *«■ t:)rnir medico homn-ópa'hiro, lodo elle o tendo u.aa seus feito*, responitm á «eu» princípios e »o reduzem í pouca 9o lenha sido mal escolhido contra um caso dado da doença, por- que alguns de seus symptomas não correspondem senão anti- pathicamcnte em alguns symptomas mórbidos de media ou de fraca importância. Com tanto que os outros symptomas dd doença, aquelles que são os mais fortes e os mais marcados, aquelles emíim. que a caracterisão, achem no remédio symp- tomas que os toldem, os extingão e os anniquilem; os sympto- mas antipathicos em pequeno numero que poderão se mani- festar desappareccm por si mesmo depois que o remédio tetri cessado d'obrar, sem retardar o menos possivel a cura. ( § 69. ) As sensações variadas ou oppostas não se neu- tralisão d'urna maneira permanente no corpo do homem vivo, corno substancias dotadas de propriedades oppostas o fazem em um laboratório de chimica, onde se vê, por exemplo, o ácido sulphuricoe a potassa formar unindo-se um corpo immediata- mente differente d'elles, um sal neutro que não he mais nem ácido nem alcali, c que não se dacompõa mesmo no fogo: De taes combinações produzindo alguma cousa de estável e de neutro, não tem nunca lugar em nossos órgãos sensitivos, em razão das impressões dynamicas de natureza opposta. Ha ao principio uma apparencia de neutralisação ou de destruição reciproca, porém as sensações oppostas não se riscão uma da outra duma maneira durável. Um afflicto não suspende senão um instante a expressão de sua tlor avista d'um objecto alegre, elle esquece-se logo das distracções e suas lagrimas co- meção a correr mais abundantes que nunca. ( § 69 bis. ) Por mais clara que seja esta proposição, tem comtudo sido mal interprelrada, tem se objectado contra cila que um pallíativo deve tão bem curar por seu effeito consecuti- vo que se pareça com a doença existente, assim como um re- médio homceopathico o faz por seu effeito primittivo. Porém, suscitando se esta difficuldade, não se tem reflectido que o effei- to consecutivo não he nunca um produeto do medicamento, e que resulta sempre da reacção que exerce a força vital do or- ganismo, que por conseqüência esta reacção da força vital na occasíão do emprego d'um pallíativo, he um estado semelhante ao symptoma da doença, que tem sido deixada intacta pelo medicamento e que se acha ainda augmentada por isso. ( §69 bis. ^ Assim como na obscura masmorra onde o preso reconhece apenas os objectos que o cercão, o alcohol aceso de repente espalha ao redor delle uma claridade consoladoni, mas, quando a chamma começa a extinguir-se, mais ella lhe lem 13 [96] sido brilhante, c mais as trevas que envolvem o desafortunado lhe parecem profundas, assim também tem muito mais traba- lho do que antes em distinguir tudo o que se acha ao redor de si. ( $ 73. ) O medico homceopathico que não partilha os preconceitos da escola ordinária, isto he, que não assigna co- mo ella nestas febres um numero acima do qual a natureza não possa nella produzir outros, e que não lhes impõe nomes eom os quaes tem de seguir tal ou tal marcha determinada no tratamento, não reconhece as denominações de febre de prisões, febre biliosa typhus, febre podre, febre nervosa, febre mucosa, cura todas as doenças tratando a cada uma conforme o que ella offerece de particular. ( § 73 bis. ) Depois de 1801, os médicos confundirão uma miliar vermelha vinda do oeste (roodronk) com a febre escarlatina, ainda que os signaes destas duas affecções fossem comtudo differentes, que o aconito fosse o meio curativo e preservativo da primeira, e a belladona o da segunda, emfim que a primeira affectasse sempre a forma epidêmica, em quan- to que a outra não apparecia ordinariamente senão d'uma ma- neira sporadica. Estas duas affecções parecem estar sobre os últimos tempos confundidas em algumas localidades n'uma fe- bre cruptiva, d'especie particular, contra a qual nenhum dos dous remédios forão achados como perfeitamente homceopa- thicos. (§74. ) Finalmente se o doente morre, aquelle que o tem tratado descobiindo na abertura do cadáver, as desordens orgânicas que são o resultado de sua impericia, não deixa de os apresentar aos parentes inconsolaveis como um mal primilti- vo e incurável. (Vede mais adiante meu opusculc sobre a al- lopathia). Os tratados de anatomia pathologica contêm resul- tados destes deploráveis erros. ( § 80. ) Foi-me preciso doze annos de pesquizas para achar a origem d'este numero incrivel d'affecções chronicas, descobrir esta grande verdade, desconhecida a tanto tempo de todos os meus predecessores e contemporâneos, estabelecer as bases de sua demonstração e reconhecer ao mesmo tempo os principaes meios curativos próprios a combater todas as for- mas d'este monstro de mil cabeças. Minhas observações a este respeito eitão consignadas no tratado de doenças chronicas que publiquei em 1828. Antes de ter aprofundado esta im- [97] portante matéria, eu não podia ensinar a combater todas as doenças chronicas senão como indivíduos isolados, pelas subs- tancias medicinaes conhecidas até então depois de seus effeitos no homem são de maneira, que meus discípulos tratavão cada caso d'affecção chronica como uma doença â parte, como um grupo distincto de symptomas, o que não impedia de osalliar muitas vezes para que a humanidade soffredora tivesse de lou- var os benefícios da nova medicina. Quanto á escola moderna não deve ella estar mais satisfeita, agora que se approxiraou mais do fim e que tem achado pela cura de males chronicos devidos á sarna remédios mais homceopathicos (os antisarnosos), entre os quaes o verdadeiro medico escolhe aquelles cujos symp- mas medicinaes correspondem melhor á doença chronica que elle quer curar! ( § 81. ) - Algumas ha que modificando a manifestação da sarna, lhe imprimem a forma de doenças chronicas, tem evi- dentemente quor no clima e na constituição especial do lugar da habitação, quer nas diversidades que apresenta a educação physica e moral da mocidade aqui descuidada, alli muito tem- po atrazada, aliás introduzida ao excesso, ao abuso que fazem d'ella nas relações da vida, no regimen, nas paixões, nos cos- tumes, nos usos e nos hábitos. ( § 81 bis. ) Quantos no numero d'estes nomes se não achão que estão em duplo sentido, u por cada um dos quaes se designa doenças muito differentes, não tendo muitas vezes semelhança uns com outros senão por um só symptoma , como febre intermittente, ictericia, hydropesia , phtisica, leucorrhèa , hemorrhoidas.. rbeumatismo, apoplexia , spasmo, hystena hy- pocondria, melancolia, mania, angina, paralysia, &c. que se toma por doenças fixas sempre semelhantes a si mesmas e que em razão do nome que trazem trata-se sempre depois com o mesmo plano? Como justificar a identidade do tratameuto me- dico pela adopção d'um semelhante nome? E se o tratamento não deve ser sempre o mssmo porque um nome idêntico que suppõe coincidência também na maneira de ser attacado por agentes medicinaes? Nihil sane in ar tem medicam peslife- vum °magis unquàm irrepsit malum. qnàm generalm queedam nomina morbis imponere-, iisque aptarc velle generalem quam- dam medicinam: He assim que se exprime liuxham (Om*. phys. med., t. i), medico tão esclarecido como consciencioso. Eritze se queixa' também {Amialen, 1, p. 80) de que se dá o mesmo nome á doenças essencialmente differentes. «As doenças epidêmicas mesmo, diz elle, que provavelmen- w « te se propaga) por um miasma especifico em cada epidemia « recebem nomes da escola medica reinante como se ellas tos- te sem doenças estáveis, já conhecidas representando-se sempre « da mesma forma. He assim que se falia d'uma febre de hos- te pitaes, duma febre de prisões, d'uma febre de campo, d'uma « febre podre, d'uma febre billiosa d'uma febre nervosa, « d'uma febre mucosa, ainda que cada epidemia d'estas febres « erráticas se mostre debaixo da forma d'uma doença nova, não « tendo nunca existido e variando muito tanto em seu curso co- te mo em seus symptomas os mais notáveis, comona maneira quo « ella procede. Cada uma dei Ias differc a tal ponto de todas « as epidemias anteriores, que não trazem ao menos o mesmo « nome, que seria preciso querer offender de frente os prin- « cjpios da lógica para impor á doenças tão diversas um dos « nomes que forão introduzidos na palhoiogia, e regrar depois « sua condueta medica em alcance do nome que tanto se teria « abusado. Sydenham he o unico que lem comprehendido cs- « ta verdade. {Opp., cap. 2, dcMorb. epid., p. 43); porque « insiste sobre este ponto quenão se deve nunca acreditar na « identidade d'uma enfermidade epidêmica com uma outra « que já está manifestada, e tratal-a em conseqüência d'esta «aproximação, porque as epidemias que tem grassado em « tempos diversos tern todas sido differentes umas das outras: « Animum admiralione percellit, quamdiscolor et sai plane dis- tt similismorborum epidemicorum fades; quietam aperta horum « morborum diversitas tum propriis ac sibipeculiaribus symp- « tomes, tum etiam medçndi rationc, quam hi ab Mis disparem ti sibi vindicant, satis illuccscit. Exquibus constat, morbos epi- « demicos, utut externa quatantenus specie et symptomatis ali- a qiiQt utrisque pariter convenire paullo incantioribus videan- h tur, re tamen ipsa, si bene «dverteris animan aliena? esse t< admodum indolis et dislare uf aera lupinis. » Está claro depois de tudo isto, que estes inúteis nomes de doenças dos quaes lantose abusa, não devem ter nenhuma in- fluencia sobre o plano de tratamento adoptado por um verda- deiro medico, e saber o que não deve julgar e tratar as doen- ças conforme a semelhança nominal d'um symptoma isolado, mas conforme o ajuntamento de todos os signaes do estado in- dividual de cada doença, logo seu dever he procurar escrupo- losamentc os males e não de presumil-o a favor de hypothe- es gratuitas. Entretanto S'j suppõe, ter algumas vezes neces- sidade de nomes de doenças para sí fazer entender em poucas palavras do vulgo, quando se falia d'uma doença particular ao jnenos não se sirvão senão de palavras colloctivas. lie preciso dizer'por exemplo, o doente tem uma espécie de pe< horéa. { 99 orna espécie de bydropesia, uma espécie de febre nervosa, uma espécie de febre intermittente. Porém não devem nunca dizer. Tem a pecborèa, a hydropesia, a febre nervosa, a febre intermittente &c., porque certamente que não existem doenças permanentes e sempre semelhantes a si mesmas que mereção estas denominações. ( §82. ) A vista disto a marcha que acabo de descrever para a descoberta dos slmptomas, só convém em parte nas mo- léstias agudas. ( § 8k. ) Toda interrupção interrompe a marcha das idéas da pessoa que falia, e acontece ao depois que não lhe vem á memória do mesmo modo as couzascomo antes as queria dizer. ( §87. ) Por exemplo, o medico não deve dizer: E por- que tal ou tal cousa não aconteceo assim? Dar um semelhante enleio a suas questões, he suggerir do doente respostas falsas e indicações mentirosas. ( § 88. ) Por exemplo: O doente obra? como ourina? co- mo he seu somno durante o dia e a noite? qual he a disposi- ção de seu espirito, de seu humor? até que ponto he senhor de suas faculdades? até que ponto he a sôde? que gosto expe- rimenta na boca? quaes são os alimentos e as bebidas quo mais lhe agradão e quaes os que mais repugna? se em cada comida ou bebida acha o sabor que lhe he próprio ou se outro estra- nho? como se acha depois da comida ou da bebida? se tem al- guma cousa a dizer relativamente a sua cabeça, a seus membros, a seu baixo-ventre? ( § 89. ) Por exemplo: Quantas vezes o doente obra? de que natureza são as matérias? se as dejecções sãoesbraquiçadas, viscosas ou fecaes? se a sahida dos excrementos he ou não acom- panhada de dores? quaes são exactamente essas dores e onde se fazem sentir? se o gosto que tem na boca he pútrido, amar- go ou de qualquer outra natureza? se se faz sentir antes, de- pois ou durante a comida e a bebida? em que hora do dia ex- perimenta esses incommodos? que gosto tem os arrotos? se a ourina que saho he turva, ou se turva passado algum tempo? de que côr he ella no instante da sahida? que cor tem o sedi- mento? como se conserva o doente dormindo? se lamenta, se geme, se falia, se grita? se acorda em sobressaltos? se ronca inspirando ou expirando? se se conserva de costas, ou sobre que lado se deita? se se cobre ou se não soffre as coberturas? 100 se facilmente se desperta ou se tem somno mui profundo? como se acha no instante de despertar? Se tal incommodo so mani- festa muitas vezes o em que occasíão? se he quando o doente está sentado, deitado ou movendo-se? se somente he em jejum ou de manhã cedo, ou somente de ncite, ou depois da comida? quando lhe appareceo o frio? se he simplesmente um sentimen- to de frio, ou frio verdadeiro? em quaes partes do corpo mais o sentia o doente? sua pelle estava quente em quanto se queixava do frio? se não experimentava senão uma sensação de frio sem arrepíamento? se tinha calor, sem que sua fisiono- mia estivesse vermelha? quaes partes do corpo estavão quentes ao tocar? se o doente se queixava de calor sem ter a pelle quen- te? quanto tempo durou o frio? quanto o calor? quando lhe vi- nha a sede? se antes, depois ou durante o calor e o frio? se era ella activa? que desejava o doente beber? quando lho ti- nha apparecido o suor? se era no principio ou depois do calor? •? quanto tempo se tinha decorrido entre a sôde e o calor? se te- ve lugar durante o somno ou a vigília? se era com muita abun- dância? se era quente ou frio? em que parte do corpo se ma- nifestava elle? que cheiro tinha? de que se queixava o doente antes ou durante o frio, durante ou depois do calor, durante ou depois do suor, &c. ( § 90. ) Por exemplo: como se porta o doente durante a visita? se tem estado de mào humor, arrebatado, precipitado, choroso, timorato, desesperado ou triste, tranquillo ou anima- do, (&c? se está entregue ao torpor, ou em geral, senão está se- ^,. nhor de sua cabeça? se está rouco? se falia muito baixo? se diz cousasimproprias? se nos seus discursos ha alguma cousa de insólito? qual he a côr do rosto, dos olhos, e da pelle em geral? qual o gráo de expressão e de vivacidade da cara e dos olhos? como se acha a lingoa, a respiração, o cheiro do hálito? se as pupillas estão dilatadas ou apertadas9 com quepromptidãoe até que ponto se movem ellas de dia e de noite? em que estado se acha o pulso, o baixo-ventre? se a pelle está humida ou quente, fria ou secca, em que parte do corpo ou se por todo elle? se o doente está deitado com a cabeça inclinada para traz, com a boca meia ou inteiramente aberta , com os braços encruzados por cima da cabeça? se está deitado de costas ou em outra qualquer posição? se pouco mais ou menos sente alguma diffi- culdade em sentar-se? Finalmente, o medico toma.conta de tudo quanto elle tem podido observar, e que pareça merecer ser notado. ( § 93. ) Se as causas da doença tem alguma cousa de L 101 j humilhante e os doentes ou aquelles que o cercão hesitão em confessal-as, ou espontaneamente declaral-as, o medico deve fazer muito por descobril-as por meio de questões feitas com muita circunspecção ou informações tomadas em segredo. No numero destas causas entra as tentações do suicídio, o onanis- mo, o abuso dos prazeres do amor, os deboches contra a na- tureza, os excessos de comida ou de bebida, o abuso de ali- mentos nocivos, a iníecção venerea ou psorica, um amor des- graçado, o ciúme, as contrariedades domesticas, o despeito, o pezar causado por desgraças de familia, os máos tratamentos, a impossibilidade da vingança, um pavor supersticioso, a fome, uma diformrdade nas partes genitaes, uma bernia, um pro- lapso, <&c. ( § 94. ) Nas doenças chronicas das mulheres he neces- sário ter em vista a prenhez, a sterilidade, a propensão para o acto venereo, os partos, os abortamentos, a criação, e o estado do fluxo menstrual. Quanto a este ultimo, nunca se deixará de perguntar se elle apparece em épocas muito aproximadas ou afastadas, quanto tempo dura, se o sangne corre sem inter- rupção ou somente por intervallos, qual he a quantidade de seu corrimento, se he carregado na côr, se a leucorrhéa se ma- nifesta antes delle apparecer ou depois que cessa de correr; porém procurar-se-ha sobretudo saber qual he o estado do physico e do moral, que sensações e dores se manifestão antes, durante e depois das regras; se a mulher está atacada de flores brancas, de que natureza são ellas, qual a sua quantidade, que sensações as acompanhão, finalmente em que circunstancias ou oceasiões lhe apparecerão. ( § 96. ) O hypocondriaco ainda mesmo o mais insuppor- tavel jamais imagina em accidentes e incommodos que na rea- lidade elle não os sinta. Pode-se assegurar isto, comparando as lamentações que se fazem ouvirem differentes épocas, em quanto que o medico nada lhe dá, ou ao menos não lhe applica substancia alguma medicamentosa. Deve-se somente diminuir alguma cousa de suas lamentações, ou ao menos pôr a energia das expressões de que elle se serve na conta de sua excessiva sensibilidade. A este respeito, o quadro exaggerado que elle faz de seus soffrimentos torna-se um symptoma importante na serie daquelles que compõe a idéa da doença. O caso he inteira- mente differente nos maníacos e n'aquelles que fingem estar doentes por malícia ou por qualquer outro modo. ( § 102. ) He então que o estudo dos casos subsequentes 102 deve mostrar ao medico que pelo soccorro dos primeiros vllé já tem achado um remédio aproximadamente homceopathico, se a escolha foi boa, ou se elle deve recorrer a outro meio mais bem apropriado ainda. ( § 104. ) Os médicos da antiga escola ficão muito con- tentes com esta razão. Não só se não entregão a uma rigorosa investigação de todas as circunstancias da doença, como tam- bém interrompem muitas vezes o doente na narração circuns- tanciada que quer fazer de seus soffrimentos com a pressa do escreverem uma receita composta de ingredientes, e não lhe sendo conhecido seu verdadeiro effeito. Medico algum allopa- thista jamais se informa com exactidão de todas as particulari- dades da doença que elle tem de tra'ar, e nem tão pouco cuida em escrevel-as. Quando no fim de muitos dias elle revê o doente, jâ se tem em grande parte ou na totalidade se esquecido das fracas informações que se lhe derão, e que suas multiplica- das visitas a outras pessoas fizerão riscar-se de sua memória. Em sua nova visita, igualmente se limita a algumas perguntas geraes, finge apalpar o pulso no punho, observa a lingoa, e para logo, sem motivo racional, escreve urna outra receita, ou faz continuar a antiga. Depois polidamente despedindo-se cor- re para a casa dos outros cincoenta ou sessenta infelizes entre os quaes elle deve essa manhã dividir-se, sem que sua intelli- gencia se fatigue pelo menor esforço. Eis-aqui como aquillo que ha de mais serio no mundo, o exame consciencioso de cada doente e o tratamento baseado sobre esta exploração, he tra- tado por pessoas que se dizem médicos e que pretendem fazer uma medicina racional. O resultado geralmente he sempre máo, como em tal caso se deve esperar, e no entanto que os doentes são obrigados a dirigirem-se a taes pessoas, quer por não haver cousa de melhor quer para seguir o ceremonial. ( § 108. ) Nenhum medico no meu entender além do grande e immortal A. Haller tem .no decurso de vinte e cinco séculos imaginado este methodo tão natural, tão absolutamente necessário, e unico tão verdadeiro, para observar os effeitos puros e próprios de cada medicamento, para d'ahi concluir quaes são as doenças cm que elle seria mais apto de curar. Antes de mim só Haller comprebendeo a necessidade de seguir essa marcha. (Vôde prefacio de sua Pharmacopea Hclvet. , Bab, 1771, in-fol., p. 12): IS'empe primum incorpore sano medelo tentando est, sine peregrina ulla mescela; odoreque et sopore ejus exploralis, exigua illius dosis ingerenda etad om- nes, qu® indè contingunt, affectiones, quis pulsxís, quis calor, 103 51KF respiralio, qntonam excrelioneii, aíletulendum. Inde ad diic- tum phamomenorum, in sano obviorum, transeas ad experimen- ta in corporc atgroto, &c. Porém nenhum medico se tem apro- veitado de tão precioso aviso e até mesmo nem feito a menor attcnção. ( § 109. ) Apresentei os primeiros fructos de meus traba- lhos em um opusculo intitulado: Fragmenta dcviribvsmedicú- tnmtorum positivis, sive in sano corpore humano òbservatis, p. 1, 11, Leipzick, 1803, in 8.° Outros mais antigos o fizerão na ultima edição de meu Tratado de matéria medica pura ( Paris, 1834, 3 vol. in 8." Vc em meu Tratado das doenças chronicas. { § 109 bis. ) Não pôde haver ou lio methodo mais ver^ dadeiroparacurarasdóehçasdynamicas (isto he não cirúrgicas") do que o homceopathico, assim como nãohe possivel entre dous pontos dados tirar-se mais de Uma linha recta. Logo he preciso nfio estar bem aprofundado em sèü estudo, não ter visto tra- tamento algum homoeopathico bem motivado, não pensar até que jponto os methodos allopathicos são despidos de funda- mento o ignorar as conseqüências, que delles se seguem ás ver- zcs mas outras até mesmo medonhas, para querer que mar- che tão detestáveis methodos a par com a verdadeira medicina b representadas como ifmães não podendo por isso passar. A homoeopathia pura, que qüasi nunca falha ao fim que tende, repelle qualquer associação do semelhante natureza. ( § llò. ) Vede o cjue eu disse a este respeito cm minha memória sobre as causas da matéria medica ordinária. [ Pro- legomcnes de meu tratado de matéria medica pura, Paris, 1835-, t. 1, pag. 9 e seguinü1.} ( § 117; ) O cheiro da rosa faz certas pessoas desfallecer^ outras são attacadas tio doenças algumas vezes perigosas depois de terem comido mexilhões, carangueijos ou ovas de baibo^ depois de terem tocado nas folhas de certos sumagres. (■§117 6i.í. )• Foi assim que a prirteeza Maria Porphyro- geiíete em presença de sua tiaEudoxia fez tornai- a si seu irmão Alcxisd'ünta das svncopes de que era aecomiueítido borrifando-ó com ago;' de rosas. Hist. byz. Ale.rias. lib. 15, p. oOo, ed. Posscr. ! Ilorstius ' Opp. LU, p» -ií}/achou o vinagre de n>..i muito Híica/ na s-vnçope, í 1, w $liâ. \i*b verdade também foi reconhecida por fiai- ht quando dú [ prefacio de sua HisL stirp. Âlelv. ): Lutei im- mtma virium diecrsitas in iis ipsis plantis, quarum faeies eu> terna» dudum novimus, unimos quasi «í quodcumque ccelestius habent, nonditm perspeximus* { §119. ) Todo aquelle que sabe que a acção de cada subs- tancia sobre o homem ditTere da de todos os outros, e aprecia a importância deste facto, sem muita diíficuldade comprehende vuedical-mcnte faltando, que não pôde ahi haver suecedaneos, isto be medicamentos equivalentes e capazes de substituírem- se mutuamente. Aquelle a quem os effeitos puros e positivos dás substancias medicinaes são desconhecidos, he que pôde ser tão insensato que queira nos fazer persuadir que um remédio pôde substituir a um outro e produzir o mesmo elTeito sauda- rei' n'um supposto caso de doença. He assim que as crianças por Süa simplicidade, confundem aquellas cousas que na es- ifçncialidàdc são mais differentes, porque as conhecem apenas listas pelo seu exterior c não tem idea alguma de suas pro- priedades intimas e de seu verdadeiro valor intrínseco. ■ $119 6***. ) Se istohe a exacta verdade, como eflècti- vamente o lie, um medico zeloso de passar por um homem ra- üional e de pôr sua consciência em socego, não pódc deixar ']'ahi cm diante de prescrever senão aquelles medicamentos t|ue elle perfeitamente conhece sua propriedade, isto he aqucl- h que elle tem estudado sua acçao sobre indivíduos em estado tle saude, c isto com muito cuidado para estar persuadid* quo d'entre muitos he esse sobre todos quem pôde provocar o es- tado mórbido mais análogo na doença natural que se trata de curar; porque assim como já se vio mais acima, nem o homem nem a natureza jamais álcanção cura completa, prompta e du- rável, d'outro qualquer modo que não seja com o soccorro dum meio homceopatliico. Medico algum para o futuro evi- taria submetter-se a descobertas deste gênero, sem as quaes el- le não adqueriria , a respeito dos medicamentos, os conheci- mentos que são indispensáveis para o exercício de sua arte, c iruc até boje tem sido desprezados. A posteridade com custo acreditará que até aqui todos os práticos se vangloriem de dar cegamente nas doenças remédios que elles ignoravão o verdadeiro valor, c que nunca tinbão estudado os efléitos puros r» dynamicos sobre o homem em saude, que elles tenhão se habituado d'associar juntas muitas dessas substancias desconhe- cida, cuja acção be tão diversificada, c que ao depois tenhão ' !;?r*"M'l.o a'-1 tça-.-"* •} cuido.do de Kjra.r tudo quanto d'ahi 10» 1 podesse resultar para o doente. He deste modiMjue uiu insen- sato entra na ofTicina d'um artista, agarra ás mât» cheias todos os instrumentos que se achão ao seu alcance, e imagina qne com seu soccorro elle poderá acabar uma obra que vé esboçada. Quem pôde duvidar que elle os estrage pela ridícula manei- ra de trabalhar, que talvez mesmo se corte irreparavelmente? (§123. ) Jahr, Nora pharmacopéa e posologia homa*i- pathica, Paris, 1841, in 12. ( § 12o. ) Pode-se permittir as pequenas ervilhas, osfei- jões verdes, e mesmo as cenouras, como sendo legume» verdej que menos virtudes medicinaes possuem. ( § 12o bis. ■) A pessoa' que se submette ás experiências não deve estar acostumado a usar do vinho puro, d'agoarden- tc, do café ou do cftá, ou ao-menos estar já desarbituach por muito tempo de bebidas tão nocivas que umas são excitantes e as outras medicamentosas. ( § 140. ) Aquelle que eoinmunica ao publico o« resul- tados de semelhantes experiências, be responsável do caracter da pessoa que se tem submettidoo das asserçõos que elle enunr cia depois delia. Esta responsabilidade be de direito, visto que eíle se opera no bem estar da humanic&ulé soffredora, ( § 141.. ) As experiências feitas em si mesmo tem ainda rnitrà vantagem que iurpossivcl be obter-se tToulro modo. Em primeiro lugar, ellas alcançãoa convicção d'esta grande verda- de, que avírtude curativa dos remédios unicamente se funií»- sóbre a faculdade que elles possuem de provocar mudanças no estalo pliysico -c moral'dt>homem. Em segundo lugar, cilas ensinão a compreWndér suas -próprias sensações, seu pensa- mento, sua moral, fonte da verdadeira sabedoria e fa- zem adquirir o talento da obscrvaçãoa que um medico ni\«- pode escapar-se. Aquelle que obsona os outros deve sempre temer que elles não experimentem exaclamonte o qne elles di- zem, ou não se exprinião d'um modo conveniente do quês* ressentem. Não ha certeza de tvr sido enganado ao menos era parte. Este obstáculo para oconliecimento -da verdade, que inteiramente se não pode afastar deito uma vez que bem s* informe dos symptomas mórbidos provocados em um outro pela e.cção dos medicamentos não existe no ensaio que ^> far em si mesmo. Aquelle que *o submette á esperieneia salve justamente o que -ümiI* e rada ensaio novo que teutà em h& ÍOÜ própria ptssoa be para si uni motivo de mais angmentar suas descobeitus levando-as sobre outros meilicamentos. (auto co- mo está de não se enganar, elle se torna mais hábil na arte tão importante de observar, e seu zelo ao mesmo tempo so augmenta porque lhe ensina a conhecer o verdadeiro valor dos recursos da arte cuja penúria ainda he tão grande. Entre- tanto que se não acredita que os pequenos incommodos que se cantrahe no ensaio dos medicamentos sejão prejudiciaes á saude. A experiência prova ao contrario que elles nada mais fazem do que tornar o organismo mais apto para repellir totlas as cauzas mórbidas naturaes ou arlifieiacs e que se endurecom contra sua influencia. A saude torna-se mais solida e o eovpo mais robusto. ( § 142. ) Os symptomas que no curso da doença intei- ra não se íizerão observar senão muito tempo antes, ou mesmo ♦ não forão observados, são por conseqüência novos e pretein cem ao remédio, ( § IV3. ) Nos últimos tempos confiava-se o cuidado de experimentar os medicamentos á pessoas desconhecidas e es- tranhas, a quem se pagava para desempenhar essa tarefa e de- pois então puhlicavâo-sc as observações. Porém este methodo jíarece despida de garantia moral, de certeza ç de todo valor real, trabalho tão importante sobre qusm deve descançar as bases da só verdadeira medicina. { § lio. ) A principio fui eu o unico a fazer o estudo dos effeitos puros dos meilicamentos a principal e a mais impor- tante de minhas occupações. Depois fui ajudado por alguns médicos jovens de quem eu escrupulosamente examinei ag observações. Porém como senão conseguirá operar em factos de curas uo immcnso domínio de doenças contando-se com a exactiilão de numerosos observadores que muito contribuirão, com descobertas em si mesmos para enriquecer esta matéria medica, a única que be verdadeira! A arte de curar se apro- ximará então das sciencias mathematicas em razão de sua exactidão. í § 149. ) Apezar das numerosas obras destinadas a di- minuir as dificuldades da descoberta do remédio ás vezes mui- to trabalhosa, por todos os modos mais homceopathicamonte para cada caso especial de doença, ella exige ainda mais que se estude as mesmas cauzas, que se proceda com muita circuns» noeção e que fiiuilmcnl.*- se não tome sou partido senão depQJ: [ W»7 de ter seriamente pesado uma multidão de circunstancias di- versas. A maisbella recompensa de todo aquelle que assim pra- tica be o descanço d'uma consciência segura de ter preenchido fielmente seus devercs. Como um tão minucioso trabalho tão penoso, c no entanto o unico mais apto de fazer chegar ao es- tado de seguramente curar as doenças poderia agradar aos partidários da nova seita bastarda, aquelles que adoptando somente as formas exteriores da homosopathia, prescrevem os medicamentos por assim dizer ao caso (quidqnid in buecam re- nit ), o uma vez que o remédio em vão escolhido não allivie immediatamente, elles pegão-senão á sua imperdoável incúria, mas sim a doutrina, que elles aceusão de imperfeita? Estes há- beis homens bem depressa se consolão dos máos suecessos de meios apenas meios homceopathicos que elles empregão, e re- correm depois aos processos da allopathia que lhes são mais familiares, isto he a algumas dúzias de sanguesugas, a inno- contes sangrias de oito onças, &c. Se o doente sobrevive, el- les exclainão que não era possivel salval-o por qualquer outro methodo, dando claramente a entender que estes meios em- prestados na rotina da antiga escola, sem grande trabalho de imaginação tiverão na essencialidade a honra da cura. Se o doente suecumbe consolão elles aos parentes, dizendo-lhes que couza alguma se poupou de tudo aquillo que humanamente era possivel fazer-se para o salvar. Quem quererá fazer a estes inconsiderados e perigosos homens a honra de admittil-os en- tre os adeptos da arte penosa, porém saudável, a que se dá o nome de medicina homoeopathica? ( § 133. ) M. de Bocnninghauscm fez um grande serviço á homoeopathia, por sua exposição dos symptomas que carac- lerisão os medicamentos antipsoricos. [Quadro da principal sphera d%acção e das propriedades caracleristicas dos remédios antipsoricos, traduzidos doallemão, Paris, 1834, in 8.°). ( § 160. ) Esta preponderância dos symptomas medica- mentosos sobre os mórbidos naturaes e que parece a uma exas- peração da doença, foi também observado por outros médicos quando o accaso os conduzia ao lançar mão d'um remédio ho- mceopathico. Toda voz que o sarnento toma enxofre, se queixa de que a erupção augmenta, o medico que não sabe a causa, o consola dizendo, que he preciso que a sarna saia toda inteira antes de a poder curar-se; porém ncste>so elle ignora que he um exauthema provocado pelo enxofre quem toma a appa- rencia d'um.a exasperação da sarna. Leroy [Medicina natural, *u arte d'educar as crianças, p. 376 ) nos assegura que o amor 108 perfeito ( Vioh tricolor ) fez peorar uma #rupçü« na cara, que ao depois se realisou a cura; porém eíle não nalHa^ur! r»»e crescimento a-i^xarente do mal provinha imieomento por fo-r-se administrado em rrrai alta dose o medicamento que ne^te caso se acha Irowiceopathieo. Lysons (Med. Tmua, vol. H, Eon- dces, 1772) diz qtie as troeneas de peite que mais seguramen- te oedem á casca d"olmo, são aqtieHias quo ao principio esta. substancia faz augwentar. Se eUe mio tivesse administrado se- gundo o costume da medicina arlopathira acasca d'olmo em altas doses, mas sim como o exigia o caracter homoeopathico se ette a traces© tormw em dozes extremamente fraca* no* exau- themas contra o* quaes a prescrevia certamente que curaria s«n experimentar esse augmento tle intensidade ou ao menos mtw pouco se terião manifestado. ( § 161. ) Ainda que o effeito dos medicamentos que» mais dotados são da mais prolongada acção, se dissipo rapi- damente nas doenças agudas, comtudo elle por muito tempo- dura nas aflecções chronicas, (provindo da psora*) o d'aqui vem que os medicamentostintepsorieos nem sempre produzem essa exasperação homcropathica nas primeiras horas, mas sim os determinão mais tarde e emboras difTerentes nos primeiro* oito ou dez dias. ( § 181. ) Ao menos que não provenhão d.'uiii grande desmancho na dieta, d'uma paixão violenta, ou d*um movi- mento tumultuoso no organismo, assim como também a ma- nifestação ou a cessação das regras, a concepção, <> parto, Ac. § 183. ) Um caso bem raro nas^ doenças chronicas, po- rimi que muitas vezes também acontece nas atíecções agudas, be aquelle em que apesar da exiguidade dos synrptomas, o doente se sente apesar disso muito mal, de maneira que pode- se attribuir este estado ao adormecimento da sensibilidade, i* qual não permitte ao doente perceber claramente ts dores e os ettcotnmodos. Em tal caso, o opio faz cessar esse estado de torpor do systema nervoso, e os symptomas da doença se de- signão claramente durante a reacção dfc oeganismo. ( § 188. ) He isto um dos numerosos c perniciosos ab- surdos da antiga escola. í § 194. ■ Por exemplo o aconito, o rhns, a bfltodo-na, t> mercúrio, Ao. IV9 Íi 197. ; A erupção psoiica te*cenlí, os cancros, as cai- ados. ( § 19$. ) Afàim como era antes de mim paia os remé- dios aftti&YCesicog e antipsoricos. ( § 201. ) Os cauteíio&dos médicos da antiga escola p*o- tluzcui alguma cousa danalogo. Essas ulcecas que a arte faz apparecer no exterior, muitas vezes aealmão doeaças ehrooU cas interiores, porém por um curto espaço de tempo, sem po- der curai-as; por outro Lado enfraquecem o organismo e tra- zem um ataque mais profundo, como não o farião a maior parte das metastoses provocadas instinctivamentepelaforça vital. ( § 203. ) Porque todos os medicamentos que se davão internamente em semelhantes casos, nada mais laziio senão aggravar o mal, porque não possuía a virtude especifica de cural-o em sua totalidade, mas que no entanto atacavão o or- ganismo, o enfraquecião c lhe trabião outras doenças medi- camentosas chronicas. ( § 205. • Por conseqüência eu não posso aconselhar,, por exemplo, a destruição local do cancro nos beiços ou no rosto ffructo d'uma psora muito desenvolvida) por meio da pomada arsenical do frei Cosme, não só por ser este methodo extrema- mente doloroso e muitas vezes inútil, como também, e sobre- tudo por ser um semelhante meio dynamico, apesar de que desembarace localmente o corpo da ulcera canerosa, comtudo não diminue a doença fundamental, de maneira que a força conservadora da vida he obrigada de levar o foco do grande mal que existe interiormente sobre uma parte mais essencial (assim como acontece em todas as metastoses) e de provocar por este modo a cegueira, a surdez, a demência, a astbma suftôcante, a hydropesia, a apoplexia, &c. Porém mesmo a pomada arsenical nunca chega a destruir a ulceração local, salvo quando esta ultima não he muito extensa c a força vital conserva uma grande energia: ora, em tal caso ainda he pos- sível curar por inteiro o mal primitivo. A extirpação do can- cro quer no rosto, quer no seio. c a dos tumores enkystados absolutamente dão o mesmo resultado. A operação ainda he seguida d'um estado mais terrível, ou ao menos da época da morte que se deve achar avançada. Tiverão lugar estes effeitos em um grands numero de casos; porém a antiga escola não deixa de sempre persistir cm sua cegueira. Vede liolletitu d'Academia if.«! de medicina, t. IX, p. 330 z seguirít»:. i HO ( § 20K bis. ) Erupção psorica, cancros, , bubôes) carrio- sidades. ( § 206. ) Quando se toinão informações de tal natureza, não he bom se deixar levar pelas asserções dos doentes c dtí seus parentes, que quasi sempre dão por causas nas doenças, ainda mesmo a» mais graves e as mais inveteradas, um resfria- mento soffrido muitos annos antes, um norte experimentado em outro tempo, um esforço, um pesar, &c. Estas causas são mui insignificantes para gerarem Uma doença chronica em uni corpo são, entreter-se nelle por annos inteiros e tornal-o cada vez maior, assim como acontece a todas as affecções cbro-» nicas resultantes d'uma psora desenvolvida. Causas d'outro modo mais importantes do que esta devem ter presidido ao nascimento e aos progressos d'um mal chronico grave c perti- naz, e estas que se arabão »le mencionar são pouco mais ou menos próprias para tirar um miasma chronico de sua somffo^ lencia lelhargic». f § 210. ; Quantas vezes se não encontrão doentes quo apesar de serem por muitos annos vietimas de affecções bem dolorosas, comtudo conservarão um humor suave e tr.inquillo, de maneira tal que um homem se sente peneirado de respeito e de compaixão para com elles? Porém toda vez que se chega a triumpbardo mal, o que muitas vezes he possivel pelo me-> thodo nomtropathico, vé-se então ás vezes apparecer uma mudança de caracter mais medonho e reapparecer a ingratidão, a dureza de coração, a malignidade purificada, os caprichos revoltantes, que erão a sorte do individuo antes de cahir doen- te. 31uitas vezes um homem paciente no estado de bom, tor-* na-se arrebatado, violento, caprichoso, insupportavel ou irm- paciente e desesperado toda vez que fica doente. Não he de ad- mirar que a doença embata o homem de espirito c que cila faça d'um espirito fraco uma cabeça mais axtiva, e d'um ser apathi- co um homem cheio de presença de espirito e de resolução. í § 213. ) O aconito raras vezes produz, porém nem sempre, uma cura rápida e durável, quando oliumordo doente he igual e pacifico; nem a noz-vomica, quando o ca- racter be suave c flegmatico; nem a pulsatifla, quando he alegre, sereno, e pertinaz; nem a fava dcSanto lgnacio, quan- do o humor he invariável o pouco sujeito a ressentir-se quo* do pesar quer do susto. § ú~2~. Haras vezes acontece que uma afiecçao-do''cs- [111] pirilo ou do moral durando já d'algum tempo, por si mesmo cesse (pelo transporte da doença interna sobre os órgãos mais grossos do corpo). Nestes casos pouco geraes he que se vêm os homens deixarem uma casa cheia de alienados na apparen- cia curados. Fora d'ahi os estabelecimentos ficão entulhados c os novos alienados só achão lugar quando a morte decreta ferias. Nenhum sabe delle curado real e perfeitamente ! Prova brilhante além de muitas outras do nada dessa medicina que ridiculamente se tem chamado racional. Quantas vezes pelo contrario, a pura e verdadeira medicina, a homceopathia, não tem ella conseguido repor alienados na posse de saude do cor- po e do espirito, e trazel-os ao mundo para quem já se julga- vão perdidos! (§ 224.) Parece que o espirito sente apezar da verdade destas representações, e obra sobre o corpo como se quizesse restabelecer a harmonia destruída, porém esta reage por sua doença sobre os órgãos do espirito e da alma e augmenta a desordem que já ahi ha regeitando seus próprios soffrímentos sobre elles. Comparai Esquirol: Doenças mentaes consideradas sob as relações medica, hygienica, e medico-legal, Paris, 1832, 2 vol. in 8.°, atlas. (§ 228.) Não saberião admirar-se da crueldade e do dis- parate que ostentão em muitos casos de loucos na Inglaterra e na Allemanha, médicos que sem conhecerem o unico e verda- deiro methodo de curar as doenças mentaes, o emprego con- tra ellas de medicamentos homceopathicos antipsoricos conten- tão-se em atormentar e opprimir por meio de pancadas leves os mais dignos de compaixão entre todos os desafortunados. Usando de meios tão revoltantes rebaixão-se muito mais a car- cereiros nas casas de correcção, porque estes he em razão da missão que receberão e sobre criminosos que assim praticão, no entanto que aquelles mais ignorantes ou preguiçosos em procurar um methodo conveniente de tratamento, parecem não exercer tanta crueldade sobre innocentes doentes senão por despeito de não poder cural-os. (§ 232.) He possivel que dous ou tres estados differentes se alternem juntamente. Pôde acontecer por exemplo, no que diz respeito a alternância de dous estados diversos, que certas dores se manifestem nas extremidades inferiores apenas desap- pareça uma ophthalmia, c que depois esta torne logo que ces- sem as dores; ou que spasmos e convulsões se alternem imme- diatainente com outra qualquer affecção ou de todo o corpo [ 112 1 ou de algumas de suas partes. Porém também pôde acontecer em casos d'uma tripla alliança de estados alternativos n'uma doença continua, que uma superabundancia apparente de saude, uma exaltação das faculdades do corpo e do espirito (alegria fora do ordinário, vivacídade excessiva, sentimento exaggerado de situação,appetite immoderado, &c.) se veja suece- der repentinamente um humor sombrio e melancólico, uma insupportavel disposição para a hypochondria, com perturba- ção de muitas íuneções vitaes, da digestão, do somno, &c., e que o segundo estado dê lugar com mais ou menos prompti- dão ao sentimento de indisposição que o individuo experimen- ta nos tempos ordinários. Muitas vezes não ha vestigio algum do estado anterior quando o novo se declara, e outras pelo contrario. Em certas circumstancias, os estados mórbidos que juntamente se alternão, são de natureza inteiramente oppos- tos um do outro, como por exemplo a melancolia e a loucura alegre ou o furor. (§235.) Ainda até hoje a pathologia não sahio de seu estado de infância e por isso não conhece mais do que uma só febre intermittente a que também chama febre fria. Ella tão pouco não admitte outra differença senão aquella do tempo em que voltão os accessos, e he nisto que estão fundadas as denominações de febre quotidiana, febre terça, febre quar- ta, &c. Porém além da diversidade que ellas apresentão re- lativamente a suas épocas de volta, ellas apresentão ainda outras differenças mais importantes. Entre estas febres, ha uma multidão dellas a que se podem chamar frias, por con- sistirem seus accessos unicamente em calor; outras são carac- terizadas por frio seguido ou não de suor; outras gelão todo o corpo do doente, e no entanto que lhe fazem experimentar uma sensação de calor , ou também lhe excitão a sensa- ção de frio, ainda que seu corpo pareça estar muito quen- te pelo simples tocar da mão; em muitas, um dos paroxis- mos se limita a arrepiamentos ou a frios que immediatamente substitue a existência, e aquelle que ao depois vem só, consis- te em calor, seguido ou não de suor; no primeiro caso he o calor quem a principio apparece, declarando-se ao depois o frio; e no segundo o frio e o calor dão lugar a uma apyrexia completa, no entanto que o paroxismo seguinte que muitas vezes apparece no fim de muitas horas, he simplesmente ob- servado por suores; casos ha em que senão observa signal al- gum de suor, e n'outroso accesso he acompanhado delle, sem frio ou sem calor, ou de suor correndo somente durantCo calor. Também ha uma infinidade de differenças relativas so- [ 113 ] bretudo nos symptomas accessorios, no caracter particular da dôr de cabeça, no mau gosto na boca, na dôr de coração, no vomito, na diarrbeia, na falta ou gráo de sede, nas diversas dores que se sentem no corpo e nos membros, no somno, no delirio, nas alterações do humor, nos spasmos, &c., que se manifestão durante ou depois do frio ou do calor, ou do suor, sem contar muitas outras diversidades ainda. Eis aqui exacta- mente febres intermittentes bem differentes entre si, e recla- mando cada uma dellas um modo de tratamento homceopa- thico que lhe seja próprio. He verdade, deve-se confessar que quasi todas estas febres podem ser supprimídas (como muitas vezes acontece) por meio de grandes e enormes dozes de quin- quina ou de sulphato de quinina, isto he que estas substancias impeção sua volta periódica e destruão seu typo; porém quan- do o medicamento foi usado contra aquellas febres intermitten- tes em que elle não convinha, o doente não fica curado por não se ter extinguido o typo de sua affecção, fica então doente d'outra maneira e muitas vezes mais do que antes o era, por- que fica victima da doença quinica especial chronica, que ao depois he difficil á verdadeira medicina cural-a em curto tem- po. E be isto o que se quer chamar curar! (§ 235 bis.) M. de Bcenningbausen foi o primeiro que discutio tão vasto principio e facilitado por suas descobertas a escolha do medicamento que convém nas diversas epidemias de febres intermittentes. [Ensaio d'uma therapia homoeopathi- ca das febres intermittentes,. Paris, 1833, in 8.°) (§ 236.) A prova existe nos casos, infelizmente raros ,em que uma dose moderada de opio administrada no frio da fe- bre tem causado promptamente a morte do doente. (§ 244.) Doses consideráveis e ás vezes repetidas de quinquina e o sulphato de quinina podem livrar o doente dos accessos typicos da febre intermittente dos charcos, porém elfe não deixa de ficar d'outro modo doente e tanto quanto se não lhe administre remédios antipsoricos. (§ 24-6.) O autor aqui emprega uma nota muito extensa que nós supprimimos por já tel-a publicado toda no primeiro volume de nossa traducçâo do Tratado de matéria medicapura: Paris, 1834. [Prolegomenes, t. 1, p. 87, sobre a repetição d'um medicamento homoeopathico. —) [Xota do traduetor.) (§249-) A experiência tendo provado que he quasi im- II i possivel d'attenuar muito a dose de um remédio perfeitamente homceopathico para que não baste para produzir uma melhora pronunciada na doença contra a qual se o dirige (V. §§ 161, 179,) que seria obrarem sentido inverso do fim para que se propoz e querer prejudicar ao doente, imitando a medicina vulgar, que esta apenas não obtém melhores, ou vé as cousas peiorarem, repete o mesmo medicamento redobrando mesmo a dose, na persuasão de que não lhe pôde ser útil em conse- qüência de ter sido dada em mui pequena quantidade. Se e doente não tem feito algum desvio quer no physico quer no moral, todo o augmento que se annuncie por novos symptomas somente attesta que o remédio que foi escolhido não era adap- tado ao caso, porém ella nunca prova que a dose fosse muito fraca. (§251.) Assim como já desenvolvi nos prolegomenes do artigo consagrado â fava de Santo ígnacio. (Tratado de maté- ria medica pura, Paris, 1834, t. 11, p. 378.) ( § 253. ) Os signaes de melhora relativos ao humor e ao espirito do doente se manifestão pouco tempo depois de ter elle tomado o remédio, tendo sido a dose convenientemente ate- nuada, isto he tão pequena quanto possivel. Uma dose mais forte do que aquella que a necessidade o exigia, ainda mesmo que seja do remédio mais homceopathico , obra com muita violência e produz uma perturbação nas faculdades intellectuaes e moraes muito mais prolongada e muito maior, para que se possa reconhecer com antecedência a melhora no estado destes últimos. Farei notar aqui que esta tão importante regra he uma daquellas contra as quaes mais peccão os homceopathistas que começão e os médicos da antiga escola que passão para a nova. Estes, cegos pelos preconceitos, em tal caso temem lançar mão das mais pequenas doses de diluições as mais fortes de medicamentos e assim se privão das grandes vantagens que mais de mil vezes se tem colhido; não podendo cumprir o que cumprio a verdadeira homoeopathia e injustamente se entregão a seus adeptos. ( § 259. ) Os suaves sons da flauta que de longe e no si- lencio da noite dispõe um coração terno ao enthusiasmo reli- gioso, em vão forem o ar quando elles são acompanhados de lamentos e barulhos dissonantes. ( § 260. ) Por exemplo: o café, o chá, a cerveja contem- do substancias vegetaes dotadas de propriedades medicamento- [115] flas que não são próprias ao estado do doente, os licoreã prepa- rados com aremas medicinaes, todas as sortes de ponches, os chocolates aromatísados , as agoas de cheiro e perfumarias de toda espécie, os ramalhetes muito cheirosos, as preparações para os dentes, pulverulentas ou liquidas, nas que entrão substancias medicinaes, os saquinhos perfumados, as comidas fortemente adubadas, as massas e os gelos aromatisados, os le- gumes consistindo em hervas, raizesou gomos medicinaes, o queijo, as carnes cheirosas, a carne ea gordura de porco, de gansoede pato, a vitella, os alimentos agros. Todas estas cou- sas exercem uma acção medicinal accessoria e devem ser com muito cuidado afastados do doente. Se afastará também do abuso de todos os rigosijos da comida, mesmo do assucar e do sal. Se prohibira as bebidas espirituosas, o grande calor da al- cova, os vestidos de baetilha sobre a pelle, ( que na estação quente devem ser substituídos pelos de algodão e linho), a vida sedentária n'um ar encerrado, o abuso do exercício puramen- te passivo ( do cavallo, da carruagem, e da redonça ) a ma- mentação, o costume de dormir a sesta c por muito tempo, os prazeres nocturnos, a falta de aceio, os deleites contra a natu- reza, as leituras eróticas. Se evitarão as causas que excitão a cólera, o pesar, e o despeito, o divertimento levado até á pai- xão, os trabalhos forçados de cabeça e de corpo, a assistência nos lugares pantanosos, a habitação nos lugares em que o ar não se renova, as necessidades urgentes, &c. Todas estas in- fluencias devem ser evitadas ou afastadas quanto possível seja, se se quizer obter a cura ou mesmo que seja ella possivel. Al- guns de meus discípulos prohibindo ainda mais outras cousas que assaz são indifferentes, tornão inútil aos doentes observa- rem tão difficil regimen, o que não se deve approvar. ( § 261. ) Vede Bigel, Homoeopathia domestica, com- prehendendo a hygiene, o regimen que se deve seguir durante o fratamento das doenças, etc., Paris, 1839, in 8.°. ( § 263. ) Entretanto, que raras vezes isto acontece. Por exemplo o doente quasi sempre tem sede d'agoa pura naquel- las doenças francamente inflamatorias que reclamão tão im- periosamente o aconito, cuja acção seria destruída pela intro- dução de bebidas no organismo com ácidos vegetaes. ( § 266. ) Todas as substancias animaes e vegetaes mais ou menos gosão de virtudes medicinaes, e podem modificar o estado do homem cada uma dellas de seu modo. As plantas e os animaes de que se nutrem os povos civilisados tem a res- [ 116 peito dos outros a vantagem de conterem em si maior quan- tidade de partes nutritivas, e virtudes medicinaes menos enér- gicas, que se diminuem também pelas preparações quese lhes fazem soffrer como a cxprcmedura do sueco nocivo (da farinha de mandioca na America ) a fermentação ( aquella massa de que se faz o pão ), as defumações, a cosedura, a torrefacção, Ac. que destroem ou dissipão aquellas partesdosal ( salgadura ) o do vinagre ( molhos, saladas ) também produzem este effeito , e muitos outros inconvenientes que delle resultão. Aquellas plantas que são dotadas de virtudes medicinaes mais enérgicas, igualmente as perdem no todo ou em parte uma vez que soffrão o mesmo choque. As raizes de lírio, de rabão de cavallo ( planta ). O sueco dos mais violentos vegetaes muitas vezes se reduzerro n'uma massa totalmente inerte pela acção do calor que serve para preparar os extractos ordinários. Basta mesmo deixar em deposito por algum tempo o sueco da mais perigosa planta, pa- ra que elle perca todas as suas propriedades de si mesmo o ra- pidamente passe a fermentação vinbosa, e immediatamente se azeda, corrompe-se e acabe destruindo de si toda a virtude me- dicinal; o sedimento que então se deposita no fundo outra cou- sa não he mais do que uma fecula inerte. As hervas verdes que se depositão em montes também perdem a maior parte das propriedades medicinaes que nellas ha pela espécie de ex- sudação ou de suor que soffrem. ( § 267. ) Bucholz, (Taschenbuch fuer Sckeidekuenstler undApotheker, 1815, I, VI) assegura a seus leitores ( e aquel- le que se encarregou de sua obra, na Leipziger Literalur zei- tung, 1816, n.° 82, não o exalta ), que esta excellcnte ma- neira de prepararem-se os medicamentos se deve á campa- panha da Rússia (1812 ), que depois veio para AHemanha. Porém referindo-a com os mesmos termos da primeira edição de meu Organon, Bucholz se esqueceo de dizer que fui eu quem segui o autor, tanto assim que dous annos antes da cam- panha de Moscou já eu a tinha publicado ( em 1810 ). Antes querem fingir acreditar que uma descoberta viesse dos de- sertos da Ásia do que fazer honra a um compatriota! He ver- dade que antigamente misturavão o alcohol com os suecos das plantas, com o fim de poder conserval-as por algum tempo antes de prepararem-se os extractos, porém nunca fazião esta mistura com o fito de dal-a como remédio. ( § 267 bis. ) Ainda que partes iguaes de alcohol e de sueco resceutemente exprimidos geralmente sejão a proporção [117] que melhor convenhão para determinar a matéria fibrosa eaal- bumina, comtudo elle he uma das plantas mais carregadas de mucosidades, assim como a consolida, o amor perfeito, &c. que ordinariamente exigem o dobro de alcohol. Quanto ás plantas pouco abundantes em sueco, como o eloendro, o buxo, a sabina, o ledo <&c. , he preciso começar por moel-as em uma massa homogênea e humida o que ao depois se ajunta uma do- brada quantidade de alcohol que se une com o sueco vegetal, e permitte obtel-a pela acção da prensa, porém também se pôde moer estas pJantas seccas com o assucar de leite até ao millio- nesimo gráo de attenuação, e então dissolver-se um grão des- te pó e servir-se da dissolução para obter as diluições subse- quentes. ( Vede 271 ). ( § 268. ) Para conserval-as em forma de pó tem-se ne- cessidade d'uma precaução desusada até hoje nas pharmacias, onde se não as podem guardar sem que deixem de se alterar os pós de substancias animaes e vegetaes por mais seccos que estejão. He isto assim porque as matérias vegetaes ainda mes- mo que estejão perfeitamente seccas, sempre retém em si uma certa quantidade de humidade, condição indispensável á co- herencia de seu tecido, a qual não impede a droga ficar incor- ruptível tanto quanto se a deixe inteira, mas sim que se torna supérflua apenas se a pulverise. D'aqui resulta que uma subs- tancia animal e vegetal que inteiramente esteja secca, dá um pó ligeiramente humido , que pouco tarda em alterar-se e em- bolorecer-se nos frascos, por mais bem arrolhados que elles es- tejão, se não houve cuidado de levantar com antecedência sua humidade. A melhor maneira de se conseguir isto consiste em estendel-a sobre um prato de folha de Flandres com as bordas levantadas, que se aquece no banho-maria , e depois moer-se até que nas partes não se agglomerem mais juntas, mas sim que escorreguem umas sobre outras como areia fina. Deste mo- do seccas e conservadas em frascos tapados e sellados, os pós por jamais são inalteráveis e sempre conservão a totalidade de suas virtudes primittivas, sem nunca se embolorecer nem gerar bichinhos. He necessário ter o cuidado de conservar os frascos ao abrigo da luz nas caixas ou gavetas. Quando o ar tem acces- so nestes vasos, quando elles estão expostos á acção dos raios do sol ou da claridade diffusa, as substancias animaes e vege- taes perdem de mais ainda suas virtudes medicinaes, o que já lhes tem acontecido estando em grandes montes, e com mais forte razão na forma de pó. í § 270. ) Fundando-me sobre experiências multiplicadas [118] e observações cxaclasc querendo fixar um termo exacto e médio no desenvolvimento da virtude dos medicamentos líquidos, tenho sido obrigado a ordenar de se darem dous sacudimentos em cada frasco no lugar que eu antigamente dava mais, o quo muito desenvolvia o poder dos remédios. Homoeopathistas ha que no curso de suas visitas transportão comsigo os medica- mentos em forma de liquido, e affirmão elles que por isso as virtudes não se exaltão com o tempo. Sustentar tal these, he provar que o homem não possue um espirito observador bem rigoroso. Eu tenho dissolvido um grão de soda n'uma meia onça d'agoa misturada com um pouco de alcohol e sacudido sem interrupção pelo espaço de meia hora o frasco cheio nos terços que continha o licor, tenho achado depois que esta iguala- va a trigesima diluição em energia. ( § 271. ) Assim como mais minuciosamente se disse nos discursos que precedem o exposto dos symptomas dos medica- mentos que comprehendem o primeiro volume de meu Trata- do de matéria medica pura. [ § 272. ) Na verdade alguns homoeopathistas ensaiarão os casos em que um medicamento convínha em uma parte dos symptomas, e um segundo a uma outra, para darem os dous medicamentos por cada vez, ou quasi que ao mesmo tempo; porém eu seriamente previno-os de nunca tentarem semelhan- te manobra, visto que ella nunca será necessária, ainda mes- mo que por vezes pareça dever ser útil. ( § 274. ) O medico que raciocina contenta-se dar inte- riormente o remédio que elle tiver escolhido tão homceopa- thico como possivel, e deixará aos rotineiros as tisanas, as ap- plicações de saquinhos de ervas, as fomentações com cosimen- tos vegetaes, as lavagens, as fricções com tal ou tal espécie de unguento. ( § 276. ) Os elogios que alguns homceopathas fizerão nestes últimos tempos ás fortes doses, consistem elles por um lado, na escolha que fazião das primeiras deluições do medica- mento, assim como me acontecia a mim, ha vinte annos, quan- do ainda não estava bem esclarecido pela experiência; c por outro que os medicamentos por elles escolhidos não erão per- feitamente homaopalhicos. ( § 276 bis. ) Vede meu Tratado de matéria medica pura, t. I, p. 87. 117] ( § 277. ) Vede as obras do Dr. Jahr: Novo Manual de medicina homceopathico, 4.a edição, Paris, 1845, 4 vol. in-12. — Nova pharmacopéu e posologia homceopathicas, ou da pre- paração dos medicamentos, Paris, 1841, in-12. ( § 280. ) Que elles aprendão dos malhematicos que em qualquer numero de partes que se divida uma substancia, ca- da uma dessas parles contenha sempre parte da mesma subs- tancia, e que por conseqüência a mais pequena parcella que se possa imaginar nunca deixa de ser alguma cousa ! Que elles aprendão dos physicos que ha immensos poderes que não tem peso, como seja o calorico, a luz, &c. e que porisso mesmo el- les são infinitamente mais ligeiros ainda do que o conteúdo medicinal das mais pequenas doses da homoeopathia! Que elles pesem, se he que o podem fazer, as palavras ultrajantes que provocão uma febre biliosa, ou a noticia penosa da morte d'um filho unico, que faz perecer uma terna mãe! Que elles toquem durante um quarto de hora somente um irnan capaz de carregar cem arrateis, e as dores que elles sentirem lhes ensinaráõ que influencias imponderáveis também podem pro- duzir sobre o homem effeitos medicinaes os mais violentos ! Que os que são d'uma compleição fraca, facão suavemente applicar por alguns, minutos sobre a região do estômago a extremidade do polegar d'um magnetisador que tenha fixado sua vontade, e as sensações desagradáveis que experimentarem bem depressa os farão arrepender de ter querido assignar limites á actividade da natureza! O allopalhista que quer ensaiar o methodo homoeopathico e não começa por dar doses fracas e atenuadas, deve-se-lhe perguntarem qual pena incorre assim obrando. Porque se nes- sa dose nada ha de verdadeiro assim como ha de peso, se tudo quanto nella se encerra , deva ser igualado a zero, uma dose que lhe parecesse nada eer, não poderia ter outro resultado mais terrível, do que não produzir effeito algum, o que na ver- dade he coilza muito mais innocentedo que aquelles resultados que provém das fortes doses de medicamentos allopathicos. Porque razão quer elle fazer acreditar mais competente sua falta de experiência fianqueada em preconceitos , do que unia experiência de muitos annos c apoiada sobre factos ? Além disso, o medicamento homceopathico, em cada divisão ou de- luição, adquire um novo gráo de poder pelo choque que se lhe imprime, meio desconhecido muito antes de eu ter desen- volvido as virtudes in hércules nas substancias medicinaes, ode lal modo tão enérgicas, que nos últimos tempos, fui forcado 10 [118] pela experiência a reduzir a dous sacudimentos, que até então eu chegava a dar dez em cada deluição., ( §284. ) Supponhamos nós que uma gotta d'uma mis- tura que contém um décimo de grão de substancia medicinal produz um effeito s= a; uma gotta d'uma outra mistura conten- do somente um centésimo de grão dessa mesma substancia não produzirá mais do que um effeito = ~; se ella contém um dé- cimo millesimo de grão do medicamento o effeito será = — ; « se um millionesimo o effeito será = -£, e assim por diante, em igual volume de doses o effeito do remédio sobre o corpo hu- mano não se destroe mais do que perto da metade toda vez que sua quantidade diminua dos novedecimos daquillo que elle an- tesera. Eu vi muitas vezes uma gotta de tintura de noz-vomica no decillionesimo gráo de deluição, produzir exactamente a metade do effeito duma outra no quintilíionesimo gráo quan- do eu as administrava ambas a uma mesma pessoa e nos mes- mos casos. ( § 285. ) Neste caso o que melhor convém fazer-se, he envolver pequenos confeitos em assucar, da grossura d'um grão da semente de dormídeira. Um destes confeitos embebido do medicamento e introduzido na vehicula, fôrma uma dose con- tendo perto da terceira centésima parte d'uma gotta, porque trezentos confeitos desta sorte são sufficientemente embebidos por uma gotta de alcohol. Pondo-se um tal confeito sobre a lingoa, sem beber nada depois, consideravelmente se diminue a dose. Porém se o doente sendo muito sensível experimenta a necessidade de empregar-se a mais fraca dose possivel e en- tretanto de chegar ao mais prompto resultado, então conten- tar-se-ha com uma simples e única deluição. ( § 287. ) Quando me sirvo da palavra intima, quero dizer que sacudindo-se uma vez a gotta de liquido medicinal com gottas de alcohol, isto he, que tomando-se na mão o frasco que contém tudo, e fazendo-se mover com rapidez le- vando-se uma só vez o braço de alto a baixo com força, obter- se-ha logo uma mistura exacta, porém que dous, três ou dez movimentos semelhantes tornaráõ a mistura mais intima ainda, isto he, desenvolverão muito mais a virtude medicinal e de al- guma sorte também a força do medicamento, e assim tornaráõ sua acção sobre os nervos muito mais penetrantes. Logo to- da vez que se proceda á deluição das substancias medicinaes be de grande vantagem não dar mais do que dous choques em [119 | cada um dos vinte ou trinta frascos successivos, quando se queira moderadamente fazer desenvolver o poder activo. Tam- bém será bom estendendo os pós não insistir sobre a movedura no gral; assim quando for necessário misturar um grão do medicamento inteiro com os primeiros cem grãos de assucar de leite, só se deve moer com força por espaço de uma hora, tempo que tão pouco não deve ser excedido nas atenuações subsequentes, afim de que o desenvolvimento da força do re- médio não exceda além de todos os limites. ( § 287 bis.) Quanto mais longe se leva a deluição, ten- do cuidado de lhe dar por cada vez dous sacudimentos, mais a acção medicinal que a preparação exerce sobre a força vital no estado individuo parece adquirir rapidez e torna-se penetrante. Porisso sua força mui pouco diminue ainda mesmo que se leve a deluição a um gráo muito subido, e que em lugar de parar-se, como he costume, cm X, que quasi sempre he sufficiente, se vá até XX, L, C, e ainda adiante ; neste caso he a duração d'acção quem parece diminuir. ( § 288. ) Omittimos a nota que o autor aqui emprega, a qual já se acha nos Prolegomenes do primeiro volume de nossa traducçâo do Tratado de matéria medica pura, p. 93. Está em baixo do titulo de vaporosa, etc. até o fim do paragra- pho. [N. Trad.) ( § 289. ) A falta do olfato n'uiü doente não impede aos medicamentos que elle cheira deixem de exercer completa- mente sobre elle sua acção meéicinal e curativa. ( § 292. ) A fricção parece não favorecer a acção dos medicamentos senão naquilio que torna a pelle mais sensí- vel e a fibra viva mais apta, não só para de algum modo sentir a virtude medicinal, como também para communicar ao resto do organismo essa sensação modificadora 'do estado geral em que ella se acha. Quando se começa por esfregar entre as co- xas, basta ao depois applicar simplesmente a pomada mercu- rial para se obter o mesmo resultado medico como se se tivesse esfregado directamente com o unguento. Visto que ainda se ignora se esta ultima operação tom por effeilo ou fazer pene- trar o metal no corpo, ou fazel-o admittir pelos lymphaticos. No entanto que a houirropatliia por jamais ie?u necessidade de recorrer a taes medicamentos em fricções p.ara poder curar. § 293. A dose homrropathica per mais mínima que [ 120 ] cila seja obra muitas vezes milagres uma vez que seja conve- nientemente empregada. Não admira que os médicos incom- pletamente homoeopathistas imaginando-se redobrar de sabe- doria, prescrevão aos doentes atacados de affecções graves, do- ses mui pouco distantes de medicamentos diversos, aliás esco- lhidos homceopathicamente e empregados em gráos elevados de deluição. Assim os reduzem a um tal estado de sobre-exci- tação, que a vida e a morte se achão tomadas juntamente, e que he bastante ao depois o menor medicamento para o con- duzir a inevitável morte. Quando cm tal caso bastava um suave lance magnético, ou a applicação porém pouco demorada da mão de um homem bem intencionado sobre a parte que mais especialmente soffrc para que a harmonia se restabelecesse na repartição da força vital, se alcançasse o descanço, somno e cura. í § 293 bis. ) Ainda que a operação de completar lo- calmente a força vital, operação que he necessário repe- tir-se de tempos em tempos, não se possa aleançar cura du- rável uma vez que a affecção local sendo antiga, dependa co- mo quasi sempre acontece. d'um miasma interno geral, toda- via essa corroboração positiva, essa saturação immediata de força vital, que não he mais um pallíativo assim como não o são o comer e o beber na fome e na sede, não he fraco soccor- ro no tratamento real da affecção inteira pelos medicamentos homceopathicos. ( § 293 bis. ) Principalmente n'um desses homens que poucos ha , que com uma constituição robusta e grande bon- dade d'alma tem pouca propensão para os prazeres do amor, e que até podem mesmo sem muito custo deixar de satisfazer seus desejos, por conseqüência nestes todos os espíritos vitaes, aliás empregados na secreção do sperme, estão dispostos e com muita abundância a se communicar aos outros homens, pelo effeito de toques d'uma vontade firmo. Alguns magnetisadores que eu tive oceasião de conhecer, dotados de poder curar, se achavão coliocados nesta cathegoria. ( § 293 bis. ) Vede as obras de M. A. Teste. Manual pra- tico do magnetismo animal, 2.* edição. Paris, 1843, in 8.° O magnetismo animal explicado. Paris, 1845 in 8.° ( § 294. ) Tratando-se aqui da virtude curativa, certa e decidida do mesmerismo positivo , eu não fallo do abuso que por tantas vezes delle se tem feito, uma vez que renetindo-se 121 I esses passos durante meias horas inteiras ou mesmo dias, in- troduz-se naquellas pessoas cujos nervos são fracos esse enor- me trastorno da economia humana toda inteira que traz o no- me desomnambulismo, estado no qual o homem subtraindo ao todo dos sentidos, parece pertencer mais ao dos espíritos, esta- do contrario á natureza e extremamente perigoso, e por meio do qual por mais de uma vez se tem tentado para curar doen- ças chronicas. ( § 294 bis. ) He regra sahida que a pessoa que se quer magnetisar positiva ou negativamente, não deve trazer seda sobre parle alguma de seu corpo. ( § 294 bis. ) Por conseqüência um passo negativo, so- bretudo mui rápido, seria extremamente nocivo a uma pessoa atacada de fraqueza chronica, cuja vida não gozasse de energia. ( § 294 bis. ) Um joven e robusto camponez, de idade de dez annos, por causa de um incommodo passageiro, foi mag- netisado por uma mulher que lhe fizera certos lances com a extremidade dos dous pollcgares, na região precordial por ci- ma das costellas; ímmediatamente cahio em uma tal insensi- bilidade e immobilidade como se estivesse morto, de sorte que todos os meios forão imiteis pois que já se o julgava morto. Eu ordenei a um irmão mais velho que lhe fizesse um passo nega- tivo tão rápido quanto possivel desde o alto da cabeça até á extremidade dos pés, ímmediatamente tornou a si cheio de saude como se nada lhe tivesse acontecido. N. li. Não tive tempo de traduzir nem de rever estas not- tas e a introducção: forão por outrem traduzidas, e por outrem vistas as provas. Da-las-hei melhores em nova edição que bre- ve sahirá. J. V. Martins.